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Numero do processo: 10711.002180/2007-86
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 24/09/2003
Ementa: NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. FASE DE
FISCALIZAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO.
A ausência de intimação do contribuinte para a apresentação de quesitos ou para manifestação sobre o Laudo do Laboratório Nacional de Análises, no curso da fiscalização, não implica cerceamento do direito de defesa nem tampouco a nulidade do auto de infração, porque ainda não instaurada a fase contraditória do procedimento fiscal. Precedentes do Carf.
MULTA REGULAMENTAR. TAXA SELIC. VIOLAÇÃO AOS
PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE.
SÚMULA CARF No 02. CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE
DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula Carf n° 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO QUÍMICA. COMPOSTOS
ORGÂNICOS. USO ESPECÍFICO NA INDÚSTRIA TÊXTIL. NCM
3809.91.90.
De acordo com o disposto na Seção VI das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, as preparações químicas contendo compostos orgânicos derivados do policarboxilato e fosfonato, para uso na indústria têxtil, submetem-se à NCM 38.09.91.90.
ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT No.12/1997. MULTA
PREVISTA NO ART. 84, I, DA MP No.2.158/2001. INAPLICABILIDADE.
O Ato Declaratório Normativo Cosit no 12/1997, que trata da multa por falta de licença de importação, não se aplica à sanção por erro na classificação fiscal da mercadoria, prevista no art. 84, I, da MP 2.158/2001.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-000.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 24/09/2003 Ementa: NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. FASE DE FISCALIZAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. A ausência de intimação do contribuinte para a apresentação de quesitos ou para manifestação sobre o Laudo do Laboratório Nacional de Análises, no curso da fiscalização, não implica cerceamento do direito de defesa nem tampouco a nulidade do auto de infração, porque ainda não instaurada a fase contraditória do procedimento fiscal. Precedentes do Carf. MULTA REGULAMENTAR. TAXA SELIC. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF No 02. CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula Carf n° 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO QUÍMICA. COMPOSTOS ORGÂNICOS. USO ESPECÍFICO NA INDÚSTRIA TÊXTIL. NCM 3809.91.90. De acordo com o disposto na Seção VI das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, as preparações químicas contendo compostos orgânicos derivados do policarboxilato e fosfonato, para uso na indústria têxtil, submetem-se à NCM 38.09.91.90. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT No.12/1997. MULTA PREVISTA NO ART. 84, I, DA MP No.2.158/2001. INAPLICABILIDADE. O Ato Declaratório Normativo Cosit no 12/1997, que trata da multa por falta de licença de importação, não se aplica à sanção por erro na classificação fiscal da mercadoria, prevista no art. 84, I, da MP 2.158/2001. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 24/09/2003 Ementa: NULIDADE. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. FASE DE FISCALIZAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. A ausência de intimação do contribuinte para a apresentação de quesitos ou para manifestação sobre o Laudo do Laboratório Nacional de Análises, no curso da fiscalização, não implica cerceamento do direito de defesa nem tampouco a nulidade do auto de infração, porque ainda não instaurada a fase contraditória do procedimento fiscal. Precedentes do Carf. MULTA REGULAMENTAR. TAXA SELIC. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. SÚMULA CARF No 02. CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATOS NORMATIVOS NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula Carf no 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Matéria não conhecida. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO QUÍMICA. COMPOSTOS ORGÂNICOS. USO ESPECÍFICO NA INDÚSTRIA TÊXTIL. NCM 3809.91.90. De acordo com o disposto na Seção VI das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, as preparações químicas contendo compostos orgânicos derivados do policarboxilato e fosfonato, para uso na indústria têxtil, submetemse à NCM 38.09.91.90. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT No.12/1997. MULTA PREVISTA NO ART. 84, I, DA MP No.2.158/2001. INAPLICABILIDADE. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 O Ato Declaratório Normativo Cosit no 12/1997, que trata da multa por falta de licença de importação, não se aplica à sanção por erro na classificação fiscal da mercadoria, prevista no art. 84, I, da MP 2.158/2001. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 13/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, assim ementado (fls. 113 114): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 24/09/2003 LAUDO. O laudo ou parecer técnico sobre produto importado será considerado eficaz no caso de se tratar de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação, inclusive se exarado em outro processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE Fl. 239DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.002180/200786 Acórdão n.º 380200.652 S3TE02 Fl. 231 3 GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Não constitui a infração administrativa ao controle das importações, disposta como importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, a declaração de importação de mercadoria com classificação fiscal errônea, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate intuito doloso ou máfé por parte do declarante. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1°) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é da competência desta instancia administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. As solicitações de diligência ou perícia que sejam consideradas prescindíveis pela autoridade julgadora ou que não observem os requisitos legais devem ser justificadamente indeferidas. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Arguições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Recorrente importou a mercadoria “Ladiquest 1097”, classificandoa na NCM 2931.0039 (outros), aplicável aos “compostos organofosforados, exceto os produtos do item 2931.00.7”. A autoridade lançadora, porém, após solicitar a elaboração de laudo pericial, entendeu que o produto seria uma “preparação química contendo compostos orgânicos derivados de policarboxilato e fosfonato, do tipo utilizado na indústria têxtil”, classificado na NCM 3809.91.90. Em razão disso, foram cominadas as multas previstas no art. 633, II, “a”, do Fl. 240DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Regulamento Aduaneiro (falta de licença de importação) e no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001 (devido à classificação incorreta da mercadoria na NCM). Após rejeitar preliminar de nulidade, a decisão recorrida entendeu que estariam presentes os requisitos do Ato Declaratório Normativo Cosit no 12/1997, afastando a multa por falta de licença de importação. Manteve, por outro lado, a penalidade pecuniária cominada nos termos do 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001. Não foi acolhido o pedido de exclusão da taxa Selic nem a alegação de violação ao princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, porque seria defeso aos órgãos do contencioso administrativo o exame de constitucionalidade de atos normativos. A DRJ, por fim, rejeitou o pedido de perícia. O Recorrente, nas razões de fls. 129159, reitera os argumentos expostos na impugnação, requerendo a reforma integral da decisão recorrida. É o relatório Voto Conselheiro Solon Sehn Não há, nos autos, indicação da data da ciência da decisão. O aviso de recebimento não permite qualquer identificação. O número de rastreamento da correspondência, por outro lado, não é legível. Apesar disso, considerando a data da expedição da intimação (dia 27/09/2010 fls. 127/v), verificase que a tempestividade do protocolo (ocorrido dia 28/10/2010 fls. 129). O recurso, assim, pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. DA PRELIMINAR DE NULIDADE A ausência de intimação do contribuinte, no curso da fiscalização, para fins de apresentação de quesitos ou para manifestação sobre o Laudo do Laboratório Nacional não implica cerceamento do direito de defesa nem tampouco a nulidade do auto de infração. Afinal, consoante remansosa jurisprudência do Conselho, ainda não foi instaurada a fase contraditória do procedimento fiscal: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE ANTECEDE À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. Não há que se falar, portanto, em nulidade do auto de infração sob a alegação de que a autoridade autuante deixara de oferecer prazo para que o sujeito passivo ofereça contrarrazões às conclusões consignadas no laudo técnico produzido no curso da ação fiscal. (Acórdão 3102410.625. 3a S. 1a C. 2a. TO. Rel. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. S. de 18/03/2010). CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA E LAPA QUE ANTECEDE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Fl. 241DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.002180/200786 Acórdão n.º 380200.652 S3TE02 Fl. 232 5 Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. (Acórdão 310200.676. 3a S. 1a C.2a TO. Rel. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. S.de 25/05/2010. No mesmo sentido, cf.: Acórdão n°20181498; 105 17234; 30.133707; 10615779; 10195473; 10421003). A preliminar de nulidade, portanto, não deve ser acolhida. DO MÉRITO O Laudo do Laboratório Nacional de Análises do Ministério da Fazenda concluiu que a mercadoria importada é uma “preparação química contendo compostos orgânicos derivados do policarboxilato e fosfonato, do tipo utilizado na indústria têxtil” (fls. 11). O Recorrente, por sua vez, sustenta que o produto não seria uma preparação, mas sim uma solução aquosa de composto organofosforado, de constituição química definida, classificada na posição NCM 2931.00.39: 2931.00.3 Compostos organofosforados, exceto os produtos do item 2931.007 [...] 2931.0039 Outros Essa alegação, entretanto, não pode ser acolhida, porque baseada em simples declaração do próprio Recorrente, que também é fabricante do produto. Esta, por sua vez, limitase a afirmar que o produto constitui “uma solução aquosa de Ácido tris[(oxidonitrilo) tris(metileno)] fosfônico (CAS number 15834103)” (fls. 66). Não é fornecido qualquer outro elemento capaz de infirmar as conclusões do Laudo do Laboratório Nacional de Análises do ministério da Fazenda. Nem mesmo foram apresentadas as especificações técnicas do produto, o que sequer permite saber se efetivamente há alguma divergência em relação à composição química encontrada no laudo e a declaração do fabricante. O Recorrente, com efeito, limitase a apresentar a Ficha de Informação de Segurança do Produto (fls. 6771), contendo os seguintes dados sobre a caracterização química: Nome comercial: Ladiquest 1097 ip2 liq Caracterização química: Derivado de ácido fosfônico Não iônico. A mercadoria, assim, na esteira do Laudo do Laboratório Nacional, deve ser considerada uma “preparação química contendo compostos orgânicos derivados do policarboxilato e fosfonato, do tipo utilizado na indústria têxtil”, inclusive porque este estudo teve, dentre suas referências, a informação técnica do fabricante (fls. 11). Fl. 242DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Essa conclusão é corroborada pela descrição do produto na declaração de importação DI no 03/08193819 (fls. 19): TRATASE DE UM PRODUTO COM APLICACAO UNIVERSAL. AGENTE SEQUESTRANTE E COLOIDE PROTETOR, NAO FORMADOR DE ESPUMA, COM PROPRIEDADES DISPERSANTES. CAMPO DE APLICAÇÃO: TRATAMENTO PREVIO (DESENGOMAGEM, PURGA ALCALINA, ALVEJANTE COM PEROXIDO E ALVEJANTE REDUTOR), BRANQUEAMENTO OPTICO, TINGIMENTO, ESTAMPAGEM, ACABAMENTO DE LA E PROCESSOS DE ENSABOAMENTO E LAVAGEM POSTERIOR. BASE QUIMICA: AGENTE DISPERSANTE E SEQUESTRANTE LIQUIDO, DE UMA PREPARACAO DO TIPO UTILIZADO NA INDUSTRIA TEXTIL. UMA PREPARACAO DA INDUSTRIA QUIMICA. ESTADO FISICO: LIQUIDO QUALIDADE INDUSTRIAL. (sic.) Tais elementos denotam que o produto Ladiquest 1097 ip2 liq. constitui uma preparação do tipo utilizado na indústria têxtil, com propriedade dispersante e sequestrante, destinado à aplicação na desengomagem, na purga alcalina, branqueamento ótico, tingimento e estampagem, que são etapas próprias do processo de fabricação de tecidos. Não procede, portanto, a alegação de que o produto não seria uma “preparação”, uma vez que foi o próprio Recorrente que assim o descreveu na declaração de importação (fls. 19). Essa circunstância, aliada à aplicação específica à indústria têxtil, afastam a incidência das posições do capítulo 29. Isso porque, de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aprovadas pelo Decreto no 435/1992, esse capítulo compreende apenas produtos de constituição química definida apresentados isoladamente: Notas. 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; [...] e) as outras soluções dos produtos das alíneas a), b) ou c) acima, desde que essas soluções constituam um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de transporte, e que o solvente não torne o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; (g.n). Ademais, ainda segundo as Notas Explicativas do Sistema, o produto deve ser constituído por uma espécie molecular: [...] A) Compostos de constituição química definida (Nota 1 do Capítulo) Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é Fl. 243DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.002180/200786 Acórdão n.º 380200.652 S3TE02 Fl. 233 7 definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo. Os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente contendo substâncias que foram acrescentadas deliberadamente durante ou após a sua fabricação (incluída a purificação) estão excluídos do presente Capítulo. Por conseqüência, um produto constituído, por exemplo, por sacarina misturada com lactose, a fim de que possa ser utilizado como edulcorante, está excluído do presente Capítulo (ver Nota Explicativa da posição 29.25). Estes compostos podem conter impurezas (Nota 1 a)). O texto da posição 29.40 cria uma exceção a esta regra porque, relativamente aos açúcares, restringe o âmbito da posição aos açúcares quimicamente puros. O termo “impurezas” aplicase exclusivamente às substâncias cuja presença no composto químico distinto resulta, exclusiva e diretamente, do processo de fabricação (incluída a purificação). Essas substâncias podem provir de qualquer dos elementos que intervêm no curso da fabricação, e que são essencialmente os seguintes: a) matérias iniciais não convertidas, b) impurezas contidas nas matérias iniciais, c) reagentes utilizados no processo de fabricação (incluída a purificação), d) subprodutos. No entanto, convém referir que essas substâncias não são sempre consideradas “impurezas” autorizadas pela Nota 1 a). Quando essas substâncias são deliberadamente deixadas no produto para tornálo particularmente apto para usos específicos de preferência a sua aplicação geral, não são consideradas impurezas admissíveis. Assim excluise o produto constituído por uma mistura de acetato de metila com o metanol, deliberadamente deixado para tornálo apto a ser utilizado como solvente (posição 38.14). Relativamente a alguns produtos (por exemplo, etano, benzeno, fenol e piridina), há critérios específicos de pureza que são indicados nas Notas Explicativas das posições 29.01, 29.02, 29.07 e 29.33. (g.n.) Portanto, em se tratando de uma preparação química particularmente apta ao uso específico na indústria têxtil, deve ser aplicada a NCM 3809.91.90. Com efeito, de acordo com a Seção VI das Notas Explicativas, a posição 3809 abrange as preparações e os produtos empregados especificamente na indústria têxtil: SEÇÃO VI Fl. 244DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 PRODUTOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS 38 Produtos diversos das indústrias químicas. 38.09 Agentes de apresto ou de acabamento, aceleradores de tingimento ou de fixação de matérias corantes e outros produtos e preparações (por exemplo, aprestos preparados e preparações mordentes) dos tipos utilizados na indústria têxtil, na indústria do papel, na indústria do couro ou em indústrias semelhantes, não especificados nem compreendidos em outras posições. [...] 3809.91 Dos tipos utilizados na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes A presente posição abrange uma grande gama de produtos e preparações dos tipos utilizados, geralmente, durante as operações de fabricação e acabamento de fios têxteis, tecidos, feltros, papel, cartão, couro ou matérias semelhantes, não especificados nem compreendidos em outras posições da Nomenclatura. Reconhecemse como classificáveis na presente posição pelo fato de a sua composição e a sua apresentação lhes conferirem uma utilização específica nas indústrias referidas no texto da posição e em indústrias semelhantes, tais como a indústria de revestimentos têxteis para o assoalho, a indústria de fibras vulcanizadas e a indústria de peleteria (peles com pêlo*). Os produtos e preparações destinados mais particularmente a utilizações domésticas, tais como os amaciadores de têxteis, classificamse tambémḿ nesta posição. (g.n.) Logo, a decisão recorrida não demanda qualquer reparo, porquanto o produto, efetivamente, se enquadra na NCM 3809.91.90: 3809.91 Dos tipos utilizados na indústria têxtil ou nas indústrias semelhantes 3809.91.10 Aprestos preparados 3809.91.20 Preparações mordentes 3809.91.30 Produtos ignifugos 3809.91.4 Impermeabilizantes [...] 3809.91.90 Outros Os precedentes colacionados pelo Recorrente não alteram essa conclusão, porque se referem as produtos distintos (DEQUEST 2010 e DEQUEST 2000). Portanto, tendo ocorrido equívoco na classificação fiscal da mercadoria importada, mostrase aplicável a multa prevista no art. 84, I, da MP 2.158/2001: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Fl. 245DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10711.002180/200786 Acórdão n.º 380200.652 S3TE02 Fl. 234 9 I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou [...] § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Referida sanção não é afastada pelo Ato Declaratório Normativo Cosit no 12/1997, que trata da multa por falta de licença de importação: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n° 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, as Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infracão administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifcirio pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (g.n.) A alegada violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como a inconstitucionalidade da taxa Selic, por sua vez, não podem ser conhecidas. Tais matérias não se inserem no âmbito da competência do Conselho, consoante Súmula Carf no 02, sendo defeso a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Registrese ainda que a aplicabilidade da Selic para fins tributários foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 582.4611, em regime de repercussão geral, tornando aplicável o disposto no art. 62A do Regimento Interno2. Ante o exposto, votase pelo conhecimento parcial do recurso, pela rejeição da preliminar de nulidade e, no mérito, pelo seu desprovimento, com a consequente manutenção da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator 1 Descrição do objeto: "Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 150, I, III, IV; e 155, II, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, da inclusão do valor do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços ICMS em sua própria base de cálculo, do emprego da taxa SELIC para fins tributários e da fixação de multa moratória em 20% do valor do tributo." Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2606882&numeroP rocesso=582461&classeProcesso=RE&numeroTema=214#. Acesso em 27/07/2011. 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 247DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 14098.000256/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005, 01/01/2006 a 31/12/2006
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração.
ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS.
As alegações desprovidas de prova, quando necessária, não tem o condão de afastar o pressuposto de fato do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2202-009.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros:, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Gleison Pimenta Sousa e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: SONIA DE QUEIROZ ACCIOLY
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. As alegações desprovidas de prova, quando necessária, não tem o condão de afastar o pressuposto de fato do lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros:, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Gleison Pimenta Sousa e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 322 e ss) interposto contra decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (fls. 295 e ss) que manteve parcialmente a autuação relativa às contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social (ou recolhidas em valor inferior), relativas às contribuições a cargo de segurados empregados e segurados contribuintes individuais cujos recolhimentos não foram comprovados pela autuada, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 02 56 /2 00 9- 36 Fl. 371DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação da Receita Federal do Brasil. A R. decisão proferida pelo Colegiado de 1ª Instância analisou as alegações apresentadas, abaixo reproduzidas, e manteve em parte a autuação: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada mediante Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.243.106-2 e anexos de f. 01-34, através do qual se exige 0 valor consolidado em 03/09/2008 de RS 151.279,13. LANÇAMENTO A exigência se refere à contribuição dos segurados e contribuintes individuais, apuradas por aferição indireta, conforme indicado nos fundamentos legais do débito,, f. 31-32. No relatório fiscal e anexos integrantes do auto de infração, f. 35 e seguintes, assim a autoridade caracterizou- a ocorrência do fato gerador: DA NAO APRESENTAÇAO DE DOCUMENTOS EXIGIVEIS PARA VERIFICAÇAO DO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PREVIDENCIARIAS PRINCIPAIS E ACESSORIAS 3. Nos termos do Artigo 32, inciso III, da Lei 8.212/91, o sujeito passivo devera prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. 3.1 Ocorre que, através do oficio nº 078/09/GP/PMNG, de 01/04/2009, corroborado pelo Boletim de Ocorrência BO n° 089-08, datado de 13/08/2008, registrado junto ao Destacamento PM de Nova Guarita - MT, e pelo laudo pericial n" 02. 05. 08. 0596- 2008 da POLITEC Perícia Oficial e Identificação Técnica de Sinop-MT, a autuada informou que a sede administrativa da Prefeitura Municipal de Nova Guarita - M T foi consumida por um incêndio na madrugada do dia 13 de agosto de 2008, queimando toda a documentação que lá se encontrava, inclusive aquelas solicitadas no TIAF Termo de Inicio da Ação Fiscal. 3.1.1 Nessa oportunidade foram apresentados tão somente os seguintes documentos: oficio n° 078/09/GP/PMNG, cópia do Boletim de Ocorrência - BO n” 089-08, cópia do laudo pericial do incêndio (02. 05. 08. 0596-2008 da POLITEC de Sinop-M7), cópias de documentos e comprovantes de endereço dos responsáveis, cópia da lei 023/95 que dispõe sobre o regime juridico dos servidores públicos municipais e cópia da lei orgânica do municipio. DA NÃO CARACTER1ZAÇÃ0 DO CRIME DE APROPRIAÇÃO 1NDEB1TA PREVIDENC1AR1A 4 Não foi caracterizado, em tese, o crime de apropriação indébita previdenciária, previsto no Art. 168-A, do Código Penal (Decreto-Lei 2.848, de 07/12/1940), incluido pelo Lei 9.983/2000, em virtude da não comprovação dos descontos das contribuições dos segurados referidos acima, nos ternos da alínea "a", inciso I, art 30, da Lei 8.212/91. DO ARBITRA MENTO 5. Em virtude não apresentação dos documentos exigíveis para verificação do cumprimento de obrigações previdenciárias principais e acessórias, pelas razões acima expostas, para apuração das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, objeto de lançamento através deste Auto de Infração, foram utilizados arquivos digitais, fornecidos pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso, contendo informações relativas aos empenhos efetuados pela autuada, relativos ao anos de 2005 e 2006. 5.1 Cabe esclarecer que os referidos arquivos digitais foram fornecidos por aquele Tribunal, através do OF.:527/PRES/TCE-MT/2009, de 20/03/2009, em atendimento à solicitação feita pela Delegacia da Receita Federal, em Cuiabá-MT, em 03/03/2009, através do Oficio nº 0692/09 Gabin/DRF - Cuiabá/MT (copias anexas). Fl. 372DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 5.1.1 Do exame das informações constantes dos referidos arquivos digitais em confronto com as informações constantes do banco de dados da Receita Federal do Brasil, prestadas através de GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, foi constatado que a autuada deixou de declarar fatos geradores através de GFIP, bem como deixou de proceder a arrecadação e recolhimento ou fez recolhimentos a menor das contribuições previdenciárias a cargo do empregador incidentes as remunerações pagas, devidas ou creditas aos segurados empregados e aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. 5.2 Assim, pelo fato de a autuada ter deixado de apresentar os documentos comprobatórios relativos aos pagamentos efetuados aos segurados, acima referidos, não restou outra alternativa a não ser a apuração das diferenças de bases de cálculo dos tributos ora lançados através de aferição indireta (arbitramento) a partir das informações constantes dos arquivos digitais fornecidos pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso. através do OF :.527/PRES/TCE-MT/2009. de 20/03/2009. 5.2.1 Vale esclarecer que o arbitramento é uma forma de constituição de crédito que pode empregar diferentes procedimentos dentre eles o método de aferição indireta e encontra o seu amparo na Lei n° 8.112/91, §§ 3° (com a redação dada pela Lei 11.941/2009) e 6” do art. 33 (com a redação dada pela Lei 11.941/2009). DA CONSTITUIÇAO DO CREDITO PREVIDENCIARIO 6. De acordo com o Art. 33, § 5°, da Lei 8.212/91, o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto em Lei. Levantamento FNG (Período de lançamento: 01/2005 a 12/2006). 6.1 Os créditos constituídos correspondem aos valores das diferenças de contribuições previdenciárias pelas quais a autuada tornou-se diretamente responsavel ao deixar de proceder ao desconto dos segurados a seu serviço, incidentes sobre as remunerações a eles pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo no decorrer do mês. 6.1.1 Conforme consta do demonstrativo denominado ANEXO 1 (A1‹DEBCAD n° 37.243.105-4 e 37.243.106-2 - Demonstrativo Consolidado de Apuração de Bases de Cálculo de Contribuições Previdenciárias – Comparativo entre EMPENHOS X GFIP, para o cálculo da diferença de contribuições a cargo dos segurados (Diferença/CS) foi utilizada a alíquota mínima de 8% sobre o montante dos empenhos efetuados pela autuada, com classificação de despesa 3190.11.00 e 3190.04.00, relativos a remuneração de empregados (coluna BC Total) e deduzido desse valor o montante das contribuições a cargo dos segurados declaradas em GFIP (GF IP/CS). Levantamento C1 (Periodo de lançamento: 01/2005 a 12/2006) 6.2 Os créditos constituídos correspondem aos valores das contribuições previdenciárias pelas quais a autuada tornou-se diretamente responsável ao deixar de proceder ao desconto de 11%, respeitado o salário de contribuição, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no decorrer do mês. Levantamento FRT (Período de lançamento: 01/2005 a 12/2006) 6.3 Os créditos constituídos correspondem aos valores das contribuições previdenciárias pelas quais a autuada tornou-se diretamente responsável ao deixar de proceder ao desconto de 11%, respeitado o salário de contribuição, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes Fl. 373DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 individuais transportadores rodoviários autônomos que lhe prestaram serviços no decorrer do mês. DOS FATOS GERADORES Levantamento FNG (Período de lançamento: 01/2005 a 12/2006) 7. Constituem fatos geradores dos tributos ora lançados neste Auto de Infração, as remunerações não discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, cujas diferenças de bases de cálculo foram apuradas a partir do confronto entre as informações prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP, e as informações constantes das arquivos digitais fornecidos pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, através do OF :.527/PRES/TCE-MT/2009, de 20/03/2009, em atendimento à solicitação feita pela Delegacia da Receita Federal, em Cuiabá-MT, em 03/03/2009, através do Oficio n” 0692/09 Gabin/DRF - Cuiabá/MT (cópias anexas). 7.1 Os lançamentos efetuados constam do RL - Relatório de Lançamentos com a sigla FNG - Folha de Pagamento não declarada em GFIP bem como dos demonstrativos denominados Anexo 1 (Demonstrativo Consolidado de Apuração de Bases de Cálculo de Contribuições Previdenciárias - Comparativo entre EMPENHOS X GFIP) e Anexo 11 - A (Demonstrativo Analítico de Apuração de Bases de Cálculo de Contribuições Previdenciárias - Fato gerador: folha de pagamento, Anexo 11 - B (Demonstrativo Analítico de Apuração de Bases de Cálculo de Contribuições Previdenciárias - Fato gerador: folha de pagamento - temporários e Anexo 11 - C (Demonstrativo Analítico de Apuração de Bases de Cálculo de Contribuições Previdenciárias - Fato gerador: folha de pagamento - produtividade) 7.1.1 No período fiscalizado houve apresentação de GFIP - Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social, mas as contribuições previdenciárias objeto de lançamento neste Auto de Infração não constam da referida declaração. Levantamento C1 (Período de lançamento: 01/2005 a 12/2006) 7.2 Constituem fatos geradores dos tributos ora lançados neste Auto de Infração as remunerações não discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, pagas ou creditados aos segurados contribuintes individuais, cujas bases de cálculo foram apuradas a partir das informaçoes constantes dos arquivos digitais fornecidos pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, através do OF:.527/PRES/TCE- MT/2009, de 20/03/2009, em atendimento a solicitação feita pela Delegacia da Receita Federal, em Cuiabá-MT, em 03/03/2009, através do Oficio n° 0692/09 Gabin/DRF - Cuiabá/MT (cópias anexos), conforme demonstrativos denominados Anexo 1 (Demonstrativo Consolidado de Apuração de Bases de Cálculo de Contribuições Previdenciárias - Comparativo entre EMPENHOS X GFIP) e Anexo III (Demonstrativo de Apuração de Bases de Cálculo de Contribuições Previdenciárias - Fato gerador: pagamentos a contribuintes individuais - CI). 7.2.1 Os lançamentos efetuados constam do RL - Relatório de Lançamentos com a sigla CI - Contribuintes Individuais e a relação dos beneficiários dos pagamentos efetuados constam do demonstrativo denominado Anexo III - Demonstrativo de Apuração de Bases de Cálculo de Contribuições Previdenciárias - Fato gerador: pagamentos a contribuintes individuais (CI). 7.2.2 No periodo fiscalizado houve apresentação de GFIP ~ Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, mas as contribuições previdenciárias objeto de lançamento neste Auto de Infração não constam da referida declaração. Levantamento FRT (Periodo de lançamento: 01/2005 a 12/2006) Fl. 374DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 7.3 Constituem fatos geradores dos tributos ora lançados neste Auto de Infração as remunerações não discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, pagas ou creditados aos segurados contribuintes individuais transportadores rodoviários autônomos cujas bases de cálculo foram apuradas a partir das informações constantes dos arquivos digitais fornecidos pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, através do OF .527/PRES/TCE-MT/2009, de 20/03/2009, em atendimento a solicitação feita pela Delegacia da Receita Federal, em Cuiabá-MT, em 03/03/2009, através do Oficio n" 0692/09 Gabin/DRF - Cuiabá/MT (cópias anexas), conforme demonstrativos denominados Anexo I (Demonstrativo Consolidado de Apuração de Bases de Cálculo de Contribuições Previdenciárias - Comparativo entre EMPENHOS X GFIP) e Anexo 1 V (Demonstrativo de Apuração de Bases de Cálculo de Contribuições Previdenciárias - Foto gerador: pagamentos a transportadores rodoviários autônomos - Frete). 7.3 Os lançamentos efetuados constam do RL f Relatório de Lançamentos com a sigla FRT - Contribuintes Individuais - Fretes e a relação dos beneficiários dos pagamentos efetuados constam do demonstrativo denominado Anexo I V - Demonstrativo de Apuração de Bases de Cálculo de Contribuições Previdenciárias - F ato gerador: pagamentos a transportadores rodoviários autônomos (Frete). 7.3.2 No período fiscalizado houve apresentação de GFIP -Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social, mas as contribuições previdenciárias objeto de lançamento neste Auto de Infração não constam da referida declaração. 8. Conforme relatório de apropriação de documentos apresentados - RADA, os recolhimentos efetuados pela autuada foram considerados no lançamento e apropriados no levantamento GFI (folha de pagamento declarada em GFIP), sendo que eventuais sobras foram apropriadas ao levantamento FNG (folha de pagamento não declarada em GFIP). Igualmente, foram consideradas, como deduções, os valores referentes ao salário-família e salário maternidade declarados em GFIP. 9. No curso da ação fiscal, foram analisados os seguintes elementos: a) informacoes constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil, relativas a última GFIP ~ Guias de Recolhimento do FGTS e Informações ã Previdência Social, original ou substitutivo, apresentada anteriormente ao inicio da ação fiscal, em cada competência ƒiscalizada; b) arquivos digitais fornecidos pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, através do OF.:527/PRES/TCE/MT/2009, de 20/03/2009, em atendimento à solicitação feita pela Delegacia da Receita Federal, em Cuiabá- MT, em 03/03/2009, atraves do Oficio ri” 0692/09 Gabin/DRF - Cuiabá/MT. A empresa foi cientificada por aviso de recebimento postal em 17/09/2009, conforme consta da f. 91. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, f. 94-95, em 16/10/2009 através da qual a empresa, após qualificar-se e resumir os fatos, apresenta considerações, primeiramente, quanto a empenhos que foram anulados e que, portanto, devem ser excluídos da base de cálculo: Como dito no intróito, a r. Auditora Fiscal utilizou para aferição do presente Auto de Infração a diferenca entre o valor global empenhado (informação TCE/M7) e o valor informado na GEFIP, deduzindo que o valor entre a primeira e segunda premissa seria então o valor recolhido a menor ou não informado à previdência social. Ocorre que, dentre os empenhos efetivamente considerados na base de calculo do presente Auto de lnfração diversos deles foram “anulados” antes de sua liquidação (artigo 63 da Lei Federal n.° 4.320/64), portanto, sem que tenha havido a EFETIVA prestação dos serviços e seu pagamento, não surgindo portanto o fato gerador da obrigação previdenciária então exigida. Através do Quadro 1 abaixo registrado, relacionamos os seguintes empenhos, vejamos: Fl. 375DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 (...) Contudo, para os fins a que se destina o presente Auto de Infração, desse valor deveria ser subtraído o quantum de RS 289.140,68 (duzentos e oitenta e nove mil, cento e quarenta reais e sessenta e oito centavos) que se refere justamente as anulações dos saldos orçamentários dos empenhos em decorrência de rescisão contratual, desistência dos serviços e outros fatores conforme demonstramos abaixo pelo Quadro 2, vejamos: (...) As Notas de Anulaçao de Empenho, correspondente a cada empenho acima relacionado, estão sendo acostadas na presente Impugnação (doc. 01) para legitimação do ato e conferência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ressaltando que tal ato administrativo possui amparo legal no artigo 38 da Lei Federal n. ° 4.320/64. Dessa forma ilustre Auditora Fiscal, requerermos que seja excluído da base d cálculo do Auto de Infração em comento o valor de R$ 289.140,68 (duzentos e oitenta e nove mil, cento e quarenta reais e sessenta e oito centavos), considerando que esse valor fora “anulado” dos empenhos correspondentes, não constituindo assim o crédito para pagamento conforme disposto no artigo 62 e 63 da Lei Federal n.° 4320/64, não ensejando, pois, a obrigação previdenciária em voga. Em seguida, argumenta que houve o recolhimento relativo às contribuições previdenciárias- cota patronal, dos empenhos que indica, embora nao possa juntar os comprovantes em razao do perdimento da documentação, mas os documentos que comprovariam o alegado encontram-se registrados no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso: Quanto aos credores identificados neste tópico, localizamos na base de dados da Prefeitura Municipal de Nova Guarita-MT a comprovação de que as obrigações previdenciárias referente a cota parte patronal, foram efetivamente recolhidas a época do pagamento dos credores. Como comprovação do alegado, re-expedimos e promovemos a juntada das Notas de Empenho n. ° 00292 7/2006 e 003866/2006, com as respectivas Notas de Liquidação e Ordem de Pagamento (doc. 02) nos termos do artigo 62 c/c art. 64 Lei Federal n.° 4.320/64, comprovando assim o efetivo pagamento da obrigação previdenciária em comento. Vale lembrar que, em decorrência do perdimento da documentação de origem (incêndio), não fora possível a juntada das Guias de Recolhimento, contudo os documentos ora juntados e devidamente registrados no Balanço Geral de 2005 e 2006 junto ao Egrégio Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso são suficientes para comprovação do alegado. (...) Desta forma, requer-se a exclusão da base de cálculo do presente Auto de Infração o valor de RS 15.500,00 (quinze mil e quinhentos reais) relativos aos empenhos acima descritos. Prossegue em sua defesa argumentando que devem ser também excluídos da base de cálculo os valores dos empenhos relativos a contratações que não constituem base de cálculo de contribuições previdenciárias: Os credores abaixo identificados, cujos empenhos foram considerados na base de cálculo deste Auto de Infração, permissa vênia, entendemos que os mesmos devam ser excluídos da base de cálculo eis que o “objeto” contratado, não coaduna com nenhuma das hipóteses previstas pelo artigo 12 da Lei Federal 8.212/91, vejamos' (...) Na oportunidade, encaminhamos a segunda via das Notas de Empenho (doc. 03) de cada credor acima relacionado, demonstrando que o objeto de contratação refere-se de fato a locação de imóvel, veiculo e aquisição de passagens rodoviárias. Fl. 376DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 Sendo assim, requer-se que o valor de R$ 23.140,00 (vinte e três mil, cento e quarenta reais) seja desconsiderado da base de cálculo deste Auto de Infração, considerando a total incompatibilidade do objeto contratado com a legislação previdenciária. ' Sustenta também a inexigibilidade da contribuição previdenciária dos contribuintes individuais que prestaram serviços a outras empresas ou, concomitantemente, exerceram atividades como segurados empregados, empregado doméstico ou trabalhador avulso, e que declararam que o total das remunerações recebidas no mês foi superior ao limite máximo do salário de contribuição: Neste caso, entendemos que os valores globais dos empenhos abaixo relacionados deverão ser excluídos da base de calculo utilizada para aferição do presente Auto de Infração, considerando que os credores em referência encontram-se sobre amparo do artigo 81 da Instrução Normativa SRP n. ° 03 de 14 de julho de 2005, são eles: (...) Portanto, requer-se que o valor de RS 1412826. 00 (cento e quarenta e um mil, oitocentos e vinte e seis reais) informado pelo e. TCE/MT e considerado no bojo da base de calculo, seja excluído da base de calculo, segundo orientação legal da Secretaria da Receita Previdenciária - SRP. Em tempo, promovemos a juntada da declaração (doc. 04), respectivamente de cada credor, convalidando e legitimando os efeitos legais do artigo 81 da Instrução Normativa SRP n. ° 03/2005. A impugnante argui também descaber a incidência das contribuições previdenciárias sobre o “abono de férias”, nos termos dos arts. 143 e 144 da CLT: Em decorrência da utilização do método de arbitramento, necessário em virtude do perdimento das informações específicas por caso fortuito - que diga-se de passagem, também prejudicou o exercício do contraditório -, houve a consideração de diversos valores indevidos na base de calculo, eis que apenas fora considerado os valores empenhados em determinadas rubricas (segundo informação do e. TCE/MT), sem, contudo. aquilatar de modo mais aprofundado o conteúdo dessas informações. De outra sorte, na oportunidade do devido processo legal regularmente instaurado por essa Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da ilustre Auditora Fiscal que atua no feito, temos a oportunidade de informar, que dentre os valores empenhados e pagos em 2005 e 2006 (período auditado) consta pagamento de “Abono de Férias” conforme comprova Relatórios de Proventos do Departamento de Pessoal da Prefeitura Municipal de Nova Guarita anexado (doc. 05). Nesta oportunidade, encaminhamos também as Notas de Empenho (doc. 06) dos respectivos pagamentos para corroborar e instruir as razões da presente Impugnação. Em análise a esses documentos, Vossa Senhoria poderá verificar que em 2005 fora pago RS 2.916,85 (dois mil, novecentos e dezesseis reais e oitenta e cinco centavos) e em 2006 fora pago RS 3.318,01 (três mil, trezentos e dezoito reais e um centavo), correspondentes ao “Abono de Férias" de diversos servidores, portanto tais valores não entram na base de cálculo do presente Auto de Infração. Oportuno registrar as orientaçoes constantes do "Manual da GFIP/SEFIP para Usuários do SEFIP 8” do Ministério do Trabalho e Emprego / CEF / SRP, página 25: “15.2 - Não integram a remuneração para fins de cálculos dos valores devidos à Previdência Social e ao FGTS, exclusivamente: (omissis) 11 - Abono de Férias: pecuniário correspondente a conversão de 1/3 das férias (art. 143 da CLT) e aquele concedido em virtude de contrato de trabalho, regulamento da empresa, convenção ou acordo coletivo de trabalho cujo valor não exceda a 20 dias (art. 144 CLT). “ Fl. 377DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 Portanto, requeremos que o valor correspondente a somatória desses dois períodos de pagamento de Abono de Férias (2005 e 2006) equivalente a RS 6.234,86 (seis mil, duzentos e trinta e quatro reais e oitenta e seis centavos) deva ser excluído da base de cálculo do presente Auto de Infração eis que não coaduna com a orientação legal aplicada a matéria Por fim, conclui a impugnante resumindo os pontos de sua impugnação em termos de valor e formula seu pedido: Conforme demonstrado, a base de cálculo utilizada para comparaçao entre o valor empenhado e ao GFIP, possui vício que retira a procedência do valor cobrado no presente Auto de Infração, eis que o montante empenhado de RS 472.924,69 (quatrocentos e setenta e dois mil, novecentos e vinte e quatro reais e sessenta e nove centavos) fora considerando indevidamente na base de cálculo considerando todas as razões de mérito já expostas. Assim. faz-se imperiosa a exclusão desse quantum na base de cálculo comparativa aplicada na composição do presente Auto de lnfraçao, chegando ao valor real devido. DO PEDIDO Por todo exposto, impugnamos a utilizaçao do valor empenhado de RS 472.924,69 (quatrocentos e setenta e dois mil, novecentos e vinte e quatro reais e sessenta e nove centavos), correspondente aos empenhos relacionados e citados nas razões de mérito, considerados indevidamente na metodologia de cálculo comparativa aplicada na composição do presente Auto de Infração. Após, seja este contribuinte notificado quanto ao valor real devido, para as providencias relativas ao pagamento dos créditos previdenciários realmente devidos. Termos em que, P. e espera deferimento. É o relatório Colegiado de 1ª Instância examinou as alegações da defesa e manteve parcialmente a autuação, em R. Acórdão com as ementas abaixo reproduzidas: Assumo: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005, 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRADITÓRIO Inexiste prejuízo ao contraditório quando o impugnante revela conhecer com exatidão a imposição fiscal e apresenta peça de defesa em que minuciosamente contesta a exigência que considera indevida. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Passível de revisão o lançamento quando comprovado que valores incluídos na base de cálculo da contribuição previdenciária, apurados a partir de Empenhos, foram parcialmente anulados ou não se subsumem à hipótese de incidência da contribuição. PENALIDADE APLICÁVEL ; A multa sobre o valor das contribuições previdenciárias ficará sujeita a cálculo de acordo com a Lei 11.941/2009, por ocasião do pagamento ou do trânsito em julgado administrativo, cujo resultado deverá prevalecer se mais benéfico para o sujeito passivo. DEBCAD n° 37.243.106 -2 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Extrai-se do Acórdão recorrido que: Por todo o exposto, cabível a revisão do lançamento, para considerar as razões da impugnante, admitidas neste voto e consolidadas a seguir: Fl. 378DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 Desta forma, houve um pedido inicial para exclusão da base de cálculo do valor de R$ 476.241,54, assim previamente identificados e recepcionados pela r.decisão recorrida: a) Empenhos Anulados /R$ 289.140,68 /pedido julgado procedente b) Objeto Incompatível / R$ 23.140,00/ pedido julgado procedente c) Efetivo Recolhimento / R$ 15.500,00/ pedido julgado improcedente d) art. 81 da IN 03-2005 /R$ 141.826,00/ pedido julgado improcedente e) Abono de Férias / R$ 6.634,86/ pedido julgado improcedente Cientificado da decisão de 1ª Instância, aos 14/01/2001 (fls. 317), o contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 14/02/2001 (fls. 322 e ss), insurgindo-se, inicialmente, contra o lançamentos ao fundamento de que: 1 – o lançamento é nulo, ante ofensa à ampla defesa. Salienta que os Relatórios Fiscais produzidos pela autoridade fiscal foram utilizados como peças informativas para elaboração da defesa prévia, todavia, esses foram produzidos unilateralmente para instruir o Auto de Infração Fiscal, não constituindo por si só, documento eficaz de propiciar o contraditório ao contribuinte(...) o fato da Recorrente ter impugnado "minuciosamente" os valores lançados, também não permite concluir por presunção de que teve acesso a todos os meios de prova necessários ao exercício do contraditório (...)Quando dito que o prejuizo ao contraditório ocorreu de fato, vem justamente do que se esperava a própria autoridade fiscal, que, ao afastar os fundamentos da defesa veio inclusive a solicitar documentos oficiais originais expedidos a época dos fatos, que, reconhecidamente nos autos houve seu perdimento total em decorrência de incêndio.(...) Nessa mesma linha, as f. 311 o eminente Relator ao rejeitar os Fl. 379DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 argumentos em relação ao Abono de Férias, indica que a defesa poderia ter provado o alegado apresentado as folhas de pagamentos completas e outros documentos., condição que, assim como nos outros casos é restrita em decorrência do perdimento de toda base documental relativas ao anos de 2005 e 2006. 2 – que o Efetivo Recolhimento / R$ 15.500,00/ julgado improcedente deve ser revertido, na medida em que não fora comprovado ante a impossibilidade decorrente do incêndio; 3 – a decisão recorrida errou ao refutar a utilização de Declarações com data atual, expedidas pelos prestadores de serviço alegando que as mesmas são com contemporâneas ao fato gerador e não especificam as competências de aplicação. Por esse motivo, pede a a exclusão de R$ 141.826,00, da base de cálculo do lançamento 4 – relativamente ao Abono de Férias , da ordem de R$ 6.634,86, pede sua exclusão da base de cálculo do lançamento, ao enfoque que: sempre buscando uma relação de lealdade com o fisco federal, buscamos e conseguimos resgatar alguns extratos do backup eletrônico da Prefeitura Municipal de Nova Guarita-MT daquele período, que, embora não substitua com detalhamento a folha de pagamento completa pretendida pela autoridade fiscal, demonstram inequivocamente o lançamento e ocorrência dos eventos “Abono de Férias" no período em questão (anexo - doc. 03). Busca o cancelamento da autuação. Esse, em síntese, o relatório. Voto Conselheira Sonia de Queiroz Accioly, Relatora. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das nulidades Antes de examinar as teses trazidas pela defesa, impõe-se destacar o artigo 142 do Código Tributário Nacional e os artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/72, que estabelecem os requisitos de validade do lançamento, além daqueles previstos para os atos administrativos em geral: Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 380DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Também importa ressaltar os casos que acarretam a nulidade do lançamento, previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.(...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, depreende-se que ensejam a nulidade do lançamento os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Analisando o tema nulidades, a Professora Ada Pellegrini Grinover (As Nulidades do Processo Penal, 6° ed., RT, São Paulo, 1997, pp.26/27) afirma que o “princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestra do sistema de nulidades e decorre da ideia geral de que as formas processuais representam tão somente um instrumento para correta aplicação do direito”. No mesmo sentido, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa M. Lopez (Processo Administrativo Federal Comentado, Dialética, São Paulo, 2002, pp. 413, 426) afirmam que “é inútil, do ponto de vista prático, anular-se ou decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte”. E, ao examinar este dispositivo do Decreto 70.235/72, continuam: “É preciso (...) examinar, no caso concreto, se o vício defensivo prejudica a ampla defesa como um todo, ou não. Para Ada Pellegrini Grinover (na obra citada), “há nulidade absoluta quando for afetada a defesa como um todo; nulidade relativa com prova de prejuízo (para a defesa) quando o vício do ato defensivo não tiver esta Fl. 381DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 consequência”. Neste caso, o vício pode ser sanado. Segundo a autora, “o vício ou inexistência do ato defensivo pode não levar, como consequência necessária, à vulneração do direito de defesa, em sua inteireza, dependendo a declaração de nulidade da demonstração do prejuízo à atividade defensiva como um todo.”(p 425). Da fase oficiosa do Procedimento Fiscal. É de se observar que o procedimento fiscal é uma fase oficiosa em que a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. Nessa fase, o Fisco submete-se à regra geral do ônus da prova prevista no Processo Civil – que serve como fonte subsidiária ao processo administrativo fiscal. Como, ainda, não há processo instaurado, mas tão-somente procedimento, não cabe falar em direito de defesa. Antes da impugnação não há litígio, não há contraditório ou direito à ampla defesa e o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo Fisco. O ato do lançamento é privativo da autoridade, e não uma atividade compartilhada com o sujeito passivo (CTN, art.142). Nesse sentido, a Autoridade Fiscal pode valer-se de algumas peças processuais inclusive provas decorrentes de compartilhamento das investigações em outro processo administrativo fiscal, e sobrepô-las, sem que com isso advenha qualquer irregularidade ou nulidade ao feito. Soma-se a isso, o entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Princípios constitucionais Parte dos argumentos expendidos no Recurso diz respeito a violação de princípio constitucional relativo ao cerceamento à defesa. Cumpre observar, objetivamente, que a atividade do agente do fisco é absolutamente vinculada, ou seja, deve estrita obediência à lei e às normas infralegais. Desde que haja norma formalmente editada, encontrando-se em vigor, cabe o seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido as orientações do Parecer Normativo CST/SRF n. 329/1970 e Parecer PGFN/CRF n. 439/1996. Assim é que os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador. Depois de formulada a norma, sua aplicação se impõe de forma objetiva, sem espaço para juízos discricionários por parte de quem a ela deve obediência. O que se pode e deve fazer no âmbito do julgamento administrativo é verificar se o lançamento/decisão administrativa estão adstritos aos limites legais, corrigindo eventuais excessos. A autoridade fiscal tem sua atividade pautada no princípio da estrita vinculação à lei tributária, de modo que, sendo a hipótese legal subsumida ao caso concreto sob análise, não há que se alegar, em sede de julgamento administrativo, afronta a princípios constitucionais. Fl. 382DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 Feitas estas digressões doutrinárias, vejamos. O Recorrente alega que a forma como foi conduzida a fiscalização e obtidas as informações que resultaram no lançamento cercearam sua defesa. Assinala que: Quando dito que o prejuizo ao contraditório ocorreu de fato, vem justamente do que se esperava a própria autoridade fiscal, que, ao afastar os fundamentos da defesa veio inclusive a solicitar documentos oficiais originais expedidos a época dos fatos, que, reconhecidamente nos autos houve seu perdimento total em decorrência de incêndio.(...) De igual forma, em outras passagens, os fundamentos do r. voto do i. Relator descarta a apresentação de documentos com datas atuais (por convalidação) sugerindo a necessidade de apresentação de documentos da época dos fatos, que, como dito, seria impossivel fazê-lo.(...) Por fim, se já não bastasse a exigência de documentos que sabidamente o sujeito passivo não teria condições de apresentar, outras informações fundamentais não foram fornecidas pela Secretaria de Receita Federal do Brasil. Pasmem ilustres representantes do Conselho Recursal, em 22 de janeiro de 2009, portanto antes mesmo do recebimento do Auto de Infração n. 37.243.106-2 fora protocolado junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil em Sinop/MT o Oficio n.° 014509/GP/PMNG (anexo - doc. 01) solicitando justamente cópia das Gefips/Sefips do período de 2005 a 2007 para recomposição da base de dados da Prefeitura Municipal de Nova Guarita/MT, sendo que até a presente data não obtivemos nenhuma resposta da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Tal omissão revela constrangimento ilegal por ferir o direito de petição e de acesso à informação (art. 5°, XXXIII e XXXIV, “a" da CFU88) causando prejuízo irreparável ao exercício do contraditório e dos meios necessários à ampla defesa. Equivoca-se o Recorrente. A peça impugnatória demonstra que o Recorrente bem pode compreender o lançamento em todos os seus contornos, e a robusta impugnação afasta, por si só, ofensa à ampla defesa. Assim, uma vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração ou do Acórdão recorrido. Do mérito O Recorrente insurge-se em face dos seguintes temas: 1 – que o Efetivo Recolhimento / R$ 15.500,00/ julgado improcedente deve ser revertido, na medida em que não fora comprovado ante a impossibilidade decorrente do incêndio; 2 – a decisão recorrida errou ao refutar a utilização de Declarações com data atual, expedidas pelos prestadores de serviço alegando que as mesmas são com contemporâneas ao fato gerador e não especificam as competências de aplicação. Por esse motivo, pede a a exclusão de R$ 141.826,00, da base de cálculo do lançamento 3 – relativamente ao Abono de Férias , da ordem de R$ 6.634,86, pede sua exclusão da base de cálculo do lançamento, ao enfoque que: sempre buscando uma relação de lealdade com o fisco federal, buscamos e conseguimos resgatar alguns extratos do backup eletrônico da Prefeitura Municipal de Nova Guarita-MT daquele periodo, que, embora não substitua com detalhamento a folha de pagamento completa pretendida pela autoridade fiscal, Fl. 383DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 demonstram inequivocamente o lançamento e ocorrência dos eventos “Abono de Férias" no período em questão (anexo - doc. 03). Vejamos como a R. Decisão de Piso examinou cada uma das alegações: 1 – que o Efetivo Recolhimento / R$ 15.500,00 Extrai-se do Acórdão recorrido que: Verifica-se também que a autoridade fiscal considerou corretamente todos os recolhimentos efetuados em nome do sujeito passivo, nesses meses e em todos os outros períodos de apuração que fazem parte dos levantamentos efetuados, conforme consulta efetuada no sistema de processamento das guias de arrecadação, relatórios a seguir, que confirmam os relatório integrantes dos autos de infração de exigência de obrigação principal: Fl. 384DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 Conforme consulta transcrita, que pode ser cotejada com o relatório de guias utilizadas pela autoridade fiscal no levantamento do crédito tributário (Relatório de Documentos Apresentados e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados), nenhum recolhimento deixou de ser considerado pela autoridade fiscal, de sorte que a única possibilidade a ser aventada, a favor do sujeito passivo, seria a apresentação de guia de recolhimento com o recolhimento bancário devidamente comprovado, para ser objeto de averiguação por seu não registro nos sistemas de controle de arrecadação. Na falta desse elemento de prova, não há como se considerar o recolhimento alegado. De fato, o Recorrente afirma não possuir provas do recolhimento, e pede seja considerada sua afirmação como prova, em razão do incêndio que destruiu sua documentação. Ocorre que o processo administrativo fiscal requer a produção de provas concretas e documentais, a fim de afastar o lançamento decorrente de constatação da auditoria fiscal. Dessa forma, não é possível lastrear o cancelamento de crédito tributário regularmente constituído em mera afirmação de recolhimento. Aliás, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Sob esses fundamentos, e acolhida a fundamentação do R. Acórdão como razão de decidir, resta mantida a autuação. 2 - a decisão recorrida errou ao refutar a utilização de Declarações com data atual, expedidas pelos prestadores de serviço alegando que as mesmas são com contemporâneas ao fato gerador e não especificam as competências de aplicação. Por esse motivo, pede a exclusão de R$ 141.826,00, da base de cálculo do lançamento Segundo o R. Acórdão Recorrido: Com relação ao contribuinte individual, estabelecia o ato normativo que, na hipótese desse contribuinte prestar serviços a mais de uma empresa ou, concomitantemente, exercer atividade como segurado empregado, empregado doméstico ou trabalhador Fl. 385DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 avulso, e quando o total das remunerações recebidas no mês fosse superior ao limite máximo do salário de contribuição, deveria ele também, para efeito de controle do limite, informar o fato à empresa em que isto ocorresse, mediante a apresentação do comprovante de pagamento ou da declaração supramencionados, ou de comprovante de pagamento fornecido pela empresa à qual tivesse prestado serviços. No caso em exame, a impugnante trouxe declarações de f. 233 e 234, mediante as quais os segurados José Alves dos Santos e Edson Plens afirmam que solicitaram à Prefeitura Municipal de Nova Guarita o não desconto das contribuições previdenciárias de suas remunerações. Verifica-se, primeiramente, que não se trata da declaração prevista no ato normativo em epígrafe, posto que não é contemporânea aos fatos geradores (datam de outubro de 2009), nem fazem referência à que competência se aplicariam. No caso do sr. José Alves dos Santos, este afirma que solicitou o não desconto em razão de “à época já realizava recolhimento superior ao limite do salário de contribuição (...) por outras fontes pagadoras”, sem especifica-las. Tal declaração não se afigura eficaz para que fosse o segurado eximido da retenção, visto que não foi cumprida a exigência, contida no ato normativo, de que fosse informado o nome empresarial e CNPJ da empresa ou empresas a que estivesse vinculado, e que efetuariam o desconto. Quanto ao sr. Edson Plens, afirmou que a fonte pagadora que efetuaria o desconto seria a Prefeitura Municipal de ltaúba/MT e, embora não tenha informado o CNPJ, este pode ser obtido a partir dos sistemas cadastrais da Receita Federal, 03.238.961/0001-27. Consulta à GFIP apresentada pela Prefeitura Municipal de Itauba não confirma o pagamento de remuneração e retenção de contribuição previdenciária na competência 01/2006, para o segurado Edson Plens. Assim, não cumprida a exigência normativa, nem confirmada a retenção nos sistemas de processamento de dados, incabíveis as exclusões pleiteadas. O Recorrente insurge-se contra a decisão de piso, assinalando que a decisão recorrida não guarda vinculo com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Vejamos o que previa a IN SRP 03/2005: Art. 78. O segurado empregado, inclusive o doméstico, que possuir mais de um vínculo, deverá comunicar a todos os seus empregadores, mensalmente, a remuneração recebida até o limite máximo do salário de contribuição, envolvendo todos os vínculos, a fim de que o empregador possa apurar corretamente o salário de contribuição sobre o qual deverá incidir a contribuição social previdenciária do segurado, bem como a alíquota a ser aplicada. § 1º Para o cumprimento do disposto neste artigo, o segurado deverá apresentar os comprovantes de pagamento das remunerações como segurado empregado, inclusive o doméstico, relativos à competência anterior à da prestação de serviços, ou declaração, sob as penas da lei, de que é segurado empregado, inclusive o doméstico, consignando o valor sobre o qual é descontada a contribuição naquela atividade ou que a remuneração recebida atingiu o limite máximo do salário de contribuição, identificando o nome empresarial da empresa ou empresas, com o número do CNPJ, ou o empregador doméstico que efetuou ou efetuará o desconto sobre o valor por ele declarado. (...) Art. 81. O contribuinte individual que prestar serviços a mais de uma empresa ou, concomitantemente, exercer atividade como segurado empregado, empregado doméstico ou trabalhador avulso, quando o total das remunerações recebidas no mês for superior ao limite máximo do salário de contribuição deverá, para efeito de controle do limite, informar o fato à empresa em que isto ocorrer, mediante a apresentação: Fl. 386DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 I - do comprovante de pagamento ou declaração previstos no § 1º do art. 78, quando for o caso; II - do comprovante de pagamento previsto no inciso V do art. 60, quando for o caso. § 1º O contribuinte individual que no mês teve contribuição descontada sobre o limite máximo do salário de contribuição, em uma ou mais empresas, deverá comprovar o fato às demais para as quais prestar serviços, mediante apresentação de um dos documentos previstos nos incisos I e II do caput. § 2º Quando a prestação de serviços ocorrer de forma regular a pelo menos uma empresa, da qual o segurado como contribuinte individual, empregado ou trabalhador avulso receba, mês a mês, remuneração igual ou superior ao limite máximo do salário de contribuição, a declaração prevista no inciso I do caput, poderá abranger um período dentro do exercício, desde que identificadas todas as competências a que se referir, e, quando for o caso, daquela ou daquelas empresas que efetuarão o desconto até o limite máximo do salário de contribuição, devendo a referida declaração ser renovada ao término do período nela indicado ou ao término do exercício em curso, o que ocorrer primeiro. § 3º O segurado contribuinte individual é responsável pela declaração prestada na forma do inciso I do caput e, na hipótese de, por qualquer razão, deixar de receber a remuneração declarada ou receber remuneração inferior à informada na declaração, deverá recolher a contribuição incidente sobre a soma das remunerações recebidas das outras empresas sobre as quais não houve o desconto em face da declaração por ele prestada, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição e as alíquotas definidas no art. 79. § 4º A contribuição complementar prevista no § 3º deste artigo, observadas as disposições do art. 79, será de: I - onze por cento sobre a diferença entre o salário de contribuição efetivamente declarado em GFIP, somadas todas as fontes pagadoras no mês, e o salário de contribuição sobre o qual o segurado sofreu desconto; ou II - vinte por cento quando a diferença de remuneração provém de serviços prestados a outras fontes pagadoras que não contribuem com a cota patronal, por dispensa legal ou por isenção. § 5º O contribuinte individual deverá manter sob sua guarda cópia das declarações que emitir na forma prevista neste artigo juntamente com os comprovantes de pagamento, para fins de apresentação ao INSS ou à SRP, quando solicitado. § 6º A empresa deverá manter arquivadas, por dez anos, cópias dos comprovantes de pagamento ou a declaração apresentada pelo contribuinte individual, para fins de apresentação ao INSS ou à SRP, quando solicitado. De fato, a situação descrita no “caput” do art. 81, cc § 1º, do art. 78, ambos da IN SRP 3/2005 (ou declaração, sob as penas da lei, de que é segurado empregado, inclusive o doméstico, consignando o valor sobre o qual é descontada a contribuição naquela atividade ou que a remuneração recebida atingiu o limite máximo do salário de contribuição, identificando o nome empresarial da empresa ou empresas, com o número do CNPJ, ou o empregador doméstico que efetuou ou efetuará o desconto sobre o valor por ele declarado), não se encontra discriminada no documento de fls. 234 e 235. O Recorrente afirma que : “No primeiro caso, o fisco em simples diligencia poderia obter a informação de que a fonte pagadora do Dr. José Alves dos Santos a época era o Governo do Estado de Mato Grosso, fato que pode ser confirmado pelo mesmo em simples carta testemunho que deveria ter sido requisitada pelo pretor dos autos. Em relação a Prefeitura Municipal de Itauba/MT não ter informado em sua GFIP os pagamentos ao Dr. Edson Plens apenas revela indicio de irregularidade daquela entidade, devendo a Secretaria da Receita Fl. 387DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 Federal, em isonomia instaurar procedimento para apurar o porque da não informação já que o prestador de serviço emitiu declaração que indica fato gerador. Como se vê, a manutenção desses valores na base de cálculo contraria documentos formais carreados aos autos, devendo prevalecer à finalidade e conteúdo das Declarações apresentadas em boa fé pelos prestadores de serviço.” Equivoca-se o Recorrente, esquecido de que o ônus da prova de situação que cancele o crédito tributário regularmente constituído é do contribuinte. As alegações desprovidas de prova, quando necessárias, não tem o condão de afastar o pressuposto de fato do lançamento fiscal. Os autos não trazem outros elementos que permitam inferir a irregularidade da inserção dos R$ 141.826,00 na base de cálculo do crédito lançado. Ao contrário, a autuação é bastante minuciosa, e traz, nos anexos, o detalhamento do levantamento fiscal. Acolhidos os fundamentos da R. Decisão de Piso como razão de decidir, resta mantida a autuação sob essa rubrica. 3 – relativamente ao Abono de Férias, da ordem de R$ 6.634,86, pede sua exclusão da base de cálculo do lançamento, ao enfoque que: sempre buscando uma relação de lealdade com o fisco federal, resgatou alguns extratos do backup eletrônico da Prefeitura Municipal de Nova Guarita-MT daquele periodo, que, embora não substitua com detalhamento a folha de pagamento completa pretendida pela autoridade fiscal, demonstram inequivocamente o lançamento e ocorrência dos eventos “Abono de Férias" no período em questão (anexo - doc. 03). O R. Acórdão recorrido assinalou que: Argumentou a impugnante que foram pagos, nos períodos de apuração compreendidos no período auditado, abrangendo os anos de 2005 e 2006, R$ 2.916,85 e R$ 3.318,01, respectivamente, o que seria comprovado pelos relatórios de proventos juntados as f. 243-255, bem como pelos empenhos de f. 257-283. (...) No caso em exame, foram trazidos relatórios intitulados “Relação de Proventos/Descontos/Neutros Flexíveis” contendo nome do funcionário, cargo, cálculo de abono pecuniário sobre uma “base”, no valor de l/3 dessa base, e ainda o cálculo de 1/3 do abono pecuniário calculado. O quadro a seguir resume os valores constantes do relatório: Fl. 388DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 A impugnante juntou também os empenhos que pagamento dessas verbas, relacionados a seguir: Analisando-se os elementos trazidos, primeiramente cabe observar que nenhuma coincidência de valor foi encontrada entre os relatórios e os empenhos. Efetivamente, o valor do abono e do valor calculado de 1/3 sobre ele totalizam, nos meses considerados , R$ 125,52 a R$ 1.354,44, enquanto que o valor dos empenhos situa-se na faixa de R$ 463,05 a R$ 16.68,32, não se encontrando coincidência numérica entre eles. Além disso, nem os relatórios nem os empenhos trazem qualquer referência ou anotação que permita vincular seus dizeres ou valores ao Abono de Férias previsto na Lei 8.212/91 como não integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Eventualmente o alegado poderia ser comprovado com as folhas de pagamento completas, registros contábeis ou outros documentos adicionais, que nao foram trazidos com a impugnação e que não constam nos autos. Com esses documentos, poderia a impugnante mostrar a correlação entre os valores pagos aos segurados em cada competência, constantes das folhas de pagamento, e os valores dos empenhos e os registrados na contabilidade. Fl. 389DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 2202-009.895 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14098.000256/2009-36 Na ausência dessa correlação, vê-se fragilizada a argumentação apresentada na peça da defesa De fato, o Recorrente traz novos documentos (fls. 342 e ss), objetivando contrapor a fundamentação do R. Acórdão, motivo pelo qual serão conhecidos, respeitada a alínea “c”, do §4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72. Não obstante, o Recorrente não promoveu mínima correlação lógica entre os documentos intitulados Lançamentos de P/D/N ao valor que busca excluir do lançamento. Doutro lado, é preciso salientar que a documentação juntada, desprovida de mínima correlação lógica, não se traduz em elemento com força probante. Para que se produza prova é preciso que se estabeleça uma correlação lógica entre os documentos e os fatos. A prova decorre do vínculo ou correlação lógica estabelecida entre os documentos e os fatos probantes. A mera juntada de documentos aos autos não é suficiente para demonstrar um fato probante. No mais, o próprio Recorrente alega que: devemos esclarecer que haverá sim divergências entre valores, já que os empenhos se referem à folha de pagamento valor bruto, sendo que os Abonos de Férias neles estão contidos e são apenas detalhados na folha de pagamento. Contudo, sempre buscando uma relação de lealdade com o fisco federal, buscamos e conseguimos resgatar alguns extratos do backup eletrônico da Prefeitura Municipal de Nova Guarita-MT daquele periodo, que, embora não substitua com detalhamento a folha de pagamento completa pretendida pela autoridade flscal, demonstram inequivocamente o lançamento e ocorrência dos eventos “Abono de Férias" no período em questão (anexo - doc. 03). Por fim, a mera soma das rubricas indicadas no recurso, relativas ao valor do abono e do valor calculado de 1/3 sobre ele, na documentação apresentada em sede recursal, comprova, em mais essa oportunidade, a discrepância de valores. Acolhidos os fundamentos do R. Acórdão recorrido, resta mantida a autuação. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly Fl. 390DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10711.003546/2010-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
COMPETÊNCIA SOBRE RELEVAÇÃO DE PENALIDADES
Não é da competência para aplicar relevação de penalidades, a qual foi atribuída ao Subsecretário da Receita Federal do Brasil de Tributação e Julgamento, nos termos da Portaria RFB nº 224/2019.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
null
DESPROPORCIONALIDADE. INAPLICABILIDADE.
O controle aduaneiro sobre cargas no comércio exterior tem interesse individualizado sobre cada unidade de carga, conhecimento de embarque ou manifesto de carga, em razão da gestão dos altos riscos potenciais de cada carga para a economia, a segurança fitossanitária e segurança pública não cabendo a alegação de desproporcionalidade da multa de R$ 5.000,00, em razão dos valores potenciais das cargas e das consequências de ausência do controle aduaneiro sobre elas.
PRAZO PARA APRESENTAR INFORMAÇÕES SOBRE CARGA.
A IN RFB nº 800/2007 estabeleceu, em seu artigo 22, os prazos a serem cumpridos para a prestação de informação sobre veículos e cargas, cuja vigência ficou suspensa até 1º de abri de 2009, no entanto, o § 2º, do artigo 50, desta mesma IN RFB, determina os prazos que serão cumpridos até a vigência plena do artigo 22.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
null
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE NAS INFRAÇÕES POR PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAR INFORMAÇÕES SOBRE CARGA.
As penalidades decorrentes da perda de prazo para apresentar informações sobre carga não podem ser afastadas pela denúncia espontânea pois o próprio decurso do prazo já aperfeiçoa as condições exigidas para a aplicação da penalidade, reforçado pelo fato de que o próprio sistema realiza o bloqueio automaticamente, configurando-se assim ato administrativo da competência da Autoridade Tributária. Súmula CARF nº 126.
Numero da decisão: 3402-010.255
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.253, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 11128.729511/2013-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-22T09:58:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-22T09:58:25Z; Last-Modified: 2023-05-22T09:58:25Z; dcterms:modified: 2023-05-22T09:58:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-22T09:58:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-22T09:58:25Z; meta:save-date: 2023-05-22T09:58:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-22T09:58:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-22T09:58:25Z; created: 2023-05-22T09:58:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2023-05-22T09:58:25Z; pdf:charsPerPage: 2199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-22T09:58:25Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10711.003546/2010-30 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-010.255 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2023 Recorrente TRANSPORT SERVIÇOS INTERNACIONAIS LTDA - EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 COMPETÊNCIA SOBRE RELEVAÇÃO DE PENALIDADES Não é da competência para aplicar relevação de penalidades, a qual foi atribuída ao Subsecretário da Receita Federal do Brasil de Tributação e Julgamento, nos termos da Portaria RFB nº 224/2019. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DESPROPORCIONALIDADE. INAPLICABILIDADE. O controle aduaneiro sobre cargas no comércio exterior tem interesse individualizado sobre cada unidade de carga, conhecimento de embarque ou manifesto de carga, em razão da gestão dos altos riscos potenciais de cada carga para a economia, a segurança fitossanitária e segurança pública não cabendo a alegação de desproporcionalidade da multa de R$ 5.000,00, em razão dos valores potenciais das cargas e das consequências de ausência do controle aduaneiro sobre elas. PRAZO PARA APRESENTAR INFORMAÇÕES SOBRE CARGA. A IN RFB nº 800/2007 estabeleceu, em seu artigo 22, os prazos a serem cumpridos para a prestação de informação sobre veículos e cargas, cuja vigência ficou suspensa até 1º de abri de 2009, no entanto, o § 2º, do artigo 50, desta mesma IN RFB, determina os prazos que serão cumpridos até a vigência plena do artigo 22. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE NAS INFRAÇÕES POR PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAR INFORMAÇÕES SOBRE CARGA. As penalidades decorrentes da perda de prazo para apresentar informações sobre carga não podem ser afastadas pela denúncia espontânea pois o próprio decurso do prazo já aperfeiçoa as condições exigidas para a aplicação da penalidade, reforçado pelo fato de que o próprio sistema realiza o bloqueio automaticamente, configurando-se assim ato administrativo da competência da Autoridade Tributária. Súmula CARF nº 126. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 35 46 /2 01 0- 30 Fl. 67DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.255 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.003546/2010-30 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.253, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 11128.729511/2013-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mateus Soares de Oliveira. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de decisão de Primeira Instância, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Impugnação do Auto de Infração e considerou devida a exação. Os fundamentos do Auto de Infração e os argumentos da Impugnação estão resumidos no relatório do Acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão. Encontram-se nos autos informações suficientes para atestar a prestação de informações a destempo. O auto de infração informa também a aplicação do artigo 22, da IN RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, em combinação com o artigo 50, desta mesma IN RFB, para determinar os prazos que teriam sido descumpridos, além de dar a fundamentação legal para a multa nos termos da alínea e, do inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Inconformada com a autuação a Recorrente apresentou Impugnação ao Auto de Infração, onde argumenta que não teria havido dolo, e que a fiscalização não fora prejudicada. A Recorrente tomou ciência do Acórdão de Primeira Instância e apresentou Recurso Voluntário. Em seu Recurso Voluntário alega: a) Ilegitimidade Passiva; b) Inaplicabilidade da Normativa utilizada como fundamentação legal, c) Informação não prestada é diferente de informação prestada fora do prazo; Fl. 68DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.255 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.003546/2010-30 Alega ilegalidade e desproporcionalidade na aplicação da multa, além da denúncia espontânea. Requer a relevação da penalidade com base no artigo 736, do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009. Este é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, no entanto, tomo conhecimento dele apenas parcialmente. Quanto ao requerimento para a relevação das penalidades, nos termos do artigo 736, do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro), o Decreto Lei nº 1.042, de 21 de outubro de 1969, em seu artigo 4º, autoriza o Ministro da Economia a relevar penalidades que não decorram de infrações das quais não tenham resultado falta ou insuficiência de pagamento de tributos federais: “ Art 4º O Ministro da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais atendendo: I - A êrro ou ignorância escusável do infrator, quanto a matéria de fato; Il - A eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1º A relevação da penalidade pode ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal. § 2º O Ministro da Fazenda poderá delegar a competência que êste artigo lhe atribui.” No uso da prerrogativa que lhe foi conferida pelo § 2º, acima transcrito, o Ministro da Economia delegou ao Secretário da Receita Federal do Brasil a competência para a relevar penalidades, pela Portaria MF nº 214, de 28 de março de 1979. “O Ministro de Estado da Fazenda no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto nos artigos 11 e 12 do Decreto-lei nº 200 de 25 de fevereiro de 1967 e no Decreto nº 62.460 de 25 de março de 1968, RESOLVE: I -Delegar competência ao Secretário da Receita Federal para: (...) f) decidir sobre relevação de penalidades nos termos do artigo 49 do Decreto-lei nº 1.042 de 21 de outubro de 1969 II -O Secretário da Receita Federal poderá subdelegar as atribuições de que trata a presente Portaria. (...)” Fl. 69DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.255 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.003546/2010-30 O Secretário da Receita Federal do Brasil, por sua vez, subdelegou a competência para o Subsecretário de Tributação e Contencioso, nos termos do artigo 2-B, da Portaria RFB nº 224, de 07 de fevereiro de 2019. “Art. 2º-B Fica subdelegada competência ao Subsecretário de Tributação e Contencioso para decidir sobre relevação de penalidades nos termos do art. 4º do Decreto-Lei nº 1.042, de 21 de outubro de 1969, ressalvado o disposto no parágrafo único. Parágrafo único. Nos casos de relevação das penalidades de que trata o art. 76 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a competência fica subdelegada ao Subsecretário de Aduana e Relações Internacionais.” Sendo assim, a aplicação do previsto no artigo 736, do Regulamento Aduaneiro não é de competência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e o requerimento para a relevação de penalidades também não pode ser conhecido. Desta forma, tomo conhecimento do Recurso Voluntário apenas em relação às demais motivações de fato e de direito da Recorrente. Da revogação do artigo 45, da IN RFB 800/2007 e da ilegalidade da autuação. A base legal para a autuação é a alínea e, do inciso IV, do artigo 107, do Decreto Lei nº 37/1966, nos seguintes termos: “Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga; e (...)” A repetição do texto da penalidade em uma norma infralegal é irrelevante, assim como a revogação dos dispositivos que a reproduziam. Sendo assim, não há que se falar em ilegalidade neste caso em razão da revogação de artigos da IN RFB nº 800/2007, tendo em vista que a principal função desta IN RFB é cumprir a delegação de competência legislativa à Receita Federal do Brasil em determinar os prazos e forma como as informações serão prestadas. Assim também não há confusão entre a ausência de informação e o atraso na prestação da mesma, posto que o fato gerador da penalidade decorreu no transcurso do prazo regulamentar, e até aquela data e hora, não havia informação prestada, de qualquer forma. Sem razão à Recorrente. Denúncia Espontânea Fl. 70DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.255 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.003546/2010-30 A denúncia espontânea é a exclusão da responsabilidade do agente pela comunicação de infração à Autoridade Tributária, antes do início de qualquer procedimento administrativo, acompanhada do pagamento dos tributos devidos e não recolhidos anteriormente e juros de mora, conforme previsto no artigo 138, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Conforme fica claro, no texto transcrito acima, o CTN não exige que para a exclusão da responsabilidade haja o recolhimento de qualquer penalidade, na medida em que seria contraditório excluir a responsabilidade por uma infração e ainda assim proceder a exigência da penalidade cabível. Já o Decreto-Lei nº 37/1966, no § 2º, do seu artigo 102, é bem claro em afastar a aplicação de qualquer penalidade em relação à denúncia espontânea, exceto no que disser respeito às penas de perdimento.. “ Art.102 - A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º - Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.” No entanto, em ambos os dispositivos legais, há a restrição de que qualquer ato de denúncia espontânea seja praticado após o início de qualquer procedimento fiscal de ofício praticado por servidor competente. O controle das informações de carga é feito de forma informatizada pelo sistema SISCARGA que, dentro de suas funcionalidades, conta com o controle dos prazos de chegada e saída de veículos e dos atos demandados pelos diversos agentes envolvidos, bloqueando automaticamente operações que não atendam as determinações legais que sejam detectadas, entre elas a informação intempestiva de carga o que gera o bloqueio automático da operação. O desbloqueio da operação para prosseguimento da informação é ato de ofício da Autoridade Aduaneira e constitui-se em limite impeditivo da denúncia espontânea. Ademais, as ações dos contribuintes de antecipação dos atos necessários ao lançamento, inclusive o pagamento antecipado do tributo devido, condicionando o direito de lançamento à condição resolutória de posterior homologação, num prazo de até cinco anos, e a Fl. 71DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.255 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.003546/2010-30 possibilidade do contribuinte em corrigir eventuais equívocos cometidos, tanto no lançamento por homologação, como antecipando-se ao despacho aduaneiro, afasta o conhecimento futuro pela Autoridade Tributária de infração relacionada ao pagamento de impostos, em razão desta ter sido diligentemente corrigida pelo próprio contribuinte, antes que a Autoridade aja de ofício. Entretanto, o próprio transcurso do prazo para prestar informações configura uma infração prevista na legislação e de caráter irreparável, pois a prestação de informações de forma intempestiva não repara o atraso e suas consequências, e ainda é de conhecimento da Autoridade Aduaneira anterior a qualquer ato do contribuinte, sendo conhecida de forma automática pelo próprio sistema SISCARGA. Não se pode admitir denúncia espontânea em infração relacionada à prestação intempestiva de informações obrigatórias, nem tão pouco que seja isenta da produção de danos à fiscalização. Assim também está consignado na Súmula CARF nº 126: “Súmula CARF nº 126 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em 03/09/2018 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Acórdãos Precedentes: 3102-001.988, de 22/08/2013; 3202-000.589, de 27/11/2012; 3402-001.821, de 27/06/2012; 3402-004.149, de 24/05/2017; 3801-004.834, de 27/01/2015; 3802- 000.570, de 05/07/2011; 3802-001.488, de 29/11/2012; 3802-001.643, de 28/02/2013; 3802-002.322, de 27/11/2013; 9303-003.551, de 26/04/2016; 9303- 004.909, de 23/03/2017.” Sem razão à Recorrente. Desproporcionalidade Na mesma linha, a exigência de uma multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por uma infração de atraso de informação da carga chegada de um veículo do exterior, ou a ele destinado, com o potencial prejuízo ao controle aduaneiro sobre a totalidade da carga de elevadíssimo valor potencial, não pode ser considerada desproporcional. O controle da carga manifestada em veículos de transporte em viagens internacionais, ingressando em território aduaneiro, ou dele saindo, é elemento fundamental da atividade do controle aduaneiro, atividade essencial aos interesses fazendários nacionais, conforme previsto no artigo 237, da Constituição Federal de 1988, conforme transcrevo a seguir: Fl. 72DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.255 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.003546/2010-30 “Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda.” Novamente destacamos que o ingresso de qualquer mercadoria estrangeira é feito de forma obrigatória pelas Zonas Primárias, e o controle aduaneiro, além de seu caráter primário de natureza tributária pela administração dos tributos incidentes nas operações de importação e exportação, tem um caráter secundário extrafiscal de grande relevância, o qual envolve a própria segurança da nação brasileira, em seus vários aspectos: o que abarca os controles sanitários de interesse agropecuário e de saúde humana, de segurança pública (pelo impedimento ao ingresso irregular de drogas e entorpecentes proibidos e de armamento ilegal), proteção do patrimônio histórico e de biodiversidade, e ainda pela proteção do mercado brasileiro da concorrência desleal, na medida que as mercadorias exportadas via de regra são isentas da tributação em seus países de origem, introduzindo um desequilíbrio competitivo com a produção nacional tributada internamente. O controle das cargas manifestadas e da obrigatoriedade de prestação detalhada da procedência, descrição e valor das cargas que circulam pelas Zonas Primárias não possui apenas o interesse de se mensurar adequadamente o montante eventual de tributos devidos, mas principalmente impedir que cargas que não sejam do conhecimento da Autoridade Aduaneira possam circular sem controle pelas áreas de segurança alfandegária e posteriormente serem introduzidas no território aduaneiro de forma irregular com grande potencial de risco sanitário, de segurança pública e econômico, pelo uso irregular da escala proporcionada pelas vias regulares de comércio. Tanto é assim que a penalidade capital do Direito Aduaneiro configura-se no perdimento da própria carga quando qualquer tentativa de se burlar o controle de mercadorias não desembaraçadas se manifestar, o que podemos destacar em diversas modalidades de hipóteses de sujeição ao perdimento dos incisos do artigo 105, do Decreto-Lei nº 37/1966. A gestão do controle aduaneiro, não apenas como elemento de fiscalização, mas também como elemento de parte da cadeia logística nacional, pela dimensão do impacto que as ações de fiscalização e controle possam ter no tempo e nos custos envolvidos na manutenção das cargas internacionais em portos, aeroportos e pontos alfandegados de fronteira, depende cada vez mais da gestão antecipada das informações de carga, que entram e saem das Zonas Primárias e das medidas de gerenciamento de riscos que permitem à Autoridade Aduaneira diminuir os custos de sua atividade para importadores, exportadores e outros agentes envolvidos, pela seleção das cargas que serão efetivamente conferidas, e pelo acompanhamento não intrusivo nas demais movimentações. Arguir que atrasos ou falta na prestação de informações de carga não implica em nenhum prejuízo à fiscalização, ou de dano ao erário, Fl. 73DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.255 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.003546/2010-30 somente pode decorrer do total desconhecimento do alcance e das consequências do trabalho de controle do comércio exterior realizado nos portos, aeroportos e pontos de fronteira, pois a própria ausência ou atraso nas informações implica em prejuízos difusos em diversas áreas e com consequências nas medidas de tratamento de risco de difícil mensuração, em detrimento à segurança do comércio e aos custos dos próprios operadores regulares. Sem razão à Recorrente. Os Prazos para prestação de informações sobre a carga. A Autoridade Tributária, em cumprimento à delegação de competência prevista em Lei, na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei nº 37/1966, acima transcrito, estabeleceu os prazos através do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007: “Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I - as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (...)” O texto acima, reproduzido com a redação que tinha à época de ocorrência dos eventos que ensejaram a autuação, determinam os prazos a serem cumpridos, no entanto, até o dia 10 de abril de 2009, os prazos exigíveis são regulados pelo artigo 50, da mesma IN RFB. “Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.” Em que pese o artigo 50, acima transcrito, suspender a aplicação dos prazos previstos no artigo 22, conforme o caput, também encontramos no mesmo artigo os prazos que seriam vigentes até a data de 10 de abril de 2009, nos incisos do seu § único, que seria, no caso concreto, “antes da atracação (...) da embarcação em porto no País”. Em todos os casos Fl. 74DF CARF MF Original http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416019 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=52946#1416019 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=15859#1111414 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=15859#1111414 Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-010.255 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10711.003546/2010-30 relacionados à autuação, as informações foram prestadas após a data e hora da atracação. Sendo assim, improcedente a argumentação da Recorrente. Com base em todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 75DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 37216.000673/2006-48
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/12/2002
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação e recurso, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão-Notificação para a correta formalização do lançamento.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 206-01.684
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância. Ausente ocasionalmente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Gabriel Troianelli, OAB/SP nº180317.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/12/2002 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação e recurso, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão-Notificação para a correta formalização do lançamento. Processo Anulado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância. Ausente ocasionalmente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Gabriel Troianelli, OAB/SP nº180317.
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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ti: 1 SEXTA CÂMARA Processo e 37216.000673/2006-48 Recurso n° 147.737 Voluntário Matéria RETENÇÃO Acórdão n• 206-01.684 Sessão de 03 de dezembro de 2008 Recorrente XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁFUA - SRP AssuNTo: CONTRIBOIÇOES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/12/2002 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Deve ser dada ciência, ao contribuinte, de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação e recurso, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da Decisão-Notificação para a correta formalização do lançamento. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. _ _ MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1Bk ' CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 37216.000673/2006-48 Brunia /9 Ca-- CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.684 fls. 431 011/ al Maria de Fátun •- •rf I a e • Mat. Siape 751683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância. Ausente ocasionalmente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Gabriel Troianelli, OAB/SP n°180317. q"NrN ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente L5Q: ta. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa (Suplente convocado), Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 e r Processo n° ° 37216.000673/2006-48 CCO2./C06 MF - SE.CarN no CONSELHO DEI CONTRIBU INEST Acórdão n. 206-01484 i \COSI EP f COM o °RUTIiNA Fls. 432 Sraatna._ 2,9 i 0 a_ , i, cbtp , Mar 1 à oe Faca errara de Cara° 1Relatório Mai_ roam 751683 -- Trata-se de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, referente à obrigação do contratante de serviços mediante cessão de mão- de-obra reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelos prestadores de serviços. Consta do Relatório da NFLD (fls. 51 a 57) que a recorrente contratou serviços sob a modalidade de cessão de mão de obra junto a diversas empresas, ali discriminadas, sem, contudo, efetuar a retenção de 11% do valor bruto das notas/faturas emitidas pelas contratadas, contrariando o disposto na Lei n° 9.711/98, no Decreto n° 3.048/99 e nas Ordens de Serviço • n°203/99, n°209/99 e IN n°71/2002. A autoridade notificante informa que a recorrente não apresentou o competente Contrato de Prestação de Serviços firmado com algumas das empresas prestadoras, e transcreve o objeto do contrato com a SAN PRESS SEGURANÇA PATRIMONIAL, esclarecendo que o débito fora apurado após análise dos registros contábeis e contratos firmados. A notificada impugnou o débito via peça de fls. 76 a 104, juntando vasta documentação (fls. 105 a 181) e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, resultando na manifestação fiscal de fls. 191 a 192, e na retificação do débito, conforme FORCED às fls. 187 a 190. A Secretaria da Receita Previdenciária — SRP, por meio da Decisão-Notificação n° 17.401.4/0638/2005 (fls. 211 a 219), julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização e indeferindo o pedido de perícia formulado pela recorrente, por considerá-la prescindível. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo ao CRPS (fls. 246 a 271), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste na nulidade do lançamento pela prorrogação intempestiva do MPF, argumentando que a extinção do Mandato sem a emissão de um novo acabou gerando lançamento nulo. No mérito, defende decadência de parte do débito com a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 40, do CTN, e a impossibilidade da exigência das contribuições antes de se verificar a falta de pagamento da contribuição sobre a folha de salários devida pelo contribuinte prestador dos serviços. Reitera que a fiscalização não comprovou a ocorrência dos fatos geradores alegados, lançando com base em meros indícios e presunções e que a recorrente não sonegou qualquer documento, sendo que a apresentação deficiente dos documentos necessários à comprovação da regularidade fiscal se deu não por culpa da empresa, mas em virtude da total intransigência da fiscalização em conceder tempo hábil para tanto. ,,,, - ) 3 61F . sEmynn CCP": v.I.H0 DE CONTRIBUNTES CONFERI: • O nnIGINAL Processo n°37216.000673/200648 Sadia. 211 ' 411F CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.684 a FE. 433 Maria de Fátima erteira de Camila° Mat. Siape 731683 Aponta o que, no seu entérridimento, são inconsistências do lançamento, como recolhimentos realizados pela recorrente e não considerados na retificação do lançamento e discorre sobre a necessidade de realização de perícia. Da análise dos novos elementos trazidos na peça recursal, o processo foi novamente encaminhado para a manifestação da autoridade notificante, que emitiu a Informação Fiscal de fl. 376 e planilha às fls. 372 a 375. Em contra-razões, a SRP requer que o CRPS reconheça, de oficio, a retificação sugeria no item 17 (fl. 381) e negue provimento aos demais pontos do recurso. Tendo em vista sentença judicial denegando a segurança e julgando improcedente o pedido para que fosse admitido e processado o recurso independentemente do oferecimento de qualquer garantia, a recorrente efetuou o depósito recursal de 30% e a 2a CAJ do CRPS, por meio do Despacho de fl. 425, remeteu o processo em diligência prévia para que a RFB tomasse as providências ali expostas. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, em atendimento ao despacho exarado pelo CRPS, prestou os devidos esclarecimentos e devolveu os autos ao Conselho, para a emissão do Acórdão. É o relatório. Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora Da análise dos autos, algumas inconsistências foram observadas. Inicialmente, observa-se que antes do julgamento de 1 instância o processo foi convertido em diligência e a fiscalização se manifestou combatendo os argumentos trazidos na peça impugnatória e retificando o débito, esclarecendo os motivos pelos quais foram utilizados os valores registrados na contabilidade para base de cálculo da retenção. Todavia, verifica-se que não foi dada, à notificada, a oportunidade se manifestar após o pronunciamento da autoridade notificante e antes da decisão da Autarquia Previdenciária, suprimindo uma instância administrativa do contribuinte, configurando, dessa forma, desrespeito ao contraditório e à ampla defesa. O processo, como espécie de procedimento em contraditório, exige a manifestação de uma parte sempre que a outra traz para os autos fatos novos. Assim, se no curso do procedimento, são efetuadas diligências com manifestações do agente notificante e retificação do débito sem conhecimento do sujeito passivo, faz-se necessária a abertura de prazo para sua manifestação, sob pena de cerceamento do direito de defesa. E, o Decreto rf 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina, no art. 293, inciso II, que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. ---> 4 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBL7NTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 37216.000673/2006-48 hozwas , (2 CCO2/C06 Acórdão nt 206-01.684 duo ris. 434 Maria de Fatima Ferreira de Carvalho Mat. Siam 731683 • Verifica-se, ainda, que ;ta ondade lançadora se manitestou apos l a apresentação do recurso, aceitando alguns documentos apresentados pela notificada e concluindo pela retificação do débito e, novamente, a recorrente não foi cientificada do parecer fiscal. Portanto, diante das irregularidades acima apontadas, entendo que a nulidade da DN merece ser decretada afim de que se possa oferecer oportunidade ao recorrente de se manifestar a respeito da IF antes de qualquer decisão da Autarquia a respeito da NFLD e para que seja dada ciência, ao contribuinte, do parecer fiscal emitido após a apresentação do recurso. Pelo exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de CONHECER do recurso e ANULAR A DECISÃO-NOTIFICAÇÃO. • Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2008 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS • Page 1 _0075400.PDF Page 1 _0075500.PDF Page 1 _0075600.PDF Page 1 _0075700.PDF Page 1
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Numero do processo: 35464.000587/2007-69
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - DECADÊNCIA.
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4º do CTN.
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
De acordo com a Lei Complementar nº 84/96, com vigência até 02/2000, incidem contribuições sociais sobre o total das remunerações dos segurados autônomos.
2- Nos termos do art. 22 da Lei nº 8212/91, com a redação dada pela Lei nº 9876/99, a partir de 03/2000; é devida pela empresa, a contribuição de 20% incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 206-01.792
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; e III) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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Mapa 7112748 111' — MINISTÉRIO DA FAZENDA ,'•'/•?,:t.t SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "--t4-'-ic" SEXTA CÂMARA , Processo n° 35464.000587/2007-69 - Recurso n° 148.604 Voluntário Matéria CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Acórdão n° 206-01.792 Sessão de 04 de fevereiro de 2009 Recorrente BANCO SANTANDER BRASIL S/A Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCLARIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 40 do CTN. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. De acordo com a Lei Complementar n° 84/96, com vigência até 02/2000, incidem contribuições sociais sobre o total das remunerações dos segurados autônomos. 2- Nos termos do art. 22 da Lei n° 8212/91, com a redação dada pela Lei n° 9876/99, a partir de 03/2000; é devida pela empresa, a contribuição de 20% incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais. Recurso Voluntário Provido em Parte. 2° COMF Sexta Camara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°35464.000587/200749 Breallle 091 CCO2/036 Acórdão n.° 206-01.792 Fls. 286 Maria E re is to MM. Stape 762748 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; e III) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro " urenço Ferreira do Prado. .. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente hiC2L- CLEUSA VIEIRA%—S-gUZA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa (Suplente convocado), Bemadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 2° CCRAF Sexta Câmara• Processo n°35464.000587/2007-69 CONFERI COM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.792 amaina, ilf Fls. 287 Marta Ed,LW1W1 PIfltCna Mat. Sign 762748 Relatório Trata-se de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD n° 37.043.590-7 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 74/83, refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês aos segurados contribuintes individuais (expatriados) que prestaram serviços no período de 01/1999 a 12/2005 e aquelas correspondentes à parte dos segurados contribuintes individuais, arrecadadas pela empresa e incidentes sobre o total das remunerações a qualquer título, no decorrer do mês, no período de 04/2003 a 12/2005. Segundo o referido relatório fiscal, verificou-se por meio das folhas de pagamento apresentadas à Fiscalização, que a empresa remunera seus diretores expatriados (contribuintes individuais) através de diversas ajudas de custo, entre elas: aluguel, condomínio, IPTU, gastos de instalação, ajudas especiais,ctc. todas transitando pela conta de Despesas de Pessoal (folha de pagamento), para as quais há incidência de contribuição previdenciárias.Porém, as remunerações registradas nas contas de Despesas de Serviços Técnicos Especializados, não transitam pela folha de pagamento e, portanto, não sofrem incidência de contribuições previdenciárias. Informações estas, confirmadas pelo Sr. Cilas Warner, responsável pela elaboração da folha de pagamento do Setor de Recursos Humanos da empresa. Informa o referido relatório fiscal que, em relação a tais verbas, a empresa não as declarou em GFIP, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 01/1999 e não comprovou o recolhimento ou a provisão das contribuições previdenciárias correspondentes na escrita contábil; não apresentou documentos hábeis a comprovar a não- incidência das contribuições previdenciárias sobre o pagamento das referidas verbas remuneratórias. Informa, outrossim, que pelo fato de não conseguir identificar os valores mensais dos lançamentos efetuados, porquanto não há discriminação do histórico e das contrapartidas correspondentes, em conformidade com as disposições contidas nos §§ 1° e 3° do artigo 33 da Lei n° 8212/91, a base de cálculo das contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos efetuados a titulo de "Ajuda de Custo Expatriados" e "Serviços Prestados Expatriados" foi arbitrado, pelo valor constante nos Balancetes Contábeis Semestrais,os quais registram a contabilização das despesas dos serviços. Por não conhecer os segurados que auferiram as remunerações a título de título de "Ajuda de Custo Expatriados" e "Serviços Prestados Expatriados" as contribuições dos • segurados foram aferidas .calculadas pela aplicação da alíquota de 11% sobre a mesma base de cálculo considerada nos cálculos das contribuições patronais. Os valores das contribuições foram apurados, observados os limites máximos mensais do salário de contribuição e o total das remunerações, sem limite, para o cálculo da contribuição devida pelo empregador que, é de 15% nos termos da Lei Complementar 84/96, no período de 01/1999 a 02/2000, 20% nos termos do inciso III do art. 22 da Lei n° 8212/1991, com a redação dada pela Lei n° 9876/99, a partir de 03/2000 e 2,5%, de acordo com o artigo 2° 3 r CCIMF Sexta Camara CONFERE COMO ORIGINAL PTOCCSSO n° 35464.000587/2007-69 CCO2/06 Acórdão n.° 206-01.792 Fls. 288 Maria EdrAlit\ ra o Mat. Siara 752748 da Lei Complementar n°84/96 e parágrafo único do artigo 22 da Lei n°8212/91, com a redação dada pela Lei n°9876/99. Tempestivamente o contribuinte apresentou sua impugnação, fls. 112/132, em que, preliminarmente alegou a decadência do crédito em face do transcurso de mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150 do CTN; relativamente ao período de 01/1999 a 11/2001. No mérito, alega que ajuda de custo tem natureza indenizatoria, pois tem como escopo compensar o funcionário por eventuais despesas e transtornos por transferência e viagens; colaciona julgados do Tribunal Regional do Trabalho, que entende aplicável à questão. A Secretaria da Receita Previdenciária em São Paulo -Sul/SP, por meio da Decisão Notificação n° 21.404.4/0129/2007, julgou procedente o lançamento, trazendo a referida decisão a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE É de 10 anos o prazo para a apuração e constituição do crédito previdenciário, na inteligência do art. 45 da Lei n°8212/91. Entende-se por salário de contribuição para o contribuinte individual a totalidade dos rendimentos recebidos, conforme artigo 28, inciso III e parágrafos da Lei n°8212/91 e alterações posteriores. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente no 9° do artigo 28 da Lei n° 8212/91, e alterações posteriores, não integram o salário de contribuição. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre matéria relativa a constitucionalidaddlegalidade. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Inconformada com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, razões expendidas às fls. 232/254, reproduzindo as razões aduzidas em sua impugnação, em que, preliminarmente alegou a decadência crédito em face do transcurso de mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150 do CTN; relativamente ao período de 01/1999 a 11/2001. No mérito, alega que ajuda de custo tem natureza indenizatééria, pois tem como escopo compensar o funcionário por eventuais despesas e transtornos por transferência e viagens; colaciona julgados do Tribunal Regional do Trabalho, que entende aplicável à questão. Aduz que uma vez que o empregado sofre verdadeiro dano ao ser deslocado de sua cidade pra a prestação de serviços em outras localidades, nada mais justo do que o mesmo receber indenização visando ao ressarcimento do prejuízo sofrido; que além do caráter eminentemente indenizatório de que se reveste o auxílio aluguel ora debatido, verifica-se que a 2° CCITAF Sana C Mnnra Processo n° 35464.00058712007-69 CONFERE COMO Cr 1:4 AL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.792 Braffim. 43(2.--/-0-- Fls. 289 Marta relr trato What. Slapo 7E2246 ajuda de custo em comento é paga ao empregado por um determinado período de tempo, não se revestindo da habitualidade necessária à inclusão de qualquer verba no salário de contribuição. Conclui alegando que a ajuda de custo relativa ao aluguel não deve compor a base de cálculo da contribuição social ora debatida, nos termos do artigo 28, § 8°, "g" da Lei n° 8212/91. Requereu seja reconhecida a decadência relativamente ao período de 01/1999 a 11/2001, bem como seja dado provimento ao recurso. Não houve depósito prévio de 30 % em face da decisão Liminar deferida em Mandado de Segurança n° 2007.61.00.006986-0. É o relatório Voto Conselheira CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e dispensada da exigência do depósito recursal, por força de decisão judicial. Antes de proceder à análise de mérito das razões do presente recurso, cumpre apreciar, como preliminar, a decadência suscitada. Com relação à qual, vale esclarecer que até a Seção do mês de maio/2008, esta Câmara de julgamento, bem como esta Conselheira mantinha o entendimento de que a constituição do crédito previdenciário, aplicava-se as disposições contidas na Lei n° 8212/91, art. 45 que determina: "o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se em após dez anos a contar do 1° dia do exercício seguinte àquele que o crédito poderia ter sido constituído". Entretanto, o Supremo Tribunal Federal - STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.21211991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a l' Turma do STJ pronunciou-se nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCL4L DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE Gt • r CC/MF Sexta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 35464.000587/2007-69 BresIlle, O Cir CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.792 Fls. 290 Maria E era Met. Slapa 782748 ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (C7W, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 49.PRECEDENTES DA 10 SEÇÃO. I. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra •específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 40 do art. 150 do CT'N. Precedentes da I" Seção: ERESP I01.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, MM. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, RI de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do C1W. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1 Turma do STJ, mais uma vez, pronunciou-se nos temos da ementa colacionada: "EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CT.N, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CT'N, ART. 150, § 4°). PRECEDENTES DA I" SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o (L 6 r CC/MF Sexta Cirnam CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°35464.000587/2007-69CCM/C:06 Acórdão n.• 206-01.792 Breallls. Eis. 291 Marta ~Ira Pinto MaL Slap• 711274a disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp n° 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, trata-se de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do C77V. 5.Recurso especial a que se nega provimento." É a orientação também defendida em doutrina: "Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 40 tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por pane do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelá-lo pela homologação. Com o decurso do prazo dc cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos." (Leandro Paulsen, Direito (.:‘ 7 r CCNIF Une Cáman CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 35464.000587/2007 -69 CCO2/C06Brasil. Acórdão n.• 206-01.792ns. 292 Maria Ed Lato Mat. Mapa 782748 Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Et Livraria do Advogado, 6"ed., p. 1011). "Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme 4o do art. 150 em análise. A conseqüência —homologação tácita, extintiva do crédito — ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada" (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CT1V, Ed. Forense, 3a ed., p. 404). No caso em exame, como não houve a demonstração por parte da fiscalização que não houve a antecipação de pagamento, para a aplicação da regra contida no artigo 173, entendo que há que se manter a regra geral e aplicar-se ao caso a regra do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, conta-se o prazo decadencial a partir do fato gerador. Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 11/12/2006, as contribuições apuradas referentes ao período de 01/1999 a 11/2001 já se encontravam fulminadas pela decadência, razão porque acolho a preliminar suscitada para excluir do presente lançamento, as contribuições relativas ao período mencionado. Superadas as preliminares suscitadas, passo à apreciação das razões de mérito do presente recurso. Conforme relatado, trata-se de crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD n° 37.043.590-7 que, de acordo com o relatório fiscal, fis. 74/83, refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês aos segurados contribuintes individuais (expatriados) que prestaram serviços no período de 01/1999 a 12/2005 e aquelas correspondentes à parte dos segurados contribuintes individuais, arrecadadas pela empresa e incidentes sobre o total das remunerações a qualquer título, no decorrer do mês, no período de 04/2003 a 12/2005. Segundo o referido relatório fiscal, verificou-se por meio das folhas de pagamento apresentadas à Fiscalização, que a empresa remunera seus diretores expatriados (contribuintes individuais) através de diversas ajudas de custo, entre elas: aluguel, condomínio, IPTU, gastos de instalação, ajudas especiais,etc. todas transitando pela conta de Despesas de Pessoal (folha de pagamento), para as quais há incidência de contribuição previdenciárias.Porém, as remunerações registradas nas contas de Despesas de Serviços Técnicos Especializados, não transitam pela folha de pagamento e, portanto, não sofrem incidência de contribuições previdenciárias. Informações estas, confirmadas pelo Sr. Cilas Wamer, responsável pela elaboração da folha de pagamento do Setor de Recursos Humanos da empresa. Sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês aos segurados trabalhadores autônomos que prestem serviços; às empresas, incidem a contribuição social prevista artigo 22, inciso III da Lei n° 8212/91, com a redação dada pela Lei n° 9876/99 (in verbis): 8 r CC/111F Una Câmara • CONFERE COMO ORIGINAL Processo o' 35464.000587/2007-69CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.792 erasIlla, 0(1 Fls. 293 Marta remira reto Mat. Mamo 762748 Art. 22- A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no ar!, 23, é de : (..); (...)111 — Vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Tais contribuições tiveram sua origem na Lei Complementar n° 84/96, a qual teve sua vigência até 02/2000; que instituiu a contribuição social a cargo da empresa à aliquota dc 15% incidente sobre o total das remunerações pagas as pessoas fisicas que prestassem serviços à empresa. No período de 03/2000 em diante, estão, como já dito, sob o amparo da Lei 9.876/99, que alterou a redação do art. 22 da Lei n° 8212/91. Com relação às contribuições dos segurados contribuintes individuais, também objeto do presente lançamento, previstas no artigo 21, cabe esclarecer que a Medida Provisória n° 83/02, convertida na Lei n° 10.666/03, passou a impor à empresa tomadora dos serviços desses segurados, a obrigação de arrecadar e recolher as contribuições por eles devidas, à alíquota de 11% sobre a remuneração paga ou creditada, e, nos termos do § 5° do artigo 33 da .Lei n° 8212/91, "o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito, oportuna e regulamente pela empresa a isto obrigada, não lhe sendo licito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta lei." Em que pesem as razões da recorrente, é inquestionável que o conceito de salário de contribuição para o contribuinte individual, e sobre o qual incide contribuição previdenciária, está contido no art. 28 da Lei n°8212191, que assim estabelece: Art. 28— Entende-se por salário de contribuição: (..). 111- Para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo do salário de contribuição. Quanto às alegações de que além do caráter eminentemente indenizatório de que se reveste o auxilio aluguel ora debatido, verifica-se que a ajuda de custo em comento é paga ao empregado por um determinado período de tempo, não se revestindo da habitualidade necessária à inclusão de qualquer verba no salário de contribuição. Nesse sentido impõe esclarecer as contribuições ora discutidas incidiram sobre as verbas pagas a título de aluguel, condomínio, IPTU, verbas essas consideradas como utilidades concedidas aos contribuintes individuais (expatriados) em decorrência da prestação dos serviços, por essa razão tais valores não se revestem de natureza indenizatória. 9 r CCIMF Stift CAnusta CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 35464.000587/2007-69 CCO2/036 Acórdão n.• 206-01.792 Brasilla Se • Eis 294 Maria • • ." ra - • Mat. Slape• 7527411 Com relação à alegação que a ajuda de custo relativa ao aluguel não deve compor a base de cálculo da contribuição social ora debatida, nos termos do artigo 28, § 8°, "g" da Lei n° 8212/91, vale esclarecer que, de fato, o § 9° do artigo 28 da Lei n° 8212/91 veio definir expressamente quais os pagamentos não integrariam o salário de contribuição, relaciona as verbas que não integrariam o salário de contribuição. Porem as verbas em comento, não se encontram relacionadas na alínea "g" do referido parágrafo, como quer a recorrente, pois a ajuda de custo ali referida é aquela em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, nos termos do artigo 470 da CLT. Não se aplicando portanto, a pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Cabe ainda, esclarecer que, por sua vez, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada (nos termos do art. 111, II da Lei n° 5,172/66-CTN), do contrário estaria imprimindo-lhe um alcance que a norma não tem nem poderia ter, eis que as regras de isenção não comportam interpretações ampliativas. Isto posto; e CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, CONCLUSÃO: pelo exposto VOTO por conhecer do recurso voluntário, dar provimento parcial no sentido de acolher a preliminar de decadência para excluir do lançamento os valores correspondentes ao período de 01/1999 a 11/2001, nos termos do art.150 § 4° do CTN, e no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2009 CLEUSA VIEIRA SOUZA 10 Page 1 _0091700.PDF Page 1 _0091800.PDF Page 1 _0091900.PDF Page 1 _0092000.PDF Page 1 _0092100.PDF Page 1 _0092200.PDF Page 1 _0092300.PDF Page 1 _0092400.PDF Page 1 _0092500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10218.721140/2015-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2010
CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL (AGINT NO ARESP) Nº 786.109/RJ. RESP Nº 1.721.191/MG. APLICÁVEIS.
A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se sucedem pela inércia do sujeito passivo.
CTN. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. REGRA ESPECIAL. IMPOSTO APURADO. PAGAMENTO. ANTECIPAÇÃO COMPROVADA. STJ. RESP Nº 973.733/SC. DECISÃO. SEDE. RECURSOS REPETITIVOS. SÚMULA CARF. ENUNCIADO Nº 123. VINCULAÇÃO. APLICÁVEIS.
Tratando-se de lançamento por homologação, afastadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplica-se a contagem de prazo prevista no art. 150, § 4°, do CTN, quando o contribuinte provar que houve antecipação de pagamento do imposto apurado, ainda que em valor inferior ao efetivamente devido.
Numero da decisão: 2402-011.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto, eis que o crédito controvertido foi atingido pela decadência prevista no art. 150, § 4º, do CTN.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, José Márcio Bittes, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny, Rodrigo Rigo Pinheiro e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2010 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL (AGINT NO ARESP) Nº 786.109/RJ. RESP Nº 1.721.191/MG. APLICÁVEIS. A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se sucedem pela inércia do sujeito passivo. CTN. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. REGRA ESPECIAL. IMPOSTO APURADO. PAGAMENTO. ANTECIPAÇÃO COMPROVADA. STJ. RESP Nº 973.733/SC. DECISÃO. SEDE. RECURSOS REPETITIVOS. SÚMULA CARF. ENUNCIADO Nº 123. VINCULAÇÃO. APLICÁVEIS. Tratando-se de lançamento por homologação, afastadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplica-se a contagem de prazo prevista no art. 150, § 4°, do CTN, quando o contribuinte provar que houve antecipação de pagamento do imposto apurado, ainda que em valor inferior ao efetivamente devido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-22T23:04:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2023-05-22T23:04:46Z; Last-Modified: 2023-05-22T23:04:46Z; dcterms:modified: 2023-05-22T23:04:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-22T23:04:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-22T23:04:46Z; meta:save-date: 2023-05-22T23:04:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-22T23:04:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2023-05-22T23:04:46Z; created: 2023-05-22T23:04:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2023-05-22T23:04:46Z; pdf:charsPerPage: 2183; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-22T23:04:46Z | Conteúdo => S2-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10218.721140/2015-18 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-011.403 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2023 Recorrente VINICIUS DE MELO RIBEIRO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2010 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL (AGINT NO ARESP) Nº 786.109/RJ. RESP Nº 1.721.191/MG. APLICÁVEIS. A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se sucedem pela inércia do sujeito passivo. CTN. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. REGRA ESPECIAL. IMPOSTO APURADO. PAGAMENTO. ANTECIPAÇÃO COMPROVADA. STJ. RESP Nº 973.733/SC. DECISÃO. SEDE. RECURSOS REPETITIVOS. SÚMULA CARF. ENUNCIADO Nº 123. VINCULAÇÃO. APLICÁVEIS. Tratando-se de lançamento por homologação, afastadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplica-se a contagem de prazo prevista no art. 150, § 4°, do CTN, quando o contribuinte provar que houve antecipação de pagamento do imposto apurado, ainda que em valor inferior ao efetivamente devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto, eis que o crédito controvertido foi atingido pela decadência prevista no art. 150, § 4º, do CTN. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, José Márcio Bittes, Francisco Ibiapino Luz (presidente), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 11 40 /2 01 5- 18 Fl. 142DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.403 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.721140/2015-18 Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny, Rodrigo Rigo Pinheiro e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte com a pretensão de extinguir crédito tributário decorrente da glosa da ARL. Notificação de Lançamento e Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 03-091.191 - proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília - DRJ/BSB - transcrito a seguir (Processo digital, fls. 67 a 74): Pela notificação de lançamento nº 0545/00477/2015 (fls. 03), o contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 68.500,32, resultante do lançamento suplementar do ITR/2010, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 30/07/2015, incidentes sobre o imóvel rural “Fazenda Triunfo I” (NIRF 8.097.981-5), com área total declarada de 2.250,0 ha, localizado no município de São Felix do Xingu - PA. A descrição dos fatos, o enquadramento legal, o demonstrativo de apuração do imposto devido e multa de ofício/juros de mora encontram-se às fls. 04/07. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2010, iniciou-se com os termos de intimação/constatação (fls. 15/18 e 20/23), para o contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: - cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA, requerido tempestivamente ao IBAMA, e da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, além de comprovante de sua localização; - laudo de avaliação do imóvel com ART/CREA, nos termos da NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo; alternativamente, avaliações de Fazendas Públicas ou da EMATER. Em atendimento, foram anexados os documentos de fls. 24/26 e 28/30. Após análise desses documentos e da DITR/2010, a autoridade fiscal manteve a área informada de pastagens (350,0 ha), mas glosou integralmente a área declarada de reserva legal (1.800,0 ha) e desconsiderou o VTN declarado de R$ 64.000,00 (R$ 28,44/ha), arbitrando-o em R$ 361.350,00 (R$ 160,60) com base no SIPT/RFB (fls. 16/17), com o consequente aumento das áreas tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota de cálculo, pela redução do GU de 78,7 % para 15,6 %, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 30.871,30, conforme demonstrativo de fls. 06. Cientificado do lançamento em 25/08/2015 (AR/fls. 32), o contribuinte, por meio de representante legal, apresentou em 24/09/2015 a impugnação de fls. 35/46, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 47/61, alegando, em síntese: - discorre sobre o referido lançamento, do qual discorda, por não ter considerado a existência das áreas declaradas de reserva legal averbada e de preservação permanente, cadastradas no CAR e sem necessidade de ADA, bem como a efetiva área de pastagens, diminuindo o grau de utilização e aumentando a alíquota de cálculo, sem ter havido a oportunidade de apresentar os comprovantes da situação do imóvel no decorrer da fiscalização; Fl. 143DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.403 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.721140/2015-18 - cita e transcreve legislação de regência, Acórdãos do CARF e do Judiciário, além de ensinamentos doutrinários, para referendar seus argumentos. Diante do exposto, demonstrada a insubsistência do lançamento fiscal impugnado, o contribuinte requer seja acolhida e julgada procedente sua defesa fundamentada, para determinar a nulidade da respectiva notificação. (Destaque no original) Julgamento de Primeira Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, por unanimidade, julgou improcedente a contestação da impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no Acórdão recorrido, cuja ementa transcrevemos (processo digital, fls. 67 a 74): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2010 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o procedimento fiscal sido instaurado de acordo com os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, é incabível a nulidade aventada. DA PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou de medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação a atos anteriores, para alterar dados da declaração do ITR que não sejam objeto da lide. DA REVISÃO DE OFÍCIO - ERRO DE FATO. A revisão de ofício dos dados informados pelo contribuinte, na DITR/2010, somente poderia ser aceita quando comprovada a hipótese de erro de fato com documentos hábeis, nos termos da legislação pertinente. DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas da área tributável do ITR, exige-se que essas pretendidas áreas ambientais tenham sido objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA, além da área de reserva legal ter sido averbada tempestivamente em cartório. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) ARBITRADO - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Por não ter sido expressamente contestado nos autos, considera-se matéria não impugnada o arbitramento do VTN para o ITR/2010, nos termos da legislação processual vigente.. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, basicamente repisando os argumentando apresentados na impugnação (processo digital, fls. 81 a 104). Contrarrazões ao recurso voluntário Não apresentadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.403 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.721140/2015-18 Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 14/10/2020 (processo digital, fl. 77), e a peça recursal foi interposta em 13/11/2020 (processo digital, fl. 79), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. Matéria de ordem pública Tanto na impugnação como no recurso interposto, a Contribuinte discorda da autuação em seu desfavor, mas neles não se insurge quanto ter se operado a decadência do direito que o Fisco detinha de constituir crédito tributário atinente ao exercício autuado. Por conseguinte, regra geral, este Conselho estaria impedido de se manifestar acerca do reconhecimento da referida prejudicial, pois o julgador de origem não teve a oportunidade de a conhecer e sobre ela decidir, já que sequer constava na contestação sob sua análise. Ademais, ante a, também, ausente contestação recursal, dita matéria tornava-se incontroversa e definitiva administrativamente. No entanto, reportado objeto constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciado de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se sucedem pela inércia do sujeito passivo. Trata-se de comando estabelecido pelo art. 487 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (novo Código de Processo Civil – CPC), de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, nestes termos: Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: [...] II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição. Ademais, é pacífica a jurisprudência sedimentada acerca da reportado matéria, tanto na seara judicial como na administrativa, consoante se vê nos excertos que passo a transcrever: Decisões do STJ: AgInt no AREsp 786.109/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 06/03/2017: AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. SÚMULA 83/STJ. OFENSA AO ART. 32 DO CTN. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão. [...] REsp 1.721.191/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2018, DJe 02/08/2018: Fl. 145DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-011.403 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.721140/2015-18 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DECADÊNCIA ARGUIDA NAS RAZÕES DA APELAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. JUNTADA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL APENAS COM A INTERPOSIÇÃO DA APELAÇÃO. PRODUÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL DE MODO EXTEMPORÂNEO. INADMISSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão. [...] Decisões do CARF: Acórdão nº 9202-009.552 - CSRF / 2ª Turma – Sessão de 26 de maio de 2021: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO EM SEDE DE JULGAMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE. A decadência constitui matéria de ordem pública, não atingida pela preclusão, de modo que sua arguição em embargos de declaração deve ser acolhida como omissão no julgamento do recurso voluntário e submetida à apreciação do Colegiado embargado. Acórdão nº 9202-008.676 - CSRF / 2ª Turma – Sessão de 17 de março de 2020: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, não podendo a autoridade julgadora dela conhecer, salvo nos casos expressamente previstos em lei. Tratando-se de matéria dita de ordem pública, pode a autoridade julgadora , considerada as circunstâncias do caso concreto, conhecer, ou não, de ofício. Acórdão nº 9101-004.256 - CSRF / 1ª Turma – Sessão de 9 de julho de 2019: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO EM SEDE DE JULGAMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE. A decadência constitui matéria de ordem pública, não atingida pela preclusão, de modo que sua arguição em embargos de declaração deve ser acolhida como omissão no julgamento do recurso voluntário e submetida à apreciação do Colegiado embargado. Pelo que está posto, descrita prejudicial de mérito deverá ser conhecida e apreciada de ofício, ainda que não suscitada na impugnação nem no recurso interposto. Conversão do julgamento em diligência Diante do cenário apontado, tratando-se de autuação decorrente de revisão da DITR/2010, cuja ciência ocorreu somente em 25/8/2015, era apropriado se ter informação precisa acerca da comprovação de pagamentos antecipados, eis que, se fosse o caso, o crédito atingido pela decadência teria de ser cancelado, ainda que de ofício. Afinal, tanto foi declarado o imposto apurado espontaneamente de R$ 204,80 como, na Notificação de Lançamento, restaram afastadas supostas hipóteses de fraude, dolo ou simulação (processo digital, fls. 3 a 14 e 32). Nesse pressuposto, quando manifestada controvérsia foi inicialmente apreciada na sessão do dia 7 de outubro de 2021, mencionado julgamento foi convertido em diligência para que a Unidade Preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adotasse as providências solicitadas por meio da Resolução nº 2402-001.113 (processo digital, fls. 115 a 122). Informação fiscal da diligência A Unidade demandada anexou documentação comprobatória, restando confirmada a antecipação de pagamento questionada, já que o recolhimento espontâneo do Fl. 146DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-011.403 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.721140/2015-18 imposto apurado se deu em 6/6/2012, anteriormente à ciência do Termo de Início de Fiscalização, ocorrida somente em 4/8/2014. Confira-se mediante os excertos transcritos na sequência (processo digital, fls. 19 e 133): Foi selecionada aquela relacionada ao imposto apurado em DITR/2010 para o imóvel rural de Nirf 8.097.981-5. Seguem o comprovante de arrecadação e o extrato do pagamento. Destacamos o fato de que a DITR/2010 tinha como prazo para sua apresentação o período de 01 de setembro a 30 de setembro de 2010. A declaração considerada referente ao Nirf 8.097.981-5 é original, entregue em atraso com data de recepção 31/maio/2012. O prazo para recolhimento do imposto apurado para o exercício 2010 teve como limite o dia 30 de setembro do mesmo ano, o qual somente foi efetuado em 06/junho/2012, no valor de R$ 204,80 cuja multa foi de R$ 40,96 mais juros de R$ 37,88 conforme descrição no comprovante de arrecadação em anexo. Concluímos desta forma, que o recolhimento averiguado se deu dentro do período decadencial considerado de 01/janeiro/2010 a 31/dezembro/2014, devendo ser considerado como pagamento antecipado para os efeitos da regra especial prevista no CTN, art. 150, § 4º. Prejudicial de mérito - Prazo decadencial Na relação jurídico-tributária, a decadência se traduz fato extintivo do direito da Fazenda Pública apurar, de ofício, tributo que deveria ter sido pago espontaneamente pelo contribuinte, bem como penalidades decorrentes do descumprimento tanto da obrigação principal como daquela tida por acessória. Assim considerado, o Sujeito Ativo dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para constituir referido crédito tributário mediante lançamento (auto de infração ou notificação de lançamento), variando conforme as circunstâncias, apenas, a data de início da referida contagem. É o que se vê nos arts. 150, § 4º, e 173, incisos I, II e § único, do CTN, nestes termos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 147DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-011.403 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.721140/2015-18 Cotejando os supracitados preceitos. deduz-se que o legislador dispensou tratamento diferenciado àquele contribuinte que pretendeu cumprir corretamente sua obrigação tributária, apurando e recolhendo o encargo que supostamente entendeu devido. No contexto, embora o CTN trate o instituto da decadência em quatro preceitos distintos, destacam-se (i) a regra especial, de aplicação exclusiva quando o lançamento se der por homologação (art. 150, § 4º) e (ii) a regra geral, aplicável a todos os tributos e penalidades, conforme as circunstâncias, independentemente da modalidade de lançamento (art. 173, incisos I, II e § único). Por pertinente, a compreensão do que está posto na citada regra geral (art. 173 do CTN) fica facilitada quando se vê as normas para elaboração, redação, alteração e consolidação de leis, presentes no art. 11, inciso III, alíneas “c” e “d” da Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998, que passo a transcrever: Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: [...] III - para a obtenção de ordem lógica: [...] c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos, alíneas e itens. Mais especificamente, segundo se infere do ato complementar ora transcrito, os incisos I e II do supracitado art. 173 do CTN trazem enumerações atinentes ao respectivo caput, enquanto, em seu § único, dito artigo estabelece exceção às regras nele elencadas. Por conseguinte, abstrai-se que o termo inicial do descrito prazo decadencial levará em conta - além da data de início do procedimento fiscal - tanto a forma de apuração do correspondente tributo e a antecipação do respectivo pagamento como as hipóteses de dolo, fraude, simulação e nulidade do lançamento por vício formal. Assim entendido, o prazo quinquenal em debate terá sua contagem iniciada consoante retratam os 4 (quatro) cenários expostos a seguir: 1. do respectivo fato gerador, nos tributos apurados por homologação, quando afastadas as hipóteses de apropriação indébita de CSP, dolo, fraude e simulação, e houver antecipação de pagamento do correspondente imposto ou contribuição, ainda que em valor inferior ao efetivamente devido, aí se incluindo eventuais retenções na fonte – IRRF (CTN, art. 150, § 4º); 2. do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quanto aos tributos suprimidos do cenário anterior (item 1) e as penalidades, exceto nos contextos onde houve autuação previamente anulada por vício formal ou quando o respectivo procedimento fiscal tenha sido iniciado em data anterior, ambos dotados de regras próprias (CTN, art. 173, inciso I); 3. da ciência de início do procedimento fiscal, quanto aos tributos e penalidades tratados no cenário 2, quando a fiscalização for instaurada antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, § único); 4. da decisão administrativa irreformável de que trata o art. 156, inciso IX, do CTN, nos lançamentos destinados a, novamente, constituir crédito tributário objeto de autuação anulada por vício formal (CTN, art. 173, inciso II). Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-011.403 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.721140/2015-18 Explicitada a contextualização abstrata da matéria, já sob a perspectiva de sua aplicação ao ITR, adentra-se propriamente na tipificação da manifestada prejudicial. Nessa circunstância, a Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 10, caput, traz, expressamente, que a apuração do ITR devido se dará mediante lançamento por homologação. Confira-se: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Sob dita perspectiva, cabível trazer considerações relevantes acerca de citadas regras especial e geral, as quais sinalizam a data de início da contagem do referido prazo decadencial. Tocante à primeira, destaca-se a antecipação de pagamento do imposto apurado; já na trilha da segunda, vêm as vinculações a ela obrigatórias e o momento em que o Sujeito Ativo poderá iniciar procedimento fiscal tendente a constituir suposto crédito tributário. Regra especial (art. 150, § 4º, do CTN) Cuidando-se de lançamento por homologação e ausentes as hipóteses de dolo, fraude e simulação, se houver pagamento antecipado do ITR concernente ao exercício autuado, aplica-se a contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN. Assim entendido, a fim de melhor captar aquilo que efetivamente diz reportada norma, como se passa o que ali está dito e, especialmente, de que modo as situações fáticas a ela se subsumem, torna-se relevante a exata caracterização do “pagamento antecipado” nela tratado, o que, necessariamente, passa pela delimitação do conteúdo semântico carregado na reportada expressão. Nesse propósito, a compreensão pretendida fica facilitada quando revelada expressão é analisada sob dois aspectos distintos, mas complementares, quais sejam: o valorativo e o temporal. O primeiro, versando acerca da conformidade entre a quantia devida e aquela efetivamente quitada pelo contribuinte; o outro, tratando do “time” de suposta preclusão temporal decorrente do pagamento a destempo. Adentrando na primeira vertente, oportuno consignar que este Conselho, mediante o Enunciado nº 99 de sua súmula, pacificou seu entendimento acerca do que seja “pagamento antecipado”, nestes termos: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (Destaquei) Não obstante dito pronunciamento referir-se às contribuições previdenciárias, o sentido e a extensão de suas expressões “considerado como devido pelo contribuinte” e “ainda que parcial” refletem, respectivamente, tratar-se de tributo lançado por homologação, bem como que anunciada antecipação não é afetada pelo recolhimento apenas parcial do valor efetivamente devido. Por conseguinte, tocante ao montante recolhido, citado entendimento é igualmente aplicável ao imposto ora contestado, vez que também de apuração e recolhimento a cargo do contribuinte, resultando extinção do respectivo crédito sob a condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 149DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-011.403 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.721140/2015-18 Tocante ao “time” do recolhimento, quando interpretados sistematicamente, os arts. 138, § único, e 150, § 1º, ambos do código em comento, de aplicação vinculante a todos os tributos, respondem a questão posta em sua inteireza, nestas palavras: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa [...] § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento (Destaquei) Como se vê, o pagamento antecipado sem prévio exame da autoridade administrativa (art. 150, caput) não se restringe tão somente ao tributo devido, aí também se incluindo, quando for o caso, os juros de mora, acréscimos próprios de recolhimento em atraso (art. 138, caput). Isso já consubstancia que o fato do imposto ser pago após seu vencimento, por si só, não desvirtua a natureza da discutida antecipação. Ademais, o próprio mandamento legal expressa que a preclusão temporal da espontaneidade materializa-se pela ciência do início de procedimento fiscal relacionado à correspondente obrigação tributária (art. 138, § único). Disso, infere-se que a expressão “pagamento antecipado” denota espontaneidade, assim qualificada quando manifestado recolhimento ocorrer antes da ciência do início da fiscalização. Afinal de contas, por se tratar de texto claro, direto e em contexto único - como tal, inviabilizando entendimento diverso -, dita espontaneidade não é afetada pelo recolhimento apenas parcial do valor efetivamente devido nem quando manifestado pagamento ocorrer somente após o exercício fiscalizado, contanto que se dê antes da instauração do procedimento fiscal tendente a apurar a correspondente infração. Por fim, cabível destacar que, na aplicação desta regra especial, dita prejudicial terá seu prazo contado a partir de 1º de janeiro do respectivo ano, data de ocorrência do correspondente fato gerador, consoante prevê o art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Regra geral (art. 173, incisos I, II e § único do CTN) Trata-se de mandamento que deverá ser compulsoriamente aplicado quanto aos fatos não moldurados pela regra especial vista precedentemente (CTN, art.150, § 4º). Contudo, despiciendo arrazoar os contextos da fiscalização ser iniciada ainda no exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, § único) e da autuação previamente anulada por vício formal (CTN, art. 173, inciso II), pois não demandam esclarecimentos complementares. Afinal, em qualquer caso, explanado decurso temporal terá sua contagem inicial da ciência de início do procedimento fiscal e da decisão administrativa irreformável, respectivamente, Fl. 150DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-011.403 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.721140/2015-18 exatamente como prevê as vertentes dispostas nos § único e inciso II, ambos do art. 173 em discussão. Nestas circunstâncias, a concepção remanescente aponta para a contagem de prazo iniciada no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I), de aplicação vinculada às penalidades e aos tributos excluídos da regra especial, exceto quanto aos cenários ressalvados no parágrafo anterior. Logo, nesse recorte, dito mandamento terá de ser compulsoriamente imposto aos seguintes cenários: 1. Nos lançamentos por homologação, ainda que ausentes as práticas de dolo, fraude e simulação, quando não houver recolhimento espontâneo do imposto apurado correspondente ao fato gerador autuado, admitida a mitigação de valor prevista no Enunciado nº 99 de súmula do CARF, transcrito no tópico anterior. Este também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, de cumprimento obrigatório pelos integrantes deste Conselho, consoante § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, de cuja ementa transcrevo os seguintes excertos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO [...] 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito [...] 2. É que a decadência [...], consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado [...] 3. O dies a quo [...] corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (Destaquei) 2. Nos lançamentos por homologação, quando presentes as práticas de dolo, fraude e simulação, independentemente de haver recolhimento espontâneo do imposto apurado. Refere-se a entendimento já sumulado por este Conselho mediante o Enunciado nº 72 de sua jurisprudência, nestes termos: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 3. Nos lançamentos de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias, pois manifestada sanção administrativa é imposta tão somente por meio do Fl. 151DF CARF MF Original https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-011.403 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.721140/2015-18 lançamento de ofício, afastando-se, de pronto, o benefício estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, que é próprio do lançamento por homologação. Trata-se de entendimento também definido pelo CARF mediante o Enunciado nº 148 de sua súmula. Confira-se: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. A propósito, embora se referindo às contribuições previdenciárias, mencionada orientação ratifica o que acima está posto, pois, em qualquer caso e circunstância, a sanção administrativa pelo descumprimento de obrigação acessória é aplicável tão somente mediante lançamento de ofício. Nestes termos, por um lado, como já visto em transcrição precedente, o art. 150 do CTN refere-se exclusivamente a “tributos”, o que não se confunde com “penalidade”, instituto jurídico distinto; por outro, o art. 113, § 3º, do mencionado código assevera que a inobservância da obrigação acessória resulta na penalidade pecuniária correlacionada. Portanto, não seria razoável, ao menos, cogitar a viabilidade jurídica deste Conselho pacificar de modo diverso seu entendimento acerca do descumprimento das obrigações acessórias atinentes aos demais tributos. Confira-se: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. [...] § A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Circunstanciadas as vinculações obrigatórias à presente “Regra”, adentraremos no delineamento das datas em que o Sujeito Ativo poderá iniciar procedimento fiscal tendente a constituir supostos créditos tributários, demarcação indispensável para o início de contagem do supracitado lapso temporal. Em dita perspectiva, transcrevo excertos da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, delimitando os contornos da obrigatoriedade do contribuinte apurar o ITR devido e entregar o correspondente DIAT (arts. 8º, 10 e 12), bem como a condição para a fiscalização iniciar procedimento de ofício (art. 14), verbis: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. [...] Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. [...] Art. 12. O imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a entrega do DIAT. [...] 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto [...] Como se vê nos arts. 1º, transcrito no tópico anterior, e 12, acima retratado, embora o fato gerador do tributo em análise já tenha se aperfeiçoado em 1º de janeiro do Fl. 152DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-011.403 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10218.721140/2015-18 respectivo ano, o contribuinte poderá recolher o imposto por ele apurado até o último dia útil do mês de entrega do correspondente DIAT. Ademais, infere-se que o supracitado art. 14 assegura o direito do Sujeito Ativo iniciar procedimento fiscal tendente a apurar suposto descumprimento de obrigação tributária (principal ou acessória), imediatamente após a expiração do prazo final de apresentação da manifestada declaração. Fechando o entendimento posto, pode-se sintetizar que o prazo decadencial visto nesta regra geral (CTN, art. 173, inciso I) terá por termo inicial o dia 1º de janeiro do ano seguinte àquele em que a respectiva declaração foi ou deveria ter sido apresentada. Nessa esteira, estritamente dentro dos limites legais conferidos pelo art. 8º transcrito precedentemente, a, então, Secretaria da Receita Federal estabeleceu que a Declaração em análise (DITR/2006) deveria ser entregue entre 7 de agosto e 29 de setembro do citado ano, consoante art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 659, de 11 de julho de 2006, nestes termos: [...] Posta assim a questão, passo propriamente ao enfrentamento da controvérsia. Como se vê nos tópicos preliminares “Conversão do julgamento em diligência” e “Informação fiscal da diligência”, há pagamento antecipado do imposto originariamente apurado, eis que dita arrecadação se deu em 6/6/2012, anteriormente à ciência do Termo de Início de Fiscalização ocorrida somente em 4/8/2014. Ademais, nos termos discriminados na notificação de lançamento, restaram afastadas supostas hipóteses de fraude, dolo ou simulação, as quais vinculariam a aplicação da regra geral presente no CTN, art. 173, inciso I (processo digital, fls. 3 a 14, 19 e 133). Trata-se, portanto, de cenário que atrai, necessariamente, a reprodução do entendimento manifestado pelo STJ visto precedentemente, segundo o qual, no lançamento por homologação sem dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deverá ser aquele delimitado pela regra especial do CTN, art. 150, § 4º, quando provada a antecipação de pagamento do tributo devido. Assim entendido, o termo inicial do lapso temporal sob análise operou-se em 1º de janeiro de 2010, data de ocorrência do respectivo fato gerador, sucedendo seu término em 31/12/2014, anteriormente à ciência da autuação ora contestada, que se deu somente em 25/8/2015. Portanto, supracitado crédito deverá ser cancelado, já que atingido pela decadência (processo digital, fl. 32). Conclusão Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário interposto, eis que o crédito controvertido foi atingido pela decadência prevista no art. 150, § 4º, do CTN, restando prejudicada a análise das demais razões recursais. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 153DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13821.000104/2003-53
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Declínio de competência em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes por competir a esse julgar os recursos sobre a aplicação de multa pelo atraso no recolhimento da CSLL.
DECLINADA A COMPETÊNCIA
Numero da decisão: 302-38.811
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, declinar da competência do julgamento do recurso em favor do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do voto da relatora.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO
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Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP • Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Declínio de competência em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes por competir a esse julgar os recursos sobre a aplicação de multa pelo atraso no recolhimento da CSLL. DECLINADA A COMPETÊNCIA. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, declinar da competência do julgamento do recurso em favor do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do voto da relatora. OkA___ JUDITH DOp MARCONDES ARMAND - Presidente- ROSA .DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO - Relatora Processo n.° 13821.000104/2003-53 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.811 Fls. 55 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Mércia Helena Traj ano D'Amorim. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Paula Cintra de Azevedo Aragão. • Processo n.° 13821.000104/2003-53 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.811 Fls. 56 Relatório Trata-se de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos federais (DCTF), para exigir da empresa acima identificada o recolhimento da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), em face do recolhimento a destempo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida pelo regime do lucro real trimestral, apurada no segundo trimestre civil de 1998, sem o recolhimento do acréscimo moratório devido, no caso a multa de mora. Inconformada com o lançamento, a Interessada ingressou com a impugnação de fls. 01/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/13, por meio da qual fustiga a exigência argumentando, em síntese, que: (i) o auto de infração deve ser considerado nulo em face de se tratar de tributo declarado, não sendo aplicável, em decorrência, os artigos 43 e 44 da Lei n° 01111 9.430, de 1996; (ii) o pagamento espontâneo do tributo afasta a imposição da penalidade, conforme estatuído no artigo 138 do Código Tributário Nacional; e, (iii) não procede a cobrança de juros baseados na taxa Selic. Os membros da 5' Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, ao examinar as razões apresentadas, votaram pela procedência em parte do lançamento (fls. 43/45), conforme ementa abaixo transcrita: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. • APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CIN, art. 106, H, 'c')" Regularmente intimada do teor da decisão acima mencionada, em 24 de outubro de 2006, a Interessada protocolizou Recurso Voluntário no dia 23 de novembro do mês seguinte, no qual: (i) continua a discutir a exigência como se ainda permanecesse em 75% do valor declarado; (ii) mantém alega a prescrição de uma suposta execução fiscal. É o Relatório. .. • Processo n.° 13821.000104/2003-53 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-38.811 Fls. 57 Voto Conselheira Rosa Maria de Jesus Da Silva Costa de Castro, Relatora Conforme relatado, a questão central discutida nos presentes autos cinge-se à cobrança de multa de oficio exigida da Interessada (convertida em multa moratória pela decisão de primeira instância), em função do atraso no pagamento de tributo, sem a incidência da multa moratória. Da análise dos elementos do processo parece-me que, não obstante exista competência deste Conselho, prevista no Regimento Interno, para o julgamento de processos versando sobre DCTF (multa por atraso na entrega), tanto a infração detectada, quanto o tipo de lançamento efetuado, são matérias que não se enquadram entre aquelas cuja atribuição está afeta a este Conselho. • Com efeito, o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, ao especificar suas competências, assim estabelece, em seu art. 7°, do Anexo II (Portaria MF n° 55/98, com a redação dada pela Portaria MF n° 1.132/2002): "Art. 7° Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, observada a seguinte distribuição: 1- às Primeira, Terceira, Quinta, Sétima e Oitava Câmaras: (-) c) os relativos à exigência da contribuição social sobre o lucro instituída pela Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; e Diante do exposto, VOTO PELA DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO EM FAVOR DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Sala das Sessões, em 14 de junho de 2007 ROSA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO - Relatora Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002247/2004-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
Exercício: 2004
Ementa: RESSARCIMENTO DE PIS. CRÉDITOS ESCRITURAIS.
APLICAÇÃO DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE POR VEDAÇÃO LEGAL
EXPRESSA.
Por determinação legal expressa, consubstanciada nos arts. 13 e 15 da Lei no. 10.833/2003, é inaplicável a taxa Selic para fins de correção monetária de créditos escriturais.
Recurso Voluntário Conhecido e Improvido.
Numero da decisão: 3802-000.566
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Contribuição para o PIS/PASEP Exercício: 2004 Ementa: RESSARCIMENTO DE PIS. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APLICAÇÃO DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE POR VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. Por determinação legal expressa, consubstanciada nos arts. 13 e 15 da Lei no. 10.833/2003, é inaplicável a taxa Selic para fins de correção monetária de créditos escriturais. Recurso Voluntário Conhecido e Improvido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Exercício: 2004 Ementa: RESSARCIMENTO DE PIS. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APLICAÇÃO DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE POR VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. Por determinação legal expressa, consubstanciada nos arts. 13 e 15 da Lei no. 10.833/2003, é inaplicável a taxa Selic para fins de correção monetária de créditos escriturais. Recurso Voluntário Conhecido e Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. EDITADO EM: 05072011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barros Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 16/0 5/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão 0524.017 de 04 de novembro de 2008, de lavra da 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fl. 252 dos autos): Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, com fundamento nos §§ 1° e 2° do art. 50 da Lei n° 10.637, de 2002, relativo a recolhimentos efetuados para os períodos de apuração de janeiro a março de 2004. A DRF em Jundiaí deferiu o pleito da interessada por meio do Despacho Decisório de fls. 71/77. A interessada foi cientificada desse deferimento em 06/07/2007 (fl. 250). Depois de constatada a inexistência de dívidas para com a União, os valores foram pagos por meio de ordens bancárias em 17/12/2007, tendo sido a contribuinte delas cientificada em 27/12/2007 (fl. 212). Em 03/08/2007, a interessada havia protocolado petição para que o valor a lhe ser ressarcido fosse corrigido pela taxa Selic: Tal pedido se fundamenta por ser o ressarcimento uma forma de restituição como ficou definido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/020708, de 04.06.9 (sic), como também pelo tratamento igualitário que a Restituição e o Ressarcimento receberam no Decreto n° 2.138/97, como já reconhecido por diversas decisões do Conselho de Contribuintes. [A contribuinte cita ainda o Acórdão n° 20312004 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes.] Essa solicitação foi recebida como novo pedido de ressarcimento (processo administrativo n° 13839.003024/200794), tendo a DRF o considerado como não formulado. Inconformada com essa decisão, a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 2008.61.0053735, requerendo que seu pedido fosse juntado a este processo administrativo e acolhido como manifestação de inconformidade. Tendo em vista que ela obteve liminar favorável (fls. 237/239), a DRF providenciou a juntada da petição da interessada às fls. 212/236 e encaminhou o processo a esta DRJ para julgamento. Ao analisar a impugnação oposta à ação fiscal, a 1ª. Turma da DRJ de Campinas/SP entendeu pela improcedência do pedido formulado pelo sujeito passivo, refutando os argumentos expendidos em sua petição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. É incabível a atualização monetária ou a incidência de juros de mora no ressarcimento de créditos de PIS ou Cofins não cumulativos. Solicitação Indeferida Em seu Recurso Voluntário (fls. 258272), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, pelo qual reitera os argumentos já aduzidos por ocasião do seu pedido feito na instância originária. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 16/0 5/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13839.002247/200491 Acórdão n.º 3802000.566 S3TE02 Fl. 318 3 Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O recurso se mostra admissível quanto à sua tempestividade. Além disso, ausentes quaisquer outros pontos preliminares, motivo pelo qual passo ao exame do mérito. Compulsando os autos, verificase que o cerne da questão encontrase na aplicação ou não de correção monetária sobre os créditos de PIS não cumulativa, referente a insumos utilizados na produção de mercadorias submetidas à exportação. Isso porque o pedido de restituição feito pelo Recorrente foi plenamente atendido pelo que verifica de fls. 7177, e o processo agora limitase à exigência de valores referentes à aplicação da taxa Selic sobre os valores restituídos. O Recorrente fundamenta seu pedido sobre o seguinte pressuposto: 17. Se a Lei acima determinou que o Poder Público responda ao requerente em 30 dias, prorrogáveis por mais 30, se justificados, e este não cumpriu a determinação legal, a característica do ressarcimento deve ser analisada como indébito da Fazenda Nacional. A lei à qual o recorrente se refere, é a Lei nº 9.784/99, que, por ser geral, é aplicável somente em caráter subsidiário ao processo administrativo tributário. De todo modo, o mais relevante é que o Recorrente é ciente de que não cabe a correção monetária de créditos escriturais de PIS/COFINS referentes a insumos destinados à exportação (arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003). Tanto que essa vedação legal consta da decisão recorrida e sua aplicação não foi, em momento algum, rebatida consistentemente – apenas são juntadas decisões sobre IPI, que, conforme bem realçado pela decisão recorrida, possui regime distinto do presente processo. O reforço argumentativo do Recurso Voluntário parece buscar a aplicação de taxa Selic como forma sancionatória, conforme as razões do Recurso: 20. Se a correção monetária não for inserida aos pedidos de ressarcimentos que mofam durante longos tempos nas prateleiras da Receita Federal, está sendo beneficiada a Fazenda Nacional pelo enriquecimento sem causa, e prejudicado o requerente que teve de buscar em instituições de crédito, o seu capital retido pela Receita Federal, pagando juros e correção monetária. Acontece que a Selic, ainda que considerada pelo sujeito passivo apenas correção monetária (o que não se coaduna com o disposto no art. 39, §4º, da Lei nº 9.250/95 apresentado pelo próprio Recorrente), não pode ser utilizada com finalidade sancionatória unicamente pela demora na resposta do pedido de ressarcimento. Assim, necessária a aplicação dos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, os quais, corretamente aplicados pela decisão recorrida, expressamente vedam a correção monetária e/ou a Fl. 327DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 16/0 5/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 incidência de juros sobre créditos escriturais de PIS referentes a insumos utilizados em mercadorias destinadas à exportação. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 328DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 16/0 5/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000752/2003-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. GLOSA. SALDO NEGATIVO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO.
Um ágio (ou equivalente) registrado e apurado por empresa sediada no exterior, cujo investimento foi utilizado para integralização de capital em empresa brasileira, não atende aos requisitos da legislação prevista no artigo 385 do RIR/99 e, tampouco, se subsume às regras de amortização estabelecidas no inciso III do art.386 do RIR/99.
Numero da decisão: 1401-006.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário no tocante ao ágio. Vencido o Conselheiro Lucas Issa Halah que dava provimento ao recurso neste ponto; por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à aplicabilidade da taxa SELIC sobre o crédito tributário e a incidência da multa moratória sobre os débitos compensados. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Claudio de Andrade Camerano.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lucas Issa Halah Relator
(documento assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Andre Severo Chaves e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: LUCAS ISSA HALAH
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. GLOSA. SALDO NEGATIVO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. Um ágio (ou equivalente) registrado e apurado por empresa sediada no exterior, cujo investimento foi utilizado para integralização de capital em empresa brasileira, não atende aos requisitos da legislação prevista no artigo 385 do RIR/99 e, tampouco, se subsume às regras de amortização estabelecidas no inciso III do art.386 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário no tocante ao ágio. Vencido o Conselheiro Lucas Issa Halah que dava provimento ao recurso neste ponto; por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à aplicabilidade da taxa SELIC sobre o crédito tributário e a incidência da multa moratória sobre os débitos compensados. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Claudio de Andrade Camerano. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah – Relator (documento assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Andre Severo Chaves e Lucas Issa Halah. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 07 52 /2 00 3- 36 Fl. 1282DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 Relatório O Recurso Voluntário sintetizou bem o objeto do litígio, razão pela qual tomo a liberdade de adotá-lo em parte para descrever os fatos sob litígio. “3. O presente processo trata originalmente de Declarações de Compensação apresentadas em abril, maio e julho de 2003, e abril de 2008 pela Recorrente (docs. 5 a 26 da Impugnação), nas quais se pleiteava a compensação de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ("IRPJ") relativo ao ano- calendário de 2002 com débitos de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte ("IRRF"). 4. As referidas compensações não foram homologadas e, com isso, os débitos da Recorrente de IRRF não foram pagos. Isso aconteceu, pois as Autoridades Fiscais glosaram o saldo negativo de IRPJ constante da DIPJ 2003, ano- calendário 2002, por entenderem que despesas de amortização de ágio na aquisição de cotas sociais teriam sido deduzidas indevidamente. 5. Data maxima venia, esse entendimento não procede. Entretanto, a fim de demonstrar a legitimidade dos prejuízos fiscais apurados pela Recorrente no ano-calendário de 2002, cumpre conferir o momento e a forma de apuração do ágio. (b) A reorganização do grupo Campari e o ágio 6. Em janeiro de 2001, a Recorrente era detida majoritariamente pela Davide Campari Milano S.p.A. ("Davide"), sociedade estabelecida na Itália (doc. 27 da Impugnação). Por sua vez, a sociedade brasileira UDV Indústria e Comércio Ltda. ("UDV"), controladora das também brasileiras Dreher S.A. - Vinhos e Champanhas ("Dreher") e United Destillers & Vintners do Brasil Ltda. ("United"), era detida majoritariamente pela Selviac Nederland B.V. ("Selviac"), situada na Holanda. 7. Em março de 2001, o grupo Campari, pretendendo ampliar seus negócios no Brasil, por meio da Davide, concretizou a aquisição a valor de mercado da brasileira UDV e suas controladas, da sociedade Selviac, conforme se observa do anexo contrato de compra e venda (doc. 28 da Impugnação), devidamente Fl. 1283DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 vertido para o português por tradutor juramentado (doc. 29 da Impugnação). O valor da transação foi de US$ 105,000,000.00, correspondente à época a R$ 234.702.100,00, como consta dos extratos de transferência bancária eletrônica (doc. 30 da Impugnação). 8. Com a compra da UDV e suas controladas, o grupo Campari resolveu implementar um processo de reestruturação societária, a fim de não só gerar uma maior integração e unidade administrativa, comercial e financeira, como também reduzir os custos operacionais dessas sociedades. 9. Assim, foi deliberada a alteração da denominação social da UDV, que passou a se chamar DCM Participações Ltda. ("DCM-Par") (doc. 31 da Impugnação). A United, sua controlada, também teve sua razão social alterada e passou a se chamar DCM - Indústria, Comércio e Serviços Ltda. ("DCM-Ind") (doc. 32 da Impugnação). 10. Em 27.4.2001, o capital social da Recorrente foi aumentado pela Davide, para R$ 243.202.100,00, mediante a integralização das cotas da DCM-Par pelo mesmo valor que a Davide havia pago à Selviac (docs. 33 e 34 da Impugnação), conforme se verifica dos anexos extratos do Registro Declaratório Eletrônico - Investimento Externo Direto ("RED-IED"), emitidos pelo Banco Central do Brasil ("BACEN") (doc. 35 da Impugnação). Assim, a Recorrente passou a deter a integralidade das quotas da DCM-PAR. Fl. 1284DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 11. Com a integralização das cotas, em atenção às normas contábeis e fiscais, a Recorrente procedeu à primeira avaliação do investimento adquirido na DCM- Par pelo método de equivalência patrimonial. 12. Como o valor de contribuição era superior ao patrimônio líquido da DCM- Par, em atenção ao disposto no artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.3.1999 ("RIR/99"), o custo de aquisição foi desdobrado em: (i) valor do patrimônio líquido da DCM-Par na época da aquisição; e (ii) ágio na aquisição do investimento na DCM-Par (doc. 36 da Impugnação), baseado em perspectiva de rentabilidade futura (doc. 37 da Impugnação). 13. Posteriormente, em 30.4.2001, a Recorrente incorporou a DCM-Par (docs. 38 e 39 da Impugnação) e, com isso, o ágio do investimento foi contabilizado no grupo "Ativo Permanente Investimentos". 14. Com a absorção do patrimônio da DCM-Par pela Recorrente e o registro do ágio no ativo diferido, possibilitou-se a sua amortização, para fins fiscais, nos Fl. 1285DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 balanços correspondentes à apuração do seu lucro real, nos termos do artigo 386 do RIR/99. 15. Na seqüência, foram incorporadas pela Recorrente a DCM-Ind (docs. 39 e 40 da Impugnação) e a Dreher (docs. 41 e 42 da Impugnação). 16. Com isso, a reorganização do grupo Campari foi concluída com a implementação de uma estrutura mais simplificada e direta, que facilita a integração e unidade administrativa, comercial e financeira.” O Despacho Decisório, encampando as razões do Parecer SEORT/DRF/BRE: nº 66/08, entendeu, em síntese, que não teria havido efetivo preço pago (e consequente aquisição de ágio) pela Contribuinte, mas sim por sua controladora estrangeira, ágio este que não poderia ser transferido à Contribuinte, e que, além de tudo, foi gerado no exterior pela compra de empresa que teria como ativos subjacentes outras participações em um terceiro país, o Uruguai, o que também vedaria o aproveitamento do ágio. O Acórdão Recorrido, por sua vez, adotou as seguintes premissas ao negar provimento à Manifestação de Inconformidade. “(c) A posição do Fisco 17. Não obstante os fatos narrados, que demonstram que o ágio é legítimo e teve efetivamente um custo de aquisição para a Recorrente, a Fiscalização, por discordar desse entendimento, proferiu em 27.6.2008, Despacho Decisório por meio do qual não homologou as compensações realizadas pela Recorrente. 18. Por não concordar com esse entendimento, a Recorrente apresentou em 28.7.2008, Manifestação de Inconformidade que foi apenas parcialmente provida. No Acórdão 05-34.177, proferido pela DRJ de Campinas/SP, as Autoridades Julgadoras de primeira instância administrativa decidiram o seguinte: (i) "para a cobrança dos débitos declarados não há a necessidade de formalização do lançamento, mediante auto de infração ou de notificação, pois, (...) conforme consta expressamente no dispositivo legal transcrito [art. 74, §6° da Lei 9.430/96], a Declaração de Compensação é instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos que não forem compensados"; Fl. 1286DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 (ii) “no procedimento de aumento de capital social da Campari pela Davide, mediante a integralização de cotas da DCM-Par, nada foi pago ou recebido pelo dito ágio"; (iii) decaiu o direito de cobrança dos débitos indicados nas Declarações de Compensação vinculadas aos Processos Administrativos nos 13896.000680/2003-27 e 13896.000752/2003-36, apresentadas em 28.4.2003 e 6.5.2003, respectivamente; e (iv) "o fato da exigibilidade estar suspensa não impede afluência dos juros e da multa moratória"; bem como a exigência dos "juros de mora com base na taxa Selic (...), por estar fundamentada a exigência em normas validamente editadas, não cabe a este órgão administrativo perquirir sua constitucionalidade". 19. Ou seja, as Autoridades Julgadoras de primeira instância reconheceram a ocorrência de decadência, cancelando apenas os débitos indicados nas Declarações de Compensação transmitidas em abril e maio de 2003. Com relação aos demais débitos cobrados, a exigência foi mantida. 20. Data maxima venia, a manutenção de parte da exigência fiscal não prospera, seja pelos fatos expostos, seja pelas razões que serão a seguir aduzidas, de modo que deverá ser integralmente cancelada.” Cientificado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual alega e pede, conforme bem sintetizado nas conclusões do Recurso, o seguinte: “V. A CONCLUSÃO E PEDIDO 68. Por todo o exposto, ficou demonstrada a necessidade de reforma da r. decisão recorrida, uma vez que: (i) quando do aumento do capital social da Recorrente pela Davide, por meio da integralização das cotas da DCM-Par, em atenção ao método de equivalência patrimonial, custo do investimento foi desdobrado em patrimônio líquido e ágio (artigo 385 do RIR/99); (ii) o ágio registrado pela Recorrente encontra-se devidamente fundamentado em laudo técnico que apresenta perspectiva de rentabilidade futura da empresa investida (DCM-Par); (iii) posteriormente, com a incorporação da DCM-Par pela Recorrente houve a reunião da investidora e da investida numa única pessoa jurídica, o que autoriza nos termos do artigo 386 do RIR/99 a dedução da amortização do ágio; (iv) a operação em questão implicou em real aquisição de investimento, pois teve como contrapartida a entrega de cotas, conforme prevê o artigo 132 do RIR/99, de modo que deve ser admitida a amortização do ágio; Fl. 1287DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 (v) o ágio registrado pela Recorrente, a rigor, não foi "transferido" do exterior para o Brasil pelo grupo Campari, uma vez que não se pode cogitar no Brasil do tratamento fiscal ou contábil atribuído ao preço pago pela Davide na sua jurisdição de origem. O ágio registrado pela Recorrente resultou da aplicação do método da equivalência patrimonial por essa sociedade em relação aos investimentos que ela passou a deter na DCM-Par em 27.4.2001; (vi) caso se entenda, para fins de argumentação, que teria ocorrido a "transferência" do ágio em questão, a Recorrente demonstrou que mesmo essa prática não pode ser considerada ilegítima no ordenamento jurídico aplicável; (vii) portanto, qualquer que seja o ângulo de análise, constata-se que o registro desse ágio, cujo fundamento econômico era a expectativa de rentabilidade futura, podia ser legitimamente efetuado pela Recorrente; (viii) ressalte-se, ainda, que uma das razões para a manutenção do benefício fiscal de amortização de ágio concedido pelo legislador é a intenção de incentivar as chamadas fusões e aquisições de empresas nacionais. Em tais situações, o Governo faz jus à tributação imediata do ganho de capital do vendedor e autoriza, por outro lado, a amortização fiscal do ágio do comprador de forma apenas diferida, em pelo menos cinco anos. Assim, as operações da Recorrente, longe de contrariarem o espírito da citada legislação, nela encontram perfeito amparo; (ix) o CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, nos Acórdãos 1402-00.802 e 1301-000.711, relativos aos Casos Santander e Tele Norte, já decidiu ser legítima a aquisição feita no exterior e depois a participação contribuída em aumento de capital de uma sociedade brasileira, que então passa a registrar o correspondente ágio no Brasil. Assim, como decidido nesses casos, a Administração Tributária deve analisar o filme, e não a fotografia, e caso o faça no presente caso, ficará clara a legalidade dos procedimentos adotados pela Recorrente; (x) ad argumentandum, a multa e os juros de mora não podem ser cobrados no presente caso uma vez que: (a) ainda não transcorreu o prazo concedido pela Autoridade Fiscal de 30 dias contado da data da notificação; e (b) diante da apresentação da presente Manifestação de Inconformidade fica suspensa a cobrança de qualquer valor a título de mora, por força do artigo 151, inciso III, do CTN; e (xi) a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para fins tributários. 69. Dessa forma, requer-se seja o presente Recurso Voluntário integralmente provido, com o objetivo de reformar a r. decisão recorrida e, consequentemente, homologar integralmente as compensações realizadas pela Recorrente, cancelando-se a exigência fiscal objeto dos autos e determinado-se o seu posterior arquivamento.” Fl. 1288DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 Voto Vencido Conselheiro Lucas Issa Halah, Relator. 1 - Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2º da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF). No mais, o Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 2 – Mérito 2.1 – DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO – ELEMENTO ESSENCIAL NA FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO O Despacho Decisório, encampando as razões do Parecer SEORT/DRF/BRE: nº 66/08, entendeu, em síntese, que não teria havido efetivo preço pago (e consequente aquisição de ágio) pela Contribuinte, mas sim por sua controladora estrangeira, ágio este que não poderia ser transferido à Contribuinte e que, além de tudo, foi gerado no exterior pela compra de empresa que teria como ativos subjacentes outras participações em um terceiro país, o Uruguai, o que também vedaria o aproveitamento do ágio. Vejamos: “Conforme protocolo de incorporação e justificação datado de 30/04/2001, devidamente arquivado na JUCESP em 01/06/2001, a CAMPARI incorporou a DCMPAR, em conseqüência deveriam vir no bojo da incorporação a DCMICS e a GYLBEY, no entanto, cf. documentos apresentados veio só a DCMICS, houve "silencio" em relação à assunção das quotas da GILBEY em razão de tratar-se de participações societárias no exterior. Fl. 1289DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 Decorrente dessas operações á CONTROLADORA/CONTROLADA - CAMPARI, resolveu amortizar o ágio de R$ 165.728.578,13 em 60 parcelas mensais, decorrentes da diferença da capitalização do aumento de capital social efetivado pela DAVIDE na CAMPARI, cujo aumento de R$ R$ 234.702.100,00, fora fruto da conferência de bens móveis representados pelas cotas sociais da DCMPAR anteriormente detidas pela DAVIDE. Todavia para a CONTROLADORA - CAMPARI, não houve custo de aquisição das quotas da CONTROLADA - DCMPAR, tendo: em vista que a aquisição fora feita diretamente pela cotista CONTROLADORA DAVIDE no exterior, portanto a real detentora de ágio na aquisição de participação societária é a DAVIDE. Não há previsão legal de transferência do custo de aquisição de participação societária de uma empresa para outra mediante capitalização, sem que se efetive nenhum desembolso financeiro, mormente quando a operação de aquisição ocorra no exterior. Ademais o custo de aquisição deve sempre ser pago pela empresa que suportar o ágio e a eventual dedutibilidade do mesmo a depender dos fundamentos econômicos só alcançaria a quem efetivamente fez o desembolso do ágio na aquisição da participação societária. Como a operação foi executada no exterior entre duas cotistas de empresas brasileiras, evidentemente não houve condições de se apurar o GANHO DE CAPITAL na alienação de participações societárias, em conseqüência não há como admitir a existência de ágio de participação societária. O aumento de capital social na CAMPARI constitui-se em mera liberalidade da quotista DAVIDE e a simples emissão de quotas representativas do aumento do capital social não tem o condão de constituir-se em custo de aquisição para a CAMPARI, trata-se de mera representação contábil. Evidentemente não houve pagamento de ágio no Brasil decorrente da aquisição de participação societária detida pela CAMPARI, em virtude do pagamento do ágio ter sido realizado no exterior pela CONTROLADORA DAVIDE, a favor da SELVIAC, destarte, a ausência de custo de aquisição suportado pela CAMPARI, impossibilita a constituição de ágio tanto na CAMPARI como na DCMPAR. A posterior incorporação da DCMPAR pela CAMPARI liquida o investimento no ATIVO PERMANENTE da CAMPARI, no entanto, contabilmente não há ágio a ser contabilizado quer seja na INCORPORADORA - CAMPARI e/ou na INCORPORADA - DCMPAR. Repita-se à exaustão, o ágio está contabilizado na CONTROLADORA - DAVIDE, no exterior, não afetando o imposto de renda no Brasil. Finalmente, constata-se que a DCMPAR possuía participações societárias no exterior (URUGUAI), portanto, ainda que indiretamente, a operação de INCORPORAÇÃO de quotas sociais da DCMPAR, implicou na aquisição indireta de quotas sociais de empresas no exterior (GILBEY), de cuja eventual amortização de ágio seria integralmente vedado pela legislação fiscal brasileira. Fl. 1290DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 Já o Acórdão Recorrido fiou-se nas seguintes premissas: “29. Conforme já visto, o ágio amortizável corresponde à diferença entre o custo de aquisição da participação societária e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição, conforme disposto no art. 385, I e II, do RIR de 1999 (com fundamento no art. 20 do Decreto-lei n° 1.598, de 1977), mas, no procedimento de aumento de capital social da Campari pela Davide, mediante a integralização de cotas da DCM-Par, nada foi pago ou recebido pelo dito ágio.” 30. As partes que ajustaram a operação com o alegado ágio seriam, de um lado, entregando as ações da DCM-Par, a Davide, e de outro lado, recebendo a ações, a Campari, controlada pela Davide. 31. Não houve na constituição desse ágio a participação de qualquer agente econômico estranho aos acionistas da interessada que, de alguma forma, agregassem algum novo elemento econômico ao empreendimento, ou seja, não houve qualquer circulação de riqueza nova ou de numerário em espécie, mas apenas novo dimensionamento do patrimônio líquido da interessada, atribuído e acatado exclusivamente por sua controladora. 32. Dessa forma, o aumento de capital social da Campari não implicou reconhecimento de custo de aquisição e não há que se cogitar na existência do ágio, que seria decorrência natural do desdobramento do custo de aquisição. 33. Enfim, não ocorreu efetiva aquisição de participação societária pela Campari, mas sim a aquisição de participação societária pelo seu acionista/quotista majoritário no exterior de uma terceira empresa com participação societária no Brasil. 34. Conforme enfatizado pela autoridade fiscal, se ágio houve, ele deveria estar contabilizado na controladora — Davide, no exterior, não afetando o imposto de renda no Brasil.” A autoridade autuante fiou-se na alegação de que o ágio somente teria sido gerado na controladora estrangeira “DAVIDE”, que diretamente e originariamente adquiriu as participações societárias da UDV (posteriormente nomeada DCMPAR), pagando o preço à controladora da UDV, a SELVIAC, também uma empresa estrangeira, afirmando também que se trataria de transferência de ágio da DAVIDE à Contribuinte (CAMPARI). Entretanto, o entendimento fiscal encampado pela autoridade julgadora a quo cria duas restrições ausentes dos instrumentos legais vigentes à época, quais sejam: (i) que somente gera ágio a aquisição paga em moeda corrente; e (ii) que uma vez gerado o ágio eventuais Fl. 1291DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 reorganizações societárias não permitiriam a “transferência” do ágio, por ausência de previsão legal. Este relator diverge de ambas as premissas. A primeira delas (restrição à forma de aquisição ou pagamento) não encontra na lei qualquer previsão, na realidade, a Lei nº 9.532/97 só faz menção à “participação societária adquirida com ágio ou deságio”, mas não impõe qualquer restrição à forma de aquisição, quanto menos à forma de pagamento. Seja o preço pago em moeda, como pressupõe o senso comum, seja ele pago em participações societárias mediante a integralização em aumento de capital, havendo pagamento que supere o patrimônio líquido atribuível à expectativa de rentabilidade futura, permite-se o desdobramento do custo de aquisição segmentando o ágio, que será dedutível a partir da confusão entre adquirente e adquirida que permita emparelhar as recitas futuras esperadas do investimento com os custos de sua aquisição. Importa a assunção de sacrifício econômico pela adquirente (independentemente da forma de materialização desse sacrifício), e não o desembolso direto de dinheiro, bastando para a comprovação da assunção de tal sacrifício a conferência de participações societárias em aumento de capital. Já a segunda premissa fiscal (de que haveria transferência vedada do custo de aquisição das participações societárias, incluindo o ágio), também é equivocada sob duas óticas distintas. Divirjo da assunção de que o ágio deduzido em questão teria sido gerado pela controladora estrangeira (DAVID), que originalmente adquiriu as participações societárias em questão, e teria sido posteriormente “transferido” para a Contribuinte (CAMPARI). Tal posição implica a pretensão de aplicar sobre a controladora estrangeira regras contábeis e fiscais brasileiras, extrapolando o aspecto espacial da hipótese de incidência tributária. Como vimos acima, a Contribuinte adquiriu a DCMPAR ao receber suas participações em integralização de aumento de capital, momento a partir do qual pôde contabilizar de maneira segregada a parcela do custo de aquisição da DCMPAR correspondente ao patrimônio líquido da sociedade adquirida e aquela atribuída pela Contribuinte adquirente à expectativa de rentabilidade futura. Não houve, portanto, transferência de ágio (o que sequer é vedado), mas reorganização que implicou a geração de ágio no Brasil. A posição fiscal também institui vedação não prevista em lei. A alegada “transferência do ágio”, ainda que pudesse ser vislumbrada no caso em questão ao se analisar o filme passado desde a aquisição original da UDV (DCMPAR), não é prática vedada pelo ordenamento nacional, nem mesmo após as alterações insertas no regramento da matéria pela Lei nº 12.973/2014. Nesse sentido, como bem pontuou o Conselheiro Luis Flávio Neto no Acórdão 9101-003.468, “O silêncio do legislador, na reforma de 2014, em relação a temas igualmente contenciosos, como o da transferência de investimento com ágio analisado nos presentes autos, pode ser compreendido como inexistência de oposição às possíveis restruturações societárias que o participar (sic) venha a sofrer. Referido silêncio pode ser considerado como reconhecimento do direito de auto-organização garantido ao particular pelo princípio da livre iniciativa, de forma que não haverá nenhuma sanção a isso no que concerne ao aproveitamento do ágio legitimamente apurado na operação originária de aquisição de investimento relevante. Trata-se de um silêncio eloquente.” Fl. 1292DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 Vale pontuar que o ágio apurado pela contribuinte (CAMPARI), muito embora gerado no Brasil na relação entre partes então relacionadas, foi aparado por laudo que, embora dispensado pela legislação vigente à época, demonstra sua apuração (fls. 1.058 e ss) no exato valor do sobrepreço pago pela DAVIDE pela UDV (DCMPAR) tendo como parâmetro seu patrimônio líquido, ou seja, refletiu preço praticado a mercado entre partes independentes. Por fim, também não prospera a assertiva da autoridade autuante de que o ágio em questão, se existente, seria indedutível pois adviria das participações detidas pela DCMPAR em sociedades estrangeiras, situadas no Uruguai. Pouco importa à dedutibilidade do ágio a nacionalidade do ativo subjacente do qual potencialmente se afere a expectativa de rentabilidade futura que justificou o pagamento do preço. Por fim, muito embora não se trate de questionamento trazido no despacho decisório, mas apenas no Acórdão Recorrido (o que impediria a manutenção da autuação unicamente a partir desse fundamento inovador), não é demais abordar o argumento tecido pela autoridade julgadora a quo, de que “[n]ão houve na constituição desse ágio a participação de qualquer agente econômico estranho aos acionistas da interessada que, de alguma forma, agregassem algum novo elemento econômico ao empreendimento, ou seja, não houve qualquer circulação de riqueza nova ou de numerário em espécie, mas apenas novo dimensionamento do patrimônio líquido da interessada, atribuído e acatado exclusivamente por sua controladora.” O argumento inovador enxerga o “filme”, ao afirmar que o ágio teria sido gerado no exterior na aquisição firmada entre partes independentes, mas isola a “fotografia” do momento do aumento de capital, um dos frames desse longo filme de reestruturação (o do aumento de capital) para afirmar que, se a geração do ágio ocorreu nesse aumento de capital, a operação deu-se entre partes dependentes. Entretanto, inexistia na legislação em vigor à época qualquer vedação de apuração e dedutibilidade de ágio gerado em operações praticadas entre partes relacionadas. Houvesse simulação, tal imputação deveria constar do despacho decisório, mas, de todo modo, não vislumbro no caso qualquer indício de artificialidade. Houve de fato a aquisição da UDV (DCMPAR) pela DAVIDE, operação entre partes não relacionadas, com pagamento de preço superior ao patrimônio líquido atribuído à expectativa de rentabilidade futura da UDV (DCMPAR) e, posteriormente, tais participações adquiridas pela DAVIDE foram conferidas em ato de aumento de capital da Contribuinte, apurando-se ágio de igual montante, respaldado por laudo. Entendo hígido, portanto, o direito creditório, restando prejudicadas as demais matérias suscitadas pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário. Entretanto, considerando ter restado vencido quanto ao mérito, abordo questões subsidiárias que passam a merecer apreciação pelo colegiado. 2.2 – SUBSIDIARIAMENTE - APLICABILIDADE DA TAXA SELIC SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 1293DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 O Contribuinte argui que a atualização dos créditos tributários não poderia se dar pela Taxa Selic. Afirma que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade, uma vez que referida taxa não foi criada para fins tributários. A matéria se encontra pacificada, pela Súmula CARF nº 04, com efeitos vinculantes ao CARF nos termos do art. 72 do Anexo II do RICARF. Vejamos sua redação Súmula CARF nº 4 Aprovada pelo Pleno em 2006 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, também este pedido do contribuinte não pode ser deferido 2.3 – SUBSIDIARIAMENTE - INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA Por fim, o contribuinte defende a inaplicabilidade da multa moratória decorrente da não homologação da DCOMP sobre os débitos confessados cuja quitação não foi reconhecida a partir da não homologação das declarações de compensação em questão. Entende que apenas após o decurso do prazo de 30 dias contados da data de ciência do despacho decisório que não homologou as compensações haveria a mora. Pois bem, pelo art. 61 da Lei nº 9.430/96, os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora. Por sua vez, nos termos do art. 74, parágrafo 2º da Lei nº 9.430/96, a compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação. Assim, não homologada determinada compensação, considera-se não extinto o crédito tributário na data de seu vencimento, com efeitos ex tunc, razão pela qual deixo de afastar a imposição da multa moratória. 3 – Dispositivo Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário, dando-lhe provimento para, reconhecendo a licitude da dedução do ágio e do cômputo de sua dedução na apuração do Fl. 1294DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 resultado tributável do período, reconhecer seu impacto na formação do Saldo Negativo do ano- calendário de 2002 e, assim, homologar as compensações declaradas até o limite do direito creditório. (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah Voto Vencedor Conselheiro Relator-Designado Cláudio de Andrade Camerano. De se destacar que o presente voto vencedor refere-se apenas à manutenção da glosa da amortização de ágio. Neste item, por maioria de votos (vencido o Relator), foi negado provimento ao Recurso Voluntário. Assim, de se acatar o que foi decidido pelo Relator e ratificado por esta Turma Ordinária, relativamente às demais questões trazidas no Recurso, com exceção da amortização de ágio, objeto deste voto vencedor. Conforme relatoriado, incontestável que o ágio em debate (que possibilitou à Recorrente a sua amortização) originou-se no exterior. As quotistas majoritárias da DCMPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. eram as empresas DAVIDE CAMPARI MILANO S.p.A, sediada na Itália e SELVIAC NEDERLAND BV, situada na Holanda. A quotista SELVIAC vendeu todas as quotas que possuía da UDV INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. (denominação atual de DCMPAR) para a outra quotista DAVIDE e, em decorrência desta aquisição, no exterior, a adquirente registrou um ágio em sua contabilidade, passando a deter 100% do capital da DCAMPAR e, indiretamente, de suas controladas. Em 27 de abril de 2001, a adquirente DAVIDE utiliza-se dessas quotas, então adquiridas no exterior, pra integralização de capital na empresa CAMPARI DO BRASIL LTDA. (a Recorrente), empresa sediada no Brasil e controlada pela DAVIDE, ocasião em que, simultaneamente, esta transfere a totalidade das quotas para a CAMPARI. Por meio dessas operações, a Recorrente CAMPARI passou a ser controladora da DCMPAR e, em seguida, conforme protocolo de incorporação e justificação, datado de 30 de Fl. 1295DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 abril de 2001, promoveu a incorporação da DCMPAR , escriturando em sua contabilidade o investimento adquirido, desdobrando do custo o valor do ágio apurado e registrado no exterior. Segregado o ágio contabilmente, a Recorrente passou a amortiza-lo gerando redução no resultado, e daí incorreu em dedução indevida, contrariamente ao entendimento do ilustre Relator. Indevida porque toda a operação que gerou este ágio ocorreu no exterior! A controladora (DAVIDE) da Recorrente adquiriu as quotas da DCMPAR com pagamento de ágio e assim o registrou contabilmente, em face, talvez, da legislação de seu país. Agora, quanto à transferência das quotas da DCMPAR, então possuídas pela DAIDE, para integralização de capital na Recorrente, não há que se cogitar de um desdobramento do investimento (quotas da DCMPAR) em custo de aquisição e ágio, como sói acontecer em operações semelhantes ocorridas entres empresas sediadas no Brasil, cujo regramento encontra-se, à época, no art.386 do RI/99. Equivoca-se a Recorrente em seu procedimento, como atestado no item 12 de seu recurso voluntário: Veja que, em se tratando de incorporação, como no caso, a possibilidade (fiscal) de deduzir o ágio na apuração do lucro restringe-se ao caso previsto no art. 386, III, do RIR/99 (art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97), qual seja: em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, caso em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. A Recorrente nada adquiriu, o que houve foi uma integralização de capital por parte de sua controladora, mediante a entrega das quotas adquiridas da DCMPAR, em operação totalmente realizada no exterior e com empresas sediadas no exterior ( DAVIDE e SELVIAC). Daí a correção do Parecer SEORT/DRF/BRE nº 66/2008, quando afirmou: Todavia, para a CONTROLADORA - CAMPARI, não houve custo de aquisição das quotas da CONTROLADA - DCMPAR, tendo: em vista que a aquisição fora feita diretamente pela cotista CONTROLADORA DAVIDE no :exterior, Fl. 1296DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-006.474 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.000752/2003-36 portanto a real detentora de ágio na aquisição de participação societária é a DAVIDE. E o acerto da decisão recorrida: 33. Enfim, não ocorreu efetiva aquisição de participação societária pela Campari, mas sim a aquisição de participação societária pelo seu acionista/quotista majoritário no exterior de urna terceira empresa com participação societária no Brasil. 34. Conforme enfatizado pela autoridade fiscal, se ágio houve, ele deveria estar contabilizado na controladora — Davide, no exterior, não afetando o imposto de renda no Brasil. 35. Portanto, permanece a apreciação efetuada pela autoridade fiscal e, em conseqüência, não há direito creditório a ser reconhecido. Conclusão Neste item específico, o voto é por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudio de Andrade Camerano Fl. 1297DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.921880/2009-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543-B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
ARGUMENTO EM DEFESA DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DO
DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO
INEXISTENTE. PEDIDO PREJUDICADO.
Constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, patente a inexistência de indébito tributário, o que torna prejudicado qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito em apreço, posto que não há direito creditório que fundamente a existência de indébito tributário em favor da reclamante.
EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE
NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula n° 2 do CARF.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.635
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 ARGUMENTO EM DEFESA DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. PEDIDO PREJUDICADO. Constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, patente a inexistência de indébito tributário, o que torna prejudicado qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito em apreço, posto que não há direito creditório que fundamente a existência de indébito tributário em favor da reclamante. EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula no 2 do CARF. Recurso ao qual se nega provimento. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 17/08/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 38/40), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que não homologou a compensação de créditos da COFINS de competência de janeiro de 2002 com débitos da própria COFINS de dezembro de 2005. Conforme decisão recorrida, a compensação não foi homologada pelo fato de os pagamentos indicados como indébitos terem sido totalmente aproveitados para a quitação dos legítimos débitos respectivos, e isso em virtude da revogação da isenção concedida às sociedades civis de prestação de serviços (LC nº 70/91) pelo artigo 56 da Lei nº 9.430/96, que passou a prever a incidência da COFINS sobre a receita bruta dos serviços prestados por referidas sociedades. Consequentemente, restou prejudicado o exame do pleito relativamente à contestação do prazo prescricional do direito de solicitar a repetição do indébito, já que, como ressaltado, entendeuse que indébito não existia. Cientificada da referida decisão em 06/07/2010 (fls. 42), a interessada, em 05/08/2010, apresentou o recurso voluntário de fls. 43/67, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, quais sejam: a) que segundo pacificado entendimento do Superior Tribunal de Justiça, retratado em sua Súmula de no 276, as sociedades civis de prestação de serviços seriam isentas da Cofins, uma vez que a isenção concedida pela LC nº 70/91 fora revogada por lei ordinária, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96, o que não seria permitido por aduzida afronta à hierarquia das leis; b) que a LC nº 118/05, ao alterar o prazo de repetição de indébito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, seria ilegal, na medida em Fl. 81DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11080.921880/200970 Acórdão n.º 380200.635 S3TE02 Fl. 75 3 que vai de encontro ao que o CTN estabelece como causa de extinção do tributo, questão já reconhecida em julgados do STJ; c) que os órgãos administrativos, diante do necessário zelo para com a Constituição Federal, teriam competência para se posicionar sobre a inconstitucionalidade de atos normativos; nesse sentido, desenvolve tese onde sustenta a diferença entre controle de constitucionalidade e decisão sobre aplicação de norma inconstitucional a fato concreto, reclamando, também, o amparo aos direitos e garantias individuais que resguardariam seu pedido; d) que, uma vez demonstrada a legitimidade do crédito decorrente do pagamento indevido, seria inarredável o seu direito à compensação pleiteada de acordo com o que preconiza a legislação federal de regência da matéria; e, e) com fundamento no artigo 74, parágrafos 7o, 9o e 11 da Lei no 9.430/96, c/c art. 151, III, do CTN, reclama a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face da instauração do litígio tributário. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com a consequente homologação da compensação pleiteada, na sua integralidade. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Das preliminares Da admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Da não configuração de hipótese de sobrestamento do recurso A recorrente contesta a interpretação do prazo prescricional de restituição ditada pelo artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, questão que, por sinal, está pendente de julgamento no STF, o qual, no Recurso Extraordinário no 561.908, reconheceu a repercussão geral da matéria em tela, conforme ementa a seguir transcrita: TRIBUTO – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – REPERCUSSÃO GERAL – ADMISSÃO. Surge com repercussão geral controvérsia sobre a inconstitucionalidade, declarada na origem, da expressão “observado, quanto ao artigo 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional”, constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005.(RE 561908 RG, Relator(a): Min. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 MIN. MARCO AURÉLIO, julgado em 08/11/2007, DJe157 DIVULG 06122007 PUBLIC 07122007 DJ 07122007 PP 00016 EMENT VOL0230208 PP01660 ) Em tais casos, o § 1º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho – aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010 – , determina o sobrestamento do julgamento do feito até que seja proferida decisão definitiva de mérito pelo STF, na forma preconizada no art. 543B do Código de Processo Civil. No entanto, tal não se aplica ao caso presente, uma vez que é irrelevante para a lide qualquer apreciação relacionada à contagem do prazo prescricional do direito à restituição do indébito tributário, uma vez que, conforme será demonstrado, não há, no mérito, direito que socorra a reclamante em relação ao crédito alegado, já que, como afirma a própria recorrente, a origem dos créditos diz respeito a alegada iletimidade da exigência da COFINS sobre as sociedades civis de prestação de serviços profissionais por suposta afronta à hierarquia das leis quando da revogação da isenção concedida pela Lei Complementar nº 70/91 por via de lei ordinária (Lei nº 9.430/96), questão que já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, diante da inexistência de qualquer impedimento para o exame da contenda, passase a análise do mérito da lide propriamente dito. Do mérito A reclamante alega que as sociedades civis de prestação de serviços seriam isentas da COFINS, uma vez que a isenção concedida pela LC nº 70/91 foi revogada por lei ordinária, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96, em propalada ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Tal questão, no entanto, já se encontra pacificada pelo STF, que, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Os fundamentos que serviram de base para o referido julgado estão resumidos na ementa do Recurso Extraordinário no 377.457, abaixo reproduzida: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento.(RE 377457, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado Fl. 83DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11080.921880/200970 Acórdão n.º 380200.635 S3TE02 Fl. 76 5 em 17/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL 0234608 PP01774) Com efeito, constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, demonstrada está a inexistência de indébito tributário, razão pela qual não há como acolher o pedido de compensação em tela, posto que não fundamentado em direito creditório legítimo, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, acima colacionada, que asseverou, em caráter definitivo, a legalidade da revogação da isenção da COFINS originariamente concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar 70/91. Assim, e em obediência ao disposto no art. 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, fica assentado que são efetivamente devidos os pagamentos da COFINS realizados pela recorrente segundo a forma de incidência instituída pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996. Consequentemente, o indébito alegado não existe, não havendo, pois, razão legal que autorize a homologação da compensação pleiteada. Diante disso, prejudicado está qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito em apreço, posto que, como demonstrado, não há direito creditório que fundamente a existência de indébito tributário em favor da reclamante. Quanto aos argumentos relacionados à ilegalidade ou à inconstitucionalidade da norma, importa ressaltar que o julgador administrativo está vinculado à legalidade estrita, por força do disposto no artigo 116, III, da Lei no 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009. Ademais, é vedado à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional, assunto, inclusive, pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos de sua Súmula no 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Finalmente, quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face da instauração do litígio administrativo, há, de fato, previsão legal para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o fim da presente demanda administrativa (CTN, artigo 151, inciso III). Contudo, como ressaltado na decisão de primeira instância, não se observa nos autos querela decorrente de suposta indevida exigência – na fase litigiosa – dos débitos questionados atrelados ao presente processo. Da conclusão 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Fl. 84DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 10 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 85DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/ 08/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A
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