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Numero do processo: 10120.725306/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. REQUISITOS.
As subvenções para investimento, para os fins de enquadramento na hipótese de não incidência veiculada no § 2º do artigo 38 do Decreto-Lei nº 1.598/77, são caracterizadas por três aspectos bastante claros: (i) a intenção do subvencionador de destiná-las para investimento; (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Exige-se perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta o animus de subvencionar, mas, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção. Os recursos transferidos podem até, num primeiro momento, oxigenar o capital de giro da empresa. Contudo, em algum momento futuro, o investimento para a implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos terá que ser efetuado. Não se exige, todavia, que o objetivo final seja alcançado, qual seja, que os empreendimentos econômicos tenham sido implantados ou expandidos. Mas, que a completude do estímulo seja garantida. Em outras palavras, só se verificará a efetividade do estímulo se o dinheiro for aplicado na consecução do objetivo final.
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. ACUSAÇÃO FISCAL DEFICIENTE.
No presente caso, ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, a lei estadual promotora do incentivo sob análise foi textual na sua intenção de ampliação e/ou modernização de parque industrial incentivado numa etapa anterior do programa de incentivos. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. Não é necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o dinheiro não precisa ser carimbado. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal.
PIS. COFINS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. RTT.
Uma vez afastada a premissa de que os descontos recebidos tratar-se-iam de subvenções para custeio, é de se notar que a norma veiculada pelo artigo 21, I, c/c o artigo 18, da Lei nº 11.941/09, é categórica ao afastar, no âmbito do RTT, as subvenções para investimento do escopo da tributação do PIS e da COFINS.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.203
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. REQUISITOS. As subvenções para investimento, para os fins de enquadramento na hipótese de não incidência veiculada no § 2º do artigo 38 do Decreto-Lei nº 1.598/77, são caracterizadas por três aspectos bastante claros: (i) a intenção do subvencionador de destiná-las para investimento; (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Exige-se perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta o animus de subvencionar, mas, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção. Os recursos transferidos podem até, num primeiro momento, oxigenar o capital de giro da empresa. Contudo, em algum momento futuro, o investimento para a implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos terá que ser efetuado. Não se exige, todavia, que o objetivo final seja alcançado, qual seja, que os empreendimentos econômicos tenham sido implantados ou expandidos. Mas, que a completude do estímulo seja garantida. Em outras palavras, só se verificará a efetividade do estímulo se o dinheiro for aplicado na consecução do objetivo final. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. ACUSAÇÃO FISCAL DEFICIENTE. No presente caso, ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, a lei estadual promotora do incentivo sob análise foi textual na sua intenção de ampliação e/ou modernização de parque industrial incentivado numa etapa anterior do programa de incentivos. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. Não é necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o dinheiro não precisa ser carimbado. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. PIS. COFINS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. RTT. Uma vez afastada a premissa de que os descontos recebidos tratar-se-iam de subvenções para custeio, é de se notar que a norma veiculada pelo artigo 21, I, c/c o artigo 18, da Lei nº 11.941/09, é categórica ao afastar, no âmbito do RTT, as subvenções para investimento do escopo da tributação do PIS e da COFINS. Recurso Voluntário Provido
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Glosa de exclusão de subvenção. Insuficiência de PIS e COFINS. Recorrente GOIÁSMINAS INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. REQUISITOS. As subvenções para investimento, para os fins de enquadramento na hipótese de não incidência veiculada no § 2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1.598/77, são caracterizadas por três aspectos bastante claros: (i) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Exigese perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta o “animus” de subvencionar, mas, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção. Os recursos transferidos podem até, num primeiro momento, oxigenar o capital de giro da empresa. Contudo, em algum momento futuro, o investimento para a implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos terá que ser efetuado. Não se exige, todavia, que o objetivo final seja alcançado, qual seja, que os empreendimentos econômicos tenham sido implantados ou expandidos. Mas, que a completude do estímulo seja garantida. Em outras palavras, só se verificará a efetividade do estímulo se o dinheiro for aplicado na consecução do objetivo final. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. ACUSAÇÃO FISCAL DEFICIENTE. No presente caso, ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, a lei estadual promotora do incentivo sob análise foi textual na sua intenção de ampliação e/ou modernização de parque industrial incentivado numa etapa anterior do programa de incentivos. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. Não é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 53 06 /2 01 2- 10 Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.643 2 necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o “dinheiro não precisa ser carimbado”. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. PIS. COFINS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. RTT. Uma vez afastada a premissa de que os descontos recebidos tratarseiam de subvenções para custeio, é de se notar que a norma veiculada pelo artigo 21, I, c/c o artigo 18, da Lei nº 11.941/09, é categórica ao afastar, no âmbito do RTT, as subvenções para investimento do escopo da tributação do PIS e da COFINS. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.644 3 Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por GOIÁSMINAS INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS LTDA contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/Brasília que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/Goiânia, referentes ao IRPJ e a CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 totalizaram o valor de R$ 27.176.437,10. Tal autuação foi fundamentada na glosa de exclusão de valores lançados a título de subvenção. Relativamente ao PIS e a COFINS, esses valores foram considerados tributáveis, entretanto, a infração resultou em mero aproveitamento de ofício de créditos da não cumulatividade. Da autuação: Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o feito fiscal: No documento denominado “Descrição dos Fatos” (fls. 2.494/2.512), após analisar a legislação pertinente e os documentos apresentados pela contribuinte, o auditorfiscal autuante destacou os seguintes termos do referido Programa FOMENTAR: (1) a empresa, nos anos de 2008, 2009 e 2010, era beneficiária do programa de incentivo fiscal denominado FOMENTAR, concedido pelo Governo do Estado de Goiás; (2) conforme instrumento particular de contrato de Empréstimo firmado com o Banco do Estado, agente financeiro do Fundo de Participação e fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR, a finalidade do crédito contratado é o reforço do capital de giro e não a realização de investimento, ainda que o reforço tenha sido necessário em função de investimento realizado em projetos em decorrência da implantação de unidade industrial; (3) o contrato de empréstimo e aditivos firmado entre as partes foi a título oneroso, e sobre a totalidade do saldo devedor, a partir das datas das liberações das parcelas do crédito, incidem juros; (4) o FOMENTAR foi criado pela Lei n° 9.489, de 19 de julho de 1984, com o objetivo básico de incrementar a implantação e a expansão de atividades industriais; (5) a Lei n° 13.436, de 30 de dezembro de 1998, e alterações, dispõe sobre a liquidação antecipada dos contratos de financiamento do FOMENTAR e dá outras providências; (6) o benefício inicial consiste em empréstimo às industrias de até 70% (setenta por cento) do montante ICMS devido pelo contribuinte em cada período de apuração do tributo, estando a pessoa jurídica apta a usufruílo a partir da assinatura do contrato de empréstimo com o Agente Financeiro do FOMENTAR, após concluído o estudo de viabilidade técnica, econômica e financeira do projeto; (7) na conformidade com a Lei 13.436 e alterações, os contratos de financiamento com recursos do FOMENTAR poderão ser, mensalmente, objeto de oferta pública com vistas à sua liquidação antecipada, observandose as disposições regulamentares; (8) segundo essa lei, a pessoa jurídica beneficiária da redução deveria aplicar o equivalente ao desconto obtido na quitação antecipada (desconto de 86,39% a 89% da dívida), na ampliação e/ou modernização do seu parque industrial, dentro do prazo de 20 anos. Posteriormente, por força do art. 3º da Lei n° Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.645 4 15.518, de 05.01.06, com vigência a partir de 10.01.06, do montante a ser aplicado, poderia ser deduzido o valor dos investimentos feitos desde o início da implantação do projeto inicial da empresa aprovado pelo FOMENTAR ou pelo PRODUZIR (outro programa de incentivo criado pelo Governo de Goiás); (9) flexibilizando ainda mais quanto a obrigação de utilização dos recursos, por força do art. 4º da Lei n° 15.518, de 05.01.06, com vigência a partir de 10.01.06, com a incorporação ao capital social da empresa e o cumprimento das obrigações assumidas nos projetos inicial e subsequentes, aprovados pelo FOMENTAR ou pelo PRODUZIR, a pessoa jurídica titular de estabelecimento beneficiário dos incentivos de um desses Programas ficava desonerada de qualquer outra comprovação perante o Estado de Goiás; (10) ao acrescentar o § 2º ao art.1° da Lei n° 15.124, determinouse que o valor referente ao "desconto" obtido na quitação do financiamento fosse considerado como subvenção para investimento, podendo ser incorporada ao capital da pessoa jurídica beneficiária ou mantido em conta de reserva para futuros aumentos de capital, vedada a sua destinação para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro; (11) no Decreto n° 3.822, de 10/07/1992, que regulamenta o FOMENTAR havia ainda hipótese na qual o recurso obtido com o programa poderia ser utilizado como capital de giro, quando permitia a utilização dos recursos do FOMENTAR para aquisição de matériasprimas e insumos. Informou o auditorfiscal que a contribuinte, utilizandose da faculdade de liquidação antecipada dos débitos do FOMENTAR, participou do leilão de liquidação, obtendo generosos descontos, conforme tabela de resumo a seguir: Data Débito Escriturado (R$) Valor Liquidado (R$) Desconto Obtido (R$) Desconto (%) 30/06/2008 5.558.956,36 701.036,04 4.857.920,30 87,39 31/12/2008 6.111.156,57 831.728,41 5.279.428,16 86,39 11/12/2009 12.894.724,34 1.418.419,68 11.476.304,66 89 30/09/2010 8.814.894,42 969.638,36 7.845.256,05 89 31/12/2010 6.486.998,86 713.569,87 5.773.428,99 89 Concluiu, então, a autoridade fiscal que o referido benefício fiscal não constitui subvenção para investimento, pois, à luz do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, seria necessário um sincronismo entre a intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Asseverou o agente fiscal que, no caso, não ocorre o sincronismo mínimo necessário entre a obtenção do benefício e a execução da "expansão e/ou modernização" do parque industrial incentivado, pois dáse um prazo de 20 (vinte) anos para que essa "expansão e/ou modernização" ocorra, sem que se estabeleça nenhuma prestação de contas por parte da empresa beneficiada. De acordo com o auditorfiscal autuante, para caracterizar a subvenção para investimento haveria que se estabelecer um gerenciamento da aplicação dos recursos, com prestação de contas periódica, com pontos de controle determinados, para o devido acompanhamento das obrigações contraídas. Em arremate, para demonstrar que o incentivo fiscal FOMENTAR não se enquadra na categoria de subvenções para investimentos, destaca o agente fiscal, ainda, os seguintes pontos: (1) quando se dá a subvenção para investimento, é para Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.646 5 acrescentar algo à economia local, e isso não se consegue com projetos já implementados por conta de outros benefícios concedidos e usufruídos anteriormente; (2) a utilização dos recursos como capital de giro é incompatível com a essência da subvenção para investimento, uma vez que esta somente prevê a aplicação dos recursos em imobilizado para a implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (3) a lei estadual não pode dizer que um incentivo fiscal é subvenção para investimento sem que o mesmo se revista de características próprias dessa espécie. Da impugnação: Também conforme a decisão recorrida, a empresa autuada apresentou os seguintes argumentos em sua impugnação: Cientificada dos lançamentos, e irresignada, a pessoa jurídica autuada apresentou a impugnação de fls. 5.075/5.124, por meio da qual, sustenta: (1) a caracterização das subvenções para investimento depende da satisfação de apenas dois requisitos: a) a destinação de recursos, como transferência de capital, pelo subvencionador, com a intenção de estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; e b) a manutenção dos valores renunciados pelo subvencionador, em conta de reserva de lucros do subvencionado, com a posterior integralização ao capital social; (2) os incentivos fiscais recebidos do Estado de Goiás, como estimulo à implantação e expansão de empreendimento industrial, possuem a natureza jurídica de subvenção para investimento, estando fora da incidência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; (3) as referidas subvenções para investimento foram corretamente contabilizadas em subconta "Reserva de Incentivos Fiscais", atendidos os requisitos de não distribuição do valor das subvenções para investimento e não restituição aos sócios de capital integrado pela incorporação daquelas subvenções; (4) as subvenções para investimento não estão restritas à aquisição de bens ou direitos destinados ao ativo fixo; (5) o prazo para comprovar os investimentos constitui condição suspensiva à aquisição de sua livre disponibilidade pelo seu beneficiário, não havendo como fazer incidir IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS enquanto pendente tal condição; (6) tratandose de subvenção para investimento, o valor do desconto concedido sobre o ICMS financiado/parcelado deve ser aplicado em benefício da empresa (expansão ou implantação de empreendimentos), conforme condição explicitada na Lei n° 13.436/98; (7) não há qualquer exigência legal sobre esse "sincronismo mínimo necessário", nem sobre a fixação de prazo máximo ou mínimo a que alude o autuante; (8) a autuação implica em interferência na política de renúncias fiscais concedidas pelo Estado de Goiás, como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; (9) transferência de capital não configura renda ou receita, não havendo como fazer incidir IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS; (10) é ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, uma vez que inexiste permissivo legal para tanto, nos termos dos artigos 3º e 161, do Código Tributário Nacional, e 84, inciso I, da Lei n° 8.981/95. Apoiandose em doutrina de Humberto Ávila e Leonardo Freitas de Moraes e Castro, sustenta, em síntese, que: (1) o prazo de 20 anos para a implantação ou expansão dos empreendimentos se justifica, pois a elaboração e execução de projetos de expansão ou implantação de novos empreendimentos dependem de estudo e requer quantidade significativa de recursos, razão pela qual não seria Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.647 6 razoável impor ao subvencionado que a cada parcela liberada promovesse, ato contínuo, execução de novo projeto; (2) ainda que o incentivo fiscal se destinasse unicamente ao capital de giro, tal situação não seria suficiente para afastar o benefício, pois a norma do artigo 443 do Regulamento do Imposto de Renda não impõe esse tipo de restrição, o que, aliás, é reconhecido pela Nota Explicativa da Instrução CVM n° 59/86; (3) para o gozo do benefício, o contribuinte deve íntegralizar ao capital social o valor da renúncia, bem como cumprir os projetos iniciais e subsequentes, o que de fato tem ocorrido, pois a impugnante tem experimentado crescimento constante no mercado nacional, acima de 15% ao ano, e ao longo desse período nunca fez qualquer distribuição aos sócios dos valores recebidos a titulo de estimulo à implantação do seu empreendimento. Cita precedentes do antigo 1º Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que teriam adotado o entendimento de que para a caracterização da subvenção para investimento bastaria a prova do interesse do subvencionador e a manutenção dos recursos na empresa. Da decisão recorrida: A já mencionada 2ª Turma da DRJ/Brasília, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 03052.659, de 14 de junho de 2013, por meio do qual decidiu pela total procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. Descaracterização. Incentivos Fiscais. Programa FOMENTAR. Inexistência de Vinculação. Descaracterização. Os valores contabilizados a título de descontos na quitação de dívidas contraídas no âmbito do Programa FOMENTAR que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes relativo à CSLL, à Cofins e à contribuição para o PIS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.648 7 Anocalendário: 2008, 2009, 2010 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Conforme atestado na ementa da decisão, a instância a quo entendeu que os valores contabilizados a título de desconto teriam a natureza de subvenções para custeio. Formou sua convicção a partir do conteúdo do Parecer Normativo CST nº 112/78, o qual, na sua interpretação, sintonizada com a da autoridade fiscal, estabelece que as subvenções para investimento apresentam as seguintes características: (1) a intenção do subvencionador (Poder Público) de destináas para investimento, representada pela estrita vinculação e sincronia dos recursos com as aplicações em bens e direitos, ajustadas por meio de instrumento hábil que imponha a necessária obrigatoriedade; (2) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (3) o beneficiário da subvenção deve ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. No que diz respeito aos autos de infração do PIS e da COFINS, o voto condutor da decisão recorrida centrou sua fundamentação no fato de que o conceito de receita tributável por essas contribuições é o da totalidade dos recebimentos, não importando a que titulo foram contabilizados, sejam eles classificados como subvenções para investimento ou subvenções para custeio. Do recurso voluntário: Em seu recurso voluntário, a empresa autuada basicamente repete os argumentos deduzidos na impugnação. Ao concluir, requer a reformulação da decisão recorrida e, como consequencia, que sejam julgados improcedentes os lançamentos efetuados. Quanto ao PIS e à COFINS, que sejam restabelecidos os créditos compensados de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.649 8 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como bem notado pela autoridade julgadora de primeira instância, a fiscalização e a empresa recorrente não discordam quanto aos termos do programa de incentivo fiscal do Estado de Goiás (FOMENTAR) nem quanto aos fatos destacados nos autos de infração. A discussão circunscrevese quanto aos seus efeitos na esfera tributária federal. Conforme relatado pela recorrente, o programa de incentivos, historicamente, desenvolveuse em duas etapas: a primeira, mediante financiamento de 70% do valor do ICMS devido em suas operações, em até vinte anos, com condições vantajosas de juros e correção monetária; a segunda, mediante descontos de até 89% na quitação antecipada, em operações de oferta pública feitas por meio de leilões, dos impostos anteriormente financiados. É justamente nesta segunda etapa que se foca a discussão sobre a natureza da subvenção, se para investimento ou custeio, porque foi sobre os valores dos descontos obtidos com operações de quitação antecipada que se basearam as autuações efetuadas pela fiscalização. Para melhor compreensão dos contornos do incentivo fiscal concedido nesta segunda etapa, convém reproduzir o conteúdo de sua base legal, o artigo 1º, e seus §§ 1º e 2º, da Lei nº 13.436/98 do Estado de Goiás, já com suas alterações em vigor à época dos fatos: Art. 1º Os contratos de financiamento com recursos do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR poderão ser, mensalmente, objeto de oferta pública com vistas à sua liquidação antecipada, observandose as disposições regulamentares e; ainda, as seguintes condições: (...) § 1º A pessoa jurídica titular de estabelecimento beneficiário do incentivo do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR, aplicará o montante equivalente ao desconto obtido com a quitação antecipada do contrato de financiamento firmado com o mesmo Fundo, representado por seu agente financeiro, nos termos deste artigo, na ampliação e/ou na modernização do seu parque industrial incentivado dentro do prazo máximo de 20 (vinte) anos, a contar da data da realização do leilão respectivo. (grifei) § 2º O montante a que se refere o § 1º é considerado subvenção para investimento, podendo ser incorporado ao capital social da pessoa jurídica titular do estabelecimento beneficiário do incentivo ali mencionado ou mantido em conta de reserva para futuros aumentos de capital, vedada sua destinação para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro. (grifei) Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.650 9 Portanto, a lei estadual impôs a obrigatoriedade de a empresa aplicar o montante equivalente aos descontos obtidos com a quitação antecipada do financiamento na ampliação e/ou modernização de seu parque industrial incentivado (na 1ª etapa) dentro de vinte anos a contar da data da realização dos leilões respectivos (2ª etapa). Além disso, a mesma lei tratou de enquadrar o incentivo (da 2ª etapa) no conceito de subvenção para investimento e determinar a incorporação da contrapartida do montante beneficiado ao capital social ou sua contabilização como reserva de lucro, bem como vedar sua destinação para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro. Como se vê, a lei estadual pretendeu sinalizar que o incentivo atenderia as condições impostas na lei do imposto de renda para que o mesmo fosse considerado não tributável. Nesse sentido, confirase o que dispõe o § 2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1.598/77: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (...) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifei) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifei) Isso porque, caso não pudesse atender a essas condições, o enquadramento do incentivo provavelmente recairia no conceito de subvenção para custeio e seria tributado na conformidade do que dispõe o artigo 392, I, do RIR/99, verbis: Art.392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei n º 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.651 10 O problema é que, como corretamente atestado pela autoridade julgadora da instância a quo, cabe à União Federal, por meio de seus órgãos competentes, examinar os efeitos de lei estadual na determinação e exigência de tributos federais. O fato de a lei estadual enquadrar seu incentivo fiscal como subvenção para investimento não vincula os órgãos federais na subsunção dos fatos ao contexto normativo da legislação tributária federal. Diante disso, com a força de norma complementar de lei (artigo 100, I, do CTN), há que se conceder a devida relevância ao conteúdo do Parecer Normativo CST nº 112/78, o qual procurou estabelecer diretrizes para a determinação dos conceitos de subvenção para custeio e subvenção para investimento. Destacamse, assim, os seguintes trechos: 2.11 Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendose um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST Nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fins do gozo dos favores previstos no § 2º do art. 38 do DL nº 1.598/77, de que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras quem está suportando a ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido como beneficiário da subvenção, e, por decorrência, dos favores Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.652 11 legais. Essa característica está muito bem observada nos desdobramentos do item 5 do PN CST nº 2/78. 2.14 Com o objetivo de promover a interação dos dois diplomas legais ora dissecados [Lei nº 4.506/64 e DL nº 1.598/77] podemos resumir a matéria relacionada com as SUBVENÇÕES nos seguintes termos: As SUBVENÇÕES, em princípio, serão, todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, como parcelas do resultado nãooperacional. As primeiras integram sempre o resultado do exercício e devem ser contabilizadas como tal; as últimas, se efetivamente aplicadas em investimentos, podem ser registradas como reserva de capital, e, neste caso, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições. para a utilização dessa reserva. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) 7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item 1, letra "b", do Decretolei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.653 12 b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; (grifei) Portanto, a conclusão do Parecer é no sentido de que as subvenções para investimento, para os fins de enquadramento na hipótese de não incidência veiculada no § 2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1.598/77, sejam caracterizadas por três aspectos bastante claros: (i) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Além disso, o Parecer esclarece que exigese perfeita sincronia da (i) intenção do subvencionador com a (ii) ação do subvencionado. Ademais, não basta o (i) “animus” de subvencionar, mas, também, (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção. Nesse ponto, não se pode concordar com a recorrente quando alega que a caracterização das subvenções para investimento depende da satisfação de apenas dois requisitos: (a) a destinação de recursos, como transferência de capital, pelo subvencionador, com a intenção de estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; e (b) a manutenção dos valores renunciados pelo subvencionador, em conta de reserva de lucros do subvencionado, com a posterior integralização ao capital social. Isso porque a mera transferência dos recursos para a empresa com a comprovação de que não foram distribuídos aos sócios não é suficiente para fazer cumprir o objetivo da norma. Há que se verificar a implementação da condição estatuída, qual seja, o estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Neste sentido, a pertinente exigência da sincronia entre a intenção do subvencionador e ação do subvencionado. Também por esse motivo, não procede a afirmação de que se o incentivo fiscal se destinasse unicamente ao capital de giro, tal situação não seria suficiente para afastar o benefício. Os recursos transferidos podem até, num primeiro momento, oxigenar o capital de giro da empresa. Contudo, em algum momento futuro, o investimento para a implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos terá que ser efetuado. Nem se pode concordar, ainda, com a alegação de que as transferências de capital não configuram renda ou receita. Diferentemente do que ocorre em alguns países onde a renda segue a teoria da fonte definida em espectros cedulares, o conceito de renda adotado no Brasil segue a teoria do acréscimo patrimonial segundo o modelo desenvolvido pelos Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.654 13 financistas Georg Schanz, Robert Haig e Henry Simons definido numa amplitude global (Cf. Reuven S. AviYonah, Nicola Sartori e Omri Marian, Global Perspectives on Income Taxation Law, New York: Oxford, 2011, pp. 17 a 23). Isso significa que considerase renda quaisquer fluxos monetários e demais benefícios (que possam também ser avaliados em termos monetários) que ingressem na esfera patrimonial da pessoa durante o período considerado. O que ocorre é que a lei, em situações nas quais o legislador sopesa a confluência de diversos princípios e interesses coletivos, deixa de tributar algumas categorias de renda. É isso, precisamente, o que ela faz com as subvenções para investimento. Não se trata, pois, de dizer que elas não configuram renda, mas, sim, renda não tributável. Raciocínio semelhante pode ser empreendido quanto à ideia de receita tributável ou não tributável pelas leis do PIS e da COFINS. Consequentemente, no caso do imposto de renda, a lei tributária incide de forma global sobre todo acréscimo patrimonial. Depois, sobre algumas situações específicas, afasta o campo de incidência. Diria mesmo que opera como se fosse uma isenção. Como explica Paulo de Barros Carvalho, a isenção atua no próprio campo normativo. A regra de isenção subtrai parte do campo de abrangência do antecedente ou do consequente da regra matriz de incidência, mutilando, parcialmente, um ou mais dos seus critérios (Cf. Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 17a. ed., São Paulo: Saraiva, 2005, p. 490). Por tratarse de isenção, há que se lembrar o que determina o artigo 111 do CTN, verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; A regramatriz de incidência é o resultado do trabalho interpretativo de um conjunto de enunciados veiculados nos textos legais. Há diversas técnicas legislativas para conformar o campo de incidência. A isenção nada mais é do que uma dessas técnicas, por meio da qual, algum aspecto de uma predefinição genérica daquele campo é mutilado. Entretanto, se o legislador opta por essa técnica, o CTN exige uma interpretação literal dos seus enunciados para a produção da regramatriz. Ora, como bem interpretado pelo Parecer acima transcrito, a verificação do estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos exige não só a intenção do subvencionador, mas, também, a ação do subvencionado no sentido de promover a efetiva e específica aplicação do recurso na consecução do objetivo traçado. Não se exige, todavia, que o objetivo final seja alcançado, qual seja, que os empreendimentos econômicos tenham sido implantados ou expandidos. Mas, que a completude do estímulo seja garantida. Em outras palavras, só se verificará a efetividade do estímulo se o dinheiro for aplicado na consecução do objetivo final. Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.655 14 Por isso, considero correta a necessidade de verificação da efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Foi, inclusive, com essa linha de raciocínio que acompanhei a divergência contida na declaração de voto do ilustre Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, situação na qual fomos vencidos, no julgamento do Acórdão nº 1102000.868 proferido em maio de 2013. Na ocasião, o mencionado Conselheiro citou dois acórdãos da 1ª Turma da CSRF (9101 00.566 e 9101001.094) como exemplos da constatação de que a jurisprudência da CSRF vem relaxando as exigências do Parecer Normativo nº 112/78. Contudo, de forma perspicaz, observou que o posicionamento da Câmara Superior não retira do beneficiário o ônus de comprovar a aplicação do recurso recebido. Confirase, neste sentido, o seguinte trecho: Já a jurisprudência mais recente da 1a Turma da CSRF também vem relaxando as exigências do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, seja admitindo isenções do ICMS sem a aplicação obrigatória em ativos permanentes, seja permitindo que os valores recebidos não tenham que ser aplicados obrigatoriamente em investimentos futuros. Além do Acórdão no 910100.566 já citado pelo Conselheiro Relator, mas que, de acordo com seu entendimento, não tratou da obrigação da imediata aplicação dos recursos, destaco o Acórdão no 9101001.094, julgado na sessão de 29 de junho de 2011, tendo por relator o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, que enfrenta diretamente a matéria. Transcrevo sua ementa: IRPJ. Subvenção para Investimento. Na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício a título de subvenção para investimento, razão pela qual, natural que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. Após concluir que o incentivo sob análise não exigia a aplicação de todos os recursos na implantação do empreendimento, e de que seria natural existir essa diferença entre o momento de aplicação do recurso e o gozo do benefício, o relator concluiu: Por outro lado, o montante dos valores obtidos com o benefício que exceder o total dos valores aplicados na ampliação ou expansão do empreendimento, logicamente, não gozará de isenção de IR e deverá ser tido como subvenção para custeio, já que poderá ser aplicado livremente pelo beneficiário. No caso em tela, se o valor aplicado na implantação e, posteriormente, na expansão do empreendimento é maior ou menor do que o valor oriundo do benefício que será recebido durante 20 anos, é uma outra questão que não foi posta para ser dirimida na presente demanda, mesmo porque deveria ter sido investigada pela autoridade lançadora, para eventualmente, desconsiderar parte dos valores oriundos do benefício não destinado à finalidade legal. Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.656 15 Assim, salvo melhor juízo, concluise que somente poderia se considerar isentos do Imposto de Renda os valores efetivamente utilizados na ampliação ou expansão do empreendimento, mas que essa aplicação não estava em discussão naqueles autos. Como já explicado, entendo que a aplicação dos recursos está em discussão nestes autos desde o lançamento, não tendo o contribuinte comprovado o efetivo uso dos recursos nos investimentos subvencionados. Assim, salvo melhor juízo, penso que o entendimento aqui exposto está de acordo com esse posicionamento da CSRF, que flexibiliza os ditames do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, mas não retira do beneficiário o ônus de comprovar sua aplicação. Naquele caso, apesar dos esforços da fiscalização, a contribuinte não apresentou provas de que os incentivos fiscais foram aplicados em investimentos para a implantação ou expansão dos projetos subvencionados. Nada obstante, no presente caso, a fiscalização agiu de forma diferente. Ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Neste sentido, na descrição dos fatos referente aos autos de infração do IRPJ e da CSLL (fls. 2494 a 2512), analisou os termos do contrato e aditivos celebrados no âmbito da primeira etapa do programa de incentivos (o financiamento de 70% do valor do ICMS devido) para concluir que “o citado contrato e aditivos declara explicitamente a destinação do benefício como reforço do capital de giro do contribuinte e não à realização de investimento, ainda que o reforço tenha sido necessário em função de investimento realizado em projetos em decorrência da implantação de unidade industrial” (fls. 2506). Mais à frente, continuou com as seguintes considerações (fls. 2511): No caso em questão identificamos que o incentivo fiscal do qual o contribuinte foi beneficiário não se reveste de alguns dos requisitos citados no item anterior para que possa ser considerado subvenção para investimentos, conforme explicitado a seguir. Primeiramente, não ocorre o sincronismo mínimo necessário entre a obtenção do benefício e a execução da "expansão e/ou modernização" do parque industrial incentivado. Pelo contrário, dáse um prazo de 20 (vinte) anos, para que essa "expansão e/ou modernização" ocorra, sem que se estabeleça nenhuma prestação de contas por parte da empresa beneficiada. Para se caracterizar como subvenção para investimento haveria que se estabelecer um gerenciamento da aplicação dos recursos, com prestação de contas periódica, com pontos de controle determinados, para o devido acompanhamento das obrigações contraídas, o que inexiste no presente caso. É permitido que um projeto antigo, que já foi beneficiado com o financiamento do FOMENTAR, seja reutilizado para a obtenção de mais um benefício (agora, o "desconto" pela liquidação do próprio financiamento). Entretanto, quando se dá a subvenção para investimento, é para acrescentar algo à Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.657 16 economia local, e isso não se consegue com projetos já implementados por conta de outros benefícios concedidos e usufruídos anteriormente. Na interpretação literal, se o objetivo é implantar ou expandir, não estamos falando de passado. É necessário que a economia local evolua com a ajuda da subvenção concedida. De outra forma, não haveria necessidade de o Estado abrir mão de receber parte tão significativa do ICMS. O Decreto regulamentador do FOMENTAR prevê ainda hipótese de utilização dos recursos obtidos com o programa para capital de giro, por meio da aquisição de matériasprimas e insumos para a indústria, ainda que estabeleça exigências formais especiais para ocorrência desta hipótese, conforme anteriormente citado. A utilização dos recursos como capital de giro é incompatível com a essência da subvenção para investimento, uma vez que esta somente prevê a aplicação dos recursos em imobilizado para a implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Como se vê, a autoridade fiscal centrou sua argumentação em aspectos da configuração legal e regulamentar do Programa FOMENTAR (tanto da primeira quanto da segunda etapa). Teceu comentários sobre a possibilidade de os recursos da primeira etapa serem utilizados como reforço do capital de giro, disse que haveria necessidade de se estabelecer uma prestação de contas e conjeturou sobre a impossibilidade de a segunda etapa acrescentar algo de novo à economia local. Nesse ponto, é bom lembrar que a discussão neste processo é focada na segunda etapa do programa porque foi sobre os valores dos descontos obtidos com operações de quitação antecipada que se basearam as autuações efetuadas pela fiscalização. Então, de nada adianta argumentar que os recursos da primeira etapa poderiam ser utilizados como reforço do capital de giro. O que importa é saber como foram utilizados os recursos da segunda etapa, ou seja, os valores equivalentes aos descontos obtidos nas operações de oferta pública feitas por meio de leilões. Sobre isso, não há qualquer menção, nem nos termos de intimação, nem na descrição dos fatos que acompanharam os autos de infração. Nunca é por demais lembrar que a lei estadual impôs a obrigatoriedade de a empresa aplicar o montante equivalente aos descontos obtidos com a quitação antecipada do financiamento (1ª etapa) na ampliação e/ou modernização de seu parque industrial incentivado (na 1ª etapa) dentro de vinte anos a contar da data da realização dos leilões respectivos (2ª etapa). Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. É certo que com um prazo de vinte anos para a consecução do objetivo final do programa, a empresa dispõe de um bom tempo para iniciar os investimentos necessários. Neste sentido, é sensata a observação da autoridade fiscal sobre a necessidade de existir algum tipo de prestação de contas. Mas, se a legislação estadual não a criou, isso não significa que a empresa, para fins de usufruir o benefício instituído na lei federal, não possa fazêlo. Não é necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o “dinheiro não precisa ser carimbado”. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.658 17 excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Percebase que esse entendimento está perfeitamente sintonizado com o conteúdo do voto proferido na 1ª Turma da CSRF pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, citado na declaração de voto acima reproduzida. A conclusão que se chega é que só não são tributados os valores efetivamente utilizados na ampliação ou expansão do empreendimento. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. A DRJ, por sua vez, limitouse a reproduzir os requisitos do Parecer Normativo CST nº 112/78 sem observar que a fiscalização não realizou seu trabalho nos devidos termos preconizados por esses requisitos. Por tais motivos, considero improcedentes os lançamentos do IRPJ e da CSLL. Quanto à compensação de créditos de ofício no contexto das autuações do PIS e da COFINS, a fiscalização entendeu que, por se tratarem de subvenções para custeio, os descontos obtidos na segunda etapa do Programa FOMENTAR caracterizariamse como “outras receitas operacionais” e, como tais, deveriam ser tributadas. Reforçando a procedência da autuação, a instância a quo argumentou que o conceito de receita tributável por essas contribuições é o da totalidade dos recebimentos, não importando a que titulo foram contabilizados, sejam eles classificados como subvenções para investimento ou subvenções para custeio. Sem embargo, uma vez afastada a premissa de que os descontos recebidos tratarseiam de subvenções para custeio, é de se notar que incide sobre o caso as disposições previstas para o Regime Tributário de Transição – RTT – instituído pela Lei nº 11.941/09, resultado da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Em primeiro lugar, porque, conforme pode ser atestado nas DIPJ juntadas aos autos (fls. 134 e 182), a contribuinte optou por este regime nos anoscalendário de 2008 e 2009 e, conforme dispõe o § 3º do artigo 15 dessa mesma lei, tal regime foi obrigatório no ano calendário de 2010. Depois, porque a norma veiculada pelo artigo 21, I, c/c o artigo 18, dessa mesma lei, é categórica ao afastar, no âmbito do RTT, as subvenções para investimento do escopo da tributação do PIS e da COFINS. Confirase: Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: (...) Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.659 18 Art. 21 (...) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e (...) (grifei) Diante disso, considero também improcedente a compensação de créditos de ofício no contexto das autuações do PIS e da COFINS. Uma vez cancelada a integralidade das autuações, tornase despicienda a apreciação das demais razões do recurso. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10120.725306/201210 Acórdão n.º 1102001.203 S1C1T2 Fl. 2.660 19 Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 13807.004162/2005-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INTEMPESTIVIDADE. PRESCRIÇÃO
O regramento estabelecido pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 aplica-se aos pedidos de restituição formalizados a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011).
Os pedidos de restituição formulados a partir de 9 de junho de 2005 tem o condão de pleitear somente créditos relativos aos últimos 5 anos da data da realização do pagamento no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação.
Numero da decisão: 1102-001.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INTEMPESTIVIDADE. PRESCRIÇÃO O regramento estabelecido pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 aplica-se aos pedidos de restituição formalizados a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). Os pedidos de restituição formulados a partir de 9 de junho de 2005 tem o condão de pleitear somente créditos relativos aos últimos 5 anos da data da realização do pagamento no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação.
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Prescrição. LC 118/05. Recorrente BSH CONTINENTAL ELETRODOMÉSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INTEMPESTIVIDADE. PRESCRIÇÃO O regramento estabelecido pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 aplicase aos pedidos de restituição formalizados a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). Os pedidos de restituição formulados a partir de 9 de junho de 2005 tem o condão de pleitear somente créditos relativos aos últimos 5 anos da data da realização do pagamento no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 41 62 /2 00 5- 04 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 24/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.004162/200504 Acórdão n.º 1102001.112 S1C1T2 Fl. 3 2 Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente contra Acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/SPOI (fls. 108 – 112), o qual indeferiu pedido de restituição (fls. 1 – 43), protocolizado em 09/06/2005, por pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL datados de 1996, que não reconheceu o direito da requerente ao crédito pleiteado na inicial no valor total de R$ 3.927.660,49, em virtude da ocorrência do instituto da decadência do direito de uso do crédito informado, conforme ementa abaixo: Processo n°13807.004162/200504 Acórdão n°1621032 5' Turma da DRJ/SPOI Sessão de 13 de abril de 2009 Interessado: BSH CONTINENTAL ELETRODOMÉSTICOS LTDA. CNPJ/CPF: 60.736.279/000106 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de pagamento a maior ou indevido do IRPJ e CSLL, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida A requerente informa que o crédito em tela, tem como origem o saldo negativo do IRPJ e CSLL apurado no ano calendário de 1996. Em seu recurso voluntário (119/146), a contribuinte alega, em síntese, defende a tese de que o prazo para pleitear a restituição de tributo pago a maior, tem como termo inicial, a data da sua homologação, assim o termo final ocorreria em geral, após dez anos contados da ocorrência do fato gerador. Este é o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 24/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.004162/200504 Acórdão n.º 1102001.112 S1C1T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares Atendidos os pressupostos legais do recurso voluntário, é de se conhecêlo. Analisando a matéria em epígrafe, entendemos por negar provimento ao recurso voluntário. O regramento estabelecido pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 aplicase aos pedidos de restituição formalizados a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). Conforme entendimento consolidado no STF, os pedidos de restituição formulados a partir de 9 de junho de 2005 tem o condão de pleitear somente créditos relativos aos últimos 5 anos da data da realização do pagamento no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. No caso em epígrafe, a recorrente interpôs seu recurso no dia 9 de junho de 2005, primeiro dia que passou a valer as regras da LC 118/05, o que nos leva a aplicar as novas regras prescricionais para restituição de tributos, conforme entendimento do RE Nº 566.621/RS. Extraise trecho esclarecedor do voto da Ministra Relatora Ellen Gracie, no qual atestamos que os pedidos de restituição com prazo de dez anos só poderiam ser protocolizados até 8 de junho de 2005: Tenho que o art. 4º da LC 118/05, na parte em que estabeleceu vacatio legis alargada de 120 dias, cumpriu tal função, concedendo prazo suficiente para que os contribuintes não apenas tomassem conhecimento do novo prazo, como para que pudessem agir, ajuizando as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Notese que foi significativa a avalanche de ações ajuizadas perante a primeira instância em tal prazo, até 8 de junho de 2005, sinal, aliás, de que tal prazo cumpriu sua finalidade, não havendo fundamento constitucional para proteger o contribuinte da sua própria inércia, cabendo dar aplicação ao velho brocardo latino: Dormientibus non sucurrit jus ". Assim, vencida a vacatio legis de 120 dias, é válida a aplicação do prazo de cinco anos às ações ajuizadas a partir de então, restando inconstitucional apenas sua aplicação às ações ajuizadas anteriormente a esta data. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 24/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13807.004162/200504 Acórdão n.º 1102001.112 S1C1T2 Fl. 5 4 Da decisão de 1ª instância, fazemos a ressalva somente que se trata da prescrição do direito da recorrente – não de decadência. Diante de todo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão de 1ª instância pela intempestividade do pedido de restituição interposto pelo instituto da prescrição, nos termos do art. 168, I do CTN – não da decadência como aposto no acórdão da DRJ. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 24/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 28/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10880.920517/2009-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/03/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE.
A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
Numero da decisão: 3803-006.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 17 /2 00 9- 59 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de Cofins Importação, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/ indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a titulo de IRRF, CIDE, PISImportação e CofinsExportação, em valores que teria utilizado para quitar débitos de Cofins, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PeR/DComp; b) juntamente com o Despacho Decisório eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete, todos decidindo pela não homologação de compensações declaradas pela Contribuinte; c) deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE PISImportação e CofinsExportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; d) mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; f) o Despacho Decisório carece de fundamentação, em violação ao principio do contraditório e ampla defesa, alegando, ainda, que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida na dita decisão, entendendo ser nulo o ato ora impugnado; g) o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, pelo que reclamou que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" ; h) qualquer agente fiscal que " ... analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada"; i) declarara em DCTF débito que fora pago em DARF que, após revisão teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inexigível a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; j) à luz dos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material não admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alegou, além de acórdão do Conselho de Contribuintes; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920517/200959 Acórdão n.º 3803006.315 S3TE03 Fl. 156 3 k) foi exíguo o prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informou que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito; Por fim. requereu a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PeR/DComp, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Em 24/09/2010, enviou o que chama de complemento à manifestação de inconformidade, fls. 72/76, informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande argumentou que: a) ao contrário do que alegara a Manifestante, o despacho decisório neste processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções, sem preterimento do direito de defesa, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72; b) deveria ser óbvio para a Contribuinte que se ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito, em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior. Estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório, a Contribuinte pôde se defender amplamente, como o fez; c) quanto aos erros cometidos no preenchimento da DCTF e que uma vez sanados haveria o crédito que utilizou nas DComps, observou que a Contribuinte limitouse a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova; d) a retificação da DCTF para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida como argumento de defesa; e) a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, feita com base nas informações constantes dos Sistemas da Receita Federal prestadas pelos próprios contribuintes através das declarações fiscais. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 23/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF A1 PÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 despacho deciSório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 24 de janeiro de 2011, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23 de fevereiro de 2011, em que reiterou todos os termos da manifestação de inconformidade, destacandose as alegações: a) de carência de fundamentação do despacho decisório; b) da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade; e c) de ter executado um escorreito procedimento de compensação. Ao fim, requer que seja declarado nulo o Despacho Decisório ante a patente carência de fundamentação, caso assim não se entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a sua escrita fiscal, confirmandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente reconhece que o valor dos pagamentos do débito em DARF estava de acordo com o débito declarado em DCTF. Na sequência, sustenta que o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil, antes da transmissão das compensações, não pode lhe subtrair o direito ao crédito. Correta está a Recorrente em sua afirmação. Ocorre que a Administração Tributária somente veio a ter ciência de erro no preenchimento das DCTFs na manifestação de inconformidade. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.920517/200959 Acórdão n.º 3803006.315 S3TE03 Fl. 157 5 Declaração de Compensação (DComp), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. O Despacho Decisório emitido em resultado do procedimento eletrônico fez então registrar: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 17.012,94 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não há previsão legal para a existência de contraditório no itinerário entre a transmissão da DComp, pelo contribuinte, e a análise do crédito e subsequente decisão administrativa, pois os procedimentos dãose em torno de dados do sistemas, alimentados pelo próprio contribuinte. O contraditório e o exercício da ampla defesa, segundo previsto no Decreto nº 70.235/72, ocorrem a partir do processo, que somente surge com a Manifestação de Inconformidade. O texto do Despacho Decisório possui clareza suficiente na descrição do fato verificado, de sorte que permite a sua compreensão por qualquer técnico de inteligência mediana que opera com DCTF, DARF, PERD/COMP, sendo elementar que sobre tal fato esta Contribuinte haveria de construir a sua ampla defesa. Reiterese que a declaração antes prestada pela Contribuinte, no exercício do seu ofício legal de apurar e antecipar o pagamento de tributos, no regime de lançamento por homologação procedimento que supre de dados os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) , é o que a impediu de lograr êxito no seu procedimento de compensar débitos utilizando parcela de pagamento em DARF já alocado integralmente a outro débito, por si declarado. A declaração de compensação que o contribuinte transmite configura o uso de um direito potestativo, que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, apura a existência de crédito perante a RFB. Pela natureza jurídica deste direito é que a compensação extingue o crédito tributário, independentemente de apreciação prévia do órgão fazendário, nada obstante sob a condição resolutiva de ulterior verificação da legitimidade do procedimento, no prazo de cinco anos. Uma demonstração da veracidade deste efeito é a possibilidade de o contribuinte extrair certidão negativa de débito momentos após a transmissão da DComp. Dada esta feição das relações FiscoContribuinte, neste particular, é que ao transmitir a compensação o contribuinte extingue o seu débito, mas o faz por conta e risco seu. Noutra vertente, outro efeito a compensar o ganho do contribuinte na agilidade da extinção do seu débito é que ao malograr no seu intento por se verificar inexistência de crédito é ele que tem que provar que possui o crédito com que quitara o seu débito. Não é a Fazenda que tem que ir lá esquadrinhar a sua contabilidade para buscar a verdade material do seu crédito. Não. Não nesta hipótese. Em auto de infração, por meio do qual a Fazenda acusa, sim. Neste caso, o dever de ir em busca da verdade dos fatos é da Fazenda. E assim dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 16, verbis: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Pelo que foi dito acima, não é nulo o despacho decisório e a Contribuinte não foi obstada no seu direito ao contraditório e à ampla defesa. A decisão de primeira instância, à míngua de provas que deveriam ter sido carreadas junto com a manifestação de inconformidade, consideroua improcedente e indeferiu a solicitação. E foi específica e pontual ao dizer que “Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa”. Entre ser verdadeira a afirmação da Contribuinte, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações , não lhe pode subtrair o direito ao crédito, e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário contaria com a possibilidade de seu acolhimento em segunda instância. Ressaltese que, um ano e meio entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não lhe bastaram para conseguir coligir tais provas. Por fim, em nada repercute apenas proceder à retificação a destempo da DCTF, ausente dos documentos e demonstrações que a supriram de novos dados. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11020.002395/00-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2000
NORMAS REGIMENTAIS. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Nos termos do art. 62-A introduzido no Regimento Interno do CARF pela Portaria MF nº 586/2010, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No julgamento do recurso especial nº 1.164.452-MG, disse o ministro Teori Albino Zavascki:
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001.
1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes.
2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes.
3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/08.
Numero da decisão: 9303-003.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 05/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez Lopez e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente da Segunda Seção, que substituiu o Presidente Otacílio Cartaxo, ausente justificadamente. Também ausente, justificadamente, em função do Memo. PRES/CARF S/Nº, de 27 de maio de 2014, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 05/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez Lopez e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente da Segunda Seção, que substituiu o Presidente Otacílio Cartaxo, ausente justificadamente. Também ausente, justificadamente, em função do Memo. PRES/CARF S/Nº, de 27 de maio de 2014, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
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ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do art. 62A introduzido no Regimento Interno do CARF pela Portaria MF nº 586/2010, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. No julgamento do recurso especial nº 1.164.452MG, disse o ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 23 95 /0 0- 82 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 05/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez Lopez e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente da Segunda Seção, que substituiu o Presidente Otacílio Cartaxo, ausente justificadamente. Também ausente, justificadamente, em função do Memo. PRES/CARF S/Nº, de 27 de maio de 2014, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Relatório A Fazenda Nacional, por meio de sua Procuradoria Geral, contesta decisão proferida pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes – acórdão nº 202 18.068 – que deu provimento ao recurso voluntário. Entendeu o colegiado que para efeito de requerer administrativamente compensação de débito não cabe a exigência de trânsito em julgado de decisão judicial que, em mandado de segurança, reconhece a existência do indébito. No caso concreto, a compensação foi postulada em 14 de novembro de 2000, anteriormente, pois, à edição da Lei Complementar nº 104, que acresceu o art. 170A ao CTN. Como paradigma da divergência, apresenta a PFN acórdão em que o colegiado da Quarta Câmara do mesmo Segundo Conselho de Contribuintes entendeu, com base em voto por mim elaborado, que o art. 170 do CTN já o tornava necessário, por conta de requerer a certeza e liquidez do indébito a ser usado na compensação. O recurso especial combate ainda a aplicação da Solução de Consulta COSIT nº 10, feita na decisão atacada. Segundo a PFN, tal ato apenas tratou de hipótese diversa da dos autos, qual seja, quando a própria decisão judicial determina expressamente a imediata compensação. É o relatório, sucinto por força do art. 62A do RICARF. Voto Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 11020.002395/0082 Acórdão n.º 9303003.005 CSRFT3 Fl. 7 3 Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso especial é tempestivo e traz paradigma que se amolda perfeitamente ao caso dos autos, merecendo por isso ser admitido. Mas, ainda que o acórdão paradigmático tenha sido de minha relatoria e não tenha eu mudado de entendimento, impossível agora aplicálo por força da expressa disposição regimental contida no art. 62A do vigente regimento interno. Isso porque a matéria já foi enfrentada pelo e. STJ na sistemática prevista no art. 543C do CPC (Resp 1.164.452MG), o que nos obriga a reproduzila nos julgamentos aqui realizados em obediência ao preceito regimental mencionado. Na ocasião, assim se pronunciou o e. ministro Teori Albino Zavascki: (...) 2. Conforme se sabe, a compensação tributária é admitida sob regime de estrita legalidade. É o que estabelece o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Entre as várias disposições normativas editadas pelo legislador ao longo do tempo, estabelecendo modos e condições para a efetivação de compensação tributária, uma delas é a do art. 170A do CTN, introduzido pela Lei Complementar 104/2001, que assim dispõe: "É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". A controvérsia aqui travada diz respeito à incidência intertemporal desse dispositivo. 3. É certo que o suporte fático que dá ensejo à compensação tributária é a efetiva existência de débitos e créditos recíprocos entre o contribuinte e a Fazenda, a significar que, inexistindo um desses pilares, não nasce o direito de compensar. Daí a acertada conclusão de que a lei que regula a compensação é a vigente à data do "encontro de contas", entre os recíprocos débito e crédito, como reconhece a jurisprudência do STJ (v.g.: EResp 977.083, 1ª Seção, Min. Castro Meira, DJe 10.05.10; EDcl no Resp 1126369, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJe de Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 22.06.10; AgRg no REsp 1089940, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJe de 04/05/09). É importante não confundir esse entendimento com o adotado pela jurisprudência da 1ª Seção, a partir do Eresp 488.452 (Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 07.06.04), precedente que, às vezes, é interpretado como tendo afirmado que a lei aplicável à compensação é a da data da propositura da ação. Não foi isso o que lá se decidiu, até porque, para promover a compensação tributária, não se exige o ajuizamento de ação. O que se decidiu, na oportunidade, após ficar historiada a evolução legislativa ocorrida nos anos anteriores tratando da matéria de compensação tributária, foi, conforme registrou a ementa, simplesmente que: "6. É inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias". Em outras palavras, o que se disse é que não se poderia julgar aquela causa, então em fase de embargos infringentes, à luz do direito superveniente à propositura da demanda. De modo algum se negou a tese de que a lei aplicável à compensação é a vigente à data do encontro de contas. Pelo contrário, tal tese foi, na oportunidade, explicitamente afirmada no item 4 do voto que proferi como relator. Mais: embora julgando improcedente o pedido, ficou expressamente consignada a possibilidade da realização da compensação à luz das normas (que não as da data da propositura da ação) vigentes quando da efetiva realização da compensação (ou seja, do encontro de contas). Constou da ementa: 7. Assim, tendo em vista a causa de pedir posta na inicial e o regime normativo vigente à época da postulação (1995), é de se julgar improcedente o pedido, o que não impede que a compensação seja realizada nos termos atualmente admitidos, desde que presentes os requisitos próprios . 4. Esse esclarecimento é importante para que se tenha a devida compreensão da questão agora em exame, que, pela sua peculiaridade, não pode ser resolvida, simplesmente, à luz da tese de que a lei aplicável é a da data do encontro de contas. Aqui, com efeito, o que se examina é a aplicação intertemporal de uma norma que veio dar tratamento especial a uma peculiar espécie de compensação: aquela em que o crédito do contribuinte, a ser compensado, é objeto de controvérsia judicial. É a essa modalidade de compensação que se aplica o art. 170A do CTN. O que Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 11020.002395/0082 Acórdão n.º 9303003.005 CSRFT3 Fl. 8 5 está aqui em questão é o domínio de aplicação, no tempo, de um preceito normativo que acrescentou um elemento qualificador ao crédito que tem o contribuinte contra a Fazenda: esse crédito, quando contestado em juízo, somente pode ser apresentado à compensação após ter sua existência confirmada em sentença transitada em julgado. O novo qualificador, bem se vê, tem por pressuposto e está diretamente relacionado à existência de uma ação judicial em relação ao crédito. Ora, essa circunstância, inafastável do cenário de incidência da norma, deve ser considerada para efeito de direito intertemporal. Justificase, destarte, relativamente a ela, o entendimento firmemente assentado na jurisprudência do STJ no sentido de que, relativamente à compensabilidade de créditos objeto de controvérsia judicial, o requisito da certificação da sua existência por sentença transitada em julgado, previsto no art. 170A do CTN, somente se aplica a créditos objeto de ação judicial proposta após a sua entrada em vigor, não das anteriores. Nesse sentido, entre outros: EREsp 880.970/SP, 1ª Seção, Min. Benedito Gonçalves, DJe de 04/09/2009; PET 5546/SP, 1ª Seção, Min. Luiz Fux, DJe de 20/04/2009; EREsp 359.014/PR, 1ª Seção, Min. Herman Benjamin, DJ de 01/10/2007. 5. Não custa enfatizar que a compensação que venha a ser realizada antes do trânsito em julgado traz implícita a condição resolutória da sentença final favorável ao contribuinte, condição essa que, se não ocorrer, acarretará a ineficácia da operação, com as conseqüências daí decorrentes. 6. No caso dos autos, a ação foi ajuizada em 1998, razão pela qual não se aplica, em relação ao crédito nela controvertido, a exigência do art. 170A do CTN, cuja vigência se deu posteriormente. Não tendo adotado esse entendimento, merece reforma, no particular, o acórdão recorrido. 7. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial. Considerando tratarse de recurso submetido ao regime do art. 543C, determinase o envio do inteiro teor do presente acórdão, devidamente publicado: (a) aos Tribunais Regionais Federais (art. 6º da Resolução STJ 08/08), para cumprimento do § 7º do art. 543C do CPC; (b) à Presidência do STJ, para os fins previstos no art. 5º, II da Resolução STJ 08/08; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 6 (c) à Comissão de Jurisprudência, com proposta de aprovação de súmula nos seguintes termos: "A vedação prevista no art. 170A do CTN não se aplica a ações judiciais propostas antes da sua vigência". É o voto. Destarte, incontroverso que o pedido administrativo de compensação foi mesmo interposto antes da edição da Lei Complementar nº 104, em respeito ao art. 62A do RICARF, ao recurso fazendário somente cabe negar provimento. E é assim que voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 258DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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Numero do processo: 16682.904324/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PRAZO. NOTIFICAÇÃO. CAIXA POSTAL. ENDEREÇO ELETRÔNICO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE.
À luz do disposto no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, os meios de intimação previstos nos incisos I, II e III não estão sujeitos a ordem de preferência. No entanto, tendo a Secretaria da Receita Federal realizado a intimação por meio eletrônico, não pode ela, antes de decorrer o prazo fixado em tal meio, adotar outro critério, ainda que decorrente de intimação por AR para, com base neste, considerar intempestiva a manifestação de inconformidade. Precedente acórdão 3403-001.141.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade da manifestação de inconformidade e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para apreciação do mérito do recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PRAZO. NOTIFICAÇÃO. CAIXA POSTAL. ENDEREÇO ELETRÔNICO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. À luz do disposto no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, os meios de intimação previstos nos incisos I, II e III não estão sujeitos a ordem de preferência. No entanto, tendo a Secretaria da Receita Federal realizado a intimação por meio eletrônico, não pode ela, antes de decorrer o prazo fixado em tal meio, adotar outro critério, ainda que decorrente de intimação por AR para, com base neste, considerar intempestiva a manifestação de inconformidade. Precedente acórdão 3403-001.141. Recurso Voluntário provido.
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NOTIFICAÇÃO. CAIXA POSTAL. ENDEREÇO ELETRÔNICO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. À luz do disposto no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, os meios de intimação previstos nos incisos I, II e III não estão sujeitos a ordem de preferência. No entanto, tendo a Secretaria da Receita Federal realizado a intimação por meio eletrônico, não pode ela, antes de decorrer o prazo fixado em tal meio, adotar outro critério, ainda que decorrente de intimação por AR para, com base neste, considerar intempestiva a manifestação de inconformidade. Precedente acórdão 3403001.141. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade da manifestação de inconformidade e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para apreciação do mérito do recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 43 24 /2 01 1- 98 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.904324/201198 Acórdão n.º 1402001.803 S1C4T2 Fl. 7 2 Relatório A conclusão do acórdão recorrido pode ser sintetizada por meio de sua ementa, assim redigida: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Petição apresentada fora de prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento de primeira instância. A decisão a quo considerou intempestiva a manifestação de inconformidade com base nos seguintes fundamentos: Na fl 365 consta um AR informando que o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 16/01/2011, porém, na fl. 369 há um documento intitulado “Histórico da(s) Comunicação(ões)”, emitido pelo sistema SCC, informando que o AR foi entregue em 16/01/2012. Na fl. 370 há um despacho da Demac/RJO esclarecendo que houve erro por parte dos correios no registro da data de recebimento e que a data correta para a ciência do contribuinte é de 16/01/2012. Consultandose o calendário do ano de 2012, verificase que o dia 16 de janeiro correspondia a segundafeira, ou seja, o prazo começou a contar a partir do dia 17 de janeiro e terminou em 15/02/2012 (quartafeira), conforme regra contida no art.5º do Decreto 70.235/1972, excluindo o dia de início e incluindo o dia de vencimento. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade somente em 17/02/2012 (fl.2), portanto, mais de 30 dias da ciência da interessada, conforme dispõe o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, estando precluso o seu direito, caracterizando a intempestividade da manifestação de inconformidade. A interessada alega que no dia 03 de janeiro de 2011 (terçafeira) recebeu em seu domicílio tributário eletrônico o Despacho Decisório. Aduz que obedecendo a regra contida no art. 6 º, inciso I, da Portaria SRF n° 259/06 e que aplicando o art.5º do Decreto 70.235/1972,o prazo para interposição da presente Manifestação de Inconformidade se iniciou no dia 18 de janeiro de 2011 (quartafeira). A portaria citada pela interessada versa sobre intimação por meio de edital eletrônico. O art. 6 º, I, dispõe que se considera feita à intimação após a contagem de 15 dias da data de registro do comprovante de entrega da intimação no domicílio tributário eletrônico do contribuinte. Ocorre que a interessada não apresentou qualquer documento que comprove que a RFB fez este tipo de intimação. Nos autos do processo consta que a RFB utilizou a intimação pode ser feita por via postal, prevista no art. 23,II do Decreto 70.235, de 1972. Intimada da decisão acima referida, em seu domicílio eletrônico, a parte interessada apresentou o recurso de fls. 388 e seguinte e alegou quanto ao não conhecimento da manifestação de inconformidade: a) que em 26 de maio de 2011 a recorrente fez a opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico, de que trata a Portaria 259, de 1996, conforme comprova por meio do documento de fls. 422/424; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.904324/201198 Acórdão n.º 1402001.803 S1C4T2 Fl. 8 3 b) Em razão do recebimento do despacho decisório em sua caixa postal, no dia 03/02/2012, à luz dos artigos 4º e 6º da Portaria 259/06, que fixam o marco da contagem do prazo inicial, a recorrente constatou que o prazo final para apresentação da Manifestação de Inconformidade se encerraria em 17/02/2012; c) Não obstante à adesão pelo domicílio eletrônico, o acórdão recorrido considerou que a parte interessada fora intimada por via postal em 16/01/2012 com encerramento do prazo em 15/02/2012. d) Todavia, diz a recorrente, que no momento do recebimento da intimação via postal já havia recebido, também, a mesma intimação, por meio de sua caixa postal, o que ocorreu em 03/01/2012, conforme documento de fl. 426 que anexou ao recurso. f) Neste contexto, para interposição da manifestação de inconformidade, a recorrente guiouse pela intimação recebida por primeiro, que, no entanto, em face das regras contidas nos artigos 4º e 5º da Portaria 259/2005, venceu em data posterior a intimação por AR. O acórdão da DRJ destacou que a recorrente não fez prova que a RFB fez este tipo por meio eletrônico. Objetivando provar o que alegou, a recorrente trouxe aos autos o documento de fls. 426 que imprimiu da página da receita em 06/01/2012. É o relatório. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.904324/201198 Acórdão n.º 1402001.803 S1C4T2 Fl. 9 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator O recurso manuseado pela interessada encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, encontrase devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Pelo que analisei e conclui da prova existente nos autos, parte dela vindo com o recurso para infirmar o quanto foi alegado no acórdão, no caso concreto, em relação ao despacho decisório emitido em 03/01/2012, houve duas intimações: a) A intimação feita por meio do documento de fl. 426, que contem o seguinte registro: b) A intimação feita pelo AR de fl. 365, recebido em 16/01/2012. Na esfera processual, tenho que a intimação realizada por primeiro, é a que marca o início da contagem do prazo. No caso concreto, conforme se depreende do documento de fl. 436, houve a intimação feita por meio eletrônico, opção exercida pelo contribuinte. Considerando que neste tipo de intimação, à luz dos artigos 4º e 6º, II, da Portaria nº 259/2006, abaixo transcritos, que contém normas complementares ao disposto no artigo 23, III, do Decreto 70.235, de 1972, a intimação considerase feita 15 (quinze) dias, contados da data do registro no meio magnético ou domicílio eletrônico. Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante:meio eletrônico (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009). I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º. A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. § 4º. Após concluída a transmissão da declaração do sujeito passivo à RFB, o aplicativo por ele utilizado para gerar a declaração exibirá o recibo de entrega e a intimação a que se refere o § 3°, bem como possibilitará sua impressão. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009). ... Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: Fl. 434DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.904324/201198 Acórdão n.º 1402001.803 S1C4T2 Fl. 10 5 I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; II registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, no caso do inciso II do art. 4º; ou III de publicação do edital, se este for o meio utilizado. No caso, a manifestação de inconformidade manuseada pelo contribuinte foi apresentada em conformidade com os prazos acima referidos. No entanto, após intimação enviada ao domicílio eletrônico, a Secretaria da Receita Federal enviou AR ao domicílio físico do contribuinte. Dado a vacatio para início do prazo da intimação feita no domicílio eletrônico, a intimação por AR, embora realizada em momento posterior, no caso concreto, teve o prazo final encerrado em momento anterior. O acórdão recorrido, com propriedade, aponta que à luz do disposto no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, os meios de intimação previstos nos incisos I, II e III não estão sujeitos a ordem de preferência. No entanto, tendo a Secretaria da Receita Federal realizado a intimação por meio eletrônico, não pode ela, antes de decorrer o prazo fixado em tal meio, adotar outro critério, ainda que decorrente de intimação por AR para, com base neste, considerar intempestiva a manifestação de inconformidade. Ademais, conforme observou o Conselheiro Fernando Brasil, quando dos debates na sessão de julgamento, o artigo 4º, § 3º, da Portaria nº 527, de 2010, dispõe "inexistindo o centro virtual previsto no caput, as petições e os documentos que couberem aos interessados deverão ser entregues à unidade competente do MF em arquivo contido em mídia eletrônica, assinado eletronicamente e autenticado com emprego de certificado digital emitido no âmbito da ICPBrasil." Assim, a contrário senso, em existindo o centro virtual, há que se observar e conferir eficácia às intimações realizadas por meio deste. Nesta linha, citase o precedente do acórdão 3403002.141, julgado em 25/05/2013. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso para afastar a intempestividade da manifestação de inconformidade, determinando o retorno dos autos à DRJ de origem apreciação do mérito do recurso. assinado digitalmente Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 435DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 19515.722415/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 41 5/ 20 12 -1 6 Fl. 3448DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.448 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e de ofício no Acórdão da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro IRJ.. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em decorrência da ação fiscal, foram lavrados autos de infração para exigir da interessada IRPJ, PIS, CSLL e COFINS sobre fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2007, nos valores abaixo discriminados, acrescidos de multa de 150% e juros de mora. TRIBUTO MONTANTE (R$) IRPJ 19.445.712,86 PIS 1.285.001,04 CSLL 7.009.096,63 COFINS 5.918.792,71 DA AUTUAÇÃO Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 631 a 650) e Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 591 a 599), foram apurados os fatos abaixo descritos. OMISSÃO DE RECEITAS A partir da análise da Contabilidade e a DIPJ/2008, anocalendário 2007, foi constatado que havia um grande disparate entre os valores das Receitas informadas pelo contribuinte, em 31/12/07, na Demonstração do Resultado do Exercício/Receitas/Receitas Brutas de Vendas e Serviços (conta 3.301013.01.01, com lançamentos a Débito de R$ 18.589.509,61, a Crédito R$ 167.538.404,89 e Saldo Credor de R$ 148.948.895,28) e os valores das Receitas declaradas na sua DIPJ. Nas Receitas Brutas de Vendas e Serviços (conta 3.301013.01.01), verificase que a subconta contábil Vendas Brutas a Terceiros (4.500001 3.01.01.01) foi lançado a Débito R$ 17.871.325,92, a Crédito R$ 162.016.113,93 e Saldo Credor de R$ 144.144.788,01, conforme Balancete de Contas Anual da empresa. As deduções de receitas lançadas pelo contribuinte em 31/12/2007, na Conta 3 3.01.02.3.01.02 DEDUÇÕES DE RECEITAS, tendo como Débito R$ Fl. 3449DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.449 3 93.629.634,93, a Crédito R$ 18.606.650,17 e Saldo Devedor de R$ 75.022.984,76. Nas DEDUÇÕES DE RECEITAS, verificouse que na subconta contábil Descontos s/ Vendas de Mercadorias (4.50.00.86 3.01.02.08) foi lançado a Débito R$ 80.012.792,46, a Crédito R$ 18.168.643,43 e Saldo Devedor de R$ 61.844.149,03, conforme Balancete de Contas Anual da empresa. O contribuinte foi intimando a justificar e apresentar a documentação comprobatória dos lançamentos contábeis, selecionados por amostragem, referentes ao Razão do contribuinte, anexos ao citado termo, de fl. 1/2 de 18 e 17/18 de 18, ou seja, lançamentos contábeis de 21/12/2007 a Crédito da Conta Contábil 500086 = 3.01.02.08 Desconto s/ Vendas de Mercadoria no valor de R$ 16.034.702,46 e a Débito da Conta Contábil 500001 = 3.01.01.01 Vendas Brutas a Terceiros. Na resposta o contribuinte informa que os Descontos s/ Vendas são decorrentes de políticas comerciais (exceto distribuidor, cooperativa, outros) e descontos de campanhas (campanha comercial por produto). Constatouse que tais descontos concedidos de janeiro a novembro/07 (redutor de Receitas Brutas de Vendas e Serviços), acumulados e contabilizados até novembro, no valor de R$ 72.062.215,35, conforme "DEMONSTRATIVO DAS VENDAS e REDUÇÕES ", estão desacobertados de documentos fiscais, os quais não foram emitidos pelo fiscalizado. Em dezembro/07 o contribuinte reduziu em R$ 10.218.066,32 tais descontos, passando seu saldo de R$ 72.062.215,35 para R$ 61.982.128,71. Neste mês, foram constituídos descontos de R$ 5.816.636,14, reduzindo a Receita Bruta nas Vendas a Terceiros, também desacobertados de documentos fiscais. A redução do acumulado em dezembro de R$ 10.218.066,32 (ainda não contabilizada no mês) somada ao desconto concedido do mês, de R$ 5.816.636,14, totalizou R$ 16.034.702,46 e foi contabilizada através do ajuste efetuado em 21/12/07. O contribuinte informou que as diferenças de Descontos s/ Vendas desse item foram contabilizados erradamente e que fez um acerto contábil de R$ 16.034.702,46 em 21/12/07. Os descontos que o contribuinte pretendeu conceder (a exemplo do que tentou explicar no verso da correspondência e nota fiscal no. 87886), por estarem sem o respaldo de documentos fiscais, classificamse simplesmente como Reduções das Receitas Brutas de Vendas e Serviços, cujos valores foram lançados nas subconta contábil Vendas Brutas a Terceiros (4 500001 3.01.01.01 e, nas DEDUÇÕES DE RECEITAS, nas subconta contábil Descontos s/ Vendas de Mercadorias (4 500086 3.01.02.08), perfazendo o total de R$ 77.878.851,49 (R$ 61.982.128,71 mais R$ 16.034.702,46). Intimada a justificar a razão da divergência entre o valor contabilizado, em 31/12/2007, no titulo contábil 3.01.01.1 Vendas Brutas a Terceiros, no valor de R$ 162.016.113,93 e o valor da Receita de Venda de Mercadoria Mercado Interno de R$ 82.162.659,30 declarado na sua DIPJ 2008. Foi solicitada a comprovação da receita bruta de R$ 162.016.113,93, e noutro termo, a comprovação dos Descontos s/ Vendas de Mercadorias e a justificar sua não inclusão na DIPJ, a empresa em resposta de 16/08/12, ao Termo de Intimação, declara o seguinte: Fl. 3450DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.450 4 "O valor de desconto sobre vendas não foi demonstrado na DIPJ pelo fato que demonstração foi feita pelo valor líquido das vendas, ou seja, considerando os devidos abatimentos acima demonstrado." A empresa emitiu as Notas Fiscais, por valores totais das notas, menores que os valores que foram contabilizados. Segundo a empresa, na contabilidade, dá Abatimento aos clientes, calculados sobre os valores da Receita Bruta Contabilizada a Maior, a título de Descontos Incondicionais. Tais Abatimentos Contábeis, de que tratam as subcontas contábeis DESCONTOS s/ VENDAS DE MERCADORIAS 4 500086 3.01.02.08, com lançamento a debito, em 31/12/2007, de R$ 80.012.792,46, segundo a empresa aplicados sobre as VENDAS BRUTAS A TERCEIROS 4 500001_3.01.01.01", com lançamento a crédito, em 31/12/2007, de R$ 162.016.113,93, não tem qualquer base legal, um vez que as Notas Fiscais emitidas não continham deduções a titulo de descontos incondicionais. Tais valores foram abatidos/descontados indevidamente das VENDAS BRUTAS A TERCEIROS, quais sejam: a) os Abatimentos/Descontos indevidos de R$ 16.034.702,46, que somado ao descontos legais e aceitos de R$ 1.836.623,46, somaram R$ 17.871.325,92, lançado a débito das Vendas Brutas a Terceiros, e, b) os Abatimentos/Descontos Indevidos de R$ 61.844.149,03, contabilizados até novembro/07, ambos no total de R$ 77.878.851,49, conforme "DEMONSTRATIVO DAS VENDAS e REDUÇOESANEXO ao TVCF", de fls 01d e02 e 02de02, caracterizamse como Omissão de Receita. Com base no DRE apresentado pelo contribuinte, sob intimação, verificase que o mesmo utilizouse da Receita Bruta de Venda de 148.948.895,28 quando deveria ter utilizado, conforme Balancete, Receitas Brutas de Vendas e Serviços de R$ 167.538.404,89, que deduzida a receita de exportação (R$ 4.804.107,27 e os descontos legais de R$ 718.186,69), sobraria a Receita/Vendas Brutas a Terceiros de R$ 162.016.113,93. Juntouse a cópia da nota fiscal n° 87886, e outras, com parte da explicação/procedimento adotado pelo contribuinte, com relação aos descontos x valor de emissão da mesma. Foi providenciada a Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista que foram utilizados subterfúgios e meios ilícitos para burlar o fisco. O contribuinte infringiu o artigo 24 da Lei 9.249/95, e, os Artigos. 249, inciso II; 251 e parágrafo único; 277; 278; 279; 280 e 288 do RIR/99. O valor tributável da omissão de receita apurada por esta fiscalização, no ano calendário de 2007, representa R$ 77.878.851,49. A interessada se insurgiu, em 21/12/2012 (fl. 1882), contra o disposto no Auto de Infração, do qual tomou ciência em 26/11/2012 (fl. 634), através de impugnação (fl. 657 a 693) apresentando os argumentos que se seguem: • A impugnante possui políticas comerciais, as quais estabelecem condições especiais de preços. No decorrer do procedimento fiscalizatório foram apresentadas as Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.451 5 políticas de descontos (por exemplo a Instrução Normativa 80.00 2 Doc . 02 e também campanhas de vendas). • A impugnante adota políticas comerciais diferenciadas para grandes cliente. São oferecidos descontos agressivos para produutos cujos prazos de vencimento fossem inferiores a 6 meses.A impugnante apresenta documentação que demonstra a política de preços. • Os descontos eram negociados antes da emissão das notas fiscais de modo que o preço já era líquido dos abatimentos. As notas fiscais apresentavam os valores já abatidos dos descontos concedidos. Por exemplo, um produto de R$ 100,00, vendido por R$ 90,00, a nota fiscal apresentava o valor de R$ 90,00, mas em virtude dos sistema contábil da impugnante (SAP) foram escriturados os seguintes valores: débito de R$ 90,00 na conta clientes e débito de R$ 10,00 na conta de desconto (conta redutora da receita bruta). A contrapartida foi um lançamento a crédito em conta de receita de venda no montante de R$ 100,00. • Da nulidade Cerceamento do direito de defesa inexistência de fundamentação da norma infringida e a discrepância dos fundamentos com a conclusão • A Fiscalização aponta que a impugnante apontou o artigo 24 da Lei n° 9.249/1995 e os artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. Ela apenas alega que as regras contábeis teriam sido inobservadas pela impugnante, entretanto, em momento algum menciona o dispositivo contábil infringido, tampouco fundamenta a alegação. • O artigo 24 da Lei n° 9.249/1995 que, verificada a omissão de receita, a autoridade deverá lançar o imposto. No caso analisado a Fiscalização não demonstrou a ocorrência da omissão de receita. Portanto, inaplicável este dispositivo. • O inciso II do artigo 249 RIR/99 dispõe que as receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido devem ser adicionados na apuração do Lucro Real. No caso, valores considerados como omitidos sequer são receitas. • O artigo 251 e parágrafo único estabelece que a pessoa jurídica deve manter a escrituração com a observância da legislação comercial e fiscal. A escrituração da Impugnante ocorreu em conformidade com a legislação comercial e fiscal, bem como contemplou todas as operações. • Os artigos 277, 278, 279 e 280 apenas dispõem acerca dos conceitos e não indicam qualquer irregularidade. • O artigo 288 apenas reproduz o disposto no artigo 24 da Lei n° 9.249/1995. • A impugnante não identificou a norma que teria infringido em virtude da citação genérica dos dispositivos legais, completamente dissociados dos fatos descritos. • O Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 10, estabelece que o Al será lavrado por autoridade competente, no local da verificação da falta, e conterá: (i) a qualificação do autuado; (ii) o local, a data e a hora da lavratura; (iii) a descrição do fato; (iv) a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (v) a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias, e (vi) a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo e o seu número de matrícula. Fl. 3452DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.452 6 • No artigo 50, parágrafo 1°, da Lei n° 9.784/1999, o AI deve descrever, detalhadamente, os motivos de fato e de direito que embasam a autuação. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, incluindo a citação das normas legais infringidas . • Os elementos de fato citados pela Fiscalização não constam da legislação como presunção de omissão de receita e não indicam sequer a existência de um único indicio de omissão de receita. • A impugnante não sabe qual teria sido a norma por ela infringida, ou seja, desconhece o suposto dispositivo legal aplicável ao caso, cerceado fica o seu direito de defesa, fato que acarreta na nulidade dos AI conforme disposto no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. • Da Decadência. O PIS e a COFINS são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, de modo que o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário desses tributos é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador nos termos do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional ("CTN)". • Embora os Autos de Infração considerem que os fatos geradores do PIS e da COFINS ocorreram em dezembro de 2007, no "DEMONSTRATIVO DAS VENDAS E REDUÇÕESANEXO" ao TVF, a Fiscalização apresenta os valores das receitas supostamente omitidas nos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2007. • Portanto, deve ser reconhecida a decadência dos créditos tributários de PIS e COFINS, referentes aos períodos de apuração de janeiro a outubro de 2007, pois: os tributos são sujeitos a lançamento por homologação; ocorreram pagamentos dos tributos; inexiste comprovação de dolo, fraude ou simulação; e os Autos de Infração foram lavrados em 26 de novembro de 2012. • MÉRITO. • Da Inocorrência de omissão de receita. A divergência entre os valores de Receita de Vendas e o montante declarado em DIPJ referiase a descontos/abatimentos concedidos aos clientes da impugnante, antes da emissão das notas fiscais, suportados em Políticas Internas de Concessão de Descontos, bem como em Campanhas de Vendas. • Tais descontos são decorrentes de políticas que objetivam aumentar as vendas. A impugnante apresenta documentação que demonstra a política de preço agressiva para a venda de tais produtos. Os descontos/abatimentos oferecidos em face do valor de lista eram negociados antes da emissão das notas fiscais, de modo que o preço acordado entre as partes já era líquido dos descontos oferecidos, isto é, as notas fiscais de venda, em todos os casos, apresentavam os valores já abatidos dos descontos concedidos em face do preço de lista. • O sistema contábil estava parametrizado para registrar receita com base no valor de lista dos produtos.O sistema contábil não considerava o valor efetivamente praticado na operação com o cliente, mas sim o valor de lista, superior ao montante realmente praticado na operação. • O valor efetivamente praticado na venda era o preço de lista dos produtos, sendo realizados lançamentos contábeis em conta de desconto, correspondente à redução de preço concedida ao cliente, de modo que, ao efetuar um encontro de contas, o valor efetivamente recebido pela impugnante, e registrado em sua contabilidade, a Fl. 3453DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.453 7 título de receita de venda de seus produtos, corresponde ao valor da transação comercial após a concessão do desconto/abatimento. • O valor declarado na linha 4 da Ficha 06A da DIPJ corresponde ao valor da receita de vendas reduzido pelos descontos/abatimentos. (fl. 13). • O valor de R$ 77.878.851,49, base de cálculo da exigência, está vinculado a 12.000 notas fiscais de vendas de produtos diversos, produzidos e comercializados pela impugnante. A impugnante selecionou uma amostra representativa das 12.000 notas fiscais envolvidas na autuação, cujo tamanho entende ser suficiente para inferir, com segurança, a inexistência de omissão de receita, no caso concreto. • O objetivo da amostragem é obter uma estimativa da proporção dos descontos/abatimentos concedidos que seja representativa da população total. Com base em metodologia estatística bem aceita, o tamanho mínimo de uma amostra aleatória simples que seja representativa de uma população homogênea é dado pela seguinte equação: n = N 1+(N1)(B2/Z2)/(PP2) n = tamanho mínimo da amostra para ser representativa da população total N = tamanho da população total B = margem de erro da proporção amostral z = índice de confiabilidade do resultado amostral P = taxa máxima esperada de exceções (estimativa subjetiva com base em experiências do gestor) • Foram selecionadas 72 notas fiscais que representam uma estimativa confiável para comprovação da contabilização das vendas, bem como dos descontos. No doc. 5, a impugnante apresenta demonstrativo contendo todas as notas fiscais emitidas. • O valor considerado como omitido é assim composto: (i) R$ 61.982.128,71, correspondente a descontos/abatimentos concedidos; e (ii) R$ 16.034.702,46, referente a um ajuste efetuado pela impugnante, em sua contabilidade, em 21/12/2007. • A impugnante passa a comprovar a escrituração correta e regular da receita relacionada à venda dos produtos comercializados, no tocante ao item (i). • A nota fiscal 91581 será utilizada como exemplo. Tal nota foi emitida no valor de R$ 244.310,00 e é espelho da venda de 40 unidades de Tiamutin 80 Coated à Avipal, em 09/05/2007. O valor de lista do Tiamutin 80 Coated, na data da venda, era de R$ 9.742,83 por unidade, de modo que o registro contábil em conta de Receita (conta 0 500001), foi no valor de R$ 389.713,20, mas foram concedidos descontos/abatimentos. • A escrituração contábil de tal venda teve como partida lançamentos a débito, um na conta de Ativo n° 210000 (Clientes), no valor de R$ 244.310,00 correspondente ao valor efetivo da operação, ou seja, o efetivamente negociado com o cliente e constante da nota fiscal, e outro na conta de Resultado n° 500086 (Descontos), no Fl. 3454DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.454 8 montante de R$ 145.403,23, correspondente ao desconto/abatimento concedido à Avipal. • A contrapartida de tais lançamentos foi efetuada por meio de lançamento a crédito em conta de Receita n° 500001, no valor de R$ 389.713,23, corresponde ao preço de lista do produto sem o cômputo do desconto/abatimento. • O custo da venda foi escriturado com lançamento a débito em conta de Despesa n° 600001 (Venda de mercadoria para terceiros), tendo como contrapartida lançamento a crédito em conta de Ativo n° 200511 (Estoque). • O valor de R$ 11.444,31, destacado na nota fiscal a título de ICMS, foi registrado com lançamento a débito na conta de resultado (despesa) n° 500085 (ICMS Conta Corrente), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440851 (ICMS s/ faturamento). • O PIS incidente sobre a operação, no montante de R$ 5.130,51 foi lançado a débito na conta de resultado (despesa) n° 500084 (PIS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440860 (PIS). • A COFINS apurada, no montante de R$ 24.186,69 foi lançada a débito na conta n°500083 (COFINS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta n° 440862 (COFINS). • O recebimento dos valores relacionados a tal nota, no valor de R$ 244.310,00, já considerando o desconto concedido, foi registrado na contabilidade da Impugnante com lançamento a débito na conta de Ativo n° 240114 (Bancos), tendo como contrapartida um lançamento a crédito na Conta de Ativo n° 210000 (Clientes), no mesmo valor. • No doc. 6, a impugnante apresenta o seu Plano de Contas. o registro de tal nota do Livro de Saídas, as cópias do Livro Diário aptas a comprovar a contabilização acima descrita, bem como o extrato bancário que com o recebimento do valor líquido pela Impugnante , relacionados à nota fiscal, estão acostadas a presente impugnação (doc. 7). • Logo, a impugnante entende ter explicado o critério contábil utilizado para o registro de suas operações e demonstrado a inocorrência de omissão de receita no valor de R$ 61.982.128,71. • No doc. 8 a impugnante apresenta, documentos nos moldes acima descritos para as demais notas selecionadas por amostragem para a comprovação da regularidade do registro contábil. • A impugnante esclarece que o ajuste de R$ 16.034.702,46, efetuado em 21/12/2007 (item (ii) desta impugnação e mencionado no item a, fl. 5 do TVF), decorreu de equívoco quando da implementação de um novo módulo do sistema contábil que utiliza. O sistema, equivocadamente, considerava como receita bruta de vendas valores superiores aos efetivamente praticados. • O ajuste relacionase com tal equívoco sistêmico, e foi realizado com o intuito de que constasse, como receita bruta, o valor do preço de lista dos produtos, sobre os quais seriam calculados os descontos. Fl. 3455DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.455 9 • Inexistência de dispositivo legal que autoriza a presunção de omissão de receita. A impugnante observou, sim, as normas contábeis.O fato de o sistema contábil ter sido parametrizado para escriturar os valores de lista dos produtos e não os efetivamente realizados nas operações de venda, sendo o ajuste realizado mediante escrituração contábil do desconto é prática reiterada adotada pelas empresas. • O procedimento adotado não acarretou em prejuízo ao Fisco, pois, o montante efetivamente acordado entre as partes, constante da nota fiscal e efetivamente recebido pela venda dos produtos é aquele sujeito à incidência dos tributos, como de fato tributado. • A própria Receita Federal já se pronunciou no sentido de que a "forma de escriturar suas operações é de livre escolha do contribuinte (... ) e a repartição só a impugnará se a mesma omitir detalhes indispensáveis à determinação do verdadeiro lucro", conforme exposto no Parecer Normativo n° 347/97. • Ainda que o procedimento contábil não tivesse sido o melhor mesmo assim, em virtude da falta de prejuízo ao Fisco, a exigência deveria ser cancelada. • A Fiscalização não observou que o Lucro Operacional e o Lucro Bruto escriturados nos balanços apresentados à JUCESP, constantes do doc. 04 do TVF e os declarados na DIPJ são consistentes: (...) Em relação à diferença percentual de 0,09 entre o Lucro Operacional declarado na DIPJ e o constante no Balancete, a impugnante esclarece que decorre da estruturação de seu plano de contas, destacando que o Lucro Líquido apurado é o mesmo. O conceito de Lucro Operacional e de Lucro Bruto adotado para a contabilidade foi o mesmo daquele declarado na DIPJ. Não observou a Fiscalização que o Lucro Líquido constante da escrituração comercial é o mesmo daquele declarado na DIPJ. Embora não tenham sido citados nos AI, fato que, conforme já apresentado anteriormente, causa preterição do direito de defesa, pois a impugnante não sabe qual o dispositivo legal que teria deixado de observar, os únicos dispositivos que poderiam servir para a exigência dos tributos sob a acusação de omissão de receita, seriam os artigos 281 a 288 do RIR/99. A acusação da Fiscalização, no sentido de que os valores escriturados em conta de desconto supostamente caracterizariam omissão de receita não consta do referido enquadramento legal Não foi apontada a existência de saldo credor de caixa (art.281). O artigo 282, também não mencionado pela Fiscalização, é regra que determina o cálculo do valor omitido. Pelo menos é que se depreende dos documentos juntados, dado que não há nenhuma acusação de entrada financeira cuja origem não tenha sido conhecida. A Fiscalização analisou os extratos bancários de todas as contas de bancos e identificou a origem de todas as entradas. Não há um indício que permita desconfiar da prática de omissão de receita. O artigo 283 dispõe sobre a falta de emissão de nota fiscal ou a emissão em valor inferior ao da operação. Mencionado artigo visa a exigência de tributos nos casos em que as empresas emitem notas fiscais (ou sequer emitem) com valores inferiores aos Fl. 3456DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.456 10 recebidos pelas vendas dos produtos ou serviços. Pela análise do artigo 283, a autuação fiscal é descabida. Os artigos 284 e seguintes dispõem sobre o arbitramento da receita por indícios de omissão, levantamento quantitativo por espécie e falta de comprovação da origem dos depósitos. Também não houve infringência aos artigos mencionados, muito pelo contrário, pois a impugnante apresentou todos os extratos bancários à Fiscalização, que não ofereceu qualquer acusação quanto à origem dos valores creditados nas contas bancárias da impugnante. • Em virtude da falta de adequada fundamentação dos AI, e na hipótese de a Fiscalização ter entendido pela ocorrência de subfaturamento, pelo fato de as vendas não terem ocorrido pelo valor de lista, tal acusação seria completamente descabida. Isso porque, a Impugnante tem políticas comerciais que possibilitam a redução do preço de venda dos produtos. O valor efetivo da operação é o constante da nota fiscal, que corresponde ao recebido pela impugnante. Logo, não há que se falar em omissão de receita, subfaturamento ou qualquer outra hipótese que possa caracterizar a ocorrência de tal prática. • Ainda que houvesse um único indicio da ocorrência de subfaturamento, a Fiscalização deveria aprofundar a auditoria para colher outros elementos que possibilitam a demonstração da omissão de receita. • Em virtude do Princípio da Eventualidade, a impugnante pede e espera que, na remota hipótese dos AI não serem cancelados em sua totalidade, seja reconhecido que os créditos tributários de IRPJ e CSLL não gozam de certeza e liquidez, pois a Fiscalização não levou em consideração diversos fatores que influenciam diretamente na apuração desses tributos. • As despesas com PIS e COFINS. Outros equívocos foram praticados pela Fiscalização na composição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. • A desconsideração das despesas dedutíveis a serem abatidas na formação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mais especificamente as despesas com o PIS e a COFINS lançados. A Fiscalização não efetuou o recalculo do valor do lucro líquido marco inicial para a apuração do IRPJ e da CSLL considerando as despesas com o PIS e a COFINS e com os juros de mora apurados na mesma ação fiscal. Ao lavrar os AI com base na suposta omissão de receitas, a Fiscalização lançou valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sendo que, estes últimos, somam um valor de R$ 10.652.249,81 (valor do principal e juros de mora dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL). • A falta do abatimento da despesa com o PIS e a COFINS, bem como dos respectivos juros de mora, implica em violação ao artigo 37 da Constituição Federal. O art. 2o , parágrafo único, inciso IV, da Lei n° 9.784/99, que estabelece a atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé, é atribuído à Administração Pública, em atendimento ao princípio da moralidade. • Deve ser analisado, também, os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade dos atos administrativos, visto que, estes se constituem numa forma de limitar o poder discricionário da Administração Pública. • Ademais, o artigo 3° do Código Tributário Nacional, dispõe que o tributo não constitui sanção. Fl. 3457DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.457 11 • Caso não seja efetuado o abatimento do PIS e a COFINS e os juros de mora, estará sendo exigido tributo para punir a impugnante por supostamente não ter escriturado corretamente todas as receitas. • Do Prejuízo Fiscal e da Base Negativa da CSLL A Fiscalização considerou outros elementos essenciais: (i) a desconsideração do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL apurados no anocalendário de 2007 (Doc. 9 Fichas 12 e 17 da DIPJ); (ii) falta de compensação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, em até 30% (trinta por cento), com o saldo de Prejuízo Fiscal ("PF") e de base negativa de CSLL ("BNCSLL") escriturados em 31 de dezembro de 2006 (Doc. Parte B do LALUR e Ficha 61 da DIPJ), e (iii) a existência de saldo negativo de IRPJ (Doc. 9 Ficha 12 da DIPJ). • O direito à compensação de 30% do PF e da BNCSLL está assegurado pelo art. 510 do RIR/99. • Da dedução do Programa de Alimentação do Trabalhador ("PAT"). A Fiscalização deixou de deduzir do IRPJ supostamente devido os valores decorrentes do PAT. De acordo com o artigo 581 do RIR/99 as despesas com o PAT são dedutíveis do IRPJ. • Os créditos objeto da presente exação devem ser reduzidos, aplicandose aludida dedução legal. • Do artigo 142 do CTN. A Fiscalização cometeu evidentes equívocos na composição dos valores de IRPJ e CSLL. Tal conduta infringe o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Como a matéria tributável para fins do IRPJ e da CSLL foi apurada em desacordo com a legislação, constatase que os supostos créditos tributários constituídos não são líquidos, ou seja, não tiveram os seus valores devidamente apurados. • Comprovado que há graves erros na determinação das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, por meio da falta de (1) abatimento da despesa com o PIS e COFINS lançados na mesma ação fiscal; (2) consideração do prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2007; (3) e compensação do lucro real e da base de cálculo da CSLL com prejuízos apurados em anos anteriores; (4) dedução do PAT; e, ainda, (5) dedução das exigências pelo saldo negativo apurado no ano de 2007, resta contaminada a determinação dos tributos supostamente devidos, de modo que são nulos os lançamentos. • Da multa qualificada. a multa de 150% só pode ser aplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, ou seja, condutas dotadas da intenção de lesar o Fisco. • A Fiscalização deve demonstrar, de forma individualizada e descritiva, a subsunção da conduta do contribuinte ao tipo penal, sob pena de restar desconfigurada a própria infração imputada e não simplesmente citar vários e possíveis ilícitos sem comprovação efetiva do comportamento delituoso. • A caracterização da fraude depende da comprovação do elemento subjetivo da operação, ou seja, da intenção de praticar ato para disfarçar ou mascarar a ocorrência do fato gerador. Se faz necessário que haja dolo nas operações realizadas pela impugnante, ou seja, que haja a intenção em omitir receitas e prejudicar a arrecadação de tributos. Fl. 3458DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.458 12 • Da impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa. Pela análise do art.13 da Lei n° 9.065/95 e do artigo 84, da Lei n° 8.981/95:, verificase a aplicação de juros apenas sobre os tributos não pagos no prazo legal, inexistindo qualquer previsão legal para o cômputo dos referidos juros sobre a multa de ofício lançada • Do mesmo modo não se pode fundamentar a cobrança de juros sobre a multa com base no artigo 61 da Lei n° 9.430/96. • A incidência de juros deve ser sobre o valor do tributo e não sobre a incidência de juros sobre a multa de lançamento. • Da Diligência. Com respaldo no disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 a impugnante requer a realização de diligência, para que se comprove o equívoco na determinação da suposta exigência materializada nos AI ora impugnados. • Requer às Autoridades Fiscais que respondam aos seguintes quesitos: a) É possível afirmar que o valor declarado na Ficha 6 , Linha 4 da DIPJ corresponde ao somatório dos valores escriturados nas notas fiscais?; b) A partir dos trabalhos efetuados pela Fiscalização, existem créditos em conta corrente junto à administração financeira cuja origem não foi comprovada? Em caso positivo, em qual conta corrente há valores cujas origens não foram comprovadas? c) É possível afirmar, em diligência junto aos clientes da Impugnante, que o valor pago tem relação com o valor da respectiva nota fiscal? Em caso negativo, em qual conta bancária da Impugnante os valores foram depositados pelos clientes? E d) É possível afirmar que o valor de R$ 16.034.702,46 escriturado a débito na conta Venda Brutas a Terceiros visando acertar equívocos que ocasionaram registro indevido de receitas possui suporte documental adequado? É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento e RECORRENDO DE OFÍCIO da parte CANCELADA, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange às garantias do contraditório e da ampla defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser inferido o pedido de diligência, quando esta se revela prescindível para a instrução do processo e solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Fl. 3459DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.459 13 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS DESCONTOS CONCEDIDOS. Tendo o contribuinte comprovado, com notas fiscais, parte dos descontos incondicionais concedidos aos seus clientes, cumpre exonerálo desta parcela da autuação. APROVEITAMENTO DO PREJUÍZO FISCAL DO PERÍODO. Não tendo o fiscal autuante computado o prejuízo fiscal do período, no cálculo dos tributos devidos, cumpre ao julgador fazêlo na fase contenciosa, retificando, assim, a base tributável. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 PIS. COFINS. ERRO NO PERÍODO DE APURAÇÃO O período de apuração relativo ao PIS e à COFINS é mensal. Cancelase a autuação que tomou por base a apuração anual destes tributos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Afastase o agravamento da multa de ofício para 150%, quando não restam nos autos provas caracterizadoras do evidente intuito de fraude. Neste caso, a multa deve ser reduzida para 75%. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legal a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, uma vez que esta se inclui no conceito de débito para com a União (art. 161 do CTN c/c art. 61 da Lei n° 9.430/1996). Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF (fls.1956/1989) em relação à parte mantida, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação reforçando sua defesa sobremaneira nos dois pontos da autuação, trazendo inclusive provas adicionais referente a cada um dos eventos que compuseram a base de cálculo dá autuação: Em relação ao primeiro item da autuação, aduz, em contraponto ao provimento parcial da DRJ que cancelou parte da autuação em função das provas colhidas por amostragem trazidas na fase impugnatória: (...)Porém, tendo em vista a fundamentação da r. decisão recorrida, para que não restem questionamentos quanto à ausência de omissão de receita no caso concreto, bem como em decorrência da aplicação do Princípio da Verdade Material, a Recorrente apresenta, com o presente recurso, a totalidade da documentação comprobatória, relacionada aos R$ 61.982.128,71, correspondente a descontos/abatimentos concedidos, tomados como base para a autuação que originou o presente processo administrativo. Neste ponto, assim como na Impugnação, a Recorrente utilizará uma das notas fiscais componentes do montante acima citado como exemplo a ser demonstrado no Fl. 3460DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.460 14 corpo deste Recurso Voluntário, sendo que os documentos comprobatórios relacionados às demais notas fiscais serão, também, aqui acostados. Pois bem. Utilizaremos como exemplo a nota fiscal 94103. Tal nota foi emitida no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais, trinta e seis centavos), e apresenta a venda de 12 (doze) unidades de Tiamutin 80 Coated (25 Kg) à Sadia S.A., em 01/08/2007. Em momento que antecedeu a concretização da venda, foram concedidos descontos/abatimentos, em razão das políticas comerciais. Neste cenário, a escrituração contábil da venda teve como partida lançamentos a débito, (i) na conta de Ativo n° 210000 (Devedores por Duplicatas Clientes), no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais e trinta e seis centavos), correspondente ao valor efetivo da operação, ou seja, o efetivamente negociado com o cliente e constante da nota fiscal, e (li) outro na conta de Resultado n° 500086 (Descontos), no montante de R$ 61.023,73 (sessenta e um mil, vinte e três reais, setenta e três centavos), correspondente ao desconto/abatimento concedido à Sadia. A contrapartida de tais lançamentos foi efetuada por meio de lançamento a crédito em conta de Receita n° 500001, no valor de R$ 123.007,09 (cento e vinte e três mil, sete reais e nove centavos), correspondente ao preço de lista do produto, vale dizer, sem o cômputo do desconto/abatimento praticado. O custo da venda foi escriturado com lançamento a débito em conta de Despesa n° 600001 (venda mercadoria para terceiros), tendo como contrapartida lançamento a crédito em conta de Ativo n° 200511 (Estoque). O valor de R$ 2.903,51 (dois mil, novecentos e três reais, cinquenta e um centavos), destacado na nota fiscal a título de ICMS, foi registrado com lançamento a débito na conta de resultado (despesa) n° 500085 (ICMS Conta Corrente), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440851 (ICMS s/ faturamento). O PIS incidente sobre a operação, no montante de R$ 1.301,65 (um mil, trezentos e um reais, sessenta e cinco centavos) foi lançado a débito na conta de resultado (despesa) n° 500084 (PIS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440860 (PIS). A COFINS apurada, no montante de R$ 6.136,35 (seis mil, cento e trinta e seis reais, trinta e cinco centavos) foi lançada a débito na conta de resultado (despesa) n° 500083 (COFINS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440862 (COFINS). Por fim, o recebimento dos valores relacionados a tal nota, no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais, trinta e seis centavos), já considerando o desconto concedido, foi registrado na contabilidade da Recorrente com lançamento a débito na conta de Ativo n° 240114 (Bancos), tendo como contrapartida um lançamento a crédito na Conta de Ativo n° 210000 (Clientes), no mesmo valor. Este último lançamento demonstra o valor efetivamente recebido pela Recorrente no tocante à venda de produtos objeto da nota fiscal n° 94103. Demonstra na sequência, a dinâmica dos lançamentos contábeis. Fl. 3461DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.461 15 Em relação ao segundo ponto da autuação, tenta esclarecer melhor o referido ajuste que foi glosado pela fiscalização e que teria sido originado de falha na instalação na programação de novo módulo contábil, que em alguns casos estava duplicando a receita bruta de vendas. Eis suas palavras: (...) Ainda, em relação ao registro de suas vendas, a Recorrente esclarece que o ajuste de R$ 16.034.702,46, efetuado em 21/12/2007 (mencionado no item a, fls. 5 do TVF), decorreu de equívoco quando da implementação de um novo módulo do sistema contábil que utiliza. Neste cenário, em determinados casos, o sistema, equivocadamente, considerava a receita bruta de vendas em duplicidade, ou seja, o valor da nota fiscal pelo dobro daquele constante em tal documento fiscal. Em dezembro de 2007, mencionado equívoco foi constatado e a Recorrente realizou o ajuste na conta contábil 500086. A título exemplificativo, a Recorrente apresenta o equívoco ocorrido quando da escrituração contábil da nota fiscal 90737. Nesta nota fiscal foi consta a venda para o cliente AVIPAL S/A AVIC AGROPEC, no valor de R$ 8.333,64. No Doc. 7 deste Recurso Voluntário é apresentada mencionada nota Fiscal. Na contabilidade da Recorrente, conforme demonstrado no Livro Diário (Doc. 7), de forma resumida, os seguintes lançamentos foram realizados: Conta Contábil Valor D 210000 Clientes 8.333,64 D 500086 Descontos 12.405,53 C 500001 Vendas 20.739,17 Da análise da documentação apresentada (nota fiscal e Livro Diário), constatase que, para a mencionada venda, no valor de R$ 8.333,64, a Recorrente escriturou receita de R$ 20.739,17. Abaixo a Recorrente apresenta a composição do valor registrado na contabilidade (R$ 20.739,17 somatório da coluna "a"). Vejase a composição dos valores: Valor Unitário (Lista) d Quantidade Vendida e Valor Total f=(d*e) ICMS Receita Bruta h=(f*g) Desconto i Receita Líquida j=(hi) Valor Total R$ 45,45 R$ 45,45 66 186 R$ 2.999,70 R$ 8.453,70 108,313% 108,313% R$ 3.249,07 R$ 9.156,46 R$ (1.066,45) R$ (3.005,44) R$ 2.182,62 R$ 6.151,02 R$ 8.333,64 Na coluna "d" é demonstrado o valor de lista dos produtos, o qual multiplicado pelas quantidades vendidas coluna "e" (demonstradas na nota fiscal) implicaria no registro contábil de uma receita no valor de R$ 11.453,40 (somatório dos R$ 2.999,70 e R$ 8.453,70). Entretanto, no cálculo do preço, também se considera o ICMS, cujo percentual consta na coluna "g" (operação interestadual e com redução da base de cálculo, conforme descrito na nota fiscal). Já na coluna "h" é apresenta a receita Fl. 3462DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.462 16 registrada considerandose o preço de lista o efeito do ICMS no preço dos produtos, que monta em R$ 12.405,52 (somatório de R$ 3.249,07 e R$ 9.155,46). A diferença entre R$ 12.405,52 e R$ 8.333,64 (valor da nota fiscal), de R$ 4.071,88, apresentada na coluna "i", compõe os R$ R$ 61.982.128,71, cuja justificativa foi acima apresenta (diferença entre o valor de lista e o preço praticado). Pois bem, como a receita registrada foi no valor de R$ 20.739,17 e R$ 4.071,88 se refere à diferença entre o valor de lista e o efetivamente praticado, verificase que na receita bruta remanesce o montante de R$ 16.667,29. Multiplicandose o valor da venda escriturado na nota fiscal (R$ 8.333.64) por dois chegase exatamente em R$ .6.667,39. Assim, o erro do sistema que levou a distorções no registro da receita bruta da Recorrente, objeto de autuação, foi justamente duplicar o valor da nota fiscal de venda. Logo, entende a Recorrente que restou demonstrada a inexistência de omissão de receita, pois, em verdade, o desconto registrado decorreu do computo em duplicidade do valor da nota fiscal na sua contabilidade. No Doc. 8 a Recorrente apresenta outros exemplos, nos moldes do acima, que corroboram a inexistência de omissão de receita, devidamente acompanhados das notas fiscais e das folhas do Livro Diário. No Doc. 9 a Recorrente apresenta a listagem das notas fiscais escrituradas em duplicidade que compõem o valor de R$ 16.034.702,46. Nos já citados Docs, 3, 4, 5 e 6 é apresentada a totalidade das notas fiscais, das folhas dos Livros Diários e dos extratos bancários relacionados a presente discussão. Pelo exposto, a Recorrente entende que comprovou a inexistência de omissão de receita no montante de R$ 61.982.128,71, correspondente a descontos/abatimentos concedidos (diferença entre os preços de lista e os efetivamente praticados), e (ii) R$ 16.034.702,46, referente ao ajuste efetuado pela Recorrente, em sua contabilidade, em 21/12/2007 em virtude de equívoco do sistema contábil. Anexo ao Recurso voluntário seguem 16 volumes de provas. A Recorrente ainda complementou seu recurso voluntário (fls. 3412) com razões adicionais que visariam ratificar o cancelamento de parte da autuação pela DRJ, bem assim tecer considerações adicionais a respeito da desqualificação da multa de ofício. É o relatório. Fl. 3463DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.463 17 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso de ofício e voluntário preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a autuação foi baseada em dois itens de omissão de receitas: 1) As Deduções de Receitas lançadas pelo contribuinte em 31/12/2007, na Conta 3.01.02.3.01.02 DEDUÇÕES DE RECEITAS, tendo Saldo Devedor de R$ 75.022.984,76. Na subconta contábil Descontos s/Vendas de Mercadorias (4.50.00.86 3.01.02.08) tem Saldo Devedor de R$ 61.844.149,03 (Débito de R$ 80.012.792,46 e Crédito de R$ 18.168.643,43),conforme Balancete de Contas Anual da empresa (fl. 619). Tal valor foi lançado 2) Além deste valor foi lançado um acerto contábil efetuado em 21/12/2007 o valor de R$ 16.034.702,46. Tal valor se refere a parte do débito de vendas brutas a terceiros de R$ R$ 17.871.325,92, que segundo a fiscalização valor corresponde a descontos/abatimentos de receitas. este sobre vendas não comprovados; Somandose os dois itens da autuação perfaz o total de R$ 77.878.851,49, que foi lançado como omissão de receitas. A infração relativa à omissão de receitas (item 1) foi cancelada parcialmente pela DRJ e submetida a Recurso de Ofício. E o motivo dessa diligência passa justamente pelo fato de a DRJ ter acatado parcialmente essa infração em função das provas trazidas aos autos pelo contribuinte. Acontece que o contribuinte trouxe a prova, dado o grande volume, através de uma amostragem Portanto, o escopo dessa diligência circunscreve ao Recurso voluntário. Para ser fiel no relato dos fatos, transcrevase abaixo o acatamento parcial da DRJ a esse item “1”: “(...) O contribuinte apresenta uma série de notas fiscais onde pretendo comprovar que os descontos constam das notas fiscais e são incondicionais. A interessada alega que apresentou apenas uma amostra dos documento. Porém, há que se esclarecer que a amostragem é uma técnica válida para selecionar documentos no âmbito da fiscalização, contudo tal técnica não é válida no âmbito do julgamento, onde o contribuinte deve apresentar todas as provas relativas àquilo que ele pretende comprovar. Na verdade, todas as defesas devem ser apresentadas na defesa, sob pena de preclusão, conforme dispõe o art.300 do CPC (Princípio da eventualidade). Do conceito de amostragem resulta que o método leva a um juízo de possibilidade e não ao juízo de certeza que é imperativo da verdade material. Nas fl.787 a 803, consta uma Instrução Normativa do contribuinte onde está expressa a política de descontos para alguns clientes. Nas fl.804 a 820, consta uma campanha de vendas da empresa. De qualquer maneira, o que importa é o desconto concedido na nota fiscal que não possua nenhuma condição a ser cumprida pelo comprador. Fl. 3464DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.464 18 Consta na fl. 1031 uma lista com as empresas para as quais, supostamente, houve vendas de mercadorias. Nas fls 1032 a 1210, há uma listagem elaborada pela interessada com os supostos descontos concedidos. As notas fiscais estão acostadas nas fl.1226, 1236,1291, 1345, 1354, 1362, 1373, 1381, 1395, 1406, 1414, 1421, 1428, 1436, 1449, 1460, 1468,1475, 1482, 1490, 1505, 1513, 1522, 1530, 1537, 1547, 1556, 1564, 1572, 1580, 1592, 1599, 1608, 1617, 1624, 1632, 1633, 1642, 1650, 1662, 1670, 1678, 1686, 1694, 1702, 1712, 1719, 1726, 1727, 1735, 1742, 1750, 1760, 1778, 1785, 1793, 1803, 1812, 1820, 1829, 1837, 1838, 1846, 185. Tais documentos estão acompanhados da escrituração com os respectivos lançamentos. Na fl 1.235 há uma planilha contendo dados de uma amostra de notas fiscais onde supostamente teria ocorrido descontos incondicionais, contudo tal planilha não destaca o desconto. Nota Fiscal Conta Comprador Data Valor com desconto Valor total da nota Valor dos descontos 087892 500001 24027 PERDIGÃO Vend.Brut.terc. 08/01/2007 194472,32 210639,36 16.617,04 087898 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 08/01/2007 129692,20 140474,00 10781,80 087899 500001 24091 SADIA Vend.Brut.terc. 08/01/2007 105448,32 113629,44 8.181,12 088049 500001 24055 COOP LANGU Vend.Brut.terc. 17/01/2007 14400,00 15597,12 1.197,12 088112 500001 24586 PATRICIA Vend.Brut.terc. 19/01/2007 23,52 23,52 0,00 088325 500001 24658 A PEQ NOTA Vend.Brut.terc. 24/01/2007 133022,32 134628,24 1.605,92 088872 500001 24023 FRANGOSUL Vend.Brut.terc. 08/02/2007 109998,24 118532,32 8.534,08 088943 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 12/02/2007 140532,00 151435,00 10.903,00 089104 500001 25097 MARILENE Vend.Brut.terc. 14/02/2007 35,71 35,71 2,00 089553 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 27/02/2007 316160,00 342443,52 26.283,52 089498 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 27/02/2007 113401,80 122829,30 9.427,50 089516 500001 24366 PROSUI Vend.Brut.terc. 27/02/2007 20039,22 21705,15 1.665,93 089730 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 13/03/2007 154804,56 167674,08 12869,52 089837 500001 25324 MARCELLA Vend.Brut.terc. 15/03/2007 93,37 93,37 0,00 089935 500001 24672 ELIAS Vend.Brut.terc. 19/03/2007 26465,60 27625,88 1.160,28 090049 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 20/03/2007 125573,20 136012,40 10.439,20 090194 500001 25395 AGROSUL Vend.Brut.terc. 23/03/2007 299982,28 324891,44 24.909,16 090574 500001 25395 AGROSUL Vend.Brut.terc. 27/03/2007 136472,08 147058,88 10.586,80 090715 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 03/04/2007 123676,80 133958,40 10.281,60 090801 500001 25578 RICARDO Vend.Brut.terc. 09/04/2007 110,70 110,70 0,00 090915 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 12/04/2007 191899,76 207853,20 15.953,44 091394 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 26/04/2007 101131,20 105562,80 4.431,60 091357 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 26/04/2007 99740,49 107477,92 7.737,43 091353 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 26/04/2007 14938,89 15638,78 699,89 091447 500001 24087 AVIPAL Vend.Brut.terc. 03/05/2007 21627,78 23426,28 1.798,50 091806 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 16/05/2007 188099,95 203737,20 15.67,25 092015 500001 24073 PRADO Vend.Brut.terc. 24/05/2007 119595,16 129556,00 9.960,84 092053 500001 25986 RODRIGO Vend.Brut.terc. 25/05/2007 8,74 8,74 0,00 092203 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 28/05/2007 78465,80 84553,56 6.087,76 092335 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 05/06/2007 185678,40 201114,56 15.436,16 092488 500001 24073 PRADO Vend.Brut.terc. 13/06/2007 83020,42 89950,00 6.929,58 092485 500001 24073 PRADO Vend.Brut.terc. 13/06/2007 77090,39 83525,00 6.934,61 092914 500001 26319 ANDRE Vend.Brut.terc. 21/06/2007 77,40 77,41 0,01 093125 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 26/06/2007 97501,60 101779,60 4.728,00 093088 500001 24073 PRADO Vend.Brut.terc. 26/06/2007 14868,72 16104,00 1.235,28 093208 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 02/07/2007 116332,80 126004,00 9.671,20 093304 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 06/07/2007 231397,60 250634,80 19.237,20 093794 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 24/07/2007 89154,81 93065,80 3.910,99 093797 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 24/07/2007 71247,55 76774,92 5.527,37 Fl. 3465DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.465 19 093922 500001 26600 THAIS Vend.Brut.terc. 25/07/2007 23,52 23,52 0,00 093949 500001 24084 COAMO Vend.Brut.terc. 26/07/2007 49773,00 53634,72 3.861,72 094110 500001 24305 ARTHUR Vend.Brut.terc. 01/08/2007 69500,70 72746,20 3.245,50 094264 500001 25578 RICARDO Vend.Brut.terc. 09/08/2007 127,32 127,32 0,00 094397 500001 24086 AVIPAL Vend.Brut.terc. 14/08/2007 351698,40 390936,40 39238,00 094817 500001 24717 SYNGENTA Vend.Brut.terc. 28/08/2007 233343,36 284816,16 51.472,80 095040 500001 26742 AGROSUL Vend.Brut.terc. 29/08/2007 391572,00 421956,00 3.245,50 095035 500001 24092 GOMERCINDO end.Brut.terc. 29/08/2007 96900,00 104418,00 7.518,00 095137 500001 24869 LUCI Vend.Brut.terc. 04/09/2007 71,66 71,65 0,01 095309 500001 24086 ELEVA Vend.Brut.terc. 13/09/2007 300314,04 325280,16 24.966,12 Nota Fiscal Conta Comprador Data Valor com desconto Valor total da nota Valor dos descontos 095411 500001 24658 A PEQ NOTA Vend.Brut.terc. 17/09/2007 277224,16 280556,26 3.332,10 095647 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 21/09/2007 149038,90 160.601,94 11.563,04 095630 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 21/09/2007 124904,60 130380,09 5.475,49 096033 500001 24551 SORI Vend.Brut.terc. 26/09/2007 37053,60 45187,24 8.133,64 096177 500001 23565 LEONARDO Vend.Brut.terc. 03/10/2007 16,64 16,64 0,00 096405 500001 24086 ELEVA Vend.Brut.terc. 10/10/2007 284344,32 307982,82 23.638,50 096843 500001 24658 A PEQ NOTA Vend.Brut.terc. 23/10/2007 253516,00 256608,80 3.092,80 096912 500001 24717 SYNGENTA Vend.Brut.terc. 24/10/2007 174885,12 213274,16 38.389,04 096964 500001 24207 BIOPET Vend.Brut.terc. 24/10/2007 64014,60 64014,60 0,00 097269 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 29/10/2007 83160,00 90073,37 6.913,37 097539 500001 24775 CONFORTEN Vend.Brut.terc. 08/11/2007 45675,00 49472,11 3.797,11 098007 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 23/11/2007 95804,84 103237,77 7.432,93 097943 500001 27618 FERNANDA Vend.Brut.terc. 23/11/2007 23,52 23,52 0,00 098214 500001 24658 A PEQ NOTA Vend.Brut.terc. 26/11/2007 264574,00 267936,69 3.362,69 098201 500001 26742 AGROSUL Vend.Brut.terc. 26/11/2007 76139,28 82046,47 5.907,19 098451 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 28/11/2007 87879,80 95185,54 7.305,74 098655 500001 23978 CLAUDIA Vend.Brut.terc. 06/12/2007 60,78 60,78 0,00 098795 500001 24506 GERAESVET Vend.Brut.terc. 10/12/2007 90193,48 971919,06 7.725,58 099015 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 12/12/2007 105155,33 108259,13 3.103,80 099025 500001 24442 PROPET Vend.Brut.terc. 12/12/2007 76630,52 76630,52 0,00 099129 500001 24350 MOTIVAR Vend.Brut.terc. 13/12/2007 110757,33 115612,64 4.855,31 099321 500001 25137 RAUPP Vend.Brut.terc. 17/12/2007 250800,00 271649,84 20.849,84 Total 8315769,52 9.570.982,52 1.255.213,00 Da análise dos documentos verificase que das notas fiscais acostadas pela interessada, verificase que algumas delas não contém qualquer desconto. Tal fato está expresso na tabela, sendo registrado o valor de R$ 0,00 para o desconto. Atentese que a existência de notas fiscais sem desconto na amostra apresentada pela interessada é mais um motivo para que não se aceite a amostragem no julgamento, posto que, face a ocorrência de vícios na mesma. Na tabela apresentada pelo contribuinte na fl. 1235 em que lista notas fiscais que teriam registro de descontos, consta a nota fiscal n° 091806, contudo tal documento não foi apresentado, portanto, não há desconto a ser considerado.” De fato, a DRJ está correta em afirmar que a amostragem feita pelo contribuinte não pode ensejar o cancelamento completo da autuação, em primeiro lugar porque, a amostragem foi feita pelo próprio interessado e não pelo fiscal e, segundo, porque o resultado demonstrou alguns insucessos, como é o caso de notas fiscais sem desconto na amostra. Fl. 3466DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.466 20 Em sede recursal, a Recorrente reforça ainda mais a sua defesa no sentido de destacar que o valor declarado na linha 4 da Ficha 06A da DIPJ corresponde ao valor da receita de vendas já reduzido pelos descontos/abatimentos concedidos antes da emissão das notas fiscais. Para isso, acostou aos autos documentação que diz ser comprobatória da totalidade das operações, relacionadas à acusação de omissão de receita, acompanhada de demonstrativos contendo a dinâmica dos lançamentos contábeis. No Recurso Voluntário foi utilizada como exemplo a nota fiscal 94103, que será aqui reproduzida. Tal nota foi emitida no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais, trinta e seis centavos), e apresenta a venda de 12 (doze) unidades de Tiamutin 80 Coated (25 Kg) à Sadia S.A., em 01/08/2007. Em momento que antecedeu a concretização da venda, foram concedidos descontos/abatimentos, em razão das políticas comerciais. Neste cenário, a escrituração contábil da venda teve como partida lançamentos a débito, (i) na conta de Ativo n° 210000 (Devedores por Duplicatas Clientes), no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais e trinta e seis centavos), correspondente ao valor efetivo da operação, ou seja, o efetivamente negociado com o cliente e constante da nota fiscal, e (li) outro na conta de Resultado n° 500086 (Descontos), no montante de R$ 61.023,73 (sessenta e um mil, vinte e três reais, setenta e três centavos), correspondente ao desconto/abatimento concedido à Sadia. A contrapartida de tais lançamentos foi efetuada por meio de lançamento a crédito em conta de Receita n° 500001, no valor de R$ 123.007,09 (cento e vinte e três mil, sete reais e nove centavos), correspondente ao preço de lista do produto, vale dizer, sem o cômputo do desconto/abatimento praticado. O custo da venda foi escriturado com lançamento a débito em conta de Despesa n° 600001 (venda mercadoria para terceiros), tendo como contrapartida lançamento a crédito em conta de Ativo n° 200511 (Estoque). O valor de R$ 2.903,51 (dois mil, novecentos e três reais, cinquenta e um centavos), destacado na nota fiscal a título de ICMS, foi registrado com lançamento a débito na conta de resultado (despesa) n° 500085 (ICMS Conta Corrente), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440851 (ICMS s/ faturamento). O PIS incidente sobre a operação, no montante de R$ 1.301,65 (um mil, trezentos e um reais, sessenta e cinco centavos) foi lançado a débito na conta de resultado (despesa) n° 500084 (PIS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440860 (PIS). A COFINS apurada, no montante de R$ 6.136,35 (seis mil, cento e trinta e seis reais, trinta e cinco centavos) foi lançada a débito na conta de resultado (despesa) n° 500083 (COFINS), tendo como contrapartida lançamento a crédito na conta patrimonial (Passivo) n° 440862 (COFINS). Por fim, o recebimento dos valores relacionados a tal nota, no valor de R$ 61.983,36 (sessenta e um mil, novecentos e oitenta e três reais, trinta e seis centavos), já considerando o desconto concedido, foi registrado na contabilidade da Recorrente com lançamento a débito na conta de Ativo n° 240114 (Bancos), tendo como contrapartida um lançamento a crédito na Conta de Ativo n° 210000 (Clientes), no mesmo valor. Este último lançamento demonstra o valor efetivamente recebido pela Recorrente no tocante à venda de produtos objeto da nota fiscal n° 94103. Demonstra ainda, a dinâmica dos lançamentos contábeis Fl. 3467DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.467 21 Em relação ao segundo ponto da autuação, tenta esclarecer melhor o referido ajuste que foi glosado pela fiscalização e que teria sido originado de falha na instalação na programação de novo módulo contábil, que em alguns casos estava duplicando a receita bruta de vendas. Eis suas palavras: (...) Ainda, em relação ao registro de suas vendas, a Recorrente esclarece que o ajuste de R$ 16.034.702,46, efetuado em 21/12/2007 (mencionado no item a, fls. 5 do TVF), decorreu de equívoco quando da implementação de um novo módulo do sistema contábil que utiliza. Neste cenário, em determinados casos, o sistema, equivocadamente, considerava a receita bruta de vendas em duplicidade, ou seja, o valor da nota fiscal pelo dobro daquele constante em tal documento fiscal. Em dezembro de 2007, mencionado equívoco foi constatado e a Recorrente realizou o ajuste na conta contábil 500086. A título exemplificativo, a Recorrente apresenta o equívoco ocorrido quando da escrituração contábil da nota fiscal 90737. Nesta nota fiscal foi consta a venda para o cliente AVIPAL S/A AVIC AGROPEC, no valor de R$ 8.333,64. No Doc. 7 deste Recurso Voluntário é apresentada mencionada nota Fiscal. Na contabilidade da Recorrente, conforme demonstrado no Livro Diário (Doc. 7), de forma resumida, os seguintes lançamentos foram realizados: Conta Contábil Valor D 210000 Clientes8.333,64 D 500086 Descontos12.405,53 C 500001 Vendas20.739,17 Da análise da documentação apresentada (nota fiscal e Livro Diário), constatase que, para a mencionada venda, no valor de R$ 8.333,64, a Recorrente escriturou receita de R$ 20.739,17. Abaixo a Recorrente apresenta a composição do valor registrado na contabilidade (R$ 20.739,17 somatório da coluna "a"). Vejase a composição dos valores: Valor Unitário (Lista) d Quantidade Vendida e Valor Total f=(d*e) ICMS Receita Bruta h=(f*g) Desconto i Receita Líquida j=(hi) Valor Total R$ 45,45 R$ 45,45 66 186 R$ 2.999,70 R$ 8.453,70 108,313% 108,313% R$ 3.249,07 R$ 9.156,46 R$ (1.066,45) R$ (3.005,44) R$ 2.182,62 R$ 6.151,02 R$ 8.333,64 Na coluna "d" é demonstrado o valor de lista dos produtos, o qual multiplicado pelas quantidades vendidas coluna "e" (demonstradas na nota fiscal) implicaria no registro contábil de uma receita no valor de R$ 11.453,40 (somatório dos R$ 2.999,70 e R$ 8.453,70). Entretanto, no cálculo do preço, também se considera o ICMS, cujo percentual consta na coluna "g" (operação interestadual e com redução da base de cálculo, conforme descrito na nota fiscal). Já na coluna "h" é apresenta a receita registrada considerandose o preço de lista o efeito do ICMS no preço dos produtos, que monta em R$ 12.405,52 (somatório de R$ 3.249,07 e R$ 9.155,46). A diferença entre R$ 12.405,52 e R$ 8.333,64 (valor da nota fiscal), de R$ 4.071,88, apresentada na coluna "i", compõe os R$ R$ 61.982.128,71, cuja justificativa foi acima apresenta (diferença entre o valor de lista e o preço praticado). Pois bem, como a receita registrada foi no valor de R$ 20.739,17 e R$ 4.071,88 se refere à diferença entre o valor de lista e o efetivamente praticado, verificase que na receita bruta remanesce o montante de R$ 16.667,29. Multiplicandose o valor da venda escriturado na nota fiscal (R$ 8.333.64) por dois chegase exatamente em R$ .6.667,39. Fl. 3468DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.468 22 Assim, o erro do sistema que levou a distorções no registro da receita bruta da Recorrente, objeto de autuação, foi justamente duplicar o valor da nota fiscal de venda. Logo, entende a Recorrente que restou demonstrada a inexistência de omissão de receita, pois, em verdade, o desconto registrado decorreu do computo em duplicidade do valor da nota fiscal na sua contabilidade. No Doc. 8 a Recorrente apresenta outros exemplos, nos moldes do acima, que corroboram a inexistência de omissão de receita, devidamente acompanhados das notas fiscais e das folhas do Livro Diário. No Doc. 9 a Recorrente apresenta a listagem das notas fiscais escrituradas em duplicidade que compõem o valor de R$ 16.034.702,46. Nos já citados Docs, 3, 4, 5 e 6 é apresentada a totalidade das notas fiscais, das folhas dos Livros Diários e dos extratos bancários relacionados a presente discussão. Pelo exposto, a Recorrente entende que comprovou a inexistência de omissão de receita no montante de R$ 61.982.128,71, correspondente a descontos/abatimentos concedidos (diferença entre os preços de lista e os efetivamente praticados), e (ii) R$ 16.034.702,46, referente ao ajuste efetuado pela Recorrente, em sua contabilidade, em 21/12/2007 em virtude de equívoco do sistema contábil. Como se vê, embora não tenha prestado talvez os esclarecimentos, provas e detalhamentos necessários quando da autuação, trouxe à colação na fase impugnatória e, mais ainda na fase recursal indícios de provas que a meu ver precisariam de uma resposta mais satisfatória do que a que foi dado pela decisão de piso. Concordo com a DRJ que a situação que se apresenta, os esclarecimentos prestados e detalhamentos feitos, longe ainda estaria de se afirmar que os descontos incondicionais foram todos comprovados, mas discordo da conclusão de que isso conduziria necessariamente à manutenção da infração. Com os novos elementos trazidos aos autos a situação é de indeterminação e não de certeza de algo, merecendo no caso a investigação ser aprofundada, mormente diante da grande quantidade de documentos que seriam necessários ser colacionados aos autos para a comprovação que se faz necessária. Também não se trata de inovação do lançamento. O autuante ao não dar por satisfeito a composição de uma determinada rubrica, no caso, por falta de detalhamento que lhe permitiria aprofundar a investigação, ou falta de prova, glosa a despesa como um todo ou lança a omissão de receitas, como foi o caso. Nesse momento, ontologicamente, não se abria a hipótese levantada pela DRJ de verificação da comprovação documental de determinada subconta contábil que só se apresentou após o detalhamento feito pelo contribuinte em sede impugnatória. Da mesma forma, na medida em que tal situação não configura inovação, também não pode ser considerada não comprovada pela DRJ na medida em que o contribuinte por si só não trouxe aos autos o que em uma situação normal a investigação seria levada a cabo pelo fiscal autuante, mormente quando tal tarefa implique em uma quantidade grande de provas a serem colhidas e demonstradas como é o caso. Em análise da Impugnação apresentada, a DRJ, apesar de ficar claro que o contribuinte trouxe uma amostra significativa de casos com sucesso e alertar que se tratava de apenas uma amostragem dado o grande volume de provas , entendeu por manter a infração no seu remanescente não provado. Fl. 3469DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.722415/201216 Resolução nº 1401000.317 S1C4T1 Fl. 3.469 23 Dessa forma, discordando da decisão de piso, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, e diante da apresentação de indícios fortes e convergentes que poderiam comprometer a solidez do lançamento, por precaução, e também em virtude do grande volume de provas acostados aos autos, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Por amostragem, validar a documentação trazida em fase recursal contra os livros contábeis originais; Intimar novamente a recorrente, levando em consideração as provas trazidas na fase impugnatória e recursal, bem assim solicitandolhe o que mais for necessário a fim de dar continuidade a uma investigação mais aprofundada em relação a real existência aos descontos incondiconais constante em notas fiscais; Considerar os descontos como ocorrido, quando constar na nota fiscal original em campo de observação, como foram os casos acolhidos pela DRJ na amostragem feita pelo contribuinte na fase impugnatória; Por amostragem, circularizar alguns clientes para efeito de verificação da consistência da tese e das provas apresentadas pelo contribuinte, principalmente em relação à questão do pagamento e a negociação do desconto. Tentar produzir, se for possível, alguma documentação vinda de terceiros não relacionados que dê veracidade à tese do contribuinte (emails, correspondências etc); Dentro desse mesmo contexto, esclarecer melhor a duplicidade produzida pelo sistema de informática que levou a autuação do valor de R$ 16.034.702,46, levando em consideração as novas provas trazidas em sede recursal; Tecer considerações adicionais que reputar necessárias para o perfeito deslinde do caso; Se for o caso, refazer a base de cálculo de apuração do IRPJ/Reflexos. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3470DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10240.001850/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA.
Os embargos de declaração visam ao saneamento de omissão, contradição, dúvidas existentes no acórdão embargado, sendo indevido o reexame de mérito já realizado.
A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos.
Numero da decisão: 1202-001.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração para negar-lhes provimento, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcelo Baeta Ippolito, Ricarod Dienfenthaler, Gilberto Baptista, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos de declaração visam ao saneamento de omissão, contradição, dúvidas existentes no acórdão embargado, sendo indevido o reexame de mérito já realizado. A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração para negarlhes provimento, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 18 50 /2 00 9- 01 Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 01 /11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202001.205 S1C2T2 Fl. 9 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Marcelo Baeta Ippolito, Ricarod Dienfenthaler, Gilberto Baptista, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente de Agravo (1045 a 1053), com efeito de embargos, protocolado pela contribuinte Rondônia Mercantil Distribuidora Importadora e Exportadora de Produtos de Gênero Alimentício e pelo responsável tributário, José Geraldo Santos Alves Pinheiro, referente ao acórdão nº 1202001.150 (fls. 1001 a 1003) proferido por esta Câmara. O acórdão supracitado não conheceu os Embargos de Declaração (fls. 979 a 985) propostos pela contribuinte e pelo responsável tributário (Sr. José Geraldo) por motivo de intempestividade. O proceder do voto relator foi que como o acórdão de julgamento do Recurso Voluntário nº 1202.000716 foi proferido em 14/03/2012, sendo o AR enviado para ciência da decisão recebido em 22/02/2013, sexta feira (fl. 961), o prazo para interposição dos Embargos de Declaração teria início em 25/02/2013, segunda feira, imediatamente subsequente à ciência do Contribuinte, tendo como dia cabal 1º de março de 2013. Como o carimbo que consta do recebimento da referida peça é datado de 05/03/2013, a mesma não foi conhecida. No entanto, da notificação da Receita Federal (fl. 960), em 22/02/2012, constava intimação do contribuinte para comparecer perante a Receita dentro do prazo de 5 (cinco) dias, com o fito de tomar ciência da decisão proferida no presente processo. Nesse sentido, tanto o contribuinte, como o responsável tributário, tomaram o prazo de 5 (cinco) dias, como sendo o de ciência da decisão proferida pelo colegiado em relação ao Recurso Voluntário. Assim sendo, o prazo para apresentar os Embargos começaria a fluir em 04/03/2013 e findariase em 08/03/2013. Assiste razão ao contribuinte, pois não poderá ser este prejudicado em seu amplo direito de defesa, consagrado no artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, pois a intimação de ciência do acórdão não foi clara o suficiente, induzindoo em erro e, consequentemente, cerceando seu direito de defesa. Dessa forma, por força do exposto, conhecese a arguição apresentada, como Embargos de Declaração. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 01 /11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202001.205 S1C2T2 Fl. 10 3 Tanto os embargos do sujeito passivo, como do responsável Solidário, se detém única e exclusivamente no questionamento de tal implicação, ou seja, dessa mesma solidariedade tributária nos lançamentos tributários, por isso, apreciase em conjunto os inconformismos. Os embargantes alegam contradição no Acórdão nº 1202000.716, proferido pela 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de fls. 908 a 916, em 14 de março de 2012, no qual, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conheceram o mérito por se tratar de matéria preclusa e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para desagravar a multa de ofício e reduzir seu percentual para 150%, tendo a seguinte ementa: Processo nº 10240.001850/200901 Recurso nº 00.000.001 Voluntário Acórdão nº 1202000.716 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2012 Matéria IRPJ Recorrente RONDÔNIA MERC. DIST. IM. E EXP. DE GEN. ALIMENT. LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a duplicação de multa de ofício regulamentar quanto reste comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Incabível, por carência de previsão legal, a majoração da multa de oficio pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, simplesmente, no ato de responder as intimações fiscais, o faça de maneira Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 01 /11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202001.205 S1C2T2 Fl. 11 4 insatisfatória à pretensão fiscal, pois o fundamento legal apenas descreve a omissão de respostas e não respostas genéricas ou incompletas. Em suas alegações, os embargantes afirmam que o voto condutor foi contraditório, pois se a decisão foi proferida considerando apenas o contrato social, sem a produção de outras provas a corroborar a gestão empresarial, deveria ser considerado que a empresa por um determinado período foi administrada por terceiros, conforme consta do contrato social, mais precisamente da segunda alteração do contrato social. Em que pese o esforço do patrono da contribuinte e do responsável tributário, não se vislumbra contradição alguma a ser sanada no presente julgamento, situação que se passa a demonstrar. Ao longo do procedimento fiscalizatório e decisório como um todo – fiscalização, decisão da DRJ e acórdão do Recurso Voluntário – houve o entendimento inconteste que o responsável solidário era sócioadministrador do sujeito passivo. Tal situação jurídica do responsável foi demonstrada cabalmente por documentos societários constantes dos autos e, dentre estes, o de maior relevo e respaldo para a confirmação do Sr. José Geraldo como responsável solidário foi justamente o Contrato Social. A decisão prolatada no acórdão ora embargado, em momento algum se contradiz, pois o ocorrido foi justamente o que sustentam os embargantes, tendo em vista que o contrato social serviu de sustento para configurar a responsabilidade solidária. Além do mais, não foi apenas o contrato social que serviu de base para a configuração da responsabilidade solidária, mas também a falta de provas em contrário que afastassem a condição de sócioadministrador do Sr. José Geraldo. Senão vejamos as seguintes passagens do acórdão guerreado: Em face disso, consultando os autos, tanto as peças processuais com a impugnação, como as que instruem os recursos voluntários, somente se evidencia os contratos sociais e procurações, inexistindo qualquer outro elemento de prova que o sócioadministrador e responsável solidário, tenha outorgado poderes de representação a terceiro ou empregado para a gestão dos negócios e atividades operacionais do sujeito passivo, o que somente reforça a caracterização que o mesmo sujeito, pessoa física, e sócioadministrador, não delegou a ninguém sua atribuição de competência e responsabilidade societária, inclusive majoritária no contrato social, para cuidar integralmente dos negócios atinentes ao objeto da atividade empresarial do sujeito passivo. Nesse sentido, restou bem evidenciado que inexiste qualquer terceiro na administração dos negócios da autuada, apenas o seu sócio majoritário, Sr. José Geraldo Santos Alves Pinheiro, notadadamente como administrador da sociedade fiscalizada. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 01 /11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202001.205 S1C2T2 Fl. 12 5 Desta feita, sob esse estrito ângulo societário e contratual, válido e considerado sobre prova legítima constituída pela fiscalização, não afastada pelo sujeito passivo e/ou responsável solidário, resta claro que, no caso concreto, o sócio majoritário, cumulado com a atribuição de administração dos negócios sociais, tem interesse comum nos resultados da empresa fiscalizada, mesmo porque inexiste nos autos qualquer outra prova que induza e/ou evidencie a existência de um terceiro, seja em que condição jurídica, interposta, preposto, mandatário,etc que pudesse justificar ausência de comando e gestão dos negócios da fiscalizada. Se ao sócio majoritário, inclusive administrador, não se nota interesse comum, sem qualquer intervenção de outro sócio ou de terceiro, o dispositivo do inciso I do art. 124 é absolutamente inócuo e vazio, com o que não se pode compadescer, em face ao entendimento que prima pela razoabilidade e veracidade relacionada aos fatos infracionais apurados na gestão dos negócios sociais da empresa fiscalizada. Diante disso, é de se reconhecer, inequivocamente, a aplicabilidade da responsabilidade solidária do sócio administrador, Sr. José Geraldo Santos Alves Pinheiro sobre o objeto da autuação fiscal neste processo. Segundo Araken de Assis em seu Manual dos Recursos, 2ª edição, página 612: A contradição decorre da existência de proposições inconciliáveis entre si nos elementos do provimento e de um elemento em relação ao(s) outro(s). As proposições inconciliáveis consistem na afirmação e na negação simultâneas de algo. Elementos do provimento, para esse efeito, são o relatório, a motivação e o dispositivo. A mecânica de formação do julgamento colegiado, nos tribunais, espelhada posteriormente no acórdão, encimado pela ementa, introduz novos elementos passíveis de comparação, e, portanto, de contradição. No direito anterior já se admitia, e com razão, contradição entre o resultado do julgamento, proclamado pelo presidente da sessão, e o ulterior acórdão, e entre os votos proferidos e o resultado proclamado. Cássio Scarpinella Bueno em seu Curso Sistematizado de Direito Processual Civil, dissertado sobre os Embargos de Declaração, capítulo 8, página 196, afirma que: Os embargos de declaração são o recurso cabível de qualquer decisão jurisdicional que se mostre obscura, contraditória ou que tiver omitido questão sobre a qual seu prolator deveria ter se pronunciado. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 01 /11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202001.205 S1C2T2 Fl. 13 6 A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. É indiferente que a contradição se localize na parte decisória (o “dispositivo” da sentença) propriamente dita ou na motivação. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influi na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. Nesse sentido, não se vislumbra no presente recurso o requisito necessário para que haja a alteração no julgamento, pois não há na decisão guerreada simultaneidade de idéias opostas, ou seja, não existe no acórdão o requisito intrínseco de proposições conflitantes que interfiram na intelecção da decisão. Os motivos apresentados acima já são o bastante para não acolher o presente recurso, no entanto, enfrentaremos ainda a afirmação que a empresa durante determinado período teria sido administrada por terceiros. Os embargantes se referem a Segunda Alteração Contratual da Sociedade, fls.986/987, na qual, realmente constam outras pessoas no comando da empresa, no entanto, essa questão tornase irrelevante, pois a data desta alteração é de 8 de outubro de 2007, enquanto os anoscalendário fiscalizados são de 2005 e 2006. De acordo com o Contrato de Constituição da Sociedade, fls.180/181, datado de 17 de abril de 2004, a administração da sociedade caberia ao Sr. José Geraldo, conforme consta da 7ª cláusula, senão vejamos: CLAUSULA 7ª A administração da sociedade caberá a JOSE GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO, com os poderes e atribuições de Administrar a sociedade, autorizado o uso do nome empresarial, vedado no entanto, em atividades estranhas ao interesse social ou assumir obrigações seja em favor de qualquer dos quotistas ou de terceiros, bem como onerar ou alienar bens imóveis da sociedade, sem autorização do outro sócio. Posteriormente, veio a lume a 1ª Alteração Contratual que não modificou em nada o descrito acima. Essa situação perdurou até a 2ª Alteração Contratual, datada em 8 de outubro de 2007, quando o Sr. Roque Hudson Santos passou a administrar a sociedade, conforme a cláusula 4ª, a seguir transcrita: CLAUSULA 4ª A administração da sociedade caberá a ROQUE HUDSON SANTOS, com os poderes e atribuições de Administrar a sociedade, autorizado o uso nome empresarial, vedado no entanto em atividades estranhas ao interesse social, ou assumir obrigações seja em favor de qualquer dos quotistas ou terceiros, bem como onerar ou alienar bens imóveis da sociedade, sem autorização do outro sócio. Ou seja, durante o período fiscalizado, o administrador sempre foi o Sr. José Geraldo Santos Alves Pinheiro, dessa forma, sua responsabilidade decorre do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador ocorrido na empresa RONDÔNIA MERCANTIL, haja vista o poder de gerência e administração sobre os negócios da empresa conferidos pelo Contrato Social e Primeira alteração cadastral, suficientes para decidir sobre o cumprimento ou não da legislação tributária, no período em que foram verificadas as omissões e a falta de recolhimento dos tributos/contribuições lançados, portanto mais esse argumento ser rechaçado. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 01 /11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202001.205 S1C2T2 Fl. 14 7 Em suma, não há vício no acórdão capaz de modificálo. Os embargantes buscaram criar um sofisma, para com isso dar efeito infringente aos presentes embargos ou, arrisco ainda em dizer, que a verdadeira intenção foi a de recuperar o prazo para interposição de Recurso Especial. Porém, o referido recurso não é o meio processual correto para discussões de mérito. Nesse sentido, já entende o STJ: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO.INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ APRECIADA. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. Os embargos de declaratórios não se prestam para provocar o reexame de matéria já decidida. (...) (EDcl nos EDcl no Ag 1072587/RJ, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 04/08/2009, DJe 17/08/2009) – Grifo nosso PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO RESCISÓRIA – TRIBUTÁRIO – COFINS – REVOGAÇÃO DA SÚMULA 276/STJ – AUSÊNCIA DE VÍCIO NO JULGADO – PRETENSÃO DE EFEITOS INFRINGENTES – IMPOSSIBILIDADE. 1. Os embargos declaratórios não são cabíveis para a modificação do julgado que não se apresenta omisso, contraditório ou obscuro. 2. Fica evidente a pretensão infringente buscada pela embargante, com a oposição destes embargos declaratórios, uma vez que pretende ver alterado o acórdão de acordo com sua tese. (...) Embargos de declaração rejeitados. (EDcl na AR 3.616/PE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009). À vista disso, conhecese os Embargos de Declaração, no entanto, como não houve no voto proferido contradição capaz de viciálo, votase no sentido de rejeitálos. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 01 /11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202001.205 S1C2T2 Fl. 15 8 Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 01 /11/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13855.902020/2008-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Dcomp. Análise do Direito Creditório. Prazo.
A administração tributária tem o prazo de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, para rever e alterar as parcelas que compõe o saldo negativo utilizado como direito creditório em pedidos de restituição ou de compensação.
Numero da decisão: 1801-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO. A administração tributária tem o prazo de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, para rever e alterar as parcelas que compõe o saldo negativo utilizado como direito creditório em pedidos de restituição ou de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 5a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, não reconheceu o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 20 20 /2 00 8- 73 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 direito creditório em litígio nos autos e não homologou as compensações declaradas, a ele vinculadas. A empresa em referência transmitiu PERDCOMPs com objetivo de compensar débitos de sua responsabilidade com direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2006, no valor de R$ 485.048,86. As compensações foram objeto de Despacho Decisório Eletrônico que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações. A interessada apresentou manifestação de inconformidade e a DRJ/RJI anulou por vício formal o DDE de fl. 1, em razão da ausência de motivação do ato. Os autos retornaram ao órgão de origem para apreciar o mérito do pedido e o SEORT da DRF em Ribeirão Preto/SP, depois de expedir intimação para que a interessada esclarecesse determinados pontos de seu pedido, analisou as parcelas que compuseram o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2005. Assim, o valor da dedução com operações de caráter cultural e artístico, no valor de R$ 20.000,00, foi reduzida para R$ 8.000,00 tendo em conta que a legislação limita a dedução em 40% do somatório total das doações. A dedução a título de PAT, no valor de R$ 26.311,28 foi validada, assim como foi a dedução de IRRF no valor de R$ 196.205,23. O valor das deduções com estimativas recolhidas foi reduzido de R$ 1.487.024,37 para R$ 1.198.180,74, tendo em conta a comprovação deste último valor composto da seguinte forma: 1) R$ 11.682,37 de IR a pagar (item 12 da ficha 11 da DIPJ), extinto por compensação (folhas 68 e 69); 2) R$ 1.186.498,37 de IRRF utilizado como dedução (item 07 da ficha 11 da DIPJ) nos balancetes de suspensão e redução levantados em outubro, novembro e dezembro de 2005. Assim, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2005 restou apurado em: IR sobre o Lucro Real (15%) 761.095,21 Adicional 483.396,81 Doações Caráter Cultural e Artístico (8.000,00) PAT (26.311,28) IRRF (196.205,23) IR pago estimativa (1.198.180,74) = IR a PAGAR 184.205,23 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13855.902020/200873 Acórdão n.º 1801002.005 S1TE01 Fl. 3 3 Em 24/11/2008 (fl. 02), a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da DRF/Ribeirão Preto – SP emitiu novo Despacho Decisório (fls. 157/162), cientificado à interessada pela Intimação nº 1321/2011/DRF/POR/Seort (fls. 168/169) em 17/10/2011, conforme Aviso de Recebimento AR, de fl. 171, e reconheceu parcialmente o crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006, ano calendário de 2005 até o limite de R$ 184.205,23, e não reconheceu o valor de R$ 485.048,86 constante das DCOMP. A interessada foi intimada do novo Despacho Decisório e apresentou manifestação de inconformidade tempestiva na qual alegou a decadência do direito do Fisco em rever a apuração do saldo negativo do anocalendário 2005. A DRJ em Ribeirão Preto/SP proferiu acórdão pelo qual, por unanimidade, a turma decidiu que a decadência se aplica aos casos de lançamento de ofício, mas não se aplica à revisão de valores para aferir a certeza e liquidez do crédito pleiteado a título de saldo negativo. Notificada da decisão, em 20/04/2012 (AR fl. ), a interessada apresentou, em 22/05/2012, recurso voluntário. Nas razões de defesa alega a nulidade do acórdão recorrido por força da caracterização da decadência, pois o Fisco teria constituído crédito fiscal do ano calendário 2005, em 2011, ou seja, mais de 5 anos após a ocorrência do fato gerador. Aduz que o Despacho Decisório teria ofendido o §4º, do art 150, do CTN, uma vez que fundamentou a glosa da compensação única e exclusivamente na existência do direito creditório, não observando o prazo de cinco anos da data do fato gerador para analise já que a Fiscalização não poderia analisar o direito creditório fora do prazo previsto no §4º do art. 150 do CTN. Destaca a importância da segurança jurídica que teria sido afrontada e transcreve acórdãos do CARF para ilustrar sua tese. Ao final pede pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto o litígio se limite a parcela não reconhecida do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2005. Do valor total pleiteado, de R$ 485.048,86, foi reconhecida a parcela de R$ 184.205,23, não suficiente a fazer frente a todas as compensações declaradas, restando em litígio o montante de R$ 313.738,27. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 De pronto deve ser afastada a alegação de nulidade do acórdão proferido pela Turma Julgadora de 1a. Instância, eis que não se configura nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto n º 70.235, de 1972, que regulamenta o PAF. Cumpre consignar que o não reconhecimento do direito creditório em litígio, pela DRJ no Rio de Janeiro/RJI, faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, nessas condições, não se insere no âmbito das causas de nulidade de decisão. Aquela autoridade teria ficado convencida, pelos fatos apurados pela auditoria fiscal e pelos elementos constantes dos autos, que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2005 passível de restituição se limita ao valor reconhecido no Despacho Decisório. Quanto aos argumentos de defesa atinentes à decadência, curvome à posição majoritária desta Turma de Julgamento que entende que o Fisco dispõe do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, a contar do fato gerador, para rever e alterar as parcelas que compõem o saldo negativo utilizado como direito creditório em pedidos de restituição e/ou compensação. Tendo em conta que, no presente caso, o fato gerador do IRPJ do ano calendário 2005 ocorreu em 31/12/2005, a Fazenda teria até o dia 31/12/2010 para rever e alterar as parcelas que compuseram o saldo negativo apurado no respectivo período. Em face do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário e homologar as compensações até o limite do direito creditório em litígio, no valor de R$ 313.738,27. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13855.902020/200873 Acórdão n.º 1801002.005 S1TE01 Fl. 4 5 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10510.721600/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Geraldo Soares Dias RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencidos os Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator) e Márcio de Lacerda Martins. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Assinatura digital
Antonio Lopo Martinez Redator-designado
Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Fabio Brum Goldschmidt e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado).
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.721600/201170 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.553 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 15 de outubro de 2013 Assunto Sobrestamento de processo Recorrente GERALDO SOARES DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Geraldo Soares Dias RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencidos os Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator) e Márcio de Lacerda Martins. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator Assinatura digital Antonio Lopo Martinez – Redatordesignado Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Fabio Brum Goldschmidt e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .7 21 60 0/ 20 11 -7 0 Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ Processo nº 10510.721600/201170 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.553 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO GERALDO SOARES DIAS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ SALVADOR/BA que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 323/332, para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, no valor de R$ 520.013,07, acrescido de multa de ofício e de juros de mora e, ainda, multa isolada, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 963.649,99. As infraões que ensejaram o lançamento foram: 1) Omissão de rendimentos caracrterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem; 2) Falta de recolhimento de IRPF devido a título de carnêleão, sendo exigida multa isolada sobre o valor nãop recolhido. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o procedimento fiscal é nulo devido à quebra irregular do seu sigilo bancário; que o acesso aos seus dados bancários viola o artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001; que o Poder Judiciário não reconhece como legítima a previsão do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; que sua atividade profissional é a prestação de serviços no ramo imobiliário; que sua movimentação bancária diz respeito ao recebimento de alugueis dos imóveis que administra ou ainda de transações financeiras com terceiros; que os depósitos bancários não poderiam servir de base para o lançamento fiscal sem que se comprovasse a obtenção de acréscimo patrimonial; que não se configura crime a falta de pagamento de um tributo decorrente de simles omissão. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que há previsão legal expressa para o acesso dos agents do Fisco à movimentação financeira dos contribuinte; que há previsão legal expressa para o lançamento com base em depósitos bancários, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1992; que o contribuinte não comprovou as origens dos depósitos bancários, não sendo válida para este fim a simples refer~encia genérica a uma possível origem para os depósitos. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 12/09/2009 (fls. 368/369) e, em 29/09/2013, interpôs o recurso voluntário de fls. 376/397, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ Processo nº 10510.721600/201170 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.553 S2C2T2 Fl. 4 3 Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. Cumpre examinar, preliminarmente, a questão suscitada pelo Conselheiro Antonio Lopo Martinez a respeito do sobrestamento do julgamento do recurso. Como é sabido, o sobrestamento do julgamento de recursos no âmbito do CARF se dá por imposição e nos termos do seu Regimento Interno, cujo artigo 62A reza o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Cumpre às turmas julgadoras do CARF, portanto, verificarem, em cada caso, as situações em que o julgamento deva ser sobrestado, seja por provocação da parte, seja por iniciativa que qualquer dos Conselheiros da Turma. Pois bem, o artigo 62A, acima reproduzido, é claro ao referirse ao sobrestamento do recursos, “sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.” Ora, a Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo CivilCPC cuida dos processos com repercussão geral, e define três situações distintas, veiculadas nos artigos 543A, 543B e 543C, a saber: Art. 543A. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário, quando a questão constitucional nele versada não oferecer repercussão geral, nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o O recorrente deverá demonstrar, em preliminar do recurso, para apreciação exclusiva do Supremo Tribunal Federal, a existência da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar decisão contrária a súmula ou jurisprudência dominante do Tribunal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Se a Turma decidir pela existência da repercussão geral por, no mínimo, 4 (quatro) votos, ficará dispensada a remessa do recurso ao Plenário. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ Processo nº 10510.721600/201170 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.553 S2C2T2 Fl. 5 4 § 5o Negada a existência da repercussão geral, a decisão valerá para todos os recursos sobre matéria idêntica, que serão indeferidos liminarmente, salvo revisão da tese, tudo nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 6o O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 7o A Súmula da decisão sobre a repercussão geral constará de ata, que será publicada no Diário Oficial e valerá como acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ Processo nº 10510.721600/201170 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.553 S2C2T2 Fl. 6 5 está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). Como se vê, o artigo 543A cuida de situação envolvendo recursos extraordinários que chegam ao Supremo Tribunal Federal, e que somente serão conhecidos pela Corte quando a questão constitucional nele versada for reconhecida como de repercussão geral, definida pela existência de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. O § 2º do mesmo artigo determina que o recorrente deve demonstrar, em preliminar do recurso, a existência da repercussão geral. Já o artigo 543B cuida de situação em que os tribunais de origem selecionam um ou mais recursos representativos da controvérsia e os encaminha ao Supremo Tribunal Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ Processo nº 10510.721600/201170 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.553 S2C2T2 Fl. 7 6 Federal, sobrestando o julgamento dos demais recursos até o pronunciamento definitivo da Corte, cabendo ao Supremo Tribunal Federal – STF, nestes casos, negar ou confirmar a existência da repercussão geral. Negada a existência da repercussão geral, os recursos que ficaram sobrestrados nos tribunais consideramse automaticamente não admitidos;. acatada a repercussão geral, estes permanecem sobrestados até julgamento do mérito pelo STF. Um terceira situação está disciplinada no artigo 543C, e assemelhase à situação definida no artigo 543B, porém envolvendo recursos especiais. Cuidase, portanto, vale repisar, de três situações distintas: as duas primeiras envolvendo recursos extraordinários, a última, recurso especial. E mais, em relação às situações tratadas nos artigos 543A e 543B há uma clara distinção, especialmente, quanto ao sobrestamento dos recursos pelos tribunais de origem. No caso tratado no artigo 543A, o reconhecimento da repercussão geral é examinada como condição para a admissibilidade do recurso, pelo STF, não implicando no sobrestamento, pelos tribunais de origem, dos recursos que versem sobre matéria idêntica, o que é evidente, pois, se assim não fosse, o artigo 543A seria inócuo, pois não subiriam recursos relativamente a tais matérias, para terem sua admissibilidade, quanto à repercussão geral, examinada pelo STF. Diferentemente, no caso do 543B, o reconhecimento da repercussão geral pelo STF implica, necessariamente, no sobrestamento dos recursos nos tribunais de origem até decisão pelo STF. O próprio STF expediu orientações com vistas à padronização de procedimentos no âmbito do Supremo Tribunal Federal e dos demais órgãos do Poder Judiciário, em que deixa clara essa distinção. Vejamos: RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS I) Verificase se o RE trata de matéria isolada ou de matéria repetitiva (processos múltiplos). a) Quanto às matérias isoladas, realizase diretamente o juízo de admissibilidade, exigindose, além dos demais requisitos, a presença de preliminar de repercussão geral, sob pena de inadmissibilidade. b) Quanto aos recursos extraordinários múltiplos: b.1) Selecionamse em torno de três recursos extraordinários representativos da controvérsia, com preliminar de repercussão geral e que preencham os demais requisitos para sua admissibilidade, os quais deverão ser remetidos ao STF, mantendose sobrestados todos os demais, inclusive os que forem interpostos a partir de então (§ 1º do art. 543B do CPC). Não há necessidade de prévio juízo de admissibilidade dos recursos que permanecerão sobrestados. b.2) Os recursos extraordinários múltiplos que forem remetidos ao Supremo Tribunal Federal em desacordo com o art. § 1º do art. 543B do CPC, ou seja, em número além do necessário para que o Tribunal tenha conhecimento da controvérsia, serão devolvidos aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais, nos termos da Portaria 138/2009 da Presidência do STF. b.3) Se a seleção ainda não foi feita para um assunto específico, mas já houve pronunciamento do STF quanto à repercussão geral do assunto em outro recurso, é desnecessária a remessa de recursos representativos da mesma controvérsia, podendo ocorrer o imediato sobrestamento de todos os recursos extraordinários e agravos sobre o Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ Processo nº 10510.721600/201170 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.553 S2C2T2 Fl. 8 7 tema. A identificação dessa hipótese se dá pela consulta às matérias com repercussão geral reconhecida, no portal do Supremo Tribunal Federal. II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideramse não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de 1maio de 2007 (§ 2º do art. 543B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguardase a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestandose recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideramse prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543B do CPC); b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminha se o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543B do CPC). Notese que o STF distingue as “matérias isoladas” dos “recursos extraordinários múltiplos”, tratados, respectivamente, nos artigos 543A e 543B do CPC, e define procedimentos específicos para cada situação. Pois bem, a questão central para o deslinde da controvérsia ora examinada, no que diz respeito ao CARF, é que o RICARF definiu explicitamente que o sobrestamento do julgamento dos recursos deveriam ocorrer nos casos em que a repercussão geral foi reconhecida pelo STF na sistemática estabelecida no artigo 543B do CPC, e, no caso sob exame, o RE nº 601.314/SP, tido como leading case, foi admitido como se repercussão geral pela “relevância jurídica da questão constitucional”, nos termos do artigo 543A do CPC c/c o artigo323, § 1º do RISTF. Eis a conclusão do voto do Relator, Ministro Ricardo Levandovski: Isto posto, manifestome pela existência da repercussão geral neste recurso extraordinário, nos termos do artigo 543A, § 1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, § 1º do RISTF. Ora, reconhecida como de repercussão geral, ainda que na sistemática do art. 543A do CPC é natural que o julgamento de recursos extraordinários versando matéria idêntica sejam sobrestado no âmbito do próprio STF, até o julgamento do RE 601.314, mas esta decisão não implica no sobrestamento, nos tribunais de origem, dos processos versando matéria idêntica. E, com mais razão ainda, não se justifica o sobrestamento dos processos no âmbito do CARF. Diferentemente, quando a repercussão geral é reconhecida com amparo no artigo 543B, § 1º do CPC, o STF determina o sobrestamento dos recursos nos tribunais de 1 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ Processo nº 10510.721600/201170 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.553 S2C2T2 Fl. 9 8 origem, até decisão do mérito. É o que ocorreu, por exemplo, no RE 614.232, que trata de rendimentos recebidos acumuladamente. Vejamos: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIUO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados, se por regime de caixa ou de competência, vinha sendo considerado por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição dói recurso extraordinário com fundamento no artigo 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. #. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da uniformidade e da isonomia geográfica. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do artigo 543B, § 1º do CPC. Aqui, o STF determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários versando sobre a mesma matéria, o que não ocorreu, coerentemente, no caso do RE 601.316. Conclusão Nestas condições, penso que não se aplica ao presente caso a orientação veiculada no artigo 62A do RICARF, razão pela qual rejeito a proposta de sobrestamento do julgamento deste processo. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa VOTO VENCEDOR Conselheiro Antonio Lopo Martinez Divergi do bem articulado voto do i. Relator. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ Processo nº 10510.721600/201170 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.553 S2C2T2 Fl. 10 9 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ Processo nº 10510.721600/201170 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.553 S2C2T2 Fl. 11 10 Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ Processo nº 10510.721600/201170 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.553 S2C2T2 Fl. 12 11 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ Processo nº 10510.721600/201170 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.553 S2C2T2 Fl. 13 12 informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTIN EZ
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Numero do processo: 13770.000408/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE.
Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades. Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição
Numero da decisão: 2301-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR- Relator.
EDITADO EM: 03/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, ANDREA BROSE ADOLFO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE. Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades. Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE. Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades. Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 04 08 /2 00 7- 97 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 03/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, ANDREA BROSE ADOLFO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO Relatório Adoto o relatório constante da Resolução n. 2302000.143: O contribuinte acima identificado, através de requerimento (fls. 01), requer a restituição de valores retidos sobre notas fiscais de prestação de serviços relativamente ao CEI n° 50.007.90406170 tendo em vista saldo remanescente depois de efetuada compensação com os valores devidos à Previdência Social, com fulcro na Lei 8.212/91 em seu artigo 31, § 1° e 2°. Conforme dispõe a IN SRP N° 03/2005 (alterada pela IN n° 20/2007), em seu art. 205, o sujeito passivo poderá requerer a restituição, se não optar pela compensação dos valores retidos, ou, se após a compensação, restar saldo em seu favor. Sua pretensão foi submetida à DRFB em Vitória/ES que, por meio do Parecer SEORT/DRF/MT n. 1205/2007 de 25/07/2007 [fls. 4245], julgou improcedente a solicitação realizada: Assunto: Requerimento de Restituição de Retenção de 11% sobre Notas Fiscais de Prestação de Serviços. Ementa: O sujeito passivo poderá requerer a restituição, se não optar pela compensação dos valores retidos, ou, se após a compensação, restar saldo em seu favor. Dispositivos Legais: Art. 31, §§ 1° e 2°, da Lei 8.212/91. • Solicitação improcedente. Irresignado, o Interessado interpôs recurso voluntário tempestivo que, em síntese, alegou: A quantidade de funcionários alceados e destacados em folha de pagamento e GFIP correspondem à realidade dos serviços executados por se tratar de serviços apenas de manutenção e não de construção, conforme destacado na PLANILHA DE MEDIÇÃO (ANEXO 01) na qual a mão de obra constituise de 01 Eletricista, 01 ajudante e 01 Engenheiro, este sendo o proprietário da empresa comprovado através do CONTRATO Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13770.000408/200797 Acórdão n.º 2301004.077 S2C3T1 Fl. 85 3 SOCIAL (ANEXO 02)e CERTIDÃO DO CREA — ES (ANEXO 03); (ii) Conforme Cláusula Sexta (das condições de execução das obras e serviços) e Item 6.3 do contrato de prestação de serviços à contratada não poderá subempreitar em parte ou o total dos serviços a ela adjudicados e ainda na cláusula Sétima (das medições dos serviços e das condições de pagamentos) a partir dos itens 7.5 a 7.7 demonstra todas as exigências a serem cumpridas para liberação dos pagamentos a contratada, o que torna impossível a hipótese de sonegação de mão de obra; (iii) Considerando ainda que nos processos iniciais de restituição, foram juntadas Planilhas de Medições e Demonstrativos de Valores de Material e Mão de obra no intuito que se ficasse claro que não poderia ser diferente a quantidade de funcionários alocados no referido contrato, pois está sendo atendido explicitamente o que pede o mesmo; (iv) Vale ressaltar que nos valores informados a titulo de mão de obra na planilha de medição não constitui somente recursos humanos contratados. Após análise mais criteriosa por parte de V.Sas. no (ANEXO 01 MEDIÇÃO), será detectado que a exigência do contrato e somente a contratação de 01 Eletricista e 01 Ajudante; (v) Vale lembrar, que neste ramo de serviço, a utilização de materiais de aplicação e/ou reposição, equipamentos como, por exemplo: Caminhões, escadas giratórias, guindastes muncks, cestas de elevação e diversos outros itens adicionais é de grande relevância dentro dos valores totais das medições; (vi) Vale lembrar que nos valores unitários pagos pelo Eletricista e Ajudante estão inclusos todos os custos trabalhistas, ou seja: Férias, 13° salário, Vale Transporte, INSS, Rescisão de Contrato, Alimentação etc; (vii) Assim sendo, fica totalmente explicito que não houve irregularidade ou sonegação de mão de obra na execução do contrato, ao contrário, houve o cumprimento integral do mesmo firmado entre as partes neste período; e (viii) Considerando que a empresa cumpriu com todas as suas obrigações previstas em contrato não há de se aplicar aferição indireta disposta no artigo 597 da IN 03/2005. Para maior esclarecimento, a 2ª Turma Ordinária desta Câmara resolveu converter o julgamento de diligência para que: [...] O art. 142 do CTN impõe a necessidade de realização do lançamento diante da ocorrência do fato gerador, bem como nos casos de aplicação de penalidade pecuniária. Assim, não cabe o mero apontamento pelo órgão fazendário de que há irregularidade perante o Fisco, nesse caso deveria ter lançado o crédito respectivo. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Pela irregularidade cadastral caberia aplicação de multa isolada (auto de infração por descumprimento de obrigação acessória). A análise de possíveis distorções pode e deve ser realizada pela autoridade fiscal, contudo tal análise deve ser devidamente fundamentada, possibilitando um procedimento fiscal que confira a ampla defesa e o contraditório. Os presentes autos não servem para discussão, assim caso a Receita Federal não confie nos dados apresentados deve apurar os fatos em ação fiscal, na qual tenha acesso à toda documentação necessária, se for o caso efetue o lançamento, possibilitando o procedimento adequado e idôneo para a defesa do contribuinte. Deve a Receita Federal informar se o contribuinte encontrase sob ação fiscal, bem como o auto de infração ou a notificação fiscal lavrados, se for o caso. Para impedir a restituição o débito tem que ser constituído pelo órgão fiscalizador. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente. Em resposta, a autoridade fiscal manifestou [fl. 76]: A Resolução n° 2302000.143 — 3a Câmara/ 2a Turma Ordinária (fls. 72/73) converteu o julgamento em Diligência para que seja informado se o contribuinte em epígrafe encontrase sob ação fiscal, bem como, se for o caso, os números de auto de infração e notificações lavrados. Dessa forma, anexamos o relatório do SIEF, intitulado "Dossiê Eletrônico do Contribuinte", o qual informa a inexistência de procedimento fiscal para este contribuinte, situação que justifica o fato de não terem sido lavrados autos de infração ou notificações fiscais no CNPJ correspondente. Quanto a parte da resolução determinado que "Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente" (fl. 73v), entendemos que não fica prejudicada a ampla defesa nem o contraditório do contribuinte, uma vez que da diligência não surgiram fatos ou dados novos a acrescentar ao processo. Assim sendo, atendidos os termos da resolução, sugiro o retorno dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento das providências necessárias ao julgamento. Os autos foram remetidos sem a cientificação do sujeito passivo. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13770.000408/200797 Acórdão n.º 2301004.077 S2C3T1 Fl. 86 5 Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, documento de fls. 4748, conheço do recurso e passo ao seu exame. Todo processo administrativo, para que se afigure constitucionalmente válido, deve ensejar ao particular a possibilidade de ver conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter formal e material e de produzir todas as provas necessárias à comprovação de suas alegações. A ampla defesa, desse modo, bipartese no direito à cognição formal e material ampla (que corresponde ao princípio da ampla competência decisória). Noutro lado, o crédito fiscal do Estado cristalizado no ato de lançamento e notificado ao contribuinte exprime pretensão do ente tributante sobre o patrimônio do cidadão. Pretensão de tal natureza, por submeterse à cláusula constitucional segundo a qual ninguém será privado de seus bens sem o devido processo legal (art. 5º, LIV), somente será válida quando obedecer às garantias materiais e processuais dos contribuintes (substantive due process e procedural due process). A impugnação administrativa é a resistência formal do contribuinte à pretensão fiscal do Estado sobre seus bens, e é o direito que se assegura ao cidadão como meio de ver vivificado o primado da legalidade através do devido processo legal. No presente caso, tratase de pedido restituição de valores retidos sobre notas fiscais de prestação de serviços relativamente ao CEI n° 50.007.90406170 tendo em vista saldo remanescente depois de efetuada compensação com os valores devidos à Previdência Social, com fulcro na Lei 8.212/91 em seu artigo 31, § 1° e 2°. Sua pretensão foi submetida à DRFB em Vitória/ES que, por meio do Parecer SEORT/DRF/MT n. 1205/2007 de 25/07/2007 [fls. 4245], julgou improcedente a solicitação realizada: Assunto: Requerimento de Restituição de Retenção de 11% sobre Notas Fiscais de Prestação de Serviços. Ementa: O sujeito passivo poderá requerer a restituição, se não optar pela compensação dos valores retidos, ou, se após a compensação, restar saldo em seu favor. Para maior esclarecimento, a 2ª Turma Ordinária desta Câmara resolveu converter o julgamento de diligência para que: [...] O art. 142 do CTN impõe a necessidade de realização do lançamento diante da ocorrência do fato gerador, bem como nos casos de aplicação de penalidade pecuniária. Assim, não cabe o mero apontamento pelo órgão fazendário de que há irregularidade perante o Fisco, nesse caso deveria ter lançado o crédito respectivo. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Pela irregularidade cadastral caberia aplicação de multa isolada (auto de infração por descumprimento de obrigação acessória). A análise de possíveis distorções pode e deve ser realizada pela autoridade fiscal, contudo tal análise deve ser devidamente fundamentada, possibilitando um procedimento fiscal que confira a ampla defesa e o contraditório. Os presentes autos não servem para discussão, assim caso a Receita Federal não confie nos dados apresentados deve apurar os fatos em ação fiscal, na qual tenha acesso à toda documentação necessária, se for o caso efetue o lançamento, possibilitando o procedimento adequado e idôneo para a defesa do contribuinte. Deve a Receita Federal informar se o contribuinte encontrase sob ação fiscal, bem como o auto de infração ou a notificação fiscal lavrados, se for o caso. Para impedir a restituição o débito tem que ser constituído pelo órgão fiscalizador. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente. Em resposta, a autoridade fiscal manifestou [fl. 76]: A Resolução n° 2302000.143 — 3a Câmara/ 2a Turma Ordinária (fls. 72/73) converteu o julgamento em Diligência para que seja informado se o contribuinte em epígrafe encontrase sob ação fiscal, bem como, se for o caso, os números de auto de infração e notificações lavrados. Dessa forma, anexamos o relatório do SIEF, intitulado "Dossiê Eletrônico do Contribuinte", o qual informa a inexistência de procedimento fiscal para este contribuinte, situação que justifica o fato de não terem sido lavrados autos de infração ou notificações fiscais no CNPJ correspondente. Quanto a parte da resolução determinado que "Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente" (fl. 73v), entendemos que não fica prejudicada a ampla defesa nem o contraditório do contribuinte, uma vez que da diligência não surgiram fatos ou dados novos a acrescentar ao processo. Assim sendo, atendidos os termos da resolução, sugiro o retorno dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento das providências necessárias ao julgamento. Os autos foram remetidos sem a cientificação do sujeito passivo. O §3º, do art. 59, do Decreto n. 70.235/72 dispõe que: Art. 59. São nulos: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13770.000408/200797 Acórdão n.º 2301004.077 S2C3T1 Fl. 87 7 [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso em análise, entendo que deverá ser superado o obstáculo processual – ausência de intimação , por força do provimento do recurso. Segundo a DRF, o pedido não foi deferido pelos seguintes fundamentos [fls. 4245]: [...] documentação em apreço corresponde ao faturamento dos serviços executados relativamente ao Contrato n° 019/2006, de 15/05/2006, com objeto de execução de serviços de manutenção nos 5.500 pontos de iluminação dos diversos logradouros públicos no município de Viana, sob o regime de empreitada por preço unitário, com valor total de R$ R$ 386.76240 prazo 12 meses (fis,17123). Podese observar que se trata, essencialmente, de serviços construção civil compreendendo a manutenção da rede municipal de iluminação pública, com previsão contratual de fornecimento de material e mãodeobra, não estando, entretanto, estampado no contrato, separadamente, o valor dos serviços e do material, o que permitiu a aplicação pela requerente, do percentual de 50% na apuração do valor dos serviços ali inseridos, para apuração da base de cálculo da retenção conforme previsto no art, 150, 1, da IN SRP n° 03/2005. Para melhor compreensão, relativamente a Nota Fiscal de Serviços apresentada, demonstro adiante, no 'Quadro Discriminativo do Faturamento° o valor total da nota e o valor dos serviços incluídos (apurado na forma do art. 601, § 1°, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005). Demonstro, ainda a basedecálculo das contribuições previdenciárias e a QS quantidade de segurados alocada aos serviços constantes das folhas de pagamento e GFIP referentes a obra cadastrada no CEI n° 50.007.90406170. Com amparo em estudos técnicos, ficou definido no art. 150, 1, da IN SRP n° 03/2005 que, no caso da prestação de serviços realizados na área da construção civil com fornecimento de material a basedecálculo da retenção deverá corresponder ao limite mínimo de 50% do valor bruto da nota fiscal de serviços. Para cálculo da equivalência da remuneração da mãodeobra utilizada na , prestação de serviços, ficou definido, da mesma forma, no art. 600, I, da IN SRP n° 03/2005, o percentual mínimo de 40% do valor dos serviços, para efeitos comparativos e avaliação da equivalência da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação dos serviços, apliquei os percentuais acima citados, cujo resultado apresento no quadro adiante.[...] Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 É de se observar, entretanto,a reduzida quantidade de segurados alocados as folhas de pagamento dos Tomadores em relação ao volume de serviços executados evidenciando a impossibilidade de realização dos trabalhos nos prazos e forma pactuados. Mesmo que se considere, para efeito do cálculo da equivalência da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços, aqueles valores informados pela requerente nas planilhas de medição dos serviços ainda assim, ficaria constatada a impossibilidade de execução dos serviços contratados com o número de segurados informado na folha de pagamento. Ainda que a requerente alegasse que a prestação dos serviços ocorrera na competência anterior, o entendimento permaneceria o mesmo, em razão de que foi apresentada GFIP informando basedecálculo das contribuições previdenciárias no valor de R$ 1.327,30 correspondentes a remuneração de apenas 2 empregados. É de se esclarecer que são analisados separadamente, os fatos geradores e os recolhimentos que estão na matricula CEI, não sendo permitido que se acrescente ao • valor da mãodeobra relacionada acima, aquela constante da folha de pagamento das demais obras ou do pessoal administrativo da empresa, ainda assim, entendo que não seria possível a realização daqueles serviços contratados com a utilização apenas da quantidade de mãodeobra informada. Por essa razão, demonstro, em procedimento de aferição indireta, a remuneração da mãodeobra empregada nos execução dos serviços relativos a obra CEI n° 50.007.90406170, na competência abaixo, apurada na forma a seguir discriminada, em consonância com as prescrições inseridas nos art. 599 e 600, I, da IN SRP n° 03/2005. Assim, de acordo com os cálculos em valores originais do demonstrativo acima, após arbitrado o valor devido em cada competência pelo procedimento de aferição indireta, com base nos documentos acostados, há situação de débito que se limita, todavia neste momento, a demonstrar que não tem a empresa qualquer valor a restituir, sendo portanto, Indevida a restituição requerida. Cumpre registrar que a requerente possui vínculo com extensa lista de obras matriculadas no CEI, abaixo elencadas, conforme informação do sistema Plenus, na tela "CONVIN — Consulta Dados do Vínculo", o que tem culminado em significativa quantidade de processos relativos a pedido de restituição, analisados e ainda não analisados, situação esta que não interfere no deferimento, mas, por certo, recomendaria uma auditoria detalhada na documentação fiscal e contábil da empresa, quando seria possível constatar a prática rotineira da empresa no cumprimento de seus contratos. [...]Em face de todo o exposto, proponho o indeferimento da restituição pleiteada. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13770.000408/200797 Acórdão n.º 2301004.077 S2C3T1 Fl. 88 9 Pois bem, r. Pares, foi procedida a diligência para verificar a existência de procedimento fiscalizatório específico. Segundo informado, não há. Dito isso e em atendimento as razões dispostas nas razões da Resolução acima numerada, conheço do recurso e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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