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Numero do processo: 10880.001970/99-21
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1993
REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA - INADMISSIBILIDADE.
Para que seja admitido o recurso extraordinário, além da tempestividade, fazse
necessário a efetiva divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e
o paradigma. Se este trás dois fundamentos para a decisão e aquele apenas
um, o dissídio jurisprudencial não se formou por completo, e, por
conseguinte, não deve ser aberta a via extraordinária. Recurso Extraordinário
não conhecido.Recurso Extraordinário não conhecido.
Numero da decisão: 9900-00202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do extraordinário. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego Galvão, Leonardo Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e José Adão Vitorino de Moraes que conheciam do recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1993 REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA - INADMISSIBILIDADE. Para que seja admitido o recurso extraordinário, além da tempestividade, fazse necessário a efetiva divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma. Se este trás dois fundamentos para a decisão e aquele apenas um, o dissídio jurisprudencial não se formou por completo, e, por conseguinte, não deve ser aberta a via extraordinária. Recurso Extraordinário não conhecido.Recurso Extraordinário não conhecido.
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DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA - INADMISSIBILIDADE. Para que seja admitido o recurso extraordinário, além da tempestividade, faz- se necessário a efetiva divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma. Se este trás dois fundamentos para a decisão e aquele apenas um, o dissídio jurisprudencial não se formou por completo, e, por conseguinte, não deve ser aberta a via extraordinária. Recurso Extraordinário não conhecido.Recurso Extraordinário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do extraordinário. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego Galvão, Leonardo Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e José Adão Vitorino de Moraes que conheciam do recurso. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator EDITADO EM: 13/11/2010 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Jose Praga de Souza, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Adriana Gomes Rego, Karen Jureidini Dias, Leonardo Andrade Couto, Antonio Carlos Guidoni Filho, Albertina Silva Santos de Lima, Valmir Sandri, Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Alage, Elias Sampaio Freire, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Júlio César Vieira Gomes, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Francisco Assis de Oliveira Junior, Manoel Coelho Arruda Junior, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez López, Judith do Amaral Marcondes Armando, Leonardo Siade Manzan, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Nanci Gama, José Adão Vitorino De Moraes, Rodrigo Cardozo Miranda, Suzy Gomes Hoffmann, Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto e transcrevo o relatório do acórdão vergastado: Na sessão plenária de 26-jan-06, a Quarta Câmara do Primeiro Cconselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário nº 145960, interposto por ARMANDO BERTI FILHO (Espólio), decidindo “por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito”. A decisão foi formalizada no Acórdão nº 104-21.340 que espelha as seguintes ementas: “IRPF - RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.º 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. IRPF - PDV - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - ALCANCE - Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa nº. 165, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo.” A decisão recorrida afastou a decadência do direito de o contribuinte repetir a restituição do imposto de renda incidente sobre valores recebidos a título de adesão a Programa de Demissão Voluntária instituído pela IBM Brasil, e em segundo momento determinou o retorno dos autos à DRJ para enfrentamento do mérito. Cientificada do Acórdão em 28/03/2006 (fls. 97), a Fazenda Nacional, com fundamento nos arts. 5º, I, do RICSRF e 32, I, do RICC, aprovados pela Portaria MF nº 55, de 1998, interpôs recurso especial às fls. 98/104, em 31.03.2006. Tempestiva a peça recursal. Afirma a Recorrente que a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes considerou que o termo inicial do Processo nº 10880.001970/99-21 Acórdão n.º 9900-00202 CSRF-PL Fl. 160 3 prazo para o pedido de restituição do IRRF identifica-se com a data da publicação da IN-SRF 165/98, momento em que reconhecido, administrativamente, que o IR sobre verbas decorrentes de adesão ao PDV era indevido. Em síntese, a Fazenda Nacional fundamenta-se nas disposições dos arts. 165, I, e 168, I, ambos do CTN para afirmar que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição, total ou parcial de tributo pago indevidamente, extingue-se com o decurso do prazo de 5 anos, contados do fato gerador. E que, ocorrendo a retenção do IRRF em maio de 1993, o pleito estaria obstado pelo transcurso do prazo decadencial conforme artigos anteriormente citados. Ao final, manifesta que a decisão merece reforma, provendo-se o especial para que seja indeferido o pleito do contribuinte frente à constatada decadência do direito de repetir e mantida a decisão de primeira instância. Conforme Despacho 104-0.130/2006 (fls. 105/107) deu-se seguimento ao Recurso Especial. Cientificado em 09/08/2006 (AR às fls.61,v) o contribuinte apresenta suas contra-razões em 23/08/2006, tempestivamente. Naquela oportunidade, requer, em síntese, seja mantida a decisão soberana da Câmara recorrida e rejeitado o Especial interposto pela Fazenda Nacional. Por meio do acórdão nº CSRF/04-00.940, a então 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao especial apresentado pela Fazenda Nacional, em decisão assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1993 DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PDV - O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, tem-se que os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos. Recurso Especial do Procurador Negado Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou recurso extraordinário a este Colegiado, por entender haver divergência entre este decisum e o proferido pela então 2ª Turma da CSRF. 4 Por meio do despacho de fls. 145 e 146, o extraordinário foi admitido pelo então Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Regularmente cientificado desse despacho, o sujeito passivo apresentou Contrarrazões, fls. 149 a 156. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo e foi admitido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, recorrida, por meio do despacho de fls. 156 e 157. A matéria recebida versa sobre o termo inicial do prazo extintivo do direito à repetição de indébito. No que pese o juízo a quo de admissibilidade haver-se posicionado pelo recebimento do recurso, ouso aqui divergir, pois, da análise mais acurada dos autos, verifica-se que o acórdão paradigma trazido pela defesa para demonstrar a divergência entre o decisum recorrido e o proferido por outra Turma da Câmara Superior de Recursos fiscais, não prestou para comprovar o dissídio jurisprudencial, isso porque, enquanto o Colegiado decidiu que o marco inicial do prazo decadencial para os pedidos de restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte, decorrente do recebimento de verbas indenizatórias referentes à participação em PDV, se dá em 06.01.1999, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, a qual reconheceu que não incide imposto de renda na fonte sobre tais verbas, o acórdão paradigma é no sentido de que o marco inicial da prescrição/decadência para a repetição de indébito seria a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento ou a da Publicação da resolução do Senado Federal que suspende do mundo jurídico a execução da norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Note-se que no voto condutor do acórdão paradigma está consignado que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que o termo inicial da prescrição para repetir indébito é da data da resolução do Senado Federal. No caso daquele julgamento, já havia transcorrido o prazo extintivo do direito de repetição mesmo considerando o termo inicial como sendo a data da Resolução do Senado Federal, que suspendeu a execução dos Decretos-Leis declarados inconstitucionais pelo STF. Assim, tanto pela data do pagamento, como pela data da resolução do Senado o direito à repetição já havia sido fulminado pelo decurso do prazo. Esclareça-se, por oportuno, que o fundamento para a jurisprudência administrativa considerar o termo de início da prescrição como sendo a data de publicação de resolução do Senado Federal é o fato de que o direito à repetição de indébito oriundo da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal somente nasceria para aqueles contribuintes que pagaram o tributo a maior e não se socorreram do Judiciário, a partir da publicação da resolução que suspendeu a execução do ato normativo inconstitucional. Em outras palavras, o termo inicial seria a data em que a declaração de inconstitucionalidade de dispositivo legal recebera efeitos erga omnes. O mesmo fundamento foi adotado pela Turma recorrida, que entendeu que o termo inicial do prazo extintivo de repetição seria, justamente, o ato emanado da Receita Federal que teria reconhecido, com efeitos erga omnes, o indébito. Processo nº 10880.001970/99-21 Acórdão n.º 9900-00202 CSRF-PL Fl. 161 5 Em suma, o acórdão recorrido não diverge de um dos fundamentos que embasaram a decisão do paradigma, o que, de per si, afasta qualquer possibilidade de se caracterizar o dissídio jurisprudencial. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres
score : 1.0
Numero do processo: 13890.000553/99-31
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
Nos casos de concomitância entre processo administrativo em que o
contribuinte se diz credor da Fazenda Pública com processo judicial extinto sem julgamento de mérito é inaplicável o ADN Cosit n° 3/1996.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.692
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro
Torres, Julio Cesar Vieira Gomes, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Antonio Praga que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Presente ao julgamento o advogado do contribuinte Dr. Eulo Corredi Junior, OAB/SP- 221611.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Julio Cesar Vieira Gomes, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Antonio Praga que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Presente ao julgamento o advogado do contribuinte Dr. Eulo Corredi Junior, OAB/SP- 221611.
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NULIDADE. Nos casos de concomitância entre processo administrativo em que o contribuinte se diz credor da Fazenda Pública com processo judicial extinto sem julgamento de mérito é inaplicável o ADN Cosit n° 3/1996. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Julio Cesar Vieira Gomes, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Antonio Praga que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Presente ao julgamento o advogado do contribuinte Dr. Eulo Corredi Junior, OAB/SP 221611. A TONIO -GA esidente ANTONIO CARLOS A ULIM Relator-Designado FORMALIZADO EM: Processo n° 13890.000553/99-31 Acórdão n.° 02-03.692 CSRF/T02 Fls. 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: os Conselheiros: Antonio Praga (Presidente da CSRF), Antonio Carlos Guidoni Filho (substituto do vice- presidente da CSRF), Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjdo Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez López, Antonio Carlos Atulim, Leonardo Siade Manzan, Julio Cesar Vieira Gomes, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire, Gilson Macedo Roscnburg Filho, Manoel Coelho Arruda Júnior (substituto convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (substituto convocado). 2 Processo n° 13890.000553/99-31 Acórdão n.° 02-03.692 CSRF/T02 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso especial, com fulcro no art. 7°, I, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, no qual a Fazenda Nacional alega contrariedade h. lei quanto h concomitância entre processo judicial extinto sem julgamento de mérito e processo administrativo. A decisão, fls. 392/399, considerou que a extinção de processo judicial sem julgamento do mérito não impedia a apreciação do recurso voluntário do contribuinte. Nesse sentido, detenninou a remessa dos autos h. repartição de origem para a apreciação do mérito dos pedidos de ressarcimento e compensação da recorrente. A respeito, no que tange h matéria, o acórdão recorrido espelha a seguinte ementa: "PROCESSO JUDICIAL. EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO. EFEITOS NO PROCESSO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Existindo identidade de objeto, a extinção do processo judicial, sem julgamento de mérito e antes de qualquer provimento, não gera direitos e nem implica em desistência de pedido administrativo de recotzhCCi771ento de créditos (restituição ou ressarcimento). 0 pedido administrativo deve ser apreciado.". O fundamento basilar da decisão recorrida, quanto à matéria, foi o entendimento de que a contribuinte ao desistir da ação judicial antes da sentença de mérito de primeiro grau (a medida liminar foi negada), não desistiu de seus pedidos administrativos e nem renunciou ao crédito pleiteado. Quanto a isso o Colegiado considerou que, dentre os efeitos da decisão judicial, não está a exclusão da obrigação da administração pública de apreciar o mérito de requerimentos dos administrados e que, nesse aspecto, não seria aplicável o disposto na letra "e" do ADN Cosit n°3/1996. Destarte, inconformada com a decisão da Camara Julgadora, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, fls. 403/410, no qual alegou em síntese: - inicialmente, a ocorrência da intempestividade da manifestação de inconformidade; - A teor dos artigos 1°, §2°, do Decreto-Lei n° 1.737/79, 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/80, a propositura pelo contribuinte de demanda perante o Judiciário importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto; - ao ajuizar o Mandado de Segurança a empresa recorrida fez sua opção pela via judicial e renunciou ao direito de discutir o pleito na via administrativa. Uma vez renunciado um direito, não ha como voltar atrase seus efeitos tornam-se imutáveis na via 3 Processo n° 13890.000553/99-31 Acórdão n.° 02-03.692 CSRF/T02 Fls. 4 administrativa. Nesse sentido, é irrelevante, de acordo com o ADN Cosit n° 03/1996, a extinção do processo no Judiciário sem julgamento do mérito; - não há que se considerar, ainda, o argumento de que o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 03/1996 somente se aplica aos casos de lavratura de auto de infração, haja vista que sua edição foi fundamentada no art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1990. 0 recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio do Despacho n° 201-396/07, fls. 413/414. A contribuinte apresentou contra-razões, fls. 421/443, com os seguintes fundamentos: - diante do que preceitua o §3° do artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vê-se que é incabível a interposição do recurso especial da r. decisão recorrida, o que desde já se requer o não conhecimento pela falta de pressupostos de admissibilidade; - a r.decisdo proferida não é contrária A lei, pois o pleito desta contribuinte em grau de recurso voluntário foi ver a questão do mérito da impugnação oferecida ser enfrentada pela autoridade administrativa julgadora, o que não fora, pois não ocorreu renúncia do direito pretendido em nenhuma das esferas, quer administrativa ou judiciária como ficou bem entendido no r. acórdão proferido; - a i. Procuradoria em seu recurso especial suscitou a intempestividade do recurso voluntário interposto e da manifestação de inconformidade, porém não há que se cogitar tal aplicação, pois o recurso voluntário interposto na ocasião da r. decisão proferida em primeira instância, fora recebido e processado regulannente nos termos em que lhe facultava a legislação de regência, e também em obediência ao principio da fungibilidade dos recursos não haveria como não o processar; - quem deu causa A demora na solução dos pedidos de ressarcimentos o qual resultou na impetração do mandado de segurança, para ver apreciado os pedidos de ressarcimentos foi a SRF e não a contribuinte, pois, vê-se que, entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data da malfadada decisão, havia transcorrido e muito sem qualquer justificativa o prazo estabelecido pelo art. 49 da Lei n° 9.784/99 e art. 24 da Lei n° 11.457/2007; - cita decisão judicial do E. Tribunal Regional Federal; - quanto A aplicação da lei, é totalmente descabido a aplicação do Decreto-Lei n° 1.737/79 e da Lei n° 6.830/79, isto porque os referidos diplomas legais aplicam-se exclusivamente A discussão em divida ativa, nada mais; - o ADN/COSIT n° 03/96 é taxativo ao determinar nos casos de julgamento de auto de infração, ao referir-se em autuação, e não é esse o objeto do processo em discussão, uma vez que se trata do reconhecimento do direito ao ressarcimento do crédito; - com a desistência do mandado de segurança antes de proferir qualquer decisão de mérito, não há que se falar em ofensa A coisa julgada, uma vez que inexistiu decisão de mérito com transito em julgado; Processo IV 13890.000553/99-31 Acórdão n.° 02-03.692 CSRF/F02 Fls. 5 - transcreve decisões dos Conselhos de Contribuintes favoráveis h tese jurídica que defende. É o Relatório. 5 Processo n° 13890.000553/99-31 Acórdão n.° 02-03.692 CSRF/T02 Fls. 6 Voto Vencido Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator 0 recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. Não merece prosperar a alegada intempestividade da manifestação de inconformidade. A uma porque o denominado recurso voluntário dirigido ao Conselho de Contribuintes foi interposto em 16/11/2000, em decorrência de ciência, em 19/10/2000, da decisão de indeferimento do pedido de ressarcimento proferido pela Delegacia da Receita Federal em Piracicaba. A duas porque a manifestação do contribuinte, de 10/05/2005, recebida como manifestação de inconformidade, decorreu da ciência, em 05/05/2005, de decisório proferido, também, pela Delegacia da Receita Federal em Piracicaba. Primeiramente cabe esclarecer que o contribuinte preliminarmente, em seu recurso voluntário, argüiu a nulidade da decisão de primeira instância por ter havido omissão na análise de fato novo suscitado (desistência de ação judicial), o que violaria o contraditório, a ampla defesa e o disposto no art. 59, inciso II, §§ 1° a 3°, do Decreto n° 70.325/72. Ao enfrentar esta questão o voto condutor do acórdão apesar de manifestar-se sobre a ocorrência da nulidade. Deixando-a de declarar em decorrência da aplicação do disposto no § 3. do art. 59 do Decreto no 70.235/72, nos seguintes termos: É verdade que a decisão recorrida não apreciou, de maneira clara e direta, a alegação da recorrente de que ocorreu uni fato novo (desistência do processo judicial) e que não mais existiria óbice para análise do mérito e deferimento do pedido de ressarcimento de IPI. Tal omissão poderia ser entendida como cerceamento do direito de defesa. Mesmo admitindo esta alegação, deixo de declarar a nulidade do Acórdão recorrido, com fulcro no disposto no §* 30 do art. 59 do Decreto no 7 0.235/72. Entretanto, ouso divergir da conclusão exarada no r. Acórdão, posto que a decisão de indeferimento do pedido de ressarcimento proferida pela Delegacia da Receita Federal em Piracicaba, em 25/09/2000, cientificada ao contribuinte em 19/10/2000, foi adotada levando-se em consideração a seguinte realidade: o contribuinte havia interposto ação judicial, que, no entender da autoridade competente, ensejava a renúncia ao pleito administrativo. Há de se considerar que a desistência do referido feito judicial somente se deu em 01/12/2000, tendo sido homologada pelo juizo competente em 24 de janeiro de 2001. Portanto, após a decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal em Piracicaba. Ou seja, no momento em que o contribuinte formulou seu pleito administrativo e, mais ainda, no momento em que foi proferida a decisão de indeferimento deste pleito, em decorrência da concomitância de discussão administrativa e judicial, o contribuinte ainda não havia desistido da ação judicial em questão. 6 Processo n° 13890.000553/99-31 Acórdão n.° 02 -03.692 CSRF/T02 Fls. 7 Por outro lado, não há como se negar que, a ausência de enfrentamento de ponto fundamental para o deslinde do contraditório instalado, configura cerceamento ao direito de defesa, acarretando a nulidade da decisão, corn fundamento no art. 59, II, do Decreto 70235/72. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de reformar o acórdão recorrido, para, então, anular a decisão exarada pela 2 Turma da DRJ em Ribeirao Preto — SP. Sala das mies, em 26 de setembro de 2008. ELIAS SAM 0 FREIRE '7 Processo n° 13890.000553/99-31 Acórdão n.° 02-03.692 CSRF/T02 Fls. 8 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Designado Embora o Ato Declaratório Normativo Cosit ner 3, de 14 de fevereiro de 1996 tenha esclarecido exaustivamente a questão, a concomitância entre processos judiciais e administrativos ainda vem criando dificuldades para a fiscalização, julgadores e contribuintes. Assim dispõe a Lei n.° 6.830, de 22 de setembro de 1980 o art. 38, parágrafo único: Art 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Corno se vê, existe previsão legal expressa no sentido da renúncia ou da desistência do recurso administrativo, com o único objetivo de vedar a concomitância de processos nas esferas administrativa e judicial. Tal vedação nada tem de inconstitucional, uma vez que atende simultaneamente aos princípios da unidade da jurisdição e da economia processual. E totalmente inútil discutir- se no âmbito administrativo questão submetida ao crivo judicial, pois ao final prevalecerá a decisão judicial, independentemente do que for decidido pela Administração. Interpretando este dispositivo legal, o Superior Tribunal de Justiça assim se manifestou: Recurso Especial n° 24.040-6-RJ (92.0016244-4) (DJU 16/10/1995) EMENTA: Tributário. Ação declaratória que antecede a autuação. Renúncia ao poder de recorrer na via administrativa e desistência do recurso interposto. 1- 0 ajuizamento de ação declaratória que antecede a autuação impede o contribuinte de impugnar administrativamente a mesma autuação interpondo os recursos cabíveis naquela esfera. Ao entender de forma diversa, o acórdão recorrido negou vigência ao art. 38, parágrafo único, da Lei n°6.830, 22.09.80. Recurso Especial conhecido e provido. Processo n° 13890.000553/99-31 Acórdão n.° 02-03.692 CSRF/T02 Fis. 9 RECURSO ESPECIAL .1\1° 7.630-RJ (91.012831) (DIU 22/04/1991) EMENTA:TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DO DEVEDOR. EXIGÊNCIA FISCAL QUE HAVIA SIDO IMPUGNADA POR MEIO DE MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO, RAZÃO PELA QUAL 0 RECURSO MANIFESTADO PELO CONTRIBUINTE NA ESFERA ADMINISTRATIVA FOI JULGADO PREJUDICADO, SEGUINDO-SE INSCRIÇÃO DA DIVIDA E .AJUIZAMENTO DA EXECUÇÃO. Hipótese em que não há falar-se enz cerceamento de defesa e, conseqüentemente, enz nulidade do titulo exeqüendo. Intezpretação da norma cio art. 38, parágrafo único, da Lei le 6.830/80, que não faz distinção, para os efeitos nela previstos, entre ação preventiva e ação proposta no curso do processo administrativo. Recurso provido. Vale a . pena transcrever excerto do voto do relator no Resp. n° 7.630-RJ, Exmo. Sr. Ministro limar Galvdo, verbis: "(.) Como ficou visto, os agentes fiscais do Estado efetuaram lançanzento fiscal contra a Recorrida, instaurando-se processo contencioso administrativo, o qual já se achava no Conselho de Contribuintes, para julgamento de recurso contra a Fazenda, quando se apercebeu esta de que o contribuinte havia impetrado mandado de segurança visando exonerar-se da obriga cão fiscal em tela, razão pela qual o recurso foi considerado prejudicado e o lançamento definitivamente constituído, inscrevendo-se a divida ativa e iniciando-se a execução. Na verdade, havia o Recorrido tentado por-se a salvo da autuação, por meio de mandado de segurança impetrado antes do lançamento, o qual, aliás, foi extinto sem z apreciação do mérito. Defendendo-se agora na execução, alega nulidade do titulo que a embasa, ao fundamento de ausência do julgamento de seu recurso. Não tem razão, entretanto. Coin efeito, havendo atacado, por mandado de segurança, ainda que preventivo, a legitimidade da exigência fiscal em tela, não havia razão para julgamento de recurso administrativo, do mesmo teor, incidindo a regra do art. 38, parágrafo único, da Lei le 6.830/80, segundo a qual, a impugnação da exigência fiscal em juizo "importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". 9 Processo n° 13890.000553/99-31 .. Acórdão n.° 02-03.692 CSRF/T02 Fls. 10 Em tais circunstâncias, abrevia-se a ultimação do processo administrativo que, mediante a inscrição do debittem, (Id ensejo a execução forçada em juizo. Embargada esta, corre o processo em apenso ao da primeira ação, para julgamento simultâneo, em face da conexão, na forma do art. 105 do CPC. Trata-se de medida instituída em prol da celeridade processual, e que, por outro lado, nenhum prejuízo acarreta para o contribuinte devedor. Coen efeito, se a decisão judicial lhe foi favorável, a execução resultará trancada; e se desfavorável, não terá retardado injustificadamente a realização do crédito fiscal. A circunstância de a exigência fiscal ter sido impugnada antes, ou depois, da autuação, não tent relevância, de vez que, em qualquer hipótese, produzirá a sentença os efeitos descritos. 0 que não faz sentido é a invalidação do titulo exeqüendo pelo único motivo de não haver o contribuinte logrado um pronunciamento sobre o mérito, no julgamento da ação, sabendo-se que poderá obtê-lo por via dos embargos, sem que se possa falar, por isso, em nulidade processual, notadamente cerceamento de defesa. (.)" Corno se pode verificar, para os fins do art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/80, é irrelevante que a propositura da ação judicial ocorra antes ou depois da autuação e que o processo judicial se extinga corn ou sem julgamento de mérito. Diante da interpretação fixada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, que e o tribunal competente para uniformizar a interpretação do direito federal (CF/1988, art. 105, III, alínea c, o Coordenador-Geral do Sistema de Tributação transplantou o entendimento jurisprudencial para a esfera administrativa, ao baixar o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 3, de 1996, com o seguinte teor: 0 COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n° 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT n° 27/96. DECLARA, em caráter normativo, as Superintendências Regionais da Receita Federal, as Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial- por qualquer modalidade processual-, antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instancias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona a matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançanzento, base de cálculo etc.); 10 Processo n° 13890.000553/99-31 Acórdão n.° 02-03.692 CSRF/T02 Fls. 11 c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN,- d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, proceder-se-á a inscrição em divida ativa, deixando- se de fazê-lo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de seguranga),do art. /5/, do CNT; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC). PAULO BALTAZAR CARNEIRO (grifei) Depreende-se que o art. 38, parágrafo único, da Lei no 6.830/80; a jurisprudência do STJ e o ADN Cosit n° 3/96, só se aplicam quando ocorra a concomitância de processo judicial corn um processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito tributário, ou seja, pressupCiem crédito tributário constituído pelo fisco. Nestes casos, ainda que o processo judicial venha a ser extinto sem julgamento de mérito, a renúncia As vias administrativas não viola nenhuma garantia constitucional do contribuinte, porque o mérito da autuação poderá ser rediscutido em embargos do devedor, a teor do disposto no art. 745, do CPC: Art. 745. Quando a execução se fundar em titulo extrajudicial, o devedor poderá alegar, em embargos, além das matérias previstas no art. 741, qualquer outra que lhe seria licito deduzir como defesa no processo de conhecimento. Consequentemente, nos casos de concomitância entre processo judicial e administrativo, onde o administrativo não verse sobre constituição de crédito tributário, a autoridade administrativa não poderá fundamentar o não-conhecimento do pleito do contribuinte no ADN Cosit no 3/96 (art. 38, parágrafo único da Lei n° 6.830/80), porque se o processo judicial extinguir-se sem julgamento de mérito, não haverá nenhum impedimento legal para que a Administração conheça e aprecie o pedido formulado administrativamente. Em hipótese alguma isto significa que a Administração deva manifestar-se sobre matéria submetida ao crivo do Judiciário na pendência do processo judicial. Pelo contrário, continuam prevalecendo os princípios da unidade da jurisdição e da economia processual, devendo-se aguardar sempre o desfecho do processo judicial para que se cumpra a coisa julgada material. A diferença reside apenas nos casos em que não sobrevenha a coisa julgada material, em face da extinção do processo judicial sem julgamento de mérito, e o processo administrativo não versar sobre constituição e exigência de credito tributário. 11 Processo n° 13890.000553/99-31 Acórdão n.° 02-03.692 CSRF/T02 Fls. 12 Nestes casos, onde é o contribuinte quem se diz credor da Fazenda, a autoridade administrativa deve apreciar o mérito do pedido nos autos administrativos, urna vez que não há manifestação judicial sobre o mesmo objeto com força de coisa julgada e nem norma jurídica especifica proibindo a autoridade administrativa de apreciar a mesma matéria. Por tais razões é que divirjo do ilustre relator originário para votar no sentido de negar provimento ao recurso especial. Sala das essões, em 26 de novembro de 2008. ANTON IO CARLOS ATTJLIM o 12
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Numero do processo: 11618.001987/2004-80
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
RECEITA DE PESSOA JURÍDICA PROVENIENTE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. AUSENCIA DE IMPEDIMENTO LEGAL.
Não há impedimento legal para o reconhecimento de receitas de pessoa jurídica proveniente de serviços profissionais prestados por um dos sócios.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2802-000.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencidas as Conselheiras Lúcia Reiko Sakae e Dayse Fernandes Leite que davam provimento parcial, apenas para se compensar o imposto declarado na pessoa jurídica.. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martin Fernandez Relator e Redator designado (acórdão formalizado extemporaneamente, quando a relatora, Conselheira Lúcia Reiko Sakae, não mais integrava o colegiado).
EDITADO EM:
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 72 1 71 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.001987/200480 Recurso nº 168.166 Voluntário Acórdão nº 2802000.888 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de julho de 2011 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ EDISON DO NASCIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 RECEITA DE PESSOA JURÍDICA PROVENIENTE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. AUSENCIA DE IMPEDIMENTO LEGAL. Não há impedimento legal para o reconhecimento de receitas de pessoa jurídica proveniente de serviços profissionais prestados por um dos sócios. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencidas as Conselheiras Lúcia Reiko Sakae e Dayse Fernandes Leite que davam provimento parcial, apenas para se compensar o imposto declarado na pessoa jurídica.. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martin Fernandez – Relator e Redator designado (acórdão formalizado extemporaneamente, quando a relatora, Conselheira Lúcia Reiko Sakae, não mais integrava o colegiado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 19 87 /2 00 4- 80 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de fls. 163 / 169, que considerou procedente em parte o lançamento “4.1 omissão de rendimentos de trabalho, sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas jurídicas (omissão no valor de R$ 20.000,00, fato gerador em 31/12/1999). 5. Ressaltese que foram considerados, pela autoridade lançadora: 5.1 — os rendimentos já informados pelo contribuinte em sua declaração retificadora de fls. 23 a 24; 5.2 — o imposto retido na fonte sobre os rendimentos omitidos.” Na decisão de 1ª instância, mantevese em parte o lançamento nos seguintes termos: “VOTO pela PROCEDÊNCIA EM PARTE do lançamento, considerando devido o imposto de renda, referente ao ano calendário de 1999, no valor de R$ 4.462,00 (quatro mil, quatrocentos e sessenta e dois reais), e a multa de oficio de 75%, no valor de RS 3.346,50 (três mil, trezentos e quarenta e seis reais e cinqüenta centavos). Ressaltese que: 22.1 deve ser excluído, no anocalendário de 1999, o valor de R$ 1.573,99 (um mil, quinhentos e setenta e três reais e noventa e nove centavos), relativo ao imposto de renda pessoa física declarado pelo contribuinte; 22.2 todos os valores de imposto e multa deverão ser exigidos com acréscimo de taxa Selic, conforme legislação que rege a matéria.” (grifei) A ciência de tal julgado se deu por via postal em 17 /04/2008 , consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 172 . À vista da decisão, foi protocolizado, em 16 /05 /2008 , recurso voluntário de fls. 174/ 177 , no qual o pólo passivo questiona a decisão informando que: por equívoco, incluíra em sua declaração retificadora valores pertencentes à pessoa jurídica de que faz parte: EASE — ESCRITORIO DE CONTABILIDADE S/C —no importe de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11618.001987/200480 Acórdão n.º 2802000.888 S2TE02 Fl. 73 3 R$20.000,00(vinte mil reais), conforme notas fiscais, o que levou a fiscalização a lançar tal valor como rendimentos de sua pessoa física~ a EASE ESCRITORIO DE CONTABILIDADE S/C é uma sociedade civil, da qual o contribuinte faz parte do quadro social, devidamente registrada, porquanto portadora de Livro Caixa, também legalmente registrado em que consta os lançamentos dos valores recebidos através das notas fiscais citadas; “os seus rendimentos verdadeiros e corretos — (vide planilha inclusa —doc. 8) estão situados no importe de R$26.851,62(vinte e seis mil, oitocentos e cinqüenta e hum reais e sessenta e dois centavos), rendimentos esses que atribuiu ao contribuinte, ora apelante uma obrigação de Imposto de Renda a pagar, no valor de R$1.573,99(Hum mil, quinhentos e setenta e três reais e noventa e nove centavos)”~ ao final requer seja considerada insubsistente a decisão de primeira instância.e, via de consequência, restaurada a retificadora apresentada, restaurando o direito de pagar o imposto apurado nessa retificadora, que fora excluído na decisão ora guerreada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator ad hoc Quando da apreciação do colegiado, a Conselheira Relatora proferiu o seguinte voto. “(...) Conselheiro Lucia Reiko Sakae, Relator O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Tratase de decisão que considerou procedente em parte o lançamento por omissão de rendimentos relativos ao exercício de 2.000. Da análise dos autos, principalmente do resultado da diligência de fls, 151 /152 observase que: o valor lançado como omitido foi recebido em decorrência da prestação de serviços contábeis; o recorrente é o único a prestar os serviços de contabilidade; a auxiliar do recorrente “Sonia Maria Moraes afirmou taxativamente ter prestado serviços autônomos ao recorrente e não à empresa citada, tal como constante dos recibos; segundo a “Relação de declarações 1990 a 2007” (fl. 150) a pessoa Jurídica EASE apresentara, as declarações a seguir, vindo a corrigir as informações sempre a posteriori inicialmente a DIPJ entregue em 28/06/2000 de n° 0651935, de fls. 140 / 148,, totalmente “zerada”. Sem qualquer valor de receita de prestação de serviços e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 em 29/06/2001, a DIPJ de n° 1121744 (fls. 146/149), retificadora, com receita de prestação de serviços no importe de R$ 21.415,23 ; sendo o recorrente profissional da área contábil, a alegação de ter incorrido em erro, tanto em suas declarações pessoas físicas bem como na da pessoa jurídica por tantas vezes nos leva a considerar que decorreu do fato de se tentar modificar a realidade dos fatos; ainda, nos recibos do condomínio, consta o recorrente na condição de condômino e também de inquilino, não se mencionando a suposta pessoa Jurídica; também, intimada a Companhia Docas do Paraíba, a mesma juntou “RECIBOS” e não “Notas Fiscais de Prestação de Serviços”, preenchidos em nome da EASE e assinados pelo recorrente como responsável técnico, salientandose que, pela documentação juntada, inexiste outro profissional a prestar serviços contábeis; assim, por tudo o mais que consta inclusive da decisão de primeira instância, sou pela manutenção do lançamento tal como efetivado. Ressalvese que, como inexiste comprovação de que o valor excluído do lançamento na decisão de primeira instância tenha sido pago, tal exclusão foi incorreta; mas diante do princípio da proibição da reformatio in pejus, acato a decisão, esclarecendo que existindo comprovação que tal valor tenha sido declarado como a pagar que se proceda a devida cobrança. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL apenas para se compensar o imposto declarado na pessoa jurídica.” (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández Redator designado. Em que pese o voto da ilustre relatora, nada há nos autos que justifique a desconsideração dos rendimentos recebidos na pessoa jurídica e a requalificação dos fatos com vistas a submetêlos ao regime de tributação da pessoa física. A conclusão da fiscalização, corroborada pela DRJ, se baseia apenas em ilações quanto à suposta intenção do autuado em atribuir à pessoa jurídica rendimentos provenientes da prestação de serviços realizada pelo próprio contribuinte. Ao contrário do afirmado pela decisão da DRJ, não há impedimento legal para que prestação de serviços relacionados mas não exclusivos de profissional da área contábil, seja prestado por intermédio de pessoa jurídica. Pelo exposto, conheço do recurso e no mérito lhe dou provimento. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11618.001987/200480 Acórdão n.º 2802000.888 S2TE02 Fl. 74 5 (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10805.720295/2006-26
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO EXISTENTE EM PARTE E JÁ RECONHECIDO PELA REPARTIÇÃO FISCAL DE ORIGEM. PEDIDO DE INCLUSÃO DE NOVOS CRÉDITOS DE PERÍODOS DE APURAÇÃO DIVERSOS. INOVAÇÃO PROCESSUAL. VEDAÇÃO. ESTABILIZAÇÃO DO PEDIDO. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do despacho decisório, em face da estabilização do pedido. Não sendo hipótese de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação de declaração de compensação tributária após ciência do despacho decisório, para inclusão de pedido de novos créditos de diversos períodos de apuração, pois a alteração ou mudança do pedido configura inovação processual vedada, exigindo-se, por conseguinte, a apresentação de novo PER/DCOMP para compensação dos débitos remanescentes. CRÉDITO RECONHECIDO EM PARTE PELA REPARTIÇÃO DE ORIGEM. PER/DCOMP. CANCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento pelo sujeito passivo de declaração de compensação já encaminhada à SRF somente será admitida na hipótese de total inexistência do crédito ou dos débitos informados.
Numero da decisão: 1802-001.149
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: NELSO KICHEL
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MANDELA CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO EXISTENTE EM PARTE E JÁ RECONHECIDO PELA REPARTIÇÃO FISCAL DE ORIGEM. PEDIDO DE INCLUSÃO DE NOVOS CRÉDITOS DE PERÍODOS DE APURAÇÃO DIVERSOS. INOVAÇÃO PROCESSUAL. VEDAÇÃO. ESTABILIZAÇÃO DO PEDIDO. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do despacho decisório, em face da estabilização do pedido. Não sendo hipótese de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação de declaração de compensação tributária após ciência do despacho decisório, para inclusão de pedido de novos créditos de diversos períodos de apuração, pois a alteração ou mudança do pedido configura inovação processual vedada, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo PER/DCOMP para compensação dos débitos remanescentes. CRÉDITO RECONHECIDO EM PARTE PELA REPARTIÇÃO DE ORIGEM. PER/DCOMP. CANCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento pelo sujeito passivo de declaração de compensação já encaminhada à SRF somente será admitida na hipótese de total inexistência do crédito ou dos débitos informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10805.720295/200626 Acórdão n.º 1802001.149 S1TE02 Fl. 2 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10805.720295/200626 Acórdão n.º 1802001.149 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.77/79 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Campinas (fls.71/73) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Quanto aos fatos, a contribuinte transmitiu eletronicamente, por meio do Programa PER/DCOMP, as seguintes declarações de compensação: a) nº 0187.68671.281205.1.3.023903 (fls. 01/08), de 28/12/2005, pleiteando o aproveitamento de suposto direito creditório, valor original de R$ 2.263,84 (saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001), para quitação dos débitos: CSLL, código de receita 2484, período de apuração: Outubro/1999; Cofins, código de receita 2172, períodos de apuração: Outubro/2004, e Dezembro/2004; PIS, código de receita 8109, períodos de apuração: Outubro/2004 e Dezembro/2004. b) nº 6514.29556.151206.1.7.022101 – retificadora do PER/DCOMP Retificado: 38436.82631.110505.1.3.021403 (fls. 09/17), de 15/12/2006, pleiteando o aproveitamento de suposto direito creditório, valor original de R$ 2.853,92 (saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001), para quitação dos débitos (crédito original utilizado R$ 1.508,25): Cofins, código de receita 5856, períodos de apuração: Junho/2005, Dezembro/2005, Outubro/2006 e Novembro/2006. Na DIPJ 2002, anocalendário 2001, Ficha – 12A, a contribuinte informou que (fl. 24): • apurou imposto no valor de R$ 1.512,07; • imposto pago por estimativa R$ 6.709,51; • Saldo Negativo de Imposto R$ 5.197,44. Nas DCOMP, a contribuinte informou que o saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2001 foi apurado, e formado: em parte, por pagamentos de estimativa (recolhimento por DARF); em parte, de quitação de estimativas por compensação, mediante utilização de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000. A DRF/Santo André apreciando, no mérito, o crédito pleiteado e as compensações informadas, constatou que a contribuinte efetuara antecipação de pagamento de IRPJ estimativa mensal no anocalendário 2001 no montante de R$ 3.116,45 (pagamentos em Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10805.720295/200626 Acórdão n.º 1802001.149 S1TE02 Fl. 4 4 DARF + compensações válidas sem processo), implicando saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, no valor de R$ 1.604,38 (fls.33/35). Por conseguinte, o despacho decisório da DRF/Santo André, de 20/12/2006, deferiu apenas o crédito de R$ 1.604,38, homologando, parcialmente, as compensações até o limite desse crédito reconhecido (fl. 35), in verbis: (...) CONCLUSÃO Ante o exposto, com base no artigo 41, da IN SRF n.° 600/2005, PROPONHO o DEFERIMENTO PARCIAL do pleito no montante de R$ 1.604,38 (Mil e seiscentos e quatro reais e trinta e oito centavos) e a HOMOLOGAÇÃO das DCOMP's até o limite do crédito a ser reconhecido. (...) DECISAO E ORDEM DE INTIMAÇÃO De acordo com o proposto. Reconheço, por competência que me foi delegada pela Portaria DRF/SAE n.° 44, de 11/05/2005, o DIREITO CREDITORIO do interessado contra a Fazenda Nacional no montante de R$ 1.604,38 (Mil e seiscentos e quatro reais e trinta e oito centavos) e HOMOLOGO as DCOMP's até o limite do crédito reconhecido. (...) A contribuinte foi intimada a pagar a diferença de débitos, conforme demonstrativo e Carta Cobrança (fls.37/39). Ciente dessa decisão em 16/01/2007 (fl. 39verso), a contribuinte em 14/02/2007 apresentou defesa manuscrita manifestação de inconformidade de fls. 40/41, juntando também os documentos de fls. 42/68. Nas razões de sua defesa, a contribuinte solicitou que fossem desconsiderados ou alterados os PER/DCOMP para inclusão de outros créditos (pretensos saldos negativos do IRPJ dos anoscalendário 1997 e 1998); que, porém, antes fossem alterados os valores, dados, das DIPJ desses anoscalendário para inclusão de pagamentos que gerariam tais saldos negativos de imposto, para aproveitamento nas DCOMP objeto dos autos. Juntou demonstrativos. A DRJ/Campinas, apreciando a manifestação de inconformidade, rejeitou a pretensão da contribuinte, mantendo a decisão anterior, cuja ementa do acordão transcrevo a seguir (fl.87): (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10805.720295/200626 Acórdão n.º 1802001.149 S1TE02 Fl. 5 5 Anocalendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da fundamentação que embasou o pedido de restituição, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada (...) Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 10/07/2008 (fl.89 verso), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11/08/2008 (fls.93/95), juntando ainda documentos de fls.86/103, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, pela decisão administrativa da DRFSanto André, seu pleito foi parcialmente deferido, porém restando um saldo de tributos a pagar que não foi coberto pelo Pedido de Compensação; que a decisão recorrida da DRJ/Campinas não acolheu sua manifestação de inconformidade sob o fundamento de houve inovação do pedido; que, mesmo considerando o erro de escrituração cometido pela contribuinte, a administração possui elementos que lhe permitem, com segurança, proceder à compensação de oficio com os valores pagos a maior, sem prejuízo para o fisco; que não foram somados os resultados negativos dos exercícios anteriores (anoscalendário 1997 e 1998), o que poderia ter sido feito pelo fisco, já que houve análise da situação contábil da recorrente, quanto aos anoscalendário 2000 e 2001; que houve pagamento do débito de R$ 180,00 (com os acréscimos legais), código de receita 2172, período de apuração 30/06/2005, pagamento 26/04/2007 – fl. 96 e que tal valor persiste sendo exigido indevidamente pelo fisco, conforme Carta de Cobrança de fls.91/92. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10805.720295/200626 Acórdão n.º 1802001.149 S1TE02 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos versam acerca de compensação tributária efetuada pela recorrente, mediante transmissão eletrônica dos PER/DCOMP de 28/12/2005 (fls. 01/08) e 15/12/2006 (fls. 09/17). A contribuinte utilizou pretenso crédito de R$ 3.772,09 (valor original) de suposto saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2001 no valor de R$ 5.197,44, para quitar os seguintes débitos, sob condição resolutória: CSLL, código de receita 2484, período de apuração: Outubro/1999; Cofins, código de receita 2172, períodos de apuração: Outubro/2004, e Dezembro/2004; PIS, código de receita 8109, períodos de apuração: Outubro/2004 e Dezembro/2004. Cofins, código de receita 5856, períodos de apuração: Junho/2005, Dezembro/2005, Outubro/2006 e Novembro/2006. Quanto ao saldo negativo do IRPJ de R$ 5.197,44, do anocalendário 2001, a contribuinte juntou cópia de Ficha da 12A da DIPJ (fl. 24). Nessas DCOMP apresentadas, também, consta que esse saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2001 teria a seguinte origem: parte, decorrente de pagamentos do IRPJ estimativa mensal, mediante DARF; parte, proveniente de compensação tributária direta na escrituração contábil – sem processo de débitos de estimativa (PA janeiro/2001, Set/2001, Outubro/2001, Novembro/2001 e Dezembro/201), com saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000. A unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Santo André, analisando os PER/DCOMP da contribuinte, encontrou divergência de valores quanto às compensações, sem processo, do anoscalendário 2000 e 2001, deferindo, em parte, o direito creditório do ano calendário 2001, ou seja, apenas o valor de R$ 1.604,38 (a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2001), homologando, parcialmente, as compensações até o limite desse crédito reconhecido (fls: 33/35). Fl. 127DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10805.720295/200626 Acórdão n.º 1802001.149 S1TE02 Fl. 7 7 Nas razões da manifestação de inconformidade na instância a quo, a contribuinte não se rebelou contra a redução do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2001; não questionou o valor apurado pelo fisco; entretanto, argumentou que: a) mesmo considerando o erro de escrituração cometido, a Administração Tributária tem elementos que lhe permitem, com segurança, proceder à compensação, de oficio, dos valores pagos a maior dos anoscalendário 1997 e 1998 com os débitos informados, sem prejuízo para o fisco; b) não foram somados ou considerados pela Repartição Fiscal de origem os resultados negativos (saldo negativo) dos exercícios anteriores (anoscalendário 1997 e 1998), o que poderia ter sido feito pelo fisco, já que houve análise da situação fiscalcontábil da recorrente, quanto aos anoscalendário 2000 e 2001; c) houve pagamento do débito da Cofins de R$ 180,00 (com os acréscimos legais), código de receita 2172, período de apuração 30/06/2005, pagamento 26/04/2007 – fl. 96 e que tal valor persiste sendo exigido indevidamente pelo fisco, conforme Carta de Cobrança de fls.91/92. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito. SALDO NEGATIVO DO IRPJ RECONHECIDO, EM PARTE, PELA REPARTIÇÃO FISCAL DE ORIGEM. ANOCALENDÁRIO 2001. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. A apuração e reconhecimento do saldo negativo do IRPJ de R$ 1.604,38 do anocalendário 2001 pelo fisco é incontroversa (matéria preclusa, não cabendo mais discussão na órbita administrativa), pois na instância a quo a contribuinte nada objetou, conforme consta consignado no voto condutor da decisão recorrida (fl.89 ), in verbis: (...) 21. Quanto aos cálculos feitos pela autoridade jurisdicionante, nada opôs a contribuinte, limitandose à tentativa de incluir novos saldos negativos no pedido de restituição/declaração de compensação. 22. Com efeito, o saldo negativo do anocalendário 2000 foi apurado, considerandose todos os valores compensados e pagos pela contribuinte no período, revelandose em montante superior ao registrado na declaração. 23. O saldo negativo assim constatado foi utilizado para compensação das estimativas do anocalendário de 2001, tendo se revelado insuficiente para suportar todas as compensações efetivadas, razão pela qual foram as estimativas de 2001 reduzidas ao montante compensável. 24. Desta feita, reduzidas as estimativas, reduziuse, da mesma forma, o saldo negativo do anocalendário de 2001, o que implicou o reconhecimento de direito creditório em valor inferior ao pleiteado, resultando na homologação apenas parcial dos débitos compensados. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10805.720295/200626 Acórdão n.º 1802001.149 S1TE02 Fl. 8 8 25. Dessa forma, o despacho decisório proferido pela DRF/Santo André deve ser totalmente ratificado. (...) PEDIDO DE INCLUSÃO DE NOVOS CRÉDITOS. INOVAÇÃO PROCESSUAL. VEDAÇÃO. ESTABILIZAÇÃO DO PEDIDO A recorrente pediu a inclusão de novos créditos nos PER/DCOMP (pretensos saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 1997 e 1998 a serem apurados, ainda, mediante eventual apresentação de DIPJ Retificadora para esses respectivos anos). A contribuinte, nas razões do recurso, rebelase contra a decisão a quo que denegou tal pretensão. Não merece reparo a decisão recorrida. Não é permitida a alteração do pedido ou da causa de pedir após ciência do despacho decisório, em face da estabilização do pedido. A retificação de PER/DCOMP, após ciência de despacho decisório, somente é possível para correção de inexatidões materiais, que não é o caso. A propósito, dispõe o art. 7º da IN SRF nº 414/2004, de 30/03/2004, in verbis: Art. 7º A retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP 1.3 (ou versão anterior) ou elaborada mediante utilização dos formulários a que se refere o art. 3º somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e, ainda, da nãoocorrência da hipótese prevista no art. 8º.. Ainda, o Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (novo pedido de inclusão de pretensos créditos), Fl. 129DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10805.720295/200626 Acórdão n.º 1802001.149 S1TE02 Fl. 9 9 exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de novo PER/DCOMP. Como demonstrado, é vedada a retificação de PER/DCOMP para substituição de créditos/inclusão de novos créditos, após ciência de despacho decisório que denegou, em parte, os créditos incialmente informados, pois não se trata de hipótese de correção de inexatidão material de preenchimento do PER/DCOMP primitivo ou original, mas sim de inovação processual (novo pedido de utilização de crédito). Portanto, apenas as inexatidões materiais podem ser corrigidas de ofício ou a pedido, que não é caso, pois há diferença de débito em aberto (débito confessado remanescente) sem o respectivo crédito para fazer o encontro de contas (para extinção da obrigação tributária por compensação tributária), exigindose, nessa parte, a apresentação de novo PER/DCOMP com utilização de crédito líquido e certo. PEDIDO DE CANCELAMENTO DAS DCOMP. IMPOSSSIBILIDADE. Não é caso, também, para cancelamento dos PER/DCOMP objeto dos autos, seja de ofício ou a pedido, pois o crédito utilizado na compensação tributária foi reconhecido parcialmente existente (parte do crédito foi reconhecido pela Repartição Fiscal de origem), fato que implicou em validade da compensação tributária nessa parte. E, quanto aos débitos confessados e não compensados (débitos em aberto, remanescentes), a extinção por compensação tributária depende de novo PER/DCOMP com habilitação créditos líquidos e certos. Quanto à impossibilidade de cancelamento dos PER/DCOMP apresentados, dispõe a IN SRF nº 414/2004, art. 10, in verbis: Art. 10. O cancelamento pelo sujeito passivo de Declaração de Compensação já encaminhada à SRF, seja ela gerada a partir do Programa PER/DCOMP 1.3 (ou versão anterior) ou elaborada mediante utilização dos formulários a que se refere o art. 3º, somente será admitido na hipótese de total inexistência do crédito ou dos débitos informados na Declaração de Compensação. Parágrafo único. Será indeferido o pedido de cancelamento de Declaração de Compensação que não atenda à condição prevista no caput. Portanto, não sendo caso de cancelamento de DCOMP e não sendo caso de inexatidões materiais para correção de ofício ou a pedido, não há que se falar em pedido de inclusão de novos créditos sem apresentação de novo PER/DCOMP para compensação dos débitos confessados e que estão em aberto. Não há reparo a fazer na decisão recorrida. A contribuinte, por fim juntou, aos autos, comprovante de pagamento do débito da Cofins de R$ 180,00 (com os acréscimos legais), código de receita 2172, período de apuração 30/06/2005, pagamento 26/04/2007 – cópia do DARF (fl. 96). A unidade de origem Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10805.720295/200626 Acórdão n.º 1802001.149 S1TE02 Fl. 10 10 da RFB, por conseguinte, deverá baixar esse débito em aberto, caso restar confirmado o recolhimento no Sistema SINAL e na hipótese do crédito estar, ainda, disponível (não alocado à extinção de outro débito). Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10945.001746/2006-28
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO -APURAÇÃO MENSAL - O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando- se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação do acréscimo patrimonial a descoberto, considerando-se o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente.
ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
MULTA QUALIFICADA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula 1º CC n° 14)
JUROS - TAXA SELIC - A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula 1º CC n° 4).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1º CC n° 2).
Preliminar rejeitada.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2202-000.226
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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Numero do processo: 13706.002233/2007-26
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PESSOA FÍSICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. RENDIMENTOS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA NO BRASIL.
Os rendimentos auferidos por pessoa física não-residente no País (residente ou domiciliada no exterior) de fontes situadas no exterior não se sujeitam à tributação do imposto de renda no Brasil.
PESSOA FÍSICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INCLUSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. CARACTERIZAÇÃO DE ERRO DE FATO. MEIOS DE PROVA
É de se admitir o erro de fato para conduzir à revisão do lançamento, eis que, se o lançamento há de ser feito de acordo com o tipo abstrato da norma, há de conformar-se à realidade fática, notadamente no caso de apresentação de Declaração de Ajuste Anual contrariando a legislação tributária de regência. Assim, estando demonstrada a existência de erro de fato na apresentação de Declaração de Ajuste Anual, em razão de ser pessoa física não-residente no País, gerando valores inexistentes, torna-se defesa a retificação do lançamento, já que a prova do erro cometido pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 PESSOA FÍSICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. RENDIMENTOS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA NO BRASIL. Os rendimentos auferidos por pessoa física não-residente no País (residente ou domiciliada no exterior) de fontes situadas no exterior não se sujeitam à tributação do imposto de renda no Brasil. PESSOA FÍSICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INCLUSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. CARACTERIZAÇÃO DE ERRO DE FATO. MEIOS DE PROVA É de se admitir o erro de fato para conduzir à revisão do lançamento, eis que, se o lançamento há de ser feito de acordo com o tipo abstrato da norma, há de conformar-se à realidade fática, notadamente no caso de apresentação de Declaração de Ajuste Anual contrariando a legislação tributária de regência. Assim, estando demonstrada a existência de erro de fato na apresentação de Declaração de Ajuste Anual, em razão de ser pessoa física não-residente no País, gerando valores inexistentes, torna-se defesa a retificação do lançamento, já que a prova do erro cometido pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. Recurso provido.
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RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. RENDIMENTOS FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA NO BRASIL. Os rendimentos auferidos por pessoa física nãoresidente no País (residente ou domiciliada no exterior) de fontes situadas no exterior não se sujeitam à tributação do imposto de renda no Brasil. PESSOA FÍSICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INCLUSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. CARACTERIZAÇÃO DE ERRO DE FATO. MEIOS DE PROVA É de se admitir o erro de fato para conduzir à revisão do lançamento, eis que, se o lançamento há de ser feito de acordo com o tipo abstrato da norma, há de conformarse à realidade fática, notadamente no caso de apresentação de Declaração de Ajuste Anual contrariando a legislação tributária de regência. Assim, estando demonstrada a existência de erro de fato na apresentação de Declaração de Ajuste Anual, em razão de ser pessoa física nãoresidente no País, gerando valores inexistentes, tornase defesa a retificação do lançamento, já que a prova do erro cometido pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 22 33 /2 00 7- 26 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13706.002233/200726 Acórdão n.º 2202002.109 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório DINA FEIGENBAUM, contribuinte inscrita no CPF/MF 400.351.66720, com domicílio fiscal na cidade Rio de Janeiro, Estado Rio de Janeiro, à Rua Gustavo Sampaio, nº 576 – Apt 603, Bairro Leme, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro RJ, inconformada com a decisão da Primeira Instância de fls. 83/85, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro – RJ, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 90/98. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Rio de Janeiro RJ, em 23/04/2007, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 14/16), com ciência através de AR, em 02/05/2007 (fls. 74), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 53.095,39 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2004, correspondente ao anocalendário de 2003. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2004 onde a autoridade lançadora entendeu haver compensação Indevida de CarnêLeão e Imposto Complementar (Mensalão). Glosa do valor de R$ 32.552,76, pleiteado indevidamente a título de Carnêleão e Imposto Complementar (Mensalão), correspondente à diferença entre o valor declarado R$ 32.552,76, e os valores efetivamente recolhidos com os códigos de receita 0190 e 0246 R$ 0,00, conforme informações, constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Infração capitulada no art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250, de 1995; arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 87, inciso IV, do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. Em sua peça impugnatória de fls. 06/12, instruída pelos documentos de fls.13/35, apresentada, tempestivamente, em 28/05/2007, a contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a autuação que instrui os presentes autos pretende a exigência do Imposto sobre a Renda, relativamente ao ano calendário de 2003, exercício 2004, tendo em vista a glosa do imposto informado na declaração de ajuste anual a título de imposto recolhido sobre os rendimentos auferidos no exterior; que anteriormente ao ano calendário de 2003 a ora Impugnante se aposentou do Serviço Público Federal (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e transferiu o seu domicílio para o Canadá, onde reside e trabalha como pesquisadora universitária até a presente data; que, portanto, como evidenciam as declarações de rendimentos entregues à Secretaria da Receita Federal anteriormente ao ano calendário de 2003, a Impugnante possuía a condição de não residente no território nacional, o que ensejava a sua tributação pelo Imposto Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 4 sobre a Renda apenas sobre os rendimentos decorrentes de aposentadoria pagos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, à alíquota de 25%; que dessa forma, considerando a condição de não reside no território nacional da Impugnante, na forma prevista pela IN/SRF n° 208/2002, artigo 3°, incisos I e V, não deveriam ser oferecidos à tributação na declaração de ajuste quaisquer rendimentos; que, os rendimentos de aposentadoria pagos pela UFRJ deveriam estar sendo tributados à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), na forma prevista pelo artigo 36 da INS/SRF n° 208/2002, ou pelo artigo 682, inciso II, do RIR/99, de forma definitiva na fonte; que os rendimentos auferidos pela Impugnante no Canadá tivessem que ser oferecidos à tributação no Brasil, mesmo assim, a glosa pretendida na autuação não poderia prosperar; que, sendo o caso dos rendimentos auferidos no exterior serem tributados aqui no Brasil, devese observar que o imposto pago no exterior deveria ser aproveitado na determinação do montante a ser recolhido no território nacional, tendo em vista o que dispõe o Decreto Legislativo n° 28, de 12/11/1985, firmado pelo Brasil com o Canadá para evitar a duplatributação da renda e dos proventos de qualquer natureza; que, portanto resta demonstrado que a glosa do imposto pago no exterior no montante de R$ 32.552,76 e improcedente porque os documentos que seguem anexados fazem a prova bastante além da sua efetiva retenção, do seu montante em Reais, sendo cristalina a improcedência da glosa pretendida no lançamento de oficio aqui impugnado. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro RJ concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que inicialmente esclareçase que esta instancia administrativa de julgamento não e competente para analisar pedido de restituição, nos termos do disposto no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil,aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04/03/2009; que o presente lançamento trata de glosa integral do valor informado pela contribuinte na declaração de ajuste anual simplificada do Exercício 2004 , AnoCalendário 2003 , na linha correspondente a "carnêleão e imposto complementar (mensalão) fl.78; que a contribuinte através de seu procurador afirma que o valor em questão se trata de imposto pago sobre rendimentos tributáveis auferidos no Canadá, pois a mesma é aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro e reside no exterior onde trabalha auferindo rendimentos. Para comprovar juntou ao presente os documentos de fls. 56 a 62 e 70 devidamente traduzidos do idioma francês que comprovariam suas declarações; que como a contribuinte apresentou declaração de ajuste anual para o exercício de 2004 – anocalendário 2003, pelo modelo simplificado, esta não faz jus à dedução de imposto a pago no exterior; que de acordo com consulta ao sistema sinal07 de fls. 81 e 82, vemos a ausência de recolhimento de carnêleão e imposto complementar por parte da contribuinte logo Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13706.002233/200726 Acórdão n.º 2202002.109 S2C2T2 Fl. 4 5 face ao exposto, voto pela improcedência da impugnação da contribuinte, devendo ser mantido o lançamento efetuado pela fiscalização. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. O contribuinte que deseje compensar imposto pago no exterior ou resultado positivo com negativo da atividade rural não pode optar pela Declaração Simplificada. CARNÊLEÃO.IMPOSTO COMPLEMENTAR. PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Na ausência da efetiva comprovação, com documentação hábil e idônea, de que o valor foi integralmente recolhido pelo contribuinte , cabe manter a glosa efetuada pela Fiscalização Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 09/10/2009, conforme Termo constante à fl. 86, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (09/11/2009), o recurso voluntário de fls. 90/98, instruído pelos documentos de fls. 99/102, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que como a recorrente não formalizou perante as autoridades fiscais a sua saída do território nacional mediante a entrega da Declaração de Saída Definitiva do País, até mesmo porque à época da sua transferência de domicílio não existia essa formalidade (nem divulgação das autoridades fiscais nesse sentido) a ora Recorrente acabou por adquirir a condição de brasileira não residente tendo em vista que há mais de doze meses consecutivos está residindo fora do território nacional; que a autuação que instrui os presentes autos pretende a exigência do Imposto sobre a Renda, relativamente ao ano calendário de 2003, exercício 2004, tendo em vista a glosa do imposto informado na declaração de ajuste anual a título de imposto recolhido sobre os rendimentos auferidos no exterior; que, por outro lado, os rendimentos auferidos no Canadá não sofrem qualquer tributação no território nacional, tendo em vista a condição de não residente auferida pela Recorrente, com a sua saída há muito mais de um ano antes do ano calendário de 2003, como provado nos autos com as devidas chancelas emitidas pelo Consulado Brasileiro no Canadá; que em verdade houve por parte da Recorrente equívoco de fato ao prestar as suas informações ao Fisco Federal fazendo constar da base de cálculo tributável passível de ajuste os rendimentos auferidos pela UFRJ, que deveriam sofrer incidência exclusiva na fonte, Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 6 juntamente com os rendimentos auferidos no exterior, que nem deveriam sofrer qualquer tributação no Brasil; que diante dos elementos acima elencados, pertinentes não só à condição de nãoresidente da Recorrente devidamente comprovada nos autos, bem como do descabimento de qualquer tributação que exceda o que efetivamente devida por lei, percebese que a decisão recorrida mantêm o lançamento em total desacordo com a verdade material extraída das provas e dos fatos constantes dos autos; que como já explicitado acima, como evidenciam as declarações de rendimentos entregues à Secretaria da Receita Federal anteriormente ao ano calendário de 2003, a Recorrente já possuía a condição de não residente no território nacional, o que ensejava a sua tributação pelo Imposto sobre a Renda, tão somente, sobre os rendimentos decorrentes de aposentadoria pagos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; que, da mesma forma, o mero equívoco da Recorrente ao ter feito constar da base de cálculo tributável passível de ajuste os rendimentos auferidos pela UFRJ que deveriam sofrer incidência, exclusiva na fonte juntamente com os rendimentos auferidos no exterior, não tem o condão de tornar devido o tributo que não se deve; que, portanto, a Recorrente pede e espera que seja aplicada a lei, bem como o entendimento não só jurisprudencial como da própria. Secretaria da Receita Federal, vindo a ser reconhecido o equívoco do lançamento ora impugnado e, por conseguinte, reformandose o Acórdão n.° 1326246, oriundo da 3ª Turma da DRJ/RJ 2, por ser medida de direito e de justiça. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13706.002233/200726 Acórdão n.º 2202002.109 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão teve início em razão da revisão da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício de 2004, correspondente ao anocalendário de 2003, onde a autoridade fiscal revisora entendeu haver irregularidades nos recolhimentos sob os códigos de 0190 e 0246 (Recolhimento de Carnê Leão e Mensalão), razão pela qual foi efetuado a glosa do imposto pago a título de antecipação no valor de R$ 32.552,76. A decisão recorrida manteve o crédito tributário lançado amparado nas teses de que a contribuinte que deseje compensar imposto pago no exterior ou resultado positivo com negativo da atividade rural não pode optar pela Declaração Simplificada, bem como entendeu que na ausência da efetiva comprovação, com documentação hábil e idônea, de que o valor foi integralmente recolhido pelo contribuinte, cabe manter a glosa efetuada pela Fiscalização. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, argúi, que os rendimentos auferidos no Canadá não sofrem qualquer tributação no território nacional, tendo em vista a condição de não residente auferida pela Recorrente, com a sua saída há muito mais de um ano antes do ano calendário de 2003, como provado nos autos com as devidas chancelas emitidas pelo Consulado Brasileiro no Canadá. Argúi, ainda, que na verdade houve por parte da Recorrente equívoco de fato ao prestar as suas informações ao Fisco Federal fazendo constar da base de cálculo tributável passível de ajuste os rendimentos auferidos pela UFRJ, que deveriam sofrer incidência exclusiva na fonte, juntamente com os rendimentos auferidos no exterior, que nem deveriam sofrer qualquer tributação no Brasil. Da análise das peças processuais resta claro que, na época dos fatos em discussão, a recorrente era domiciliada no exterior. Ora, as pessoas domiciliadas no exterior, sejam pessoas físicas, sejam jurídicas, apenas são tributáveis no Brasil pelos rendimentos que aqui tenham sido produzidos, isto é, por rendimentos imputáveis a fontes nacionais. Dessa forma, no Brasil vigora o princípio da universalidade com relação à tributação dos rendimentos auferidos por pessoas físicas e jurídicas no País, e o da territorialidade para a tributação dos rendimentos auferidos por não residentes. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 8 Não há dúvidas, que nesse processo, se faz necessário se distinguir o regime de tributação em que residentes no exterior são considerados como tal, sujeitandose a uma tributação definitiva sobre os rendimentos provenientes de fontes nacionais. A Instrução Normativa da SRF nº 2008, de 2002, se manifesta da seguinte forma: Art. 1º Os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, inclusive de órgãos do Governo brasileiro localizados fora do Brasil, e os ganhos de capital apurados na alienação de bens e direitos situados no exterior por pessoa física residente no Brasil, bem assim os rendimentos recebidos e os ganhos de capital apurados no País por pessoa física nãoresidente no Brasil estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda, conforme o disposto nesta Instrução Normativa, sem prejuízo dos acordos, tratados e convenções internacionais firmados pelo Brasil ou da existência de reciprocidade de tratamento. [...] Conceito de residente e nãoresidente no País [...] Art. 3º Considerase nãoresidente no Brasil, a pessoa física: I – que não resida no Brasil em caráter permanente e não se enquadre nas hipóteses previstas no art. 2º; II – que se retire em caráter permanente do território nacional, na data da saída, ressalvado o disposto no inciso V do art. 2º; III – que, na condição de nãoresidente, ingresse no Brasil para prestar serviços como funcionária de órgão de governo estrangeiro situado no País, ressalvado o disposto no inciso IV do art. 2º; IV – que ingresse no Brasil com visto temporário: e permaneça até 183 dias, consecutivos ou não, em um período de até doze meses; b) até o dia anterior ao da obtenção de visto permanente ou de vínculo empregatício, se ocorrida antes de completar 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, dentro de um período de até doze meses; V – que se ausente do Brasil em caráter temporário, a partir do dia seguinte àquele em que complete doze meses consecutivos de ausência. (o destaque não consta do original) § 1° Para fins do disposto no inciso IV, "a", do caput, caso, dentro de um período de doze meses, a pessoa física não complete 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, novo período de até doze meses será contado da data do ingresso seguinte àquele em que se iniciou a contagem anterior. § 2º A pessoa física nãoresidente que receba rendimentos de fonte situada no Brasil deve comunicar à fonte pagadora tal Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13706.002233/200726 Acórdão n.º 2202002.109 S2C2T2 Fl. 6 9 condição, por escrito, para que seja feita a retenção do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 35 a 45. Art. 4º A partir do momento em que a pessoa física adquira a condição de residente ou de nãoresidente no País, darseá o retorno à condição anterior somente quando ocorrer qualquer das hipóteses previstas nos arts. 2º ou 3º, conforme o caso. Cadastro de Pessoas Físicas Art. 5° A partir de 1º de dezembro de 2002, é obrigatória a inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) de não residente que possua no Brasil bens e direitos sujeitos a registro público, inclusive: [...] Pessoa física que passar à condição de nãoresidente Saída definitiva do País Art. 9º A pessoa física residente no Brasil que se retirar em caráter permanente do território nacional no curso do ano calendário deve: Art. 9º A pessoa física residente no Brasil que se retire em caráter permanente do território nacional no curso do ano calendário deve, observado o disposto no art. 11A: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.008, de 9 de fevereiro de 2010) (Vide art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.008, de 9 de fevereiro de 2010) I apresentar, até a data da saída do Brasil, a Declaração de Saída Definitiva do País, relativa ao período em tenha permanecido na condição de residente no Brasil no ano calendário da saída, bem assim as declarações correspondentes a anoscalendário anteriores, se obrigatórias e ainda não entregues; I apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País, relativa ao período em que tenha permanecido na condição de residente no Brasil no anocalendário da saída, bem assim as declarações correspondentes a anoscalendário anteriores, se obrigatórias e ainda não entregues: (Redação dada pela IN SRF nº 711, de 31 de janeiro de 2007) a) até o último dia útil do mês de abril do anocalendário da saída definitiva, caso esta ocorra até esta data; (Incluída pela IN SRF nº 711, de 31 de janeiro de 2007) b) na data da saída definitiva, nas demais hipóteses; (Incluída pela IN SRF nº 711, de 31 de janeiro de 2007) a) até o último dia útil do mês de abril do anocalendário da saída definitiva, caso esta ocorra até 31 de março do referido anocalendário; (Redação dada pela IN RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 10 b) até 30 (trinta) dias contados da data da saída definitiva, nas demais hipóteses; (Redação dada pela IN RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) I apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País, relativa ao período em que tenha permanecido na condição de residente no Brasil no anocalendário da saída, até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subsequente ao da saída definitiva, bem como as declarações correspondentes a anos calendário anteriores, se obrigatórias e ainda não entregues; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.008, de 9 de fevereiro de 2010) (Vide art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.008, de 9 de fevereiro de 2010) [...] Art. 10. Os rendimentos recebidos de fontes situadas no Brasil pela pessoa física que se retirar em caráter permanente do território nacional sujeitamse à tributação exclusiva na fonte ou definitiva, nos termos previstos nos arts. 26 a 45, a partir da data da saída definitiva do País. § 1° Para fins do disposto no caput, a pessoa física deve comunicar à fonte pagadora a data da saída definitiva do Brasil. § 2° Caso a pessoa física se retire em caráter permanente do território nacional sem entregar a Declaração de Saída Definitiva do País, seus rendimentos serão tributados nos termos previstos no § 1º do art. 11 durante os primeiros doze meses de ausência, e, a partir do décimo terceiro mês, conforme o disposto nos arts. 26 a 45. § 2º Caso a pessoa física se retire em caráter permanente do território nacional sem apresentar a Comunicação de Saída Definitiva do País, de que trata o art. 11A, nem a Declaração de Saída Definitiva do País, de que trata o art. 9º, seus rendimentos serão tributados nos termos previstos no § 1º do art. 11 durante os primeiros 12 (doze) meses, contados a partir da data da saída, e, a partir do 13º (décimo terceiro) mês, conforme o disposto nos arts. 26 a 45. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.008, de 9 de fevereiro de 2010) (Vide art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.008, de 9 de fevereiro de 2010) Saída em caráter temporário do Brasil Art. 11. A pessoa física que se ausentar do território nacional em caráter temporário, permanecendo no exterior por mais de doze meses consecutivos, deve: Art. 11. A pessoa física que se ausente do território nacional em caráter temporário e permaneça no exterior por mais de 12 (doze) meses consecutivos deve, observado o disposto no art. 11 A: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.008, de 9 de fevereiro de 2010) (Vide art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.008, de 9 de fevereiro de 2010) I apresentar, até trinta dias contados da data em que completar doze meses consecutivos de ausência, a Declaração de Saída Definitiva do País, relativa ao período em que tenha Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13706.002233/200726 Acórdão n.º 2202002.109 S2C2T2 Fl. 7 11 permanecido na condição de residente no Brasil no ano calendário da caracterização da condição de nãoresidente, bem assim as declarações correspondentes a anoscalendário anteriores, se obrigatórias e ainda não entregues; I apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País, relativa ao período em que tenha permanecido na condição de residente no Brasil no anocalendário da caracterização da condição de nãoresidente: (Redação dada pela IN SRF nº 711, de 31 de janeiro de 2007) a) até o último dia útil do mês de abril do anocalendário da caracterização da condição de nãoresidente, caso esta ocorra até 31 de março do referido anocalendário; (Incluído pela IN SRF nº 711, de 31 de janeiro de 2007) b) até trinta dias contados da data em que completar doze meses consecutivos de ausência, nas demais hipóteses; (Incluído pela IN SRF nº 711, de 31 de janeiro de 2007) I apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País, relativa ao período em que tenha permanecido na condição de residente no Brasil no anocalendário da caracterização da condição de nãoresidente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subsequente ao da caracterização; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.008, de 9 de fevereiro de 2010) (Vide art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.008, de 9 de fevereiro de 2010) II recolher em quota única, até a data prevista para a entrega das declarações de que trata o inciso I, o imposto nelas apurado e os demais créditos tributários ainda não quitados, cujos prazos para pagamento são considerados vencidos nesta data, se prazo menor não estiver estipulado na legislação tributária. § 1º Os rendimentos recebidos nos primeiros doze meses consecutivos de ausência: I de fontes situadas no Brasil são tributados como os rendimentos recebidos pelos demais residentes no Brasil; II de fontes situadas no exterior sujeitamse à tributação no Brasil nos termos previstos nos arts. 14 a 16, 19 e 20. § 2º Os rendimentos recebidos a partir do décimo terceiro mês consecutivo de ausência sujeitamse à tributação exclusiva na fonte ou definitiva, nos termos previstos nos arts. 26 a 45. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, se manifesta da seguinte forma: RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR Seção I Contribuintes Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 12 Art.682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a"); II pelos residentes no País que estiverem ausentes no exterior por mais de doze meses, salvo os mencionados no art. 17 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "b"); III pela pessoa física proveniente do exterior, com visto temporário, nos termos do §1º do art. 19 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "c", e Lei nº 9.718, de 1998, art. 12);IV pelos contribuintes que continuarem a perceber rendimentos produzidos no País, a partir da data em que for requerida a certidão, no caso previsto no art. 879 (Lei nº 3.470, de 1958, art. 17, §3º). Como evidenciam os documentos apresentados, a Recorrente já possuía a condição de não residente no território nacional, o que ensejava a sua tributação pelo Imposto sobre a Renda, tão somente, sobre os rendimentos decorrentes de aposentadoria pagos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Isto porque, os rendimentos de aposentadoria pagos pela UFRJ deveriam estar sendo tributados de forma definitiva, na forma prevista pelo artigo 36 da IN/SRF n° 208/2002, ou pelo artigo 682, inciso II, do RIR/99. Por outro lado, os rendimentos auferidos no Canadá não sofrem qualquer tributação no território nacional, tendo em vista a condição de não residente auferida pela Recorrente, com a sua saída há muito mais de um ano antes do ano calendário de 2003, como provado nos autos com as devidas chancelas emitidas pelo Consulado Brasileiro no Canadá. Em verdade houve por parte da Recorrente equívoco de fato ao prestar as suas informações ao Fisco Federal fazendo constar da base de cálculo tributável passível de ajuste os rendimentos auferidos pela UFRJ, que deveriam sofrer incidência exclusiva na fonte. Diante das provas acostados nos autos, resta claro, que a suplicante apresentou indevidamente a Declaração de Ajuste Anual, já que é caso de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, por pessoa física nãoresidente no Brasil e que não estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda no Brasil. Ora, é de se admitir o erro de fato para conduzir à revisão do lançamento, eis que, se o lançamento há de ser feito de acordo com o tipo abstrato da norma, há de conformar se à realidade fática, inclusive nos casos de apresentação de Declaração de Ajuste Anual de forma indevida. Como também, é pacífico, tanto na legislação de regência como na jurisprudência, que a prova da ocorrência de erro de fato no preenchimento das declarações, cabe ao contribuinte, e pode ser efetuada mediante a comprovação da inocorrência dos rendimentos apontados ou a demonstração de como foi obtido o valor erroneamente apontado. Assim, estando demonstrada a existência de erro de fato na apresentação da Declaração de Ajuste Anual, que gerou as informações equivocadas de débitos, gerando supostos valores inexistentes, torna defesa a retificação do lançamento, já que a prova do erro Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13706.002233/200726 Acórdão n.º 2202002.109 S2C2T2 Fl. 8 13 cometido pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive à presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. De fato, ao se analisar a Declaração de Ajuste Anual apresentada, dos documentos acostados aos autos e da legislação de regência, constatase que foram cometidos equívocos pela suplicante, gerando uma confusão na autoridade revisora, responsável pela análise das informações prestadas sobre o tributo em questão e dos recolhimentos efetuados, provocando o lançamento através do Auto de Infração ora combatido. Notase, de forma clara, nos autos que ao apresentar, indevidamente, a Declaração de Ajuste Anual a suplicante implantou informações equivocadas sobre os rendimentos recebidos, gerando o valor indevido de imposto de renda, cobrado através do Auto de Infração questionado. Ora, o estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (artigos 3º e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidades essenciais, inerentes ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei nº. 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1º, do Decreto nº. 70.235, de 1972). Sob a verdade material, citemse: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei nº. 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional)); as diligências que a autoridade determinar, quando entendêlas necessária ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto nº. 70.235, de 1972); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto nº. 70.235, de 1972). Como substrato dos pressupostos acima elencados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no artigo 5º, LV, da Constituição Federal, de 1988. A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas cominam sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todos os erros ou equívocos devem ser reparados tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Desta forma, erros ou equívocos não tem, perante a legislação tributária, o condão de transformarse em fatos geradores de impostos. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN 14 Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resultam que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Assim sendo, entendo que toda matéria útil pode ser acostada ou levantada na defesa, como também é direito do contribuinte ver apreciada essa matéria, sob pena de restringir o alcance do julgamento. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Desta forma, conjugandose as posições acima descritas, com os argumentos, fatos e provas do processo, não me restam dúvidas, que no caso em pauta, se está na presença de uma falha, decorrente de erro humano, que não tem o condão de subverter a verdadeira natureza das coisas, ainda que, frente à letra fria da lei, se incorreu em falha pela não retificação do erro pelo processo legal, com a devida instrução comprobatória dos enganos cometidos. Não é justo, que se tome, para fins de tributação, o somatório dos rendimentos declarados de forma equivocada, já que há evidência cristalina de que houve falha no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual, apresentada indevidamente, falhas estas comprovadas através da documentação acostada nos autos na fase recursal e conjugada com a documentação apresentada na fase impugnatória. Ou seja, que a apresentação da Declaração de Ajuste Anual foi apresentada de forma equivocada, já que a recorrente é pessoa física não residente no País e sim residente e domiciliada no exterior, portanto dispensada da apresentação da declaração de rendimentos no Brasil. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10315.000684/2008-15
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS.
Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/2008, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações a legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/2008, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações a legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 06 84 /2 00 8- 15 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 18/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 18/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 10315.000684/200815 Acórdão n.º 2401002.699 S2C4T1 Fl. 83 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, III da Lei 8212/91, tendo em vista que o Município de Juazeiro do Norte/CE — Prefeitura Municipal não apresentou informações em meio magnético (digital) conforme determina a legislação. De acordo com o Relatório Fiscal o Prefeito Municipal foi responsabilizado pessoalmente pela infração, nos termos do art. 41, da Lei n°8.212/91. Inconformado com a decisão de fls 45 e seguintes, que julgou procedente o lançamento, o contribuinte apresentou recurso à este conselho alegando em síntese: Afirma que a decisão que manteve a autuação afrontou o Código tributário Nacional e a Constituição Federal no que tange: a) à impossibilidade de responsabilização do gestor público, pelos débitos da administração, desconsiderandose texto legal expresso, contido no art. 137, inc. I, do CTN; b) à inconstitucionalidade da responsabilização do recorrente, fundamentado na Lei 8.212191 (lei ordinária), desconsiderando o fato de o tema "responsabilidade tributária" ser afeto a leis complementares, conforme prevê o art. 146, inc. Ill, da Constituição Federal; c) á ilegalidade da norma que aplica multas com valores majorados a fatos ocorridos anteriormente, ferindo a irretroatividade penal, contida no art. 100, do CTN. Requer o provimento do recurso pra reconhecer a nulidade da lavratura do auto em nome do Prefeito Municipal de Juazeiro do Norte, considerando: (a) que a obrigação acessória alegadamente descumprida era devida ao Município de Juazeiro do Norte — pessoa jurídica de direito público; (b) a superioridade hierárquica do art. 137, I do Código Tributário Nacional, frente à Lei 8.212/91, e demais normas complementares (Regulamento da Previdência Social, portarias e instruções normativas aplicadas ao caso); e (c) a expressa exclusão da responsabilidade dos gestores públicos, operada pelo citado art. 137, inc. I, do CTN. É o relatório Fl. 172DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 18/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos devese hodiernamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449, de 04/12/2008. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia o fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; Vêse que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa concordo com o Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 190/2009, de 02/02/2009, que embora ainda não aprovado pelo Ministro da Fazenda, já dá o tom de qual entendimento será adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 18/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 10315.000684/200815 Acórdão n.º 2401002.699 S2C4T1 Fl. 84 5 Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito DARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 174DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 18/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Numero do processo: 11020.003367/2007-48
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 17/09/2007
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE DA AUTUAÇÃO - CERCEAMENTO DE DEFESA - FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório fiscal, como na informação fiscal que sugeriu a relevação em parte da multa
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NFLD CORRELATAS
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, limitando-a de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, vencidos os conselheiros Walter Murilo Melo de Andrade, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior proporção, recalculando o valor da multa de acordo com o art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório fiscal, como na informação fiscal que sugeriu a relevação em parte da multa PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 33 67 /2 00 7- 48 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, limitandoa de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, vencidos os conselheiros Walter Murilo Melo de Andrade, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior proporção, recalculando o valor da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003367/200748 Acórdão n.º 2401002.733 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n° 37.115.7358, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado deixou de informar, mensalmente, à Receita Federal do Brasil RFB, anteriormente Secretaria da Receita Previdenciária SRP/Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP parte da remuneração paga ou creditada a empregados e contribuintes individuais (autônomos e administradores) que lhes prestaram serviços e valores pagos a cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. Tais fatos foram verificados: na contabilidade do contribuinte do período de 01/1999 a 12/2006 nas contas contábeis; Alimentação, Despesas C/ Assistência Médica Hospitalar e notas fiscais de cooperativas de trabalho período 01/2002 a 12/2006. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 17/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/09/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 219 a 238. A DecisãoNotificação confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 252 a 261, excluindo da autuação os fatos geradores alcançados pela decadência qüinqüenal, bem como os valores decorrentes de glosa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS • Data do fato gerador: 17/09/2007 GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. OMISSÃO DE FATO GERADOR. A entrega de GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias constitui infração a obrigação acessória expressa na Lei 8.212/91, ensejando a aplicação de multa. GLOSA DE DEDUÇÃO E COMPENSAÇÃO. REVISÃO DE OFÍCIO. O principio da legalidade permite à autoridade administrativa rever seus próprios atos, para examinar a conformidade dos mesmos com a lei, cancelando de oficio a exigência infundada. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°8 • A existência de Súmula Vinculante obriga os demais órgão da administração pública direta a rever seus atos. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Lançamento Procedente em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 265 a 277. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega: 1. A inconstitucionalidade do art. 22, IV da Lei 8212/91, acrescentado pela lei n. (9876/99 – Cooperativa de Trabalho. Sendo assim, ao instituir como base de cálculo de contribuição social o valor bruto da nota fiscal ou faturas emitidas pelas cooperativas, o artigo 22, IV da Lei n.° 8.212191 opõese ao que estabelece a Constituição Federal, revelandose, de forma irrefutável, inconstitucional. Isso porque a empresa não contrata com o cooperado, nem com este mantém qualquer vinculação jurídica, tampouco lhe paga ou credita salários ou rendimentos. 2. Ainda quanto à possibilidade análise de inconstitucionalidade na esfera administrativa, necessário considerar que o interesse público não é incompatível com os direitos fundamentais, sendo o processo administrativo tributário um exemplo perfeito disso, posto que, ao efetuar o controle da constitucionalidade das leis que aplica, o colegiado administrativo prestigia, ao mesmo tempo e com igual dignidade, o interesse público de preservação da ordem jurídica e os direitos fundamentais de contraditório e de ampla defesa do contribuinte. 3. É evidente que a pena decorrente da suposta infração é ilegal, pois se baseou unicamente em disposições constantes em Decreto, tendo em vista que não existe nenhuma lei que atribua ilicitude ao suposto fato cometido pela Recorrente, nem mesmo que determine a aplicação de pena. 4. Decorre do princípio da tipicidade que a lei tributária que atribui • penalidade ao contribuinte deva conter todos os elementos indispensáveis para a verificação da infração. Além disto, o fato tido por ilícito deve guardar perfeita adequação à norma legal punitiva. 5. Nesse sentido, sendo evidente a inconstitucionalidade/ilegalidade da multa e da exigência de contribuições, bem como a inobservância aos princípios da legalidade, razoabilidade, tipicidade e proporcionalidade, a decisão recorrida merece reforma para relevar a multa e cancelar o Auto de Infração lavrado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003367/200748 Acórdão n.º 2401002.733 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 110. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA NULIDADE PELA FALTA DE MOTIVAÇÃO NULIDADE PELA NÃO DISCRIMINAÇÃO CORRETA DOS FATOS GERADORES Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: a intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AI ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não o recorrente acesso aos documentos que consubstanciaram o lançamento, entendo que o relatório fiscal descreve cada um dos fatos geradores, digase apurados nos documentos do próprio recorrente. Assim, não houve violação do direito ao contraditório e a ampla defesa. DO MÉRITO Destacase que nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação, posto que os fatos geradores que embasaram a autuação estarem descritos na NFLD, razão porque seu mérito deve ser apreciado naqueles autos. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita, inclusive observando a aplicação de norma mais benéfica para cálculo da multa aplicada. Dessa forma, não conheço dos argumentos quanto a procedência do auto de infração de obrigação principal, considerando que a matéria já foi suficientemente apreciada naqueles autos. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em Fl. 297DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Segundo a fiscalização previdenciária a partir das informações contidas no Relatório Fiscal constatase que o recorrente deixou de informar os valores da contribuição gerada pela contratação de cooperativas de trabalho, o que gerou uma informação incorreta na GFIP. Contudo, nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação, posto que os fatos geradores que embasaram a autuação estarem descritos na AIOPde obrigação principal. Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da do NFLD conexas, que destacase exceto com relação a decadência, foram mantidos os fatos geradores ali lançados. PROCESSOS.11020.003.359/200700, DEBCAD 37.124.2983 – acordão 2301002.743 PROCESSO 11020.003360;200726, DEBCAD 37.115.7374 (identificase tratar de VALORES DESTINADOS A TERCEIROS DEPOSITADOS EM JUÍZO, ou seja sem pertinência direta com a multa imposta pelo presente AI). PROCESSO 11020.003361/200771, DEBCAD 37.115.7382 – Acordão 240101.704 de 16/03/2011. PROCESSO 11020.003362/200715, DEBCAD 37.115.7390 (cuja informação fiscal informa que o mesmo encontrase liquidado. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista, bem como procedeu a autoridade julgadora a devida apreciação da multa aplicada, não tendo o recorrente apresentado qualquer novo argumento que pudesse alterar o julgamento então proferido. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003367/200748 Acórdão n.º 2401002.733 S2C4T1 Fl. 5 7 Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS E DA POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Quanto a possibilidade de órgãos administrativos manifestaremse acerca da constitucionalidade de lei discordo do posicionamento adotado pelo recorrente. No mérito o argumento do recorrente é no sentido de que a contribuição obre as notas ficais, pelo serviço prestado por cooperativa de trabalho é inconstitucional. Nesse sentido, no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições pautada na lei n° 9.876/1999 institui contribuição (nova) não prevista no texto constitucional., determinando a exigência de contribuições sobre a faturas de cooperativas de trabalho, frisese que, assim ,como já defendido pela autoridade julgadora, entendo que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as regras previstas na Lei n ° 8.212/1991. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis contribuições Entendo assim, que externado pelo próprio recorrente, que a Constituição da República é clara ao definir as competências para apreciar questionamentos de constitucionalidade, seja por via de controle abstrato (concentrado), seja em via de controle concreto (difuso). E clara também a Carta Magna em reservar apenas aos órgãos do Poder Judiciário a competência para declarar a constitucionalidade ou não de atos normativos. Assim sendo, a esfera administrativa não é o foro adequado para discussões acerca da constitucionalidade das leis e dos atos normativos, estando tal vedação atualmente prevista no Decreto n° 70.235/1972, que trata do processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, incluído pela Medida Provisória n° 449/2008, e posterior lei 11.941/2009, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. " § 6o 0 disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) I — que _Id tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) II— que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 b) súmula da AdvocaciaGeral da Unido, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, quanto a alegação de boafé do recorrente, em que pese ser o aututado instituição que congrega magistrados, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições, sob pena de falta funcional, tendo em vista seua atividade ser vinculada. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento ou de descumprimento de obrigação acessória (como a omissão em GFIP), face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato o auto de infração de obrigação acessória, de forma vinculada de acordo com os normativos e legislação vigente.. DA MULTA APLICADA Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.003367/200748 Acórdão n.º 2401002.733 S2C4T1 Fl. 6 9 Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 04/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10480.009210/2002-31
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
0 pedido de realização de perícia deve ser analisado e deferido ou indeferido fundamentadamente, sob pena de se caracterizar cerceamento do direito de defesa, a teor das disposições dó art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, hipótese que implica na declaração da nulidade da decisão a quo.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 1202-000.139
Decisão: Por unanimidade de votos, DECLARARAM a nulidade da decisão de primeira instância e DETERMINARAM a remessa dos autos à DRJ de origem, para que outra seja proferida. Declarou-se impedida a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto.
Nome do relator: Cândido Rodrigues Neuber
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Recorrida 3' TURMA/DRJ-RECIFE/PE Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. 0 pedido de realização de perícia deve ser analisado e deferido ou indeferido fundamentadamente, sob pena de se caracterizar cerceamento do direito de defesa, a teor das disposições dó art. 59, inciso II, do Decreto rit) 70.235/72, hipótese que implica na declaração da nulidade da decisão a quo. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ern declarar a nulidade da decisão de primeira instancia e determinar a remessa dos autos a DRJ de origem, para outra seja proferida, nos termos do relatório e voto integram o presente julgado. Declarou- se impedida a conselheira Silvana Rescigno Guerra Ban-eto(Suplente Convocada). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros : Cândido Rodrigues Neuber, Valéria Cabral Geo Verçoza, Carmen Ferreira Saraiva(supl te Convocada), Silvana Improsso orr) 1 1120 2 pur ANDREA FERNANDLS CARCIA - VESO EMLRANCO PE RECIFE DRF Fl. 275 - P rocesso n 0480.009210/2002-31 S 1-C2T2 Acórao n.° 1202-00.139 Fl. 2 Rcscigno Guerra Barreto(Suplente Convocada ) Natanael Vieira dos Santos(suplente convocado) e Nelson LOsso Filho (Presidente). a • 2 - VERSO EM BRANCO Impress° em 19/1 ' 0 ') por ANDREA FERNANDES 3ARCIA e Relatório ORGANIZAÇÃO HOSPITALAR DE PERNAMBUCO LTDA. recorre da decisão de primeira instância proferida pela 3' Turma de Julgamento da DRJ no Recife — PE, assim relatada, in verbis: "Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração com cópia as fls. 18/24, por meio do qual é exigido o credito tributário referente à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL no valor de R$ 74.498,71 mais juros de mora e multa de oficio de 75%. 2. 0 lançamento, que totaliza o montante de R$ 196.072,56, decorreu de auditoria interna nas DCTFs relativas aos 3° e 4° triMestres de 1997. 0 enquadramento legal e a demonstração do crédito tributário estão consignados no auto de infração e em seus anexos. 3. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 01/05), alegando, em síntese: i) nulidade do auto de infração por ter sido lavrado com base em processamento eletrônico e ii) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face de ação judicial. 4. Despacho de fl. 42 da conta de que a ação judicial transitou em julgado a favor da empresa." Decisão de primeira instância, fls. 49 a 57, julgou os lançamentos tributários procedentes, sob os fundamento S consignados nas seguintes ementas, fls. 49, in verbis: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário : 1997 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restar insubsistentes as alegações de nulidade do procedimento fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário :' 1997 COISA JULGADA. EFEITOS. LIMITES. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUADA. Alterações legislativas na norma impugnada afetam a imutabilidade da coisa julgada, interrompendo seus efeitos nos casos de relação jurídica continuativa. Lançamento Procedente." Cientificada da decisão de primeira instancia em 09/08/2007, segundo "A. R." afixado as fls. 60, a contribuinte apresentou recurso voluntário protocolizado na repartição de origem em 10/09/2007, fls. 88 a 96, instruido com os documentos de fls. 97 a 247. PF RECIFE IMF FL 276 SI-C2T2 Fl. 3 Ç3 Processo n° 10480.009210/2002-31 Acórcl5o n.° 1202-00.139 hnptesso em 19111:2912 pcm ANDREA FERNANDES GARCIA VERSO Er4 BRANCO Alega em síntese: pugnou pela juntada de novos documentos e pela realização de perícia fiscal, pedidos que sequer foram analisados pela 3' Turma de Julgamento; se o demonstrativo (Anexo I e II), fls. 20/21, trazem informações de suposta não comprovação da suspensão da exigibilidade através de processo judicial, é imprescindível ao atendimento da ampla defesa e contraditório a realização de perícia na forma requerida; havendo dúvida quanto ao objeto da cle,ria-Ida judicial deveria se ter oportunizado a juntada de seu inteiro teor; o acórdão tecorrido equivocadamente julgou improcedente a referida impugnação e procedente a o lançamento tributário com base no Parecer PGFN/CRJN/N° 1.277, de 17111/1994, que trata de matéria distinta A. presente; o citado Parecer PGFN trata de suposta relativização dos efeitos da coisa julgada enquanto no presente caso a matéria meritória se restringe ao 'depósito integral do tributo nos respectivos prazos i de vencimento, impedindo lançamento fiscal, por força dos arts. 151 do CTN, art. 63 da Lei. n° 9.430/96 e art. 62 do Decreto n°70.235/72; nulidade da autuação por não atender ao disposto na IN SRF no 94/1997, em seu art. 3°; houve depósito judicial integral da CSLL de 1997, nos valores autuados de R$ 28.831,41.1 e R$ 45.667,30, conforme documentos de fls. 26 e 27; cujos recolhimentos do tributo poderá ser convertido em renda mediante requerimento da União; não se trata de lançamento para prevenir a decadência na forma do art. 63 da Lei no 9.430/96, não poderia a autoridade fiscal ter l acrescentado multa • de oficio ao valor originário do I tributo, nem tampouco juros quando o Ivalor principal está depositado, desde o seu vencimento, ern conta bancária que atualiza o seu montante automaticamente. Alfim a contribuinte pede a reforma da decisão de primeira instância para revisar o auto de infração; declarar a sua completa nulidade; julgá-lo totalmente improcedente ou; em última análise, julgá-lo parcialmente improcedente para afastar a multa de oficio e os juros. o relatório. 1.) Ft. 277 SI-C2T2 Fl. 4 PE RECIFE DRF Processo n° 10480.009210/2002-31 Acórdão n. ° 1202-00.139 4 VERSO ER BRANDO Impresso em 1911112012 por ANDREA FERNANDES GARCIA , ' PE RECIFE DRF Processo n0 10480.009210/2002-31 Acórdão n.° 1202 -00.139 FL 278 SI-C2T2 Fl. 5 "Zç(k Voto Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator 0 recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais e regimel-tais de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. A contribuinte suscitou preliminar de nulidade da decisão de primeira instância pó não ter apreciado Seu pedido de realização de perícia, fls. 80, alegando que a hipótese dos autos não é de relativização da coisa julgada quanto h. exigência da CSLL, mas de suspensão da exigibilidade em virtude ter realizado depósitos judiciais relativos à CSLL devida no ano de 1997, que suspenderiam a sua exigibilidade e poderiam ser convertidos em renda da • Realmente, não houve análise do pedido de realização de perícia, fosse para deferi-lo ou indeferi-lo haveria de sê-lo fundamentadamente, fato que caracteriza cerceamento do direito de defesa, a teor da S disposições do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, impondo-se a declaração da nulidade da decisão a quo para que outra seja prolatada na boa e devida forma, enfrentando-se o Pedido de realização de perícia formulado na impugnação. Por oportuno, com vistas a se evitar, no futuro, possível pedido de realização de diligência é recomendável, ainda em primeira instância, a análise dos depósitos judiciais efetuados pela contribuinte, fls. 26 a 27; se suficientes para a quitação das importâncias reclamadas, se foram convertidos ou não em renda da União; se existia no momento do deposito medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário de CSLL relativo ao ano-calendário de 1997. Na esteira destas considerações oriento o meu voto no sentido de declarar a nulidade da decisão a quo e determinar a remessa dos autos à DRJ de origem para que nova • decisão seja prolatada na boa e devida forma. "•••■ MO ROD °"-G7IJ_E_S_ ■ .:ER VCRS° FM El ANf',0 impresso em 1 9/1 1i20 2 pr ANDfEA FLRNANDFS GARCIA
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Numero do processo: 10980.009144/2005-10
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2000
DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Na forma da jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, a
aplicação da multa mínima pela entrega da DCTF a destempo não
está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 302-40.081
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, relator. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Na forma da jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, a aplicação da multa minima pela entrega da DCTF a destempo não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, relator. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. JUDITH D A ARAL MA CONDES ARMANDO - Presidei te LUCIANO LOPES DE A I A MORA S — Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corinth° Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. Processo n° 10980.009144/2005-10 Acórdão n.° 302-40.081 CC03/CO2 Fls. 51 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata-se de auto-de-infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF para o 4" trimestre de 2000. 0 crédito tributário totalLa a importância de R$500,00. Intimada, a empresa apresentou defesa tempestiva, alegando, em síntese, que as multas aplicadas nos diversos autos de infração referentes a não entrega de DCTF de 1999 a 2002, constituem, em verdade, uma única infração em conseqüência sujeita a uma só penalidade. Fundamenta sua pretensão no conceito de crime continuado previsto no art. 71 do Código Penal. Aponta que a penalidade aplicada nos autos é desproporcional ao valor do tributo declarado, ferindo, assim, os princípios da proporcionalidade e a da razoabilidade.Conclui seu raciocínio, apontando que o valor da multa não deve ultrapassar o valor do tributo devido, sob pena de efeito confiscatório. Acrescenta, por que a exigência destoa de sua capacidade financeira de microempresa. Ao .final, pede a nulidade da multa aplicada,ou não sendo o caso, a sua rechição. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 MULTA. PRINCIPIO DO NÃO-CONFISCO. TRIBUTO. A observância da capacidade contributiva e a vedação ao confisco são direcionadas aos tributos e não ús sanções, que têm o objetivo de dm- eficácia à atividade fiscal. Lançamento procedente. 0 contribuinte, restando inconformado corn a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. o relatório. Processo n° 10980.009144/2005-10 Acórdão n.° 302-40.081 CC03/CO2 Fls. 52 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator Conheço do presente recurso por tempestivo e atender aos requisitos legais. 0 presente recurso trata de aplicação de multa minima por descumprimento de obrigação acessória (apresentação a destempo de DCTF), cujo valor total (apesar de parecer irrisório num primeiro exame e talvez apropriado na maioria dos casos) ultrapassa a receita total declarada pelo contribuinte para o mesmo período apontado para o lançamento efetuado. Minha posição original em julgamentos anteriores neste colegiado foi de aceitar a legalidade da aplicação da multa minima imposta ao contribuinte que deixa de cumprir sua obrigação acessória no prazo fixado pela lei, contudo corn a análise fática deste caso - e faço a ressalva que somente neste tipo de caso entendo que os argumentos que produzo abaixo serão válidos -, isto não me parece ser legitimo ou mesmo legal, pelos motivos que passo a expor: Os fundamentos do procedimento administrativo encontram-se normatizados através do artigo 2' da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que assim dispõe: Art. 2" A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - atuação conforme a lei e o Direito; 110 11 - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV- atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fl; V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposicdo de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem decisão; VIII — observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; 3 Processo no 10980.009144/2005-10 AcOrdzio n.° 302-40.081 CC03/CO2 Fls. 53 IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X - garantia dos direitos a comunicação, à apresentação de alegações finais, a produção de provas e a interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII - impulsão, de oficio, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (grifos acrescidos ao original). Por mais que se possa discutir a aplicação de Princípios Jurídicos (Constitucionais ou Infraconstitucionais) na via estreita do procedimento administrativo fiscal, inegável que a norma acima transcrita é regra de direito no sentido estrito, ou seja, lei — norma jurídica válida e escrita de aplicação geral e impositiva, com eficácia plena e vigência atual, que precisa ser considerada no julgamento de todos os feitos administrativos federais. Logo, sua aplicação é obrigatória a toda a administração pública federal, na esfera do procedimento administrativo (gênero do qual o procedimento administrativo fiscal é espécie) e o eventual conflito desta corn outra lei deverá ser resolvido pelas regras de interpretação jurídicas, o que passaremos a examinar. Porém antes, outro ponto importante merece destaque, no presente caso, qual seja a possibilidade de discussão desta matéria sem sua argüição expressa pelo recorrente, ou seja, de oficio por este relator. A obrigatoriedade da observância dos princípios inseridos no caput do artigo 2° da Lei n° 9.784/99 e dos critérios listados no parágrafo único daquele mesmo artigo leva à conclusão que a eventual violação ou conflito entre este comando legal e outra norma jurídica deverá ser conhecido de oficio pelo julgador, quando da apreciação de recurso administrativo por tratar-se de regra aplicável diretamente ao julgador e não somente às partes (ou ao interessado, conforme o caso). A regra é dirigida expressamente ao julgador que deverá observá-la e adotá-la como principio que norteará sua formação de juizo e como critério objetivo para a composição do conflito, logo, dúvida não há que a matéria deve ser conhecida de oficio por este relator, que assim o faz. Aponto ainda, antes de adentrar ao mérito da questão em análise, que a aplicabilidade da lei n° 9.784/99 ao procedimento administrativo fiscal tem sido encarada como pacifica pela jurisprudência deste Conselho de Contribuintes e que nossa Câmara tem precedentes neste mesmo sentido. Minha primeira impressão, quando do exame mais aprofundado desta matéria é que haveria uma clara violação da vedação constitucional do confisco (art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988), que entendo também se aplica as multas fiscais. Neste sentido é a lição do Professor Jose Souto Maior Borges: 4 Processo n° 10980.009144/2005-10 Acórddo n. ° 302-40.081 CC03/CO2 Fls. 54 5.1. Poder-se-á, numa análise superficial, pretender que a vedação do tributo com efeito de confisco (CF, art. 150, IV) não se estenderia ás multas .fiscais porque o CT1V, no seu art. 3", exclui do âmbito conceitual da definição normativa do tributo a sanção do ato ilícito e pois a multa tributária. Assim, a multa, diversamente do tributo, poderia revestir efeito confiscató rio. 5.2. Nada mais desarrazoado porém. 0 direito de propriedade está assegurado no art. 5", XXII da CF e dele o proprietário somente pode regularmente ser despojado pelo procedimento expropriatório, na forma da lei e por necessidade ou utilidade pública ou interesse social (art. 5", XXIV). Assim, sendo, está implícito - mas claramente iniplícito - que a propriedade individual somente pode ser supressa pela desapropriação no forma da lei." (in. Tributos e Direito Fundamentais - relações entre Tributos e Direitos Fundamentais — Ed. Dialética - p. 220) Também o Supremo Tribunal Federal entendeu em diversas ocasiões e com diversas composições que a vedação ao confisco abrange o tributo e a multa fiscal. Como exemplo, cito algumas lições daquele tribunal: Do Ministro Bilac Pinto: "... não apenas os tributos, mas também as penalidades fiscais, quando excessivas ou confiscatórias, estão sujeitas ao mesmo tipo de controle jurisdicional..." (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Recurso Extraordinário n° 80.093, RTISTF n" 82, p. 814); Do Ministro Xavier de Albuquerque: "Conheço do recurso e lhe dou parcial provimento para julgar procedente o executivo fiscal, salvo quanto á. multa moratória que, fixada em nada menos de 100% do imposto devido, assume feição confiscatória." (STF, 2' Turma. Acórdão em Recurso Extraordinário n° 81.550, RTJSTF n° 74, p. 320); Do Ministro Moreira Alves: "... Tern o S.T.F. admitido a redução de multa moratória imposta corn base ern lei, quando assume ela, pelo seu montante desproporcional, feição confiscatória." (STF, 2 Turma. Acórdão em Recurso Extraordinário n" 91.707, RTJSTF n° 96, p. 1354); Do Ministro limar Galvdo: "0 art. 150, IV, da Carta da República veda a utilização de tributo com efeito confiscatório. Ou seja, a atividade fiscal do Estado não pode ser onerosa a ponto de afetar a propriedade do contribuinte, confiscando-a a titulo de tributação. Tal limitação ao poder de tributar estende-se, também, ás multas decorrentes de obrigações tributárias, ainda que não tenham elas natureza de tributo." (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Ação Direta de Inconstitucionalidade n°551, RTJSTF n° 138, p. 55-56); E, no ano passado, do Ministro Celso Mello: "t inquestionável, Senhores Ministros, considerando-se a realidade normativa emergente do ordenamento constitucional brasileiro, que nenhum tributo — e, por extensão, nenhuma penalidade pecuniária oriunda do descurnprimento de obrigações tributárias principais ou acessórias — poderá revestir-se de efeito confiscatório." (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.075, RDDT n° 139, p. 209). Contudo, a vedação ao confisco não é reproduzida na legislação infraconstitucional, o que poderia tornar duvidosa sua aplicação ao caso em tela, posto que não 5 Processo n° 10980.009144/2005-10 Acórchlo n. ° 302-40.081 CC03/CO2 Fls. 55 é dado ao Conselho de Contribuintes deixar de aplicar nonna legal, por considerá-la inconstitucional. Não me parece que seja este o caso, posto que o que deve ser feito, s.m.j., é a aplicação da lei que estipula a penalidade exigida pela autoridade fiscal em consonância corn a Constituição Federal aos fatos relativos à presente lide. Trata-se não de negativa de aplicação ou de se considerar inconstitucional a nonna legal, mas de, aplicando os limites impostos pela Constituição Federal, afastar a incidência da norma jurídica sobre os fatos específicos da lide, ou seja, trata-se de caso de aplicação direta da norma constitucional, hierarquicamente superior, para afastar a multa no caso especifico. Observe-se que não se cuida aqui de afastar a aplicação da lei por inconstitucional, o que somente seria possível nos casos excepcionados pelo parágrafo único do artigo 49 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes. A hipótese é de interpretação conforme a Carta Magna, respeitando o seu teor, mas não adentrando na esfera de análise de constitucionalidade do diploma legal. possível tal aplicação direta e há precedentes neste Conselho de Contribuintes e mesmo nesta Camara. A titulo meramente exemplificativo desta modalidade de entendimento e aplicação, posso citar os seguintes precedentes: ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR — CSLL — ART. 72, III, DOS ADCT. LEI N" 7.689/88. A máxima efetividade da norma constitucional em lume torna irrelevante a finalidade lucrativa, para a tributação da CSSL nas entidades fechadas de previdência complemental-, a não ser que se pretendesse esvaziar, por completo, o conteúdo da Carta Magna, recusando força normativa aos preceitos da Lei Maior. A linha de defesa que reclama a incidência sobre o lucro, sustentado a necessidade de adequar o texto constitucional ã Lei n" 7.689/88, denota a inversão do principio da interpretação conforme, postulando, ao contrário, a compreensão da Constituição emu consonância com o sentido predefinido para a norma de escalão inferior. Ademais, a base de cálculo da CSSL, nos termos da Lei n" 7.689/88, é o resultado do exercício. Assim, a obrigatória harmonia entre a norma constitucional e a indigitada lei impõe que se vislumbre o resultado do exercício como gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit. (Recurso Voluntário if 139.335, 3' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe); Neste caso, foi afastada a incidência da norma legal que restringia a incidência tributária à ocorrência de lucro para a cobrança do tributo para se dar interpretação conforme a Constituição Federal, ampliando a incidência do mesmo para alcançar as entidades fechadas de previdência complementar. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL — SERVIÇOS DE ÁGUA E ESGOTO — AUTARQUIA MUNICIPAL — TAXA — APLICABILIDADE — Uma vez comprovado que se trata de entidade autárquica municipal, que presta diretamente, em nome do Poder Público Municipal, com a finalidade essencial pública de tratamento de água e esgotos, 6 Processo n° 10980.009144/2005-10 Acórdão n.° 302-40.081 CC03/CO2 Fls. 56 enquadra-se na regra constitucional do art. 150, Parágrafo 2" da Constituição Federal, mediante a cobrança de taxa contraprestacional. E, portanto não auferindo lucro, e não apurando .faturamento, na acepção técnica de tal termo, não é passível cie tributação reflexa da CSLL, PIS e COFINS. Recurso de oficio negado. Recurso Voluntário provido. (Recurso Voluntário n° 147.747, 8 Camara do 1° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro Orlando Jose Gonçalves Bueno); A análise desta decisão revela que foi afastada a incidência tributária corn base em principio constitucional da imunidade reciproca, não tendo a decisão se imiscuído na analise da constitucionalidade das normas infraconstitucionais que regem a incidência daqueles tributos. PAPEL DE IMPRENSA. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. Material amparado emit imunidade constitucional objetiva, na forma do art. 150, VI, letra "b" da Constituição Federal Mercadoria fora do campo de incidência de tributos. RECURSO VOLUNTA'RIO PROVIDO. (Recurso Voluntário n° 125.748, 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro João Holanda Costa); IMUNIDADE. Desde que satisfeitas as exigências estabelecidas no artigo 150 da Constituição Federal, as entidades fundacionais, instituidas e mantidas pelo Poder Público, estão Nunes à incidência do Imposto de Importação e do IPI vinculado, nas importações que realizar. Recurso provido. (Recurso Voluntário n° 115.168, 2' Camara do 3° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheira Elizabeth Emilio de Moraes Chieregatto); Estes dois últimos exemplos me parecem ser os mais próximos do presente feito, possibilitando urna analogia direta, pois em ambos foi afastada a tributação por incidência direta da norma constitucional restritiva, isto 6, houve a aplicação direta da Constituição Federal para afastar a incidência tributária (no caso dos julgados acima, por regras de imunidade, e no presente feito, por vedação ao confisco e proteção ao direito de propriedade). Portanto, por todo o exposto, entendo que é possível afastar no presente caso a incidência da multa pelo atraso na apresentação da DCTF, tendo em vista que a receita auferida pelo contribuinte, no respectivo período de apuração, é menor que o valor total da multa aplicada e por entender que a norma constitucional limita o campo de incidência da multa para afastar sua aplicação aos fatos descritos nestes autos, o que não afeta a análise de constitucionalidade da referida norma. Entretanto, meu convencimento e o fundamento para afastar a multa não estão limitados a esta verificação dos limites constitucionais. Em verdade, há argumentos de cunho infraconstitucional suficientes para afastar a mesma multa, isto com base no disposto no artigo 2° e seu parágrafo único da lei no 9.784/99 acima transcrito. 0 primeiro argumento é a violação do critério de "interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige", 7 Processo n° 10980.009144/2005-10 Acórdão n.° 302-40.081 CC03/CO2 Fls. 57 previsto no inciso XIII do referido artigo 2' e que representa o Principio do interesse público, apontado no caput do mesmo artigo. 0 direito administrativo brasileiro reconhece a existência de dois tipos distintos de interesse público: o primário e o secundário. Na lição do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello: "Interesse público, ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do Corpo Social. Interesse secundário é aquele que atina tiio—só ao aparelho estatal enquanto entidade personali:ada e que por isso mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa" (In Curso de Direito Administrativo. 5' ed., Sao Paulo, Malheiros, 1994, p. 46) No presente caso, há urn claro conflito entre dois interesses públicos, a saber: o interesse público de garantia do valor social do trabalho e da livre iniciativa, assim como do desenvolvimento nacional e da garantia ao direito de propriedade que estão em conflito com o interesse público de controle fiscal e arrecadação tributária. Ao penalizar o recorrente em valor superior ao da totalidade de suas receitas no período pelo descumprimento de uma obrigação acessória, a administração pública (em razão de ser sua atividade vinculada) está aplicando a lei de forma literal e sem qualquer modulação, o que inviabilizará (ou, ao menos, dificultará consideravelmente) a atividade econômica desenvolvida pelo recorrente, o que, por conseqüência, afetará o interesse público do valor social do trabalho (de fato, para aquele período, o contribuinte terá sido "obrigado a pagar para trabalhar"). Além disso, o interesse público de garantia da propriedade privada está diretamente ligado ao interesse público de manutenção da paz social e da livre iniciativa. Assim a manutenção da exigência da multa, como feita nestes autos, levaria a uma inversão dos valores relativos aos interesses públicos envolvidos, isto porque o interesse público primário (valor social do trabalho, livre iniciativa, direito de propriedade) teria um valor menor que o interesse público secundário (controle fiscal an-ecadatório), o que numa sociedade democrática de direito é inadmissível. Observe-se que estamos comparando os fundamentos do estado democrático e as garantias pétreas constitucionais corn mero interesse arrecadatório. Muito proximo a este conceito, está o do principio da finalidade, listado como obrigatório pelo caput do artigo 2° da lei 9.784/99 e como critério direcional da atuação administrativa no inciso II do parágrafo único daquele comando legal. O critério de atenção aos fins de interesse geral visa estabelecer que o agente público deva primeiro, e principalmente, considerar, no momento de sua atuação, o bem geral da sociedade a qual serve. Neste sentido, o fiscal autuante agiu certo no meu entender, já que na sua atividade estritamente vinculada à literalidade da lei, não poderia ter deixado de autuar, já que inexiste norma cuja interpretação literal afaste esta exigência (observo que o fiscal até pode 8 Processo n° 10980.009144/2005-10 Acórdao n.° 302-40.081 CC03/CO2 Fls. 58 aplicar urna interpretação distinta da meramente literal, mas, em regra, como ocorre no presente caso, não está obrigado a tal sofisticação). Contudo, equivocou-se, no meu entender, a decisão de primeira instância, pois o julgador administrativo não está limitado a aplicar a norma legal em sua esfera primeira de significado, mas, ao contrário, está obrigado a interpretar, considerando todas as possibilidades e interpretações aplicáveis h. norma e mais que isto, conhecendo estes significados de forma a não confundi-los ou retirar-lhes a força normativa. Assim, quando a norma infraconstitucional determina a aplicação de princípios e critérios, o julgador administrativo deve promover sua aplicação em consonância corn o direito pátrio e resolvendo os eventuais conflitos corn as demais normas vigentes. No que se refere ao principio da finalidade, já é clássica a lição do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello, neste particular: "Assim, o principio da .finalidade impõe que o administrador, ao manejar as competências postas a seu encargo, atue coin rigorosa obediência ci finalidade de cada qual. Isto 6, cumpre-lhe cingir-se não apenas à finalidade própria de todas as leis, que é o interesse público, mas também c‘i finalidade especifica abrigada na lei a que esteja dando execução" (In Curso de Direito Administrativo, 5 3 ed., São Paulo, Malheiros, 1994, p. 53). Ora, qual é a finalidade da norma que aplica a multa por atraso na entrega da DCTF? Parece-me que há duas: uma é punitiva e a outra preventiva. A finalidade punitiva parece evidente, pois se pretende punir o atraso com a aplicação de penalidade pecuniária, contudo, esta punição deve guardar relação razoável entre o dano causado e a pena aplicada. Esta relação será explorada em maior detalhe, quando analisarmos a aplicação do principio da razoabilidade no caso em discussão. Por outro lado, a finalidade de prevenção ligada a pena aplicada refere-se tem um caráter de manutenção do interesse público secundário, ou seja, visa desestimular a conduta tida como infratora. Esta finalidade, portanto, está limitada, na parte que nos interessa no presente julgamento, ao interesse público de controle fiscal. Ocorre, contudo, que a materialidade real da atividade exercida pelo recorrente, no que se refere aos controles administrativos fiscais e econômicos, exercidos pelo Ministério da Fazenda é praticamente nenhuma (comparado com os critérios nacionais deste controle, a receita auferida pelo recorrente, está muito abaixo da linha de corte para análise macroeconômica e pode ser considerado, para esse efeito, como análogo à bagatela jurídica). Não é outra a razão para a dispensa de apresentação da DCTF aos contribuintes sujeitos à sistemática de tributação do Simples ou Aqueles que não obtiveram receita no ano. Logo, o interesse público neste caso é mínimo, sendo inexistente e mesmo que assim não se entenda, a manutenção deste tipo de cobrança leva a urn gasto público muito 9 Processo n° I 0980.009144/2005- I 0 Acórchlo n.° 302-40.081 CC03/CO2 Fls. 59 maior que aquele correspondente A própria arrecadação da multa, sendo a manutenção deste procedimento prejudicial, do ponto de vista meramente financeiro, aos cofres públicos. Poder-se-á argumentar ainda que a aplicação da multa tenha caráter educativo, entretanto, quando esta é superior As receitas auferidas no período pelo contribuinte e tornam sua atividade, por conseqüência, inviável, qualquer caráter educativo se anula. Por estes motivos, a manutenção da multa em discussão fere o principio e critério norteador da administração pública da finalidade. Mas não se encerram ai as razões para afastar a multa aplicada. Devo ainda avaliar esta situação, novamente aplicando o comando legal emanado pelo caput do artigo 2° da lei 9.784/99, quando esta manda aplicar o principio da razoabilidade e estabelece o critério para tanto em seu parágrafo único, inciso VI, corno a "adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público". 0 Supremo Tribunal Federal, em diversas oportunidades e de forma reiterada, tern aplicado o Principio Constitucional da Razoabilidade, que está reproduzido na norma infraconstitucional acima mencionada. Mais especificamente, no que se refere A matéria tributária, a Suprema Corte já estabeleceu que a exigência de obrigação tributária (principal ou acessória) não pode acarretar a inviabilidade da continuidade da atividade econômica do contribuinte, neste sentido são as Súmulas 70, 323 e 547 daquele Corte Suprema: Súmula 70 É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo. Súmula 323 É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para • pagamento de tributos. Súmula 547 Não é licito a autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas, despache mercadorias nas alfiindegas e exerça suas atividades profissionais. A situação em exame é análoga àquelas que motivaram o STF a editar as súmulas acima transcritas, pois corn a cobrança de valor superior A totalidade das receitas auferidas pelo recorrente, num dado período, é certamente o equivalente a impedir sua atividade econômica. Não é razoável, nem justificável de qualquer ponto de vista. Parece resultar evidente na comparação entre infração e penalidade, diante da realidade especifica do recorrente, a inadequação desta com relação Aquela. Esta análise fática leva à conclusão que a sanção aplicada é muito superior àquela estritamente necessária ao atendimento do interesse público, violando o critério objetivo imposto pelo inciso VI do parágrafo único do artigo 2° da lei rf 9.784/99, apesar de ser a minima prevista em lei, e, como conseqüência, surge que nenhuma multa deve ser aplicada. 'o • Processo n° 10980.009144/2005-10 AcOrdilo n.° 302-40.081 CC03/CO2 Fls. 60 E, como corolário de todos os argumentos acima, resta evidenciada a violação do principio da moralidade administrativa. Ressalvo que não estou a buscar a avaliação da existência ou não do móvel, ou seja, de intenção viciada do agente público (que, em verdade, não parece ser o caso), mas de urna avaliação da situação gerada pela autuação fiscal e imposição da multa, avaliada a realidade do contribuinte/infrator. 0 conceito de moralidade exige o comportamento reto, imaculado e leal com o contribuinte, e mesmo que se considerarmos que todos os argumentos acima nada valem, o que admito somente para argumentar, é certo que "non °nine quod licet honestum est" (nem tudo o que é legal é honesto), e, logo, ainda assim, a exigência desta multa, nesta situação fática, é impossível. Por estes motivos, VOTO para conhecer do recurso e dar-lhe provimento integral anulando o auto de infração de aplicação da multa por atraso na entrega da DCTF. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2008 4\ 1 a,A, cceç.., (-PA 6,,t,ç) MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA — Relatr I I Processo n° 10980.009144/2005-10 Acórdão n.° 302-40.081 CC03/CO2 Fls. 61 Voto Vencedor Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Redator Designado A recorrente discute a aplicação do instituto da denúncia espontânea para os casos de atraso na entrega de DCTF. Não merece razão a recorrente de aplicação do instituto da denúncia espontânea, já que a decisão proferida está em consonância corn a lei e jurisprudência. 0 simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. Ressalte-se que em nenhum momento a recorrente se insurge quanto ao atraso, pelo contrário, o confirma. De acordo com os termos do § 40, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, tuna vez que é principio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". Cite-se, ainda, acórdão da Camara Superior de Recursos Fiscais n° 02-01.046, sessão de 18/06/01, assim ementado: DCTF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA — ESPONTANEIDADE — INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. 0 principio da denúncia espontãnea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Estando a empresa ativa, conforme resultado da diligência realizada, deveria ter entregue a DCTF no prazo correto. Em não o fazendo, correta a multa aplicada. São pelas razões supra e demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, como se aqui estivessem transcritas, que nego seguimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argum ntos. Sala das Sessões, em 11 de ezembro de 2008 LUCIANO LOPES DE IDA MORAES - Redator Designado 1 2
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