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Numero do processo: 19515.004145/2003-69
Data da sessão: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IMPE
Exercício: 1999
RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de
recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-000.329
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. N so T'Prysidente (1). / Pitilt t orno Lop Ma inez - e ator EDITADO EM: 12 1,Tç 20!2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Heloísa Guarita de Souza, Mana Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, Justiticadamente, o Conselheiro Pedro Anan Júnior. Relatório Em desfavor do contribuinte, ALCIDES BERNARDT, foi lavrado auto de infração (fls. 325 a 348) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Fisica do ano-calendário 1998, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 773.901,69, nele compreendido imposto, multa de oficio e juros de mora, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado, por interMédio de seu representante, apresenta a impugnação da exigência às fls. 353 a 366. Suas alegações estão, em síntese, a seg,uir descritas. Da inexigibilidízde de comprovação da movimentação bancária do impugnante ocorrida no ano-calendário 1998 Á legislação tributária, ao tratar da declaração de ajuste anual do imposto de renda das pessoas Tísicas, prevê exigência de guarda e manutenção, apenas e tão somente dos documentos comprobatórios de deduções e abatimentos. Nenhuma obrigatoriedade existe quanto à consentação de documentos que pudessem comprovar a movimentação bancária do impugnante no uno de 1998. Muito pelo contrário, vigoravam à época - como, até hoje, vigoram -os incisos X e XII do art. 5 0 da Constituição Federal, cláusulas Pétreas que asseguram as pessoas o direito da intimidade e do sigilo de dados, inclusive os que dizem respeito às contas bancárias por elas 171011ildaS. o sigilo bancário e financeiro, constituindo nriniféstacão direito à intimidade, não admite ruptura sem a prévia anuência do Podei-Judiciário, inexiste no caso. Fica, pois, caracterizada Mallif2SÉO afronta ao art. 5°, incisos X e ___Constituição,—dela—dero~ o que o mandado de procedimento fiscal, que deu origem ao Termo de Verificação Fiscal e à lavratura do auto de infração, valeu-se de meio ilícito, pois a investigação baseou-se em elementos que não poderiam ter sido utilizados, sequer pocleriam ter sido acossados. Os extratos bancários que demonstram a movimentação financeira, quando manipulados sem respaldo judicial, constituem documentos de forma ilícita e, portanto, todos os atos a ele subseqhentes estão maculados por vicio insanável, devendo ser declarada a nulidade. De acordo com a legislação em vigor, o fato gerador do imposto sobre a renda, é a aquisição da disponibilidade económica ou jurídica ... de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e ainda, de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior (CU, art. 43). • 2 Processo n" 195 15.004145/2003-69 52-C2112 Acórdão o." 2202-00.329 Fl. 2 Dentro desta perspectiva, haverá de ser reconhecido que depósitos bancários, assim como movimentações bancárias, não significam, de forma alguma, aquisição de disponibilidade económica. Inúmeros julgados do Conselho de Contribuintes confirmam que depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda. No âmbito do Poder Judiciário, a questão há muito está pacificada, confirme bem espelha o até hoje prevalecente enunciado nO 182 das Súmulas do extinto Tribunal Federal de Recursos. O Termo de Verificação Fiscal relacionou contas correntes mantidos pelo impugnante em instituições financeiras diversas. Entretanto, tais contas não refletem quaisquer anormalidades, tendo sido objeto dos necessários registros constantes da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda relativamente ao ano de 1998. Em 25 de maio de 2007, os membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria, proferiram o Acórdão, que julgou procedente o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - 'BRE,' Ano-calendário: 1998 NULIDADE.. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões. proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CONSTITUCIONALTDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucional idade ou legalidade de leis. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Iniciado o procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal pode, por expressa autorização legal, solicitar informações e documentos relativos a operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos Lançamento Procedente. Devidamente cientificado acerca do teor do supracitado Acórdão, em 12/11/2007, conforme AR de fls. 387-verso, o contribuinte, se mostrando irresignado, protocolou, em 18/12/2007, o Recurso Voluntário, de fls. 390/412, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas anteriormente no presente relatório. É o relatório. • 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Do exame dos autos verifica-se que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao contribuinte, via correio, tendo sido recebido em 12/11/2007 conforme atesta o Aviso de Recebimento de fls.387-verso. A peça recursal, somente, foi protocolada 18/12/2007, conforme atesta documento de fls.390, portanto, fora do prazo fatal. Caberia ao suplicante adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Nestes termos, posiciono-me no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. É o 7évoto. j f,) TONIO LOP O M RT1NL , 4 I
score : 1.0
Numero do processo: 13062.000280/2005-96
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da dedincia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.332
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator). Designado para redigir o voto o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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Recorrida DRJ-SANTA MARIA/RS ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da dedincia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator). Designado para redigir o voto o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. M 'rcia fiele PriaTrajanoamorim - Presidente11-é-A1Ü-. )7 (.(24- roti- Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatório O contribuinte, ora recorrente, foi intimado da aplicação de multa por atraso na apresentação de DCTFs com a aplicação de multa proporcional para o período de apuração de 01/10/2002 a 31/12/2002. Em sua impugnação o recorrente alega que deve ser aplicada a excludente da penalidade prevista no art. 138 do CTN por ter ocorrido no presente caso a denúncia espontânea. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 MULTA POR ATRASONA ENTREGA DE DCTF, O contribuinte que entrega a DCTF, mesmo que espontaneamente, após o prazo, fica sujeito ao pagamento da multa correspondente. O instituto da denúncia espontânea não se aplica às penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Lançamento procedente, O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e firi designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso É o Relatório. 2 Processo n° 13062 000280/2005-96 S3-C1T2 Acórdão n 3102-00332 19 61 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relatar O recurso é tempestivo e os requisitos recursais foram atendidos, portanto conheço do mesmo. Pessoalmente, entendo que a entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, espontaneamente, ou seja, antes do início de qualquer procedimento fiscal que vise exigir do contribuinte o cumprimento da mencionada obrigação acessória, configura a exclusão da responsabilidade prevista no art, 138 do Código Tributário Nacional, contudo, curvo-me à jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e desta Egrégia Câmara, que não reconhecem esta exclusão. Observo, entretanto, um novo argumento, que margeia as jurisprudências citadas, e merece ser analisado, pois, acredito, reduz a multa aplicada pela fiscalização. Senão vejamos: A multa proporcional deve ser afastada por incidência do comando descrito no artigo 138 do Código Tributário Nacional, cujo texto transcrevo: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração, Parágrafo único., Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração., A multa foi aplicada na forma descrita no artigo 7' da Lei n° 10.426/02, verbis:. Art. 7" O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de hnposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, e sujeitar-se-á às seguintes multas.' (Redação dada pela Lei n' 11.051, de 2004J 3 1- de 2%(dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de .falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II - de 2%(dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na D1RF; ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3"; III - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas,. III - de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3' deste artigo; (Redação dada pela Lei n°11051, de 2004) IV - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada gripo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004). § I' Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e 11 do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração, § 1° Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, 11 e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente ,fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração, (Redação dada pela Lei n°11,051, de 2004), § 2° Observado o disposto no § 3", as multas serão reduzidas,' 1- à metade, quando a declaração _for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio,. 11 - a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimaçâo § 3°A multa mínima a ser aplicada será de; 1 - R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa fisica, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n" 9,317, de 5 de dezembro de 1996; 11 - R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos,. § 4° Considerar-se-á não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da j Receita Federal, 4 Processo n° 13062 000280/2005-96 S3-CIT2 Acórdão n ° 3102-00332 Fl 62 áç 5 0 Na hipótese do 4", o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de 10(dez) dias, contados da ciência da intimação, e sujeitar-se-á à multa prevista no inciso Ido caput, observado o disposto nos §§ 1"a 3" Como já dito acima, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça desautoriza este argumento para afastar a multa pelo atraso na entrega da DCTF, entretanto, nenhuma decisão que conheço trata da quantificação da referida multa e da incidência do comando acima transcrito sobre esta quantificação. Sempre defendi que a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia ser feita por percentual do tributo ou de qualquer outro valor a que esta estivesse relacionada, por gerar distorções enormes e injustificáveis, ferindo diversos princípios constitucionais, Não entrarei no debate da matéria constitucional, por ser vedado este na via estreita do processo administrativo fiscal. Porém entendo que este debate constitucional é desnecessário, pois o mencionado artigo 138 já afasta a possibilidade de aplicação da multa mencionada, na forma aplicada pela fiscalização no presente feito. Isto porque a multa foi calculada como percentual dos créditos tributários apurados nos respectivos períodos relacionados no auto de infração, ou seja, foi atribuída responsabilidade ao contribuinte e, logo, aplicada a respectiva multa por mora de sua obrigação, tendo por base de cálculo o tributo (pago ou não) devido no período. Se o contribuinte cumpriu os requisitos previstos para a denúncia espontânea ou se cumpriu regularmente a obrigação principal, estabelece a legislação que nenhuma multa de mora lhe deve ser cobrada. Entretanto, se interpretarmos que é possível aplicar, nestas mesmas hipóteses, a multa prevista no artigo no art. 7 0 da Lei n° 10A26, de 24/04/2002 estaríamos criando um novo caminho para exigir novamente a multa de mora da obrigação principal, que foi afastada pela denúncia espontânea ou pelo recolhimento regular do tributo. Em verdade, as duas multas se misturam, sendo impossível separar uma da outra' e ambas devem ser afastadas em obediência ao disposto no artigo 1.38 do CTN. O instituto da denúncia espontânea visa impedir a punição indevida do contribuinte de boa fé, que tendo observado seu equívoco na apuração do tributo devido, corrige de forma eficaz tal equívoco ou se arrepende, também de forma eficaz, do procedimento errado que adotou. Assim, não deve tal contribuinte pagar a multa punitiva por seu atraso. Ora, a legislação tributária federal e a jurisprudência reforçada pela recente Súmula n° 360 1 do STJ, afirmam (na minha opinião, de forma equivocada, inconstitucional e ilegal) que a DCTF, documento eletrônico que formaliza a apuração pelo contribuinte do quantum tributável no período, deve ser considerada como confissão do débito e afasta a própria denúncia espontânea. k Súmula ir 360 do ST!: "O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo." Logo, caso tenha declarado o tributo devido na DCTF, o contribuinte perde o direito de usar sua prerrogativa prevista no artigo 138 do CTN, segundo este entendimento. Se, entretanto, deixar de apresentar a DCTF no prazo legal e pagar o tributo antes de sua apresentação, terá direito à denúncia espontânea, já que não haveria a confissão (neste sentido, é interessante e reveladora a inclusão do qualificativo "regularmente" no texto da referida Súmula n° 360). Contudo, ao fixar uma multa proporcional ao valor do "montante dos tributos e contribuições informados" pelo atraso na entrega da DCTF, a legislação cria uma nova multa punitiva, que resvala o disposto do CTN, dando um "jeitinho" para aplicar uma multa que o sistema jurídico tributário não aceita como devida. O contribuinte, ao invés de ter o afastamento completo da multa, teria na realidade somente um desconto, posto que a multa pelo atraso da DCTF será menor que aquela aplicável pelo atraso no pagamento do imposto. Isto é inaceitável! Acrescente-se a isto, a clara violação ao principio da razoabilidade 2, pois leva à punição de uma mesma infração, praticada pelo mesmo contribuinte, pelos mesmos motivos, com valores totalmente distintos. Vejamos o exemplo: Um contribuinte deixa de apresentar as quatro DCTFs trimestrais em um determinado ano, por imperícia de seu contador ou por decisão de seu administrador, ou por qualquer motivo, e vem a ser autuado pelo atraso nesta apresentação. Este mesmo contribuinte informou tributos e contribuições no total de R$ 1 0 .000. 00 0,00 em determinado período de apuração e R$ 100,000,00, R$ 150.000,00 e zero nos seguintes, logo, estando sujeito à multa máxima, pagaria R$ 200,000,00, R$ 2.000,00, R$ 3.000,00 e R$ 500,00, tudo pela mesmíssima infração. É evidente que não é possível tal procedimento. A punição da prática adotada pelo contribuinte não pode variar em razão de um fator que nada tem com esta mesma prática, com o eventual dano sofrido pela administração ou com o eventual beneficio usufruído pelo infrator. Não se argumente aqui que o dano/beneficio é o não recolhimento dos valores devidos à União Federal, já que, conforme verificamos acima, o recolhimento dos tributos não depende ou está vinculado necessariamente à apresentação da DCTF, logo, mesmo não tendo apresentado a DCTF, o contribuinte pode ter pago integral e regularmente os tributos devidos. A multa em questão somente é possível de se aplicar, se for fixada num valor fixo. Sua aplicação por percentual dos tributos é, repita-se, claramente violadora do principio da razoabilidade, que deve ser observado, por força do disposto no artigo segundo da Lei n° 9,784/99. Também fere eqüidade, a aplicação da multa acima, quando se aplica ao mesmo exemplo acima, mas a contribuintes distintos. Ou seja, na hipótese de termos, dois contribuintes distintos, que tem a mesma capacidade contributiva (ou seja, com o mesmo patrimônio e receitas anuais), deixaram de entregar a DCTF no prazo legal pelos mesmos motivos, contudo tiveram no período faturamentos distintos e, portanto, montantes a recolher de tributos e contribuições distintas. 2 Não se argumente a impossibilidade de aplicação do princípio da razoabilidade, pois há lei específica determinando sua aplicação ao processo administrativo, qual seja, a Lei tf 9874, de 29 de janeiro de 1999, em seu artigo 2', que por seu artigo primeiro é considerada norma básica a todo procedimento administrativo Processo n° 13062000280/2005-96 S3-C1T2 Acórdão n 3/02-00332 Fl 63 Deste modo, imaginemos dois contribuintes com o mesmo faturamento anual, que deixaram de apresentar a DCTF do primeiro trimestre de um determinado ano, sendo que um tinha naquele trimestre R$ 10.000.000,00 a recolher de tributos e contribuições e o outro, R$ 100.000,00, logo, estando ambos sujeitos à multa máxima, o primeiro pagaria R$ 200.000,00, e o segundo somente, R$ 2.000,00. Parece-me evidente o tratamento desigual injustificável. Ressalto ainda que a aplicação da multa proporcional porque esta fere a capacidade contributiva, quando ignora o referencial ofensivo para a aplicação da multa e utiliza critério que desconsidera a real situação financeira do contribuinte, já que o alto recolhimento de tributo num determinado período não significa um alto resultado ou uma alta capacidade contributiva nos demais períodos. Por fim, viola também a legalidade estrita, posto que a legislação ordinária não pode criar novas incidências sobre os mesmos fatos geradores de tributos já existentes e ao fazer a multa incidir sobre os créditos tributários apurados no período, a Lei n° 10.426/02 indiretamente está novamente tributando os seus respectivos fatos geradores ou criando um adicional a estes tributos; dentre outros. Outro argumento que merece análise para afastar a incidência da multa é o comando legal do parágrafo terceiro do artigo 113, verbis: Art, 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 3" A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Como o termo final para o cálculo da multa proporcional é o inadimplemento da obrigação acessória pelo contribuinte (com atraso), logo a aplicação da multa de mora fica afastada, pois, neste caso, não existe mais a pretensa inobservância da obrigação. Melhor explicando, como a multa foi, no presente caso, aplicada depois de sanada a inobservância, ou seja, após a efetiva apresentação da DCTF, no momento da lavratura do auto de infração não havia a inobservância da norma legal, pois a obrigação acessória havia sido adimplida, sendo impossível a aplicação de multa. A multa somente poderia ser aplicada antes da apresentação e a redução prevista no parágrafo segundo, inciso 1 do artigo do artigo 7° da Lei n° 10.426 é de observância obrigatória em todos os casos. Por todo o exposto acima, conheço do recurso e dou-lhe provimento para iafastar a aplicação da multa por atraso na entrega das DCTFs pelo contribuinte, calculadas sobre o crédito o montante dos tributos e contribuições informados nas mesmas. É como voto. GuLk-.2 VÁ)- Marcelo Ribeiro Nogueira G(..114v0 7 Corintho Ohi achado Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator Designado Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das considerações tecidas pelo L Conselheiro Relator, o Colegiada firmou entendimento em contrário, no que pertine aos fundamentos para a imputação de MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS, chegando à conclusão de que não assiste razão à recorrente, no seu pedido de acolhimento do apelo voluntário e irresignação contra o indigitado lançamento. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Embora ciente de que o e, Segundo Conselho de Contribuintes, noutros tempos, albergava a tese defendida pela recorrente, a tendência atual deste Conselho, e sufragada pela colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, é no sentido de que o instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, Assim é que compartilho do entendimento atual desta egrégia Casa, que se pode ilustrar com os arestos que seguem inter plures: DCTF - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA DE MORA. Havendo o contribuinte apresentado DCTF fora do prazo, mesmo antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, há de incidir multa pelo atraso. Recurso de divergência a que se nega provimento (Ac, CSRF/02-01 092 Rei Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva) DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA A multa por atraso na entrega de DCTF tem fundamento em ato com força de lei, não violando, portanto, os princípios da tipicidade e da legalidade; por tratar a DCTF de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência do fato gerador, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE (Acórdão 302-36536 Rei, LUIS ANTONIO FLORA) No vinco do quanto exposto, entendo correto o lançamento lavrado pela autoridade fiscal, bem como o quanto decidido pelo órgão julgador de primeira instância. Voto por DESRRO/VER o recurso voluntário, 8
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Numero do processo: 13855.000241/2001-39
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. EXAME DE MATÉRIA CONSITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. O prazo de decadência da Contribuição destinada ao Financiamento da Seguridade Social – COFINS é de dez anos, conforme previsto pelo artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Ao julgador administrativo é defeso o exame de matéria constitucional, nos termos do que dispõe o artigo 22A Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes.
NORMAS PROCESSUAIS – Intempestividade Efeitos. Não se conhece do recurso especial interposto após transcorrido o prazo quinzenal, contado da data da ciência do despacho que rejeitou os embargos declaratórios apresentados pelo sujeito passivo contra a decisão a quo.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: CSRF/02-02.633
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Maria Teresa Martinez Lopes que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Flávio de Sá Munhoz
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COFINS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. EXAME DE MATÉRIA CONSITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. 0 prazo de decadência da Contribuição destinada ao Financiamento da Seguridade Social — COFINS é de dez anos, conforme previsto pelo artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Ao julgador administrativo é defeso o exame de matéria constitucional, nos termos do que dispõe o artigo 22A Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. NORMAS PROCESSUAIS — Intempestividade Efeitos. Não se conhece do recurso especial interposto após transcorrido o prazo quinzenal, contado da data da ciência do despacho que rejeitou os embargos declaratórios apresentados pelo sujeito passivo contra a decisão a quo. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Maria Teresa Martinez Lopes que negaram provimento ao recurso. 4K D Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 2 MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS Presidente FLAVIO DE SA MUNHOZ Relator FORMALIZADO EM: I 0 JUL 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros. JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJA0 BARRETO, ANTONIO ANTONIO BEZERRA NETO, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, HENRIQUE PINHEIRO TORRES e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, contra o Acórdão n° 201-77.360, proferido pela Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, com fundamento no art. 32, inciso I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. 0 processo foi instaurado a partir da lavratura de auto de infração contra a interessada em decorrência de suposto recolhimento a menor de Cofins, nos períodos de apuração compreendidos entre Agosto de 1993 e Junho de 2000. Apesar de não haver data de recebimento do auto de infração, há declaração de recurso do recebimento do auto, datada de março de 2001. A decisão recorrida deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, acolhendo a preliminar de decadência, em relação aos fatos geradores anteriores a cinco anos da data da lavratura do auto de infração, aplicando a regra do art. 150, § 4 0, que estabelece que o prazo decadencial para a constituição do credito tributário é de cinco anos, nos termos da ementa a seguir transcrita: COFINS. DECADÊNCIA. Nos termos do art. 146, inciso III, "b", da Constituição Federal, cabe a Lei Complementar estabelecer normas sobre decadência. Sendo assim, não prevalece o prazo previsto no art. 45 da Lei le 8.212/91, devendo ser aplicadas a Cofins as regras do CTN (Lei n" 5.172/66). A Fazenda Nacional, não se conformando com a decisão proferida pela c. Primeira Camara, interpôs recurso especial, no qual sustenta que o prazo decadencial aplicável Cofins é o disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, pelo fato de a decisão recorrida, ao deixar de aplicá-la ao caso concreto dos autos, declarou a inconstitucionalidade do referido dispositivo. Conclui, assim, que não poderia a decisão recorrida afastar a incidência do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, diante do principio da presunção da constitucionalidade das leis, corolário da supremacia que é deferida à Constituição, como vértice do ordenamento jurídico. Alega, ainda, que tal decisão, portanto, caso seja mantida, terá sido proferida pela e. Câmara a quo mediante usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal. Por fim, a Fazenda Nacional sustenta a constitucionalidade do mencionado dispositivo legal e sua aplicabilidade ao lançamento tributário em análise. A d. Presidente da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Despacho n° 201-195 (fls. 498 a 500), recebeu o "recurso interposto pelo procurador da Fazenda Nacional 'As fls. 484/496 quanto a questão da decadência dos tributos lançados por homologação", tendo em vista que "estão presentes os requisitos para interposição do recurso especial: a decisão não foi unânime (art. 32, I); o recurso é tempestivo (art. 33); e, a contrariedade a lei está demonstrada na exposição apresentada pelo ilustre Representante da Fazenda (art. 33, § 1°)". A Interessada foi intimada, em 26 de Julho de 2004, do Acórdão proferido pela Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e informada do prazo de 15 (quinze) dias para a apresentação de contra- razões (fl. 513), por via postal com aviso de recebimento (fl. 514). Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Eis. 4 Em 02/8/04, tempestivamente, opôs Embargos de Declaração, para fins de sanar suposta obscuridade, quanto a revogação absoluta da LC n° 70/91 pela Lei no 9.718/98. Na mesma data, apresentou contra-razões ao recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 529 a 538), sustentando, em breve síntese, o acerto da decisão recorrida. Os Embargos foram rejeitados, nos termos do Despacho 301 (fls. 548), cientificado a Recorrente em 14/3/05. Em 30/3/05, a Recorrente interpôs Recurso Especial (fls. 561 a 568), visando a refonna da decisão recorrida, na parte mantida. Remetidos os autos a Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, foi certificada a intempestividade do Recurso Especial interposto pela Recorrente. Assim, não atendidos os requisitos básicos para admissibilidade e processamento, foi negado seguimento ao Recurso Especial da Recorrente. Após, os autos foram encaminhados para julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por esta Eg. Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais. E o Relatório. Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdâo n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 5 Voto Conselheiro FLAVIO DE SA MUNHOZ, Relator 0 Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte não foi admitido pela d. Presidente da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, tendo em vista que ele não preenchia as condições de admissibilidade, por ter sido apresentado após o transcurso do prazo legal. Tendo em vista que contra o despacho que negou seguimento ao seu recurso especial, não cabe interposição de agravo, nos termos do que estabelece o art. 9 0, § 2°, inciso I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, a referida decisão se tornou definitiva em relação ao recurso do sujeito passivo. Por seu turno, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional reúne as condições de admissibilidade; dele tomo conhecimento. A decisão recorrida, proferida pela c. Primeira Camara do E. Segundo Conselho de Contribuintes, não alcançou a unanimidade de votos e o recurso, tempestivamente interposto, foi fundamentado em suposta contrariedade a. lei, nos termos do art. 32, inciso I do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 55/98. A questão a ser enfrentada no julgamento do presente recurso se restringe verificação do prazo para a realização do lançamento de oficio aplicável a Cofins. A Fazenda Nacional sustenta nas razões de seu recurso que o prazo de decadência para o lançamento de Cofins é de dez anos, com fundamento no art. 45 da Lei n° 8.212/91. A Lei n° 8.212/91 se aplica as contribuições devidas à seguridade social, previstas no art. 195, inciso I da CF/88. A Cofins está abrangida no rol das contribuições sociais mencionadas no referido dispositivo constitucional. Confira-se a redação dos artigos 45 e 11 da Lei n° 8.212/91: "Art. 45. 0 direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; "Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: Parágrafo ÚlliCO. Constituem contribuiçães sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) dos empregados domésticos; Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 6 c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de- contribuição; d) as das empresas, incidentes sobre o faturamento e lucro; Observa-se absoluta identidade entre as contribuições sociais definidas no art. 11 da Lei n°8.212/91 e as previstas no art. 195, Ida CF/88, este último assim redigido: "Art.195. A seguridade social sera .financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I- do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a ‘folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, a pessoa física que lhe preste serviço, mesnio sem vinculo empregaticio; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro" A Cofins foi recepcionada pela CF/88 pelo dispositivo legal acima transcrito e se encontra incluída na outorga de competência nele inserida, diferentemente do que ocorre em relação ao PIS, que foi recepcionado pelo art. 239 do Ato das Disposições Gerais, confome decidiu o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 150.164-1, cujo voto do relator, Ministro limar Galvdo, está assim redigido: "Por outro lado, a existência de ducts contribuições sobre o faturamento esta prevista na própria Carta (art. 195, I e 239) [referindo-se ao Finsocial e ao PIS], motivo singelo, mas bastante, não apenas para que não se possa falar em inconstitucionalidade, mas também para infirmar a ilação de que a contribuição do artigo 239 satisfa: a previsão do art. 195, I, no que toca a contribuição calculada sobre o faturamento". Assim, para o reconhecimento da decadência da Cofins, seria necessário o confronto das disposições do art. 45 da Lei n° 8.212/91 com as disposições do art. 150, § 4° do CTN, o que é defeso ao julgador administrativo, a teor do disposto na Portaria MF n° 103/2002 e art. 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, por envolver exame de constitucionalidade de normas em decorrência da aplicação do principio da hierarquia. Este confronto teria que ser feito nos termos do que estabelece o art. 146, inciso III, alínea "h" da Constituição Federal, ou seja, teria que ser apreciada a constitucionalidade do art. 45 da Lei IV 8.212/91. Corn efeito, o controle de legalidade do ato administrativo, atribuído pelo art. 2° da Lei n° 9.784/99, somente pode ser exercido no âmbito dos Conselhos de Contribuintes para afastar a aplicação de determinada lei ao caso concreto se este, em razão da melhor interpretação da lei, não se subsumir à hipótese nela descrita. Processo n.° 13855.000241/2001-39 Acórdão n.° CSRF/02-02.633 CSRF/T02 Fls. 7 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2007 M/PFLAVIO DE SA MUNHOZ
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Numero do processo: 10680.904039/2006-43
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS
Rendimentos de aplicações financeiras estão sujeitos à retenção na fonte. Os valores retidos são dedutíveis do IRPJ apurado no período, desde que estas receitas efetivamente estejam incluídas na apuração do resultado do período, de acordo com a Súmula CARF n.º 80, e acompanhados da comprovação documental prevista na legislação vigente.
Numero da decisão: 1103-000.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Sérgio Fernandes Barroso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, e Aloysio José Percínio da Silva.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS Rendimentos de aplicações financeiras estão sujeitos à retenção na fonte. Os valores retidos são dedutíveis do IRPJ apurado no período, desde que estas receitas efetivamente estejam incluídas na apuração do resultado do período, de acordo com a Súmula CARF n.º 80, e acompanhados da comprovação documental prevista na legislação vigente.
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Os valores retidos são dedutíveis do IRPJ apurado no período, desde que estas receitas efetivamente estejam incluídas na apuração do resultado do período, de acordo com a Súmula CARF n.º 80, e acompanhados da comprovação documental prevista na legislação vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 40 39 /2 00 6- 43 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.904039/200643 Acórdão n.º 1103000.825 S1C1T3 Fl. 105 2 Tratase de Declarações de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Saldo Negativo de IRPJ" apurado no 4° trimestre de 1999, no valor de R$29.301,36. As compensações foram declaradas mediante a apresentação das DCOMPs. Essas DCOMPs foram cadastradas nos processos 10680.907757/200671, 10680.907758/2006 16 e 10680.720546/200898, enquanto o crédito encontrase controlado por este processo. Considerando que as DCOMPs utilizam a mesma origem de crédito na extinção de débitos, a análise do procedimento foi efetuada em um mesmo processo, este, de número 10680.904039/200643. DESPACHO DECISÓRIO DRF Verificando as DCOMPs apresentadas pelo contribuinte a DRF/Belo HorizonteMG emitiu em 19/06/2008 o Despacho Decisório anexado às fls. 31 a 35, onde, sinteticamente: Constata que o contribuinte utilizou como crédito nas DCOMPs o saldo negativo de IRPJ apurado no 4° trimestre de 1999, sem, contudo, informar na DIPJ a apuração deste crédito. Verificou as DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras encontrando um IRRF no valor de R$ 26.533,33 para o trimestre em referência; salienta que "não há excessos de IRRF dos trimestres anteriores" a compensar no 4° trimestre. Diante destas constatações, recompõe a apuração do IRPJ informada pelo contribuinte em sua DIPJ, encontrando um "saldo de imposto a pagar" no valor negativo de R$8.198,06. Ou seja, a DRF homologa parcialmente as compensações declaradas pelo contribuinte, utilizando o direito de crédito reconhecido, no valor de R$ 8.198,06, intimando o contribuinte a quitar os débitos indevidamente compensados, em função da insuficiência do crédito utilizado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 24/06/2008, conforme AR Aviso de Recebimento anexado à fl. 45. Irresignado, o contribuinte apresenta em 24/07/2008 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 46 a 48, onde resumidamente argumenta: "O saldo negativo informado nas PER/DCOMP tem origem em saldo de crédito anterior, existente e acompanhado pela escrita contábil da REQUERENTE, aproveitados em parte ao longo do exercício de 1999 (..)". Identifica os créditos mencionados em planilha demonstrativa. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.904039/200643 Acórdão n.º 1103000.825 S1C1T3 Fl. 106 3 Menciona que o princípio do Direito Administrativo é "verificar a verdade dos fatos" sem se ater à rigidez da forma processual, argumentando que não se negou e nem se nega a fornecer as informações necessárias para a constatação dos créditos informados. Por fim, propugna pela reforma do Despacho Decisório exarado pela DRF e a homologação das compensações declaradas. A 3.ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, por meio do acórdão n.º 0220.665, decidiu: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. IRRF APLICAÇÕES FINANCEIRAS Os rendimentos de aplicações financeiras estão sujeitos à retenção na fonte, e os valores retidos são dedutíveis do IRPJ apurado, desde que estas receitas efetivamente estejam incluídas na apuração do resultado da empresa e acompanhados da comprovação documental prevista na legislação vigente.” A contribuinte, recorre: O REQUERENTE optou pela apuração do IRPJ através do lucro presumido no decorrer do ano calendário de 1999, utilizandose nas DCOMP's o valor pago a maior, apurado no 4.º trimestre de 1999. Nesse contexto, a REQUERENTE apresentou, em 27/06/2003, PER/DCOMPs, na época na versão 1.0, instituída pela Instrução Normativa n° 320, de 11/04/2003, para fins de compensação de Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 29.301,36 (vinte e nove mil trezentos e um reais e trinta e seis centavos), apurado no 4° trimestre do ano corrente de 1999, com débitos diversos especificados nos respectivos pedidos. Uma vez processada as DCOMP'S indicadas, foram as mesmas baixadas para tratamento manual, sendo ao final, homologadas em parte, nos termos do Despacho Decisório 0912, proferido em 19 de junho de 2008, sob a fundamentação de que não foram localizados, nas DIPJ relativas ao exercício de 1999, o Saldo Negativo pleiteado. Irresignado com a decisão que não homologou totalmente as DCOMP's apresentadas, o REQUERENTE apresentou manifestação de inconformidade, que foi indeferida sob o argumento, em síntese, que não foi comprovado a origem do crédito, sendo portanto inexistente. Ocorre que o Saldo Negativo informado nas PER/DCOMP tem origem em saldo de créditos anteriores, existente e acompanhado pela escrita contábil da REQUERENTE, aproveitados em parte ao longo do exercício de 1999, consoante se tem da planilha anexa. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.904039/200643 Acórdão n.º 1103000.825 S1C1T3 Fl. 107 4 Destarte, tendo em vista a escrituração, com estrita observância das leis comerciais e fiscais, o REQUERENTE comprova através das cópias anexas do livro razão analítico, referente ao período de julho a dezembro de 1998, a origem do crédito bem como sua suficiência na extinção dos débitos perseguidos nas DCOMP's. De se salientar que o aproveitamento dos créditos existentes, durante o ano de 1999, foi devidamente considerado quando da apresentação, durante aquele ano, das respectivas DIPJ trimestrais. Assim, a REQUERENTE apurou, no quarto trimestre de 1999, o saldo escritural decorrente do aproveitamento destes créditos, perfazendo o Saldo Negativo informado nas PER/DCOMP apresentadas. Há de se levar em consideração que, a versão 1.0 do software DCOMP, existente à época, não permitia ao contribuinte fornecer dados detalhados da composição do crédito apurado, mas tão somente o seu saldo, conforme fosse apurado, pelo que foi informado o Saldo Negativo apurado até o quarto trimestre de 1999, tendo em vista o pagamento através de IRF ter sido maior que o imposto de renda apurado no final do período, momento da apuração do lucro real. Dessa forma, sendo inequívoca a existência do Saldo Negativo informado, inexiste qualquer óbice para sejam homologadas as DCOMP's apresentadas, em sua integralidade, impondose a reforma do Despacho Decisório ora impugnado. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A recorrente praticamente repete os argumentos já colacionados na impugnação. Sem acrescentar nada de novo, ou melhor, sem questionar pontualmente o acórdão recorrido. Dessa forma, transcreverei partes do referido acórdão para a solução da lide, a saber: “Em sua manifestação de inconformidade o contribuinte argumenta que o crédito utilizado tem origem em retenções na fonte ocorridas no decorrer do ano calendário de 1999, identificando estas retenções na planilha demonstrativa à fl. 47. De pronto, cabe esclarecer que, ainda que as antecipações efetuadas através de retenções na fonte em valor maior que o efetivamente devido sejam passíveis de restituição ou compensação em períodos posteriores, a identificação do crédito utilizado na DCOMP deve corresponder ao período em que elas efetivamente ocorreram. Ou seja, "retenções a maior" Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.904039/200643 Acórdão n.º 1103000.825 S1C1T3 Fl. 108 5 ocorridas no primeiro trimestre/99 devem ser inequivocamente identificadas na DCOMP como correspondentes àquele período, e assim sucessivamente. Neste contexto, o crédito utilizado nas DCOMP's em análise neste processo foram apurados no 4° trimestre de 1999, dessa forma, somente indébitos (IR a maior ou indevido) apurados neste período poderão ser utilizados para homologar as compensações em comento. Eventuais indébitos apurados pelo contribuinte em outros períodos deverão ser utilizados pelo contribuinte em nova DCOMP onde serão inequivocamente identificados estes créditos. Confirase:. Lei n°9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) (Os grifos não são do original) Assim, sendo,considerando o pretenso crédito utilizado nas DCOMP's em análise neste processo, somente os dados de apuração correspondentes ao 4° trimestre de 1999 serão verificados neste voto.” A contribuinte informara em suas DCOMPs que houvera excessos de créditos apurados no 4.º trimestre de 1999. Contudo, apesar de na DIPJ (4.ºsemestre de 1999, a contribuinte informar somente R$ 18. 335,27, pelas DIRFs reconheceuse R$ 26.533,33, ou seja, mais do que declarado pela contribuinte. Como a própria contribuinte na mesma ficha declarara R$ 14.601,16 de imposto apurado pelo lucro presumido, e R$ 3.734,11 de adicional, desde o despacho decisório e confirmado pelo acórdão guerreado, reconheceuse de valor pago a maior de R$ 8.198, 06, e não o valor de R$ 29.301,36 como informado como créditos em excesso para o 4.º trimestre de 1999. Apesar de já se poder parar neste ponto, pois, os créditos tem que ser identificados de forma correta, no período de apuração correto, o acórdão atacado continuou na análise, pois, a contribuinte, desde a impugnação, e agora no recurso, alega que os créditos teriam sido retidos de janeiro a dezembro e 1999. Contudo, para que estas retenções pudessem ser aproveitadas no referido trimestre, as receitas correspondentes deveriam ter sido oferecidas no 4.º período de apuração. Neste ponto, esclarecedor é a Súmula CARF n.º 80 que determina: “Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.904039/200643 Acórdão n.º 1103000.825 S1C1T3 Fl. 109 6 retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.” O acórdão da DRJ por meio das DIRFs apurara, pelo contrário que se a contribuinte tivesse informado todas as fontes do 4.º período, teria que informar R$ 132.695,04, contudo, ela só informara R$ 78.985,41 (DIPJ). Assim, na realidade em vez de crédito para o 4.º trimestre a contribuinte teria de pagar R$ 5,229,35, e pagou zero. Na realidade, entendo, que o reconhecimento parcial ocorrido, desde o despacho fora errado, pois, se as receitas não foram oferecidas à tributação no respectivo trimestre, não se poderia aproveitar a totalidade das fontes. Contudo, neste acórdão, não se pode mais alterar o valor reconhecido desde a DRF de origem. Na realidade, a contribuinte não pode alterar a origem dos créditos pleiteados após o despacho decisório. Isto só poderia se dar se houvesse comprovado algum tipo de erro, coisa que nem sequer foi ventilado pela contribuinte. De todo o exposto, em consonância com a Súmula CARF n.º 80, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de março de 2013 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 113DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10510.000005/2008-00
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005
DIRIGENTE ÓRGÃO PÚBLICO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI
Pelo princípio da retroatividade benigna da lei, o dirigente de órgão público deixa de ser o responsável pela multa aplicada no caso de descumprimento de obrigação acessória verificada no âmbito do órgão em questão, em razão da revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-003.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 DIRIGENTE ÓRGÃO PÚBLICO - DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Pelo princípio da retroatividade benigna da lei, o dirigente de órgão público deixa de ser o responsável pela multa aplicada no caso de descumprimento de obrigação acessória verificada no âmbito do órgão em questão, em razão da revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991 Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 484 1 483 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.000005/200800 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.182 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO GFIP FATOS GERADORES Recorrente EDSON LEAL MENEZES FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 DIRIGENTE ÓRGÃO PÚBLICO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Pelo princípio da retroatividade benigna da lei, o dirigente de órgão público deixa de ser o responsável pela multa aplicada no caso de descumprimento de obrigação acessória verificada no âmbito do órgão em questão, em razão da revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991 Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 00 05 /2 00 8- 00 Fl. 982DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 13/20), em ação fiscal realizada no Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Sergipe — DER/SE, Autarquia Estadual, foi verificada a omissão de fatos geradores em GFIP, os quais estão especificados no citado relatório. A autuação se deu contra o Diretor Presidente da Autarquia com base no art. 41 da Lei nº 8.212/1991, ora revogado. O autuado tomou ciência do lançamento em 20/12/2007 e apresentou defesa (fls. 177/183) onde requer o reconhecimento do seu direito à ampla defesa e solicita a relevação da multa. Pelo Acórdão nº 1515.829 (fls. 466/469) a 6ª Turma da DRJ/Salvador manteve a autuação sem a relevação da multa sob o argumento de que o autuado não demonstrou a correção integral da falta. Contra tal decisão, o autuado apresentou recurso tempestivo (ls. 472/479) e efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.000005/200800 Acórdão n.º 2402003.182 S2C4T2 Fl. 485 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão com base no art. 41 da Lei nº 8.212/1991 que assim estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Ocorre que o dispositivo em questão foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Por tratarse de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, ou seja, penalidade, entendo que cabe observar as disposições do Código Tributário Nacional no que tange à retroatividade da lei. O Códex Tributário dispõe, em seu art. 106, o seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A meu ver, a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991 se enquadra na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN acima transcrito, ou seja, a penalidade deixou de ser aplicada contra o dirigente do órgão. Nesse sentido, com base no princípio da retroatividade benigna da lei, entendo que o lançamento não pode prevalecer. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 985DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000166/2004-89
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO
A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA).
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido em parte.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso. ád( C O AL: r FREIT . BARRETO — Presidente ,N9 ELIAS SAMP 10 FREIRE Relator EDITADO EM: 18 SET 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em virtude de o acórdão recorrido ter descartado para fins da não incidência do ITR: a exigência do Ato Declaratório Ambiental — ADA no prazo nonnativamente disciplinado; e a averbação da reserva legal, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A primeira questão controvertida posta à apreciação trata-se da obrigatoriedade ou não do Ato Declaratório Ambiental — ADA, nos termos em que dispõem as normas do fisco federal, para fins da não incidência do ITR. Para se dirimir a controvérsia dos autos, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural - ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei 9.393/96 os trechos que interessam: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. 2 Processo n° 10675.000166/2004-89 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.071 Fl. 3 § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: - vriv, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; d)florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n o 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) compro vadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Da transcrição acima, destaca-se que, quando da apuração do imposto devido, exclui-se da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico e das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, remetendo o dispositivo citado para a Lei 4.771/65 (Código Florestal). O Código Florestal (Lei n° 4.771/65, na redação da Lei n° 7.803/89) foi extremamente minucioso ao estabelecer os parâmetros específicos para a conceituação das áreas de preservação permanente e as de reserva legal, nos arts. 2°, 3°, 16 e 44, que vão aqui reproduzidos: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) (:1-- 3 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45 0, equivalente a 100% na linha de maior declive; fi nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo.(Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor cientifico ou histórico; fi a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações 4 silvícolas; Processo n° 10675.000166/2004-89 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.071 Fl. 4 h) a assegurar condições de bem-estar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2° As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições a) nas regiões Leste Meridional, Sul e Centro-Oeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindo-se, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia" (Bert - O. Ktze), não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerando-se, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1° Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computar-se-ão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. (Parágrafo único renumerado pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) § 2°Á reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) § 3 0 Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803, de 18.7.1989) A expedição de atos normativas pela Administração Tributária deve ater-se à observância dos princípios da legalidade e da razoabilidade. Embora o Código Tributário Nacional estabeleça que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°), expressão que compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares (atos normativos, decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades tributários e convênios), não se deve perder de vista que sobrepaira sobre todo o sistema o princípio da legalidade. Em comentário ao dispositivo, Luiz Alberto Gurgel de Faria enfatiza, na esteira da melhor doutrina, que apenas a lei formal poderia ser fonte de obrigação tributária acessória: (Código Tributário Nacional Comentado, Coord. Vladimir Passos de Freitas, 3a ed., Ed. RT, pp. 551-552) A obrigação acessória decorre da 'legislação tributária' ( 2°), o que há de ser interpretado em harmonia com a Constituição FederaL Com efeito, nos termos do art. 96 do CTN, a referida expressão 'compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes', de modo que, na concepção do legislador de 1966 (ano da promulgação do CTIV), quaisquer desses atos poderiam instituir uma obrigação acessória. Ocorre que, na Carta Magna em vigor, o princípio da legalidade foi reforçado -'ninguém será obrigado afazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei' (art. 5°, II) -, demonstrando que as obrigações acessórias hão de ser criadas Processo n° 10675.000166/2004-89 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.071 Fl. 5 através de lei, formal e materialmente considerada, advinda, portanto, do Poder Legislativo, cabendo aos decretos e demais normas complementares o papel de explicitar a lei, viabilizando a sua melhor forma de execução, quando necessário Portanto Administração Tributária não pode instituir obrigações acessórias sem que haja pertinência objetiva entre ela e a obrigação tributária principal. Não deve o contribuinte ser onerado com exigências desnecessárias e impertinentes para o pagamento do imposto. A leitura das normas constantes no Código Florestal evidencia que ali foram expostos de modo minucioso todas as particularidades relativas à caracterização das áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Não há pertinência entre o cumprimento da obrigação tributária principal, no que tange à apuração e o pagamento do imposto, no que diz respeito à exclusão das áreas em tela e a exigência de Ato Declaratório Ambiental. Entendo que a IN n° 67/97, no quanto comporta à regulamentação do art. 10, § 1 0, inc. II, alínea 'a', da Lei n° 9.393/96, desbordou de seus limites, vale dizer, o ato administrativo operou extra-legem . Com efeito, a exigência de ato declaratório se encontra tão-só nas alíneas e 'c' do inciso II do § 1° da Lei n° 9.393/96. Nessas hipóteses tal exigência da IN n° 67/97 encontra fundamento na lei, condição necessária para sua validade enquanto ato normativo derivado. Entretanto, no que diz com a alínea 'a' do inciso II do § 1° da Lei n° 9.393/96, não se vislumbra esse fundamento, até porque essa alínea faz remissão expressa à lei n° 4.771/65 e à Lei n° 7.803/89, que definem quais sejam as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Diferentemente, quando o legislador entendeu necessária a declaração para a determinação de áreas de interesse ecológico e comprovadamente imprestáveis, o fez de maneira expressa. Portanto, a irresignação da Fazenda Nacional, neste ponto, não merece prosperar. Inclusive, porque o r. acórdão se mostra em sintonia com a jurisprudência da CSRF que firmou entendimento de que a comprovação da área de Preservação Permanente não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Colaciono os seguintes precedentes: ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO - A comprovação da área de Preservação Permanente, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declarató rio Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Não existe previsão legal que determine a necessidade de averbar, à margem da matrícula do imóvel, a área de Preservação Permanente. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/03- 05.514 ) IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) — ÁREAS ISENTAS DE TRIBUTAÇÃO (PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL) — COMPROVAÇÃO — ATO DECLARA TÓRIO AMBIENTAL (ADA) REQUERIDO 7 FORA DO PRAZO REGULAMENTAR. - O ADA, mesmo requerido a destempo junto ao IBAMA, não pode ser descartado para fins de comprovação da existência das áreas isentas de tributação. Além disso, não é tal documento o único meio de prova da existência das referida áreas. Tendo o contribuinte carreado para os autos Laudo Técnico contemporâneo ao fato gerador, indicando a existência de áreas de reserva legal e de preservação permanente, é de se exclui-las da base de cálculo do ITR.Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/03-04.244) Precedentes do STJ também são no sentido de que se permite a exclusão da base de cálculo do ITR de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Deelaratário Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 8I2.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007; REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1112283 / PB, PRIMEIRA TURMA, Relator Ministro BENEDITO GONÇALVES, DJe 01/06/2009) TRIBUTÁRIO - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - BASE DE CÁLCULO - EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATORIO AMBIENTAL DO IBAlgA. I. O Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/96, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA. 2. Recurso especial provido. (REsp 665123 / PR, SEGUNDA TURMA, Relatora Ministra EMANA CALMON, DJ 05/02/2007 p. 202) A segunda questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do ITR. A decisão recorrida partiu da premissa de que o Código Florestal ao tratar da averbação da área de reserva legal o fez com finalidade diversa da tributária, ao concluir que a Processo n° 10675.000166/2004-89 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.071 Fl. 6 exigência de averbação como pré-condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na lei ambiental. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de ITR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. Inicialmente, há de se esclarecer que o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , nos termos em que disciplina o art. 144 do CTN. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 sç 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: sç 2°Á reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro- Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. ()( 9 Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803, de 18.7.1989) No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explícito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbaç ão existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96. (GRIFEI) Mandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Processo n° 10675.000166/2004-89 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.071 Fl. 7 Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 náo existe reserva legaL (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, de modo a retificar o acórdão recorrido no que se refere à área de reserva legal não averba ea o registro de imóveis à época dos fatos geradores. Elias Samp 10: reire Relator 11
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Numero do processo: 19647.008609/2005-72
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL ESGOTADO.
Tratando-se de indébito tributário advindo de recolhimento efetuado a maior por iniciativa do contribuinte, tem-se que decorrido o prazo de cinco anos, contados a partir do pagamento, opera-se a extinção do direito de pleitear a restituição, nos termos do artigo 168, I, c.c. artigo 165, I, ambos do CTN.
Numero da decisão: 1302-000.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente em Exercício), Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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PRAZO PRESCRICIONAL ESGOTADO. Tratandose de indébito tributário advindo de recolhimento efetuado a maior por iniciativa do contribuinte, temse que decorrido o prazo de cinco anos, contados a partir do pagamento, operase a extinção do direito de pleitear a restituição, nos termos do artigo 168, I, c.c. artigo 165, I, ambos do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente em Exercício), Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 86 09 /2 00 5- 72 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.008609/200572 Acórdão n.º 1302000.963 S1C3T2 Fl. 430 2 Relatório CIROL ROYAL S/A, já qualificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 212/217), contra o Acórdão nº 1122.233, de 14 de maio de 2008 (fls. 199/204), proferido pela colenda 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife PE, o pedido de restituição de fls. 01, protocolado em 23.08.2005. Na mencionada data, a interessada apresentou o pedido de restituição correspondente ao saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica apurado em 31.12.1996, o qual, após ser apreciado pela repartição de origem, foi indeferido (fls. 97), com fundamento no artigo 168 do CTN, em razão do transcurso do prazo decadencial para pleitear a repetição de indébito. Tempestivamente a pessoa jurídica apresentou manifestação de inconformidade (fls. 100/102), sob o argumento de que a decisão da DRF/Recife, que não estaria em consonância com a melhor interpretação do Código Tributário Nacional (art.150, §4°), nem com a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), como também na esfera administrativa, que o prazo para pleitear o indébito tributário, nos tributos lançados por homologação começa a fluir a partir da homologação, e no caso de ter sido tácita, somente a partir do quinto (5°) ano a contar da data do fato gerador. Ao apreciar o pleito da contribuinte, a turma julgadora de primeiro grau indeferiu o pedido nos termos do acórdão citado, cuja ementa possui a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL ESGOTADO. O prazo para restituição de indébito é de cinco anos contados da data do recolhimento que abrangeu o pagamento do tributo, conforme disposto no art.168, do CTN. O protocolo do pedido foi registrado em 23.08.2005, já na vigência da LC 118/05. Solicitação Indeferida Ciente da decisão de primeira instância em 06/01/2009 (fls. 207) e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 04/02/2009 (fls. 212), onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: a) No que diz respeito a legislação que regia as regras da restituição e compensação de indébito tributário do contribuinte, para aquele ano Fl. 234DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.008609/200572 Acórdão n.º 1302000.963 S1C3T2 Fl. 431 3 calendário de 1996 e para o exercício financeiro de 1997 era o artigo 66 da Lei n. 8383191 e a Instrução Normativa n. 67/92. Dessa forma, naquele ano, para aqueles fatos jurídicos tributários estavam valendo as normas disciplinadas pela IN 67/92; b) que o único objetivo era ratificar o seu crédito tributário (indébito tributário), para poder compensar com seus débitos tributários futuros, a partir daquela data; c) que a pessoa jurídica com direito a restituição caso da Impugnante conforme DIRP3/97) poderá compensar os valores no recolhimento de tributos apurados em período subsequente. Se a legislação autorizou a compensar os valores a restituir, sem sombra de dúvida, é porque o crédito a favor do contribuinte consignado na DIRPJ já estava reconhecido, exceto nos casos em que o mesmo tenha sido questionado pelo Ente Tributante Federal; d) que não se pode deixar de levar em consideração as argumentações proferidas na Manifestação de Inconformidade. Principalmente a tese da contagem do prazo para restituição do indébito tributário; fundamentada no somatório de 5 anos a partir do fato gerador para fins de homologação tácita ou expressa de tributos lançados por homologação e de mais 5 anos, após a homologação tácita ou expressa, para fins de se pleitear a restituição de valores pagos indevidamente. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.008609/200572 Acórdão n.º 1302000.963 S1C3T2 Fl. 432 4 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Como visto do relato, a lide se limita ao pleito da recorrente, no sentido de ver reconhecido o direito à compensação de parte dos recolhimentos efetuados a título de IRPJ, a qual resultou saldo negativo do mencionado tributo. Sobre a matéria que trata de restituição ou compensação de valores indevidamente pagos, o comando inserto no art. 168 do Código Tributário Nacional, prevê: Art. 168 – O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. II – na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Vimos acima que o prazo é sempre de cinco anos, porém, a data de início da sua contagem possui variadas situações que manifestam a ocorrência do indébito tributário, as quais estão previstas no artigo 165 do CTN, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II – erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.008609/200572 Acórdão n.º 1302000.963 S1C3T2 Fl. 433 5 No caso dos autos, o indébito resultou demonstrado por iniciativa do próprio contribuinte através do recolhimento a maior do IRPJ relativo ao anocalendário de 1996. Nesse caso, o pedido de restituição/compensação tem assento nos incisos I e II do artigo 165 do CTN, contandose o prazo de decadência a partir de cada pagamento indevido, ou “da data da extinção crédito tributário”, de acordo com o que estabelece o inciso I do artigo 168, do CTN. Nesses termos, o direito de pleitear restituição de valor pago indevidamente, ainda que antecipado, não estava na dependência de qualquer homologação das atividades informadas pelo sujeito passivo, nem mesmo da chamada homologação tácita, posto que já poderia ser exercitado tão logo evidenciado o pagamento a maior, através da iniciativa da retificação da declaração de rendimentos. Diante disso, apresentado o pedido após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 168, I do CTN, consumouse a preclusão do direito, restando caracterizada a decadência bem reconhecida pela turma julgadora de primeira instância. Com efeito, a partir da ocorrência do fato gerador, a recorrente já tinha o direito de pleitear a repetição ou a compensação do indébito tributário, advindo do recolhimento a maior efetuado, porém, não o fez, tendo apresentado o presente pedido de restituição somente em 14/05/2003, ou seja, após decorrido o prazo decadencial de cinco anos, previsto no artigo 168, I, do CTN. Com isso, fica demonstrada a improcedência do argumento utilizado pela recorrente no que se refere a não ocorrência da decadência qüinqüenal de seu direito ao crédito. No que diz respeito ao argumento utilizado para rebater a ocorrência do prazo decadencial declarado pela colenda turma julgadora de primeiro grau, onde afirma que referido prazo só teria início com a homologação do lançamento, também não lhe assiste razão, visto que seu direito de reaver o valor de IRPJ pago a maior, não estava na pendência de qualquer homologação por parte da autoridade fazendária, pelo contrário, já poderia ter sido exercitado tão logo evidenciado o pagamento a maior. Os dispositivos supracitados são suficientemente claros para por fim à discussão acerca da ocorrência da decadência do direito da Recorrente de reaver o valor de IRPJ recolhido a maior no anocalendário de 1996. Referido entendimento, encontrase bem explicitado no no Acórdão nº 108 05.791, cuja ementa transcrevo abaixo: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN: O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.008609/200572 Acórdão n.º 1302000.963 S1C3T2 Fl. 434 6 indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. Recurso negado. Portanto, de acordo com as disposições legais acima mencionadas e, considerando a data da protocolização do pedido de restituição, concluise que o direito de a recorrente pleitear a restituição do crédito de IRPJ referente ao anocalendário de 1996, encontrase irremediavelmente atingido pela decadência qüinqüenal, como bem reconhecido pelos julgadores de primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 13308.000114/2002-17
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CRITÉRIO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. INEXISTÊNCIA DE SISTEMA DE CUSTO COORDENADO E INTEGRADO COM ESCRITURAÇÃO. CRITÉRIO ALGÉBRICO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO PEPS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES.
Na ausência de sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será (i) apurada pelo critério algébrico, somando-se a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindo-se, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências, e (ii) avaliada pelo método PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), que segue a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque.
COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. DOCUMENTAÇÃO ADEQUADA. LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI E NOTAS FISCAIS DE ENTRADA.
O livro Registro de Apuração do IPI e as notas fiscais de aquisição dos insumos são considerados documentos hábeis e idôneos para comprovar o valor do crédito presumido do IPI.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ESCRITURAL. INDEFERIMENTO POR MEIO DE ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. TERMO INICIAL. DATA DA CIÊNCIA DO ATO DE INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de ressarcimento, em dinheiro ou mediante compensação, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do IPI pleiteado, dando ensejo a incidência da taxa Selic, calculada a partir da data da ciência do respectivo ato administrativo ou normativo (aplicação da jurisprudência do STJ, por força do art. 62-A do RI-CARF).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, para: a) reconhecer o direito da Interessada ao crédito presumido do IPI do mês dezembro de 2001, no valor originário de R$ 389.885,18; b) homologar a compensação dos débitos declarados nas DComp de fls. 333/390, que deverá ser realizada nos termos do art. 13 da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997; e c) determinar o ressarcimento em dinheiro, na forma do § 8º do art. 12, combinado com o disposto no inciso V do § 2º do art. 13, ambos da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, do valor remanescente do crédito presumido do IPI do 4º trimestre dede 2001, que deverá ser acrescido do valor equivalente à variação da taxa Selic, apurada a partir de 07/06/2006, data da ciência do citado Despacho de Decisório, até o mês anterior ao ressarcimento e de 1% relativamente ao mês em que for efetuado depósito da importância ressarcida, conforme estabelecido no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausentes os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CRITÉRIO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. INEXISTÊNCIA DE SISTEMA DE CUSTO COORDENADO E INTEGRADO COM ESCRITURAÇÃO. CRITÉRIO ALGÉBRICO DE QUANTIFICAÇÃO E MÉTODO PEPS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES. Na ausência de sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será (i) apurada pelo critério algébrico, somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências, e (ii) avaliada pelo método PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), que segue a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. DOCUMENTAÇÃO ADEQUADA. LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI E NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. O livro Registro de Apuração do IPI e as notas fiscais de aquisição dos insumos são considerados documentos hábeis e idôneos para comprovar o valor do crédito presumido do IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ESCRITURAL. INDEFERIMENTO POR MEIO DE ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. TERMO INICIAL. DATA DA CIÊNCIA DO ATO DE INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de ressarcimento, em dinheiro ou mediante compensação, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 01 14 /2 00 2- 17 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 escritural do saldo credor do IPI pleiteado, dando ensejo a incidência da taxa Selic, calculada a partir da data da ciência do respectivo ato administrativo ou normativo (aplicação da jurisprudência do STJ, por força do art. 62A do RI CARF). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, para: a) reconhecer o direito da Interessada ao crédito presumido do IPI do mês dezembro de 2001, no valor originário de R$ 389.885,18; b) homologar a compensação dos débitos declarados nas DComp de fls. 333/390, que deverá ser realizada nos termos do art. 13 da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997; e c) determinar o ressarcimento em dinheiro, na forma do § 8º do art. 12, combinado com o disposto no inciso V do § 2º do art. 13, ambos da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, do valor remanescente do crédito presumido do IPI do 4º trimestre dede 2001, que deverá ser acrescido do valor equivalente à variação da taxa Selic, apurada a partir de 07/06/2006, data da ciência do citado Despacho de Decisório, até o mês anterior ao ressarcimento e de 1% relativamente ao mês em que for efetuado depósito da importância ressarcida, conforme estabelecido no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausentes os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 018.804, de 31 de julho de 2007 (fls. 322/332), proferido pelos membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA, em que, por unidade de votos, indeferiram o pedido de ressarcimento, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 325 3 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. Solicitação Indeferida. Por bem descrever os fatos até prolação da decisão de primeiro grau, adoto o Relatório encartado no Acórdão recorrido, que segue transcrito: A interessada acima qualificada formulou, em 31/05/2002, pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de R$ 389.885,18 (fl. 01), referente ao 4º trimestre de 2001, com fundamento no art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Também constam do presente processo pedidos de compensação de fls. 69/74. 2. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, após procedimento fiscal que visou à comprovação e aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, opinou pelo indeferimento total do crédito, sob os seguintes fundamentos, constantes do Termo de Verificação Fiscal de fls. 90/118: a) “o estabelecimento produz calçados, sendo que todo o processo de industrialização é feito sob encomenda, somando 19 o número de estabelecimentos industrializadores” (fl. 91), de acordo com informação prestada pela interessada. b) Em demonstrativo intitulado “Vendas Referentes Remessas p/ Depósito”, apresentado pela requerente, encontramse listadas, por exemplo, saídas de produtos (Remessa para depósito em estabelecimento de terceiros – CFOP 5.99) ocorridas em 5/5/1999, sendo que tais produtos somente teriam sido devolvidos ao estabelecimento (nele reingressado), por meio de notas fiscais de entrada do próprio contribuinte (NF de Remessa nº 6744 e NF de Entrada nº 20000), em 19/12/2001, portanto, mais de dois anos e sete meses após a saída declarada (fl. 92). c) “O Interessado, ainda, dá saída a mercadorias como ‘remessa de amostra’ ou ‘remessa para teste de amostra’, classificadas nos CFOP 699 ou 799, que até a data da informação prestada não haviam retornado, chegando a somar, estas saídas, no mês de junho/2000, R$ 309.151,76; até a data da informação prestada também não foram estornados os créditos respectivos, que possivelmente foram lançados na entrada destas mercadorias” (fl. 149). “Da mesma forma, o Interessado dá saída a mercadorias nos CFOP 5.12 e 6.12 – Venda de mercadorias adquiridas e/ou recebidas de terceiros, sem o devido estorno de possíveis créditos lançados nas respectivas entradas” (fl. 93). Fl. 456DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 d) “O interessado declara que todos os seus produtos são industrializados por terceiros e que ocorrem, até o desenvolvimento do produto final, várias etapas no processo de industrialização, realizada por vários estabelecimentos industrializadores, com várias entradas, portanto, destes produtos semiacabados em seu estabelecimento e, por outra, deixou de apresentar justamente as informações relativas a estas industrializações (...), necessárias e imprescindíveis ao devido esclarecimento da questão em pauta: os procedimentos do estabelecimento quanto à emissão e registro de documentos e livros fiscais, os necessários e suficientes ao cálculo dos créditos pleiteados...” (fl. 108). e) A própria contribuinte declara que “a partir de janeiro de 2002 deuse o início da implantação de um novo programa (...) ficando pronto agora em dezembro de 2003 a parte do controle da produção que vai alimentar o livro modelo 3 referente ao movimento dos produtos prontos e intermediários”, o que indicaria a inexistência de quaisquer controles quanto a MatériasPrimas (MP), Produtos Intermediários (PI) e Materiais de Embalagem (ME) utilizados diretamente no processo industrial. Aduz a fiscalização que, de fato, “o Interessado nada apresentou sobre quaisquer movimentações de matériasprimas, material de embalagem etc”, ressaltando que “ainda que não dispusesse mesmo do que seria devido, o livro modelo 3 – Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou fichas substitutivas ou outro controle equivalente) (...) não apresentou quaisquer controles que sejam, algum controle que valha como tal sobre alguma parte do seu processo produtivo” (fl. 109, grifouse). f) Por último, consignouse que os “procedimentos de emissão e registro de documentos e livros fiscais, pelo estabelecimento industrial (..) impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido – IPI (Lei nº 9.363/96 e Portaria MF 38/97) ..., o cálculo dos valores de créditos pleiteados (...)” (fls. 117/118). 3. Em 22/03/2006, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 260, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza indeferiu o pedido de ressarcimento em tela e não homologou as compensações correlatas, em face de que a interessada, não mantendo qualquer Controle da Produção e Estoque, haveria inviabilizado a verificação dos valores a serem ressarcidos. 4. A interessada tomou ciência do referido Despacho Decisório em 07/06/2006 (AR de fl. 261) e apresentou, em 29/06/2006 (fl. 262), a manifestação de inconformidade de fls. 264/289, na qual alega, em síntese, que: a) vários fatos ocorridos no curso do procedimento fiscal induziriam ofensa ao seu direito de defesa. Aponta que a fiscalização, com o mero propósito de prejudicála, relacionou no Termo de Verificação Fiscal processos que não constavam do respectivo Termo de Início. b) A matéria referente ao crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS/Cofins, instituído pela Lei nº 9.363, de Fl. 457DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 326 5 1996, é de simples compreensão e aplicação, sendo que foram disponibilizados à fiscalização, a partir de dados retirados dos controles de estoque e livros fiscais existentes, quadros demonstrativos de exportação e movimentação contábil dos insumos. Com base na legislação pertinente e nos quadros demonstrativos apresentados, o que a fiscalização deveria ter verificado era: se as MP, PI e ME foram adquiridas no mercado nacional; se tais aquisições amparavamse em documentos fiscais hábeis, idôneos e se estavam devidamente registradas nos livros fiscais; se as exportações informadas foram efetivamente realizadas; se as receitas totais correspondem àquelas informadas em outras declarações decorrentes de obrigações acessórias; se o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais encontravase correta; e se o cálculo do crédito presumido encontravase correto. Ressalta que, “com um pouco de boa vontade”, poderseia facilmente constatar “onde e para que finalidade foram utilizados todos os insumos adquiridos pela contribuinte”, que é empresa “quase que exclusivamente exportadora” (fl. 274). c) Tomando em conta sua premissa de que a legislação pertinente é de fácil aplicação, sustenta não haver qualquer razoabilidade nas solicitações emanadas da fiscalização, que envolveriam milhares de documentos fiscais, cujo atendimento se fazia quase impossível no prazo concedido, pelo que sustenta que “o agente fiscal tinha certeza que a empresa não teria condições de atender às solicitações, no formato pedido”, sendo que “sua intenção era alegar improcedentes os pedidos da contribuinte, mesmo antes de iniciarse a verificação fiscal” (fls. 282/283). d) Acresce que “disponibilizou todas as notas fiscais de compras e de vendas; os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias; os livros de inventários; os documentos de exportação; os livros razões e diários; bem como as fichas técnicas de produção que serviriam de base para a confecção das fichas de custos dos materiais utilizados, em cada modelo fabricado”, documentos os quais seriam “mais que suficientes para confirmar as exportações realizadas, bem como a aquisição dos insumos utilizados na sua produção” (fl. 283). Observa, ainda, que mesmo que tivesse condições de atender às informações requeridas, a fiscalização “levaria décadas para analisálas” (fl. 283), indicando que, em caso de dúvida quanto aos insumos e respectivas quantidades utilizadas na fabricação dos calçados exportados, bastaria haverse “multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo, pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo” (fl. 283). e) Invoca o art. 9º, IV, do Decreto nº 2.637, de 1998 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/1998), para asseverar que a hipótese normativa diz respeito exatamente às operações que realiza, quais sejam: idealiza os produtos finais, define os processos de industrialização, define a quantidade e qualidade dos materiais a serem utilizados na produção, adquire todos os insumos e os Fl. 458DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 remete a outras empresas para industrialização. Desta forma, afirma que “nas vendas para o mercado interno dos produtos finais, se tributáveis, a responsável pelo pagamento do IPI é a contribuinte, não as empresas que realizaram o beneficiamento do couro ou de qualquer outra industrialização. Assim, os créditos sobre os insumos, também, pertencem à contribuinte, inclusive o crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e Cofins” (fl. 285). f) Registra que o não reconhecimento do direito líquido e certo ao crédito presumido causará um total desequilíbrio em seu fluxo de caixa, uma vez que na formação do preço final de venda dos seus produtos foram deduzidos os valores relativos ao ressarcimento pleiteado. g) Por último, insurgese contra a anexação dos autos do processo nº 10380.009239/200161 (fl. 68), em que constavam os pedidos de compensação que ora figuram às folhas 69/74 do presente processo, por entender incabível, haja vista não se vincularem aqueles pedidos de compensação ao crédito presumido cujo ressarcimento pleiteia. 5. Em face de tais alegações, a requerente peticiona no sentido de que: a) decisão recorrida seja reformada; b) sejam homologadas as compensações de débitos vinculadas ao presente processo; c) o PAF nº 10380.009239/200161 seja desconsiderado no presente julgamento. d) o ressarcimento do crédito presumido de IPI seja atualizado, dentre a data do protocolo do pedido e a data do efetivo ressarcimento, pela taxa Selic; e) seja deferida perícia “para constatar a veracidade dos documentos e cálculos relativos às aquisições de insumos, exportações e tudo o mais necessário, para comprovar o direito ao crédito presumido de IPI solicitado” (fl. 364), indicando quesitos relacionados às exportações que realizou, à comprovação da idoneidade ou não dos documentos de aquisição de MP, PI e ME, bem como quanto à devida escrituração fiscal e contábil de tais documentos, além da possibilidade de se estabelecer correlação entre os insumos adquiridos e os produtos exportados. 6. Em 24/05/2007, a interessada apresenta requerimento para que seja juntada aos autos cópia simples de acórdão proferido, em seu favor, pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, o qual se encontra às folhas 305/320 e exibe ementa no sentido de que “o estabelecimento exportador, equiparado a produtor (...) faz jus ao crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96, seja por se enquadrar no conceito de exportador, seja porque este conceito não pode alterar o objetivo da norma, de garantir o ressarcimento das exações ao PIS e Cofins incidentes no ciclo de produção de produtos exportados (...)” (fl. 305). Fl. 459DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 327 7 Inconformada com o referido Acórdão, a Interessada apresentou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou todos os termos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, especialmente, o pleito de atualização do valor do crédito pleiteado, com base na variação da taxa Selic, calculada a partir da data do protocolo do pedido. Em aditamento, em síntese, alegou que: a) nas fiscalizações anteriores, os pedidos formulados foram deferidos, total ou parcial, enquanto que nas duas últimas fiscalizações houve o indeferimento total dos pedidos formulados. Tal fato causaralhe estranheza, haja vista que não houve mudança na legislação, no processo produtivo, nos controles dos estoques nem nos registros fiscais e contábeis; b) a única mudança que ocorrera fora o desfecho das duas últimas fiscalizações, em que o indeferimento fora motivado não pela inidoneidade dos documentos analisados ou exportações fraudulentas ou algo parecido, mas em decorrência da impossibilidade de identificação da utilização dos insumos utilizados nos produtos vendidos, o que houvera sido possível nas fiscalizações anteriores; c) estranhava ainda o fato de a decisão recorrida, da lavra da DRJ Belém, ter aceito as alegações da fiscalização, enquanto que as decisões preferidas pela DRJ Recife, no julgamento dos processos relativos à primeira fiscalização (realizada pelo mesmo AuditorFiscal, também com proposta de indeferimento dos pedidos, baseada nos mesmos argumentos apresentados nos presentes autos), determinara a realização de perícia, para confirmar a alegada impossibilidade de identificar o consumo dos insumos, bem como os cálculos dos créditos pleiteados; d) um controle nos moldes desejados pela Fiscalização e DRJ Belém apenas facilitaria a identificação dos insumos, entretanto, a falta desse controle não poderia ser argumento para negar a verdadeira compra dos materiais, sua industrialização e exportação; e) a Lei nº 9.363, de 1996, em seu artigo 2°, era clara ao afirmar que o crédito presumido seria calculado tendo como base a totalidade das compras de matériasprimas, materiais de embalagem e materiais intermediários. O legislador, em nenhum momento, menciona os vocábulos “consumido” ou “utilizado”. A base do incentivo era “o VALOR TOTAL DAS AQUISIÇÕES”. f) como não possuía sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, o valor dos insumos consumidos, para efeito do que determinava o art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, era apurado através da soma algébrica das movimentações dos estoques (§ 7°) e, neste caso, mantinha a relação dos estoques dos insumos (§ 14), o que se deu com a apresentação dos relatórios de produção e venda, dos controles internos e do Livro de Inventário; g) a apuração do crédito presumido do IPI, para aqueles que não possuíam sistema de custo integrado à contabilidade comercial, nos termos do art. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 1º da Instrução Normativa SRF nº 103, de 1997, ou seja, para aqueles em que não fosse permitida a identificação dos insumos (§ 1°), a apuração dos insumos que geravam crédito era baseada nos documentos fiscais das aquisições (§ 2°) e as parcelas dos estoques existentes no final de cada período de apuração eram determinadas por critério de rateio (§ 3°), efetuado com base em percentual, apurado mensalmente, resultante da relação entre a soma dos insumos que geram direito ao crédito presumido e os valores totais dos insumos adquiridos (4°), ou seja, a apurados dos estoques, para efeito do cálculo dos insumos consumidos no período de apuração, era resultado de uma operação algébrica; h) havia disponibilizado à fiscalização “TODAS AS NOTAS FICAIS DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE TODOS OS SEUS ESTABELECIMENTOS, bem como os livros fiscais onde foram escrituradas essas notas fiscais”, dessa forma, havia atendido, integralmente, o que determinava o § 1° do Art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997; i) todo o cálculo do crédito presumido do IPI, para os contribuintes que não tinham sistema de custo integrado à contabilidade, em conformidade com a legislação vigente à época, estava centrada (i) na comprovação das exportações (RE, SD, B/L, invoices, contrato de câmbio); (ii) na comprovação do total das receitas brutas operacionais (notas fiscais de vendas); (iii) no total das aquisições de insumos (notas fiscais de compras e importações); e (iv) na aquisição de insumos nacionais (notas fiscais). Uma vez comprovada a veracidade desses elementos, não havia razão do indeferimento total do pedido de ressarcimento; j) o objetivo do Fisco era retardar ao máximo o deferimento dos pedidos de ressarcimento. Nesses casos, os contribuintes só obtinham sucesso no Conselhos de Contribuintes, como foi o caso da Recorrente, relativamente aos processos nºs 13308.000054/9994, 13308.000072/9976, 13308.000082/0006, 13308.000086/0096 e 13308.000114/0020, referentes aos pedidos de ressarcimento objeto da primeira fiscalização; e k) caso este Colegiado não sentisse confortável para reverter a decisão recorrida, para o bem da verdade material, ratificava o pedido de realização de diligência apresentado anteriormente, para esclarecimento dos quesitos especificados (fls. 413/414). No final, requereu a reforma do Acórdão recorrido, para que fosse deferido o ressarcimento do valor do crédito pleiteado, acrescido da variação da Taxa Selic, desde o protocolo do pedido, e homologadas as compensações declaradas. Em 11/05/2009, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de abril de 2011, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. Na Sessão de 21 de novembro de 2011, por meio da Resolução nº 3802 000.007, este Colegiado, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência, para que a Unidade da Receita Federal de origem juntasse aos autos o documento comprobatório da ciência da decisão recorrida. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 328 9 Por fim, em 25/05/2012, por meio do Despacho de fl. 431, os presentes autos retornaram a este Conselho, com proposta de que o presente Recurso fosse considerado tempestivo, uma vez que não fora possível a localização o documento de ciência da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, inclusive o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto dos presentes autos. Os presentes autos tratam do pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI, instituído pelo art. 1º Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e disciplinado pela Portaria MF nº 38, de 27 de dezembro de 1997, no valor total de R$ 389.885,18, apurado no 4º trimestre de 2001, conforme Demonstrativo de fl. 10. O valor do referido crédito foi parcialmente utilizado na compensação dos débitos informados nas Declarações de Compensação (DComp) eletrônicas de fls. 333/390. O pedido de ressarcimento e as compensações declaradas foram realizadas em conformidade com o disposto na Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março 1997, e Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro 2002, vigentes nas datas de formalização dos respectivos procedimentos. Do objeto da presente controvérsia. A Turma de Julgamento de primeiro grau manteve o indeferimento do pleito em tela, com base no argumento de que o controle de entrada e saída de mercadorias não era efetivo, bem como a emissão de notas fiscais, a escrituração fiscal e contábil e o controle de estoque não eram revestidos de coerência e confiabilidade, de modo que indicasse, com precisão, quais as MP, os PI e os ME que efetivamente faziam parte do processo produtivo, haja vista que o direito ao aproveitamento dos créditos presumidos respectivos cingiase à concreta aplicação de tais insumos no processo produtivo da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, nos termos do art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996. Por outro lado, a Recorrente reafirmou a alegação de que a comprovação da existência do crédito presumido do IPI davase apenas com a análise da idoneidade das notas fiscais de aquisição dos insumos e a sua adequada escrituração no livro de entrada de mercadoria e nos livros contábeis da empresa e que o valor do crédito objeto do presente Pedido de Ressarcimento estava comprovado com as Notas Fiscais dos insumos adquiridos no referido trimestre, devidamente escrituradas e submetidas à fiscalização, independentemente do fato d’esses insumos terem sidos consumidos naquele trimestre ou não. Com base nesse breve resumo, resta demonstrado que o cerne da presente controvérsia restringese ao aspecto fáticoprobatório, especificamente em relação aos tipos de Fl. 462DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 documentos e livros fiscais necessários e suficientes para a comprovação do valor do crédito presumido do IPI apurado no mês dezembro de 2001. Da análise da presente controvérsia. Em conformidade como disposto no artigo 2º da Lei nº 9.363, de 1996, a base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total dos insumos adquiridos no mês, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Sobre a base de cálculo assim determinada será aplicado o percentual de 5,37%, obtendose, dessa forma, o valor do crédito presumido do IPI a que tem direito a pessoa jurídica produtoraexportadora. A documentação exigida para comprovação dos insumos aplicados na fabricação dos produtos exportados encontrase explicitada no art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, a seguir transcrito: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. [...] (grifos não originais) Em consonância com o referido preceito legal, dispõe o § 1º do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, a seguir transcritos: Art. 11. O estabelecimento que apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, inclusive o estabelecimento matriz, no caso de apuração centralizada, deverá escriturálo no item 005 do quadro "Demonstrativo de Créditos", do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro "Observações". § 1º No caso de apuração centralizada, o estabelecimento matriz deverá manter arquivadas, além dos originais das notas fiscais das próprias aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, cópias das notas fiscais correspondentes às aquisições efetuadas pelos demais estabelecimentos, que permitam a verificação do crédito apurado. [...] (grifos não originais). Com base nos referidos comandos normativos, temse que, para fim de comprovação do valor do crédito presumido do IPI, apurado no 4º trimestre de 2001, era necessário e suficiente a apresentação do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, devidamente escriturado na forma dos arts. 375 a 376, todos do RIPI/98, e das notas fiscais de aquisição dos insumos e das notas de fiscais de saída dos produtos exportados. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 329 11 Nesse sentido, em consonância com o disposto na legislação do IPI, o § 1º do art. 9º1 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, vigente na data da formulação do presente pedido de ressarcimento, determinava que o pedido de ressarcimento, na época feito em formulário impresso, fosse instruído com cópias das folhas do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, correspondentes ao período de apuração. Esse comando normativo, vem corroborar o entendimento aqui esposado, no sentido de que os documentos hábeis e idôneos para comprovar o valor do crédito presumido pleiteado são o livro Registro de Apuração do IPI e as referidas notas fiscais. Conforme anteriormente delineado, os nobres Julgadores da Turma de Julgamento a quo mantiveram o indeferimento do direito creditório pleiteado nos presentes autos com base no argumento de que a Recorrente não dispunha de um controle de estoque, revestido de coerência e confiabilidade, respaldado em notas fiscais e escrituração fiscal e contábil idôneas, que indicassem com precisão os insumos aplicados no processo produtivo da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, nos termos do art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996. No meu entendimento, esse argumento seria procedente caso fosse obrigatória apuração do crédito presumido com base apenas no sistema de custo coordenado e integrado com escrituração comercial da pessoa jurídica. Porém, a adoção do referido sistema era opcional, segundo o disposto nos §§ 5º a 8º e 14 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, vigente no período de apuração dos créditos em apreço, que seguem transcritos: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. § 6º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens será efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, no qual se considera que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. 1 "Art. 9º A apuração do crédito presumido, a título de ressarcimento das contribuições para PIS/PASEP e COFINS, será efetuada pelo contribuinte, observadas as normas do art. 3º da Portaria MF nº, de 038 de 27 de fevereiro de 1997. § 1º O pedido de ressarcimento em espécie será instruído com cópias das folhas do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, correspondentes ao período de apuração. [...]" Fl. 464DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 § 7º No caso de pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. § 8º Na hipótese do parágrafo anterior, a avaliação das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção, durante o mês, será efetuada pelo método PEPS. [...] § 14. A empresa deverá manter em boa guarda as memórias de cálculo dos créditos presumidos e, se não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, as respectivas relações de quantidades e valores das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens em estoque no final de cada período de apuração. [...] De acordo com o disposto no § 7º do art. 3º em destaque, caso a pessoa jurídica não possua sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de insumos utilizada em cada mês seria determinada pelo método algébrico, “somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências”, representado pela equação: Quantidade de Insumo Consumida = Estoque Inicial + Compras Estoque Final. Para atender a essa exigência, a pessoa jurídica beneficiária deveria exibir as notas fiscais de compra dos insumos e as relações de quantidades e valores dos insumos em estoque no final de cada período, o que poderia ser feito com a apresentação do livro Registro de Inventário, modelo 7, previsto no inciso VII do art. 345 do RIPI/98. Logo, para comprovar o valor do crédito presumido do IPI, não era obrigatória a utilização de um controle de estoque nos moldes preconizados pela Fiscalização e ratificado nos julgados precedentes. Além disso, grande parte dos documentos e das informações solicitadas no Termo de Intimação Fiscal de fls. 128/133 não foram relacionados nos preceitos normativos anteriormente analisados. É oportuno ainda destacar que o Pedido de Ressarcimento de fl. 01 foi instruído adequadamente, uma vez que acompanhado dos elementos exigidos pela Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997. Ademais, foram disponibilizados para a Autoridade Fiscal os livros e as notas fiscais necessários à análise do pleito e que esta não apontou qualquer discrepância em relação ao saldo de crédito presumido do IPI do mês do dezembro de 2001, informado no Demonstrativo de Apuração do Crédito encartado na DCTF do 4º trimestres 2001 (fl. 10). Com base nessas considerações, sou favorável ao reconhecimento do direito creditório pleiteado no Pedido de Ressarcimento de fl. 01, no valor de R$ 389.885,18, o qual foi parcialmente utilizado na compensação dos débitos discriminados nas DComp eletrônicas de fls. 333/390. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 330 13 Após as referidas compensações, o saldo remanescente do crédito reconhecido deve ser ressarcido em dinheiro à Recorrente, na forma do § 8º do art. 12, combinado com o disposto no inciso V do § 2º do art. 13, ambos da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, vigente na data da formalização do presente pedido de ressarcimento. Do ressarcimento em dinheiro do saldo remanescente: atualização pela taxa Selic. Na peça recursal em apreço, defendeu a Recorrente o direito de atualização do valor do crédito a ser ressarcido, com base na taxa Selic, calculada a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento em apreço, com base no argumento de que o contribuinte seria penalizado pelo atraso no pagamento do referido valor e haveria grave ofensa aos princípios da isonomia e da vedação ao enriquecimento ilícito. A matéria já foi apreciada pelo C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), que consolidou o entendimento de que o impedimento da utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, por meio de ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural desse tipo crédito, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente pela taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Acerca do assunto, a Primeira Seção do E. STJ aprovou a Súmula de nº 411, cujo enunciado dispõe que “é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrentes de resistência ilegítima do Fisco”. Nesse sentido, o acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 03/03/2010, que ficou assim ementado, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo Fl. 466DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 14 legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) grifos do original Nos presentes autos, em 22 de março de 2006, foi proferido o Despacho Decisório de fl. 260, em que foi denegado o direito creditório pleiteado e não homologada as compensações declaradas. Em 07/06/2006 (fl. 261), a Recorrente foi cientificada do referido Despacho. Em cumprimento ao disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, adoto o inteiro teor do acórdão proferido pelo E. STJ no âmbito do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, que passa a fazer parte integrante deste voto, como se transcrito aqui estivesse, e com base nos fundamentos jurídicos nele consignados, reconheço o direito à atualização do saldo remanescente do crédito do IPI a ser ressarcido em dinheiro, com base na variação da taxa Selic, calculada a partir de 07/06/2006, data da ciência do referido Despacho Decisório, até o mês anterior ao ressarcimento e de 1% relativamente ao mês em que for efetuado depósito da importância ressarcida, conforme estabelecido no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Da conclusão. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para: a) reconhecer o direito da Interessada ao crédito presumido do IPI do mês dezembro de 2001, no valor originário de R$ 389.885,18; b) homologar a compensação dos débitos declarados nas DComp de fls. 333/390, que deverá ser realizada nos termos do art. 13 da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 1997; e c) determinar o ressarcimento em dinheiro, na forma do § 8º do art. 12, combinado com o disposto no inciso V do § 2º do art. 13, ambos da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, do valor remanescente do crédito presumido do IPI do 4º trimestre de 2001, que deverá ser acrescido do valor equivalente à variação da taxa Selic, apurada a partir de 07/06/2006, data da ciência do citado Despacho de Decisório, até o mês anterior ao ressarcimento e de 1% relativamente ao mês em que for efetuado depósito da importância ressarcida, conforme estabelecido no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13308.000114/200217 Acórdão n.º 3802001.369 S3TE02 Fl. 331 15 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 468DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /11/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 13629.001422/2003-18
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.033
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros to colegiado, po unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. L CARLO' • L : ml! TAS B . ". TO — Presidente11 \ .1 ‘ 01, JULIO 1\11 A i IE 18 , GOMES — R - lator 1EDITADO EM: 18 S T 2009 1 Processo n° 13629.001422/2003-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.033 Fl. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual, decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que deve prosperar o entendimento consubstanciado nos acórdãos paradigmas que reconhecem a aplicação do artigo 10, §4°, inciso I da instrução Normativa SRF n° 43/97. Também que em nenhuma das sucessivas instruções normativas que foram posteriormente editadas tal obrigação fora dispensada e nem mesmo após a Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/2001 que acrescentou o parágrafo 7° no artigo 10 da Lei n° 9.393/66: Artigo 10 (..) §7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, §1 0 deste artigo não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. E ainda que: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. 2 Processo n° 13629.001422/2003-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.033 Fl. 3 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Verifico que foram atendidos os pressupostos para admissibilidade do recurso; portanto, passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. A divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. 1‘ (.) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (-) II — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: 3 Processo n° 13629.001422/2003-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.033 Fl. 4 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. § 1° A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIAI, e a distribuição das áreas, à situação existente em I° de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (.) § 3 0 São áreas de utilização limitada: § 4° As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declarató rio junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (.) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR11998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: 4 Processo n° 13629.001422/2003-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.033 Fl. 5 IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto AP1 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (..) § 6. 0 Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.°, NI, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 5 1 Processo n° 13629.001422/2003-18 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.033 Fl. 6 IV - a fixação de aliquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o MAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários , ao gozo da isenção, seja ela específica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especque as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Em razão do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso 1 interposto pela Fazenda Na, i i n./11 \E mi . Julio Ces "i Vi 41 ra Gomes - Relator 1 . , r.-.1 • ' fr I i. f .n 4 1 6
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003103/2004-02
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2000, 2001
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE VENDAS
Sujeita-se à tributação a contribuinte que não comprovar por intermédio de documentos hábeis e idôneos as devoluções de vendas que reduziram o seu lucro.
OMISSÃO DE RECEITAS - PASSIVO FICTÍCIO
Considera-se omissão de receitas a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou não comprovadas, quando o contribuinte não comprovar a totalidade do valor lançado na conta de Fornecedores ou Outras Contas do Passivo, autorizado assim, à autoridade administrativa à presunção relativa de omissão de receita caracterizada como passivo fictício, relativamente à diferença não comprovada
PERÍCIA. INDEFERIMENTO
Constando dos Autos todos os elementos de convicção necessários à solução do litígio, rejeita-se, por prescindível, o pedido de perícia ou de diligência para configurar a natureza da obra executada.
MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO.
A multa constitui sanção de ato ilícito, não se caracterizando como tributo, sendo, portanto, inaplicável ao caso o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal de 1988.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu.
LANÇAMENTO REFLEXO
O decidido quanto ao lançamento principal se estende ao lançamento reflexo por uma relação direta de causa e efeito.
Numero da decisão: 1202-000.094
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Ausente, momentaneamente, o conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Valéria Cabral Géo Verçoza
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2000, 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE VENDAS Sujeita-se à tributação a contribuinte que não comprovar por intermédio de documentos hábeis e idôneos as devoluções de vendas que reduziram o seu lucro. OMISSÃO DE RECEITAS - PASSIVO FICTÍCIO Considera-se omissão de receitas a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou não comprovadas, quando o contribuinte não comprovar a totalidade do valor lançado na conta de Fornecedores ou Outras Contas do Passivo, autorizado assim, à autoridade administrativa à presunção relativa de omissão de receita caracterizada como passivo fictício, relativamente à diferença não comprovada PERÍCIA. INDEFERIMENTO Constando dos Autos todos os elementos de convicção necessários à solução do litígio, rejeita-se, por prescindível, o pedido de perícia ou de diligência para configurar a natureza da obra executada. MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO. A multa constitui sanção de ato ilícito, não se caracterizando como tributo, sendo, portanto, inaplicável ao caso o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal de 1988. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu. LANÇAMENTO REFLEXO O decidido quanto ao lançamento principal se estende ao lançamento reflexo por uma relação direta de causa e efeito.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO , Processo n° 10320.003103/2004-02 Recurso n° 150.964 Voluntário Acórdão n° 1202-00.094 — 2 a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2009 Matéria CSLL Recorrente IMPERIAL MOTOS LTDA. Recorrida 3' TURMA DA DRJ FORTALEZA/CE Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2000, 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE VENDAS Sujeita-se à tributação a contribuinte que não comprovar por intermédio de documentos hábeis e idôneos as devoluções de vendas que reduziram o seu lucro. OMISSÃO DE RECEITAS - PASSIVO FICTÍCIO Considera-se omissão de receitas a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou não comprovadas, quando o contribuinte não comprovar a totalidade do valor lançado na conta de Fornecedores ou Outras Contas do Passivo, autorizado assim, à autoridade administrativa à presunção relativa de omissão de receita caracterizada como passivo fictício, relativamente à diferença não comprovada PERÍCIA. INDEFERIMENTO Constando dos Autos todos os elementos de convicção necessários à solução do litígio, rejeita-se, por prescindível, o pedido de perícia ou de diligência para configurar a natureza da obra executada. MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO. A multa constitui sanção de ato ilícito, não se caracterizando como tributo, sendo, portanto, inaplicável ao caso o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal de 1988. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu. LANÇAMENTO REFLEXO Ok — Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 2 O decidido quanto ao lançamento principal se estende ao lançamento reflexo por uma relação direta de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. NELSON L SSOAN O - Presidente. 1/6ft5r--- VALÉA' IA CABRAL GtO VERÇOZA - Relatora. EDITADO EM: 3 O SET 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente da turma), Cândido Rodrigues Neuber, Orlando José Gonçalves Bueno, Irineu Bianchi, Valéria Cabral Géo Verçoza, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Mário Sérgio Fernandes Barroso e Karem Jureidini Dias. 2 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 3 Relatório Contra o Sujeito Passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, fls. 09/27, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados no valor total de R$ 990_ 199,81, inclusive encargos legais. A autuada é uma sociedade limitada que tem corno objeto social a venda de motos e peças da montadora Honda. Os itens apurados pela Fiscalização, relatados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 10/18, foram os seguintes: I —CSLL sobre omissão de receitas: falta de pagamento da CSLL devida sobre receitas omitidas Vendas canceladas incomprovada Devoluções de vendas incomprovada A d. Autoridade Fiscal constatou, no curso da fiscalização que os valores lançados na contabilidade a título de "vendas canceladas" não representavam, na verdade, retorno de mercadorias vendidas. Tratavam-se de simples remessas de mercadcorids para os mais diversos motivos, como já mencionados antes (para exposição, para divulgação etc) [..] O retorno das mesmas não configuraria devolução de vendas, mas simples volta das mercadorias ao estabelecimento da empresa que antes as havia remetido. Ou seja, tais fatos não gerariam desfazimento de vendas pois as saída não o foram a título de vendas. Como corolário, teríamos que: se as saídas não afetara in as vendas, no retorno das mercadorias saídas, não poderia haver redução no valor das vendas, pois que tais saídas não ocorreram a título de vendas. Não poderiam, portanto, afetar o valor destas (fl. 12-13). Passivo Fictício: Manutenção no Passivo, em 31.12.2000, de Obrigações a Pagar incomprovadas, embora tenha sido a empresa intimada a apresentar os documentos (Títulos de Crédito / Documentos Equivalentes), que comprovassem a existência, nessa data, de tais dívidas. (/1.16-7)) II - Adições ao Lucro Líquido antes da CSL,L, — Despesas não dedutiveis — Lei n° 9.249/95: Despesas indedutiveis: (fl. 17) A empresa registrou em sua escrituração contábil, sem fazer nenhum ajuste de natureza fiscal, apuração do Lucro Real dos C-)5 3 Processo n° 1 0320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 4 respectivos trimestres, conforme resumidamente abaixo se evidencia, e devidamente demonstrado no —Quadro Geral de Infrações Apuradas", em anexo, DESPESAS .INDEDUTÍVEIS, a titulo de "Perdas com Cheques", sem atender [sie/ para os requisitos da INDEDUTIBILIDADE a que se refere o art. 9", da Lei n° 9.430/96, reproduzido no art. 340 c/c o art. 249, estes do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n" 3.000/99, embora tenha sido solicitada para tal, conforme Termos Fiscais comprobató rios, anexas. Inconformado com a autuação acima descrita, da qual tomou ciência em 30/12/2004 (fls. 09), o contribuinte, em 28/01/2005, apresenta impugnação (fls. 1351/1376), alegando o seguinte: Dos fatos: a) afirma que a alegação de omissão de receita não pode prosperar porque a lei não prevê como hipótese da ocorrência dessa infração o lançamento a débito de conta redutora de vendas. b) reconhece que cometeu erros na ernissão de notas fiscais, ao emiti-las como venda e não como remessa de mercadorias para exposição / divulgação. A contabilização das vendas foram [sie] realizadas com base no Livro de Apuração Fiscal, o qual refletia o engano apontado ao norte, ou seja, os lançamentos equivocados destas notas fiscais na coluna de vendas, interferiram artificialmente no montante das receitas auferidas com vendas, por considerar operações (vendas) que factualmente nunca existiram (1l. 1352) Assim, para anular o efeito fiscal que a emissão dessas notas causaria na apuração da receita e conseqüentemente na respectiva tributação, efetuou lançamentos contábeis invertendo os lançamentos anteriores. c) chama atenção para o fato de que o objeto social da empresa é a revenda de motos e que a emissão da nota fiscal de venda é fundamental para o emplacamento do veiculo. Assim, não poderia haver venda de motos sem emissão da respectiva nota fiscal. Acrescenta: Portanto, com um simples levantamento do estoque, tomando-se por base as Notas Fiscais de emissão dos fornecedores, menos as saídas, a diferença será facilmente identificada, urna vez que esta diferença é a soma da Notas Fiscais de saída com a numeração de Chassi repetido, pois só deve ter uma nota fiscal para cada moto. «Is. 1352)) d) segundo a autuada, a Autoridade Fiscal equivocou-se ao justificar em seu relato fiscal que não fora demonstrado o lançamento do retorno da mercadoria ao estoque. Isso porque, como a autuada não tem custo integrado à contabilidade, o lançamento de baixa dos ... • • .:-estoques ! - • . .* - ... - . - 11 • - e•—e •.e - f._ z. -.1:. - :: -;-•:: . . e e . . • II - a711 - : •• e-. : • e. , •:: e-- •:. z •- -• e e e. - e. -.1 ,'4, 4 _ _ __ c ___ Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 5 e) afirma que levou até a sede da Receita Federal um caminhão repleto de documentos mas a fiscalização recusou-se a recebê-los, alegando que eram muitos documentos e talvez estivessem de forma desordenada, impossibilitando, assim, a apuração da realidade dos fatos. Por esse motivo entende a autuada que a Administração Pública não primou pela busca da verdade real. Do direito: a) Princípio da legalidade: Ao discorrer sobre o principio da legalidade afirma que houve desrespeito ao mesmo quando a Autoridade Fiscal aplicou sobre a impugnante uma penalidade em relação a uma conduta que não está legalmente definida como omissão de receita. Ressalta que (fl. 1.354) ... na legislação pertinente a omissão de receitas, não existe a previsão de que vendas canceladas e não comprovadas são omissões de receita. {.--1 Consoante o artigo 10, inciso IV, do Decreto n° 7 0.235, de 6 de março de 1972, a Autoridade Fiscal deve mencionar, no Auto de Infração, a disposição legal infringida e a penali dade aplicável, dessa forma é nulo de pleno direito o Auto que não atende a este requisito. ... atender a esse requisito é observar o princípio da legalidade, pois, qualquer tributo para ser exigido é necessário que sua imposição seja albergada por Lei que o defina. Ademais é princípio de direito penal que não há penalidade sem anterior previsão legal. Cita o acórdão relativo ao Recurso 122.000, da l a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, no qual ficou consignado que a diferença apurada no confronto entre a escrituração fiscal e contábil, correspondente a vendas canceladas e impostos incidentes sobre as vendas, não podem ser consideradas receitas omitidas para determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas. b) Base de cálculo: (fls. 1556) Quanto à base de cálculo do imposto sobre a renda a autuada argumenta: A Autoridade Fiscal, no firme propósito de autuar a impugnante, considerou como omissão de receita valores que foram contabilizados como redutora das contas de receita, vendas canceladas, sendo que não apurou os custos referentes a esta suposta omissão de receita. Como não foram excluídos os custos das supostas receitas omitidas, o Agente fiscal considerou como acréscimo patrimonial receitas sem considerar as compras correspondentes cyf 5 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202 -00.094 Fl. 6 as mesmas, esse procedimento não é albergado pelo artigo 43 do Código Tributário Nacional ... Cita vários tributaristas que expõem suas idéias no sentido de que não há o que ser tributado se não houver ingresso, no patrimônio da pessoa, de produto do capital, do trabalho ou combinação de ambos ou, ainda, de proventos de qualquer natureza que representem acréscimos patrimoniais. c) Confisco: (fls. 1360) Segundo a autuada, a cobrança de multa de 75% é confiscatória, o que, no seu entender, é vedado pela Constituição Federal. Desenvolve sua argumentação no sentido de que não praticou nenhum ato ilícito que autorizasse a aplicação da pena de confisco. Menciona, ainda, decisão do Supremo Tribunal Federal, RE 92.165-6 no sentido de que é possível a redução da multa imposta pelo não pagamento de tributo. d) Arbitramento do lucro: (fls. 1361) Reconhece a autuada que não apresentou parte da documentação solicitada pela fiscalização pois a mesma foi destruída. Por esse motivo não obteve êxito na comprovação das vendas canceladas. Reconhece, também, o fato de a contabilidade haver sido feita de forma resumida, nas suas palavras "contrariando o Regulame7itc, do Imposto de Renda", e a falta de documentação. Afirma que "não é qualquer escrita nurnerária que pode ser considerado [sic] como registro contábil. Desta forma, consta-se (sic] cz inexistência da contabilidade" (fl. 1363). Mais adianta continua: ... pode-se concluir que a contabili dczde apresentada às Autoridades Fiscais são [sic] imprestáveis, desta forma impossibilitando a apuração da real base de cálculo do imposto de renda. Assim, CONSTATA-SE A IMPERATIVIDADE DO ARBITRAMENTO, isto é, a contabilidade deveria ter sido desclassificada e o lucro arbitrado. (fl. 13 63 -64). Cita acórdão n° 101-94.346, REC 13 2.711, da 1' Câmara do Conselho de Contribuintes , assim ementado: IRPJ. ARBITRAMENTO DE LUCRO. LANÇAMENTO CONDICIONAL. Inexistindo arbitramerz to condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração retifi ca da, porquanto o -é Iii'd I à ddddd •• ••. •.. ••• ,." imprestável porque registrada, por partidas mensais, sem acompanhamento de livros auxiliares. 94, -44 6 • Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 7 Finaliza esse tópico da seguinte forma: ... Utilizar os registros da Impugnante que não obedeceu [sic] a nenhum dispositivo legal, não podendo sequer ser considerada como contabilidade, é TER DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS, pois em casos de fatos semelhantes, foi mantida [sie] o arbitramento das Autoridades Lançadoras (fl. 1849). e) Suposta infração à legislação, apuração do imposto: A impugnante insiste no fato de que (fl. 1368) os casos que são considerados como omissão de receita são aqueles definidos no artigo 281 do Regulamento do Imposto de Renda, nas preliminares já foi transcrito de forma literal, não define como hipótese de omissão de receita os valores contabilizados como redução das receitas. Ressalta, mais uma vez, que o objeto social da autuada é a venda de motos e que não há como a moto ser emplacada sem a devida nota fiscal. Necessária, portanto, a emissão de nota fiscal de venda para cada mercadoria efetivamente vendida. Por outro lado, em sua peça impugnatória a autuada demonstra a existência de notas fiscais diversas emitidas com referência ao mesmo número de chassi (fl. 1369-70). Por conseguinte, como existem mais notas fiscais emitidas com o mesmo número de chassi e não existem motos com número de chassi repetido, a autuada demonstrou haver duplicidade de lançamentos como receita. Diante do exposto, dúvidas não pairam de que o lançamento efetuado pela contabilidade como vendas canceladas trata-se de um estorno de valores lançados em duplicidade, desta forma manter o feito fiscal é no mínimo cometer uma injustiça.(fls. 1370) Em seguida a autuada discorre sobre a forma de contabilização correta de suas operações e o modo que ela efetivamente utilizou para concluir que ... é possível asseverar que a falta do lançamento do estorno dos custos não afeta em nada o resultado, mas considerar a receita sem o devido custo, atribui uma distorção considerável, alterando totalmente o resultado. Isso foi o que fez a autoridade fiscal. (fl. 1856) Posteriormente chama atenção para o fato de que as hipóteses legais que caracterizam a omissão de receita não contemplam a contabilização de lançamentos (em contas redutoras) que reduzam a receita. As Autoridades Fiscais no seu relatório não deixa [sie] qualquer dúvida de que a suposta infração cometida pelo contribuinte foi a contabilização de valores como redutora das receitas, desta forma não está incluído nas situações definidas pela Lei, como omissão de receita. (ti. 1.372) (...) uf 7 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 8 Ainda a base de cálculo do imposto de renda não é a receita e sim o acréscimo na disponibilidade, ou seja, lucro, desta forma, para que seja uma tributação justa e de acordo com a legislação vigente é necessário o reconhecimento também dos custos, correspondentes as supostas receita omitidas. O. 1.373) A autuada insiste na utilização do lucro arbitrado tendo em vista a imprestabilidade de sua escrita contábil, segundo seu entendimento. Vejamos sua argumentação: (fl. 1.374) ... o arbitramento do lucro não é opção das Autoridades Fiscais, é determinação legal do artigo 148 do Código Tributário Nacional, não deixa a escolha da autoridade sim determina que situação em que a documentação não merece fé deve ser arbitrado, quando também é impossível apurar o valor real do imposto. A autuada entendeu ser necessária a realização de perícia, indicando perito e elaborando quesitos à fl. 1.375. Ao final requer a nulidade do feito fiscal alegando cerceamento de defesa e vícios formais insanáveis decorrentes da não observância, por parte das Autoridades fiscalizadoras, da legislação vigente na data do auto de infração. Caso não seja esse o entendimento da Autoridade Julgadora, requer seja julgado improcedente o auto de infração, uma vez que não houve omissão de receita nem o cometimento de qualquer ato ilícito. Em se mantendo a exigência fiscal, seja determinada a apuração do imposto com base no lucro arbitrado. Em 05 de maio de 2005 a 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza houve por bem, por unanimidade de votos considerar procedente o lançamento. Os principais fundamentos da decisão estão abaixo transcritos: a) Nulidade da exigência: Os fatos alegados na impugnação como ensejadores da nulidade do auto de infração não se enquadram em nenhuma das hipóteses previstas no Decreto n° 70.235/72, artigo 59. Não houve, por parte da autuada, questionamento sobre a capacidade do agente que efetuou o lançamento nem a demonstração de que houve cerceamento de defesa. b) Pedido de perícia: O pedido de perícia foi indeferido por não ser a mesma necessária ao deslinde da questão a ser apreciada. c) Omissão de receitas caracterizada pela falta de comprovação de valores nçados -a titulo de vendas canceladas: 8 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 9 O trabalho da fiscalização apontou que várias notas fiscais canceladas não foram computadas no valor das vendas, logo não poderiam ter sido subtraídas do valor das mesmas. Do voto condutor da decisão de P Instância extraímos o seguinte trecho (fls. 1458-59: A Contabilidade, como ciência, e, igualmente, a técnica de sua aplicação, integrando a função administrativa de controle, tem como normas balizadoras a rigorosa fidelidade aos fatos de gestão da empresa e o embasamento obrigcztório em documentação hábil e idônea. Assim, cabe à pess-ocz jurídica a prova de que os registros efetuados em sua escrituração correspondem aos fatos realmente ocorridos em sua gestão. O assunto ora em discussão é, antes de qualquer coisa, uma questão de caráter probatório. Deste modo, ou as provas trazidas pela autuada são suficientes para comprovar que as vendas canceladas, escrituradas nos seus Livros Diário e Razão, efetivamente compuseram o valor das vendas e que realmente ocorreu a devolução das mercadorias e o seu respectivo ressarcimento, ou resta incólume o auto de infraçr.-i o formalizado pelo fisco. Contudo, não se vislumbra no conjunto probatório trazido aos autos pela impugnante a força necessária para clesconstituir o lançamento em questão e frustrar a pretensão esta tal. O fato de a fiscalizada ter ou não custo integrado não temi qualquer influência na omissão de receita apurada, pois a questão, como já sobejamente demonstrada pela fiscalização, diz respeito a simples cancelamento de notas fiscais de vendas registradas apenas nos Livros Diário/Razão e não registradas nas Livros de Saída, Entrada e Inventário, por conseguinte, sem nenhum desdobramento no custo das mercadorias vendidas. Quanto à alegada falta de fundamento para a tributação como omissão de receitas, esta não procede. Ora, se os valores constantes nas notas fiscais de saídas canceladas não majoraram as vendas e foram delas incorretamente subtraídas, ocorre redução indevida da receita bruta oferecida à tributação, ficando caracterizada a omissão de receitas. Quanto às notas fiscais constantes do demonstrativo de fls. 1854/1855, apresentadas pela autuada, à guisa de comprovar a duplicidade de lançamentos como receita, este relator não detectou qualquer relação delas com quaisquer das notas fiscais relacionadas com os valores lançados a título de omissão de receitas, por conseguinte, não há que se falar em duplicidade de lançamento. Ressalta-se que a autuada sequer ousou demonstrar esta possível relação na sua escrituração contábil/fiscal. Quanto à alegação da contribuinte de que a autoridade fiscal devesse ter aprofundado a investigação em busca da verdade material, rebate afirmando que o sujeito passivo foi intimado por mais de 10 vezes a fazer as comprovações necessárias para ilidir as irregularidades identificadas. Jr(77a 9 Processo n° 10320.003103/2004-02 S1 -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 10 d) Passivo fictício A infração descrita no item 2 do auto de infração refere-se à presunção legal de omissão de receitas decorrente de manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou incomprovadas. Segundo a autoridade julgadora, a ocorrência de hipótese que permite a aplicação da presunção legal tem por efeito a inversão do ônus da prova. A contribuinte, durante a fiscalização, comprovou apenas parte do saldo da conta obrigações a pagar em 31/12/2000. A manutenção da autuação nesse particular deveu-se à falta de provas que elidissem a presunção legal. Além disso, a alegação de que a contribuinte ofereceu à fiscalização um caminhão de documentos não restou provada. Por esse motivo foi mantida a autuação relativa ao valor não comprovado. e) Arbitramento / tributação pelo lucro real Em relação ao disposto no artigo 530, incisos I, II e VI do RIR/99 a existência dos pressupostos neles relacionados somente autorizam o arbitramento se tornar imprestável a escrituração para a apuração do lucro real e/ou irzipossivel a sua apuração. No caso, ainda que os livros apresentados pelo contribuinte não estivessem registrados em cartório e que alguns documentos entregues fossem inidõneos ou não estivessem em boa ordem, todo o conjunto de livros e documento.s apresentados permitiram à autoridade fiscal a determina çdo cio lucro real, sem a necessidade de partir para o arbitrarrzen to, que seria meio mais gravoso ao contribuinte. f) Suposta alteração da base de cálculo do IRPJ — artigo 43 do CTN ... verificadas incorreções na apuração do lucro liquido, em decorrência de omissão de receitas corczcterizada pela falta de comprovação de lançamentos a titulo de vendas canceladas, independentemente de tal fato implicar ou não em acréscimo patrimonial, tal incorreção terá reflexo na apuração do imposto devido, justificando-se, desta forma, o lançamento de oficio g) Multa de oficio — Confisco Em relação à multa, não se trata de multa de mora, mas de multa de oficio, tendo caráter punitivo, e não compensatório. Assim, seu percentual é fixado em Junção da gravidade da infração à legislação, e não da çdc. Uma vez positivada a norma, é dever- da autoridade fiscal aplicá la sem- perquirir acerca daittStisra irilustiçu dos efeitos •o •fs.. g • ' i••• n • II/. (") 10 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 11 Ressalta-se que a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, matéria reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa h) Ciência do auto de infração A ciência do auto de infração se deu em 30/12/2004 conforme se verifica às fls. 09 e27. i) Despesas não dedutíveis Quanto à infração referente às despesas não dedutiveis, o contribuinte não apresentou razões de mérito para elidi-la, razão pela qual permanece incólume a exigência fiscal a este título. j) Quesitos formulados pela autuada A autoridade fiscal responde a cada um dos quesitos formulados pela autuada com o objetivo de demonstrar a desnecessidade da perícia. A autuada foi intimada da decisão de 1" Instância em 15/02/2006, e, irresignada com a mesma, apresentou recurso voluntário em 15/03/2006 (fls. 1474 a 1483) aduzindo, em síntese, que a autoridade julgadora de 1' Instância recusou-se a determinar a realização de perícia, equivocando-se em sua decisão. Discorre sobre as respostas aos quesitos por ela formulados ressaltando as suas falhas. Vejamos: (fls. 1479-83) O primeiro quesito a recorrente fez a seguinte pergunta: 1) Os livros diários estão devidamente registrados na Junta Comercial do Estado do Maranhão? RESP: os livros Diário n°06 e 07 foram devidamente registrados na Junta Comercial do Estado do Maranhão em 27/06/2004 9ver fls. 550 e 630) antes pois da lavratura do presente auto de infração datada [sic] de 29/12/2004. Com efeito, a Instrução Normativa 16/84, determina que o registro do livro diário que contém os lançamentos base de cálculo do imposto de renda deve ser registrado antes da data prevista para a entrega da declaração de imposto, como está bem demonstrado na resposta da autoridade julgadora no quesito n° 01 não resta a menor dúvida de que o registro aconteceu após a data limite para tanto, portanto este livro além das irregularidades apontadas na impugnação que é parte deste recurso não atente as formalidade [sic_ 1 do devido egistro. ..g.-- I I Processo n° 10320.003103/2004-02 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 12 Assim, fica claro que a autoridade fiscal não arbitrou o lucro somente com o intuito de penalizar a recorrente, calculando imposto sobre uma base de cálculo que não tem a certeza de sua existência, pois está demonstrado na impugnação que existem [sie] mais de uma nota fiscal coma natureza de venda para uma única moto. No quesito segundo a autoridade julgadora afirma que mesmo os livros estando totalmente irregulares, os documentos apresentados permitiram o cálculo do imposto e que o arbitramento do lucro seria mais oneroso ao contribuinte. Ora, Senhor Julgador, se os livros estavam irregulares, a Autoridade fiscal tinha obrigação de proceder ao arbitramento do lucro ou determinar a realização de perícia para apurar a verdade material dos fatos, vez que os livros apresentados não forneciam aos nobres auditores a condição necessária de certeza para definição do imposto devido pela Recorrente. (.) Resta claro e evidente que a Recorrente não omitiu receita alguma, isto porque a autoridade julgadora de primeira instância é categórica quando afirma que todas as Notas Fiscais de venda emitidas pela Recorrente foram registradas no livro diário e razão, apenas não foram registradas no livro de saída de mercadorias. Conforme legislação vigente, e através dos registros contábeis que e apurado o resultado da pessoa jurídica e não sobre o livro de saída. O livro de saída tem a única finalidade que é a apuração do ICMS. Portanto, se todas as notas fiscais foram registradas no livro diário e razão mesmo aquelas que foram emitidas em duplicidade, dúvidas não há da justeza do estorno das mesmas. Ainda sobre as respostas dos quesitos, no quesito de n° 6, a Recorrente pergunta se existem notas fiscais em duplicidade referente a uma mesma moto, a Autoridade Julgadora afirma que não, mas como este afirma com tanta segurança se não fez qualquer diligência na sede da Recorrente? Ora, Colendo Conselho o pedido de perícia tem como finalidade a obtenção de informações para completar aquelas que estão nos autos, portanto as respostas apenas com base no auto não dão respaldo para tornar qualquer decisão. Diante do exposto não resta mais nada a provar, pois não se pode falar em omissão de receita, se não foi identificada venda sem nota fiscal e nem tão pouco venda não contabilizada. Com isso, a Recorrente não vislumbra como a autoridade julgadora manteve o auto de infração sobre a acusação de omissão de recata. dip • , • • • • • • • ' • •• •: - •• • :: -; da recorrente não atendia aos aspectos legais para a autoridade ç) 12 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 13 fiscal ter condições de apurar, além da possível receita, também os custo correspondentes, o que caracteriza estar a Recorrente sofrendo tributação sobre a receita e não sobre o lucro, como corretamente teria que ser. Respeitável Conselho, a decisão de primeira instância manteve a multa confiscatória sob o argumento que o a [sic] Constituição Federal estabelece vedação para o legislador e não para o aplicador, o que é um completo absurdo, pois se a Constituição Federal proíbe o maior (Legislador), com toda certeza proíbe o menor (aplicador). Ora, o aplicador da lei é a autoridade fiscal e não a julgadora, pois a esta cabe observar o ordenamento jurídico como um todo e não somente uma lei especifica, e não cabem aqui argumentos para demonstrar que a Constituição Federal é parte do ordenamento jurídico. A autoridade julgadora de primeira instância não fez qualquer comentário sobre a legalidade da aplicação de multa superior a 30%. Portanto, fica claro e cristalino que de acordo com a Constituição Federal não pode haver multa confiscató ria em matéria tributária. A autoridade julgadora tenta afastar a multa confiscató ria sobre a justificativa de não se tratar de matéria tributária, ora a multa tem como base de cálculo tributo, assim fica claro que se aplica o disposto na Constituição Federal. 3. Do pedido 3.1 Por todo o exposto, a signatária requer a este Conselho que seja reformada a decisão de primeira instância com a decretação da nulidade decisão [sic] de primeira instância e consequentemente do feito fiscal, por inobservância da legislação vigente e vícios formais insanáveis decorrentes da não observância dos direitos da recorrente garantidos na Constituição Federal. Em assim não entendendo o Nobre Julgador, o que não espera a defendente, seja julgado improcedente o Auto de Infração da multa isolada, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL e Contribuição Social sobre o Lucro, tendo em vista que não existiu [sic] os referidos tributos, por ser medida de inteira justiça. Em 30/03/2006, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário - SACAT — encaminhou os autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes, informando que a contribuinte apresentou recurso contra o Acórdão DRJ/FOR 6.167/. É o relatório. a C2f 13 Processo n° 10320.003103/2004-02 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 14 Voto Conselheira Valéria Cabral Géo Verçoza, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A recorrente apresenta nos autos do presente processo os mesmos argumentos aduzidos no Recurso 150.959, relativo à autuação concernente ao imposto de renda, pelos mesmos fatos apontados no presente processo. Quanto à CSLL não foi apresentado nenhum argumento distinto, que pudesse elidir a autuação, independentemente do resultado do julgamento da tributação pelo imposto sobre a renda. Os aspectos abaixo foram devidamente analisados nos autos do processo concernente à infração à legislação do imposto sobre a renda (Processo 10320.003102/2004- 50) e merecem ser transcritos pela sua pertinência ao caso em concreto. 1) Omissão de receitas: vendas canceladas incomprovadas e devoluções de vendas incomprovadas Em seu recurso a autuada afirma que o cálculo do imposto de renda realizado pela autoridade lançadora está equivocado pois não existe omissão de receita. Segundo a recorrente, na decisão de l' Instância ficou consignado no voto que todas as notas fiscais de venda emitidas pela recorrente foram registradas no livro diário e razão, apenas não foram registradas no livro de saída de mercadorias. Cabe-nos aqui, porém, transcrever literalmente o que consta do voto condutor da decisão de 1' Instância: 5) A impugnante registrou todas as notas fiscais emitidas? Quanto às notas fiscais canceladas objeto da autuação, estas foram registradas apenas nos Livros Diário e Razão. Não foram registradas no Livro de Saídas e por conseguinte não foram computadas no valor das vendas. Isso significa que as vendas canceladas, lançadas nos livros Diário e Razão serviram para diminuir a base de cálculo do imposto sobre a renda uma vez que reduziram ficticiamente a receita. Na verdade, o que foi constatado pela fiscalização é que várias notas fiscais canceladas não foram computadas anteriormente no valor das vendas e, portanto, não poderiam ser subtraídas do valor das vendas. Se a venda correspondente a determinado cancelamento não foi registrada, como depois cancelar tal operação. Os cancelamentos efetuados pelo contribuinte, portanto, estão reduzindo indevidamente os valnre.s de rerei A recorrente não logrou êxito em desfazer a constatação da fiscalização, pois não apresentou documentos hábeis e idôneos que comprovassem que as vendas canceladas, (19 14 Processo n° I 0320.003 I 03/2004-02 S I -C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 15 escrituradas nos Livros Diário e Razão efetivamente compuseram o valor das vendas realizadas e que realmente ocorreram devoluções de mercadorias com respectivo ressarcimento. Portanto, não há qualquer razão para a desconstituição do auto de infração nesse particular. A recorrente se equivoca ao afirmar que não há omissão de receita uma vez que da receita contabilizada ela está excluindo de vendas, a título de cancelamento, que nunca existiram. Nesse ponto, portanto, não merecem prosperar as alegações da recorrente. 2) Passivo fictício Durante a fiscalização foi apurada a manutenção no passivo, de obrigações a pagar que restaram incomprovadas. A empresa, então foi intimada para apresentar documentos que comprovassem a existência de tais dívidas. Dos documentos apresentados pela recorrente os valores que evidentemente correspondiam a dívidas foram abatidos dos valores inicialmente apurados pela fiscalização, restando um passivo fictício no montante de R$ 455.065,49 (valores históricos). Em sua peça recursal a empresa não apresentou nenhuma nova justificativa ou documento que embasasse a existência do passivo apontado como fictício. Como se trata de uma presunção legal nos termos do art. 281 do RIR199, há, nessa hipótese inversão do ônus da prova, ou seja, registrado o passivo sem o respectivo suporte documental, cabe à pessoa jurídica fiscalizada demonstrar a veracidade de seus registros com base em documentação hábil e idônea. Como isso não foi possível, não resta alternativa a não ser a manutenção do lançamento. 3) Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do lucro real Segundo o voto condutor da decisão de 1' Instância, Quanto à infração referente às despesas não dedutiveis, o contribuinte não apresentou razões de mérito para elidi-la, razão pela qual permanece incólume a exigência fiscal a esse título. Como se tomou matéria incontroversa, mantém-se, também sobre esse aspecto o auto de infração. 4) Aplicação de multa supostamente confiscatória Nos termos do Decreto 70.235/72, não cabe ao julgador administrativo deixar de aplicar a lei sob o fundamento de inconstitucionalidade.. A alegação de que a multa é confiscatória e, portanto, feriria o disposto na Constituição Federal já foi amplamente discutida e votada pelo órgão administrativo. Não cabe ao órgão julgador, na esfera administrativa, a análise da constitucionalidade da lei. Vejamos a posição consolidada nos antigos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Número do Recurso:-118904 Câmara:-TERCEIRA CÂMARA Número do Processo:-13819.001823/97-68 Tipo do Recurso:-VOLUNTÁRIO Matéria:-IRPJ E OUTROS Recorrente:-KOSTAL ELETROMECÂNICA LTDA. C2f 15 Processo n° 10320.003103/2004-02 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.094 Fl. 16 RecorridatInteressado:-DRJ-CAMPWAS/SP Data da Sessão:-22/01/2008 01:00:00 Relator:-Leonardo de Andrade Couto Decisão:-Acórdão 103-23340 Resultado:-NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Ementa: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstituci onalidade de lei tributária. (Súmula 1° CC n° 2) Número do Recurso:-151086 Câmara:-SÉTIMA CÂMARA Número do Processo:-10830.007801/2003-38 Tipo do Recurso:-VOLUNTA' RIO Matéria:-CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Recorrente:-LAB. LINEA DO BRASIL INDÚSTRIA, COMÉRCIO E TECNOLOGIA DE LABORATÓRIOS LTDA. Recorrida/Interessado:-4° TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP Data da Sessão:-24/05/2007 00:00:00 Relator:-Hugo Correia Sotero Decisão:-Acórdão 107-09041 Resultado:-IVPU-IVEGADOPROWEWOPORUNANIMIDADE MULTA CONFISCA TÓRIA. ARGUIÇÃO DE INCOSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Legitima a imposição da penalidade pecuniária no caso, não havendo que se falar em confisco. Para que se afira a natureza confiscatória da multa ou se ela afronta a capacidade contributiva do contribuinte, é necessário que se adentre no mérito da constitucionalidade da mesma, competência esta que não têm os órgãos administrativos julgadores. Súmula 1"CC n" 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente cumpre salientar que o recorrente insiste na realização da perícia. Como bem salientado pela decisão de 1' Instância e nos termos da legislação vigente, artigos 18 e 28 do Decreto n° 70.235/72, a perícia será deferida quando for considerada imprescindível para o deslinde da questão, o que não se verificou nos presentes autos. A autoridade julgadora considerou dispensável e desnecessária a realização da perícias em razão dos autos conterem elementos suficientes para a formação da convicção, posição essa com a qual coaduno. Diante de todo o exposto, e tendo em vista que a autuação da CSLL decorre do imposto apurado por infração à legislação do imposto sobre a renda, e que os períodos em análise no presente recurso correspondem ao do processo 10320.003102/2004-50, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo na íntegra o auto de infração. É como voto. iluto-jo a/12/J ffi---e Cif Valéria Cabral Géo Verçoza 16
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