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Numero do processo: 14041.000935/2006-18
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A
Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo,
fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem.
Numero da decisão: 1101-000.065
Decisão: ACORDAM os membros da lª câmara / 1ª turma ordinária do primeira seção de julgamento, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência e cancelar a exigência. O Conselheiro Antonio Praga acompanha o relator pelas conclusões. Fez
sustentação oral o Dr. Wilderson Botto O B/MG n° 66.037, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem.
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I 0.1,14\ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 14041.000935/2006-18 Recurso n° 160.431 Voluntário, Acórdão n° 1101-00.065 /—i a Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2009 Matéria IRPJ - incentivo fiscal Recorrente Banco do Brasil S/A Recorrida 2" Tumm/DRJ/Brasilia-DF Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da l ' câmara / 1' turma ordinária do primeira seção de julgamento, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência e cancelar a exigência. O Conselheiro Antonio Praga acompanha o relator pelas conclusões. Fez sustentação oral o Dr. Wilderson Botto O B/MG n° 66.037, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTÔNIO 'residente n"2 • ALOYSIO J O E R ,10 DA SILVA - Relator SET 2009 Formalizado ei Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sandra Maria Faroni, João Carlos de Lima Junior, Aloysio José Percinio da SilvaRelator), José Ricardo da Processo n° 14041.000935/2006-18 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.065 Fl. 2 Silva. José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), Alexandre Andrade da Fonte Filho (Vice- Presidente) e Antonio Praga (Presidente da turma). Relatório Trata-se recurso voluntário contra o Acórdão n° 03-20.101/2007 (fls. 211), da 2a Turma da DRJ de Brasília, relativo a auto de infração de IRPJ, com imposição da multa de oficio de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Tendo em vista a fiel descrição dos autos contida no relatório da decisão contestada, transcrevo-o na parte relevante ao presente julgamento: "De acordo com a descrição dos fatos, trata-se de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da DIPJ/2002 apresentada pela empresa BB Financeira S/A — Crédito, Financiamento e Investimento, incorporada pela instituição autuada. No processamento declaração revista, em que consta a opção de aplicação de parte do imposto devido em incentivos fiscais regionais (FINAM e FINOR), foi apurado que a declarante não fazia jus aos incentivos pleiteados, que foram zerados, enviando a SRF à interessada extrato com estas informações, para que a empresa delas tomando ciência pudesse contraditá-las. Como a interessada não se manifestou no prazo legal contra a glosa do incentivo pleiteado, por meio do instrumento próprio (Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC), veio a ser lançado de oficio sobre a empresa sucessora o valor do imposto recolhido a menor pela sucedida, acrescido de penalidade e juros moratórios aplicáveis. Cientificado pessoalmente do lançamento de oficio em 27/12/2006 (fl 02), o autuado apresentou em 26/01/2007 a petição impugnativa às fls. 43/49, contestando a exigência com os argumentos a seguir sumariados. Preliminarmente, argumenta que como os fatos geradores ocorreram de 31/01 a 30/04/2001, o crédito exigido não mais poderia ter sido lançado porque havia sido extinto pelo efeito do instituto da decadência, nos termos do art. 150, § 4°., do CTN, haja vista que a partir da Lei 8.383, de 1991, o imposto de renda da pessoa jurídica passou a ser lançado por homologação, citando, em defesa de sua tese, entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes. Em relação ao fato de não ter apresentado PERC para contestar o extrato contendo as alterações processadas pela SRF, alega que, embora tenha obtido cópia de um AR, o setor da empresa encarregado da matéria não tomou conhecimento do fato, razão porque não encaminhou PERC, cujo prazo de apresentação, entretanto, ao contrário do que consta do auto de infração, é o mesmo que a SRF tem para constiuir o crédito tributário. Na esteira do raciocínio de que ainda é oportuno contestar a glosa dos incentivos, ataca o entendimento da SRF que, com base na Norma de Execução Corat n°. 6, de 2006, normatizadora dos procedimentos de cobrança de valores do IRP.1 destinados a maior aos Fundos de Investimentos Regionais, desconsiderou os recolhimentos efetuados para aplicação no FINAM e FINOR, provocando, em decorrência, a lavratura do auto de infração." Processo tf 14041.000935 12006-18 SI-CITI Acórdão o.° 1101-00.065 Fl. 3 A DIPJ/2001 apresentada pela incorporada em 31/05/2001 correspondente ao período compreendido entre 1° de janeiro e 30 de abril daquele ano (fls. 26). O órgão de primeiro grau julgou o lançamento procedente, assim resumindo a sua decisão: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. Diante de inexatidão cometida pelo sujeito passivo na apuração do tributo devido, cabe à autoridade tributária efetuar o lançamento de oficio, cujo prazo decadencial submete-se ao disposto no art. 173, inciso I, do CTN. GLOSA DE INCENTIVOS FISCAIS. FALTA DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO PERC. PRECLUSÃO. Não tendo o sujeito passivo apresentado no prazo legal PERC contestando o extrato informativo da glosa dos incentivos fiscais pleiteados, é inócuo fazê-lo em outro momento posterior, quando o precluído o direito de reclamar." Cientificada do acórdão no dia 30/04/2007 (fls. 218), a autuada interpôs o recurso no dia 31 do mês seguinte (fls. 221), renovando as razões de contestação expendidas na --- impugnação. É o relatório. 3 Processo n° 14041.000935/2006-18 SI-Cl Ti Acórdão n.° 1101-00.065 Fl. 4 Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. O fato gerador indicado no auto de infração é de 30/04/2001, correspondente,, ao período de apuração de janeiro a abril do mesmo ano, conforme informado na DIPJ/2001 da sociedade incorporada, em razão do evento societário referido no relatório (incorporação). Sobre decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a tributos e contribuições sociais submetidas ao regime de lançamento por homologação, como no caso destes autos, predomina o entendimento, apoiado em ampla e conhecida jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de que tal direito do Fisco é regulado pelo comando do art. 150, § 4", do Código Tributário Nacional, independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos. Apenas se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se a regra do art. 173, I, do Código, fato não cogitado no auto de infração sob exame. Os seguintes acórdãos refletem esse entendimento: "DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, COFINS E FINSOCIAL. Até o ano-base 1991, o IRPJ e a CSLL se enquadravam na modalidade de lançamento por declaração, sendo regidos pela norma de decadência do art. 173, I, do CTN. Com o advento da Lei 8.383/91, passaram a ser classificados na modalidade de lançamento por homologação, sujeitando-se à norma de decadência do art. 150, § 4 0, do Código. Finsocial/faturamento e Cofins são igualmente submetidas à disciplina do lançamento por homologação. (Ac. n° 103-22.631/2006) LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Inexistência de pagamento, ou descumprimento do dever de apresentar declarações, não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. (Ac. n" 103-22.666/2006)" CSLL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 1) A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que tem a natureza de tributo, antes do advento da Lei n° 8.383, de 30/12/91, a exemplo do Imposto de Renda, estava sujeita a lançamento por declaração, operando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade seria antecipado para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN., art. 173 e seu par. ún., c/c o art. 711 e §§ do RIR/80. A partir do ano-calendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da referida lei, o contribuinte passou a ter a obrigação de pagar o imposto e a contribuição, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendo-lhe então verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o 4 Processo n° 14041.000935/2006-18 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.065 Fl. 5 montante do tributo devido, se desse procedimento houvesse tributo a ser pago. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado poderia ser deficitário, nulo ou superavitário (CTN., art. 150). 2) CSLL — As contribuições de seguridade social, dada sua natureza tributária, estão sujeitas ao prazo decadencial estabelecido no Código Tributário Nacional, lei complementar competente para, nos termos do artigo 146, 111, "b", da Constituição Federal, dispor sobre a decadência tributária. 3) Tendo sido o lançamento de oficio efetuado, em 05/04/2001, após a fluência do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador referente ao ano-calendário de 1995, ocorrido em 31/12/1995, operou-se a caducidade do direito de a Fazenda Nacional lançar a contribuição. (Ac. CSRF/01-05.137/2004) CSLL. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN, COM RESPALDO NO ARTIGO 146, III, 'b', DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que amolda-se à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 4 0, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. É inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido assegura a aplicação do § 4°, do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso III, 'b', da Constituição Federal. (Ac. CSRF/01-04.988/2004) CSLL. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. Por força do Art. 146, III, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § 4°, do CTN, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do fato gerador. (Ac. CSRF/01-05.479/2006)" Assim, considerando que a ciência do lançamento ao sujeito passivo se deu em 27/12/2006, deve-se reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao fato gerador ocorrido em 30/04/2001. Em razão do entendimento adotado neste voto, prejudicial ao exame das outras razões de defesa, as demais questões suscitadas no recurso voluntário perdem objeto. Conclusão Pelo exposto, acolho a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 13 de maio de 2009 ALOYSIO 'J e • 9 B • LVA — Relator L14" 5 Processo n° 14041.000935/2006-18 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-00.065 Fl. 6 6
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Numero do processo: 10880.032024/99-18
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
Numero da decisão: 9900-000.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 20 24 /9 9- 18 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 145 e segs.), com fundamento no arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 03 05.467, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o fundamento de que o prazo prescricional da pretensão à restituição de valores pagos a título de Finsocial começou a correr com a edição da MP n˚ 1.110/95, por meio da qual a Fazenda Nacional teria reconhecida a inconstitucionalidade da exação. Em breve síntese, a recorrente sustenta que: “pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, EXTINGUESE COM O DECURSO DO PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Em apoio ao seu argumento, sustenta que: “Esse entendimento, conforme ensina Leandro Paulsen, já se firmou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: ‘A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 435.835SC, em março de 2004, reconsiderou entendimento anterior para firmar posição, agora, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito à repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar no Judiciário, o reconhecimento do direito à repetição ou à compensação com fundamento em inconstitucionalidade forte no controle difuso’(Grifou se). O posicionamento adotado no EREsp acima mencionado já se encontra pacificado naquela Corte. Foi inclusive reiterado, recentemente, pelo voto condutor do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, no REsp 747.091/SC. Vejase: ‘Considerouse ser irrelevante, para efeito da contagem do prazo prescricional, a causa do recolhimento indevido (v.g., pagamento a maior ou declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo Supremo), eliminandose a anterior distinção Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.032024/9918 Acórdão n.º 9900000.492 CSRFPL Fl. 175 3 entre repetição de tributos cuja cobrança foi declarada em controle concentrado e em controle difuso, com ou sem edição de resolução pelo Senado Federal (...)’ (Grifouse).” Em despacho a fls. 165, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por entender que atendia aos pressupostos de recorribilidade. Cientificada do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarrazões. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Ao analisar mais detidamente o acórdão paradigma (Acórdão n˚ 0202.088) aduzido pela recorrente, verifico que, embora o Relator tenha feito menção a posição predominante à época neste Colegiado, qual seja, a de que o dies a quo do prazo prescricional se desloca para a data da publicação da Resolução Senatorial, essa não foi a ratio decidendi do julgado, mas sim, mero obiter dictum. Tanto é assim que na ementa do acórdão sequer qualquer menção foi feita acerca desse entendimento. Aliás, o Relator não poderia sustentar as duas posições ao mesmo tempo, ainda que, naquele caso, elas levassem ao mesmo resultado, pois elas são excludentes, razão que demonstra ainda mais o caráter acessório do comentário feito sobre a posição majoritária então vigente. Assim, a verificação da divergência deve ser feita à luz do posicionamento que efetivamente foi adotado no acórdão paradigma, qual seja, que o dies a quo do prazo prescricional é aquele indicado no art. 168, I, do CTN. Por essa razão conheço do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, pois resta presente o dissídio jurisprudencial. Por força do disposto no art. 62A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, reproduzo o que fora decidido no REsp nº 1.110.578/SP, representativo de controvérsia julgado pela sistemática do art. 543 do CPC, cuja ementa a seguir transcrevo: REsp 1110578 /SP RECURSO ESPECIAL 2009/00083134 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 12/05/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 21/05/2010RT vol. 900 p. 204 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA.TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp.732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel.Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008."[grifo nosso] Do julgado acima transcrito, de plano já se conclui que o acórdão recorrido merece reforma, pois, como ali decidido, "declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício". Resta, então saber qual o prazo prescricional, quando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, pois a posição adotada no item 1 do acórdão acima transcrito referese unicamente aos lançamentos de ofício. Sobre tal questão, já decidiu o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS; como também o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp n. 1.269.570MG. Tal posição jurisprudencial foi muito bem sintetizada na ementa do REsp 1089356/PR, a qual assim dispõe: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.032024/9918 Acórdão n.º 9900000.492 CSRFPL Fl. 176 5 REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Em suma, temos que: a) para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Todavia, o julgado acima transcrito foi além do decidido nos recursos representativos de controvérsia retro citados, pois sustentou que tais conclusões se aplicariam também em caso de pedido administrativo, ou seja, as mesmas considerações acerca da data do ajuizamento da ação de repetição de indébito, para fins de determinação do dies a quo do prazo prescricional, seriam também aplicáveis em caso de restituição pedida diretamente à Administração Tributária. Sobre tal ponto, embora não seja caso de aplicação do art. 62A, já que o referido recurso especial não foi julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, adoto tal entendimento para então concluir que: a) para os pedidos administrativos de restituição relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação protocolizados de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). In casu, como o pedido foi protocolizado em 05/11/1999, aplicase a a cumulação dos prazos do art. 150, § 4˚, com o do art. 168, I, do CTN, ou seja, dez anos contados do fato gerador. Razão pela qual entendo atingido pela prescrição apenas a pretensão à restituição de valores pagos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores de 09/1989 e 10/1989, e concluo ser tempestivo o pedido de restituição dos pagamentos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores a partir de 11/1989. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, para acolher a preliminar de prescrição da pretensão à restituição de valores pagos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores de 09/1989 e 10/1989, e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito do pedido de restituição dos pagamentos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores a partir de 11/1989. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10880.032024/9918 Acórdão n.º 9900000.492 CSRFPL Fl. 177 7 Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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Numero do processo: 13971.000687/2006-41
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS. REGIME DE CAIXA.
A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação (regime de caixa). Neste regime, as despesas com variações cambiais apropriadas pelo regime de competência, devem ser adicionadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro.
INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA EM ESCRITURAÇÃO DE DESPESA.
A inexatidão, quanto ao período de apuração, na escrituração de receita, custo ou despesa, somente constitui fundamento para lançamento de imposto ou diferença de imposto, se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
É incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, quando incidem sobre a mesma base de cálculo.
Numero da decisão: 1102-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar os lançamentos do IRPJ e de CSLL, relativos à despesa com a provisão para o pagamento de IRRF, no ano calendário de 2004, no valor de R$824.144,36, nos termos do voto do relator. E, por maioria de votos, cancelar a exigência da multa isolada, vencido o Relator e o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. João Carlos de Lima Júnior.
(Documento assinado digitalmente)
Albertina Silva Santos de Lima Presidente
(Documento assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
(Documento assinado digitalmente)
João Carlos de Lima Junior - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS. REGIME DE CAIXA. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação (regime de caixa). Neste regime, as despesas com variações cambiais apropriadas pelo regime de competência, devem ser adicionadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA EM ESCRITURAÇÃO DE DESPESA. A inexatidão, quanto ao período de apuração, na escrituração de receita, custo ou despesa, somente constitui fundamento para lançamento de imposto ou diferença de imposto, se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, quando incidem sobre a mesma base de cálculo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar os lançamentos do IRPJ e de CSLL, relativos à despesa com a provisão para o pagamento de IRRF, no ano calendário de 2004, no valor de R$824.144,36, nos termos do voto do relator. E, por maioria de votos, cancelar a exigência da multa isolada, vencido o Relator e o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. João Carlos de Lima Júnior. (Documento assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (Documento assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Relator. (Documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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REGIME DE CAIXA. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação (regime de caixa). Neste regime, as despesas com variações cambiais apropriadas pelo regime de competência, devem ser adicionadas na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA EM ESCRITURAÇÃO DE DESPESA. A inexatidão, quanto ao período de apuração, na escrituração de receita, custo ou despesa, somente constitui fundamento para lançamento de imposto ou diferença de imposto, se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, quando incidem sobre a mesma base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 87 /2 00 6- 41 Fl. 867DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 851 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar os lançamentos do IRPJ e de CSLL, relativos à despesa com a provisão para o pagamento de IRRF, no ano calendário de 2004, no valor de R$824.144,36, nos termos do voto do relator. E, por maioria de votos, cancelar a exigência da multa isolada, vencido o Relator e o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. João Carlos de Lima Júnior. (Documento assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente (Documento assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Relator. (Documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, às fls. 716 a 740, os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, e de Multas Exigidas Isoladamente por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo estimadas, perfazendo um crédito tributário total no montante de R$ 2.999.425,29, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75%. No procedimento fiscal, que abrangeu os anos calendário 2001, 2002, 2003 e 2004, foram apuradas as seguintes infrações, conforme relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 698 a 714: Adições não computadas nas apurações do lucro real e da base de cálculo da CSLL – Variações cambiais – Anos 2001 e 2002. Valores apurados em razão do disposto na Medida Provisória nº 185810, e reedições posteriores, que determina que as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação, tendo em vista que a contribuinte expressamente reconheceu (fls. 137), em resposta a intimação, que esta era a sistemática por ela utilizada na apuração dos tributos com relação às variações cambiais, ou seja, o regime de caixa, e que foi constatada que a contribuinte fez registros em desacordo com este regime. Falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada – 2001 e 2002 – multa isolada. As estimativas devidas foram recalculadas em razão da infração Fl. 868DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 852 3 acima (variações cambiais), sendo exigida a multa isolada sobre a diferença entre os valores das estimativas assim calculadas e aquelas apuradas nas DIPJ. Diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago – IRPJ estimativas – 2003 – multa isolada. A multa isolada foi exigida sobre os valores das estimativas devidas, apuradas pelo confronto da escrituração com o declarado em DCTF, procedimento fiscal conhecido como “verificações obrigatórias”. Impostos, taxas e contribuições não dedutíveis – IRRF 2004. Despesa com tributo considerada indedutível na determinação do lucro real e da contribuição social, por inobservância do regime de competência. Tratase de valor do valor registrado em setembro de 2004 na conta contábil 02.01.04.01.01.05 – IRRF a pagar parcelado, relativo a juros incorridos entre os anos de 1994 e 2004, decorrentes de empréstimos do exterior. Consoante o entendimento fiscal, a empresa estava amparada a realizar tal apropriação de despesas incorridas em períodos pretéritos somente a partir do anocalendário de 1999, sendo que a inobservância do regime de competência para as despesas de IRRF dos anos anteriores está fora do campo abrigado pelo prazo decadencial, cabendo então a glosa de tais valores. A contribuinte apresentou impugnação / manifestação de inconformidade, fls. 259 a 265, na qual apresentou as suas razões de inconformidade, as quais a seguir se resume. Preliminarmente, alegou a impossibilidade do lançamento de ofício, por não se enquadrar em nenhuma das situações elencadas no art. 149 do CTN e pela ausência de fundamentação da autoridade fiscal quanto aos lançamentos de ofício. Com relação às adições não computadas na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL (variações cambiais de 2001 e 2002), após descrever o tratamento dado às variações cambiais pela MP 185810 e reedições, arremata que: “Embora a contribuinte não tenha demonstrado claramente em suas demonstrações contábeis as atualizações relativas as variações cambiais ativas e passivas, todos os direitos e obrigações da empresa já estão reconhecidos, para efeito de tributação, na apuração da receita bruta. (...) As atualizações destas obrigações ou direitos perante as entidades não devem ser tributadas enquanto não ocorrer a liquidação deste mesmos direitos e obrigações. De fato, a própria autoridade fiscal reconhece que não há alteração no resultado final para apuração do lucro real no que concerne a sistemática utilizada pela contribuinte, destacase o item 24 do Termo de Verificação Fiscal, in verbis: “24. Importa frisar que, no caso da apuração do IRPJ e da CSLL, o fato de a contribuinte ter calculado valores positivos e negativos dentro das contas de VCA e VCP não altera o resultado final, pois tratarseia de mera troca de valores entre tais contas” Frente a afirmação da fiscalização, concluise que o procedimento adotado pela contribuinte não alterou de forma alguma o resultado final da apuração do IRPJ e da CSLL, a medida fiscal neste aspecto é totalmente insubsistente. Deste modo, tendo em vista a forma como procedeu a contribuinte, caso esta variação cambial seja oferecida à tributação, estaria ocorrendo o pagamento de Fl. 869DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 853 4 imposto em duplicidade. Ressaltese que a receita bruta auferida pela empresa engloba todos os valores recebidos, não havendo, portanto, razão para que estes valores sejam tributados novamente por um suposto equívoco de mera classificação contábil, sob pena de estar tributando indevidamente o imposto.” Com relação à multa isolada sobre a base de cálculo estimada em 2001 e 2002, diz que esta não poderia ser aplicada, uma vez que a contribuinte não deixou de recolher os tributos devidos por estimativa (em virtude de apuração de resultado pela forma do Lucro Real Anual), pois o fez conforme autorizava a legislação vigente com base em balancetes de suspensão/redução, fato este conhecido pela fiscalização e descrito no próprio termo de verificação, todavia, como a fiscalização não considerou correto o procedimento adotado para a apuração das variações cambiais, conseqüentemente, considerou que a contribuinte não efetuou a antecipação dos tributos devidos por estimativa de forma correta. Com relação à multa isolada sobre as estimativas alegadamente não recolhidas (2003), afirma que é totalmente improcedente a autuação, uma vez que em momento algum a contribuinte deixou de quitar os tributos devidos por estimativa, ou seja, não há fato gerador para a multa aplicada, pois o IRPJ e a CSLL devidos no ano de 2003 foram integralmente quitados por estimativa até 06/2003 e com base em balancetes de suspensão/redução para os demais meses. Com relação ao IRRF considerado não dedutível, diz que não causou nenhum prejuízo ao erário público ao reconhecer, na apuração do lucro real, estas despesas decorrentes de juros oriundos de contratos de empréstimos, e que é a própria fiscalização quem faz esta afirmação consoante o item 39 do Termo de Verificação Fiscal, que transcreve. Que no momento em que não contabilizou as despesas com os juros provenientes dos empréstimos do exterior, teve como conseqüência a majoração do recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos, fato também reconhecido pela fiscalização no item 41 do Termo de Verificação Fiscal, que transcreve. Sustenta também que a obrigação principal, no caso o empréstimo, ainda existe, sendo a incidência dos juros uma obrigação acessória à principal, de sorte que não é aceitável que a obrigação acessória (juros) seja atingida pelo período decadencial, enquanto a obrigação principal (empréstimo) ainda esteja vigente. E que a glosa efetuada em decorrência da suposta decadência relativa aos juros anteriores ao ano de 1999 não pode prosperar, haja vista não se estar tratando de pedido de restituição, mas sim de lançamento de uma despesa, a qual irá ter como conseqüência um desembolso financeiro da empresa, enquadrandose perfeitamente ao permissivo disposto no art.41 da Lei 8.981/1995. Alega ainda o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada (75%) e a aplicação da taxa SELIC como índice de taxa de juros para créditos tributários, e finaliza requerendo a total improcedência do feito. A 3ª Tuma de Julgamento da DRJ/Florianópolis–SC decidiu a lide por meio do Acórdão 0717.023, fls. 806 a 815, considerando integralmente procedentes os lançamentos do IRPJ e CSLL efetuados, e parcialmente procedentes os lançamentos relativos às multas isoladas sobre as estimativas de IRPJ e CSLL, com a redução destas para o percentual de 50%, conforme ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Fl. 870DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 854 5 Preliminar. Nulidade. Falta de Enquadramento da Fundamentação Legal Com a Infração Imputada ao Autuado. Ausência de Prejuízo à Sua Defesa. Não Acolhimento. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa, porquanto dos elementos constantes dos autos é possível aduzir o infrator, a infração e o montante do crédito tributário apurado, bem como os fundamentos da autuação e, por outro lado, o recorrente logrou argüir todos os elementos que entendeu válidos à sua defesa. Lançamento de Ofício. Não provada violação das regras do artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004 Inobservância do regime de competência. Prazo Decadencial. Glosa de Despesas Contabilizadas Referentes a Períodos de Apuração Atingidos Pela Decadência. Redução de Ofício do Prejuízo Fiscal. A apropriação de despesa relativa a anos calendários anteriores, efetivada em momento posterior a cinco anos de sua ocorrência, não pode afetar o resultado do exercício, pois transcorrido o prazo legal da decadência. Variações Cambiais Passivas/ Apropriação Pelo Regime de Competência/ Adição ao Lucro Real. Fatos Geradores em dez/2001 e dez/2002. A partir de 1º de janeiro de 2000, por força do disposto no art.30 da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999, as variações monetárias das obrigações da contribuinte, em função da taxa de câmbio, só serão consideradas dedutíveis, para efeito de determinação do lucro real, no períodobase em que ocorrer a liquidação da correspondente operação (regime de caixa). O registro das variações cambiais pelo regime de caixa, nos termo da legislação, implica que despesas desta natureza, uma vez apropriadas pelo regime de competência, devem ser adicionadas na determinação do lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2001 a 30/09/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 30/06/2002 a 30/11/2002 Multa Isolada. Falta de Recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada mensal. Cabível a multa isolada decorrente do recálculo da base estimada mensal em face da glosa de despesas. Esta multa não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre imposto/CSLL não recolhido no final de seu período de apuração, Fl. 871DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 855 6 pois tais penalidades incidem sobre bases de cálculo distintas, associadas, assim, a condutas diferentes. Multa Isolada. Diferença/Falta de Recolhimento do IRPJ Declarado. Ano calendário 2003. Constatada a existência de imposto de renda declarado, apurado sob as regras da estimativa mensal, e não recolhido/compensado, cabível a cobrança de multa isolada. Multa Isolada. Legislação Superveniente. Redução do Percentual Aplicável. CTN. Retroatividade Benigna. Ano calendário 2001 e 2002. Pela legislação atual, é de 50% (cinqüenta por cento) o percentual de multa exigida isoladamente sobre o valor mensal do IRPJ/CSLL não recolhido. IRPJ. CSLL. Multa Decorrente de Lançamento “Ex Officio” . Ano calendário 2001, 2002 e 2004. Havendo falta ou insuficiência no recolhimento do imposto/contribuição, impõese a aplicação da multa a ser aplicada por ocasião do lançamento “ex officio”, nos termos do artigo 44, I da Lei nº 9.430/96. A multa de lançamento de ofício é uma sanção por ato ilícito, ou seja, por descumprimento da lei fiscal. Pune o contribuinte no seu patrimônio. E exatamente por isso, a limitação ao poder de tributar do legislador originário, estabelecido na Constituição Federal, art.150, IV, refererse a tributo e não às penalidades por infrações que são distintos entre si, por definição legal (CTN, art.3º). Juros de Mora. Aplicabilidade da Taxa SELIC.Ano calendário 2001, 2002 e 2004. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC.” Cientificada desta decisão em 01/09/2009, conforme AR de fls. 820, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 824 a 847, em 30.09.2009, consoante carimbo de postagem dos Correios às fls. 821, no qual apresenta as razões que a seguir se resume. Sustenta que o levantamento efetuado pela fiscalização resta completamente equivocado, pois para efeitos de apuração de Variação Cambial Ativa e Passiva, a recorrente sempre foi optante pelo regime de competência, sendo possível a dedução da variação cambial passiva na apuração de seu lucro, mesmo quando não liquidada, motivo pelo qual esta parte do lançamento fiscal deve ser considerada totalmente insubsistente. Sustenta que, nos termos do art. 30, da MP 2.15835/01, regra geral, as variações cambiais passivas não podem ser utilizadas como despesas se ainda não ocorreu a liquidação da operação, entretanto, o § 1° do mesmo artigo apresenta uma exceção à regra geral, de sorte que, se a empresa for optante pelo regime de competência quando da apuração da variação cambial, é possível que a mesma seja reconhecida para efeitos de consideração na base de cálculo dos tributos, e assim não há que se falar em adição ao lucro líquido para determinação do lucro real. Com relação ao IRRF considerado não dedutível, reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial no sentido de que não é aceitável que a obrigação acessória (juros) seja atingida pelo período decadencial, enquanto a obrigação principal (empréstimo) Fl. 872DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 856 7 ainda esteja vigente, e acrescenta, ainda, que, ainda que assim não fosse, a tese quanto a decadência de créditos tributários dentro do lapso temporal de 5 anos há muito tempo já foi modificada, sendo que o atual entendimento é de que os 5 anos do prazo decadencial são contados a partir do momento em que teria se dado a homologação do lançamento, ou seja, 5 anos para a homologação do lançamento e mais 5 anos para que ocorra a decadência, nos termos da jurisprudência do STJ. Com relação à multa isolada sobre a base de cálculo estimada em 2001 e 2002, além de reprisar os argumentos já expostos por ocasião da inicial, lembra que o Conselho de Contribuintes tem jurisprudência consolidada sobre a impossibilidade de aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício, e que, com relação à multa isolada sobre a base de cálculo estimada em 2003, que uma vez que a recorrente não devia tributos para o Fisco Federal neste ano, a base de cálculo da multa deveria ser ZERO, pois, encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência dos recolhimentos por estimativa deixa de ter validade. Finaliza requerendo a reforma da decisão recorrida para considerar totalmente improcedentes os lançamentos efetuados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passo à análise de cada um dos itens, separadamente. 1) VARIAÇÕES CAMBIAIS. O primeiro ponto a ser enfrentado diz respeito ao regime de reconhecimento das variações cambiais, nos termos do art. 30, da MP 2.15835/01, o qual possui a seguinte redação: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 857 8 § 2º A opção prevista no § 1º aplicarseá a todo o ano calendário. § 3º No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. “ De sua leitura, deflui que, a partir de 1º de janeiro de 2000, as variações cambiais, regra geral, serão consideradas pelo regime de caixa, mas que, por opção, estas podem ser reconhecidas pelo regime de competência. Importante ainda ressaltar que, nos termos do citado artigo, qualquer que seja o regime a ser adotado, ele deverá atender às seguintes regras: a) Ser aplicado durante todo o ano calendário; b) Ser aplicado tanto sobre os direitos de crédito quanto sobre as obrigações do contribuinte, de modo a determinar o cálculo tanto das variações ativas quanto das passivas; c) Ser aplicado para determinação da base de cálculo de todos os tributos ali citados (IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS). Portanto, a lei exige uma aplicação consistente, durante todo o transcorrer de um ano calendário, do método que venha a ser adotado pelo contribuinte, não sendo possível, por exemplo, a utilização de um método para os direitos de crédito, e de outro para as obrigações, ou então, a utilização de um método para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL, e de outro para o cálculo do PIS e da COFINS, ou ainda, a utilização de um método para um contrato específico, e de outro para os demais. A forma de contabilização e de apropriação das variações cambiais pela recorrente, bem como a demonstração do seu cálculo, foi alvo de intimação específica da fiscalização (fl. 135). Em resposta, a recorrente informou que a sistemática por ela utilizada para a apuração das variações cambiais foi a do regime de caixa, e juntou demonstrações dos valores que registrou nas linhas 20 (Variações Cambiais Ativas) e 32 (Variações Cambiais Passivas) da ficha “Demonstração do Resultado” das DIPJ apresentadas, demonstrações da apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS, nos anoscalendário 2001 a 2003, acompanhado de cópias dos livros Razão, Diário e planilhas de cálculo mês a mês, mostrando a origem dos lançamentos detalhados nos quadros demonstrativos. No quadro demonstrativo de fls. 138, por exemplo, elaborado pela recorrente, e apresentado à fiscalização naquela ocasião, informa ela que os valores da linha 02 das fichas 19 e 20 da DIPJ relativa ao ano calendário 2001 (linhas relativas ao cálculo do PIS e da COFINS), foram apurados com base na variação cambial ativa apurada pelo regime de caixa. Tal assertiva está corroborada pelos documentos anexos ao referido quadro. De fato, confirase, por exemplo, o valor de R$ 28.250,49 constante neste demonstrativo, e relativo à “variação cambial ativa por caixa” do mês de janeiro de 2001. Tal valor resulta do somatório dos ajustes a débito e a crédito decorrentes da variação cambial sobre os direitos de Fl. 874DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 858 9 crédito da recorrente, os quais se encontram discriminados no “Diário Auxiliar do Contas a Receber” deste mês (fls. 146/147). Neste Diário Auxiliar, por sua vez, é fácil constatar que as variações cambiais são de fato lançadas pelo regime de caixa. Basta verificar os históricos dos lançamentos, que identificam as datas a partir das quais esta variação é calculada, sendo esta data inicial variável, conforme o título respectivo, e estando, em sua maior parte, compreendida entre os meses de agosto e dezembro de 2000 (fosse o regime de competência o adotado, e a data inicial, para o mês de janeiro de 2001, haveria de ser sempre a do encerramento do período anterior, no caso, 31/12/2000). O citado valor de R$ 28.250,49 é o que está registrado também na conta “07.05.01.02.10.03 Variação Cambial Ativa” no livro Razão da recorrente (fls. 141), conta esta que em dezembro, no mesmo Razão, por ocasião do encerramento contábil das contas de resultado, teve transferido para a apuração do resultado do exercício, como receita, o total de R$ 889.660,74 (fls. 249). E este é o mesmo valor (R$ 889.660,74) que consta como informado pela recorrente naquele demonstrativo de fls. 138, como sendo o valor que foi lançado na DIPJ também para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL. E, por fim, na DIPJ, podese verificar que, de fato, na linha 20 da ficha 06 da DIPJ– Demonstração do Resultado (fls. 15), é precisamente este valor (R$ 889.660,74) que consta como a receita de variação cambial ativa que foi submetida à tributação pelo IRPJ e à CSLL, já que não constam nem da ficha 09– Demonstração do Lucro Real (fls. 17), e nem da ficha 17–Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro (fls. 27), qualquer ajuste de adição ou exclusão relativo às variações cambiais ativas assim calculadas pela recorrente. Concluindo, todos os documentos apresentados pela recorrente à fiscalização (demonstrativo de cálculo, Diário Auxiliar, Razão, DIPJ), os quais foram acima detalhadamente analisados, corroboram a afirmativa por ela própria feita à fiscalização, de que a sistemática utilizada para a apuração das variações cambiais foi a do regime de caixa. E é exatamente isto o que aqui também se demonstrou, pelo menos no que tange às variações cambiais ativas relativas aos anoscalendário 2001 e 2002. Pois bem. Agora, na peça recursal, alega a recorrente que sempre foi optante pelo regime de competência naqueles anoscalendário, contrariando sua assertiva antes feita ao fisco. Ora, além de representar uma radical alteração de rumo na fundamentação de sua tese de defesa, há que se observar que se trata de alegação que não vem acompanhada de elementos que lhe deem a necessária sustentação ou credibilidade, conforme foi acima demonstrado, de sorte que não há como ser acatada. Portanto, sendo de caixa o regime utilizado, para fins de apuração do IRPJ, da CSLL, do PIS, e da COFINS, e tendo sido verificado que a recorrente, com relação às suas obrigações em moeda estrangeira, deixou de proceder aos ajustes exigidos por este regime, correto o procedimento fiscal de considerar indedutíveis, para fins de IRPJ e CSLL, as despesas de variações cambiais passivas no montante em que excederam ao valor relativo às operações liquidadas. 2) DESPESA COM PROVISÃO PARA O IRRF Fl. 875DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 859 10 O segundo ponto do recurso a ser analisado diz respeito à despesa, considerada indedutível pela fiscalização, com o IRRF apropriada em setembro de 2004 e relativa aos períodos anteriores ao anocalendário de 1999, por estarem ao desabrigo do prazo decadencial. A respeito deste lançamento efetuado em setembro de 2004, na conta denominada “IRRF a pagar parcelado”, a empresa foi intimada (fls. 638/639) a justificar a diferença entre o valor contabilizado e o valor declarado em DCTF, que no caso era igual a zero. Em sua resposta, fls. 642, afirmou tratarse de “constituição de provisão de IRRF, multa e juros sobre empréstimos no exterior”. Em seguida, a contribuinte foi novamente intimada (fls. 645/646) a esclarecer se o valor ali escriturado havia sido integralmente reconhecido como despesa em 2004, e se este IRRF teria sido pago ou compensado, ao que respondeu (fls. 652) que a referida provisão foi constituída por orientação de Auditoria Externa, e que o referido valor “não foi recolhido e nem informado em DCTF, pois se trata somente de uma provisão, pois o IRRF incidirá no momento em que for efetivada a remessa para o exterior.” O lançamento contudo, não foi feito sob a ótica da indedutibilidade da provisão assim constituída. De fato, a fiscalização considerou a referida provisão, a priori, dedutível, pois apenas não aceitou a parcela do IRRF apropriado relativa aos períodos anteriores ao anocalendário de 1999, sendo de se observar que a provisão continha valores de IRRF calculados sobre os juros incorridos entre os anos de 1994 e 2004, decorrentes de empréstimos do exterior. A alegação fiscal é de que a inobservância do regime de competência para o registro de despesas está limitada ao prazo decadencial para pleitear a restituição de tributo pago a maior ou indevido, tese esta que também foi abraçada pela autoridade julgadora a quo, para quem este aumento indevido do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, por força do aproveitamento de despesas provenientes dos períodos anteriores a 1999, além de poder ser utilizado para compensação, poderia também, eventualmente, ser objeto de pedido de restituição, sendo que estes procedimentos (compensação e/ou restituição) devem observar o prazo a que alude o art.168 do CTN. Não procede o raciocínio desenvolvido pela fiscalização e pelo julgador a quo. Por certo que houve lançamento de despesa com inobservância do regime de competência, e disto sequer discorda a recorrente. Entretanto, cediço que a inexatidão, quanto ao período de apuração, na escrituração de receita, custo ou despesa, somente constitui fundamento para lançamento de imposto ou diferença de imposto, se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração, nos termos do que dispõe o art. 6º, § 5º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977. O fisco em nenhum momento constituiu esta prova. Antes ao contrário, reconheceu que a inobservância em questão teria resultado em antecipação do recolhimento do imposto, ou então em menor apuração de prejuízo, nos períodos de apuração passados. Ou seja, concorda que, ao menos neste aspecto, nenhum dano causou o contribuinte ao fisco, quando justamente o pressuposto de um lançamento sob este fundamento (inobservância do regime de competência) é a demonstração deste dano ao erário. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 860 11 Por outro lado, o lançamento de despesa com inobservância do regime de competência, data vênia, nada tem a ver com pedido de compensação e/ou de restituição, e neste sentido, despropositada a tentativa de enquadrar esta situação ao prazo do art.168 do CTN, de sorte que não há necessidade de pronunciamento deste julgador acerca da interpretação do dies a quo para a contagem do referido prazo. Aliás, neste aspecto, a própria decisão recorrida reconhece que “poderia, eventualmente ser objeto de pedido de restituição”, logo, de pedido de restituição não se trata. Conforme dito, o lançamento não foi feito sob a ótica da indedutibilidade da provisão para o pagamento do IRRF, tanto que significativa parcela da referida provisão (cerca de 47% dela) foi considerada dedutível, muito embora a própria recorrente reconhecera não ter ainda sequer ocorrido o fato gerador que daria ensejo ao nascimento da obrigação em comento, qual seja, o efetivo pagamento dos juros ao exterior. Ocorre que, neste aspecto, não cabe ao órgão julgador por qualquer forma aperfeiçoar o lançamento efetuado, não podendo este ser mantido sob fundamento diverso do que aquele contido na autuação, de sorte que deve o mesmo, nesta parte, ser cancelado. 3) MULTAS ISOLADAS. O terceiro e último ponto do recurso a ser analisado diz respeito à aplicação das multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas devidas de IRPJ e de CSLL. A exigência tem por fundamento legal o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que tinha, à época do lançamento, a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa Fl. 877DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 861 12 para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” Cediço que a regra de apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real, consoante o art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996, é de períodos de apuração trimestrais. A apuração anual é uma alternativa oferecida pela Lei nº 9.430, de 1996, a qual, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação de diferentes percentuais sobre a receita bruta auferida mensalmente, conforme a atividade econômica praticada. Exercida a opção por esta forma de apuração, com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade, a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já recolhido excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. De se observar que a opção por esta forma de apuração, uma vez exercida, é de caráter irretratável para aquele ano calendário. Conforme se verifica da leitura do supracitado artigo, a exigência da multa isolada decorre exatamente da falta de recolhimento das estimativas a que se obriga a pessoa jurídica que, por vontade própria, opta pela apuração anual do imposto, e tal exigência não guarda nenhuma consonância com o quantum apurado ao final do ano calendário, caso contrário não faria sentido a parte final do inciso IV do seu parágrafo 1º (“... ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”). Aliás, a expressa previsão legal de lançamento da multa isolada mesmo quando apurado resultado fiscal negativo ao final do ano calendário também sinaliza claramente para o fato de que a multa pode ser lançada tanto durante quanto após o encerramento do anocalendário. Deixa claro, ainda, que as estimativas mensais devidas representam uma obrigação autônoma, posto que surgem antes mesmo da ocorrência do fato gerador do tributo, que se dá em 31 de dezembro, e dele independem também quanto ao seu valor, pois, muito embora as estimativas representem uma antecipação do devido ao final do ano calendário, certo é que, pela própria natureza da sistemática, o normal é que os recolhimentos mensais se materializem a menor ou a maior que o devido, dando azo, respectivamente, ao saldo de imposto a pagar ou ao saldo de imposto a ser restituído ou compensado. Ouso divergir, portanto, da construção jurisprudencial segundo a qual a multa isolada deve restar limitada ao valor do imposto devido ao final do ano calendário. Se assim fosse, então, no caso de apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa ao final do ano, não caberia a aplicação de multa isolada, o que contrariaria frontalmente a parte final do dispositivo acima reproduzido. Portanto, a base de cálculo da multa isolada é o valor das estimativas mensalmente devidas, e que não foram recolhidas a tempo próprio. Por outro lado, a base de cálculo da multa de oficio é o valor do tributo devido ao final do ano calendário e porventura não recolhido. As estimativas, ordinariamente, são calculadas com base na receita bruta da Fl. 878DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 862 13 pessoa jurídica. Já a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas na legislação, evidenciandose, assim, a completa dissonância entre as bases de cálculo de uma e de outra. Assim, apenas em circunstâncias muito específicas haverá coincidência de valores entre as duas bases, como no caso, por exemplo, em que apurada uma omissão de receitas em determinado mês em que a empresa levantara balancete de suspensão ou redução do imposto. Vejase que, se no mês desta mesma omissão tivesse a empresa optado pelo recolhimento por estimativa, já haveria disparidade de valores entre a base de cálculo da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa e a base de cálculo do imposto devido ao final do ano. Este simples exemplo demonstra que a simples coincidência de valores da base de cálculo, que pode vir a ocorrer em determinadas circunstâncias, não autoriza a conclusão de que as duas penalidades tem a mesma base de cálculo. Concluindo, as estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Não há coincidência de motivação entre as penalidades, sendo distintas tanto as suas causas, quanto os seus fundamentos legais, e, ainda, regra geral, as suas bases de cálculo. Apenas circunstancialmente os valores das bases de cálculo podem coincidir, o que não significa que sejam a mesma penalidade, ou que se esteja penalizando duplamente a mesma infração. Quanto ao fato de que a multa isolada aplicada, em certas circunstâncias, possa vir a representar um ônus superior até mesmo ao próprio valor do imposto devido e respectiva multa, caracterizando desproporcionalidade, certo é que eventuais insurgências desta ordem só podem ser endereçadas ao legislador, que tem o poder de livremente determinar qual fórmula ou base de cálculo utilizar, ou até mesmo, se o desejar, estabelecer uma multa de valor fixo, para determinada infração. A propósito, cumpre observar que iniciativa neste sentido foi tomada com a edição da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por meio da qual o legislador reduziu o percentual aplicável, sobre a infração em comento, de 75% para 50%. No caso concreto, foram lançadas multas isoladas em 2001 e 2002 sobre os valores das estimativas devidas, as quais foram recalculadas em razão da infração relativa às variações cambiais. Tendo sido mantida, pelo presente voto, a exigência dos tributos afetos a estas variações, e não tendo sido apontada qualquer incorreção quanto ao recálculo das estimativas devidas, tenho por inafastáveis as multas isoladas aplicadas, posto que decorrentes de expressa previsão legal, não podendo ser acatada a alegação da recorrente no sentido da suposta concomitância de multas, pelos motivos já declinados. Foram também lançadas multas isoladas em 2003, neste caso sobre os valores das estimativas devidas, apuradas pelo confronto da escrituração com o declarado em DCTF. Afirma a recorrente que é totalmente improcedente a autuação, pois não haveria fato gerador para a multa aplicada, vez que o IRPJ e a CSLL devidos no ano de 2003 foram integralmente quitados por estimativa até junho de 2003, e com base em balancetes de suspensão/redução para os demais meses, em razão de apuração de prejuízo fiscal nos meses do segundo semestre do ano de 2003. Entretanto, tal assertiva não corresponde à realidade. Na DIPJ/2004, anexa às fls. 49 a 66, verificase que a recorrente informou valores de IRPJ devidos nos meses de fevereiro a outubro de 2003, mesmo com o levantamento de balancetes de suspensão/redução nestes meses. A fiscalização constatou que somente os valores apurados até maio, e Fl. 879DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 863 14 parcialmente em junho, haviam sido incluídos em processos de ressarcimento/compensação e declarados em DCTF. A multa isolada, portanto, incidiu somente sobre os valores que a própria recorrente reconhecera como devidos nos seus balancetes de suspensão/redução levantados entre junho e outubro, porém não recolhera aos cofres públicos. Em sede de recurso, argüiu a recorrente que, encerrado o período de apuração do imposto, a exigência dos recolhimentos por estimativa deixa de ter validade. Assim, uma vez que, com a apuração do balanço, restou evidenciado que a recorrente não devia tributo algum para o Fisco, a base de cálculo da multa deveria ser zero. Entretanto, embora de fato eventuais estimativas não recolhidas não possam mais ser exigidas após o encerramento do ano, e disso cuidou a legislação, por outro lado é justamente para apenar o contribuinte pela infração de seu não recolhimento em época própria que a legislação previu a cobrança da multa isolada em questão, conforme já antes assinalado. Portanto, as multas isoladas lançadas devem ser mantidas, observada a sua redução ao percentual de 50%, providência a qual, porém, já foi tomada pela autoridade julgadora a quo. Em conclusão, pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos fiscais de IRPJ e de CSLL, relativos à despesa com a provisão para o pagamento de IRRF, no ano calendário de 2004, no valor de R$ 824.144,36. É como voto. João Otávio Oppermann Thomé – Relator. Voto Vencedor Conselheiro João Carlos de Lima Junior Redator designado. Tratase de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e de Multas Exigidas Isoladamente por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo estimadas, perfazendo um crédito tributário total no montante de R$ 2.999.425,29 (dois milhões, novecentos e noventa e nove mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e vinte e nove centavos), já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Em relação à multa isolada aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada, peço vênia para discordar do posicionamento trazido no voto do ilustre Relator. No caso em análise, entendo ser incabível a multa isolada, pois esta foi aplicada concomitantemente à multa de ofício, sobre uma mesma base de cálculo, o que caracterizou dupla penalização da recorrente. Neste mesmo sentido é a jurisprudência pacífica deste Conselho, conforme se verifica das ementas a seguir transcritas, as quais fundamentam o presente voto: Fl. 880DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 864 15 “CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA PELA CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS – Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, que tiveram como base o mesmo valor apurado em procedimento fiscal.” (1º Conselho de Contribuintes / 8ª Câmara / ACÓRDÃO 10807.493, em 14/08/2003) “IRPF MULTA DE OFÍCIO CUMULADA COM A MULTA ISOLADA – Pacífica a jurisprudência deste Conselho de Contribuintes no sentido de que não é cabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com a multa isolada.” (Conselho de Contribuintes, Relator Dr. José Oleskovicz, acórdão nº 10247. 087) “PENALIDADE MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOB BASE ESTIMADA. Não cabe a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal. Incabível a exigência da multa isolada.” (Conselho de Contribuintes, Relator Dra. Albertina Silva Santos de Lima, acórdão nº 10708. 274) “IRPF MULTA ISOLADA MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base de cálculo.” (Conselho de Contribuintes, Relator Dr. Remis Almeida Estol, acórdão nº 10421. 431) “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.” (Conselho de Contribuintes, Relator Dr. Alexandre Barbosa Jaguaribe, acórdão nº 10322. 217) Desta feita, dou provimento parcial ao recurso a fim de excluir do lançamento a multa isolada, frente à concomitante multa de ofício aplicada. É como voto. João Carlos de Lima Junior Redator designado. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 13971.000687/200641 Acórdão n.º 1102000.463 S1C1T2 Fl. 865 16 Fl. 882DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 1/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10314.005387/99-88
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - lI
Data do fato gerador: 23/04/1998
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.102
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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' 'Y MINISTÉRIO DA FAZENDA y;* CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS - Processo n° 10314.005387/99-88 Recurso n° 301-131.785 Especial do Procurador Acórdão n° 9303-00.102 — 3' Turma Sessão de 08 de julho de 2009 Matéria Restituição do Imposto de Importação - Exigência do art. 166 do CTN Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado General Motors do Brasil Ltda. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-li Data do fato gerador: 23/04/1998 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceirq Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, Iem NEGAR rovimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira J dith do Ama al Marcondes Armando. CARLOS ALBERT F TAS BARRETO Presidente "HENRIQUE PINHEI1 Relator FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz (Substituto convocado), José Adão Vitorino de Morais (Substituto convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Leonardo Siade Manzan (Vice-Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Em exame o recurso interposto contra a decisão proferida pela 2" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que indeferiu a solicitação da interessada pertinente à restituição da quantia de R$ 73.136,10, recolhida indevidamente a título de Imposto de Importação, em decorrência do cancelamento da DI ri 98/0376005-0, registrada em duplicidade na IRF em São Paulo. O julgamento foi consubstanciado no Acórdão DRJ/SPO II IP 9.515, de 13/10/2004 (fls. 225/231), cuja ementa dispôs, verbis: "Imposto sobre a Importação -II Data do fato gerador: 23/04/1998 Restituição de Imposto de Importação. Duplicidade de Declarações de Importação. Ainda que cancelada a Declaração de Importação, a restituição do tributo somente será feita a quem prove haver assumido seu encargo fmanceiro, conforme preceitua a Lei 5.172/66 — Código Tributário Nacional. Solicitação Indeferida" O órgão julgador expôs, com clareza, sua conclusão no sentido de que, mesmo no caso do Imposto de Importação, o art. 166 do CTN deverá ser observado, sustentando esse entendimento com base no que explicitou o Parecer CST/DAA n 2 1.965, de 18/7/1980. A interessada recorre tempestivamente (lis. 238/244), reconhecendo que efetuou procedimento equivocado quanto à escrituração contábil dos valores cuja restituição solicitou e alegando que tais créditos jamais foram utilizados pela recorrente para compensação com o imposto exigido nos autos do processo de autuação n' 10314.006114/99-51, cujos valores recolheu utilizando-se do regime especial de tributação previsto na Medida Provisória nQ 66/2002. Aduz que simples erro contábil não pode obstar a restituição dos valores recolhidos indevidamente, e que, ademais, ainda que não se aceite os argumentos_expostos, o que se_ admite_apenas_por amor ao debate, verifica-se nítido pagamento em dobro do tributo em questão, haja vista que, ainda que se tivesse compensado tal crédito, houve novo pagamento dos mesmos 2 Processo n° 10314.005387/99-88 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.102 Fl. 383 tributos, o que implicaria, de qualquer forma, a restituição dos valores pagos em duplicidade. Requer seja dado provimento ao recurso voluntário para que seja reformada a decisão proferida pela DRJ, com a conseqüente determinação de prosseguimento da restituição com os valores já reconhecidos pela IRF em São Paulo. A Câmara a quo deu provimento ao Recurso Voluntário mediante o Acórdão n° 301-32.781 (fls. 315/318), de 24/05/2006, cuja ementa transcrevo: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se caracteriza como tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A Procuradoria da Fazenda Nacional, alegando contrariedade à lei tributária, interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 320/364) contra decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por ter deixado de aplicar ao Imposto de Importação as disposições contidas no art. 166 do CTN. Por meio do Despacho n° 1312-131785 (fls. 365/367) deu-se seguimento ao recurso do Procurador. Posteriormente, a interessada apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial às fls. 373/379. É o relatório. 3 Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso é tempestivo e atendeu aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A questão que se apresenta a debate cinge-se em decidir se a restituição do imposto de importação está condicionada ao atendimento dos requisitos fixados no art. 166 do C'TN. De início, cabe esclarecer que o litígio não envolve a existência do indébito, posto que quanto a isso não há controvérsia. Diante disso, deve-se passar de imediato ao debate acerca da exigência da autoridade fazendária de condicionar a restituição ao fato de a requerente não haver demonstrado o atendimento das condições estabelecidas no mencionado dispositivo legal. Segundo o art. 166 do Código Tributário Nacional: Ar. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, esteja por este expressamente autorizado a recebê-la. A norma inserta no dispositivo retrotranscrito é destinada, especificamente, ao tributo cuja natureza jurídica implica transferência do encargo financeiro, do sujeito passivo da obrigação tributária — contribuinte de direito — ao contribuinte de fato, vale dizer, àquele que adquire a mercadoria ou o serviço prestado. Como bem anotou o Conselheiro José Luiz Novo Rossari, no voto condutor do Acórdão n° 301-32.780, da Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, que transcrevo para fundamentar este voto: Essa situação ocorre com os impostos classificados no próprio C1N como Impostos sobre a Produção e a Circulação, v.g. IPI, ICMS, I0F, os quais são comumente classificados como impostos indiretos por grande parte dos estudiosos em direito tributário. No Imposto de Importação não se tipificam as figuras de contribuinte de direito e contribuinte de fato, visto que a lei básica aduaneira (art. 1', inciso I, do Decreto-lei n' 37/66, com a redação que lhe deu o art. 1 do Decreto-lei re 2.472/88) estabelece que a responsabilidade tributária pela introdução de mercadoria estrangeira no Pais é do importador e o imposto pago no despacho aduaneiro não é destacado em notas fiscais para repasse aos consumidores subseqüentes. Destarte, não se caracteriza o Imposto de Importação como um imposto indireto. E em decorrência, tal imposto não se classifica g 4 Processo n° 10314.005387/99-88 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.102 Fl. 384 entre os que comportam transferência do encargo financeiro de que trata o art. 166 do CIN. Importante ressaltar que, já por ocasião da instituição da Instrução Normativa SRF n 21, de 10/3/1997, houve a preocupação da SRF em disciplinar a matéria ora sob exame. Para isso foi estabelecido no art. 18 da referida IN que, verbis: "Art. 18. Nenhum contribuinte poderá solicitar restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outrem (IOF e IPI)" A norma retrotranscrita deixou claro serem os ali indicados (IOF e IPI) os tributos federais sujeitos à prova de assunção do encargo financeiro para os fins previstos no art. 166 do CTN. No entanto, a matéria voltou a ter a preocupação da SRF, tendo sido editado o Parecer Cosit n' 47, de 17/11/2003, que, analisando as particularidades do Imposto de Importação com vistas à aplicabilidade do disposto no art. 166 do C1N, deu disciplina final à matéria no sentido de que descabe tal requisito no caso de pedido de restituição desse tributo. Tal Parecer recebeu a seguinte ementa, verbis: "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Reforma do Parecer CST/DAA n' 1.965, de 18 de julho de 1980." A orientação trazida pela Cosit, órgão responsável pela interpretação da legislação tributária federal, ficou claramente explicitada no Parecer Cosit n' 47/2003, que reformou o Parecer CST adotado no julgamento de primeira instância e dispensou o sujeito passivo de comprovar a assunção do encargo financeiro. Tratando-se de norma de caráter interpretativo, é inteiramente aplicável à hipótese o disposto nos art. 106, I, do CTN, que permite a interpretação retroativa nos casos da espécie, razão pela qual entendo estar assegurado o direito de restituição à recorrente. Diante do exposto e considerando que ficou confirmado no processo o cancelamento da DI e o pagamento do imposto reclamado, matéria de fato que nem foi suscitada na decisão recorrida, voto por que seja dado provimento ao recurso voluntário. 5 De outro lado, o fato de o sujeito passivo haver escriturado o valor do II pago como custo, não importa em perda do direito à restituição do indébito, pois a lei não previu tal restrição, e, onde a lei não restringe não cabe ao intérprete fazê-lo. Todavia, cabe ao Fisco, se o sujeito passivo utilizou esse custo como despesa dedutível do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, glosá-la. No caso presente, é incontroversa a existência de indébitos, havendo divergência apenas no tocante ao direito de restituição em face do não atendimento dos requisitos do art. 166 do CTN e da escrituração do valor do imposto pago como custos. Todavia, conforme escrito linhas acima, a forma de escrituração do indébito que se pretende repetir, pode ensejar autuação (glosa de despesas) pertinente ao Imposto de Renda, mas não é causa impeditiva de restituição. Já no tocante aos requisitos do art. 166 do CTN, demonstrou- se, também em linhas acima, que o imposto de importação não se afigura como imposto que por sua natureza comporta a repercussão tributária, como é o caso do IPI, do ICMS e do I0F. Registre-se, por oportuno, que nada impede a Fiscalização de apurar eventuais irregularidades nas declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica decorrentes da escrituração e utilização como custos dos valores correspondentes aos indébitos destes autos e, se houver, exija, de ofício, a diferença do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro. Frente ao exposto, nego provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 08 de julho de 2009. 141---11ffIr0 1fRárS' 6 - -
score : 1.0
Numero do processo: 10314.011613/2007-77
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 19/10/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. "EX" TARIFÁRIO.
Para ter direito à tributação pela alíquota reduzida do Imposto sobre a Importação prevista para um determinado "ex" tarifário, instituído por meio de Portaria do Ministério da Fazenda, o produto importado deverá ter uma perfeita identidade com o descrito na norma concessiva do benefício.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 21/03/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 19/10/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. "EX" TARIFÁRIO. Para ter direito à tributação pela alíquota reduzida do Imposto sobre a Importação prevista para um determinado "ex" tarifário, instituído por meio de Portaria do Ministério da Fazenda, o produto importado deverá ter uma perfeita identidade com o descrito na norma concessiva do benefício. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/10/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. "EX" TARIFÁRIO. Para ter direito à tributação pela alíquota reduzida do Imposto sobre a Importação prevista para um determinado "ex" tarifário, instituído por meio de Portaria do Ministério da Fazenda, o produto importado deverá ter uma perfeita identidade com o descrito na norma concessiva do benefício. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 21/03/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani e Daniel Mariz Gudiño. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 16 13 /2 00 7- 77 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: A impugnante, por meio da declaração de importação DI nº 07/1435296, de 19/10/2007, importou as mercadorias descritas na adição 001 como: Ex 445 Máquinas automáticas para cortar no comprimento, decapar, aplicar, simultaneamente ou não, terminais conectores e selos vedantes em fios e cabos elétricos com secção máxima de 25mm2, com monitoramento da qualidade da aplicação marca Komax modelo Gamma 255 . A máquina foi classificada na NCM 8479.89.99, recolhendose imposto de importação à alíquota de 2,0 % e imposto sobre produtos industrializados à alíquota de 0%, conforme EX 445. Em ato de conferência documental verificouse que a máquina importada trabalha fios e cabos elétricos com seção máxima de 2,5 mm², razão pela qual foi solicitada perícia técnica. Segundo laudo técnico, a mercadoria importada não se encaixa no EX tarifário pleiteado em razão das seguintes divergências: Modelo Gamma 255 o manual técnico não apresenta a informação de que a máquina é capaz de aplicar selos vedantes e também que realiza suas funções em fios e cabos elétricos com seção entre 0,123 e 2,5 mm² 04/A fiscalização lavrou o presente auto de infração para a cobrança da diferença de imposto de importação, PIS e COFINS vinculados à importação e multa de ofício, em razão do desenquadramento do ExTarifário. Intimada do Auto de Infração em 07/12/2007, fl. 01, a interessada apresentou impugnação e documentos em 27/12/2007, juntados às folhas 67 e seguintes, alegando em síntese: É pessoa jurídica de direito privado, que tem como objeto a importação de maquinário industrializado; Obteve a seu favor o Extarifário nº 445, com os benefícios que aludem a Resolução Camex nº 2, de 22/02/06. Foi surpreendida com a proibição do desembaraço aduaneiro dos equipamentos importados, bem como exigência da diferença de tributo mais multa. Ataca a autuação, requerendo a liberação imediata dos bens, mediante carta de fiança bancária, nos termos da Portaria 389/76; Em preliminar, alega nulidade do auto de infração em face da inadequação da fundamentação legal; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10314.011613/200777 Acórdão n.º 3201001.191 S3C2T1 Fl. 309 3 Cerceamento do direito de defesa uma vez que apresentou laudo a seu favor e não lhe foi dada oportunidade de apresentação de terceiro laudo para exaurir o impasse. Alega que na documentação onde requereu o benefício do EX junto ao Ministério do Desenvolvimento, descreveu o produto como: Máquina automática de processamento de cabos e fios elétricos até 25 mm², para cortar no comprimento programado, decapar, aplicar terminais e/ou conectores e/ou selos vedantes, com monitoramento de qualidade da aplicação. Ressalta que a publicação não fez contar a íntegra do pedido, suprimindo o sufixo “até” e “e/ou” do pedido original. Elucida que os equipamentos importados, no caso os modelos GAMMA 255 e ALPHA 355, estão todos identificados no pedido ao Ministério do Desenvolvimento, não ensejando sequer ao mais atentos equívocos de interpretação. Alega que o mesmo tipo de equipamento foi liberado pelas alfândegas de Guarulhos e Viracopos, ou seja, a mesma autoridade administrativa liberou e ora impede o desembaraço. Reafirma que os equipamentos estão dentro da capacidade máxima de 25 mm², destacado na norma do Extarifário. Apresenta pedido ao Ministério do Desenvolvimento para alteração do texto do Ex 445, agora fazendo constar os sufixos suprimidos e na forma que foi solicitada. Insurgese contra aplicação da penalidade por absolutamente confiscatória. Nulidade do lançamento tributário, uma vez que eivado de vício da inconstitucionalidade quando exige tributo ou aplica penalidade baseandose exclusivamente em Decreto, fonte formal secundária, imprópria para instituição de qualquer exigência. Ao final requer nova perícia. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SPOII nº 30.047, de 12/02/2009: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 19/10/2007 EXTARIFÁRIO. Máquina de cravação automática, Marca: Komax. Modelo: Gamma 255. Fabricante Komax AG, não executa função de aplicação de selos vedantes, não fazendo jus ao beneficio do EX Tarifário 445 da NCM 8479.89.99. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 Lançamento Procedente. Intimado da decisão, a recorrente interpõe recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como podemos observar do processo, discutese a aplicação de ex tarifário para o produto importado pela recorrente, máquina de cravação automática, se este poderia ser enquadrado no Extarifário nº 445 da posição NCM 8479.89.99, que possuía esta descrição à época dos fatos: Ex 445 Máquinas automáticas para cortar no comprimento, decapar, aplicar, simultaneamente ou não, terminais conectores e selos vedantes em fios e cabos elétricos com secção máxima de 25mm2, com monitoramento da qualidade da aplicação Quando da análise do bem importado, foi constatado que este (Gamma 255) “não é capaz de aplicar selos vedantes e não pode processar fios e cabos elétricos com secção máxima de 25 mm²”, através de laudo técnico. A situação referente ao processamento de fios foi afastada no julgamento da DRJ, restando ainda a questão atinente à aplicação de selos. Neste sentido, além do manual técnico não apresentar esta informação, a própria recorrente reconhece que a mercadoria não é capaz de aplicar os referidos selos vedantes: Observem que esta nunca foi a condição, até porque, não existe no mercado interno máquina com estas funções. Ora, é cediço nas normas legais e jurisprudência que, para que a empresa possa se beneficiar do Ex tarifário, é necessário que a máquina importada se enquadre integralmente na descrição conferida aquele benefício. Neste sentido dispõe o art. 129 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos “interpretaseá literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre outorga de isenção ou redução do Imposto de Importação (Lei no. 5.172/66, artigo 111, II)”. Também assim trata o artigo 134 do mesmo diploma legal: Art. 134. A isenção ou redução do imposto será efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade fiscal, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a sua concessão (Lei no. 5.172/66, artigo 179) A jurisprudência desta Corte é clara: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10314.011613/200777 Acórdão n.º 3201001.191 S3C2T1 Fl. 310 5 CLASSIFICAÇÃO. 'EX" TARIFÁRIO. A interpretação da legislação que outorga benefício fiscal deve ser feita de forma literal. (Acórdão CSRF /0304.441 de 08/08/2005) BENEFÍCIOS FISCAIS. " EX "TARIFÁRIO. Não restando devidamente comprovado que o equipamento importado exerce as funções previstas no "ex" tarifário, não está o mesmo amparado pela alíquota reduzida, devendo sujeitarse o contribuinte ao recolhimento dos impostos calculados sob a alíquota estabelecida para a respectiva classificação fiscal, vigente na data do fato gerador, bem como ao recolhimento das multas e acréscimos legais. (Acórdão 30130309 de 20/08/2002) Como tal fato não ocorreu, não há como ser dado guarida ao entendimento da recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 30 de janeiro de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 320DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10980.009275/2005-99
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2002
DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Na forma da jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, a
aplicação da multa mínima pela entrega da DCTF a destempo não
está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-40.085
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, relator. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Na forma da jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, a aplicação da multa minima pela entrega da DCTF a destempo não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, relator. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Traj ano D'Arnorim, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. Pro'ccsso n 0 10980.009275/2005-99 Acórdão n.° 302-40.085 CC03/CO2 Fls. 40 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata-se de auto-de-infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, referente a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF para os quatro trimestres de 2002. A multa totaliza a importância de RS 800,00. Intimada, a empresa apresentou defesa tempestiva, requerendo a aplicação do tratamento conferido as pessoas jurídicas consideradas Microempre.sas ou Empresas de Pequeno Porte. Alternativamente, alega inatividade no período e requer o tratamento de empresa dispensada de entrega da DCTF. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessárias Ano-calendário: 2002 OBRIGATORIEDADE. APRESENTACA -0. DCTF. ATIVIDADE COMPROVADA. A pessoa jurídica que realizar qualquer atividade operacional, não- operacional, financeira ou patrimonial está obrigada a apresentar DCTF a partir do trimestre em que pratica-las. Lançamento procedente. 0 contribuinte, restando inconformado corn a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. o relatório. Pro'cesso n 0 10980.009275/2005-99 Accircliio n.° 302-40.085 CC03/CO2 Fls. 41 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator Conheço do presente recurso por tempestivo e atender aos requisitos legais. 0 presente recurso trata de aplicação de multa minima por descumprimento de obrigação acessória (apresentação a destempo de DCTF), cujo valor total (apesar de parecer irrisório num primeiro exame e talvez apropriado na maioria dos casos) ultrapassa a receita total declarada pelo contribuinte para o mesmo período apontado para o lançamento efetuado. Minha posição original em julgamentos anteriores neste colegiado foi de aceitar a legalidade da aplicação da multa minima imposta ao contribuinte que deixa de cumprir sua obrigação acessória no prazo fixado pela lei, contudo corn a análise fatica deste caso - e faço a ressalva que somente neste tipo de caso entendo que os argumentos que produzo abaixo serão válidos -, isto não me parece ser legitimo ou mesmo legal, pelos motivos que passo a expor: Os fundamentos do procedimento administrativo encontram-se nonnatizados através do artigo 2" da Lei n°9.784, de 29 de janeiro de 1999, que assim dispõe: Art. 2" A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - atuação conforme a lei e o Direito; II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV - atua cão segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé; V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinaremz a decisão; VIII — observância das formalidades essenciais a garantia dos direitos dos administrados; 3 Proi.:esso n 0 10980.009275/2005-99 Acórdiio n.° 302-40.085 CC03/CO2 Fls. 42 IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos aí/ministrados; X - garantia dos direitos a comunicação, à apresentação de alegações finais, ã produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII - impulsão, de oficio, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do Jim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (grifos acrescidos ao original). Por mais que se possa discutir a aplicação de Princípios Jurídicos (Constitucionais ou Infraconstitucionais) na via estreita do procedimento administrativo fiscal, é inegável que a norma acima transcrita é regra de direito no sentido estrito, ou seja, lei — norma jurídica válida e escrita de aplicação geral e impositiva, com eficácia plena e vigência atual, que precisa ser considerada no julgamento de todos os feitos administrativos federais. Logo, sua aplicação é obrigatória a toda a administração pública federal, na esfera do procedimento administrativo (gênero do qual o procedimento administrativo fiscal é espécie) e o eventual conflito desta corn outra lei deverá ser resolvido pelas regras de interpretação jurídicas, o que passaremos a examinar. Porém antes, outro ponto importante merece destaque, no presente caso, qual seja a possibilidade de discussão desta matéria sem sua argüição expressa pelo recorrente, ou seja, de oficio por este relator. A obrigatoriedade da observância dos princípios inseridos no caput do artigo 2" da Lei n" 9.784/99 e dos critérios listados no parágrafo único daquele mesmo artigo leva A conclusão que a eventual violação ou conflito entre este comando legal e outra norma jurídica deverá ser conhecido de oficio pelo julgador, quando da apreciação de recurso administrativo por tratar-se de regra aplicável diretamente ao julgador e não somente As partes (ou ao interessado, conforme o caso). A regra é dirigida expressamente ao julgador que deverá observá-la e adotá-la como principio que norteará sua formação de juizo e como critério objetivo para a composição do conflito, logo, dúvida não há que a matéria deve ser conhecida de oficio por este relator, que assim o faz. Aponto ainda, antes de adentrar ao mérito da questão em análise, que a aplicabilidade da lei n° 9.784/99 ao procedimento administrativo fiscal tem sido encarada como pacifica pela jurisprudência deste Conselho de Contribuintes e que nossa Camara tem precedentes neste mesmo sentido. Minha primeira impressão, quando do exame mais aprofundado desta matéria é que haveria uma clara violação da vedação constitucional do confisco (art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988), que entendo também se aplica As multas fiscais. Neste sentido é a lição do Professor José Souto Maior Borges: 4 Pro'cesso n° 10980.009275/2005-99 Acórd n. ° 302-40.085 CC03/CO2 Fls. 43 5.1. Poder-se-6, numa análise superficial, pretender que a vedação do tributo com efeito de confisco (CF, art. 150, IV) não se estenderia ás multas fiscais porque o CTN, no seu art. 3", exclui do âmbito conceitual da definição normativa do tributo a sanção do ato ilícito e pois a multa tributária. Assim, a multa, diversamente do tributo, poderia revestir efeito confiscatório. 5.2. Nada mais desarrazoado porém. 0 direito de propriedade está assegurado no art. 5", XXII da CF e dele o proprietário somente pode regularmente ser despojado pelo procedimento expropriatório, na forma da lei e por necessidade ou utilidade pública ou interesse social (all. 5", XXIV). Assim, sendo, está inwficito - mas claramente iiizplícito - que a propriedade individual somente pode ser supressa pela desapropriação na forma da lei. "(in. Tributos e Direito Fundamentais - relações entre Tributos e Direitos Fundamentais — Ed. Dialética - p. 220) Também o Supremo Tribunal Federal entendeu em diversas ocasiões e com diversas composições que a vedação ao confisco abrange o tributo e a multa fiscal. Como exemplo, cito algumas lições daquele tribunal: Do Ministro Bilac Pinto: "... não apenas os tributos, mas também as penalidades fiscais, quando excessivas ou confiscatórias, estão sujeitas ao mesmo tipo de controle jurisdicional..." (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Recurso Extraordinário n° 80.093, RTJSTF n°82, p. 814); Do Ministro Xavier de Albuquerque: "Conheço do recurso e lhe dou parcial provimento para julgar procedente o executivo fiscal, salvo quanto à multa moratória que, fixada em nada menos de 100% do imposto devido, assume feição confiscatória." (STF, 2a Turma. Acórdão em Recurso Extraordinário n° 81.550, RTJSTF n° 74, p. 320); Do Ministro Moreira Alves: "... Tem o S.T.F. admitido a redução de multa moratória imposta com base em lei, quando assume ela, pelo seu montante desproporcional, feição confiscatória." (STF, 2a Turma. Acórdão em Recurso Extraordinário n° 91.707, RTJSTF if 96, p. 1354); Do Ministro limar Galva): "0 art. 150, IV, da Carta da República veda a utilização de tributo corn efeito confiscatório. Ou seja, a atividade fiscal do Estado não pode ser onerosa a ponto de afetar a propriedade do contribuinte, confiscando-a a titulo de tributação. Tal limitação ao poder de tributar estende-se, também, às multas decorrentes de obrigações tributárias, ainda que não tenham elas natureza de tributo." (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Ação Direta de Inconstitucionalidade n°551, RTJSTF n° 138, p. 55-56); E, no ano passado, do Ministro Celso Mello: "É inquestionável, Senhores Ministros, considerando-se a realidade normativa emergente do ordenamento constitucional brasileiro, que nenhum tributo — e, por extensão, nenhuma penalidade pecuniária oriunda do descumprimento de obrigações tributárias principais ou acessórias — poderá revestir-se de efeito confiscatório." (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.075, RDDT ri° 139, p. 209). Contudo, a vedação ao confisco não é reproduzida na legislação infraconstitucional, o que poderia tornar duvidosa sua aplicação ao caso em tela, posto que não 5 Processo n° 10980.009275/2005-99 AcOrcifio n.° 302-40.085 CC03/CO2 Fls. 44 é dado ao Conselho de Contribuintes deixar de aplicar norma legal, por considerá-la inconstitucional. Não me parece que seja este o caso, posto que o que deve ser feito, s.m.j., é a aplicação da lei que estipula a penalidade exigida pela autoridade fiscal em consonância COM a Constituição Federal aos fatos relativos a presente lide. Trata-se não de negativa de aplicação ou de se considerar inconstitucional a norma legal, mas de, aplicando os limites impostos pela Constituição Federal, afastar a incidência da norma jurídica sobre os fatos específicos da lide, ou seja, trata-se de caso de aplicação direta da norma constitucional, hierarquicamente superior, para afastar a multa no caso especifico. Observe-se que não se cuida aqui de afastar a aplicação da lei por inconstitucional, o que somente seria possível nos casos excepcionados pelo parágrafo único do artigo 49 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes. A hipótese é de interpretação conforme a Carta Magna, respeitando o seu teor, mas não adentrando na esfera de análise de constitucionalidade do diploma legal. possível tal aplicação direta e há precedentes neste Conselho de Contribuintes e mesmo nesta Camara. A titulo meramente exemplificativo desta modalidade de entendimento e aplicação, posso citar os seguintes precedentes: ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR — CSLL — ART. 72, III, DOS ADCT. LEI N" 7.689/88. A máxima efetividade da norma constitucional ent lume torna irrelevante a finalidade lucrativa, para a tributa cão da CSSL nas entidades fechadas de previdência complementar, a não ser que se pretendesse esvaziar, por completo, o conteúdo da Carta Magna, recusando força normativa aos preceitos da Lei Maior. A linha de defesa que reclama a incidência sobre o lucro, sustentado a necessidade de adequar o texto constitucional à Lei n" 7.689/88, denota a inversão do principio da interpretação conforme, postulando, ao contrário, a compreensão da Constituição em consonância com o sentido predefinido para a norma de escalão inferior. Adentais, a base de cálculo da CSSL, nos termos da Lei n" 7.689/88, é o resultado do exercício. Assim, a obrigatória harmonia entre a norma constitucional e a indigitada lei impõe que se vislumbre o resultado do exercício C01710 gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit. (Recurso Voluntário n" 139.335, 3' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro Alexandre Barbosa Jafzuaribe); Neste caso, foi afastada a incidência da norma legal que restringia a incidência tributária à ocorrência de lucro para a cobrança do tributo para se dar interpretação conforme a Constituição Federal, ampliando a incidência do mesmo para alcançar as entidades fechadas de previdência complementar. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL — SERVIÇOS DE ÁGUA E ESGOTO — AUTARQUIA MUNICIPAL — TAXA — APLICABILIDADE — Uma vez comprovado que se trata de entidade autárquica municipal, que presta diretamente, em nome do Poder Público Municipal, coin a finalidade essencial pública de tratamento de água e esgotos, 6 PrOcesso n° 10980.009275/2005-99 Acórdzio n.° 302-40.085 CC03/CO2 Fls. 45 enquadra-se na regra constitucional do art. 150, Parágrafo 2" da Constituição Federal, mediante a cobrança de taxa contraprestacional. E, portanto não auferindo lucro, e não apurando .faturamento, na acepção técnica de tal termo, não é passível de tributação reflexa da CSLL, PIS e COFINS. Recurso de oficio negado. Recurso Voluntário provido. (Recurso Voluntário n° 147.747, 8 Camara do 1° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno); A análise desta decisão revela que foi afastada a incidência tributária corn base em principio constitucional da imunidade reciproca, não tendo a decisão se imiscuido na análise da constitucionalidade das normas infraconstitucionais que regem a incidência daqueles tributos. PAPEL DE IMPRENSA. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. Material amparado cm imunidade constitucional objetiva, na forma do art. 150, VI, letra "b" da Constituição Federal Mercadoria fora do campo de incidência de tributos. RECURSO VOLUNTA' RIO PROVIDO. (Recurso Voluntário n° 125.748, 3 3 Camara do 3° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro Joao Holanda Costa); IMUNIDADE. Desde que satisfeitas as exigências estabelecidas no artigo 150 da Constituição Federal, as entidades fitndacionais, instituídas e mantidas pelo Poder Público, estão imunes a incidência do Imposto de Importação e do IPI vinculado, nas importações que realizar. Recurso provido. (Recurso Voluntário n° 115.168, 2' Camara do 3° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheira Elizabeth Emilio de Moraes Chieregatto); Estes dois últimos exemplos me parecem ser os mais próximos do presente feito, possibilitando uma analogia direta, pois em ambos foi afastada a tributação por incidência direta da norma constitucional restritiva, isto 6, houve a aplicação direta da Constituição Federal para afastar a incidência tributária (no caso dos julgados acima, por regras de imunidade, e no presente feito, por vedação ao confisco e proteção ao direito de propriedade). Portanto, por todo o exposto, entendo que é possível afastar no presente caso a incidência da multa pelo atraso na apresentação da DCTF, tendo em vista que a receita auferida pelo contribuinte, no respectivo período de apuração, é menor que o valor total da multa aplicada e por entender que a norma constitucional limita o campo de incidência da multa para afastar sua aplicação aos fatos descritos nestes autos, o que não afeta a análise de constitucionalidade da referida norma. Entretanto, meu convencimento e o fundamento para afastar a multa não estão limitados a esta verificação dos limites constitucionais. Em verdade, há argumentos de cunho infraconstitucional suficientes para afastar a mesma multa, isto corn base no disposto no artigo 2° e seu parágrafo único da lei n" 9.784/99 acima transcrito. 0 primeiro argumento é a violação do critério de "interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige", 7 Process() n° 10980.009275/2005-99 Acórdão n.° 302-40.085 CC03/CO2 Fls. 46 previsto no inciso XIII do referido artigo 2" e que representa o Principio do interesse público, apontado no caput do mesmo artigo. O direito administrativo brasileiro reconhece a existência de dois tipos distintos de interesse público: o primário e o secundário. Na lição do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello: "Interesse público, ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega c't compita do Estado como representante do Como Social. Interesse secundário é aquele que atina tão—só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa" (In Curso de Direito Administrativo. 5' ed., São Paulo, Malheiros, 1994, p. 46) No presente caso, há um claro conflito entre dois interesses públicos, a saber: o interesse público de garantia do valor social do trabalho e da livre iniciativa, assim como do desenvolvimento nacional e da garantia ao direito de propriedade que estão em conflito com o interesse público de controle fiscal e arrecadação tributária. Ao penalizar o recorrente em valor superior ao da totalidade de suas receitas no período pelo descumprimento de urna obrigação acessória, a administração pública (em razão de ser sua atividade vinculada) está aplicando a lei de forma literal e sem qualquer modulação, o que inviabilizará (ou, ao menos, dificultará consideravelmente) a atividade econômica desenvolvida pelo recorrente, o que, por conseqüência, afetará o interesse público do valor social do trabalho (de fato, para aquele período, o contribuinte terá sido "obrigado a pagar para trabalhar"). Além disso, o interesse público de garantia da propriedade privada está diretamente ligado ao interesse publico de manutenção da paz social e da livre iniciativa. Assim a manutenção da exigência da multa, corno feita nestes autos, levaria a uma inversão dos valores relativos aos interesses públicos envolvidos, isto porque o interesse público primário (valor social do trabalho, livre iniciativa, direito de propriedade) teria um valor menor que o interesse público secundário (controle fiscal arrecadatório), o que numa sociedade democrática de direito é inadmissível. Observe-se que estamos comparando os fundamentos do estado democrático e as garantias pétreas constitucionais corn mero interesse arrecadatório. Muito próximo a este conceito, está o do principio da finalidade, listado corno obrigatório pelo caput do artigo 2° da lei 9.784/99 e corno critério direcional da atuação administrativa no inciso II do parágrafo único daquele comando legal. O critério de atenção aos fins de interesse geral visa estabelecer que o agente público deva primeiro, e principalmente, considerar, no momento de sua atuação, o bem geral da sociedade a qual serve. Neste sentido, o fiscal autuante agiu certo no meu entender, já que na sua atividade estritamente vinculada A literalidade da lei, não poderia ter deixado de autuar, já que inexiste norma cuja interpretação literal afaste esta exigência (observo que o fiscal ate pode 8 Processo n° 10980.009275/2005-99 Acórdao n.° 302-40.085 CC03/CO2 Fls. 47 aplicar urna interpretação distinta da meramente literal, mas, em regra, como ocorre no presente caso, não está obrigado a tal sofisticação). Contudo, equivocou-se, no meu entender, a decisão de primeira instância, pois o julgador administrativo não está limitado a aplicar a norma legal em sua esfera primeira de significado, mas, ao contrário, está obrigado a interpretar, considerando todas as possibilidades e interpretações aplicáveis à norma e mais que isto, conhecendo estes significados de forma a não confundi-los ou retirar-lhes a força normativa. Assim, quando a norma infraconstitucional determina a aplicação de princípios e critérios, o julgador administrativo deve promover sua aplicação em consonância com o direito pátrio e resolvendo os eventuais conflitos corn as demais normas vigentes. No que se refere ao principio da finalidade, já é clássica a lição do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello, neste particular: "Assim, o principio da .finalidade impõe que o administrador, ao manejar as competências postas a seu encargo, atue com rigorosa obediência à finalidade de cada qual. Isto é, cumpre-lhe cingir-se não apenas ã finalidade própria de todas as leis, que é o interesse público, mas também à finalidade especifica abrigada na lei a que esteja dando execução" (In Curso de Direito Administrativo, 5' ed., São Paulo, Malheiros, 1994, p. 53). Ora, qual é a finalidade da norma que aplica a multa por atraso na entrega da DCTF? Parece-me que há duas: urna é punitiva e a outra preventiva. A finalidade punitiva parece evidente, pois se pretende punir o atraso com a aplicação de penalidade pecuniária, contudo, esta punição deve guardar relação razoável entre o dano causado e a pena aplicada. Esta relação será explorada em maior detalhe, quando analisarmos a aplicação do principio da razoabilidade no caso em discussão. Por outro lado, a finalidade de prevenção ligada a pena aplicada refere-se tern um caráter de manutenção do interesse público secundário, ou seja, visa desestimular a conduta tida como infratora. Esta finalidade, portanto, está limitada, na parte que nos interessa no presente julgamento, ao interesse público de controle fiscal. Ocorre, contudo, que a materialidade real da atividade exercida pelo recorrente, no que se refere aos controles administrativos fiscais e econômicos, exercidos pelo Ministério da Fazenda é praticamente nenhuma (comparado corn os critérios nacionais deste controle, a receita auferida pelo recorrente, está muito abaixo da linha de corte para análise macroeconômica e pode ser considerado, para esse efeito, como análogo a bagatela jurídica). Não é outra a razão para a dispensa de apresentação da DCTF aos contribuintes sujeitos a sistemática de tributação do Simples ou Aqueles que não obtiveram receita no ano. Logo, o interesse público neste caso é mínimo, senão inexistente e mesmo que assim não se entenda, a manutenção deste tipo de cobrança leva a urn gasto público muito 9 Processo n° 10980.009275/2005-99 Acórdão n.° 302-40.085 CC03/CO2 Fls. 48 maior que aquele correspondente à própria arrecadação da multa, sendo a manutenção deste procedimento prejudicial, do ponto de vista meramente financeiro, aos cofres públicos. Poder-se-á argumentar ainda que a aplicação da multa tenha caráter educativo, entretanto, quando esta é superior As receitas auferidas no período pelo contribuinte e tornam sua atividade, por conseqüência, inviável, qualquer caráter educativo se anula. Por estes motivos, a manutenção da multa em discussão fere o principio e critério norteador da administração pública da finalidade. Mas não se encerram ai as razões para afastar a multa aplicada. Devo ainda avaliar esta situação, novamente aplicando o comando legal emanado pelo caput do artigo 2' da lei 9.784/99, quando esta manda aplicar o principio da razoabilidade e estabelece o critério para tanto em seu parágrafo único, inciso VI, como a "adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público". 0 Supremo Tribunal Federal, em diversas oportunidades e de forma reiterada, tern aplicado o Principio Constitucional da Razoabilidade, que está reproduzido na norma infraconstitucional acima mencionada. Mais especificamente, no que se refere A matéria tributária, a Suprema Corte já estabeleceu que a exigência de obrigação tributária (principal ou acessória) não pode acarretar a inviabilidade da continuidade da atividade econômica do contribuinte, neste sentido são as Súmulas 70, 323 e 547 daquele Corte Suprema: Súmula 70 É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo. Súmula 323 É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para • pagamento de tributos. Súmula 547 IVão é licito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas, despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais. A situação em exame é análoga àquelas que motivaram o STF a editar as súmulas acima transcritas, pois corn a cobrança de valor superior A totalidade das receitas auferidas pelo recorrente, num dado período, é certamente o equivalente a impedir sua atividade económica. Não é razoável, nem justificável de qualquer ponto de vista. Parece resultar evidente na comparação entre infração e penalidade, diante da realidade especifica do recorrente, a inadequação desta corn relação àquela. Esta análise fática leva A conclusão que a sanção aplicada é muito superior àquela estritamente necessária ao atendimento do interesse público, violando o critério objetivo imposto pelo inciso VI do parágrafo único do artigo 2" da lei IV 9.784/99, apesar de ser a minima prevista em lei, e, corno conseqüência, surge que nenhuma multa deve ser aplicada. 'o • Processo n° 10980.009275/2005-99 Acórclzio n.° 302-40.085 CC03/CO2 Fls. 49 E, como corolário de todos os argumentos acima, resta evidenciada a violação do principio da moralidade administrativa. Ressalvo que não estou a buscar a avaliação da existência ou não do móvel, ou seja, de intenção viciada do agente público (que, em verdade, não parece ser o caso), mas de urna avaliação da situação gerada pela autuação fiscal e imposição da multa, avaliada a realidade do contribuinte/infrator. 0 conceito de moralidade exige o comportamento reto, imaculado e leal com o contribuinte, e mesmo que se considerarmos que todos os argumentos acima nada valem, o que admito somente para argumentar, é certo que "non omne quod licet honestum est" (nem tudo o que é legal é honesto), e, logo, ainda assim, a exigência desta multa, nesta situação fática, é impossível. Por estes motivos, VOTO para conhecer do recurso e dar-lhe provimento integral anulando o auto de infração de aplicação da multa por atraso na entrega da DCTF. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2008 V\A/QA/0 .AÁRAA/Q - MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA —láto • II Processo n° 10980.009275/2005-99 Acórdão n.° 302-40.085 CC03/CO2 Fls. 50 Voto Vencedor Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Redator Designado A recorrente discute a aplicação do instituto da denúncia espontânea para os casos de atraso na entrega de DCTF. Não merece razão a recorrente de aplicação do instituto da denúncia espontânea, já que a decisão proferida está em consonância com a lei e jurisprudência. 0 simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. Ressalte-se que em nenhum momento a recorrente se insurge quanto ao atraso, pelo contrário, o confirma. De acordo corn os termos do § 40, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é principio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". Cite-se, ainda, acórdão da Camara Superior de Recursos Fiscais n° 02-01.046, sessão de 18/06/01, assim ementado: DCTF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA — ESPONTANEIDADE — INFRACA -0 DE NATUREZA FORMAL. 0 principio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Estando a empresa ativa, conforme resultado da diligência realizada, deveria ter entregue a DCTF no prazo correto. Em não o fazendo, correta a multa aplicada. São pelas razões supra e demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, como se aqui estivessem transcritas, que nego seguimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumet tos. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2008 - LUCIANO LOPES DE A A MORAES - Redator Designado 12
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Numero do processo: 13629.002482/2008-62
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO.
Os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificada no inciso XIV do artigo 6o da Lei no7.713/1988, são isentos, desde que a doença seja reconhecida por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. TERMO INICIAL.
A isenção dos portadores de moléstia grave em relação aos rendimentos de aposentadoria ou pensão é válida a partir do mês da emissão do laudo pericial ou a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
VALORES PAGOS INDEVIDAMENTE A TÍTULO DE QUOTAS DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO DE OFÍCIO. PRESCINDIBILIDADE DE PER/DCOMP.
Os valores comprovadamente pagos ou parcelados pelo contribuinte, antes do início do procedimento de ofício, devem ser deduzidos do imposto apurado em procedimento de ofício, sem que seja necessária a apresentação de PER/DCOMP e antes de qualquer cálculo de acréscimos legais (multa e juros).
Apenas no caso de compensação com débitos de outros anos-calendário ou pedido de restituição é que se exige o requerimento por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação - PER/DCOMP.
Numero da decisão: 2202-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para admitir a dedução do imposto apurado e pago na declaração original apresentada pelo contribuinte, antes de qualquer cálculo de acréscimos legais (multa e juros), sendo vedada a restituição de eventual saldo a favor do contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificada no inciso XIV do artigo 6o da Lei no7.713/1988, são isentos, desde que a doença seja reconhecida por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. TERMO INICIAL. A isenção dos portadores de moléstia grave em relação aos rendimentos de aposentadoria ou pensão é válida a partir do mês da emissão do laudo pericial ou a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. VALORES PAGOS INDEVIDAMENTE A TÍTULO DE QUOTAS DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO DE OFÍCIO. PRESCINDIBILIDADE DE PER/DCOMP. Os valores comprovadamente pagos ou parcelados pelo contribuinte, antes do início do procedimento de ofício, devem ser deduzidos do imposto apurado em procedimento de ofício, sem que seja necessária a apresentação de PER/DCOMP e antes de qualquer cálculo de acréscimos legais (multa e juros). Apenas no caso de compensação com débitos de outros anoscalendário ou pedido de restituição é que se exige o requerimento por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 24 82 /2 00 8- 62 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 151 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para admitir a dedução do imposto apurado e pago na declaração original apresentada pelo contribuinte, antes de qualquer cálculo de acréscimos legais (multa e juros), sendo vedada a restituição de eventual saldo a favor do contribuinte. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 152 3 Relatório Em 12/05/2008, foi lavrada contra o contribuinte acima qualificado a Notificação de Lançamento no 2007/606420035812022 (fl. 8 a 12), pela qual se exigiu a importância de R$5.423,65, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, ano calendário 2006, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 9 e 10, verificase que foram apuradas as seguintes infrações: 1. Glosa de dedução de incentivo, no valor de R$920,00, por falta de comprovação da diferença entre o valor declarado e as doações informadas em Declaração de Beneficio Fiscal (DBF) pelas entidades beneficiárias; e 2. Omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$ 16.376,92, conforme informado na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF pela fonte pagadora. DA SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou a petição de fls. 1 e 2, em 06/06/2008, recepcionada como Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, que foi parcialmente deferida, conforme despacho anexado à fl. 17, dando origem a Notificação de Lançamento no 2007/606450100045029 (fls. 18 a 23), na qual se exige R$2.009,56, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2006, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, bem como R$165,05, a título de Imposto de Renda Pessoa Física (código 0211), em virtude da apuração das seguintes infrações (fls. 19 a 21): 1. Glosa de dedução de incentivo no valor de R$920,00, por falta de comprovação. 2. Omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional de Previdência Social, no valor de R$3.962,04. A autoridade lançadora esclarece que no processo no 13629.002191/200874, a Junta Médica do Ministério da Fazenda emitiu o Parecer Médico 27608, de 11/06/2008, concluindo que o contribuinte tem direito a isenção do imposto de renda a partir de abril de 2006 até dezembro de 2009. 3. Compensação indevida de Imposto Renda Retido na Fonte, no valor de R$165,05, correspondente à diferença entre o valor declarado (R$207,61) e o valor retido sobre os rendimentos recebidos nos meses de janeiro a março de 2006 (R$42,56), tributados como omissão de rendimentos. Essa diferença de imposto foi exigida acrescida de multa e juros de mora. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 153 4 Irresignado com o resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 43 a 46, instruída com os documentos de fls. 47 a 61, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 119 e 120): Cientificado do resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento em 09/07/2008 (fls. 25), o interessado contestou o lançamento sob os seguintes argumentos, em síntese, em sua petição de fls. 43 a 46, apresentada em 24/07/2008: 1) em maio/2008 procedeu a retificação de suas declarações de ajustes relativas aos anoscalendário de 2003, 2005 e 2006 para excluir da base de cálculo do IRPF seus rendimentos provenientes de benefício previdenciário tendo em vista sua condição de portador de cardiopatia grave; 2) por meio do expediente protocolado em 14/04/2008 (cópia anexa), comunicou à RFB sobre as retificações realizadas pugnando pelo reconhecimento da isenção dos seus rendimentos previdenciários nos termos do art. 6º da Lei 7.713/88, oportunidade em que comprovou sua condição de portador de cardiopatia grave desde julho de 1993 conforme consta em laudo médico anexado (doc. 3), bem como de farta documentação médica juntada ao mencionado expediente comprovando a evolução da doença; 3) pediu então a convalidação das retificações realizadas e a restituição dos valores indevidamente pagos em face da inclusão daqueles rendimentos isentos na base de cálculo do imposto por ocasião da declaração de ajuste anual; 4) as retificações realizadas apresentam saldo credor a seu favor, no montante de R$ 13.049,30, conforme demonstra, por exercício, em quadro efetuado; 5) a exigência consubstanciada na presente Notificação de Lançamento (Nº 2007/606450100045029) é de todo improcedente, pois a autoridade fiscal decidiu que o impugnante é portador de cardiopatia grave apenas a partir de abril de 2006, invalidando laudo médico oficial apresentado, no qual consta, expressamente, que o ele é portador de cardiopatia grave desde julho/1993; 6) tal decisão é ilegal e arbitrária e extravasa a competência da autoridade fiscal por contrariar conclusão expressa do laudo médico oficial; 7) ademais, independentemente dos fatos acima, o lançamento merece revisão pois, conforme se vê no resumo da declaração de ajuste original apurouse imposto a pagar de R$ 5.669,63. Se agora na revisão da declaração a autoridade fiscal encontra imposto a pagar de R$ 2.009,56, evidentemente que não há débito e sim crédito em seu favor; 8) relativamente ao valor de R$ 920,00 (novecentos e vinte reais) indevidamente lançado no quadro despesas a deduzir, este implicará tãosomente na redução do saldo credor apurado no exercício em questão; 9) é inaplicável, no presente caso, a multa no percentual de 75%, pois não se trata de procedimento de ofício mas sim de procedimento do fisco por provocação do próprio contribuinte, e se devido fosse algum valor de imposto a multa cabível a de 20% prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Finaliza requerendo o cancelamento do lançamento e reitera pedido de restituição no valor de R$ 3.583,62, com as devidas atualizações. Instruem a defesa os documentos de fls. 49 a 61. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 154 5 Conforme despacho de fl. 85, em 22/05/2009, foi anexado ao presente o processo de no 13629.003164/200819. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a manifestação de inconformidade apresentada, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0924.420 (fls. 117 a 126), de 15/06/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. TERMO INICIAL DA ISENÇÃO. Para fazer jus à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, o beneficiário do rendimento deverá comprovar ser portador da moléstia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O termo inicial da isenção é o mês da emissão do laudo pericial, a menos que a data em que a doença foi contraída esteja nele identificada. No caso em exame a Junta Médica do Ministério da Fazenda concluiu pelo enquadramento temporário do pleito, a partir de abril/2006 até dezembro/2009, porquanto restam tributáveis os rendimentos de aposentadoria auferidos pelo interessado relativos ao anocalendário de 2006. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. ANTES DE INICIADA A AÇÃO FISCAL. A retificação de declarações de impostos e contribuições administrados pela RFB, nas hipóteses em que admitida, como a iniciada antes da ação fiscal, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Efetivado o ato espontâneo praticado pelo sujeito passivo de apresentar a Declaração de Ajuste Anual retificadora, os recolhimentos efetuados pelo interessado, anteriormente à apresentação dessa declaração retificadora, passam a representar créditos a seu favor, não podendo ser vinculados pela autoridade tributária a futuros débitos que porventura venham a ser apurados em nome do contribuinte. Todavia, é ressalvado ao sujeito passivo a opção de compensar os créditos possuídos com os débitos autuados, com os devidos acréscimos de multa de ofício e juros moratórios, por meio do Programa PERD/DCOMP. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 10/07/2009 (vide AR de fl. 127 verso), o contribuinte apresentou, em 10/08/2009, tempestivamente, o recurso de fls. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 155 6 128 a 134, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 3), no qual reitera, basicamente, os termos de sua impugnação e aduz, em síntese, que: 1. Ao excluir os rendimentos de aposentadoria da base de cálculo na declaração do ano calendário 2006, apurou saldo a pagar de R$1.165,98, conforme cópia da declaração retificadora à fl. 37, enquanto que na declaração original (fl. 26), havia apurado e pago imposto de renda no valor de R$5.669,63, e, portanto, recolheu a maior R$4.503,65. 2. A própria junta médica do Ministério da Fazenda não desconsiderou o fato de o recorrente ser portador de cardiopatia grave, desde julho de 1993, conforme laudo médico de fl. 15, que não deixa margem a dúvidas ao afirmar que “... o paciente de 61 anos sofreu infarto agudo do miocárdio em 1993...”, não havendo motivos para se reconhecer a isenção apenas a partir de 2006. Transcreve jurisprudência administrativa para corroborar sua defesa. 3. Requer, assim, que seja convalidada a declaração retificadora de fl. 37 e, conseqüentemente, a restituição de R$4.503,65, correspondente à diferença entre valor recolhido e o valor devido, considerando inadmissível que o contribuinte seja obrigado a um novo processo para restituirse. 4. Por fim, defende que a multa de 75 % é inaplicável ao caso, pois não se trata de procedimento de ofício, mas provocação feita pelo próprio contribuinte e, portanto, se fosse o caso, caberia a aplicação da multa de 20%, prevista no art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 05, inicialmente distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 26/07/2010. DA DILIGÊNCIA Na sessão de 30/11/2010, este Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução no 220200.103 (fls. 136 a 139), cujo voto reproduzo a seguir: O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente importa fazer uma pequena retrospectiva dos fatos. Em 25/04/2007, o recorrente entregou tempestivamente a DIRPF/2007 (ano calendário 2006), apurando saldo de imposto a pagar de R$5.669,63, o qual alega ter pago (fl. 26). Em 06/05/2008, apresentou declaração retificadora (fl. 37), excluindo os rendimentos recebidos a título de aposentadoria, alegando tratarse de portador de cardiopatia grave. Em 14/05/2008, protocolizou pedido de restituição para os anoscalendário 2003 a 2006 (fls. 5 a 7), que foi objeto de apreciação no processo no 13629.002191/200874. Conforme Despacho Decisório no 196, de 01/08/2008 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 156 7 (cópia anexada às fls. 100 a 106), o referido pedido foi considerado “não formulado”, decisão ratificada pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG), conforme cópia do Acórdão no 0924.417, de 15/06/2009, acostado às fls. 107 a 115. A autoridade julgadora, nos autos do processo no 13629.002191/200874, deixa claro que (fl. 114): Por outro lado cumpre esclarecer que nos Processos Administrativos Fiscais números 13629.003165/200863, 13629.002481/200818 e 13629.002482/200862, todos de interesse do contribuinte, e que tratam de notificações de lançamento referentes aos exercícios de 2004, 2006 2007, respectivamente, será analisado se o contribuinte faz jus à isenção requerida, conforme previsto na Lei no 7.713/88. No presente processo, o contribuinte se insurge contra o crédito tributário exigido por meio da Notificação de Lançamento no 2007/606450100045029 (fls. 18 a 23), no valor de R$2.009,56, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2006, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, que resultou da revisão da declaração retificadora apresentada, decorrente da omissão de rendimentos recebidos a título de aposentadoria e da glosa de dedução de incentivo, nos montantes de no valor de R$3.962,04 e R$920,00, respectivamente. Não obstante alegue o interessado haver pago o saldo de imposto a pagar apurado na declaração original (R$5.669,63), no lançamento ora questionado foi considerado apenas o valor apurado na declaração retificadora (R$1.165,98). Por outro lado, não há nos autos nada que indique que o contribuinte efetivamente recolheu o imposto originalmente declarado. Diante de todo o exposto, para que se possa formar um juízo acerca da matéria em discussão, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: 1. informe se o contribuinte efetuou de fato algum pagamento de Imposto de Renda Pessoa Física referente ao anocalendário 2006 (código 0211) e, em caso afirmativo, confirme se o mesmo não foi alocado a débito de outro período ou restituído; 2. Ao final, antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, o recorrente deve ser cientificado do resultado do item 1 para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. Ressaltese que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. Em resposta, a unidade de origem por meio do Despacho de fl. 149 esclarece que: Informo que o contribuinte efetuou pagamento no valor de R$5.669,60 de Imposto de Renda Pessoa Física referente ao anocalendário 2006 (código 0211), conforme fls. 141/145. O contribuinte dividiu o valor original em oito parcelas de R$ 708,70, pagou quatro parcelas em 30/04/2007 (fl. 141), 31/05/2007 (fl. 142), 29/06/2007 (fl. 143) e 31/07/2007 (fl. 144), parcelando o restante no processo 13629.001564/200717, que foi encerrado por quitação em 10/04/2009 (fl. 145). Fl. 313DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 157 8 O valor pago não foi alocado a débito de outro período ou restituído. O contribuinte não foi cientificado da informação acima para manifestação, pois estarem consonância justamente com o alegado por ele no recurso. O presente processo retornou de diligência, vindo numerado até à fl. 149 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. O processo físico encontrase digitalizado no eprocesso das fls. 149 a 306). Fl. 314DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 158 9 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Limites do litígio Inicialmente, importa delimitar a matéria que está submetida à apreciação deste colegiado. O lançamento em discussão decorre de: (a) glosa de dedução de incentivo no valor de R$920,00, por falta de comprovação; (b) omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional de Previdência Social – INSS, no valor de R$3.962,04; e (c) compensação indevida de Imposto Renda Retido na Fonte, no valor de R$165,05, correspondente à diferença entre o valor declarado (R$207,61) e o valor retido sobre os rendimentos recebidos nos meses de janeiro a março de 2006 (R$42,56), tributados como omissão de rendimentos. No que diz respeito à glosa de dedução de incentivo, o contribuinte limitase a afirmar que esta implicará tãosomente na redução do saldo credor que alega possuir. Quanto à compensação indevida do IRRF não há qualquer insurgência. Assim, consideramse não impugnadas essas duas infrações, nos termos art. 17 do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972. Dessa forma, o litígio restringese à omissão de rendimentos recebidos do INSS e ao pedido do contribuinte para que seja restituída a diferença a maior entre o valor exigido pelo fisco e o imposto apurado e pago na declaração original, sem que o interessado seja obrigado a um novo processo para restituirse. 2 Moléstia Grave Inicialmente, importa examinar se os rendimentos tributados pela fiscalização gozam de isenção conforme alegado pelo contribuinte. No caso dos autos, a autoridade lançadora reconheceu a isenção dos rendimentos recebidos do Instituto Nacional de Previdência Social, apenas a partir de abril de 2006, com base no Parecer Médico 27608, de 11/06/2008, emitido pela Junta Médica do Ministério da Fazenda, nos autos do processo no 13629.002191/200874. No que diz respeito à data do reconhecimento da isenção, fazse oportuno transcrever o art. 30 da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995 (grifei): Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de Fl. 315DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 159 10 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. [...] O comando legal acima deixa claro que o reconhecimento da isenção dos proventos de aposentadoria ou reforma pelos portadores das moléstias mencionadas no art. 6o, inciso XIV, da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, deve ser provado por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que fixará sua validade nos casos de moléstias passíveis de controle. Quanto à data do reconhecimento da isenção, o Ato Declaratório Normativo COSIT no 10, de 16 de maio de 1996, emitido pelo CoordenadorGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal dispõem que: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e aos demais interessados, que: I a isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5º da IN SRF nº 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial; II é também isenta a complementação de pensão, paga por entidade de previdência privada, a beneficiário portador das doenças relacionadas no mencionado inciso XII, exceto as decorrentes de moléstia profissional. Posteriormente, o art. 5o da Instrução Normativa no 15, de 6 de fevereiro de 2001, consolidou toda a legislação sobre proventos de aposentadoria recebidos por portadores de moléstia grave, assim dispondo: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) e fibrose cística (mucoviscidose); [...] §1o A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo Fl. 316DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 160 11 pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. §2o As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. §3o São isentos os rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, conforme os incisos XII e XXXV, atestada por laudo médico oficial, desde que correspondam a proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave. §4o É isenta também a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão referidas nos incisos XII e XXXV. §5o O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle, para os efeitos dos incisos XII e XXXV. [...] No caso dos autos, como bem ressaltou o relator a quo, no laudo apresentado pelo contribuinte (fl. 15) não há a identificação do órgão a que pertence o médico que o emitiu e, portanto, não se pode averiguar se o laudo pericial foi emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e, portanto, não se presta ao fim a que se propõe. Não se trata de mero formalismo, mas de exigência legal, corroborada por entendimento pacificado deste Tribunal, conforme Súmula CARF no 63, em vigor desde 07/12/2010: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por outro lado, encontrase anexado aos autos, à fl. 87, cópia do Parecer Médico 27608, de 11/06/2008, emitido pela Junta Médica do Ministério da Fazenda, nos autos do processo no 13629.002191/200874, com a seguinte decisão: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 161 12 Decisão: A Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, após a devida avaliação dos documentos anexos ao processo de interesse para o exame médico pericial documental, concluiu pelo enquadramento temporário do pleito, a partir de abri1/2006 até dezembro/2009. Assim, não cabe a este Colegiado questionar a validade do Parecer Médico emitido pela Junta Médica do Ministério da Fazenda, único laudo acostado aos autos que foi comprovadamente emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Destarte, não há reparos a fazer o lançamento no que diz respeito à omissão de rendimentos apurada. 3 Restituição e/ou compensação do imposto pago Quanto ao imposto que o contribuinte alega ter apurado e pago na declaração original (R$5.669,63), ressaltese que parte do mesmo (R$4.503,65) foi objeto de pedido de restituição (fls. 5 a 7), apreciado nos autos do processo no 13629.002191/200874. Conforme Despacho Decisório no 196 (cópia anexada às fls. 100 a 106), o referido pedido foi considerado “não formulado”, uma vez que “não atende aos requisitos formais de admissibilidade, nos termos art. 3o §1o , c/c com o art. 31 da IN SRF no 600/2005, abaixo transcrito, razão por que dele não se toma conhecimento.” (fl. 104). Essa decisão foi ratificada pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG), conforme cópia do Acórdão no 0924.417, de 15/06/2009, acostado às fls. 107 a 115. Em consulta realizada no sistema COMPROT2, o processo no 13629.002191/200874 foi encaminhado para o arquivo provisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Coronel Fabriciano/MG, encontrandose, atualmente no arquivo geral da SAMFMG. Concluise, assim, que já houve decisão administrativa desfavorável ao contribuinte não cabendo mais qualquer manifestação deste Colegiado quanto ao pedido de restituição. Contudo, resta fazer algumas considerações em relação ao imposto pago pelo contribuinte, referente ao anocalendário 2006, no valor de R$5.669,60 (código 0211). Conforme despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Coronel Fabriciano/MG de fl. 149, o referido imposto foi pago pelo contribuinte que “dividiu o valor original em oito parcelas de R$ 708,70, pagou quatro parcelas em 30/04/2007 (fl. 141), 31/05/2007 (fl. 142), 29/06/2007 (fl. 143) e 31/07/2007 (fl. 144), parcelando o restante no processo 13629.001564/200717, que foi encerrado por quitação em 10/04/2009 (fl. 145).” A unidade de origem informa ainda que o valor pago não foi alocado a débito de outro período ou restituído. Não se discorda que, com a edição da Instrução Normativa no 460, de 18 de outubro de 2004, a restituição do indébito de imposto de renda sobre o 13o salário e dos valores 2 http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp, em 01/10/2012. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13629.002482/200862 Acórdão n.º 2202002.067 S2C2T2 Fl. 162 13 pagos indevidamente a título de quotas do Imposto de Renda da Pessoa Física passou a ser feita por meio de requerimento, utilizando o Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação – PER/DCOMP , nos termos do art. 9o, §2o, c/c art. 3o, §1o (art. 9o, §2o, c/c art. 3o, §1o, da Instrução Normativa no 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos). Contudo, tratase de lançamento de ofício do anocalendário 2006 e, portanto, todo o pagamento de imposto referente ao mesmo anocalendário, efetuado antes do início do procedimento de ofício deve considerado na apuração imposto devido, sem que seja necessária a apresentação de PER/DCOMP, tendo em visto o disposto no art. 12 da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que permite que “o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo” (inciso V) seja deduzido do imposto apurado no ajuste anual. No caso em concreto, a primeira Notificação de Lançamento foi lavrada em 12/05/2008, quando o contribuinte já havia pago ou parcelado o imposto apurado na declaração original, o qual não foi alocado a débito de outro período ou restituído, consoante informação da autoridade preparadora. Destarte, embora o contribuinte não tenha direito a restituição dos valores pagos indevidamente a título de quotas do Imposto de Renda da Pessoa Física, por tudo quanto acima se expôs, não se pode negar o direito de deduzilos do imposto apurado de ofício, no mesmo período, antes de qualquer cálculo de acréscimos legais (multa e juros). Diante do exposto, voto por DAR provimento PARCIAL para admitir a dedução do imposto apurado e pago na declaração original apresentada pelo contribuinte, antes de qualquer cálculo de acréscimos legais (multa e juros), sendo vedada a restituição de eventual saldo a favor do contribuinte. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 319DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 25/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003952/2004-91
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
IRPF. DEDUÇÕES.
Uma vez intimado pela fiscalização o contribuinte tem o ônus de comprovar as deduções com documentação hábil e idônea. A falta de comprovação justifica impede a dedução.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-001.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DEDUÇÕES. Uma vez intimado pela fiscalização o contribuinte tem o ônus de comprovar as deduções com documentação hábil e idônea. A falta de comprovação justifica impede a dedução. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 39 52 /2 00 4- 91 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2000 e 2001, anoscalendário 1999 e 2000, respectivamente, em virtude de glosa de dedução de despesas médicas e de instrução conforme relatado às fls. 07. Na impugnação alegouse nulidade do lançamento porque a intimação para prestar esclarecimentos não observou o prazo de 20 dias previsto no RIR1999 e porque foi recebida por terceiro, requereu reabertura do prazo para apresentar documentação e intimação do próprio contribuinte, protesta pela comprovação inclusive com extratos de movimentação financeira e, quanto à multa, requer subsidiariamente sua redução por ausência de má fé. A DRJ rejeitou a preliminar de nulidade e apontou que (a) o art. 19 da Lei 3.470/1958 com a alteração determinada pelo art. 71 da Medida Provisória 2.15835/2001 estabelece que o prazo para atender à intimação é de cinco dias nas situações em que as informações referemse a fatos registrados em declarações apresentadas à Receita Federal; (b) a intimação obedeceu o art. 23 do Decreto 70.235/1972 e não há necessidade de a intimação ser recebida pelo próprio contribuinte; e (c) após o lançamento o prazo para impugnar e apresentar documentos é de trinta dias. No mérito o acórdão recorrido indeferiu a impugnação por caber ao contribuinte o ônus de provar as despesas e pelo fato de não ter sido apresentada documentação comprobatória, ao final mantém a multa por expressa disposição legal. Ciência do acórdão em 30/01/2008. Recurso protocolado em 28/02/2008. A peça recursal amparase nos seguintes argumentos: 1. violação a direitos fundamentais por carência de fundamentação do acórdão recorrido, quando às fls. 04 não indica qual o posicionamento a ser adotado e de forma simplista informa que a preliminar está em desacordo com o entendimento dos órgãos que julgam o processo administrativo sem indicar que entendimento é este; às fls. 06 não indica qual a jurisprudência dominante acerca do ônus da prova; 2. cerceamento do direito de defesa por exigir a apresentação das provas na impugnação, contrariando dispositivos da Constituição (art. 5º, inciso LV) e do CPC e impossibilitando a produção das provas necessárias à extinção ou modificação do direito da autoridade fiscal; 3. a exigência de comprovar ou justificar a dedução contém nexo alternativo, o contribuinte pode comprovar por documentos, como dispõe o art. 80 do RIR, parágrafo único, inciso II, e §1º, este último estatui que as deduções somente podem ser glosadas sem interferência do contribuinte se, se e somente se, forem tidas como exageradas, o que não ocorreu; e 4. a multa de 75% é excessiva e indevida porque ausente o dolo do contribuinte, sua exigência somente pode existir a partir do momento em que configurar a mora do Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.003952/200491 Acórdão n.º 2802001.965 S2TE02 Fl. 72 3 contribuinte, o que ainda não ocorreu uma vez que a matéria está em discussão. Nenhum documento foi juntado com o recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio trata de glosa de despesas com instrução porque foram pleiteadas acima do limite legal anual e de despesas médicas por falta de apresentação da documentação comprobatória. A fiscalização admitiu a dedução das despesas médicas cujos documento foram apresentados. Em preliminar é suscitada a nulidade do acórdão de primeira instância por carência de fundamentação. Sem razão o recorrente pois o órgão julgador não precisa rebater um a um todos os argumentos do impugnante, desde que tenha argumento suficiente para fundamentar a decisão e isto foi respeitado como pode ser resumido pelas razões abaixo: a) ao afirmar que a alegação do recorrente contraria a correta interpretação do artigo 23 do Decreto 70.235/1972 que normatiza a forma a ser adotada nas intimações o acórdão de forma sucinta contém fundamento suficiente (fls. 50); b) o fato de mencionar que a jurisprudência é clara a respeito do ônus da prova não significa que não foi apontado o fundamento do acórdão sobre a distribuição do ônus da prova, pelo contrário a fundamentação do aresto recorrido foi desenvolvida desde o último parágrafo da fls. 51 até o sexto parágrafo das fls. 52, cuja síntese está contida no trecho transcrito adiante. Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. 0 mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Também não há cerceamento do direito de defesa por impossibilidade de apresentação de provas, pois houve a oportunidade de apresentação tanto na fase de fiscalização (respeitado o prazo legal como bem apontado no acórdão recorrido) como na fase de impugnação e de recurso voluntário, ao passo que o recorrente optou por defesas indiretas ao invés de comprovar as despesas que declarou. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Incabível aplicar o CPC neste ponto, pois o Decreto 70.235/1972 trata especificamente do tema em seus art. 14, 15 e 16, §4º e 5º. De outro giro, não compete aos órgãos administrativos apreciar alegações de inconstitucionalidade de leis e decretos. A falta de comprovação das despesas impede a dedução. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 74DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10980.002452/2002-63
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PIS, BASE DE CÁLCULO - SEMESTRALIDADE.Ao analisar o disposto
no artigo 62, parágrafo único, da Lei Complementar n 2 07110, há de se concluir que faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando, a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.683
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do recurso especial, vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez (Relatora), e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Atulim.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Maria Teresa Martínez Lopez
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ementa_s : PIS, BASE DE CÁLCULO - SEMESTRALIDADE.Ao analisar o disposto no artigo 62, parágrafo único, da Lei Complementar n 2 07110, há de se concluir que faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando, a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior. Recurso especial conhecido e negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-22T14:49:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-22T14:49:42Z; Last-Modified: 2009-07-22T14:49:42Z; dcterms:modified: 2009-07-22T14:49:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-22T14:49:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-22T14:49:42Z; meta:save-date: 2009-07-22T14:49:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-22T14:49:42Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-22T14:49:42Z; created: 2009-07-22T14:49:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-07-22T14:49:42Z; pdf:charsPerPage: 1562; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-22T14:49:42Z | Conteúdo => n .44 MINISTÉRIO DA FAZENDA t, CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS )r SEGUNDA TURMA Processo n. 2 :10880.018724/00-13 Recurso n.2 : 202-122454 Matéria : RESTITUIÇÃO/COMP PIS Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida :21 CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : MAIS DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTD Sessão de :24 de abril de 2007 Acórdão n2 : CSRF/02-02.683 PIS, BASE DE CÁLCULO - SEMESTRALIDADE.Ao analisar o disposto no artigo 62, parágrafo único, da Lei Complementar n 2 07110, há de se concluir que laturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando, a partir dos efeitos desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado o faturamento do mês anterior. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do recurso especial, vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez (Relatora), e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. e — MAN* L ANTONIO t. • DELHA DIAS PRE *ENTE ANT0 1 10 CA - LOS ATULIM. REDATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: ti 4 A00 2007 Processo n. 2 :10880.018724/00-13 Acórdão n2 : CSRF/02-02.683 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJAO BARRETO, ANTONIO BEZERRA NETO, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, FLAVIO DE SÁ MUNHOZ e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. g1; \ L 2 • Processo n. Q :10880.018724/00-13 Acórdão riQ CSRF/02-02.683 Recurso n.2 : 202-122454 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : MAIS DISTRIBUIDORA DE VEíCULOS LTD RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por seu procurador, com fundamento no art. 32, inciso II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria n 55, de 12103/98, contra decisão prolatada por UNANIMIDADE de votos consubstanciada em acórdão da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes interpõe recurso especial de divergência a esta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Inconformada, pois, com a decisão que reconheceu a aplicação da semestralidade da base de cálculo do PIS, "sem que houvesse pedido expresso do contribuinte." A ementa dessa decisão na parte objeto de recurso especial, possui a seguinte redação: (...) PIS/COMPENSAÇÃO. Com a declaração de inconstitucionalidade da parte final do artigo 18 da Lei n Q 9.715/1998, os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes da Medida Provisória n2 1.212/1995 e de suas reedições, no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, devem ser calculados observando-se que a alíquota era de 0,75% incidente sobre a base de cálculo, assim considerada o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. A partir de 1 2 de março de 1996, passou a viger com eficácia plena as modificações introduzidas na legislação do PIS por essa Medida Provisória e suas reedições. ATUALIZAÇAO MONETARIA - A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n2 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4Q, da Lei n2 9.250/95. Recurso provido em parte. 3 Processo n.2 :10880.018724/00-13 Acórdão n2 : CSRF/02-02.683 Segundo as razões apresentadas pela Fazenda Nacional (f Is. 490), Sic "Verifica-se que o acórdão recorrido ao aplicar de ofício a semestralidade para o PIS, violou expressamente disposições de leis que tratam da matéria, sobretudo os artigos 128, 460 e 515 do Código de Processo Civil, decorrentes de aplicação analógica, permissivos dos artigos da LICC e 108 do CTN." A Fazenda Nacional traz como paradigma o Acórdão n 2 203-07.818 (Rec. 111.967) julgado em 07/11/2001, cuja ementa está assim redigida: Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE - INCONSTITUCIONALIDADE - MULTA - SEMESTRALIDADE - O lançamento está revestido dos pré requisitos legais indispensáveis exigidos pelo Decreto n2 70.235. Incompetente a Autoridade Administrativa para examinar constitucionalidade de lei. Preliminares rejeitadas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - MATÉRIA NÃO LITIGIOSA - DECISÃO EXTRA PETITA - Decisões anteriores, reiteradas sobre determinada matéria, não se constituem em motivo suficiente para que se atribua ao julgador administrativo, em grau de recurso, o dever de aplicá-las aos julgados em que a mesma não tenha sido argüida na impugnação, que é o momento em que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Recurso a que se nega provimento. Texto da Decisão: I) Por unanimidade de votos, rejeitou-se a preliminar de nulidade; e, II) no mérito, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva (relator), Antonio Augusto Borges Torres, Mauro Wasilewski e Maria Teresa Martínez López, que davam a semestralidade de ofício. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. O apelo especial, sob entendimento de terem sido preenchidos os requisitos de admissibilidade, foi recebido pelo despacho n' 202-00.161 da Presidência daquela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A interessada tomou ciência do Recurso Especial em 16/12/2005, optando por não apresentação de Contra-razões ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. É o Relatório. 4 Processo n.2 :10880.018724/00-13 Acórdão n2 : CSRF/02-02.683 VOTO VENCIDO Conselheira MARIA TERESA MARTíNEZ LÓPEZ, Relatora. Por entender caber à relatora do processo, antes de efetuar qualquer apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso, entre eles, a verificação se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo à apreciação. Dispõe o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes que é cabível recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF de decisão que tenha dado à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha de outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou desta CSRF. A Fazenda Nacional traz como paradigma o Acórdão n2 203-07.818 (Rec. 111967) julgado em 07/11/2001, cuja ementa está assim redigida: Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE - INCONSTITUCIONALIDADE - MULTA - SEMESTRALIDADE - O lançamento está revestido dos pré requisitos legais indispensáveis exigidos pelo Decreto n 2 70.235. Incompetente a Autoridade Administrativa para examinar constitucionalidade de lei. Preliminares rejeitadas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - MATÉRIA NÃO LITIGIOSA - DECISÃO EXTRA PETITA - Decisões anteriores, reiteradas sobre determinada matéria, não se constituem em motivo suficiente para que se atribua ao julgador administrativo, em grau de recurso, o dever de aplicá-las aos julgados em que a mesma não tenha sido argüida na impugnação, que é o momento em que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Recurso a que se nega provimento. Texto da Decisão: I) Por unanimidade de votos, rejeitou-se a preliminar de nulidade; e, II) no mérito, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva (relator), Antonio Augusto Borges Torres, Mauro Wasilewski e Maria Teresa Martínez López, que davam a semestralidade de ofício. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. g211 Processo n.2 :10880.018724/00-13 Acórdão n2 : CSRF/02-02.683 Entenda-se por divergência a interpretação de maneira diversa a mesma norma a fatos iguais. Em confronto com o acórdão considerado como divergente da decisão recorrida, o que se verifica pela transcrição e comparação de trechos que expressam entendimentos divergentes sobre a aplicação da mesma norma jurídica a uma situação fática, nota-se inexistência de identidade. A um porque no caso presente, se trata de pedido de restituição/compensação de créditos oriundos de indébitos do PIS, em que o Acórdão recorrido reconheceu quando da aplicação da norma aplicável - Lei Complementar n. 7/70, a semestralidade da base de cálculo. O pedido da interessada neste caso foi pelo direito à restituição, seguido de compensação de créditos de PIS (período de 01/10/95 a 31/10/98) com débitos da mesma espécie, enquanto a decisão recorrida deu parcial provimento, para admitir na formação do seu indébito (crédito para a contribuinte) a conseqüente restituição/compensação quando da aplicação da Lei Complementar n 2 7/70, com a semestralidade da base de cálculo. A aplicação da semestralidade, inserida na Lei Complementar n. 7/70 se justificou na motivação da decisão prolatada. A motivação, é essencial ao julgador, que deve obrigatoriamente explicitar o fundamento jurídico da sua decisão. E assim o fez, ao explicitar a lei aplicáve1.1 Já, no Acórdão citado como paradigma, trata-se de lavratura de auto de infração por falta de recolhimento da contribuição social, em que a contribuinte apenas alega a nulidade do lançamento e a ilegalidade da multa de ofício. Situações fáticas absolutamente díspares. i No regime processual da Lei n. 9.784/99, determinou-se que 'a administração tem o dever de expressamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações e reclamações, em matéria de sua competência"(art. 48). Os atos administrativos devem ser motivados de modo explícito, claro e congruente, e com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embassaram (art. 50). g) 6 i Processo n.2 :10880.018724/00-13 Acórdão n2 : CSRF/02-02.683 Muito embora, em que pese o paradigma trazido pela Fazenda Nacional, ter versado sobre a semestralidade, o fez substancialmente em situações distintas. Um, trata-se de auto de infração (constituição do crédito tributário), outro, do direito à restituição/ compensação. Neste caso, haveria a necessidade de paradigma que tratasse de pedido de restituição/compensação. No voto citado como paradigma, o contribuinte alega a NULIDADE do auto de infração, e portanto, sob a sua ótica, o cancelamento da exigência fiscal. Diferente também neste caso, onde a interessada pede mo direitd' (subjetivo ao contribuinte) à compensação de créditos e a devolução (restituição) de importância paga a maior, e o julgador para fazer a justiça, aplicou a lei ao fato. Ad argumentandum, a verdade do fato e o conhecimento da lei são, pois, os elementos primordiais da administração da justiça. Há de se observar que o julgador não pode ignorar a lei, assim como não pode eximir-se de julgar sob pretexto de sua omissão, porque se isto ocorrer terá que julgar com base nos princípios gerais de direito, nos costumes e na analogia. Não há preclusão o que está na lei. A interpretação da norma é sempre declaratória e não constitutiva. No caso, penso inexistir identidade entre os dois casos; um envolvendo o "direito" de um quantum a repetir e outro, o cancelamento de uma exigência fiscal. Em sendo vencida pelos meus pares, há de se observar que a decisão recorrida aplicou bem a norma LC n9 7/70 quando se referiu à semestralidade da base de cálculo. A matéria, semestralidade da base de cálculo do PIS, segundo a qual a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo de seis meses, já se encontra pacificada na esteira de decisões do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.2 Desnecessário a meu ver, rediscutir o tema. Tenho me manifestado, quando instada, no sentido de afirmar que a Lei Complementar n2 mo estabeleceu, com clareza (muito embora admita que o conceito O il 7 Processo n.2 :10880.018724/00-13 Acórdão ng : CSRF/02-02.683 de clareza é relativo, dependendo do intérprete), que a base de cálculo da Contribuição para o PIS é o valor do faturamento do sexto mês anterior, ao assim dispor, no seu artigo 6, parágrafo único: 'A contribuição de julho será calculada com base no !aturamento de fevereiro, e assim sucessivamente? Assim, a empresa, com respaldo no texto acima transcrito, não recolhe a contribuição de seis meses atrás. Recolhe, isto sim, a contribuição do próprio mês. A base de cálculo é que se reporta ao faturamento de seis meses atrás. Logo, o fato gerador ocorre no próprio mês em que o encargo deve ser recolhido. Dessa forma, claro está que uma empresa, ao iniciar suas atividades, nada deve ao PIS, durante os seis primeiros meses, ainda que já tenha formado a sua base de cálculo, como também é verdade que, quando da sua extinção, nada deverá recolher sobre o faturamento ocorrido nos últimos seis meses, pois não terá ocorrido o fato gerador. Como bem lembrado pelo respeitável António da Silva Cabral (Processo Administrativo Fiscal — Ed. Saraiva — 1993 — pág. 487/488) "... os juristas, são unânimes em afirmar que o trabalho do intérprete não está mais em decifrar o que o legislador quis dizer, mas o que realmente está contido na leL O importante não é o que quis dizer o legislador, mas o que realmente disse." A situação acima permaneceu até a edição da Medida Provisória ng 1.212, de 28/11/95, que conferiu novo tratamento ao PIS. Observa-se que a referida Medida Provisória foi editada e renumerada inúmeras vezes até ser convertida na Lei ng 9.715, de 25/11/9e. O problema, portanto, passou a residir, no período de outubro de 1988 a fevereiro de 1996, (ADIN 1417-0) no que se refere a se é devido ou não a respectiva atualização quando da utilização da base de cálculo do sexto mês anterior. 2 Cf. STJ, Primeira Seção, Resp rf 144.708, rel. Ministra Eliana Calmon, j. 29/05/2001. Quanto à CSRF, dentre outros, cf. acórdãos In% CSRF/02-01.570, j. em 27/01/2004, unânime; CSRF/02-01.186, j. em 16/09/2002, unânime; e CSRF/01-04.415, j. em 24/02/2003, maioria. 3 A redação, que vige atualmente, até o presente estudo, é a seguinte: Art. 22 - A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I — pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhe são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias com base no f turam nto do mês. 8 ( Processo n.2 :10880.018724/00-13 Acórdão n2 : CSRF/02-02.683 Ao analisar o disposto no artigo 62, parágrafo único, há de se concluir que "faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). Não há, neste caso, como dissociar os dois elementos (base de cálculo e fato gerador) quando se analisa o disposto no referido artigo. Concluo, na esteira do que vem reiteradamente decidindo esta Eg. CSRF no sentido de reconhecer a existência de créditos em favor da ora interessada, ressalvado o direito de a Receita verificar o efetivo recolhimento e os cálculos, quando da aplicação do artigo 62, parágrafo único, da LC n2 7170 (semestralidade da base de cálculo) e assim o de manter o teor da decisão recorrida. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, voto preliminarmente, no sentido de não conhecer do recurso especial interposto com fundamento no item do art. 32, II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF 55/98), que tem como requisito a demonstração da divergência entre casos similares. Em sendo vencida pelos meus pares, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões — DF, em 24 de abril de 2007. ?tas -- MARIA TERES ARTNEZ LÓPEZ O 9 . . Processo n. 2 :10880.018724/00-13 Acórdão n2 : CSRF/02-02.683 VOTO VENCEDOR Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Relator Na sessão de julgamento do presente recurso especial, discutiu-se acerca da existência e comprovação da divergência. A Conselheira-Relatora, Maria Teresa Martínez López, entendeu que a divergência não se fazia presente porque, conquanto os acórdãos recorrido e paradigma tenham tratado da semestralidade, o teriam feito em situações fáticas distintas. O acórdão recorrido se refere a um pedido de restituição do contribuinte, enquanto que o paradigma se refere a um auto de infração. Tem razão em parte a ilustre Relatora. As situações fáticas são realmente distintas. Entretanto, para que se possa rejeitar o recurso especial com base neste argumento, a diferença entre as situações fáticas deve ser tal que provoque alteração na interpretação das normas jurídicas aplicáveis ao caso concreto. Neste caso especifico, a questão divergente é a aplicação de ofício do critério da semestralidade da base de cálculo do PIS e o fato de um processo ter versado sobre exigência de crédito tributário e o outro sobre pedido de compensação, não é uma diferença relevante capaz de desencadear soluções distintas quanto à aplicação de ofício do critério da semestralidade. Desse modo, divirjo da ilustre Relatora quanto à preliminar de não conhecimento do recurso por falta de comprovação da divergência e voto no sentido de que o recurso seja conhecido pelo colegiado. Sala • . essões - DP em 24 de abril de 2007. .1/ ANTONIO CARLOS A ULIM to Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13603.002063/2001-42
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PISIP ASEP
'. .
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991
Ementa: TRIBUTO SUJEITO, A LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de
decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do
STF.
TERMO INICIAL:
(a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato
gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART.
173,1); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda
que parcial (CTN, ART. 150, § 4°).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.136
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Tutina da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes (Relator), Elias Sampaio Freire, Gilson. Macedo Rosenburg Filho e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento ao recurso, nos termos do relatório evoto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PISIP ASEP '. . Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991 Ementa: TRIBUTO SUJEITO, A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173,1); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). Recurso especial negado.
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