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Numero do processo: 10120.000861/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 20 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DACON. NATUREZA JURÍDICA.
Cabe lançamento de oficio do saldo a pagar de PIS/PASEP e COFINS, apurado em DACON e não recolhido nem declarado em DCTF, em função do caráter meramente informativo daquela.
LANÇAMENTOS DECORRENTES DA FISCALIZAÇÃO DO PIS/PASEP. EFEITOS.
Mantida a matéria tributável apurada no lançamento do PIS/PASEP, sendo a mesma que deu causa ao lançamento da COF1NS, permanece inalterado o lançamento desta, face à íntima relação de causa e efeito entre o lançamento de PIS/PASEP (principal) e o dito decorrente.
Numero da decisão: 3401-011.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Delson Santiago (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente o conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos, substituído pelo conselheiro Carlos Delson Santiago.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 DACON. NATUREZA JURÍDICA. Cabe lançamento de oficio do saldo a pagar de PIS/PASEP e COFINS, apurado em DACON e não recolhido nem declarado em DCTF, em função do caráter meramente informativo daquela. LANÇAMENTOS DECORRENTES DA FISCALIZAÇÃO DO PIS/PASEP. EFEITOS. Mantida a matéria tributável apurada no lançamento do PIS/PASEP, sendo a mesma que deu causa ao lançamento da COF1NS, permanece inalterado o lançamento desta, face à íntima relação de causa e efeito entre o lançamento de PIS/PASEP (principal) e o dito decorrente.
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NATUREZA JURÍDICA. Cabe lançamento de oficio do saldo a pagar de PIS/PASEP e COFINS, apurado em DACON e não recolhido nem declarado em DCTF, em função do caráter meramente informativo daquela. LANÇAMENTOS DECORRENTES DA FISCALIZAÇÃO DO PIS/PASEP. EFEITOS. Mantida a matéria tributável apurada no lançamento do PIS/PASEP, sendo a mesma que deu causa ao lançamento da COF1NS, permanece inalterado o lançamento desta, face à íntima relação de causa e efeito entre o lançamento de PIS/PASEP (principal) e o dito decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Delson Santiago (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente o conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos, substituído pelo conselheiro Carlos Delson Santiago. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 08 61 /2 01 0- 65 Fl. 460DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-011.447 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.000861/2010-65 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do r. acórdão n. 07-18.167 de lavra da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do r. acórdão n. 03-39.534 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da r. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação apresentada. Em 04/02/2010, foram lavrados contra o interessado os Autos de Infração do PIS/Pasep e da Cofins, atinentes aos anos-calendário de 2005, 2006 e 2007, cujo crédito tributário lançado de oficio perfaz o montante de R$ 394.137,90, assim discriminados por exação fiscal: De acordo com a descrição dos fatos dos Autos de infração, foi verificada pela fiscalização insuficiência de recolhimento ou de declaração do PIS/PASEP e da COFINS, nos anos-calendário 2005, 2006 e 2007, apurado pelo cotejo entre dados informados em DACON e os declarados em DCTF, bem como os recolhimentos efetuados, conforme "DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS". Dos autos de infração, a fiscalizada tomou ciência em 11 de fevereiro de 2010 (fls. 106). Inconformada, 'em 15 de março de 2010, tempestivamente, apresentou impugnação aos lançamentos (fls. 112 a 115 e anexos) em que alega, em síntese, que: - que as empresas com tributação no lucro presumido optam pela tributação baseada no Regime de Caixa ou de Competência, sendo a impugnante optante pelo Regime de Caixa; - que o trabalho fiscal possuí inúmeras contradições, ora pela forma utilizada para apuração de possíveis débitos tributários, ora pela utilização das informações contidas em DCTF/DACON/DIPJ de forma a induzir ao Auto de Infração; - a título de exemplo, mas que se aplica a todos os demonstrativos, no demonstrativo de diferenças apuradas feita pelo auditor, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005 e 31/12/2005, em relação ao COFINS/PIS, não trazem débitos declarados no campo DCTF, sendo que tal omissão por parte da autoridade fiscal leva a pura e clara dedução de que o contribuinte omitiu receita auferida no período; - ao verificar as DCTF constata-se que o contribuinte sempre declarou. -Valores devidos em- DCTF ( Documentos 1, 2, 3, e 4), sendo inclusive condizente com os valores exigidos pela autoridade fiscal, portanto, não há diferença tributária devida; Fl. 461DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-011.447 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.000861/2010-65 - ao verificar os recolhimentos efetuados pela empresa, é cediço que a empresa não efetivou o pagamento dos tributos declarados, porém jamais omitiu valores; - assim sendo, em meados de novembro de 2008, ou seja, antes do início do procedimento fiscal, a impugnante aderiu ao parcelamento da Lei n. 11.941/09, em todas as suas modalidades, colocando assim os débitos fruto desta autuação sobre suspensão de exigibilidade; - portanto, não tendo o contribuinte omitido valores em suas declarações, assim como estando tais tributos acobertados pela suspensão de exigibilidade pela adesão e deferimento do parcelamento baseado na Lei n. 11.941/09, resta nula a presente exigência fiscal. Por fim, requer: a nulidade do auto de infração, ou sua improcedência. Em 25/05/2010, o presente processo foi encaminhado em diligência (fls. 386 e 387) para que fosse verificado se os valores levantados a título de PIS/PASEP e COFINS nos autos de infração, em anexo, foram objeto do pedido de parcelamento, instituído pela Lei n. 11.941/2009.' Em 14/07/2010, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (Seeat) informa que o interessado manifestou-se em 21/06/2010pela inclusão da totalidade dos débitos da RFB, conforme previsto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 03, de 29/04/2010. Esclarece, ainda, que IN RFB n: 1.049, de 30/06/2010, dispõe sobre os débitos a serem incluídos no parcelamento, inclusive no caso de débitos objeto de procedimento fiscal por parte da RFB. A r. DRJ decidiu pela improcedência do pleito em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 DACON. NATUREZA JURÍDICA. Cabe lançamento de oficio do saldo a pagar de PIS/PASEP e COFINS, apurado em DACON e não recolhido nem declarado em DCTF, em função do caráter meramente informativo daquela. COF1NS. LANÇAMENTOS DECORRENTES DA FISCALIZAÇÃO DO PIS/PASEP. EFEITOS. Mantida a matéria tributável apurada no lançamento do PIS/PASEP, sendo a mesma que deu causa ao lançamento da COF1NS, permanece inalterado o lançamento desta, face à íntima relação de causa e efeito entre o lançamento de PIS/PASEP(principal) e o dito decorrente. Impugnação Improcedente Crédito tributário mantido. A Recorrente apresenta Recurso Voluntário em que reitera as razões de sua inconformidade. Em julgamento realizado em 20/10/2020, esta turma decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens objeto de glosa em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018, fundado no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento. A unidade de origem apresenta Relatório Fiscal em que assevera: Fl. 462DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-011.447 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.000861/2010-65 Não cabe, s.m.j., qualquer manifestação da unidade preparadora da RFB em relação à solicitação contida na fl. 8 da Resolução citada, pelas seguintes razões: 1) os AI de PIS e COFINS referem-se a apuração cumulativa das contribuições e o parecer Cosit trata, conforme ementa, de "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES"; 2) não consta no recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, fls 420/426 qualquer alusão ao referido parecer, no qual apenas alega, em resumo, que não reconhece a apresentação das DCTF retificadoras que tiveram o condão de zerar os débitos objetos dos lançamentos de ofício; É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Não assiste razão à recorrente. No voto vencedor do acórdão recorrido consta expressamente que não se considerou a inclusão do presente processo no parcelamento: Por seu turno, o Código Tributário Nacional estabelece, em seu art. 151, inciso Dl, que suspende a exigibilidade do crédito tributário os recursos administrativos. Portanto, a manifestação do contribuinte pela inclusão da totalidade dos débitos não contempla os autos de infração ora contestados; os quais estão com 'sua — exigibilidade suspensa, uma vez que a impugnante não- desistiu da impugnação apresentada, conforme preceitua o art. 1°, parágrafo primeiro, inciso I, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 03, de 29 de abril de 2010. No que tange a aplicação do art. 138 do CTN, aplica-se ao caso a inteligência do REsp n. 1.149.022/SP, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 9/6/2010, julgado sob o rito de julgamentos repetitivos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 463DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-011.447 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.000861/2010-65 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp n. 1.149.022/SP, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 9/6/2010, DJe de 24/6/2010.) Assim, sendo incontroverso que o contribuinte declarou e deixou de recolher o tributo devido, não se aplica ao caso o referido dispositivo legal. Ante todo o exposto, conheço do recurso para negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 464DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-011.447 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.000861/2010-65 Fl. 465DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10380.726685/2017-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2012
AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF N° 181.
No âmbito das contribuições previdenciárias, é incabível lançamento por descumprimento de obrigação acessória, relacionada à apresentação de informações e documentos exigidos, ainda que em meio digital, com fulcro no caput e parágrafos dos artigos 11 e 12, da Lei nº 8.218, de 1991.
Numero da decisão: 2401-010.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Renato Adolfo Tonelli Junior, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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SÚMULA CARF N° 181. No âmbito das contribuições previdenciárias, é incabível lançamento por descumprimento de obrigação acessória, relacionada à apresentação de informações e documentos exigidos, ainda que em meio digital, com fulcro no caput e parágrafos dos artigos 11 e 12, da Lei nº 8.218, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Renato Adolfo Tonelli Junior, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 4219/4288) interposto em face de decisão (e-fls. 4191/4216) que julgou procedente em parte impugnação contra Auto de Infração (e-fls. 02/07) a constituir: (1) multa previdenciária de R$ 7.764.277,66 por APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA OU NÃO APRESENTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL (Lei n° 8.218, de 29.08.91, arts. 11, §§3° e 4°, e 12, III, parágrafo único); e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 66 85 /2 01 7- 09 Fl. 4289DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726685/2017-09 (2) multa previdenciária de R$ 22.840,21 por NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU LIVRO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI Nº 8.212/91 OU APRESENTAÇÃO QUE NÃO ATENDA ÀS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS (Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 92 e art. 102; Decreto n° 3.048, de 06.05.99, art. 283, II, ¨j¨, art. 292, inciso II, III e IV e art. 373). O lançamento foi cientificado em 11/09/2017 (e-fls. 1739/1743). O Relatório Fiscal consta das e-fls. 08/18, estando acompanhado dos anexos de e-fls. 19/1743. A impugnação (e-fls. 1747/17777) abordou os seguintes tópicos: (a) Tempestividade. (b) Multa. Nulidade e Decadência. (c) Processos judiciais. (d) Insubsistência dos fundamentos da fiscalização. (e) Necessidade de perícia e de posterior juntada de novos documentos. A seguir, transcrevo do Acórdão de Impugnação (e-fls. 4191/4216): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2012 SÚMULA VINCULANTE N° S DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTAGEM DO PRAZO. E inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212. de 1991. consoante entendimento esposado pela Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, publicada no DOU de 20 06 2008. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, havendo pagamento parcial da obrigação, o prazo de decadência quinquenal para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4o. do art. 150. do Código Tributário Nacional. Em se tratando de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória para a qual não existe a possibilidade de antecipação do recolhimento, aplica- se exclusivamente a regra estabelecida no artigo 173. Ido CTN. INFRAÇÃO. ARQUIVOS DIGITAIS. OBRIGAÇÃO DE EXIBIR. Constitui infração à Lei n* 8.218 91, deixar a pessoa jurídica que utiliza sistemas de processamento eletrônico de dados de apresentar os respectivos arquivos digitais e sistemas. INFRAÇÃO. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o sindico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA PENALIDADE. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Fl. 4290DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726685/2017-09 MULTAS. CONCOMITÂNCIA. INFRAÇÕES DISTINTAS. INOCORRÊNCIA. Apurando-se, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam-se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. PEDIDO DE PERÍCIA. PRODUÇÃO DE PROVA. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências e perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los e não o fez. JURISPRUDÊNCIA. EFEITO ENTRE AS PARTES. As decisões judiciais ou administrativas, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo R$ 1.536.940,14 e exonerando R$ 6.250.177,73. Intime-se para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972. alterado pelo art. 1° da Lei n.° 8.748. de 9 de dezembro de 1993. e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Nos termos do art. 27, inciso VI da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pela Lei n° 12.799, de 14 de janeiro de 2013, não cabe interposição de recurso de ofício nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. (...) Voto (...) CONCLUSÃO. Considerando que a procedência da preliminar de decadência é prejudicial ao julgamento do mérito, retiro do lançamento a multa isolada lavrada em razão de a empresa deixar de apresentar as informações em meio digital, relativas aos anos de 2003 a 2011, bem como a multa lançada pela não exibição de livros ou documentos. Com relação à multa alusiva ao exercício 2012, não alcançada pela decadência, rejeito os argumentos suscitados na peça de defesa votando pela sua procedência. Por tudo exposto, em face das razões expendidas e à luz da legislação previdenciária, voto por julgar procedente em parte a impugnação mantendo parcialmente o crédito tributário, conforme composição de valores a seguir explicitada: INFRAÇÃO ANO CÓDIGO RECEITA MULTA LAVRADA MULTA MANTIDA NÃO APRESENTAÇÃO DE 2003 2408 133.807.24 0,00 2004 2408 395.295,08 0,00 Fl. 4291DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726685/2017-09 INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL 2005 2408 484.853,61 0,00 2006 2408 582.203,74 0,00 2007 2408 681.117,83 0,00 2008 2408 801.688.29 0,00 2009 2408 927.830.13 0,00 2010 2408 1.056.530.67 0,00 2011 2408 1.236.055,54 0,00 2012 2408 1.536.940.14 1.536.940.14 TOTAL 7.764.277,66* 1.536.940.14 NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU LIVRO 2017 2408 22.840,21 0,00 TOTAL 22.840,21 0,00 * total lançado O Acórdão de Impugnação foi prolatado na sessão de 14/08/2019 e em 04/09/2018 (e-fls. 4217 e 4253) interposto recurso voluntário (e-fls. 4219/4252 e 4255/4288), em síntese, alegando: (a) Tempestividade. O recurso é apresentado tempestivamente. (b) Multa. Diante da decretação da decadência de parte do crédito tributário, o recurso voluntário cinge-se à multa remanescente do exercício 2012. A empresa apresentou os arquivos digitais no leiaute do Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD validado dentro do que foi possível extrair através do setor de Tecnologia e Informação, por se tratar de arquivos digitais e documentos do período de 2003 a 2012, ou seja, emitidos há de 14 (catorze anos). Inobstante a necessidade de comprovação dos créditos através de documentos relacionados à sua origem para que a compensação seja homologada, não encontra respaldo legal a presente autuação por não apresentação de arquivos digitais e não exibição das folhas de pagamento e respectivos resumos gerais, relacionadas aos documentos do período de 2003 a 2012 que, inclusive, sequer existia a obrigatoriedade de apresentação da referida documentação em face da ocorrência de decadência. A não apresentação de alguma documentação relacionada à compensação declarada em GFIP acarreta a glosa/não homologação da compensação, caso não reste comprovado o crédito pelos meios probatórios cabíveis. A multa por descumprimento de obrigação acessória não é cabível no presente caso em que as obrigações acessórias regulares da empresa do período indicado pela fiscalização no item 2.5 do Relatório de Lançamento foram devidamente cumpridas. O que se busca na presente autuação é a penalização da contribuinte por não apresentar toda a documentação requerida pela fiscalização concernente à compensação, quando sequer existia a obrigatoriedade de sua apresentação. Como se destacou do item 2.18 do Relatório Fiscal, o lançamento da multa em 11/09/2017, ocorreu por não ter a empresa apresentado todas as informações digitais do MANAD referentes ao período 2003 a 2012, já que nos anos de 2013 a 2015 a auditoria informou que a documentação foi apresentada de forma completa. A norma fala do cumprimento da obrigação acessória, dentro do prazo decadencial, e se a Fl. 4292DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726685/2017-09 empresa apresentou integralmente os resumos gerais das folhas e os arquivos digitais do MANAD referente aos fatos geradores do período 2013 a 2015, de conformidade com o item 2.10 do Relatório de Lançamento, restou atendida a disposição legal, não se está diante de lançamento de um crédito tributário decorrente de obrigação acessória relacionado com a obrigação principal. Isso porque o período de apuração da obrigação principal concernente à compensação é de 01/01/2013 a 31/12/2015 (PA nº 10380-726.488/2017-81) e como já constatado, as obrigações instrumentais desse período foram cumpridas integralmente conforme item 2.10 do Relatório Fiscal. No presente caso, a obrigação principal relacionada às obrigações acessórias do período ora autuado não mais subsistem. Primeiro porque não estão sendo questionadas pelos pagamentos efetuados; segundo porque, mesmo que estive algum questionamento acerca de pagamentos já teria sido alcançado pela decadência. O presente lançamento não subsiste, pois totalmente dissociado de seus fundamentos/motivação que se consubstanciam na verificação do crédito compensado e, como já aduzido na presente impugnação, no caso de não comprovação do crédito por parte do contribuinte, poderá acarretará na não homologação da compensação (2003 a 2012). A acusação fiscal inverteu a ordem dos fatos ao imputar à empresa o descumprimento de obrigação acessória fora do prazo decadencial, com aplicação de multa, quando a consequência da análise da origem dos créditos compensados em GFIP seria a não homologação da compensação. A fiscalização deve observar os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, bem como para se atender ao interesse público e à legitimação social. Outro fato de suma relevância que reforça a absoluta insubsistência do lançamento consiste que no presente caso, em nenhum momento, o Fiscal deixou de considerar a origem dos créditos por causa da apresentação do MANAD. O Fiscal se utilizou dos resumos das folhas e isso se comprova no Relatório de Lançamento do Processo Administrativo nº 10380.726488/2017-81. Ademais, de que forma poderia ser aplicada uma penalidade tão severa contra o contribuinte que apurou créditos decorrentes de decisões judiciais transitadas em julgado, declarou créditos em GFIP, apresentou todos os documentos requeridos pela fiscalização, mesmo se referindo a obrigações de mais de 14 (catorze) anos atrás. Por todas as maneiras que se olhe para a presente autuação, inexiste a subsunção dos fatos narrados no Relatório Fiscal à norma aplicada. Constata-se que a fiscalização não agiu em consonância com o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Não há legitimidade no ato administrativo de glosa da compensação e, por conseguinte, não há fundamento para autuação de multa por descumprimento de obrigação acessória relacionada à compensação, o que rende ensejo à nulidade do Auto de Infração, ou mesmo a sua total improcedência. Ainda que a empresa não tivesse apresentado os arquivos digitais, ainda assim, não caberia a incidência da multa aplicada em atenção ao previsto no artigo 106, II, do CTN, tendo em vista que penalidade prevista no art. 57 da MP nº 2.158-35, de 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, é menos severa que a penalidade prevista no artigo 12, III, da Lei n.º 8.218, de 1991, devendo ser aplicada de forma retroativa no caso de configuração da Fl. 4293DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726685/2017-09 incidência da norma, o que, repita-se, não é o caso dos autos (jurisprudência). Sob o aspecto da concomitância de multas, da forma como efetuada nos três lançamentos relativos aos mesmos fatos, a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou em diversas ocasiões a propósito da matéria, decidindo pela inaplicabilidade da concomitância das multas (Acórdãos nº 9202-003.163; 9202-003.552; 9202-00.883), bem como Turmas Ordinárias (processo nº 10.830.0006853/2006-30). Assim, não devem prevalecer as multas por apresentação extemporânea ou não apresentação das informações em meio digital e por não exibição de documento ou livro relacionado às contribuições previdenciárias. Conforme será comprovado a seguir, não procede a multa por descumprimento de obrigação acessória que se originou da verificação dos créditos da compensação, na medida em que ressai totalmente desprovida de validade a glosa das compensações efetuadas, o que deverá ser comprovado através de perícia. (c) Processos judiciais. Em suma, existem créditos legítimos e devidamente comprovados através dos processos judiciais números 2008.81.00.011199-0 e 2005.81.00.002926-3, não havendo razão para a acusação fiscal efetuar a glosa dos créditos comprovados e aproveitados após as decisões judiciais transitadas em julgado. (d) Insubsistência dos fundamentos da fiscalização. A fiscalização se baseou nos documentos presentados pela empresa, mas sem uma análise aprofundada e a se utilizar de presunção para glosar os créditos oriundos de compensação, o que é inadmissível em face da necessidade de observância da verdade material no processo administrativo. Conforme se verifica do item 24 do Relatório Fiscal do processo relativo à compensação, após comparar os valores levantados com os apresentados pela empresa, a Fiscalização considerou o de menor valor em cada competência, afirmando para tal que quando a base da empresa foi maior significa que a SERVIS utilizou bases inexistentes ou não comprovadas e, ao contrário, o indébito somente pode ser reconhecido pelo Fisco até o limite do pedido, uma vez que a compensação é um procedimento facultativo. Ora, de fato, o Fiscal confirmou a existência da seguinte situação: existem créditos a maior do que o requerido pelo contribuinte e que não foram considerados pelo Fiscal, pois o requerimento para a compensação fora feito em valor menor. No entanto, quando foi apresentado pela empresa base maior do que a verificada pela Fiscalização, referidos valores foram considerados como bases inexistentes ou não comprovadas, tendo como consequência a não homologação da compensação. A constatação dessa situação é importante porque através dela se verifica a não observância da verdade material e, inobstante a comprovação da existência de créditos não aproveitados pela Fiscalização na Auditoria, além da glosa da compensação de forma indevida, foram também lavrados o Auto de infração de multa isolada no valor de R$2.553.834.26 (PAF n° 10380- 726.684/2017-56). e do Auto de Infração RS 7.787.117,87 por não apresentação de arquivos digitais e não exibição de resumos gerais das folhas, relacionadas aos documentos do período de 2003 a 2012 (PAF n° 10380- 726.685/2017-09). A situação em tela demanda análise mais apurada da Fl. 4294DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-010.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726685/2017-09 motivação do lançamento e da observância do art. 142 do CTN, havendo necessidade de perícia para a constatação dos créditos já encontrados pela Fiscalização e o seu aproveitamento na compensação efetuada pela empresa, de modo a se observar os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, bem como para se atender ao interesse público e à legitimação social. Ao constatar créditos a maior, não pode o fisco não os aproveitar para efeito de compensação, pois não dispõe dessa discricionariedade, até porque a fiscalização está fazendo a revisão do lançamento por homologação e, dentro dessa análise, deve ser levar em consideração valores de créditos encontrados, aplicando a verdade material. Não há como justificar que, diante da constatação de créditos em favor do contribuinte, apenas em face da formalidade de ter informado crédito a menor, não ocorra o aproveitamento de créditos existentes e, ainda, seja efetuada a glosa da compensação do período em que informou erroneamente a compensação a maior, além da imposição de multa de 150% (cento e cinquenta por cento) e multa por descumprimento de obrigação acessória. Há necessidade de compensação dos créditos reais com os débitos existentes. Ademais, O próprio fiscal faz constar que a SERVIS tinha créditos de retenções destacadas em NFs que não foram aproveitadas, no valor de R$ 1.125.796,41 (pagina 08/09 do AI 10380-726.684/2017). Tal afirmativa confirma e ratifica o entendimento de que a glosa da compensação foi totalmente indevida. Não há legitimidade no lançamento baseado em presunções (quando a base da empresa foi maior significa que a SERVIS utilizou bases inexistentes ou não comprovadas e, ao contrário, o indébito somente pode ser reconhecido pelo Fisco até o limite do pedido, uma vez que a compensação é um procedimento facultativo) quando a constatação fiscal afirma a existência de créditos. Nesse contexto convém esclarecer que diante da constatação fática, não pode a Administração, em um processo amplo de Auditoria Fiscal, desconsiderar valores apurados por simples formalidade do pedido compensatório do contribuinte. (e) Necessidade de perícia e de posterior juntada de novos documentos. Diante de todos os fatos que foram abordados na presente peça recursal, as informações apresentadas pela acusação fiscal nos itens 17, 23 a 36 do Despacho/lançamento, além das incongruências ora relatadas, devem ser analisadas com mais profundidade através de uma perícia/diligência a fim de que seja averiguada se efetivamente as informações corroboram com os documentos já adunados. Assim, protesta por perícia/diligência para confirmar os esclarecimentos trazidos nas razões recursais, bem como pela posterior juntada de novos documentos. (f) Pedido. Requer a improcedência do Recurso de Ofício, bem como a procedência do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 4295DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-010.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726685/2017-09 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. O Acórdão de Impugnação foi prolatado na sessão de 14/08/2019 e em 04/09/2018 (e-fls. 4217 e 4253) interposto recurso voluntário (e-fls. 4219/4252 e 4255/4288), (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Ressalte-se que não houve recurso de ofício, logo não há que se falar em improcedência do recurso de ofício. Da multa subsistente. De plano, temos de ponderar que a decisão recorrida manteve tão somente a multa previdenciária por APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA OU NÃO APRESENTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL em relação ao ano de 2012. No Relatório Fiscal, a infração em questão foi descrita nos seguintes termos (e-fls. 15): 4.1.4. Portanto, não apresentou as informações digitais das folhas de pagamento no formado do MANAD referentes aos períodos em que teria apurado créditos oriundos de decisão judicial e, consequentemente, infringiu o art 11, §§3° e 4° da Lei n° 8.218, de 1991. 4.1.5. Diante dos fatos, autua-se a empresa fiscalizada por não apresentar os arquivos digitais no formato do Manual Normativo de Arquivos Digitais - MANAD correspondentes ao período de 09/2003 a 12/2012. 4.1.6. DA MULTA APLICADA 4.1.7.A multa a ser aplicada está prevista no art. 12 da Lei n° 8.218, de 1991, que corresponde a 0,02% (dois centésimos por cento) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de 1% (um por cento) dessa. Em aperatada síntese, a recorrente sustenta que a multa aplicada não possui respaldo legal, ainda mais por estar dissociada de seus fundamentos/motivação em violação ao art. 142 do CTN e aplicada no contexto da glosa de compensações declaradas em GFIP e de cumprimento espontâneo das obrigações acessórias, bem como por ser cabível a aplicação do art. 106, II, do CTN, sendo menos servera a penalidade do no art. 57 da MP nº 2.158-35, de 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012. Além disso, invoca jurisprudência que não admitiria a multa por apresentação extemporânea ou não apresentação das informações em face da meio digital. No restante, as alegações não dizem respeito ao descumprimento da obrigação acessória em questão, situando-se nessa linha o pedido de perícia/diligência. A multa subsistente foi lavrada em procedimento fiscal voltado à fiscalização de Contribuições Previdenciárias e Contribuições destinadas a Entidades e Fundos denominados Terceiros, havendo sobre a matéria jurisprudência de observância obrigatória, eis que cristalizada em súmula: Súmula CARF nº 181 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 No âmbito das contribuições previdenciárias, é incabível lançamento por descumprimento de obrigação acessória, relacionada à apresentação de informações e documentos exigidos, ainda que em meio digital, com fulcro no caput e parágrafos dos artigos 11 e 12, da Lei nº 8.218, de 1991. Acórdãos Precedentes: 2401-003.530, 9202-008.351, 2402-008.124; 9202-008.985 e 2202-007.201. Fl. 4296DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-010.759 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726685/2017-09 Considera-se não ser cabível a aplicação da Lei n° 8.218, de 1991, quanto há infração específica a regular a mesma conduta na Lei n° 8.212, de 1991, conforme princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Isso posto, voto por CONHECER do recurso voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 4297DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11080.737542/2018-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 20 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 14/09/2018
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Aplica-se a multa isolada de 50% (cinquenta por cento), prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. CABIMENTO.
A suspensão da exigibilidade da multa isolada pela não homologação de compensação declarada, prevista no § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não impede a lavratura de Notificação de Lançamento para constituição do crédito tributário relativo a essa multa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. SÚMULA CARF N. 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3401-011.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, ressalvando a necessidade de que eventual decisão proferida no processo onde se discute a compensação declarada repercuta sobre a exigência discutida no presente processo.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Delson Santiago (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: ARNALDO DIEFENTHAELER DORNELLES
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Aplica-se a multa isolada de 50% (cinquenta por cento), prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. CABIMENTO. A suspensão da exigibilidade da multa isolada pela não homologação de compensação declarada, prevista no § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não impede a lavratura de Notificação de Lançamento para constituição do crédito tributário relativo a essa multa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. SÚMULA CARF N. 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, ressalvando a necessidade de que eventual decisão proferida no processo onde se discute a compensação declarada repercuta sobre a exigência discutida no presente processo. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Delson Santiago (suplente convocado), Fernanda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 75 42 /2 01 8- 42 Fl. 71DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-011.423 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.737542/2018-42 Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento lavrada contra a ora recorrente para exigência de multa isolada por compensação não homologada. De acordo com o Despacho Decisório que consta no processo onde se discute a compensação, não foi reconhecido o crédito pleiteado e nem homologadas as DCOMP, o que ensejou a aplicação da multa de 50% sobre o valor do débito lá apontado, nos termos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Tendo sido cientificada, a ora recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação à Notificação de Lançamento, onde argumentou: a) que está sendo questionada, em sede de repercussão geral reconhecida pelo STF no RE 796.939, a constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, sob a alegação de que esses parágrafos afrontam o direito de petição, consagrado no inciso XXXIV do art. 5º da CF; b) que a imposição de penalidade automática pelo indeferimento, ou pelo deferimento parcial, de pedido de ressarcimento/compensação revela o intuito do legislador de inibir o livre exercício do direito de o contribuinte reaver o valor de tributos pagos indevidamente; c) que também há ofensa ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa; d) que os créditos tributários, além de legítimos, se encontram em fase de apreciação pelas instâncias administrativas julgadoras; e) que a desproporcionalidade entre o meio adotado pela Lei (multa isolada automática) para atingir o fim por ela ambicionado (coibir pedidos infundados de restituição/compensação) repercute de forma inconstitucional; f) que houve a instauração de incidente de arguição de inconstitucionalidade perante o TRF4, onde foi reconhecida a invalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, por serem atentatórias ao direito de petição e ao postulado da proporcionalidade; g) que devem ser respeitadas as normas de Direito tributário, seus institutos jurídicos e fundamentos, sem que recaiam sob suas balizas quaisquer vícios quanto à forma de interpretação e aplicabilidade; h) que o Despacho Decisório relativo à compensação fez tábua rasa de conceitos cristalinos e primordiais que deram origem ao pagamento indevido ou a maior Fl. 72DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-011.423 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.737542/2018-42 que o devido, dando ensejo à aplicação ilegal da penalidade prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; i) que se o contribuinte recolheu aos cofres públicos tributo indevido, o Fisco tem o dever de lhe devolver, sob pena de enriquecimento indevido; e j) que, não sendo o caso de imposição de multa punitiva por fraude no procedimento de compensação, é incabível a aplicação dessa multa isolada automática, em razão da sua inconstitucionalidade. A DRJ, de forma unânime, julgou improcedente a Impugnação, tendo se ancorado nos seguintes fundamentos: a) que, no caso de compensação não-homologada, aplica-se a multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, situação em que serão aplicadas as penalidades previstas no caput e parágrafos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003; b) que o dispositivo legal é claro no sentido de que, para sua aplicação, não se exige má-fé ou intenção de compensar o que se sabe ser indevido; c) que comprovada má-fé, a multa a ser aplicada é a de 150%, prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003; d) que a multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tem como fato gerador a apresentação de declaração de compensação cujos créditos a serem utilizados não existam ou não sejam suficientes para proceder às compensações dos débitos nela informados; e) que as questões de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, ficando essa apreciação reservada ao Poder Judiciário; f) que as questões a serem apreciadas pelo julgador administrativo dizem respeito a considerações materiais e formais concernentes à situação fática do lançamento, em consonância com a sua legislação de regência, e eventualmente envolvendo aspectos hermenêuticos que possam daí surgir, sempre em consonância com o princípio da verdade material, mas nunca com o afastamento da lei tipificadora da infração, por sua suposta inconstitucionalidade; g) que o processo onde se discute a compensação, de onde se originou o presente lançamento, teve a Manifestação de Inconformidade julgada improcedente pela DRJ; e h) que a decisão no processo onde se discute a compensação deve se refletir no presente processo, e que a exigibilidade da multa discutida neste processo Fl. 73DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-011.423 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.737542/2018-42 somente ocorrerá se houver decisão definitiva que confirme a não homologação naquele processo. Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário aduzindo, em síntese: a) que a afirmação da DRJ de que “a multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/1991 (sic!) tem como fato gerador a apresentação de declaração de compensação cujos créditos a serem utilizados não existam ou não sejam suficientes para proceder às compensações dos débitos nela informados” não condiz com os preceitos delineados no inciso III do art. 151 do CTN, uma vez que os créditos objeto de compensação se encontram suspensos, ainda em discussão administrativa, não se podendo dizer, nesse instante, que os créditos não existem ou não são suficientes para a compensação declarada; b) que, em razão do Recurso Voluntário apresentado no processo onde se discute a compensação, mais uma vez resta claramente solidificado o entendimento de que a exigibilidade da multa se encontra suspensa, nos termos do inciso III do art. 151 do CTN; c) que o art. 62 do Regimento Interno do CARF se posiciona no sentido de que a instância administrativa, no que diz respeito às discussões tributárias, está obrigada a seguir a jurisprudência do STF, fixada em ações de controle concentrado ou em recursos com repercussão geral reconhecida; d) que a matéria objeto de discussão – aplicação de multa por compensação indevida, é tema de repercussão geral reconhecida pelo STF; e) que a punição automática pelo exercício do pedido de ressarcimento, compensação ou repetição de indébitos tributários constitui-se em lamentável arbítrio, na medida em que a norma peca por presumir a má-fé do contribuinte, a ponto de justificar a sua automática punição em virtude do simples exercício de um direito constitucionalmente assegurado; f) que não é difícil vislumbrar a afronta perpetrada pelos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao disposto no inciso XXXIV do art. 5º da CF, na medida em que a aplicação automática da multa isolada, em razão do mero indeferimento do pedido administrativo de restituição/compensação, acaba por desencorajar o contribuinte de exercer um direito que lhe é assegurado pela Constituição Federal; g) que os §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ofendem também os direitos fundamentais ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa; h) que os créditos tributários, além de legítimos, se encontram em fase de apreciação pelas instâncias administrativas julgadoras; Fl. 74DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-011.423 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.737542/2018-42 i) que a origem da penalidade reside na presunção de que os pedidos de restituição e compensação administrativos seriam, em regra, eivados de má- fé, a justificar automática e incontestável imposição de multa; j) que a desproporcionalidade entre o meio adotado pela Lei (multa isolada automática) para atingir o fim por ela ambicionado (coibir pedidos infundados de restituição/compensação) repercute de forma inconstitucional; k) que devem ser respeitadas as normas de Direito tributário, seus institutos jurídicos e fundamentos, sem que recaiam sob suas balizas quaisquer vícios quanto à forma de interpretação e aplicabilidade; e l) que a DRJ fez tábua rasa de conceitos cristalinos e primordiais que deram origem ao pagamento indevido ou a maior que o devido, dando ensejo à aplicação ilegal da penalidade prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. É o relatório. Voto Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele se toma conhecimento. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário A recorrente reclama que a afirmação feita pela DRJ de que “a multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/1991 (sic!) tem como fato gerador a apresentação de declaração de compensação cujos créditos a serem utilizados não existam ou não sejam suficientes para proceder às compensações dos débitos nela informados” não condiz com os preceitos delineados no inciso III do art. 151 do CTN, uma vez que os créditos objeto de compensação se encontram suspensos, ainda pendentes de decisão administrativa definitiva, não se podendo dizer, nesse instante, que os créditos não existem ou não são suficientes para a compensação declarada. Nesse ponto, a recorrente parece confundir o crédito tributário de que trata o art. 151 do CTN com crédito discutido no processo de compensação. Enquanto o art. 151 do CTN trata de um crédito já constituído em favor do ente tributante, cuja exigibilidade fica suspensa enquanto perdurar a discussão administrativa, o crédito pleiteado pela recorrente na declaração de compensação é um direito que ela pleiteia junto a esse mesmo ente tributante. O que se encontra suspensa naquele processo de compensação é a exigibilidade do débito lá declarado, que, do ponto de vista do ente tributante, é um crédito tributário constituído a seu favor. No presente processo, a multa constituída pela Notificação de Lançamento também se encontra com a exigibilidade suspensa, até que seja proferida uma decisão definitiva Fl. 75DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-011.423 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.737542/2018-42 no processo em que se discute a compensação, não apenas por força do inciso III do art. 151 do CTN, mas, principalmente, pelo disposto no § 18 do art. 74 da Lei nº 09.430, de 1996: Art. 74. .............................. .............................. § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrando-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) É importante ainda observar que a precariedade da decisão prolatada no processo em que se discute a compensação não impede a lavratura da Notificação de Lançamento para a constituição do crédito tributário relativo à multa isolada pela não homologação da compensação declarada, nos termos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Pelo contrário, a multa de que trata o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser lavrada no prazo decadencial de cinco anos, sob pena de a RFB não mais poder fazê-lo. Além disso, por decorrência lógica, quando o § 18 desse mesmo art. 74 fala em suspensão da exigibilidade, isso pressupõe que o crédito tributário (no caso a multa isolada) já esteja constituído. Dessa forma, não há qualquer equívoco na constituição do crédito tributário, relativo à multa isolada pela não homologação da compensação declarada, por meio da Notificação de Lançamento discutida nestes autos, desde que seja observada, até a decisão definitiva no processo em que se discute a compensação, a suspensão da sua exigibilidade. Das normas constitucionais, da afronta a direitos fundamentais e da repercussão geral reconhecida pelo STF (tema 736) Contra a posição da DRJ de que as questões envolvendo a inconstitucionalidade de lei não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, a recorrente argumenta que a orientação contida no art. 62 do Regimento Interno do CARF se posiciona em outra direção. Na interpretação da recorrente, a instância administrativa para discussões tributárias está obrigada a seguir a jurisprudência do STF, fixada em ações de controle concentrado ou em recursos com repercussão geral reconhecida. Acrescenta a recorrente que a matéria objeto de discussão – aplicação de multa por compensação indevida, é tema de repercussão geral reconhecida pelo STF, de tal forma que ela se encontra circunscrita ao preceito contido no art. 62 do Regimento Interno do CARF. A recorrente reclama ainda que a punição automática pelo exercício do pedido de ressarcimento, compensação ou repetição de indébitos tributários constitui-se em lamentável arbítrio, na medida em que a norma peca por presumir a má-fé do contribuinte, a ponto de justificar a sua automática punição em virtude do simples exercício de um direito constitucionalmente assegurado. Acusa a afronta perpetrada pelos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao disposto no inciso XXXIV do art. 5º da CF, na medida em que a aplicação automática da Fl. 76DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-011.423 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.737542/2018-42 multa isolada, em razão do mero indeferimento do pedido administrativo de restituição/compensação, acaba por desencorajar o contribuinte de exercer um direito que lhe é assegurado pela Constituição Federal. Aponta ainda ofensa ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Reclama da desproporcionalidade entre o meio adotado pela Lei (multa isolada automática) para atingir o fim por ela ambicionado (coibir pedidos infundados de restituição/compensação), dizendo que isso repercute de forma inconstitucional. Sobre a possibilidade de o julgador administrativo analisar a inconstitucionalidade de lei tributária, a recorrente erra na premissa. A alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, referida no Recurso Voluntário, não permite a este Colegiado adentrar em questões constitucionais, mas sim determina, entre outras hipóteses, a aplicação das decisões definitivas prolatadas pelo STF em sede de repercussão geral: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: .............................. II - que fundamente crédito tributário objeto de: .............................. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) .............................. Mas, como bem apontou o Acórdão recorrido, as questões relativas à constitucionalidade da lei não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, uma vez que reservadas ao Poder Judiciário. Sobre esse tema, a Súmula CARF nº 2 é expressa em afirmar que falece competência para este Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, de tal forma que, enquanto não declarado inconstitucional, este Colegiado deve garantir a aplicação do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, nos termos que lá estão dispostos. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A recorrente traz à balha, ainda, o RE 796.939-RS (tema 736), de relatoria do Ministro Edson Fachin, onde foi reconhecida pelo STF a repercussão geral na discussão que envolve o afastamento da aplicação do disposto no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, nos casos em que não há má-fé do contribuinte. Fl. 77DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-011.423 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.737542/2018-42 A questão é que, mesmo que o Ministro Relator tenha fixado a tese de que “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”, não há como este Colegiado aplicá-la antes de concluído o julgamento. Destaca-se que, atualmente, o processo está em vista para o Ministro Gilmar Mendes. E também não há previsão para que seja suspensa a exigibilidade da multa isolada enquanto restar pendente a apreciação pelo STF da matéria objeto desta discussão, como requer a recorrente. Diante do exposto, não pode este Colegiado, sob o argumento de inconstitucionalidade, afastar a aplicação da multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. É nesse sentido que tem decidido este Conselho, conforme pode ser visto nas ementas a seguir reproduzidas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/11/2010 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ART. 74, §17, DA LEI N° 9.430/96. CABIMENTO. O §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação da multa isolada calculada no percentual de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. (Acórdão 3301-006.211, de 23/05/2019 – Processo nº 16692.729966/2015-14 – Relatora: Semíramis de Oliveira Duro) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/08/2012, 11/09/2012, 19/09/2012, 15/10/2012, 04/04/2013, 25/04/2013, 13/09/2013 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA. O § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação da multa isolada calculada no percentual de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. (Acórdão 3201-008.149, de 25/03/2021 – Processo nº 13888.723194/2017-85 – Relator: Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Aplica-se a multa isolada de 50%, prescrita no §17 do art. 74, da Lei nº 9.430/96, à compensação não homologada. (Acórdão 3301-007.794, de 23/06/2020 – Processo nº 13888.723481/2012-81 – Relatora: Semíramis de Oliveira Duro) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2016 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO PARCIALMENTE NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA. Consoante determinação legal expressa, aplica-se multa de 50% sobre o valor do débito indevidamente compensado. (Acórdão 3201-005.489, de 24/07/2019 – Processo nº 15943.720004/2017-91 – Relator: Charles Mayer de Castro Souza) Fl. 78DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-011.423 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.737542/2018-42 Da conexão com o processo onde se discute a compensação declarada Por fim, é preciso fazer a ressalva de que, face a conexão do presente processo com aquele onde se discute a compensação declarada, que, inclusive, enseja a suspensão da exigibilidade da multa aqui discutida, nos termos do § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, qualquer decisão exarada naquele processo, no sentido de homologar, mesmo que parcialmente, a compensação declarada, deverá repercutir proporcionalmente neste processo. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, ressalvando a necessidade de que eventual decisão proferida no processo onde se discute a compensação declarada repercuta sobre a exigência discutida no presente processo. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles Fl. 79DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722798/2016-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 20 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009
SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo que o tema aguarde julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ART. 74, §17, DA LEI N° 9.430/96. CABIMENTO.
O §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação da multa isolada calculada no percentual de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada.
CUMULAÇÃO DE MULTA ISOLADA E MULTA DE MORA. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO DE BIS IN IDEM.
Não se configura o bis in idem, por se tratar de condutas infracionais distintas: a compensação indevida e o atraso no pagamento, sobre as quais incidem multas díspares capituladas em dispositivos legais também diferentes. Assim, a multa isolada apena a utilização da Declaração de Compensação para a extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, ao passo que a multa de mora é devida sobre o valor do débito não pago na data de vencimento.
Numero da decisão: 3301-012.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado(a)), Semiramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes (Presidente Substituto), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Sabrina Coutinho Barbosa, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo que o tema aguarde julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ART. 74, §17, DA LEI N° 9.430/96. CABIMENTO. O §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação da multa isolada calculada no percentual de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. CUMULAÇÃO DE MULTA ISOLADA E MULTA DE MORA. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO DE BIS IN IDEM. Não se configura o bis in idem, por se tratar de condutas infracionais distintas: a compensação indevida e o atraso no pagamento, sobre as quais incidem multas díspares capituladas em dispositivos legais também diferentes. Assim, a multa isolada apena a utilização da Declaração de Compensação para a extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, ao passo que a multa de mora é devida sobre o valor do débito não pago na data de vencimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado(a)), Semiramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes (Presidente Substituto), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Sabrina Coutinho Barbosa, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mateus Soares de Oliveira.
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IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo que o tema aguarde julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ART. 74, §17, DA LEI N° 9.430/96. CABIMENTO. O §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação da multa isolada calculada no percentual de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. CUMULAÇÃO DE MULTA ISOLADA E MULTA DE MORA. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO DE BIS IN IDEM. Não se configura o bis in idem, por se tratar de condutas infracionais distintas: a compensação indevida e o atraso no pagamento, sobre as quais incidem multas díspares capituladas em dispositivos legais também diferentes. Assim, a multa isolada apena a utilização da Declaração de Compensação para a extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, ao passo que a multa de mora é devida sobre o valor do débito não pago na data de vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Rodrigo Lorenzon AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 27 98 /2 01 6- 28 Fl. 200DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-012.303 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722798/2016-28 Yunan Gassibe, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado(a)), Semiramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes (Presidente Substituto), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Sabrina Coutinho Barbosa, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Mateus Soares de Oliveira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que compreendeu como possível a cominação da multa isolada e da multa de mora por não compensação. Assim, constou a ementa da DRJ: MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada decorre da inexistência dos créditos utilizados em compensação e não se confunde com a multa de mora. Depreende-se que as condutas objeto de aplicação das multas são diversos e, por isso, sua aplicação concomitante é possível. Inconformada a contribuinte apresentou recurso voluntário, querendo reforma em síntese: a) sobrestamento até o julgamento do Supremo Tribunal Federal; b) nulidade por não julgamento do processo que originou a multa; c) inconstitucionalidade da multa isolada; d) bis in idem da multa isolada e de mora; É o relatório. Voto Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos formais. 1 DO SOBRESTAMENTO Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo que o tema aguarde julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. Nego provimento. Fl. 201DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-012.303 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722798/2016-28 2 INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ISOLADA Em que pese o argumento da nulidade diante da não apreciação do PAF principal que decorreu a presente penalidade, não merece prosperar, eis que encontra-se com o julgamento conjunto de ambos os processos na mesma sessão. Nego provimento. A contribuinte requer em seu pleito pela inaplicabilidade da multa isolada e invoca questões constitucionais, esse CARF assim assentou entendimento: Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, nego provimento. 3 DO BIS IN IDEM Reclama a recorrente que tanto a multa de ofício isolada quanto a multa de mora decorrem do mesmo fato – não homologação de um crédito objeto de um pedido de compensação, o que caracteriza o bis in idem. Também aqui não assiste razão à recorrente. A multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e a multa de ofício isolada, prevista no § 17 do art. 74 da mesma Lei, são aplicadas em razão da ocorrência de infrações distintas. Enquanto a primeira pune o recolhimento em atraso, a segunda pune a compensação indevida. Não há, portanto, o alegado bis in idem. É nesse sentido que este Conselho vem decidindo de forma reiterada: Numero do processo:16692.729966/2015-14 Ementa:ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/11/2010 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ART. 74, §17, DA LEI N° 9.430/96. CABIMENTO. O §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação da multa isolada calculada no percentual de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. CUMULAÇÃO DE MULTA ISOLADA E MULTA DE MORA. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO DE BIS IN IDEM. Não se configura o bis in idem, por se tratar de condutas infracionais distintas: a compensação indevida e o atraso no pagamento, sobre as quais incidem multas díspares capituladas em dispositivos legais também diferentes. Assim, a multa isolada apena a utilização da Declaração de Compensação para a extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, ao passo que a multa de mora é devida sobre o valor do débito não pago na data de vencimento. Recurso Voluntário Negado. Numero da decisão:3301-006.211 Relatora: Semíramis de Oliveira Duro. Nego provimento. Fl. 202DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-012.303 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722798/2016-28 4 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Relator Fl. 203DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000099/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2401-000.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, a fim de determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do processo na Câmara, até o julgamento do processo principal nº 13609.001435/2010-54, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Fernanda Melo Leal, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.000099/201111 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.630 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 7 de fevereiro de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CERA INGLEZA IND E COMERCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, a fim de determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do processo na Câmara, até o julgamento do processo principal nº 13609.001435/201054, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Fernanda Melo Leal, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .0 00 09 9/ 20 11 -1 1 Fl. 481DF CARF MF Original Processo nº 13609.000099/201111 Resolução nº 2401000.630 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração n° 37.290.6737, conforme ementa do Acórdão nº 02 43.283 (fls. 427/431): ASSUNTO: CONTR1BUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do Simples fica obrigada a recolher as contribuições destinadas à Previdência Social, relativas à quota patronal e das destinadas a outras entidades e fundos, denominados “Terceiros”, de acordo com a legislação aplicada às empresas em geral. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE As impugnações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo tributário, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. PRODUÇÃO DE PROVAS A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do crédito tributário no valor total de R$ 302.299,47 (AI DEBCAD nº 37.290.6737 – fl. 02), lançado pela fiscalização contra o contribuinte relativo às contribuições previdenciárias destinadas à Previdência Social e a outras entidades e fundos, denominados terceiros, do período de 01/2006 a 05/2007, apuradas em decorrência da exclusão da empresa UAU Serviços Ltda., do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 229/242) a Auditora Fiscal diz que: 1. Foram criadas empresas de pequeno porte EPP, frutos do desmembramento da Cera Ingleza, com a razão social de Cera Frascos Serviços Ltda., Ingleza Logística Ltda., UAU Serviços Ltda., C.I. Fl. 482DF CARF MF Original Processo nº 13609.000099/201111 Resolução nº 2401000.630 S2C4T1 Fl. 4 3 Serviços Ltda., Cera Service Ltda., Newwax Serviços Ltda. e Servlog Serviços Ltda.; 2. Em 15/06/2007 as empresas criadas foram incorporadas pela Cera Ingleza; 3. A incorporação está compreendida nos casos de sucessão universal, implicando na transferência de todos os bens, direitos e obrigações das sucedidas para a sucessora. Por esta razão, todos os atos processuais são lavrados no nome do contribuinte sucessor, ainda que os documentos probatórios estejam no nome dos contribuintes sucedidos; 4. As empresas criadas transmitiram, no período sob fiscalização, informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil através de GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social como sendo “optantes” do Simples, mesmo estando enquadradas nas hipóteses de vedação/exclusão, ocasionando ausência de cálculo de contribuição previdenciária patronal em relação aos valores das remunerações declaradas para seus empregados; 5. Considerando a exclusão das sucedidas da opção pelo SIMPLES, foram apuradas as diferenças de contribuições previdenciárias, parte patronal e terceiros, incidentes sobre a bases de cálculo informadas em GFIP; 6. Os valores correspondentes ao “Desconto de Segurados Empregados” relativamente à contribuição do INSS foram integralmente compensados pela empresa sucedida; 7. Foram deduzidos dos créditos apurados, os pagamentos das contribuições previdenciárias efetuados através dos DARF decompostos, bem como os valores objeto de retenção de 11% que não foram compensados pela empresa UAU Serviços Ltda. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pelo correio, em 25/02/2011 (AR fl. 245) e, em 29/03/2011, tempestivamente, apresentou sua impugnação de fls. 249 a 417. Em sua Impugnação o Contribuinte faz um resumo dos fatos, demonstra a tempestividade e, em seguida, aduzir que: 1. Diante da opção pelo SIMPLES, nada justifica o lançamento fiscal, razão pela qual este deve ser cancelado; 2. Decorrendo a exigência da exclusão do Simples e impugnado o respectivo ato administrativo (cópia da inconformidade anexa), suspenso deve ser o pronunciamento da Delegacia até o pronunciamento da autoridade a respeito da exclusão; 3. Declarada a ilegalidade da exclusão do Simples, as diferenças de contribuições previdenciárias supostamente reduzidas, parte patronal e Fl. 483DF CARF MF Original Processo nº 13609.000099/201111 Resolução nº 2401000.630 S2C4T1 Fl. 5 4 terceiros, incidentes sobre as bases de cálculo declaradas em GFIP, serão indevidas, em razão da completa incompatibilidade de sua cobrança com a sistemática prevista na Lei 9.317/96; 4. As compensações realizadas, mormente aquelas a que se referem as retenções de 11%, já compensadas pela sucessora da impugnante – Cera Ingleza Indústria e Comércio Ltda. que foram glosadas pela autoridade fiscal, deverão constituirse em créditos, então passíveis de compensação e devida homologação. Finaliza sua impugnação requerendo: 1. Que seja recebida, conhecida, processada e julgada procedente a impugnação, tornando sem efeito o AI DEBCAD n° 37.290.6737; 2. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III, artigo 151, do Código Tributário Nacional; 3. Que seja reconhecido e declarado o direito à apresentação de todos os meios de provas em direito admitidas, bem como outros documentos, necessários ao deslinde da questão, outrossim, reclama pelo direito de produzir outras provas. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BHE para julgamento, que, através do Acórdão nº 0243.283, decidiu pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário exigido no Auto de Infração, uma vez que este foi lavrado de conformidade com a legislação, não havendo razões de fato ou de direito para decretar sua improcedência ou cancelamento. Foi dado ciência ao Contribuinte do Acórdão da DRJ/BHE, via correio, em 23/05/2013 (AR fl. 433). Tempestivamente, em 21/06/2013, o Contribuinte interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 434 a 457, onde: 1. Preliminarmente fala da necessidade da distribuição por dependência deste processo ao processo nº 13609.001435/201054, que discute a validade da exclusão do SIMPLES, para que sejam julgados simultaneamente, uma vez que existe uma intima e estreita relação entre as demandas; 2. Diz que a fiscalização, ao contrário do que afirma, não deduziu dos valores apurados e lançados os valores objeto das retenções; 3. Argumenta ser fundamental a suspensão deste processo a fim de aguardar o pronunciamento do CARF sobre a exclusão do SIMPLES discutida no processo nº 13609.001435/201054. 4. Argúi a impossibilidade, do ponto de vista legal ou mesmo prático, do julgamento da matéria em questão enquanto não for decidido, de forma definitiva, a exclusão do SIMPLES; Fl. 484DF CARF MF Original Processo nº 13609.000099/201111 Resolução nº 2401000.630 S2C4T1 Fl. 6 5 5. Fala que a exclusão foi pautada em 03 (três) premissas sem que as mesmas fossem confirmadas. Finaliza seu recurso Voluntário pedindo que: 1. O Processo n° 13609.000099/201111 seja distribuído por dependência ao Processo nº 13609.001435/201054; 2. Seja recebido, conhecido, processado e julgado o presente Recurso; 3. Seja suspensa a exigibilidade dos créditos tributários correspondentes nos termos do que dispõe e prevê o inciso III do art. 151 do CTN; 4. Sejam recebidos os documentos apresentados; 5. Sejam acolhidas as preliminares; 6. Uma vez ultrapassado o pedido precedente, seja cancelado o lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 485DF CARF MF Original Processo nº 13609.000099/201111 Resolução nº 2401000.630 S2C4T1 Fl. 7 6 VOTO Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade. A empresa sucedida foi excluída do SIMPLES, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/STL n° 10, de 11 de fevereiro de 2011 (fls. 228) e encontrase discutindo a sua exclusão através do processo administrativo nº 13609.001.435/201054, ainda em andamento na 1ª Seção. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 em seu artigo 6º, parágrafo 5º, abaixo transcrito, estabelece que se o processo principal e o decorrente estiverem em Seções diferentes do CARF, o decorrente deverá ser baixado em diligência para a Câmara ate que o principal seja julgado. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados Observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o presente processo, que é decorrente, seja vinculado ao principal e fique sobrestado até o julgamento do processo principal nº 13609.001.435/201054, devendo este ser remetido para a Secretaria da Câmara, a fim de que as providências necessárias sejam adotadas. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 486DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10855.904206/2015-06
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. ORIGEM DOS DÉBITOS
A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, assim, uma vez que o direito creditório pleiteado foi integralmente reconhecido não cabe qualquer analise quanto aos débitos declarados e/ou remanescentes.
Numero da decisão: 1003-003.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: MARCIO AVITO RIBEIRO FARIA
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DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. ORIGEM DOS DÉBITOS A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, assim, uma vez que o direito creditório pleiteado foi integralmente reconhecido não cabe qualquer analise quanto aos débitos declarados e/ou remanescentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão nº 10-69.625 proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 95/100). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 42 06 /2 01 5- 06 Fl. 118DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.447 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.904206/2015-06 Nos autos tem-se a emissão de Despacho Decisório (DD) que não reconheceu o direito creditório decorrente do pagamento indevido ou maior declarado na Dcomp nº 21538.69747.161015.1.3.04-0401 (fls. 02/06). O contribuinte pretendeu compensar o débito nela informado utilizando-se do crédito de pagamento indevido de IRPJ presente no DARF de código 2089 (IRPJ - LUCRO PRESUMIDO), de valor original de R$ 47.568,07, cujo crédito representaria R$ 15.803,26. Por meio do DD eletrônico (fls. 7) não foi reconhecido o direito creditório para compensar o débito constante na Dcomp acima referida. A razão do não reconhecimento é a falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, passível de ser utilizando em compensação, conforme quadro 3 do Despacho Decisório (DD) reproduzido a seguir: Em sede de manifestação de inconformidade defendeu a efetiva existência do direito creditório. Esclareceu ter cometido um equívoco, só verificado após ser intimada pela RFB. cuja providencia adotada foi retificar a DIPJ do ano calendário (AC) 2010. O erro teria sido a transmissão de um Pedido de Restituição (PER) de saldo negativo do AC em questão, quando em realidade o seu crédito estava consubstanciado em pagamento indevido do 4º trimestre de 2010. E prosseguiu asseverando que como não teria sido possível retificar a declaração para alterar o tipo de crédito, providenciou o cancelamento do PER de saldo negativo (34610.19789.171011.1.2.02-2392) e outras (2) Dcomp da mesma família, e ato contínuo entregou a Dcomp 26720.97814.161015.1.3.04-2500 e a Dcomp objeto deste processo administrativo. Entendeu a Manifestante pela suficiência do crédito, já que, no seu sentir, o encontro de contas deveria se dar na data da entrega da primeira vez em que mencionou o seu crédito (11/11/2011, sic), e não as Dcomp entregues em 16/10/2015 que mencionavam o tipo de crédito correto. Em suma não reconhece os saldo devedor decorrente da compensação dos débitos com os acréscimos moratórios decorrentes. Fl. 119DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.447 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.904206/2015-06 A d. DRJ esclareceu que o pretendo direito creditório teria reconhecido, contudo, não suficiente para homologar a integralidade os débitos, e julgou improcedente a manifestação de inconformidade. De plano cabe mencionar, ao contrário do que refere o impugnante, que a Dcomp nº 27620.9781161011.3.04-2500, após duas retificações, teve seu crédito confirmado, em sua integralidade, anteriormente à Dcomp 21538.69747.161015.1.3.04-0401, conforme abaixo se observa em extrato do Sistema de Controle de Créditos (SCC): Assim a controvérsia se restringe a diferença apontada no DD, referente a Dcomp nº 21538.69747.161015.1.3.04-0401, que se originou sobretudo do acréscimo decorrente da incidência da multa de mora incidente sobre os débitos compensados na data de entrega da Dcomp, em 16/10/2015. O procedimento levado a efeito pela manifestante, seguindo o solicitado na intimação, de ter cancelado as declarações cujo crédito consistia de Saldo negativo de IRPJ/CSLL, e transmitido outras com o crédito corretamente preenchido (pagamento indevido ou a maior), visto que possuem direito creditório e batimentos de naturezas diferentes, foi o correto para o caso. Mas, por óbvio, tais procedimentos deveriam ter sido adotados em tempo hábil (no prazo de vencimentos dos débitos), sob pena de incorrer em acréscimos moratórios inevitáveis na extinção dos débitos a destempo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Regularmente cientificada, em 8.12.2020 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 106), apresentou Recurso Voluntário, em 28.12.2020, assim manejado (fls. 109/115). A Recorrente voltou a insistir no equívoco ao informar a natureza de crédito como “saldo negativo de IRPJ” sendo que o correto seria “pagamento indevido ou a maior”. Asseverou que os débitos teriam sido quitados em 11/11/2011 e 12/12/2011, e não na data em que foi transmitida a nova declaração (16/10/2015), ou seja, não se vislumbra que em nenhum momento a recorrente alterou ou acrescentou os débitos informados nos primeiros PER/Dcomps. Sustentou que as retificações teria sido efetuadas tão somente para alterar o tipo de crédito, e mais, ao receber a primeira notificação para cobrança a recorrente percebeu o equívoco consistente justamente na indicação da natureza do crédito e procedeu os ajustes, os quais foram entendidos como corretos na r. decisão, conforme trecho do v. acórdão acima mencionado. Defendeu que como o motivo dos cancelamentos das declarações foi apenas e tão somente para alteração do tipo de crédito, o crédito que lhe seria de direito já estava em poder da Receita Federal na época do envio, e era suficiente para quitar os débitos de ambos os PER/Dcomps, o que ressalta que as cobranças de acréscimos moratórios em face a recorrente não devem persistir. Afirmou que o Despacho Decisório acrescido de encargos moratórios demonstraria que, o Fisco não teria considerado que os débitos teriam sido quitados nas datas corretas, sendo que em outubro de 2015 houve apenas a alteração do tipo de crédito, conforme Fl. 120DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.447 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.904206/2015-06 restou comprovado por meio dos documentos apresentados com a manifestação de inconformidade (fls. 11/17). Para a Recorrente como o valor considerado pelo Fisco como sendo “principal” trata-se de uma base de cálculo correspondente aos encargos acrescentados na PER/Dcomp e não imposto propriamente devido, o lançamento de novos valores de juros e multa representariam uma dupla penalização da recorrente em decorrência do mesmo fato. Nesse aspecto, inclusive, vale lembrar que a atuação da administração deve ser pautada nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, de forma que a penalidade imposta ao contribuinte não implique em dano maior do que o necessário à indução de determinado comportamento. Afirmou que, na contramão dos princípios que norteiam a administração, a imposição de penalidade pelo Fisco não guarda proporção com a conduta praticada. No pedido de compensação a recorrente já havia informado ao Fisco a existência de um débito (quitado por meio de compensação), dispensando qualquer esforço das autoridades fiscais de investigação quanto à sua existência. Assim, para a Recorrente, a titulo de argumentação e como não houve omissão por parte do contribuinte no tocante à apuração do tributo ou mesmo de suas receitas, a situação imposta implicaria “num bis in idem quanto a aplicação dos encargos, que como se vê, acabaram por agravar, excessivamente, o valor cobrado, motivo pelo qual, mesmo que a cobrança tivesse cabimento (o que se admite apenas a título de argumentação), os demais acréscimos dever ser desconsiderados ou, no mínimo, substancialmente reduzidos”. Com base no principio da Verdade Material, no entender da Recorrente, quando da análise de uma compensação, esta apenas poderá ser não homologada quando não houver encontro entre créditos e débitos do contribuinte ou, alternativamente, a situação de fato recair em uma daquelas hipóteses cuja compensação é expressamente vedada. Como no caso concreto, porém, tal situação não foi observada o precioso princípio da verdade material não foi aplicado pela Fiscalização, uma vez que a existência do crédito da recorrente, em valor suficiente para saldar os débitos de ambos PER/Dcomps é incontroversa, razão pela qual tal montante deveria ter sido observado, em apoio ao princípio da verdade material. Portanto, como bem demonstrado e provado, a recorrente cumpriu estritamente com o seu dever de diligência, sendo forçoso concluir que há verdadeiros indícios de que a acusação fiscal é flagrantemente injusta, motivo pelo qual a decisão proferida deve ser reformada, com vistas ao afastamento das cobranças de encargos moratórios em face a recorrente. Ao final requereu o provimento do Recurso Voluntário. Outrossim, caso persista o entendimento sobre a existência de valores em aberto devidos pela recorrente, requereu seja reconhecida a existência de dupla cobrança em relação aos encargos moratórios (juros e multa), de modo que os mesmos sejam afastados, por ser medida de direito e justiça. Fl. 121DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.447 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.904206/2015-06 É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. Submete-se à apreciação desta Turma de Julgamento o recurso voluntário oferecido pela contribuinte PROFICENTER TERCEIRIZAÇÃO INDUSTRIAL E SERVIÇOS EIRELI. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN. Assim, dele toma-se conhecimento. Conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide 1 , a atividade judicante está constrita ao exame do mérito da existência de débito em valores originário da ordem de R$ 2.613,35, tendo em vista que o direito creditório pleiteado e reconhecido da ordem de R$15.803,26, relativo pagamento a maior 2 , não foi suficiente para homologar as compensações declaradas. Pois bem. Em sede recursal buscou o Recorrente tão somente demonstrar que teria providenciado a regularização a tempo os débitos declarados no PER/Dcomp, bem como a inocorrência de encargos sobre débitos de encargos. As argumentações trazidas pelo Recorrente no seu bem elaborado recurso trata-se de matérias não afetas à esta instância de julgamento, posto que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) determinou que a competência para julgar os pedidos de compensação segue a regra da origem do crédito, conforme se extrai do art. 7º, § 1º, do Anexo II da Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015, in verbis (grifei): Art. 7º Inclui-se na competência das Seções o recurso voluntário interposto contra decisão de 1ª (primeira) instância, em processo administrativo de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Assim, uma vez que o direito creditório pleiteado foi integralmente reconhecido não cabe qualquer análise quanto aos débitos declarados e/ou remanescentes. Não se conhece do recurso voluntário. 1 art. 15, art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972. 2 Originado de DARF recolhido em 31/01/2011, a título de IRPJ - LUCRO PRESUMIDO (código de receita 2089), no valor total de R$ 47.568,07, referente ao período de apuração 31/12/2010 Fl. 122DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.447 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.904206/2015-06 É como voto. (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria Fl. 123DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16027.720137/2016-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO
As matérias não contestadas explicitamente quando da apresentação da manifestação de inconformidade são consideradas não impugnadas, no termos do art. 17 do mesmo Decreto, e não podem ser apreciadas na segunda instância de julgamento.
Numero da decisão: 2301-010.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(documento assinado digitalmente)
Joao Mauricio Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flavia Lilian Selmer Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: Flavia Lilian Selmer Dias
1.0 = *:*
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NÃO CONHECIMENTO As matérias não contestadas explicitamente quando da apresentação da manifestação de inconformidade são consideradas não impugnadas, no termos do art. 17 do mesmo Decreto, e não podem ser apreciadas na segunda instância de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) Joao Mauricio Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Flavia Lilian Selmer Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 15-42.880 que não conheceu da manifestação de inconformidade apresenta contra o indeferimento do pedido de Compensação de Créditos Tributários realizado através do Despacho Decisório Saort nº 557/2016. O referido Acórdão está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2011 a 31/08/2013 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 7. 72 01 37 /2 01 6- 91 Fl. 222DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.089 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720137/2016-91 O termo inicial para a contagem do prazo para Manifestação de Inconformidade é a data de recebimento do Despacho Decisório constante do AR (Aviso de Recebimento). Expirado o prazo de trinta dias, a manifestação de inconformidade será considerada intempestiva e não será conhecida. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido O Recurso Voluntario interposto contra o Acordão 15-42.881, que não conheceu da impugnação apresentada contra o lançamento da multa isolada de 150% por compensação indevida, está controlado no processo nº 16027.720176/2016-99. A Representação Fiscais para Fins Penais está controlada no processo nº 16027.720175/2016-44. A ciência do indeferimento da compensação foi em 11/07/2016 (e-fl. 132). A manifestação de inconformidade o foi apresentada em 11/08/2016 (e-fls. 140 a 141). Ela se limitou a informar que o contribuinte não tinha advogado tributarista em seus quadros e requereu a reabertura de prazo do procedimento fiscal. Foi lavrado termo de revelia (e-fl. 179), contudo o processo foi enviado à DRJ para apreciação. O Acórdão (e-fls. 201 a 204) apreciou a impugnação mas não conheceu em razão da falta de tempestividade. O contribuinte tomou ciência do Acordão do julgamento de primeira instância em 26/07/2017 (e-fl. 202). Em 29/08/2009, apresentou Recurso Voluntário anexado às e-fls. 222 a 226. Em preliminar alegou a tempestividade do Recurso, posto que foi recebido em uma sexta feira. No mérito discorre sobre princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, e menciona do cabimento da compensação realizada. Encerra solicitando o cancelamento da glosa e pede a reabertura do prazo do procedimento fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Flavia Lilian Selmer Dias, Relatora. Admissão do Recurso O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Preliminar Fl. 223DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.089 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16027.720137/2016-91 Os motivos de fato e de direito que o contribuinte julgar pertinentes a solução da lide devem ser apresentados, impreterivelmente, na manifestação de inconformidade tempestivamente, nos termos prescritos no art. 14 ao art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 – PAF – Processo Administrativo Fiscal . Decorrido o prazo para apresentação da manifestação, estará precluso o direito de contestar novas matérias ou apresentar novos fatos ou motivos, a exceção de se referir a fatos ou direito comprovadamente superveniente. A autoridade julgadora em 2ª instância não tem competência para apreciar matérias não submetidas a primeira instância. O alcance de sua competência tem limites no do efeito devolutivo do recurso, de reapreciar as matérias já debatidas na instância anterior. No presente caso, os argumentos de ofensa à princípios constitucionais e cabimento da compensação não estavam dispostos na manifestação inicial. Ademais, ela foi considerada intempestiva, assim, não conhecida. O recurso poderia tão somente abranger alegações que contestasse o julgamento por falta de tempestividade, mas não debateu o tema, logo não há conteúdo a ser apreciado. Conclusão Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER o recurso. Fl. 224DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10711.007273/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 21 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias. Fonte: Súmula CARF n.º 2.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE CARGA. MULTA.
É cabível a multa por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga.
Numero da decisão: 3201-010.183
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.182, de 21 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 11128.728264/2013-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafeta Reis Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Marcio Robson Costa, Marcelo Costa Marques D Oliveira (suplente convocado(a)), Hélcio Lafeta Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcelo Costa Marques D Oliveira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias. Fonte: Súmula CARF n.º 2. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE CARGA. MULTA. É cabível a multa por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.182, de 21 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 11128.728264/2013-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafeta Reis Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Marcio Robson Costa, Marcelo Costa Marques D Oliveira (suplente convocado(a)), Hélcio Lafeta Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcelo Costa Marques D Oliveira.
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INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias. Fonte: Súmula CARF n.º 2. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE CARGA. MULTA. É cabível a multa por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.182, de 21 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 11128.728264/2013-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafeta Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Marcio Robson Costa, Marcelo Costa Marques D Oliveira (suplente convocado(a)), Hélcio Lafeta Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcelo Costa Marques D Oliveira. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 72 73 /2 00 9- 69 Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-010.183 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.007273/2009-69 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário apresentado em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida no âmbito da DRJ/SP, que decidiu pela improcedência da Impugnação protocolada em oposição ao Auto de Infração. Como de costume nesta Turma de Julgamento, transcreve-se o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, para a apreciação dos fatos, matérias e trâmite dos autos: “Trata o presente processo de Auto de Infração com exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada. Nos termos das normas de procedimentos em vigor, a empresa supra foi considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil – RFB. Cientificada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação e aditamentos posteriores alegando em síntese: O AI é nulo por falta de motivação clara dos fatos; Deve ser aplicado o prazo de 30 dias para a prestação de informações após a atracação da embarcação; A interessada não é sujeito passivo da obrigação por falta de legitimidade; A presente multa fere princípios constitucionais; Deve ser aplicada interpretação benigna no presente caso; Está acobertada pelos benefícios da denúncia espontânea.” A ementa do Acórdão de primeira instância administrativa fiscal foi publicada com o seguinte conteúdo e resultado de julgamento: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE CARGA. MULTA. É cabível a multa por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Impugnação, os autos foram devidamente distribuídos e pautados. Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-010.183 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.007273/2009-69 É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme o Direito Tributário, a legislação, os precedentes, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Este Conselho aprovou e publicou as Súmulas CARF n.º 2, n.º 11 e n.º 49, que estabelecem os seguintes enunciados, frutos de diversos julgados que analisaram as mesmas matérias e alegações semelhantes às do presente caso: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103-21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 105-14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108-06035, de 14/03/2000 Acórdão nº 102-46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203-09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201-77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 202-15674, de 06/07/2004 Acórdão nº 201-78180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204-00115, de 17/05/2005” (...) Súmula CARF nº 11 Aprovada pelo Pleno em 2006 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.(Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 103-21113, de 05/12/2002 Acórdão nº 104-19410, de 12/06/2003 Acórdão nº 104-19980, de 13/05/2004 Acórdão nº 105-15025, de 13/04/2005 Acórdão nº 107-07733, de 11/08/2004 Acórdão nº 202-07929, de 22/08/1995 Acórdão nº 203-02815, de 23/10/1996 Acórdão nº 203-04404, de 11/05/1998 Acórdão nº 201-73615, de 24/02/2000 Acórdão nº 201-76985, de 11/06/2003 (...) Súmula CARF nº 49 Aprovada pelo Pleno em 29/11/2010 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-010.183 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.007273/2009-69 Acórdão nº CSRF/04-00.574, de 19/06/2007 Acórdão nº 192-00.096, de 06/10/2008 Acórdão nº 192-00.010, de 08/09/2008 Acórdão nº 107-09.410, de 30/05/2008 Acórdão nº 102-49.353, de 10/10/2008 Acórdão nº 101-96.625, de 07/03/2008 Acórdão nº 107-09.330, de 06/03/2008 Acórdão nº 107-09.230, de 08/11/2007 Acórdão nº 105-16.674, de 14/09/2007 Acórdão nº 105-16.676, de 14/09/2007 Acórdão nº 105-16.489, de 23/05/2007 Acórdão nº 108-09.252, de 02/03/2007 Acórdão nº 101-95.964, de 25/01/2007 Acórdão nº 108-09.029, de 22/09/2006 Acórdão nº 101-94.871, de 25/02/2005” Conforme enunciado sumular, este Conselho não deve aplicar a prescrição intercorrente, não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei e a denúncia espontânea não pode ser aplicada no caso em concreto, que versa exatamente sobre o atraso na entrega de declaração aduaneira, com penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Não ocorreu nenhuma das nulidade previstas no Art. 59 do Decreto 70.235/72 no lançamento e nem mesmo na decisão de primeira instância, pois, ainda que não tenha abordado todos os argumentos apresentados em impugnação, abordou a matéria principal e também as preliminares. E sobre o mérito principal, considerando que o contribuinte não comprovou e nem mesmo demonstrou indícios de que o prazo regulamentar previsto no Art. 50, II, da IN SRF nº 800/2007 foi cumprido: “Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.” Ou seja, após a atracação foi que o contribuinte procedeu com a desconsolidação da carga prevista no Sub-Master (MHBL), CE150805182063259 9, às 17:07:46 do dia 26/09/2008, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805182583090, carga trazida ao Porto de Santos e acondicionada no Container INKU2668789 , pelo Navio M/V " LIBRA MEXICO ", em sua viagem 835S, no dia 20/09/2008 , com atracação registrada às 02:48:00 h. Os fatos, portanto, subsomem ao tipo legal capitulado e a responsabilidade, por ser objetiva e não subjetiva, está caracterizada com a mera prestação de informação fora do prazo estabelecido, com base no disposto no Art. 107, inciso IV, alínea ""e" do Decreto-lei 37/66. Por tal razão, devem ser negados ambos os pedidos de ausência de responsabilidade e de responsabilidade de terceiro. Fl. 109DF CARF MF Original http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15859#1111414 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15859#1111414 Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-010.183 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.007273/2009-69 Para a configuração do tipo elencado não há exclusão de responsabilidade mesmo que a antecipação da atracação tenha ocorrido por culpa do armador e sem aviso prévio à recorrente. Não há nenhuma razão para reformar o Acordão de primeira instância. Diante do exposto, as preliminares devem ser rejeitadas e deve ser NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafeta Reis – Presidente Redator Fl. 110DF CARF MF Original
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Numero do processo: 15754.000144/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/1995 a 30/11/2004
INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF N° 110.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N° 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1995 a 30/11/2004
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF N° 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. SÚMULA CARF Nº 106.
Nos termos da Súmula CARF nº 106, caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
CONTRIBUIÇÕES. TRIBUTO. INTENÇÃO DO AGENTE. SITUAÇÃO ECONÔMICA. IRRELEVANTES.
Uma vez ocorrido o fato gerador, o tributo é devido, sendo irrelevante a intenção e a situação econômica da recorrente ou mesmo a eventual possibilidade de encerramento das atividades da recorrente.
FOLHA DE PAGAMENTO. AFERIÇÃO DIRETA.
A aferição da base de cálculo a partir das folhas de pagamento constitui-se em aferição direta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, cabendo à defesa demonstrar a alegação de as folhas de pagamento não corresponderem à prática executiva dos contratos de emprego.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. RE-RG 582.461/SP. REsp. 879.844/MG
É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOTA SEI Nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME.
Conforme a Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, é cabível a retroatividade benéfica da multa prevista no art. 35 da Lei 8212, de 1991, com a redação da Lei 11.941, de 2009, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2401-010.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) declarar a decadência das competências 08/1995, 11/1995, 13/1996, 13/1997 e 13/1998; e b) aplicar a retroação da multa da Lei 8.212/91, art. 35, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Vencido o Cons. Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Julgamento iniciado em novembro de 2022, tendo, na ocasião, o Cons. Relator Gustavo Faber de Azevedo deixado de se manifestar sobre a preliminar de prescrição intercorrente, limitando-se a votar por negar provimento ao recurso voluntário, embora na fundamentação de seu voto também declarasse a decadência das competências lançadas anteriores a 11/1999, a significar que, em verdade, votou, no mérito, para apenas declarar a decadência das competências 08/1995, 11/1995, 13/1996, 13/1997 e 13/1998, não tendo participado da reunião de fevereiro de 2023 em razão de renúncia ao mandato.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator ad hoc e Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Wilsom de Moraes Filho, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado), Gustavo Faber de Azevedo e Miriam Denise Xavier. Ausente o conselheiro Renato Adolfo Tonelli Junior.
Nome do relator: GUSTAVO FABER DE AZEVEDO
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SÚMULA CARF N° 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N° 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1995 a 30/11/2004 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF N° 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. SÚMULA CARF Nº 106. Nos termos da Súmula CARF nº 106, caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES. TRIBUTO. INTENÇÃO DO AGENTE. SITUAÇÃO ECONÔMICA. IRRELEVANTES. Uma vez ocorrido o fato gerador, o tributo é devido, sendo irrelevante a intenção e a situação econômica da recorrente ou mesmo a eventual possibilidade de encerramento das atividades da recorrente. FOLHA DE PAGAMENTO. AFERIÇÃO DIRETA. A aferição da base de cálculo a partir das folhas de pagamento constitui-se em aferição direta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, cabendo à defesa demonstrar a alegação de as folhas de pagamento não corresponderem à prática executiva dos contratos de emprego. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. RE-RG 582.461/SP. REsp. 879.844/MG AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 4. 00 01 44 /2 00 8- 86 Fl. 951DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOTA SEI Nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME. Conforme a Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, é cabível a retroatividade benéfica da multa prevista no art. 35 da Lei 8212, de 1991, com a redação da Lei 11.941, de 2009, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) declarar a decadência das competências 08/1995, 11/1995, 13/1996, 13/1997 e 13/1998; e b) aplicar a retroação da multa da Lei 8.212/91, art. 35, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Vencido o Cons. Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Julgamento iniciado em novembro de 2022, tendo, na ocasião, o Cons. Relator Gustavo Faber de Azevedo deixado de se manifestar sobre a preliminar de prescrição intercorrente, limitando-se a votar por negar provimento ao recurso voluntário, embora na fundamentação de seu voto também declarasse a decadência das competências lançadas anteriores a 11/1999, a significar que, em verdade, votou, no mérito, para apenas declarar a decadência das competências 08/1995, 11/1995, 13/1996, 13/1997 e 13/1998, não tendo participado da reunião de fevereiro de 2023 em razão de renúncia ao mandato. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Relator ad hoc e Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Wilsom de Moraes Filho, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado), Gustavo Faber de Azevedo e Miriam Denise Xavier. Ausente o conselheiro Renato Adolfo Tonelli Junior. Relatório Como Relator ad hoc, sirvo-me da minuta do relatório do Relator original, Conselheiro Gustavo Faber de Azevedo, a seguir reproduzida, apresentada na reunião de novembro de 2022, disponibilizada no diretório corporativo do CARF. Fl. 952DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 Trata-se de recurso voluntário dirigido a este Conselho, interposto contra a decisão da 7ª Turma da DRJ em Recife, acórdão nº 11-31.173, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. AUTUAÇÃO A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.753.449-7 (e-fls.05/32) se refere à exigência de contribuições sociais dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração e não repassada em época própria à Seguridade Social, consolidado em 04/04/2005, abrangendo as competências 08/1995 a 11/2004. Extrai-se do relatório fiscal (e-fls. 45/48): Levantamento- FP O valor equivalente ao montante das contribuições sociais arrecadadas pelo empregador, mediante desconto nos pagamentos efetuados aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, encontram-se expressos nas folhas de pagamentos das remunerações pagas, devidas ou creditadas pelo contribuinte, no período de 08/95 a 11/2004, inclusive do décimo terceiro salário. Foram glosados os valores deduzidos indevidamente das contribuições relativas à parte dos segurados empregados, sobre o décimo terceiro salário, nas competências 13/96, 13/97 e 13/98, em virtude da falta de apresentação de documentos que comprovassem a procedência dessas deduções. Levantamento - FPG Essas remunerações também foram informadas na GFIP - Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações a Previdência Social, no período de 01/99 a 11/2004, documento instituído pelo art. 32, inc. IV, da Lei 8.212/91 (redação dada pela Lei 9.528/97), c/c o art. 1.° do Decreto 2.803/98, informando o contribuinte os valores das contribuições destinadas à Seguridade Social. Consignou a autoridade fiscal que a ausência do repasse à Seguridade Social das contribuições sociais dos segurados empregados, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração nas competências 08/1995 a 11/2004, configura, em tese, o ilícito tipificado no art. 95 da lei n° 8.212/1991 e art. 168-A da Lei nº 2.848/40 com redação dada pela Lei n. 9.983 de 14/07/2000. Às folhas 86/101 foi juntada a Informação Fiscal que tratou do descumprimento dos requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991: V – CONCLUSÃO 56. Conforme relatado e documentado, verificamos que a entidade não atende, cumulativamente, a todos os requisitos do art. S5 da Lei 8.212/91, mais precisamente os incisos II, III e IV, bem como o § 6° . 57. A presente constatação foi efetuada através da escrituração contábil, Atas de reunião do Conselho Deliberativo e da Diretoria Executiva e outros documentos subsidiários, cuja conclusão indicou. que os fatos ocorreram nos períodos a seguir discriminados: Fl. 953DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 - a partir de 01/01/2001 -_ Descumprimento do inciso II - 01/01/1995 a 31/12/2003 -Descumprimento do inciso III - 01/01/1995 a 31/12/2003 - Descumprimento do inciso IV - a partir de 01/09/2003 - Descumprimento do §6° Às folhas 114/117 foi juntada a decisão da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, que, por unanimidade dos votos, negou provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo quanto ao cancelamento isenção: EMENTA - O INSS PODERA CANCELAR A ISENÇAO DE SOCIEDADE BENEFICENTE EM CASO DE DESCUMPRIMENTO AO DISPOSTO NO ART. 55 DA LEI Ng 8.212/91. Em respeito ao princípio da legalidade, deve a Fiscalização cancelar a isenção de sociedade filantrópica prevista em lei, ante a falta de requisitos legais. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente do lançamento em 05/04/2005 (e-fl.05), em 20/04/2005 (e-fl.111) o sujeito passivo postou impugnação (e-fls. 105/110), alegando que: - A NFLD foi lavrada com fundamento numa suposta retenção realizada diretamente da folha de pagamento dos empregados da autuada. Mas estes valores não foram retidos. - Foram somente teoricamente retidos, pois na prática não ocorreu retenção. A autuada tem vivido uma crise institucional enorme. - Não houve retenção e recolhimento pois para manter um nosocômio aberto, pagou simplesmente a remuneração líquida devida a seus empregados, destinando o numerário restante do mês para pagamento essencialmente de seus médicos e medicamentos. - O lançamento por arbitramento é uma anomalia que a lei admite, em hipóteses especialíssimas. - Não foram levados em consideração, para lavratura da NFLD, os pagamentos realizados em Juízo da contribuição previdenciária relativa à cota do empregado. Há muitos recolhimentos realizados em Juízo, através de homologação de acordo judicial de ações reclamatórias trabalhistas. - Requer a expedição de ofício às 1ª e 2ª Varas do Trabalho de São Caetano do Sul, para que forneça as guias referentes aos recolhimentos da contribuição exigida. - Há ainda a prescrição quinquenal - contribuições relativas a período anterior ao ano de 2001 estão prescritas; - Espera que a taxa SELIC seja afastada; - A multa aplicada é confiscatória. Fl. 954DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 DECISÃO NOTIFICAÇÃO Conforme relatado, sobreveio, a Decisão Notificação nº 21.434.4/0041/2006, às e- fls. 118/131, que considerou o lançamento procedente. Segue abaixo a ementa do referido acórdão (fls.171/177): DA TAXA SELIC E DA MULTA. A sujeição das contribuições previdenciárias incluídas em Notificação Fiscal de Lançamento à multa de mora e aos juros equivalentes à taxa SELIC encontra-se prevista em legislação própria, cabendo à autoridade administrativa fazer cumprir o que nela está determinado face ao caráter obrigatório e vinculante da atividade de lançamento. LANÇAMENTO PROCEDENTE RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância em 06/03/2006 (e-fl.134), em 05/04/2006 (e-fl.137), o sujeito passivo protocolou recurso ao CRPS (e-fls. 137/145), repisando as alegações de primeira instância. Na preliminar, acerca do depósito prévio de 30% da exigência fiscal; (...) a recorrente alegou que não efetuou nenhuma retenção na folha de pagamento de seus empregados, pois não possuía os recursos financeiros necessários para pagar as contribuições sociais, sem prejuízo de sua própria subsistência; (...) o pagamento prévio de 30% do valor da exigência fiscal como pressuposto de admissibilidade do recurso, apesar de revelar-se inconstitucional, pois fere de morte o sagrado direito ao contraditório e à ampla defesa previstos no art. 5°, incisos XXXIV e LV, CF; (...) oferece, em substituição ao depósito de 30% do valor da exigência fiscal, o imóvel sede da Sociedade, localizado em São Caetano do Sul, na rua Espírito Santo n° 277, que garante não apenas 30% do valor da exigência fiscal, mas 100% dela, conforme revela o lançamento fiscal de IPTU para o exercício de 2006, expedido pelo Município de São Caetano do Sul. (...) que seja deferida a substituição do depósito prévio de 30% do valor da exigência fiscal pela caução do imóvel sede da sociedade, admitindo o recurso e dando seguimento ã ele nos efeitos devolutivo e suspensivo. No mérito o recorrente alega que: (...) a recorrente é importante sociedade beneficente hospitalar estabelecida na cidade de São Caetano do Sul; (...) atestados anexos, expedidos pela Diretoria de Saúde do Município de São Caetano do Sul, e pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo; (...)viu de perto a possibilidade de encerramento das suas atividades. A NFLD foi lavrada com fundamento numa suposta retenção realizada diretamente da folha de pagamento dos empregados da recorrente. Mas estes valores não foram retidos. Fl. 955DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 A recorrente tem vivido uma crise institucional enorme. Atualmente, tem um passivo de mais de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais), englobados nestes valores os ora discutidos, além de dívidas com os próprios funcionários que têm um crédito a receber de mais de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais); médicos e clínicas médicas que têm a receber mais de R$ 4.000.000,00, bem como, dívidas bancárias, fiscais e previdenciárias, todas em processo de acordo e parcelamento. (...) a recorrente, para manter um nosocômio aberto, pagou simplesmente a remuneração líquida devida a seus empregados destinando o numerário restante do mês para pagamento essencialmente de seus médicos e medicamentos. (...) o lançamento por arbitramento ê uma anomalia que a lei admite, em hipóteses especialíssimas. A recorrente realizou dezenas de recolhimentos previdenciários perante a Justiça do Trabalho, através de homologação de acordo judicial de ações reclamatórias trabalhistas, conforme revelam os termos de audiências e as respectivas GPS's, devidamente recolhidas, todos em anexo. Esses recolhimentos espontâneos, feitos pela recorrente e comprovados perante a Justiça do Trabalho, não foram considerados pela fiscalização, mas certamente eles devem ser levados em consideração e devem ser deduzidos da exigência fiscal. As auditoras, em nome da autarquia, estão exigindo o pagamento de contribuições vencidas entre os anos de 1995 e 2004. As contribuições relativas a período anterior ao ano de 2001 estão prescritas, ou já caducaram, por haver decorrido o prazo quinquenal previsto no art. 173 do Código Tributário Nacional. Tais pagamentos são inexigíveis, por estarem revestidos de natureza tributária, que caduca em 5 anos. Além do mais, espera que a taxa SELIC seja afastada, bem como a multa aplicada. A multa, podendo chegar a 60% do valor do débito, numa economia estável é uma sangria que reveste características de verdadeiro confisco, contrariando a proibição legal da instituição de cobrança de tributos com efeito confiscatório. No pedido, o recorrente espera admissão do efeito suspensivo, conhecido e provido, fazendo-se justiça. É o relatório. Aqui, enquanto Relator ad hoc, encerro a reprodução da minuta do relatório disponibilizado no diretório corporativo do CARF e lida de forma resumida pelo Relator original, Conselheiro Gustavo Faber Azevedo, na reunião de novembro de 2022. Acrescento que a recorrente apresentou as petições de e-fls. 887/890 e 922/924 em 04/06/2019 e 26/09/2019 a solicitar o reconhecimento da prescrição intercorrente, bem como que as intimações sejam encaminhadas no endereço do advogado representante legal da recorrente. É o relatório. Fl. 956DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 Voto Vencido Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Relator ad hoc Como Relator ad hoc, sirvo-me da minuta do voto do Relator original, Conselheiro Gustavo Faber de Azevedo, a seguir reproduzida, apresentada na reunião de novembro de 2022, disponibilizada no diretório corporativo do CARF. Conselheiro Gustavo Faber de Azevedo, Relator. ADMISSIBILIDADE Após a interposição do recurso voluntário pelo sujeito passivo, em 05/04/2006 (e- fl.137), foi editada a Súmula Vinculante de nº 21, afastando a exigibilidade de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Diferentemente do que ocorre em âmbito da justiça comum, no processo administrativo fiscal a única exigência pecuniária era a realização de depósito em grau recursal, declarada inconstitucional, conforme já narrado. Assim não há o que falar em apresentação de depósito ou arrolamento de bens para se ver admitido o presente recurso. Em tempo, o recurso voluntário foi postado dentro do prazo legal, assim deve ser conhecido. DECADÊNCIA O contribuinte se insurge contra a decisão da primeira instância alegando estarem decaídos os períodos anteriores ao ano de 2001 por haver decorrido o prazo quinquenal previsto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A DN considerou que a Lei n° 8.212/1991 prevê o prazo prescricional de 10 (dez) anos, não se sujeitando ao art. 174 do Código Tributário Nacional. A Súmula vinculante STF nº 08, de 20/6/08, dispõe que: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Desta forma, aplicam-se os prazos previstos no CTN. Nos lançamentos por homologação, para se apurar a decadência, na hipótese de existência de pagamento parcial e inexistência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se a regra do CTN, art. 150, § 4º: Fl. 957DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, inexistindo pagamento parcial, a situação atrai a regra prevista no CTN, art. 173, I, contando-se o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De pronto, verifico que restou caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, uma vez que o sujeito passivo alegou em sua defesa, que não efetuou a retenção e recolhimento das contribuições ora lançadas por estar em situação de dificuldade econômica “(...) a recorrente, para manter um nosocômio aberto, pagou simplesmente a remuneração líquida devida a seus empregados destinando o numerário restante do mês para pagamento essencialmente de seus médicos e medicamentos.” Assim, nos termos da Súmula CARF nº 106, considero presente o dolo de sonegar quando as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados e/ou contribuintes individuais não são recolhidas: Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Logo, no presente caso, a regra decadencial a ser aplicada é a prevista no CTN, art. 173, I, contando-se o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicando-se a regra do art. 173, I, como a ciência do lançamento ocorreu em 05/04/2005, o lançamento poderia retroagir a 12/1999 (vencimento da obrigação em 01/2000). Para esta competência, o prazo decadencial começou a fluir em 01/2001, extinguindo-se o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento em 31/12/2005. Já para a competência imediatamente anterior, 11/1999 (vencimento em 12/1999), o prazo decadencial começou a fluir em 01/2000, extinguindo-se o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento em 31/12/2004 (a ciência do lançamento ocorreu em 05/04/2005). Portanto, não se operou a decadência em relação às competências 12/1999 e seguintes, estando fulminados os períodos anteriores. Fl. 958DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 Concluindo, dou provimento à preliminar de decadência, para excluir do presente feito, os lançamentos dos períodos 11/1999 e anteriores, por terem sido atingidos pelo decurso de prazo decadencial, nos exatos termos da Súmula CARF nº 106. DEDUÇÃO DE RECOLHIMENTOS DE RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS O recorrente insiste no recurso que realizou dezenas de recolhimentos previdenciários perante a Justiça do Trabalho, através de homologação de acordos judiciais de ações reclamatórias trabalhistas, conforme documentos acostados de audiências e GPSs. Alega que esses recolhimentos espontâneos, realizados pelo recorrente e comprovados perante a Justiça do Trabalho, não foram considerados pela fiscalização, mas certamente eles devem ser levados em consideração e devem ser deduzidos da exigência fiscal. Em que pese os argumentos, não assiste razão o sujeito passivo. Em primeiro lugar, a partir da Emenda Constitucional nº 20/1998 houve uma cisão de competência jurisdicional em relação às contribuições previdenciárias. Como regra a competência para dizer o direito em relação aos tributos federais é da Justiça Federal, conforme art. 109 da Carta Magna. Contudo, em relação às reclamatórias trabalhistas a competência será da Justiça do Trabalho. Considerando que a Justiça do Trabalho possui competência constitucional para execução de oficio das sentenças que proferir (art. 114 da Constituição Federal); da mesma forma que a decisão que reconhecer a não incidência de contribuições não poderá ser rediscutida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a decisão que reconhecer a incidência também não poderá ser rediscutida fora do Poder Judiciário. Constituição Federal/1988: Art. 114. Compete â Justiça do Trabalho processar e julgar (...) VIII — a execução, de oficio, das contribuições sociais previstas no art. 194, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; Por uma questão lógica, quem é competente para executar é também competente para declarar tal direito. Portanto, para rever a decisão que homologou a incidência sobre as verbas trabalhistas homologadas, a parte interessada deveria ter ajuizado a ação rescisória. Assim, a sentença transitada em julgado na Justiça do Trabalho faz coisa julgada material, conforme previsto no art. 269 do Código de Processo Civil e eventual rediscussão das contribuições previdenciárias descontadas do segurado somente é possível mediante ação rescisória, restando afastada a via administrativa. Para além do exposto, ainda que fosse possível a dedução das contribuições apuradas na Justiça do Trabalho, não restaria comprovado pelo sujeito passivo que tais contribuições (recolhidas na justiça) teriam sido descontadas a maior do que o devido a cada Fl. 959DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 segurado, e nem se o objeto discutido em cada uma das ações judiciais estava ou não registrado em folha de pagamento do recorrente, tendo em vista a apresentação tão somente de recolhimentos por GPSs e dos acordos judiciais. MULTA CONFISCATÓRIA O recorrente alega que a multa, podendo chegar a 60% do valor do débito, numa economia estável é uma sangria que reveste características de verdadeiro confisco, contrariando a proibição legal da instituição de cobrança de tributos com efeito confiscatório. Ocorre que, a imposição da multa é realizada com base em previsão legal expressa, só podendo ser afastada nos casos em que a legislação correspondente deixa de ser aplicada, quando incorre em ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. E nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC Por último, o recorrente se insurge quanto a aplicação da taxa SELIC a título de juros de mora. A utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros incidentes sobre os débitos tributários possui amparo na fundamentação trazida pela autoridade autuante, também no relatório “fundamentos legais do débito” essencialmente no art. 239, II, do Regulamento da Previdência Social. Trata-se de aplicação de normas especiais, em consonância com a permissão constante do art. 161, §1º, do Código Tributário Nacional – norma de caráter geral - no sentido de que os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês, somente se a lei não dispuser de modo diverso. Esse entendimento está consolidado na esfera administrativa, ensejando a edição da Súmula CARF nº 4, de observância vinculante para este Colegiado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. No mesmo sentido, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça, respectivamente sob o rito da repercussão geral e dos recursos repetitivos, pacificaram o entendimento no sentido da constitucionalidade e da legalidade da aplicação da Taxa Selic aos débitos tributários (STF, Tribunal Pleno, RE 582.461/SP, Rel. Min. GILMAR MENDES, DJ de 18/05/2011 e STJ, Primeira Seção, REsp 879.844/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 25/11/2009). Fl. 960DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 Tais posicionamentos também devem ser obrigatoriamente observados, por força do art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/15). CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento. Gustavo Faber Azevedo Aqui, enquanto Relator ad hoc, encerro a reprodução da minuta do voto disponibilizado no diretório corporativo do CARF e lida de forma resumida pelo Relator original, Conselheiro Gustavo Faber Azevedo, na reunião de novembro de 2022. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Relator ad hoc Voto Vencedor Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Redator Designado Considerando que o ilustre Conselheiro Relator original não mais integra o colegiado e nem o presente Conselho, apresento meu voto a versar sobre a integralidade da lide. Admissibilidade. O recurso voluntário (e-fls. 137/145) é tempestivo (Regulamento da Previdência Social, art. 305, § 1°, na redação do Decreto n° 4.729, de 2003), eis que a decisão recorrida (e-fls. 118/131) foi cientificada em 06/03/2006 (e-fls. 132/134) e o recurso interposto em 05/04/2006 (e-fls. 136/137). Diante do Mandado de Segurança impetrado pela recorrente (e- fls. 878/884), da Súmula Vinculante n° 21 do STF e do art. 42, I, da Lei n° 11.727, de 2008, não há que se exigir depósito recursal. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Prescrição Intercorrente. Nas petições de e-fls. 887/890 e 922/924, protocoladas respectivamente em 04/06/2019 e 26/09/2019, postula-se a extinção do processo pela demora em seu julgamento. O argumento não prospera, eis que não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, não tendo o princípio consagrado no inciso LXXVIII do art. 5° da Constituição da República o condão de afastar a vinculação do presente colegiado ao entendimento consagrado na Súmula CARF n° 11. Além disso, o presente colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). Decadência. Diante da classificação do documento como “Apropriação Indébita Previdenciária” (e-fls. 8), a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN (Súmula CARF n° 106). Logo, cientificado o lançamento em 05/04/2005 (e-fls. 05), restam atingidas pela decadência as competências 08/1995, 11/1995, 13/1996, 13/1997 e 13/1998, Fl. 961DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 considerando-se que o lançamento anterior à competência 12/1999 envolve apenas essas competências (e-fls. 08/14). Situação econômica. De plano, ressalte-se que, uma vez ocorrido o fato gerador, o tributo é devido, sendo irrelevante a intenção e a situação econômica da recorrente ou mesmo a eventual possibilidade de encerramento das atividades da recorrente (Lei n° 5.172, de 1966, arts. 113 a 116, 136 e 142). Ausência de retenção e reclamatórias trabalhistas. A recorrente afirma que a folha de pagamento não corresponde ao ocorrido na prática, pois a contribuição previdenciária dos segurados não teria sido retida e nem recolhida, uma vez que “pagou simplesmente a remuneração líquida devida a seus empregados”. Acrescenta ainda que o lançamento veicularia aferição indireta e que deveria considerar os recolhimentos havidos em reclamatórias trabalhistas. A aferição da base de cálculo a partir das folhas de pagamento constitui-se em aferição direta da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Cabe à recorrente demonstrar sua alegação de as folhas de pagamento não corresponderem à prática executiva dos contratos de emprego (Decreto n° 70.235, art. 16). Além disso, a argumentação é contraditória, eis que “remuneração líquida” significa o pagamento do valor devido já com o desconto da contribuição previdenciária de titularidade dos segurados. Portanto, a própria recorrente acaba por atestar o desconto da contribuição do segurado empregado, na media em que reconhece o pagamento da remuneração líquida. Não detecto nos autos prova a demonstrar que o pagamento da remuneração era efetuado pelo valor bruto da remuneração, ou seja, sem o desconto da contribuição devida pelo segurado. Com as razões recursais, foram carreadas aos autos (e-fls. 156/837) guias da previdência social a recolher contribuições previdenciárias advindas de decisões em reclamatórias trabalhistas. Contudo, não foi apresentada prova capaz de vincular tais recolhimentos para com as contribuições previdenciárias objeto da presente NFLD n° 35.753.049-7, não sendo o caso de se converter o julgamento em diligência em razão de ser ônus da impugnante/recorrente instruir a defesa com a prova documental (Decreto n° 70.235, art. 16). Acrescente-se que a alegação de ser cabível a dedução dos recolhimentos efetuados em reclamatórias trabalhistas também não prospera em razão de a competência da Justiça do Trabalho se limitar às contribuições previdenciárias dos segurados a ter por base de cálculo salário objeto da condenação constante de sentença ou acordo homologado (Súmula Vinculante n° 53 do STF) e não ao salário já pago (bruto ou líquido) ao tempo da prestação de serviços, tendo a própria recorrente reconhecido que a NFLD versa sobre remuneração líquida anteriormente paga aos segurados. Selic. A utilização da Taxa SELIC lastreia-se nos arts. 34 e 35-A da Lei n° 8.212, de 1991, aquele na redação da Lei n° 9.528, de 1997, e este incluído pela MP n° 449 , de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, sendo que a incidência sobre débitos tributários está pacificada, conforme Súmula n° 04, do CARF, in verbis: Fl. 962DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, sobre a utilização da SELIC no cálculo dos juros de mora, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça, respectivamente sob o rito da repercussão geral e dos recursos repetitivos, pacificaram o entendimento no sentido da constitucionalidade e da legalidade da aplicação da Taxa Selic aos débitos tributários (STF, Tribunal Pleno, RE 582.461/SP, Rel. Min. GILMAR MENDES, DJ de 18/05/2011 e STJ, Primeira Seção, REsp 879.844/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 25/11/2009). Por essas razões, afasto a pretensão recursal a respeito da impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC. Multa. A recorrente sustenta que a multa deve ser de no máximo 2% do valor do débito, sob pena de abusiva inconstitucionalidade e ilegalidade. A multa de mora foi aplicada segundo a legislação vigente ao tempo da lavratura da NFLD, especificada no anexo FLD – Fundamentos Legais do Débito. Devemos ponderar, contudo, que o Parecer SEI N° 11315/2020/ME, a se manifestar acerca de contestações à Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, foi aprovado para fins do art. 19-A, caput e inciso III, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, pelo Despacho nº 328/PGFN-ME, de 5 de novembro de 2020, estando a Receita Federal vinculada ao entendimento de haver retroatividade benéfica da multa moratória prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A, da Lei nº 8.212, de 1991. A Súmula CARF n° 119 foi cancelada justamente pela prevalência da interpretação dada pela jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça de incidência do art. 35-A da Lei n° 8.212, de 1991, apenas aos débitos de contribuições com fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MP n° 449, de 2008. Assim, adoto a interpretação de ser cabível a retroatividade benigna da multa do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação da Lei nº 11.941, de 2009, em relação aos débitos cujos fatos geradores são anteriores ao início de vigência da MP n° 449, de 2008. O entendimento em questão não destoa da atual jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COTA DOS SEGURADOS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOTA SEI Nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME. Conforme a Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, é cabível a retroatividade benéfica da multa moratória prevista no art. 35 da Lei 8212/91, com a redação da Lei 11.941/09, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A da Lei nº 8.212/91. Acórdão n° 9202-009.929 – CSRF/2ªTurma, de 23 de setembro de 2021. Fl. 963DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-010.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15754.000144/2008-86 Intimação. A intimação deve observar o disposto no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, havendo jurisprudência sumulada sobre a intimação dirigida ao endereço de advogado a representar a recorrente: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Isso posto, voto por REJEITAR A PRELIMINAR de prescrição intercorrente e, no mérito, julgar o recurso voluntário PROCEDENTE EM PARTE para a) declarar a decadência das competências 08/1995, 11/1995, 13/1996, 13/1997 e 13/1998; e b) aplicar a retroação da multa da Lei 8.212/91, art. 35, na redação dada pela Lei 11.941/2009. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 964DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10380.721853/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 20 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTEMPESTIVIDADE.
Não observado o prazo legal previsto no arcabouço legal do processo administrativo fiscal para protocolo do recurso, este não deve ser conhecido em razão da intempestividade.
Numero da decisão: 3201-010.171
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafeta Reis - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Marcio Robson Costa, Marcelo Costa Marques d´Oliveira (suplente convocado), Hélcio Lafeta Reis (Presidente). Ausente o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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INTEMPESTIVIDADE. Não observado o prazo legal previsto no arcabouço legal do processo administrativo fiscal para protocolo do recurso, este não deve ser conhecido em razão da intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafeta Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Marcio Robson Costa, Marcelo Costa Marques d´Oliveira (suplente convocado), Hélcio Lafeta Reis (Presidente). Ausente o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O presente processo administrativo fiscal tem como objeto o julgamento do Recurso Voluntário de fls. 104 apresentado em face da decisão de primeira instância, proferida no âmbito da DRJ/SP de fls. 183, que não conheceu a Manifestação de Inconformidade de fls. 177, apresentada em face do Despacho Decisório de fls. 174. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 18 53 /2 01 0- 95 Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-010.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.721853/2010-95 Por bem descrever os fatos, matérias e trâmite dos autos, transcreve-se o relatório apresentado na decisão de primeira instância: A Ementa da decisão de primeira instância foi publicada com o seguinte conteúdo: Em Recurso Voluntário o contribuinte arguiu pela tempestividade da sua manifestação de inconformidade e pela nulidade da decisão de primeira instância. Em seguida, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes determinados pelo regimento interno deste Conselho. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-010.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.721853/2010-95 Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. O Recurso Voluntário é tempestivo, mas somente preenche os requisitos de admissibilidade com relação ao argumento a respeito da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, considerada como intempestiva no acórdão recorrido. A decisão de primeira instância tratou do tema de forma precisa, demonstrou a intempestividade da Manifestação de Inconformidade e registrou sua posição a respeito da legalidade da intimação no domicílio tributário do contribuinte, conforme trecho reproduzido a seguir: Fl. 198DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-010.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.721853/2010-95 Fl. 199DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-010.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.721853/2010-95 Diante de inúmeros processos julgados com a mesma matéria e alegações próximas às da presente lide administrativa fiscal, este Conselho formou a Súmula CARF n.º 9, reproduzida a seguir: “Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 102-46574, de 01/12/2004 Acórdão nº 104-20408, de 26/01/2005 Acórdão nº 106-14266, de 21/10/2004 Acórdão nº 107-07076, de 20/03/2003 Acórdão nº 108- 07562, de 16/10/2003 Acórdão nº 201-68026, de 20/05/1992 Acórdão nº 202-08457, de 21/05/1996 Acórdão nº 202-09572, de 14/10/1997 Acórdão nº 201-71773, de 02/06/1998 Acórdão nº 203-06545, de 09/05/2000.” Fl. 200DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-010.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.721853/2010-95 Entende-se, pela leitura da súmula e dos diversos precedentes que à formaram, que a ciência no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte é válida, ainda que o domicílio indicado não seja do representante legal. Conforme previsto no Art. 15 do Decreto 70.235/72, o prazo de protocolo do recurso administrativo fiscal é de 30 (trinta) dias da data da intimação da exigência: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único.(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)” O prazo de 30 dias expirou antes da data de 17/10/2013, dia em que o sujeito passivo protocolou seu recurso administrativo fiscal. Inclusive, seja a pessoa jurídica de direito provado ou de direito público, a legislação a ser aplicada para a contagem dos prazos é somente a do processo administrativo fiscal, consubstanciada no Decreto 70.235/72 e na Lei 9.784/99. Portanto, intempestiva a Manifestação de Inconformidade. Diante do exposto, o Recurso Voluntário deve ser negado, para manter a intempestividade da Manifestação de Inconformidade. É o voto. (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 201DF CARF MF Original
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