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Numero do processo: 13005.000145/2010-92
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. NÃO ATENDIMENTO.
Para os fatos geradores ocorridos na vigência do art. 55 da Lei 8.212/91, as entidades beneficentes de assistência social somente têm direito à isenção se atenderem, cumulativamente, os requisitos legais.
O não atendimento dos requisitos legais para o gozo e fruição da isenção das contribuições previdenciárias obriga a entidade ao seu recolhimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. NÃO ATENDIMENTO. Para os fatos geradores ocorridos na vigência do art. 55 da Lei 8.212/91, as entidades beneficentes de assistência social somente têm direito à isenção se atenderem, cumulativamente, os requisitos legais. O não atendimento dos requisitos legais para o gozo e fruição da isenção das contribuições previdenciárias obriga a entidade ao seu recolhimento. Recurso Voluntário Negado.
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ISENÇÃO. REQUISITOS. NÃO ATENDIMENTO. Para os fatos geradores ocorridos na vigência do art. 55 da Lei 8.212/91, as entidades beneficentes de assistência social somente têm direito à isenção se atenderem, cumulativamente, os requisitos legais. O não atendimento dos requisitos legais para o gozo e fruição da isenção das contribuições previdenciárias obriga a entidade ao seu recolhimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 01 45 /2 01 0- 92 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relatório DO LANÇAMENTO O lançamento fiscal referese a Auto de Infração de obrigação principal, DEBCAD 37.270.1892/2010, relativo às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social e àquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de seus empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, no período de 01/2006 a 12/2007. Conforme Relatório Fiscal não restou caracterizada a isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. A entidade apresentou o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, com validade de 22/03/2005 a 21/03/2008, bem como Certidão de sua renovação, com validade de 05/04/2008 a 04/04/2011, mas não apresentou documento em que lhe tenha sido renovado o deferimento da isenção das contribuições patronais no período do procedimento fiscal. Em consulta aos sistemas previdenciários, foi encontrado INDEFERIMENTO do Pedido de Isenção de Contribuições Sociais, em 17/08/2005, pelo Ato 19.424/116/200512, da então Delegacia da Receita Previdenciária de Novo Hamburgo RS, ao julgar o processo nº 37078.000224/0533, de 30/06/2005. Não há registro de trâmite posterior de outros processos de pedido de isenção. A entidade foi cientificada da autuação fiscal e apresentou impugnação. A decisão de primeira instância foi anulada pelo Acórdão 230201.840 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, de 17/05/2012, reabrindo-se o prazo para manifestação e conferindo ciência ao recorrente do resultado da diligência às fls. 244 e 245. O contribuinte foi cientificado do acórdão que anulou a decisão de primeira instância, emitindo manifestação. Atendidas as exigências do acórdão do CARF, nova decisão de primeira instância foi emitida em substituição à anulada, resultando na improcedência da impugnação/manifestação e mantendo o crédito fiscal. DO RECURSO O contribuinte foi cientificado da nova decisão, inconformado apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: discorre sobre a imunidade tributária e a natureza jurídica das contribuições previdenciárias; as contribuições previdenciárias das entidades de fins filantrópicos possuem natureza imunitória e não isencional; ainda que estejam os requisitos aludidos pelo art. 195, § 7o da CF/88 contidos em lei ordinária ou complementar, estes não podem revogar o benefício da imunidade, Fl. 397DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13005.000145/201092 Acórdão n.º 2803003.973 S2TE03 Fl. 397 3 impondo requisitos de difícil cumprimento, ou delimitando a imunidade à entidade de características outras daquelas destacadas na Constituição; o pedido de isenção foi indeferido em razão da existência de débitos decorrentes das contribuições previdenciárias. Como admitir a existência de débito se a recorrente cumpre todos os requisitos para a fruição do benefício imunitório/isencional; negar o reconhecimento da isenção em razão da suposta existência de débitos de contribuições abarcadas pela isenção/imunidade é formalismo exacerbado e arrecadatório; a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a imunidade da recorrente (processo 2005.71.00.0344797 – TRF 4a Região) por fim, requer a nulidade da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. São isentas/imunes de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. No período da autuação fiscal em epígrafe vigia o art. 55 da Lei 8.212/91 que exigia requisitos cumulativos para a concessão do benefício da isenção das contribuições patronais previdenciárias. Era necessário requerer o pedido ao órgão competente (INSS) para a verificação e controle dos requisitos (§ 1o) e verificação de débito ou não (§6o da Lei 8.212/91 e § 3o do art. 195 da CF/88). Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal;(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001).(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 2.0285)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais Fl. 399DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13005.000145/201092 Acórdão n.º 2803003.973 S2TE03 Fl. 398 5 apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção.(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 3oPara os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 20285)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 4oO Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 2028 5)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 5oConsiderase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento.(Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998).(Vide ADIN nº 20285)(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3odo art. 195 da Constituição.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001).(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Como se pode notar, há necessidade do contribuinte comprovar o cumprimento de todos os requisitos legais, que são cumulativos, perante o órgão de controle do governo para a verificação (à época o INSS). O lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos do art. 144 do CTN. Consta da decisão judicial, processo 2005.71.00.0344797/RS, mencionado pela recorrente, que o pedido se refere a declaração de imunidade tributária da autora e obtenção de certificado de regularidade fiscal (CND). Menciona o relator que a entidade deve respeitar as demais obrigações previdenciárias, principais e acessórias, para ter direito à imunidade tributária. Mesmo no caso de reconhecimento a imunidade tributária da autora, o que não é o caso, débitos de natureza diversa da contribuição previdenciária quota patronal Fl. 400DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 impedem a expedição de certificado de regularidade fiscal. Assim sendo, podese concluir que não pode ser reconhecido também o direito à imunidade tributária pleiteada. A decisão judicial do processo 2005.71.00.0344797/RS foi extraída parcialmente do endereço eletrônico: (http://www2.trf4.gov.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro.php?local=trf4&docum ento=3497071&hash=a75fe040cf63b59e94fe8bb7c6b76000), em 09/01/2015. São os termos: APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.71.00.0344797/RS RELATOR:Des. Federal ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA APELANTE:UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO:ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional APELANTE:ASSOCIACAO PRO CULTURA E EDUCACAO COMUNITARIA DE MONTENEGRO ADVOGADO:Winicius Alves da Rosa APELADO:(Os mesmos) RELATÓRIO Tratase de apelações interpostas contra sentença proferida em ação ordinária que julgou improcedente o pedido para declarar a imunidade tributária da autora, negandolhe o direito à obtenção de certificado de regularidade fiscal. Derradeiramente, condenou a parte autora em custas e honorários advocatícios, arbitrados em R$ 2.000,00 (dois mil reais), de acordo com as disposições do art. 20, § 4º, do Código de Processo Civil. (...) Certidão Negativa de Débitos (...) A entidade já havia ingressado com Ação Anulatória de Débito com Pedido de Antecipação de Tutela contra o INSS em 14.03.2002, autuada originalmente na Vara Federal de Novo Hamburgo/RS sob o nº 2002.71.08.0023862, reautuada sob nº 2002.71.00.0177909 em razão da redistribuição para a 1ª Vara Federal de Porto Alegre, cujo objeto visava obter o reconhecimento da imunidade e o direito à expedição de Certidão Negativa de Débitos com relação a contribuições previdenciárias cota patronal dos débitos inscritos pelo INSS sob nºs DEBCAD 35.347.5327, 35.347.5335, 35.347.5343 e 35.347.5351, relativos ao não recolhimento de Contribuições Previdenciárias Cota Patronal anteriores a novembro de 2001, bem como o parcelamento nº 60.038.9863, firmado em 25042000. Julgada procedente a ação em primeira instância em 26042004, o acórdão prolatado pela Primeira Turma deste Tribunal em 20042005 deu provimento ao recurso da Autarquia Previdenciária, entendendo que a autora não fazia jus à imunidade, por não comprovar ser portadora do Certificado de Fl. 401DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13005.000145/201092 Acórdão n.º 2803003.973 S2TE03 Fl. 399 7 Entidade Beneficente de Assistência Social fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. (...) Ora, o Certificado obtido perante o CNAS não autoriza a entidade beneficente a desrespeitar as demais obrigações previdenciárias, principais e acessórias, muito menos a hipótese vislumbrada, fazendo desaparecer a verossimilhança do direito objeto de tutela. Portanto, ainda que reconhecida a imunidade tributária da autora, débitos de natureza diversa da contribuição previdenciária quota patronal impedem a expedição de certificado de regularidade fiscal. (...) Dispositivo Frente ao exposto, voto por dar parcial provimento ao apelo da autora, para reconhecer seu direito à imunidade tributária, e dar provimento à apelação da União, majorando a verba honorária, nos termos da fundamentação. Desembargador Federal ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA Relator A decisão judicial em epígrafe não vincula a autuação fiscal em discussão, entretanto, serve para subsidiar a decisão da lide administrativa fiscal em comento. A adimplência da entidade requerente da imunidade tributária com as contribuições sociais é prérequisito para o reconhecimento do direito, nos termos do art. 55, § 6o da Lei 8.212/91. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) (...) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3odo art. 195 da Constituição.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001).(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) A Lei 12.101/2009 que revogou o § 6o do art. 55 da Lei 8.212/91, no art. 29, inciso III, mantém como requisito ao reconhecimento da isenção do pagamento das contribuições sociais a certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos federais administrados pela Receita Federal. Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que Fl. 402DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 8 tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; Em seu recurso voluntário a entidade (Associação) reconhece a inadimplência com o fisco federal que deu causa ao indeferimento do pedido de imunidade tributária. Os argumentos da recorrente já foram analisados pela autoridade lançadora e julgadora de primeira instância, sendo negado o provimento. Destarte, independente de se está discutindo a imunidade ou isenção, se contidos em lei ordinária ou complementar, se os requisitos são de difícil cumprimento, ou de delimitação de características, como quer a recorrente, o fato é que os requisitos legais para obtenção do direito devem ser cumpridos. Assevera a recorrente que o pedido de isenção/imunidade foi indeferido em razão da existência de débitos decorrentes das contribuições previdenciárias, mesmo cumprindo todos os requisitos para obtenção do benefício imunitório/isencional. Todavia, a autoridade fiscal negou o reconhecimento do direito pleiteado em razão de débitos tributários. O cumprimento da lei pela autoridade fiscal não pode ser considerada como formalismo exacerbado e arrecadatório, mas sim com dever funcional, nos termos do art. 142 do CTN. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, a base de cálculo, o Discriminativo do Débito – DD, a Instrução para o Contribuinte – IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, Relatório Fiscal, conforme artigo 33 da Lei 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 403DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13005.000145/201092 Acórdão n.º 2803003.973 S2TE03 Fl. 400 9 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903320/2008-54
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO. CANCELAMENTO DE DCOMP. IMPOSSIBILIDADE.
Tratando-se de pedido juridicamente impossível no âmbito do processo administrativo fiscal, regido pelo decreto nº 70.235, de 1972, não se conhece de recurso voluntário que tem como único pedido o cancelamento da DCOMP objeto da causa.
AÇÃO JUDICIAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. RENÚNCIA.
A Súmula CARF nº 1 pacificou o entendimento de que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 1801-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. CANCELAMENTO DE DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de pedido juridicamente impossível no âmbito do processo administrativo fiscal, regido pelo decreto nº 70.235, de 1972, não se conhece de recurso voluntário que tem como único pedido o cancelamento da DCOMP objeto da causa. AÇÃO JUDICIAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. RENÚNCIA. A Súmula CARF nº 1 pacificou o entendimento de que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. CANCELAMENTO DE DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de pedido juridicamente impossível no âmbito do processo administrativo fiscal, regido pelo decreto nº 70.235, de 1972, não se conhece de recurso voluntário que tem como único pedido o cancelamento da DCOMP objeto da causa. AÇÃO JUDICIAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. RENÚNCIA. A Súmula CARF nº 1 pacificou o entendimento de que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 20 /2 00 8- 54 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.903320/200854 Acórdão n.º 1801002.202 S1TE01 Fl. 143 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório CONSTRUTORA LACOTISSE LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0534.678 (fl. 107), pela DRJ Campinas, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 04158.63347.130905.1.3.027819 (fl. 2), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 18: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 22, com os seguintes argumentos: Esclarece que as PER/DCOMPs e seus respectivos períodos de apuração mencionados, são objetos do processo administrativo de no 10882.001361/200723, autuado no dia 02/07/2007, com o pedido de homologação das declarações de compensação apresentadas em formulários em substituição as referidas PER/DCOMPS. 0 processo administrativo de n° 10882.0013611200723, em trâmite perante essa R.DRF, está atualmente no setor de SERV. ORIENT. ANALISE TRIBUTDRFOSASCOSP., aguardando decisão. Requer, desta forma, o cancelamento das referidas cobranças nos rastreamentos e das PER/DCOMPs acima mencionadas, por serem objeto de pedido de homologação e compensação de valores apurados de saldos negativos de I.R.P.J., em tramite perante essa D.R.F. através do processo administrativo n° 10882.001361/200723. A DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo parte do direito creditório e homologando a compensação até o limite do crédito reconhecido, dando a seguinte ementa à sua decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2000 COMPENSAÇÃO. PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.903320/200854 Acórdão n.º 1801002.202 S1TE01 Fl. 144 3 A opção pelo processamento eletrônico das compensações, sem a incidência em critérios de baixa para tratamento mais pormenorizado pela autoridade competente, impõe uma apreciação do crédito limitada as informações disponíveis nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. DCOMP. DIPJ. ERRO DE PREENCHIMENTO. 0 mero erro de preenchimento de declarações prestadas não compromete o crédito do sujeito passivo, passível de ser comprovado, mediante consulta aos bancos de dados da RFB. SALDO NEGATIVO. IRPJ. Na falta de desconstituição pela autoridade competente do prejuízo fiscal informado pela contribuinte na DIPJ, as antecipações de imposto comprovadamente efetuadas devem ser reconhecidas como saldo negativo de IRPJ. A Declaração de Compensação DCOMP apresentada/transmitida a partir da edição da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro 2003 (DOU de 31/10/2003 Edição Extra), constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. As estimativas compensadas em DCOMP apresentada/transmitida a partir de 31/10/2003, devem integrar o saldo negativo, porque passíveis de cobrança administrativa e judicial, se a compensação vier a ser não homologada. Integram o saldo negativo as retenções de IRRF comprovadas nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, cujos rendimentos sejam compatíveis com os informados na DIPJ. Cientificado dessa decisão em 31/10/2012, por meio de remessa postal (fl. 114), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 124), em 30/11/2012, em que apresenta os seguintes argumentos: A Recorrente reitera os termos da sua manifestação ás fls. 20 © 21, bem como requerendo a reapreciação da matéria posta em discussão e a documentação juntada aos autos, especialmente os argumentos esposados às fls. 24/34, vez que suficientes para amparar os pedidos que formulou no presente processo. Outrossim, a matéria posta em discussão no presente processo ê conexa com a matéria que se encontra em sede de Recurso Voluntário junto ao CARF. através do processo n°. 10882.000921/200561, como atestado no próprio acórdão recorrido, requerendo que o presente recurso seja direcionado Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.903320/200854 Acórdão n.º 1801002.202 S1TE01 Fl. 145 4 para o mesmo órgão e turma julgadora, evitando decisões conflitantes sobre a mesma matéria. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou DCOMP pela qual pretendeu extinguir débitos de IRPJ e CSLL do ano 2004. Para isso, apontou um indébito oriundo do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário 2000. Na referida DCOMP (fl. 2), o contribuinte demonstra o alegado saldo negativo de R$ 20.506,70 como sendo oriundo da quitação, por compensação, de estimativa de IRPJ relativa a dezembro/2000. Essa informação é incompatível com a DIPJ e a DCTF correspondentes, onde se vê que, relativo a dezembro/2000, a estimativa calculada atingiu o valor de R$ 2.654,40 (DIPJ, fl. 54, e DCTF, fl. 75). A DRJ entendeu que houve erro no preenchimento das referidas declarações e homologou em parte a compensação. Inconformado, o recorrente volta a solicitar o cancelamento da referida DCOMP e ainda afirma que a presente lide tem conexão com o processo nº 10882.000921/200561. O contribuinte pede o cancelamento da declaração de compensação em razão de ter ingressado com nova declaração com o mesmo objeto. Todavia, o cancelamento de DCOMP não é pedido possível em sede de recurso no processo administrativo fiscal. Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, a manifestação de inconformidade é destinada apenas para combater o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação: Art. 77 . É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. O pedido de cancelamento deve ser realizado conforme o rito previsto no artigo 93 do mesmo instrumento normativo: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.903320/200854 Acórdão n.º 1801002.202 S1TE01 Fl. 146 5 Art. 93. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Portanto, não se pode conhecer de tal pedido. Reconhecendose, por hipótese, a alegada conexão do presente processo com o processo nº 10882.000921/200561, também seria forçoso não conhecer do recurso voluntário, em razão de tal processo tratar da apreciação da DCOMP nº 37414.26992.081004.1.3.025696 e em razão do fato de o contribuinte ter ingressado com a ação ordinária nº 002035906.2011.403.6130, junto à Seção Judiciária da Justiça Federal em São Paulo, em que pede que seja homologada a referida DCOMP, conforme o seguinte excerto: 1 Que seja reconhecido, declarado e homologado o PER/DCOMP n°. 37414.26992.081004.1.3.025696, relativo ao IRPJ, does. 14 a 25, e PERD/COMP n°. 13060.31364.131004.1.3.033791, relativa a CSLL, docs. 87 a 99, onde demonstrado o saldo negativo final acumulado em 31.12.1999 e, após as compensações realizadas no ano calendário 2000, o saldo negativo final acumulado das respectivas contas em 31.12.2000; e que representa o saldo inicial nas planilhas de controle dos saldos negativos em 01.01.2001;[grifei]. Tal informação é objeto do OFÍCIO Nº 552/2012/PSFN/OSA, de 01/08/2012, em que a Procuradoria da Fazenda Nacional informa a DRF/Osasco. Esse ofício foi juntado aos autos do referido processo nº 10882.000921/200561 e este foi julgado por esta Turma de Julgamento na presente reunião, tendo como resultado o não conhecimento do recurso. Assim, o não conhecimento também seria medida necessária para atender à Súmula nº 1 deste CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta feita, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.903320/200854 Acórdão n.º 1801002.202 S1TE01 Fl. 147 6 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13654.001067/2008-84
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003
FATO GERADOR. DESCRIÇÃO INSUFICIENTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO .VÍCIO MATERIAL. LANÇAMENTO ANULADO
Não se configura fato gerador de contribuição previdenciária a situação descrita de forma insuficiente, que não permita o correto enquadramento como fato imponível tributário, devendo assim ser anulado o lançamento efetuado.
SEGURADO EMPREGADO.CARACTERIZAÇÃO.INOCORRÊNCIA
Somente se constatados os requisitos elencados no art. 12,I da lei 8212/91, resta caracterizada a relação empregatícia com as devidas repercussões tributárias daí advindas. Não demonstrada a não eventualidade, não há que se falar em relação empregatícia.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.870
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003 FATO GERADOR. DESCRIÇÃO INSUFICIENTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO .VÍCIO MATERIAL. LANÇAMENTO ANULADO Não se configura fato gerador de contribuição previdenciária a situação descrita de forma insuficiente, que não permita o correto enquadramento como fato imponível tributário, devendo assim ser anulado o lançamento efetuado. SEGURADO EMPREGADO.CARACTERIZAÇÃO.INOCORRÊNCIA Somente se constatados os requisitos elencados no art. 12,I da lei 8212/91, resta caracterizada a relação empregatícia com as devidas repercussões tributárias daí advindas. Não demonstrada a não eventualidade, não há que se falar em relação empregatícia. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13654.001067/200884 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.870 – 3ª Turma Especial Sessão de 02 de dezembro de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente INSTITUTO PRESBITERIANO GAMMON Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003 FATO GERADOR. DESCRIÇÃO INSUFICIENTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO .VÍCIO MATERIAL. LANÇAMENTO ANULADO Não se configura fato gerador de contribuição previdenciária a situação descrita de forma insuficiente, que não permita o correto enquadramento como fato imponível tributário, devendo assim ser anulado o lançamento efetuado. SEGURADO EMPREGADO.CARACTERIZAÇÃO.INOCORRÊNCIA Somente se constatados os requisitos elencados no art. 12,I da lei 8212/91, resta caracterizada a relação empregatícia com as devidas repercussões tributárias daí advindas. Não demonstrada a não eventualidade, não há que se falar em relação empregatícia. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 10 67 /2 00 8- 84 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13654.001067/200884 Acórdão n.º 2803003.870 S2TE03 Fl. 3 2 Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13654.001067/200884 Acórdão n.º 2803003.870 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de caracterização de segurado empregado parte segurado. O r. acórdão – fls 96 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Na impugnação o Recorrente afastou a incidência do art. 2° da CLT e art. 12, “a”da Lei n° 8.212/1991, por não se achar formado o vínculo empregatício, diante da eventualidade da prestação de serviços. · A contratação de professores para ministrar aulas avulsas não configura relação de emprego em razão da falta de habitualidade. · Requer o provimento do recurso, com a reforma da r decisão. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13654.001067/200884 Acórdão n.º 2803003.870 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase a decidir se a contratação de determinados segurados se amolda na hipótese de vínculo empregatício. DOS PROFESSORES SUBSTITUTOS A lei 8212/91 elenca requisitos distintos daqueles trazidos na CLT para a configuração de segurado empregado. Vejamos: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; O ponto nodal esta a esclarecer se aqueles contratados para substituir professores podem ou não ser considerados como empregados. Incontroversa a subordinação e remuneração, o ponto controverso é a "eventualidade" da prestação. O termo "não eventual" como trazido na lei, diz respeito às atividades da empresa, nessa linha, a INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/PRES Nº 45, DE 06 DE AGOSTO DE 2010. § 2º Entendese por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. Tratase de entidade de ensino, de tal sorte que, a princípio, não há como considerar o exercício de magistério como atividade eventual, pois é coluna central do sistema educacional. Os serviços inerentes às atividadesfim trazem presunção de necessidade e consequente nãoeventualidade, mas tal presunção pode ser afastada, dependendo de análise no caso concreto. Vejamos jurisprudência aplicável. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13654.001067/200884 Acórdão n.º 2803003.870 S2TE03 Fl. 6 5 RELAÇÃO DE EMPREGO. SERVIÇO INERENTE À ATIVIDADEFIM DO TOMADOR. PRESUNÇÃO DO CARÁTER NÃOEVENTUAL . Se há prova de trabalho inerente à atividadefim do empreendimento, de forma continuada, presumese a sua natureza nãoeventual e impõese ao respectivo tomador a prova em sentido contrário.TRT5 RECURSO ORDINÁRIO Nº 01293200803205005RecOrd A subordinação pressupõe atividade fiscalizadora e obediência hierárquica e a eventualidade opõese à habitualidade da prestação laboral, enquanto o trabalho autônomo caracterizase pela sua eventualidade. O critério da natureza dos serviços prestados – se associados ou não à atividade fim da empresa – não é em si absoluto, mas somado a outros permitem inferir se houve ou não o vínculo de trabalho empregatício. Entretanto, a diferenciação entre o vínculo de trabalho autônomo e o empregatício exige exame do conjunto das características fáticas do serviço prestado. Excerto de voto vencedor na AC 18072 MG 2003.01.99.0180724, TRF1 No caso sub exame, a planilha trazida no anexo IV não se mostra suficiente a demonstrar a não eventualidade da atividade dos professores substitutos. Apenas Ana Clara V. Dores aparece nos meses de outubro e novembro de 2003, sendo que os demais constam como tendo trabalhado apenas em uma competência, mas sem indicar a frequência se um dia, semana, ou o mês inteiro. Ao contrário, os baixos valores envolvidos levam a suposição de que tal substituição se deu em período muito curto. Assim sendo, tenho como não configurada a não eventualidade necessária ao enquadramento com segurado empregado. ACERCA DOS SEGURADOS COM HISTÓRICO "SERVIÇOS PRESTADOS" O sucinto relatório fiscal, anexo IV, sequer descreve as atividades desenvolvidas por aqueles considerados como empregados, apenas traz o histórico "serviços prestados", sendo assim inviável formar juízo de valor acerca do que esta posto. A desdúvida que a falta de clareza do Relatório Fiscal demonstra vício na sua formação. A falta de informações necessárias à devida descrição do fato concreto apontado, informa que a autoridade fiscal sequer demonstrou a ocorrência de fato gerador e seus elementos fundamentais, indicando vício material, intrínseco ao lançamento, por inobservância do que consta nos arts. 142 do CTN e 10 do decreto 70.235/72, que transcrevemos. CTN, art. 142 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13654.001067/200884 Acórdão n.º 2803003.870 S2TE03 Fl. 7 6 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; grifamos Nestes casos, a nulidade do lançamento ocorre por vício de constituição do crédito, resultado da ausência de seus requisitos mínimos. Senão vejamos entendimento deste Conselho. "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Ainda a Oitava Câmara: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13654.001067/200884 Acórdão n.º 2803003.870 S2TE03 Fl. 8 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Assim, para a correta configuração do fato gerador, o auditor autuante deveria ter demonstrado as situações que levaram a caracterização da relação empregatícia, além de declinar os empregados envolvidos. Sem a devida demonstração da relação de emprego alegada, não há como prosperar o auto de infração lavrado. Se o relatório é imperfeito, insuficiente, sequer há que se falar em fato gerador, pois a peça defeituosa carece de elementos que cristalizem a matéria tributável, devendo assim o lançamento ser anulado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.000528/2004-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 28/02/1999 a 30/09/2002
DESISTÊNCIA. ADESÃO A PARCELAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DO OBJETO.
A desistência por motivo de adesão a parcelamento resulta no não conhecimento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3801-004.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ADESÃO A PARCELAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DO OBJETO. A desistência por motivo de adesão a parcelamento resulta no não conhecimento do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 28 /2 00 4- 49 Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000528/200449 Acórdão n.º 3801004.751 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 62 a 70 contra a contribuinte em epígrafe, relativo à diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, referente a períodos de apuração entre 02/99 a 09/02, no valor de R$77.471,27 incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 27/02/2004. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 62) a autoridade lançadora registra que: Foram examinadas as planilhas de base de cálculo do PIS subscritas pelo contribuinte, juntamente com seus livros fiscais e comerciais, DCTF e recolhimentos. Em seguida foram elaborados diversos demonstrativos, entre os quais o “Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada”, onde constam especificadas as diferenças apuradas quanto ao PIS e sua base de cálculo; O contribuinte foi intimado a justificar as diferenças e em resposta apresentou uma planilha na qual informa que os valores demonstrados referemse a compensações sem processo e não declaradas em DCTF; Por não haver base legal que ampare o procedimento do contribuinte, uma vez que os valores apurados não foram declarados, foi lavrado o Auto de Infração para exigência do crédito tributário referente à contribuição devida, acrescida de juros e multa de ofício. O enquadramento legal citado no Auto de Infração foi: artigo 77, inciso III do Decretolei 5.844/43; artigo 149 da Lei 5.172/66; artigos 1o e 3º, alínea “b” da Lei Complementar nº 7/70; artigo 1o, parágrafo único, da Lei Complementar 17/73, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF 142/82; artigos 2o, inciso I, 8o, inciso I e 9o da Lei 9.715/98; artigos 2o e 3o da Lei 9.718/98. A base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta em fls. 67. Após tomar ciência da autuação em 31/03/2004 (fl. 68), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 74 a 94 em 22/04/2004 alegando, em relação ao PIS que: No período sob análise, a impugnante recolheu ou compensou com créditos existentes todos os tributos e contribuições a que estava obrigada. As irregularidades constatadas decorrem de Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000528/200449 Acórdão n.º 3801004.751 S3TE01 Fl. 12 3 equívocos cometidos pela impugnante no preenchimento das DCTF, deixando de informar as respectivas compensações; Os recolhimentos e compensações foram realizados seguindose todas as determinações legais sobre prazo de recolhimento; O quadro demonstrativo apresentado na impugnação demonstra que a própria fiscalização apontou créditos a favor do contribuinte, decorrentes de recolhimentos a maior que o tributo efetivamente apurado. Estes valores foram ignorados na apuração do débito lançado; Além desses, ainda há outros créditos a favor da impugnante, decorrentes de recolhimentos a maior que o devido ou retenções havidas em pagamentos de faturas, que serão oportunamente comprovados no laudo a ser juntado pela impugnante; O Auto de Infração foi fruto de um equívoco da agente fiscal, de um trabalho superficial sem qualquer base lógica ou jurídica. Compete à própria Administração Fazendária invalidar autos de infração lavrados com erros irrerraticáveis, ou eivados de vícios formais; Segundo os artigos 165 e 169 do CTN, o sujeito passivo tem direito, independente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, nos casos previstos. Os artigos 170 do CTN, 66 da Lei 8.383/91 e 74 da Lei 9.430/96 dispõem sobre a compensação; A doutrina tem rechaçado o uso arbitrário e indevido de indícios e da mera presunção, como prova absoluta a favor do fisco; Não obstante a inexistência de débito da impugnante, já que houve compensação com créditos relativos a pagamentos a maior do PIS e COFINS, a multa fiscal é excessivamente abusiva; A vista de todo o exposto, é certo que as agentes fiscais lavraram o presente auto de infração por presunção, apontando débitos de PIS sem levar em consideração a compensação com créditos decorrentes de pagamento a maior; Demonstrada a improcedência da ação fiscal, requer o cancelamento integral do débito reclamado, bem como da excessiva multa de ofício; Protesta provar o alegado por todos os meios admitidos em Direito, e pela juntada de documentos para comprovar a existência de créditos de PIS, através de laudo contendo demonstrativos de créditos e compensações suportados por documentação contábil e fiscal, retificações de DCTF, DIPJ, DARF, em face da total impossibilidade de apresentação dos mesmos no prazo legal de impugnação. Em 12/08/2004, a impugnante solicitou a juntada de documentos que formaram os três volumes anexos. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000528/200449 Acórdão n.º 3801004.751 S3TE01 Fl. 13 4 O processo foi encaminhado a esta DRJ/RJO2 tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 10.706/2007, publicada no DOU em 26/07/2007. A DRJ no Rio de Janeiro(RJ) julgou procedente o lançamento, fls. 139 a 147, nos termos da ementa abaixo transcrita: PIS. COMPENSAÇÃO. A utilização de eventual direito creditório para fins de compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo, não cabendo à autoridade administrativa tal procedimento no curso de ação fiscal. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. Verificada em procedimento de ofício a falta de declaração e de recolhimento de valores devidos ao PIS, cabe a aplicação da multa de ofício, por expressa determinação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. VALORES DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, não se caracterizando como espontânea a declaração de compensação apresentada após tal data. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – Derat – São Paulo (SP), por meio de despacho, extinguiu o crédito tributário relativo ao período de apuração 02/1999 em face de ter sido alcançado pela decadência. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos os documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na impugnação, acrescentando basicamente que: Preliminar de cerceamento do direito de defesa a decisão de 1° instância não apreciou inúmeros documentos apresentados após a impugnação; tal negativa é manifesta contradição ao disposto no artigo 5º, LV, da Constituição Federal e também da jurisprudência do Conselho de Contribuintes; também foi negado a RECORRENTE o direito a uma perícia contábil para analisar a prova trazida aos autos, mais uma vez contrariando texto constitucional, em prejuízo de direito da RECORRENTE, que teve negado assim o contraditório e a ampla defesa também devida no processo administrativo; o não registro dos seus créditos no sistema da SRF decorreu de erros no preenchimento das DCTFs, se não pode provar a ocorrência de tais erros, então está a RECORRENTE tendo seu direito de defesa frontalmente cerceado; Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000528/200449 Acórdão n.º 3801004.751 S3TE01 Fl. 14 5 a juntada pela RECORRENTE do laudo e demais documentos comprobatórios após a data de protocolo da impugnação, justificouse pelo fato de que os erros cometidos no preenchimento das DCTFs, levantamento dos DARFs comprobatórios do PIS pago a maior e preparação do laudo contábil por profissional independente demandaram tempo superior ao prazo para apresentação da impugnação; No Mérito. Do erro no preenchimento da DCTF as irregularidades constatadas pelas senhoras Auditoras Fiscais decorreram de equívocos cometidos pela RECORRENTE nos preenchimentos das DCTF's do período, deixando de informar os créditos decorrentes de recolhimentos a maior e as respectivas compensações destes créditos existentes, como ficou provado documentalmente na oportuna juntada à impugnação de laudo e documentação retificadora; se não pode a RECORRENTE transmitir a retificação da DCTF após iniciado o procedimento de fiscalização, por orientação e exigência da própria fiscalização, não lhe resta outra alternativa que não seja a juntada das DCTFs retificadoras à impugnação , demonstrando que houve erro no preenchimento mesmo que sem a devida transmissão a SRF; a argumentação da autoridade julgadora de primeira instância, no sentido de que a apresentação das DCTFs retificadoras após a lavratura do auto de infração não serve como prova da inexistência de débito apontado no auto de infração é autoritária e não colabora para a promoção da justiça e não pode servir de justificativa para que a autoridade julgadora nem ao menos examine o laudo contábil e os documentos comprobatórios acostados aos autos pela RECORRENTE; Da existência de créditos a favor do contribuinte não pode a autoridade julgadora a quo afirmar que não lhe importam os créditos que o contribuinte efetivamente tem, mas apenas os débitos, levandonos a concluir que aprova a autoridade fiscalizadora e a autoridade julgadora o enriquecimento ilícito do Erário Público, obrigando à RECORRENTE a pagar com multa e juros mais uma vez o que já pagou anteriormente, seja através dos DARF seja através de compensação de pagamentos a maior, tudo devidamente comprovado documentalmente através das planilhas e dos documentos que juntou ao laudo acostado à impugnação apresentada; Auto de infração inconsistente o auto de infração foi fruto de um equívoco da agente fiscal, de um trabalho superficial sem qualquer base lógica ou jurídica, que visou única e exclusivamente à ação arrecadatória, Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000528/200449 Acórdão n.º 3801004.751 S3TE01 Fl. 15 6 comprovado pelo fato de simplesmente não levar em consideração os créditos de PIS e outros tributos existentes a favor da RECORRENTE e apontado nas próprias planilhas juntadas ao auto de infração pelo agente fiscal. Além disso, o laudo contábil e documentação suporte juntado pela RECORRENTE à impugnação comprova a inconsistência do agente fiscal reitera considerações sobre a multa e juros.. Após as conclusões, a interessada requereu que fosse acolhido seu Recurso Voluntário e cancelado o débito fiscal reclamado e, alternativamente, protestou por provar o alegado através de todos os meios permitidos no Direito, especialmente, se assim entender necessário este Conselho, a perícia do laudo que já se encontra nos autos. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que Delegacia de origem: a) examinasse a escrita fiscal e contábil em relação aos períodos de apuração objeto do lançamento e verificasse se as alegadas compensações foram registradas na contabilidade. b) verificasse se os eventuais créditos apurados no lançamento foram compensados por meio da transmissão de PER/DCOMPs. Em caso positivo, apresentasse um relatório sucinto da apreciação das DCOMPs; A DRF atendeu a solicitação e após efetuar uma diligência fiscal criteriosa concluiu que as “alegadas compensações", nos termos do LAUDO apresentado, não correspondem aos registros das compensações do PIS nos razões também apresentados pelo contribuinte, nas competências objeto do Auto de Infração. Cientificada da diligência fiscal, em especial do Termo de Encerramento Fiscal, a requerente informou que havia protocolizado no CAC Paulista o requerimento da desistência expressa e em caráter irrevogável do prosseguimento e análise do recurso voluntário em razão do pagamento à vista do débito fiscal de PIS sob discussão no âmbito do programa federal de que a trata a Lei 11.941/2009, reaberto com a edição da Lei Federal 12.865/2013 (Refis da Crise). Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo, todavia dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. Como relatado, a recorrente apresentou pedido de desistência expressa e em caráter irrevogável do prosseguimento e análise do recurso voluntário em razão do pagamento Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000528/200449 Acórdão n.º 3801004.751 S3TE01 Fl. 16 7 à vista do débito fiscal de PIS sob discussão no âmbito de parcelamento especial (Refis da Crise). Desta forma, apresentado pedido de desistência, não mais existe litígio administrativo, não havendo como prosseguir no julgamento do processo, razão pela qual o recurso interposto perdeu seu objeto. Neste sentido o art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010 dispõe: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.(grifouse). Em remate, pelos elementos que compõe os autos, concluise que este processo administrativo fiscal perdeu seu objeto, uma vez que o recorrente desistiu expressamente do seu recurso. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.900575/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.
A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia às instâncias administrativas quanto à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO.
Não se faz cabível a compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência, líquida e certa, do crédito originalmente apontado como compensável. O art. 170A do CTN, incluído pela Lei Complementar n° 104/2001, veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Numero da decisão: 3401-002.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Thales Saldanha Falek, OAB/DF 35.87.
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 22/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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RESSARCIMENTO. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia às instâncias administrativas quanto à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO. Não se faz cabível a compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência, líquida e certa, do crédito originalmente apontado como compensável. O art. 170A do CTN, incluído pela Lei Complementar n° 104/2001, veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Thales Saldanha Falek, OAB/DF 35.87. Julio Cesar Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 22/11/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 05 75 /2 01 3- 81 Fl. 682DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório O presente processo administrativo trata do pedido de ressarcimento nº 20899.40287.271009.1.1.014120 e das correlatas declarações de compensação nºs 09578.96307.291009.1.3.012712, 30223.04978.181209.1.3.019392 e 23434.00552.110310.1.7.015096, relativos a ressarcimento de suposto crédito de IPI que haveria sido apurado no terceiro trimestre de 2009, no valor de R$ 970.137,35. Após diligencias, a autoridade competente na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus decidiu não reconhecer o direito creditório pretendido pelo contribuinte e, por conseqüência, anunciou como não declaradas as correlatas solicitações de compensação. As principais razões expostas pela autoridade administrativa foram: · O Contribuinte NÃO habilitou junto a RFB o suposto credito oriundo de decisão judicial transitada em julgado, não podendo desta forma apresentar qualquer pedido de ressarcimento, compensação ou restituição, conforme art. 70/71 da IN/RFB/Nº 900/2008 (...). · O Contribuinte ao preencher os PER/DCOMP(s) em nenhum deles declarou que o credito seria de decisão judicial transitado em julgado, ao contrário, responde no questionário do programa gerador da PER/DCOMP da seguinte forma: “Crédito Oriundo de Ação Judicial: NÃO” · Em sua resposta o próprio Contribuinte admite que o crédito pleiteado NÃO transitou em julgado, o que neste caso o Código Tributário Nacional em seu art. 170A, juntamente com a RFB, veda qualquer pedido de ressarcimento, compensação ou restituição, a teor do art. 70/71 da IN/RFB/Nº 900/2008 (...) · Quanto ao item 5 do Termo de Intimação Fiscal, onde o Contribuinte é instado a Apresentar o Livro de Registro de IPI, onde estejam devidamente escriturados os valores constantes nos PER/DCOMP(s) e que estão sendo pleiteados pela Pessoa Jurídica. Onde foi apresentado o solicitado Livro de Registro de IPI, e onde NÃO estão escriturados os valores pleiteados pelo Contribuinte e em complemento, este se limita a responder que “os créditos decorrentes da decisão judicial acima referida e o respectivo ressarcimento mediante compensações foram devidamente informados às Autoridades Fiscais através de PER/DCOMPs apresentados a RFB”. O que não é verdade, tendo em vista o que acima encontrase explicitado, quando o Contribuinte nega que o credito seja oriundo de ação judicial e ainda quando declara que apura o IPI de forma mensal e que o mesmo encontra se escriturado no RAIPI (Livro de Apuração do IPI). · Visando a busca da verdade material, verificamos ainda na Contabilidade, extraída dos Arquivos Magnéticos apresentados pelo Contribuinte, onde NÃO foi possível encontrar os valores pleiteados pelo Contribuinte, nas respectivas contas contábeis.” Fl. 683DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10283.900575/201381 Acórdão n.º 3401002.787 S3C4T1 Fl. 3 3 A contribuinte contesta a decisão alegando: § conta com provimento jurisdicional vigente nos autos da Ação Declaratória nº 002017241.2004.4.01.3400 (2004.34.00.0202200), o qual reconheceu seu direito de lançar na sua escrita fiscal créditos decorrentes de IPI relativo às aquisições de insumos isentos (matérias primas, materiais de embalagem e produtos intermediários), (sobreveio sentença julgando parcialmente procedente o pedido, para declarar o direito da Requerente ao aproveitamento dos créditos de IPI relativos à aquisição de insumos isentos a partir dos cinco anos anteriores à data de ajuizamento da ação. Atualmente, encontramse pendentes de análise Recursos Especial e Extraordinário, os quais, como se sabe, não têm o condão de suspender os efeitos do acórdão (artigo 497 do Código de Processo Civil). O Recurso Extraordinário interposto no caso em concreto foi vinculado ao julgamento do Recurso Extraordinário n° 592.891, tendo este último sido afetado pelo A. Supremo Tribunal Federal pelo instituto da repercussão geral, razão pela qual ficará sobrestado até que haja julgamento do RE n.° 592.891, representativo da controvérsia em debate. Em suma, permanece válido e eficaz o provimento jurisdicional que reconheceu o direito da Requerente de lançar em sua escrita fiscal créditos decorrentes de IPI relativo às aquisições de insumos isentos e utilizálos nos termos da legislação vigente) § sendo decorrência legal dessa decisão judicial a prerrogativa de utilização do crédito para abatimento de débitos de IPI ou de outros tributos, em homenagem ao principio da não cumulatividade do IPI. § Ao contrário do que aduzido no Despacho Decisório, esses créditos não decorrem de pagamento indevido. E não seria necessária prévia decisão judicial transitada em julgado, motivo pelo qual não deveriam ter sido precedidos de habilitação junto à Receita Federal do Brasil. § E isso deixa nítido também que a Requerente não preencheu de forma equivocada os PERDCOMPs correspondentes (com a informação de que os créditos não decorreriam de decisão judicial transitada em julgado). § Diante do fato de que não foi possível à Requerente aproveitar todos os seus créditos escriturais de IPI para pagamento de débitos de IPI relativos à sua produção, a Requerente, com expressa autorização do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, pleiteou seu ressarcimento e, em algumas situações, cumulouos com declarações de compensação com outros tributos. § os créditos de IPI em questão são decorrência legal de um provimento jurisdicional que a Requerente possui e que se encontra vigente, e não fruto de pagamento indevido que pudesse se submeter ao regime da necessidade de decisão judicial transitada em julgado (artigo 170A do CTN) , de modo que não há que se falar em informação equivocada lançada pela Requerente em suas PERDCOMPs e necessidade de habilitação prévia desses créditos, nos termos da IN n° 900/2008. § E se o direito ao registro do crédito escritural de IPI sobre entradas está autorizado judicialmente, e s e o seu ressarcimento e utilização com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é mera decorrência legal (art. 11 da Lei n°. 9.779/99) desse direito Fl. 684DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 assegurado judicialmente, não há dúvidas de que não pode haver indeferimento de tais créditos e tampouco negativa dos ressarcimentos e não homologação das compensações realizadas. § A disposição do artigo 170A do CTN não é cabível nesse caso, já que as compensações em questão decorrem apenas do direito da Requerente de se apropriar dos créditos escriturais de IPI na sistemática de apuração desse imposto, hipótese totalmente divergente das pretensões de repetição de indébito decorrente de litigio em processo judicial. Os I Julgadores de 1ª Instância apreciaram a decisão da autoridade administrativa e a manifestação de inconformidade do contribuinte e demais documentos que instruem o processo e teceram as seguintes considerações e conclusões: 1. que não há previsão legal a autorizar o crédito de IPI em aquisições isentas; 2. o principio constitucional da nãocumulatividade é exercido, em nosso ordenamento jurídico, pela sistemática de créditos e débitos do IPI, segundo a qual do imposto devido pela saída de produtos do estabelecimento deve ser abatido o imposto pago relativamente aos produtos nele entrados, evitandose, desta forma, a cobrança de imposto sobre imposto, .. , de modo que somente o valor referente à diferença encontrada deverá ser recolhida ao Erário. 3. Entendimento afim tem sido expresso em decisões no STF; 4. mas, quanto ao mérito da existência ou não do direito creditório invocado, ele aguarda decisão pela autoridade judicial face à Ação ingressada pelo contribuinte; 5. As decisões proferidas nessa Ação judicial reconhecem o direito do contribuinte aproveitar os pleiteados créditos de IPI em sua escrita fiscal, mas não para aproveitar através de compensação com outros tributos; 6. pretender compensar é ultrapassar os limites do pedido original do autor da ação e o limite da decisão judicial; 7. o artigo 170 A do CTN veda a compensação com base em decisão judicial não transitada em julgado; 8. O item 'd' do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, acrescidos pelo art. 4º da Lei n. 11.051, de 2004, prescreve, após 30/12/2004, considerarse como não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, como é o caso; 9. a contabilidade do contribuinte não tem registro dos créditos alegados. O Acórdão n. 0128.737, de 11/03/2014, proferido pela C. 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia às instâncias administrativas quanto à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10283.900575/201381 Acórdão n.º 3401002.787 S3C4T1 Fl. 4 5 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO. Não se faz cabível a compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência, líquida e certa, do crédito originalmente apontado como compensável. O art. 170A do CTN, incluído pela Lei Complementar n° 104/2001, veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte, inconformada, ingressa com Recurso Voluntário, com o qual repete os argumentos e explicações apresentadas na Impugnação, e pede, ao final, reforma das decisões anteriores e o reconhecimento do direito creditório e a homologação das declarações de compensação. É o relatório Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminarmente consigno que não será apreciado neste voto o que está sob apreciação da Justiça, qual seja, o mérito da pretensão do contribuinte a crédito de IPI de produtos intermediários, material de embalagem e matériasprimas adquiridos com isenção, adicionado ao fato do contribuinte usufruir os benefícios proporcionados pela Zona Franca de Manaus. Nesse aspecto, entendo que deve prevalecer o que orienta a Súmula CARF n. 1, sobre a concomitância entre as esferas judicial e administrativa. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Entretanto, há outros elementos que precisam ser analisados, e não implicam em ferir essa Súmula. Destarte, trata o presente de pedido de ressarcimento de IPI requerido em 2009 por empresa sediada na Zona Franca de Manaus habilitada a usufruir os benefícios previstos do Decretolei n. 288, de 1967, para suas atividades industriais. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 Para apreciar o pedido do contribuinte e as declarações de compensação, foi ele intimado pela autoridade fiscal, em 2013 (fls. 77 e seguintes), a apresentar documentos que comprovassem o direito creditório pretendido, entre eles: registros magnéticos e não magnéticos com a contabilidade; memória de cálculo demonstrando a apuração desses valores e a indicação das operações contábeis respectivas; livro contábil, indicação das contas e operações relacionadas ao direito creditório; esclarecer fundamentos do direito pleiteado; livro de registro do IPI com os valores tratados nas PER/DCOMP. Em resposta, o contribuinte informou a existência da decisão proferida em 2007 na Ação judicial por ele ingressada em 2004; e que o art. 11 da lei n. 9.779, de 1999, fundamentaria seu direito; e que as PER/DCOMP apresentadas à RFB informaram os créditos decorrentes da decisão judicial e o respectivo ressarcimento mediante compensações. A autoridade fiscal, após analisar a documentação apresentada pelo contribuinte, assinalou que: · as declarações de compensação em tela não informaram que o direito creditório provinham de decisões judiciais ou poderia ser afetado por litigância em processo em curso, ao contrário, afirmou que não havia tais hipóteses aos casos; · O Contribuinte NÃO habilitou junto a RFB o suposto credito oriundo de decisão judicial transitada em julgado, não podendo desta forma apresentar qualquer pedido de ressarcimento, compensação ou restituição, conforme art. 70/71 da IN/RFB/No. 900/2008, em vigor na época; · ausência de comprovação e demonstração da apuração dos valores indicados nos pedidos, in verbis: Quanto ao item 5 do Termo de Intimação Fiscal, onde o Contribuinte é instado a Apresentar o Livro de Registro de IPI, onde estejam devidamente escriturados os valores constantes nos PER/DCOMP(s) e que estão sendo pleiteados pela Pessoa Jurídica. Onde foi apresentado o solicitado Livro de Registro de IPI, e onde NÃO estão escriturados os valores pleiteados pelo Contribuinte e em complemento, este se limita a responder que “os créditos decorrentes da decisão judicial acima referida e o respectivo ressarcimento mediante compensações foram devidamente informados às Autoridades Fiscais através de PER/DCOMPs apresentados a RFB”. "Visando a busca da verdade material, verificamos ainda na Contabilidade, extraída dos Arquivos Magnéticos apresentados pelo Contribuinte, onde NÃO foi possível encontrar os valores pleiteados pelo Contribuinte, nas respectivas contas contábeis." E conclui a autoridade fiscal: Considerando todos os elementos trazidos ao Processo, e os fatos acima narrados, onde ficou cabalmente demonstrado que o Contribuinte não logrou êxito na apresentação dos fundamentos jurídicos e dos documentos fiscais que permitissem a verificação da Liquidez e Certeza do credito tributário, consubstanciado pelo fato de que Não Transitou em Julgado a Decisão Judicial na qual se basearia o suposto Direito Creditório, nos termos do artigo 170/170A do CTN, bem como atendessem ao disposto no caput do artigo 76 da IN/RFB Nº1300/2012. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10283.900575/201381 Acórdão n.º 3401002.787 S3C4T1 Fl. 5 7 Pareceme ser um ponto importante em nossa apreciação da lide o fato que o contribuinte foi intimado a demonstrar a apuração dos valores do direito creditório e ele não o fez. E a sua escrita contábilfiscal não possuía os competentes registros para tanto. A decisão judicial não dispensou o contribuinte de comprovar e demonstrar a origem e a apuração dos valores, principalmente com sua contabilidade e registros fiscais. É dever da autoridade administrativa verificar a liquidez e a certeza dos créditos pleiteados. A decisão judicial autorizou o aproveitamento, em sua escrita fiscal, de créditos de IPI de matériasprimas, produtos intermediários e material embalagem adquiridos com isenção entre 22 de junho de 1999 e 22 de junho de 2004. Ora, essa decisão é clara. O contribuinte deve demonstrar que se trata de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem; que foram adquiridos entre 22/06/1999 e 22/06/2004 e com isenção (e que não incluíram NT e alíquotas zero); que estão lançados em sua escrita fiscal; que são operações que observam a legislação que rege essa matéria fiscal. A leitura do pedido do contribuinte na Ação Declaratória e da decisão judicial oferecem esses contornos, como se pode ver: · A petição do autor da Ação n. 2004.34.00.0202200, em 22 de junho de 2004, às fls. 453, pede , (...) "antecipação dos efeitos da tutela, (...), assegurandolhe o direito de lançar em sua escrita fiscal créditos decorrentes de Imposto sobre Produtodo Industrializados (IPI) relativos às aquisições de insumos isentos (matériasprimas, materiais de embalagem e produtos intermediários) nos últimos 10 (dez) anos (...) bem como em relação às entradas futuras” (fls. 304/305). · A decisão monocrática, cujo teor foi mantido pela Instância Superior, declarou "o direito da autora aproveitar em sua escrita fiscal os créditos de IPI relativos à aquisição com isenção de matériasprima, produtos intermediários e material de embalagem, devendo o creditamento ser feito com base no IPI que incidiria se não houvesse a isenção, restrito o aproveitamento, em relação a períodos pretéritos, às entradas no estabelecimento industrial ou equiparado a industrial que tenham ocorrido a partir de 22 de junho de 1999”. Portanto, com relação ao pedido de ressarcimento de IPI, decidiu com acerto a autoridade administrativa ao indeferilo e consignar a falta de demonstração em sua escrita fiscal e contabilidade. Sublinho que não se trata, aqui, de discutir o mérito do direito do contribuinte ao crédito, matéria sob apreciação judicial, mas de verificar a apuração dos valores concernentes ao autorizado pela decisão judicial. Aliás, verifico que essa afirmação e conclusão da autoridade fiscal, e argumentação dos Julgadores a quo, não foram negadas, nem contraditadas pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade e em seu recurso voluntário. Com relação aos pedidos de compensação, por meio do qual o contribuinte pretender aproveitar esses créditos de IPI para compensar com outros tributos devidos, a questão não se limita à falta de demonstração e comprovação dos valores em sua contabilidade e escrita fiscal. Além desse aspecto, pareceme nítido que essa Ação Declaratória não discute o direito da autora de compensar esses créditos de IPI com outros tributos. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 O instituto da compensação tributária possui regramento que define as possibilidades, os requisitos e os procedimentos. Assim dispõe a lei complementar: Lei n. 5.172, de 1966: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Como se vê, a lei estabelece vedação à compensação de tributo que esteja sendo objeto de contestação judicial antes da decisão transitada em julgado. No caso em tela, o direito creditório do IPI que seria origem do aproveitamento para a compensação está sob apreciação da Justiça, e ele ainda não chegou a decisão transitada em julgado. Portanto, os pedidos de compensação confrontam expressa proibição legal. Se a decisão judicial pretendesse afastála, sem dúvida que o faria expressamente. Mas, não pude encontrar em qualquer uma das proferidas nessa Ação Declaratória definição nesse sentido, que a recorrente teria esse direito de compensar aqueles créditos com outros tributos. Recorrente alega que o artigo 11 da Lei n°. 9.779/99 fundamentaria seu ressarcimento e, em algumas situações, suas declarações de compensação com outros tributos. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente da aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive do produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de ¡996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Mas razão não assiste à recorrente nesse ângulo. Esse dispositivo legal estabelece que o eventual saldo credor acumulado em cada trimestre calendário poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei n. 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Receita Federal. Vejamos o que trazem esses artigos e as normas da Receita Federal: Lei n. 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos Fl. 689DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10283.900575/201381 Acórdão n.º 3401002.787 S3C4T1 Fl. 6 9 e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (....) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) ........ d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifos nossos) No que se discute neste processo, o suposto saldo credor está umbilicalmente dependente do direito creditório autorizado pela decisão judicial proferida na ação declaratória em curso. A Lei veda a utilização do saldo credor em compensação com outros tributos quando o crédito seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. E nesse âmbito, a lei atribuiu à Receita Federal poder para disciplinar a aplicação desse artigo 74 da Lei n. 9.430, de 1996. E, como demonstrado pela autoridade administrativa e pelos julgadores a quo, o contribuinte não atendeu as normas As normas contidas na Lei n. 5.172, de 1966, e as contidas nos artigos das leis referidas nesta análise não colidem com o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da CF/1988. Ao contrário, eles proporcionam os necessário meios e suportes para a sua efetivação. Assim, entendo que não pode prosperar a alegação da recorrente de que o disposto no artigo 11 da Lei n. 9.779, de 1999, justificaria seu direito e sua pretensão. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 Por todo o que foi debatido neste processo e neste voto, proponho a esta E Turma que seja negado provimento ao Recurso Voluntário. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 691DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914843/2012-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 43 /2 01 2- 19 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914843/201219 Acórdão n.º 3802003.832 S3TE02 Fl. 162 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 75 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 06/03/2014 (fls. 73), interpondo recurso tempestivo em 02/04/2014 (fls. 75). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914843/201219 Acórdão n.º 3802003.832 S3TE02 Fl. 163 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10980.001598/2007-04
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tampouco em cerceamento do direito de defesa do recorrente, quando este exercitou seu direito de defesa mas não apresentou qualquer prova apta a afastar as infrações apuradas pela Autoridade Fiscal.
GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE
Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não apresentou detalhamento dos serviços prestados, nem comprovou através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobram-se juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tampouco em cerceamento do direito de defesa do recorrente, quando este exercitou seu direito de defesa mas não apresentou qualquer prova apta a afastar as infrações apuradas pela Autoridade Fiscal. GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não apresentou detalhamento dos serviços prestados, nem comprovou através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobram-se juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tampouco em cerceamento do direito de defesa do recorrente, quando este exercitou seu direito de defesa mas não apresentou qualquer prova apta a afastar as infrações apuradas pela Autoridade Fiscal. GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE Devem ser mantidas as deduções com despesas médicas, quando apesar de intimado o contribuinte não apresentou detalhamento dos serviços prestados, nem comprovou através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 15 98 /2 00 7- 04 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.001598/200704 Acórdão n.º 2801002.081 S2TE01 Fl. 94 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (25/11/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Claudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório o explicitado pela DRJ que assim dispõe: Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, às fls. 21/23, emitida em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2004, anocalendário 2003, para a exigência de imposto suplementar de R$ 4.804,06, além de multa de ofício de 75% e acréscimos legais. Consoante demonstrativos que compõem a notificação, foi constatada dedução indevida a titulo de despesas médicas, sendo que, do montante declarado de R$ 30.477,21, foram glosados, por falta de comprovação de efetivo pagamento, R$ 9.800,00 (Dr. CELSO Z.), R$ 8.290,00 (Dr. SERGIO), R$ 2.900,00 (Dra. M. CRISTINA) e R$ 8.667,21 ("CARECESP"). Foram considerados comprovados R$ 3.215,95. Cientificado por via postal, em 08/01/2007 (fl. 43), o interessado apresentou, tempestivamente, em 07/02/2007, a impugnação de fls. 01/18, instruída com os documentos de fls. 19/37, a seguir sintetizada. Inicialmente, suscita a desconsideração do disposto no art. 8°, II, "a" e "e", combinado com seu § 2°, III, da Lei n° 9.250, de 1995, uma vez que teria comprovado documentalmente as despesas incorridas, o que entende conduzir à nulidade do lançamento. Argúi dificuldade de identificar a falha que existiria no preenchimento de sua declaração, sugerindo que a autuação decorreria da falta de indicação do endereço dos emitentes dos recibos, conclusão que aventa por exclusão de outras hipóteses, porquanto as despesas são passíveis de dedução, sem limite de valor e referentes ao anobase de 2003, em consonância com a legislação referida. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.001598/200704 Acórdão n.º 2801002.081 S2TE01 Fl. 95 3 Defende que a falta de endereço, questão de forma, não é motivo suficiente para a exclusão dos valores, em face dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Destaca que mesmo recibos com todos os dados necessários foram igualmente recusados, sugerindo incongruência e ausência de transparência no ato administrativo. Defende que os recibos são válidos, não obstante não indiquem com precisão os dados do recebedor do valores pagos. Pondera ser lógico que, havendo até mesmo a possibilidade de comprovar a despesa por meio de indicação do cheque utilizado para o pagamento, deve ser aceito o recibo, que contém a devida identificação profissional do prestador do serviço. Questiona a desconsideração dos recibos como prova de desembolso, aduzindo que efetuou os pagamentos em dinheiro. Esclarece, ainda, que as despesas de R$ 8.667,21 (CAPESESP) referemse a pagamentos para previdência e assistência dos genitores do cônjuge. A seguir, discorre sobre a teoria da prova no processo administrativo tributário, condenando a tentativa de inversão do ônus da prova, pela qual lhe teria sido atribuída a responsabilidade de demonstrar que o lançamento não identifica a matéria tributável, em detrimento da vinculação à lei, concluindo que a imprecisão e falta de clareza maculam de nulidade o procedimento, o que aduz não poder ser suprido por outra autoridade. Suscita falha na motivação do auto de infração e critica o "lançamento condicional", citando jurisprudência. Quanto à multa de ofício, alega ser abusiva, ferindo os princípios constitucionais do não confisco e da capacidade contributiva. Cita, a respeito, doutrina p jurisprudência. No que se refere aos juros de mora, contesta a aplicação da taxa Selic, por inconstitucionalidade, argumentando que referida taxa tem natureza remuneratória, e não moratória, não sendo a lei ordinária apta sua modificação. Invoca o disposto no art. 110 do CM, bem como doutrina e jurisprudência, pugnando pela limitação a 1% ao mês, a teor do art. 161, /1 1°, do CTN. A 4ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a impugnação (fls. 52/57), em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA 1RPF Anocalendário: 2003 LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO. NOVO ACÓRDÃO. Para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto existente em acórdão, é proferido novo acórdão. NULIDADE. NÃOOCORRÊNCIA. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.001598/200704 Acórdão n.º 2801002.081 S2TE01 Fl. 96 4 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por posa, Incompetente c os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO DESEMBOLSO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil c idônea dos gastos efetuados, pode ser exigida a demonstração do efetivo desembolso. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PERCENTUAIS. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse multa de ofício e juros de mora nos percentuais legalmente determinados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância, o Interessado apresentou o Recurso de fls. 60/76, reiterando os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Preliminarmente, quanto à suscitada nulidade do auto de infração, essa não merece acolhida. Diferentemente do alegado, a autoridade lançadora cuidou de especificar os elementos em que se baseou para efetuar o lançamento de ofício, identificou, corretamente, os dispositivos legais aplicáveis ao caso, bem como lançou multa de ofício nos exatos termos previstos na legislação de regência. Ademais, as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa estão preservadas pela oportunidade que teve a Contribuinte de examinar o processo e dele obter cópia, bem como de apresentar as razões contidas na impugnação e no recurso. Quanto ao valor probante dos documentos apresentados pelo Recorrente para comprovar as despesas médicas, verificase que, no processo administrativo fiscal, a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus direitos. Nos processos relativos ao imposto de renda da pessoa física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao contribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.001598/200704 Acórdão n.º 2801002.081 S2TE01 Fl. 97 5 Assim, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandolhe a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área da saúde. Nada obsta, no entanto, que a Administração Tributária exija que o interessado comprove a efetiva prestação dos serviços ou o pagamento decorrente desta prestação quando as circunstâncias assim recomendarem, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo teor é o seguinte: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Assim, existindo motivos que justifiquem, pode a Administração Tributária não conceder eficácia probatória aos documentos apresentados pelo contribuinte, sem que isto implique na inautenticidade de tais documentos. Por outro lado, o Decreto nº 70.235/1972 confere aos julgadores administrativos, na busca da verdade material, o livre convencimento na apreciação da prova. É essa busca da verdade material, como elemento essencial do julgamento, que baliza a formação da convicção do julgador. No caso presente temos que os documentos acostados aos autos não trazem elemento essencial ao seu aceite, qual seja o detalhamento dos serviços prestados pelo profissional, nem comprovação através de documento hábil e idôneo do efetivo desembolso para pagamento dos referidos serviços. Referidas não conformidades documentais foram apontadas pela autoridade lançadora desde o início do procedimento fiscal, cabendo ao contribuinte atender as solicitações a si direcionadas e cumprir com as exigências impostas para validação de sua documentação. Não o fazendo, correto o lançamento fiscal, devendo ser mantida a glosa referente a despesas médicas. Ressaltese, ainda, que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida. Ademais, é oportuno citar a Súmula CARF nº 2, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária A cobrança dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 30 da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.001598/200704 Acórdão n.º 2801002.081 S2TE01 Fl. 98 6 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10980.015408/2007-28
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA DO TRABALHO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
O recebimento de rendimentos de cunho trabalhista, em ação judicial, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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JUSTIÇA DO TRABALHO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. O recebimento de rendimentos de cunho trabalhista, em ação judicial, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 54 08 /2 00 7- 28 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 42 2 Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Adoto como relatório aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 20), que complemento ao final: Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, As fls. 04/05 verso, relativa A declaração de ajuste anual do exercício 2004, 0ocalendário 2003, para a exigência de imposto suplementar de R$ 7.793,60, além de multa de oficio de 75% e acréscimos legais, em face da constatação de omissão de rendimentos recebidos em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 110.194,09. Cientificado, por via postal, em 17/10/2007 (fl. 11), o interessado apresentou, em 19/11/2007, a impugnação de fls. 01/02, instruída com os documentos de fls. 03/05, na qual, ern síntese, esclarece que não omitiu o valor referido, que foi informado como "rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva exceto o 13° salário", e alega que, da base de cálculo apurada pela fiscalização, de R$ 328.142,31, não foi abatido o valor recebido a titulo de 13° salário de R$ 13.596,21 "conforme declarado na declaração do imposto de renda na coluna especifica e constante do cálculo elaborado pelo Sr. Perito", acrescentando que não teve a intenção de sonegar o imposto, tendo elaborado a declaração da forma que entendeu devida, seguindo orientação recebida no atendimento telefônico, razão pela qual entende não ser devedor da multa de oficio. As fls. 14/16, constam procedimentos relacionados A transferência da cobrança de R$ 4.054,64 de imposto suplementar, não impugnado, para o Processo Administrativo n° 14486.000061/200831. Conhecida e tratada pela DRJ, em primeira instância, a Impugnação foi assim considerada, em resumo: a) delimitação do litígio o impugnante questionou apenas a parte da omissão que diz ser relativa ao 13º salário, no valor de R$ 13.596,21, tendo sido o restante valor relativo ao restante da omissão, de R$ 96.597,88, transferido para outro processo administrativo; b) 13º salário o contribuinte não comprovou documentalmente que tal parcela referese a 13º salário, limitandose a dizer que está em "cálculo do Sr. perito"; Fl. 42DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 43 3 c) multa de ofício a multa aplicada está em consonância com a legislação e é aplicada objetivamente. Assim, aquela instância considerou não impugnada parte da exigência e julgou improcedente a impugnação em relação à outra parte. Cientificado dessa decisão em 24/05/2010 (AR na folha 26), apresentou recurso voluntário em 23/06/2010 (protocolo na folha 36), onde, singelamente, assim se manifesta: 1 Conforme consta do acórdão, a impugnação apresentada foi acolhida em parte, ficando pendente o valor de R$ 4.054,64, sobre o qual foi determinada a aplicação de multa de 75%, com a qual não concorda. 2 Em decisão do STJ "e STF", decidiuse que as verbas trabalhistas devem ser calculadas mês a mês e não pela totalidade, entende nada ser devido à Receita Federal, aliás certamente é credor. 3 Cabe ainda ressaltar, que quanto à parcela referente ao 13° salário, juntou à sua impugnação cópia do cálculo dos valores recebidos, não sendo correta a afirmação de que não provou o alegado. 4 Quanto à multa, entende ser indevida, pois na elaboração da declaração de ajuste anual, contatou essa Secretaria através de telefone e foi informado pelo funcionário que competente, por telefone, que deveria efetuar a declaração e, posteriormente, se se entendesse que estava incorreto o preenchimento, haveria notificação, sem a imposição de nenhuma sanção. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Como já assentou a DRJ, no julgamento recorrido, o contribuinte concordou em parte com a omissão de rendimentos apurada pela Notificação de Lançamento. DOS LIMITES DA LIDE Pareceme, contudo, que o Recorrente não entendeu quais parcelas permanecem em cobrança. O julgamento de 1ª instância não deu "provimento parcial" à sua impugnação. Veja no dispositivo daquele Acórdão que consta "considerar o lançamento, quanto à parcela impugnada, procedente." Fl. 43DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 44 4 A Notificação de Lançamento exigiulhe R$ 7.793,60 mais uma multa de 75% sobre esse valor, ou seja R$ 5.845,20. Considerando que em sua peça impugnatória concordou com o imposto devido no valor de R$ 4.054,64, e manifestouse contra a integralidade da multa, então permanecem em cobrança R$ 3.738,96, a título de imposto, mais a totalidade da multa de R$ 5.845,20, como pode observar no "demonstrativo de débito" da folha 24 e confirmar no DARF que lhe foi enviado após o julgamento recorrido, cópia na folha 25, onde a multa está com valor reduzido em 30%, para pagamento até a data de vencimento. Esses, portanto, são os valores em litígio. No recurso diz "ser credor" da Receita Federal. Contudo, na lição clássica de Carnelutti, para que haja lide ou litígio é necessário que ocorra “um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”, sendo a pretensão “a exigência de uma parte de subordinação de um interesse alheio a um interesse próprio” (Apud THEODORO JR. Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41 ed, Forense, Rio de Janeiro: 2004, p. 32) assim, também importante estudar os contornos da lide. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) (NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) ...esclarece Alberto Xavier que “nos caos em que o ato do lançamento impugnável seja ‘cindível’, a impugnação pode ser apenas parcial, de tal modo que o impugnante poderá individualizar o objeto do processo, especificando as ‘questões ou pedidos parciais’ que pretende impugnar, ficando as demais, em virtude da renúncia á impugnação, sujeitas á preclusão”(XAVIER. Alberto. Do lançamento...2ª ed. Forense, São Paulo, 1997, p. 333, Apud NEDER, Op. Cit, p. 269) Dessa feita, não se pode pretender transformar este processo administrativo de exigência fiscal em pedido de restituição, que deve ser formalizado em processo distinto, com rito próprio. Tampouco está sob análise a parte da exigência (imposto) com a qual o contribuinte concordou e que já foi, inclusive, transferida para outro processo. Feitas essas considerações, passemos ao caso concreto do recurso. DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE. AJUSTE ANUAL. O recebimento de rendimentos de cunho trabalhista, em ação judicial, reconhecidos pela Justiça do Trabalho, não é de tributação exclusiva na fonte, mas de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. Imposto retido como antecipação. Diferentemente do regime de tributação exclusiva, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade Fl. 44DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 45 5 atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual. Nesse sentido, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade da fonte pagadora extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última sujeitaa à exigência do imposto correspondente, em geral acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito: “... IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.” DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. O lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação trabalhista, como descreve a Notificação, na folha 6. Tais rendimentos, que se referem a períodos diversos, foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, como se depreende da Notificação de Lançamento. Observase que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte Fl. 45DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 46 6 como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pela Corte Suprema, com a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, vinhase sobrestando os julgamentos dos recursos atinentes, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), até que ocorresse o julgamento final do Recurso Extraordinário, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Contudo, os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados em decisão do Sr. Ministro da Fazenda, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013: PORTARIA No 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 47 7 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. A (in)constitucionalidade ainda não foi declarada pelo Pretório Excelso e o dispositivo de lei permanece em vigor. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), contudo, já se manifestou, inclusive atribuindo aos recursos a sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1.118.429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do Fl. 47DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 48 8 imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Houve inclusive a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 que sedimentou o entendimento de que não pode prevalecer a tributação integral de verbas recebidas acumuladamente segundo a tabela progressiva vigente no mês do recebimento. É fato também que esse Parecer da PGFN foi posteriormente revogado, mas de tal sobreveio o AD PGFN nº 1/2009, com o seguinte teor, que transcrevemos, registrando que se encontra suspenso: “ATO DECLARATÓRIO Nº 1, DE 27 DE MARÇO DE 2009 O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13/05/2009, DECLARA que fica autorizada a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: Fl. 48DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 49 9 "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.". JURISPRUDÊNCIA: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). “SUSPENSÃO DE ATO DECLARATÓRIO. (Suspende o Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), que dispõe sobre a dispensa de recursos nos casos de imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, em face do acolhimento de Repercussão Geral pelo STF dos RREE 614.406 e 614.232). Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), editado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional com fundamento no PARECER PGFN/CRJ 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13.05.2009, Seção I, p. 9. Reconhecimento de Repercussão Geral nos RREE 614.406 e 614.232. Suspensão (Parecer PGFN nº 2.331, de 27.03.2010). Assim o Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda publicado no Diário Oficial da União em 13 de maio de 2009, teve os seus efeitos suspensos em 27/10/2010, por intermédio do Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, o que significa dizer que a sua aplicação se restringe aos lançamentos efetuados no período de produção de seus efeitos (13/05/2009 a 27/03/2010). Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: Fl. 49DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 50 10 “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) No Recurso Especial (REsp 1118429 / SP) ao qual foi atribuída a sistemática dos “repetitivos”, acima transcrito, tratase de revisão de benefício previdenciário, uma vez que era esse o caso que estava em julgamento. Contudo, observo que o Tribunal Superior vem aplicando a mesma tese também aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de sentença judicial trabalhista. Vejamos: Resp 383.309/SC. Recurso Especial 2001/01569679 Relator Ministro João Otávio de Noronha.Data do julgamento 07/03/2006 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. 2. O Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que cabe à fonte pagadora o recolhimento do tributo devido. Porém, a omissão da fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do imposto, o qual fica obrigado a declarar o valor recebido em sua declaração de ajuste anual. 3. No cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, devem ser aplicadas às alíquotas vigentes à época em que eram devidos referidos rendimentos. 4. .... 5. Recurso especial parcialmente provido. (sublinhei/destaquei) No mesmo sentido: Resp 704.845/PR Recurso ESPECIAL 2004/01654173, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2008. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 51 11 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA E CONTRIBUINTE. INCLUSÃO DE MULTA. RENDIMENTOS ACUMULADOS. ALÍQUOTA APLICÁVEL 2. No cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, devem ser aplicadas as alíquotas vigentes à época em que eram devidos os referidos rendimentos. (destaquei). Destaco também a data dessas decisões, sendo uma de 2006 e outra de 2008, para evidenciar que há muito a Corte vem aplicando tal entendimento. Ainda, no REsp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) O que o STJ entende, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador, e que o artigo 12 da Lei nº 7.713/1998 rege o aspecto temporal, mas não o aspecto quantitativo: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria Fl. 51DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 52 12 tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, .... (HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial, usando essa interpretação como fonte de aplicação do direito e fundamento para decidir. Temse verificado, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Naqueles autos, tratavase de rendimentos recebidos acumuladamente, em virtude de sentença judicial trabalhista, e entendeuse pela observação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF para aplicar, obrigatoriamente, a jurisprudência do STJ em sede de recurso especial repetitivo aqui já citada. Transcrevo daquele Voto: Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Pois bem, como se observa aqui, neste Voto, concordo com o entendimento lá proferido pela Colenda Turma Ordinária, contudo, peço vênia para divergir em relação à parte que entende ser cabível devolver à Receita Federal os autos, para que se faça novo Fl. 52DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 53 13 cálculo do tributo devido, aplicando as tabelas progressivas vigentes à época de cada competência (mês) dos rendimentos recebidos. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome mais uma vez na doutrina de REGINA HELENA COSTA: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(Op. Cit. p. 205) Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, consubstanciada na Notificação de Lançamento de folhas 5 a 7. Limitado, entretanto, pelos contornos da lide, esse cancelamento produzirá efeitos para cancelar a cobrança de R$ 3.738,96, a título de imposto, e a multa de R$ 5.845,20, como se pode observar no "demonstrativo de débito" da folha 24. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 53DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10980.015408/200728 Acórdão n.º 2801003.784 S2TE01 Fl. 54 14 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10980.926601/2009-58
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98.
A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998.
Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado.
Numero da decisão: 3802-003.927
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 66 01 /2 00 9- 58 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 29/32 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, onde o direito creditório aduzido diz respeito a parte de pagamento de COFINS efetuado em 15/04/2003, que a interessada buscava compensar com débito da própria COFINS vencido em 14/11/2006. Aduziu a reclamante que o crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, e que o mesmo foi aproveitado nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressalta estar amparada pelos artigos 165 e 170 do CTN. A primeira instância não reconheceu o direito creditório sob o argumento de que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e ainda, que a realidade não se enquadrava dentre as possibilidades de afastamento de norma inconstitucional elencadas pelo Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 11/08/2011 (fls. 35). Inconformada, a mesma apresentou, em 02/09/2011, o recurso voluntário de fls. 42/45, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. Requer, ao final, seja homologada a compensação intentada. É o relatório. Voto Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10980.926601/200958 Acórdão n.º 3802003.927 S3TE02 Fl. 50 3 O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10980.926601/200958 Acórdão n.º 3802003.927 S3TE02 Fl. 51 5 Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. Digno de nota o entendimento exarado no Parecer PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11/03/2013, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda de 02/07/2013, segundo o qual nova interpretação assumida pela Fazenda Nacional também deverá ser seguida pelas autoridades julgadoras no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento/DRJ quanto aos processos que estejam aguardando julgamento na primeira instância administrativa, em cumprimento ao disposto no art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Vale lembrar, no entanto, que quando proferido o julgado de primeira instância referido Parecer ainda não tinha sido editado. Assim, não obstante a legitimidade do direito aduzido pela reclamante em vista da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, e: a) considerando que não foi acostada aos autos nenhuma documentação comprobatória do direito reclamado; b) considerando, ainda, que não consta do processo comprovação de que o sujeito passivo não pleiteia o mesmo crédito mediante ação judicial; voto para dar parcial provimento ao recurso para que a primeira instância de julgamento, considerando a inconstitucionalidade da norma em evidência, se manifeste sobre a materialidade do direito reclamado pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 12 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 11020.003361/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003
NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorrida e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
Numero da decisão: 9202-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.003361/200771 Recurso nº 264.894 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.309 – 2ª Turma Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado SOPRANO ELETROMETALURGICA E HIDRAULICA LTDA ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003 NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorrida e paradigmas que levaram às conseqüentes decisões são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 33 61 /2 00 7- 71 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11020.003361/200771 Acórdão n.º 9202003.309 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 087, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 080, que decidiu dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO JUROS E MULTA MORATÓRIA EM CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CUJA EXIGIBILIDADE ENCONTRASE SUSPENSA. Depósitos judiciais realizados á. disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória, a partir do implemento do depósito. A discussão em juízo da incidência de contribuições previdenciárias não obsta o lançamento, mas tão somente a cobrança das contribuições nele lançadas até o transito em julgado do processo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – SALÁRIO MATERNIDADE DISCUSSÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS Importa renúncia às instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. A propositura de ação não impede o conhecimento de matérias que não estejam sendo discutidas em juízo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) Na parte conhecida, dar provimento parcial para excluir juros e multa. O litígio, em questão, trata de incidência de juros moratórios sobre tributos com exigibilidade suspensa. Em seu recurso especial a PGFN, em síntese, alega que: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 1. O recurso especial deve ser admitido, pois a decisão expressa em seu acórdão está em discordância com as decisões expressas no(s) Acórdão(s) 10707.801e 105 16.550; 2. Os juros de mora são devidos por força de lei, mesmo durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial; 3. Faz se mister salientar que o voto proferido no recurso 148215, citado como fundamento, no voto condutor do acórdão recorrido, não tem qualquer aplicação a hipótese destes autos, posto que naquele voto cuidouse de depósitos judiciais colocados disposição da conta única do Tesouro Nacional junto ao Banco Central do Brasil, nos termos da Lei n°9.703/1998, enquanto que na hipótese destes autos os depósitos ficaram à disposição do juízo em conta aberta na Caixa Econômica Federal; 4. Face ao exposto, requer a Fazenda Nacional seja dado provimento ao presente recurso, para que seja reformado o acórdão para determinar a incidência de juros moratórios sobre o principal, correção equivalente a SELIC. Por despacho, fls. 0130, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11020.003361/200771 Acórdão n.º 9202003.309 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto à admissibilidade, devemos analisar questão. A nobre PGFN, em seu recurso, fls. 094, de 17/06/2011, apresenta dois acórdãos paradigmas 10707.801 e 10516.550 que teriam, em tese, decidido de forma contrária ao que dispõe o acórdão recorrido. Na análise de suas decisões, verificamos que o acórdão 10707.801, processo 13839.003500/200262, trata de exigência, ou não, de juros moratórios quando a cobrança do crédito estiver suspensa por força de medida judicial. Consta desta decisão paradigma: “Por derradeiro, os juros de mora são devidos por força de lei, mesmo durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decretolei n° 1.736/79, art. 5°; RIR/94, art. 988, § 2° e RIR/99, art. 953, § 3°).” Já a decisão expressa no outro acórdão apresentado como paradigma, 105 16.550, decide da seguinte forma: “Como se vê, a peça recursal apresentada pela contribuinte limitase a questionar os seguintes aspectos: a incidência de multa e juros de mora sobre os valores devidos e a dedução de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa para a apuração da base de cálculo da CSLL, que, segundo ela, não é objeto das medidas judiciais informadas. No que tange á incidência de multa moratória, em tese, procede a argumentação da recorrente, eis que, tratandose de crédito tributário com a exigibilidade suspensa, como bem sustentado por ela, por força das disposições contidas no artigo 63 da Lei n° 9.430, de 1996, não há que se falar em sua incidência até trinta dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Não obstante, além de não se ter nos autos informações acerca do status atual da medida judicial impetrada pela contribuinte, o extrato para fins de arrolamento que ela faz referência não tem força executória, representando mero levantamento que se supõe tenha sido produzido por sistema eletrônico da Receita Federal. Em etapa seguinte, na eventual manutenção, pelo Poder Judiciário, das exigências formalizadas, poderá a recorrente oferecer razões, em seara própria (unidade local da Secretaria da Receita Fl. 248DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Federal responsável pela execução da decisão), contra os valores que lhe estão sendo exigidos. Igual sorte, entretanto, não têm os argumentos trazidos pela recorrente em relação à incidência de juros moratórios. Com efeito, como bem salientado por ela, inexiste, no âmbito da legislação tributária que disciplina a matéria, previsão de inexigibilidade dos juros moratórios nos casos em que o tributo ou contribuição devidos encontramse com a sua exigibilidade suspensa por força de medida judicial. Ao contrário, como também salientado por ela, a previsão é exatamente em sentido oposto. Com efeito, segundo o disposto no artigo 5° do Decreto Lei n° 1736, de 1979, os juros de mora são devidos, inclusive, durante o período em que a cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial.” Portanto, como facilmente se verifica, os dois paradigmas decidem pela impossibilidade de exigência de juros moratórios, quando estiver suspensa sua exigência, por força de decisão judicial ou administrativa, mas em nenhum deles há informação sobre depósito do montante integral, seja na conta do Tesouro Nacional, seja em conta da Caixa Econômica Federal. Já no acórdão recorrido, decidido por unanimidade, de autoria da nobre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, há informação de que os depósitos foram efetuados, em seu montante integral, conforme se destaca na decisão, fls. 082v: “Já quanto a aplicação de juros e multa entendo que a partir do depósito judicial na época oportuna, não são devidos juros, pois os valores depositados em juízo garantem a instância e não se pode falar em inadimplemento do contribuinte, desde que os valores tenham ficado à disposição do INSS. Sendo assim, após o depósito judicial ter sido realizado não há que se cobrar multa moratória, desde que o valor depositado fique à disposição do credor. Também há que ser observado, que a multa moratória é devida até que ocorra o implemento da obrigação. Dessa forma, somente poderá ser cobrada multa caso tenha o depósito sido realizado em momento posterior ao vencimento da obrigação, o que pelos termos trazidos pela autoridade fiscal em seu relatório não é o caso.” Assim, como o acórdão recorrido trata de exclusão de juros moratórios no caso de depósito de montante integral e os acórdão paradigmas não analisaram e decidiram sobre esse relevante aspecto, depósito, não há como admitir o recurso, pois não se demonstra e comprova a divergência entre decisões, conforme determina o Regimento Interno do CARF (RICARF): “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11020.003361/200771 Acórdão n.º 9202003.309 CSRFT2 Fl. 5 7 Nesse sentido, voto em não conhecer do recurso. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em não conhecer do recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 250DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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