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Numero do processo: 19311.720105/2016-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2013
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário à prestação de serviço.
CRÉDITO NÃO CUMULATIVIDADE. EMPRESA FRAQUEADORA.
A admissibilidade dos créditos da não cumulatividade está relacionada à atividade desempenhada pelo contribuinte. A atividade de franqueadora implica a realização de operações que vão além da comercialização direta de produtos ao consumidor final, pelo que os serviços utilizados nessas operações devem ser avaliados a partir desse contexto.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2013
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário à prestação de serviço.
CRÉDITO NÃO CUMULATIVIDADE. EMPRESA FRAQUEADORA.
A admissibilidade dos créditos da não cumulatividade está relacionada à atividade desempenhada pelo contribuinte. A atividade de franqueadora implica a realização de operações que vão além da comercialização direta de produtos ao consumidor final, pelo que os serviços utilizados nessas operações devem ser avaliados a partir desse contexto.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 3402-005.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso de Ofício. O Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire votou pelas conclusões.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2013 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário à prestação de serviço. CRÉDITO NÃO CUMULATIVIDADE. EMPRESA FRAQUEADORA. A admissibilidade dos créditos da não cumulatividade está relacionada à atividade desempenhada pelo contribuinte. A atividade de franqueadora implica a realização de operações que vão além da comercialização direta de produtos ao consumidor final, pelo que os serviços utilizados nessas operações devem ser avaliados a partir desse contexto. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2013 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário à prestação de serviço. CRÉDITO NÃO CUMULATIVIDADE. EMPRESA FRAQUEADORA. A admissibilidade dos créditos da não cumulatividade está relacionada à atividade desempenhada pelo contribuinte. A atividade de franqueadora implica a realização de operações que vão além da comercialização direta de produtos ao consumidor final, pelo que os serviços utilizados nessas operações devem ser avaliados a partir desse contexto. Recurso de Ofício negado.
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EMPRESA FRANQUEADORA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SUBWAY SYSTEMS DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2013 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário à prestação de serviço. CRÉDITO NÃO CUMULATIVIDADE. EMPRESA FRAQUEADORA. A admissibilidade dos créditos da não cumulatividade está relacionada à atividade desempenhada pelo contribuinte. A atividade de franqueadora implica a realização de operações que vão além da comercialização direta de produtos ao consumidor final, pelo que os serviços utilizados nessas operações devem ser avaliados a partir desse contexto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2013 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário à prestação de serviço. CRÉDITO NÃO CUMULATIVIDADE. EMPRESA FRAQUEADORA. A admissibilidade dos créditos da não cumulatividade está relacionada à atividade desempenhada pelo contribuinte. A atividade de franqueadora implica a realização de operações que vão além da comercialização direta de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 01 05 /2 01 6- 79 Fl. 2911DF CARF MF 2 produtos ao consumidor final, pelo que os serviços utilizados nessas operações devem ser avaliados a partir desse contexto. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso de Ofício. O Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire votou pelas conclusões. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratamse de Autos de Infração para a cobrança de PIS e COFINS apurados no regime não cumulativo, decorrente da glosa de créditos sobre gastos incorridos na contratação de serviços utilizados pela empresa autuada no desempenho da sua atividade empresarial de franquadora das operações das lanchonetes SUBWAY no Brasil (concessão, administração e supervisão de franquias empresariais) Como se depreende do Termo de Verificação Fiscal, entendeu a fiscalização que a atividade desempenhada pela empresa seria de vendas de sanduíches, sendo incabível a tomada de crédito sobre distintos serviços (assessoria, marketing, consultoria, informática, intermediação, representação, publicidade e propaganda). Vejamos os termos do TVF: "A presente ação fiscal iniciouse com a lavratura de Termo de Início de Ação Fiscal, de 05/02/2016, pelo qual o sujeito passivo foi intimado a apresentar, dentre outros elementos, documentação comprobatória (notas fiscais e/ou contratos) relativa a uma amostra de trinta e cinco operações registradas em sua Escrituração Fiscal Digital Contribuições (EFDContribuições). Todas essas operações foram objeto de creditamento de PIS e Cofins no regime nãocumulativo, quando da apuração destas contribuições no anocalendário de 2013. Em resposta, foram apresentados os documentos exigidos. De sua análise, foi possível constatar que as operações se tratavam de contratação de serviços de Fl. 2912DF CARF MF Processo nº 19311.720105/201679 Acórdão n.º 3402005.101 S3C4T2 Fl. 2.912 3 assessoria, marketing, consultoria, informática, intermediação, representação, publicidade e propaganda. Em 31/03/2016, foi encaminhado Termo de Intimação Fiscal n° 2, relacionando todas as operações em que o sujeito passivo tomou como créditos de PIS e Cofins, para que apresentasse quais não se referiam à contratação de serviços de assessoria, marketing, consultoria, informática, intermediação, representação, publicidade e propaganda. (...) O sujeito passivo apropriouse no anocalendário de 2013 de PIS e Cofins sobre operações que somam R$ 83,4 milhões. Entretanto, a legislação tributária não permite o creditamento destas contribuições sobre tais operações. O art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002 (PIS), e o art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003 (Cofins), elencam as hipóteses em que a pessoa jurídica pode descontar créditos das contribuições. O inciso II desses artigos permite o creditamento em relação a bens e serviços, desde que utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No presente caso, as operações de contratações de serviços realizadas pela fiscalizada não se enquadram como insumos. A empresa tem por atividade a venda de sanduíches, ainda que a parte operacional seja realizada por franqueadas. A receita da empresa é proveniente da venda de sanduíches. Com o objetivo de aumentar as vendas das franqueadas, e consequentemente, aumentar o seu faturamento, realiza gastos com propaganda, assessoria, etc. Mesmo que a empresa não tivesse esses gastos, ainda assim continuaria recebendo a participação nas receitas das franqueadas." (efls. 1.012/1.013 grifei) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação elucidando seu objeto social e a validade dos créditos tomados, defesa esta que foi julgada integralmente procedente, por unanimidade de votos, pelo acórdão 1464.077 da 14ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, ementado no seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2013 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. FRANQUEADORA. A admissibilidade dos créditos da não cumulatividade está relacionada à atividade desempenhada pelo contribuinte. A atividade de franqueadora implica a realização de operações que vão além da comercialização direta de produtos ao consumidor final, pelo que os serviços utilizados nessas operações devem ser avaliados a partir desse contexto. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado." (efls. 2.885 grifei Uma vez que o valor autuado a título de tributo e encargos de multa alcança o montante de R$ 13.516.278,99, foi apresentado Recurso de ofício e os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 2913DF CARF MF 4 Com fulcro no art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/72 e presentes os pressupostos de admissibilidade, vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada previsto na Portaria n.º 63/2017, conheço do Recurso de Ofício, passando à análise do mérito. Atentandose para o presente caso, vislumbrase que a decisão recorrida não merece reparo. Com efeito, pela leitura do Termo de Verificação Fiscal acima reproduzido (efls. 1.012/1.017), observase que a fiscalização desconsiderou a complexidade da atividade desempenhada pela empresa autuada enquanto franqueadora, cujas atividades foram bem identificadas na Cláusula Terceira do contrato social da empresa, que indica: "A sociedade tem como objeto social a concessão, administração e supervisão de franquias empresariais na área de restaurantes, lanchonetes e similares, envolvendo o licenciamento e/ou sub licenciamento de knowhow, segredos industriais, comerciais ou de negócios, marcas e outros direitos de propriedade intelectual ou correlatos, bem como o fornecimento de informações técnicas, mercadológicas e outros dados relacionados ao respectivo sistema de franquia, a cobrança, o recebimento e a administração de contribuições e fundos de propaganda de franqueados, podendo, também, manter e operar, direta ou indiretamente, restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos similares. (...)" (efl. 34) A simples leitura do objeto social da pessoa jurídica consegue afastar a afirmação genérica trazida no Termo de Verificação Fiscal no sentido de que "a empresa tem por atividade a venda de sanduíches" (efls. 1.013) Com efeito, como bem detalhado no contrato social vigente à época dos fatos autuados, a empresa exerce atividades relacionadas aos contratos de franquia por ela concedidas e administradas, dentre as quais o fornecimento de informações técnicas, mercadológicas e outros dados relacionados ao respectivo sistema de franquia e a cobrança, o recebimento e a administração de contribuições e fundos de propaganda de franqueados. A identificação das atividades da empresa na condição de Franqueadora, inclusive quanto a cobrança de taxas periódicas despendidas com publicidade, encontramse de acordo com a Lei n.º 8.955/1994, que disciplina os contratos de franquia: "Art. 2º Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semiexclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício. Art. 3º Sempre que o franqueador tiver interesse na implantação de sistema de franquia empresarial, deverá fornecer ao interessado em tornarse franqueado uma circular de oferta de franquia, por escrito e em linguagem clara e acessível, contendo obrigatoriamente as seguintes informações: (...) VIII informações claras quanto a taxas periódicas e outros valores a serem pagos pelo franqueado ao franqueador ou a terceiros por este indicados, detalhando as respectivas bases de cálculo e o que as mesmas remuneram ou o fim a que se destinam, indicando, especificamente, o seguinte: a) remuneração periódica pelo uso do sistema, da marca ou em troca dos serviços efetivamente prestados pelo franqueador ao franqueado (royalties); Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 19311.720105/201679 Acórdão n.º 3402005.101 S3C4T2 Fl. 2.913 5 b) aluguel de equipamentos ou ponto comercial; c) taxa de publicidade ou semelhante; d) seguro mínimo; e e) outros valores devidos ao franqueador ou a terceiros que a ele sejam ligados;" (grifei) Cumpre mencionar que consta do contrato social a possibilidade da empresa manter restaurantes direta ou indiretamente, o que denotaria que parte de suas atividades poderiam efetivamente decorrer da venda de sanduíches. Contudo, a extensão dessa atividade não foi identificada na autuação fiscal, que se pautou a glosar os créditos aproveitados pela empresa quando do exercício das suas atividades de franqueadora sob a genérica e equivocada premissa de que a receita da pessoa jurídica seria aferida exclusivamente da venda de sanduíches. Ora, reconhecido o desempenho da atividade de franquia pela empresa autuada, necessário que o crédito de PIS/COFINS a ser a ela reconhecido seja analisado à luz da atividade por ela desenvolvida. Com efeito, as contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas foram instituídas por diplomas legais ordinários, quais sejam, a Lei n.º 10.637/2002 (conversão da MP 66/2002 que instituiu o PIS não cumulativo vigência a partir de 01/12/2002) e a Lei n.º 10.833/2003 (conversão da MP 135/2003 que instituiu a COFINS não cumulativa vigência a partir de 01/02/2004). Como contribuições incidentes sobre a receita, na forma do art. 1º destes diplomas legais, a sistemática não cumulativa foi prevista para determinadas pessoas jurídicas sendo mantida, para as demais, a sistemática cumulativa do PIS e da COFINS incidentes sobre o faturamento. No art. 3º das referidas leis o legislador identificou a forma como seria operacionalizada a não cumulatividade dessas contribuições, identificando os créditos suscetíveis de serem deduzidos do valor do tributo apurado na forma do art. 2º. Esses créditos são calculados pela aplicação da alíquota do tributo sobre determinadas despesas, identificadas taxativamente, dentre as quais os "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes" (inciso II), ora sob análise. Este Conselho Administrativo, de forma majoritária e à luz de uma interpretação histórica e teleológica dos referidos diplomas legais, tem adotado a interpretação do conceito de insumos considerando a sua essencialidade/necessidade para o processo produtivo da empresa ou para a prestação de serviço1, em uma aproximação que não é tão ampla como da legislação do Imposto de Renda, nem tão restritiva como aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e adotada pelo I. Fiscal no caso em tela. 1 Como bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final." (grifei) Fl. 2915DF CARF MF 6 Cumpre mencionar que este entendimento foi inicialmente aquele seditamentado pelo Superior Tribunal de Justiça, em julgamento em curso na sistemática dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.1702), cujo julgamento foi concluído em 22/02/2018, ainda pendente a publicação do acórdão. No meu entender particular, para garantir a coerência3 e dar efetividade ao princípio da não cumulatividade, o legislador ordinário não poderia ter se valido de restrições e deveria ter assegurado o creditamento de todas as despesas incorridas na atividade empresarial para auferir a receita (fato tributado pelas contribuições). Já tive a oportunidade de me manifestar sobre esta questão na seara doutrinária, entendendo que ao apresentar um rol taxativo de créditos, a legislação do PIS e da COFINS culminou em efetivo efeito cumulativo, contrário à finalidade da não cumulatividade4. Contudo, inegável que a lei em vigor trouxe limites, com um rol taxativo de bens/serviços passíveis de creditamento e exigindo que, para o creditamento, o insumo seja utilizado "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" (art. 3º, II, Leis Lei 10.637/2002 e 10.833/2003). Assim, considerando a seara administrativa na qual se insere essa discussão e enquanto ainda não publicado e transitado em julgado o acórdão do recurso repetitivo acima referenciado, não posso me desvincular dos termos da lei, na forma exigida pelo Regimento Interno deste Conselho5. Nesse contexto, e adotando o entendimento já externado em diversas ocasiões por esta Turma6, filiome ao entendimento que vêm sendo solidificado no âmbito deste CARF, 2 A proclamação parcial do julgamento em 09/11/2016 foi nos seguintes termos: "Prosseguindo no julgamento, após o votovista antecipado da Sra. Ministra Regina Helena Costa conhecendo parcialmente do recurso especial e, nessa parte, dandolhe provimento, e do realinhamento dos votos dos Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho (Relator) e Mauro Campbell Marques para acompanhar o voto da Sra. Ministra Regina Helena Costa, pediu vista a Sra. Ministra Assusete Magalhães. Aguarda o Sr. Ministro Sérgio Kukina." (Disponível em <https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumero Registro&termo=201002091150&totalRegistrosPorPagina=40&aplicacao=processos.ea>. Acesso em 10/02/2017) 3 ÁVILA, Humberto. O "postulado do legislador coerente" e a nãocumulatividade das contribuições. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (Coord.). Grandes questões atuais do Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2007. v. 11. p. 180. 4 DELIGNE, Maysa de Sá Pittondo. Competência tributária residual e as contribuições destinadas à Seguridade Social. Belo Horizonte: D´Plácido, 2015, p. 296 5 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." 6 À título de exemplo, trago julgamento Relatado pelo Nobre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra: "PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 19311.720105/201679 Acórdão n.º 3402005.101 S3C4T2 Fl. 2.914 7 entendendo por insumos para fins de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS aquelas despesas incorridas com bens ou serviços comprovadamente utilizados na atividade da pessoa jurídica, seja "na prestação de serviços" ou "na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", que guarde, portanto, relação com as receitas tributadas. Nesse sentido, de forma exemplificativa, trazse ainda a ementa abaixo de julgado do Conselho Superior: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS N 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL. “Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. EMPRESA DE FABRICAÇÃO DE MÓVEIS. CRÉDITOS RECONHECIDOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. INSUMOS. Tratandose de uma empresa fabricante de móveis, foram reconhecidos créditos com relação à aquisição de materiais para manutenção de máquinas. Os gastos incorridos na aquisição de materiais para manutenção de máquinas são necessários e imprescindíveis à atividade produtiva da contribuinte, inserindo no conceito de “insumo” previsto no inciso II do artigo 3o da Lei n o 10.833/2003. Recurso Especial do Procurador Negado" (Número do Processo 11020.001960/200679. Data da Sessão 14/08/2014. Relator Rodrigo Cardozo Miranda. Nº Acórdão 9303003.079 grifei) Dessa forma, para decidir quanto ao direito ao crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos é imprescindível que, primeiro, se analise as características da atividade desenvolvida pela empresa para, então, identificar quais as aquisições que configuram insumo para os bens por ela produzidos ou para os serviços por ela prestados. apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. PIS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no DACON, implica sua glosa por parte da fiscalização. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10675.002237/200488. Sessão 15/03/2016 Nº Acórdão 3402002.965 grifei) Fl. 2917DF CARF MF 8 No presente caso, vislumbrase que a empresa desenvolve a atividade de franqueadora, envolvendo a contratação de serviços necessários ao desempenho dessa atividade, dentre os quais aqueles glosados pela fiscalização de assessoria, marketing, consultoria, informática, intermediação, representação, publicidade e propaganda. Por partir de premissa equivocada quanto à atividade da empresa (apenas venda de sanduíches), a fiscalização não procedeu com uma análise de como esses serviços seriam utilizados na atividade da empresa enquanto franqueadora, em verdadeiro erro cometido na análise dos fatos. Esse raciocínio foi bem delineado na r. decisão recorrida, que não merece reparo: "Ora, pelo que se viu, essa afirmação constitui uma interpretação redutora das atividades exercidas pela contribuinte. Com efeito, se a contribuinte exerce a atividade de franqueadora, o que não é desmentido pela fiscalização, a gama de negócios vai muito além da venda de mercadorias, ainda que indiretamente por meio das suas franquias. (...) Os contratos trazidos aos autos demonstram que a contribuinte firmou contratos de franquia e recebeu as remunerações correspondentes. Sob esse ponto de vista, resta fragilizada a tese fiscal de que os créditos apurados pela contribuinte são indevidos porque não se caracterizam como insumo da venda de sanduíches. Poderiam, sem embargo, constituir insumos de outras atividades, porém, a auditoria não abrangeu tal possibilidade. É dizer, ainda que admitida a afirmação da fiscalização, a venda direta de sanduíches por parte da autuada poderia constituir uma de suas atividades, mas não a totalidade delas, já que restariam aquelas ligadas à administração dos contratos de franquia e as de propaganda. Portanto, o contexto em que se deu o lançamento é, ao menos parcialmente, diferente daquele que é descrito no Termo de Verificação Fiscal. E é contra esse pano de fundo que os créditos contestados devem ser avaliados. (...) Elaborado nesses termos, o Termo que expõe os fundamentos da autuação peca em dois aspectos. Primeiro, não trata das atividades que se estabelecem entre franqueador e franqueado, as quais, por lei, vão muito além da venda dos produtos licenciados. Segundo, não aprofunda a relação entre os serviços adquiridos e o complexo de atividades desenvolvidos pela autuada no seu papel de franqueadora. Diante de toda essa coleção de fatos, a tese fiscal somente se sustentaria se provado que a autuada tivesse por atividade apenas e tão somente a comercialização de sanduíches. A autoridade fiscal, no entanto, não faz essa prova." (efls. 2.899/2.901 grifei) Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 2918DF CARF MF Processo nº 19311.720105/201679 Acórdão n.º 3402005.101 S3C4T2 Fl. 2.915 9 Fl. 2919DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720287/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Anos-calendário: 2007, 2008 NULIDADE DO PROCESSO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa quando a fiscalização, apura omissão de receitas e, diante da inércia do contribuinte, realiza os procedimentos adequados ao arbitramento dos lucros para exigência do IRPJ e CSLL, bem como elabora demonstrativos claríssimos das receitas auferidas pela empresa, extraída de seu Livro de Registro de Saídas e, ao final, lavra os autos de infração formalizando processos com todos os elementos de prova das irregularidades, bem como dos procedimentos adotados, garantindo assim o direito à ampla defesa OMISSÃO DE RECEITAS. A diferença entre os valores efetivo das vendas efetuadas pelo contribuinte e os valores declarados ao Fisco Federal caracteriza omissão de receitas, sendo passível de lançamento de ofício. MULTA DE OFICIO AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. ATENDIMENTO INSUFICIENTE ÀS INTIMAÇÕES FISCAIS - Agrava-se a penalidade, na forma do artigo 44, § 2.º, da lei n.º 9.430, de 1996, quando em procedimento de ofício o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, ou atende de forma insuficiente, deixando de fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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IRPJ E REFLEXOS Recorrente E R DE JESUS EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anoscalendário: 2007, 2008 NULIDADE DO PROCESSO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa quando a fiscalização, apura omissão de receitas e, diante da inércia do contribuinte, realiza os procedimentos adequados ao arbitramento dos lucros para exigência do IRPJ e CSLL, bem como elabora demonstrativos claríssimos das receitas auferidas pela empresa, extraída de seu Livro de Registro de Saídas e, ao final, lavra os autos de infração formalizando processos com todos os elementos de prova das irregularidades, bem como dos procedimentos adotados, garantindo assim o direito à ampla defesa OMISSÃO DE RECEITAS. A diferença entre os valores efetivo das vendas efetuadas pelo contribuinte e os valores declarados ao Fisco Federal caracteriza omissão de receitas, sendo passível de lançamento de ofício. MULTA DE OFICIO AGRAVADA EM 50%. CABIMENTO. ATENDIMENTO INSUFICIENTE ÀS INTIMAÇÕES FISCAIS Agravase a penalidade, na forma do artigo 44, § 2.º, da lei n.º 9.430, de 1996, quando em procedimento de ofício o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, ou atende de forma insuficiente, deixando de fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. Recurso Voluntário Negado. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10283.720287/201001 Acórdão n.º 140200.867 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório E R DE JESUS EPP recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: 1. Trata o processo de lançamentos (fls.11/70), com ciência em 02/06/2010 (fl.132), decorrentes do SIMPLES (AC 2006/2007) de IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$18.900.277,47, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/04/2010. 2. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, fls.13/14, a imputação de OMISSÃO DE RECEITAS fundamentouse nas divergências entre as receitas de vendas de mercadorias declaradas à SEFAZ/AM, por meio das DAM (Demonstrativos de Apuração Mensal) para fins de apuração do ICMS com as informadas nas Declarações Simplificadas – SIMPLES no anocalendário 2006 e no 1o semestre de 2007. 3. De acordo com a autuação, a impugnante foi intimada e reintimada a apresentar seus livros contábeis e fiscais e as notas fiscais de saídas, mas não atendeu à solicitação, motivo pelo qual foi agravada a multa para 112,5%. 4. Ainda de acordo com a descrição dos fatos, foi emitido um Termo de Solicitação de Esclarecimentos, possibilitando que a empresa contestasse até mesmo as informações contidas nas DAM (Demonstrativos de Apuração Mensal) que embasaram a autuação. No entanto não houve resposta. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10283.720287/201001 Acórdão n.º 140200.867 S1C4T2 Fl. 0 3 5. O lançamento foi procedido considerandose os valores apurados nas receitas de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, nos termos das informações prestadas pelo contribuinte à Secretaria de Estado da Fazenda (SEFAZ/AM), através dos Demonstrativos de Apuração Mensal (DAM), cujos dados foram encaminhados a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus pelo Ofício nº006/2009/GSER) SEFAZ, de 08 de janeiro de 2009, em atenção ao Ofício GAB/DRF/MNSSPC nº293. 6. O contribuinte apresentou sua defesa em 30/06/2010, fls.141/152, alegando o seguinte: 6.1 A autuação é desprovida de fundamento e nula de pleno direito; 6.2 Não foi notificada pessoalmente sobre a autuação; 6.2.1 Somente o titular da firma ou seu preposto ou mandatário pode de forma legítima receber intimações; 6.3 A apuração dos tributos deveria ser com base no LUCRO REAL; 6.4 O suposto faturamento apurado pelo Auditor Fiscal supera o limite legal definido de R$2.400.000,00, para empresas de pequeno porte; 6.5 A fiscalização ignorou o princípio da capacidade contributiva, pois deveria efetuado a apuração com base no lucro real; 6.6 Não há correspondência entre os fatos efetivamente ocorridos e a base legal adotada pelo Auditor Fiscal; Não há relação jurídico tributária, assim como tributos ou infrações cometidas; Ofendeuse o princípio da legalidade; 6.7 Com relação ao PIS e à COFINS, somente quem é tributado com base no lucro real pode ser tributado com base na sistemática de não cumulatividade, nos termos da Lei N.10.637/2002 e Lei N.10.833/2003. Assim, estas contribuições igualmente foram apuradas pelo auditor sem que fosse respeitado o princípio da capacidade contributiva; 6.8 Devido ao falecimento do seu contador, os livros e demais documentos solicitados pela fiscalização foram extraviados, tendo em vista a solução de continuidade nos serviços prestados por este profissional, dado que nenhum profissional habilitado prosseguiu com os trabalhos contábeis do escritório. 6.9 Neste caso, houve excludente de responsabilidade, pois o caso fortuito e a força maior possuem tal conseqüência jurídica; 6.10 Assim, a empresa solicita que seja eximida de qualquer penalidade pela não apresentação dos documentos solicitados, notadamente a imposição de multa disposta no art.44, §2o, da Lei N.9.430/1996; Solicita diligência fiscal para a correta apuração do montante devido – apuração correta das receitas e pelo regime do lucro real e pela não cumulatividade das contribuições sociais, respeitandose a capacidade contributiva. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 315DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10283.720287/201001 Acórdão n.º 140200.867 S1C4T2 Fl. 0 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício, no caso de omissão de receitas tributáveis percebidas pelo contribuinte e omitidos na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica SIMPLES. Verificada a OMISSÃO DE RECEITA, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o REGIME DE TRIBUTAÇÃO A QUE ESTIVER SUBMETIDA A PESSOA JURÍDICA NO PERÍODO DE APURAÇÃO A QUE CORRESPONDER A OMISSÃO (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Art.288 do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda. INTIMAÇÃO. Farseá a intimação por via postal com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Art.23 do Decreto 70.235 de 6 de Março de 1972. RESPONSABILIDADE. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art.123 do Código Tributário Nacional Lei 5.172 de 25 de Outubro de 1966. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão em 30/12/2010 (fl. 178), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/1/2011 (fl. 233 e seguintes), no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória complementar, especialmente quanto preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de levantamento financeiro; preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa; impropriedade do lançamento pelo lucro arbitrado, a inexistência de prova da omissão de receitas; inaplicabilidade da multa qualificada. Ao final, requer o provimento, cancelandose a exigência. É o relatório. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10283.720287/201001 Acórdão n.º 140200.867 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a Fiscalização apurou que o montante das vendas declaradas/tributadas pelo contribuinte (Firma Individual), junto ao Fisco Estadual do Amazonas nos anos de 2006 e 2007, superam em muito as receitas declaradas e tributadas pelo contribuinte no âmbito da Receita Federal. Tratase, portanto de omissão de receitas pura e simples, cuja prova, lastreada nas declarações prestadas ao Fisco Estadual, que são lastreadas pelos próprios recolhimentos do ICMS, o contribuinte não infirmou, seja na fase impugnatória, seja na recursal. A análise do recurso voluntário evidencia que as razões de defesa não coadunam com as infrações tributadas e com o procedimento fiscal. O ilustre representante da contribuinte contesta o que não foi objeto do auto de infração. Passo a apreciar as alegações da recorrente. De inicio rejeito as preliminares de nulidade do auto de infração por “falta de levantamento financeiro” e “cerceamento do direito de defesa”. Inexiste qualquer dispositivo na legislação em vigor que determina ao fisco efetuar levantamento de fluxo financeiro do contribuinte ou seus sócios quanto apura omissão de receitas. A defesa fala em dispêndios, mas não há glosa de custos ou despesas, muito menos aplicação de presunções legais por pagamentos não contabilizados, ou omissão de receitas com base em depósitos bancários. Logo, não há que se falar em levantamento de fluxo financeiro da contribuinte no presente caso. Adiante afirmase que não foram entregue as planilhas da apuração fiscal para o contribuinte. Ocorre que todas as provas e levantamentos fiscais estão citados no Termo de Descrição dos fatos do auto de infração, bem como juntadas ao processo, que por sua vez ficou a disposição do contribuinte durante os prazos de impugnação e recurso. Outrossim é de clareza solar a infração tributada, que, repito foi apurada a partir das declarações do próprio contribuinte. Quanto as alegações acerca do arbitramento dos lucros, verificase que o procedimento não foi adotado pela fiscalização, que manteve a opção do contribuinte pelo Simples. O percentual do IRPJ, por exemplo, foi de 1,068% em 2007, bem menor que se utilizase o arbitramento de lucros que seria de 9,6%. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10283.720287/201001 Acórdão n.º 140200.867 S1C4T2 Fl. 0 6 Descabe a alegação da impugnante, de que a autuação seria desprovida de fundamentação, pois ao contrário do que defende, a autuação é farta em fornecer as bases legais para sua consecução, conforme se observa à fl.15, senão vejamos o que diz o Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda: Art. 284. Verificada por indícios a omissão de receita, a autoridade tributária poderá, para efeito de determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto, arbitrar a receita do contribuinte, tomando por base as receitas, apuradas em procedimento fiscal, correspondentes ao movimento diário das vendas, da prestação de serviços e de quaisquer outras operações (Lei nº 8.846, de 1994, art. 6º). Art. 285. É facultado à autoridade tributária utilizar, para efeito de arbitramento a que se refere o artigo anterior, outros métodos de determinação da receita quando constatado qualquer artifício utilizado pelo contribuinte visando a frustrar a apuração da receita efetiva do seu estabelecimento (Lei nº 8.846, de 1994, art. 8º). O método aplicado pela fiscalização foi a consideração dos valores contidos nos Demonstrativos de Apuração Mensal (DAM), cujos dados foram encaminhados a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus pelo Ofício nº006/2009/GSER) SEFAZ, de 08 de janeiro de 2009, em atenção ao Ofício GAB/DRF/MNSSPC nº293. Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 77, Lei nº 2.862, de 1956, art. 28, Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, Lei nº 8.541, de 1992, art. 40, Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, Lei nº 9.317, de 1996, art. 18, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42): [...] II deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente; III fizer declaração inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; [...] VI omitir receitas ou rendimentos. Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79): [...] III computandose as importâncias não declaradas, ou arbitrando o rendimento tributável de acordo com os elementos de que se dispuser, nos casos de declaração inexata. Como a declaração simplificada apresentada pelo contribuinte estava inexata em relação aos valores apurados pela fiscalização junto à SEFAZ/AM, através dos citados DAM (Demonstrativos de Apuração Mensal), o rendimento foi arbitrado de acordo com estes valores. Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Fl. 318DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10283.720287/201001 Acórdão n.º 140200.867 S1C4T2 Fl. 0 7 Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). Tratamento Tributário Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24).(grifei) O regime de tributação a ser considerado pela autuação é o regime a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. No presente caso, como o regime de tributação escolhido pelo impugnante à época da apuração da infração era o SIMPLES, então está correta a autuação quando utilizou o mesmo regime para apurar o valor devido em decorrência das omissões constatadas. Desta forma se constata que não houve qualquer ofensa aos princípios constitucionais ao se apurar o valor devido com base na sistemática de tributação do SIMPLES, escolhida pelo contribuinte. Notese que o impugnante não nega o volume de transações comerciais constatado pela fiscalização através dos Demonstrativos de Apuração Mensal (DAM), encaminhados pelo Ofício nº006/2009/GSER) SEFAZ, de 08 de janeiro de 2009, em atenção ao Ofício GAB/DRF/MNSSPC nº293. Neste passo, a autuação respeita a capacidade contributiva do contribuinte, que ao realizar tal volume de transações comerciais, deve recolher os tributos devidos na proporção do seu negócio, e ressaltando que o cálculo deste valor devido deve ser baseado na sistemática de tributação do SIMPLES, como já esclarecido acima. A correspondência entre os fatos efetivamente ocorridos e a base legal adotada pelo Auditor Fiscal é total, dado que o mesmo apurou o valor devido com base em informação idônea fornecida pela SEFAZ, sejam estes os Demonstrativos de Apuração Mensal (DAM), os quais não tiveram sequer a existência negada pelo impugnante. Conforme se depreende da descrição dos fatos relativos à fiscalização, foi possibilitado que a empresa contestasse até mesmo as informações contidas nas DAM (Demonstrativos de Apuração Mensal) que embasaram a autuação. No entanto não houve resposta. MULTAS DE OFICIO E JUROS DE MORA. A recorrente contesta a aplicação da multa de 150%. Todavia, no presente caso não foi aplicada, muito menos há acusação de fraude. A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a Fl. 319DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10283.720287/201001 Acórdão n.º 140200.867 S1C4T2 Fl. 0 8 multa de ofício de 75 a 225% nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Quanto a aplicação da multa de oficio proporcional no percentual de 112,5%, vejamos a transcrição das justificativas fiscais no termo de descrição dos fatos do auto de infração (fl. 62:) “O presente procedimento de fiscalização teve inicio em 25/02/2010, cuja ciência foi dada pelos correios com Avido de Recebimento (AR), nos termos do Decreto 70.235/72,tendo em vista que a empresa acima qualificada apresentava divergências entre as receitas de vendas de mercadorias declaradas A SEFAZ/AM, por meio das DAM (Demonstrativos de Apuração Mensal)para fins de apuração do ICMS com as informadas nas Declarações SimplificadasSIMPLES no ano calendário 2006 e no 1° semestre de 2007. Em resposta a intimação emitida por meio do termo de inicio de procedimento fiscal, em 19/04/2010 encaminhou ao Serviço de Fiscalização cópia do cartão CNPJ, cópia autenticada da declaração de firma individual e requerimentos de empresários, deixando de atender as demais solicitações ali contidas, quais sejam,fornecer seus livros contábeis e fiscais e as notas fiscais de saidas. Há que se destacar que, ao optar pelo SIMPLES, as microempresas e as empresas de pequeno porte estão dispensadas da escrituração comercial, desde que mantenham em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial, o livro caixa, no qual deverá estar escriturada toda sua movimentação, inclusive financeira/bancária; 0 livro inventário e todos os demais documentos e papéis que serviram de base para a escrituração dos livros. Em 25/04/2010, novamente pelos correios, é reintimado a apresentar os livros contábeis/fiscais, notas fiscais de entradas/saidas(livros e documentos de escrituração obrigatória por lei), as DAM(onde constam as receitas informadas por ele A SEFAZ),inclusive em meios magnéticos, se disponível. Nesta reinmação é feita observação no sentido de que, o não atendimento ensejará a aplicação da multa agravada e que o lançamento será realizado com as informações de que dispõe a fiscalização. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10283.720287/201001 Acórdão n.º 140200.867 S1C4T2 Fl. 0 9 Em resposta da reintimação emitida e no sentido da busca da verdade e dos esclarecimentos necessários para o prosseguimento dos trabalhos, emitiuse em 03/05/2010 um Termo de Solicitação de Esclarecimentos, onde buscavase a cooperação do sujeito passivo no sentido de se apurar a efetiva receita proveniente das vendas realizadas no período abrangido. Na oportunidade é anexada cópias dos extratos das DAM em poder da fiscalização para possível contestação do interessado e se verificar a autenticidade de suas declarações. E embora sendo feita ,novamente, a advertência da possibilidade legal de se efetuar o lançamento com as informações dEsponiveis e de se aplicar a multa agravada pela falta da prestação dos esclareciemtos solicitados, não há pronunciamento do contribuinte no prazo estipulado, razão pela qual procedeuse o lançamento de oficio, cujos valores foram apurados conforme receitas de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, nos termos das informações prestadas pelo contribuinte A Secretaria de Estado da Fazenda (SEFAZ/AM), através dos Demonstrativos de Apuração Mensal(DAM), cujos dados foram encaminhados a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus pelo Oficio no 006/2009/GSER)SEFAZ,de 08 de janeiro de 2009, em atenção ao Oficio GAB/DRF/MNSSPC no 293. A meu ver, cabe razão ao Fisco. Isso porque a recorrente deixou de apresentar as notas fiscais emitidas e demais documentos de sua escrituração, sem nenhuma justificativa plausível, apesar de reiteradamente intimada. A toda evidência, a contribuinte possuía a documentação e deixou de apresentar ao fisco exatamente para dificultar o trabalho fiscal. É certo que a Fiscalização necessitaria desses documentos fiscais qualquer que fosse a forma de autuação a ser adotada, portanto, ao deixar de apresentar tais documentos a contribuinte incorreu mesmo na conduta vedada pelo art. 44, parágrafo 2o. da Lei 9.430/1996, acima transcrito. A jurisprudência deste Conselho quanto ao agravamento da multa por falta de atendimento às intimações fiscais é extremamente restritiva. Há que se provar nos autos que: i) o Fiscalizado, sabidamente, possuía os documentos solicitados pela Fiscalização; ii) tais documentos ou esclarecimentos eram absolutamente necessários à apuração de irregularidades e/ou dos tributos devidos, importando em prejuízo para o lançamento; iii) a Fiscalizada foi regularmente intimada a apresentar tais documentos, com prazos adequados. A meu ver, todas essas premissas foram atendidas e a recorrente deixou de fornecer os documentos à Fiscalização exatamente por estar ciente do que acarretaria. Citese nesse sentido o acórdão 10246.374 de 16/06/2004, cuja ementa elucida: MULTA AGRAVAMENTO Agravase a penalidade, na forma do artigo 44, § 2.º, da lei n.º 9.430, de 1996, quando em procedimento de ofício o contribuinte deixa de Fl. 321DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10283.720287/201001 Acórdão n.º 140200.867 S1C4T2 Fl. 0 10 atender a solicitação da Autoridade Fiscal, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. Sobre o tema acórdão trataram também os seguinte acórdãos: 10422618 de 13/09/2007 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVAMENTO DE PENALIDADE FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS A falta de atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, à intimação formulada pela autoridade lançadora para prestar esclarecimentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de ofício, quando a irregularidade apurada é decorrente de matéria questionada na referida intimação. 10517.113 de 26/06/2008 MULTA AGRAVADA Identificada a obstrução e não atendimento, pelo contribuinte, das notificações realizadas no curso de fiscalização, deve a multa ser agravada nos termos do parágrafo segundo do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96. 20178413, de 18/05/2005 MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. O atendimento insuficiente da intimação, com prestação de informações que não se prestam às verificações pretendidas, representa não atendimento da intimação para efeito da majoração da multa de ofício prevista na lei. CONCLUSÃO. Diante do exposto,voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 322DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 10711.000231/2007-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/06/2002
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não pode ser conhecido o recurso especial quando não ficar demonstrado que as decisões comparadas tenham divergido sobre a correta aplicação da legislação tributária.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/06/2002
IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO POR IMPORTAR MERCADORIA SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O simples erro de enquadramento tarifário da mercadoria, nos casos em que a importação esteja sujeita ao procedimento de licenciamento automático, não constitui, por si só, infração ao controle administrativo das importações, por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente.
Numero da decisão: 9303-006.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à exoneração da multa por importação de mercadoria sem licença e, no mérito, na parte conhecida, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/06/2002 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não pode ser conhecido o recurso especial quando não ficar demonstrado que as decisões comparadas tenham divergido sobre a correta aplicação da legislação tributária. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/06/2002 IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO POR IMPORTAR MERCADORIA SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O simples erro de enquadramento tarifário da mercadoria, nos casos em que a importação esteja sujeita ao procedimento de licenciamento automático, não constitui, por si só, infração ao controle administrativo das importações, por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/06/2002 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não pode ser conhecido o recurso especial quando não ficar demonstrado que as decisões comparadas tenham divergido sobre a correta aplicação da legislação tributária. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/06/2002 IMPORTAÇÃO. LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO POR IMPORTAR MERCADORIA SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O simples erro de enquadramento tarifário da mercadoria, nos casos em que a importação esteja sujeita ao procedimento de licenciamento automático, não constitui, por si só, infração ao controle administrativo das importações, por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à exoneração da multa por importação de mercadoria sem licença e, no mérito, na parte conhecida, acordam em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 02 31 /2 00 7- 35 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10711.000231/200735 Acórdão n.º 9303006.506 CSRFT3 Fl. 3 2 Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 310201.418, de 22 de março de 2012 (efolhas 126 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/06/2002 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. REGRA GERAL NÚMERO 01. TEXTO DAS POSIÇÕES. LAUDO PERICIAL. ESPECIFICAÇÃO DA MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA. Não pode ser aceita a reclassificação fiscal de mercadorias quando as informações contidas em Laudo Técnico não permitem decidir com certeza qual o correto enquadramento tarifário do produto importado. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. ERRO DE FUNDAMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADES. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez que os elementos disponíveis no processo não permitem decidir sobre a correta classificação fiscal das mercadorias, incabível a aplicação das penalidades decorrentes de erro cometido pelo contribuinte. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10711.000231/200735 Acórdão n.º 9303006.506 CSRFT3 Fl. 4 3 O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar correta e suficientemente descrita não é razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente. Recurso Voluntário Provido A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 217 e segs) diz respeito à imposição de multa por importar mercadoria sem licenciamento de importação e de multa por classificação indevida, tendo em vista o erro de classificação tarifária e descrição incompleta/insuficiente da mercadoria. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 298 e segs. Contrarrazões do contribuinte às efolhas 309 e segs. Defende que não se dê seguimento ao recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Creio que assista parcial razão à contrarrazoante em relação ao preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso. No recorrido, decidiuse pela exclusão da multa por erro de classificação fiscal tendo em vista pairarem dúvidas sobre o enquadramento tarifário proposto pela Fiscalização Federal. Observese o que diz o Relator do processo. A conclusão a que se chega é de que, embora a classificação adotada pela empresa não esteja correta, não é possível, com os elementos presentes nos autos, atestar que a classificação escolhida pelo Fisco é a certa. Em tal situação, ainda que esteja claro que o administrado classificou a mercadoria incorretamente, as penalidades Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10711.000231/200735 Acórdão n.º 9303006.506 CSRFT3 Fl. 5 4 aplicadas não podem subsistir, pois a fundamentação do auto de infração demonstrase equivocada. No paradigma isso não ocorreu. Muito pelo contrário, a classificação escolhida pelo Fisco mostrouse correta, se não vejamos. No caso em apreço sequer se discute “uma interpretação” do que seria o produto, a classificação indicada pela fiscalização está atendendo a descrição do produto que foi realizada pela própria contribuinte em suas DI’s. (grifos meus) Essa é uma questão decisiva. Notadamente, a presente controvérsia diz respeito à manutenção da multa quando tanto Fisco quanto contribuinte indicam códigos tarifários incorretos. Quando isso não acontece, ou seja, quando a Fiscalização enquadra corretamente a mercadoria, não há razão para polemizar o assunto, pelo menos não a razão posta nos autos. Isto posto, entendo que o recurso deva ser admitido na parte em que contesta a exoneração da multa por importar mercadoria sem licença de importação. A contrarrazoante alega que, no paradigma, a mercadoria estava incorretamente descrita, o que não seria o caso dos autos. Contudo, a decisão vergastada sequer examinou esse aspecto. Não excluiu a multa porque a mercadoria estava corretamente descrita, mas porque não havia como saber se para classificação fiscal correta seria exigido novo licenciamento ou não. Ou seja, para o recorrido, não há que se falar em multa por importação de mercadoria sem licença se não for demonstrado que o novo código exigia licenciamento nãoautomático. Para o paradigma isso não seria necessário. Encontrase neste ponto a divergência na interpretação da legislação tributária. Mérito A jurisprudência a respeito da multa por importação de mercadoria sem licença de importação motivada por erro de classificação fiscal já está consolidada no âmbito deste Colegiado. Pelo menos por meio dos acórdãos nº 9303004.640, de 15/02/2017, nº 9303 01.567, de 06/07/2011, 9303001.706, de 05/10/2011 e 9303 002.780, de 22/01/2014, ele foi objeto de análise e decisão. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10711.000231/200735 Acórdão n.º 9303006.506 CSRFT3 Fl. 6 5 Uma vez que comungue da mesma opinião expressa pelo i. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres nos autos do processo administrativo n.º 11128.007425/9989, acórdão nº 930301.567, de 06/07/2011, adoto, in totum, seus fundamentos como razão de decidir no presente feito1. Como é cediço, o regime de licenciamento de importações é regido pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Pois bem, na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual. Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. 1 Todas as premissas adotadas no acórdão nº 9303001.567 são aplicáveis à lide, uma vez que o sistema de licenciamento tenha sido alterado apenas em 01/12/2003, por meio da Portaria Secex nº 17. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10711.000231/200735 Acórdão n.º 9303006.506 CSRFT3 Fl. 7 6 Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, o licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembrese, segundo o art 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10711.000231/200735 Acórdão n.º 9303006.506 CSRFT3 Fl. 8 7 de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10711.000231/200735 Acórdão n.º 9303006.506 CSRFT3 Fl. 9 8 multa especificada no art. 526, VI4 do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, sob a égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrasenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de o erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10711.000231/200735 Acórdão n.º 9303006.506 CSRFT3 Fl. 10 9 seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Vejase o que ditava o Comunicado Decex nº 12, de 06 de maio de 1997, vigente à época dos fatos: 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático. 2.1 Quando os procedimentos listados no Anexo II referiremse, genericamente, a Capítulo, posição ou subposição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, deverá ser observado o tratamento administrativo específico por item tarifário consignado na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, aplicável ao produto objeto do licenciamento.(grifei) Ou seja, o erro de classificação, por si só, de fato não é suficiente para caracterizar a conduta sujeita a multa, é necessário que tal erro prejudique o tratamento administrativo da mercadoria, como ocorreria, v.g., na hipótese do código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática. Neste caso, forçoso é concluir que a mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10711.000231/200735 Acórdão n.º 9303006.506 CSRFT3 Fl. 11 10 tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Da mesma forma, sem ao menos saber se a mercadoria estava sujeita a licenciamento, não se pode assumir que a descrição inexata, por si, tenha prejudicado tal controle administrativo. Trazendo tal discussão para o presente litígio, estou convicto de que, de fato o Fisco não logrou êxito em demonstrar que a nova classificação estaria sujeita a algum tratamento administrativo diverso do empregado, limitandose a apontar como motivadora da autuação a prestação de declaração inexata. A fim de demonstrar, transcrevo trecho da descrição dos fatos que trata da infração: (...) Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 342DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.722168/2010-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 21 68 /2 01 0- 15 Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10530.722168/201015 Acórdão n.º 9202006.368 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10530.722168/201015 Acórdão n.º 9202006.368 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10530.722168/201015 Acórdão n.º 9202006.368 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10530.722168/201015 Acórdão n.º 9202006.368 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10530.722168/201015 Acórdão n.º 9202006.368 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10530.722168/201015 Acórdão n.º 9202006.368 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10530.722168/201015 Acórdão n.º 9202006.368 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 428DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13841.001327/2009-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para manter a glosa das despesas médicas relativas a Giuliana Rodrigues Lancellotti de Almeida, no valor de R$5.040,00 e José Alvaro Vasconcellos de Almeida, no valor de 5.800,00, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para manter a glosa das despesas médicas relativas a Giuliana Rodrigues Lancellotti de Almeida, no valor de R$5.040,00 e José Alvaro Vasconcellos de Almeida, no valor de 5.800,00, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 13 27 /2 00 9- 95 Fl. 81DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2007, anocalendário de 2006, por meio do qual foi exigido crédito tributário no valor de R$5.139,11, mais a correspondente multa de ofício de 75% e juros de mora. De acordo com descrição dos fatos foram verificadas deduções indevidas de despesas médicas, no valor de R$ 18.840,00, por falta de comprovação de pagamento. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação, conforme fls. 06 e seguintes. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, que a exigência decorre de mera suposição de irregularidade, que uma mera presunção que não pode prevalecer para fins de uma autuação, que não existe em nosso País qualquer legislação que proíbe que o pagamento seja efetuado em moeda corrente, ou em cheques de terceiros. Depois de diversas citações jurisprudenciais, conclui que o cancelamento do auto de infração lavrado se impõe para que o Direito seja devidamente resguardado. A DRJ São Paulo I, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, pois havia indícios de que os profissionais (prestadores dos serviços médicos em voga) emitiram recibos frios, e os recibos não estavam com o endereço do prestador e nem indicação do beneficiário. Além disso, comprova que o contribuinte foi intimado para fornecer mais provas a seu favor, intimação esta que não foi atendida. E, no Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que legalmente não é exigido a comprovação das despesas médicas, motivo pelo qual deveria ser cancelado o lançamento em epígrafe. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13841.001327/200995 Acórdão n.º 2001000.073 S2C0T1 Fl. 3 3 Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou diversos recibos dos pagamentos relativos aos supostos tratamentos médicos, dentários, e psicoterápicos, sendo que boa parte deles estava sem a informação do endereço completo do prestador, SEM indicação do beneficiário, e com informação bem precária do serviço prestado. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Em princípio, admitemse como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado desde que contenham o seu nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC, a especificação dos pagamentos efetuados, bem como a informação precisa dos serviços prestados e a identificação do beneficiário dos mesmos. As informações discriminadas no recibo e exigidas por lei são importantes para identificar se os serviços foram prestados pelo profissional ao contribuinte ou aos seus dependentes, uma vez que a dedução de despesas médicas do imposto de renda é legalmente permitida apenas nestas hipóteses. Fl. 83DF CARF MF 4 Fazse mister apontar que a dedução na Declaração de Rendimentos de despesas relativas a pagamentos efetuados no correspondente anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias não envolve apenas o contribuinte e o profissional de saúde, mas também o erário público, devendo o interessado acautelarse na guarda de elementos de prova da efetividade do serviço prestado e do pagamento efetuado. Neste sentido, a legislação exige de forma clara e inequívoca, a comprovação do contribuinte perante o fisco de que as deduções pleiteadas na declaração preenchem todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício, como disciplina o §3° art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/1943. ....... Assim, quando os recibos apresentados à fiscalização não se enquadram nos critérios estabelecidos pelo artigo 8º, inciso II, alínea “a”, e § 2°, incisos II e III da Lei nº 9.250/1995, mostram se inábeis como prova de pagamento, cabendo ao contribuinte atender ao disposto no artigo 11, §3°, do Decreto Lei nº 5.844/1943, transcrito acima. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal levantou dúvidas quanto à regularidade de determinadas despesas médicas pleiteadas, e, dentro de seu dever, solicitou comprovação e justificação de tais dispêndios, por meio de documentação hábil conforme estabelece o “caput” do artigo 73 de Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000/1999 (RIR / 99), que por sua vez reportase ao artigo 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844 / 1943, como segue: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Contudo, ainda que fossem os recibos emitidos com todas as formalidades, o que não ocorreu, a regra não dá aos recibos valor probante absoluto. A apresentação de documentos que corroborem a transferência de numerário, ou seja, o efetivo pagamento, como cópias microfilmadas de cheques nominais, transferências bancárias com identificação do emissor do pagamento e do beneficiário ou outros elementos, podem ser essenciais para a formação da convicção pela autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13841.001327/200995 Acórdão n.º 2001000.073 S2C0T1 Fl. 4 5 oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação consubstanciada do lançamento, bem como intenção do contribuinte para evidenciar a existência das despesas declaradas, sem atendimento, somado ao aludido fato de os recibos dos profissionais José Alvaro e Giuliana Rodrigues estarem em desatendimento aos requisitos básicos e mínimos estabelecidos na supramencionada legislação. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, mantendo a glosa das despesas médicas relativas a Giuliana Rodrigues Lancellotti de Almeida, no valor de R$5.040,00 e José Alvaro Vasconcellos de Almeida, no valor de 5.800,00. Fl. 85DF CARF MF 6 Fernanda Melo Leal. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720021/2007-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Ano calendário: 2002, 2003, 2004
Ementa:
IRPJ. PREJUÍZO FISCAL. SALDO NEGATIVO, PAGAMENTO INDEVIDO E RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. DISTINÇÕES. CONSTATAÇÃO DE ERRO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DIPJ NO DECORRER DO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO.
Pagamento indevido, saldo negativo e recolhimento de estimativas são figuras distintas. Ocorre o pagamento a maior quando, em determinado período de apuração, o valor da obrigação tributária a pagar é de “x” e o contribuinte recolheu “x” + “y”. A importância paga a maior, representada por “y”, pode ser objeto de compensação, tão logo processado o pagamento, quer seja no dia subsequente ou no mês seguinte.
Salvo os casos de tributação exclusiva, o imposto de renda pago ou retido na fonte e as antecipações de recolhimento por estimativas, de que trata o artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, contribuem para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ, mas com ele não se confundem. As estimativas são antecipações mensais que são levadas ao ajuste no final do ano. O saldo
negativo do imposto de renda, apurado no final do ano calendário,
é decorrente das situações em que o imposto de renda retido na fonte e o montante do recolhimento por estimativas superam o valor do imposto devido.
O valor pago a título de imposto de renda por estimativa, enquanto não encerrado o ano calendário, não traduz a existência de crédito com a Fazenda Nacional. É considerado antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração e, nos casos em que superar o montante devido pode ser compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior.
Inteligência do art. 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996.
É cabível a retificação da DIPJ no decorrer do processo de compensação para possibilitar que a parte interessada aponte, de forma correta, o saldo negativo do IRPJ.
Recurso provido.
Numero da decisão: 1402-000.568
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira S SE EÇ ÇÃ ÃO O D DE E J JU UL LG GA AM ME EN NT TO O, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, e determinar o retorno dos autos à DRJ, para que aprecie a matéria em litígio, levando em consideração as declarações retificadoras, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: IRPJ. PREJUÍZO FISCAL. SALDO NEGATIVO, PAGAMENTO INDEVIDO E RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. DISTINÇÕES. CONSTATAÇÃO DE ERRO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DIPJ NO DECORRER DO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. Pagamento indevido, saldo negativo e recolhimento de estimativas são figuras distintas. Ocorre o pagamento a maior quando, em determinado período de apuração, o valor da obrigação tributária a pagar é de “x” e o contribuinte recolheu “x” + “y”. A importância paga a maior, representada por “y”, pode ser objeto de compensação, tão logo processado o pagamento, quer seja no dia subsequente ou no mês seguinte. Salvo os casos de tributação exclusiva, o imposto de renda pago ou retido na fonte e as antecipações de recolhimento por estimativas, de que trata o artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, contribuem para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ, mas com ele não se confundem. As estimativas são antecipações mensais que são levadas ao ajuste no final do ano. O saldo negativo do imposto de renda, apurado no final do ano calendário, é decorrente das situações em que o imposto de renda retido na fonte e o montante do recolhimento por estimativas superam o valor do imposto devido. O valor pago a título de imposto de renda por estimativa, enquanto não encerrado o ano calendário, não traduz a existência de crédito com a Fazenda Nacional. É considerado antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração e, nos casos em que superar o montante devido pode ser compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Inteligência do art. 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996. É cabível a retificação da DIPJ no decorrer do processo de compensação para possibilitar que a parte interessada aponte, de forma correta, o saldo negativo do IRPJ. Recurso provido.
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PREJUÍZO FISCAL. SALDO NEGATIVO, PAGAMENTO INDEVIDO E RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. DISTINÇÕES. CONSTATAÇÃO DE ERRO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DIPJ NO DECORRER DO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. Pagamento indevido, saldo negativo e recolhimento de estimativas são figuras distintas. Ocorre o pagamento a maior quando, em determinado período de apuração, o valor da obrigação tributária a pagar é de “x” e o contribuinte recolheu “x” + “y”. A importância paga a maior, representada por “y”, pode ser objeto de compensação, tão logo processado o pagamento, quer seja no dia subsequente ou no mês seguinte. Salvo os casos de tributação exclusiva, o imposto de renda pago ou retido na fonte e as antecipações de recolhimento por estimativas, de que trata o artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, contribuem para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ, mas com ele não se confundem. As estimativas são antecipações mensais que são levadas ao ajuste no final do ano. O saldo negativo do imposto de renda, apurado no final do anocalendário, é decorrente das situações em que o imposto de renda retido na fonte e o montante do recolhimento por estimativas superam o valor do imposto devido. O valor pago a título de imposto de renda por estimativa, enquanto não encerrado o anocalendário, não traduz a existência de crédito com a Fazenda Nacional. É considerado antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração e, nos casos em que superar o montante devido pode ser compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 09/06/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 2 declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Inteligência do art. 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996. É cabível a retificação da DIPJ no decorrer do processo de compensação para possibilitar que a parte interessada aponte, de forma correta, o saldo negativo do IRPJ. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, e determinar o retorno dos autos à DRJ, para que aprecie a matéria em litígio, levando em consideração as declarações retificadoras, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente) e Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 09/06/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.720021/200780 Acórdão n.º 140200.568 S1C4T2 Fl. 2 3 Relatório Pelo que se extrai dos pedidos de compensação de fls. 02, 07, 19 e 24, segundo despacho de fl. 29, o presente processo foi formalizado para tratamento das declarações de compensação abaixo, que utilizam como direito creditório pagamentos a título de IRPJ estimativa mensal, código 2362: DARF indicados como origem direito creditório Fl. Obs. PER/DCOMP Código Data de Arrecadação Valor Crédito Pagamento Indevido ou a Maior IRPJ 23083.32338.050607.1.3.040786 2362 31/12/2002 30.599,47 19 Crédito Pagamento Indevido ou a Maior IRPJ 11924.33472.050607.1.3.041131 2362 31/01/2003 34.183,39 14 Crédito Pagamento Indevido ou a Maior IRPJ 35447.60685.150607.1.3.048817 2362 30/01/2004 111.057,09 02 Crédito Pagamento Indevido ou a Maior 00383.77997.150607.1.3.045970 2362 30/01/2004 111.057,09 07 Crédito Pagamento Indevido ou a Maior 17812.87856.050707.1.3.047328 2362 31/01/2005 90.133,11 24 Crédito Pagamento Indevido ou a Maior IRPJ À fl. 03 dos autos a autoridade fiscal especificou as compensações declaradas nas PER/DCOMP acima relacionadas. Pelo que se verifica, tratamse de tributos inadimplidos, visto que contemplam multa moratória e juros. Com base no artigo 10 da IN 460, de 2004, alterado pela IN 600, de 2005, entendeu a autoridade fiscal que: “Conforme a legislação vigente, os pagamentos indicados como origem do direito creditório nas declarações de compensação aqui tratadas, somente podem ser utilizados na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período, não sendo permitido em conseqüência, sua utilização em situação diversa dessa.” Intimada, a parte apresenta manifestação de inconformidade anexando as declarações retificadoras dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 (fls. 48/199 e 202/231). Em relação ao ano de 2002, no que diz respeito à base de cálculo do IRPJ, conforme ficha 11, nos meses de janeiro a setembro, apresentou base de cálculo negativa, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 09/06/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 4 sendo que nos meses de outubro, novembro e dezembro, apresentou base de cálculo positiva. A ficha 12A, fl. 59, indica saldo negativo, no ano de 2002, de R$ 269.610,19. Quanto ao ano de 2003, exercício de 2004, a ficha 12A, da DIPJ, à fl. 108, apresenta saldo negativo de imposto a pagar de R$ 257.598,10. Finalmente, no que diz respeito ao ano de 2004, exercício 2005, a DIPJ de fl. 170, na ficha 12A, indica saldo negativo de imposto a pagar, a título de IRPJ, de R$ 333.130,13. O acórdão recorrido está alicerçado nos seguintes fundamentos: a) pela legislação relativa à apuração do IRPJ, para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração; b) as estimativas contribuem para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ, mas com ele não se confunde. O saldo negativo desse imposto, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente, desde que sua base de cálculo englobe as estimativas recolhidas durante o período; c) o valor pago a título de imposto de renda por estimativa não traduz a existência de crédito com a Fazenda Nacional, pois quanto efetuada nos exatos termos dispostos na lei é considerada uma antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, não gerando, pois, direito à restituição ou compensação enquanto não apurada a existência de crédito da contribuinte no período; d) a estimativa mensal não pode ser considerada como indébito tributário, não retornando à disponibilidade os pagamentos ou créditos a ela vinculados; e) se entendêssemos que as estimativas mensais poderiam ser restituídas, estaríamos subvertendo a sistemática de apuração do IRPJ, pois a estimativa deixaria de ter o caráter de antecipação do tributo devido ao final do período de apuração; f) assim, se já não faz sentido falarse em pagamento a maior de estimativa quando a pessoa jurídica efetua os recolhimentos com base na receita bruta, menos ainda fará quando a empresa levanta balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução, justamente para se antecipar ao ajuste anual e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, como no caso em análise, em que a empresa optou pela forma de tributação do lucro real anual, com o levantamento de balanço ou balancete de suspensão ou redução, desde o mês de janeiro; g) cumpre, ainda, observar que após a ciência do resultado, que se deu em 21/08/2007, e ante a cobrança de débitos fiscais que não foram anulados no encontro das contas, em face do não reconhecimento do direito creditório, a contribuinte transmitiu pela internet, em 18/09/2007, novas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica para aumentar os saldos negativos do IRPJ dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 ao patamar de R$ 269.610,19 (fl. 59), R$ 257.598,10 (fl. 108) e R$ 338.130,13 (fl. 170), inserindo nas linhas 17 da ficha 12A, das referidas DIPJ, imposto de renda mensal pago por estimativa na ordem de R$ 64.782,86, R$ 111.057,09 e R$ 90.133,11, respectivamente, ou seja, foram adicionadas aos respectivos saldos negativos, as cifras que estão sendo pleiteadas no presente processo como pagamento indevido ou a maior; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 09/06/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.720021/200780 Acórdão n.º 140200.568 S1C4T2 Fl. 3 5 h) certo, por sua vez, que a Recorrente apresentou declaração retificadora das Declarações de informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, porém só o fez com sua manifestação de inconformidade, e isso em data de 18/09/2007, posteriormente, portanto, à decisão administrativa (21/08/2007); i) sem adentrar em juízo quanto à possibilidade de retificação das DIPJ e da comprovação, em tese, do saldo negativo espelhado nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, trazidos às fls. 48/199 e 202/231, encontrase aflorado um novo pedido; j) como tal, não há de ser apreciado nesta instância julgadora, seja porque a autoridade fiscal fora alijada, seja porque falece competência a esta Turma para apreciação originária, a ver pelos artigos 174 e 238 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n° 95, de 30 de abril de 2007. Intimada em 22/08/2008, a parte interessada ingressou com o recurso de fls. 255 e seguintes alegando, em síntese: a) que ingressou com PER/DCOMP, utilizando como crédito valores recolhidos indevidamente e a maior nos meses de outubro e novembro de 2002, e dezembro de 2003 e 2004, os quais deveriam compor o saldo negativo do IRPJ; b) após o recebimento do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação das compensações efetuadas, a recorrente retificou as declarações apresentadas compondo o saldo negativo do IRPJ e da CSLL, agora com todos os DARF’s recolhidos no ano, o que fez com que aumentasse ainda mais o crédito já existente; c) porém, para sua surpresa, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, não considerou as retificações efetuadas, por entender que uma vez retificadas a recorrente deveria adentrar com novo pedido, o que contraria entendimento de outras Delegacias de Julgamento, pois tal fato não altera a higidez e existência legal do crédito requerido; d) que a intenção da recorrente foi tão somente corrigir o erro praticado, uma vez que o crédito esta reconhecido pela própria receita, e a retificação ocorreu tão logo a recorrente recebeu a comunicação da nãohomologação das compensações, mas antes da apresentação da Manifestação, na e requeria o reconhecimento do direito creditório, pois o erro material já fora sanado; e) cita os acórdãos de nº 12.11125, da Sétima Turma da DRJ do Rio de Janeiro; acórdão 10121161, da Quinta Turma da DRJ de Porto Alegre e; acórdãos 10516431 e 10516.874, ambos da Quinta Turma do Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 09/06/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 6 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Ao destacar que as estimativas apenas contribuem para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ, mas com ele não se confunde, e que o saldo negativo desse imposto, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, desde que sua base de cálculo englobe as estimativas recolhidas durante o período, a decisão recorrida, neste aspecto, mostrase correta. Igualmente, são precisos os fundamentos do acórdão atacado quando destacam que “o valor pago a título de imposto de renda por estimativa não traduz a existência de crédito com a Fazenda Nacional, pois quanto efetuada nos exatos termos dispostos na lei é considerada uma antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, não gerando, pois, direito à restituição ou compensação enquanto não apurada a existência de crédito da contribuinte no período”. A propósito do tema, na mesma linha da decisão recorrida, entendo que pagamento a maior e saldo negativo são figuras distintas. Ocorre o pagamento a maior quando, em determinado período de apuração o valor da obrigação tributária a pagar é de “x” e o contribuinte recolheu “x” + “y”. A importância paga a maior, representada por “y”, pode ser objeto de compensação tão logo processado o pagamento, quer seja no dia seguinte ou no mês subsequente. Por sua vez, em relação ao saldo negativo, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real se concretiza ao final de cada anocalendário, é a partir deste momento que se encontra o saldo do imposto a pagar ou o montante do saldo negativo a ser compensado, nos termos do art. 6º, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. A diferença entre pagamento a maior, recolhimento de estimativas e saldo negativo de imposto ou de contribuição nem sempre tem sido compreendida pelos contribuintes. Esta incompreensão tem gerado equívocos verificados quando dos pedidos de compensação. Contudo, a imprecisão no uso da terminologia ou da identificação da natureza jurídica não pode obstar a análise e o processamento do pedido, nos termos dos artigos 2º, 6º e 74, todos da Lei n° 9.430, de 1996, verbis: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 09/06/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.720021/200780 Acórdão n.º 140200.568 S1C4T2 Fl. 4 7 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior.” “Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior.” § 2º. O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º. O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.” Apurado saldo negativo não se pode negar o direito à compensação, atendo se, todavia, que a correção não se conta da data dos recolhimentos mensais, mas sim a partir de 1º de fevereiro do ano seguinte ao período de apuração, conforme previsto no artigo 6º, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. No caso dos autos, em que pese às precisas considerações teóricas quanto à sistemática da compensação, equivocouse decisão recorrida quando entendeu que a parte recorrente não poderia retificar a declaração para, de forma adequada, apurar o saldo do imposto a pagar. Nas hipóteses em que o sujeito passivo, por qualquer motivo, deixar de recolher o tributo, a Administração tem o poderdever de exigir o imposto. Por outro lado, nos casos em que o sujeito passivo tem direito a restituição, mesmo em situações de escrituração ou apuração errada, enquanto não extinto pela decadência, tem ele a prerrogativa de fazer a retificação da declaração e a Autoridade Tributária, em verificando a existência de pagamento a maior, tem o dever de restituir. O que não se pode é deixar de examinar o mérito do pedido Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 09/06/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 8 sob o fundamento de que falece competência à Turma Julgadora para apreciar inconformidade do recorrente em face de decisão que não conheceu da declaração retificadora devidamente processada. Ademais, nos casos de indeferimento do pedido de compensação, ainda que parcial, se nestes fundamentos estiver contido o não exame da declaração retificadora, por parte da autoridade fiscal, esta matéria deve ser devolvida ao exame da DRJ, sob pena de supressão do duplo grau de jurisdição. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à DRJ para aprecie a matéria levando em consideração as declarações retificadoras e demais normas aplicáveis à espécie, podendo, inclusive, se entender necessário, devolver os autos à autoridade fiscal para que esta verifique eventuais questões pertinentes à existência do saldo negativo do IRPJ cuja compensação é requerida. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 09/06/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 10930.900899/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO.
A alegação de insuficiência de crédito hábil para compensação deve ser afastada quando identificado erro material no cálculo deste crédito, seguido de correção que comprova a suficiência de saldo negativo, ou seja, a liquidez e certeza do direito creditório, sendo cabível, portanto, a homologação do pedido de compensação.
Numero da decisão: 1402-002.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito complementar no valor de R$ 3.000,00; e determinar o desentranhamento da manifestação de inconformidade de fls. 219 a 431, para que se forme um processo administrativo autônomo, tendo por objeto o pedido de restituição formulado através do PER 13813.87149.311011.1.2.02-4806.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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SALDO NEGATIVO IRPJ. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. A alegação de insuficiência de crédito hábil para compensação deve ser afastada quando identificado erro material no cálculo deste crédito, seguido de correção que comprova a suficiência de saldo negativo, ou seja, a liquidez e certeza do direito creditório, sendo cabível, portanto, a homologação do pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito complementar no valor de R$ 3.000,00; e determinar o desentranhamento da manifestação de inconformidade de fls. 219 a 431, para que se forme um processo administrativo autônomo, tendo por objeto o pedido de restituição formulado através do PER 13813.87149.311011.1.2.024806. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 08 99 /2 00 9- 61 Fl. 585DF CARF MF 2 Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10930.900899/200961 Acórdão n.º 1402002.887 S1C4T2 Fl. 575 3 Relatório Adoto, integralmente, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 0648.454, proferido pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba (PR), em 21 de agosto de 2014, complementando o, ao final, com as atualizações processuais pertinentes. Trata o processo de Declaração de Compensação Dcomp de págs. 2/6, nº 11440.98256.150307.1.3.027070, transmitida em 15/03/2007, para compensar débito de 8109 02 PIS – Faturamento, de 02/2007, vencível em 20/03/2007, no valor de R$78.465,23, requerendo crédito de Saldo Negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – SN IRPJ, de 31/10/2006, no valor de R$74.757,27, sendo o crédito oriundo de empresa sucedida por incorporação CNPJ 02.331.879/000180. 2. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de pág. 7 e 391, não homologou a compensação, porque havia divergência entre os valores de crédito constantes da Dcomp e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ; apurou o saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 27/02/2009, no valor do principal de R$78.465,23, acrescido de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificado em 04/03/2009, pág. 8, o contribuinte apresentou, tempestivamente em 02/04/2009, a manifestação de inconformidade de págs. 9/16, com os documentos de págs. 17/86. 4. Acusa de simplório e sem base legal ou fática, o indeferimento com base em inconsistência das informações, destacando que o crédito requerido na PER/Dcomp é inferior ao informado na DIPJ. 5. Diz que o SN IRPJ em 31/10/2006, doc. 05, é devido a Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF no total de R$74.757,27, Ficha 50, sendo que a retenção feita pelo Banco Safra não foi de somente R$2,32, lá informados, mas R$17.697,72, elevando o total para R$92.452,67, evidenciando que houve erro de preenchimento da DIPJ, o que justifica a divergência apontada no Despacho Decisório. 6. Em 30/12/2011, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de págs. 88/94, invocando o art. 16, §§ 4º, “a” e “b” e 5º do Decreto nº 70.235, de 1972, para apresentar argumentos e documentos adicionais. 7. Depois de repetir os argumentos já apresentados, aduz que o crédito requerido é oriundo exclusivamente de IRRF de instituições privadas (fl. 3 da Dcomp, e doc 06 da manifestação de inconformidade); e afirma que também obteve comprovantes de IRRF por órgãos públicos, no total de R$125.274,18, “tendo transmitido pedido de restituição dos respectivos valores em 31/10/2011, PER nº 13813.87149.311011.1.2.024806, doc. 06, ante a impossibilidade de retificar a Dcomp; esses IRRF retidos por órgãos públicos, no total de R$125.274,18, foram objeto da DIPJ retificadora doc. 03, onde o SN IRPJ 31/10/2006 está demonstrado no valor de R$317.229, 91 e incluídos na Ficha 50. Diz que a totalidade dos IRRF Fl. 587DF CARF MF 4 está documentada nos doc 04 e 05 e reitera a homologação da compensação com o crédito de SN IRPJ 31/10/2006 do CNPJ 02.331.879/000180, no valor requerido. 8. Acompanharam a manifestação: 8.1 doc. 03, págs. 136/171 – DIPJ retificadora em 28/10/2011; 8.2 doc. 04, págs. 172/188, Comprovantes IRRF empresas privadas; 8.3 doc. 05, págs. 189/211, IRRF – órgãos públicos; 8.4 doc. 06, págs. 212/215: 8.4.1 PER nº 13813.87149.311011.1.2.024806: 8.4.2 219/431: Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento do PER nº 13813.87149.311011.1.2.024806 e documentos que o acompanham: 8.4.2.1 pág. 273, cópia do Despacho Decisório; 8.4.2.2 págs. 285/386, doc. 6 DIPJ 2007/2006; 8.4.2.3 págs. 387/390, doc. 7, DIPJ 2007/2006 retificadora; 8.4.2.4 págs. 392/408, doc 09, IRRF – empresas privadas; 8.4.2.5 págs. 409/431, doc. 10, IRRF – órgãos públicos. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. A decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente a defesa da fiscalizada (efls. 916 e 220230), reconhecendo apenas o crédito de SN IRPJ 31/10/2006 requerido, no valor de R$ 74.757,27, tendo em vista os comprovantes apresentados. Alegou ainda que o crédito requerido e reconhecido foi insuficiente para quitar o débito, e que restou um saldo de R$3.148,80, acrescido de multa e juros de mora. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2006 IRRF. COMPROVAÇÃO. Cabe reconhecer os valores de Imposto de Renda retidos na Fonte IRRF, em relação aos quais o contribuinte apresenta comprovantes e informou na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. Improcedente em parte a não homologação de compensação declarada, se o direito creditório requerido é reconhecido, embora insuficiente para quitar todo o débito confessado. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10930.900899/200961 Acórdão n.º 1402002.887 S1C4T2 Fl. 576 5 Inconformada com a procedência parcial de seus pedidos, a fiscalizada interpôs Recurso Voluntário (efls. 557566) a esta Colenda Turma, requerendo a homologação integral da compensação pleiteada, alegando que a conclusão de que remanesceria um saldo em aberto de R$ 3.148,80, decorre de mero erro formal na digitação do crédito deferido no "Demonstrativo Analítico da Compensação" acostado à efl. 501 (digitouse R$ 71.757,27 ao invés de R$ 74.757,27). Requereu também, seja considerada a Manifestação de Inconformidade relativa ao PER n° 13813.87149.311011.l.2.024806. Alega que houve omissão na análise da mesma, que também era objeto de pedido de restituição. A referida peça processual, encontrase acostada a este processo entre as fls. 219/431. Requereu ainda, sucessivamente, que os autos sejam baixados em diligência para que a manifestação de inconformidade seja desentranhada do presente processo, e seja criado um novo PTA, a fim de que seja efetuada a sua análise. Alega ao final, que tal peça não chegou a ser analisada pela 2ª Turma da DRJ de Curitiba/PR sob o argumento de que não seria objeto deste processo. Não há Contrarrazões pela PGFN, até o momento. É o relatório. Fl. 589DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, o contribuinte ingressou com pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2006, apurado em DIPJ especial de 31.10.2006, haja vista a incorporação do CNPJ 02.331.879/000180 – Telebahia Celular S/A pela Recorrente, no importe total de R$ 74.757,27. A DRF não homologou a compensação pretendida em razão de haver divergência entre o valor do crédito pleiteado e o valor apurado em DIPJ (R$ 91.955,73). O contribuinte, em manifestação de inconformidade, esclareceu que a diferença decorreu de retenção feita pelo Banco Safra, que informou inicialmente uma retenção de R$ 2,32 (lançada na DIPJ, p. 40) e, posteriormente, corrigiu para R$ 17.695,40, conforme informe de rendimentos de p. 78. Há um PER específico (13813.87149.311011.1.2.024806) em que a contribuinte requer a restituição de IRRF retido por órgãos públicos, que, originalmente, não é objeto deste processo e, desta forma, não foi objeto de análise por parte da DRJ. Na parte analisada pela DRJ, esta concluiu, no item 15 do acórdão recorrido, que “cabe reconhecer como procedente (os créditos pleiteados), haja vista os comprovantes apresentados”. No entanto, com base nos cálculos da p. 501, concluiu que os créditos reconhecidos não foram suficientes para a compensação com o débito indicado, restando um saldo devedor de R$ 3.148,80, razão pela qual o contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido a este Conselho, bem como pela não análise, por parte da DRJ, da manifestação de inconformidade anexada às p. 219 a 431. Como bem apontado pela Recorrente, o cálculo de p. 501 tem um erro material que, corrigido, afasta o saldo devedor apontado pela DRJ. Em verdade, o crédito a ser corrigido é de R$ 74.757,27 e, no demonstrativo analítico de compensação, foi indicado como sendo de R$ 71.757,27, o que evidencia um erro de R$ 3.000,00 no montante do crédito reconhecido, o qual, corrigido pela variação da Taxa Selic considerada – 4,96%, resulta no valor de R$ 3.148,80, que é exatamente o valor que “faltou” na decisão exarada pela DRJ. Neste ponto, sanado o erro material apontado, é de se reconhecer a procedência do pedido formulado pela Recorrente. Questão controversa, contudo, é a necessidade de julgamento, por parte da DRJ, no âmbito deste processo, da manifestação de inconformidade anexada às p. 219 a 431, de acordo com despacho de p. 216, uma vez que oriunda de despacho decisório que negou a restituição pretendida, em decorrência de um pedido de restituição (PER 13813.87149.311011.1.2.024806 – p. 275 a 277) transmitido pela Recorrente em 31.10.2011, ou seja, em data bem posterior à transmissão do DCOMP objeto deste processo – 15.03.2007. Ao ver deste Julgador, o pedido de restituição é complementar ao pedido de compensação, uma vez que a Recorrente, bem depois da incorporação realizada em outubro/2006, constatou mais valores retidos na fonte no CNPJ da incorporada, que não foram Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10930.900899/200961 Acórdão n.º 1402002.887 S1C4T2 Fl. 577 7 objeto da DIPJ original, transmitida após a incorporação (p 435 a 464). À vista desta constatação, a Recorrente retificou a DIPJ original, passando a apontar como saldo negativo de IRPJ o importe de R$ 217.299,91 – p. 478, pleiteando, no pedido de restituição, o valor de R$ 125.274,18, que se refere ao item 14 da Ficha 12A da DIPJ, na mesma p. 478. Ou seja, ainda que complementar, o pedido de restituição não está vinculado ao pedido de compensação objeto deste processo administrativo, de tal forma que está equivocado o despacho da DRF de origem, que determinou a anexação da manifestação de inconformidade de p. 219 a 431 neste processo administrativo para julgamento conjunto. Há um evidente equívoco no despacho da DRF que indeferiu o pedido de restituição sob o argumento de que, indeferido o pedido de compensação objeto deste processo, esta decisão se estenderia ao referido pedido de restituição. São situações distintas, oriundas de pedidos distintos do contribuinte, em momento temporal diverso. Ante o exposto, julgo procedente o recurso voluntário interposto para reconhecer a integralidade dos créditos trazidos à compensação pelo contribuinte em PER/DCOMP de p. 2 a 6 e, desta forma, homologar a compensação realizada, extinguindose o crédito tributário compensado definitivamente. Determino, por fim, o desentranhamento da manifestação de inconformidade de p. 219 a 431, para que se forme um processo administrativo autônomo, tendo por objeto o pedido de restituição formulado pelo contribuinte através do PER 13813.87149.311011.1.2.02 4806 – p. 275 a 277, no qual a DRF de origem poderá emitir um novo despacho decisório em relação ao referido pedido de restituição, tendo em vista a presente decisão, que homologou as compensações declaradas neste processo. Na eventualidade de manter o despacho decisório original, tendo em vista a manifestação de inconformidade já apresentada pela Recorrente, deverá encaminhar o novo processo administrativo para apreciação pela DRJ competente. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 591DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721347/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. INTEMPESTIVIDADE.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolado fora do prazo legal, por falta do pressuposto de admissibilidade relativo à tempestividade.
Numero da decisão: 2401-005.161
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolado fora do prazo legal, por falta do pressuposto de admissibilidade relativo à tempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 13 47 /2 01 4- 05 Fl. 217DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10510.721347/201405 Acórdão n.º 2401005.161 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em JUIZ DE FORA MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, decidiu indeferir o pedido de perícia formulado pelo contribuinte e, no mérito, considerar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0955.001 (fls. 171/179): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. O valor estampado em Escritura Pública de Compra e Venda deve ser considerado para o fim de estabelecer o custo de aquisição do bem para efeitos de apuração do Ganho de Capital. MULTA AUMENTADA PELA METADE. INEXISTÊNCIA DE CONFISCO. A aplicação da multa de ofício, aumentada pela metade, quando existentes os pressupostos estabelecidos em lei que a ampare, não se reveste em confisco, porquanto observados pela Autoridade Fiscal lançadora o Princípio da Legalidade Estrita. PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. REQUISITOS. Desnecessário o atendimento de pedido de prova pericial quando o resultado buscado já se encontra demonstrado em documentação constante do processo. Considerado não formulado, ainda, pedido de perícia que não atende aos requisitos estabelecidos em normativa própria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 135/142), lavrado contra a Contribuinte em 24/04/2014, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, referente aos exercícios financeiros de 2010 e 2011, no valor de R$ 80.865,60, Juros de Mora, calculados até abril de 2014, no valor de R$ 32.695,25 e Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 90.973,84, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 204.534,69 (Demonstrativo Consolidado fl. 02). De acordo com a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL – Imposto de Renda Pessoa Física (fl. 136), foram apurados GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM Fl. 219DF CARF MF 4 REAIS, quando da alienação de um terreno adquirido em reais, registrado no Livro nº 2, sob a matrícula nº 13.784, no Cartório de Registro de Imóveis do 1º Ofício de Aracajú. Conforme descrito no RELATÓRIO FISCAL (fls. 123/128), nos respectivos Autos de Infração, estão sendo tributados o Contribuinte e sua Esposa, Geralda Lúcia Mendes de Freitas, aplicandose o percentual de 50% para cada um dos vendedores/cônjuges. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, via Correio, em 06/05/2014 (fls. 157/158). Em 30/05/2014, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 160 a 166, onde, em síntese, argumenta que: 1. O valor de origem do terreno lançado na escritura não retrata a realidade dos negócios; 2. Durante anos prestou serviços de terraplenagem, em caráter pessoal (Pessoa Física + Máquina), sem vínculo empregatício, para diversas construtoras do Estado, dentre elas a NORCON e a CUNHA, resultando no acúmulo de valores a serem recebidos em acertos futuros; 3. O terreno em questão foi objeto de DAÇÃO EM PAGAMENTO feito pela NORCON para ressarcir valores acumulados junto a esta construtora, em razão da prestação de serviços por longo período; 4. Como o terreno dado em pagamento tinha valor superior ao credito que fazia jus, “ficou acertado que o pagamento de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) seria a torna, valor que constou na escritura objeto do processo”; 5. Essa foi a única opção que teve para receber os valores que lhe eram devidos pela construtora, aceitando a negociação sob pena de não os receber; 6. Em virtude dos fatos narrados serem de difícil comprovação, requer que seja averiguado o valor de mercado do terreno no ano de sua aquisição através; 7. Em função da área do terreno e da sua localização, à época da negociação, as partes estimaram o valor terreno em R$ 900.000,00, figurando na escritura tão somente o valor da torna, os R$ 120.000,00 já mencionados. Diz que esse valor também foi o fixado pela municipalidade para fins de transferência; 8. A multa aplicada, estipulada em 112,5% sobre o valor tributado a pagar, suplanta o valor do principal, caracterizando a figura do confisco, vedado no Direito Tributário. Finaliza sua Impugnação requerendo seu recebimento a fim de declarar a insubsistência da autuação combatida. Alternativamente, caso não ocorra a o encerramento do processo, requer a redução da exigência a partir da verificação pericial do valor de mercado do terreno com o intuito de reduzir a parcela considerada lucro na alienação. Requer também a redução do valor da multa exigida. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10510.721347/201405 Acórdão n.º 2401005.161 S2C4T1 Fl. 4 5 Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/JFA para julgamento, que, através do Acórdão nº 0955.001, decidiu pela improcedência da impugnação apresentada. O Contribuinte tomou ciência do Acordão da DRJ/JFA, via Correio, em 17/11/2014 (AR – fls. 182/183) e apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 185/189) em 24/12/2014, portanto, fora do prazo regulamentar de 30(trinta) dias, estabelecido pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 (Termo de Perempção – fl. 184). É o relatório. Fl. 221DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade Conforme norma positivada no art. 33 do Decreto 70.235/72, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O prazo recursal de 30 dias iniciase no primeiro dia útil seguinte ao da intimação, de acordo com o que determina o art. 5º do Decreto 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Cabe nesse ponto observar que o contribuinte foi intimado do Acórdão 09 55.001 4ª Turma da DRJ/JFA (fls. 171/179) em 17/11/2014, conforme Aviso de Recebimento de fl. 182. Vejamos: Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10510.721347/201405 Acórdão n.º 2401005.161 S2C4T1 Fl. 5 7 Ocorre que o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte foi protocolado em 24/12/2014, conforme carimbo de recebimento à fl. 185: Dessa forma, considerando o não cumprimento do requisito previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, quanto à tempestividade para interposição do Recurso Voluntário, não se faz presente tal pressuposto de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário por intempestivo. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.661492/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ).
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.108
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 14 92 /2 01 2- 41 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10880.661492/201241 Acórdão n.º 3302005.108 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de declaração de compensação não homologada em razão de que o DARF já havia sido alocado a outro débito, conforme despacho eletrônico. Em manifestação, a recorrente alegou que, em razão da publicação da Lei nº 11.452/2007, cujo artigo 21 retroagiu os efeitos do artigo 20 para 1º/01/2006, especificamente quanto a não incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, sem contundo proceder à retificação de DCTF, a qual foi requerida posteriormente mediante processo administrativo. Por sua vez, a Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12068.501. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação, juntando ao recurso voluntário a documentação referente à comprovação de seu direito, a saber: contrato comercial com a ACI, contratos de câmbio e invoices. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.100, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.661481/201261, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.100): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito à alegação de restituição de pagamento indevido, em razão da não incidência de CIDE sobre royalties decorrentes de direitos autorais em contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, fundado no artigo 20 da Lei nº 11.452/2007, abaixo transcrito: Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2o .................................................................................. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10880.661492/201241 Acórdão n.º 3302005.108 S3C3T2 Fl. 4 3 .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. A recorrente não procedeu à retificação da DCTF, em meio digital, protocolando processo administrativo em papel, cuja decisão foi assim expedida: "Confrontando a data de protocolo do pedido com o período a que se refere a DCTF, concluo que o direito de pleitear a retificação se encontrava extinto. Ademais, havendo decisão relativa à Declaração de Compensação proferida antes do pedido de retificação da DCTF, deve a questão ser discutida por meio de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, de forma a se evitarem discussões administrativas paralelas sobre o mesmo assunto. Esta turma já se pronunciou em diversas ocasiões sobre a desnecessidade de se retificar a DCTF, quando o contribuinte consegue provar o direito alegado, mediante documentação hábil e idônea, em homenagem ao princípio da verdade material. Nos casos de auto de infração eletrônico de DCTF, entendo que este princípio atrai a possibilidade de se conhecer de provas apresentadas em recurso voluntário, uma vez que apenas na decisão de DRJ surge o fundamento da falta de provas em vista da não retificação de DCTF, bem como, até o momento daquela decisão, o contribuinte não recebeu qualquer intimação exigindo a documentação necessária para provar o direito alegado. No caso dos autos, a decisão recorrida especificou as provas que considerava necessárias para a comprovação do direito alegado. Porém, mesmo ciente da necessidade de apresentação das referidas, a recorrente não se desincumbiu adequadamente de seu ônus, deixando de apresentar contrato comercial com a GOLDEN GATE SOFTWARE INC., bem como apresentando o contrato comercial com a ACI WORLDWIDE INC. sem tradução juramentada, impossibilitando o conhecimento do documento em inglês, conforme artigo 157 do antigo CPC (Lei nº 5.869/1973, artigo 192 da Lei nº 13.105/2015 (NCPC), artigo 224 da Lei nº 10.406/2002 (CC), artigo 18 do Decreto 13.609/1943, artigo 22 da Lei nº 9.784/1999 e artigo 13 da Constituição Federal, abaixo transcritos: Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC), artigo 157: TÍTULO V DOS ATOS PROCESSUAIS CAPÍTULO I DA FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS Seção I Dos Atos em Geral Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10880.661492/201241 Acórdão n.º 3302005.108 S3C3T2 Fl. 5 4 [...] Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei 13.105/2015, artigo 192: Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Lei nº 10.406/2002, artigo 224: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Decreto nº 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que fôr exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartições da União dos Estados e dos municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade dêste regulamento. Parágrafo único. estas disposições compreendem também os serventuários de notas e os cartórios de registro de títulos e documentos que não poderão registrar, passar certidões ou públicasformas de documento no todo ou em parte redigido em língua estrangeira. Lei nº 9.784/1999: Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. Constituição Federal, artigo 13: Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Destacase que não se tratam de expressões ou palavras de fácil e notório conhecimento da língua inglesa ou de texto de fácil compreensão, mas de contrato de licenciamento de uso de sofware, com mais de trinta páginas de contrato original e aditivos com diversos termos técnicos, sendo imprescindível a tradução juramentada para se avaliar o alcance do contrato e a existência de eventual transferência de tecnologia. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10880.661492/201241 Acórdão n.º 3302005.108 S3C3T2 Fl. 6 5 Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo e ementas parciais, proferidos por este Conselho: Acórdão nº 1301002.260: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. Acórdão nº 1301002.097: GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CONSULTORIA PAGOS A EMPRESA LIGADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVA. Procedente a glosa de despesas por serviços de assistência técnica e consultoria pagos a empresa ligada no exterior, na situação em que resta incomprovada a efetividade da prestação desses serviços. Documentos em língua estrangeira, desacompanhados da respectiva tradução juramentada, não podem ser aceitos como prova. Os poucos documentos em língua portuguesa são insuficientes para provar a efetividade da prestação dos serviços. Acórdão nº 3202000.546: PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil). Sem tal tradução, o documento não possui valor efeito probante no processo administrativo, acarretando o indeferimento da compensação por falta de provas, já que o contrato comercial é elemento primordial na análise da existência ou não de transferência. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10880.661492/201241 Acórdão n.º 3302005.108 S3C3T2 Fl. 7 6 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724902/2011-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba.
SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. ENSINO SUPERIOR
A concessão de auxílio-educação para custeio de ensino superior não extensível à totalidade dos segurados empregados e dirigentes da empresa, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra t da Lei n.º 8.212/91, consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária.
A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. ENSINO SUPERIOR A concessão de auxílioeducação para custeio de ensino superior não extensível à totalidade dos segurados empregados e dirigentes da empresa, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra “t” da Lei n.º 8.212/91, consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 02 /2 01 1- 01 Fl. 2624DF CARF MF 2 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 2625DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI lavrado contra a empresa em epígrafe, no valor de R$ 33.419.627,56, no período de 01/07 a 12/08, consolidado em 10/11/2011, referente a contribuição social destinada a outras entidades e fundos – SESI, SENAI, SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA E SEBRAE (terceiros), incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de auxílio educação, alimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT e participação nos lucros (em desacordo com a lei), não declarados em GFIP, conforme relatório fiscal de fls. 17/40. O contribuinte foi cientificado do presente processo em 11/11/11. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário apurado. Recorreuse de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o Decreto 70.235/72, artigo 34, inciso I, pois o valor exonerado foi superior ao previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3/1/08. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada CEMIG Geração e Distribuição S.A, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, foi prolatada a seguinte decisão: “Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recursos de ofício e negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci que não conheciam do recurso; por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci que davam provimento”. Portanto, em sessão plenária de 14/03/2017, negouse provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, prolatandose o Acórdão nº 2402005.679 (fls. 2.279/2.290), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DESACORDO COM A LEI. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. GRUPO RESTRITO DE EMPREGADOS. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Fl. 2626DF CARF MF 4 O valor relativo a plano educacional integra o saláriode contribuição quando não visa à educação básica e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa e quando não está disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. RO Negado e RV Negado. Cientificada em 10/04/2017, a Fazenda Nacional não interpondo recurso. O contribuinte e suas solidárias foram cientificados do acórdão em 12/06/2017 e interpuseram, tempestivamente, em 26/06/2017, Recurso Especial conjunto (fls.2.312/2.358). No recurso visam a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) Participação nos Lucros e Resultados; b) Pagamento de AuxílioEducação; e c) Multa de Mora. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 26/07/2017 (fls. 2.584/2.595). No Recurso Especial, as Recorrentes trazem as seguintes alegações em relação à cada matéria: a) Participação nos Lucros e Resultados: · conforme se depreende do art. 2º da Lei 10.101/00, inexiste qualquer obrigatoriedade de que sejam fixados objetivos e metas vinculadas ao resultado para se legitimar os pagamentos realizados a título de PLR; o que há, é a obrigatoriedade de que as regras fixadas sejam claras e objetivas, de modo a minimizar dúvidas que impeçam ou dificultem o cumprimento do acordado. · o ponto central do dispositivo legal acima (art. 2º da Lei 10.101/00) é, justamente, assegurar o direito à divisão de lucros, evitandose que o trabalhador tenha seu direito mitigado em razão de cláusulas dúbias e de difícil interpretação; ou seja, a fixação de objetivos e metas é uma faculdade das partes envolvidas na negociação e não uma obrigatoriedade imposta pela Lei; e justamente por isso, as partes podem pactuar outros critérios claros e objetivos para o pagamento da PLR. · os Acordos Coletivos de Trabalho firmados entre a Recorrente e os Sindicatos que representam seus trabalhadores indicam, em linguagem direta e objetiva, a forma de cálculo dos valores que cada trabalhador receberá a título de PLR, mediante a apresentação de uma fórmula matemática de simples aplicação pelo próprio empregado; além disso, como se verifica da referida fórmula, onde o “montante a ser distribuído” corresponde a uma parte do mencionado Resultado Operacional da Recorrente, o cálculo da PLR está diretamente vinculado, portanto, ao critério da lucratividade (“Montante a ser distribuído” = 3% sobre o Resultado Operacional da Recorrente). · o critério da lucratividade é válido para fins de pagamento da PLR, e não se deve confundir e muito menos vincular a concessão Fl. 2627DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 4 5 da PLR a qualquer incentivo à produção ou produtividade (como equivocadamente fez a Fiscalização); e ao exigir que o Acordo para pagamento da PLR fosse anterior ao início do ano que servirá de base para a distribuição, a Fiscalização extrapolou sua competência e sustentou a autuação em premissa que não encontra respaldo na Lei. · a alegação da Fiscalização de que “o Acordo celebrado no decorrer do ano não teria o condão de incentivar a produtividade” não considera a complexidade da relação entre empresa e trabalhadores: as relações de trabalho não podem ser compartimentadas em anos como se as satisfações e motivações conquistadas em um ano não influenciassem no comprometimento, dedicação e produtividade do trabalhador nos anos seguintes; almejase que a confiança e a satisfação evoluam com o tempo, integrando cada vez mais o trabalhador à empresa, e a integração, justamente, é um dos objetivos buscados pelo inciso XI do artigo 7° da Constituição, ao garantir o direito dos trabalhadores à participação nos lucros ou resultados das empresas. · o reconhecimento do valioso papel do trabalhador no bom desempenho da empresa por meio do pagamento da PLR nos termos acordados, sem dúvida é um incentivo à produtividade que aproxima e alinha empresa e trabalhadores no mesmo objetivo: o desenvolvimento da atividade econômica. · deve ser levado em conta que os Acordos Coletivos firmados pelas Recorrentes são negociados com nove Entidades Sindicais distintas, o que dificulta o fechamento de todas as regras relativas à PLR antes do início do ano cujo lucro servirá de base para a distribuição. · nos casos em que a lucratividade é o critério determinante para a distribuição dos lucros (como ocorre no caso dos autos), é também natural que a pactuação não ocorra no início do período de apuração dos lucros, uma vez que é ao final deste período que os valores serão conhecidos e será possível concluir as negociações quanto ao montante a ser distribuído a título da PLR. b) Pagamento de AuxílioEducação: · a discussão se dá basicamente em função de dois fatores: que o benefício não foi pago à universalidade dos empregados da empresa, sendo restrito aos empregados com remuneração base de até R$ 3.800,00 para certo período e R$ 3.990,00 para outro período, excluindo, portanto, os demais, e ficando caracterizada a natureza salarial da verba; e que os pagamentos efetuados pela empresa, destinados a custeio parcial da educação superior de parte dos empregados, não se enquadram na educação básica definida no inciso Fl. 2628DF CARF MF 6 I do art. 21 da Lei nº 9.394 de 20/12/1996, contrariando o que previa a legislação de regência. · ao contrário do entendimento da Fiscalização, a restrição imposta pela alínea “t”, do §9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91 não deveria subsistir, haja vista que o inciso II do §2º, do art. 458 da CLT trata a questão de forma irrestrita, pois não faz referência apenas à educação básica, mas a qualquer pagamento feito a título de educação; e quanto ao outro fator, a Recorrente demonstrou que o benefício era disponibilizado para todos os empregados dentro da faixa salarial prevista no Acordo Coletivo (dentro do critério de eleição), sendo concedido semestralmente e somente para aqueles empregados que cumprissem requisitos previamente determinados, o qual não poderia ser considerado habitual e, por isso, não poderia integrar o conceito de salário. · desde que haja prova hábil e idônea de que os cursos de ensino superior custeados pela empresa estão vinculados às atividades do empregado, o requisito para a fruição estabelecido na alínea “t”, do §9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91 estará atendido. No caso concreto, é incontroverso que a verba se destina à realização de cursos para o trabalho, que inclusive gera benefícios diretos para a própria Recorrente. · os critérios de elegibilidade apresentados pela Recorrente em Acordo Coletivo, o qual contou com a participação e aprovação de todos os empregados, são bastante razoáveis · a Lei nº 12.513/11 alterou o art. 28, §9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91, sendo que as principais alterações se referem à exclusão da obrigação de disponibilização do benefício a todos os empregados da empresa e fazem menção à plano educacional e bolsa de estudos e não apenas à educação básica, bem como à qualificação tecnológica, nos termos da Lei e diretrizes e bases da educação nacional (Lei nº 9.394/96). Essas alterações, se aplicadas ao caso concreto nos termos do art. 106, II, b do CTN, serão suficientes para afastar os requisitos determinados pela Fiscalização para inclusão dos valores no cálculo do salário de contribuição da Recorrente, cancelandose integralmente a autuação realizada em relação à referida rubrica. c) Multa de Mora: · antes do advento da MP 449/08, tanto para os casos de recolhimento espontâneo em atraso, quanto para os de lançamento de ofício, existia previsão de aplicação de uma única e igual penalidade: a multa de mora; não havia que se falar em multa de ofício mesmo nos casos de lançamento, mas apenas em multa de mora. · a natureza de multa de mora dessa penalidade, mesmo nos casos em que ocorria notificação de lançamento, não se configurava apenas em função da denominação comum prevista na legislação, mas, principalmente, pelo fato de que a multa continuava sendo Fl. 2629DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 5 7 majorada após sua constituição; ou seja, com o decorrer do tempo, o percentual da multa era elevado, podendo chegar a 100%, confirmando que seu principal intuito era punir o contribuinte em mora no cumprimento de sua obrigação principal. · apenas com o advento da MP nº 449/08, passou a se aplicar também aos créditos previdenciários a sistemática de penalidades previstas na Lei nº 9.430/96, qual seja: aplicação da multa de mora para os casos de recolhimento em atraso (limitada a 20%, nos termos do art. 61, § 2º, da lei) e imposição de multa de ofício para os casos de constituição do crédito via atividade fiscal (em geral 75%, conforme art. 44 da lei). · anteriormente, com exceção do período em que se aplicava o art. 4º da Lei nº 8.218/91, não havia que se falar na incidência de multa de ofício previdenciária, mas tão somente na aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91. · como a multa de mora aplicada com base no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 teve sua aplicação limitada ao patamar de 20% pela MP nº 449/08 (o que foi confirmado pela Lei nº 11.941/09), é compulsória a aplicação desse percentual em substituição a todos aqueles mais gravosos previstos anteriormente (para o presente lançamento, 24% no momento da lavratura do auto de infração, e aí por diante); caso contrário, restará afrontada a retroatividade benéfica determinada pelo art. 106, II, c do CTN. · não há o que se falar, como fez a Fiscalização, que a comparação para fins da aplicação da multa mais benigna, no caso, deve ser realizada entre a multa de ofício e a multa de mora (prevista anteriormente na legislação), uma vez que tais penalidades têm natureza distinta, e devem ser comparadas, para fins de aplicação do art. 106, II, c do CTN, a multa de mora escalonada (redação original do art. 35 da Lei 8.212/91) com a multa de mora posteriormente limitada ao percentual de 20%. · a penalidade aplicada no presente lançamento deve ser reduzida ao patamar de 20%, por ser essa a multa de mora atualmente prevista também para as contribuições previdenciárias e por se tratar, evidentemente, de penalidade mais benéfica do que a anteriormente prevista e aplicada nesse caso (24%, escalonada, para os fatos ocorridos até 11/2008), nos temos também do art. 112 do CTN. O processo foi encaminhado para a Fazenda Nacional tomar conhecimento do Acórdão nº 2402005.679, do Recurso Especial do contribuinte e do Despacho de Admissibilidade admitindo esse Resp, em 04/08/2017. A Fazenda Nacional apresentou, em 18/08/2017, portanto, tempestivamente, suas contrarrazões (fls. 2.596/2.623), onde traz alegações da seguinte forma: Fl. 2630DF CARF MF 8 Da ilegitimidade do critério da lucratividade para pagamento da PLR: · Argumenta que, nos Acordos Coletivos de Trabalho, ao tratar da participação dos empregados nos lucros e resultados, as partes limitaramse a declarar, para os exercícios de 2007 e 2008, a forma de pagamento com base no resultado operacional e desempenho empresarial, sem qualquer plano de metas e resultados estabelecido, além do que não há definição de objetivos a serem atingidos, restando claro que o critério para pagamento da PLR é subjetivo, sem plano de metas a ser cumprido, independentemente do esforço pessoal do empregado, estando tal situação em desacordo com o disposto na Lei nº 10.101/2000, art. 2º, parágrafo único. · Alega que devese estabelecer critérios para que se defina o papel de cada trabalhador ou setor envolvido, pois ao descrever um montante sem definição de qualquer meta ou resultado a que se alcance, nada mais se faz, senão dar uma gratificação a todos os empregados de forma igualitária, independente do quanto o engajamento de cada um influenciou no resultado. Acrescenta: “a não definição de metas leva a subjetividade e ao desvirtuamento do PLR. Não se deve conferir ao caráter de subjetividade tanto enfoque, de forma que o pagamento se afaste do conceito de alcance de resultados obtidos pela empresa, sejam eles lucros ou crescimento, e passe a individualmente ser utilizado como critério de premiação individual dos trabalhadores”. · Conclui que a empresa tem a ampla e irrestrita liberdade de pagar PLR, eleger por qual dos instrumentos previstos na lei irá consolidar o ato, determinar as regras, critérios, metas a serem alcançados ou mesmo a maneira de aferilas, contudo deverá observar as exigências legais quanto a formalização dos atos; e que, ao contrário do defendido pelo recorrente, o descumprimento de qualquer dos requisitos transforma, sim, a natureza do pagamento, ou seja, não é que a verba deixe de ser distribuição de lucro, mas a sua natureza passa a ser de verba salarial, equiparandose a diversas outras verbas, que pelo seu mero pagamento, são por si só verbas salariais, como é o caso dos prêmios, gratificações, gorjetas, bônus etc. Da impossibilidade de o Acordo Coletivo ser assinado ao final do exercício do lucro ao qual se refere: § Afirma que os pagamentos efetuados encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, §§ 2º e 3º (abaixo transcritos), que estabelece a necessidade de pacto prévio, ou seja, antes do início do ano de 2007, e não depois de praticamente findo. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 6 9 II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § Registra que não houve celebração de acordo prévio ao exercício, atitude que impede os funcionários de terem conhecimento prévio a respeito de quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação, restando desatendido, portanto, também o requisito da pactuação prévia de regras claras e objetivas: “a contribuinte não estabeleceu previamente regras, metas ou mecanismos de aferição, para que ficasse claro aos empregados o que a empresa esperava dos mesmos para que fizessem jus ao benefício. O pagamento efetuado pela empresa, chamado de participação nos lucros, da forma como foi feito, mais se assemelha a um prêmio pelos resultados obtidos e, como tal, integra o salário de contribuição”. § Conclui que o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da Lei 10.101/00 enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. Do pagamento de auxílioeducação a apenas parte dos empregados: Fl. 2632DF CARF MF 10 · Traz a definição de saláriodecontribuição, conforme previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, como também elenca as parcelas que, apesar de estarem no campo da incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, definidas pelo art. 9º do diploma legal citado acima e diz que, de acordo com o disposto na alínea “t” desse artigo, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a bolsas de estudo, porém elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a tal título não sejam considerados saláriode contribuição, quais sejam: devem visar à educação básica, os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes. · Afirma que isenção prevista na letra "t" do § 9°, art. 28, Lei n° 8.212/91, somente é cabível quando o benefício é concedido indistintamente a todos os empregados da empresa e que no presente caso a autuada criou uma classe de empregados privilegiados dentro da empresa, contemplandoos com benefícios não extensíveis aos demais ou concedidos segundo critérios subjetivos: somente aqueles funcionários em determinada faixa salarial recebiam o benefício; e portanto, a isenção prevista no art. 28 da Lei nº 8.212/91 ficou descaracterizada. · Acrescenta que a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal, ou seja, a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I, nestes termos: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção;” · Conclui que, desta forma, comprovado que a contribuinte não cumpriu todos os requisitos exigidos pelo art. 28, §9º, alínea “t” da lei 8.212/91 para exclusão dos pagamentos efetuados, não pode a mesma excluir tais valores do saláriodecontribuição, não merecendo o lançamento efetuado qualquer reparo. Da incidência de contribuição previdenciária sobre a bolsa para ensino superior: · Argumenta que, também de acordo com o disposto na legislação citada acima Lei nº 8.212/91, art. 28, §9º, alínea “t” verificase que a verba relativa ao ensino superior (graduação e pós graduação) não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias; e o que não integra o salário de Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 7 11 contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, verbis: “Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior.” · Conclui que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior, e que, nesta hipótese, deverá haver uma comprovação mais detalhada acerca da necessidade/utilidade do curso, sob pena de fazer letra morta à exigência legal relativa ao vínculo “às atividades desenvolvidas pela empresa”. Da multa de mora para os fatos geradores anteriores a 12/2008: · Afirma que o procedimento correto consiste em somar as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada), referentes à sistemática antiga, e comparar o resultado com a multa atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008), em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/10/2010. · Diz que não cabe aqui qualquer aplicação retroativa do art. 35 com a redação dada pela MP nº 449/2008, que fora convertida na Lei nº 11.941/2009, com a finalidade de se limitar a multa de mora a 20%, uma vez que a nova disposição legal se restringe às hipóteses de recolhimentos espontâneos, o que não se adequa às circunstâncias do caso concreto. É o relatório. Fl. 2634DF CARF MF 12 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls.2312. Apenas para melhor delimitar a lide o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo envolve as seguintes matérias: PLR; auxílioeducação e multa de mora. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, fls.2.584/2.595, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Participação nos Lucros Quanto à participação nos lucros o sujeito passivo busca a reforma do acórdão recorrido em 2 pontos, trazendo como argumentos: 1) inexiste obrigatoriedade de que sejam fixadas metas e objetivos vinculados ao resultado para que se legitimem pagamentos realizados a título de PLR que conforme se depreende do art. 2º da Lei 10.101/00, inexiste qualquer obrigatoriedade de que sejam fixados objetivos e metas vinculadas ao resultado para se legitimar os pagamentos realizados a título de PLR. Há sim a obrigatoriedade de que as regras fixadas sejam claras e objetivas, de modo a minimizar dúvidas que impeçam ou dificultem o cumprimento do acordado. a fixação de objetivos e metas é uma faculdade das partes envolvidas na negociação e não uma obrigatoriedade imposta pela Lei. Justamente por isso as partes podem pactuar outros critérios claros e objetivos para o pagamento da PLR. que os Acordos Coletivos de Trabalho firmados entre a Recorrente e os Sindicatos que representam seus trabalhadores indicam em linguagem direta e objetiva, a forma de cálculo dos valores que cada trabalhador receberá a título de PLR, mediante a apresentação de uma fórmula matemática de simples aplicação pelo próprio empregado. 2) assinatura do Acordo Coletivo em data anterior ao período cujos lucros se referem: que a norma não estabelece obrigatoriedade de que os acordos e convenções sejam assinados no início do exercício, a data da assinatura dos acordos não tem o condão de desnaturar a sua validade, desde que antes do pagamento das parcelas que a Lei n° 10.101/2000 evidencia uma preocupação em garantir que o pagamento da PLR seja discutido entre as partes, Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 8 13 privilegiando a participação dos trabalhadores, de modo a evitar a fixação unilateral das regras para a distribuição do lucro. Assim, obviamente, não há como pagar a PLR antes da celebração do Acordo entre empresa e trabalhadores. Neste caso, estarseia diante da fixação unilateral das regras de distribuição em ofensa à Lei n° 10.101/2000, mas nada impede que o acordo seja assinado em qualquer data antes do pagamento da PLR. que as relações de trabalho não podem ser compartimentadas em anos como se as satisfações e motivações conquistadas em um ano não influenciassem no comprometimento, dedicação e produtividade do trabalhador nos anos seguintes. Almejase que a confiança e a satisfação evoluam com o tempo, integrando cada vez mais o trabalhador à empresa. Para que possamos apreciar a questão, antes mesmo de apreciar a argumentação utilizada no acórdão recorrido para negar provimento ao recurso do contribuinte, importante identificarmos a fundamentação da autoridade fiscal: Participação nos Lucros e Resultados – PLR – para os empregados: 2.2.1.7 Relativamente à negociação contemplando o Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR, a empresa apresentou os Acordos Coletivos de Trabalho dos anos de 2006/2007 de 30/11/2006, 2007/2008 de 11/12/2007 e 14/12/2007, firmados com as entidades sindicais ou sindicatos (representativo da categoria de empregados). 2.2.1.8 Da análise do contido no documento (Acordo Coletivo de Trabalho) que tratou do assunto, para o período de 2007 e 2008 e demais elementos verificados por esta auditoria, verifica se a ausência das condições estabelecidas pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que regula a matéria, portanto, os valores pagos a título de PLR, representam, na verdade, um complemento salarial. 2.2.1.9 Nos Acordo Coletivos de Trabalho, ao tratar da participação dos empregados nos lucros e resultados, as partes limitamse a declarar, para os exercícios de 2007 e 2008, a forma de pagamento com base no resultado operacional e desempenho empresarial, conforme cláusulas abaixo indicadas: 2.2.1.9.1 ANO de 2007 firmado em 30/11/2006 Todos Sindicatos: Previsto nas cláusulas Quarta e Quinta o pagamento com base no resultado operacional e desempenho empresarial; 2.2.1.9.2 ANO de 2008 firmado em 11/12/2007 SINDIELETRO: Previsto na cláusula Quinta o pagamento com base no desempenho empresarial; 2.2.1.9.3 ANO de 2008 firmado em 14/12/2007 SINTEC: Previsto na cláusula Quinta o pagamento com base no desempenho empresarial. Fl. 2636DF CARF MF 14 2.2.1.10 Esta garantia mínima, prevista nas cláusulas anteriormente mencionadas dos Acordos Coletivos de Trabalho, sem qualquer plano de metas e resultados estabelecido, bem como a ausência de definição de objetivos a serem atingidos, é comandada nas folhas de pagamento sob as rubricas códigos: 1003 PLR Part Lucros Result, 1009 PLR Part Lucros Result, 1033 PLR, 1040 Adiantamento PLR e 1043 Diferença. 2.2.1.11 Da leitura dos Acordos Coletivos de Trabalho apresentados, restou claro que o critério para pagamento da Participação nos Resultados é subjetivo, sem plano de metas a ser cumpridas, independe do esforço pessoal do empregado. (...) 2.2.1.13 Dessa forma, considerando a incipiência dos instrumentos apresentados e aventando a possibilidade de ter sido feita a opção por outro procedimento preconizado na Lei nº 10.101/2000 e mais, sendo de suma importância para o desenvolvimento da Auditoria fiscal, a empresa foi intimada a prestar à Fiscalização, dente outras, as informações ou esclarecimentos necessários, através do Termo de Intimação Fiscal n° 1 de 10/06/2011 e do Termo de Intimação Fiscal n° 2 de 05/08/2011, conforme a seguir: 2.2.1.13.1 Informações detalhadas acerca do regulamento, de forma a demonstrar as regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão dos acordos. 2.2.1.13.2 Comprovar a formação e composição das comissões escolhidas pelas partes, integradas, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, com abrangência dos trabalhadores lotados em todas as Unidades da empresa no território nacional, relativamente a todo o período fiscalizado. 2.2.1.14 Em atendimento à intimação supra, a empresa informou em síntese o que segue: 2.2.1.14.1 Que as regras para o pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR foram estabelecidas nos Acordos Coletivos de Trabalho apresentados; 2.2.1.14.2 Que o Plano de Metas relativo à Participação nos Lucros ou Resultados PLR é em conformidade aos Relatórios de Gestão apresentados. 2.2.1.15 Com relação ao plano de metas mencionado pela empresa temos a informar: 2.2.1.15.1 O documento apresentado é o Relatório de Gestão de outra empresa: CEMIG Distribuição S.A. CNPJ: 06.981.180.000116; 2.2.1.15.2 Embora a CEMIG Distribuição S.A. compõe o mesmo grupo econômico da Companhia Energética Minas Gerais CEMIG, tal documento não pode ser aceito como plano de metas Fl. 2637DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 9 15 desta, tendo em vista que as empresas têm personalidade jurídica distintas, com objetivos sociais diferentes, portanto, cada uma delas devem possuir plano de metas separados; 2.2.1.15.3 Ademais, o Relatório de Gestão apresentado, relativo exclusivamente a outra empresa: CEMIG Distribuição S.A., não representa ou contém em seu conteúdo programa de metas, previsto no inciso II, do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101 de 19/12/2000, com resultados e prazos pactuados previamente; 2.2.1.15.4 Portanto, para empresa: Companhia Energética Minas GeraisCEMIG, não foi apresentado qualquer plano de metas. 2.2.1.16 O Acordo Coletivo de Trabalho 2006/2007, firmado com todos os Sindicatos, em 30/11/2006, com validade de 01/11/2006 a 31/10/2007 em sua cláusula quarta e quinta prevêem uma “garantia de participação mínima”, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação ajustada, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados”, desvirtuando completamente o disposto no art. 3º, caput, da lei que rege a matéria, quando assevera que a participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. 2.2.1.17 Ressaltese que, todos Acordos Coletivos de Trabalho foram firmados no mês de novembro e sua cláusula quinta determinou pagamento de parcela a título de PLR Extraordinário, a ser efetuada até o mês seguinte da assinatura dos Acordos, ou seja, até dezembro do mesmo ano, considerando desempenho empresarial verificado até o momento de sua assinatura (novembro) e sua projeção até dezembro, portanto, apenas poucos dias após a celebração dos referidos Acordos. 2.2.1.18 Desta forma, podese observar, em decorrência da cláusula quinta dos Acordos Coletivos de Trabalho, que não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para pagamento da denominada participação, apenas estipulouse um percentual fixo incidente sobre as remunerações e ainda uma parcela individual fixa como “Montante a ser Distribuído”. 2.2.1.19 Como os Acordos mencionados anteriormente foram firmados em novembro, ou seja, praticamente transcorrido todo o ano contemplado, os mesmos evidentemente não se prestariam a estabelecer eventuais regras visandose incentivar a produtividade, pois deveriam estar pactuadas previamente. Os pagamentos efetuados nos termos da cláusula quinta encontram se em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, conforme exposições anteriores, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano e não depois de “praticamente findo” Em relação aos descumprimentos legais descritos pela autoridade fiscal, a matéria foi suficientemente analisada nos acórdãos da primeira instância e na câmara baixa Fl. 2638DF CARF MF 16 deste Conselho, senão vejamos trechos do voto condutor do acórdão recorrido ao qual me filio com razões de decidir: " O contribuinte alega que não há obrigatoriedade de fixação de metas, diz ser uma faculdade das partes. Equivocado o entendimento da empresa de que não há necessidade do estabelecimento de metas ou resultados. A lei não determina que os critérios e condições a serem estabelecidos devam ser, obrigatoriamente, o estabelecimento de metas ou resultados, contudo, não se trata de faculdade, como quer o sujeito passivo. Os critérios e condições adotados devem constar obrigatoriamente do instrumento de negociação e devem, conforme os parâmetros sugeridos na lei, buscar atingir o objetivo do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados, ou seja, "instrumento de integração entre capital e o trabalho e como incentivo a produtividade". Devem, portanto, buscar o envolvimento efetivo dos funcionários na busca dos resultados. Constatase, portanto, que, tendo a empresa optado pelo pagamento da PLR conforme disposto nos acordos coletivos, não observou o comando da Lei 10.101/2000. Houve apenas a determinação do valor a ser pago como participação nos lucros ou resultados, sem o envolvimento efetivo dos funcionários na busca dos resultados. Contrariando o disposto no §1° do artigo 2° da Lei 10.101/2000, não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Acrescentese que os ACTs foram realizados e assinados no mês de novembro de cada ano, onde foi ajustado o pagamento da PLR no mês de dezembro de uma parcela do referido benefício, considerando "o desempenho empresarial verificado até o momento e sua projeção para todo o ano". Ora, como falar em integração entre capital e trabalho e incentivo à produtividade se o acordo para o pagamento da verba foi feito no mês anterior ao do pagamento e não antecedeu o período a que se atribui o lucro a ser distribuído. O acordo deve ser assinado antes do início do cumprimento das metas, ou seja, antes de iniciado o período de apuração da PLR, não se aceitando a assinatura depois que parte das metas já foram cumpridas ou quando os resultados já são conhecidos. Assim, as disposições dos Acordos Coletivos de Trabalho, quanto à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, não atendem aos requisitos da lei. Logo, os pagamentos de parcelas referentes a participação nos lucros ou resultados que não observem os ditames da legislação específica, como é o caso, integram o salário de contribuição. Portanto, correto o procedimento fiscal que apurou as contribuições sociais devidas incidentes sobre os valores pagos aos empregados a título de participação nos lucros. Fl. 2639DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 10 17 ... Nesses termos, temse que as participações nos lucros correspondem, em verdade, a um complemento salarial, sendo correta a exigência das contribuições previdenciárias sobre essas verbas." Com efeito, é de se ver que a Lei nº 8.212/1991, trouxe na alínea “j” do §9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária contida no inciso XI, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Fl. 2640DF CARF MF 18 §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. A verba paga a título de PLR tem por objetivo servir como um instrumento de incentivo à produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, da empresa, mediante o pagamento de um valor, além do salário e dos demais benefícios devidos ao trabalhador, como forma de estimular o empregado a ter um rendimento operacional que exceda ao seu desempenho corriqueiro exigido como decorrência inerente do contrato de trabalho. Desta forma, o plano de incentivo à produtividade deve conter de maneira clara e objetiva, um fim a ser alcançado pelo desempenho do trabalhador, em vista de um estímulo traduzido na promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR. Conforme a Lei nº 10.101/2000, este fim, ou objetivo extraordinário, pode ser estabelecido como um índice de produtividade, de qualidade da produção ou de lucratividade da empresa. Pode, também, ser traduzido por um programa de metas, de resultados ou de prazos, ou por qualquer uma outra ferramenta gerencial que, efetivamente, anime e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho normal que é de sua rotina e decorrente do seu contrato de trabalho. Fl. 2641DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 11 19 Assim, se vê que nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, o legislador infraconstitucional não teve intenção de detalhar na Lei todos os fins excepcionais a serem almejados nos planos de incentivo à produtividade, delegando às próprias empresas a prerrogativa de estabelecer nos seus planos de PLR os objetivos que fossem adequados às suas realidades. E, exemplificativamente, elencou, dentre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Entretanto, ainda que a legislação infraconstitucional não obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo determinado, a existência e delimitação clara e precisa, no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo seus trabalhadores é indispensável para a caracterização da verba. A empresa tem que detalhar qual o objetivo a ser atingido pelo seu corpo funcional para almejar a PLR e tal meta deve ser estipulada previamente, pois é da natureza da rubrica (para que não integre a base remuneratória), que os valores percebidos sejam fruto não da rotina laboral, mas do cumprimento de algo para o qual o trabalhador teve que implementar mais esforços do que aqueles normalmente utilizados no cumprimento de seu contrato de trabalho. E por isso, a importância da pactuação prévia, eis que somente ciente do que deve ser alcançado como objetivo para que receba o bônus do seu empenho é que vai implementar o esforço necessário para tanto. A inexistência de regramento claro e objetivo desvirtua a natureza da rubrica. A Lei n° 10.101/2000 exige que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado Na seqüência do raciocínio, por óbvio, as condições pertinentes ao plano de PLR, devem estar concluídas e ser cientificadas aos trabalhadores em período prévio à apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o empregado tenha o conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado para fazer jus ao ganho anunciado na negociação coletiva. A negociação, a pactuação e o arquivamento do instrumento na entidade sindical devem ocorrer antes da conclusão das metas e/ou resultados estabelecidos e em data distante do término do período a que se referem os lucros ou resultados, sob pena de se inviabilizar o próprio sentido de incentivo à produtividade. Destarte, os argumentos expendidos no julgamento na Câmara baixa expressam de forma objetiva os requisitos descumpridos pelo recorrente, não havendo reparos a serem feitos, muito menos acatados argumentos de que inexiste obrigatoriedade de que sejam fixadas metas e objetivos vinculados ao resultado. Na forma como pago o PLR em questão, encontrase evidente que o que se buscou foi gratificar, premiar trabalhadores, descumprindo o Fl. 2642DF CARF MF 20 preceito básico previsto no texto da CF/88, de que a PLR busca estimular a participação do empregado no capital da empresa. Dessa forma, em relação ao PLR, entendo que restaram descumpridos os requisitos tanto em relação a existência de regras claras e objetivas, quanto à necessidade de pactuação prévia ao período a que se referem, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. Auxílio Educação Quanto ao auxílioeducação, o sujeito passivo busca a reforma do acórdão recorrido em 2 pontos, trazendo como argumentos: 1) que o benefício era disponibilizado para todos os empregados dentro da faixa salarial prevista no Acordo Coletivo que a Recorrente demonstrou que o benefício era disponibilizado para todos os empregados dentro da faixa salarial prevista no Acordo Coletivo (dentro do critério de eleição), sendo concedido semestralmente e somente para aqueles empregados que cumprissem requisitos previamente determinados, o que não poderia ser considerado habitual e, por isso, não poderia integrar o conceito de salário. 2) financiamento de ensino diverso da educação básica que a Recorrente demonstrou, entre outros argumentos, que ao contrário do entendimento da Fiscalização, a restrição imposta pela alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/91 não deveria subsistir, haja vista que o inciso II do § 2º, do art. 458 da CLT trata a questão de forma irrestrita, pois não faz referência apenas à educação básica, mas a qualquer pagamento feito a título de educação. A questão de mérito para o auxílioeducação integrar ou não a remuneração dos segurados, reside no fato dos valores terem sido pagos a apenas uma parcela de empregados e destinados a custear ensino superior. De acordo com o Fisco no Relatório Fiscal que sustentou a autuação, o auxílioeducação concedido pela empresa em cumprimento ao contido em Acordos Coletivos de Trabalho, não era extensível a todos os empregados e dirigentes da empresa, conforme preceitua a norma legal e destinavase a cobrir despesas relativas ao ensino superior, conforme excerto que transcrevo a seguir: (...) 2.2.3.5 Os valores pagos pela empresa aos seus empregados a título de auxílio educação, obedecem aos critérios abaixo descritos, de acordo com o disposto nos Acordos Coletivos de Trabalho: “Os critérios a serem observados para a concessão de Ajuda de Custo para Formação serão no mínimo”: a) o aproveitamento acadêmico, o desempenho profissional e a inexistência de penalidades nos 12 (doze) meses anteriores ao início do semestre/ano letivo; Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 12 21 b) os cursos deverão ser devidamente reconhecidos pelo Ministério da Educação e Cultura MEC, Conselho Nacional de Educação CNE ou Secretaria Estadual de Educação SEE, e que constem no Plano de Cargos e remuneração da Empresa; c) o reembolso das despesas com mensalidades/anuidades do Empregado será de R$ 500,00 (quinhentos reais) semestrais no ano de 2007 e de R$ 700,00 (setecentos reais) semestrais no ano de 2008; d) serão elegíveis a Ajuda de Custo para Formação os Empregados com Saláriobase máximo de R$ 3.800,00 (três mil e oitocentos reais) no ano de 2007 e de R$ 3.990,00 (três mil, novecentos e noventa reais) no ano de 2008; e) que o empregado esteja em pleno exercício das suas funções na Empresa, ou seja, não esteja cedido, licenciado ou afastado, exceto para os Empregados cedidos às Entidades Sindicais.”2.2.3.6 Da leitura da cláusula contida nos Acordos Coletivos de Trabalho que dispõem sobre a concessão do benefício de Auxílio Educação, vale destacar uma das condições previstas, qual seja: que alcança somente os empregados com remuneração base até R$ 3.800,00 (três mil e oitocentos reais) para o período 01/01/2007 a 31/10/2007 e R$ 3.990,00 (três mil, novecentos e noventa reais) para o período de 01/11/2007 a 31/10/2008, portanto, excluindo os demais. (...) Primeiramente, do exame da legislação vigente à época dos fatos geradores, verificamos que a alínea ‘t’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, traz que não integram o salário de contribuição, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Portanto, para que os valores relativos ao auxílioeducação pagos pelo sujeito passivo a seus empregados deixem de integrar o conceito legal de saláriodecontribuição, a lei exige que a benesse refirase a educação básica ou a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, e alcance, dentre outras condições, a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. No caso presente, os cursos a que se referem os valores pagos a título de auxílioeducação são de nível superior, os quais não se confundem com planos educacionais que visem à educação básica, devendo identificar se enquadrariam como cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Todavia, independente desta condição o fato de não preencher o requisito da extensão a todos já afasta a possibilidade legal de exclusão. Conforme descrito anteriormente, o benefício foi concedido à parcela dos empregados que recebessem salário mensal não superior à R$ 3.800,00 (três mil e oitocentos reais) para o período 01/01/2007 a 31/10/2007 e R$ 3.990,00 (três mil, novecentos e noventa reais) para o período de 01/11/2007 a 31/10/2008, excluindo os demais trabalhadores. Fl. 2644DF CARF MF 22 Observase, que a empresa limitou a participação global dos funcionários ao benefício, tornandoo inacessível a todos os empregados e dirigentes da empresa, o que, por si só, já fere o dispositivo legal. Ademais, restaria necessária a vinculação do curso ofertado a educação básica ou curso de qualificação profissional. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos exigidos por lei para sua exclusão da citada base. Conforme acima esclarecido, a legislação pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Assim, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, assim como trazido pelo recorrente, quando existem pontos Fl. 2645DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 13 23 específicos sobre o tema na legislação previdenciária que restringe a sua exclusão do conceito de salário de contribuição. O citado art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, realmente assim encontrase disposto: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º da lei 8212/90, quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente à lei 8212/91, o que autorizaria sua aplicação para definição da exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão não lhes assiste, pelos argumentos abaixo expostos: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) outro fato que reforça o argumento de que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 promovida pela Lei nº 12.513, de 2011. Apenas para ilustrar a independência e especificidade das normas, nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato, corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador nesse momento que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT. Porém, assim não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo. Fl. 2646DF CARF MF 24 Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considerar infração determinada conduta. Assim, o normativo da legislação e suas regras para exclusão devem ser obedecidas de acordo com o período dos fatos geradores. Já quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA D ESTUDOS, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos Fl. 2647DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 14 25 no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo também descabida qualquer argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas para o trabalho, cujo alcance está restrito a utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, dentre outros. Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, que muitas vezes não poderiam ter acesso com o simples salário pago pela instituição. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair de tal ação, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, I e §9º. 't" da lei 8212/91. Enfrentadas as questões pertinentes a qual legislação e, por conseguinte, exigências legais devem ser atendidas para que a bolsa de estudos esteja excluída do conceito de salário de contribuição, importante esclarecer acerca da possibilidade de considerar a concessão de bolsa de estudos de nível superior, ou mesmo em nível de pós graduação como incluídos na previsão legal esculpida no art. 28, §9º, "t". Contudo, ao limitar a concessão apenas a parte dos seus empregados , ou seja, por meio de faixas salariais, duscumprida já estaria a lei, o que é suficiente para manutenção do lançamento. Argumentar que o benefício é estendido a todos os que se encontram nas condições atribuídas pela empresa não se amolda ao dispositivo legal e a intenção do legislador, de que o benefício não constitua uma forma de direcionar salários indiretos a certos trabalhadores a margem da tributação. No caso em tela, o oferecimento de cursos de nível superior aos funcionários é sem dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende dos valores para custear o seu ensino. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Fl. 2648DF CARF MF 26 No caso, quanto a verba auxílioeducação, nos termos em que foi concedida entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É Fl. 2649DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 15 27 necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição Fl. 2650DF CARF MF 28 devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 2651DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 16 29 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Fl. 2652DF CARF MF 30 Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 17 31 momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Fl. 2654DF CARF MF 32 Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Portanto, entendo que deve ser NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Especial do Sujeito Passivo, entendo correta a aplicação da multa em conformidade com o que dispõe a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL do Sujeito Passivo, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 18 33 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. Em que pese o excelente voto da relatora ouso discordar no tocante a interpretação dada aos pagamentos de PLR no tocante aos requisitos de sua formalidade, em especial quanto a exigência de pacto prévio e periodicidade, que segundo teor do voto da relatora teria o condão de dar natureza de complementação salarial a todas as verbas pagas a título de PLR, naquele determinado programa. PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS PLR O pagamento da participação nos lucros e resultados para trabalhadores, empregados ou não de uma empresa, sem o recolhimento da contribuição previdenciária, está assegurado pelo artigo 7º, inciso XI, da CF. O dispositivo estabelece que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa. Assim, se a participação dos lucros está excluída do conceito de remuneração, a contribuição incidirá apenas sobre os demais rendimentos, estes sim, de caráter remuneratório. I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA REGULAMENTADA POR LEI ABRANGE UNICAMENTE RENDIMENTOS ADVINDOS DO TRABALHO. O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”. Contudo, para melhor esclarecer detalhes de sua aplicabilidade tratou de disciplinar a aplicação do referido artigo, por meio da edição da Lei nº 8212/91, conhecida como Lei de Custeio da Previdência Social. Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Fl. 2656DF CARF MF 34 Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, devam sofrer tal incidência. Isso por que a PLR tem relação intrínseca com remuneração do capital – lucro. Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, recebidas por empregados e administradores. Para melhor compreendermos, é preciso levar em conta que a participação referida – PLR, tem uma relação intrínseca com o resultado auferido, ela depende exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho. Professor Zambitte Ibrahim bem esclarece esta dicotomia entre as referidas verbas: “É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada”. O próprio ordenamento jurídico tratou de fazer esta distinção, quando elencou no Código Tributário Nacional, por meio do art. 43, os tipos de Rendimentos, que ensejam a aplicação do Imposto de Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Da leitura do artigo da lei, extraise que a renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Contudo resta evidente que a lei tratou de classificar a renda como: Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 19 35 produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui um conceito próprio. No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda, não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários, pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, somente os rendimentos do trabalho. Assim, “ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional”. (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). II. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA A EC nº 20/98, ampliou as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, o que foi disciplinado posteriormente pela Lei nº 9.876/99, que deu nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Observese que o legislador ordinário ao disciplinar as inovações trazidas pela Emenda Constitucional citada, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da cota patronal é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados. Fl. 2658DF CARF MF 36 Não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que este seja advindo do trabalho. Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM: “Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores nãoempregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212∕91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.” Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 20 37 Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. III –LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 2660DF CARF MF 38 II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O caso dos autos discutese o possível descumprimento de algumas destas formalidades, motivado pelo recuro interposto por ambas as partes. 1. Inexistência de pacto prévio anterior ao pagamento da PLR. 2. Periodicidade, valores pagos a título de PLR, sem observância da periodicidade mínima estabelecida no art. 2º, § 3º da Lei nº 10.101/2000 RECURSO DO CONTRIBUINTE PACTO PRÉVIO Neste Tribunal Administrativo existem várias correntes de pensamento a respeito do que seria a expressão ‘pacto prévio’ prevista em na Lei. Recentes estudos demonstram que a jurisprudência desta Corte, observada de 2010 até 2016, já se dividiu em quatro posicionamentos distintos a respeito do momento da assinatura do acordo (i) necessidade de assinatura antes do início do exercício relativo ao cumprimento das metas; (ii) possibilidade de assinatura no exercício seguinte ao cumprimento das metas, em razão de a Lei n. 10.101/00 não trazer “limite temporal para a celebração dos acordos” e, consequentemente, pela impossibilidade de assinatura no exercício seguinte em razão de não haver incentivo à produtividade, com precedente da CSRF; Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 21 39 (iii) possibilidade de assinatura até período em que possa vislumbrar um incentivo à produtividade, mas não necessariamente até o fim do período a que se refere; e (iv) possibilidade até antes do pagamento da PLR, havendo também precedente da CSRF nesse sentido. Para a Fazenda Nacional vige o entendimento de que a data de assinatura do acordo – posterior ao início do período de apuração do PLR – retira da verba uma característica essencial à recompensa pelo esforço feito para alcance de metas. Contudo, discordo frontalmente deste entendimento, por compreender que ele desconfigura a real intenção do poder Legislativo na adoção da PLR. A relação globalizada entre os países, as trocas mercantis, a participação do Brasil nos mercados externos contribuiu para a adoção da PLR no Brasil, a fim de tornar o Brasil competitivo no mercado externo, bem como trazer um incentivo aos seus empregados e trabalhadores, a fim de que esta produtividade trouxesse lucro e participação para aqueles que se encontram na base da pirâmide, no plano da força de trabalho. Exigir algo que a Lei não exigiu consiste em criar regras mais gravosas que aquelas que foram elaboradas pelo Congresso, fugindo assim do real objetivo da norma legal. Hoje não se fala mais no positivismo exacerbado, mas a norma ainda é a matriz, o ponto de partida de onde se retira o Direito. Sendo assim, a meu ver a PLR pode ser assinada até a data do efetivo pagamento realizado aos trabalhadores, pois a Lei não impôs limite temporal para a celebração dos acordos, isso ocorre por que, é notório que um conjunto de fatores de ordem burocrática, são conjugados até a finalização destes acordos. Pensar diferente significaria criar um requisito temporal não existente na lei, o qual não poderia ser imposto ao Contribuinte, quanto menos poderia ele ser penalizado com base numa regra não positivada. Quanto a alegação de que a falta de assinatura prévia corrompe a ideia de que o trabalhador deve ter conhecimento das regras que devem ser claras e objetivas, a respeito da PLR, não há qualquer razão de ser. Observese, que para saber se há conhecimento das regras, se estas são claras e objetivas, basta que se observe as negociações entre a empresa e seus empregados, as quais serão realizadas, ou por comissões paritárias, com participação de empregados e sindicato, ou ainda, por meio de convenções ou acordos coletivos, dentro das formalidades já conhecidas. Quando se chega a assinatura do acordo, este já foi deveras vezes debatido e negociado pelas partes, todos capazes, assim definidos pela Lei. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL PERIODICIDADE Com relação à questão da periodicidade do pagamento, entendo que apenas os pagamentos específicos que ultrapassagem o interstício temporal determinado em lei é que deveriam ser considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos exarados pelo voto da Turma Ordinária, ora recorrido. Fl. 2662DF CARF MF 40 Entendo que esta interpretação é a que melhor atende aos objetivos da Lei n° 10.101, de 2000, e foi utilizada em diversos precedentes do CARF no ano de 2014 e 2015. Cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça também já abordou o tema, identificando o procedimento a ser realizado, quanto ao Programa de PLR, nos casos de terem sido realizados pagamentos em períodos inferiores a seis meses. “TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. (...) 1. Hipótese em que se discute a incidência de contribuição previdenciária sobre parcelas distribuídas aos empregados a título de participação nos lucros e resultados da empresa. 2. O Banco distribuiu parcelas nos seguintes períodos: a) outubro e novembro de 1995, a título de participação nos lucros; e b) dezembro de 1995 a junho de 1996, como participação nos resultados. 3. As participações nos lucros e resultados das empresas não se submetem à contribuição previdenciária, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/1991, à luz do art. 7º, XI, da CF). 4. O art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) fixou critério básico para a nãoincidência da contribuição previdenciária, qual seja a impossibilidade de distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses. 5. Caso realizada ao arrepio da legislação federal, a distribuição de lucros e resultados submetese à tributação. Precedentes do STJ. 6. A norma do art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995), que veda a distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses, tem finalidade evidente: impedir aumento salarial disfarçado cujo intuito tenha sido afastar ilegitimamente a tributação previdenciária. (...) 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) (...)” (STJ, REsp 496949/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 31.08.09) A Justiça do Trabalho, com maior legitimidade para discussão da natureza da verba, tem aplicado uma interpretação alinhada com a Constituição Federal, valorizando o resultado das negociações coletivas de trabalho, por força do art. 7º, XXVI, e nesse sentido mais importante do que a rubrica que identifica o pagamento feito ao empregado é a apuração da sua real natureza jurídica. Certamente, o legislador, quando fez constar, no art. 3º da Lei nº 10.101/00, que a participação nos lucros e resultados “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” não teve como objetivo isentar de encargos toda e qualquer verba paga a título de “PLR”. Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 15504.724902/201101 Acórdão n.º 9202006.217 CSRFT2 Fl. 22 41 Assim na análise dos casos concretos, devese verificar se o conceito trazido na Constituição Federal e regulamentado na Lei nº 10.101/00 foi observado pelas partes que negociaram o instrumento coletivo definidor das regras de participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas. O Tribunal Superior do Trabalho, vem se manifestando quanto a esta temática, possibilitando intervalos menores, quando isso tiver sido pactuado em convenção ou acordo coletivo, vejamos: RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI 11.496/2007. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO PARCELADO. A jurisprudência desta Subseção, calcada no art. 7º, XXVI, da Magna Carta, sinaliza no sentido da viabilidade de norma coletiva estabelecer periodicidade de pagamento da participação nos lucros inferior à semestral. Ressalva de entendimento da Ministra Relatora. (TST, ERR 19420095.2003.5.02.0462, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Ministra Relatora Rosa Maria Weber, DJ 07/05/2010) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA E PAGAMENTO PARCELADO. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. A decisão recorrida não reconheceu como válida a norma coletiva (acordo coletivo) que, expressamente, retratando a vontade de sindicato profissional e empresa, dispôs que o pagamento da participação nos lucros, relativa ao ano de 1999, seria feito de forma parcelada e mensalmente. O fundamento é de que o art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101/2000 dispõe que o pagamento de antecipação ou distribuição a título de participação nos lucros ou resultados não pode ocorrer em período inferior a um semestre ou mais de duas vezes no ano cível. O que se discute, portanto, é a eficácia e o alcance da norma coletiva. O livremente pactuado não suprime a parcela, uma vez que apenas estabelece a periodicidade de seu pagamento, em caráter excepcional, procedimento que, ao contrário do decidido, desautoriza, data venia, o entendimento de que a parcela passaria a ter natureza salarial. A norma coletiva foi elevada ao patamar constitucional e seu conteúdo retrata, fielmente, o interesse das partes, em especial dos empregados, que são representados pelo sindicato profissional. Ressaltese que não se apontou, em momento algum, nenhum vício de consentimento, motivo pelo qual o acordo coletivo deve ser prestigiado, sob pena de desestímulo à aplicação dos instrumentos coletivos, como forma de prevenção e solução de conflitos. (TST, EEDRR 1236/20041021500, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Ministro Milton de Moura França, DJ 24/04/2010) Desse modo, entendo que somente as parcelas que não respeitaram a semestralidade nos termos na Lei, e que não continham periodicidade menor, expressamente pactuada em instrumentos coletivos, poderão ser tidas como verbas de natureza remuneratória. Fl. 2664DF CARF MF 42 Ressalto ainda, que havendo possíveis descumprimentos a estas regras acima expostas, estes afetarão apenas, aqueles indivíduos e competências mensais, nos quais as ilegalidades sejam verificadas no caso concreto, sem afetar os demais indivíduos que se encontram com as formalidades respeitadas, ainda que se encontrem sob um mesmo contrato ou programa de PLR. E sendo assim discordo da alegação da relatora em que assim afirma: “Todavia, entendo que a interpretação adotada não se mostra a mais acertada, tendo em vista que em momento algum a lei 10.101/2000, determina que o descumprimento enseja a exclusão parcial dos fatos geradores. Outro ponto que, no meu entender atribui fragilidade a essa tese é que impõem fragilidade a decisão, na medida que não seria possível objetivamente descrever qual a parcela que seria excluída. Ademais, a lei 10.101/2000 descreve uma expressa vedação, cujo descumprimento implica desnaturar todo o PLR atribuído razão pela qual deve ser tributada a totalidade das rubricas”. É sabido que o conselheiro no ambito administrativo ao interpretar a norma o faz com base na Lei e no Direito, por expressa previsão do art. 2 da Lei 9784/99. Deste modo, para balizar e atender as necessidades de analisar o caso concreto pode fazêlo também com base na doutrina e na jurisprudência, o que se diga se esta jurisprudência for resultado dos debates e discussões em torno do que leva a pacificação social, pois de nada adianta um Tribunal se não oferecer segurança jurídica e respeito as peculiaridades dos casos concretos. Neste ponto, tanto a jurisprudência fortemente repetida desta casa, bem como do poder judiciário apontam que “o livremente pactuado não suprime a parcela, uma vez que apenas estabelece a periodicidade de seu pagamento, em caráter excepcional, procedimento que, ao contrário do decidido, desautoriza, data venia, o entendimento de que a parcela passaria a ter natureza salarial”. Neste quesito específico também não há que se falar em descumprimento as Regras formais para pagamento de PLR. Assim entendo pela reforma do acórdão recorrido quanto a PLR, devendo ser cancelado o auto de infração pois não houve descumprimento dos requisitos de formalidade da PLR: pacto prévio, periodicidade, assim não há juridicamente como se falar em contribuição previdenciária dos valores pagos pela recorrente a título de PLR objeto do lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 2665DF CARF MF
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