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Numero do processo: 10880.660404/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 04 /2 01 2- 94 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660404/201294 Acórdão n.º 3401004.805 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660404/201294 Acórdão n.º 3401004.805 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660404/201294 Acórdão n.º 3401004.805 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660404/201294 Acórdão n.º 3401004.805 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660404/201294 Acórdão n.º 3401004.805 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660404/201294 Acórdão n.º 3401004.805 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15771.722456/2016-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/05/2016
TRIBUTOS SUJEITOS A PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DAS RAZÕES RECURSAIS.
A adesão do contribuinte a parcelamento de parte do crédito debatido impede o conhecimento do recurso voluntário interposto na exata medida do crédito parcelado.
TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE DEPÓSITO JUDICIAL QUE ANTECEDEU O LANÇAMENTO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO PARA FINS DE PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA.
É improcedente o lançamento de ofício em que o tributo exigido esteja com a sua exigibilidade suspensa por força de depósito judicial do seu montante integral, haja vista que, seguindo entendimento consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça, o depósito judicial tem força constitutiva do crédito tributário.
Decisão que se alinha ao entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp n. 1.140.956/SP) em sede de julgamento de recurso especial submetido ao rito de recursos repetitivos.
Numero da decisão: 3402-005.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em julgar o recurso voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, em não conhecer parte do recurso voluntário em razão do parcelamento; (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, dar-lhe provimento para cancelar o auto de infração. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso para manter a exigência fiscal.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 03/05/2016 TRIBUTOS SUJEITOS A PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DAS RAZÕES RECURSAIS. A adesão do contribuinte a parcelamento de parte do crédito debatido impede o conhecimento do recurso voluntário interposto na exata medida do crédito parcelado. TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE DEPÓSITO JUDICIAL QUE ANTECEDEU O LANÇAMENTO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO PARA FINS DE PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. É improcedente o lançamento de ofício em que o tributo exigido esteja com a sua exigibilidade suspensa por força de depósito judicial do seu montante integral, haja vista que, seguindo entendimento consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça, o depósito judicial tem força constitutiva do crédito tributário. Decisão que se alinha ao entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp n. 1.140.956/SP) em sede de julgamento de recurso especial submetido ao rito de recursos repetitivos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 328 1 327 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15771.722456/201646 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.471 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria II e IPI Recorrente LIVRARIA CULTURA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/05/2016 TRIBUTOS SUJEITOS A PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DAS RAZÕES RECURSAIS. A adesão do contribuinte a parcelamento de parte do crédito debatido impede o conhecimento do recurso voluntário interposto na exata medida do crédito parcelado. TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE DEPÓSITO JUDICIAL QUE ANTECEDEU O LANÇAMENTO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO PARA FINS DE PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. É improcedente o lançamento de ofício em que o tributo exigido esteja com a sua exigibilidade suspensa por força de depósito judicial do seu montante integral, haja vista que, seguindo entendimento consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça, o depósito judicial tem força constitutiva do crédito tributário. Decisão que se alinha ao entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp n. 1.140.956/SP) em sede de julgamento de recurso especial submetido ao rito de recursos repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em julgar o recurso voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, em não conhecer parte do recurso voluntário em razão do parcelamento; (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, darlhe provimento para cancelar o auto de infração. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 24 56 /2 01 6- 46 Fl. 328DF CARF MF 2 Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso para manter a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui debatidos, utilizo como meu o relatório desenvolvido pela DRJ de São Paulo (acórdão n. 1676.167 fls. 210/219), o que faço nos seguintes termos: Tratase de importação de ereaders cujos tributos incidentes (II, IPI, PIS/Cofinsimportação) não foram pagos quando do registro da respectiva DI, pois o interessado efetuara depósito judicial integral no bojo de uma ação judicial (extinta sem análise do mérito) em que pleiteava o reconhecimento de imunidade em relação aos impostos e o direito à alíquota zero quanto às contribuições, sendo realizado o lançamento com o intuito de prevenir decadência (autos de infração às fls. 0625). Sem discutir a imunidade e a alíquota zero, alega o interessado ser o lançamento descabido, pois a exigibilidade do crédito estaria suspensa em razão do depósito integral (CTN, art. 151, II), que não está entre as hipóteses autorizadoras de lançamento para prevenir decadência previstas no art. 63 da Lei 9430/96, que seriam apenas as suspensões de exigibilidade dos incisos IV e V do referido artigo do CTN (impugnação às fls. 7788). (...). 2. A impugnação do contribuinte (fls. 77/88) foi julgada improcedente pelo acórdão sobredito e que restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/05/2016 Processo Administrativo Fiscal Importação de ereaders cujos tributos incidentes (II, IPI, PIS/Cofinsimportação) não foram pagos quando do registro da respectiva Declaração de Importação. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 15771.722456/201646 Acórdão n.º 3402005.471 S3C4T2 Fl. 329 3 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Não se conhece da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Suspensão de exigibilidade do crédito tributário. A existência do crédito tributário ocorre via lançamento. O lançamento é o procedimento necessário para que a Fazenda Pública se veja a salvo do ônus da DECADÊNCIA. Impugnação Não Conhecida. Crédito Tributário Mantido. 3. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 227/241, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação. 4. Não obstante, novembro de 2017, o contribuinte apresentou a petição de fls. 305/306, informando a adesão de parte do débito aqui debatido (PIS e COFINS) ao parcelamento veiculado pela MP n. 783/2017, oportunidade em que desistiu do recurso voluntário interposto em relação a tais contribuições, bem como vindicou o prosseguimento de tal recurso em relação ao IPI e ao II. 5. Diante deste quadro, foi proferido o despacho de fl. 317, determinando que a unidade preparadora providenciasse o processamento do citado pedido de desistência, bem como segregasse o montante parcelado com o fito de acompanhamento do parcelamento e, ato contínuo, devolvesse o presente processo administrativo para este Tribunal para fins de julgamento da discussão que não fora objeto de parcelamento. 6. Por fim, em junho de 2018 o contribuinte apresentou a petição designada "memorial" (fls. 322/327), oportunidade em que mais uma vez repisou as alegações já desenvolvidas ao longo de suas peças defensivas. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 8. O Recurso Voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da desistência parcial do recurso voluntário interposto 9. Como já mencionado no relatório do presente voto, o contribuinte promoveu a parcial adesão dos créditos aqui debatidos no parcelamento veiculado pela MP n. 783/2017. De forma mais precisa, o contribuinte parcelou os débitos referentes ao PIS e COFINS incidentes na importação, o que o motivou a desistir do presente recurso em relação a tais exações (fls. 305/306). Fl. 330DF CARF MF 4 10. Nesse sentido, diante da expressa desistência promovida pelo contribuinte, deixo de conhecer o recurso voluntário interposto em relação ao PIS e à COFINS originalmente discutidos no presente processo. II. Do depósito judicial previamente realizado pelo contribuinte 11. Para a devida resolução do presente caos, mister se faz delimitar algumas questões de ordem fática que permeiam o presente caso. 12. Conforme se observa do autos, o contribuinte interpôs as ações declaratórias ajuizadas perante a Justiça Federal de São Paulo e autuadas sob os ns. 0020805 60.2015.4.03.6100 e 002278491.2014.4.03.6100 (fls. 44/70), respectivamente, em 09/10/2015 e 27/11/2014, tendo por escopo afastar a incidência do II, IPI, PIS e COFINS incidentes nas importações de determinados ereaders. Em tais ações judiciais o contribuinte efetuou o depósito do montante tributário pretensamente incidente, conforme atestam os comprovantes de fls. 40/43. 13. Diante deste quadro e com o fito de prevenir a decadência de tais exações, o fisco promoveu o presente lançamento, exigindo tãosomente os tributos aqui debatidos (fls. 05/30) para as específicas operações de importação aqui tratadas em 10/06/2016 (fl. 72). 14. Feitas tais considerações, resta claro que, no presente caso, a discussão aqui travada antecede a discussão de concomitância de instâncias, uma vez que o ponto central aqui debatido pelo contribuinte é a impossibilidade de veiculação do presente lançamento em razão de prévio depósito judicial do montante exigido, fato este suficiente para a constituição do crédito tributário em comento. Em outros termos, o fundamento desenvolvido pelo contribuinte antecede o mérito da demanda em si, a qual é pautada pela existência ou não de imunidade tributária para os chamados ereaders. 15. Em outros termos, o contribuinte protesta pela inaplicabilidade do art. 63 da lei 9.430/96, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. 16. Com razão o contribuinte, haja vista que o citado dispositivo legal prevê a possibilidade de lançamento para fins de prevenção de decadência nas estritas hipóteses dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, ou seja, nos casos de tutelas jurisdicionais provisórias determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 17. Acontece que, no presente caso, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não decorreu da existência de tais tutelas jurisdicionais provisórias, mas sim de depósitos judiciais que antecederam a lavratura do presente auto de infração. 18. Nesse sentido, o que se discute aqui é se o depósito judicial é capaz de, per se, constituir ou não o crédito tributário, resposta esta já ofertada pelo Superior Tribunal de Justiça de forma positiva, conforme se observa dos julgado exemplarmentes colacionados abaixo: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA Fl. 331DF CARF MF Processo nº 15771.722456/201646 Acórdão n.º 3402005.471 S3C4T2 Fl. 330 5 EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO NÃO CONFIGURADAS. JUROS MORATÓRIOS E MULTA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Discutese nos autos os efeitos do depósito do montante integral da dívida tributária. 2. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, "no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN, não havendo que se falar em decadência do direito do Fisco de lançar" (REsp 1.008.788/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/10/2010, DJe 25/10/2010). 3. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo prescricional quinquenal, contados da data da extinção do depósito. Hipótese em que não ficou caracterizada a prescrição. 4. Não é cabível, durante o período em que o montante do tributo estava depositado judicialmente, a exigência de juros e multa de mora. Com o levantamento do depósito, a circunstância que elidia a mora deixou de existir, passando a ser devidos os juros e a multa. 5. O levantamento indevido dos valores não convertidos em renda restaura a exigibilidade do débito, podendo ser cobrado pela Fazenda Pública com todos os ônus decorrentes, todavia, somente a partir da data do levantamento. Recurso especial parcialmente provido. (STJ; REsp 1.351.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2015, DJe 13/05/2015) (grifos nosso). TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO FORMAL PELO FISCO. DESNECESSIDADE. AUSÊNCIA DE DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 1. Segundo a jurisprudência predominante neste STJ, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN, não havendo que se falar em decadência do direito do Fisco de lançar. Precedentes da Primeira Seção: EREsp 464.343/DF, Rel. Min. José Delgado, DJ de 29.10.2007; EREsp 898.992/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 27.8.2007; EREsp. n. 671.773RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 23.6.2010. Fl. 332DF CARF MF 6 2. Ressalva de entendimento do relator para quem o depósito judicial não tem a eficácia de constituir o crédito tributário. 3. Recurso especial não provido. (STJ; REsp 1008788/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/10/2010, DJe 25/10/2010) (g.n.). 19. Logo, se o depósito judicial é suficiente para a constituição do crédito tributário, não há que se falar em constituição do crédito tributário para fins de prevenção de decadência, uma vez que um suposto receio quanto à incidência decadência deixa de existir. 20. Pacificando tal entendimento, assim decidiu o mesmo STJ em sede de recurso especial julgado sob o rito de repetitivos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (Precedentes: REsp 885.246/ES, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 06/08/2010; REsp 1074506/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/09/2009; AgRg nos EDcl no REsp 1108852/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2009, DJe 10/09/2009; AgRg no REsp 774.180/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 29/06/2009; REsp 807.685/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/04/2006, DJ 08/05/2006; REsp 789.920/MA, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/02/2006, DJ 06/03/2006; REsp 601.432/CE, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/09/2005, DJ 28/11/2005; REsp 255.701/SP, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/04/2004, DJ 09/08/2004; REsp 174.000/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/05/2001, DJ 25/06/2001; REsp 62.767/PE, Rel. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/1997, DJ 28/04/1997; REsp 4.089/SP, Rel. Ministro GERALDO SOBRAL, Rel. p/ Acórdão MIN. JOSÉ DE JESUS FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/02/1991, DJ 29/04/1991; AgRg no Ag 4.664/CE, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/08/1990, DJ 24/09/1990). 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, Fl. 333DF CARF MF Processo nº 15771.722456/201646 Acórdão n.º 3402005.471 S3C4T2 Fl. 331 7 de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação ; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. (...). 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 1.140.956/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/11/2010, DJe 03/12/2010) (g.n.). 21. Tal decisão Pretoriana, por seu turno, deve ser reproduzida neste Tribunal administrativo, exatamente como prescrito no art. 927, inciso III c.c. com o art. 15. ambos do CPC, bem como em razão do disposto no §2.º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. 22. Nesse sentido, a parte do recurso voluntário conhecida deve ser provida. Dispositivo 23. Ante o exposto, voto por não conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, darlhe provimento. 24. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 334DF CARF MF 8 Diego Diniz Ribeiro Fl. 335DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720457/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
NULIDADE DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ANALISADO. PROCEDÊNCIA DO RECURSO
É nula, por ausência de motivação, a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação e que, de forma autônoma, é capaz de infirmar a conclusão alcançada pelo órgão julgador na parte dispositiva do julgado.
Numero da decisão: 3401-005.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a nulidade da decisão de piso, que se omitiu em relação a item suscitado pela defesa.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NULIDADE DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ANALISADO. PROCEDÊNCIA DO RECURSO É nula, por ausência de motivação, a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação e que, de forma autônoma, é capaz de infirmar a conclusão alcançada pelo órgão julgador na parte dispositiva do julgado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a nulidade da decisão de piso, que se omitiu em relação a item suscitado pela defesa. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NULIDADE DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ANALISADO. PROCEDÊNCIA DO RECURSO É nula, por ausência de motivação, a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação e que, de forma autônoma, é capaz de infirmar a conclusão alcançada pelo órgão julgador na parte dispositiva do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a nulidade da decisão de piso, que se omitiu em relação a item suscitado pela defesa. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 04 57 /2 01 2- 64 Fl. 993DF CARF MF Processo nº 11020.720457/201264 Acórdão n.º 3401005.219 S3C4T1 Fl. 994 2 Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 49 a 58, lavrado com o objetivo de formalizar a cobrança de IPI, referente ao período de apuração compreendido entre 01º/07/2007 a 31/12/2010 , acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 731.427,38. 2. Segundo se depreende do relatório fiscal, situado às fls. 826 a 831, narra a autoridade fiscal que o procedimento teve início para fins de verificação da classificação fiscal e alíquotas do IPI utilizadas na comercialização de sua produção industrial, tendo concluído que a contribuinte classificou os produtos da linha "prato térmico" nos Códigos NCM nº 3924.10.00 e 3924.90.00, submetidos a uma alíquota de 10% de IPI, enquanto que o correto teria sido a classificação no Código NCM nº 3923.90.00, submetida a uma alíquota de 15% de IPI, em conformidade com a Solução de Consulta SRRF/10ª RF/DIANA nº 58, de 04/05/1998. 3. A contribuinte apresentou, em 28/03/2012, impugnação, situada às fls. 839 a 888, na qual argumentou, em síntese, que: (i) a função principal dos produtos seria a de acondicionar “alimentos quentes para consumo” e a de “armazenar e conservar a temperatura dos alimentos para consumo individual”; (ii) deve ser obedecido o caráter extrafiscal do IPI e o princípio constitucional da seletividade, uma vez que os produtos fabricados são utilizados, predominantemente, por trabalhadores rurais; (iii) a classificação adotada é correta, de acordo com as RGI nº 1 e nº 2A, sendo a sua finalidade manter a qualidade da comida para o consumo, sendo que os ‘pratos térmicos’ têm uma relação muito mais evidente com ‘serviços de mesa’, ‘de higiene’ e ‘utensílios de cozinha’, do que mero ‘artigo para transporte’, como pretende a autoridade fiscal; (iv) a autuação se equivoca, incluindo produtos vendidos com o fim específico de exportação a empresas comerciais exportadoras (CFOP 5.501 e CFOP 6.501), e com discriminação da natureza da operação constante em nota ("remessa a comerciais exportadoras"); (v) houve cerceamento de defesa em virtude de o art. 28 da Lei nº 11.941/2009 impor multas vinculadas à interposição de recursos administrativos, um vez que, caso pago o crédito tributário em 30 dias da notificação, a multa é reduzida em 50% de seu valor e, no caso de parcelamento, em 40%, desconto que inexiste no caso recalcitrância, o que não é cabível em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário garantida pelo inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional; e, por fim, (vi) a multa não poderia ser aplicada ou deveria ser aplicada em seu percentual mínimo. 4. Em 22/10/2013, a 8ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1445.560, situado às fls. 897 a 904, de relatoria do AuditorFiscal José Antonio Francisco, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 MULTA. REDUÇÃO. HIPÓTESES. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 11020.720457/201264 Acórdão n.º 3401005.219 S3C4T1 Fl. 995 3 A redução da multa de ofício depende, estritamente, da satisfação das condições previstas em lei, como parcelamento ou pagamento no prazo de impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 IPI. FIXAÇÃO DAS ALÍQUOTAS PELAS REGRAS DA TIPI. POTENCIAL OFENSA AO PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE. ALEGAÇÃO NÃO PASSÍVEL DE APRECIAÇÃO EM SEDE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Descabe o afastamento das regras de classificação fiscal do Sistema Harmonizado e da Tipi por suposta ofensa, pela adoção da alíquota prevista, ao princípio da seletividade do imposto. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PRATOS TÉRMICOS. FUNÇÃO PRINCIPAL E CLASSIFICAÇÃO. Recipiente, de plástico, para o transporte de produtos alimentícios, normalmente cozidos e quentes, desde o local de preparo até o de consumo, vulgarmente denominado de “Marmita”, classificase na posição 3923.90.00. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. A contribuinte foi intimada via postal em 29/10/2013, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 913 e, em 27/11/2013, em conformidade com carimbo de protocolo aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 916 a 938, no qual reiterou as razões de sua impugnação, acrescendo, ainda, o pedido de declaração de nulidade da decisão recorrida, por não ter se pronunciado expressamente a respeito de um dos itens de defesa, quanto ao lançamento de IPI sobre produtos vendidos com o fim específico de exportação a empresas comerciais exportadoras (CFOP 5.501 e CFOP 6.50). É o Relatório. Fl. 995DF CARF MF Processo nº 11020.720457/201264 Acórdão n.º 3401005.219 S3C4T1 Fl. 996 4 Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. Preliminarmente, quanto à nulidade da decisão a quo por não ter analisado todos os argumentos vertidos pela contribuinte em sua impugnação, de fato há nulidade, por ausência de motivação, quando a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos constantes da impugnação que, de forma autônoma, seria capaz de afastar a disposição do quanto decidido, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, do art. 489 do Código de Processo Civil, e do inciso IX do art. 93 da Constituição de 1988. 8. Não obstante, diante da inexistência de previsão de embargos de declaração dirigidos ao julgador de piso, o recurso voluntário, na condição de expediente recursal ordinário aplicável à espécie e previsto pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, resta como única saída para o particular no desejo de afastar a omissão. Neste sentido, aliás, o encomioso e pedagógico Acórdão CARF nº 3402003.465, proferido em 24/11/2016, de relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2011 NULIDADE DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ANALISADO. PROCEDÊNCIA DO RECURSO É nula, por ausência de motivação, a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação e que, de forma autônoma, é capaz de infirmar a conclusão alcançada pelo órgão julgador na parte dispositiva do julgado. 9. Do acórdão em referência, recortamos o seguinte trecho: 12. Assim, toda e qualquer decisão proferida no âmbito de processo administrativo federal deve ser fundamentada, ou seja, deve ser justificada em concreto pelo julgador. Com isto o princípio assegura não só a transparência da atividade judiciária, mas também viabiliza que se exercite o adequado controle de todas e quaisquer decisões jurisdicionais. E, quando se fala em controle das decisões de caráter judicativo por meio da sua motivação, se faz menção não só a um controle exterior Fl. 996DF CARF MF Processo nº 11020.720457/201264 Acórdão n.º 3401005.219 S3C4T1 Fl. 997 5 ao processo, mas em especial a um controle interno, o que se dá pela idéia de recorribilidade. 13. O que se quer dizer, portanto, é que a existência de motivação de uma determinada decisão é que viabiliza (não apenas sob uma perspectiva formal, mas especialmente de modo substancial) o acesso efetivo às instâncias recursais mediante a interposição do recurso cabível. Em contrapartida, decisão imotivada (sem fundamento) é o mesmo que negar acesso ao grau recursal ou reduzilo à uma questão exclusivamente de forma, isso sem falar na própria supressão de instância. 14. Não obstante, ainda quando se fala em decisão motivada, exigese também que a motivação seja completa, sem omitir pontos cuja solução pudesse conduzir o juiz a concluir diferentemente. Assim, sempre que a sentença seja repartida em capítulos, cada um consistindo no julgamento de uma pretensão, todos eles devem ser precedidos de uma motivação que justifique a conclusão assumida pelo juiz. 15. O que se quer dizer, portanto, é que a decisão deve fundamentar o acolhimento ou a rejeição de cada um dos pedidos e, consequentemente, de cada uma das correlatas causas de pedir próximas expostas ao longo da lide. Caso um mesmo pedido e, consequentemente, a mesma causa de pedir próxima correlata tenha mais de um fundamento, basta a adesão ou rejeição de um deles para que a decisão seja motivada. O que não se admite, em contrapartida, é que um determinado pedido e a sua correlata causa de pedir próxima fiquem sem qualquer resolução" (seleção e grifos nossos). 10. No mesmo sentido, a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, no Acórdão CSRF nº 9303003.073, de relatoria do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, proferido em sessão de 14/08/2014, em que se reconheceu a nulidade da decisão recorrida por não enfrentar elementos de defesa necessários para o deslinde da controvérsia. Entendemos que a decisão acerca dos produtos vendidos com o fim específico de exportação a empresas comerciais exportadoras seja necessário para se resolver a questão devolvida ao conhecimento deste Conselho, nos termos da ementa abaixo transcrita Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 NULIDADE. ARTIGO 59 DO DECRETO Nº 70.235/72. Apesar do julgador não estar obrigado a tratar de todos os argumentos constantes da peça recursal, e de poder decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção, no presente caso a análise de todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte, notadamente aqueles resultantes da diligência determinada pela Colenda Câmara a quo, afigurase imprescindível para o deslinde da presente controvérsia. A ausência dessa análise Fl. 997DF CARF MF Processo nº 11020.720457/201264 Acórdão n.º 3401005.219 S3C4T1 Fl. 998 6 configura preterição do direito de defesa, a teor do disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte 11. Observese que o pronunciamento quanto ao lançamento de IPI sobre produtos vendidos com o fim específico de exportação a empresas comerciais exportadoras (CFOP 5.501 e CFOP 6.501) teria o potencial para afastar, ainda que ao menos parcialmente, o lançamento, o que já é suficiente para se reconhecer a nulidade, uma vez que, como se sabe, estabelecimentos industriais ou comerciais ao realizem a venda seus produtos a empresas comerciais exportadoras com o fim especifico de exportação podem efetuar esta operação com a suspensão do IPI, de acordo com a alínea ‘a’ do inciso V do art. 42 do Decreto nº 4.544/2002. Assim, conheço do recurso voluntário interposto neste particular para, na parte conhecida, darlhe provimento, reconhecendo a nulidade da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 998DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.720130/2015-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO.
Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõe-se a improcedência da impugnação.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
As Turmas de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei.
GRUPO ECONÔMICO. FUNDAMENTO E ABRANGÊNCIA.
A simples existência de grupo econômico, definido no art. 494 da IN RFB n° 971, de 2009, enseja a configuração da responsabilidade solidária prevista no inciso IX do art. 30, da Lei n° 8.212, de 1991. Essa responsabilidade decorre da lei, com lastro no art. 124, II, do CTN e constitui-se em responsabilidade entre contribuinte e responsável, não se exigindo a participação deste nos fatos geradores e nem sua integração ao grupo ao tempo dos fatos geradores.
GRUPO ECONÔMICO. LEGALIDADE.
O art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991 não é ilegal, eis que é norma complementar ao art. 124, II, do CTN.
GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA.
A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracteriza-se como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado.
FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA
Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição (Constituição da República, art. 7°, XVI; Lei n° 8.212, de 1991, art. 28, I; e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, art. 214, I, § 14), eis que, conforme aflora da Solução de Consulta Cosit n° 126, de 2014, apenas as férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo das contribuições sobre a folha de pagamento.
HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA.
Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constituindo-se em base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme Solução de Consulta Cosit n° 103, de 2014.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. FUNDAMENTO.
A contribuição da empresa pertinente aos contribuintes individuais se alicerça no art. 22, III, da Lei n° 8.212, de 1991, incluído pela Lei n° 9.876, de 1999, com lastro na alínea a do inciso I do art. 195 da Constituição, incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998.
PRECLUSÃO PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA E RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO. AUTUAÇÃO QUE SE MANTÉM.
Se a parte autuada não impugna o lançamento fiscal, configurada está a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída, mesmo que apresente posteriormente recurso voluntário tempestivo. Isto porque deve prevalecer, para ambos os lados da relação processual, o direito ao contraditório e o acesso ao duplo grau de jurisdição, o que seriam violados caso o recurso voluntário fosse admitido.
PRECLUSÃO PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. SOLIDARIEDADE QUE SE MANTÉM.
Se a parte autuada não impugna o lançamento fiscal, configurada está a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída.
Numero da decisão: 2201-004.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. As Turmas de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei. GRUPO ECONÔMICO. FUNDAMENTO E ABRANGÊNCIA. A simples existência de grupo econômico, definido no art. 494 da IN RFB n° 971, de 2009, enseja a configuração da responsabilidade solidária prevista no inciso IX do art. 30, da Lei n° 8.212, de 1991. Essa responsabilidade decorre da lei, com lastro no art. 124, II, do CTN e constituise em responsabilidade entre contribuinte e responsável, não se exigindo a participação deste nos fatos geradores e nem sua integração ao grupo ao tempo dos fatos geradores. GRUPO ECONÔMICO. LEGALIDADE. O art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991 não é ilegal, eis que é norma complementar ao art. 124, II, do CTN. GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA. A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 01 30 /2 01 5- 09 Fl. 11497DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.498 2 com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição (Constituição da República, art. 7°, XVI; Lei n° 8.212, de 1991, art. 28, I; e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, art. 214, I, § 14), eis que, conforme aflora da Solução de Consulta Cosit n° 126, de 2014, apenas as férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo das contribuições sobre a folha de pagamento. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA. Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constituindose em base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme Solução de Consulta Cosit n° 103, de 2014. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. FUNDAMENTO. A contribuição da empresa pertinente aos contribuintes individuais se alicerça no art. 22, III, da Lei n° 8.212, de 1991, incluído pela Lei n° 9.876, de 1999, com lastro na alínea a do inciso I do art. 195 da Constituição, incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998. PRECLUSÃO PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA E RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO. AUTUAÇÃO QUE SE MANTÉM. Se a parte autuada não impugna o lançamento fiscal, configurada está a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída, mesmo que apresente posteriormente recurso voluntário tempestivo. Isto porque deve prevalecer, para ambos os lados da relação processual, o direito ao contraditório e o acesso ao duplo grau de jurisdição, o que seriam violados caso o recurso voluntário fosse admitido. PRECLUSÃO PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. SOLIDARIEDADE QUE SE MANTÉM. Se a parte autuada não impugna o lançamento fiscal, configurada está a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. Fl. 11498DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.499 3 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ/CTA de e fls. 11.045/11.091, por bem relatar os fatos ora questionados. "1. O presente processo (Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, fls. 02) tem por objeto impugnações ao Auto de Infração n° 51.064.7120, fls. 03, referente às contribuições previdenciárias da empresa, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – Sat/Rat/Gilrat, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), e apuradas nos levantamentos C1 – PAGTOS A PESSOAS FÍSICAS (01/2010 a 12/2011), CL – PGTO CONTRIB INDIV PJ (01/2010 a 12/2011), CM – EMPREGADOS POR MEIO DE COOP (01/2010 a 12/2012), CP – PAGTOS DIRETOS A COOP (01/2010 a 12/2011), PJ – PAGTOS EMPREGADOS PJ (05/2010 a 12/2011) e SO – PGTOS A SÓCIOS (01/2010 a 12/2011), no valor total de R$ 18.428.957,03, consolidado em 27/01/2015, incluídos os respectivos juros e multa de ofício agravada e qualificada. 2. O procedimento fiscal, as apurações e os lançamentos efetuados estão explicitados no Relatório Fiscal (fls. 32/114), nos anexos do Auto de Infração (fls. 04/31, 115/600) e documentos carreados aos autos pela fiscalização (fls. 601/10382). Do Relatório Fiscal, destacase: a) Introdução. Itálica Saúde Ltda era peça central de um grupo de empresas e pessoas físicas, cujo mentor era o médico Carlos Martin Lora Garcia, a operar de modo a favorecer a sonegação de impostos e contribuições previdenciárias e desviar recursos em benefício dos envolvidos, assim como ocultar ativos, dificultando a cobrança de dívidas, inclusive trabalhistas e previdenciárias. Envolveramse no esquema diversas pessoas Fl. 11499DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.500 4 físicas, a maior parte no papel de "laranja", sendo A intervenção da ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar na Itálica Saúde Ltda, com a instalação de Direção Fiscal na Operadora em 01/09/2011 (Resolução Operacional n° 1073) até, posteriormente, a decretação da liquidação extrajudicial, em 09/09/2013 (Resolução Operacional n°1514) obrigou os envolvidos a abandonar este sistema. Foi nomeada como liquidante Edna Maria Tonolli, CPF 642.165.438 04, que em 14/05/2014 foi substituída por José Carlos Marani, CPF 387.508.56804. Em fiscalização previdenciária anterior, encerrada em 30/11/2010, já se constatara que durante o ano de 2006 a quase totalidade dos trabalhadores era contratada, fraudulentamente, por meio de cooperativas de trabalho, incluindo as pessoas que atendiam à fiscalização (o diretor financeiro. Orlando Márcio M. Campos Jr. e o contador Fábio Moeckel da Luz), além de muitos outros em funções administrativas que implicam necessariamente na prestação de serviço contínua e não eventual e na subordinação, como auxiliares administrativos, auxiliares de escritório, analistas contábeis, atendentes de cobrança, operadores de telemarketing, recepcionistas, dentre outras, conforme contrato celebrado entre a Itálica e a COOPERATIVA DE SERVIÇOS TÉCNICOS E EMPRESARIAIS COOPSEM de 24/02/2006. Conforme o Relatório Fiscal de lançamento efetuado na referida fiscalização, havia ainda a ocorrência de pagamento de verbas como "prêmio", "ajuda de custo" e "vale transporte" diretamente pela Itálica aos "cooperados" e que um mesmo trabalhador podia ter sido associado, em períodos sucessivos, a mais de uma das cooperativas com quem a Itálica manteve contrato de prestação de serviços. b) Fiscalização. A ação fiscal teve início em 19/03/2013, conforme ciência pessoal em Termo de Início de Procedimento Fiscal –TIPF, sendo o procedimento fiscal instaurado para o período de 01/2010 a 12/2010 e posteriormente ampliado para abranger 01/2010 a 12/2012. As intimações anteriores à data da decretação da liquidação extrajudicial (10/09/2013) não tiveram resposta. Posteriormente a esta data, as intimações foram recebidas pelos liquidantes nomeados pela ANS. No entanto, estes também não apresentaram a documentação solicitada (com exceção dos relatórios de auditoria e a relação de bens da operadora), tendo justificado o fato pela falta de acesso aos livros e documentos da empresa. Serviram de base para a fiscalização as informações contábeis transmitidas ao SPED Sistema Público de Escrituração Digital e as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, em especial o sistema GFIPWEB. Também foram utilizadas informações obtidas em diligências fiscais realizadas junto às cooperativas MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE, CNPJ 05.585.853/000156 e MAXICOOP Fl. 11500DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.501 5 COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE INFRAESTRUTURA EMPRESARIAL, CNPJ 05.590.035/0001 41. c) Administração da sociedade. Diante das experiências profissionais, dos bens e do modo de vida das sócias Guilhermina Éster Baya (99% das cotas) e Sofia Cristiane Baya Schaetzer (1% das cotas), são diversos os indícios de sua falta de capacidade econômica, assim como da falta de capacidade empresarial para dirigir uma empresa que movimenta cerca de cem milhões de reais anualmente. As duas sócias foram intimadas, em 28/02/2013 e novamente em 12/11/2013, a comparecer pessoalmente à DRF Barueri para prestar esclarecimentos relativos à Itálica Saúde, mas não o fizeram, nem justificaram a falta de atendimento à intimação. No "Relatório Preliminar de 60 dias" da Direção Fiscal da ANS, datado de 06/11/2011 (Processo 33902.649944/201136), a Diretora Fiscal relata que as sócias desde o início dos trabalhos não apareceram na Operadora e não participaram de nenhum ato da empresa. O mesmo processo da ANS por diversas vezes traz o testemunho sobre a identidade do real administrador da Itálica Saúde, ou seja, o Sr. Carlos Martin Lora Garcia. Pelo relato da Diretora Fiscal, quem se apresenta publicamente como gestor da Itálica é Carlos Lora, inclusive designando o outro procurador, Orlando Márcio, para atender à ANS, evidenciando uma clara relação de subordinação de um em relação ao outro. Carlos Lora ainda se apresenta publicamente como gestor da Itálica Saúde em eventos de divulgação da Operadora, noticiados pela imprensa. Tanto Orlando Márcio de Melo Campos Junior quanto Carlos Martin Lora Garcia receberam poderes de administração da sociedade conferidos pelas sócias por meio de procurações. Foram lavradas diversas procurações conferindo amplos poderes de administração da Itálica a Orlando Campos, agindo isoladamente, todas com prazo de validade de um ano. Orlando Campos reconhece que trabalhou para a Itálica em dois períodos: de dezembro de 1999 a janeiro/2005, como Gerente de Informática, contratado primeiramente pelo regime da CLT e posteriormente por cooperativa de trabalho; e que voltou a trabalhar na Itálica Saúde de março/2009 a janeiro/2013, sendo que até outubro/2009 não tinha uma função definida e, a partir daí, como Diretor Financeiro. As GFIPS da cooperativa Maxicoop Coop Trab Prof Infraestrutura entre 03/2010 e 04/2012 corroboram a informação. As procurações lavradas no Cartório de Pedro de Toledo/SP em 25/05/2010 por Sofia Cristiane (Livro 22 fls 177) e por Guilhermina Baya (livro 22 fls 179), além de conferir poderes semelhantes àqueles confiados a Orlando Campos, outorgam a Carlos Lora poderes especiais para: "representála perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, podendo Fl. 11501DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.502 6 alterar o contrato social da referida empresa, transferir suas cotas, em parte ou na totalidade; e, transferir a quem de direito, pelas condições que lhe convier; receber, passar recibos e dar quitação; concordar com cláusulas e suas alterações". d) ITALTAC. Em resumo, a ITALTAC TECNOLOGIA NA ÁREA DE COBRANÇAS LTDA EPP (CNPJ 04.674.217/0001 38) tinha um papel importante na operação do grupo, porque recebia os valores provenientes dos clientes da Itálica e utilizava estes recursos para fazer pagamentos de fornecedores da Itálica e dos hospitais integrantes do grupo econômico, realizar transferências para outras contas de sua titularidade ou de outras empresas do grupo e fazer aplicações financeiras. A ITALTAC foi aberta em 15/08/2001, e, conforme o contrato de prestação de serviços entre a Itálica Saúde e a Italtac, esta realizava a administração financeira da Operadora: “Cláusula 1ª O presente contrato tem por objeto a Prestação de Serviços de Cobrança, Recebimento, e Pagamento de títulos ou similares pela CONTRATADA para a CONTRATANTE, quais sejam: cobranças extrajudiciais e judiciais; pagamento de faturas, duplicatas e contas médicohospitalares; recebimento de duplicatas e boletos de cobrança bancária e, administração financeira”. De acordo com o Contrato Social, as sócias da Italtac são Roseli Aparecida de Brito (desde 0/12/2006) e sua mãe, Romilda Ardilia de Brito (desde 29/06/2009). A primeira, Roseli Aparecida de Brito, conforme as informações registradas nos sistemas CNIS e GFIPWEB, trabalhou para a Itálica Saúde Ltda até 12/2007 por meio da cooperativa Ettica Coop. Serv. de Apoio Adm. Operacional (CNPJ 08.194.377/000130), tendo como último saláriodecontribuição R$ 1.085,10 em 12/2007, ou seja, quando já era sócia da Italtac. A segunda, Romilda Ardilia de Brito, nascida em 01/11/1942, de acordo com a Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física de 2007, referente a 2006, não teve nenhum rendimento durante o exercício, mas tornouse sócia da Rentalcap LOCAÇÃO DE BENS MOVEIS LTDA (ver item 60 e seguintes do Relatório), com participação societária de R$7.200,00 a integralizar, o que teria acontecido no ano seguinte, com a utilização de valores de remuneração recebidos da própria Rentalcap. Romilda Brito não declarou a participação societária na Italtac nas DIRPF. As informações bancárias da ITALTAC foram solicitadas diretamente às instituições bancárias, em 12/07/2013, em função da inaptidão da empresa, conforme o Ato Declaratório Executivo n° 27, de 5 de julho de 2013/ DRF Barueri, com efeito a partir de 08/03/2013. A Itálica era a única cliente da Italtac, uma vez que, dentre todas as Notas Fiscais emitidas em 2010, do número 41 ao número 55, nenhuma teve outro destinatário. Também não foi localizado na contabilidade apresentada pela Italtac nenhum lançamento de receita oriunda de outra fonte, Fl. 11502DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.503 7 assim como não consta da DIPJ 2011 da Italtac informação sobre outra fonte de receita que não a Itálica Saúde. Os cheques para pagamentos a fornecedores da Itálica Saúde eram assinados conjuntamente por Roseli Aparecida de Brito, pela Italtac e por Orlando Campos Jr, pela Itálica. Após a assinatura, os cheques eram enviados para a aprovação de Carlos Lora, conforme descrito às fls. 205 do processo 33902.649944/201136 da ANS. Fica clara a subordinação de Orlando e Roseli, que apenas assinavam os cheques, a Carlos Lora, que era quem tomava as decisões sobre quais pagamentos seriam feitos. Os valores referentes às notas fiscais emitidas pela Italtac eram apropriados mensalmente na conta 462119403 Serviços de cobrança pela Itálica. Em 2010, o valor total das Notas Fiscais emitidas pela Italtac foi igual a R$ 9.122.028,20. Os valores dos pagamentos, que eram registrados na conta 1261196221 Adiantamento para Fornecedores ITALTAC foi de R$ 2.886.016,85, pagos por meio de cheques (emitidos de contas de titularidade da própria Italtac). A Italtac não possuía uma conta separada para receber as receitas da sua própria atividade. Foi verificado que, em 25/08/2010, foi lavrada no 69° Cartório de Notas de São Paulo, no Livro 3413, fls.193 a 196, uma escritura de quitação de uma dívida de R$8.500.000,00 da Italtac em relação à Itálica, cuja fiadora era a Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda, que teria dado diversos imóveis em garantia do débito. e) Hospitais. A escrituração digital da Itálica Saúde de 2010 e 2011 revela a existência, dentro do grupo de contas 1261196 Adiantamentos, contas de adiantamentos específicas para algumas empresas. Os adiantamentos para os hospitais São Carlos (Ital), Santo Expedito (Somel) e Jardins eram feitos diariamente, no valor necessário para cobrir as despesas diárias. Mensalmente, cada hospital emitia uma Nota Fiscal de valor igual aos adiantamentos feitos naquele mês. A fiscalizada foi intimada a apresentar a descrição dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal, com a indicação do nome do paciente atendido e a especificação do atendimento médico prestado, mas não houve resposta. Os três hospitais também foram intimados a apresentar os contratos de prestação de serviços com a Itálica e as Notas Fiscais relativas aos serviços prestados a esta, acompanhadas da relação detalhada dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal. Os hospitais também foram intimados a apresentar os Livros "Diário" e "Razão" de 2010. Apenas a Somel respondeu, mas o fez de forma inadequada: apresentou os livros contábeis em arquivo "pdf" e não em formato aceito pela RFB. Quanto à relação dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal, apresentou somente os "resumos de serviços prestados", onde constava apenas o número de atendimentos ambulatoriais e de internações. Reintimado a apresentar a documentação, não respondeu. Fl. 11503DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.504 8 Relatório da Direção Fiscal, além de descrever a maneira como eram feitos os adiantamentos aos hospitais (fls 353), prossegue descrevendo, em relação às outras empresas ligadas, um procedimento idêntico: “Os Hospitais da Rede Aberta acima, assim como os fornecedores de serviços: Italtac Tecnologia na Área de Cobrança Ltda., Rentalcap Locação de Bens Móveis Ltda., Aweti Com. Serv. e Treinamento, Consultec Consultoria em Saúde Ltda., recebem adiantamentos durante o mês e no final do mês é feito encontro de contas e emitida Nota Fiscal de serviços no valor total dos adiantamentos feita, em desacordo com art. 21 da Lei n°. 9656, de 1981. Consta também do processo da ANS (fls. 208) a informação de que a administração da Itálica e dos hospitais era conjunta: Todos os dias eu vejo o Sr. Orlando assinando cheques em conjunto com a Rosely da Italtac referentes aos pagamentos: da Operadora Itálica, do Hospital Jardins, Santo Expedito e São Carlos. E às fls.210: “Destaco que a empresa Italtac Tecnologia na Área de Cobrança faz também a gestão financeira dos Hospitais Maternidade Jardins, Santo Expedito e São Carlos e utilizam os mesmos bancos, ou seja, Santander e Bradesco”. f) Empresas Ligadas. Além da ITALTAC e dos hospitais, faziam parte do grupo empresarial as empresas RENTALCAP (aluguel de móveis e equipamentos), MARJULL (aluguéis de imóveis), CONSULTEC (serviços de consultoria) e AWETI (ATUAL EFRA) (serviços de informática), que mantinham contratos com a Itálica Saúde. Das empresas HOSPITAL E MATERNIDADE JARDINS LTDA, ITAL SAÚDE SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA, SOMELSOCIEDADE PARA MEDICINA LESTE LTDA, ITALTAC TECNOLOGIA NA ÁREA DE COBRANÇAS LTDA EPP, MAR JULL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, EFRA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, CONTABILIDADE E AUDITORIA, RENTALCAPLOCAÇÃO DE BENS MOVEIS LTDA. ME e CONSULTEC CONSULTORIA EM SAÚDE LTDA que a receita obtida junto à Itálica representa, de acordo com as informações declaradas em DIPJ, a única receita das empresas associadas na maior parte dos casos. Apenas a Somel e o Hospital Jardins declararam receitas obtidas de clientes externos (23% e 5% respectivamente). Italtac, Consultec e a Rentalcap alugaram uma "pasta" da Businesslike para a sede da empresa. O endereço da Aweti/Efra, na rua Barata Ribeiro, corresponde a um serviço de flats. Quanto ao endereço da Mar Jull, duas intimações enviadas para lá retornaram à DRF Barueri com o carimbo de "desconhecido". Foi então enviada uma intimação para a sócia Leda Mariam Naked Tannus Fonseca, para atualizar o endereço cadastral da empresa. Ela respondeu, afirmando ser este o endereço correto. Foi então realizada diligência ao local, à Rua Arthur de Azevedo, 1701, Pinheiros, São Paulo, em 10/12/2013, quando foi Fl. 11504DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.505 9 constatado tratar se de uma casa, cujas salas são utilizadas como consultórios do Hospital e Maternidade Jardins. Nenhum dos funcionários do Hospital Jardins que trabalhavam no local na hora da diligência conhecia a Mar Jull e informaram à fiscalização que todo o imóvel era ocupado pelo Hospital Jardins. Por fim, a Italtac não foi encontrada no endereço informado no cadastro do CNPJ. Todas essas empresas foram intimadas a apresentar os contratos de prestação de serviços com a Itálica, as Notas Fiscais emitidas e o Livro Diário/Razão ou Livro Caixa. Apenas a Somel e a Mar Jull responderam, embora de forma insatisfatória. g) Pessoas ligadas. A composição do quadro societário das empresas ITÁLICA, ITALTAC, CONSULTEC, RENTALCAP, MAR JULL, AWETI, HOSPITAL JARDINS, SOMEL e ITAL SAÚDE revela que diversas pessoas fazem ou fizeram parte do quadro societário de mais de uma empresa. Além de Roseli e Orlando, outras pessoas que figuram como sócios de empresas ligadas à Itálica trabalharam como cooperados para a empresa. Também existem laços de parentesco entre algumas pessoas. Ressaltese que todas as pessoas que fazem ou fizeram parte do quadro societário da Mar Jull, a empresa patrimonial do grupo Itálica, têm (ou aparentam ter) laços de parentesco com Carlos Lora. Diversas procurações foram localizadas nos cartórios de São Paulo referentes às empresas em questão. Quatro pessoas receberam procurações dos sócios das empresas: Carlos Lora, Orlando Campos, Roseli Brito e José Miguel Omonte Rossi. Os três últimos têm procurações que conferem poderes de administração da Itálica e de parte das demais empresas do grupo, com prazo determinado e sempre assinando em conjunto com outro procurador ou sócio. Somente as procurações de Carlos Lora são por prazo indeterminado, permitem agir isoladamente e conferem, além de amplos poderes de administração, poderes especiais para transferência de cotas sociais. h) Confusão patrimonial. Quando do início do procedimento fiscal, Itálica Saúde Ltda não se encontrava mais em operação. Além disso, esta não apresentou nenhum documento à fiscalização ou aos liquidantes nomeados pela ANS. Sendo assim, a fiscalização baseouse em grande parte, além dos registros contábeis, nos relatórios fiscais da fiscalização comandada pelo MPF 08128002010000324 e nos autos do processo administrativo da Direção Fiscal da ANS 33902.649944/201136, tendo em vista que, tanto a fiscalização anterior quanto a Direção Fiscal da ANS, ocorreram simultaneamente aos fatos descritos no Relatório. Com base nestas informações, foi possível concluir que a operação da Itálica não se dissociava da operação das outras empresas ligadas: elas funcionavam como se fossem uma só, com a administração centralizada em um mesmo local (Alameda Fl. 11505DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.506 10 Santos, 2209 3° andar), sob os mesmos comandos e utilizando se dos mesmos recursos. Cito novamente o processo da ANS (fls 208): "Todos os dias eu vejo o Sr. Orlando assinando cheques em conjunto com a Rosely da Italtac referentes aos pagamentos: da Operadora Itálica, do Hospital Jardins, Santo Expedito e São Carlos”. Os adiantamentos e o faturamento dos hospitais Santo Expedito, São Carlos e Jardins independiam dos serviços hospitalares e ambulatoriais efetivamente prestados à Operadora. Desta forma, a Itálica pagava as despesas dos hospitais, independentemente dos serviços prestados, em uma situação de absoluta confusão patrimonial e desrespeito ao princípio contábil da Entidade. Os cheques cujo pagamento não era autorizado por Carlos Lora não faziam parte do controle de contas a pagar, e consequentemente não figuravam no passivo da empresa, em desrespeito ao princípio contábil da Competência. A transferência de valores da Itálica para os hospitais faziase exclusivamente entre contas de titularidade da Italtac, o que acentuava a confusão patrimonial. i) Mar Jull. A Mar Jull era a empresa patrimonial do grupo, em cujo nome estavam registrados diversos móveis ocupados por empresas do grupo, como aqueles ocupados pelo Hospital Jardins, à rua Artur Azevedo, em São Paulo (números 1659/1663/1667/1669/1697/1701/1715). Um destes imóveis, o de 1701, o mesmo que hoje a Mar Jull declara ser sua sede e que é ocupado de fato pelo Hospital Jardins, teria sido também alugado para a Itálica, entre 2004 e 2010, juntamente com um depósito em São Mateus (Rua Frei Antonio Ventura, 128). Os aluguéis, de acordo com a justificativa dada pela empresa, nunca teriam sido pagos, até 2010, coincidentemente o ano fiscalizado, quando os valores atrasados estariam sendo pagos. O histórico dos lançamentos deixa claro que o ambulatório é usado pelo Hospital Jardins. O valor do aluguel do galpão em São Mateus seria de R$15.000,00, mas a visão da rua na altura do número 128 (obtida pelos serviços do google maps) evidencia a inverossimilhança do valor atribuído ao aluguel. Todas as evidências relatadas apontam para a ocorrência de simulação nos contratos de aluguel apresentados pela Mar Jull. j) Real beneficiário. A Ficha Cadastral de Abertura da Conta 1497960, na agência 0138 do Bradesco, de 26/11/2002, em nome da Italtac, mostra a assinatura de Carlos Lora. A assinatura conjunta de Orlando Campos e Roseli Brito aparece nos cheques e autorizações de transferências de todas as contas da Italtac, com exceção da conta mantida junto ao Bradesco, agência 1381, conta 161201. Em relação a esta conta somente foram identificados documentos que traziam a assinatura isolada de Carlos Lora. Os lançamentos nesta conta compunhamse principalmente de retiradas em espécie e de transferência de valores para planos de previdência privada (Bradesco Vida e Previdência diversos tipos de contrato). Fl. 11506DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.507 11 A conta 161201 movimentou em 2010 cerca de R$8.500.000,00. Os recursos movimentados nesta conta provinham principalmente da conta 1497960, agência 1381, de titularidade da Italtac. As autorizações das transferências entre estas duas contas eram assinadas por Carlos Lora. A beneficiária dos vários contratos de previdência privada que recebiam recursos provenientes da Itálica Saúde era Silvia Helena de Carvalho Lora. A Ficha Cadastral de Carlos Lora no Banco Bradesco, relativa à conta 149.796/0 informa que Silvia Helena de Carvalho Lora era sua cônjuge à época do cadastramento. Carlos Lora, embora fosse identificado publicamente como dono da Itálica Saúde, uma empresa com movimento anual de cerca de R$100.000.000,00, não tem contas bancárias, nem imóveis ou automóveis em seu nome. Declara como endereço um dos imóveis ocupados pelo Hospital Jardins (Rua Artur Azevedo, 1659). Foi apurado que, em compras de material de construção, feitas durante o ano de 2014, no Estado de São Paulo, forneceu outro endereço ao vendedor das mercadorias, à Rua Tomé Portes, 941, no bairro do Brooklin, em São Paulo. A imagem do imóvel, obtida pelo "Google maps" (data da imagem: maio de 2014), mostrada abaixo, corresponde a uma casa ampla, localizada em bairro nobre, junto a outras residências de alto padrão. Silvia Helena de Carvalho Lora informou o endereço da Rua Tomé Portes , 941, na Nota Fiscal 237641, emitida em 07/08/2014 pela empresa Lustres Yamamura Ltda. A única empresa em seu nome é a Consultec, mas em sua DIRPF de 2011 e 2012 declarou ter obtido sua renda junto a pessoas físicas (em 2010, R$ 56.700,00). Por outro lado, tinha procurações para agir em nome de todas as empresas do grupo e era a pessoa que comandava, não somente a Itálica Saúde, mas todas elas. k) Patrimônio. Mar Jull, à época dos fatos geradores descritos, era a empresa patrimonial do grupo. Diversos imóveis utilizados pelas empresas ligadas à Itálica Saúde estavam registrados em seu nome até meados de 2012, na mesma época em que, tendo sido recusado pela ANS o Plano de Recuperação apresentado pela Operadora e emitido o Parecer 185/2012/PFE ANS/PGF/AGU de 23 de maio de 2012, que recomendou a alienação compulsória da carteira de beneficiários, que veio a acontecer em 17/10/2012, e a decretação da liquidação extrajudicial, ocorrida em 09/09/2013. A partir de maio de 2012, diversos imóveis que eram de propriedade da Mar Jull foram passados a outras pessoas físicas e jurídicas, quase todas relacionadas de alguma forma à Itálica Saúde, em evidente operação de ocultação de bens. Dos onze imóveis que sofreram transferências de titularidade, sete tiveram como adquirente final a empresa R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 07.034.932/000102, de capital social igual a R$1.000,00. As transferência de propriedade dos imóveis da Mar Jull para a R&D ocorrem alguns dias depois das alterações efetuadas na sociedade, o que sugere que a empresa foi "montada" para suceder a Mar Jull como empresa patrimonial da Itálica. José Carlos dos Santos é Fl. 11507DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.508 12 médico e responsável técnico do Hospital e Maternidade Jardins, tendo recebido alguns pagamentos da Itálica em 2011, conforme a contabilidade, com o histórico de "plantões". Além disso, José Carlos dos Santos é também o representante no Brasil da Crossville Overseas, empresa sediada no Panamá, com participação societária de 99% no capital da R&D Empreendimentos, além de ter "adquirido" da Mar Jull em 03/1/2013 o imóvel onde está sediado o Hospital Santos Dumont, à Rua Natal, 61 (imóvel n° 11 na tabela do item 97), não tendo entregue nenhuma Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física entre 2012 e 2014 e de não ter tido nenhum vínculo de emprego ou recolhimento como contribuinte individual posteriormente a 02/2005, conforme os registros do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). A movimentação financeira de José Carlos também não reflete a venda dos mesmos imóveis à R&D Empreendimentos em janeiro de 2013, pelos mesmos preços pelos quais teriam sido comprados. Não foram localizados outros bens em seu nome. Excetuados dois imóveis, todos os demais foram comprados por pessoas físicas e jurídicas com algum tipo de relação com a Itálica (Ana Maria Noronha Gruber Franchini, José Carlos dos Santos, Bruno Sérgio Damasceno e R&D Empreendimentos). Além disso, tendo em vista a ausência de patrimônio pessoal visível e a experiência profissional, Adriana de Lima de Oliveira {excooperada da Maxicoop, assistente de atendimento com salário de R$ 1.000,00}, Robson Mascarenhas de Souza {ex porteiro e coletor de lixo, já sócio da R&D}, Bruno Damasceno {sobrinho de Roseli Aparecida de Brito “sócia” testadeferro na Italtac} e José Carlos dos Santos não demonstram possuir capacidade financeira e gerencial para a atividade empresarial. Mais ainda, não foi encontrada comprovação, na análise da movimentação bancária, da DIRPF das pessoas físicas envolvidas e da DIPJ da R&D Empreendimentos, de que as operações de venda tenham sido efetivamente realizadas. l) Fatos geradores. Cooperativas de Trabalho. Embora a Itálica Saúde já não se encontrasse em atividade na data de início do procedimento fiscal, foi possível constatar, pela consulta ao sistema GFIPWEB, que a empresa teve apenas três empregadas registradas entre 01/2010 e 12/2012, todas vinculadas à matriz da empresa (duas auxiliares administrativas e uma advogada). Os trabalhadores que prestaram serviços à operadora durante o período fiscalizado estavam vinculados às cooperativas de trabalho MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE, CNPJ 05.585.853/000156 e MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE INFRAESTRUTURA EMPRESARIAL, CNPJ 05.590.035/000141, sendo relevante constante do "Contrato de Transferência de Atividades" assinado em 26/03/2008 pela Itálica Saúde e a Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial. O contrato entre a Itálica Saúde e a Maxicoop Cooperativa De Trabalho Dos Profissionais De Saúde, assinado em 27/2/2009, é Fl. 11508DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.509 13 semelhante ao contrato com a Maxicoop Coop Trab dos Profiss de Infr. Empres., diferindo, no entanto, em relação ao tipo de serviço prestado (neste caso, serviços médicos) e o horário em que "as dependências da contratante estarão à disposição dos associados da contratada" (0 às 24 horas). A relação dos trabalhadores ligados à MAXICOOP Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde e à MAXICOOP Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial que trabalharam para a Itálica no período fiscalizado, por cooperativa e por competência, elaborada com base nos dados informados nas GFIP's, compõe o Anexo I ao Relatório Fiscal. Estiveram vinculados à MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE sete trabalhadores, nas seguintes funções: 2 enfermeiras, 4 técnicos de enfermagem e 1 técnico em próteses ortopédicas. Estiveram vinculados à MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE INFRAESTRUTURA EMPRESARIAL 488 trabalhadores, em diversas funções administrativas, como: 201 operadores de telemarketing, 129 auxiliares administrativos, 26 trabalhadores em limpeza, 16 supervisores administrativos, 21 operadores de equipamentos de entrada e transmissão de dados, 21 recepcionistas, 6 supervisores de atendimento. Foram identificados diversos trabalhadores que aparecem nos anexos do Relatório Fiscal da fiscalização efetuada em 2006 como vinculados à Coopsem e que também aparecem nas GFIP's da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial vinculados à Itálica Alguns empregados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial constam da Tabela 1 (item 8), ou seja, foram vinculados a outras cooperativas em períodos anteriores a 2006. Processos Trabalhistas. Existem diversos processos cadastrados na Justiça do Trabalho de excooperados das cooperativas Maxicoop, requisitando o reconhecimento de vínculo empregatício pela Itálica Saúde. Relatórios ANS. Os relatórios emitidos durante a vigência do regime de direção fiscal na Itálica revelam que tanto a admissão como a demissão de um novo cooperado era comandada pelos gerentes de área da Itálica e que os "prestadores de serviços" cumprem a jornada de trabalho de Segunda a Sextafeira, das 8h às 18h com intervalo para alimentação e repouso de lh30, cumpridos de igual forma pelos empregados registrados e também são supervisionados e coordenados por outros empregados, portanto os cooperados estão sujeitos ao poder disciplinar da empresa. O complemento do Relatório Final da direção Fiscal da ANS, de 04/05/2012, informa ainda que diversos gerentes ou administradores da Itálica foram cooperados durante o período fiscalizado: Orlando Márcio de Melo Campos Jr (gerente de atendimento), Fabio Moeckel da Luz (contador), Marcelo Carlos Marques (gerente financeiro) e Fl. 11509DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.510 14 Simone Alves da Cruz (coordenadora de atendimento) foram, todos, ligados à Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial. Consta ainda do processo 33902.649944/201136 da ANS, às fls. 821, um fragmento da "Folha de Pagamento" de setembro de 2011 da Itálica Saúde, mostrando a função, o setor, a data de "associação", o número de horas de trabalho no mês (sempre igual ou superior a 189 horas, o que equivale aproximadamente a uma jornada de trabalho semanal de 44 horas, exceto no caso de Diego dos Santos Coelho, "associado" em 21/09) e o valor da remuneração. Examinando os valores da remuneração de cada trabalhador conforme as GFIP's mensais da MAXICOOP Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial, entre 01/2010 e 04/2012, é possível verificar que cada trabalhador recebe valores mensais aproximadamente constantes durante o período em que presta serviços à Itálica Saúde. Este fato, juntamente com a constatação de que, dentre os 373 trabalhadores vinculados a esta cooperativa e que prestaram serviços à Itálica, apenas sete trabalharam para outros tomadores de serviços, e nos casos em que isso ocorreu, o tomador era um dos hospitais vinculados à Itálica ou a empresa Manager Network Intermediações de Negócios Ltda, ligada à fiscalizada. Todos os pagamentos feitos a trabalhadores por meio de cooperativas foram considerados como remuneração de empregados e integram a base de cálculo dos Autos de Infração lavrados durante o presente procedimento fiscal. Para a apuração da base de cálculo das contribuições foram utilizados os valores incluídos na Notas Fiscais das cooperativas, excluindose o valor destacado da taxa administrativa. O Anexo V do Relatório fiscal relaciona as Notas Fiscais utilizadas para o cálculo da contribuição previdenciária. Pagamentos diretos a cooperados. A contabilidade da fiscalizada mostra que, além dos pagamentos feitos por meio das cooperativas, eram feitos muitos pagamentos diretos aos trabalhadores supostamente "cooperados". Alguns desses pagamentos eram informados no histórico do lançamento contábil como "férias", "compl. salarial" ou "horas extras", como, por exemplo, pagamentos a Antonio Benedito de Oliveira Mendes, Davi Belzunces do Amaral, Marcelo Carlos Marques, Aline Vicente Avelino ou Carina Tancredi Mussolin. A relação completa dos pagamentos feitos diretamente a "cooperados" em 20l0 e 20ll consta do Anexo II do Relatório Fiscal. Todos os pagamentos feitos diretamente a "cooperados" foram considerados como remuneração de empregados e integram a base de cálculo dos Autos de Infração lavrados durante o presente procedimento fiscal. Manager Network. Conforme informado pela Diretora Fiscal nomeada pela ANS em seu Relatório de 27/04/2012, às fls 1615 do Processo 33902.649944/201136, a Itálica, naquele período, estava alterando suas operações relacionadas à de mãodeobra mediante a contratação da empresa "Manager Network Fl. 11510DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.511 15 Intermed. De Neg. S/C Ltda, CNPJ 08.148.059/000133, com sede na Rua Barão de Itapetininga, 88 conj. 908 São Paulo, cujo sócio é José Roberto Sousa, para se responsabilizar pela gestão de pessoas, porém a fonte dos recursos humanos seria realizada pela "Cooperativa de Serviços "Cooproserv Cooperativa de Trabalho de Profissionais em Prestação de Serviços", a ser repassado para a Operadora através da empresa Manager Network Intermed. De Neg. S/C Ltda. No mesmo processo citado no item anterior, constam, às fls. 1662/1663 a Ficha de Registro de Simone Alves da Cruz na Cooproserv e a "Requisição de Serviços ao Cooperado" tendo como tomador de serviços a Manager Network Intermediações de Negócios S/C Ltda, ambas datadas de 13/04/2012. Este último documento especifica a função ("coordenadora de atendimento"), o horário de trabalho das 8 às 18 horas, além de convênio médico e ajuda de custo mensal de R$198,80, o que evidencia a existência de vínculo empregatício, uma vez que a imposição do horário de trabalho, a função de coordenação e o recebimento de benefícios pessoais não são características do trabalho autônomo. Além disso, essas são as mesmas condições de trabalho que a trabalhadora recebia quando trabalhava na condição de cooperada da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial. Não foi possível verificar se a "ajuda de custo" foi paga diretamente pela Itálica depois da mudança de cooperativa, uma vez que não houve apresentação da contabilidade de 2012. A relação de trabalhadores com a remuneração mensal por cooperativa corresponde ao Anexo III deste Relatório Fiscal.Para a apuração da base de cálculo das contribuições foram utilizados os valores das remunerações informadas em GFIP e relacionadas no Anexo III. Tanto a Cooproserv quanto a Manager Network foram intimadas em a apresentar Notas Fiscais e contratos de Prestação de Serviços referentes a 20l2, mas nos dois casos a correspondência retornou à Delegacia da RFB de Barueri, porque os destinatários não foram encontrados no endereço que consta do cadastro do CNPJ. Contribuintes Individuais – sócias. Foram identificados na contabilidade pagamentos às sócias Guilhermina Ester Baya e Sofia Cristiane Baya Shaetzer, não declarados em GFIP. Além desses valores, foram considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nos Autos de Infração os lançados na conta 1261196221 Adiantamentos Fornecedores Terceiros, uma vez que não foram localizados registros de crédito em conta de despesas correspondentes aos valores que teriam sido adiantados. Contribuintes individuais prestadores de serviços. Foram identificados na contabilidade diversos pagamentos a pessoas físicas sem vínculos empregatícios e não cooperados. Os históricos dos lançamentos, registrados em diversas contas de despesas, trazem descrições como "serviços prestados", "consultas médicas", "apropriação RPS autônomo" ou "pagamento de comissões". Todos os valores incluídos na Fl. 11511DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.512 16 relação que compõe o Anexo IV Pagamentos a pessoas físicas foram considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária (contribuinte individual) e foram lançados nos Autos de Infração emitidos nesta data. Em alguns casos não foi possível identificar o beneficiário do pagamento. Nesses casos, o valor lançado na contabilidade foi considerado como remuneração de contribuintes individuais. Pagamentos por meio de PJ. Foram identificados na contabilidade diversos pagamentos para as empresas AWETI Com e Serv e Treinamento Ltda, CONSULTEC Consultoria em Saúde Ltda e Moeckel's Consultoria e Assessoria Contábil Ltda (CNPJ 17.331.824/000147) cujos sócios administradores são, respectivamente Orlando Marcio de Melo Campos Jr, Carlos Martin Lora Garcia e Fábio Moeckel da Luz. Estas empresas, conforme as informações dos sistemas GFIPWEB e CNISA, não tiveram empregados no período fiscalizado e seus sócios administradores trabalhavam para a Itálica Saúde Ltda. Intimados, apenas Orlando Márcio compareceu, tendo afirmado em seu depoimento que recebia sua remuneração pelos serviços prestados à fiscalizada "por meio de cooperativa de trabalho e por meio da empresa Aweti Comércio, Serviços e Treinamento Ltda, em dinheiro, cheques ou transferências bancárias". O Relatório de 30 dias da Direção Fiscal na ANS relata que em 2011 foi implantado o Setor Contábil nas dependências da Operadora, ele é formado por 04 profissionais cooperados pela Maxicoop, sendo que o cooperado Sr. Fábio Moeckel da Luz, contabilista, foi admitido em 01 de setembro de 2010 pela Maxicoop, para o cargo de gerente o setor de Contabilidade, e além de ser contratado pela Cooperativa Maxicoop, firmou contrato com a Operadora entre a sua empresa Moeckel Consultoria e a Operadora Itálica. A contabilidade da Itálica registra ainda diversos pagamentos diretos de "horas extras", a caracterizar inequivocamente vínculo empregatício. Orlando Marcio de Melo Campos Jr trabalhou para a Itálica também como cooperado e a contabilidade de 2010 também registra o pagamento de "serviços extraordinários"confirmando a existência de vínculo empregatício. Carlos Lora é o real beneficiário das riquezas geradas pela atividade da empresa e administrava a empresa com amplos poderes. Por estes motivos, os valores pagos a ele, por intermédio da Consultec, foram considerados como pagamentos a contribuinte individual. m) Agravamento da multa. A falta de apresentação da documentação solicitada pelas intimações fiscais e de qualquer esclarecimento sobre a razão do não atendimento, motivou o agravamento da multa em 50%, conforme § 29, incisos I e II, do artigo 44 da Lei 9.430/96. n) Qualificação da multa. Os fatos descritos, em conjunto, demonstram a intenção clara do contribuinte em retardar e dificultar a apuração dos fatos geradores relacionados às contribuições previdenciárias e caracterizam, em tese, a prática de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64. Cabe, portanto, aplicar multa qualificada sobre os créditos lançados Fl. 11512DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.513 17 em decorrência dos fatos descritos neste Relatório Fiscal, conforme previsão do §1° do art. 44 da Lei 9.430/96, em relação ao período posterior à publicação da MP 449/2008. o) Sujeição passiva solidária. Os fatos descritos mostram a ocorrência de crime de sonegação de contribuição previdenciária, conforme artigo 337A do Código Penal. A responsabilidade solidária e pessoal das sócias administradoras, GUILHERMINA ESTER BAYA e SOFIA CRISTIANE BAYA SHAETZER, é atribuída com base no Inciso I do art. 124 e no Inciso III do art. 135 do CTN. Também são coresponsáveis pelos créditos constituídos nos Autos de Infração emitidos nesta fiscalização, com base no Inciso I do art. 124 e no Inciso III do art. 135 do CTN, ORLANDO MARCIO DE MELO CAMPOS JR, ROSELI APARECIDA DE BRITO e CARLOS MARTIN LORA GARCIA que, eis que eram os reais gestores da Itálica Saúde, como procuradores. São coresponsáveis, com base no Inciso I do art. 124 do CTN, as empresas HOSPITAL E MATERNIDADE JARDINS LTDA, ITAL SAÚDE SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA, SOMEL SOCIEDADE PARA MEDICINA LESTE LTDA., ITALTAC TECNOLOGIA NA ÁREA DE COBRANÇAS LTDA EPP, MAR JULL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, EFRA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, CONTABILIDADE E AUDITORIA, RENTALCAP LOCAÇÃO DE BENS MOVEIS LTDA. ME , CONSULTEC CONSULTORIA EM SAÚDE LTDA e R&D EMPREENDIMENTOS imobiliários LTDA por terem interesse comum na ocultação dos fatos geradores da contribuição previdenciária. Essas empresas são responsáveis solidárias pelos créditos constituídos neste procedimento fiscal também por fazerem parte do mesmo grupo econômico da fiscalizada, conforme dispõe o artigo 30, item IX da Lei 8.212/91. Finalmente, também é coresponsável pelos créditos SILVIA HELENA DE CARVALHO LORA, com base no Inciso I do art. 124, por ter evidente interesse na situação que constitui os fatos geradores descritos neste Relatório, uma vez que foi beneficiária de recursos provenientes da atividade econômica da Itálica Saúde, desviados para planos de previdência privada abertos em seu nome. 3. Itálica Saúde Ltda em Liquidação Extrajudicial foi cientificada pessoalmente do AI n° 51.064.7120 em 28/01/2015 (fls. 03). Lavrados os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária, os solidários também foram cientificados, como podemos observar: Fl. 11513DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.514 18 3.1. Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya subscrevem impugnação em nome próprio e em nome de Itálica Saúde Ltda (fls. 10898/10934), acompanhada dos documentos de fls. 10935/10965, protocolada em 27/02/2015 (fls. 10898) e acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10980), alegando em síntese: a) Tempestividade. Itálica Saúde Ltda, Sofia Cristiane Baya Schaetzer, e Guilhermina Ester Baya, na qualidade de co responsáveis solidários pelo crédito tributário objeto do processo em epígrafe apresentam impugnação conjunta visando ao cancelamento integral da exigência. A defesa é tempestiva, já que a notificação do lançamento fiscal se deu em 28/01/2015 e o prazo de trinta dias para protocolo se esgotou apenas em 28/02/2015. b) Realidade. A Impugnante é empresa operadora de planos de saúde, tendo iniciado suas atividades em 1996. No ano de 2009, adquiriu parte da carteira então comercializada pela AVIMED AVICCENA ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA., em liquidação extrajudicial. Apesar de inicialmente possuir capacidade econômicofinanceira, a Impugnante acabou efetivamente se responsabilizando por grande parte do passivo da AVIMED, o que a levou a sérias dificuldades financeiras e operacionais, Fl. 11514DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.515 19 cujos resultados e desdobramentos, ao final, foi a instauração do regime de direção fiscal pela ANS em 2011 e determinação da alienação compulsória da sua carteira em 2012. Em resumo, o que houve foi um empreendimento malsucedido, mero e infeliz insucesso do negocio, nada mais! c) Terceirização. Validade. A terceirização das atividades principais não é prática imoral, antiética ou criminosa, ou seja, não visa à supressão de tributos ou/e de direitos trabalhistas dos colaboradores da empresa. Tal prática se enquadra perfeitamente na liberdade de contratação prevista no art. 5°, II, da Constituição Federal, não sendo cabível a desconsideração dos contratos celebrados e nem da personalidade jurídica das pessoas jurídicas envolvidas. O Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula n°. 331, fixando limites abstratos à possibilidade de terceirizar ao diferenciar atividadefim e atividademeio. Essa diferenciação é discutida no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 713211, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do Supremo Tribunal Federal. Embora aguarde julgamento, o Supremo Tribunal Federal está inclinado a reconhecer a ampla possibilidade de terceirização das atividades de uma empresa, inclusive dos "serviços para o atingimento do exercíciofim da empresa", em desacordo com a premissa maior do lançamento fiscal em foco. Os contratos de terceirização de mão de obra firmados pela Impugnante com as cooperativas e demais pessoas jurídicas, todas regularmente constituídas, revestemse de todas as formalidades legais e visaram, unicamente, buscar maior produtividade com redução de custos, bem como atribuir maior competitividade aos serviços por ela comercializados. O fato de as sociedades limitadas que prestaram serviços à Impugnante serem administradas por seus antigos colaboradores não atribui substrato jurídico ao lançamento da contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos a tais sociedades, não se podendo presumir intuito de fraude à previdência. d) Incompetência. A fiscalização presumiu a existência de vínculo empregatício entre a Impugnante e centenas de associados de cooperativas que lhe prestaram serviços, bem com desconsiderou a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas. A declaração de nulidade dos contratos firmados, o reconhecimento de vínculo empregatício e o preenchimento do art. 12 e seguintes da Lei 8.212/91 é competência da Justiça do Trabalho, a ser acionada pelo trabalhador em reclamação trabalhista. e) Nulidade. Base de cálculo. Com fundamento em quatro sentenças trabalhistas, presumiuse a existência de vínculo empregatício entre a Impugnante e centenas de cooperados, tributandose, inclusive, as verbas recebidas por via das reclamações trabalhistas, as quais são executadas pela própria Justiça do Trabalho, conforme Súmula n° 368 do Tribunal Fl. 11515DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.516 20 Superior do Trabalho. Tal fato, per si, já demonstra a total nulidade do auto de infração, já que não se fez qualquer referência às contribuições que foram ou serão recolhidas em razão do recebimento de verbas trabalhistas por meio das ações judiciais citadas. Não comprovação do vínculo de emprego. Apesar de não existir vínculo empregatício entre os cooperados e a respectiva cooperativa, tampouco entre os cooperados e o tomador de serviço daquela (Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, art. 442, parágrafo único), com fundamento em apenas quatro sentenças proferidas em ações trabalhistas, das quais três foram ajuizadas por cooperados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e uma ajuizada por cooperado da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, bem como num relatório produzido pela Agência Nacional de Saúde (processo n° 33902.649944/201136), a fiscalização pretende comprovar a nulidade de contratos, reconhecer vínculos de emprego e demonstrar o preenchimento do art. 12 e seguintes da Lei n° 8.212, de 1991. No presente caso, em se tratando de empresa fechada e em liquidação extrajudicial, a fiscalização não dispunha de nenhum elemento para averiguar a subordinação entre os cooperados e a Impugnante. As quatro sentenças não autorizam o reconhecimento da subordinação à Impugnante de centenas de cooperados e nem a constatação do vínculo empregatício, de modo a fundamentar o lançamento da contribuição previdenciária sobre folha de salários. Isto porque, tal afirmação encontraria óbice nos limites objetivos e subjetivos da coisa julgada (CPC, art.s 468, 469 e 472). Conforme corrobora o relatório fiscal e o "Contrato de Transferência de Atividades", as funções de direção e controle dos trabalhadores cooperados eram atribuições exclusivamente exercidas pela Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial, a qual possuía, no local da prestação dos serviços, um gestor responsável pela comunicação entre as contratantes, para a solicitação de quaisquer providências necessárias junto à cooperativa, inclusive no que se refere à admissão e afastamento dos cooperados. Igualmente prescreveu o "Contrato de Transferência de Atividades" firmado entre a Impugnante e a Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, diferindo com relação aos serviços que seriam prestados – serviços médicos e quanto ao período temporal em que as dependências da contratante ficariam à disposição dos cooperados, em razão da especialidade do serviço de saúde. A fiscalização colacionou trechos de relatório produzido pela Agência Nacional de Saúde (ANS), o qual cita que "o gerente de cada área é responsável de aceitação de admissão de um novo cooperado como a demissão. (...) Ressalto que os "prestadores de serviços" cumprem jornada de trabalho de Segunda a Sexta Fl. 11516DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.517 21 feira, das 8h às 18h com intervalo para alimentação e repouso de 1h30, cumpridos de igual forma pelos empregados registrados e também são supervisionados e coordenados por outros empregados, portanto os cooperados estão sujeitos ao poder disciplinar da empresa." Notese que o relato fiscal é incoerente, pois, no item 112, asseverou que a Impugnante possuía apenas três empregados registrados no período autuado e, no item 120, sustenta que a Impugnante possuía funcionários em número suficiente à coordenação e gerência de centenas de cooperados. Três funcionários não são suficientes ao gerenciamento das atividades de centenas de cooperados. Não comprovado, de maneira inequívoca e particularizada, o vínculo empregatício de cada cooperado cuja remuneração foi levada à tributação, resta caracterizada a nulidade material do auto de infração, conforme assevera a jurisprudência. Prova emprestada. Mesmo que se admitida a utilização de meros indícios como fundamento para a caracterização do vínculo empregatício e correlata constituição do crédito tributário, ainda assim, a autuação em comento é carecedora de validade, em vista da nulidade da prova emprestada do processo n° 33902.361472/201010, eis que o processo da ANS (parte diversa) é inquisitivo (sem oportunidade de defesa da impugnante) e visa apurar "anormalidades econômico financeiras e administrativas" (não a existência de quaisquer obrigações trabalhistas ou tributárias). Fundamentação. Mesmo nas hipóteses em que há previsão autorizando a utilização da presunção (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42), é imprescindível que o ato do lançamento esteja devidamente fundamentado. Não havendo comprovação inequívoca e particularizada do suposto vínculo empregatício de cada cooperado cuja remuneração foi levada à tributação, há nulidade material do lançamento. Portanto, diante (1) da falta de consideração dos valores da contribuição previdenciária que serão executados nos autos das reclamações trabalhistas mencionadas pela fiscalização, (2) da ausência de comprovação do vínculo empregatício entre os cooperados e à Impugnante, mormente no que se refere à existência de subordinação, (3) da nulidade da prova emprestada do processo n° 33902.361472/201010 (relatório ANS) e (4) da não comprovação inequívoca e particularizada do suposto vínculo empregatício de cada cooperado; é de rigor o pronto cancelamento do auto de infração impugnado. f) Vicio na sujeição passiva. Ainda que, apenas para argumentar, se admitisse algum vínculo empregatício com os cooperados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, este vínculo seria com a empresa Hospital e Maternidade Jardins Ltda. O Hospital e Maternidade Jardins Ltda. era empresa autônoma e com geração de receitas próprias oriundas de consultas Fl. 11517DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.518 22 particulares e de pagamentos recebidos de diversos convênios médicos, dentre eles o administrado pela Impugnante, conforme inclusas notas fiscais (doc. 06) e quadro do item 61 do relatório fiscal. Ou seja, restou averiguado pela fiscalização que as receitas do Hospital e Maternidade Jardins Ltda. não eram provenientes, exclusivamente, de pagamentos efetuados pela Impugnante. Conforme o próprio relatório fiscal (item 115.1): "Estiveram vinculados à MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE sete trabalhadores, nas seguintes funções: 2 enfermeiras, 4 técnicos de enfermagem e 1 técnico em próteses ortopédicas." Ou seja, vinculados à Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, haviam apenas cooperados especializados em serviços de saúde, que nunca prestaram serviços à Impugnante, mas sim ao Hospital e Maternidade Jardins Ltda. Até porque, ainda conforme o relatório fiscal, "devese observar que a Itálica Saúde era uma operadora de planos de saúde e não um hospital ou clínica médica, sendo, portanto, sua atividade principal ligada ao comércio e à gestão dos referidos planos e não a prestação direta de serviços médicos". Sendo assim, fica claro o vício de sujeição passiva no lançamento fiscal impugnado e a violação do art. 142 do CTN, em relação as contribuições calculadas sobre os pagamentos creditados aos cooperados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, devendo o lançamento ser anulado por vício material. g) Parcelas indenizatórias ou não habituais. Conforme se infere de seu anexo II, o auto de infração também tributou pagamentos efetuados pela Impugnante a título de gratificações (de assiduidade), férias (gozadas) e horas extras, diretamente a alguns cooperados. Ocorre que tais verbas não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária sobre folha de salários, seja por terem natureza indenizatória e não salariais ou por não serem pagas com habitualidade. Os precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça que afirmam a não incidência da contribuição previdenciária sobre tais verbas devem ser observados e respeitados em âmbito administrativo, conforme dicção do art. 62A do Regimento Interno do CARF. h) Autônomos e sócias. A partir da Ação Direta de Inconstitucionalidade n°. 1.1022, o desde 1995, está suspensa pelo Senado Federal a execução das expressões "avulsos, autônomos e administradores" contidas no art. 3°, I, da Lei n° 7.787, pela Resolução n° 15, de 19.04.95, razão pela qual não há qualquer fundamento jurídico para a tributação levada a efeito pelo auto de infração. Acrescentese que a fiscalização chegou ainda a tributar despesas com viagens reembolsadas às sócias, as quais são expressamente excluídas do campo de incidência art. 214, § 9°, inc. VIII, do Decreto n° 3.048/99. Caso o auto de infração não seja julgado improcedente, o julgamento deverá ser Fl. 11518DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.519 23 convertido em diligência para se excluir tais despesas não tributáveis da base de cálculo. i) Multa. Com relação à multa de ofício aplicada, houve erro na qualificação e o indevido agravamento, considerando que não restou caracterizada recusa na apresentação de documentos e de esclarecimentos à fiscalização, tampouco houve intenção de "retardar e dificultar a apuração dos fatos geradores relacionados às contribuições previdenciárias", visto que, em síntese, além de não ocorridos os fatos imponíveis da obrigação tributária, a Impugnante estava em liquidação extrajudicial durante o período fiscalizado e atendeu a fiscalização com todos os meios que dispunha para tanto. Para que seja caracterizada a sonegação e, consequentemente, para que possa ser aplicada uma multa qualificada, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, conjugado com o artigo 71 da Lei n° 4.502/64, impreterível a prova de que o ato praticado pelo contribuinte revestiuse de intenção dolosa, o que definitivamente não consta dos autos. A Impugnante fez o atendimento da fiscalização, ainda que imperfeito, com todos os meios que dispunha. Não há interesse do liquidante nomeado pela ANS e dos antigos administradores em agir dolosamente para retardar ou impedir a apuração de fatos geradores de tributos por parte da Receita Federal. Não restando comprovado o elemento subjetivo do dolo e, muito menos, a sonegação já que, definitivamente, esta não ocorreu no caso em tela é ilegal a aplicação da multa qualificada, conforme jurisprudência. Além disso, a multa é confiscatória, posto que em montante exorbitante e desproporcional (constitui aproximadamente 62% do crédito tributário apurado). j) Solidariedade. É ônus da fiscalização comprovar a presença dos requisitos do art. 135 do CTN para fundamentar a responsabilização dos sócios pelos débitos da pessoa jurídica autuada, e não somente mencionar os dispositivos legais que prescrevem a responsabilização dos sócios sob determinadas condições, o que demonstra a ilegalidade da responsabilização levada a efeito. k) Pede o cancelamento integral da exigência fiscal impugnada, nos termos do art. 156, IX, do CTN e, subsidiariamente, a exclusão das vergas de natureza indenizatória ou não salarial da base de cálculo, bem como a insubsistência da responsabilização das sócias, ante a ausência dos requisitos do art. 135 do CTN. Por fim, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN. 3.2. Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na área de Cobranças Ltda. EPP, Rentalcap Locação de bens móveis Ltda. ME, EFRA Tecnologia da Informação Fl. 11519DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.520 24 Contabilidade e Auditoria, Orlando Márcio de Melo Campos Jr e Roseli Aparecida de Brito apresentam impugnação conjunta (fls. 10.563/10.575), acompanhada dos documentos de fls. 10.576/10.707, em 27/02/2015 (fls. 10563), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980), alegando em síntese: a) Empresas. Autonomia. Os impugnantes são empresas legalmente constituídas e em plena atividade e regularidade fiscal, exercendo objetos sociais variados, mas todos ligados à prestação de serviços relacionados à saúde. Neste sentido, esclareçase que as Impugnantes ITAL SAÚDE SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA. EPP "ITAL" e HOSPITAL E MATERNIDADE JARDINS LTDA. "HMJ", fundados respectivamente em 2000 e 1992, têm por objeto social a prestação de serviços de consultas médicas e hospitalares, ou seja: são hospitais em plena e regular atividade, que atendem a diversos planos de saúde e a particulares. Por seu turno, verifiquese que as demais Impugnantes ITALTAC TECNOLOGIA NA ÁREA DE COBRANÇAS LTDA. EPP "ITALTAC" e sua sócia e ROSELI APARECIDA DE BRITO, RENTALCAP LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS LTDA. ME "RENTALCAP", EFRA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO CONTABILIDADE E AUDITORIA "EFRA", e seu sócio ORLANDO MÁRCIO DE MELO CAMPOS JR., são igualmente legítimas, independentes e ativas, destinadas à prestação de serviços de cobrança, locação de equipamentos médicos e prestação de serviços de informática e contabilidade, respectivamente, possuindo receitas, despesas e faturamentos independentes entre si. De fato, tais empresas possuem em comum alguns de seus sócios e clientes, sendo certo, inclusive, que foram por eles criadas na medida em que os supra referidos hospitais demandavam maior especialidade de seus prestadores de serviço, o que não encontravam em nível satisfatório no mercado. Assim, de modo a suprir as necessidades dos hospitais "HMJ", constituído em 1992 e da "ITAL", constituída em 2000, criaram se as empresas "ITALTAC", em 2001, "EFRA", em 2005, e "RENTALCAP", em 2006, as quais, entretanto, nunca se limitaram a prestar serviços apenas aos referidos hospitais, sendo empresas ativas e tendo por clientes outras pessoas jurídicas, inclusive. A devedora principal era mera cliente das Impugnantes, tendo contratos de prestações de serviços hospitalares com "HMJ" e "ITAL" e de serviços de locação, contabilidade e informática com as demais. Os argumentos da fiscalização são absurdos e inaptos. Por exemplo: Falaciosa e desprovida de comprovação é a afirmação de a "ITALTAC" ser subordinada de "Carlos Lora", que Fl. 11520DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.521 25 aprovaria previamente os pagamentos e que tal Impugnante faria por conta e ordem da Itálica. Essa afirmação se baseia em indício lastreado em fundamento consistente em mera transcrição de trecho de um suposto relatório produzido unilateralmente pela ANS, do qual as Impugnantes não são partes e não tomaram conhecimento e tampouco tiveram a chance de confrontar e, ainda assim, pretende lhes impor, como se verdade fosse. Responsabilidade tributária não é passível de presunção, sendo matéria regulada constitucionalmente e pelo CTN, e que impõe a observância de requisitos legais para que seja configurada. Não é crime a "ITALTAC" funcionar em escritório virtual. Os escritórios virtuais existem, são regulados, constando, inclusive, na lista de serviços tributados pelo ISSQN, ou seja: é atividade lícita, não gerando qualquer presunção de irregularidade por quem a toma. Os serviços prestados pela "ITALTAC", de cobranças e contabilidade, não necessitam de espaço físico, até porque na maior parte das vezes seus sócios, para tanto, têm que ficar alocados nas empresas contratantes, o que demonstra que também esse "indício" de grupo econômico é insustentável. O único indício de "fraude"/formação de grupo econômico em relação às Impugnante "HMJ" e "ITAL" é frágil por se fundar exclusivamente no estranhamento do fato de os pagamentos a elas feitos por sua cliente Itálica em contraprestação ao atendimento de seus beneficiários o eram em forma de antecipações ao longo no mês, e não apenas ao seu final. Pela atuação junto à população menos favorecida, faziamse necessários adiantamentos ao longo do mês para viabilizar a manutenção das atividades, muitas vezes, o que não quer dizer que ao final do mês tais Impugnantes não prestavam contas dos serviços prestados. A fiscalização não apurou tal informação, tendo novamente limitadose a reproduzir, como se isto constituísse prova hábil e idônea para fins de lançamento tributário, trecho da narrativa feita por uma Diretora designada pela ANS, o que não se pode admitir. Assim, sem nenhuma prova efetiva, apenas com base em uma declaração de alguém que não guarda relações com os hospitais "HMJ" e "ITAL", pretendeuse configurar a existência de grupo econômico. Por fim, quanto às Impugnantes "EFRA" e "RENTALCAP", o único suposto indício de irregularidade reside no fato de tais empresas funcionarem em escritório virtual o que, como já discorremos, não é crime e, no mais, é completamente compatível com as atividades das Impugnantes, demonstrando que também em relação a estas é insustentável a acusação de pertencerem a grupo econômico. b) Pessoas físicas. Autonomia. Procuradores. Quanto às pessoas físicas Impugnantes, da mesma forma, não merece prosperar a imputação de responsabilidade, haja vista que meramente Fl. 11521DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.522 26 exerciam as atividades para as quais as empresas das quais eram sócias foram contratadas, não possuindo qualquer gerenciamento quanto aos pagamentos que faziam por conta e ordem de sua cliente, a empresa Itálica, não podendo, portanto, serem responsabilizados sob qualquer argumento de má gestão. Além disso, os impugnantes Orlando e Roseli não eram sócios ou diretores da empresa Itálica Saúde Ltda., mas sim prestadores de serviços sem qualquer poder de gerência em relação ao desempenho das atividades de sua contratante, sendo, portanto, impensável pretender atribuirlhes a responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN. Logo, primeiro, não eram procuradores, como alegado, e segundo porque mesmo que procuradores fossem, necessária seria a comprovação de que agiram com dolo ou culpa na situação que ensejou o respectivo fato gerador, provas estas, inexistentes. c) Grupo. Não há razões e muito menos provas suficientes para considerar as Impugnantes como pertencentes a grupo econômico com a empresa Itálica Saúde Ltda., posto que não possuíam qualquer subordinação de suas atividades própria em relação a tal empresa, respeitando suas vontades apenas quanto à forma de execução de seus contratos de prestação de serviço, como ocorre em qualquer relação comercial. No mais, as supostas provas trazidas pela r. fiscal não são capazes de comprovar qualquer tipo de fraude, confusão patrimonial, influência dominante ou outro requisito necessário à configuração de grupo econômico e, consequentemente, à responsabilidade tributária das Impugnantes, na medida em que esta não se presume, como assevera nossos tribunais e a seguir ficará demonstrado. d) Ônus da prova. O ônus de comprovar a configuração do grupo econômico e da influência dominante é da fiscalização, não se podendo presumir a responsabilidade tributária. e) Inconstitucionalidade e Ilegalidade. O art. 30, IX, da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional, pois conforme art. 146, III, da CF só a lei complementar pode tratar de responsabilidade tributária, o que nos leva a concluir que ainda que configurado grupo econômico, impossível a responsabilização tributária das empresas que o compõem com base apenas neste artigo. Além disso, é ilegal por não observar as regras gerais do art. 128 do CTN. f) Pedido. Requerem o cancelamento da responsabilidade tributária que lhes foi outorgada. 3.3. Consultec Consultoria em Saúde Ltda. e Carlos Martin Lora Garcia apresentam impugnação conjunta (fls. 10.711/10.726), acompanhada dos documentos de fls. 10.727/10.753, em 27/02/2015 (fls. 10.711), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980), alegando em síntese: a) Autonomia. A pessoa jurídica Impugnante é autônoma e diferenciase das demais empresas, eis que foi contratada para prestação de serviços profissionais de consultoria, com objeto Fl. 11522DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.523 27 bem delimitado: “Consultoria em gestão administrativa e operacional na área de saúde, com ampla participação para controles de internações, procedimentos de alto custo e procedimentos médicos e cirúrgicos em toda a rede credenciada, trabalho este que poderá ser exercido à distância ou presencialmente em toda a rede de serviços terceirizados e nas localidades que forem necessárias independentemente de horários, feriados e finais de semana. A leitura do objeto do contrato de prestação de serviços profissionais já desqualifica o argumento fiscal de que a pessoa jurídica Impugnante teria alugado uma "pasta" da Businesslike para a sede da empresa. Além disso, não há ilegalidade de se constituir uma empresa sem estrutura física, eis que a pessoa jurídica Impugnante presta serviço de consultoria "nas localidades que forem necessárias independentemente de horários, feriados e finais de semana", ou seja, prestação de serviços diretamente no seu cliente, in loco, sem restrições de dia e horário, conforme a demanda exigir. Portanto, a existência de um estabelecimento sem dependências físicas ou ausência de funcionários para o desenvolvimento de suas atividades não implica na ilegalidade como o relatório fiscal insinua. Assim sendo, a pessoa jurídica Impugnante é empresa prestadora de serviços de consultoria autônoma em relação à Itálica Saúde Ltda., idônea, com objeto devidamente delimitado e não guarda qualquer relação gerencial com a devedora originária, sendo mera contratada. b) Grupo. Nos grupos econômicos convencionais temse uma direção econômica única (Lei 6.404/76, art. 276), existindo o que a doutrina chama de "influência dominante" e que se equipara ao "poder de controle" a que alude o art. 116 da Lei n° 6.404/76 Sendo o controle meramente ocasional ou potencial, não se tem influência dominante, nem, por conseguinte, grupo econômico. Um mero contrato de prestação de serviços de consultoria não configura "influência dominante", logo não caracteriza grupo econômico e nem enseja a responsabilidade passiva solidária dos Impugnantes. Como toda e qualquer empresa de consultoria os Impugnantes não exerceram qualquer poder de controle ou poder dominante em relação à Itálica Saúde Ltda., mas somente seu aconselhamento, que poderia ser seguido ou não. Mesmo que considere como configurado um grupo econômico, não é possível se alcançar a solidariedade passiva, pois segundo a jurisprudência a caracterização do grupo econômico de empresas, que se valem dessa condição para sonegar suas obrigações tributárias, requer alguns elementos que apontem esse intuito fraudatório, a ser analisado em cada caso concreto. Podemos assim ser exemplificálos: empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico; a confusão patrimonial apta a ensejar a responsabilidade solidária na forma prevista no art. 124 do Fl. 11523DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.524 28 CTN, administradas pelos mesmos diretores, estando submetidas a um mesmo poder de controle, o que evidencia a existência de grupo econômico de fato; atuação num mesmo ramo comercial ou complementar, sob uma mesma unidade gerencial; empresas que exerçam atividades empresariais de um mesmo ramo e estão sob o poder central de controle; abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial; abuso de autoridade, sociedades sob o mesmo controle e com estrutura meramente formal, o que ocorre quando diversas pessoas jurídicas do grupo exercem suas atividades sob unidade gerencial, laboral e patrimonial; existência de fraudes, abuso de direito e máfé com prejuízo a credores; grupo familiar definido, com rodízio de sócios cotistas e administradores entre empresas que se multiplicam por sucessivas cisões, transferências de ativos e de capital social. A indicação da pessoa física de Carlos Martin Lora Garcia como "mentor" de um modus operandi para favorecer a sonegação de impostos e contribuições previdenciárias, fundado unicamente em elementos de prova proveniente de processos administrativos inquisitivos, sem que tivesse havido o constitucionalmente garantido direito de contraditório e ampla defesa, não se sustenta. c) Pessoa Física. O Sr. Carlos Martin Lora Garcia foi incluído no polo passivo do processo administrativo, não só pelo fato de ser sócio administrador da Consultec, mas por supostamente ser o "mentor" de sistemática que "fraudou" o recolhimento de tributos por parte da Itálica Saúde Ltda. O Impugnante é profissional gabaritado, com expertise reconhecida no ramo da saúde. A qualidade de sócio administrador da empresa de consultoria e a qualidade de procurador de algumas pessoas físicas e jurídicas que detém alguma ligação com a Itálica não são suficientes para demonstrar que Carlos Martin Lora Garcia detenha um poder de controle ou decisão sobre as atividades delas. A responsabilidade pessoal de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelo crédito derivado de obrigação tributária, só é possível ante a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (CTN, art. 135), a consubstanciarse em desvio de finalidade ou confusão patrimonial (Código Civil, art. 50). A fiscalização não os comprovou. Inexistiu desvio de finalidade, pois a pessoa jurídica Impugnante sempre se ateve ao seu objeto social (prestação de serviços de consultoria em gestão administrativa e operacional na área de saúde). Quando à confusão patrimonial, o relatório fiscal não menciona o nome da pessoa jurídica Impugnante. O fato de o Impugnante pessoa física ter procuração de várias pessoas físicas e jurídicas parceiras da Itálica Saúde Ltda. ocorre, Fl. 11524DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.525 29 exatamente, para tentar dar cumprimento efetivo ao objeto do contrato de prestação de serviços profissionais de consultoria firmado com a mesma. Ainda que se admitisse a imputação de responsabilidade do Impugnante pessoa física, na forma do art. 135, III, do CTN, a responsabilidade tributária, conforme jurisprudência do STJ, só se configuraria se restasse provado que os atos foram praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que não houve, visto que a maior parte dos elementos probatório do presente processo administrativo deriva de processos inquisitivos que tramitaram na ANS, sem a observância da garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa. d) Pedido. Pede a procedência da impugnação para afastar as sujeições passivas solidárias no auto de infração. 3.4. Biovida Saúde Ltda., atual denominação de SOMEL Sociedade para Medicina Leste Ltda. apresenta impugnação (fls. 10.756/10.784), acompanhada dos documentos de fls. 10.785/10.795, em 27/02/2015 (fls. 10.756), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980), alegando em síntese: a) Dos fatos. A Impugnante foi constituída em 08/12/2000 sob a denominação Somel Sociedade de Medicina Leste Ltda. para prestar serviços médico hospitalares, girando sob o nome fantasia Hospital Santo Expedito. Até 2005, funcionou apenas como hospital, prontosocorro e maternidade. No ano de 2006, passou a atuar como operadora de planos de saúde, competindo justamente com a "Itálica". A relação com a empresa Itálica Saúde Ltda. iniciouse ainda quando funcionava apenas como hospital, tendo firmado contrato de prestação de serviços médico hospitalares aos credenciados daquela, não possuindo qualquer exclusividade com a "Itálica", tendo a fiscalização reconhecido que aproximadamente 1/4 das receitas da Impugnante advinha de prestações de serviços a terceiros. Não há como negar que a maior parte de seu faturamento, de fato, advinha do atendimento aos clientes da Itálica, situação compatível com o fato de ser hospital voltado ao público de baixa renda e a Itálica ser a maior operadora de planos de saúde de tal segmento. Não há problema de seu maior cliente, que possui histórico de médias mensais de atendimentos e pagamentos realizados à Impugnante, optar por fazer adiantamentos dos importes que sabe serão devidos. Em razão dos problemas da Itálica com a ANS, passou a captar os clientes da Itálica e com a alienação compulsória determinada pela ANS firmou com cerca de 50.000 clientes da Itálica, de uma carteira de quase 130.000 contratos. Fl. 11525DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.526 30 Portanto, a Impugnante é empresa em atividade no ramo hospitalar desde 2000 e que atua como operadora de planos de saúde autorizada pela ANS desde 2006, sendo certo que o fato de ter tido como cliente a então operadora de saúde "Itálica" não a torna responsável por qualquer de suas obrigações, já que eram empresas autônomas, embora parceiras. Não se pode falar em sucessão, apesar de não ser essa a fundamentação do lançamento, posto que a Impugnante não adquiriu, incorporou ou assumiu qualquer parte da Itálica ou da sua carteira de clientes, tendo apenas formalizado contratos novos com os ex clientes da Itálica. b) Inexistência de grupo. A Impugnante é empresa saudável, idônea, autônoma e cumpridora de suas obrigações fiscais, possuindo sócios e dirigentes independentes e não guardando qualquer relação gerencial com a devedora original, "Itálica", que foi mera parceira de negócios. Anexa Notas Fiscais de prestação de serviços a diversos outros planos de saúde e declarações de imposto de renda da empresa –DIPJs. Logo, não há fundamento para a imputação de compor Grupo Econômico com a Itálica, inexistindo "influência dominante", que é a subordinação em relação a uma delas. Além disso, não se aplica na esfera tributária a conceituação trabalhista de grupo econômico, conforme jurisprudência. c) Presunção e indício. Inviabilidade. Não há como se atribuir a responsabilidade tributária, eis que a responsabilidade não se presume, demandando a comprovação da participação da impugnante na situação configuradora do fato gerador, o que não ocorreu. Diante da imputação de responsabilidade lastreada apenas em contratos de prestação de serviços entre a devedora original e a Impugnante, a acusação se funda exclusiva e meramente em indício, ao arrepio dos princípios que regem a administração pública, não tendo sido realizado qualquer procedimento de apuração da real participação da Impugnante na administração da situação configuradora dos fatos geradores, quanto menos apresentada qualquer prova visando demonstrar a necessária relação entre tais fatos geradores e a Impugnante. A mera prestação de serviços hospitalares para a devedora principal não configura influência dominante, controle ou muito menos grupo econômico, de modo a autorizar, por si só, a atribuição de responsabilidade solidária nos termos do artigo 124, II c/c artigo 30, IX, da Lei n° 8.212/91. Também não comprova, sequer indiciariamente, a relação da Impugnante com os supostos fatos geradores das contribuições previdenciárias autuadas. Não há indício válido, tendo a fiscalização abusado de suas prerrogativas ao imputar a responsabilidade solidária à impugnante com base em mera suposição. Conforme pacífica jurisprudência do CARF e de nossos Tribunais, responsabilidade tributária não se presume, mesmo nas hipóteses em que configurado grupo econômico de fato ou de direito. Fl. 11526DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.527 31 Não existindo nos autos documentos que comprovem a necessária relação entre a Impugnante e a situação que deu ensejo ao fato gerador, verificase que a imputação de responsabilidade trazida no presente lançamento é carecedora de motivação e afronta o princípio da moralidade, requisitos imprescindíveis para a validade dos atos da administração pública. Assim, ainda na hipótese de entenderse que a Impugnante formava com a "Itálica" grupo econômico, o que não se espera, impossível atribuir à Impugnante a responsabilidade tributária pretendida, posto que esta não se presume, devendo ser comprovada a efetiva participação do terceiro na situação ensejadora do respectivo fato gerador, o que, no caso, não ocorreu. d) Inconstitucionalidade e ilegalidade. Os elementos apontados pela fiscalização, quando muito, demonstram a relação negocial de parceria entre as empresas em questão. Logo, houve mera presunção do preenchimento do suporte fático do art. 124, II, do CTN combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, sendo este artigo inconstitucional, pois apenas a lei complementar pode dispor sobre responsabilidade tributária. Além disso, o preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas "as pessoas expressamente designadas por lei", não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. No caso concreto, pelo simples fato de supostamente fazer parte de grupo econômico com a devedora principal, independentemente de sua relação com o respectivo fato gerador. Logo, a matéria é similar a que já foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral, em relação ao art. 13 da Lei n° 8.620, de 1993. A jurisprudência do Carf reconhece a aplicação da mesma razão de decidir. e) Pedido. Requer o afastamento da responsabilização solidária. 3.5. Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda apresenta impugnação (fls. 10.458/10.476), acompanhada dos documentos de fls. 10.477/10.532, em 27/02/2015 (fls. 10.458), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980), alegando em síntese: a) Responsabilidade solidária. A Impugnante é empresa constituída em 24/09/2004, então sob a denominação Franz Jull Empreendimentos Imobiliários, que tem por objeto social a administração e locação de bens próprios e, inclusive para permitir a plena realização de suas atividades, sempre esteve em dia para com suas obrigações fiscais. Não há subsídio fático e nem jurídico para a pretensão de responsabilização com base em grupo de fato e nem com base Fl. 11527DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.528 32 em fraude patrimonial que porventura pudesse levar à desconsideração das personalidades jurídicas das empresas. A Impugnante manteve relações comerciais com a Itálica Saúde Ltda, sua locatária, mas isso não permite concluir pela configuração de grupo econômico. Além disso, não haveria vantagem fiscal na estrutura empresarial imputada, mas apenas desvantagens: custo com manutenção de duas pessoas jurídicas, elaboração de contratos, etc. e dupla tributação da mesma renda (a primeira na Itálica Saúde Ltda. e a segunda na Impugnante, que recebe os alugueres). A fiscalização imputa fraude patrimonial, mas não traz a fundamentação e nem as provas pertinentes à desconsideração da personalidade jurídica (Código Civil, art. 50). Os "indícios" invocados para provar que a Impugnante se confundiria com a empresa Itálica Saúde Ltda são suficientes a, quando muito, caracterizar relação comercial entre as empresas. O "indício” relativo ao fato de o endereço da Impugnante ser o de um dos imóveis locados a terceiros não significa absolutamente nada, sendo, portanto, incapaz de gerar qualquer presunção quanto a grupo ou fraude patrimonial. Como empresa sem empregados e que tem por objeto a exclusiva administração e locação de imóveis próprios, a Impugnante não necessita de espaço físico, escritório e afins. Seus sócios a gerem diretamente de suas casas, trabalhos ou até mesmo de seus smartphones, sendo irrelevante o fato de usar, formalmente, o endereço de um dos imóveis locados como se o da empresa fosse. O “indício” de as informações constantes da contabilidade da Itálica Saúde Ltda e da Impugnante não serem compatíveis quando tratam do pagamento/recebimento de alugueres demonstra, no máximo, erro na contabilidade de uma destas empresas, não sendo apto a gerar qualquer presunção de fraude ou confusão patrimonial a ponto de se pretender desconsiderar a personalidade jurídica da Impugnante ou caracterizar grupo econômico. Pelo contrário, a divergência entre as contabilidades demonstra a absoluta falta de sintonia e ingerência. A fiscalização atribuiu a caracterização de grupo econômico com a Itálica Saúde Ltda. não só à Impugnante, mas a outra meia dúzia de empresas e, levantando pequenas irregularidades de uma e de outra, aqui e ali, que por si só seriam insuficientes a caracterizar cada uma das empresas como grupo econômico, em atitude ardilosa tratou de considerar mencionadas irregularidades de forma conjunta, como se indícios extraídos de uma única fiscalizada, visando com isso dar corpo à sua frágil presunção. A documentação acostada aos autos comprova que a Impugnante é empresa de administração de imóveis próprios com a mesma composição societária desde sua fundação em Fl. 11528DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.529 33 2004, estando regularmente em atividade, a negociar imóveis não só com as empresas do suposto grupo econômico, tendo sido uma das duas únicas empresas fiscalizadas que se dignou a atender à fiscalização, prestandolhe esclarecimentos e abrindo sua contabilidade. A impugnante não integra o grupo econômico imputado, já que não se sujeita a qualquer influência ou dominação, requisito essencial à caracterização da figura do grupo econômico (intitulado, pela doutrina, "influência dominante" = administração e gerenciamento comum, mesma diretriz comercial). Os sócios nunca fizeram parte da composição societária de quaisquer outras empresas do suposto grupo econômico, não atuando no ramo da saúde e não havendo relação de subordinação gerencial com nenhuma delas. A independência é absoluta, tanto que suas contabilidades sequer batiam. Além disso, para fins da legislação trabalhista e previdenciária, a caracterização de grupos econômicos exige a utilização da mão de obra comum ou outras situações que indiquem o aproveitamento direto ou indireto por uma empresa da mão de obra contratada por outra, o que é impossível no caso da Impugnante, que sequer empregados têm. Mesmo que pertencesse ao suposto grupo econômico, a impugnante só poderia ser responsabilizada mediante a comprovação de sua efetiva participação na situação motivadora daqueles fatos geradores, conforme jurisprudência. O fisco não se desincumbiu do ônus de comprovar tal participação, logo não se pode presumir a responsabilidade tributária. E no caso vertente não há qualquer prova da participação da Impugnante, que sequer empregados possui, na gestão de empregados e recolhimento de contribuições previdenciárias pertinentes da empresa Itálica Saúde Ltda., tornando, consequentemente, insubsistente a responsabilidade tributária atribuída à Impugnante. b) Inconstitucionalidade e Ilegalidade. O art. 124, II do CTN não arrola qualquer caso específico de responsabilidade e o art. 30, IX da Lei n° 8.212/91 não se aplica em matéria tributária, pois conforme art. 146, III, da CF só a lei complementar pode tratar do assunto. Além disto, o inciso IX do art. 30 em tela é também inaplicável em razão de sua ilegalidade, já que o art. 128 do CTN, que traz regras gerais sobre o tema, determina que só podem ser considerados responsáveis aqueles que possuam relação direta com o fato gerador, o que não foi observado. O STF já declarou a inconstitucionalidade de dispositivo de lei ordinária que, em caso semelhante, atribuía a terceiro, independentemente de sua vinculação com o fato gerador, responsabilidade tributária (RR 562.276/PR). No mesmo sentido, é a jurisprudência do CARF. c) Pedido. Requer o acolhimento e provimento da defesa. Fl. 11529DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.530 34 3.6. R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda apresenta impugnação (fls. 10.386/10.395), acompanhada dos documentos de fls. 10.396/10.455, em 27/02/2015 (fls. 10.386), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980), alegando em síntese: a) Autonomia. A Impugnante é empresa saudável, idônea, autônoma e cumpridora de suas obrigações fiscais, possuindo sócios e dirigentes independentes e que não guardam qualquer relação gerencial com Itálica Saúde Ltda. ou com quaisquer outras empresas supostamente participantes do dito grupo econômico, tendo por objeto social a "exploração das atividades imobiliárias de imóveis próprios, compreendendo a compra, venda e aluguel de bens imóveis próprios, residenciais e não residenciais, inclusive edifícios, casas, terrenos e galpões industriais e comerciais". A Impugnante adquiriu diversos imóveis como forma de investimento, haja vista que muitos são ofertados à Impugnante por valores abaixo do verificado no mercado e encontramse já locados, ou seja, com contrato de aluguel em vigor, na medida em que a Impugnante tem condições de recuperar o valor investido na aquisição do bem num curto espaço de tempo. Dentre os imóveis adquiridos, diversos não guardam relação alguma com qualquer das pessoas mencionadas nos autos. b) Ausência de responsabilidade solidária. Os dispositivos legais invocados não se aplicam materialmente ao terceiro de boa fé, além do que a alegação, ou melhor, "sugestão", de que a Impugnante foi "montada" para suceder a Mar Jull enquanto empresa patrimonial da Itálica deve ser traduzida como "suspeita" ou mero "indício", nas próprias palavras do relatório fiscal, ou seja, insuficiente e vazio para fundamentar a responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário imputado à Impugnante. De plano, afastase a aplicabilidade material dos artigos 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, para a hipótese em discussão, eis que no presente auto de infração a responsabilidade solidária é atribuída à pessoa jurídica e não aos seus representantes ou administradores. De outra ponta, o art. 124, inciso II, do Código Tributário Nacional, não deve ser analisado isoladamente, ou ainda, combinado com o art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/91, tendo em vista que a atribuição de responsabilidade tributária deve preencher requisitos, dentre os quais sito o artigo 128 do Código Tributário Nacional (vinculação ao fato gerador) e artigo 146, inciso III, alínea "b", da Carta Magna (reserva de lei complementar). Mesmo que integrasse um suposto grupo econômico, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já pacificou entendimento de que tal situação, por si só, não enseja em solidariedade passiva. Fl. 11530DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.531 35 A Impugnante é terceira adquirente de boafé de alguns imóveis (o próprio auto reconhece que a Impugnante não adquiriu outros imóveis ditos do conglomerado) que, um dia, pertenceram à Mar Jull, sendo que, por isso, foilhe imputada a responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário em causa, sem qualquer amparo em lei ou prova material. Nesse sentido, com base em "indícios" ou "suspeitas" de que a Impugnante teria sido constituída para substituir a Mar Jull enquanto empresa patrimonial do suposto conglomerado de empresas. A presunção baseada em acusação sem prova não é meio lícito para exigência de tributos, pois o lançamento com base em presunções "hominis" ou indícios, sempre que ocorrer incerteza quanto aos fatos, não se compatibiliza com o princípio da legalidade. Os fatos geradores do tributo em discussão na demanda são de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, muito antes da própria "existência" da Impugnante como sociedade empresária com o objeto social supramencionado, ou mesmo de quando da aquisição dos imóveis. Quando muito, com fulcro no art. 133 do CTN, a Impugnante poderia ter sido considerada talvez mera sucessora da aludida empresa patrimonial do grupo econômico, até o limite do valor dos imóveis pertencentes ao conglomerado. Mas para isso, sequer existe fundamentação legal no auto de infração nesse sentido. Portanto, absolutamente infundada a suposição de que a Impugnante comporia grupo econômico com a Itálica Saúde Ltda. ou com a Mar Jull, e mesmo que compusesse, tal situação não configuraria responsabilidade passiva solidária pelos seus débitos como almeja. c) Pedido. Requer o conhecimento e regular processamento da presente Impugnação, para determinar sua exclusão enquanto responsável solidária pelo débito tributário. 3.7. Instadas a regularizar a representação (fls. 10.561, 10.709, 11.006/11.007 e 11.036/11.037), Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda, R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda e a administradora judicial da Itálica apresentaram, respectivamente, as petições de fls. 10.970, 10.983/10.984, 11026 e 11.039/11.040, aquela e estas duas últimas acompanhadas de documentos (fls. 10.971/10.978, 11.027/11.032 e 11.041/11.043). 2 – As impugnações foram julgadas improcedentes por decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 11531DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.532 36 Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. As Turmas de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 GRUPO ECONÔMICO. FUNDAMENTO E ABRANGÊNCIA. A simples existência de grupo econômico, definido no art. 494 da IN RFB n° 971, de 2009, enseja a configuração da responsabilidade solidária prevista no inciso IX do art. 30, da Lei n° 8.212, de 1991. Essa responsabilidade decorre da lei, com lastro no art. 124, II, do CTN e constituise em responsabilidade entre contribuinte e responsável, não se exigindo a participação deste nos fatos geradores e nem sua integração ao grupo ao tempo dos fatos geradores. GRUPO ECONÔMICO. LEGALIDADE. O art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991 não é ilegal, eis que é norma complementar ao art. 124, II, do CTN. GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA. A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição (Constituição da República, art. 7°, XVI; Lei n° 8.212, de 1991, art. 28, I; e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, art. 214, I, § 14), eis que, conforme aflora da Solução de Consulta Cosit n° 126, de 2014, apenas as férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo das contribuições sobre a folha de pagamento. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA. Fl. 11532DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.533 37 Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constituindose em base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme Solução de Consulta Cosit n° 103, de 2014. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. FUNDAMENTO. A contribuição da empresa pertinente aos contribuintes individuais se alicerça no art. 22, III, da Lei n° 8.212, de 1991, incluído pela Lei n° 9.876, de 1999, com lastro na alínea a do inciso I do art. 195 da Constituição, incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998. 3 Apresentado Recurso Voluntário pelo contribuinte às fls. 11.305/11.344 (Itálica, Sofia e Guilhermina), Recurso Voluntário às fls. 11.437/11.441 (por sua administradora da massa falida), e os solidários às fls. 11.268/11280 (ReD Empreendimentos), fls. 11.284/11.301 (Orlano, Roseli, Ital, Hospital Jardins, Italtac, Rentalcap e Efra), fls. 11.349/11.353 (Silvia Lora), fls. 11.361/11.379 (BioVida, antiga Somel), fls. 11.383/11.402 (Mar Jull) e fls. 11.407/11.421 (Carlos Lora) alegando praticamente os mesmos argumentos de defesa, com exceção da solidária Silvia Lora que teve termo de revelia certificado às fls. 11.093 por não ter apresentado impugnação. 4 Às fls. 11.468/11.473 ofício da PGFN informando sobre decisão judicial relacionada à propositura de medida cautelar fiscal sobre os fatos ora narrados sobre esse lançamento. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 Os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. Contudo apenas em relação ao recurso voluntário apresentado pela responsável solidária Silvia Lora convém observar que o referido responsável não apresentou impugnação à instância a quo. Desta forma, devese aplicar o teor do art. 17 do Decreto 70.235/1972, que considera não impugnada a matéria não trazida à lide em momento oportuno: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 11533DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.534 38 6 Se a parte autuada não impugna o lançamento fiscal, configurada está a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída, mesmo que apresente posteriormente recurso voluntário tempestivo. Isto porque deve prevalecer, para ambos os lados da relação processual, o direito ao contraditório e o acesso ao duplo grau de jurisdição, o que seriam violados caso o recurso voluntário fosse admitido. 7 O exame dos Recursos apresentados pelo contribuinte e os sujeitos passivos solidários permitem a constatação que os Recursos Voluntários apresentados constituemse em repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. 8 Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório,debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). 9 Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Fl. 11534DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.535 39 10 Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: "5. Segundo a fiscalização, Itálica Saúde Ltda (Itálica) era peça central de um grupo de empresas e pessoas físicas, cujo mentor era o médico Carlos Martin Lora Garcia, operando de modo a favorecer a sonegação de impostos e contribuições previdenciárias e desviar recursos em benefício dos envolvidos, assim como ocultar ativos, dificultando a cobrança de dívidas, inclusive trabalhistas e previdenciárias. A seguir, relaciono as empresas e pessoas físicas em questão e para as quais imputou se responsabilidade solidária: 5.1. Além dessas empresas, a fiscalização aponta que as cooperativas de trabalho Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde e Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial teriam sido utilizadas para intermediar mão de obra em realidade a serviço da Itálica mediante triangulação, bem como a intermediação de mão de obra via Manager Network Intermediações de Negócios Ltda e mediante quadrangulação com a Cooproserv Cooperativa de Trabalho de Profissionais em Prestação de Serviços. 5.2. Em razão de a empresa Itálica não estar em operação durante o procedimento fiscal e de não exibir os documentos solicitados, a apuração dos fatos baseouse, conforme relata a fiscalização, em grande parte, além dos registros contábeis Fl. 11535DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.536 40 constantes do SPED, nos relatórios fiscais da fiscalização comandada pelo MPF 08128002010000324 e nos autos do processo administrativo da Direção Fiscal da ANS 33902.649944/201136, tendo em vista que, tanto a fiscalização anterior quanto a Direção Fiscal da ANS, ocorreram simultaneamente aos fatos descritos no Relatório. Além disso, as empresas terceirizadas foram intimadas a apresentar os contratos de prestação de serviços com a Itálica, as Notas Fiscais emitidas e o Livro Diário/Razão ou Livro Caixa, mas, como destaca a fiscalização, apenas a Somel e a Mar Jull responderam e de forma insatisfatória. 5.3. Nesse contexto fático de violação do dever de colaboração para com a fiscalização, não há como se questionar a validade e eficácia da utilização dos referidos documentos. Portanto, cabe aos impugnantes contraditar a prova apresentada pela fiscalização com contraprova robusta e não apenas sustentar a inviabilidade da invocação da mesma por ofensa ao contraditório, eis que se assegura o contraditório e o pleno e amplo exercício do direito de defesa no presente processo administrativo fiscal. 5.4. Para as impugnantes, as empresas eram autônomas, as circunstâncias apontadas pela fiscalização em relação às pessoas físicas envolvidas seriam irrelevantes e a R&D seria mero adquirente de boafé de imóveis outrora da Mar Jull. A empresa Itálica teria sido um empreendimento fracassado em que se empregara a terceirização e a locação de móveis e imóveis, inexistindo qualquer irregularidade. 5.5. As impugnações sustentam a regularidade das terceirizações e contratos de locação, tendo sido carreados aos autos os seguintes contratos: Fl. 11536DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.537 41 5.6. Esses documentos constituemse em prova dos acordos de vontade formalmente celebrados pelas partes. Contudo, a prova apresentada pela fiscalização evidencia que a prática executiva desses contratos não correspondeu ao formalmente pactuado, devendo prevalecer a realidade provada por qualquer meio admitido em direito. 5.7. As impugnações não apresentaram prova para afastar a constatação da Direção Fiscal da ANS de que o Sr. Carlos Martin Lora Garcia administrava efetivamente as empresas, inclusive comandando a atuação cotidiana de Orlando Márcio de Melo Campos Júnior e de Roseli Aparecida de Brito. A fiscalização demonstrou ainda que houve a formalização desse poder de administração por força das procurações de fls. Fl. 11537DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.538 42 4927/4934 (Itálica), fls. 4942/4949 (Biovida ou Somel), fls. 4919/4926 (Italtac), fls. 4935/4941 (Rentalcap), fls. 4950/4959 (Ital), fls. 4970/4973 (Mar Jull), fls. 4963/4966 (Efra ou Aweti), fls. 4983/4985 (Consultec), fls. 5037/5038 (Hospital Jardins). Apenas em relação à empresa R&D não se localizou procuração para o Sr. Carlos Martin Lora Garcia. Em relação às empresas Biovida ou Somel, Italtac, Rentalcap, Ital, Efra ou Aweti e Consultec, os sócios que subscreviam essas procurações também outorgavam o poder de alterar o contrato social, inclusive transferindo cotas e recebendo quitação. Em relação à empresa Itálica, o poder de ceder e transferir pelo preço e condições que convencionar todas as quotas sociais, podendo assinar instrumento de alteração contratual e/ou distrato, receber preços e dar quitação foi outorgado de forma irrevogável e irretratável, nos termos do art. 1317, do Código Civil de 1916. 1 5.7.1. Acrescentese que Orlando Márcio de Melo Campos Júnior, formalmente cooperado e sócio da Efra ou Aweti outorgou procuração pertinente a essa empresa para o Sr. Carlos Martin Lora Garcia e recebeu procurações para atos de administração em conjunto com sócio administrador das empresas Itálica (fls. 5013/5015 e 5039/5041), Italtac (empresa de Roseli Aparecida de Brito; fls. 4986/4988 e 5016/5036), Rentalcap (fls. 4960/4962), Ital (fls. 5007/5012), Consultec (fls. 4977/4982) e substabelecimento em relação ao Hospital Jardins (fls. 5037/5038). Somese ainda que Roseli Aparecida de Brito sócia administradora da Italtac outorgou procurações pertinentes a essa empresa para Carlos Martin Lora Garcia e Orlando Márcio de Melo Campos Júnior e recebeu procurações para atos de administração em conjunto com outro procurador das empresas Ital (fls. 5007/5012), Consultec (fls. 4977/4982) e substabelecimento em relação ao Hospital Jardins (fls. 5037/5038). 5.7.2. Portanto, aflora como inequívoca a unidade de comando dessas empresas, com o protagonismo do Sr. Carlos Martin Lora Garcia. 5.8. Não apresentaram também prova para desconstituir a demonstração da fiscalização de ausência de capacidade econômica e negocial das sócias da Itálica Guilhermina Éster Baya (99% das cotas) e Sofia Cristiane Baya Schaetzer (1% das cotas), bem como para infirmar a ausência de estrutura empresarial das empresas Italtac, Consultec e Rentalcap Aweti/Efra e Mar Jull (a começar pela sede das mesmas, como bem demonstrou a fiscalização) e a origem e vinculação 1 Lei n° 3.071, de 1916 Art. 1.317. É irrevogável o mandato: I. Quando se tiver convencionado que o mandante não possa revogalo, ou for em causa própria a procuração dada. II. Nos casos, em geral, em que for condição de um contrato bilateral, ou meio de cumprir uma obrigação contratada, como é, nas letras e ordens, o mandato de pagalas. III. Quando conferido ao sócio, como administrador ou liquidante da sociedade, por disposição do contrato social, salvo se diversamente se dispuser nos estatutos, ou em texto especial de lei. Fl. 11538DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.539 43 (cooperados ou parentes) a Carlos Martin Lora Garcia dos sócios das empresas ligadas. 5.9. As poucas Notas Fiscais e DIPJ apresentadas com as impugnações não têm o condão de descaracterizar a constatação fiscal, efetivada a partir dos Relatórios da ANS, de fiscalização anterior e da contabilidade, de que as pessoas jurídicas em questão mantinham uma existência artificial e em simbiose forçada e confusão patrimonial (não se constituíam em empreendimentos autônomos, mas em facetas de uma única empresa), a fraudar, impedir e dificultar a aplicação da legislação tributária e previdenciária. 5.10. A caracterização de fraude atrai a incidência do art. 124, I, do CTN, a solidariedade decorrente do interesse comum advindo do ilícito, responsabilidade entre contribuintes. De qualquer forma, ainda que não houvesse fraude, a mera integração ao grupo econômico geraria a responsabilidade solidária pelas contribuições. A simples existência de grupo econômico, definido no art. 494 da IN RFB n° 971, de 2009, enseja a configuração da responsabilidade solidária prevista no inciso IX do art. 30, da Lei n° 8.212, de 1991. Essa responsabilidade decorre da lei, com lastro no art. 124, II, do CTN e constituise em responsabilidade entre contribuinte e responsável, não se exigindo a participação deste nos fatos geradores e nem sua integração ao grupo ao tempo dos fatos geradores, não se lhe aplicando o disposto no art. 128 do CTN. Nesse sentido, invocase a seguinte jurisprudência: “A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a circunstância de a empresa integrar grupo econômico não é suficiente, por si só, para configurar a responsabilidade cuida, na maioria dos casos, de ISS. No caso específico das contribuições sociais, há norma especial estabelecendo a solidariedade, de modo que, à míngua da declaração de sua inconstitucionalidade, deve ser responsabilizada a empresa ainda que não haja fraude ou não tenha ela integrado o grupo econômico ao tempo do fato gerador” (AI 00184537220104030000, Desembargador Federal André Nekatschalow, TRF3 – 5ª Turma, eDJF3 Judicial 1 DATA:07/06/2013). 5.11. Portanto, diante dos elementos apresentados pela fiscalização e que se acolhe como representativas dos fatos efetivamente ocorridos, resta a constatação fiscal de que existiu apenas uma única empresa enquanto centro de organização dos fatores de produção, a caracterizar o grupo composto pelas seguintes empresas: Itálica, Italtac, Ital, Biovida, Hospital Jardins, Efra, Rentalcap, Consultec e Mar Jull, sendo a R&D mais uma manifestação da empresa única. 5.12. Feitas estas considerações pertinentes a todas as impugnações, passo a as analisar mais detalhadamente. Fl. 11539DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.540 44 Impugnação de Itálica Saúde Ltda Sofia Cristiane Baya Schaetzer Guilhermina Ester Baya. 6. Admissibilidade. Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya apresentaram conjuntamente defesa em nome próprio e em nome da empresa Itálica. A impugnação é tempestiva, considerandose o protocolo em 27/02/2015 (fls. 10.898) e as cientificações em 18/02/2015 (fls. 18/02/20115), 29/01/2015 (fls. 9.542) e 28/01/2015 (fls. 03). Em relação à empresa, a defesa foi ratificada pela administradora judicial da massa falida (fls. 11.026/11.028 e 11.041), nos termos do art. 662, parágrafo único, do Código Civil. Logo, tomo conhecimento da impugnação de fls. 9.516/9.51, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força do art. 151, III, do CTN. 7. Competência. A defesa alega que apenas a Justiça do Trabalho é competente para afastar as personalidades jurídicas das empresas envolvidas e os negócios jurídicos formalmente celebrados, bem como para reconhecer relação de emprego e segurado empregado. 7.1. A argumentação não prospera, eis que a própria jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho é pacífica no sentido de não ser Justiça do Trabalho a única competente para reconhecer a relação de emprego, sendo o AuditorFiscal do Trabalho competente para não somente constatar violações aos direitos trabalhistas, como inclusive para verificar a própria existência da relação de emprego, como podemos observar: RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI 11.496/2007. AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. VÍNCULO DE EMPREGO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES CONTIDAS NO ART. 41 DA CLT. RECONHECIMENTO PELO FISCAL DO TRABALHO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. INOCORRÊNCIA. 1. O Colegiado Turmário deu provimento ao recurso de revista da União, para "reconhecer a atribuição do fiscal do trabalho para declarar a existência de vínculo de emprego". Consignou que "não invade a esfera da competência da Justiça do Trabalho a declaração de existência de vínculo de emprego feita pelo auditor fiscal do trabalho, por ser sua atribuição verificar o cumprimento das normas trabalhistas, tendo essa declaração eficácia somente quanto ao empregador, não transcendendo os seu efeitos subjetivos para aproveitar, sob o ponto de vista processual, ao trabalhador. Assim, verificado pelo fiscal de trabalho que há relação de emprego entre a empresa tomadora de serviço e o trabalhador, não há óbice na cobrança do FGTS pela União, em razão de tal atribuição estar prevista no art. 23 da Lei 8.036/90". Fl. 11540DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.541 45 2. Decisão embargada em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, firme no sentido de que o reconhecimento de eventual terceirização ilícita e da decorrente formação de vínculo de emprego com o tomador de serviços , para fins de lavratura de auto de infração em decorrência da inobservância das disposições contidas no art. 41 da CLT, é atribuição do Auditor Fiscal do Trabalho, nos moldes dos arts. 626 e 628 da CLT e 11 da Lei 10.592/2002, não havendo falar em invasão da competência da Justiça do Trabalho. Recurso de embargos conhecido e não provido. ( EEDRR 13114048.2005.5.03.0011 , Relator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann, Data de Julgamento: 19/02/2015, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT 27/02/2015) RECURSO DE REVISTA. AÇÃO ANULATÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO POR AUDITOR FISCAL DO TRABALHO. APLICAÇÃO DE MULTA. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A Constituição Federal, em seu art. 21, XXIV, disciplina que compete à União, organizar, manter e executar a inspeção do trabalho, e o art. 14, XIX, c, da Lei n° 9.649/1998 determina que compete ao Ministério do Trabalho e Emprego a fiscalização do trabalho, bem como a aplicação das sanções previstas em normas legais ou coletivas. Por outro lado, conforme disciplinado pela Lei nº 10.593/2002, cabe ao auditor fiscal do trabalho assegurar a aplicação de dispositivos legais e regulamentares de natureza trabalhista. Por conseguinte, concluise que o agente de fiscalização é competente para identificar a existência de relação de emprego irregular e, constatandoa, aplicar as sanções legalmente cabíveis. Recurso de revista conhecido e provido. ( RR 16180098.2008.5.11.0010 , Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 05/11/2014, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 07/11/2014) 7.2. Nos termos do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação da Lei nº 11.941, de 2009, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil o planejamento, a execução, o acompanhamento e a avaliação das atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Fl. 11541DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.542 46 7.3. Incumbe à Receita Federal, portanto, a execução da atividade de fiscalização das contribuições em tela. Tal atividade envolve o dever de efetuar a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, conforme disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 7.3.1. A competência funcional para efetuar o lançamento é do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, por força da Lei n° 10.593, de 2002, in verbis: Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) 7.4. Evidentemente, quando o legislador estabeleceu o dever de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, teve como objetivo a identificação do verdadeiro fato gerador, a fim de determinar a real matéria tributável, prevalecendo a essência sobre a forma. Dessa forma, sempre que possível, a autoridade deve buscar a verdade material, em detrimento dos aspectos formais dos negócios e atos jurídicos praticados. 7.4.1. Nesse sentido, dispõe o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...)§2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. 7.4.2. Tanto é assim que a ocorrência de simulação está prevista como uma das hipóteses que ensejam o lançamento de ofício, Fl. 11542DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.543 47 conforme previsto no art. 149, VII, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 7.5. Diante desses dispositivos, aflora que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é autoridade competente para lançar as contribuições sobre folha de pagamento e pertinentes multas por descumprimento de obrigação acessória, sob o fundamento de a prova colhida, no seu entender, ser suficiente para o exercício do poderdever de desconsiderar os vínculos formalmente pactuados em prol da efetiva relação jurídica consubstanciada no plano fático, podendo inclusive caracterizar a figura do segurado empregado. 7.6. No caso concreto, segundo a fiscalização, a prestação de serviços não se processou efetivamente entre pessoas jurídicas, agindo a pessoa física prestadora dos serviços como empregado da pessoa jurídica tomadora dos serviços, a caracterizar a relação de emprego e a figura do segurado empregado. 7.7. Portanto, colhendo provas da prestação de serviços por segurados empregados, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil exerceu o poderdever de efetuar o lançamento das contribuições que reputou devidas. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais respalda esse procedimento, como podemos observar: CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. Fl. 11543DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.544 48 (Processo n° 10680.722064/201178, Acórdão n° 2401 003.146, de 13 agosto de 2013, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária – 2ª Seção de Julgamento) NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatandose a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. AFASTAMENTO DA NORMA PREVISTA NO ART. 129 DA LEI N° 11.196/2005. Tendo o fisco demonstrado a existência dos pressupostos da relação empregatícia entre sócio da empresa prestadora e a contratante, afastase a aplicação do art. 129 da Lei n° 11.196/2005, posto que esse dispositivo é destinado a regular a relação de prestação de serviço entre pessoas jurídicas. (Processo n° 12259.003336/200928, Acórdão n° 2401 002.924, de 12 de março de 2013, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária – 2ª Seção de Julgamento) CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUDITORIA FISCAL – COMPETÊNCIA. É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego. (Processo n° 10680.723239/201164, Acórdão n° 2402 003.353, de 19 de fevereiro de 2013, 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária – 2ª Seção de Julgamento) 7.8. A jurisprudência não trabalhista também é pacífica no sentido de reconhecer a competência da fiscalização previdenciária, atualmente exercida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, para caracterizar trabalhador como segurado empregado, como podemos constatar: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. Fl. 11544DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.545 49 AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. I Não prospera a tese de suposta afronta ao art. 535 do CPC, eis que o Tribunal a quo ao apreciar a demanda manifestouse sobre todas as questões pertinentes à litis contestatio, fundamentando seu proceder de acordo com os fatos apresentados e com a interpretação dos regramentos legais que entendeu aplicáveis, demonstrando as razões de seu convencimento. II O INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp nº 515.821/RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005). III Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vínculo empregatício, na medida em que: "O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 575.086/PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006). IV Recurso especial provido. (REsp 859.956/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/10/2006, DJ 26/10/2006, p. 266) COMPETÊNCIA FISCALIZATÓRIA DO INSS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. RECONHECIMENTO. FIM TRIBUTÁRIO E NÃO TRABALHISTA. 1A jurisprudência consolidou o entendimento que, cumprindo as atribuições que lhe foram outorgadas pela lei, o INSS possui competência para, diante das situações fáticas encontradas pela fiscalização, caracterizar como empregatícias as relações mantidas entre a empresa e seus trabalhadores, para os fins de recolhimento de contribuições previdenciárias. Vide os seguintes julgados: RESP 200602188458, Humberto Martins, STJ Segunda Turma, 13/10/2008; AGRESP 200602279329, Francisco Falcão, STJ Primeira Turma, 12/04/2007; REsp 515821/RJ, Rel. Ministro Franciulli Neto, Segunda Turma, julgado em 14.12.2004, DJ 25.04.2005 p. 278). 2 (...). 7 Apelação improvida. Fl. 11545DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.546 50 (AC 201050010134130, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::02/09/2013.) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALEGADA NULIDADE DA NFLD. ENQUADRAMENTO DOS EMPREGADOS. ATRIBUIÇÃO. 1. Compete à autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato gerador e efetuar o lançamento, conforme art142, do CTN66. 2. O fiscal previdenciário pode, diante dos fatos, considerar como " empregados " os trabalhadores que a empresa tratava como " autônomos ", não cabendo a alegação de invasão de competência da Justiça do Trabalho, a quem compete julgar dissídios entre empregadores e empregados ( art114, CF88 ). 3. Apelação improvida. (TRF4, AMS 97.04.398891, Primeira Turma, Relator Fernando Quadros da Silva, publicado em 27/01/1999) 7.9. Afastase, destarte, a preliminar de incompetência do AuditorFiscal da Receita Federal para efetuar os lançamentos veiculados no Auto de Infração constante do presente processo. 8. Nulidade. A defesa sustenta a integral nulidade do auto de infração em razão de a fiscalização a partir de quatro ações trabalhistas ter presumido a existência de vínculo de emprego para centenas de cooperados e de não se ter excluído da base de cálculo valores abrangidos nas reclamatórias trabalhistas. 8.1. As reclamatórias trabalhistas invocadas pela fiscalização são pertinentes a apenas três trabalhadores intermediados via Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e a um intermediado via Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde. Contudo, tais reclamatórias evidenciam que as cooperativas caracterizavamse como intermediadoras ilícitas de mão de obra, sendo empregadas como artifício para ocultar a vinculação direta dos trabalhadores com a Itálica. Diante desse fato e dos demais elementos probatórios apresentados pela fiscalização, uma vez evidenciado que as cooperativas e a Manager Network eram meras intermediadoras de mão de obra, correta a conclusão de que todos os cooperados alocados na Itálica eram segurados empregados desta. 8.2. Não prospera o argumento de a fiscalização ter incluído na base de cálculo valores pertinentes às reclamatórias trabalhistas de cooperados, eis que a apuração se lastreou em valores pagos aos cooperados via cooperativa (Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde) e segundo Notas Fiscais (sem taxa de administração) ou aos valores pagos segundo GFIPs (Cooproserv Cooperativa de Fl. 11546DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.547 51 Trabalho de Profissionais em Prestação de Serviços via Manager Network Intermed. De Neg. S/C Ltda.). Os valores posteriormente pagos por força de reclamatória trabalhista devem ser executados na esfera da própria Justiça do Trabalho. Além disso, a prova de fato impeditivo ao lançamento compete às impugnantes (Código de Processo Civil, art. 333, II) e tal prova não foi apresentada. 9. Prova emprestada, fundamentação, caracterização do segurado empregado e sujeição passiva. Segundo a defesa, estando a empresa fechada, não mais seria possível a averiguação do elemento subordinação. O fato de a empresa não estar desenvolvendo suas atividades em razão da liquidação extrajudicial ou da falência não impede a produção de toda e qualquer prova em direito admitida tendente a caracterizar o vínculo direto de emprego em competência pretéritas. 9.1. As impugnantes argumentam que prova emprestada de processo da ANS, inquisitivo e de finalidade diversa, não teria validade e que as decisões nas reclamatórias trabalhistas se aplicariam apenas em relação aos trabalhadores envolvidos. Contudo, as provas apresentadas tendentes à demonstração do vínculo direto da mão de obra para com a Itálica não violam o contraditório e à ampla defesa e nem os limites objetivos e subjetivos da coisa julgada. 9.1.1. A prova extraída do processo da ANS é reveladora da situação fática encontrada pela Diretora Fiscal, sendo o contraditório e a ampla defesa assegurados no presente processo administrativo fiscal, a possibilitar que as impugnantes ataquem os elementos fáticos colhidos dos Relatórios da Direção Fiscal da ANS. 9.1.2. A fiscalização não invoca a norma jurídica individual resultante do julgamento das reclamatórias trabalhistas (sujeita a limites objetivos e subjetivos), mas os elementos fáticos apurados na instrução probatória das mesmas e revelados nos atos decisórios transcritos, cabendo às impugnantes apresentar contraprova tendente a demonstrar não ser a prática empresarial a utilização indiscriminada das cooperativas como meras intermediadoras ilegais de mão de obra. 9.2. O parágrafo único do art. 442 da CLT não se aplica, eis que pressupõe a atuação regular de uma sociedade cooperativa, o que não se verificou diante da prova colhida, não tendo a defesa produzido prova em sentido contrário. 9.3. A impugnação sustenta haver contradição entre o fato de a Itálica ter tido não mais de três empregados registrados e o gerenciamento de centenas de cooperados. No item 112, o Relatório Fiscal especifica os poucos trabalhadores registrados. No item 120, destacase do Relato da Diretora Fiscal da ANS que os cooperados eram gerenciados e supervisionados por outros cooperados ou cooperado/procurador/sócio de Pessoa Jurídica subcontratada, os quais decidiam quais seriam admitidos como cooperados ou excluídos dos quadros da Fl. 11547DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.548 52 cooperativa conforme as necessidades da Itálica, circunstância incompatível com uma sociedade cooperativa regular. 9.4. Como destaca a própria defesa, o relato da Diretora Fiscal descreve o cumprimento de jornada de trabalho rígida com intervalos para alimentação e repouso. Além disso, a fiscalização analisou a remuneração mensal dos trabalhadores intermediados via Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e constatou remuneração em valores aproximadamente constantes e que dos 373 trabalhadores a serviço da Itálica apenas sete trabalhariam para outros tomadores de serviço, sendo que nestes casos o tomador era um dos Hospitais integrantes da empresa única (Itálica e demais empresas ligadas) ou a empresa Manager Network Intermediações de Negócios Ltda, também intermediadora de mão de obra para a empresa única. 9.5. Conforme explicita o Relatório Fiscal, o contrato firmado com a cooperativa Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial revela a terceirização de atividadefim da autuada e os Relatórios da ANS evidenciam de forma inequívoca o exercício de poder diretivo por parte da autuada, poder este inerente à relação de emprego, a caracterizar a figura do segurado empregado. Os demais elementos caracterizadores do segurado empregado também foram evidenciados pela fiscalização, não tendo a impugnação apresentado qualquer prova em sentido contrário. 9.6. Em relação à Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, poderia se considerar que a prestação de trabalho não envolveria atividade meio e que, em última análise, seria prestada ao Hospital e Maternidade Jardins Ltda. Contudo, a imputação de se tratar de uma empresa única a englobar todas as empresas apontadas como empresas ligadas enseja a constatação desse contrato também envolver atividade fim e de inexistir vício de sujeição passiva ou violação ao art. 142 do CTN. 9.7. Exemplificando a partir de Simone Alves da Cruz, a fiscalização evidenciou que 165 trabalhadores da Maxicoop foram transferidos para a Cooproserv e intermediados via Manager, permanecendo a trabalhar em condições inerentes a de emprego. A fraude é evidente, em especial quando se registra na contabilidade os pagamentos para Manager Network na conta “Honorários de Consultoria”, eis que formalmente não se trata de consultoria e muito menos no plano dos fatos efetivamente ocorridos, como bem demonstrou a fiscalização. 9.8. Não houve presunção. No contexto dos autos, é irrelevante a não apresentação pela fiscalização de provas da caracterização do vínculo de emprego direto trabalhador a trabalhador, eis que os fundamentos e as provas apresentadas têm o condão de abarcar o conjunto da mão de obra intermediada e o lançamento não versa sobre contribuições dos segurados empregados, mas sobre a contribuição da empresa, cuja base de cálculo consiste Fl. 11548DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.549 53 no total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (Lei n° 8.212, de 1991). De qualquer forma, a fiscalização especificou os trabalhadores envolvidos nas planilhas Anexas, tendo indicado a fonte documental no Relatório Fiscal. 9.9. Não se configurou um mero empreendimento fracassado, como já demonstrado. O fator de produção trabalho foi quase que integralmente terceirizado ou quarteirizado, eis que a empresa no período do débito teve apenas três empregadas: Cleuza Maria Lima (auxiliar administrativa, de 05/2009 a 02/2013), Tatiana Forster Figueira (auxiliar administrativa, de 05/2009 a 10/2010) e Carolina Couceiro Alves Bassola (advogada, de 11/2010 a 05/2011). Assim, prosseguindo em prática empresarial ilegal já detectada na fiscalização anterior, a empresa continuou a se utilizar de mão de obra irregularmente intermediada via cooperativas de trabalho (terceirização) ou irregularmente intermediada via empresa intermediadora de cooperativa de trabalho (quarteirização). 9.9.1. Ponderese que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não se pronunciou quanto à delimitação das hipóteses de terceirização diante do que se compreende por atividadefim, tema ainda a ser discutido no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 713211, com repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do STF. De qualquer forma, a jurisprudência cristalizada na Súmula n° 331 do TST não afronta a Constituição da República, estando lastreada nos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana (Constituição da República, art. 1°, III) e da valorização social do trabalho (Constituição da República, art. 1°, IV, e 170, caput) e no primeiro princípio da Declaração de Filadélfia (Constituição da Organização Internacional do Trabalho), ratificada conforme Decreto de Promulgação n° 25.696, de 20 de outubro de 1948 (Constituição da República, art. 5°, § 2°). 9.10. A prova carreada aos autos pela fiscalização é suficiente para comprovar a subordinação jurídica, havendo nítida subordinação estrutural ou integrativa, como destaca a doutrina e assevera a jurisprudência: De acordo com Maurício Godinho “estrutural é, pois, a subordinação que se manifesta pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, sua dinâmica de organização e funcionamento.” Em outras palavras, toda vez que o empregado executar serviços essenciais à atividadefim da empresa, isto é, que se inserem na sua atividade econômica, ele terá uma subordinação estrutural ou integrativa, já que integra o processo produtivo e a dinâmica estrutural de funcionamento da empresa ou do tomador de serviços. Esse argumento tem sido utilizado para afastar o óbice imposto pela parte final da Súmula n° 331, III, do TST e, Fl. 11549DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.550 54 consequentemente impedir as terceirizações ilícitas ou irregulares, deixando o liame empregatício se formar com o tomador dos serviços. (Direito do Trabalho. Vólia Bomfim Cassar. 7ª ed. rev. e atual. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2012. p. 252) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. (...). Logo, não configurada negativa de prestação jurisdicional. Agravo de instrumento desprovido. 2. JULGAMENTO EXTRA PETITA. (...). 3. VÍNCULO DE EMPREGO. SUBORDINAÇÃO ESTRUTURAL. A hipótese é de terceirização ilícita, nos moldes do item I da Súmula nº 331, situação na qual, em face da presença da chamada subordinação estrutural, reconhecese o vínculo de emprego com o tomador dos serviços. Pacífico, aliás, esse entendimento no âmbito desta Corte. Violação ao art. 3º da CLT não configurada. 4. MULTA DO ART. 477 DA CLT. (...). Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 15820076.2011.5.21.0013 , Relator Ministro: Arnaldo Boson Paes, Data de Julgamento: 24/09/2014, 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, Data de Publicação: DEJT 26/09/2014) I AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROVIMENTO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. TRABALHO EM ATIVIDADEFIM. SUBORDINAÇÃO ESTRUTURAL. VÍNCULO DE EMPREGO. CONFIGURAÇÃO. Diante de potencial contrariedade à Súmula 331, I, do TST, merece processamento o recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e provido. II RECURSO DE REVISTA. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. TRABALHO EM ATIVIDADEFIM. SUBORDINAÇÃO ESTRUTURAL. VÍNCULO DE EMPREGO. CONFIGURAÇÃO. 1. Resultado de bemvinda evolução jurisprudencial, o Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula 331, que veda a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, ressalvados os casos de trabalho temporário, vigilância, conservação e limpeza, bem como de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta (itens I e III). 2. O verbete delimita, exaustivamente, os casos em que se tolera terceirização em atividadefim. 3. A vida contemporânea já não aceita o conceito monolítico de subordinação jurídica, calcado na submissão do empregado à direta influência do poder diretivo patronal. Com efeito, aderem ao instituto a visão objetiva, caracterizada pelo atrelamento do trabalhador ao escopo empresarial, e a dimensão estrutural, pela qual há a inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de serviços (Mauricio Godinho Delgado). 4. O Regional revela que as tarefas desenvolvidas pela autora se enquadram na atividadefim do tomador de serviços. 5. Impositiva a incidência da compreensão da Súmula 331, I, do TST. Recurso de revista conhecido e provido. Fl. 11550DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.551 55 (RR 17390052.2007.5.02.0081 , Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, Data de Julgamento: 24/09/2014, 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, Data de Publicação: DEJT 26/09/2014) 9.10.1. A defesa não apresentou qualquer prova para demonstrar que a prática executiva da prestação de serviços se deu de forma autônoma. Logo, deve prevalecer a realidade dos fatos provada pela fiscalização. 9.11. Os valores a serem executados na Justiça do Trabalho em razão de reclamatórias trabalhistas não devem ser considerados na apuração dos valores lançados, logo não se pode imputar a falta de consideração de tais valores no lançamento. De qualquer forma, a defesa não demonstrou que os mesmos tenham sido indevidamente incluídos no lançamento. 9.12. Aflora, destarte, a execução pela mão de obra de atividade fim da Itálica e em condições incompatíveis com o trabalho a ser exercido por um cooperado e como a própria definição de cooperado, a atrair a caracterização do trabalho assalariado, sendo cabível, no caso concreto, a conclusão de que a prática da empresa era de se utilizar das cooperativas e da Manager Network como meros intermediadoras de mão de obra e num contexto de fraude generalizada, ou seja, que não se limitava apenas às relações laborais e previdenciárias, como bem demonstrou a prova apresentada pela fiscalização. 10. Parcelas indenizatórias ou não habituais. Em relação aos pagamentos efetuados diretamente aos cooperados (Anexo II), a defesa questiona a inclusão na base de cálculo de valores pagos a título de gratificação de assiduidade, férias gozadas e horas extras por terem natureza indenizatória ou por não serem pagas com habitualidade. 10.1. A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. 10.2. Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição (fundamento da incidência: Lei n° 8.212, de 1991, art. 28, I2, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, art. 214, I, § 143), eis que, conforme aflora da Solução de Consulta Cosit n° 126, de 2014, apenas as férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo das contribuições sobre a folha de pagamento. 10.3. Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constituindose em base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme evidencia a seguinte Solução de Consulta Vinculante: Fl. 11551DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.552 56 Solução de Consulta Cosit n° 103, de 07/04/20144 (Publicado(a) no DOU de 22/04/2014, seção 1, pág. 23) ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias. EMENTA: BASE DE CÁLCULO. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA. A remuneração de horas extras integra a base de cálculo da contribuição social previdenciária. DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição da República de 1988, art. 7º, XVI; e Lei nº 8.212, de 1991, arts. 20, 22, inc. I e § 2º, e 28, inc. I e § 9º. 10.4. O Regimento Interno do CARF não se aplica à primeira instância administrativa e, em especial, o art. 62A, eis que a jurisprudência do STF ou do STJ para vincular o presente colegiado deve estar amparada por ato da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos termos do § 5° do art. 19 da Lei n° 10.522, de 2002, na redação da Lei n° 12.844, de 2013; não sendo esse o caso dos autos. 10.5. Diante do exposto, impõese o reconhecimento de que as verbas em tela integram a base de cálculo das contribuições lançadas. 11. Autônomos e sócios. No caso concreto, não se aplicou o art. 3°, I, da Lei n° 7.787, de 1995. A contribuição da empresa pertinente aos contribuintes individuais alicerçouse no art. 22, III, da Lei n° 8.212, de 1991, incluído pela Lei n° 9.876, de 1999, com lastro na alínea a do inciso I do art. 195 da Constituição, incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998. 11.1. A defesa não apresenta qualquer prova para demonstrar que os valores pagos às sócias Guilhermina Éster Baya e Sofia Cristiane Baya Shaetzer a título de despesas com viagens referemse a valores pertinentes a atividades desenvolvidas a serviço da empresa, eis que na conta Outros Serviços eram pagas despesas pessoais das sócias como, por exemplo, 3ª cota do IRPF/2011 da sócia Sofia ou mensalidade da faculdade da neta Stephanie Luize Guilhermina Éster Baya, conforme aflora da tabela do item 139 do Relatório Fiscal. 11.2. Não havendo valores a serem excluídos, não se cogita em improcedência do auto de infração ou em conversão do julgamento em diligência para se excluir valores. 12. Multa. Antes da liquidação extrajudicial, a empresa fora intimada e reintimada a apresentar documentos e esclarecimentos (fls. 611 e seguintes). Contudo, não foram apresentados. Quando da liquidação, a liquidante também não pode cumprir as intimações, tendo descrito a seguinte situação na empresa (fls. 736/760): 3 Pois bem. Em que pese o requisitado no Termo de Intimação Fiscal, a Liquidante, em representação à exOperadora, informa Fl. 11552DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.553 57 que, por ocasião alheia à sua vontade não tem meios suficientes para cumprir o exarado na Intimação. 4 Isso porque, a Liquidante assumiu a função para a qual foi designada em 10 de setembro de 2013, com a publicação no Diário Oficial da União DOU. Na ocasião, a exOperadora encontravase em desmobilização operacional, em que todas as suas filiais estavam com as atividades encerradas e não havia em sua sede quaisquer documentos, livros ou outros apontamentos que pudessem ser usados como subsídios para prestar as informações solicitadas pela Receita Federal do Brasil RFB. 5 Como é possível verificar pelo Termo de Arrecadação de Bens, datado de 11 de setembro de 2013 (anexo), os objetos encontrados na sede e na filial localizada na Rua Barão de Itapetininga, n° 151, 5o andar, conjunto 52/53, Praça de República, São PauloSP, CEP 06404000 são em número limitado e se restringem a bens tangíveis, assim, diante mão, informase que eles não têm o condão para que se possam extrair as informações pedidas. 12.1. Portanto, não há como se negar a presença de dolo e nem a caracterização da sonegação em face da fraude empreendida pelo conjunto das empresas ligadas, estando corretos o agravamento e a qualificação da multa de ofício. 12.2. Por fim, o regramento legal pertinente às multas foi aplicado, não podendo ser afastado sob a alegação de ofensa ao princípio constitucional do não confisco, eis que a presente Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba é incompetente para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei (Decreto n° 70.235, de 1972, art 26 A). 13. Solidariedade. Segundo a defesa, não teriam sido comprovados os requisitos do art. 135, III, do CTN para fundamentar a imputação da responsabilidade solidária às sócias Guilhermina Éster Baya e Sofia Cristiane Baya Shaetzer. A fiscalização, contudo, evidenciou que Guilhermina e Sofia eram sócias administradoras e que não houve mera inadimplência das contribuições, mas infração à lei, a configurar sonegação fiscal e para a qual ambas colaboraram intencionalmente. Impugnação de Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP Hospital e Maternidade Jardins Ltda. Italtac Tecnologia na área de Cobranças Ltda. EPP Rentalcap Locação de bens móveis Ltda. ME EFRA Tecnologia da Informação Contabilidade e Auditoria Orlando Márcio de Melo Campos Jr Roseli Aparecida de Brito 14. Empresas Autônomas. A defesa conjunta reconhece que as empresas (Ital, Hospital Jardins, Italtac, Rentalcap e Efra) possuem em comum alguns de seus sócios e clientes, dentre os quais a devedora principal, e que foram criadas à medida que os Fl. 11553DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.554 58 hospitais Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP e Hospital e Maternidade Jardins Ltda demandavam maior especialidade de seus prestadores de serviço. Mas, seriam autônomas possuindo objetos sociais e clientes variados e receitas, despesas e faturamentos independentes entre si. Os argumentos da fiscalização seriam absurdos e pautados em Relatório unilateral da ANS, do qual não tomaram conhecimento e não puderam se defender. Além disso, não haveria irregularidade no fato de Italtac, Efra e Rentalcap funcionarem em escritório virtual, alocandose os sócios da Italtac nas dependências dos tomadores, bem como no fato de os Hospitais efetuarem adiantamentos. 14.1. Os Relatórios produzidos pela Direção Fiscal da ANS constituemse em prova válida e eficaz, como já explicitado, não tendo as impugnantes exercido seu direito de produzir contraprova. Logo, não prosperam as meras alegações. A fiscalização não se pautou apenas no fato de Italtac, Efra e Rentalcap funcionarem em escritório virtual e a impugnação não apresentou prova para demonstrar que os valores adiantados guardam pertinência aos serviços prestados. Portanto, a impugnação não tem o condão de afastar as constatações fáticas e a qualificação jurídica dos fatos empreendidas pela fiscalização. 15. Orlando e Roseli. A atuação do Sr. Orlando e da Sra. Roseli foi detalhadamente descrita nos Relatórios da Direção Fiscal da ANS, bem como sua vinculação na execução dos serviços a Carlos Martin Lora Garcia, tendo a fiscalização carreado aos autos cópia das procurações outorgadas para o Sr. Orlando e/ou para a Sra. Roseli em relação à Itálica e outras empresas ligadas. O Sr. Orlando em determinado período cumulou também o vínculo formal de cooperado da Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial (03/2010 a 04/2012). Além disso, demonstrouse que suas empresas não gozavam de efetiva estrutura empresarial, integrandose, em última análise, à empresa única capitaneada por Carlos Martin Lora Garcia (o qual tinha poderes de administração das empresas de Orlando e Roseli, podendo inclusive alterar o contrato social ou vender a totalidade das cotas, fls. 4919/18/03/2013 e 4963/4966) e na qual se integraram e agiram ativamente enquanto gestores e procuradores da confiança do Sr. Carlos Martin Lora Garcia, a atrair a incidência dos arts. 124, I, e 135, III, do CTN. 16. Grupo e ônus da prova. Sob o aspecto formal, as empresas devem ser tidas como integrantes de grupo econômico de fato (CTN, art. 124, II; e Lei n° 8.212, de 1991, art. 30, IX), mas, além disso, as circunstâncias do caso concreto atraem, como já dito, também a solidariedade do art. 124, I, do CTN. A unidade de comando resulta cristalina das procurações outorgadas para Carlos Martin Lora Garcia e da sua atuação na esfera dos fatos, tal com descrita pela Direção Fiscal da ANS. Não prosperam, destarte, as alegações de defesa. Fl. 11554DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.555 59 Logo, a fiscalização se desincumbiu de seu ônus da prova. 17. Inconstitucionalidade e Ilegalidade. O art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991 não é inconstitucional ou ilegal, eis que é norma complementar ao art. 124, II, do CTN. Além disso, reiterese que o presente colegiado é incompetente para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. Impugnação de Consultec Consultoria em Saúde Ltda e de Carlos Martin Lora Garcia. 18. Como as demais empresas solidárias, a Consultec sustenta a inexistência de grupo ou subordinação, sendo autônoma na execução dos serviços de consultoria contratados, além de não haver ilegalidade na locação de uma pasta da Businesslike. Carlos Martin Lora Garcia seria mero consultor e procurador de algumas das empresas ligadas, inexistindo prova demonstrando o preenchimento do suporte fático do art. 150, III, do CTN. 18.1. A prova apresentada pela fiscalização demonstra a ausência de estrutura empresarial da Consultec e a integração da mesma à empresa única, tendo existência formal para abrigar os pagamentos efetivados a Carlos Martin Lora Garcia, controlador da empresa única em face das procurações e da sua conduta revelada pela Direção Fiscal da ANS e que não se restringia a atividade de consultoria. As declarações carreadas com a defesa (fls. 10.743/10753) inclusive evidenciam o exercício da atividade de auditoria médica e não de mera consultoria. Conforme já explicitado, a prova extraída do processo da ANS é válida, não tendo a impugnação apresentado contraprova capaz de infirmar as constatações lastreadoras do lançamento de ofício. A amplitude de poderes das procurações é incompatível com o contrato firmado com a Consultec, eis que dão para a pessoa física do Sr. Carlos Martin Lora Garcia (e não para a Consultec) total controle das empresas e poderes de representação dos sócios das mesmas, inclusive para a venda das cotas sociais. 18.2. Sob o aspecto formal, as empresas devem ser tidas como integrantes de grupo econômico de fato (CTN, art. 124, II; e Lei n° 8.212, de 1991, art. 30, IX), mas, além disso, as circunstâncias do caso concreto (concluio e fraude generalizada tendo em vista sonegação fiscal) atraem, como já dito, a solidariedade do art. 124, I, do CTN, aplicável inclusive em relação ao Sr. Carlos Martin Lora Garcia, cuja responsabilidade enquanto efetivo controlador da empresa única não se limita a do art. 150, III, do CTN. Impugnação de Biovida Saúde Ltda (SOMEL Sociedade para Medicina Leste Ltda). 19. Apresentando Notas Fiscais e DIPJ, Biovida sustenta ser empresa autônoma e Itálica sua maior cliente, até alienação compulsória da carteira desta determinada pela ANS (tendoa adquirido em parte, o que não caracterizaria sucessão), Fl. 11555DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.556 60 inexistindo subordinação ou influência dominante para a caracterização de grupo, cuja conceituação não se confunde com a do direito trabalhista e nem se pode presumir ou provar por indício consistente na mera prestação de serviços hospitalares. 19.1. Reiterese que, além da confusão patrimonial, a fiscalização demonstrou de forma cristalina a inexistência de autonomia em razão da unidade de comando resultante das procurações outorgadas para Carlos Martin Lora Garcia e de sua atuação da esfera dos fatos, tal com descrita pela Direção Fiscal da ANS, a caracterizar a definição de grupo econômico insculpida na Instrução Normativa RFB n° 971, de 2009, in verbis: Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. 19.2. O art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, não é inconstitucional ou ilegal, sendo norma complementar ao art. 124, II, do CTN. Além disso, reiterese que o presente colegiado é incompetente para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei e que as circunstâncias do caso concreto (concluio e fraude generalizada tendo em vista sonegação fiscal) atraem, como já dito, a solidariedade do art. 124, I, do CTN. Impugnação de Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda 20. A defesa sustenta a regular existência das relações de locação de imóveis, inexistindo vantagem fiscal na situação descrita pela fiscalização e nem prova de fraude patrimonial. Não passariam de indícios o endereço da empresa ser um dos imóveis locados e os erros na contabilidade. A fiscalização reuniria diversas pequenas irregularidades das várias empresas para sustentar o grupo com base em norma legal inconstitucional e ilegal. A composição acionária não teria se alterado desde a fundação da empresa e inexistiria influência dominante ou uso de mão de obra comum, havendo independência absoluta, tanto que as contabilidades não batiam. 20.1. A unidade de comando resulta das procurações outorgadas para Carlos Martin Lora Garcia, tendo inclusive poderes para administrar a Mar Jull (fls. 4972/4973), e da ausência de estrutura empresarial da Mar Jull, eis que indicava como seu endereço local ocupado pelo Hospital Jardins e até o ano de 2010 os aluguéis não teriam sido pagos, alem de se detectar valor de aluguel incompatível com o imóvel (galpão em São Mateus), bem como do fato não contestado de todas as pessoas que fazem ou fizeram parte do quadro societário da Mar Jull terem ou aparentarem ter laços de parentesco com Carlos Martin Lora Garcia. Logo, não houve mero erro contábil e nem pequenas irregularidades, impondose o reconhecimento do Fl. 11556DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.557 61 preenchimento da conceituação do art. 494 da IN RFB n° 971, de 2009, a atrair a incidência do art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, norma complementar ao art. 124, II, do CTN. Mais uma vez, reiterese ser o presente colegiado incompetente para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei e que as circunstâncias do caso concreto (concluio e fraude generalizada tendo em vista sonegação fiscal) atraem a solidariedade do art. 124, I, do CTN. Impugnação de R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. 21. A impugnante sustenta ser empresa autônoma, cujo objeto consiste em explorar imóveis já locados, adquiridos por bons preços. Assim, como terceiro adquirente de boafé não lhe seriam aplicáveis os arts. 124, I, e 135, III, do CTN e nem a responsabilidade por grupo econômico, não sendo meros indícios capazes de caracterizar que a R&D teria substituído a Mar Jull como empresa patrimonial do grupo Itálica e nem para atrair a responsabilidade por sucessão (CTN, art. 133). 21.1. A fiscalização demonstrou que, com a recusa do plano de recuperação da Itálica pela ANS, os imóveis da Mar Jull foram vendidos e após sucessivas transferências comprados por pessoas físicas e jurídica com algum tipo de relação com a Itálica e sem patrimônio ou experiência profissional compatível. 21.2. Em relação à R&D, a fiscalização evidenciou que sete imóveis a tiveram como adquirente final, sendo empresa de capital social igual a R$1.000,00. Além disso, as transferência de propriedade dos imóveis da Mar Jull para a R&D ocorrem alguns dias depois das alterações efetuadas na sociedade, o que sugeriria que a empresa foi "montada" para suceder a Mar Jull como empresa patrimonial da Itálica. O Sr. José Carlos dos Santos seria médico e responsável técnico do Hospital e Maternidade Jardins, tendo recebido alguns pagamentos da Itálica em 2011, conforme a contabilidade, com o histórico de "plantões". Além disso, o Sr. José Carlos dos Santos representaria no Brasil a Crossville Overseas, empresa sediada no Panamá, com participação societária de 99% no capital da R&D Empreendimentos, além de ter "adquirido" da Mar Jull em 03/1/2013 o imóvel onde está sediado o Hospital Santos Dumont, à Rua Natal, 61, não tendo nenhuma Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física entre 2012 e 2014 e nenhum vínculo de emprego ou recolhimento como contribuinte individual posteriormente a 02/2005, conforme os registros do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). A movimentação financeira de José Carlos (cerca de R$ 350.000,00 em 2012 e menos de R$ 20.000,00 em 2013) também não refletiria a venda dos mesmos imóveis à R&D Empreendimentos em janeiro de 2013 (R$ 2.450.000,00), pelos mesmos preços pelos quais teriam sido comprados, não tendo sido localizados outros bens em seu nome. 21.3. Portanto, apesar de não haver prova direta do comando da empresa R&D por Carlos Martin Lora Garcia, a ligação do Sr. Fl. 11557DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.558 62 José Carlos dos Santos com a empresa única capitaneada por Carlos Martin Lora Garcia, a forma pela qual foram transferidos os imóveis e a ausência de lastro econômico do Sr. José Carlos dos Santos e dos demais envolvidos, inclusive o valor de capital social da R&D, gera a convicção de que R&D também integra a empresa única, ou seja, consiste apenas em mais uma manifestação da empresa única na fraude detectada, a justificar sua responsabilização enquanto empresa integrante de grupo econômico. 22. Isso posto, voto por julgar todas as impugnações improcedentes, mantendo o crédito tributário." Conclusão 11 Assim, face a tudo o quanto exposto nego provimento ao Recurso Voluntário, bem como nos termos do faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, proponho que a decisão recorrida seja mantida pelos seus próprios fundamentos. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Declaração de Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 32/114, mediante a Resolução Operacional nº 1.073, publicada em 05/09/2011, a ANS instaurou o Regime de Direção Fiscal na RECORRENTE (uma certa intervenção em suas operações), em razão das “anormalidades econômicofinanceiras e administrativas graves” verificadas em procedimento administrativo próprio. Ante a persistência de tal situação, em 12/09/2012 a ANS determinou que a RECORRENTE promovesse a alienação de sua carteira e suspendeu a comercialização de seus planos e produtos (Resolução Operacional nº 1.265). Finalmente, a liquidação extrajudicial da RECORRENTE foi decretada através da Resolução Operacional nº 1.514 da ANS, publicada em 10/09/2013, tendo sido nomeada como liquidante a Sra. Edna Maria Tonolli, substituída em 14/05/2014 pelo Sr. José Carlos Marani. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, o procedimento fiscal instaurado em face da RECORRENTE decorre do MPF nº 0812800.2013.00013, emitido em 05/02/2013. Fl. 11558DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.559 63 Sendo que, ante a constatação da liquidação extrajudicial, a partir de 10/09/2013 as intimações foram dirigidas ao liquidante nomeado pela ANS. Consta à do Relatório Fiscal (fl. 109) a motivação do agravamento da multa: XVII. DO AGRAVAMENTO DA MULTA 160. A falta de apresentação da documentação solicitada pelas intimações fiscais e de qualquer esclarecimento sobre a razão do não atendimento, motivou o agravamento da multa em 50%, conforme §2º, incisos I e II, do artigo 44 da Lei 9.430/96. Transcrevo abaixo o mencionado dispositivo legal que trata da multa agravada: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;” Em quadro constante no item V do Relatório Fiscal (fls. 38/40), a autoridade lançadora expõe todas as intimações e solicitações de documentos enviados à RECORRENTE. Notase que boa parte das intimações foi encaminhada em data anterior à decretação da liquidação extrajudicial. Sendo que as intimações anteriores a 10/09/2013 (data da liquidação extrajudicial) não tiveram resposta. As posteriores, em sua maioria não foram cumpridas pelos liquidantes nomeados pela ANS, sob a alegação de falta de acesso aos livros e documentos da empresa, conforme resposta dada, em duas ocasiões distintas, uma pela liquidante Edna Maria Tonolli, em 21/02/2014 e outra em 30/10/2014 pelo liquidante José Carlos Marani (trechos das alegações dos liquidantes à fl. 41). Sendo assim, no que diz respeito às intimações posteriores à decretação da liquidação extrajudicial, entendo que a alegação prestada pelos liquidantes, de que não tiveram acesso aos documentos, é um reflexo da situação de “anormalidades econômicofinanceiras e administrativas graves” relatadas pela ANS e que culminaram na intervenção e posterior liquidação extrajudicial na RECORRENTE, não podendo lhes ser atribuída a obrigação de apresentar o que não dispõe, não se caracterizando tal fato como embaraço à fiscalização. Por outro lado, quanto às intimações anteriores à data da liquidação extrajudicial, a autoridade fiscal relata que o Termo de Início de Procedimento Fiscal foi enviado em 21/02/2013 para o endereço da RECORRENTE, tendo o envelope retornado sem que a contribuinte fosse localizada. Somente mediante o Termo de Intimação para Comparecimento das sócias da RECORRENTE é que o Sr. Orlando Marcio de Melo Campos Junior (procurador das sócias) compareceu à DRF em Barueri e tomou ciência da emissão do Fl. 11559DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.560 64 Termo de Início de Procedimento Fiscal para apresentação dos livros contábeis e outros documentos em 20 dias. O procurador informou, também, que o endereço da RECORRENTE foi alterado, eis que foi orientado para atualizar o endereço no cadastro do CNPJ. Contudo, passado o prazo, não foi atendida a intimação para apresentação de livros contábeis e demais documentos solicitados, além de não ter sido alterado o endereço da RECORRENTE no sistema da RFB. Em razão da não localização da contribuinte em seu endereço, a mesma foi declarada INAPTA por meio do Ato Declaratório Executivo nº 17/DRF Barueri, de 13/05/2013, tendo retornada à situação de ATIVA em 27/06/2013 depois de alterar o endereço (mesmo fornecido pelo Procurador das sócias em 19/03/2013). Mesmo assim, a autoridade fiscal relatou que as intimações enviadas ao novo endereço foram devolvidas pelos Correios, ora com a informação no AR de “desconhecido”, ora com a constatação de que a contribuinte “mudouse”. Sendo assim, entendo correta a manutenção do agravamento da multa em 50%, uma vez que o procurador das sócias da RECORRENTE foi pessoalmente intimado do Termo de Início de Procedimento Fiscal para apresentação dos livros contábeis e outros documentos, sendo que deixou de cumprir tal solicitação. Ademais, o mesmo procurador informou, pessoalmente, que o endereço da RECORRENTE teria sido alterado, porém não atendeu à orientação da autoridade fiscal para atualizar o endereço no cadastro do CNPJ. Somente meses depois é que o endereço da RECORRENTE foi alterado no sistema da RFB, no entanto este novo endereço (que foi o mesmo fornecido pessoalmente pelo procurador das sócias) também não se mostrou o correto na medida que as intimações para ele enviadas foram devolvidas pelos Correios. O acima exposto pode ser enquadrado como embaraço à fiscalização, ensejando oi agravamento da multa nos termos do art. 44, §2º, da Lei n 9.430/96. Numa análise superficial, este Conselheiro acreditou que toda a documentação teria sido solicitada após a decretação da liquidação extrajudicial, em 10/09/2013, momento em que a RECORRENTE estava sob o controle de liquidante nomeado pela ANS e que, portanto, s.m.j, não deveria incidir a multa agravada do art. 44, §2º, pelo simples fato de que não teria sido a empresa (ou seus dirigentes diretamente interessados) que deixou de atender à intimação da fiscalização. Até porque o CTN prevê a responsabilidade pessoal dos os administradores de bens de terceiros pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, conforme art. 134, III, c/c o art. 135, I: “Art. 134. (...) III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior;” Fl. 11560DF CARF MF Processo nº 13884.720130/201509 Acórdão n.º 2201004.588 S2C2T1 Fl. 11.561 65 Por tal motivo, foi solicitada vistas dos autos. Contudo, conforme exposto, este não é o caso dos autos, uma vez que antes da decretação da liquidação extrajudicial, a contribuinte já havia causado embaraço à fiscalização, pois não apresentou os documentos solicitados inicialmente, não promoveu à mudança de seu endereço no cadastro do CNPJ e, quando o fez, informou endereço para o qual as correspondências enviadas eram devolvidas pelos Correios. Portanto, correto o agravamento da multa. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 11561DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13604.720229/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2012
IRRF. COMPROVAÇÃO
Comprovada nos autos a regularidade dos valores informados em DIRPF a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, é devida sua dedução na Declaração de Ajuste Anual.
Numero da decisão: 2201-004.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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COMPROVAÇÃO Comprovada nos autos a regularidade dos valores informados em DIRPF a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, é devida sua dedução na Declaração de Ajuste Anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório O presente processo trata da Notificação de Lançamento nº 2012/207926038860885, fl. 10 a 16, a qual teve origem em procedimento de Revisão de Declaração de Rendimentos da Pessoa Física relativa ao exercício de 2012, anocalendário de 2011. A Autoridade Fiscal glosou os valores deduzidos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, no montante de R$ 2.499,07, incidente sobre rendimentos recebidos da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 4. 72 02 29 /2 01 4- 11 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13604.720229/201411 Acórdão n.º 2201004.577 S2C2T1 Fl. 255 2 Associação Comercial Industrial de Serviços e Agropecuariade, CNPJ 19.540.400/000118, por não ter o contribuinte apresentado os documentos solicitados no termo de intimação, limitandose a apresentar relatório relativo a Declaração de Imposto Retido na Fonte de ano calendário diverso. Ciente do lançamento em 10 de outubro de 2014, fl. 18, inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fl. 2/3, juntando relação de darf arrecadados por sua fonte pagadora, bem assim recibo de pedido de parcelamento de que trata a Lei 12.996/14, fl. 05 a 09. Seus argumentos se resumem a afirmar que o pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte seria responsabilidade da citada Associação Comercial, por força de acordo celebrado em reclamatória trabalhista, processo 0087200.56.5000.5.03.0060. No julgamento em 1ª Instância, fl. 29 a 33, a 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo concluiu que os documentos apresentados não comprovam, nos termos da legislação, o direito à compensação do imposto declarado no valor de R$ 2.499,07, devendose manter integralmente o lançamento de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte.. (fl. 32). Ciente do Acórdão da DRJ em 11 de março de 2015, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, em 10 de abril de 2015, o Recurso Voluntário de fl. 39, em que reitera o cancelamento do débito apurado na Notificação em tela, reafirmando a responsabilidade pelo recolhimento atribuída a fonte pagadora e informando que o comprovante de rendimentos fornecido estaria divergente do informado na declaração apresentada, pleiteando autorização para transmissão de declaração retificadora (junta o comprovante de rendimentos de fl. 41 e nova DIRPF, fl. 42 a 47). Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, o julgamento do presente foi convertido em diligência nos termos da Resolução de fl. 53 a 56, para que a unidade de origem verificasse os darf apresentados, sua disponibilidade e sua relação com os valores discutidos nos autos. Em atenção à diligência, foi juntada aos autos a Informação Fiscal de fl. 240 a 243, a qual se fez acompanhar dos documentos de fl. 60 a 239. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte autuado apresentou o requerimento de fl. 247, em que pleiteou urgência para a conclusão da demanda, em particular em razão do que dispõe o Estatuto do Idoso. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher das demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13604.720229/201411 Acórdão n.º 2201004.577 S2C2T1 Fl. 256 3 Como visto, a lide administrativa decorre da glosa de valores deduzidos a título de Imposto de Renda Retido na Fonte incidentes sobre rendimentos recebidos da Associação Comercial Industrial de Serviços e Agropecuariade, CNPJ 19.540.400/000118. Após tratar da apuração do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, a Lei 9.250/1995 determina que: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (...) V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; Embora o contribuinte não tenha comprovado os valores efetivamente recebidos e retidos em razão do acordo trabalhista homologado judicialmente, a verossimilhança de seus argumentos levou à conversão do julgamento em diligência para avaliação, por parte da unidade responsável pela administração do tributo, dos recolhimentos efetuados pela indicada fonte pagadora em particular se estão relacionados aos valores objeto da presente lide administrativa. Sem perder de vista que, conforme a Descrição dos Fatos de fl. 11, o acordo trabalhista homologado resultou no pagamento de 60 parcelas mensais no valor de R$ 4.135,47, cuja responsabilidade pelo IRRF restou à fonte pagadora, o fato é que o contribuinte recebeu valores sujeitos à retenção na fonte de Imposto de Renda, arcando com o ônus do tributo, fl 237. Ademais, a não comprovação da efetivação de tais recolhimentos por parte da fonte pagadora foi devidamente cientificada à Receita Federal do Brasil, nos termos do Ofício de fl. 236, a quem competiria a promoção das ações necessárias à cobrança. Muito embora não seja possível atestar o valor efetivo de rendimentos e de retenção que tiveram lugar no ano calendário em discussão, 2011, a informação fiscal lavrada em sede de impugnação é inequívoca ao afirmar que os darf apresentados se referem ao imposto retido sobre os pagamentos das parcelas do acordo homologado no processo trabalhista e que, apesar de não terem sido apresentadas DIRF ou DCTF, foram constatados recolhimentos para o ano calendário de 2011 que alcançam o montante principal de R$ 2.247,10 (itens 3 e 4, fl. 240). Por outro lado, outros valores foram efetivamente recolhidos no curso da ação judicial (vide darf recolhido em 01/06/2016, no valor de R$ 4.351,59, fl. 232 e 242), sem que tenha sido direcionado especificamente para um ou outro anocalendário, além da notícia de parcelamento de débitos que tende a propiciar aumento no valor efetivamente recolhido, ainda não considerado pelo levantamento fiscal. Por fim, ciente de tudo que consta dos autos, a seu juízo de conveniência e oportunidade, deve a unidade responsável pela administração do tributo adotar as providências necessárias à cobrança de eventuais valores ainda não recolhidos pelo contribuinte responsável. Assim, considerando que o lançamento tratou apenas da glosa de IRRF não comprovado pelo contribuinte, entendo que há elementos nos autos que permitem afirmar que o valor declarado pelo contribuinte tem amparo fático e documental, o que impõe reconhecer a improcedência da autuação fiscal, restabelecendo os valores originalmente declarados. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13604.720229/201411 Acórdão n.º 2201004.577 S2C2T1 Fl. 257 4 Quanto ao pedido de retificação da Declaração de Rendimentos formulado juntamente com o Recurso Voluntário, este não pode ser conhecido, por configurar inovação ao contencioso administrativo inaugurado com a impugnação e por representar, ao fim, revisão de lançamento que não compõe o rol de competências deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento para declarar o lançamento insubsistente, devendose restabelecer o resultado declarado em DIRPF. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004127/2007-54
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2006
EXCLUSÃO DO SIMPLES EXCESSO DE RECEITAS.
Deve ser excluída de ofício do SIMPLES a empresa que, tendo ultrapassado o limite de receitas admitido para a opção, não promoveu a alteração cadastral para fins de exclusão.
EXCLUSÃO DO SIMPLES LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
Para efeitos de exclusão do Simples, aplica-se a lei vigente à época em que restou caracterizada a situação impeditiva, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
EXCLUSÃO – EFEITOS.
Nos casos de excesso de receitas, os efeitos da exclusão se produzem a partir do primeiro dia do ano calendário subseqüente àquele em que ultrapassado o limite.
Numero da decisão: 1301-000.634
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES EXCESSO DE RECEITAS. Deve ser excluída de ofício do SIMPLES a empresa que, tendo ultrapassado o limite de receitas admitido para a opção, não promoveu a alteração cadastral para fins de exclusão. EXCLUSÃO DO SIMPLES LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Para efeitos de exclusão do Simples, aplica-se a lei vigente à época em que restou caracterizada a situação impeditiva, ainda que posteriormente modificada ou revogada. EXCLUSÃO – EFEITOS. Nos casos de excesso de receitas, os efeitos da exclusão se produzem a partir do primeiro dia do ano calendário subseqüente àquele em que ultrapassado o limite.
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Matéria SIMPLES EXCLUSÃO Recorrente Refracom Manutenção e Com. de Produtos Refratários Ltda.ME Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTESIMPLES Anocalendário: 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES EXCESSO DE RECEITAS. Deve ser excluída de ofício do SIMPLES a empresa que, tendo ultrapassado o limite de receitas admitido para a opção, não promoveu a alteração cadastral para fins de exclusão. EXCLUSÃO DO SIMPLES LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Para efeitos de exclusão do Simples, aplicase a lei vigente à época em que restou caracterizada a situação impeditiva, ainda que posteriormente modificada ou revogada. EXCLUSÃO – EFEITOS. Nos casos de excesso de receitas, os efeitos da exclusão se produzem a partir do primeiro dia do ano calendário subseqüente àquele em que ultrapassado o limite. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 2 Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 3 Relatório Cuidase de recurso impetrado por Refracom Manutenção e Comércio de Produtos Refratários Ltda. ME, contra a decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba, que julgou procedente o ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, em razão de haver ultrapassado o limite de receita. Conforme consta dos autos, a empresa foi constituída em 14 de abril de 1993, e aderiu ao SIMPLES em 01 de janeiro de 1997, porém, no anocalendário de 2005 atingiu a receita bruta de R$1.234.070,60. Uma vez que o limite máximo admitido para a opção pelo regime, foi ultrapassado, foi editado o Ato Declaratório Executivo nº 123, de 09 de outubro de 2007, que excluiu a contribuinte do SIMPLES, com efeitos retroativos a 01/01/2006. A manifestação de inconformidade deduzida perante a Delegacia de Julgamento de Curitiba foi apreciada pela 2ª Turma de Julgamento, que a julgou improcedente e manteve os efeitos do Ato Declaratório. Ciente da decisão em 25 de setembro de 2009 (fl. 240), a interessada ingressou com recurso em 27 de outubro seguinte, sustentando a impossibilidade de prosperar a exclusão, alegando, em síntese, que: Antes do encerramento do anocalendário de 2005 foi publicada a Lei nº 11.196, de 2005, cujo art. 33 alterou os limites da receita bruta para o Simples Federal, devendo ser aplicada a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN; De acordo com a Nota nº 3 do Simples Nacional, se a receita bruta considerada para o ano calendário não exceder em mais de 20% o limite descrito na legislação, o contribuinte não estará obrigado ao pagamento da totalidade ou diferenças dos impostos/contribuições. Durante mais de dez anos esteve regular com suas obrigações para com o fisco, não podendo ser admitida sua punição de forma retroativa, admitindosea apenas a partir do momento em que realmente ficar comprovada e regularizada sua exclusão, não podendo retroagir para alcançar atos perfeitamente legais praticados anteriormente. Invoca o princípio da segurança jurídica. Requer seja provido o recurso para ser restabelecida a inclusão ou, se assim não for entendido, que o Conselho se manifeste no sentido de que nada é devido ao Fisco, uma vez que a receita bruta não ultrapassou o limite em mais de 20%. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, a Recorrente, a partir de 01de janeiro de 2007, estava incluída no regime de tributação simplificada de que trata a Lei 9.317/96, que estabelecia: Lei 9.317/96 Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: (...) II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). § 1° No caso de início de atividade no próprio anocalendário, os limites de que tratam os incisos I e II serão proporcionais ao número de meses em que a pessoa jurídica houver exercido atividade, desconsideradas as frações de meses. Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (...) Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) § 1° A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral. (...) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 5 § 3° No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: a) até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário subseqüente àquele em que se deu o excesso de receita bruta, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; Nos termos do art. 13, inciso II, alínea “a” da Lei nº 9.317/96, a empresa estava obrigada a promover alteração cadastral para exclusão do sistema, quando incorrer em qualquer das situações excludentes prevista no art. 9º. da referida lei. Não o tendo feito, a exclusão foi procedida de ofício, em cumprimento ao art. 14, inciso I, da Lei 9.317/96, com efeitos a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite, como determina o art. 15, inciso IV, da Lei. Por seu turno, a Recorrente pretende se favorecer com as alterações de redação sofridas pela Lei nº 9.317/96. Lembra que o limite da receita bruta fora alterado antes de encerrado o anocalendário de 2005. De fato, o art. 1º da Medida Provisória 275, de 27/12/2005 (convertida na Lei nº 11.307, de 2006), alterou a redação de dispositivos da Lei nº 9.317/96, entre eles, o art. 9º, que passou a ter a seguinte dicção: “Art.9o.................................................................. Ina condição de microempresa, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (...) Ocorre que o §3º da MP determinou, expressamente: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI 6 Art.3º Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação ao art. 1o, a partir de 1o de janeiro de 2006. Portanto, o ato administrativo da exclusão observou rigorosamente a lei em vigor à época dos fatos. Descabe invocar aplicação retroativa das alterações legislativas com base no art. 106, inciso II, do CTN, eis que não se trata de norma interpretativa nem está em causa legislação definidora de infração ou penalidade. A “Nota nº 3”, invocada pela Recorrente para eximirse do pagamento dos tributos ao argumento de que a receita alcançada no anocalendário não ultrapassou em 20% o limite previsto na legislação, diz respeito ao SIMPLES NACIONAL, que só entrou em vigor em julho de 2007, sendo inaplicável ao caso em questão. Isto posto, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 12585.720023/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS.
As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns.
As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas.
A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros.
A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo.
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização de tais créditos em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou a apresentação de outra prova inequívoca nesse sentido.
INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações.
No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País.
INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 3402-005.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 23 /2 01 2- 31 Fl. 1612DF CARF MF 2 restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização de tais créditos em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou a apresentação de outra prova inequívoca nesse sentido. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.613 3 Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora Designada Fl. 1614DF CARF MF 4 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, mas manteve o indeferimento do PER e a não homologação das compensações vinculadas. Versa o processo sobre Pedido de Ressarcimento (PER) de nº 30402.57955.190412.1.5.080400 ao qual foi vinculada a Declaração de Compensação (Dcomp) n° 16657.67020.221211.1.3.085450. O ressarcimento solicitado é de créditos de PIS/Pasep não cumulativo, apurados do 4º trimestre de 2008 em relação a suas operações de transporte aéreo internacional no montante de R$ 4.669.054,58. No procedimento fiscal, em relação ao mesmo período de apuração, foram examinados três Pedidos de Restituição de pagamentos indevidos ou a maior, incluídos nos seguintes processos: 12585.720232/201285, 12585.720233/201220 e 12585.720234/201274. O pedido de ressarcimento foi indeferido e a compensação não foi homologada sob os seguintes fundamentos: A empresa possui receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros, e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total para aplicação do rateio proporcional a ser utilizado na apuração de créditos do PIS/Cofins, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas cuja obtenção teve o envolvimento do consumo dos insumos sobre os quais são apurados os créditos, razão pela qual as receitas financeiras e as receitas provenientes da venda de bens do ativo permanente não devem ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada a apropriação dos créditos. A receita à qual se encontram vinculados os créditos tratados no pedido é a receita do transporte aéreo internacional de cargas, incluída no inciso V do artigo 46 da IN nº 247/2002. As glosas a seguir referemse não apenas aos créditos apurados no 4º trimestre de 2008, mas também aos créditos que, em decorrência da releitura das normas feita pelo contribuinte, foram apurados no período de janeiro de 2007 a março de 2008: 1. Tarifas Aeroportuárias; 2. Combustível de Aviação Utilizado no Transporte Internacional; 3. Gastos com o Atendimento ao Passageiro; 4. Aquisição de Bens Patrimoniais; 5. Créditos Extemporâneos; 6. Gastos com Importação; 7. Gastos com a Estadia de Tripulantes; 8. Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção; 9. Gastos não diretamente relacionados à atividade de transporte aéreo; 10. Outros Gastos não Classificáveis como Insumo. A interessada apresentou manifestação de inconformidade aduzindo, em síntese: 1. A divergência no cálculo dos valores relativos à “Receita Bruta Total” apurada pela fiscalização e calculada pela contribuinte são as seguintes: possibilidade ou não de a “Receita Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.614 5 Financeira” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”; e a possibilidade ou não de a “Receita de Transporte Internacional de Passageiros” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”. 2. A fiscalização desgarrouse dos ditames legais ao fixar critérios próprios para a identificação das receitas que devem compor a referida fórmula para cálculo do percentual aplicável aos custos, despesas e demais gastos comuns, base para a apropriação de créditos do PIS/Cofins. As receitas financeiras são inquestionavelmente pertencentes ao rol de receitas não cumulativas auferidas pelas pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Cofins, de forma que foi correto o procedimento da recorrente de incluílas no cálculo das receitas brutas não cumulativas a que se refere o mencionado inciso II do §8° do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, do mesmo modo que foi correta a sua inclusão no cálculo das receitas brutas totais a que também se refere o aludido dispositivo. 4. As receitas originárias do transporte nacional de passageiros estão incluídas no regime cumulativo do PIS/Cofins, mas, jamais, o internacional. 5. Os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99, mas devem atender aos requisitos de imprescindibilidade à própria obtenção do produto ou serviço prestado e, ainda, devem possuir um estrito relacionamento com os processos de fabricação, produção ou prestação de serviços do contribuinte. Contesta a recorrente em caráter específico todas as glosas. A Delegacia de Julgamento acatou parcialmente as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Somente podem ser considerados insumos os bens ou os serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, isto é, quando aplicados ou consumidos diretamente na etapa produtiva da empresa requerente do crédito. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional a ser utilizado na apuração de créditos das contribuições, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. Assim, as receitas financeiras, por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento das contribuições, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total. Interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras. O valor adicional de crédito deferido pela DRJ em face da reversão de algumas glosas não foi suficiente para deduzir toda a contribuição devida do período de apuração. A consequência do deferimento desse crédito adicional ocorrerá no respectivo processo de restituição de pagamento indevido, que terá o crédito deferido pela fiscalização aumentado exatamente no valor ora reconhecido Cientificada formalmente em 23/09/2016, a interessada já havia apresentado recurso voluntário em 29/07/2016, mediante o qual repisou os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: I Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas Financeiras pertencem às receitas brutas não cumulativas Fl. 1616DF CARF MF 6 II Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas de Transporte Internacional de Passageiros Pertencem às Receitas Brutas Não Cumulativas III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias 2. Da glosa relacionada aos gastos ao atendimento ao passageiro 3. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais 4. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos 5. Da glosa relacionada aos gastos com importação 6. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes 7. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos 8. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo 9. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo 10. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte 11. Da glosa relacionada aos gastos com fornecedor com inscrição baixada pela RFB É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. I Rateio Proporcional Receitas Financeiras Como se sabe, os créditos das contribuições do PIS e da Cofins podem somente ser apropriados pela contribuinte em relação à receita bruta não cumulativa, sendo que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes (cumulativo e não cumulativo), o crédito da contribuição deverá ser apurado em conformidade com o disposto nos arts. 3º, §§7º a 9º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep): Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.615 7 § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [negritei] § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) No caso, a recorrente adota o método do rateio proporcional, sendo o crédito da contribuição determinado pela multiplicação do valor integral do crédito por um percentual obtido pela razão entre a receita bruta não cumulativa e a receita bruta total auferida pela empresa no mês. Sustenta a fiscalização que as receitas financeiras, por não serem relacionadas aos insumos sobre os quais são apurados os créditos, não deveriam ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada à apropriação dos créditos. No entanto, as receitas financeiras integram, sim, a receita bruta não cumulativa, inclusive, posteriormente aos períodos de apuração sob análise, mediante o Decreto nº 8.426/2015, foram restabelecidas as alíquotas das contribuições de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. Nessa linha também é a orientação da própria Cosit órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15, V. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (...) Fl. 1618DF CARF MF 8 Ademais, como se vê nos §§8º dos arts. 3º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep) não há qualquer ressalva a respeito das receitas sujeitas à alíquota zero das contribuições ou da necessidade de ter havido pagamento das contribuições para o cômputo nas receitas brutas. Temse como princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). 1 Dessa forma, no cálculo do rateio proporcional entre a receita auferida sob o regime não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, devem ser consideradas as receitas financeiras como integrantes dessas outras duas receitas, ainda que tributadas à alíquota zero nos períodos de apuração. Nesse mesmo sentido já decidiu este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão cuja ementa se transcreve abaixo, relativamente a consideração das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional das receitas de exportação não cumulativas: Processo nº 16366.000413/200689 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.312– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada a omissão sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA TOTAL. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Cofins vinculados à exportação consiste na aplicação, sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação não cumulativa e a Receita Bruta Total no regime não Cumulativo. Não há permissivo legal para a exclusão de qualquer valor, inclusive receitas financeiras, da Receita Bruta da Exportação não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime não cumulativo. Embargos acolhidos Também no Acórdão nº 3201002.235– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, foi assim decidido: (...) Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional 1 STJ REsp: 853086 RS 2006/01380157, Relator: Ministra DENISE ARRUDA, Data de Julgamento: 25/11/2008, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: <! DTPB: 20090212<br> > DJe 12/02/2009. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.616 9 O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, §8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. (...) Assim, cabe reforma na decisão recorrida para que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total e efetuado o correspondente ressarcimento/compensação no montante adicional. II Receitas de Transporte Internacional de Passageiros A matéria controvertida neste tópico envolve a interpretação do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep2, que assim dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; 2 [Lei nº 10.833/2003] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Fl. 1620DF CARF MF 10 V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária (...) VII as receitas decorrentes das operações: (...) XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [negritei] (...) Sustenta a autoridade administrativa no item 5.2 do Despacho Decisório que: "O contribuinte, na qualidade de “empresa aérea regular de passageiros”, deve, no entanto, observar o disposto nos incisos XVI do art. 10° e V do art. 15º da Lei N° 10.833/2003, que manteve regime cumulativo as receitas do transporte aéreo de passageiros, tenham elas sido obtidas no mercado doméstico ou no mercado internacional". O julgador a quo, com esteio na Solução de Consulta Interna nº 12 Cosit, de 11 de junho de 2014, interpreta a questão da seguinte forma: No caso ora debatido, interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. Deveras, se o legislador não estabeleceu expressamente, nem implicitamente, diferenciação de tratamento entre as duas modalidades de transporte aéreo citadas, não cabe ao intérprete fazêlo. Se o legislador almejasse estabelecer essa distinção, teria feito de forma clara, como fez no art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao isentar das contribuições em tela apenas as receitas decorrentes do “transporte internacional de cargas ou passageiros”. Por outro lado, o segundo requisito estabelecido na primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, para aplicação da cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, versa sobre as pessoas jurídicas que devem auferir as receitas contempladas pela norma: segundo o texto legal, tais receitas devem ser auferidas por “empresas regulares de linhas aéreas domésticas”. É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras, uma vez que, pela legislação atual, apenas essas podem prestar serviços de transporte aéreo público doméstico. Quanto à menção legal a “empresas regulares”, como condição a ser cumprida pela pessoa jurídica, é de se ressaltar que a legislação estabelece que a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora. Daí porque imperioso concluir que, conquanto se refira a “empresas regulares”, o dispositivo legal em comento quis alcançar as empresas que operam linhas aéreas regulares. Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.617 11 Afinal, é ilógica a interpretação de que a qualidade “regular” atribuída ao vocábulo “empresa” tenha objetivado restringir a permanência na cumulatividade das contribuições em estudo às receitas auferidas pela empresa que esteja em situação regular. Apesar da atecnia, o legislador pretendeu apenas estabelecer paralelismo redacional no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, referindose em sua primeira parte às “empresas regulares de linhas aéreas”, para versar sobre o transporte aéreo regular, e às “empresas de táxi aéreo”, para versar sobre o transporte aéreo não regular (conforme art. 220 do CBA, “os serviços de táxiaéreo constituem modalidade de transporte público aéreo não regular”). Diante do exposto, concluise que a primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, determina que permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo aéreo de passageiros, nacional (doméstico) ou internacional, efetuado por empresa que opera linhas aéreas domésticas e regulares. Por tal razão, a pessoa jurídica que opera linhas aéreas domésticas regulares de transporte coletivo não pode apurar créditos previstos na legislação da apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins em relação a custos, despesas e encargos vinculados à prestação de serviços de transporte aéreo internacional de passageiros. [negritei] Como se vê, a estratégia hermenêutica utilizada pela DRJ foi a seguinte: separou a primeira parte do inciso em dois requisitos, quais sejam, “receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” e “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” e conectou as duas com o vocábulo "auferidas", no lugar do vocábulo original "efetuado" do dispositivo legal. Daí, interpretou os dois requisitos de forma independente para juntálos, ao final, com o vocábulo "auferidas". Ocorreu que os pressupostos adotados pelo intérprete da DRJ já direcionaram a interpretação no sentido desejado previamente. Em verdade, no esforço interpretativo, partiu se da hipótese de que os dois requisitos seriam independentes para concluir que eles realmente são independentes, como se depreende do seguinte trecho do Acórdão recorrido: "O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. [negritei] Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. (...)". Ora, não se pode separar a primeira parte do inciso em dois requisitos independentes quando eles estão interligados! Os "dois requisitos" estão justamente ligados no pelo vocábulo "efetuado", que concorda em gênero e número com o substantivo "serviço", certamente com a função de restringilo. O dispositivo de interesse poderia ser reescrito com o termo omitido na construção linguística da redação original na seguinte forma: Art. 10 (...) [Lei nº 10.833/2003] (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, [quando o serviço for] efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, (...); Ademais, como dito no próprio acórdão recorrido, "a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora", o que é mais um elemento que corrobora no sentido de que o "segundo requisito" (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”) consta na redação do dispositivo para Fl. 1622DF CARF MF 12 restringir o alcance do termo "serviço de transporte coletivo de passageiros" constante no "primeiro requisito". Seria até um contrassenso entender, no fim das contas, que “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” [negritei] limitaria somente a "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” no que concerne à modalidade de transporte regular aéreo e não quanto ao percurso doméstico, também expressamente referido no dispositivo. Aliás, trata se de mais elemento que corrobora o quanto os dois "requisitos" separados pela DRJ são interdependentes. Segundo o entendimento da fiscalização e da DRJ, a recorrente teria sido alcançada quanto à exclusão do regime não cumulativo porque opera no transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares, sejam elas domésticas ou internacionais, o que se contrapõe à ideia expressa no dispositivo de restringir tanto a modalidade de transporte aéreo regular quanto o percurso doméstico (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas). Também não se coaduna com a boa regra hermenêutica substituir o vocábulo "efetuado", ligado por concordância com o substantivo "serviço", pela palavra "auferidas", que estaria relacionada ao termo "as receitas", como feito no acórdão recorrido. Oportuno, neste ponto, transcrever algumas lições de Carlos Maximiliano3: 114 O processo gramatical exige a posse dos seguintes requisitos: (...) 4) certeza da autenticidade do texto, tanto em conjunto como em cada uma das partes (1). (...) 116 Merecem especial menção alguns preceitos, orientadores da exegese literal: a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase, em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem com idéia inserta no dispositivo" (1). (...) f) Presumese que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva (6). (...) i) Pode haver, não simples impropriedade de termos, ou obscuridade de linguagem, mas também engando, lapso, na redação. Este não se presume: Precisa ser demonstrado claramente. Cumpre patentear, não só a exatidão, mas também a causa da mesma, a fim de ficar plenamente provado o erro, ou o simples descuido (9). (...) Commodissimum est, id accipi, quo res de qua agitur, magis valeat quam pereat: "Prefirase a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade" (3). 304 (...) 3 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 88/227. Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.618 13 (...) 343. Não pode o intérprete alimentar a pretensão de melhorar a lei com desobedecer às suas prescrições explícitas. (...) Pelo que se depreende da leitura da Lei nº 10.833/2003, como regra geral, todas as pessoas jurídicas estão sujeitas a não cumulatividade da Cofins e do PIS/Pasep, excepcionandose dessa regra aquelas pessoas expressamente referidas nos incisos I a VI do seu art. 10, as quais permanecem sob o anterior regime cumulativo. De outra parte, cuida também o art. 10 da Lei nº 10.833/2003 de excepcionar algumas receitas da incidência não cumulativa, mesmo que a pessoa jurídica esteja sujeita ao regime não cumulativo. Esse entendimento veio depois ser confirmado na referida Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, nestes termos: (...) 12. A primeira forma de exceção à apuração não cumulativa exclui desse regime determinadas pessoas jurídicas. Assim, em função do objeto social ou de aspectos específicos (por exemplo, imunidade a impostos ou tributação pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido), certas pessoas jurídicas permanecem sujeitas às normas da legislação anterior à instituição da não cumulatividade. 13. A segunda forma de exceção à apuração não cumulativa não se relaciona com nenhuma propriedade das pessoas jurídicas, mas decorre de uma característica do fato gerador das contribuições em questão. Assim, receitas específicas foram excluídas do regime de apuração não cumulativa, devendo, portanto, submeterse ao regime de apuração préexistente à instituição da não cumulatividade. 14. Dessa forma, o sujeito passivo que não se enquadra na primeira exceção, está sujeito ao regime de apuração não cumulativa. A pessoa jurídica não se submete ao regime de apuração cumulativa por auferir alguma das denominadas receitas cumulativas (excluídas do regime de apuração não cumulativa), ainda que essa seja a única receita por ela percebida. (...) Dessa forma, tendo em vista que a recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses gerais de exclusão do regime, temse, inicialmente, que ela, como pessoa jurídica, está sujeita ao regime não cumulativo das contribuições de PIS/Cofins, sem prejuízo, como dito, de algumas de suas receitas, por disposição legal expressa, serem eventualmente excluídas da incidência não cumulativa. No caso, as receitas excluídas pela primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 dizem respeito às "receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", mas somente quando esse serviço seja "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas". Como já delineado acima, esta última expressão tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, de forma que somente estariam excluídos do regime não cumulativo "as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", assim considerado aquele operado em "linhas aéreas regulares domésticas". Há que se observar que no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 foram excluídas "as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros" para as quais não houve qualquer ressalva quanto ao percurso, se nacional ou internacional, a se supor que aqui, diferentemente do inciso Fl. 1624DF CARF MF 14 XVI sob análise, pretendeuse excluir do regime não cumulativo todos os serviços de transporte coletivo de passageiros, seja dentro ou fora do território nacional. Importante consignar, por fim, que a exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção comporta interpretação restritiva, de forma que, ainda que fosse possível a interpretação sugerida pela DRJ, deveria prevalecer a interpretação mais restritiva da exceção, adotada neste Voto. A interpretação restritiva das regras de exceção foi bem explicada no Recurso Especial do STJ, com apoio também nos ensinamentos de Carlos Maximiliano: RECURSO ESPECIAL Nº 853.086 RS (2006/01380157) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA EMENTA RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM. COMPETÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO. ENFERMEIROS MILITARES. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS REGRAS DE EXCEÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. (...) 9. Ademais, relativamente à Lei 6.681/79, a qual estabeleceu ressalva à fiscalização dos médicos, cirurgiõesdentistas e farmacêuticos militares pelas Forças Armadas, salientese que, em se tratando de regra de exceção, tornase inviável a utilização de exegese ampliativa ou analógica. É inadequada a interpretação extensiva e a aplicação da analogia em relação a dispositivos infraconstitucionais que regulam situações excepcionais, porquanto enseja privilégio não previsto em lei. 10. "As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente " (MAXIMILIANO, Carlos. ob. cit., pp. 225/227). (...) A EXMA. SRA. MINISTRA DENISE ARRUDA (Relatora): (...) Nesse contexto, cabe mencionar a lição de Carlos Maximiliano acerca do "Direito Excepcional " (ob. cit., pp. 225/227), in verbis: "Em regra, as normas jurídicas aplicamse aos casos que, embora não designados pela expressão literal do texto, se acham no mesmo virtualmente compreendidos, por se enquadrarem no espírito das disposições: baseiase neste postulado a exegese extensiva. Quando se dá o contrário, isto é, quando a letra de um artigo de repositório parece adaptarse a uma hipótese determinada, porém se verifica estar esta em desacordo com o espírito do referido preceito legal, não se coadunar com o fim, nem com os motivos do mesmo, presume se tratarse de um fato da esfera do Direito Excepcional, interpretável de modo estrito. Estribase a regra numa razão geral, a exceção, numa particular; aquela baseiase mais na justiça, esta, na utilidade social, local, ou particular. As duas proposições devem abranger coisas da mesma natureza; a que mais abarca, há de constituir a regra; a outra, a exceção. (...) O Código Civil explicitamente consolidou o preceito clássico Exceptiones sunt strictissimoe interpretationis ('interpretamse as exceções estritissimamente') no art. 6.º da antiga Introdução, assim concebido: 'A lei que abre exceção a regras gerais, ·ou restringe direitos, só abrange os casos que especifica'. O princípio entronca nos institutos jurídicos de Roma, que proibiam estender disposições excepcionais, e assim denominavam as do Direito exorbitante, anormal Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.619 15 ou anômalo, isto é, os preceitos estabelecidos contra a razão de Direito; limitava lhes o alcance, por serem um mal, embora mal necessário. (...) Os sábios elaboradores do Codex Juris Canonci (Código de Direito Canônico) prestigiaram a doutrina do brocardo com inserir no Livro I, título I, cânon 19, este preceito translúcido: 'Leges quoe poenam statuunt, aut liberum jurium exercitium coarctant, aut exceptionem a lege continent, strictae subsunt interpretationi' ('As normas positivas que estabelecem pena restringem o livre exercício dos direitos, ou contêm exceção a lei, submetemse a interpretação estrita'). (...) A fonte mediata do art. 6.° da antiga Lei de Introdução, do repositório brasileiro, deve ser o art. 4.º do Título Preliminar do Código italiano de 1865, cujo preceito decorria das leis civis de Nápoles e era assim formulado: 'As leis penais e as que restringem o livre exercício dos direitos, ou formam exceções a regras gerais ou a outras leis, não se estendem além dos casos e tempos que especificam'. As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente. Os contemporâneos preferem encontrar o fundamento desse preceito no fato de se acharem preponderantemente do lado do princípio geral as forças sociais que influem na aplicação de toda regra positiva, como sejam os fatores sociológicos, a Werturteil dos tudescos, e outras. O art. 6º da antiga Lei de Introdução abrange, em seu conjunto, as disposições derrogatórias do Direito comum; as que confinam a sua operação a determinada pessoa, ou a um grupo de homens à parte; atuam excepcionalmente, em proveito, ou prejuízo, do menor número. Não se confunda com as de alcance geral, aplicáveis a todos, porém suscetíveis de afetar duramente alguns indivíduos por causa da sua condição particular. Referese o preceito àquelas que, executadas na íntegra, só atingem a poucos, ao passo que o resto da comunidade fica isenta." (grifouse) Dessa forma, neste tópico, está com razão a recorrente, no sentido de que as "receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo", sendo cabível a apropriação de créditos do PIS/Pasep e da Cofins que por ventura enquadremse no conceito de insumo, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/20044. III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a Cofins Filiome ao entendimento deste CARF quanto ao cabimento de creditamento de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de 4 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 1626DF CARF MF 16 eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/995. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. No caso, entendeu a fiscalização e não discordou a DRJ, que a empresa possuiria receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros (doméstico e internacional), e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). Como visto acima neste Voto, no caso do transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares internacionais, a incidência das contribuições deve se dar de forma 5 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.620 17 não cumulativa, como pretendido pela recorrente, não sendo cabível a exclusão desse regime veiculada pelo inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Assim, para fins deste Voto, sobre as receitas da recorrente a incidência das contribuições de PIS/Cofins dáse na seguinte forma: regime cumulativo transporte aéreo doméstico de passageiros regime não cumulativo transporte aéreo internacional de passageiros; transporte aéreo de cargas nacional e internacional e demais atividades. Dentro desses parâmetros, passase a analisar a glosas especificamente contestadas no recurso voluntário. 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias Quanto a glosa sobre as tarifas aeroportuárias, decidiu a DRJ que se enquadrariam no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os serviços prestados pela Infraero e cobrados por tarifas que são devidas pelas companhias aéreas, eis que fazem parte do processo produtivo da TAM Linhas Aéreas, afinal, sem a realização de tais serviços não seria possível fazer o transporte aéreo de cargas e passageiros, contudo determinou a aplicação do percentual de rateio para a reversão da glosa somente em relação ao transporte internacional de cargas. Considerando o conceito de insumo adotado neste Voto, a essencialidade/imprescindibilidade dos referidos serviços na prestação de serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros pela recorrente, é cabível o creditamento correspondente. Assim, além da reversão da glosa das tarifas aeroportuárias proporcionalmente ao transporte internacional de cargas efetuada pela DRJ, cabe reverter neste Voto a parcela da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros. 2. Da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro Os créditos pleiteados sob a rubrica gastos com atendimento ao passageiro foram glosados pela autoridade administrativa sob o seguinte fundamento: "9.3.1. Não dão direito ao crédito, por estarem vinculadas ao regime cumulativo, nos termos do disposto no inciso XVI do artigo 10° da Lei N° 10.833/2003, as despesas ligadas exclusivamente à receita do transporte aéreo de passageiros, tais como gastos com o serviço de bordo, atendimento em área de embarque (VIP), hospedagem e alimentação de passageiros". Tal entendimento foi mantido parcialmente pela DRJ, que rebateu os argumentos da manifestante item a item dessa rubrica, abaixo discutidos. a) Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos Segundo a recorrente tratamse de gastos incorridos para disponibilizar uma estrutura física e de pessoal para atender os seus passageiros antes de embarcarem no voo a que se destinam, razão pela qual não há dúvida acerca que são pertinentes e essenciais para o serviço prestado pela recorrente de transporte aéreo de passageiros, e, portanto, geram direito a crédito das contribuições de PIS/Cofins no que concerne ao montante relativo ao transporte internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido neste Voto. Fl. 1628DF CARF MF 18 b) Serviços auxiliares aeroportuários Alegou a então manifestante que os "serviços auxiliares aeroportuários” seriam aqueles regulamentados pelo art. 1° da Resolução n° 116, de 20009, da ANAC, constantes no Anexo da aludida Resolução, o que foi rechaçado pela DRJ nestes termos: A contribuinte, porém, não tem razão. Isso porque, analisandose os itens das notas fiscais glosados pela fiscalização (“Anexo 9.3 – Gastos com atendimento ao passageiro”) constatase que os valores desconsiderados na conta “Serviços Auxiliares Aeroportuários” dizem respeito unicamente ao transporte de passageiro, como, por exemplo, “prestação de serviços de atendimento ao passageiro no check in” e “movimentação de passageiros”, os quais, como já se viu, não geram direito a crédito. A recorrente não apresentou a comprovação em sentido contrário à constatação da DRJ de que tais serviços estão efetivamente vinculados apenas ao transporte de passageiros, apenas repisando que tais serviços seriam aqueles referidos na Resolução nº 116/2009 da Anac, também relacionados ao transporte de cargas. Diante da ausência de demonstração de vinculação das despesas glosadas ao transporte de cargas é de ser mantido o entendimento de que elas estão associadas efetivamente ao transporte de passageiros. Dessa forma, entendo que deve ser revertida a glosa de serviços auxiliares aeroportuários no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. c) Serviços de handling Os serviços de handling são procedimentos em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio, os quais podem ser prestados pelos próprios aeroportos ou por empresas externas, sendo que, quando tal atividade é realizada pelas próprias companhias aéreas, denominase "autohandling”. Entendeu a DRJ que é uma despesa que pode estar vinculada tanto à movimentação de passageiros quanto de cargas, de forma que tais gastos gerariam direito ao crédito da não cumulatividade apenas em relação à parte relacionada ao transporte de cargas. Assim, como nos casos precedentes, deve ser revertida também a parcela da glosa de serviços de handling relativa ao transporte internacional de passageiros. d) Serviços de Comissaria Conforme informado pela recorrente, tratase de serviço de preparo e ou aquisição, transporte por veículo apropriado e colocação no espaço designado na cabine da aeronave de alimentos e bebidas para consumo dos aeronautas, mecânicos e passageiros embarcados. A DRJ manteve tais glosas sob o fundamento de que tais despesas são vinculadas ao sistema cumulativo, ou seja, ao transporte de passageiros. De outra parte, alega a recorrente que tais serviços, além de atenderem os critérios de custo referido no art. 290 do RIR/99, também são pertinentes e essenciais para a prestação do serviço da Recorrente, e, sendo reconhecido o direito da recorrente de incluir as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros no sistema não cumulativo, haverá de se reconhecer também que os serviços de comissaria enquadramse no conceito de insumo para a legislação do PIS e da Cofins. Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.621 19 Assim, deve ser revertida a parcela da glosa de serviços de comissaria no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. e) Gastos com equipamentos terrestres Sobre tais créditos entendeu a DRJ que a contribuinte não logrou provar que tal serviço diria respeito ao transporte internacional de cargas e que possuiria documentação hábil a comprovar o crédito, nestes termos: Em relação aos “gastos com equipamentos terrestres”, diz que são gastos com equipamentos terrestres de apoio ao embarque e desembarque de pessoas e cargas consistem na concretização do serviço de transporte aéreo, através da utilização da rampa de apoio, equipamento indispensável para que se tenha acesso e saída da aeronave. Explica que dispõe de rampas de apoio em solo, mas que, em situações de necessidade, pode também solicitálas de empresas especializadas para complementar sua capacidade operacional (doc. 03) e, neste caso, enquadramse como insumo ou geram direito a crédito com base nos incisos IV dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 (aluguel). A primeira dificuldade, neste ponto, é identificar o denominado “doc. 03”, pois embora a interessada tenha anexado alguns contratos ao recurso, não os relacionou ao nome pelo qual se refere na manifestação de inconformidade. Por outro lado, a glosa realizada, no mês de 10/2008, conforme planilha de glosas anexada pela fiscalização, tem como fornecedor a empresa “SERVECOM CATERING REFEICOES LTDA EPP”. Não parece haver, entretanto, nenhum contrato nos autos entre a TAM e esta empresa. Enfim, a contribuinte não logrou provar que tal serviço diz respeito ao transporte internacional de cargas e que possui docomentação hábil a comprovar o crédito. No recurso voluntário a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto à ausência de provas do direito creditório pleiteado apurada pelo julgador a quo, apenas insistindo no enquadramento de tais gastos no conceito de insumo vinculado ao transporte internacional de passageiros, razão pela qual há de ser mantida a glosa relativa aos gastos com equipamentos terrestres. f) Serviços de transportes de pessoas e cargas Alegou a então manifestante que se traGtaria de despesas relativas à movimentação de pessoas e cargas para embarque e desembarque; entretanto, apurou a DRJ que as despesas glosadas seriam relativas à contratação de serviços de vans, vinculados ao transporte de passageiros, razão pela qual entendeu que não haveria direito ao crédito. No que concerne à ausência de comprovação de vinculação dos gastos ao transporte de cargas, a recorrente nada contrapôs à decisão recorrida, apenas reafirmando seu direito ao crédito com relação ao transporte internacional de passageiros. Assim, revertese a glosa de serviços de transporte de pessoas e cargas no montante desses gastos relativo ao transporte internacional de passageiros. g) Gastos com voos interrompidos Em relação a “gastos com voos cancelados, atrasados ou interrompidos”, esclareceu a então manifestante que a ANAC impõe, por meio da Resolução de n° 141/2010, a responsabilidade da companhia aérea em relação à assistência devida aos seus passageiros Fl. 1630DF CARF MF 20 quando os voos forem interrompidos, cancelados ou estiverem atrasados, de forma que tais gastos seriam essenciais à prestação dos serviços de transporte aéreo, especialmente por serem imposição da ANAC, anexando contrato (doc. 02) que comprovaria a contratação de serviços a fim de cumprir suas obrigações regulamentadas pela ANAC. Tendo a DRJ apurado que se tratam de despesas vinculadas exclusivamente ao transporte aéreo de passageiros, manteve tais glosas. Assim, da mesma forma que nos itens anteriores, revertese a glosa de gastos com voos interrompidos no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. g) Demais glosas Neste tópico a recorrente contesta a decisão recorrida relativamente à manutenção das glosas relativas aos seguintes itens: "serviços de aeroporto, despesas com veículos, aluguel e condomínios e luz e força". Entretanto, esta Relatora não logrou êxito encontrar menção a tais glosas no despacho decisório ou na decisão recorrida do presente processo. Dessa forma, em resumo deste tópico, da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro devem ser revertidas, no montante relativo ao transporte internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido mais acima neste Voto, as seguintes parcelas: Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, Serviços auxiliares aeroportuários, Serviços de handling, Serviços de comissaria, Serviços de transportes de pessoas e cargas e Gastos com voos interrompidos. 3. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria apurou a DRJ que, no caso do 4º trimestre de 2008, os bens glosados dizem respeito somente a quatro contas: “Variação de Custos Estoques”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Vestuários e acessórios profissionais”, tendo assim decidido: Relativamente às despesas com “Vestuários e acessórios profissionais”, obviamente elas não estão relacionadas com a manutenção de aeronaves e nem, tampouco, com a prestação de serviços aéreos de cargas, razão pela qual não geram direito a crédito. Por sua vez, há a apenas uma despesa na rubrica “Materiais de manutenção em equipamentos”, que diz respeito à aquisição de uma “Câmera Digital Sony DSC T70”. Obviamente, tal despesa não é insumo no processo produtivo da empresa em epígrafe. Quanto às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebese que se tratam, em verdade, de peças e partes de manutenção de equipamentos. A contribuinte, por sua vez, possui como atividade a prestação de serviços de manutenção de aeronaves, o que impõe considerar que os bens relacionados nas contas acima descritas são insumos. Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.622 21 lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços discriminados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2o do art. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressalte se que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. De outra parte, no recurso voluntário, a recorrente não acrescentou elemento modificativo ou extintivo à decisão da DRJ deste tópico relativamente à "Variação de Custos Estoques" e “Vestuários e acessórios profissionais” e manifestou concordância com relação às demais contas dessa rubrica, quais sejam, "Gastos com equipamentos terrestres", "Materiais de manutenção em equipamentos", razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida por seus próprios fundamentos. 4. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos O legislador ordinário realmente previu a possibilidade de o contribuinte descontar nos meses subsequentes eventuais créditos oriundos de meses anteriores, nos termos dos §§4° dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003: Art. 3º (...) (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [grifos da relatora] (...) Decorre diretamente desse dispositivo que o aproveitamento posterior ao mês em que os bens ou serviços foram adquiridos (ou as despesas foram incorridas) depende da comprovação por parte da requerente de não aproveitamento anterior pelo contribuinte (entre o mês da aquisição do bem ou serviço e o mês de aproveitamento extemporâneo). Assim, por exemplo, se a aquisição do insumo é do mês março e a requerente pretende apropriálo em setembro do mesmo ano, terá de comprovar que não o fez nos meses de março a agosto. Nesse sentido estão as orientações da Receita Federal quanto à necessidade de retificação dos DACONs e DCTFs originais, como instrumentos próprios para tal comprovação, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento de créditos. Há precedentes desta Seção de Julgamento do Carf, conforme trechos extraídos abaixo dos Votos dos Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, no sentido de que pode ser admitida a relevação da formalidade de retificação das declarações e demonstrativos desde que demonstrada pela interessada a ausência de utilização do crédito extemporâneo em outros períodos: Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n° 3402002.603 4a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Aproveitamento de Créditos Extemporâneos (...) Fl. 1632DF CARF MF 22 A matéria no entanto já tem entendimento em sentido contrário, plasmado, por exemplo, no Acórdão n° 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, devese manter a glosa. (...) Processo nº 10380.733020/201158 Acórdão n° 3403002.717 4a Câmara / 3a Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Cabe destacar de início, que, por óbvio, a ausência de retificação a que se refere o fisco, é referente aos períodos anteriores, pois o que se busca é evitar o aproveitamento indevido, ou até em duplicidade. As retificações, como destaca o fisco, trazem uma série de consequências tributárias, no sentido de regularizar o aproveitamento e tornálo inequívoco. Quanto à afirmação de que a recorrente cumpriu em demonstrar a ausência de utilização anterior dos referidos créditos, indicando genericamente todos os documentos entregues à fiscalização e/ou acostados na impugnação, não logra instaurar apresentar elementos concretos que ao menos instaurem dúvida no julgador, demandando diligência ou perícia. Aliás, a perícia solicitada ao final do recurso voluntário considerase não formulada pela ausência dos requisitos do art. 16, IV do Decreto no 70.235/1972, na forma do § 1o do mesmo artigo. No mais, acordase com o julgador de piso sobre a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. E, ainda que se relevasse a formalidade de retificação das declarações, não restou no presente processo demonstrada conclusivamente, como exposto, ausência de utilização anterior dos referidos créditos. Sobre a afirmação de que a autuação "funda seu entendimento tão somente em uma solução de consulta, formulada por outro contribuinte", é de se reiterar de que forma o fisco utilizou soluções de consulta na autuação (fl. 35 do Termo de Verificação Fiscal): "O segundo requisito diz respeito à necessária retificação, em todos os períodos pertinentes, de todas as declarações (DACONs, DCTFs e DIPJs) cujos valores são alterados pelo recálculo e refazimento da apropriação de créditos de PIS e COFINS. Isto porque este procedimento implica também o recálculo de todos os tributos devidos em cada período de apuração, especialmente o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. É que na sistemática da nãocumulatividade, qualquer apropriação de créditos de PIS e de COFINS, resulta, necessariamente na redução, em cada período de apuração, de custos ou despesas incorridas e, por consequência, na elevação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Há diversas soluções de consulta no âmbito da RFB, que exprimem o entendimento acima, dentre elas citaremos a Solução de Consulta no 14 SRRF/6aRF/DISIT, de 17/02/2011, a Solução de Consulta no 335 Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.623 23 SRRF/9aRF/DISIT, de 28/11/2008, e a Solução de Consulta no 40 SRRF/9aRF/DISIT, de 13/02/2009." Assim, patente que as soluções de consulta não são (e sequer constam no campo correspondente) a fundamentação da autuação. (...) Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de, na ausência das retificações, haver comprovação inequívoca do alegado por outros meios, o que não se visualiza no caso dos presentes autos. É de se reconhecer, contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações. (...) Nesse sentido também foi decidido por este Colegiado, em outra composição, no Acórdão nº 3402002.809, de 10/12/2015, sob minha relatoria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 (...) CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Assim, no caso presente, não obstante se pudesse relevar a formalidade de retificação das declarações e demonstrativos, diante da ausência de demonstração inequívoca, a cargo da recorrente, de que os créditos extemporâneos, referentes à aquisições dos anos de 2005 e 2006, não foram aproveitados em outros períodos, não há como reformar a decisão recorrida. 5. Da glosa relacionada aos gastos com importação Trata este tópico das glosas relativas aos gastos com despachante aduaneiro na importação de bens e o correspondente transporte até o estabelecimento da recorrente. Segundo a recorrente seriam os bens importados máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, os quais não estariam disponíveis no mercado nacional. A DRJ manteve a glosa dos gastos com despachante aduaneiro, com esteio no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4/2012 e na Solução de Divergência Cosit nº 7/2012, abaixo transcritos, tendo em vista que não é permitido o desconto de créditos sobre tais dispêndios, os quais não compõem a base de cálculo das referidas contribuições incidentes na importação de mercadorias: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 26 de junho de 2012 DOU de 27.6.2012 “Dispõe sobre a impossibilidade do desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 273 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 a 18 Lei nº 10.865, de 30 Fl. 1634DF CARF MF 24 de abril de 2004, e na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 24 de maio de 2012, declara: Artigo único. Os gastos com desembaraço aduaneiro na importação de mercadorias não geram direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por falta de amparo legal. Solução de Divergência nº 7, Cosit, de 24/05/2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, I e art. 15 (...) 19. Portanto, considerandose que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratados como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostrase absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observase que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. 22. Exatamente por isso, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e seu homólogo na Lei nº 10.833, de 2003, limitam o direito de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita exclusivamente “aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”, e “aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. 23. Verificase, portanto, que a análise da possibilidade de se apurar créditos com relação aos gastos com desembaraço aduaneiro deve se basear exclusivamente na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços. 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada referese às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições incidentes na importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do § 1º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: 25. De fato, há que se verificar se os gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada estão incluídos na base de cálculo das contribuições Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.624 25 incidentes sobre a importação, pois, caso não estejam, não há que se falar em apuração de crédito para ulterior abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar incidentes sobre a receita bruta, visto que o crédito só existe em relação às contribuições efetivamente pagas. Em outras palavras, o crédito na importação não pode ser maior do que a Contribuição para o PIS/Pasep Importação e a CofinsImportação pagas pelo contribuinte. ...... 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep– Importação e da Cofins–Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, possível a apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. 33. Assim, considerandose as hipóteses de creditamento previstas no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, combinado com o inciso I do art. 7º do referido diploma legal, não há autorização para apuração de crédito em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada. Isto porque, conforme o § 1º do art. 15, o direito ao crédito aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação, pagamento que não ocorre em relação a tais gastos, visto que eles não compõem a base de cálculo das aludidas contribuições. Conclusão 34. Diante do exposto, solucionase a presente divergência afirmandose que: a) os gastos com desembaraço aduaneiro devem ser considerados como integrantes do custo de aquisição de mercadoria importada; b) em se tratando de operação de importação de mercadoria, utilizada como insumo ou destinada à revenda, devese analisar a Lei nº 10.865, de 2004, para fins de verificação do direito ao desconto de crédito para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; c) os gastos com desembaraço aduaneiro decorrentes de importação de mercadoria não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação, por força do disposto no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004; d) não é permitido às pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins descontar créditos em relação a gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada, utilizada como insumo ou destinada à revenda, por falta de amparo legal, consoante disposto no § 1º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. De outra parte, os argumentos apresentados no recurso voluntário não convencem. Alega a recorrente que os gastos com despachantes aduaneiros seriam qualificados como custos dos produtos importados, o que, a seu ver, já justificaria a permissão para apropriar os respectivos créditos. Ora, o que poderia justificar o reconhecimento de um direito creditório é a sua previsão legal, o que inexiste para tais gastos, mormente quando esses valores sequer integram a base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins na importação. Também não se poderia dizer que os gastos com despachantes aduaneiros seriam "imprescindíveis para a importação dos mencionados bens pela ora Recorrente", vez que as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias também podem ser efetuadas por outras pessoas, inclusive empregado com vínculo empregatício exclusivo, nos termos do Fl. 1636DF CARF MF 26 art. 5º, §1º do Decretolei nº 2.472/886, atualmente consolidado no art. 809 do Regulamento Aduaneiro/2009. A decisão recorrida deve ser mantida em relação aos gastos com despachantes aduaneiros pelos seus próprios fundamentos. Quanto ao frete nacional dos bens importados, melhor sorte não assiste à recorrente. Os créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, no que concerne aos bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo da contribuinte, estão previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/20047, sendo que, em seu §3º, está definida a base de cálculo do crédito como "o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição". Por sua vez, o art. 7º da Lei nº 10.865/2004 estabelece que a base de cálculo das contribuições será o valor aduaneiro. Nos termos do art. 77 do Regulamento Aduaneiro/2002 ou 2009, integram o valor aduaneiro o custo de transporte e os gastos relativos à carga, descarga e manuseio da mercadoria importada até o ponto de desembaraço no território aduaneiro, bem como o custo do seguro da mercadoria nessas operações. Dessa forma, não há possibilidade de, com fundamento no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, se autorizar o creditamento das despesas com frete e armazenagem incorridas após o desembaraço aduaneiro, que não integram a base de cálculo definida na Lei para o desconto dos créditos. De outra parte, também o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, obviamente, não poderia socorrer a recorrente relativamente a despesas em operações referentes à entrada do insumo, eis que se refere a despesas de frete e armazenagem relativas à operação de venda com o ônus suportado pelo vendedor. 6 Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada apor qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excedentes da responsabilidade do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela própria ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado, ou por despachante aduaneiro. (...) 7 Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.625 27 Analisemos agora a eventual aplicação do art. 3º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 (ou o correspondente da Lei nº 10.637/2002), o qual dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) [negritei] Como se sabe, o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou da Lei nº 10.637/2002 trata do creditamento relativo a um bem ou a um serviço que seja utilizado como insumo na processo produtivo, no caso, na prestação de serviços de transporte de passageiros ou cargas. Vejamos primeiro a hipótese de "serviço utilizado como insumo". Poderia o frete dos bens importados (máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves) ser considerado como "serviço utilizado como insumo" na prestação dos serviços de transporte pela ora recorrente? Entendo que não. Em que pese o CARF não adotar a interpretação restritiva das Instruções Normativas no conceito de insumo, é certo que o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não abriga o creditamento de serviços utilizados em etapas anteriores, que não possam ser consideradas como a prestação do serviço em si (resultado do processo produtivo), no caso, o transporte de pessoas e cargas. Os referidos serviços (frete) são aplicados somente nos próprios insumos, que já foram importados na condição de insumos, de forma que também não se poderia considerar como algo relacionado à produção ou à fabricação anterior desses insumos. O dispositivo legal exige que o serviço (no caso, o frete) seja utilizado como insumo na própria prestação do serviço (transporte de pessoas e cargas), o que não é o caso. Tampouco haveria possibilidade de creditamento dessas despesas com frete em relação ao "bem utilizado como insumo", embora haja construção jurisprudencial no Fl. 1638DF CARF MF 28 CARF8 no sentido de admitir o desconto de créditos, no que concerne ao frete relativos aos insumos, em relação aos bens utilizados como insumo e aos bens para revenda, relativamente às despesas de fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou 10.637/2002) ou de um bem para revenda (inciso I). Em relação ao bem adquirido de pessoa jurídica no exterior não se vislumbra hipótese de creditamento com base nos arts. 3ºs das Leis nºs 10.833/2003 ou 10.637/2002, em face da restrição contida no §3º, I desse dispositivo ("§ 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;") e, em consequência, também não seria possível o creditamento de gastos com o frete nacional vinculados ao creditamento desses bens (apropriado ao custo de aquisição do bem utilizado como insumo). Mais importante é que, como visto, no caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial aplicável ao caso, a qual não prevê a inclusão dos gastos com frete. Assim, sob qualquer ponto de vista, não há que se falar em creditamento das despesas relativas a frete realizadas após o desembaraço aduaneiro, sendo o mesmo raciocínio aplicável aos gastos com despachantes aduaneiros. Em situação semelhante ao presente caso, foi decidido no mesmo sentido do proposto acima por unanimidade de votos daquele Colegiado, sob a relatoria do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, conforme ementa abaixo: 8 Acórdão nº 3402002.662– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.626 29 Acórdão nº 3302003.212– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2016 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Relator: José Fernandes do Nascimento ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. (...) 6. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes Com relação aos gastos com estadia de tripulantes alega a recorrente que: "Não há como desconsiderar a indispensabilidade do gasto com estadia dos tripulantes para que a empresa aérea possa desenvolver suas atividades. Afinal, na atividade de transporte aéreo se pressupõe que os tripulantes percorram longas distâncias para efetivarem a prestação do serviço a que se propõem. E, não raro, por conta da imperiosa necessidade de respeitar a duração da jornada de trabalho do aeronauta, para que este tenha condições de desempenhar seu trabalho, a estadia do tripulante é indispensável à continuidade da prestação do serviço pela companhia". No entanto, os serviços relativos à hospedagem de tripulantes não são utilizados como insumo na prestação de serviços de transporte pela recorrente em si, sendo usufruídos pelos tripulantes em face dos deslocamentos decorrentes da modalidade de trabalho que exercem. Tratamse de despesas que atendem a uma necessidade operacional da empresa, não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins. Nesse sentido está a Solução de Divergência nº 15, de 30 de Maio de 2008: “Os gastos com passagem e hospedagem de empregados e funcionários, não são considerados “insumos” na prestação de serviços, não podendo ser considerados para fins de desconto de crédito na apuração da contribuição para a Cofins e o PIS nãocumulativo". 7. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos Neste tópico assim decidiu a DRJ: "No caso do 4º trimestre de 2008, os bens glosados (“Planilha 9.8 – Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção”) dizem respeito a três contas: “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Handling” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”, sendo que "Tais contas já foram analisadas no item “II.5.4 DA GLOSA RELACIONADA ÀS AQUISIÇÕES DE BENS PATRIMONIAIS”, tendo o Fl. 1640DF CARF MF 30 crédito glosado sido indeferido à contribuinte. Pelas mesmas razões lá aduzidas, entendese serem corretas as glosas realizadas". Como dito no tópico 4. a recorrente manifestou concordância com relação às contas "Gastos com equipamentos terrestres" e "Serviços de manutenção em equipamentos", e relativamente à conta "handling" deste tópico a recorrente nada mencionou no recurso voluntário, razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida. 8. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo Tratase de glosas relativas aos gastos decorrentes da "da contratação de serviços de comunicação por rádio, serviços de despachantes, serviços de segurança patrimonial, serviços gráficos, serviços gerais de limpeza, gastos com treinamentos, serviços de telefonia e banda larga, serviços de lavagem, abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra). Diz, que, igualmente, os gastos despendidos com a manutenção de instalações, aparelhos telefônicos e de ar condicionado, manutenção de extintores e de aparelhos de raio X, cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, rede de dados e voz não geram direito a crédito. Afirma que tais serviços não estão diretamente ligados à atividade de transporte aéreo de cargas, fato que os afastam da conceituação de insumo". Entendeu a autoridade administrativa que: "Tais serviços, por mais necessários às atividades desenvolvidas pela contratante, não estão diretamente ligados à atividade de transporte aéreo de cargas, fato que os afasta da conceituação de insumo". Os gastos com comunicação de rádio entre a companhia aérea e a torre de comando são remuneradas por tarifa e já estão incluídos no tópico "tarifas aeroportuárias". Quanto aos serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas, bem como para contato entre as áreas aeroportuárias, entendeu a DRJ que eles são empregados diretamente na prestação dos serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros, concedendo o respectivo crédito no que concerne ao transporte de cargas. Dessa forma, como neste Voto foi considerado que o transporte internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo, deve ser aqui revertida a parcela da glosa sobre "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros. Com relação à aquisição de “aparelhos de raio X”, como dito pelo julgador a quo, só poderia gerar créditos de depreciação. Como a recorrente não apresentou qualquer argumento que afastasse tal constatação, a glosa deve ser mantida nessa parte. No entanto, quanto “serviços de operação de equipamentos de raio X”, eles podem estar vinculados tanto ao transporte de passageiros como de carga, devendo a parcela da glosa de tais serviços aplicada no transporte internacional de cargas ou no transporte internacional de passageiros ser revertida. No tocante à segurança patrimonial e aos gastos com aquisição de extintores de incêndio, alega a interessada que ambos estão vinculados à segurança dos passageiros e das cargas transportadas. Tendo em vista a não demonstração pela recorrente de que os extintores de incêndio seriam bens não ativáveis, não se pode reverter essa parcela da glosa, entretanto, os serviços relativos à segurança dos passageiros e das cargas enquadramse no conceito de insumo adotado neste voto, eis que são essenciais e imprescindíveis ao transporte de Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.627 31 passageiros e de cargas, devendo a parcela da glosa relativa à "segurança patrimonial" ser revertida relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. A glosa dos créditos relacionados ao fornecimento de energia às aeronaves (GPU: equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), que se refere, na verdade, a gastos com a locação destes equipamentos e não com suas aquisições, foi mantida pela DRJ nos seguintes termos: Ocorre, todavia, que a empresa não conseguiu demonstrar dois aspectos essenciais para ter direito ao crédito em discussão. Primeiro, provar que também a atividade aérea de transporte de cargas necessita deste tipo de equipamento. Pelo recurso apresentado, parece que tais equipamentos são utilizados apenas no transporte de passageiros que, como já se viu, está sujeito ao regime cumulativo. Além disso, o contrato apresentado pela manifestante (doc. 5), fls. 1.445/1.448, foi assinado em 04/11/2013 e o prazo de vigência, conforme cláusula 2.1 só se iniciou a partir da assinatura do contrato. Portanto, como o crédito é do 4º trimestre de 2008, tal contrato não tem o condão de gerar o crédito pretendido. Assim, como a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto a não vigência do contrato no período analisado, não restou comprovado o direito creditório relativo à locação do equipamento GPU, não cabendo reforma na decisão recorrida. Quanto aos gastos com treinamento de tripulantes, decidiu a DRJ no sentido de que "não há previsão legal expressa que autorize o creditamento com tal gasto. Por outro lado, tais despesas não se subsumem no conceito de “insumos”, pois não se caracterizam como “bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços” ou “serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço”. De outra parte, alega a recorrente que "as despesas com treinamento de tripulantes são indispensáveis para a aludida execução do serviço de transporte aéreo e estão diretamente relacionadas ao objeto social da Recorrente, razão pela qual as glosas devem ser revertidas por este E. CARF". No entanto, as despesas com treinamento de empregados embora sejam essenciais em qualquer ramo empresarial, não são se tratam de serviços aplicados na prestação de serviços de transporte, objeto social da recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida nesta parte. Quanto aos demais itens deste tópico, em que pesem os argumentos da recorrente, deve ser mantida a decisão recorrida, nos seguintes termos: "é facilmente observável que diversos bens glosados não dizem respeito diretamente ao serviço prestado pela manifestante, sendo apenas despesas operacionais da empresa. Obviamente, serviços gerais de limpeza, serviços de telefonia e banda larga, serviços de lavagem, gastos com cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas entre diversos outros, não têm correspondência direta com os serviços prestados pela empresa, não podendo gerar o direito ao crédito. São bens de uso e consumo da empresa, que não geram o direito ao crédito". No que diz respeito a "rede de dados e voz", conforme já decidido por este CARF no Acórdão nº 3401002.857, de 27 de janeiro de 2015, em relação a uma transportadora de cargas, não há o direito ao creditamento, conforme a seguinte ementa: Fl. 1642DF CARF MF 32 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2009, 2010, 2011 (...) DESPESAS COM TELEFONEVOZ E TELEFONEDADOS. VINCULAÇÃO A ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS. NÃO ENQUADRAMENTO COMO INSUMOS. As despesas com telefonevoz e telefonedados, por sua natureza, não se vinculam à prestação de serviço de transporte de cargas e não são indispensáveis a sua execução. Ademais, sua utilização está principalmente vinculada à realização das atividades administrativas da empresa, o que permitiria enquadrálas como necessária nos termos da legislação do IRPJ. Considerando a definição de insumos adotada, que não se confunde com o de despesa necessária do art. 299 do Decreto nº 3000/99, tais despesas não preenchem os requisitos para caracterização como insumo. Deve ser mantida a glosa em relação a estas despesas. Assim, em resumo, devem ser revertidas neste tópico, relativamente à glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo, somente as seguintes parcelas: a) "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e b) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. 9. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo No tocante a estas glosas, assim decidiu a DRJ: Observase com as glosas levadas a cabo pela fiscalização (Anexo 9.11 – Outros gastos não classificáveis como insumos) que a interessada pretendeu se creditar de todos os gastos que possui. No referido anexo, percebese a glosa de, entre outros, dispêndios com lixas, thinner, fita crepe, rolo de espuma, aplicador de massa, estopa, bobinas, etc. Todavia, não é todo e qualquer custo que gera o crédito da não cumulatividade do PIS/Cofins. Bens de uso e consumo não podem gerar o crédito da não cumulatividade das referidas contribuições, razão pela qual correta as glosas efetividas pela fiscalização. Tais bens são de uso e consumo, não havendo previsão legal para este tipo de creditamento. Além do mais, como a própria interessada consignou em seu recurso, “os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99”. Especificamente, a interessada se insurge contra as glosas de despesas com vestuários e acessórios profissionais, entendidos como os uniformes utilizados pelos funcionários de rampa, aeroporto, os tripulantes, etc. Quanto a estas despesas em específico, vale observar que a Lei n° 11.898, de 08/01/2009, incluiu nos artigos 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 o inciso X, prevendo tal direito a crédito, in verbis: X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Observase, portanto, que as despesas constantes do inciso acima transcrito não proporcionam o crédito indiscriminadamente a qualquer pessoa jurídica. Tais despesas possibilitam o crédito apenas a pessoas jurídicas que explorem a prestação Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.628 33 de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como este não é o caso da manifestante, não há que se falar em direito a crédito em relação a essas despesas. Por fim, a manifestante reclama especificamente sobre as glosas de gastos com materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticas, que são utilizados para a conservação e para a segurança das partes e peças que serão destinadas ou à manutenção ou à própria aplicação nas aeronaves. Tais bens, entretanto, por razões já exaustivamente debatidas neste voto, não se enquadram no conceito de insumo para a empresa em epígrafe, dado o seu objeto social. Afinal, não têm vinculação direta com a prestação de seus serviços. Alega a recorrente que as "despesas com vestuários e acessórios profissionais" seriam custeadas pelo empregador, conforme determinação legal, não havendo como dissociar esse gasto ao conceito de insumo. Não obstante o conceito mais amplo de insumo no âmbito deste CARF, entendo que tais despesas não se enquadram no conceito de insumo, vez que não são aplicadas no transporte de pessoas e cargas, tratandose de despesas operacionais da empresa. No caso de fardamento e uniforme, o legislador ordinário optou por conceder o creditamento somente às atividades de "prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção", nos termos do art. 3º, IX das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Com relação aos "Materiais de Acondicionamento e Embalagens", embora afirme a recorrente que se tratariam de "materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticos", não se tem prova nos autos de que natureza seriam tais materiais e embalagens ou se seriam não ativáveis, devendo, assim, a decisão recorrida ser mantida também nesta parte. 10. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte A autoridade administrativa glosou o crédito de combustível consumido no transporte aéreo internacional sob os fundamentos abaixo, o que foi mantido pela DRJ: 9.2.1. A impossibilidade de apuração de créditos do COFINS sobre o valor do combustível consumido no transporte aéreo internacional deuse a partir de 26/09/2008, com a edição, da Lei N° 11.787, de 25/09/2008 – DOU 26.09.2008 – que deu nova redação ao artigo 3° da Lei N° 10.560, de 13/11/2002 – DOU 14.11.2002: Dispõem os artigos 2° e 3° da Lei 10.560, de 13/11/2002 (DOU 14.11.2002): Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, relativamente à receita bruta decorrente da venda de querosene de aviação, incidirá uma única vez, nas vendas realizadas pelo produtor ou importador, às alíquotas de 5% (cinco por cento) e 23,2% (vinte e três inteiros e dois décimos por cento), respectivamente.(redação dada pela lei 10.865/2004) Art. 3° A Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não incidirão sobre a receita auferida pelo produtor ou importador na venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional. (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) Dispõe o parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10833/2003 § 2º Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou Fl. 1644DF CARF MF 34 utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. De outra parte alega a recorrente que não há na Constituição Federal qualquer proibição que diga respeito à vedação da apropriação de créditos relacionados a operações sujeitas à isenção ou qualquer outra hipótese desonerativa. Ocorre que a não cumulatividade das contribuições de PIS/Cofins é instituída por lei ordinária, diferentemente do que ocorre com o IPI e ICMS, cuja não cumulatividade tem previsão constitucional, conforme esclarece Nasrallah9: Muito embora o ICMS e o IPI e o PIS e a Cofins sejam tributos sujeitos à sistemática não cumulativa, existem diferenças muito relevantes entre as duas espécies de não cumulatividade. A não cumulatividade do ICMS e IPI é obrigatória e tem suas principais diretrizes oriundas da Constituição Federal, que enuncia que estes impostos são não cumulativos, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Vale dizer, a não cumulatividade destes impostos ocorre com o creditamento na escrita fiscal do montante do imposto pago e destacado nas notas fiscais de entrada e que sofre nova incidência em etapa posterior da cadeia. Por outro lado, a não cumulatividade da COFINS e do PIS não é obrigatória, pois somente existirá ser for instituída por lei ordinária e pode coexistir com o sistema cumulativo. É tratada pela legislação ordinária, com regras de deduções e estornos próprios, que podem ser alteradas livremente pela lei comum. No caso da recorrente, não há a incidência das contribuições na "venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional", nos termos 3° da Lei 10.560/2002, razão pela qual incabível o correspondente creditamento, conforme determinação expressa do §§2°s, incisos II dos artigos 3°s das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. 11. Da glosa relacionada aos gastos com fornecedor com inscrição baixada pela RFB A recorrente manifesta concordância com a glosa deste tópico. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário na seguinte forma: a) Determinar à autoridade administrativa que efetue novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total, bem como a inclusão das receitas originadas do transporte internacional de passageiros no regime não cumulativo; e b) Reverter somente as seguintes parcelas das glosas abaixo: i) glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no valor relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; ii) glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro: Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, Serviços auxiliares aeroportuários, Serviços de 9 NASRALLAH, Amal. Diferenças entre a nãocumulatividade do ICMS e IPI e a do PIS e da Cofins. <http://www.migalhas.com.br> Acesso em 03/06/2018. Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.629 35 handling, Serviços de comissaria, Serviços de transportes de pessoas e cargas e Gastos com voos interrompidos; no montante relativo ao transporte internacional de pessoas; iii) gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo: iii.1)"serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e iii.2) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1646DF CARF MF 36 Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir da ilustre Relatora no que tange à glosa de despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) Embora não seja essa premissa o objeto da minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora mas sim a sua aplicação sobre uma específica glosa , vale repisar a evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.10 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). 10 AC nº 9303002.801, Processo nº 13052.000441/200307, rel. Rodrigo da Costa Pôssas , sessão de 23 de janeiro de 2014. Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.630 37 Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. A Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros. Tendo em vista o citado objeto social, a Recorrente trouxe aos autos prova de seus dispêndios com vestuários e acessórios profissionais de seus funcionários. O custeio dessas vestimentas para os aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984 (com a redação mantida pela Lei n. 13.475/2017, a qual dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta; e revoga a Lei no 7.183/1984), in verbis: Art. 46 O aeronauta receberá gratuitamente da empresa, quando não forem de uso comum, as peças de uniforme e os equipamentos exigidos para o exercício de sua atividade profissional, estabelecidos por ato da autoridade competente”. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade da Recorrente, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo Fl. 1648DF CARF MF 38 de produção dos serviços prestados pela Recorrente, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais. Assim tem se manifestado esse Conselho em casos análogos, à medida que o fornecimento de uniformes decorre de imposição de lei específica do setor econômico da empresa. Citamos como exemplo o caso dos uniformes utilizados pelos funcionários em redes de supermercado, conferindo direito ao crédito das Contribuições, haja vista que para cada setor específico das lojas a legislação trabalhista brasileira prevê a obrigatoriedade do fornecimento de equipamentos de proteção individual bem como de uniformes para os seus funcionários (Acórdão n. 3301004.483). Por tudo quanto exposto, voto pela reversão das glosas de créditos pautados em "despesas com vestuário e acessórios profissionais" dos aeronautas, relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.631 39 Declaração de Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz Igualmente devo expressar minha discordância com a Ilustre Relatora no que tange ao direito creditório referente aos gastos com insumos importados, mais precisamente o frete nacional de insumos importados e os serviços aduaneiros. Como já noticiado, a Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros, sendo que, para o desenvolvimento destas atividades, tornase imprescindível o uso de máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, que não estão disponíveis no mercado nacional. Por essa razão, necessita importálas do exterior, assim como transportálas para seus estabelecimentos e armazenálas com terceiros. Desta forma, os referidos gastos com frete nacional dos produtos e despachantes aduaneiros são imprescindíveis para a consecução do objeto social da Recorrente, o que os qualifica como insumos para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS, de acordo com a legislação que rege o tema, como passo a expor. Tratemos primeiramente do frete nacional de produtos importados. A garantia do direito dos créditos das Contribuições é imperiosa no presente caso, pois os motivos elencados pela Fiscalização e corroborados pela DRJ não se coadunam com a natureza do frete sob análise e, por conseguinte, com a legislação que garante seu aproveitamento. Com efeito, o frete em apreço tratase de frete nacional, e não internacional (custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado, conforme o artigo 77 do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009). É por esta razão que os argumentos de que "inexiste norma garantidora do direito a tal crédito", e de que "a legislação disciplinadora da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as importações referese ao valor aduaneiro, dentro do qual não estaria incluído o frete", não se aplicam ao presente caso. Explico. Inicialmente, é preciso recordar a diferenciação da incidência/direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre importações ("PISimportação e COFINS importação", ou PIS/COFINSimportação), com a incidência/direito ao crédito das Contribuições ao PIS e da COFINS ("PIS e COFINS") incidentes sobre operações no ocorridas no mercado interno. O PISimportação e a COFINSimportação são exações tributárias disciplinadas pela Lei n. 10.685/04, que em seu artigo 1º, traz a materialidade que é atingida pelas Contribuições: a importação de bens e serviços. Assim, o PIS/COFINSimportação incide uma única vez, no momento da importação de bens e serviços. Fl. 1650DF CARF MF 40 Tratandose de incidência tributária sobre as importações (paralelamente à desoneração na exportação pelos países estrangeiros), o PISimportação e a COFINS importação dão efetividade ao princípio do destino, que rege a tributação do comércio internacional, como decorrência da necessidade de harmonização das legislações entre Estados, como ensina Ricardo Lobo Torres.11 Desse modo, as mercadorias e serviços trazidos do exterior serão sujeitos à incidência dos tributos nacionais sobre o consumo (como o IPI, o ICMS e o ISS), tendo então o mesmo tratamento tributário das mercadorias e serviços produzidos no mercado nacional, com isso respeitando o princípio da não discriminação. Dessarte, o PIS–importação e a COFINS–importação incidem tão somente nas operações nas quais os fornecedores estão domiciliados fora do país, e é a essa situação que a Lei n. 10.685/04 abarcou. Consequentemente, a Lei n. 10.865/04 não trata das operações praticadas em território brasileiro, as quais, como é consabido, são regradas pelas Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003. Todavia, para as pessoas jurídicas que apuram as Contribuições pela sistemática da nãocumulatividade, a importação pode ser a primeira das etapas comerciais, industriais ou de prestação de serviços que ocorrerão em território nacional, a qual eventualmente poderá ser juntar a outros bens ou serviços adquiridos no mercado interno para a consecução das atividades empresarias. Justamente nesse sentido, a Lei n. 10.865/2004, em seu artigo 15, estabeleceu que um dos créditos que podem ser apurados na não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS (cf. as Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003) corresponde aos valores pagos anteriormente a título de PIS/COFINSimportação. Vejamos Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 11 Assim, a tributação é outorgada para o país onde os bens são consumidos. (O princípio da não cumulatividade e o IVA no direito comparado. In O princípio da nãocumulatividade, coord. Ives Gandra da Silva Martins, p. 161). Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.632 41 § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 1oA. O valor da CofinsImportação pago em decorrência do adicional de alíquota de que trata o § 21 do art. 8o não gera direito ao desconto do crédito de que trata o caput.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 2o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 3o O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8o sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7o, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição A dicção do caput do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004 é clara: concedeserá o direito ao crédito, relativamente às IMPORTAÇÕES, sobre as contribuições efetivamente pagas (§1º), apurado de acordo com as demais normas que regem o PISimportação e a COFINSimportação, dentre elas a utilização do valor aduaneiro sobre da importação de bens (artigo 7º, inciso I). Como é possível perceber desde já, aqui se discute unicamente a incidência e o crédito nas importações. Esse é o marco final da disciplina da Lei n. 10.865/2004, que em nada pode ou deve prejudicar a incidência das Contribuições que ocorrem em momento subsequente (mercado nacional) e o respectivo direito ao crédito. Afinal, não há e nem poderia haver na Lei n. 10.865/2004 vedação à tomada de outros créditos decorrentes de dispêndios posteriores à importação, pois tais momentos não são objeto de sua normatização. Assim é que a discussão sobre o valor aduaneiro e falta de amparo legal, como já adiantado, em nada tangencia o presente caso, no qual o frete é nacional, uma vez que prestado depois do desembaraço aduaneiro. Tratase de serviço contratado pela Recorrente para que possa efetivar suas atividades empresariais. Com relação a tais fretes, é necessário observar o quanto disposto pelas Lei n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, pois estas sim cuidam da incidência e, por conseguinte, do direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS em casos como o presente. São inúmeras as manifestações da Receita Federal sobre o assunto, sempre tendo como pressuposto justamente a diferenciação acima exposta, como se depreende, a título exemplificativo, dos trechos das seguintes Soluções de Consulta: Solução de Consulta nº 113 SRRF09/Disit, datada de 11 de junho de 2012: É que os créditos a que a Leis nº 10.637, de 2002, e a Lei nº 10.833, de 2003, aludem são somente os relativos a aquisições no mercado interno, diferentemente dos créditos relativos à importação de bens e de serviços, que estão no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Solução de Consulta nº 75 SRRF08/Disit Data 27 de março de 2013: 12 Devese ressaltar a notável diferença existente entre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre as Fl. 1652DF CARF MF 42 operações no mercado interno e a Contribuição para o PIS/Pasep–Importação e a Cofins–Importação incidentes sobre as importações de bens e serviços. Tratamse de tributos distintos, que possuem hipótese de incidência, base de cálculo e contribuintes diferentes. 13 De um lado, temse a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita (mercado interno), cuja autorização para sua criação fundase no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal (CF). O regime de apuração não cumulativa das mencionadas contribuições foi instituído pela Lei nº 10.637, de 2002, relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep, e pela Lei nº 10.833, de 2003, no que se refere à Cofins. Com efeito, a Receita Federal parte do mesmo pressuposto do adotado no presente voto: há primeiro uma operação de importação de bens, sujeito à incidência do PIS importação e da COFINSimportação, dado direito ao crédito nos moldes do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004; posteriormente outras operações passam a existir em âmbito nacional, sobre as quais vai incidir a Contribuição ao PIS e a COFINS nãocumulativas, e os créditos estão disciplinados pelos artigos 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Ocorre que, em razão do restrito juízo administrativo sobre o conceito de insumo no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS no sentido daquele adotado na legislação do IPI (somente dariam direito ao crédito MP, PI e ME incorporados ao produto), o entendimento que hoje prevalece nas Soluções de Consulta é pela não autorização do direito ao crédito. Por todas, destaco a recente Solução de Consulta nº 121 Cosit, de 8 de fevereiro de 2017, na qual a questão do frete é análoga a que ora se discute: 13. No caso em tela, questionase a possibilidade de desconto de créditos em relação a gastos compreendidos entre o despacho aduaneiro e a revenda do produto, mais especificamente os serviços aduaneiros, o frete relativo ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica e as despesas com depósito (armazenagem), contratados com pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 14. Em relação à despesa com serviços aduaneiros, verificase que não estão incluídas no rol de hipóteses de creditamento constantes do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em que pese os serviços aduaneiros referiremse à aquisição de mercadorias importadas, também não encontramos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que enumera os créditos decorrentes da importação, hipótese passível de abarcar os referidos serviços. 15. Com relação ao frete concernente ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica, verificase que, dentre as hipóteses de crédito enumeradas pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, apenas é possível perquirirse acerca da previsão de crédito em relação a frete na operação de venda (inciso IX). No que toca aos gastos com frete na aquisição dos produtos, têmse sedimentado o entendimento de que tal dispêndio pode ser incorporado ao valor do item adquirido e, Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.633 43 caso este se destine à revenda (art. 3º, I, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) e seja adquirido de pessoa jurídica domiciliada no Brasil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 3º, I, e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 3º, I), o crédito pode ser apurado pelo valor total (custo de aquisição do item + frete). Como não é o caso, já que a mercadoria importada não é adquirida de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, essa aquisição não dá direito a crédito com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Dessa forma, a possibilidade de apuração de crédito, nesse caso, deve ser analisada com base no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que trata, como mencionado, de produtos importados. A conclusão inarredável é que a Fiscalização somente analisa o direito ao crédito do frete nacional de produto importado à luz do artigo 3º, incisos I e IX das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003, e não com relação ao artigo 3º, inciso II das mesmas leis, o qual, como se sabe, traz a possibilidade de tomada de crédito das Contribuições sobre bens ou serviços contratados no âmbito de seus processos produtivos. Porém, o assunto dos gastos com fretes e seu consequente direito ao creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS encontrase inserido na questão maior do conceito de insumo para fins do direito ao crédito dessas Contribuições Sociais, o qual teve grande atenção desse Conselho, culminando em jurisprudência já consolidada sobre o tema. Adotandose a linha de entendimento exposta no voto vencedor acima colacionado,12 como vem ocorrendo nas decisões proferidas por este Colegiado, a consequência lógica incontornável é pela necessidade de garantia do direito ao crédito da Recorrente, porque o seu direito sobre o frete nacional de produtos importados é sustentado pelo artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Ademais, é preciso salientar, entendimento diverso significaria tratar a não cumulatividade da Contribuição ao PIS e a COFINS como se fosse técnica de tributos vinculados ao produto. Não é demais repetir, a Contribuição ao PIS e a COFINS incidem sobre a receita, e daí advém o entendimento do CARF que os custos de produção, por serem indispensáveis para as atividades empresariais, devem dar direito ao crédito. É essa a tranquila jurisprudência deste Conselho, conforme se verifica das ementas abaixo colacionadas: Número do processo: 10950.003052/200656 Acórdão nº 3403001.938 Data de Publicação: 03/05/2013 Contribuinte: PLANT BEM FERTILIZANTES S.A. Relator(a): ROSALDO TREVISAN Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins 12 Este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Fl. 1654DF CARF MF 44 Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. “[...] CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. [...] (Processo 13971.005202/200959, Acórdão 3403003.163, j. 20/08/2014, Relator Alexandre Kern) Outrossim, não permitir direito ao crédito do frete nacional (ou qualquer outro custo posterior à nacionalização) do insumo importado significaria o absurdo de que, com relação aquele insumo, nenhum outro gasto incorrerá a empresa em seu processo produtivo, ao fim do qual há a geração de receita, que sofrerá a tributação das Contribuições sociais em questão. Concluise assim que, efetivamente, ao tratamos do trânsito de matérias primas da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte (frete nacional), o dispêndio com frete é custo da atividade da Recorrente, e deve ser entendido como insumo, nos termos do artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.673 e 10.833, sendo capaz, portanto, de dar direito ao crédito, seja da Contribuição ao PIS, seja da COFINS. Nesse sentido, lembro que no tange à contratação do frete, como destaco alhures, está cumprido o requisito do artigo 3º, §3º inciso I das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, já que o crédito tomado pela Recorrente advém de serviços contratados de pessoas jurídicas domiciliadas no País. Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 12585.720023/201231 Acórdão n.º 3402005.325 S3C4T2 Fl. 1.634 45 Assim, entendo que deve ser concedido o direito ao crédito referente a fretes para o transporte de insumos da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte. O mesmo raciocínio, exaustivamente tratado acima, se aplica aos gastos com serviços aduaneiros (despachantes). Nesse ponto, cumpre realçar que os gastos relacionados com despachantes aduaneiros referemse à contratação de pessoas jurídicas conforme contratos anexos à defesa. Esse Colegiado, no julgamento do Processo n. 11080.725358/201183, já entendeu pelo direito ao crédito sobre esse jaez de serviços aduaneiros. No mesmo sentido manifestouse a 1ª Turma da 2ª Câmara dessa Seção de Julgamento no 10976.000158/200871, do qual destaco o seguinte trecho do voto condutor da decisão: “Especificamente sobre os gastos incorridos com despachantes aduaneiros, durante a ação fiscal, a Recorrente apresentou documentos sobre a importação de jogos de cinta de prensagem brilhante para máquina de produção de cartões de plástico laminado marca Melzer (fls. 142/146). No arrazoado sobre o seu processo produtivo, a Recorrente esclareceu à fiscalização que adquire materiais no mercado externo para a confecção de cartões de pvc com tarja magnética, bem como de formulários e cheques. Ora, considerando que a atividade fim da Recorrente não está diretamente relacionada a comércio exterior, é natural que haja a contratação de terceiros para acompanhar esse tipo de operação, sendo desnecessária a contratação de empregados para tanto. Considerando ainda que o despachante aduaneiro contratado é pessoa jurídica, nomeadamente a Internacional Comissaria de Despachos Aduaneiros Ltda. (fls.97, 99, 101, 103, 105 e 107), não se aplica a restrição legal ao crédito decorrente da contratação de pessoas físicas. Com base em todas essas circunstâncias, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada no tocante à glosa de créditos de COFINS oriundos de gastos com serviços de despachante aduaneiro.” (Processo nº 10976.000158/200871 – Acórdão nº 3201000.958 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária –julgado em 24/04/2012 – g.n.) Com esses fundamentos, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de créditos relativas a frete nacional de insumos importados e gastos com despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1656DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973279/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.973279/201280 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.431 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de maio de 2018 Assunto IRPJ Recorrente TECBENS EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 73 27 9/ 20 12 -8 0 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.973279/201280 Resolução nº 1201000.431 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “A Interessada transmitiu o PER/DCOMP n° 1231.28750.240511.1.3.049598 no qual requer a compensação de débitos com crédito referente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ (código 2089: IRPJ Lucro Presumido; Período de Apuração PA: 30/06/2010; crédito original na data da transmissão R$ 14.256,11; fls. 03 a 07). 2. Foi emitido Despacho Decisório não homologando a compensação declarada em face da inexistência do crédito, visto que foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 13/11/2012 (AR; fl. 10), e dele recorreu a esta DRJ, em 30/11/2012 (fls. 13 a 15), nos seguintes termos, sinteticamente. (...) I DOS FATOS 3.1 No segundo e terceiro trimestres do ano civil de 2010, apurou receitas em duas modalidades: prestação de serviços e venda de imóveis. 3.2 Na apuração do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) dos referidos trimestres, foram consideradas as duas modalidades de receita como sendo somente de prestação de serviço. 3.3 Isto posto, as receitas de vendas de imóveis tiveram suas bases de redução calculadas à alíquota de 32% ao invés de 8% para fins de IRPJ, e no caso da CSLL à alíquota de 32% ao invés de 12%. (...) 3.5 Em razão desses créditos fiscais, a partir de maio de 2011 foram solicitados pedidos de compensações, através de PER/DCOMPs para quitação de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL vincendos a partir daquela data que estão sendo objetos de questionamento de Despachos Decisórios. 3.6 Lamentavelmente, quando da elaboração e apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), não foram configurados os referidos créditos fiscais na ficha 14A linha 07 e 18A Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.973279/201280 Resolução nº 1201000.431 S1C2T1 Fl. 4 3 linha 03, correspondente à apuração do IRPJ e da CSLL do segundo e terceiro trimestres de 2010, uma vez que as cifras ficaram apresentadas na linha 07 da ficha 14A (IRPJ) receita bruta sujeita ao percentual de 32% e linha 03 ficha 18A (CSLL) receita bruta sujeita ao percentual de 32%, ao invés da segregação entre as receitas sujeitas ao percentual de 32% e aquelas sujeitas ao percentual de 8%, para fins de IRPJ, e sujeitas ao percentual de 12% para fins de CSLL. 3.7 Com isto, os saldos a pagar de IRPJ, bem como o da CSLL, ficaram idênticos aos valores recolhidos através de DARF não configurando a demonstração do crédito, pois se os valores apresentados na DIPJ como saldos a pagar fossem efetivamente menores do que os recolhidos, ficaria evidente o direito de crédito por recolhimento a maior. II – DO DIREITO (...) II. 2 DO MÉRITO 3.10 Conforme explicado anteriormente, a empresa agiu de boa fé, utilizando os preceitos e fundamentos legais para denunciar o seu crédito e a respectiva utilização através dos instrumentos de compensação, e, em sendo assim, a empresa não pode ter o seu direito cerceado pelo equívoco que cometeu no preenchimento da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), e dessa forma não ter a homologação através de Despacho Decisório de seus créditos fiscais legítimos por recolhimento a maior. III DOCUMENTOS ANEXADOS Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (...) IV DO PEDIDO 3.12 À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório, espera e requer seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para revisão da decisão e consequente cancelamento do Despacho Decisório, consideração da existência do crédito fiscal e a homologação para compensação/quitação do débito no valor de [...]." 2. Em sessão de 26 de setembro de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, conforme Acórdão nº 1661.774, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos informados pelo contribuinte em DCTF constituem confissão de dívida, prescindem de lançamento para serem cobrados, tornandose instrumento hábil por meio do qual o Fisco pode promover a cobrança. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.973279/201280 Resolução nº 1201000.431 S1C2T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 IRPJ. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO. ERRO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. A Recorrente informou débito em DCTF, referente ao segundo trimestre de 2010, e efetuou recolhimento do valor nela indicado, integralmente utilizado para quitar o débito confessado. O erro simplesmente alegado, sem os documentos de prova hábeis a comproválos, não pode ser aceito. Assim, não há direito creditório a ser reconhecido e, portanto, não é possível homologar a compensação declarada, razão pela qual mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” 3. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Embora a Recorrente tenha juntado cópias do razão contábil e planilha própria de utilização dos créditos fiscais, ambas referentes aos segundo e terceiro trimestres de 2010, constatou que a) as cópias do Livro Razão não estão acompanhadas dos respectivos documentos de respaldo (contrato de venda e compra do imóvel; comprovante de recebimento da respectiva receita, etc); b) também não estão acompanhadas de cópias dos lançamentos correspondentes no Livro Diário, devidamente registrado na Junta Comercial. Portanto, o direito creditório pleiteado não pode ser considerado líquido e certo. 3.2. Sustenta que, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sob pena de precluir o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual. 4 Cientificada da decisão em 01/10/2015, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/10/2015, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que a prova documental produzida nos autos já seria suficiente para comprovar seu direito creditório, mas, para que não pairem dúvidas, juntou a seguinte documentação complementar: (i) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02); (ii) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03); (iii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04); (iv) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05); e (v) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06). 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de receber os documentos complementares anexos e converter o julgamento em diligência baixando os autos para que a autoridade preparadora examine os documentos novos juntados que complementam a prova do crédito da Recorrente utilizado nessa DCOMP, ou dignese acolher o recurso para o fim de homologar a presente declaração de compensação. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.973279/201280 Resolução nº 1201000.431 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.425, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658130/201273, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.425): " 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente acerca da juntada de documentação complementar em sede de Recurso Voluntário. 8. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 9. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 10. No mais, de acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, é possível a juntada de provas complementares para contrapor às 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.973279/201280 Resolução nº 1201000.431 S1C2T1 Fl. 7 6 razões do julgamento de primeira instância à luz dos princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório efetivo, verbis: " (...) PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual.Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1a instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo. (...)" (Processo nº 16327.001040/200891, Acórdão nº 1102000.940, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 08.10.2013, Relator: José Evande Carvalho Araujo) 11. Notese que, cabe a autoridade julgadora verificar a necessidade e a utilidade do recebimento da prova de forma a harmonizar valores e princípios constitucionais e processuais, verbis: " PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (...)" (Processo nº 10880.008207/200611), Acórdão nº 2801003.682, 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 09.09.2014, Relator: Carlos César Quadros Pierre) 12. Portanto, acolho o pedido da Recorrente no sentido de admitir as provas acostadas em sede de Recurso Voluntário por considerálas úteis e necessárias para devida apreciação do processo. 13. No mais, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.973279/201280 Resolução nº 1201000.431 S1C2T1 Fl. 8 7 14. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 15. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto)(grifos nossos) 16. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 17. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 18. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 19. A Recorrente exerce a atividade de compra e venda de imóveis próprios, bem como a locação de imóveis próprios. 20. Como é sabido, na venda de imóveis próprios a alíquota de presunção do lucro é de 8% (IRPJ) e 12% de CSLL, sendo que na locação, esta alíquota é de 32% 21. Entre abril de 2010 e setembro de 2010 a Recorrente vendeu um imóvel próprio e apurou IRPJ e a CSLL como locação. Portanto, tributou à alíquota de 32% ao invés de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ e CSLL no segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2010. 22. No presente caso, não há controvérsia acerca do preenchimento dos requisitos (i) e (ii) constantes do item 16, mas do (iii). A DRJ [...] considerou que as provas apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade [...] não foram suficientes para que o crédito pleiteado fosse considerado líquido e certo. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.973279/201280 Resolução nº 1201000.431 S1C2T1 Fl. 9 8 23. Ocorre que, a ora Recorrente tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto, complementarmente, em seu Recurso Voluntário [...], apresentou vasta documentação probatória hábil a demonstrar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo, tais como: (i) doze DARFs de recolhimento de IRPJ e da CSLL referente ao segundo e terceiro trimestre de 2010 [...]); (ii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Original [...]; (iii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Retificadora transmitida em 21/11/2012 e seu recibo [...]; (iv) razão contábil do segundo e terceiro trimestre de 2010 das receitas de vendas de imóveis (contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010,[...]); (v) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02, [...]); (vi) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03, [...]); (vii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04, [...]); (viii) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05, [...]); e (ix) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06, [...]). 24. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 25.Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 26. Em face do exposto, diante de toda a documentação acostada aos autos, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo aos períodos sob apreciação; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ e CSLL, anocalendário 2010, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 27. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 28. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.973279/201280 Resolução nº 1201000.431 S1C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.904046/2009-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE.
É ônus do contribuinte demonstrar e provar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integralmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB.
Numero da decisão: 3001-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar e provar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integralmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 35 a 43) interposto contra o Acórdão 0240.745, da 4ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE que, na sessão de julgamento realizada em 27.09.2012 (efls. 29 a 32), julgou improcedente a manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 40 46 /2 00 9- 86 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10665.904046/200986 Acórdão n.º 3001000.411 S3C0T1 Fl. 46 2 Dos fatos Por sua clareza e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo em seguida: Relatório A contribuinte acima qualificada apresentou, em 11/03/2006, declaração de compensação numerada 28354.93352.110306.1.3.041177, para utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, realizado a título de Cofins do período de apuração de fevereiro de 2003 (fls. 9/13). Conforme Despacho Decisório de fls. 8, a compensação não foi homologada, sob o fundamento de utilização integral do pagamento para quitação de débitos da contribuinte, pelo que não restaria crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Cientificada da decisão em 01/06/2009 (fls. 14), a contribuinte manifestou, em 30/06/2009 (fls. 3), sua inconformidade, alegando, às fls. 2/4, que: [...] vem respeitosamente manifestar a inconformidade do indeferimento do PER/COMP acima mencionada uma vez que houve SIM a existência do crédito hora mencionado, crédito este apurado através da venda para exportação pela NOTA FISCAL nº 003733 de 07/01/2003 no valor de R$56.000,00 (cinqüenta e seis mil reais), o qual foi recolhido indevidamente. Acontece que o crédito de R$1.680,00 esta junto com o recolhimento da cofins de 02/2003 apurada no valor de R$2.437,58 com vencimento em 14/03/2003, porém a parte de R$1.680,00 foi recolhida indevidamente e compensada na competência de 09/2005 que tem o valor de R$711,27, uma vez que a venda para exportação é isento de PIS e COFINS. [...] Esperamos contar com a compreensão deste órgão para que não faça nenhuma notificação, uma vez que estamos com a melhor das intenções para explicar e conferir juntamente com os a gentes fiscalizadores, para que a intimada não perca seu direito de compensação, caso o procedimento não foi correto, favor entrar em contato para que possamos regularizar a situação da melhor maneira possível, caso haja necessidade, podemos marcar o encontro pessoalmente em DivinópolisMG., na agência da RECEITA FEDERAL DO BRASIL para que a intimada não perde o direito de se defender e explicar todo o procedimento, apresentado os documentos necessários. Instruem a manifestação de inconformidade, cópia dos seguintes Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10665.904046/200986 Acórdão n.º 3001000.411 S3C0T1 Fl. 47 3 documentos: nota fiscal (fls. 5), Darf (fls. 6) e comprovante de pagamento (fls. 7). É o relatório. Da ementa da decisão de primeira instância Com a apresentação da manifestação de inconformidade sobreveio, então, o acórdão da 4ª Turma da DRJ/BHE, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Provas. As alegações constantes da impugnação devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o feito, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde, além de repisar os argumentos de defesa apresentados na Manifestação de Inconformidade, solicita seja a pretendida restituição seja acrescida da taxa Selic, a teor do parágrafo 4º do artigo 39 da Lei 9.250 de 1995. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 19.11.2012 para ser analisado por este Carf (efl. 44), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi protocolado em 19.11.2012, conforme depreendese da "Folha de Rosto" da respectiva peça recursal, após ciência no dia 19.10.2012, conforme observase do Aviso de Recebimento AR juntado (efl. 34), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10665.904046/200986 Acórdão n.º 3001000.411 S3C0T1 Fl. 48 4 Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Do mérito Do despacho decisório O Despacho Decisório Rastreamento 835587935, emitido em 25.05.2009, está assim fundamentado, verbis: 3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limites do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.680,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/COMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da Inexistência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/05/2009. (...) O contribuinte, reprisando seus argumentos, uma vez mais, reafirma que "refez sua apuração de Cofins no período em debate com tributação indevida de 01 Nota Fiscal de exportação e, uma vez identificado o erro apurou novos valores de débitos solicitou a restituição e compensação do valor que fora indevido. O fato de não ter retificado as declarações não lhe obriga a tributar valores que não tem previsão legal para serem tributados, por determinação da Carta Magna de 1988, nossa lei maior! Por outro lado, os documentos que seguem anexos comprovam a exportação. A mercadoria foi efetivamente enviada para o Japão". Com isto, entende, pela inexistência de motivos para não reconhecer seu suposto crédito, requer seu efetivo reconhecimento, haja vista o suposto pagamento indevido, bem como a homologação da respectiva compensação. Da ausência de prova do direito creditório Verificado que o recorrente não apresentou novas razões de defesa perante este Carf, ao amparo do disposto no parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, com redação dada pela Portaria MF 329 de 2017, valhome Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10665.904046/200986 Acórdão n.º 3001000.411 S3C0T1 Fl. 49 5 das razões de decidir contidas no voto condutor do acórdão recorrido, para enfrentar os questionamentos reapresentados na peça recursal, que reproduzo a seguir: Voto (...) A não homologação pela unidade de origem da DCOMP objeto do presente processo foi motivada pelo fato de o pagamento mencionado no PER/DCOMP, no valor de R$ 2.437,58, ter sido utilizado integralmente na quitação de débito da contribuinte. Conforme fls. 16, em DCTF relativa ao 1º trimestre de 2003, a interessada confessou, para a competência de fevereiro de 2002, um débito de Cofins idêntico ao valor recolhido. No mesmo sentido, em DIPJ do exercício de 2004, a interessada informou para o mês de fevereiro de 2003 Cofins a pagar de igual montante (fls. 17/28). Observase, ainda na DIPJ, que a base de cálculo da Cofins e a respectiva Cofins a pagar encontramse assim demonstradas: DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS [...] 03. Receita de Revenda de Mercadorias [...] ISENÇÕES E EXCLUSÕES 10. () Receitas de Exportação [...] 24. BASE DE CÁLCULO DA COFINS INCIDÊNCIA CUMULATIVA [...] 39. COFINS A PAGAR [...] 394.892,37 [...] 313.639,68 [...] 81.252,69 [...] 2.437,58 Sustenta a interessada que receita de venda de mercadorias para o exterior, no total de R$ 56.000,00 e consignada na nota fiscal de fls. 5, teria sido indevidamente incluída na base de cálculo da Cofins. Do exame das informações prestadas na DIPJ, discriminadas acima, constatase que, na apuração da Cofins a pagar do mês de fevereiro de 2003, a interessada excluiu receitas de exportação no valor de R$ 313.639,68. A afirmação, por si só, de que a receita auferida no valor de R$ 56.000,00 teria composto indevidamente a base de cálculo da Cofins ou, entre outras palavras, de que tal valor não estaria incluído entre as receitas de exportação declaradas, sem se fazer acompanhar de qualquer registro de sua escrita contábil e fiscal que lhe dê arrimo, não tem o condão de, automaticamente, conferir certeza e liquidez ao direito creditório informado na DCOMP. À manifestante cabe comprovar o que diz, sob pena de descrédito de sua impugnação. Assim, tendo por base unicamente a nota fiscal apresentada, não é possível concluir pela veracidade das alegações da interessada. Neste sentido, dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em seu artigo 16 (os destaques não constam do original): Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10665.904046/200986 Acórdão n.º 3001000.411 S3C0T1 Fl. 50 6 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Portanto, à manifestante cabe o ônus de apresentar os documentos aptos a comprovar o crédito alegado, sendo vedado a este órgão diligenciar em seu favor no intuito de obtenção de provas que estão sob sua responsabilidade. (...). Vejase, a autoridade competente da unidade de origem DRF DIVINÓPOLIS baseouse nas informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, prestadas pelo próprio contribuinte, que resultou na conclusão de que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar o débito informado, não logrando êxito, por consequência, a compensação declarada, no Per/Dcomp 28354.93352.110306.1,3.041177, no intuito de utilizar eventual crédito de um suposto pagamento indevido. Ressaltese que não se está duvidando que o recorrente realizou a operação de venda para exportação, no valor de R$ 56.000,00, conforme discriminada na Nota Fiscal 003733, emitida em 07.01.2003; o que se está afirmando é que o interessado em momento algum logrou êxito em demonstrar, com a documentação acostada aos autos, seja quando da apresentação da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário, que referida operação não estava inserida no montante de R$ 313.639,68, das receitas isentas que excluíra quando da apuração da Cofins a pagar no mesmo período fevereiro de 2003, conforme depreendese do exame das informações prestadas na respectiva DIPJ. Desta feita, por não provar o fato constitutivo do direito creditório alegado, devese, com fundamento no artigo 170 do CTN, ratificar, nos exatos termos da decisão recorrida, a conclusão contida no Despacho Decisório, que não homologou a compensação. Ressalto também que o recorrente, uma vez mais, deixou transcorrer a oportunidade de produzir provas que sustentassem suas alegações, na medida em que, tanto no processo administrativo fiscal como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Vejase o que dispõe o artigo 36 da Lei 9.784 de 29.01.1099, verbis: Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10665.904046/200986 Acórdão n.º 3001000.411 S3C0T1 Fl. 51 7 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido são os termos do artigo 333 do CPC (Lei 5.869 de 11.01.1973, reproduzido no artigo 373 da Lei 13.105 de 16.03.2015 Novo CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da solicitação para aplicação da taxa Selic Por fim, salientese que assiste razão ao recorrente quando solicita a incidência de juros, calculados à taxa Selic, sobre indébitos tributários. No entanto, importa esclarecer que sua solicitação é inócua pelos seguintes motivos: primeiro, porque como é do conhecimento do pleiteante, o próprio sistema informatizado de "PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO", no qual o contribuinte informa e declara seu pleito, automaticamente já contempla a "atualização" nos moldes prescritos no parágrafo 4º do artigo 39 da Lei 9.250 de 1995; vejamos o caso sob exame: PER/DCOMP 2.2 28354.93352.110306.1.3.041177 Crédito Pagamento Indevido ou a Maior COFINS Informado em Processo Administrativo Anterior: NÃO Número do Processo: Natureza: Informado em Outro PER/DCOMP: NÃO Nº do PER/DCOMP Inicial: Nº do Último PER/DCOMP: Crédito de Sucedida: NÃO CNPJ: Situação Especial: Data do Evento: Percentual: Grupo de Tributo: COFINS Data de Arrecadação: 14/03/2003 Valor Original do Crédito Inicial: 1.680,00 Crédito Original na Data da Transmissão: 1.680,00 (grifei) Selic Acumulada: 49,99% (grifei) Crédito Atualizado: 2.519,83 (grifei) Total dos débitos desta DCOMP: 668,58 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: 445,75 Saldo do Crédito Original: 1.234,25 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10665.904046/200986 Acórdão n.º 3001000.411 S3C0T1 Fl. 52 8 segundo, porque, como evidenciado neste julgado, o suposto indébito declarado no Per/DComp 28354.93352.110306.1.3.041177 não se confirmou, ante a ausência de prova hábil que pudesse conferirlhe certeza e liquidez. Dispositivo Com estas considerações, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.721096/2017-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N° 01.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF n° 1).
CAUSA MADURA.
A possibilidade de o órgão de segunda instância adentrar num mérito não analisado pelo juízo de primeira instância, não implica em supressão de instância, desde que a questão seja exclusivamente de direito e que a causa esteja em condições de imediato julgamento.
RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N° 15/2017. ALCANCE DOS SEUS EFEITOS. FATOS GERADORES APÓS A LEI N° 10.256, DE 2001. INAPLICABILIDADE.
A Resolução n° 15/2017, editada pelo Senado Federal, que suspendeu a execução de dispositivos da Lei n° 8.212, de 1991, atinge a contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas, inclusive a responsabilidade tributária, por sub-rogação, da empresa adquirente da produção rural, porém tão somente para fatos geradores anteriores à Lei n° 10.256, de 2001.
REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO.
O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente de decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
ILEGITIMIDADE PASSIVA.
A autonomia das filiais em relação à matriz se limita aos aspectos meramente administrativos, não afastando a unidade substancial da pessoa jurídica que as normas concernentes ao CNPJ não têm o condão de cindir.
A filial de uma empresa, ainda que possua CNPJ próprio, não configura nova pessoa jurídica, razão pela qual as dívidas oriundas de relações jurídicas decorrentes de fatos geradores atribuídos a determinado estabelecimento constituem, em verdade, obrigação tributária da sociedade empresária como um todo.
JUROS DE MORA. SÚMULA CARF N° 05.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
SUSTENTAÇÃO ORAL.
A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento.
Numero da decisão: 2401-005.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, em razão de concomitância com ação judicial e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N° 01. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF n° 1). CAUSA MADURA. A possibilidade de o órgão de segunda instância adentrar num mérito não analisado pelo juízo de primeira instância, não implica em supressão de instância, desde que a questão seja exclusivamente de direito e que a causa esteja em condições de imediato julgamento. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N° 15/2017. ALCANCE DOS SEUS EFEITOS. FATOS GERADORES APÓS A LEI N° 10.256, DE 2001. INAPLICABILIDADE. A Resolução n° 15/2017, editada pelo Senado Federal, que suspendeu a execução de dispositivos da Lei n° 8.212, de 1991, atinge a contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas, inclusive a responsabilidade tributária, por sub-rogação, da empresa adquirente da produção rural, porém tão somente para fatos geradores anteriores à Lei n° 10.256, de 2001. REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente de decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. ILEGITIMIDADE PASSIVA. A autonomia das filiais em relação à matriz se limita aos aspectos meramente administrativos, não afastando a unidade substancial da pessoa jurídica que as normas concernentes ao CNPJ não têm o condão de cindir. A filial de uma empresa, ainda que possua CNPJ próprio, não configura nova pessoa jurídica, razão pela qual as dívidas oriundas de relações jurídicas decorrentes de fatos geradores atribuídos a determinado estabelecimento constituem, em verdade, obrigação tributária da sociedade empresária como um todo. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF N° 05. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 236 1 235 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.721096/201710 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.665 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FRIGOL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF N° 01. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF n° 1). CAUSA MADURA. A possibilidade de o órgão de segunda instância adentrar num mérito não analisado pelo juízo de primeira instância, não implica em supressão de instância, desde que a questão seja exclusivamente de direito e que a causa esteja em condições de imediato julgamento. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N° 15/2017. ALCANCE DOS SEUS EFEITOS. FATOS GERADORES APÓS A LEI N° 10.256, DE 2001. INAPLICABILIDADE. A Resolução n° 15/2017, editada pelo Senado Federal, que suspendeu a execução de dispositivos da Lei n° 8.212, de 1991, atinge a contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas, inclusive a responsabilidade tributária, por subrogação, da empresa adquirente da produção rural, porém tão somente para fatos geradores anteriores à Lei n° 10.256, de 2001. REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 10 96 /2 01 7- 10 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 237 2 O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente de decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. ILEGITIMIDADE PASSIVA. A autonomia das filiais em relação à matriz se limita aos aspectos meramente administrativos, não afastando a unidade substancial da pessoa jurídica que as normas concernentes ao CNPJ não têm o condão de cindir. A filial de uma empresa, ainda que possua CNPJ próprio, não configura nova pessoa jurídica, razão pela qual as dívidas oriundas de relações jurídicas decorrentes de fatos geradores atribuídos a determinado estabelecimento constituem, em verdade, obrigação tributária da sociedade empresária como um todo. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF N° 05. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, em razão de concomitância com ação judicial e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 238 3 Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar o relatório já elaborado em ocasião anterior, pela 7ª Turma da DRJ/SDR e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 181/186). Pois bem. Tratase de Auto de Infração (AI) referente ao lançamento de ofício de infrações à legislação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e juros de mora (calculados até 05/2017). Foi lavrado neste procedimento fiscal o Auto de Infração – Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, contendo as seguintes infrações: a) Código de Receita 4863 e Código FPAS 7442: Contribuição previdenciária patronal sobre a comercialização da produção rural de produtor rural pessoa física não oferecida à tributação; e b) Código de Receita 2158 e Código FPAS 7442: GILRAT sobre a comercialização da produção rural de produtor rural pessoa física não oferecida à tributação. A ação fiscal foi autorizada consoante Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Fiscalização TDPF nº 08.1.65.002016003132, iniciada em 16/06/2016 com a ciência postal do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (fl. 09) e encerrada em 31/05/2017 com a ciência pessoal do Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total de Procedimento Fiscal (fls. 113/114). A matéria tributável, objeto deste Auto de Infração, referese à subrogação prevista em Lei onde o Sujeito Passivo fiscalizado, na condição de adquirente, não arrecadou e nem recolheu as contribuições devidas à Previdência Social referentes ao empregador rural pessoa física incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção para com a empresa adquirente. A contribuição devida à Previdência Social correspondente à parte da EMPRESA (2%) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT (0,1%), devida, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, prevista no art. 25, incisos I e II e § 3°; e art. 30, incisos III e IV, todos da Lei 8.212, de 24/07/91. A empresa fiscalizada é optante pelo lucro real no anocalendário de 2013. Ela tem como Código da Atividade Econômica o CNAE 46.346/01 Comércio atacadista de carnes bovinas e suínas e derivados (Frigorifico), destacandose nas atividades de exploração Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 239 4 de compra e venda, armazenagem, abate, industrialização, importação, exportação e comércio atacadista de produtos e subprodutos de bovinos, equinos, suínos, ovinos, aves, etc. Com a análise das informações apresentadas pelo sujeito passivo, principalmente em sua resposta datada de 06 de julho de 2016 através da planilha “Aquisição de Produtores Rurais — 2013", validadas com o cruzamento das notas fiscais de entradas, obtidas através do sistema da Receita Federal do Brasil — RFB — ReceitanetBX / SPEDNFe, verificouse que a empresa adquiriu produto rural de produtor rural pessoa física no montante R$ 545.210.223,28. O montante de R$ 545.210.223,28 foi constituído totalizandose os valores das notas fiscais de entradas emitidas pelo Sujeito Passivo fiscalizado, extraídas do sistema SPEDNFe, separadas por estabelecimento e CFOP, conforme quadro confeccionado pela Fiscalização (item 16 do Termo de Verificação Fiscal; fls. 91/92). As notas fiscais extraídas do sistema SPEDNFe, consideradas para a composição da base de cálculo, estão discriminadas na planilha denominada "AUTO DE INFRAÇÃO BASE DE CÁLCULO". As notas fiscais extraídas do sistema SPEDNFe estão em consonância com os registros do Livro de Registro de Entradas e os CFOP selecionados, e com a planilha apresentada pelo sujeito passivo em sua resposta datada de 06 de julho de 2016, “Aquisição de Produtores Rurais — 2013". Esclarece a auditoria fiscal que o presente AI foi lavrado com sua exigibilidade suspensa uma vez que há ação judicial cujo mérito se encontra sub judice, e que, por esse motivo, não houve incidência de multa de ofício reportada no art. 44, I, da Lei 9.430/96, de acordo com a imposição do art. 63 da mesma lei que estabelece a não incidência da multa nos casos de constituição de credito tributário para a prevenção da decadência em virtude de tributo cuja exigibilidade estiver suspensa. Conforme resposta do Sujeito Passivo datada de 06 de julho de 2016, item 8, foi informada a existência da Ação Declaratória ajuizada e distribuída sob n° 0002749 05.2013.4.01.3901, com trâmite perante a 2ª Vara Federal de Marabá/PA, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos incisos I e II, do artigo 25 da Lei 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal. Nesta ação foi proferida sentença de mérito, publicada em 19/03/2014, que julgou procedente o pedido e manteve o entendimento de que o fato gerador e a base de cálculo do FUNRURAL continuam inconstitucionais, deferindo então o pedido de tutela antecipada para suspender a exigibilidade da contribuição prevista no art. 25, I e II da Lei n° 8.212/91. Tal pedido foi feito para que o efeito se estendesse a todas as suas filiais. A documentação anexada a esta resposta encontrase no: "Item 9) 274905.2013.4.01.3901 FUNRURAL, inexistência de relação jurídicotributária". Analisandose os documentos apresentados nas respostas datadas de 06/07/2016 e de 29/11/2016, bem como a consulta processual web realizada 30/03/2017 (Vide "Processo TRF 01" em anexo), em conjunto com sua certidão fornecida, temos que os Autos foram distribuídos para o TRF 01 em 18/06/2014 e a ação encontrase aguardando julgamento. O sujeito passivo foi regularmente cientificado e apresentou impugnação às fls. 119/147, na qual traz uma breve descrição dos fundamentos da autuação para, em seguida, alegar, em síntese, o que se relata a seguir. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 240 5 Aponta que os fatos geradores das obrigações tributárias foram realizados pelas filias da Impugnante, de CNPJ 68.067.446/000843, 68.067.446/001068, 68.067.446/001149 e 68.067.446/001572, enquanto que a acusação fiscal foi lavrada em face da Matriz, de CNPJ nº 68.067.446/001220. Assevera que as hipóteses de incidência tributária foram praticadas por filiais da pessoa jurídica, assim, a Autuação Fiscal deveria recair sobre cada uma delas, e não concentrarse única e exclusivamente na Matriz, que, para fins tributários, não praticou qualquer fato gerador imponível. Conclui que a Impugnante não é sujeito passivo das obrigações tributárias indicadas, e, por consequência, é parte ilegítima para responder pelo débito fiscal. Fundamenta seus argumentos no princípio da autonomia dos estabelecimentos, traz jurisprudência dos tribunais e cita o art. 127, II, do CTN. Aduz que a apuração dos fatos jurídicos tributários não indicou com clareza e riqueza o detalhamento da descrição dos fatos relacionados às presentes infrações, por isso entende que a narrativa fiscal não preenche os requisitos essenciais elencados no artigo 10, do Decreto 70.235/72, pois não consta a descrição pormenorizada dos fatos. Acrescenta que a descrição genérica dos fatos mitiga o direito do contribuinte ao exercício ao contraditório e à ampla defesa e que o Auto de infração é nulo de pleno direito. Transcreve doutrina a respeito da exigência de certeza e liquidez da dívida cobrada. Cita os requisitos de validade do ato administrativo, e entende que o presente lançamento não é perfeito e eficaz, pois está eivado de vícios insanáveis diante da ausência pormenorizada dos fatos e de sua motivação (provas) o que impõe o reconhecimento de nulidade do processo administrativo tributário. Robustece seus argumentos com jurisprudência do CARF. Argumenta ainda que não justifica a verificação por amostragem, pois todos os documentos solicitados foram fornecidos à Fiscalização, de sorte que todos os elementos e documentos fornecidos deveriam ser analisados e indicados no Auto de Infração. Traz o histórico da cobrança do Funrural, para em seguida discorrer sobre a ilegalidade da exigência atribuída ao adquirente, ao consignatário ou à cooperativa (agroindústrias), na qualidade de substitutos tributários das obrigações devidas pelos produtores rurais empregadores de pessoas físicas, consoante art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91. Transcreve declaração de inconstitucionalidade no RE 363.852 do art. 1º, da Lei 8.540/92, que prevê o recolhimento de contribuição ao chamado FUNRURAL, sobre a receita bruta da comercialização da produção rural. Insurgese contra a exigência do fisco com base na Lei 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25 da lei 8.212/91, isto porque a Corte Suprema veio também a decretar a invalidade dos incisos I e II, (redação da Lei 9.528/92) do art. 25, da Lei 8.212/91 (redação da lei 10.256/2001), justamente pelo fato da base de cálculo da exação ter sido declarada inconstitucional, bem como, o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, que fixa a técnica de Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 241 6 responsabilidade tributária de terceiro, qualificada pelo legislador ordinário como forma de subrogação passiva, até porque a Lei 10.256/91 não alterou a Lei 9.528/92. Assinala que somente Lei Complementar, por força do 154 da CF (competência residual), pode recriar o tributo, e entende que a Lei 10.256/2001 não teve esse condão já que manteve a mesma base de cálculo, alíquotas e sujeito passivo da Lei 8.540/92 e da Lei 9.528/92. Expõe doutrina e manifesta o entendimento pacificado de que as contribuições especiais têm natureza de tributo, portanto são desinentes do escólio do artigo 146, III, 149, 154, e 195 da vigente Carta Constitucional. Cita ofensa ao princípio da isonomia (caput do art. 5º da CF) e art. 150, II, ao tratar de forma desigual contribuintes que se encontram em situações equivalentes ou seja, produtor rural pessoa física sem empregados e produtor rural pessoa física com empregados. Por fim, descreve que o princípio da legalidade fora violado pelos seguintes aspectos: Primeiramente, inferese que a Lei 10.256/2001 alterou apenas do caput do art. 25 da Lei 8.212/91, ficando inalterados os demais dispositivos legais. Logo, o caput do art. 25 não foi suficiente para a criação válida da nova contribuição do produtor rural, pessoa física, já que se fosse legal, estaria carente de previsão de base de cálculo e alíquotas. Em segundo lugar, não há como apenas convalidar normas editadas antes da EC 20/98, por serem totalmente incompatíveis com o Sistema Tributário Constitucional da época. Apenas se reportar às normas já existentes é incompatível com o sistema constitucional vigente. Em terceiro lugar, o inciso IV, art. 30, da Lei 8.212/91, é totalmente incompatível com o instituto da subrogação prevista por Lei Ordinária, diante a norma geral fixada no art. 130 do Código Tributário Nacional, que prevê hipóteses específicas. Mais a mais, inferese que o RE 363.852 também declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 30 da Lei 8.212/91, o qual fixava regra de responsabilização tributária de retenção e recolhimento do tributo, suprimindo da base normativa tal obrigação. Falta regulamentação por lei para corrigir a lacuna. Logo, inexiste dispositivo legal válido que permite imputar a terceiros a retenção e a responsabilidade pelos recolhimentos, já que o inciso IV, do art. 30 da Lei 8.212/91 não recebeu qualquer alteração por parte da Lei 10.256/2001, de modo que o FUNRURAL restou inexigível na espécie por falta de norma legal adequada. Em quarto e último lugar, temos que é inviável a cobrança do produtor rural pessoa física, com base exclusiva na Lei 10.256/2001, eis que ainda hoje persiste a inconstitucionalidade do caput do art. 25, na medida em que o legislador adotou a técnica da “substituição da base econômica de tributação” (folha de salários para produção do produtor), em período anterior à EC 42/2003, a qual introduziu o art. 13, no art. 195, da Carta Constitucional. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 242 7 Assevera que o dispositivo normativo que atribuía ao adquirente a responsabilidade tributária para a retenção e repasse da exação ao erário federal (artigo 30, IV, da Lei 8.212/91) foi declarado inconstitucional no RE 363.852. Acrescenta que o artigo 30, inciso IV, da Lei 8.212/91 quando da sua declaração de inconstitucionalidade, tinha redação dada pela Lei 9.528/97. E hoje, passados 07 anos do julgamento definitivo do RE 363.852, a redação normativa é a mesma. Conclui que a sujeição passiva da Impugnante não se sustenta, pelo menos não com relação à inconstitucionalidade do artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, já que a Lei 10.256/2001 nada dispôs nesse sentido. Cita o §3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 que determina que "Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 59, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Infere que a norma acima é clara no sentido de permitir a incidência de juros tão somente quando ocorrer a mora da obrigação tributária, que não ocorre no caso concreto, uma vez que o contribuinte está respaldado em decisão judicial. Arremata afirmando que, estando a cobrança da contribuição ao FUNRURAL com a sua exigibilidade suspensa por força de liminar obtida em ação judicial, não há de ser cobrado, de igual forma, os juros respectivos. Ante o exposto, postula: (a) Preliminarmente, a ilegitimidade passiva da Impugnante e/ou a nulidade do auto de infração; (b) No mérito, reconheça a ilegalidade da contribuição social denominada “FUNRURAL”, e/ou a ausência de responsabilidade tributária da Impugnante pela declaração de inconstitucionalidade do artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, sem prejuízo, de se mantida a autuação fiscal, afastar a incidência dos juros de mora, conforme os fundamentos invocados; e (c) Pela produção de todas as provas em direito admitidos, especialmente a juntada de novos documentos, protestando por sustentação oral caso haja Recurso ao CARF. Em 29/09/2017, após exaurido o prazo de 30 dias da ciência da autuação para apresentação da impugnação, o contribuinte trouxe aos autos um complemento da defesa (fls. 177/178) na qual traz novos argumentos que postula serem considerados na sua contestação. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), por meio do Acórdão nº 15 43.702 (fls. 180/195), de 19/10/2017, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 243 8 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo. Havendo na impugnação matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento administrativo limitarseá a esta matéria diferenciada. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF N° 05 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) Inicialmente, cumpre esclarecer que é inapropriado a utilização do termo Funrural (extinto há décadas) para designar a contribuição previdenciária calculada sobre a comercialização da produção pelo produtor rural pessoa física, nos termos do art. 25 da Lei n° 8.212/91. As exigências contidas no Auto de Infração tratam da obrigação estabelecida no artigo 25, incisos I e II da Lei n° 8.212/91, ao produtor rural, de que trata o artigo 12, V, “a”, da mesma lei, mas que foi subrogada à Impugnante, enquanto adquirente da produção comercializada, por imposição legal contida no artigo 30, incisos III e IV da Lei n° 8.212/91. (b) Da concomitância das esferas administrativa e judicial. (b.1) A rigor, a existência de ação judicial não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo. A renúncia a esse contencioso somente ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto “idêntico pedido” sobre o qual verse o processo administrativo (art. 126, § 3º, da Lei nº 8.213/91). (b.2) A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. Isto significa que a impugnação administrativa apresentada Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 244 9 pelo sujeito passivo, na qual sejam aduzidos os mesmos argumentos utilizados para a contestação judicial do crédito, não será conhecida. (b.3) Por outro lado, se, no processo administrativo, a impugnação tratar de matéria diversa à submetida à ação judicial, o sujeito passivo terá direito ao contencioso administrativo fiscal, para apreciação da matéria diferenciada. Notase, ainda, que, enquanto o crédito estiver em discussão administrativa, pela interposição de defesa ou recurso tempestivos, estará suspensa a exigibilidade do crédito por força do art. 151, III do CTN. (b.4) Desta forma, fazse necessário analisar o objeto da ação judicial e da impugnação, verificando a identidade ou não das respectivas matérias. (b.5) O processo nº 000274905.2013.4.01.3901, ajuizado pela Frigol S.A. na 2ª Vara Federal de Marabá/PA, cuida da Ação Ordinária, com pedido de antecipação de tutela, em face da União (Fazenda Nacional), na qual a Frigol, na qualidade de empresa adquirente, pleiteia a declaração de inexigibilidade das contribuições denominadas FUNRURAL, previstas no art. 25 da Lei 8.212/91, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural dos produtores rurais pessoas físicas, sob o argumento de que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei 9.528/97. (b.6) Consoante decisão proferida em 14/03/2014, às fls. 21/26, o Juiz Federal Heitor Moura Gomes da 2ª Vara da Subseção Judiciária de Marabá: i) deferiu o pedido de tutela antecipada para suspender a exigibilidade da contribuição prevista no art. 25, I e II da Lei nº 8.212/91; ii) declarou a inexistência da relação jurídicotributária que obrigue a autora a proceder à retenção e ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural de produtor rural pessoa física– FUNRURAL, prevista no art. 25 c/c art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91; e iii) decidiu que o valor que deveria ser recolhido pela Autora deverá ser depositado judicialmente, até a definição da lide com o trânsito em julgado. (b.7) Foram apresentados recursos de apelação pela Frigol S/A e pela Fazenda Nacional ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ainda pendentes de julgamento, conforme consulta processual emitida pelo site www.trf1.jus.br em 17/10/2017 às 16:47:03. (b.8) O assunto, no entanto, restou determinado pelo Supremo Tribunal Federal ao estabelecer, por meio do julgamento do RE nº 718.874/RS, conforme será explicitado no tópico seguinte. (c) Do Recurso Extraordinário n° 718.874/RS. Da repercussão geral. (c.1) Questionase a constitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural do produtor rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/91, após o advento da Lei nº 10.256/2001. (c.2) O Plenário do STF, em 30/3/2017 (acórdão publicado em 03/10/2017 no DJE nº 225), por maioria, deu provimento ao RE nº 718.874/RS, com repercussão geral, interposto pela Fazenda Nacional, no qual se debatia a respeito da constitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta proveniente da Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 245 10 comercialização de sua produção, conforme prevista no caput do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação conferida pela Lei nº 10.256/2001 (Tema 669). (c.3) O RE foi interposto contra acórdão proferido pela Primeira Turma do TRF da 4ª Região, no qual se entendeu pela inconstitucionalidade da exigência da citada exação, tendo em vista o pronunciamento do STF no RE nº 363.852/MG, com repercussão geral, e no RE nº 596.177/RS. (c.4) Sustentava a Fazenda Nacional que a controvérsia apresentada não estaria contemplada pela decisão proferida no RE nº 363.852/MG, pois a situação analisada nesse precedente ocorrera anteriormente à publicação da Lei nº 10.256/2001, sob a égide da EC nº 20/1998, abrangendo somente o produtor rural empregador pessoa física. Argumentava que, com o advento da Lei nº 10.256/2001, “a contribuição previdenciária recolhida pelo produtor rural empregador pessoa física passou a submeterse ao regime alusivo ao segurado especial, com fundamento de validade na Emenda Constitucional nº 20/1998”. (c.5) A tese vencedora, favorável à Fazenda Nacional, foi a defendida pelo Ministro Alexandre de Moraes, seguida pelos Ministros Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. (c.6) O Ministro Alexandre de Moraes, que iniciou a divergência vencedora, defendeu, em síntese, que a Lei nº 10.256/2001 instituiu validamente a contribuição previdenciária para o produtor rural pessoa física. Não considerou inconstitucional o fato de a referida Lei ter alterado apenas o caput do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, reaproveitando os incisos I e II do mesmo dispositivo, que tratam sobre a base de cálculo e a alíquota da contribuição, ainda que a redação destes incisos tenha sido dada por leis ordinárias editadas antes da Emenda Constitucional nº 20/1998. (c.7) Defendeu, ainda, que, apesar das inconstitucionalidades declaradas nos julgamentos dos RE nº 363.852 e 596.177, os incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, permaneceram válidos em relação à contribuição relativa ao segurado especial, o que também legitimou o seu reaproveitamento pela Lei nº 10.256/2001. (c.8) Restaram vencidos os Ministros Edson Fachin (relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negaram provimento ao recurso. (c.9) Assim, o STF entendeu que a Lei nº 10.256/2001, reintroduziu, após a Emenda Constitucional nº 20/1998, a contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, mantendo a alíquota e a base de cálculo instituídos pela lei ordinária 8.542/92 (que deu nova redação ao art. 12, incisos V e VII, art. 25, incisos I e II e art. 30, inciso IV, todos da Lei nº 8.212/91) declarada inconstitucional no RE nº 363.852/MG. (c.10) Dessa forma, foi fixada a seguinte tese (Tema 669) de repercussão geral: “É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural, pessoa física, instituída pela Lei nº 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção”. (d) Do julgamento da matéria diferenciada. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 246 11 (d.1) Na presente impugnação não foi deduzida a matéria distinta da discutida em juízo. Repisese que o sujeito passivo terá direito ao contencioso administrativo para que seja apreciada somente a matéria diferenciada. (d.2) Pelo exposto, considerando que a renúncia caracteriza perda do objeto, não será discutida nesta esfera a matéria questionada em juízo, mas apenas aquela distinta do processo judicial constante da impugnação. Em decorrência, não será apreciada neste âmbito administrativo as questões: (i) Da ilegalidade da contribuição social denominada “Funrural”; e (ii) Da declaração de inconstitucionalidade do artigo 30, IV, da Lei 8.212/91 no RE 363.852 – aplicabilidade ao caso concreto. (e) Da violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. (e.1) A impugnante, em sede de preliminar de nulidade, alega, em síntese, que a narrativa fiscal não preenche os requisitos essenciais elencados no artigo 10, do Decreto 70.235/72, pois não consta a descrição pormenorizada dos fatos. (e.2) Não se evidencia nos autos a ocorrência da hipótese mencionada, tendo em vista que a descrição dos fatos é clara e precisa, não comportando qualquer dúvida quanto aos fatos imputados, bastando ler a narrativa fiscal, os documentos e os anexos que a fiscalização juntou aos autos e os enquadramentos legais para que se perceba as circunstâncias que envolveram o lançamento. (e.3) A fiscalização identificou claramente no relato fiscal a matéria tributável, objeto do AI, como sendo a contribuição decorrente da subrogação prevista em Lei onde o Sujeito Passivo fiscalizado, na condição de adquirente, não arrecadou e nem recolheu as contribuições devidas à Previdência Social referentes ao empregador rural pessoa física incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção para com a empresa adquirente. (e.4) Quanto à alegação de que a apuração fiscal foi realizada por amostragem, reputo como infundada. Repiso que a autoridade lançadora extraiu do sistema SPED Nfe as notas fiscais de aquisição de produção rural indicadas pelo contribuinte na planilha “Aquisição de Produtores Rurais — 2013", logo, não há falar em verificação por amostragem. (e.5) Registrese que o ato administrativo consubstanciado neste Auto de Infração possui motivo legal, tendo sido praticado em conformidade com a legislação pertinente, e estando os seus fundamentos legais discriminados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 85/98) e na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que compõe o presente Auto de Infração (fls. 100/110), onde consta toda a legislação que embasa o lançamento. (e.6) Deste modo, diante do todo exposto, não deve prosperar a tese de nulidade, uma vez que: a) O procedimento fiscal realizado junto à autuada seguiu rigorosamente a legislação em vigor; b) A empresa teve ciência da autuação, a qual foi efetuada de modo que o sujeito passivo tivesse pleno conhecimento dos fundamentos de fato e de direito que o motivaram; c) Os fatos ensejadores do lançamento foram corretamente transcritos com todos os dispositivos pertinentes; e d) A autuada apresentou a competente impugnação, na qual demonstrou pleno conhecimento de todos os fundamentos da imposição exigida. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 247 12 (e.7) Dessarte, o lançamento fiscal encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante ao disposto no caput do artigo 33, e artigo 37 da Lei nº 8.212/91, vigentes à época da lavratura, e assegurou o tratamento isonômico a ambas as partes, o que se mostra fundamental, no processo administrativo, pois possibilitou a autuada o pleno conhecimento de seu conteúdo, para que pudesse exercer seu direito à ampla defesa. (e.8) Assim, está refutada a alegação de nulidade, uma vez que o relatório fiscal e os demais anexos que compõem o presente AI contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, não restando qualquer dúvida quanto à origem e à natureza das contribuições lançadas. (f) Da ilegitimidade passiva da matriz sobre os débitos das filiais. (f.1) Aduz a impugnante que os fatos geradores das obrigações tributárias foram realizados pelas suas filias de CNPJ 68.067.446/000843, 68.067.446/001068, 68.067.446/001149 e 68.067.446/001572, enquanto que a acusação fiscal foi lavrada em face da Matriz, de CNPJ nº 68.067.446/001220. Não assiste razão ao sujeito passivo. (f.2) Compulsando os autos, verificase com cristalina clareza que as contribuições lançadas foram segregadas por estabelecimento adquirente da produção rural, senão vejamos. (f.3) A Planilha “AUTO DE INFRAÇÃO – BASE DE CÁLCULO” demonstra, por estabelecimento da Frigol S/A, as notas fiscais extraídas do sistema SPEDNfe, e consideradas na composição da base de cálculo De acordo com o item III, tópicos 15 a 18, do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização cotejou as informações prestadas pelo sujeito passivo em relação às Notas Fiscais de aquisição de produtos rurais (animais para abate) com as Notas Fiscais Eletrônicas extraídas do sistema de escrituração digital SPEDNfe, separadas por estabelecimento e CFOP, conforme explicita em quadro (fls. 91/92) que demonstra a base de cálculo apurada, por competência e por estabelecimento. (f.4) O Demonstrativo de Apuração da Contribuição Previdenciária da Empresa que compõe o Auto de Infração também segrega por estabelecimento a base de cálculo, alíquota e a contribuição apurada. (f.5) Assim, está refutada a tese articulada pela defesa de ilegitimidade do estabelecimento matriz pelos débitos das filiais, vez que restou evidenciado que a fiscalização corretamente apurou a contribuição previdenciária no estabelecimento adquirente da produção rural. (g) Da incidência dos juros moratórios. (g.1) Com relação à concessão de tutela antecipada, não obstante esteja suspensa a exigibilidade desse crédito pelo art. 151, V, do CTN, não há impedimento para o lançamento da contribuição discutida em juízo. Esse lançamento busca resguardar o crédito tributário, uma vez que, ocorrendo uma sentença favorável à Fazenda Nacional e se já houver fluído o prazo decadencial após a decisão judicial final, não mais poderá o Fisco efetuar o lançamento. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 248 13 (g.2) No que toca a fluência dos juros de mora, o CARF editou a Súmula nº 5 com o seguinte entendimento: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. (g.3) Na espécie, contudo, foram lançadas as contribuições previdenciárias e os juros moratórios vez que não foram identificados depósitos judiciais suficientes para cobrir a integralidade do crédito levantado. Assim, reputo correto o lançamento dos juros de mora devidos. (h) Da defesa intempestiva e a preclusão temporal. (h.1) Não foi conhecida a defesa intempestiva acostada às fls. 177/178, bem como foi rejeitado o pedido de juntada de documentos após a impugnação, tendo em vista o contido no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72, que limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêla em outro momento processual. (h.2) A preclusão temporal para a apresentação de provas, no entanto, foi ressalvada nas situações previstas nas alíneas do citado parágrafo, entretanto, a impugnante não demonstrou, na contestação intempestiva e em sua peça de defesa (quando requer a juntada de novos documentos), a ocorrência de nenhuma dessas situações. (i) Do pedido de sustentação oral caso haja Recurso ao CARF. (i.1) Após a ciência desse Acórdão, no caso de julgamento desfavorável ao sujeito passivo, é facultada a interposição de uma nova defesa por intermédio recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. (i.2) Desse modo, será por meio de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, dentro do prazo legal, que poderá ser postulada pela recorrente a realização de sustentação oral nos termos da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). (j) Conclusão. (j.1) Por tudo exposto, em face das razões expendidas e à luz da legislação previdenciária, voto por julgar improcedente a impugnação para manter integralmente a contribuição previdenciária (principal) e os respectivos juros de mora lançados. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 204/230), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: (a) De início, denotase que os fatos geradores das obrigações tributárias foram realizados pelas filiais da Impugnante, de CNPJ’s ns. 58.067.446/000843, 68.067.446/001068, 68.067.446/001149 e 68.067.446/001572, enquanto que a acusação fiscal foi lavrada em face da Matriz, de CNPJ n. 68.067.446/001220. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 249 14 (b) Inquestionável a errônea identificação do sujeito passivo da relação jurídica tributária, uma vez que os fatos jurídicos tributários foram praticados por estabelecimentos empresariais diversos do efetivamente autuado. Vale frisar, que para fins fiscais, vigora o princípio da autonomia dos estabelecimentos empresariais, que não reconhece como entidade única a Matriz e suas filiais. (c) De outra parte, o Auto de Infração é nulo de pleno direito, especialmente por não descrever detalhadamente todos os fatos jurídicos tributários de cada filial mencionada, fazendo tudo de forma genérica e superficial, em brutal afronta ao artigo 10 do Decreto 70.235/72. (d) O Agente Fiscal da Receita Federal, posteriormente à apuração dos fatos jurídicos tributários, não indicou com clareza e riqueza o detalhamento da descrição dos fatos relacionados às presentes infrações. Tanto assim o é, que no Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramentos Total do Procedimento Fiscal, consta expressamente que “o presente procedimento verificou, por amostragem, o cumprimento das obrigações (...)”, ficando claro que o procedimento de fiscalização não analisou com profundidade os fatos imputados à Impugnante. (e) Nada justifica a verificação por amostragem, pois todos os documentos solicitados foram fornecidos à Fiscalização, de sorte que todos os elementos e documentos fornecidos deveriam ser analisados e indicados no Auto de Infração, mas assim não ocorreu. (f) Quanto à constitucionalidade do tributo previsto no artigo 25 da Lei n° 8.212/91, realmente, o STF em 30/03/2017 decidiu a questão ao dar provimento ao RE 718.874/RS, da União, no sentido de considerar legal e constitucional a exação. (g) Contudo, também é sustentada a inexistência de relação jurídicotributária entre o adquirente da mercadoria e o fisco, pois, a subrogação prevista no artigo 30, inciso IV, da Lei 8.212/91 foi considerada inconstitucional pelo STF e ratificada pela Resolução n. 15/2017 do Senado Federal, fato superveniente que foi trazido aos autos, mas a matéria equivocadamente não foi conhecida, contrariando o disposto no artigo 16, § 4°, do Decreto 70.235/72. (h) Por fim, uma vez suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não há que se falar na incidência de juros de mora, afinal, enquanto a obrigação está suspensa inexiste mora do contribuinte, que está protegido por ordem judicial válida, vigente e eficaz. Ao final, requereu a procedência do apelo para: (a) Reconhecer a nulidade parcial da decisão recorrida, por violação ao artigo 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, a fim de que os autos retornem à instância inferior para complementar o julgado e apreciar a matéria invocada, por se tratar de fato superveniente. (b) Suspender o presente processo administrativo até o trânsito em julgado da decisão proferida no RE 718.874/RS, com fundamento no artigo 1.035, § 5°, e 15 do CPC/2015, quando então deverá o processo retomar seu curso normal. (c) Reconhecer a nulidade do Auto de Infração, seja pela ilegitimidade passiva do sujeito passivo autuado, seja pelas inconsistências na apuração da base de cálculo e pelo cerceamento de defesa, amplamente alegados. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 250 15 (d) Cancelamento do Auto de Infração, tendo em vista a inconstitucionalidade do artigo 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91. (e) Seja revisto e imediatamente cancelados e extintos os créditos tributários lançados, por decisão deste Órgão Julgador, que são objetos de controvérsia neste Contencioso Administrativo Tributário, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, teve sua vigência e eficácia suspensa pela Resolução do Senado Federal n° 15, que foi introduzida no ordenamento jurídico. (f) Afastar a incidência dos juros de mora, uma vez que há suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e assim não há que se falar em mora. Não havendo mora, não há multa nem juros incidentes. (g) Seja resguardado o direito de sustentação oral na oportunidade do julgamento deste recurso, por ser medida de Justiça. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme certidão de fls. 234. Sobre os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72, é preciso pontuar o que segue. Consta nos autos (fls. 21/26) a existência de ação ordinária movida pela FRIGOL S.A, em trâmite na 2ª Vara Federal de Marabá/PA, sob o n° 0002749 05.2013.4.01.3901, na qual o recorrente, na qualidade de empresa adquirente, pleiteia a declaração de inexigibilidade das contribuições denominadas FUNRURAL, previstas no art. 25 da Lei 8.212/91, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural dos produtores rurais pessoas físicas, sob o argumento de que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei 9.528/97. Em consulta processual emitida pelo sítio www.trf1.jus.br em 11/07/2018, constato que foram apresentados recursos de apelação pela FRIGOL S.A e pela Fazenda Nacional ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que em decisão publicada no dia 15/12/2017, decidiu, por unanimidade, em dar provimento à apelação da União e julgar prejudicada a apelação da parte autora, nos termos do voto do relator. É ver a ementa abaixo: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 251 16 CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS. ART. 25, I E II, DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELAS LEIS 8.540/1992 E 9.528/1997. INCONSTITUCIONALIDADE. VALIDADE DA COBRANÇA A PARTIR DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI 10.256/2001. 1. A pessoa jurídica adquirente de produtos rurais é responsável tributária pelo recolhimento da contribuição previdenciária sobre a comercialização de produtos rurais e tem legitimidade para discutir a legalidade ou a constitucionalidade do tributo. 2. É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção — Repercussão Geral no RE 718874/RS, relator p/ o acórdão ministro Alexandre de Moraes, DJe de 3/10/2017. 3. Apelação da União a que se dá provimento, para julgar improcedente o pedido. 4. Apelação da parte autora a que se julga prejudicada. 5. Sentença prolatada na vigência do CPC/1973. Honorários fixados nos termos do disposto no artigo 20, § 4º, do CPC/1973. Conforme bem assentado pela decisão de piso, a existência de ação judicial não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo, de modo que a renúncia somente ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto “idêntico pedido” sobre o qual verse o processo administrativo (art. 126, § 3°, da Lei n° 8.213/91). Dessa forma, se a impugnação tratar de matéria diversa da ação judicial, o sujeito passivo terá direito a contencioso administrativo para apreciação da matéria diferenciada. É ver o que diz a Súmula CARF n° 01, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Dessa forma, constato que há parcial identidade de matérias discutidas no âmbito judicial e na esfera administrativa, e que implica no reconhecimento de renúncia ao contencioso administrativo e o não conhecimento da peça recursal para a apreciação das seguintes matérias: (a) Ilegalidade da Contribuição Social denominada “Funrural” ou “Novo Funrural”; (b) Declaração de inconstitucionalidade do artigo 30, IV, da Lei n° 8.212/91. Ademais, já está sumulado o entendimento segundo o qual falece competência a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária: Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 252 17 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Temse, pois, que não é da competência funcional do órgão julgador administrativo a apreciação de alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art. 62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art. 26A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. Portanto, não assiste razão ao contribuinte. Por fim, esclareço que a presente análise recursal se limitará às seguintes matérias, por serem diversas das preconizadas na ação judicial, a merecerem conhecimento nesta instância recursal: (a) Nulidade parcial da decisão recorrida, por violação ao artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, em razão de fato novo, qual seja, a publicação da Resolução n° 15/2017 do Senado Federal, determinando a suspensão dos efeitos do artigo 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91; (b) Suspensão do presente processo administrativo até o trânsito em julgado da decisão proferida no RE 718.874/RS, com fundamento no artigo 1.035, § 5° e 15 do CPC/2015; (c) Nulidade do Auto de Infração por violação ao artigo 10 do Decreto n° 70.235/72; (d) Ilegitimidade passiva da matriz sobre os débitos das filiais; (f) Incidência dos juros moratórios e (f) Pedido de sustentação oral no CARF. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 253 18 Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pelo interessado. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Preliminares. 3.1. Da alegação de nulidade parcial da decisão recorrida, por violação ao artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. A recorrente defende em seu petitório a nulidade parcial da decisão recorrida, por violação ao artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, em razão de fato novo, qual seja, a publicação da Resolução n° 15/2017 do Senado Federal, determinando a suspensão dos efeitos do artigo 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, de modo que a autoridade julgadora de primeira instância deveria ter analisado sua petição de fls. 177/178. A decisão recorrida não conheceu a defesa acostada às fls. 177/178, bem como rejeitou o pedido de juntada de documentos após a impugnação, com fundamento no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, por entender que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêla em outro momento processual. De fato, tendo sido a impugnação de fls. 119/147, apresentada no dia 22/06/2017, e a Resolução do Senado Federal n° 15/2017, por sua vez, publicada no Diário Oficial da União de 13/09/2017, temse que se trata de direito superveniente, estando entre as hipóteses de exceção para a apresentação de prova documentação em outro momento processual, conforme previsto no art. 16, § 4°, “b”, do Decreto n° 70.235/72. Contudo, por se tratar de questão exclusivamente de direito, aprecio o mérito da questão, por entender que a causa está em condições de imediato julgamento, tendo sido, inclusive, já debatida neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Dito isso, esclareço que a Resolução do Senado Federal n° 15/2017, atinge tão somente as situações anteriores à edição da Lei n° 10.256/2001, que teve sua constitucionalidade, inclusive, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 254 19 A propósito, trago à colação excertos do voto proferido pelo Conselheiro Cleberson Alex Friess, desta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, no Acórdão n° 2401005.396, em sessão de 03 de abril de 2018, e que elucida bem a questão posta: (...) 81. A Resolução n° 15/2017 tem como fundamento as decisões proferidas pelo STF nos RE n° 363.852/MG e 596.177/RS, para as quais pretende atribuir eficácia “erga omnes”, de maneira tal que não é capaz de gerar qualquer efeito sobre os fatos geradores ocorridos desde a entrada em vigor da Lei n° 10.256, de 2001, porquanto a suspensão de dispositivos declarados inconstitucionais pelo Poder Legislativo somente é possível nos limites daquelas decisões da Corte Suprema. 82. Por esse motivo, em harmonia com o ponto de vista reproduzido nas linhas acima, o inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212, de 1991, apenas deixa de ser aplicado nos exatos limites da declaração de inconstitucionalidade na contribuição do empregador rural pessoa física, incidente sobre o produto da comercialização da produção rural, isto é, em relação ao período anterior à Lei n° 10.256, de 2001. Também trago à colação excertos do voto proferido pelo Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, no Acórdão n° 2402005.994, em sessão de 13 de setembro de 2017, que também tratou, didaticamente, da questão posta: (...) As resoluções do Senado Federal a que se refere o inciso X do art. 52 da Constituição têm por finalidade suspender a execução de leis federais declaradas inconstitucionais por decisão do STF pela via do controle incidental ou difuso, quando a Corte é chamada a julgar recursos extraordinários relacionados a casos concretos. Convém ressalvar que a sentença do STF que venha a considerar inconstitucional determinada norma em controle difuso possuirá efeitos tão somente inter partes e ex tunc, isto é, se a inconstitucionalidade foi verificada na via incidental, a decisão Suprema Corte alcançará tãosomente as partes interessadas do processo. De outro modo, o inciso X do art. 52 da CF/88 instituiu a possibilidade de esse tipo de decisão surtir efeitos erga omnes (para todos) ao atribuir ao Senado Federal a possibilidade de, por juízo de relevância, editar resolução suspendendo a execução da norma declarada inconstitucional. Contudo, a resolução da Casa Legislativa não pode extrapolar os limites da decisão judicial, pois isso implicaria invadir competência precípua da Corte Suprema, conferida pela alínea “b” do inciso III do art. 102 da Carta da República. Dito isso, constatase que a Resolução do Senado Federal n° 15/2017 não trouxe qualquer inovação que possa interferir no desfecho da situação aqui analisada, visto que se refere a decisão afeta a situações anteriores à edição da Lei n° Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 255 20 10;256/2001 que, como dito acima, teve sua constitucionalidade reconhecida pelo STF. Esse entendimento encontra eco, ainda, na jurisprudência dos Tribunais pátrios. É ver o precedente abaixo: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES. FUNRURAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.256/2001. STF (RE Nº 718.874). REPERCUSSÃO GERAL. CONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL Nº 15/2017. INAPTIDÃO PARA AFASTAR A VIGÊNCIA E A EFICÁCIA DA LEI 10.256/2001. 1. Ao julgar o RE nº 718.874, sob o regime da repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção". 2. Desta forma, temse que, em face da modificação do art. 25 da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 10.256/01, a contribuição social do empregador rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção, é validamente exigível. 3. Essa conclusão não é afastada pelo advento da Resolução do Senado Federal nº 15/2017, que suspendeu, nos termos do art. 52, X, da CRFB/88, a execução do inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, e a execução do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação ao art. 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, todos com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. 4. As resoluções do Senado Federal que suspendem a execução de dispositivos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, no controle difuso de constitucionalidade, não podem, por óbvio, extrapolar o alcance dos precedentes nos quais se arvoram, razão pela qual devem ser interpretadas rigorosamente à luz destes julgados. 5. Firmada essa premissa, constatase que, ao julgar o RE 363.852, o Pretório Excelso não considerou o advento da Lei 10.256/01 e sequer declarou a invalidade in totum dos dispositivos referidos. Limitouse a pronunciar a sua inconstitucionalidade relativamente à "obrigação tributária sub rogada do adquirente" qualificado como empregador rural pessoa física, no regime jurídico então vigente. 6. Portanto, não se pode concluir que a Resolução do Senado Federal nº 15/2017 tenha afetado a exigibilidade da contribuição do empregador rural pessoa física no regime da EC 20/98 e da Lei 10.256/01. (TRF4 EINF: 002083 RS 2007.71.05.0020832, Relator: ANDREI PITTEN VELLOSO, Data de Julgamento: 03/05/2018, PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: D.E. 01/06/2018) Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade parcial da decisão recorrida suscitada pelo contribuinte, por não constatar violação ao artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, eis que a Resolução do Senado Federal nº 15/2017 não afetou a exigibilidade da contribuição do empregador rural pessoa física no regime da EC 20/98 e da Lei 10.256/01. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 256 21 3.2. Do pedido de suspensão do presente processo administrativo até o trânsito em julgado da decisão proferida no RE 718.874/RS, com fundamento no artigo 1.035, § 5° e 15 do CPC/2015. O contribuinte, em seu petitório recursal, requer a suspensão do presente processo administrativo até o trânsito em julgado da decisão proferida no RE 718.874/RS, com fundamento no artigo 1.035, § 5° e 15 do CPC/2015, por entender que a Suprema Corte poderá modular os efeitos da decisão, podendo atingir e beneficiar este sujeito passivo. Contudo, além de se tratar de pleito inaugurado apenas em sede recursal, esclareço que, no dia 23/05/2018, sobreveio decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal no sentido de rejeitar a modulação dos efeitos da declaração de constitucionalidade, tomada por maioria e nos termos do voto do Relator, pendente apenas de publicação. É ver o seguinte despacho decisório que consta no sítio www.stf.jus.br, em consulta ao andamento processual do RE 718.874/RS: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, rejeitou os embargos de declaração, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio, que os acolhiam para modular os efeitos da decisão de constitucionalidade. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Presidiu o julgamento a Ministra Cármen Lúcia. Plenário, 23.5.2018. Ademais, pontuo que o processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade, não havendo lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral, não havendo que se falar na aplicação subsidiária do artigo 1.035, § 5° e 15 do CPC/2015, afeta apenas às instâncias judiciais. E, ainda, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral (artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, Lei 5.869/73) deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF na forma do art. 62, § 1º, II, “b”, do Regimento Interno, aprovado pela portaria MF Nº 343/2015. Ante o exposto, rejeito o pedido do recorrente de suspensão do presente processo administrativo até o trânsito em julgado da decisão proferida no RE 718.874/RS. 3.3. Da alegação de nulidade do Auto de Infração por violação ao artigo 10 do Decreto n° 70.235/72. Insiste o recorrente, em seu apelo recursal, na tese de que o Agente Fiscal da Receita Federal, posteriormente à apuração dos fatos jurídicos tributários, não teria indicado com clareza e riqueza o detalhamento da descrição dos fatos relacionados às presentes infrações. Sustenta sua alegação com base em trecho constante no Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramentos Total do Procedimento Fiscal, no sentido de que “o presente procedimento verificou, por amostragem, o cumprimento das obrigações (...)”, concluindo que o procedimento de fiscalização não teria, portanto, analisado com profundidade os fatos que embasam a acusação fiscal. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 257 22 Entende, ainda, que nada justificaria a verificação por amostragem, pois todos os documentos solicitados foram fornecidos à Fiscalização, de sorte que todos os elementos e documentos fornecidos deveriam ser analisados e indicados no Auto de Infração. Contudo, ao contrário do que alega o recorrente, entendo que agiu com acerto a decisão de piso, eis que não há nenhum vício que macula o Auto de Infração, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos. Ademais, a autoridade lançadora extraiu do sistema SPED NFe as notas fiscais de aquisição de produção rural indicadas pelo próprio contribuinte na planilha “Aquisição de Produtores Rurais – 2013”, não havendo que se falar em verificação por amostragem. Por concordar integralmente com as considerações tecidas na decisão de piso, peço licença para reproduzir os seguintes excertos, adotandoos como razão de decidir: (...) Não se evidencia nos autos a ocorrência da hipótese mencionada, tendo em vista que a descrição dos fatos é clara e precisa, não comportando qualquer dúvida quanto aos fatos imputados, bastando ler a narrativa fiscal, os documentos e os anexos que a fiscalização juntou aos autos e os enquadramentos legais para que se perceba as circunstâncias que envolveram o lançamento. A fiscalização identificou claramente no relato fiscal a matéria tributável, objeto do AI, como sendo a contribuição decorrente da subrogação prevista em Lei onde o Sujeito Passivo fiscalizado, na condição de adquirente, não arrecadou e nem recolheu as contribuições devidas à Previdência Social referentes ao empregador rural pessoa física incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção para com a empresa adquirente. A fiscalização evidenciou que apurou a base de cálculo mediante o cruzamento das informações da planilha fornecida pelo contribuinte “Aquisição de Produtores Rurais — 2013", com as notas fiscais de entradas, obtidas através do sistema da Receita Federal do Brasil — RFB — ReceitanetBX / SPEDNfe. Explanou ainda a auditoria fiscal que o valor da base cálculo apurado foi constituído totalizandose os valores das notas fiscais de entradas emitidas pelo Sujeito Passivo fiscalizado, extraídas do sistema SPEDNFe, separadas por estabelecimento e CFOP, conforme quadro confeccionado pela Fiscalização e transcrito no item 16 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 91/92). A fiscalização discriminou as notas fiscais extraídas do sistema SPEDNFe, e consideradas na composição da base de cálculo, na planilha denominada "AUTO DE INFRAÇÃO BASE DE CÁLCULO", anexa aos autos. Quanto à alegação de que a apuração fiscal foi realizada por amostragem, reputo como infundada. Repiso que a autoridade lançadora extraiu do sistema SPED Nfe as notas fiscais de aquisição de produção rural indicadas pelo contribuinte na Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 258 23 planilha “Aquisição de Produtores Rurais — 2013", logo, não há falar em verificação por amostragem. O relatório fiscal informa ainda as alíquotas aplicadas, sendo a contribuição devida à Previdência Social, correspondente à parte da EMPRESA (2%) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT (0,1%), devidas, por subrogação, pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, prevista no art. 25, incisos I e II e § 3°; e art. 30, incisos III e IV, todos da Lei 8.212, de 24/07/91. Registrese que o ato administrativo consubstanciado neste Auto de Infração possui motivo legal, tendo sido praticado em conformidade com a legislação pertinente, e estando os seus fundamentos legais discriminados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 85/98) e na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que compõe o presente Auto de Infração (fls. 100/110), onde consta toda a legislação que embasa o lançamento. O relatório denominado "Orientações ao Sujeito Passivo" instrui o contribuinte em relação aos prazos e procedimentos para regularização do débito ou apresentação de impugnação. Foi informado ainda ao sujeito passivo que, caso seja optante pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, o acesso ao conteúdo do processo poderá ser feito por intermédio do portal eCAC com uso de certificado digital. Dentre os anexos trazidos aos autos pela autoridade lançadora, destacamse: Planilha “item 6) Aquisição de Produtos Rurais – 2013” que trata de informações prestadas pelo contribuinte em 06/07/2016 (arquivo não paginável contido no processo digital); Planilha “AUTO DE INFRAÇÃO – BASE DE CÁLCULO” que explicita as notas fiscais extraídas do sistema SPEDNfe, e consideradas para a composição da base de cálculo (arquivo não paginável contido no processo digital, cuja cópia foi entregue ao contribuinte em mídia digital); Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e Intimações Fiscais; Respostas às intimações fiscais prestadas pelo sujeito passivo; Comprovantes de validação e autenticação de arquivos digitais; Termos processuais judiciais (consultas, certidão, sentença, etc.); e Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 259 24 Deste modo, diante do todo exposto, não deve prosperar a tese de nulidade, uma vez que: a) o procedimento fiscal realizado junto à autuada seguiu rigorosamente a legislação em vigor; b) a empresa teve ciência da autuação, a qual foi efetuada de modo que o sujeito passivo tivesse pleno conhecimento dos fundamentos de fato e de direito que o motivaram; c) os fatos ensejadores do lançamento foram corretamente transcritos com todos os dispositivos pertinentes; e d) a autuada apresentou a competente impugnação, na qual demonstrou pleno conhecimento de todos os fundamentos da imposição exigida. Dessarte, o lançamento fiscal encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante ao disposto no caput do artigo 33, e artigo 37 da Lei nº 8.212/91, vigentes à época da lavratura, e assegurou o tratamento isonômico a ambas as partes, o que se mostra fundamental, no processo administrativo, pois possibilitou a autuada o pleno conhecimento de seu conteúdo, para que pudesse exercer seu direito à ampla defesa. Assim, está refutada a alegação de nulidade, uma vez que o relatório fiscal e os demais anexos que compõem o presente AI contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, não restando qualquer dúvida quanto à origem e à natureza das contribuições lançadas. Ante o exposto, rejeito a alegação do recorrente, por entender que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do Auto de Infração, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 10 do Decreto n° 70.235/72. 3.4. Da alegação de ilegitimidade passiva da matriz sobre os débitos das filiais. Sustenta o recorrente que os fatos geradores das obrigações tributárias foram realizados pelas suas filias de CNPJ 68.067.446/000843, 68.067.446/001068, 68.067.446/001149 e 68.067.446/001572, enquanto que a acusação fiscal foi lavrada em face da Matriz, de CNPJ nº 68.067.446/001220, cuja nulidade é insanável, viciando o Auto de Infração, devendo a autoridade fiscal lavrar outro Auto de Infração corretamente, consoante permissivo do artigo 173, inciso II, do CTN. Entende, ainda, que a mera segregação na apuração do crédito tributário não supre a irregularidade, de modo que a exigência fiscal deveria ser em face do sujeito passivo, pelo sujeito ativo, que tem o direito subjetivo de exigir a obrigação tributária, dentro de uma relação jurídicotributária. Assevera que para fins fiscais vigora o princípio da autonomia dos estabelecimentos empresariais, previsto no artigo 127, II, do CTN, que não reconhece como Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 260 25 entidade indissociável a Matriz e suas filiais, pelo contrário, consideraas como pessoas jurídicas autônomas, cada uma como sujeita de direitos e obrigações. Contudo, ao contrário do que alega o recorrente, entendo que a autonomia das Filiais em relação à Matriz, limitase aos aspectos meramente administrativos, não afastando a unidade substancial da pessoa jurídica que as normas concernentes ao CNPJ não têm o condão de cindir. Cumpre ressaltar que o art. 127, II, do Código Tributário Nacional, apenas prevê que, na falta de eleição de domicílio tributário, considerase como tal o lugar de sua sede, ou, em relação aos fatos geradores que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento, não autorizando concluir que as filiais são pessoas jurídicas distintas. Além disso, o eg. Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial submetido ao regime do art. 543C do CPC, firmou o entendimento no sentido de que a filial de uma empresa, ainda que possua CNPJ próprio, não configura nova pessoa jurídica, razão pela qual as dívidas oriundas de relações jurídicas decorrentes de fatos geradores atribuídos a determinado estabelecimento constituem, em verdade, obrigação tributária da sociedade empresária como um todo. É ver a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. DÍVIDAS TRIBUTÁRIAS DA MATRIZ. PENHORA, PELO SISTEMA BACENJUD, DE VALORES DEPOSITADOS EM NOME DAS FILIAIS. POSSIBILIDADE. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL COMO OBJETO DE DIREITOS E NÃO COMO SUJEITO DE DIREITOS. CNPJ PRÓPRIO DAS FILIAIS. IRRELEVÂNCIA NO QUE DIZ RESPEITO À UNIDADE PATRIMONIAL DA DEVEDORA. 1. No âmbito do direito privado, cujos princípios gerais, à luz do art. 109 do CTN, são informadores para a definição dos institutos de direito tributário, a filial é uma espécie de estabelecimento empresarial, fazendo parte do acervo patrimonial de uma única pessoa jurídica, partilhando dos mesmos sócios, contrato social e firma ou denominação da matriz. Nessa condição, consiste, conforme doutrina majoritária, em uma universalidade de fato, não ostentando personalidade jurídica própria, não sendo sujeito de direitos, tampouco uma pessoa distinta da sociedade empresária. Cuidase de um instrumento de que se utiliza o empresário ou sócio para exercer suas atividades. 2. A discriminação do patrimônio da empresa, mediante a criação de filiais, não afasta a unidade patrimonial da pessoa jurídica, que, na condição de devedora, deve responder com todo o ativo do patrimônio social por suas dívidas, à luz de regra de direito processual prevista no art. 591 do Código de Processo Civil, segundo a qual "o devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei". 3. O princípio tributário da autonomia dos estabelecimentos, cujo conteúdo normativo preceitua que estes devem ser considerados, na forma da legislação específica de cada tributo, unidades autônomas e independentes nas relações jurídicotributárias travadas com a Administração Fiscal, é um instituto de direito material, ligado à questão do nascimento da obrigação tributária de cada imposto especificamente Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 261 26 considerado e não tem relação com a responsabilidade patrimonial dos devedores prevista em um regramento de direito processual, ou com os limites da responsabilidade dos bens da empresa e dos sócios definidos no direito empresarial. 4. A obrigação de que cada estabelecimento se inscreva com número próprio no CNPJ tem especial relevância para a atividade fiscalizatória da administração tributária, não afastando a unidade patrimonial da empresa, cabendo ressaltar que a inscrição da filial no CNPJ é derivada do CNPJ da matriz. 5. Nessa toada, limitar a satisfação do crédito público, notadamente do crédito tributário, a somente o patrimônio do estabelecimento que participou da situação caracterizada como fato gerador é adotar interpretação absurda e odiosa. Absurda porque não se concilia, por exemplo, com a cobrança dos créditos em uma situação de falência, onde todos os bens da pessoa jurídica (todos os estabelecimentos) são arrecadados para pagamento de todos os credores, ou com a possibilidade de responsabilidade contratual subsidiária dos sócios pelas obrigações da sociedade como um todo (v.g. arts. 1.023, 1.024, 1.039, 1.045, 1.052, 1.088 do CC/2002), ou com a administração de todos os estabelecimentos da sociedade pelos mesmos órgãos de deliberação, direção, gerência e fiscalização. Odiosa porque, por princípio, o credor privado não pode ter mais privilégios que o credor público, salvo exceções legalmente expressas e justificáveis. 6. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08 (STJ REsp: 1355812 RS 2012/02490963, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 22/05/2013, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 31/05/2013). Ante o exposto, rejeito a alegação do recorrente de ilegitimidade do estabelecimento matriz pelos débitos das filiais, por entender que a discriminação do patrimônio da empresa, mediante a criação de filiais, não afasta a unidade patrimonial da pessoa jurídica, que, na condição de devedora, deve responder com todo o ativo do patrimônio social por suas dívidas, inclusive tributárias. 4. Mérito. 4.1. Da incidência dos juros moratórios. Alega o recorrente que, nos termos do artigo 151, V, do CTN, não caberia a incidência dos juros moratórios, tendo em vista que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa a partir da concessão da ordem liminar, nos autos da Ação Declaratória n° 2749 05.2013.401.3901. Cabe esclarecer, inicialmente, que o presente Auto de Infração foi lavrado para prevenção de decadência, tendo em vista que o crédito tributário se encontrava com sua exigibilidade suspensa, não havendo notícia nos autos de que o contribuinte realizara o depósito integral do montante objeto de discussão, única hipótese capaz de afastar a incidência dos juros moratórios. É ver o que diz a Súmula CARF n° 5, in verbis: Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 262 27 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A orientação, inclusive, vai ao encontro do entendimento emanado pelo Superior Tribunal de Justiça, no tocante à possibilidade de incidência de juros de mora sobre o tributo devido, no período compreendido entre a decisão que concede a liminar e a definitiva de mérito, afastando tão somente a incidência de multa de ofício no lançamento tributário. É ver a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE NO PERÍODO DE VIGÊNCIA DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. EMBARGOS ACOLHIDOS. 1. Divergência jurisprudencial configurada entre acórdãos da Primeira e Segunda Turmas no tocante à possibilidade de incidência de juros de mora sobre o tributo devido no período compreendido entre a decisão que concede liminar em mandado de segurança e a denegação da ordem. 2. "Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária" (Súmula 405/STF). 3. "A multa moratória pune o descumprimento da norma tributária que determina o pagamento do tributo no vencimento. Constitui, pois, penalidade cominada para desestimular o atraso nos recolhimentos. Já os juros moratórios, diferentemente, compensam a falta da disponibilidade dos recursos pelo sujeito ativo pelo período correspondente ao atraso" (Leandro Paulsen, Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora ESMAFE, 2012, p. 1.105). 4. O art. 63, caput e § 2º, da Lei 9.430/96 afasta tão somente a incidência de multa de ofício no lançamento tributário destinado a prevenir a decadência na hipótese em que o crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida em mandado de segurança ou em outra ação ou de tutela antecipada. 5. No período compreendido entre a concessão de medida liminar e a denegação da ordem incide correção monetária e juros de mora ou a Taxa SELIC, se for o caso. Afastada a imposição de multa de ofício. 6. Embargos de divergência acolhidos (EREsp 839.962/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 24/04/2013). A propósito, o contribuinte foi intimado, conforme documento de fls. 44/48, a apresentar “os depósitos judiciais e seus memoriais de cálculo, conforme determinado na sentença”, quedandose, contudo, inerte. Ante o exposto, rejeito a alegação do recorrente no sentido de que, nos termos do artigo 151, V, do CTN, não caberia a incidência dos juros moratórios, tendo em vista que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa a partir da concessão da ordem liminar, pois não consta dos autos que tenha havido depósito judicial no montante integral, Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10314.721096/201710 Acórdão n.º 2401005.665 S2C4T1 Fl. 263 28 única hipótese apta a afastar a incidência dos juros de mora sobre o tributo lançado (Súmula CARF n° 5). 5. Do pedido de realização de sustentação oral. O contribuinte, em seu petitório recursal, protesta que seja resguardado o direito de realização de sustentação oral em plenário, quando do julgamento do recurso. Cabe esclarecer que as pautas de julgamento dos Recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação da data, horário e local, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o patrono do sujeito passivo, querendo, estar presente para realização de sustentação oral na sessão de julgamento (parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário, em razão de concomitância com ação judicial, para, na parte conhecida, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 263DF CARF MF
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