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Numero do processo: 10715.008368/2009-60
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/10/2005, 03/10/2005, 05/10/2005, 11/10/2005, 28/10/2005
MULTA ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA
Aplica-se retroativamente a norma tributária penal que comina penalidade mais benéfica que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Numero da decisão: 3803-006.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas após o desembaraço da mercadoria e antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes aos embarques anteriormente declarados em Declarações de Exportação. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/10/2005, 03/10/2005, 05/10/2005, 11/10/2005, 28/10/2005 MULTA ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase retroativamente a norma tributária penal que comina penalidade mais benéfica que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 83 68 /2 00 9- 60 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3803006.287 S3TE03 Fl. 143 2 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte, esta manejada em oposição ao auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 45.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a nove embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Consta do auto de infração que o contribuinte registrara no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) os dados de embarques de exportação fora do prazo legal de 2 (dois) dias, infração essa sujeita a multa, nos termos do art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n ° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n ° 10.833, de 2003. De acordo com o autuante, a obrigação do transportador encontrase estabelecida no art. 37 do mesmo Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Ainda de acordo com o agente fiscal, o referido prazo deveria ser observado pelo transportador por veículo, cada um identificado pelo respectivo voo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DE). Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a Impugnação, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3803006.287 S3TE03 Fl. 144 3 “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Destacou o julgador administrativo que “a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, aumentou o prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria”, aplicandose retroativamente com base no disposto no art. 106, II, do CTN. Quanto às demais alegações do contribuinte, a Delegacia de Julgamento afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 18/11/2010, o contribuinte interpôs, no dia 16 de dezembro do mesmo ano, Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do auto de infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, sendo acrescentada a alegação de que a multa tem caráter confiscatório. O Recorrente arguiu, também, a ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre o auto de infração lavrado em decorrência da prestação intempestiva de informações relativas a embarques de mercadorias para o exterior, transportadas por via aérea, durante o mês de outubro de 2005. Em relação às alegações do Recorrente que coincidem com aquelas formuladas na primeira instância, reafirmo o que foi dito pelo julgador de piso quanto à ausência de comprovação dos fatos apontados e à necessidade de observância, pela Administração Pública, cuja atividade é vinculada, do princípio da legalidade em matéria tributária. Contudo, dois dos argumentos trazidos pelo Recorrente na segunda instância mostramse cabíveis no presente julgamento. O auto de infração sob comento encontrase fundamentado no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, alterado pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, verbis: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3803006.287 S3TE03 Fl. 145 4 Decretolei nº 37, de 1966 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) Considerando o teor dos excertos supra e o fato de que a autuação se refere a embarques ocorridos no mês de outubro de 2005, é possível constatar que, no momento da ocorrência das infrações apontadas pela Fiscalização, vigia a redação do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, dada pela IN SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, que fixava o prazo de dois dias para a prestação das informações no Siscomex. Contudo, posteriormente, a IN RFB n.º 1.096 de 2010, alargou para sete dias o prazo para a prestação das informações de embarque, em razão do que, considerando os dados apurados pela Fiscalização presentes no anexo do auto de infração, devem ser canceladas as parcelas da multa exigidas com base no prazo de dois dias, que não excederem o prazo de sete dias, tendo em vista o contido no art. 106, II, do Código Tributário Nacional (retroatividade benigna). Quanto ao restante da autuação, relativamente à prestação de informações em prazo superior a sete dias, há que se considerar a normatividade do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, que trata da aplicação da denúncia espontânea na exclusão de penalidades de natureza administrativa. Eis o teor do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3803006.287 S3TE03 Fl. 146 5 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (grifei) Constatase do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo DecretoLei nº 37, de 1966, exclui a aplicação de penalidades tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, havendo exceção em relação à penalidade aplicada na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, o que não corresponde ao elemento fático deste processo, qual seja, atraso do registro no Siscomex de informações relativas a embarques de mercadorias informadas em Declarações de Exportação (DE). A denúncia espontânea encontrase disciplinada no art. 138 do CTN da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Com base no art. 138 do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido1 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Nesse mesmo sentido, temse a súmula nº 49 do CARF que estipula que “[a] denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula referemse às declarações do imposto de renda (DIRPF e DIPJ), de retenção na fonte (DIRF) e DCTF. 1 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j. 17/6/2010; etc. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3803006.287 S3TE03 Fl. 147 6 Consoante tais entendimentos, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias. Contudo, no presente caso, temse uma regra expressa específica determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966), disposição legal essa válida e vigente a reclamar por sua observância por parte da Administração Pública. Tal regra encontrase inserida no corpo da mesma lei (DecretoLei nº 37, de 1966) que estipula a multa administrativa sob comento, o que corrobora com a conclusão de que se aplica à inobservância da obrigação acessória destes autos. Conforme consta da descrição dos fatos no auto de infração, a ação fiscal iniciarase após as datas dos voos, ou seja, após o desembaraço das mercadorias e, também, após o registro no Siscomex dos dados de embarque pelo transportador, registro esse efetuado, portanto, antes de qualquer procedimento da fiscalização tendente a apurar a infração, o que torna, a princípio, o fato sob exame consentâneo com a previsão normativa supra reproduzida. Registrese que o referido § 2º inexistia originariamente no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, vindo a ser incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, para abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010 (art. 40, que alterou o art. 32, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966), passouse a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Mostrase evidente a intenção do legislador de estimular o cumprimento espontâneo da obrigação acessória por parte do contribuinte ou responsável, adotando o entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias. Por se tratar de matéria relativa a responsabilidade infracional, a inovação promovida em 2010 pela Medida Provisória nº 497 aplicase a fatos pretéritos, por força do contido no art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, em que se estipula que a lei se aplica retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Não se pode perder de vista que a atuação da Administração Pública é vinculada e obrigatória, sob pensa de responsabilidade funcional do agente, não podendo ela agir em desconformidade com o sistema jurídico. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa fiscal aplicase tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória, visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 2. Conforme apontou o Relator Desembargador na aludida decisão, o descumprimento de obrigação acessória constitui infração à legislação tributária, podendo 2 AC 2001.70.00.0268477/PR, 1ª T., excerto do voto do Rel. Des. Fed. Wellington Mendes de Almeira, j. 17/10/2002. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3803006.287 S3TE03 Fl. 148 7 ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis. De acordo com a ressalva do mesmo art. 138 do CTN, ao destacar a expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta o pagamento de tributo. A expressão “se for o caso” explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). 3 A súmula CARF nº 49, no meu entendimento, não estará sendo inobservada com a adoção desse entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a orientaram, a sua disciplina abrange as declarações periódicas a que os contribuintes se encontram obrigados a apresentar, seja em razão de sua condição de sujeito passivo ou de responsável, para repassar à Administração tributária as informações necessárias à análise do cumprimento da obrigação tributária principal. Além disso, a previsão legal específica (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966) diferencia este caso dos demais, não se vislumbrando possibilidade de inobservância do imperativo legal. Contudo, necessário se torna analisar, uma por uma, as exceções impostas pela legislação tributária relativamente à aplicação da denúncia espontânea, a saber: a) não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria (§ 1º, alínea “a”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); b) não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração (§ 1º, alínea “b”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); c) não se considera espontânea a denúncia relativamente a penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (§ 2º do art. 102 do Decreto lei nº 37, de 1966); d) não se considera espontânea a denúncia depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior (§ 3º do art. 612 do Decreto nº 4.543, de 2002 – Regulamento Aduaneiro). Considerando que as informações foram prestadas intempestivamente pelo Recorrente mas antes de qualquer atividade da fiscalização e alguns dias depois das datas dos voos em que as mercadorias exportadas foram transportadas, temse que nenhuma das exceções acima referenciadas se aplica ao presente caso. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3803006.287 S3TE03 Fl. 149 8 No caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no Siscomex, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o auto de infração, com base na retroatividade benigna de norma tributária penal mais benéfica e na denúncia espontânea. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720337/2011-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. CONTRIBUINTES DOMICILIADOS NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 1802-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o Conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2011 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. CONTRIBUINTES DOMICILIADOS NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Ausente justificadamente o Conselheiro Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 03 37 /2 01 1- 14 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720337/201114 Acórdão n.º 1802002.324 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Da Notificação do Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento por meio da qual é exigida da interessada a multa por atraso na entrega da sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, correspondente ao mês de março de 2011, no valor de R$ 500,00 (multa mínima). A autoridade fiscal alega que o prazo final da entrega era 20/5/2011 e o interessado fez a entrega em 24/5/2011. Da Impugnação Cientificada da notificação de forma eletrônica quando da transmissãoda DCTF, a interessada apresentou impugnação tempestiva, na qual alegou, em síntese, ser sediada no município de Petrópolis – RJ, e ter entregue a Declaração tempestivamente, com base na Instrução Normativa nº 1.122, de 18 de janeiro de 2011. Do Acórdão da DRJ A 5ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu Acórdão 12042.309, NEGANDO PROVIMENTO À IMPUGNAÇÃO e MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do mês de março de 2011, no valor de R$ 500,00. Do Recurso Voluntário Inconformada, a interessada apresentou Recurso Voluntário reiterando, em síntese, os argumentos anteriormente invocados na impugnação. É o Relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720337/201114 Acórdão n.º 1802002.324 S1TE02 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 8/2/2012 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 27/2/2012. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito A Portaria MF nº 23, de 18/1/2011, prorrogou o prazo de pagamento de tributos federais, no âmbito da Receita Federal do Brasil – RFB, dos contribuintes domiciliados na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, na situação em que os vencimentos dos tributos estivessem previstos para o período de 11 de janeiro a 31 de março de 2011. Também suspendeu os atos processuais com termo inicial em 11 de janeiro de 2011, até o dia 31 de julho de 2011. A IN RFB nº 1.122, de 18/1/2011, prorrogou para 31 de julho de 2011, os prazos antes previstos para janeiro a março de 2011, das entregas das declarações à RFB, dos contribuintes domiciliados na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Segue artigo 1º da IN: Art. 1º Ficam prorrogados até o dia 31 de julho de 2011, os prazos antes previstos para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2011, relativos a declarações concernentes aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para os sujeitos passivos domiciliados nos seguintes municípios do Estado do Rio de Janeiro: Areal, Bom Jardim, Nova Friburgo,Petrópolis, São José do Vale do Rio Preto, Sumidouro e Teresópolis. (grifo nosso). Já o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10, de 10/8/2011, cancelou as intimações lavradas em 30/6/2011, quando não respeitadas as disposições da IN RFB nº 1.122/2011. É meu entendimento que a IN RFB nº 1.222/2011 não alterou o prazo previsto para entregas de declarações que venciam em 20/5/2011, mas sim para aqueles prazos previstos originalmente para janeiro a março de 2011. Em consequência, não se aplica ao caso presente o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10/2011. Conclusão Face todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO e MANTER O CRÉDITO TRIBUTÁRIO de multa por atraso na entrega da Declaração deDébitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do mês de março de 2011, no valor de R$500,00. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720337/201114 Acórdão n.º 1802002.324 S1TE02 Fl. 5 4 É o meu VOTO. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001167/98-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. PROVA DA BASE DE CÁLCULO. As pontuais diferenças apuradas em procedimento de fiscalização em documentos apresentados pelo contribuinte (livros de IPI e de ICMS, declarações de imposto de renda, DARF recolhidos e planilhas de apuração do direito creditório) e mesmo a ausência de alguns elementos de prova que pudessem esclarecer as diferenças (livro diário/razão) não são justificativas válidas para indeferimento de todo o pedido de restituição, cujo direito creditório foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado.
Havendo elementos no processo que indiquem o direito creditório ainda que parcialmente, a administração tem a obrigação legal de apurá-lo, demonstrando, fundamentadamente, os motivos e elementos probatórios pelos quais houve indeferimento parcial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para retornar o processo à unidade de origem para calcular o direito creditório com base nos elementos apresentados.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. PROVA DA BASE DE CÁLCULO. As pontuais diferenças apuradas em procedimento de fiscalização em documentos apresentados pelo contribuinte (livros de IPI e de ICMS, declarações de imposto de renda, DARF recolhidos e planilhas de apuração do direito creditório) e mesmo a ausência de alguns elementos de prova que pudessem esclarecer as diferenças (livro diário/razão) não são justificativas válidas para indeferimento de todo o pedido de restituição, cujo direito creditório foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Havendo elementos no processo que indiquem o direito creditório ainda que parcialmente, a administração tem a obrigação legal de apurá-lo, demonstrando, fundamentadamente, os motivos e elementos probatórios pelos quais houve indeferimento parcial. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. PROVA DA BASE DE CÁLCULO. As pontuais diferenças apuradas em procedimento de fiscalização em documentos apresentados pelo contribuinte (livros de IPI e de ICMS, declarações de imposto de renda, DARF recolhidos e planilhas de apuração do direito creditório) e mesmo a ausência de alguns elementos de prova que pudessem esclarecer as diferenças (livro diário/razão) não são justificativas válidas para indeferimento de todo o pedido de restituição, cujo direito creditório foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Havendo elementos no processo que indiquem o direito creditório ainda que parcialmente, a administração tem a obrigação legal de apurálo, demonstrando, fundamentadamente, os motivos e elementos probatórios pelos quais houve indeferimento parcial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para retornar o processo à unidade de origem para calcular o direito creditório com base nos elementos apresentados. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 11 67 /9 8- 27 Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior (Suplente), Elias Fernandes Eufrásio (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres Relatório Trata de pedido de restituição, protocolizado em 21/07/1998, formulado para reaver valores recolhidos a titulo de contribuições para o Finsocial, efetuados com base nas alíquotas superiores a 0,5%, referentes aos períodos de apuração compreendidosentre julho de 1988 e março de 1992. A alegada decadência do direito de a Recorrente pleitear a restituição formulada pela administração no início do feito, foi afastada pelo Acórdão nº 30236.801, de 18 de maio de 2005, cujo voto condutor foi de lavra do Ilustre Conselheiro Corintho Oliveira Machado, com a seguinte ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. DIREITO RECONHECIDO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA. DECADÊNCIA.O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data ern que o contribuinte teve seu direito reconhecido pela Administração Tributária, no caso a da publicação da MP 1.110/95, que se deu em 31/08/1995. Dessarte, a decadência só atinge os pedidos formulados a partir de 01/09/2000, inclusive, o que não é o caso dos autos. RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE PARA AFASTAR A DECADÊNCIA. Retornando os autos à repartição de origem a fiscalização retomou a análise do pedido revendo que houvera feito dentre outras exigências as seguintes: 2.1 certidão de objeto e pé atualizada referente ao processo judicial; 2.2 certidão atestando que, no processo judicial, a interessada renuncia compensar o Finsocial com a Cofins, tendo em vista o pedido de restituição que ora se dá via administrativa ; 2.3 demonstrativo dos valores que compõem a base de cálculo do Finsocial, e a respectiva contribuição mensal apurada pelas aliquotas de 0,6%, de julho/88 a dezembro/88 e 0,5% a partir de 1989 até março/92; 2.4 cópia das folhas dos livros Registro de SaídasIPI/ICMS, Registro de Notas FiscaisFaturas de Serviços Prestados a TerceirosISS e do Razão (inclusive as do termo de abertura), nas quais se encontram os lançamentos a que se refere o subitem 2.3, e que permitam identificar a composição da base de cálculo, inclusive as exclusões admitidas pela legislação do imposto de renda; 2.5 demonstrativo do fluxo contábil relacionado aos valores pagos da contribuição ao Finsocial do período, com a identificação e nomenclatura das contas utilizadas, acompanhado da cópia das folhas do Razão nas quais se encontram os lançamentos; 2.6 cópia das Declarações do IRPJ e respectivos recibos de entrega, do períodobase encerrado em 31.12.1988 ao anocalendário de 1992 Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.001167/9827 Acórdão n.º 3101001.743 S3C1T1 Fl. 1.316 3 2.7 comprovante da conta bancária em nome da interessada, para o fim da devolução da parcela do crédito que não for utilizada para a compensação de débito. Em resposta o contribuinte expusera que: 1 Atendendo aos itens 2.1 e 2.2 encaminhamos certidões e declaração de extinção do processo judicial, incluindo renúncia de honorários de sucumbência por parte da autora. 2 Atendendo ao item 2.3 encaminhamos planilha com demonstrativos de valores que compõe a base de cálculo do Finsocial. 3 Atendendo ao item 2.4 encaminhamos cópias dos livros Registro de saída IPI/ICMS do período solicitado 4 Não atendemos ao item 2.5 btendo em vista que, por terem seus ativos transferidos para uma holding multinacional, alguns dos arquivos cujas datas superavam 05 anos foram inutilizados, entretanto, entendemos que os DARF's por si atendem a essa solicitação 5 Não atendemos totalmente ao item 2.6, tendo em vista que as declarações de IRPJ solicitadas já terem mais de 05 (cinco) anos não encontramse mais em poder da interessada, uma vez que, amparados pela legislação não foram mantidas em arquivo, entretanto conseguimos uma cópia da declaração de 1989 ano base 1988 ocasionalmente. Diante disso, o novo despacho decisório concluiu que: 12. 0 reconhecimento do direito creditório implica antes apurar a liquidez e certeza do crédito alegado pela interessada. Aliás, é direito do Fisco verificar se provas e cálculos consubstanciam o pretendido crédito. 13. No tocante à guarda de livros e documentos, o art. 210 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 1.041/94, traduzindo o disposto no art. 4° do DecretoLei n° 486/69, determina ao contribuinte a obrigação de conservar em ordem, enquanto não • prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (art. 264 no RIR/99). 14. Depreendese daí que, pendente o processo, igualmente pendente de verificação encontramse os livros, documentos e papéis a ele pertinentes, sem cogitar de impedimento de qualquer natureza à tal verificação por parte da autoridade administrativa competente, caso contrário configuraria uma inadmissível limitação ao direito do Fisco. 15. Assim, pelas razões expendidas, proponho indeferir o pedido de restituição. Inconformada a recorrente ingressou com impugnação que, submetida a julgamento, foilhe indeferida com os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 INTIMAÇÃO. MEIOS E/OU DIRECIONAMENTO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE PREPARADORA. Compete à unidade preparadora a escolha do direcionamento e/ou do meio para comunicar ato processual (e.g.: pessoal, eletrônica, postal e/ou edital) objeto do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, e alterações. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe declarar sua nulidade. PERÍCIA. 0 pedido de perícia deve criar quesitos referentes aos exames desejados, nome, endereço e qualificação profissional do perito, sob pena de ser considerado não formulado (art. 16, Decreto 70.235/72). PROVAS. PRECLUSÃO. Há preclusão se não apresentar com a impugnação todos os documentos sustentadores das alegações ou não demonstrar quaisquer das situações do § 4°, do art. 16, do Decreto 70.235/72. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO. A autoridade competente pode condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, sendo facultado examinar, dentre outros, na escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações em que se funda o alegado direito a impossibilidade de comprovar seus créditos, não a como acolher a solicitação da contribuinte. Intimada a contribuinte apresente seu Recurso Voluntário. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Inobstante as razões expendidas pela repartição de origem e confirmadas pela autoridade julgadora de primeira instância, a interpretação de todo o processo de restituição que teve início com o ingresso da ação judicial (que lhe foi favorável), em 30/06/1993, conduz à conclusão de que a administração criou dificuldades deferir o direito creditório que a Recorrente obteve, inclusive, por reconhecimento no âmbito judicial. Como se sabe, a base de cálculo do Finsocial é “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”, conforme Decretolei nº 1940/1982. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.001167/9827 Acórdão n.º 3101001.743 S3C1T1 Fl. 1.317 5 Somente a partir desse comando legal e diante do reconhecimento da inconstitucionalidade das majorações de alíquota confirmadas pelo Poder Judiciário, já seria possível diante dos Livros de Apuração de IPI e de ICM/ICMS acostados aos autos apurar, ainda que parcialmente o direito creditório da Recorrente. Estes livros são a representação factual das relações de direito privado estabelecidas pela Recorrente e que demonstram integral ou parcialmente os elementos materiais de incidência da contribuição ao FINSOCIAL. Fossem invertidos os polos processuais, certamente, a materialidade seria suficiente para a exigência. Diante do Estado Democrático de Direito, não pode a administração alegar que, na ausência de um documento, nenhum direito creditório é passível de apuração, sem mesmo demonstrar a impossibilidade total de tal apuração. Afronta o princípio da moralidade administrativa, diante do conjunto probatório apresentado pelo contribuinte e diante da solicitação de apresentação de declarações de imposto de renda que a administração tem ou deveria ter em seus arquivos, fundamentar o indeferimento do pedido de restituição do Finsocial em eventuais diferenças pontuais de bases de cálculo. Diante das inconsistências aventadas deverseia restituir o quanto as provas demonstram que a Recorrente tem direito e não apenas negarlhe tudo, por ausência de alguma prova. Provas há. Ainda que não seja para reconhecer a totalidade do direito creditório pleiteado, há para reconhecêlo parcialmente. A certeza de parte já destitui de validade o argumento utilizado para o indeferimento Considerando que há nos autos robustos elementos, bastantes e suficientes, para efetuar levantamento de valor a restituir, ainda que não seja correspondentes ao valor pleiteado pelo contribuinte, é que DOU PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO para que o processo retorne à repartição de origem, para que a fiscalização confira e calcule o valor a restituir à Recorrente com base nos documentos existentes no processo, possibilitando ao contribuinte, se quiser, a apresentação de laudo pericial contábil, também com base nos documentos existentes no processo, que devera ser confrontado pela fiscalização com seu próprio levantamento. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10314.014744/2008-97
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/12/2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/12/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 47 44 /2 00 8- 97 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 489DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.014744/200897 Acórdão n.º 3803006.593 S3TE03 Fl. 489 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 01/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 10/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 23/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 491DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.014744/200897 Acórdão n.º 3803006.593 S3TE03 Fl. 490 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 493DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.014744/200897 Acórdão n.º 3803006.593 S3TE03 Fl. 491 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.014744/200897 Acórdão n.º 3803006.593 S3TE03 Fl. 492 9 a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 496DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10950.904844/2012-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 44 /2 01 2- 98 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904844/201298 Acórdão n.º 3801004.484 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904844/201298 Acórdão n.º 3801004.484 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904844/201298 Acórdão n.º 3801004.484 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904844/201298 Acórdão n.º 3801004.484 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904844/201298 Acórdão n.º 3801004.484 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904844/201298 Acórdão n.º 3801004.484 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904844/201298 Acórdão n.º 3801004.484 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10880.727119/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 27 11 9/ 20 11 -8 0 Fl. 3351DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10880.727119/201180 Resolução nº 2401000.411 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente processo abrange os seguintes lançamentos: · Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.334.1989, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período compreendido entre 08/1998 a 01/1999; · Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.334.1970, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não recolhida em época própria. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 19 e seguintes os presentes AI, foram lavrados em substituição a NFLD DEBCAD 35.409.5676, n. ao processo 37172.001398/2005 52, julgado nulo por vício formal na constituição pela 6ª Câmara do 2ª Conselho de Contribuintes – Ministério da Fazenda.consubstanciada no Acórdão N° 20601.361 de 07/10/2008, cópia acostada aos autos. Ainda conforme Relatório Fiscal, contra o sujeito passivo, contratante dos serviços objeto dos autos, e a prestadora desses serviços, , O crédito tributário foi lançado por solidariedade, com fundamento no art. 31 da Lei 8.212/91, e se refere a contribuições sociais previdenciárias patronais e de ônus dos segurados incidentes sobre a remuneração inserida em notas fiscais de serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, sob o título “agente credenciado/distribuidor autorizado”, apurada por aferição indireta, com base no art. 33 da Lei 8.212/91, em razão de a empresa fiscalizada, contratante dos serviços da empresa BY PASS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 00.984.586/000176, não ter apresentado os documentos previstos na legislação, necessários à elisão da responsabilidade solidária e à comprovação da regularidade da obrigação tributária em foco. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 20/12/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo tomador do serviços ocorreu no dia 31/01/2012 (fls. 497). Inconformado, a autuada apresentou defesa, conforme fls. 504 a 522 e 537 a 555. Foi exarada Decisão Notificação que determinou a procedência parcial do lançamento, 3305 a 3302, tendo sido declarada a decadência em relação a prestadora de serviços. Destacase ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/01/1999 DECADÊNCIA QÜINQÜENAL Fl. 3352DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10880.727119/201180 Resolução nº 2401000.411 S2C4T1 Fl. 4 3 DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM FACE DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. A prestadora de serviços deve ser excluída do pólo passivo da exigência fiscal em razão de estar o Fisco impedido de constituir o crédito tributário em nome desta devedora, que somente foi cientificada e intimada do débito após o transcurso do prazo decadencial qüinqüenal. CESSÃO DE MÃODEOBRA. PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS EM LOCAIS SOB O CONTROLE E FISCALIZAÇÃO DA CONTRATANTE. “DEPENDÊNCIAS” DA CONTRATANTE. O requisito da “cessão de mãodeobra” relativo ao local de prestação de serviços nas “dependências” da contratante restará caracterizado quando esta mantém controle e fiscalização sobre os mesmos, ainda que em imóveis de propriedade da contratada ou por ela locados. SERVIÇOS JUNTO AO PÚBLICO OU POR TELEFONE.DEPENDÊNCIAS DE TERCEIROS. A prestação dos serviços feita via telefone ou pessoalmente junto ao público caracteriza serviços prestados nas “dependências de terceiros”, preenchendo, assim, este requisito do conceito legal de “cessão de mãodeobra” COLOCAÇÃO DE MÃODEOBRA A DISPOSIÇÃO DA CONTRATANTE . COMPROVAÇÃO. A comprovação de que a contratante tem contato direto com os trabalhadores, orientando, acompanhando, supervisionando e fiscalizando a prestação de serviços, demonstra a “colocação de mão deobra a disposição da contratante”. FISCALIZAÇÃO DIRETA NA CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. NÃO EXIBIÇÃO DE GUIAS E FOLHAS DE PAGAMENTOS ESPECÍFICAS. LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. É legitima e legal a fiscalização direta da empresa contratante dos serviços, hipótese em que a não exibição das folhas de pagamentos específicas e das respectivas guias de recolhimento vinculadas é suficiente para determinar o lançamentos fiscal por solidariedade mediante aplicação do método da aferição indireta. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência desnecessária e/ou que não atenda aos requisitos legais deve ser indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da decisão proferida o recorrente interpõe recurso às fls. 3317 e seguintes, onde traz as mesmas alegações da impugnação, as quais podemos destacar: 1. No mérito, alega impossibilidade da defendente, empresa contratante dos serviços, responder por solidariedade prevista no art. 31 da Lei 8.212/91 em razão de os serviços Fl. 3353DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10880.727119/201180 Resolução nº 2401000.411 S2C4T1 Fl. 5 4 objetos das notas fiscais arroladas nos autos não se enquadrarem no conceito de “cessão de mãodeobra” uma vez que: não havia colocação de segurados à disposição da contratante e os serviços não serem realizados nas dependências da contratante, nem nas de terceiros, mas nas dependências da própria contratada. 2. Na hipótese de se concluir pela caracterização da cessão de mãodeobra, requer diligência para apurar se a empresa credenciada efetuou o pagamento das contribuições previdenciárias exigidas. Argumenta que a solidariedade só poderia se consumar após o levantamento do valor real da dívida, apurada junto ao contribuinte diretamente vinculado ao seu fato gerador, ou seja, na empresa prestadora dos serviços, e a comprovação de que esta não adimpliu sua obrigação. 3. Ao final, requer o cancelamento da autuação – já que inexiste contratação por cessão de mãodeobra; bem como a busca da verdade material quanto ao pagamento das contribuições pelas contratadas e efetiva satisfação do crédito. A unidade descentralizada da SRP encaminhou o processo a este Conselho para Julgamento. É o relatório. Fl. 3354DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10880.727119/201180 Resolução nº 2401000.411 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 3341. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade na constituição do AI substitutivo. Porém antes de avaliar cada uma dos argumentos apresentados pelo contribuinte, entendo necessário tecer comentários acerca do instituto da responsabilidade solidária. Com relação às alegações da recorrente acerca da responsabilidade solidária, clara é a possibilidade legal nesse sentido, tendo em vista a solidariedade do tomador de serviços na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, com fundamento no artigo 31, da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 9.711/98, conforme observamos a imputação fiscal. Assim, descreve o texto legal: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Ainda conforme o relatório fiscal, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias a remuneração paga a segurados da empresa BY PASS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 00.984.586/000176, incluída em Nota Fiscal/Fatura quando da prestação de serviços à tomadora, respondendo esta solidariamente pelas contribuições devidas pela prestadora de serviços. Assim, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN e do art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, benefício de ordem. Entendo que ao atribuir responsabilidade solidária pelo cumprimento da obrigação tributária, abriu o legislador a possibilidade de a autoridade previdenciária cobrar a satisfação da obrigação de qualquer das solidárias, sendo desnecessária a averiguação inicial na prestadora dos serviços. Mesmo discordando da necessidade de fiscalizar primeiro a prestadora, entendo pertinente seja informado pela autoridade fiscal, se a empresa prestadora de serviços já foi fiscalizada, e se existiu, qual o tipo de procedimento fiscal encerrado, para que se afaste qualquer risco de cobrança em duplicidade. Fl. 3355DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10880.727119/201180 Resolução nº 2401000.411 S2C4T1 Fl. 7 6 CONCLUSÃO: Voto por converter o julgamento em DILIGÊNCIA para que a autoridade fiscal presta as informações nos termos acima descritos, devendo o recorrente ser cientificado dos termos da diligência em questão. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 3356DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720167/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os Membros deste Colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o presente julgado, conforme determinação expressa pelo artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1461; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720167/201151 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.155 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 07 de agosto de 2013 Assunto IRPJ/OMISSÃO DE RECEITAS/SOBRESTAMENTO Recorrente SOLBOR BENEFICIAMENTO DE LATEX LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por maioria de votos, SOBRESTAR o presente julgado, conforme determinação expressa pelo artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 16 7/ 20 11 -5 1 Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração de fls. 769/810, que se prestaram a exigir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e respectivos consectários legais, como também a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep – PIS, relativos a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2007 (3º e 4º trimestre) e 2008, em razão da constatação de o sujeito passivo, devidamente intimado, não ter comprovado a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária. Segundo relatado pelas autoridades fiscais que conduziram o procedimento de auditoria, a fiscalização originouse em atenção à requisição do Ministério Público Federal em São José do Rio Preto, por meio do Ofício MPF nº 3.006/2009 (fl. 719), no contexto de operação realizada pela fiscalização fazendária estadual e as Polícias Civil e Militar, denominada de “Operação Ouro Branco”, que visou apurar fraudes tributárias relacionadas ao mercado de borracha (utilização indevida de créditos de ICMS pelas “indústrias pneumáticas”, a saber: Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Ltda e Pirelli Pneus Ltda). Assim como o sujeito passivo das autuações que redundaram no processo ora relatado, também a empresa SP LATEX COMERCIO DE ARTEFATOS DE BORRACHAS LTDA (CNPJ nº 04.303.887/000148) foi objeto de investigação pela Receita Federal, no contexto da mesma operação. No referido TDF, encontramse arroladas “as pessoas da organização” que atuaram nessas empresas, com a descrição individualizada de sua atuação, o esquema da fraude fiscal (que envolvia a participação de “chefes”, “laranjas”, “colaboradores” e “clientes”) e a operação realizada, que envolveu a execução de 30 Mandados de Busca “em diversos estabelecimentos, residências e imóveis rurais”. No desenvolvimento dos trabalhos de auditoria fiscal, a fiscalização federal requisitou “provas emprestadas” já produzidas pela fiscalização estadual e também pelo Ministério Público Estadual, conforme autorização do Juízo de Direito da 5ª Vara Criminal do Fórum de São José do Rio Preto, onde tramitou o processo criminal. O início do procedimento de fiscalização federal deuse por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, datado de 29/10/2010 (fls. 45/48), por meio do qual requisitou se a apresentação dos livros fiscais e comerciais, além de outros documentos e informações, inclusive dos extratos das contas bancárias da empresa. Acerca do seu conteúdo foi pessoalmente cientificado o gerente de produção da fiscalizada, em 03/11/2011. Relatam as autoridades fiscais que foi procedida representação para fins de inclusão de ofício no quadro societário da fiscalizada do Sr. OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN, em face das constatações ocorridas no procedimento fiscal, quando “ficou comprovado” que ele atuava como “administrador e proprietário de fato da empresa SOLBOR, desde 18/11/2006”, o que foi feito nos termos do art. 26 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.005/2010 (fls. 251/264). Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 13 3 A convicção no sentido que o Sr. OSCAR efetivamente atuou como proprietário e administrador da empresa desenvolveuse em face de “documentos/papéis” apreendidos pela fiscalização estadual, os quais encontramse descritos no TDF (fls. 742/749). Além desses, a fiscalização relatou os seguintes fatos que “também corroboraram a evidenciar que o Sr. Oscar já era o administrador e proprietário de fato da SOLBOR”: A O fato de em 24 de setembro de 2009, no desfecho das investigações da "Operação Ouro Branco", o Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen, acompanhado de seus advogados, compareceu ao Gabinete do GAECOGrupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Núcleo de São José do Rio Preto SP, na presença dos Promotores de Justiça, para prestar Declaração a Termo. Na referida Declaração, depois de legalmente advertido do direito de permanecer calado sobre o que lhe fosse perguntado, o declarante esclareceu que, até a data da morte de seu pai, Roberto Lucato Hansen, ocorrida em 17 de novembro de 2006, ele não exerceu qualquer ato de administração nos negócios e nas empresas de seu genitor. Após tal fato, por ser herdeiro, tomou a frente administrativa dos negócios e empresas da família, dentre as quais a Solbor e a Agrolatex Agroindustrial (atual SP Látex), conforme fls. 619 a 640; B. O fato de em 07/10/2009, logo em seguida à deflagração da OPERAÇÃO OURO BRANCO (04/09/2009), ter sido formalizada a ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL da empresa SOLBOR BENEFICIAMENTO DE LÁTEX LTDA (registrada na JUCESP em 08/10/2009), em que os sócios Francisco Borges de Sousa Júnior (com 3.000 quotas no valor de R$3.000,00) e Agrícola Carandá Ltda (com 147.000 quotas no valor de R$147.000,00), com o capital já totalmente integralizado, TEREM DOADO (a título GRATUÍTO) a totalidade do capital de R$150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) a OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN. Caracterizado ficou, que, os sócios laranjas transferiram a totalidade do capital ao real dono e administrador de fato, nada recebendo em contrapartida (doando as quotas), pois, se efetivamente não eram sócios de nada, também nada tinham a receberfls. 97 a 104. Em resposta ao referido Termo de Início de Procedimento Fiscal, a fiscalizada, por meio do referido Sr. Oscar, veio informar a impossibilidade de apresentar alguns dos livros fiscais solicitados, alegando estarem eles de posse da fiscalização estadual (conforme protocolo de entrega apresentado). Apresentou, tãosomente, o contrato social e suas alterações, e requereu mais 90 dias de prazo para a apresentação dos demais livros e documentos solicitados. Foilhe concedido um prazo adicional de 20 dias para tanto. Transcorrido o prazo concedido pelas autoridades fiscais, a fiscalizada manifestouse afirmando que os demais documentos solicitados também estariam “sob a guarda da Receita Estadual, e já foram solicitados conforme protocolo em anexo”. Aduziu, ademais, que: No entanto, a Fiscalizada está aguardando a devolução dos mesmos e, tão logo estes sejam recebidos, a Fiscalizada se compromete a fornecêlos a essa D.Fiscalização, com a devida identificação. Isso se faz necessário para que a Fiscalizada possa segregar e fundamentar os lançamentos bancários, em especial aqueles que derivam de mútuos e/ou outras operações de mero trânsito financeiro, bem como identificar os respectivos comprovantes. ..." Como não houve a apresentação dos extratos bancários, e considerando a existência de interpostas pessoas no quadro societário da fiscalizada, no período objeto da fiscalização, “foi emitida a RMFRequisição de Informação Sobre Movimentação Financeira Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 14 4 ao Banco Bradesco S/A, sob n° 08107002010001010, tendo a referida Instituição Financeira, nos fornecido os dados então solicitados fls. 265 a 618”. E, com base nas informações prestadas pela referida instituição financeira, e “considerando que até aquela data nenhum livro fiscal/contábil ou documento fora apresentado por parte do contribuinte”, foi elaborado o Termo de Intimação e Reintimação Fiscal (fls. 115/123), datado de 25/01/2011, por meio do qual a fiscalizada foi intimada a “comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos ingressados nas contas bancárias de titularidade de V.Sa., cujos créditos encontramse descritos na planilha” integrante do termo. Na mesma oportunidade, a fiscalizada foi reintimada a apresentar os livros comerciais (“Livros Diário e Razão ou Livros Caixa”). Referida intimação foi encaminhada pelos Correios, por meio de correspondência com Aviso de Recebimento (AR), que foi recebida no domicílio tributário da fiscalizada em 01/02/2011. Em resposta a essa intimação, inicialmente o Sr. OSCAR apresentou o Livro Caixa, relativo ao anocalendário de 2008 e informou que não escriturou o livro no ano calendário de 2007. Passados mais alguns dias, protocolou pedido de prorrogação de prazo para o atendimento da comprovação da origem dos créditos bancários, alegando, novamente, que “boa parte” dos documentos ainda estariam de posse da fiscalização estadual. Transcorrido o prazo adicional concedido pela fiscalização (15 dias), a fiscalizada manifestouse informando que “apesar de estar envidando seus melhores esforços, ainda não foi capaz de proceder ao levantamento da documentação solicitada”. A fiscalização analisou as informações contidas no LivroCaixa e concluiu que “os lançamentos efetuados não descreveram os dados necessários à identificação da operação que resultou o respectivo crédito/depósito, simplesmente utilizandose de históricos sem conteúdo esclarecedor, portanto, insuficiente à realização desta Auditoria Fiscal (conforme cópia do LIVRO CAIXA em anexo fls. 126 a 231).” Dessa forma, procedeuse a uma nova intimação para que a fiscalizada comprovasse a origem “dos recursos ingressados em sua conta bancária do Bradesco S/A”, assim como esclarecer a movimentação de valores de suas contas bancárias com origem/destino nas contas bancárias da empresa SP LÁTEX (já referenciada), conforme créditos relacionados nesse novo termo de intimação (fls. 235/247), datado de 21/03/2011, devendo a intimada apresentar “os respectivos comprovantes documentais, hábeis à justificação”. A ciência dessa nova intimação também ocorreu por via postal, cuja correspondência foi recebida em 25/03/2011. E a fiscalizada voltou a se manifestar nos mesmos termos da sua última manifestação. Em face disso, as autoridades fiscais relataram suas conclusões nos seguintes termos (fl. 763): Passados mais de quarenta dias de sua ciência, o contribuinte não apresentou quaisquer documentos comprovantes das operações relacionadas no último Termo lavrado por esta Fiscalização, mencionado anteriormente, tendo, até a presente data, somente apresentado o LIVRO CAIXA do anocalendário de 2008, e mesmo assim, imprestável e insuficiente a qualquer análise, principalmente quanto à auditoria fiscal proposta, já que não traz o devido histórico de cada lançamento efetuado, de forma a identificar a origem dos recursos creditados/depositados ou a aplicação dos recursos debitados na contacorrente do contribuinte (no Banco Bradesco S/A). Em rápida verificação nos lançamentos do referido Livro Caixa, podese observar que não seguiu as Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 15 5 normas contábeis regularmente aceitas, tendo partido de um saldo inicial "ZERO" e ainda efetuando lançamento referente ao ano anterior (2007), como se pode verificar na folha n° 2, logo no primeiro lançamento, com data de 02/01/2008: "integralização de Capital efetuada em 09/06/2007, no valor de R$150.000,00". Se o contribuinte quis demonstrar que durante todo o ano de 2007 só houve aquela entrada de recursos, já que nos declarou (respondendo à Intimação Fiscal) que não houve escrituração do Livro Caixa do anocalendário de 2007, distorcido ficou, já que verificamos ter havido grande movimentação financeira durante o ano de 2007. Se o objetivo do mencionado lançamento (retardado) foi de simplesmente "reforçar" seu CAIXA, também não conseguiu justificálo, pelo fato de ter infringido o princípio temporal, quanto à periodicidade. Concluído o procedimento investigatório, procedeuse a lavratura dos autos de infração já citados, que consideram a apuração do lucro pelo regime de arbitramento, com fulcro no disposto no art. 530, inc. II, do RIR/99, e aplicação da multa qualificada, justificada nos seguintes termos pelas autoridades fiscais: Do até aqui exposto, verificouse as formas dolosas e fraudulentas praticadas pelo contribuinte visando a sonegação dos Tributos incidentes, assim: • Quadro societário com sócios laranjas e omissão do real dono e administrador, conforme "item 1 e respectivos subitens" e "subitem 3.2", retro; • DIPJ Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica entregues com todos os campos de valores "zerados"; • Nenhum documento fiscalcontábil ou comprovante hábil apresentado, assim como nada comprovando quanto à origem dos recursos financeiros depositados/creditados nas contas bancárias. Em relação à utilização de laranjas, as autoridades fiscais manifestaramse nos seguintes termos: O contribuinte desenvolveu suas atividades com quadro societário em nome de "laranjas", ocultando durante todo o período sob fiscalização o seu real administrador e dono de fato, Sr. Oscar Victor Rollemberg Hansen, que somente apareceu como sendo o sócio unipessoal no Instrumento Particular de Alteração de Contrato Social com data de 07/10/2009 (registrado na JUCESP em 08/10/2009), quando recebeu, em DOAÇÃO, todas as quotas dos exsócios (100%), no valor de R$150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), ou seja, o real dono da empresa somente passou a fazer parte do quadro societário da mesma, após a deflagração da "Operação Ouro Branco", ficando durante todo o período anterior, que inclui o período total sob fiscalização (2007 e 2008) exercendo suas atividades com o quadro societário composto de interpostas pessoas ("laranjas"), ou seja, operou com fraude e dolo, já que além de ter omitido o verdadeiro dono, também omitiu a respectiva receita decorrente dos depósitos/créditos realizados em sua contacorrente do Banco Bradesco S/A. A tabela 1 do referenciado TDF (fls. 765/766) consolida os valores mensais da omissão de receitas apuradas, relativas aos depósitos bancários sem origem comprovada, cujo montante do período fiscalizado atingiu a cifra de R$ 26.132.905,62. No polo passivo das autuações foi incluído como solidário o referido Sr. OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN (CPF nº 214.423.97896), “por interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, nos termos do art. 124, inciso I, da Lei ns 5.172/66 (Código Tributário Nacional)”, conforme Termo de Sujeição Passiva Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 16 6 Solidária (TSPS) de fls. 813/814. A inclusão do Sr. OSCAR foi justificada nas conclusões do TDF, nos seguintes termos: Como já discorrido no "Item 1" deste Termo, sobre a "Operação Ouro Branco", em que no período sob fiscalização, claro ficou que o Sr. Oscar tanto foi o dono e administrador da Solbor quanto da SP Látex. Também ficou demonstrado no "subitem 3.4", que as transações financeiras entre as duas empresas foram intensas, de forma que os saldos credores das contas bancárias da SP Látex foram quase que totalmente transferidos/canalizados para a conta corrente da Solbor, no Banco Bradesco S/A (já que eram do mesmo dono). Nem necessitamos de outras requisições mais aprofundadas às Instituições Financeiras quanto aos lançamentos debitados nas contas bancárias das referidas empresas para se constatar que o Sr. Oscar (pessoa física) se beneficiou direta e/ou indiretamente dos recursos financeiros oriundos da atividade econômica exercida por ambas, podendo ser simplesmente detectado pelos históricos de alguns dos respectivos lançamentos, relacionados a seguir ... Também segue em anexo, o comprovante de depósito de 16/03/2007, no valor de R$1.385,00 creditado no Banco Real Agência 08150, Conta 87292671, a favor de OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN, cujo cheque depositado foi emitido por AGROLATEX AGROINDUSTRIAL LTDA (atual SP Látex), do Banco do Brasil Agência 33715, conta 78956. O referido depósito foi apreendido na posse do sócio laranja da Solbor, Sr. Francisco Borges de Sousa Junior, através do AALD n° 18298094, de 04/09/2009 fis. 659 a 666. A ciência dos autos de infração, assim como do TSPS, foi procedida por meio de correspondências enviadas pelos Correios, recebidas em 22/06/2011, conforme fazem prova os Avisos de Recebimento de fls. 815/817. O sujeito passivo interpôs impugnação aos lançamentos em 22/07/2011, conforme peça de fls. 820/843, firmada por procuradora regularmente estabelecida (fls. 844/846), alegando, em síntese, que: a) a impugnação é tempestiva; b) “é pessoa jurídica de direito privado constituída na forma de sociedade limitada, que se dedica à industrialização do produto Granulado Escuro Brasileiro GEB vendido como matériaprima para indústrias pneumáticas e fabricado pela Impugnante a partir do cernambi (resultado de tratamento do látex extraído da seringueira), adquirido de produtores rurais”; c) “em sede preliminar, necessário se faz demonstrar que o presente Auto de Infração deve ser cancelado em razão da sua precariedade”. Isso porque “as provas utilizadas como base do presente Auto de Infração não comprovam a ocorrência de qualquer ilícito em relação aos tributos administrados na esfera federal”. É que referidas provas foram obtidas no âmbito da chamada operação “Ouro Branco”, a qual “tinha como objetivo específico apurar supostos crimes de sonegação fiscal ocorridos na esfera estadual”, nela não havendo qualquer menção de que “as empresas investigadas teriam cometido supostos crimes relativos a tributos federais”; d) portanto, “a prova que deu origem ao presente Auto de Infração não tem aptidão de demonstrar qualquer envolvimento de sócios ou terceiros com o não pagamento de tributos federais devidos pela Impugnante. E, nesse sentido, também não é suficiente para justificar a desconsideração da personalidade jurídica da Impugnante ou a responsabilização do Sr. Hansen com base no artigo 124, inc. I do Código Tributário Nacional”. Ademais, no lançamento de ofício o ônus da prova (“seguras e Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 17 7 convincentes”) recai sobre a fiscalização, conforme determina o art. 142 do CTN. Nesse sentido já se manifestou a jurisprudência administrativa, conforme ementas de acórdãos transcritas; e) “admitir que a operação OURO BRANCO seja suficiente como prova emprestada para provar (ou mesmo indicar) a ocorrência de ilícitos na esfera federal é afrontar o direito à ampla defesa e ao contraditório, previstos constitucionalmente”. Com efeito, “nos termos do entendimento pacífico do A. Supremo Tribunal Federal, não há que se falar em crime contra a ordem tributária antes de confirmada, na esfera administrativa, após o pleno exercício do devido processo legal, a existência, liquidez e exigibilidade da dívida, que deve ser objeto de lançamento regular pela autoridade administrativa, franqueandose, ato contínuo, ampla oportunidade para o sujeito passivo discutilo”. E no caso concreto tanto a impugnante como o Sr. OSCAR estão contestando a acusação do Fisco estadual, “sendo que o processo administrativo ainda está em trâmite, conforme fazem prova os inclusos documentos”; f) quanto à acusação da “suposta” omissão de receitas, encontravase impossibilitada de comprovar a origem dos depósitos bancários porque a documentação necessária para tanto se encontrava em poder da fiscalização estadual. Entretanto, “disponibilizou livrocaixa, devidamente escriturado, para auxiliar à D. Fiscalização em seu trabalho, enquanto tais dificuldades ainda não fossem superadas”; g) houve violação ao princípio da ampla defesa (e do contraditório) porque não deixou de comprovar a origem dos depósitos bancários e sim se encontrava impossibilitada de comproválos. Assim sendo, “não pode ser enquadrada na mesma categoria” dos contribuintes que se recusam de fazer tal comprovação, sob pena de “violação do princípio constitucional da igualdade em matéria tributária”; h) reconhece que “até o presente momento, a Impugnante não foi capaz de prestar todas as informações requisitadas, mas jamais se recusou a prestálas”; i) “não podem os depósitos bancários da Impugnante serem considerados omissão de receitas sem que isso tenha sido devidamente comprovado, o que, em nenhum momento, foi feito”; j) “o fato de a legislação admitir a tributação de depósitos não comprovados como omissão de receitas, não autoriza a Fiscalização a tributar, indiscriminadamente, toda e qualquer movimentação bancária. A tributação, quando cabível, deve ocorrer apenas após análise criteriosa da movimentação, pessoas envolvidas (origem e destino dos recursos) e documentação existente. A aplicação da lei não é uma atividade matemática, mas exige ponderação de fatos envolvidos, provas, elementos materiais e, especialmente, contexto. E o contexto da omissão de receitas não despreza, em nenhuma hipótese, o princípio da verdade material e da verificação de renda”, para não tornar o instituto legal em uma “arma a serviço do arbítrio e da injustiça”; k) “além de todas as ilegalidades e abusos expostos acima, o Auto de Infração em análise padece de vício insanável de dupla tributação de valores (bis in idem)”. Isso porque os lançamentos incluíram em sua base de cálculo valores de movimentação bancária da empresa SP LATEX, que foram objeto de lançamento efetuado contra ela (Processo Administrativo 16004720.166/201115). “Efetivamente, durante os anos de 2007 e 2008, a SP Látex transferiu parte de seus recursos para a Impugnante a título meramente gerencial e para suprimento de caixa e concentração dos fluxos em um só caixa. Essa transferência não gerou renda para a Impugnante, uma vez que não lhe trouxe qualquer acréscimo patrimonial. Ao contrário, esses recursos eram renda da SP Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 18 8 Látex possivelmente derivados de suas atividades regulares, e por ela foram (ou deveriam ter sido) regulamente oferecidos à tributação”. Os depósitos recebidos da SP LATEX, “cuja origem, aliás, foi perfeitamente identificada pela Fiscalização, foram originados da própria SP Látex”; l) a configuração, no caso concreto, da ocorrência do bis in idem impõe o cancelamento integral do auto de infração, “que incorreu em vício de iliquidez e incerteza”; m) a multa aplicada nos lançamentos é ilegítima porquanto tem caráter confiscatório. Ademais, a majoração do percentual básico não se aplica ao caso em tela porque “a Impugnante sempre prestou todas as informações ao Fisco na medida do possível, buscando apresentar toda a documentação requisitada durante a ação fiscalizatória que, inclusive, foi o que permitiu a materialização do lançamento em questão , sendo nítida a sua boafé”; n) ainda quanto à multa exasperada, as hipótese prescritas no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 não definem “de forma precisa a acepção que a D. Fiscalização teve com relação à conduta da Impugnante”. E essa situação deixa a impugnante “sem referência com respeito ao entendimento da D. Fiscalização sobre a sua própria conduta, i.e., que ação ensejou a capitulação da multa aplicada no Auto de Infração”. Isso é razão suficiente para o cancelamento da multa lançada, porque impossibilita o exercício da defesa “de forma ampla e adequada”. Não sabe ela, enfim, se descumpriu uma obrigação acessória ou qualquer das hipóteses prescritas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64; o) de resto, a respeito da multa aplicada nos autos, o antigo Conselho de Contribuintes já decidiu que a não se aplica a majoração da multa nos casos de “indícios ou mera presunção de omissão de receitas”, conforme se denota da ementa da decisão colacionada; p) a exigência de juros de mora sobre a multa lançada, “prática reiteradamente realizada pelas autoridades fiscais na lavratura de autos de infração”, é ilegal porque contraria o disposto no art. 61 da Lei nº 9.430/96, como já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes e também a Câmara Superior de Recursos Fiscais (citações). “Assim, na remota hipótese de ser mantido o lançamento aqui combatido, não há que se admitir a incidência de juros sobre a parcela da multa de ofício”; Concluiu requerendo o cancelamento dos lançamentos. “Sucessivamente”, requereu o cancelamento da multa ou, no mínimo, “a sua relevação”, assim como o cancelamento “da parcela dos juros incidente sobre a multa”. O Sr. OSCAR VICTOR ROLLEMBERG HANSEN também interpôs peça reclamatória (fls. 852/868 e anexos), “irresignado com os termos do Auto de Infração que o incluiu como responsável solidário”, que foi igualmente protocolada em 22/07/2011, e veio firmada por procuradoras regularmente estabelecidas (fls. 871/874). Na referida peça foram esposados os mesmos argumentos apresentados recém resumidos, acrescidos de específicos protestos acerca da sujeição passiva solidária, que seguem sintetizados: a) “jamais poderia ter sido responsabilizado solidariamente pelo débito da autuação ora combatida, tendo em vista que a empresa SOLBOR continua ativa e operando regularmente. Dessa forma, não há qualquer motivo para responsabilização solidária do Impugnante pelos tributos federais de uma empresa que está ativa perante a Secretaria da Receita Federal e Secretaria da Fazenda Estadual cumprindo com todas as suas obrigações tributárias”. Os documentos anexados ao recurso, que incluem cópias Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 19 9 de notas fiscais emitidas nesse ano de 2011 (assim como folha de salários pagos), comprovam sua situação ativa; b) ademais, em razão de ter sido enquadrada em regime especial de fiscalização pelo Fisco Estadual, até julho de 2010, suas operações eram rigorosamente fiscalizadas, fato esse que comprova sua regularidade; c) se a regularidade da empresa não bastar para excluir sua responsabilidade solidária, há que se considerar que, de qualquer forma, é ilegítima a sua figuração no pólo passivo da exigência fiscal, “pois, ao contrário do que estabelece o artigo 124, I, do CTN não existe qualquer interesse comum do Impugnante na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”; d) a definição da “verdadeira extensão e alcance semântico da expressão interesse comum”, é árida tarefa de interpretação para o “aplicador do Direito”, em razão da sua “vagueza e imprecisão”, como já oportunamente assinalado por Paulo de Barros Carvalho (citação). Por isso mesmo, na análise em questão impõese uma “extrema cautela” do intérprete/aplicador, “vigiando para que não haja transgressões à regra que estabelece a responsabilidade solidária em matéria tributária”, como alertado por “Marcus Vinícius Neder, Ilmo. Presidente da Sétima Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes” (citação). A lição que se extrai é que “a eleição de terceiro à condição de responsável solidário da obrigação tributária deverá atentar que, além de estar relacionado ao fato gerador, a pessoa física ou jurídica deverá possuir interesse jurídico comum em relação ao contribuinte ou responsável tributário. Esse interesse jurídico deverá decorrer da própria relação jurídica subjacente ao fato gerador da obrigação tributária, estando ambos terceiro e contribuinte do mesmo lado dessa relação jurídica que é pano de fundo da exação fiscal”. E “o entendimento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que a responsabilização de terceiro pelo pagamento do tributo exige que este também participe da conduta que gera a obrigação tributária” (citação); e) o caso em tela reflete situação semelhante àquelas cuja a responsabilidade solidária pelo interesse comum foi afastada pelo CARF, “por meio dos julgados acima mencionados, nos quais se ampliou indevidamente a abrangência do dispositivo em tela para elencar como solidários terceiros que jamais participaram das condutas que geraram os fatos geradores autuados”; f) além das decisões/situações comentadas o atual CARF também já se posicionou no sentido de que “para que possa ser levado à condição de responsável solidário, o terceiro deve estar numa posição tal que possa ser considerado contribuinte, nos termos do artigo 121 do CTN” (citação). E, no caso concreto, “em nenhum momento ficou comprovado pela Fiscalização que o Impugnante participou das operações que constituíram o fato gerador dos tributos exigidos da SOLBOR”, assim como também não “ficou demonstrado que o Impugnante agiu com o objetivo de obter vantagens indevidas com o suposto não recolhimento dos tributos federais”; g) “as pretensas provas anexadas a esses autos pela Fiscalização não tiveram como condão demonstrar que o Impugnante teria obtido qualquer vantagem ilícita com o suposto recolhimento a menor de tributos federais”. Ademais, a simples falta de recolhimento de tributos não autoriza a responsabilização dos sócios e o redirecionamento da execução fiscal. Por fim, o fato de não figurar no contrato social da empresa “não é ilícito suficiente a comprovar que o Impugnante agiu com excesso de poderes e infração à lei que deu origem aos créditos tributários federais objeto do lançamento”. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 20 10 O impugnante concluiu requerendo, “preliminarmente, o reconhecimento da precariedade do Auto de Infração”, que deve ser julgado improcedente. “No mérito”, pleiteou sua exclusão do pólo passivo. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP), decidiu a matéria, por meio do Acórdão 1435.791, de 10/11/2011, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. ILÍCITO TRIBUTÁRIO ESTADUAL. PROCESSO CRIMINAL. PROVA EMPRESTADA. INOCORRÊNCIA. Evidenciado nos autos que os créditos tributários contestados foram apurados a partir de provas obtidas diretamente no procedimento de auditoria do Fisco Federal, e não de prova emprestada produzida pelo Fisco Estadual, não há que se falar de dependência da lide administrativa estadual, assim como da solução do processo criminal, para fins do julgamento dessa instância. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CSLL. PIS. COFINS. Lavrado o auto principal (IRPJ), devem também ser lavrados os autos reflexos, nos termos do art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, que devem seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem, observadas as especificidades de cada um. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 “BIS IN IDEM”. INOCORRÊNCIA. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 21 11 Não se comprova nos autos a alegada bis in idem, uma vez que cada exigência fiscal contestada recaiu sobre os respectivos créditos bancários das empresas fiscalizadas, os quais demandam comprovação documental de que não se tratam de receitas tributáveis. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. LANÇAMENTO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Os juros de mora que integraram os créditos tributários incidiram tãosomente sobre os respectivos valores dos tributos lançados. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOGERENTE DE FATO. INTERESSE COMUM. Comprovado nos autos que o sujeito passivo solidário efetivamente atuou como sóciogerente da empresa, consubstanciada encontrase a relação de interesse comum entre esse e a sociedade que gerenciava, uma vez que o auferimento de resultados dela diretamente o beneficiava. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16004.720167/201151 Resolução nº 1301000.155 S1C3T1 Fl. 22 12 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas, Relator. Trata a lide de exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), formalizados em razão da constatação de o sujeito passivo, devidamente intimado, não ter comprovado a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária. Em primeiro plano necessário esclarecer que, constatase do extenso e bem elaborado relatório dos autos que entre as matérias que objetivaram a lavratura do auto de infração em deslinde consta que os extratos bancários utilizados pela autoridade fiscal foram obtidos por meio de requisições de movimentação financeiras (RMF) junto ao Banco Bradesco. Em conseqüência e por disposições regimentais vigentes, aprecio, em primeiro lugar, a possibilidade de prosseguimento do julgamento submetido a este Colegiado. Constatada que dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está a questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal, enfatizese ser a matéria principal dos presentes autos. No caso, tal matéria encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal em âmbito de Repercussão Geral, existindo representativo da controvérsia, e, portanto, presente a regra contida nos §§ 1º e 2º do artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, pelo que se impõe, de ofício, sobrestarse o feito até que sobrevenha decisão definitiva no Leadin Case, de forma a pacificar o entendimento prestigiandose a decisão da Corte Suprema e evitandose discussões desnecessárias. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Confirase abaixo a regra regimental aludida quanto ao processamento e julgamento junto ao CARF, o artigo 62A, parágrafos 1o. e 2o., do Regimento Interno, assim dispõe : Art. 62... § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Sendo assim, decido de ofício o sobrestamento do feito. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 11065.001049/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei, e desde que efetuadas com o contribuinte ou seus dependentes.
IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na DIRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia desde que o contribuinte comprove ter efetuado o referido pagamento e desde que o mesmo esteja devidamente previsto em decisão judicial (ou acordo homologado judicialmente). Os valores pagos fora daquilo que restou determinado no acordo são mera liberalidade, não podendo ser classificados como pensão alimentícia propriamente dita.
Numero da decisão: 2102-003.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução da despesa de R$4.010,00 a título de pensão alimentícia no ano-calendário 2008.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 08/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, e ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei, e desde que efetuadas com o contribuinte ou seus dependentes. IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na DIRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia desde que o contribuinte comprove ter efetuado o referido pagamento e desde que o mesmo esteja devidamente previsto em decisão judicial (ou acordo homologado judicialmente). Os valores pagos fora daquilo que restou determinado no acordo são mera liberalidade, não podendo ser classificados como pensão alimentícia propriamente dita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução da despesa de R$4.010,00 a título de pensão alimentícia no anocalendário 2008. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 10 49 /2 01 0- 21 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 EDITADO EM: 08/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, e ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI. Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 05/09, apurandose o valor do crédito tributário no importe de R$1.158,19 (um mil, cento e cinquenta e oito reais e dezenove centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, ano calendário 2008, correspondente à Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, como também por Despesas Médicas. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, a auditora fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Glosa do valor de R$4.010,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Glosa de pensão alimentícia Emma M. T. Gomes – R$4.010,00 – contribuinte não apresentou decisão ou acordo homologado judicialmente fixando o limite da pensão, conforme solicitado na intimação fiscal. Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$208,56, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado. Glosa de despesas médicas: IPERGS – R$195,00 – comprovante em nome de Vera Regina B. da Rosa – sem relação de dependência na declaração do contribuinte. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 01/02, por meio da qual alegou em suma – que: o plano de saúde seria oferecido pelo Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul a seus funcionários, e pago separadamente para a sua companheira (Sra. Vera Regina), companheira com a qual mantém União Estável, registrada em cartório, sendo que a mesma apresenta DIRPF em separado, porém, muitos atos seriam em comum ao casal, e que se o nome de sua companheira não foi mencionado em sua DIRPF, foi por equívoco; Fl. 73DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.001049/201021 Acórdão n.º 2102003.091 S2C1T2 Fl. 73 3 quanto a pensão alimentícia da neta, pago em favor de sua genitora, Sra. Emma Maria Gomez, aduz o Contribuinte que já teria fornecido os documentos pertinentes ao Ministério da Fazenda anteriormente, e apresenta novamente cópia da decisão judicial que estipulou o pagamento de 02 salários mínimos; por fim, requer a “exclusão como inadimplente, junto ao IR”, tendo em vista ter cumprido integralmente com sua obrigação de declarante e contribuinte, apresentando anteriormente os documentos comprobatórios requisitados pela SRFB. Na análise de suas alegações, os integrantes da 7ª Turma da DRJ/POA decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário exigido, sendo extraída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2008 GLOSA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA – GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Não são passíveis de dedução as despesas médicas com dependentes não relacionados na Declaração de Ajuste Anual. Não cabe a dedução da pensão alimentícia quando a decisão judicial não respalda o valor declarado a este título. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 48/49, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda – resumidamente – que: as decisões judiciais seriam baseadas em percentuais ou em salário mínimo, e estes valores seriam descontados diretamente dos vencimentos do Contribuinte pelos respectivos órgãos; nesse passo, o Contribuinte entende que caberia ao Tesouro do Estado do Rio Grande do Sul, provar o pagamento ou ainda ser verificado junto a DIRPF – 2009 da Sra. Emma Maria Torgo Gómez, se esta declara a pensão recebida em nome de sua filha, e apresenta novamente documentação pertinente a decisão judicial que determinou o pagamento da pensão alimentícia; já quanto a glosa pertinente as despesas médicas com a Sra. Vera Regina, sua companheira, o Contribuinte reconhece o equívoco cometido alegadamente sem intenção, e informa já ter sido pago, acostando cópia do comprovante de pagamento; por fim, o Contribuinte reitera a “exclusão como inadimplente, junto ao IR”. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 16.08.2011, como atesta o AR de fls. 46. O Recurso Voluntário foi interposto em 14.09.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência do IRPF em razão da glosa de despesas declaradas com pensão alimentícia bem como com despesas médicas. As despesas glosadas foram as seguintes: a) pensão alimentícia no valor total de R$ 4.010,00 pagos a Emma M. T. Gomes; b) despesa médica no valor de R$ 208,56, pagos ao IPERGS em favor de Vera Regina B da Rosa, que não figura como dependente do contribuinte. A decisão recorrida manteve integralmente o lançamento. Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente insiste na possibilidade de deduzir os valores pagos a título de pensão alimentícia e de despesas médicas. No que diz respeito à despesa médica remanescente, tratase da dedução de R$ 208,56 pagos ao IPERGS a título de plano de saúde em favor de Vera Regina da Rosa. A referida senhora é a companheira do Recorrente – com a qual o mesmo mantém união estável. No entanto, a glosa se deveu ao fato de que a mesma apresentara declaração de ajuste anual em separado, de modo que todas as deduções que lhe seriam permitidas já foram lá aproveitadas. Vale ressaltar ainda que o comprovante anexado às fls. 10 dos autos demonstra que a senhora Vera teria pago ao IPERGS o montante de 195,96 a título de plano de saúde naquele amo de 2008. Assim, deve ser mantida a decisão recorrida no que diz respeito a tal despesa. Por outro lado, no que diz respeito à pensão paga a Emma Maria Torgo Gomes, a decisão recorrida merece reforma. Isto porque o Recorrente declarou ter pago à referida senhora a título de pensão alimentícia o valor anual de R$ 9.820,00, dos quais R$ 4.010,00 foram objeto de glosa através do lançamento em exame. Tal glosa se deveu à falta de apresentação do “acordo ou decisão homologada judicialmente, fixando o limite da pensão alimentícia, conforme solicitado na intimação fiscal”. Em sede de Impugnação, o Recorrente anexou aos autos cópia de decisões judiciais que demonstram que o mesmo foi condenado ao pagamento de 2 (dois) salários mínimos mensais a título de pensão à sua neta Julianna (menor de idade e filha de Emma). O salário mínimo vigente no ano de 2008 era de R$ 415,00, razão pela qual multiplicandose este valor por 12 meses, temse que o Recorrente deveria pagar à sua neta o valor de R$ 9.960,00 naquele ano. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11065.001049/201021 Acórdão n.º 2102003.091 S2C1T2 Fl. 74 5 Assim, e tendo em vista que o que motivou a glosa deste pagamento fora a falta de apresentação da decisão judicial que determinasse o referido pagamento, deve a despesa ser restabelecida. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para restabelecer a dedução da despesa de R$ 4.010,00 a título de pensão alimentícia no anocalendário 2008. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13227.720579/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte.
Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. ARGÜIÇÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Inexiste qualquer vedação legal à utilização das informações contidas em extratos bancários fornecidos pelo próprio sujeito passivo à autoridade fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão.
MULTA AGRAVADA
A majoração da multa de ofício não pode prosperar no arbitramento de lucros justificado na falta de apresentação dos livros e documentos por ter sido exatamente esta a razão da medida extrema.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ, implica o lançamento da CSLL, PIS e da COFINS, também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
Numero da decisão: 1301-001.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, reduzindo a multa de 112,5% para 75%. Ausente justificadamente os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Roberto Massao Chinen.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. ARGÜIÇÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Inexiste qualquer vedação legal à utilização das informações contidas em extratos bancários fornecidos pelo próprio sujeito passivo à autoridade fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 05 79 /2 01 2- 60 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. MULTA AGRAVADA A majoração da multa de ofício não pode prosperar no arbitramento de lucros justificado na falta de apresentação dos livros e documentos por ter sido exatamente esta a razão da medida extrema. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ, implica o lançamento da CSLL, PIS e da COFINS, também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, reduzindo a multa de 112,5% para 75%. Ausente justificadamente os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Roberto Massao Chinen. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 13227.720579/201260 Acórdão n.º 1301001.460 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Versa o presente processo sobre auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no valor total de R$ 2.195.544,38 incluídos os acréscimos legais, referente ao ano calendário de 2009. A autuação fiscal arbitrou o lucro com base na receita bruta conhecida e fundamentouse nos depósitos bancários não comprovados, embora tendo sido o contribuinte devidamente intimado. Cientificado do lançamento em 30/05/2012 apresenta impugnação em 25/06/2012 onde alega em síntese que: 1. foram considerados como tributários os valores objeto de transferências entre contas correntes de uma agência para outra do mesmo titular; 2. houve tributação dos valores cumulativos (valores contabilizados cumulativos em referência a cada mês do a no calendário); 3. o MPF e o Auto de Infração devem ser anulados por estarem à margem da Constituição Federal, do Processo Administrativo Fiscal e do repositório jurisprudencial; 4. deve ser declarada a nulidade objetiva do lançamento sob pena de ferir mortalmente os princípios constitucionais; 5. a combinação das garantias de ampla defesa e do contraditório são fundamentos que asseguram o procedimento administrativo fiscal como instrumento de acertamento da relação tributária; 6. para exigir ou cobrar qualquer tributo a autoridade fiscal deve respeito às normas objetivas descritas na lei; 7. a fiscalização cometeu incomensurável equívoco ao capitular a suposta infração cometida pela Impugnante como sendo omissão de receita, sendo que tal tipificação só poderá ocorrer se a empresa fosse optante do lucro presumido; 8. como optante do SIMPLES possui privilégios impostos pela própria lei, cujo fundamento basilar é o de que haja o crescimento econômico do País, incentivando justamente as microempresas e empresas de pequeno porte; 9. a omissão de receita, com base em extrato bancário, por si só, não constitui fato gerador do imposto de renda; 10. merece atenção a desproporção existente entre os valores que vêm sendo cobrados pelo Fisco e a infração supostamente cometida pela empresa, valores que se demonstram exorbitantes e excessivos se considerados os fatos concretos; Fl. 573DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 11. a aplicação de multas excessivas ao contribuinte, ora Impugnante, resulta claramente numa tributação com efeito de confisco, por onerar ilegalmente o patrimônio do contribuinte, caracterizando flagrante violação ao art. 150, IV da Constituição Federal; 12. o Impugnante requer a realização de diligência/perícia, cuja finalidade precípua é de que se proceda a uma averiguação pormenorizada dos itens tipificados pelo Auditor Fiscal no contribuinte autuado, como forma de restabelecer a verdade. A DRJ de BELÉM (PA) decidiu a matéria por meio do Acórdão 0125.549, de 04 de outubro de 2012 (fls. 487), julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2009 NULIDADE. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa quando presentes nos autos os demonstrativos e documentos utilizados pela autoridade administrativa para fins de apuração do crédito tributário, respeitado o prazo regulamentar de defesa, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, portanto, com efeitos preponderantemente “intra corporis”, não há porque se acatar os argumentos de nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA 112%. ASPECTO CONFISCATÓRIO. Comprovado nos autos que a contribuinte não atendeu às intimações para prestar esclarecimentos, nos prazos estabelecidos, cabível é a majoração em 50% da penalidade aplicável às infrações verificadas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 13227.720579/201260 Acórdão n.º 1301001.460 S1C3T1 Fl. 13 5 PEDIDOS DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo já contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicase no que couber o que foi decidido em relação àquele. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é voluntário e assente em lei. Dele conheço. Em extenso arrazoado o recurso apresentado fundamenta suas argumentações alegando (I) que a decisão de primeira instância desconsiderou os princípios constitucionais (legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, ampla defesa, segurança jurídica e interesse publico); (II) a inviolabilidade do sigilo bancário (inconstitucionalidade do art.6o. da LC 105/2001 e MPF com base em DIMOF). Contesta, ainda, a tributação de valores da ordem de R$ 2.011.681,00 provenientes de cheques sem provisão de fundos e da multa agravada. DA DECISÃO RECORRIDA. INDEFERIMENTO AO PEDIDO DE DILIGENCIA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Ao meu sentir, a decisão recorrida, que mostrouse irretocável em seus fundamentos de fato e de direito, deve ser ratificada nesta segunda instância. O recurso apresentado ataca, inicialmente, a decisão a quo pelo indeferimento ao seu pedido de diligência, ao seu ver, foi desconsiderado os vários princípios constitucionais que relaciona. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 13227.720579/201260 Acórdão n.º 1301001.460 S1C3T1 Fl. 14 7 Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários bastaria ao recorrente demonstrar que determinados depósitos possuíam origem em operação que não denotava a auferição de renda. Tanto em sua impugnação, quanto em sede de recurso voluntário, o contribuinte limitouse a argumentar de que muitos dos depósitos não se referiam à renda, sem trazer à baila elementos suficientes que pudessem comprovar suas alegações. Os créditos realizados em sua conta bancária que foram passíveis de identificação de origem, diversa de renda, foram excluídos da exação já no julgamento de primeira instância. Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de diligência, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Ademais, no que tange às questões que envolvem princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pelo Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste ponto, não há reparos a fazer quanto ao decidido pela turma a quo, ainda mais considerandose que o Recorrente não trouxe qualquer novo elementos aos autos que pudesse alterar a conclusão atacada. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Aqui, cabe inicialmente no que diz respeito às alegações de irregular quebra de sigilo bancário, compulsando os autos constatase (Anexo I, TVF) que os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte, em atendimento ao Termo de Início de Fl. 577DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 Fiscalização. Logo, a autoridade fiscal não fez uso da faculdade que lhe foi conferida por meio da Lei Complementar nº 105/2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Portanto, na medida em que o próprio contribuinte forneceu à Fiscalização seus extratos bancários, impróprias são as argüições de nulidade do lançamento em razão da inobservância do art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, ou da declaração de inconstitucionalidade deste dispositivo legal em decisão do Supremo Tribunal Federal. Já com relação a ilegitimidade do lançamento com base exclusivamente em extratos bancários citando a Sumula 182 do “TRF”, na verdade, a ora recorrente ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações de direito, no sentido de enfraquecer o lançamento por ter sido lastreado apenas em indícios e presunções. A argumentação da recorrente denota um total desconhecimento da existência do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 que representa um verdadeiro marco em termos de presunção legal de omissão de receitas, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica. regularmente intimado, comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. A prova de que a recorrente despreza totalmente a existência daquele marco (art. 42 da Lei n° 9.430/96), levando à pique toda sua argumentação é a alusão feita à Súmula 182 do antigo TFR, que referese a um momento histórico completamente distinto, onde não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários. A partir da vigência da Lei n° 9.430/1996, tal jurisprudência se deu por ultrapassada. Mais um ponto alegado nas peças de defesa e rechaçado no voto recorrido, que a seguir sintetizo ao reproduzir o seguinte trecho: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 13227.720579/201260 Acórdão n.º 1301001.460 S1C3T1 Fl. 15 9 “Pondera, ainda, a recorrente que como optante do SIMPLES possui privilégios impostos pela própria lei, cujo fundamento basilar é o de que haja o crescimento econômico do País, incentivando justamente as microempresas e empresas de pequeno porte, equivocase a contribuinte quanto a ser optante do SIMPLES, pois em pesquisa aos sistemas informatizados da RFB, verificase que nos últimos 5 (cinco) anos foram entregues declarações como optante do Lucro Presumido.” No caso, a autoridade fiscal arbitrou o lucro do ano calendário 2009 com base na receita bruta conhecida, amparado no art. 530, III, do RIR/99, tendo em vista que a empresa regularmente intimada não apresentou Livro Diário e nem Livro Caixa sob o argumento de que não os possuía. Por pertinente e esclarecedor transcrevo os seguintes trechos do “Relatório Fiscal” que faz parte do auto de infração. “Em 10/04/2012, o contribuinte solicitou dez dias de dilação do prazo para entrega dos documentos exigidos no Termo de Inicio de Procedimento Fiscal. Na seqüência, o sujeito passivo apresentou cópias do contrato social e alterações, Recibo de Envio dos Arquivos Magnéticos de Notas Fiscais, cópias dos extratos das contas correntes movimentadas no anocalendário 2009 e cópias dos documentos de identidade dos responsáveis da empresa. Por outro lado, o sujeito passivo solicitou trinta dias para entrega da escrituração contábil da empresa. (Anexo I). Em 27/04/2012, foi emitido o Termo de Constatação e Intimação Fiscal para o contribuinte, para que esclarecesse os valores que constavam como crédito nos extratos de contas correntes das Instituições Financeiras apresentados pelo próprio. Neste mesmo Termo o sujeito passivo foi intimado a apresentar o Livro Diário ou o Livro Caixa. Em 17/05/2012 o contribuinte apresentou relatório demonstrando vários cheques que foram depositados e devolvidos nas contas correntes, e, ainda, informou não possuir o Livro Diário ou Livro Caixa. (Anexo IV). Foram deduzidos dos créditos apurados, conforme planilha constante no Anexo II, todos os cheques que constavam no extrato de conta corrente do Banco do Brasil como “ Devolução de Cheque Depositado”, no Banco Bradesco como “ DEV CHQ DEPOS” e no Banco da Amazônia como “CHQ OUTRO BANCO DEVOLVIDO”. Diante da omissão do sujeito passivo em apresentar o Livro Diário ou Livro Caixa referentes ao período de 2009, a fiscalização apurou o débito conforme os extratos de contas correntes apresentados pelo contribuinte, quais sejam, os relacionados às instituições financeiras: Banco HSBC, agência 0529, conta corrente n° 0885001, Banco Bradesco, agência 0457, conta corrente n° 004 78202, Banco da Amazônia, agência 73, conta corrente n° 724980 e Banco do Brasil, agência 09512, conta corrente n° 294454. (Anexo III) Os valores da receita foram apurados por arbitramento, visto o contribuinte não ter apresentado livro fiscal, ou o livro caixa, conforme previsto no inciso III, art. 530 do Regulamento de Imposto de Renda RIR. Embora o contribuinte tenha apresentado o relatório demonstrando os valores que haviam de ser excluídos na apuração (Anexo IV), os montantes apurados como Fl. 579DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 receita foram os que constavam como lançamento a crédito nos extratos das contas correntes, sendo que foram excluídos apenas os valores que figuravam no extrato de conta corrente do Banco do Brasil como “ Devolução de Cheque Depositado”, no Banco Bradesco como “ DEV CHQ DEPOS” e no Banco da Amazônia como “ CHQ OUTRO BANCO DEVOLVIDO”. Tais valores estão discriminados pelas datas, conforme planilha constante no Anexo II. Cabe ressaltar que os valores declarados em DCTF foram utilizados como dedução.” Pois bem, sabese que a pessoa jurídica optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou, alternativamente, manter Livro Caixa que contenha toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Vejase, nesse sentido, o disposto no art. 45 da Lei n. 8.981/95 (art. 527/RIR), verbis: Art. 45.A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal especifica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e ,fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. No caso dos autos, a Recorrente foi regularmente intimada para apresentar documentos e os livros fiscais de escrituração obrigatória à fiscalização. Alegando não possuir não entregou Livro Diário nem o Livro Caixa. Não restando outra alternativa a não ser o arbitramento conforme acima descrito. O arbitramento de lucro é procedimento previsto em lei, admitido pela doutrina e jurisprudência pátrias, destinado à apuração do montante tributável nos casos em que, em linhas gerais, o contribuinte deixa de apresentar escrita contábil e fiscal suficiente para apuração do lucro. Não se trata de discussão sobre verdade material (real) em tributação, mas de pura aplicação da legislação tributária vigente. Vale notar, no particular, que não há necessidade de recusa formal e expressa de apresentação de documentos para que se proceda (legitime) ao arbitramento. Basta a mera não apresentação destes pelo contribuinte (após regularmente intimado para tal fim) para legitimar o procedimento fiscal. Daí a correção do procedimento de arbitramento dos lucros. Digase, ao final, que no procedimento de arbitramento de lucros a autoridade fiscal considerou como receitas os montantes que constavam como lançamento a crédito nos extratos das contas correntes, sendo que foram excluídos apenas os valores que figuravam no extrato de conta corrente do Banco do Brasil como “ Devolução de Cheque Depositado”, no Fl. 580DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 13227.720579/201260 Acórdão n.º 1301001.460 S1C3T1 Fl. 16 11 Banco Bradesco como “ DEV CHQ DEPOS” e no Banco da Amazônia como “ CHQ OUTRO BANCO DEVOLVIDO”. (Planilha constante no Anexo II), inclusive os valores declarados em DCTF foram devidamente excluídos. Daí reputo improcedente a afirmação da recorrente de “Tributação indevida de valores provenientes de cheques sem provisão de fundos”. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA 112,50 %. Neste ponto, em que pese o recurso voluntário equivocadamente tratar a matéria como “Multa de Ofício Agravada de 150% que não se sustenta, pois, a fiscalização não logrou comprovar o evidente intuito de fraude, simulação ou o conluio”, na realidade, a multa aplicada foi com relação ao agravamento da penalidade em 50% no caso de não apresentação dos livros e documentos da escrituração fiscal ou o livro caixa (112,5%, art. 44, inciso I do § 2° da Lei nº 9.430/96, com a nova redação dada pela Lei nº 11.488/07). Neste passo, a legislação tributária tem mecanismos para enfrentar os contribuintes renitentes, como é o caso da multa agravada em 50% (cinqüenta por cento) quando há clara recusa do mesmo no atendimento às requisições fiscais. Como tenho votado nesta Câmara, o dever geral de colaboração do contribuinte para com a fiscalização não pode ser levado ao extremo para exigir que o fiscalizado faça prova de elementos que não possui ou que possa incriminálo. Entretanto, há que se levar em conta que, no caso em exame, o agravamento da multa se deu em virtude, principalmente, do não atendimento às intimações para prestar esclarecimentos sobre a escrituração contábil e da receita bruta, cuja conseqüência legal foi exatamente o arbitramento do lucro, não cabendo, ao meu ver, a majoração da penalidade. Entendo que a não apresentação de documentos necessários à demonstração do lucro real tem como conseqüência o arbitramento nos termos do artigo 148 do CTN e artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995. Contudo, uma vez arbitrado o lucro pela falta de apresentação dos documentos exigidos, não cabe o agravamento da multa. A mesma circunstância que caracteriza um fato típico não pode ser, ao mesmo tempo, causa de aumento da reprimenda prevista para o próprio fato típico. Melhor explicando, para a não apresentação dos livros e demais documentos necessários à apuração do lucro real ou Presumido a conseqüência é a exigência dos tributos de forma arbitrada, não cabendo exigir, concomitantemente, o agravamento da multa pela não apresentação destes mesmos documentos. Ademais, o agravamento da multa só é cabível quando a autoridade fiscal não dispõe de meios para obter as informações de que necessita e o contribuinte negase em fornecêlas. Nos casos de omissão de receitas constatadas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada, a autoridade fiscal já dispõe dos meios para efetuar o lançamento. A omissão quanto ao esclarecimento da origem dos valores tem como conseqüência a presunção de omissão de receita e não o agravamento da multa. Em relação as exigências da CSLL, PIS e COFINS aplicamse as mesmas conclusões em relação ao lançamento principal (IRPJ), por decorrerem dos mesmos fatos. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 12 Em face de todo o exposto voto por rejeitar as preliminares suscitadas, pela procedência parcial do recurso apresentado, exonerando a parte relativa ao agravamento da multa (reduzindo de 112,50% para o patamar de 75%) e, mantenho quanto aos demais itens os termos da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 582DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 16327.915405/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE.
O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação.
PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-003.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Priscila Fernandes Dalla Costa, OAB/SP nº. 306.114.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Priscila Fernandes Dalla Costa, OAB/SP nº. 306.114.
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PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 54 05 /2 00 9- 48 Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Priscila Fernandes Dalla Costa, OAB/SP nº. 306.114. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 14a Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 1.429/1.443), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pelo recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 2006 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO EM DCOMP ANTERIOR. DIREITO INEXISTENTE. As informações sobre o direito de crédito e os débitos compensados assinaladas em Declaração de Compensação integram a essência do encontro de contas entre contribuinte e Fazenda Pública e definem os limites da compensação, não podendo ser alterados em sede de manifestação de inconformidade. Não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (nº 31738.20169.240608.1.3.047804) pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. Por meio de despacho decisório, a unidade local não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito. Segundo a Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 3802003.693 S3TE02 Fl. 1.491 3 decisão, cruzamento de informações mantidas pela Administração Fiscal acusara que o pagamento indicado como efetuado a maior estava integralmente alocado a débito confessado em DCTF, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada. Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Referida manifestação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campinas. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Os autos subiram à segunda instância administrativa. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado contra a decisão da DRJ Campinas, para que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido aquele colegiado que a apresentação da DCTF retificadora alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Encaminhados os autos à origem, a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório no qual informa que: A DCOMP nº 31728.20169.240608.1.3.047804, objeto deste processo referese exclusivamente ao DARF de nº 2564601681, período de apuração 30/04/2006, código dereceita 5869, no valor original de R$ 90.781.838,15, data de arrecadação 08/05/2006. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação DCOMP: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF, totalizando débitos de R$ 153.023,59] O despacho relata que a contribuinte foi intimada a apresentar documentos relativos ao alegado direito de crédito. Informa ainda a autoridade fiscal que a documentação apresentada comprovaria a cobrança indevida de CPMF do cliente listado em tabela presente no despacho decisório, assim como do correspondente estorno, em um total de R$ 2.470,00. A seguir, conclui o despacho decisório: O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 2.470,00 [...] mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 153.023,49 [...]Na PER/DCOMP nº 38578.06682.260506.1.3.044440, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 31738.20169.1.3.047804, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 1.701,18, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 31738.20169.240608.1.3.047804. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argumentando que: a) o crédito em questão referese à CPMF recolhida a maior no valor de R$ 153.023,49 que tem origem em retenções indevidas sobre movimentações financeiras de diversos clientes, sendo o montante utilizado em diversas declarações de compensação; b) atendendo a intimação fiscal, foram apresentados apenas os documentos relativos à formação do direito de crédito aproveitado na DCOMP examinada (R$ 24.881,67) e não o conjunto probatório de todo o crédito apurado no pagamento; daí porque os valores comprovados não seriam suficientes para a homologação de todas as compensações; c) ademais, cumpre salientar que, da parcela de R$ 24.881,67 objeto do PER/DCOMP, a Manifestante efetuou a comprovação de R$ 21,749,12, todavia a RFB reconhece apenas a existência de R$ 2.470,00; a diferença de R$ 19.270,12 de CPMF, estornada de 02 clientes compõe outro documento de arrecadação erroneamente incluído na presente DCOMP; d) desta forma, resta demonstrado que o Manifestante possui o crédito pleiteado e, ainda, por se tratar de tributo retido e, posteriormente, devolvido ao correntista, resta comprovado que este assumiu o ônus financeiro do pagamento da CPMF quando efetuou o estorno aos clientes, sendo, portanto, o detentor do crédito, nos termos do artigo 166 do CTN; portanto, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior e o erro no preenchimento da DCTF. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 24/01/2014 (ciência eletrônica, fl. 1.449). Inconformada, a mesma apresentou, em 10/02/2014, o recurso voluntário de fls. 1.451/1.458, onde, além dos argumentos já aduzidos na primeira instância, ressalta que: a) o crédito em questão referese à CPMF recolhida a maior no valor de R$ 153.023,49, que tem origem em retenções indevidas de clientes, e foi utilizado em diversas compensações, conforme demonstrado no quadro; b) o Fisco não homologou a compensação pleiteada sob argumento que não restou crédito disponível e tal entendimento foi mantido pela DRJ que, equivocadamente, concluiu que não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Ressalta que a referida decisão não se fundamentou na análise da documentação comprobatória apresentada, mas sim, no fato de o Recorrente ter indicado em seu PER/DECOMP uma compensação inicial na qual todo o crédito informado já havia sido consumido. c) da leitura da decisão recorrida, constatase que a autoridade julgadora retorna a análise de condições formais para o deferimento da compensação, ignorando o que já foi decidido pelo CARF, que privilegiou a comprovação da existência de crédito – Princípio da Verdade Material – em detrimento do erro da Declaração, que, na oportunidade, restringiase ao erro na DCTF. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 3802003.693 S3TE02 Fl. 1.492 5 d) no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em dois equívocos no preenchimento do PER/DECOMP: (i) indicou em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial, de nº 38578.06682.260506.1.3.044440, cuja discussão era totalmente independente desta e (ii) informou, em relação a parte do crédito, um DARF errado; e) na visão da autoridade julgadora, muito embora o crédito tenha sido comprovado, o Recorrente por ter mencionado no presente PER/DECOMP, o de nº 38578.06682.260506.1.3.044440, teria o direito somente ao crédito informado nessa declaração, no importe de R$ 1.701,18, totalmente consumido nesse primeiro pedido de DECOMP. Destaca que o referido crédito não foi utilizado em outra DCOMP, pois tratase de créditos distintos; f) o valor comprovado nos autos se refere, tão somente, ao PER/DECOMP n° 31738.20169.240608.1.3.047804, que cabia ao Recorrente comprovar o montante de R$ 24.881,67 (crédito original), que foi composto pela forma apresentada; g) do montante de R$ 24.881,67, esclareceu sobre a origem e comprovação do crédito de R$ 21.749,12, sendo que desse total o Fisco reconheceu apenas a existência de R$ 2.470,00. Isto porque, a diferença de R$ 19.270,12 de CPMF, estornada de 02 clientes, originouse de um outro DARF, no valor de R$ 115.492.903,20, mas, por equívoco de preenchimento do PER/DECOMP, esse DARF não foi informado. h) requer, caso o CARF considere necessário, a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 31738.20169.240608.1.3.047804, com a exclusão da informação acerca do PER/DECOMP inicial, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN. Por fim, de todo o exposto, alega que restou comprovada a existência do indébito tributário que originou a compensação em tela e em observância ao princípio da verdade material sobre a formal, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, requer que seja dado provimento ao seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra A ciência (eletrônica) da decisão recorrida se deu em 24/01/2014. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 10/02/2014, tempestivamente, portanto. No mais, o recurso preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Extraise dos autos que o Recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 31738.20169.240608.1.3.047804, pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. A DRF de origem não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada na referida DCOMP. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Então, os autos subiram à segunda instância administrativa. Consta dos autos que fora transmitida pela internet DCTF retificadora. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Em cumprimento ao Acórdão nº 330201.720 (fls. 69/73), a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório (fls. 1.374/1.376), que no texto, a autoridade fiscal reconhece que o Recorrente comprova um crédito de pagamento indevido em valor inferior ao total dos débitos compensados, conforme abaixo transcrito: (...) A DCOMP nº 31728.20169.240608.1.3.047804, objeto deste processo, referese exclusivamente ao DARF de nº 2564601681, período de apuração 30/04/2006, código de receita 5869, no valor original de R$ 90.781.838,15, data de arrecadação 08/05/2006. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação DCOMP: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF]. Na sequência, conclui o despacho decisório que: (...) O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 2.470,00 [...] mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 153.023,49 [...] Na PER/DCOMP nº 38578.06682.260506.1.3.044440, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 31738.20169.1.3.047804, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 1.701,18, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 31738.20169.240608.1.3.047804. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 31738.20169.240608.1.3.047804: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 3802003.693 S3TE02 Fl. 1.493 7 Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP (g.n). O Recorrente, em seu recurso, alega que o crédito em questão referese à CPMF recolhida a maior no valor de R$ 153.023,49, que teve origens em retenções indevidas de clientes, e foi utilizado em diversas compensações. Que da leitura da decisão recorrida constatase que a autoridade julgadora retorna a análise de condições formais para o deferimento da compensação, ignorando o que já foi decidido pelo CARF, que privilegiou a comprovação da existência de crédito – Princípio da Verdade Material – em detrimento do erro da Declaração, que, na oportunidade, restringiase ao erro na DCTF. Alega que a DRJ não homologou a compensação pleiteada sob argumento que não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Ressalta que a referida decisão não se fundamentou na análise da documentação comprobatória apresentada, mas sim, no fato de o Recorrente ter indicado em seu PER/DECOMP, uma compensação inicial na qual todo o crédito informado já havia sido consumido. Informa que no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em dois equívocos no preenchimento do PER/DECOMP: (i) indicou em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial, de nº 38578.06682.260506.1.3.044440, cuja discussão era totalmente independente desta e (ii) informou, em relação a parte do crédito, um DARF errado e que na visão da autoridade julgadora, muito embora o crédito tenha sido comprovado, o Recorrente por ter mencionado no presente PER/DECOMP, o de nº 38578.06682.260506.1.3.044440, teria o direito somente ao crédito informado nessa declaração, no importe de R$ 1.701,18, totalmente consumido nesse primeiro pedido de DECOMP. Destaca que o referido crédito não foi utilizado em outra DCOMP, pois tratase de créditos distintos. Aduz que do montante de R$ 24.881,67, esclareceu sobre a origem e comprovação do crédito de R$ 21.749,12, sendo que desse total o Fisco reconheceu apenas a existência de R$ 2.470,00. Isto porque, a diferença de R$ 19.270,12 de CPMF, estornada de 02 clientes, originouse de um outro DARF, no valor de R$ 115.492.903,20, mas, por equívoco de preenchimento do PER/DECOMP, esse DARF não foi informado. Ao final de seu recurso, requer que “caso o CARF considere necessário, a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 31738.20169.240608.1.3.047804, com a exclusão da informação acerca do PER/DECOMP inicial, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN”. Registrese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora, conforme se observa na ementa do Acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2006 CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte No entanto, agora na presente discussão, observase que a não homologação da compensação teve como motivação que o Recorrente transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e verificado que as características do direito de crédito compensado estariam integralmente comprometidas na absorção de débito declarado em outra DCOMP. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior, mas admite erro na informação no PER/DECOMP, vejase trecho abaixo reproduzido: (...) no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em dois equívocos no preenchimento do PER/DECOMP: (i) indicou em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial, de nº 38578.06682.260506.1.3.044440, cuja discussão era totalmente independente desta e (ii) informou, em relação a parte do crédito, um DARF errado. (...) requer, que caso o CARF considere necessário, a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 31738.20169.240608.1.3.04 7804, com a exclusão da informação acerca do PER/DECOMP inicial, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN”. Ou seja, o Recorrente apresentou uma declaração de compensação cujo crédito informado inexiste na base de dados da Receita Federal (por estar inteiramente comprometido na compensação de outra dívida, não restando saldo disponível para outra compensação), não podendo agora, em sede de contencioso, modificar o âmbito de seu pedido, como corretamente asseverou a instância recorrida. Em referência a este fato, vejase trecho do Acórdão recorrido: Com efeito, na DCOMP sob exame (fl. 22), a contribuinte assinala que o direito de crédito compensado fora informado em outra declaração de compensação, a de nº 38578.06682.260506.1.3.044440. Confirase: (...). Esse último documento traz, portanto, as características que definem a natureza e a dimensão do direito de crédito aproveitado na declaração de compensação ora em análise. A citada DCOMP que contém as características do pagamento indevido indica o montante do direito de crédito: R$ 1.701,18 (fl. 1.342), como se vê na sequência: (...). Esse valor, como se vê, foi integralmente vinculado à compensação do débito informado naquela mesma declaração. Ou seja, o direito de crédito cujo aproveitamento foi formalizado na DCOMP objeto do presente exame está Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915405/200948 Acórdão n.º 3802003.693 S3TE02 Fl. 1.494 9 inteiramente comprometido na compensação de outra dívida, não restando saldo disponível para outra compensação (g.n). E prossegue, concluindo: (...) É esse quadro que dá sustentação ao novo despacho decisório emitido pela unidade local. A nova análise do direito de crédito encomendada pela decisão do CARF resultou na verificação da existência de pagamento a maior cuja compensação não fora formalizada pela contribuinte na DCOMP que veiculou o direito de crédito limitandoo à cifra de R$ 1.701,18, inteiramente consumida na própria DCOMP n° 38578.06682.260506.1.3.044440 (g.n). É sabido que o documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnature o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. Como é sabido, pois essa matéria foi regrada por diversos atos da RFB ao normatizar o art. 74, da Lei nº 9.430/96, que tanto a alteração de qualquer uma das características do débito compensado como do pagamento afirmado como feito a maior (data de vencimento, data de recolhimento, valor, CNPJ, período de apuração, data do fato gerador, código de receita de tributo, etc), só podem ser efetivadas mediante a transmissão da correspondente DCOMP retificadora, respeitadas as condições estabelecidas pela legislação, entre elas a inexistência de despacho decisório que decida sobre a DCOMP original (art. 56 a 59 da IN SRF 600/2005 e 76 a 79, da IN RFB nº 900/2008). Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as consequências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observamse vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro formal. Neste sentido, quanto ao princípio da verdade material em detrimento do formalismo, que deve nortear o processo administrativo fiscal, alegado pelo Recorrente, temos em conta que a DCOMP faz parte de maneira inseparável à compensação. A pesquisa da verdade material se dá em relação às informações assinaladas na DCOMP. Não se trata de investigar minuciosamente da existência ou não do pagamento a maior no montante mencionado pela contribuinte. No caso da compensação, as informações sobre o débito e o crédito inscritas na DCOMP, como dito, fazem parte da essência da compensação. Por fim, temos em conta ainda que como se sabe, tratandose a CMPF de tributo pago por terceiros, cabendo ao interessado, na condição de contribuinte de fato, tão somente a obrigação por seu recolhimento, o direito à sua restituição/compensação se subsume, a teor do disciplinado pelo art. 166 do CTN. É fato que o Recorrente juntou cópia de demonstrativo dos extratos das contas correntes que receberam os créditos e dos valores estornados dos clientes, visando corroborar as suas alegações de que suportou o ônus de pagamento da CPMF indevidamente retida. Conclusão Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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