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Numero do processo: 11831.002406/2001-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva..
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 31 .0 02 40 6/ 20 01 -5 0 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11831.002406/200150 Resolução nº 1401000.166 S1C4T1 Fl. 405 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1616.110, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “Em 11/10/2001, a interessada protocolizou, junto à CAC/DRF/SPO, pedido de RESTITUIÇÃO (fls.01 e 02), cumulado aos pleitos de COMPENSAÇÃO, objetivando o aproveitamento de SALDOS NEGATIVOS de IRPJ no valor de R$ 8.358.235,61 e de CSLL de R$ 1.961.317,17, relativos a retenções efetuadas durante o anocalendário de 2001, com vistas à quitação de débitos de períodos de apuração dos anoscalendário subseqüentes. Em 14/09/2006, a DERAT/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 75/77), DEFERINDO o pedido da interessada no valor de R$ 648.560,77 para a CSLL e indeferindo o pleito de IRPJ. O deferimento parcial do pedido de restituição se deu pelos motivos a seguir expostos. ∙O pleito de restituição de IRPJ já foi analisado no processo de nº 11610.006.913/200329 (fls.52/55) não sendo objeto de verificação nos presentes autos; ∙Tem direito a um crédito de R$ 648.560,77, decorrente de antecipações da CSLL, durante o anocalendário de 2001. A contribuinte inconformada com a decisão da DERAT/SPO recorreu a esta DRJ em 22/12/2006 (fls.102/141), alegando, o seguinte: ∙Os créditos tributários de débitos da COFINS e do PIS foram liquidados pelas compensações realizadas pela contribuinte em 11/10/2001 e 21/11/2001, uma vez que ultrapassou o prazo de 5 anos previsto no §5º do art.74 da Lei nº 9.430/96 c/c art.29 da IN SRF nº 600/05; ∙Não poderia a autoridade fiscal deixar de se manifestar quanto ao direito creditório de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, tendo em vista que apresentou pedido de retificação no processo de nº 11610.006913/200329. No referido processo, a interessada requer a utilização de saldo negativo apurado no anocalendário de 2002 e não como pleiteado originalmente em que pedia a restituição do saldo negativo do anocalendário de 2001. Pede, portanto, a análise da restituição do IRPJ do anocalendário de 2001 no presente processo; ∙A correção pela SELIC do valor reconhecido pela autoridade fiscal teria como termo inicial a data de 01/10/2001, tendo em vista a incorporação da Aventis Pharma Ltda pela requerente no exercício encerrado em 01/09/2001 (art.52, §1º, IN SRF nº 600/2005); ∙Constatase erro material na ementa do despacho decisório tendo sido reconhecido saldo negativo de IRPJ e não CSLL; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11831.002406/200150 Resolução nº 1401000.166 S1C4T1 Fl. 406 3 ∙A decisão administrativa está eivada de vícios que provocam sua nulidade (ausência de análise do pleito de restituição do IRPJ e erro na ementa da decisão). Portanto, necessária nova decisão corrigindo as inconsistências ora apontadas; ∙Os pedidos em DCOMP protocolizados em 11/10/2001 e 21/11/2001 estão homologados tacitamente em virtude no disposto no §4º do art.74 da Lei nº 9.430/96 (pendentes de decisão desde 01/10/2002). A ciência da Decisão ocorreu em 22/11/2006 que é a data para a verificação da homologação tácita; ∙Houve cerceamento de defesa, pois a autoridade fiscal se omitiu ao não requerer documentação para a prova da verdade material dos fatos alegados pela interessada. Nula, dessa forma, a decisão proferida pela SRF; ∙Pede, por fim: ∙O reconhecimento da ocorrência da homologação tácita dos débitos do PIS e da COFINS cujos pedidos de compensação foram protocolizados em 11/10/2001 e 21/11/2001; ∙Proferimento de nova decisão anulandose a anteriormente proferida; ∙Termo inicial da correção pela taxa SELIC a partir de 01/10/2001; ∙Utilização do saldo negativo da CSLL e não do IRPJ no processo de representação nº 10880.721.274/200625.” A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. HOMOLOGAÇÃO. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito.” Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. De importante para o caso é a alegação da recorrente de que a autoridade fiscal deixou de se manifestar quanto ao direito creditório de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, tendo em vista que apresentou pedido de retificação no processo de nº Fl. 408DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11831.002406/200150 Resolução nº 1401000.166 S1C4T1 Fl. 407 4 11610.006913/200329 ao qual o presente processo encontrase apensado. Por outras palavras, alegou naquele processo, relativamente ao anoscalendário de 1999 e 2001, que deixou de existir a causa para a apreciação do mérito, uma vez desdobrados em outros processos que estão em trâmite perante a repartição competente, no caso para o anocalendário de 2001 seria o presente processo (11831.002406/200150). Acontece que em 10 de novembro de 2010 este Conselheiro propôs e foi aceito por unanimidade, pelo colegiado da 1a Turma ordinária da 4a Câmara da 1a Seção, anular a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ – São Paulo I, proferida nos autos do processo n 11610.006913/200329 determinando o retorno dos autos para novo julgamento. (Acórdão nº 140100.345). O presente processo através de despacho ficou sobrestado até o proferimento da segunda decisão da DRJ. E o motivo determinante da anulação foi justamente o desconhecimento da retificação solicitada naqueles autos. Eis um trecho relevante do referido Acórdão dando conta da repercussão no presente processo: Cabe salientar que esse fato é deveras relevante, pois repercute em outros processos, tais como o processo nº 11831.002406/200150, onde a recorrente solicita restituição do saldo negativo do IRPJ e CSLL de 2001, alegando nesses autos que “Não poderia a autoridade fiscal deixar de se manifestar quanto ao direito creditório de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, tendo em vista que apresentou pedido de retificação no processo de nº 11610.006913/200329. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11831.002406/200150 Resolução nº 1401000.166 S1C4T1 Fl. 408 5 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como o julgamento deste processo se deu em conjunto com o julgamento do processo n. 11610.006913/200329 no qual se deu o deslinde da questão relevante aqui ora em lide, adoto como razões de decidir desta diligência os mesmos termos adotados no referido processo: Alega cerceamento do direito de defesa, uma vez que em 05/05/2004 a Recorrente protocolizou pedido de retificação do pedido original, excluindo os créditos dos valores dos períodosbase de 1999 e 2001, mantendose apenas os créditos referentes ao anocalendário de 2002 (DIPJ 2003) no valor total RETIFICADO de R$ 8.036.815,80. Essa informação encontrase apensa ao processo (folhas 435 a 437). De fato, às fls. 435 a 437, encontrase o pedido de retificação referido pela Recorrente, alterando os créditos envolvidos: ALTERAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO REF. A PROCESSO N° 11610.006913/200329 AVENTIS PHARMA LTDA., pessoa jurídica de direito privado, com sede à Av. Marginal do Rio Pinheiros, 5.200 Edifício Atlanta Morumbi São Paulo/SP, inscrita no CNPJMF sob o n° 02.685.377/000157, vem respeitosamente a presença de V. Exa., requerer a substituição da Declaração de Compensação entregue em 13 de maio de 2003 (processo n° 11610.006913/200329), pela Declaração de Compensação anexa. A retificação fazse necessária devido à alteração do crédito tributário utilizado para efetuar as compensações dos débitos de PIS e COFINS apurados no mês de abril de 2003. Anexamos ainda, para sua apreciação, cópia da Declaração de Compensação original, entregue em 13 de maio de 2003. Termos em que, pede deferimento. ....................................................................................................................... (...) Compulsandose os autos, não se verificou em momento algum que a DRF tenha respondido a essa solicitação. Às fls. 574, consta o 2º pedido de Retificação relacionado apenas aos débitos, ora retificando o 1º pedido de retificação que se reportava a alterações nos créditos: AVENTIS PH ARMA LTDA., já qualificada no processo em epígrafe, vem respeitosamente à presença de V. Exa, requerer a substituição da Declaração de Compensação entregue em 05.05.2004 (processo n° 11610.006913/200329), pela Declaração de Compensação anexa. A retificação se faz necessária pois na Declaração de Compensação entregue em 05.05.2004, o valor devido a título de PIS foi integralmente declarado sob o código 8109, quando parte do valor referese ao PIS nãocumulativo (código 6912). Esclarece Fl. 410DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11831.002406/200150 Resolução nº 1401000.166 S1C4T1 Fl. 409 6 outrossim, que a compensação do débito de PIS nãocumulativo foi devidamente formalizada através da entrega da DCOMP eletrônica n° 08013.16845.221104.1.3.021600. Às fls. 601, consta o seguinte despacho da DRF: Tendo em vista a petição de fls. 574, que solicita a substituição da Dcomp entregue em 05.05.2004, pela de fls. 575, encaminhese o presente processo à ECRER/DIORT/DERAT, para proceder os devidos ajustes, se for o caso. ... Às fls. 607, consta deferimento da petição de fls. 574 (2a retificação): Considerando que a petição de fls. 574 enquadrase no art. 57 da IN/SRF n° 460/2004 e considerando que verificamos incorreção na data de valoração das compensações efetuadas, proponho o encaminhamento do presente processo a SAARF/DICAT/DEINF/SPO (0117290.5) para que sejam cancelados os DARF's de fls. 602 a 606 com posterior retorno a esta ECRER para conclusão dos trabalhos de compensação. Cabe salientar que todos esses fatos aconteceram antes do encaminhamento do processo para que a DRJ analisasse a manifestação de inconformidade, mas não foram relatados no seu Acórdão. Cabe salientar que esse fato é deveras relevante, pois repercute em outros processos, tais como o processo nº 11831.002406/200150, onde a recorrente solicita restituição do saldo negativo do IRPJ e CSLL de 2001, alegando nesses autos que “Não poderia a autoridade fiscal deixar de se manifestar quanto ao direito creditório de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, tendo em vista que apresentou pedido de retificação no processo de nº 11610.006913/200329.” Em resumo, pleiteiou a recorrente a nulidade do feito naquele processo, uma vez que a autoridade fiscal deixou de se manifestar quanto ao direito creditório de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, tendo em vista que apresentou pedido de retificação no presente processo ( 11610.006913/200329). Outrossim, a falta dessa análise gerou as seguintes dúvidas. A DRF ao referendar o segundo pedido de retificação amparou implicitamente o primeiro? Mas, se esse é o caso a Decisão DRJ foi de encontro a essa retificação, pois tratou justamente de analisar aquilo que deveria ter sido excluído da análise (períodos de 1999 a 2001). Se não referendou, então deixou de se pronunciar sobre o primeiro pedido de retificação gerando cerceamento do direito de defesa e a DRJ amparou esse estado de coisas. Esta Câmara tem se pautado, sempre, na esteira da ampla possibilidade de defesa, que confere maior força ao julgamento proferido. Foi nesse contexto, para que se evitasse o cerceamento do direito de defesa, é que esta turma entendeu ANULAR o processo a partir da decisão recorrida para que nova fosse prolatada, sanando a omissão. A DRJ, então, proferiu nova Decisão através do Acórdão nº 1630.542, em 30 de março de 2011, reiterando os mesmos termos da decisão anterior e aduzindo em complemento no que tange ao motivo principal da anulação o seguinte: Fl. 411DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11831.002406/200150 Resolução nº 1401000.166 S1C4T1 Fl. 410 7 A interessada requer a retificação da Declaração de Compensação após decisão administrativa. Ocorre que tal procedimento não é permitido e, portanto, as referidas retificações não produzem efeito. Para maiores esclarecimentos convém reproduzir a legislação que regulamentou a compensação de tributos. Oartigo 74 da Lei n° 9.430/1996 com as alterações introduzidas pelas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, dispõe "in verbis”: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo nu compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (...) Da norma acima reproduzida é possível aferir que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Com efeito, por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do conteúdo Assim, os pedidos apresentados pela contribuinte para alteração da Declaração de Compensação não podem ser admitidos, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação. Ademais, deve ser observado o disposto no artigo 56 da IN SRF n° 460 de ] 8/10/2004 (cujas disposições foram seguidas pelo artigo 57 da IN SRF n° 600 de 28/12/2005 e pelo artigo 77 da IN SRF n° 900 de 30/12/2008 atualmente em vigor), que admite a retificação da DCOMP apenas quando a mesma ainda se encontrar pendente de decisão administrativa. Por relevância, cabe ressaltar que o descabimento da retificação da DCOMP após a decisão administrativa também é reconhecida na jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual CARF), conforme explicitam, a título ilustrativo, os seguintes arestos: "DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRP.J informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. "(Grifei). Fl. 412DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11831.002406/200150 Resolução nº 1401000.166 S1C4T1 Fl. 411 8 Acórdão 10517130, Processo 13807.003132/200491, Rei. Waldir Veiga Rocha, sessão de 13/08/2008 "IRPJCOMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE PIS E COFINS RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Incabível a retificação da Declaração de Compensação, Dcomp, quando já existir decisão administrativa que analisou pedido anteriormente formulado. "(Grifei). Acórdão 10809604, Processo 10675.000103/200180. Rei. Karem Jureidini Dias, sessão de 17/04/2008 Quanto à análise dos pedidos de retificação realizados pela DRF, conforme exposto no relatório, estes foram indeferidos, conforme verificase da Intimação n° 2.153 da DERAT/DIORT/ECRER/SP (fl. 654) que dá ciência a contribuinte do demonstrativo das compensações efetivadas e da não admissão das requeridas retificações: "No termos dos artigos 56, 57 e 58 da IN/SRF n° 460/2004, fica o contribuinte ciente de que não mais serão admitidas retificações das Declarações de Compensação vinculadas ao crédito discutido no processo em epígrafe. " Não há dúvidas de que quando a intimação afirma não serem admitidas retificações ela se refere a todos os pedidos formulados nesse sentido, mesmo porque o pedido de fl.574 se refere explicitamente ao de fl. 435, pois requer sua substituição. Em que pese o merecido respeito a que faz jus o ilustre conselheiro relator do acórdão 140100.345 (fls. 898 a 901), peço vénia para dele discordar quanto à afirmação de que a DRF referendou o segundo pedido de retificação. Todo o equívoco partiu do despacho de fl. 607 que aduz: "Considerando que a petição de fls. 574 enquadrase no art. 57 da IN/SRF^i" 460/2004 e considerando que verificamos incorreção na data de valoração das compensações efetuadas, proponho o encaminhamento do presente processo a SAARF/DICA T/DEINF/SPO (0117290.5) para que sejam cancelados os DARl7's de fls. 602 a 606 com posterior retorno a esta ECRER para conclusão dos trabalhos de compensação. " (Grifei). O referido despacho interno (sem ciência para o contribuinte) apenas propõe que o processo seja encaminhado para análise, ou seja, não houve deferimento algum à contribuinte. Contudo, este despacho está claramente errado no que tange a considerar que a referida petição se enquadra no artigo 57 da IN SRF n° 460/2004, primeiro porque não c hipótese de inexatidão material e, depois, como já exposto, porque o artigo 56 da mesma instrução normativa só permite a retificação de DCOMP que se encontre pendente de decisão administrativa. A contribuinte não se encontrava pendente de decisão administrativa, cujo conceito é determinado pelo disposto no artigo 73 da IN SRF n° 460/2004, in verbis: "Ari. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 56, 61 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Deinfi IRFClasse Especial ou ÁLF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. " Fl. 413DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11831.002406/200150 Resolução nº 1401000.166 S1C4T1 Fl. 412 9 Em prosseguimento ao despacho de fl. 607, verificase que a DRF, tendo efetuado todas as providências a ela cabíveis, concluiu pela improcedência dos pedidos de retificação e cientificou a contribuinte por meio da já citada intimação n° 2.153 de fl. 654, não havendo que se falar em cerceamento de defesa. Em que pese da DRJ ter esclarecido o ocorrido, em nome do princípio da verdade material e para que não se dê azo a enriquecimento ilícito do Estado, aceito o pedido de retificação, pois como se verifica por todo o contexto das provas e defesas produzidas pela Recorrente tratouse de erro material na indicação dos Perdcomps. Ademais os pedidos de retificação não foram claramente produzidos. Tanto houve obscuridade e falta de clareza que nem mesmo este Julgador conseguiu entender o ocorrido, motivando inclusive a anulação da decisão da DRJ para que a matéria fosse enfrentada a contento e não cerceasse o direito de defesa do Contribuinte. Outrossim, as decisões da DRJ, tanto a primeira quanto a segunda, não analisaram a existência dos documentos juntados às fls. 748/843 do presente processo administrativo, que segundo a Recorrente daria conta de desfazer a glosa do IRRF efetuada pelo despacho decisório de fls. 47/50, impactando no saldo negativo do ano calendário de 2002 Outro grande problema apontado pela Recorrente, também produto de erro de fato no preenchimento das Declarações de Compensações, foi a não consideração no saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999 pela empresa incorporada denominada "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/0001 52), no valor original, segundo a Recorrente, de R$ 3.337.566,00 em que a ela estariam vinculadas várias Dcomps. Dessa forma, em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, deve se permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto em que há divergência facilmente perceptível entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. Nesse contexto, inclinome pela realização de uma diligência para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Considerar retificada a Declaração de Compensação protocolizada em 13/05/2003 (fls. 01/02) para a exclusão do crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial) dos presentes autos, transferindo a análise do crédito para o Processo Administrativo n° 11831.002406/200150, ora apensado a este. Considerar, portanto, que no presente processo só trata do Saldo negativo do anocalendário de 2002 e suas compensações. Averiguar a certeza e liquidez do crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 apurado pela "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152), incorporada pela Recorrente em 30/10/2003, no valor original de R$ 3.337.566,00. Isso deve ser feito nos autos do processo n° 11831.002406/200150, ora apensado a este. Tratandose de compensação tributária e existindo dois ou mais débitos, a regra é de que no procedimento de compensação deverá ser observada a ordem dos débitos indicados pela Recorrente e também a ordem crescente dos prazos de prescrição.Portanto, para os débitos de 2001 que foram compensados nos Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 e como são anteriores aos débitos (todos de Fl. 414DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11831.002406/200150 Resolução nº 1401000.166 S1C4T1 Fl. 413 10 2003) informados na DCOMP que deu origem ao Processo Administrativo n° 11610.006913/200329, de modo que o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2001/2001 (evento especial) deve ser utilizado, em primeiro lugar, para compensação dos débitos objeto do Processo n° 11831.002406/200150. Prosseguir na validação do saldo negativo do anocalendário de 2002, dessa feita analisando os documentos de fls. 748/843 não analisados pela DRJ. Conforme consta do seu Recurso, a Recorrente afirma que nos documentos de fls. 748/843, apresentou: (I) planilha demonstrativa da composição do IRRF incidente sobre as operações de mútuo; (II) cópia dos comprovantes de recolhimento do Imposto de Renda pelas fontes pagadoras (DARFs); (III) cópia de informes de rendimentos emitidos por fontes pagadoras; e (IV) cópia das páginas do "Livro Razão", comprovando o registro contábil das retenções do Imposto de Renda. Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide, não se apegando única e exclusivamente na existência de informes de rendimentos, uma vez que esta Câmara entende que existem outros meios de se provar também as retenções. Após as verificações acima e apurar a certeza e liquidez do crédito tributário em referência, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Para efeito de controle da autoridade executora, o presente processo foi julgado em conjunto com o processo n. 11831.002406/200150, também baixado em diligência, ora apensado ao presente processo. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 415DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10480.721976/2009-64
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Lucro Presumido. Devolução de Bem à Sócio. Ganho de Capital.
A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeita-se à submeter-se às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro. O ganho de capital na devolução de bem do Ativo Permanente à sócio retirante da pessoa jurídica é a diferença entre o valor contábil do bem e aquele que constou na alienação e deve ser somada à base de cálculo do IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Lucro Presumido. Devolução de Bem à Sócio. Ganho de Capital. A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeita-se à submeter-se às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro. O ganho de capital na devolução de bem do Ativo Permanente à sócio retirante da pessoa jurídica é a diferença entre o valor contábil do bem e aquele que constou na alienação e deve ser somada à base de cálculo do IRPJ.
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DEVOLUÇÃO DE BEM À SÓCIO. GANHO DE CAPITAL. A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeitase à submeterse às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro. O ganho de capital na devolução de bem do Ativo Permanente à sócio retirante da pessoa jurídica é a diferença entre o valor contábil do bem e aquele que constou na alienação e deve ser somada à base de cálculo do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 19 76 /2 00 9- 64 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa recorre do Acórdão nº 1133.938/11 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE, fls. 469 a 480, que decidiu julgar procedente em parte o lançamento tributário consubstanciado nos Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos ao anocalendário de 2005, no valor total de R$ 141.418,31. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 03 a 06), da contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 11 a 14), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 20 a 22) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 28 a 30), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 141.418,31 (valores principais, multas e juros). De acordo com o Termo Verificação Fiscal (fls. 35 a 42), o lançamento decorreu da não inclusão de rendimentos de aplicação financeira e de ganho de capital na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (lucro presumido), e da não adição desses mesmos rendimentos de aplicação financeira à base de cálculo do PIS e da COFINS. Apresentaramse impugnações (fls. 358 a 362, 386 a 390, 412 a 416 e 439 a 443) contrapondose, em síntese, que: a) os valores considerados como retenções, informados em DIRFs, iriam de encontro aos registrados nas notas fiscais emitidas pelos tomadores de serviços, as quais não teriam sido analisadas corretamente. Não teria havido compensação do "imposto retido na fonte a maior no primeiro trimestre de 2005"; b) não teria havido ganho de capital; c) a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, pela lei n° 9.718, de 1998, violaria o disposto no art. 110 do CTN; d) a aplicação da taxa Selic, na cobrança dos juros de mora, seria ilegal; e) a cobrança da multa de ofício de 75% seria incabível, "pois, além do auto de infração está nulo de pleno direito, a mesma não enseja tal punição por se tratar de tributo lançado". Requereuse, por fim, cumulativamente, a anulação dos autos de infração, a sua improcedência, a observação do art. 112 do CTN e deferimento de "todos os meios de prova", inclusive diligência e perícia. [...] VOTO [...] Consoante Termo de Verificação Fiscal, além de não ter sido adicionada ao lucro presumido, em todos os trimestres do ano calendário de 2005, a receita financeira registrada nos livros contábeis, o valor registrado, no montante de R$ 128.484,11, revelouse inferior aos rendimentos das aplicações financeiras informados pelo ITAUCARD FIN S/A (DIRF das fls. 97 e 98), relativos a esse mesmo ano, no montante de R$ 238.668,29 — motivo por que estes foram adicionados aos lucros presumidos trimestrais apurados (consideraramse na recomposição os respectivos valores retidos pela instituição). Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.721976/200964 Acórdão n.º 1801001.864 S1TE01 Fl. 3 3 [...] Não é possível concordar com a defesa. Vêse, claramente, as suas contraposições não se dirigem à infração que se constatou, ou seja, tratam de suposta divergência entre valores de retenção informados em DIRF, por supostos "tomadores de serviços", e os informados nas respectivas notas fiscais. [...] Do ganho de capital. Consoante Termo de Verificação Fiscal, deixouse de adicionar ao lucro presumido, para efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL do terceiro trimestre do anocalendário de 2005, lucro apurado na alienação de imóvel, registrado no ativo permanente. Segundo a defesa, não teria havido ganho de capital a ensejar a sua adição no cálculo do lucro presumido, pois (sic) tratase de cessão de cotas da sociedade sem recebimento de moeda corrente e legal do país, ou seja, nesta operação não houve nenhum recebimento de numerário, apenas transferência de propriedade de bens através de escritura pública de dação em pagamento, conforme alteração contratual registrada na JUCEPE, enquadrandose assim, nos termos da Instrução normativa n° 104, de 240898 com adoção do reconhecimento de receitas pelo regime de caixa. Não há assentir com o argumento. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o ganho decorreu da transferência de imóvel, de propriedade da empresa, feita por meio de escritura pública de dação em pagamento, para a sócia Tânia Maria de Moraes Collier, em virtude de sua saída da sociedade e transferência das respectivas cotas do capital para o sócio José Cândido Dias Collier, não havendo, com efeito, recebimento de numerário. Não quer isso significar todavia que não restou configurado ganho de capital ou que o resultado (diferença entre os valores das cotas do capital social e demais direitos, no montante de R$ 200.000,00, e o preço do imóvel, registrado na contabilidade pelo valor de R$ 150.000,00) não deva compor o lucro presumido, à conta de (supostamente) ter sido feito o reconhecimento de receita pelo regime de caixa. Isso resta evidente da leitura do art. 3° da IN n° 84, de 11 de outubro de 20011, e inciso II do art. 25 da Lei n° 9.430, que se transcrevem: [...] Como se vê, o ganho de capital se constitui em parcela autônoma na composição do lucro presumido; não se condicionando a sua adição, portanto, ao regime de reconhecimento da receita. De maneira que correta foi a constituição do respectivo crédito. Da base de cálculo do PIS e da Cofins. Substancialmente, contrapôsse na impugnação que o alargamento da base de cálculo das contribuições, promovido pela Lei n° 9.718, de 1998, que considerou como receita bruta (faturamento) a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da classificação contábil adotada, seria inconstitucional, de sorte que a inclusão dos rendimentos de aplicação financeira nas bases de cálculo das contribuições teria sido indevida. Assiste razão à defesa. Com efeito, no julgamento dos Recursos Extraordinários (RE) n°s n°s 390.840, 346.084 e 358.273, o Supremo Tribunal Federal (STF) Fl. 506DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 considerou inconstitucional a alteração trazida pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, relativamente à definição da base de cálculo das contribuições, por meio de acórdãos do Tribunal Pleno. Considerando o que dispõe o inciso I do art. 26A do Decreto 70.235, de 19722, portanto, devese afastar a aplicação do dispositivo, para não considerar os referidos rendimentos como inclusos nas bases de cálculo, exonerandose o respectivo crédito. [...] Assim, ante todo o exposto, voto por considerar procedente em parte a impugnação, para exonerar o crédito do PIS e da Cofins, no montante de R$ 8.711,32 (valores principais), e manter o crédito do IRPJ e da CSLL, no montante R$ 55.423,85 (valores principais), que deve ser exigido com aplicação da multa de ofício (75%) e juros de mora, consoante legislação de regência.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 492 a 494, argumentando, em síntese: “A recorrente nos termos da instrução normativa n. 104, de 240898 adotou o critério de reconhecimento das receitas pelo regime de caixa, ou seja, tributação de seus rendimentos na medida dos recebimentos. No presente caso, não ocorreu ganhos de capital, pois, tratase de cessão de cotas da sociedade sem recebimento de moeda corrente e legal do país, ou seja, nesta operação não houve nenhum recebimento de numerário, apenas; transferência de propriedade de bens através de escritura pública de dação em pagamento, conforme alteração contratual registrada na JUCEPE, acostada aos autos ás fls. 139/144 dos autos; Ademais que, o inciso II do artigo 43 do CTN considera ocorrido o gato gerador do imposto de renda quando houver acréscimo patrimonial. A jurisprudência deste Conselho e da CSRF é mansa e pacifico no sentido de que o acréscimo patrimonial é tributável pelo imposto de renda quando não tiver origem em rendimentos tributáveis, isentos, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Posto isso, resta comprovado que a recorrente não está sujeita a ganho de capital no presente caso; B COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO A MAIOR Ás folhas 43 dos autos consta demonstrativo elaborado pela Sra. Auditora Fiscal autuante apresentando no primeiro trimestre valor de imposto de renda pago a maior e não considerado pela referida senhora, ou seja, existe o valor de R$ 798,06 (setecentos e noventa e oito reais e seis centavos) pagos a maior não considerado nos cálculos apurados pela referida senhora restando incorreta à apuração supra; Em verdade, deverá ser compensado o valor acima mencionado para efeito da correta apuração do crédito tributário pretendido; C BASE DE CÁLCULO INCORRETA Ás folhas 43 dos autos consta demonstrativo elaborado pela Sra. Auditora Fiscal autuante apresentando no segundo trimestre base de cálculo com pequena diferença, mais, diferença que existe, ou seja, ao invés de R$ 693.136,91 o valor correto é R$ 693.136,91; Também, no valor do adicional do imposto de renda do quatro trimestre, ao invés de R$ 19.096,74, o valor correto seria R$ 19.056,74, mais, que não poderá ser 1 AR – 30/04/2012, efls. 490; Recurso – 28/05/2012, efls. 492 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.721976/200964 Acórdão n.º 1801001.864 S1TE01 Fl. 4 5 considerado face o ganho de capital está indevido como componente da base de cálculo do imposto, conforme descrito anteriormente;” É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. I) Do Ganho de Capital tributado A recorrente é optante pelo regime de tributação para a apuração do Lucro na forma Presumida. Dispõem os artigos 238 e 521 do Regulamento do Imposto de Renda vigente – Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) a respeito da matéria: Devolução de Capital em Bens e Direitos Art. 238. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22). § 1º No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto devido pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22, § 1º). [...] GANHOS DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. Constatase, portanto, que no procedimento fiscal a norma tributária foi aplicada corretamente, tributando a diferença (R$ 50.000,00) entre o valor contábil do bem do Fl. 508DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 ativo permanente (R$ 150.000,00) e aquele que constou na escritura de dação em pagamento ao sócio retirante da pessoa jurídica (R$ 200.000,00). A legislação tributária, observese, não exige o recebimento efetivo de numerário pela pessoa jurídica como condição necessária para impor a tributação do ganho de capital. Nada a reparar no acórdão guerreado ou no lançamento tributário, neste tópico. II) Da Compensação do Imposto de Renda Pago a Maior e das Bases de Cálculos Incorretas Não merecem acolhidas as contestações da recorrente no que respeita este assunto. Verificase às efls. 9 do Auto de Infração de IRPJ que a diferença acusada de R$ 798,06 foi devidamente considerada na lavratura do referido auto, consoante “Demonstrativo de Compensação de Valores”. De igual forma, verificase que na efl. 8 está corretamente consignado o adicional de IRPJ lançado de ofício, calculado sobre a receita omitida pela empresa, a título de aplicações financeiras e ganho de capital. Também em relação à soma dos valores auferidos nos meses de abril, maio e junho, a título de receita bruta, que compõem a receita do 2º trimestre conferese o valor consignado pela autora do procedimento, em R$ 693.136,91. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 509DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16327.900273/2008-79
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Ausente o Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Ausente o Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 00 27 3/ 20 08 -7 9 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900273/200879 Resolução nº 1802000.388 S1TE02 Fl. 251 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em suposto pagamento a maior da IRPJ – Estimativa Mensal do período de apuração 30/06/2002, recolhido através de DARF no código 2319 em 31/07/2002. O débito que se tentou compensar é de IRPJ – Estimativa Mensal do período de apuração 30/09/2003, cujo valor corresponde ao montante de R$ 136.611,59 (cento e trinta e seis mil e seiscentos e onze reais e cinqüenta e nove centavos). Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o Relatório proferido pela 8a Turma da DRJ/SP1, consoante Acórdão n° 16 31.956, às efls. 118/119: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 09 a 12) a Despacho Decisório nº (de Rastreamento) 757860584 (fl. 02), de 24/04/2008, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP 39210.23971.311003.1.3.046602 (fls. 65 a 70). 2. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 31/07/2002, de R$ 8.063.999,78, código de receita 2319 (IRPJ ENTIDADES FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL), relativo ao período de apuração de 30/06/2002, do qual seria parte o montante de R$ 108.801,84 declarado na DCOMP como indevido ou a maior (fl. 67), fora integralmente utilizado na quitação de débito do interessado, não restando, assim, crédito disponível para a liquidação do débito declarado para compensação. 3. Em conseqüência, apurou valor devedor consolidado para pagamento até 30/04/2008, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 136.611,59, de principal, R$ 87.923,21, de juros, e de R$ 27.322,31, de multa. 4. Cientificado da decisão em 02/05/2008 (fl. 78), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 30/05/2008 (fl. 09), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 108.801,84, seria líquido e certo porque resultante do recolhimento de R$ 8.063.999,78, em DARF (fl. 60), relativo à IRPJEstimativa de 06/2005, em montante maior do que o valor correto, de 7.955.197,94 (R$ 108.801,84 = R$ 8.063.999,78 R$ 7.955.197,94), constante da DIPJ do referido ano (fl. 24); ii) o mencionado valor de recolhimento teria, ainda, sido declarado na DCTF do 2º trimestre de 2002 (fl. 64), a qual, porém, teria sido retificada, em 20/05/2008 (fl. 71), para conter o valor correto (fl. 74); Fl. 251DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900273/200879 Resolução nº 1802000.388 S1TE02 Fl. 252 3 iii) assim, existiria crédito disponível para a compensação dos débitos declarados, com base no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e no artigo 165 do CTN. 5. É o Relatório. Na análise do caso, entendeu a nobre turma julgadora pela improcedência da Manifestação de Inconformidade interposta pela ora recorrente às efls. 9/12, conforme sintetizado pela seguinte ementa (efls. 116): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CRÉDITO DE PAGAMENTO ALEGADAMENTE A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação de que determinado débito de IRPJ teria sido pago a maior, como também declarado a maior em DCTF, mesmo posteriormente retificada, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de documentos, registros e demonstrativos que evidenciem, de forma cabal, a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento e o preenchimento da DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da manutenção do lançamento através do Acórdão supracitado em 14/07/2011, a recorrente denotando sua irresignação apresentou Recurso Voluntário em 12/08/2011, às efls. 125/145, aduzindo em apertada síntese: i) pelo reconhecimento da tempestividade na proposição recursal realizada, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972; ii) pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário constante no referido Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 151, III do Código Tributário Nacional e §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; iii) pelo reconhecimento do direito líquido e certo do crédito pleiteado, o que comprova por meio da juntada de cópia do DARF recolhido e DIPJ do período, que determina o valor efetivamente devido do tributo, e pela “homologação tácita” do valor ali declarado como devido; Fl. 252DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900273/200879 Resolução nº 1802000.388 S1TE02 Fl. 253 4 iv) que a divergência entre DCTF e DIPJ não pode ilidir seu direito creditório, dado que a DCTF é obrigação “acessória”, sendo a formalização do crédito tributário documentalmente representada pela DIPJ e que deste fato, não pode ser negado seu direito ao crédito de recolhimento a maior (a recorrente expressamente dispõe que o crédito tributário declarado em DCTF para esse tributo foi ‘informado com erro’) e; v) que houve cerceamento do direito de defesa no momento de produção das provas, pois a autoridade julgadora analisou o direito creditório apenas à luz da DCTF, e não nos demais documentos apresentados que comprovam seu direito creditório, especialmente no que consta na DIPJ. Ao final, pede pela procedência de seu recurso e pela homologação de sua compensação. É o relato do essencial. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900273/200879 Resolução nº 1802000.388 S1TE02 Fl. 254 5 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade determinados pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dele, tomo conhecimento. A interposição de recurso na esfera administrativa feita de forma tempestiva, suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN), e especificamente in casu, que trata de não homologação de compensação, ao §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Feitas essas considerações, passase à análise central do pleito, que envolve o reconhecimento do direito creditório pleiteado na PER/DCOMP, na forma do recolhimento a maior do IRPJ – Estimativa Mensal do período de apuração de 30/06/2002. Como se extrai do relatório, o contribuinte efetuou o recolhimento do IRPJ – Estimativa Mensal, em DARF com as seguintes características (efls. 60): 02 Período de Apuração 30/06/2002 03 Número do CPF ou CGC 43.073.394/000110 04 Código da Receita 2319 05 Número de Referência 06 Data de Vencimento 31/07/2002 07 Valor do Principal 8.063.999,78 08 Valor da Multa 0,00 09 Valor dos Juros e/ou Encargos 0,00 10 Total 8.063.999,78 11 Autenticação Bancária (Pagto) 31/07/2002 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900273/200879 Resolução nº 1802000.388 S1TE02 Fl. 255 6 A informação constante na DCTF retificadora (efls. 61/64) entregue (30/08/2004), contempla como valor devido para esta epígrafe o montante de R$ 8.063.999,78. Houve a apresentação da DCTF retificadora (efls 71/74), em 20/05/2008, reduzindo o valor declarado para o montante de R$ 7.955.197,94. O contribuinte também entregou a Declaração Anual do Imposto de Renda (DIPJ) na data de 27/06/2003 (efls. 15/59), noticiando cálculo da IRPJ – Estimativa Mensal do período de apuração 30/06/2002, demonstrando o valor devido de R$ 7.955.197,94. E finalmente, em 31/10/2003, o contribuinte apresentou PER/DCOMP de n° 39210.23971.311003.1.3.046602, requisitando compensação cujo crédito original sustentou ser de R$ 108.801,84. O Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte, foi expedido em 24/04/2008, tendo sido intimado o contribuinte em 02/05/2008. O Despacho Decisório foi emitido tendo em vista que no momento da leitura do crédito pleiteado via DCTF, não constava nos sistemas da Receita Federal do Brasil referido valor disponível, pois havia um “Débito” declarado no montante de R$ 8.063.999,78 e um “Crédito” vinculado no mesmo valor. Como já relatado, após receber a intimação do referido Despacho Decisório, a recorrente reapresentou a DCTF do período, (em 20/05/2008) reduzindo o montante declarado como devido de forma a evidenciar o direito creditório pleiteado pela DCOMP. A retificação realizada após ter sido intimada da indisponibilidade do crédito não resulta no reconhecimento de seu direito ao crédito, nos termos da Súmula n° 33 deste Conselho: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Embora este fato justifique a não homologação da compensação, devese oportunizar ao contribuinte a comprovação do direito creditório através de outros elementos que o denotem, em atenção ao disposto no art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, que não condiciona o direito à restituição de um indébito, a requisitos meramente formais: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 255DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.900273/200879 Resolução nº 1802000.388 S1TE02 Fl. 256 7 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Assim, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração e isto não pode resultar apenas da admissibilidade de um crédito na leitura da DCTF. Pode e deve o contribuinte fundamentar através de outros elementos, como livros Diário e Razão, balancetes do período e outros documentos que achar necessários de forma a dar suporte àquilo que consta declarado na DIPJ, a fim de comprovar seu direito creditório. E como a comprovação da existência de um indébito no processo administrativo fiscal não possui fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, no processo civil, a unidade de origem deve perquirir o contribuinte a apresentálas, evitando negativas futuras, por ausência de documentos e provas que justifiquem o direito creditório pleiteado. Assim sendo, converto o presente julgamento em diligência ordenando a remessa dos presentes autos à unidade origem, a fim de que aquela unidade: intime o contribuinte a trazer aos autos os balancetes do período ou algum documento contábil ou fiscal que demonstre a validade do crédito pleiteado, de forma a dar suporte adicional ao constante na DIPJ. A não comprovação suporte implicará no não reconhecimento do seu direito creditório com base no constante em DCTF. Após a diligência, retornemse os autos. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11516.005879/2007-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido o voto embargado claro, ao se pronunciar sobre as duas infrações tributárias lançadas de ofício, tratando exatamente da motivação exposta pela autoridade autuante e fundamentando adequadamente a decisão, não há que se falar em contradição. O acórdão embargado apreciou e decidiu com acerto as matérias controversas, ao delimitar com precisão a primeira infração, que tratou de IRRF que foi retido, mas não recolhido e não declarado em DCTF, e a segunda, relativa à multa de ofício exigida isoladamente, calculada sobre o imposto de renda referente a pagamentos efetuados a atletas profissionais do futebol, a título de "uso de imagem", que a fonte pagadora, embora obrigada a reter, não reteve e não recolheu.
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EQUÍVOCO DA UNIDADE EXECUTORA. NÃO CABIMENTO.
Os embargos declaratórios mostram-se cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Ainda que se encontrem evidências de que a unidade executora do acórdão incorreu em equívoco, trata-se de matéria estranha à apreciação de embargos de declaração.
Numero da decisão: 1103-000.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcelo Baeta Ippolito.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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INOCORRÊNCIA. Tendo sido o voto embargado claro, ao se pronunciar sobre as duas infrações tributárias lançadas de ofício, tratando exatamente da motivação exposta pela autoridade autuante e fundamentando adequadamente a decisão, não há que se falar em contradição. O acórdão embargado apreciou e decidiu com acerto as matérias controversas, ao delimitar com precisão a primeira infração, que tratou de IRRF que foi retido, mas não recolhido e não declarado em DCTF, e a segunda, relativa à multa de ofício exigida isoladamente, calculada sobre o imposto de renda referente a pagamentos efetuados a atletas profissionais do futebol, a título de "uso de imagem", que a fonte pagadora, embora obrigada a reter, não reteve e não recolheu. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EQUÍVOCO DA UNIDADE EXECUTORA. NÃO CABIMENTO. Os embargos declaratórios mostramse cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Ainda que se encontrem evidências de que a unidade executora do acórdão incorreu em equívoco, tratase de matéria estranha à apreciação de embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 58 79 /2 00 7- 77 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005879/200777 Acórdão n.º 1103000.918 S1C1T3 Fl. 525 2 Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcelo Baeta Ippolito. Relatório Foram interpostos embargos de declaração (fls. 514/520) pela contribuinte, em face do Acórdão nº 110300.393, de 25 de janeiro de 2011 (fls. 494/506), proferido por esta 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, cuja ementa apresentou o seguinte teor: IRRF NÃO RECOLHIDO E NÃO DECLARADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Deve ser constituído de ofício por meio de Auto de Infração, o crédito tributário correspondente ao IRRF retido na fonte e não recolhido e que não tenha sido declarado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF que constitui instrumento legal de confissão de dívida. FALTA DE RETENÇÃO DO IRRF DEVIDO EM RELAÇÃO A PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE, APÓS O PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DAS PESSOAS FÍSICAS BENEFICIÁRIAS. As fontes pagadoras que deixarem de efetuar a retenção do Imposto de Renda devido sobre os pagamentos que fizerem a pessoas físicas, nas hipóteses previstas em lei, ficam sujeitos à multa de ofício e aos juros de mora, exigidos isoladamente; os juros de mora devidos pela fonte pagadora, calculamse tomando como termo inicial o prazo originário previsto para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido, e, como termo final, a data prevista para a entrega da declaração, no caso de pessoa física. MULTAS DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA NÃO CARACTERIZADA. A multa de ofício incidente sobre a exigência, constituída em auto de infração, de IRRF retido, mas não recolhido e não declarado em DCTF, não é concomitante com a multa de ofício exigida isoladamente, calculada sobre o Fl. 525DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005879/200777 Acórdão n.º 1103000.918 S1C1T3 Fl. 526 3 IR que a fonte pagadora, embora obrigada a reter, não reteve e não recolheu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Conforme jurisprudência majoritária deste Conselho, lastreada em entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à variação da taxa referencial do Sistema Especial e Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Dos Fatos. Para discorrer sobre a ação fiscal, transcrevo parte do relatório da decisão embargada, muito bem escrito e detalhado: A primeira infração abarca IRRF retido de diversos beneficiários – pessoas físicas incidente sobre pagamentos por rendimentos de trabalho assalariado, cuja retenção, de R$ 197.697,98 (fls. 167 a 174), embora informada em DIRF, não foi recolhida e também não foi declarada em DCTF, ao menos até o início da fiscalização. Esse imposto foi lançado, acompanhado de juros de mora de R$ 27.786,23 e de multa de ofício de 75%, no valor de R$ 148.273,44. Cabe lembrar, por relevante, que as duas DCTFs semestrais de 2006 foram entregues em 19/09/2007 (fls.93 a 121), após o início do procedimento fiscal, que se verificou em 14/09/2007 (fl. 03), razão pela qual não foram validadas tais declarações, conforme informação da DRF (fl. 281). A segunda infração resumese à constituição de multa de oficio isolada, de R$ 141.480,04 (75% a diferença de imposto de renda não retido e não recolhido), e de juros de mora isolados, de R$ 17.026,91 (taxa Selic sobre a diferença do imposto não retido e não recolhido). Tais valores foram lançados por constatado, quando já havia decorrido o prazo para a apresentação das correspondentes declarações de ajuste anual pelos beneficiários dos rendimentos, que a recorrente efetuou pagamentos sem a retenção de IRRF. Tais pagamentos, segundo o fisco, não eram informados na folha de pagamentos e correspondiam à remuneração pelo "uso de imagem" de atletas profissionais. Também, o IR sobre esses rendimentos, certamente por não retido, também não foi incluído na DIRF e nas DCTFs entregues no decorrer do procedimento fiscal. Nesse contexto, foram lavrados os Autos de Infração de IRRF, cuja ciência deuse em 18/12/2007. Da Fase Contenciosa. Apresentou a contribuinte impugnação de fls. 371/388, que foi julgada pela 3ª Turma da DRJ/Florianópolis, no qual foi proferido o Acórdão nº 0715.373, de 13 de março de 2009, julgando procedente o lançamento e decidindo nos seguintes termos: Fl. 526DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005879/200777 Acórdão n.º 1103000.918 S1C1T3 Fl. 527 4 1) o lançamento foi corretamente efetuado, para prevenir a decadência, por não ter sido constituído espontaneamente pelo impugnante, através da DCTF; 2) a DIRF não substitui as DCTFS; 3) que em relação à falta de retenção de IRRF sobre o "uso de imagem dos atletas", nenhum argumento específico foi trazido na impugnação; 4) a multa e os juros isolados foram corretamente tipificados no Auto de Infração, o qual cita como enquadramento legal o art. 9º da Lei n° 10.426/2002 e o art. 61, § 3o , da Lei n° 9.430/96; 5) a impugnante concorda, explicitamente, com o lançamento quando diz que o débito deve ser extinto, encaminhandose os débitos apurados ao parcelamento do Timemania; 6) alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade são questionamentos fora da alçada da instância administrativa. 7) a competência para apreciar matéria relativa ao parcelamento do Timemania é das Delegacias da Receita Federal do Brasil. Sobre o item (7), manifestouse a DRF/Florianópolis no seguinte sentido: Considerando que os débitos do IRRF do período de jan/2006 a dez/2006 não foram constituídos até 15 de outubro de 2007, uma vez que as DCTF apresentadas sem a condição de espontaneidade não podem ser consideradas, os mesmos não poderão ser incluídos na consolidação do Parcelamento Timemania. Inconformada com a decisão da DRF, a contribuinte apresentou pedido de reconsideração, que foi indeferido pela autoridade administrativa. Também foi interposto recurso voluntário de fls. 455/480, no qual a recorrente alegou, em síntese: a) grande parte da matéria relacionada ao parcelamento deixou de ser apreciada pela DRJ, que alegou incompetência, o que desrespeita o devido processo legal e cerceia o direito de defesa; b) o parcelamento do Timemania é prejudicial ao mérito do presente processo, na medida em que, uma vez reconhecida sua validade, o lançamento de ofício deverá ser cancelado para manutenção e cobrança dos débitos no parcelamento, sob pena de dupla exigência; c) no Instrumento Preliminar de Compromisso de Adesão à Timemania, protocolizado junto a CEF em 30/08/2007, consta autorização para que a CEF retenha valores pertencentes à recorrente, para quitação de débitos, dentre esses, com a Secretaria da Receita Federal do Brasil; Fl. 527DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005879/200777 Acórdão n.º 1103000.918 S1C1T3 Fl. 528 5 d) o Fisco sabia desde o inicio do procedimento (14/09/2007), da opção pelo Timemania; e) embora não houvesse qualquer menção ao Timemania no curso do procedimento fiscal, a Receita Federal recebeu formalmente o Termo de Adesão (leiase Instrumento Preliminar), pois havia uma via para cada credor indicado pelo Clube; f) em 15/10/2007 protocolizou o Pedido de Parcelamento na Receita Federal; g) a fiscalização seguiu normalmente, apesar da nova realidade fática e jurídica do Contribuinte, pois deveria passar a conferir se os valores confessados estavam corretos; h) depois de finalizados todos os procedimentos, em 19/12/2007 foi assinado o Termo de Adesão ao Timemania; i) não cabia o lançamento de ofício, pois quando da formalização do auto de infração os débitos já estavam confessados e parcelados; j) o pedido de parcelamento é instrumento legítimo para confissão de débitos a serem consolidados no Timemania, conforme previsão expressa do art. 4º , II e § 2º da IN 772/07, estando apto a inserir débitos, em substituição à DCTF; k) na ausência de norma específica quanto ao parcelamento no Timemania de contribuinte sob fiscalização, devem ser aplicadas, por analogia, as regras do PAES; l) que, caso não se aceite como confissão o pedido de parcelamento, que deve ser considerada como confissão anterior a entrega da DIRF; m) que não há previsão legal que albergue a exigência de multa de ofício juntamente com a multa isolada, que deve ser cancelada em vista da concomitância com a multa de ofício, vez que possuem mesma base de cálculo; n) caso não sejam cancelados a multa e juros isolados, estes devem ser inseridos no saldo consolidado do Timemania; o) a taxa Selic utilizada para o cálculo de juros de mora, devido à falta de Lei Complementar que determine sua aplicação ao caso, deve ser afastada, aplicandose o percentual de 12%. O recurso voluntário foi apreciado por esta 3ª Turma Ordinária/ 1ª Câmara / 1ª Seção de Julgamento, no qual, por meio do Acórdão nº 110300.393, de 25 de janeiro de 2011 (fls. 494/506), decidiu o seguinte: 1) que o lançamento de ofício de IRRF, referente ao imposto informado em DIRF, mas não recolhido e não confessado em DCTF espontaneamente (tendo sido declarado em DCTF após o início do procedimento fiscal) foi corretamente efetuado; 2) o débito referente ao IRRF lançado de ofício seja cobrado nos limites do parcelamento solicitado pela recorrente, com multa de ofício de 75% reduzida em 50% conforme determina o § 1º do art. 4º da Lei n° 11.345/2006, Fl. 528DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005879/200777 Acórdão n.º 1103000.918 S1C1T3 Fl. 529 6 3) pela não existência de concomitância entre multa de ofício do lançamento de IRRF e a multa isolada aplicada sobre os valores não retidos e não recolhidos, referentes ao “direito de imagem” dos atletas profissionais; 4) pelo não inclusão no parcelamento dos débitos referentes aos lançamentos de multa isolada pela não retenção e não recolhimento do IRRF, vez que não foram incluídos no pedido de parcelamento tempestivamente; 5) rejeitar a alegação de ilegalidade da taxa Selic. Foi dada ciência à contribuinte da decisão em 07/07/2011, contra a qual foram interpostos os embargos de declaração de fls. 514/521 em 12/07/2011, discorrendo sobre os seguintes pontos: houve omissão e contradição, já que o voto embargado considerou que existem duas infrações de natureza distinta, fato que não está em sintonia com os elementos fáticos e a forma de cálculo do lançamento fiscal; o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, apontado como fundamento da autuação, trata da infração de falta de retenção ou de falta de recolhimento como sendo única e equivalente; nas planilhas de cálculo elaboradas pela autoridade fiscal, resta evidente que a base de cálculo da infração referente à falta de recolhimento de imposto retido e à não retenção do imposto incidente sobre pagamento feitos às pessoas físicas, é exatamente a mesma, ou seja, é impossível separar a verba paga na rubrica salário da verba paga na rubrica "direito de imagem”; assim, buscase sanar a contradição existente entre o entendimento do voto condutor, segundo o qual as infrações são diversas, em comparação aos elementos fáticos (valores e forma de cálculo) constantes no lançamento fiscal, que demonstram exatamente o contrário; o voto condutor ignora a exigência cumulativa de imposto de renda retido e não recolhido (principal mais multa de ofício e juros) e de imposto não retido (multa e juros isolados); outro ponto a ser esclarecido é o alcance da parte do voto que deu provimento parcial ao recurso, ao dispor que a multa de 75% aplicada sobre o débito a ser parcelado deveria ser reduzida a 50% em vista do disposto no § 1º do art. 4º da Lei n° 11.345/2006, vez que a DRF/Florianópolis, ao executar o dispositivo, segregou a multa de ofício de 75%, retirando os 20% que seriam relativos à multa de mora, para ingresso no parcelamento no Timemania, ao passo que continuou com a cobrança dos outros 55%, conforme se verifica no Demonstrativo de Débito que acompanhou a Intimação nº 301/2011; Não obstante, defende a embargante que a multa de ofício também deve ser cobrada dentro do parcelamento, com a redução em 50%, vez que seria letra morta a concessão do benefício, diante da cobrança integral de multa de ofício; O próprio art. 4º , § 1º, da Lei n° 11.345/06 e o art. 7º , da IN SRF 772/07, citados como fundamento para reconhecer a inclusão dos débitos de IRRF e da multa de ofício Fl. 529DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005879/200777 Acórdão n.º 1103000.918 S1C1T3 Fl. 530 7 no parcelamento, via declaração de fl. 249 , deixa claro que as multas vinculadas, independentemente da natureza, devem seguir o principal parcelado requer a embargante que o acórdão seja esclarecido neste ponto, para mencionar expressamente se a multa de ofício de 75%, com a redução de 50%, deverá ser cobrada por meio do parcelamento do Timemania. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura São tempestivos os embargos, razão pela qual cabe prosseguir com o exame de admissibilidade. O art. 65, caput, do mencionado Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso em tela, protesta a embargante pela ocorrência de duas contradições no acórdão em debate. A primeira referese à suposta divergência entre o voto embargado, que teria considerado a existência de duas infrações tributárias de natureza distinta, e a autuação fiscal, que teria sido conduzida no sentido de apurar a ocorrência de apenas a infração prevista no o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002. Não assiste razão à recorrente. O voto embargado trata, com bastante clareza, da ocorrência de duas infrações tributárias, como se pode observar nos fragmentos a seguir: Conforme relatado, a exigência fiscal constituída neste processo envolve duas infrações distintas, mas ambas relacionadas ao imposto de renda na fonte IRRF relativo ao ano calendário de 2006. Uma primeira parte do Auto de Infração cingese ao lançamento de IRRF retido em função de remuneração por trabalho assalariado, cujo imposto, embora informado regularmente em DIRF, não foi recolhido ao erário e somente foi declarado em DCTF em 19/09/2007 quando já havia sido instaurado o procedimento fiscal, iniciado em 14/09/2007. Uma segunda infração, que apenas redundou em exigência de juros de mora isolados e multa de ofício isolada, é concernente à não retenção, à não declaração e ao não recolhimento de Fl. 530DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005879/200777 Acórdão n.º 1103000.918 S1C1T3 Fl. 531 8 Imposto de Renda sobre pagamentos efetuados a atletas profissionais do futebol, a título de "uso de imagem". Por peculiar, nesse início de enfrentamento da controvérsia cabe destacar que o recurso voluntário não contesta propriamente o IRRF lançado, referido na primeira infração acima, mas apenas pleiteia, em síntese, seja tal tributo considerado como parcelado no sistema Timemania, e não exigido nos termos do proposto no auto de infração. Quanto à segunda infração, o recurso voluntário não traz qualquer contestação quanto ao fato em si, isto é, a não retenção de Imposto de Renda sobre pagamentos efetuados, que gerou o lançamento da multa e juros isolados. Apenas contesta a multa isolada, arguindo concomitância com a multa de ofício constituída em razão do não recolhimento de IRRF retido sobre outros pagamentos (primeira infração). Também, no que tange à segunda infração, requer, caso não seja afastada a multa isolada, que esta, juntamente com os juros isolados, seja incluída no parcelamento do Timemania. (grifei) A descrição do suporte fático das duas infrações encontrase no Termo de Verificação Fiscal de fls. 358/363: 2 INFRAÇÕES APURADAS E SUAS IMPLICAÇÕES TRIBUTÁRIAS I FALTA DE RECOLHIMENTO DO I.R.R.F. Durante o procedimento de auditoria, ao se examinar o Livro Razão, (fls. 122 a 126), da empresa em epigrafe, verificouse que todas as retenções efetuadas constantes da folha de pagamentos eram lançadas na contabilidade, sendo que, em todos os períodos de apuração, detectamos falta do recolhimento do imposto retido. Para efeito do fato gerador, foi considerado o último dia de cada mês como a data de pagamento dos salários, data essa em que se registrou no Livro Razão como a usual para esse pagamento. Segundo a orientação do Parecer Normativo n° 1, de 24/09/2002, ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Nesses termos foi lavrado o Auto de Infração, cujos valores foram consolidados na planilha denominada "APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (fls. 167 a 174). II FALTA DE RETENÇÃO NA FONTE E DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA, DECORRENTE DE PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS. CUJOS VALORES NÃO FORAM INCLUÍDOS NA FOLHA DE PAGAMENTOS. No exame dos Livros Razão, ficou constatado que o contribuinte efetuava pagamentos a empregados, principalmente os atletas de futebol, sem registro na folha de pagamentos, a título de direito de uso de imagem (conta 2973 3.4.02.033). Sobre esses Fl. 531DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005879/200777 Acórdão n.º 1103000.918 S1C1T3 Fl. 532 9 pagamentos não foram efetuadas retenções do imposto de renda na fonte. (...) Segundo a orientação do Parecer Normativo n° 1, de 24/09/2002, ocorrendo a não retenção e o não recolhimento do imposto de renda na fonte, após a data limite para a entrega da declaração de ajuste das pessoas físicas beneficiárias, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros isolados, estes últimos calculados desde a data prevista para o recolhimento do imposto até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física. Assim, a multa de ofício e os juros isolados foram calculados através de planilhas, nos seguintes termos: 1 Os pagamentos efetuados fora da folha, conforme a planilha fornecida pelo contribuinte foram adicionados aos pagamentos efetuados via folha para cada beneficiário, mês a mês. 2 O imposto que deveria ter sido retido e recolhido foi calculado aplicandose a tabela progressiva mensal sobre o total de pagamentos do mês, para cada um dos beneficiários, e depois subtraído o imposto retido através da folha de pagamentos, quando cabível. 3 Sobre a diferença de imposto, não retida e não recolhida, foi aplicado o percentual de 75% para a apuração da multa isolada. 4 Os juros isolados foram calculados aplicandose a tabela de juros SELIC, contandose como termo inicial a data do efetivo pagamento, e o termo final o mês de abril do ano seguinte, que é o mês da entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física. Utilizando a metodologia acima descrita, os dados foram consolidados nas planilhas denominadas "APURAÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE NÃO RETIDO E DA MULTA ISOLADA" (fls. 185 a 194) e "APURAÇÃO DOS JUROS ISOLADOS DO IMPOSTO DE RENDA NÃO RETIDO NA FONTE" (fls. 182 a 188), e lançados de ofício. Não há nenhuma contradição no voto em análise, que apreciou, uma a uma, as duas infrações tributárias, corretamente identificadas e tipificadas pela autoridade autuante. Nesse sentido, não há que se falar em superposição de multas, conforme dispôs a ementa do acórdão: MULTAS DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA NÃO CARACTERIZADA. A multa de ofício incidente sobre a exigência, constituída em auto de infração, de IRRF retido, mas não recolhido e não declarado em DCTF, não é concomitante com a multa de ofício exigida isoladamente, calculada sobre o IR que a fonte pagadora, embora obrigada a reter, não reteve e não recolheu. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005879/200777 Acórdão n.º 1103000.918 S1C1T3 Fl. 533 10 Por sua vez, a segunda contradição apontada consiste no fato de que o dispositivo do acórdão discorrendo sobre o aproveitamento dos débitos lançados no parcelamento, em especial, a multa de ofício com a redução de 50%, não teria sido executado corretamente pela DRF/Florianópolis. Vale observar a conclusão do voto sobre o assunto: (c) reconhecer como efetivado o parcelamento dos valores mencionados em "b", nos limites do pedido de parcelamento, conforme solicitado pela entidade em 15/10/2007 (fl. 249), com a multa de ofício reduzida em 50% nos termos do § 1º do art. 4º da Lei n° 11.345/2006, sendo que eventuais insuficiências entre o valor autuado e o parcelado são exigíveis, sem a aludida redução da multa de ofício Por sua vez, analisando o Demonstrativo de Débito de fls. 512/513, elaborado pela DRF/Florianópolis, observase a aplicação de multa no percentual de 55%. Mostrase pertinente transcrever a redação do § 1º do art. 4º da Lei n° 11.345/2006 e do art. 7º, da IN SRF nº 772, de 2007, que tratam do assunto: Lei n° 11.345/2006 Art. 4º As entidades desportivas poderão parcelar, mediante comprovação da celebração do instrumento de adesão a que se refere o art. 3º desta Lei, seus débitos vencidos até a data de publicação do decreto que regulamenta esta Lei, com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, inclusive os relativos às contribuições instituídas pela Lei Complementar no 110, de 29 de junho de 2001. (Redação dada pela Lei nº 11.505, de 2007) § 1º Os parcelamentos de que tratam o caput e os §§ 12 e 13 deste artigo serão pagos em 240 (duzentas e quarenta) prestações mensais com a redução, sob condição resolutória de cumprimento do parcelamento, de 50% (cinqüenta por cento) das multas que incidem sobre os débitos parcelados. (Redação dada pela Lei nº 11.505, de 2007) .................................................................................................... IN SRF nº 772/2007 Seção V Da Consolidação dos Débitos Art. 7º A consolidação terá por base a data em que forem formalizados os pedidos de parcelamento e resultará da soma: I do principal; II da multa de mora e de ofício, com a redução prevista no § 2º deste artigo; Fl. 533DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005879/200777 Acórdão n.º 1103000.918 S1C1T3 Fl. 534 11 III dos juros de mora; IV da atualização monetária, quando for o caso; e V dos honorários advocatícios de que trata § 10 do art. 244 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, incidentes sobre a dívida ajuizada, em se tratando de débitos relacionados no inciso I do art. 3º. § 1º A consolidação de que trata o caput será efetuada separadamente para a totalidade dos débitos relacionados nos incisos I e II, do art. 3º. § 2º Para fins de consolidação, o valor das multas referentes aos débitos parcelados será reduzido em cinqüenta por cento, sob condição resolutória de cumprimento do parcelamento. Entendo que o dispositivo do voto encontrase em consonância com o que dispõe a legislação. Não houve, portanto, nenhuma contradição no voto embargado. Determina com clareza o relator que se aplique o percentual de redução de 50% sobre a multa de ofício de 75% aplicada sobre os lançamentos de ofício de IRRF que estiverem incluídos no pedido de parcelamento em debate. Por outro lado, não se pode deixar de considerar que a embargante tem razão ao questionar o percentual aplicado de 55%. Caberia à DRF/Florianópolis esclarecer como apurou tal valor, e se já levou em consideração a redução da multa prevista para o parcelamento requerido pela contribuinte no Demonstrativo de Apuração de fls. 512/513. De qualquer forma, os embargos declaratórios mostramse cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, o que não ocorreu no caso concreto. Apesar de haver fortes evidências de que a unidade responsável pela execução do acórdão cometeu um equívoco, tratase de matéria estranha à apreciação de embargos de declaração. Assim diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento aos embargos declaratórios, pelo fato de não ter ocorrido contradição no voto embargado. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 534DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.005879/200777 Acórdão n.º 1103000.918 S1C1T3 Fl. 535 12 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10670.001796/2007-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. VALORAÇÃO. FATOS E TESES JURÍDICAS,. CONHECIMENTO.
Deve ser admitido recurso especial que analisa, pondera e decide sobre teses distintas - constantes de acórdãos recorrido e paradigma - sobre exigências da legislação para a comprovação de requisitos presentes na legislação.
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. ACEITAÇÃO.
A apresentação, pelo sujeito passivo, de recibos e, ainda na fase de impugnação, de declarações dos prestadores de serviços, que afirmam que prestaram os serviços descritos e receberam valores da recorrente são elementos com força probatória suficiente para a comprovação da despesa médica e de conseqüente dedução.
Numero da decisão: 9202-002.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allge, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa de despesas comprovadas por recibos.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. VALORAÇÃO. FATOS E TESES JURÍDICAS,. CONHECIMENTO. Deve ser admitido recurso especial que analisa, pondera e decide sobre teses distintas - constantes de acórdãos recorrido e paradigma - sobre exigências da legislação para a comprovação de requisitos presentes na legislação. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. ACEITAÇÃO. A apresentação, pelo sujeito passivo, de recibos e, ainda na fase de impugnação, de declarações dos prestadores de serviços, que afirmam que prestaram os serviços descritos e receberam valores da recorrente são elementos com força probatória suficiente para a comprovação da despesa médica e de conseqüente dedução.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 404 1 403 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10670.001796/200763 Recurso nº 164.200 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202002.960 – 2ª Turma Sessão de 6 de novembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente CAROLINA DOS REIS ALVES Interessado PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. VALORAÇÃO. FATOS E TESES JURÍDICAS,. CONHECIMENTO. Deve ser admitido recurso especial que analisa, pondera e decide sobre teses distintas constantes de acórdãos recorrido e paradigma sobre exigências da legislação para a comprovação de requisitos presentes na legislação. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. ACEITAÇÃO. A apresentação, pelo sujeito passivo, de recibos e, ainda na fase de impugnação, de declarações dos prestadores de serviços, que afirmam que prestaram os serviços descritos e receberam valores da recorrente são elementos com força probatória suficiente para a comprovação da despesa médica e de conseqüente dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allge, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa de despesas comprovadas por recibos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 17 96 /2 00 7- 63 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10670.001796/200763 Acórdão n.º 9202002.960 CSRFT2 Fl. 405 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0363, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão, fls. 0353, que decidiu em negar provimento a seu recurso, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Exercício: 2004, 2005 e 2006 DESPESAS MÉDICAS – COMPROVAÇÃO Todas as deduções declaradas estão sujeitos à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto á prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão somente de recibos e declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso negado. Acordam os membros da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que: 1. A decisão recorrida está em divergência com as decididas nos acórdãos 10616.122 e 10422.206; 2. Foi negado à recorrente o direito às deduções com despesas médicas sob os argumentos de que não há provas das prestações dos serviços e da efetividade dos pagamentos; 3. Há, nos autos, recibos e declarações que comprovam os gastos com despesas médicas; 4. Não há na legislação a obrigatoriedade de que o pagamento seja efetuado por rede bancária, portanto, descabida a exigência de comprovação do pagamento; 5. Os profissionais emitiram declarações de que prestaram o serviço declarado e receberam o valor declarado; 6. Por todo exposto, requer que seu recurso seja conhecido e provido. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Por despacho, fls. 0388, deuse seguimento ao recurso especial. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou suas contra razões, fls. 0402, argumentando, em síntese, que: 1. A tese levantada pelo sujeito passivo vai de encontro à Súmula 40 do CARF; 2. Outrossim, a discussão presente no recurso especial implica em reapreciação de prova; 3. Pelo exposto, a PGFN requer o desprovimento do recurso. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10670.001796/200763 Acórdão n.º 9202002.960 CSRFT2 Fl. 406 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Cabe ressaltar que – ao contrário do que defende a PGFN – o recurso em questão não trata de reapreciação de prova, mas sim de análise, ponderação e decisão sobre quais são as exigências da legislação para a comprovação de despesas médicas dedutíveis. Para o Fisco e para o acórdão recorrido as despesas médicas devem ser comprovadas – quando solicitado, também, por comprovação de efetivo serviço prestado e de pagamentos efetuados. Para a recorrente recibos e declarações de prestação de serviços e recebimento de valores são suficientes para essa comprovação. A legislação possui determinação sobre o assunto. Decreto 3.000 (RIR)/1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitos a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa. ... Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 424DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Já no lançamento, na intimação do Fisco aos prestadores de serviço, alguns afirmaram que prestaram o serviço e receberam os valores, alguns atestaram que nunca prestaram os serviços e receberam os valores e outros não foram encontrados. Já na impugnação, o sujeito passivo anexa declarações com comprovação de assinaturas realizadas em cartório – em que vários prestadores afirma que realizaram os serviços receberam os valores por eles. Ora, não devemos deixar de avaliar que prestadores que não declararam os valores recebidos ficam receosos de declarar esses valores para fazer prova a favor de seus clientes. Assim, o sujeito passivo fez o que podia. Como consta da legislação, o Fisco deve cobrar explicações dos contribuintes, pois todas as deduções estão sujeitos a comprovação ou justificação. No presente caso, a sujeito passivo apresentou os recibos e, ainda na fase de impugnação, anexou aos autos declarações dos prestadores de serviços, que afirmam que prestaram os serviços descritos e receberam valores da recorrente, que, na visão desse julgador, são elementos suficientes para nossa convicção sobre a ocorrência do tratamento e da despesa. Assim, devem ser excluídos do lançamento os valores referentes a declarações dos profissionais da área de saúde, anexadas na fase impugnatória, fls. 0311, 0312, 0313, 0314, 0315, 0317. CONCLUSÃO: Por todos exposto, voto em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 425DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979167/2009-37
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/11/2004
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação de direito creditório.
Numero da decisão: 3803-004.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação de direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 67 /2 00 9- 37 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratase de recurso contra a decisão da DRJ de São Paulo que indeferiu o pedido de compensação transmitido que tinha por objetivo extinguir o débitos de PIS com crédito da mesma contribuição recolhido em 12.11.2004. À fl. 03 está anexo o despacho decisório, que não homologou a compensação realizada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à fl. 07, sob argumento de que na qualidade de prestadora de serviços de transportes rodoviários está sujeita ao pagamento de pedágio. Afirmou que recebe dos contratantes valores para pagamento do pedágio, os quais são obrigatoriamente destacados em campo específico do conhecimento de transporte rodoviário. Deste modo, pretende que estes valores não integrem a base de cálculo da contribuição, com fundamento no parágrafo único do art. 2o da Lei nº 10.209/01, uma vez que esses valores recolhidos indevidamente não configuram receitas operacionais. Cumpre destacar que os autos foram instruídos com planilha contendo valores dos pagamentos de pedágio; números dos conhecimentos de transportes; data de emissão. Às fls. 12/15 sobreveio o acórdão n.º 1627.500 – 5º Turma da DRJ de São Paulo, que indeferiu o pedido sobre o pressuposto de que o sujeito passivo não apresentou prova do direito creditório, pois os julgadores de piso concluíram que a relação de conhecimentos de transporte não é suficiente para comprovar se pedágio integrou a base de cálculo do tributo. No recurso voluntário anexo às fls. 17/18, o contribuinte novamente reitera os argumentos já apresentados em sua manifestação de inconformidade e insiste em que os valores relativos ao pedágio constavam do referidos conhecimentos de transporte e foram tributados. Por fim, pleiteia a conversão do julgamento em diligência a fim de que seja apurada a existência do seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O contribuinte afirma ter direito a compensação realizada, sob o argumento de que o artigo 2º da Lei n.º 10.209/2001 determina que o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional, assim por este motivo este não deve integrar a base de incidência de contribuições. Lei n.º 10.209/2001: Art.2º O valor do ValePedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.979167/200937 Acórdão n.º 3803004.685 S3TE03 Fl. 30 3 nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Parágrafo único. O valor do ValePedágio obrigatório e os dados do modelo próprio, necessários à sua identificação, deverão ser destacados em campo específico no documento comprobatório de embarque. Com efeito, de fato retirase da legislação acima citada que o pedágio não integra o valor do frete, logo num primeiro momento assiste razão ao contribuinte. Entretanto, o interessado, necessariamente, deve constituir prova do seu direito no processo administrativo fiscal, sob pena do colegiado indeferir o pleito formulado. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte insiste no fato de que a relação dos conhecimentos de transporte perfaz prova suficiente para demonstrar o seu direito. Contudo, compreendo que não lhe assiste razão, uma vez que é indispensável a apresentação do Livro Razão e do Livro Diário, justamente com o objetivo de comprovar a existência dos pagamentos indevidos, pois mera relação dos conhecimentos de transportes não são suficientes para apurar do crédito. Quanto ao pedido de diligência, cumpre lembrar que precluiu o direito do sujeito passivo, com fundamento no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ainda mais, quando o contribuinte não anexou nem mesmo indícios que lhes sejam favoráveis para que este relator se convencesse, ainda que ligeiramente, do direito creditório alegado. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 22 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012730/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que negavam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 22/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 22/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 27 30 /2 00 8- 61 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012730/200861 Acórdão n.º 2102002.454 S2C1T2 Fl. 11 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 58 a 64: Tratase de Notificação de Lançamento lavrada contra o contribuinte acima identificado, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, ano calendário 2004, formalizando a exigência do crédito tributário assim discriminado (valores em reais): IMPOSTO SUPLEMENTAR 2904 4.175,85 MULTA DE OFÍCIO 3.131,88 JUROS DE MORA (até 07/2007) TOTAL 1.869,94 9.177,67 O lançamento reportase aos dados informados na declaração de ajuste anual do interessado, fls. 45 a 47, entre os quais foi constatado o seguinte: omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista (Processo 634/91 – Reclamada Fundação Ezequiel Dias), no valor de R$1.470,03, auferidos pelo titular. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$75,73; omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$2.987,76 recebido da fonte pagadora Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais FHEMIG. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$209,58; glosa do valor de R$11.900,00 indevidamente deduzido a título de despesas médicas. A autoridade lançadora esclarece, a respeito da glosa de despesas médicas, que o contribuinte foi intimado a comprovar os pagamentos realizados e pleiteados como dedução na DIRPF/05, sendo que foram eleitos como prova do pagamento às profissionais Vânia Maria Galvão (psicóloga) e Luciana Breder Barros (odontóloga) a apresentação de cópias de cheques nominais ou, em caso de pagamento em espécie, extrato bancário onde se verifique retiradas com compatibilidade de datas e valores em relação aos recibos emitidos. Em atendimento à intimação, o contribuinte apresentou os originais de recibos da profissional Vânia Maria Galvão, listados à fl. 39. A fiscalização ressalta que os recibos datados de 18/07/04(R$300,00) e 12/12/04(R$300,00) referemse a prestações de serviços de “Workshop Terapêutico”, despesas estas não dedutíveis por falta de previsão legal. Foram apresentados também os recibos da profissional Luciana Breder Barros, listados à fl. 09 e extratos bancários emitidos pelo Banco Itaú S/A, agencia 21420, conta 022.2199, referentes ao meses de janeiro a dezembro de 2004. Informa que da análise dos documentos, não se percebe a correspondência entre datas e valores constantes nos recibos e as movimentações financeiras registradas nos extratos. Assim, deixou de acatar os seguintes pagamentos pleiteados como dedução a título de despesas médica: Luciana Breder Barros, valor de R$6.700,00 e Vânia Maria Galvão, no valor de R$5.200,00. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012730/200861 Acórdão n.º 2102002.454 S2C1T2 Fl. 12 3 Cientificado do lançamento, o interessado apresenta a impugnação de fls. 01/10 em 30/09/2008, instruída com as cópias de documentos de fls. 11/34, onde alega, em síntese que: considera equivocada a glosa efetuada do valor de R$11.300,00 sendo que pretende o Fisco o estorno de dedução considerada indevida de despesas médicas/odontológicas, lançadas em sua DIRPF/05, sob a alegação da falta da correspondência entre datas e valores constantes nos recibos e as movimentações financeiras registradas nos extratos; entretanto, considera que os extratos bancários apresentados comprovam que no mesmo dia, ou nos dias que seguem, ao recebimento de suas fontes pagadoras sempre efetuou o saque de quase a totalidade do valor recebido. Isto em função de ter como hábito a não utilização do sistema financeiro devido ao custo de tarifas; evidenciase que todas as contas apresentadas foram pagas em dinheiro e que, pela manutenção constante de moeda corrente, não há relação dos saques com as datas dos recibos dos profissionais de saúde declarados; aduz que os extratos também demonstram que não faz uso de cheques; segundo informação obtida junto às duas profissionais que emitiram os recibos, consta o nome do beneficiário do serviço de saúde apenas quando o mesmo é diferente da pessoa responsável pelo pagamento e confirma que em ambos os casos os serviços foram diretamente prestados a ele, o que pode ser comprovado com os prontuários de atendimento; sustenta que não pode haver a presunção de que isto não seja verídico, uma vez que, ao se fazer a declaração de renda, assume a responsabilidade pela veracidade das informações prestadas; quanto a omissão de receita auferida junto a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, alega que o valor apontado de R$2.987,76 foi efetivamente declarado mas com o CNPJ 05.461.142/000170, que pertence a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Estado de Minas Gerais. aduz que as despesas médicas que foram glosadas são comprovadas pelos recibos apresentados e as profissionais colocamse à disposição para confirmar a prestação dos serviços. Acrescenta que a fiscalização deverá efetuar diligência perante as contribuintes para averiguar se os valores estão devidamente declarados; ressalta que os saques recorrentes de quase a totalidade dos saldos em conta demonstram o pagamento das despesas e que o fisco não produziu provas contra o contribuinte, apenas apresentou suposições. Não pode o fiscal acomodarse atrás dos sistemas e não investigar os fatos, argumentando ainda que ou deve ficar comprovado que o documento é inidôneo ou deve o fisco aceitálo como legítimo; em seguida, cita destaques jurídicos para embasar seus argumentos e discorre sobre o ônus da prova, juntando alguns acórdãos do Conselho de Recursos Fiscais; Requer, ao final, o acolhimento da impugnação para reconhecer e declarar nula de pleno direito a Notificação de Lançamento. Posteriormente, o contribuinte concordou com parte do lançamento (valor de R$600,00 relativo a glosa de despesas médicas), sendo efetuada planilha de cálculo Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012730/200861 Acórdão n.º 2102002.454 S2C1T2 Fl. 13 4 acostada à fl. 48 dos autos, e o valor de R$165,00 foi transferido para o processo de número 10680.723.293/200812 conforme Termo de fl. 50. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, considerando não impugnada a omissão de rendimentos relativos ao processo trabalhista n° 634/91, afastando a omissão de rendimentos recebidos da FHEMIG e mantendo a glosa das despesas médicoodontológicas, considerando que os extratos bancários e recibos apresentados não foram suficientes para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS EM PROCESSO TRABALHISTA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada aquela que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO ASSALARIADO. INOCORRÊNCIA. Face aos elementos constantes dos autos, é de se exonerar a majoração dos rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, correspondente a rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 78 a 95, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, fundamentando no fato que os extratos bancários, recibos e declarações dos prestadores de serviço demonstram de forma inconteste o seu direito de abater da base de cálculo do imposto de renda as despesas médico odontológicas glosadas. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012730/200861 Acórdão n.º 2102002.454 S2C1T2 Fl. 14 5 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO Do dispositivo do acórdão recorrido, restou em litígio apenas as seguintes glosas de despesas médicoodontológicas: Luciana Breder Barros (odontóloga) R$6.700,00 – Recibos de fls.11 a 15. Vânia Maria Galvão (psicóloga) R$4.600,00 Recibos de fl. 16 a 20. GLOSA DAS DESPESAS MÉDICASODONTOLÓGICAS Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar a efetividade dos serviços prestados pelos profissionais, para que fique caracterizada que a despesa é passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012730/200861 Acórdão n.º 2102002.454 S2C1T2 Fl. 15 6 A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque e/ou extratos bancários ou, ainda, exames, fichas de atendimento e laudos médicos atestando e justificando o serviço prestado. Nesse sentido para comprovar a efetividade das despesas juntou os extratos bancários de fls. 21 a 26 e as declarações das profissionais prestadoras e emitentes dos recibos, Luciana Breder Barros, fl. 88 e Vânia Maria Galvão, fl. 89. Analisando os valores envolvidos das despesas e respectiva compatibilidade dos saque na contacorrente do interessado, as declarações das profissionais, as condições particulares do contribuinte e os valores oferecidos a tributação pelo contribuinte vejo que o conjunto comprobatório traz substância e provam as despesas requeridas no Recurso Voluntário. Destarte, concluo pelo restabelecimento das respectivas despesas. CONCLUSÃO Pelo exposto, DOU PROVIMENTO AO RECURSO, para restabelecer o valor de R$11.300,00 de despesas médicas, referentes aos prestadores Luciana Breder Barros (odontóloga) no valor de R$6.700,00 e Vânia Maria Galvão (psicóloga) no valor de R$4.600,00. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10630.003738/2008-21
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada à comprovação do efetivo dispêndio e/ou da efetiva prestação dos serviços, desde que o sujeito passivo seja intimado para tanto, proporcionando-lhe a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 5.757,82. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada à comprovação do efetivo dispêndio e/ou da efetiva prestação dos serviços, desde que o sujeito passivo seja intimado para tanto, proporcionandolhe a possibilidade de atendimento do pleito formulado. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 5.757,82. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 37 38 /2 00 8- 21 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10630.003738/200821 Acórdão n.º 2801003.281 S2TE01 Fl. 120 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 78/80 deste processo digital), reproduzido a seguir: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrada, em 01/12/2008, a Notificação de Lançamento de fls. 03 a 06, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, exercício 2004, anocalendário 2003, que resultou em crédito total apurado no valor de R$ 16.325.58, sendo R$ 6.835.08 de IRPF – Suplementar, R$ 5.126,31 de multa de ofício e R$ 4.364.19 de juros de mora (calculados até 11/2008). O não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos motivou o lançamento de ofício (fls. 04 e 05, frente e verso): a) Da dedução indevida de dependentes, no valor total de RS 3.816,00, quais sejam: 1) Vicenzo Brando; 2) Mauro César Damasceno Arruda; e, 3) Lorena Brando Arruda; b) Da dedução indevida de despesas com instrução, no valor limite de RS 1.998,00, informada como paga à Universidade Católica de Petrópolis, CNPJ 03.108.082/0001 80, para a dependente Lorena Brando Arruda; e, c) Da dedução indevida de despesas médicas, no valor total de RS 24.997,82, declaradas da seguinte forma: 1) Ana Carolina Brando Arruda, no valor de R$ 6.000,00; 2) Gilmara Andrade Metzker, no valor de R$ 5.000.00; 3) Dayse Hespanhol da Cunha, no valor de R$ 1.000.00: 4) Ana Paula Ribeiro Jacques, no valor de R$ 2.000.00: 5) Carmina M. Schettino Coelho, no valor de R$ 4.000,00; 6) Pedro A. Colen de Melo, no valor de R$ 140,00; 7) Gustavo Melo Guzanshe. no valor de R$ 100.00; 8) Imaculada Conceição. CNPJ 21.158.241/000567, no valor de R$ 5.757.82: e, 9) Centro de Atendimento Pediátrico e Psicopedagógico, CNPJ 04.429.396/000148, no valor de R$ 1.000.00. A ciência da Notificação de Lançamento se deu em 09/12/2008 (fls. 36 e 37) e o interessado apresentou impugnação de fls. 01 e 02, em 11/12/2008, alegando, preliminarmente, que não foi Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10630.003738/200821 Acórdão n.º 2801003.281 S2TE01 Fl. 121 3 regularmente intimado a prestar esclarecimentos, não tendo tomado conhecimento de intimação para tal fim. Anexa documentos a fim de comprovar a deduções pleiteadas. Em 03/05/2011, o despacho desta 6ª Turma da DRJ (fls. 43 e 44), propôs o retorno dos autos à repartição de origem para que o contribuinte fosse intimado a apresentar documentos que comprovassem o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços das despesas médicas declaradas e que fossem sanadas as falhas apontadas nos recibos, relativos aos profissionais: Ana Carolina Brando Arruda, Gilmara Andrade Metzker, Dayse Hespanhol da Cunha, Ana Paula Ribeiro Jacques, Carmina M. Schettino Coelho, e Centro de Atendimento Pediátrico e Psicopedagógico. Tal diligência foi solicitada tendo em vista que os recibos apresentados na impugnação não foram analisados pela autoridade lançadora, cabendo ao julgador a análise dos documentos apresentados e a formação de sua convicção, por serem as despesas médicas exageradas e por serem faltosos, nos recibos, requisitos exigidos pela legislação. Ademais, no tocante à pessoa jurídica, foi anexado aos autos um recibo, quando o correto seria a comprovação com nota fiscal. Em resposta à intimação (fls. 48 e 65), a contribuinte anexou novamente os recibos já apresentados, alegando que já não possui nenhum documento para comprovar a efetiva prestação do serviço. E, quanto a comprovação do efetivo pagamento, alega que tais serviços foram pagos em espécie. Quanto à correção das falhas apontadas nos recibos, a própria contribuinte informa, em sua resposta, os requisitos faltosos. A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte. A decisão recorrida restabeleceu as deduções relativas aos dependentes (R$ 3.816,00) e as deduções de despesas com instrução (R$ 1.998,00). A glosa de despesas médicas, no valor de R$ 24.997,82, foi mantida pelos julgadores da instância de piso. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/10/2011 (fl. 116), a Interessada interpôs, em 31/10/2011, o recurso de fls. 89/91, acompanhado dos documentos de fls. 92/111. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Parte das despesas médicas glosadas não foi apreciada pela DRJ, motivo pelo qual está reapresentando a documentação para análise do CARF. A outra parte deve ser recalculada para ser incluída em parcelamento. As glosas objeto de recurso são referentes às despesas médicas de Carmina M. Schettino Coelho (cirurgiãdentista), no valor de R$ 4.000,00; Dayse Hespanhol da Cunha (psicóloga), no valor de R$ 1.000,00; plano de saúde descontado em seu contracheque, no valor de R$ 5.757,82. Com relação à Carmina M. Schettino Coelho foi afirmado no acórdão recorrido que não foi apresentado qualquer documento para comprovação da efetiva prestação do serviço desta profissional. No entanto, este foi solicitado na intimação e apresentado em Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10630.003738/200821 Acórdão n.º 2801003.281 S2TE01 Fl. 122 4 10/06/2011 à DRF de Governador Valadares. Anexa cópia dos recibos da referida profissional acrescido de uma declaração da mesma. Com relação à Dayse Hespanhol da Cunha foi afirmado na decisão recorrida que não foi apresentado qualquer documento para comprovação da efetiva prestação do serviço desta profissional. No entanto, este foi solicitado na intimação e apresentado em 10/06/2011 à DRF de Governador Valadares. Anexa cópia dos recibos da referida profissional acrescido de uma declaração da mesma. Os comprovantes relativos ao plano de saúde, pago ao Instituto Imaculada Conceição, foram apresentados na impugnação, em 11/12/2008. Anexa cópia do documento e acrescenta que é importante notar que o comprovante de rendimentos emitido pelo empregador comprova, de maneira inequívoca, as despesas médicas no valor de 5.757,82. O anexo 9 do recurso traz o demonstrativo dos valores recorridos e daqueles que a Interessada deseja parcelar. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presente os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia às glosas de despesas médicas referentes aos profissionais Carmina M. Schettino Coelho (cirurgiãdentista), no valor de R$ 4.000,00, Dayse Hespanhol da Cunha (psicóloga), no valor de R$ 1.000,00 e plano de saúde no valor de R$ 5.757,82. O art. 73 do vetusto DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, faculta à Autoridade lançadora solicitar outros elementos que comprovem o efetivo pagamento das despesas deduzidas e/ou a efetiva prestação dos serviços (Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora). No caso concreto, no entanto, impossível à Autoridade lançadora solicitar qualquer elemento adicional de prova em relação à documentação apresentada, haja vista que as glosas de despesas médicas se deram por falta de atendimento à intimação (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 8 deste processo digital), sendo que a apresentação dos recibos só ocorreu por ocasião da impugnação. Embora a faculdade de solicitação da comprovação do efetivo pagamento das despesas e/ou da efetiva prestação dos serviços tenha sido atribuída à Autoridade lançadora, nada obsta que a Autoridade julgadora de 1ª instância, para formar a sua livre convicção, também o faça em hipóteses excepcionais como esta, em que a Notificação foi lavrada por falta de atendimento à intimação, mas a documentação relacionada às deduções somente foi apresentada no curso do contencioso administrativo. Por força do Despacho de Diligência da 6ª Turma da DRJ/JFA (fls. 48/49 deste processo digital), a Recorrente foi intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas ora contestadas, bem como a efetividade dos serviços prestados mediante apresentação de laudos, orçamentos ou outros documentos (Intimação às fls. 51/53). Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10630.003738/200821 Acórdão n.º 2801003.281 S2TE01 Fl. 123 5 Em resposta à diligência fiscal (fls. 54/55) sustentou a Interessada que os pagamentos foram efetuados em moeda corrente e que não havia mais condições de comprovar a efetividade dos serviços prestados, senão pela apresentação dos documentos anexados. É sabido que o contribuinte não está obrigado a efetuar os pagamentos mediante a utilização de título de crédito, sendolhe lícito fazêlo em dinheiro. Contudo, se nesta hipótese for instado a comprovar o efetivo pagamento, deve evidenciar a posse do numerário em valores e datas compatíveis com os recibos apresentados, podendo, ainda, demonstrar que houve a efetiva prestação dos serviços, nos moldes propostos na diligência fiscal solicitada pelos julgadores de 1ª instância, a ver: Dessa forma, concluise pela necessidade da comprovação com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, da efetividade dos pagamentos dados por realizados, juntando para tal, cópias de cheques, extratos bancários, comprovantes de transferências entre contas ou qualquer outro documento que possa comprovar de maneira inequívoca a efetiva transferência dos recursos do patrimônio do contribuinte para o patrimônio do beneficiário dos pagamentos. E, ainda, a efetividade dos serviços prestados para o interessado, por meio de laudos, orçamentos, etc. A Recorrente, para comprovar as deduções glosadas objeto deste recurso, apresentou os seguintes documentos: a) recibos emitidos pelas profissionais de saúde Dayse Hespanhol da Cunha e Carmina M. Schettino Coelho, desacompanhados de qualquer prova do pagamento ou da efetiva prestação de serviços; b) declaração do Instituto Imaculada Conceição atestando o recebimento da quantia de R$ 5.757,82, referente a convênio médico da Interessada, acompanhado de “Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” que evidencia despesas médicas de mesmo valor. Nesse contexto, sou pelo restabelecimento das despesas médicas com o plano de saúde da Interessada, porquanto comprovado o efetivo pagamento das mensalidades, e pela manutenção das glosas de despesas médicas com as profissionais de saúde Dayse Hespanhol da Cunha e Carmina M. Schettino Coelho, haja vista que, em relação a estas, a Recorrente não se desincumbiu de comprovar o efetivo pagamento e/ou a efetividade dos serviços prestados. Acrescento, por fim, que no tocante a manutenção das glosas o meu entendimento não está fundamentado em falsidade documental. A motivação para mantêlas está alicerçada na falta de comprovação do efetivo pagamento ou na falta de demonstração de que os serviços foram efetivamente prestados. Isso não implica, necessariamente, falsidade de documentos, mas sim na imprestabilidade dos recibos apresentados para dedutibilidade de despesas na declaração do imposto de renda de pessoa física. Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 5.757,82. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10630.003738/200821 Acórdão n.º 2801003.281 S2TE01 Fl. 124 6 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10875.722870/2011-69
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1802-001.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Eder Marciel Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 28 70 /2 01 1- 69 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 101 2 autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Eder Marciel Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 102 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 47/63 contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas (fls.40/45) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF do PA maio/2010 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (fls. 31 e 34) que a contribuinte, em 16/09/2011, entregou ao fisco a DCTF do PA maio/2010, com atraso de 15 (quinze) meses. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 22/07/2010; b) data de entrega: 16/09/2011 montante dos tributos informados na DCTF: R$ 146.837,35; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante de tributos informados na DCTF; cálculo da multa: 20% x R$ 146.837,35 = R$ 29.367,47; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF) = R$ 29.367,47 x 50% = R$ 14.683,73 (multa a pagar). Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais fora do prazo fixado enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante de tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) (...) A multa aplicada foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração(...) Fundamentação Legal: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) A contribuinte tomou ciência, eletronicamente, da Noticação de Lançamente em 01/10/2011 (fl. 36), apresentou impugnação ao lançamento fiscal em 07/10/2011 (fls.02/13), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 103 4 que o lançamento fiscal deve obedecer requisitos obrigatórios do ato administrativo sob pena de nulidade; que o lançamento objeto dos autos está eivado de vícios (ilegalidades substanciais) que o tornam nulo.Vale dizer: que o art. 7º da Lei 10.426/2002, o qual comina penalidade pecuniária pela entrega intempestiva de DCTF, fere princípio constitucional, por estabelecer e autorizar a aplicação de multa desproporcional, confiscatória; que é vedado o uso de tributo com efeito de confisco; que a limitação de tributar também estendese às multas por descumprimento de obrigação tributária, ainda que a multa não tenha natureza de tributo; que a multa fixada pela citada lei é excessiva, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida; que, nesse sentido, invoca fato analógico (sic) do RIPI 2002 (Regulamento revogado pelo Decreto nº 7.212/2010): a) que o art. 16 da Lei nº 9.779/99 autorizou a RFB a criar, instituir obrigações acessórias por ato infralegal, o qual é matriz legal do art. 212 do RIPI 2002; que, por outro lado, a instituição de penalidade é matéria privativa de lei; b) que no RIPI 2002 o art. 212 seria genérico e o art. 368 seria específico para a DCTF; que, por conseguinte, a penalidade aplicável para entrega intempestiva de DCTF seria do art. 507 do RIPI, ou seja, R$ 31,65 e não o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/202, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004); c) que o dispositivo específico prevalece em relação ao genérico. que, no caso, houve aplicação equivocada do art. 7º da Lei 10.426/2002; que o lançamento seja declarado nulo por ferir princípios básicos do ato administrativo, devendo, no mínimo, ser retificado; que é pacífica a jurisprudência do STF pela anulação ou redução de multa com feição confiscatória (citou alguns precedentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros, multa moratória e ICMS). que a Administração Pública deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto à aplicação de multas pecuniárias. Por fim, a contribuinte, com base nessas razões, pediu a declaração de nulidade do lançamento fiscal, pois lastreado em norma flagrantemente confiscatória e inconstitucional. A DRJ/Campinas, à luz dos fatos e da legislação tributária de regência, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 27/03/2012 (fls.40/45), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2010 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 104 5 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 16/04/2012 – segundafeira (fls. 49/50), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/05/2012 – quartafeira (fls. 52/68), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: que o fisco imputou 15 (quinze) meses de atraso na entrega da DCTF e 20% de multa; que, na realidade, o referido atraso foi de 13 meses e 26 dias, posto que a entrega da DCTF deveria ter ocorrido em 22/07/2010, mas somente se efetivou em 16/09/2011; que, nesse sentido, a Lei n° 10.426/2002 (art. 7o, II) estabelece 2% (dois por cento) de multa AO MÊS OU FRAÇÃO sobre o montante de tributos informados na DCTF, ou seja, que se deve aplicar a fração quando for o caso; que o fisco deveria, na situação dos autos, ter apurado e imputado atraso de 13 meses completos e 26 (vinte e seis) dias, e não 15 (quinze) meses; que, em face dessse vício do lançamento, a defesa da autuada restou prejudicada. Por conseguinte, a contribuinte pediu que seja reconhecida a nulidade do lançamento. 2) – Mérito: que a penalidade pecuniária aplicada, cominada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002, não merece prosperar; que citado dispositivo legal viola, afronta a Constituição Federal, pois comina e autoriza a aplicação de multa desproporcional, confiscatória, não observando o princípio da capacidade contributiva; que, no caso, seria hipótese de aplicação da multa de R$ 31,65 (RIPI/2002, art. 368 c/c art. 507) e não da multa do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 (art. 506), com redação Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 105 6 dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004; que deve prevalecer a norma especial em relação à norma geral; que é pacífica a jurisprudência do STJ pela anulação ou redução da multa de feição confiscatória (citou alguns precentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros). que a Administração Tributária deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto a aplicação de multas. que, na hipótese improvável de suas teses não seram acatadas (nulidade do lançamento por multa confiscatória, erro na apuração do seu valor ou retificação do lançamento para exigência da multa de R$ 31,65), ainda assim a recorrente alega que o lançamento não merece prosperar em face de sua conduta de boafé, devendo ser aplicados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade para redução da penalidade para o patamar mínimo de 2% sobre o montante de tributos declarados na DCTF, e não 2% por mês calendário ou fração. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 106 7 Voto O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. O litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF, ou seja, pela inobservância do prazo no cumprimento de obrigação acessória autônoma de que trata a IN RFB nº 974, de 27/11/2009 (art. 5º), que dispõe: Art. 5ºAs pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º (décimo quinto) dia útil do 2º(segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. (...) Está narrado na Notificação de Lançamento (fls. 31 e 34), conforme já exposto no relatório, que o prazo limite para entrega tempestiva da DCTF do PA maio/2010 era 22/07/2010. Entretanto, a recorrente cumpriu essa obrigação acessória tãosomente em 16/09/2011. O cumprimento da obrigação acessória, por conseguinte, deuse 15 (quinze) meses calendário ou fração, após expirado o prazo tempestivo. Foi aplicada multa de 20% sobre o montante dos tributos informados na respectiva DCTF (multa de atraso de 2% por mês calendário ou fração de mês, limitada a 20%), com redução de 50% do seu valor por cumprimento espontâneo da obrigação acessória, conforme demonstrativo de cálculo já transcrito no relatório. ENTREGA INTEMPESTIVA DE DCTF. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO DE MULTA PECUNIÁRIA. ERRO NA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO E ERRO NA APURAÇÃO DO VALOR DA MULTA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. A recorrente, preliminarmente, suscitou nulidade da notificação de lançamento – multa por apresentação intempestiva da DCTF do PA maio/2010, por vício na aplicação da legislação e na apuração do valor da penalidade, gerando prejuízo para sua defesa. De plano, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, pois a notificação do lançamento da multa por descumprimento de prazo da obrigação acessória autônoma (apresentação intempestiva da DCTF) contém adequada descrição dos fatos, apuração precisa e perfeita dos fatos, do valor da multa e pertinente enquadramento legal, possibilitando amplo e pleno entendimento da infração imputada, não se justificando a alegação de prejuízo à defesa, pois não restou caracterizado o alegado vício de cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Primeiro, o auto de infração foi lavrado por AuditorFiscal competente, apresenta descrição completa dos fatos, matéria tributável, demonstrativo preciso e exato de apuração da multa aplicada e pertinente enquadramento legal, tudo em consoância com o art. 10, III e IV do Decreto nº 70.235/72 e com o art. 142 do CTN. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 107 8 Com relação ao fundamento legal da multa, percentual da multa e apuração do respectivo valor, tudo está em consonância com a legislação de regência vigente na data da infração, ou seja, o art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004. No entanto, a recorrente, ainda, apresentou tese contra o lançamento da multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, invocando o RIPI/2002, o qual trata da obrigatoriedade de apresentação da DCTF pelos contribuintes do IPI, argumentando que o citado Regulamento estaria possibilitando, no caso, a aplicação da multa fixa de R$ 31,65, e não a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002; que, então, houve: a) equívoco na aplicação da lei que impõe penalidade, pois, em vez do fisco aplicar legislação específica para entrega em atraso da DCTF, norma mais favorável em termos de penalidade, houve, diversamente, aplicação de legislação cominando multa mais pesada, confiscatória e, além disso, teria ocorrido erro na apuração do valor da multa aplicada. b) que o atraso, na entrega, seria de apenas 13 meses e 26 dias. Não tem respaldo jurídico a argumentação da contribuinte. O RIPI 2002 foi revogado pelo RIPI 2010 (Decreto nº 7.212, de 15/06/2010). Não obstante, o art. 507 do RIPI 2002 tratava de multa de R$ 31,65 a cada falta de apresentação da declaração perídica do IPI (fundamento legal: DecretoLei nº 1.680, de 28/03/1979, art. 4º e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Já, o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004) tratava da entrega intempestiva da DCTF. Essas multas permanecem em vigor no RIPI 2010, respectivamente nos arts. 594 e 593. Vale dizer, a multa de R$ 31,65 (art. 507/RIPI 2002 ou art.594/RIPI 2010) não se aplica ao caso objeto dos autos, pois tratase de multa aplicável a cada falta de apresentação da declaração periódica do IPI. No caso, a multa aplicada referese à entrega da DCTF em atraso, ou seja, 2% (dois por cento) sobre os tributos e contribuições informados na DCTF por mês calendário ou fração de mês calendário. Como demonstrado, diversamente da tese suscitada pela recorrente, não restou caracterizada a alegada violação de principíos, pois as obrigações acessórias são diversas para cada dispositivo legal suscitado do RIPI, um trata de falta de declaração do IPI e, outro, trata de entrega intempestiva de DCTF. Destarte, houve correta aplicação do art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação pelo art. 19 da Lei 11.051/2004, que, de forma expressa, literal, impõe multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, para entrega intempestiva de DCTF. O texto do dispositivo legal é de aplicação direta, sentido literal, devido sua clareza, não comportando elucubração ou tese interpretativa. Cabendo lembrar, no caso, o brocardo latino in claris cessat interpretatio. A propósito, transcrevo o disposto no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2003, com redação do art. 19 da Lei 11.051/2004, in verbis: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 108 9 Art. 7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III – (...) (Grifei) No caso, o fisco apurou atraso na entrega da DCTF de 15 meses calendário ou fração de anocalendário, conforme consta demonstrado na Notificação de Lançamento Fiscal. O cálculo da multa efetuado pelo fisco está correto, conforme demonstrado no relatório, pois, diversamente do alegado pela recorrente de que o mês seria o período sucessivo de 30 (trinta) dias completos a partir do termo final para entrega tempestiva da DCTF), a lei estabeleceu outro critério de contagem de prazo para aplicação da multa, qual seja: a contagem do prazo por mês calendário ou fração de mês calendário, a partir do termo final para entrega tempestiva dessa declaração. Assim, pela aplicação do texto legal, para efeito de apuração e aplicação da multa são, sim, 15 (quize) meses calendário ou fração de atraso na entrega da DCTF do PA maio/2010. Portanto, não há ajuste ou reparo a fazer no valor da multa aplicada. Ademais, diversamente do alegado pela recorrente, apenas a falta de descrição dos fatos e a falta de enquadramentio legal da infração imputada têm o condão de nulificar o lançamento fiscal, que não é caso, pois a notificação de lançamento contém correta descrição dos fatos, preciso ou exato valor apurado da multa, e respectivo enquadramento legal. Se houvesse erro na apuração do valor da multa, que não é ocaso, poderia o julgador de ofício ou por provocação da contribuinte corrigir o lançamento sem prejuízo de sua validade, pois a questão seria de mérito, e não para apreciação em sede de preliminar. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 109 10 A jurisprudência do CARF é pacífica quanto à validade do lançamento fiscal que tem adequada descrição dos fatos e enquadramento legal. Nesse sentido, transcrevo ementas de precedentes jurisprundencais deste Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 110 11 direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Portanto, ante a inexistência de vício no lançamento fiscal, rejeito a preliminar suscitada. INSTITUIÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPLEMENTAÇÃO DA DCTF. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE ENTREGA. APLICAÇÃO DE MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A recorrente alegou que o art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação do art. 19 da Lei 10.051/2004, comina multa desproprocional, confiscatória, por entrega em atraso de DCTF e, portanto, essa legislação seria inconstitucional, por violação do princípio do não confisco. Primeiro, a instuição de obrigações acessórias (prestações positivas ou negativas), no interesse da Administração Tributária, estão autorizadas por lei (sentido amplo) e implementadas em documento específico por normas infralegais, ou seja, por normas complementares (normas infralegais), em obediência aos arts. 96, 97 e 100 do CTN. No caso da DCTF (declaração de débitos e créditos federais), essa obrigação acessória autônoma foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 111 12 Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 112 13 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 2) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 113 14 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Feitos esses esclarecimentos quanto à instituição de obrigação acessória por lei em sentido amplo, passemos à questão da multa pecuniária. A multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para o descumprimento de obrigação acessória relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Por conseguinte, não tem sentido, não tem o menor cabimento a tese da recorrente de que a multa a ser aplicada, no caso dos autos, para evitar suposto efeito confiscatório, deveria ser a do art. 368 c/c art. 507 (RIPI/2002), pois essas normas do RIPI tratam de multa para hipótese de não entrega de declaração do IPI, obrigação acessória diversa, como já demonstrado quando do enfrentamento da preliminar suscitada. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 114 15 DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA PECUNIÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A contribuinte alegou da ilegalidade da multa; que teria caráter eminentemente confiscatório, violando, por conseguinte, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Como já dito alhures, a multa pela falta de apresentação ou entrega intempestiva da DCTF exige lei em sentido estrito; por isso, a multa, em abstrato, pela não apresentação da DCTF ou entrega extemporânea, está cominada na Lei nº 10.426/2002, art. 7º. No caso, foi aplicada a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002. Quanto à alegação de inconstitucionalidade desse dispositivo legal, incabível a apreciação, no mérito, de tal arguição, por falta de competência dos órgãos de julgamento administrativo, por ser matéria de competência do Poder Judiciário. Nesse sentido, a questão está sumulada neste Eg. Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, apenas para argumentar, o princípio do não confisco aplicase apenas para tributos (CF, art. 150, IV). A multa não é tributo. O princípio do não confisco dirigese ao legislador infraconstitucional e não ao julgador administrativo. Além disso, a multa pecuniária cominada, abstratamente, pela lei administrativotributária não segue o princípio da capacidade contributiva, mas sim o interesse jurídico tutelado, o interesse público. Na verdade, a pena pecuniária, em abstrato, fixada pela lei deve ser suficientemente significativa, para inibir ou afastar os contribuintes da prática de infração administrativofiscal, pelo receio, medo ou temor de serem apenados em concreto. Para aqueles contribuintes que a norma, em abstrato, não foi suficiente para demovêlos da conduta infracional independentemente do motivo, não resta ao fisco outro caminho, em face de sua atividade vinculada, a não ser a aplicação da lei ao caso concreto, para recompor, restaurar, a ordem jurídica violada. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722870/201169 Acórdão n.º 1802001.940 S1TE02 Fl. 115 16 Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 11516.003312/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. SESI. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA O SALÁRIO-EDUCAÇÃO E FUNRURAL. ISENÇÃO. O Sesi, em sendo caracterizado como entidade de educação e assistência sem fins lucrativos, não responde pelo recolhimento da contribuição para salário-educação, a teor do disposto nos artigos 12 e 13 Lei 2.613/55
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Vieira Monteiro e Silva, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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MULTA. SESI. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA O SALÁRIO EDUCAÇÃO E FUNRURAL. ISENÇÃO. O Sesi, em sendo caracterizado como entidade de educação e assistência sem fins lucrativos, não responde pelo recolhimento da contribuição para salárioeducação, a teor do disposto nos artigos 12 e 13 Lei 2.613/55 Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Vieira Monteiro e Silva, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 33 12 /2 01 0- 61 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Relatório RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por SERVIÇO SOCIAL DA INDUSTRIA em face do acórdão de fls., que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.263.2882 lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP com dados incorretos não relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias O relatório fiscal apontou que a recorrente apresentou GFIP´s com erro no campo “código outras entidades”, o que gerou a não cobrança de referidas contribuições. O período apurado compreende a competência de 01/2007 a 12/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 15/09/2010 (fls. 01). Em seu recurso, sustenta o cerceamento de seu direito de defesa originado do fato do v. acórdão de primeira instância ter denegado o seu pedido de produção de provas para que os recolhimentos das diferenças por ela efetuados fossem objeto de apropriação, mesmo quando o julgamento de primeira instância veio a reconhecer que esta efetuou recolhimentos a maior. Acrescenta que a presente autuação pretende modificar matéria já discutida no Poder Judiciário, que em todas as instâncias reconheceu o seu direito de não efetuar os pagamentos de contribuições sobre o SALÁRIO EDUCAÇÃO e INCRA. Que a realização de novo lançamento, quando já existente coisa julgada pelo Judiciário caracteriza o crime de excesso de exação. Defende ser entidade que goza de imunidade tributária, de acordo com o art. 195, 7o da CF/88, além de serem indevidas as contribuições ao INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO. Finaliza argumentando que a multa aplicada possui caráter confiscatório e que o preenchimento das GFIP´s relativamente ao código de terceiros seguiu a linha e entendimento dos julgamentos que o STJ já havia proferido em seu favor. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003312/201061 Acórdão n.º 2401003.231 S2C4T1 Fl. 207 3 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. MÉRITO A recorrente sustenta como ponto fulcral de seu recurso o fato de ser entidade isenta ao recolhimento das contribuições destinadas a terceiros, no caso o SALÁRIO EDUCAÇÃO e INCRA, motivo pelo qual não incorreu em erro a indicar em suas GFIP´s o código “outras entidades”. Fato é que, com relação ao assunto, esta Eg. Turma ao analisar o processo 11516.003316/201040, também de minha relatoria, entendeu que de fato o SESI dever ser considerado como entidade isenta ao recolhimento do FUNRURAL e SALÁRIO EDUCAÇÃO, o que faz a partir dos seguintes fundamentos: “Ainda em sede de preliminar, a recorrente alega possuir em seu favor coisa julgada, diante do reconhecimento do Poder Judiciário que é entidade isenta ao pagamento das contribuições ao FUNRURAL e SALÁRIO EDUCAÇÃO. Aponta que o provimento judicial que lhe favorece originase dos processos 95.000.50900, 94.00.06988, 2005.72.00.0001999, que tramitaram na justiça de Santa Catarina. Ao que se depreende dos acórdãos colacionados ao recurso voluntário (RESP 785.907/SC e 632.307), de fato, deles constam a conclusão de que o SESI/SC não deveria arcar com o pagamento de contribuições a terceiros (FUNRURAL e SALÁRIO EDUCAÇÃO) em decorrência do reconhecimento de sua natureza de entidade de assistência social sem fins lucrativos, que usufrui da isenção preconizada pela Lei 2.613/55. Cumprenos, pois, transcrever alguns trechos constantes do voto condutor do v. acórdão recorrido e que demonstram o reconhecimento da isenção. Vejamos: Cingese a presente controvérsia em saber se o SESI – Serviço Social da Indústria, ora recorrido, é sujeito passivo da contribuição social para o FUNRURAL e do salárioeducação. É certo que os serviços sociais autônomos, em princípio, não gozam de privilégios administrativos, processuais ou mesmo fiscais, à exceção que . Ocorre, porém, que o SESI, em face do disposto no art. 12 e 13 Lei 2.613/55 é Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 beneficiário de privilégio natureza fiscal determinante para a solução da questão que encerra a presente demanda. A lei 2.613/55, que autorizou a União a criar entidade autárquica denominada Serviço Social Rural S.S.R, em seu art. 12, concedeu à mesma isenção fiscal: Art. 12. Os serviços e bens do S.S.R. gozam de ampla isenção fiscal como se fossem da própria União Por força do inserto no art. 13 do mencionado diploma legal, o benefício isentivo fiscal, de que trata o seu artigo 12, foi estendido expressamente ao SESI, bem como aos demais serviços autônomos da indústria e comércio (SENAI, SESC, SENAC): Art. 13. O disposto nos artigos 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Industria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Assim não prospera a pretensão do INSS em ver reconhecido o SESI como sujeito passivo da contribuição social para o FUNRURAL e do salárioeducação, por não ser empresa, mas educação e assistência social sem fins lucrativos, e por ser beneficiário da isenção prevista na Lei 2.613/55. Ou seja, o provimento judicial, de fato, reconheceu ser o SESI dotado de isenção ao pagamento das contribuições ao SALÁRIOEDUCAÇÃO e FUNRURAL, possuindo a recorrente declaração judicial de que não está sujeita ao pagamento de referidas contribuições, seja relativamente ao período objeto de cobrança naquela execução, seja relativamente a outros períodos, tendo em vista que o usufruto do benefício é garantido pela Lei de forma permanente, sem a necessidade do cumprimento de requisitos. Todavia, mesmo que assim não o fosse, tenho que a pretensão recursal trazida no recurso voluntário, quanto ao mérito do julgamento da causa, tem efeito maior em relação ao reconhecimento de eventual preliminar de existência de coisa julgada em favor da contribuinte, eis que a jurisprudência pátria sobre o assunto é uníssona no sentido de que entidades que ostentam a natureza da recorrente, possuem o direito à isenção do pagamento das contribuições destinadas ao salárioeducação e Funrural. Confirase os seguintes julgados: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA SESI. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA O SALÁRIOEDUCAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. 1. O Sesi, como entidade de educação e assistência sem fins lucrativos, não responde Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003312/201061 Acórdão n.º 2401003.231 S2C4T1 Fl. 208 5 pelo recolhimento da contribuição para o salárioeducação. Precedentes do STJ. 2. Recurso especial nãoprovido. (RESP 262.195, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 06/03/2006) TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA SESI. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA E FUNRURAL. INEGIXIBILIDADE. ISENÇÃO. NÃO EQUIPARAÇÃO À ATIVIDADE EMPRESARIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VALOR IRRISÓRIO. FIXAÇÃO SEGUNDO CRITÉRIO EQUITATIVO. ART. 20, § 4º, DO CPC. MAJORAÇÃO. 1. O Serviço Social da Indústria SESI é instituição privada de interesse público, sem fins lucrativos, não integrante da Administração Direta ou Indireta, denominada paraestatal (serviços sociais autônomos), e que, assim, não pode ser equiparado às entidades empresariais para fins sociais. 2. O SESI, por ser beneficiário de isenção fiscal, e equiparado à União, conforme arts. 12 e 13 da Lei 2.613, de 23/09/1955, não pode ser tributado nas contribuições para o INCRA e FUNRURAL. 3. Não obstante preveja o § 4º do art. 20 do CPC que, nos casos em que vencida a Fazenda Pública, os honorários devem ser fixados consoante apreciação equitativa do juiz, a quantia arbitrada, a tal título, pelo órgão jurisdicional deve refletir, com razoabilidade, a efetiva atuação do causídico. 4. Apelação do embargante a que se dá provimento. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial a que se nega provimento. (TRF 1a Região, AC 199938000223289, Rel. Dês. Maria do Carmo Cardoso, DJE de 05/03/2010) Por este motivo, tenho que no caso em comento, não deva ser acatada a preliminar acerca da ocorrência da coisa julgada, uma vez que entendo existirem fundamentos suficientes para que se decida o mérito em favor do contribuinte. E tal providência, possui fundamento no art. 59, § 3o a seguir: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 6 mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para que seja anulado o lançamento em razão da recorrente ser entidade isenta ao recolhimento do FUNRURAL e SALÁRIOEDUCAÇÃO. É como voto. Verificase, dessa forma, que pelos mesmos fundamentos supra indicados, não deve ser mantido o presente Auto de Infração, sobretudo por se tratar de lançamento relativo ao mesmo período daquele constante no processo administrativo no qual restou julgado o lançamento principal. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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