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Numero do processo: 11065.004523/2005-18
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO. RESSARCIMENTO.
A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de instamos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada.
Recurso negado
Numero da decisão: 9303-001.043
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: PIS_NT-----
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de instamos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado
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Despesas com combustíveis e remoção de resíduos industriais Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Indústria de Peles Minuano Ltda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de instamos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator EDITADO EM: 10/11/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez LOpez, Susy Gpmes,Hoffinann Carlos Alberto . Freitas.Barreto. Relatório Os fatos foram assim nanados no acórdão recorrido: A empresa INDÜSTRIA DE PELES .MINUA.NO LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de PIS não-cumulativo, previsto no § 1" do art 5 da Lei n' 10.637/2002, relativo ao Itrimestre de 2005 A DRE em Novo Hamburgo - RS indeferiu, em parte, o pedido da interessada, alegando que: 1 - não foi incluída na base de cálculo da Cafins as receitas com créditos de ICAIS transfer idos para terceiros, e 2 - no cálculo do beneficio pleiteado a recorrente utilizou indevidamente créditos decorrentes de. a) dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados pela frota de veículos, e b) dispêndios com a remoção de resíduos inclusa iais Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações consta do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 22 Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre - RS indefer ia a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão n2 10-11.12/, de 16/02/2007, ratificando o entendimento da DRF em Novo Hamburgo - RS e, também, indeferindo o pedido de atualização monetária do ressarcimento pela Selic Ciente desta decisão em 15/03/2007, a interessada ingressou, no dia 03/04/2007, com o recurso voluntário de .17s 139/163, no qual alega, em apertada síntese, que: - o montante do ICMS registrado no ativo da recorrente, realizado na forma prevista na legislação deste imposto - pagamento a larnecedores -, não se constitui em receita, razão pela qual não pode ser mantida a decisão recorrida Cita jurisprudência administrativa; 2 - os combustíveis e lubrificantes consumidos pela . fiota de veículos (doze caminhões e duas Kombis) têm vinculo direto com a atividade da empresa Servem para o transporte de produtos e insinuas entre estabelecimentos da recorrente; 3 - os resíduos são retirados (restos de couro, gordura, lodo, etc.) dos tanques onde o couro é tratado e transpor tados por caminhões, duas ou três vezes por dia. Para realizar este serviço contratou e paga uma pessoa jurídica; e 4 - sobre o crédito pleiteado deve ser aplicada a taxa Selic desde a data de protocolização do pedido de ressarcimento. Cita jurisprudência da CSRF. 2 11 Processo e 11065 004523/2005-18 CSRF-T3 Acórdão n° 9303-01.043 Fl 319 Na forma i egúnental, o processo foi a mim distribuído, ccmfoi inc despacho exarado na última folha dos autos .fl. 191. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso, em acórdão assim ementado: PIS BASE DE CÁLCULO. RE:CEITA, REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO 1CMS, A realização dos créditos do ICMS, pol qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não se constitui ieceita e, portanto, o seu valor não integra a base de cálculo do PIS CRÉDITO, RESSARCIMENTO São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em 'dação a custos, despesas e encargos vinculados á receita de exportação. Recurso voluntário provido em parte. Inconformada, a PGFN apresentou recurso especial requerendo a reforma do acórdão em foco, postulando pela inclusão das receitas de cessão de créditos do ICMS na base de cálculo do Pis/Pasep, bem como pela impossibilidade de se apropriar ., como crédito de dessa contribuição, dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. A presidenta da Câmara recorrida, deu seguimento ao recurso, no tocante a essa segunda matéria (impossibilidade de se apropriar, como crédito de Pis/Pasep, dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais) e negou em relação à base de cálculo da contribuição (inclusão das receitas de cessão de créditos do ICMS na base de cálculo do Pis/Pasep). No tocante à parte do recurso que não logrou admissibilidade, a Douta Procuradoria agravou, mas o reexame não lhe foi favorável, conforme despacho de fl. 285. Control-razões ao especial fazendário às fls. 290 a 309 É o relatório., Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais O deslinde está em se definir o alcance do tering instuno, trazido no inciso ILdo art da Lei 10.637/2002. . 3 A Secretaria da Receita Federal do Brasil deu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do PIS e da Cofins não cumulativas o mesmo que foi dado para o IPI, mas precisamente, o conceito trazido no Parecer Normativo CST n" 65/79.. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringe-se ao de matéria-prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorro-me dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n" 13974.000199/2003-61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que ,estaria seria a confirmação da decisão recorrida Isso a meu vei, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, podidos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de "in_sumos" aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10637. Em segundo lugar, ao usar a expressão "insurnos", claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu "serviços", de nenhum modo enquadráveis como inatérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, urna simples leitura do artigo 30 da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI, No inciso II desse artigo, corno asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insurnos os serviços contratados pela pessoa jurídica.. Esse dispositivo legal também considerou corno insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiu-se o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, ,diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou s serviços por ela realizada.. Vejamos o dispositivo citado: Art. 3' Do valor apurado na forma do art. 2' a pessoa »lúdica poderá descontar créditos calculados em relação a: 1- 0/i7/55".5 4 Processo n" 11065 004523/2005-18 Acórdão n " 9303-01,.043 CSRF-113 Fl 320 II - bens e serviços, utilizados como hiSi11110 na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2' da Lei n 0 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo ,fabi icante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificadas nas posições 87.03 e 87 04 da TIPI, III- (VETADO) IV — aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas afividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrada de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; VI - máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporadas ao ativo imobilizado; VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária, VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado 'aturamento do mês ou de mês anterior, e tributada corilbrine o disposto nesta Lei. - energia elétr ica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica: As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram-se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem com as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 30 transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720570/2008-27
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2006
ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT) ORIUNDA DA D ITR. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL . LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR O VALOR DO SIPT.
Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-000.491
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar vindicada e, no mérito em DAR provimento ao recurso para considerar o valor da terra nua no montante de R$5.571.678,90 (item 22 do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido - fl. 04), reduzindo o imposto devido para R$ 225.139,19 (item 25 do Demonstrativo de fl. 04), nos termo^do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: GIOVANNI CHISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2006 ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT) ORIUNDA DA D ITR. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL . LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR O VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido em parte.
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Numero do processo: 10768.901997/2006-01
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Declaração de Compensação
Ano calendário: 2002
Ementa:
SALDO NEGATIVO COMPROVADO. AUTO DE INFRAÇÃO CORRESPONDENTE AO MESMO PERÍODO DE APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. DISCUSSÃO SE A EXISTÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO SE CONSTITUI EM ÓBICE AO PEDIDO DE
COMPENSAÇÃO. JULGAMENTO SUBSEQUENTE QUE JULGA INSUBSISTENTE O AUTO DE INFRAÇÃO. AFASTAMENTO DO ÓBICE ATÉ ENTÃO ALEGADO. PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO QUE DEVE SER PROCESSADO REGULARMENTE.
A autoridade fiscal reconheceu a existência de saldo negativo no valor de R$ 25.225.417,38, mas deixou de homologar os pedidos de compensação sob o
argumento de que existia auto de infração, correspondente ao mesmo período de apuração, que se encontrava pendente de apreciação. Julgado insubsistente o auto de infração apontado pela autoridade fiscal desaparece o fundamento da não homologação das compensações.
No caso dos autos a prova do saldo negativo já foi apurada pela autoridade fiscal. Assim, o processo deve voltar à origem para fins de verificação se tal saldo não foi utilizado e, caso não utilizado, devem ser processadas e homologadas as compensações, até o limite do crédito reconhecido pela instância “a quo”.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1402-000.651
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para que os autos retornem à origem para que processe os pedidos de compensação levando em consideração o crédito reconhecido pela autoridade administrativa, às fls. 2345 dos autos (R$ 25.225.417,38), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Declaração de Compensação Ano calendário: 2002 Ementa: SALDO NEGATIVO COMPROVADO. AUTO DE INFRAÇÃO CORRESPONDENTE AO MESMO PERÍODO DE APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. DISCUSSÃO SE A EXISTÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO SE CONSTITUI EM ÓBICE AO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. JULGAMENTO SUBSEQUENTE QUE JULGA INSUBSISTENTE O AUTO DE INFRAÇÃO. AFASTAMENTO DO ÓBICE ATÉ ENTÃO ALEGADO. PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO QUE DEVE SER PROCESSADO REGULARMENTE. A autoridade fiscal reconheceu a existência de saldo negativo no valor de R$ 25.225.417,38, mas deixou de homologar os pedidos de compensação sob o argumento de que existia auto de infração, correspondente ao mesmo período de apuração, que se encontrava pendente de apreciação. Julgado insubsistente o auto de infração apontado pela autoridade fiscal desaparece o fundamento da não homologação das compensações. No caso dos autos a prova do saldo negativo já foi apurada pela autoridade fiscal. Assim, o processo deve voltar à origem para fins de verificação se tal saldo não foi utilizado e, caso não utilizado, devem ser processadas e homologadas as compensações, até o limite do crédito reconhecido pela instância “a quo”. Recurso Voluntário Provido
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AUTO DE INFRAÇÃO CORRESPONDENTE AO MESMO PERÍODO DE APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. DISCUSSÃO SE A EXISTÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO SE CONSTITUI EM ÓBICE AO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. JULGAMENTO SUBSEQUENTE QUE JULGA INSUBSISTENTE O AUTO DE INFRAÇÃO. AFASTAMENTO DO ÓBICE ATÉ ENTÃO ALEGADO. PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO QUE DEVE SER PROCESSADO REGULARMENTE. A autoridade fiscal reconheceu a existência de saldo negativo no valor de R$ 25.225.417,38, mas deixou de homologar os pedidos de compensação sob o argumento de que existia auto de infração, correspondente ao mesmo período de apuração, que se encontrava pendente de apreciação. Julgado insubsistente o auto de infração apontado pela autoridade fiscal desaparece o fundamento da não homologação das compensações. No caso dos autos a prova do saldo negativo já foi apurada pela autoridade fiscal. Assim, o processo deve voltar à origem para fins de verificação se tal saldo não foi utilizado e, caso não utilizado, devem ser processadas e homologadas as compensações, até o limite do crédito reconhecido pela instância “a quo”. Recurso Voluntário Provido Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10768.901997/200601 Acórdão n.º 140200.651 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para que os autos retornem à origem para que processe os pedidos de compensação levando em consideração o crédito reconhecido pela autoridade administrativa, às fls. 2345 dos autos (R$ 25.225.417,38), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Versa o presente processo sobre as Declarações de Compensação — DCOMPs, eletrônicas, listadas às fls. 118 a 120, que foram objeto de tratamento manual, no presente processo e no processo administrativo 15374.721727/200819. Por oportuno, adoto como relatório as informações constantes do despacho de fl. 114, de onde extraio os seguintes elementos: Inicialmente, cabe registrar que o saldo credor declarado na DIPJ 2003, ano calendário 2002, totalizou R$25.225.417,38 (Vinte e cinco milhões duzentos e vinte e cinco mil quatrocentos e dezessete reais e trinta e oito centavos), tendo a interessada pleiteado parte desse crédito nos presentes autos, como acima mencionado, e o restante nos autos dos processos de n". 10768.000555/200394, 10768.000701/200381, 10768.001201/200367, 10768.001611/200316, 10768.002018/200389, 10768.003189/200325, 10768.004356/2003 55, 10768.000872/200319, 10768.001301/200393, 10768.001553/200312, 10768.001722/200314, 10768.001875/200361, 10768.002177/200383, 10768.002441/2003 89, 10768.002707/200393, 10768.003204/200335, 10768.003395/200335, 10768.001085/200386, 10768.100765/200381; 10768.003784/200361; 10768.004354/2003 66; e 10768.002963/200381, razão por que aqueles foram apensados ao presente para análise conjunta. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10768.901997/200601 Acórdão n.º 140200.651 S1C4T2 Fl. 3 3 Com o crédito alegado procura extinguir por compensação débito relativos a tributos diversos, correspondentes a variados períodos de apuração, citados nas mencionadas DCOMPs. Com o objetivo de verificar se os créditos pleiteados atendiam aos requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo art. 170 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional — CTN) para que se autorize a compensação, foi solicitada à Delegacia de Fiscalização da Receita Federal no Rio de Janeiro — DEFIC/RJ, às fls. 112/113 do presente processo e, também, às fls. 27 e 28 do processo 10768.001085/200386, que, originalmente, não estava apensado ao presente, a realização de diligência fiscal no domicílio da interessada, a fim de que averiguasse, em sua escrita contábil e fiscal, em síntese, se as Receita Federal que geraram as retenções de imposto na fonte foram oferecidas à tributação que valores a título de IRRF poderiam ser deduzidos na apuração dos saldos negativos de IRPJ; se as deduções encontravamse lastreadas em documentação hábil e idônea comprobatória de sua existência e efetividade e se os saldos negativos foram utilizados para compensações em anos subseqüentes. Em resposta ao pedido de diligência, a Delegacia de Fiscalização do Rio de Janeiro DEFIC/RJ apresentou os documentos de fls. 114/182 e o relatório de fls. 183/201. Outrossim, a mesma Delegacia de Fiscalização do Rio de Janeiro — DEFIC/RJ apresentou, no processo 10768.001085/200386, que, originalmente, não estava apensado ao presente, os documentos de fls. 31/41 e o relatório de fls. 42. ... Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2003, ficha 12A, cujo extrato foi juntado à fl.205, restou apurado saldo negativo de IRPJ. Entretanto; conforme informações constantes do Relatório da Atividade Fiscal de fls. 183/201, foi proposta a abertura de procedimento de fiscalização para o lançamento referente à adição de Resultado de Equivalência Patrimonial de Participação em controladas e coligadas no exterior para a apuração do lucro real, no valor de R$ 166.288.127,20. Em atendimento ao que foi proposto, conforme citado no parágrafo anterior, foi aberto o referido procedimento de fiscalização, tendo sido o contribuinte intimado através dos documentos cuias cópias encontramse anexadas às fls. 206 e 208. Assim, foi estabelecido o processo administrativo n° 18471.002050/200725, para a cobrança do débito estabelecido pelo procedimento de fiscalização supracitado, donde se conclui que, no presente momento, não há como aferir se aquele crédito (informado na DIPJ/2003), possui os requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo precitado art. 170 do CTN para que se autorize a compensação. Por outro lado, não há como sobrestar a análise da compensação aqui pleiteada até julgamento final dos autos de infração, haja vista os prazos fatais a que está submetida a autoridade administrativa para apreciação das compensações declaradas pelos contribuintes. Tanto o despacho decisório quanto à decisão recorrida entenderam que a existência de auto de infração lavrado após a apresentação das DCOMPs, para exigir da recorrente o recolhimento do IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, objeto do processo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10768.901997/200601 Acórdão n.º 140200.651 S1C4T2 Fl. 4 4 administrativo nº 18471.002050/200725, é suficiente para retirar a certeza e a liquidez do crédito correspondente ao saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ daquele ano calendário. Intimada, a contribuinte apresentou recurso destacando que a DRJ havia cancelado a exigência feita por meio do auto de infração antes apontado e que a existência de recurso de ofício ao CARF não tem o condão de retirar a certeza e a liquidez de seu crédito. Finalmente, recebi memoriais em que a recorrente destaca que em 04.08.2010, a 2a. Turma da 3a. Câmara do CARF, por meio do acórdão nº 130200.238, ratificou a decisão da DRJ. Apontou, ainda, que o referido acórdão não foi objeto de recurso por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional, já tendo transitado em julgado. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10768.901997/200601 Acórdão n.º 140200.651 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. O acórdão recorrido, à fl. 234, encerra com a seguinte conclusão: Nestas condições, RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO da interessada no valor de R$ 25.225.417,38, mas não HOMOLOGO as compensações, em face do auto de infração ainda pendente de apreciação no Conselho de Contribuintes, tendo em vista o RECURSO DE OFICIO. Nos memoriais entregues, a recorrente apresentou cópia do acórdão nº 1302 00.328, proferido no processo nº 18471.002050/200725, que negou provimento ao recurso de ofício, bem como cópia da fl. 220 daquele processo em que, intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional devolve os autos sem interposição de recurso. Assim, não se discute nestes autos a existência ou não do crédito da recorrente, mas sim se auto de infração posteriormente lavrado, sob o mesmo anocalendário, teria o condão de atingir a existência, certeza e liquidez do crédito. A priori, a recorrente tem um crédito apurado por meio da DIPJ, pendente de homologação e a Administração outro crédito objeto de lançamento. Suspensa a exigibilidade deste em face de recurso previsto no artigo 151, III, do CTN, seria necessário avaliar se tal fato afasta a liquidez e certeza do crédito da contribuinte. No entanto, no caso dos autos, tal análise é inócua na medida em que a própria Administração, por meio dos órgãos competentes, cancelou, de forma definitiva, a exigência contida no auto de infração, remanescendo somente o crédito da contribuinte informado na DIPJ e reconhecido à fl. 234 dos autos. Comprovada a existência de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica é se deferir os pedidos compensação até o limite do saldo existente, incidindo as disposições contidas no artigo 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996; art. 6º, da Instrução Normativa nº 210, de 2002; art. 5º, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005 e artigo 4º, da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e Ato Declaratório SRF nº 3/2000, normas estas que podem ser resumidas com a observação de que “os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10768.901997/200601 Acórdão n.º 140200.651 S1C4T2 Fl. 6 6 ISSO POSTO, voto no sentido dar provimento ao recurso para que os autos retornem à origem para que processe os pedidos de compensação levando em consideração o crédito reconhecido pela autoridade administrativa, às fls. 2345 dos autos (R$ 25.225.417,38). É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 10680.921047/2008-16
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Na declaração de compensação tributária somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente líquidos e certos na data de transmissão da DCOMP, observada a legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE.
É vedada a compensação tributária de débitos com direito creditório objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão judicial por falta de liquidez e certeza.
PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO, VERDADE MATERIAL EFICIÊNCIA E ECONOMICIDADE. APROVEITAMENTO DAS PEÇAS DOS AUTOS NO QUE COUBER. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO ULTERIOR À TRANSMISSÃO DAS DCOMP.. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO.
A utilização de crédito objeto de discussão judicial na data de transmissão da DCOMP (utilização vedada) e sobrevindo decisão judicial transitada em julgado tornando o crédito líquido e certo ainda no curso da lide no processo administrativo, tal situação não tem o condão de validar ou convalidar a compensação informada nas DCOMP, pois é condição sine qua non que o crédito tivesse os atributos de liquidez e certeza na data de transmissão da DCOMP e não em tempo ulterior.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Na declaração de compensação tributária somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente líquidos e certos na data de transmissão da DCOMP, observada a legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE.
É vedada a compensação tributária de débitos com direito creditório objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão judicial por falta de liquidez e certeza.
PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO, VERDADE MATERIAL EFICIÊNCIA E ECONOMICIDADE. APROVEITAMENTO DAS PEÇAS DOS AUTOS NO QUE COUBER. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO ULTERIOR À TRANSMISSÃO DAS DCOMP.. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO.
A utilização de crédito objeto de discussão judicial na data de transmissão da DCOMP (utilização vedada) e sobrevindo decisão judicial transitada em julgado tornando o crédito líquido e certo ainda no curso da lide no processo administrativo, tal situação não tem o condão de validar ou convalidar a compensação informada nas DCOMP, pois é condição sine qua non que o crédito tivesse os atributos de liquidez e certeza na data de transmissão da DCOMP e não em tempo ulterior.
Como as compensações informadas nas DCOMP restaram inválidas pela utilização de saldo negativo formado a partir de depósitos de estimativas mensais do imposto objeto de discussão judicial (antes do trânsito em julgado da decisão judicial), os débitos confessados nas DCOMP permaneceram em aberto até a data do trânsito em julgado da decisão judicial, quando o crédito (saldo negativo do imposto) passou a ter liquidez e certeza e, em tese, tornou-se disponível para ser utilizado para compensação tributária.
O rigor da legislação de regência comporta temperamentos ante a situação fática peculiar.
Impõe-se o aproveitamento do processo (peças processuais) no que couber, em observância dos princípios da formalidade moderada, verdade material, eficiência e economicidade na produção do ato administrativo e dos atos processuais e de ofício proceder a compensação tributária dos débitos informados com o saldo negativo do imposto liquido e certo, em tese disponível, sendo que os débitos informados submetem-se aos acréscimos legais, devem ser atualizados (incidência dos juros Selic a partir da data do vencimento até a data do trânsito em julgado da decisão judicial, quando o saldo negativo do imposto tornou-se, em tese, disponível) e ainda submetem-se à incidência da multa moratória de até vinte por cento a partir do vencimento, conforme legislação de regência.
Numero da decisão: 1301-002.840
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, mas, em relação à compensação declarada, fazer incidir a multa moratória de 20% nos débitos compensados. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros que votaram por dar provimento integral ao recurso voluntário. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. Fez sustentação oral pela recorrente a Drª Bárbara Cristina Romani Silva, OAB/DF 437.792.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Na declaração de compensação tributária somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente líquidos e certos na data de transmissão da DCOMP, observada a legislação de regência. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE. É vedada a compensação tributária de débitos com direito creditório objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão judicial por falta de liquidez e certeza. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO, VERDADE MATERIAL EFICIÊNCIA E ECONOMICIDADE. APROVEITAMENTO DAS PEÇAS DOS AUTOS NO QUE COUBER. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO ULTERIOR À TRANSMISSÃO DAS DCOMP.. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. A utilização de crédito objeto de discussão judicial na data de transmissão da DCOMP (utilização vedada) e sobrevindo decisão judicial transitada em julgado tornando o crédito líquido e certo ainda no curso da lide no processo administrativo, tal situação não tem o condão de validar ou convalidar a compensação informada nas DCOMP, pois é condição sine qua non que o crédito tivesse os atributos de liquidez e certeza na data de transmissão da DCOMP e não em tempo ulterior. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Na declaração de compensação tributária somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente líquidos e certos na data de transmissão da DCOMP, observada a legislação de regência. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE. É vedada a compensação tributária de débitos com direito creditório objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão judicial por falta de liquidez e certeza. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO, VERDADE MATERIAL EFICIÊNCIA E ECONOMICIDADE. APROVEITAMENTO DAS PEÇAS DOS AUTOS NO QUE COUBER. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO ULTERIOR À TRANSMISSÃO DAS DCOMP.. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. A utilização de crédito objeto de discussão judicial na data de transmissão da DCOMP (utilização vedada) e sobrevindo decisão judicial transitada em julgado tornando o crédito líquido e certo ainda no curso da lide no processo administrativo, tal situação não tem o condão de validar ou convalidar a compensação informada nas DCOMP, pois é condição sine qua non que o crédito tivesse os atributos de liquidez e certeza na data de transmissão da DCOMP e não em tempo ulterior. Como as compensações informadas nas DCOMP restaram inválidas pela utilização de saldo negativo formado a partir de depósitos de estimativas mensais do imposto objeto de discussão judicial (antes do trânsito em julgado da decisão judicial), os débitos confessados nas DCOMP permaneceram em aberto até a data do trânsito em julgado da decisão judicial, quando o crédito (saldo negativo do imposto) passou a ter liquidez e certeza e, em tese, tornou-se disponível para ser utilizado para compensação tributária. O rigor da legislação de regência comporta temperamentos ante a situação fática peculiar. Impõe-se o aproveitamento do processo (peças processuais) no que couber, em observância dos princípios da formalidade moderada, verdade material, eficiência e economicidade na produção do ato administrativo e dos atos processuais e de ofício proceder a compensação tributária dos débitos informados com o saldo negativo do imposto liquido e certo, em tese disponível, sendo que os débitos informados submetem-se aos acréscimos legais, devem ser atualizados (incidência dos juros Selic a partir da data do vencimento até a data do trânsito em julgado da decisão judicial, quando o saldo negativo do imposto tornou-se, em tese, disponível) e ainda submetem-se à incidência da multa moratória de até vinte por cento a partir do vencimento, conforme legislação de regência.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-04-17T13:46:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2018-04-17T13:46:19Z; Last-Modified: 2018-04-17T13:46:19Z; dcterms:modified: 2018-04-17T13:46:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-04-17T13:46:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-04-17T13:46:19Z; meta:save-date: 2018-04-17T13:46:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-04-17T13:46:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2018-04-17T13:46:19Z; created: 2018-04-17T13:46:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2018-04-17T13:46:19Z; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-04-17T13:46:19Z | Conteúdo => S1-C3T1 Fl. 285 1 284 S1-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.921047/2008-16 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301-002.840 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2018 Matéria Compensação tributária Recorrente BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S/A - BDMG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Na declaração de compensação tributária somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente líquidos e certos na data de transmissão da DCOMP, observada a legislação de regência. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE. É vedada a compensação tributária de débitos com direito creditório objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão judicial por falta de liquidez e certeza. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO, VERDADE MATERIAL EFICIÊNCIA E ECONOMICIDADE. APROVEITAMENTO DAS PEÇAS DOS AUTOS NO QUE COUBER. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO ULTERIOR À TRANSMISSÃO DAS DCOMP.. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. A utilização de crédito objeto de discussão judicial na data de transmissão da DCOMP (utilização vedada) e sobrevindo decisão judicial transitada em julgado tornando o crédito líquido e certo ainda no curso da lide no processo administrativo, tal situação não tem o condão de validar ou convalidar a compensação informada nas DCOMP, pois é condição sine qua non que o crédito tivesse os atributos de liquidez e certeza na data de transmissão da DCOMP e não em tempo ulterior. Por outro lado, o direito creditório pleiteado nas DCOMP (saldo negativo do tributo conforme DIPJ) restou confirmado, pois os valores das estimativas mensais do tributo depositados judicialmente, com o trânsito em julgado da decisão judicial, foram transformados em pagamento definitivo. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 286 2 Como as compensações informadas nas DCOMP restaram inválidas pela utilização de saldo negativo formado a partir de depósitos de estimativas mensais do imposto objeto de discussão judicial (antes do trânsito em julgado da decisão judicial), os débitos confessados nas DCOMP permaneceram em aberto até a data do trânsito em julgado da decisão judicial, quando o crédito (saldo negativo do imposto) passou a ter liquidez e certeza e, em tese, tornou- se disponível para ser utilizado para compensação tributária. O rigor da legislação de regência comporta temperamentos ante a situação fática peculiar. Impõe-se o aproveitamento do processo (peças processuais) no que couber, em observância dos princípios da formalidade moderada, verdade material, eficiência e economicidade na produção do ato administrativo e dos atos processuais e de ofício proceder a compensação tributária dos débitos informados com o saldo negativo do imposto liquido e certo, em tese disponível, sendo que os débitos informados submetem-se aos acréscimos legais, devem ser atualizados (incidência dos juros Selic a partir da data do vencimento até a data do trânsito em julgado da decisão judicial, quando o saldo negativo do imposto tornou-se, em tese, disponível) e ainda submetem- se à incidência da multa moratória de até vinte por cento a partir do vencimento, conforme legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, mas, em relação à compensação declarada, fazer incidir a multa moratória de 20% nos débitos compensados. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros que votaram por dar provimento integral ao recurso voluntário. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. Fez sustentação oral pela recorrente a Drª Bárbara Cristina Romani Silva, OAB/DF 437.792. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel - Relator Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 287 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo, José Eduardo Dornelas Souza e Bianca Felícia Rothschild Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 288 4 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de e-fls.121/133 em face do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (e-fls. 133/138) que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, ou seja, não reconheceu o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologou as declarações de compensação tributária informadas. Quanto aos fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida que resume os principais aspectos da lide, até então: (...) Trata-se de Declarações de Compensação (DCOMP), mediante utilização (...) do Saldo Negativo de IRPJ apurado no AC de 2003. 2. As DCOMP's cadastradas neste processo, sinteticamente: DCOMP Data Transmissão Valor SN utilizado Soma débitos compensados 06115.02993.040105.1.7.02-5966 04/01/2005 R$ 2.491.987,63 R$ 995.143,16 29088.22827.040105.1.7.02-7990 04/01/2005 R$ 1.070.671,12 29275.74814.070105.1.3.02-9000 07/01/2005 R$ 7.755,26 18659.87861.280205.1.3.02-2709 28/02/2005 R$ 522.987,21 37903.19512.290305.1.3.02-0873 29/03/2005 R$ 246.025,66 3. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Eletrônico n° 811457751 anexado à fl. 03, emitido aos 11/12/2008, onde, em síntese, se manifesta: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: (...)" que a soma das antecipações efetuadas no transcorrer do período de apuração sequer são suficientes para extinguir o imposto de renda apurado. 3.1 Como embasamento legal para a decisão cita o art. 168 do CTN, os artigos 6° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e art. 5° da IN SRF n° 600, de 2006. 3.2 Tendo em vista o acima apurado a DRF não homologa as compensações declaradas, intimando o contribuinte a quitar os débitos indevidamente compensados, no importe de R$ 4.984.334,07 (principal, multa e juros de mora) facultando-lhe a apresentação de manifestação de inconformidade à DRJ quanto à decisão prolatada. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 289 5 4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 06/01/2009, conforme documento à fl. 65. Irresignado, o contribuinte apresenta em 29/01/2009 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01/02, onde, em síntese, argumenta: 4.1 (...) PER/DCOMP (...) não identificou com clareza o “crédito existente do sujeito passivo”. A seguir, esclarece: 4.1.1 Os débitos de IRPJ referentes aos meses de janeiro, março e agosto de 2003 (dentre outros) estão suspensos pelo depósito do montante integral, tendo em vista demanda judicial em curso. 4.1.2 A partir de agosto/2003, o Banco passou a fazer pagamentos mensais na forma da lei, conforme DARF's anexos. 4.1.3 O “Banco verificou engano na sua declaração de imposto de renda, exercício 2004, ano base 2003, procedendo à respectiva retificação, que gerou um crédito no valor de R$ 2.491.987,63” conforme documentos anexos. 4.1.4 Quando da apresentação (...) PER/DCOMP em análise, o Banco não informou alguns dados que deveriam constar da declaração, a saber, o IRRF, pagamentos em DARF e estimativas compensadas com outros tributos. Acrescenta que anexa ao processo a DCOMP “em que constam os dados e valores, nos termos em que deveriam ser formulados”. 4.5 Por fim propugna pela homologação das compensações declaradas. (...) Obs: O contribuinte apurou na DIPJ 2004 (retificadora), transmitida em 24/12/2004, Ficha 12B - Cálculo do IR sobre Lucro Real - Instituições Financeiras (e-fls. 62/65), saldo Negativo do IRPJ do ano- calendário 2003, no valor de R$ (2.491.98763) = IRPJ apurado R$ 19.801.176,73 (-) IRPJ pago por estimativa mensal R$ 22.193.164,35. Porém, a DRF de origem, quando da emissão do despacho decisório, não encontrou nos sistemas da RFB o citado montante de antecipações de pagamento do IRPJ estimativa mensal que pudesse gerar o saldo negativo. Em face da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, a 3ª Turma da DRJ/Belo Horizonte enfrentou o mérito, porém também denegou o pleito do interessado, argumentando que não cabe deduzir do imposto apurado, nem computar na formação do saldo negativo do imposto do AC 2003 os valores do IRPJ estimativa mensal depositados judicialmente com exigibilidade suspensa antes do trânsito em julgado da decisão judicial, pois o contribuinte contesta em juízo a exigência do tributo, conforme Acórdão de 24/11/2010 (e-fls. 100/106), cuja ementa, parte dispositiva e excerto do voto condutor transcrevo, a seguir: (...) Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 290 6 AssUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO - CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de crédito, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do voto da relatora, parte integrante deste Acórdão, em julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade e em NÃO HOMOLOGAR as compensações em litígio neste processo. (...) VOTO (...) Análise do Crédito 11. O contribuinte apurou em sua DIPJ um saldo negativo de IRPJ AC 2003 no valor de R$ 2.491.987,63 (fl. 62). A DRF não reconheceu como válido o crédito apurado tendo em vista as antecipações do IR indicadas pelo contribuinte na DCOMP. O manifestante indica na manifestação de inconfornidade as antecipações do IR que deram origem ao Saldo Negativo de IRPJ utilizado na DCOMP. Então vejamos: (...) 15. Tomando como ponto inicial o saldo negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte na DIPJ/2004-AC 2003, as informações extraídas dos sistemas informatizados da RFB e as razões apresentadas pelo contribuinte na manifestação de inconformidade, vejamos: Saldo Negativo de Irpj -AC 2003 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 291 7 16. Verificando a DIPJ apresentada pelo contribuinte, os valores declarados em DCTF e os pagamentos efetuados pelo contribuinte, tem-se: (...) O demonstrativo acima indica que o contribuinte apurou no período de janeiro a dezembro de 2003 o valor devido a titulo de “estimativa mensal" através do levantamento de balanços/balancetes de suspensão/redução. Na extinção do valor apurado o contribuinte utilizou-se do IRRF, pagamentos através de DARF e depósitos judiciais. (...) 20. Note-se que inexiste previsão legal para dedução de valores destinados à estimativa mensal com menção à “exigibilidade suspensa”. (...), confira-se: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluída pela LC 104, de 10/01/01) Note-se então que, qualquer aproveitamento de tributo antes do transito em julgado da ação está expressamente vedado pela legislação vigente. Assim sendo, não há como considerar como componente do saldo negativo de IRPJ apurado em 2003 a importância de R$ 10.335.423,71, em discussão no Poder Judiciário na data da apresentação das DCOMP's. 21. Desta feita, inexiste saldo negativo de IRPJ passível de restituição/compensação para o ano calendário de 2003 até a presente data, considerando que a demanda judicial intentada pelo contribuinte ainda continua em curso. Compensação - Homologação 22. Considerando a inexistência do crédito utilizado pelo contribuinte nas DCOMP's em litígio neste processo, não há como homologar as compensações em litígio neste processo. Conclusão 23. À vista de tudo acima descrito, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada e NÃO HOMOLOGAR as compensações em litígio neste processo. (...) Obs: O débito do IRPJ do AC 2003, objeto de discussão judicial com respectivo depósito em juízo, passou a ser controlado pela RFB pelo Processo Administrativo - PA n° 10680.000582/2007-51, originado em Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 292 8 19/01/2007, com as justificativas e documentos apresentados pelo Banco em relação ao IRPJ. Nas e-fls. 32/33, consta a esse título esclarecimento da Equipe da RFB de Acompanhamento de Ações Judiciais dos Contribuintes, cujo despacho, no que pertinente, transcrevo: (...) Processo:10680.000582/2007-51 Este processo de representação foi formalizado para receber os débitos de IRPJ dos períodos de apuração 01/1999, 02/1999, 02/2000 a 11/2000, 01/2001 a 08/2001, 01/2002, 03/2002, 04/2002, 06/2002 a 12/2002, 01/2003 e 03/2003 a 08/2003 (planilha fls. 03 e 04) que estão declarados como suspensos pelo deposito do montante integral efetuado no mandado de segurança 95.0013910-3, acompanhada pelo PAJ 10680004375/95-71. O processo judicial em questão foi ajuizado com vistas a afastar a incidência dos artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/95. Em suma, pretende o impetrante que lhe seja assegurada a compensação dos prejuízos fiscais acima do limite de 30%. Insurge-se também contra o artigo 3° da citada Lei, especialmente em relação às limitações impostas pelo § 3°. O contribuinte obteve sentença favorável, publicada em 03/04/1997, sendo derrotado no Tribunal Regional Federal da 1ª Região em decisão publicada em 17/O3/2000, fls. 09 a 24. Conseguiu efeito suspensivo no Supremo Tribunal Federal em 18/05/2001 (fls. 32 a 33), cassado em 01/08/2003, fls. 35 a 38. Portanto os débitos ficaram com exigibilidade suspensa, por decisão judicial, até O1/08/2003. Apesar de estar discutindo a limitação de 30% na compensação de prejuízos o contribuinte declarou como suspensos todos os valores que correspondiam às estimativas mensais, efetuando depósitos com intenção de manter a exigibilidade suspensa. No ajuste anual, se limitou a compensar seus prejuízos nos 30% estabelecidos pela Lei discutida, fls. 68 a 73. (...) Utilizando a sistemática acima mencionada, realizamos a imputação proporcional dos depósitos efetuados, incluindo os depósitos da tabela acima como se fossem feitos na conta correta. Chegamos à conclusão que os depósitos foram suficientes para suspender a exigibilidade dos créditos tributários em questão, fls. 74 a 101.) O processo continua em tramitação e aguarda julgamento no STF. Os débitos serão cadastrados no Profisc pelos valores constantes do Sief, conforme fls. 43 a 55. Verificamos, portanto. que os débitos declarados como suspensos, pelo mandado de segurança mencionado acima, estão cobertos por depósito do montante integral, ainda à disposição da Justiça. (...) Ciente em 21/12/2010 (e-fl. 118) da decisão da DRJ/Belo Horizonte que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, o contribuinte apresentou Recurso Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 293 9 Voluntário protocolado em 19/01/2011 (e-fls.121/133), reiterando os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, em síntese: - que apurou o imposto devido no final do ano-base de 2003 no total de R$19.801,176,73; - que as estimativas mensais do exercício de 2004, que somaram R$22.293.164,36, foram quitadas, parte por meio de depósitos judiciais R$10.335.423,71 e parte por meio do DARF R$11.533.534,43,conforme demonstra a Declaração de Rendimentos retificadora; - que resta evidente a existência do saldo negativo do IRPJ no importe de R$ 2.491.987,63 (= R$22.293.164,36 - R$19.801,176,73); - que a decisão recorrida não considerou as deduções de estimativas mensais com exigibilidade suspensa equivalentes a R$10.335.423,71, pois seria vedado deduzir tal parcela objeto de discussão judicial, não encontrando saldo negativo de imposto a ser compensado com os débitos informados nas DCOMP; - que, entretanto, a partir do encerramento da Ação do Mandado de Segurança n° 95.0013910-3 em 24 de agosto de 2009, conforme atesta a certidão de trânsito em julgado (e-fls. 218/223), os valores depositados judicialmente a título de estimativa mensal do IRPJ no exercício de 2004 poderiam ser convertidos em renda da União Federal; - que se impõe a reforma do r. acórdão, o qual não considerou as disposições da Lei n° 9.703/98, no sentido de deduzir do imposto apurado os depósitos em juízo das estimativas mensais do IRPJ do ano-base de 2003, tendo em vista que respectivos depósitos efetuados em juízo foram convertidos em renda da União Federal, após o trânsito em julgado do Mandado de Segurança n° 95.0013910- 3; que, assim, há saldo negativo do IRPJ suficiente para a homologação do pedido de compensação objetos dos presente autos; - que, por força do principio da verdade material, como os depósitos das estimativas mensais do IRPJ depositadas judicialmente nos autos do Mandado de Segurança n° 95.00139103 foram convertidos em renda da União Federal, deve ser reconhecida a suficiência do direito creditório da recorrente para serem integralmente homologadas as compensações controladas pelos PER/DComps n°s 06115.02993.040105.1.7.025966, 29088.22827.040105.1.7.027900, 29275.74814.070105.1.3.029000, 1865987861.280205.1.3.022709 e 37903.19512.290305.1.3.020873; - que, subsidiariamente alega caso não sejam aceitas as estimativas depositadas judicialmente como deduções do imposto devido na declaração de ajuste anual exercício 2004 (ano-calendário 2003), requer seja, pelo menos, calculado de forma proporcional o saldo negativo, considerando apenas as estimativas das competências de agosto a dezembro de 2003 recolhidas por meio de DARF; - que, caso seja mantido o r. acórdão, requer desde já que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que as DCOMP e as defesas apresentadas neste processo são provas do cumprimento do pedido dentro do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 294 10 Na sessão de 21/01/2016, em face das alegações do contribuinte, a 1ª Turma/3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência, pela Resolução nº 1301-000.305 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, determinando que fosse apurado o seguinte, conforme voto condutor q transcrevo, no que pertinente (e-fls. 241/247), in verbis: (...) Contudo, com o encerramento do Mandado de Segurança n° 95.00139103 em 24 de agosto de 2009, conforme atesta a certidão de trânsito em julgado (fls 223), a discussão acima torna-se irrelevante para a correta solução da lide aqui posta, uma vez que os valores depositados judicialmente a título de estimativa mensal do IRPJ no exercício de 2004 foram devidamente convertidos em renda da União Federal, ou seja, os pagamentos com condição suspensiva, tornaram-se pagamento definitivos. Corroborando esta informação, o Ofício n° 2.211/2010 emitido pela Caixa Econômica Federal (fls. 231), atesta que em os 29 de setembro de 2010 os valores depositados pela Recorrente foram efetivamente convertidos em renda da União Federal. A conversão em renda dos valores depositados nos autos do Mandado de Segurança n° 95.00139103 impetrado pela Recorrente tem como efeito a extinção do crédito tributário, em conformidade com o inciso VI do artigo 156 do Código Tributário Nacional, uma vez que ocorreu, na prática, o recolhimento dos valores devidos a título de estimativas mensais do IRPJ no ano-base de 2003. Contudo, não há nos autos qualquer manifestação (...) quanto à correção dos valores levantados, razão pela qual entendo que os mesmos devam ser baixados em diligência, a fim de que a Unidade Preparadora se manifesta a este respeito. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1. Os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora para que estas se manifeste quanto aos valores dos depósitos levantados quando do encerramento do Mandado de Segurança n° 95.00139103; 2. Na hipótese dos valores levantados não terem sido suficientes para quitar os débitos tributários de estimativa, que a mesma Unidade Preparadora se manifeste quanto à eventual valor ainda devido; e 3. A Unidade Preparadora faça acostar aos autos extrato do sistema SAPLI, atualizado após o lançamento dos valores do depósito judicial levantado em razão do transito em julgado do Mandado de Segurança (...). Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendo-lhe prazo adequado para se Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 295 11 manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (...) Ainda, houve Pedido de Esclarecimento pela DRF Belo Horizonte ao CARF quanto ao item 3 da Resolução, por estar com redação truncada e foi esclarecido (e-fls. 253/254), in verbis: (...) Desta forma, a fim de aclarar a teor da Resolução, retirando-lhe frase inconclusiva, que inadvertidamente constou do texto final da mesma, proponho nova redação para o item 3 do parágrafo conclusivo do documento combalido, o qual passará a contar com a seguinte redação; 3. a Unidade Preparadora faça acostar aos autos extrato do sistema SAPLI, atualizado após o lançamento dos valores do depósito judicial levantado em razão do transito em julgado do Mandado de Segurança nº 95.00139103. (...) Na sequência, a DRF/Belo horizonte em 14/08/2017, conforme Relatório de Diligência, prestou as informações solicitadas pela Resolução CARF, anexando telas de extratos e ainda informou (e-fls. 259/273), in verbis: (...) Assunto: Resolução 1301-000-305 – CARF 1- Em atendimento ao solicitado no despacho de fls.257, informamos que conforme telas anexadas às fls.259 a 272 os depósitos efetuados no curso da ação judicial n° 95.00.13910-3 foram integralmente transformados em pagamento definitivo da União, tendo sido suficientes para a quitação dos débitos de IRPJ controlados pelo processo n° 10680.000582/2007-51. 2- Ante o exposto, sugiro o retorno do processo ao setor de origem para prosseguimento. (...) Intimado o Contribuinte apresentou em 26/01/2018 suas razões quanto ao resultado da diligência (e-fls. 279/282). É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 296 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e satisfaz as demais condições de admissibilidade; por isso, dele tomo conhecimento. O contribuinte efetuou compensação tributária, sob condição resolutória, conforme várias DCOMP transmitidas pela Internet, no período de 04/01/2005 a 29/03/2005 (e-fls. 35/48) de débitos de tributos com utilização de saldo negativo do IRPJ do ano- calendário 2003, DIPJ 2004 (retificadora), valor R$ 2.491.987,63, transmitida em 24/12/2004 (e-fls. 62/65). As compensações, objeto dos autos, não foram homologadas pelas decisões anteriores, pelo seguinte: Primeiro, o despacho decisório da unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Belo Horizonte, de 11/12/2008 (e-fl. 04), não encontrou saldo negativo disponível do imposto do ano-calendário 2003, mas sim saldo do imposto a pagar. Por último, a decisão recorrida (3ª Turma da DRJ/Belo horizonte), de 24/11/2010 (e-fls. 100/106) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, pois a contribuinte teria formado o referido saldo negativo do imposto, pela dedução do imposto apurado de valores a título de estimativas mensais depositadas judicialmente com exigibilidade suspensa (antes do trânsito em julgado). Vale dizer, a contribuinte quanto ao ano-calendário 2003 buscou, na esfera judicial, provimento jurisdicional que pudesse garantir compensação integral do lucro real do exercício de 2004 (ano-calendário 2003) com prejuízos fiscais acumulados de anos anteriores, sem a trava de 30%. Por isso, depositou em juízo, em 29/08/2003, as estimativas mensais do IRPJ do meses de janeiro, março, abril, maio, junho, julho e agosto/2003. Para suspensão da exigibilidade desses débitos de estimativas mensais do ano-calendário 2003, a contribuinte efetuou depósito, em juízo, do montante integral, na referida data. Nesse sentido, consta dos autos cópia do PAJ nº 10680.000582/2007-51 que controlou os débitos do IRPJ estimativa mensal do ano-calendário 2003, e de anos anteriores, depositados em juízo, conforme despacho da DRF/BH, de 18/01/2007, que transcrevo (e-fls. 33/34), in verbis: (...) Processo nº 10680.000582/2007-51 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 297 13 Este processo de representação foi formalizado para receber os débitos de IRPJ dos períodos de apuração 01/1999, 02/1999, 02/2000 a 11/2000, 01/2001 a 08/2001, 01/2002, 03/2002, 04/2002, 06/2002 a 12/2002, 01/2003 e 03/2003 a 08/2003 (planilha fls. 03 e 04) que estão declarados como suspensos pelo depósito do montante integral efetuado no mandado de segurança 95.0013910-3, acompanhada pelo PAJ 1068.0004375/95-71. O processo judicial em questão foi ajuizado com vistas a afastar a incidência dos artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/95. Em suma, pretende o impetrante que lhe seja assegurada a compensação dos prejuízos fiscais acima do limite de 30%. Insurge-se também contra o artigo 3° da citada Lei, especialmente em relação às limitações impostas pelo § 3°. O contribuinte obteve sentença favorável, publicada em 03/04/1997, sendo derrotado no Tribunal Regional Federal da 1ª Região em decisão publicada em 17/O3/2000, fls. 09 a 24. Conseguiu efeito suspensivo no Supremo Tribunal Federal em 18/05/2001 (fls. 32 a 33), cassado em 01/08/2003, fls. 35 a 38. Portanto os débitos ficaram com exigibilidade suspensa, por decisão judicial, até O1/08/2003. Apesar de estar discutindo a limitação de 30% na compensação de prejuízos o contribuinte declarou como suspensos todos os valores que correspondiam às estimativas mensais, efetuando depósitos com intenção de manter a exigibilidade suspensa. No ajuste anual, se limitou a compensar seus prejuízos nos 30% estabelecidos pela Lei discutida, fls. 68 a 73. (...) Os débitos serão cadastrados no Profisc pelos valores constantes do Sief, conforme fls. 43 a 55. Verificamos, portanto. que os débitos declarados como suspensos, pelo mandado de segurança mencionado acima, estão cobertos por depósito do montante integral, ainda à disposição da Justiça. (...) A decisão recorrida então, com fundamento no do art. 170-A do CTN que veda a utilização na compensação tributária de direito creditório objeto de discussão judicial (decisão não transitada em julgado), julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Nesta instância recursal, a contribuinte pediu a reforma da decisão recorrida, e que se reconheça, finalmente, o direito creditório pleiteado e que se homologue as compensações tributárias objeto dos autos, em face dos argumentos já resumidos no relatório. Passo a enfrentar o mérito. A rigor, na data de transmissão das DCOMP objeto dos autos 04/01/2005 a 29/03/2005), o contribuinte não tinha saldo negativo disponível do IRPJ (líquido e certo) do Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 298 14 ano-calendário 2003 para ser utilizado nas compensações informadas ao fisco (ainda não havia decisão judicial transitada em julgado para deduzir do imposto apurado as estimativas mensais depositadas judicialmente com exigibilidade suspensa). Destarte, embora o contribuinte tivesse apurado saldo negativo do IRPJ do ano-calendário 2003, DIPJ 2004 (retificadora), valor R$ 2.491.987,63, transmitida em 24/12/2004 (e-fls. 62/65), incabível a utilização em compensação tributária desse saldo negativo do IRPJ do ano-calendário 2003 na data de transmissão das DCOMP, pois fora formado a partir de estimativas mensais do IRPJ (janeiro, março, abril, maio, junho, julho e agosto/2003) objeto de discussão judicial em curso (inexistência, na época, de decisão transitada em julgado). Saldo negativo do IRPJ do ano-calendário 2003, apurado da seguinte forma: a) com base no lucro real - declaração de ajuste anual, imposto apurado R$19.801,176,73; b) dedução das estimativas mensais de R$22.293.164,36, sendo que apenas parte foi recolhida mediante DARF, ou seja, R$11.533.534,43 e restante R$10.335.423,71 foi depositado judicialmente com exigibilidade suspensa. Logo, está correta a fundamentação da decisão recorrida que indeferiu a compensação tributária, pela aplicação do art. 170-A do CTN, pela inexistência de direito creditório disponível para ser utilizado na compensação tributária na data de transmissão das DCOMP, in verbis: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela LC nº 104, de 2001) A mens legis (espírito da lei) de não permitir a utilização de direito creditório sub judice é, justamente, evitar compensação tributária frustrada, pois: a) no caso, se o contribuinte, ao final, fosse declarado vencedor na sua tese contra a trava de 30% na compensação de lucro real com prejuízo fiscal, o valor depositado judicialmente, a título de estimativas mensais, seria levantado ou devolvido ao contribuinte, por decisão judicial (ficaria prejudicada a apuração de saldo negativo); b) entretanto, isso não ocorreu, pois a tese do contribuinte não prosperou em juízo, logo os valores depositados judicialmente foram transformados em pagamento definitivo após trânsito em julgado da decisão do STF no RE nº 307.997-MG (recurso interposto pelo Contribuinte). O STF, Sessão de julgamento de 25/06/2009, no RE nº 307.997-MG interposto pelo contribuinte, decidiu pela constitucionalidade da trava de 30% (e-fls. 218/222), cuja decisão transitou em julgado em 24/08/2009, conforme Certidão de Trânsito em Julgado emitida em 27/08/2009 (e-fl. 223). Mas isto (a decisão judicial com trânsito em julgado e a transformação das estimativas mensais em pagamento definitivo) não tem o condão de validar as compensações efetuadas desde o início, pois na data de transmissão das DCOMP a contribuinte utilizou Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 299 15 crédito vedado, não disponível (pela inexistência de liquidez e certeza), afrontando o art. 170-A do CTN. A compensação pelas DCOMP objeto dos autos é vedada, mas o crédito (o saldo negativo do IRPJ 2003) tornou-se líquido e certo, a partir do trânsito em julgado decisão judicial, que implicou transformação das estimativas mensais do impostos (depositadas judicialmente) em pagamento definitivo. Como o presente processo administrativo está em curso (ainda inexiste decisão final irreformável nesta órbita), entendo que a legislação de regência da compensação tributária, na sua aplicação ao caso concreto, deve receber temperamentos, para se aproveitar, no que é possível, os atos já praticados nos autos deste processo para, de ofício, levar-se a termo as compensações informadas pelo contribuinte. O processo administrativo, como instrumento de composição de lides, de pacificação social, deve evitar produção de atos inúteis, custos desnecessários e desperdício de tempo e esforço. O contribuinte tem direito a repetição do que pagara a maior no ano- calendário 2003, a título de saldo negativo do IRPJ, pois o resultado constante do Relatório de Diligência Fiscal de 14/08/2017, elaborado em cumprimento à Resolução CARF, apurou que os depósitos judiciais foram integralmente transformados em pagamento definitivo da União, tendo sido suficientes para quitação dos débitos de estimativa do ano-calendário 2003 que foram utilizados pelo contribuinte para apuração do saldo negativo do IRPJ do ano-calendário 2003 (e-fls. 259/273), in verbis: (...) Assunto: Resolução 1301-000-305 – CARF 1- Em atendimento ao solicitado no despacho de fls.257, informamos que conforme telas anexadas às fls.259 a 272 os depósitos efetuados no curso da ação judicial n° 95.00.13910-3 foram integralmente transformados em pagamento definitivo da União, tendo sido suficientes para a quitação dos débitos de IRPJ controlados pelo processo n° 10680.000582/2007-51. 2- Ante o exposto, sugiro o retorno do processo ao setor de origem para prosseguimento. (...) O direito do contribuinte de restituição do que pagou a maior está a salvo da prescrição, em face do pedido de restituição formulado nos presentes autos, na data de transmissão das DCOMP. Extinguir o presente processo simplesmente, pelo fato de, na data de transmissão das DCOMP, inexistir direito creditório líquido e certo e impor ao contribuinte que proceda a apresentação de novas DCOMP para compensar os débitos em aberto confessados nestes autos para aproveitar direito creditório que passou a estar líquido e certo e, em tese, Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 300 16 disponível, a partir do trânsito em julgado da decisão judicial, atenta contra o princípio da razoabilidade, economicidade dos atos administrativos e da economia processual. O rigor da legislação de regência comporta temperamentos ante a situação fática peculiar. Entendo, assim, que os débitos confessados nas DCOMP objeto dos autos, que continuam em aberto, devem ser atualizados (juros SELIC e multa moratória), desde a data de vencimento dos tributos até a data do trânsito em julgado da decisão judicial que confirmou a constitucionalidade da trava de 30% e passando a existir crédito líquido e certo e, em tese, disponível para compensação, ou seja, saldo negativo do IRPJ 2003 para ser utilizado na compensação tributária dos débitos confessados na DCOMP objeto dos autos, até o limite do crédito disponível (o saldo negativo do IRPJ 2003 deve sofrer atualização, incidência dos juros SELIC a partir 01/01/2004, conforme legislação de regência). Vale dizer, que se impõe o aproveitamento do processo (peças processuais) no que couber, em observância dos princípios da formalidade moderada, verdade material, eficiência e economicidade na produção do ato administrativo e dos atos processuais e de ofício proceder a compensação tributária dos débitos informados com o saldo negativo do imposto, em tese disponível, sendo que os débitos informados submetem-se aos acréscimos legais, devem ser atualizados (incidência dos juros Selic a partir da data do vencimento até a data do trânsito em julgado da decisão judicial, quando o saldo negativo do imposto tornou-se, em tese, disponível) e ainda submetem-se à incidência da multa moratória de vinte por cento a partir do vencimento, conforme legislação de regência. A partir do trânsito em julgado da decisão judicial que confirmou a constitucionalidade da trava de 30% (compensação limitada a 30% do lucro real do exercício com prejuízos fiscais acumulados de períodos de apuração anteriores), deixou de existir óbice legal para utilização do saldo negativo do IRPJ do ano-calendário 2003, para quitação dos débitos confessados nas DCOMP objeto dos autos. A decisão do STF de 25/06/2009, no RE nº 307.997-MG, que decidiu pela constitucionalidade da trava de 30% (e-fls. 218/222), transitou em julgado em 24/08/2009, conforme Certidão de Trânsito em Julgado emitida em 27/08/2009 (e-fl. 223). Os depósitos judiciais foram transformados em pagamento definitivo, conforme comunicado da Gerência da CEF ao juízo da 7ª Vara da Justiça Federal Seção Judiciária de Minas Gerais, Processo nº 95.00.013910-3, data de 15/10/2010 (e-fl. 231). Ainda, o resultado da diligência fiscal consignou que a transformação dos depósitos judiciais em pagamento definitivo foi suficiente para quitação das estimativas mensais utilizados para formação do saldo negativo do IRPJ 2003 (diligência solicitada pela a 1ª Turma/3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que converteu o julgamento em diligência na Sessão de 21/01/2016, pela Resolução nº 1301-000.305 (e-fls. 241/247), cujo resultado constante do relatório de diligência (e-fls. 259/273), já restou transcrito alhures. A questão que exsurge: os débitos de tributos confessados nas DCOMP, por estarem em aberto, devem ser atualizados (juros SELIC e multa moratória) até a data do trânsito em julgado da decisão ou até a data da transformação dos depósitos judiciais em pagamento definitivo? Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 301 17 Entendo que a disponibilidade do direito creditório para ser utilizado em compensação tributária, passou existir a partir da data do trânsito em julgado da decisão judicial no RE nº 307.997-MG, ou seja, 27/08/2009 (e-fl. 223). Assim, eventual demora da transformação dos depósitos judiciais em pagamento definitivo em favor da União não representa óbice para a imediata disponibilidade do crédito para compensação tributária a partir da data do trânsito em julgado da decisão judicial de que trata o art. 170-A do CTN, pois a União Federal já estava de posse dos valores depositados judicialmente para realização do seu mister constitucional, conforme art.1º da Lei 9.703/98, in verbis: Art. 1 o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF, específico para essa finalidade. 1 o O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, aos débitos provenientes de tributos e contribuições inscritos em Dívida Ativa da União. § 2 o Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. § 3 o Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I - devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo§ 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou II - transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. § 4 o Os valores devolvidos pela Caixa Econômica Federal serão debitados à Conta Única do Tesouro Nacional, em subconta de restituição. § 5 o A Caixa Econômica Federal manterá controle dos valores depositados ou devolvidos. No caso, a transformação em pagamento definitivo em favor da União Federal dos depósitos judiciais restou confirmada pela Gerência da CEF em 15/10/2010, em Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 302 18 resposta ao Ofício do Juízo da 7ª Vara Federal da Circunscrição Federal em Minas Gerais, in verbis: (...) Em atendimento ao ofício supracitado, comunicamos que, com a edição da Lei 9.703/98, a partir de 01 DEZ 98, os depósitos judiciais e extrajudiciais federais, referentes a tributos e contribuições federais administrados pela SRF e pelo INSS, passaram a ser registrados na CAIXA, sendo os recursos repassados ao Tesouro Nacional, para a conta dos respectivos órgãos. Assim sendo, os depósitos efetivados na(s) conta(s) abaixo, que foram efetuados a partir da referida lei, foram integralmente transformados em pagamento definitivo, a favor da UNIÃO FEDERAL, .conforme comprovante(s) de baixa em nosso sistema, em anexo, nos valores abaixo: (...) Assim, como já dito alhures os débitos confessados nas DCOMP objeto dos presentes autos ficaram em aberto, e a partir da data do trânsito em julgado da decisão judicial, ocasião que passou a existir saldo negativo líquido e certo, em tese disponível, do IRPJ do ano- calendário 2003 para ser utilizado para compensação tributária. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) quanto aos débitos confessados nas DCOMP objeto dos autos, determinar que a unidade de origem da RFB atualize os valores (incidência dos juros de mora Taxa SELIC e da multa de mora limite de vinte por cento até data do trânsito em julgado da decisão judicial, data em que passou a existir crédito líquido e certo e, em tese, disponibilidade de saldo negativo do IRPJ do ano-calendário 2003 para ser utilizado para compensação tributária); b) compensar, de ofício, os débitos confessados nas DCOMP objeto dos autos (atualizados conforme determinado na alínea "a" anterior) e homologar, até o limite do crédito disponível a título do saldo negativo do IRPJ do ano-calendário 2003. c) a unidade de origem da RFB deverá efetuar os cálculos (atualização dos débitos), e emitir extrato da compensação efetuada, diferença a pagar, e anexar ao presente Acórdão para ciência do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10680.921047/2008-16 Acórdão n.º 1301-002.840 S1-C3T1 Fl. 303 19 Fl. 303DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13838.000146/2006-58
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 2003
PER. RESTITUIÇÃO DE MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Inexiste o indébito tributário, não restando caracterizada a denúncia espontânea nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional, a extinção do débito tributário com acréscimos legais, de tributo sujeito a lançamento por homologação, previamente declarado em DCTF. Inteligência da Súmula n°360 do STJ.
Numero da decisão: 1803-000.328
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior (Relator), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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O . . '::". MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13838.000146/2006-58 Recurso re 172.971 Voluntário Acórdão n" 1803-00.328 — 3" Turma Especial Sessão de 09 de março de 2010 Matéria CSLL Recorrente TETRA PAK LTDA. Recorrida 4' TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 200.3 PER. RESTITUIÇÃO DE MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Inexiste o indébito tributário, não restando caracterizada a denúncia espontânea nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional, a extinção do débito tributário com acréscimos legais, de tributo sujeito a lançamento por homologação, previamente declarado em DCTF. Inteligência da Súmula n°360 do STJ. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior (Relator), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. . __,_.......---- _„„-,--n-- . 4111".~.., 'Pr 1 EtERR - 491.10 E MORAES - Presidente BENEDICTO C7 L)O B . NÍCIO JÚNIOR - Relator kALP-ki ã. a v-e. sA WALTER ADOLFO M ... ESCH - Redator-Designado EDITADO EM:0 (3- fi_\ G o 2 0 10 1 Processo n" 13838 000146/2006-58 Si-TE03 Acórdão n." 1803-00328 Fl 2 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros:Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso Benico Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano inocêncio dos Santos e Silvana Rescigno Guerra Barreto, Relatório Trata-se dos Pedidos de Restituição Eletrônicos (PER ifs 27024.76465.310304.1,2.04-9740 —fls. 04/07, 01591.45304.310304,1,104-5756 fls. 12/15 e 37703.21308.31030412.04-4016 — fis. 20/23), transmitidos em 31/03/2004, para devolução dos créditos nos valores de R$8.800,15, R$8.800,15 e R$3.777,30, respectivamente, relativos a multas de mora incidentes sobre a l a, 2" e .3" quotas da CSLL devida em dez/2002 (cód. 2484), extintas por compensação declarada por meio da DCOMP n° 17111.95297.22070113.04- 9489, transmitida em 22/07/2003 (fls., 26/30). Conforme Despacho Decisório de fis, 36/37, foram indeferidos os direitos creditórios pleiteados, sob o argumento de que a compensação foi formalizada em 22/07/2003 para extinção de débitos vencidos em 31/01/2003, 28/02/2003 e 31/03/2003, sendo devidas as penalidades moratórias, nos termos da legislação vigente, e que a contribuinte não logrou apresentar qualquer embasamento legal demonstrando ser indevido o cálculo das multas compensadas. Cientificada em 27/04/2007 (AR de fis. 39), a contribuinte interpôs, em 25/05/2007, manifestação de inconformidade de fls. 40/47, acompanhada de documentos de fls.. 48/70. Após breve resumo dos fatos, acusa contradição no Despacho Decisório recorrido, pois, ao mesmo tempo em que se reconhece terem sido os pedidos de restituição e compensação efetuados nos termos da legislação vigente à época, indefere-se o pleito sob o argumento de que não foi apresentado embasamento legal a justificar a pretensão da requerente. Argúi que o direito pleiteado tem guarida no art. 138 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), que trata da denúncia espontânea da infração. E continua, em suas palavras: "O que ocorreu fbi que o Sr AFRF mesmo sabendo que o crédito ora pleiteado decorre da extinção de débito, espontânea e extemporaneamente quitado, indevidamente acrescida de multa, conforme já esposado, optou em não enfrentar a questão, por restar caracterizada a denúncia espontânea. E, certo está que a ora MA.N1FESTA1VTE atendeu aos 12quisitas previstos no artigo 138, parágrafo único, supra transcrito, para se valer da denúncia espontânea, tendo em vista a extinção do débito tributário antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização" Apresenta o entendimento de que a penalidade moratória tem natureza punitiva e cita doutrina e jurisprudência no sentido de que o CTN não distingue entre multa moratória e punitiva para a aplicação do disposto em seu art. 138. Acrescenta que o termo "pagamento", constante do dispositivo, deve ser entendido como adimplemento da obrigação, conforme doutrina que aponta, „. Processo e 13838.000146/2006-58 SI-TE03 Acórdão o " 1803-00328 Fl 3 Afirma que a sua interpretação ao artigo 138 é a melhor, pois busca alcançar a finalidade da lei. Encerra protestando pela reforma da decisão com o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Ao analisar os argumentos apresentados pelo contribuinte na citada manifestação de inconformidade, a 4'1 TURMA — DR1 EM CAMPINAS — SP decidiu pelo não reconhecimento dos direitos creditórios pleiteados, nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORAMS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador.. 31/12/200.2 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, MULTA MORATÓRIA.. DÉBITO DECLARADO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. NÃO CABIMENTO. Contribuinte em mora com tributo por ele mesmo declarado não pode invocar a denúncia espontânea para requerer a devolução da multa relativa ao atraso, já extinta por compensação." Cientificado do acórdão em 19/06/2008, o contribuinte apresentou Recurso a este Conselho, em 18/07/2008, alegando, em síntese, argumentos semelhantes aos apresentados na instância administrativa precedente. É o relatório do essencial. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Trata-se de discussão a respeito da abrangência da aplicação do instituto da denúncia espontânea, primacialmente estabelecido no artigo 138 do CTN, verbis: "Art.. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos .juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração." No caso em tela, o contribuinte extinguiu, mediante compensação, em 22/07/200.3, débitos atinentes à primeira, à segunda e à terceira quotas da CSLL do período findo em dezembro de 2002. Ditos passivos deveriam ter sido quitados até 31/01/2003, 28/02/2003 e 31/03/2003, respectivamente, muito embora o indigitado ajuste de contas tenha se dado apenas ulteriormente ii Em virtude de se encontrar em mora, desde os referidos doas de vermento, optou o contribuinte, ao realizar a compensação, por acrescer aos seus débitos Jointantes ig'11(- Processo ir 13838 000146/2006-58 SI E03 Acóalão n 0 1803-00328 EL 4 referentes a multas moratórias supostamente devidas ao Fisco, nos importes respectivos de R$ 8..800,15, R$ 8..800,15 e R$3.777,30. Posterioimente, contudo, entendendo estar abrangido pelas benesses denúncia espontânea — e, por este motivo, eximido de arcar com as multas moratórias —, houve por bem o interessado repetir os supracitados montantes de encargos, mediante a formulação dos P ER's ora tratados. Neste cenário, enxergo razão no pleito do contribuinte. O instituto da denúncia espontânea serve ao fim de tomar mais eficaz a arrecadação de tributos, por meio da exclusão da responsabilidade do contribuinte por infrações, de modo geral, ou por encargos indenizatórios ou punitivos (exceto juros de mora), de modo específico, sempre que o sujeito passivo vier a recolher voluntariamente a exação devida, previamente a qualquer ato de cobrança praticado pela Fiscalização.. Noutras palavras, o que se visa é a incentivar os contribuintes a adimplirem suas obrigações extemporâneas, garantido ao Fisco o recebimento de valores que ainda não tivesse intentado receber (ou de que sequer viesse a ter conhecimento, dentro de prazo hábil para a realização da respectiva cobrança). Nesse diapasão, a denúncia espontânea se mostra pertinente e aplicável, especialmente, em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Em tais casos, inexistindo prévios atos de fiscalização ou anterior processo administrativo fiscal iniciado, é de se considerar o pagamento voluntário do débito, pelo contribuinte, como hipótese típica desta figura. Incumbe ao contribuinte, então, somente extinguir o débito, acrescido dos juros moratórias pertinentes, para que seja excluída sua responsabilidade infracional — aqui incluída aquela pertinente à multa moratória, seja ela considerada como punição ou como simples indenização. Assim é, explique-se, em virtude da redação do supra transcrito artigo 138 do CTN, que expressamente vincula a consecução da denúncia espontânea ao simples recolhimento do principal e de sua atualização monetária. Entendemos, em tal cenário, na esteira de profusa doutrina, que dito dispositivo, ao deixar de arrolar a multa moratória, expressamente afastou sua incidência, beneficiando o contribuinte que voluntariamente quitou suas pendências fiscais, estimulando-o a evitar a sonegação.. Neste sentido já se posicionou o presente Conselho, conforme ementa adiante reproduzida: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA - PAGAMENTO EM ATRASO - Segundo o art. 138 cio Código Tributário Nacional, a denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora devidos, exclui a responsabilidade pela infra çâo, inclusive a penalidade decorrente do pagamento em atraso, denominada "multa de mora (Ac. 1° CC — 195-00. 106/08)" Insta ressaltar, por oportuno, que a denúncia espontânea não pressupõe nenhuma forma especial de extinção do débito. É despiciendo que o contribuinte pague seu passivo, sendo-lhe plenamen~ssivel suprir sua pendência fiscal mediante compensação das suas dividas com eventuaiS(direitos ereditórios de que seja titular. casu, portanto, nada há Processo n 13838.000146/2006-58 SI-T1E03 Acórdão ri " 1803-00328 Fl 5 que se opor ao procedimento adotado pelo interessado, o qual optou por extinguir seu passivo, depois do vencimento, mediante ajuste de contas com créditos seus. No mais, é ainda relevante ressaltar que não desconfigura a denúncia espontânea a eventual apresentação prévia, pelo contribuinte, de Declaração ao Fisco, na qual seja mencionado o débito inadimplido. Ainda que tenha preteritamente sido a Fazenda informada do passivo em aberto, pode o pagamento espontâneo deste, realizado ulteriormente e a destempo, ser amplamente enquadrado nos beneficios da denúncia espontânea, desde que — como no caso — nenhuma medida estatal tenha sido posta em andamento para a cobrança coerciva do tributo. Fica claro, assim, que a hipótese em tela encerra inegável situação de aplicação do mecanismo denuncista. Por consequência, indevida é a aplicação de qualquer encargo moratória, punitivo ou ressarcitório, salvo no que tange aos .juros explicitamente determinados pelo artigo 138 do CTN. Eventuais recolhimentos a maior, desta natureza, ensejam e legitimam pedidos de ressarcimento, como os ora formulados.. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer integralmente os direitos creditórios objeto dos PER's em análise. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR V \ Processo n" 13838.000146/2006-58 SI-TE03 Acórdão n " 1803-00.328 Fl 6 Voto Vencedor Conselheiro WALTER ADOLFO MARESCH - Redator-Designado Em que pese o brilhantismo do ilustre conselheiro relator, a decisão sugerida em seu voto condutor não foi acompanhada pelo restante desta Terceira Turma Especial, Com efeito, a matéria é tormentosa, permitindo sem sombra de dúvidas as mais diversas interpretações em relação ao assunto. No entanto, a jurisprudência administrativa e judicial tem trilhado o caminho oposto ao constante do voto condutor com relação ao instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN.. É que não se coaduna com a filosofia esculpida no art. 138 do CTN, o contribuinte declarar e confessar regularmente o débito tributário na DCTF; recolher em atraso o débito regularmente declarado com os devidos acréscimos legais e posteriormente pretender invocar o abrigo do instituto da denúncia espontânea, fazendo surgir o indébito tributário em relação à multa de mora. Neste sentido, é de clareza solar o contido no enunciado da Súmula 360 do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, que resume o nosso pensamento em relação ao assunto: (verbis) O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declaradas, mas pagos a destempo. Em recente julgado do mesmo Superior Tribunal de Justiça, reafirmou-se o espírito contido na Súmula 360, onde se extrai da ementa o seguinte teor: 6. Não se configura a denúncia espontânea nos casos de tributo declarado pelo contribuinte (DCTF, GIA etc) e pago a destempo. Inteligência da Súmula 17. 360 do Sij AgRg no RECURSO ESPECIAL N 1,146818 - SC (2009/0123593-0 Relatar Exmo, Sr, Ministro BENEDITO GONÇALVES) Julgado em 09/02/2010. No caso em tela, a recorrente confessou o débito de CSLL na DCTF (tributo sujeito ao lançamento por homologação) e extinguiu por compensação a exação com os devidos gravames legais, não fazendo jus aos benefícios da denúncia espontânea que como é sabido, lhe permitiria o pagamento sem a respectiva multa de mora. Ante exposto, voto por negar provimento ao recurso„ u011.1. X 1 WALTER ADOLFOARESCH fr-)1 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA ; M ie CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° : 13838.000146/2006-58 Interessado(a) TETRA PAK LTDA. TERMO DE JUNTADA a Seção Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1803-00.328, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / ASSINATURA
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Numero do processo: 19515.721621/2013-81
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010, 2011 IPI REFLEXO À COBRANÇA DE IRPJ. COMPETÊNCIA DECLINADA. Em atendimento ao disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno deste CARF (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016, a 3ª Seção deverá declinar da competência para julgar Recurso Voluntário que versa sobre a exigência de IPI, quando reflexo do IRPJ e formalizado com base nos mesmos elementos de prova, determinando a redistribuição do processo para a 1ª Seção de Julgamento. Competência declinada para a 1ª Seção de Julgamento
Numero da decisão: 3301-003.951
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, DECLINAR COMPETÊNCIA para a 1ª Seção de Julgamento, por tratar-se de processo reflexo, em atendimento ao disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno deste CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016.
Nome do relator: José Henrique Mauri
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COMPETÊNCIA DECLINADA. Em atendimento ao disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno deste CARF (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016, a 3ª Seção deverá declinar da competência para julgar Recurso Voluntário que versa sobre a exigência de IPI, quando reflexo do IRPJ e formalizado com base nos mesmos elementos de prova, determinando a redistribuição do processo para a 1ª Seção de Julgamento. Competência declinada para a 1ª Seção de Julgamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 21 /2 01 3- 81 Fl. 4868DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0817.17022.MRVX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.721621/201381 Acórdão n.º 3301003.951 S3C3T1 Fl. 4.869 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, DECLINAR COMPETÊNCIA para a 1ª Seção de Julgamento, por tratarse de processo reflexo, em atendimento ao disposto no inciso IV do art. 2º do Regimento Interno deste CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 4869DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0817.17022.MRVX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.721621/201381 Acórdão n.º 3301003.951 S3C3T1 Fl. 4.870 3 Relatório Por bem descrever os fatos, utilizome parcialmente dos termos do Relatório constante do Acórdão recorrido, até aquele momento. Em ação fiscal desenvolvida na empresa acima identificada, foi constatada a omissão de receita de vendas. Conforme explicitado Termo de Verificação Fiscal (fl. 4421/4435), devido à grande quantidade de notas fiscais de vendas “canceladas constantes do SPED (Nota Fiscal Eletrônica), foi examinada a conta nº 940003, denominada “Vendas no Mercado Nacional”, relativas aos anoscalendários de 2010 e 2011, sendo constatado que tais notas fiscais não haviam sido contabilizadas, nem apurados os valores dos débitos de IPI destacados nas notas fiscais de vendas, cujo cancelamento não foi comprovado, conforme anexo I, que faz parte integrante do TVF. A empresa forneceu a relação das notas fiscais de vendas canceladas, e esclareceu que os cancelamentos se deram em função de problemas no “sistema de Informática/T.I.”. Confessou que as mercadorias nelas constantes haviam sido entregues aos clientes e que os valores de tais notas fiscais não haviam sido consideradas na apuração do Lucro Real. Durante a fiscalização foram apresentados alguns Darf(s) de recolhimento relativos às notas ficais de vendas “canceladas”. Porém tais recolhimentos não foram levados em conta na ação fiscal, tendo em vista que os tributos apurados durante a fiscalização não foram declarados em DCTF. Conseqüentemente, foi lavrado o auto de infração de fls. 1088/1093 que exige crédito tributário relativo ao IPI, Juros de mora, Multa de Ofício, perfazendo o montante de R$ 8.087.916,66 (oito milhões, oitenta e sete mil, novecnetos e dezesseis reais) Foi aplicada multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, I e §1º da Lei nº 9.430, de 1996. Também foram lavrados os autos de infração de que trata o processo nº 19515.721619/201311, para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, tendo em vista omissão de receita caracterizada pelas notas fiscais indevidamente canceladas e a falta do registro contábil de tais documentos. Ciente do lançamento em 14/08/2013, a contribunte ingressou com impugnação (fls. 4435/4450) em 12/09/2013, acompanhado dos Darf(s) de fls. 4464/4509, na qual refuta o lançamento, em suma sob as seguintes alegações: Erro na identificação do sujeito passivo O Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI), em seu art. 8º, define o conceito de estabelecimento industrial e o seu art. 21, o sujeito passivo da obrigação tributária principal, como sendo aquele que é obrigado ao pagamento do imposto ou penalidade pecuniária. Em Fl. 4870DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0817.17022.MRVX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.721621/201381 Acórdão n.º 3301003.951 S3C3T1 Fl. 4.871 4 seu art. 24 , inciso II, dispõe que são obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte, o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que industrializar em seu estabelecimento, bem assim, quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 55, I, a). Assim, obedecendo ao princípio da autonomia dos estabelecimentos, previso no RIPI, o presente auto de infração não deve preliminarmente prosperar, visto que ocorreu erro de identificação do sujeito passivo. Eis que o estabelecimento industrial da impugnante que deu saída de mercadorias, objeto da tributação, é o de CNPJ nº 07.277.575/000286, enquanto o Auto de Infração foi lavrado considerando ser o sujeito passivo da obrigação, o estabelecimento Matriz da empresa, de CNPJ nº 07.277.575/0003 67. Houve equivoco por parte do Fisco, posto que o estabelecimento industrial onde ocorreu o fato gerador é a filial, tanto que os darf(s) entregues para comprovar recolhimentos anteriores à fiscalização constam com o CNPJ correto (07.277.575/000286). Todas as saídas se deram da filial. Por esse motivo, requer a nulidade do lançamento realizado em nome da Matriz, por erro na identificação do sujeito passivo. Dos fatos A impugnante já havia detectado alguns erros e desde novembro de 2011, de forma lenta devido ao pouco contingente existe no setor contábil e de “TI”, até porque o trabalho de identificação dos erros estava sendo realizado cliente a cliente, partindose da nota fiscal emitida, verificação da efetiva entrega, e passando pela contabilização, registros de saída de mercadorias, apuração de IPI e por fim o Diário. Como prova da lisura com que veio tratando o assunto desde que descobriu a falha em seu sistema, a impugnante, ao localizar algum problema, efetuava o recolhimento espontâneo, com juros e multa, das diferenças apuradas pelo seu setor contábil. O seu comportamento perante a fiscalização da RFB sempre foi claro e aberto e nunca procurou utilizar subterfúgios para fugir às suas responsabilidades, mesmo porque já vinha corrigindo os equívocos do sistema mediante revisão contábil. O próprio relato realizado no TVF revela que houve a colaboração da empresa, reconhecendo o problema. Verificase, de pronto, que não foi intenção da impugnante, nem antes da fiscalização, omitir valores relativos às vendas realizadas. Se assim, fosse não haveria sentido em efetuar recolhimentos espontâneo realizado em 2011, relativos aos equívocos decorrentes do sistema, antes que qualquer procedimento fiscal fosse instaurado, o que somente ocorreu em março de 2013. Os valores recolhidos através de Darf(s) devem ser considerados pelo órgão julgador e deduzidos dos valores cobrados à título de IPI, por ser medida de justiça, excluindose, por conseqüência, as multas e juros decorrentes. Fl. 4871DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0817.17022.MRVX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.721621/201381 Acórdão n.º 3301003.951 S3C3T1 Fl. 4.872 5 Tendo em vista os recolhimentos efetuados é imperativo que estes sejam excluídos do lançamento. A matéria apurada pela RFB apontou omissão de receita pela não comprovação do cancelamento de algumas notas fiscais relativas ao anocalendário de 2010 e 2011, motivo pelo qual impôs a multa qualificada. Em tese estaria correta, entretanto, havendo como houve, por parte da contribuinte impugnante, o recolhimento e clara boa fé, a penalidade se mostra excessiva e injusta, devendo ser reduzida para no máximo 20% do valor a ser recolhido originariamente. Inexistindo grave ofensa à ordem tributáia a aplicação da multa de 150% ou mesmo 75% se mostra injusta e desatende o princípio da razoabilidade, conforme decisão proferida no STJ (Resp 1.049.748) mais uma razão para sua anulação. Alternativamente e no mínimo, a multa deve ser reduzida ao limite máximo de 20%, pois, mostrase, ainda que por analogia, mais justo e adequado à espécie, inexistindo, nos auto, qualquer elemento que justifique a fixação de multa em patamar tão elevado. Ainda que se admita a multa, esta não deveria ser aplicada em sua forma qualificada (150%) pois, suas condutas anteriores à fiscalização na procura do erro sistêmico e correção através do recolhimento dos valores devidos, como próprio entendimento da fiscalização, em momento algum negou, escondeu ou procurou tumultuar a análise do auditor fiscal, ao contrário, reconheceu o seu erro, colaborou e forneceu toda a documentação necessária ao levantamento realizado. Cabe portanto desconsiderar a multa qualificada, posto que não houve dolo na conduta da impugnante, para a aplicação da multa em 20%, nos termos das jurisprudência pacifica dos Tribunais Superiores, ou em 75% nos termos das decisões administrativas já consolidadas. Não pode concordar com os seguinte procedimentos: 1 Desconsideração dos DARFs recolhidos, objeto de identificação de omissão pela impugnante e, recolhidos com juros e multa, anteriormente à fiscalização, independentemente de retificação em DCTF. O imposto e contribuições recolhidas devem ser excluídas da cobrança; 2 A aplicação da multa qualificada contida no art 44, I e § 1 ° da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art 14 da Lei n° 11.488/07, quando deveria ser aplicado o art 44, inciso I da Lei n° 9.430/96. Ao analisar a Impugnação, a 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (SP) emitiu o Acórdão 1454.163, de 16 de outubro de 2014, fls. 4.838 e ss., que, por unanimidade de votos, Julgou improcedente o lançamento, exonerandose o crédito tributário na íntegra, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010, 2011 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. Fl. 4872DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0817.17022.MRVX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.721621/201381 Acórdão n.º 3301003.951 S3C3T1 Fl. 4.873 6 À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias, devendo o lançamento tributário ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 NULIDADE. ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O equívoco na identificação do sujeito passivo acarreta a nulidade do lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Interpôsse Recurso necessário (De Ofício) posto que o sujeito passivo foi exonerado do pagamento de tributo e encargos de multa, em montante superior ao limite de alçada. Na forme regimental, o presente feito foime distribuído para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 4873DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0817.17022.MRVX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.721621/201381 Acórdão n.º 3301003.951 S3C3T1 Fl. 4.874 7 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator 1 Questão preliminar prejudicial incompetência desta Seção para apreciação do caso vertente Vislumbrase que o presente processo referese a Auto de Infração Reflexo de IRPJ. Compulsando os autos, especialmente o Termo de Verificação Fiscal, constatase que o procedimento fiscal foi formalizado por meio do MPF 08.1.90.002013022570, cujo objeto referese ao IRPJ, PA 2010 e 2011. O mesmo MPF é também a base instrutora do processo principal nº 19515.721619/201311, que cuida de exigência de IRPJ. Vejamos excertos do referido Termo de Verificação Fiscal IPI: Com igual teor extraímos excertos do Termo de Verificação Fiscal IRPJ, que instruiu o processo principal nº 19515.721619/201311: Em face da ação fiscal acima identificada a fiscalização identificou omissão de receita de vendas, caracterizada pelas notas fiscais indevidamente canceladas e a falta do registro contábil de tais documentos. Em conseqüência, foram lavrados os processos principal nº 19515.721619/201311, para exigência de IRPJ, Fl. 4874DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0817.17022.MRVX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.721621/201381 Acórdão n.º 3301003.951 S3C3T1 Fl. 4.875 8 CSLL, PIS e Cofins, e o presente processo (19515.721621/201381), para exigência de IPI. Portanto, vêse que a autuação de que cuida o presente processo (19515.721621/20138) foi formalizada com base no mesmo procedimento fiscal que originou o processo de exigência de IRPJ, nº 19515.721619/201311. O art. 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015) elenca as hipóteses em que compete à 1ª Seção processar e julgar o caso, a qual inclui no seu inciso IV, os casos que versam sobre Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...] IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ainda sobre o caráter reflexo da tributação, é válido analisar o disposto no inciso III do parágrafo 1º do art. 6º também do Regimento Interno do CARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Sendo assim, com base na legislação atualmente em vigor, é de competência da 1ª Seção o julgamento de processos relativos à cobrança de IPI, quando reflexos do IRPJ, formalizados em um mesmo procedimento fiscal e com base nos mesmos elementos de prova, ainda que não tenham sido exigidos através de um mesmo Processo Administrativo Fiscal. Fl. 4875DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0817.17022.MRVX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.721621/201381 Acórdão n.º 3301003.951 S3C3T1 Fl. 4.876 9 Esse é o caso aqui tratado. O presente processo é Reflexo do Processo nº 19515.721619/201311, relativo ao IRPJ, que se encontra no CARF, 1ª Seção. Ante o todo exposto, em atendimento ao disposto no art. 2º, inciso IV, do Regimento Interno deste CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, voto no sentido de DECLINAR COMPETÊNCIA para a 1ª Seção de Julgamento, em face do processo nº 19515.721619/201311 (IRPJ). É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 4876DF CARF MF Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0817.17022.MRVX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE HENRIQUE MAURI em 31/07/2017 23:33:00. Documento autenticado digitalmente por JOSE HENRIQUE MAURI em 31/07/2017. Documento assinado digitalmente por: JOSE HENRIQUE MAURI em 31/07/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 25/08/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP25.0817.17022.MRVX Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 1636E31B7C1F0812B310351F74EA12AFE89B287239A33628860A52C1C7FDC50A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.721621/2013-81. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11075.900120/2006-55
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 1999
DCOMP IRPJ. DECADÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Se o direito creditório foi tempestivamente pleiteado perante a Administração Tributária, não há que se falar em decadência do direito à compensação mesmo apresentada a DCOMP após o lapso de cinco anos da geração do indébito tributário.
Numero da decisão: 1803-000.858
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e André Ricardo Lemes da Silva. Os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes e Sérgio Luiz Bezerra Presta votaram pelas conclusões.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 DCOMP IRPJ. DECADÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Se o direito creditório foi tempestivamente pleiteado perante a Administração Tributária, não há que se falar em decadência do direito à compensação mesmo apresentada a DCOMP após o lapso de cinco anos da geração do indébito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sérgio Rodrigues Mendes e André Ricardo Lemes da Silva. Os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes e Sérgio Luiz Bezerra Presta votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch e André Ricardo Lemes da Silva. Relatório Fl. 293DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900120/200655 Acórdão n.º 180300.858 S1TE03 Fl. 234 2 PILLECO NOBRE ALIMENTOS LTDA, atual denominação de PILLECO & CIA. LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SANTA MARIA (RS), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 124/144) contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Santa Maria (fls. 102) que, com base no Parecer DRF/STM n° 441, de 5 de junho de 2008 (fls.100/101), reconheceu parcialmente o seu direito creditório e não homologou a compensação a compensação realizada por meio da Declaração de Compensação n° 14302.58984.130906.1.3.024804, de 13 de setembro de 2006, por encontrarse decaído o direito de utilizar o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, em vista o disposto no art. 1° do Decreto n°20.910, de 06 de janeiro de 1932, e no Ato Declaratório SRF n° 3, de 7 de janeiro de 2000. No referido despacho decisório é dito que, se já não estivesse fulminado pela decadência o direito de o contribuinte utilizar o crédito quando da apresentação da referida Declaração de Compensação, todo o valor ofertado pelo contribuinte estaria disponível para as compensações por ele realizadas, tal restrição não atingiria as demais declarações de compensação integrante do processo, posto que retificam DComps transmitidas em tempo hábil. Por meio da Notificação DRF/STM/Saort n° 405, de 26 de junho de 2008 (fls. 119), o contribuinte foi cientificado do despacho decisório da DRF em Santa Maria, das compensações homologadas e da não homologação dos débitos de IRPJ relativos aos períodos de apuração 08/2004 (parcial — por insuficiência de crédito) e 10/2002 (em razão da decadência do direito de utilizar o crédito). Em 19 de agosto de 2008 foi emitida nova notificação ao contribuinte (DRF/STM/Saort n° 627) cientificandoo que a manifestação de inconformidade não suspende a exigibilidade do débito de IRPJ do PA 08/2004, objeto da compensação não homologada por insuficiência de crédito, visto que não foram considerados os valores devidos a título de multa e juros quando da entrega da DComp n°23470.32511.140803.1.3.024015. O contribuinte manifesta o seu inconformismo dizendo que a não homologação da compensação do IRPJ vencido em 29/11/2002, no valor de R$ 50.018,96, ofende a regra insculpida no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, segundo a qual, expirado o prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, sem que a fazenda se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, já que o débito foi quitado por compensação no seu vencimento. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900120/200655 Acórdão n.º 180300.858 S1TE03 Fl. 235 3 Em seguida, alega que não ocorreu a decadência do direito à compensação, posto que ela foi efetuada no mês de novembro de 2002, tendo sido regularmente informada na DCTF correspondente, mesmo que a DComp eletrônica tenha sido remetida para a Secretaria da Receita Federal no dia 13/09/2006. A não homologação da compensação, sob qualquer ângulo que se analisa, implica em flagrante violação ao princípio que veda o enriquecimento sem causa de um em detrimento de outro, figura essa tão combatida no nosso ordenamento jurídico. Alega que esse assunto já foi amplamente discutido na então Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, com suporte nos princípios da moralidade administrativa e na vedação do enriquecimento ilícito, acolheu a compensação efetuada pelo recorrente (Recurso Administrativo n° 125547). Alega não ser justo que um contribuinte que tenha recolhido regularmente os valores de estimativas no ano de 1999 e utilizado os excedentes em novembro de 2002, tendo apresentado regularmente a DCTF com o indicativo de quitação por compensação, seja, agora, surpreendido com a não homologação da referida compensação pelo simples fato de ter apresentado a DComp no mês de setembro de 2006. Tal fato representa um flagrante desprezo a tudo que existe na nossa doutrina e jurisprudência acerca da prevalência do princípio da verdade material sobre a verdade formal. Estando demonstrado que não se trata de extinção do crédito tributário além do prazo de vencimento, sendo, portanto, essa a verdade material, não resta dúvidas que deve ser afastada a exigência tributária. Alega, também, que o Fisco deve observar o princípio da razoabilidade e considerar que os atos da compensação foram devidamente informados na DCTF, com o que deveriam, então, ser observadas as orientações do art. 112 do Código Tributário Nacional, que determina a interpretação mais favorável ao contribuinte da norma que define infrações, ou lhe comine penalidades, em caso de dúvida quanto à capitulação do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos e à natureza da penalidade aplicável, ou a sua graduação. Aduz que a não homologação das compensações afrontou o disposto no art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999, na medida em que, como inclusive relatado pelo Fisco, era detentora de créditos livres para compensação. Se utilizou os ditos créditos antes de decaído o seu direito, como o fez, não existe nenhuma razão lógica para a não homologação da compensação que foi efetuada e devidamente informada através da DCTF em novembro de 2002. Alega, por fim, que na Notificação DRF/STM/Saort n° 405/2008, a SRF informa que não homologou a compensação de R$ 3.225,56, sem, no entanto, prestar qualquer justificativa para a não convalidação da dita compensação, descumprindo duas exigências essenciais do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, Fl. 295DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900120/200655 Acórdão n.º 180300.858 S1TE03 Fl. 236 4 quais sejam, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Tal notificação limitouse a indicar o valor da compensação não homologada, sem dizer, contudo, que dispositivos de lei não teriam sido observados pelo contribuinte e que justificaram a emissão da cartacobrança e do Darf com a indicação do montante a ser recolhido, o que implica em flagrante cerceamento do direito de defesa, o que torna a Notificação n° 405, 2008, nula, na dicção do art. 59, inc. II, do Decreto n° 70.235, de 1972. Por último, requer sucessivamente (i) que seja acolhida a preliminar de decadência do direito de o Fisco lançar, determinando o cancelamento da exigência tributária, (ii) que seja acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do direito à compensação, determinando, também, o cancelamento da respectiva exigência tributária, e (iii) caso não sejam acolhidas as questões anteriores, que seja então declarada nula a Notificação DRF/STM n° 405, de 26 de junho de 2008, por cerceamento do direito de defesa, determinandose, de igual modo, o cancelamento do crédito tributário em questão. A DRJ SANTA MARIA/RS, através do acórdão 1810.698, de 14 de maio de 2009 (fls. 175/183), julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DCOMP A compensação pelo sujeito passivo de pagamentos indevidos ou a maior de tributos se efetiva com a entrega da Declaração de Compensação DComp, independentemente de qualquer outro procedimento por ele adotado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição ou compensação do saldo negativo do IRPJ extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados a partir do encerramento do período de apuração do saldo negativo. DESPACHO DECISÓRIO. CIÊNCIA. NOTIFICAÇÃO A competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento está restrita à manifestação de inconformidade contra o ato que não homologou as compensações declaradas pelo sujeito passivo. Qualquer manifestação contrária à notificação que cientificar o sujeito passivo do despacho decisório que não homologou as compensações declaradas deve ser dirigida ao órgão emitente do ato impugnado, que dará tratamento de recurso hierárquico. Solicitação Deferida em Parte Fl. 296DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900120/200655 Acórdão n.º 180300.858 S1TE03 Fl. 237 5 Ciente da decisão em 04/06/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 191), apresentou o recurso voluntário em 02/07/2009 fls. 194/215, onde reitera os argumentos da inicial de que deve ser homologada a compensação pois o direito creditório foi tempestivamente pleiteado perante a Administração Tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de análise de declarações de compensação – DCOMP, parcialmente homologadas pela Administração Tributária, referindose o direito creditório a saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1999. A unidade de origem que apreciou os pedidos reconheceu a existência do direito creditório, mas somente homologou as declarações de compensação que foram apresentadas no lapso de cinco (05) anos do encerramento do período de apuração 1999, entendendo restar decaído o pedido de compensação apresentado após este prazo. Insurgese a recorrente argüindo em síntese: a) De que já havia decaído o direito da Fazenda Nacional em realizar o lançamento para exigência do período de apuração constante da DCOMP (10/2002); b) De que já havia formalizado o pedido de compensação em DCTF dentro do prazo de cinco anos e o fato de que a DCOMP foi apresentada após este prazo não lhe retira o direito à utilização do crédito e à compensação; c) De que a Instrução Normativa nº 600/2005, previa a possibilidade de compensar créditos tempestivamente pleiteados; d) De que o procedimento da Administração Tributária ofende o devido processo legal e os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e a prevalência da verdade material ante a verdade formal. Embora os argumentos sustentados pela recorrente não mereçam individualmente acolhida, entendo que assiste razão à interessada. Com efeito, conforme se observa dos elementos contidos no processo, apresentou a recorrente diversas DCOMP contendo o mesmo direito creditório (saldo negativo de 1999) que foram objeto de retificação ao longo do tempo exceto a última DCOMP que foi Fl. 297DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900120/200655 Acórdão n.º 180300.858 S1TE03 Fl. 238 6 tratada como original e não foi homologada pois teria sido apresentada após o período de cinco anos da geração do indébito tributário. Assevera a recorrente que embora tenha sido apresentada após o lapso decadencial, a última DCOMP apresentada informou a PER/DCOMP que continha o direito creditório e que foi pleiteado dentro do prazo de cinco anos. Realmente, conforme se observa da DCOMP que não foi homologada (fls. 17/18v), na página 02 da DCOMP no campo “Número do PER/DCOMP inicial” consta o número 23470.32511.140803.1.3.024015, que também consta das demais DCOMPs que foram retificadas, sendo que o número 140803 é indicativo de que a declaração foi entregue ainda em 2003. Mesmo considerando que a DCOMP originalmente apresentada não seja expressamente uma PER (Pedido de Restituição) contém todas as características de pedido de restituição, pois conforme se constata de uma das DCOMP retificadoras fls. 01/03 (idem 05, 07, 09, 11, 13 e 15 e respectivos versos) o crédito foi apresentado à Administração Tributária por inteiro, tendo sido atualizado até a data da entrega e com todos os elementos que o compõe o saldo negativo de 1999, valores que foram integralmente chancelados pela unidade que apreciou o pedido. Outrossim, entendo que quando a Administração Tributária analisou o direito creditório e o reconheceu integralmente, apreciou o pedido de forma completa inclusive em relação ao Pedido de Restituição cumulado com Compensação embutido nos PER/DCOMP apresentados dentro do lapso de cinco anos da geração do indébito tributário. Não me parece razoável que tendo reconhecido integralmente a existência do direito creditório (formulado dentro do prazo de cinco anos), a Administração Tributária não homologue todas as compensações que utilizaram o mesmo crédito inclusive aquela que supostamente foi apresentada de forma original somente em 2006. Além do mais, conforme a própria dicção da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, o procedimento da contribuinte é possível: (verbis) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I – o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da SRF; e II – se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Fl. 298DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900120/200655 Acórdão n.º 180300.858 S1TE03 Fl. 239 7 (...) § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. grifamos Devese considerar, outrossim, que a fundamentação legal adotada pela autoridade que apreciou as declarações de compensação (DL n° 20.910/32), está equivocada devendo aplicarse nestes casos, unicamente as disposições do Código Tributário Nacional. Por derradeiro, a DCTF apresentada contendo a compensação embora não tenha per si o condão de chancelar a compensação demonstra cabalmente que houve a pretensão de utilizar integralmente o crédito pleiteado. Entendo que por todas estas razões, encontramse atendidos os pressupostos da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, que no seu art. 26, § 10º, contém permissivo para a apresentação de DCOMP fora do lapso temporal de 05 (cinco) anos, desde que postulado o direito creditório no qüinqüênio após a sua geração. Destarte, deve ser homologada também a DCOMP 14302.58984.130906.1.3.02 – 4804, até o limite do crédito existente considerando a decisão de primeira instância que determinou a homologação integral da compensação do período de apuração 08/2004 no valor de R$ 3.225,56. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 299DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900120/200655 Acórdão n.º 180300.858 S1TE03 Fl. 240 8 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Entendeu o ilustre Conselheiro, em seu bem abalizado Voto, que (fls. 239 e 240): Realmente, conforme se observa da DCOMP que não foi homologada (fls. 17/18v), na página 02 da DCOMP no campo “Número do PER/DCOMP inicial” consta o número 23470.32511.140803.1.3.024015, que também consta das demais DCOMPs que foram retificadas, sendo que o número 140803 é indicativo de que a declaração foi entregue ainda em 2003. Mesmo considerando que a DCOMP originalmente apresentada não seja expressamente uma PER (Pedido de Restituição) contém todas as características de pedido de restituição, pois conforme se constata de uma das DCOMP retificadoras fls. 01/03 (idem 05, 07, 09, 11, 13 e 15 e respectivos versos) o crédito foi apresentado à Administração Tributária por inteiro, tendo sido atualizado até a data da entrega e com todos os elementos que o compõe o saldo negativo de 1999, valores que foram integralmente chancelados pela unidade que apreciou o pedido. Outrossim, entendo que quando a Administração Tributária analisou o direito creditório e o reconheceu integralmente, apreciou o pedido de forma completa inclusive em relação ao Pedido de Restituição cumulado com Compensação embutido nos PER/DCOMP apresentados dentro do lapso de cinco anos da geração do indébito tributário. Não me parece razoável que tendo reconhecido integralmente a existência do direito creditório (formulado dentro do prazo de cinco anos), a Administração Tributária não homologue todas as compensações que utilizaram o mesmo crédito inclusive aquela que supostamente foi apresentada de forma original somente em 2006. Além do mais, conforme a própria dicção da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, o procedimento da contribuinte é possível: (verbis) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) Fl. 300DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900120/200655 Acórdão n.º 180300.858 S1TE03 Fl. 241 9 § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I – o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da SRF; e II – se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. (...) § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. (grifo do original) Sucede que o número 23470.32511.140803.1.3.024015, citado na DComp nº 14302.58984:130906.1.3.02–4804, não se refere a um Pedido de Restituição, mas a uma Declaração de Compensação, que foi objeto de retificação pela DComp nº 12158.26952.090906.1.7.027399, como abaixo se verifica (fls. 1): Se, como dispõe a IN SRF nº 600, de 2008, em seu art. 26, § 10, “O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo”, tal não se deu no presente caso. Pedido de Restituição é Pedido de Restituição; não se confunde, jamais, com Declaração de Compensação. Daí o próprio nome: Per/Dcomp. Já com relação ao suposto equívoco na fundamentação legal adotada pela autoridade que apreciou as declarações de compensação, apontado pelo ilustre Conselheiro (fls. Fl. 301DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11075.900120/200655 Acórdão n.º 180300.858 S1TE03 Fl. 242 10 240), tratase de matéria não ventilada pela Recorrente e que, portanto, não lhe cerceou o direito de defesa. Nego provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 302DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 04/05/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 03/05/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH, 19/04/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902245/2013-49
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.533
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Compensação de crédito contribuição não foi homologada por despacho decisório eletrônico, vez que o DARF teria sido integralmente utilizado para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14060.796. Intimado desta decisão, apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 24 5/ 20 13 -4 9 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10850.902245/201349 Resolução nº 3402001.533 S3C4T2 Fl. 101 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98; (ii) que as provas anexadas pela Recorrente seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, baseado nas receitas financeiras indicadas no balanço (contribuinte anexou planilha de cálculo, balancete e livro razão à Manifestação de Inconformidade). Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.505 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.901549/201399, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.505): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98, especificamente quanto ao período de apuração de 10/2003. Como bem apontado pela r. decisão recorrida, "a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo." No presente caso, a Recorrente apresentou aos autos parte dos documentos contábeis que aduzem o pagamento a maior de COFINS sobre as parcelas que fugiriam ao conceito de faturamento, por não corresponder “à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”1. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade, dentre os quais cópia dos documentos contábeis e da memória de cálculo da COFINS paga e 1 BRASIL. STF. RE 346084, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, publicado em 01/09/2006. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10850.902245/201349 Resolução nº 3402001.533 S3C4T2 Fl. 102 3 devida no período. Com base nesses documentos e outros que entender pertinente, a autoridade fiscal terá elementos para elaborar relatório fiscal avaliando a existência e validade do crédito pleiteado, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos). Importante salientar que não está claro nos autos como o contribuinte aproveitou o crédito e qual seria o saldo remanescente do crédito efetivamente passível de aproveitamento na DCOMP objeto do presente processo, sendo crucial que se esclareça quais DCOMPs e quais processos administrativos estariam relacionados ao mesmo crédito. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10850.902245/201349 Resolução nº 3402001.533 S3C4T2 Fl. 103 4 informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo do PIS Cumulativo do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito do PIS Cumulativo do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo do PIS Cumulativo ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10850.902245/201349 Resolução nº 3402001.533 S3C4T2 Fl. 104 5 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.001009/2009-75
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-006.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada).
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada). (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 10 09 /2 00 9- 75 Fl. 450DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 280101.543, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração, às fls. 17/25, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos exercícios 2005, 2006, 2007, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 119.780,59, incluída a multa de ofício e juros de mora, decorrente de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08 de setembro de 2003. A exigência fiscal decorreu da revisão efetuada nas declarações de ajuste anual apresentadas pelo contribuinte. Asseverou a autoridade fiscal que o autuado classificou indevidamente, nestas declarações, rendimentos tributáveis como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. O Contribuinte apresentou impugnação, fls. 28/103, alegando, em síntese: que as verbas recebidas não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; que o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; que havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3° da Lei Estadual Complementar n° 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitalas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 9202006.290 CSRFT2 Fl. 10 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 154/239, reiterando os argumentos feitos em sua impugnação. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 262/273, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE. OMISSÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. INOCORRÊNCIA. O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, devendo demonstrar, ao motivar a sua decisão, que o lançamento questionado encontrase em conformidade com as disposições legais aplicáveis. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Correto o lançamento efetuado após a entrega da Declaração de Ajuste Anual do beneficiário dos rendimentos, sendo a responsabilidade pelo pagamento do tributo atribuída a este, a quem cabe oferecelos à tributação do imposto de renda por ocasião do ajuste anual, ainda que não tenha havido a tributação destes rendimentos na fonte. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Em regra, a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva, sendo irrelevante a intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Constatada a infração à legislação tributária, o imposto deve ser exigido com a multa do lançamento de ofício e com a aplicação dos juros de mora, expressamente previstos na legislação de regência. Fl. 452DF CARF MF 4 Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado. Às fls. 278/290, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, os quais restaram rejeitados, às fls. 335/337, pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento. À fl. 344, o Contribuinte restou intimado, vindo, às fls. 346/383, a interpor Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação a) não incidência do Imposto de Renda sobre juros de mora, em virtude de decisão do STJ, nos termos do art. 543C, devendo ser reproduzida pelo CARF, conforme disposição do art. 62A do seu Regimento Interno; b) exclusão da multa de ofício da autuação, uma vez que o contribuinte foi induzido a erro pela fonte pagadora, caracterizando hipótese de erro escusável; c) natureza da verba de abono variável recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual. Às fls. 427/430, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação APENAS à natureza indenizatória de diferenças recebidas a título de URV. Às fls. 431, a Câmara Superior de Recursos Fiscais realizou o Reexame de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, mantendo integralmente o despacho anterior. O Contribuinte foi intimado do Despacho à fl. 436. Às fls. 349/357, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, tendo rebatido apenas matéria de mérito, requerendo a manutenção do Acórdão na parte recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração, às fls. 17/25, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos exercícios 2005, 2006, 2007, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 119.780,59, incluída a multa de ofício e juros de mora, decorrente de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08 de setembro de 2003. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação natureza indenizatória de diferenças recebidas a título de URV. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 9202006.290 CSRFT2 Fl. 11 5 IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode Fl. 454DF CARF MF 6 recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 9202006.290 CSRFT2 Fl. 12 7 reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Fl. 456DF CARF MF 8 Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não Fl. 457DF CARF MF Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 9202006.290 CSRFT2 Fl. 13 9 contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 458DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, ouso dela divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV) e dos respectivos juros de mora. Argumenta o Recorrente a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV e sobre os juros de mora, considerando a natureza indenizatória da verba principal, bem como dos juros de mora, por conseqüência (o acessório segue o principal). Assim, a primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Ao meu ver, embora seja menos relevante a natureza indenizatória da verba para a análise da incidência do imposto de renda, entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pelos recorrentes, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13502.001009/200975 Acórdão n.º 9202006.290 CSRFT2 Fl. 14 11 Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. No que se referem aos juros de mora, aplico o posicionamento da Primeira Seção do STJ no sentido da incidência do imposto de renda sobre tais juros, em regra, não incidindo, excepcionalmente, quando decorrentes da rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. Portanto, como a verba principal não é isenta, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros de mora. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 460DF CARF MF
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Numero do processo: 14485.000379/2007-41
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1998 a 31/01/1999
NÃO CUMPRIMENTO DAS DETERMINAÇÕES COMANDADAS PELO ÓRGÃO JULGADOR. DECISÃO NULA POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
O órgão fiscalizador não pode se escusar de atender às determinações do órgão julgador. Uma vez que a decisão de primeira instância foi proferida sem cumprir o acórdão, merece ser anulada por violação ao art. 59, inciso II do Decreto n ° 70.235 de 1972, em função de preterir o direito de defesa do
autuado.
Decisão Recorrida Nula.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 2302-000.419
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco Andre Ramos Vieira
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 14485.000379/2007-41 Recurso n° 149.346 Voluntário Acórdão n° 2302-00.419 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Recorrente SECOVI SIND EMP COMPRA VENDA LOC ADM IMOB Recorrida DRP - SAO PAULO / SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1998 a 31/01/1999 NÃO CUMPRIMENTO DAS DETERMINAÇÕES COMANDADAS PELO ÓRGÃO JULGADOR. DECISÃO NULA POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. O órgão fiscalizador não pode se escusar de atender às determinações do órgão julgador. Uma vez que a decisão de primeira instância foi proferida sem cumprir o acórdão, merece ser anulada por violação ao art. 59, inciso II do Decreto n ° 70.235 de 1972, em função de preterir o direito de defesa do autuado. Decisão Recorrida Nula. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / 2' turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator. Ausente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. I A___,-_,Presidente e Relator MA Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva, Fábio Soares de Melo, Eduardo de Oliveira (suplente), Marco André Ramos Vieira (presidente). Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Luiz Carlos de Andrade Junior, OAB/SP 258521. Relatório A presente NFLD, lavrada em 30/09/2002, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária, previsto no art. 30, VI da Lei n ° 8.212/1991. 0 período compreende as competências setembro de 1998 a janeiro de 1999. A base de cálculo dos segurados utilizados na prestação de serviços pela Durox Materiais para Acabamento Ltda foram obtidas em função da não apresentação de documentos, após solicitação pela Auditoria Fiscal. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela SECO VI, fls. 39 a 45. Anexada cópia de documentação As fls. 47 a 81. Foi comandada diligência fiscal, fls. 85 a 90. Tendo o Auditor notificante prestado informações As fls. 94 a 98. Houve alteração da lista de co-responsáveis, conforme fls. 101 a 104. A Decisão-Notificação confirmou a procedência, em sua totalidade, do lançamento, fls. 108 a 130. Não concordando com a decisão da autarquia previdencidria, foi interposto recurso, conforme fls. 145 a 153. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: a) Preliminarmente sustenta que houve elisão da responsabilidade solidária; b) Que a fiscalização deveria ter verificado o inadimplemento do contribuinte de direito, para se evitar o bis in idem; c) Deveria ter o julgador buscado a verdade material; d) Requerendo a conversão do julgamento em diligência para se apurar os registros contábeis dos responsáveis tributários; e) t ilegal a cobrança da taxa Selic para cálculo dos juros de mora; f) Por fim solicita que seja cancelada a presente Notificação ou subsidiariamente a conversão do julgamento em diligência. 2 Processo n° 14485.000379/2007-41 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.419 Fl. 2 0 INSS apresenta suas contra-razões as fls. 176 a 189. A autarquia previdencidria alega, em síntese: a) As razões trazidas pela recorrente não têm o poder de alterar a Decisão-Notificação; b) c) A empresa não comprovou a elisão da responsabilidade solidária; d) A solidariedade não comporta beneficio de ordem; e) Que a legitimidade do ato administrativo traz insita a inversão do ônus probatório; f) Não há que ser exigido do INSS a previa fiscalização da responsável pois haveria beneficio de ordem; g) 0 lançamento seguiu o procedimento previsto; h) A cobrança de juros Selic está prevista no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991; i) Requerendo, por fim, que seja negado provimento ao recurso do contribuinte. Decisão proferida pela 2 a Camara de Julgamento do CRPS, fls. 191 a 201, por maioria, resolveu anular a decisão de primeira instancia para que fossem adotadas cautelas mínimas para evitar duplicidade de exação. Inconformada com a decisão proferida pelo CRPS, a unidade da Receita Previdencidria interpôs pedido de revisão na forma das fls. 203 a 226. Cientificado do pleito revisional, o autuado apresentou contra-razões conforme fls. 234 a 246. A 2a Camara do CRPS, fls. 248 a 253, por maioria não conheceu do pedido de revisão. Em função da publicação do Enunciado n ° 30 do CRPS, a unidade da Receita Previdenciaria interpôs pedido de revisão, fls. 262 a 264. 0 autuado apresenta contra-razões as fls. 274 a 288. Por meio do despacho de fls. 293 a 295, o Presidente da 5' Camara do 2 ° Conselho de Contribuintes negou seguimento ao pleito revisional. Reaberto prazo para impugnação, a sociedade empresária apresentou impugnação conforme fls. 314 a 330. Decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julg inento em Sao Paulo, fls. 339 a 356, manteve o lançamento do crédito tributário. 3 Não concordando com a decisão do órgão a quo, o autuado interpôs recurso voluntário, fls. 368 a 388. Em síntese alega o seguinte: 1. A DRJ deixou de realizar o mínimo necessário para conferir certeza ao lançamento tributário; 2. deveria ser anulada a própria NFLD; 3. o crédito é improcedente pois está fundado em presunção simples; 4. a responsabilidade foi elidida pelos pagamentos realizados; 5. deveria ser realizada a diligência; 6. devem ser considerados os elementos de prova trazidos pela autuada na fase recursal; 7. não é possível a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio; 8. requerendo provimento ao recurso interposto. Foram juntadas copias às fls. 416 a 482. E o Relatório. Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator 0 recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 423. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: 0 recorrente afirma que a DRJ deixou de atender à decisão da 2a Camara do CRPS. Nesse ponto lhe assiste razão. Apesar de não concordar com o entendimento proferido pela 2a Camara do CRPS de fls. 191 a 201, tendo inclusive sido voto vencido; sou obrigado a render-me A decisão colegiada. E uma vez que os pedidos de revisão não foram reconhecidos, a decisão de fls. 191 a 201 é a que deve ser observada pelo órgão da Receita Federal do Brasil. Na decisão ficou expressamente assentado que a decisão de primeira instância deveria ser anulada para que fossem adotadas as cautelas mínimas em face do prestador de serviços para evitar a duplicidade de exação (fl. 201). E se a decisão foi nesse sentido, é porque o colegiado entendeu que não constavam nos autos tais providencias. E bem verdade que o órgão fiscalizador comandou diligência, contudo a mesma não foi realizada na forma solicitada pelo acórdão do CRPS. A informação fiscal à fl. 260 foi no sentido de devolução dos autos para aplicação do Enunciado n ° 30. Fato que gerou 4 S VIEIRA, Relator Processo n° 14485.000379/2007-41 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.419 Fl. 3 novo pedido revisional, cujo seguimento foi negado por decisão monocratica do Presidente da 5a Camara do 2° Conselho de Contribuintes, fls. 293 a 295. Desse modo, deveria antes de ser reaberto o prazo para impugnação, a realização de diligência para cumprimento da determinação de fls. 191 a 201. In casu, a Receita Federal reabriu prazo para impugnação, fl. 303; recebeu a peça contestatória de fls. 314 a 330, e proferiu a decisão de fls. 339 a 356, mas não cumpriu a diligência. 0 órgão fiscalizador não pode se escusar de atender as determinações do órgão julgador. Uma vez que a decisão de primeira instancia foi proferida sem cumprir o acórdão do CRPS, merece ser anulada por violação ao art. 59, inciso II do Decreto n `) 70.235 de 1972, em função de preterir o direito de defesa do autuado. CONCLUSÃO: Voto por ANULAR a decisão de primeira instancia. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 5
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