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Numero do processo: 35301.008440/2006-07
Data da sessão: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1997 a 30/04/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, DECADÊNCIA, PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do artigo 173 do mesmo
Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8,212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Francisco Assis de Oliveira Junior que aplicavam a regra do art. 173, I. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4', do Códex Tributário, ou do artigo 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8,212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Francisco Assis de Oliveira Junior que aplicavam a regra do art. 173, I. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Elias Sampaio Freire. em exercícioCaio Márco EDITADO EM: 2 ue Magalhães de Oliveira - Relatar ao lO Rycardo He Particip~, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Damião Cordeiro de Moraes, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire., Relatório SENDAS S/A E OUTRO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD if 35.566,248-5, referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 30, inciso VI, da Lei ri° 8.212/91 (redação original), correspondentes à parte dos empregados, da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração da mão-de-obra empregada em obra de construção civil executada pela empresa TETRAENG S/A PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES, em relação ao período de 10/1997 a 04/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 34/38. De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização os documentos necessários à elisão de sua responsabilidade solidária, mais precisamente quanto à comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos serviços de construção civil prestados pela empresa TETRAENG S/A PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com animo no artigo 33, § 3 0, da Lei 8.212/91. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Segundo Conselho de Contribuintes contra decisão da SRP em Duque de Caxias/RJ, DN ri° 17.422.4/0597/2006, às fls, 179/191, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 6" Câmara, em 02/12/2008, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DAR-LHE PROVIMENTO, o fazenda sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão n° 206-01.631, com sua ementa abaixo transcrita: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuraçaa: 01/10/1997 a 30/04/1998 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO, NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA, OBSERVÂNCIA 2 Processo n' 35:301008440/2006-07 CSRF-T2 Acórdão n ° 9202-01.073 Fl 2 DAS REGRAS FIXADAS NO CTN, - Segundo a súmula n" 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária devem seguir aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.," Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fis. 482/487, com arrimo no artigo 70, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação que contempla a matéria, mais precisamente o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei argüida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiada, corroborada pelo entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4", do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõe-se ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4", do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de oficio previsto no artigo 150, § 4°, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recurso'. Em defesa de sua pretensão, infere que adotando-se o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, estariam decaídas as competências apenas até 11/1997, na forma que votaram as Conselheiros vencidas, não podendo prevalecer o entendimento do Acórdão recorrido. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decistim ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4 a Câmara da 2' Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 17.3, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho n° 2400-409/2009, às fls. 488/489. Instadas a se manifestarem a propósito do Recurso Especial do Procurador, as contribuintes (tomadora e prestadora de serviços) ofereceram suas contrarrazões, às fis. 512/520 e 524/540, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua 3 manutenção, trazendo à colação jurisprudência judicial e administrativa ratificando seu entendimento, sobretudo quando a matéria já se encontra pacificada na CSRF. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4" Câmara da 2 Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais, Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada, com animo no artigo 30, inciso VI, da Lei n° 8,212/91, em virtude de não ter apresentado os documentos necessários à elisão de sua responsabilidade solidária, mais precisamente quanto à comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos serviços de construção civil prestados pela empresa TETRAENG S/A PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, aplicando o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, restando decaída a totalidade do crédito tributário, deixando de consignar, porém, a ocorrência de antecipação de pagamento. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4', e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do mtigo 150, § 4°, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar, senão vejamos. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, O artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1— do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; 4 Processo n° 3530 t 008440/2006-07 Acórdilo n.0 9202-01,073 CSRF-T2 Fl, 3 [ 1" Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: "Art.. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados.' I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [ 1" Com mais especificidade, o artigo 150, § 40, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [.1 § 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a cantar da ocorrência do .fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE's n's 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: "Súmula te 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Registre-se, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008,, concedendo, por conseguinte, efeito ex tune para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. 5 Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4 0, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante rf 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4°, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4°, do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso 1, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, trata-se, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observe-se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por. homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fbsse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra-se beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tribut'is dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? 6 Processo np 35301 008440/2006-07 Acórao n 9202-01.073 CSRF-T2 El. 4 Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologando-as ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de oficio da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4', do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocar-se-á para o artigo 173, inciso 1, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação especifica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastando-se a regra do artigo 150, § 4°. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovando-se que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando-se de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o terna. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar-se-ia o artigo 150, § 4°, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de oficio, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso 1. Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4°, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em "homologação". Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Dessa forma, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na fauna do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em observância aos preceitos consignados na Constituição Federal, CTN, jurisprudência pacifica e doutrina majoritária. Entrementes, mister, ainda, constatar se houve ou não pagamento e/ou outro procedimento do contribuinte nesse sentido, porquanto, em que pese não compartilhar com este entendimento, parte dos julgadores defendem ser determinante/relevante à aplicação do prazo decadencial, senão vejamos. No caso vertente, inexiste nos autos comprovantes de recolhimentos relativos aos fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas. No entanto, tratando-se da responsabilidade solidária inscrita no artigo 30, inciso VI, da Lei n° 8,212/91, onde os tributos exigidos dizem respeito a empregados de outro contribuinte (empresa prestadora de serviços), a Câmara recorrida vem entendendo pela existência de antecipação de pagamentos, em face d 77 folha normal da pessoa jurídica executora dos serviços, mormente quando a autoridade lançadora nada diz a respeito. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 19/05/2003, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, eis que os fatos geradores ocorreram durante o período de 10/1997 a 04/1998, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência do feito. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 6' Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. .a 8
score : 1.0
Numero do processo: 14135.000524/2008-45
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2003
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CIÊNCIA A TODOS OS SOLIDÁRIOS - INOCORRÊNCIA - Em respeito ao contraditório e à ampla defesa, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão de primeira instância administrativa para a correta formalização do lançamento
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.053
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Sustentação oral: Aires Gonçalves. OAB: 1342/MS Marcelo Oliveira - Presidente.
Nome do relator: Bernadete De Oliveira Barros
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A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão de primeira instância administrativa para a correta formalização do lançamento Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Sustentação oral: Aires Gonçalves. OAB: 1342/MS Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 13 5. 00 05 24 /2 00 8- 45 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 251DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14135.000524/200845 Acórdão n.º 2301003.053 S2C3T1 Fl. 251 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 50), o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento efetuado a titulo de Salários, HorasExtras, Adicionais, Férias normais gozadas e outras vantagens, inclusive sobre o (13°) Décimo Terceiro Salário. A autoridade notificante informa que o Lançamento do Débito Previdenciário foi efetuado com base nos Livros de Registros de Empregados, GFIPs e GPS Relata ainda que, em virtude da caracterização da Formação de Grupo Econômico, do qual a empresa Frigorífico Supremo Ltda faz parte, conforme Demonstrativo anexo, foram mantidos, para o período fiscalizado, os mesmos vínculos cadastrados pela fiscalização anterior, em 09/08/2002. Por meio do DEMONSTRATIVO DA FORMAÇÃO, DO GRUPO ECONÔMICO e DEMONSTRATIVO DA FORMAÇÃO DO QUADRO SOCIETÁRIO DE FATO DA EMPRESA (fls. 55), a autoridade autuante expõe os motivos pelos quais entende que restou configurada a existência de grupo econômico de fato entre o Frigorífico Supremo Ltda e as demais empresas ali listadas, que a fiscalização identificou como sendo “Grupo Capuci”. Em seguir, traz os elementos que levaram a auditoria fiscal à convicção de que os sócios da empresa notificada são as pessoas pertencentes à FAMILIA CAPUCI, que, em sua maioria, residem em Presidente Prudente/SP. Fundamenta o débito no inciso IX, do art. 30, da Lei 8.212/91, observando que o INSS, baseado no instituto da solidariedade, tem o direito de cobrar o crédito fiscal de qualquer pessoa que compõe o "GRUPO CAPUCI", uma vez que na seara das obrigações tributárias não se comporta beneficio de ordem. A empresa notificada apresentou defesa e o INSS, por meio Decisão Notificação nº 21.430.4/0045/2004 (fls. 135), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls.147), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insurgese contra a indicação, como coresponsáveis pelas obrigações previdenciárias da recorrente, de pessoas estranhas ao seu quadro societário, e alega que o julgador a quo não levou em consideração, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, razoabilidade, verdade real, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Discorre sobre cada princípio citado, afirmando que os auditores não juntaram nenhuma prova formal da formação de Grupo Econômico, nos termos das regras dispostas pela Lei 6.404/76, e que as decisões proferidas não foram razoáveis, uma vez que deram importância demasiada às infundadas alegações dos auditores fiscais; prejudicando o aspecto formal, necessário ao justo convencimento. Finaliza requerendo a reforma da decisão recorrida, e que seja julgado improcedente a NFLD em tela. Às fls. 237, foi juntada decisão judicial proferida nos autos da ação movida por ARLINDO CAPUCI e ADEMAR CAPUCI, considerados sócios da empresa notificada pela fiscalização, determinando a exclusão dos autores do pólo passivo da NFLD. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14135.000524/200845 Acórdão n.º 2301003.053 S2C3T1 Fl. 252 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Verificase, da análise dos autos, que a fiscalização constatou a existência de grupo econômico de fato entre a empresa notificada e as demais apontadas no Relatório Fiscal, e lavrou a NFLD com fundamento no inciso IX, do art. 30, da Lei 8.212/91, e chamou atenção para o fato de que o INSS, baseado no instituto da solidariedade, tem o direito de cobrar o crédito fiscal de qualquer pessoa que compõe o "GRUPO CAPUCI", uma vez que na seara das obrigações tributárias não se comporta beneficio de ordem. Contudo, não restou demonstrado, nos autos, que as empresas responsáveis solidárias foram regularmente intimadas da NFLD por quaisquer dos meios previstos no Decreto nº 70.235/72 ou demais normativos legais que regem a matéria. No caso de levantamento de débito por responsabilidade solidária, deveriam ter sido enviadas as cópias do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento desse crédito, em respeito ao contraditório e à ampla defesa. Assim, como o débito pode ser cobrado tanto da prestadora quanto da responsável solidária, conforme registrado no relatório pela autoridade lançadora, o procedimento correto a ser adotado, nos casos de lançamento por responsabilidade solidária, é chamar, desde o início do trâmite processual, todos os responsáveis pelo débito, oportunizandoos, assim, à ampla defesa e ao contraditório. A IN 100/2003, vigente à época do lançamento, estabelece, em seu art. 779 que: Art. 779. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. § 1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. § 2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Daí a necessidade de se encaminhar a NFLD aos demais responsáveis solidários. Esse também é o entendimento da Consultoria Jurídica da Previdência Social, que, por meio do Parecer CJ nº 2.376/2000, vigente à época do lançamento, veio definir que a obrigação tributária é uma só, podendo o fisco cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. O referido Parecer dispõe que (...) 12. Havendo responsabilidade solidária, o INSS deve cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Deve negar a expedição de CND para os dois e deve inscrever o nome de um e do outro no cadastro de inadimplentes, pois ambos são responsáveis solidários pelo valor total da obrigação. (grifei) (...) 17. Nos casos de responsabilidade solidária, o credor pode escolher, dentre os coresponsáveis solidários, contra quem irá exigir a satisfação da obrigação. A escolha de um deles não exclui a responsabilidade dos demais até mesmo quando a Certidão de Dívida Ativa não contempla o nome do responsável tributário. Nestes casos, a Jurisprudência vem admitindo que a execução fiscal seja direcionada ao responsável, mesmo quando o nome deste não esteja na CDA. 20. No entanto, tendo em vista que a atividade de arrecadação é plenamente vinculada, e tendo em vista o princípio constitucional da eficiência, temos que a administração pública deve sempre tentar cobrar o tributo tanto do contribuinte, quanto do responsável, ou responsáveis, pela obrigação, pois desta forma, as chances de satisfação do crédito serão maiores. (...) 25. Considerando o princípio da eficiência e da indisponibilidade do bem público, bem como objetivando a otimização na arrecadação, temos que a Arrecadação e a Procuradoria devem se orientar no sentido de fazer constar todos os responsáveis solidários na Certidão da Dívida Ativa e no Termo de Dívida Ativa; e ainda, fazer constar o nome de todos estes no CADIN, bem como negar a expedição da CND em relação a todos os coresponsáveis solidários. 26. Em relação à arrecadação fiscal, temos que o mesmo fato gerador da obrigação tributária deve sempre constar do mesmo débito, evitandose, assim, que a mesma obrigação seja cobrada duas vezes em duas NFLD’s distintas, uma em relação ao contribuinte e outra em relação ao responsável tributário. Portanto, em cada NFLD deve constar o nome não só do contribuinte como também de todos os responsáveis tributários. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14135.000524/200845 Acórdão n.º 2301003.053 S2C3T1 Fl. 253 7 27. A Arrecadação não deve lançar, sobre o mesmo fato gerador, duas NFLD’s, uma contra o contribuinte e outra contra o responsável. 28. Em relação ao executivo fiscal, temos que, da mesma forma, deve a Procuradoria executar o seu crédito num único processo contra todos os sujeitos passivos da obrigação tributária, ou seja, tanto em relação ao contribuinte, quanto em relação ao responsável. Cumpre observar que, à época da lavratura da NFLD, em 2004, os Pareceres assinados pelo Ministro da Previdência Social vinculava a arrecadação previdenciária, conforme art. 42, da Lei Complementar 73, de 1993, transcrito a seguir: Art. 42. Os pareceres das Consultorias Jurídicas, aprovados pelo Ministro de Estado, pelo SecretárioGeral e pelos titulares das demais Secretarias da Presidência da República ou pelo Chefe do EstadoMaior das Forças Armadas, obrigam, também, os respectivos órgãos autônomos e entidades vinculadas. Todavia, constatase, no presente caso, que as cópias da NFLD e de seus anexos não foram encaminhadas aos demais sujeitos passivos da obrigação tributária, responsáveis solidários, contrariando os normativos legais que regem a matéria e ferindo os princípios do contraditório e da ampla defesa. Entendo que a inobservância desse cuidado vicia o procedimento em razão da flagrante violação aos Princípios do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e do Contraditório. E a viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão de primeira instância administrativa para a correta formalização do lançamento. O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina, no art. 59, inciso II, que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Portanto, entendo que a nulidade da decisão de primeira instância administrativa merece ser decretada, afim de que se possa oferecer oportunidade às demais empresas, responsáveis solidárias pelo débito, nos termos do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, de se manifestarem a respeito da NFLD, antes de qualquer decisão do Órgão a respeito do lançamento. Nesse sentido e, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO e ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO para que os demais contribuintes, responsáveis solidários pelo débito, sejam intimados a se manifestar em relação ao lançamento fiscal. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10845.001697/93-01
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 1995
Numero da decisão: 302-00.731
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: OTACILIO DANTAS CARTAXO
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'.1/'" .'""" MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA Processo n° Sessão de Recurso n° Recorrente Recorrida i0845-001697/93.01 22 de março de 1995 116.712 COSMOQUÍMICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA DRF - SANTOS - SP RE 80 L uçÃO N° 302-731 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de v Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • OTACíLIOD Relator ~CLAUDIA Procurador VES :ASCARTAXO *G AGUSMÃO Fazenda Nacional VISTA EM 3 O JA/\l . 996 • Participaram ainda, do pre~ente, julga~ento, os seguintes Conselheiros: UBALDO CAMPELLO NETO, ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, ELIZABETH MARIA VIOLATTO, RiCARDO LUZ DE BARROS BARRETO, LUÍS ANTÔNIO FLORA E PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES . • :MINIsTÉRI'O DA FAZENDA TERCEIR'O C'ONSELHO DE C'ONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA Recurso n° Resolução n° Reco.rrente Relato.r 116.712 302-731 COSM'OQUÍMICA INDÚSTRIA E C'OMÉRCI'O LTDA. OTACÍLI'O DANTAS CARTAX'O RELATÓRI'O C'OSMOQUÍMICA INDÚSTRIA E C'OMÉRCI'O LTDA., no.sauto.s qualificada, submeteu a despacho., através da Declaração. de Impo.rtação. (D.I.) nO 12.429/88 e 33.166/88 (fls. 04111) o. produto. DISFLAM'OL TKP, descrito. co.mo.Tricresilfo.sfato., fo.sfato. de tricresila (tricresílico.), co.m pureza de 99%,estado.fisico. líquido., qualidade industrial, classificando.-o. no. código. TAB 29.19.00.0500,. relativo. à "fo.sfato.de tricresila (tricresílico.)", com alíquo.ta de 10% "ADvalo.rem" reduzida, eO% de Impo.sto.so.breProduto.s Industrializado.s (IPI). 'O Laudo. de Análise n° 1461/89 de lavra do. LABANA, co.nclui que o. produto. analisado. é "uma mistura de fo.sfato.sdecresila e feniIa {fosfato. de tricresila, fo.sfato.de dicresila- fenila e fo.sfato.de cresila-difenila)", no.s percentuais de 42,9%, 32,4% e 5,3% respectivamente ... no. item "respo.stas ao.s quesito.s", info.rma que o. referido. produto. tem "co.nstituição. química não. definida" . Em ato. de Revisão. Aduaneira, no.s termo.s do.s artigo.s 455 e 456 do. • Regulamento. Aduaneiro (RA), o. produto. fo.i reclassificado. para o. código. 'fAB 38.23.90 9999, relativo. à "produto.s quínúco.s e preparações das indústrias químicas o.u das indústrias co.nexas (incluído.s o.sco.nstituído.s po.rmistura de produtos naturais), não. especificado.s nem co.mpreendido.s em o.utras po.sições; produto.s residuais das indústrias químicas o.u das indústrias co.nexas, não. especificado.s nem co.mpreendido.sem o.utras po.sições, especificamente "o.utros", co.m alíquo.ta de 60% para o. Impo.sto. de Impo.rtação. (1.1.) e de 10% para o. Impo.sto. sobre Produto.s Industrializado.s I.P.I., sendo. lavrado. o. Auto. de Infração. de fls. 01v, para exigir o. reco.lhimento. integral do. IPI e da diferença do 1.1.apurada, e da multa prevista no. art. 364, inciso. • 11, do. Regulamento. do. Impo.sto. so.bre Produto.s Industrializado.s (RIPI), Dec. nO 87.981/82, e demais encargo.s legais cabíveis Outo.sde mo.raeco.rreção. mo.netária). A autuada devidamente intimada, tempestivamente, impugnou a ação fiscal (fls. 24/30), levando.-se em co.nta o. teo.r do. despacho. daauto.ridade preparado.ra, (fls. 21)co.ncessivo. de prorro.gação. do.prazo. regulamentar, alegando., em síntese, que: • 2 •\ . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA Recurso n° 116.712 Resolução n° : 302-731 - "O produto químico designado por fosfato de tricresila, ou fosfato de tri- tolila, ou ainda fosfato de tris (METIL-FENlLA) é obtido pela reação do Cresolou ou Metil-Fenol (CH3C6H80H) com oxicloreto ou pentacloreto de fósforo (PC4Cn ou PClS). O produto final produzido, fosfato de tricresila (CH3C6H4C) PO é de qualidade industrial ou técnica, contendo impurezas das matérias-primas iniciais e outros produtos não totalmente convertidos pela reação e que se conhecem pelo título de impurezas oriundas do processo de fabricação" . - "Não se pode dizer que o produto importado é uma mistura, (. o.) já que sua composição é resultante de um processo químico normal, sem suportar adições complementares ou outros artificios deliberadamente planejados para a obtenção de um produto particular." - "O Auto de Infração não desce aos detalhes de natureza tarifária, merceológica,cingindo-se simplesmente à afirmação de que existe um laudo do LABANA de nO1461 de 1992 (a amostra entrou no LABANA em setembro de. 1989 e as DI's são de abril e de agosto de 1988!). Fica dificil para o contribuinte a elaboração da impugnação, pois a peça fiscal vestibular não explicita os motivos fundamentais da reclassificação. Não basta a citação de um laudo. (o .. ) caracterizando-se mesmo um cerceamento de defesa". - "A peça fiscal inicial, erra ao não explicitar os fatos e adequá-los de forma cabal ao direito (princípio de tipificação) o que fere as normas tributárias e configura, repita-se, cerceamento de defesa (Acórdãos nO303.25-988 e 303026- 023 - 3ao Câmara do 3° Conselho de Contribuintes"; - "Errou ao efetivar revisão por alegado erro de direito, o que é vedado pela lei e repelido pela Doutrina e pelo Judiciário". ilustra seu ponto de defesa com jurisprudência emanada de diversos órgãos judiciários; - "Os componentes aludidos pelo LABANA, diga-se, (Fosfato de Di-Cresila- Fenila e Fosfato de Cresila-Difenila, representam as referidas impurezas de fabricação, podendo ser consideradas desprezíveis em análise de identificação de produtos comerciais, porquanto não interferem nas propriedades do produto predominante, nem o tornam especificamente apto para usos particulares de preferência à sua .aplicação geral". Tal fato se coaduna com o disposto na nota 1, do Capítulo 29 que estabelece0 seguinte: 3 •• • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA Recurso n° 116.712 Resoluçãono: 302-731 "1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreende: a) Os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas;" - "Por isso, é de se manter o enquadramento original, declarando-se insubsistente a ação fiscal;" - "Ademais disso, a peçainicial carece de legitimidade eéineficaz sob o ponto de vista jurídico, posto utilizar um laudo emitido para Declaração de Importação diferente daquelas objeto do Auto de Infração".; -"O Terceiro Conselho de Contribuintes tem decidido reiteradamente que os laudos de análise estão adstritos às amostras das mercadorias analisadas, conforme se verifica dos diversos acórdãos que transcreve: - C .. ) "Laudo de laboratório emitido sobre amostra que não corresponda as Dl's objeto da autuação é imprestável. Tais laudos não servem para dirimir classificações tarifárias relativas a outras importações (outros despachos), ainda que do mesmo importador e de produto tido como idêntico. É absolutamente ilegal". - "O Laudo n° 1.461/92, ao qual a Informação Técnica está atrelado, não se refere as Dl'sconstantes do Auto de Infração". - Finalmente, "A autuação, como se observa é ilegal, porquanto efetivada em ato revisional, o que é vedado pelos tribunais do país, pelo C.T.N. e pela doutrina, além de estar baseada em peça laboratorial que não corresponda as Dl's objeto do Auto de Infração. E isso, como razão preliminar, posto o enquadramento estar correto, como antes explicitado (sob o ponto de vista mercealógico, tarifário)" . Por iniciativa do fiscal autuante, a autoridade preparadora, mediante despacho (fls. 32) solicitaaàudiência do LABANA sobre os itens 9 a 12 da impugnação (fls. 24/30). Em atendimento à solicitação, o Laboratório presta a Informação Técnica nO094/93, em que ratifica a conclusão do Laudo de Análise nO 146/92, cujo inteiro teor leio em sessão e neste ato, passa integrar o texto do presente relatório, por força das informações que contém . 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA Recurso n° 116.712 Resolução nO: 302-731 A informação fiscal (fls. 35v) opina no sentido de que seja mantido o feito fiscal, em consonância com a conclusão do laudo de análise emitido pelo LABANA. A autoridade monocrática julgou a Ação Fiscal procedente (fls, 42/46), tendo por fundamento os seguintesconsiderandos: - "(...)A lavratura do Auto de Infração foi formalizada em consonância com a legislação pertinente aos fatos e totalmente respaldada pelas conclusões do Laudo de Análise nO1461/92 expedido peloLABANA"; - "( ...) A Informação Técnica nO94/93, ratificou integralmente as conclusões e respostas aos quesitos do Laudo de Análise nO 1461/92 do LABANA, em evidente contradição às alegações de defesa da autuada quanto à composição química do produto importado"; - "( ...) O produto importado, por tratar-se de um composto de constituição química não definida, tem sua efetiva classificação no código TABINBM 38.19.99.00"; Intimada da decisão prolatada pelo julgador singular, a autuada, irresignada, recorre a este Conselho, tempestivamente, reiterando em suas razões de recurso (fls. 45/54), as alegações da impugnação e realçando nos seus seguintes tópicos: - "É ilegal, por outro lado, a utilização de laudos estranhos às DI' s relativas à autuação. As amostras tem de ser efetivamente representativas dos lotes dos produtos cobertos pelas DI' s objeto do Auto de Infração, sob risco de serem como vem decidindo esse Projecto Colegiado"; - "O Laudo nO 146/92 não é conclusivo suficientemente, porquanto não • especifica claramente, na identificação da mistura, o componente predominantemente e, portanto, responsável pela essencialidade da mercadoria (Regra J,b); - Incorpora ao texto do recurso o Parecer do Df. Walmor O. Alves de Brito, engenheiro químico (fls. 55/56); - Pleiteia, ademais, e caso se faça imperioso, o pronunciamento de outro órgão dirimente, em aos aspectos aqui relacionados pela recorrente, como por ,exemplo, o INT- Rio de Janeiro . • É o relatório. 5 '. • , ..•..... MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA '. Recurso n° 116.712 Resolução nO: 302-731 VOTO O presente litígio versa sobre a classificação tarifária do produto DISFLAMOL L TKP, classificado pela recorrente no código TAB 29.19.05.00 e reclassificado pelo Fisco para o ççdigo 38.19.99.00, em função do Laudo de Análise (LABANA) nO1461/92 (Doc. de fls. 16), por tratar-se segundo conclusão do referido laudo de uma mistura de fosfatos de Cresila e Fenila (FOSFATO DE TRICRESILA, FOSFATO DE DICRESILA-FENILA e FOSFATO DE CRESILA-DIFENILA), um produto de constituição química não definida. Apesar das Informações Técnicas (Doc. de fls. 14 e 15) prestadas pelo LABANA, atendendo aos pedidos de esclarecimentos formulados pela autoridade fiscal, avalio as informações referidas como insuficientes para formação do integral convencimento do julgagor de segundo grau, por perdurarem, ainda, dúvidas que, em última instância, comprometeriam a segura e correta classificação tarifária do produto. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligênda"C> através da repartição de origem, para que se providencie a remessa da amostra, ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT), intimando-se as partes para apresentação de quesitos complementares aos 'quesitos abaixo formulados, nos termos da legislação em vigor, se assim, por acaso, desejarem: 1. Qual a constituição química do produto DISFLAMOL TKP e os respectivos percentuais dos elementos que o compõe? 2. Trata-se de um produto de constituição química definida? 3. Quais as possíveis aplicações industriais do referido produto, segundo a literatura existente? Sala das Sessões, em 22 de março de 1995 TAXO - RELATOR 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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Numero do processo: 10855.722796/2017-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.162
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a definitividade do processo nº 16027.720387/201711, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Denise Madalena Green
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL 2. CRÉDITOS INDEVIDOS RReeccoorrrreennttee WOBBEN WINDPOWER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a definitividade do processo nº 16027.720387/201711, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. (assinado digitalmente) Denise Madalena Green Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1472.657 – 8º Turma de DRJ/RPO (fls.565/604) que indeferiu a manifestação de inconformidade (fls. 194/308) em relação ao pedido de ressarcimento de IPI da interessada relativo ao 4º trimestre de 2011 (PER nº 20005.15425.220615.1.1.017306). RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .7 22 79 6/ 20 17 -1 2 Fl. 892DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 893 2 O Recurso é Tempestivo (Despacho de Encaminhamento de fl. 605: ciência do AC recorrido em 13/11/2017 (fls. 609) Recurso apresentado em 12/12/17 (fls. 612/889). Consta da Informação Fiscal que o Auditor reconstituiu a escrita fiscal do contribuinte, e considerou indevidos créditos relativos as saídas de cabos fixadores das torres, denominados cordoalhas, bem como tributadas as saídas do produto denominado emodule, classificandoo do no Código 8504.40.90, submetido ao regime de tributação normal, ao invés do adotado pela Recorrente, contemplado com alíquota zero, no Código 8502.31.00. Os motivos fundantes do indeferimento do ressarcimento de IPI da interessada são, resumidamente: I. Crédito tomado indevidamente em relação às entradas de insumos empregados na industrialização do produto designado “cabo de cordoalha”, que é utilizado na fixação das torres montadas fora do estabelecimento da Recorrente. No entendimento da autoridade lançadora, como a fixação das torres ao solo é uma atividade fora do campo de incidência do IPI, em razão do estatuído pelo art. 5º, inciso VIII, do Regulamento, referidos créditos são indevidos, dado que alusivos à materiais aplicados na montagem realizada no local da instalação, operação não tributada e não com alíquota zero. II. Classificação indevida como contemplado com alíquota zero do produto denominado “emodule” (NCM 8502.31.00). O entendimento esposado pela autoridade lançadora está secundado em Parecer exarado na solução de consulta formulada pela própria Recorrente, cuja conclusão é pela classificação do referido produto na NCM 8504.40.90, por se tratar de um conversor de energia, e, como tal, sujeito ao regime normal de tributação. Cientificada do Despacho Decisório em 25/07/2017 (fl. 190), a interessada apresentou em 24/08/2017 manifestação de inconformidade de fls. 194 a 308, alegando, em síntese: Preliminarmente, sustenta que a autoridade administrativa refazendo sua escrituração fiscal, nos períodos de 02/2012, 04/2012 a 06/2012, 02/2013, 04/2014, 07/2017, 03/2015 a 05/2015, dentre eles o discutido nos autos, apurou débito de IPI, incidente sobre as saídas do sistema e module (suas funções, necessidade sob o ponto de vista dos aerogeradores etc) e às cordoalhas utilizadas para sustentação das torres, procedendo com o lançamento do Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 16027.720387/201711. Em decorrência disso, requer o sobrestamento do presente feito, até a decisão final dos autos em epígrafe, sucessivamente o julgamento em conjunto. Fl. 893DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 894 3 Os produtos acima (II e III) compõem o aerogerador e que por questões de logística são transportados separadamente, constituindo se, no entanto, em partes indispensáveis ao funcionamento do produto final, bem assim que é irrelevante que sejam produzidos no próprio estabelecimento fabril ou que sejam incorporados ao mesmo no local onde devam funcionar, ou, ainda, nas unidades fabris móveis (está demonstrado nos autos que parte das torres são fabricadas em unidades industriais móveis), suscetíveis de locomoção e que são deslocadas para locais próximos à construção das usinas. Não há discussão quanto aos cálculos e dados numéricos constantes do lançamento tributário. Da leitura do despacho decisório (fls. 556/595), através do qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade, verificase que a DRJ acolheu a integralidade dos argumentos do Auditor Fiscal, in verbis: Pela leitura dos parágrafos acima, constatase que os componentes do Emodule (módulos de gerenciamento e controle de energia) têm a sua classificação fiscal no código 8504.40.90. Isto é indicado tanto no Processo de nº 10855.720958/201346 da DRJ/Ribeirão Preto/SP como no próprio Processo de Consulta de nº 0855.000178/201114 (Solução de Consulta SRRF/8º RF/DIANA Nº 50, de 31 de julho de 2013). O fato do Emodule (NCM 8504.40.90) fazer parte do aerogerador (NCM 8502.31.00) não modifica a sua classificação fiscal para a da máquina a que se destina (no caso, a máquina a que se destina é o próprio aerogerador – NCM 8502.31.00). Isto porque, aplicando a Nota 2 a) da Seção XVI da NESH (Normas Explicativas do Sistema Harmonizado), encontrase a classificação do Emodule na posição do Capítulo 85, não importando a máquina a que se destina. Assim, não se confunde a classificação fiscal do aerogerador e do emodule. Oportuno informar que a alíquota de IPI da NCM 8504.40.90 para o período aqui analisado é de 15%, devendo ser aplicada nas saídas das mercadorias que compõe o emodule, conforme se verá adiante. (fls. 575/576) Prosseguindo, sustenta: Assim, como o produto é um inversor (transformando corrente contínua em alternada), pela aplicação da Nota 4 da Seção XVI, em combinação com a Nota 2 da mesma Seção, o produto deve se classificado na posição 85.04(...) No âmbito dessa posição, encontrase compreendido na subposição 8504.40, específica para os conversores estáticos. Por ser um inversor e, por falta de item específico, classificase, finalmente, no código 8504.40.90. ” Fl. 894DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 895 4 O Auditor entendeu, portanto, que o denominado emodule é um inversor e como tal deve ser classificado separadamente da máquina a que se destina, por falta de item específico. Como mencionado, a autoridade invoca a solução de Consulta nº 50/2013, que concluiu que o referido “Emodule” deve ser classificado na NCM 8504.40.90, de modo que, ainda que integrante do aerogerador, continua classificável no seu código original, não acompanhando o equipamento ao qual se incorpora. Quanto aos cabos de cordoalha, a impossibilidade do crédito do imposto tem como supedâneo o fato de serem aplicados na montagem das torres, o que atrai a regra da não incidência do imposto, prevista no art. 5º, inciso VIII, do RIPI. Se a norma é da não incidência e não da alíquota zero, não existe possibilidade de ressarcimento, conforme concluiu. A 8º TURMA DA DRJ/POR indeferiu o pedido, entendo que os créditos requeridos não dão direito a ressarcimento, adotando quase integralmente os fundamentos constantes da Informação Fiscal, mas dando ênfase a algumas questões, como o caráter meramente complementar do Laudo Técnico. Menciona solução de consulta, no mesmo sentido da formulada pela empresa autuada: O Acórdão recorrido faz referência ao processo nº 16027720.387/201711 da mesma empresa, versando sobre situação fática e jurídica idêntica. Resumidamente os argumentos da decisão são os seguintes: Detendose no exame dos pareceres exarados nas soluções de consulta que menciona, relacionados com a classificação dos produtos de que tratam o presente processo, os quais, segundo afirma, são vinculantes para os integrantes da Administração Tributária Federal, conforme legislação que menciona, as referidas soluções de consulta não podem ser postas de lado, devendo ser seguidas pelas autoridades fiscais nos procedimentos de fiscalização. 1) A propósito do Laudo Pericial (fls.456/472), afirma a decisão: “Neste sentido, os laudos técnicos apresentados, ao afirmarem que não é possível definir a classificação fiscal do emodule por sua função principal, contrariam frontalmente as disposições da NESH sobre a posição 85.04 acima citada, não podendo ser aceitas no que tange à determinação da classificação fiscal do produto em comento. Tais laudos são válidos para sanear dúvidas sobre a situação fática envolvida, mas não para determinar os efeitos legais decorrentes destes fatos, matéria de direito e alheia ao escopo das perícias, conforme determina o já citado art. 64, §1º, do Decreto nº 7.574/2011.” Fl. 895DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 896 5 Dos argumentos da recorrente (fls. 614): No Recurso a contribuinte volta e invocar os argumentos aduzidos ao ensejo da discussão alusiva ao Auto de Infração através do processo administrativo nº 16027 720.387/201711, no qual levantou as seguintes questões: (I) a parcela substancial do crédito tributário exigido no auto de infração (fatos geradores ocorridos em 02/2012, 04/2012 a 06/2012) está extinta pelo advento da decadência, nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional; (II) a negativa do ressarcimento é baseado exclusivamente em presunções, ignorando por completo orientações anteriores da própria Receita Federal do Brasil e laudos técnicos sobre o assunto, em clara violação ao art. 142 do CTN; (III) o lançamento viola o entendimento firmado no Processo Administrativo nº 10855.720958/201346, no qual se decidiu que, no contexto do fornecimento de aerogeradores, suas partes, peças e componentes devem ter classificação fiscal correspondente à função desempenhada pelo conjunto do qual integram; (IV) diferentemente do entendimento adotado pela fiscalização, o sistema emodule é parte integrante e indissociável dos aerogeradores, sendo que, como tal, é sujeito à alíquota zero, sendo equivocada a classificação fiscal do equipamento na posição NCM 8504.40.90; e, (V) em relação às cordoalhas, a montagem e instalação das torres, pelo que são necessários os referidos bens, se inserem dentro do contexto do fornecimento dos aerogeradores, sendo que a própria Receita Federal do Brasil já reconheceu que as torres são partes indissociáveis dos produtos comercializados pela Recorrente (aerogeradores). Aduz, ainda: Contrapondose ao argumento expendido pela Autoridade Lançadora, secundados pela decisão recorrida, a Recorrente insiste na prevalência do Parecer Técnico emitido a pedido da própria RFB (Processo Administrativo nº 16027.720387/201711, fls. 69) do qual destaca o seguinte trecho: Fl. 896DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 897 6 (... dentre os seus componentes, estão os gabinetes de potência (Gabinete de potência 300Kw V3 Facts) e controle (Gabinete de controle CS48a V2 STD), transformador e controle de UPS (uninterruptible power suplies – Gabinete UPS Enercon V1.0 STD) que, juntos, formam o sistema emodule, parte integrante e essencial dos aerogeradores, conforme resposta ao Quesito X.” Insiste na aplicação do art. 146, do CTN e pondera que a decisão proferida, anteriormente no processo referido, não distinguiu peças e partes de máquinas e aparelhos, sufragando o entendimento geral de que todos os componentes do gerador, independentemente de terem saído totalmente montados dos seus estabelecimentos, parcialmente montados ou separadamente, não altera a classificação fiscal. Insiste que o emodule não é um simples conversor de energia, mas é o próprio “cérebro” do gerador. Também rechaça o argumento de que se trata de construção civil, indicando inclusive decisão da RFB que a desclassificou como construtora. Sobre este tópico, pede atenção para as folhas 81 e 82 (Processo Administrativo nº 16027.720387/201711), na resposta do Perito ao quesito X, da consulta formada pela RFB, com detalhamento dos componentes do aerogerador. Na fl. 82 o Perito afirmou: “Sim, no caso de ausência de algum desses elementos, a eficiência na captação da energia cinética dos ventos resta comprometida.” È o relatório. Voto Conselheira Denise Madalena Green, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Primeiramente, com relação ao pedido de sobrestamento do presente processo administrativo até ulterior decisão definitiva nos autos do Processo Administrativo nº 16027.720387/201711, tendo em vista que o julgamento por este Conselho tanto do processo administrativo de lançamento de ofício nº 16027.720387/201711 quanto deste processo se dará nesta mesma sessão de julgamento, não haverá qualquer prejuízo ou possibilidade de decisões conflitante. I – DO PEDIDO DE PROVA PERICIAL: Fl. 897DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 898 7 A Recorrente invocou a previsão contida no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/721, tendo, já na defesa, formulado quesitos e indicado seu assistente técnico, objetivando esclarecer a finalidade do sistema emodule e fornecer elementos essenciais para possibilitar o seu correto enquadramento na sua classificação fiscal, bem como fornecer subsídios de ordem técnica acerca das torres dos aerogeradores e da utilização das cordoalhas no contexto de sua montagem e instalação. Contudo, consta no processo perícia realizada na data de 24/03/2014 e juntada às fls. 476/492 solicitada pela MF/SRF/Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba/SECAT e Laudo Técnico Complementar elaborado em 04/11/2014 às fls. 544/548, contendo apontamentos a cerca da composição e funcionamento dos aerogeradores eólicos. Tais esclarecimentos, deixam claro o enquadramento na classificação fiscal dessas partes e peças a definir o tratamento tributário dos aerogeradores. Portanto, entendo ser desnecessária a perícia solicitada, para a análise do presente recurso voluntário, pois a perícia só se justifica para esclarecimento de fatos obscuros nos autos ou caso seja necessário conhecimento técnico especializado para esclarecimento de algum ponto discorrido nos autos. Nos termos do Decreto nº 70.235/72 a autoridade julgadora determinará a realização de diligências ou perícias quando entender necessárias para elucidação do litígio, o que não é o caso: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 10 da Lei n°8.748/93). Com efeito, a matéria objeto do presente litígio não demanda nova realização de qualquer diligência ou perícia. Além do mais, indeferimento do pedido de perícia também não configura cerceamento ao direito a ampla defesa por entender suficiente a prova já existente. Restando motivado o indeferimento da perícia e escorado na legislação de regência, afasto, de plano, a arguição da nulidade suscitada. II DA DECADÊNCIA: 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 898DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 899 8 A Recorrente pede que seja reconhecido a decadência do parcela do crédito tributário de IPI decorrente das saídas do sistema emodule (fatos geradores ocorridos em 28/02/2012, 30/04/2012, 31/05/2012 e 30/06/2012), por força da aplicação do art. 150, §4º, do CTN, em razão da existência de pagamento antecipado do imposto nos períodos fiscalizados (existência de saldo credor – art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/2010). Para a Recorrente, o direito do Fisco constituir o crédito tributário estaria parcialmente decaído, pois possuía créditos acumulados do IPI que foram utilizados na quitação do próprio imposto declarado na escrita fiscal, atraindo a regra do art. 150, § 4º do CTN. Essa tese não pode prosperar. Vejamos. Primeiramente, cabe esclarecer que trata os autos de PER/DCOMP´s apresentadas pela Recorrente (Declarações de Compensação). No presente processo não há qualquer discussão sobre lançamento de IPI ou constituição de crédito tributário. Não podemos confundir a apreciação de direito creditório vinculado a compensação de débitos com o lançamento de tributo pela Administração Tributária. A Declaração de compensação (DComp), instituto consagrado no art. 74 da Lei 9.430/96, tem autonomia e independência em relação às espécies de tributos ali declarados, seja os (i) débitos ou (ii) créditos. Para esclarecer a aparente confusão, há que se compreender a decadência aplicada no âmbito tributário. O instituto da decadência tem por objetivo último garantir a estabilidade jurídica, impedindo que direitos permaneçam latentes ad eternum no plano do deverser e podem se materializar a qualquer momento, invocados pelos seus titulares, produzindo efeitos para os sujeitos do polo passivo desses direitos e até terceiros envolvidos em relações jurídicas subsequentes. Assim, a decadência sempre opera no sentido de extinguir direitos do sujeito do polo ativo de uma relação obrigacional com o decurso de um prazo predeterminado. Ou seja, a decadência sempre atua contra o credor. No caso da relação obrigacional tributária usual, a Administração Tributária é o polo ativo, o credor, e, portanto, a decadência atua contra ela, impedindoa de constituir o crédito tributário pelo lançamento, após decorrido o prazo decadencial estipulado nos artigos 150, §4º, e 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Fl. 899DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 900 9 Ocorre que, no caso do ressarcimento do saldo credor de IPI e de sua utilização para compensação de tributos federais, a situação é inversa. A primeira relação obrigacional que surge a partir do saldo credor apurado ao final do trimestrecalendário é tal que a contribuinte é o polo ativo e o Fisco o polo passivo. Para essa situação também existe um prazo, porém este seria um prazo prescricional de cinco anos, conforme previsão do art. 1º do Decreto no 20.910, de 06/01/1932, consoante o Parecer Normativo CST no 515, de 10 de agosto de 1971. E esse prazo decadencial corre contra o titular do direito, ou seja, contra a contribuinte, que deve materializar seu direito dentro desse prazo por meio da formalização do correspondente pedido de ressarcimento, sob pena de perda do direito. No presente caso, os pedidos foram feitos dentro do prazo, portanto não ocorreu a decadência do direito ao ressarcimento, o que não interfere na necessária análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Superada a decadência do direito creditório da contribuinte pela formulação do pedido de ressarcimento e com a superveniente declaração de compensação que pretende a utilização desse crédito, no todo ou em parte, para quitação de tributos federais, o prazo estabelecido pelo sistema normativo para garantir a estabilidade jurídica é o prazo de homologação tácita da compensação declarada, e está disposto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/19962. Esse prazo, por seu turno, corre contra a Administração Tributária, tem natureza prescricional e referese ao direito de cobrar a eventual diferença a maior entre o tributo compensado e o crédito reconhecido em favor da contribuinte. Portanto, não há que se falar em decadência contra a Administração Tributária, pois o CTN, artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, se refere ao prazo para a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício e o que houve de fato foi a glosa de créditos em âmbito de PER/DCOMP, ou seja, de um pedido administrativo de ressarcimento/compensação. III – DO PRECEDENTE INVOCADO: Segundo o Recurso, a classificação fiscal dos produtos objeto da presente discussão já foram resolvidas, a nível do CARF, em processo na qual a matéria foi 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 900DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 901 10 exaustivamente examinada. O produto Emodule foi alvo de análise no Acórdão 10855.720958/201346, invocado como paradigmático. No citado processo foi julgado procedente a impugnação apresentada pela empresa ora Recorrente, em face da resposta apresentada pela perícia realizada em diligência fiscal. A DRJ, naquela oportunidade, concluiu estar correta a classificação fiscal adotada pela contribuinte, nos seguintes termos “o Aerogerador, constituído de uma combinação de máquinas, que conjuntamente desempenham função específica, deve receber classificação fiscal na posição 8502.31.00, correspondente a esta função, independentemente de como tais máquinas sejam transportadas”. Conforme citado acima, o Parecer Técnico emitido a pedido da própria RFB (fls. 69 do Processo Administrativo nº 16027.72.0387/201711), entendeu que “(...) dentre os seus componentes, estão os gabinetes de potência (Gabinete de potência 300Kw V3 Facts) e controle (Gabinete de controle CS48a V2 STD), transformador e controle de UPS (uninterruptible power suplies – Gabinete UPS Enercon V1.0 STD) que, juntos, formam o sistema emodule, parte integrante e essencial dos aerogeradores, conforme resposta ao Quesito X.” Contrariamente ao decidido na decisão recorrida, o Acórdão do CARF, alusiva à classificação dos componentes do gerador, evidencia, que a matéria consta daquela discussão. O Acórdão nº 3201002.248, proferido no processo 10855.720958/201346, invocado pela Recorrente como paradigma, verificase que a questão do Emodule, ao contrário do afirmado na decisão em julgamento no presente processo, foi discutida naquela oportunidade, ou que pelo menos a sua existência já era conhecida. Os aerogeradores objeto da presente exigência fiscal são idênticos ou muito similares aos que deram azo à discussão daquele processo. Aqueles equipamentos, como os alvo do presente processo, continham “emodule” e torres e estas eram fixadas da mesma forma, através do produto denominado cordoalha. A circunstância das autoridades que participaram do julgamento daquele processo, citado como paradigma, não terem se detido no exame de questões tão detalhadas, como as que foram levadas a cabo na presente demanda, não é argumento suficiente para afastar a premissa de “precedente”. Não é admissível que os contribuintes sejam surpreendidos, no desempenho das suas atividades, com as mudanças interpretativas e investigativas das autoridades tributárias. Se tivesse ocorrido um fato novo, uma mudança na legislação ou outro evento alterador das questões suscitadas no referido julgamento tudo bem, que se alterasse o entendimento fiscal. Fl. 901DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 902 11 O mesmo produto não pode ter uma classificação fiscal em 2013 e outra um ou dois anos depois, sem que tenha se processado qualquer alteração da legislação, ou das suas características físicas e ou funcionais. Além do art. 146 do CTN, há que se levar em conta as recentes alterações da Lei de Introdução ao Código Civil, designada atualmente de Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, da qual destaco os dispositivos abaixo: “Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) “Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)”. Está evidente que o ressarcimento pretendido, objeto do PER ora em julgamento, foi lavrado com flagrante mudança de critério jurídico, contrariando o disposto no art. 146 do CTN, o qual se aplica a casos em que a revisão fiscal é feita, não para reparar uma ilegalidade, mas para alterar elementos que a lei deixa à escolha da Autoridade administrativa no exercício do lançamento, em relação a um mesmo sujeito passivo, quando o fato gerador ocorrido posteriormente a sua introdução. Ou seja, é impedida a migração de um critério legalmente válido para outro igualmente legítimo, porém mais gravoso. IV – DOS FUNDAMENTOS DA RECLASSIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL: Compulsando os autos, verifico que a Recorrente é uma empresa industrial de fabricação de geradores de corrente contínua e alternada, peças e acessórios, CNAE: 2710 401. Segundo seu site www.wobben.com.br, “A Wobben Windpower Ind. e Com. Ltda. é a primeira fabricante de aerogeradores (turbinas eólicas) de grande porte da América do Sul. Foi criada para produzir componentes e aerogeradores para o mercado interno e exportação, além de projetar, instalar, operar e prestar serviços de assistência técnica para usinas eólicas. É subsidiária da Enercon GmbH, líder mundial em tecnologia eólica de ponta e um dos líderes do mercado eólico mundial.” Fl. 902DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 903 12 Conforme relatado, o auto de infração objeto dos autos nº 16027720.387/2017 11, foi emitido devido a glosas de crédito considerados indevidos nos meses 09, 10, 11 e 12/2011; 1, 2, 3, 5, 6, 7, e 8/2012, conforme fls. 350 a 353, bem como no mês 07/2011 (fls. 317); e, ainda, foram constatadas ocorrências de saídas tributadas sem IPI lançado, no valor de R$ 19.728.007,37 (fls. 363). Consta da decisão recorrida que a infração relativa ao IPI não destacado nas saídas decorreu da constatação de que os aparelhos denominados "emodule" importados pela interessada e instalados na base das torres dos aerogeradores não teriam a classificação NCM 8502.31.00, utilizada pela interessada (fls. 308), mas sim a da NCM 8504.40.90, que possuía alíquota de 15% do IPI, nos termos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados anexa ao então vigente Decreto nº 7.660/2011. Assim, para a fiscalização, segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado relativas à posição 8502, grupo eletrogêneo de energia eólica é a combinação de uma roda eólica (a máquina motriz citada na nota explicativa, I GRUPOS ELETROGÊNEOS) com um gerador elétrico, não cabendo a aplicação da Nota 4 da Seção XVI para agregar o aparelhos denominados "emodule" ao conjunto pás/cubo/gerador, caracterizando todo o conjunto como uma unidade funcional, destinada a produzir energia elétrica a partir do vento. Dessa forma o Sistema Pás/Cubo/Gerador e o emodule, considerado como conversor de energia, formariam subconjuntos com funções diferentes e específicas, quais sejam: a função de geração de energia elétrica (pás/cubo/gerador) e a função de converter/regular/controlar tensão e frequência vindas do gerador (Conversor de Energia). Em vista disso, a fiscalização classificou emodule no código 8504.40.90, com alíquota de IPI de 15%. A Recorrente esclarece que o "emodule" é um dos itens que integra um "aerogerador" e que, precisamente, é parte essencial daquele. Ainda, demonstra como se dá a montagem de um aerogerador completo e defende que não se pode classificar cada peça de forma individualizada, uma vez que, nas hipóteses analisadas, elas se destinavam a formação de um conjunto único e, por essa razão, a classificação NCM 8502.31.00, atendeu ao bem final (aerogerador) entregue pela Contribuinte ao seu cliente. A foto ilustrativa anexada pela Recorrente às fls. 258 revela, mesmo para quem não seja especialista, que o emodule não pode ser confundido com um simples transformador ou inversor. Aliás, o mesmo, entre outros componentes, tem um transformador, corroborando o Laudo Técnico. Cumpre apontar que consta no “Compêndio de Ementas do Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (CECLAM)”, que o grupo eletrogêneo para a geração de energia elétrica a partir de energia eólica (gerador eólico), apresentado por montar e incompleto, composto por gerador elétrico a ser associado, em corpo único, ao rotor de três pás, acompanhado de sistema de lubrificação, instrumentos de medição e controle e de outros Fl. 903DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 904 13 equipamentos vinculados à função do grupo gerador (geração de energia), classificado em 8502.31.00: 8502.31.00 Grupo eletrogêneo para a geração de energia elétrica a partir de energia eólica (gerador eólico), com potência nominal de saída de 1.500 a 1.580 kW, com frequência variável a uma velocidade de rotação compreendida entre 919 rpm, podendo trabalhar com velocidades de vento entre 325 m/s, apresentado por montar e incompleto, composto por gerador elétrico a ser associado, em corpo único, ao rotor de três pás, acompanhado de sistema de lubrificação, instrumentos de medição e controle e de outros equipamentos vinculados à função do grupo gerador (geração de energia). SD 29/20017 Comitê Fonte:http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/classificaca ofiscaldemercadorias/compendioceclamfev2019/view Entendo que a SD 29/2017 é mais uma constatação que aponta o desacerto da fiscalização na reclassificação. Sobre o tema, deixou a DRJ de analisar as elucidações trazidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH em relação aos conceitos de grupo eletrogêneo e de unidade funcional, o que se constitui em elemento subsidiário de caráter fundamental para interpretação do conteúdos das Notas de Seções, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, nos termos do parágrafo único do art. 1º do Decreto nº. 435/1992. Com relação ao Acórdão objeto de discussão em outro processo de interesse da Recorrente, concordo inteiramente quando sustenta serem meramente auxiliares os laudos periciais. Não há a menor dúvida que cabe ao operador do direito extrair dos fatos a sua consequência jurídica. O que não se pode admitir é que a conclusão do jurista, como no presente caso, se sustente em negativa do dado técnico fulcrado na perícia. A autoridade lançadora afirma que o aerogerador pode gerar energia sem o “E module”. O laudo pericial diz que não. Não se trata, como afirmado no Acórdão recorrido, de extrair a consequência legal de um determinado fato, mas de contestar a existência do próprio fato. Outra conclusão, que não tem nada de jurídica, é quanto ao fato, incontroverso, porque demonstrado exaustivamente no Laudo, por descrição expositiva e por fotos, de que o emodule é fabricando exclusivamente para colocação na base da torre do aerogerador, o que atrai a norma da posição 85403.00. Não tem nenhuma serventia a não ser esta. Fl. 904DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 905 14 Igualmente relevante é que o “emodule”, segundo o laudo pericial, é composto de vários equipamentos e que exerce várias funções e diversamente do alegado na autuação, é fundamental para o funcionamento do aerogerador. A foto juntada no Recurso (fls. 820) está repetida no Laudo Pericial às fls. 92 do Processo Administrativo nº 16027.720387/201711, sendo visível, mesmo para quem não domina as técnicas envolvidas, que se trata de um equipamento complexo, integrado por vários componentes, entre os quais um transformador. Ao responder o Quesito XI o Perito foi contundente: “Qualquer ausência dos citados elementos compromete a eficiência e captação da energia cinética dos ventos”. Inegável, portanto, que o transformador, é o único dos componentes do Emodule suscetível de enquadramento no item 2, das notas explicativas, citadas pela autoridade lançadora, e que seria, portanto, passível de enquadramento na exclusão pretendida, hipótese em que o lançamento deveria ter determinado, com precisão, o respectivo valor em relação ao todo. Está bem claro, no Laudo, que um dos equipamentos que integram o emodule é um computador, verdadeiro cérebro do aerogerador. Da forma como foi elaborado o lançamento, está sendo incluído na base de cálculo do imposto inclusive o referido computador. Por último, quanto à classificação fiscal, na dúvida, deve se aplicar o disposto no item 3, das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, integrante da TIPI: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO “3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria.” “Ex 01 Partes utilizadas exclusiva ou principalmente em aerogeradores classificados no código 8502.31.00 – 0”. Não há como negar que dentre duas classificações possíveis (Outros – 8504.90) e o Código 8502.31.00, o último é muito mais específico que aquele. Quando às soluções de consulta e a impossibilidade deste Conselho contrariar o nelas decidido, não é matéria nova, conforme Acórdão 3403.003, citado às fls. 183, pela Recorrente. Fl. 905DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 906 15 Oportuno esclarecer que a tese aqui debatida já foi objeto de discussão tanto pela Delegacia Regional Tributária da Receita Federal Tributária, quanto por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos autos do processo de nº 10855.720958/201346 (Acórdão 1451.727 2ª Turma da DRJ/POR), cujas emedas passo a transcrever abaixo: Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL AEROGERADOR O Aerogerador, constituído de uma combinação de máquinas, que conjuntamente desempenham função específica, deve receber classificação fiscal na posição 8502.31.00, correspondente a esta função, independentemente de como tais máquinas sejam transportadas. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO – IRREGULARIDADE. A falta de aprofundamento nas circunstâncias e elementos veritativos da hipótese de incidência, revela falha no elemento nuclear constitutivo da relação jurídicotributária, desatendendo o preceito do art. 142, do CTN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Entendo que a matéria foi analisada com propriedade pela DRJ nos autos do processo acima citado e, por essa razão, admito integralmente aos termos: Compulsando os autos, verifico que a Interessada é uma empresa industrial de fabricação de geradores de corrente contínua e alternada, peças e acessórios, CNAE: 2710 401. Assim sendo, a operação fiscal que melhor satisfaz esta condição é a venda para entrega futura (CFOP 6922), cuja base legal encontrase definida pelo Art. 127 e seguintes do ICMS/SP:” A autoridade fiscal entendeu, à fl. 329, que: “De acordo com a Nota Explicativa da NESH (85.02 – Grupos Eletrogêneos e Conversores Rotativos, Elétricos), abaixo reproduzido, e os esclarecimentos acima apresentados, entendemos que a Classificação Fiscal correta para os Produtos Fabricados e Vendidos (CFOP 6116) pela empresa, deveriam ser os seguintes: a)Aerogerador E481 completo – 800 KM transmissão: NCM código 8502.31.00 (De energiaeólica) – alíquota 0% (zero) para o conjunto Gerador / Rotor; e NCM código 8503.00.90 (Outros – Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas das posições 8501 ou 8502) – alíquota 10% (dez), para os demais elementos (fundação, torre, segmentos de aço, pás etc); b) Segmentos E48 – acabado: NCM código 8503.00.90 (Outros – Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas das posições 8501 ou 8502) – alíquota 10% Fl. 906DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 907 16 (dez); c) Rotor completo E48: NCM código 8502.31.00 (De energia eólica) – alíquota 0% (zero); d) Máquina E48 completo (produção) ou Nacele: NCM código 8502.31.00 (De energia eólica) – alíquota 0% (zero).” Assim, após confecção do Anexo I que detalha o trabalho fiscal, lavrouse Auto de Infração sob a motivação de erro de classificação fiscal. O Anexo II trás a recomposição da escrita fiscal. A Nota 4 da Secção XVI assim disciplina: “4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha.” (grifouse) Não resta dúvida para este julgador, que o Aerogerador, constituído de uma combinação de máquinas, que conjuntamente desempenham função específica, deva receber a classificação fiscal correspondente a esta função, independentemente de como tais máquinas sejam transportadas. Não importa se transportadas de uma única vez, ainda que isso seja praticamente impossível, à vista que, um Aerogerador, é composto de fundação (base), torre de aproximadamente 70 metros e pesar algumas dezenas de toneladas. O fato de serem transportadas, separadamente, por notas fiscais de simples remessa, não descaracteriza as orientações emanadas para fins de classificação fiscal. De certo, o esclarecimento de que o componente faz parte de um “Sistema Eólico” ou “combinação de máquinas” no próprio documento de simples remessa é medida salutar e preventiva. Estas são as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 85.02.5.02 Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos. I. GRUPOS ELETROGÊNEOS A expressão “grupos eletrogêneos” aplicase à combinação de um gerador elétrico com uma máquina motriz, que não seja um motor elétrico (turbina hidráulica, turbina a Fl. 907DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 908 17 vapor, roda eólica, máquina a vapor, motor de ignição por centelha (faísca), motor diesel, etc.). Quando a máquina motriz e o gerador formam um só corpo ou quando, separados mas apresentados ao mesmo tempo, as duas máquinas são concebidas para formar um só corpo ou ser montadas em uma base comum (ver as Considerações Gerais desta Seção), o conjunto classificase na presente posição. (grifouse) Os grupos eletrogêneos para soldadura só se classificam aqui se apresentados isoladamente, desprovidos das suas cabeças ou pinças de soldadura; caso contrário, classificamse na posição 85.15. II. CONVERSORES ROTATIVOS ELÉTRICOS As máquinas deste tipo consistem essencialmente em associação de um gerador elétrico e de uma máquina motriz de motor elétrico, que podem ser montados de modo solidário em uma base, armação ou suporte comum (grupos conversores), ou simplesmente ligados por meio de dispositivos apropriados; estas máquinas são utilizadas para transformar a natureza da corrente (conversão de corrente alternada em corrente contínua ou viceversa) ou para modificar algumas características da corrente, tais como potência, freqüência ou fase da corrente alternada (por exemplo, levar a freqüência de 50 a 200 ciclos ou transformar uma corrente monofásica em trifásica). Algumas destas máquinas denominamse, às vezes, transformadores rotativos. PARTES Ressalvadas as disposições gerais relativas à classificação das partes (ver as Considerações Gerais da Seção) as partes das máquinas da presente posição classificamse na posição 85.03. Assim, para estes não há outra classificação a adotar senão a 8502.31.00, tributados a alíquota zero. 85.02 Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos. 8502.1 Grupos eletrogêneos de motor de pistão, de ignição por compressão (motores diesel ou semidiesel): 8502.11 De potência não superior a 75 kVA 8502.11.10 De corrente alternada 0 8502.11.90 Outros 0 8502.12 De potência superior a 75 kVA, mas não superior a 375 kVA 8502.12.10 De corrente alternada 0 8502.12.90 Outros 0 8502.13 De potência superior a 375 kVA 8502.13.1 De corrente alternada 8502.13.11 De potência inferior ou igual a 430 kVA 0 8502.13.19 Outros 0 8502.13.90 Outros 0 Fl. 908DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 909 18 8502.20 Grupos eletrogêneos de motor de pistão, de ignição por centelha (motor de explosão) 8502.20.1 De corrente alternada 8502.20.11 De potência inferior ou igual a 210 kVA 0 8502.20.19 Outros 0 8502.20.90 Outros 0 8502.3 Outros grupos eletrogêneos: 8502.31.00 De energia eólica 0 Assim, para estes não há outra classificação a adotar senão a 8502.31.00, tributados a alíquota zero. As regras de interpretação são, tão somente, aquelas contidas na TIPI –Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados. Isso não afasta, em tese, a tributação das saídas de partes, peças e componentes do “sistema eólico”, quando tais saídas estiverem desassociadas do “conjunto”, do “grupo eletrogêneo”. Por óbvio, dependerá da classificação fiscal e previsão de alíquota na TIPI. Mas, para alguns destes, Segundo a Solução de Consulta nº 50 – SRRF08/Diana, de 31 de Julho de 2013, da própria Interessada, adotarseá a classificação fiscal posição 8504.40.90 e não a pretendida pela autoridade fiscal. Aliás, conforme noticiado pela Impugnante em suas respostas às intimações, à data do procedimento fiscal e do lançamento tributário, tal matéria, classificação fiscal do componente EModule, estava pendente de apreciação administrativa e, portanto, insuscetível de procedimento fiscal, nos termos do Art. 89 do Decreto nº 7574. de 29 de Setembro de 2011. A Impugnante asseverou por diversas vezes que os Aerogeradores, embora composto por um conjunto de sistemas e máquinas, são comercializados como único produto tributado à alíquota zero. E segue a Impugnante, à fl. 360. “Nesse contexto, a fiscalização segregou, baseandose exclusivamente em documentos fiscais (não realizando qualquer verificação in loco, ou outra avaliação pormenorizada do produto comercializado pela impugnante), as partes, peças e componentes dos referidos aerogeradores para tributar pelo IPI cada um desses materiais como se independentes fossem. ” Fl. 909DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 910 19 A Impugnante alega, ainda, que não está devidamente identificada a “matéria tributável, calcado em presunções equivocadas e arbitramentos indevidos, em flagrante afronta ao Art. 142 do Código Tributário Nacional”. Ora, ao selecionar os produtos mencionados nas notas fiscais de simples remessa e tributandoos, simplesmente, a autoridade fiscal deixou de analisar se tais produtos foram industrializados pela Impugnante, bem como, no caso de têlos adquiridos de terceiros, se há situação de equiparação a estabelecimento industrial, fora dos quais, não se pode falar em incidência de IPI. Analisando o Anexo I do Relatório Fiscal, verificase que exigiuse IPI da Impugnante sobre os seguintes produtos: tinta, funil de PVC, anel de vedação, arruela, parafuso, borracha para vedar, adesivo, selante, cimento, escada, dentre outros. A falta de aprofundamento nas circunstâncias e elementos veritativos da hipótese de incidência, revela falha no elemento nuclear constitutivo da relação jurídico tributária, desatendendo o preceito do art. 142, do CTN, como lembrou a Impugnante. Não é crível que a Impugnante fabrique um rol tão diversos de produtos, cuja saída pudesse ser onerada pelo IPI. Se não é estabelecimento industrial ou equiparada a industrial em relação a estes produtos remetidos, separadamente, pelas notas de simples remessa não há que se falar em incidência do IPI. Assim, como esta circunstância material não foi devidamente esclarecida nos autos, não há como afirmar, categoricamente, que realizouse a hipótese de incidência. Nos itens 70 a 75 de sua impugnação, fl. 383, alegando ferimento à ampla defesa e motivação do ato administrativo, comprova a utilização no trabalho fiscal de NCM´s inexistentes. Os itens 81 a 84 da Impugnação, demonstram a cobrança em duplicidade do IPI em algumas notas fiscais e os itens 95 a 105, classificações fiscais inadequadas no trabalho fiscal. Assim, verificase, ainda, a falta de perquirição sobre as saídas dos produtos submetidos a lançamento de ofício, objeto das notas fiscais de simples remessa. Somente teria sentido o lançamento tributário se as saídas dos produtos lançados estivessem desassociadas de uma venda de um grupo eletrogêneo, o que impõe observar se a Impugnante preencheria, para tais produtos, o conceito de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. Fl. 910DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 911 20 A ausência destes cuidados e o exigência indiscriminada de IPI dos produtos constantes das notas fiscais de simples remessa, traz o trabalho fiscal para o campo das presunções. Assim, por todo exposto, voto pela procedência da Impugnação. Esse julgamento foi confirmado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdão nº 3201002.248 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), cuja ementa transcrevo abaixo: Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO DE OFÍCIO. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Prova pericial que confirma a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Lançamento improcedente. Impossibilidade de lançamento fiscal por presunção. No julgado acima transcrito, proferido no processo 10855.720958/201346, invocado pela Recorrente como paradigma, a DRJ deixou claro que “somente teria sentido o lançamento tributário se as saídas dos produtos lançados estivessem dissociadas de uma venda de um grupo eletrogêneo, o que impõe observar se a Impugnante preencheria, para tais produtos, o conceito de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial”. Ressalto, mais uma vez, que, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a questão do emodule não passou desapercebida no referido julgamento, invocado pela Recorrente como paradigmático, ou que pelo menos a sua existência já era reconhecida e que somente a não considerou pois, na época, estava pendente de apreciação administrativa e, portanto, insuscetível de procedimento fiscal. Além do mais, a circunstância das autoridades que se debruçaram sobre aquele processo, não terem se detido no exame de questões tão detalhadas como as que foram levadas a cabo na presente demanda, não é argumento suficiente para afastar a premissa de “precedente”. Até porque, naquela oportunidade a DRJ deixou claro que devido ao fato de que independente e classificação fiscal que viesse a ser definida para o sistema emodule individualmente considerado, essa seria irrelevante para classificálo quando a saída, caso estivesse atrelada ao fornecimento do conjunto aerogerador, pois se trata de parte exclusiva e essencial. Fl. 911DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 912 21 Para corroborar com o entendimento acima, cito como precedente o Acórdão nº 3301005.698, da relatoria da nobre Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, que por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário, que restou assim emendado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/07/2011 a 31/01/2012 LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. PROVA. Nos termos do art. 30 do Decreto n° 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas à análise dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AEROGERADOR. POSIÇÃO 8502.31.00. O aerogerador constituído de uma combinação de partes, com unidade funcional, para desempenho de função específica de produção de energia elétrica, deve ser classificado na posição 8502.31.00. Recurso Voluntário Provido. Chamo a atenção para a jurisprudência acima citada pelo fato de se tratar do mesmo componente aqui debatido nesses autos o “Emodule”, mas lá descrito como “conversor de energia”, ambas com classificação de entrada considerada como código 85.04.40.90. Porém entendeu no julgado acima que por tratar de parte essencial da turbina eólica, sem o qual não há produção de energia elétrica, formando um “corpo único” com função bem delimitada que é a geração de energia elétrica, e por isso, classificados na posição 8502.31.00. No mesmo sentido das conclusões aqui esposadas (classificação fiscal de aerogerador em 8502.31.00), cito o Acórdão nº 9303003.872, in verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/11/2002 GRUPOS ELETROGÊNEOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Classificamse na posição 8502.39.00 tanto o gerador elétrico quanto a máquina motriz que compõem os grupos eletrogêneos, nos termos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado relativas à posição 8502. Como máquinas motrizes aí enquadráveis, incluemse os elementos essenciais ao seu funcionamento que com ela formem uma "unidade funcional" nos termos da Nota 4 da Seção XVI. Fl. 912DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 913 22 Cito ainda, os acórdãos n° 3201002.248 e 330005.698. No tocante à cordoalha, mais se revela indevida a exigência fiscal, haja vista que o citado inciso VIII, do art. 5, do Regulamento, adiante transcrito, não exclui a incidência do imposto nas saídas dos produtos destinados à montagem do estabelecimento do contribuinte. Confirase: “Art. 5° Não se considera industrialização: (...) VIII a operação efetuada fora do estabelecimento industrial, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte: a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e semelhantes, e suas coberturas); b) instalação de oleodutos, usinas hidrelétricas, torres de refrigeração, estações e centrais telefônicas ou outros sistemas de telecomunicação e telefonia, estações, usinas e redes de distribuição de energia elétrica e semelhantes; ou c) fixação de unidades ou complexos industriais ao solo;” A norma do inciso, acima transcrito, está sujeita à limitação contida no preceito do parágrafo único do mesmo artigo, não mencionado na informação do Auditor: “Parágrafo único. O disposto no inciso VIII não exclui a incidência do imposto sobre os produtos, partes ou peças utilizados nas operações nele referidas.” Aliás, nesse tópico a exigência revela, em certa medida, uma posição contraditória do procedimento fiscal, como um todo, porque se a instalação das cordoalhas não fosse fato gerador do IPI, pelo mesmo motivo não o seria a instalação do “emodule”. Sem dúvida, nesses casos, a montagem não é fato gerador do imposto, mas a saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial é, por força do acima transcrito parágrafo único. Estando o produto classificado na posição 85.02.31.00, mesmo sendo tributável a saída, a alíquota é zero, com manutenção dos créditos derivados das entradas ou mesmo do devido no desembaraço aduaneiro. Quanto à classificação, no caso das cordoalhas, a situação é diferente do “e module”, pois a exigência não teria como fundarse na a invocação da exceção citada pela autoridade fiscal, porque não se trata de produto classificado em nenhuma posições do Capítulo 85. Neste caso, mas por força da expressa disposição contida na descrição do produto da posição 8503.00, por serem fabricadas na medida certa para fixação das torres dos aerogeradores, a única classificação possível é nesta última. Neste caso também não paira qualquer dúvida sobre o precedente invocado pela Recorrente, no processo acima referido. Fl. 913DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.722796/201712 Resolução nº 3302001.162 S3C3T2 Fl. 914 23 Por conseguinte, restando irrepreensível a classificação adotada pelo contribuinte em relação ao sistema Emolule e cordoalhas, não há falarse em aplicação de multa de ofício. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no processo nº 16027.720387/201711, de tal sorte o meu voto é no sentido de sobrestar o julgamento até a definitividade do processo nº 16027.720387/201711. É como voto. Denise Madalena Green Relator Fl. 914DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0520.19044.T10K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DENISE MADALENA GREEN em 18/07/2019 19:02:00. Documento autenticado digitalmente por DENISE MADALENA GREEN em 18/07/2019. Documento assinado digitalmente por: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO em 23/07/2019 e DENISE MADALENA GREEN em 18/07/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 24/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP24.0520.19044.T10K Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 9BAFF6931098200C31880EEA7B069C469906BDF535520B48F06812D03C7C5F24 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10855.722796/2017-12. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000112/96-35
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 302-00.852
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, vencidos os conselheiros Elizabeth Maria Vio1atto, Antenor de Barros Leite Filho e Luis Antonio Flora, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO
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Numero do processo: 16327.001327/2001-45
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL
Exercício: 1992.
Ementa: DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08, DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. EFEITOS EX TUNC. AUSÊNCIA DE DISPOSITIVO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A SER VIOLADO.
Com a edição da súmula vinculante n° 08 do STF, declarando a
inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, com efeito ex tune, o recurso especial da Fazenda não deve ser conhecido, por inexistir o dispositivo legal que reputa violado.
Numero da decisão: 9101-000.732
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 16327.001327/2001-45 Recurso n° 153.837 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00.732 — 1 8 Turma Sessão de 09 de novembro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CORRETORA SOUZA BARROS CAMBIO E TÍTULOS S/A Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Exercício: 1992. Ementa: DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08, DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. EFEITOS EX TUNC. AUSÊNCIA DE DISPOSITIVO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A SER VIOLADO. Com a edição da súmula vinculante n° 08 do STF, declarando a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, com efeito ex tune, o recurso especial da Fazenda não deve ser conhecido, por inexistir o dispositivo legal que reputa violado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Naonal, nos te os do relatório e voto que integram o presente julgado. fl II , SUSY GOMES- OFFMANN - Relatora. EDITADO EM: 1 3 EL 2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em violação à legislação tributária. Lavrou-se, contra o contribuinte, auto de infração, em 21/06/2001, em decorrência de pedido de retificação da DIPJ/1993, ano-calendário de 1992, relativo à Contribuição Social sobre Lucro Líquido - CSLL, no valor de R$ 200.469,61, incluindo juros de mora e multa de oficio, referente aos fatos geradores ocorridos em 28/02/1992, 31/03/1992, 30/04/1992, 31/05/1992, 30/06/1992, 30/09/1992 e 30/11/1992. Na fiscalização, constatou-se que houve apuração incorreta da CSLL. A ciência do auto de infração por parte do contribuinte deu-se no dia 27/07/2001. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 36/44 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 134/147 dos autos, julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Data do fato gerador: 28/02/1998, 31/03/1992, 30/04/1992, 31/05/1992, 30/06/1992, 30/09/1992 e 30/11/1992. Ementa: CSLL. DECADÊNCIA. O direito da Administração de constituir o crédito tributário relativamente à CSLL decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. AUTORIDADE MONETÁRIA. NORMAS. A observância de normas do BACEN não exime o contribuinte do cwnprimento de normas determinadas e procedimentos contábeis aceitos pela Secretaria da Receita Federal. CSLL. BASE DE CÁLCULO. RETIFICAÇÃO. A retificação da base de cálculo, originalmente declarada, impõe a demonstração de que as exclusões procedidas estejam em consonância com a legislação tributária, TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora decorre da lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. 2 Processo n° 16327,001327/2001-45 Acórdão n.° 9101-00.732 CSRF-T1 Fl. 2 Lançamento Procedente. O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 151/157 dos autos. A antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, às fls. 201/218 dos autos, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. CSLL. SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA- APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei n° 7689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, §4°, da Constituição Federal, têm a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária por unanimidade de votos, no RE 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, §4°. Recurso voluntário conhecido e provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com base em violação à legislação tributária (fls. 228/225). Alegou que a decisão recorrida chocou-se com o disposto no artigo 45 da Lei n° 8212/91, que prevê o prazo de 10 anos para a constituição de créditos tributários concernentes a contribuições sociais. O contribuinte apresentou suas contra-razões às fls. 234/243 dos autos. 3 Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN O presente recurso especial é tempestivo. Não deve, no entanto, ser conhecido, por não preencher os demais requisitos de admissibilidade. A recorrente baseou seu recurso na violação ao artigo 45 da lei n° 8.212/91, em referência ao reconhecimento da decadência relativa à CSLL. Sucede que, em 12 de junho de 2008, a Corte Máxima do País julgou inconstitucional o referido dispositivo, editando a Súmula Vinculante n2 8, publicada no Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 com o seguinte enunciado: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do sÇ 4° do art. 2° da Lei n°11.417/2006: Súmula vinculante n°8 - São inconstitucionais o parágrgfo único do artigo 5" do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gaiiotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5", parágrafo único Lei n° 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção I) Desta forma, com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, consubstanciada em súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, tal dispositivo restou excluído do ordenamento jurídico. E sua exclusão, através do reconhecimento da sua inconstitucionalidade, ocorreu desde sempre, isto é, com efeito "ex tune", como se nunca houvesse existido. Realmente, tendo em vista que o preceito legal que a recorrente reputa violado foi declarado inconstitucional, sem que o STF tenha, nos termos do artigo 4° da Lei n° 4 Processo n° 16327.001327/2001-45 Acórdão n.° 9101-00.732 CSRF-T1 Fl. 3 11.417/06, modulado os seus efeitos, no sentido de "restringir os efeitos vinculantes ou decidir que só tenha eficácia a partir de outro momento, tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse público", tem-se que se lhe aplica a teoria da nulidade absoluta. Nasceu já inconstitucional o dispositivo. Logo, sendo inconstitucional desde o seu nascimento, o presente recurso não é de ser conhecido, pois que não há legislação tributária passível de violação. Diante do exposto, não conheço do recurso especial da Fazenda. Sala das Sessões, 09 de novembro de 2010. SUSY GOMES HOFFMANN - Relatora 5
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002134/99-61
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 201-00.155
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILBERTO CASSULI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20100155_105300021349961_200106; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-01-11T19:19:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20100155_105300021349961_200106; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20100155_105300021349961_200106; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-01-11T19:19:33Z; created: 2017-01-11T19:19:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-01-11T19:19:33Z; pdf:charsPerPage: 572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-01-11T19:19:33Z | Conteúdo => Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto. por: FOTO MAGIC BRASIl; L'i'DA. , . RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamentõ do recurso em ditigênciá,. . fi.OS termos do voto do Relâtor. 1 / ' .. 21 de junho de 2001 FOTO MAGIC BRASil., LTDA. DRJ em Salvador'- BA . 10530.002134/99-61 115.811 201-00.155 \ - RESOLUÇÃO N° 201-00.155 SEGUNDO CONSELHO OE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA Sala das Sessões,. em 21 de junho de 2001 .~' .. ' 0__' .. . <::::: • .. . Jorge 'Freire Presidente ~~L Rela.:f éàssú1 cl/ovrs Processo Recurso Resolução .: Sessão' Recorrente : Recorrida \ . A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador - BA, à fi. 78, diante da afirmação da contribuinte de que ingressaria com ação judicial junto à Justiça Federal, determinou a intimação da empresa para àpresentar cópia da petição inicial que teria instruído O . . RELATÓRIO FOTO MAGIC BRASIL LTDA. 10530.002134/99-61 115.811 201-00.155 . MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Recorrente .: Processo Recurso Resolução: A Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana- BA, às fls. 62/65, decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição~ áfirmando haver se operado' a decadência dei direito à restituição pleiteada, fundamentando-se nos arts, 165 e 168do CTN, no ParecerPGFN/CAT/N° 1.538/99, e no Ato Declaratório SRF nO096/99.. . Trata-se de pedido de restituição, protocolado,em 20/10/99, sob a alegação de que "A peticion.ária antecipou indevidamente 'o F/NSOC/AL a maior do período de setembro de 1989 a março de 1992, fazendo jus, portanto, na forma do Decreto nO 2.138/97, 'C/C com a Instrução Aormativa nO 21/97, a restituição das quantias recolhidas a mais, devidamente acrescida da SEL/C". Requer a restituição do FINSOCIAL r~colhido a maior, pleiteando os valores relativos aos períodos de setembro de 1989 a março de 1992, trazendo 'os documentos que. comprovam os recolhimentos. Inconformada, a empresa apresentou sua impugnação, fls. 67/76, trazendo suas razões com fundamento' no'"Parecer COSIT nO 58/98, afirmando que os valores pleiteados poderiam ser devolvidos sem restrições com base nos dispositivos deste parecer. Cita doutrina fazendo referência à iese de que o prazo para pleitear a restituição perante 'a autoridade administrativa, nos casos como o presente, nasceria somente com. a declaração de inconstitucionalidade da exação pelo Supremo Tribunal Federal. Faz referência, também, à tese de que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo de cinco anos para pedir a repetição do indébito somente começa a correr depois da homologação reàlizada pelo Fisco; não sendo expressa essa homologação, ocorre~ a homologação tácita, após cinco anos contados da data do fato gerador; assim, afirma que ao prazo de cinco anos/ deve ser acrescido, mais cip.co anos. Afirma, com referência ao Ato Declaratório SRF n° 096/99, que a extinção do . crédito tributário se dá após decorridos cinco 'anos do fato geraedor. Cólaciona uma série de precedentes jurisprudenciais que corroboram com o entendimento que adota, e informa que entraria com Ação .Ordinária de Repetição de Indébito; junto à Justiça Federal, pleiteando a restituição/compensação desses valores. Requer a restituição ou a compensação dos seus alegados .créditos. 'I, ' " 3#. , ' 10530.002134/99-61 115.811 201-00.155 ( ! , SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA Processo Recurso Resolução: . , . Resolveu, então, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador - BA, às fls. 83/87, não conhecer da impugnação apresentada, sob o fundamento de que "A opção pela via judicial importá em renúne,ia ou desistência da esfera administrativa, em face do princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política. ';. Traz a lume o princípio dà Controle Jurisdicional, .art. 5°, XXXV, CF, afirmando' que ao optar pela via judicial o' cidadão renuncia ao julgamento de seu pleito na esfera adrninistr,ativa. Fundamenta-se,' ainda, no Decreto- Lei' n° 1.733/79, art. l°, S 2°, Lei n° 6.380/80, art. ,38, parágrafo único, Ato Declaratório (Normativo) n° 3 da Coordenação-Geral do Sistema de TributaçãO, julgado do Eg. Primeiro Conselho de Contribuintes, e Parecer PGFN nO25.046, de 1978, concluindo por não conhecerda impugnação "em razão de a matéria já ter sido submetida'à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão será cumpriaa pela administração tributária, por intermédio do órgão fiscal, jurisdicionante ". processo ou para firmar declaração de que não intentara a ação. A ~ra recorrente quedou-se inerte, e o Fisco juntou 'comprovação de que a ora recorrente impetrara Mandado de Segurança individual, distribuído em 14/08/2000, conforme pesquisa realizada na internet, na .Seção Judiciária da Bahia. Em recurso voluntário, às fls. 88/1 00, a recorrente manifesta sua inconformidade com a decisão atacada, apresentando suas razões: afirmando inicialmente que -"ainda" não iJigressou,junto ao judiciário, pedindo que lhe permitido a compensar os FINSOCIAL recolhido a maior, por isso, 'ao não julgar o seu pedido, data máxima vênia, laborou em grande equívoco o Sr. Delegado da Receita, Federal d~ Julgamento ... ", Tece comentários acerca da, compensação e , da restituição, fazendo referência às Leis nOs 8.383/91; às INs nOs 67/92, 21/97 e 73/97; ao Decreto nO 2.138/97; e ao Parecer COSIT nO 58/98. Alega que a Receita Federal vinha promovendo normalmente a compensação e a restituição, até o advento do Ato Declaratório SRF nO096/99, quando passou a considerar a decadência do direito ao.pedido de restituição de maneIra diferente .. Aduz que a extinção do' crédito tributário e a prescrição do diréito de pleitear súa restituição, no lançamento por homologação, "se dá após o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anós, a partir da homologação tácita". Colaciona pr~cedentes ju'risprudenciais na esteira deste pensamento. Conclui por requerer que se considere o termq inicial do prazo para pleitear a restituição a data em que o seu direito ,se tomou disponível, . que considera sendo a data da publicação da Medida Provisória n° 1.1101..95, pugnando pelo provimento do recurso. a I ~. j , I , ,. . - ..10530.002134/99-61115.811 201-00.155 , VOTO DO CONSELHEIRO-:-RELATOR GILBERTO CASSULI . . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA DA CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL \ A Delegacia da Receita Federal de Julgamento' não conheceu da impugnação apre.sentada, ao, fundamento de não' haver possibilidade de concomitância entre' O processo administrativo e o processo judicial. Defende a tese de que o ajuizamento de qualquer ação, v. g.: o Mangado de Segurança impetrado~ significa a renúncia ou desistência do contribuinte à discussão ~, administr~tiva, . . Assim, pelo exposto; e por tudo mais que dos autos consta, voto pela baixa dos autos em diligência para. verificação da fase processual da ação judicial impetrada pela ora- recorrente, infonnando eventual julgamento de mérito, sob pena de arquivamento do processo. /. " . . , O Fisco aferiu que a ora recon:ente impetrara Mandado de Segurança, em face da Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana - BA, e, diante, dp silêncio da empresa,' quando intimada para se manifestar a respeito, decidiu a DRJ não conhecer da impugnação apresentada, . E como voto . . Sala das Sessões, em 21.de junho de 2001 4' \ Em respeito ao princIpIo da segurança juridica e da unicidade da jurisdição, porque sempre prevalecerá a decisão judicial sobre' a administrativa, deve-se ter conhecimento do - ,teor da- petivão inicial do mandado. de segurança interposto pela contribuinte, bem camada julgamento do mesmo writ. ./ Pro,cesso ": Recurso' Resolução: o recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. A empresa contribuinte, ora recorrente, pretende a restituição d~s valores recolhidos a maior referentes ao FINSOCIAL Resta claro que o entendimento da empresa de que pagou tributo indevidamente funda-se no julgamento, pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, da . ,inconstitucionalidade das majorações da alíquota da exação em foco. 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 13362.000332/2007-10
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUICC:IES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS
Período de apuração: 01/0111996 a 30/11/1996, 01/01/1997 a 30/11/1998
PRESTADORES DE SERVIÇO, DESCARACTERIZAÇÃO PELO FISCO.
SEGURADOS EMPREGADOS. RETENÇÃO PARCIAL DAS CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA POR AMBAS AS REGRAS DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante no 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional.
No presente caso, todo o lançamento fiscal foi alcançado pela decadência quinquenal, tanto pela regra estabelecida no art. 150, §4° do CTN, quanto pela disposição do art. 17.3, inciso I, do mesmo Codex,
Recurso Voluntdrio Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.515
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a)
Nome do relator: DAMIÃ0 CORDEIRO DE MORAIS
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:01:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:01:16Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:01:17Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:01:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1a2af115-eaca-406c-8549-444ebf5615ba; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:01:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:01:17Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:01:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:01:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:01:16Z; created: 2011-03-10T13:01:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2011-03-10T13:01:16Z; pdf:charsPerPage: 1467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:01:16Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo le 13362,000332/2007-10 Recurso n" 254,543 Voluntário Acórdão nO 2301-01.515 — 3n Câmara / V Turma Ordinária Sessão de 9 de junho de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente MUNICÍPIO DE CANTO DO BURITI/PI - PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM TERESINA - PI ASSUNTO: CONTRIBUICC:IES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/0111996 a 30/11/1996, 01/01/1997 a 30/11/1998 PRESTADORES DE SERVIÇO, DESCARACTERIZAÇÃO PELO FISCO. SEGURADOS EMPREGADOS. RETENÇÃO PARCIAL DAS CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA POR AMBAS AS REGRAS DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante no 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. No presente caso, todo o lançamento fiscal foi alcançado pela decadência quinquenal, tanto pela regra estabelecida no art. 150, §4° do CTN, quanto pela disposição do art. 17.3, inciso I, do mesmo Codex, Recurso Voluntdrio Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por 'anii ade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). JULIO MES Presidente DAMIÃO CORDEIRO ORAES - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Banos, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente) e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Relatório 1, Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa MUNICÍPIO DE CANTO DO BURITI/PI PREFEITURA MUNICIPAL contra decisão de primeira instancia que julgou procedente o lançamento de débito relativo a contribuições incidentes sobre a remuneração de trabalhadores que prestavam serviços a recorrente, considerados pelo fisco como segurados empregados nos exercícios de 1996 a 1998. 2. A decisão recorrida restou ementada nos seguintes termos: "CRÉDITO PREVIDEN(2IÁRIO ÓRGÃO PÚBLICO EQUIPARAÇÃO Á EMPRESA CARACTERIZAÇÃO DE' SEGURADOS EMPREGADOS DECADÊNCIA PRAZO DECENAL, JUROS. SELIC Incidem contribuições sobre as remunerações pagas a segurados empregados, Os elementos da pessoa/idade, não eventualidade, onerosidade e subordinação caracterizam a pessoa física que presta serviço ã empresa como segurado empregado. O langamento g ato administrativo vinculado e obrigatório, nos termos do art. 142, parágrafo Único, do Código Tributário Nacional. decenal o prazo para a Previdência Social apurar e constituir seus créditos. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluidas ou não em notificação .fiscal de lançamento de débito, ficam sujeitas aos juros equivalentes ã taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC Arguições de ilegalidade ou inconstitucionalidade não podem ser apreciadas na esfera administrativa. LANÇAMENTO PROCEDENTE'" 3. A recorrente alega em suas razões recursais, sinteticamente, os seguintes argumentos: a) a decadência dos débitos previdenciários relativo ao período fiscalizado nos termos do artigo 173, inciso I, do Código • Tributário Nacional; b) ilegalidade e inconstitucionalidade da Taxa Selic 4. 0 fisco, por sua vez, não apresentou contra-razões ao recurso voluntário, limitando-se a encaminhar os autos a esta Camara. o relatório 2 Processo LI* 13362 000332/2007-10 S2-C3T1 Acórdao n." 2301-01315 Fl. 2 Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, urna vez que atende aos pressupostos de admissibilidade, DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA 2, Inicialmente, o Município afirma que os créditos tributários constituídos pelo lançamento fiscal estão decaidos segundo o prazo de decadência quinquenal nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, divergindo, assim, do posicionamento adotado pelo fisco na decisão de 1a instância que se manifestou pelo afastamento do prazo quinquenal estabelecido pelo codex tributário face o art. 45 da Lei rt.' 8212/91. 3. E sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: "Parte final do voto proferido pelo EX1170 Senliar Ministro Gihnar Mendes, Relator. - Resultam inconstifucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei 8212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sabre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se higida a legislação anterior, coin seus prazos qiiinqiienais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das .execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinárias e lhes nego provimento, para confirmar a proclaniada incolistitucionalidade dos arts. 4.5 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art 146, 111, b, da Constituição, e do parágrafo único do art 50 do Decreto-lei n ° 1.569/77, ,frente ao § do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. .t COMO voto. Súmula Vinculante 08, ty_ 3 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 1 L417, de 19/12/2006, in verbis: "Art, 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito em t relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas . federal, estadual e municipal, bem como proceder el sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei." 5. A Lei n° 11,417, de 19/12/2006, reza: "Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de stimula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art, 2' 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e ã administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. sç 1' 0 enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. 6. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 7. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, constata-se no Relatório de Lançamentos e no Discriminativo Analítico de Debito que a recorrente efetuou parcialmente o pagamento de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Então, deve-se prevalecer a regra trazida pelo artigo 150, §4°, do CTN. 4 Processo n" 13362 000.332/2007-10 S2-C3T1 AcOrciao n 2301-01.515 Fl 3 9, Ocorre que o lançamento fiscal somente foi realizado e entregue ao contribuinte no dia 31/10/2006 (fi. 1), restando, portanto, alcançado pela decadência quinquenal todo o débito tributário, tanto pela regra estabelecida no art, 150, §4° do CTN, quanta pela disposição do art. 17.3, inciso I, do mesmo Codex, 10, Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso voluntário interposto, CONCLUSÃO 11. Assim, voto par dar PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte . Sala das Sessões enL9 d 'unho de 2010 DAMIÃO CORDEJ E MORAES 5
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Numero do processo: 35220.000132/2006-25
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 23/02/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN.
Recurso Voluntário Provido Credito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.946
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2099 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/02/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido Credito Tributário Exonerado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2099 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos.
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Recorrente AFONSO AUGUSTO FERRAZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/02/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido Credito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. \• ACORDAM os membros da 31' C lamara / l a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 200912 publicada no DOU de 29109/2009 página 50 que trata dos recursos repetitivos. VtV0-- JULIO CESARWIEIRA GOMES Presidente, e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damão Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Francisco de Assis de Oliveira Júnior, Julio César Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de auto-de-infração lavrado em desfavor de sujeito passivo na condição de responsável pessoal atribuída pelo art. 41 da Lei n ° 8.212/91, em virtude de infração à legislação previdenciária. Após impugnação e decisão desfavorável, interpôs recurso voluntário para que seja afastada a sua responsabilidade pessoal pela infração. Cabe ressaltar que se adotará no julgamento o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que vier a ser adotada no julgamento do recurso- padrão, abaixo discriminado, será aplicada a todos os demais recursos repetitivos incluídos na mesma pauta de julgamento: 84 - Recurso n° 147.250 Processo n° 13558.000689/2007-01 Recorrente: WAGNER RAMOS DE MENDONÇA Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente, há que ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso lido CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei ri° 11.941/2009. 2 Processo v° 35220.000132/2006-25 S2-C3TI Acórdão n.° 2301-00.946 Fl. 2 Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória n° 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional - CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplica-se o art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN. A Medida Provisória n ° 449/2008, ao revogar o art. 41 da Lei n ° 8.212/91, afastou a responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou cornissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazê-lo em função da Ml' n ° 449/2008. Assim, em relação ao dirigente, a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, com sua responsabilização pessoal, após, não cabe tal autuação. Pelo exposto, Voto pelo prOrnento do recurso. r 7Sala das Sessões, de janeiro de 2010. \ í‘ \ ' ' 1 JULIO CESAR VIEIRA GOMES - Relator 'y 3 Faie n° MINISTÉRIO DA FAZENDA I CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 414èoo SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO — TERCEIRA CÂMARA SCS — QD. 01— BL. "I" — ED. ALVORADA — 12° ANDAR — CEP 70396-900 — BRASILIA— DF Home Page . htips://carf.fazenda.gov.br Recurso: 158706 Processo: 35220.000132/2006-25 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no artigo 11, inciso VII, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, a tomar ciência do Acórdão n.° 2301-00.946. Brasília, 30 de março de 2010 Patricia AIM:riáa Proença e Silva Chefe da Secretaria da 3° Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Sem Recurso [ ] Com Recurso Especial [ j Com Embargos de Declaração Data da ciência: / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 37016.000466/2007-21
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/05/2005
AGENTES POLÍTICOS MUNICIPAIS. IMUNIDADE RECÍPROCA.
INEXISTÊNCIA. A partir de setembro/2004, os agentes políticos não
amparados por Regime Próprio de Previdência Social passam a ser
qualificados como segurados obrigatórios do RGPS, na qualidade de
segurado empregado. A imunidade recíproca de que trata o art. 150, VI, 'a' da CF/88 alcança tão somente os impostos incidentes sobre patrimônio, renda e serviços uns dos outros, não abrangendo as contribuições sociais.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-000.461
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/05/2005 AGENTES POLÍTICOS MUNICIPAIS. IMUNIDADE RECÍPROCA. INEXISTÊNCIA. A partir de setembro/2004, os agentes políticos não amparados por Regime Próprio de Previdência Social passam a ser qualificados como segurados obrigatórios do RGPS, na qualidade de segurado empregado. A imunidade recíproca de que trata o art. 150, VI, 'a' da CF/88 alcança tão somente os impostos incidentes sobre patrimônio, renda e serviços uns dos outros, não abrangendo as contribuições sociais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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IMUNIDADE RECÍPROCA. INEXISTÊNCIA. A partir de setembro/2004, os agentes políticos não amparados por Regime Próprio de Previdência Social passam a ser qualificados como segurados obrigatórios do RGPS, na qualidade de segurado empregado. A imunidade recíproca de que trata o art. 150, VI, 'a' da CF/88 alcança tão somente os impostos incidentes sobre patrimônio, renda e serviços uns dos outros, não abrangendo as contribuições sociais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), .4"5.-"T-v"."'" E RA S Presidente (Á/j ARLINDO DA TA /../ .1 SM. - Relator ( Participaram, ainda, do -presente julgamento, os Conselheiros Eduardo de Oliveira (Suplente), Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva, Fábio Soares de Melo, Manoel Coelho Arruda Junior e Marco André Ramos Vieira (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso voluntário manejado em oposição à decisão da autoridade julgadora de primeira instância, a qual julgou procedente o lançamento tributário consolidado em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD DebCad n° 35.756.541-0, lavrada em face do Município de Fronteiras/MG — Prefeitura Municipal, em 28.09.2005, A referida NFLD tem por objeto o lançamento tributário das contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, conforme especificado no Relatório Fiscal a fls. 24/29: • Contribuições Previdenciárias a cargo da Município de Fronteiras/MG incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos agentes políticos detentores de mandato eletivo — vereadores — da Câmara Municipal, Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o notificado apresentou impugnação a fis.55/72. A Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Uberlândia/MG lavrou Decisão-Notificação (DN), a fls. 134/140, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Inconformada com a decisão exalada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fis, 148/153, renovando argumentos apresentados na impugnação, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: e Inconstitucionalidade da vinculação dos Agentes Políticos ao RGPS. • As verbas recebidas a título de Sessões Extraordinárias e de Refeições e Combustíveis têm caráter indenizatório. e O débito lançado é improcedente em razão da imunidade recíproca entre os entes de Direito Público Interno. Ao fim, requer o recorrente a nulidade da NFLD correspondente ou, se assim não for o entendimento do órgão aci quem, a conversão do feito em diligência para se apurar os valores reais devidos, expurgando-se a capitalização, reduzindo-se as multas e os juros incidentes sobre o valor cio principal. Relatados sumariamente os fatos relevantes, Voto Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA., Relator 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 08,01.2007, segunda-feira, conforme denuncia o documento a fl. 143, iniciando-se pois o 2 Processo n° 37016 000466/2007-21 S2-C3T2 Acórdão ri 2302-00.461 Fl 162 decurso do prazo recursal na terça-feira seguinte, diga-se, 09.01.2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 26 de janeiro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES Com efeito, a Resolução do Senado Federal n° 26, de 21 de junho de 2005 suspendeu a execução da norma disposta na alínea 'h' do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91, após o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 351.717-PR ter declarado a inconstitucionalidade da Lei n° 9.506/97. Ocorre que, aos 18 dias do mês de junho de 2004, foi promulgada a Lei if 10.887/2004, produto da conversão em lei da MP n° 167/2004, que fez introduzir no ordenamento jurídico, mediante a inclusão da alínea 'j' no inciso I da Lei n° 8.212/91, uma norma de incidência tributária segundo a qual seriam considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurado empregado, a pessoa física exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculada a regime próprio de previdência social — RPPS. As disposições introduzidas pela citada Lei Federal, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer seqüela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Assentado que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituem-se prerrogativas outorgadas pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podem os agentes da Administração Pública imiscuírem-se sponte propria nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Igualmente, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei n° 10.887/2004 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte dos Auditores Fiscais Notificantes, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Código Tributário Nacional - CTN Art 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocolJência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível Paiágrafo único A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional Cumpre-nos chamar a atenção para o fato de que os levantamentos objeto da NFLD ora cru debate foram apurados no período de 09/2004 a maio/2005, ocasião em que já se encontrava vigente e eficaz a Lei n° 10.887/2004. /17 3 Ademais, perfilhando idêntico entendimento corno o acima esposado, a Súmula CARI' n° 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária„ Súmula CARF n" 2 O CABE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributár ia Bosquejado nessas cores o quadro jurídico, rejeitamos a preliminar de inconstitucionalidade tão veementemente defendida pelo recorrente. Vencidas as questões preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO 3.1. DO SEGURADO EMPREGADO Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com "segurado empregado" não é aquele definido no art. 3° da Consolidação das Leis do Trabalho - CL'!', mas sim, a pessoa fisica especificamente conceituada, para fins previdenciários, no inciso I do art. 12 da Lei n° 8„212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate, Consolidação das Leis do Trabalho - CLT Art 3° Considera-se empregado toda pessoa física que prestar :serviços de natureza não eventual a empregador; sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual: Lei n°8.212, de 24 de iulho de 1991 Ar t. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes' pessoas físicas 1- como empregado. a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação especifica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras eMpl 'es as , c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior, d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não-brasileiro sem residência pernzanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular,- 4 Processo n" 37016 000466(2007-21 S2-C3T2 Acórdão n ° 2302-00.461 Fl. 163 e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que la domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o sei vidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais,. (Alínea acrescentada pela Lei n° 8 647, de 13.4 93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei n" .9 876, de 199.9).. j) o exercem& de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei n" 10,887, de 2004) - como empregado doméstico aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de "empregado" e "segurado empregado" presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica corno "segurado empregado" não somente os trabalhadores tipificados como "empregados" na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, malgrado o empregado doméstico ser tido, igualmente, como empregado pela Consolidação Laborai, para a Seguridade Social tal trabalhador integra a categoria de "segurado empregado doméstico", absolutamente distinta da de "segurado empregado", conforme tipificada no inciso II do mesmo art. 12 da Lei Orgânica da Seguridade Social - LOSS. Dessarte, é irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de "empregado" estampado na Consolidação das Leis do Trabalho, Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art.. 12 da Lei n° 8,212/91 Nesse panorama, muito embora os agentes políticos não sejam classificados como "empregados" pela lei trabalhista, eles são abraçados pelo conceito de "segurados empregados", nos termos vislumbrados no art. 12, I, `j' da Lei n° 8.212/91, para os fins almejados pelo Regime Geral de Previdência Social — RGPS, se sujeitando aos preceitos reservados para esta categoria de segurados aviados na supracitada Lei de Custeio. 3.2. DAS RUBRICAS SALARIAIS Tratando-se de segurados empregados, a base de cálculo da contribuição social destinada ao custeio da seguridade social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é o salário de contribuição, assim entendido como a remuneração total auf 'da em 5 , uma ou mais empresas, ou seja, a totalidade dos rendimentos recebidos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua fonna, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa, na conformação jurídica estatuída no art..28 da Lei n° 8.212/91. Lei ,z de 24 de julho de 1991 Ai I. 28 Entende-se por salário-de-contribuição I - para o carpi egado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empr esas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomado, de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa, (Redação dada pela Lei n°9 528, de 10 12,97) Note-se que o conceito jurídico de salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, para o segurado empregado, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho, Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. Afastando, mesmo que de forma tímida, o absolutismo corporificado no conceito legal de salário de contribuição, o parágrafo nono do mesmo dispositivo legal acima transcrito estabeleceu uma relação numerus clausus de hipóteses de não incidência legal da contribuição previdenciária. A citada regra de excepcionalidade foi regulamentada nas condições de contorno fixadas no art. 214, §9° e seguintes do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 1048, de 6 de maio de 1999, que pela relevância para o deslinde da questão o transcrevemos ad litteris et verbis - Regulamento da Previdência Social - RPS Art. 214 Entende-se por salário-de-contribuição - § 9" Não integram o salário-de-contribuição, exclusivamente (grifbs nossos) I- os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, i essalvado o disposto no §22; II- a ajuda de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta, nos termos da Lei ne 5 929, de 30 de outubro de 1973, III- a parcela in natura recebida de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei n2 6 321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) IV- as importáncias recebidas a titulo de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor • Processo n° 37016 000466/2007-21 S2-C3T2 Acórdão n 2302-00A61 Fl 164 correspondente à dobra da remuneração de ferias de que trata o art 137 da Consolidação das Leis do Trabalho; V- as importâncias recebidas a titulo de: a) indenização compensatória de quarenta por cento do montante depo.siiado no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, como proteção à relação de emprego contra despedida arbitrária ou sem justa causa, conforme disposto no inciso Ido art 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, b) indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Sei.viço, c) indenização por despedida sem justa causa do empt egado -nos contratos por prazo determinado, conforme estabelecido no art. 479 da Consolidação das Leis do Trabalho, d) indenização do tempo de serviço do safilsta, quando da expiração normal do contrato, conforme disposto no ar! 14 da Lei n°5889, de 8 de junho de 1973, e) incentivo à demissão, I) aviso prévio indenizado, g) indenização por dispensa sem justa causa no período de trinta dias que antecede a correção salarial a que se refere o ar. 92 da Lei n2 7.238, de 29 de outubro de 1984; h) indenizações previstas nos ai is 496 e 497 da Consolidação das Leis do Trabalho, i) abono de férias na forma dos arts 143 e 144 da Consolidação das Leis do Trabalho; j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei, (Redação dada pelo Decreto n" 3.265, de 1999) 1) licença-prêmio indenizada; e m)outras indenizações, desde que expressamente previstas em lei; VI- a parcela recebida a título de vale-transporte, na forma da legislação própria, (grifos nossos) VII- a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do ai!. 470 da Consolidação das Leis do Trabalho, as diárias para viagens, desde que não excedam a cinqüenta por cento da i enumeração mensal do empregado, 1K- a importância recebida a titulo de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos lei 11105 da Lei ir2 6.494, de 1977, X- a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei especifica; XI- o abono do Programa de Integração Social/Programa de Assistência ao Servidor Público, . .. • XII-os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego; (grifos nossos) XIII-a importáncia paga ao empregado a título de complementação ao »alo] do auxílio-doença desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa, XIV-as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindástria canavieira de que trata o art 36 da Lei n2 4 870, de 12 de dezembi o de 1965, XV- o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar privada, aberta ou fechada, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts 92 e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, XVI-o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou com ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa,' XVII-o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços, XVIII-o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado, quando devidamente comprovadas, (Redação dada pelo Decreto n 3 265, de 1999) XIX-o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n2 9 394, de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela safar ial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; XX- (Revogado pelo Decreto n" 3 265, de 1999) XXI- os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais, XXII-o valor da multa paga ao empregado elll decorrência da mora no pagamento das parcelas constantes do instrumento de rescisão do contrato de trabalho, conforme previsto no §82 do art 477 da Consolidação das Leis do Trabalho )0X1- o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança, quando devidamente comprovadas as despesas, (Inchado pelo Decreto n' 3 265, de 1.999) XXIV- o reembolso babá, limitado ao menor salário-de- contribuição mensal e condicionado à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, pago CM conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máxin7o de seis anos de idade da criança,- e (Incluído pelo Decreto n°3 265, de 1999) 8 Processo c' 37016 000466/2007-21 S2-C3T2 Acórdão n° 2302-00.461 Fl 165 XXV- o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts 9 0 e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho (Incluído pelo Decreto n" 3.26.5, de 1999) §10 As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário-de-contribuição para todos os .fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominaçães legais cabíveis (grifos nossos) §1.1. Para a identificação dos ganhos habituais recebidos sob a forma de utilidades, deverão ser observados - I-os valores reais das utilidades recebidas; ou II- os valores resultantes da aplicação dos percentuais estabelecidos em lei em função do salário mínimo, aplicados sobre a remuneração paga caso não haja determinação dos valom es de que trata o inciso I. §12. O valor pago à empregada gestante, inclusive à doméstica, em função do disposto na alínea "12" do inciso II do art .10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal, integra o salário-de-contribuição, excluídos os casos de conversão em indenização previstos nos uris 496 e 497 da Consolidação das Leis do Trabalho §13. Para efeito de verificação do limite de que tratam o §82 e o inciso VIII do §92, não será computado, no cálculo da remuneração, o valor das diárias §.14. A incidência da contribuição sobre a remuneração das férias ocorrerá no mês a que elas se referirem, luesmo quando pagas antecipadamente na forma da legislação trabalhista. Cumpre salientar, por relevante, que, ao tratar de isenção, o Código Tributário Nacional - CTN estabeleceu que tal beneficio fiscal será sempre decorrente de lei, a qual especificará as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos aos quais se aplicará e, sendo o caso, o prazo de sua duração. Estatuiu, ainda, que, quando não concedida em caráter geral, a isenção tributária será efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento em que o interessado fará prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos essenciais para a sua concessão. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN Art 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo única A isenção pode ser restrita a determinada região do terriíátiO da entidade tributante, em função de condições a ela peculiaies Cumpre observar que, nos termos do art. 111, 11 do CTN, deve-se emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em 9` sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência, é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto que as parcelas integrantes do supra-aludido §90, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do §10 do art. 214 do RPS. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Art 111 Intetpreta-se literalmente a legislação tributái ia que disponha sobre I suspensão ou exclusão do crédito tributái io, TI- outorga de isenção, 111 - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessól ias Contextualizado nesses termos o quadro jurídico-normativo aplicável ao caso-espécie, encarando as razões que fundamentam a rogativa da recorrente de forma objetiva, sob o foco de tudo o quê até o momento foi apreciado, verificamos que o recurso atravessado, também neste tópico, não tem condições de sucesso, senão vejamos: a) O fato de uma verba ser especificada na lei municipal instituidora como tendo caráter indenizatório não altera a sua natureza jurídica. Ora..., qual o dano sofrido pelo Vereador a ser ressarcido pela verba recebida a título de "sessão extraordinária"? Seriam as horas trabalhadas além daquelas previstas na sessão ordinária ? Cremos que não, pois se assim o fosse, as horas extras do trabalhador celetista também teriam caráter indenizatório, e assim não o é. b) Além disso, mesmo que tal verba ostentasse natureza indenizatória, tal condição, de per si, não seria bastante e suficiente para excluí-la do campo de incidência da contribuição previdenciária. Conforme já abordado alhures, apenas as verbas taxativamente descritas no §9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, quando pagas em estrita conformidade com a lei, postam-se a salvo das afiadas garras do fisco. Nesse aspecto, compulsando as hipóteses de isenção elencadas no citado art. 28, percebemos as quantias recebidas a título de "sessão extraordinária" não encontram assento reservado na disputada platéia do aludido parágrafo nono, fato que conduz à não exclusão do campo de incidência tributária. c) Nem se diga que o caso em discussão estaria albergado na alínea "m" do inciso V do §9° do art. 214 do RPS (outras indenizações, desde que expressamente previstas em lei). Certamente, o diploma normativo a que se refere a citada alínea somente poderia se tratar da Lei Federal, nunca a lei estadual ou municipal, pois apenas aquele ente federativo concentra a competência para legislar sobre isenção de tributos federais, como é o caso das contribuições previdenciárias, d) No que tange às verbas recebidas a título de alimentação, visto não se tratar de alimentação in natura, apenas escapam da tributação os valores fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, o que não é o caso das vereadores da Câmara Municipal de Fronteiras/MG. io Processo n" 37016 000466/2007-21 S2-C3T2 Acórdão n 2302-00461 Fl 166 e) Por derradeiro, mas não menos importante, no que se refere às importâncias auferidas pelos segurados em exame a título de reembolso de combustíveis, não sofrem incidência da tributação em relevo tão somente aquelas correspondentes ao ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado, desde que devidamente comprovadas. Nesse particular, falhou o recorrente em levar a cabo tal comprovação. Limitou-se a colacionar notas fiscais não vinculadas aos beneficiários, todas datadas do exercício fiscal de 2002, enquanto que o levantamento sub examine se refere somente a 2004 e 2005. 33, DA IMUNIDADE RECÍPROCA Por definição legal, constitui-se tributo toda prestação pecuniária compulsória, expressa em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Originariamente, o urN elencou como tributos os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria. Com o advento da publicação da nova Carta Constitucional, tanto a mais balizada doutrina, como também, os tribunais superiores, máxime o STF, passaram a acomodar no conceito de Tributo também as contribuições sociais bem como os empréstimos compulsórios, em virtude de essas exações ostentarem igualmente os elementos objetivos caracterizadores fixados no art. 3 0 do CTN, Código Tributário Nacional - CTN Art 3" Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa expi imir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administr ativa plenamente vinculada. Art. 4" A natureza jurídica especifica do tributo é deter ninada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la: 1 - a denominação e demais características formais adotadas pela lei; - a destinação legal do produto da sua arrecadação Art. 5" Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. A Constituição da República, ao estabelecer em seu art. 150 as limitações constitucionais ao poder de tributar, assentou na alínea 'a' do inciso VI o instituto assim conhecido como hnunidade Recíproca segundo o qual restaria vedado à União, Estados, Distrito Federal e Municípios instituir, uns em face dos outros, impostos sobre Patrimônio renda ou serviços. Ora, conforme se observa em cores vivas no quadro constitucional, Ulisses e seus presididos pintaram com traços precisos, bem delineados, que somente os fatos geradores 11 praticados pelos entes da federação estariam protegidos, pelo sombreiro da imunidade recíproca, da tributação relativa aos impostos sobre patrimônio, renda e serviços instituídos pelos demais entes federativos nunca em relação às contribuições sociais. Vejam que se tal imunidade alcançasse às contribuições previdenciárias, tal extensão se consubstanciaria num contra-senso, eis que o texto maior postula que a seguridade social deve, necessariamente, ter caráter contributivo. Constituição da República Federativa do Brasil Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobie. a) patillnÓMO, renda ou serviços, uns dos °unos, AH 201 A previdência social será organizada sob a forma de regime gema!, de caráter contribwivo e de filiação obrigatória, obseivados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos te, mos da lei, a I - cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; II - proteção à maternidade, especialmente à gestante, - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; IV - salário -família e auxílio-leclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; V pensão por morte do segui ado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes, observado o disposto no S 2"5 — Por tais motivos, se nos antolha improcedente a alegação ora defendida pelo recorrente, 4. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIAS A recorrente requereu a conversão do feito em diligencia, para que fossem apurados os valores reais devidos, expurgandoSe a capitalização, reduzindo-se ás multas e oS juros incidentes sobre o valor do principal. Tal pedido, no entanto, não tem condições de prosperar. Os artigos 34 e 35 da Lei n° 8,212/91, com a redação então vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estatuíam que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, estariam sujeitas aos juros equivalentes à tax.a referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, ambos de caráter irrelevável. Código Tributário Nacional - C1N 12 Processo n° 37016 000466/2007-21 52-C3-1-2 Acórdão n ° 2302-00.461 Fl 167 Art. 144 O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriorniente modificada ou revogada Lei ,z°&212, de 24 de julho de 1991 Art 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mota, todos de caráter inelevável. (Redação dada pela Lei n°9 528/97) Parágrafo único. O percentual dos juras moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. (parágrafo único acrescentado pela Lei n" 9.528/97) Ari 35 Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos (Redação dada pela Lei n" 9 876, de 1999) II - pata pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação, (Redação dada pela Lei n°9 876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação, (Redação dada pela Lei n°9.876, de 1999) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; (Redação dada pela Lei n" 9.876, de 1999) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei e 9 876, de 1999).. §1" Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o capta e seus incisos §2° Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágiafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar §3" O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no 112êS de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refer e o § 1" deste artigo_ - 0,1 13 Na hipótese de as contribuições terem sido declar odes no documento a que se refere o inciso IV do ai 't 32, ou quando se tratar de empregado, doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o capta e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento (Redação dada pela Lei n°9 876, de 1999) Note-se, no entanto, que o §1° do art. 334 da Instrução Normativa MPS/SRP N° 3/2005, com a redação vigente à época da lavratura da NF LD que deu origem ao vertente Processo Administrativo Fiscal, dispunha que os órgãos públicos da administração direta, as autarquias e as fundações de direito público não respondiam por multas, fossem elas de natureza moratória ou decorrentes de Auto de Infração de Obrigação Acessória. Tal disposição nonnativa tinha por espeque não um dispositivo de lei, mas, sim, um entendimento da AGU vazado no Parecer CGR L-038/1974, segundo o qual não caberia a imposição de multa e, conseqüentemente, de mora, entre pessoas de direito público, por inexistência do poder de policia entre elas. Por essa razão, conforme se observa no relatório intitulado "[PC — Instruções para o Contribuinte", a fl 02, não houve acréscimo de multa moratória no montante total do crédito tributário constituído, mas, tão somente, de juros moratórios, cuja fundamentação legal encontra-se transcrita no relatório "FLD — Fundamentos. Legais do Débito", a fis,16/17. Instrução Normativa MPS/SRP N°3/2005 Ari 334. Os órgãos públicos da administração direta, as autarquias e as fundações de direito público são considerados empresa em i dação aos segurados não abr ang,idos por RPPS, ficando sujeitos, em relação a estes segurados, ao cumprimento das obrigações acessórias previstas no ali 60 e às obrigações principais previstas nos mis 86 e 92, todos desta IN .sç 1" Os órgãos públicos da administração direta, as autarquias e as fundações de direito público não responderão por multas, sejam elas moratórias ou decorrentes de Auto de Inflação. Nada obstante, ao longo dos anos, a jurisprudência do STF foi se consolidando no sentido oposto, forte no fundamento de que o Sistema Constitucional de Imunidades das pessoas jurídicas de direito público deve ter por 'finalidade pô-las a salvo da ação fiscal ou administrativa de qualquer outro quando no desempenho lícito ou regular de seus próprios encargos Tal aplicação não haveria de se firmar quando desgarrados da legalidade, ou pela mora ou pela inadimplência, puderem ser penalizados. A imunidade pressupõe logicamente a legalidade de ação estatal, sem o que fica aberta à sanção administrativa tal qual o particular infrator. A imposição de penalidades e fiscalização do cumprimento das regras administrativas revelam a prevalência do interesse ou necessidade pública ao que inclusive o administrador está sujeito„ Assim, a multa como expressão do poder de polícia, tão facilmente visível quando endereçada ao particular, revela-se perante o Poder Público como instrumento de auto controle e auto tutela em favor de interesses maiores constitucionalmente previstos. Exortando tais fundamentos, foi editado pela AGU o Parecer n" AC-16, de 15 de julho de 2004, revisando o entendimento esposado no Parecer COR L-038/1974. Atento à mudança do entendimento sobre a matéria em destaque no parágrafo anterior, fui editada em 30.04.2007 a IN SRP n° 23/2007 que alterou a redação do §1 0 do art 334 da IN MPS/SRP N° 3/05, o qual passou a dispor, ipsis litteris: "Os órgãos públicos da 14 Processo o' 37016 000466/2007-21 S2-C3T2 Acórdão n 2362-00.461 Fl 168 administração direta, as autarquias e as fundações de direito público não responderão por multas decorrentes de Auto-de-Infração". Assim, tais entes ainda não respondem por multas decorrentes de Autos-de- Infração, mas respondem por aquelas de natureza moratória. Perfilhando a mesma trilha, corroborando o novo entendimento infi-alegal, o §40 do art. 259 da IN RFB n° 971/2009, a qual revogou a IN MPS/SRP N° 3/05, dispõe que tanto os órgãos públicos da administração direta, corno as autarquias, as fundações de direito público, estão sujeitos à multa de mora no caso de recolhimento fora do prazo, exceto em relação às contribuições sociais cujos fatos geradores tenham ocorrido até a competência janeiro de 2007. Pelas razões ora aduzidas, estando os valores dos acréscimos legais computados em perfeita sintonia com as disposições legais vigentes à época dos fatos geradores e do lançamento, conforme o caso, torna-se despicienda a conversão do feito em diligência, conforme requerido pelo recorrente. 5. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de março de 2010. ARLINDO DA - • , \ 15
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