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Numero do processo: 19679.005724/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999
PRAZO PARA RESTITUIÇÃO - LEI COMPLEMENTAR 118/05 - RETROATIVIDADE - IMPOSSIBILIDADE - ENTENDIMENTO CONFORME O STF .
Na esteira do que decidiu o Supremo Tribunal Federal (RE 566621-RS), a LC 118/05 deve ser considerada como preceito normativo modificativo e, por isso, só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham ocorrer a partir de 09 de junho 2005.
Numero da decisão: 1101-001.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, com retorno à delegacia de origem para prosseguimento da análise do direito creditório.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI
Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma)
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA
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Na esteira do que decidiu o Supremo Tribunal Federal (RE 566621RS), a LC 118/05 deve ser considerada como preceito normativo modificativo e, por isso, só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham ocorrer a partir de 09 de junho 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, com retorno à delegacia de origem para prosseguimento da análise do direito creditório. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI Redator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 57 24 /2 00 5- 18 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão nº 1610.770, de 18 de março de 2009 (fls. 199/204), proferido pela colenda 3a Turma da DRJ/SPOI. A Recorrente protocolou, em 08/06/2005, Pedido de Restituição de Saldos negativos de IRPJ, protocolizado em formulário apropriado (fl. 1), conforme a petição (fls. 2 a 14) e demais documentos anexados (fls. 24 a 91), atinentes aos anoscalendários de 1995 a 1999, no valor total de R$ 1.355.035,83. Os valores cuja restituição é pleiteada são originários de antecipações efetuadas a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, que resultaram em saldo negativo, passível de restituição. O referido Pedido de restituição não obteve resposta/provimento após o decurso de dois anos, sendo que, em 24 de janeiro de 2008, a interessada protocolou novo pedido requerendo a pronta restituição dos valores. O Despacho Decisório EQPIR/PJ, 14 de maio de 2008, determinou que, no caso específico de restituição de saldo negativo de IRPJ, a apuração anual do referido saldo ocorre no último dia do anocalendário e o prazo para solicitar a restituição iniciase no primeiro dia do anocalendário seguinte à sua apuração, conforme o Ato Declaratório SRF n° 003, de 07 de janeiro de 2000: "O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, tendo cm vista o disposto no § 4" do art. 39 da Lei n°9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1° e 6º da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes. A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada."(grifouse) O Pedido de Restituição foi então indeferido, pois, segundo as autoridades fiscalizadoras, já havia transcorrido o prazo para solicitar a restituição de eventuais Saldos Negativos de IRPJ, dos anos calendários de 1995 a 1999. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 19679.005724/200518 Acórdão n.º 1101001.001 S1C1T1 Fl. 3 3 Tempestivamente a pessoa jurídica apresentou manifestação de inconformidade, sob o argumento de que a decisão da DRJ/São Paulo não estaria em consonância com a melhor interpretação do Código Tributário Nacional (art.150, §4°), nem com a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), como também na esfera administrativa, sendo que o prazo para pleitear o indébito tributário, nos tributos lançados por homologação começa a fluir a partir da data homologação, e no caso de ter sido tácita, somente a partir do quinto (5°) ano a contar da data do fato gerador. Ao apreciar o pleito da contribuinte, a turma julgadora de primeiro grau indeferiu o pedido nos termos do acórdão citado, cuja ementa possui a seguinte redação: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITOTRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Para fins de interpretação do inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional, o termo inicial de contagem do prazo de cinco anos ao exercício do direito a pleitear restituição ocorre no momento da extinção do crédito tributário ou do pagamento do tributo e não após a homologação deste pagamento. Entendimento sedimentado pelo art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005. Solicitação Indeferida. Em resumo, foi alegado que, em 08/06/2005 (data do protocolo do Pedido de Restituição) já havia sido extrapolado o prazo para a interessada requerer o reconhecimento de direito a qualquer crédito oriundo de Saldo Negativo de IRPJ porventura apurado nos exercícios de 1996 a 2000 (AC 1995 a 1999 ). Ciente da decisão de primeira instância em 09/05/2009, e com ela não se conformando, a Requerente recorreu a este Colegiado por meio de Recurso Voluntário apresentado em 04/02/2009 (fls. 212), no qual apresenta, em apertada síntese, os seguintes argumentos: 1. Incorreu em erro a autoridade julgadora de primeira instância ao entender que o crédito pleiteado está fulminado pela decadência ao pretender aplicar retroativamente os efeitos da Lei Complementar 118/05, pois quando do protocolo do pedido formulado pelo contribuinte esta norma não existia, sendo lhe vedada a aplicação pretérita de seus efeitos; 2. O contribuinte formulou o pedido de restituição sob a égide do artigo 5º da IN 460/04; 3. Nesse contexto, o Ato Declaratório SRF n° 3, de 07 de janeiro de 2000 (D.O.U. 11.01.2000), estabelecia que os saldos negativos de CSLL e Imposto sobre a Renda, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 4 IRPJ ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros, taxa SELIC, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada; 4. Colacionou uma série de decisões administrativas favoráveis aos contribuintes nessa esteira; 5. Reportandose ao prazo prescricional, enfatizou que, em obediência ao Código Tributário Nacional e à larga jurisprudência administrativa e judicial, o prazo de prescrição para repetição do indébito tributário tem seu inicio imediatamente após a homologação (expressa ou ficta) pelo Fisco. Isto quer dizer que, em se tratando de tributos auto lançados, a Receita Federal (Estadual ou Municipal) conta com 05 (cinco) anos do recolhimento de cada tributo para homologálo. Em não o fazendo nesse prazo a homologação é considerada como efetuada tacitamente, passando a contar o prazo de mais 05 (cinco) anos para que o contribuinte processe a Declaração de Compensação, caso o tributo tenha sido pago indevidamente; 6. Nesse sentido, transcreveu alguns acórdãos do Superior Tribunal de Justiça, tais como o AgRg no Recurso Especial n. 253.439SP e o Acórdão Ag.a. 269083/SP; 7. Com base nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional (“CTN”), o termo inicial para o exercício do direito de pleitear a restituição é a data da extinção do crédito tributário, a qual, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, dáse, ex vi do inciso VII do art. 156 do CTN e do entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça, com o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§1° e 4°; 8. A chamada 'tese dos cinco anos mais cinco', na realidade, resulta da simples interpretação conjugada dos arts. 165, I, 168, I, 150, §4 e 156, VII do CTN, e da automática constituição do crédito tributário, por omissão, mediante a chamada homologação tácita do pagamento antecipado. Voto Conselheiro MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI, Redator: O Recurso Voluntário é tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Como visto do relato, a lide se limita ao pleito da recorrente, no sentido de ver reconhecido seu direito à compensação de parte dos recolhimentos efetuados a título de IRPJ, a qual resultou saldo negativo do mencionado tributo. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 19679.005724/200518 Acórdão n.º 1101001.001 S1C1T1 Fl. 4 5 A empresa protocolizou pedido de restituição, sendo que o juízo “a quo” entendeu por bem indeferir o pedido sob o argumento de que quando do protocolo do mesmo já havia sido extrapolado o prazo para interessada requerer o reconhecimento de direito ao crédito. Para verificar a correta aplicação do prazo em discussão no caso ora em tela, podemos utilizar como base o quadro sumário abaixo: Data da publicação da LC 118/05, a qual determinou o prazo de 05 anos para a restituição de tributos 09/02/2005 Data do inicio da vigência da LC 118/05, a partir da qual determinou o prazo de 05 anos para a restituição de tributos 09/06/2005 Data do protocolo do contribuinte 08/06/2005 Portanto, verificase que o pedido de restituição formulado pelo contribuinte é anterior à data de inicio da vigência da LC 118/05. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (RE 566621RS), já decidiu que a LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Assim, por se configurar preceito normativo modificativo, só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham ocorrer a partir de sua vigência. Nesta esteira, ao reconhecer a inconstitucionalidade do art. 4o., segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. Com isso, acabou o STF por aplicar a teoria dos "cinco anos mais cinco". Dessa forma e pelos argumentos ante expostos, entendo que a decisão de primeira instância deve ser reformada integralmente, para que haja o reconhecimento da correta aplicação do prazo prescricional de 05 anos mais 05, conforme jurisprudência pacifica antes da edição da LC 118/05, afastando a retroatividade de seus efeitos. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, com retorno à delegacia de origem para prosseguimento da análise do direito creditório. É como voto. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 6 (assinado digitalmente) MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI Redator ad hoc Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008970/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante, não há que se falar em nulidade.
A alegação de falta de apreciação de provas não pode prosperar quando o contribuinte afirma genericamente que não foram apreciadas as provas favoráveis à sua defesa, sem indicação precisa dos documentos que não teriam sido analisados, mormente quando a decisão recorrida faz expressa menção aos documentos apresentados pelo contribuinte e os rejeita como prova das alegações da defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU DE SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA CORRESPONDENTES.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula nº 26, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula nº 61 - Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula nº 38 - Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE DOAÇÃO.
A doação é caracterizada pela liberalidade, ou seja, o doador transfere bens ou vantagens para outrem sem nada receber em troca, não há, portanto, contraprestação. Ou seja, se a transferência se dá em razão de contraprestação não há que se falar em doação.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO.
A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza manifesta de uma dada situação de fato. Nesses casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada as quantias de R$ 105.000,00, R$ 32.157,16 e R$ 300.000,00, nos anos-calendário de 2003, 2004 e 2006, respectivamente.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 25/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante, não há que se falar em nulidade. A alegação de falta de apreciação de provas não pode prosperar quando o contribuinte afirma genericamente que não foram apreciadas as provas favoráveis à sua defesa, sem indicação precisa dos documentos que não teriam sido analisados, mormente quando a decisão recorrida faz expressa menção aos documentos apresentados pelo contribuinte e os rejeita como prova das alegações da defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 89 70 /2 00 8- 86 Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.300 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DEMONSTRAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL OU DE SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA CORRESPONDENTES. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula nº 26, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula nº 61 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula nº 38 Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE DOAÇÃO. A doação é caracterizada pela liberalidade, ou seja, o doador transfere bens ou vantagens para outrem sem nada receber em troca, não há, portanto, contraprestação. Ou seja, se a transferência se dá em razão de contraprestação não há que se falar em doação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza manifesta de uma dada situação de fato. Nesses casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.301 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada as quantias de R$ 105.000,00, R$ 32.157,16 e R$ 300.000,00, nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2006, respectivamente. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ALBERTO LUIZ DE MATTOS SABINO foi lavrado Auto de Infração, fls. 455/460, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2003 a 2006, exercícios 2004 a 2007, no valor total de R$ 3.078.134,36, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/05/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 434/447, foram omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (anoscalendário 2003, 2004 e 2005) e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada (anoscalendário 2003, 2004 e 2006). Os extratos bancários foram obtidos mediante autorização judicial. Do Termo de Verificação Fiscal se extrai os seguintes trechos relacionados à infração de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, que foi exigida com multa de ofício qualificada no percentual de 150%: Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.302 4 O contribuinte declarou ter recebido as seguintes doações de Carlos Roberto Massa: 2003 – R$ 250.000,00 2004 – R$ 480.000,00 2005 – R$ 1.000.000,00 Relativo aos anoscalendário de 2003 e 2006 o contribuinte não declara qualquer renda tributável. Em 2004 e 2005 declara como renda apenas R$ 7.301,32 e R$ 2.309,17 como recebimento de VGBL. Entretanto, a documentação obtida durante a fiscalização permite concluir que Alberto Luiz de Mattos Sabino trabalha na empresa de propriedade de Carlos Roberto Massa, a M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, pelos seguintes fatos: Verificouse nas fichas proposta de abertura de conta dos bancos, fls. 412 a 415 (repetidas nas fls. 3, 4, 32 e 97 do ANEXO I), que o contribuinte declara trabalhar na empresa M&M Administração e Participações: em 25/07/2001, no cargo de superintendente, fls. 412 e 413; em 12/07/2002, no cargo de administrador, fl. 414; em 09/05/2006, no cargo Nível de Gerência, fl. 415. Em ação fiscal da Receita Federal do Brasil na empresa Massa&Massa Ltda, CNPJ 81.261.364/000127, o contribuinte recebe os documentos em nome da empresa e se declara superintendente do Grupo Massa, fls. 384 a 387. Para fazer a entrega pessoal do Termo de Intimação 13, fl. 369, acompanhado do procurador do contribuinte, fomos ao n° 869, 14° andar, da Rua Mal. Deodoro, Centro, Curitiba, atual endereço da empresa M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, conforme relato da entrega do referido Termo, fl. 370. Em resposta a este Termo, o contribuinte negou possuir vínculo empregatício com a M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, holding do denominado Grupo Massa, ou com qualquer empresa a ela vinculada, fl. 371. Durante esta fiscalização, conforme o relato registrado em termo, fls. 388 a 411, obtivemos, em 22/10/2007, declaração de Patrícia Schulze que trabalhou na M&M de 2002 a 2004 e afirma que o contribuinte era o superintendente da empresa. Pesquisa na Internet, em site de busca, fls. 416 a 422, registram declarações feitas por Alberto Sabino à imprensa onde este aparece como sendo "diretor executivo do Grupo Massa", "presidente do Grupo Massa", "superintendente da Massa&Massa" e "superintendente do Grupo Massa". Na Diligência às fls. 423 e 424, Sara Gabriel Okar, CPF 747.890.58972, afirma ter trabalhado na M&M de 2003 a início Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.303 5 de 2005, onde Alberto Sabino era o diretor da holding, onde comparecia diariamente. Na Diligência às fls. 425 e 426, Juliana Tiburcio Barbosa Avanso, CPF 004.436.43938, afirma ter trabalhado na M&M de fevereiro de 2004 a janeiro de 2005, onde Alberto Sabino era o responsável pela empresa e lá comparecia diariamente quando não se encontrava em viagem. Na Diligência às fls. 427 e 428, Elisangela Zuege, CPF 267.211.33865, afirma ter trabalhado na M&M de novembro de 2002 a agosto de 2005, onde Alberto Sabino era tratado como presidente do grupo e que todos os funcionários eram subordinados a este. Portanto, as provas acima demonstram que o contribuinte trabalha na empresa M&M, onde exerce cargo na alta gerência, comparecendo quase diariamente na empresa e tendo ascendência sobre os demais empregados, estabelecendose assim um vínculo empregatício com a empresa. Os fatos acima demonstrados indicam a ocorrência de conluio entre os proprietários da empresa e o contribuinte, que em vez de receber rendimentos pela empresa na qual trabalha, pagando os devidos impostos e contribuições, recebe de um dos proprietários, Carlos Roberto Massa, vultosas doações. A empresa, não tendo estas despesas de rendimentos, impostos e contribuições a serem pagas, obteria um lucro maior e repassaria valores ao contribuinte na forma de doações através de um de seus proprietários, motivo pelo qual foi feita a Representação Fiscal Para Fins Penais, nos termos do art. 1° do Decreto n° 2.730, de 10 de agosto de 1998 e nas Portarias SRF n° 2.752, de 11 de outubro de 2001, e n° 1.279, de 13 de novembro de 2002. Tentouse obter os valores e datas das doações feitas ao contribuinte através dos seguintes atos: Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, fls. 64 a 66, o contribuinte apresenta resposta em 01/02/2007, fls. 71 a 123, na qual relaciona as doações recebidas em 2003, fl. 93, e 2004, fl. 107. Na resposta, fl. 71, afirma "Naturalmente o Contribuinte Pessoa Física não possui a obrigatoriedade de documentar, nem tampouco registrar a forma do efetivo desembolso dos valores de suas despesas." e ainda que "Destarte, entende o Contribuinte que as transferências patrimoniais e doações, frisadas no MPF, estão legalmente comprovadas,(...)" pois anexou cópia das Declarações de Imposto de Renda. Intimado a comprovar o efetivo recebimento de doações e empréstimos e efetivo pagamento de empréstimos nos anos calendário 2003 e 2004, fls. 124 e 125, o contribuinte responde, fls. 126 e 127, afirmando "Como já explicitado, naturalmente o Contribuinte Pessoa Física não possui a obrigatoriedade de documentar, nem tampouco registrar a forma do efetivo desembolso dos valores de suas despesas." e informa que Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.304 6 apresentará os documentos requeridos posteriormente. Em 28/02/2007, fls. 128 a 190, envia nova resposta onde afirma "Destarte, entende o Contribuinte que as transferências patrimoniais e doações, frisadas no MPF, estão legalmente comprovadas,(...)" já que constam em Declarações de Imposto de Renda e apresenta cópia das Declarações dos anos calendário 2003 e 2004 de Carlos Roberto Massa. Em 14/03/2007, fls. 191 a 193, Carlos Roberto Massa é intimado a comprovar a efetiva entrega das doações feitas a Alberto Luiz de Mattos Sabino feitas em 2003 e 2004. A resposta recebida em 23/04/2007, fls. 194 a 222, apresenta cópia das Declarações de Imposto de Renda do anoscalendário 2003 e 2004 e afirma que são "(...) comprovantes jurídicos das doações,(...)", fl. 194. Declaração de valores como doações ao contribuinte às fls. 203 e 214. Em 12/11/2007, fls. 299 e 300, o contribuinte recebe o Termo de Intimação 11, no qual é intimado a comprovar o efetivo repasse das doações recebidas nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Em 07/04/2008, fls.322 a 324, o contribuinte fornece explicações sobre a doação recebida de Carlos Roberto Massa em 2005, anexando como documento apenas uma declaração de Carlos Roberto Massa, afirmando ter realizado a doação conforme a explicação dada pelo contribuinte na qual informou terem sido repassados R$ 213.933,03 em créditos em conta corrente, fornecendo os valores e datas, e os R$ 786.066,97 restantes repassados em espécie, sem especificar data. Carlos Roberto Massa foi intimado, fl. 375 a 377, a comprovar o efetivo repasse da doação de R$ 1.000.000,00 realizada em 2005. Na resposta, fl. 379, apresentou planilha sobre a doação dos R$ 1.000.000,00, fornecendo data inclusive para os repasses feitos em espécie. (...) Diz o inciso XV do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XV – o valor os bens adquiridos por doação ou herança (...) Defini o código civil, Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Art. 538. Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. A condição "por liberalidade" implica em não haver, em relação à doação, a contraprestação de serviço pois tal fato conferiria caráter remuneratório aos valores transferidos e portanto sujeitos à tributação. Entendimento também da Decisão n° 50, Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.305 7 de 15 de março de 1999, em Processo de Consulta da 8ª Região Fiscal, publicação no DOU de 17/05/1999. Portanto, fica caracterizado que o contribuinte trabalha na empresa M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, com vínculo empregatício e da qual nunca declarou receber qualquer rendimento tributável, motivo para que os valores declarados como doações e recebidos do proprietário da empresa sejam considerados como rendimentos recebidos da empresa. Assim, cabe a lavratura de Auto de Infração para submeter os valores acima à tributação do Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2003, 2004 e 2005, como rendimentos recebidos de PJ e aplicação de multa agravada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 468/482, e a autoridade julgadora de primeira instância considerou procedente o lançamento, por unanimidade de votos, nos termos do Acórdão DRJ/JFA nº 0619.037, de 26/08/2008, fls. 866/884. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 15/09/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 887, o contribuinte apresentou, em 15/10/2008, recurso voluntário, fls. 888/922, trazendo as alegações a seguir resumidas: Do suposto enquadramento legal – No que se refere à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada a autoridade fiscal não identificou em quais parágrafos ou incisos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estaria a proceder ao enquadramento. Tal fato dificultou a defesa e representa falha formal do lançamento, sendo razão suficiente par embasar preliminar de cerceamento do direito de defesa. Também houve falha no lançamento ao simplesmente aplicar a presunção do art. 42, sem em nenhum momento vincular os valores a situações que concretamente permitissem identificar comportamento que tipificasse o fato jurídico tributário necessário à liquidez e certeza do lançamento. Quanto à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica o cerne da questão encontrase no art. 43 do RIR/99. A autoridade fiscal afirma que ficou caracterizado o vínculo empregatício entre o contribuinte e a empresa M & M Administração e Participações Ltda. Contudo, tal conclusão é equivocada. Quatro são os requisitos necessários à configuração de vínculo empregatício: nãoeventualidade, pessoalidade, subordinação jurídica e onerosidade. A alegação da autoridade fiscal de comparecendo quase diariamente na empresa demonstra a nãoeventualidade. Assim, não se pode reputar caracterizado o vínculo empregatício. A fiscalização traz argumentos frágeis e notoriamente equivocados no que tange à caracterização de suposto vínculo empregatício, ora reportandose ao depoimento de duas testemunhas, ora fazendo menção a informações veiculadas pela imprensa. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.306 8 Sequer foi possibilitado ao contribuinte contraditar o que fora afirmado pelas testemunhas, restando assim prejudicados os princípios da ampla defesa e do contraditório. Não se pode aceitar como meio de prova a mera pesquisa em página de busca. Sabese que as informações constantes da internet devem ser vistas com cautela, uma vez que a qualquer um é possibilitado incluir em páginas da rede os mais diversos tipos de dados, que nem sempre correspondem à realidade. A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não é absoluta e deve ser aplicada com critério – A aplicação do art. 42 pressupõe o atendimento aos seus parágrafos 1° a 6°, fazendose a necessária triagem, especialmente a mencionada no parágrafo 3°. É assente na jurisprudência que depósitos bancários não são renda. É expresso no inciso II do § 3º do art. 42 que, no caso de pessoa física, deve ser excluído da intimação para comprovação o montante de R$ 80.000,00 anuais e todos os valores inferiores individualmente a R$ 12.000,00. Pretender considerar que depósito de R$ 200,00, representa receita omitida depositada em conta bancária, realmente serve para demonstrar que o lançamento fiscal beira o absurdo, além de denotar que a presunção não está calcada em qualquer elemento de realidade fática, tampouco de possibilidade lógica. Para que se configurasse a validade do lançamento, seria necessário que a fiscalização procedesse à vinculação expressa entre cada depósito ou crédito bancário e determinada operação produtora de receita. É assente que não existem receitas sem custos, tanto para as pessoas jurídicas como para as pessoas físicas. A presunção como foi aplicada aponta para os depósitos como se fossem receitas liquidas e, mais absurdo ainda, considerou empréstimos como receita tributada. Foi adotada forma equivocada de tributação – O § 1º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o valor das receitas e rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, porém a autoridade fiscal incluiu a totalidade dos valores na base de apuração da tabela progressiva anual. Nulidade da decisão e cerceamento do direito de defesa A decisão recorrida mostrouse por demais genérica, trazendo alegações que demonstram não ter sido efetivamente considerado o conjunto probatório carreado pelo contribuinte. Deixando de considerar diversos documentos essenciais ao esclarecimento das questões pendentes no presente caso, temse que a autoridade julgadora de primeiro grau simplesmente não apreciou documentos favoráveis ao contribuinte, o que afasta suas garantias constitucionais. É preciso elucidar se a Receita Federal reconhece ou não a existência de doações realizadas pelo Sr. Carlos Massa, uma vez que se mostra ato absolutamente descabido a autuação do contribuinte por omissão de receita com base no argumento de que o recorrente não comprovou o recebimento de doações, e, na seqüência, autuálo novamente sob o pretexto de ter recebido doações a título de pagamento em razão da configuração de vínculo empregatício. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.307 9 Insta salientar que o contribuinte mantém com o doador estreito vínculo pessoal há mais de 20 anos. Dada esta estreita e duradoura relação de amizade, não há que se estranhar a existência das mencionadas doações, tampouco exigirse que para o seu respectivo reconhecimento haja alguma contraprestação por parte do contribuinte, apenas para satisfazer a sanha arrecadatória do Fisco. Todas as transações foram regularmente declaradas à Receita Federal nas DIRPF, tanto do doador quanto do donatário. Indene de dúvidas que a consignação da doação por parte do doador e donatário, na declaração anual de Imposto de Renda, representa documento plenamente hábil à comprovação da transação, não subsistindo qualquer justificativa para a autuação pretendida. Comprovação dos depósitos bancários A origem de todos os valores questionados encontrase claramente informada na documentação constante dos autos; todavia, desprezando suas informações, a fiscalização preferiu simplesmente devolver ao recorrente o ônus de repetir a comprovação, deixando de assumir sua responsabilidade de constatar a realidade dos fatos e simplesmente atribuir ao órgão julgador, de forma inusitada, essa avaliação. Em atenção ao princípio da economia processual, o recorrente deixará de repetir o conteúdo dos anexos de forma exaustiva, porquanto a maioria deles se autoexplica e serve como comprovação dos valores a eles referentes. Da alegada movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados No que diz respeito ao anocalendário 2003, acerca do qual o contribuinte apresentou toda a movimentação financeira junto aos Bancos Mercantil e Bradesco, em que pese a exaustiva comprovação mediante farta prova documental concernente aos empréstimos obtidos, foram os mesmos indevidamente tributados. No tocante à movimentação financeira relativa ao anocalendário 2003 Banco Mercantil, os documentos demonstram com clareza a inocorrência de qualquer possibilidade de tributação. No demonstrativo, acompanhado da documentação pertinente, juntamse, além dos extratos bancários, também os comprovantes de depósito com autenticação bancária, indicando trataremse de dinheiro próprio do contribuinte. No que diz respeito a movimentação bancária realizada perante o Banco Bradesco, as planilhas e documentos igualmente reafirmam que não se tratam de verbas passíveis de sujeição à hipótese de incidência do Imposto de Renda. A título de exemplo, no item referente ao depósito de R$ 28.000,00, datado de 07/01/2003, proveniente da empresa M2 Ltda, comprovase por documentação contábil tratarse de distribuição de lucros ao sócio Carlos Roberto Massa, valor depositado na conta do contribuinte. Além dos demonstrativos pertinentes, acostase o recibo de lucro distribuído, extrato bancário e declaração firmada pelo cedente do empréstimo. A inconsistência e a imprecisão do Auto restam ainda mais evidentes na medida que o montante de R$ 28.000,00, repassado ao contribuinte, a título de empréstimo, já havia sido devidamente tributado na empresa M2 Ltda, representando verba referente à distribuição de lucros. No ano de 2004, a movimentação financeira do contribuinte ocorreu junto ao Banco Bradesco, estando a documentação comprobatória da origem e causa dos valores depositados devidamente anexada a este recurso. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.308 10 No tocante à movimentação referente ao ano de 2006, da mesma forma demonstrase, através da juntada da inclusa documentação, não estar diante de rendimentos tributáveis enquadrados na hipótese de incidência do imposto de renda. O entendimento desse respeitável CARF não traz qualquer tipo de respaldo à pretensão de considerar a totalidade dos depósitos em contacorrente como renda passível de sujeição à tributação. Em que pese todos os empréstimos estejam demonstrados por meio de escritura pública que, embora tenha sido lavrada posteriormente à sua realização, não perde a capacidade de produzir efeitos jurídicos, concluise erroneamente que o contribuinte não teria comprovado a fonte, "ou seja, provar que os créditos foram realmente feitos por Carlos Roberto Massa". Para afastar a justificativa de empréstimos consignados em documento público, a fiscalização alegou que o contribuinte não comprovou que "os créditos foram realmente feitos por Carlos Roberto Massa". Por outro lado, na tentativa de justificar a alegada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, os empréstimos foram considerados como realizados pelo Sr. Carlos Massa. Tratase de medida inegavelmente incongruente e que pretende uma penalização do recorrente que beira a ilegalidade, não se vislumbrando qualquer possibilidade de manutenção da autuação. É o Relatório. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.309 11 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente, devese examinar a alegação do recorrente de nulidade do lançamento. Nesse sentido, o contribuinte afirma que, quanto à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, a autoridade fiscal deixou de identificar em quais parágrafos ou incisos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estaria a proceder ao enquadramento e que tal fato dificultou a sua defesa. De pronto, cumpre dizer que a autoridade fiscal fez constar no enquadramento legal da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, fls. 460. Ora, como se sabe, o artigo é composto pelo caput e seus incisos e parágrafos, de sorte que quando não se destaca determinado inciso ou parágrafo significa dizer que a totalidade do artigo deve ser observada. Digase, ainda, que embora o contribuinte afirme que a ausência de discriminação dos parágrafos e incisos no enquadramento legal tenha dificultado sua defesa, fato é que o recorrente não indicou qual dificuldade seria esta. E mais, o contribuinte demonstrou ter perfeito entendimento da infração a ele imputada, de modo que não restou, nesse aspecto, caracterizado o cerceamento do direito de defesa, que pudesse ensejar a nulidade do lançamento. Já quanto à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, o contribuinte diz que houve cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que não lhe foi possibilitado contraditar o que fora afirmado nos depoimentos testemunhais utilizados como prova da infração. Mais uma vez, a alegação de cerceamento do direito de defesa alegado pelo recorrente na pode prosperar, posto que o contribuinte poderia contraditar o depoimento das testemunhas nas fases de impugnação e recursal, coisa que não fez. Digase, ainda, que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estando o lançamento em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. As demais questões trazidas pela defesa no item concernente à nulidade do lançamento (enquadramento legal) serão analisadas adiante, posto que são mais condizentes com o mérito das infrações. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade do lançamento. Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.310 12 Ainda em sede preliminar, o contribuinte suscita a nulidade da decisão recorrida. Nesse sentido, afirma que o acórdão da decisão mostrouse por demais genérico, trazendo alegações que demonstram não ter sido efetivamente considerado o conjunto probatório carreado pelo contribuinte. Diz, também, que deixouse de considerar diversos documentos essenciais ao esclarecimento das questões pendentes no presente caso e que a autoridade julgadora de primeiro grau simplesmente não apreciou documentos favoráveis ao contribuinte, o que afasta suas garantias constitucionais. O acórdão da decisão recorrida, ao contrário do que afirma a defesa, analisou todas as alegações trazidas na impugnação e justificou com exaustão os motivos que conduziram à manutenção das infrações imputadas ao contribuinte, sendo certo que a decisão recorrida faz expressa citação aos documentos apresentados pelo contribuinte, durante o procedimento fiscal, assim como aqueles apresentados juntamente com a impugnação. Nesse ponto, importa observar que o contribuinte diz que a decisão recorrida deixou de considerar diversos documentos essenciais ao esclarecimento das questões pendentes, no entanto, não especifica que documentos seriam estes, favoráveis ao contribuinte, e que não teriam sido apreciados na decisão recorrida. Digase aqui também que as demais questões suscitados pela defesa nos parágrafos dedicados à nulidade da decisão recorrida serão apreciadas juntamente com as questões de mérito, por ser assim mais conveniente. Nessa conformidade, não pode prevalecer a argüição de nulidade da decisão de primeira instância suscitada pelo recorrente. Quanto ao mérito, inicialmente serão analisadas as questões trazidas pela defesa no que concerne à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Referido dispositivo legal estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Ou seja, a partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Verificada a ocorrência de depósitos bancários, cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação. A legislação não faz nenhuma outra exigência para que reste caracterizada a omissão de rendimentos. Não é necessário, portanto, que a autoridade fiscal demonstre a existência de acréscimo patrimonial ou de sinais exteriores de riqueza. Tal entendimento já foi pacificado neste Colegiado, conforme se infere da Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita: Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.311 13 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Assim, não pode prosperar as argüições da defesa de que seria necessário que a autoridade fiscal procedesse à vinculação expressa entre cada depósito e determinada operação produtora de receita. Não pode também prosperar a alegação de que não existem receitas sem custos e que a presunção como foi aplicada aponta para os depósitos como se fossem receitas líquidas. Como já dito acima, verificada a ocorrência de depósitos bancários, cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação. A legislação não prevê a possibilidade de exclusão de parte dos créditos, sob a justificativa de custos. Também deve ser lembrada neste voto a Súmula CARF nº 38, a seguir transcrita, posto que segundo o entendimento do contribuinte a autoridade fiscal adotou forma equivocada de tributação ao incluir a totalidade dos depósitos bancários não comprovados na base de cálculo da tabela progressiva anual. Ou seja, o contribuinte entende que a tributação dos depósitos bancários com origem não comprovada deve ser tributada mensalmente. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Como se vê, da Súmula acima transcrita, o fato gerador da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada ocorre em 31 de dezembro do anocalendário correspondente, estando correto o procedimento da autoridade fiscal ao proceder ao cálculo do imposto devido mediante utilização da tabela progressiva anual. O contribuinte afirma, ainda, que não foi observado o comando existente no parágrafo 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Dos citados dispositivos inferese que, no caso de pessoas físicas, não se admite a presunção de omissão de rendimentos, relativamente aos créditos de valor individual Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.312 14 inferiores a R$ 12.000,00, cuja soma não atinja o montante de R$ 80.000,00, no ano calendário, sendo, inclusive, este o teor da Súmula CARF nº 61, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010). No presente caso, os créditos considerados pela autoridade fiscal como de origem não comprovada no lançamento encontramse listados no Termo de Verificação Fiscal, fls. 434/447, sendo certo que assiste razão ao contribuinte no que diz respeito ao ano calendário 2004, cuja soma dos créditos de valor individual inferiores a R$ 12.000,00 é de R$ 32.157,16, montante inferior ao limite de R$ 80.000,00. Logo, para o anocalendário de 2004, devem ser excluídos da tributação os créditos inferiores a R$ 12.000,00, cujo montante perfaz a quantia de R$ 32.157,16, remanescendo apenas dois créditos: 10/02/2004 – R$ 35.000,00 e 04/10/2004 – R$ 70.000,00. Já nos anoscalendário 2003 e 2006, os somatórios dos créditos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00 é de R$ 116.900,00 e R$ 116.674,98, respectivamente. Portanto, para referidos anoscalendário, não há que se falar de aplicação do disposto no art. 42, §3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. No que concerne à comprovação da origem dos depósitos levados à tributação, podese dizer que o contribuinte traz basicamente duas justificativas: empréstimos e dinheiro próprio do contribuinte. Nas Declarações de Ajuste Anual(DAA), anoscalendário 2003, 2004 e 2006, fls. 11/13, 14/16, 27/29, apresentadas pelo contribuinte, tempestivamente, constam as seguintes informações de empréstimos tomados pelo contribuinte: 31/12/2002 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2005 31/12/2006 Carlos Roberto Massa 250.000,00 0,00 0,00 3.000.000,00 Carlos Henrique de Mattos Sabino 48.000,00 168.000,00 100.000,00 Luiz Gustavo de Mattos Sabino 0,00 200.000,00 200.000,00 Antonio Honorato Cioni 0,00 450.000,00 0,00 Ocorre que, tratandose de comprovação da origem de depósitos efetivados nas contascorrentes do contribuinte, não basta que reste comprovada a existência de empréstimos, fazendose necessária a comprovação da correlação entre o depósito, que se pretende comprovar, e o empréstimo. No presente caso, o contribuinte juntou aos autos documentos que seriam suficientes para comprovar a existência do empréstimo, entretanto, da documentação apresentada, na grande maioria das vezes, não se verifica a correlação entre o depósito e o empréstimo, conforme se verá adiante. Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.313 15 Para ilustrar o acima mencionado serão a seguir analisadas as documentações apresentadas pelo contribuinte para justificar três depósitos havidos no anocalendário 2003, que são representativos das formas adotadas pelo contribuinte para comprovar a alegação de empréstimos. 07/01/2003 – depósito em dinheiro R$ 28.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 10/29 (anexo 2), dentre os quais se destaca cópia do livro Diário da pessoa jurídica M2 Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 28.000,00, pagos em 07/01/2003, mediante cheque nº 81; extrato da conta bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o referido cheque nº 81 foi pago em espécie e declaração firmada por Carlos Roberto Massa, onde o mesmo afirma que concedeu em 07/01/2003 empréstimo ao contribuinte, no valor de R$ 28.000,00. Muito embora, não conste na DAA do anocalendário 2003 do contribuinte saldo de empréstimo bancário tomado de Carlos Roberto Massa em 31/12/2003, os documentos apresentados são contundentes a corroborar a tese da defesa, inclusive com prova da transferência bancária da quantia de R$ 28.000,00 de Carlos Roberto Massa para o contribuinte, no valor e na data do crédito investigado. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 28.000,00. 23/01/2003 – depósito em dinheiro – R$ 10.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação trouxe apenas a cópia do comprovante de depósito, fls. 64 (anexo 2) e declaração firmada por Carlos Roberto Massa, fls. 65 (anexo 2), onde o mesmo afirma que concedeu em 10/01/2003 empréstimo ao contribuinte, no valor de R$ 10.000,00. Tais documentos, diferentemente do caso anteriormente analisado, não demonstram a existência de vinculação entre o depósito de R$ 10.000,00 e o empréstimo por ventura concedido ao contribuinte por Carlos Roberto Massa. Importante dizer que não se está aqui dizendo que o empréstimo não tenha de fato ocorrido, mas que a documentação apresentada pelo contribuinte é insuficiente para fazer a necessária correlação entre os dois fatos – depósito de R$ 10.000,00 e empréstimo de R$ 10.000,00. Logo, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 10.000,00, efetuado em 23/01/2003. 05/06/2003 – depósito em dinheiro – R$ 6.100,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Luiz Gustavo de Mattos Sabino e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 12/29 (anexo 5), dentre os quais se destaca cópia do livro Diário da pessoa jurídica HG Administradora e Serviços Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Luiz Gustavo de Mattos Sabino, no valor de R$ 6.100,00, pagos em 05/06/2003, mediante cheque nº 127 e extrato da conta Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.314 16 bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o referido cheque nº 127 foi liquidado mediante compensação. De pronto, verificase que o cheque nº 127 foi liquidado mediante compensação ao passo que o depósito que se pretende justificar foi feito em dinheiro. E mais, o valor do cheque nº 127 é de R$ 11.000,00, posto que fora utilizado pela pessoa jurídica para pagar lucros aos sócios Luiz Gustavo de Mattos Sabino e Antonio Honorato Cioni. Logo, temse que os documentos apresentados pelo contribuinte não permitem a correlação entre o empréstimo tomado de Luiz Gustavo de Mattos Sabino e o depósito, no valor de R$ 6.100,00, que permanece com a origem não comprovada, posto que não é possível afirmar que o depósito na conta do contribuinte tenha sido efetivado com os recursos advindos do lucro distribuído à Luiz Gustavo de Mattos Sabino. Da análise dos documentos apresentados para justificar os três depósitos resta evidenciado como o contribuinte deve proceder para comprovar a origem dos depósitos, quando se trata de empréstimos. Não basta comprovar a existência do empréstimo. É preciso que reste evidenciado que o depósito investigado teve origem no empréstimo, conforme ocorreu no caso do primeiro depósito analisado. Digase, ainda, que no caso do primeiro depósito a autoridade fiscal não poderia simplesmente desprezar as provas produzidas pelo contribuinte, seja sob a alegação de que o empréstimo não estivesse tempestivamente declarado, seja porque os contratos dos empréstimos foram produzidos depois de iniciado o procedimento fiscal, dado que os documentos bancários e a escrita contábil das pessoas jurídicas são provas contundentes, que comprovam a alegação do contribuinte e somente poderiam ser rechaçadas, caso a autoridade fiscal demonstrasse a inverdade da tese defendida pelo recorrente. Nestes termos, no que diz respeito ao anocalendário 2003 e em se tratando dos depósitos, cuja origem é justificada pelo contribuinte como empréstimos, estão comprovadas as origens dos seguintes depósitos, além daquele de R$ 28.000,00, acima mencionado: 10/01/2003 – transferência entre agências dinheiro – R$ 40.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 33/40 (anexo 2), dentre os quais se destaca cópia do livro Diário da pessoa jurídica Linha R Comércio Imp. e Exp. Ltda, onde consta o registro do recebimento de cheque da pessoa jurídica Nutriara, no valor de R$ 40.000,00 e também o registro de que tal cheque foi utilizado para fazer devolução de aporte de capital para o sócio Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 40.000,00. De outra banda, a própria autoridade fiscal fez constar em sua planilha que tal depósito tinha como origem a Nutriara (conforme informação prestada pelo Banco Central). Consta, ainda, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte declaração firmada por Carlos Roberto Massa, onde o mesmo afirma que concedeu em 10/01/2003 empréstimo ao contribuinte, no valor de R$ 40.000,00. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 40.000,00. Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.315 17 04/02/2003 – depósito em dinheiro – R$ 37.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 128/146 (anexo 2), dentre os quais se destaca cópia do livro Diário da pessoa jurídica M2 Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 37.000,00, pagos em 30/01/2003, mediante cheque nº 123; extrato da conta bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o referido cheque nº 123 foi pago em espécie e declaração firmada por Carlos Roberto Massa, onde o mesmo afirma que concedeu em 04/02/2003 empréstimo ao contribuinte, no valor de R$ 37.000,00. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 37.000,00. Os demais créditos efetivados no anocalendário 2003, cuja origem é justificada pelo contribuinte por empréstimos permanecem não comprovados, posto que a documentação apresentada assemelhase aos depósitos de R$ 10.000,00 (23/01/2003) e de R$ 6.100,00 (05/06/2003), acima analisados de modo ilustrativo das formas de comprovação utilizadas pela defesa. Ainda no que pertine aos empréstimos, devese examinar o depósito de R$ 60.000,00, efetivado em 12/12/2003, tendo em vista que a documentação apresentada pelo contribuinte é diferente daquelas já explicitadas e analisadas neste voto: 12/12/2003 – depósito em cheque – R$ 60.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Henrique de Mattos Sabino e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 79/87 (anexo 8). Segundo o contribuinte, seu irmão teria vendido um veículo e o produto de tal venda teria sido repassada ao contribuinte à título de empréstimo. Ocorre que a autorização para transferência de veículo não está datada e consta como comprador Plaza Veículos e Serviços Ltda, com valor de R$ 97.000,00. Por outro lado há informação nos autos do Banco Central de que o cheque de R$ 60.000,00, depositado na conta bancária do contribuinte, foi emitido por Monta Comércio e Indústria Ltda. Temse, portanto, que os documentos apresentados pelo contribuinte não confirmam a tese por ele defendida, de modo que permanece não comprovada a origem do crédito de R$ 60.000,00. No que tange a alegação do recorrente de que alguns depósitos tenham sido efetuados com dinheiro próprio do contribuinte temse que tal tese não pode prosperar, por falta de comprovação e também porque não é razoável admitir que o contribuinte mantenha recursos em espécie em seu poder para fazer frente a depósitos em suas contas bancárias. Para o anocalendário 2004, restou registrado neste voto que depois de aplicado o limite de R$ 80.000,00 para os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, remanesceram apenas dois depósitos, os quais serão a seguir analisados à luz da documentação apresentada pelo contribuinte: Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.316 18 10/02/2004 – depósito em cheque R$ 35.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Antonio Honorato Cioni e para comprovar sua alegação apresentou apenas o comprovante do depósito, fls. 142 (anexo 8), que não identifica o emitente do cheque depositado. Nestes termos, não restou evidenciado que o recurso depositado na conta do recorrente tenha sido de fato proveniente de Antonio Honorato Cioni. Logo, por tudo aqui já mencionado neste voto, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 35.000,00. 06/10/2004 – TED transferência eletrônica R$ 70.000,00 O recorrente afirma que o depósito teria sido feito com dinheiro próprio do contribuinte. Porém, há informação nos autos do Banco Central que indica como depositante Luiz Carlos Rosseti. Nestes termos, dada a falta de comprovação da alegação do contribuinte e também considerando a divergência entre aquilo que o contribuinte diz e a informação prestada pelo Banco Central, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 70.000,00. No que tange ao anocalendário 2006, cumpre dizer que o contribuinte durante o procedimento fiscal não apresentou nenhum documento comprobatório de suas alegações para justificar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, sendo certo que apenas indicou que se tratava de empréstimos devidamente informados em suas Declarações de Ajustes Anuais e também nas Declarações das pessoas que lhe concederam os empréstimos. Como já afirmado neste voto, tratandose de comprovação de depósitos bancários, a simples existência de empréstimos não é suficiente para comprovar a origem dos depósitos efetuados nas contas do contribuinte, sendo importante que seja comprovado que o recurso depositado de fato adveio da pessoa que concedeu o empréstimo. No recurso, o contribuinte afirma que: no tocante à movimentação referente ao ano de 2006, da mesma forma demonstrase, através da juntada da inclusa documentação, não estar diante de rendimentos tributáveis enquadrados na hipótese de incidência do imposto de renda. Contudo, devese observar que os documentos juntados aos autos quando da apresentação do recurso referemse aos anos de 2003 e 2004, não existindo nenhum documento relativo ao ano 2006. Ora, considerando que durante o procedimento fiscal e quando da apresentação do recurso não houve a juntada de documentos relativos ao ano de 2006, buscou se dentre os documentos apresentados juntamente com a impugnação aqueles relativos ao ano calendário 2006, os quais encontramse às fls. 755/862, e serão a seguir analisados: 03/03/2006 – depósito em cheque R$ 150.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 755/764, dentre os quais se destaca cópia do livro Diário da pessoa Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.317 19 jurídica M2 Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 150.000,00, pagos em 03/03/2006; extrato da conta bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o lucro foi pago com o cheque nº 374, liquidado por compensação e comprovante do depósito, com indicação de que o recurso foi creditado na conta do contribuinte por meio de compensação do cheque nº 374. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 150.000,00. 12/09/2006 – depósito em cheque R$ 50.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 765/772, dentre os quais se destaca cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 50.000,00, pagos em 03/09/2006, com o cheque nº 1951; extrato da conta bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o cheque nº 1951 foi liquidado por compensação e comprovante do depósito, com indicação de que o recurso foi creditado na conta do contribuinte por meio de compensação do cheque nº 1951. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 50.000,00. 12/12/2006 – depósito em cheque R$ 50.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 773/780, dentre os quais se destaca cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 50.000,00, pagos em 12/12/2006, com o cheque nº 2033; extrato da conta bancária da pessoa jurídica, demonstrando que o cheque nº 2033 foi liquidado por compensação e comprovante do depósito, com indicação de que o recurso foi creditado na conta do contribuinte por meio de compensação do cheque nº 2033. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 50.000,00. 08/08/2006 – depósito em cheque R$ 100.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 781/791, dentre os quais se destaca cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde consta o registro de distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 100.000,00, pagos em 08/08/2006, com o cheque nº 1928. Já o comprovante de depósito apresentado pelo contribuinte menciona que os cheques depositados em sua conta foram os de nºs 1919 e 0369. Assim, dada a divergência apontada entre os documentos apresentados pelo contribuinte, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 100.000,00. Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.318 20 07/06/2006 – depósito cc autoat R$ 50.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 792/798, dentre os quais consta cópia do livro Diário da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde está registrado distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 50.000,00, pagos em 07/06/2006 e cópia do extrato bancário da conta da pessoa jurídica indicando que tal pagamento fora feito mediante o cheque nº 1856, liquidado por compensação. Contudo, neste caso o contribuinte não juntou aos autos a cópia do comprovante do depósito efetuado em sua conta, de modo que não há como vincular a compensação do cheque de nº 1856 com o depósito, cuja origem se pretende comprovar. Assim, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 50.000,00. 07/11/2006 – transferência entre agência cheque R$ 50.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 799/805, dentre os quais consta cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde está registrado distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 50.000,00, pagos em 07/11/2006, com o cheque nº 1994 e cópia do extrato bancário da conta da pessoa jurídica indicando que o cheque nº 1994 foi liquidado por compensação. Contudo, também neste caso o contribuinte não juntou aos autos a cópia do comprovante do depósito efetuado em sua conta, de modo que não há como vincular a compensação do cheque de nº 1994 com o depósito, cuja origem se pretende comprovar. Assim, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 50.000,00. 26/09/2006 – depósito em cheque R$ 485.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 806/812, dentre os quais consta cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde está registrado distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 485.000,00, pagos em 26/09/2006, com o cheque nº 1972 e cópia do extrato bancário da conta da pessoa jurídica indicando que o cheque nº 1972 foi liquidado por compensação. Contudo, também neste caso, o contribuinte não juntou aos autos a cópia do comprovante do depósito efetuado em sua conta, de modo que não há como vincular a compensação do cheque de nº 1972 com o depósito, cuja origem se pretende comprovar. Assim, permanece não comprovada a origem do depósito de R$ 485.000,00. 15/09/2006 – depósito em dinheiro R$ 110.000,00 06/09/2006 – depósito em dinheiro R$ 110.000,00 Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.319 21 03/07/2006 – depósito em cheque R$ 50.000,00 24/07/2006 – depósito em cheque R$ 55.000,00 22/08/2006 – depósito em cheque R$ 80.000,00 30/08/2006 – depósito em cheque R$ 150.000,00 Para os seis depósitos acima, o contribuinte também afirma tratarse de empréstimo obtido de Carlos Roberto Massa, porém os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes para se fazer a correlação entre o lucro recebido por Carlos Roberto Massa e o depósito que se pretende comprovar. Nestes casos os documentos não serão aqui mencionados um a um por tratarse de situação idêntica aqueles anteriormente analisados. Assim, permanecem não comprovadas as origens dos depósitos acima especificados. 10/05/2006 – depósito cc autoat R$ 50.000,00 O contribuinte afirma que a origem de tal crédito é empréstimo tomado de Carlos Roberto Massa e para comprovar sua alegação apresentou documentos, fls. 830/834, dentre os quais consta cópia do livro Razão da pessoa jurídica Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, onde está registrado distribuição de lucro para Carlos Roberto Massa, no valor de R$ 50.000,00, pagos em 10/05/2006 e cópia do extrato bancário da conta da pessoa jurídica indicando na mesma data compensação de cheque do mesmo valor. E mais, há indicação nos autos de que o Banco Central informou que o referido depósito efetuado na conta do contribuinte teve como origem a pessoa jurídica Massa & Massa. Logo, devese considerar comprovada a origem do depósito de R$ 50.000,00. Para os demais depósitos levados à tributação no anocalendário 2006 não foram localizados nos autos documentos comprobatórios, de sorte que permanecem não comprovadas as suas origens. Nesta conformidade, encerrase aqui a apreciação da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, devendose excluir de sua base de cálculos as quantias de R$ 105.000,00, R$ 32.157,16 e R$ 300.000,00, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2006, respectivamente. Por fim, passase análise das alegações do recorrente no que diz respeito à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Em suas Declarações de Ajuste Anual, anoscalendário 2003, 2004 e 2005, o contribuinte fez consignar que teria recebido doações de Carlos Roberto Massa, nos seguintes valores, respectivamente, R$ 250.000,00, R$ 480.000,00 e R$ 1.000.000,00. Entretanto, em razão de fatos verificados durante o procedimento fiscal, a autoridade fiscal entendeu que os valores ditos recebidos por doação corresponderiam na Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.320 22 verdade a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebido da pessoa jurídica Massa & Massa Ltda, da qual Carlos Roberto Massa é sócio. No recurso, o contribuinte se insurge contra a infração afirmando que a conclusão da autoridade fiscal é equivocada e que os argumentos utilizados pela fiscalização são frágeis e que não caracterizam o suposto vínculo empregatício. Vêse, portanto, que a lide gira em torno de se saber se os valores recebidos pelo contribuinte são de fato doações de Carlos Roberto Massa ou se são rendimentos decorrentes de função exercida na pessoa jurídica Massa & Massa Ltda, da qual Carlos Roberto Massa é sócio, sendo certo que o contribuinte em nenhum momento nega ter recebido referidas quantias. Nesse ponto, importa observar a definição de doação, que consta do art. 538 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), que a seguir se transcreve: Art. 538. Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Como se vê, o que caracteriza a doação é a liberalidade, ou seja, o doador transfere bens ou vantagens para outrem sem nada receber em troca, não há, portanto, contraprestação. Ou seja, se a transferência se dá em razão de contraprestação não há que se falar em doação. No presente caso, durante o procedimento fiscal, restaram apurados os seguintes fatos: Relativo aos anoscalendário de 2003 e 2006 o contribuinte não declara qualquer renda tributável. Em 2004 e 2005 declara como renda apenas R$ 7.301,32 e R$ 2.309,17 como recebimento de VGBL. Entretanto, a documentação obtida durante a fiscalização permite concluir que Alberto Luiz de Mattos Sabino trabalha na empresa de propriedade de Carlos Roberto Massa, a M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, pelos seguintes fatos: Verificouse nas fichas proposta de abertura de conta dos bancos, fls. 412 a 415 (repetidas nas fls. 3, 4, 32 e 97 do ANEXO I), que o contribuinte declara trabalhar na empresa M&M Administração e Participações: em 25/07/2001, no cargo de superintendente, fls. 412 e 413; em 12/07/2002, no cargo de administrador, fl. 414; em 09/05/2006, no cargo Nível de Gerência, fl. 415. Em ação fiscal da Receita Federal do Brasil na empresa Massa&Massa Ltda, CNPJ 81.261.364/000127, o contribuinte recebe os documentos em nome da empresa e se declara superintendente do Grupo Massa, fls. 384 a 387. Para fazer a entrega pessoal do Termo de Intimação 13, fl. 369, acompanhado do procurador do contribuinte, fomos ao n° Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.321 23 869, 14° andar, da Rua Mal. Deodoro, Centro, Curitiba, atual endereço da empresa M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, conforme relato da entrega do referido Termo, fl. 370. Em resposta a este Termo, o contribuinte negou possuir vínculo empregatício com a M&M Administração e Participações Ltda, CNPJ 02.836.698/000105, holding do denominado Grupo Massa, ou com qualquer empresa a ela vinculada, fl. 371. Durante esta fiscalização, conforme o relato registrado em termo, fls. 388 a 411, obtivemos, em 22/10/2007, declaração de Patrícia Schulze que trabalhou na M&M de 2002 a 2004 e afirma que o contribuinte era o superintendente da empresa. Pesquisa na Internet, em site de busca, fls. 416 a 422, registram declarações feitas por Alberto Sabino à imprensa onde este aparece como sendo "diretor executivo do Grupo Massa", "presidente do Grupo Massa", "superintendente da Massa&Massa" e "superintendente do Grupo Massa". Na Diligência às fls. 423 e 424, Sara Gabriel Okar, CPF 747.890.58972, afirma ter trabalhado na M&M de 2003 a início de 2005, onde Alberto Sabino era o diretor da holding, onde comparecia diariamente. Na Diligência às fls. 425 e 426, Juliana Tiburcio Barbosa Avanso, CPF 004.436.43938, afirma ter trabalhado na M&M de fevereiro de 2004 a janeiro de 2005, onde Alberto Sabino era o responsável pela empresa e lá comparecia diariamente quando não se encontrava em viagem. Na Diligência às fls. 427 e 428, Elisangela Zuege, CPF 267.211.33865, afirma ter trabalhado na M&M de novembro de 2002 a agosto de 2005, onde Alberto Sabino era tratado como presidente do grupo e que todas os funcionários eram subordinados a este. Como se vê, ao contrário do que afirma a defesa, são vastas e robustas as provas trazidas pela autoridade fiscal para caracterizar que os valores recebidos pelo contribuinte são decorrentes da prestação de serviços, não podendo prevalecer a tese de doação defendida pela defesa. A caracterização da infração não está calcada simplesmente em informações extraídas da internet ou de depoimentos testemunhais. As provas mais contundentes são justamente aquelas produzidas pelo próprio contribuinte, quando afirmou perante às instituições financeiras, onde tem contas bancárias, ser diretor executivo do Grupo Massa, presidente do Grupo Massa e superintendente da Massa & Massa e também quando o contribuinte recebeu autoridade fiscal encarregada de procedimento fiscal contra Massa & Massa Ltda, momento em que afirmou ser o superintendente do Grupo Massa e tomou ciência de Termo de Intimação dirigido à pessoa jurídica Massa & Massa Ltda, apondo sua assinatura no campo próprio do respectivo Termo. Importa também destacar que o contribuinte em suas Declarações de Ajustes Anuais, correspondentes aos exercícios fiscalizados, informa em campo próprio ser dirigente, Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.322 24 presidente e diretor de empresa e, no entanto, não informa rendimentos recebidos da empresa onde é dirigente, presidente ou diretor. A alegação da defesa de que o vínculo empregatício não esteja comprovado nos autos, em nada invalida o lançamento. O cerne da questão é saber se o contribuinte prestou ou não serviço a Massa & Massa Ltda e se omitiu os rendimentos recebidos em razão do desenvolvimento de tal atividade, sendo, para o caso, irrelevante que esta prestação de serviço tenha sido com ou sem vínculo empregatício. Repitase, são fartas nos autos as provas de que o contribuinte presta serviços a Massa & Massa Ltda, sendo inadmissível que esta prestação de serviços seja graciosa. À evidência, estáse diante da delicada matéria da valoração da prova. Na busca da verdade material princípio este norteador do processo administrativo fiscal , o julgador forma seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, concludente por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza manifesta de uma dada situação de fato. É a consagração da chamada prova indiciária, de largo uso no Direito. O julgador administrativo, a exemplo do que ocorre no âmbito do processo judicial penal, não está adstrito a uma préestabelecida hierarquização dos meios de prova, podendo estabelecer sua convicção a partir do cotejo de elementos de variada ordem desde que estejam estes, por óbvio, devidamente juntados ao processo. Na verdade, sem que se enverede pelo caminho de aferir se há ou não no processo uma prova isolada capaz de, por si só, demonstrar que o contribuinte recebe rendimentos decorrentes do trabalho, inquestionável é que a materialidade dos fatos é plenamente alcançada pelo conjunto de elementos juntados aos autos. A conclusão que se impõe, portanto, é a de que os valores recebidos pelo contribuinte são decorrentes da prestação de serviços à pessoa jurídica Massa & Massa Ltda, não podendo prevalecer a tese de doação defendida pela defesa. Nestes termos, devese manter a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e, no mérito DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir de sua base de cálculo as quantias de R$ 105.000,00, R$ 32.157,16 e R$ 300.000,00, nos anos calendário 2003, 2004 e 2006, respectivamente. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.008970/200886 Acórdão n.º 2102002.600 S2C1T2 Fl. 4.323 25 Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10882.002055/2009-76
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
EXTRATOS BANCÁRIOS. DISPONIBILIZAÇÃO ESPONTÂNEA. QUEBRA DE SIGILO. INEXISTÊNCIA.
Não ocorre quebra de sigilo bancário quando o próprio contribuinte, sponte sua, disponibiliza extratos bancários à Fiscalização.
SIGILO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN (Resp nº 1.134.665/SP, julgado pelo STJ sob o rito do art. 543.C do CPC).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. DEDUÇÃO DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. NECESSIDADE.
A escrituração de despesas no Livro-Diário, desacompanhada dos comprovantes respectivos, não é hábil alterar a base de cálculo do imposto de renda decorrente da apuração da infração de omissão de rendimento recebidos de pessoas físicas, mormente quando o livro apresentado não está revestido das formalidades legais.
LIVRO-DIÁRIO. REQUISITOS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS. EXIGÊNCIA.
Um livro irregularmente escriturado, que não preencha algum dos requisitos legais, equivale a um não-livro. O titular de um livro, a que falte requisito intrínseco ou extrínseco, é, para o direito, titular de livro nenhum.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA-CONJUNTA.
Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61).
CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnê-leão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
JUROS DE MORA. COBRANÇA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE.
O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Somente é justificável a diligência quanto à matéria cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revela-se prescindível a diligência que não tenha nenhuma utilidade ou sobre aspecto que poderia ter sido esclarecido pelo contribuinte mediante a juntada de documentos aos autos.
Preliminar Rejeitada
Pedido de Diligência Indeferido
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada" e a aplicação da multa isolada. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 EXTRATOS BANCÁRIOS. DISPONIBILIZAÇÃO ESPONTÂNEA. QUEBRA DE SIGILO. INEXISTÊNCIA. Não ocorre quebra de sigilo bancário quando o próprio contribuinte, sponte sua, disponibiliza extratos bancários à Fiscalização. SIGILO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN (Resp nº 1.134.665/SP, julgado pelo STJ sob o rito do art. 543.C do CPC). OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. DEDUÇÃO DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. NECESSIDADE. A escrituração de despesas no Livro-Diário, desacompanhada dos comprovantes respectivos, não é hábil alterar a base de cálculo do imposto de renda decorrente da apuração da infração de omissão de rendimento recebidos de pessoas físicas, mormente quando o livro apresentado não está revestido das formalidades legais. LIVRO-DIÁRIO. REQUISITOS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS. EXIGÊNCIA. Um livro irregularmente escriturado, que não preencha algum dos requisitos legais, equivale a um não-livro. O titular de um livro, a que falte requisito intrínseco ou extrínseco, é, para o direito, titular de livro nenhum. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA-CONJUNTA. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61). CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnê-leão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA. COBRANÇA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Somente é justificável a diligência quanto à matéria cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revela-se prescindível a diligência que não tenha nenhuma utilidade ou sobre aspecto que poderia ter sido esclarecido pelo contribuinte mediante a juntada de documentos aos autos. Preliminar Rejeitada Pedido de Diligência Indeferido Recurso Voluntário Provido em Parte
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DISPONIBILIZAÇÃO ESPONTÂNEA. QUEBRA DE SIGILO. INEXISTÊNCIA. Não ocorre quebra de sigilo bancário quando o próprio contribuinte, sponte sua, disponibiliza extratos bancários à Fiscalização. SIGILO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN (Resp nº 1.134.665/SP, julgado pelo STJ sob o rito do art. 543.C do CPC). OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. DEDUÇÃO DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. NECESSIDADE. A escrituração de despesas no LivroDiário, desacompanhada dos comprovantes respectivos, não é hábil alterar a base de cálculo do imposto de renda decorrente da apuração da infração de omissão de rendimento recebidos de pessoas físicas, mormente quando o livro apresentado não está revestido das formalidades legais. LIVRODIÁRIO. REQUISITOS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS. EXIGÊNCIA. Um livro irregularmente escriturado, que não preencha algum dos requisitos legais, equivale a um nãolivro. O titular de um livro, a que falte requisito intrínseco ou extrínseco, é, para o direito, titular de livro nenhum. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 20 55 /2 00 9- 76 Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.260 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00 CUJO SOMATÓRIO NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61). CARNÊLEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA. COBRANÇA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Somente é justificável a diligência quanto à matéria cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a diligência que não tenha nenhuma utilidade ou sobre aspecto que poderia ter Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.261 3 sido esclarecido pelo contribuinte mediante a juntada de documentos aos autos. Preliminar Rejeitada Pedido de Diligência Indeferido Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada" e a aplicação da “multa isolada”. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 373.604,27, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, além da multa exigida isoladamente em decorrência da constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2006, os seguintes fatos: Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, sujeitos a carnêleão. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (ões) financeira (s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF devido a título de carnêleão. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.262 4 Consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 731/736 deste processo digital, que: Foram fornecidos pelo contribuinte os seguintes extratos bancários: a) Banco do Brasil agência 06378 conta corrente 11.7366; b) Banco Bradesco – agência 03561 conta corrente 0007773; c) Banco Santander agência 00215 conta corrente 0041862627; d) Banco Nossa Caixa agência 04103 conta corrente 01.2025258; e e) Caixa Econômica Federal CEF agência 0326 conta corrente 381935. Após exclusão dos créditos referentes a resgates de aplicações financeiras, transferências entre contas do mesmo titular e demais operações, que não representaram efetivo ingresso de novos recursos, foi elaborada planilha (fl. 734) com os depósitos efetuados nas contas correntes acima relacionadas, cujo total importou no montante de R$ 1.363.284,17. Regularmente intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, o contribuinte demonstrou que tais valores provinham de ações judiciais trabalhistas e que foram repassados aos Reclamantes, nos processos judiciais em que figura como advogado. Apresentou relações dos clientes, recibos de pagamento e extratos de depósitos em contas correntes, demonstrando que os recursos movimentados eram de propriedade de terceiros. Após análise da documentação apresentada e com base nas informações contidas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao ano calendário de 2005, foram constatadas duas infrações, a saber: a) Omissão de Rendimentos recebidos de pessoas físicas, sujeitos ao carne leão: a documentação comprobatória apresentada demonstra que parte dos valores depositados em contas correntes referese a valores recebidos a título de honorários advocatícios, valores estes que não foram escriturados em Livro Caixa nem declarados na Declaração de Ajuste Anual (Total: R$ 360.687,43). b) Depósitos bancários de origem não comprovada: após colher todos os documentos e elementos necessários para embasar o procedimento fiscal, e considerando os esclarecimentos apresentados, constatouse que não ficou comprovada a origem de parte dos depósitos efetuados nas contas correntes (Total: R$ 184.273,83) Em face das infrações mencionadas, autuouse o contribuinte por omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas provenientes de ações trabalhistas, com aplicação de multa isolada, e por omissão de rendimentos provenientes de valores depositados em contas correntes mantidas em instituições financeiras, cuja origem dos recursos, utilizados nestas operações, não foi comprovada mediante documentação hábil, conforme artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 762/827 deste processo digital, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 858/875, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2005 Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.263 5 SIGILO BANCÁRIO. Não há que se falar em quebra indevida do sigilo bancário, quando o próprio contribuinte traz a fiscalização seus extratos bancários e a fiscalização observou todas as normas pertinentes à matéria de lançamento com base em depósitos bancários não comprovados. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9.430/96, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. É cabível a aplicação da multa isolada, prevista no artigo 44, II, "a" da Lei n° 9.430, de 1996, sob o argumento de não recolhimento do tributo devido a título de carnêleão, previsto no artigo 8º da Lei n° 7.713, de 1988. MULTA DE OFÍCIO. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INAPLICABILIDADE. As multas não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. A taxa Selic é aplicável na atualização dos débitos fiscais não recolhidos integralmente no vencimento da obrigação, incidindo desde esta data, mesmo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha se dado em momento anterior ao vencimento. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.264 6 Por se tratarem de penalidades aplicáveis no cometimento de infrações distintas, justificase a exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada. DECLARAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada quando da interposição da impugnação, precluindo o direito do contribuinte em fazêlo em momento processual diverso. Pedido indeferido. Cientificado da decisão de primeira instância em 17/03/2011 (histórico dos Correios à fl. 878), o Interessado interpôs, em 15/04/2011, o recurso de fls. 891/934. Na peça recursal ratifica os argumentos de fato e de direito expendidos na impugnação e aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL ILEGALIDADE DAS PROVAS INVIOLABILIDADE DO DIREITO À INTIMIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL ILEGALIDADE DAS PROVAS INVIOLABILIDADE DO DIREITO À INTIMIDADE A decisão recorrida está na contra mão das decisões que vêm sendo proferidas pela Suprema Corte. O Supremo Tribunal Federal – STF, apreciando o Recurso Extraordinário nº 389.808PR, concluiu, por maioria de votos, ser inconstitucional a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB quebrar o sigilo bancário de contribuinte, sem prévia autorização judicial. Entende o STF ser inaplicável, por inconstitucionalidade, o disposto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, regulamentado pelo Decreto n.° 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Não houve, por parte da autoridade julgadora de 1ª instância, nenhuma contestação à preliminar invocada pelo Recorrente, uma vez que o voto condutor prolatado pelo Relator não faz qualquer referência a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Não entregou os extratos espontaneamente, mas sim de forma coercitiva e imperativa determinada pela Auditora Fiscal da RFB através do Termo de Início de Ação Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.265 7 Fiscal. Ou seja, a fiscalização exigiu que o Recorrente, submetido ao poder de império da Administração Fiscal, quebrasse o seu próprio sigilo fiscal sem que para isto tivesse a fiscalização a devida autorização do Poder Judiciário. MÉRITO DA ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO COM BASE EXCLUSIVAMENTE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS O Recorrente, em sua impugnação, expôs suas razões de fato e de direito defendendo a ilegalidade na constituição do crédito tributário com base exclusivamente em depósitos bancários sem que a autoridade fiscal demonstrasse que, em decorrência da suposta e presumida renda auferida, tivesse o autuado aumentado significativamente o seu patrimônio pessoal, evidenciando, por sua vez, gastos incompatíveis com os rendimentos auferidos (sinais exteriores de riqueza). Seria possível acolher a pretensão da Fiscalização no sentido de que o Recorrente auferiu, no anocalendário de 2005, renda presumível decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada no montante de R$ 184.273,83 e, nesse período, não tivesse apresentado significativas alterações em sua situação patrimonial? O regime jurídico disciplinado pela Lei n.° 9.430/1996 em nada alterou os fundamentos da legislação pretérita e, em especial, as normas disciplinadoras contidas na Lei n.° 8.021, de 1990. Dai porque ser aplicável a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS AO CARNÊLEÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DE DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E DAS INCONSISTÊNCIAS MATERIAIS. Não é crível supor que um profissional liberal aufira, em decorrência do seu trabalho, o expressivo montante de rendimentos apurados pela Fiscalização sem que, para tal, tivesse no curso do período de apuração, destinado parte destes rendimentos para cobrir despesas inerentes a sua atividade profissional. Determinou que se processasse o levantamento contábil de suas operações bancárias identificando a origem e o destino de cada um dos depósitos efetuados em suas contas e, acima de tudo, as receitas auferidas e custos realizados no curso do anocalendário de 2005, os quais estão devida e detalhadamente descritos nos Anexos II e III. Analisando os demonstrativos contábeis anexados ao recurso, constatase que o Recorrente auferiu rendimentos do exercício da advocacia no montante de R$ 375.292,88, conforme conta 3.1.1.1.01 do Razão Analítico de fls. 96 a 103 do Anexo II. Em contrapartida, realizou despesas no total de 207.942,55, o que demonstra que os rendimentos tributáveis auferidos totalizaram R$ 167.350,33, valor distante do apurado pela Fiscalização. Quanto ao depósito de R$ 15.603,83, efetuado junto a Caixa Econômica Federal CEF em 18 de março de 2005 (fls. 726 dos autos), constatase, pelos documentos de fls. 495/499, que o Recorrente, na qualidade de coproprietário do imóvel ali citado, recebido em doação (conforme escritura pública lavrada no 3º Cartório de Notas de Osasco SP, Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.266 8 celebrada em 25/10/1988, registrada no 3º Registro de Imóveis de Santos na matrícula 1.432, registro nº 3, ficha 1, e representando os demais herdeiros, ou seja, DENISE BARBOSA QUADROS CONSENTINO, DENAMAR BARBOSA QUADROS E DALTON BARBOSA QUADROS), alienouo pelo preço certo e ajustado de R$ 65.000,00, recebendo no ato a quantia de R$ 45.000,00 e o restante de R$ 20.000,00 a serem pagos pelo comprador com recursos advindos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS. O comprador, com os recursos advindos do FGTS, pagou ao Recorrente a quantia de R$ 15.603,83, completando o pagamento dos R$ 20.000,00 restantes em moeda corrente nacional. Ao Recorrente coube somente 25% do valor da venda, ou seja, R$ 16.250,00, repassando para os demais herdeiros a quantia que lhes era devida. No que concerne ao depósito de R$ 10.188.70, efetuado junto a CEF em 18 de março de 2005 (fls. 726 dos autos), o Recorrente reafirma tratarse de depósito oriundo de levantamento de empréstimo compulsório efetuado em nome de GILBERTO SIDNEI DE TOLEDO e outros, cujos repasses foram realizados na razão direta dos direitos de cada um dos beneficiários. A fiscalização considerou como de origem não comprovada o depósito realizado no dia 19 de janeiro de 2005, no Banco do Brasil S.A. (fls. 720 dos autos), no valor de R$ 1.430,50. Verificase no extrato bancário de fls. 143, no entanto, que no dia 19 de janeiro não houve depósito e sim a liberação de depósitos que estavam bloqueados. Estes depósitos foram realizados no dia 17, no valor de R$ 100,00, e no dia 18, no valor de R$ 1.330,50. Tendo em vista que o depósito realizado no dia 17, no valor de R$ 100.00, foi contemplado do demonstrativo de fls. 720 dos autos, é de se concluir que o mesmo foi imputado em duplicidade, devendo, portanto, ser excluído da apuração efetuada pela fiscalização. Foi considerado como de origem não comprovada o depósito realizado no dia 29 de abril de 2005, no Banco do Brasil S.A. (fls. 720 dos autos), no valor de R$ 2.667,00. O referido depósito referese a levantamento de direitos de clientes objeto do Processo nº 0171/04, instaurado em face da empresa Sky Brasil Serviços Ltda (fls. 374 dos autos). Deste depósito, 30% referemse a honorários do Recorrente no montante de R$ 800,10. Desta forma, o referido valor deve ser excluído do demonstrativo de fls. 720 e os honorários recebidos devem ser computados no demonstrativo de fls. 713; A fiscalização considerou como de origem não comprovada o depósito em dinheiro realizado no dia 12 de maio de 2005, no Banco do Brasil S.A. (fls. 720 dos autos), no valor de R$ 265,39. Ocorre que este depósito foi estornado no mesmo dia, conforme atesta o extrato bancário de fls. 148, devendo, portanto, ser excluído do demonstrativo de fls. 720. O depósito de R$ 650,00, realizado no dia 16 de janeiro de 2005, junto ao Banco do Brasil S.A. (fls. 720 dos autos), considerado como de origem não comprovada, referese a direitos do Condomínio Castanheira, decorrente de cobrança instaurada contra condôminos inadimplentes. Sobre o referido valor o Recorrente recebeu honorários equivalentes a 30% do valor depositado, ou seja, 195,00. Desta forma, deve o mesmo ser excluído do Demonstrativo de fls. 720 e os honorários recebidos incluídos no demonstrativo de fls. 713. O Recorrente encaminhou à Fiscalização a “Confissão de Dívida e Acordo de Pagamento” (fls. 385/386), acordando o pagamento das parcelas vencíveis em março, abril, maio, julho e agosto de 2005. O mesmo ocorreu em relação ao depósito de R$ 617,01, realizado em 02 de agosto de 2005. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.267 9 Foi considerado como de origem não comprovada o depósito realizado no dia 25 de outubro de 2005, no Banco do Brasil S.A. (fls. 720 dos autos), no valor de R$ 2.759,11. O referido depósito referese a levantamento de direitos de clientes objeto do Processo nº 2393/93, decorrente de processo instaurado contra a Prefeitura do Município de Osasco (fls. 374 dos autos). Deste depósito, 30% referese a honorários do Recorrente no montante de R$ 827,73. Desta forma o referido valor deve ser excluído do demonstrativo de fls. 720 e os honorários recebidos devem ser computados no demonstrativo de fls. 713. Foi considerado como de origem não comprovada o depósito realizado no dia 11 de novembro de 2005, no Banco do Brasil S.A. (fls. 720 dos autos), no valor de R$ 5.360,46. O referido depósito referese a levantamento de direitos de clientes objeto do Processo n. 1433/01, decorrente de processo instaurado contra a empresa Café Paulista de Assis e Indústria e Comércio (fís. 374 dos autos). Deste depósito, 30% referese a honorários do Recorrente no montante de R$ 1.608,14. Desta forma o referido valor deve ser excluído do demonstrativo de fís. 720 e os honorários recebidos devem ser computados no demonstrativo de fís. 713. O depósito no valor de R$ 450,00, efetuado junto ao Banco Bradesco no dia 10 de janeiro de 2005 (fls. 721 dos autos), foi estornado no dia 11, conforme atesta o extrato de fls. 161 dos autos. Tratase de depósito efetuado em cheque o qual foi devolvido por insuficiência de fundos. Desta forma o referido valor deve ser excluído do demonstrativo de fls. 721. O depósito no valor de R$ 109,18, efetuado junto ao Banco Bradesco no dia 15 de fevereiro de 2005 (fls. 721 dos autos), referese a rendimentos recebidos da PETRÓLEO DO BRASIL S/A PETROBRÁS, conforme atesta o extrato bancário de fís. 167 dos autos, devendo, portanto, ser excluído do demonstrativo de fls. 721. O depósito no valor de R$ 590,59, efetuado junto ao Banco Bradesco no dia 15 de março de 2005 (fls. 721 dos autos), foi estornado no mesmo dia, conforme atesta o extrato bancário de fls. 178, devendo, portanto, ser excluído do demonstrativo de fls. 721. Os depósitos do dia 28 de novembro de 2005, nos montantes de R$ 4.000,00 e R$ 3.000,00, efetuados junto ao Banco Bradesco S.A. (fls. 724 dos autos), referem se a valores recebidos da SKY BRASIL SERVIÇOS LTDA, conforme atesta o extrato de fls. 234 dos autos, cujos valores foram repassados aos clientes do Recorrente. O Recorrente recebeu a título de honorários a quantia de R$ 2.250,00, equivalente a 30% do valor da causa. Desta forma, os referidos valores devem ser excluídos do demonstrativo de fls. 724 e os rendimentos incluídos no demonstrativo de fls. 717. Fez constar no demonstrativo de fls. 727, o depósito de origem não comprovada no valor de R$ 24,46, efetuado junto ao Banco Nossa Caixa, no dia 24 de novembro de 2005. Entretanto, analisando o extrato de fls. 267, verificase que o valor correto do depósito é de R$ 21,46, devendo, portanto, ser excluído do demonstrativo de fls. 727 a quantia de R$ 3,00. Com referencia ao depósito de R$ 3.148,07, efetuado junto ao Banco Nossa Caixa, em 3 de dezembro de 2005 (fls. 727 dos autos), cumpre esclarecer que não foi juntado aos autos o extrato bancário referente ao período 1º a 31 de dezembro de 2005, motivo porque deve o referido valor ser excluído do demonstrativo de fls. 717. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.268 10 DA IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA – CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO O artigo 44 da Lei n. 9.430/1996 referese à imposição de multa no lançamento de ofício, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuições. Esta multa somente é aplicável em procedimento de revisão interna ou de fiscalização no qual se apure a insuficiência no recolhimento de tributos e contribuições por parte do sujeito passivo da obrigação tributária. Com base no dispositivo legal mencionado não há como vislumbrar qualquer hipótese de incidência cumulativa da multa aplicada em lançamento de ofício, prevista no inciso I do art. 44, e da multa aplicada isoladamente de que trata a letra "a" do inciso II do mesmo artigo. JUROS MORATÓRIOS E TAXA SELIC O Recorrente ratifica os fundamentos de fato e de direito expendidos na peça impugnatória, os quais devem ser considerados como parte integrante do presente Recurso. JUROS MORATÓRIOS – SUSPENSÃO DE SUA INCIDÊNCIA E EXIGIBILIDADE NO CURSO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL Foi demonstrado que o disposto no parágrafo único do art. 27 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 67 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, não foi, até a presente data, regulamentado pela RFB, fixandose os prazos para o julgamento dos procedimentos administrativos fiscais. Conforme afirmado na impugnação interposta pelo Recorrente, a fixação dos prazos para o julgamento dos processos não é uma faculdade atribuída pela legislação ao Administrador Público, mas sim um imperativo de ordem legal que a Autoridade Fazendária deixou de dar cumprimento, constituindose em verdadeiro abuso de poder. Neste ponto o Recorrente ratifica seus argumentos de fato e de direito, submetendo a apreciação e julgamento desse Conselho o todo alegado em sua impugnação. DILIGÊNCIA E PERÍCIA Se dúvida houver quanto ao levantamento contábil acostado a este recurso, visando a busca da verdade material que impeça o Relator de declinar, com segurança, o seu voto, o Recorrente requer seja o julgamento convertido em diligência na forma das prescrições contidas no Regimento Interno do CARF, a fim de que seja apurado e esclarecido o que se segue: a) se as operações bancárias que motivaram o procedimento administrativo fiscal estão perfeitamente identificadas no levantamento contábil acostado ao presente recurso; b) se as operações registradas no levantamento contábil acostado ao presente recurso estão respaldadas em documentos hábeis e idôneos; Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.269 11 c) se as receitas registradas no levantamento contábil acostado ao presente recurso estão compatíveis com o levantamento efetuado pela Autoridade fiscal; d) se as despesas registradas no levantamento contábil acostado ao presente recurso são inerentes a atividade exercida pelo Recorrente e se as mesmas foram efetivamente realizadas no curso do AnoCalendário de 2004. Ao final, requer seja reformada a decisão recorrida a fim de que: 1. Seja acolhida a preliminar de quebra do sigilo bancário sem a devida autorização do Poder Judiciário, por serem provas ilegais e violarem o direito a intimidade do Recorrente, declarandose a nulidade da autuação recorrida, matéria esta que não foi objeto do voto prolatado pelo digno JulgadorRelator do Acórdão Recorrido. Alternativamente: 2. Sejam acolhidas, no mérito, todas as razões de fato e de direito expendidas no recurso e se declare a improcedência da imputação da multa isolada concomitantemente com a multa ofício, por estar a autuação fiscal e a decisão recorrida fundada em bases legais inconsistentes e insustentáveis. 3. Se mantido o lançamento, ainda que parcialmente, se afaste a cobrança dos juros moratórios com base na Taxa SELIC. 4. Não incida os juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da protocolização da impugnação até a decisão final deste contencioso na esfera administrativa. Protesta, ainda, pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Por intermédio da Resolução nº 2801000.212, de 14 de maio de 2013 (fls. 1.231/1.242 deste processo digital), o julgamento foi convertido em diligência a fim de que se intimasse o contribuinte a informar se as contas correntes nas instituições financeiras Nossa Caixa, Caixa Econômica Federal e Banco Santander eram individuais ou conjuntas no ano calendário de 2005. Em caso positivo, o contribuinte deveria colacionar aos autos comprovação inequívoca desta condição (de que as contas eram conjuntas no anocalendário de 2005). Após ser intimado, o Interessado apresentou a petição de fls. 1.251/1.252, acompanhada dos documentos de fls. 1.253/1.257. Pedi a inclusão do processo em pauta de julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. PRELIMINAR Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.270 12 Arguição de nulidade da decisão recorrida Alega o Interessado que não houve, por parte da autoridade julgadora de 1ª instância, nenhuma contestação à preliminar invocada pelo Recorrente, uma vez que o voto condutor prolatado pelo Relator não faz qualquer referência à quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Embora não conste no voto as razões pelas quais os julgadores da instância de piso entenderam pela inexistência de quebra de sigilo bancário, tais razões foram explicitadas na ementa do acórdão, de modo que não houve, a meu ver, nenhum prejuízo ao Recorrente que implique em nulidade da decisão recorrida. Confira o excerto da ementa que trata da questão: SIGILO BANCÁRIO Não há que se falar em quebra indevida do sigilo bancário quando o próprio contribuinte traz a fiscalização seus extratos bancários e a fiscalização observou todas as normas pertinentes à matéria de lançamento com base em depósitos bancários não comprovados. Noutros termos: o que importa, para fins de nulidade processual, é se o Interessado não tomou conhecimento dos motivos que ensejaram o afastamento da alegação, hipótese em que restaria configurado o cerceamento do direito de defesa, uma vez que o contribuinte ficaria impossibilitado de se insurgir, nesta sede recursal, contra as razões que repeliram a sua pretensão. E isso, definitivamente, não aconteceu, haja vista que o Recorrente, na peça recursal, se rebela justamente contra as razões expostas na ementa do acórdão, ao afirmar que não entregou os extratos espontaneamente, mas sim de forma coercitiva e imperativa determinada pela Auditora Fiscal da RFB através do Termo de Início de Ação Fiscal. Observo, também, por oportuno, que o fato de os julgadores da instância de piso não terem se manifestado sobre decisões judiciais e administrativas citadas na peça impugnatória na inquina de nulidade a decisão, porquanto o órgão julgador não é obrigado a rebater cada um dos argumentos declinados pelo contribuinte, desde que tenha adotado argumento suficiente para fundamentar a sua decisão. Na espécie, a decisão recorrida entendeu que a entrega voluntária dos extratos bancários não caracteriza quebra de sigilo sem autorização judicial, de modo que não merece acolhimento a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. Quebra sigilo bancário pelo Fisco – Decisões antagônicas no STF e entendimento pacificado no STJ O Interessado reitera no recurso voluntário a alegação de que o Supremo Tribunal Federal – STF, apreciando o Recurso Extraordinário nº 389.808PR, concluiu ser inconstitucional a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB quebrar o sigilo bancário de contribuinte sem prévia autorização judicial, sendo inaplicável, por inconstitucionalidade, o disposto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.271 13 O curioso é que o plenário do STF tomou decisões antagônicas sobre o mesmo assunto em menos de um mês. No dia 24/11/2010, ao julgar a AC 33/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ acórdão Min. Joaquim Barbosa, o Tribunal autorizou que o Fisco quebrasse o sigilo bancário de uma pessoa jurídica de direito privado sem a intervenção do Poder Judiciário. No dia 15/12/2010, ao contrário, no julgamento do RE 389.808/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, o plenário do STF não permitiu a quebra de sigilo bancário diretamente pela autoridade fiscal. Neste último julgamento, decidiuse que somente por meio de decisão judicial é possível quebrar os sigilos bancários e fiscais. O interessante é que na decisão tomada no dia 24/11/2010 o plenário contava com a presença de dez ministros e o resultado do julgamento da AC 33/PR foi de seis votos contra quatro, admitindo a quebra de sigilo fiscal e bancário diretamente pelo Fisco. A decisão tomada no dia 15/12/2010, de sua vez, contou com a presença de nove ministros. Em relação ao julgamento anterior, estava ausente o Ministro Joaquim Barbosa. Nesta última decisão, contrariamente ao que havia sido decidido anteriormente, o Pleno do STF, por cinco votos a quatro, deliberou pela impossibilidade de quebra de sigilo bancário diretamente pelo Fisco, só devendo ocorrer mediante autorização judicial (o Ministro Gilmar Mendes alterou o seu entendimento). Em nenhum dos dois julgamentos a composição plenária estava completa, de modo que não se pode afirmar, com precisão, qual é, atualmente, a posição do STF sobre o tema. A matéria será definida no julgamento das várias ADI ajuizadas no Supremo versando sobre o tema e no julgamento do Recurso Extraordinário 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral (CPC, art. 543B). Por outro lado, a matéria encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.134.665/SP), que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543C do CPC está assim redigida: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.272 14 seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.273 15 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Consequentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.274 16 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, até que o STF decida a questão de forma definitiva, o entendimento do STJ é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62 A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.275 17 Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Para finalizar este capítulo, faço a seguinte reflexão: se a RFB está autorizada a solicitar diretamente às instituições financeiras as informações sobre movimentações bancárias, por força da Lei Complementar 105/2001 e do entendimento do STJ firmado em julgamento submetido ao rito do art.543C do CPC, e a partir daí constituir os créditos tributários porventura existentes, o que dizer então da hipótese em que o próprio contribuinte fornece as informações bancárias ao Fisco! Por óbvio que não se há de cogitar quebra de sigilo bancário nesta situação. MÉRITO Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física sujeitos ao carnêleão A documentação apresentada pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal evidenciou que parte dos valores depositados em suas contas correntes referiase a valores recebidos a título de honorários advocatícios (R$ 360.687,43), que não foram escriturados em LivroCaixa e nem declarados no ajuste anual. Nesta sede recursal o Interessado aduz que não é crível supor que um profissional liberal aufira, em decorrência do seu trabalho, o expressivo montante de rendimentos apurados pela Fiscalização sem que, para tal, tivesse no curso do período de apuração destinado parte destes rendimentos para cobrir despesas inerentes a sua atividade profissional. Em face disso, determinou que se processasse o levantamento contábil de suas operações bancárias identificando a origem e o destino de cada um dos depósitos efetuados em suas contas e as receitas auferidas e custos realizados no curso do anocalendário de 2005, os quais estão descritos nos Anexos II (LivroDiário) e III (LivroRazão), às fls. 938/1093 e 1095/1226, respectivamente. De acordo com os levantamentos contábeis apresentados pelo Recorrente os rendimentos auferidos no exercício da advocacia importaram no montante de R$ 375.292,88 e as despesas realizadas no anocalendário com a mesma atividade totalizaram R$ 207.942,55 (Discriminativo à fl. 911). De conseguinte, o valor a ser tributado seria, em verdade, de R$ 167.350,33. Observo, por primeiro, que os livros contábeis apresentados em sede de recurso voluntário vieram desacompanhados dos documentos pertinentes às operações neles escriturados, o que revela a inobservância ao disposto no parágrafo único do artigo 195 do CTN, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.276 18 efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Pela regra do dispositivo transcrito o dever de conservação dos comprovantes dos lançamentos efetuados nos livros de escrituração comercial e fiscal estendese até a consumação da prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Os livros e os comprovantes compõem os instrumentos materiais necessários, do lado do sujeito passivo, para comprovar o cumprimento de suas obrigações fiscais, e, do lado do Fisco, para que ele, de posse dos documentos, constate a observância dos deveres fiscais a cargo do contribuinte ou verifique eventual infração à lei tributária. Na espécie, embora constem escrituradas nos livros apresentados as supostas despesas inerentes à atividade do Recorrente, não há como acatálas na apuração da base de cálculo do imposto devido, porquanto a escrituração não veio escoltada por documentação hábil e idônea a lastrear os lançamentos contábeis realizados. Poderseia elucubrar que o parágrafo único do art. 195 do CTN menciona “livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal” e que os profissionais liberais não estão obrigados a escriturar os livros diário e razão. Ocorre que se o contribuinte afirmar que não possui os referidos livros, a Fiscalização não poderá exigilos, porquanto não obrigatórios. Todavia, se os livros são exibidos de forma espontânea pelo contribuinte, ainda que no curso do processo administrativo, a validade dos mesmos fica condicionada à apresentação dos documentos pertinentes aos lançamentos neles efetuados. Ressalto, por importante, que o Livro Diário, para produzir os efeitos jurídicos que lhe são próprios deve estar revestido de requisitos de duas ordens: intrínsecos e extrínsecos. Intrínsecos são os requisitos relacionados à técnica contábil (escrituração em idioma e moeda nacionais, ordem cronológica, dentre outros). Extrínsecos são os requisitos relacionados à segurança do livro (termo de abertura e de encerramento e autenticação). No caso concreto, embora os livros apresentados estejam assinados por “técnico de contabilidade”, não contêm nem o termo de abertura e nem o termo de encerramento, tampouco foram autenticados. Nesse cenário, cabe, aqui, a oportuna lição de Fábio Ulhoa Coelho (Manual de Direito Comercial, Saraiva, 14ª edição, p. 50): Um livro irregularmente escriturado, vale dizer, que não preencha qualquer dos requisitos legais, equivale a um não livro. O titular de um livro, a que falte requisito intrínseco ou extrínseco, é, para o direito, titular de livro nenhum. Em resumo: a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, sujeitos ao carnêleão, deve ser mantida integralmente, sem levar em consideração as supostas despesas efetuados pelo Interessado no curso do anocalendário de 2005, por dois motivos: primus, porque os lançamentos de despesas escriturados nos livros apresentados não vieram acompanhados dos comprovantes dos lançamentos neles efetuados; secundus, por que o LivroDiário apresentado não está revestido dos requisitos extrínsecos exigidos pela legislação. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.277 19 Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 6º. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal relativa de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. A regra do § 6º do mesmo artigo, por seu turno, determina que haja a imputação de omissão de rendimentos na proporção do número de titulares de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto por dois ou mais titulares que apresentem declaração em separado, caso não se comprove a origem dos recursos depositados. Em outras palavras: a norma do § 6º do art. 62 da Lei n° 9.430/1996 é imperativa (o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares), não cabendo a Autoridade lançadora afastar a determinação legal com base em premissa que, a meu ver, se mostrou contraditória até mesmo com as infrações apuradas no Auto de Infração, conforme se demonstrará adiante. Para contas bancárias com mais de um titular, portanto, a presunção legal somente se aperfeiçoa com a intimação de todos os contribuintes que cotitularizam as referidas contas. Assim, se a Autoridade lançadora não intima todos os cotitulares das contas de depósito ou de investimento, evidenciase o descumprimento de um requisito essencial ao aperfeiçoamento da presunção legal. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 29, cujo teor assim soa: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. A Autoridade lançadora explicitou, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 731/736), que “o contribuinte informou que os valores a crédito constantes nos extratos Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.278 20 bancários, juntados no presente processo fiscal, são pertinentes a depósitos exclusivos de processos trabalhistas, em que figurou como patrono”, para concluir que “embora a conta corrente seja conjunta, restou evidenciado que a totalidade dos depósitos e créditos pertencem somente ao fiscalizado” (fl. 733). O juízo a que chegou a Autoridade fiscal, nesse ponto, revela verdadeira incoerência com as infrações constatadas, haja vista que, se todos os valores depositados decorressem de depósitos de processos trabalhistas em que o Recorrente figurou como patrono, descaberia a autuação por “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada”, restringindose a autuação à infração “de omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, sujeitos a carnêleão”. Mas não foi o que aconteceu. Os valores depositados nas contas correntes, recebidos a título de honorários advocatícios, foram tributados “como omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício”, mas a parte dos valores depositados, cuja origem não foi identificada, foi tributada como “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada”, justamente porque, em relação a esta última, entendeuse que os valores não decorriam da atuação do Interessado em processos trabalhistas, evidenciando, assim, a contradição mencionada. Anteriormente à diligência fiscal determinada por esta Turma de julgamento, já se verificava que duas das cinco contas correntes em que foram constatados recursos de origem não comprovada eram titularizadas por Danilo Barbosa Quadros, ora Recorrente, e Regina Célia Cardoso Quadros: a contacorrente 11.7366, agência 06378, no Banco do Brasil (cópia dos cheques às fls. 304, 318 e 320) e contacorrente 0007773, agência 35610, no Bradesco (cópia dos cheques às fls. 310, 312 e 314). A declaração de ajuste anual referente ao exercício 2006, acostada aos autos em fls. 710/713, evidencia que a cônjuge do Recorrente, Regina Célia Cardoso Quadros, recebeu rendimentos tributáveis e apresentou declaração em separado, de modo que os valores depositados nas referidas contas devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento, uma vez que não houve a intimação da cotitular na fase que precedeu a autuação. Observo, ainda, que o “Demonstrativo dos Recursos Depositados nas Instituições Financeiras e não Comprovados – Resumo Mensal do Ano de 2005” (fl. 722 deste processo digital) aponta o valor de R$ 184.273,83 como depósitos de origem não comprovada e que a soma dos depósitos efetuados no Banco do Brasil (R$ 40.866,29) e no Bradesco (R$ 83.023,70), cujas contas são titularizadas por mais de um titular, totalizam o valor de R$ 123.889,99. O montante de recursos cuja origem não foi comprovada, como dito, foi de R$ 184.273,83. Descontandose os valores não comprovados das contas conjuntas do Banco do Brasil e do Bradesco (R$ 123.889,99), em face da ausência de intimação da cotitular, o montante de depósitos de origem não comprovada resulta em R$ 60.383,84. Significa dizer que os depósitos efetuados nas demais instituições financeiras, iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, independentemente de as contas serem ou não conjuntas, deverão ser excluídos da base de cálculo do lançamento, a teor do que dispõe o art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, redação dada pela Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e da Súmula CARF nº 61 deste Conselho, assim descritos: Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.279 21 Lei nº 9.430/1996 Art. 42. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Lei nº 9.481/1997 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. O “Demonstrativo dos Recursos Depositados nas Instituições Financeiras e não Comprovados – Resumo Mensal do Ano de 2005” (fl. 722) revela que todos os depósitos com origem não comprovada efetuados nas instituições financeiras “Nossa Caixa” e “Santander” são inferiores a R$ 12.000,00. De conseguinte, também devem ser excluídos da base de cálculo da infração de “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada” os valores de R$ 8.258,48 (Nossa Caixa) e R$ 19.214,19 (Santander), ainda que as declarações apresentadas pelo Interessado, por força da diligência proposta por este Relator, não certifiquem, de forma incontroversa, a cotitularidade das contas em que verificados os depósitos (declaração relativa à “Nossa Caixa”, à fl. 1.253, não aponta o número da conta e a declaração do “Santander”, à fl. 1.255, aponta número de conta diverso conta 010000979 daquela assinalada pela Fiscalização conta 41862627). No que se refere à instituição financeira Caixa Econômica Federal CEF, apenas um depósito com origem não comprovada superou o valor de R$ 12.000,00, conforme “Descrição dos Recursos Depositados”, à fl. 729 deste processo digital (depósito no valor de R$ 15.603,83). Observo, no entanto, por oportuno, que em relação à conta corrente da CEF (conta nº 38.1935, agência nº 0326, extratos às fls. 270/279) o Recorrente comprovou na diligência, de forma inequívoca (documento de fls. 1.257), que a cônjuge era segunda titular desde 03/12/1981, de modo que, por força da ausência de intimação da cotitular, os valores de Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.280 22 origem não comprovada depositados na CEF também devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento. Em resumo: a infração de “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada” deve ser cancelada integralmente, porquanto, em relação às contas do Banco do Brasil, Bradesco e CEF, que eram conjuntas, não houve a intimação da cotitular, e, em relação às contas da Nossa Caixa e do Santander, embora não fossem conjuntas, os depósitos nelas efetuados eram inferiores a R$ 12.000,00 e o montante total não ultrapassava R$ 80.000,00. Concomitância de multa isolada e multa de ofício O Recorrente se insurge contra a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinadas condutas, tornase importante investigar se a penalidade prevista para punir uma delas pode absorver a outra. No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnêleão pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetividade da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnê leão. Em se tratando de aplicação de penalidades, aplicase, aqui, a lógica do princípio penal da consunção. Pelo critério da consunção, ao se violar uma pluralidade de normas, passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave. Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Cobrase apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido. Acrescento que a cobrança da multa isolada referente aos rendimentos sujeitos ao carnêleão, concomitantemente com a multa de ofício de 75%, penaliza o contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas. A jurisprudência deste Conselho é pacífica em relação a não imputação de dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Nesse sentido, oportuna é a transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 22 de março de 2012, por intermédio do qual se negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.281 23 “O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela”. Na mesma linha: Acórdão nº 9202001.976 da CSRF. Em resumo: a denominada "multa isolada" do art. 44, II, “a” da Lei nº 9.430/1996 apenas deve ser aplicada aos casos em que não possa ser a multa exigida em conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento concomitante das multas de ofício e isolada. Juros de mora – Percentual e incidência no curso do processo administrativo fiscal Relativamente aos juros de mora exigidos, é de se observar a Súmula CARF n° 4, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à incidência dos juros no curso do contencioso fiscal, pretende o Interessado a suspensão no período compreendido entre a data da protocolização da impugnação até o final do presente processo administrativo. Anoto, no entanto, que em direito tributário os efeitos da mora são automáticos (mora ex re), não sendo necessário ao credor tomar qualquer providência para constituir em mora o devedor. A conclusão decorre da disposição expressa contida no caput do art. 161 do CTN, assim descrito: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. Registro, por oportuno, que o legislador não deixou desamparado o bom contribuinte que tem dúvida quanto à existência de seu dever de pagar determinado tributo. Para esta situação, existe previsão expressa no § 2º do art. 161 do CTN facultando ao sujeito Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.282 24 passivo formular consulta à Autoridade Fiscal, desde que, por óbvio, seja dúvida relativa à interpretação da legislação tributária. Se o fizer no prazo legal de pagamento, livrase dos juros de mora previstos no caput do mesmo artigo enquanto a consulta não for respondida. Confira: Art. 161. (...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Assim, não merece acolhida a pretensão do Recorrente de afastar os juros de mora no período entre a impugnação da exigência e o término do processo administrativo fiscal. Pedido de diligência Somente é justificável a diligência quanto à matéria cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a diligência que não tenha nenhuma utilidade ou sobre aspecto que poderia ter sido esclarecido pelo contribuinte mediante a juntada de documentos aos autos. Assim, não tem nenhuma utilidade a diligência que vise elucidar algum ponto relacionado à infração de “omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada” e à aplicação da “multa isolada”, porquanto, pelo menos do ponto de vista deste Relator, tais infrações devem ser canceladas. Quanto à infração de “omissão de rendimentos recebidos de pessoa física”, o Recorrente pleiteia a diligência para verificar se as operações registradas nos levantamentos contábeis acostados ao recurso estão respaldadas em documentos hábeis e idôneos. No que se refere às receitas auferidas foi o próprio Interessado que as revelou no curso do procedimento fiscal e quanto às despesas escrituradas o Recorrente não se desincumbiu de colacionar aos autos os comprovantes dos lançamentos efetuados nos levantamentos contábeis. Demais disso, o LivroDiário apresentado não está revestido dos requisitos extrínsecos exigidos pela legislação. Nesse contexto, sou pelo indeferimento do pedido de conversão do julgamento em diligência. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por indeferir o pedido de diligência, por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada” e a aplicação da “multa isolada”. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.002055/200976 Acórdão n.º 2801003.544 S2TE01 Fl. 1.283 25 Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10530.003419/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
LEVANTAMENTO RUR. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIDO.
Havendo legislação impeditiva à análise da matéria formulada na peça recursal, não se conhece do apelo voluntário.
FATO GERADOR. PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO.MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LEVANTAMENTO RUR. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIDO. Havendo legislação impeditiva à análise da matéria formulada na peça recursal, não se conhece do apelo voluntário. FATO GERADOR. PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO.MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Recurso Voluntário Negado.
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COMERCIALIZAÇÃO PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA Recorrente CAMPELO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LEVANTAMENTO “RUR”. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIDO. Havendo legislação impeditiva à análise da matéria formulada na peça recursal, não se conhece do apelo voluntário. FATO GERADOR. PRODUÇÃO RURAL PESSOA FÍSICA. SUB ROGAÇÃO.MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 34 19 /2 00 8- 44 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10530.003419/200844 Acórdão n.º 2402004.079 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, para as competências 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 24/28) informa que os valores apurados decorrem dos seguintes levantamentos: 1. levantamento “RUR” à objeto da ação judicial mandamental n° 1999.33.00.00703441, com decisão liminar deferida pelo Juiz Federal da 4a Vara da Seção Judiciária da Bahia, determinando a abstenção de qualquer ato tendente à cobrança da contribuição social denominada Funrural. A decisão judicial acolhe o pedido, concedendo a segurança, para declarar, incidentalmente, a inconstitucionalidade formal das partes da Medida Provisória no 1.523/96 (e suas reedições) e da Lei 9.528/97, que modificaram a redação dos incisos III e IV do art. 30 da Lei 8.212/1991, esclarecendo “que continua a impetrante obrigada a recolher a contribuição em tela sobre as aquisições feitas diretamente junto a produtores rurais”. A decisão declara a inconstitucionalidade da expressão “ou com intermediário pessoa física”, acrescentada ao inciso IV do art. 30 da Lei 8.212/1991; 2. levantamento “RU1” à tratase de aquisição de lenha para caldeira, comercializada por pessoa física produtor rural. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/09/2008 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 196/200), alegando, em síntese, que: 1. houve a suspensão da exigibilidade do crédito; 2. na operação de compra existem comerciantes (intermediários) das peles entre o produtor rural e o sujeito passivo, arguindo a inconstitucionalidade da exação sobre a operação em que há intermediação de não produtor rural; 3. no Auto de Infração (AI) deveria constar a referência expressa à prevenção à decadência e que ao caso se aplica o disposto no art. 63 da Lei 9.430/1996, e alega, em síntese, que adquire a quase totalidade da matéria prima principal (couro e peles de cabras e carneiros) de comerciante pessoa física não produtor e que essas mercadorias são adquiridas sob a emissão de Nota Fiscal avulsa. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão 1527.875 da 5a Turma da DRJ/SDR (fls. 213/215) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, nos seguintes termos: “[...] Por todo o exposto, voto pelo não conhecimento parcial da impugnação quanto ao mérito do levantamento intitulado "RUR"; pela procedência parcial da impugnação para julgar, para o levantamento intitulado "RUR", indevida a incidência da multa de ofício ou multa moratória, esta última até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição, se assim ocorrer; e pela manutenção integral dos lançamentos correspondentes ao levantamento intitulado "RU1". [...]” A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10530.003419/200844 Acórdão n.º 2402004.079 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse e a legitimidade para tanto. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, sendo constituído por meio do levantamento “RUR” (relativo à aquisição de couro em que há a alegação de intermediação de pessoa física não produtor rural), alcançado por decisão judicial, e do levantamento “RU1”, relativo à aquisição de madeira. Com relação ao levantamento “RU1”, a Recorrente não aduziu matéria de fato, nem qualquer questão jurídica, capaz de alterar o lançamento, a teor do artigo 145 do CTN. Com isso, ela continua obrigada a recolher a contribuição sobre as aquisições feitas diretamente junto a produtores rurais na forma ressalvada pela decisão judicial. Com relação ao levantamento “RUR”, constatase que o conteúdo delineado na peça recursal está pautado exclusivamente no fato de que a Recorrente adquire a produção rural (couro) de pessoa física não produtor rural (chamado de comerciante intermediário), matéria esta submetida a apreciação do Poder Judiciário (Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441, com decisão liminar deferida pelo Juiz Federal da 4a Vara da Seção Judiciária da Bahia). Observase, então, que, antes da lavratura do presente lançamento fiscal, a empresa havia ingressado com ação judicial (Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441), alegando a inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, para os casos em que ocorresse a intermediação de pessoa física não produtor rural. Assim, considerando a discussão judicial acerca da inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária, apurada no levantamento “RUR”, entendese que este Conselho Administrativo não analisará as questões discutidas em Juízo (âmbito judicial). Tal procedimento está em consonância com o art. 126, § 3o, da Lei 8.213/1991, abaixo transcrito: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) (...) Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (g.n.) Nesse sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ainda dentro desse contexto da ação judicial, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute, especificamente o levantamento “RUR”, e a matéria referente à ação judicial (Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441), submetido ao recurso de apelação para o TRF1a Região, uma vez que essa última matéria – inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural – sendo favorável à Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários. Portanto, com relação à matéria referente ao pleito da ação judicial, Mandado de Segurança 1999.33.00.00703441, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise, neste momento, por esta Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva da ação judicial, que foi submetida ao TRF1a Região por meio da interposição do recurso de apelação. Dessa forma, faremos análise apenas das matérias não submetidas ao processamento e análise do Poder Judiciário e, por consectário lógico, não será apreciada a matéria concernente à inconstitucionalidade da contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, oriunda, segundo a Recorrente, da intermediação de pessoa física não produtor rural. A Recorrente alega que não deveria haver a aplicação de multa, a teor do art. 151, inciso IV, do CTN. Neste particular, comungo do mesmo entendimento delineado pela primeira instância, nos seguintes termos (fls. 216): “[...] Nos termos do Acórdão n° 1527.875 – 5a Turma da DRJ/SDR, de 27 de julho de 2011, foi julgado para o levantamento intitulado "RUR" indevida a incidência da multa de ofício ou multa moratória, esta última até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição, se assim ocorrer, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mantendo integralmente os lançamentos correspondentes ao levantamento intitulado "RU1". Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10530.003419/200844 Acórdão n.º 2402004.079 S2C4T2 Fl. 5 7 A devida aplicação da multa ou seu cancelamento, se a decisão judicial transitada em julgado considerar, respectivamente, devida ou indevida a contribuição, só será integralmente possível na Unidade Local em fase de cobrança com a solução da lide judicial, razão pela qual se fez necessário o registro de decisão de procedência dos lançamentos e a execução do Acórdão. [...]” No que tange às questões postuladas na peça recursal de que a contribuição social previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, seria uma nova exação instituída sem a observância dos requisitos previstos na Constituição Federal, uma vez que: (i) foi instituída por Medida Provisória, a qual convertida em Lei Ordinária; (ii) é cumulativa, porque não prevê nenhum mecanismo de compensação da contribuição paga ou que deveria ser paga na etapa anterior da circulação; (iii) corresponde ao fato gerador e a base de cálculo de outro imposto previsto na Constituição, o ICMS. Cumpre esclarecer que tais questões dizem respeito à inconstitucionalidade do tributo, e o afastamento da aplicação da Legislação, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Com relação ao levantamento “RUR”, deixo consignado que deverá haver a suspensão dos efeitos deste Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderá ser levado a efeito quando transitado em julgado o Mandado de Segurança de número 1999.33.00.00703441 (4a Vara da Seção Judiciária da Bahia, Tribunal Regional Federal da 1a Região). Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 12898.002341/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - PARCELA A CARGO DOS SEGURADOS - ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA - IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES
Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara os fatos geradores descritos no lançamento, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos geradores lançados.
Meras alegações não se prestam a desconstituir o lançamento, fundamentados em registros contábeis apurados nos livros dos recorrentes verificados durante o procedimento fiscal. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.312
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Meras alegações não se prestam a desconstituir o lançamento, fundamentados em registros contábeis apurados nos livros dos recorrentes verificados durante o procedimento fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.002341/200998 Acórdão n.º 2401003.312 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente AI de obrigação principal, lavrado sob o n. 37.222.0894, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada em época própria, face a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais (levantamento W1), que lhe prestaram serviços no período de 01/2005 a 10/2005. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 63 e seguintes, Os valores dessas remunerações foram obtidos através do livro diário n° 8, registrado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJA, sob o n° 1756/2006, em 26/09/2006, conta n° 3.2.1.03.010 Serviços Profissionais Pessoa Física e do livro diário n° 9, registrado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJA, sob o n° 1757/2006, cm 26/09/2006, conta n° 6048000 Projeto Xuxinha, conta n° 6049000 Projeto Maurício de Souza c de folhas de pagamento com os valores mensais pagos ou creditados pelo sujeito passivo aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços c enconlramsc discriminados no Relatório dc Lançamento RL, em anexo a este Auto de Infração, através do código de Lançamento W l Folha de Pagamento. Anexamos, como prova as cópias das folhas n° 0 1 , 80, 8 1 , 82, 146, 147, 150, 284, 285, 351, 352, 353 e 410 do l i v ro diário n° 8 e das folhas n° 0 1 , 48, 72, 100 e 195 do l i v ro diário n° 9 e das folhas de pagamento, por amostragem.Em anexo planilha (anexo 1) com a relação nominal dos contribuintes individuais, com as respectivas remunerações mensais c as contribuições que não foram retidas c recolhidas pela empresa à Seguridade Social. Destacase, ainda no referido relatório a aplicação da multa mais benéfica de acordo com o disciplinado na lei 11.941/2009. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 22/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/12/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 97 a 100, onde alegou: Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 132. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2005 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL – ARRECADAÇÃO O Art. 4 a da Lei 10.666/03 obriga a empresa a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração e a recolher juntamente com a contribuição a seu cargo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO . FATO EXTINTIVO ÔNUS DA PROVA. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A alteração do crédito tributário constituído deve se basear em fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 140 a 143, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: 1. As diferenças apuradas decorrem exclusivamente da inobservância, por parte do Auditor fiscal, do seu dever de ofício de busca da verdade material, ao se basear em valor diverso do escriturado pela impugnante em seu l i v ro diário, bem como nas folhas de pagamento; 2. As folhas de pagamento que haviam sido extraviadas j á estão à disposição do Fisco de forma a viabilizar a verificação do correto recolhimento 3. Por se tratar de um espaço dominado pelo princípio da legalidade, tendente à proteção da esfera privada dos arbítrios do poder, a investigação dos fatos no processo administrativo fiscal está submetida a um princípio inquisitório e a sua valoração a um princípio da verdade material. 4. Colaciona doutrina e menciona que as decisões administrativas devem sempre observar para com o seu encargo de prova e dever de investigação (sic); 5. Solicita o provimento do recurso de forma a anular integralmente o presente AI. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.002341/200998 Acórdão n.º 2401003.312 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Considerando a inexistência nos autos do AR com a ciência do recorrente, nem mesmo o carimbo da postagem, para que se determinasse a ciência após 15 dias da postagem, passo a análise do recurso considerando que a DRFB encaminhou o mesmo, sem qualquer indicação acerca da intempestividade. DO MÉRITO No mérito, foram trazidos os mesmos argumentos da impugnação, ou seja, o recorrente alega que ocorreu o efetivo recolhimento , e que as folhas de pagamento para comprovar suas alegações encontramse à disposição da fiscalização. Ora, ao recorrente dáse o direito de insurgirse contra o lançamento fiscal, colacionando alegações que demonstrem a fragilidade do mesmo, mas desde que, para tanto, demonstre de forma cabal suas alegações. Simplesmente alegar, ou mesmo dizer que as folhas de pagamento extraviadas à época da fiscalização, encontramse à disposição, de forma alguma, determina a procedência de suas alegações. Durante o procedimento o contribuinte é intimado a apresentar os documentos que determinam a sua regularidade em relação as contribuições previdenciárias dos segurados pessoas físicas contratados para lhe prestar serviços. Aliás esse fato já foi suficientemente esclarecido pela autoridade julgadora, conforme trecho da decisão abaixo transcrita. 10. Segundo as regras processuais que disciplinam a distribuição do ônus da prova, a demonstração dos fatos extintivos, impeditivos e modificativos incumbe a quem os alega, portanto, à impugnante. estabelece: 11. Sobre o tema, o artigo 16, inciso I I I , do Decreto n° 70.235/72, assim Art.16" A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993); 12. No mesmo sentido, há mandamento expresso na Lei 9.784/99, quanto ao ônus probatório, conforme segue: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 13. Há mandamento semelhante no Código de Processo C i v i l , o qual, em seu artigo 333, impõe ao sujeito passivo o ônus da prova dos fatos extintivos, impeditivos ou modificativos por ele alegados, nos seguintes termos: "Art. 333. O ônus da prova incumbe:(...) II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor" 14. É o que se depreende também da doutrina de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez, in "Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado", Dialética, 2002, p. 207: "A palavra ônus, do latim ónus, significa carga, peso, encargo, obrigação. Quando se indaga a quem cabe o ônus da prova, quer se saber a quem cabe a obrigação de prover os elementos probatórios suficientes para formação do convencimento do julgador. No processo administrativo fiscal federal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o interessado aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes "(grifamos). 15. Segundo Alberto Xavier, i n " D o Lançamento: Teoria Geral do A t o , do Procedimento e do Processo Tributário, p. 337, "compete indiscutivelmente ao autor a prova dos fatos constitutivos do direito alegado, isto é, do direito à anulação, e, portanto, a prova dos fatos que se traduzem em vícios do lançamento impugnado ". leciona que 16. Por fim, Luis Eduardo Schoueri, i n "Processo Administrativo Fiscal", "também no direito tributário prevalece as regras do ônus objetivo da prova, que excetuados os casos em que a lei dispuser diferentemente impõem caber o dever de provar o alegado à parte em favor de quem a norma corre. (Grifos nossos) Conclusão 17. Por f i m , o lançamento cumpriu todos os seus requisitos, a partir do momento em que o fato gerador foi claramente demonstrado, a base de cálculo quantificada, a fundamentação legal elencada, as alíquotas definidas e o período discriminado. Assim, nego provimento à Impugnação, e manifestome pela procedência do lançamento. Bastanos uma simples leitura do relatório fiscal, fl. 63 e seus anexos, para que se perceba, que auditor desincumbiuse de identificar claramente não apenas o fato gerador como toda a legislação que fundamenta o lançamento, inclusive, anexando planilhas com os fatos geradores individualizados extraídos dos próprios livros contáveis do recorrente. Ou seja, facil seria ao recorrente realizar a conferência dos valores ora lançados com aqueles Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.002341/200998 Acórdão n.º 2401003.312 S2C4T1 Fl. 5 7 efetivamente recolhidos, e indicando durante a fase impugnatória, ou mesmo na recursal (caso, os documentos fossem encontrados a destempo)). A indicação dos fatos geradores apurados durante o procedimento fiscal, realmente é da competência da autoridade fiscal, que tem o dever de efetuar o lançamento de forma clara, permitindo o exercício da ampla defesa e do contraditório, porém a partir do momento que não são apresentados documentos que comprovem o recolhimento sobre todos os fatos geradores apurados durante o procedimento fiscal, deve a recorrene, de posse dos relatórios constantes do presente documento, providenciar uma defesa específica em relação a cada fato gerador, o que não identifico no presente recurso. Notese, por fim, que o recorrente nem mesmo questiona a contribuição devida, qual seja contribuição dos segurados contribuintes individuais não retida em época própria. Dessa forma, a decisão que manteve a integralidade do lançamento não merece qualquer reparo, considerando que meras alegações do recorrente, sem ter o mesmo colacionado qualquer prova contundente da veracidade das mesmas, não torna indevido o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 18/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10880.001021/00-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr.,Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Hélio Araújo e Guilherme Pollastri.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr.,Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Hélio Araújo e Guilherme Pollastri. Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1626.127 da 10ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1997 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .0 01 02 1/ 00 -1 1 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.001021/0011 Resolução nº 1302000.304 S1C3T2 Fl. 477 2 O imposto de renda retido na fonte (IRRF) somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se (i) o contribuinte apresentar comprovante d retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora e (ii) se os rendimentos correspondentes tiverem sido incluídos na declaração. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É de ser indeferido o pedido de perícia quando a prova que se pretende formular é de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo, inclusive no tocante a sua produção e guarda. As diligências e perícias devem se limitar ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal, nem para produzir provas as quais o autuado tinha o dever de trazer A. colação junto com a peça impugnatória. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob a responsabilidade da contribuinte, não implicam a necessidade de realização de diligência/perícia com o objetivo de produzir essas provas. VERDADE MATERIAL. Do Principio da Verdade Material, ao qual se sujeita o contencioso administrativo fiscal, não decorre obrigação ao julgador de aceitar todo e qualquer pedido de formação probatória. 0 mandamento apenas anula as amarras da verdade formal, que impede a apreciação de provas que não estejam nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 20/08/2010 (cf. AR a fls. 379) e interpôs recurso voluntário em 17/09/2010 (doc. a fls. 398 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: quanto aos fatos: a.1) que, tendo apurado saldo negativo do referido imposto no exercício de 1998, anocalendário 1997, e visando a reaver os valores recolhidos indevidamente, pleiteou a sua devolução, valendose do disposto na Instrução Normativa n.° 21/1997, utilizandose, para isso, do formulário "Pedido de Restituição" devidamente preenchido e protocolado, o qual originou o presente Procedimento Administrativo; a.2) que foi proferida a decisão ora recorrida que houve por bem reconhecer parcialmente o direito da Recorrente de restituir os valores pretendidos, homologando, ato contínuo, compensações efetuadas até o montante deferido; a.3) que inconformada, com o não acolhi en pedido em sua totalidade, a Recorrente apresentou nova Manifestação Inconformidade, a qual foi julgada improcedente, dando en interposição do presente recurso voluntário pelas razões d fato direito a seguir expostas. b) quanto ao pedido de perícia: b.1) que a D. Autoridade Julgadora houve por bem indeferir o pedido de perícia formulado pela Recorrente; Fl. 477DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.001021/0011 Resolução nº 1302000.304 S1C3T2 Fl. 478 3 b.2) que ao contrário do propugnando pela D. Autoridade Fiscal a Recorrente busca, através da perícia requerida, atestar a correção dos valores pretendidos em restituição, com base nos livros de apuração, nas Declarações de Imposto de Renda e demais documentos contábeis trazidos aos autos; b.3) que a D. Autoridade Fiscal, inobstante aos documentos acostados aos autos do presente procedimento administrativo, deixou de reconhecer parte do crédito pleiteado Recorrente, razão pela qual fez e se faz necessária a realização do pedido de perícia solicitado; b.4) que a pois, ser indispensável ao presente caso a realização de perícia, nos termos em que requeridos por ocasião da Manifestação de InconfOrmidade. Digase, outrossim, que perpetrar tal conduta poderia ferir o principio da moralidade administrativa insculpido no artigo 37, da Carta Magna; c) quanto ao mérito: c.1) que a a Recorrente protocolou o presente Pedido de Restituição buscando reaver os valores relativos ao Imposto de Renda, recolhidos indevidamente em virtude da apuração de saldo negativo do imposto, crédito este objeto de pedido de compensação com débito de terceiros, conforme já explicitado; c.2) que a decisão ora recorrida indeferiu a manifestação apresentada, em síntese, por entender que "(...) o imposto de renda retido na fonte (IRRF) somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se (i) o contribuinte apresentar comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora e (ii) se os rendimentos correspondentes tiverem sido incluídos na declaração. (...)"; c.3) que a D. Autoridade Julgadora afirma que as retenções de IR "(...) somente podem ser abatidas do imposto devido se os rendimentos correspondentes foremoferecidos à tributação (...)"; c.4) que, como se pode verificar na DIPJ/1997 (anocalendário 1996), especificamente na ficha 6, linha 6, a receita decorrente dos Juros sobre Capital Próprio — JCP, foram declarados no montante de R$ 20.079.558,00 (Doc. 02), sendo, assim, evidente que tais valores foram devidamente declarados e oferecidos tributação; c.5) que se aplicarmos a essa receita a alíquota correspondente ao IRRF devido sobre JCP, qual seja, 15%, encontramos o valor de R$ 3.011.933,70, correspondente ao somatório dos DARFs acostados aos autos pela Recorrente; c.6) que que a própria D. Autoridade Julgadora reconhece que o somatório dos DARFs de recolhimento de IRRF, monta R$ 3.011.933,70; c.7) a D. Autoridade Julgadora afirma que "(...) a soma dos valores dos três DARF (R$ 3.011.933,70) difere do valor alegado pela manifestante como sendo saldo de IRRF(R$ 2.953.669,41)"; c.8) que do total de R$ 3.011.933,70, a Recorrente apenas compensou no ano de 1997, o montante de R$ 2.953.669,41; Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.001021/0011 Resolução nº 1302000.304 S1C3T2 Fl. 479 4 c.9) que não existe qualquer diferença entre os valores alegados pela Recorrente, posto que restou comprovado que a existência de um montante de IRRF de JCP acumulado no ano de 1996 de R$ 3.011.933,70, sendo que desse montante apenas R$ 2.953.669,41, foi compensado em 1997, como se pode verificar da Ficha 09, linha 11, nos meses de outubro e novembro da DIPJ/1998 (Doc. 03); c.10) que a Recorrente, em atendimento à intimação emanada pela Fiscalização procedeu a juntada dos comprovantes de arrecadação do IRRF, nos valores de R$ 1.649.746,08; R$ 537.187,62 e R$ 825.000,00, incidente sobre a receita oriunda do recebimento de juros sobre o capital próprio — código 5706 (Doc. 04); c.11) que que no "Resumo de Beneficiários PJ", acostados pela Fiscalização aos autos do presente Procedimento Administrativo às fls. 154/158, o montante de R$ 1.400.100,00, também são relativos a recolhimentos efetuados sobre a receita oriunda do recebimento de juros sobre o capital próprio — código 5706 (Doc. 05), no ano de 1997; c.12) que se pode verificar na DIPJ/1998 (anocalendário 1997), especificamente na ficha 6, linha 6, a receita decorrente dos Juros sobre Capital Próprio — JCP, foram declarados no montante de R$ 9.333.997,38 (Doc. 06), sendo, assim, evidente que tais valores foram devidamente declarados e oferecidos à tributação; c.13) que se aplicarmos a essa receita alíquota correspondente ao IRRF devido sobre JCP, qual seja, 15%, encontramos o valor de R$ 1.400.100,00, correspondente ao somatório dos DARFs acima mencionados (vide documento 05); c.14) que os juros sobre o capital próprio foram pagos pelas empresas Citibank Leasing S/A Arrendamento Mercantil — CNPJ/MF, n.° 34.112.128/000169; Citibank Corretora de Seguros S/A — CNPJ/MF n.° 63.058.648/000139 e Citifinancial Promotora de Negócios & Cobrança Ltda. — CNPJ/MF n.° 31.918.584/000102, em que 99,99% do capital pertence a Recorrente, consoante se observa da Ficha 14, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, exercícios de1996 e 1997 (Doc. 07); c.15) que os valores pagos a titulo de JCP, foram devidamente oferecidos à tributação, razão pela qual não haveria óbice ao abatimento de tais quantias; c.16) que o valor de que R$ 2.953.669,41, (originários R$ 2.499.710,05), foi suprimido do crédito pleiteado pela Recorrente nos autos do Procedimento Administrativo n.° 10880.001022/0083, conforme se pode comprovar da decisão proferida naqueles autos (Doc. 08), sendo certo que a Recorrente optou por não recorrer da aludida decisão; c.17) que a D. Autoridade Fiscal no bojo da decisão acima mencionada reconhece que o montante de R$ 2.499.710,05, foi retido e oferecido a tributação, como se verifica do excerto a seguir reproduzido: "(...) Verificações procedidas no Sistema IRF/Consulta (fls. 149 a 154) e DIRPJ/1997 (fls. 147 e 148) demonstram que tal valor foi efetivamente retido no decorrer do anocalendário de 1996 e que as receitas correspondentes foram oferecidas tributação. Sendo assim, o valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996 é de R$ 23.624.747,87, valor esse que foi objeto de compensação parcial no valor de R$ 2.499.710,05, sem formalização de Pedido de Compensação por parte do contribuinte (...)". Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.001021/0011 Resolução nº 1302000.304 S1C3T2 Fl. 480 5 c.18) que o montante de R$ 344.837,62, referente as estimativas de IRRF do anocalendário de 1997, apontados na Ficha 09, linha 06, nos meses de outubro e novembro da DIPJ/1998, foi utilizado nas antecipações do próprio ano de 1997, razão pela qual tal valor está embutido no montante de R$3.298.507,03, apontado na ficha 08, linha 17, da mesma declaração (Doc. 09); c.19) que padece de fundamento a alegação da d. Autoridade Fiscal de que "(...) embora a contribuinte tenha declarado na DIPJ do anocalendário de 1997 o valor de R$ 3.298.507,03 como imposto de renda mensal por estimativa (linha 17 da DIPJ, fls. 150), não houve saldo de imposto de renda a pagar em nenhum mês de 1997, conforme a empresa declarou na DIPJ (fls. 151 — 153), razão pela qual não procede sua alegação de que o valor em questão teria sido utilizado para pagamento de estimativa. (...)"; c.20) que se verifica da Ficha 09, nos meses de outubro e novembro da DIPJ/1998, a Recorrente efetuou o recolhimento do IR com base na receita bruta, razão pela qual os valores ali apontados foram computados nos pagamentos realizados. É o relatório. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 385, razão pela qual dele conheço. O Despacho Decisório, a fls. 161, terminou sendo confirmado pela Acórdão recorrido, o qual assim decidiu: O pleiteado saldo negativo do IRPJ verificado no ano calendário de 1997 decorre das retenções na fonte do IR sofridas pela requerente (R$ 15.152.070,21) e das estimativas do IR (R$ 3.298.507,03) haja vista a inexistência de imposto de renda, conforme demonstrado em declaração na Ficha 08 da DIPJ/98 à fl. 150, resultando no saldo negativo de R$ 18.450.577,24 cuja restituição é pleiteada. Entretanto, verificações procedidas no decorrer desse exame contestam essas informações. Assim, o total de imposto de renda retido na fonte declarado em DIRF pelas fontes pagadoras em função da interessada em epigrafe é de R$ 14.704.707,82 (fls. 154/156) devendo, portanto, esse montante ser considerado na composição do saldo negativo do IRPJ em análise. Por outro lado, as estimativas totais de R$ 3.298.507,03 incluídas pela interessada na linha 17 da Ficha 08 não correspondem à realidade. De suas próprias informações constantes da Ficha 09 (fls. 151/153) se constata que em nenhum mês do ano calendário de 1997 restou saldo do IR a pagar, motivo pelo qual nenhum recolhimento a esse titulo foi efetuado de acordo com pesquisa ao SINAL08 à fl. 157. Em decorrência, para efeito do cálculo do saldo negativo do IRPJ, esse item deve ser "zerado". Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.001021/0011 Resolução nº 1302000.304 S1C3T2 Fl. 481 6 ... DEFIRO PARCIALMENTE o pedido de restituição de fl. 01 e, em consequência, RECONHEÇO o direito creditório contra a Fazenda Nacional de FNC COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 34.061.077/000193, no valor de R$ 14.704.707,82 (quatorze milhões, setecentos e quatro mil, setecentos e sete reais, oitenta e dois centavos), conforme relato constante do Despacho Decisório retro, acrescidos os juros equivalentes à taxa SEL1C, de acordo com legislação em vigor e, HOMOLOGO a compensação declarada no presente processo até o limite desse valor.”. Embora, o Despacho Decisório afirme que em nenhum mês do ano calendário de 1997 restou saldo do IRPJ – Estimativa a pagar, verificase, na Ficha 09 da cópia da Declaração juntada pela recorrente ( a fls. 449 e 460), que houve IRPJ – Estimativa em outubro e novembro de 1997, os quais foram compensados/deduzidos pelos seguites valores: PA Nov/1997 (R$) Out/1997 (R$) IRPJ – Estimativa 2.519,623,00 778.884,03 () IRRF 31.304,40 313.533,22 () SNIRPJ períodos anteriores 2.448.818,60 465.350,81 Saldo de IR a pagar 39.500,00 nihil A recorrente, ainda que de maneira obscura, alega que o SNIRPJ de períodos anteriores compensados com o IRPJ – estimativa de outubro e novembro de 1997 teria como origem o SNIRPJ AC 1996 e cita trecho do Despacho Decisório proferido nos autos do PAF 10880.001022/0083, cuja cópia consta a fls. 466 destes autos. Ocorre que, apenas pelo teor do referido despacho decisório, não se pode ter certeza que a origem do SNIRPJ compensado em 1997 seja realmente o SNIRPJ AC 1996. O despacho decisório afirma que houve compensação de R$ 2.499.710,05, sem formalização de Pedido de Compensação, razão pela qual, embora estivesse reconhecendo todo o direito creditório da recorrente, havia que deduzir o valor já compensado. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora: a) informe se houve compensação, em DCTF ou na escrita contábil, do IRPJ – estimativa de outubro e novembro de 1997 com o SNIRPJ AC 1996; b) junte, aos autos, o inteiro teor da DIRPJ/98 (AC 97) da recorrente e apense, a estes autos, ainda que por cópia, o PAF 10880.001022/0083. Após cumprida a diligência, seja dada ciência à recorrente do relatório de diligência, concedendolhe prazo para falar nos autos. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10640.907792/2009-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2008
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3403-003.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2008 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 77 92 /2 00 9- 18 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação DCOMP transmitida em 21/01/2009 (fls. 107 a 111)1 objetivando utilizar crédito de COFINS, no valor de R$ 54.505,48 (DARF no total de R$ 1.688.112,46), recolhido indevidamente em 19/09/2008, para compensar com débitos da Contribuição para o PIS/PASEP relativos a dezembro de 2008. No Despacho Decisório Eletrônico de fl. 5, proferido em 07/10/2009, a compensação não é homologada tendo em vista que o pagamento efetuado teria sido utilizado para quitação de outros débitos da empresa. Cientificada do teor do Despacho Decisório, a recorrente apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 4, informando, em síntese, que não foi efetuada retificação da DCTF relativa ao mês de agosto de 2008, o que provavelmente motivou a não homologação. Acrescenta que procedeu à retificação em 12/11/2009, fazendo constar no campo “débito apurado” o valor correto (R$ 1.633.606,97 ao invés de R$ 1.688.112,46, resultando na diferença de R$ 54.505,48, equivalente ao crédito pleiteado), anexando Cópia do DARF recolhido, cópias das DACON original e retificadora e cópias das DCTF original e retificadora. A decisão de primeira instância, proferida em 25/05/2011 (fls. 114 a 116), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, porque ao tempo da transmissão da DCOMP o crédito não estava disponível para compensação, tendo a DCTF retificadora sido apresentada somente após proferido o despacho decisório correspondente. Ao final do voto, afirma ainda o julgador que o contribuinte não trouxe prova aos autos de que pudesse ter havido erro de fato, justificando a correção. Cientificada da decisão em 04/08/2011 (AR à fl. 119), a recorrente apresenta Recurso Voluntário (fls. 121 a 133), em 05/09/2011, reiterando que houve equívoco no preenchimento da DCTF, posteriormente corrigido. E que o que houve foi somente um descumprimento de obrigação acessória, que não ocasionou prejuízo algum ao Erário. Em 14/02/2012 (fls. 159 a 161), esta turma unanimemente converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução no 3403000.307 (sob relatoria da Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, que não mais faz parte do colegiado), para que a unidade local verificasse a existência do crédito decorrente do pagamento a maior, diante da sinalização consistente derivada dos documentos apresentados pela recorrente. No Relatório de Diligência Fiscal (fls. 172 a 174), lavrado em 28/08/2012, a partir de registros contábeis do livro Diário de 2008, plano de contas e demonstrativos explicativos, além de DACON e DCTF, verificouse que: (a) as diferenças se referem a créditos de COFINS sobre encargos de uso da rede elétrica, vinculados à energia comercializada na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE); (b) tais encargos foram lançados na conta de resultado (gastos operacionais) denominada “Encargos de Serviços de Sistema”; (c) o contribuinte alegou que para os meses 04, 05, 07, 08, 09 e 11 de 2008, calculou e recolheu COFINS a maior por ter desconsiderado tais créditos (CCEE), somente tendo contatado o erro em dezembro de 2008; (d) a empresa era integrante da CCEE e optante pelo regime especial de tributação estabelecido na Lei no 10.848/2004 (art. 5o, § 4o) c/c Lei no 10.637/2002 (art. 47), regime que afasta a aplicação às receitas resultantes das operações, das normas que estabelecem a incidência em regime de apuração nãocumulativa da COFINS (devendo ser aplicado o regime cumulativo às receitas em discussão, com alíquota de 3%, por 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 261DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10640.907792/200918 Acórdão n.º 3403003.036 S3C4T3 Fl. 261 3 força do art. 10, X da Lei no 10.833/2003); (e) a empresa deve eleger um método, aplicado consistentemente durante todo o anocalendário, de acordo com o art. 3o, §§ 7o, 8o e 9o da Lei no 10.833/2003; (f) a contribuinte optou pelo método do rateio proporcional, mas utilizouo equivocadamente, aplicando aos custos, despesas e encargos totais a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês, enquanto a legislação preceitua que apenas sobre os custos, despesas e encargos comuns pode ser aplicada tal relação percentual; e (g) em suma, os resultados positivos oriundos da venda de energia elétrica na CCEE são tributados pelo regime cumulativo, e não ensejam aproveitamento de créditos. Cientificada do Relatório em 11/10/2012 (cf. documento de fl. 196), a empresa apresenta em 12/11/2012 (fls. 200 a 204) manifestação no sentido de que: (a) os créditos são oriundos de “encargos de serviço do sistema” (ESS), que objetivam “recuperar os custos incorridos, pelos agentes geradores, das Restrições de Operação e da Prestação de Serviços Ancilares”; (b) o direito da empresa “encontrase respaldado no art. 3o da Lei no 10.637/2002, especialmente em seus incisos I e II e nas IN/SRF no 247/2002 e 404/2004”, e já foi reconhecido pela COSIT na Solução de Consulta no 27/2008 (efetuada pela Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica – ABRADEE – fls. 214 a 265); e (c) o que estabeleceu o regime especial foi o afastamento da aplicação do regime não cumulativo para o resultado das operações de compra e venda de energia elétrica efetuadas no âmbito da CCEE, o que não se aplica no presente caso, pois o ESS é um insumo na atividade de prestação de serviços de distribuição de energia elétrica, aplicandose a ele o regime da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Impendese inicialmente esclarecer que na data da transmissão da compensação, com os documentos à época apresentados, realmente não existia saldo a compensar, pois o valor pago era exatamente o declarado em DCTF e DACON. Após o indeferimento eletrônico da compensação pela inexistência de crédito é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, retificandoa, mas ainda sem explicação detalhada do que motivou a retificação, o que leva o julgador a quo a indeferir a manifestação de inconformidade, entendendo que as retificações são posteriores à análise do pedido e que não são acompanhadas de documentos que as amparem/justifiquem. Diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes Fl. 262DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar que cometeu um erro, sem especificar a origem de tal erro, em argumentação ao desamparo de documentos justificativos (ou com amparo documental deficiente). É o que ocorre no presente processo. E é em sede de recurso voluntário que se compreende que a análise humana efetuada pela DRJ é diferente daquela efetuada massivamente por máquinas no despacho decisório, sendo necessários à análise humana os documentos justificativos, e não a simples retificação da DCTF (que, se efetuada anteriormente ao despacho decisório, seria suficiente para a máquina). É inegável que incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Disso decorrem três possibilidades na apreciação da manifestação de inconformidade: (a) efetuada a prova, cabível a compensação; (b) não se atestando na manifestação de inconformidade um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim; (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (endossandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). E a DRJ verificou, diante dos elementos apresentados pela empresa à época, a situação descrita acima como “b”. Diferente foi o entendimento desta turma, que chegou à situação “c”, demandando diligência. E é em sede de diligência que aparece pela primeira vez de forma explícita o que seria o erro cometido pela empresa, não detalhado nem na manifestação de inconformidade nem no recurso voluntário: o pagamento a maior de COFINS se devia a créditos não aproveitados nos meses de abril, maior, julho, agosto, setembro e novembro de 2008, referentes a “Encargos de Serviço no Sistema” (conta “Encargos de Uso da Rede Elétrica”, no 615.05.1.5.4.2, cf. detalhado em planilha da contribuinte, anexa ao Relatório de Diligência). Daí para diante parece que existe, à margem de tudo o que já se havia discutido no processo, dois novos contenciosos: um suscitado pelo fisco, relativo à metodologia de rateio entre os regimes cumulativo/não cumulativo e outro levantado pela recorrente, sobre a possibilidade ou não de crédito em relação a “Encargos de Serviço no Sistema”. A autoridade diligenciante, assim, acolhe os valores constantes das retificações, mas sustenta que não são ensejadores de créditos, tendo em vista que a recorrente era optante pelo regime especial de que trata a Lei no 10.848/2004 (art. 5o, § 4o), combinada com a Lei no 10.637/2002 (art. 47). O primeiro comando legal assevera que se aplicam às pessoas jurídicas integrantes da CCEE o disposto no segundo, que estabelece: “Art. 47. A pessoa jurídica integrante do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE), instituído pela Lei no 10.433, de 24 de abril de 2002, poderá optar por regime especial de tributação, relativamente à contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). § 1o A opção pelo regime especial referido no caput: I será exercida mediante simples comunicado, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; Fl. 263DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10640.907792/200918 Acórdão n.º 3403003.036 S3C4T3 Fl. 262 5 II produzirá efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir do mês subseqüente ao do exercício da opção. § 2o Para os fins do regime especial referido no caput, considerase receita bruta auferida nas operações de compra e venda de energia elétrica realizadas na forma da regulamentação de que trata o art. 14 da Lei no 9.648, de 27 de maio de 1998, com a redação dada pela Lei no 10.433, de 24 de abril de 2002, para efeitos de incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os resultados positivos apurados mensalmente pela pessoa jurídica optante. § 3o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica optante poderá deduzir os valores devidos, correspondentes a ajustes de contabilizações encerradas de operações de compra e venda de energia elétrica, realizadas no âmbito do MAE, quando decorrentes de: I decisão proferida em processo de solução de conflitos, no âmbito do MAE, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ou em processo de arbitragem, na forma prevista no § 3o do art. 2o da Lei no 10.433, de 24 de abril de 2002; II resolução da Aneel; III decisão proferida no âmbito do Poder Judiciário, transitada em julgado; e IV (VETADO) § 4o A dedução de que trata o § 3o é permitida somente na hipótese em que o ajuste de contabilização caracterize anulação de receita sujeita à incidência do PIS/Pasep e da Cofins, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 5o Sem prejuízo do disposto nos §§ 3o e 4o, geradoras de energia elétrica optantes poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor da receita auferida com a venda compulsória de energia elétrica por meio do Mecanismo de Realocação de Energia, de que trata a alínea b do parágrafo único do art. 14 da Lei no 9.648, de 27 de maio de 1998, introduzida pela Lei no 10.433, de 24 de abril de 2002. § 6o Aplicamse ao regime especial de que trata este artigo as demais normas aplicáveis às contribuições referidas no caput, observado o que se segue: I – em relação ao PIS/Pasep, não se aplica o disposto nos arts. 1o a 6o; II em relação aos fatos geradores ocorridos até 31 de agosto de 2002, o pagamento dos valores devidos correspondentes à Cofins e ao PIS/Pasep poderá ser feito com dispensa de multa e de juros moratórios, desde que efetuado em parcela única, até o último dia útil do mês de setembro de 2002. § 7o (VETADO)” (grifo nosso) Fl. 264DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 Até aí não se vê na opção nenhuma vedação ao direito creditório. A vedação estaria explícita apenas no art. 10, X da Lei no 10.833/2003, para as recitas submetidas ao regime especial de tributação: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) X as receitas submetidas ao regime especial de tributação previsto no art. 47 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002;” (grifo nosso) Há que se analisar, assim, se as receitas em discussão foram submetidas ao regime especial de tributação previsto no art. 47 da Lei no 10.637/2002. Em relação a tal tópico, informa a autoridade responsável pela diligência que a empresa optou, dentro do contexto do art. 3o, §§ 7o, 8o e 9o da Lei no 10.833/2003, pelo método do rateio proporcional: “§ 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.”(grifo nosso) Informa ainda a autoridade fiscal que o rateio foi incorreto, visto que aplicado aos custos, despesas e encargos totais a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês, enquanto a legislação preceitua que apenas sobre os custos, despesas e encargos comuns pode ser aplicada tal relação percentual. Contudo, ao observar a manifestação da recorrente sobre o Relatório de Diligência, parece que o tema controverso é outro: sequer se discute o método de rateio, ou a utilização de custos, despesas e encargos totais ou comuns. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10640.907792/200918 Acórdão n.º 3403003.036 S3C4T3 Fl. 263 7 A recorrente fulcra sua manifestação na tese de que há direito a crédito em relação aos “encargos de serviço do sistema” (ESS), que objetivam “recuperar os custos incorridos, pelos agentes geradores, das Restrições de Operação e da Prestação de Serviços Ancilares”, e que tal direito encontra amparo normativo (art. 3o, I e II da Lei no 10.637/2002, e IN/SRF no 247/2002 e 404/2004) e jurisprudencial, além de estar expresso em Solução de Consulta efetuada por órgão de classe ABRADEE. E entende que o regime especial afasta a não cumulatividade somente para o resultado das operações de compra e venda de energia elétrica efetuadas no âmbito da CCEE (e não ao ESS, insumo na atividade de distribuição). A Solução de Consulta apresentada pela recorrente faz amplo estudo histórico/jurídico das atividades relacionadas à atividade de distribuição de energia elétrica, abarcando o “encargo de serviço do sistema” em tópico específico (itens 98 e 99), concluindo que: “(...) No caso do Encargo do Serviço do Sistema, seu pagamento garante, em qualquer caso, que haverá energia para ser fornecida na quantidade e qualidade necessárias. Esta garantia vem dos investimentos feitos pelas geradoras na manutenção da qualidade e estabilidade do sistema, cujos benefícios são usufruídos pelas distribuidoras. O pagamento deste encargo é um investimento realizado indiretamente pelas distribuidoras nas geradoras para garantir a geração adequada da energia a ser adquirida, e o montante desse encargo está incluso no custo de aquisição da energia. Então, se configura mais um componente indissociável do valor de aquisição da energia elétrica, conferindo também o direito da apuração dos créditos não cumulativos.” (grifo nosso) A Solução de Consulta, aqui tomada não como vinculante (pela ausência de comprovação de que a recorrente é representada pela ABRADEE, e pela resposta negativa em busca efetuada no sítio da Associação, que reúne 41 concessionárias, entre as quais não se localizou a “ENERGISA/MG”), mas somente para agregar argumento considerado relevante (pela profundidade da análise), é no sentido de que geram direito a crédito de COFINS para as distribuidoras de energia elétrica na nãocumulatividade os “Encargos de Serviços do Sistema” – ESS (item 156, I, “d”). Acordamos com o posicionamento exarado na consulta para o tema. Contudo, temos que regressar ao presente processo, no qual se está diante tanto da cumulatividade quanto da não cumulatividade. E a empresa, sobre o erro apontado em sede de diligência, em relação ao rateio de custos, despesas e encargos (comuns / totais), limitase a dizer que decorre de confusão do auditor fiscal, que fica clara quando se verifica a Solução de Consulta. No entanto, a Solução de Consulta versa tãosomente sobre a não cumulatividade. Assim, por mais que se esteja acolhendo a possibilidade de os ESS gerarem créditos, persistiria a incorreção no rateio, apontada em sede de diligência, e não refutada especificamente pela recorrente. É de se recordar que o que se está analisando no presente processo é um pleito de crédito, incumbindo o ônus probatório à empresa postulante. A empresa não havia Fl. 266DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 efetivamente comprovado seu direito creditório nem na manifestação de inconformidade nem no recurso voluntário. Com a realização da diligência, na qual de fato foi feita a primeira análise detalhada do direito creditório (vejase que até então sequer se sabia qual era a causa específica das retificações efetuadas), constatouse erro no rateio proporcional. E tal erro não foi objeto de refutação na nova manifestação, concentrandose a recorrente em defender (no que nos convenceu) que os ESS geram créditos na não cumulatividade. Vejase que restou não confrontada a incorreta metodologia adotada para o rateio, o que torna ilíquido o crédito da recorrente. Não se desincumbe, assim, a recorrente, de seu dever probatório, inicialmente por sequer revelar qual seria a motivação das retificações efetuadas, e, posteriormente, ao não justificálas especificamente, no que se refere ao critério de cálculo/rateio. Persiste, assim, ilíquido o direito creditório, em franca revelação de deficiência probatória por parte da recorrente, que persegue toda a duração deste processo administrativo, impossibilitando a compensação, a teor do caput do art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) Assim, em face da iliquidez e da dúvida que ainda permeia o direito creditório da recorrente, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 267DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 19311.720393/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RETENÇÃO 11% - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA -. NÃO CONFIGURADA
Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mão-de-obra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91
A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-003.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 93 /2 01 1- 57 Fl. 968DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à retenção de 11% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços. Conforme Relatório Fiscal, a autuada foi contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e deixou de reter e recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto dos serviços, em desacordo com o que estabelece o art. 31 da Lei 8.212/91. Segundo a fiscalização, a autuada, na condição de tomadora dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema estrutural da ÁREA 3, no município de São Paulo, prestado pelo CONSÓRCIO PLUS. A autoridade lançadora traz o histórico da legislação municipal que trata do transporte público da cidade de São Paulo para tentar demonstrar que as empresas que prestaram os serviços deixaram de ser permissionárias, passando a efetiva condição de contratadas, com a remuneração fixada em função do custo do serviço prestado, considerando a frota de veículos, equipamentos, mãodeobra e instalações alocados à disposição do sistema. Informa que a operadora deixa de ser remunerada diretamente pela apropriação da tarifa paga pelo usuário, sendo que a arrecadação tarifária centralizada pela contratante é a principal fonte de recursos para o pagamento das empresas contratadas, modelo estabelecido por lei e que ficou conhecido como “municipalização do sistema de transporte”. Esclarece que os contratados têm obrigação de colocar permanentemente à disposição do usuário os serviços especificados pela contratante, nos horários, percursos e demais critérios operacionais, conforme cláusulas contratuais “Das Obrigações da Contratada”, e que a tomadora do serviço determina estritamente todas as condições para sua adequada execução, especificando o percurso e os horários dos ônibus, bem como a quantidade e a qualidade dos recursos (materiais e humanos) a serem disponibilizados pela cedente. A seguir, discorre sobre contratos e como o serviço era prestado, trazendo a legislação correlata sobre a matéria e reafirma o entendimento de que incide retenção de 11% sobre os serviços de operação de transportes de passageiros, pois prestados mediante cessão de mãodeobra, nos termos da Lei 8.212/1991. Conclui que, em que pese as concessionárias prestadoras de serviços de transporte coletivo urbano de passageiros na cidade de São Paulo terem deixado de destacar os valores das retenções, a Secretaria Municipal de Transportes, contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra é a responsável pelo recolhimento das importâncias que deixou de reter, por expressa determinação legal. Defende ainda que o lançamento deva ser feito em face da tomadora do serviço, com fundamento no art. 31, caput e § 1º e art. 33, § 5º da Lei 8.212/91, ficando a prestadora de serviços solidariamente responsável pelo débito, nos termos dos arts. 124, I e II e Fl. 969DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 2301003.991 S2C3T1 Fl. 967 3 128 do CTN, bem como art. 71 da Lei 8.666/93, pois entende que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota, uma vez que a lei não excluiu a responsabilidade do contribuinte nesses casos em que não há retenção pelo tomador, nem destaque na nota, permanecendo ambos (tomador e prestador) responsáveis pelo recolhimento das contribuições devidas, também com fulcro no artigo 128 do CTN. A autoridade lançadora esclarece, ainda, que foi feito um comparativo entre as multas vigentes antes e depois da MP 449/2008, e aplicada a mais benéfica ao contribuinte para os fatos geradores anteriores a 04/12/2008, conforme o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inciso II, “c”, do CTN, ou seja, aplicouse a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, nas competências de 02/2007 a 11/2008, haja vista ter se demonstrado mais benéfica ao contribuinte, e a multa de 75% da legislação vigente na competência 12/2008. O Município de São Paulo apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, que não há notícia de que a auditoria tenha averiguado se as concessionárias recolheram ou não as contribuições cuja ausência de retenção é objeto do auto de infração impugnado. No mérito, defende que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãodeobra e, por isso, ausente a ocorrência do fato gerador relativo ao tributo cobrado no AI em tela. O Consórcio Plus que, no entendimento da fiscalização, é responsável solidário pelo débito, também apresentou defesa, por sua empresa líder Vip Transportes Urbano Ltda, alegando, em síntese, que o débito relativo à retenção de 11% é restrito ao tomador de serviços, e consiste em obrigação acessória que somente diz respeito ao mesmo, não podendo ser comungada com o prestador. Sustenta que a contribuição devida e instituída pelo art. 31, da lei 8.212/91, não pode ser considerada como devida também pelo prestador de serviços na qualidade de solidário, enfatizando que o referido dispositivo legal não criou novo tributo, mas apenas uma forma de antecipação de recolhimento da contribuição, de forma que o tomador de serviços é o responsável único pelo recolhimento que deixou de fazer ao não proceder a retenção. A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05039.633, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 867), julgou a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário e recorrendo dessa decisão a este Conselho de Contribuintes. Entenderam os julgadores de primeira instância que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra. Cientificadas da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, a autuada e a responsável solidária não se manifestaram. É o relatório. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. A 6a Turma da DRJ/CPS recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou procedente as impugnações apresentadas e que exonerou o débito lançado contra o MUNICÍPIO DE SÃO PAULO e outros. Entenderam os julgadores de primeira instância, assim como a autuada, que não houve cessão de mão de obra nos serviços prestados. Já a fiscalização entende que o serviço de transporte coletivo público de passageiros do Município de São Paulo foi realizado com cessão de mão de obra. Impõe, portanto, verificar a modalidade com que os serviços públicos de transporte de passageiros do município foram prestados. A fiscalização alega que o Município tomou serviços com cessão de mãode obra das empresas que compõem o Consórcio Plus e, nessa condição, está diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros, fundamentando a autuação no art. 31, da Lei 8.212/91. A autuada se defende do débito argumentando que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãode obra e, sim, uma concessão de prestação de serviços públicos, e que a prestação de serviços/terceirização não se confunde com a concessão/permissão De fato, a Administração Pública pode recorrer à colaboração de terceiros para melhor cumprir suas atividades e realizar suas funções. Contudo, há que se distinguir terceirização na Administração Pública, das chamadas concessões e permissões de serviços públicos. A terceirização é o instituto pelo qual a Administração busca a parceria com o setor privado para a realização de suas atividades. Tudo aquilo que não é objetivo institucional do órgão público pode ser transferido para terceiros. A Lei nº 8.666/93 define “serviços” como a atividade destinada a obter determina utilidade de interesse para a Administração (art. 6º, II). Portanto, o serviço objeto de terceirização é uma tarefa prestada pelo particular (contratado), imediatamente à Administração, para apoio ao exercício de suas atribuições. Ou seja, o Órgão Público contrata uma empresa de limpeza, para manutenção de suas instalações, ou de segurança, para guardar suas repartições, ou mesmo de construção Fl. 971DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 2301003.991 S2C3T1 Fl. 968 5 civil, para reformas e obras em suas edificações, ou mesmo de transporte de passageiros, para transportar seus funcionários. Assim, a Administração estaria terceirizando suas atividadesmeio. O objetivo da terceirização restringese ao repasse a empresas privadas especializadas de determinadas atividadesmeio ou atividades executivas e bucrocráticas de apoio (serviços administrativos), realizadas no âmbito interno da Administração Pública, a fim de que o ente ou órgão público possa se empenhar nas suas competências finalísticas dispostas em lei. Já as atividades fins são voltadas diretamente aos administrados, e sua prestação é obrigatória pelo Estado, que o fará como serviço público, sob regime de direito público. Constatase que, cada vez mais, prestações de serviços públicos vêm sendo repassadas para a iniciativa privada, por meio dos institutos da concessão e da permissão, formas de descentralização de serviços por colaboração. Da mesma forma, a Administração vem enxugando seus quadros e dinamizando a execução de suas atividades através da contratação de terceiros, vale dizer, por meio da terceirização. No entanto, a diferença é que, na terceirização, a Administração Pública apenas transfere a execução material de determinadas atividades, ao passo que as concessionárias e permissionárias de serviços públicos também recebem a gestão operacional. O art. 175 da CF/88, estabelece que Art. 175 "Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos". Segundo Maria Sylvia Di Pietro (2005, p. 239): A concessão tem por objeto um serviço público; não uma determinada atividade ligada ao serviço público, mas todo o complexo de atividades indispensáveis à realização de um específico serviço público, envolvendo a gestão e a execução material. [...] A Administração transfere o serviço em seu todo, estabelecendo as condições em que quer que ele seja desempenhado; a concessionária é que vai ter a alternativa de terceirizar ou não determinadas atividades materiais ligadas ao objeto da concessão. A locação de serviços tem por objeto determinada atividade que não é atribuída ao Estado como serviço público e que ele exerce apenas em caráter acessório ou complementar da atividadefim, que é o serviço público." Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 703): [...] Nos simples contratos de prestação de serviço, o prestador do serviço é simples executor material para o Poder Público contratante. Daí que não lhe são transferidos poderes públicos. Persiste sempre o Poder Público como o sujeito diretamente relacionado com os usuários e, de conseguinte, como responsável direto pelos serviços. O usuário não entretém relação jurídica alguma com o contratadoexecutor material, mas com a entidade pública à qual o serviço está afeto. Por isto, quem cobra pelo serviço prestado – e o faz para si próprio – é o Poder Público. O contratado não é remunerado por tarifas, mas pelo valor avençado com o contratante governamental. Em suma: o serviço continua a ser prestado diretamente pela entidade pública a que está afeto, a qual apenas se serve de um agente material. Já na concessão, tal como se passa igualmente na permissão – e em contraste com o que ocorre nos meros contratos administrativos de prestação de serviços, ainda que públicos –, o Fl. 972DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 concedente se retira do encargo de prestar diretamente o serviço e transfere para o concessionário a qualidade, o título jurídico, de prestador do serviço ao usuário, isto é, o de pessoa interposta entre o Poder Público e a coletividade. A Locação de Serviços é regida pela Lei 8.666/93, e a Concessão/Permissão de Serviços Públicos pela Lei Federal 8.987/95. Na Terceirização não há a transferência da gestão do Serviço Público ao Privado. É só uma modalidade de execução No caso dos presentes autos, verificase que o Município firmou um contrato de concessão de um serviço público, o de transporte coletivo. E, entendo que não restou demonstrada, nos autos, a cessão de mãodeobra nos serviços prestados pela concessionária Consórcio Plus. O conceito legal de cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. Por colocação à disposição da empresa contratante entendese a cessão do trabalhador, em caráter nãoeventual, respeitados os limites do contrato. Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. Da análise dos contratos firmados entre a Prefeitura do Município de São Paulo e o Consórcio Plus, constatase que não houve contratação de serviços de mero fornecimento de mão de obra, mas sim uma concessão de execução do serviço de transporte coletivo de passageiros. Verificase que o Consórcio Plus assumiu a prestação de serviços públicos como um todo, diretamente ao usuário. E a fiscalização não demonstrou, nos autos, que houve cessão de mão de obra à Prefeitura nos serviços prestados. Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Assim entendo que a fiscalização não demonstrou que o serviço público de transporte de passageiros prestado pelo Consórcio Plus se enquadra na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção se realizados mediante cessão de mãodeobra. A atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142: Fl. 973DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 2301003.991 S2C3T1 Fl. 969 7 E, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que os requisitos necessários para configuração da cessão de mãodeobra foram cumpridos, ou seja, que o serviço prestado se enquadra no conceito legal de cessão de mãodeobra, que houve colocação de empregados à disposição do contratante, submetidos ao seu poder de comando, e que o serviço tenha sido prestado no estabelecimento do tomador ou de terceiros. No caso em estudo, verificase que houve transferência da execução e exploração de um serviço público, e as empresas concessionárias é que desenvolvem as atividades materiais, por sua conta e risco, e diretamente em face dos usuário, com a finalidade de atender as necessidades de “deslocamento da população” urbana do município de São Paulo. Mesmo estando a modalidade de concessão de transporte de passageiros no rol do § 2o, do art. 219, do Decreto 3.048/99, entendo que para o implemento da condição expressa no caput tem que ficar demonstrada a cessão de mão de obra, o que não ocorreu nos autos. Não restou comprovado que a autuada tomou mão de obra das contratadas, pois os serviços eram prestados diretamente aos passageiros, usuários finais, e não à Prefeitura Municipal. O contrato apresentado não demonstra que a concessionária tenha se obrigado a colocar mão de obra por ela contratada à disposição da Prefeitura. Pela cláusula 4.1.5, citada no Relatório Fiscal, verificase apenas que a empresa assumiu o compromisso de operar com pessoal devidamente capacitado e habilitado, e de cumprir as obrigações decorrentes da legislação trabalhista. E, como observou com muita propriedade o relator do acórdão recorrido, a constituição, manutenção e a permanente utilização de uma estrutura material e humana na execução dos serviços contratados se trata “de uma das mais elementares obrigações de qualquer concessionária de serviço público”. E o fato de os serviços serem executados nas vias públicas, indicadas pela contratante, não configura, por si só, a cessão de mão de obra que enseja a retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91. Da mesma forma, a determinação de condições e especificação do percurso e dos horários dos ônibus são características dos contratos administrativos em geral, conforme disposto na Lei 8.987/95, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, pois, nesse tipo de contrato, as cláusulas são fixadas unilateralmente pela Administração, já que o serviço continua público, sendo delegada à concessionária apenas a execução dos serviços. Como também é incumbência do poder público concedente a fiscalização dos serviços prestados, nos termos do art. 29, da citada Lei 8.987/95, que também não conceituou a forma de remunerar a concessionária pela execução dos serviços. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Assim, a forma como o Consórcio Plus foi remunerado pelos serviços de transporte público não descaracteriza a concessão, como não também não demonstra a ocorrência da situação fática do art. 31, da Lei 8.212/91. Observase ainda que a autuada não teve ônus algum, já que não arcou com o custo de tais serviços. Conforme palavras do próprio auditor notificante, “Com o total da arrecadação da tarifa (fonte primária de recursos), mais os subsídios autorizados (quando previstos), a SPTrans efetua os pagamentos às empresas prestadoras, de acordo com a participação das mesmas no custo total do sistema...”.(...) Os pagamentos aos operadores do transporte são registrados na contabilidade da SPTrans em uma conta própria (“Conta Sistema”), que não afeta seu resultado, ou seja, não gera receita, nem despesa para a empresa. (...). Basicamente, temos a entrada de recursos representada pela venda dos bilhetes de passagem (atualmente venda de créditos do Bilhete Único), mais os valores repassados pela Prefeitura (gratuidades e compensação tarifária) e as saídas quando do pagamento aos operadores que prestam serviços no sistema de transporte coletivo. O fato de constar, da cláusula 19.1.25, do contrato de concessão do serviço público de transporte de passageiros, a previsão de criação de Grupo de Trabalho para apresentar critérios para desconto da parcela da remuneração de cada concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS, não prova que tal parcela se refere à retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, ou que tenha sido efetivado o desconto. Mesmo porque, se se tratasse da retenção de 11%, não seria necessária a constituição de um Grupo de Trabalho para apresentação de critérios, uma vez que a aplicação do referido art. 31 é imediata e obrigatória. Por tudo que foi exposto, entendo que não restou configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviço público de transporte urbano no Município de São Paulo, assistindo razão à primeira instância administrativa em julgar o lançamento improcedente. A fiscalização imputou à concessionária, ainda, a responsabilidade solidária pelo débito. Fundamenta seu entendimento nos arts. 124, I e II e 128 do CTN, bem como no art. 71 da Lei 8.666/93, argumentando que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota. Contudo, não assiste razão ao auditor autuante. Após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Portanto, não há que se falar em solidariedade pelo débito correspondente à retenção de 11%, nos casos em que não houve a retenção pelo tomador, como entendeu de forma equivocada a fiscalização, pois, conforme consta do próprio relato fiscal, o desconto se presume feito pela empresa a isso obrigada, nos termos do § 5o, do art. 33, da Lei 8.212/91. A fiscalização é contraditória em seu relatório, pois, ao mesmo tempo em que cita o mencionado § 5o para fundamentar o débito, o auditor autuante retira a aplicabilidade do Fl. 975DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 2301003.991 S2C3T1 Fl. 970 9 referido dispositivo legal ao afirmar que permanece a responsabilidade solidária da tomadora nos casos em que ela “não realizar a obrigação que está a seu cargo”. A retenção é uma obrigação principal legal imposta à empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Ou seja, a obrigação é somente da contratante, de proceder ao recolhimento da retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91 e, ao contrário do que afirma a autoridade lançadora, não há omissão de qualquer natureza nesse sentido na lei de custeio. Nesse sentido e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 976DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11065.723442/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PERÍCIA INDEFERIMENTO
A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente protelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas.
DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO-
Na ocorrência da simulação, é atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado
JUROS E MULTA DE MORA
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34, 35 e 35A da Lei 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 2301-003.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PERÍCIA INDEFERIMENTO A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente protelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO- Na ocorrência da simulação, é atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34, 35 e 35A da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
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DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO Na ocorrência da simulação, é atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34, 35 e 35A da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 34 42 /2 01 1- 51 Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.723442/201151 Acórdão n.º 2301003.999 S2C3T1 Fl. 1.936 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (DEBCAD n° 50.007.9331), e aos Terceiros (DEBCAD n° 50.007.9340) Conforme Relatório Fiscal, o fato gerador da contribuição lançada, é o pagamento de remuneração dos empregados e contribuintes individuais da empresa INDÚSTRIA DE CALÇADOS TRÊS AMÉRICA LTDA, considerada pela fiscalização como pertencente à empresa autuada. A autoridade lançadora expõe os motivos pelos quais entende que a empresas Três América foi criada com a finalidade de registrar empregados em seu nome, aderir ao regime tributário do SIMPLES, e se aproveitar indevidamente dos benefícios previstos no referido Sistema. Elabora quadros para demonstrar a transferência dos próprios empregados da Calçados Freitas para a empresa optante do SIMPLES, informando que, enquanto a empresa autuada manteve uma evolução ascendente de suas receitas, houve ao mesmo tempo um declínio gradual em seus custos com mão de obra, e elevação continua e expressiva de custos com mão de obra terceirizada. O agente autuante informa, ainda, que a empresa TRÊS AMÉRICAS, em todo o período auditado, produziu somente para a fiscalizada, em regime de exclusividade, e que tem total dependência econômica em relação à CALÇADOS FREITAS. Relata, também, que a TRÊS AMÉRICAS, apesar de possuir domicílio fiscal diverso, opera, de fato, em instalações dentro do parque fabril da fiscalizada, e que as atividades administrativas da contratante, como o Recursos Humanos, são executados por empregados registrados na contratada. Esclarece que as duas empresas são comandadas por pessoas da mesma família, como pai, filhos e neta. Segundo ainda relato fiscal, a empresa TRÊS AMÉRICAS desenvolve suas atividades em prédio de propriedade da FREITAS, com contrato de aluguel no valor de R$2.000,00, incluindo aí as despesas de água, energia elétrica, gás, alimentação dos empregados, manutenção de máquinas e equipamentos, conservação e limpeza do prédio, tudo por conta da FREITAS, sendo que se constatou que tais despesas superam em muito o valor do aluguel pago. A recorrente apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1035.523, da 7a Turma da DRJ/POA, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Alega, em síntese, que: A decisão recorrida é nula tendo em vista o indeferimento da perícia técnica requerida em sua defesa; Em nenhum momento a recorrente se utilizou de empresa interposta como subterfúgio para reduzir a incidência de tributos, mas o que existiu de fato foi a prestação de serviços realizada por aquela empresa, o que é plenamente legal, havendo transparência nas relações comerciais entre elas; Os impostos devidos pela recorrente se encontram rigorosamente em dia, não havendo quaisquer valores a serem implementados, e a proximidade entre as empresas não autoriza a deduzir que estivessem com conluio para reduzir a incidência de tributos; Os documentos anexos comprovam que a fiscalização laborou em equívoco ao concluir que houve simulação, mormente porque as empresas se encontram instaladas em endereços distintos, conforme comprovam os alvarás e, mesmo que dividissem as instalações, tal fato não autoriza a conclusão feita pela fiscalização; O fato de a recorrente haver locado máquinas e equipamentos à empresa TRÊS AMÉRICAS é irrelevante e não pode servir de suporte para a conclusão fiscal da ocorrência da sonegação, sendo as assertivas declinadas pela fiscalização desprovidas de sustentação fática e jurídica; Mesmo que tivesse a recorrente sido beneficiada com a contratação de serviços de mão de obra, tal conduta não constituiria nenhum tipo de ilicitude, mas, quando muito, poderia caracterizar a elisão fiscal, o que é plenamente legal e jurídico; Sobre o valor apurado como devido, a fiscalização fez ainda incidir abusivamente dois encargos, denominados multa de ofício e multa de mora abusiva, constituindose em bis in idem, o que tornaria insubsistente o auto de infração, configurando verdadeiro confisco, o que é vedado pela legislação constitucional; Finaliza alegando inconstitucionalidade da taxa SELIC para fins tributários e requerendo o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.723442/201151 Acórdão n.º 2301003.999 S2C3T1 Fl. 1.937 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para o seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa, por ter o julgador indeferido a realização da prova pericial solicitada pela recorrente. Todavia, a necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que estar demonstrada nos autos. O art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece que: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Verificase, dos autos, que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o AI muito bem fundamentado. A fiscalização deixou claro, nos relatórios integrantes da autuação, quais os valores da base de cálculo utilizada na apuração da contribuição lançada e as alíquotas aplicadas. O AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Portanto, as autoridades julgadoras de primeira instância, ao entenderem ser prescindível a produção de novas provas e a realização de perícia, indeferiram, por unanimidade, o pedido formulado pela recorrente. Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Dessa forma, como a recorrente não demonstrou que a elucidação do caso dependeria da produção de prova pericial, os julgadores indeferiram com muita propriedade o pedido de perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória. Ademais, a recorrente apenas alega que existem inconsistências nos valores lançados, sem apontar em quais competências e sem juntar aos autos, nem por amostragem, provas da incorreção do trabalho fiscal. Todas as alegações da recorrente poderiam ter sido comprovadas sem necessidade de perícia, apenas com a apresentação dos documentos pertinentes. Contudo, a recorrente não trouxe nenhum elemento que pudesse por em dúvida a correção dos valores lançados, ou que ensejasse uma diligência para a verificação dos fatos. Já a autoridade autuante junta, aos autos, elementos que comprovam a acusação fiscal, deixando claro que os dados foram coletados a partir dos documentos apresentados pelas próprias empresas envolvidas. E a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. Apenas alega, mas não prova, que os valores lançados estão incorretos, por falta de aproveitamento de guias recolhidas, ou por ausência de dedução de saláriofamília, entre outras alegações. Todavia, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. Em relação ao argumento de que não é legítimo o procedimento do fisco de transferir o ônus da prova à recorrente, cumpre observar que há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. No caso presente, reiterase, não foram juntados ao recurso outros elementos que comprovem a afirmação da recorrente. Ademais, a autoridade julgadora deixou claro que a recorrente não cumpriu os requisitos formais. O Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.723442/201151 Acórdão n.º 2301003.999 S2C3T1 Fl. 1.938 7 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Da leitura do dispositivo, verificase que a recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de perícia pois limitouse a requerer a possibilidade de requerer produção de prova pericial contábil. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Portanto, rejeito a preliminar apresentada No mérito, a recorrente tece considerações sobre a diferença entre elisão fiscal e simulação, para tentar demonstrar que não há qualquer ilicitude na escolha pelo contribuinte de se beneficiar com a contratação de serviços de mão de obra. Todavia, em nenhum momento a fiscalização negou esse direito à recorrente. Na verdade, o que a autoridade autuante constatou em ação fiscal desenvolvida na empresa e demonstrou no relatório do AI foi a existência de uma simulação no procedimento de terceirização adotado pela autuada em relação à empresa Três Américas. Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1o, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Nesse sentido, citase o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária – Ed. Revista dos Tribunais – 2003 – pág. 371: “Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocial, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo “motivo” para o ato administrativo: o ato simulado” Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ......................................... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Restou demonstrado, pela fiscalização, que os expedientes utilizados pela recorrente tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intenção das partes é uma e a forma jurídica adotada é outra. As transferências de empregados que ocorreram entre as empresas citadas pela fiscalização corrobora a afirmação da auditoria fiscal de que não existem dois, mas apenas um empreendimento industrial, ou seja, apenas uma empresa. Outro elemento que reforça a convicção de que se trata de uma única empresa (matriz e filial), é o fato de a empresa Três Américas funcionar em um mesmo prédio, de propriedade da Calçado Freitas, e que era esta última quem arcava com as despesas de manutenção dos equipamentos de produção, de conservação dos prédios, de energia elétrica, água, etc, da empresa que, segundo a recorrente, é a terceirizada, contratada para prestação de serviços. Observase que a recorrente não afastou pontualmente nenhuma das acusações fiscais, se limitando a fazer alegações genéricas, afirmando que seus impostos estão rigorosamente em dia e que os alvarás provam que as empresas encontramse instaladas em endereços distintos. Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.723442/201151 Acórdão n.º 2301003.999 S2C3T1 Fl. 1.939 9 Entretanto, não foi essa a situação fática encontrada pela fiscalização. Em visita à empresa, a fiscalização identificou um único parque fabril, instalado em um prédio de dois andares de propriedade da empresa FREITAS, com uma guarita, uma entrada principal onde está estampado o nome fantasia FREITAS, com recepcionista, sala de visitas e de criação, parte administrativa, comercial, financeira, tudo comum às duas empresas. A encarregada do RH encontrada no local afirmou aos agentes fiscais que ela responde pelas duas empresas. Outro fato que reforça a convicção de que, na verdade, tratase apenas de uma empresa, é que, de acordo com os contratos sociais, elas são compostas exclusivamente por pessoas da mesma família, ou seja, apenas o pai, filhos e neta é que possuem participações societárias nas empresas. Verificouse, ainda, que a empresa TRÊS AMÉRICAS produziu, de forma exclusiva, para a recorrente, participando do processo industrial da CALÇADOS FREITAS, fornecendo mãodeobra na execução dos serviços essenciais, e com total dependência econômica em relação à empresa autuada. Nada disso foi negado pela recorrente. É fato notório que a terceirização é um procedimento legal, com vistas a um planejamento tributário lícito. Entretanto, o que foi constatado na ação fiscal foi uma simulação nos serviços de terceirização, e isso não é lícito, não encontrando amparo legal. Se a intenção da empresa fosse, como ela insiste em afirmar, terceirizar alguns serviços, ela poderia ter contratado, de fato, uma empresa que cedesse mão de obra, ou realizasse serviços contratados. Mas não foi isso que ocorreu. No caso em tela, a simulação está muito clara quando a empresa contratada pertence à mesma família da contratante, funciona no mesmo parque fabril desta última, prestando serviços exclusivos, e com todas as suas despesas arcadas pela contratante. Restou demonstrado que quem remunerava os empregados da empresa INDÚSTRIA DE CALÇADOS TRÊS AMÉRICA LTDA era a INDÚSTRIA DE CALÇADOS FREITAS LTDA Portanto, a empresa de Calçados Freitas é contribuinte em relação aos fatos geradores relativos à remuneração auferida pelos empregados da empresa Calçados Três Américas. Ou seja, a INDÚSTRIA DE CALÇADOS TRÊS AMÉRICA LTDA foi criada com o único objetivo de deixar de recolher as contribuições sociais, sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 Dessa forma e por tudo que foi exposto no Relatório Fiscal e trazido aos autos, entendo que restou caracterizada a existência de uma única organização empresarial, envolvendo as duas empresas apontadas pela fiscalização, restando clara a relação de matriz filial entre a recorrente e a empresa terceirizada. A autuada insurgese contra a multa aplicada, alegando possuir caráter confiscatório e natureza abusiva, e contra a aplicação da taxa SELIC, argumentando ilegalidade. Todavia, é oportuno esclarecer que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu e dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento. Assim, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. A multa aplicada no caso foi a de ofício, prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, e agravada conforme determina o § 1o do mesmo dispositivo legal, não havendo que se falar em bis in idem. No que concerne à aplicação da SELIC, há que se cumprir a determinação do art. 34 da Lei n°8.212/91 cuja regulamentação está no art. 239, II, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Nesse sentido, a Lei 8.212/91, em seus art 34, 35 e 35A, vigentes à época, autoriza a utilização das multas e juros aplicados aos débitos apurados. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Relativamente à alegação de inconstitucionalidade de lei, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.723442/201151 Acórdão n.º 2301003.999 S2C3T1 Fl. 1.940 11 Cumpre ressaltar que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Ademais, o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio das Súmulas 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Súmula nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula nº 03: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, entendo que deverá ser mantida a multa “moratória” tal como aplicada pela Autoridade Fiscal ao tempo do lançamento sob exame.. A recorrente protesta pela realização de perícia. Todavia, reiterase, não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o AI muito bem fundamentado Assim, com amparo no art. 18, do Decreto 70.235/72, indeferese o pedido de perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto por CONHECER DO RECURSO e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 12 Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10882.004842/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados ou se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. REQUISITOS.
A compensação de ofício de que trata o art. 7º do Decreto-lei nº 2.287, de 1986, e o artigo 73 da Lei nº 9.430, de 1996, pressupõe o pedido prévio de restituição ou ressarcimento e a existência de débitos constituídos a serem compensados.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tribitário Mantido.
Numero da decisão: 3302-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Mônica Elisa de Lima, que dava provimento integral ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto..
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Mônica Elisa de Lima, que dava provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto..
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NIELSEN DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social regese pelo art. 173, inciso I, do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados ou se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. REQUISITOS. A compensação de ofício de que trata o art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 1986, e o artigo 73 da Lei nº 9.430, de 1996, pressupõe o pedido prévio de restituição ou ressarcimento e a existência de débitos constituídos a serem compensados. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tribitário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Mônica Elisa de Lima, que dava provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 48 42 /2 00 8- 71 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 356 2 Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. . Relatório Tratase de Auto de Infração relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Remessas ao Exterior, cientificado à recorrente em 19/12/2008, constituindo crédito tributário no valor de R$ 1.533.935,04, sendo R$ 620.605,55 de CIDE, R$ 447.875,34 de juros de mora, e R$ 465.454,15 de multa de ofício (calculados até a data da lavratura), em virtude da falta de recolhimento e de declaração da contribuição referente a fatos geradores ocorridos no ano de 2003 (fls.231 a 234). As infrações detectadas foram a falta de recolhimento e de declaração de CIDE sobre as remessas ao exterior a título de licença de uso e serviços administrativos, conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 214 a 225 (numeração digital). A recorrente apresentou impugnação, concordando com os lançamentos efetuados sobre as remessas para o exterior a título de licenças de uso e efetuando a quitação dos respectivos créditos constituídos, mas discordou dos lançamentos relativos às remessas a título de serviços administrativos, alegando que: 1. Preliminarmente, a decadência do direito de constituição do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4º do CTN; 2. No mérito, reconhece a incidência sobre a remessas relativas a serviços administrativos, mas propugna pelo batimento com o recolhido a maior de IRRF, pois utilizou, equivocadamente, a alíquota de 25%, com fulcro no art. 685, inciso II, “a” do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, quando deveria ter utilizado a alíquota de 15%. Deste batimento resultaria que os pagamentos a maior efetuados de IRRF seriam superiores aos valores lançados de CIDE e, portanto, não haveria diferença a ser tributada, devendo o Auto de Infração ser cancelado. A Primeira Turma da DRJ de Campinas proferiu o Acórdão nº 0539.872, no qual decidiuse por considerar a impugnação improcedente, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Anocalendário: 2003 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 357 3 IMPUGNAÇÃO PARCIAL. Consolidase administrativamente a parcela não impugnada. CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. LICENÇA DE USO DE CONHECIMENTOS TECNOLÓGICOS. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. A CIDE é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. A partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa e ausente imputação de má fé, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o do artigo 150 do Código Tributário Nacional, impondose o cancelamento da exigência formalizada a destempo. Nas circunstâncias em que fique caracterizada a ausência de pagamento antecipado, o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi cientificada do Acórdão nº 0539.872 em 22/02/2013, tendo interposto recurso voluntário em 25/03/2013, reprisando as mesmas alegações apresentadas na impugnação. Ao final, pede o cancelamento do lançamento relativo à incidência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de serviços administrativos. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 357DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 358 4 O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA Concernente à decadência, a matéria está pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Transcrevese a ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 358DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 359 5 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos lançamento por homologação regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. A lide remanescente referese à constituição de crédito tributário nos períodos de junho, julho, outubro e novembro de 2003, sendo incontroverso que não foram realizados pagamentos antecipados de CIDE, devendo o prazo decadencial regerse pelo art. 173, inciso I, do CTN e não pelo art. 150, §4º do mesmo diploma, como defendido pela recorrente. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 19/12/2008, portanto, dentro do prazo decadencial. Afastase a decadência argüida. MÉRITO A recorrente renova as alegações apresentadas na impugnação, defendendo que os valores recolhidos a maior de IRRF devem ser abatidos dos valores lançados de CIDE, propugnando pela aplicação da compensação de ofício prevista no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 1986. O procedimento invocado pela recorrente consiste, sim, em procedimento de compensação. Ressaltase que não há lide sobre a incidência da CIDE sobre as remessas autuadas, nem sobre a base de cálculo e o tributo devido, mas somente sobre a necessidade de Fl. 359DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 360 6 se utilizar os valores recolhidos a maior de IRRF para abater dos valores devidos de CIDE, o que denominase compensação. De fato, a recorrente recolheu IRRF em valores superiores ao devido e isto lhe confere o direito à repetição do indébito, facultandolhe ainda compensálos com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já a autoridade fiscal procedeu corretamente ao constituir o crédito tributário, pois é atividade vinculada e obrigatória, conforme a norma do art 1421 do CTN. No caso, a autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício, previsto no art. 1492 do CTN, em razão da constatação da existência de tributo devido, não recolhido e não declarado, a teor dos artigos 2º e 3º da Lei nº 10.1683, de 2000. 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 2 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ... V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; 3 Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6o Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. (Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) (Produção de efeito) Art. 3o Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto no 70.235, de 6 de março Fl. 360DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 361 7 Por outro lado, o mencionado art. 73 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que a compensação de ofício será efetuada mediante procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal: Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição A recorrente alega que as autoridades fiscais deveriam realizar a compensação de ofício, entretanto tal medida requer a observância de procedimentos normatizados. A IN SRF nº 600, de 2005, vigente à época da fiscalização, assim dispunha sobre a matéria: Art. 34. Antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional relativo aos tributos e contribuições de competência da União, a autoridade competente para promover a restituição ou o ressarcimento deverá verificar, mediante consulta aos sistemas de informação da SRF, a existência de débito em nome do sujeito passivo no âmbito da SRF e da PGFN. § 1 º Verificada a existência de débito, ainda que parcelado, inclusive de débito já encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, ou de débito consolidado no âmbito do Refis, do parcelamento alternativo ao Refis ou do parcelamento especial de que trata a Lei n º 10.684, de 2003, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2 º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de quinze dias, contado do recebimento de comunicação formal enviada pela SRF, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3 º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da SRF competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis Fl. 361DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 362 8 § 4 º Havendo concordância do sujeito passivo, expressa ou tácita, quanto à compensação, esta será efetuada e o saldo credor porventura remanescente será restituído ou ressarcido ao sujeito passivo. ... Art. 41. A decisão sobre o pedido de restituição de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, bem como sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF), da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou da Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, ressalvado o disposto nos arts. 42 e 44. Parágrafo único. A restituição ou o ressarcimento dos créditos a que se refere o caput , bem como sua compensação de ofício com os débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, caberá ao titular da DRF, da Derat ou da Deinf que, à data da restituição, do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Art. 42. O reconhecimento do direito creditório e a restituição de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF incidente sobre operação de comércio exterior caberão ao titular da DRF, da Inspetoria da Receita Federal de Classe Especial (IRFClasse Especial) ou da Alfândega da Receita Federal (ALF) sob cuja jurisdição for efetuado o despacho aduaneiro da mercadoria. Parágrafo único. Reconhecido, na forma prevista no caput , o direito creditório de sujeito passivo em débito para com a Fazenda Nacional, a compensação de ofício do crédito do sujeito passivo e a restituição do saldo credor porventura remanescente da compensação caberão à autoridade administrativa a que se refere o parágrafo único do art. 41. Concluise que são vários os requisitos para que haja a compensação de ofício. Primeiro, destacase que a competência para realizar a compensação de ofício é do titular da DRF, da Derat ou da Deinf, que à época da compensação possuísse jurisdição sobre o domicílio do contribuinte. Assim, falece competência à autoridade fiscal durante à fiscalização, ou à DRJ, ou a este Conselho realizar tal procedimento. Segundo, para que haja compensação de ofício, é necessário que haja um prévio pedido de restituição ou de ressarcimento, o que não ocorreu neste caso, já que este pedido deveria seguir os ditames da IN SRF nº 600, de 2005, ou, posteriormente, da IN RFB nº 900, de 2008, e não ser realizado mediante a impugnação que instaurou este processo, cujas decisões não cabem ao titular da DRF que jurisdiciona a recorrente. Terceiro, e crucial, é necessário que existam débitos, como referido no §1º do art. 34 acima transcrito, a serem compensados. Ora, tais débitos foram justamente constituídos Fl. 362DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 363 9 por este lançamento de ofício, já que a recorrente não efetuou qualquer parcelamento ou declaração em DCTF. Não há que se falar em compensação de ofício a ser efetuada, se não há débitos a serem compensados, os quais somente foram constituídos neste lançamento. Já o direito de a recorrente efetuar a compensação está previsto nos artigos 170 e 170A do CTN e é regido pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e disciplinados pela Secretaria da Receita Federal, em cumprimento ao disposto no §14 do mesmo artigo, em instruções normativas, nos períodos de 2003 em diante, a saber: IN SRF nº 210, de 2002, IN SRF nº 460, de 2004, IN SRF nº 600, de 2005, IN RFB nº 900, de 2008 e IN RFB nº 1.300, de 2012, o que foi reconhecido pela própria recorrente no item 27 da peça recursal. No caso, a compensação somente poderia ser realizada pela recorrente com a entrega da declaração de compensação, conforme §1º do artigo 74. Concluise, portanto, que o lançamento é correto e necessário para a constituição do crédito tributário relativo à CIDE sobre remessas ao exterior a título de serviços administrativos, sendo a compensação de ofício procedimento disciplinado em instruções normativas e, neste caso concreto, somente seria (ou será) possível com a lavratura deste Auto de Infração. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 363DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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