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Numero do processo: 11040.900725/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 07 25 /2 00 9- 96 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.900725/200996 Acórdão n.º 1402002.634 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.900725/200996 Acórdão n.º 1402002.634 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.900725/200996 Acórdão n.º 1402002.634 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.900725/200996 Acórdão n.º 1402002.634 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100304/2005-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.362
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RITZEL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 03 04 /2 00 5- 51 Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11065.100304/200551 Acórdão n.º 9303005.362 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380302.441. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11065.100304/200551 Acórdão n.º 9303005.362 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 11065.100304/200551 Acórdão n.º 9303005.362 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 468DF CARF MF Processo nº 11065.100304/200551 Acórdão n.º 9303005.362 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 469DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.000386/2004-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000
NULIDADE. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado.
RENDIMENTOS RECEBIDOS EM VIRTUDE DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. COMPROVAÇÃO.
No caso de rendimentos decorrentes da atividade de transporte rodoviário de cargas, a exclusão da base de cálculo do imposto de renda, do valor correspondente a sessenta por cento dos rendimentos brutos recebidos, só é possível mediante comprovação de que os valores recebidos decorreram da referida atividade.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO.
Não há como permitir inclusão, na declaração de ajuste anual da pessoa física, de valores pagos a terceiros, a título de imposto de renda retido na fonte, sem comprovação de sua retenção e recolhimento pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 2202-004.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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IRREGULARIDADE NA EMISSÃO OU CIÊNCIA DO MPF. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle interno da Administração Tributária, sendo possível verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, descabendo, no caso dos autos, pleitear nulidade do lançamento por irregularidade na emissão ou ciência desse mandado. RENDIMENTOS RECEBIDOS EM VIRTUDE DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. COMPROVAÇÃO. No caso de rendimentos decorrentes da atividade de transporte rodoviário de cargas, a exclusão da base de cálculo do imposto de renda, do valor correspondente a sessenta por cento dos rendimentos brutos recebidos, só é possível mediante comprovação de que os valores recebidos decorreram da referida atividade. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. Não há como permitir inclusão, na declaração de ajuste anual da pessoa física, de valores pagos a terceiros, a título de imposto de renda retido na fonte, sem comprovação de sua retenção e recolhimento pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 03 86 /2 00 4- 43 Fl. 466DF CARF MF Processo nº 13433.000386/200443 Acórdão n.º 2202004.114 S2C2T2 Fl. 467 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o Contribuinte acima identificado, no qual é exigido Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anoscalendário de 1998 e 1999, no valor total de R$ 10.883,60 (dez mil, oitocentos e oitenta e três reais e sessenta centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e juros de mora, calculados até 31/08/2004, resultando em um crédito tributário total de R$ 29.037,06 (vinte e nove mil, trinta e sete reais e seis centavos). Foram constatadas as seguintes infrações: 001 Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens (fato gerador em 31/12/1999, no valor de R$ 3.038,00); 002 omissão de rendimentos, por variação patrimonial a descoberto (fato gerador em 31/12/1999, no valor de R$ 15.723,62); 003 compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (fato gerador em 31/12/1998, no valor de R$ 13.303,84); 004 classificação indevida de rendimentos na declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física (fato gerador em 31/12/1998, no valor de R$ 33.223,80). O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 75 a 112, juntamente com a documentação de fls. 113 a 228, alegando, em síntese: preliminarmente, que o lançamento referente ao anocalendário de 1998 encontrase abrangido pela decadência, nos termos dos arts. 150, § 4º e 149, parágrafo único, ambos do Código Tributário Nacional, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em 13/09/2004. Ademais, sendo mensal o fato gerador do imposto de renda pessoa fisica, o direito de revisão dos fatos geradores correspondentes aos meses de março e abril de 1999, já havia decaído, quando da ciência do lançamento, em setembro de 2004; que, ainda em sede de preliminar, houve falhas relativas aos procedimentos adotados pela fiscalização, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) autorizador da fiscalização tem validade apenas até 10/09/2003 e referese unicamente ao período de 01/1998 a 12/1998; que somente tomou ciência da prorrogação do MPF, vencido desde 10/09/2003, em 03/08/2004, por meio do Termo de fls. 53 e demonstrativo de fls. 04. Dessa forma, os Termos de Intimação datados de 02/03/2004 (fl. 48), de 29/03/2004 (fls. 50) e de 26/07/2004 (fl. 52), carecem de validade legal; Fl. 467DF CARF MF Processo nº 13433.000386/200443 Acórdão n.º 2202004.114 S2C2T2 Fl. 468 3 ademais, houve falta disciplinar do servidor, haja vista a extensão da fiscalização para o anocalendário de 1999, concedida somente em 08/09/2004 (fls. 03), fato do qual só tomou conhecimento por ocasião do lançamento. Assim, todas as intimações, à exceção do Termo de Início de Fiscalização, são ilegais, razão pela qual o contribuinte não se viu obrigado a atendêlas; que os rendimentos pagos pela Prefeitura de Pau dos Ferros, constam do comprovante de rendimentos relativo ao anocalendário de 1998, documento que foi remetido à DRF Mossoró por meio da correspondência de fls. 43 e anexado à fl. 46; requer a desconsideração do rendimento no valor de R$ 3.038,00, apurado pela fiscalização, em relação ao anocalendário de 1999, por já tributados no anocalendário de 1998; que também sejam aceitas as comprovações de retenção na fonte, no valor de R$ 13.303,84, para o anocalendário de 1998, visto que efetivamente recolhidos aos cofres públicos, mais precisamente, à Prefeitura Municipal de Pau dos Ferros, conforme previsto no inciso I, do art. 158 da CF/88 e documentos de arrecadação municipal (DAM), anexados ao processo; que os recolhimentos foram contabilizados a crédito da conta 1721.01.04 do Município, como atesta a declaração do Exmo. Sr. Prefeito daquela cidade e balancetes dos meses de março e abril de 1999; que os valores recebidos da Prefeitura de Pau dos Ferros decorrem da prestação de serviços de transporte de cargas, como comprovam as notas fiscais de serviços, emitidas pela referida Prefeitura, tendo havido, inclusive, recolhimento de 2% a título de Imposto sobre Serviços (ISS); que as cargas transportadas correspondem a piçarra e pedra calcárea, objeto de contratos de prestação de serviços firmados em 14/05/1998 e 20/08/1998; que esses materiais não foram adquiridos pelo transportador, mas simplesmente recolhidos da natureza, mais precisamente na zona rural e circunvizinhanças do Município de Pau dos Ferros, conforme declaração de testemunha anexada ao processo; que todo o valor das notas fiscais referese ao custo do transporte, decorrente da distância entre os locais de retirada dos materiais e de entrega. pede o cancelamento constante do item 4.1 de fls. 63, para restabelecer o valor corretamente declarado; que, em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, informa que, ao contrário do relatado pela fiscalização à fl. 64, procurou atender às intimações, apesar de considerálas nulas porquanto feitas sem autorização para o ano de 1999. afirma que tudo foi efetuado em dinheiro, haja vista não possuir, naquele ano, conta bancária; Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13433.000386/200443 Acórdão n.º 2202004.114 S2C2T2 Fl. 469 4 que não fez constar de sua declaração qualquer valor referente a dinheiro em cofre, nem o direito de receber os R$ 3.038,00 relativos à nota fiscal de n.° 140, por mero equívoco; que, para demonstrar não ter havido qualquer acréscimo patrimonial a descoberto, elaborou demonstrativo, considerando como consumidos 60% dos valores recebidos, percentual máximo previsto na legislação, em que se verifica haver sobra de recursos em abril de 1999. Por fim, que a fiscalização deixou de reajustar, nos dois anos, o valor de desconto padrão de 20%, o que requer seja retificado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) julgou procedente em parte a impugnação, excluindo R$ 3.038,00, referente à nota fiscal cancelada, além de conceder o desconto simplificado de R$ 8.000,00, no anocalendário 1998. Cientificado da decisão em 12/06/2007 (fl. 283), o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 292/326 em 06/07/2007, onde repisa os argumentos da impugnação e acrescenta o seguinte: que seja caracterizada a sua atividade como de transportador autônomo de cargas e, caso não acatada, seja caracterizada como pessoa jurídica; seja concedido o desconto padrão do modelo simplificado também ao ano calendário 1999; seja deduzido o valor correspondente a dois dependentes, relativos a sua esposa e um filho menor de idade. A 2ª Turma Especial do CARF, em 18/01/2012, deu provimento ao recurso, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 280201.307 (fls. 333/338), assim ementado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000 DECADÊNCIA. Nos termos do artigo 173, I do CTN, passado o transcurso do qüinqüênio legal, extinto se encontra o direito de constituição do crédito tributário, nos termos do artigo 156, V, do CTN. Precedentes da 1ª Seção deste E. Conselho e do C. STJ (Resp. n. 973.73). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Justificados e comprovados os valores que deram origem à variação patrimonial positiva, é de se afastar a acusação fiscal. O Colegiado acolheu a preliminar de decadência em relação ao ano calendário 1998 e deu provimento ao recurso quanto ao reconhecimento das origens em relação ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto do anocalendário 1999. Na sessão de 26/10/2016, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) julgou procedente em parte o recurso especial interposto pela Fazenda Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13433.000386/200443 Acórdão n.º 2202004.114 S2C2T2 Fl. 470 5 Nacional, afastando a decadência do ano de 1998, com retorno ao colegiado a quo para exame do mérito em relação a esse período (fls. 446/454). É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Tratase de retorno dos autos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja 2ª Turma deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência do ano de 1998, com retorno ao colegiado a quo para exame do mérito em relação a esse período. A lide está delimitada ao anocalendário 1998, conforme decisão da CSRF, estando, assim, sob litígio as seguintes infrações : 003) compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (fato gerador em 31/12/1998, no valor de R$ 13.303,84); 004) classificação indevida de rendimentos na declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física (fato gerador em 31/12/1998, no valor de R$ 33.223,80). Preliminares Inicialmente alega o Recorrente a decadência do anocalendário 1998, matéria já decidida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que afastou a decadência do referido período. Aduz, ainda em sede de preliminar, que houve falhas relativas aos procedimentos adotados pela fiscalização, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) autorizador da fiscalização tem validade apenas até 10/09/2003 e referese unicamente ao período de 01/1998 a 12/1998. Não lhe cabe razão, pois a jurisprudência reiterada e uniforme do CARF é no sentido de que o MPF é mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais omissões ou incorreções não são causa de nulidade do auto de infração, consoante se observa nas decisões proferidas pelas turmas das Sessões de Julgamento do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. De forma exemplificativa, destacamse os Acórdãos nº 1402001.360, 110100.812, 1301000.752, 3102001.669, 340301.025, 2202 002.310 e CSRF/0106.028. Infração 003) compensação indevida de imposto de renda retido na fonte Foi efetuada a glosa de imposto de renda retido na fonte no anocalendário 1998, no valor de R$ 13.303,84. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13433.000386/200443 Acórdão n.º 2202004.114 S2C2T2 Fl. 471 6 O Contribuinte apresentou guias denominadas DAM (Documento de Arrecadação Municipal) fls. 36/40, declaração do chefe do executivo do Município de Pau dos Ferros de fls. 128 e os balancetes de receita da Prefeitura dos meses de março e abril de 1999 de fls. 129 a 240, com vistas a demonstrar que arcou com o pagamento do imposto. Entendo que não tem razão o Recorrente. Conforme informado no Relatório Fiscal (fls. 61/67), os elementos trazidos aos autos revelam que os valores devidos pelo fornecimento de material de construção foram pagos em sua totalidade, sem o desconto do imposto de renda na fonte. As notas fiscais apresentadas, assim como as faturas emitidas, demonstram que não ocorreu retenção de imposto de renda, uma vez que os valores recebidos pelo fiscalizado coincidem com o valor total das notas fiscais. Conforme bem decidido pela DRJ, não há como permitir compensação, na declaração de ajuste anual, do imposto nela apurado, com outra quantia, paga por meio de guias de recolhimento municipais, diretamente ao Secretário de Finanças do Município, no exercício seguinte. Transcrevo a seguir trecho do voto vencedor da DRJ, o qual adoto também como razões de decidir. 38. Cabe ressaltar que os documentos de arrecadação municipal (DAM) de fls. 33 a 37 não se prestam à comprovação de retenção na fonte, pelos motivos expostos pela autoridade lançadora, de forma minuciosa, em seu Relatório Fiscal de fls. 61 e 62, em síntese: pagamentos efetuados no anocalendário seguinte, 1999, recolhimento ao caixa da prefeitura de Pau dos Ferros, com autenticação aposta pelo Sr. Secretário de Finanças Municipal, e documento de arrecadação distinto do DARF. 39. Somese a tais fatos, a ausência de D1RF em nome do autuado, relativamente ao anocalendário de 1998, visto que o documento de fls. 14, referente ao ano de retenção 1998, não indica o Sr. Antônio Ricarte de Freitas como beneficiário de qualquer pagamento. 40. Analisando os balancetes de receita do executivo municipal, relativos ao anocalendário de 1999, verificase a existência de item de receita orçamentária, denominado "Transf. do imp s/a renda retido na fonte — 1721.01.04", no valor de R$ 216.187,33, em março de 1999 (fls. 117) e no valor de R$ 133.979,59, em abril de 1999 (fls. 144). No entanto, tais registros, ao lado das demais dotações orçamentárias próprias a todos os Municípios, não comprovam ter havido retenção de imposto de renda na fonte em nome do impugnante no anocalendário de 1998, mas apenas que Pau dos Ferros recebeu, em 1999, imposto de renda na fonte, conforme determina a Constituição Federal. Ademais, os valores registrados não coincidem com a soma dos valores pagos, pelo autuado, ao Sr. Secretário de Finanças do Município, conforme DAM de fls. 33 a 37 (R$ 13.303,84, valor do imposto; e R$ 18.761,83, valor do imposto com multa e juros). Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13433.000386/200443 Acórdão n.º 2202004.114 S2C2T2 Fl. 472 7 41. Por força do previsto no inciso I do artigo 157 e no inciso 1 do art. 158, ambos da CF/1988, os Municípios são destinatários do produto da arrecadação do imposto que incide na fonte sobre a renda e proventos pagos por eles. No entanto, a competência para instituição do IR é da União, o sujeito ativo também é a União, e a administração do tributo fica a cargo da Secretaria da Receita Federal. Os Municípios atuam como substitutos tributários, obrigados à retenção e ao recolhimento do imposto de renda, na qualidade de empregadores, como qualquer outra pessoa jurídica,como exposto na jurisprudência abaixo transcrita: [...] 43. Quanto à alegação do contribuinte (fls. 97 a 104), de ter sido onerado, de forma injusta e compulsória, com o valor dos recolhimentos efetuados por meio dos DAM de fls. 33 a 37, não vislumbro outra forma de satisfação que pleitear, o sujeito passivo, pela via administrativa ou judicial, a seu critério, repetição do indébito pago ao Sr. Secretário de Finanças de Pau dos Ferros, pretensão a ser submetida às autoridades competentes. 44. Em suma, independentemente dos procedimentos adotados pela Prefeitura de Pau dos Ferros, ou pelo contribuinte, e em obediência à legislação tributária federal, não é possível a inclusão dos valores pagos pelo defendente, por meio das DAM de fls. 33 a 37, ao Sr. Secretário de Finanças daquele Município, a título de imposto de renda retido na fonte. (grifos do original) Desse modo, deve ser mantida essa infração, conforme lançamento de ofício efetuado. Infração 004) classificação indevida de rendimentos na DIRPF Segundo a autoridade fiscal, o Contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste Anual os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no anocalendário 1998, no valor de R$ 33.223,80. O Contribuinte efetuou, durante o anocalendário de 1998, fornecimento de meiofio, piçarro e pedramarroada à Prefeitura de Pau dos Ferros, conforme notas fiscais e faturas/recibos de fls. 20/35, tendo recebido o valor total de R$ 55.373,00. No entanto, ele declarou como rendimentos isentos o valor de R$ 33.223,80, pois entendeu que era transportador autônomo de cargas e deveria ser tributado apenas em 40% do total recebido. A DRJ excluiu da base de cálculo da infração o valor de R$ 3.038,00 do ano calendário 1998, referente à nota fiscal nº 40, por entender que tal valor somente foi recebido em 1999. O Fiscalizado não pode ser enquadrado como transportador autônomo de cargas, por não atender aos requisitos para tal. A seguir transcrevo excertos do voto condutor da decisão de primeira instância, com os quais concordo e adoto também como razões de decidir. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13433.000386/200443 Acórdão n.º 2202004.114 S2C2T2 Fl. 473 8 32. A atividade profissional de transportador autônomo de cargas deve ser comprovada pelo atendimento aos requisitos previstos no art. 47, do RIR/1999. Para tanto, seria preciso que o contribuinte atendesse, cumulativamente, as seguintes condições (Pergunta n° 017, Perguntas e Respostas do ano calendário de 1998 e n° 170, Perguntas e Respostas do ano calendário 1999): 32.1 possuir habilitação para dirigir veículos de transporte de carga; 32.2 ter prestado os serviços de transporte em veículo locado ou próprio ou ainda adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária; 32.3 apresentar documentação de propriedade ou posse do(s) veículo(s) utilizado(s) no transporte de cargas; 32.4 ter prestado os serviços de transporte pessoalmente ou com ajuda de auxiliares remunerados não profissionalmente qualificados, tratandose de simples ajudantes; 32.5 se o veículo fosse de propriedade ou estivesse na posse de duas ou mais pessoas, o serviço não poderia ter sido prestado em conjunto, através de sociedade regular ou não; 32.6 se houvesse a propriedade ou posse de dois ou mais veículos, pelo contribuinte, estes não poderiam ser utilizados ao mesmo tempo na prestação de um determinado serviço. 32.7 em relação a rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, fazse necessária, também, a retenção de imposto de renda na fonte sobre os rendimentos. [...] 33. Intimado, conforme Termo de fls. 38, a apresentar a carteira de habilitação, e o comprovante de propriedade do veiculo destinado ao transporte, o fiscalizado informou, às fls. 43, já haver, anteriormente, fornecido o contrato de comodato firmado com o Sr. José Gilvan Alencar Fernandes, CPF 136.413.36449, relativamente ao caminhão Mercedes Benz, placa MZL 0019. Às fls. 45 consta, de fato, carta resposta referente à apresentação, pelo autuado, de "Contrato de Comodato". No entanto, não há qualquer esclarecimento acerca desse contrato, não se podendo afirmar que se trata do mencionado contrato de comodato tendo por objeto o caminhão placa MZL 0019. Quanto à carteira de habilitação, foi apresentada cópia, anexada às fls. 47, onde se constata não possuir, o autuado, habilitação necessária ao transportador autônomo de cargas. Em suma, não há, no processo, comprovação de propriedade ou posse do veiculo necessário ao desenvolvimento da atividade de transportador de cargas, nem tampouco documento de habilitação especifico para essa atividade, relativamente ao ano calendário de 1998. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13433.000386/200443 Acórdão n.º 2202004.114 S2C2T2 Fl. 474 9 34. Dessa forma, não resta caracterizada a condição de transportador autônomo de cargas do Sr. Antônio Ricarte de Freitas, requerida para que a pessoa fisica possa usufruir do beneficio fiscal de oferecer à tributação apenas 40% dos rendimentos recebidos. Ressalto, também que, ainda que o autuado lograsse comprovar tal condição, essa constatação não modificaria a natureza dos rendimentos recebidos em conformidade com as notas fiscais e recibos de fls. 17 a 32, pois tais documentos se referem, expressamente, ao fornecimento de materiais e não a pagamento de frete, exclusivamente pelo transporte de tais materiais. (grifos do original) Quanto ao pedido sucessivo do Recorrente, em seu Recurso Voluntário, de ser enquadrado como pessoa jurídica, não há como acolher, visto que, consoante descrito no Relatório Fiscal (fl. 63), o Contribuinte atuou como fornecedor da Prefeitura apenas em alguns meses do ano de 1998 e não consta que tenha dado continuidade à atividade depois desse período. Um dos requisitos da atividade comercial é a habitualidade de sua prática e, nesse caso, não restou comprovada a sua ocorrência. CONCLUSÃO No tocante ao anocalendário 1999 (infrações 001 e 002), a decisão do Colegiado da 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF foi para dar provimento ao recurso, o que foi mantido pela Câmara Superior. Diante do exposto, em relação ao anocalendário 1998, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 474DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.720906/2014-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E/OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ISENÇÃO.
São isentos os proventos de aposentadoria e/ou pensão percebidos por portador de moléstia grave, quando comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao ano-calendário a que se referem os rendimentos.
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. IMPOSTO SUPLEMENTAR. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA E/OU PENSÃO PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. EXIGÊNCIA FISCAL. IMPROCEDÊNCIA.
Torna-se improcedente a exigência do imposto suplementar com fundamento na dedução indevida de despesas médicas quando evidenciado nos autos que os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte, os quais não foram questionados pela autoridade lançadora, incluem, na sua totalidade, apenas proventos de aposentadoria e/ou pensão percebidos por portador de moléstia grave.
Numero da decisão: 2401-005.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Ausente o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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GLOSA. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente MARIA LÚCIA SILVEIRA LORETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 AJUSTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E/OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ISENÇÃO. São isentos os proventos de aposentadoria e/ou pensão percebidos por portador de moléstia grave, quando comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao anocalendário a que se referem os rendimentos. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. IMPOSTO SUPLEMENTAR. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA E/OU PENSÃO PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. EXIGÊNCIA FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Tornase improcedente a exigência do imposto suplementar com fundamento na dedução indevida de despesas médicas quando evidenciado nos autos que os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte, os quais não foram questionados pela autoridade lançadora, incluem, na sua totalidade, apenas proventos de aposentadoria e/ou pensão percebidos por portador de moléstia grave. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 09 06 /2 01 4- 58 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10073.720906/201458 Acórdão n.º 2401005.087 S2C4T1 Fl. 84 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Ausente o conselheiro Rayd Santana Ferreira. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10073.720906/201458 Acórdão n.º 2401005.087 S2C4T1 Fl. 85 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1270.819 (fls. 20/22): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. REVISÃO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. Não compete à autoridade julgadora proceder à revisão de ofício da declaração para retificação de valor declarado a título de rendimento tributável que não foi objeto do lançamento, por se tratar de matéria estranha à lide. Impugnação Improcedente 2. Em face da contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2012/068775915528325, relativa ao anocalendário 2011, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada pela fiscalização dedução indevida de despesas médicas, na importância de R$ 16.061,72 (fls. 9/13). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificada da notificação por via postal em 02/05/2014, às fls. 16, a contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2). 3.1 Afirmou, na ocasião, discordar da notificação fiscal em razão de ser portadora de paralisia irreversível e incapacitante desde o mês de fevereiro de 1999, conforme Laudo Pericial emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), moléstia esta que está referida no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (fls. 5). 4. Intimada em 26/12/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 23/25, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 16/01/2015 (fls. 26/29). 4.1 A pessoa física autuada reafirma a sua condição de portadora de moléstia grave prevista em lei, desde o ano de 1999, o que torna insubsistente a autuação fiscal, por ser isenta do pagamento do Imposto sobre a Renda, devendo, por conseguinte, ser cancelado o débito fiscal. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10073.720906/201458 Acórdão n.º 2401005.087 S2C4T1 Fl. 86 4 4.2 De forma adicional, junta documentos para o fim de comprovar a regularidade das deduções com despesas médicas informadas na DAA (fls. 34/60). 5. O processo foi convertido em diligência por esta Turma para saneamento, conforme Resolução nº 2401000.510, de 10 de maio de 2016, tendo em vista a falta de juntada aos autos pela unidade preparadora, em cópia, da DAA 2011/2012 entregue pela recorrente, a qual serviu de parâmetro de avaliação para a revisão fiscal (fls. 65/68). 6. A diligência foi cumprida, juntadose a DAA 2011/2012 (fls. 72/77). Oportunizado o contraditório à recorrente, não foi houve manifestação (fls. 78/80). É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10073.720906/201458 Acórdão n.º 2401005.087 S2C4T1 Fl. 87 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 7. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 8. Segundo prescreve o art. 39 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, nos incisos XXXI e XXXIII, e §§ 4º a 6º, são isentos do imposto sobre a renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão1 recebidos por portador de moléstia grave, quando devidamente comprovada a doença por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Transcrevo a redação dos dispositivos mencionados: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma 1 Acrescento, nessa lista, os rendimentos provenientes de reserva remunerada, tendo em vista o enunciado da Súmula Carf nº 63. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10073.720906/201458 Acórdão n.º 2401005.087 S2C4T1 Fl. 88 6 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. (...) (GRIFOUSE) 9. As alterações efetuadas pela fiscalização na declaração apresentada pelo contribuinte dizem respeito à glosa de despesas médicas. Todavia, reafirmando o que disse por ocasião da conversão do julgamento em diligência, a condição de portador de moléstia grave implica uma provável reclassificação dos rendimentos declarados, com reflexo direto na base de cálculo do imposto devido no anocalendário e, indiretamente, na necessidade de comprovação ou justificação das deduções. 10. Constatado que os rendimentos declarados são isentos, ou apenas em parte tributáveis, porém correspondentes à faixa inicial da tabela progressiva em que a alíquota é 0 (zero), a notificação fiscal será improcedente, sendo descabida a exigência de imposto suplementar. 10.1 Ao contrário do ponto de vista da decisão de piso, não se trata de revisar a declaração apresentada pela recorrente, mas tão somente dar solução à controvérsia relacionada à exigência de imposto suplementar da contribuinte, considerando os elementos de prova disponíveis nos autos. 11. É sabida a permanente tensão que vigora entre princípios informativos do processo administrativo fiscal, tais como ampla defesa, verdade material, duplo grau de jurisdição, informalismo moderado, oficialidade, preclusão e eficiência, cujo aplicador do direito deparase, muitas vezes, com a existência de conflitos entre eles, o que lhe exige adotar uma solução que melhor atenda ao caso concreto. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10073.720906/201458 Acórdão n.º 2401005.087 S2C4T1 Fl. 89 7 11.1 Uma das tarefas do julgador é assegurar o equilíbrio na aplicação dos princípios no desenvolvimento do contencioso administrativo tributário à luz do caso sob exame. Se, de um lado, devese respeitar as formalidades inerentes ao rito procedimental do processo administrativo, de outra parte não é conveniente ao interesse público a chancela de circunstâncias potencialmente aptas à instauração de litígio judicial inoportuno e dispensável, com óbvia violação ao princípio da eficiência. 12. Levada a questão para apreciação do Poder Judiciário, inevitavelmente será avaliada sobre o aspecto material. É intuitivo que não deverá prosperar a decisão administrativa que opta em manter um lançamento tributário que claramente não se coaduna como os princípios da legalidade tributária e verdade material no tocante à manutenção do crédito tributário. 13. À vista disso, sou favorável à atenuação dos rigores das normas quanto à produção de provas, como medida excepcional, em face da apresentação de documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador a respeito da improcedência do lançamento tributário, alterando, substancialmente, fatos que servem de suporte à exigência fiscal. Ao fim e ao cabo, o que está em jogo é a legalidade da tributação. 14. Pois bem. Há prova que a autuada é portadora de polimiosite (CID: M 33.2), desde o mês de fev/1999, com descrição de um quadro de espondiloartrose dolorosa, enquadrandose na moléstia "paralisia irreversível e incapacitante", segundo o Laudo Pericial emitido pelo INSS, assinado pela médica Mariza Marcondes Nitole em 08/01/2004 (fls. 5). A moléstia está incluída expressamente em lei no rol de patologias que dão direito à isenção do imposto sobre a renda. 15. Por sua vez, quanto aos rendimentos declarados pela contribuinte na DAA 2011/2012, no montante de R$ 45.833,87, possui como única fonte pagadora o INSS (fls. 73). Tal valor de rendimentos é o mesmo que consta no demonstrativo de apuração do imposto devido na Notificação de Lançamento nº 2012/068775915528325, não tendo sido questionado pela autoridade fiscal (fls. 12). 15.1 De acordo com os documentos acostados em cópias às fls. 39, emitidos pelo autarquia previdenciária federal, foi concedida à recorrente o benefício de aposentadoria por invalidez, a partir de 29/06/2000, sob o nº 1153406117, assim como o benefício previdenciário da pensão por morte, a contar de 06/12/2004, sob o nº 1287609918, em razão do óbito do cônjuge ocorrido em 17/08/2002. 16. Portanto, verificado que os rendimentos tributáveis declarados na DAA 2011/2012, objeto de procedimento de revisão fiscal, são oriundos de aposentadoria e/ou pensão pagos pela Previdência Oficial, e tendo em conta a comprovação da condição de portador de moléstia grave, as irregularidades identificadas nas despesas médicas, independentemente da procedência ou não, não têm o condão de reduzir a base de cálculo tributável do imposto sobre a renda declarado para o respectivo anocalendário. 17. Em consequência, as despesas médicas não influenciam a base de cálculo do imposto, cabendo tornar improcedente a exigência do imposto suplementar com fundamento na dedução indevida de despesas médicas. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10073.720906/201458 Acórdão n.º 2401005.087 S2C4T1 Fl. 90 8 18. Explico, por fim, que ultrapassa os limites da controvérsia fixada pela Notificação Fiscal e impugnação, circunscrita que está à exigência de imposto suplementar, qualquer pedido para restituição de valores a título de imposto sobre a renda, estando a matéria fora do presente litígio. 19. Tal pleito creditório, instruído com os documentos pertinentes, deve ser analisado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do domicílio tributário da recorrente. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para tornar insubsistente a exigência fiscal consubstanciada na Notificação Fiscal nº 2012/068775915528325, relativamente ao anocalendário 2011. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.902464/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 24 64 /2 00 9- 49 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.902464/200949 Acórdão n.º 1402002.651 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11040.902464/200949 Acórdão n.º 1402002.651 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11040.902464/200949 Acórdão n.º 1402002.651 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11040.902464/200949 Acórdão n.º 1402002.651 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904855/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.970
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 85 5/ 20 11 -3 8 Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10530.904855/201138 Resolução nº 3201000.970 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10530.904855/201138 Resolução nº 3201000.970 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10530.904855/201138 Resolução nº 3201000.970 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10530.904855/201138 Resolução nº 3201000.970 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721252/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
Ementa:
DEPOSITO BANCÁRIO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. VIOLAÇÃO AO SIGILO BANCÁRIO.
É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001 e decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em que prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, na medida em que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal.
MATÉRIA SUMULADA - INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI SÚMULA CARF Nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR.
Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao administrador da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei.
Não logrando os recorrentes infirmar a imputação de sujeição passiva solidária, não há como afastá-los do pólo passivo.
DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. Cofins.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito da sonegação.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA.
A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora à taxa selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. Cofins.
Ano calendário: 2009
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1302-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte; e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário dos responsáveis tributários, para afastar a responsabilidade das pessoas jurídicas recorrentes. Vencidos os Conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Julio Lima Souza Martins que mantinham também a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas recorrentes. O Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, acompanhou o voto da relatora pelas conclusões, em relação às pessoas físicas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca e Julio Lima Souza Martins.Ausentes justificadamente, os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 Ementa: DEPOSITO BANCÁRIO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. VIOLAÇÃO AO SIGILO BANCÁRIO. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001 e decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em que prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, na medida em que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. MATÉRIA SUMULADA - INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI SÚMULA CARF Nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao administrador da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei. Não logrando os recorrentes infirmar a imputação de sujeição passiva solidária, não há como afastá-los do pólo passivo. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. Cofins. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito da sonegação. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora à taxa selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. Cofins. Ano calendário: 2009 Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito.
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VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA e VIAÇÃO BRISTOL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 Ementa: DEPOSITO BANCÁRIO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. VIOLAÇÃO AO SIGILO BANCÁRIO. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001 e decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em que prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, na medida em que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. MATÉRIA SUMULADA INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 52 /2 01 4- 16 Fl. 5802DF CARF MF 2 os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao administrador da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei. Não logrando os recorrentes infirmar a imputação de sujeição passiva solidária, não há como afastálos do pólo passivo. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. Cofins. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito da sonegação. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora à taxa selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. Cofins. Ano calendário: 2009 Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte; e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário dos responsáveis tributários, para afastar a responsabilidade das pessoas jurídicas recorrentes. Vencidos os Conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Julio Lima Souza Martins que mantinham também a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas recorrentes. O Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, acompanhou o voto da relatora pelas conclusões, em relação às pessoas físicas, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fl. 5803DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 3 3 Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca e Julio Lima Souza Martins.Ausentes justificadamente, os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão exarada (efls.4.539/4.564) que a seguir transcrevo: Contra o contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração o qual lhe exige a importância de R$ 5.052.163,06, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, ano calendário 2009, acrescido de multa de ofício, qualificada, de 150% e juros de mora à época do pagamento. A empresa autuada, então optante pelo Lucro Real anual, teve seu lucro arbitrado neste ano, “[...] tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro real, em virtude de erros e falhas abaixo enumeradas: art.530, incisos II, do RIR/99.” Na composição da base de cálculo do lucro arbitrado foi considerado a (i) receita omitida da atividade da empresa e (ii) a receita omitida por conta de depósito bancário de origem não comprovada, com base no art.42 da Lei nº 9.430/96 (enquadramento indicado no Auto). Em decorrência deste lançamento, foram ainda lavrados Autos de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, na importância de R$ 1.522.848,91, de R$ 1.586.300,97 de COFINS e de R$ 343.698,54 a título de Contribuição para o PIS/PASEP, acrescidas da multa de ofício de 150% e de juros de mora à época do pagamento. No Termo de Verificação/Relatório Fiscal, temse, resumidamente: que, em face de não atendimento a intimação fiscal, os extratos bancários foram obtidos por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira; foi apresentada a DIPJ do ano calendário de 2009 com os valores de receitas e despesas zeradas; valores contabilizados em conta bancos em vários lançamentos a débito e superiores a R$ 50.000.000,00; Fl. 5804DF CARF MF 4 lançamentos contábeis zerando as contas de despesas, todo mês, sem leválas para a conta de resultado; lançamentos irrisórios na contabilidade de receitas em valores abaixo de R$ 10.000,00, quando verificouse lançamentos a débito em conta de n.1.2.01.004 (São Paulo Transportes S/A) de valores superiores a R$ 33.000.000,00, com históricos de receitas, sem que fossem levados para resultado; que, mesmo após as intimações para apresentação de documentos e esclarecimentos, a Fiscalizada não apresentou nenhuma documentação que respaldasse suas alegações relativas ao ingresso dos recursos; que a contabilidade contém evidências de fraude, uma vez que as entradas de recursos lançadas a crédito na conta n.1.2.01.004 (São Paulo Transportes S/A) e a débito da conta 1.1.02.01.001 (Banco Bradesco) conforme Anexo 5, no valor total de R$ 33.048.802,86 e em cujos históricos constam expressões do tipo “Receita Arrecadação OCT (Entrada)” ou “Recebto Postos Vendas (Externo)”, não foram levadas ao resultado como receitas; essas entradas de recursos são comprovadas através da movimentação bancária (Anexo 9); as ordens de crédito (OCT) estão previstas em “CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ORDEM DE CRÉDITO POR TELEPROCESSAMENTO – OCT” (Anexo 6), firmado entre o Bradesco e a Taboão; Concluindo, a autoridade fiscal autuante: Diante do relatado ficou impossibilitada a verificação da adequação dos lançamentos contábeis com os respectivos fatos, não permitindo, portanto, a comprovação da correta apuração do LUCRO REAL, sujeitando a pessoa jurídica a ter o seu lucro arbitrado pela autoridade tributária, que para fins do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, será considerada a forma de tributação pelo lucro arbitrado por ter infringido o inciso II do artigo 530 do RIR/99. No referido Termo/Relatório Fiscal, encontramse as demais informações acerca do lançamento, como a base de cálculo do Lucro Arbitrado considerada, qual seja, a (i) receita da atividade e omitida e que importou em R$ 33.048.802,86, discriminada por mês (Anexo 5), com aplicação do percentual de 32%, pois a atividade da Fiscalizada é de prestação de serviços (transporte rodoviário coletivo de passageiros) e (ii) a receita omitida por conta de depósitos bancários de origem não comprovada, da ordem de R$ 19.827.895,47, composto pelo ingresso de recursos de outras três empresas – Via Sul Transportes Urbanos Ltda., Viação Bristol Ltda. e Viação Tânia de Transportes Ltda. (Anexo 8), totalizados mês a mês (Anexo 10), sem, entretanto, prova do alegado pela Fiscalizada. Relativamente à qualificação da multa de ofício então aplicada aos lançamentos, assim se posicionou a autoridade autuante: Fl. 5805DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 4 5 18. DA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO – Ainda como conseqüência do até aqui exposto ocorrerá a MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre os valores lançados, em ambas as infrações citadas no item 15.4 acima, de acordo com o artigo 957, inciso II do RIR/99, por ter ocorrido sonegação, pois como já explicado anteriormente, o contribuinte ao não fazer constar os valores lançados como omissão, nem em DIPJ, nem em DCTF e na contabilidade não ter lançado os mesmos como receitas, tentou impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência dos fatos geradores, motivo pelo qual, no interesse da Fazenda Nacional, promovemos o presente lançamento de ofício do IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica com seus reflexos. Relativamente às pessoas físicas (oito) e jurídicas (três), então arroladas como responsáveis solidários, nos termos dos arts.124, I, e 135, ambos do CTN, os mesmos encontramse indicados no item 19. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA do Termo/Relatório Fiscal. As pessoas físicas seriam todas sócias administradoras da Fiscalizada, enquanto que as pessoas jurídicas arroladas e já citadas anteriormente, tiveram sua inclusão no polo passivo como responsáveis solidárias por conta de movimentação de fluxos de dinheiro entre elas e a Fiscalizada (informa o autuante que já existem decisões judiciais que reconhecem as mencionadas empresas também de transporte coletivo – e a própria Fiscalizada como integrantes de um mesmo grupo econômico). DAS IMPUGNAÇÕES Cientificadas dos autos de infração, todos apresentaram impugnação, a empresa fiscalizada e os responsáveis solidários, pessoas físicas e jurídicas. Da Impugnação da Fiscalizada, em resumo: que parte dos valores exigidos (referentes a janeiro a outubro de 2009) encontrase fulminado pela decadência, nos termos do §4º do art.150 do CTN, uma vez que os indigitados Autos de Infração somente foram lavrados em 11/11/2014; que o acesso à sua movimentação financeira se deu sem prévia autorização judicial, o que viola a CF/88 (arts.5º, incisos X e XII); que uma vez demonstrado documentalmente que os valores que ingressaram na contabilidade não dizem respeito à receita da Impugnante, mas sim a repasses decorrentes de rateio de despesas entre empresas relacionadas (transcreve várias ementas de julgados do CARF), de forma que não houve omissão de receitas; Fl. 5806DF CARF MF 6 que a multa de 150% é inaplicável dado o seu caráter confiscatório (transcreve excertos de decisões judiciais), além de que não se deu nenhum ato ilícito, é necessária a comprovação acerca do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo (cita e transcreve ementas do CARF); transcreve quase todo o Termo Fiscal, questionando as conclusões ali elencadas, onde alega que devem ser afastadas, pelos seguinte motivos: decadência, em face do lançamento ser por homologação já se passaram cinco anos do fato gerador transcreve excertos de várias decisões judiciais e ementas de julgados do CARF); que por existir recolhimentos impõese a aplicação do art.150 e não o inciso I do art.173 (para aplicar este tem de provar a fraude), ambos do CTN; que conforme veio a decidir o Plenário do STF nos autos do RE n. 389.808/PR, em acórdão publicado aos 10/05/2011 (transcreve ementa), o sigilo de dados do contribuinte está protegido pela cláusula inserta no artigo 5º, inciso XII da CF, sendo vedada à Receita Federal sua quebra sem prévia ordem judicial; que de acordo com Regimento Interno do CARF, é de rigor a aplicação do entendimento do STF ao caso dos autos (transcreve art.62 da Portaria MF 256/2009); discorre ainda sobre a inconstitucionalidade do art.6º da LC 105/2001 e do Decreto n.3.724/2001 que a regulamentou, além de violações a outros dispositivos da CF (quebra do sigilo bancário, direito a intimidade, sigilo de dados, onde transcreve excertos de decisões judiciais e doutrina); da suposta omissão de receitas: a Fiscalização parte de premissas equivocadas e, também, lastreada em extratos bancários obtidos ilegalmente; isto porque a jurisprudência do CARF “reconhece a ilegalidade da inclusão, na base de cálculo do IRPJ/CSLL e do PIS/COFINS, dos valores recebidos a título de recuperação de custos/despesas, em virtude de rateio/compartilhamento de despesas.”; que não auferiu receitas, que os valores que ingressaram em sua contabilidade decorrem de repasses de empresas relacionadas para pagamento de despesas da Impugnante (transcreve várias ementas do CARF); discorre, por fim, acerca do entendimento que faz pela não incidência de juros de mora sobre a multa. Da Impugnação dos Responsáveis Solidários: Pessoas Físicas Todos os sócios administradores foram arrolados, quais sejam: ARMELIN RUAS FIGUEIREDO, CARLOS DE ABREU, FRANCISCO PINTO, JOSE RUAS VAZ, MANUEL BERNARDO PIRES DE ALMEIDA, MARCELINO ANTONIO DA SILVA e VICENTE DOS ANJOS DINIS FERRAZ. Todas as impugnações apresentadas são iguais, sendo que as alegações trazidas se traduzem basicamente em repetir as questões preliminares e de mérito trazidas na impugnação apresentada pela Impugnante (contribuinte fiscalizada) e, Fl. 5807DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 5 7 quanto à questão da atribuição de responsabilidade solidária, alegam os sócios administradores que: que é absurda a pretensão fiscal de responsabilizar o sócio co administrador por obrigações da pessoa jurídica, uma vez não praticados – e sequer provados – atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; que nos termos da jurisprudência consolidada do STJ, exarada inclusive pela sistemática dos recursos repetitivos, a responsabilização de sócio gerente somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa, não se incluindo o simples inadimplemento de obrigações tributárias; que tal decisão deve ser objeto de aplicação pelo CARF (art.62A do regimento Interno deste Colegiado) que a autoridade fiscal alega mas não prova que os sócios administradores são responsáveis tributários; para que tal responsabilidade tributária se verifique, é necessário – como manda o art.135 do CTN – que tenha havido a prática de atos como excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não valendo, para tanto, o mero inadimplemento da obrigação tributária. Da Impugnação dos Responsáveis Solidários: Pessoas Jurídicas Empresas arroladas: VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA., VIAÇÃO TÂNIA DE TRANSPORTES LTDA. E VIAÇÃO BRISTOL LTDA. Todas as impugnações apresentadas são iguais, sendo que as alegações trazidas se traduzem basicamente em repetir as questões preliminares e de mérito trazidas na impugnação apresentada pela Impugnante (contribuinte fiscalizada). No que se refere à questão da atribuição de responsabilidade solidária, alegam as empresas que: que é absurda a pretensão fiscal de responsabilizar a ora Impugnante por obrigações da Empresa Auto Viação Taboão Ltda. – ME, uma vez que tratamse de pessoas jurídicas absolutamente distintas; que a autoridade fiscal alega mas não prova que a ora Impugnante é, de fato, responsável tributária; para que tal responsabilidade tributária se verifique, é necessário – como manda o art.124 do CTN – que haja “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”, interesse comum que, em se tratando de pessoas jurídicas distintas, simplesmente não existe; que em jurisprudência consolidada do STJ “o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma Fl. 5808DF CARF MF 8 prevista no art.124 do CTN. Ressaltese que a solidariedade não se presume (art.265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário .” (EREsp 85961/RS); nos termos do art.124 do CTN, existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação ou o simples inadimplemento de obrigações tributárias. de forma igual merece ser cancelado o arrolamento ilegal e arbitrário dos bens de propriedade da ora Impugnante, na medida em que a sua responsabilização no presente caso, como visto, não encontra amparo na lei e em frontal desconsideração ao caput do artigo 64 da Lei n. 9.532/97; [nota do Relator: esta alegação acerca de arrolamento pertence apenas à empresa VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA]. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (3ª Turma/ DRJ/Florianópolis/SC) negou provimento às impugnações (da pessoa jurídica e dos responsáveis solidários) em decisão proferida no venerando, Acórdão nº 0736.939 , de 20 de março de 2015, assim ementado (fl. 4.539): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 Lançamento por homologação. Dolo. Decadência. Art.173 do CTN. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no art.159 para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do CTN), onde ficou constatado que sob as regras deste último, não ocorreu a decadência para quaisquer dos fatos geradores trimestrais. Sigilo Bancário. Precedente. STF. Decisão Inter partes. A decisão no RE 389.808/PR não tem a característica de definitividade necessária para o reconhecimento, em sede do processo administrativo fiscal, da inaplicabilidade da norma que confere ao Fisco o acesso à movimentação financeira do contribuinte sem a prévia autorização judicial, conforme exigido pelo § 6º, inc. I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Depósitos Bancários. Origens. Presunção Legal. Omissão de Receita. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Presunções Legais Relativas. Distribuição do ônus da Prova. Fl. 5809DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 6 9 As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Receitas. Registros Contábeis. Omissão. DIPJ A existência de lançamentos contábeis em conta de ativo (bancos/disponibilidades) com registros de históricos de receitas e não levados à conta contábil de resultados, implica na sua tributação de ofício, mormente quando a fiscalizada não apresenta qualquer documentação que infirmassem os registros e/ou não declara nada a título de receitas em sua DIPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 Multa de Ofício Qualificada. Conduta Dolosa. Aplicação Legitimada. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Responsabilidade Tributária Solidária. Infração de Lei. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Responsabilidade Tributária Solidária. Interesse Comum. Mantémse as empresas citadas como responsáveis solidárias no polo passivo da obrigação tributária quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art.124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas, em virtude de atuação complementar e existência de vinculação gerencial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 Lançamentos Decorrentes. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e COFINS. No mérito, tratandose da mesma matéria fática, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). A contribuinte tomou ciência da referida decisão de 1ª instância, conforme o Aviso de Recebimento (AR), em 09/09/2015, efls.4.588 e apresentou Recurso Voluntário em Fl. 5810DF CARF MF 10 25/09/2015, efls.4.891/4.898. Todos os sócios administradores, Pessoas Físicas, arrolados como responsáveis solidários, quais sejam: FRANCISCO PARENTE DOS SANTOS, ARMELIN RUAS FIGUEIREDO, CARLOS DE ABREU, FRANCISCO PINTO, JOSE RUAS VAZ, MANUEL BERNARDO PIRES DE ALMEIDA, MARCELINO ANTONIO DA SILVA e VICENTE DOS ANJOS DINIS FERRAZ, também foram cientificados da mesma decisão conforme Avisos de Recebimento (AR), efls.4.589/4.596, e protocolizaram seus recursos voluntários também em 25/09/2015 (exceção feita ao responsável solidário José Ruas Vaz que apresentou em 30/09/2015). As pessoas jurídicas que foram arroladas como responsáveis solidárias: VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA e VIAÇÃO BRISTOL LTDA foram cientificadas da mesma decisão, em 10/09/2015, conforme Avisos de Recebimento (AR), efls.4.589/4.590, e protocolizaram seus recursos voluntários também em 25/09/2015. A responsável solidária: Viação Tânia de Transportes Ltda, foi cientificada da decisão, por Edital, em 29/09/2015 mas não apresentou recurso. No recurso interposto pela contribuinte Empresa Auto Viação Taboão Lida ME (fls.4.801/4.898), a autuada, ora Recorrente, tanto à título de preliminar quanto no mérito, repisa em linhas gerais os argumentos deduzidos em sua impugnação, portanto desnecessário repetilos. O mesmo acontece em relação aos recursos apresentados pelos Responsáveis Solidários (efls.4.599/5.700): Pessoas Físicas e Pessoas Jurídicas que, repetem, no essencial, os mesmos argumentos seus e da pessoa jurídica autuada, despendidos nas impugnações, portanto, desnecessário repetilos, porque sintetizados acima. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora Os recursos voluntários apresentados, são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Deles conheço. Todos os Recursos Voluntários dos coobrigados (Pessoas Físicas e Pessoas Jurídicas) são iguais. As alegações trazidas se traduzem basicamente em repetir as questões preliminares e de mérito trazidas na impugnação apresentada pela pessoa jurídica (contribuinte fiscalizada). A questão específica apresentada nos Recursos Voluntários dos coobrigados diz respeito à atribuição de responsabilidade solidária. A análise inicial dos recursos darseá primeiramente em relação aos pontos comuns, e, por último será analisada a responsabilidade tributária dos coobrigados (Pessoas Físicas e Pessoas Jurídicas) como questão específica. 1. Do Recurso Voluntário da contribuinte Empresa Auto Viação Taboão Lida ME e dos Responsáveis solidários (Pontos comuns). 1.1 Decadência Os Recorrentes alegam que, significativa parte dos valores exigidos (vale dizer, relativamente às competências de Janeiro a Outubro de 2009) encontrase fulminada Fl. 5811DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 7 11 pela DECADÊNCIA, considerandose a aplicação do artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, de vez que os indigitados Autos de Infração somente foram lavrados em 11/11/2014. mediante o lançamento tributário após o decurso de mais de 5 (cinco) anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Conforme relatado, nos autos de infração fora aplicada a multa por infração qualificada sob o entendimento de que restou comprovado o evidente intuito de fraude. Tal matéria será tratada em ponto específico deste voto que se discorrerá adiante. Assim, a decadência será analisada após a análise das razões que ensejaram o lançamento com a multa qualificada. 1.2 Sigilo Bancário Os Recorrentes alegam que, o acesso à movimentação financeira da autuada, se deu sem prévia autorização judicial, o que viola a CF/88 (arts.5º, incisos X e XII), portanto, o processo administrativo que culminou com a lavratura dos Autos de Infração em causa é nulo de pleno direito. Aduzem que, conforme veio a decidir o Plenário do STF nos autos do RE n. 389.808/PR, em acórdão publicado aos 10/05/2011 (transcreve ementa), o sigilo de dados do contribuinte está protegido pela cláusula inserta no artigo 5º, inciso XII da CF, sendo vedada à Receita Federal sua quebra sem prévia ordem judicial Discorrem ainda sobre a inconstitucionalidade do art.6º da LC 105/2001 e do Decreto n.3.724/2001 que a regulamentou, além de violações a outros dispositivos da CF (quebra do sigilo bancário, direito a intimidade, sigilo de dados, onde transcreve excertos de decisões judiciais e doutrina). A argumentação dos Recorrentes não tem fundamento legal haja vista que, de acordo com o artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, em vigor, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, desde que iniciado o procedimento fiscal, como é o caso dos presentes autos. A obtenção de provas pelo Fisco junto à instituição financeira não constitui violação às garantias individuais asseguradas na Constituição Federal, nem quebra de sigilo, nem ilicitude, porquanto é um procedimento fiscal com amparo legal. Ademais a norma contida na Lei Complementar 105/01, permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de credito tributário, e, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não cabe o controle de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula nº 02, verbis: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressaltese que, o conhecimento que se tem sobre o RE 389.808/Paraná julgado pelo Supremo Tribunal Federal, é que, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização Fl. 5812DF CARF MF 12 judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, e que, a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. A conclusão que se impõe é que, é licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. É o caso. Não havendo a pessoa jurídica apresentado a documentação solicitada pela autoridade fiscal, não restara outra alternativa a não ser a Requisição da Movimentação Financeira às instituições bancárias. Argumentação rejeitada. 1.3 Omissão de Receita e a Desconsideração do Rateio de Despesas Conforme relatado, no Termo/Relatório Fiscal, encontramse as demais informações acerca do lançamento, como a base de cálculo do Lucro Arbitrado considerada, qual seja: (i) receita da atividade e omitida e que importou em R$ 33.048.802,86, discriminada por mês (Anexo 5), com aplicação do percentual de 32%, pois a atividade da Fiscalizada é de prestação de serviços (transporte rodoviário coletivo de passageiros) e (ii) a receita omitida por conta de depósitos bancários de origem não comprovada, da ordem de R$ 19.827.895,47, composto pelo ingresso de recursos de outras três empresas – Via Sul Transportes Urbanos Ltda., Viação Bristol Ltda. e Viação Tânia de Transportes Ltda. (Anexo 8), totalizados mês a mês (Anexo 10), sem, entretanto, prova do alegado pela Fiscalizada. Os Recorrentes alegam que não houve omissão de receitas por parte da atuada uma vez que demonstrado documentalmente que os valores que ingressaram na contabilidade não dizem respeito à receita da Impugnante, mas sim a repasses decorrentes de rateio de despesas entre empresas relacionadas. Nos recursos voluntários consta a seguinte transcrição: ...de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, "o contribuinte não apresentou nenhuma documentação que respaldasse suas alegações relativas ao ingresso dos recursos e nem mesmo os esclarecimentos prestados conseguiram descaracterizar que tenha ocorrido omissão de receitas. Em sua DIPJ o contribuinte informa zero de Receitas. A DCTF também não apresenta nenhum valor de IRPJ. A contabilidade contém evidências de fraude, uma vez que as entradas de recursos lançadas a crédito na conta 1.201.0004 (São Paulo Transportes S/A), e a débito da conta 1.1.02.01.0001 (Banco Bradesco), conforme Anexo 5, no valor total de R$ 33.048.802,86 e em cujos históricos constam expressões do tipo "Receita Arrecadação OCT (Entrada)" ou "Recebto Postos Vendas (Externo)" não foram levadas ao resultado como Receitas. Fl. 5813DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 8 13 Essas entradas de recursos são coprovadas através da movimentação bancária (Anexo 9). As ordens de crédito (OCT) estão previstas em um "CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ORDEM DE CRÉDITO POR TELEPROCESSAMENTO OCT" (Anexo 6), firmado entre o Bradesco e a Taboão. Com relação às despesas incorridas pudemos apurar que as mesmas, após terem sido constituídas, são zeradas mediante crédito nas respectivas contas e débitos em uma conta de passivo. Diante do relato ficou impossibilitada a verificação da adequação dos lançamentos contábeis com os respectivos fatos, não permitindo, portanto , a comprovação da correta apuração de LUCRO REAL, sujeitando a pessoa jurídica a ter o seu lucro arbitrado pela autoridade tributária, que para fins do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, será considerada a forma de tributação pelo LUCRO ARBITRADO por ter infringido p inciso II, do artigo 530 do RIR/99, Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. " Afirmam os Recorrentes que as premissas alinhadas pela Fiscalização não se mostram verdadeiras e tampouco aplicáveis ao caso em questão. Isto porque a jurisprudência do então Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) reconhece a ilegalidade da inclusão, na base de cálculo do IRPJ/CSLL e do PIS/COFINS, dos valores recebidos a título de recuperação de custos/despesas, em virtude de rateio/compartilhamento de despesas. E que, não auferiu receitas, haja vista que, os valores que ingressaram em sua contabilidade decorrem de repasses de empresas relacionadas para pagamento de despesas da Impugnante (transcreve várias ementas do CARF) . Concluem que, efetivamente, uma vez demonstrado documentalmente que os valores em alusão não dizem respeito à receita da ora Recorrente, mas sim a repasses decorrentes de rateio de despesas entre empresas relacionadas (tal e qual se admite, torrencialmente, pela jurisprudência administrativa), impõese afastar de plano quaisquer pretensões no sentido de ter havido omissão de receitas no caso de que se cuida. As alegações dos Recorrentes são as mesmas trazidas em sede de impugnação, analisadas na decisão recorrida e confrontadas com os seguintes fatos e fundamentos que também adoto como razão de decidir, transcrevendo seus termos conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: Com base no Termo de Intimação Fiscal 006, cientificado a Impugnante em 11 de agosto de 2014, solicitouse que a contribuinte fiscalizada apresentasse os devidos esclarecimentos acerca de créditos bancários registrados em suas contas bancárias no Banco Bradesco, indicados individualmente em planilha que lhe foi entregue, cujo total, conforme consta em resumo anexo ao Termo, é da ordem de R$ 54.895.952,67. Reproduzindo o que consta no Termo de Verificação Fiscal (os destaques pertencem ao original): Fl. 5814DF CARF MF 14 13. Em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal 006 o contribuinte alegou textualmente: “São repasses de empresa relacionada para pagamento de dívidas dessa empresa.” Diante do exposto, em 06/09/2014 lavramos o Termo de Intimação Fiscal 007, cuja ciência se deu via postal, através de aviso de recebimento (AR), em 09/09/2014, no qual intimamos o contribuinte a, no prazo de 15 dias, esclarecer de quem são as dívidas e com quem e a apresentar ainda a documentação que respalde as alegações feitas. Também solicitamos que esclarecesse os lançamentos feitos a crédito na conta 1.2.01.01.0004 (São Paulo Transportes S/A) e a débito da conta 1.1.02.01.0001 (Banco Bradesco) e em cujos históricos constam expressões do tipo “Receita Arrecadação OCT (Entradas)” ou “Recebto Postos Vendas (Externo). Em atendimento, a resposta da contribuinte, acostada aos autos e considerada no Anexo 4: Referente Termo de Intimação Fiscal 007 Em atendimento à solicitação contida na notificação acima, passamos a informar o que segue: 1. As dívidas são da própria Viação Taboão e referemse a salários dos seus empregados. 2. Anexo apresentamos resumo da Folha de Pagamento. 3. Direitos a receber da São Paulo Transportes S/A, por venda de bilhetes únicos, por Postos de Venda de Bilhetes Único, repassados a Viação Taboão. Agora em sede de impugnação, a Impugnante reitera o que afirmou durante a ação fiscal, “...uma vez demonstrado documentalmente que os valores que ingressaram na contabilidade não dizem respeito à receita da Impugnante, mas sim a repasses decorrentes de rateio de despesas entre empresas relacionadas, ...não houve omissão de receitas” No sentido de comprovar suas alegações a Impugnante traz uma coleção de ementas de julgados do CARF acerca de considerações fiscais sobre rateio de despesas entre empresas relacionadas, apenas isto, ou seja, não há qualquer documentos nos autos que possa, conforme constatam as autoridades autuantes, “descaracterizar que tenha ocorrido omissão de receitas.” No Anexo 5 encontramse os valores mensais dos lançamentos feitos a crédito na conta 1.2.01.01.0004 (São Paulo Transportes S/A) e a débito da conta 1.1.02.01.0001 (Banco Bradesco) e que totalizaram R$ 33.048.802,86, cujos históricos constam expressões do tipo “Receita Arrecadação OCT (Entradas)” ou “Recebto Postos Vendas (Externo). Tais ingressos de recursos na contabilidade da Impugnante foram ora tributados de ofício por conta de receitas omitidas da atividade da empresa fiscalizada. No Anexo 10 encontramse os valores mensais que ingressaram na contribuinte fiscalizada proveniente de recursos de três Fl. 5815DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 9 15 empresas – a VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA., VIAÇÃO BRISTOL LTDA. e VIAÇÃO TÂNIA DE TRANSPORTES LTDA. contabilizados crédito na conta 1.1.01.01.0001 (Caixa geral) e a débito da conta 2.1.02.01.0007 (Bradesco conta garantida) e/ou conta 1.1.02.01.0001 (Banco Bradesco) que totalizaram R$ 19.827.895,47. Conforme relatoriado, a empresa fiscalizada foi intimada a se pronunciar acerca destes créditos bancários oriundos destas empresas, tendo respondido que se tratavam Repasses de empresa relacionada para pagamento de dívidas dessa empresa, sem, entretanto, trazer qualquer documento que sustentasse o alegado. Tais ingressos de recursos na contabilidade da Impugnante foram ora tributados de ofício por conta de receitas omitidas com base no art.42 da Lei n.9.430/96 (depósitos bancários de origem não justificada). Após a edição da Lei nº 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação adequada, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, assim, dispondo em seu art. 42: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ......................................................................................................... .......... Tratase, portanto, de uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Fl. 5816DF CARF MF 16 É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Reiterese, portanto, que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas, até mesmo porque, depósito bancário não configura disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Mas, pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta provém de receitas então omitidas. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. Consoante Termo de Intimação Fiscal nº 006, a contribuinte foi intimada a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados (sendolhe entregue um CD com todos os lançamentos a débito e a crédito das contas bancárias) em sua conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Assim, não tendo a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos (conforme Anexo 8 – Planilha Relacionando Por Empresa Os Valores Relativos ao Fluxo de Capitais que Entraram na Taboão Vindos de Empresas Relacionadas e, discriminados mensalmente conforme Anexo 10 Planilha Com Valores Mensais Relativos ao Fluxo de Capitais que Entraram na Taboão Vindos de Empresas Relacionadas,citados no Termo Fiscal) é de se concluir que tiveram origem em recursos mantidos à margem da escrituração. Neste sentido, a acórdão proferido pelo 1º Conselho de Contribuintes, Segunda Câmara, Acórdão 10245.740, em 16/10/2002 (DOU de 07/01/2003): LANÇAMENTO COM BASE EM MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA – A Lei 9.430/96 (art.42 e §§) operou uma significativa mudança no tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda. Inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas, sob pena de se sujeitar a autuação por acréscimo patrimonial a descoberto. A presunção criada a favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Faz mister, porém, um mínimo de esclarecimentos por parte do contribuinte e, na espécie, o Fl. 5817DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 10 17 Recorrente deixou transcorrer em branco as reiteradas oportunidades a ele concedidas para tanto. Tratase, portanto, de presunção legal, onde a lei determina que, ocorrida a situação fática (créditos em conta de depósito sem comprovação de origem), podese presumir, até prova em contrário (esta a cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita). Considerando que a contribuinte não consegue explicar e não há documentos – nada apresentou durante a ação fiscal e nem agora que pudessem amparar suas alegações acerca da natureza daquela montanha de créditos bancários (R$ 19.827.895,47!), de se manter incólume o lançamento de IRPJ. Com efeito, os Recorrentes alegam, mas não conseguem comprovar tratarse de mero ingresso de recursos em que a entidade empresarial está, tão somente, recebendo de terceiros valores a ela imputável em função do rateio de custos/despesas entre as partes estipulado, razão pela qual não merece reparo à decisão recorrida. 1.4 Multa Qualificada Os Recorrentes argúem que, a multa de 150% é inaplicável dado o seu caráter confiscatório (transcreve excertos de decisões judiciais), além de que não se deu nenhum ato ilícito, é necessária a comprovação acerca do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo (cita e transcreve ementas do CARF). Os fatos que dizem respeito à infração fiscal e aplicação da multa qualificada de 150% constam do Termo de Verificação Fiscal (fl.202/212), do seguinte modo, nos seguintes itens: 15.4. Os valores de receitas omitidas e que foram considerados para efeito de tributação na forma de lucro arbitrado são dois: o O primeiro valor lançado como omissão de receitas é o que totaliza R$ 33.048.802,86, cujos valores, totalizados mês a mês, encontramse no Anexo 5. Esse valor é composto pela soma dos valores creditados na conta 1.2.01.01.0004 (São Paulo Transportes S/A), e debitados na conta 1.1.02.01.0001 (Banco Bradesco) em cujos históricos constam expressões do tipo "Receita Arrecadação OCT (Entrada)" ou "Recebto Postos Vendas (Externo)". Esses lançamentos foram ainda confrontados com os constantes nos extratos bancários (Anexo 9), conforme autorizado pelo contribuinte (item 10 acima), comprovando a efetiva entrada dos recursos. O valor total foi lançado em uma infração como omissão de receitas da atividade. ..... o O segundo valor, que totaliza R$ 19.827.895,47, é composto pelos ingressos de recursos de outras três empresas e cujas origens o contribuinte apenas se limitou a dizer tratarse de "Repasses de empresa relacionada para pagamento de dívidas dessa empresa", sem contudo ter apresentado nenhum documento que sustentasse Fl. 5818DF CARF MF 18 suas alegações. A tabela abaixo resume os valores, que foram encontrados na contabilidade do contribuinte, cujos lançamentos, separados por empresa, encontramse no Anexo 8. Esses valores também foram confrontados com os constantes nos extratos bancários (Anexo 9 ) , conforme autorizado pelo contribuinte (item 10 acima), comprovando a efetiva entrada dos recursos. Os valores totalizados mês a mês encontramse na planilha do Anexo 10. Esse valor foi lançado em uma infração como omissão de receitas, depósitos bancários de origem não comprovada ... 18. DA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Ainda como conseqüência do até aqui exposto ocorrerá a MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE 150% (cento e cinqüenta por cento), sobre os valores lançados, em ambas as infrações citas no item 15.4 acima, de acordo com o artigo 957, inciso II, do RIR/99, Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, por ter ocorrido sonegação, pois como já explicado anteriormente, o contribuinte ao não fazer constar, os valores lançados como omissão, nem em DIPJ, nem em DCTF e na contabilidade não ter lançado os mesmos como receitas, tentou impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência dos fatos geradores, motivo pelo qual, no interesse da Fazenda Nacional, promovemos o presente lançamento de ofício do IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica com seus reflexos. Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Conforme se observa, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, como previsto nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 5819DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 11 19 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação original, terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. A decisão recorrida para a manutenção da multa qualificada de 150%, adotou como fundamento os seguintes fatos: Em suma, justificam a qualificação da multa não só a relevância dos valores e a habitualidade da conduta, mas todo o contexto fáticoprobatório dos autos. A contribuinte fiscalizada movimentava milhões de reais em apenas duas contas bancárias e em seu registro contábil aparecia receitas inferiores a dez mil reais em contas de resultado. Ao final de cada mês zerava os valores registrados em conta de despesas, não as levando para o resultado do período. Na sua DIPJ do ano calendário de 2009 não há valores declarados de receitas ou despesas, bem como não há registro em DCTF de valores de IRPJ. Como se vê, não procede o argumento de que a fiscalização aplicou a multa de 150% sem provas materiais do cometimento de, no caso, sonegação. As circunstâncias que legitimam e determinam a aplicação da multa qualificada estão, em verdade, materialmente comprovadas. Os Recorrentes mencionam a seu favor as Súmulas 14 e 25 do CARF, verbis: Súmula CARF N° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF Nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 5820DF CARF MF 20 Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e reproduzido na decisão recorrida, as irregularidades apontadas, que motivaram a autuação, não tratam de simples omissão de receitas e sim de operações escamoteadas que demonstravam que a contribuinte fiscalizada movimentava milhões de reais em apenas duas contas bancárias e em seu registro contábil aparecia receitas inferiores a dez mil reais em contas de resultado, de sorte que, ao final de cada mês zerava os valores registrados em conta de despesas, não as levando para o resultado do período. A sua DIPJ do ano calendário de 2009 foi apresentada "zerada", sem que haja valores declarados de receitas ou despesas, bem como não há registro em DCTF de valores de tributos, fatos estes que evidenciam ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, pelo que fica caracterizada a sonegação fiscal, prevista no artigo 71 caput e inciso I da Lei 4.502 de 1964. Assim fica o contribuinte sujeito à multa qualificada prevista no artigo 44, inciso II e artigo 80 inciso II da Lei 9.430/96. Com efeito, a sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Assim, constatada a sonegação e dolo, correto o lançamento da multa qualificada de 150% Os Recorrentes também alegam que, a multa aplicada, como se depreende do demonstrativo de multa e juros de mora, foi equivalente a 150%, em manifesta ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco, consagrado implicitamente pela Constituição, em seu artigo 5o, XXII. No que tange ao aspecto confiscatório da multa, alegado pelos recorrentes, a exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo a esse órgão do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 desse E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Decadência Conforme anunciado preliminarmente, no presente voto, os Recorrentes alegam que, os valores exigidos, relativamente às competências de Janeiro a Outubro de 2009, encontramse fulminados pela DECADÊNCIA, considerandose a aplicação do artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, de vez que os indigitados Autos de Infração somente foram lavrados em 11/11/2014. mediante o lançamento tributário após o decurso de mais de 5 (cinco) anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência Fl. 5821DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 12 21 de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", Fl. 5822DF CARF MF 22 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De início ressalto que, não consta dos presentes autos qualquer comprovação de pagamento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativo ao ano calendário de 2009 o que de pronto já deve ser afastada a aplicação do prazo à homologação, de 5 (cinco)anos contados da ocorrência do fato gerador nos termos do § 4º do art.150 do CTN. Lembrando que, no Termo de Verificação Fiscal consta que a DIPJ do ano calendário de 2009 foi apresentada "zerada", bem como não há registro em DCTF de valores de tributos. Gizse que a autuada junta aos autos cópias de DARFs, fls.1469/1555, com variados códigos, nos quais não se visualiza autenticação bancária e datas dos pagamentos, e, a autuada não demonstra qualquer vinculação dos mesmos a pagamentos de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins relativos ao ano calendário de 2009. Ademais, conforme demonstrado acima, na análise da multa qualificada, restou mantida a aplicação da multa de 150%, porque caracterizada a sonegação e dolo no caso dos presentes autos, o que de plano também afasta a aplicação do prazo à homologação, de 5 (cinco)anos contados da ocorrência do fato gerador nos termos do § 4º do art.150 do CTN, e, consequentemente a contagem do prazo decadencial devese dar com amparo na regra geral do art. 173, I, do CTN, iniciando a sua contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Com efeito, com relação aos fatos geradores (alegado pelos Recorrentes) ocorridos a partir de janeiro até outubro de 2009, que poderiam ser exigidos dentro do próprio anocalendário, o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2010 e teria seu termo final em 01/01/2015. Tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 11/11/2014, conforme autos de infração, deve ser afastada a preliminar de decadência do direito de lançar os tributos ora exigidos e refutados pelos Recorrentes. 1.5 Juros de mora sobre a multa de ofício Os Recorrentes requerem que, caso seja não seja reformada a decisão recorrida, quando da cobrança do crédito tributário constituído, não sejam exigidos juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional, conforme já decidido pela 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento do recurso especial interposto nos autos do processo administrativo n° 10830.004756/200611, realizado na sessão do dia 07/03/2013. Fl. 5823DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 13 23 Como cediço, os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. O artigo 142 do CTN, descreve, na verdade, o fato de que, no mesmo auto de infração, pode ocorrer o lançamento tributário, em que se exige o tributo devido pelo contribuinte, e a aplicação da penalidade pelo fato de este contribuinte ter deixado de recolher o tributo. Portanto reunidos em um único lançamento, e, devidamente discriminados, a cobrança do tributo e a aplicação da multa pela infração, resta constituído o crédito tributário que deve ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora). Portanto, efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento do tributo e da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal, no presente caso, a denominada multa de ofício de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Sobre os juros de mora, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, não podendo ser outro crédito senão àquele constituído nos termos do art.142 do CTN, ou seja, crédito tributário (objeto prestacional, representado em dinheiro) = tributo (não pago) + penalidade aplicada (não paga). Dizer que a penalidade aplicada não integra o montante do crédito tributário não passa de um flagrante equívoco. A exigência dos juros sequer depende de formalização, uma vez que serão devidos sempre que o principal ( tributo ou penalidade) estiver sendo recolhido após o prazo de vencimento, mesmo que não quantificados (os juros) quando da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Apesar disso, há quem argumente que, se do crédito a que se refere o caput do transcrito art. 161 do CTN constasse a multa de ofício, não haveria razão para mencionar nesse mesmo dispositivo “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Não é nenhuma novidade dizer que o CTN é recheado de repetições. A verdade é que, não haveria necessidade de novamente constar no mencionado artigo 161 tal comando, porque a partir do lançamento surge o crédito, no entanto com o intuito de afastar os juros de mora outros argumentos poderiam advir no sentido de que tendo sido aplicada a penalidade não seria cabível a aplicação dos juros de mora porque a “penalidade” seria em substituição de outros encargos etc., Ora, a caracterização da mora dáse de direito, e, não depende sequer que o sujeito passivo seja interpelado com o auto de infração. Não sendo o valor devido integralmente pago até o vencimento, o crédito deve ser acrescido de juros de mora. Partilho do entendimento expresso no Parecer MF/SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 02 de abril de 1998, segundo o qual, considerando o disposto no art.161 do CTN, é possível concluir que mencionada norma legal autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa em caráter geral, nada impedindo que a lei específica disponha de forma diferente, determinando que os juros de mora devam incidir apenas sobre os tributos e as contribuições. Fl. 5824DF CARF MF 24 É certo que tivemos no passado dispositivos legais (art. 59 da Lei nº 8.383/91 e art.84 da Lei nº 8981/95) que deixaram dúvidas quanto a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. A interpretação literal decorrente da mencionada legislação era no sentido de que pela redação das leis mencionadas os juros deveriam incidir apenas sobre os tributos e contribuições, não autorizando, pois, a exigência dos juros de mora sobre outros débitos sem a natureza jurídica de tributo. No entanto, com a edição da Lei nº 9.430/96, é possível mudar de paradigma para concluir que, com apoio no artigo 61 e seu § 3º, restou explícito ser cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do vencimento da penalidade, cujos fatos geradores (descumprimento da norma legal) ocorrerem a partir de 01/01/1997, vejamos: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (Grifei) Sobre o vencimento da multa de ofício lançada, depreendese dos autos de infração que a multa de ofício tem prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo. Ora, se os juros moratórios a que se refere o § 3º do art. 61, da Lei nº 9.430/96, somente se aplicam sobre débitos com prazo de vencimento, inferese que incidem sobre a multa de ofício não paga no prazo de trinta dias após a ciência do lançamento pelo autuado. O artigo 43 da lei nº 9.430/96 ao tratar do auto de infração sem tributo (crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente) prevê a incidência de juros de mora calculados à taxa Selic sobre o crédito tributário formalizado, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, o que demonstra claramente a imbricação com o art.161 do CTN e com o artigo 61, § 3º da mesma Lei nº 9.430/96, desnecessário seria repetir que nos casos da multa de ofício de que trata o artigo 44 da mesma lei também deverão incidir os juros de mora. Feitas as considerações acima e no contexto de uma interpretação sistemática, é forçoso concluir que ao teor do art.161 do CTN, bem como dos artigos 43, parágrafo único, e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, por se tratar de débitos para com a União, incidem tanto sobre os tributos quanto sobre a multa de oficio, os juros de mora com base na taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do seu pagamento. Sabendose que os juros de mora incidem a partir de vencimentos distintos em relação ao vencimento do tributo e ao vencimento da multa lançada de ofício (30 dias após a ciência do lançamento). Antes do lançamento não há falar em juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 5825DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 14 25 Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuniárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou de notificação de lançamento, conforme fixado na Portaria MF nº 370 de 231288, verbis: I Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou da notificação de lançamento e serão calculados, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração, sobre o valor corrigido monetariamente. II. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação Nesse sentido trazse à lume excerto do voto do Desembargador Dirceu de Almeida Soares quando do julgamento, pela 2a. Turma do TRF4, da AC 2005.72.01.0000311/SC, em 2006 (Leandro Paulsen, Direito Tributário, 9ª ed., Livraria do Advogado, pág. 1028), ipsis litteris: “...tanto a multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação da estrita legalidade ...O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente.” Com efeito, é legitima a exigência de juros de mora tanto sobre os débitos lançados como da respectiva multa de ofício, não pagos no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao dos respectivos vencimentos dos prazos até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa. Para sedimentar as considerações feitas no presente voto, trazse à colação o entendimento expresso nos seguintes Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscal desse Egrégio Conselho Administrativo: ACÓRDÃO nº CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007: JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ACÓRDÃO nº 9101002.5011ª Turma, julgado em 12/12/2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 5826DF CARF MF 26 Exercício: 2002 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CSLL, PIS e Cofins. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. 2. Da Responsabilidade Tributária 2.1 Responsáveis Solidários: Pessoas Físicas Todos os sócios administradores foram arrolados, pelo autuante, na situação de responsáveis tributários, quais sejam: FRANCISCO PARENTE DOS SANTOS, ARMELIN RUAS FIGUEIREDO, CARLOS DE ABREU, FRANCISCO PINTO, JOSE RUAS VAZ, MANUEL BERNARDO PIRES DE ALMEIDA, MARCELINO ANTONIO DA SILVA e VICENTE DOS ANJOS DINIS FERRAZ. Quanto à questão da atribuição de responsabilidade solidária, alegam os sócios administradores, em síntese: que é absurda a pretensão fiscal de responsabilizar o sócio co administrador por obrigações da pessoa jurídica, uma vez não praticados – e sequer provados – atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; que nos termos da jurisprudência consolidada do STJ, exarada inclusive pela sistemática dos recursos repetitivos, a responsabilização de sócio gerente somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa, não se incluindo o simples inadimplemento de obrigações tributárias; que tal decisão deve ser objeto de aplicação pelo CARF (art.62A do regimento Interno deste Colegiado) que a autoridade fiscal alega mas não prova que os sócios administradores são responsáveis tributários; para que tal responsabilidade tributária se verifique, é necessário – como manda o art.135 do CTN – que tenha havido a prática de atos como excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não valendo, para tanto, o mero inadimplemento da obrigação tributária. Consta do Termo de Verificação Fiscal, item 19 o seguinte: 19. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Diante dos fatos relatados cumpre a esta autoridade fazendária considerar as pessoas abaixo listadas como responsáveis solidários pelas infrações à lei, cometidas na administração do Sujeito Passivo, no decorrer do período fiscalizado, Fl. 5827DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 15 27 imputando aos mesmos as obrigações que lhe competem, segundo a Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), art. 124 Inciso l e art. 135. ARMELIN RUAS FIGUEIREDO, nacionalidade portuguesa, CPF: 402.303.84820, RG/RNE: W208700W, residente à Rua Maria Della Paolera, 50, São Paulo SP, CEP: 04.150040, na situação de sócio administrador, assinando pela empresa. CARLOS DE ABREU, nacionalidade portuguesa, CPF: 020.329.53820, RG/RNE: 2346455 SP, residente à Rua Antonio Afonso, 15, Apto 51, São Paulo SP, CEP: 04.509030, na situação de sócio e administrador, assinando pela empresa. FRANCISCO PARENTE DOS SANTOS, nacionalidade portuguesa, CPF: 086.315.72896, RG/RNE: W224277P, residente à Rua Felipe Cardoso, 180, São Paulo SP, CEP: 04.149080, na situação de sócio administrador, assinando pela empresa. FRANCISCO PINTO, nacionalidade portuguesa, CPF: 033.680.09834 RG/RNEW151090B residente à Rua Carlos Thiago Pereira, 554, São Paulo SP, CEP: 04.150080, na situação de sócio administrador, assinando pela empresa. JOSE RUAS VAZ, nacionalidade portuguesa, CPF: 019.997.618 04, RG/RNE: W424889H, residente à Avenida Águia de Haia, 2970, São Paulo SP, CEP: 03.694000, na situação de sócio administrador, assinando pela empresa. MANUEL BERNARDO PIRES DE ALMEIDA, nacionalidade portuguesa, CPF: 018.929.08891, RG/RNE: W217089H, residente à Rua Conde de Porto Alegre, 1033, Apto 142, Torre A, São Paulo SP, CEP: 04.608002, na situação de sócio administrador, assinando pela empresa. MARCELINO ANTONIO DA SILVA, nacionalidade portuguesa, CPF: 006.202.38887, RG/RNE: W424893Q, residente à Rua Buenbergue, 50, São Paulo SP, CEP: 04.858000, na situação de sócio administrador, assinando pela empresa. VICENTE DOS ANJOS DINIS FERRAZ, nacionalidade portuguesa, CPF: 006.215.53859, RG/RNE: W214250E, residente à Rua Conde de Porto Alegre, 1033, Apto 142, Torre A, São Paulo SP, CEP: 04.608002, na situação de sócio administrador, assinando pela empresa. ... O artigo 135 do Código Tributário Nacional, assim dispõe: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 5828DF CARF MF 28 I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Sobre o inciso III do art.135 do CTN, a Fazenda Pública Federal já se manifestou acerca do tema, conforme consta no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, que ora se reproduz excertos de sua conclusão: VII CONCLUSÃO 106. Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente Parecer: a) A responsabilidade do dito “sóciogerente”, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de “gerente” (administrador), e não da sua condição de sócio; b) A responsabilidade do administrador, por força do art.135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; [...] d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; [...] j) A jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive em precedentes desfavoráveis à Fazenda Nacional, em que se afirma que o “sóciogerente” só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerência e se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa gerência, na forma do art.135, III, do CTN; [...] u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando, sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. 107. Por fim, ressaltamos que nossas conclusões aplicamse exclusivamente ao regramento ordinário do art.135, III, do CTN, não alcançando, portanto, regras especiais previstas na legislação que responsabilizam com mais rigor os sócios ou os administradores das pessoas jurídicas. É inconteste que todos os responsáveis são sóciosadministradores do sujeito passivo no ano calendário de 2009. E que, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas Fl. 5829DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 16 29 jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, III, do Código Tributário Nacional CTN), e que nos termos do art. 124, I, do CTN, respondem solidariamente pelos tributos devidos as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Essencialmente os sócios administradores, ora Recorrentes, argúem que não há prova de que tenha havido a prática de atos como excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não valendo, para tanto, o mero inadimplemento da obrigação tributária. A situação tratada nos presentes autos, não é de mero descumprimento de obrigação tributária, que por si só não dá causa à responsabilização tributária de administradores/gerentes. Tratase, sim, de um conjunto de atos que resultaram na obrigação tributária derivada de conduta intencional, deliberada, ilicitamente, conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal. Os Recorrentes (pessoas físicas, sócias administradoras) procuram afastar a responsabilidade solidária mas não demonstram que não exerciam funções próprias de administrador no período da ocorrência dos fatos geradores dos créditos tributários exigidos em que caracterizada a sonegação fiscal. Sobre o assunto, vale transcrever os seguintes excertos da decisão recorrida (fls.4.557/4.558): Neste sentido, da obra A Responsabilidade dos Sócios na Sociedade Limitada, de Sueli Baptista de Sousa, temse (pg.96): 5.2.5 Hipóteses de Sonegação e Inadimplemento e Seus Reflexos na Responsabilidade Patrimonial Em razão dessas interpretações doutrinárias e jurisprudenciais, já consolidadas no direito pátrio, e com o propósito de estabelecer um contorno baseado num critério objetivo ao tema, Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito comercial, 2005) preleciona a distinção de duas situações, quais sejam, a de sonegação e a de inadimplemento. A primeira, ocorre quando a sociedade possui recurso financeiro para o pagamento do tributo porém, seu administrador lhe confere outra destinação, ad exemplum, antecipação de lucro, pagamento de pro labore aos sócios, aplicações financeiras. A segunda ocorre quando a sociedade não possui numerário suficiente. Conclui o autor, que o administrador somente pode ser pessoalmente responsável perante o fisco em caso de sonegação; incabível sua responsabilidade no caso de inadimplemento que, a rigor, é unicamente da sociedade. Sem dúvida, configura infração à lei o fato de deixar de recolher tributo nos prazos legais. Contudo, essa circunstância caracteriza o descumprimento de uma obrigação. Afigurase, pois, o inadimplemento de uma obrigação de dar. Todavia, a Fl. 5830DF CARF MF 30 teor do ordenamento jurídico positivo, o fato de a sociedade não recolher a contento o tributo devido, sem dolo ou fraude, não constitui infração de lei suficiente para ensejar a aplicação do art.135, inciso III do citado diploma legal. Na obra Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002, de Maria Rita Ferragut, temse: 5.9 Da Imprescindibilidade do dolo A existência de uma infração é condição necessária ao desencadeamento da responsabilidade do administrador, mas não suficiente. Para que identifiquemos o fato típico e antijurídico previsto no artigo 135, a conduta do agente deve ser necessariamente dolosa. O elemento subjetivo, aqui, significa que a responsabilidade nasce somente se o administrador agir intencionalmente, com o animus de praticar a conduta típica, mesmo sabendo que o ordenamento jurídico proíbe tal comportamento. Por outro lado, não consideramos que a culpa seja elemento suficiente para a caracterização do tipo. A conclusão que não acatamos só poderia ser construída a partir do entendimento de que, como a norma não dispõe expressamente sobre a necessidade do dolo, a culpa já seria suficiente para ensejar a responsabilidade do administrador, entendimento esse fundado, ademais, na supremacia do interesse público. Nada mais equivocado. A separação das personalidades e a necessidade de gerir sociedades economicamente estáveis e instáveis, somadas ao direito constitucional à propriedade e ao princípio da nãoutilização do tributo com efeitos confiscatórios, vedam que um administrador seja responsável por ato não doloso. A intenção de fraudar, de agir de máfé e de prejudicar terceiros é fundamental. [...] Assim, para que reconheçamos a recepção do artigo 135 pela ordem constitucional de 1988, é indispensável a aplicação de seu preceito em fiel harmonia com a necessidade da presença da conduta dolosa, de modo que a responsabilidade pessoal não atinja senão aqueles que cometeram dolosamente o ilícito típico. Por fim, a prática dolosa impõe o reconhecimento de que o administrador tinha opção entre praticar ou não a infração. Se a opção de evitála inexistia, a pessoa não poderá ser considerada responsável, pois lhe faltava o animus, em que pese o resultado de seu ato. A única exceção é se o administrador provocou intencionalmente a impossibilidade da opção, a fim de, em última análise, beneficiarse do ilícito e, ao mesmo tempo, afastar a sua responsabilidade. Enfim, os recorrentes solidários eram sóciosadministradores da Autuada, e, com a atribuição de administração dos negócios sociais, têm interesse comum nos resultados da empresa fiscalizada, mesmo porque inexiste nos autos qualquer outra prova que induza e/ou evidencie a existência de um terceiro, seja em que condição jurídica, interposta, preposto, mandatário,etc que pudesse justificar ausência de comando e gestão dos negócios da Fl. 5831DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 17 31 fiscalizada. De forma que decidiram, todos eles, no sentido de impedir o conhecimento por parte da Fazenda Pública Federal de suas reais receitas tributáveis, conforme já se mostrou no Voto, quando da análise da aplicação da multa qualificada, portanto, praticaram atos com infração da lei, de forma dolosa. A conduta deliberada para fins exclusivos de redução de tributos os conduz, severamente, para a condição de responsáveis solidários. Portanto, correta a aplicação do artigo 135,III, c/c o artigo 124, I do CTN, para se reconhecer, inequivocamente, a aplicabilidade da responsabilidade solidária do sócios administradores, FRANCISCO PARENTE DOS SANTOS, ARMELIN RUAS FIGUEIREDO, CARLOS DE ABREU, FRANCISCO PINTO, JOSE RUAS VAZ, MANUEL BERNARDO PIRES DE ALMEIDA, MARCELINO ANTONIO DA SILVA e VICENTE DOS ANJOS DINIS FERRAZ, sobre o objeto da autuação fiscal neste processo. 2.2 Responsáveis Solidários: Pessoas Jurídicas Tratase das empresas arroladas, pelo autuante, na situação de responsáveis tributários, quais sejam: VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA, VIAÇÃO TÂNIA DE TRANSPORTES LTDA e VIAÇÃO BRISTOL LTDA, sabendose, conforme relatado, que a empresa VIAÇÃO TÂNIA DE TRANSPORTES LTDA não apresentou recurso voluntário. Quanto à questão da atribuição de responsabilidade solidária, alegam as Recorrentes, igualmente, em síntese que é absurda a pretensão fiscal de serem , responsabilizadas por obrigações da Empresa Auto Viação Taboão Ltda. – ME, uma vez que tratamse de pessoas jurídicas absolutamente distintas; que a autoridade fiscal alega mas não prova que as Recorrentes são , de fato, responsáveis tributárias; para que tal responsabilidade tributária se verifique, é necessário – como manda o art.124 do CTN – que haja “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”, interesse comum que, em se tratando de pessoas jurídicas distintas, simplesmente não existe; que em jurisprudência consolidada do STJ “o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art.124 do CTN. Ressaltese que a solidariedade não se presume (art.265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário .” (EREsp 85961/RS); que, nos termos do art.124 do CTN, existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação ou o simples inadimplemento de obrigações tributárias. A empresa VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA diz que merece ser cancelado o arrolamento ilegal e arbitrário dos bens de sua propriedade, na medida em que a sua responsabilização no presente caso, como visto, não encontra amparo na lei e em frontal desconsideração ao caput do artigo 64 da Lei n. 9.532/97. Fl. 5832DF CARF MF 32 Consta do Termo de Verificação Fiscal, itens 15.4, 19 e 20, o seguinte: 15.4. Os valores de receitas omitidas e que foram considerados para efeito de tributação na forma de lucro arbitrado são dois: ... . O segundo valor, que totaliza R$ 19.827.895,47, é composto pelos ingressos de recursos de outras três empresas e cujas origens o contribuinte apenas se limitou a dizer tratarse de "Repasses de empresa relacionada para pagamento de dívidas dessa empresa", sem contudo ter apresentado nenhum documento que sustentasse suas alegações. A tabela abaixo resume os valores, que foram encontrados na contabilidade do contribuinte, cujos lançamentos, separados por empresa, encontramse no Anexo 8. Esses valores também foram confrontados com os constantes nos extratos bancários (Anexo 9 ) , conforme autorizado pelo contribuinte (item 10 acima), comprovando a efetiva entrada dos recursos. Os valores totalizados mês a mês encontramse na planilha do Anexo 10. Esse valor foi lançado em uma infração como omissão de receitas, depósitos bancários de origem não comprovada ... 19. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Diante dos fatos relatados cumpre a esta autoridade fazendária considerar as pessoas abaixo listadas como responsáveis solidários pelas infrações à lei, cometidas na administração do Sujeito Passivo, no decorrer do período fiscalizado, imputando aos mesmos as obrigações que lhe competem, segundo a Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), art. 124 Inciso I e art 135. ... 20. Foram também responsabilizadas solidariamente as empresas abaixo listadas, uma vez que foram verificadas inúmeras transações contábeis de fluxo de dinheiro entre as mesmas e a Taboão, nas contas 2.1.02.01.0007 (Bradesco conta garantida) , 1.1.02.01.0001 (Banco Bradesco S/A), 2.1.09.09.0008 (Via Sul Transportes urbanos Ltda), 2.1.09.09.0012 (Viação Bristol Ltda), 1.2.01.03.006 (Viação Bristol Ltda), 2.1.09.09.0011 (Viação Tânia de Transportes Ltda), lançamentos esses que encontramse, destacados em negrito dentro dos Anexos 19 e 20, e que foram corroborados através dos extratos bancários (Anexo 9 ) , que foram solicitados aos bancos , conforme autorizado pelo próprio contribuinte em sua resposta ao TIF 004, como já explicado no item 10 acima. Diante de questionamentos, por meio do termo de intimação 006, lavrado em 07/08/2014, para que a empresa esclarecesse tais fatos, como também para que apresentasse a respectiva documentação que respaldasse os esclarecimentos a serem prestados, a mesma limitouse a responder, conforme Anexo 23, que "São repasses de empresa relacionada para pagamento de dívidas dessa empresa", informando ainda que os mesmos estão declarados na contabilidade, mas não apresentou um único documento que justificasse tais transações. Ademais o quadro societário das referidas empresas, demonstram claramente que o controle de todas está nas mãos das mesmas pessoas (Anexo 2 4 ) , além do fato de se dedicarem à mesma atividade de transporte urbano de passageiros e de duas delas , Via Sul e Bristol, operarem no mesmo endereço. Além disso já existem decisões judiciais no sentido de reconhecer as empresas abaixo, juntamente com a Auto Viação Taboão Ltda, como integrantes de um mesmo grupo econômico, conforme Anexos 21 e 22. Diante dos fatos relatados cumpre a esta autoridade fazendária também considerar as pessoas abaixo listadas como responsáveis solidários, imputando aos mesmos as obrigações que Fl. 5833DF CARF MF Processo nº 19515.721252/201416 Acórdão n.º 1302002.342 S1C3T2 Fl. 18 33 lhe competem, segundo a Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), art. 124 Inciso I e art 135. VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA, CNPJ: 04.828.667/000138, com sede à Av. do Cursino, 5797 Vila Moraes São Paulo SP , CEP: 04169000. VIAÇÃO TÂNIA DE TRANSPORTES LTDA ME, CNPJ: 60.734.696/000101, com sede à Rua Jorge Duprat Figueiredo, 148 Vila Paulista São Paulo SP , CEP: 04361000. • VIAÇÃO BRISTOL LTDA ME, CNPJ: 61.420.394/000121, com sede à Av. do Cursino, 5797 Vila Moraes São Paulo SP , CEP: 04169000 Foi emitido termo de arrolamento de bens em nome do sujeito passivo solidário Via Sul Transportes Urbanos Ltda, CNPJ: 04.828.667/000138. Será ainda formalizada Representação Fiscal para Fins Penais contra os sócios/administradores por ter ocorrido, em tese, sonegação e fraude. ... Como se vê, o autuante descreve fatos que repercutem na constatação de omissão de receitas da autuada conforme o item 15.4 do Termo de Verificação Fiscal, mas em nada configura a responsabilidade tributária das pessoas jurídicas ditas como fonte pagadora dos recursos, mormente quando se verificou que tais fatos dão fundamento ao lançamento de ofício, e sua tributação se deu por presunção legal de omissão de receitas, em virtude de receitas apuradas pelo Fisco decorrentes dos depósitos bancários de origem não comprovada em nome da pessoa jurídica e, não em nome de interposta pessoa. Nessa toada, merece acolhida aos argumentos das Recorrentes assim trazidos em seus recursos: “o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art.124 do CTN. Ressaltese que a solidariedade não se presume (art.265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário .” Assim, não caracterizada que a sujeição passiva solidária deuse em função da constatação de interesse comum entre a fiscalizada e as empresas do grupo, deve ser afastada a imputação de sujeição passiva solidária às pessoas jurídicas recorrentes. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento aos recursos voluntários apresentados apenas para afastar a imputação de sujeição passiva solidária às pessoas jurídicas recorrentes: VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA e VIAÇÃO BRISTOL LTDA ME. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 5834DF CARF MF 34 Fl. 5835DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903136/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.409
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 36 /2 01 2- 94 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903136/201294 Acórdão n.º 3402004.409 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de COFINS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903136/201294 Acórdão n.º 3402004.409 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.672, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903136/201294 Acórdão n.º 3402004.409 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903136/201294 Acórdão n.º 3402004.409 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903136/201294 Acórdão n.º 3402004.409 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903136/201294 Acórdão n.º 3402004.409 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903136/201294 Acórdão n.º 3402004.409 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903136/201294 Acórdão n.º 3402004.409 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.728691/2015-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/04/2013, 02/05/2013
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 23/04/2013, 02/05/2013 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 13116.901597/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.946
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 97 /2 01 2- 06 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.578, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901597/201206 Acórdão n.º 3201002.946 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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