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Numero do processo: 10880.914768/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 14 76 8/ 20 08 -1 3 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.914768/200813 Resolução nº 3401001.525 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.914768/200813 Resolução nº 3401001.525 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.914768/200813 Resolução nº 3401001.525 S3C4T1 Fl. 123 4 “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.914768/200813 Resolução nº 3401001.525 S3C4T1 Fl. 124 5 total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.914768/200813 Resolução nº 3401001.525 S3C4T1 Fl. 125 6 aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.914768/200813 Resolução nº 3401001.525 S3C4T1 Fl. 126 7 existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.913614/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 13 61 4/ 20 09 -8 1 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10830.913614/200981 Resolução nº 3302000.835 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos comprobatórios (peças judiciais de mandado de segurança por ele impetrado, partes da DIPJ, DCTF e da Demonstração do Resultado do Exercício) e requereu a reforma da decisão de origem, alegando que o crédito pleiteado era decorrente de receitas financeiras auferidas por empresa sucedida, tendo a incidência da contribuição (PIS/Cofins) se dado sob amparo do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, que promoveu o alargamento de sua base de cálculo, para além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias e serviços, alargamento esse declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de demonstração da composição e da existência do crédito e de provas hábeis a comprovar sua liquidez e certeza. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de planilhas identificadas como Balancete, Balanço, Lalur e Razão e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10830.913614/200981 Resolução nº 3302000.835 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.833, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.913618/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.833 Voto vencedor): Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao fato de estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em seu voto, o i. relator entendeu que os documentos acostados aos autos demonstram a existência do crédito pleiteado pela recorrente, possibilitando a compensação requerida. Todavia, não constam, no processo, documentos necessários à demonstração da natureza de algumas receitas no caso, atinentes à participação em outras sociedades , as quais poderiam servir de base de incidência de PIS/COFINS e, assim, influenciar na apuração do crédito alegado pela recorrente. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10830.913614/200981 Resolução nº 3302000.835 S3C3T2 Fl. 5 4 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 315DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.900220/2013-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão.
Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Numero da decisão: 1001-000.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 02 20 /2 01 3- 03 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10983.900220/201303 Acórdão n.º 1001000.831 S1C0T1 Fl. 125 2 (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Brasília (DF), mediante o Acórdão nº 0359.361, de 20/02/2014 (efls. 50/54). A contribuinte apresentou pedido de restituição, mediante o PER/DCOMP nº 21011.79481.010812.1.2.043030, transmitido em 01/08/2012, de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, realizado em 27/04/2011, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, código 2089, no valor de R$1.236,19 (valor total do DARF). Mediante Despacho Decisório (efl. 8), a DRF/Florianópolis indeferiu o pedido tendo em vista que "o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a restituição solicitada" Após a ciência da decisão apresentou manifestação de inconformidade (efls. 2 e 3), alegando o que segue: A contribuinte prestava do serviços para a empresa pública Caixa Econômica Federal, a qual retinha no pagamento dos serviços prestados a alíquota de 4,8% sobre o valor da prestação de serviço, porém, por equívoco a porcentagem compensada no momento do pagamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica por este Contribuinte, foi menor do que exigida, sendo compensado apenas 1,5%, ou seja, houve o pagamento de IRPJ a maior, no importe de 3,3% Alega que após a decisão da DRF apresentou DCTF retificadora em 05/03/2013, que anexa na manifestação de inconformidade, juntamente com a declaração PERDCOMP e a "guia de IRPJ devidamente paga". A turma a quo conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo voto condutor do acórdão recorrente transcrevo a seguir: O exame do mérito, no caso em tela, implica exame da efetividade e suficiência do alegado direito creditório para efeitos da pretendida restituição, não se limitando, portanto, à análise de consistência de declarações. Nos termos do inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de “cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10983.900220/201303 Acórdão n.º 1001000.831 S1C0T1 Fl. 126 3 face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido”. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Caberia, então, à interessada fazer prova do direito creditório informado no PER/DCOMP, que, no seu entender, decorreria de utilização errônea do percentual aplicado sobre o valor da prestação do serviço efetuado à Caixa Econômica Federal. Conforme o Manual do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – Mafon – IRRF 2012, o código de receita 6190 faz parte do rol de receitas sujeitas à retenção conjunta de IRPJ e contribuições sobre rendimentos pagos por órgãos e entidades da administração pública federal a outras pessoas jurídicas – sobre rendimentos, nos termos do art. 35 da Lei nº 10.833, de 2003, e do art. 7º da IN RFB nº 1.234, de 2012. A alíquota de retenção na fonte a ser aplicada varia de acordo com a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado e possui percentuais específicos para o Imposto de Renda, CSLL, Cofins e PIS/Pasep. Para o código de receita 6190, em conformidade com o alegado pela contribuinte, a alíquota a ser aplicada para o Imposto de Renda é 4,80%. No entanto, ainda que a contribuinte tenha se equivocado na utilização da alíquota, o quadro a seguir demonstra que o sujeito passivo não faz jus ao direito creditório pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10983.900220/201303 Acórdão n.º 1001000.831 S1C0T1 Fl. 127 4 Considerando os valores das deduções referentes à “Imposto de Renda Retido na Fonte” informadas na linha 29 da Ficha 14A da DIPJ do período e os valores constantes no sistema DIRF, consultas efetuadas em 12/02/2014, os valores das deduções declarados pela contribuinte na DIPJ são superiores ao valores calculados utilizando a alíquota de 4,8% sobre o valor constante na DIRF, conforme demonstrado no quadro a seguir. Para efeitos de cálculo, foram agrupados por trimestre as retenções na fonte contidas na DIRF. Anocalendário 2011 (exercício 2012) 1º tri 2º tri 3º tri 4º tri (A) IMPOSTO RETIDO (conforme DIRF) 3.180,05 4.354,80 4.552,39 3.316,99 (B) DEDUÇÕES (B = 4,8%*A) 152,64 209,03 218,51 159,22 (C) DEDUÇÕES DECLARADAS NA DIPJ 542,27 691,24 722,60 520,15 Não constam nos autos documentos hábeis a comprovar a existência de outras deduções que teriam sido utilizadas pelo sujeito passivo na apuração do imposto a pagar declarado na DIPJ. Ainda, pela análise da DCTF original, o valor de IRPJ apurado no período foi exatamente igual ao valor pago por meio do DARF que teria originado o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Portanto, com base nas informações contidas na DIPJ, na DCTF original e na DIRF, não ficou demonstrada a existência do direito creditório alegado pela contribuinte, tendo em vista que os valores decorrentes das deduções calculadas utilizando a alíquota de 4,8% sobre o valor constante na DIRF são inferiores aos valores de retenção na fonte informados pela contribuinte em sua DIPJ. Quanto à DCTF retificadora apresentada pela contribuinte, deve ser esclarecido que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme dispões a legislação tributária (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e demais atos normativos da RFB pertinentes a DCTF). Nos termos do § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional – CTN, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, no intuito de reduzir ou excluir tributo, somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. §2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Assim, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10983.900220/201303 Acórdão n.º 1001000.831 S1C0T1 Fl. 128 5 idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu Pedido de Restituição. Na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Conclusão Por tudo que foi exposto, VOTO pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10983.900220/201303 Acórdão n.º 1001000.831 S1C0T1 Fl. 129 6 alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 16/05/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 57, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 16/06/2014 (efls. 58/61), conforme carimbo aposto à fl. 58. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, que prestava serviços para a Caixa Econômica Federal e esta reteve no pagamento dos serviços a alíquota de 4,8% (à título de IRPJ), porém, "a compensação desses valores no momento da apuração do IRPJ por este contribuinte foi de 1,5%", ..."consequentemente gerando um paramento de IR a maior no importe de 3,3%". A recorrente apresenta tabela, a seguir transcrita, com os valores dos serviços prestados e faturados, relativo ao 3º trimestre de 2011, com as respectivas retenções, bem como anexa cópia das declarações (DCTF, PERDCOMP), cópia de notas fiscais e DARF e dos lançamentos nos livros Diário e Razão. DATA ESPÉCIE CLIENTE VALOR CONTÁBIL RETENÇÃO DE IR UTILIZADA 06/07/11 NFS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL R$ 6.451,82 R$ (96,78) 06/07/11 NFS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL R$ 6.799,44 R$ (101,99) 01/08/11 NFS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL R$ 11.726,65 R$ (175,90) 04/08/11 NFS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL R$ 4.237,49 R$ (63,56) 10/08/11 NFS CATARANTUS EMPREENDIMENTOS R$ 600,00 08/09/11 NFS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL R$ 13.638,83 R$ (204,58) 08/09/11 NFS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL R$ 1.900,96 R$ (28,51) 08/09/11 NFS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL R$ 3.418,40 R$ (51,28) TOTAL R$ 48.773,60 R$ (722,60) Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, conforme voto condutor do acórdão recorrido transcrito no relatório, pelo que peço Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10983.900220/201303 Acórdão n.º 1001000.831 S1C0T1 Fl. 130 7 vênia para adotar como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, com os seguintes observações complementares: Quanto à retificação da DCTF após a transmissão do Per/Dcomp e da ciência do despacho decisório, não há nenhum óbice, desde que as informações declaradas em DCTF não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Ocorre que na manifestação de inconformidade a manifestante não apresentou nenhum documento para comprovar o alegado direito creditório, fazendo o mesmo somente agora, no presente recurso voluntário. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72, transcrito acima, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior: Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10983.900220/201303 Acórdão n.º 1001000.831 S1C0T1 Fl. 131 8 Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria referese ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10983.900220/201303 Acórdão n.º 1001000.831 S1C0T1 Fl. 132 9 vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor (ou contra). Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógicojurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e, para comproválo, juntou somente cópia da DCTF retificadora em sua Manifestação de Inconformidade. Ressaltese, por fundamental, que a declaração apresentada foi transmitida após a ciência do Despacho Decisório e, como já assinalado, a DCTF retificadora não é condição para a homologação do crédito, contudo, a sua apresentação não tem o condão de, por si só, comproválo. Assim, seguindo o raciocínio lógicojurídico exposto anteriormente, o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito pleiteado, pois o material apresentado não se constitui em um conjunto probatório, mas, são, apenas, meros documentos. Após ciência da decisão da instância a quo, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Embasado em todo a argumentação sobre o direito probatório, desenvolvida ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser possível a Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10983.900220/201303 Acórdão n.º 1001000.831 S1C0T1 Fl. 133 10 aceitação de provas apresentadas somente em sede de Recurso Voluntário, tendo em vista que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório já presente nos autos. Fato que, como largamente demonstrado, não ocorre neste processo. Dessa forma, tal direito encontrase fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235 e o Princípio da Verdade Material não tem força para socorrêlo. Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000275/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. SÚMULA CARF 89.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em dinheiro. Súmula CARF 89.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM DINHEIRO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSIÇÃO UNÍSSONA DE TODAS AS TURMAS DE JULGAMENTO DO CARF.
Conforme o entendimento de todas as turmas de julgamento do CARF, a alimentação fornecida em dinheiro sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência de contribuição previdenciária.
SALÁRIO-MATERNIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. DISPOSIÇÃO REGIMENTAL EXPRESSA.
O STJ, em recurso repetitivo, decidiu que o salário-maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social não tem o condão de mudar sua natureza. Tal precedente é de observância obrigatória pela CARF, conforme preleciona o art. 62, § 1º, inc. II, alínea "b", do seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 2402-006.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores referentes ao vale transporte.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO, VALE TRANSPORTE E SALÁRIO MATERNIDADE Recorrente ARAUJO ABREU ENGENHARIA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. SÚMULA CARF 89. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em dinheiro. Súmula CARF 89. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM DINHEIRO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. POSIÇÃO UNÍSSONA DE TODAS AS TURMAS DE JULGAMENTO DO CARF. Conforme o entendimento de todas as turmas de julgamento do CARF, a alimentação fornecida em dinheiro sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência de contribuição previdenciária. SALÁRIOMATERNIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. DISPOSIÇÃO REGIMENTAL EXPRESSA. O STJ, em recurso repetitivo, decidiu que o saláriomaternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social não tem o condão de mudar sua natureza. Tal precedente é de observância obrigatória pela CARF, conforme preleciona o art. 62, § 1º, inc. II, alínea "b", do seu Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 02 75 /2 01 0- 55 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 12898.000275/201055 Acórdão n.º 2402006.808 S2C4T2 Fl. 162 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores referentes ao vale transporte. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da DRJ, que, embora reconhecendo a decadência parcial, julgou improcedente a impugnação apresentada em face de lançamento de ofício das contribuições para outras entidades incidentes sobre as remunerações pagas a empregados. O montante exonerado não implicou a interposição de recurso de ofício. Cientificada da decisão em 04/11/2010 (fl. 134), o sujeito passivo interpôs seu recurso voluntário em 22/11/2010, no qual alegou basicamente o seguinte: a) o valetransporte e o valerefeição, ainda que pagos em dinheiro, não têm cunho salarial; b) não incidem contribuições sobre o saláriomaternidade; c) a multa de ofício seria confiscatória. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 162DF CARF MF Processo nº 12898.000275/201055 Acórdão n.º 2402006.808 S2C4T2 Fl. 163 3 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Do valetransporte em dinheiro A pretensão da recorrente está amparada na Súmula CARF 89, segundo a qual não incide contribuição previdenciária sobre o valetransporte, mesmo que pago em dinheiro. Vejase: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Tal verbete está em consonância com o entendimento do STF, abaixo reproduzido, segundo o qual "a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa". EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.(RE 478410, Relator(a): Fl. 163DF CARF MF Processo nº 12898.000275/201055 Acórdão n.º 2402006.808 S2C4T2 Fl. 164 4 Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe 086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL 0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) Logo, o recurso voluntário deve ser provido neste particular. 3 Do auxílioalimentação em dinheiro Muito embora o entendimento deste relator esteja em consonância com o voto vencido do então conselheiro do CARF, Fábio Piovesan Bozza, acórdão 2301004.764, de 12 de julho de 2016, segundo o qual o auxílioalimentação em dinheiro não teria natureza remuneratória, em homenagem ao princípio da colegialidade, que privilegia a estabilidade das relações e o princípio maior da segurança jurídica, vou me conformar à posição de todas as Turmas Ordinárias desta Seção de Julgamento e à própria posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais, as quais preconizam que o auxílioalimentação pago em pecúnia integraria o saláriodecontribuição. Com isso, ressalvo o meu entendimento pessoal a respeito da matéria, resguardando, até certo ponto, a minha independência pessoal, mas submetoo a um princípio maior, inclusive para evitar a redação de votos vencedores pelos meus pares, em matéria reiteradamente decidida neste Conselho e nesta Turma de Julgamento. Nesse contexto, e de acordo com os precedentes abaixo, deve ser negado provimento ao recurso neste ponto. Vejase: Ementa(s) [...] AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA.Integram o saláriodecontribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de vale alimentação, inclusive é entendimento pacificado do STJ que o auxilio alimentação pago em dinheiro ou em depósito em conta, corresponde a verba de caráter remuneratório, o que gera a incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Negado. (Número do Processo 11516.722893/201468, RECURSO VOLUNTÁRIO, Data da Sessão 12/07/2016, Relator(a) ABIO PIOVESAN BOZZA, Acórdão 2301004.764) .... Ementa(s) [...] ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese ao seu fornecimento in natura ou à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer Fl. 164DF CARF MF Processo nº 12898.000275/201055 Acórdão n.º 2402006.808 S2C4T2 Fl. 165 5 PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. [...]. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 16832.000607/200983, RECURSO VOLUNTÁRIO, Data da Sessão 16/02/2016, Relator(a) ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Acórdão 2401004.097) ... Ementa(s) [...] CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA.O auxílio alimentação pago em pecúnia integra o salário de contribuição, independentemente de empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. [...].Recurso Voluntário Negado. (Número do Processo 18088.000628/200902, RECURSO VOLUNTÁRIO, Data da Sessão 10/05/2017, Relator(a) MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Acórdão 2202003.851) Da CSRF, e no ponto que interessa: Ementa(s) [...] AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Integram o saláriodecontribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílioalimentação [...]. (Número do Processo 10166.722657/201072, RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR, Data da Sessão 30/11/2017, Relator(a) MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Nº Acórdão 9202006.283) 4 Do saláriomaternidade O Superior Tribunal de Justiça já julgou a tese de inexigibilidade das contribuições sobre o saláriomaternidade em recurso especial representativo de controvérsia. Convém transcrever, nesse contexto, a ementa abaixo, de observância obrigatória pelo CARF, conforme preleciona o art. 62, § 1º, inc. II, alínea "b", do seu Regimento Interno: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 12898.000275/201055 Acórdão n.º 2402006.808 S2C4T2 Fl. 166 6 [...] 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag Fl. 166DF CARF MF Processo nº 12898.000275/201055 Acórdão n.º 2402006.808 S2C4T2 Fl. 167 7 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. [...] Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) Como se vê, o recurso voluntário deve ser desprovido, porque o salário maternidade tem cunho salarial e a transferência do encargo à Previdência Social não tem o condão de mudar sua natureza. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do lançamento os valores pagos a título de valetransporte em dinheiro. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002902/2004-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
Numero da decisão: 1001-000.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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A entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 29 02 /2 00 4- 15 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10855.002902/200415 Acórdão n.º 1001000.981 S1C0T1 Fl. 44 2 mediante o Acórdão nº 1417.142, de 04/10/2007 (efls. 32/34), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 1999, da empresa supra, no valor de R$ 414,33 Notificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação, alegando que sua movimentação financeira é irrisória, não possui contador, não houve máfé ou intenção sonegadora e o recolhimento do valor constado no auto de infração ocasionaria o encerramento de suas atividades. O r. acórdão conclui pela improcedência da impugnação apresentada, sendo assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ANOCALENDÁRIO: 1999 MULTA POR ATRASO. DIPJ. É devida a multa por atraso na entrega de declaração de rendimentos quando provado que sua entrega se deu após o prazo lixado na legislação. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 09/11/2007, conforme Aviso de Recebimento à efl. 39, a recorrente apresentou recurso voluntário em 30/11/2007, conforme carimbo de recepção à efl. 40. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto (efl. 31), a recorrente apresenta exatamente o seguinte argumento: Oficina Mecânica Metalúrgica Pertc Ltda ME, CNPJ 55.269.138/000182, através de seu sócio responsável Heleno José da Silva, CPF 752.199.13891, baseado no exposto no Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10855.002902/200415 Acórdão n.º 1001000.981 S1C0T1 Fl. 45 3 processo acima citado solicita respeitosamente desse Órgão a reconsideração do decidido na análise de tal questão. Ou seja, a recorrente requer que os argumentos apresentados em sede de primeira instância sejam reanalisados por esta Câmara. Entendo que o aresto de primeira instância não merece reparos. Assim, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões de decidir da turma a quo, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, cujos excertos do voto condutor do acórdão recorrido transcrevo a seguir: Em sua impugnação, a interessada não nega que entregou a DIPJ com atraso. Apenas pretende ver afastada a multa pelo atraso na entrega das declarações, justificandoa em virtude de que sua movimentação financeira é irrisória, não possui contador, não houve máfé ou intenção sonegadora e o recolhimento do valor constado no auto de infração ocasionaria o encerramento de suas atividades. Inicialmente ponderase que, consoante 0 Código Tributário Nacional (CTN), art. 142, parágrafo único, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não podem os servidores, seja o lançador, seja o arrecadador, seja o julgador, agregar a seus atos funcionais suas convicções pessoais ou seus estados anímicos subjetivos se estes colidirem com as normas veiculadas pelos textos legais. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, obrigações acessórias, que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (CTN , art. 113, § 2°). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (CTN, art. 113, § 3º). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. Relativamente à obrigatoriedade de entrega da declaração, nos termos da legislação de regência, alcança todas as pessoas jurídicas de direito privado, domiciliadas no Pais, registradas ou não, sejam quais forem seus fins e nacionalidade, inclusive as a elas equiparadas, as filiais, sucursais ou representações, no Pais, das pessoas jurídicas com sede no exterior, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda. Incluemse também nesta obrigação, dentre outras, as instituições imunes e isentas. A apresentação da DIPJ fora do prazo enseja a aplicação da multa de oficio, conforme previsão legal constante do auto de infração. A exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. A possibilidade de ser considerada, na aplicação da lei, a condição pessoal do agente não é admitida no âmbito administrativo, ao qual compete aplicar as normas nos estritos limites de seu conteúdo, sem poder apreciar argüições de cunho pessoal. Não podem os contribuintes alegar despreparo ou falta de conhecimento da legislação tributária, caso venham a incorrer em erros ou omissões. Alegar desconhecimento de lei é inconcebível, de acordo com a Lei de Introdução ao Código Civil, Decretolei n° 4.657, 4 de setembro de 1942, art. 3°, que estabelece: ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10855.002902/200415 Acórdão n.º 1001000.981 S1C0T1 Fl. 46 4 Ressaltese, ainda, que, segundo o CTN, art. 136, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, estando caracterizada a situação fática que originou o lançamento nenhum reparo há de se lhe fazer. Assim, voto por julgar procedente o lançamento, para manter o crédito tributário tal como lançado. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.725903/2013-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009
MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE.
Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-005.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.725904/2013-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE. Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Recorrente PORTO COMERCIO DE ALIMENTOS E TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE. Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 59 03 /2 01 3- 19 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10830.725903/201319 Acórdão n.º 3302005.909 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Processo Administrativo por meio do qual discutese a incidência de multa por atraso na entrega da DACON, prevista no art. 7º, da lei nº 10.426/2002, com redação dada pela Lei n. 11.051 de 2004. No caso concreto não há qualquer controvérsia acerca da ocorrência, no mundo fenomênico, do fato jurídico consistente no atraso da referida DACON. A Recorrente insurgese tão somente em relação ao montante exigido que, segundo ela seria excessivo e, por tal motivo violaria o postulado normativo da razoabilidade e da proporcionalidade, infringindo a norma constitucional que veda o confisco. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 12076.178. A Recorrente insurgiuse por meio de Recurso Voluntário no qual reitera os argumentos contidos na sua impugnação, merecendo destaque a razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco, trazendo relevantes julgados e doutrinas que embasam o seus argumentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.906, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.906): "O Recurso Voluntário é tempestivo e revestese dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A Recorrente reconhece que descumpriu a legislação que estabelece o prazo para entrega da DACON de que trata o Auto de Infração, limitandose a discutir a razoabilidade, proporcionalidade e confiscatoriedade da norma que estabelece a multa que lhe foi aplicada. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10830.725903/201319 Acórdão n.º 3302005.909 S3C3T2 Fl. 4 3 Os argumentos trazido pela Recorrente remontam à discussão suscitada por Daniel Webster durante o julgamento do caso McCulloch v. Maryland, perante a Suprema Corte NorteAmericana no já distante ano de 1819, e que foi a razão de decidir de ninguém menos que o seu Presidente John Marshall, que praticamente duzentos anos atrás afirmou que o poder de tributar envolve o poder de destruir e que até hoje ecoa no Supremo Tribunal Brasileiro, como bem ilustram interessantes julgados trazidos pela própria Recorrente. Contudo, por força da Súmula CARF n. 02, este Colegiado não é o foro específico para a discussão acerca de eventual inconstitucionalidade de legislação em vigor, merecendo destaque o fato de que a referida Súmula é de observância obrigatória, o que veda a análise da matéria no âmbito do CARF. Por tal motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13637.000868/2008-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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E REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 08 68 /2 00 8- 31 Fl. 116DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2006, anocalendário de 2005, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 23.050,00. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Juiz de Fora de f. 88/96. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 99/110. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13637.000868/200831 Acórdão n.º 2001000.465 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. O recorrente afirma que efetuou o pagamento das despesas em dinheiro. Analisando a documentação (extratos bancários), verificase que não se mostra suficiente para amparar as alegações do contribuinte. Tanto a fiscalização quanto a decisão de primeira instância evidenciaram que não há correspondência entre os saques efetuados e os recibos que supostamente amparariam o total das despesas pretendidas. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 118DF CARF MF 4 José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13637.000868/200831 Acórdão n.º 2001000.465 S2C0T1 Fl. 4 5 diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007309/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Voluntário interposto em razão da concomitância, devendo o processo retornar à unidade de origem para aplicação da decisão judicial definitiva. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), que conheciam do recurso para aplicar a coisa julgada judicial.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Voluntário interposto em razão da concomitância, devendo o processo retornar à unidade de origem para aplicação da decisão judicial definitiva. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), que conheciam do recurso para aplicar a coisa julgada judicial. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Voluntário interposto em razão da concomitância, devendo o processo retornar à unidade de origem para aplicação da decisão judicial definitiva. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), que conheciam do recurso para aplicar a coisa julgada judicial. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 73 09 /2 00 8- 19 Fl. 731DF CARF MF 2 Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 846.259,85, relativo a diferenças não recolhidas de COFINS Importação e PIS Importação, respectivas multas de ofício e juros moratórios. Em síntese, a autuação está fundamentada nos seguintes fatos observados pela fiscalização: A empresa autuada, PAPIER COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., CNPJ nº 11.450.905/000180, por meio de diversas Declarações de Importação – DI relacionadas no Relatório de Ação Fiscal, de fls. 546 a 549, submeteu a despacho de importação papeis imunes de impostos para impressão de periódicos classificados nos códigos (NCM) 4810.19.89 e 4810.19.90; Nas datas dos registros das DI, momento de ocorrência do fato gerador para efeito de cálculo dos tributos, as alíquotas ad valorem da COFINS – Importação e do PIS – Importação incidentes sobre as importações em questão eram, respectivamente, de 7,60 % e 1,65 %, de acordo com o artigo 4º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004; Mesmo sem atender os requisitos para tanto, a PAPIER declarou e recolheu os citados tributos com as alíquotas reduzidas, quais sejam, 3,2% e 0% para a COFINS – Importação e 0,8% e 0% para o PISImportação, previstas pelos § 10, e inciso IV do § 12, do artigo 8º, da Lei nº 10.865/2004, e pelos incisos I e II do artigo 1º, e inciso IV do artigo 4º, do Decreto nº 5.171/2004; As alíquotas 3,2% para a COFINS – Importação e 0,8 % para o PIS – Importação foram declaradas nas DI em que foi adotada a classificação fiscal (NCM) 4810.19.90; A alíquota 0% para a COFINS Importação e 0% para o PIS – Importação foram declaradas nas DI em que foi adotada a classificação fiscal (NCM) 4810.19.89; A PAPIER não poderia ter se utilizado do benefício de redução das alíquotas, pois, de acordo com o previsto pelo inciso II, do § 1º, do artigo 1º, do Decreto nº 5.171/2004, era necessário que a interessada explorasse a atividade da indústria de publicações periódicas ou fosse representante de fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente às pessoas físicas ou jurídicas que explorem a atividade da indústria de publicações periódicas; Mesmo tendo sido regularmente intimada, a PAPIER não fez prova do atendimento de nenhuma das condições para usufruir do benefício da redução de alíquotas. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 19647.007309/200819 Acórdão n.º 3402005.608 S3C4T2 Fl. 732 3 A empresa PAPIER foi devidamente cientificada da autuação em 30/05/2008 (fls. 04 e 40), tendo apresentado impugnação e documentos em 17/06/2008 (fls. 553 a 578). Alegou que: I Dos fatos. É empresa dedicada à importação de papeis para ulterior revenda no mercado interno; De início, apresentou um resumo dos fatos que determinaram a autuação; II Da incompetência da autoridade autuante. A maioria das importações foi realizada através da Alfândega do Porto de Suape, no município do Cabo de Santo Agostinho PE, a quem cumpre aferir e fiscalizar a legalidade das importações ocorridas em sua circunscrição, inclusive no tocante ao recolhimento dos tributos federais. Somente a ela compete instaurar o competente procedimento revisional de fiscalização e averiguação de recolhimento de tributos em desembaraços realizados pelo canal verde de conferência aduaneira. Citou legislação e Acórdão de Delegacia de Julgamento; Na espécie, o auto de infração foi lavrado por AFRFB vinculado à Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Recife, cuja competência e jurisdição não alcançam as importações realizadas junto ao Porto de Suape, o que configura a sua nulidade. Citou doutrina; III Da eficácia das reduções de alíquota concedidas pela Lei nº 10.865/04. Nos termos do art. 8º, § 10, da Lei nº 10.865/04, a importação de papel destinado à impressão de periódicos teve minorada as alíquotas do PISImportação e COFINSImportação para 0,8% e 3,2%. Por outro lado, para os papeis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90 da TIPI (Tabela de incidência do IPI), também destinados à impressão de periódicos, o art. 8º, § 12, da Lei nº 10.865/04, determinou a redução das alíquotas dos referidos tributos para 0%, pelo prazo de 04 anos, contados da vigência da norma, ou até que a produção nacional atenda 80% do consumo interno. Citou legislação; Importou papeis destinados à impressão de periódicos classificados no código 4810.19.89 da TIPI, sujeito à alíquota 0% para o PISImportação e COFINS Importação, e classificados no código 4810.19.90, sujeito à alíquota 0,8% e 3,2%, respectivamente; A fiscalização exigiu que a impugnante apresentasse comprovante de que a empresa é representante de fábrica estrangeira do papel (exportadora), a fim de atender o previsto pelo Decreto nº 5.171/04, art. 1º, § 1º, inciso II, combinado com o art. 4º, inciso IV, para fins de gozo da citada redução das alíquotas do PIS Importação e COFINSImportação; No entendimento da fiscalização, somente as importações de papeis destinados à impressão de periódicos realizada por empresa representante de fábrica estrangeira seriam beneficiadas pela redução de alíquotas do PISImportação e COFINSImportação, prevista no art. 8º, §§ 10 e 12, da Lei nº 10.865/04; O requisito afigurase ilícito por duas razões: a) as reduções de alíquota do PISImportação e COFINSImportação, prescritas pelo art. 8º, §§ 10 e 12, da Lei nº Fl. 733DF CARF MF 4 10.865/04, são autoaplicáveis; b) o termo representante de fábrica estrangeira do papel, vertido no art. 1º, §1º, inciso II, do Decreto nº 5.171/04, não pode ser interpretado como sinônimo de “representação comercial”, muito menos ser ligado a idéia de “exclusividade de distribuição”; Não trata a redução de alíquota vertida no art. 8º, §§ 10 e 12, da Lei nº 10.865/04, de regra cuja eficácia encontrase adstrita à posterior juridicização duma norma, sobremais quando de escalão inferior. Não há que se falar em eficácia contida. A redução em referencia suplantou todos os requisitos necessários para viger e, como consequência obvia, gerar efeitos no mundo jurídico. Citou doutrina; O art. 8º, § 13, inciso II, da Lei nº 10.865/04, trouxe somente previsão de regulamentação da isenção da importação de papel imune (§§ 10 e 12), limitandose a reger aspectos formais e burocráticos no desembaraço aduaneiro, e com caráter meramente interpretativo, sem obviamente atingir o direito assegurado pela norma isentiva. Citou julgados de TRF; O Decreto nº 5.171/04 somente regulamentou as alíquotas diferenciadas prescritas pelo artigo 8º, §§ 10 e 12, da Lei nº 10.865/04, garantindolhes eficácia, não cabendo interpretálo como impositivo de novos limites ou restrições; Segundo as autoridades fiscais, nem mesmo a juntada de declaração dos fabricantes do papel importado, afirmando que a empresa é sua distribuidora atenderia a exigência do art. 1º, § 1º, inciso II, do Decreto 5.171/04. Em suma, a impugnante teria que figurar como representante comercial das empresas exportadoras, para fins de gozo das alíquotas diferenciadas para o PISImportação e COFINSImportação; Não se pode resumir o termo “representante de fábrica estrangeira de papel” como espécie de representação comercial, dotada de exclusividade, isto porque a representação comercial não pressupõe a existência de compra e venda, mas apenas a mediação para a realização de negócios mercantis, como define a Lei 4.886/1965; A autoridade fiscal ampliou indevidamente o alcance do requisito enunciado no art. 1º, § 1º, inciso II, do Decreto nº 5.171/04, que deve ser entendido como o importador autorizado a proceder à venda do papel em território nacional, sob pena de retirar toda a eficácia do art. 8º, §§ 10 e 12, da Lei nº 10.865/04; IV Conclusão. Ao final, pugnou pelo reconhecimento da nulidade do presente auto de infração, em razão dos argumentos trazidos pela peça de impugnação. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DI. LANÇAMENTO. VALIDADE. Nos termos da legislação administrativa de regência, o lançamento de crédito tributário decorrente do procedimento de revisão de DI pode ser feito por Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil diversa daquela que realizou o desembaraço das mercadorias, desde que formalizado por Auditor Fiscal. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 19647.007309/200819 Acórdão n.º 3402005.608 S3C4T2 Fl. 733 5 IMPORTAÇÃO DE PAPEL IMUNE. COFINSIMPORTAÇÃO E PISIMPORTAÇÃO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. REQUISITOS. A aplicação de alíquotas reduzidas de COFINSImportação e PISImportação na importação de papel imune exige o atendimento dos requisitos estabelecidos pelo Decreto nº 5.171, de 2004. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas argumentações apresentadas na sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. O presente processo trata de auto de infração de PIS/COFINS Importação no qual são exigidas diferenças das referidas contribuições, haja vista que o Contribuinte supostamente não teria atendido as condições para usufruir da redução de alíquotas na importação de papéis imunes de impostos para impressão de periódicos classificados nos códigos (NCM) 4810.19.89 e 4810.19.90, nos termos do inciso II, do § 1º, do artigo 1º, do Decreto nº 5.171/2004, que estabelece pelo menos uma das condições abaixo indicadas para usufruir da redução de alíquota: a) que a empresa explore a atividade da indústria de publicações periódicas; ou b) que a empresa seja representante de fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente às pessoas físicas ou jurídicas que explorem a atividade da indústria de publicações periódicas. Restou comprovado nos autos que a empresa não atendeu a nenhuma das duas condições citadas, ensejando a autuação. A Recorrente aduz que em nenhum momento os dispositivos legais que dispõem sobre a matéria (art. 8º, § 10 e § 12 da Lei nº 10.865/04) estabelecem que o importador deve ser representante exclusivo de fábrica estrangeira de papel, configurando que o referido decreto avançou em terreno privativo da lei ao criar restrição/limitação que extrapola Fl. 735DF CARF MF 6 a sua função de regulamentação. Transcrevemse a seguir os dispositivos legais envolvidos no caso: Art. 8° As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 70 desta Lei, das alíquotas de: § 10. Na importação de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d, da Constituição Federal, ressalvados os referidos no inciso IV do § 12 deste artigo, quando destinado à impressão de periódicos,as alíquotas são de: I 0,8% (oito décimos por cento). para a contribuição para o PIS/PASEP Importação;e II 3,2% (três inteiros e dois décimos por cento). para a COFINS Importação. § 12. Ficam reduzidas a O (zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: IV papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90, todos da TIPI, destinados à impressão de periódicos pelo prazo de 4 (quatro) anos a contar da data de vigência desta Lei ou até que a produção nacional atenda 80% (oitenta por cento) do consumo interno. A DRJ não acolheu as pretensões do Contribuinte, mantendo integralmente a exação fiscal. O Recurso Voluntário reitera os mesmos argumentos da Impugnação atinente a não obrigação da empresa ser representante comercial exclusivo, no Brasil, de fábrica estrangeira de papel para fazer jus a redução de alíquota na importação de papéis prevista no art. 8º, § 10 e § 12 da Lei nº 10.865/04. Posteriormente, a Recorrente, após a apresentação de Recurso Voluntário, trouxe fato novo aos autos, informando que foi beneficiária de decisão transitada em mandado de segurança (nº0000986959.2008.4.05.8300),, no qual se afastaram as exigência do art. l°, § lº, lI, do Decreto nº 5.171/2004, de modo que o contribuinte pode realizar as operações de importação de papel sem a necessidade de demonstrar ser representante comercial de fábrica estrangeira, razão pela qual pugnou para que seja dado total provimento do Recurso Voluntário, a fim de que o crédito tributário em comento seja extinto. Para comprovar o fato, juntou aos autos a petição inicial, sentença de primeira instância da justiça federal, acórdão do recurso de apelação, acórdão de embargos de declaração, decisão de recurso especial e certidão de trânsito em julgado. Com efeito, resta analisar se o referido processo judicial tem identidade de objeto com o discutido no presente processo administrativo de lançamento fiscal, o que pode ensejar o reconhecimento da existência de concomitância entre os processos. Reproduzo a seguir trechos da petição inicial do mandado de segurança impetrado que denotam o objeto da ação: 3. Em que pesem recolhidas as Contribuições sobre as alíquotas reduzidas na forma acima mencionada, o procedimento de desembaraço em questão foi interrompido, exigindo a Alfândega do Porto de Suape que as Impetrantes Fl. 736DF CARF MF Processo nº 19647.007309/200819 Acórdão n.º 3402005.608 S3C4T2 Fl. 734 7 apresentem .comprovante de que a empresa é representante da fábrica estrangeira do papel (exportador) a fim de atender o previsto no Dec. nº5.171/04, artigo 10, inciso li, combinado com art. 4°, IV, para fins de gozo da redução das alíquotas PIS/COFINS a zero." (vide tela do "Acompanhamento do Despacho" em anexo) A condição imposta pela Alfândega teria supedâneo no Decreto nº5.171/2004, assim vertido: Art. 1° Na importação de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea 'd', da Constituição, ressalvado o disposto no art. 40 deste Decreto, quando destinado à impressão de periódicos, as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINSImportação são de: I 0,8%, para a Contribuição para o PIS/PASEPImportação; e 11 3,2%, para a COFINSImportação. § 1º O disposto no caput aplicase somente às importacões realizadas por: I pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas; e II empresa estabelecida no País como representante de fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente às pessoas referidas no inciso I. Art. 4° Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação nas operações de importação de: ... IV papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90, todos da TIPI, destinados à impressão de periódicos,até 30 de abril de 2008, ou até que a produção nacional atenda oitenta por cento do consumo interno; ... § 1º Aplicase, no que couber, o disposto nos arts, 1º a 3º deste Decreto às importações de que tratam os incisos 111 e IV do caput." Portanto, segundo o disposto no art. 10, § 10, II, do Decreto nº5.171/2004, somente as importações de papeis destinados à impressão de periódicos realizadas por empresa "representante da fábrica estrangeira do papel" seriam beneficiadas pela redução das alíquotas do Pis/CofinsImportação prevista no art. 8°,§§ 10 e 12, da Lei nº10.865/2004. 4 Nesse quadro, a Alfândega do Porto de Suape condiciona a liberação das mercadorias à prova de que as Impetrantes são empresas representantes das fábricas exportadoras dos papeis. Fl. 737DF CARF MF 8 O requisito imposto pela Alfândega do Porto de Suape afigurase ilícito por duas razões: a) não possui escora normativa válida, dês que as reduções de alíquota do Pis/CofinsImportação prescritas pelo art. 8°, §§ 10 e 12, da Lei nº 10.865/2004 são autoaplicáveis, não podendo o Decreto nº5.171/2004 estabelecer novas exigências que impliquem na redução da abrangência do benefício fiscal; e b) o termo "representante de fábrica estrangeira do papel" vertido no art, 1°, § 1°, II, do Decreto nº5.171/2004 não pode ser interpretado como sinônimo de "representação comercial" ou muito menos ser ligado à idéia de "exclusividade de distribuição". (...) Assim, após a realização de novas importações, as Impetrantes foram novamente surpreendidas com a exigência de prova de que são representantes da fábrica estrangeira (exportadora) do papel. As telas do "Acompanhamento do Despacho" acostadas demonstram a exigência Alfândega do Porto de Suape com relação as D.I.'s nºs08/0497825 0,08/05032430 (TECPEl) e 08/0543588 8(PAPIER). Diante disso, as Impetrantes reiteram os termos do "mandamus" impetrado anteriormente, perseguindo provimento jurisdicional que imponha à autoridade Impetrada obrigação de não fazer (abstenção) quanto à mencionada exigência, que vem impedindo o regular desembaraço dos papeis importados. ... (VI) Conclusão. 14 Posto isto, diagnosticado o bom direito perseguido, e bem assim o risco de iminente dano de difícil reparação, vêm requerer: a) seja liminarmente concedida parcela da segurança vindicada, determinando V. Exª que a autoridade coatora se abstenha de exigir, como condição para o gozo das alíquotas diferenciadas do Pis/CofinsImportação de que trata o art.8°,§§ 10 e 12, III e IV, da Lei nº10.865/2004, a prova de que as Impetrantes figuram como "representante de fábrica estrangeira do papel", conforme previsto no art. 1°, 9 1°, 11, do Decreto nO 5.171/2004, dando imediato seguimento ao procedimento de desembaraço aduaneiro dos papeis imunes importados pelas .Impetrantes, sem a exigência do pagamento das Contribuições pela alíquota geral prevista no art. 8°, e 11, da Lei nº10.865/2004, perdurando a determinacão até que se verifique o efetivo desenlace do presente mandado de segurança: b) a notificação do Impetrado para, querendo, apresentar as informações de estilo; c) a intimação do Ministério Público Federal para figurar na presente lide na condição de custos legis; d) seja, ao final, concedida em definitivo a segurança pleiteada, declarando esse conspícuo Juízo a inconstitucionalidade da exigência prescrita pelo art. 10, § 1°, II, do Decreto nº5.171/2004, por extrapolar a norma autoaplicável do art. 8°, §§ 10 e 12, III e IV, da Lei nº10.865/2004, exarando ordem para que o Impetrado se abstenha, definitivamente, de imputar a aludida exigência nas operações de importação de papel promovidas pelas Impetrantes, ou, em menor expressão, caso não entenda inconstitucional o preceito hostilizado, declare que o requisito versado no citado art. 1°, § 1°, II, do Decreto nº5.171/2004 não se aplica exclusivamente a empresas "representantes comerciais" da fábrica estrangeira, podendo as Impetrantes, na condição de importadoras e distribuidoras de papel imune, gozarem das alíquotas reduzidas no caso em apreço, determinando V. Exª", em todo caso, a Fl. 738DF CARF MF Processo nº 19647.007309/200819 Acórdão n.º 3402005.608 S3C4T2 Fl. 735 9 anulação do crédito tributário decorrente da cobrança do Pis/CofinsImportação, na hipótese, pela alíquota geral prevista no art. 8°, I e 11, da Lei nº10.865/2004; e) a condenação do Impetrado nas custas judiciais antecipadas pela Impetrante. A Justiça Federal de primeira instância concedeu a segurança solicitada pela Recorrente confirmando a liminar anteriormente concedida, nos seguintes termos: 3. DISPOSITIVO Posto isso, extingo o processo com julgamento de mérito para conceder a segurança, confirmando a liminar anteriormente deferida, a fim de que a autoridade impetrada se abstenha de exigir, como condição para o gozo das alíquotas diferenciadas do PIS/COFINSImportação de que trata o art. 8º,§§ 10 e 12, III e IV, da Lei nº 10.865/2004, a prova de que as impetrantes figuram como "representante de fábrica estrangeira de papel", conforme previsto no art. 1º, §1º, II, do Decreto nº5.171/2004, dando imediato seguimento ao processo de desembaraço aduaneiro dos papéis imunes importados pelas impetrantes, sem a exigência do pagamento das contribuições pela alíquota geral prevista no art. 8º, I e lI, da Lei nº 10.865/2004. O TRF5, em julgamento de apelação da Fazenda Nacional, tratou da mesma matéria e confirmou o entendimento do juiz de primeiro grau, in verbis: A autoridade, apontada como "coatora" para liberação da mercadoria, exige que a empresa esteja estabelecida no Brasil 'como representante de fábrica estrangeira de papel, para venda exclusivamente às pessoas referidos no inciso I, ou seja, pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas. ' A exigência está contida no inciso II,do §1º, do art. 1º, do Decreto 5.171, de 2004, que 'regulamenta os §§ 10 e 12, do art. 8'., e o inciso IV, do art. 28, da Lei 10.865, de 20 de abril de 2004. A digna autoridade apontada como coatora defende a regulamentação procedida pelo Decreto 5.171, por ser "plenamente razoável, eis que visam à garantia de que as importações albergadas pelas alíquotas diferenciadas sejam gozadas somente por pessoas física ou jurídica que importem papéis exclusivamente destinados à produção de periódicos ou que sejam fornecedores de indústrias que exploram a atividade da indústria de publícação de periódicos, f. 147". Ou seja, a impetrante, como empresa dedicada à importação de papéis para a sua ulterior revenda no mercado interno, f. 03, estaria, robustamente, fora da alíquota zerp, por não ser, em conseqüência, empresa destinada à produção de periódicos ou fornecedora de indústrias que exploram a atividade da indústria de publicação de periódicos. Pois bem. Ao regulamentar os §§ 10 e 12, do art. 8'., e o inciso IV, do art. 28, da Lei 10.865, de 20 de abril de 2004, o Decreto 5.171 criou uma exigência que não está inserida na legislação especifica, de modo a excluir a empresa dedicada à importação de papéis para a sua ulterior revenda no mercado interno da alíquota zero. Fl. 739DF CARF MF 10 É o resultado prático do Decreto 5.171, ao exigir que a empresa, beneficiada pela alíquota zero, se estabeleça no País como representante de fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente às pessoas referidas no inciso I, ou seja, para venda exclusiva a pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas. Contudo, tal empeço, fabricado pelo Decreto 5.171; não se inclui na matéria de regulamentação reservada pela Lei 10.865, ante a completa falta de referência dentro da norma apontada. Regulamentar é indicar o caminho a ser seguido, límitandose essencialmente ao aspecto formal. A informação, que a apelação vai adotar, textua 'que o obstáculo serve[m] "à garantia do cumprimento da limitação objetiva, prevista em lei, de que os papéis importados devem servir ,de insumos para 'a produção de periódicos", f., 148, de forma a excluir o papel destinado à revenda'no mercado interno. Contudo, a Lei 10.865 não concedeu tal 'poder ao decreto, regulamentador, nem tampouco estabeleceu, de antemão, o empeço, de forma que o decreto só caberia reiterá.lo e materializar a forma como a importação deve ocorrer. Não há na Lei 10.865, nem em outra norma, e, pelo menos, se há, a apelante não apontou, nenhum dispositivo normativo que encampe a exigência em foco. Em não havendo, como não há, não pode o decreto, por mais que boas sejam, as intenções do Administrador, de erguer muros e criar obstáculos a um direito que a norma, em absoluto, teve a primazia de estabelecer e fixar. Tanto que a apelação já não se refere a norma, mas apenas ao objetivo do Decreto 5.171, que é o de garantir que as importações albergadas pelas alíquotas diferenciadas sejam gozadas somente por pessoas físicas ou jurídica que importem papeis exclusivamente destinados à produção de periódicos ou que sejam fornecedores de indústria que exploram a atividade da indústria de publícação de periódicos, f. 194. O objetivo do decreto é, evidentemente, positivo. Mas, não é de sua alçada, por não se constituir em matéria de regulamentação. O decreto em tela avançou em terreno privativo da lei, quando a norma, sobre a matéria, nada assinalou, nem, a respeito, lhe delegou, nem poderia, poderes para tanto. O papel da regulamentação deveria, no caso, se limitar a estabelecer a forma, aspecto totalmente adjetivo, sem poder, em artigo, criar direito, ao estabelecer uma exigência que, a lei, em momento algum, assinalou. O direito~ da impetrante, de não se submeter à exigência declinada, é perfeitamente direito e certo, se constituindo, por outro lado, a exigência em tela de ato arbitrário e ilegal. Por este entender, nego provimento à apelação voluntária:, bem' como à remessa obrigatória, para manter a sentença atacada. É como voto. A Fazenda Nacional contra a referida decisão apresentou Embargos de Declaração que não foram acolhidos. Em julgamento de Recurso Especial manejado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que o recurso especial não impugnou fundamento basilar que ampara o acórdão recorrido, qual seja, o decreto em tela avançou em terreno privativo da lei, quando a norma, sobre a matéria, nada assinalou, nem, a respeito, lhe delegou, nem poderia, poderes para tanto, esbarrando, pois, no obstáculo da Súmula 283/STF, que assim dispõe: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida Fl. 740DF CARF MF Processo nº 19647.007309/200819 Acórdão n.º 3402005.608 S3C4T2 Fl. 736 11 assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. A respeito do tema: AgRg no REsp 1.326.913/MG, ReI. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turna, DJe 4/2/2013; EDcI no AREsp 36.318/PA, ReI. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 9/3/2012. Dessa forma STJ não conheceu do recurso especial. A Recorrente informa, ainda, nos autos, que a decisão transitou em julgado no dia 05 de abril de 2017, fato comprovado com a juntada da Certidão de Trânsito em Julgado. Restando comprovado que no processo judicial se discute a mesma matéria na qual se fundou a autuação, este Colegiado fica impedido de analisar matérias que foram levadas para o judiciário pela Empresa com a mesma identidade e objeto com o processo administrativo. Como se sabe, a discussão de determinada matéria na esfera judicial implica, necessariamente, na renúncia ao recurso administrativo quanto a mesma matéria, uma vez que o poder Judiciário detém o monopólio da jurisdição. Nesse sentido, a Súmula Carf nº1 preceitua: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (negrito nosso) Diante de todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário interposto em razão da concomitância, devendo o processo retornar à unidade de origem para aplicação da decisão judicial definitiva. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 741DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903009/2015-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE
O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1302-003.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.902721/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014 PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.902721/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 PERDCOMP CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF LIQUIDEZ E CERTEZA ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10875.902721/201513, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 30 09 /2 01 5- 23 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10875.903009/201523 Acórdão n.º 1302003.113 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação aviado pelo recorrente, objetivando o reconhecimento de um crédito decorrente de pretenso pagamento indevido concernente ao IRPJ, incorrido no anocalendário de 2014, pago, através de DARF específico, em três parcelas. Por meio de despacho decisório a DRF de Guarulhos houve por bem não homologar a citada compensação, fundamentando a sua decisão na inexistência de crédito em decorrência da vinculação de DARF à pagamento, sem qualquer sobra de crédito a compensação. Inconformado, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade, informando, de início, ter incorrido em erro no preenchimento da DCTF que teria originado o valor indevidamente pago, promovendo, em seguida, a sua retificação. Passo seguinte, traz longo arrazoado para justificar a possibilidade de se retificar a predita DCTF, mesmo após a prolação de despacho decisório, afirmando, outrossim, ter logrado demonstrar a origem e liquidez de seu direito creditório. Como argumento supletivo, sustentou que a Unidade de Origem não teria promovido a correta atualização do crédito pleiteado que, segundo entende, deveria ser corrigido pela variação da SELIC, acrescido de juros moratórios à ordem 1%, incidentes até a data da efetiva utilização do indébito em processo compensatório.Tendo em conta esta alegada irregularidade, conclui que o despacho decisório seria nulo. Juntou à sua peça de defesa, cópias do comprovante (DARF) de recolhimento do IRPJ, das DCTF retificadoras e respectivos recibos de transmissão e da DIPJ/AC2014. Instada a analisar o caso, a DRJ de Recife/PE, houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mormente pela ausência de prova da liquidez e certeza. Após a ciência do acórdão acima, o contribuinte interpôs o seu recurso voluntário, por meio do qual reprisa os argumentos já despendidos em sua impugnação, à exceção de alegação nova concernente à inconstitucionalidade da multa isolada aplicada em razão de violação ao princípio do nãoconfisco. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10875.903009/201523 Acórdão n.º 1302003.113 S1C3T2 Fl. 4 3 1302003.107, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.902721/2015 13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.107): "O recurso é tempestivo e dele conheço em parte. Isto porque, no que toca ao argumento novo trazido com as razões de insurgência já se teria operado a preclusão, à luz dos preceitos do art. 16, III, do Decreto 70.235/72. Considerandose, neste passo, que o recurso devolve apenas a matéria impugnada, por interpretação dos preceitos do art. 33 do citado diploma normativo, e com espeque na regra encartada no art. 1.013 do CPC (aplicado ao processo tributário administrativo de forma supletiva) e, tendo em conta que este argumento não foi suscitado em momento apropriado, não como dele tomar conhecimento, ao menos não nesta instância. I Da prejudicial aventada pelo recorrente. Me permitam aqui inverter a ordem de análise dos argumentos do recorrente para tratar da, aparente, alegação de nulidade do despacho decisório por não aplicar, a seu ver, corretamente os critérios de atualização do crédito oriundo de indébito tributário. Dizse aparentemente porque o contribuinte, efetivamente, diz que o despacho deveria ser considerado insubsistente, única parte do arrazoado apresentado que justificaria, até mesmo, o conhecimento desta matéria. Isto porque, o despacho decisório não promoveu a atualização do crédito pretendido, porque, simplesmente, não reconheceu a sua existência. A alegada nulidade, digase, justificarseia acaso a Unidade Origem tivesse reconhecido parcialmente o direito creditório em decorrência, exclusivamente, de erro de atualização, mas, insistase, este não é o caso. Não há iliquidez, nulidade, insubsitência no despacho por conta de uma alegação etérea e desconectada da realidade dos autos, de que não se teria observado as regras de atualização do crédito postulado, porque, reprisese, a DRF não homologou, em toda a sua extensão, o direito creditório do contribuinte. A DRJ até se deu ao trabalho de esclarecer como se opera a atualização do indébito tributário, justificando a inocorrência de incidência concomitante da incidência de juros de mora 1% e da variação da SELIC... permissa venia, era, pelo que expus acima, de todo desnecessária semelhante explicação, já que o pedido do contribuinte não tem qualquer lógica dentro da estrutura do processo. Assim, voto por afastar esta "prejudicial". Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10875.903009/201523 Acórdão n.º 1302003.113 S1C3T2 Fl. 5 4 II Do mérito. Quanto ao mérito, melhor sorte não aproveita ao contribuinte. Como se extrai do relatório acima, o recorrente, para justificar o pleito compensatório, apresenta, após a manifestação de inconformidade, DCTFs retificadoras, reduzindose o montante do débito a ser pago, ali descrito; não trouxe, todavia, nenhum documento, argumento, dica, sugestão sobre os motivos pelos quais teria incorrido no erro do preenchimento da DCTF original, fazendo com que o direito creditório surgisse espontaneamente. O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes exclusivamente ao citado erro de preenchimento da DCTF, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito creditório a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Toda a alegação concernente à possibilidade de apresentar a DCTF retificadora após o despacho decisório é dispicienda; não me oponho, de forma alguma, à retificação de declarações ou documentos após o início de ação fiscal ou, mesmo, como no caso, após a prolação de despacho que não homologa compensações. Esta possibilidade está explicitada na legislação de regência e a única consequência de sua apresentação extemporânea seria o afastamento da aplicação dos preceitos do art. 138 do CTN. O problema é que não basta retificar a DCTF; por força mesmo do art 170 acima reproduzido, impõese ao contribuinte demonstrar, documentalmente (por meio de livros contábeis e fiscais) os motivos pelos quais teria incorrido em erro, demonstrando, outrossim, a correção dos novos valores informados. E, como já dito, o recorrente não se dignou, nem mesmo, a explicar qual seria, efetivamente, o erro incorrido Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10875.903009/201523 Acórdão n.º 1302003.113 S1C3T2 Fl. 6 5 quando do preenchimento da DCTF original, aliás, como bem pontuado pelo acórdão ora questionado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.720167/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que seja intimado o recorrente a apresentar novo laudo (nos moldes do anexo IX da IN SRF Nº 988/2009), emitido por prestador de serviço público de saúde ou serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS), datado e que seja conclusivo quanto ao tipo de deficiência constatada e as enquadre na codificação CID10, bem como quanto ao grau de acometimento da deformidade do membro, se parcial ou total e se acarreta o comprometimento da função física do referido membro.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que seja intimado o recorrente a apresentar novo laudo (nos moldes do anexo IX da IN SRF Nº 988/2009), emitido por prestador de serviço público de saúde ou serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS), datado e que seja conclusivo quanto ao tipo de deficiência constatada e as enquadre na codificação CID10, bem como quanto ao grau de acometimento da deformidade do membro, se parcial ou total e se acarreta o comprometimento da função física do referido membro. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que seja intimado o recorrente a apresentar novo laudo (nos moldes do anexo IX da IN SRF Nº 988/2009), emitido por prestador de serviço público de saúde ou serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS), datado e que seja conclusivo quanto ao tipo de deficiência constatada e as enquadre na codificação CID10, bem como quanto ao grau de acometimento da deformidade do membro, se parcial ou total e se acarreta o comprometimento da função física do referido membro. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 34 33 .7 20 16 7/ 20 13 -7 5 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13433.720167/201375 Resolução nº 3302000.924 S3C3T2 Fl. 104 2 Relatório Reportome ao relatório de fls. 90 e seguintes, da Resolução nº 3302000.717, de 20/03/2018, deste colegiado, em que a e. conselheira relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar em seu voto assim observa e dispõe: (...) Em resposta à diligência foi emitido o despacho de fl. 82: Em atenção à Solicitação de Diligência de folha 77 constatamos que a Clínica Ortopédica de Natal, CNPJ 35.654.631/000109, que emitiu os Laudos de Avaliação de folhas 06 e 35 e a Declaração de folha 7 é instituição de serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, integrante do Sistema Único de Saúde – SUS, conforme telas de folhas 79 e 80. Da análise da peças dos autos, verificase que o laudo passível de análise é o de fl.35, visto que o laudo de fl. 06, como já constatado pela Unidade de Origem, atesta uma deficiência não prevista no inciso IV, § 1º do art. 1º da Lei nº 8.989, de 1995, assim cabem as seguintes considerações: I Laudo de fl.06 como bem destacou a Resolução Carf: ...o Laudo emitido pelo Departamento de Trânsito seja, nos termos do inciso I, do § 6º, do artigo 3º da Instrução Normativa nº 988/091, documento hábil à finalidade pretendida, as informações nele veiculadas não preenchem as condições especificadas na norma regulamentar, uma vez que, no caso concreto, não há a necessária identificação de nenhuma das deficiências previstas na Lei 8.989/95, apenas a referência a necessidade de utilização de veículo com transmissão automática, o que, definitivamente, não faz prova nem que a deficiência prevista em Lei existe nem que não existe.(grifei) II Laudo de fl.35: Embora a Unidade de Origem, no despacho de fl. 82, constate que a Clínica Ortopédica de Natal, CNPJ 35.654.631/000109, que emitiu os Laudos de Avaliação de folhas 06 e 35 e a Declaração de folha 07 é instituição de serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, integrante do Sistema Único de Saúde – SUS, esse dado não é suficiente para considerar atendido o disposto na legislação de regência, conforme redação a seguir transcrita: · Lei nº 8.989, de 1995, Art.1°(...) § 1º Para a concessão do beneficio previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13433.720167/201375 Resolução nº 3302000.924 S3C3T2 Fl. 105 3 deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei n°10.690, de 16.6.2003) (...) Art. 3º A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei.(grifei). · Decreto nº 3.298, de 1999: Art.3o Para os efeitos deste Decreto, considerase: I deficiência– toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano;(grifei). Art 4° É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: 1 deficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a .forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto n°5.296, de 2004)(grifei) · Instrução Normativa RFB Nº 988, de 2009: § 1º Para a verificação da condição de pessoa portadora de deficiência física e visual, deverá ser observado: I no caso de deficiência física, o disposto no art. 1º da Lei nº 8.989, de 1995, com a redação dada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003, e no Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, com suas alterações posteriores; e (...) Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, formulário de requerimento, conforme modelo constante do Anexo I, acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da RFB de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat): I Laudo de Avaliação, na forma dos Anexos IX, X ou XI, emitido por prestador de:(grifei). a) serviço público de saúde; ou b) serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS); Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13433.720167/201375 Resolução nº 3302000.924 S3C3T2 Fl. 106 4 (...) Observase do Anexo IX: DEFICIÊNCIA FISICA E/OU VISUAL (1) (Definições de acordo com o Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, e CID10) Art.3o Para os efeitos deste Decreto, considerase: I deficiência– toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano; DEFINIÇÕES I deficiência física É considerada pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (observar, quanto a esse aspecto, as alterações do Decreto nº 3.298, de 1999). (1) Observação: A deficiência deve ser atestada por equipe (dois médicos) responsável pela área correspondente à deficiência(grifei). Pelos excertos normativos, constatase que além do tipo de deficiência é necessário que o laudo emitido por responsável pela área correspondente à deficiência, seja conclusivo quanto ao comprometimento da função física acarretada pela deficiência constatada, gerando incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano, em conformidade como disposto no inciso I do art. 3º do Decreto nº. 3.298, de 1999, tanto que no modelo de laudo, conforme Anexo IX da IN RFB Nº 988, de 2009, existe o campo para a descrição do tipo da deficiência e o campo para a descrição detalhada da deficiência. Postas estas considerações, inferese que o presente processo não está pronto para julgamento, de modo que com amparo no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do processo em diligência para que se intime a interessada a apresentar novo laudo (nos moldes do anexo IX da IN SRF Nº 988/2009), emitido por prestador de serviço público de saúde ou serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS), datado e que seja conclusivo quanto ao tipo de deficiência constatada e as enquadre na codificação CID10, bem como quanto ao grau de acometimento da deformidade do membro, se parcial ou total e se acarreta o comprometimento da função física do referido membro. Após a diligência, devolvase o processo a este E. Conselho para a conclusão do julgamento. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13433.720167/201375 Resolução nº 3302000.924 S3C3T2 Fl. 107 5 Após encaminhado o expediente para TRIAGSRRF04RECPE, para ciência da Resolução, é aduzida ao processo a intimação de fl. 97, da DRF Mossoró, que solicita ao contribuinte: Apresentar ou anexar a este Processo, eletronicamente, CNH Carteira Nacional de Habilitação que contenha as restrições (ADX), constantes do Laudo Médico exarado neste Processo, às fls. 54. O não atendimento no prazo fixado pela Delegacia implicará no Indeferimento do processo, conforme art. 7º, da IN 1769, de 18.12.2017. Ato seguido, o processo retorna ao CARF, com o AR de ciência do recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. Após duas diligências não plenamente satisfeitas pela autoridade preparadora, sendo que o resultado da segunda nada tem a ver com a determinação exarada por este colegiado, forçoso é determinar o retorno do expediente à origem, porquanto a lide ainda carece de providências para seu julgamento. Nessa moldura, voto por converter, mais uma vez, o julgamento em diligência, agora dirigindo o processo diretamente ao titular da unidade de origem DRF em NATAL, no sentido de solicitar seus bons préstimos e determinação para que seja: intimado o recorrente a apresentar novo laudo (nos moldes do anexo IX da IN SRF Nº 988/2009), emitido por prestador de serviço público de saúde ou serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS), datado e que seja conclusivo quanto ao tipo de deficiência constatada e as enquadre na codificação CID10, bem como quanto ao grau de acometimento da deformidade do membro, se parcial ou total e se acarreta o comprometimento da função física do referido membro. Após a diligência, devolvase o processo a este E. Conselho para a conclusão do julgamento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 107DF CARF MF
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