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Numero do processo: 10660.721032/2013-55
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. GFIP. NÃO DECLARAÇÃO. RECOLHIMENTOS ANTES E DEPOIS DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. APROPRIAÇÃO DE VALORES. COMPETÊNCIA.
A empresa foi autuada por não declarar em GFIP as contribuições de segurados (e as patronais) relativamente a contribuintes individuais que lhes prestaram serviços nos períodos de 01/2009 a 12/2011.
Como houve recolhimento antes do início do procedimento fiscal promoveu-se a retificação do lançamento apropriando-se tais valores.
O pedido de apropriação deve ser realizado na DRF de origem.
A função do CARF é de analisar o conteúdo da decisão recorrida, notadamente no que concerne às informações oriundas do lançamento realizado pela autoridade administrativa competente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.190
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. GFIP. NÃO DECLARAÇÃO. RECOLHIMENTOS ANTES E DEPOIS DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. APROPRIAÇÃO DE VALORES. COMPETÊNCIA. A empresa foi autuada por não declarar em GFIP as contribuições de segurados (e as patronais) relativamente a contribuintes individuais que lhes prestaram serviços nos períodos de 01/2009 a 12/2011. Como houve recolhimento antes do início do procedimento fiscal promoveu-se a retificação do lançamento apropriando-se tais valores. O pedido de apropriação deve ser realizado na DRF de origem. A função do CARF é de analisar o conteúdo da decisão recorrida, notadamente no que concerne às informações oriundas do lançamento realizado pela autoridade administrativa competente. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. GFIP. NÃO DECLARAÇÃO. RECOLHIMENTOS ANTES E DEPOIS DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. APROPRIAÇÃO DE VALORES. COMPETÊNCIA. 1. A empresa foi autuada por não declarar em GFIP as contribuições de segurados (e as patronais) relativamente a contribuintes individuais que lhes prestaram serviços nos períodos de 01/2009 a 12/2011. 2. Como houve recolhimento antes do início do procedimento fiscal promoveuse a retificação do lançamento apropriandose tais valores. 3. O pedido de apropriação deve ser realizado na DRF de origem. 4. A função do CARF é de analisar o conteúdo da decisão recorrida, notadamente no que concerne às informações oriundas do lançamento realizado pela autoridade administrativa competente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 10 32 /2 01 3- 55 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721032/201355 Acórdão n.º 2803004.190 S2TE03 Fl. 3 2 Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721032/201355 Acórdão n.º 2803004.190 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias dos segurados e as patronais, incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa, não declarados em GFIP, apuradas em recibos de pagamentos nos períodos de 01/2009 a 12/2011, conforme discriminativo no Anexo I (fls. 41/43). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 06 de novembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa deve reter e recolher, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos segurados a seu serviço. RECOLHIMENTOS REALIZADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Devem ser apropriados ao lançamento os recolhimentos efetuados antes do início da ação fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Finalizado o procedimento fiscal, apurouse que os valores referentes à contribuições previdenciárias dos segurados, de retenção e recolhimentos obrigatórios pelo tomador do serviço, foram, em tese, descontados dos segurados e não recolhidos à Previdência Social em época própria, sendo assim passíveis de juros e multa de ofício, bem como configurar o crime de apropriação indébita, previsto no art. 168A do Código Penal. A 5ª Turma de julgamento julgou procedente, em parte, a impugnação da recorrente, considerando as retificações feitas e juntadas à impugnação, porém, mantendo a condenação das demais penalidades referente aos recolhimentos não retificados, em tese. Após todas as retificações efetuadas, juntase ao presente recurso todas as guias de recolhimento da Previdência Social, devidamente retificadas, comprovando o recolhimento à sua época, antes do início da ação fiscal, das retenções previdenciárias de obrigação do tomador de serviço, inclusive dos segurados Marcos Luciano Viera de Matos, Caetano Eustáquio Diogo e Giovani Marques Comin, que foram os últimos a serem retificados. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721032/201355 Acórdão n.º 2803004.190 S2TE03 Fl. 5 4 Além das obrigações de retificar as Guias de recolhimento da Previdência Social, a recorrente providenciou as retificações das GFIPs, onde constam as prestações de serviços dos autônomos contratados (doc. j). Inexiste crime de apropriação indébita previdenciária. Ex positis, requer a recorrente seja dado provimento ao presente recurso voluntário, ampliando a decisão da 5ª Turma de julgamento, considerando as retificações das GFP`s apresentadas até aquela decisão, que já foi o entendimento daquela Colenda Turma, como também as demais retificações e GFIP`s juntadas no presente Recurso Voluntário. E ainda, requer seja determinado ao auditorFiscal, se abstenha de qualquer ato para efetivar a Representação Fiscal para Fins Penais, pois regular o recolhimento da contribuição previdenciária dos prestadores de serviço, e consequente ausência de dolo específico no evento objeto do presente processo. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721032/201355 Acórdão n.º 2803004.190 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A empresa foi autuada por não declarar em GFIP as contribuições de segurados (e as patronais) relativamente a contribuintes individuais que lhes prestaram serviços nos períodos de 01/2009 a 12/2011. Como houve recolhimento antes do início do procedimento fiscal promoveu se a retificação do lançamento apropriandose tais valores. No ponto, assim pronunciaram os julgadores da primeira instância administrativa: Da análise dos documentos juntados à impugnação, verificouse terem sido retificadas guias de recolhimento relativas aos segurados Marcos de Paiva Magalhães, fls. 181/183, Darcy Freire Filho, Priscila Alves Ilgenfritz, fls. 193/194, e Tatiane de Francesco, fls. 197/2006, à exceção das guias dos segurados Darcy Freire Filho, nas competências 05/2009, 04/2010 e 06/2010, e Tatiane de Francesco, na competência 06/2010. Além disso, não foi comprovado o recolhimento e ou retificação das guias de recolhimentos dos segurados Marcos Luciano Vieira de Matos, Caetano Eustáquio Diogo e Giovani Marques Comin. Verificouse ainda que as GFIP juntadas, relativas às competências 01 e 02/2009, nas quais foi declarado apenas o segurado Marcos de Paiva Magalhães, foram entregues no período de impugnação, em 05/06/2013 e 07/06/2013, fls. 128/133. Consoante o disposto no art. 156, I, do CTN e considerando que os recolhimentos foram efetuados antes do início da ação fiscal, não obstante as retificações das guias de recolhimento terem sido efetuadas após o lançamento, os referidos valores devem ser apropriados ao presente lançamento, o qual deve ser retificado, conforme discriminado no quadro abaixo, sem prejuízo de nova autuação pelo descumprimento da obrigação acessória de declaração das referidas contribuições em GFIP. No recurso apresentado o contribuinte faz referência às retificações efetuadas que comprovam o recolhimento à sua época, antes do início da ação fiscal e junta novas guias, Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721032/201355 Acórdão n.º 2803004.190 S2TE03 Fl. 7 6 inclusive dos segurados Marcos Luciano Vieira de Matos, Caetano Eustáquio Diogo e Giovani Marques Comin, que foram os últimos que tiveram retificações em suas primitivas guias de recolhimento. O contribuinte aduz ainda que além da obrigação de retificar as GPS`s, providenciou as retificações das GFIP`s, onde constam as prestações de serviços dos autônomos (fls. 265 e seguintes). Compulsando os autos notase que efetivamente constam os documentos referenciados pelo contribuinte. Contudo, não vislumbro a possibilidade de acatar o pleito formulado pela empresa, tendo em vista que não incumbe ao CARF, a realização das apropriações requeridas. O pedido de apropriação deve ser realizado na DRF de origem. A função do CARF é de analisar o conteúdo da decisão recorrida, notadamente no que concerne às informações oriundas do lançamento realizado pela autoridade administrativa competente. Neste ponto, não pairou nenhuma dúvida de que a empresa, em parte daquilo que foi lançado, estava em desconformidade com a legislação tributária, ou seja, devedora de contribuições previdenciárias. Por isso, considerando que apropriações devem ser feitas em outra esfera que não o CARF, o lançamento deve ser mantido pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721415/2011-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos , em converter o julgamento em DILIGÊNCIA.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros:Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixot e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos , em converter o julgamento em DILIGÊNCIA. Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros:Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixot e Jhonatas Ribeiro da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.721415/201143 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2403000.289 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 04 de novembro de 2014 Assunto FAZENDA NACIONAL Recorrente VERCELLI INDUSTRIA E COMERCIO DE CALCADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos , em converter o julgamento em DILIGÊNCIA. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros:Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixot e Jhonatas Ribeiro da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 21 41 5/ 20 11 -4 3 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721415/201143 Resolução nº 2403000.289 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de crédito constituído pelos DEBCAD's abaixo descritos : AI n° 37.303.4245, referente à contribuição previdenciária da empresa, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, inclusive aquela destinada para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados; 2) n° 37.303.4253, referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (no caso, para o SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e FNDE Salário Educação) incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados; : e 3) n° 37.303.4261, relativo ao descumprimento de obrigação acessória de apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DA DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO Informa o Relatório Fiscal RF que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais declaradas nas GFIPs da empresa Milan Beneficiamento de Componentes para Calçados Ltda, CNPJ 09.136.057/000197, apuradas com base nas suas respectivas folhas de pagamento, em razão dos segurados empregados e contribuintes individuais da empresa Milan Beneficiamento de Componentes para Calçados Ltda terem sido considerados pela fiscalização como trabalhadores da empresa Vercelli Indústria e Comercio de Calçados Ltda. DA IMPUGNAÇÃO Do Relatório a quo, que lí e compulsei com os autos, aproveito a integralidade e, com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo: "Regularmente cientificada dos Autos de Infração em 31/03/2011, a empresa autuada, por intermédio de seu representante legal, apresentou, em 02/05/2011, impugnação tempestiva, alegando que não houve a utilização de interposta empresa como subterfúgio para reduzir a incidência de tributos. O que existiu de fato foi a prestação de serviços realizada por àquela empresa, o que é plenamente jurídico e legal. Afirma que a Fiscalização laborou em equívoco ao concluir que teria havido uma simulação entre a Impugnante e a empresa Milan, mormente porque o fato de dividirem um prédio, que sequer possui abertura ou qualquer ligação física, não autoriza a deduzir que estivessem em conluio para reduzir a incidência de tributos. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721415/201143 Resolução nº 2403000.289 S2C4T3 Fl. 4 3 Aduz que, além disso, o fato de haver cedido gratuitamente, por comodato, alguns de seus equipamentos, de igual forma é irrelevante e não pode servir de suporte para a conclusão feita pela Fiscalização da ocorrência de sonegação de contribuição previdenciária, uma vez que isso, in casu, nunca ocorreu. Refuta as autuações em tela, porquanto em nenhum momento cometeu qualquer tipo de omissão ou de irregularidade capaz de ilegalmente reduzir a incidência de tributos, não havendo que se falar em débitos de qualquer natureza e muito menos previdenciário, conforme pode ser comprovado pela documentação anexa. Alega que mesmo admitindo, por força de argumento, que tivesse sido beneficiada com a contratação de serviços de mão de obra, a sua conduta não constituiria poderia, em tese, caracterizar a elisão fiscal. Refere doutrina segundo a qual a "diferença entre elisão fiscal e a evasão fiscal consiste em que a elisão expressa ato formal e substancialmente legítimo e lícito praticado antes do surgimento do fato gerador, com o fim de evitar a incidência tributária plena ou diminuir o tributo, e a evasão é o ato de omissão praticado após a ocorrência do fato gerador, com o fim de evitar, reduzir ou retardar o pagamento do título". Com base em tal distinção, entende que a única compreensão possível sobre o caso seria de verdadeira elisão fiscal, em vista do ocorrido, o que é plenamente legal e jurídico. Argumenta, quanto às multas aplicadas, que sobre o valor apurado como devido, a título de tributos, além dos juros, há a incidência de dois encargos denominados por "multa de ofício" e "multa de mora" abusiva, constituindose bis in idem, o que igualmente tornaria insubsistente o aludido auto de infração, constituindose por verdadeiro confisco, que é vedado pela legislação constitucional. Acrescenta, ainda, que mesmo fosse legal e constitucional a cobrança de multa, na forma como procedida pela Fiscalização, deveria ser reduzido para o percentual máximo de 20%. Assim, em que pese a existência de previsão legal para aplicação de multa, a dualidade de tal encargo estabelecido pela Fiscalização não atende ao Princípio Constitucional do nãoconfisco, posto que arbitradas de forma excessiva e desproporcional, impondose, em tal caso, o afastamento de uma delas, bem como a redução do valor arbitrado. No que se refere à Taxa SELIC, apresenta diversos argumentos acerca da inconstitucionalidade de sua aplicação, referindo, ao final, que a legislação complementar já estabelece em seu artigo 161, parágrafo 1º do CTN, a previsão da incidência de juros moratórios de 1% (um por cento); e não havendo lei que autorize a utilização da Taxa Selic como indexador para fins tributário, permanece válida a regra constante do CTN no que tangeaos juros a serem aplicados, afastando se, de conseguinte, a utilização da taxa SELIC para fins tributários, uma vez que totalmente inconstitucional. Requer seja a impugnação recebida e juntada aos respectivos autos do procedimento administrativo em epígrafe; determinada a realização de perícia técnica especializada, nos termos do que estabelece a legislação pertinente, facultada à Impugnante a indicação de assistente Fl. 334DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721415/201143 Resolução nº 2403000.289 S2C4T3 Fl. 5 4 técnico; julgada procedente a impugnação, declarandose insubsistentes os autos de infração e respectivas multas levadas a efeito contra a ora Impugnante, em face das ponderações supracitadas. É o relatório." DA PRIMEIRA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A impugnação foi julgada improcedente e mantidos os créditos tributários exigidos, nos termos do Acórdão nº 1033449, de 09 de agosto de 2011, da 7ª Turma da DRJ/POA, fls. 237/248. A empresa recorreu ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme fls. 251/258. DO PRIMEIRO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada, na forma do documento de fls.251, a Recorrente, em 29/09/2011, interpôs Recurso Voluntário. DA ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA O recurso voluntário interposto foi apreciado pela Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, cujos membros de sua 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, por meio do Acórdão n.º 2401002.619, fls. 277/282, em sessão havida em 15/08/2012, por unanimidade de votos, anulou a decisão de 1ª instância, por motivo de cerceamento do direito de defesa, considerando que a DRJ não se pronunciou a contento acerca da “aplicação da multa em duplicidade que foi questionada pelo sujeito passivo, quando se contrapôs a exigência” de multa de mora e multa de ofício num mesmo levantamento. ( transcrito do relatório a quo com grifos de minha autoria) DA SEGUNDA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Reanalisando o processo, conforme documento colacionado às fls 292, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre DRJ/POA, em 31/10/2012, exarou novo Acórdão sob o n° 1041.053 e, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. DO SEGUNDO RECURSO VOLUNTÁRIO. Ainda irresignada, a Recorrente, em 19/12/2012, interpôs novo Recurso Voluntário às fls.306, onde reiterou as alegações que alhures fizera e guerreou a autuação como um todo inclusive a aplicação das multas. É o Relatório. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721415/201143 Resolução nº 2403000.289 S2C4T3 Fl. 6 5 VOTO Conforme o descrito no item 2.3 Relatório Fiscal às fls. 30, além da autuada, a empresa Milan Beneficiamento de Componentes para Calçados Ltda, foi intimada a apresentar documentos conforme Termos de Início de Procedimento Fiscal TIPF, ambos datados de 03/01/2011. No item 2.2 do referido Relatório Fiscal, aduz que : "o fato gerador do presente crédito previdenciário constituise nas remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP da empresa MILAN BENEFICIAMENTO DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA CNPJ 09.136.057/000197, apuradas por aferição indireta com base nas suas respectivas folhas de pagamento e considerados por esta fiscalização como segurados da VERCELLI INDÚSTRIA E COMERCIO DE CALÇADOS LTDA, doravante denominada VERCELLI, pelas razões expostas no decorrer do presente relatório." Do encimado, resta evidente que ocorreram simultâneas ações fiscais que resultou na desconsideração de negócio jurídico. Às fls. 15, no Relatório de Fundamentos Legais FLD , item 703.01, consta que aplicaramse multa em dobro em razão de sonegação, Lei 9430/96, art. 44, parágrafo 1º: fraude ou conluio e dos crimes previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502 : "Aplicar em dobro por sonegação, fraude ou conluio Lei 9430/96, art. 44, parágrafo 1º: § 1o . O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." As sobre ditas multas referemse aos levantamentos LEV 05 e LEV 06 descritos nas fls. 08/12. Sem adentrar no mérito, verificase que nos autos não constam registros dos documentos da segunda empresa envolvida tais como MPF, relatório fiscal, Termo de Encerramento , informe de eventual autuação, fundamentos legais, se interpôs impugnação, se o fez, qual o número do processo, em que fase se encontra. E também , se houve Informação fiscal IF para cancelar seu cadastro no SIMPLES em razão dos crimes cometidos. No Relatório Fiscal constam os registros o AI n° 37.303.4245, referente à contribuição previdenciária da empresa; n° 37.303.4253, referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (no caso, para o SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e FNDE Salário Educação) e n° 37.303.4261 e o de n° 37.303.4261, relativo ao descumprimento de obrigação acessória. Não obstante, insta saber se no presente lançamento a recorrente fora autuada para recolher a parte do empregado. Se o foi em qual processo isto estaria consolidado. e Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721415/201143 Resolução nº 2403000.289 S2C4T3 Fl. 7 6 ainda se foram apropriados na autuação em tela os valores recolhidos pela empresa MILAN BENEFICIAMENTO DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA. CONCLUSÃO Diante do que foi exposto, determino o retorno dos autos às origens para sejam providenciadas as informações abaixo : DA AUTUADA saber se no presente lançamento a recorrente fora autuada para recolher a parte do empregado; em qual processo isto estaria consolidada a exigência supra; e . se foram apropriados na autuação em tela os valores recolhidos pela empresa Milan Beneficiamento de Componentes para Calçados Ltda. DA EMPRESA MILAN BENEFICIAMENTO DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA Juntar : MPF, Relatório Fiscal, Termo de Encerramento, informe de eventual autuação, fundamentos legais, se interpôs impugnação, se o fez, qual o número do processo, em que fase se encontra. e também , juntar registro de eventual Informação fiscal IF para cancelar seu cadastro no SIMPLES em razão dos crimes cometidos. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 18471.000722/2003-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
DECADÊNCIA. LEI Nº 8.212/91. INAPLICABILIDADE. SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligências da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
TRANSPORTE FERROVIÁRIO. TRÁFEGO MÚTUO. NATUREZA. DESPESA.
O tráfego mútuo não descaracteriza a prestação de serviço ao usuário de transporte ferroviário, nem retira dos valores recebidos pela empresa prestadora do serviço a natureza de receita, representando despesas os valores pagos à concessionária cedente, em função da remuneração pelo uso de sua malha e equipamentos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/2002
TRANSPORTE FERROVIÁRIO. TRÁFEGO MÚTUO. NATUREZA. DESPESA.
O tráfego mútuo não descaracteriza a prestação de serviço ao usuário de transporte ferroviário, nem retira dos valores recebidos pela empresa prestadora do serviço a natureza de receita, representando despesas os valores pagos à concessionária cedente, em função da remuneração pelo uso de sua
malha e equipamentos.
Recuro Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-000.795
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam integral provimento. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF 13841
Nome do relator: Fabiola Cassiano Keramidas
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LEI No 8.212/91. INAPLICABILIDADE. SÚMULA No 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligências da Súmula Vinculante no 8 do Supremo Tribunal Federal: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do Decretolei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 TRANSPORTE FERROVIÁRIO. TRÁFEGO MÚTUO. NATUREZA. DESPESA. O tráfego mútuo não descaracteriza a prestação de serviço ao usuário de transporte ferroviário, nem retira dos valores recebidos pela empresa prestadora do serviço a natureza de receita, representando despesas os valores pagos à concessionária cedente, em função da remuneração pelo uso de sua malha e equipamentos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/2002 TRANSPORTE FERROVIÁRIO. TRÁFEGO MÚTUO. NATUREZA. DESPESA. O tráfego mútuo não descaracteriza a prestação de serviço ao usuário de transporte ferroviário, nem retira dos valores recebidos pela empresa prestadora do serviço a natureza de receita, representando despesas os valores Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 pagos à concessionária cedente, em função da remuneração pelo uso de sua malha e equipamentos. Recuro Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam integral provimento. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF 13841. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de dois autos de infração lavrados contra a Recorrente (fls. 61/73 e 270/283) para o fim de exigir valores relativos à COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e ao PIS Programa de Integração da Seguridade Social no período de janeiro/1998 a dezembro/2002. Ambos os autos de infração foram cientificados ao contribuinte em 10/04/2003. Conforme se verifica do “Termo de Constatação” (fls. 59/60), a presente autuação tem como fundamento as seguintes infrações: período de jan/98 a dez/02 – exclusão da base de cálculo dos tributos dos valores relativos a “RATEIO DE FRETES”, a autuação se deu em virtude da exclusão não contar com supedâneo legal; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.000722/200334 Acórdão n.º 330200.795 S3C3T2 Fl. 2 3 período de jan/98 a dez/98 – exclusão da base de cálculo dos tributos dos valores relativos às CONTAS 16000.000 – VENDA DE MATERIAIS INSERVÍVEIS e 16101.0001 – VENDAS SERV. VIA PERMANENTE. Registrase que, no que se refere à autuação mencionada no item (ii) acima, houve concordância da Recorrente com o recolhimento de valores ainda na primeira instância administrativa, razão pela qual esta questão não importa a este tribunal administrativo. Inconformada, a Recorrente interpôs impugnação às fls. 146/163 e 355/372. Em relação à outra parte da autuação, a Recorrente esclarece que é empresa privada, concessionária do serviço público de transporte viário de cargas da malha sudeste e que, em virtude de sua atividade, deve se submeter a regras próprias do setor ferroviário de cargas, principalmente ao Regulamento de Transporte Ferroviário. Neste sentido esclarece que, tendo em vista as limitações geográficas de cada malha férrea, o artigo 6º do Decreto nº 1.832/96 (regulamentador do transporte ferroviário) determina que as administrações ferroviárias são obrigadas a operar em tráfego mútuo. De acordo com a Resolução nº 433 da ANTT Associação Nacional de Transportes Terrestres conceituase tráfego mútuo como a operação que se dá em decorrência de contrato firmado entre concessionárias, para permitir os contratos ferroviários que ultrapassem os limites geográficos da malha. Ainda tratando a regulamentação deste assunto, o Ajuste SINIEF nº 19/89 determina que para acobertar o transporte intermunicipal e interestadual de mercadorias, desde a origem até o destino, independente do número de ferrovia coparticipantes, as Ferrovias onde se iniciar o transporte deverão emitir um único despacho de carga, sem destaque do ICMS, quer por tráfego próprio, quer por tráfego mútuo. Portanto, para a Recorrente, é obrigatório o tráfego mútuo e a emitir um único documento de transporte. Neste sentido, a Recorrente defende a equidade do sistema de transporte de cargas com o transporte de passageiros e defende a identidade de tratamento. Defende ainda a Recorrente que não realiza a exclusão da base de cálculo do frete compartilhado, mas apenas realiza o destaque, na intenção de informar, o que gerou a errônea impressão de que os valores não foram recolhidos. Registra ainda que na mesma conta contábil a Recorrente incluiu os valores dos fretes compartilhados a receber. Todavia, ainda que houvesse a exclusão da base de cálculo dos valores repassados a terceiros, a Recorrente defende a aplicação imediata do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que prevê a exclusão da base de cálculo desta espécie de receitas até a exclusão do dispositivo com a Medida Provisória nº 2.15835. Após analisar as razões apresentadas pela Recorrente, a Quinta Turma de Julgamento da Delegacia do Rio de Janeiro – II – proferiu o acórdão nº 1313.919 (fls. 545/557), por meio do qual concluiu pela procedência do lançamento, a saber: “IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR O complemento à impugnação é cabível desde que apresentado ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias previsto nas normas que regem o processo administrativo fiscal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 COFINS – MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Impugnante. TRÁFEGO MÚTUO – BASE DE CÁLCULO. É incabível a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada ‘tráfego mútuo’, que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria.” Em resumo, os julgadores administrativos de primeira instância entenderam que não há, na legislação, permissão para que os valores repassados a terceiros sejam excluídos da base de cálculo do PIS e Cofins. Em relação à argumentação de que os valores não são receitas propriamente ditas, mas mero ingresso de valores, a decisão concluiu que esta conceituação apenas seria possível se não houvesse vinculação à atividade principal da Recorrente e se os valores fossem imediatamente repassados. Entende ainda que são dois contratos e consequentemente dois os serviços prestados, o serviço de frete para terceiro e o serviço de transporte apenas em um trecho para outra transportadora, inexistindo bis in idem por serem fatos geradores distintos. Por não considerar o valor como ingresso, nega a equiparação com as empresas do ramo de transporte de passageiros. No tocante ao artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a decisão de primeira instância administrativa defende que, por falta de regulamentação, a norma não chegou a ter validade. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 561/591), por meio do qual reiterou as razões de impugnação, além de alegar: o cerceamento de defesa, em razão de não ter sido considerada complementação da impugnação apresentada pela Recorrente; a decadência dos fatos geradores ocorridos até março/98, nos termos do artigo 150, parag. 4º, CTN, até porque ocorreu pagamento de PIS e COFINS no período; a contratação de outra empresa para parte do transporte dos bens é imposição regulatória, não opção da Recorrente; a receita recebida referese, parte ao serviço de transporte, parte ao compartilhamento da malha; o conceito de receita é o valor que passa a integrar o patrimônio da Recorrente como receita nova, enquanto o simples ingresso referese aquele valor que nada agrega. Recebido o recurso voluntário, os autos foram encaminhados a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.000722/200334 Acórdão n.º 330200.795 S3C3T2 Fl. 3 5 Conselheira Relatora Fabiola Cassiano Keramidas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele conheço. Dos fatos apresentados verifico que a discussão limitase às seguintes questões: ocorrência de cerceamento de defesa; decadência dos fatos geradores ocorridos até março/1998; conceito de receita. (i) Do Cerceamento de Defesa Conforme constatado no relatório, a Recorrente alega que houve cerceamento de defesa em razão dos julgadores de primeira instância administrativa não terem considerado o aditamento (fls. 509/546) aos recursos de impugnação apresentados. Após analisar o mencionado aditamento, constato que seus termos foram trazidos para o recurso voluntário e que todas as questões debatidas foram decididas na decisão de primeira instância administrativa, razão pela qual entendo que não houve prejuízo à contribuinte. Neste particular, nego provimento à solicitação da Recorrente. (ii) Decadência Em sede de preliminar, reconheço a decadência dos fatos geradores ocorridos dos meses de janeiro a março/1998, uma vez que a ciência do auto de infração se deu em abril/2003. Registrase que a Recorrente realizou o recolhimento destes tributos no período autuado, tendo a inadimplência sido parcial, deixando de ser recolhidos o PIS e COFINS especificamente às receitas de frete compartilhado. É de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários nº 55664, 559882 e 559943, declarou e reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula vinculante nº 8, in verbis: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento do presente auto de infração, não apenas em razão de ser vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em mais 5 anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos, razão pela qual o auto de infração deve ser parcialmente cancelado, dos meses de janeiro a março/1998. Conceito de Receita Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 A principal alegação existente no recurso voluntário referese ao conceito de receita contraposto à atividade da Recorrente. Defende a Recorrente que as receitas recebidas para cobrir o custo com o tráfego compartilhado não são receitas propriamente ditas, mas mero ingresso de valores que serão, obrigatoriamente, repassados a terceiros. A linha da defesa, conforme se verifica dos termos do recurso voluntário, converge para os dispositivos normativos que regulamentam o setor e que, no entender da Recorrente, lhe impõe determinados procedimentos, dentre eles a operação de frete compartilhado. Com razão a Recorrente. É justamente por esta ótica que o processo em apreço tem que ser analisado, sob o enfoque da Recorrente pertencer a um setor regulado, especificamente de ser concessionária de um serviço público. Explico. De acordo com o Regulamento de Transporte Ferroviário, artigo 6º1, do Decreto nº 1.832/96, as administrações ferroviárias são obrigadas a operar em tráfego mútuo. Por força das normas regulatórias, as empresas ferroviárias possuem limitações geográficas para a utilização da malha férrea, por isso são obrigadas a trabalhar em tráfego mútuo, de forma conjunta, para evitar a falta do serviço de transporte. Para melhor compreensão cito a Resolução nº 4332 da ANTT – Associação Nacional de Transportes Terrestres – a qual conceitua tráfego mútuo como a operação que se dá em decorrência de contrato firmado entre concessionárias, para permitir que os contratos ferroviários ultrapassem os limites geográficos da malha. Desta forma, verificase que, para atender a regulamentação do setor, a Recorrente precisa operar conjuntamente com outras empresas de transporte. E mais, além de não ter opção quanto a prestar serviço em conjunto, de acordo com as regras estaduais, todo o transporte tem que estar relacionado em um único conhecimento de transporte, ainda que seja prestado por mais de uma empresa. É o que dispõe o Ajuste SINIEF nº 19/893, ao determinar que para acobertar o transporte intermunicipal e interestadual de mercadorias, a Ferrovia emitirá um único despacho de carga no Estado onde se iniciar o transporte, sem destaque do ICMS, independente do número de ferrovias coparticipantes. 1 “Art. 6° As Administrações Ferroviárias são obrigadas a operar em tráfego mútuo ou, no caso de sua impossibilidade, permitir o direito de passagem a outros operadores.” 2 “Art. 2º Para efeito desta Resolução, serão adotadas as seguintes definições: I tráfego mútuo: é a operação em que uma concessionária, necessitando ultrapassar os limites geográficos de sua malha para complementar uma prestação de serviço público de transporte ferroviário, compartilha recursos operacionais, tais como material rodante, via permanente, pessoal, serviços e equipamentos, com a concessionária em cuja malha se dará o prosseguimento ou encerramento da prestação de serviço, mediante remuneração ou compensação financeira.” 3 “Cláusula Segunda. Para acobertar o transporte intermunicipal ou interestadual de mercadorias, desde a origem até o destino, independente do número de ferrovias coparticipantes, as FERROVIAS, onde se iniciar o transporte, emitirão um único Despacho de Cargas, sem destaque do ICMS, quer para tráfego próprio quer para tráfego mútuo, que servirá como documento auxiliar de fiscalização.” Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.000722/200334 Acórdão n.º 330200.795 S3C3T2 Fl. 4 7 Logo, dos normativos se conclui que para a Recorrente, é impositivo o tráfego mútuo e a emissão de um único documento de transporte. Indiscutível o caráter peculiar do caso em apreço. É de meu entendimento que o conceito de receita/faturamento, base de cálculo das contribuições em análise, estão intimamente ligados à atividade dos contribuintes e devem ser estudados caso a caso. Neste sentido, simplesmente adotar um conceito genérico para definir “receita/faturamento”, ignorando as particularidades das atividades reguladas não parece ser apropriado para solucionar a questão. É cediço que a Lei nº 9.718/98, em seu parágrafo 1º, artigo 3º, determina como base de cálculo do PIS e Cofins a receita bruta, assim entendida como “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” A leitura do artigo citado, ao contrário do que muitos alegam, afasta o conceito de receita/faturamento da simples análise formal de registro contábil, para uma percepção mais aprofundada do que é efetivamente receita. Neste particular, clara está a intenção do legislador em buscar a essência da atividade e da natureza do ingresso financeiro, tanto que o texto é expresso em dizer que é irrelevante a classificação contábil. Não importa o nome que é dado ao ingresso de valores, mas se ele é efetivamente receita, considerado como aumento patrimonial. E este não é o caso da situação ora em análise, ao contrário. Aqui, a Recorrente é obrigada a compartilhar seu serviço de transporte, assim como é coibida a emitir somente uma nota fiscal e receber o valor devido por todo o transporte. A partir do momento que deixa de ser opcional, que a Recorrente não pode decidir como prestar seu serviço, inexiste qualquer possibilidade de interpretação fazendária de que “de fato” o serviço prestado foi do valor total do frete. Da mesma forma, não há que se falar em planejamento tributário, sub contratação de serviços para otimização, ou qualquer outra opção existente entre aqueles que estão no exercício total de suas vontades. As regras são postas pela administração pública. O procedimento é ditado pelas normas regulatórias. Importa registrar que o valor repassado para as demais empresas prestadoras de serviço estão destacados nas notas fiscais e compõe conta específica, sendo que o valor ingressado apenas trafega pela conta da Recorrente, pertencendo a terceiro. Tal fato está demonstrado no respectivo Despacho de Carga, assim como nas Notas de Débito emitidas em face da Recorrente pela concessionária copartícipe da operação de transporte. Tal controle é necessário porque as empresas recebem o valor referente à exata prestação de seu serviço, neste sentido, são destacadas, expressamente, as parcelas que cabem à cada concessionária envolvida, em função da distância percorrida em cada malha. O valor pago às demais concessionárias é o resultado positivo entre as partilhas dos fretes. De acordo com este raciocínio, claro está que não se pode prescindir, para permitir a tributação pretendida pela fiscalização, que a conta de receita que se pretende Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 tributar represente efetivamente uma receita para a companhia, o que, frisese, não ocorre no presente caso. Procedimento inverso seria tributar valores inexistentes ou o próprio patrimônio do contribuinte que, por sua própria definição, não é objeto do PIS e Cofins. Analisando estas premissas entendo que a questão é similar à tributação do roaming das empresas que prestam outro tipo de serviço público, o da telecomunicação. Estas empresas, de forma idêntica, por força de regulação, prestam serviços para outras em virtude do alcance geográfico. A tributação do roaming já foi analisada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos do processo administrativo nº 10166.000888/200131, RP/203120710, Acórdão nº CSRF/0202.218, tendo a decisão sido favorável ao contribuinte, conforme voto citado a seguir do Ilustre Conselheiro Rogério Dreyer, a saber: “Cito sempre como exemplo aquelas operações que, por seu caráter consuetudinário, se consagram no mundo dos negócios, tais como: receita de vendas de passagens aéreas recebidas pelas agências de turismo, a recebida pelo hotel e destinada ao restaurante terceirizado, a destinada à mídia pelas agências de publicidade (esta igualmente regulamentada) e a recebida por empresas de logística de transporte e destinadas a transportadores diversos. No presente caso, indene de dúvidas, até por tratarse de concessão governamental para a exploração dos serviços de comunicação por telefonia móvel, a atividade é grandemente regulamentada. Esta regulamentação prevê, entre outros aspectos, a regionalização das operadoras, ainda que, com regramento básico, permita a contratação de parcerias entre as diversas operadoras. A sistemática da cobrança pela operadora que presta o serviço diretamente ao cliente (usuário do telefone móvel), decorre desta simbiose da regulamentação e das parcerias envolvidas, com destacada importância do cumprimento de regras que visam otimizar o serviço e proteger o consumidor. Por certo esta parceria, no mais das vezes, fica cingida ao operador disponível para disponibilizar o roaming, pouco restando à operadora do usuário visitante, além do que disponibilizar aquela operadora que está em atividade na região visitada. Ainda mais, a exemplo que ocorre na telefonia fixa, a conta da visita feita pelo usuário da operadora que presta o serviço inicial ao usuário poderia ser pago diretamente à operadora visitada, em fatura própria. Não o é, certamente, por conta da préfalada otimização do serviço e de sua eficiência. Em tempos recentes, o visitante era obrigado a registrarse na área visitada, para utilizar o seu aparelho móvel. Atualmente, tal é feito de forma automática, por avanço tecnológico e por regulamentação que, como já asseverei, procura preservar a eficiência do serviço, a proteção do usuário e o desconforto a este causado pela necessidade de, em sendo viajor contumaz, ter que pagar diversas faturas num mesmo período. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.000722/200334 Acórdão n.º 330200.795 S3C3T2 Fl. 5 9 Argumento ainda, na defesa de minha tese, que as despesas de roaming vem devidamente discriminadas na fatura apresentada. Fosse a pareceria, por sua natureza, determinante do entendimento que a integralidade da receita recebida pela operadora visitante fosse própria, e os valores pagos à visitada custo da primeira, desnecessário seria a revelação, ao usuário, dos valores pagos à visitada. Tal relação comercial não poderia ser, em tese, oposta ou sofrer interferência do Poder Público ou do usuário, restando protegida pela privacidade. E é consabido que não é este o caso. A profunda regulamentação existente não deixa margens de liberalidade. Pelo menos não a ponto de permitir que se entenda, juridicamente, ser a receita recebida do usuário como própria, definindo a repassada à visitada como custo. Para finalizar, trago à colação excertos do voto que proferi no Recurso no 123057, processo n° 10980.009821/200249, acórdão n° 20177020, e que guardam intimidade com os conceitos aplicáveis ao presente caso e que transcrevo abaixo: “O faturamento é conceito com fundamento e efeito jurídicos e não pode expandirse para albergar qualquer ingresso no caixa do contribuinte. Lembro de opinião que manifestei em discussão em processo onde se analisava a incidência do PIS sobre receita de aluguel de imóveis próprios, considerando que, se a atividade se inseria nos objetivos do contribuinte como atividade econômica, a contribuição era devida, visto que ocorrente faturamento. Contrario sensu, se a atividade não era precípua do contribuinte e o aluguel limitavase ao aproveitamento de bem ocioso, não ocorria o fenômeno.” “Reitero, portanto, que o faturamento ocorre quando existe intimidade entre o ato praticado e a atividade exercida efetivamente pelo contribuinte.” “Para bem pautar a discussão, devo repelir os fundamentos defendidos pela autoridade fiscal para desmontar os argumentos defendidos sobre a natureza e a limitação do serviço prestado. Disse a autoridade fiscal, abençoada pela decisão recorrida, que o tratamento dado pelo ICMS demonstrava claramente a extensão do ingresso da receita, como pertencente ao contribuinte, restando o valor do repasse das apregoadas sub contratação ou terceirização como irrelevantes para afastar a incidência do tributo objeto do presente processo sobre o valor total recebido. Ainda que possa ser considerável o argumento, o mesmo não se sustenta. Não se pode pretender justificar a incidência de determinado tributo com base em requisito formal (conhecimento de transporte) estabelecido por outro tributo, mormente de outro ente tributante e com fato gerador específico e diverso. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 10 Igualmente irrelevante a não regulamentação e posterior revogação do inciso III, do § 2º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que afasta da tributação, verbis: “os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica”. Desde sempre defendi ferrenhamente que esta norma é inócua quando comprovadamente os ingressos que a referida regra chama de receita forem destinados a outro contribuinte, por força de prestação de serviço autônomo ou até venda de mercadoria na mesma condição. Este entendimento em meritória homenagem ao artigo 114 do CTN que estabelece a necessidade e suficiência da situação prevista em lei para a ocorrência do fato gerador como determinante para fazer surgir a obrigação tributária. Uso como exemplo as operações perpetradas pelas agências de viagem e de publicidade, que recebem, por responsabilidade, valores referentes a serviços prestados por outrem (hotéis, traslados, transportes públicos e veiculação de publicidade por meio de jornais, revistas, rádios e TVs) que, consagradamente, não constituem o fato gerador das obrigações do PIS e da COFINS. Por penúltimo e em homenagem à minúcia, nem mesmo a amplitude estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da lei há pouco citada serve como suporte para pretender exigir a contribuição guerreada. Diz a norma: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Atentese para os requisitos da regra. A mesma estabelece como elemento nuclear do fato gerador o faturamento. Especifica que tal constituise na receita bruta, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada para definila. Quer dizer a regra que basta ser receita para que o faturamento se aperfeiçoe e faça infletir não somente o PIS como igualmente a COFINS. Data venia, constato aí questão fulcral. Não admito que qualquer ingresso de valor nos cofres do contribuinte se constitua em receita decorrente de faturamento. Temos nesta assertiva duas figuras distintas. Uma é o ingresso. A outra é a receita. Toda a receita decorre de um ingresso de valores. A recíproca, indene de dúvidas, não é verdadeira. Uso exemplo pontual, ainda que singelo, para ilustrar a conclusão: A devolução, pelo sócio, de um empréstimo feito ao mesmo pela pessoa jurídica é um ingresso de valor. No entanto, não é receita decorrente de faturamento. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.000722/200334 Acórdão n.º 330200.795 S3C3T2 Fl. 6 11 Demonstro, por tal, que o conceito de receita deve vincularse a um ganho da empresa, decorrente de uma atividade plenamente afeiçoada aos seus objetivos sociais a as suas atividades operacionais. Reitero que, no presente caso, a receita auferida é a decorrente do agenciamento, pela ocorrência das premissas citadas.” “Para espancar de vez as dúvidas e por derradeiro, trago preciosa e recentíssima lição legada no RESP nº 411.580, julgado em 08 de outubro de 2002, provido à unanimidade, cuja ementa transcrevo: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. 1. A empresa que agencia mãodeobra temporária age como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho. 2. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nestas “intermediações”. 3. O implemento do tributo em face da remuneração efetivamente percebida conspira em prol dos princípios da legalidade, justiça tributária e capacidade contributiva. 4. O ISS incide, apenas, sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas, que pressupõem o reembolso. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários. Precedentes do E STJ acerca da distinção. 5. A equalização, para fins de tributação, entre o preço do serviço e a comissão induz a uma exação excessiva, lindeira à vedação ao confisco. 3. Recurso especial provido”. (grifo do relator). A certa altura do voto do eminente relator, este, citando voto anterior do Ministro José Delgado, assim se manifesta: “Em conseqüência do explicitado, a recorrente, ao agenciar fornecimento de trabalhador temporário ao tomador de seus serviços, recebe: a) a taxa de agenciamento pela prestação dos serviços que lhe são solicitados; b) os valores dos salários dos trabalhadores temporários e os encargos sociais pertinentes, haja vista que, por força de lei, fica Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 12 responsável pelo pagamento dessas quantias a que prestou trabalho temporário e pela previdência social. Para desempenhar essa atividade de agenciamento de mãode obra temporária, a recorrente possui um quadro de servidores permanentes que lhe prestam serviços. Mantém, por outro ângulo, cadastro contendo nomes de trabalhadores temporários, que não são seus empregados permanentes, os quais são convocados quando terceiros lhe solicitam esse tipo de mão de obra. A remuneração bruta que a recorrente recebe, portanto, pelo serviço que lhe foi solicitado, é a taxa de agenciamento”. Na esteira, o relator supra referenciado parafraseia texto de Eduardo Bottalho, do qual retiro excertos: “3. ENTRADAS, RECEITAS E BASE DE CÁLCULO DO ISS. É pois neste contexto que se coloca a distinção entre “ entradas” e “ receitas”, de inegável importância para o exame do tema. As entradas são valores que, embora transitando graficamente pela contabilidade das prestadoras, não integram seu patrimônio e, por conseqüência, são elementos incapazes de exprimir traços de sua capacidade contributiva, nos termos em que exige a Constituição da República (art. 145, § 1°). As receitas, ao contrário, correspondem ao benefício efetivamente resultante do exercício da atividade profissional. Passam a integrar o patrimônio das prestadoras. São exteriorizadoras de sua capacidade contributiva”. Feitas tais considerações, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional.” (destaquei) Ante o exposto, CONHEÇO do presente recurso voluntário para o fim de DAR PARCIAL PROVIMENTO à defesa apresentada, reconhecendo a ocorrência da decadência parcial dos autos, bem como a impossibilidade de tributarse valores que não representam receita da Recorrente, mas simples ingresso de valores. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, designado em relação ao mérito Quanto ao mérito, devese esclarecer, inicialmente, que o dispositivo do art. 3º, § 2º, III, da Lei n o 9.718, de 1998, foi revogado. Textualmente, determinava o seguinte o dispositivo: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.000722/200334 Acórdão n.º 330200.795 S3C3T2 Fl. 7 13 “§ 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo.” Portanto, determinava a lei que os valores “computados como receita” pudessem ser excluídos da base de cálculo, o que significa, irretorquivelmente, que se tratava de valores que, em princípio, já faziam parte da base de cálculo. É elementar que, para que fossem “computados como receita”, tais valores representavam receita da pessoa jurídica que os registrava. Portanto, tratase de uma exclusão da base de cálculo que representava isenção. Uma isenção que, para ser efetiva, dependeria de regulamentação do Poder Executivo, que nunca ocorreu. Por isso mesmo, a jurisprudência dos antigos Conselhos de Contribuintes firmouse no sentido de reconhecer que se tratava de uma norma que, para ser aplicada, dependeria de regulamentação, o que nunca ocorreu. A revogação do referido dispositivo, ademais, não infringiu a anterioridade, uma vez que nunca teve aplicação. A consideração de que a prestação de serviços aos clientes de outras concessionárias seria obrigação das empresas ferroviárias, a teor dos arts. 3º e 4º da Resolução nº 433/2004 da ANTT é equivocada. O tráfego mútuo, por definição, diz respeito ao complemento da prestação de serviço da concessionária que contratou o serviço com seu cliente. Assim, em nenhum momento a concessionária que presta o serviço ao usuário do transporte ferroviário deixa de ser a prestadora desse serviço. Ocorre que a concessionária em cuja malha ferroviária o serviço deva ser finalizado é obrigada a suportar o ônus do serviço prestado, mediante remuneração paga pela concessionária prestadora do serviço ou compensação financeira recíproca. De fato, tratase de questão bastante semelhante à do “roaming”, conforme alegou o recorrente. Discordo, entretanto, da interpretação dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais à questão, por se haver baseado, principalmente, na forma de prestação de serviço, especificamente quanto aos seus limites geográficos, considerando que a concessionária contratante do serviço não poderia prestálo fora da área de sua atuação. Entretanto, a realidade jurídica é outra, a começar pela legislação que rege a matéria. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 14 Conforme já esclarecido, é certo que a concessionária que cede sua malha, equipamentos etc. presta serviços na sua área de atuação. Entretanto, de acordo com a legislação que rege a matéria, o serviço é prestado à outra concessionária, pelo uso de sua malha, equipamentos etc. O único contrato de prestação de serviço ferroviário firmado com o usuário contratante é o efetuado com a concessionária de origem. O ônus suportado pela outra concessionária é regulado por direito autônomo. Basta que se considere a seguinte hipótese: quem seria o titular da ação judicial de cobrança, no caso de não pagamento pela prestação de serviço pelo usuário final? É evidente, em razão dos contratos firmados, que seria a recorrente. Ademais, o fato de o usuário tornarse inadimplente não afeta em nada a obrigação da recorrente, nessa hipótese, de remunerar ou compensar financeiramente a outra concessionária. São contratos distintos e que dão origens a obrigações próprias e autônomas e, portanto, dão origem a receitas distintas. A alegação de que a receita recebida do usuário contratante é de terceiros e que o recorrente agiria como mero repassador de recursos não se sustente, por que não é essa a realidade jurídica existente. Nesse contexto, não se pode confundir cumulatividade com “bis in idem”, uma vez que se trata de receitas de diferenças pessoas jurídicas. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso em relação à matéria em questão, acompanhando a relatora em relação às demais. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto As empresas concessionárias do serviço de transporte ferroviário, dentro de seu específico e peculiar contexto operacional, possuem, nas operações de partilha de frete, os institutos do Tráfego Mútuo e do Direito de Passagem, previstos no art. 2º da Resolução ANTT 433, de 17 de fevereiro de 2004, que se referem ao uso da malha ferroviária, de infraestrutura e/ou de serviços de outra concessionária ferroviária, em troca de contraprestação financeira. As concessionárias ferroviárias “cedidas” (as que necessitam utilizarse da malha ferroviária de outra concessionária) não devem registrar o recebimento das receitas de serviços de transporte ferroviários na receita bruta. Neste montante estão compreendidos os valores que serão repassados à concessionária ferroviária “cedente” da malha ferroviária, pelo tráfego mútuo ou direito de passagem. Tais valores, por representarem meros ingressos da pessoa jurídica, não devem ser registrados como receitas, tal como dispõe a NPC nº 14 abaixo transcrita: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.000722/200334 Acórdão n.º 330200.795 S3C3T2 Fl. 8 15 “Receita inclui somente a entrada bruta dos benefícios econômicos recebidos e a receber pela empresa em transações por conta própria. Importâncias cobradas por conta e em favor de terceiros, tais como impostos sobre vendas, mercadorias e serviços e impostos de valor agregado, não são benefícios econômicos que fluem para a empresa e não resultam em aumentos no patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita. Semelhantemente, no contexto de um relacionamento como agente ou administrador, a entrada bruta dos benefícios econômicos inclui as importâncias cobradas em favor de quem outorgou os poderes para cobrar e que não resultam em aumentos no patrimônio líquido da empresa. As importâncias cobradas em favor de terceiros (o outorgante) não constituem receita. Nesse caso, a receita é, se houver, o valor da comissão pelos serviços prestados.” Dessa forma, no caso das Operações de Partilha de Frete – e suas subdivisões Tráfego Mútuo e Direito de Passagem – as receitas auferidas pela concessionária ferroviária “cedida” serão arrecadadas e repassadas à concessionária ferroviária “cedente” (outorgante). Assim, funcionam como “Deduções da Receita Bruta”. Sob a ótica da concessionária ferroviária “cedente”, as receitas auferidas decorrentes do tráfego mútuo são registradas em conta de receita bruta própria, que deverá individualizar e especificar sob qual modalidade se refere (tráfego mútuo e/ou direito de passagem). E, uma vez que a estrutura ferroviária utilizada é de sua propriedade, é este agente quem suporta os custos do uso da malha, registrandoos contabilmente nas contas de Custo do Serviço Prestado. Entendo, nesse sentido, que, sob a égide da Lei nº 9.718/98, os ingressos decorrentes do denominado direito de passagem devem ser tributados pelo líquido auferido ao final de cada período, em sendo obrigatório por força de disposição da Agência Reguladora. Finalmente, nesse caso, ainda que os I. Conselheiros entendam no sentido de ser esta uma receita, seria uma receita de “outra natureza”, enquadrandose no art. 3º § 1º da aludida Lei, julgado peremptoriamente inconstitucional pelo E. STF. Cuja observância devemos acatar na forma do Art. 543B do Código de Processo Civil e do Art. 62A do RICARF. Isso posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntario. (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 15DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, As sinado digitalmente em 05/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10831.003216/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 13/07/2004
MULTA REGULAMENTAR POR DESCUMPRIMENTO DE PRAZO DE REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. INDEFERIMENTO DO PRAZO DE PRORROGAÇÃO TORNADO SEM EFEITO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CANCELAMENTO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
Se em cumprimento de decisão judicial transitada em julgado, a decisão de indeferimento de prorrogação do prazo do regime de admissão temporária foi tornada sem efeito pela autoridade fiscal e deferidos os pedidos de prorrogação de prazo do regime, deixou de existir o fato que respaldava a aplicação da multa por descumprimento do referido regime aduaneiro especial e, por conseguinte, a cobrança da referida multa tornou-se indevida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Ausência momentânea do Conselheiro José Paulo Puiatti.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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INDEFERIMENTO DO PRAZO DE PRORROGAÇÃO TORNADO SEM EFEITO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CANCELAMENTO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Se em cumprimento de decisão judicial transitada em julgado, a decisão de indeferimento de prorrogação do prazo do regime de admissão temporária foi tornada sem efeito pela autoridade fiscal e deferidos os pedidos de prorrogação de prazo do regime, deixou de existir o fato que respaldava a aplicação da multa por descumprimento do referido regime aduaneiro especial e, por conseguinte, a cobrança da referida multa tornouse indevida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 32 16 /2 01 0- 88 Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Ausência momentânea do Conselheiro José Paulo Puiatti. Relatório Trata de Auto de Infração (fls. 5/7), em que formalizada a constituição de crédito tributário no valor total de R$ 5.129.699,85, referente a multa por descumprimento de prazo do regime de admissão temporária e multa de R$ 5.000,00, por não apresentação de resposta, no prazo estipulado. De acordo com a Descrição dos Fatos que integra o Auto de Infração, os motivos da aplicação das multas foram os seguintes: a) a autuada tinha 30 (trinta) dias da ciência do indeferimento do pedido de prorrogação da permanência do bem no País, para iniciar o despacho de reexportação do bem, nos termos do item 12 do art. 15 da IN/SRF º 285, de 14 de janeiro de 2003,; b) o beneficiário do regime de admissão temporária não adotou nenhuma das providências previstas no art. 15 da citada IN; c) o regime de admissão temporária da aeronave marca AIRBUS, tipo A319132, número de série 0976, encontravase vencido desde 12/7/2004; e d) a contribuinte não tomara as providências para extinção do regime, conforme determinava o art. 319 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002) e o art. 15 da IN/SRF nº 285, de 14 de janeiro de 2003, nem apresentou resposta, no prazo estipulado, à feita fiscalização. Em sede de impugnação, a autuada alegou que: a) em 22/06/2004, com prorrogação já autorizada anteriormente, foi protocolado, tempestivamente, pela impugnante perante a autoridade fiscal responsável da Alfândega (ALF) da Receita Federal do Aeroporto Internacional de Viracopos, novo pedido de prorrogação do regime de admissão temporária, já que o prazo do regime antes concedido, que estava em pleno vigor, expirarseia em 12/07/2004; b) em 28/04/2004, o pedido da impugnante fora indeferido, sob a justificativa de se tratar de arrendamento mercantil, enquadrado no art. 331 do Regulamento Aduaneiro, sujeitandose ao regime comum de importação; c) considerando que no momento do ingresso da aeronave no País a própria Alfândega de Viracopos, em análise da documentação, constatou que se tratava de arrendamento (simples aluguel, também conhecido como arrendamento operacional, e, portanto, totalmente diverso do contrato previsto no art. 331 do Regulamento Aduaneiro), a impugnante, em 13 de julho do mesmo ano, formulou um pedido de revisão ao indeferimento do pedido de prorrogação de admissão temporária; d) após o pedido de revisão formulado, a impugnante foi intimada para apresentar o contrato de arrendamento, com todas as suas cláusulas, sem omissão de texto,. De forma a possibilitar a conclusão de que o negócio jurídico é um simples contrato de arrendamento – “simples aluguel” e não um contrato de arrendamento mercantil. Foi então que a impugnante juntou exatamente o mesmo contrato apresentado quando da admissão temporária das aeronaves, que é um contrato padrão; e) ao contrário do entendimento da d. fiscalização, a impugnante jamais apresentou contrato com omissão de texto; Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10831.003216/201088 Acórdão n.º 3102002.334 S3C1T2 Fl. 1.280 3 f) como o citado contrato era já de conhecimento da autoridade fazendária, a impugnante não teceu maiores esclarecimentos, sendo surpreendida com o despacho, mantendo o indeferimento da prorrogação de prazo, sob fundamento de que o contato apresentado não esclarecia a dúvida suscitada, já que as cláusulas, sem omissão de texto, não foram reveladas, persistindo a indefinição quanto à natureza do contrato celebrado entre a arrendatária e a arrendadora; g) inconformada, a impugnante recorreu de tal decisão, tendo sido novamente surpreendida pela posição da autoridade administrativa que ratificou o indeferimento do pedido de prorrogação do regime aduaneiro especial de admissão temporária, mantendose o entendimento que tratavase de regime comum de importação, nos termos do art. 17 da Lei 6.099/1974, com redação dada pela Lei 7.132/1983 e no art. 331 do Decreto 4.543/2002; h) em 12 de abril de 2007, a autuada recebeu a intimação EQAET nº 115/2007, a qual determinou o prazo de 10 dias para apresentar a documentação que comprova a reexportação ou nacionalização do bem e comprovar o pagamento da multa capitulada no inciso I, do art. 72 da Lei 10.833/2003, caso não tenha sido tomada esta providência; i) a exigência revelavase absolutamente arbitrária e despida de qualquer fundamentação e o Auto de Infração era irremediavelmente nulo, porquanto prescinde de elementos essenciais ao exercício pleno do direito ao contraditório e ampla defesa; j) na descrição dos fatos e enquadramento legal, constante da autuação, a fiscalização deixara de especificar o dispositivo legal em que se fundava a aplicação da multa, discriminando, apenas os requisitos/condições e prazos estabelecidos no regime aduaneiro de admissão temporária; l) a legislação mencionada no corpo do auto de infração nada dizia sobre a multa aplicada no presente caso. Apenas versava sobre o regime de admissão temporária e extinção de sua aplicação, caso verificasse descumprimento dos requisitos, condições e prazo estipulados; m) no mérito, importante discutir a distinção entre o arrendamento simples e o arrendamento mercantil. O arrendamento simples não havia a transferência de titularidade do bem, pois o arrendatário apenas utilizava o bem arrendado. Tais considerações são muito próximas ao que dispõe o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei 7.565/86) acerca dos contatos sobre AERONAVES; n) a impugnante firmou contrato com Instituição Financeira no exterior para arrendamento da aeronave em questão, sendo que a referida instituição é proprietária desta. Após o prazo previsto em contrato, para a utilização das aeronaves, estas eram devolvidas às instituições financeiras, que certamente celebrariam novos contratos de arrendamento com outras empresas aeronáuticas, normalmente com aquelas localizadas em países como Arábia Saudita; o) o art. 137 do Código Brasileiro de Aeronáutica disciplinava o arrendamento mercantil. A distinção entre as duas operações se formalizava nos requisitos de cada uma: o arrendamento simples previa expressamente a devolução do bem, sendo uma espécie de aluguel, mediante a contraprestação para seu uso e gozo, enquanto que o arrendamento mercantil previa a existência de cláusula de opção de compra ou de renovação Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 contratual, como faculdade de arrendatário, que era a mesma característica do arrendamento mercantil previsto na Lei 6.099/1974; p) a Lei 6.099/74, por sua vez, instituíra uma modalidade específica de arrendamento, denominado mercantil, no qual nos termos do art. 2º, § 2º, da Lei 6.099/1974, somente faziam jus ao tratamento da lei as operações realizadas por empresas arrendadoras que fizessem dessa operação o objeto principal de sua atividade, ou que centralizassem tais operações em um departamento com escrituração própria. Tratavase do arrendamento realizado por empresas de leasing, que não era o caso do presente arrendamento; q) por fim, cabia mencionar que o art. 331 do Regulamento Aduaneiro reproduz a redação do art. 17 da Lei 6.099/1974, segundo o qual não se aplicava o regime de admissão temporária ao arrendamento mercantil, isto é, o previsto na Lei 6.099/1974. Se o arrendamento em questão não se enquadrava no arrendamento desta Lei, como demonstrado acima, não havia que se falar na incidência do art. 331 do Regulamento Aduaneiro, mas sim dos arts. 324 e seguintes do Regulamento Aduaneiro; r) o contrato em questão tratase de arrendamento e não arrendamento mercantil de aeronave, na forma em que foi assinado em 2/7/1999, com duração de 60 meses e prorrogado por mais 34 meses, concluindose pelo reconhecimento dos requisitos necessários para a prorrogação do regime de admissão temporária como pretendido pela impugnante; s) sendo perfeitamente possível a prorrogação do regime de admissão temporária, não havia que se falar em aplicação de multa de 10% do valor aduaneiro da mercadoria submetida ao regime aduaneiro de admissão temporária, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime; t) a multa descrita no artigo 72, I, da Lei 10.833/2003 era completamente descabida, uma vez que as aeronaves foram trazidas para o Brasil através de contrato de simples arrendamento, não se tratando, como pretende a Receita Federal, de leasing ou arrendamento mercantil; u) a multa de R$ 5.000,00 prevista na alínea “c” do inciso IV do artigo 107, do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/2003, foi aplicada em razão de suposto descumprimento a apresentação de resposta à Intimação EQAET nº 115/06, dentro do prazo legal, entretanto a autoridade fiscalizadora ignorou a informação de que a impugnante, em razão da discordância com o indeferimento da prorrogação do prazo, ajuizou ação ordinária nº 2007.61.05.0048061, perante a Justiça Federal de Campinas, a fim de que fosse declarado o direito com relação ao regime de admissão temporária, vez que presentes todos os requisitos para sua concessão; v) ao contrário do que alegou a d. fiscalização, tal manifestação foi tempestiva. Contandose o prazo de 10 (dez) dias para manifestarse acerca a intimação, recebida em 12/4/2007, o prazo findase em 23/4/07, data da postagem da manifestação, enviada pelo Correio (vide Ato Declaratório Normativo COSIT nº19, de 26/5/1997); x) ao final, requereu fosse acolhida a impugnação e fosse declarado nulo o Auto de Infração. Em 25/8/2010, foi proferido a decisão o Acórdão de nº 43.962, em que foi decido não conhecer da impugnação no tocante à multa pelo descumprimento dos requisitos do regime de admissão temporária, em razão da matéria ter sido levada à apreciação do Poder Judiciário, por meio do Mandado de Segurança nº 2007.61.05.0143173, e também da Ação Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10831.003216/201088 Acórdão n.º 3102002.334 S3C1T2 Fl. 1.281 5 Ordinária nº 2007.61.05.00480861. Quanto a multa por não atendimento à intimação, a impugnação foi julgada improcedente. Em 11/10/2010, a interessada apresentou recurso voluntário contra a referida decisão, porém foi negado seguimento ao recurso, em face do que fora decidido no Acórdão de nº 1743.962. Desse despacho de indeferimento, a interessada tomou ciência em 10/11/2010. Em face da decisão da decisão, proferida em 10/12/2010, no Mandado de Segurança nº 001743619.2010.403.6123, em tramitação na 8ª Vara Federal em Campinas/SP, que indeferiu a medida liminar, nos termos do dispositivo da decisão, que segue transcrito: Tratase de mandado de segurança impetrado por TAM LINHAS AÉREAS S/A, qualificada na inicial, contra ato do Inspetor, em princípio, o indeferimento no seguimento do recurso voluntário da impetrante em relação à multa por descumprimento do regime de admissão temporária, objeto da ação judicial nº 2007.61.05.0048061 que tramita na 4ª Vara desta Subseção está conforme a legislação e pacífica jurisprudência. Ante o exposto, INDEFIRO a liminar vindicada. Em 3/3/2011, nos autos do Mandado de Segurança de nº 001736 19.2010.403.6123, em tramitação da 8ª Vara Federal de Campinas, foi exarada a seguinte decisão: Pelo exposto, CONCEDO A SEGURANÇA para determinar à autoridade impetrada o recebimento e o processamento regular do Recurso Voluntário interposto pela impetrante (fls. 70/90), bem como para determinar que o órgão recursal proceda a sua análise no prazo de 60 dias, a contar da intimação desta sentença. Em cumprimento a citada decisão judicial, o processo foi encaminhado a este Conselho, para apreciação do recurso voluntário, que, por intermédio do Acórdão de nº 3102 001.136, de 7/7/2011, foi decidido anular o processo de nº 10565.000470/2007 “a partir da decisão de primeira instância, inclusive, a fim de que sejam enfrentadas as alegações relativas a ambas as multas imposta ao Sujeito Passivo.” Em 16/3/2012, a interessada apresentou, perante a Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, a petição de fls. 1099/1111, informando que a Ação Ordinária nº 2007.61.05.0048061 fora julgada pela 6ª Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região e que no acórdão prolatado, obteve êxito na questão, tendo sido reconhecido o direito à prorrogação do regime de admissão temporária em destaque. Em 30/4/2012, a interessada compareceu novamente ao processo (fls. 1114/1117), para informar que referido acórdão transitara em julgado em 13/4/2012, tornando o acórdão que reconheceu o direito à prorrogação do regime de admissão temporária definitivo, conforme certidão anexada aos autos (fls. 1118/1119). Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1121/1141), em que, por maioria de votos, a impugnação foi julgada improcedente em parte e mantida apenas a multa por descumprimento do prazo do regime de admissão temporária, prevista no art. 72, I, da Lei Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 10.833/2003, com base nos fundamentos resumido nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 05/07/1999 ADMISSÃO TEMPORÁRIA Cabível a aplicação da multa prevista no inciso I, do art.72 da Lei n 10.833/2003, pelo descumprimento de condições/requisitos estabelecidos na aplicação do regime de admissão temporária relativamente ao bem importado e que ingressou no referido regime. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 23/04/2007 NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. PENALIDADE. NÃO CABIMENTO Documento encaminhado via postal, hipótese em que é considerada como data da entrega o dia da postagem, conforme entendimento fixado no Ato Declaratório Normativo nº 19 de 26.05.1997, expedido pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação Cosit. Em 28/5/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão (fl. 1152). Inconformada, em 15/6/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 1158/1177, em que reafirmou os argumentos aduzidos na peça impugnatória. Em aditamento alegou a impossibilidade de aplicação da multa por descumprimento do prazo do regime de admissão temporária, prevista no art. 72, I, da Lei 10.833/2003, com base nos seguintes argumentos, em preliminar que: a) com o trânsito em julgado da decisão proferida no âmbito da citada Ação Ordinária, restara reconhecido o seu direito à prorrogação do citado regime de admissão temporária, inclusive, tendo a própria unidade da Receita Federal de origem, em decorrência do que fora decidido na citada Ação, tornado sem efeito a decisão de indeferimento do pleito de prorrogação formulado pela recorrente e que motivara a imposição da multa da mencionada multa; b) era completamente inaceitável que o mesmo Órgão público proferisse duas decisões contraditórias, a saber: a que proferida nos autos do processo nº 10831.003348/9989, que reconhecera o direito de prorrogação do prazo de regime, e a prolatada neste processo, que manteve a multa em questão sob o fundamento de que a aeronave estava irregular desde a prolação da decisão citada decisão denegatório do referenciado pedido de prorrogação. No mérito, alegou que, uma reconhecido judicialmente que o contrato em questão tratavase de arrendamento simples e o direito à prorrogação do regime de admissão temporária, qualquer decisão contrária era ilegal por afronta a norma individual e concreta proferida nos autos do processo judicial citado, bem como ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada, previstos no art. 5º, XXXVI, da CF/1988, conforme determina o art. 471 do CPC. É relatório. Voto Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10831.003216/201088 Acórdão n.º 3102002.334 S3C1T2 Fl. 1.282 7 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese apenas à imputação da multa por descumprimento do prazo do regime da admissão temporária, prevista no art. 72, I, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 72. Aplicase a multa de: I 10% (dez por cento) do valor aduaneiro da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, ou de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime; [...] (grifos não originais) De acordo com o Termo de Descrição dos Fatos de fls. 11/16, a aplicação da referida penalidade foi motivado pelo fato de a beneficiária não ter tomada as providências determinadas, no artigo 319 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002) Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 e no art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 285, de 14 de janeiro de 2003, para fim de extinção do regime aduaneiro especial de admissão temporária da aeronave marca AIRBUS, tipo A319132, número de série 0976, importado por meio da Declaração de Importação (DI) nº 99/05457577, após esgotado o prazo 30 (trinta) dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu o pedido de prorrogação do referido regime, sob o fundamento de que o contrato celebrado pela recorrente não era arredamento operacional, mas de arredamento mercantil, enquadrado no art. 331 do RA/2002, sujeito a regime de importação comum. Entretanto, após a lavratura do questionado Auto de Infração, no âmbito dos autos da Ação Ordinária nº 2007.61.05.0048061, a Sexta Turma do TRF3, no julgamento da Apelação Civil nº 0004806332007.4.036105/SP, rejeitou a tese de que o contrato que amparava a operação de importação da aeronave era de arrendamento mercantil, mas sim de arrendamento operacional. E com base nesse entendimento, a citada Turma reconheceu o direito da recorrente à prorrogação do referenciado regime de admissão temporária, nos termos dos enunciados da ementa que seguem transcritos: APELAÇÃO CÍVEL REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA DE AERONAVES ART. 326 DO REGULAMENTO ADUANEIRO (DECRETO Nº 4.543/2002) CONTRATO DE ARRENDAMENTO FIRMADO COM INSTITUIÇÃO FINANCEIRA ESTRANGEIRA PARA AQUISIÇÃO DAS AERONAVES POSSIBILIDADE ART. 127 DO CÓDIGO BRASILEIRO DE AERONÁUTICA HIPÓTESE DE ARRENDAMENTO MERCANTIL NÃO CARACTERIZADA. 1 O agravo regimental interposto em face da decisão do Relator que indeferiu o pedido de antecipação de tutela recursal resta prejudicado, diante do julgamento que ora se realiza. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 2 Consoante dispõe a Lei nº 6.099, de 12.09.1974, para a caracterização do contrato de arrendamento mercantil, a opção de compra do bem arrendado ou de renovação do contrato deve estar sempre presente. Vale dizer, nesse contrato o arrendatário deve sempre ter o direito de optar pela compra do bem ou pela renovação do contrato. Caso opte pela compra, deve haver no contrato cláusula estipulando o preço do bem (valor residual) ou, ao menos, critério para sua fixação. 3 É da essência do contrato de arrendamento mercantil a cláusula de opção de compra ou de renovação do contrato, como faculdade do arrendatário. 4 No caso em exame, os contratos celebrados pela apelante não contêm cláusula de opção de compra ou de renovação do contrato como faculdade da arrendatária. Ao contrário, preveem expressamente que as aeronaves deverão ser devolvidas à sua proprietária. Logo, não se pode falar que tais contratos sejam de arrendamento mercantil. 5 O Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei nº 7.565, de 19.12.1986), por sua vez, prevê as duas modalidades de arrendamento (operacional e mercantil) dispondo, em relação ao arrendamento operacional (sem assim o qualificar) que "dá se o arrendamento quando uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado, o uso e gozo de aeronave ou de seus motores, mediante certa retribuição" (art. 127). Os contratos celebrados pela apelante amoldamse à figura do arrendamento operacional previsto no art. 127 do Código Brasileiro de Aeronáutica, e não ao arrendamento mercantil, previsto no art. 137 desse Código. 6 Não há na legislação vedação de que, no caso do arrendamento operacional, a arrendadora seja instituição financeira, não sendo esse fato o de ser a arrendadora uma instituição financeira suficiente para caracterizar a operação como arrendamento mercantil, como entenderam a autoridade alfandegária, ao interpretar o art. 17 da Lei nº 6.099/74, e o juízo a quo, que acolheu o argumento. 7 Concluise, portanto, que os contratos celebrados entre a apelante e sua assistente são contratos de arrendamento, na forma do art. 127 do Código Brasileiro de Aeronáutica, e não de arrendamento mercantil, tendo a apelante, portanto, o direito à prorrogação do regime de admissão temporária, na forma prevista no art. 326 do Regulamento Aduaneiro. 8 Agravo regimental prejudicado. Apelação a que se dá provimento. (grifos não originais) Para que não reste qualquer dúvida acerca do teor do alcance da citada decisão judicial, transcrevese a seguir a conclusão extraída do voto condutor do julgado: Posto isso, JULGO PREJUDICADO o agravo regimental de fls. 1.687/1.700 e DOU PROVIMENTO à apelação para, reformando a sentença de fls. 1.551/1.558, julgar procedente a demanda para o fim de reconhecer o direito da autora à prorrogação do regime de admissão temporária das aeronaves Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10831.003216/201088 Acórdão n.º 3102002.334 S3C1T2 Fl. 1.283 9 AIRBUS A319132, números de série 0976 e 1010, pelo mesmo prazo de prorrogação do contrato de arrendamento, conforme disposto no art. 326 do Regulamento Aduaneiro. Como consequência, inverto os ônus da sucumbência e, com fundamento no art. 20, § 4º, do Código de Processo Civil, condeno a ré ao pagamento de honorários advocatícios em favor da autora, os quais fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa, assim como à assistente da autora, fixados estes em 5% (cinco por cento) do valor atualizado da causa, considerando sua atividade no processo. (grifos não originais) O referido acórdão transitou em julgado em 13/4/2012, tornando a decisão definitiva, conforme certidão anexada aos autos (fls. 1102/1103), não sendo passível de alteração, nos termos do art. 5º XXXVI, da CF/1988, e arts. 467 a 474 do CPC. Além disso, em decorrência da mencionada decisão judicial, por meio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 1213/1214, questionada decisão de indeferimento o pleito de prorrogação do regime fora tornada sem efeito pela autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem e deferidas as prorrogações solicitadas pela recorrente. Dessa forma, resta cabalmente demonstrado que deixou de existir o motivo da aplicação da multa em apreço, devendo ser cancelada integralmente, por falta de fundamentação fática. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO DO RECURSO, para excluir a multa por descumprimento do prazo do regime da admissão temporária, prevista no art. 72, I, da Lei 10.833/2003. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10120.009557/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.602
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ANDRÉ LUIZ BAPTISTA LINS ROCHA.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Oracy Cavalcante Milhomens, OAB-GO nº 26.624.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Oracy Cavalcante Milhomens, OABGO nº 26.624. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 09 55 7/ 20 09 -4 0 Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, ANDRÉ LUIZ BAPTISTA LINS ROCHA, foi lavrado, por Auditor Fiscal da DRF/Goiânia GO, o Auto de Infração de fls.545/560, cuja ciência se deu em 31/08/2009. O valor do crédito tributário apurado é de R$1.219.743,77, e está assim constituído em Reais: Imposto............................................................ 529.724,56 Juros de Mora (Calculado até 31/07/2009)....... 292.725,79 Multa Propor rcional (Passível de Redução)....... 397.293,42 Total do Crédito Tributário............................... 1.219.743,77 DA AUTUAÇÃO O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originou se na constatação das seguintes infrações: Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em Instituição financeira, em relação aos quais, o fiscalizado, regularmente intimado, não comprovou, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Classificação indevida de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que o contribuinte não teria demonstrado que os rendimentos auferidos de diversas pessoas jurídicas corresponderiam a lucros distribuídos nos termos previstos na legislação tributária. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 30 de setembro de 2009, impugnação ao lançamento, às fls.577/188, mediante as alegações relatadas, resumidamente, a seguir: Alega ter atendido a todas as intimações feitas pela fiscalização, explicando a origem dos rendimentos isentos auferidos a título de lucros distribuídos por pessoas jurídicas informados na Declaração de Ajuste Anual, totalizando R$1.000.324,02. As empresas envolvidas também teriam sido intimadas e prestaram os esclarecimentos solicitados pelos autuante. Posteriormente, o sujeito passivo teria sido intimado a apresentar os extratos bancários com base nos quais o agente fiscal elaborou demonstrativos de depósitos bancários efetuados em suas contas correntes, cujas origens deveriam ser justificados pelo contribuinte com base em documentação hábil e idônea. Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 4 3 Apresentadas as justificativas e provas, o interessado teria sido cientificado do Auto de Infração ora contestado. Explica o que seria uma Sociedade em Conta de Participação – SCP, constituída por um sócio ostensivo (no caso pessoa jurídica) e sócios ocultos (entre eles o contribuinte). Essas sociedades não teriam personalidades jurídicas próprias, mas seriam equiparadas a pessoas jurídicas para todos os fins, inclusive no que tange à opção da forma de tributação e à distribuição de lucros para os sócios, sendo que o lucro distribuído não seria tributável do mesmo modo que acontece com as pessoas jurídicas normais. As SCP podem ter contabilidades separadas ou conjuntas com as sócias ostensivas, sendo que os tributos e demais obrigações cabem às sócias ostensivas, que têm personalidades jurídicas. Entende que a Fiscalização teria fundamentado o lançamento nas seguintes premissas básicas: a) Os lucros distribuídos pelas SCP a título de rendimentos isentos, totalizando R$1.000.324,02, informados pelo contribuinte na DIRPF, não apresentavam idêntica correspondência com as informações, de igual natureza tributária, consignadas pelas SCP nas suas DIPJ 2005/2004; b) Falta de clareza no que tange à obtenção dos resultados pelas SCP, além de inconsistências quanto à composição social dessas empresas, à participação societária, não restando comprovado, de forma inequívoca, a efetiva segregação dos resultados de cada SCP; c) falta de comprovação da efetiva transferência dos recursos financeiros das SCP para o impugnante em decorrência da distribuição de lucros. A defesa aponta equívocos cometidos pela Fiscalização, uma vez que esta afirma que as SCP não teriam informado corretamente a distribuição de lucros em suas DIPJ, entretanto, as SCP não apresentam DIPJ, que devem ser apresentadas pelo sócio ostensivo, obrigado a calcular e pagar os impostos e contribuições devidas pelas SCP. As DIPJ dos sócios ostensivos devem destacar em campos próprios os valores dos tributos devidos pelas Sociedades em Conta de Participação. Acredita que, devido à impossibilidade de se informar na DIPJ a própria empresa como sócio ostensivo da SCP, restaria claro que apenas os sócios, pessoas físicas, da empresa sócia ostensiva devem ser informados na DIPJ, não havendo campo para que se indique os sócios das SCP, consequentemente, não haveria como informar os lucros distribuídos para esses sócios. Além disso, apenas para argumentar, ainda que tivesse ocorrido algum erro na eventual falta de informação acerca dos lucros distribuídos para os sócios das SCP nas DIPJ, esse fato caracterizaria descumprimento de obrigação acessória e eventuais penalidades deveriam ser impostas ao sócio ostensivo. Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 5 4 Dos Equívocos Cometidos Pelo Fiscal. Segundo a autoridade fiscal, a comprovação da efetiva transmissão dos recursos financeiros, relativos às distribuições de lucros das SCP para o impugnante, deveria ser feita por meio de documentos como microficha dos cheques, autenticação no verso e anverso do cheque, da TED, efetuada pelo banco, e assim por diante, mas que somente em alguns casos de valores repassados para o mesmo constatou se a existência desse vínculo. As afirmações da autoridade lançadora no Auto de Infração seriam contraditórias com a respectiva infração apontada na peça básica. Ora, se o agente do fisco afirma ter detectado existência de vínculo entre os lucros distribuídos pelas SCP Porangatu e Anápolis e os valores recebidos pelo impugnante, deveria ter deduzido esses valores do Auto de Infração, mas preferiu lançar o IRPF sobre o valor total dos lucros distribuídos pelas SCP e informados como rendimentos isentos e não tributáveis na DIRPF 2005/2004 do impugnante. Nesta mesma descrição da infração, a autoridade fiscal concorda que todos os repasses de numerário das sócias ostensivas para o impugnante foram efetivados, só não admitindo que os valores repassados tivessem tido origem em distribuição de lucros auferidos pelas referidas SCP, mas que constituiriam rendimentos tributáveis, transferindo o montante declarado como rendimentos isentos para o quadro relativo a rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas. Da SCP Mutunópolis Sob Administração de A. M. Engenharia E Construções Ltda. O resultado e o lucro real da SCP Bueiro de Mutunópolis estão apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real da sócia ostensiva A. M. Engenharia e Construções Ltda., conforme Demonstrativo de Resultado apurado em 31 de dezembro de 2004 pela SCP Bueiro de Mutunópolis (fls. 216), com todas operações realizadas pela SCP Bueiro de Mutunópolis regularmente registradas nos seus livros Diário e Razão, apresentados à fiscalização quando solicitados. Na primeira informação prestada à autoridade fiscal, o impugnante teria deixado de informar, de forma individualizada, os valores correspondentes aos lucros recebidos da SCP Bueiro de Mutunópolis, no total de R$43.194,23, e os valores relativos aos lucros recebidos da A. M. Engenharia e Construções Ltda., no total de R$120.688,06, perfazendo o montante de R$163.882,29 (cento e sessenta e três mil oitocentos e oitenta e dois reais e vinte e nove centavos), que é a soma dos lucros e dividendos a ele distribuídos pelas duas pessoas jurídicas no decorrer do ano calendário 2004. A cláusula 3 do Contrato Social da SCP Bueiro de Mutunópolis (fl.38/42) prevê que a sócia principal: A. M. Engenharia e Construções Ltda. tem direito ao valor correspondente ao percentual de 5% sobre o resultado obtido pela SCP Bueiro de Mutunópolis e o impugnante, direito ao valor correspondente ao percentual de 31,66%. Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 6 5 As cópias do livro Diário n° 037 (fls. 43/45 e 212/217) comprovam que a SCP Bueiro de Mutunópolis distribuiu, durante o anocalendário de 2004, para os sócios participantes Ivana Rassi Mahamed, Liliana Rassi Mahamed e André Luiz B. L. Rocha, o valor total de R$129.582,71 O Demonstrativo de Resultado apurado em 31 de dezembro de 2004 pela SCP Bueiro de Mutunópolis (fl.216) aponta um lucro líquido no montante de R$136.990,22 Os lucros distribuídos para o impugnante, ao longo do ano de 2004, atingiram, portanto, o valor de R$43.194,23, que corresponde ao percentual de 31,66% da sua participação na SCP Bueiro Mutunópolis. A distribuição dos lucros da pessoa jurídica SCP Bueiro de Mutunópolis, antes do encerramento do período base, encontra amparo legal no § 3o da Instrução Normativa SRF N° 093, de 24/12/1997 e estava dentro dos limites legais. Os pagamentos teriam sido efetuados nos seguintes montantes e datas, conforme recibos apresentados pela A. M. Engenharia e Construções Ltda., em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 0429 (fls.192): R$19.894,23 (fl.211), dando quitação a diversos adiantamentos de lucros (fls.228/229); R$20.000,00 (fl.225), referente a adiantamento de lucro de mesmo valor no dia 3/09/2004 (fls.228); e R$3.300,00 (fl.226), dando quitação a adiantamento de lucro de mesmo valor no dia 27/10/2004 (fl.229). Também foram apresentadas cópias dos cheques n°s 000095 e 000127 (fl.227), ambos da agência 3299, Banco CREDIGOIÁSENGECRED, nos valores de R$20.000,00 e R$3.300,00, respectivamente, que foram depositados pelo impugnante na sua conta corrente n° 27, agência 3299 do mesmo Banco CREDIGOIÁSENGECRED (Sicoob/Engecred), cujos valores foram considerados como depósitos em dinheiro por terem sido realizados na mesma agência bancária (fl.407 e 411). A verificação da denominação correta das contas gráficas contábeis acima citadas pode ser confirmada através dos próprios balancetes analíticos da SCP Bueiro Mutunópolis, cujas cópias foram anexadas aos autos pela autoridade lançadora (fls.47/ 52 e 218/221). A distribuição de lucros da A. M. Engenharia e Construções Ltda. para o impugnante, no valor de R$120.688,06 estariam demonstrados nos registros contábeis, no Livro Razão, em 30/03/2004, um lançamento a débito da conta 1.211.104.0 ANDRÉ LUIZ BAPTISTA LINS ROCHA (fl.203), tendo como contrapartida, lançamento a crédito da conta 1.112.012.6 ENGECRED (fls.54 e 202). Esses lançamentos também constam do Livro Diário (fl.205). Os lucros distribuídos pela A. M. Engenharia e Construções Ltda., no decorrer do ano calendário 2004, no valor de R$495.643,75 (fls.56 e 206, do Diário) não excedeu ao valor do resultado líquido apurado no encerramento do períodobase, no montante de R$746.656,55 (fl.209). O impugnante apresenta documento firmado pelos sócios da A M Engenharia e Construções Ltda, estipulando a forma como se daria a distribuição dos lucros auferidos pela referida sociedade no ano Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 7 6 calendário 2004, consoante ATA DE REUNIÃO DE SÓCIOS, elaborada em 31/12/2004, cópia inclusa (DOC.06). Da SCP Ordália Sob Administração da Pessoa Jurídica Sobrado Construção Ltda. Destaca que o resultado e o lucro real da SCP Ordália estão apurados e demonstrados separadamente dos resultados e do lucro real da sócia ostensiva Sobrado Construção Ltda., conforme Demonstração de Resultados apurada em 31/12/2004 (fl.329), bem como todas as operações realizadas pela SCP Ordália estão registradas nos livros Diário e Razão, devidamente apresentados à fiscalização quando solicitados. O impugnante informou à autoridade fiscal que, no decorrer do anocalendário 2004, recebeu a quantia de R$170.715,00, referente aos lucros distribuídos pela pessoa jurídica SCP Ordália (fl.18). Apresentou à fiscalização Instrumento Particular de Constituição de Sociedade em Conta de Participação SPC Ordália (fls. 119/132), onde consta a designação da pessoa jurídica Sobrado Construção Ltda., como sócia ostensiva, e do impugnante como sócio participante (fl.119), e que prevê na cláusula Quinta que a sócia principal tem direito ao percentual de 50% sobre o resultado obtido pela SCP, e o impugnante ao percentual de 25%. As cópias do livro Diário e do Razão comprovariam distribuição do montante de R$170.715,00 a título de lucros distribuídos durante o anocalendário 2004 ao sócio participante André Luiz B. L. Rocha da SCP Ordália, enquanto a Demonstração de Resultados apurada em 31 de dezembro de 2004 pela SCP Ordália (fls. 329), aponta lucro líquido no exercício no montante de R$1.240.873,49. As transferências dos valores correspondentes a lucros distribuídos estão comprovadas nos autos e a própria fiscalização concorda que foram recebidos, uma vez que classificou os rendimentos como tributáveis. Da SCP Porangatu Sob Administração Construtora Caiapó Ltda. Destaca que o resultado e o lucro real da SCP Porangatu estão apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real da sócia ostensiva Construtora Caiapó Ltda., conforme Demonstração de Resultados apurada em 31/12/04 (fl.267), bem como todas as suas operações estão regularmente registradas nos livros da construtora. Está previsto na cláusula 5.1 do Contrato Social da SCP (fl.58) Porangatu que a sócia ostensiva tem direito ao valor correspondente ao percentual de 75% sobre o resultado obtido pela SCP Porangatu e o impugnante ao percentual de 10% dos lucros obtidos. Elabora planilha elencando as páginas e os valores dos registros contábeis referentes aos lucros distribuídos a ele pela SCP durante o ano calendário de 2004, totalizando R$500.527,95 Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 8 7 Afirma que a SCP teria apurado lucro no montante de R$7.480.427,95 (fl.267), durante o período e que os valores distribuídos antecipadamente estão dentro dos limites legais. Para comprovação do efetivo pagamento dos lucros distribuídos pela SCP Porangatu ao sócio participante André Luiz Baptista Lins Rocha, a Construtora Caiapó Ltda., apresentou os documentos relacionados às folhas 234 e 249/250. Scp Anápolis Sob Administração Da Construtora Caiapó Ltda. Destaca que o resultado e o lucro real da SCP Anápolis estão apurados e demonstrados separadamente dos resultados e do lucro real da sócia ostensiva Construtora Caiapó Ltda, conforme demonstrativos de fl.275, bem como todas as operações realizadas pela SCP Anápolis estão registradas nos livros Diário e Razão da empresa. O impugnante informou à autoridade fiscal que, no decorrer do ano calendário 2004, recebeu a quantia de R$69.000,00 (fls.18), sendo que a importância de R$61.000,00 é referente aos lucros distribuídos pela pessoa jurídica SCP Anápolis e R$8.000,00 é relativa à devolução de aporte de capital. O primeiro documento apresentado à fiscalização é o Instrumento Particular de Constituição de Sociedade em Conta de Participação (fls.68/78) onde consta a designação da pessoa jurídica Construtora Caiapó Ltda., como sócia ostensiva, e do impugnante como sócio participante (fls.68). Está previsto na cláusula 5 do Contrato Social da SCP Anápolis (fls.68/78) que a sócia ostensiva tem direito ao valor correspondente ao percentual de 20% sobre o resultado obtido pela SCP e o impugnante, direito a 8% desses lucros. As distribuições de lucros durante o ano constam dos livros contábeis da empresa, conforme cópias do livro Diário n° 029 (fls.109, 113/116 e 270/276), nos valores e datas listados em demonstrativo integrante da impugnação, totalizando R$69.000,00, sendo que o montante de R$8.000,00, referente a devolução de capital aportado, integra o repasse, no montante de R$45.000,00, efetuado em 28/10/2004. A Demonstração de Resultados apurada em 31 de dezembro de 2004 pela SCP Anápolis (fls.275) aponta resultado líquido no exercício no montante de R$2.581.387,47, de modo que a parcela distribuída ao contribuinte, no valor de R$61.000,00, é inferior ao total que poderia ser distribuído devido a sua participação de 8%, prevista no Contrato Social da SCP. Da SCP Catalão sob Administração da Epasa Eng. Pavimentação e Saneamento Ltda. Afirma que o resultado e o lucro real da SCP Catalão estão apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real da sócia ostensiva Epasa Engenharia Pavimentação e Saneamento Ltda., conforme Demonstração de Resultados apurada em 31 de dezembro de 2004 pela SCP Catalão (fl.317), bem como todas as operações realizadas pela SCP Catalão estão regularmente registradas nos livros Diário e Razão da Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 9 8 construtora, devidamente apresentados à fiscalização quando solicitados. O impugnante informou à autoridade fiscal que, no decorrer do anocalendário 2004, recebeu a quantia de R$70.000,00 (setenta mil reais), referente aos lucros distribuídos pela pessoa jurídica SCP Catalão (fl.19). Está previsto na Cláusula Terceira do Contrato Social da SCP Catalão (fls.145/148) que a sócia principal: Epasa Engenharia Pavimentação e Saneamento Ltda., tem direito ao percentual de 33,34% sobre o resultado obtido pela SCP Catalão e o impugnante, ao 33,33% sobre os lucros da SCP. Explica que os valores e datas dos repasses constam da escrituração do sócio ostensivo e que, tendo em vista que a SCP apurou lucro no montante de R$5.754.332,51, no período, o valor distribuído ao contribuinte é compatível com o percentual que lhe cabe, previsto no contrato social da SCP. Sustenta que o efetivo repasse dos valores relativos à distribuição de lucros constam dos autos e já foram reconhecidos pela Fiscalização, que optou por considerar os rendimentos como tributáveis. Scp Niquelândia Sob Administração de EAC Engenharia e Construção Ltda. Entende que os documentos presentes nos autos demonstram, de forma consistente, que a sócia ostensiva EAC Engenharia e Construções Ltda., repassou para o sócio oculto André Luiz Baptista Lins Rocha lucros correspondentes à sua participação na SPC Niquelândia, no valor de R$17.000,00. Está previsto na Cláusula Terceira do Contrato Social da SCP Niquelândia (fl.163) que a sócia principal, EAC Engenharia e Construções Ltda., tem direito ao percentual de 7% sobre o resultado obtido pela SCP Niquelândia e o impugnante, direito ao valor correspondente ao percentual de 31% desses lucros. Os lucros distribuídos para o impugnante, no valor de R$17.000,00 (dezessete mil reais), durante o ano de 2004, estão regularmente informados na linha 05 Distribuição de Lucros do campo Rendimentos Isentos e Não Tributáveis do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecido pela sócia ostensiva EAC Engenharia e Construções Ltda., ao sócio oculto André Luiz Baptista Lins Rocha. É fato incontroverso nos autos que a autoridade fiscal autuante tentou, por diversas vezes, mas sem lograr êxito, intimar a pessoa jurídica EAC Engenharia e Construções Ltda., para apresentar os documentos e livros contábeis Diário e Razão relacionados no Termo de Intimação Fiscal n° 0434, de 05/11/2008(fls. 335/338), inclusive por meio do Edital n° 163/2008, afixado em 19/11/2008 no Mural do Sefis/DRF/Goiânia. Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 10 9 A documentação pertinente aos registros contábeis solicitada do contribuinte pela autoridade lançadora, só poderia ser prestada pela sócia ostensiva EAC Engenharia e Construções Ltda., única responsável perante a legislação do imposto de renda pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação, nos termos do disposto no item 2 da IN SRF 179/87, já reproduzido no item 51 desta peça impugnatória. No entanto, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 483, de 29/12/2008, o impugnante informa à autoridade que localizou na sua contacorrente bancária n° 27, agência 3299, BANCOOB, alguns depósitos bancários realizados pela sócia ostensiva EAC Engenharia e Construções Ltda., no valor de R$2.000,00, e pelo sócio dessa empresa, Sr. Marco Antônio de Castro Filho, no valor de R$70.741,53, que teriam sido realizados tanto para cobrir empréstimo anteriormente feito no seu nome, utilizado como aporte de capital da SPC Niquelândia. Por outro lado, se os documentos apresentados pelo impugnante: Contrato Particular de Constituição de Sociedade em Conta de Participação (fls. 158/162) e o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte comprovam, nos termos da lei, a regular existência da SCP Niquelândia e a distribuição dos lucros ao sócio participante André Luiz Baptista Lins Rocha, não pode a autoridade fiscal autuante, ao seu bel prazer, desconsiderar essa documentação sob a alegação da falta de apresentação de outros documentos, cuja responsabilidade pela guarda e apresentação ao fisco quando solicitado, era exclusiva da sócia ostensiva EAC Engenharia e Construções Ltda. SCP Cabeceiras Sob a Administração da Construtora Perfil Ltda. O impugnante informou à autoridade fiscal que, no decorrer do ano calendário 2004, recebeu a quantia de R$7.198,78, referente a lucros distribuídos pela pessoa jurídica SCP Cabeceiras (fls. 19). Está previsto na cláusula Terceira do Contrato Social da SCP Cabeceiras (fls.286/289), que a sócia principal, Construtora Perfil Ltda., tem direito ao percentual de 25% sobre o resultado obtido pela SCP Cabeceiras, e o sócio oculto André Luiz Baptista Lins Rocha, ao mesmo percentual. As cópias do livro Diário n° 004 (fls.292/296) comprovam que a Construtora Perfil Ltda., distribuiu, durante o ano calendário de 2004, para os sócios o valor de R$200.000,00. No livro Razão, consta, em 25/11/2004, o lançamento de Lucros Distrib. No Exercício no valor de R$7.198,78, referente aos lucros distribuídos ao sócio participante André Luiz B. L. Rocha da SCP Cabeceiras. A Demonstração de Resultados apurada em 31 de dezembro de 2004 pela Construtora Perfil Ltda. (fls.293), aponta um lucro líquido no exercício no montante de R$1.365.513,20. Distribuição de Lucros e Dividendos da Sicoop Engecred Cooperativa Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 11 10 De Crédito Mútuo dos Engenheiros e Arquitetos das MicroRegiões de Goiânia e Anápolis. No decorrer da ação fiscal foi apresentado à autoridade fiscal, o Certificado de Distribuição de Sobras do Exercício de 2003, emitido pela Cooperativa de Crédito Mútuo dos Engenheiros e Arquitetos das MicroRegiões de Goiânia e Anápolis, cujo valor de R$1.248,00 foi depositado na conta corrente bancária n° 27, ag. 92999, SICOOB ENGECRED, em nome do impugnante. Esse tipo de rendimento, embora seja considerado pela legislação do imposto de renda como isento ou não tributável, foi indevidamente tributado pela autoridade lançadora na constituição do crédito tributário em epígrafe. Quebra Ilegal do Sigilo Bancário do Impugnante. Expedição da RMF antes da Intimação Prévia ao Impugnante No caso sob exame, o preceito que se contém no § 2° do art. 4° do Decreto n° 3.424/01, que estabelece como condição para a emissão de RMF a prévia intimação do sujeito passivo, restou menoscabado, uma vez que a intimação do impugnante para a apresentação de informações sobre sua movimentação financeira no ano de 2004 foi consignada no Termo de Intimação Fiscal n° 0059 (fls.371), de 19/05/2009, no qual foi assinalado prazo de 20 dias para o atendimento do solicitado. Entretanto, muito antes da expedição do Termo de Intimação Fiscal já havia sido expedida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF n° 01.2.01.00.2009000065, de 26/01/2009 (DOC. 12, p. 02), exigindo diretamente da instituição financeira a apresentação dos saldos mensais, inicial e final, das contas correntes, da poupança e das aplicações financeiras do impugnante. A ilegalidade em comento salta ainda mais aos olhos quando se considera que a quebra indevida do sigilo bancário do impugnante foi totalmente omitida nos autos. O que se vê, ao contrário, é a autoridade fiscal autuante, além de omitir essa situação, afirmar que o impugnante, em 2 de julho de 2009, entregou pessoalmente ao Sefis os extratos bancários solicitados (fl.546). Bem antes, portanto, da entrega dos extratos bancários pelo impugnante, a receita federal já havia quebrado ilegalmente o seu sigilo bancário. Por outro lado, conforme se pode ver da descrição da infração que se contém no Auto de Infração (fl.546/548), o crédito tributário foi lançado de ofício única e exclusivamente com base em valores de depósitos bancários, consignados em extratos bancários das instituições financeiras SICOOB ENGECRED e CEF, cujas origens não teriam sido comprovadas pelo impugnante. RMF sem Relatório Prévio Circunstanciado e Fundamentado. Para que seja possível, dentro dos parâmetros legais, o exame por parte do fisco federal de informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras dos contribuintes, há que restar configurada Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 12 11 situação ou fato previsto na legislação, que deve constar de relatório circunstanciado, indicando com precisão e clareza que a situação se enquadra em hipótese prevista em lei. Pois bem, malgrado as previsões legais acima, a RMF n° 01.2.01.00.2009000065 (DOC. 12, p. 02) foi expedida pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Goiânia sem a elaboração de relatório prévio circunstanciado, fundamentado, em que a autoridade fiscal autuante, ou seu chefe imediato, deveriam fazer constar a motivação da proposta de sua expedição, qual seja a demonstração clara e precisa de ocorrência de situação que se subsumisse às hipóteses legais autorizadoras da quebra de sigilo. A manifesta ilegalidade que permeou o procedimento do fisco federal, na espécie, tanto mais se evidencia quando se tem em conta ainda que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Goiânia, ao expedir a citada RMF (DOC. 12, p. 02), não fez qualquer referência a uma única situação concreta que pudesse se subsumir a alguma das hipóteses enumeradas no art. 3º do Decreto n° 3.724/01. Transcreve ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes que consideram nulas as provas obtidas por meio de RMF que não observa as condições exigências previstas na legislação para sua emissão. Tendo o sujeito passivo entregue parte dos extratos bancários, caberia a sua reintimação para a apresentação dos documentos faltantes. A ausência a essa reintimação é que configuraria a recusa necessária para a emissão do RMF. Passa a discorrer acerca da necessidade da motivação do ato administrativo como requisito essencial para sua validade. Conclui que a RMF n° 01.2.01.00.2009000065 (DOC. 12, p. 02) é nula, por lhe faltar elemento essencial de ato administrativo, qual seja a motivação ou fundamentação, e que a "quebra de sigilo bancário" do impugnante é manifestamente ilegal, porquanto o procedimento que o antecedeu não observou o que prevêem os §§ 5o e 6o do art. 4o do Decreto n° 3.724/01. De seguinte, repita se à exaustão, a obtenção dos extratos bancários do impugnante por parte do fisco federal foi ilícita, de forma que tais documentos são inadmissíveis neste Processo, consoante o art. 5o, inc. LVI, da Constituição Federal, o qual estabelece que "são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos". Considerando se que o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração (fls. 546/548) foi lançado, ao fim e ao cabo, com base em tais extratos, exsurge a nulidade do lançamento ora açoitado por vício material ou substancial, cuja declaração se impõe a essa colenda Turma Julgadora da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, DF. Inadmissibilidade dos Extratos Bancários Como Provas: Nulidade do Lançamento por Vício Material ou Substancial. Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 13 12 A declaração de nulidade do lançamento ora fustigado se deve dar por vício material ou substancial, por não restar configurada a imputação feita ao impugnante no Auto de Infração (fls.546/548), qual seja presunção de omissão de receitas caracterizada por valores depositados em contas correntes bancárias cuja origem não estaria comprovada, por ausência de provas. E isso por força do que dispõe o art. 5º, inc. LVI, da Constituição Federal, consoante o qual "são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos". A defesa passa a discorrer acerca do que seria nulidade por vício formal ou nulidade por vício material, bem como sobre o dever da Fiscalização de provar a ocorrência da infração com base em documentação válida. Conclui que, em face da doutrina exposta, tendo em vista que a expedição da RMF não obedeceu aos parâmetros legais, a obtenção das provas por parte da autoridade fiscal autuante se deu por meio ilícito; sendo são inadmissíveis no processo, de forma que o crédito tributário foi lançado de ofício com base em valores de depósitos bancários, provados pelo fisco mediante extratos obtidos ilicitamente junto às referidas instituições financeiras. Entende que as provas extratos bancários são inadmissíveis neste Processo, seguindo se que não está caracterizada ou configurada a omissão de rendimentos imputada ao impugnante no Auto de Infração, o que impõe a declaração de nulidade do lançamento por vício material ou substancial. Depósitos Bancários Fato Gerador Mensal Nulidade Do Auto De Infração Considerando se como válida a regra inserta no caput no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 entendemos que tal regra não se coaduna com a definição do fato gerador do Imposto de Renda contida no art. 43 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25/10/1966), razão pela qual é reflexamente inconstitucional. Desde a edição da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, o fato gerador do Imposto de Renda devido pelas pessoas físicas é mensal, conforme dispõe o art. 2o desse diploma legal, no mesmo sentido encaminha o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Assim, salta aos olhos que o lançamento de ofício ora impugnado é nulo de pleno direito, pois a autoridade fiscal autuante consubstanciou a exigência fiscal considerando o fato gerador do IRPF como de ocorrência anual. A hipótese de incidência tributária prevista no caput do art. 42, c/c o seu § 4o, da Lei n° 9.430/96 estabelece como o momento em que se reputa ocorrido o fato jurídico tributário e, assim, nascida a obrigação tributária, o final de mês durante o qual houve o credito de valores em conta de investimento ou de depósito, cuja origem não foi comprovada eis o aspecto ou critério temporal dessa hipótese de incidência tributária. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 14 13 Ora, a autoridade fiscal autuante, ao consubstanciar exigência fiscal correspondente a depósitos bancários, cuja origem não teria sido comprovada, descrevendo o fato subjacente àquela exigência como ocorrido no final do ano calendário, não caracterizou o fato jurídico tributário, isto é, não subsumiu os seus elementos e aqui se refere ao elemento temporal aos aspectos ou critérios da hipótese de incidência tributária prevista no art. 42, c/c o seu § 4o, da Lei n° 9.430/96, restando atípico o fato descrito no Auto de Infração. Não é possível ao autuado, em face da insuficiência da descrição dos fatos no que tange a qualquer de seus elementos – subjetivo, espacial, temporal, material e quantitativo que se contém no Auto de Infração, exercer o seu direito de ampla defesa, principalmente o seu direito ao contraditório. Nem se argumente que o conjunto dos documentos integrantes dos autos do presente Processo possa suprir a deficiência da descrição dos fatos que se contém no Auto de Infração ora impugnado e, isso, por dois motivos. Em primeiro lugar, estarseia presumindo que a impugnante pudesse se aperceber plenamente das razões do lançamento e impugnála adequadamente, presunção que absolutamente não funciona na espécie. Depois, restará a dúvida, inadmissível, sobre se, tivesse o fato jurídico tributário sido suficientemente caracterizado, com a subsunção adequada de seus elementos aos aspectos ou critérios da hipótese de incidência tributária, a defesa da autuada impugnação e eventuais recursos teria sido mais ampla, perfeita e completa. Em razão de todos esses judiciosos argumentos, impõese a declaração de nulidade do Auto de Infração por erro de fato substancial cometido pela autoridade fiscal lançadora. Decadência dos Créditos Tributários Relativos ao Período de Janeiro a Julho de 2004 Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação o IRPF, por Exemplo, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário. Segundo esse dispositivo legal, não tendo havido a homologação expressa, o crédito tributário tornouse definitivamente extinto após cinco anos da ocorrência do fato gerador pela homologação tácita. Ora, se os rendimentos do impugnante estão sujeitos à tributação mensal, como já exposto, segue se que no prazo de 5 (cinco) anos a contar do fim de determinado mês terá ocorrido a decadência do direito à constituição do crédito tributário correspondente ao IRPF relativo a esse período. Como a ciência do lançamento se deu em 31/08/2009, segue se que transcorreu o prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 15 14 constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro/2004 a julho/2004. Impõese, portanto, que se declare a extinção do crédito tributário correspondente ao IRPF relativo aos meses de janeiro a julho do ano calendário de 2004, em face do transcurso do prazo decadencial. Depósitos Bancários Suposta Omissão De Rendimentos De posse dos extratos bancários, a autoridade fiscal intimou o impugnante para "apresentar, no prazo de 20 dias, documentos probantes, hábeis e idôneos, dos valores lançados em suas contas correntes n°s (i) 27, agência 32999 no SICOOB Engecred, e (ii) 2706630, agência 0012, na Caixa Econômica Federal – CEF. Sob a alegação do não atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 0091/2009, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração ora impugnado considerando como sem comprovação de origem os depósitos bancários nos totais abaixo relacionados: a) conta corrente 27, agência 32999, SICOOB ENGECRED, no montante de R$911.507,09 (novecentos e onze mil quinhentos e sete reais e nove centavos) (541/542); b) conta corrente 2706630, agência 12, da Caixa Econômica Federal, no montante de RS 14.440,00 (quatorze mil quatrocentos e quarenta reais)(543). Do total dos depósitos bancários acima citados, verifica se que a quantia de R$508.106,73 se refere a diversos depósitos em dinheiro realizados pelo próprio impugnante, durante o ano de 2004, nas suas contas correntes bancárias (fls.541/543), e que a importância de R$417.840,36 se refere a diversos cheques e TED depositados nas mesmas contas correntes. Os valores depositados em dinheiro têm origem em recursos financeiros do próprio impugnante, que só eram depositados nessas contas correntes à medida da sua necessidade; recebimento de lucros distribuídos e devoluções de aporte de capital das SCP em era sócio participante; recebimentos de empréstimos realizados com parentes e amigos próximos do impugnante, bem como da pessoa jurídica A M Engenharia e Construções Ltda. empresa pertencente ao próprio impugnante, seus sogros e cunhada; recebimentos de salários e indenizações trabalhistas pagos pela A M Engenharia e Construções Ltda; reembolso de despesas pagas pela Associação Goiana das Empresas de Engenharia AGE, da qual o impugnante foi presidente no ano 2004; recebimento de distribuição de sobras da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Engenheiros e Arquitetos das MicroRegiões de Goiânia e Anápolis Ltda SICOOB ENGECRED, da qual o impugnante era cooperado; valores depositados por sua esposa Priscila R. M. Lins Rocha CPF 782.553.41153. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 16 15 Todos os recebimentos de dinheiro pelo impugnante, durante o ano de 2004, estão devidamente identificados na planilha anexa, denominada "DEMONSTRATIVO DE DEPÓSITOS/CRÉDITOS COM ORIGEM A COMPROVAR Pós avaliação dos documentos das SCP" (DOC. 13), elaborada nos mesmos moldes do "Quadro VI DEMONSTRATIVO DE DEPÓSITOS/CRÉDITOS COM ORIGEM A COMPROVAR Pós avaliação dos documentos das SCP" (fls. 541/543) da autoridade lançadora, porém, com a inclusão da coluna "ORIGEM", onde está informada, de modo absolutamente individualizado, a origem do numerário depositado em espécie pelo impugnante. De fato, o impugnante teve recursos financeiros de monta em espécie, durante o ano de 2004 os quais em parte foram depositados na indigitada conta corrente, a saber. a) saldo inicial de R$255.000,00 (duzentos e cinqüenta e cinco mil reais) que o impugnante mantinha em espécie, conforme informado no item 9 do quadro "9. DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS" de sua Declaração de Ajuste Anual 2005 (fls. 06/09); b) recebimentos de lucros pagos pela sócia ostensiva Construtora Caiapó Ltda, relativamente aos lucros auferidos pelas SCP Porangatu e Anápolis, no valor total de R$569.527,95 (quinhentos e sessenta e nove mil quinhentos e vinte e sete reais e noventa e cinco centavos); c) valores sacados diretamente pelo impugnante em suas contas bancárias (fls.389/415 e 417/428), no montante de R$213.179,11 (duzentos e treze mil, cento e setenta e nove reais e onze centavos), parte dos quais foram depositados novamente nas contas correntes. As cópias dos cheques nominais emitidos em nome do impugnante (fls.93/101 e 111/112) e dos extratos bancários apresentados pela Construtora Caiapó comprovam que a quantia de R$569.527,95 foi sacada diretamente no caixa da instituição financeira (fls. 236/247), sendo certo que somente o valor de R$145,000,00 (cento e quarenta e cinco mil reais) foi depositado no mesmo dia nas contas correntes bancárias do impugnante, conforme já atestado pela autoridade fiscal autuante no quadro "CRÉDITOS/DEPÓSITOS CONSIDERADOS DE ORIGEM COMPROVADA VIA SCP" (fls. 542) Portanto, o valor remanescente de R$424.527,95 passou a compor o numerário em espécie mantido sob a guarda do impugnante que foi posteriormente depositada parcialmente nas suas contas correntes. Por sua vez, os valores depositados em cheques e TED nas mesmas contas correntes do impugnante, no total de R$417.840,36 (quatrocentos e dezessete mil oitocentos e quarenta reais e trinta e seis centavos), têm a seguinte origem; a) recebimento de lucros distribuídos e devoluções de aporte de capital das SCP em que era sócio participante; b) recebimentos de empréstimos realizados com parentes e amigos próximos do impugnante, bem como da pessoa jurídica A M Engenharia e Construções Ltda empresa pertencente ao próprio impugnante, seus sogros e cunhada; Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 17 16 c) recebimento de quotas da SCP Niquelândia, na qual o impugnante era sócio participante; d) Transferências da conta bancária n° da c/c 270663, ag. 0012, CEF, para a conta n° 27, ag. 32999, SICOOBENGECRED, ambas em nome do impugnante, e viceversa. Todos os recursos financeiros movimentados pelo impugnante durante o ano de 2004 sempre foram do conhecimento da receita federal, uma vez que estão informados na suas DIRPF, bem como registrados nos livros contábeis e fiscais das pessoas jurídicas sócias ostensivas das SCP, das quais o impugnante participou como sócio oculto, os quais sempre estiveram à disposição do órgão fiscalizador. Com relação à pessoa jurídica A M Engenharia e Construções Ltda., deve ser ressaltado ainda que se trata de empresa estritamente familiar, com a participação societária do próprio impugnante, seus sogros e cunhada (DOC. 04). Portanto, devido ao alto grau de confiança entre seus sócios, as relações comerciais apontadas nos autos principalmente empréstimos efetuados entre uns e outros entre o impugnante e a A M Engenharia e Construções e os demais sócios da empresa nem sempre estão revestidas de todas as formalidades legais. O impugnante, com o objetivo de comprovar as informações prestadas na coluna "ORIGEM" do "DEMONSTRATIVO DE DEPÓSITOS/CRÉDITOS COM ORIGEM A COMPROVAR Pósavaliação dos documentos das SCP" (DOC. 13), anexa aos autos os documentos comprobatórios da origem dos recursos depositados nas suas contas correntes (DOC. 14). Nesse novo demonstrativo citam se também as folhas dos autos onde estão os documentos juntados pela própria autoridade lançadora que já comprovam a regularidade dos depósitos bancários por ele contestados. Egrégia Turma Julgadora, os documentos acostados aos autos nesta oportunidade, além de apontarem a origem dos depósitos bancários nas contas correntes do impugnante, comprovam também que não se referem à omissão de rendimentos tributáveis. Portanto, é medida que se impõe a declaração de improcedência do Auto de Infração na sua totalidade. DOS PEDIDOS De todo o exposto, confia o impugnante no provimento desta impugnação para que essa Egrégia Turma Julgadora da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF se digne a declarar: a) a nulidade parcial do Auto de Infração, por erro material ou substancial, no que diz respeito ao pretenso crédito tributário lançado com base nos extratos de contas correntes bancárias, conforme as razões expostas nos itens "V" e "VI" desta impugnação; b) a improcedência total da exigência fiscal, segundo as razões expostas nos itens "III", "IV" e "VIII" desta peça impugnatória, Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 18 17 c) a extinção parcial do crédito tributário lançado, em razão da ocorrência da decadência, nos termos do que estabelece o art. 150, § 4o, e 156, inc. V, do CTN, em relação aos fatos geradores dos meses de janeiro a julho de 2004, conforme as razões expostas no item VII desta impugnação. A DRJ julgou o impugnação procedente em parte, nos termo da ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 QUEBRA ILEGAL DE SIGILO BANCÁRIO. Não há que se falar em quebra ilegal de sigilo bancário quando o lançamento foi efetuado com base em extratos bancários fornecidos pelo próprio contribuinte atendendo a intimação dos autuantes. FATO GERADOR ANUAL. APURAÇÃO MENSAL. SIMPLES METODOLOGIA. RENDIMENTOS PRESUMIVELMENTE AUFERIDOS POR DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O art. 83, inciso I, do RIR/1999 fixou uma regra geral, no sentido de que todos os rendimentos percebidos durante o ano compõem a base de cálculo do imposto devido no ano calendário, exceto os rendimentos isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva. Como os rendimentos presumivelmente auferidos por depósitos bancários sem origem comprovada não se situam entre as exceções acima apontadas, estão sujeitos à apuração anual do IRPF. Os §§ 1º e 4º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, visam apenas detalhar a metodologia utilizada, de modo a facilitar o direito de defesa do sujeito passivo, sem mexer na periodicidade do IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade de primeira instância entendeu por bem, excluir da base de cálculo da infração parte do lançamento, especificamente os valores de R$ 93.824,64, tal como planilha de fls.1542 a 1544. Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: que existiria uma relação entre as infrações : i) Depósitos bancários de origem não comprovada e ii) Reclassificação de rendimentos; Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 19 18 Da natureza da Sociedade em Conta de Participação; Da distribuição de lucros e dividendos auferidos pela SCP e a exigência de uma comprovação inequívoca do efetivo ingresso de numerário; Dos equívocos cometidos pela autoridade fiscal na descrição dos fatos; Da alegada falta de clareza dos registros contábeis das pessoas jurídicas sócia ostensivas e a suposta falta de comprovação da efetiva transferência de recursos; Da quebra ilegal do sigilo bancário obtidas pelo fisco por meio ilícito; Da expedição de RMF antes da intimação prévia ao recorrente para apresentação de extratos bancários; Da impossibilidade dos extratos bancários como provas; Dos depósitos bancários – Omissão de receita; Da decadência do direito do fisco federal de constituir o crédito tributário; É o relatório. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 20 19 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O recorrente alega que o seu sigilo bancário foi violado de forma ilegal com a expedição de RMF antes da intimação previa ao impugnante. O recorrente apresenta às fls. 729 e 731 prova de que antes da intimação fiscal já havia sido expedida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF No. 01.2.01.00.2009000065 de 26/01/2009, exigindo diretamente da instituição financeira a apresentação dos saldos mensais, inicial e final das contas correntes da poupança e das aplicações financeiras do recorrente. Mediante o Termo de Intimação Fiscal no. 0059 (fls. 371), de 19/05/2009 o contribuinte foi intimado a apresentar a movimentação bancária. Tendo apresentado todos os seus extratos espontaneamente. O recorrente indica que teve conhecimento que algumas informações financeiras foram obtidas, especificamente da instituição SICOOB ENGECRED, antes mesmo da intimação do mesmo para apresentar qualquer informação financeira, sendo tal atitude uma quebra do seu sigilo bancário. A questão suscitada pela recorrente merece ser apreciada. Notase por exemplo que o recorrente teria sido intimado no temo de intimação fiscal de fls. 348 a apresentar extratos, não estando claro quando ocorreu a ciência do mesmo. Tendo em vista que temos ARs de fls. 349 e 350, com endereços distintos. O primeiro teve confirmando o recebimento antes da emissão da RMF o segundo apenas em data posterior. Diante dos fatos, tendo em vista a documentação acostada, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem: 1) Confirme a RMF indicada às fls 730, trazida aos autos pelo recorrente, identificando a motivação pela qual foi intimada a instituição financeira a comprovar a origem dos recursos objeto da autuação; 2) Indique se qualquer outra RMF teria sido emitido relativo ao mesmo ano calendário, anexandoa em caso positivo. 3) Apresentar evolução histórica do cadastro de domicilio fiscal do contribuinte; Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 21 20 Após esse procedimento propiciese vista ao contribuinte com prazo de 10 (dez) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.009557/200940 Resolução nº 2202000.602 S2C2T2 Fl. 22 21 Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13804.002600/2002-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO A COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, TELEFONIA E LENHA.
Não se permite o aproveitamento de créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e a telefonia, visto não possuir relação com a produção industrial. Sumula CARF nº 19.
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É cabível a aplicação da taxa SELIC em casos de cobrança de juros moratórios, conforme a Súmula nº 4 deste egrégio Conselho.
Numero da decisão: 3401-002.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, deu-se parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à incidência da SELIC, a partir do protocolo do pedido, sobre a parcela inicialmente indeferida.
(assinado digitalmente)
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO A COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, TELEFONIA E LENHA. Não se permite o aproveitamento de créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e a telefonia, visto não possuir relação com a produção industrial. Sumula CARF nº 19. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É cabível a aplicação da taxa SELIC em casos de cobrança de juros moratórios, conforme a Súmula nº 4 deste egrégio Conselho.
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LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO A COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, TELEFONIA E LENHA. Não se permite o aproveitamento de créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e a telefonia, visto não possuir relação com a produção industrial. Sumula CARF nº 19. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É cabível a aplicação da taxa SELIC em casos de cobrança de juros moratórios, conforme a Súmula nº 4 deste egrégio Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, deuse parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e à incidência da SELIC, a partir do protocolo do pedido, sobre a parcela inicialmente indeferida. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 26 00 /2 00 2- 79 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI protocolado pela contribuinte Cargill Agrícola, referente ao primeiro trimestre de 2000, no valor de R$ 10.501.749,54 Em 06.03.2009, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo deferiu parcialmente o pleito da contribuinte, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 1.994.412,62 Quanto às glosas efetuadas pela fiscalização, a recorrente teria incluído, indevidamente, em suas planilhas de custo de produção de produtos exportados gastos com combustíveis, lubrificantes, energia elétrica, água, lenha e insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas). Cientificada da decisão, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) Quanto às glosas da fiscalização relacionadas aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, a Lei 9.363/96 é clara ao definir que a base de cálculo do crédito presumido do IPI será o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. b) A decisão do legislador foi no sentido de que a totalidade dos insumos em questão seja computada no cálculo do crédito presumido do IPI, desde que consumidos em processo de industrialização de produtos exportados. Sendo assim, sua determinação é genérica, não vedando o creditamento em relação aos insumos adquiridos junto a pessoas físicas ou cooperativas. c) Instruções Normativas, de grau hierárquico inferior à lei, não podem restringir a aplicação do diploma que deveria apenas regulamentar. Se a lei não restringiu o crédito presumido a aquisições de pessoas jurídicas, não pode o Poder Executivo invadir competências exclusivas do Poder Legislativo por intermédio de Instruções Normativas, a exemplo da INSRF nº 23/97. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 3401002.016 S3C4T1 Fl. 1.237 3 d) O Conselho de Contribuintes, por meio de sua Câmara Superior, já reconheceu a ilegalidade e invalidade da IN nº 23/97. e) Com a revogação da Medida Provisória 674/94, não há mais qualquer ato normativo exigindo a comprovação de pagamento de PIS e COFINS para que a contribuinte faça jus ao crédito. O direito ao crédito presumido se restringe a duas condições: ser a empresa produtora e exportadora de produtos nacionais e adquirir insumos no mercado interno para a industrialização de seus produtos vendidos no exterior. f) No que tange aos créditos referentes aos gastos com energia elétrica, bagaço de cana, água, combustíveis, telefonia e lenha, o creditamento é válido, pois estes são produtos intermediários. O regulamento do IPI, em seu art. 164, define produtos intermediários como “aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.” Por fim, a requerente requereu o acolhimento de sua Manifestação de Inconformidade para que reste amplamente deferido seu pleito, mediante o reconhecimento do crédito presumido de IPI em sua totalidade, com o devido acréscimo da Taxa Selic. Em 16.12.2009, a 2ª Turma da DRJ/POR julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes fundamentos: a) O art. 1º da MP n° 148427, convertida na Lei nº 9.363/1996, trata de ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep/Cofins, incidentes sobre as aquisições. Portanto, é claro que para o gozo do benefício é necessário eu tenham incidido tais contribuições sobre as aquisições, tenha ocorrido o fato gerador e o recolhimento das contribuições pelos fornecedores. Não ocorrendo tal fato, não há o que ressarcir. b) Geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários “scrictosensu” e material de embalagem que e integram com o produto final, quaisquer outros bens – desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente – que se consumam por decorrência de um contato físico, ou seja, sofram em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa. Isto é, desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas do material, sendo excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Deste modo, não são produtos intermediários: combustíveis, lubrificantes e a energia elétrica. c) Por outro lado, admitese energia elétrica e combustível na apuração do crédito presumido quando a contribuinte optar pela base de cálculo da Lei 10.276/01, o que não foi o presente caso. d) A requerente não tem direito aos juros pleiteados, pois não existe previsão legal neste sentido. No âmbito do direito público, administração e administrado estão submetidos ao princípio da legalidade estrita, ou seja, só se pode fazer aquilo que a lei manda. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 A contribuinte foi cientificada da decisão em 01.03.2010 e, em 31.03.2010, protocolou Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: a) Os insumos que foram computados no cálculo do aludido valor foram exatamente aqueles autorizados pela Lei 9.363/96, ou seja, matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica, combustíveis e lenha consumidos no processo produtivo. b) A Instrução Normativa nº 27/97 não é respaldo para a glosa de insumos adquiridos de pessoas físicas, na medida em que pretende limitar o alcance da lei, restringindo, arbitrariamente, o direito ao crédito presumido do IPI. c) A Lei 9.363/96 determina que a base de cálculo do crédito presumido do IPI será o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A contribuinte repisa todos os outros argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e, por fim, requer o deferimento de seu Recurso Voluntário mediante reconhecimento do crédito presumido de IPI em sua totalidade, com o devido acréscimo dos juros Selic. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Este recurso apresenta os requisitos de tempestividade e cumpre os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de ressarcimento de créditos de IPI referente ao período 3º trimestre de 2001. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende que os insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, bem como, energia elétrica, combustíveis, água, telefonia e lenha geram créditos de IPI, passiveis de ressarcimento. No que toca à glosa dos créditos presumidos como ressarcimento das contribuições relativas às aquisições de pessoas físicas, os artigos 1º e 2º da Lei nº 9.363/96 dispõem que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do IPI, como forma de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Sendo que a base de cálculo do crédito presumido será determinada sobre o valor total das aquisições, conforme artigos que transcrevo abaixo: Fl. 315DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 3401002.016 S3C4T1 Fl. 1.238 5 “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” Entretanto o art. 2º, § 2º, da IN SRF nº 23/97 delimitou a utilização do crédito presumido, instituído pela Lei nº 9.363/96, somente em relação às aquisições, efetuadas de pessoa jurídicas, sujeitas às contribuições de PIS/PASEP e Cofins, conforme abaixo reproduzo: Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Entretanto é importante ressaltar que reconhecendo a jurisprudência do Egrégio STJ, proclamando que a IN SRF nº 23/97 extrapolou a regra prevista no art. lº da Lei nº. 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as referidas aquisições, como constam as elucidativas ementas, a seguir transcritas: "PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO REMESSA EX OFFICIO: ABRANGÊNCIA CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 LEGALIDADE (...) 4. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, Fl. 316DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 5. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes. 6. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 7.Precedente da Segunda Turma no REsp 586.392/RN. 8. Recurso especial provido em parte." (cf. Acórdão da 2ª Turma do STJ no REsp nº. 529.758SC, Reg. nº. 2003/00726199, em sessão de 13/12/2005, rel. Min Eliana Calmon, publ. in DJU de 20/02/2006 p. (268)). “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N. 9.363/96. IN/SRF 23/97 ILEGALIDADE.1. A Lei n. 9.363/96 instituidora de crédito presumido do IPI não distinguiu entre os fornecedores as pessoas físicas e jurídicas, não podendo a IN 23/97, da SRF, implantar tal distinção, estabelecendo que o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/Pasep e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas.2. Recurso especial improvido (Acórdão da 2ª Turma do STJ no REsp nº. 627.941 CE, Reg. nº. 2003/02193428, em sessão de 15/02/2007, rel. Min João Otávio de Noronha , publ. in DJU de 07/03/2007 p)” No mesmo sentido vem decidindo a CSRF, como se pode ver da seguinte ementa: (grifamos) "IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei n°. 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n°9.363/96). A lei citada referese a 'valor total' e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nº. 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n°9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN n°. 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de Fl. 317DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 3401002.016 S3C4T1 Fl. 1.239 7 embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art.. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. (..) Recurso especial provido parcialmente." (cf. Acórdão CSRF/0201.416 da 2ª Turma da CSRF, no Recurso nº . 115.731, Processo nº 10980.015233/9941, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 08/09/2003)” Levando em conta o art. 62A do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21.12.2010, que dispõe o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Portanto o direito ao crédito de IPI está restrita apenas as aquisições feitas de pessoa jurídica, sujeita a contribuição de PIS e Cofins. Se o insumo for fornecido por pessoa jurídica não sujeita ao PIS/Pasep e Cofins, ou diretamente por pessoa física, não há direito ao crédito presumido destes insumos. Conclui que a IN nº. 23/97 não extrapolou a regra prevista pelo art. 1º da Lei nº. 9.363/96.” Após essa exposição, parece não haver dúvida de que há que se reconhecer o crédito presumido, proveniente de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Quanto à alegação dos créditos referentes aos gastos com energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha, em outras palavras insumos que não se alteram em função de ação exercida sobre a fabricação do produto, a legislação dispõe, conforme dispõe o art. 1º da Lei nº. 9.363/96, o qual segue abaixo: (grifamos) “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” Fl. 318DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 O Decreto nº 2.637/98, vigente a época dos fatos, corrobora com a idéia de que é necessário, para contabilização do crédito, que a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem deve ser utilizado no processo produtivo, mesmo não integrando o novo produto, conforme art. 147, inc. I do RIPI/98, que abaixo transcrevo: (grifos nossos) Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Portanto, verificase que insumo, para gerar o direito ao crédito de IPI, deve ser consumido no processo de industrialização não precisando necessariamente integrarse ao novo produto. Entretanto, a contribuinte não comprovou de que forma estes produtos se integram ao produto. Não obstante, em relação aos valores referentes ao óleo diesel e à eletricidade a Súmula CARF nº 19 dispõe: (grifos nossos) “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Outrossim, a telefonia não pode ser contemplada pelo conceito insumo, nem que seja feita uma interpretação mais ampla deste conceito, carecendo também de força legal para o seu crédito. Portanto, são corretas as glosas efetuadas a respeito de energia elétrica, água, combustíveis, telefonia e lenha. Finalmente, quanto a inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins de ressarcimento de débitos tributários, trata de matéria que já se encontra pacificada neste Tribunal Administrativo, conforme ementas abaixo reproduzidas: (grifamos) “RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu indeferimento constitui ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164) (Acórdão nº 9303 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13804.002600/200279 Acórdão n.º 3401002.016 S3C4T1 Fl. 1.240 9 002.020, da 3ª Turma do CSRF, no recurso nº 132.107, Processo: 10665.000086/0093, Rel. Júlio César Alves Ramos, em sessão de 14 de junho de 2012)” “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, incluise na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. As aquisições de energia elétrica estão excluídas do cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, uma vez que tal insumo não é considerado produto intermediário à luz da legislação do IPI. Súmula CARF nº 19. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS. As variações cambiais não compõem a receita de exportação para efeito de apuração do crédito presumido de IPI. TAXA SELIC. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, o valor do ressarcimento do crédito presumido deve ser corrigido pela variação da taxa Selic. (Acórdão nº 3403001.527, da 4ª Câmara da 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF, Processo: 10783.901514/200833, Rel. Luduína Maria Alves Macambira, em sessão de 21 de março de 2012)” “CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSIBILIDADE. A Lei n. 9.363/1996 permite a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes a aquisições de insumos para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação, independentemente de o fornecedor ser pessoa física (produtor rural) ou cooperativa. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DEFINIÇÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RESTRIÇÃO A BENS NÃO INDUSTRIIALIZADOS. PROCEDÊNCIA. A definição de receita de exportação estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei nº 9.363(1996. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. O crédito referente a ressarcimento sujeitase a atualização monetária (Taxa SELIC), a partir do pedido, até a data de sua efetiva utilização. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos.(Acórdão nº 3403001.738, da 4ª Câmara da 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF, Processo: 13807.006966/200459, Rel. Rosaldo Trevisan, em sessão de 22 de agosto de 2012)” Portanto, verificase que o crédito referente a ressarcimento sujeitase a atualização monetária da taxa Selic. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 10 Frente a todo o exposto, voto por julgar parcialmente procedente o Recurso Voluntário, acatando, pelos motivos acima expostos, o pleito relativo à aquisição de insumos provenientes de pessoas físicas e a aplicação da taxa Selic para atualização monetária do crédito a ser ressarcido. É como voto! FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Fl. 321DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10183.901080/2006-79
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não há previsão de embargos de declaração destinados a aperfeiçoar a decisão de primeira instância, cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a adoção da medida remediadora da omissão, mediante recurso voluntário.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. ECONOMIA PROCESSUAL. CELERIDADE.
Não havendo risco de supressão de instância, os princípios da economia processual e da celeridade autorizam que a omissão da decisão de primeira instância seja imediatamente remediada por decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao decidir sobre recurso voluntário.
Numero da decisão: 1801-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. No âmbito do processo administrativo fiscal, não há previsão de embargos de declaração destinados a aperfeiçoar a decisão de primeira instância, cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a adoção da medida remediadora da omissão, mediante recurso voluntário. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. ECONOMIA PROCESSUAL. CELERIDADE. Não havendo risco de supressão de instância, os princípios da economia processual e da celeridade autorizam que a omissão da decisão de primeira instância seja imediatamente remediada por decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao decidir sobre recurso voluntário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. No âmbito do processo administrativo fiscal, não há previsão de embargos de declaração destinados a aperfeiçoar a decisão de primeira instância, cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a adoção da medida remediadora da omissão, mediante recurso voluntário. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. ECONOMIA PROCESSUAL. CELERIDADE. Não havendo risco de supressão de instância, os princípios da economia processual e da celeridade autorizam que a omissão da decisão de primeira instância seja imediatamente remediada por decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao decidir sobre recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 10 80 /2 00 6- 79 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901080/200679 Acórdão n.º 1801002.278 S1TE01 Fl. 766 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório BERALDI TRANSPORTES LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0435.747 (fl. 730), pela DRJ Campo Grande, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação nº 30429.32177.150803.1.3.040205 (fl. 47), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 44, com a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, cujos argumentos são assim resumidos: i) incorreu em erro de fato ao fazer constar como origem do crédito “Pagamento Indevido ou a Maior” ao invés de fazer constar “Saldo Negativo de CSLL”. ii) possui, de fato, crédito decorrente de “Saldo Negativo de CSLL”, conforme procura demonstrar com as DCTF e DIPJ dos exercícios de 2001, 2002 e 2003. iii) apresentou DCOMP retificadora por meio de formulário, na qual fez constar a origem do crédito como “Saldo Negativo de CSLL”. Apreciando o litígio, a DRJ Campo Grande não conheceu da impugnação, julgandoa intempestiva com base no artigo 15 do Decreto 70.235, de 1972, porquanto protocolada no dia 29/12/2008, tendo a intimação por edital sido efetivada em 23/05/2008. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 455), alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão de primeira instancia, por considerar também nula a intimação, por edital, do indeferimento da sua DCOMP. Ao julgar a presente lide, pela primeira vez, esta egrégia Turma de Julgamento deu provimento em parte ao recurso voluntário, reconhecendo a invalidade da citação por edital e fazendo retornar os autos à autoridade julgadora de primeira instância para que prolatasse nova decisão, nos termos do Acórdão nº 1801001.296 (fl. 479), de 5 de dezembro de 2012, que recebeu a seguinte ementa: Fl. 766DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901080/200679 Acórdão n.º 1801002.278 S1TE01 Fl. 767 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE OS MEIOS PARA INTIMAÇÃO PESSOAL E POR CORREIO RESULTARAM IMPROFÍCUOS. Não havendo nos autos prova de que os meios regulares de intimação da parte foram frustrados, há de se anular decisão que julgou intempestiva impugnação de decisão cuja intimação se deu por edital. Em cumprimento da decisão da autoridade julgadora de segunda instância e após a realização de competente diligência fiscal, a DRJ Campo Grande prolatou nova decisão, conforme o acórdão ora recorrido (fl. 730), em que reconheceu o direito de crédito apontado pelo contribuinte, conforme a conclusão do voto condutor, abaixo transcrita: Posto isso e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de sustentação oral e, no mérito, por considerar procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o crédito de R$ 6.235,30. A unidade de origem deverá promover os adequados controles com vistas à não utilização do crédito em duplicidade, tendo em vista a natureza do crédito declarado em Dcomp não ser a mesma daquele reconhecido nesta decisão. Cientificado dessa decisão em 14/08/2014 (fl. 739), por meio de remessa postal, o contribuinte apresentou novo recurso voluntário (fl. 741), em 12/09/2014. Desta feita, o recorrente não controverte a decisão a quo, mas a inquina de omissão, consubstanciada no fato desta não ter expressamente declarado a homologação da compensação em tela. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Os fatos relativos à presente lide são incontroversos e o direito de crédito já foi integralmente reconhecido. A questão que remanesce diz respeito à necessidade de expressa declaração da homologação da compensação em tela. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte pediu, em sua manifestação de inconformidade, que fosse determinada a homologação da compensação de sua autoria, conforme o seguinte excerto (fl. 15): Ante o exposto requer que seja recebido o presente recurso e que em seu mérito: Fl. 767DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901080/200679 Acórdão n.º 1801002.278 S1TE01 Fl. 768 4 a) Seja reconhecido o crédito da recorrente, determinandose a homologação da compensação constante da PER/DCOMP e posterior Declaração de Compensação Retificadora, e corolário lógico, declarando esse Colendo Colegiado extinto definitivamente o débito tributário nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional; O Código de Processo Civil pátrio determina que a autoridade julgadora manifestese sobre o pedido do autor, acolhendoo ou rejeitandoo, no todo ou em parte: Art. 459. O juiz proferirá a sentença, acolhendo ou rejeitando, no todo ou em parte, o pedido formulado pelo autor. Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito, o juiz decidirá em forma concisa. Entendo que a decisão a quo não atendeu a esse mister, quando deixou de se manifestar sobre a homologação da compensação. No âmbito do processo judicial, essa omissão poderia ser resolvida mediante embargos de declaração (art. 463, II, do CPC). O contribuinte até ingressou com embargos de declaração dirigidos àquela autoridade (fl. 753). Todavia, no âmbito do processo administrativo fiscal, não há previsão de embargos de declaração destinados a aperfeiçoar a decisão de primeira instância. Em razão disso, entendo que cabe a este tribunal administrativo a adoção da medida remediadora da omissão. Nessa senda, esta Turma de Julgamento poderá anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos para que seja proferida nova decisão, agora sem a apontada omissão. Todavia, também é possível que a omissão seja aqui mesmo reparada, considerando que o recurso voluntário tem efeito devolutivo e considerando ainda que não há risco de supressão de instância, pois a declaração da homologação da compensação não irá infringir a decisão a quo. Diante dessas duas possibilidade, minha opção recaí pela decisão definitiva desse colegiado, em homenagem aos princípios da economia processual e da celeridade. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, ratificando o direito de crédito já reconhecido e declarando a homologação da compensação em tela até o limite do crédito disponível, a ser verificado pela unidade de jurisdição do contribuinte. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 768DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901080/200679 Acórdão n.º 1801002.278 S1TE01 Fl. 769 5 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10384.902421/2008-29
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 24 21 /2 00 8- 29 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902421/200829 Acórdão n.º 1803002.578 S1TE03 Fl. 94 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 11787.87738.210507.1.3.033412, em 21.05.2007 utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$37.591,07 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2004, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 05, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado não foi possível confirmar a apuração do crédito pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$37.591,07 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$26.101,43 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1 ° do art. 8° e art. 28 da Lei 9.430, de 1998. Art. 5° da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 05.12.2008, fl. 19, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0204, com os argumentos a seguir discriminados. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: DO DIREITO O despacho decisório emitido de forma unilateral e por meio eletrônico sem a análise dos fatos ou mesmo da origem dos credito indicados e utilizados nas diversas Per/DComp, vem, e estar distorcendo a compensação de tributos pelo contribuinte no momento em que o Auditor apesar de descrever formalmente em seu despacho Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902421/200829 Acórdão n.º 1803002.578 S1TE03 Fl. 95 3 que existe o crédito, não o utiliza para fins de sua análise, se existe a dúvida da forma de compensação o mais lógico seria a intimação do contribuinte para o esclarecimento das dúvidas por ventura existente, no processe em referência existe saldo negativa da CSLL declarado na DIPJ, conforme afirmado pelo Auditor Fiscal [...] no valor de R$26.101,43 [...], porém no entanto foi compensado o valor de R$37.591,07 [...], o contribuinte realizou a compensação com os valores devidamente corrigidos conforme determina a Lei 9.430/96, ora Sr. Julgador este valor compensado é a sua totalidade dos créditos devidamente com os acréscimos legais e de direitos calculados na Per/DComp objeto deste Despacho Decisório e mesmo esta compensação estivesse sido realizada de forma irregular jamais este poderia ser de forma Decisória, mas sim uma solicitação de retificação da Per/DComp, ou não declarados conforme prevê a IN 376/2003, jamais emitido Despacho Decisório como não homologados [...]. A análise das declarações de compensação, por parte da Receita Federal, no limite da decadência do crédito tributário, vem trazendo insegurança do meio empresarial que possui créditos a compensar, que muitas vezes é surpreendido com despacho como este, não dando mais direito a refazer ou retificar as Declarações de Compensações enviadas anteriormente. DO PEDIDO Que seja julgada procedente a presente reclamação, para o fim de decretar a nulidade do Despacho Decisório, em razão da existência do crédito por saldo negativo da CSLL e ao mesmo mande homologar a Per/DComp de número 11787.87738.210507.1.3.033412. Protesta pela apresentação de todos os meios de prova em direito admitidos e que seja este recurso conhecido e provido, integralmente, para declarar nulo todos os registros inerentes ao referido Auto de Infração, por ser de direito e da mais lídima justiça. Está registrado como ementa do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 08 028.117, de 05.12.2013, fls. 3639: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIVERGÊNCIA DIPJ X PER/DCOMP. Homologase parcialmente a compensação até o limite do saldo negativo comprovado de acordo com os dados extraídos das pesquisas nos sistemas internos da RFB. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Notificada em 20.01.2014, fl. 41, Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.02.2014, fls. 4249, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902421/200829 Acórdão n.º 1803002.578 S1TE03 Fl. 96 4 II DO DIREITO Preliminar da Prescrição Os fatos geradores que implicaram nos presentes autos foram realizados no anocalendário de 2004 e que resultaram na não homologação da compensação declarada via Per/DComp e utilizada no valor de R$37.220,93, que, conforme o Despacho Decisório de 24/11/2008, a exigência a recolher seria de R$37.591,07 e por força deste, foi apresentada a Manifestação de Inconformidade de 06/01/2009, tendo esta sido julgada procedente em parte pelo Acórdão n° 08028.117 de 05/12/2013, com ciência pela Recorrente em 21/01/2014, em vista de tais fatos, merecem sejam estes examinados à luz do instituto da prescrição tributária. Analisando o aspecto temporal, com balizamento nas datas em destaque,constatase que: a) contado da data dos fatos geradores (anocalendário de 2004), para até o Despacho Decisório de 24/11/2008, indiscutivelmente tal ato administrativo foi realizado do em tempo hábil para a não caracterização do instituto da decadência, previsto no art. 173 do CTN; b) contado igualmente da data dos fatos geradores (anocalendário de 2004), para até o julgamento de primeira instância (05/12/2013) ou da ciência do Acórdão, em 21/01/2014, foram transcorridos mais de 9 (nove) anos. Ora, não se concebe a não definição de um processo administrativo fiscal por mais de cinco anos, como é o caso em discussão. Situação que obriga o contribuinte a permanecer, como acusado de devedor ao Fisco, por tão longo tempo, sem que o processo tenha uma solução, o que traz sérios prejuízos para a chamada segurança jurídica, além de obstaculizar o escopo da paz social e de locupletamento indevido do credor. De qualquer modo, além da precisa dicção do caput do art. 174, do CTN (A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da sua constituição definitiva), permitir a paralisação de um processo por mais de cinco anos sem que o sujeito ativo cuide de cobrar aquilo que supõe lhe ser devido é aceitar, sem restrições, que uma pendência entre o contribuinte e o fisco se estenda ad perpetuam. Neste ponto cabe indagar: o que é, segundo dispõe o caput do art. 174 do CTN, crédito tributário definitivamente constituído, posto que o próprio CTN não o define? Dizer que o crédito tributário está definitivamente constituído quando se esgotam todas as possibilidades de revisão do lançamento nas vias administrativas, ou seja, quando não couber mais nenhum recurso administrativo é tese pretoriana e de doutrina, apenas. Mas, tem a jurisprudência õu a doutrina o poder de suprir a lei complementar o CTN? Para tentar aclarar o entendimento da matéria, é oportuno ter em mente, dois institutos jurídicos insertos no bojo do focado CTN. O primeiro deles é suspensão 4 da exigibilidade do crédito tributário (art. 151) e o segundo é a prescrição (art. 174), que são figuras jurídicas distintas. Dentro desse quadro jurídico, há de se encaixar a interrupção da prescrição, prevista no parágrafo único do citado art. 174. Assim posta a matéria, importante se faz lembrar que os casos de interrupção da descrição elencados no parágrafo único do art. 174 do CTN, são: (a) a citação pessoal feita ao devedor; (b) o protesto judicial; (c) qualquer ato judicial que Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902421/200829 Acórdão n.º 1803002.578 S1TE03 Fl. 97 5 constitua em mora o devedor; (d) qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Analisando o dispositivo em questão, observase que nele não há qualquer previsão sobre o instituto da prescrição. O próprio CTN não faz referência ao mesmo em nenhum de seus dispositivos. Nas hipóteses de interrupção da prescrição, elencadas no citado parágrafo único, não constam impugnações e recursos administrativos, de onde se extrair que aperfeiçoado o ato jurídico do lançamento com a ciência ao sujeito passivo, iniciase a contagem do prazo prescricional de cinco anos para a cobrança do crédito tributário. Dentro desse raciocínio, cabe referir: realizado o fato gerador, nasce a obrigação tributária, e se o crédito tributário não for constituído pelo lançamento, a hipótese é de decadência, em face da qual a administração tributária fica impedida de constituílo validamente. A partir da constituição definitiva do crédito tributário, ainda que sob a modalidade de auto de infração, iniciase a contagem do prazo prescricional, inclusive para efeito da denominada prescrição intercorrente, que poderá vir a ser decretada se o processo administrativo fiscal não for ultimado no qüinqüênio legal. E a prescrição intercorrente dáse quando, suspensa ou interrompida a exigibilidade, o processo administrativo ou judicial fica paralisado por incúria da Fazenda Pública, ou seja, a prescrição se verifica no curso do processo.[...] Nesse ponto, cabe trazer à colação o preceito estatuído no do art. 156,inciso V do CTN ("Extinguem do crédito tributário: ...V a prescrição e a decadência;"),que determina seja extinto o crédito tributário no caso previsto nesta Preliminar, de prescrição, que é o que se quer, mas, se assim a Colenda Câmara não entender, que o mérito seja examinado. Mérito O Acórdão que se combate adota por fundamento para julgar pela procedência em parte da Manifestação de Inconformidade, a não tipificação tributária da compensação de débito fiscal com saldo negativo de CSLL não comprovado, o que pode ser contornado por efetiva e criteriosa consulta aos valores demonstrados no Per/DComp [...]. Com efeito, o saldo negativo de CSLL se verifica quando, ao final do ano calendário, a pessoa jurídica, contrapondo o IRPJ e a CSLL devidos e os valores antecipados ao longo do ano, identifica que pagou mais tributo do que deveria. Esse pagamento a maior configura indébito passível de compensação, nos termos da Lei nº 9.430/96, após o encerramento do anocalendário. Como se sabe, na composição do saldo negativo da CSLL são incluídas todas as parcelas pagas pelo contribuinte (ou por terceiros em seu nome, no caso de retenções) por antecipação ao longo do anocalendário, tais como: a) retenções na fonte de IR e CSLL; b) pagamento de estimativas mensais com DARF; c) pagamento de estimativas mensais via Per/DComp. Cabe destacar, neste particular, que atualmente a legislação e as instruções normativas da Receita Federal não vedam o pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL via compensação. A Medida Provisória 449/08 chegou a tentar criar Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902421/200829 Acórdão n.º 1803002.578 S1TE03 Fl. 98 6 essa restrição, incluindo o inciso IX no §3° do art. 74 da Lei 9.430/96, mas esse dispositivo foi suprimido na conversão da medida provisória na Lei nº 11.941/09. Aliás, o art. 156, inciso II, do CTN elegeu a compensação (ao lado do pagamento, da prescrição, da decadência, etc.) como modalidade de extinção do crédito tributário. Dessa forma, tendo o contribuinte quitado determinado débito por compensação, o mesmo deve ser considerado extinto para todos os fins. Dessa forma, concluise que não é lícito à autoridade fiscal reduzir o crédito fiscal que tem como origem saldo negativo de CSLL ao singelo argumento de que o mesmo é formado por outras compensações ainda pendentes de análise. E mais, conforme os §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei 9.430/9617, os recursos aviados contra o despacho decisório que não homologa a compensação têm efeito suspensivo quanto à cobrança do débito compensado, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN. Ou seja, enquanto houver recurso administrativo pendente de decisão final, o débito pretendido devido de CSLL compensado tem sua exigibilidade suspensa, de modo que não pode ser realizado qualquer ato tendente à sua cobrança pelo Fisco, o que também impede a cobrança indireta desse débito mediante redução do saldo negativo apurado ao final do período de apuração. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: De final remate, materializada a situação factual de que a recorrente não se descuidou das suas obrigações tributárias, no anocalendário de 2004, inclusive acusando o saldo negativo de CSLL de R$37.591,07 de tal modo que, promovera, rigorosamente quanto ao instituto jurídico da compensação, de conformidade com as exigências burocráticas estabelecidas na legislação tributária aplicável. Pelo exposto, demonstrada a insubsistência da procedência apenas em parte da sua Manifestação de Inconformidade, espera e requer: Seja acolhido o presente recurso para o fim de ser: a) declarado nulo o Acórdão [...], e, em consequência, a extinção dos efeitos do Despacho Decisório [...] face tipificação da prescrição, ou, se assim não for decidido; b) que, no mérito, seja reformada a,decisão do focado Acórdão, no sentido de ser devidamente reconhecido o valor efetivamente compensado pela Recorrente, de R$37.591,07 e não apenas R$34.568,04. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902421/200829 Acórdão n.º 1803002.578 S1TE03 Fl. 99 7 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. O Despacho Decisório foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902421/200829 Acórdão n.º 1803002.578 S1TE03 Fl. 100 8 legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o Despacho Decisório, fl. 05 e o Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 08028.117, de 05.12.2013, fls. 3639, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente defende que o pedido de compensação foi alcançado pela homologação tácita. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003 ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação também fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica, embora não se possa inferir que este instituto tenha o efeito de fazer nascer qualquer direito creditório6. No presente caso verificase que o Per/DComp foi formalizado em 21.05.2007 e a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório em 05.12.2008, fl. 19. Dessa sorte não transcorreu o prazo de cinco anos e assim não há que se falar em homologação tácita das compensações dos débitos confessados no Per/DComp. Além disso, tem cabimento a aplicação do enunciado da Súmula CARF nº 11, que determina que "não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". A pretensão da defendente, por esta razão, não tem cabimento. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902421/200829 Acórdão n.º 1803002.578 S1TE03 Fl. 101 9 compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 7. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais8. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário verificar a liquidez e certeza mediante um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação da base de cálculo, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensada no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza9. Podese concluir que somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário objeto da DIPJ. 7 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 9 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902421/200829 Acórdão n.º 1803002.578 S1TE03 Fl. 102 10 Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante DARF. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no Voto Condutor do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 08 028.117, de 05.12.2013, fls. 3639: Analisandose a DIPJ do contribuinte do exercício 2005, ano calendário 2004, verificase que ele declara saldo negativo de CSLL no valor de R$26.101,43, (fl. 33) assim apurado: CSLL Devida 3.023,03 CSLL Mensal Paga por Estimativa 29.124,46 CSLL a Pagar 26.101,43 As estimativas de CSLL declaradas como pagas (liquidadas) no ano calendário estão assim discriminados na DIPJ: PA Estimativa Jan 2.738,68 Fev 2.330,32 Mar 2.579,85 Abr 2.039,99 Mai 2.441,51 Jun 2.692,54 Jul 2.746,49 Ago 2.125,21 Set 2.299,25 Out 2.398,04 Nov 2.458,15 Dez 2.274,43 Total 29.124,46 Ocorre que pesquisando os débitos das estimativas de CSLL do contribuinte do anocalendário 2004 no Sistema Sief/Fiscel, onde constam os valores devidos extraídos da DCTF e os respectivos pagamentos/compensações, verificase que o contribuinte declarou e pagou débitos que totalizaram no anocalendário a importância de R$37.591,07, conforme valores abaixo discriminados (fls. 34 e 35): PA Estimativa Jan 3.620,08 Fev 2.924,28 Mar 3.592,36 Abr 2.430,66 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902421/200829 Acórdão n.º 1803002.578 S1TE03 Fl. 103 11 Mai 2.794,00 Jun 2.638,76 Jul 2.685,32 Ago 2.660,28 Set 3.022,74 Out 3.591,84 Nov 3.952,32 Dez 3.678,43 Total 37.591,07 Fonte: Sistema Sief/Fiscel Diante da constatação acima, admitindose como verdadeiros os demais dados da DIPJ do contribuinte, concluise que o saldo negativo apurado foi na realidade R$34.568,04, apurado da seguinte forma: CSLL Devida 3.023,03 CSLL Mensal Paga por Estimativa 37.591,07 CSLL a Pagar 34.568,04 Para fins de apurar o efetivo saldo negativo do contribuinte devem ser levados em consideração os dados extraídos do sistema Fiscel e os pagamentos efetivamente realizados, já que refletem a DCTF do contribuinte, que tem efeito constitutivo de confissão de dívida, ao passo que a DIPJ tem caráter meramente informativo. Embora o contribuinte alegue questões de atualização do saldo negativo para fins de justificar a diferença, essa não é na realidade a causa da divergência que motivou o Despacho Decisório, mas o erro de preenchimento da DIPJ. Contudo, essa falha de argumentação do contribuinte não lhe retira o direito ao crédito de saldo negativo pelo valor efetivamente devido, haja vista os princípios da legalidade e da verdade material. Isso posto, julgo procedente em parte a manifestação de inconformidade para homologar parcialmente a compensação até o limite do valor original de R$34.568,04, saldo negativo de CSLL do anocalendário 2004 reconhecido nesta decisão. Esclareçase que a Recorrente, no período, efetuou os pagamentos dos débitos de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada no total de R$37.591,07. Entretanto, desse montante recolhido deve ser excluído o valor da CSLL devida R$3.023,03, conforme informado pela própria Recorrente na DIPJ do anocalendário de 2004. Assim, foi reconhecido o direito creditório de R$34.568,04 a título de saldo negativo de CSLL. O ajuste do valor do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004 já foi regularmente procedido pela autoridade julgadora de primeira instância na sua integralidade. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que não remanesce qualquer valor a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2004 a ser reconhecido nessa segunda instância de julgamento. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10384.902421/200829 Acórdão n.º 1803002.578 S1TE03 Fl. 104 12 ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso10. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 10 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 35464.001910/2003-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO. SOBRESTAMENTO ART. 62-A DO RICARF.PERDA DE OBJETO
Com a edição da Portaria MF n° 545, de 18/11/2013, revogaram-se os comandos de sobrestamento inseridos nos parágrafos primeiro e segundo do art. 62-A do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Desse modo requerer observar as determinações revogadas implica perda de objeto.
DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.
Descabe exigir em duplicidade adimplemento de obrigação tributária.Isto ocorrendo é nulo o processo.
Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixou de apreciar documentação trazida aos autos pela interessada. A inteligência do artigo 59,II do decreto 70.235/72 permite constatar que em havendo preterição do direito de defesa, nulo é o ato.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2403-002.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração ratificando a decisão anterior. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa que votou pelo não conhecimento dos Embargos.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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SOBRESTAMENTO ART. 62A DO RICARF.PERDA DE OBJETO Com a edição da Portaria MF n° 545, de 18/11/2013, revogaramse os comandos de sobrestamento inseridos nos parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Desse modo requerer observar as determinações revogadas implica perda de objeto. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Descabe exigir em duplicidade adimplemento de obrigação tributária.Isto ocorrendo é nulo o processo. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixou de apreciar documentação trazida aos autos pela interessada. A inteligência do artigo 59,II do decreto 70.235/72 permite constatar que em havendo preterição do direito de defesa, nulo é o ato. Embargos Rejeitados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 19 10 /2 00 3- 98 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração ratificando a decisão anterior. Vencido o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa que votou pelo não conhecimento dos Embargos. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403002.535 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Na forma da ementa e da decisão abaixo transcritas, esta Colenda Turma deu provimento ao Recurso Voluntário interposto na ocasião, verbis: “Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Descabe exigir em duplicidade adimplemento de obrigação tributária.Isto ocorrendo é nulo o processo. Deve ser anulada a decisão de primeira instância que deixou de apreciar documentação trazida aos autos pela interessada. A inteligência do artigo 59, II do decreto 70.235/72 permite constatar que em havendo preterição do direito de defesa, nulo é o ato. DO MÉRITO E DO PROVIMENTO Na forma do comando do § 3º do inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/72, “quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ( Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993).” “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, na PRELIMINAR reconhecer a decadência até 06/1998, com base no §4° do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN; e NO MÉRITO dar provimento ao recurso. ” Fl. 841DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 DOS EMBARGOS O i. Embargante, Procurador da Fazenda Nacional, albergado no, art. 65, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes – CARF, interpôs o presente embargo por entender que o acórdão nº 2403001.713, do processo 35464.001910/200398, de 18 de outubro de 2012, da lavra desta Turma incorreu em contradição e omissão. Ao arrazoar sua motivação enveredou por argumentação que visa manter o julgamento sobrestado por força do art. 62 A do Regulamento Interno deste Conselho denominado : “Desse modo, por força do RICARF, art. 62A, cabe suspender o julgamento da presente causa até a solução final do recurso especial repetitivo nº 1.355.947.” Para consubstanciar seu intento, destacou que o r. acórdão declarou a decadência parcial dos créditos tributários mas que, contudo, os referidos créditos tributários foram objeto de parcelamento REFIS: “Eméritos Julgadores, O r. acórdão declarou a decadência parcial dos créditos tributários. Contudo, os referidos créditos tributários foram objeto de parcelamento REFIS. Consigna a respeito o r. acórdão, verbis:” Entendendo pertinente, colacionou Jurisprudência do STJ e ressaltou que :“a teor do CTN, art. 151, inciso VI, c/c o art. 173, inciso I, descabe declarar a decadência de créditos tributários com exigibilidade suspensa”. É o Relatório. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403002.535 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE Os embargos são tempestivos e contêm os pressupostos de admissibilidade. Portanto, os conheço. Ao arrazoar sua motivação enveredou por argumentação que visa manter o julgamento sobrestado por força do art. 62 A do Regulamento Interno deste Conselho denominado : “Desse modo, por força do RICARF, art. 62A, cabe suspender o julgamento da presente causa até a solução final do recurso especial repetitivo nº 1.355.947.” DA PERDA DE OBJETO Analisando a pretensão do i. Embargante se verifica perda de objeto em razão de que com a edição da Portaria n° 545, de 18/11/2013, revogaramse os comandos de sobrestamento dos até então contidos nos parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria n°256, de juho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. " PORTARIA MF N°545 DE 18/11/2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, Resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de Fl. 843DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento I nterno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA " DOS CRÉDITOS OBJETO DE PARCELAMENTO REFIS Como relatado alhures, o i. Embargante destaca que o r. acórdão declarou a decadência parcial dos créditos tributários mas que, contudo, os referidos créditos tributários foram objeto de parcelamento REFIS: “Eméritos Julgadores, O r. acórdão declarou a decadência parcial doscréditos tributários. Contudo, os referidos créditos tributários foram objeto de parcelamento REFIS. Adiante , argumentando ainda sobre o parcelamento obtido pela prestadora, registrou que : “Na mesma linha de argumentação da Tomadora, a Prestadora dos serviços às fls. 315, apresentou, também, recurso voluntário alegando que o manifesto fiscal de fls. 293 não analisou o mérito da documentação apresentada pela NET SÃO PAULO LTDA que demonstra ser indevida a cobrança dos valores previdenciários por inexistir passivos previdenciários na empresa contratada, pelo relevante e incontestável fato de que a empresa MULTITECH SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA parcelou no ano de 2000 a dívida apurada pela fiscalização em períodos anteriores através do programa REFIS, o que demonstra a regularidade da empresa perante a Receita Previdenciária. (...)” É compulsório ressaltar que o i. Embargante combate a decisão de ter sido declarado a decadência em razão de que os referidos créditos tributários foram objeto de parcelamento REFIS. . “Eméritos Julgadores, O r. acórdão declarou a decadência parcial doscréditos tributários. Contudo, os referidos créditos tributários foram objeto de parcelamento REFIS” Fl. 844DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403002.535 S2C4T3 Fl. 5 7 Neste ponto, de plano, convém apontar o equívoco cometido pelo i. Embargante na medida em que confunde os créditos constituídos pelo lançamento tendo como a autuada a Empresa NET SAO PAULO LTDA por inadimplir obrigações de sua responsabilidade e os créditos à que alude, confessados pela prestadora referentes a fatos geradores distintos relativos às suas obrigações tributárias. Ao informar sobre o parcelamento em comento quiseram as empresas tão somente fazer registro de que se a prestadora obtivera parcelamento para adimplir créditos constituídos por lançamentos de período idêntico, então estaria em dia com suas obrigações, descabendo assim suportar o ônus do lançamento na tomadora pela solidariedade lhe imposta. Assim há que se reiterar que os créditos do lançamento em comento – constituídos por Infração que teria sido cometida pela TOMADORA seguramente, não se referem aos mesmos fatos geradores dos créditos parcelados no REFIS pela PRESTADORA. Na seqüência, o Embargante pretendendo apresentar argumento definitivo de sua tese, colacionou a jurisprudência do STJ abaixo transcrita: (grifos de minha autoria) : “ Espancando qualquer dúvida sobre a questão decidiu o e. STJ, verbis: Analisando a questão sob a óptica do recurso especial repetitivo nº 1.355.947, decidiu o e. STJ, verbis: ‘PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. CONFISSÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARA EFEITO DE PARCELAMENTO APRESENTADA APÓS O PRAZO PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. DECISÃO Tratase de recurso especial interposto com fulcro no permissivo do art. 105, III, "a", da Constituição Federal de 1988, contra acórdão que reconheceu a ocorrência de decadência do crédito tributário constituído via documento de confissão de dívida em pedido de parcelamento formulado após transcorrido o prazo de cinco anos contados do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador (art. 173, I, CTN). O julgado restou assim fundamentado (eSTJ fls. 337): No entanto, o pedido de parcelamento foi formulado após transcorrido o prazo de cinco anos contados do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador (art. 173, I, CTN), pelo que inadmissível a alegação segundo a qual a constituição do crédito ocorreu mediante a confissão de débito. Neste contexto, considerandose que: 1) os créditos ora questionados referemse a tributos vencidos no período de 09/95 a 12/96; 2) o inicio do prazo decadencial deuse em 01/96 a 01/97 e o respectivo término deuse em 01/01 a 01/02; 3) a Exequente permaneceu inerte até a data em que o contribuinte requereu o parcelamento de dividas junto ao Fisco, em 22.07.03, ou seja, quando já decaído o direito de constituir os créditos, pela Exequente; concluise pela ilegitimidade da pretensão executiva, uma vez operada a decadência dos Fl. 845DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 mencionados créditos tributários. Alega a recorrente Fazenda Nacional que houve violação aos arts. 557, do CPC; aos arts. 213 e 214, do CC; ao art. 1º, §2º, da Lei n. 10.684/2003; e ao art. 173, I, do CTN. Entende que o prazo de cinco anos para constituição do crédito, previsto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional não se aplica ao caso em tela, eis que não se trata de lançamento, mas de confissão de dívida (eSTJ fls.343/349). Sem contrarrazões. Recurso regularmente admitido na origem como representativo da controvérsia (eSTJ fls. 353/355). É o relatório. O tema tratado nos presentes autos é, em suma, a discussão a respeito da possibilidade de documento de confissão de dívida tributária poder constituir o crédito tributário mesmo após o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. No caso específico o documento foi apresentado em sede de pedido de parcelamento. Verificase que o tema do recurso, apesar de repetitivo no âmbito da Primeira Seção do STJ, ainda não foi submetido a julgamento pelo novo procedimento do artigo 543C do Código de Processo Civil, regulamentado pela Resolução STJ n. 8/2008. Ante o exposto, recebo o recurso especial como emblemático da controvérsia, a ser dirimida pela Primeira Seção, adotandose as seguintes providências: a) comuniquese, com cópia da presente decisão, aos Ministros da Primeira Seção do STJ e aos Presidentes dos Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça, nos termos do art. 2º, § 2º, da Resolução STJ n. 8/2008 e para os fins neles previstos; b) suspendase o julgamento dos demais recursos sobre a matéria versada no presente recurso especial, consoante preceitua o § 2º do art. 2º da Resolução STJ n. 8/2008; c) dêse vista ao Ministério Público Federal para parecer, em quinze dias, nos termos do art. 3º, II, da Resolução STJ n. 8/2008. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 07 de dezembro de 2012. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator (Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, 11/12/2012)’ Destacado da acima, cumpre observar que, também, DIFERENTE do caso em tela, no precedente trazido à colação se discute sobre a “possibilidade de documento de confissão de dívida tributária poder constituir o crédito tributário mesmo após o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN.” Tema, portanto, estranho ao lançamento. Conforme citado alhures o próprio Embargante assevera que “os referidos créditos tributários foram objeto de parcelamento REFIS”. Entretanto não consta dos autos que o parcelamento fora contextualizado no sobredito precedente exarado pelo STJ ou seja : “confissão de dívida tributária constituindo crédito tributário mesmo após o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN”. Assim não se vislumbra esteio para amparar seus argumentos. Muito relevante ter presente que o julgado em tela se refere a autuação sofrida pela Recorrente tomadora NET SÃO PAULO LTDA. e que decadência se observou em relação ao lançamento que constituiu o crédito tributário resultado da ação fiscal sofrida por esta. É fato que tal decisão alcança também a prestadora por ter sido incluída no pólo passivo como solidária deste lançamento. Entretanto em hipótese alguma se falou em declarar decaídos lançamentos eventualmente sofridos pela prestadora em razão de inadimplidas suas Fl. 846DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403002.535 S2C4T3 Fl. 6 9 obrigações sobre fatos geradores próprios e distintos do auto em tela que tiveram como conseqüência confissão de dívida envolvendo o mesmo período com e parcelamento aprovado. Desse modo a decadência das obrigações da tomadora ora observada no acórdão nunca esteve “sub judice” e por ser de ordem pública foi reconhecida no “decisium”. O i. Embargante registrou que “a teor do CTN, art. 151, inciso VI, c/c o art. 173, inciso I, descabe declarar a decadência de créditos tributários com exigibilidade suspensa”. Como restou esclarecido, a tomadora não tinha exigibilidade alguma suspensa e ainda ocorre que o no sobredito artigo foi Incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001, inclusão esta superveniente aos fatos geradores ocorridos no período 01/01/1998 a 31/12/1998, que na forma do que determina o art. 144 do mesmo CTN , “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário; (..) VI – o parcelamento. ( Incluído pela Lcp n 104, de 10.1.2001) ” Conforme o Relatório Fiscal de fls.19, reiterese, a empresa fora notificada em 08/07/2003, em virtude de lançamento para o período de 01/98 a 12/98. DAS INSTRUÇÕES E DA JURISPRUDÊNCIA A PORTARIA SRP/DEFIS Nº 018, DE 10 DE OUTUBRO DE 2006, embora superveniente determinava, por conservadorismo, para evitar a nulidade dos lançamentos do gênero em comento, determinou que nas ações fiscais as Autoridades autuantes verificassem se foram analisadas as informações disponíveis relativas ao devedor solidário, de que não houve ação fiscal com exame de contabilidade contra este e que os créditos referentes a prestação de serviço ora tributada não foram objeto de lançamento anterior devendo por conseguinte constar do Relatório Fiscal, vide anexo IV, item 11.4.3 . Tal determinação não consta do Relatório Fiscal. Noutro giro, não tendo sido observado nos autos registros que a prestadora não sofrera auditoria fiscal com exame da contabilidade no mesmo período em que fora a tomadora, a jurisprudência deste Conselho concorre para dar provimento às alegações da autuada, senão vejamos : “ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° 11330.000934/200749 Recurso n° 150.621 De Oficio Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Acórdão 20601.551 Sessão de 06 de novembro de 2008 Fl. 847DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Recorrente DRJ RIO DE JANEIRO Interessado PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1995 a 31/05/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFICIO NOTIFICAÇÃO FISCAL E LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. ( grifos do Relator) Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Renato de Oliveira Silva, OAB/RJ n° 133.477. ELIAS SAMPAIO FREIREPresidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRARelatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. ” “ Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601550 do Processo 11330000897200731 06/11/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/11/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFÍCIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. Recurso de Ofício Negado.” “Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Fl. 848DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403002.535 S2C4T3 Fl. 7 11 Acórdão nº 20601548 do Processo 11330000889200794 06/11/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1998 Ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFÃ CIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. Recurso de Ofício Negado.” “Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601702 do Processo 11330000890200719 04/12/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/03/1996 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Não cabe o lançamento por solidariedade na contratante de serviços com cessão de mãodeobra quando constatada a ocorrência de ação fiscal na empresa prestadora, com exame de contabilidade por todo o período abrangido pelo lançamento. Recurso de Ofício Negado.” Na conclusão do voto hostilizado, com base no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN , tendo em vista que o legislador não legislou para se observar rubricas mas sim o tributo, tendo havido “ pagamentos antecipados” pela tomadora para as demais rubricas, reconheci a decadência até 06/1998, inclusive, e no MÉRITO dei provimento ao recurso. Ainda sobre o Relatório Fiscal de fls.19, o crédito previdenciário fora constituído decorrente da prestação de serviço contratado pelo contribuinte NET SÃ0 PAULO LTDA, sob o regime de cessão de mãodeobra com a empresa prestadora ORPLAN SERVIÇOS DE ENGENHARIA E TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Como se nota, tratase de levantamento único. Assim tendo sido dado provimento no MÉRITO, ainda que não ocorressem competências fulminadas pelo instituto da decadência, todo o lançamento teria sido desconstituído em razão de ter prosperado os argumentos da Recorrente com PROVIMENTO DO MÉRITO. A decadência fora reconhecida por ser matéria de ordem pública não cabendo ao julgador, deixar de apontar sua ocorrência. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Aduz que compulsado pelo embargo ao reexame dos autos, reparei que às fls. 04/05, no documento denominado DESCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO – DAD, constituíramse créditos para a rubrica TERCEIROS. De acordo com o art. 187, §2°, inc. I, da então vigente IN n.° 100/03 e o Parecer CJ/MPAS n.° 1.710/99, determinavamse que não há responsabilidade solidária em relação à cobrança das contribuições destinadas a outras entidades e fundos. Tal ocorrência inquina de VÍCIO INSANÁVEL o lançamento cabendo de ao julgador ,de ofício, determinar a nulidade verificada. Assim, embora rechace os argumentos de que houvera ocorrido omissão e obscuridade interpostos pelo i. Embargante, compulsado pelo que preceitua o parágrafo único do art. 168 do novo Código Civiil quando determina que “As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido suprilas, ainda que a requerimento das partes.” , e ainda, pelo art. 169 do mesmo diploma legal que “ O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo insta acolher os embargos para sanar o omissão ora revelada. Aduz que assim agindo não se observara “ reformatio in pejus” . DA JURISPRUDÊNCIA NO STJ Enfrentando o teor do AgRg no REsp 916914/RS, sobre a questão da solidariedade, o STJ, aludiu a necessidade de verificação prévia junto ao contribuinte , e ainda, asseverou que quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o INSS a efetuar o lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo tomador de serviço/construtor, verbis: “ Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma AgRg no REsp 916914 / RS 23/06/2009 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SUBSTITUTOS TRIBUTÁRIOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA (DE 1996 A 1998). RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO DE EMPREITADA DE MÃODEOBRA (A PARTIR DA LEI 9.711/98, NO EXERCÍCIO DE 1999). SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA (...) 14. No presente caso, a autarquia previdenciária acionou a empresa por contribuições sociais (outrora denominadas de previdenciárias) devidas pela mãodeobra terceirizada contratada. Contudo, o tribunal a quo, à luz do contexto fático probatório engendrado nos autos, considerou a inexistência de prova relativa à dívida a qual se pretende declarar a Fl. 850DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35464.001910/200398 Acórdão n.º 2403002.535 S2C4T3 Fl. 8 13 solidariedade, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Vejase que o INSS, pelo simples fato da não apresentação das guias pelo responsável tributário, contra o mesmo procedeu à aferição indireta, sem nenhuma outra verificação prévia junto ao contribuinte. Mas, quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o INSS a efetuar o lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo tomador de serviço/construtor, das contribuições relativas à obra. Impõe se que o INSS verifique se o construtor efetuou ou não os recolhimentos. De fato, não há que se confundir a causa que atrai a responsabilidade solidária do dono da obra (ausência da documentação exigida comprobatória do pagamento pelo contribuinte) com a pendência da obrigação tributária em si. A responsabilidade solidária recai sobre obrigações que precisam ser apuradas adequadamente, junto aos empreiteiros/construtores contribuintes, de modo a se verificar a efetiva base de cálculo e a existência de pagamentos já realizados, até porque, na solidariedade, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais, nos termos do art. 125, I, do CTN. A análise da documentação do tomador de serviço/construtor é, assim, indispensável ao lançamento. Em existindo dívida, terseá a possibilidade de exigila de um ou de outro, forte na solidariedade, sem benefício de ordem, conforme se infere do art. 124, parágrafo único, do CTN." 15. Destarte, tendo o Tribunal de origem concluído, com base na prova dos autos, que não houve prova da ausência de recolhimento dos tributos, para que fosse declarada a responsabilidade solidária pretendida pela autarquia, devendo esta submeter os documentos da empresa à uma apuração mais detida, infirmar essa decisão implica o revolvimento de matéria fático probatória, o que é defeso em sede de recurso especial, em face do óbice erigido pela Súmula 07 do STJ. (Precedentes: AgRg no REsp 979.908/SP, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 871.234/SP, DJ 12.02.2008) 16. A divergência jurisprudencial, ensejadora de conhecimento do recurso especial, deve ser devidamente demonstrada, conforme as exigências do parágrafo único do art. 541 do CPC, c/c o art. 255 e seus parágrafos, do RISTJ. 17. A demonstração do dissídio jurisprudencial, impõe indispensável avaliarse a solução do decisum recorrido e do(s) paradigma(s) assentaramse nas mesmas premissas fáticas e jurídicas, havendo entre elas similitude de circunstâncias. 18. Agravo regimental desprovido. Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Denise Arruda (Presidenta) e Benedito Gonçalves votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. ” Fl. 851DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 CONCLUSÃO De tudo que foi exposto, conheço dos Embargos de Declaração PARA REJEITÁLOS e RATIFICAR a decisão hostilizada no Acórdão em comento quando por unanimidade de votos, os membros desta 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO em PRELIMINAR reconheceram a decadência até 06/1998, com base no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN; e NO MÉRITO deram provimento ao recurso. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 852DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10283.909714/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 14 /2 00 9- 56 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909714/200956 Acórdão n.º 3202001.573 S3C2T2 Fl. 380 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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