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Numero do processo: 15940.720135/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2010, 2011
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE.
São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial, as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação prevista no artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-003.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 09/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2010, 2011 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial, as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação prevista no artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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FUNRURAL Recorrente FRIGORIFICO MIRANTE DO PARANA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2010, 2011 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial, as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da subrogação prevista no artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 35 /2 01 4- 56 Fl. 519DF CARF MF Processo nº 15940.720135/201456 Acórdão n.º 2201003.670 S2C2T1 Fl. 520 2 Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 441/480, interposto contra decisão da DRJ em Juiz de Fora/MG, de fls. 427/434, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela RECORRENTE e manteve o lançamento de Contribuições Previdenciárias não declaradas em GFIP, de fls. 04/24 dos autos, lavrado em 09/09/2014, relativo aos anoscalendário 2010 e 2011, com ciência da RECORRENTE em 16/09/2014 (fl. 283). As Contribuições Previdenciárias foram lançadas com fundamento nos arts. 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, e são decorrentes da comercialização da produção do produtor rural pessoa física empregador, cuja retenção e recolhimento estão a cargo da RECORRENTE, por se tratar da pessoa jurídica adquirente dessa produção, em decorrência da subrogação prevista em Lei. Assim, foram lavrados dois autos de infração (ambos objeto do presente processo), quais sejam: (i) Debcad 51.062.3131, relativo às contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física, na alíquota de 2%, bem como a alíquota RAT de 0,1%, ambas incidentes sobre a comercialização da sua produção, cujo recolhimento está a cargo da RECORRENTE na condição de adquirente, em virtude da subrogação prevista no art. 30, IV da Lei n° 8.212/91 (FUNRURAL), no valor de R$ 2.373.533,81; e (ii) Debcad 51.062.3140, relativo à contribuição ao SENAR, na alíquota de 0,2%, conforme art. 6º da Lei nº 9.528/97, incidente sobre os mesmos fatos geradores objeto do Debcad 51.062.3131, no valor de R$ 226.050,83. Ao final, o crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor total de R$ 5.392.230,36, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício no percentual de 75%. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 25/38), as contribuições lançadas são decorrentes da “comercialização da produção rural, em decorrência da sub rogação nas obrigações do produtor rural pessoa física e que não tenham sido declaradas em Fl. 520DF CARF MF Processo nº 15940.720135/201456 Acórdão n.º 2201003.670 S2C2T1 Fl. 521 3 GFIP”. Neste sentido, mediante análise das informações constantes em Notas Fiscais do Produtos relativas à aquisição, pelo RECORRENTE, de produto rural de pessoa física, Notas Fiscais Eletrônicas de Entrada extraídas do SPED, no arquivo de Escrituração Contábil Digital obtido mediante SPED, e livros de registro de entradas da empresa RECORRENTE, a fiscalização elaborou apurou as contribuições previdenciárias devidas relativamente a comercialização da produção rural na condição de subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física. As planilhas de fls. 32/33 e fls. 34/35 discriminam, respectivamente, o valor mensal da contribuição patronal e da contribuição ao SENAR devidas pela RECORRENTE. Ainda de acordo com o TVF, por força da determinação contida no art. 1º da portaria RFB nº 2.439/2010 e diante da constatação de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, previsto nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais (processo nº 15940.720137/201445, anexo aos presentes autos). DA DECISÃO DA DRJ A RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fls. 287/310 (relativa ao Debcad 51.062.3131) e fls. 311/334 (relativa ao Debcad 51.062.3140). Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 427/434, dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. LEGISLAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. Não há impedimento para a lavratura de autuação com base em legislação vigente, ainda que pendente de julgamento sobre sua constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. É vedado, em sede administrativa, o afastamento de lei ou ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, intimada da decisão da DRJ em 23/03/2015, conforme AR de fl. 439, apresentou o recurso voluntário de fls. 441/480 em 08/04/2015. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE praticamente reitera as razões de sua Impugnação. Neste sentido, adoto trecho do relatório da DRJ por bem resumir a defesa: Fl. 521DF CARF MF Processo nº 15940.720135/201456 Acórdão n.º 2201003.670 S2C2T1 Fl. 522 4 “A primeira impugnação (folhas 287 e seguintes), apresentada em 08/10/2014 por procuração, tem, por conteúdo, em síntese, o que segue. Alega, inicialmente, que parou de proceder às retenções em 3/2010 seguindo o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2010. Tal julgamento (RE 363.852/MG) foi amplamente noticiado e leva à conclusão de que o lançamento sequer deveria ter sido efetuado. Pela inconstitucionalidade, esse julgamento também não tem seu alcance limitado às partes da lide. Cita também o RE 596.177/RS, submetido ao rito de repercussão geral, a subsidiar a insubsistência do lançamento. Entende, com base em decisões que cita, que a Lei 10.256/2001 não superou a inconstitucionalidade declarada. Aduz que a subrogação da obrigação também seria inconstitucional. Entende que a exigência de tributo tido por inconstitucional seria excesso de exação. Alega que é possível o reconhecimento de inconstitucionalidade na via administrativa, “principalmente no caso em questão, quando quanto a contribuição que foi lavrada a autuação, já existe pronunciamento expresso da Suprema Corte Brasileira (STF) do reconhecimento da inconstitucionalidade da mesma”. Por força do art. 5º, LV, da Constituição, o órgão judicante administrativo tem legitimidade e obrigação para invocar a inconstitucionalidade da lei. Ao final, pede o cancelamento da autuação e a intimação exclusiva do subscritor, sob pena de nulidade. Na segunda impugnação, de folhas 311 e seguintes, juntada na mesma data da anterior, lança as seguintes questões: Alega, inicialmente, que parou de proceder às retenções em 3/2010 seguindo o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2010. Em seguida, disserta sobre a imposição ao Senar até a edição da Lei 9.528/1997, entendendoa sujeita à mesma inconstitucionalidade da contribuição previdenciária. Alega, no entanto, que “a decisão proferida pelo STF julgou apenas a inconstitucionalidade da contribuição destinada à seguridade social prevista pelo art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/1997, fato este que não impede seja ainda apreciada, ou ainda, pelo próprio poder administrativo, seja reconhecido a sua inconstitucionalidade”. Como obstáculos à contribuição, alega que é acessória à contribuição social previdenciária tida por indevida; não possui autorização constitucional para incidir sobre outra base afora a folha de salários; e que há lei que estabelece que o Senar Fl. 522DF CARF MF Processo nº 15940.720135/201456 Acórdão n.º 2201003.670 S2C2T1 Fl. 523 5 incidente sobre a folha de salários não se aplica ao produtor rural pessoa física. Cita o RE 363.852/MG para subsidiar seu raciocínio bem como o RE 596.177/RS, submetido ao rito de repercussão geral. Alega novamente que é possível o reconhecimento de inconstitucionalidade na via administrativa, “principalmente no caso em questão, quando quanto a contribuição que foi lavrada a autuação, já existe pronunciamento expresso da Suprema Corte Brasileira (STF) do reconhecimento da inconstitucionalidade da mesma”. Por força do art. 5º, LV, da Constituição, o órgão judicante administrativo tem legitimidade e obrigação para invocar a inconstitucionalidade da lei. Ao final, pede também o cancelamento da autuação e a intimação exclusiva do procurador, sob pena de nulidade.” Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Das alegações acerca do lançamento da FUNRURAL Conforme exposto, o presente lançamento versa sobre a contribuição ao FUNRURAL e ao SENAR incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produtos do empregador rural pessoa física, prevista nos incisos I e II do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 e no art. 6º da Lei nº 9.528/97, com a redação da Lei nº 10.256/2001. O argumento central da defesa da RECORRENTE é no sentido de que, quando do julgamento do RE 363852/MG, o STF teria declarado a inconstitucionalidade das contribuições do produtor rural pessoa física empregador incidentes sobre a comercialização de sua produção rural. No entanto, mediante referido julgamento, o STF declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que previa o recolhimento da contribuição acima referida, pois esta lei foi anterior à Emenda Constitucional 20/1998 (responsável por alterar a base de cálculo para fins de incidência da referida contribuição). Fl. 523DF CARF MF Processo nº 15940.720135/201456 Acórdão n.º 2201003.670 S2C2T1 Fl. 524 6 É que antes da EC 20/1998, as contribuições sociais do empregador somente poderiam incidir sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Com o advento da referida emenda, surgiu a possibilidade de utilizar a receita como base de cálculo das contribuições sociais do empregador. Válido transcrever trechos do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio quando do julgamento do RE 363852/MG: "(...)Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de ressaltar que a Lei nº 8212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional inciso I do artigo 15. Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição a folha de salários a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, considerado o faturamento, temse, ainda, a quebra da isonomia. "(...)não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar." "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural " de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25 , incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência." Após a EC 20/98, foi editada a Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91. Ou seja, a referida Lei nº 10.256/2001 foi editada quando já Fl. 524DF CARF MF Processo nº 15940.720135/201456 Acórdão n.º 2201003.670 S2C2T1 Fl. 525 7 estava em vigor a nova redação do art. 195, I, da Constituição, dada pela EC 20/98, que passou a prever nova fonte de custeio da seguridade social, qual seja, a receita dos empregadores. Sendo assim, é evidente que o RE 363852/MG dispõe somente acerca do art. 25 da Lei nº 8.212/91 com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92 (atualizada até a Lei nº 9.528/97), ao passo que o presente lançamento se refere a fatos geradores ocorridos em 2012 e 2013, posteriores, portanto, à Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/91. Tanto é que, quando da apreciação de embargos de declaração opostos no RE 596177/RS, o STF reconheceu que não houve o exame da matéria sob o enfoque da exigência do tributo com fundamento na Lei nº 10.256/2001: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. Sendo assim, a decisão proferida pelo STF no RE 363.852/MG não é aplicável ao presente caso, que é totalmente englobado pela Lei nº 10.256/2001. Para evitar confusão do contribuinte, importante destacar que, caso o presente lançamento se referisse a fatos anteriores à Lei nº 10.256/2001, é evidente que o RE 363.852/MG seria aplicável ao caso. No entanto, os fatos geradores ocorridos em 2010 e 2011 já estavam totalmente acobertados pela Lei nº 10.256/2001, o que afasta o caso concreto do alcance da decisão proferida no RE 363.852/MG. Ademais, cumpre esclarecer que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral do art. 25, I e II, nem do art. 30, IV, ambos da Lei 8.212/91, uma vez que estes dispositivos tratam tanto do produtor rural pessoa física empregador quanto do segurado especial, ao passo que o RE 363.852/MG abrangeu apenas o primeiro, uma vez que a Constituição (antes da EC 20/98) já previa forma de contribuição sobre resultado da Fl. 525DF CARF MF Processo nº 15940.720135/201456 Acórdão n.º 2201003.670 S2C2T1 Fl. 526 8 comercialização da produção de determinados produtores rurais que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes (art. 195, § 8º). Este produtor rural delimitado no art. 195, § 8º, da Constituição é exatamente aquele previsto no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/91, e que, portanto, encontrase sujeito à contribuição prevista no art. 25 da mesma Lei. Ou seja, na decisão proferida quando do julgamento do RE 363.852, o STF reconheceu a inconstitucionalidade apenas das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador, no período anterior à Lei 10.256/2001 e, conseqüentemente, também afastou a subrogação para estas contribuições, pois não haveria lógica em se manter a subrogação do tributo reconhecidamente inconstitucional. Portanto, evidente que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral dos arts. 25, I e II, e 30, IV, ambos da Lei 8.212/91, uma vez que tais dispositivos eram (e ainda são) fundamentos para a subrogação da a empresa adquirente nas obrigações dos segurados especiais (referido no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/91) pelo recolhimento da contribuição sobre resultado da comercialização da produção. Por fim, importante trazer nos autos a informação de que o STF realizou o julgamento de mérito do RE 718.874, que tinha por objeto tema com repercussão geral acerca da constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001. Em 30/03/2017, o Plenário do STF decidiu o seguinte: “O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes” Por fim, importante esclarecer à RECORRENTE que, não tendo sido declarada a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal que fundamentou o presente lançamento, não se pode cogitar a ilegalidade/inconstitucionalidade deste, haja vista que corretamente enquadrado nas normas em vigor. Sendo assim, não se pode cogitar seja afastada a aplicação dessas normas, pois gozam de presunção de constitucionalidade. Ademais, apenas a título de esclarecimento, pondero que este tribunal administrativo deve afastar a aplicação de dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, nos termos do art. 62, I, do RICARF. No entanto, é preciso fazer sempre uma distinção dos dispositivos tidos por inconstitucionais e aqueles que serviram de fundamentação para o lançamento. Digo isso porque, no presente caso, a RECORRENTE afirma obstinadamente que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade das contribuições denominadas de FUNRURAL e SENAR. No entanto, conforme já exposto com detalhes acima, o julgamento do RE 363.852 não socorre o pleito da RECORRENTE, haja vista que tal Fl. 526DF CARF MF Processo nº 15940.720135/201456 Acórdão n.º 2201003.670 S2C2T1 Fl. 527 9 decisão diz respeito à inconstitucionalidade do “artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97”, ao passo que o lançamento deste processo foi realizado com fundamento no art. 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Ao contrário do alegado pela RECORRENTE em seu Recurso, o STF não confirmou que as alterações promovidas pela Lei nº 10.256/2001 continuam contrarias ao texto constitucional, pois, conforme acima exposto, essa questão foi objeto de recente apreciação pela Corte Suprema (RE 718.874), quando restou decidido ser constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física instituída pela Lei nº 10.256/2001. Portanto, com relação às inconstitucionalidades apontadas pela RECORRENTE, esta é matéria estranha a competência deste órgão julgador administrativo, conforme Súmula nº 02 do CARF, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Neste sentido, entendo que não devem prosperar as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos que tratam das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e da subrogação em relação às suas contribuições, haja vista que: (i) o presente lançamento é posterior à Lei nº 10.256/2001 (que não foi objeto de análise pelo STF no RE 363.852/MG); e (ii) não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para manter o lançamento do crédito tributário. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 527DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720350/2007-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, não houve a emissão de qualquer ato de autoridade ambiental competente válido, contemplando a área em litígio como APP, antes do início da ação fiscal, ocorrido em 10/11/07. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR.
Numero da decisão: 9202-005.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, não houve a emissão de qualquer ato de autoridade ambiental competente válido, contemplando a área em litígio como APP, antes do início da ação fiscal, ocorrido em 10/11/07. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 50 /2 00 7- 51 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10830.720350/200751 Acórdão n.º 9202005.695 CSRFT2 Fl. 183 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2102002.314, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 20 de setembro de 2012 (efls. 141 a 145). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 NULIDADE. MATÉRIA SOMENTE DEDUZIDA QUASE DOIS ANOS APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. REJEIÇÃO. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, trazida nos embargos de nulidade, até porque a fase contenciosa do lançamento se inicia com a impugnação, não tendo o representante do contribuinte, quer na impugnação, quer no recurso voluntário, se lembrado de suscitar a presente nulidade, somente o fazendo quase dois anos após a interposição do recurso voluntário, tratandose claramente de matéria preclusa, até porque ao representante do contribuinte foram abertas todas as possibilidades de operacionalizar sua defesa, como de fato o fez. Acatar a pretensa nulidade é se aferrar a procedimentos estritos, e aqui se deve lembrar que estamos tratando de um imposto de caráter real, vinculado mais à coisa e menos à pessoa. APP. ÁREA CONFIRMADA POR ÓRGÃOS MUNICIPAL E ESTADUAL. O recorrente comprovou a existência de uma área de preservação permanente a partir do laudo de vistoria técnica exarado pelo Escritório de Desenvolvimento Rural de Campinas da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo e da vistoria feita pela Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente da Prefeitura de Vinhedo no imóvel auditado. Tal área deve ser excluída da incidência do ITR. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT) ORIUNDA DA DITR. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10830.720350/200751 Acórdão n.º 9202005.695 CSRFT2 Fl. 184 3 NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR O VALOR DO SIPT. AUSÊNCIA DE LAUDO DE AVALIAÇÃO. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART pode ser meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido em parte. Decisão: por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer uma área de preservação permanente de 30 hectares. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 24/01/2013 (efl. 147), esta apresentou, em 28/01/2013 (efl. 148), Recurso Especial (efls. 149 a 161 e anexos), com fulcro no art. 67 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 163/164. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão 210100.442, prolatado em 11 de março de 2010, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Turma Especial do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 391 00.037, prolatado em 21 de outubro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 210100.442 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso negado. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10830.720350/200751 Acórdão n.º 9202005.695 CSRFT2 Fl. 185 4 Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka que dava provimento parcial em relação à área de preservação permanente. Acórdão 39100.037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso Quanto à matéria em litígio, apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão de área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, se alega: a) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10, inciso II da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; b) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97, 73/2000, 60/2001 e 256/2002, Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; c) A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. Os artigos 17 da IN/SRF nº 73/2000 e da IN/ SRF nº 60/2001, bem como o § 3º do art. 9º da IN/SRF nº 256/2002, ratificaram tal obrigação; Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10830.720350/200751 Acórdão n.º 9202005.695 CSRFT2 Fl. 186 5 d) Logo, ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, a Administração Tributária, por meio de ato normativo, fixou condição para a não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR; e) Entende como inteiramente equivocado o entendimento no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, uma vez que: "(...). O que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo." f) No caso concreto, o contribuinte não apresentou ADA ou o seu requerimento, protocolados tempestivamente, junto ao IBAMA, não atendendo, portanto, às exigências da legislação do ITR; g) Ora, sendo assim, havendo lei, estabelecendo de forma expressa a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de reconhecimento do direito à isenção em relação às áreas de utilização limitada/reserva legal, não pode o julgador administrativo, apenas com base na verdade material e sem qualquer outro fundamento, desconsiderar dispositivo expresso de lei (em especial, o art. 17O, da Lei n 6.938/81) e normas regulamentares expedidas em conformidade com seu substrato de validade pela autoridade competente (Instruções Normativas da SRF). Entenderse o processo administrativo fiscal dessa forma significaria subverter o principio da legalidade em favor das disposições e caprichos dos contribuintes. Ainda mais, constituiria precedente para, também, em nome da verdade material, admitirse outras permissividades, tais como a utilização de provas ilícitas no âmbito processual tributário, ao arrepio da lei; h) Ainda que a aplicação do principio da verdade material tivesse lugar no presente feito, o que se considera apenas para fins de debate, devese assentar que sua aplicação não e absoluta, de modo que não se presta a afastar a aplicação de dispositivo legal, válido e vigente. Alem do mais, o principio da verdade material estribase no princípio da legalidade, e por ele, portanto, deve ser limitado. Logo, eventual aplicação do principio da verdade material não pode ocorrer ao alvedrio da legislação, em seu detrimento, derrogando suas disposições, tampouco se afastar de sua teleologia. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, da Constituição de 1988, submete a Administração ao principio da legalidade. Requer, assim, que seja conhecido o recurso, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 23/07/14 (efl. 169), não houve oferecimento de contrarrazões e/ou Recurso Especial de iniciativa do contribuinte, que se limitou a comunicar o pagamento da parte do auto não litigada no presente Recurso (efl. 172). Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10830.720350/200751 Acórdão n.º 9202005.695 CSRFT2 Fl. 187 6 É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Faço notar que a a indispensabilidade do ADA " (...) junto ao IBAMA ou órgão conveniado", constante do segundo paradigma de forma expressa, me leva à conclusão de que, também no presente caso, o Colegiado paradigmático rejeitaria as meras declarações do órgãos ambientais estaduais e municipais de forma a que ´pudesse conceder a exclusão admitida pelo Colegiado a quo, caracterizando, destarte, a divergência. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 10/11/2007 consoante edital de efl. 21; b) ADA não há; c) Documento de efls. 36 a 40 Laudos de Vistoria Técnica de Órgão Estadual e Ambiental, contemplando a existência da APP em litígio (30 ha, concedida pelo Colegiado a quo), datados de 16 de janeiro de 2008; Limitado o litígio assim, à possibilidade de exclusão dos 30,0 ha. a título de área de preservação permanente (consoante concedido pelo acórdão recorrido), acerca do tema entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10830.720350/200751 Acórdão n.º 9202005.695 CSRFT2 Fl. 188 7 Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10830.720350/200751 Acórdão n.º 9202005.695 CSRFT2 Fl. 189 8 Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito não foi efetivamente cumprido pelo contribuinte, não havendo qualquer ADA anexado aos autos. Notase somente a existência de docs. de efls. 36 a 40, emitidos em 16/01/2008, assim muito posteriormente ao prazo de apresentação do ADA estabelecido pela regulamentação infralegal da RFB (prazo limite: 31/03/04, consoante Instrução Normativa SRF no. 344, de 2003) e, também, notese, posteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em 10/11/07. Assim, mesmo que, a bem do debate, se admitisse que tais documentos pudessem suprir a apresentação do ADA, tal apresentação teria se dado de forma intempestiva, de forma a não se poder permitir a exclusão da APP ali constante da área tributável pelo ITR. Concluo neste sentido pelo fato de entender que, quanto ao momento de entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.720350/200751 Acórdão n.º 9202005.695 CSRFT2 Fl. 190 9 De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.720350/200751 Acórdão n.º 9202005.695 CSRFT2 Fl. 191 10 Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.720350/200751 Acórdão n.º 9202005.695 CSRFT2 Fl. 192 11 De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que: a) no caso em questão, não houve entrega de ADA, contemplando a área de preservação permanente glosada de 30,0 ha., em litígio e b) mesmo os docs. de efls. 36 a 40, aceitos pelo Colegiado a quo, somente foram emitidos em 16/01/08 (efls. 36 a 40), assim, posteriormente ao início da ação fiscal (iniciada em 10/11/07, conforme efl. 21), é de se manter a glosa da área de preservação permanente perpretada pela autoridade fiscal, revertendose, destarte, o provimento parcial concedido pelo Colegiado a quo e restabelecendose o lançamento em sua totalidade. Assim, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901572/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.921
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 72 /2 01 2- 02 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901572/201202 Acórdão n.º 3201002.921 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.553, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901572/201202 Acórdão n.º 3201002.921 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901572/201202 Acórdão n.º 3201002.921 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901572/201202 Acórdão n.º 3201002.921 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901572/201202 Acórdão n.º 3201002.921 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901572/201202 Acórdão n.º 3201002.921 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901572/201202 Acórdão n.º 3201002.921 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901572/201202 Acórdão n.º 3201002.921 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901572/201202 Acórdão n.º 3201002.921 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.000726/2008-09
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2003, 2004, 2005, 2006, 2007
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES INAPLICÁVEL PARA EXERCÍCIOS PRETÉRITOS. ERRO NA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AFASTAMENTO
DOS SEUS EFEITOS.
A exclusão do SIMPLES dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu representante legal, incorrer na conduta de embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam
a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). A exclusão do SIMPLES, no caso de embaraço à fiscalização, não tem efeito para açambarcar períodos de apuração pretéritos, mas tão somente tem efeito jurídico para abarcar períodos de apuração a partir, inclusive, do mês de
ocorrência de tal conduta praticada contra a fiscalização.
IRPJ E REFLEXOS. EXIGÊNCIA FISCAL PREJUDICADA.
Não configurada a exclusão do SIMPLES para os períodos pretéritos, pelo afastamento dos efeitos jurídicos do ato declaratório editado com erro ou equívoco de aplicação da legislação de regência, reflexamente ficam
prejudicados ou insubsistentes os autos de infração aplicados, pois dele dependentes.
Numero da decisão: 1802-000.936
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2003, 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES INAPLICÁVEL PARA EXERCÍCIOS PRETÉRITOS. ERRO NA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AFASTAMENTO DOS SEUS EFEITOS. A exclusão do SIMPLES dar-se-á de ofício quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu representante legal, incorrer na conduta de embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). A exclusão do SIMPLES, no caso de embaraço à fiscalização, não tem efeito para açambarcar períodos de apuração pretéritos, mas tão somente tem efeito jurídico para abarcar períodos de apuração a partir, inclusive, do mês de ocorrência de tal conduta praticada contra a fiscalização. IRPJ E REFLEXOS. EXIGÊNCIA FISCAL PREJUDICADA. Não configurada a exclusão do SIMPLES para os períodos pretéritos, pelo afastamento dos efeitos jurídicos do ato declaratório editado com erro ou equívoco de aplicação da legislação de regência, reflexamente ficam prejudicados ou insubsistentes os autos de infração aplicados, pois dele dependentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2231; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.000726/200809 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 1802000.936 – 2ª Turma Especial Sessão de 30 de junho de 2011 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES E AUTOS DE INFRAÇÃO DO IRPJ E REFLEXOS Recorrente JACKSON A. M. HARTMANN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES INAPLICÁVEL PARA EXERCÍCIOS PRETÉRITOS. ERRO NA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AFASTAMENTO DOS SEUS EFEITOS. A exclusão do SIMPLES darseá de ofício quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu representante legal, incorrer na conduta de embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). A exclusão do SIMPLES, no caso de embaraço à fiscalização, não tem efeito para açambarcar períodos de apuração pretéritos, mas tãosomente tem efeito jurídico para abarcar períodos de apuração a partir, inclusive, do mês de ocorrência de tal conduta praticada contra a fiscalização. IRPJ E REFLEXOS. EXIGÊNCIA FISCAL PREJUDICADA. Não configurada a exclusão do SIMPLES para os períodos pretéritos, pelo afastamento dos efeitos jurídicos do ato declaratório editado com erro ou equívoco de aplicação da legislação de regência, reflexamente ficam prejudicados ou insubsistentes os autos de infração aplicados, pois dele dependentes. Recurso Voluntário Provido Fl. 790DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gilberto Baptista, Jose de Oliveira Ferraz Correa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 795/799 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Santa Maria (fls. 788/793) que julgou: a) a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a exclusão da recorrente do SIMPLES, com efeito jurídico a partir 01/04/2003; b) a impugnação improcedente, mantendo os autos de infração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Arbitrado, e da Contribuição para o PIS e da Cofins com base na receita bruta, quanto aos anoscalendário 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. A decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl.788): (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. CONFIGURAÇÃO A falta de entrega de livros fiscais obrigatórios configura embaraço à fiscalização, justificando a exclusão do Simples. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 791DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 11070.000726/200809 Acórdão n.º 1802000.936 S1TE02 Fl. 2 3 Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo n° 11070.000726/200809, ACORDAM os julgadores da 1ª Turma da DRJ em Santa Maria, RS, por maioria de votos, JULGAR IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade do sujeito passivo e MANTER os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Vencido o relator. (...) Quanto aos fatos, por resumir a lide até então, reproduzo o relatório da decisão a quo (fl. 789verso), in verbis: (...) O contribuinte, optante pelo Simples, foi excluído do referido sistema de tributação (Ato Declaratório às fls. 276) pelo fundamento de embaraço à fiscalização, como definido no inc. II do art. 14 da Lei n° 9.317, de 1996, pois, no curso de ação fiscal, apresentou à fiscalização diversos documentos, conforme relação de fls. 09. Entretanto, não apresentou a escrituração contábil a que estava obrigado, tendo apresentado somente os livros Diário e Razão dos anoscalendário de 2005 e 2006 sem a escrituração da movimentação financeira dos períodos. Como consequência da exclusão do sistema de tributação pelo Simpes foi arbitrado o lucro do sujeito passivo, tomandose como base a receita conhecida constante nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica, e lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 290/295), de CSLL (fls. 340/345), de PIS (fls. 307/312) e de Cofins (fls. 324/329), totalizando o crédito tributário lançado R$ 41.860,33. Primeiramente, o contribuinte manifesta seu inconformismo com o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples (fls. 574/575) alegando que os livros solicitados não foram localizados e que provavelmente tenham sido danificados e/ou extraviados em face da ocorrência de sinistro (queda de granizo), que atingiu toda a região em outubro de 2007 e que danificou totalmente a cobertura do seu estabelecimento, conforme boletim de ocorrência policial 745/2007, cópia em anexo. Providenciou a emissão da segunda via dos livros, retratando fielmente a escrituração do período, e a autenticação na junta comercial, anexando as vias originais à sua impugnação. Por fim, requer seja restabelecido o seu enquadramento no Simples. Na impugnação dos autos de infração (fls. 572/573) reforça a tese de que extraviou ou/danificou os livros em face da danificação do seu estabelecimento comercial pela queda de granizo, requerendo, ao final, que seja reconsiderada a exclusão Fl. 792DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL 4 do Simples e, conseqüentemente, o cancelamento dos autos de infração. (...) Irresignado com a decisão da DRJ/Santa Maria, da qual tomou ciência em 22/09/2009 (fl. 794), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 20/10/2009 de fls. 795/799, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a exclusão do SIMPLES, por "embaraço à fiscalização", foi justificada pelo fisco como sendo por não atendimento à intimação para apresentação dos livros contabéis; que não foram apresentados livros dos anoscalendário 2003 e 2004, pois não foram localizados nos arquivos da empresa (face troca de escritório de contabilidade com a devolução de tais livros à empresa e posterior extravio); que a falta desses livros só foi percebida durante o procedimento de fiscalização, quando houve necessidade de apresentálos; que foi solicitado ao escritório contábil, responsável pela escrituração no período, que fossem gerados (2ª via) desses livros, retratando fielmente a escrituração do período; que os livros foram submetidos a nova autenticação na Junta Comercial cujas vias foram anexadas na impugnação de primeira instância; que a exclusão do SIMPLES foi procedida mesmo apresentados diversos documentos à fiscalização que comprovam as receitas auferidas nos anos de 2003 e 2004, conforme relação de fls. 09; que não houve por parte do contribuinte qualquer tipo de sonegação de informações ao fisco; que documentos e informações apresentados conferem ou confirmam, integralmente, tudo o que já havia sido informado à Receita Federal obrigações acessórias – antes do início do procedimento de fiscalização (Ex.: declarações do SIMPLES do período fiscalizado), fato que demonstra a total ausência de interesse em obstaculizar o trabalho da fiscalização; que preferiu o fisco, no entanto, aterse a não apresentação dos livros de 2003 e 2004, mesmo inexistindo qualquer omissão de receitas que pudessem interferir em diferenças de tributos; que, conforme ficou consignado pelo voto vencido do Relator da decisão recorrida, não houve embaraço à fiscalização; que não restou comprovado dolo; Por fim, diante do exposto e pelos motivos apresentados, o contribuinte requer seja reformada a decisão recorrida, dando provimento ao recurso para: desconsiderar o ato declaratório de exclusão do SIMPLES; desconsiderar os autos de infração decorrentes do desenquadramento referido acima, inclusive quanto ao arbitramento dos resultados (medida inadequada para casos em que a receita é perfeitamente conhecida e informada à fiscalização); Fl. 793DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 11070.000726/200809 Acórdão n.º 1802000.936 S1TE02 Fl. 3 5 que, na hipótese de não provimento do recurso, autorizar a compensação integral dos valores pagos a título de SIMPLES (parcela do INSS não foi compensada de ofício) e declarar a manutençao do enquadramento no SIMPLES para o anocalendário 2006. É o relatório. Fl. 794DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a lide tem como objetos o ato de exclusão do SIMPLES (ato declaratório) com efeito a partir de 01/04/2003 e o lançamento do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anoscalendário 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. O recorrente, nas razões do seu recurso, alegou que não restara configurado o indigitado “embaraço à fiscalização” e que, por conseguinte, não devem prosperar o ato de exclusão do SIMPLES e os autos de infração. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito da lide. Quanto aos fatos que teriam caracterizado o embaraço à fiscalização, consta dos autos que: a) inicialmente, o contribuinte foi intimado pela fiscalização, via postal, em 01/08/2007 (fl. 07), do Termo de Início de Fiscalização de fl. 06, para apresentação dos seguintes livros e documentos, in verbis: (...) No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e na forma do disposto no art. 7° da Lei n° 2.354/54 e no art. 7° do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, damos início à fiscalização do contribuinte acima identificado, INTIMANDOO a apresentar, os elementos abaixo especificados: Prazo: 5 dias úteis Período de apuração: janeiro/2003 a junho/2007 1 Livros Caixa ou Diário e Razão 2 Livro Registro de Entradas 3 Livro Registro de Saídas 4 Livro Registro de Apuração do ICMS 5 Contrato/Estatuto Social e suas alterações 6 Extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras 7 Todos os comprovantes das receitas, custos e despesas 8 Cópia de ações judiciais eventualmente existentes versando sobre tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Fl. 795DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 11070.000726/200809 Acórdão n.º 1802000.936 S1TE02 Fl. 4 7 (...) b) deixando de cumprir – em parte – essa intimação fiscal, houve nova intimação fiscal e da qual o contribuinte tomou ciência, via postal, em 19/02/2008 (fl.79). Nessa intimação fiscal de fl.78 foi solicitada: (...) No exercício das funções de Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil, e considerando que até o presente momento, na fiscalização em andamento na empresa em epígrafe, foi constatado o seguinte: 1 O contribuinte fiscalizado apresentou, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, os livros Diário e Razão dos anos calendário de 2005 e 2006. Nestes documentos não está escriturada a movimentação financeira. No que se refere aos anos calendário de 2003 e 2004, não foi apresentada documentação. Isto posto, nos termos do artigo 927 do Regulamento do Imposto de Renda/99, aprovado pelo Decreto Nr. 3.000, de 26/03/99, intimamos a empresa acima identificada, a que, no prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento deste AR apresente a esta fiscalização os documentos contábeis exigidos pela legislação em vigor e que não foram entregues em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, bem como os documentos que embasaram as mesmas (notas fiscais de entrada e saída). A não apresentação desta documentação no prazo supracitado caracterizará embaraço à fiscalização, com fulcro no inciso II do art. 14 da lei 9.317/96. (...) c) em resposta à fiscalização, o contribuinte prestou adicionalmente os seguintes esclarecimentos em 22/02/2008 (fl.80): (...) A FIRMA JACKSON A. M. HARTMANN, CNPJ: 05.505.998~8, representada neste ato por seu Titular Sr. JACKSON ANDRÉ MITLLER HARTMANN, portador da CI: 1068515434 e do CIC: 003.728.41007, brasileiro, solteiro, empresário, residente e domiciliado na Rua Padre Augusto, 949, Vila Operário— Santo Cristo RS; Vem mui respeitosamente a presença de V.Sª., com o fim especial de: a) Informa que a documentação contábil exigida não foi apresentada por ser ME e até o ano de 2004 estava dispensada dessa documentação; Porém estamos apresentando as notas de entradas e saídas que deram origem aos Tributos que foram devidamente recolhido nos tempos hábeis; Assim sendo, espero contar com a sensibilidade desse Auditor Fiscal e dar por encerrada essa questão, pois dentro das possibilidades havidas fizemos tudo para ter o nosso comércio Fl. 796DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL 8 em dia tanto na escrituração fiscal quanto nos pagamentos de tributos devidos. (...) (Grifei) d) o contribuinte, ademais, apresentou à fiscalização cópias de extratos bancários da conta corrente no BANRISUL, apenas do período abril/2004 a junho/2007 (fls. 82/159) e do Banco do Brasil do período março/2006 a junho/2006 (fl. 160/191); forneceu, ainda, cópia das PJSI (declaração anual) dos anoscalendário 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, com respectivas receitas faturamento (fls. 192/274). Não obstante, o recorrente foi excluído do SIMPLES por embaraço à fiscalização Ato Declaratório de 12 de junho de 2008, com efeito jurídico a partir de 01/04/2003 (fl. 276), in verbis: (...) Art. 1° A EXCLUSÃO da empresa JACKSON A M HARTMANN, CNPJ n° 05.505.998/000108, estabelecida na Rua Padre Augusto, 949, Vila Operário, no Município de Santo Cristo— RS, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, instituído pela Lei n° 9.317, de 1996, por embaraço a fiscalização, nos termos do art. 14. inc. II, da Lei mencionada, combinado com o art. 23, inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 355, de 29 de agosto de 2003, caracterizada pelo embaraço a fiscalização, consoante informações contidas no processo administrativo n° 11070.000726/200809. Art. 2° A presente exclusão surte efeitos a partir de 01 de abril de 2003, tendo em vista o disposto no art. 15, inciso V, da referida Lei 9.317, de 1996, combinado com o artigo 24, inciso V, da Instrução Normativa SRF n° 355, de 29 de agosto de 2003. (...) Ainda, houve lançamento do IRPJ e reflexos dos anoscalendário 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 (fls. 280/348) e Relatório Fiscal (fls. 349/354). Embora fornecidos os dados de movimentação financeira – extratos bancários de alguns períodos de apuração (movimentação financeira bancária não escriturada), a fiscalização não apurou Omissão de Receitas nesses anoscalendários e não apurou excesso de receitas para exclusão do SIMPLES, mas simplesmente, em face do embaraço à fiscalização, efetuou os lançamentos das exações fiscais com base na receita bruta constante das declarações simplificadas do SIMPLES, aplicando a legislação tributária a que alude o art. 16 da Lei nº 9.317/96 (procedendo o arbitramento do lucro). No caso, diversamente do fundamento alegado pelo recorrente, a pretensão fiscal deve ser afastada NÃO pela falta de caracterização do embaraço à fiscalização que restou demonstrada, mas por erro ou equívoco do fisco na aplicação da legislação de regência. O embaraço à fiscalização, quando caracterizado ou configurado, implica exclusão do SIMPLES, com efeito jurídico, a partir da data da infração negativa de fornecimentos dos livros contábeis/fiscais (embaraço à fiscalização). Fl. 797DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 11070.000726/200809 Acórdão n.º 1802000.936 S1TE02 Fl. 5 9 Por conseguinte, a exclusão do SIMPLES, no caso de embaraço à fiscalização, diversamente da imputação da fiscalização, não pode abarcar períodos pretéritos, não deve se estender aos anoscalendário ou períodos de apuração já encerrados na data do embaraço à fiscalização, mas tãosomente para os períodos de apuração futuros, a partir dessa infração. Nesse sentido, transcrevo o disposto nos arts. 14 e 15 da Lei nº 9.317/96: (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I – (...) II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); III – (...) IV – (...) V – (...) VI – (...) VII – (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I (...) II – (...) III – (...) IV – (...) V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI – (...) Como demonstrado, a exclusão do SIMPLES por embaraço à fiscalização, no caso, foi equivocada, pois não poderia abarcar os períodos de apuração pretéritos, mas tão somente os períodos de apuração a partir da data de configuração do embaraço à fiscalização. No Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES nº 13, de 12 de junho de 2008, não consta a data de configuração da infração “embaraço à fiscalização” (fl. 276); porém, o procedimento de fiscalização começou em 01/08/2007, conforme Termo de Fl. 798DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL 10 Início de Fiscalização e ciência pelo contribuinte (fls. 06/07). E, posteriormente, ainda foi houve a intimação fiscal de 19/02/2008 para reiterar solicitações não atendidas na primeira intimação (fls. 78/79). Portanto, deve ser afastada a aplicação do indigitado Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES, pois foi editado, equivocadamente, para abarcar períodos de apuração pretéritos (encerrados) dos anoscalendário 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, quando deveria regular, apenas, períodos de apuração futuros, a partir da infração “embaraço à fiscalização”. Por decorrência (efeito reflexo), ficam prejudicados os autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) dos anoscalendário 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, objeto dos autos. Por tudo que foi exposto, VOTO para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 799DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 11052.001138/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade.
SIGILO DAS OPERAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001, LEI ORDINÁRIA Nº 10.174/01 E SEUS DECRETOS REGULAMENTARES (DECRETOS Nº 3.724, DE 2001, E Nº 4.489, DE 2009). CONSTITUCIONALIDADES DECLARADAS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
1. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto das ADI 2.859, 2.390, 2.386 e2.397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, da Lei nº 10.174/01 e dos Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, concluiu pela constitucionalidade das normas.
2. A Lei Complementar nº 105/2001 e os Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista.
3. Na sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal e A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA.
A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.)
JUROS RECEBIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte provar que estão incorretas as conclusões da autoridade lançadora respeitantes a valor lançado com base em contratos, transferências bancárias e recibos, nos quais figuram como partes o contribuinte e os mutuários.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Somente a partir da vigência da Medida Provisória 351, de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual.
IRPF. NUMERÁRIO DECLARADO EM ESPÉCIE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LEVANTAMENTO DO FLUXO DE CAIXA. ÔNUS DA PROVA
Cabe ao contribuinte comprovar o erro material referente aos valores declarados na Declaração de Ajuste Anual como dinheiro em espécie, aceitos pela fiscalização para justificar acréscimo patrimonial.
Numero da decisão: 2301-005.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, DENEGAR O PEDIDO DE DILIGÊNCIA; vencido o conselheiro Wesley Rocha, que o acatava; (b) por unanimidade de votos REJEITAR AS PRELIMINARES, e, (c) por unanimidade de votos, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão no ano-calendário de 2005.
Acompanhou o julgamento o Dr. Lucas Porto Pereira, OAB/DF 51.307.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. SIGILO DAS OPERAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001, LEI ORDINÁRIA Nº 10.174/01 E SEUS DECRETOS REGULAMENTARES (DECRETOS Nº 3.724, DE 2001, E Nº 4.489, DE 2009). CONSTITUCIONALIDADES DECLARADAS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto das ADI 2.859, 2.390, 2.386 e2.397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, da Lei nº 10.174/01 e dos Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, concluiu pela constitucionalidade das normas. 2. A Lei Complementar nº 105/2001 e os Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista. 3. Na sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal e A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.) JUROS RECEBIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte provar que estão incorretas as conclusões da autoridade lançadora respeitantes a valor lançado com base em contratos, transferências bancárias e recibos, nos quais figuram como partes o contribuinte e os mutuários. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Somente a partir da vigência da Medida Provisória 351, de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. IRPF. NUMERÁRIO DECLARADO EM ESPÉCIE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LEVANTAMENTO DO FLUXO DE CAIXA. ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte comprovar o erro material referente aos valores declarados na Declaração de Ajuste Anual como dinheiro em espécie, aceitos pela fiscalização para justificar acréscimo patrimonial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, DENEGAR O PEDIDO DE DILIGÊNCIA; vencido o conselheiro Wesley Rocha, que o acatava; (b) por unanimidade de votos REJEITAR AS PRELIMINARES, e, (c) por unanimidade de votos, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão no ano-calendário de 2005. Acompanhou o julgamento o Dr. Lucas Porto Pereira, OAB/DF 51.307. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
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Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. SIGILO DAS OPERAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001, LEI ORDINÁRIA Nº 10.174/01 E SEUS DECRETOS REGULAMENTARES (DECRETOS Nº 3.724, DE 2001, E Nº 4.489, DE 2009). CONSTITUCIONALIDADES DECLARADAS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto das ADI 2.859, 2.390, 2.386 e2.397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, da Lei nº 10.174/01 e dos Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, concluiu pela constitucionalidade das normas. 2. A Lei Complementar nº 105/2001 e os Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista. 3. Na sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 11 38 /2 01 0- 17 Fl. 1315DF CARF MF 2 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.) JUROS RECEBIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte provar que estão incorretas as conclusões da autoridade lançadora respeitantes a valor lançado com base em contratos, transferências bancárias e recibos, nos quais figuram como partes o contribuinte e os mutuários. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Somente a partir da vigência da Medida Provisória 351, de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. IRPF. NUMERÁRIO DECLARADO EM ESPÉCIE NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LEVANTAMENTO DO FLUXO DE CAIXA. ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte comprovar o erro material referente aos valores declarados na Declaração de Ajuste Anual como “dinheiro em espécie, aceitos pela fiscalização para justificar acréscimo patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, DENEGAR O PEDIDO DE DILIGÊNCIA; vencido o conselheiro Wesley Rocha, que o acatava; (b) por unanimidade de votos REJEITAR AS PRELIMINARES, e, (c) por unanimidade de votos, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão no anocalendário de 2005. Acompanhou o julgamento o Dr. Lucas Porto Pereira, OAB/DF 51.307. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1247.678, exarado pela 18ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (efls. 1.254 a 1.268). O auto de infração (efls. 1.127 a 1.139) é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito a (efls. 1088 a 1126): a) omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrente de juros recebidos de pessoas físicas na liquidação de mútuos, nos anoscalendário 2005 e 2007; b) omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, por excesso de aplicações sobre origens não respaldadas por rendimentos declarados/comprovados, no anocalendário 2005; c) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários realizados durante os anoscalendário 2005 e 2006 em contas bancárias mantidas nos bancos Bradesco (c/c 2283, agência 32280) e Real (c/c 7.7036815, agência 0003), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; d) falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) devido a título de carnêleão, nos anoscalendário 2005 e 2007. Sobre o imposto apurado, no valor de R$548.222,20, foram aplicados multa proporcional, juros de mora regulamentares e lançada multa exigida isoladamente, com fulcro nos dispositivos legais apontados às efls. 1129 a 1132 e 1138, perfazendo um total de R$1.253.170,79. A DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS: JUROS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Estão sujeitos ao carnêleão os rendimentos omitidos decorrentes de juros recebidos de pessoas físicas na liquidação de contratos de mútuo. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física quando este acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte. Fl. 1317DF CARF MF 4 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei impõe exclusivamente ao sujeito passivo comprovar a origem dos depósitos mantidos em contas bancárias de sua titularidade, sendo obrigação do impugnante provar por meio de documentação hábil e idônea a procedência do depósito e a sua natureza. Tais elementos de prova devem coincidir em datas e valores com cada depósito que se pretenda comprovar. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação da convicção pela autoridade julgadora. Inclusive, compete unicamente ao contribuinte produzir as provas que julgar necessárias à sua defesa, sendo incorreto imputar tal obrigação à Fazenda Nacional. DECISÕES DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelo extinto Conselho de Contribuintes não se constituem em normas gerais, não podendo seus julgados serem aproveitados em qualquer outra ocorrência senão naquela objeto da decisão. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Tais penalidades estão previstas na legislação tributária e devem ser aplicadas nos moldes em que a norma legal determina. Não há nenhuma ilegalidade ao serem lançadas as duas multas no auto de infração, tendo em vista que o fato gerador e a base de cálculo das referidas penalidades são completamente distintos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão pelo contribuinte ocorreu em 02/08/2012 (termo de vista de processo, efl. 1.270). Em 31/08/2012, foi apresentado recurso voluntário pelo contribuinte (efls. 1.280 a 1.296), sendo alegado, em síntese: (a) a nulidade do auto de infração pela quebra do sigilo bancário; (b) a necessidade de conversão em diligência para comprovação da origem dos recursos depositados em conta bancária; (c) haver erro de premissa, pois não há juros nos contratos de mútuo; Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 4 5 (d) ser improcedente a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento da antecipação do IRPF devido a título de carnêleão; (e) a ocorrência de erro material no preenchimento de declaração anual; Foi requerido: (1) o acolhimento da preliminar de nulidade do auto de infração; (2) a reforma da decisão recorrida, reconhecendo a inexistência de acréscimo patrimonial tributável; e (3) subsidiariamente, em nome do princípio da verdade material, acaso não se acolha os demais pedidos, diligência para se aferir a existência do crédito tributário, e, com o resultado desta, seja declarado improcedente o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior PRELIMINARES DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO É alegada a nulidade do auto de infração, uma vez que suas movimentações financeiras foram apuradas pela Fiscalização através de extratos bancários da recorrente, apresentados após coação fiscal; ocorre que os extratos bancários são documentos protegidos por sigilo fiscal, nos termos do art. 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal e, como tal, só podem ser acessados após prévia autorização judicial, a qual inexiste no presente caso, de modo que não há dúvidas da ilicitude de tais provas, nos termos do art. 5º, inciso LVI, da Constituição Federal; sobre a matéria, o Recurso Extraordinário 601.314/RS e o Recurso Extraordinário 389.808/PR. Não assiste razão ao recorrente. No processo administrativo fiscal, as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, que não prevê a hipótese em comento: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 1319DF CARF MF 6 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) Não há sequer alegação da existência de ato ou termo lavrados por pessoa incompetente, nem existe qualquer despacho ou decisão proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Além disso, não há qualquer ilegalidade, nulidade ou irregularidade na requisição e obtenção de documentos bancários pela Receita Federal do Brasil junto às instituições financeiras, pois, para tanto há suporte jurídico na Lei Complementar 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 2001, e na Lei 10.174, de 2001. Ademais, em 24/02/2016, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento das ADI 2859, 2390, 2386 e 2397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001 que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial, concluindo pela constitucionalidade das normas. No julgamento do Recurso Extraordinário 601.314, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Transcrevo a ementa da ADI 2859: Ação direta de inconstitucionalidade. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Normas federais relativas ao sigilo das operações de instituições financeiras. Decreto nº 4.545/2002. Exaurimento da eficácia. Perda parcial do objeto da ação direta nº 2.859. Expressão "do inquérito ou", constante no § 4º do art. 1º, da Lei Complementar nº 105/2001. Acesso ao sigilo bancário nos autos do inquérito policial. Possibilidade. Precedentes. Art. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentadores. Ausência de quebra de sigilo e de ofensa a direito fundamental. Confluência entre os deveres do contribuinte (o dever fundamental de pagar tributos) e os deveres do Fisco (o dever de bem tributar e fiscalizar). Compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de compartilhamento de informações bancárias. Art. 1º da Lei Complementar nº 104/2001. Ausência de quebra de sigilo. Art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. Informações necessárias à defesa judicial da atuação do Fisco. Constitucionalidade dos preceitos impugnados. ADI nº 2.859. Ação que se conhece em parte e, na parte conhecida, é julgada improcedente. ADI nº 2.390, 2.386, 2.397. Ações conhecidas e julgadas improcedentes. 1. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859, que têm como núcleo comum de impugnação normas relativas ao fornecimento, pelas instituições financeiras, de informações bancárias de contribuintes à administração tributária. Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 5 7 2. Encontrase exaurida a eficácia jurídiconormativa do Decreto nº 4.545/2002, visto que a Lei n º 9.311, de 24 de outubro de 1996, de que trata este decreto e que instituiu a CPMF, não está mais em vigência desde janeiro de 2008, conforme se depreende do art. 90, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. Por essa razão, houve parcial perda de objeto da ADI nº 2.859/DF, restando o pedido desta ação parcialmente prejudicado. Precedentes. 3. A expressão "do inquérito ou", constante do § 4º do art. 1º da Lei Complementar nº 105/2001, referese à investigação criminal levada a efeito no inquérito policial, em cujo âmbito esta Suprema Corte admite o acesso ao sigilo bancário do investigado, quando presentes indícios de prática criminosa. Precedentes: AC 3.872/DFAgR, Relator o Ministro Teori Zavascki, Tribunal Pleno, DJe de 13/11/15; HC 125.585/PE AgR, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe de 19/12/14; Inq 897AgR, Relator o Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, DJ de 24/3/95. 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa. 6. O Brasil se comprometeu, perante o G20 e o Fórum Global sobre Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Tributários (Global Forum on Transparency and Exchange of Information for Tax Purposes), a cumprir os padrões Fl. 1321DF CARF MF 8 internacionais de transparência e de troca de informações bancárias, estabelecidos com o fito de evitar o descumprimento de normas tributárias, assim como combater práticas criminosas. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública. Outrossim, a previsão vai ao encontro de outros comandos legais já amplamente consolidados em nosso ordenamento jurídico que permitem o acesso da Administração Pública à relação de bens, renda e patrimônio de determinados indivíduos. 8. À ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, órgão da AdvocaciaGeral da União, caberá a defesa da atuação do Fisco em âmbito judicial, sendo, para tanto, necessário o conhecimento dos dados e informações embasadores do ato por ela defendido. Resulta, portanto, legítima a previsão constante do art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. 9. Ação direta de inconstitucionalidade nº 2.859/DF conhecida parcialmente e, na parte conhecida, julgada improcedente. Ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, 2397, e 2386 conhecidas e julgadas improcedentes. Ressalva em relação aos Estados e Municípios, que somente poderão obter as informações de que trata o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de maneira análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, de modo a resguardar as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários. (Grifouse.) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA O recorrente afirma ser grande contribuinte do Fisco, tendo sempre cumprido plenamente com todas as suas obrigações fiscais; partindo dessa premissa, afirma que os rendimentos supostamente omitidos não se mostram deveras significativos, tendo em vista que no anocalendário de 2005 obteve rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva no montante de cento e treze milhões, vinte e cinco mil, treze reais e noventa centavos; não obstante, a fim de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos em voga, necessita de maiores informações acerca dos créditos em sua conta, como, por exemplo, os nomes dos depositantes e/ou microfilmes dos cheques; afirma ter solicitado tais elementos de prova por diversas vezes às instituições financeiras em que mantém conta corrente ainda no curso da fiscalização, sendo que até aqui não logrou êxito em obtêlas, fato que inviabiliza por completo a comprovação da origem dos créditos no momento; solicita, assim, que Fisco diligencie junto às instituições financeiras, afirmando ser essa a única forma de se demonstrar a correção de seu procedimento. Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 6 9 A tributação em exame tem como base legal o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 1323DF CARF MF 10 Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. Entendo não haver necessidade do deferimento do pedido de diligência no presente caso. No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Além do mais, descabe diligência ou perícia para averiguação de fato que possa ser comprovado com a juntada de prova documental, cuja guarda e/ou comprovação está a cargo do sujeito passivo, como se dá no presente caso. O próprio recorrente relata que já solicitou a documentação às instituições bancárias nas quais possui conta, sem sucesso. De fato, restou demonstrado que o recorrente realizou solicitações de informações às instituições financeiras (efls. 1.200 a 1.207); não foram juntadas aos autos, porém, a respostas das instituições financeiras. Ora, não é razoável supor que uma instituição financeira negue a seu correntista informação que possui concernente à conta corrente do solicitante, ainda mais quando esse for pessoa física cujos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva em determinado ano sejam superiores a cento e quinze milhões de reais. Se, mesmo assim, as informações não foram fornecidas ao contribuinte/correntista, não é crível supor que elas seriam, várias anos mais tarde, fornecidas ao Fisco. O dever de fornecer a prova da origem de seus recursos é do contribuinte – o qual não o nega. Não tendo conseguido fazer tal prova no período de tempo que vai de 2009 (ano da fiscalização) até 2017 (ano deste julgamento), uma diligência à instituição financeira se revela, neste momento, inútil procedimento procrastinatório. DA ALEGAÇÃO DE ERRO DE PREMISSA POR NÃO HAVER JUROS NOS CONTRATOS DE MÚTUO O recorrente alega que realizou empréstimos a pessoas físicas durante o período fiscalizado; sustenta que, segundo a autoridade fiscal, os valores recebidos teriam sido acrescidos de juros, que não teriam sofrido a incidência do imposto de renda, violando, por conseguinte, o art. 55 do Regulamento de Imposto de Renda – Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99); afirma que o fisco cometeu um erro de premissa, uma vez que realizou unicamente o cotejo entre os valores transferidos e posteriormente recebidos em sua conta corrente; no entanto, diz, foi desconsiderado o fato de que tais empréstimos poderiam ter sido feitos/complementados também em espécie, como ocorreu no presente caso; noutros termos, partiuse da equivocada premissa de que o contrato de mútuo firmado entre as partes tinha como obrigação do mutuante tão somente a obrigação de depósito em contas correntes, presumindo que a diferença entre os valores transferidos, via TED, e os posteriormente recebidos teriam a natureza de juros, pelo que incidiria o imposto de renda; contudo, essa diferença foi entregue em espécie (fls. 12091212), deixando de ser considerado pela fiscalização o valor utilizado em espécie para complemento dos contratos de mútuo entre as partes, fato que, por si só, comprova a inexistência de juros na operação e, por conseguinte, a Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 7 11 inocorrência de acréscimo patrimonial; a título ilustrativo, vale mencionar que o mútuo entre pessoas físicas não se equipara às aplicações financeiras de renda fixa, mas que, ainda assim, seu rendimento encontrase sujeito ao imposto de renda carneleão e na declaração anual, por se enquadrar no conceito de rendimento expresso no art. 43, do Código Tributário Nacional. Não lhe assiste razão. A Fiscalização determinou o valor dos mútuos concedidos a Fernando Salles Teixeira de Mello, Olimpio Uchoa Vianna, José de Vasconcellos e Silva e Eugenio Pacelli Marques de Almeida Holanda com base em contratos escritos, denominados “Instrumento Particular de Mútuo” e recibos dos envolvidos nos negócios jurídicos (efls. 836 a 889), confrontandoos com as correspondentes transferências eletrônicas disponíveis (TED) – como exemplo, transferência do contribuinte para os mutuários às efls. 448 e 952, e recebimentos dos valores emprestados às efls. 451, 455, 960, 963 e 1020 (relação completa dos TED às e fls. 1.092 a 1.095, no Termo de Constatação Fiscal). Assim, os montantes lançados a título de juros, no valor de R$68.333,33 nos negócios celebrados com Fernando Salles Teixeira de Mello, Olimpio Uchoa Vianna e José de Vasconcellos e Silva (cujo valores objeto dos mútuos foram, respectivamente, R$2.180.294,10, R$1.917.104,25 e R$1.985.437,58) e de R$270.280,04 nos negócios celebrados Eugenio Pacelli Marques de Almeida Holanda (cujo valor objeto dos dois mútuos foi R$7.813.351,35) foram constatados e comprovados por documentação hábil e idônea. Entendo que as alegações do recorrente – que os valores repassados pelos mutuário a maior do que o recebido por estes não decorreriam de juros, mas da devolução de outros mútuos – não restaram provadas; não foram realizadas provas da existência de outros contratos de mútuos e as planilhas acostadas às efls. 1.209 a 1.212 (aparentemente elaboradas pelo contendente) não são suficientes para refutar as provas apresentadas pela Fiscalização. Ademais, o recorrente também foi lançado por acréscimo patrimonial a descoberto em 2005, mesmo anocalendário em que foram emprestados os valores a Fernando Salles Teixeira de Mello, Olimpio Uchoa Vianna e José de Vasconcellos e Silva; a alegação de que os valores emprestados foram maiores do que o contatado pela fiscalização poderia, em tese, vir a prejudicar o recorrente, na medida em que, caso comprovada a afirmação, o acréscimo patrimonial a descoberto necessariamente seria maior do que o já lançado. DA MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO IRPF A TÍTULO DE CARNÊLEÃO O recorrente afirma que, se acolhidos os seus argumentos expostos na questão relativa ao lançamento dos juros, também não haverá a incidência da multa isolada sobre tais valores; caso contrário, a multa em comento encontrase absorvida pela multa proporcional de 75% (setenta e cinco por cento) constante no lançamento; a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada em conjunto com a multa de ofício incidente sobre o imposto lançado, pois ambas têm a mesma base de cálculo, como já decidiu este CARF. Os juros lançados, sobre os quais incidiu a multa por falta do recolhimento do carnêleão em comento são os seguintes: 1 R$ 204.999,99 em marco/2005, recebidos de Fernando Salles, Olimpio Uchoa e Jose de Vasconcellos; Fl. 1325DF CARF MF 12 2 R$ 270.280,04 em maio/2007, recebidos de Antonio José de Almeida Carneiro, em substituição ao devedor inicial Eugenio Pacelli Marques de Almeida Holanda. No respeitante à multa isolada em face da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, minha opinião coincide com a do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator (vencido) do acórdão 920202.297, as quais reproduzo assumindoas, mutatis mutandis, como razões de meu voto: Penso que a aplicação conjunta das duas multas é decorrência direta do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e de que não existe dupla penalidade pela mesma infração, uma vez que a multa isolada pune o não recolhimento mensal do carnêleão, nos termos do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, enquanto a multa de ofício pune a falta de tributação dos rendimentos omitidos na declaração de ajuste anual, sendo necessárias punições diferentes para condutas ilícitas diversas. Do mesmo modo, não encontro qualquer óbice na legislação tributária para a adoção da mesma base de cálculo para penalidades relativas a duas infrações distintas. Não vejo qualquer semelhança com o fenômeno do bis in idem, onde se cobra o mesmo tributo de um mesmo contribuinte sobre um mesmo fato gerador. (...) No presente caso, cuidase de lançamento referente aos anoscalendário 2005 e 2007. Após a edição da Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007), a jurisprudência deste CARF se pacificou no sentido da legalidade na aplicação da referida multa isolada, mesmo que em concomitância com a multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996 (com a redação dada pela referida Medida Provisória n° 351, de 2007) Reproduzo, nesse sentido, o voto vencedor do Conselheiro Antônio Lopo Martinez no Acórdão 2202002.960, de 21/01/2015, assumindo como minhas as suas razões, mutatis mutandis: A Medida Provisória n° 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei n° 11.488, de 2007, alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, instituindo a hipótese de incidência da multa isolada no caso de falta de pagamento do carnêleão. O Art. 44 passou a ter, então, a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 8 13 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) [... ] § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei n° 11.488, de 2007) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei n° 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei n° 11.488, de 2007) § 3° Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4° As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Como se vê, diferentemente do que se tinha antes, o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 passou a prever as duas penalidade: a primeira, de 75%, no caso de falta de pagamento ou pagamento a menor de imposto; a segunda, de 50%, pela falta de pagamento do carnêleão. Assim, a ressalva antes existente à aplicação simultânea das duas penalidades deixou de existir. Aliás, a questão nunca foi a impossibilidade jurídica de incidência concomitante de duas penalidades, mas a falta de previsão legal de incidência das duas multas, calculadas sobre a mesma base. Pois bem, a Lei n° 11.488, de 2007, criou esta previsão legal. Assim, em conclusão, entendo devida a multa isolada, para os anoscalendário de 2010 e 2011, independentemente da aplicação da multa pela falta de recolhimento do imposto devido quando do ajuste anual. (Grifouse.) Nesse sentido, decisões das seguintes Turmas deste CARF: Fl. 1327DF CARF MF 14 CSRF Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas (Acórdão 9202004.022, de 10/05/2016) 1º Turma da 3ª Câmara: MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. PERÍODO DE APURAÇÃO A PARTIR DE 2007. A partir da vigência da Medida Provisória 351, de 2007 (convertida na Lei 11.488, de 2007) é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, independentemente da aplicação, relativamente ao mesmo período, da multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. (Ac. 2301004.789) No que tange à multa no anocalendário 2005, a jurisprudência dominante no CARF, é por sua improcedência. Embora mantendo respeitosa divergência quanto a essa orientação, penso ser adequado ajustarme a ela, em atenção ao princípio da colegialidade, evitando, assim, inúteis dilações na exigência de eventual crédito tributário vinculado a este processo. Pelo exposto, em relação à incidência da multa isolada, voto por dar parcial provimento, cancelando a multa referente aos fatos geradores ocorridos em 2005. DA ALEGAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO DA DAA Nesse tópico, o recorrente afirma que incorreu em erro material ao ter declarado em no item "dinheiro em espécie" de sua declaração de ajuste anual (DAA) do ano calendário de 2005, o valor de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) como dinheiro em espécie; diz que deveria ter declarado R$307.472,21 (trezentos e sete mil, quatrocentos e setenta dois reais e vinte e um centavos), e que o erro foi cometido por não ter computado as despesas incorridas durante o período, mas tão somente o recebido com os mútuos realizados com Fernando Salles Teixeira de Mello R$ 100.000,00 (cem mil reais) e Olímpio Uchoa Vianna R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais); consequentemente, como o valor declarado em espécie para o anocalendário de 2004 foi de R$ 850.000,00 (oitocentos e cinqüenta mil reais), apenas somou a esse os dois mútuos supracitados, atingindo o montante de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) declarado para o anocalendário 2005; alega ainda que, após o esclarecimento de tais fatos, se limitou o Fiscal autuante em afirmar que após o início da ação fiscal não se mostra cabível a retificação da declaração; porém, em certos casos esta regra deve ser flexibilizada, mormente em razão de casos que necessitam de produção de prova negativa, Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 11052.001138/201017 Acórdão n.º 2301005.113 S2C3T1 Fl. 9 15 como no presente caso, em que é impossível que se apresente prova do exato valor em espécie quando de sua declaração. Não lhe assiste razão. A presunção de veracidade dos fatos declarados em DAA somente pode ser elidida se realizada a prova do erro material, o que não sucede no caso em apreço. Nesse sentido, a própria jurisprudência citada pelo recorrente: IRPF NUMERÁRIO DECLARADO EM ESPÉCIE DECLARAÇÃO DE AJUSTE LEVANTAMENTO DO FLUXO DE CAIXA Os valores declarados como "dinheiro em espécie", "dinheiro em caixa", e outras rubricas semelhantes devem ser aceitos para acobertar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua inexistência no término do ano base em que tal disponibilidade for declarada, cuja prova deve ser produzida pela autoridade lançado. (Ac. 10419.282.) (Grifouse.) Assim, competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirma, forte no disposto na Lei no 9.784, de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. (Grifou se.) Corroborando tal tese, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) Fl. 1329DF CARF MF 16 Conclusão Voto, portanto, por REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, DENEGAR O PEDIDO DE DILIGÊNCIA e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão no anocalendário de 2005. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 1330DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001760/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA.
Havendo pagamento, comprovado nos autos, mesmo após o efeito vinculativo (Art. 62, Anexo II, Ricarf) do RESP 973733 STJ em sede de recurso repetitivo, aplica-se o Art. 150, §4.º, do CTN.
CERCEAMENTO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
Rejeita-se a alegação de preterição do direito de defesa fundada em pretensa ausência, desconhecimento ou expiração do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), porque não constituir requisito de validade do lançamento.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. ART 142 DO CTN.
Por mais que o lançamento trate de crédito, sendo lançamento de ofício com a devida lavratura de auto de infração, o ônus da prova é da fiscalização em demonstrar a inexistência de origem do crédito, para concluir que o contribuinte aproveitou crédito de forma indevida. O ônus da prova da fiscalização tem disposição expressa no Art. 142 do CTN.
Numero da decisão: 3201-002.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. Havendo pagamento, comprovado nos autos, mesmo após o efeito vinculativo (Art. 62, Anexo II, Ricarf) do RESP 973733 STJ em sede de recurso repetitivo, aplica-se o Art. 150, §4.º, do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Rejeita-se a alegação de preterição do direito de defesa fundada em pretensa ausência, desconhecimento ou expiração do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), porque não constituir requisito de validade do lançamento. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. ART 142 DO CTN. Por mais que o lançamento trate de crédito, sendo lançamento de ofício com a devida lavratura de auto de infração, o ônus da prova é da fiscalização em demonstrar a inexistência de origem do crédito, para concluir que o contribuinte aproveitou crédito de forma indevida. O ônus da prova da fiscalização tem disposição expressa no Art. 142 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
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Havendo pagamento, comprovado nos autos, mesmo após o efeito vinculativo (Art. 62, Anexo II, Ricarf) do RESP 973733 STJ em sede de recurso repetitivo, aplicase o Art. 150, §4.º, do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Rejeitase a alegação de preterição do direito de defesa fundada em pretensa ausência, desconhecimento ou expiração do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), porque não constituir requisito de validade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. ART 142 DO CTN. Por mais que o lançamento trate de crédito, sendo lançamento de ofício com a devida lavratura de auto de infração, o ônus da prova é da fiscalização em demonstrar a inexistência de origem do crédito, para concluir que o contribuinte aproveitou crédito de forma indevida. O ônus da prova da fiscalização tem disposição expressa no Art. 142 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 60 /2 00 9- 17 Fl. 2830DF CARF MF 2 (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 2678 em face da decisão de primeira instância da DRJ/BA de fls. 2657 que manteve o lançamento de IPI, diante de indícios de tomada indevida de crédito sob a rubrica "outros créditos". A autoridade lavrou o Auto de Infração de IPI às fls. 676 e o TVF às fls. 663. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. 1011 apontadas acima: “Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Tratase de Auto de Infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários, em desfavor da contribuinte epigrafada, no montante total de R$ 805.347,39 (oitocentos e cinco mil, trezentos e quarenta e sete reais, trinta e nove centavos), consolidado na data do lançamento, conforme demonstrativo de fl. 1. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 663/670), a Fiscalização narra os fatos destacados a seguir. O procedimento fiscal teve início em 21/11/2007, com o fito de verificar a regularidade dos créditos de IPI apropriados pela fiscalizada nos anoscalendário de 2003 e 2004. Constatada a existência de creditamento sob a rubrica “Outros Créditos”, a fiscalizada foi instada a justificar a apropriação, manutenção e uso dos referidos créditos, bem como a apresentar a documentação hábil que lhe deu suporte. De acordo com a fiscalizada, houve erro de classificação fiscal na saída de mercadorias do estabelecimento industrial, gerando, indevidamente, débitos de IPI, cujo ônus foi suportado pela Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 19515.001760/200917 Acórdão n.º 3201002.984 S3C2T1 Fl. 2.831 3 própria empresa, o que caracterizou pagamento indevido. Os erros aconteceram em virtude de implantação de novo sistema informatizado de emissão e controle de notasfiscais. Os estabelecimentos adquirentes de produtos da empresa fiscalizada, relativamente aos créditos apropriados em 2004, declararam não terem se aproveitado dos créditos do IPI indevido, autorizando o estabelecimento vendedor a creditarse do IPI em seu lugar. No entanto, tais declarações, sozinhas, podem servir apenas como controle interno das empresas, mas não são hábeis para a comprovação pretendida. Por parte dos adquirentes, deveria ser apresentada cópia autenticada: (a) das notas fiscais com carimbo de comprovação da efetiva entrada dos produtos em seu estabelecimento industrial; (b) das páginas do Livro de Entradas e de Apuração do IPI nas quais foram registrados os eventos de entrada; (c) das páginas do Livro de Saídas e de Apuração do IPI nas quais foram registrados os eventos de saídas e o “estorno” do crédito; (d) dos registros desses documentos nos livros contábeis, onde se comprove o real pagamento (ônus financeiro) cometido a favor de Siemens Ltda, com cópia de duplicata quitada e extrato bancário, se for o caso. Por parte da interessada, deveria ser apresentada cópia autenticada: (a) das páginas do Livro de Saídas e de Apuração do IPI nas quais foram registrados os eventos de saídas; (b) das páginas do Livro de Entradas e de Apuração do IPI nas quais foram registrados os eventos de entradas e o “crédito” recebido; (c) das páginas dos livros contábeis onde o beneficiado com o crédito tenha registrado, de forma inequívoca, os valores recebidos dos clientes outorgantes; (d) outros documentos que comprovem o recebimento dos valores, bem como seus respectivos registros contábeis e fiscais. Não havendo comprovação da regularidade dos créditos, estes foram glosados e a escrita reconstituída, resultando em saldos devedores objeto do presente auto de infração. Anteriormente, houve também, em dezembro de 2008, a lavratura de auto de infração do IPI pelo mesmo motivo (glosas de créditos apropriados sob a rubrica “Outros Créditos”). Regularmente cientificada do lançamento em 27/05/2009, a interessada apresentou a impugnação de fls. 682/708. Aduziu em sua defesa as razões resumidamente expostas a seguir. 1Expiração do prazo de validade do MPF. Um dos princípios que devem ser obedecidos em todos os atos praticados pela Administração Pública é o princípio de legalidade. Fl. 2832DF CARF MF 4 Para a Administração Pública, este princípio possui duas vertentes: a de que esta apenas pode praticar os atos previstos e a de que ela deve obedecer estritamente às normas vigentes. Um desdobramento deste princípio é o princípio da vinculação dos atos administrativos, que preceitua que quando a lei estabelece requisitos e condições para que um ato administrativo seja praticado, sua validade dependerá do cumprimento destes requisitos. O procedimento de fiscalização caracterizase claramente como ato vinculado, uma vez que é condição para seu início ou continuação a existência de Mandado de Procedimento Fiscal válido durante todo o procedimento. O Mandado de Procedimento Fiscal foi emitido em 21/11/2007 e prorrogado em 19/03/2008, através do “termo de prosseguimento da fiscalização” sendo observado, portanto, o prazo inicial de 120 dias. Entretanto, após essa data, não houve qualquer prorrogação do MPF, que teria vencido em 17/07/2008. Após, em 08/09/2008, foi emitido novo termo de prosseguimento, seguido de outro em 11/11/2008. Assim, considerando que o Auto de Infração apenas foi lavrado em 27 de maio de 2009, a fiscalização foi realizada de maneira ilegal durante quase seis meses. É incabível que se considere procedente auto de infração decorrente de fiscalização manifestamente ilegal e inconstitucional. De fato, com a lavratura do auto de infração ora impugnado, não foi obedecido o princípio da legalidade previsto constitucionalmente, tendo as autoridades fiscais agido de maneira discricionária, não seguindo as próprias normas. 2Falta de procedimento investigativo por parte da autoridade fiscal. A autoridade fiscal esclareceu que os documentos apresentados pela fiscalizada eram subsidiários aos reais documentos comprovadores do crédito, tendo sido, no momento da lavratura do auto de infração, apontado todos os documentos que supostamente seriam suficientes para a comprovação dos valores escriturados no campo “Outros Créditos”, do Livro de Registro de Apuração do IPI. É de se lembrar que, durante o período de fiscalização, não foram, em momento algum, especificados os documentos que deveriam ser apresentados que, no entendimento da autoridade fiscal, seriam considerados idôneos para comprovar o alegado. Todavia, ao proceder ao lançamento tributário sem a devida “investigação” dos fatos, na medida em que não foram informados quais documentos deveriam ser disponibilizados para comprovar os créditos lançados, a Fiscalização se afastou dos princípios e normas que regulam o ato de lançamento, acarretando, assim, a precariedade e insubsistência da ação fiscal. Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 19515.001760/200917 Acórdão n.º 3201002.984 S3C2T1 Fl. 2.832 5 O auto de infração foi lavrado sem sequer ter havido comprovação ou demonstração da materialidade da suposta infração, limitandose a apontar que os documentos apresentados eram “subsidiários aos ‘reais’ documentos comprovadores do(s) crédito(s)”. Como acusa a impugnante de ter creditado, indevidamente, créditos decorrentes de lançamento a maior no documento fiscal de saída, em razão de erro, a Fiscalização deveria, necessariamente, ter demonstrado que, após uma efetiva investigação e análise de todos os documentos solicitados, o crédito mostrouse indevido, e isso não foi feito. 3Decadência do crédito tributário. Até a data da lavratura do auto de infração (27/05/2009) decaiu o direito da Fazenda Pública de constituir até 27 de maio de 2004, uma vez que se quedou inerte, permitindo a fluência de lapso temporal de cinco anos. 4Regularidade dos créditos escriturados. Foi efetivamente constatado que, de fato, houve lançamento a maior em alguns documentos fiscais, ocasionado em razão de equívocos como: classificação fiscal de determinadas mercadorias e erro na emissão da nota fiscal que não refletia a correta ordem de venda, gerando nova base de cálculo do imposto, divergente da real pactuada entre as partes. É certo que o IPI é classificado como imposto indireto, que suporta transferência do encargo financeiro ao adquirente da mercadoria. Assim, diante de tal situação, a impugnante, em total atenção ao disposto no artigo 156 do CTN c/c artigo 7° da Instrução Normativa nº 600, de 28 de dezembro de 2005, informou aos destinatários das mercadorias o erro cometido no documento fiscal, recebendo, assim, carta de não aproveitamento do crédito, o que gerou estorno no livro da impugnante, com conseqüente remessa ao campo “Outros Créditos”. No decorrer da fiscalização, a empresa informou o procedimento adotado, como apresentou, por amostragem, os documentos mencionados. No entanto, a autoridade fiscal, ignorando a regularidade do procedimento adotado, lavrou o auto de infração ao argumento de que os documentos apresentados eram “subsidiários aos ‘reais’ documentos comprovadores do(s) crédito(s) em razão de sua relevância”, sendo certo que cabia à impugnante comprovar a regularidade dos créditos com base nos documentos já retratados anteriormente. Cabe questionar qual base legal justifica que somente aqueles documentos arrolados pela autoridade fiscal podem dar suporte ao creditamento realizado. Não há na legislação fiscal qualquer imposição neste sentido. Na hipótese de constatação de lançamento a maior de IPI no documento fiscal de saída, cabe ao contribuinte, desde que Fl. 2834DF CARF MF 6 devidamente autorizado pelo destinatário, a restituição do imposto devidamente destacado, independentemente de requerimento à autoridade fiscal. Ao final, a impugnante requer o integral cancelamento do auto de infração, tendo em vista as razões expostas. Por derradeiro, protesta, pela juntada posterior de quaisquer documentos que possam comprovar tudo o quanto foi alegado. Este Acórdão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 2657 foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. IPI NÃO RECOLHIDO EM FACE DE CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS PELA LEGISLAÇÃO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao IPI que deixou de ser recolhido pela utilização de créditos não admitidos pela legislação tem sua base legal no art. 173, inciso I, do CTN. COMPENSAÇÃO. ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Somente são passíveis de registro na escrita fiscal os créditos concernentes a aquisições de insumos e a devoluções de produtos vendidos, além dos estornos de débitos efetuados dentro do período de apuração, devendo o pagamento indevido ou a maior ser objeto de pedido de restituição ou declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPIRAÇÃO DO PRAZO DE VALIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento administrativo de controle da atividade fiscal, e eventual falta ou imperfeição do instrumento não é capaz de macular o lançamento que atendeu a todos os requisitos fixados no art. 142 do CTN. O lançamento é ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A PRETENSÃO. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito ou dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da Fazenda Publica. O contribuinte deve comprovar a existência dos créditos que poderão ser utilizados para deduzir os débitos de IPI apurados. É incabível pretender que deva o Fisco produzir prova negativa da Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 19515.001760/200917 Acórdão n.º 3201002.984 S3C2T1 Fl. 2.833 7 existência do crédito.Inconformados com a decisão, apresentaram os responsáveis, tempestivamente, os presentes recursos voluntários. Ao apreciar o Recurso Voluntário, esta Turma de julgamento determinou a seguinte Resolução em fls. 2776: "Diante do exposto, voto pela CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA do presente processo, para que a unidade de origem informe a este colegiado se a recorrente efetuou ou não recolhimentos, mesmo que parciais, referentes ao IPI devido nos períodos de apuração que abarcam o presente lançamento. Realizada a diligência, deverá ser dado vista à recorrente e à PGFN para, em tendo interesse, manifestaremse no prazo de 30 dias. Concluídos os procedimentos, devem os autos retornar a este Colegiado para se prosseguir com o julgamento da lide." O contribuinte apresentou manifestação e juntada de documentos em fls. 2794, a fiscalização juntou relatório em fls. 2813 confirmando os pagamentos parciais e a União peticionou pelo prosseguimento em fls. 2828. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente Recurso Voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. DA DECADÊNCIA. Fl. 2836DF CARF MF 8 O contribuinte alegou a decadência dos tributos anteriores a 27/05/2004, em razão da aplicação do disposto no Art. 150, §4.º do CTN e considerada a data da ciência do auto de infração ocorrida em 27/05/2009, ou seja, cinco anos de interregno entre o fato gerador e a data da ciência do lançamento. Após a validade do RESP STJ 973.733, em sede de recurso repetitivo, em função do disposto no Art. 62, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, as decisões do STJ em sede de recurso repetitivo são obrigatórias aos Conselheiros. Assim, diante do exposto na decisão deste Resp STJ 973.733, surgiram dúvidas a respeito da aplicação do termo inicial de contagem do prazo decadencial para os tributo sujeitos ao lançamento por homologação, se originariam do fato gerador ou do primeiro dia útil do exercício seguinte, representados pelos Art. 150, §4.º e 173, respectivamente, do CTN. Posto isto, foi aqui relatado que esta Turma de julgamento converteu o julgamento em diligência em fls 2776 para que fosse verificada a existência de pagamento do IPI dentro do período do lançamento, para subsidiar a aplicação do termo inicial do rpazo de contagem da decadência, se do fato gerador ou não, uma vez que o a decisão do RESP STJ 973.733, teria vinculado a existência de pagamento parcial dentro do período autuado à aplicação do marco inicial com base no fato gerador. O retorno da diligência confirmou a existência de pagamentos em fls 2813 e seguintes, o contribuinte apresentou manifestação em fls. 2794 e a União pediu o prosseguimento em fls. 2828. Portanto, merece provimento a alegação do contribuinte no tópico da decadência, para que sejam considerados extintos, nos moldes do Art. 156, V, do CTN, os lançamentos anteriores a 27/05/2004. Assim, restaram não decaídos os períodos de 06/2004 a 12 de 2004. DA PRELIMINAR. Em preliminar de Recurso Voluntário, o contribuinte alegou o descumprimento do Art. 142 do CTN, em razão da fiscalização não ter comprovado ou descrito os fatos, motivos e razões pelas quais os créditos tomados sobre a rubrica "outros créditos" seriam indevidos. Além desta alegação preliminar, o contribuinte demonstrou que a fiscalização somente exigiu os documentos que seriam "suficientes" para comprovar o crédito no momento da conclusão da fiscalização e na lavratura do auto de infração. Este documentos seriam os mencionados no TVF em fls. 663, conforme segue: "A por parte do cliente: A.l cópia autenticada da notafiscal de vendas recebida com carimbo de comprovação da efetiva entrada dos produtos em seu estabelecimento industrial, na qual jaz o valor do EPI "sacado" pelo emissor do documento; Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 19515.001760/200917 Acórdão n.º 3201002.984 S3C2T1 Fl. 2.834 9 A. 2 cópias autenticadas das páginas do livro de entradas e de apuração do IPI (do cliente) nas quais foram perpetuados os eventos de entradas; A. 3 cópias autenticadas das páginas do livro de saídas e de apuração do IPI (do cliente) nas quais foram perpetuados os eventos de saídas, sendo que, no caso específico do D?I: cópia autenticada da página onde o outorgante (cliente Siemens) registrou o "estorno" do crédito; A. 4 cópias dos registros desse documentos nos livros contábeis, onde se comprove o real pagamento (ônus financeiro) cometido a favor de Siemens Ltda, com cópia de duplicata quitada e extrato bancário, se for o caso, para efetivar a referida assunção. B por parte do beneficiado pelo crédito: B.l cópias autenticadas das páginas do livro de saídas e de apuração do IPI (do cliente) nas quais foram perpetuados os eventos de saídas; B.2 cópias autenticadas das páginas do livro de entradas e de apuração do IPI (do cliente) nas quais foram perpetuados os eventos de entradas , sendo que, no caso específico do EPI: cópia autenticada da página do LAIPI onde o contribuinte, Siemens Ltda. registrou, de forma indelével e precisa, o "crédito recebido; B.3 cópias das páginas dos livros contábeis onde o beneficiado com o crédito tenha registrado, de forma inequívoca, os valores recebidos dos clientes outorgantes; B.4 cópias de outros documentos que comprovem o recebimento dos valores, bem como seus respectivos registros contábeis e fiscais." Realmente, no início a fiscalização se limitou a exigir e analisar o demonstrativo analítico dos créditos tomados sob a rubrica "outros créditos" e o livro de apuração do IPI. As Notas Fiscais com destaque do IPI pago a mais, apresentadas pelo contribuinte (Documentos de fls. 602 a 2646), e as declarações de clientes que autorizaram o aproveitamento dos créditos foram desconsideradas. Assim como, somente na conclusão dos trabalhos e na lavratura do Auto de Infração, a fiscalização exigiu do contribuinte documentos que somente poderiam resultar de uma fiscalização (que não compete ao contribuinte), como os livros de entrada e saída e livro de apuração de IPI dos clientes, documentos de sigilo fiscal e de mercado. Por não aceitar os documentos do contribuinte e por não pesquisar e portanto não identificar os pagamentos do IPI no sistema da Receita Federal, concluiu que a tomada de crédito foi indevida. Conclusão que realmente não satisfaz a pretensão da legalidade, consubstanciada no sistema tributário nacional. Fl. 2838DF CARF MF 10 Conforme voto vencedor do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão 9303002.141, a Lei não determinou que o terceiro comprove que não se utilizou do crédito, conforme segue: "O Código Tributário Nacional, exige que, no caso de 4restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, o requerente demonstre ter assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito. No caso sob exame, é incontroverso que houve a transferência do encargo, visto que o imposto fora destacado nas notas de vendas. Assim, resta a segunda opção qual seja, a demonstração de que a requerente estava expressamente autorizada pelos adquirentes dos produtos (terceiros a quem foi transferido o encargo do imposto) a repetir o indébito. Dos autos constam que parte dos adquirentes do açúcar deram a autorização expressa, mas em relação à outra parte, não há prova de que isso ocorreu. Por conseguinte, somente em relação a uma parcela da restituição pretendida é que a contribuinte demonstrou atender às condições estabelecidas no art. 166 do CTN para fazer jus à repetição do indébito. Assim, a solução é por demais simples, na parte em que houve o atendimento das condições retromencionada, devese restituir o imposto pago a maior ou indevidamente, e, na parte em que tais condições não foram atendidas, não há como deferir a repetição pretendida pelo sujeito passivo. Registrese, por oportuno, que a Lei exige que o postulante à restituição demonstre estar autorizado pelo terceiro que suportou o encargo tributário, mas não impõe que este ( o terceiro) comprove que não se utilizou do crédito do imposto destacado nas notas. Ora se a lei não exigiu, não cabe ao intérprete fazêlo. Com essas considerações, conheço do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento parcial para deferir apenas a restituição que o sujeito passiva tenha feito prova, nos autos, do atendimento das condições estabelecidas no art. 166 do CTN." Assim, qualquer dúvida a respeito do pagamento do IPI, se foi a maior ou não, se foi utilizado pelo cliente ou não ou se realmente foi destacado a maior na Nota Fiscal, seja por erro na classificação ou no preço do produto, deveria ser comprovada mediante fiscalização específica. Em prática, não se contesta a possibilidade do contribuinte tomar créditos de IPI em sua escrita fiscal, quando ao adquirente foi suportada a transferência dos encargos financeiros. Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 19515.001760/200917 Acórdão n.º 3201002.984 S3C2T1 Fl. 2.835 11 O contribuinte, em analogia, invocou a possibilidade de realizar inclusive a restituição/compensação do IPI destacado, independentemente de requerimento à autoridade competente, por disposição expressa no Art. 2071 do RIPI/02. Em prática, sendo incontroverso o pagamento do IPI, como é neste caso, o destaque nas Notas Fiscais juntadas aos autos, concretiza a transferência dos encargos, situação que somada à autorização do cliente para o aproveitamento dos créditos, resultam na legalidade da operação praticada pelo contribuinte, ao tomar crédito do IPI sob a rubrica "outros créditos". Este entendimento encontra fundamento expresso no Art. 166 do CTN. Sendo esta uma lide originada de um lançamento de oficio e não de uma solicitação de ressarcimento/compensação, conforme Auto de Infração de fls. 640, é certo que o ônus da prova é da fiscalização, como disposto no Art. 142 do CTN. Logo, a razão está com o contribuinte ao alegar que a fiscalização deveria ter considerando os elementos e documentos juntados, assim como a fiscalização deveria ter comprovado a origem indevida do crédito ou a falta de pagamento do IPI, seja por fiscalização nos clientes do contribuinte, seja por consulta às informações internas da Receita Federal. CONCLUSÃO. Diante de todo o exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em razão dos documentos que deveriam ter sido considerados porque presumemse idôneos, não havendo nenhuma mácula comprovada contra estes. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. 1 Art. 207. Nos casos de pagamento indevido ou a maior do imposto, inclusive quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o valor correspondente poderá ser utilizado, mediante compensação, para pagamentos de débitos do imposto do próprio sujeito passivo, correspondentes a períodos subseqüentes, independentemente de requerimento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 165, Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 73). § 1º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 2º). § 2º Parte legítima para efetuar a compensação ou pleitear a restituição é o sujeito passivo que comprove haver efetuado o pagamento indevido, ou a maior. Fl. 2840DF CARF MF 12 Fl. 2841DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912078/2012-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.792
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 78 /2 01 2- 00 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912078/201200 Acórdão n.º 3301003.792 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.819, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912078/201200 Acórdão n.º 3301003.792 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912078/201200 Acórdão n.º 3301003.792 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912078/201200 Acórdão n.º 3301003.792 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912078/201200 Acórdão n.º 3301003.792 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912078/201200 Acórdão n.º 3301003.792 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912078/201200 Acórdão n.º 3301003.792 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912078/201200 Acórdão n.º 3301003.792 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720524/2008-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício:2004
ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA IMÓVEL. NECESSIDADE.
A aplicação da isenção de ITR está condicionada à prévia averbação da área de reserva legal (ARL) na matrícula do imóvel, perante o registro público, em virtude do caráter constitutivo da medida.
Numero da decisão: 9202-005.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício:2004 ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA IMÓVEL. NECESSIDADE. A aplicação da isenção de ITR está condicionada à prévia averbação da área de reserva legal (ARL) na matrícula do imóvel, perante o registro público, em virtude do caráter constitutivo da medida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza - Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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ISENÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA IMÓVEL. NECESSIDADE. A aplicação da isenção de ITR está condicionada à prévia averbação da área de reserva legal (ARL) na matrícula do imóvel, perante o registro público, em virtude do caráter constitutivo da medida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 05 24 /2 00 8- 35 Fl. 157DF CARF MF 2 Fábio Piovesan Bozza Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 16 de outubro de 2012, a Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário, proferindo decisão consubstanciada no Acórdão nº 2102002.327, cuja ementa assim dispõe, na parte recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA EM EXERCÍCIO IMEDIATAMENTE POSTERIOR ÀQUELE FISCALIZADO. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. [...] Recurso provido em parte. Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs recurso especial de divergência, dentro da quinzena legal, alegando divergência com os acórdãos paradigmas nºs 30130.475 e 30236.585, que foram assim ementados, na matéria recorrida: Acórdão 30130.475: AREA DE RESERVA LEGAL. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10140.720524/200835 Acórdão n.º 9202005.348 CSRFT2 Fl. 158 3 A área do imóvel definida como de reserva legal só poderá ser considerada isenta se a averbação tiver ocorrido na data da ocorrência do fato gerador do ITR/97, e não com data posterior. Negado provimento por unanimidade. Acórdão 30236.585: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR). ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusivo da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem na inscrição de matrícula do referido imóvel, junto ao registro de imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Nos casos de "posse", o Termo de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a averbação daquela área, nos termos supra indicados, sujeitandose, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação. [...] Negado provimento ao recurso pelo voto de qualidade. Cientificado o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço. Compulsando os autos, verificase que a averbação da área de reserva legal ocorreu após o fato gerador, porém foi acatada pela turma julgadora por ter sido feita antes do início da ação fiscal. Esse entendimento vai de encontro aos paradigmas indicados, que exigem a averbação em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo. Portanto, resta patente a divergência jurisprudencial quanto à tempestividade da averbação para as áreas de reserva legal. Em relação às áreas de preservação permanente e reserva legal (itens II e III do relato), devese evidenciar que esta Turma de Julgamento (e a 2ª Turma da CSRF) entende que não há necessidade de apresentação de ADA tempestivo para exclusão Fl. 159DF CARF MF 4 das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (onde se encontra também a área de reserva legal) da incidência do ITR, pois se o art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81 é expresso quanto à exigência do ADA para fruição de benefício no âmbito do ITR, para os exercícios posteriores a 2001, tal Lei não fixou prazo para apresentação do ADA, parecendo descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo (precedentes: Acórdãos nºs 210200.528; 210200.530; 210200.640; 210201.704; 2102002.090; 9202001.907; 9202002.105; CSRF/0306.162). Já a averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. Já a exigência da averbação da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Devese, porém, definir um termo final até quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar o início do procedimento fiscal para fazêla, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a quantidade de imóveis de um país continental como o Brasil é imensa, não sendo razoável imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país. Dessa forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10140.720524/200835 Acórdão n.º 9202005.348 CSRFT2 Fl. 159 5 do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir dos isentivos tributários. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. Diante de todo exposto nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Fábio Piovesan Bozza Redator Peço vênia para divergir da ilustre conselheira relatora e apresentar meu entendimento sobre os requisitos para desoneração da incidência de ITR sobre as Áreas de Reserva Legal (ARL). A proteção do meio ambiente natural continua sendo obrigação do proprietário mediante a manutenção de espaços protegidos de propriedade privada, divididos entre Área de Preservação Permanente (APP) e Área de Reserva Legal (ARL). Como condição para a supressão de florestas e outras formas de vegetação nativa existentes no interior da propriedade rural privada, a legislação exigiu do proprietário que reservasse determinada área, destinandoa à constituição da ARL, com o intuito de conservar e reabilitar processos ecológicos, conservar a biodiversidade e servir de abrigo e proteção à fauna e flora nativas. Tratase, assim, de verdadeira limitação administrativa (geral, gratuita e com finalidade pública), legalmente fixada e que dá cumprimento à função socioambiental da propriedade. A localização da ARL deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no cartório de registro de imóveis, conforme estatuía o antigo Código Florestal, Lei nº 4.771/65, vigente à época do fato gerador: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) Fl. 161DF CARF MF 6 § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Diante do disposto no art. 10 da Lei nº 9.393/96 e do art. 16, §8º da Lei nº 4.771/65 (antigo Código Florestal), muito se discutiu sobre a obrigatoriedade ou não da averbação da ARL na matrícula do imóvel, para fins de desoneração do ITR. Alguns afirmavam que a averbação seria ato constitutivo da ARL e, portanto, imprescindível. Outros, defendiam que a averbação seria mero ato declaratório, passível de ser substituído por outros meios, como laudos técnicos. Considero que a averbação da ARL na matrícula do imóvel não pode ser encarada apenas como matéria de prova acerca da configuração da ARL. Tratase, a meu ver, de ato constitutivo, que vincula o proprietário e sucessores às obrigações legalmente estatuídas, “sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código”. Esse também é o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, conforme é possível observar das seguintes ementas de julgados: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. CÁLCULO DA PRODUTIVIDADE DO IMÓVEL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. ARESTO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. EXAME DE NOVO DIPLOMA NORMATIVO NÃO CONSIDERADO NO ÂMBITO DA DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. Na espécie, o julgado apontado como paradigma examinou a necessidade de averbação da área de reserva legal para os fins de isenção do ITR, enquanto que o aresto recorrido dirimiu controvérsia referente ao cálculo da produtividade do imóvel no bojo da desapropriação. Como se observa, os acórdãos confrontados dirimiram controvérsias jurídicas distintas, não estando caracterizada a divergência. 3. Ainda que superado esse óbice, temse que a jurisprudência do STJ pacificouse no mesmo sentido do acórdão recorrido, isto é, reconhecendo a necessidade de a área de reserva legal ser devidamente averbada no Registro de Imóveis, a fim de que seja excluída do cálculo da produtividade da propriedade imobiliária. Incidência da Súmula 168/STJ. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10140.720524/200835 Acórdão n.º 9202005.348 CSRFT2 Fl. 160 7 STJ, 1ª Seção, AgRg nos EREsp 1.376.203/GO, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 22/10/2014 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NO REGISTRO IMOBILIÁRIO. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp nº 1.027.051, SC, reafirmou o entendimento de que, para gozar da isenção fiscal prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei nº 9.393, de 1996, relativa ao imposto territorial rural, é imprescindível a averbação da área de reserva legal no respectivo registro imobiliário. STJ, 1ª Seção, EREsp 1.310.871/PR, Rel. Ari Pargendler, julgado em 23/10/2013 Em vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903558/2012-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO.
A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
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DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 35 58 /2 01 2- 55 Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10875.903558/201255 Acórdão n.º 1201001.793 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório, para compensar débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, sintetizado a seguir. Informa que é contribuinte do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituídos pela Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, respectivamente. Afirma que a nãocumulatividade destas contribuições trazidas por estas legislações, criou uma nova materialidade tributária, qual seja a incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro sobre os créditos de PIS e Cofins oriundos das aquisições de determinados bens e serviços. Que a base de cálculo de ambas contribuições é o total da receita bruta auferida de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, e as alíquotas são de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins; o contribuinte tem o direito de abater, do valor apurado, créditos gerados pelas aquisições de bens e serviços necessários à consecução do seu objeto social, definidos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Apesar de rotulada de nãocumulativa, a sistemática guarda diferenças em relação à apuração de ICMS e IPI. Do ponto de vista contábil afirma que o §10 do art. 3º da Lei 10.833, de 2003, estabelece que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor da contribuição; que o Ato Declaratório Interpretativo n° 3, de 2007, da SRFB, recomenda a contabilização dos créditos de PIS e Cofins como ativo fiscal, e expressa que em contrapartida não poderão ser contabilizados como receita; que, em assim sendo, alternativamente à contabilização dos créditos como receita, a pessoa jurídica optante pelo Lucro Real, e sujeita a sistemática nãocumulativa do PIS e Cofins, poderá adotar critério de Registro do crédito fiscal como redução do custo, isto é, créditos de PIS/Cofins terem o mesmo registro contábil que o aplicado aos de IPI e ICMS, ou seja, como redução do custo do bem adquirido (ou da despesa); diz que este procedimento foi inicialmente defendido pelo Parecer n.º 1/03 do Conselho Federal de na Interpretação Técnica nº 1, de 2004; e que procedimento técnico do reconhecimento dos créditos de PIS/ Cofins como redução do custo ou como receita, resultará no aumento do resultado contábil que, na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo, sofrerá a incidência do IRPJ e CSLL; cita a definição de receita bruta do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), para concluir que a contabilização de tais créditos, seja com receita, seja como Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10875.903558/201255 Acórdão n.º 1201001.793 S1C2T1 Fl. 4 3 redução de custo, resulta em aumento do Lucro Real, que sofrerá a incidência do IRPJ e da CSLL. Do ponto de vista jurídico, interpreta que o §10 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e por analogia também a Lei nº 10.637, de 2002, prevêem a possibilidade de exclusão dos créditos de PIS e Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL, dado que os créditos oriundos da nãocumulatividade foram afastados do conceito de receita bruta; postula que a exclusão dos créditos da base de cálculo do IRPJ e CSLL se reveste da característica de "Subvenção de Investimento" e tais créditos não devem ser considerados para fins de tributação. Conclui pleiteando que os créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É o Relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.782, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901028/201515, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.782): 12. A partir das Leis nº 10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003, as empresas que optam, ou que são obrigada à tributação do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, devem apurar os valores a recolher de PIS e Cofins, no regime de nãocumulatividade, que consiste, no seguinte cálculo: a. Débito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre a receita bruta; b. Crédito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre dispêndios relacionados no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; c. PIS/Cofins a recolher: Débito () Crédito 13. A apuração do lucro líquido, que após ajustes, é base de apuração de IRPJ e CSLL: a. Receita Bruta () Débito de PIS/Cofins isto é, a apuração do lucro líquido parte da receita bruto, da qual se deduz o valor total do Débito de PIS/Cofins, apurado conforme explicado no item precedente. b. resulta que o Crédito, embutido no valor do Débito, está deduzido, conforme pleiteia a Recorrente. 14. Para melhor esclarecer, apresentase exemplo numérico da apuração da contribuição a pagar pelo contribuinte: a. Receita bruta hipotética R$1.000,00 Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10875.903558/201255 Acórdão n.º 1201001.793 S1C2T1 Fl. 5 4 b. Débito de PIS 1,65% x 1.000,00 = R$16,50 c. Insumos hipotéticos sobre os quais pode ser aproveitado crédito R$600,00 d. Crédito de PIS 1,65% x 600,00 = R$9,90 e. PIS a pagar 16,50 () 9,90 = R$6,60 15. Demonstrase a seguir a apuração, de forma simplificada, da base de cálculo de IRPJ e CSLL: Receita bruta 1.000 () débito de PIS 16,50 Lucro líquido 983,50 16. E em seguida, se demonstra que equivale a deduzir os créditos, bem como o valor que o contribuinte pagou: Receita bruta 1.000 () PIS pago 6,60 () crédito de PIS 9,90 Lucro líquido 983,50 17. No caso da Cofins, o procedimento é o mesmo, variando apenas a alíquota. 18. Fica evidente que o pleito do contribuinte seria de deduzir mais uma vez os créditos, ou seja, resulta em duplicidade de dedução, o que não está previsto na legislação. 19. Cabe esclarecer que o §10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e o ADI n° 3, de 2007, visaram esclarecer que o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, não deve ser tratado como redução de custo ou como subvenção para custeio, dado que estes últimos são considerados receita tributável; o mesmo comentário se aplica à jurisprudência que a Recorrente colacionou. Conclusão Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 799DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004815/2010-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
ATIVIDADE RURAL. RECEITA. ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO.
Na hipótese em que um imóvel rural é comprado e vendido sem que o contribuinte o tenha explorado para a atividade rural, ainda que haja exploração dessa atividade em outros imóveis, o resultado dessas operações deve ser oferecido a tributação como ganho de capital.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. COMPRA E VENDA NA MESMA DATA. APURAÇÃO.
Se o imóvel rural foi comprado e vendido no mesmo dia, em data anterior à da entrega da DIAT, o ganho de capital deve ser apurado considerando os efetivos custo de aquisição e valor de alienação.
Numero da decisão: 2201-003.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 26/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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RECEITA. ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO. Na hipótese em que um imóvel rural é comprado e vendido sem que o contribuinte o tenha explorado para a atividade rural, ainda que haja exploração dessa atividade em outros imóveis, o resultado dessas operações deve ser oferecido a tributação como ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. COMPRA E VENDA NA MESMA DATA. APURAÇÃO. Se o imóvel rural foi comprado e vendido no mesmo dia, em data anterior à da entrega da DIAT, o ganho de capital deve ser apurado considerando os efetivos custo de aquisição e valor de alienação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 15 /2 01 0- 76 Fl. 377DF CARF MF 2 EDITADO EM: 26/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 346/358) apresentado em face do Acórdão nº 0952.608, da 6ª Turma da DRJ/JFA (fls. 329/340), que negou provimento à impugnação (fls. 173/181) apresentada ao auto de infração (fls. 151/168) pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre ganho de capital apurado na alienação de imóvel rural. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 144/150), a fiscalizada seria sócia da Agropecuária Jaciara Ltda., cujo capital social estava representado por 3.933.000 quotas no valor nominal de R$ 1,00, tendo ela 7,75% de participação nesse capital, o que corresponderia a R$ 304.811,00. A Agropecuária Jaciara, por sua vez, possuiria dois imóveis rurais adquiridos por escritura pública com área total de 14.226,194 has. Em 11/07/2002, através de escritura pública de alteração de contrato social, foi reduzido o capital da empresa em 1.031.502 quotas, no valor de R$ 1.031.502,00 e transmitido os imóveis para os sócios, na proporção da participação de cada um na sociedade. À impugnante coube a parcela correspondente a R$ 79.941,40. Na mesma data, 11/07/2002, através do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda, registrado em 03/09/2004, os imóveis foram alienados, pelo valor total de R$ 15.923.646,00, cujo pagamento foi parcelado, prevendo uma parcela inicial em 11/07/2002, e o saldo dividido em parcelas a vencer no dia 30/10 dos anos de 2002 a 2009. Na distribuição do valor a receber, foi respeitada a proporção na participação de cada condômino. No auto de infração que ora se analisa, foram efetuadas exigências em relação às parcelas recebidas nos anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, para as quais foi calculado o ganho de capital a partir dos efetivos valores de alienação e de custo de aquisição, uma vez que, tendo o contribuinte comprado e alienado o bem na mesma data, não haveria que se cogitar em entrega a DIAT pelos alienantes e tampouco em realização de benfeitorias. Ainda de acordo com a autoridade fiscal, não foram identificados pagamento sob o título de ganho de capital e, embora o contribuinte tenha informado o rendimento como isento, não se teria constatado o enquadramento em qualquer das hipóteses de nãoincidência ou isenção previstos na legislação tributária. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 19515.004815/201076 Acórdão n.º 2201003.916 S2C2T1 Fl. 378 3 O auto de infração foi impugnado pelo sujeito passivo, o que deu origem ao Acórdão nº 0952.608, da 6ª Turma da DRJ/JFA (fls. 329/340), cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. No caso de o contribuinte adquirir e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição. Somente se considera valor de alienação aquele correspondente exclusivamente à terra nua, quando o valor das benfeitorias houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural. Nos demais casos, corresponde ao valor efetivamente recebido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 05/09/2014 (fl. 344) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 02/10/2014 (fls. 346/358). Em suas razões de recorrer, a contribuinte alega, em síntese, que: 1. Os benefícios relativos à exploração da atividade rural estão adstritos àqueles que exerçam essa atividade e estejam enquadrados como produtores rurais, portanto é relevante o cadastramento da pessoa física ou jurídica que explore atividade rural. 2. A Lei nº 8.023, de 1990, unificou a receita, a despesa de custeio, os investimentos e o resultado da atividade rural de todas as unidades rurais, sendo confirmada essa unificação pelos artigos 11 e 24 da Instrução Normativa 83, de 2001. 3. Os atos que regulamentam a matéria em nenhum momento mandam escriturar ou declarar separadamente, por unidade, os rendimentos, dispêndios e resultados da atividade rural. 4. A legislação não proíbe que o comprador do imóvel utilize como custo as benfeitorias realizadas anteriormente pelo vendedor do referido imóvel. 5. Transcreve dispositivos da Instrução Normativa SRF nº 257, de 2002, que define atividade rural para fins de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica, para concluir que ao alienar um imóvel rural a pessoa jurídica que exerce a atividade agropecuária considerará ganho de capital a diferença entre o valor de alienação da terra nua e o custo desta na contabilidade. O valor das benfeitorias e o da depreciação incentivada serão registrados como receita da atividade rural. Fl. 379DF CARF MF 4 6. Como a pessoa jurídica devolveu para os sócios separadamente terra nua e benfeitorias e estes gozam como produtores rurais do direito de alienar o imóvel separando também a terra nua das benfeitorias, sendo a diferença entre o valor de alienação da terra nua e o custo desta tributado como ganho de capital e o valor das benfeitorias tributado como rendimento da atividade rural. 7. Por força do art. 10 da IN nº 84, de 2001, tratandose de imóvel devolvido para a pessoa física produtora rural a partir de 1997, o valor da terra nua a ser considerado como custo para apuração do ganho de capital é o valor declarado pelo alienante no DIAT do ano de aquisição. 8. Um produtor rural pode encerrar suas atividades e, ao alienar os bens utilizados na produção rural, utilizar os incentivos conferidos por lei a esse atividade. 9. A contribuinte comprova que exerceu atividade rural em outras propriedades nos anoscalendário de 2000 a 2004. 10. A contribuinte comprovou que a posse e o domínio da área de 12.744,711 has era transmitido anualmente em média 1.000,00 has e que a área remanescente continuava sendo explorada pela Recorrente e que continua ainda explorando a área de 1.481,48 has do referido imóvel. Com base nos argumentos que foram sintetizados acima, pede seja julgado procedente o presente recurso e seja declarada a insubsistência do lançamento tributário. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. A questão central a ser dirimida neste processo consiste em decidir se a diferença entre o valor de aquisição e alienação atribuído às benfeitorias que compõe um imóvel rural comprado e vendido no mesmo dia, por um produtor rural que explora atividade rural em outros imóveis, pode ser considerado resultado da atividade rural para fins de tributação pelo imposto de renda ou se deve ser oferecido a tributação como ganho de capital. Penso que a segunda opção, tributação como ganho de capital, é a mais correta. Fundamento. A Lei nº 8.023, de 1990, estabelece a forma de tributação dos resultados provenientes da atividade rural (art. 1º) e tem o cuidado de discriminar o que se considera atividade rural (art. 2º) em uma lista exaustiva que compreende a agricultura, pecuária, extração e exploração vegetal e animal, exploração de culturas animais e a transformação de produtos decorrentes de atividade rural, sem que haja alteração na sua composição e características do produto in natura. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 19515.004815/201076 Acórdão n.º 2201003.916 S2C2T1 Fl. 379 5 A mera intermediação de animais e produtos agrícolas não constitui atividade rural (art. 2º, parágrafo único), o que faz bastante sentido já que o benefício é conferido tendo em vista os riscos que envolvem a atividade incentivada, que não são suportados por quem pratica apenas a intermediação dos produtos resultantes dela. O resultado da atividade rural é a diferença entre as receitas recebidas e as despesas pagas no anobase (art. 4º, caput), sendo que os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento (art. 4º, § 2º). Neste caso, considerase investimento na atividade rural "a aplicação de recursos financeiros, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade agrícola." (art. 6º), o que revela que o investimento considerado despesa da atividade rural é aquele efetuado com o propósito de expansão ou melhoria da atividade agrícola. Há aqui a união de um elemento objetivo, consistente no dispêndio realizado, e um elemento subjetivo, o fim a que ele se destina. Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será tributado como ganho de capital (art. 4º, § 3º). Logo, para que seja considerado receita da atividade rural, os bens devem ter sido utilizados na produção, ou seja, geraram receita da atividade rural. Aqui se revela a lógica da regra, pois tudo aquilo que, em um primeiro momento, reduziu a receita da atividade rural, no momento seguinte a aumenta, de forma que ao longo do tempo o resultado tende a ser neutro. Ou seja, a longo prazo, os investimentos em benfeitorias para fins de atividade rural não alteram a receita oferecida à tributação a esse título, a não ser que haja diferença entre o valor de aquisição e o valor de alienação. Pelo que se extrai do texto legal, é possível afirmar que as regras constantes da Lei nº 8.023, de 1990, são aplicáveis a quem exerce efetivamente a atividade rural e nos imóveis explorados por essa pessoa com esse fim. Essa conclusão é confirmada pelo seguinte artigo: Art. 13. Os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural, comprovada a situação documentalmente, pagarão o imposto de conformidade com o disposto nesta lei, separadamente, na proporção dos rendimentos que couber a cada um. Veja que o proprietário que arrenda o imóvel rural para exploração por terceiro (arrendatário) não está compreendido nessa regra, independente de ele mesmo ser ou não produtor rural. É por isso que a pergunta nº 466 do manual de perguntas e respostas de 2017, contém a seguinte orientação: 466 Como se dintinguem os contratos agrários? Os contratos de arrendamento e parceria são basicamente semelhantes no que concerne à natureza jurídica, pois em todos há cessão de uso e gozo de imóvel ou de área rural, parte ou partes dos mesmos, Fl. 381DF CARF MF 6 incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e facilidades, para ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista. Diferem, porém, substancialmente na forma de remuneração do cedente: a) no arrendamento ou subarrendamento, o cedente (arrendador ou subarrendador) recebe do arrendatário ou subarrendatário retribuição certa ou aluguel pelo uso dos bens cedidos (os rendimentos devem ser tributados como aluguéis, separados da atividade rural); b) na parceria ou subparceria, o cedente (parceirooutorgante) partilha com o parceirooutorgado os riscos de caso fortuito e força maior, os frutos, produtos ou lucros havidos, nas proporções estipuladas em contrato, e as variações de preço dos frutos obtidos (apuração na atividade rural – receitas e despesas). Por outro lado, na propriedade em comum, copropriedade ou condomínio, os proprietários, os coproprietários ou os condôminos partilham os riscos, frutos ou resultados havidos, na proporção da parte que lhes caiba no total. Esse entendimento é corroborado pela jurisprudência deste CARF, conforme revela excerto extraído da ementa do Acórdão nº 2202003.761, de relatoria do Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto: OMISSÃO DE RENDIMENTO. ARRENDAMENTO RURAL. DECLARAÇÃO COMO PRODUÇÃO RURAL. Ainda que a arrendante também seja produtora rural, não é possível oferecer à tributação como resultado da exploração rural os valores recebidos a título de pagamento de arrendamento a terceiros. No mesmo sentido é a conclusão do Acórdão nº 2402005.365, relator o Conselheiro Ronnie Soares Anderson, de onde é transcrito o que segue: Merece ser explicado, inicialmente, que os rendimentos auferidos em virtude de arrendamento são tributáveis, para o produtor, como resultado da atividade rural, a qual é apurada mediante escrituração do livro Caixa, podendo ser deduzidas as despesas e investimentos incorridos na atividade, a teor do art. 18 da Lei nº 9.250/95. Na ausência de livro Caixa, a base de cálculo do imposto recai sobre 20% da receita bruta. Já o arrendador submete os valores decorrentes do arrendamento ao regime geral estabelecido no art. 21 da Lei nº 4.506/64, ou seja, são eles classificados como rendimento de aluguéis, estando sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física sem o abatimento de despesas e benfeitorias, tratamento mais gravoso, à evidência, do que o conferido aos recebimentos advindos da relação de parceria. Por seu turno, a distinção entre arrendamento e parceria é obtida a partir da interpretação dos arts. 95 e 96 da Lei nº 4.504/1964 (Estatuto da Terra), e dos arts. 1º a 4º do Decreto nº 59.566/1966 (Regulamento do Estatuto da Terra). Segundo essas disposições normativas, no arrendamento há ausência de riscos de caso fortuito ou força maior, bem como recebimento de certa retribuição fixa, enquanto na parceria Fl. 382DF CARF MF Processo nº 19515.004815/201076 Acórdão n.º 2201003.916 S2C2T1 Fl. 380 7 riscos do gênero são partilhados, sem haver percepção de valor certo pela produção rural. Com efeito, no contrato de arrendamento o arrendador não sofre os riscos da atividade desenvolvida pelo arrendatário, sobre a qual não possui qualquer ingerência. Já a parceria se assemelha a contrato de sociedade ou consórcio, havendo mútua colaboração para a consecução de um determinado empreendimento agrícola, com a assunção de riscos por ambas as partes, assim como a partilha dos frutos, nas proporções avençadas. Portanto, nada na lei autoriza a conclusão de que um produtor rural que, além de realizar a exploração da atividade rural em um ou mais imóveis, pratica especulação imobiliária em outro, poderá tratar o ganho obtido nesta atividade como resultado da atividade rural. Essa conclusão é ratificada pela Instrução Normativa SRF nº 83, de 2001, no seguinte dispositivo: Art. 11. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas de custeio e dos investimentos pagos no anocalendário, correspondentes a todas as unidades rurais exploradas pela pessoa física. Logo, as receitas e despesas que compõem a apuração do resultado da atividade rural são aquelas relativas a todas as unidades rurais "exploradas" pela pessoa física, o que, por óbvio, se refere à exploração da atividade rural e não imobiliária. Assim, no caso de imóvel no qual o alienante não exerceu atividade rural, a apuração do resultado da alienação e a sua tributação devem seguir as regras relativas à apuração do ganho de capital. Neste caso, da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, são extraídas as seguintes disposições: Imóvel rural Art. 9o Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. § 1o Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. § 2o Os custos a que se refere o § 1o, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. Fl. 383DF CARF MF 8 Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. § 1o No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. § 2o Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3o O disposto no § 2o aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). Na hipótese em análise, como o imóvel foi adquirido após 1997, devem ser aplicadas as disposições do art. 10. A contribuinte adquiriu e vendeu o imóvel antes da entrega da Diat, o que leva à aplicação do inciso I, pelo qual o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição. Exatamente o que foi feito pela fiscalização neste processo. Estabelecidas essas premissas, passase a análise individualizada dos argumentos apresentados pela recorrente, na ordem em que foram sintetizados no relatório. 1. Os benefícios relativos à exploração da atividade rural estão adstritos àqueles que exerçam essa atividade e estejam enquadrados como produtores rurais, portanto é relevante o cadastramento da pessoa física ou jurídica que explore atividade rural. Tem razão a recorrente quando afirma que é relevante o exercício da atividade rural, contudo, as regras relativas à tributação da atividade rural não são aplicáveis apenas pela critério subjetivo, ou seja, não é um benefício em favor dos produtores rurais independentemente da natureza da atividade que deu origem ao rendimento. Ao elemento subjetivo deve ser somado o objetivo, o rendimento deve decorrer da exploração da atividade rural e, assim como a compra e venda de produtos rurais não é resultado da atividade rural, o rendimento decorrente do arrendamento de imóveis rurais não é resultado da atividade rural, a mera especulação imobiliária realizada em imóveis rurais também não é resultado da atividade rural. 2. A Lei nº 8.023, de 1990, unificou a receita, a despesa de custeio, os investimentos e o resultado da atividade rural de todas as unidades rurais, sendo confirmada essa unificação pelos artigos 11 e 24 da Instrução Normativa 83, de 2001. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 19515.004815/201076 Acórdão n.º 2201003.916 S2C2T1 Fl. 381 9 Tanto o art. 11 quanto o 24 fazem referência às unidades rurais "exploradas" pelo contribuinte. Portanto, não basta ser uma propriedade destinada a atividade rural, ela deve ser assim explorada pelo contribuinte em questão. 3. Os atos que regulamentam a matéria em nenhum momento mandam escriturar ou declarar separadamente, por unidade, os rendimentos, dispêndios e resultados da atividade rural. É verdade que não há qualquer comando estabelecendo a segregação das receitas e dispêndios, mas elas são unidas pela natureza comum que é o de se tratar de resultado da atividade rural, o que não inclui, conforme já se afirmou anteriormente, o resultado da especulação imobiliária em imóvel rural. 4. A legislação não proíbe que o comprador do imóvel utilize como custo as benfeitorias realizadas anteriormente pelo vendedor do referido imóvel. Isto é verdade, mas desde que haja apuração do resultado da atividade rural no imóvel em questão. Ou seja, essas benfeitorias devem ter sido empregadas para a exploração de atividade rural, o que não restou configurado neste processo. Por outro lado, elas serão consideradas efetivamente como custo, mas custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital. 5. Transcreve dispositivos da Instrução Normativa SRF nº 257, de 2002, que define atividade rural para fins de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica, para concluir que ao alienar um imóvel rural a pessoa jurídica que exerce a atividade agropecuária considerará ganho de capital a diferença entre o valor de alienação da terra nua e o custo desta na contabilidade. O valor das benfeitorias e o da depreciação incentivada serão registrados como receita da atividade rural. Aqui vale o mesmo raciocínio, pois pressuposto para a aplicação dessa regra é que tenha sido desenvolvida e explorada atividade rural no imóvel pelo alienante. 6. Como a pessoa jurídica devolveu para os sócios separadamente terra nua e benfeitorias e estes gozam como produtores rurais do direito de alienar o imóvel separando também a terra nua das benfeitorias, sendo a diferença entre o valor de alienação da terra nua e o custo desta tributado como ganho de capital e o valor das benfeitorias tributado como rendimento da atividade rural. Conforme já foi ressaltado anteriormente, a separação entre o valor da terra nua e das benfeitorias pressupõe a exploração de atividade rural no imóvel pelo alienante, o que não restou configurado neste processo. 7. Por força do art. 10 da IN nº 84, de 2001, tratandose de imóvel devolvido para a pessoa física produtora rural a partir de 1997, o valor da terra nua a ser considerado como custo para apuração do ganho de capital é o valor declarado pelo alienante no DIAT do ano de aquisição. Na hipótese em questão, a aquisição e alienação ocorreram antes da entrega da DIAT do ano de aquisição, que foi estabelecido pela Instrução Normativa SRF nº 61, de Fl. 385DF CARF MF 10 2001, em 30 de setembro de 2002. Em razão disso, a apuração do ganho de capital deve observar o custo de aquisição e alienação. 8. Um produtor rural pode encerrar suas atividades e, ao alienar os bens utilizados na produção rural, utilizar os incentivos conferidos por lei a esse atividade. Pode. Desde que os bens alienados tenham sido utilizados por ele na exploração da atividade rural, o que não é o caso dos autos. 9. A contribuinte comprova que exerceu atividade rural em outras propriedades nos anoscalendário de 2002 a 2004. Não basta a exploração da atividade rural em outras propriedades. 10. A contribuinte comprovou que a posse e o domínio da área de 12.744,711 has era transmitido anualmente em média 1.000,00 has e que a área remanescente continuava sendo explorada pela Recorrente e que continua ainda explorando a área de 1.481,48 has do referido imóvel. De acordo com o art. 3º, I, da IN SRF nº 84, de 2001, estão sujeitos à apuração do ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Portanto, com o "instrumento particular de compromisso de compra e venda" (fls. 48/63) firmado em 11 de julho de 2002, já havia sido realizada a alienação para fins de apuração do ganho de capital. O fato de as escrituras de compra e venda serem outorgadas de forma proporcional ao recebimento do preço não desnatura esse fato, pois a apuração do ganho de capital independe dessa providência. Também não produz qualquer efeito, a alegada exploração da área ainda não escriturada pelos vendedores, pois neste caso estão explorando imóvel que, para fins de imposto de renda, é de terceiro. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 386DF CARF MF Processo nº 19515.004815/201076 Acórdão n.º 2201003.916 S2C2T1 Fl. 382 11 Fl. 387DF CARF MF
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