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Numero do processo: 19814.000162/2005-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 15/04/2005
ROUBO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR OU DEPOSITÁRIO.
O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada correspondem à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Consequentemente, não há que se falar em caso fortuito ou força maior, para efeito de exclusão da responsabilidade. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/04/2005 ROUBO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR OU DEPOSITÁRIO. O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada correspondem à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Consequentemente, não há que se falar em caso fortuito ou força maior, para efeito de exclusão da responsabilidade. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 81 4. 00 01 62 /2 00 5- 14 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 19814.000162/200514 Acórdão n.º 9303004.981 CSRFT3 Fl. 229 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, apresentado pela Fazenda Nacional, admitido por meio do despacho às fls. 151 a 154, por meio do qual se busca a reforma do Acórdão 3802000.175, assim ementado: VISTORIA ADUANEIRA. EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE. CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR. ROUBO OU FURTO DE MERCADORIAS. COMPROVADO. Roubo de carga à mão armada comprovado, ocorrido no recinto do Depositário (Porto Seco), constitui causa excludente de responsabilidade do depositário (arts. 591 e 595 do RA/02) no caso de falta de mercadoria apurada em processo de vistoria aduaneira. A controvérsia diz respeito à caracterização de caso fortuito ou força maior na hipótese de roubo de carga, para efeito de aplicação da excludente de responsabilidade fixada no art. 595 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002. Essencialmente, busca o recorrente demonstrar que o acórdão recorrido divergiu da jurisprudência acerca da matéria controvertida, pois afastou a responsabilidade em razão do roubo e, ademais, considerou que a exclusiva apresentação de Boletim de Ocorrência (BO) seria suficiente para demonstrar esse evento. Em contraponto, por ocasião da apresentação de suas contrarrazões, aduz o contribuinte, inicialmente, descumprimento dos pressupostos de admissibilidade pelos acórdãos considerados como paradigma, dada a ausência de identidade fática. Segundo pontua: a) o primeiro paradigma (nº 30134.725) enfrentaria extravio no regime de drawback e não explicaria as circunstâncias do roubo ou os meios de prova considerados; e b) o segundo paradigma (CSRF nº 0304.996) enfrentaria e extravio do regime de trânsito aduaneiro e, igualmente, não abordaria as circunstâncias do evento. Pontua as características do roubo aqui discutido, realizado por quadrilha fortemente armada e por meio de esquema para pressionar os vigilantes que guardavam o local, conforme divulgado na imprensa. Acrescenta, ademais, que o acórdão recorrido seguiria a jurisprudência dominante, razão pela qual deveria ser negado provimento ao recurso. Transcreve excertos de acórdãos deste CARF e do Superior Tribunal de Justiça que apoiariam a tese assentada no acórdão recorrido. É o breve relato. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 19814.000162/200514 Acórdão n.º 9303004.981 CSRFT3 Fl. 230 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Consequentemente, deve ser conhecido. Cumpre esclarecer, quanto a esse aspecto, que, malgrado a insurgência do contribuinte, ambos os acórdãos apontados como paradigma assentam as duas teses defendidas pela PGFN: o roubo não caracteriza força maior e o BO não seria suficiente para sua demonstração. Confirase as ementas: 1 30134.725: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DRAWBACK SUSPENSÃO. ROUBO DE MERCADORIA IMPORTADA O registro de roubo em boletim de ocorrência perante a autoridade policial não é prova suficiente para a exclusão da responsabilidade tributária. O roubo, juridicamente, não se enquadra no conceito de caso fortuito ou força maior, que são as únicas hipóteses de exclusão da responsabilidade previstas na legislação aduaneira (ADI SRF n9 12/2004). 2 CSRF/0304.996, de 22/08/2006 TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA. O registro do fato em boletim de ocorrência perante a autoridade policial não é prova suficiente para a exclusão da responsabilidade tributária. O boletim de ocorrência é um ato unilateral, ou um instrumento de coleta de informações, ou ainda, de comunicação a respeito do fato declarado (aparentemente criminoso). O roubo, juridicamente, não se enquadra no conceito de caso fortuito ou força maior, que seriam as únicas hipóteses de exclusão da responsabilidade prevista na legislação aduaneira. O cerne da discussão, para efeito da exclusão da responsabilidade é o enquadramento do roubo como excludente da responsabilidade e, caso admitida essa condição os meios de prova empregados para sua comprovação. Nesse contexto, não faz a menor diferença, para a solução do litígio, se as mercadorias estariam sob a guarda do contribuinte em razão da aplicação do regime de trânsito aduaneiro ou drawback, nem muito menos os meios utilizados para que se operacionalizase o roubo. O cerne da discussão é o enquadramento desse tipo penal, previsto no art. 157 do Código Penal1, dentre as hipóteses excludentes da responsabilidade. Com efeito, para a discussão dessa matéria, a identidade fática deverá ser aferida sob três aspectos: a) o dever de zelar, idêntico, seja na condição de depositário ou transportador; b) a responsabilidade tributária pelo extravio, idêntica, independentemente da 1 Art. 157 Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havêla, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: Fl. 230DF CARF MF Processo nº 19814.000162/200514 Acórdão n.º 9303004.981 CSRFT3 Fl. 231 4 condição de transportador ou depositário; e c) o fato que se pretende reputar a condição de força maior ou caso fortuito (roubo), também idêntico. Passo ao mérito. De acordo com o art. 595 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 2002), essa é uma das apurações a ser empreendida pela autoridade aduaneira: Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. Como é possível concluir, caracterizada (e provada) uma das excludentes, caberia afastar a exigência. Ocorre que, após analisar o dispositivo regulamentar à luz da Lei Civil, cheguei à conclusão de que o acórdão recorrido deve ser revisto, pois a premissa considerada pelo aresto não deve ser mantida. Para tanto, recorro aos conceitos de força maior e caso fortuito, fixados nos termos da Lei Civil, na doutrina e na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e desta CSRF acerca do tema. Diz o parágrafo único do art. 1.058 do Código Civil de 1916, que teve sua redação reproduzida no parágrafo único do art. 393 do Novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002): Parágrafo único.O caso fortuito, ou de força maior, verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar, ou impedir. (destaquei) Interpretando o comando normativo, conceitua Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado, T. XXIII, p. 84.): "Fato necessário está, aí, por fato cuja determinação se procede sem que o devedor possa afastar, em suas conseqüências. Se o fato é necessário, mas o devedor pode evitar ou impedir os seus efeitos, não há caso fortuito por força maior”. (destaquei) Notese, portanto, que um dos requisitos essenciais para a caracterização das excludentes não é a inevitabilidade do fato, mas dos seus efeitos. Não se pode olvidar, ademais, a segunda condição para caracterização das excludentes: a imprevisibilidade. Nesse sentido, afirma De Plácido e Silva (original não destacado)2: Caso fortuito: É expressão especialmente usada, na linguagem jurídica, para indicar todo caso que acontece imprevisivelmente, atuado por uma força que não se pode evitar. 2 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. Atual. por Nagib Slaibi Filho; Gláucia Carvalho. 2. ed. eletr. [Rio de Janeiro]: Forense, [entre 2000 e 2002]. 1 CDROM. Verbetes: caso fortuito, força maior. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 19814.000162/200514 Acórdão n.º 9303004.981 CSRFT3 Fl. 232 5 São, assim, todos os acidentes que ocorrem, sem que a vontade do homem os possa impedir ou sem que tenha ele participado, de qualquer maneira, para a sua efetivação. Todos os casos, que se revelam por força maior, dizemse casos fortuitos, porque fortuito, do latim fortuitus, de fors, quer dizer casual, acidental, ao azar. Ora, se a violência é circunstância de conhecimento geral, não haveria como se alegar, máxime para uma empresa dedicada à guarda ou ao transporte de mercadorias, que o roubo ou o furto de cargas é um fato imprevisível e cujos efeitos seria impossível evitar. Como é cediço, há meios para se conferir maior segurança ao exercício da atividade empresarial, minimizar os riscos do evento e, caso se concretize, seus efeitos. Estarseia, assim, diante de um caso fortuito interno, inerente ao risco da atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte e que, como tal, não poderia ser considerado um excludente da responsabilidade tributária. Com efeito, o dever de zelar pela mercadoria sob sua guarda traz em seu bojo o risco e, consequentemente, o dever de evitar o evento, como pontua Caio Mário da Silva Ferreira, em sua obra "Responsabilidade Civil"3: A noção de guarda, como elemento caracterizador da responsabilidade, assume aspectos peculiares. Não pode objetivarse na "obrigação de vigiar". Ripert esclarece bem a questão, ao observar que se deve tomar como noção nova, criada para definir obrigação legal que pesa sobre o possuidor em razão de deter a coisa. "Quem incumbe uma pessoa de assumir a guarda de uma coisa é para encarregála de um risco" (Aguiar Dias). Nestas condições,o responsável deve assumir o risco gerado pela utilização normal da coisa. Notese que tal raciocínio vem sendo referendado pelo Superior Tribunal de Justiça que, analisando matéria semelhante, assentou o entendimento de que o roubo não exclui a responsabilidade tributária. Confirase: a) REsp nº 1.172.027 RJ (2009∕02457394) 4 TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO ROUBO DE MERCADORIA DURANTE TRANSPORTE TERRESTRE CASO FORTUITO INTERNO RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. 1. O roubo de veículo e de carga sujeita a imposto de importação ocorrido no transporte de mercadoria já desembaraçada não elide a responsabilidade de transportadora pelo pagamento do valor apurado em auto de infração, nos termos dos arts. 136 do CTN, 32 e60 do Decretolei 37∕66. 2. Recurso especial não provido. Peço licença para transcrever trecho do voto condutor que trata os fundamentos da decisão: 3 Responsabilidade Civil. 8ª ed. Rev e Ampl. São Paulo : Saraiva, 2003, p. 428. 4 MINISTRA ELIANA CALMON Fl. 232DF CARF MF Processo nº 19814.000162/200514 Acórdão n.º 9303004.981 CSRFT3 Fl. 233 6 Com base nesse conceito, defende o recorrente que não poderia responder pela perda do produto porque o roubo à mão armada seria um acontecimento alheio à sua vontade que ilidiria qualquer pretensão fazendária. Tal posicionamento não pode prosperar, pois defender que esse fato é um caso fortuito tornase descabido porque roubos e furtos de caminhões, ônibus e carros nas vias terrestres brasileiras é fato corriqueiro, comum e, em verdade, previsível. Daí a razão pela qual o transportador deve se resguardar de todas as ocorrências possíveis que causem algum dano ou extravio na mercadoria, contratando, por exemplo, um seguro que garanta indenização por qualquer prejuízo que ele possa sofrer, como bem destacou a instância de origem. Para justificar tal entendimento, a distinção feita pelo Tribunal a quo acerca do fortuito interno e do fortuito externo ganha relevância porque a controvérsia reside em saber se estaria ou não dentro do campo da previsibilidade do transportador a possibilidade de ocorrer roubo da mercadoria durante a prestação do serviço. O fortuito interno, como fato inevitável ocorrido no momento da realização do serviço, não exclui a responsabilidade do transportador, se ele fizer parte de sua atividade e se ligar aos riscos do empreendimento. O mesmo não ocorre com o fortuito externo, que não guarda relação alguma com a atividade do recorrente e aí sim excluiria o seu dever perante o fisco. A partir desse raciocínio, entendo que o art. 480 do regulamento aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030∕85, apontado pelo recorrente como violado, ao se referir ao caso fortuito, relacionase em verdade com o fortuito externo, o que não seria o caso dos autos, pois a possibilidade de a carga ser roubada à mão armada relacionase diretamente com a atividade desenvolvida pelo recorrente, de onde se extrai que a questão debatida trata de fortuito interno, ficando afastada a aplicação desse dispositivo e a possível infringência apontada. Igualmente esclarecedor é o seguinte trecho do votovista proferido pelo Ministro Humberto Martins: Com efeito, o eventual roubo dos produtos importados, durante o transporte de mercadoria já desembaraçada, faz parte dos riscos da atividade econômica, que não podem ser transferidos ao Estado. Dessa forma, não é possível dela se afastar com argumentos, por mais que hermeneuticamente críveis, de que se trata de caso fortuito ou de força maior. b) REsp nº 734.4035 4. O roubo ou furto de mercadorias é risco inerente à atividade do industrial produtor. Se roubados os produtos depois da saída (implementação do fato gerador do IPI), deve haver a tributação, não tendo aplicação o disposto no art. 174, V, do RIPI98. O prejuízo sofrido individualmente pela atividade econômica desenvolvida não pode ser transferido para a sociedade sob a forma do não pagamento do tributo devido. 5 MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 19814.000162/200514 Acórdão n.º 9303004.981 CSRFT3 Fl. 234 7 Como é possível perceber, inobstante haja uma tendência da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça no sentido de considerar o roubo uma circunstância excludente da responsabilidade contratual, tal tendência não é seguida pelas Primeira Seção daquela corte. Que assentou o entendimento no sentido de que o roubo não exclui a responsabilidade tributária, posição com a qual concorda este Relator. Na mesma linha, seguiu esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, por ocasião da prolação dos seguintes julgados, um deles, inclusive, apontado como paradigma: a) 9303003.391, de 25/01/2016 Trânsito Aduaneiro. Extravio. Responsabilidade do Depositário. O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. b) CSRF/0304.996, de 22/08/2006 TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA. O registro do fato em boletim de ocorrência perante a autoridade policial não é prova suficiente para a exclusão da responsabilidade tributária. O boletim de ocorrência é um ato unilateral, ou um instrumento de coleta de informações, ou ainda, de comunicação a respeito do fato declarado (aparentemente criminoso). O roubo, juridicamente, não se enquadra no conceito de caso fortuito ou força maior, que seriam as únicas hipóteses de exclusão da responsabilidade prevista na legislação aduaneira. Cumpre destacar, finalmente, que, diante da impossibilidade de se afastar a responsabilidade em razão do roubo, descabe analisar a controvérsia sob a ótica das provas apresentas, já que, mesmo se demonstrada a possibilidade dos documentos apresentados comprovarem o fato probando, esse fato não atingiria o efeito pretendido pelo Contribuinte. Com essas considerações, não reconheço a alegada excludente de responsabilidade (caso fortuito ou força maior) e DOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.005251/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1988 a 30/03/1996
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. CONTRADIÇÃO
Identificada a contradição entre os fundamentos da decisão e as conclusões, devem ser acolhidos os embargos.
DIREITO CREDITÓRIO. PEDIDO ANTERIOR A 09/06/2005. SÚMULA CARF N° 91
O contribuinte protocolizou Pedido de Restituição em 10/06/03, acerca de créditos do período de setembro de 1988 a março de 1996.
À luz da Súmula CARF n° 91, devem ser admitidos os créditos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 10 de junho de 1993 a março de 1996.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3301-003.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, conferindo-lhes efeitos infringentes, para sanar a contradição entre os fundamentos e as conclusões, afastando a decadência do Pedido de Restituição, no que concerne aos indébitos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 10 de junho de 1993 a março de 1996..
José Henrique Mauri - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Larissa Nunes Girard, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1988 a 30/03/1996 ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. CONTRADIÇÃO Identificada a contradição entre os fundamentos da decisão e as conclusões, devem ser acolhidos os embargos. DIREITO CREDITÓRIO. PEDIDO ANTERIOR A 09/06/2005. SÚMULA CARF N° 91 O contribuinte protocolizou Pedido de Restituição em 10/06/03, acerca de créditos do período de setembro de 1988 a março de 1996. À luz da Súmula CARF n° 91, devem ser admitidos os créditos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 10 de junho de 1993 a março de 1996. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, conferindo-lhes efeitos infringentes, para sanar a contradição entre os fundamentos e as conclusões, afastando a decadência do Pedido de Restituição, no que concerne aos indébitos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 10 de junho de 1993 a março de 1996.. José Henrique Mauri - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Larissa Nunes Girard, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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CONTRADIÇÃO Identificada a contradição entre os fundamentos da decisão e as conclusões, devem ser acolhidos os embargos. DIREITO CREDITÓRIO. PEDIDO ANTERIOR A 09/06/2005. SÚMULA CARF N° 91 O contribuinte protocolizou Pedido de Restituição em 10/06/03, acerca de créditos do período de setembro de 1988 a março de 1996. À luz da Súmula CARF n° 91, devem ser admitidos os créditos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 10 de junho de 1993 a março de 1996. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, conferindolhes efeitos infringentes, para sanar a contradição entre os fundamentos e as conclusões, afastando a decadência do Pedido de Restituição, no que concerne aos indébitos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 10 de junho de 1993 a março de 1996.. José Henrique Mauri Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 52 51 /2 00 3- 13 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10768.005251/200313 Acórdão n.º 3301003.946 S3C3T1 Fl. 149 2 Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Larissa Nunes Girard, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10768.005251/200313 Acórdão n.º 3301003.946 S3C3T1 Fl. 150 3 Relatório A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração em face do Acórdão n° 3301002.528, cujo relatório adoto, para fins de economia processual: "Tratase de pedido de restituição de crédito decorrente de recolhimento a maior de Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 1.285.863,36 (fl. 3). O mencionado recolhimento a maior, segundo a contribuinte, decorre da obediência do contribuinte aos ditames dos DecretosLei 2445 e 2449 de 1988. O pedido de restituição foi apresentado em 10 de junho de 2003. Tendo como base o parecer conclusivo da DIORT/DERAT/RJ (fl.44/45), a autoridade fiscal indeferiu o pedido (fl.46) por entender que o prazo para pleitear a restituição extinguiuse, na medida em que decorridos os 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário, a teor do que prescrevem os arts. 156, II, 165, I, 168, I, do Código Tributário Nacional (CNT) e artigo 3° da lei complementar 118/2005. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 23 de julho de 2008 (fl.49/59), pugnando, em resumo, o seguinte: A) seja dado, provimento ao recurso interposto, reformando in totum o despacho guerreado, para afastar a decadência pelo decurso do prazo e considerar como termo inicial para a restituição a data da publicação da MP 1.62136/98; B) se assim esse D. Conselho de Contribuintes não entender, que seja dado provimento para reconhecer os 10 anos do pagamento (5 anos para prescrição + 5 anos para homologação), conforme entendimento pacificado pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça; C) seja assegurada a compensação do crédito pleiteado com quaisquer tributos administrados ou cobrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da Lei 9.430, e IN SRF 21/97, IN SRE73/97, IN 210/02, IN 460/04, 600/2005 e normas posteriores. A DRJ/RJ II (fl.84/91) indeferiu a manifestação de inconformidade, entendendo não caber reparos ao despacho decisório, corroborando o fundamento no sentido de que o crédito estaria decaído. Consignou que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a repetição do indébito é a data da extinção do crédito tributário, conforme previsto no artigo 168, I do CTN, devendo ser considerado, no caso em tela, extinto o crédito . É a ementa, in verbis: 'ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP • Período de apuração: 01/09/1988 a 28/02/1996 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TERMO INICIAL O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10768.005251/200313 Acórdão n.º 3301003.946 S3C3T1 Fl. 151 4 base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, conforme preceitua o art 150, § 1° do CTN. Solicitação Indeferida' Irresignada, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário às fls. 95/107, mediante o qual pugna: A) seja acolhido e dado provimento ao recurso interposto, reformando in totum o acórdão guerreado, para afastar a decadência pelo decurso do prazo por considerar a interrupção do prazo prescricional pelo processo judicial ou ainda por considerar como termo inicial para a restituição a data da decisão do processo ou da publicação da_MP 1.62136/98, em 12/06/1998. B) seja assegurada a compensação do crédito pleiteado, corrigido monetariamente como requerido na exordial, com quaisquer tributos administrados ou cobrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da Lei 9.430, e IN SRF 21/97, IN SRF 73/97, e IN 210/02, IN 460/04 e normas posteriores. É o relatório." O colegiado do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) A fiscalização indeferiu integralmente o Pedido de Restituição, com base no inc. I do art. 168 do CTN c/c o art. 30 da Lei Complementar 118, de 09.02.2005, que fixou em cinco anos o prazo para restituição de tributos lançados por homologação, contados da data do pagamento antecipado (fls. 44 e 45). b) Por força de previsão regimental e da Sumula CARF n° 91, deve ser adotada a decisão do STF, em sede do RE n° 566.621/RS, na modalidade de repercussão geral. O STF determinou que a LC n° 118/05 somente se aplica a ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005, isto é, decorrido o período de 120 do início de sua vigência. Até então, vigia o prazo de dez anos, contados da data da ocorrência do fato gerador (arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN), o qual deveria ser aplicado ao caso em comento, cujo pedido de restituição fora protocolizado em junho de 2003. O Acórdão n° 3301002.528 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1988 a 30/03/1996 Ementa: INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. A despeito de não ter sido impugnado o ponto relativo à decadência, esse Eg. CARF pode, de ofício, afastála, na medida em que inaplicável ao caso a norma inserta no art. 3º. da LC 118. Pedido de restituição apresentado anteriormente ao início Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10768.005251/200313 Acórdão n.º 3301003.946 S3C3T1 Fl. 152 5 de sua vigência. Precedente do STF RE 566.621 c/c art. 62A do RICARF. Recurso Voluntário parcialmente provido." A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 138 a 142) em face do referido acórdão. Alega que houve obscuridade, contradição ou erro de fato. No corpo do voto condutor, ao contrário do que foi consignado na ementa e nos próprios fundamentos jurídicos da decisão, consta o seguinte: “Assim, por força do art. 62A do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, deve ser reformada em parte a r. decisão para afastar a decadência do pedido de restituição no caso concreto no período de recolhimento de junho de 1993 a março de 1996:” (g.n.) O Presidente da 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção admitiu os embargos (fls. 144 a 147), que, por sorteio, foram distribuídos para este relator. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10768.005251/200313 Acórdão n.º 3301003.946 S3C3T1 Fl. 153 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração em face do Acórdão n° 3301002.528, alegando que houve obscuridade, contradição ou erro de fato. Repiso os fatos: a) Em 10/06/2003, o contribuinte pleiteou restituição de créditos de PIS/PASEP relativos a fatos geradores ocorridos no período de setembro de 1988 a fevereiro de 1996 (fls. 3 a 7). O indébito foi gerado, em razão de os recolhimentos terem sido instruídos pelos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88, que posteriormente foram considerados como inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cujas execuções foram suspensas pela Resolução do Senado Federal n° 49/95. b) A fiscalização indeferiu integralmente o Pedido de Restituição, com base no inc. I do art. 168 do CTN c/c o art. 30 da Lei Complementar 118, de 09.02.2005, que fixou em cinco anos o prazo para restituição de tributos lançados por homologação (fls. 44 e 45), contados da data do pagamento antecipado. c) O CARF, por seu turno, por força de previsão regimental e da Súmula CARF n° 91, adotou a decisão do STF, em sede do RE n° 566.621/RS, na modalidade de repercussão geral. Este determinou que a LC n° 118/05 somente se aplica a ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005, isto é, decorrido o período de 120 dias do início de sua vigência. Até então, vigia o prazo de dez anos, contados da data da ocorrência do fato gerador (arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN). O colegiado corretamente construiu sua linha de argumentação fundado na decisão do STF e, por conseguinte, na Súmula CARF n° 91. Entretanto, em suas conclusões, assim dispôs: "Assim, por força do art. 62A do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, deve ser reformada em parte a r. decisão para afastar a decadência do pedido de restituição no caso concreto no período de recolhimento de junho de 1993 a março de 1996: (. . .)" Ora, para manterse em linha com os fundamentos que adotou, teria o relator de ter consignado que deveria ser afastada a decadência dos créditos cujos fatos geradores e não os recolhimentos ocorreram no período de 10 junho de 1993 (retroagindose dez anos do pedido de restituição protocolizado em junho de 2003) a março de 1996. Isto posto, acolho os embargos de declaração, conferindolhes efeitos infringentes, para sanar a contradição entre os fundamentos e as conclusões, afastando a decadência do Pedido de Restituição, no que concerne aos indébitos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 10 de junho de 1993 a março de 1996. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10768.005251/200313 Acórdão n.º 3301003.946 S3C3T1 Fl. 154 7 A unidade de origem deverá confirmar a certeza e liquidez dos créditos relativos ao referido período, incluídos no Pedido de Restituição (fls. 3 a 7). É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.005014/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.141
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que este processo fique sobrestado até que o processo de nº 10935.005024/2007-42, que trata de obrigação principal, esteja pronto para julgamento em conjunto.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que este processo fique sobrestado até que o processo de nº 10935.005024/2007-42, que trata de obrigação principal, esteja pronto para julgamento em conjunto. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado C. VALE COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que este processo fique sobrestado até que o processo de nº 10935.005024/200742, que trata de obrigação principal, esteja pronto para julgamento em conjunto. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 05 01 4/ 20 07 -1 5 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10935.005014/200715 Resolução nº 9202000.141 CSRFT2 Fl. 535 2 Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória DEBCAD nº 37.044.2555, à efl. 02, cientificado à empresa contribuinte em 25/09/2007, com relatório fiscal da infração às efl. 05. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 469.859,59. De acordo com o relatório fiscal, a empresa deixou de informar em GFIP, desde de janeiro de 2009 até dezembro de 2006, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias abaixo; a) contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais membros dos Conselhos Fiscal e de Administração, contribuintes estes identificados no anexo "Relação dos Membros dos Conselhos Fiscal e de Administração não Declarados em GFIP ", parte integrante deste relatório de autuação; b) contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações pagas em decorrência de reclamatórias trabalhistas, cujas processos judiciais encontramse individualizados no anexo "Relação das Reclamatórias Trabalhistas não Declaradas em GFIP", parte integrante deste relatório de autuação; c) contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho denominada "Cooperativa de Serviços Técnicos Profissionais Ltda COOPROSERV". O auto de infração foi impugnado, às efls. 310 a 321, em 25/10/2007. Já a 7ª Turma da DRJ/CTA, no acórdão nº 0616.361, prolatado em 13/12/2007, às efls. 419 a 425, considerou, por unanimidade, procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 27/02/2008, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e fls. 445 a 467, com argumentos extraídos do acórdão recorrido na síntese abaixo: (i) o lançamento já estaria alcançado pela decadência, em face do decurso do prazo de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. ii) a exigência fiscal de registro em GFIP de tais informações se afigura equivocada, pois não constituem bases de cálculo de contribuição previdenciária os pagamentos realizados aos conselheiros e os destinados a COOPROSERV, conforme já impugnado nos autos da NFLD 37.044.2598. (ii.1) em relação ao pagamento á COOPROSERV: tratamse de despesas que não tem qualquer ligação com a prestação de serviço efetuada pela cooperativa de trabalho. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10935.005014/200715 Resolução nº 9202000.141 CSRFT2 Fl. 536 3 Referemse a viagens, estadias, e alimentação dos prestadores de serviço, portanto, não podem agregarse à base de cálculo do recolhimento que deve ser feito à titulo de contribuição social incidente sobre a remuneração paga pela prestação de serviço, pois não fazem parte do aspecto material da hipótese de incidência dessa contribuição, já que sua natureza jurídica é nitidamente indenizatória. (ii.2) em relação aos pagamentos feitos aos conselheiros: os conselheiros são associados, reúnemse uma vez por mês e auferem ganhos com base nesses eventos. Tem tais órgãos o objetivo de Legitimar determinadas ações sociais da cooperativa, em proveito comum de todos os associados, sem objetivo de lucro. É justamente por essas razoes que a legislação previdenciária o considera como contribuinte individual, não constituindo fato gerador de contribuição incidente sobre a folha de salários. (iii) em relação à ausência de informação das remunerações pagas em reclamatórias trabalhistas, houve a retificação de tais informações em GFIP, devendo, portanto, a multa ser relevada. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 08/02/2012, resultando no acórdão 230102.587, às efls. 260 a 285, que tem as seguintes ementas: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10935.005014/200715 Resolução nº 9202000.141 CSRFT2 Fl. 537 4 Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na hipótese presente, verificase que a decisão de segunda instância no processo da obrigação principal conexo a este, qual seja, processo nº 10935.005024/200742, constata pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal no período 01/1999 a 12/2006. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN para todas as competências, posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte em pelo menos uma competência objeto do AI, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da AI pela Recorrente se deu em 25.09.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período 01/1999 a 12/2006. Nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 08/2002, inclusive. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32 A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10935.005014/200715 Resolução nº 9202000.141 CSRFT2 Fl. 538 5 Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32 A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência até a competência de 08/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda foi intimada do acórdão em 09/04/2012 (efl. 505) e interpôs recurso especial de divergência, em 11/04/2012, às efls. 506 a 513, dele divergindo com relação a duas matérias: a) decadência do direito de constituição do crédito tributário relativamente à competência de 12/2001 e b) aplicação da retroatividade benigna à multa aplicada. Relativamente à matéria de a), em situação fática similar, o acórdão paradigma nº 240201.335, afirma que, para contagem do prazo decadencial em caso de lançamento por descumprimento de obrigação acessória devase seguir art. 173, inc. I, do CTN. Já o acórdão recorrido afirma que a contagem se daria com base no § 4º do art. 150 do mesmo Código. Já no tocante à b), o acórdão recorrido aplica a retroatividade benigna à penalidade entendendo que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico que a multa do art. 32, com a redação anterior à MP nº 449/2008, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício; já o paradigma nº240100127, consignou que, havendo lançamento do tributo juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei nº 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Além disso, no voto do paradigma consta que: "...para evitar o bis in idem, o cálculo da multa deve ser efetuado pela aplicação do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, excluindose os valores das multas lançadas nas notificações correspondentes." Nessa linha de raciocínio, a Procuradora afirma que as notificações fiscais e os autos de infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (arts. 35, II e 32, § 5º da Lei nº 8.212/91) ou a do art. 35A incluída pela MP 449. Ao final, a Procuradora requer o conhecimento de seu recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido, seguindo o entendimento deste recurso. O recurso especial de divergência da Fazenda foi apreciado pelo então Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10935.005014/200715 Resolução nº 9202000.141 CSRFT2 Fl. 539 6 68 do Anexo II Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, no despacho nº 2400830/2012, às efls. 516 aa 519, datado de 22/11/2012, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso especial cumprir os demais requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte Cientificada (efl. 521) do acórdão nº 240301.129, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho de admissibilidade nº 2400830/2012 em 24/01/2013 (e fl. 522), a contribuinte apresentou contrarrazões a ele em 08/02/2013, às efls. 523 a 530. Em seus argumentos, afirma que as obrigações acessórias devem seguir ao principal também no que respeita à decadência, e por isso o direito de a autoridade administrativa constituir e lançar os débitos relativos à ausência de informações de pagamentos realizados em reclamatórias trabalhistas, encontrase fulminado pelo manto decadencial, assim se encontrando todos os fatos geradores ocorridos anteriormente a agosto de 2002. Com relação à multa, afirma que o entendimento professado nos paradigmas estaria há muito superado por decisões recentes cujas ementas apresenta e não havendo benefício à recorrente, pela natureza de seus argumentos, haveria falta de interesse recursal da parte da zenda. Finaliza por requere que não seja provido o recurso especial da Fazenda e mantido incólume o acórdão a quo.. É o relatório. VOTO Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pela informação constante do penúltimo parágrafo à efl. 497, do acórdão nº 230102.587, aqui controvertido, verifico que a infração que deu azo ao descumprimento da obrigação acessória em testilha no presente processo é a mesma que levou à exigência do tributo, como obrigação principal, no processo nº 10935.005024/200742, ainda pendente do julgamento do seu recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e já admitido para esta 2ª Turma. Dessa forma, a decisão naquele processo pode ter consequência direta sobre o presente e, por essa razão, devem ambos serem apreciados em conjunto. Dessarte, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, para que seja este processo fique sobrestado até que seja o processo de nº 10935.005024/2007 42, que trata de obrigação principal, esteja pronto para julgamento em conjunto, para que sejam evitadas decisões conflitantes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932719/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-004.584
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 27 19 /2 00 9- 15 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10980.932719/200915 Acórdão n.º 3302004.584 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A questão tem início em Declaração de Compensação em que se objetivava quitar débitos tributários utilizandose de créditos de COFINS. A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação foi que: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em decorrência da não homologação, as autoridades competentes formalizaram a cobrança dos valores indicados na DCOMP, acrescidos ainda de multa e juros. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade na qual alega que a decretação de inexistência do crédito se deu porque não foram apresentadas as retificadoras das DCTFs, DIPJs e DACONs, que se prestariam a notificar as autoridades sobre o recolhimento à maior realizado. Na manifestação de inconformidade a contribuinte informa que ao solicitar a Certidão Negativa de Débitos foi surpreendida com a informação sobre a existência de um novo processo administrativo fiscal, onde foi lavrada a exigência do exato valor que constava no despacho decisório, e que teria como documento de origem a mesma DCOMP motivadora do processo cuja cobrança acreditava que tivesse sido baixada. A contribuinte esclareceu, ainda, que apresentou manifestação de inconformidade naqueles autos, requerendo que os processos fossem unificados, posto que tratam sobre os mesmos fatos, e que fossem apreciadas as razões que fundamentam a existência de seu direito ao crédito, que é, essencialmente, a inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da COFINS. Noticia, também, que procedeu à retificação dos DCTF, DACON e DIPJ relativamente ao período de apuração em debate, indicando o valor do ICMS que deveria ser destacado da base de cálculo da COFINS, o que geraria o saldo credor a seu favor a ser utilizado na compensação declarada. A instância de origem julgou improcedente a manifestação de inconformidade acima descrita, nos termos do Acórdão 06037.271. O fundamento adotado, em síntese, foi a intempestividade da impugnação/manifestação de inconformidade apresentada. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10980.932719/200915 Acórdão n.º 3302004.584 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.583, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.932718/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.583) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Com efeito, a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade por considerar: i) intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo, nos termos do artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19722 c/c §2º, do artigo 56, da Lei nº. 7574/20113; e ii) que a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade ofertada pela Recorrente, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida, seja na revisão de ofício, seja em ulterior recurso voluntário eventualmente interposto pela impetrante. Neste contexto, entendo inexistir omissão no julgamento de primeira instância e desrespeito aos princípios do contraditório e ampla da defesa, posto que diante da apresentação de defesa fora do prazo previsto nas normas 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. 2 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 3 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10980.932719/200915 Acórdão n.º 3302004.584 S3C3T2 Fl. 5 4 anteriormente citada, não houve instauração de fase litigiosa, afastando, assim, o dever/obrigação da autoridade julgadora analisar os argumentos suscitados pelo contribuinte. Não bastasse isso, e ao contrário do que restou defendido neste processo, a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida. Portanto, entendo não ser o caso de nulidade do julgamento de primeira instância, considerando que o julgadores aplicaram ao presente caso as determinações contidas no Decreto 70.235/72 e na Lei nº 7.574/2011. Diante do exposto, considerando que não houve instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, por intempestividade da manifestação de inconformidade, voto por não conhecer do recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente, em sede de manifestação de inconformidade, em razão de sua intempestividade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000588/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
O frete incidente sobre as aquisições de bens aplicados à produção gera créditos e, por sua vez, o frete para formação do lote necessário ao processo de comercialização também deve ser considerado para esse fim.
REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO
O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, encontra tratamento normativo na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, artigos 1º e 6º. Com o intuito de disciplinar o cumprimento dessa Lei, seguiramse a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, e a Instrução Normativa SRF nº 023, de 13 de março de 1997. Entretanto, na esfera judicial, em julgamento realizado segundo o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, estabelecido no artigo 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC) o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito de os contribuintes incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, produtoras rurais, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Recurso Especial nº 993.164/ MG).
Numero da decisão: 3802-001.676
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn.
Nome do relator: Relatorf
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. O frete incidente sobre as aquisições de bens aplicados à produção gera créditos e, por sua vez, o frete para formação do lote necessário ao processo de comercialização também deve ser considerado para esse fim. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, encontra tratamento normativo na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, artigos 1º e 6º. Com o intuito de disciplinar o cumprimento dessa Lei, seguiramse a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, e a Instrução Normativa SRF nº 023, de 13 de março de 1997. Entretanto, na esfera judicial, em julgamento realizado segundo o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, estabelecido no artigo 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC) o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito de os contribuintes incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, produtoras rurais, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Recurso Especial nº 993.164/ MG). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 05 88 /2 00 8- 97 Fl. 1000DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressalto que, nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para a formalização do acórdão, considerando o resultado do julgamento nos termos da ATA da correspondente sessão de julgamento. O Relatório que segue foi baseado naquele apresentado pelo Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira na sessão em que houve o julgamento do feito. Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, inerente a pedido de ressarcimento de créditos do PIS/Pasep (regime nãocumulativo), no valor de R$ 87.886,01, referente ao primeiro trimestre de 2007. Vinculado ao crédito solicitado a recorrente formalizou compensação de débitos no valor de R$ 7.309,05. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para as transferências de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, somente geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida quando houver prova de que se referem efetivamente a operações de venda já efetivadas pelo estabelecimento remetente. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10909.000588/200897 Acórdão n.º 3802001.676 S3TE02 Fl. 999 3 REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÕES INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. No regime nãocumulativo, o direito de crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, não se estendendo às aquisições efetuadas junto a pessoas físicas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório Não Reconhecido. Inconformado, o recorrente apresenta os mesmos argumentos trazidos em primeira instância, (i) que o valor do frete entre filiais gera crédito do PIS/Pasep não cumulativo, pois configurase frete de exportação nos termos do artigo 8º, II, alínea “e” da IN/SRF nº 404/04; (ii) que é direito inconteste da recorrente o crédito do PIS e da COFINS nas mercadorias adquiridas de pessoas físicas. Reitera a legalidade do procedimento adotado. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: Abaixo reproduzo integralmente o voto apresentado pelo Conselheiro Relator, inerente ao processo nº 10909.000587/200842, e que foi adotado como razões de decidir nos demais processos da interessada julgados na mesma sessão de 19/03/2013: "Estando presentes os requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, e não havendo qualquer nulidade, o recurso pode ser conhecido. A análise da documentação acostada aos autos mostra que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, consoante decisão: Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço da presente manifestação de inconformidade. 1. Dos limites do litígio: Como visto no relatório acima, a contribuinte contesta as glosas dos créditos de Cofins relativos às aquisições de pessoas físicas, bem como relativo aos fretes de envio das mercadorias para o porto a partir dos estabelecimentos localizados no interior. Delimitado o litígio, a análise se restringirá, portanto, à análise dos argumentos da contribuinte em relação à glosas contestadas. Fl. 1002DF CARF MF 4 2. Da Manifestação de Inconformidade: 2.1. Créditos relativos às aquisições de insumos feitas junto a pessoas físicas: Como no relatório deste acórdão se viu, contesta a contribuinte a glosa dos créditos relativos às aquisições de insumos feitas junto a pessoas físicas, fazendoo por meio de alegações tendentes à demonstração de que não se justifica, juridicamente, a diferença de tratamento entre aquisições realizadas de pessoas jurídicas e aquisições realizadas de pessoas físicas. Entende que a norma que prevê tal distinção conformase como "não isonômica" e, na prática, transforma o regime nãocumulativo em cumulativo. Defende, assim, o reconhecimento do direito ao crédito da Cofins relativo às aquisições de toras de pinus junto a pessoas físicas. Todavia, não podem ser aqui acatadas as alegações da contribuinte. É que independentemente do juízo que se faça acerca da alegada quebra de isonomia que teria sido promovida pela norma referenciada pela autoridade fiscal, verdade é que a impossibilidade de creditamento em relação às aquisições de bens e serviços junto a pessoas físicas está firmada de modo expresso e literal em norma legal vigente, o parágrafo 3º do artigo 3º da lei nº 10.833/2003. Em tal dispositivo é que consta o comando segundo o qual apenas as aquisições efetuadas junto a pessoas jurídicas dão direito a crédito: Art 3º [...] § 3º O direito de crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (g.n.) Diante deste quadro, onde se percebe que a vedação contestada pela contribuinte está expressa em disposição literal de lei regularmente vigente, nada pode fazer este juízo administrativo que não seja reafirmar sua incompetência para apreciar a alegação da contribuinte. É que como a única forma de acatar as razões da contribuinte seria por via do expurgo da norma legal acima transcrita (o que representaria afirmar sua ilegalidade ou inconstitucionalidade) e como as instâncias administrativas não têm competência para apreciar questões que versem sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos legais regularmente vigentes, não há como haver qualquer manifestação deste juízo, pois isto representaria uma clara extrapolação de suas atribuições legais. No sentido desta limitação de competência dos agentes públicos tem se firmado tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de nº 10607.303, de 05/06/95: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10909.000588/200897 Acórdão n.º 3802001.676 S3TE02 Fl. 1000 5 LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como Tribunal Administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da legalidade das leis e normas administrativas. Complementarmente, temse, a nível de orientação administrativa, o Parecer Normativo CST nº 329/70, que assim dispõe: Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Assim, como a Lei nº 10.833/2003 está vigente, não pode este juízo Afastála, sob pena de, com isto, estar ultrapassando seus limites legais de competência. Quanto à jurisprudência administrativa e judicial juntada pela contribuinte, ela em nada a ajuda. É que tais precedentes referemse a outra figura jurídicotributária, o crédito presumido do IPI, que tem regras próprias que não podem ser estendidas, por analogia, ao regime de apuração da Cofins. Nada há aqui, portanto, que demande reparos no despacho decisório da DRF/Itajaí/SC. 2.2. Créditos relativos às despesas de frete realizado entre estabelecimentos do sujeito passivo: Continuando suas contestações, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos vinculados às despesas de frete nas operações de venda. Apesar de no título desta parte de sua manifestação de inconformidade fazer referência também a despesas de armazenagem, todas as suas alegações dirigemse às despesas com fretes. Abordarse á, assim, tal questão. Pois bem, em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte insurgese contra as glosas de suas despesas com frete, fazendo uma descrição de seu modus operandi, que, como no relatório deste acórdão se viu, está calcado na afirmação de que os fretes relativos às transferências de bens estariam associados ao transporte destes bens para um armazém, localizado perto do porto de embarque para exterior, no qual seriam feitas as compartimentações finais destinadas à exportação. Assim, entende que tais operações comporiam as operações de venda e, como tal, poderiam gerar créditos relativos à Cofins. Para que bem se analise a questão, importa que se tenha em conta, antes de mais nada, a evolução legal relativa ao creditamento de valores relativos a fretes pagos pela pessoa jurídica contribuinte da Cofins no regime nãocumulativo, o que será feito a seguir com base numa visão retrospectiva que envolve, conjuntamente, o PIS e a Cofins. A Lei nº 10.637/2002, que instituiu o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, em seus incisos I e II do art. 3º, com a nova redação dada ao inciso II pelo art. 25, da Lei nº Fl. 1004DF CARF MF 6 10.684, de 30 de maio de 2003, e pelos §§ 1º e 3º do referido art. 3º, assim estabelecem: Art.3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º desta Lei sobre o valor: I – dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II – dos itens mencionados nos incisos III a V do caput, incorridos no mês; III – dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV – dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I – aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II – aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III – aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] Tais disposições foram parcialmente modificadas pelo artigo 37 da Lei nº 10.865/2004, abaixo transcrito. Contudo, verificase que não modificou no que tange à parte que leva ao entendimento de que o legislador elegeu como base de cálculo, para a apuração do crédito, o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda: Art. 37. Os arts. 1º, 2º, 3º, 5º, 5ºA e 11 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 3º ........................................................................................... I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) no § 1º do art. 2º desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10909.000588/200897 Acórdão n.º 3802001.676 S3TE02 Fl. 1001 7 I de mão de obra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. [...] Com o advento da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) o legislador além de permitir crédito calculado sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passouse a admitir também o aproveitamento de crédito da Cofins calculado sobre o valor dos gastos efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3º caput e inciso IX, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] O art. 15 da citada Lei nº 10.833/2003, estendeu o comando previsto no dispositivo acima transcrito, também, às pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, o direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com fretes pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda, conforme se depreende da transcrição a seguir: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1º, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º , incisos II e III, 10 e 11 do art. 3º, nos §§ 3º e 4º do art. 6º , e nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13. Cabe ressaltar que a referida Lei nº 10.833/2003, em seu art. 93, estabeleceu expressamente, que os seus arts. 3º, inciso IX, e 15, que permitem a geração de créditos das contribuições sobre o valor do frete, na operação de venda, têm efeitos somente para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 2004, in verbis: Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I aos arts. 1º a 15 e 25, a partir de 1º de fevereiro de 2004; [...] Pois bem, feito este histórico, inferese que a legislação expressamente permite o creditamento de valores relativos a despesas com frete de mercadorias em três hipóteses. A primeira, estabelecida no inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, referese ao caso de bens adquiridos para revenda, onde o frete referente à aquisição de mercadoria pode ser somado ao custo da mercadoria. A segunda hipótese é a de se entender a despesa com frete como um bem ou serviço Fl. 1006DF CARF MF 8 utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003). A terceira hipótese é a do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, que se refere ao frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Analisando as hipóteses previstas na legislação, concluise que, no caso de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, o pagamento de frete poderá ser creditado da base de cálculo da contribuição nãocumulativa quando se enquadrar em uma das três hipóteses acima relacionadas. Como no caso concreto que aqui se tem o transporte entre filiais somente ocorre quando o processo de industrialização (beneficiamento) das madeiras já finalizou e as mercadorias estão prontas para serem comercializadas, excluemse as duas primeiras hipóteses de creditamento das despesas com frete de mercadorias. Resta, então, a terceira possibilidade – o custo do frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em interpretação literal da legislação, verificase que somente dará direito ao crédito o frete contratado relacionado a uma operação de venda. O mero deslocamento de mercadorias (prontas para a venda) de estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor, onde ocorrerá a efetiva venda, não integra a “operação de venda”. Tratase tãosomente de transporte interno de mercadoria acabada e não de despesas com fretes utilizados na operação de transporte na venda de mercadoria ao cliente adquirente. Assim, no caso concreto que se analisa, se a venda das mercadorias transportadas ocorrer na filial armazém, não pode esse frete ser entendido como frete na operação de venda. A contribuinte, em sua defesa, ao descrever seu modus operandi se limita a alegar que faz jus aos créditos correspondentes aos custos com fretes na operação de venda uma vez que se tratam de “frete de mercadorias para a exportação”, as quais são armazenadas próximas ao porto de embarque, onde se dá a tradição. Em certo momento da manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que “[...] de modo a armazenar as mercadorias que fabrica próximas ao local de sua tradição por ocasião da venda”, dando a entender que transporta as mercadorias (prontas para serem exportadas) para o armazém e, a partir desta filial é que as mercadorias serão vendidas. Dentro deste quadro, à contribuinte caberia provar que as mercadorias transportadas entre estabelecimentos da mesma empresa estão vinculadas a uma venda já efetuada pelo estabelecimento remetente. Apenas a comprovação de que as exportações se deram por conta e ordem do estabelecimento industrial remetente, e não do estabelecimento destinatário (armazém), é que dariam o direito de creditamento. Dentro deste quadro, temse como correta a glosa promovida pela DRF/Itajaí/SC. 3. Conclusão: Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10909.000588/200897 Acórdão n.º 3802001.676 S3TE02 Fl. 1002 9 Assim, em face das considerações expostas, manifestome no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade. É como voto. Tendo em vista o que dos autos consta, a lide administrativa limitase a definir: (i) se o transporte entre filiais gera crédito da Cofins NãoCumulativa e (ii) se há direito de crédito do PIS e da Cofins nas mercadorias adquiridas de pessoa física. A primeira questão posta em discussão é somente a possibilidade ou não de se tomar crédito dos fretes entre estabelecimentos da Recorrente para fins de formação de lotes para exportação. A norma de referência é o artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, assim expresso: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Sobre este tema já se manifestou a Coordenação de Tributação na Solução de Divergência n° 11, datada de 27/09/2007, que está assim ementada: COFINS Apuração nãocumulativa. Créditos de despesas com fretes. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. A decisão, portanto, se fundamentou no entendimento de que o frete contratado não corresponde, no presente caso, nem a insumo, nem a frete na operação de venda. Fl. 1008DF CARF MF 10 Pelo que se pode defluir do excerto acima não há nada a substanciar a decisão senão o simples fato de se apontar que o frete entre filiais não integra o conceito de insumo nem o de frete na operação de vendas, sem qualquer efetiva explicação acerca do entendimento, de modo que essa afirmação é meramente afirmativa e não é tautológica, não corresponde a um argumento, não servindo àquilo que está obrigado o poder público. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade. O que estamos a averiguar é se o frete entre estabelecimentos para formar lotes de madeiras para comercialização pode ser considerado como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou se pode ser tomado como parte da armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Entendo que em qualquer óptica que se examine o frete, tem a contribuinte direito ao crédito referente ao custo que suportou. Inicialmente, não posso concordar com o posicionamento apresentado na solução de consulta de que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes que pode gerar crédito. Do mesmo modo que o frete incidente sobre as aquisições de bens aplicados à produção geram créditos, o frete para formação do lote necessário ao processo de comercialização também deve ser considerado para esse fim. No primeiro caso, inclusive, nem há uma disposição legal específica que preveja apuração de crédito em relação a tais despesas. Decorre de uma interpretação lógica da própria operação que o tem como um custo de aquisição. No presente caso, uma interpretação razoável implica em têlo como custo de comercialização, sem o qual o processo não pode ser completado. Além disso, as transferências de mercadorias para o Porto ou centro de distribuição para formar os lotes não têm outro propósito senão a operação de venda, a aproximação das mercadorias aos consumidores finais ou simplesmente para viabilizar a exportação. O legislador ao utilizarse da expressão ‘operação de venda’ ao invés de ‘venda’ propriamente dita, teria objetivado esta intenção, qual seja, conferir crédito de PIS e COFINS sobre o frete para transporte de mercadorias sempre que este transporte estiver relacionado à atividade de venda. Outro ponto importante que corrobora esse raciocínio está no inciso IX, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2003, que trata, também, dos referidos créditos em relação aos valores incorridos com armazenagem. Ora, não faria nenhum sentido, ou nenhum aplicabilidade prática, caso esta armazenagem fosse aquela relacionada com a venda de mercadoria ao consumidor final, uma vez que a mercadoria vendida normalmente deixa a loja varejista para ser entregue diretamente ao cliente, e não para ser inicialmente depositada em algum armazém, para apenas em seguida ser entregue ao cliente. Em outras palavras, o legislador, ao conferir o direito aos referidos créditos em relação às despesas com armazenagem, na operação de venda, teve a intenção de abranger as hipóteses em que as mercadorias são armazenadas em centros de distribuição ou como no presente caso, no Porto, e, de lá, são encaminhadas a lojas varejistas ou são exportadas, pois toda essa operação (armazenagem em centro de distribuição, transferência a loja varejista, e Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10909.000588/200897 Acórdão n.º 3802001.676 S3TE02 Fl. 1003 11 venda e entrega ao cliente ou exportação) está inserida no contexto da ‘operação de venda’ especialmente nos casos aonde a transferência é necessária, não meramente voluptuária. No presente processo, como há de se compreender, terseia a mesma despesa de frete sobre venda se a consolidação da carga fosse realizada na área portuária, não sendo possível desclassificar o crédito em função da forma de organização de sua atividade comercial, principalmente quando esta escolha se dá por necessidade operacional e é a única viável existente, considerando a sabida precariedade dos portos nacionais. Assim, não sendo reconhecido como frete sobre a ‘operação de venda’ deveríamos reconhecêlo como custo de armazenagem. Esse sentido seguiu a recente decisão (de 22/08/2012) da E. Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.215.773 – RS que admitiu o crédito do custo do frete na transferência de veículos para as concessionárias, cuja ementa é a seguinte: RECURSO ESPECIAL. VALOR DO PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS PELA CONCESSIONÁRIA PARA REVENDA. DESCONTOS DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. EXEGESE DOS ARTIGOS 2º, 3º, INCISOS I E IX, E 15, INCISO II, DA LEI N. 10.833/2003. – Na apuração do valor do PIS/COFINS, permitese o desconto de créditos calculados em relação ao frete também quando o veículo é adquirido da fábrica e transportado para a concessionária – adquirente – com o propósito de ser posteriormente revendido. Recurso especial parcialmente provido. Ressalto, nesse caso, trecho do referido acórdão, assim expresso pelo Ministro Asfor Rocha, cujos destaques são por mim realizados: Ora, seguindo a literalidade dos dispositivos acima, mais especificamente do art. 3º, incisos I e IX, não se pode restringir a possibilidade de desconto ao caso em que a venda ao consumidor é realizada antes do transporte do bem para a concessionária. Na minha compreensão, a leitura dos dispositivos deve ser feita assim: “frete na operação de venda (inciso IX), em relação a bens adquiridos para revenda (inciso IX c/c o inciso I)”. Esse texto, sem dúvida, permite o desconto envolvendo o frete também quando o veículo é transportado para a concessionária com o propósito de revenda. É o que diz a lei em relação à Cofins e ao PIS/Pasep. Esse entendimento fica ainda mais fortalecido quando se observa que a lei permite, expressamente, nos mesmos dispositivos, o desconto de créditos calculados em relação a “armazenagem de mercadoria” no tocante a “bens adquiridos para revenda”. Ou seja, o armazenamento destinase à revenda de bens ao consumidor. Destaco, ainda, com relação ao mesmo julgamento o voto do Ministro Teori Albino Zavascki, assim expresso: Fl. 1010DF CARF MF 12 O EXMO. SR. MINISTRO: Sr. Presidente, não há como desvincular o inciso IX do inciso I do art. 3º, até porque o inciso IX remete expressamente ao inciso I. Ou seja, estamos tratando de uma operação de revenda, de bens adquiridos para revenda. Na operação de revenda, o que se chama operação de venda é complexa porque supõe um fazer anterior, uma operação anterior. É uma operação complexa nesse sentido, porque é dupla. Em se tratando especificamente de revenda de automóveis, se limitarmos a frete aquilo que sucede depois da aquisição pelo revendedor, praticamente tornaríamos letra morta o dispositivo, porque o frete, no geral, é no transporte do fabricante para o revendedor É exatamente o que ocorreria aqui se mantivéssemos a proibição confirmada pela decisão da DRJ. A Lei tornarseia letra morta. No mais, e somente para introduzir mais um ponto favorável à tese aqui esposada, tenho que, no contexto do inciso II, esse frete é complementarmente insumo de produção. O inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833 expressa que são passíveis de crédito os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Diz, portanto, que os insumos necessários utilizados no processo de formação dos produtos destinados a venda são passíveis de crédito. Os insumos no contexto do regime de apuração da contribuição nãocumulativa da COFINS devem ser considerados como todos os fatores necessários ao desempenho das atividades empresariais, seja na produção, comercialização de bens ou prestação de serviços. Implica, antes de mais nada, em entender os insumos inseridos no processo de complexão dos produtos que se pretende vender, parte do processo produtivo. E há de se compreender o processo como complexo de bens e serviços empregados do início ao fim do processo de produção e venda, mesmo porque não se excluem os insumos referentes à venda por mera interpretação extensiva e porque ninguém, salvo o varejista, vende uma madeira, mas se vendem lotes de madeiras, formar o lote é etapa necessária ao aprimoramento do produto que nada mais é que o próprio lote. Quando a legislação pretendeu excluir créditos deste tipo o fez expressamente, conforme pode se defluir em referência expressa à vedação de crédito em relação a uma modalidade de comissão de venda prevista no artigo 2º da Lei nº 10.485/2002 paga pelo fabricante ou importador aos concessionários na venda direta de determinados tipos de automóveis. Em face dessa exclusão expressa de insumos de venda, poderseia concluir a contrario sensu que os demais insumos de venda geram direito a crédito de PIS e de COFINS. E repito, no caso, formar lote é também insumo de produção porque o que se vende é o lote. A segunda questão posta em discussão é se há direito de crédito do PIS e da Cofins nas mercadorias adquiridas de pessoa física. O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, encontra tratamento normativo na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, artigos 1º e 6º. Com o intuito de disciplinar o cumprimento dessa Lei, seguiramse a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, e a Instrução Normativa SRF nº 023, de 13 de março de 1997. Entretanto, na esfera judicial, em julgamento realizado segundo o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, estabelecido no artigo 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10909.000588/200897 Acórdão n.º 3802001.676 S3TE02 Fl. 1004 13 (CPC) o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu o direito de os contribuintes incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, produtoras rurais, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Recurso Especial (REsp nº 993.164/ MG). Assim outro caminho não há senão o de que seja restabelecida a inclusão na base de cálculo dos créditos presumidos do IPI, do valor dos insumos adquiridos dos produtores rurais, pessoas físicas nãocontribuintes das mencionadas Contribuições. Outro ponto importante ainda que merece destaque é o fato da edição do Ato Declaratório nº 14, publicado no DOU de 22/12/2011, no qual a Procuradoria da Fazenda Nacional está dispensada de recorrer em processos que envolvam a matéria posta aqui em litígio: A PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, (...) no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do artigo 5º do Decreto nº 2.346, de 10 e outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2116/2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistia outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do artigo 1º da Lei n. 9.363/1996” Por todo o aqui exposto, voto pelo CONHECIMENTO e pelo PROVIMENTO ao presente recurso para reconhecer o direito do recorrente no que concerne ao reconhecimento do direito ao crédito da Cofins NãoCumulativa na hipótese de transporte entre filiais e ao direito de crédito do PIS e da Cofins nas mercadorias adquiridas de pessoa física." Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião em que o feito foi julgado, entendimento o qual reproduzo por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 1012DF CARF MF 14 Fl. 1013DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720497/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2012
Autos de Infração nº 51.066.179-3 e 51.066.180-7
NORMAS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DÉBITO CONFESSADO EM GFIP. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA DO FEITO.
Não obstante a legislação de regência reconhecer a natureza de confissão de dívida dos débitos informados mediante entrega das GFIP´s, possibilitando a cobrança direta do crédito tributário, nos termos, inclusive, da Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça, não há qualquer impedimento legal que obstaculize a formalização, por meio de lançamento, de aludido crédito tributário, especialmente com o fito de conferir mais segurança à exigência fiscal, uma vez ofertar a ampla defesa ao autuado, não havendo se falar, por conseguinte, em qualquer prejuízo ao contribuinte, de maneira a justificar a decretação da nulidade do Auto de Infração.
Numero da decisão: 2401-004.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que sejam apreciadas as demais questões apresentadas na impugnação.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2012 Autos de Infração nº 51.066.179-3 e 51.066.180-7 NORMAS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DÉBITO CONFESSADO EM GFIP. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA DO FEITO. Não obstante a legislação de regência reconhecer a natureza de confissão de dívida dos débitos informados mediante entrega das GFIP´s, possibilitando a cobrança direta do crédito tributário, nos termos, inclusive, da Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça, não há qualquer impedimento legal que obstaculize a formalização, por meio de lançamento, de aludido crédito tributário, especialmente com o fito de conferir mais segurança à exigência fiscal, uma vez ofertar a ampla defesa ao autuado, não havendo se falar, por conseguinte, em qualquer prejuízo ao contribuinte, de maneira a justificar a decretação da nulidade do Auto de Infração.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DÉBITO CONFESSADO EM GFIP. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA DO FEITO. Não obstante a legislação de regência reconhecer a natureza de confissão de dívida dos débitos informados mediante entrega das GFIP´s, possibilitando a cobrança direta do crédito tributário, nos termos, inclusive, da Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça, não há qualquer impedimento legal que obstaculize a formalização, por meio de lançamento, de aludido crédito tributário, especialmente com o fito de conferir mais segurança à exigência fiscal, uma vez ofertar a ampla defesa ao autuado, não havendo se falar, por conseguinte, em qualquer prejuízo ao contribuinte, de maneira a justificar a decretação da nulidade do Auto de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 04 97 /2 01 4- 32 Fl. 3191DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, darlhe provimento, com retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que sejam apreciadas as demais questões apresentadas na impugnação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 3192DF CARF MF Processo nº 18088.720497/201432 Acórdão n.º 2401004.993 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório MUNICÍPIO DE MATÃO, contribuinte, pessoa jurídica de direito público, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado Auto de Infração referente à multa isolada constante no artigo 89, § 10°, da Lei n° 8.212, de 1991, no que a autoridade lançadora informa que o contribuinte declarou e compensou indevidamente valores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, relativas ao período de 01/2011 a 08/2012, conforme documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 23/06/2008 (Doc. de efl. 123), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 493/524 a fiscalização apresenta o seguinte relato a respeito dos fatos apurados na ação fiscal desenvolvida. Cita que a ação fiscal foi iniciada por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal encaminhado ao sujeito passivo, via postal, em 22/10/2012, tendo como objetivo a verificação da regularidade de compensações efetuadas pelo sujeito passivo, cuja ciência se deu em 26/10/2012, no que foi requerido os documentos necessários à analise fiscal. Afirma que conforme atos normativos da Receita Federal do Brasil, as rubricas objetos das compensações efetuadas tem incidência de contribuição previdenciária, a saber: adicional de 1/3 férias, horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade, pagamento pelos primeiros 15 dias de afastamento por auxílio doença, adicional tempo de serviço, sexta parte, gratificações, hora plantão, função gratificada. Considera que as contribuições previdenciárias só podem ser compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que devido, nos termos e condições estabelecidos pela RFB, conforme determina o artigo 89 da Lei n° 8.212/1991. Descreve que no caso, fica evidente que o sujeito passivo inseriu GFIP, informação de compensação que sabidamente ainda não teria direito. Que o Município prestou uma informação em sua GFIP que não era verdadeira, e por conseqüência, falsa. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 6ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC entendeu por bem julgar procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário, aplicando o entendimento consubstanciado na Solução de Consulta Interna Cosit n° 3/2013, por entender restar comprovado a confissão de todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo, e principalmente as compensações em análise, de forma a possibilitar a autoridade tributária, com amparo jurídico, a regular analise, a homologação ou não, dos efetivos valores devidos da contribuição previdenciária em GFIP, nas competências abrangidas, o fazendo sob a égide dos Fl. 3193DF CARF MF 4 fundamentos inseridos no Acórdão nº 0737.913/2015, de efls. 3123/3154, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2012 Autos de Infração nº 51.066.1793 e 51.066.1807 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. DÉBITO CONFESSADO. É incabível a formalização e, por meio de lançamento, de crédito tributário já confessado, visto que tal procedimento não é condizente com a disciplina normativa vertida pela legislação de regência cuja observância é, aliás, obrigatória, dada a natureza vinculada da atividade administrativa do lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em observância ao disposto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pelas Leis nºs 8.748/1993 e 9.532/97, c/c a Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou improcedente o lançamento fiscal. Após regular processamento, os autos fora distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. É o relatório. Fl. 3194DF CARF MF Processo nº 18088.720497/201432 Acórdão n.º 2401004.993 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise matéria posta nos autos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte foi lavrado Auto de Infração em virtude da contribuinte ter declarado e compensado indevidamente valores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, relativas ao período de 01/2011 a 08/2012. Após apresentação da impugnação da autuada, o lançamento fora julgado improcedente, nos termos do Acórdão nº 0737.913/2015, de efls. 3123/3154, 6ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. Com mais especificidade, a DRJ competente, ora guerreada, em síntese, achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, afastando o crédito lançado, adotando os seguintes fundamentos, in verbis: Como conseqüência disto, concluise no caso dos autos, a desnecessidade de nova constituição do crédito tributário por meio da Receita Federal do Brasil, que foi indevidamente concretizada por meio da presente lavratura fiscal, uma vez que, pela própria disciplina normativa instituída pela autoridade tributária, deve ser acatado os fatos apresentados pelo contribuinte por meio de sua declaração ao fisco, o que foi efetuado por meio da GFIP, cabendo a autoridade tributária competente, acatar totalmente ou parcialmente as informações relativas as contribuições encaminhadas na forma de confissão, pelo contribuinte. No caso, apenas quando não se formalizou a constituição do crédito tributário por meio desta declaração, mostrase necessária a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento, ressalvada a confissão do débito mediante Lançamento do Débito Confessado (LDC) ou parcelamento. Como destaca a Cosit, em decorrência dos elementos disponibilizados ao fisco, por meio de documento oficial de cobrança, tanto no caso da GFIP, como de forma análoga a DCTF, e havendo insurgência do sujeito passivo contra a decisão de considerar a compensação indevida, deve a administração tributária seguir o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, dado que o crédito tributário sob apreço deve ser homologado por meio da GFIP, o presente lançamento, além de incorrer em evidente duplicidade, não condiz com o regramento Fl. 3195DF CARF MF 6 jurídico que, disciplinando os casos de compensação indevida informada por meio daquele documento de apresentação obrigatória (GFIP), determinar a imediata inscrição do débito nela confessado em Dívida Ativa da União, em caso de aceitação dos valores ali consignados, ressalvado o direito do contribuinte de contestar a decisão administrativa, no rito do Decreto nº 70.235, de 1972, por meio de Manifestação de Inconformidade. No caso dos autos, portanto, entendo que a formalização do crédito tributário sob exame não pode prosperar porque afronta a disciplina normativa vertida pela legislação de regência cuja observância é, aliás, obrigatória, dada a natureza vinculada da atividade administrativa do lançamento, assim definida nos termos do parágrafo único do art. 142 da Lei n.º 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), verbis: Art. 142. Omissis. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, em face ao exposto, manifestome pela improcedência do auto de infração DEBCAD 51.066.1793. Com relação ao auto de infração DEBCAD 51.066.1807, inerente a multa isolada constante no artigo 89, § 10°, da Lei n° 8.212, de 1991, há que se considerar que uma vez declarada da improcedência do auto de infração DEBCAD 51.066.1793, não há como manter a citada multa aplicada de forma isolada, tendo em vista que, conforme entendimento consubstanciado na Solução de Consulta Interna Cosit n.º 3, de 5 de fevereiro de 2013, a hipótese de compensação indevida deve ser declarada pela autoridade tributária competente para homologar a confissão efetuada pelo contribuinte por meio da GFIP, cujo rito deve se dar por meio de Despacho Decisório, emitido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil, nos termos do Regimento Interno da mesma. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões dos julgadores de primeira instância, tenho entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pela decisão de piso, quanto o posicionamento ao Recurso de Ofício, devendo ser reformada a decisão a quo, como passaremos a demonstrar. O Relator de primeira instância entendeu constar a ocorrência de uma situação prejudicial no Auto de Infração, por ter que o lançamento tomado como base os valores pela contribuinte declarados em GFIP e que, sendo assim, tratase de débito confessado, não havendo a necessidade de lançamento. Diante desse fato, entendeu que, nos termos da Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça e da Solução de Consulta Interna da Cosit n° 3, de 5 de fevereiro de 2013, a declaração realizada pelo contribuinte é suficiente para constituir o crédito tributário, o que ensejou a improcedência dos DEBCAD´s em questão. Antes de mais nada, é importante atentar que a decretação de prejudicialidade dos atos processuais deve ter como pressuposto o prejuízo a parte. É o que dispõe o princípio da instrumentalidade das formas previsto no artigo 277 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 277 Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. Sendo assim, o fato da fazenda poder executar diretamente os valores declarados pela contribuinte não invalida o presente lançamento. Isso porque, ao invés de Fl. 3196DF CARF MF Processo nº 18088.720497/201432 Acórdão n.º 2401004.993 S2C4T1 Fl. 5 7 executar a autuada, utilizandose de todas as restrições inerentes ao processo de execução (necessidade de garantia para embargar, presunção de liquidez e certeza da CDA, ausência de efeito suspensivo) optou a autoridade fiscal por instaurar um processo administrativo tributário. Esse, como se sabe, suspende a exigibilidade do crédito tributário, tem ampla garantia probatória e não tem qualquer ônus a contribuinte. A Súmula do 436 do Superior Tribunal deixa fora de dúvidas que a execução fiscal dos valores declarados pelo contribuinte é uma prerrogativa da Fazenda Nacional: Súmula 436 A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo o débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco No caso dos autos, a contribuinte fez a extinção dos valores declarados por meio de compensação. Todavia, ao analisar a eventual homologação das compensações efetuadas a autoridade fiscal entendeu que os créditos utilizados não existiam. De fato, nesse caso, não seria necessária a realização do lançamento. Todavia, como já dito, a realização deste em nada prejudica a contribuinte. Muito pelo contrário, uma vez que, ao efetuar o lançamento, a autoridade fiscal abre a contribuinte a possibilidade da ampla defesa e contraditório inerentes ao processo administrativo. Nessa linha de raciocínio, a lavratura de notificação fiscal/autuação fiscal exigindo contribuições previdenciárias declaradas em GFIP e eventuais diferenças, nada mais é do que a desconsideração daquele primeiro autolançamento (GFIP), oportunizando, inclusive, ao contribuinte se insurgir contra a exigência fiscal. Como se vê, esse “novo” lançamento, além de objetivar conferir maior segurança aos créditos previdenciários, não representa qualquer prejuízo ao contribuinte, que terá a possibilidade de se manifestar contra o crédito tributário constituído a partir de NFLD/Auto de Infração. Por todo o exposto, estando à decisão de primeira instância em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E DARLHE PROVIMENTO, alterando o decisum recorrido em sua integralidade, determinando o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento, para analisar as demais questões trazidas na impugnação da contribuinte, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 3197DF CARF MF
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Numero do processo: 13805.001498/96-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social- Cofins
Período de apuração: 31/01/1995 a 31/01/1996
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer
modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-000.702
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se
conheceu do recurso voluntário.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Mercia Helena Trajano D'Amorim
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FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social- Cofins Período de apuração: 31/01/1995 a 31/01/1996 Ementa: RENúNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OpçÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso voluntário. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Relatório o interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: "Trata-se de Auto de Infração, fls. 12/18, lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro de 1995 a janeiro de 1996, nos termos dos arts. 1° a 5° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. Consta do Termo de Verificação de fls. 09/11 que a contribuinte, nos autos da Medida Cautelar n° 94.0025977-8, obteve liminar autorizando a compensação dos valores recolhidos acima de 0,5% a título de FINSOCIAL com parcelas vincendas da Cofins, sendo que a atualização monetária deveria obedecer aos mesmos índices utilizados para atualização dos créditos fiscais. Contudo, segundo a autuante, a empresa apurou montante a compensar superior (fi. 06) ao valor por ela encontrado (fis. 07/08), e assim restou caracterizada a compensação indevida da Cofins relativa aos períodos de apuração objeto do Auto de Infração em litígio. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 26/03/1996 (fi. 17) e apresenta, em 25/04/1996, a impugnação de fls. 21/38, alegando em sua defesa, em síntese: o Auto de Infração é nulo de pleno direito, ante a flagrante ofensa aos artigos 142 e 194 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei • n° 5.172, de 25 de outubro de 1966; o Auto de Infração trouxe a cominação de penalidade, expressa através de multa, mas tal atividade é reservada única e exclusivamente à autoridade competente, pois o poder do agente fiscal é limitado à elaboração de um relatório dos fatos, podendo inclusive sugerir a penalidade cabível, mas não consigná-la de maneira definitiva no auto de infração; A redução de multa na hipótese de não ser apresentada impugnação é coativa e ilegal, em afronta ao princípio do devido processo legal e da inafastabilidade da tutela jurisdicional previsto na Constituição Federal; Em alguns períodos a impugnante recolheu a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota superior a 0,5% (meio por cento), possuindo assim crédito contra a União, e, com vistas a garantir esse seu direito, ingressou judicialmente para compensar o referido crédito, sendo em 17/11/1994 deferida medida liminar que desde logo garantiu a realização da compensação em tela; 2 Processo nO 13805.001498/96-66 Acórdão n.o 3201-000.702 S3-C2T1 FI. 253 • o direito à compensação, desde que se trate de tributos que tenham a mesma natureza e se trate de crédito líquido e certo, está expressamente disposto no art. 170 do CTN e no art. 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991; A impugnante aforou perante a Justiça Federal medida cautelar visando compensar crédito do FINSOCIAL recolhido a maior com valores da Cofins; Assim, enquanto vigente a medida liminar, o não recolhimento da Cofins não se constitui em ato ilícito, e estando o juízo sempre devidamente garantido, não é admissível qualquer imposição de multa; Nesse sentido, é de império o reconhecimento da total suspensão da exigibilidade do pretenso crédito da Fazenda Nacional; As exigências contidas na Instrução Normativa SRF n° 67, de 27 de maio de 1992, são ilegais e ilegítimas, razão pela qual a contribuinte não estava obrigada a respeitar seus preceitos, tais como a compensação de exações do mesmo código de receita e a necessidade de autorização prévia por parte da SRF, ainda mais porque a estava amparada na citada liminar; A medida liminar expressamente autorizou a correção monetária, e em que pese não ter sido especificado um índice, presume-se que seja lícita a utilização de índice que reflita a efetiva inflação do período, no mínimo, por questão de equidade, utilizando-se os mesmos índices que a Fazenda se serve para correção de seus créditos, o que foi feito pela autuada; ofato de a Lei nO8.383, de 1991, estabelecer que os débitos com a Fazenda seriam atualizados pela variação da UFIR não significa que a lei tenha vedado a correção pela variação inflacionária verificada antes da instituição da UFIR; Impedir que a contribuinte corrija seu crédito pela variação inflacionária verificada antes da entrada em vigor da UFIR constitui evidente confisco, vedado pelo art. 150, inciso IV da Constituição; A correção monetária deve ser entendida de maneira ampla, de modo que seja resguardado o efetivo poder de compra da moeda, devendo ser aplicado o princípio dajusta indenização garantido constitucionalmente; omesmo entendimento deve ser adotado para os juros de mora; Existem no Auto de Infração diversos erros materiais que aumentaram o débito em questão e que devem ser corrigidos, e assim a impugnante aguarda pela realização de nova fiscalização ou perícia contábil para apurar o real e efetivo crédito da Fazenda, pois os atos praticados pelos agentes fiscais não observaram oprincípio do contraditório; Foram cometidos pela fiscalização equívocos em relação a junho de 1991, implicando no encerramento da compensação no mês de competência de dezembro de 1995; 3 Além disso, desconsiderou-se que, à época dos recolhimentos, a própria Receita Federal facultava aos contribuintes o pagamento do tributo no primeiro dia útil da quinzena subseqüente, sem correção, ou até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de competência, com atualização monetária pela BTNF e posteriormente TRD, tendo a contribuinte se utilizado do segundo expediente, e embora o tributo tenha sido pago com a devida correção, a Receita procedeu a divisão pela BTF/TRD do dia do pagamento apenas do valor principal, sem considerar a correção monetária; Ao final, requer a declaração de nulidade do Auto de Infração ora atacado. Em 04/08/2000, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo encaminhou o presente processo à DRF/SP para que a contribuinte fosse intimada a apresentar as Certidões de Objeto e Pé e respectivas sentenças - se as houver - das ações judiciais que intentou contra a Fazenda Nacional (fl. 61). Embora devidamente intimada (fls. 62/64), a contribuinte não atendeu à ~F e Após despachos de fls. 65/66 e em face da transferência de competência para julgamento, prevista no anexo único da Portaria SRF n° 1.033, de 27 de agosto de 2002, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento. " o pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 4679, de 30/01/2004, proferida pelos membros da 43 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/1995 a 31/01/1996 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E • JUDICIAL Tratando-se de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política, cabendo, entretanto, análise relativamente à matéria não submetida à apreciação do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. Tratando-se de lançamento de ofício decorrente de insuficiência de crédito a compensar, legítima é a cobrança da multa punitiva correspondente, cujo percentual, entretanto, deve ser reduzido de 100% para 75%, por força da alteração na legislação de regência. JUROS DE MORA. A inadimplência quanto ao recolhimento de tributos e contribuições sujeita o sujeito passivo à incidência de juros de mora. Lançamento Procedente em Parte. " 4 Processo nO 13805.001498/96-66 Acórdão n.o 3201-000.702 S3-C2Tl FI. 254 o julgamento foi no sentido de ressaltar que a decisão judicial será cumprida pela administração tributária, por intermédio do órgão fiscal jurisdicionante; e julgar procedente a aplicação dos juros de mora e procedente em parte a multa de ofício, reduzindo-se o seu percentual de I00% (cem por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). o Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim o presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata-se da cobrança da Cofins, decorrente da lavratura do Auto de Infração, lavrado em 13/03/96, às fls. 01/20 por conta da insuficiência de crédito a compensar, detectada pela fiscalização. Não obstante a liminar obtida em Medida Cautelar, apurou o fisco que os valores recolhidos a maior do FINSOCIAL foram suficientes apenas para compensar parte da Cofins devida. A DRJ julgou procedente em parte o lançamento e reduziu a multa de ofício, tendo em vista o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, e do inciso I do Ato Declaratório Normativo COSIT nO 01, de 10 de janeiro de 1997, o percentual de 100% foi reduzido para 75%. Trata-se de discussão do mérito na esfera judicial, o que, não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, tendo em vista insuficiência de crédito a compensar. No tocante ao mérito, inexiste controvérsia administrativa quanto ao direito de restituição dos valores recolhidos ao FINSOCIAL pelas empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas com base no art. 9° da Lei nO7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 7° da Lei n ° 7.787, de 30 de junho de 1989, e art. 1° da Lei nO8.147, de 28 de dezembro de 1990, à alíquota superior a 0,5% (meio por cento), acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decreto-lei nO2.397, de 21 de dezembro de 1987. A citada restituição estava vedada pelo ~2° do art. 17 da Medida Provisória nO 1.175, de 27 de outubro de 1995, à época da autuação. Somente a partir da Medida Provisória nO 1.621-36, de 12 de junho de 1998 (reedição da Medida Provisória n° 1.175, de 1995), a restituição dos valores recolhidos ao FINSOCIAL à alíquota superior a 0,5% foi autorizada, não implicando, contudo, na sua restituição de ofício. 5 Ressalte-se que a autuada é empresa prestadora de serviços (empreendimentos e incorporações imobiliárias, administração de bens imóveis e participações em outras sociedades, conforme contrato social à fi. 43). Com relação às empresas exclusivamente prestadoras de serviços, deve-se observar que, no julgamento do RE 187.436- 8/RS, em 25/06/1997, o pleno do STF declarou a constitucionalidade das alíquotas majoradas do FINSOCIAL. Logo, inexistiria, consequentemente, crédito a compensar. A empresa buscou judicialmente o direito de compensar o suposto crédito do FINSOCIAL com débitos da Cofins, o fisco, então, o calculou utilizando os índices de atualização monetária previstos na legislação de regência, concluindo pela sua insuficiência para quitação da Cofins devida nos períodos de apuração objeto do Auto de Infração em litígio. A recorrente entende que em face da inconstitucionalidade das majorações da alíquota do FINSOCIAL, decretada pelo Supremo Tribunal Federal, teria direito à restituição - e à compensação - dos valores recolhidos acima de 0,5% (meio por cento), tendo ingressado judicialmente com a Medida Cautelar nO 94.0025977-8 (fi. 67) e Ação Ordinária nO 95.0000869-6 (fis. 68/69). Como bem ressalta a decisão a quo: "Em consulta ao site do Tribunal Regional Federal da 30 Região, perscrutando-se a seqüência "33" da Ação Ordinária nO95.0000869-6 (fi. 68), constata-se a seguinte informação (fi. 70): "Em face do pagamento efetuado pelo executado, EXTINGO a presente execução com fundamento no artigo 794, inciso 1, do Código de Processo Civil. Transitada em julgado esta decisão, arquivem-se os autos com as cautelas legais". Buscando-se no site do Tribunal Regional Federal pelo número do processo de origem (95.0000869-6), encontra-se também o processo n° 199.03.00.059576-1 (fls. 71/72), cujafase com data de 25/09/2002foi assim descrita: "CERTIDÃO PRECATÓRIO PAGO TOTAL PARA LIQUIDAÇÃO DA PARCELA REFERENTE AO EXERCÍCIO DE 2002". Merecem destaque ainda as seguintes fases, com suas respectivas descrições: "CERTIDÃO VALOR LANÇADO PELA CONTADORIA JUDICIAL" (em 21/03/2000), e "INFORMAÇÃO RECEBIDO DA CONTADORIA" (em 24/03/2000)." Percebe-se que a situação fática da autuação tem o mesmo objeto da apreciação do Poder Judiciário, ou seja, restou comprovado que o objeto das ações judiciais guarda relação com o mérito do presente litígio - o montante do crédito a compensar do FINSOCIAL, calculado com os índices de correção monetária aplicáveis nos períodos e a consequente compensação com débitos da Cofins. De outra parte, está pacificamente assentado, na esfera administrativa, o entendimento de que a opção do contribuinte pela via judicial implica renúncia às instâncias julgadoras da via administrativa ou desistência de eventual recurso interposto, no caso de o 6 • Processo nO 13805.001498/96-66 Acórdão n.o 3201-000.702 S3-C2Tl FI. 255 objeto da lide ser idêntico em ambas. E que diante do dispositivo constitucional há prevalência da esfera judicial sobre a administrativa. Tal dispositivo encontra-se em consonância com o princípio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5°, XXXV da Constituição Federal/88, segundo o qual a decisão judicial sempre prevalece sobre a administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, uma vez que, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é conferida a capacidade de examiná-las de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. A respeito, já dispunha a Lei nº 6.830/1980, em seu art. 38, parágrafo único, que a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional importa renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Cumpre ressaltar que o mesmo tratamento foi adotado pelo Ministro de Estado da Fazenda no art. 26 da Portaria nº 258/2001, ao estabelecer que a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Portanto, a propositura de ação judicial pela recorrente, em razão disso, nos pontos em que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa. Do contrário, ter-se-ia a absurda hipótese de modificação de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva, pela autoridade administrativa. Assim sendo, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário, jamais pode ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento fere a Constitucional Federal que adota o modelo de jurisdição una, em que são soberanas as decisões judiciais. Dessa forma, tendo a interessada buscado a via judicial para resguardar sua pretensão, renunciando à instância administrativa, nos termos do Ato Declaratório (Normativo) n.O3/96 do Coordenador-Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal. Ultrapassada essa fase, a recorrente, não se conforma com a aplicação no Auto de Infração da multa de ofício e dos juros de mora. Assim sendo, a multa de ofício foi aplicada pela falta ou insuficiência de pagamento, e a DRJ já reduziu a mesma, nos termos da Lei nO9.430, de 1996, art. 44, I, onde é devida a multa punitiva no percentual de 75,0 % do crédito tributário lançado e exigido, que assim dispõe, in verbis: "Art. 44 - Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 7 (..) ". Quanto à exigência de juros de mora no auto de infração também está sendo efetuada na forma da lei ao contrário do entendimento da autuada, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: " Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. J 1~Se a lei não dispuser de modo diverso. os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. " Foi editada a lei específica (Lei nO9.065/95), que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 10 de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Se1ic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 60 da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso 1, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor. Não merecer reparo a decisão a quo. Pelo exposto, voto por que não se tome conhecimento do recurso voluntário. • v7~iJJtI~~ . ~.cia Htlena Trajano D'Amorim- Relator 8 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
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Numero do processo: 10120.006680/2007-47
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2005 EXCLUSÃO. PRÁTICA DE ATIVIDADE VEDADA. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico- científico próprio de profissional da engenharia são circunstâncias que impedem o ingresso ou a permanência no Simples. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do SIMPLES surte efeito a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente, na hipótese do inciso XIII, do artigo 9º da Lei nº 9.317/96.
Numero da decisão: 1802-000.839
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 EXCLUSÃO. PRÁTICA DE ATIVIDADE VEDADA. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico científico próprio de profissional da engenharia são circunstâncias que impedem o ingresso ou a permanência no Simples. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do SIMPLES surte efeito a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente, na hipótese do inciso XIII, do artigo 9º da Lei nº 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, André Almeida Blanco. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10120.006680/200747 Acórdão n.º 180200.839 S1TE02 Fl. 84 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ de Brasília/DF. Tratase de exclusão da sistemática do Simples, efetivada por meio do Ato Declaratório Executivo de folha 30, com efeitos a partir de 01/01/2005, em virtude de terse constatado que a contribuinte exerceu atividade atinente à profissão de engenheiro, como serviços de manutenção preventiva e corretiva, padronização, instalação, transferência de linhas e reparos, tanto na rede externa corno interna e mudanças de endereço de terminais de acesso a linhas físicas, atividades abrangidas pelas vedações para opção pelo mencionado sistema, de acordo com o art. 9°, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. Verificase nos autos, que fundamentaram essa exclusão a Representação de folhas 01 e 02, e os documentos de folhas 03 a 24. Devidamente notificada da exclusão (fl. 37), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 39 – 40), alegando em síntese que a empresa iniciou suas atividades em 27 de dezembro de 2001, com o Código de Atividades Econômica Principal no CNPJ: 49.30202 (Transporte Rodoviário de Carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional), e em seu Contrato Social constava a atividade de transportes de cargas em geral, atuando no ramo normalmente. Sustentou diante disso, que apenas em 11 de outubro de 2004 para “socorrer” o marido da sócia (Conceição Maria de Araújo Pereira), que prestava serviços gerais autônomo para outra empresa, efetuou uma alteração contratual acrescentando em sua atividade: "PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E EXECUÇÃO SERVIÇOS CLASSE L.C.B.G.F, MELHORIA, PEQUENAS AMPLIAÇÕES, ALIVIOS REDE DE ENTRADA MANUTENÇÃO PREVENTIVA E CORRETIVA, PADRONIZAÇÃO, INSTALAÇÕES TRANSFERÊNCIA DE LINHAS E REPAROS, seguindo orientação da empresa que empregava seu marido como condição para efetuar o pagamento dos serviços por ele prestados mediante a apresentação da Nota Fiscal preenchida também de acordo com a orientação da empresa. Dito isso, afirmou desconhecer que a mencionada atividade era impeditiva e que emitiu as Notas Fiscais de acordo com a orientação da empresa contratante do marido da sócia, que na realidade nunca prestou estes serviços, já que prestava serviços gerais, afirmando que sua atividade é consistente em serviços de transporte, com caminhão. Em vista da incontestável prática de atividade vedada, a 4ª Turma da DRJ de Brasília/DF, indeferiu a solicitação (fls. 56 – 61). Cientificada da decisão desfavorável (fl. 63), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 66 – 73) reiterando os fatos e argumentos já relatados e requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Apresentase para julgamento situação em que o contribuinte, optante pelo SIMPLES, foi excluído do dito sistema por meio de Ato Declaratório no qual se constata a prática de atividade vedada ainda na vigência da Lei nº 9.317/96. O contribuinte desde os primitivos arrazoados que apresentou tem sustentado que não exercia atividade típica de engenheiro, eis que sua destinação social se relacionava ao transporte terrestre, ocorrendo, que para suprir determinada demanda do esposo da sócia, incluiu em seus atos constitutivos os tais serviços considerados vedados, argumentando que desconhecia a vedação e que já providenciou a pertinente alteração. Pelos próprios argumentos sustentados pela recorrente fica comprovado que esta de fato exerceu atividade vedada. Por outro turno, o contrato de prestação de serviços (fls. 11 – 26), bem como as notas fiscais de folhas 27 e 28, demonstram inegavelmente a prática de atividade típica de profissional de engenharia. Temse diante disso, que não subsiste o argumento da recorrente no sentido de que desconhecia a tal vedação ou que já providenciou a modificação do seu contrato social. O panorama documental retratado nos autos dá conta de que a contribuinte exerceu atividade incompatível com opção pelo regime do SIMPLES, impondose a sua exclusão. Registrese nesse contexto, que o fato de a recorrente terse adequado, em data ulterior à prática do evento impeditivo se por um lado não obsta que a partir de então promova novo enquadramento, por outro, não possui o condão de validar práticas ocorridas em momento anterior. Sendo assim, o que remanesce para enfrentamento nessa fase processual é saber se a decisão recorrida conferiu aos fatos aqui versados, correta imputação da legislação aplicável. Tenho sustentado em casos semelhantes que o rol do inciso XIII do artigo 9º da revogada Lei 9.317/96, dizia respeito a profissões regulamentadas, em que a sociedade estivesse voltada à prestação de serviços para contratação em razão da qualificação técnica do profissional ou do seu especial talento e que indiscutivelmente esse é o desiderato da impossibilidade de opção pelo regime em comento, reprisada no artigo 17 da Lei Complementar nº 123/06. O caso apresentado comporta exato enquadramento ao aspecto da vedação, vêse na folha 11 o objeto destacado em Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a recorrente e a empresa Engeset Engenharia e Serviços de Telemática S.A., cuja reprodução é oportuna: (...) CLÁUSULA PRIMEIRA OBJETO Fl. 86DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10120.006680/200747 Acórdão n.º 180200.839 S1TE02 Fl. 85 5 1.1 O presente contrato tem por objeto a prestação de serviços, pela CONTRATADA à ENGESET, para execução de serviços das classes "L", "C", "B", "G" e "F", no atendimento à contrato do CLIENTE em Construção de Redes (melhorias, pequenas ampliações, alívios, rede de entrada, etc). 1.2 Execução de serviços de manutenção preventiva e corretiva, padronização, instalação, transferência de linhas e reparos, tanto na rede externa como interna e mudanças de endereço de terminais de acesso e linhas físicas, quando solicitado pela ENGESET. (...) No que toca aos efeitos da exclusão, cuja legitimidade a recorrente questiona, convém registrar o que dispunha o artigo 15, inciso II, da já citada Lei nº 9.317/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º desta Lei; (...) (meus os grifos) Temse, portanto, que a atividade alegada no ato de exclusão de fato esbarra na vedação indicada no inciso XIII do Art. 9º da Lei nº 9.317/96, motivo pelo qual, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, para os fins de considerar a atividade desenvolvida pela recorrente VEDADA para o enquadramento. Sala das Sessões, em 29 de março de 2011 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 87DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 25/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.906963/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.933
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 96 3/ 20 11 -3 2 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10183.906963/201132 Resolução nº 3201000.933 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10183.906963/201132 Resolução nº 3201000.933 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10183.906963/201132 Resolução nº 3201000.933 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10183.906963/201132 Resolução nº 3201000.933 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 15211.720029/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Luiz Carlos Chagas resolvem os membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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(Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal. Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR): Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 18/22, lavrada em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2011, ano calendário 2010, que converte saldo de imposto a restituir de R$ 27.162,65 em imposto a pagar de R$ 9.269,14, multa de ofício de R$ 6.951,85, e demais encargos legais, que, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fl. 19 constatou: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 52 11 .7 20 02 9/ 20 14 -1 5 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Resolução nº 2202000.780 S2C2T2 Fl. 86 2 · omissão de rendimentos recebidos acumuladamente – Tributação Exclusiva, no valor de R$ 128.248,01. Tendo sido devidamente cientificado do lançamento em 06/02/2014 (fl.41) o interessado ingressou com a impugnação de fls. 02/3, instruído com os documentos de fls.14/17. Considerase a impugnação tempestiva, tendo em vista que não consta dos autos sua data de protocolo; além da declaração contida no despacho de fl. 42. A impugnação foi apresentada pelo representante legal, devidamente constituído, através do documento de fl. 14. Insurgese contra a notificação argumentando que os valores ora discutidos não se configurariam como omissão de rendimentos, tendo em vista que teriam sido declarados de acordo com o determinado em sentença no processo trabalhista de n° 018830094.20045.03.0099. Sustenta que a autoridade tributária estaria considerando na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física os valores relativos aos juros moratórios, o que estaria em desacordo com a decisão da Justiça do Trabalho. Manifestase contrariamente ao entendimento da Receita Federal do Brasil no que diz respeito à tributação dos juros de mora recebidos em função da ação trabalhista, tendo em vista que jurisprudência dos tribunais superiores já teria decidido que os mesmos seriam isentos, independentemente da natureza das verbas sobre as quais incidem. Sendo assim, a tributação sobre o valor total dos rendimentos recebidos e declarados como isentos e não tributáveis em sua DAA seria indevida. Ilustra a questão trazendo jurisprudência referente ao tema. Defende, ainda, que no que diz respeito à base de cálculo e alíquotas de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente a decisão judicial já fez coisa julgada, não cabendo à RFB discutir ou contestar os valores constantes no processo. O valor do imposto retido estaria de acordo com os cálculos homologados, cuja decisão teria transitado em julgado, não cabendo ao fisco o direito de alterálos. Requer o acolhimento da defesa e o conseqüente cancelamento do crédito tributário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto de Renda da Pessoa Física Exercício: 2011 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não são normas gerais, razão pela qual seus julgados ficam restritos à ocorrência objeto da decisão. RENDIMENTOS PAGOS EM RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.NATUREZA DAS VERBAS. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO.ISENÇÃO. NECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL. O cálculo efetuado no processo da Justiça Trabalhista não tem efeito vinculante quanto à natureza tributável das verbas pagas, porque a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza constitui fato gerador do Fl. 86DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Resolução nº 2202000.780 S2C2T2 Fl. 87 3 IRPF,considerandose isentos apenas os rendimentos expressamente previstos em lei. AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS. Por expressa disposição da legislação tributária, há incidência de imposto de renda sobre os juros de mora correspondentes às verbas tributáveis percebidas por meio de ação trabalhista. O contribuinte foi cientificado da referida decisão (AR fls. 59) e apresentou o recurso voluntário de fls. 61/72, no qual reitera as alegações suscitadas quando da impugnação. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINAR A maior parte do Recurso Voluntário destinase a pleitear a aplicação da decisão proferida na demanda trabalhista 0188300.2004.5.03.0099, que tramitou na 2ª Vara do trabalho de Governador Valadares/ MG. Em outras palavras, o recurso requer a aplicação da coisa julgada ao lançamento ora promovido pela União Federal. O Código de Processo Civil (2015), assim como anterior, determina que a coisa julgada não abrange terceiros, conforme se verifica pela leitura do artigo 506, abaixo transcrito: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros Fundamental, entretanto, fazer distinção entre os limites subjetivos da coisa julgada e a extensão subjetiva da eficácia da sentença, pois, esta última, opera fora dos limites subjetivos da coisa julgada . Essa preciosa distinção, de enormes conseqüências práticas para o caso em questão, foi formulada por Enrico Tullio Liebman em sua obra Eficácia e Autoridade da Sentença 1, nestes termos: “A sentença, como ato de autoridade ditado por um órgão do Estado, reivindica naturalmente, perante à todos, seu ofício de formular qual seja o comando concreto da lei, ou, mais genericamente, a vontade do Estado, para um caso determinado. As partes, como sujeitos da relação a que se refere a decisão, são certamente as primeiras que sofrem a sua eficácia, mas não há motivo que exima os terceiros de sofrêla igualmente. Uma vez que o juiz é o órgão ao qual atribui o Estado o mister de fazer atuar a vontade da lei no caso concreto, apresentase sua sentença como eficaz exercício dessa função perante todo ordenamento jurídico e todos os sujeitos que nele operam. ... 1 LIEBMAN, Enrico Tullio – Eficácia e Autoridade da Sentença e outros escritos sobre a coisa julgada. Ed. Forense, 2 edição, 1981, p. 123 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Resolução nº 2202000.780 S2C2T2 Fl. 88 4 O juiz que, na plenitude de seus poderes e com todas as garantias outorgadas pela lei, cumpre sua função, declarando, resolvendo ou modificando uma relação jurídica, exerce essa atividade (e não é possível pensar diversamente) para um escopo que outra coisa não é senão a rigorosa e imparcial aplicação da lei; e não se compreenderia como esse resultado todo objetivo e de interesse geral pudesse ser válido e eficaz só para determinados destinatários e limitados a eles. Concepção assim restrita dos efeitos da sentença poderia ser lógica quando tinha o processo caráter de atividade privada, e o fundamento da eficácia da sentença era um contrato ou quase contrato pelo qual se submetiam as partes, mais ou menos voluntária e livremente ao iudicium e à sentença que se devia prolatar. Mas desde que recebe a sentença a sua eficácia do poder soberano da autoridade em cujo nome é pronunciada, da qualidade pública e estatal do órgão que a prolata (visto que já se logrou plena consciência desta verdade), seria de todo em todo inexplicável que valesse ela só para um e não para todos em formulação da vontade do Estado no caso concreto.(grifamos) A prova de que os efeitos da sentença atingem terceiros, segundo Liebman2, encontrase nos institutos da intervenção e oposição de terceiros, expressamente previstos no capítulo VI do Código de Processo Civil (Código de 1973). Com efeito, qual a necessidade de assegurar a intervenção de terceiros no processo se esse só produzisse os seus efeitos entre os litigantes? Alega o Recorrente que, tendo em vista que a União Federal participou do processo de conhecimento perante à Justiça do Trabalho, deveria se submeter a coisa julgada lá formada. Em outras palavras, não teria a Receita Federal competência para realizar lançamento que tivesse como objeto o mérito das questões decididas no mencionado processo, sob pena de ofensa à coisa julgada. A Consolidação das Leis do Trabalho disciplina os efeitos das decisões trabalhistas em relação à União Federal, nestes termos: Art. 831 A decisão será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação Parágrafo único. No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. Art. 832 Da decisão deverão constar o nome das partes, o resumo do pedido e da defesa, a apreciação das provas, os fundamentos da decisão e a respectiva conclusão. § 1º Quando a decisão concluir pela procedência do pedido, determinará o prazo e as condições para o seu cumprimento. § 2º A decisão mencionará sempre as custas que devam ser pagas pela parte vencida. § 3o As decisões cognitivas ou homologatórias deverão sempre indicar a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso. 2 LIEBMAN, Enrico Tullio, ob cit, p. 127 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Resolução nº 2202000.780 S2C2T2 Fl. 89 5 § 4o A União será intimada das decisões homologatórias de acordos que contenham parcela indenizatória, na forma do art. 20 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, facultada a interposição de recurso relativo aos tributos que lhe forem devidos § 5o Intimada da sentença, a União poderá interpor recurso relativo à discriminação de que trata o § 3o deste artigo. § 6o O acordo celebrado após o trânsito em julgado da sentença ou após a elaboração dos cálculos de liquidação de sentença não prejudicará os créditos da União. (...) Exatamente por impor à União Federal os efeitos da sentença é que o referido artigo lhe confere a possibilidade de recurso relativamente aos tributos que lhe são devidos. Dessa forma, não se sustenta, a nosso ver, a conclusão firmada pela decisão recorrida de que a sentença trabalhista estaria restrita às partes do processo. Em primeiro lugar, porque não existe o direito de crédito antes de definido pela Justiça do Trabalho. Esse direito de crédito só nasce depois de reconhecido judicialmente pela justiça competente. Em segundo lugar, porque ao prever expressamente a legitimidade recursal da União, enquanto terceiro sujeito aos efeitos da sentença trabalhista, assegura o direito ao contraditório. O Tribunal Superior do Trabalho TST, após anos de discussões doutrinárias e jurisprudenciais acerca da constitucionalidade da determinação de retenção por parte do Magistrado Laboral, fixou a Súmula n. 368, que assim dispõe: Súmula n. 368 do TST DESCONTOS PREVIDENCIÁRIOS E FISCAIS. COMPETÊNCIA. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO. FORMA DE CÁLCULO. I A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições fiscais II É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais, resultante de crédito do empregado oriundo de condenação judicial, devendo ser calculadas, em relação à incidência dos descontos fiscais, mês a mês, nos termos do art. 12A da Lei n. 7.713, de 22.12.1988, com a redação dada pela Lei n. 12.350/2010. (grifo nosso). A leitura da referida súmula, todavia, não deixa claro se a competência da justiça do trabalho seria apenas para determinar o recolhimento das contribuições fiscais, nos termos em que definidos pela União, ou se o juiz do trabalho teria competência para analisar o mérito das mencionadas exigências. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, esclareceu os limites da competência da Justiça do trabalho, inclusive em relação ao Imposto de Renda, conforme se verifica pela decisão abaixo transcrita: COMPETÊNCIA EXECUÇÃO TÍTULO JUDICIAL TRABALHISTA DESCONTOS PREVIDENCIÁRIO E DO IMPOSTO DE RENDA CONTROVÉRSIA. Cumpre à própria Justiça do Trabalho, prolatora do título judicial e competente para a execução respectiva, definir a incidência, ou não, dos descontos previdenciários e para o imposto de renda. (RE 196517, Fl. 89DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Resolução nº 2202000.780 S2C2T2 Fl. 90 6 Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Segunda Turma, julgado em 14.11.2000, DJ 20.04.2001. (grifamos) Dessa forma, entendo que a sentença condenatória prolatada pela justiça do trabalho produz efeitos perante a União Federal. Todavia, para identificarmos a extensão desses efeitos, bem como a abrangência do que restou decidido, é fundamental que sejam juntadas ao presente processo as partes essenciais da ação movida perante à justiça do trabalho, tais como, petição inicial, sentença, recurso, decisão do recurso, certidão de trânsito em julgado, cópia da execução. Isso porque, conforme se constata pela leitura dos dispositivos da CLT acima transcritos, os efeitos da decisão perante à União Federal, serão distintos conforme o tipo de decisão que pôs termo ao processo. Com efeito, se a decisão que definiu a não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios foi uma sentença de mérito, os efeitos da coisa julgada atingem a União, desde que esta tenha sido intimada e não tenha interposto o recurso competente. Todavia, se a não incidência do imposto de renda foi determinada por meio de acordo celebrado após o trânsito em julgado, este não prejudicará os créditos da União (art.832, §6º da CLT) pois, nesse caso, já existe a obrigação tributária reconhecida na sentença e, desse modo, o direito da União cobrar os tributos ali previstos. 2) MÉRITO Ainda que superada a preliminar de coisa julgada é indispensável a juntada do documentos mencionado no item anterior. Isso porque, a incidência do imposto de renda sobre juros de mora está atrelada à natureza da verba principal. Sobre o tema, transcrevo as razões de decidir expostas pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, redator designado para o Acórdão 2101002.547: Sobre o tema da tributação dos juros, vale ressaltar o entendimento inicial, no sentido de que tais rendimentos, a princípio, deveriam seguir a natureza tributável da verba principal, por sua característica acessória, escorado no artigo 55, inciso XIV, do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que estipula serem tributáveis "os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis". Com efeito, a Lei n° 4.506, de 1964, em seu artigo 16, é expressa quanto à exigência do imposto de renda sobre os juros de mora e quaisquer outras indenizações pagas pelo atraso no pagamento de rendimentos do trabalho. Vejamos o texto, ipsis litteris: Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5° do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: Fl. 90DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Resolução nº 2202000.780 S2C2T2 Fl. 91 7 I Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento; [...]Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. Sendo assim, tendo em vista o disposto no artigo 3°, § 4° da Lei n° 7.713, de 1988, os juros incidentes sobre as verbas de natureza salarial recebidas acumuladamente não poderiam, a princípio, escapar à tributação pelo IRPF. Todavia, com fundamento na legislação acima citada, o Superior Tribunal de Justiça também tem se manifestado pela existência de exceções quanto à incidência do imposto de renda sobre os juros de mora recebidos quando do recebimento de verbas no âmbito de rescisão do contrato de trabalho, consoante posicionamento externado quando do julgamento do REsp no 1.089.720/RS, em 10.10.2012 (publicado em 16.12.2012), cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e ao qual aqui se acede, por ter não só mantido o teor do anteriormente decidido no âmbito do REsp 1.227.133 citado no Voto Vencedor, como também explicitado de forma clara, em sua ementa, a forma de sua aplicação. Vejamos, assim, a ementa da decisão cujo teor aqui se adota : PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não (grifei). Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Resolução nº 2202000.780 S2C2T2 Fl. 92 8 A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). [...]4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". [...]7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (Grifos no original.) Em face do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que o Recorrente junte aos autos os seguintes documentos do processo 018830082.2004:5.03.0099 que tramitou perante a 2ª Vara de Governador Valadares/MG: a) petição inicial; b) contestação c) sentença d) certidão de trânsito em julgado e) liquidação de sentença f) cópia da execução Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 92DF CARF MF
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