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Numero do processo: 11543.002084/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que negavam provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Ricardo Corrêa Dalla, OAB/ES nº 4055.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, Charles Mayer De Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que negavam provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Ricardo Corrêa Dalla, OAB/ES nº 4055. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, Charles Mayer De Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 02 08 4/ 20 06 -0 7 Fl. 5515DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 676 2 Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a decisão recorrida. Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo a Cofins nãocumulativa referente ao período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 1044, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 1125, de 26/05/2009 (fls. 1031/1043), decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 998.272,17 e homologar parcialmente as compensações declaradas. Os ajustes efetuados pela autoridade fiscal na base de cálculo dos créditos do regime nãocumulativo da Cofins resultaram em saldo de contribuição a pagar apurado nos períodos de junho de 2004 a março de 2005 e julho de 2005 a janeiro de 2006. Foi então lavrado o Auto de Infração relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Cofins referente aos períodos de apuração citados, formalizado no processo nº 15578.000632/200952, apensado a este (fls. 148/157), no valor total de R$ 2.037.215,11, incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/04/2009. O enquadramento legal do auto de infração encontrase à fl. 157 e a base legal da multa e dos juros, em fl. 153. No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório e fundamentou o Auto de Infração, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • Equivocouse o sujeito passivo ao não incluir na base de cálculo da Cofins as receitas financeiras (até 01/08/2004) e receitas diversas. Foram realizados ajustes tomando por base os lançamentos a crédito efetuados nos balancetes; • Na apuração dos créditos, constatouse, em alguns meses, divergência entre os valores informados no DACON e nas planilhas apresentadas, em relação às aquisições de café. Foram adotados os dados das planilhas • As compras de café foram pulverizadas em mais de 60 fornecedores PJ e vários PF. Para efeito de análise dos fornecedores, optouse por uma amostragem que representa mais de 80% das aquisições de café de pessoa jurídica no período de 2004 a 2006; • Verificouse irregularidades em 24 dos 27 maiores fornecedores PJ (omissos, inativos, receita declarada nula ou incompatível com as vendas realizadas); • As empresas Riocoffe Imp. Exp. Ltda e Cometa Comércio de Cereais Ltda foram declaradas inaptas pela SRF. Dos fornecedores analisados, 88,89% encontramse em situação irregular; Fl. 5516DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 677 3 • Na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas; • Com base nas planilhas/arquivos magnéticos das compras enviadas pelo sujeito passivo, foi elaborado o "Demonstrativo de Apuração das Contribuições nãocumulativas" discriminando todos os ajustes procedidos. Os ajustes realizados no Demonstrativo foram consubstanciados a partir dos valores na "Planilha de Glosas efetuadas/compras de café", na qual contém as compras adquiridas de pessoas jurídicas que foram desconsideradas para fins de cálculo dos créditos a descontar; • De acordo com as planilhas apresentadas, no que tange as aquisições de pessoas físicas, foram registradas compras de café sob o CFOP 1.102, que se refere a compras de mercadorias a serem comercializadas e que, portanto, não geram crédito presumido; • O sujeito passivo equivocouse ao incluir no cômputo dos créditos a descontar as aquisições de café sob o CFOP 1.501, que se refere a compras com fim especifico de exportação, já que referidas vendas encontramse fora do campo de incidência da contribuição; • Não foi possível homologar as declarações de compensação em sua totalidade, por insuficiência de créditos, de acordo com a Tabela de Compensação elaborada no Parecer; • Além disso, foi apurado saldo de Cofins a pagar nos meses de junho de 2004 a março de 2005 e julho de 2005 a janeiro de 2006, tendo sido emitido auto de infração para os referidos meses. O saldo de Cofins a pagar nos meses de fevereiro e março de 2004 já se encontram decaídos. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório e do Auto de Infração em 01/07/2009 (fl. 1102) e apresentou, em 30/07/2009, a Manifestação de Inconformidade em fls. 1291/1308 e a Impugnação em fls. 1103/1119, alegando, em síntese que: • O Agente Fiscal deveria proceder ao lançamento das contribuições omitidas e não recolhidas pelo sujeito passivo da obrigação que neste caso é o fornecedor das matérias primas adquiridas; • Querer impor à impugnante, que de boafé comprou e pagou as mercadorias, a obrigação de pagar, pela via da exclusão glosa dos créditos apurados é no mínimo arbitrário e ilegal; • Não há previsão legal que impute ao comprador de mercadorias a verificação da situação cadastral do fornecedor. Conforme se pode observar, pelos espelhos, agora emitidos, as situações cadastrais mencionadas como argumento de glosa deramse em data posterior aos registros de entradas das mercadorias. Para comprovar anexamos os Comprovantes de Inscrição e de Situação Cadastral; • A falta de pagamento não é responsabilidade da impugnante, que nenhum vinculo societário tem com aquelas pessoas jurídicas, não podendo ser penalizada por um ato que foge inteiramente ao seu Fl. 5517DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 678 4 controle; • Todas as mercadorias adquiridas pela impugnante têm o propósito de comercialização, passando obrigatoriamente por processo de industrialização, fazendo jus, portanto, aocrédito presumido do PIS e da COFINS, independente do CFOP utilizado; • A mercadoria ou matéria prima adquirida sob o CFOP 1501, apesar de registrada sob este código, foi adquirida para industrialização e posterior comercialização. Não há nenhuma possibilidade da empresa adquirir de pessoa física, mercadoria com fim específico de exportação; • O Parecer é arbitrário, vez que o enquadramento legal descrito não foi descumprido pela impugnante; • A autoridade fiscal, para a lavratura do auto de infração, não provou o descumprimento da legislação de regência da Cofins, mas resolveu de forma arbitrária, efetuar o lançamento e cobrar o tributo, da impugnante, que não tem qualquer responsabilidade pelas obrigações tributárias do fornecedor; • O lançamento tributário promovido não pode subsistir, devendo ser declarado nulo, uma vez que não há fato imponível a ser reconhecido, pelo menos no que diz respeito à Impugnante; • Para comprovar, apresenta cópias das notas fiscais de compras de pessoas jurídicas, cópias dos comprovantes de pagamento, comprovação da operação de industrialização da empresa; • Requer seja o Parecer declarado nulo, juntamente com a pretensão fiscal em comento, com o restabelecimento integral dos créditos tributários legalmente lançados. Requer a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes e que, em razão do grande volume de notas fiscais e comprovantes de pagamentos, que estes permaneçam à disposição da fiscalização em sua sede, sendo anexados, por amostragem, alguns casos. Por fim requer o direito de apresentar outros documentos, necessários ao deslinde da questão, inclusive a diligência fiscal. Em 20/12/2011, a então 5a Turma da DRJ/RJ2 encaminhou o processo em diligência, por meio da Resolução nº 185 (fls. 4784/4785) para que a Delegacia de origem prestasse maiores esclarecimentos quanto ás irregularidades apuradas na apropriação de créditos da não cumulatividade da COFINS sobre as aquisições de café junto a pessoas jurídicas inaptas, inativas ou omissas. Em atendimento ao solicitado, foram anexados aos autos os documentos de fls. 4788/5166 e o resultado do procedimento de diligência realizado pelo SEFIS/DRF/Vitória consta do Termo de Enceramento de Diligência em fls. 5167/5277. No referido Termo, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • Para apurar as irregularidades cometidas no mercado de café foi deflagrada a operação fiscal TEMPO DE COLHEITA, pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, como relatado nos itens seguintes, que resultou na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; • Em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais; Fl. 5518DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 679 5 • A douta Procuradoria da República no Município de Colatina, por meio do Ofício nº 466/2010 PRM/COL/PAG, de 12 de agosto de 2010, encaminhou à RFB cópia dos documentos oriundos das buscas e apreensões realizadas pela OPERAÇÃO BROCA, bem como cópia da DENÚNCIA oferecida e aceita nos autos do processo principal nº 2008.50.05.0005383 (processos dependentes nº 2009.50.01.0005193 e 2010.50.05.0001610 e Inquérito Policial nº 541/2008DPF/SR/ES); • Com base na denúncia oferecida, consta nos referidos autos depoimento do Sr.JULIANO SALA PADOVAN, titular e gestor da empresa R. ARAÚJO –CAFECOL MERCANTIL (fornecedora KAFFE neste processo), prestado à Polícia Federal, onde afirma que algumas empresas exportadoras fingem que compram café da R. Araújo , mas sabem que estão comprando diretamente dos produtores rurais; • a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de 36 pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; • 53% das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e expressiva a partir de 2003; • ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas. Cita como exemplo a Acádia, Do Grão, L&L e Colúmbia (fornecedoras da KAFFEE neste processo ou em períodos seguintes); • O resultado das investigações apontou tratarse de um esquema que consiste na utilização de pseudoempresas atacadistas para simular transações de compra e venda de café para empresas comerciais exportadoras e indústrias, dando aparência de legalidade às operações; • a existência das pseudoempresas e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras, conforme detectado no curso das diligências e fiscalizações; • os depoimentos dos produtores rurais, das mais diversas localidades do ES, têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas “empresas” TOTALMENTE DESCONHECIDAS DOS DEPOENTES e que não são as reais adquirentes do café. Transcreve trechos de depoimentos; • em depoimentos prestados durante a operação Tempo de Colheita, os corretores de café foram unânimes em asseverar que os reais compradores do café (atacadistas, exportadores e indústrias) detêm o pleno conhecimento da existência do mercado de venda de notas fiscais realizado por intermédio de diversas pseudoatacadistas de café. Transcreve trechos de depoimentos; • a fiscalização resume os fatos apurados e depoimentos colhidos junto a diversas empresas fornecedoras da KAFFEE (Riocoffe, Montreal, Monte Verde, Acádia, R. Araújo, Do Norte Café, Agar, Agrosanto, Celba, Porto Velho, Danúbio, Arace Mercantil, Coffer Company e Fl. 5519DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 680 6 Cafeeira Centenário, Continental Trading, Galdino Tomaz Ferreira de Camargo, Coipex, Mourão Forte e Femar Café, São Jorge e A.A. de Paulo, Cometa) e junta aos autos Termos de Verificação Fiscal, Termos de Constatação Fiscal, depoimentos e confirmações de negócio relativos a cada empresa citada; • R. Araújo – Cafecol Mercantil foi baixada pela RFB por motivo “inexistente de fato”; • Restou comprovado que os fornecedores de café da Kaffee, neste processo administrativo, encontravamse em situação irregular perante a RFB. Alguns já tiveram sua INAPTIDÃO declarada, por inexistência de fato. Outros foram considerados “pseudoatacadistas”, seja por diligências realizadas pelos Auditores Fiscais,seja pelos inúmeros depoimentos de produtores rurais, maquinistas, corretores e sócios de empresas de café tomados a termo nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”; • A própria KAFFEE assumiu como sendo de sua titularidade as operações mercantis realizadas pela RIOCOFFE (seu principal fornecedor entre 2002 e 2006) desde 2001 até 2004; • A fraude não visou apenas diminuir a carga tributária das empresas na comercialização no mercado interno. Nas vendas ao mercado externo, não sujeitas à incidência do PIS/COFINS, a fraude gerou créditos às exportadoras de 9,25% sobre o valor das compras, o que representa um ganho financeiro extraordinário; • De acordo com a análise das mudanças ocorridas em suas aquisições de café ao longo dos anos, praticamente todas as empresas fornecedoras, nos anoscalendário de 2004/2005, deixaram de operar. Em contrapartida, novas empresas surgiram, como a Colúmbia, Do Grão e L & L, todas empresas fictícias, ratificando, neste sentido, o entendimento de que a Kaffee foi conivente com o esquema de fornecimento de notas fiscais. O contribuinte foi cientificado do Termo de Enceramento de Diligência em 10/12/2012 e apresentou, em 08/01/2013, a Manifestação de fls. 5282/5301, alegando o seguinte: • As operações Broca e Tempo de Colheita não geraram nenhum procedimento criminal aos sócios da Kaffee, eis que não houve envolvimento desta na prática das condutas repreendidas; • Sem demonstrar qualquer envolvimento direto da Kaffee na fraude em comento, entendeu o ente fazendário por afastar o creditamento dos valores de Cofins decorrentes das operações de aquisição; • No momento das compras efetuadas, as fornecedoras estavam aptas perante a RFB e Secretaria Estadual da Fazenda, tinham conta corrente bancária e eram notoriamente reconhecidas como fornecedoras de café. Se havia irregularidades, a Kaffee não tinha conhecimento; • Em momento algum a Kaffee foi citada como autora ou cúmplice na formação das empresas fornecedoras de café, nem teve nenhum de seus Fl. 5520DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 681 7 sócios ou funcionários citados como representantes do suposto esquema; • Houve erro na identificação do sujeito passivo pelo agente fiscalizador. A glosa dos créditos foi indevida, já que motivada pela presunção de que a Kaffee estaria envolvida em tal esquema fraudulento; • O CARF, já de longa data vem julgando como inválidos, por nulidade insanável, os Autos de Infração que contenham erro na identificação do sujeito passivo; • Por evidente que o Parecer apresenta vício insanável em razão da ausência de prova cabal a ônus do Fisco, que acabou por penalizar a Kaffee com base em simples presunções; • Pelo método subtrativo indireto adotado pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, para a concessão do crédito fiscal não se exige qualquer vinculação com o montante recolhido na etapa anterior; • A Lei nada dispõe sobre impossibilidade de concessão de crédito em relação à aquisição de bens sujeitos à Cofins, porém não recolhidos pelos fornecedores de tais bens; • A conduta da autoridade fazendária, conforme parecer Seort configura verdadeira insegurança jurídica; • As respostas aos quesitos da DRJ/RJ2 para diligência foram evasivas e genéricas, sem apresentação de provas contra a Kaffee e são imprestáveis para fins de análise do direito creditório; • Protesta pela produção de prova pericial contábil para demonstrar que as operações efetivamente ocorreram (mediante prova do pagamento e do recebimento das mercadorias). Formula quesitos e indica perito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, bem como manteve o lançamento da multa isolada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 NULIDADE. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 5521DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 682 8 Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua manifestação de inconformidade Aquisições de pessoas físicas sob o CFOP 1.102 (crédito presumido) Voto A Recorrente teve glosado seu direito creditório referente à Cofins apurada pelo regime da nãocumulatividade, referentes a aquisições de café – insumo do processo produtivo da recorrente – que a fiscalização entendeu terem sido realizadas junto a empresas atacadistas de fachada, constituídas com o objetivo de apropriação de créditos. Destarte, como se depreende dos autos, o pano de fundo do presente processo administrativo, é a "Operação Broca", deflagrada pela polícia federal De acordo com os resultados da referida operação, empresas intermediárias formalizavam a compra simulada de café de pessoas físicas, com posterior venda para empresas da região, comerciais exportadoras ou indústria cafeeira, efetuada com o objetivo de mascarar o negócio realmente realizado, qual seja à aquisição direta do café junto à proprietários rurais pessoas físicas – que não concede direito ao crédito pleiteado. Fl. 5522DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 683 9 O propósito de tais operações seria a evasão tributária, pois as aquisições feitas de pessoas jurídicas permitiriam a apropriação de créditos integrais no regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins, ao passo que as efetuadas diretamente com pessoas físicas da direito apenas ao crédito presumido previsto no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. E, nesse contexto, com base em um mesmo arcabouço probatório, oriundo da "Operação Broca", que se debruçou, especialmente, na oitiva de testemunhas relacionadas às empresas intermediárias tidas como "laranjas" ou interpostas, por amostragem, isto é, não esgotando o universo de tais intermediários, foram lavrados autos de infração para todos os compradores do café, de forma massiva, em alguns casos, sem que se comprovasse efetivo vínculo entre o autuado e as provas colhidas no âmbito da operação; em outros casos, selecionando trecho dos testemunhos, em que foram referidas as empresas. No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, diversos processos conectados à "Operação Broca" já foram julgados, e de maneira a manter autos de infração/glosas de créditos, com a improcedência dos respectivos recursos voluntários. Compradores de café, como a Recorrente, atuariam em conluio com os intermediários, de forma a ter ciência de que as aquisições eram efetuadas de pessoas físicas, bem como que a formalização dos negócios como sendo efetuados junto a pessoas jurídicas lhe concedia um volume maior de créditos do que teria direito. Verificase, ademais, que as autuações invariavelmente, tinham como um dos principais alicerces, a presunção de que todos os cafeicultores da região tinham plena consciência do esquema, e atuavam de forma concertada e em conluio, para erodir a base tributável das contribuições sociais. É o que se depreende, por exemplo, das conclusões do termo de encerramento da diligência fiscal, constante dos autos: A fraude no mercado de café já é de conhecimento de toda a população, visto que na ocasião da deflagração da operação Broca várias matérias sobre o assunto foram veiculadas em diversos meio de comunicação. Segundo o quadro legal do regime nãocumulativo, passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica, e não diretamente de pessoa física/produtor rural. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de um produtor rural pessoa física, pode situarse de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Não obstante, em um ambiente de estrita legalidade, sobre o qual se edifica o Direito Tributário, não é possível que se analise os fatos como se axiomáticos, ou intuitivos fossem, isto é, segundo a doutrina, como se o fato fosse tão evidente, tornando possível, desde sempre, a formação da convicção, prescindindose de provas. Ou ainda, como se fossem notórios. Mesmo as presunções, sejam as relativas ou absolutas, devem estar expressamente previstas no direito positivo, com foros de exceção, pois a Constituição Federal brasileira tem como vetor, a presunção de inocência, o que ecoa no Direito Tributário, na norma do art. 112 do Código Tributário Nacional, que prescreve que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em Fl. 5523DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 684 10 caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, ou ainda, a autoria, imputabilidade, ou punibilidade. A verdade material ou real, tal como no Direito Processual Penal, é uma verdade processual, no sentido de que deve ser reconstituída nos autos, com a garantia da ampla defesa e do contraditório na sua produção, ao longo do desenrolar processual. Ao julgador, apenas caberá aterse aos elementos dos autos, ainda que sua percepção e seu juízo subjetivo, aponte para conclusões diversas. Observese, ademais, que não se trata aqui de refutar a legitimidade da prova emprestada do inquérito policial, que, no caso, foi basicamente testemunhal, pois o Judiciário já as chancelou, com em diversas oportunidades já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal. Contudo, essa circunstância não afasta a necessidade de observância de algumas condições, a começar, pela sua suficiência e adequação, em face das especificidades do caso concreto, devendose valorar as provas produzidas, no sentido de se constar a sua suficiência na comprovação da materialidade da conduta. Tecidas essas considerações preliminares, temse que, no caso concreto, no âmbito do esquema fraudulento que assolou a região dos cafeicultores do Espírito Santo, glosouse os créditos das contribuições sociais da Recorrente, sob o fundamento da fraude e simulação. Considerandose que as fraudes teriam ocorrido na cadeia produtiva do café, para que esta se instaurasse da forma afirmada pela fiscalização, ou seja, imputandose a participação da Recorrente, deve haver a prova do acordo fraudulento entre os elos da cadeia, nos termos determinados pela Lei nº 4.502/64, art.73, que prescreve que conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, com o escopo de provocar evasão tributária. Do contrário, isto é, não comprovado o conluio e comprovado o nãorecolhimento dos tributos, apenas aquele que deixou de recolher o tributo deve ser penalizado. É de se observar que o art. 82 da Lei n. 9430/1996 determina que : Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Em síntese, quanto ao introito, na ausência da prova individualizada do conluio, da fraude e simulação, de cada um dos cafeicultores, bem como da inexistência efetiva das empresas intermediárias, não haveria outra conclusão possível, senão de presunção absoluta de que todas as empresas do mercado cafeeiro daquela região estavam envolvidas na fraude, o que é vedado em nosso ordenamento jurídico, conforme ponderações anteriores. Destarte, nessa seara descabem generalizações, à míngua de comprovação individualizada. Acresçase que não se trata, da mesma forma, de, ingenuamente ignorar a realidade que se descortinou, ou mesmo, de se adotar um postura que, em seu formalismo, redunde numa "sangria aos cofres públicos" , como se afirmou nos autos. Tratase, sim, de se observar as regras postas, ou, de não criar juízos de exceção, tão familiares aos brasileiros, seja para o bem ou mal, mas que devem ser repudiados pelos aplicadores da lei. Fl. 5524DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 685 11 Quanto à questão do desfalque aos cofres públicos, finalmente, cabe, da mesma forma, observar que o fato de os ilícitos possuírem natureza tal que, invariavelmente, dificultam o seu rastreamento e comprovação pelas autoridades competentes, esse fato não elide o deverpoder do Fisco de se valer da ampla gama de instrumental guarnecido pela legislação em vigor, para o exercício da fiscalização, que vão desde a quebra do sigilo fiscal, ao bancário, recentemente legitimado pela Suprema Corte. Sensível, inicialmente, a essas questões postas, a Delegacia de Julgamento, antes de proferir a decisão recorrida, determinou a conversão do julgamento em diligência, para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: aos fornecedores de café ao interessado, encontramse localizados, efetivamente, no endereço informado à Receita Federal do Brasil (RFB), constante do cadastro do CNPJ, e além disso, se possuem patrimônio e capacidade operacional necessários à realização do objeto que se refere à venda de café, esclarecendose a suposta utilização de empresas “laranjas” pelo interessado como “intermediárias fictícias na compra de café dos produtores”, tal como consta às fls. 5820/5821; b os fornecedores acima referidos se tratam, porventura, de pessoa jurídica inexistente de fato”, em qualquer uma das situações aludidas no art. 37 da IN SRF nº 200, de 13/09/2002, vigente à ocasião em que ocorridos os fatos geradores do PIS tratados no presente processo administrativo, e que já se encontra atualmente revogada, encontrandose hoje em vigor a IN RFB nº 1.005, de 08/02/2010 (art. 28, II); cos fornecedores ora em comento possuem escrituração contábil fiscal hábil e idônea, e registraram na sua contabilidade as vendas (faturamento) de café ao interessado para os períodos mensais de apuração do PIS tratados no presente processo; dhá instrumentos particulares (contratos) hábeis e idôneos, com reciprocidade de direitos e obrigações, firmados entre o interessado e seus fornecedores para a venda de café destes ao primeiro. O Termo de Diligência trouxe um apanhado assistemático de informações selecionadas e trasladadas do inquérito policial, que não responderam, de forma objetiva e pontual, o quanto questionado pela Delegacia de Julgamento, em cada um dos itens propostos na diligência. Com relação à empresa Riocoffee, há anexo específico nos autos, demonstrando que seria uma empresa de fachada, criada para operações da Recorrente e outro cafeicultor, tendo sido aberto procedimento de fiscalização específico, que, culminou, sem que houvesse manifestação em contrário, em tipificação da conduta imputada. Contudo, em relação às demais intermediárias, não se verifica o mesmo trabalho da fiscalização. Assim sendo, e no contexto das ponderações acima formuladas, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que: Fl. 5525DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 686 12 i. sejam respondidos e acostados aos autos os documentos solicitados, em cada um dos quatro itens propostos na resolução da Delegacia de Julgamento, acima transcritos, para cada uma das empresas mencionadas no relatório da diligência (exceto Riocoffee), quais sejam: ii. se verifique se todos os créditos glosados originaramse de operações com as empresas acima arroladas, ou se houve glosas relativas a empresas que não constam do relatório de diligência; Fl. 5526DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 687 13 iii. apontar a inidoneidade das notas fiscais e comprovantes de pagamentos, por amostragem, de cada um dos fornecedores em referência; iv. se verifique se à época das operações que geraram os créditos, as empresas intermediárias estavam com situação cadastral irregular/inaptas, nos termos da legislação vigente à época; vi. informe se os processos administrativos fiscais 15.586.000.451/200765, 15.586.001053/200766, 15.586.00019/201070, 15.586.002293/200869, 11.543.003883/200421, são concernentes à cobrança dos débitos fiscais, das empresas intermediárias que são consideradas como de fachada, diretamente relacionados com as compensações em tela, conforme afirma a Recorrente. Caso a resposta seja positiva, se há outros processos administrativos semelhantes tramitando. Além da glosa dos créditos de empresas declaradas como de fachada, foram glosados créditos presumidos decorrente do valor dos bens e serviços utilizados como insumos, adquiridos de pessoas físicas, conforme art. 3° §10 da Lei 10.637/2002, e, posteriormente pelo art. 8° da Lei 10.925/2004, sob o argumento de que a simples revenda não gera direito ao crédito. A glosa se deu porque os CFOPs empregados, apenas se refeririam a compras de mercadorias a serem comercializadas, assim como o café destinado à exportação, que teria sido adquirido e destinado imediatamente à revenda. Entretanto, a Recorrente juntou em sua manifestação de inconformidade, laudo técnico que demonstraria todo o processo produtivo pelo qual está submetido o café, antes de sua comercialização. Nesse sentido, também deve ser a diligência, para que: vii. comprove a Recorrente o processo produtivo o qual está submetido o café que transaciona. Após a conclusão da diligência a Recorrente deverá ser intimada a se manifestar, no prazo de 30 dias , prorrogáveis uma vez, assim como a Procuradoria da Fazenda Nacional. Após , retornem os autos para prosseguimento da diligência. Diante de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Fl. 5527DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 11487.720002/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.691
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de Auto de Infração pela prática da interposição fraudulenta de terceiros na importação. Segundo a fiscalização, a empresa LUMAG, CNPJ 57.955.957/0001 09, ocultouse em operações de importação realizadas em nome de ENCOMEX, CNPJ 07.069.077/000167, que simulou importações em seu nome. Baseouse a fiscalização na auditoria realizada nas operações comerciais e financeiras das empresas citadas e em outros elementos de convencimento obtidos durante os trabalhos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 14 87 .7 20 00 2/ 20 12 -6 1 Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.276 2 Como resultado, foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias importadas nos termos do art. 23, V, § 1° do Decretolei n° 1.455/76. Tendo em vista o consumo dos bens importados, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias nos termos do § 3° do mesmo art. 23. Ainda segundo a fiscalização, foram imputados como solidários no auto de infração as seguintes pessoas físicas: ERIC MONEDA KAFER, VERA LUCIA MONEDA KAFER, SHEILA TATIANA TOMAZ MARAZZATTO, LUIS CARLOS GOMES DOS SANTOS, MÁRCIA ALONSO TENÓRIO DE BARROS, MAGDA LAURINDA ALONSO DOS SANTOS. O Auto de Infração totalizou o valor de R$ 913.487,62. Intimadas do Auto de Infração em 22/10/2012 (fl. 1211), as interessadas LUMAG, MÁRCIA ALONSO TENÓRIO DE BARROS, MAGDA LAURINDA ALONSO DOS SANTOS e LUIS CARLOS GOMES DOS SANTOS, apresentaram impugnação conjunta e documentos em 19/11/2012, juntados às fls. 1302 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega que possuía habilitação simplificada no RADAR, limitada a US$ 150.000,00 por semestre. Alega que foi obrigada a buscar alternativas pois estava na iminência de ultrapassar tal limite, fator este que a aproximou da empresa ENCOMEX. 2. Alega preliminarmente a nulidade da autuação por erro na descrição dos fatos. Alega que o auto de infração cita o nome da empresa BWS, desconhecida pela LUMAG. Alega que não foi apresentada qualquer prova relativa a essa empresa. Cita doutrina sobre o tema. Cita o art. 142 do CTN, o art. 53 da Lei nº 9.784/99 e o art. 59 do PAF. ok okaa 3. Alega que a fiscalização não poderia ter autuado os sócios da empresa como responsáveis solidários nos termos do art. 135, III do CTN. Alega que o dispositivo legal não cita os “sócios”. Alega que a condição de sócio não implica diretamente na responsabilidade tributária. Alega que a fiscalização não provou que todos os sócios praticavam atos de administração. Cita jurisprudência sobre o tema. 4. Alega que a sócia Márcia Alonso Tenório de Barros deixou a sociedade em novembro de 2008. Anexa alteração contratual registrada na Junta Comercial. Alega que a sócia Magda Laurinda Alonso dos Santos ingressou na sociedade apenas em junho de 2009. Também anexa alteração registrada na Junta. 5. Alega que sempre realizou suas importações diretamente, negociando as condições e termos de compra diretamente com seus fornecedores. Alega que nunca quis encobrir as importações realizadas por ela. Alega que o que ocorreu de fato é que ela foi ocultada pela ENCOMEX que simulou importações próprias. Alega que foram registrados contratos de importação por conta e ordem entre LUMAG e ENCOMEX sendo LUMAG a real adquirente. Alega que foi a ENCOMEX que “por sua liberalidade e à revelia da Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.277 3 LUMAG” que optou por fraudar/simular o sistema de diversas formas: (i) utilizando no SISCOMEX a opção importação própria ao invés de importação por conta e ordem; (ii) registrando as operações com a LUMAG como se fossem empréstimos; (iii) recebendo adiantamentos e caracterizando como empréstimos; (iv) fraudando sua contabilidade para justificar operações fraudulentas; (v) operando de forma simulada com outros diversos clientes com a intenção de fraudar o fisco. 6. Alega que a LUMAG desconhecia esses fatos e que não poderia ter qualquer ingerência de fiscalização sobre estas questões operacionais. Afirma que desde o início dos procedimentos de fiscalização apresentou os fatos verdadeiros ocorridos indicando que havia contratado a ENCOMEX para a realização de importações por conta e ordem e que os valores depositados na conta da ENCOMEX eram destinados ao pagamento de mercadorias e nunca de empréstimos. 7. Alega que confiou na expertise da ENCOMEX dada a complexidade normativa das operações de importação. Alega que a maior parte das obrigações dos artigos 86 e 87 da IN SRF 247/02 são de responsabilidade do importador. 8. Alega que agiu de boa fé e que foi lesada pela trading contratada. Alega que a fiscalização não respeitou os princípios do art. 2º, IV da Lei nº 9.784/99. Alega ser empresa idônea possuindo Certidão Negativa da Receita Federal ao contrário da ENCOMEX que possui diversas autuações. Alega que não auferiu qualquer vantagem com o suposto esquema fraudulento. 9. Alega ser inaplicável a responsabilidade solidária imputada pela fiscalização. Alega que a responsabilidade é única da empresa ENCOMEX. Reafirma que não ocultou qualquer documentação da fiscalização. Alega que não houve conluio. Reafirma que não participou dos atos que caracterizaram a infração. Alega que aplicase o art. 112 do CTN tendo em vista a boa fé da LUMAG. 10. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração. Intimada do Auto de Infração em 22/10/2012 (fl. 1181), a interessada ENCOMEX apresentou impugnação e documentos em 14/11/2012, juntados às fls. 1257 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa pois não haveria indicação precisa da suposta conduta fraudulenta. Cita doutrina sobre o tema. 2. Requer preliminarmente que não seja remetida a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público antes do trânsito em julgado na esfera administrativa. Cita o art. 83 da Lei nº 9.430/96. 3. Alega que o fisco tem o ônus da prova em relação aos fatos imputados contra a impugnante. Cita a presunção de inocência. Cita doutrina sobre o tema. Cita o art. 112 do CTN. Alega que, na Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.278 4 eventualidade de rejeição de seus argumentos, aplicase apenas a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07. 4. Alega que as operações foram contabilizadas, não houve simulação, não ocorreu dano ao Erário e que o lançamento foi feito com base em indícios. Afirma que nenhum documento demonstra o adiantamento de qualquer recurso ou cessão do nome/ocultação de outro sujeito passivo. 5. Alega que foi autuada com duas penalidade com relação à mesma conduta. Alega que já foi autuada no processo administrativo fiscal nº 11487.720001/201217. Alega a ocorrência de bis in idem. 6. Alega que a fiscalização usou documento protegido por sigilo profissional (email do contador da empresa ora impugnante). 7. Alega que houve excesso de prazo para conclusão do procedimento especial (art. 9 da IN SRF nº 228/02). 8. Reafirma a tese de bis in idem. Cita doutrina sobre o concurso aparente de normas. Cita o Princípio da Especialidade. Cita doutrina sobre o tema. 9. Afirma que as importações foram realizadas por conta própria, que adquiriu as mercadorias no exterior, em seu nome, e que era responsável pelo fechamento do câmbio com recursos próprios, estando habilitada no RADAR. Alega que revendia as mercadorias importadas no mercado interno, recolhendo os tributos devidos não havendo sonegação ou quebra de cadeia do imposto de importação. 10. Afirma que a LUMAG é contribuinte do imposto de importação e que o mesmo foi recolhido nos termos do art. 9, IX do RIPI. Alega que essa norma foi levada ao RA e destinase ao vendedor de produtos objeto de contrabando e descaminho ou introduzidos de forma irregular no país. Afirma que é necessária a prova do artifício doloso. 11. Alega nulidade do auto de infração pois a fiscalização teria capitulado a responsabilidade da empresa no art. 135 do CTN. 12. Alega nulidade na solidariedade de pessoas pois essa foi fundamentada no Código Penal. 13. Alega que a aplicação da multa de 10% excluiria a declaração de inaptidão nos termos do parágrafo único do art. 33 da Lei nº 11.488/07. Reafirma a tese do bis in idem. 14. Alega que a fiscalização não anexou aos autos provas apresentadas pela empresa que afastariam a acusação de interposição fraudulenta. 15. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração. Intimada do Auto de Infração em 20/10/2012 (fl. 1209), a interessada VERA LUCIA MONEDA KAFER apresentou impugnação e documentos em 19/11/2012, juntados às fls. 1219 e seguintes, alegando em síntese: Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.279 5 1. Alega a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa. Alega a ausência de indicação precisa da suposta conduta fraudulenta. Cita doutrina sobre o tema. 2. Requer preliminarmente que não seja remetida a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público antes do trânsito em julgado na esfera administrativa. Cita o art. 83 da Lei nº 9.430/96. 3. Alega que seria inaplicável a responsabilidade solidária pois a sócia Sra. Vera Lúcia é detentora de apenas 1500 quotas da sociedade (1% do total) e não exerce qualquer função de gerência. Alega que não foram apontados atos da impugnante com excesso de poder ou infração à lei. Alega que a responsabilidade do art. 135 do CTN não é objetiva. Cita doutrina sobre o tema. 4. Alega que a impugnante não foi em nenhum momento intimada do procedimento especial do art. 4º da IN SRF 228/02. 5. Reafirma que não foram apresentados pela fiscalização os requisitos do art. 135 do CTN. Cita doutrina sobre o tema. 6. Afirma que a impugnante não é autora da infração nos termos do art. 95, I do Decretolei nº 37/66. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Reafirma que não há provas de atos praticados pela impugnante na administração da empresa. 7. Reafirma novamente que não foram apresentadas provas diretas e individualizadas da participação da impugnante na infração imputada. 8. Cita jurisprudência judicial sobre aplicação do CTN a créditos de natureza administrativa. Cita jurisprudência administrativa sobre decadência de penalidade não tributária. Reafirma novamente que não seria aplicável o art. 135 do CTN. 9. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração. Intimada do Auto de Infração em 20/10/2012 (fl. 1190), o interessado ERIC MONEDA KAFER apresentou impugnação e documentos em 19/11/2012, juntados às fls. 1243 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa. Alega a ausência de indicação precisa da suposta conduta fraudulenta. Cita doutrina sobre o tema. 2. Requer preliminarmente que não seja remetida a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público antes do trânsito em julgado na esfera administrativa. Cita o art. 83 da Lei nº 9.430/96. 3. Alega que o fisco tem o ônus da prova em relação aos fatos imputados contra a impugnante. Cita a presunção de inocência. Cita doutrina sobre o tema. Cita o art. 112 do CTN. Alega que, na eventualidade de rejeição de seus argumentos, aplicase apenas a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07. Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.280 6 4. Alega que as operações foram contabilizadas, não houve simulação, não ocorreu dano ao Erário e que o lançamento foi feito com base em indícios. Afirma que nenhum documento demonstra o adiantamento de qualquer recurso ou cessão do nome/ocultação de outro sujeito passivo. 5. Alega que foi autuada com duas penalidade com relação à mesma conduta. Alega que já foi autuada no processo administrativo fiscal nº 11487.720001/201217. Alega a ocorrência de bis in idem. 6. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração. Intimada do Auto de Infração em 20/10/2012 (fl. 1213), a interessada SHEILA TATIANA TOMAZ MARAZZATTO apresentou impugnação e documentos em 19/11/2012, juntados às fls. 1279 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa. Alega a ausência de indicação precisa da suposta conduta fraudulenta. Cita doutrina sobre o tema. 2. Requer preliminarmente que não seja remetida a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público antes do trânsito em julgado na esfera administrativa. Cita o art. 83 da Lei nº 9.430/96. 3. Alega que a era apenas secretária particular do Sr. Erick Moneda Kafer, sócio diretor da ENCOMEX, sem qualquer vínculo trabalhista, resumindose a representar seu mandante nos estritos atos a ela publicamente permitidos. Alega que seus atos não foram realizados com excesso de poder ou infração à lei, contrato social e estatuto. Alega violação ao art. 135 do CTN. Alega que não houve prova da conduta dolosa da impugnante. Cita doutrina sobre o tema. 4. Alega que a impugnante em nenhum momento foi intimada a prestar esclarecimentos sobre o Procedimento Especial instaurado. 5. Reafirma que não foram apresentados pela fiscalização os requisitos do art. 135 do CTN. Cita doutrina sobre o tema. 6. Afirma que a impugnante não é autora da infração nos termos do art. 95, I do Decretolei nº 37/66. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Reafirma que não há provas de atos praticados pela impugnante na administração da empresa. 7. Reafirma novamente que não foram apresentadas provas diretas e individualizadas da participação da impugnante na infração imputada. 8. Cita jurisprudência judicial sobre aplicação do CTN a créditos de natureza administrativa. Cita jurisprudência administrativa sobre decadência de penalidade não tributária. Reafirma novamente que não seria aplicável o art. 135 do CTN. 9. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração. Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.281 7 Sobreveio decisão da 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, cancelando a exigência em relação à responsabilidade solidária de sócios quotistas não administradores e mantendo o crédito tributário exigido quanto aos demais sujeitos passivos. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2008, 2009, 2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação caracteriza a penalidade previstas no art. 23, V, § 1º do Decretolei n°1.455/76. CORESPONSABILIDADE. PERÍODO. O período da coresponsabilidade dos sócios coincide com o período em que participaram da real gestão do negócio, independente do contido no contrato social Inconformados com a decisão, os sujeitos passivos apresentaram os presentes recursos voluntários. A recorrente LUMAG, bem como o responsável solidário sócio administrador Luis Carlos Gomes dos Santos, afirmam não ter sido intimados da decisão recorrida, tendo sido cientificados apenas informalmente desta por meio da responsável solidária exsócia Marcia Alonso Tenório de Barros, que foi devidamente intimada, e já em data bem próxima ao prazo fatal. Aduz, desta forma, ter sido cerceado em seu direito de defesa. O processo foi convertido em diligência para que se verificassem os fatos alegados pelos recorrentes acerca dos procedimentos de intimação do acórdão recorrido. VOTO A unidade de origem apresentou a informação solicitada por meio do documento de fls. 2270 a 2273, na qual informa que o responsável solidário sócio administrador Luis Carlos Gomes dos Santos teria sido intimado por edital, enquanto que o contribuinte Lumag teria sido intimado por meio de sua caixa postal no eCAC. Observo, contudo, que os sujeitos passivos citados não foram cientificados acerca do resultado desta diligência. Desta forma, como objetivo de evitar o cerceamento ao direito de defesa dos sujeitos passivos, os recorrentes LUMAG e Luis Carlos Gomes dos Santos devem ser intimados deste despacho apresentado pela unidade de origem, bem como lhes seja concedido o prazo de 30 dias para apresentarem suas razões quanto às novas informações trazidas aos autos. Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.282 8 Concluídos os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselho para o prosseguir com o julgamento da lide. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 15586.720259/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificadas omissões na decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de suprir os vícios apontados.
INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CUSTO DE NAVIOS. DESPESAS DE EMBARQUE.
Comprovada a vinculação dos gastos incorridos com custos de navios e com as demais despesas na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, afasta-se a glosa que foi fundamentada apenas na não vinculação.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA.
À luz do art. 8º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deve ser apurado com base no valor das notas fiscais de aquisição dos bens no mesmo período de apuração do crédito, não havendo amparo legal para ajustar o valor dessas aquisições pelo preço médio dos produtos em estoque.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3402-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas na decisão embargada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos; b) pelo voto de qualidade, para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para apuração dos créditos presumidos sobre transferências entre filiais. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Verificadas omissões na decisão embargada, acolhemse os embargos de declaração para o fim de suprir os vícios apontados. INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CUSTO DE NAVIOS. DESPESAS DE EMBARQUE. Comprovada a vinculação dos gastos incorridos com custos de navios e com as demais despesas na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, afastase a glosa que foi fundamentada apenas na não vinculação. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. À luz do art. 8º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deve ser apurado com base no valor das notas fiscais de aquisição dos bens no mesmo período de apuração do crédito, não havendo amparo legal para ajustar o valor dessas aquisições pelo preço médio dos produtos em estoque. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas na decisão embargada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos; b) pelo voto de qualidade, para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 59 /2 01 1- 75 Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 apuração dos créditos presumidos sobre transferências entre filiais. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos em tempo hábil pelo contribuinte ao Acórdão nº 3403002.757, sob o argumento de que existem omissões no referido julgado. Primeira omissão. Segundo a embargante, o colegiado reconheceu, em tese, o direito à tomada do crédito sobre os dispêndios com serviços portuários na prestação de serviços a terceiros. Entretanto, não reconheceu esse direito in concreto, por ter considerado que a recorrente não apresentara a documentação comprobatória da vinculação entre os gastos com despesas portuárias e a prestação de serviços a terceiros, em relação ao trimestre em questão. Após ter requerido cópia integral do processo, a defesa percebeu que a petição por ela protocolizada em 27 de novembro de 2013, com os documentos relativos ao 2º Trimestre de 2008, não havia sido juntada aos autos, o que fez com que o processo fosse julgado sem que os conselheiros tomassem conhecimento das referidas provas. Assim, por razão alheia ao controle e vontade da embargante e dos conselheiros, mas sim por falha exclusiva de procedimentos internos do CARF, a decisão recorrida omitiuse de se pronunciar sobre documentos que haviam sido regularmente apresentados antes de iniciado o julgamento do recurso voluntário, situação que deve ser sanada por meio destes embargos. Segunda omissão. Segundo a embargante, a fiscalização glosou o crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004), sob o argumento de que a empresa o registrou em momento posterior à efetiva aquisição da soja e com base em valor diverso do constante das notas ficais de aquisição. Em resposta, a defesa demonstrou que a sistemática adotada para apuração do crédito presumido tinha amparo legal, considerandose as particularidades da aquisição de soja. Ao analisar essa questão, o colegiado, de maneira inédita, decidiu manter a glosa sob o único fundamento de que o crédito presumido da agroindústria não poderia ter sido utilizado em pedido de ressarcimento. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720259/201175 Acórdão n.º 3402003.164 S3C4T2 Fl. 5 3 Acontece, que o pedido de ressarcimento apresentado pela empresa não contempla o crédito presumido da agroindústria, pois se refere exclusivamente a créditos relativos às aquisições no mercado interno, vinculadas à receita de exportação. Tal fato pode ser comprovado por meio da análise do DACON às fls. 331/345. No referido documento, o crédito presumido de PIS foi efetivamente utilizado da forma como proposta pelo Colegiado, exclusivamente para a dedução da PIS devida nos meses de abril, maio e junho de 2008, não havendo qualquer saldo remanescente compondo o valor do crédito pleiteado no pedido de ressarcimento. É por tal motivo que as autoridades fiscais nunca acusaram a Embargante de ter pleiteado a restituição dos créditos presumidos e esse assunto nunca ter sido objeto de controvérsia. Ao analisar o pedido de ressarcimento apresentado, a fiscalização decidiu também analisar e glosar o crédito presumido, fato que implicou, entre outros motivos, a reapuração da PIS do período e o indeferimento do crédito pleiteado. Tendo sido comprovado que a situação fática existente neste processo é diferente da considerada na decisão embargada, ainda pende de exame a questão da validade do crédito presumido da forma apurada pelo contribuinte, omissão que merece ser sanada por meio destes embargos de declaração. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Relativamente à primeira omissão, tendo em vista que o despacho de admissibilidade de embargos de fls. 1122/1124 constatou que o Acórdão embargado foi proferido sem a análise dos documentos que haviam sido protocolados pela defesa em 27/11/2013, é necessário suprir a omissão alegada pela embargante. A omissão se refere à análise de provas, pois o Acórdão 3403002.757 analisou a questão de direito, relativa à tomada do crédito sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos, tendo rechaçado a interpretação da DRJ, e reconhecido o direito em tese. O problema foi que os documentos comprobatórios anexados com a impugnação não se referiam a este trimestrecalendário e os documentos pertinentes protocolados pelo contribuinte em 27/11/2013 só apareceram nos autos após a prolação do acórdão embargado. Sendo assim, esta turma não pode analisar a questão de direito, pois ela já foi decidida pela extinta Turma 3403, restando apenas verificar se os documentos protocolados pelo contribuinte em 27/11/2013 comprovam o fato alegado e se eles podem ser aceitos à luz do que preceitua o art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No que concerne à preclusão do direito de apresentar documentos, o art. 16 do PAF regula o procedimento em relação ao julgamento de primeira instância, estabelecendo uma preclusão quanto a documentos apresentados após a impugnação, mas esse dispositivo legal não veda a possibilidade de o CARF apreciar a documentação serôdia. Pelo contrário, Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 existe previsão expressa no art. 16, § 6º, no sentido de que os documentos serôdios deverão permanecer no processo para serem analisados em segunda instância, no caso de haver interposição de recurso. Sendo assim, e diante do silêncio do Regimento Interno quanto à apresentação serôdia de documentos, entendo que os documentos apresentados pelo contribuinte em 27/11/2013 podem e devem ser conhecidos por este colegiado, sem que ocorra nenhuma ofensa a qualquer dispositivo legal que seja. Acrescento que no caso concreto nem se pode alegar que haveria supressão de instância, pois se tivessem sido juntados com a impugnação, a DRJ não teria apreciado esses documentos, pois para manter a glosa ela alterou o critério jurídico adotado pela fiscalização, conforme se pode comprovar no seguinte excerto, extraído do voto condutor do Acórdão 3403 002.757: "(...) Neste tópico, a decisão de primeira instância foi mais radical que a própria fiscalização, pois entendeu que a legislação não dá respaldo ao rateio das despesas, encargos e custos comuns, quando uma parte poderia gerar o crédito e a outra parte representa despesas operacionais. A DRJ chegou a essa conclusão analisando a literalidade dos arts. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, os quais se referem ao rateio na hipótese de parte das receitas da pessoa jurídica estarem sujeitas ao regime cumulativo e parte ao regime não cumulativo. Tendo em vista que a lei silenciou quanto à hipótese de rateio com base na despesa, entendeu a DRJ que não haveria direito à tomada do crédito por ausência de previsão legal. A interpretação literal da DRJ não foi correta, pois de um lado, o direito de os contribuintes tomarem o crédito sobre serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros foi contemplado no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10833/03. E de outro lado, o art. 299, do RIR/99 conceitua o que são despesas operacionais. Se determinados gastos incorridos pela filial Santos configuram custo na prestação de serviços a terceiros e ao mesmo tempo despesa operacional da própria empresa, se não houver um sistema de custos integrado com a contabilidade, a única forma de garantir o direito estabelecido nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02 é fazer o rateio dessas despesas com base no percentual de mercadorias de terceiros em relação ao total de mercadorias movimentado a cada mês. Este foi também o entendimento da fiscalização, pois ela admitiu o crédito obtido mediante rateio e somente glosou as despesas identificadas no ANEXO II com a indicação "santos armaz", que ela não conseguiu identificar como sendo diretamente relacionadas a serviços prestados a terceiros. Assim, o único fato a ser provado pela defesa para o fim de elidir a glosa é a existência de vinculação dessas despesas com o embarque de mercadorias de terceiros efetuados no trimestre. (...)" Por tais razões, voto no sentido de que o colegiado admita e conheça dos documentos protocolados pela defesa em 27/11/2013. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720259/201175 Acórdão n.º 3402003.164 S3C4T2 Fl. 6 5 Em sede de recurso e também nos documentos protocolados em 27/11/2013, o contribuinte explicou a forma e os critérios utilizados no rateio e alegou que tais documentos comprovam a vinculação de parte dos gastos com o serviço prestado a terceiros. Analisandose a documentação apresentada às fls. 1031/1080, verificase que restou plenamente comprovada a vinculação dos gastos com os serviços prestados a terceiros. Esses documentos permitem identificar os custos com navios e as demais despesas envolvidas, os nomes dos navios envolvidos e as quantidades de cargas pertencentes à empresa ADM e a terceiros movimentadas por cada embarque realizado e a cada mês do trimestre calendário em questão. Portanto, comprovada, em relação ao segundo trimestre de 2008, a vinculação de uma parte das despesas com o embarque de cargas de terceiros, deve ser revertida a glosa efetuada no ANEXO II, sob a rubrica "santos armaz". No que concerne à segunda omissão, a defesa também tem razão, pois analisandose os dados consignados nas fichas 14 e 15B do DACON às fls. 331/360, verifica se que não houve pedido de ressarcimento do crédito presumido, mas apenas seu aproveitamento para dedução dos valores do PIS a serem recolhidos. Quanto ao mérito, a defesa argumentou, em síntese, que em virtude da flutuação do preço da soja, o preço efetivo do produto só é conhecido ao final do contrato de fornecimento. Em razão disso, existe uma diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustado no final do contrato. O preço consignado na nota fiscal do vendedor pode ser inferior ou superior ao que é fixado no final do contrato, daí a razão de o contribuinte adotar o método de apurar o custo (e o crédito presumido) com base no valor médio da soja estocada, o que não foi aceito pela fiscalização. A embargante argumentou com o disposto no art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/2004, mas ignorou o disposto no § 2º do mesmo dispositivo legal, que para maior comodidade permitome transcrever: Art. 8º Omissis... § 1º Omissis... § 2oO direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1odeste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3oO montante do crédito a que se referem o caput e o § 1odeste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: Da leitura conjunta dos dois parágrafos acima transcritos, concluise que a lei determina o cálculo do crédito presumido relativo a determinado período de apuração, tomando por base o valor das aquisições ocorridas no próprio mês. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 A interpretação pretendida pela recorrente só seria viável, caso não existisse o parágrafo 2º. Mas o parágrafo 2º existe e ele determina que somente bens adquiridos ou recebidos no mesmo período de apuração do crédito é que podem gerar o crédito presumido. Portanto, o pleito da recorrente deve ser rejeitado, pois à luz do art. 8º, § 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido deve ser apurado com base no valor das notas fiscais relativas à aquisição de bens ocorridas no mesmo período de apuração do crédito. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas no Acórdão 3403002.757, e, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas efetuadas no ANEXO II sob a rubrica "santos armaz". (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721327/2012-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA.
A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. A retroatividade benigna para limitar a multa a 20% é incabível, considerando que a sua natureza é de multa de mora, enquanto, em existindo lançamento, sempre há de se falar em multa de "de oficio".
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9202-003.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
(Assinado digitalmente)
Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. A retroatividade benigna para limitar a multa a 20% é incabível, considerando que a sua natureza é de multa de mora, enquanto, em existindo lançamento, sempre há de se falar em multa de "de oficio". AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Contribuinte Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 13 27 /2 01 2- 90 Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora (Assinado digitalmente) Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 18470.721327/201290 Acórdão n.º 9202003.713 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 2302003.050, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF em 18/03/2014, ao qual foi dada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. INAPLICABILIDADE DO ART. 14 DO CTN. É rígida a posição do STF do sentido de que, quando a Constituição remete à lei, sem qualificála, cuidase de lei ordinária, pois a lei complementar é sempre requerida expressamente” (Contribuições Custeio da Seguridade Social. Livraria do Advogado Editora, 2007, p. 145). Nada impede que a Constituição crie uma regra geral (as limitações constitucionais ao poder de tributar são reguladas por lei complementar) e depois especifique exceções (a regulamentação do art. 195, § 7°, pode ser feita por lei ordinária). Posição adotada pelo STF (Ag. Reg. no RE n° 428.8150). Precedente da Câmara Superior (Acórdão n° 9202002.420, Processo n° 13016.000954/200770; Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire, julgado em 07 de novembro de 2012). IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. A isenção, no período anterior à vigência da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. É condição necessária ao deferimento e à manutenção da imunidade/isenção a entidade não pode possuir débitos em Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI 4 relação às contribuições sociais previstas nos arts. 22 de 23 da Lei n° 8.212/91, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO RETROATIVA. DESNECESSIDADE DE SOLICITAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A lei aplicável é aquela vigente à época da ocorrência dos fatos, em respeito às lições elementares da ciência do Direito e às disposições gerais do ordenamento jurídico, em especial arts. 1° e 2° da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro Decreto Lei n° 4.657/42 e arts. 105 e 144 do CTN. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA OU TICKET. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EMPRESAS URBANAS. LEGALIDADE. Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 8.212/91. Tal contribuição social ostenta caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural, podendo ser exigida também do empregador urbano, conforme precedentes do STF e do STJ. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).” O Recurso Especial de Divergência ora discutido limitase a impugnar as multas de mora e de ofício aplicadas pelo Auto de Infração e mantida pelos doutos julgadores em razão do não recolhimento das contribuições previdenciárias das competências anteriores a dezembro de 2008. Discutese a forma de aplicação da retroatividade mais benéfica de norma penal no que tange ao percentual máximo de multa aplicável a tais fatos, haja vista alterações promovidas na Lei 8.212/91, pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 18470.721327/201290 Acórdão n.º 9202003.713 CSRFT2 Fl. 4 5 De acordo com o recurso, o acórdão recorrido diverge do paradigma que foi apresentado pois este limita a multa de mora aplicável às competências anteriores à dezembro de 2008, com base no artigo 35 da Lei 8.212/91, em 0,33% ao dia limitada a 20%. Em Contra Razoes a Fazenda Nacional pugna pela manutenção da acórdão recorrido por entender correta autuação do fiscal, citando inclusive a Instrução Normativa RFB nº 971/2009 que fundamentaria o cálculo. É o relatório. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI 6 Voto Vencido Conselheiro Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme despacho de admissibilidade, o recurso preenche todos os requisitos legais razão pela qual dele conheço. Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte com base nos artigos 67 e 68 do então vigente Regimento Interno deste órgão, haja vista comprovada divergência jurisprudencial no que tange a aplicação de multa por lançamento de ofício e pelo descumprimento de obrigação acessória vinculado ao recolhimento de contribuições previdenciárias do período de janeiro de 2008 à dezembro de 2008. O acórdão recorrido, reiterando procedimento adotado quando da lavratura do auto de infração entendeu que para o período de 01/2008 a 11/2008, anterior à entrada em vigor da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, deve ser aplicada a multa prevista na antiga redação da Lei 8.212/91, por ser mais benéfica ao contribuinte. O raciocínio utilizado pelo Fiscal, acolhido pelos julgadores da DRJ e também pela Câmara Ordinária é o mesmo adotado pela Instrução Normativa nº 971/2009, mais especificamente no seu art. 476 A, que assim dispõe: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 18470.721327/201290 Acórdão n.º 9202003.713 CSRFT2 Fl. 5 7 § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Em que pese os argumentos incitados pela ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, parecenos mais coerente a tese exposta pelo Recorrente. Entre as inúmeras alterações promovidas pela citada medida provisória, com a qual buscouse equiparar o tratamento dado aos tributos em razão da unificação da Receita Federal com a Previdência Social, nos interessa aqui as que dizem respeito às penalidade aplicadas em razão do descumprimento das obrigações principais e dos deveres instrumentais referentes às contribuições sociais. Discutese neste recurso especial exatamente os efeitos dessas alterações, especificamente no que tange a extensão da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, até então aplicada apenas aos tributos administrados pela Receita Federal, às contribuições cuja administração era da competência do INSS. Neste último caso a norma vigente à época somente previa a aplicação de multa de mora, conforme expressamente descrito no revogado art. 34 e no alteado art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI 8 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. Salvo os artigo acima transcritos, não havia, na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora cuja percentual variava segundo o momento do adimplemento e por de ter sido este espontâneo ou não. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou à citada Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 18470.721327/201290 Acórdão n.º 9202003.713 CSRFT2 Fl. 6 9 previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75% podendo ser majorada a 150%. Uma vez que o presente recurso discute a aplicação de multas decorrentes de fatos geradores anteriores à medida provisória (período de janeiro à novembro de 2008), devemos considerálas como multa de mora. Partindose dessa premissa, e com base no art. 106 do CTN, para se constatar se uma nova penalidade é mais ou menos benéfica, ela deve ser confrontada apenas com aquela que era anteriormente prevista para a mesma infração. Assim, para definição da retroatividade ou não de norma punitiva devemos comparar se a multa de mora aplicada às hipóteses previstas pelos incisos do art. 35 (com redação anterior à MP nº 449/08, da Lei 8.212/91) era mais ou menos gravosa do que a multa de mora prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, atualmente aplicável aos casos de débitos de contribuições sociais não pagos no prazo por força do 'novo' art. 35: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Comparando as normas citadas temos que: 1) antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% à 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); 2) Após a Medida Provisória, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Ora, é patente que a norma construída a partir da edição da Medida Provisório nº 449/08 é mais benéfica ao contribuinte, pois está limitada ao percentual de 20%. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI 10 Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte determinando que o cálculo da multa decorrente do não recolhimento das contribuições referente aos meses de janeiro a novembro de 2008 seja limitado a 20% (vinte por cento). Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 18470.721327/201290 Acórdão n.º 9202003.713 CSRFT2 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Embora tenha a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri muito bem fundamentado suas razões de decidir, ouso divergir de seu entendimento quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal. Neste ponto, entendo que razão assiste ao recorrente. No que toca à multa, a autoridade fiscal registrou em seu relatório, que foram efetuados cálculos, por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparandose a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicouse, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. Ainda, no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos: Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI 12 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD (ou AIOP) + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, , conforme consta do relatório decorrente da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação (AIOP) já mencionada e, tendo havido o comparativo foi lavrada multa de 24% e o AIOA. Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI Processo nº 18470.721327/201290 Acórdão n.º 9202003.713 CSRFT2 Fl. 8 13 Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso do AIOP ou NFLD julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ou seja, 24%. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Assim, entendo que a multa aplicada pelo auditor encontrase em perfeita consonância com os normativos vigentes, bem como refletem de forma mais adequada a natureza da multa aplicada. Notese que a aplicação do somatório das multas para efeitos de apuração da multa mais benéfica, impossibilita a aplicação da limitação da multa a 20%, atribuída pela turma a quo, por considerar, que a multa aplicada pela legislação anterior não tem caráter de moratória, mas de multa de ofício. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para restabelecer a multa originalmente aplicada no presente lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 13/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COST A BACCHIERI
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Numero do processo: 10715.005561/2009-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 55 61 /2 00 9- 49 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005561/200949 Acórdão n.º 9303003.769 CSRFT3 Fl. 229 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.802, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005561/200949 Acórdão n.º 9303003.769 CSRFT3 Fl. 230 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005561/200949 Acórdão n.º 9303003.769 CSRFT3 Fl. 231 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005561/200949 Acórdão n.º 9303003.769 CSRFT3 Fl. 232 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005561/200949 Acórdão n.º 9303003.769 CSRFT3 Fl. 233 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 233DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005561/200949 Acórdão n.º 9303003.769 CSRFT3 Fl. 234 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 234DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005561/200949 Acórdão n.º 9303003.769 CSRFT3 Fl. 235 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.005561/200949 Acórdão n.º 9303003.769 CSRFT3 Fl. 236 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002754/2005-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DEVOLVIDA À TURMA ORDINÁRIA. TRANSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO.
A apreciação da matéria objeto de recurso especial admitido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, torna definitiva todas as demais constantes do recurso voluntário ou de ofício, que não foram objeto do recurso especial.
IRRF. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA PELO IRRF NO CASO DE PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA COMPROVADA.
Quando a Autoridade Fiscal, verificando a existência de pagamento sem causa, comprova - mesmo que com diversas provas indiciárias - a ausência de motivação para o pagamento, cabe ao contribuinte, devidamente intimado, a comprovação do fato impeditivo ou modificativo do direito do Fisco ao lançamento, ou seja, a comprovação da devida motivação.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos à taxa SELIC, a partir de abril de 1995.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INADIMPLIDO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 5.
São devidos juros de mora sobre crédito tributário não integralmente pago no vencimento.
Numero da decisão: 2201-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 01/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DEVOLVIDA À TURMA ORDINÁRIA. TRANSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. A apreciação da matéria objeto de recurso especial admitido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, torna definitiva todas as demais constantes do recurso voluntário ou de ofício, que não foram objeto do recurso especial. IRRF. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA PELO IRRF NO CASO DE PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA COMPROVADA. Quando a Autoridade Fiscal, verificando a existência de pagamento sem causa, comprova - mesmo que com diversas provas indiciárias - a ausência de motivação para o pagamento, cabe ao contribuinte, devidamente intimado, a comprovação do fato impeditivo ou modificativo do direito do Fisco ao lançamento, ou seja, a comprovação da devida motivação. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4 Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos à taxa SELIC, a partir de abril de 1995. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INADIMPLIDO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 5. São devidos juros de mora sobre crédito tributário não integralmente pago no vencimento.
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RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA DEVOLVIDA À TURMA ORDINÁRIA. TRANSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. A apreciação da matéria objeto de recurso especial admitido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, torna definitiva todas as demais constantes do recurso voluntário ou de ofício, que não foram objeto do recurso especial. IRRF. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA PELO IRRF NO CASO DE PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA COMPROVADA. Quando a Autoridade Fiscal, verificando a existência de pagamento sem causa, comprova mesmo que com diversas provas indiciárias a ausência de motivação para o pagamento, cabe ao contribuinte, devidamente intimado, a comprovação do fato impeditivo ou modificativo do direito do Fisco ao lançamento, ou seja, a comprovação da devida motivação. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4 Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos à taxa SELIC, a partir de abril de 1995. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INADIMPLIDO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 5. São devidos juros de mora sobre crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 54 /2 00 5- 45 Fl. 669DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) EDUARDO TADEU FARAH Presidente. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 01/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão da 5ª Turma da DRJ São Paulo I, que manteve na integralidade o lançamento tributário que constituiu o crédito relativo ao imposto de renda retido na fonte, incidente sobre pagamento efetuado supostamente sem causa (Termo de Verificação Fiscal às folhas 70 do processo digitalizado). O lançamento (AI de fls 145) se refere ao anocalendário de 1999 e foi aperfeiçoado com a ciência do contribuinte em 10 de dezembro de 2004. Ao insurgirse contra o lançamento, por meio de impugnação (fls. 151 do processo digitalizado), datada de 10 de janeiro de 2005, o contribuinte obteve da DRJ SPO I a análise de seus argumentos por meio do Acórdão de Impugnação 8.833 (fls 435), sendo, porém, considerados improcedentes, com consequente manutenção do crédito tributário. Cientificado da decisão em 04 de maio de 2006, interpôs tempestivamente, recurso voluntário (fls. 437). Tal recurso foi apreciado pela 4ª Turma do antigo 1º Conselho de Contribuintes, que prolatou o Acórdão 104.22523 (fls. 543). O relatório que embasou a decisão deve ser reproduzido por sua fidelidade aos fatos processuais: Contra a contribuinte foi lavrado, em 09/12/04, o Auto de Infração de Imposto de Renda na Fonte (fls. 483/488), com ciência através de AR em 10/12/04, exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 3.742.630,74 (padrão monetário da época do lançamento), a título de Imposto de Renda na Fonte, acrescidos da multa de lançamento de ofício qualificada de 150% e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% calculado sobre o valor do imposto de renda, relativo ao fato gerador ocorrido em 30/04/1999. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade lançadora entendeu Fl. 670DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002754/200545 Acórdão n.º 2201003.216 S2C2T1 Fl. 670 3 haver falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Infração capitulada no artigo 674 do RIR/99, cuja base legal é o artigo 61, § 1 o , da Lei n°. 8.981, de 1995. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do Termo de Verificação de fls. 69/74, entre outros, os seguintes aspectos: que o contribuinte efetuou vendas de. bens pertencentes ao seu ativo imobilizado (máquinas e equipamentos industriais), em abril de 1999, a empresa Parmalat Brasil S/A Industria de Alimentos CNPJ 89.940.878/025024, cujas notas fiscais constam às fls. 126/135, no valor total de R$ 8.800.000,00 que as notas fiscais de vendas dos bens do ativo imobilizado foram contabilizadas como contas a receber na conta contábil 112.1.004 Contas a Receber Parmalat, e foram recebidas como segue: a) a nota fiscal n°. 9273 no valor de R$ 2.876.883,84 foi recebida em 14/04/99, através do pedido de pagamento n°. 34.619 (borderô CP 132330) emitido contra o BRADESCO pela empresa Parmalat Brasil S/A, que emitiu o cheque n°. 142934, conforme elementos colhidos em diligência na compradora. Este cheque foi utilizado para depósito judicial junto ao Juízo da 2 a Vara Cível da Capital, referente à primeira parcela da concordata (fls. 124/125/, conforme Guia de Depósito Judicial n°. 362.2036. O registro contábil na fiscalizada ocorreu em 14/04/99; b) a nota fiscal n°. 9361 no valor de R$ 2.123.161,16, foi recebida em 23/04/99, conforme depósito efetuado na conta corrente da fiscalizada junto ao BNC conforme cópia do extrato bancário anexo (fls. 123). O registro contábil na fiscalizada ocorreu em 31/05/99; c) a nota fiscal n°. 9437 no valor de R$ 2.000.000,00 não foi recebida pelo contribuinte, uma vez que, a Parmalat Brasil S/A, através do Pedido de Pagamento n°. 345.539, emitiu o cheque n°. 380457 nominal a empresa Danae Consultoria e Projetos S/C Ltda. Na fiscalizada este cheque não foi registrado; d) a nota fiscal n°. 9759 no valor de R$ 1.800.000,00 foi recebido parcialmente em diversas parcelas como demonstrado na conta contábil 112.004 (fls. 123) durante o anocalendário de 1999. que quanto à nota fiscal n°. 9437 no valor de R$ 2.000.000,00 recebida pela DANAE Consultoria e Projetos S/C Ltda., a fiscalizada contabilizou em 30/06/99 importância equivalente em despesas diversas na conta contábil 316.3.001 Despesas Diversas, a título de rescisão do contrato de industrialização por encomenda (fls. 143/144), tendo efetuado os lançamentos constantes da planilha anexa (fls. 122), ou seja, contabilizou a débito da conta 316.3.001 Despesas Diversas o valor de R$ Fl. 671DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 2.000.000,00, creditado a conta contábil 215.5.010 Contas a Pagar DANAE e, em seguida debitou a conta contábil 215.5.010 creditando a conta 112.1.004 Contas Receber Parmalat, baixando assim, a importância a receber da Parmalat Brasil S/A; que em diligência junto à empresa DANAE Consultoria e Projetos S/C Ltda., constatamos que a importância acima está contabilizada como recebimento a título de indenização por perdas e danos e lucros cessantes, conforme instrumento particular de transação e cópias dos livros contábeis (fls. 145/154); que ocorre que o sócio quotista da DANAE Consultoria e Projetos S/C Ltda., é o Sr. Cid Maraia de Almeida, é sócio quotista da DANAE participando com 97,50% do capital social, e, também é acionista da empresa Bela Vista S/A, detendo 2.736.729 ações do capital social (fls. 07/18), ou seja, detém 29,17% do total das ações. Verificando os livros contábeis da DANAE, constatase que a mesma não possuía e não tem estrutura administrativa e de pessoal, bem como, instalações para que pudesse efetuar a prestação de serviços, objeto da suposta rescisão e indenização; que o endereço da DANAE é o mesmo do Sr. Cid Maraia de Almeida, como consta na DIPJ do anocalendário de 1998 e procuração outorgada a Sra Eliana Márcia Pelegrine Prado em 04/10/04 (fls. 162), ou seja, Rua Iperoig, n°. 501 apto 71 Perdizes São Paulo SP. Na base de dados da Receita Federal, no cadastro de CPF o endereço informado é o da Sede da bela Vista S/A e, o telefone informado é do escritório da Sra. Eliana, ou seja, telefone n°. 61929020 (fls. 172). Cabe salientar que quando do primeiro ato para circularização junto a DANAE, enviamos via postal o termo de intimação para Rua Iperoig, n°. 501 apto 71 e, o mesmo retornou com a anotação pelos correios de que se mudou (fls. 155/156); que a atividade econômica com o qual a DANAE está inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas é classificação no CNAE Fiscal sob o n°. 74160:02: Atividades de assessoria em gestão empresarial (fls. 171), logo, incompatível com a industrialização por encomenda de produtos que está classificado como atividade industrial; que em 29 de novembro de 2004 intimamos via postal a DANAE Consultoria e Projetos S/C Ltda., através de sua procuradora Sra. Eliana Márcia Pelegrine Prado, no endereço indicado na procuração, para apresentar o contrato social e alterações posteriores desde a abertura da empresa até a presente data, tendo a correspondência retornado com a anotação pelos correios de que se mudou (fls. 158/159); que em tese estamos diante de atos simulados, visando transferir recursos de uma empresa em processo de concordata, para outra na qual, a pessoa do Cid Maraia de Almeida que é acionista e Diretor Superintendente da bela Vista S/A e sócio quotista da DANAE Consultoria e Projetos S/C Ltda, detendo 97,5% do capital social e, ainda, responsável perante a Receita Fl. 672DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002754/200545 Acórdão n.º 2201003.216 S2C2T1 Fl. 671 5 Federal de ambas as empresas. Tais atos visaram no mínimo gerar prejuízo na fiscalizada, causar prejuízos aos credores da concordata e ao fisco federal, estadual e municipal, face ao registro no passivo de obrigações elevadas, constantes do balanço patrimonial encerrado em 31/12/99 (fls. 177/184); que cabe salientar que o próprio contribuinte em 31/12/99 por ocasião da apuração do lucro real, procedeu ao ajuste no resultado do exercício adicionando o encargo financeiro de R$ 2.000.000,00 na apuração do lucro real, ou seja, considerou este desembolso como despesa não dedutível (fl. 173)175); que o encargo financeiro de R$ 2.000.000,00 assumido pela fiscalizada caracterizase pagamento sem causa, pois inexistiu causa que justificaria a quebra de contrato e por conseqüência à própria indenização, cabendo a tributação do imposto de renda na fonte, uma vez que, para fins de apuração'do lucro real o contribuinte já adicionou ao resultado do exercício, por ocasião de sua apuração. Em sua peça impugnatória de fls. 148/185, instruída pelos documentos de fls. 186/1.., apresentada, tempestivamente, em 10/01/05, a contribuinte, após historiar os fatos registrados no Auto de Infração, se indispõe contra a exigência fiscal, requerendo que a mesma seja declarada insubsistente, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o auto de infração levou em consideração um Contrato de Compra e Venda e Transação que envolveu a Parmalat Brasil S/A e DANAE Consultoria e Projetos, e depois de identificar os contratantes e o tipo de contrato firmado entre as partes, incorreu em equívoco, ao considerar a ocorrência de infração ao art. 674 do RIR/99; que o auto de infração é insubsistente, pois a DANAE Consultoria e Projetos, beneficiária do pagamento está devidamente identificada e a operação que deu causa existiu, nos próprios termos da verificação; que, ainda neste aspecto, e diante da agressividade do auto de infração, cumpre à recorrente Bela Vista, esclarecer que a própria beneficiária DANAE atendeu às solicitações da fiscalização e ofereceu elementos quanto à existência do negócio que deu causa ao pagamento; que como se percebe, o pagamento feito pela recorrente Bela Vista a DANAE decorreu de operação existente, e, mais que isso, foi submetida à tributação na própria beneficiária DANAE, conforme constatado pela fiscalização; que, portanto, além de insubsistente o auto de infração faz apologia da bitributação, pois foi constatado pelo agente fiscal que a DANAE beneficiária do pagamento contabilizou a receita e submeteua a tributação do IR; Fl. 673DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 que por conta dá gravidade das insinuações feitas pelo agente fiscal, explicitamente lavradas no auto de infração, cumpre à recorrente Bela Vista esclarecer que o contrato que envolveu a venda de um ativo à Parmalat, foi objeto de acurado exame e respectiva autorização judicial, concedida pelo Juízo que processou concordata preventiva da Bela Vista. Com a venda daquele ativo, a Bela Vista pode encerrar a concordata, pagando seus credores; que, portanto, está totalmente fora da realidade a posição "teórica" levantada pelo agente fiscal, já que a venda do ativo não foi simulada (tanto que identificadas às partes, beneficiários e negócio subjacente) e, positivamente, não gerou prejuízo aos credores, pois a receita experimentada pela Bela Vista possibilitou o pagamento dos credores nos autos da concordata, e sempre com a fiscalização do Ministério Público e autorização passada pelo Magistrado; que, portanto, as desrespeitosas insinuações acerca de simulação ou prejuízo a credores, imaginadas pelo agente fiscal são inoportunas e descabidas, pois não leva em conta o enorme esforço da Bela Vista em concluir um contrato que lhe viabilizasse sair do estado de concordataria. E nem levam em conta o zelo do Ministério Público e elevado saber jurídico do Magistrado que fiscalizaram e autorizaram a realização daquele negócio. Após resumir os fatos constantes da autuação e as razões apresentadas pela impugnante, Quinta Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que se analisando as peças constantes dos autos e o que foi relatado pela fiscalização nos Termos de Verificação Fiscal, não se vislumbra nenhum cerceamento à participação da contribuinte durante a ação fiscal (que é fase préprocessual, e poderia ter sido conduzida unilateralmente pelo agente do Fisco); que a contribuinte possuía junto à Parmalat um crédito de R$ 2.000.000,00 (NF n°. 9437), que não foi recebido por ela, mas pela empresa Danae Consultoria e Projetos S/C Ltda., por ordem da contribuinte, por conta de uma indenização por rescisão do contrato de industrialização por encomenda (fls. 96 e 97); que no entender da fiscalização, tratase, esse ressarcimento, de uma simulação, e, conseqüentemente, de um pagamento sem causa, sujeitos à tributação de IRRF, e à aplicação de multa de ofício qualificada; que em sua defesa, a contribuinte alega que o pagamento decorreu de operação existente, e foi submetido à tributação na Danae. Alega, ainda, que o contrato que envolveu a venda de um ativo à Parmalat foi objeto de acurado exame e respectiva autorização judicial, concedida pelo Juízo que processou a concordata preventiva da contribuinte; Fl. 674DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002754/200545 Acórdão n.º 2201003.216 S2C2T1 Fl. 672 7 que a contribuinte não comprova que a Danae tinha estrutura e efetuava, para ela, industrialização por encomenda de produtos, ficando também sem justificativa a indenização por perdas e danos e lucros cessantes, apesar da apresentação do contrato de fls. 96 e 97, de aparente legalidade; que, aliás, a aparência de legalidade é uma das características dos atos simulados e fraudulentos, assim corno a intenção de se utilizar a norma jurídica com finalidade diversa da que foi concebida; que quanto à alegação de que o contrato que envolveu a venda de um ativo à Parmalat foi objeto de acurado exame e respectiva autorização judicial, cumpre observar que o Alvará de fl. 112 não autoriza o repasse de R$ 2.000.000,00 a Danae; ao contrário determina, expressamente, o depósito em conta judicial; que quanto ao fato de a Danae ter oferecido à tributação o montante supracitado, há que observar que o artigo 674 do RIR/99 é claro ao estabelecer que a tributação, no caso, é exclusiva na fonte, sendo, portanto, irrelevante a tributação no beneficiário; que corretas, portanto, a tributação a título de IRRF e a aplicação da multa agravada de 150%, nos exatos termos da autuação. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 1999 Ementa: PAGAMENTO SEM CAUSA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Impõese a aplicação de multa agravada no caso de evidente intuito de fraude. Lançamento Procedente." Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 04/05/06, conforme Termo constante às fls. 404/407, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (02/06/06), o recurso voluntário de fls. 409/437, instruído com os documentos de fls.438/471, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Consta nos autos às fls. 483/486 a Relação de Bens e Direito Para Arrolamento, objetivando o seguimento do recurso administrativo, sem exigência do prévio depósito de 30% a que alude o art. 10, da Lei n°. 9.639, 1998, que alterou o art. 126, da Lei n° 8.213, de 1991, com a redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997." Após analise dos autos, a 4ª Turma do 1º Conselho prolatou a decisão, como dito, consubstanciada no Acórdão 10422523, assim ementada (fls 543): "DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA NA FONTE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O pagamento efetuado a beneficiário não identificado ou sem a comprovação da operação ou causa está sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, cuja apuração e recolhimento devem ser realizados na data do pagamento (fato gerador). A incidência tem característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amoldase à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca se da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 4 o do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Somente é cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A não comprovação da operação ou da causa do pagamento efetuado, sem a utilização de documentos inidôneos, caracteriza falta simples de pagamentos sem causa, porém não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos da legislação tributária. Recurso provido." (negritos nossos) Contra tal decisão em especial contra a decadência declarada se insurgiu a Procuradoria da Fazenda Nacional por meio de recurso especial (fls 585), que restou denegado por unanimidade de votos, pela 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), como se observa pela ementa do Acórdão 930400112 (fls 605), de 04/05/2009, abaixo reproduzida: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 DECADÊNCIA Sujeitase o rendimento do imposto de renda retido na fonte ao lançamento por homologação (art. 150, § 4 o do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002754/200545 Acórdão n.º 2201003.216 S2C2T1 Fl. 673 9 Recurso Especial do Procurador Negado" (negritos nossos) Novamente inconformada, a Fazenda Nacional recorre ao pleno da CSRF, agora por meio de Recurso Extraordinário (fls. 619), previsto no regimento do CARF então vigente. Tal recurso foi apreciado em sessão de 28 de agosto de 2012, resultando no Acórdão de Recurso Extraordinário 9900000316 (fls 650), cuja ementa se reproduz: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:1999 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O disposto no art. 62A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo." Em função da decisão unânime do Pleno da CSRF, o Sr. Relator, ao final do voto vencedor, determina (fls 659): "Por tais fundamentos, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a arguição de decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso especial." (destacamos) Fl. 677DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Por sorteio eletrônico, o processo é distribuído para este Conselheiro para ser relatado. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Em face do decisão do pleno da CSRF e do preenchimento dos requisitos recursais, passo a analisar o recurso voluntário interposto em 08 de junho de 2006 e constante das do folhas 435, na ordem da apresentação das alegações, sendo certo que a questão da decadência esta pacificada no presente processo administrativo, em razão do pronunciamento da CSRF. Antes porém, mister realçar com tintas fortes que entendo que não foram devolvidas para a análise desta turma ordinária todas as questões decidas no Acórdão de Recurso Voluntário 10422523 prolatado pela 4ª Câmara do antigo Primeiro Conselho. Isso porque não foi objeto nem do recurso especial tampouco do extraordinário propostos pela Fazenda Nacional a questão da desqualificação da multa decidia no acórdão de recurso voluntário atacado pelos recursos mencionados. Vejamos. Como acima relatado, a 4ª Câmara acordou em dar provimento ao recurso voluntário com a seguinte decisão (fls 543): "ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que rejeitavam a decadência" (destacamos) Ao recordamos a ementa do voto, encontraremos, no tocante à multa qualificada, textualmente : "PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Somente é cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A não comprovação da operação ou da causa do pagamento efetuado, sem a utilização de documentos inidôneos, caracteriza falta simples de pagamentos sem causa, porém não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos da legislação tributária". (novamente destacamos) Nos voto condutor da decisão, o relator assevera (fls. 571): "Assim, no caso em questão, o fato de a contribuinte não ter comprovado a operação ou causa do pagamento efetuado, por Fl. 678DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002754/200545 Acórdão n.º 2201003.216 S2C2T1 Fl. 674 11 si só, não caracteriza o evidente intuito de fraude a que se refere o inciso II do art. 44 da Lei n°. 9.430, de 1996. Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples omissão de rendimentos ou pagamentos a beneficiários não identificados ou pagamento sem causa não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito passivo empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Diante da desqualificação da multa de ofício levanto a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao fato gerador lançado, pelas razões abaixo expostas." (negritos e sublinhados nossos) E nas conclusões do voto vencedor, encontramos (fls. 581): Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a 75%, e ACOLHER a preliminar de decadência arguida pelo relator para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em questão." (os destaques não constam do voto) Segundo o Código de Processo Civil hoje vigente, Lei 13.105/15, artigo 505, não transitam em julgado os motivos ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença, o que nos permite inferir ser essa parte dispositiva da sentença que recebe a proteção da imutabilidade decorrente do trânsito em julgado. Nesse sentido a lição de Cândido Rangel Dinamarco (Instituições de Direito Processsual Civil, III, 2ª ed., Malheiros Editores, pag 312): "Somente o preceito concreto contido na parte dispositiva das sentenças de mérito fica protegido pela autoridade da coisa julgada, não os fundamentos em que ele se apóia" Logo, embora que com certa atecnia, pela parte dispositiva do acórdão vergastado remeter diretamente ao termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado", integrando os termos da decisão vergastada, forçoso reconhecer que a questão da qualificação da multa foi explicitamente decidida pela Câmara 'a quo'. Ao perquirirmos todo o conteúdo dos apelos da Procuradoria da Fazenda, tanto do recurso especial quanto do extraordinário, não encontraremos nem nas razões, nem nos pedidos dos mesmos, insurgência quanto à desqualificação da multa aplicada ao lançamento de ofício do imposto de renda na fonte. Observase, portanto, por preclusão, o trânsito em julgado dessa parte da decisão. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Pelo exposto, em que pese minha posição pessoal quanto à questão, não foi devolvida à apreciação desta turma ordinária a qualificação da multa de ofício aplicada, restando portanto, a aplicação da mesma no percentual de 75% sobre o valor do imposto lançado, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96. Superada a questão do trânsito em julgado de parte das alegações constantes do recurso aqui apreciado, passemos a analisálo na ordem dos demais argumentos. MÉRITO Alega a recorrente que a Fiscalização entendeu ter havido simulação com intuito de transferência de recursos de uma empresa em processo de concordata. Segundo o recurso, o Fisco entendeu que a Recorrente por contratar uma empresa de um sócio do seu quadro acionário, a Danae Consultoria e Projetos S/C LTDA., simulou um negócio jurídico. São seus argumentos (fls 441): "Para subsidiar o entendimento destacado, ratificado por ocasião do julgamento de primeira instância administrativa, em síntese, exara que: a) a Danae não possuía estrutura administrativa e de pessoal, nem instalações para que pudesse efetuar a prestação dos serviços objeto da suposta rescisão e indenização; b) a sede da Danae é a mesma do sócio quotista; c) a atividade econômica da Danae de assessoria em gestão empresarial é incompatível com a industrialização por encomenda de produtos, que está classificado como atividade industrial; d) que a importância recebida pela Danae foi contabilizada pela fiscalizada ora autuada Recorrente como despesas diversas a título de rescisão de contrato de industrialização por encomenda; e) tudo isso porque a ora Recorrente possuía junto à Parmalat um crédito de R$ 2.000.000,00 que não foi recebido por ela, mas pela empresa Danae Consultoria e Projetos S/C Ltda., por ordem da Recorrente, por conta de uma indenização por rescisão do contrato de industrialização por encomenda; e, f) entendendo assim, que tratase esse ressarcimento, de uma simulação, e conseqüentemente de um pagamento sem causa, sujeito à tributação (35%) e multa de ofício qualificada (150%)." Segundo o Termo de Verificação Fiscal, A partir dessas premissas que, no entender da Recorrente embasam o lançamento, surgem os argumentos do recurso quanto ao mérito do lançamento. Vejamos. Alega o recorrente que há evidente desnecessidade da existência de estrutura operacional da contratante (item a) para a realização de um contrato de industrialização por encomenda, uma vez que essa estrutura deve existir sim, mas pertencendo a quem irá fabricar o produto encomendado. Quanto à localização da sede da empresa (item b), segundo o recurso, não há óbice que justifique o lançamento. É despiciendo o desperdício de recursos financeiros no aluguel de salas comerciais ou galpões industriais, nada obstando que a sede da empresa seja a mesma do domicílio do seu sócio como consta da acusação fiscal. Quanto à atividade econômica da contratante da industrialização por encomenda não ser industrialização (item c), nenhuma surpresa. O que a contratante, DANAE, Fl. 680DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002754/200545 Acórdão n.º 2201003.216 S2C2T1 Fl. 675 13 fez foi justamente por contrato encomendar a industrialização de um produto que visava fomentar no mercado com gestão de outros parceiros e interessados. Logo, no ver do recurso, é inócuo perquirir a atividade econômica da contratante, da DANAE. Havendo a rescisão do contrato de industrialização por encomenda, como de fato houve segundo o recurso, nada há de errado na contabilização de tais valores como indenização por rescisão contratual (item d). Tal rescisão, segundo o alegado, ocorreu por conta da venda dos ativos da Recorrente, que deliberadamente optou pela rescisão, por ser mais vantajoso para ela a venda dos ativos do que a industrialização encomendada. O recurso alega ainda que o fato da existência de um sócio comum entre as empresas só corrobora o negócio jurídico efetuado, em face de sua expertise no mercado de atuação (item e). Inferências não podem ser motivos de lançamento tributário, ou seja, segundo o recurso no caso concreto se observa a existência de pura presunção por parte do Agente Fiscal. Alega ainda ter inexistido qualquer investigação fiscal para apuração da natureza da operação realizada, ou seja, houve somente mera presunção para fundamentar o lançamento. Assim, houve iliquidez e incerteza no lançamento, em face da inexistência de qualquer apontamento fático. Não se pode concordar com as alegações do Recurso. Em que pese alguma logicidade em alguns dos argumentos, como por exemplo a desnecessidade de estrutura operacional ao contratante, não pode o Recorrente se desvencilhar do ônus da comprovação de fato impeditivo do direito de lançamento pelo Fisco. Vejamos. Como visto, tratase de lançamento relativo ao imposto de renda retido na fonte no caso de pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa. Cediço que o imposto sobre a renda incide sobre aquilo que a lei, e somente ela, define como renda. Tal afirmação peremptória, em que pese a inúmera doutrina sobre tal conceito, decorre da simples determinação constitucional que a somente a lei complementar disporá sobre os fatos geradores, base de cálculo e contribuintes dos impostos discriminados na Carta da República (artigo 146, III, "a"). Tal missão coube ao Código Tributário Nacional, que explicitou no artigo 43: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." (negritamos) Fl. 681DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Inegável, portanto, exceto por aqueles que constroem teorias apartadas do direito constitucional e do direito positivo, que o imposto sobre a renda incide sobre o produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos e sobre todos os demais acréscimos patrimoniais não compreendidos nas situações anteriores. Simples assim! Ora, da definição acima cabe a inferência direta: contribuinte do imposto é aquele que aferiu renda, por ter incidido no fato gerador. Correto, mas não só esse. O próprio CTN, ao tratar do sujeito passivo, e novamente cumprindo seu papel constitucional de determinar os sujeitos passivos dos impostos, explicitou no artigo 45, parágrafo único: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Forçoso recordar, por amor à clareza e a metodologia da interpretação científica, que tal comando em tudo e por tudo se coaduna com a determinação codicista da sujeição passiva tributária, que no artigo 121, explicita que são sujeitos passivos, o contribuinte, por ter relação direita com a ocorrência do fato gerador e o responsável, aquele que sem ser o contribuinte, tem a obrigação determinada pela lei. Com esses permissivos constantes da lei quadro tributária, o legislador competente, fez constar na lei tributária a previsão da retenção do imposto sobre a renda, em especial na Lei nº 7.713/88. Em regra, o imposto sobre a renda retido na fonte é mera antecipação tributária, devendo ser o imposto sobre a renda da pessoa física apurado anualmente, por meio da declaração de ajuste anual. Tal constatação, embora conhecida de todos, é importante para fixarmos que o contribuinte e a incidência tributária não se deslocaram com a forma de tributação disposta pela Lei nº 7.713/88, revelandose, o fonte, mera técnica arrecadatória. Em síntese: Contribuinte é aquele que auferiu renda. Responsável é aquele que pagou o rendimento auferida pelo contribuinte. Ambos sujeitos passivos do imposto sobre a renda, nos termos do artigo 121 do CTN. Voltando os olhos especificamente para o imposto sobre a renda retido na fonte incidente sobre os pagamentos a beneficiários não identificados, encontraremos a seguinte determinação na Lei nº 7.713/88: "Art. 47. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta por cento, todo rendimento real ou ganho de capital pago a beneficiário não identificado." Com a edição da Lei nº 8.981/95 há um alargamento da hipótese de incidência, do imposto sobre a renda retido na fonte incidente sobre o pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, vez que tal diploma legal fez constar o dever de retenção e recolhimento também nos casos de pagamento sem causa ou sem comprovação da operação. Vejamos o texto da Lei: Fl. 682DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002754/200545 Acórdão n.º 2201003.216 S2C2T1 Fl. 676 15 "Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§ 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto." Inegável a ampliação das situações ensejadoras da tributação exclusiva pelo imposto de renda na fonte à alíquota de 35%. Não só nos casos da ausência da identificação do beneficiário como também nos pagamentos em que não houver a comprovação da motivação de tal pagamento, ou mesmo da operação que ensejou tal remuneração. Até aqui, nada de novo sobre a dinâmica do IR e do IRRF, exceto que, como dito acima, em regra o fonte é antecipação de recolhimento do IR devido. No caso do pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado estamos diante de uma exceção posta pela lei. Tratase de tributação exclusiva, ou seja, aquele que percebeu o rendimento, o provento de qualquer natureza ( uma vez que não se pode afirmar que se trata de renda do trabalho, do capital, ou da combinação de ambos), não levará tal base de cálculo e o respectivo tributo recolhido ao ajuste anual a ser realizado pela chamada declaração de imposto de renda. Mister reforçar a conclusão acima, em face da importância da mesma no deslinde da questão: o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado são proventos de qualquer natureza para estes, e portanto, devem ser tributados pelo imposto sobre a renda. A técnica de tributação legalmente determinada é a da tributação exclusiva na fonte com a aplicação de alíquota diferenciada de 35%, nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Diante do exposto, podemos concluir que o imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF) é, em regra, mera antecipação tributária do imposto sobre a renda (IR) devido pelo contribuinte, ou seja, por aquele que auferiu renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos e sobre todos os demais acréscimos patrimoniais não compreendidos nas situações anteriores. Como exceção, e aí teremos o IRRF como técnica arrecadatória, há situações que a lei determina que o fonte seja submetido ao regime da tributação exclusiva, isto é, tanto a renda quanto o tributo recolhidos não serão computados no ajuste anual. Logo, o deslinde da questão no caso concreto passa pela simples constatação da existência ou não da causa do pagamento efetuado pela Recorrente à empresa DANAE Consultoria e Projetos S/C Ltda. pela Recorrente, uma vez que houve o efetivo pagamento segundo a Fiscalização, fato não contestado pelo Fisco. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 16 Ora, sempre entendi que a comprovação da ocorrência do fato gerador tributário é, por expressa disposição do artigo 142 do CTN, ônus do Fisco. A partir daí, a dialética da provas exige que o contribuinte apresente, e comprove, fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito de crédito do Fisco constante do lançamento e, no caso, devidamente corroborado por provas. Tal exegese, no sentido da exigência de comprovação dos fatos alegados pelas partes constantes do processo administrativo tributário, consta do Decreto nº 70.235 em especial dos artigos 9º e 15. Ao meu ver, não pôde o Recorrente se desvencilhar do encargo probatório, pelos argumentos apresentados. Não se verificou, como veremos, o impedimento ao direito da União. Recordemos, a lógica presente na ação fiscal. O Fisco, verificando a existência do pagamento indigitado, intima o contribuinte a comprovar a origem dos recursos. A ausência da comprovação, segundo a legislação tributária, enseja o lançamento. No processo administrativo fiscal instaurado pela impugnação, o Contribuinte deve comprovar suas alegações. Observase no presente caso, que o Recorrente não o fez no procedimento inquisitório fiscalizatório. Ao diligenciar no favorecido, o Fisco verifica que houve o pagamento por suposta indenização contratual e que tal indenização não foi oferecida à tributação. Vejamos o Relatório Fiscal (fls 71): "Em diligência junto à empresa DANAE CONSULTORIA E PROJETOS S/C LTDA., constatamos que a importância acima está contabilizada como recebimento a titulo de indenização por perdas e danos e lucros cessantes, conforme instrumento particular de transação e copias dos livros contábeis (fls.145 / 154). (...) Pesquisando nos sistemas da Receita Federal, as informações prestadas pela DANAE CONSULTORIA E PROJETOS S/C LTDA., constatamos que: a) as receitas auferidas e informadas (DIPJ's entregues) são de: Ano calendário Valor R$ 1998 47.428,72 1999 6,64 2000 0,00 2001 0,00 2002 0,00" A partir dessa constatação, o Fisco parte para as demais verificações constantes do Termo de Verificação e observa ter a empresa destinatária do pagamento como quotista amplamente majoritário um dos sócios da Recorrente. Além disso, observa que a empresa tem sede no mesmo domicílio desse sócio. Que a empresa não apresenta estrutura operacional e administrativa, além de capacidade financeira como se observa pelas DIPJ mencionada, para realizar tal negócio jurídico. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002754/200545 Acórdão n.º 2201003.216 S2C2T1 Fl. 677 17 E mais, e no meu modo de ver, comprovadamente indício mais grave: o objeto social da empresa é totalmente incompatível com o negócio jurídico firmado. Mister não olvidar que a atuação da empresa em desacordo com seu mister social é causa, segundo o Código Civil pátrio, Lei nº 10.406/02, artigo 50, de desconsideração da personalidade jurídica por desvio de finalidade, o que, de plano, mostra a presunção legal quanto aos vícios existentes nos negócios jurídicos assim praticados. Ressaltese, pela importância, que todos os indícios de fraude acima mencionados constam do relatório fiscal, ensejando a oportunidade de defesa pelo Contribuinte, vez que todos os fatos ensejadores da constituição do crédito estavam perfeitamente delineados. Porém, como dito, não houve nenhuma comprovação de fatos impeditivos do direito de crédito. Perquirindo a impugnação e mesmo o voluntário, não comprovou o Recorrente o porquê do montante da indenização da rescisão contratual, ou mesmo, o própria existência de alguma industrialização, ou parte desta, da encomenda realizada. O que se observa (fls 97) é a cópia do instrumento de transação, não revestido de nenhuma formalidade, e datado de 07 de abril de 1999. A transação firmada, ensejadora do valor da indenização paga, remete ao contrato entre as partes firmado em setembro de 1998, 7 meses antes. Nesse período algo foi industrialado? Houve entrega ao encomendante? Este, o encomendante, realizou alguma operação mercantil com o produto encomendado? Como bem apontado na decisão de piso (fls 424), os negócios simulados sempre ostentam alguma aparência de normalidade, de legalidade: "36. A contribuinte não comprova que a Danae tinha estrutura e efetuava, para ela, industrialização por encomenda de produtos, ficando também sem justificativa a indenização por perdas e danos e lucros cessantes, apesar da apresentação do contrato de fls. 96 e 97, de aparente legalidade. 37. Aliás, a aparência de legalidade é uma das características dos atos simulados e fraudulentos, assim como a intenção de se utilizar da norma jurídica com finalidade diversa da que foi concebida 38. São esclarecedores os ensinamentos sobre a matéria que inúmeros doutrinadores nos trazem, dentre os quais podemos destacar, entre outros, Edmar Oliveira Andrade Filho (Direito Penal Tributário Crimes contra a Ordem Tributária e contra a Previdência Social, Editora Atlas, 2 a edição, pgs.94 a 97) e Hermes Marcelo Huck (Evasão e Elisão Rotas Nacionais e Internacionais do Planejamento Tributário, Editora Saraiva, pgs. 103 e 104), cujos excertos de texto são transcritos a seguir: Edmar Oliveira Andrade Filho "(...) é de fundamental importância estabelecer um divisor entre a economia de impostos lícita, a chamada elisão fiscal, e a sonegação fiscal ou evasão fiscal A dificuldade maior ocorrerá nos casos em que a redução do tributo ou contribuição é obtida através da simulação de atos jurídicos que, quando revestidos das formas não vedadas em lei, Fl. 685DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 18 dão aos mesmos a aparência de normalidade, quando, na verdade, mascaram um negócio enqedrado apenas para fraudar a legislação tributária. A jurisprudência já teve a oportunidade de examinar questões como estas. Ficou conhecido o caso de uma organização que criou, num mesmo dia, e tendo por sócias as mesmas pessoas físicas, oito sociedades que se sujeitaram ao pagamento do Imposto de Renda calculado com base no lucro presumido, em que a carga tributária é menor. A principal empresa do conglomerado, a operacional, vendia seus produtos às pequenas empresas, fazendo com que o lucro fosse gerado nestas. O esquema foi descoberto pelo Fisco, que lavrou auto de infração contra a empresa principal, em que as pequenas empresas simplesmente foram desconsideradas. A autuação foi levada ao Poder Judiciário, tendo sido confirmada pelo antigo Tribunal Regional Federal. Ao apresentar suas razões de decidir, o juiz relator redigiu um extenso voto, de onde se extrai o seguinte trecho: "Chega a ser grosseira a afronta à legislação que institui o regime simplificado de tributação para pequenas empresas, permitindo lhes a opção do lucro presumido. O objetivo de minorar a carga tributária e os meios de sobrevivência e possibilidade de crescimento, de notório interesse para a economia nacional, não se coaduna com a adoção de expedientes indefensáveis, consubstanciadas na artificiosa criação de miniempresas. por iniciativa das empresas de porte com intuitos confessados de evasão fiscal. E a falta de cerimônia foi ao ponto de se criarem 8 (oito) de cambulhada. Se necessário, seriam oitenta, ou oitocentas. Não há dúvida de que a chamada elisão fiscal, como alguns assim denominam, é lícita e não incide em censura jurídica. O contribuinte pode adequar o seu procedimento a modelo que lhe diminua, ou mesmo afaste por completo, a carga tributária. Isto é lícito fazer. No caso, entretanto, houve muito mais do que isto: montouse uma gigantesca fraude. Oito empresas fingidas, que, na realidade, só existiram no papel, com o único objetivo de diminuir a tributação da empresa" (Ap. Cível n° 115.478 RS) Como deflui do texto transcrito, as operações que implicam economia de impostos são legítimas à medida que representem objetivos empresariais^ verdadeiros. No caso sob exame, o defeito do esquema montado foi de que as empresas constituídas não passaram de mera ficção, pois eram empresas apenas no papel, sem estrutura organizacional que lhe justificasse sua existência. Assim, ficou demonstrada a utilização de um dos elementos dos atos ilícitos (...) em sua concepção genérica, em que o exercício Fl. 686DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002754/200545 Acórdão n.º 2201003.216 S2C2T1 Fl. 678 19 de um direito excede manifestamente os limites impostos por seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Com efeito, não havia impedimento para que o contribuinte procedesse da forma como organizou seus negócios, desde gue o esquema engedrado se prestasse a fins verdadeiros, e disso independeria o número de empresas envolvidas, pois não há lei que estipule um número limite. (...) O limite entre uma conduta censurável e a elisão fiscal é a lei. Contudo, em geral, as leis contêm lacunas ou imperfeições que colocam certas condutas numa "zona cinzenta" em que não prevalece o branco, da licitude, nem o negro, da evasão ilícita. O fundamental para distinguir a conduta criminosa da mera infração fiscal e da evasão fiscal legítima está não no resultado, mas nos meios empregados para a obtenção da redução da carga tributária. Na seara criminal, estarão todas as operações que se valem de qualquer tipo de fraude, como a simulação, a falsificação de livros, documentos, etc, enquanto a infração à legislação tributária ocorrerá por erro em sua interpretação. Na elisão fiscal, a forma é importante, mas mais importante será a justificativa para que o contribuinte haja escolhido o caminho que conduzisse ao alívio da carga tributária. Não obstante isso, as operações que visem unicamente à economia fiscal não podem ser, todas, consideradas abusivas. Com efeito, a própria legislação tributária, por vezes, conduz o contribuinte a realizar determinado negócio jurídico apenas com o objetivo de se beneficiar de determinado incentivo fiscal, por exemplo. O que a lei penal tem em mira são as operações fingidas, que mascaram a realidade, com o único objetivo de lograr a evasão tributária e que no campo do Direito Privado são eivadas do vício da simulação a que alude o art. 102 do Código Civil, ou perpetradas com manifesto abuso de direito (...)." (grifei). Hermes Marcelo Huck "Fraude à lei é matéria comum a todos os campos do direito, e a despeito disso, não seria exagero afirmar que o campo propício à fraude é o direito tributário, ainda que argumentem alguns não ser a norma tributária sujeita a fraudes, pois o que se frauda é o Fisco e não a norma. Todavia, por outro lado, há quem não hesite em sustentar que a fraude nasceu junto com o imposto, constituindose em dois eventos vinculados e inseparáveis, englobando o conceito de fraude qualquer mecanismo concebido para subtrair o fato imoonível ou para fugir ao pagamento de um imposto devido. A constatação da fraude exige a realização Fl. 687DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 20 de ato ou atos amparados em lei ditada com finalidade diversa, gue geram um resultado contrário ao previsto na norma jurídica. A fraude à lei tem como características a aparente legalidade, a conveniência particular do sujeito, a utilização da norma jurídica, porém com finalidade distinta da que originariamente" Ora, por todo o exposto, e em face da ausência de comprovação dos fatos alegados no recurso, me sinto convencido da inexistência da causa no pagamento efetuado e que tal pagamento se destinou, mesmo que indiretamente, a sócio. Houve, portanto, comprovadamente motivo ensejador para o lançamento tributário efetuado. Assim, nego provimento ao recurso de ofício nessa parte. DA IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DA APLICAÇÃO DAS TAXAS DE JUROS SELIC RELATIVAMENTE A JUROS MORATÓRIO E COMPENSATÓRIOS Depois de discorrer sobre os juros moratórios e compensatórios, a possibilidade de aplicação dos primeiros e impossibilidade dos segundos e insurge o Recorrente contra a aplicação dos juros SELIC. Argumenta (fls. 450 e seguintes): "Neste ponto se vislumbra temática essencial ao objeto da presente análise (em sentido geral, voltada ao breve estudo da incidência dos juros sobre tributos, sem ainda adentrar na problemática da taxa SELIC): Seria admissível, no âmbito das relações jurídicatributárias relações em que vigora a vontade potestativa do Estado, manifestada pela Constituição e as leis a incidência de juros moratórios e/ou compensatórios? A questão comporta resposta sob duas vertentes: No caso dos juros moratórios (de caráter, portanto, indenizatórios, pelo pagamento de tributos após os prazos legais), sim, nos termos do art. 161 do CTN, que limita a 1% ao mês; e Por outro lado, no caso dos juros compensatórios (pelo uso de capital de terceiros antes do adimplemento da obrigação tributária, nos prazos legais), não. Se é admissível a incidência de juros moratórios, dentro dos limites do CTN, o mesmo raciocínio não se aplica aos juros compensatórios, como acima destacado. Estes últimos incidem em razão do legítimo uso de capital próprio por terceiros. Ora, como é curial, a relação tributária não representa, sob qualquer perspectiva, antes do vencimento da obrigação tributária, nos prazos legais, a utilização de capital estatal pelo contribuinte. É, pelo contrário, do patrimônio do contribuinte compulsoriamente retirada uma parcela para ser entregue aos cofres públicos. Nos impostos em que não há qualquer contraprestação direta do Estado em relação ao contribuinte não é possível, técnica e taticamente, admitirse que o contribuinte, antes de vencida a inafastável obrigação que se projetada no pagamento no tributo nos respectivos prazos legais, tivesse ele, ainda que longínqua e remotamente, usufruído de capital público! Nenhum capital pertence ao Estado antes do vencimento da obrigação tributária, daí que, decorrencialmente, não há qualquer viabilidade jurídica, já por definição, na estipulação de juros compensatórios, por absoluta falta de pressupostos lógicos jurídicos, econômicos, financeiros ou conceituais a concederlhe Fl. 688DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.002754/200545 Acórdão n.º 2201003.216 S2C2T1 Fl. 679 21 validade. Tanto assim que o CTN sequer aventou a hipótese de incidência de juros compensatórios, relativamente a obrigações de natureza tributária, mas apenas de juros moratórios (...) Apenas em um breve resumo, releva destacar, quanto aos tributos em geral, que o uso da taxa SELIC se faz incompatível com o ordenamento jurídico pátrio, tanto relativamente a juros moratórios, como compensatórios (mesmo que, por indenfensável absurdo, escapandose a Constituição e as leis, pudessem estes últimos incidir sobre tributos). É uma taxa de todo imprestável para remunerar tributos, como se verá, ainda que suscintamente, na seqüência. No caso dos juros moratórios, segundo o art. 161, § 1o , do CTN, como acima destacado, é possível sua incidência, dentro do limite de 1% a.m. previsto no dispositivo referido. No caso de juros compensatórios, em nenhuma perspectiva são os mesmo admissíveis A título ilustrativo, dois são os argumentos mais salientes a sustentar a inaplicabilidade da taxa SELIC: . A legislação federal que remete ao uso da taxa SELIC, seja para fins moratórios ou compensatórios, sobre tributos, não delineia como a mesma se configura, representando notável e inconstitucional delegação legislativa a texto infralegais, violando, de plano, tanto a Constituição Federal, em diversos dispositivos, como o CTN. O mais evidente deles, o princípio da legalidade esculpido no art. 150, I. . O órgão encarregado de sua disciplina, ou seja, quem estabelece o quanto representa a taxa SELIC, é o próprio credor da obrigação tributária! O Banco Central, autarquia federal, por atos normativos inferiores e aplicáveis exclusivamente às relações praticadas no âmbito do sistema financeiro nacional, regula a taxa SELIC incidente sobre a remuneração de tributos arrecadados pela Receita Federal, órgão da administração direta. Tanto um, o BACEN, como o outro, Receita Federal, submetemse ao controle pleno do Ministério da Fazenda, órgão do Poder Executivo Federal. Já se afronta, cristalinamente, o princípio do devido processo legal, em sua vertente substancial, entre outros dispositivos constitucionais e legais pertinentes. Importante destacar, ademais, que a jurisprudência de tribunais superiores é numerosa e pacífica no sentido de ser ilícita a estipulação de encargos financeiros sujeitando o seu dimensionamento ao arbítrio exclusivo do credor da obrigação. A irrazoabilidade de o credor da obrigação tributária, o Poder Executivo Federal, ser o mesmo que estipula o valor dos juros (a taxa SELIC) exigidos do contribuinte, manifesta a total injuridicidade da pretensão fazendária em tela. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 22 Assim sendo, sob qualquer ângulo que se analise a questão da taxa SELIC como índice de juros aplicáveis a tributos, sejam moratórios ou compensatórios, não há qualquer viabilidade jurídica a suportar sua utilização." A incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Em complemento, a Súmula CARF nº 5, assevera: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Em face da consolidação do entendimento representado pelas Súmulas mencionadas, afasto os argumentos do Recorrente. Portanto, nego provimento ao recurso nessa parte. CONCLUSÃO Em razão dos motivos apresentados e apoiado nos fundamentos legais mencionados, voto por conhecer parcialmente do recurso vountário, para, no mérito da parte conhecida, negarlhe provimento, ressaltando o trânsito em julgado da decisão representada pelo Acórdão de Recurso Voluntário 10422523, prolatado pela 4ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuinte, que reduziu o percentual da multa aplicada a 75%. Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 690DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10320.720556/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Recorrente VIP VIGILANCIA PRIVADA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 55 6/ 20 14 -6 1 Fl. 7642DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10320.720556/201461 Resolução nº 2401000.509 S2C4T1 Fl. 7.643 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0736.003 (fls. 881/895): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/12/2012 AIs no 51.035.3401 e 51.035.3410, de 07/03/2014. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para o fisco constituir o crédito tributário em virtude de compensações realizadas indevidamente é de cinco anos, contados da realização do encontro de contas. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. No sistema de compensação, compete ao contribuinte comprovar que possui direito creditório passível de abater eventual débito tributário. SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS. PRAZO. CRITÉRIO DA FISCALIZAÇÃO. Não há prazo definido na legislação para o cumprimento por parte do contribuinte de intimação da fiscalização para disponibilização de documentos. É certo que, em se tratando de documentação cuja posse seja do sujeito passivo, não há que se falar em prazo dilatado. SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. O contribuinte é obrigado a apresentar a fiscalização quando solicitado todos os documentos e livros relacionados com a contribuição previdenciária. Impugnação Procedente em Parte 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 6/11, que o processo administrativo é composto por 2 (dois) Autos de Infração (AI), abrangendo as competências 02/2009 a 13/2012, nos seguintes termos: i) AI nº 51.035.3410 (obrigação principal), referente à glosa de compensação indevida, acrescida de juros e multa de mora (fls. 13/20); e Fl. 7643DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10320.720556/201461 Resolução nº 2401000.509 S2C4T1 Fl. 7.644 3 i) AI nº 51.035.3401 (obrigação acessória), por ter a empresa, devidamente intimada, deixado de apresentar documentos à fiscalização (Código de Fundamentação Legal CFL 38), fls. 12. 2.1 Segundo a fiscalização, no que tange à obrigação principal, os valores lançadores foram apurados a partir da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nos campos "Compensação Previdenciária" e "Retenção sobre Nota Fiscal Valor Compensado/Abatido", não tendo o autuado comprovado o direito creditório indicado nos documentos. 2.2 No caso do descumprimento da obrigação acessória, não houve apresentação das notas fiscais de prestação de serviços, mesmo que reiteradas as intimações. 3. Cientificado por via postal, em 7/3/2014, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal (fls. 573/591). 4. Intimada em 10/12/2014 por via postal da decisão de primeira instância, conforme fls. 901/902, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 6/1/2015 (fls. 907 e 956/1.007 ). 5. Em síntese, expõe os seguintes argumentos de fato e de direito: i) a recorrente atendeu às intimações expedidas pela autoridade fiscal, entregandolhe em tempo hábil os documentos solicitados. Dada a emissão de notas fiscais eletrônicas, não havia motivo para a recusa da disponibilização dos arquivos em meio magnético, como fez o agente fiscal, exigindo a apresentação em papel; ii) é nula a autuação, por falta dos requisitos básicos de validade que autorize o lançamento efetivado, em especial a ausência da correta capitulação legal; iii) houve presunção por parte da autoridade fiscal no sentido da falta de retenções pelas empresas contratantes e, por conseguinte, concluiu pela omissão de pagamentos; iii) é imprescindível, desse modo, a produção de prova pericial para o fim de apurar todos os valores de retenção e respectivas compensações; iv) como prova das retenções sofridas pela recorrente, colaciona aos autos as notas fiscais de prestação de serviços de vigilância (fls. 1.008/7.631). 6. Na sequência dos autos, há despacho emitido pelo órgão preparador da unidade local da RFB, informando que o contribuinte optou em parcelar "o débito constante do processo com fundamento na lei 12.996/2014" (fls. 7.634/7.636). É o relatório, no que interessa. Fl. 7644DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 10320.720556/201461 Resolução nº 2401000.509 S2C4T1 Fl. 7.645 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator 7. Prescreve o art. 78 do Anexo II do Regimento Interno deste Colegiado, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. (...) § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (grifei) 8. Com efeito, o pedido de parcelamento implica a desistência do recurso voluntário e configura fato impeditivo do direito de recorrer. Porém, o processo não se encontra devidamente instruído com os documentos que comprovam inequivocadamente o pedido de parcelamento e a consequente desistência do contencioso administrativo. 9. Dessa feita, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que se manifeste a unidade preparadora da RFB sobre as questões abaixo, com posterior retorno dos autos para julgamento deste Colegiado, após oportunizado o contrário à recorrente: i) o crédito tributário relativo aos AIs nº 51.035.3401 e 51.035.3410, os quais compõem o presente processo administrativo, foi integralmente incluído em parcelamento? ii) se apenas parcial a inclusão, indicar os débitos que permanecem em discussão; e iii) em qualquer hipótese de parcelamento, total ou parcial, juntar aos autos, em cópia, os formulários e as declarações de praxe que comprovam o pedido de parcelamento e a desistência do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, bem como de qualquer alegação de direito sobre qual se funda. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 7645DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000009/2006-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Diante de omissão no acórdão a respeito de um dos fundamentos legais para reforma de decisão recorrida, são acolhidos embargos de declaração para supri-la.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O art. 530, II, do RIR, autoriza o arbitramento de lucros da pessoa jurídica submetida ao lucro presumido, se a escrituração a que estiver obrigada revelar-se imprestável.
Numero da decisão: 9101-002.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por conhecer e acolher os Embargos de Declaração para suprir omissão e rerratificar o Acórdão embargado, sem efeitos infringentes, por unanimidade de votos.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(Assinado digitalmente)
CRISTIANE SILVA COSTA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flavio Neto, Andre Mendes de Moura, Livia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopes (Vide-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Diante de omissão no acórdão a respeito de um dos fundamentos legais para reforma de decisão recorrida, são acolhidos embargos de declaração para supri-la. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O art. 530, II, do RIR, autoriza o arbitramento de lucros da pessoa jurídica submetida ao lucro presumido, se a escrituração a que estiver obrigada revelar-se imprestável.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por conhecer e acolher os Embargos de Declaração para suprir omissão e rerratificar o Acórdão embargado, sem efeitos infringentes, por unanimidade de votos. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente (Assinado digitalmente) CRISTIANE SILVA COSTA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flavio Neto, Andre Mendes de Moura, Livia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopes (Vide-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 3.116 1 3.115 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10907.000009/200664 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9101002.215 – 1ª Turma Sessão de 03 de fevereiro de 2016 Matéria Embargos Embargante FECAJO LOCADORA DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA. ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Diante de omissão no acórdão a respeito de um dos fundamentos legais para reforma de decisão recorrida, são acolhidos embargos de declaração para suprila. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O art. 530, II, do RIR, autoriza o arbitramento de lucros da pessoa jurídica submetida ao lucro presumido, se a escrituração a que estiver obrigada revelarse imprestável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por conhecer e acolher os Embargos de Declaração para suprir omissão e rerratificar o Acórdão embargado, sem efeitos infringentes, por unanimidade de votos. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Assinado digitalmente) CRISTIANE SILVA COSTA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 00 09 /2 00 6- 64 Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flavio Neto, Andre Mendes de Moura, Livia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopes (VidePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Autos de Infração de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, com o arbitramento de lucro real quanto aos anos calendário de 1999 a 2004, com fundamento no artigo 47, II, da Lei nº 8.981/1995 e artigo 530, II, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1.999). Ao crédito tributário apurado foi imputada multa de 225% (fls. 2.424 / 2.493). Destacamse trechos do Termo de Verificação Infração (fls. 2.494 / 2.497): (...) A empresa apresentou movimentação financeira nos anos de 1999 a 2004 de R$ 790.414,65, R$ 638.451,35, R$ 2.389.758,06, R$ 7.154.145,32, R$ 10.472.469,22 e R$ 6.226.068,31. O faturamento declarado, obtido através da recomposição da base de cálculo do IRPJ confessado nas DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, foi respectivamente de R$ 152.750,00, R$ 154.095,00, R$ 221.756,67, R$ 841.995,38, R$ 495.938,13 e R$ 0,00. Uma vez que a atividade da empresa — locação de máquinas e equipamentos — em tese não justifica o trânsito de recursos de terceiros por suas contas, tal gritante diferença entre movimentação financeira e faturamento declarado motivou a abertura da ação fiscal. (...) Como a empresa simplesmente ignora os Termos de Intimação Fiscal n° 002 e n° 003, em 07/07/05 são emitidas RMF — Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — às instituições financeiras, solicitando os extratos das contas bancárias da empresa e documentação comprobatória da origem e destino de recursos em operações superiores a determinados limites. As instituições financeiras inicialmente fornecem os extratos, permitindo a confecção do Termo de Intimação Fiscal n° 004, após a conciliação das transações bancárias entre contas da própria empresa e exclusão de lançamentos que pelo próprio histórico já tem a sua origem comprovada, do qual a empresa tomou ciência em 22/09/05. Nesta intimação é solicitada a comprovação da origem dos depósitos bancários nela listada. Em 31/10/05, já expirado há diversos dias o prazo de 20 (vinte) dias do Termo de Intimação n° 004, a empresa toma ciência do Termo de Reintimação Fiscal, no qual é solicitada novamente a comprovação da origem dos depósitos bancários listados no Termo de Intimação n° 004. Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000009/200664 Acórdão n.º 9101002.215 CSRFT1 Fl. 3.117 3 Em 21/11/05 a empresa apresenta as cópias das Notas Fiscais de Prestação de Serviço referentes ao período fiscalizado, os meses faltantes dos extratos do Unibanco, declaração emitida pelo Unibanco e Sudameris das contas que a empresa possui no banco, e comprovação • da origem de alguns dos créditos listados no Termo de Intimação Fiscal n° 004. Somente perto do fim deste ano é que as instituições financeiras começaram a enviar o restante da documentação solicitada nas RMF, e mesmo assim de forma incompleta e sem o detalhamento desejado. Dentre esta documentação consta procuração outorgada pela empresa a JOSE MANOEL CHAVES, CPF 309.018.20920, que havia se retirado da sociedade em 27/08/99, dando poderes para gerir e administrar a empresa. A parte da documentação que possuía o detalhamento adequado a identificar o destinatário dos recursos que saíram da conta da empresa embasou a confecção de Termos de Intimação a estes destinatários, indagando a qual título tais recursos foram recebidos. A maior parte das respostas informava se tratar de meros empréstimos. Outra parte informava se tratar de recursos referentes à aquisição de participação societária. Houve também reposta informando se tratar de recurso destinado a compra de imóvel e resposta informando se tratar de recurso destinado a compra de apólice da dívida pública. De qualquer forma, todas estas operações estavam registradas na contabilidade com o histórico de suplemento de caixa. Ou seja, a empresa registrou na contabilidade como suplemento de caixa saídas da conta Bancos com destinações totalmente diversas desta. Vários créditos nas contas da empresa tinham a sua origem identificada no próprio histórico, sendo oriundas de TED. A maioria destes créditos foi contabilizada como simples depósitos oriundos do fundo fixo de caixa. Somente alguns destes créditos foram corretamente alocados como receitas. E estes créditos foram identificados pela empresa na resposta apresentada em 21/11/05, sendo considerados como de origem comprovada. Segundo a contabilidade apresentada, quase a totalidade dos depósitos nas contas bancárias teve origem no próprio caixa da empresa. E quase a totalidade das retiradas das contas bancárias da empresa teve como destino o caixa da empresa. Ou seja, sem razão prática alguma dinheiro da própria empresa seria sucessivamente depositado e retirado de suas contas bancárias, dando origem a uma movimentação financeira de milhões de reais. Esta tese obviamente não se sustenta. Pode ser verificado através do próprio histórico dos lançamentos nos extratos que em vários lançamentos o dinheiro depositado veio de outras empresas. Também se verificou através da documentação enviada em atendimento às RMF que o destino das retiradas das contas bancárias foi outro que não o caixa. Como a contabilidade da empresa foi feita através de lançamentos no último dia de cada mês, sem a apresentação de livros auxiliares com Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 detalhamento diário, e como os lançamentos envolvendo a conta Bancos nem de longe correspondem à realidade — já que colocam praticamente toda a movimentação bancária como sendo saídas da conta Bancos para o Caixa e viceversa, não é possível se apurar a efetiva movimentação financeira e nem o lucro real, motivando o arbitramento do lucro da empresa com base na sua receita bruta conhecida. A receita bruta conhecida consistiu na receita de prestação de serviços e de aplicações financeiras presente na contabilidade, na receita da Nota Fiscal de Prestação de Serviço n° 706 — não contabilizada, e nos depósitos bancários de origem não comprovada — presentes no Demonstrativo de Valores Presentes nos Extratos Bancários de Origem Não Comprovada. Tanto no lançamento de IRPJ quanto no de CSLL, que se baseou nesta mesma receita 10 bruta, foram compensados os valores declarados em DCTF. Em relação ao Pis e Cofins, reconstituiuse a base de cálculo a partir dos valores declarados em DCTF, sendo lançada a diferença desta base de cálculo para a receita bruta conhecida. Os cálculos estão presentes no Demonstrativo de Apuração do Pis e Cofins. Como a empresa sistematicamente não atendeu no prazo às intimações, está sendo feito o agravamento da multa de ofício, com base na alínea a) do §2° do art. 44 da lei n° 9.430, de 1996. Por a empresa fraudar a sua contabilidade, colocando que a movimentação de milhões de reais por suas contas consistia somente em sucessivas operações de saques e depósitos, deixando de alocar corretamente a contrapartida dos depósitos nas contas de receitas, entendemos ter havido o evidente intuito de fraude, com a ocorrência em tese do crime de sonegação, o que motiva tanto a qualificação da multa quanto a elaboração de um processo de representação fiscal para fins penais. A contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 2.513/2.545). Em prosseguimento, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba determinou o retorno dos autos para a DRF em Paranaguá, para lavratura de autos de infração complementares de PIS e COFINS em períodos mensais, tendo em vista que os originais autos de infração indevidamente foram lavrados em períodos trimestrais (fls. 2.563). Diante disso, foram lavrados Autos de Infração complementares quanto aos anos de 1.999 a 2004 (fls. 2.565/2.601), sendo a contribuinte intimada em 27/06/2006 (fls. 2.566) A contribuinte apresentou impugnação administrativa também quanto a estes Autos de Infração (2.607/2.635). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba julgou parcialmente procedente a impugnação, para cancelar os autos de infração originais de PIS e COFINS, reduzir as exigência de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL e as multas para 75% (setenta e cinco por cento), exceto quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, cujas multas respectivas foram reduzidas para 150%. É o teor da ementa do acórdão (fls. 2.767/2.799): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000009/200664 Acórdão n.º 9101002.215 CSRFT1 Fl. 3.118 5 DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. TERMO INICIAL DE DECADÊNCIA. Tratandose de imposto de renda de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, e não tendo havido o pagamento do imposto em determinado período, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos, relativo a esse período, tem inicio na forma do art. 173 do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Não configura cerceamento do direito de defesa, passível de declaração de nulidade, a lavratura de ato ou termo, entre os quais se enquadra o auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MOVIMENTO BANCÁRIO CONTABILIZADO DE FORMA CAMUFLADA. CABIMENTO. A escrituração do movimento bancário de forma camuflada denota que a contabilidade da pessoa jurídica não atende aos princípios consagrados pela legislação comercial e pela técnica contábil, evidenciando a sua não confiabilidade e tornando correto o procedimento fiscal de arbitrar os lucros do exercício. MULTA AGRAVADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS, DOCUMENTOS E COMPROVANTES. DESCABIMENTO. Não é cabível a aplicação da multa agravada, por falta de prestação de informações ou esclarecimentos, na hipótese de simples intimações expedidas objetivando tãosomente a apresentação de livros comerciais e fiscais e outros documentos, ou a comprovação documental da origem de depósitos bancários. MULTA QUALIFICADA. MOVIMENTO BANCÁRIO CONTABILIZADO DE FORMA CAMUFLADA. INTUITO DOLOSO MANIFESTO. CABIMENTO. Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Configurada a intenção de dar uma aparência de realidade a algo que não era real (camuflagem da verdadeira movimentação bancária da empresa), caracterizado está o intuito doloso e, em decorrência, cabível a multa qualificada. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CSLL. DESCABIMENTO. O direito de a Fazenda Pública constituir os créditos relativos ao Pis, à Cofins, e à CSLL decai após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os respectivos créditos poderiam ter sido constituídos. CSLL. PIS. COFINS. Dada a identidade existente entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos às da CSLL, do Pis e da Cofins, estendemse, a estas últimas, a decisão adotada naquela. Lançamento Procedente em Parte Tendo sido apresentado recurso voluntário pela contribuinte (fls. 2.852/2.882), este foi parcialmente acolhido pela Terceira Câmara do extinto Conselho de Contribuintes, que também negou provimento ao recurso de ofício, em acórdão do qual se colaciona trecho a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Sob esse prisma, demonstrado nos autos que parte dos valores depositados na conta corrente têm origem em transferências ou receitas contabilizadas, o montante correspondente deve ser excluído da tributação. MULTA DE OFICIO. AGRAVAMENTO. Descabe a imputação da multa agravada quando não caracterizado o desatendimento à solicitação para prestar esclarecimentos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000 Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000009/200664 Acórdão n.º 9101002.215 CSRFT1 Fl. 3.119 7 Ementa: DECADÊNCIA. IRPJ E PIS. PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao IRPJ e ao PIS extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4', do CTN. Acolhese se a decadência, em relação ao IRPJ, para os fatos geradores ocorridos até o 3° trimestre/2000 inclusive e, relativamente ao PIS, para os fatos geradores até 31/05/2001, inclusive. CSLL/COFINS DECADÊNCIA — ART. 45 DA LEI N° 8212/91 — INAPLICABILIDADE — Por força do Art. 146, III, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § 4o, do CTN, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do fato gerador. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da. multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n° 14). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: LUCRO ARBITRADO. NÃO CABIMENTO As omissões de receitas e outras irregularidades passíveis de tributação, por si só não justifica o arbitramento de lucro. (...) ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos ACOLHER a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL para os fatos geradores ocorridos até o 3° trimestre de 2000, inclusive, e, para as contribuições ao PIS e COFINS, relativas aos fatos geradores ocorridos até o mês de maio de 2001, inclusive, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Relator) e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que não admitiram a decadência em relação a CSLL e COFINS; por unanimidade de votos, REDUZIR a multa de lançamento ex officio qualificada de 150 %(cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75%(setenta e cinco por cento) e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Relator) e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que negaram provimento e o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva que provia a menor para excluir apenas as verbas correspondentes às " transferências entre contas" e, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso ex officio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 julgado Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcio Machado Caldeira. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 2.913/2.948) em 24/04/2008, alegando, em síntese: (a) contrariedade ao artigo 45, da Lei nº 8.212/1991, que definiria o prazo decadencial para lançamento de contribuições em 10 anos; (b) contrariedade à evidência das provas com relação ao arbitramento dos lucros; (c) divergência jurisprudencial quanto à multa qualificada, requerendo fosse mantida em 150%; (d) divergência quanto à decadência do IRPJ quanto aos anos de 1999 e 2000, pois não teria havido pagamento de imposto. O recurso especial não foi admitido com relação à alegação de contrariedade ao artigo 45, da Lei nº 8.212/1991 com relação ao PIS, por ser decisão unânime a esse respeito. Afastouse a contrariedade quanto à decadência relacionada às demais contribuições pela Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal. Foi dado seguimento com relação à alegação de contrariedade às provas no que se refere ao arbitramento de lucros, multa qualificada e decadência do IRPJ (fls. 2.981/2.985 – volume 13). A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, (fls. 2.993/3.016) alegando que (i) não foi comprovada a divergência quanto à multa qualificada, pois o acórdão nº 10196.319/2007 não teria similitude fática com o caso dos autos; (ii) também seria inaplicável o Acórdão 10193.104, que diz respeito à falta de pagamento do imposto, não se aplicando o 150, §4º, mas o 173, I, do Código Tributário Nacional; (iii) não haveria contrariedade à evidência das provas no tocante ao arbitramento de lucros, tanto porque a empresa se submeteria à tributação pelo lucro presumido, quanto porque não haveria irregularidade no lançamento individualizado de cada operação ao final do mês; (iv) não haveria razão para arbitramento, O recurso especial não foi conhecido, por esta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com reação à qualificação da multa de ofício, sendo negado provimento ao recurso quanto à decadência do IRPJ e dado provimento relativamente ao arbitramento de lucros, nos termos da ementa a seguir reproduzida: IRPJ. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE LIVRO CAIXA. A utilização de livro Diário escriturado por partidas mensais sem o apoio do livro Caixa escriturado por partidas diárias justifica o arbitramento do lucro. CONHECIMENTO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA AUSÊNCIA DE PARADIGMA. Não merece ser conhecido o Recurso Especial de Divergência quando ausente a divergência entre os acórdãos apontados como paradigma e o acórdão recorrido. REGIMENTO INTERNO CARF –DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARP, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IRPJ DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000009/200664 Acórdão n.º 9101002.215 CSRFT1 Fl. 3.120 9 se aplicar o artigo 150, § 40 do CódigoTributário Nacional. Destaquemse das razões da relatora, acolhida por maioria de votos desta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: A contribuinte foi intimada do acórdão em 14/05/2012, (fls. 3.075), apresentando embargos de declaração em 18/05/2012 (fls. 3.079/3.098), requerendo (i) fosse reconhecida a nulidade do julgamento, considerando que o relator do julgamento do recurso voluntário, Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, foi redator do voto vencedor do julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que estaria em desacordo com o artigo 46, parágrafo único do Regimento Interno (Portaria nº 147/2007); (ii) o reconhecimento de contradição, omissão e inexatidão material no acórdão embargado, tendo em vista que o Auto de Infração fundamenta o arbitramento de lucros no artigo 530, inciso II, do RIR, mas o voto vencedor teria inovado a capitulação legal para o inciso III do artigo 530, “além da insinuação de que inexistia o livro Caixa, quando a cópia (...) foi anexada à impugnação” (trecho dos embargos); (iii) “o recurso especial do Procurador da Fazenda está fundamentado em fatos apontados pelo relator do julgamento de primeiro grau e que não foram cogitados pela autoridade lançadora e o julgamento embargado examinou a exigência sob a ótica do lançamento inovado e não do lançamento original propriamente dito” (trechos dos embargos), o que seria contradição entre a decisão e o fundamento de fato e de direito, conforme razões da embargante; (iv) haveria inexatidão material na intimação expedida pela DRF, ao exigir multa qualificada de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, embora o recurso especial da Fazenda Nacional não tenha sido conhecido quanto à multa qualificada; (v) a motivação do arbitramento de lucros foi a imprestabilidade do livro Diário, mas a embargante apurava o lucro pela sistemática presumida; (vi) a escrituração contábil foi efetuada operação por operação, embora no ultimo dia do mês; (vii) o fato dos depósitos bancários transitarem pela conta Caixa não invalidaria a escrituração contábil; (viii) não foram admitidas provas de mútuos, limitandose a autoridade autuante a exigir comprovação de origem de valores que transitaram em contas correntes da contribuinte, quando deveria ter excluído as transferências identificadas como “depósitos intragência”, “depósitos cheques interagências”, “transferências a crédito”, “transferência interconta” e outras denominações similares, em conformidade com o artigo 42, §3º, da Lei nº 9.430/1996; (ix) “todos os valores depositados regularmente escriturados nos livros Diário/Razão também não poderia ser objeto de intimação para comprovação de oirgem”. Além disso, a contribuinte apresentou petição (fls. 3.076/3.078) alegando que (i) houve a indevida execução de julgado com a cobrança de multa de 150%, a despeito do não conhecimento do recurso especial a esse respeito; (ii) os lançamentos de COFINS e PIS estariam cancelados de acordo com o julgamento da 3ª Câmara do Conselho de Contribuintes, do que decorreria outra irregularidade na intimação enviada pela DRF. Os embargos de declaração foram parcialmente admitidos, para conhecimento das matérias de arbitramento de lucro e presunção de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Os embargos são tempestivos, merecendo conhecimento. Passo a apreciar as suas razões. Nulidade do julgamento Com relação à alegação de nulidade do julgamento, tendo em vista que o relator do julgamento do recurso voluntário, Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, foi redator do voto vencedor do julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais, é pertinente reproduzir as razões do inadmissão dos embargos de declaração: Sobre a nulidade suscitada, relativa a vício formal na decisão, por ser matéria de ordem pública, cabe ser enfrentada. Cabe esclarecer para a embargante que o fato de o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto ter sido o relator do Acórdão nº 10322.995, da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, não caracteriza impedimento para ser designado como redator do voto vencedor na CSRF. Vale transcrever o art. 42A do Anexo II do RICARF vigente à época (Portaria nº 256, de 2009): Art. 42A O Conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso especial. No caso, a relatora do recurso especial foi a Conselheira Karem Jureidini Dias, cujo voto foi vencido. Portanto, não há nenhuma irregularidade na designação do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para formalizar o voto vencedor. Com efeito, não há qualquer impedimento à designação do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para elaboração do voto vencedor, como ocorrido nos autos. Diante disso, adoto as razões do despacho acima reproduzido, para rejeitar os embargos de declaração neste ponto. Ademais, as decisões de inadmissão de embargos de declaração são definitivas, nos termos do artigo 65, §3º, do atual Regimento Interno deste Conselho (Portaria nº 343/2015), que dispõe: Art. 65... §3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradição ou obscuridade. Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000009/200664 Acórdão n.º 9101002.215 CSRFT1 Fl. 3.121 11 Nesse contexto, não conheço das alegações da embargante a esse respeito, consignando que, como apontado nas razões de inadmissão dos embargos de declaração, a contribuinte deverá pleitear perante a unidade preparadora a regular execução do julgado. As alegadas contradição e omissão e inexatidão material a respeito dos incisos do artigo 530 A embargante pede, ainda, o reconhecimento de contradição, omissão e inexatidão material no acórdão embargado, tendo em vista que o Auto de Infração fundamenta o arbitramento de lucros no artigo 530, inciso II, do RIR, mas o voto vencedor teria inovado a capitulação legal para o inciso III do artigo 530, “além da insinuação de que inexistia o livro Caixa, quando a cópia (...) foi anexada à impugnação” (trecho dos embargos); Com efeito, o Auto de Infração de IRPJ teve por fundamento o artigo 530, II, do Regulamento do Imposto de Renda, como aponta a embargante. Além disso, a autoridade fiscal autuante de forma cristalina identificou o que entendia como irregular no procedimento adotado pela embargante, verbis: Como a contabilidade da empresa foi feita através de lançamentos no último dia de cada mês, sem a apresentação de livros auxiliares com detalhamento diário, e como os lançamentos envolvendo a conta Bancos nem de longe correspondem à realidade — já que colocam praticamente toda a movimentação bancária como sendo saídas da conta Bancos para o Caixa e viceversa, não é possível se apurar a efetiva movimentação financeira e nem o lucro real, motivando o arbitramento do lucro da empresa com base na sua receita bruta conhecida. O voto vencedor, de lavra do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, menciona a irregularidade na escrituração da contribuinte: Pareceme que a decisão recorrida não deu maior importância a dois fatos cruciais que militam a favor do procedimento fiscal. O primeiro deles é o fato da movimentação financeira ter sido registrada exclusivamente através da conta Caixa o que implicou na impossibilidade de identificar as operações a que se referiam. O segundo, não menos grave é o fato da contabilidade da empresa ter sido realizada por paridas mensais, sem apresentação de livros auxiliares escriturados em partidas diárias para lastreála. (...) Os erros mencionados são relevantes, exemplificando com a existência de sucessivos saldos credores de Caixa e saldos devedores em contas de passivo, o que se mostra totalmente fora de sintonia com as regras contábeis. Ao contrário da afirmação transcrita acima, a escrituração da pessoa jurídica foi efetivamente realizada em partidas mensais. A individualização exigida pela legislação de regência implica na apropriação de cada operação individualmente no dia em que se realizou. Fl. 3126DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Em termos mais simples, não adianta escriturar todas as operações se o registro as coloca como efetuadas no última dia do mês. Isso não é partida diária. Como se vê, a interessada estava longe de obedecer à legislação comercial e fiscal. Se a apuração do resultado segue a sistemática de lucro presumido, caberia assim a escrituração do Livro Caixa (não confundir com conta Caixa) para suprir essas deficiências. Na ausência deste, cabe o arbitramento do lucro, nos termos do inciso III, do artigo 530, do RIR/99 O voto vencedor menciona, assim, a ausência de Livro Caixa, justificando o arbitramento também no inciso III, do artigo 530. Mas não se limita a isto. Basta a leitura do voto acima reproduzido para verificar que há menção às deficiências na escrituração contábil a que estava obrigada a contribuinte, hipótese tratada pelo inciso II, alínea “a” do artigo 530. Portanto, voto por acolher os embargos de declaração do contribuinte neste ponto para esclarecer que o fundamento do voto vencedor do acórdão em julgamento do recurso especial é o artigo 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, que autoriza o arbitramento dos lucros de pessoa jurídica submetida ao lucro presumido, caso a escrituração a que estiver obrigada (Livro Caixa, no caso) se mostre imprestável para identificar a sua efetiva movimentação financeira. No caso, como consta do voto vencedor – fato que é confirmado pelas próprias razões da embargante – os lançamentos contábeis eram feitos unicamente ao final do mês, o que, no entendimento manifestado por esta Turma não se coadunaria à exigência legal de registro diário das operações. Nas palavras do ilustre Conselheiro redator do acórdão embargado: “Em termos mais simples, não adianta escriturar todas as operações se o registro as coloca como efetuadas no última dia do mês. Isso não é partida diária.” Acrescento que o entendimento da Turma foi no sentido de que, sendo imprestáveis os lançamentos feitos mensalmente, tal situação se equipararia à ausência de Livro Caixa, razão pela qual o inciso III, do artigo 530, do RIR, também fundamentou o v. acórdão embargado. A presunção de omissão de receitas por depósitos de origem não comprovada A embargante ainda sustenta a inaplicabilidade do artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, eis que "os lançamentos baseados exclusivamente em extratos bancários já foram repelidos pela jurisprudência administrativa e judicial e, também, pela melhor doutrina". Nesse sentido, requer sejam excluídas as transferências identificadas como “depósitos intragência”, “depósitos cheques interagências”, “transferências a crédito”, “transferência interconta” e outras denominações similares. É importante lembrar o que constava do Termo de Verificação Fiscal a esse respeito: Como a contabilidade da empresa foi feita através de lançamentos no último dia de cada mês, sem a apresentação de livros auxiliares com detalhamento diário, e como os lançamentos envolvendo a conta Bancos nem de longe correspondem à realidade — já que colocam praticamente toda a movimentação bancária como sendo saídas da conta Bancos para o Caixa e viceversa, não é possível se apurar a efetiva movimentação financeira e nem Fl. 3127DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000009/200664 Acórdão n.º 9101002.215 CSRFT1 Fl. 3.122 13 o lucro real motivando o arbitramento do lucro da empresa com base na sua receita bruta conhecida. A receita bruta conhecida consistiu na receita de prestação de serviços e de aplicações financeiras presente na contabilidade, na receita da Nota Fiscal de Prestação de Serviço n° 706 — não contabilizada, e nos depósitos bancários de origem não comprovada — presentes no Demonstrativo de Valores Presentes nos Extratos Bancários de Origem Não Comprovada. Tanto no lançamento de IRPJ quanto no de CSLL, que se baseou nesta mesma receita bruta, foram compensados os valores declarados em DCTF. Consta dos autos demonstrativo de valores presentes nos extratos bancários de origem não comprovada como anexo II ao Auto de Infração, no qual relacionadas 4 (quatro) contas bancárias de titularidade da Recorrente, quais sejam: (a) banco 409 (Unibanco), agência 266, conta 1099289; (b) banco 237 (Bradesco), agência 23698, conta 876; (c) banco 347(Sudameris), agência 1574, conta 9035590, relacionado as operações que presumiu omitidas; (d) banco 347 (Sudameris), agência 1574, conta 90355900 (antiga conta identificada como "c" acima). Em sua impugnação administrativa, tratando dos depósitos de origem não comprovada, essencialmente a contribuinte alega que (a) pessoas físicas ou jurídicas emitiram cheques ou foram beneficiários de cheques emitidos pela FECAJO (contribuinte), (b) não foi possível reunir provas ao tempo da fiscalização; (c) seria ilegítimo lançamento fundado apenas em extratos bancários; (d) as transferências identificadas como "depósito interagência", depósito cheques interagências", "transferências a crédito", "transferência interconta" e outras similares deveriam ser excluídos do lançamento; (e) depósitos realizados por Cattalini Terminais Marítimos, para pagamento de Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pela Recorrente; (f) que apenas 7 depósitos não teriam sido comprovado, todos feitos no banco 347, agência 330, conta 03359, no valor total de R$ 52.923,26 Em análise de tais considerações, a DRJ acolheu parte da comprovação de origem de depósitos, verbis: Demais, é de se entender como "arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários", a exigência resultante de lançamento de oficio procedido pela autoridade fiscal sem qualquer exame dos livros comerciais e fiscais do contribuinte, e sem nenhum empenho desta para que a empresa explique a origem desses depósitos bancários, o que, positivamente, não é o presente caso. Nestes autos, a confecção do Termo de Intimação Fiscal n2. 004 se deu "após a conciliação das transações bancárias entre contas da própria empresa e exclusão de lançamentos que, pelo próprio histórico, já têm a sua origem comprovada" (fls. 2.434). Quanto às transferências identificadas no histórico do extrato como "depósito interagência", "depósitos cheques interagências", "transferências a crédito", "transferência interconta", e outras denominações similares, não há qualquer comprovação de que tais operações, na forma do § 3 2, I, do art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996, sejam Fl. 3128DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica, e não de agências do mesmo banco. Ora, são os próprios bancos que afirmam categoricamente, a pedido da interessada, que esta, no período de 1999 a 2004, movimentou apenas uma única conta bancária (fls. 2.331 e 2.332). Relativamente à única rubrica de "transferência interconta" submetida à tributação (fls. 2.441), ocorrida no dia 19/03/2003, no Unibanco, no valor de R$ 200.000,00 (fls. 864), em que pese a informação daquele banco, de fls. 1.004 e 1.005, de existência de Fundo de Investimento n2 104, vinculado à contacorrente (único fundo existente em 2003), não consta, desse Fundo, qualquer resgate ou transferência coincidente em data e valor com aquele depósito (fls. 1.454 e 1.455). Quanto à rubrica "TED Recebida Bradesco Fecajo", de 24/06/2004 e 23/07/2004 (fls. 2.445 e 2.446, respectivamente), não se observou qualquer movimentação em contacorrente ou de investimentos do Bradesco por parte da autuada, a partir do anocalendário de 2000 (fls. 1.512 a 1.516). No concernente à planilha constante do Anexo II, denominada "Depósitos Bancários — Demonstrativo de Origem e Contabilização", comprova, sim, a contabilização dos valores, mas em sua forma camuflada, ou seja, quase todo o dinheiro ingressado em Bancos proviria do Caixa, e viceversa, o que, como já abundantemente comprovado nos autos e se verificará no tópico seguinte, não ocorreu no mundo fático. Foram aceitas apenas, nesse Anexo II, as comprovações feitas com notas fiscais emitidas na mesma data e valor dos créditos bancários recebidos, corroboradas por documentos constantes do Anexo IV, a saber, notas fiscais de n2s 551, 555, 646, 706, 749, 753, 754, 755, 757/758, 759, 763, 765, 768, 770, 771 e 773 (fls. 2.105, 2.108, 2.191, 2.244, 2.287, 2.291, 2.292, 2.293, 2.295/2.296, 2.297, 2.301, 2.303, 2.306, 2.308, 2.309 e 2.310, respectivamente). Com relação especificamente à citada nota fiscal de nº 706, embora não contabilizada, está, ela, sendo objeto de tributação em item à parte do auto de infração (omissão de receita de prestação de serviços — ausência da contabilização da Nota Fiscal de Prestação de Serviços n2 706), devendo, pois, ser excluída deste tópico. Também é de se excluir os depósitos de R$ 207.800,00, em 23/08/2002, e de R$ 150.000,00, em 25/08/2003 (fls. 2.440 e 2.442), de vez que, de conformidade com os documentos de fls. 2.051 a 2.060, carreados aos autos pela própria fiscalização, dizem respeito a devolução de mútuo (fls. 847 e 875). Na realidade, as intimações expedidas pela fiscalização, para diversas pessoas físicas e jurídicas, objetivavam esclarecer a destinação dos recursos a elas creditados, e não a origem do numerário ingressado nas contas correntes da autuada. Fl. 3129DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000009/200664 Acórdão n.º 9101002.215 CSRFT1 Fl. 3.123 15 Nada obstante, com base no que foi apurado, admitese a comprovação da origem desses depósitos efetuados em conta bancária, oriundos de devolução de empréstimos, verificada a coincidência de data e valor, e não tendo sido, a justificativa apresentada, infirmada pela fiscalização. Já no que se refere à alegada dispensa de comprovação da origem dos demais valores autuados pela suposta escrituração desses mesmos valores nos livros Diário/Razão, reportase ao que vai dito no tópico seguinte. Por fim, quanto à assertiva de que a maioria dos depositantes nas contas bancárias são pessoas fisicas que não poderiam ser clientes da impugnante, que teria como objetivo social o aluguel de máquinas e equipamentos pesados para a movimentação de cargas nos cais do Porto de Paranaguá PR, tal afirmação, em nenhum momento, foi comprovada e justificada por esta. Pelo contrário: consta de fls. 10 que o objeto social da empresa, a partir de 21 de outubro de 1997, passou a ser, também, de prestação de serviços de despachos aduaneiros de importação e exportação de mercadorias, embarque de granéis sólidos e líquidos através de terminais portuários, carga geral, agenciamento marítimo e operação portuária. Sou, assim, pela redução do montante tributável deste item, na forma acima indicada. Em seu recurso voluntário, a contribuinte não trouxe qualquer outra prova a respeito destes depósitos, limitandose a reproduzir os argumentos anteriormente trazidos em impugnação administrativa. A Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes julgou a questão dos depósitos bancários da forma seguinte: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Sob esse prisma, demonstrado nos autos que parte dos valores depositados na conta corrente têm origem em transferências ou receitas contabilizadas, o montante correspondente deve ser excluído da tributação. Sob esse prisma, demonstrado nos autos que parte dos valores depositados na conta corrente têm origem em transferências ou receitas contabilizadas, o montante correspondente deve ser excluído da tributação. Em análise do voto vencedor, de lavra do Conselheiro Marcio Machado Caldeira, constatase a rejeição de todo o arbitramento de lucros, sem menção específica aos depósitos bancários: Fl. 3130DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 A discordância apresentada quanto a estes fundamentos, debatida na sessão de julgamento, foi, em primeiro lugar, quanto à afirmativa de que os lançamentos eram em partidas, quando apenas o livro diário consigna o último dia do mês para os respectivos lançamentos, mas todas as operações estão individualizadas, permitindo suas correspondências com os respectivos lançamentos contábeis. Assim, por esse prisma não prevalece o arbitramento. Quanto aos lançamentos da conta bancos disse o fisco que, "segundo a contabilidade apresentada, quase a totalidade dos depósitos nas contas bancárias teve origem no próprio caixa da empresa. E quase a totalidade das retiradas das contas bancárias da empresa teve como destino o caixa da empresa". Essa forma de lançamentos contábeis, a despeito de não revestir da melhor técnica contábil, é comum e usual, especialmente em empresas que tenham contabilidade terceirizada. Esse fato não é suficiente para arbitrarse o lucro da empresa. Em casos semelhantes a fiscalização, verificando a movimentação financeira via CAIXA, intima a empresa a comprovar as entradas nessa conta, relacionandoas com pagamentos efetivos que saíram dessa mesma conta. Nesse caso, a tributação recai sobre os valores que efetivamente não ingressaram no caixa, após a constatação de prováveis "estouros de caixa". A fiscalização intimou os beneficiários dos cheques emitidos, mas não levou adiante os trabalhos fiscais. Assim, a irregularidade para o arbitramento de lucros não foi o recomendável, visto que se deveria apurar as omissões, numa auditoria mais profunda. Da mesma forma, a base de cálculo se afigura inconsistente, pois além das receitas declaradas, incluiuse a movimentação financeira contabilizada via caixa e não comprovada a operação. Assim, mesmo havendo indicativos de omissão de receita, a forma adotada pelo fisco não foi a aplicável ao caso concreto, quando se deveria apurar as receitas omitidas, levandoas à tributação com base no lucro presumido, como constou da opção da recorrente. Extraise, ainda, do inteiro teor deste acórdão da Terceira Câmara trechos do voto vencido, do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto: Reclama a interessada para que sejam excluídos da tributação valores dos depósitos que, sustenta, teriam origem demonstrada. Na verdade, essa análise já foi efetuada pela decisão recorrida que examinou a documentação apresentada com a impugnação e acatou diversos valores relativos a lançamentos bancários com vinculação comprovada. No que se refere à exigência mantida, a questão das transferências de outras contas foi mitigada pela informação de que a empresa não movimentou contas corrente de outros estabelecimentos bancários no período em exame (fls. 2.331/2.332). O mesmo se aplica à " transferência interconta" no Unibanco em 19/03/2003 (R$ 200.000,00) e à "TED Recebida Bradesco Fl. 3131DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000009/200664 Acórdão n.º 9101002.215 CSRFT1 Fl. 3.124 17 Fecajo" de 24/06/2004 e 23/07/2004. Também aqui, a decisão recorrida demonstrou a improcedência dos argumentos expedidos na peça impugnatória. Sob o peso dessa decisão, caberia à reclamante trazer ao recurso argumentos mais sólidos em contraposição ao decidido. Não o fez, tecendo apenas alegações genéricas. Sob esse prisma, meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso. Analisandose o recurso especial apresentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, destacase o seguinte, tratando dos depósitos bancários: "a empresa efetuou os seus lançamentos contábeis a partir dos extratos bancários, porém, desconsiderando, na grande maioria dos casos, para efeito de contrapartida à conta Bancos, qualquer outras origens ou destinações que não fossem o próprio Caixa" (fls. 2938). Assim, em sua escrituração, quase tudo que saía do Caixa ia para Bancos, e vice versa, num loop interminável, sem que, aparentemente, houvesse qualquer geração de receita." Não por outro motivo, aliás, deparase no presente processo, com Balanços Patrimoniais em que o saldo do Caixa é credor (fls. 65), e em que o Passivo Circulante apresenta eterno saldo devedor. Por óbvio, dessa forma, não há como se admitir, como quer a autuada, que . a comprovação da origem dos depósitos bancários seja aceita apenas pela singela existência de escrituração desses valores nos livros Diário e Razão." Em julgamento do recurso especial, a decisão desta Turma tratou do tema da forma seguinte, conforme voto da Relatora: "Quanto ao arbitramento, embora o contribuinte, devidamente intimado, não tenha esclarecido a origem dos depósitos bancários, verifico que o mesmo estava sujeito ao lucro presumido, fato constatado pela própria DRJ." Portanto, a análise dos autos demonstra que não há qualquer comprovação documental de que parte dos depósitos deveriam ser excluídos da tributação, além do que já foi reconhecido pela DRJ; mas apenas a repetição de argumentos que constaram desde a impugnação administrativa. A multa qualificada A respeito da multa qualificada, sustenta a embargante que haveria inexatidão material na intimação expedida pela DRF, ao exigir multa qualificada de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, embora o recurso especial da Fazenda Nacional não tenha sido conhecido quanto à multa qualificada; Fl. 3132DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 Os embargos de declaração não foram admitidos quanto a esta matéria por decisão do Presidente desta Câmara Superior de Recursos Fiscais: Enfim, de fato restou demonstrada a inexatidão material do despacho da unidade preparadora (fls. 3065/3074), que ao encaminhar a cobrança amigável dos créditos tributários mantidos aplicou, de fato, o percentual da multa qualificada (150%) para a maioria dos fatos geradores. Contudo, tratase de matéria estranha à apreciação da CSRF por via de embargos, vez que o dispositivo da decisão do CARF mostrouse claro e preciso: não conhecer do recurso em relação à qualificação da multa de ofício. Ou seja, nesse caso, não se concretizou nenhuma das hipóteses para cabimento de embargos de declaração previstas no art. 65 do Anexo II do RICARF. Na realidade, caberia encaminhamento de petição à unidade preparadora responsável pela liquidação e execução do acórdão solicitando, conforme art. 5º, inciso XXXIV da Lei Maior, e Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal. Como anteriormente mencionado, as decisões de inadmissão de embargos de declaração são definitivas, nos termos do artigo 65, §3º, do atual Regimento Interno deste Conselho, razão pela qual não conheço das alegações da embargante quanto a esta matéria, consignando que a contribuinte deverá pleitear perante a unidade preparadora a regular execução do julgado. Conclusão Nesse contexto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão, integrando o acórdão embargado, esclarecendo que o fundamento do voto vencedor do acórdão em julgamento do recurso especial é o artigo 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, que autoriza o arbitramento dos lucros de pessoa jurídica submetida ao lucro presumido, caso a escrituração a que estiver obrigada (Livro Caixa, no caso) se mostre imprestável para identificar a sua efetiva movimentação financeira. É como voto. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Fl. 3133DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000009/200664 Acórdão n.º 9101002.215 CSRFT1 Fl. 3.125 19 Fl. 3134DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 21/03/201 6 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 18470.732497/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MINISTROS DE CONFISSÃO RELIGIOSA. REMUNERAÇÃO (PREBENDA). REGRA ISENTIVA. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
Os valores despendidos pelas entidades religiosas e instituições de ensino vocacional com ministro de confissão religiosa, membros de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa considera-se como remuneração quando a entidade não comprova que seu fornecimento deu-se em condições que independam da natureza e da quantidade do trabalho executado. Por tratar-se de regra isentiva, a interpretação da lei deve ser literal.
BOLSA DE ESTUDOS. Nos termos do inciso II, do §14, do artigo 22, da Lei nº 8.212/91, com redação interpretativa dada pela Lei nº 13.137/2015, os valores despendidos, ainda que pagos de forma e montante diferenciados a título de formação educacional, vinculados exclusivamente à atividade religiosa, não configuram remuneração direta ou indireta, de forma que não incidem contribuições previdenciárias sobre tais rubricas. No caso, no cálculo das contribuições previdenciárias patronais, devem ser excluídos do lançamento os valores de bolsas de estudos que efetivamente sejam vinculados à atividade religiosa, pagos pela entidade aos contribuintes individuais.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração.
A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-004.673
Decisão: Acordam os membros do Colegiado: (a) rejeitar a questão de ordem proposta pelo Conselheiro Fabio Piovesan Bozza de realização de diligência para especificar a correlação entre os cursos subsidiados pela entidade e a atividade religiosa, vencido o Conselheiro Fabio Piovesan Bozza ; (b) quanto ao mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (b.1) excluir do cálculo das contribuições previdências incidentes sobre bolsas de estudos pagas aos contribuintes individuais os valores que se referem aos cursos de Teologia e ensino médio. Vencidos nesta questão o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, que não reconhecia a exclusão sobre as bolsas de estudo incidentes sobre o ensino médio, e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Julio de Souza e Gisa Barbosa Gambogi Neves, que davam provimento ao recurso voluntário para excluir a incidência das contribuições previdências sobre bolsas de estudos de todos os cursos; (b.2) quanto aos valores relativos à prebenda pagos aos ministros de confissão religiosa, pelo voto de qualidade foi negado provimento ao recurso voluntário, vencidos a relatora e os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amílcar Barca Texeira Júnior, que davam provimento ao recurso voluntário. (b.3) quanto às multas relacionadas à obrigação principal, pelo voto de qualidade restou negado provimento ao recurso voluntário e mantida a multa como lançado e (b.4) quanto às multas referentes à obrigação acessória relacionados à GFIP, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora, vencidos os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior. Designada para redigir o voto vencedor nas questões em que a relatora restou vencida a Conselheira Andrea Brose Adolfo.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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REMUNERAÇÃO (PREBENDA). REGRA ISENTIVA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Os valores despendidos pelas entidades religiosas e instituições de ensino vocacional com ministro de confissão religiosa, membros de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa considera-se como remuneração quando a entidade não comprova que seu fornecimento deu-se em condições que independam da natureza e da quantidade do trabalho executado. Por tratar-se de regra isentiva, a interpretação da lei deve ser literal. BOLSA DE ESTUDOS. Nos termos do inciso II, do §14, do artigo 22, da Lei nº 8.212/91, com redação interpretativa dada pela Lei nº 13.137/2015, os valores despendidos, ainda que pagos de forma e montante diferenciados a título de formação educacional, vinculados exclusivamente à atividade religiosa, não configuram remuneração direta ou indireta, de forma que não incidem contribuições previdenciárias sobre tais rubricas. No caso, no cálculo das contribuições previdenciárias patronais, devem ser excluídos do lançamento os valores de bolsas de estudos que efetivamente sejam vinculados à atividade religiosa, pagos pela entidade aos contribuintes individuais. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. Fl. 3288DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 2 A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: (a) rejeitar a questão de ordem proposta pelo Conselheiro Fabio Piovesan Bozza de realização de diligência para especificar a correlação entre os cursos subsidiados pela entidade e a atividade religiosa, vencido o Conselheiro Fabio Piovesan Bozza ; (b) quanto ao mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (b.1) excluir do cálculo das contribuições previdências incidentes sobre bolsas de estudos pagas aos contribuintes individuais os valores que se referem aos cursos de Teologia e ensino médio. Vencidos nesta questão o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, que não reconhecia a exclusão sobre as bolsas de estudo incidentes sobre o ensino médio, e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Julio de Souza e Gisa Barbosa Gambogi Neves, que davam provimento ao recurso voluntário para excluir a incidência das contribuições previdências sobre bolsas de estudos de todos os cursos; (b.2) quanto aos valores relativos à prebenda pagos aos ministros de confissão religiosa, pelo voto de qualidade foi negado provimento ao recurso voluntário, vencidos a relatora e os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amílcar Barca Texeira Júnior, que davam provimento ao recurso voluntário. 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(Assinatura Digital) Andrea Brose Adolfo - Redatora Designada Fl. 3289DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 18470.732497/2012-08 Acórdão n.º 2301-004.673 S2-C3T1 Fl. 3.288 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes Relatório O presente lançamento trata-se de crédito para a Seguridade Social COMPROT 18470.732497/201208, referente ao descumprimento de obrigação principal (AIOP DEBCAD 37.388.3463) e descumprimento de obrigação acessória (AIOA DEBCAD 37.388.3455). O AIOP DEBCAD 37.388.3463, no valor principal de R$ 8.734.383,90, é integrado por 8 levantamentos, todos referentes a fatos geradores não declarados em GFIP: * Levantamento BO – EDUCAÇÃO BOLSA DE ESTUDO (período de 01 a 11/2008) e Levantamento BO2 – EDUCAÇÃO BOLSA DE ESTUDO (competência 12/2008). Contribuições a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração indireta paga a contribuintes individuais, apurada na conta 4.2.2.02.0002 – Educação (Bolsa de Estudo). Como tal remuneração não foi considerada tributável pela empresa, não foi informada em GFIP, entretanto, sobre a mesma foram lançadas contribuições previdenciárias, tendo em vista que os valores pagos visam custear o ensino superior dos religiosos, segurados sem vínculo empregatício com a autuada, não sendo enquadrados, portanto, na exclusão da incidência de contribuições previdenciárias determinada pelo art. 28, §9°, alínea “t” da Lei 8212/1991, cc. art. 214, §9°, inciso XIX do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. * Levantamento CO – COOPERATIVA DE TRABALHO (período de 01 a 11/2008) e Levantamento CO2 – COOPERATIVA DE TRABALHO (competência 12/2008). Contribuições a cargo da empresa, incidentes sobre valores pagos a cooperativas de trabalho, apurados nas contas: 4.2.3.01.0003 – Serv. PJ; 4.2.7.01.0008 – Conhecimento de Frete; 4.2.4.01.0008 – Manut e Conserv – Outros e 4.1.3.01.0001 – Serv. Missões e Campanhas. Tais valores só foram informados em GFIP após o início do procedimento fiscal, restando não recolhidas as contribuições incidentes sobre os mesmos. * Levantamento DI – DIFERENÇA SOBRE PAGAMENTO A CI (período de 01 a 11/2008) e Levantamento DI2 – DIFERENÇA SOBRE PAGAMENTO A CI (competência 12/2008). Diferenças de contribuições da parte da empresa não recolhidas, resultantes da comparação entre os valores recolhidos antes do início do procedimento fiscal e aqueles relativos a remunerações apuradas nas contas 4.2.3.01.0001 – Serv – PF e 4.2.7.01.0015 – Outras Despesas, pagas a segurados contribuintes individuais, os quais foram incluídos em GFIP retificadoras enviadas após o início do procedimento fiscal. * Levantamento PB – PREBENDA (período de 01 a 11/2008) e Levantamento PB2 – PREBENDA (competência 12/2008). Contribuições incidentes sobre valores apurados na conta 4.1.1.01.001 – Prebenda – Ministro Conf. Religiosa, considerados pela Fiscalização como remuneração, conforme exposto no item 14 e seus subitens do REFISC, uma vez que os valores mínimo e máximo pagos apresentaram, ainda que dentro do mesmo estado, variações muito grandes (de 880% a 2000%), sem que a autuada as justificasse, Fl. 3290DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 4 embora tenha sido instada a fazê-lo. Assim sendo, o lançamento foi motivado pelos indícios de natureza remuneratória de tais valores, tendo em vista sua relação com a quantidade do trabalho executado pelos religiosos. Segundo o Auditor Fiscal autuante, uma vez que o período considerado nos levantamentos BO2 – EDUCAÇÃO BOLSA DE ESTUDO, CO2 – COOPERATIVA DE TRABALHO, DI2 –DIFERENÇA SOBRE PAGAMENTO A CI e PB2 – PREBENDA (todos abrangendo apenas a competência 12/2008) é posterior à publicação da Medida Provisória nº 449/ 2008 (DOU de 4.12.2008), convertida na Lei 11.941/2009, aos mesmos foi aplicada a multa de ofício de 75% sobre o valor principal, prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996, o que absorveu a penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de informar em GFIP todos os fatos geradores das contribuição previdenciárias lançadas no AIOP DEBCAD 37.388.3463. Em relação ao período considerado nos levantamentos BO – EDUCAÇÃO BOLSA DE ESTUDO, CO – COOPERATIVA DE TRABALHO, DI – DIFERENÇA SOBRE PAGAMENTO A CI e PB – PREBENDA (todos de 01 a 11/2008), foi aplicada a legislação anterior à MP 449/2008, ou seja, no AIOP DEBCAD 37.388.3463 foi aplicada a multa de mora de 24% sobre o valor das contribuições lançadas, e foi efetuado o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória através do AIOA DEBCAD 37.388.3455. Segundo o Auditor Fiscal autuante, como consta da planilha de fls. 1572 e 1573 do e-processo, tal procedimento teve resultado mais benéfico ao contribuinte, o que tornou desnecessária a aplicação das regras posteriores à MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. O AIOA DEBCAD 37.388.3455, no valor de R$ 660.879,45, refere-se à multa por descumprimento da obrigação acessória estabelecida no art. 32, inciso IV, §§ 3° e 5°, da Lei 8.212/1991 c/c art. 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999 (CFL 68), no período de 01 a 11/2008. Consta do item 71 do REFISC, vide fl. 51 do e-processo, que foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais (COMPROT 18470.732501/201220), pois foram constatados fatos que, em tese, configuram crimes contra a Seguridade Social definidos na Lei 9.983/2000. A empresa foi cientificada dos lançamentos em 16/01/2013, vide fls. 3 e 20 do e-processo. Foi apresentada uma impugnação para cada lançamento, ambas em 15/02/2013, concentradas às fls. 2738 a 2749 e 2914 a 2927, juntando-se, às fls. 2750 a 2911 e fls. 2928 a 3088 do e-processo, cópias de: comprovantes de capacidade postulatória, de relação de perguntas e respostas sobre a IN INSS/DC 89/2003 e a Lei 10.666/2003, de esclarecimentos prestados pela Previdência Social sobre a aplicabilidade da IN INSS/DC 87/2003 aos Ministros de Confissão Religiosa, de decisões da Justiça do Trabalho e do presente auto de infração. Como alegações de defesa, apresenta: AIOP DEBCAD 37.388.3463 Uma vez que os fatos considerados como geradores das contribuições previdenciárias lançadas no presente AIOP DEBCAD 37.388.3463 ocorreram, em sua maioria, em período anterior à publicação da Lei 11.941/2009 (DOU de 28/05/2009), deve ser aplicado ao lançamento a legislação a ela anterior, na competência 12/2008, já que mais benéfica ao Fl. 3291DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 18470.732497/2012-08 Acórdão n.º 2301-004.673 S2-C3T1 Fl. 3.289 5 contribuinte (multa de 24%, em vez de 75%). Em outras palavras, pede-se a ultratividade da aplicação do art. 35, I, II e III da Lei 8.212/1991 na competência 12/2008. Os valores pagos aos Ministros de confissão religiosa a título de prebendas não integram a base de cálculo de contribuição previdenciária da parte patronal, até porque não há vínculo empregatício entre eles e a impugnante. Assim sendo, tais valores não teriam de ser informados em GFIP e nem caberia à impugnante promover a retenção e recolhimento da parte de segurados. É predominante na Justiça do Trabalho o entendimento de que a relação mantida entre o Ministro de Confissão Religiosa e a Igreja em que atua é de natureza vocacional e voluntária e não obrigacional ou de subordinação, conforme demonstram as decisões apresentadas aos autos. A Lei 8.212/1991, na redação da Lei 10.170/2000, determina em seu art. 22, §13 que não são considerados remuneração os valores despendidos em face do mister religioso ou para subsistência do religioso, desde que os mesmos independam da natureza e da quantidade do trabalho por ele executado. O art. 9° da IN 971/2009 determina que apenas quando tais valores forem considerados remuneração é que ao religioso cabe contribuir como contribuinte individual, o que também é a orientação da Previdência Social, em sua página na internet. Conforme informado à impugnante pela Previdência Social mediante o ofício juntado aos autos, os valores não considerados remuneração não devem ser objeto de desconto e nem declarados em GFIP. As diferenças entre os valores de prebenda pagos aos Ministros de Confissão Religiosa que atuam junto à impugnante não podem servir de fundamento à autuação, pois a lei assim não dispõe, sendo justificáveis tais diferenças em função das particularidades de cada caso, pela necessidade de garantir a subsistência de forma digna dos religiosos e suas famílias. O mesmo raciocínio deve ser aplicado aos valores pagos a título de bolsas de estudo aos religiosos, já que as mesmas visam ao aperfeiçoamento da atuação desses ministros junto aos fiéis, razão por que esses valores não constituem remuneração e, consequentemente, não devem ser informados em GFIP. AIOA DEBCAD 37.388.3455 Todos os dados referentes aos fatos geradores e à base de cálculo e valores devidos de contribuição previdenciária foram corretamente informados em GFIP. Entende que lhe foi prejudicial a aplicação das regras vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores, previstas na legislação anterior à MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, razão por que pede a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN no cálculo da multa por descumprimento da obrigação acessória. Protesta pela nulidade do AIOA DEBCAD 37.388.3455, uma vez fundado em legislação já revogada à época de sua lavratura. A Turma de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação. Fl. 3292DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 6 A ciência do Acórdão 12-56.270 14ª Turma da DRJ/RJ1, ocorreu em 18/09/2014 (fl. 3.108). Sobreveio recurso voluntário em 16/10/2014 (fls. 3.111/3.127), que em suma, ratificou as razões da impugnação. Não houve impugnação e recurso referente ao lançamento das Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre valores pagos a cooperativas de trabalho. Em petição datada de 12/11/2015 (fls. 3.212/3.236), a contribuinte postulou pela aplicação do §14º, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 13.137/2015, o qual interpretou o §13º do art. 22 supracitado, argumentando que, “se alguma dúvida existia sobre a não caracterização da prebenda como possuidora de natureza remuneratória direta ou indireta, a mesma foi totalmente debelada através da modulação da nova legislação.” É o relatório. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade previstos no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972, merecendo ser conhecido. Insurge-se a recorrente quanto ao lançamento DEBCAD 37.388.3463, (fatos geradores não declarados em GFIP), relativamente ao item que refere-se à apuração de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração indireta paga a contribuintes individuais, apurada na conta 4.2.2.02.0002 a título de Educação (Bolsa de Estudo), bem como contribuições incidentes sobre valores apurados na conta 4.1.1.01.001, à título de Prebenda paga aos Ministros de Confissão Religiosa, considerados pela Fiscalização como remuneração. Com efeito, no que concerne ao lançamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a Prebenda paga aos Ministros de Confissão Religiosa, o mesmo fora fundamentado com base no §13, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, que assim preconizava: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] § 13. Não se considera como remuneração direta ou indireta, para os efeitos desta Lei, os valores despendidos pelas entidades religiosas e instituições de ensino vocacional com ministro de confissão religiosa, membros de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa em face do seu mister religioso ou para sua subsistência desde que fornecidos em condições que independam da natureza e da quantidade do trabalho executado. (Incluído pela Lei nº 10.170, de 2000). Fl. 3293DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 18470.732497/2012-08 Acórdão n.º 2301-004.673 S2-C3T1 Fl. 3.290 7 Com fundamento na parte final da redação do §13 do art. 22 supracitado, o Auditor Fiscal Autuante considerou que os valores pagos aos Ministros de Confissão Religiosa trataram-se de efetiva remuneração, conforme exposto no item 14 e seus subitens do REFISC, tendo em vista que os valores mínimo e máximo pagos apresentaram, ainda que dentro do mesmo Estado, variações muito grandes (de 880% a 2000%), sem que a autuada as justificasse, de forma que o lançamento foi motivado pelos indícios de natureza remuneratória de tais valores, em face da quantidade do trabalho executado pelos religiosos. Ocorre que, a Lei nº 13.137/2015 alterou a Lei nº 8.212/1991, de forma que incluiu o §14 e incisos I e II no art. 22, os quais, deram redação interpretativa ao §13 do mesmo artigo. Vejamos: § 14. Para efeito de interpretação do § 13 deste artigo: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) I - os critérios informadores dos valores despendidos pelas entidades religiosas e instituições de ensino vocacional aos ministros de confissão religiosa, membros de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa não são taxativos e sim exemplificativos; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) II - os valores despendidos, ainda que pagos de forma e montante diferenciados, em pecúnia ou a título de ajuda de custo de moradia, transporte, formação educacional, vinculados exclusivamente à atividade religiosa não configuram remuneração direta ou indireta. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) Considerando que a referida alteração legislativa inserida no §14, do art. 22, da Lei nº 8.212/91 tem cunho interpretativo, a mesma retroage e deve ser aplicada aos fatos- geradores constantes do lançamento, conforme determina o art. 106 do CTN. In verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Assim, em consonância com a redação atual do §14, do art. 22, cuja redação é interpretativa, os valores pagos a Ministros de Confissão Religiosa não configuram remuneração direta ou indireta, de forma que não incidem contribuições previdenciárias sobre tais rubricas. Refira-se que em relação ao lançamento relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre Bolsas de Estudos pagas aos contribuintes individuais, no qual o Auditor Fiscal considerou como remuneração indireta, aplica-se também a interpretação dada no §14, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, que expressamente dispõe que os valores despendidos, ainda que pagos de forma e montante diferenciados a título de formação educacional, vinculados exclusivamente à atividade religiosa, não configuram remuneração direta ou indireta. Da análise da Planilha constante em fls. 1.416/1.513, elaborada pelo auditor fiscal autuante (Anexo II), há a indicação dos beneficiários das bolsas de estudos e dos valores Fl. 3294DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 8 despendidos a este título. Em fls. 2.676/2.679), a contribuinte traz uma Planilha, denominada de despesas com educação, a qual se refere à competência de dezembro de 2009, que relaciona os beneficiários e os cursos em que se encontravam matriculados, quais sejam: Teologia, Direito, Administração, Jornalismo, Pedagogia, Publicidade e Propaganda, Engenharia, Psicologia, Fisioterapia, Ensino Médio e Inglês. Portanto, considerando que o §14 do art. 22, de forma clara exclui do campo de incidência das contribuições previdenciárias os valores despendidos pela entidade religiosa à título de formação educacional, desde que vinculados à atividade religiosa, e considerando que as bolsas de estudos de curso superior se inserem no conceito de formação educacional, tais valores pagos aos contribuintes individuais referentes aos cursos de teleologia, bem como ensino médio, não devem sofrer retenção de contribuições previdenciárias. Assim, quando do cálculo pela Secretaria da Receita Federal das contribuições previdenciárias incidentes sobre as bolsas de estudos, por força do §14, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, devem ser excluídos os valores despendidos aos contribuintes individuais no ano-calendário de 2008, referentes ao curso de Teologia, bem como ensino médio, uma vez que os demais cursos listados pela contribuinte, não tem vinculação com a atividade religiosa. No que tange a multa por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD 37.388.3455, cumpre esclarecer que, ainda que os valores à título de prebenda pagos aos ministros de confissão religiosa e as bolsas de estudos vinculadas a atividade religiosa pagas aos contribuintes individuais não incidam contribuições previdenciárias patronais, tais rubricas obrigatoriamente deveriam ser declaradas em GFIP, nos temos do art. 32-A, da Lei nº 8.212/91. Verifica-se que, em relação ao lançamento por descumprimento das obrigações acessórias, DEBCAD 37.388.3455, a mesma foi fundamentada no art. 32, inciso IV, §§ 4º e 5°, da Lei 8.212/1991 c/c art. 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999 (CFL 68). Os parágrafos 4º e 5º foram revogados, de forma que foi introduzida nova disciplina em relação às penalidades por descumprimento de obrigações acessórias através do art. 32- A, incluído pela Lei nº 11.941/2009. In verbis: Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar- se-á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. Portanto, ainda que o sujeito passivo tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Fl. 3295DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 18470.732497/2012-08 Acórdão n.º 2301-004.673 S2-C3T1 Fl. 3.291 9 Assim, diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: [...] II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista n a lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais benéfica ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, verifica-se que esta última é mais benéfica, de forma que, no caso deve ser aplicado o inciso I, do art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, em relação a penalidade por descumprimento de obrigação acessória (declaração com incorreções ou omissões na GFIP). Quanto a multa de mora prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91, em relação ao período de 01/2008 a 11/2008, cabe de ofício analisá-la, embora não arguido no recurso voluntário, de modo a aplicar a mais benigna, conforme determina o art. 106, II, “c”, do CTN. As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91, na forma da redação dada pela Lei n° 11.491/09 que transformou em lei a Medida Provisória MP n° 449. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei n o 11.941/09, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n o 9.430/96. " Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. " Fl. 3296DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 10 O STJ julgando o agravo regimental da Fazenda Pública (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.343.805 SC), Relator Min. Humberto Martins, acompanhado por unanimidade, registrou que a jurisprudência daquela Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea c, do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, verificando-se que o art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei nº 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20% que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica. "Conforme consignado na decisão agravada, a jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea c, do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial independentemente da natureza da multa, sem contudo descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa. Verifica-se que o art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei n. 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20% que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN.” Refira-se que, para as Contribuições Previdenciárias, a aplicação de multa de ofício só veio a ser instituída através da Medida Provisória MP n° 449 a partir de sua edição em 03/12/2008. Logo, considerando que o crédito fora constituído para o período 01/2008 a 12/2008, somente deve estabelecer multa de ofício para a competência 12/2008. O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõe-se, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96, uma vez que o art. 35 da Lei n.º 8.212/91 foi alterado pela Lei nº 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%. Nesse sentido, cabe transcrever excertos da ementa do acórdão nº 2403-002.912, do Relator Ivacir Júlio de Souza: “[...] MULTA DE MORA. É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente compará-los com os valores obtidos nos termos do novo art. 35-A para então fazer prevalecer o menos gravoso RETROATIVIDADE BENÍGNA Tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional CTN, observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. [...]” Fl. 3297DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO http://www.jusbrasil.com/topicos/10577166/artigo-106-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/topicos/10577085/inciso-ii-do-artigo-106-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/topicos/10576978/alinea-c-do-inciso-ii-do-artigo-106-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/legislacao/129080/c%C3%B3digo-tribut%C3%A1rio-nacional-lei-5172-66 http://www.jusbrasil.com/topicos/11350418/artigo-35-da-lei-n-8212-de-24-de-julho-de-1991 http://www.jusbrasil.com/legislacao/104107/lei-org%C3%A2nica-da-seguridade-social-lei-8212-91 http://www.jusbrasil.com/legislacao/231803/lei-11941-09 http://www.jusbrasil.com/topicos/10577166/artigo-106-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/topicos/10577085/inciso-ii-do-artigo-106-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/topicos/10576978/alinea-c-do-inciso-ii-do-artigo-106-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/legislacao/129080/c%C3%B3digo-tribut%C3%A1rio-nacional-lei-5172-66 http://www.jusbrasil.com/topicos/11350418/artigo-35-da-lei-n-8212-de-24-de-julho-de-1991 http://www.jusbrasil.com/legislacao/104107/lei-org%C3%A2nica-da-seguridade-social-lei-8212-91 http://www.jusbrasil.com/legislacao/231803/lei-11941-09 http://www.jusbrasil.com/topicos/10577166/artigo-106-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/topicos/10577085/inciso-ii-do-artigo-106-da-lei-n-5172-de-25-de-outubro-de-1966 http://www.jusbrasil.com/legislacao/129080/c%C3%B3digo-tribut%C3%A1rio-nacional-lei-5172-66 http://www.jusbrasil.com/topicos/11350418/artigo-35-da-lei-n-8212-de-24-de-julho-de-1991 http://www.jusbrasil.com/legislacao/104107/lei-org%C3%A2nica-da-seguridade-social-lei-8212-91 http://www.jusbrasil.com/legislacao/231803/lei-11941-09 Processo nº 18470.732497/2012-08 Acórdão n.º 2301-004.673 S2-C3T1 Fl. 3.292 11 Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para, cancelar o lançamento relativo as contribuições previdenciárias sobre os valores de prebenda pagos aos ministros de confissão religiosa, bem como excluir do cálculo das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre bolsas de estudos pagas aos contribuintes individuais os valores que se referem aos cursos vinculados a atividade religiosa (teologia e ensino médio), bem como, que relativamente a multa por descumprimento das obrigações acessórias (declaração em GFIP), seja aplicado o art. 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, e, em relação a multa de mora, que seja aplicada a multa fundamentada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96, em relação a competência de 01/2008 a 11/2008. (Assinado Digitalmente) Alice Grecchi - Relatora Voto Vencedor Conselheira Andréa Brose Adolfo - Redatora designada. Remuneração dos Ministros de Confissão Religiosa A controvérsia reside na exclusão, do conceito de remuneração, dos valores despendidos pela entidade religiosa aos segurados contribuintes individuais que atuam como ministros de confissão religiosa. O artigo 22, §13, da Lei nº 8.212, de 1991, estabelece que não se considera remuneração os valores despendidos pelas instituições religiosas aos seus ministros de confissão religiosa, desde que "fornecidos em condições que independam da natureza e quantidade do trabalho executado" (parte final do § 13, do art. 22). Por se tratar de regra isentiva, a norma deve ser interpretada literalmente, a teor do disposto no artigo 111, II, da Lei nº 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional - CTN: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; (...) (grifo nosso) Assim, para fazer jus a tal benefício caberia ao recorrente comprovar o preenchimento das condições estabelecidas no §13 do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o que não ocorreu, conforme os seguintes trechos do relatório fiscal: 14.7. Intimado a esclarecer os motivos em relação às diferenças constatadas entre os valores pagos a título de prebenda o sujeito passivo apresentou parecer jurídica datado de 09 de novembro de 2012, onde procura justificar a não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais valores pagos a Ministros de Confissão Religiosa. ... Fl. 3298DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 12 14.9. No entender da Fiscalização o parecer apresentado pelo sujeito passivo não esclarece os motivos para as diferenças constatadas entre os valores pagos a título de prebenda, a fim de justificar que tais pagamentos não ferem a condição legal de não ter relacionamento com a quantidade de trabalho. Desta forma novamente foi intimado o contribuinte para prestar esclarecimentos, tendo sido apresentado em 26 de novembro de 2012, um outro documento, não um parecer jurídico, e sim um esclarecimento do porque os pastores recebem prebenda, porém invocando como principal motivo, o exercício de uma vocação, e que o fim a que se destina é a ordem espiritual. 14.10. O sujeito passivo faz referência a aspectos religiosos, mas novamente não esclarece o motivo das diferenças entre os valores dos pagamentos realizados. (...) (Grifos no original.) Na fase litigiosa, tanto em sede de impugnação, quanto no apelo recursal, as únicas alegações do contribuinte são no sentido de que a relação existente entre a igreja e o ministro de confissão religiosa é de natureza vocacional e não obrigacional ou de subordinação, sendo este o entendimento predominante na Justiça do Trabalho. Também, que os valores pagos são destinados a subsistência dos ministros e suas famílias, portanto a variação decorreria das "peculiaridades de cada região e das demandas que ensejam sua mantença - dos pastores - nas mesmas". Continua, "a subsistência dos pastores depende de inúmeras variáveis, dentre as quais podemos destacar a localidade onde residem, seu estado civil - se casados ou solteiros - a manutenção de sua família - em tendo filhos em fase alimentar - dentre outros". Registre-se que meras alegações não servem como prova, exceto se acompanhadas de documentação probatória. Analisando os documentos acostados aos autos, especialmente os recibos de pagamento de e-fls. 1.919 a 2.647, verifica-se que mesmo para ministros de confissão religiosa sediados em uma mesma base territorial (mesmo município), havia grande variação nos pagamentos. Portanto, no caso em exame, o recorrente não se desincumbiu da obrigação de demonstrar que a diferenciação entre os valores da prebenda não são decorrentes da natureza e da quantidade de trabalho executado por cada segurado, a teor do disposto na parte final do § 13 do artigo 22, da Lei nº 8.212, de 1991, devendo ser mantidos os valores constantes do levantamento PB2 - PREBENDA. Retroatividade benigna. Multa sobre obrigação principal. O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. De acordo com o relatório fiscal, o presente processo trata de lançamento de contribuições previdenciárias parte patronal - obrigação principal) referentes ao período de 01/2008 a 12/2008 e multa por descumprimento de obrigação acessória (apresentar GFIP sem todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias), portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35-A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida Fl. 3299DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Processo nº 18470.732497/2012-08 Acórdão n.º 2301-004.673 S2-C3T1 Fl. 3.293 13 na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476-A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35-A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicam-se as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Nota-se que o auditor-fiscal, no momento da autuação já elaborou planilha comparativa entre as multas vigentes na data do fato gerador e as multas supervenientes, em virtude das alterações promovidas na Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941, de 2009, conforme seguintes os trechos extraídos do relatório fiscal: 23. A MP 449/2008, que foi transformada na Lei n° 11.941/2009 trouxe alterações na Lei 8.212/91, introduzindo-se o artigo 35-A, o qual determina que, nos casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, deve ser aplicada à multa disposta no art. 44 da Lei n. 9.430, de 27/12/96, D.O.U. de 30/12/96, ou seja, multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos das seguintes condutas: (i) do não recolhimento de contribuições previdenciárias e não declaração das contribuições previdenciárias não recolhidas e (ii) do não recolhimento das contribuições previdenciárias e declaração com omissão e/ou incorreções das contribuições previdenciárias não recolhidas. Portanto, a aplicação da multa de oficio ocorrerá quando do procedimento fiscal ensejar a lavratura de lançamento de débito face ao sujeito passivo. 24. Desta forma a multa de ofício de 75% a ser aplicada após a Lei n° 11.941 de 2009, substitui as seguintes multas que seriam aplicadas pela legislação anterior (Lei 8.212/91): Fl. 3300DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO 14 a) multa de mora de 24% aplicada no lançamento da obrigação principal devida; b) multa aplicada pela infração relativa à não entrega de GFIP (CFL 67) e a multa aplicada pela infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP (CFL 68), ou seja, por descumprimento de obrigação acessória. 25. Quanto aos valores recolhidos anteriormente ao procedimento fiscal que, porém, não foram declarados em GFIP, não se aplicará pela legislação vigente à multa de oficio de 75%, mas sim ensejará a lavratura do AI (CFL 78), em que o cálculo da multa será o disposto na Lei n.° 8.212/91, art. 32-A, "caput", inciso I e §§ 2 o e 3 o , incluídos pela MP n.° 449 de 2008 (Lei n° 11.941 de 2009). 26. Portanto, em relação a essas diferenças apuradas do ano de 2008, em relação ao período de 01/2008 a 11/2008, não houve a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, disposta no art. 44 da Lei 9.430/96, conforme disposto na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, que alterou na Lei 8.212/1991, introduzindo-se o art. 35-A, e a multa do auto no fundamento legal 78, tendo em vista, que em relação a essas competências do ano de 2008 foi mais benéfico para a empresa á aplicação da multa da Lei anterior (Lei n° 8.212/1991), somada ao valor da multa do auto de infração no fundamento legal 68, somada a multo do auto no fundamento legal 68,(sic) conforme quadro demonstrativo de comparação de multas. (Grifos nossos.) Portanto, entendo que a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o disposto no art. 476-A da IN RFB 971/2009, acima transcrito, e nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Assim, não há que se falar em aplicação do princípio da retroatividade benigna, consoante o disposto no artigo 106, II, c, do CTN, uma vez que tal procedimento já foi realizado pela fiscalização no momento da lavratura do auto de infração, nos termos do artigo 476-A da IN RFB 971/2009 e de acordo com o art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Conclusão Pelo exposto, entendo que devam sem mantidos os valores constantes do levantamento PB2 - PREBENDA, bem como o valor da multa apurada incidente sobre a obrigação principal. (Assinado Digitalmente) Andrea Brose Adolfo Fl. 3301DF CARF MF Impresso em 22/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO Relatório Voto
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Numero do processo: 10980.726897/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ - Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009).
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2009
CLUBES DE FUTEBOL. ASSOCIAÇÃO CIVIL. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA.
As diversas atividades exercidas pelos clubes de futebol profissional não se albergam na figura legal da associação civil sem fins lucrativos, por se caracterizarem em verdadeiro exercício de atividade econômica, sendo inaplicável a isenção tributária estabelecida no art. 15, da Lei nº 9.532/97.
SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA.
Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação é tributariamente distinta do sócio ostensivo, a existência de eventual benefício fiscal para este não se transmite àquela.
NEGOCIAÇÃO DE ATLETA. VANTAGEM ECONÔMICA. CLÁUSULA PENAL. DESCARACTERIZAÇÃO.
Não há que se falar em natureza indenizatória do valor recebido pela negociação do atleta quando as circunstâncias expõem a remuneração decorrente da operação mercantil.
PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. DEDUÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE.
São indedutíveis do lucro real os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV, do art. 151, do CTN (Art. 41, da Lei nº 8.981/95).
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2009
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento do processo tido como principal.
Numero da decisão: 1402-002.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista e Demetrius Nichele Macei que votaram por negar provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a decadência em relação ao fato gerador ocorrido no primeiro trimestre de 2005. O conselheiro Demetrius Nichele Macei fará declaração de voto.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Gilberto Baptista, Roberto Silva Junior, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ - Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2009 CLUBES DE FUTEBOL. ASSOCIAÇÃO CIVIL. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. As diversas atividades exercidas pelos clubes de futebol profissional não se albergam na figura legal da associação civil sem fins lucrativos, por se caracterizarem em verdadeiro exercício de atividade econômica, sendo inaplicável a isenção tributária estabelecida no art. 15, da Lei nº 9.532/97. SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação é tributariamente distinta do sócio ostensivo, a existência de eventual benefício fiscal para este não se transmite àquela. NEGOCIAÇÃO DE ATLETA. VANTAGEM ECONÔMICA. CLÁUSULA PENAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Não há que se falar em natureza indenizatória do valor recebido pela negociação do atleta quando as circunstâncias expõem a remuneração decorrente da operação mercantil. PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. DEDUÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. São indedutíveis do lucro real os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV, do art. 151, do CTN (Art. 41, da Lei nº 8.981/95). AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2009 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento do processo tido como principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista e Demetrius Nichele Macei que votaram por negar provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a decadência em relação ao fato gerador ocorrido no primeiro trimestre de 2005. O conselheiro Demetrius Nichele Macei fará declaração de voto. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Gilberto Baptista, Roberto Silva Junior, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2009 CLUBES DE FUTEBOL. ASSOCIAÇÃO CIVIL. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. As diversas atividades exercidas pelos clubes de futebol profissional não se albergam na figura legal da associação civil sem fins lucrativos, por se caracterizarem em verdadeiro exercício de atividade econômica, sendo inaplicável a isenção tributária estabelecida no art. 15, da Lei nº 9.532/97. SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação é tributariamente distinta do sócio ostensivo, a existência de eventual benefício fiscal para este não se transmite àquela. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 68 97 /2 01 1- 23 Fl. 4616DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 NEGOCIAÇÃO DE ATLETA. VANTAGEM ECONÔMICA. CLÁUSULA PENAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Não há que se falar em natureza indenizatória do valor recebido pela negociação do atleta quando as circunstâncias expõem a remuneração decorrente da operação mercantil. PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. DEDUÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. São indedutíveis do lucro real os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV, do art. 151, do CTN (Art. 41, da Lei nº 8.981/95). AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2009 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se tratar de lançamento tido como reflexo, aplicase a ele o resultado do julgamento do processo tido como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista e Demetrius Nichele Macei que votaram por negar provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a decadência em relação ao fato gerador ocorrido no primeiro trimestre de 2005. O conselheiro Demetrius Nichele Macei fará declaração de voto. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Gilberto Baptista, Roberto Silva Junior, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 4617DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726897/201123 Acórdão n.º 1402002.182 S1C4T2 Fl. 4.617 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 3.1163.140) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 3.1413.165), mediante os quais se exige da autuada o crédito tributário total de R$ 85.072.078,39, incluindo juros moratórios calculados até o mês de dezembro de 2011, conforme demonstrativo seguinte: [...] No essencial, a infração atribuída à autuada consiste no fato de haver apresentado declarações anuais à Administração Tributária na condição de isenta, circunstância que teria evitado o recolhimento dos tributos lançados, considerados devidos pela fiscalização, uma vez que esta não reconheceu a isenção que a autuada entende lhe favorecer. Impende acrescentar que o lançamento engloba não apenas os tributos devidos diretamente pela autuada, na condição de contribuinte, mas também os tributos devidos por sociedades em conta de participação nas quais figurou como sócia ostensiva, tudo devidamente detalhado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 3.097/3.115. Os enquadramentos legais do lançamento se encontram descritos no campo próprio de cada auto de infração. A autuada foi cientificada do lançamento em 29/12/2011, conforme Aviso de Recebimento reproduzido às fls. 3.168, e apresentou tempestivamente, em 27/01/2012, as impugnações de fls. 3.190/3.270 (IRPJ) e fls. 3.776/3.846 (CSLL), veiculando, em redação quase idêntica, as alegações adiante sintetizadas: aduz a tempestividade da impugnação; alega a decadência parcial, afirmando que a regra decadencial aplicável ao caso é a do art. 150, § 4º, do CTN, e que, ainda que se aplique a regra do art. 173, I, § único, do CTN, a decadência parcial seria evidente; aponta a existência de pagamentos de IRPJ nos anos de 2005 e 2006, que determinariam a regra de decadência do art. 150, § 4º, do CTN, consistentes em retenções que sofreu por parte de fontes pagadoras, conforme demonstra. Com argumentos variados, defende sua tese; acrescenta que, ainda que se pudesse desconsiderar as antecipações de IRPJ e aplicar o art. 173 do CTN, restaria configurada a decadência dos lançamentos de ofício relativos aos quatro trimestres do anocalendário de 2005. Verte farta argumentação tendente a demonstrar a erronia do entendimento exarado pelo autuante no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal em sentido contrário. Arremata argumentando que, ainda que não houvesse nenhuma antecipação de pagamento, a autuação seria improcedente em relação aos valores relativos ao ano de 2005; Fl. 4618DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 adentrando o exame de mérito, discorre sobre seu enquadramento na isenção do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, na condição de associação civil sem fins lucrativos. Nessa linha, argumenta que é uma associação civil sem fins lucrativos e que, a pretexto de interpretar literalmente a lei, o autuante suprimiu uma parte do caput do art. 15, da Lei nº 9.532, de 1997. Também argumenta acerca da inocorrência de transformação da natureza jurídica das entidades, pela Lei Pelé, e tece considerações sobre a confusão indevida dos conceitos de atividade econômica e atividade de fins lucrativos. Afirma que o autuante, por via transversa, está a defender a tese de que a Lei Pelé teria automaticamente transformado toda e qualquer entidade ou associação atuante na área do futebol profissional em uma empresa com fins lucrativos. Transcreve o artigo 2º da Lei Pelé e argumenta que confundir ‘atividade econômica’ com atividade econômica de fins lucrativos é definir o todo pela sua parte; confundir o gênero com a espécie. Transcreve o § 3º do artigo 12 da Lei nº 9.532, de 1997, e afirma que o mesmo aponta, com clareza, que existe atividade econômica sem fins lucrativos; discorre sobre a faculdade que não exerceu de se transformar em sociedade empresária de fins lucrativos, que teria sido ignorada pelo autuante. Enfatiza que a transformação de qualquer entidade desportiva profissional em sociedade empresária é uma faculdade, e não uma obrigação, muito menos uma consequência automática decorrente de lei. Reitera que, para as associações civis que não alteraram a sua natureza jurídica, a regra de isenção permaneceu inalterada. Historia as diversas tentativas do Poder Executivo de, via medidas provisórias, tornar obrigatória a transformação das associações civis esportivas em clubes empresa; discorre sobre a confusão, que estaria sendo feita pela fiscalização, entre normas de ‘fiscalização e controle’, previstas na Lei Pelé, e normas de incidência tributária. Transcreve o § 13 do art. 27, da Lei Pelé, e enfatiza que a equiparação nele prevista restringese às atividades de fiscalização e controle, mas apenas para os fins previstos naquela, e não em outras leis; aponta violação ao art. 109 do CTN e afirma que a fiscalização fez exatamente o contrário do que determina o comando legal. Aponta que a fiscalização elegeu, exclusiva e erroneamente, os princípios de lei geral do direito privado – art. 2º, parágrafo único, da Lei Pelé – que não é lei tributária, para definir os efeitos tributários do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997. Adiciona que pretendeu aplicar uma lei de direito privado genérica do desporto em detrimento de uma lei tributária específica de isenção do IRPJ e da CSLL. Arremata argumentando que a Lei Pelé jamais poderia revogar a isenção tributária da Lei nº 9.532, de 1997, salvo se o fizesse expressamente; discorre sobre a impertinência da invocação do art. 13 da Lei nº 11.345, de 2006, às associações civis. Relata que a fiscalização afirma que o fato de o art. 13 da Lei nº 11.345, de 2006, ter concedido uma isenção tributária específica e temporária, por cinco anos, às entidades desportivas de futebol profissional, atestaria que não existe uma isenção permanente nesse sentido. Argumenta que a simples leitura do art. 13, caput da Lei nº 11.345, de 2006, basta para infirmar o entendimento do autuante. Adiciona que o dispositivo é voltado expressa e especificamente às entidades desportivas da modalidade futebol que sejam administradas por pessoa jurídica sociedade empresária, razão pela qual não se aplicaria às associações civis sem fins lucrativos; afirma que o autuante contrariou o entendimento público e expresso do Ministro de Estado da Fazenda, além dos demais que assinaram a Proposta de Medida Provisória de que trata a EM Interministerial nº 23/2007/MF/ME/TEM/MPS/MinC, de 15/02/2007, da qual transcreve excertos. Fl. 4619DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726897/201123 Acórdão n.º 1402002.182 S1C4T2 Fl. 4.618 5 Assevera que tais palavras espancam, vez por todas, o entendimento do autuante, de que a isenção havia sido revogada para as associações civis; discorre sobre seu triplo enquadramento na isenção do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, argumentando também ser instituição de caráter recreativo e instituição de caráter cultural, sem fins lucrativos; discorre sobre sua inequívoca boafé e o descabimento da aplicação de qualquer multa, juros e correção monetária, devido à incidência da regra do art. 100, III e parágrafo único do CTN, e da impossibilidade de penalização em face da alteração de critério jurídico. Argumenta que nada mais fez do que seguir o entendimento notório da Receita Federal do Brasil e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda– CARF, conforme soluções de consulta que transcreve e julgados que traz à colação. Sustenta estar provado que o entendimento das autoridades administrativas, em especial da Secretaria da Receita Federal e do CARF sempre foram e continuam a ser no sentido de reconhecer a isenção, inclusive para as entidades de futebol profissional, quando preenchidos os requisitos legais. Adiciona que, durante décadas, nos termos do art. 100, III, do CTN, nada mais fez do que seguir uma norma tributária complementar da Receita Federal, de sorte que não pode ser agora penalizada pela cobrança de multa, nem ter exigidos os juros de mora e a correção monetária, mesmo que tal entendimento tenha mudado, o que afirma não ter ocorrido; discorre sobre a não incidência de IRPJ sobre os valores recebidos a título de indenização, conforme julgados do STJ trazidos à colação. Afirma que grande parte dos valores recebidos, seja por ela própria, seja pelas SCP das quais era sócia ostensiva, têm clara natureza indenizatória. Acrescenta que, ao tratar do contrato de trabalho de atletas profissionais, a redação original da Lei Federal nº 9.615, de 1998, não mais previu direito de passes sobre os jogadores, substituindoo pela obrigatoriedade de previsão de indenização (cláusula penal) para o caso de o atleta romper o contrato de trabalho que firmou com a entidade antes de seu termo final. Argumenta que se trata de mecanismo que assegura às entidades desportivas a recomposição de seu patrimônio, porquanto a indenização paga pela rescisão antecipada do contrato de trabalho serve para permitir a recomposição do quadro de atletas da entidade, patrimônio reduzido mediante o rompimento antecipado do contrato, bem como para ressarcir a entidade dos gastos incorridos com a formação e manutenção do atleta; acrescenta que o art. 681, § 5º, do RIR/99, expressamente afastam a incidência do incidência do IRPJ sobre as multas em rescisões trabalhistas, e que esse é o caso dos autos; reportandose à parcela do lançamento alusiva às sociedades em conta de participação, argumenta que os valores deveriam ser recalculados, aplicandose a sistemática do lucro presumido, e não a do lucro real. também reclama que o autuante não deduziu do tributo lançado os valores retidos por fontes que lhe pagaram rendimentos, nos valores constantes das planilhas que anexa. Argumenta que, nos períodos em que restar apurado IRPJ a pagar, os valores devem ser abatidos do montante supostamente devido e, nos períodos em que não seja identificado imposto a pagar, os valores devem ser somados aos do primeiro período subsequente em que haja débito, para, neste, serem deduzidos do imposto a pagar; em tópico específico, aponta a necessidade de deduzir, das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, os valores autuados referentes às contribuição para o Fl. 4620DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 PIS/PASEP e COFINS. Argumenta não ser aplicável à hipótese a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa, prevista pelo § 1º do art. 41 da Lei Federal nº 8.891, de 1995, uma vez que, no momento da autuação, os valores lançados a título de PIS e COFINS não estavam com sua exigibilidade suspensa. Argumenta que a dedutibilidade de tais valores, em casos de autuação concomitante, é matéria pacífica no seio do CARF, conforme julgado que traz à colação; argúi a improcedência do auto de infração em relação à multa de 75%, pelo seu caráter confiscatório, e pondera a necessidade de consideração da boafé como critério de razoabilidade e de proporcionalidade. Finaliza requerendo: 1 – No mérito: a) seja integralmente cancelada a cobrança dos tributos e acréscimos formalizada por meio dos autos de infração; b) seja declarada a extinção, por decadência, dos supostos débitos de IRPJ e CSLL relativos aos fatos geradores anteriores a 29/12/2006 e aos fatos geradores anteriores a 1º/01/2006; c) seja cancelada a cobrança dos acréscimos de multa, de juros e de correção monetária que constam do auto de infração, por aplicação da regra do art. 100, III, do CTN; d) sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ, integralmente, os valores recebidos a título de cláusula penal, pela impugnante e pelas SCP das quais era sócia ostensiva, por se tratar de indenização. Subsidiariamente, que os valores atribuídos a cada uma das SCP sejam tributados pelo lucro presumido, apurandose a base de cálculo pelo percentual de 8%; e) sejam os valores correspondentes às antecipações de imposto de renda na fonte deduzidos do imposto de renda a pagar, recalculandose o valor autuado, observandose que, nos períodos em que restar apurado IRPJ a pagar, tais valores devem ser abatidos do montante supostamente devido; e nos períodos em que não seja identificado imposto a pagar, tais valores devem ser somados aos do primeiro período subsequente em que haja débito, para neste serem deduzidos do imposto a pagar; f) sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ os valores das autuações relativas ao PIS e à COFINS, cobradas por meio do PAF nº 10980.726895/201134; g) sejam excluídos da exigência fiscal os valores referentes à multa confiscatória de 75%, conforme entendimento atual do Egrégio STF e, subsidiariamente, que, ao menos seja a multa reduzida de acordo com os critérios de razoabilidade e de proporcionalidade, para percentual não superior a 10%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR prolatou o Acórdão 0635.951 dando provimento parcial à impugnação para cancelar a exigência formalizada com base nos valores auferidos exclusivamente pela autuada, por entender que se trata de associação civil sem fins lucrativos albergada pelo art. 18, da Lei nº 9.532/97. Foi mantida a exigência referente aos ganhos obtidos pelas Sociedades em Conta de Participação (SCP), no entendimento de que os resultados não se confundiriam com a da sócia ostensiva, ainda que contabilizados por essa última. Fl. 4621DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726897/201123 Acórdão n.º 1402002.182 S1C4T2 Fl. 4.619 7 Daí porque não haveria que se falar em isenção do IRPJ e da CSLL para as SCPs. Sob essa ótica, o DecretoLei nº 2.303/86 estabeleceria a tributação dessas sociedades Face ao valor da exigência exonerada, foi interposto recurso de ofício. Devidamente cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário contra a parcela mantida da exigência ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. Acrescenta, em síntese: a inaplicabilidade da equiparação prevista pelo Decretolei nº 2.303 à CSLL; a ilegalidade da equiparação da SCP à pessoa jurídica para fins de incidência tributária e a mudança da apuração para lucro presumido ; a ausência de previsão legal para imposição à SCP de regime tributário diverso daquele aplicável ao sócio ostensivo; a ilegalidade decorrente da anulação parcial da regra de isenção contida no art. 15, da Lei nº 9.532/97; o reconhecimento da isenção quanto à parcela do resultado da SCP cabível à recorrente; a improcedência da exigência tributária sobre SCPs em que todos os sócios são isentos; a dedução do valor pago pelo sócio participante Marcos Aurélio de Abreu Rodrigues e Silva; e: a dedução da despesas incorridas para obtenção do resultado, inclusive os valore repassados a terceiros; É o Relatório. Fl. 4622DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto RECURSO DE OFÍCIO A questão principal a ser dirimida consiste na definição de ser ou não o Clube Atlético Paranaense (CAP) isenta do pagamento do IRPJ e CSLL. O acórdão recorrido admite que o art. 18, da Lei nº 9.532/97, revogou a isenção do imposto de renda para os clubes de futebol, originalmente prevista no art. 30, da Lei 4502/64. Por outro lado, entendeu o voto condutor que a interessada se caracterizaria como associação civil e, sob essa modalidade, enquadrada na excepcionalidade do Parágrafo Único daquele dispositivo que alberga a isenção com base no art. 15, da mesma lei: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] No meu entendimento, sob a égide do art. 111, do CTN; as normas que tratam de isenção devem ser interpretadas literalmente. Sob essa ótica, os clubes de futebol profissional não se enquadrariam entre as entidades mencionadas no caput do dispositivo. A decisão recorrida faz a ressalva de que o CAP não tem caráter filantrópico, científico, cultural e recreativo. Entretanto, como já afirmado, tratou a interessada como associação civil prestadora de serviço. Não consigo vislumbrar tal característica num clube de futebol. O CAP obtém receitas da exploração do futebol profissional (publicidade, marketing, bilheteria, transmissão de jogos, prêmios, etc.), com o principal objetivo de vencer campeonatos de futebol. Tenho dificuldade de visualizar que serviço efetivamente é prestado. Ressaltese que meu questionamento dirigese fundamentalmente ao aspecto fiscal. Reconheço, inclusive por disposição legal, a autonomia das entidades esportivas para definir sua organização e funcionamento. O que não me parece aceitável é o uso dessa prerrogativa para se eximir da incidência tributária legítima. As diversas atividades exercidas pelos clubes de futebol profissional não se albergam na figura legal da associação civil sem fins lucrativos, por se caracterizarem em Fl. 4623DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726897/201123 Acórdão n.º 1402002.182 S1C4T2 Fl. 4.620 9 verdadeiro exercício de atividade econômica como, por exemplo a venda ou a exploração comercial da imagem do atleta, contratos de patrocínio e licenciamento de marcas ou produtos. Daí porque essas entidades não poderiam se abrigar no instituto da associação civil, mas dentro de figuras jurídicas que lhes permita o exercício daquelas atividades econômicas. O Parecer PGFN/CAT/2567/2012 é didático nesse ponto: [...] É verdade que as entidades de desporto profissional tem liberdade para definir seu funcionamento e organização, ma também é verdade que um dos cânones do nosso sistema é o princípio da igualdade, o qual se desdobra na seara tributária no princípio da capacidade contributiva, logo, a leitura da norma de isenção sofre também a inflexão do princípio, de maneira que há uma realidade econômica inegável nas atividades de desporto profissional que não permite que o confundamos com atividade associativa, reforçando a leitura de não incidência da norma de isenção aos clubes de futebol profissional. Logo, permitir a incidência da norma de norma de isenção, contra todos os elementos em contrário, causaria um grave desequilíbrio no sistema, na medida em que permitiria a entidades que exercem a mesma atividade econômica e tem o mesmo porte, a terem tratamentos tributários diferenciados. Além do princípio da igualdade tributária, devemos considerar o principio da capacidade contributiva, afinal, a tributação ocorre a partir de manifestações econômicas, de forma autônoma em relação ao conjunto de relações jurídicas realizadas pelo sujeito passivo, portanto, a relação que demonstre sinais de riqueza é utilizada, em regra, na imposição tributária, a aplicação do tributo em face de relações que demonstrem signos de riqueza é a aplicação do principio da capacidade contributiva objetiva. No presente caso é indiscutível a natureza econômica das atividades desenvolvidas por clubes de futebol e, por consequência, sua aptidão a ensejar a tributação. A capacidade contributiva subjetiva, que inicialmente pressupõe a capacidade contributiva objetiva aplicando o tributo em face das ocorrências de manifestações econômicas, é realizada na distribuição equitativa da carga tributária, distribuindo com toda a sociedade as imposições, variando na medida do montante das riquezas de cada sujeito passivo, razão pela qual não se poderia permitir que um sujeito tivesse riqueza, mas, em razão de uma determinada forma jurídica, conseguisse se eximir da tributação imposta a todos que estão em situação de riqueza similar Assim, o princípio da capacidade contributiva subjetiva tem como objetivo distribuir de forma equitativa a carga tributária, portanto, ela se concretiza na medida em que cada um contribui na medida de sua condição econômica pessoal. [...] Do exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício, com a ressalva a seguir. Em relação à decadência, a 1º Seção do STJ, em sessão de 12/08/2009, manifestouse no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Fl. 4624DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 existência ou não de pagamento ainda que parcial mostrase relevante para a definição da contagem do prazo de caducidade (destaques acrescidos). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege Fl. 4625DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726897/201123 Acórdão n.º 1402002.182 S1C4T2 Fl. 4.621 11 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vêse pela transcrição acima que a Corte submeteu a decisão ao art. 543C do Código de Processo Civil o que significa darlhe efeito repetitivo. Assim, qualquer recurso sobre essa matéria será decidido da mesma forma. No presente caso, o CAP demonstrou ter sofrido retenções na fonte principalmente de aplicações financeiras. Nessa questão divirjo da decisão recorrida por entender que tais retenções são modalidades de pagamento na modalidade de antecipação. Quanto a esse ponto, o acórdão questionado afirma que para instituições isentas não haveria que se falar em antecipação pelo fato da retenção ocorrer na modalidade de tributação definitiva. A princípio, está correto. Entretanto, a partir do momento em que o Fisco não reconhece essa isenção e estabelece para o CAP tratamento tributário igual às demais pessoas jurídicas, tal sistemática deve ser aplicada por inteiro, inclusive quanto ao IRRF que se convola em antecipação do devido. Portanto, aplicase ao caso a contagem do prazo sob as regras do § 4º, do art. 150 , do CTN. Tratandose de apuração trimestral, o termo inicial para contagem do prazo decadencial para os trimestres dos anoscalendário de 2005 e 2006 seria 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006 e 31/12/2006, respectivamente. O termo final seria 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011 e 31/12/2011. Com ciência da autuação em 29/12/2011, foram atingidos pela caducidade os fatos geradores ocorridos até 30/09/2006, inclusive. Assim o provimento do recurso de ofício deve ser parcial não abrangendo os fatos geradores ocorridos até 30/09/2006, inclusive, por terem sido atingidos pela caducidade, o que se aplica também à CSLL. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Em relação à decadência, diferentemente do que ocorreu na análise do recurso de ofício, não há que se cogitar de qualquer pagamento ou retenção equivalente para as SCPs. A Súmula CARF nº 101 estabelece o termo inicial da contagem do prazo: Fl. 4626DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lembrando que a exigência aqui analisada envolve o resultado das SCPs, tratandose de apuração trimestral, para o anocalendário de 2005, o termo inicial de contagem do prazo decadencial para o 1º trimestres seria 02/01/2006 e o termo final em 02/01/2011. Como a ciência da autuação ocorreu em 29/12/2011, esse fato gerador (valor do IRPJ: 11.179.702,50; valor da CSLL: R$ 4.029.012,90 ) foi atingido pela decadência. No mérito, o primeiro fato digno de realce é que a tributação envolveu o lucro das SCP e não o resultado individual de cada um dos sócios. A segunda questão relevante consiste em não se poder olvidar que, por força do art. 111, do CTN; a legislação que trata de isenção deve ser interpretada literalmente. Sob essa ótica, ainda que por hipótese se pudesse acatar a isenção do CAP por força do art. 15, da Lei nº 9.532/97, tal benefício jamais pode ser estendido às SCPs simplesmente pelo fato do clube ser o sócio ostensivo delas. O art. 994 do Código Civil já estabelece a distinção entre o patrimônio da SCP e o do sócio ostensivo. Já a legislação do imposto de renda estabelece que as SCPs ainda que desprovidas de personalidade jurídica, equiparamse a qualquer outro sujeito passivo para efeito de tributação (Decreto nº 2.4303/86): Art 7º Equiparamse a pessoas jurídicas, para os efeitos da legislação do imposto de renda, as sociedades em conta de participação. Parágrafo único. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas.” Assim, o dispositivo supra transcrito está em perfeita consonância com o Código Civil, não havendo que se falar em revogação. Quanto à sistemática de apuração do resultado, a legislação estabelece que a exigência tributária sobre a SCP deve ser formalizada em nome do sócio ostensivo (IN/SRF nº 179/87): Compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação. [...] Sendo assim, não resta dúvida de que os lucros apurados pela SCPs não se confundem com os resultados do CAP e devem ser tributados, não se lhes aplicando o regime jurídico do sócio ostensivo independentemente de se considerar que o clube goze de isenção, No que se refere à suposta natureza indenizatória dos valores recebidos, não vislumbro tal circunstância independentemente da denominação que se dê ao pagamento. As negociações foram tratadas simplesmente como alienação de direitos sobre o atleta. No caso do jogador Jadson Rodrigues da Silva, por exemplo, o Contrato de Fl. 4627DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.726897/201123 Acórdão n.º 1402002.182 S1C4T2 Fl. 4.622 13 Consolidação de Condições Negociais menciona "benefício financeiro da transferência" ao tratar de eventual negociação do jogador. No contrato firmado com o clube estrangeiro que adquiriu os direitos sobre o jogador, a cláusula que trata do valor da transação estabelece claramente tratarse de pagamento pela transferência. Em relação às exclusões da base tributável, a apuração da Fiscalização indica que as despesas necessárias ao recebimento foram todas deduzidas. O repasse a terceiro é liberalidade da SCP e não tem impacto no valor tributável. A dedutibilidade dos tributos e contribuições está estabelecida no art. 41, da Lei nº 8.981/95, matriz legal do art. 344, do RIR/99: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (........) Da leitura de tal dispositivo, vêse que seu §1º estabelece exceção à regra geral de dedutibilidade de tributos na determinação do lucro real, mediante a vedação da dedutibilidade de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN. Entre essas hipóteses estão as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Assim, se o contribuinte não recolheu ou declarou os tributos devidos nos respectivos períodos de apuração, motivando seu lançamento de ofício e beneficiandose da suspensão da exigibilidade do crédito em virtude da impugnação contra ele interposta (art. 151, inciso III, do CTN), ilegítima tornase a sua dedução da base tributável no período. Ademais, para ser dedutível, toda despesa precisa estar revestida dos atributos da liquidez e certeza. Ausente sua regular contabilização nos períodos respectivos e antes do julgamento definitivo da exigência relativa a tais contribuições, não se pode concluir que estão presentes tais atributos. Portanto, descabe a dedução na base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores autuados referentes ao PIS e à Cofins. Em relação à multa de ofício, a inobservância da norma jurídica tendo como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da penalidade. A suposta natureza confiscatória da multa aplicada envolve arguição de violação de violação de preceito constitucional, com apreciação fora da alçada do CARF, nos termos da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 4628DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 Em resumo do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a decadência em relação ao 1º trimestre de 2005, o que se aplica também à CSLL. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 4629DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/05 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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