Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.900734/2010-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.216
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB verifique se, à luz dos documentos apresentados, e superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, remanesce o direito de crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.900734/2010-38
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851614
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.216
nome_arquivo_s : Decisao_10980900734201038.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10980900734201038_5851614.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB verifique se, à luz dos documentos apresentados, e superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, remanesce o direito de crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7201516
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610563887136768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1183; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 50 1 49 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.900734/201038 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.216 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de outubro de 2017 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA DCOMP Recorrente P.G.SCHMIDT & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB verifique se, à luz dos documentos apresentados, e superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, remanesce o direito de crédito, detalhandoo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 00 73 4/ 20 10 -3 8 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.900734/201038 Resolução nº 3401001.216 S3C4T1 Fl. 51 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que não homologou a compensação de débitos tributários referentes a contribuições cumulativas. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório. O contribuinte informou como origem do suposto direito creditório DARF referente ao pagamento de contribuição cumulativa em razão de entender ter havido pagamento a maior decorrente da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições sociais sob égide da Lei Federal 9.718/198 e tal valor ser considerado indevido. A DRF Curitiba, não homologou a compensação requerida, pois o DARF discriminado na DCOMP não fora localizado. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e interpôs, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: Que o contribuinte apurou crédito tributário de PIS e COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1 0, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 4575531, em Sessão Plenária de 09/11/05 e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos conforme lhe faculta o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 Que o Auditor da Receita Federal do Brasil, em Despacho Decisório, não homologou a compensação efetuada pelo contribuinte, em razão de não ter encontrado o crédito informado; Que a razão de não ter sido encontrado o crédito do contribuinte, utilizado na presente compensação, está no fato de que este se encontrava vinculado a um débito indevido (em razão da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo), não restando assim saldo credor disponível. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão da DRJ/CTA, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em síntese, por entender ser aplicável o disposto no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 até sua revogação pela Lei nº 11.941/09, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, somente atingindo as partes envolvidas. Do Recurso Voluntário Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes. Preliminarmente, alega a nulidade do Acordão com base no artigo 59, inciso II, do Decreto Federal 70.235/72, pois alega que a DRJ, sob o fundamento de falta de competência para apreciar a constitucionalidade de lei, teria deixado de analisar todos os argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade negando vigência, assim, à regulamentação do artigo, do citado Decreto, motivo pelo qual deve ser declarada sua nulidade. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.900734/201038 Resolução nº 3401001.216 S3C4T1 Fl. 52 3 Quanto ao mérito, afirma que: O STF, no julgamento do RE 585.235, sob a sistemática da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei Federal 9.718/1998, e que este entendimento deve ser seguido por este Colegiado em razão do disposto no art. 62A do RICARF. Quanto ao direito creditório em si, afirma ser devido, conforme os documentos que traz como provas. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.196, de 24 de outubro de 2017, proferida no julgamento do processo 10980.900714/201067, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.1961: "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às Contribuições para o PIS e a COFINS cumulativas, de que trata a Lei nº 9.718/98. A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por haver considerado nas bases de cálculo das contribuições sociais cumulativas, parcelas indevidas, em razão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, quanto aos fatos, pelo simples fato de não existir a comprovação do direito creditório informado na Dcomp; e quanto ao direito, por entender aplicável a disposição do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, até a sua revogação pela Lei n° 11.941/09, vez que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo declarada pelo STF teria efeito apenas inter partes. Pois bem, entendo verossimilhantes as alegações e plausível o direito vindicado, quanto à possíveis efeitos da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tendo em vista o julgamento do 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado na Resolução paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.900734/201038 Resolução nº 3401001.216 S3C4T1 Fl. 53 4 RE 585.235/MG, submetido a repercussão geral, do art. 543B, do CPC/1973, determinandose que a base de cálculo das contribuições sociais cumulativas seja o faturamento da empresa, assim considerado como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). Já quanto aos fatos, insurgese a recorrente contra o fundamento da decisão recorrida de não existir a comprovação do direito creditório informado na Domp; apresentando inícios de provas materiais, por meio de planilhas e cópias de razões analíticos. No Processo Administrativo Fiscal PAF, regido pelo Decreto n° 70.235/1972, art. 16, §4º “A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: [...] c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF relativamente ao §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não provado e inexistente o direito à repetição de indébito. Diante destas razões, posteriormente trazidas aos autos, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Do exposto, entendo presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, não havendo de se falar em preclusão de apresentação de prova documental nesse momento processual de recurso voluntário. Por outro lado, ainda que inícios de provas materiais, as planilhas e as cópias de razões analíticos, por si sós, não são suficientes à quantificação e comprovação do direito creditório pleiteado. Ressaltese, deve o contribuinte conservar seus livros comerciais e fiscais obrigatórios e respectivos comprovantes dos lançamentos enquanto durar as controvérsias sobre questões por esses documentos comprováveis, tendo em vista a obrigação de guarda até que ocorra a prescrição dos créditos tributários, nos termos do artigo 195, do CTN. Com essas considerações, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.900734/201038 Resolução nº 3401001.216 S3C4T1 Fl. 54 5 sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910757/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.304
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a unidade local da RFB: (a) aferir a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13888.910757/2012-69
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5832086
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.304
nome_arquivo_s : Decisao_13888910757201269.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13888910757201269_5832086.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a unidade local da RFB: (a) aferir a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7128833
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610563890282496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2117; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.910757/201269 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.304 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de outubro de 2017 Assunto Declaração de Compensação Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A (Nova denominação social de RKM EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a unidade local da RFB: (a) aferir a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, cujo fundamento foi a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte aduziu ser fornecedor da pessoa jurídica CATERPILLAR BRASIL LTDA., detentora de Ato Declaratório Executivo – ADE homologatório do RECOF, o que lhe confere a suspensão do IPI, PIS/Pasep e Cofins sobre as compras nacionais, mas que, por equívoco, não excluíra as vendas correspondentes da apuração das contribuições em comento, o que ensejou indébito objeto de compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 10 75 7/ 20 12 -6 9 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13888.910757/201269 Resolução nº 3401001.304 S3C4T1 Fl. 3 2 Ocorre que, também por lapso, não providenciou a retificação prévia da DCTF e DACON, o que motivou a não homologação da compensação aviada. Na oportunidade, demonstrou a apuração do recolhimento a maior, defendeu o direito à repetição da quantia indevida, a impossibilidade de simples erro no cumprimento de obrigações acessórias obstaculizar o seu exercício, invocou a ausência de prejuízo ao erário, a prevalência da verdade material e a vedação ao enriquecimento ilícito. Foram juntados comprovantes de arrecadação, PERDCOMP, notas fiscais de saída e DCTF. A DRJ Ribeirão Preto/SP julgou o recurso improcedente ao argumento que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não fora juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O recurso voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do PN Cosit nº 02/2015; e, por fim, ratificou as alegações já deduzidas com reafirmação do direito pleiteado. Foram anexados a esta peça o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA., admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.275, de 24 de outubro de 2017, proferida no julgamento do processo 13888.910728/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.275: "O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Registro, inicialmente, que a singela retificação de declaração, isoladamente considerada, da mesma forma que não ampara o direito à restituição de indébito, também não pode, por si só, ser obstáculo à sua devolução. Fixada a premissa, observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.910757/201269 Resolução nº 3401001.304 S3C4T1 Fl. 4 3 Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13888.910757/201269 Resolução nº 3401001.304 S3C4T1 Fl. 5 4 Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias), para, querendo, manifestarse acerca das conclusões. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10134.720826/2019-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2016
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL - DESCUMPRIMENTO DA LEI TRABALHISTA, PREVIDENCIÁRIA OU TRIBUTÁRIA.
A omissão de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço é motivo de exclusão do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202108
ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2016 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL - DESCUMPRIMENTO DA LEI TRABALHISTA, PREVIDENCIÁRIA OU TRIBUTÁRIA. A omissão de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço é motivo de exclusão do Simples Nacional.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 10134.720826/2019-45
anomes_publicacao_s : 202108
conteudo_id_s : 6457669
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1001-002.523
nome_arquivo_s : Decisao_10134720826201945.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10134720826201945_6457669.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
id : 8938669
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:39:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610563892379648
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-20T11:48:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-20T11:48:06Z; Last-Modified: 2021-08-20T11:48:06Z; dcterms:modified: 2021-08-20T11:48:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-20T11:48:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-20T11:48:06Z; meta:save-date: 2021-08-20T11:48:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-20T11:48:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-20T11:48:06Z; created: 2021-08-20T11:48:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2021-08-20T11:48:06Z; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-20T11:48:06Z | Conteúdo => SS11--TTEE0011 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10134.720826/2019-45 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1001-002.523 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 11 de agosto de 2021 RReeccoorrrreennttee AQUI TEM QUASE TUDO LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2016 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL - DESCUMPRIMENTO DA LEI TRABALHISTA, PREVIDENCIÁRIA OU TRIBUTÁRIA. A omissão de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço é motivo de exclusão do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 11-66.538 da 9ª Turma da DRJ/REC que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade (MI), apresentada, pela ora recorrente, contra o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Nacional (fl. 6). Basicamente, a ora recorrente foi excluída do regime do Simples Nacional por prática reiterada de omissão de informações da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 13 4. 72 08 26 /2 01 9- 45 Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.523 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10134.720826/2019-45 empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço. A exclusão eve origem no processo de Fiscalização da Secretaria de Inspeção do Trabalho, conforme Ofício nº 301/2017 (fls. 2/3). Em decorrência procedimentos foi exarada a Representação para Exclusão de Ofício Do Simples Nacional, relativamente aos processos MTE nº 47747.012035/2014-35 e nº 47747.001073/2016-24 (fls. 4 e 5), autos de infração nº 205576486 e nº 209008806, respectivamente. A ora recorrente apresentou a sua Manifestação de Inconformidade (MI) onde alegou, resumidamente, que: que empresa não é sonegadora de impostos e que segundo os princípios do artigo 37 da CF/88 que deveriam ser seguidos pela Administração Pública e que também foram editados na Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo. Que autuada pela fiscalização e em verificando os erros que teria cometido procedeu ao parcelamento da dívida perante a Procuradoria Regional da Fazenda Nacional e realizou o pagamento integral da dívida, conforme documentos ora anexados. E, que portanto, foi punida e diligentemente pagou pelas infrações eventualmente cometidas. Relata que houve a dupla penalização do contribuinte, que mesmo pagando as penalidades decorrentes das autuações vê-se na iminência de ser excluída do regime do Simples Nacional e as implicações que advirão da exclusão. E reitera que a Fiscalização da SRFB ao exarar o Ato Declaratório Executivo, bem como os motivos que embasam ao que alega ter a impugnante descumprido, ou seja as obrigações acessórias relativas ao envio de folha de pagamento e o registro de empregado, não considerou o fato de que a mesma realizou o pagamento das penalidades decorrentes do seu descumprimento e, assim, já foi penalizada. E que a exclusão do Simples Nacional seria um bis in idem já que a Impugnante pagou o que devia e, assim, não poderá ser novamente punida. E finalizou em seus argumentos no capítulo denominado do PEDIDO onde requer, que seja conhecida a presente impugnação e julgada procedente, com a anulação ou reforma integral do Ato Declaratório Executivo nº 006049181 por absoluta impropriedade jurídica da pretensão da Fiscal, por ser requisito de justiça fiscal. A DRJ, em julgamento, ocorrido em 27/02/2020, proferiu a seguinte decisão: Acórdão 11-66.538 - 9ª Turma da DRJ/REC Sessão de 27 de fevereiro de 2020 Processo 10134.720826/2019-45 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/03/2016 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. OMISSÃO REITERADA DE INFORMAÇÃO DE EMPREGADO OU SEGURADO. DESCUMPRIMENTO DA LEI TRABALHISTA, PREVIDENCIÁRIA OU TRIBUTÁRIA. A omissão de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.523 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10134.720826/2019-45 preste serviço é motivo de exclusão do Simples Nacional nos termos da Lei Complementar nº 123, de 2006 e suas alterações. Cientificada em 11/03/2020 (fl.50), a recorrente apresentou o Recurso Voluntário (RV) em 29/04/2020 (fl. 51). Em seu RV, a recorrente argumenta (em resumo) que, embora a DRJ tenha seguido o princípio da legalidade, no cumprimento do seu ato, que deveria ter levado em conta o art. 37, da Constituição Federal – CF, quanto aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Tece comentários em relação a tais princípios e, ainda, ao princípio maior, que o legislador constitucional reservou às micro e pequenas empresas está concentrado no art. 179 da CF que "...visa à simplificação e à redução das obrigações dessas empresas, conferindo a elas um tratamento jurídico diferenciado. Que a recorrente foi autuada, parcelou a sua divida e, tal como alegou em sua MI, não deveria ser punida novamente coma exclusão (bis in idem) e ao final alega: A Lei Complementar n° 168/2019, regulamentado pela Resolução n° 146 do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) que prevê e permite "...as empresas excluídas do Simples Nacional em 1o de janeiro de 2018 poderem realizar nova opção por esse regime. A nova opção foi autorizada de forma extraordinária pela Lei Complementar n° 168, publicada em 12 de junho de 2019". A novel legislação condiz exatamente com o que é buscado pela Impugnante, mesmo que tendo incorrido em infrações à lei previdenciária e trabalhista, seja permitida a sua manutenção do regime do SIMPLES NACIONAL até porque já foi penalizada e pagou as multas decorrentes das infrações. Tendo pago as multas do MET, não poderá ser penalizada duplamente, com a exclusão do SIMPLES, Assim, totalmente improcedente tal alegação do "ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 006049181" que deverá ser reformado nesta e. DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, por força da Portaria 543/2020, em vigor na ocasião, que suspendeu os prazos, para a prática de atos processuais, inicialmente, até 29 de maio de 2020, prorrogado, sucessivamente, para 31/08/2020, e que atende aos demais requisitos determinados pelo Decreto 70.235/72, portanto, dele eu conheço. A recorrente pouco acrescentou em relação aos argumentos trazidos em sede de MI. Alega princípios constitucionais e que a sua exclusão do regime constitui em verdadeiro bis in idem Com relação a essas alegações, a Sumula CARF 2 é clara a respeito: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.523 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10134.720826/2019-45 Portanto, esses argumentos não podem ser levados em consideração nesta esfera. Por outro lado, o Decreto 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), é, absolutamente, claro em relação ao assunto, vide art. 26 A: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Foi exatamente o que a DRJ fez, levou em consideração, em sua decisão, a legalidade do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Nacional nº 6049181, de 10/05/2019, o que foi, inclusive, reconhecido pela própria recorrente. A alegação de que a DRJ tenha desconsiderado os argumentos da recorrente não se sustenta, na medida em que nada foi aduzido, em sua MI, em contestação ao ADE, apenas argumentos sobre princípios constitucionais que não poderiam ser levados em consideração, naquela esfera, pelos mesmos motivos acima expostos e que a DRJ comenta em seu acórdão, como adiante reproduzido. Como a recorrente, em síntese, fez os mesmos requerimentos apresentados em sede de MI, e por concordar com os argumentos dados pela DRJ, peço a devida vênia para a ela aderir, com base no art. 50, da Lei 9.784/99, a qual reproduzo: Trata o presente processo sobre a exclusão da empresa AQUI TEM QUASE TUDO LTDA, inscrita sob CNPJ 19.126.665/0001-74 do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, em decorrência da constatação de prática reiterada de omissão de informações da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço, motivo de exclusão como optante pelo Regime de Tributação do Simples Nacional. Pelo exposto, em fiscalização do MTE - Ministério do Trabalho e Emprego a empresa em epígrafe foi autuada de forma reiterada pela omissão em sua folha de pagamento de informações previstas pela legislação trabalhista e previdenciária de segurado empregado. Por conta disso, foi autuado em mais de um exercício por infração ao art. 41, caput da CLT, por manterem empregados em atividade laboral sem os respectivos registros. As situações relatadas foram formalizadas por intermédio de auto de infração em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, verificadas em relação aos últimos 5 (cinco) anos-calendário, conforme quadro demonstrativo. Ressalta-se que, conforme o Ofício nº 301/2017/GAB/SIT/MTB, os autos de infração foram regularmente processados com direito a ampla defesa do interessado e decididos em última instância administrativa pela procedência. Trataram sobre as autuações os processos MTE nºs 47747.012035/2014-35 e 47747.001073/2016-24 (fls.5). E, em face da manifestação de inconformidade requerer que sejam cumpridos os requisitos legais do processo administrativo e também dos princípios constitucionais que argui, vimos informar que o processo em análise guarda no seu bojo os requisitos legais pertinentes ao PAF - Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 1972 e em consonância com a Lei 9.784, de 1999. E no intuito de verificarmos os procedimentos aqui contidos, relatamos que não encontramos neste processo nenhum Fl. 71DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.523 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10134.720826/2019-45 documento ou procedimento que divirja dos princípios constitucionais e das normas citadas. Quanto as provas que ensejariam a nulidade da exclusão, constata-se que a manifestante em sua defesa confirmou que infringiu as normas trabalhistas e que parcelou os débitos das autuações lavradas, fls. 26 a 39. Queremos destacar que não constam nos autos nenhum documento ou prova juntados ou apensados pelo contribuinte que tragam evidências que se contraponham aos argumentos apontados nas autuações citadas. Não foram descaracterizadas aqui as autuações reiteradas, conforme demonstradas na representação. E, para os devidos fins, pelo descumprimento do disposto no artigo 29, inciso XII, da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, e dos termos do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Nacional nº 6049181, de 10/05/2019, fls. 6. Consequentemente, nego provimento ao presente Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 72DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732116/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.732116/2013-16
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861475
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-001.345
nome_arquivo_s : Decisao_11080732116201316.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 11080732116201316_5861475.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7279293
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610563895525376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 8.032 1 8.031 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.732116/201316 Recurso nº Resolução nº 3402001.345 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de abril de 2018 Assunto IPI Recorrente GERDAU AÇOS ESPECIAIS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra. RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração (fls. 448/451) para cobrança de valores devidos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), em face de o estabelecimento industrial ter deixado de recolher ou ter recolhido a menor o imposto federal em decorrência da escrituração e utilização de crédito como matéria prima (MP), material de embalagem (ME) ou produto intermediário (PI) em desacordo com a legislação vigente, acrescido de multa de oficio de 75%, bem como juros. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processo até o julgamento de primeira instância, colaciono os principais trechos do relatório do Acórdão n. 1452.430, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 32 11 6/ 20 13 -1 6 Fl. 8931DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.033 2 exarado pela 8ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto (RPO), in verbis: Neste relatório as glosas foram agrupadas em grupos semelhantes para melhor embasamento legal. Os créditos de IPI glosados foram divididos nos seguintes grupos: 1 Aquisições de mercadorias não enquadradas no conceito MP, PI ou ME conforme art. 164, I e art. 226, I do RIPI/2002 e art. 226, I do RIPI/2010; 2 Aquisição de ferramentas (pareceres CST 181/74, 260/71); 3 Aquisição de Partes e Peças (pareceres CST 181/74, 260/71); 4 Aquisição de Refratários; Em consequência destas glosas, foi reconstituído o livro de apuração do imposto e calculado imposto devido no montante de R$ 9.845.040,28 (incluso juros de mora e multa de ofício) Cientificada da autuação, a contribuinte ingressou com impugnação alegando, em resumo, o que se segue: 1. Pela semelhança dos argumentos de fato e de direito, a Impugnante requer, antes de tudo, a reunião de todos os processos de ressarcimento, para que tramitem em conjunto e sejam objetos de um único julgamento, em atenção ao princípio da economia e eficiência processuais, bem como em atenção ao princípio da segurança jurídica, a fim de se evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. 2. A Impugnante acata parte das glosas realizadas, efetuando, assim, o recolhimento parcial no valor de R$ 235.692, 08 (duzentos e trinta e cinco mil, seiscentos e noventa e dois reais e oito centavos), conforme comprovante ANEXO V, correspondente a: (i) principal R$ 142.004,71 + (ii) multa R$ 53.251, 77 + (iii) juros R$ 40.435,60. 3. Em preliminar suscitou a nulidade do auto de infração pela falta de comprovação dos fatos alegados e pela necessidade de perícia técnica,alegando que por mais diligentes que as Autoridades Fiscais tenham sido, comparecendo ao estabelecimento da Impugnante para conhecer seu processo industrial e a possível aplicação e forma de consumo dos materiais objetos dos creditamentos, impossível a tais profissionais abordar cada um deles e deterse às especificidades da aplicação/função e forma de consumo de cada um deles, de forma a ter acuracidade total em todas as conclusões, sobretudo porque, como informado durante os procedimentos de fiscalização, a especialização dos Ilustres Fiscais não é da área de siderurgia, uma vez que possuem formação nas áreas contábil e jurídica e, por isso, s. m. j, a despeito de todo o cuidado na análise dos créditos e materiais, não têm os necessários conhecimentos técnicos de engenharia e produção que seriam suficientes para uma avaliação conclusiva sobre o enquadramento de todos os materiais. O Superior Tribunal de Justiça, em inúmeros julgados, já se manifestou sobre o assunto, esclarecendo que, em se tratando de processo que envolva a verificação da Fl. 8932DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.034 3 "utilização de material no processo produtivo, diante da complexidade da atividade empresarial e por imposição da efetividade da jurisdição, demanda produção de prova pericial, nos termos do art. 420,1, do CP. Por tal leitura, a classificação feita pela empresa deve prevalecer até que se prove o contrário, não podendo o Fisco partir de presunções, sem trazer aos autos prova suficiente para tal afirmação. Se o Fisco não traz aos autos a prova necessária (no caso, a prova pericial), deve prevalecer incólume o enquadramento feito pela empresa, bem como os creditamentos por ela realizados. Uma vez verificada a eventual dúvida sobre a legitimidade dos creditamentos feitos pela empresa, por todos os esclarecimentos prestados durante o atendimento à fiscalização, segundo a consagrada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acima mencionada/retratada, as Autoridades Fiscais só poderiam seguir os seguintes dois caminhos: a) aplicar a dúvida em favor da empresa/contribuinte, mantendose o enquadramento por ela feito pela, na ausência de prova cabal sobre o não enquadramento dos materiais no conceito de materiais intermediários; ou b) constituir prova pericial conclusiva/cabal/irrefutável, para que fosse esclarecida de forma técnica e objetiva a utilização e consumo dos materiais glosados. Como não foi seguido nenhum destes caminhos pelas Autoridades Fiscais, não resta outro caminho aos Eminentes Julgadores senão declarar NULO o lançamento. Ou ainda, devese admitir, preliminarmente, a realização da prova pericial pela Impugnante, a fim de comprovar, de uma vez por todas, a legitimidade de seus créditos. Não declarar nulo o lançamento, ou não admitir a prova pericial, atentará claramente contra o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a Autoridade Fiscal tem o dever de fundamentar, motivar e justificar o lançamento, sob pena de nulidade absoluta, e ainda, representará inequívoca violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, da segurança jurídica e da motivação dos atos administrativos. 4. Todos os produtos glosados consomemse e desgastamse no processo produtivo, como elementos indispensáveis, e que, exatamente por isso, fazem parte do custo de produção dos produtos colocados à venda e, bem por isso, fazem jus ao creditamento do IPI incidente nas respectivas aquisições, por força do princípio da não cumulatividade de tal imposto.No caso dos materiais classificados como partes e peças de máquinas e equipamentos (considerados como materiais de manutenção sem direito ao crédito do imposto), não faz nenhum sentido o entendimento das Autoridades Fiscais, sobretudo porque há expresso reconhecimento de que se tratam de materiais consumidos no processo produtivo e de forma acelerada, em razão das altíssimas temperaturas e/ou contato direto a que são submetidos, não preenchendo, portanto, os requisitos para o enquadramento como bens do Ativo Imobilizado, nos termos da legislação contábil e de Imposto de Renda, muito menos como materiais de consumo, tendo em vista serem consumidos, inegavelmente, no processo produtivo e por força da ação de agentes do processo (com as altíssimas temperaturas, por exemplo). Especificamente em relação aos MATERIAIS REFRATÁRIOS, o equívoco da Autoridade Fiscal é ainda mais evidente, uma vez que, mesmo tendo por base a sua restritiva interpretação, nos termos do Parecer Normativo CST n° 65/79. Fl. 8933DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.035 4 não[sic] há dúvidas de que tais materiais se adéquam ao conceito de "produtos intermediários",conforme reiterada jurisprudência dos tribunais administrativos e/ou judiciais. Para comprovar todas as alegações, informa desde já que irá apresentar, após o protocolo da Impugnação, uma planilha com a descrição mais detalhada dos materiais, sua função, forma de consumo e tempo de vida de útil, com vistas a elucidar ainda mais o que já foi apresentado durante o atendimento à fiscalização (oportunidade em que o grande número de materiais objetos de análise total dos créditos informados no período impediu o aprofundamento necessário em cada um deles) e corroborar o que será aqui argumentado, acrescentando, quando for o caso, fotos ilustrativas para evidenciar que, após o uso/emprego no processo produtivo, a grade maioria dos materiais, se desgasta totalmente, perdendo totalmente suas características físicoquímicas, de forma que se tornam absolutamente imprestáveis para a atividade a que se destinam. 5. O sistema de creditamento do IPI, tem sua origem na Constituição da República, em cujo art. 153, § 35, inciso II, há clara determinação de que tal imposto será não cumulativo, compensandose em cada operação o que for devido na(s) operação(ões) anterior(es), sendo esta verdadeira norma de proteção ao contribuinte que integra, pois, o que o Ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, denominou de Estatuto do Contribuinte, ao qual o Fisco deve o seu pleno acatamento. Tal sistemática da não cumulatividade, quando de sua introdução no ordenamento jurídico brasileiro, teve como fundamento a necessidade de se extinguir a anterior e injusta tributação em cascata, caso em que o imposto de venda era cobrado sobre o preço total de cada fase do processo de venda do produto, de forma a assegurar que, nos 'novos' moldes (da não cumulatividade), o imposto incidente sobre todos os componentes do processo produtivo das empresas industriais possa ser deduzido do imposto que recairá sobre o produto final posto em circulação. Neste sentido, para a apreciação do presente caso, é preciso partir da premissa de que tal não cumulatividade determinada na Constituição da República assegura à Manifestante, como contribuinte do IPI, um DIREITO AMPLO E IRRESTRITO de proceder ao crédito de todos os produtos industrializados que ingressem em seu estabelecimento como elemento integrante de seu processo produtivo, sejam eles matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, materiais de consumo e bens integrados ao ativo permanente. Também se deve partir da premissa de que, ao contrário do que ocorre com o ICMS, para o qual a Constituição abre exceção a tal não cumulatividade, no caso do IPI, a Carta Magna não estabelece qualquer limitação. Evidente, pois, que, tratandose de norma ou princípio de proteção do contribuinte, à qual nem mesmo a Carta Magna impôs limitação, obviamente, ao ente tributante é vedado restringila ou, no dizer de ROQUE ANTÔNIO CARRAZZA , amesquinhála. Ou seja, o legislador constituinte alcançou ao contribuinte o direito de se creditar do IPI relativamente a todos os produtos que ingressem em seu estabelecimento, sem qualquer restrição ou limitação. Em outras palavras, podese afirmar que todas as aquisições de produtos industrializados dão ao adquirente o direito de apropriarse do IPI, restando evidente o direito da Impugnante ao crédito relativamente a todos os produtos que foram objetos das glosas. Fl. 8934DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.036 5 6. Dessa maneira, evidente também se mostra a improcedência do entendimento das Autoridades Fiscais, que, não obstante a clareza do texto constitucional e a inexistência de limitação ao direito aos créditos do IPI, deixaram de reconhecer o direito de crédito da Impugnante por admitir, com base nos Pareceres Normativos CST n° 181/74, 260/71 e 65/79, segundo os quais apenas os bens utilizados no processo produtivo, desgastados ou consumidos por contato físico com o produto em fabricação poderiam ser classificados como insumos do processo produtivo e, assim, poderiam ser enquadrados na categoria dos produtos intermediários, ensejando o direito ao crédito do imposto, ficando afastada a possibilidade de creditamento em relação a todo e qualquer material enquadrado como partes e peças de máquinas e equipamentos, inclusive, os materiais refratários, mesmo admitindo que se desgastam e se consomem diretamente no processo produtivo, em contato direito com os produtos em fabricação, em função da ação exercida pelo produto em fabricação ou pelos agentes do processo (altíssimas temperaturas, peso dos insumos ou dos produtos/barras de aço), tornandose totalmente imprestáveis para as finalidades a que se destinam. Tal argumento, relacionado aos materiais enquadrados como partes e peças de equipamentos, reconhecidamente consumidas em contato físico/direto com os produtos em fabricação, além de incompatível com todo o exposto acima, é totalmente contraditório à premissa de que, para que seja assegurado o direito ao crédito, seria exigido o contato físico com o produto em fabricação. Se assim fosse, de fato, a grande maioria dos materiais glosados não teria sido objeto das glosas, por serem, reconhecidamente, consumidos no processo em contato direto/físico com os produtos em fabricação (guias; refratários; lingas; funil; sensores de panela, disco LAM, dentre outros). 7. Ainda que a Constituição não tivesse delimitado a abrangência do princípio da não cumulatividade, assegurandoo de forma ampla e irrestrita, ainda assim, não haveria dúvidas quanto ao direito à manutenção dos créditos sobre os itens classificados pela Impugnante como materiais intermediários, por serem empregados, utilizados, desgastados, consumidos, integrados e indispensáveis ao seu processo de industrialização, dentre os quais se destaca o TERMOPAR ou SENSOR TERMOTIP, utilizado na medição de temperatura de metais e ligas até a temperatura de 182QQÇ em conversores LD, altos fornos, fornos elétricos a arco ou indução, fornos de cadinho, panelas, distribuidores de lingotamento contínuo, ou qualquer outro ponto de medição que permita a imersão de sensores. Isso porque, seja em relação a este material, cujo consumo se dá, inclusive, em contato direto com os produtos em fabricação, bem como a todos os demais, a despeito do amplo direito assegurado na Constituição, a Impugnante não tem cinginose a observar o disposto no Regulamento do IPI/2010. 8. Frisese que os produtos cujos créditos foram glosados pelas Autoridades Fiscais são integralmente utilizados no processo produtivo da Impugnante, não integram, de forma alguma, o seu ativo permanente, nem podem ser classificados como bens de uso ou consumo, pelo simples fato de serem empregados, se desgastarem, se consumirem ou serem utilizados no processo industrial, como necessários e indispensáveis ao processo de industrialização. Por isso é que se mostra absolutamente improcedente o entendimento das Fl. 8935DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.037 6 Autoridades Fiscais, na medida em que inteiramente balizado nos Pareceres Normativos CST n° 260/71, 181/74 e 65/79, a partir dos quais concluíram ser vedado o creditamento de partes e peças de equipamento, bem como, para o enquadramento como "produtos intermediários", exigem o contato direto com o produto em fabricação. A bem da verdade e considerandose tudo que até agora se expôs sobre o amplo e irrestrito direito assegurado pela Constituição de 1988 aos créditos sobre todos os produtos industrializados adquiridos para emprego no processo de industrialização, tais Pareceres Normativos não podem ser aplicáveis quando fixam normas que fogem à sua competência e legitimidade. Até porque, na linha do que foi dito acima, a norma constitucional da não cumulatividade não faz qualquer alusão à forma de consumo dos produtos que adquiridos para o emprego no processo produtivo, não sendo lícito ao legislador infraconstitucional. nem[sic] ao intérprete, restringir o alcance da garantia constitucional, exigindo o contato direto com o produto em fabricação. Nem mesmo a legislação ordinária faz tal exigência, conforme acima se expôs acerca do art. 226,1, do Regulamento do IPI/2010, que somente exige que o produto seja consumido no processo de industrialização, não fazendo, pois, qualquer alusão à forma de consumo, muito menos ao contato direto. Neste sentido, não é lícito aos referidos Pareceres Normativos distinguir onde a própria Constituição da República, ou as normas superiores de caráter complementar ou ordinário, não distinguiram. 9. Mais do que isso, há que prevalecer o princípio da legalidade, por meio do qual, na Administração Pública, seus agentes somente podem fazer o que a lei os autoriza (art. 37 da Constituição Federal), cabendolhes, ainda, observar que a Constituição da República dispõe como garantia fundamental que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algumas coisas e não em virtude de lei" (art. 5º, inciso II). Nesta linha, não se pode admitir como legítimas quaisquer disposições do Pareceres Normativos mencionados pelas Autoridades Fiscais, ou de quaisquer outras normas inferiores que impliquem na criação de obrigações que extrapolem o teor da lei de regência, até porque, nos casos dos Pareceres Normativos, são anteriores à Constituição vigente e devem a ela se adequar, no momento da aplicação pelo intérprete e aplicador.Assim, os créditos de IPI referentes aos produtos cujos créditos foram glosados são passíveis de serem considerados no cômputo do crédito de IPI, pois se enquadram perfeitamente no conceito de produtos intermediários trazido pelo RIPI acima mencionado (art. 226, inciso I, do RIPI/2010) como insumos CONSUMIDOS NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. 10. Não há dúvidas de que a interpretação das Autoridades Fiscais quanto à expressão "produtos intermediários", exigindo o contato direito ou excluindo bens que, inegavelmente, se desgastam e se consomem no processo produtivo, é uma interpretação extremamente restritiva e dissonante da interpretação dada pela doutrina e jurisprudência, passando por um equivocado entendimento acerca do termo "integrar" e "consumir". 11. Assim, analisando os conceitos acima, verificamos que os produtos intermediários objetos das glosas no presente caso, de fato, não se integram, se incorporam ou compõem os produtos industrializados pela Fl. 8936DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.038 7 Impugnante, mas todos eles efetivamente se consomem, se desgastam, se corroem, se esgotam em seu processo produtivo industrial. 12. Recentemente, a empresa GERDAU AÇOMINAS S/A, pertencente ao mesmo Grupo Econômico a que pertence a Impugnante, obteve a confirmação de tais créditos, por meio do acórdão de nº 3302001.954 da 3° Câmara/2° 3 Turma Ordinária, proferido nos autos do Recurso Voluntário no processo de n° 10680.006760/200757, cuja ementa segue abaixo: (...) 13. Em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em 20/02/1979, nos autos do Recurso Extraordinário de RE 90.2058/RS (Ministro Soares Munos), a empresa GERDAU AÇOS LONGOS S/A, por sua unidade então denominada SIDERÚRGICA RIOGRANDENSE, localizada na cidade de Sapucaia do Sul/RS, obteve decisão absolutamente cristalina que já conta com mais de 30 (trinta) anos de trânsito em julgado, por meio da qual lhe foi reconhecido o direito ao creditamento do IPI incidente sobre as aquisições de materiais refratários. 14. Para comprovar o alegado, a Impugnante apresenta cópia dos laudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo IPT de ns 6.161, 6.358 e ns 6.359 (ANEXO V) e, como acima informado, apresentará adiante planilha com o detalhamento dos materiais objetos das glosas (descrição, aplicação, função e tempo de vida útil), planilha esta que só não está sendo apresentada neste momento, tendo em vista a necessidade de se aprofundar em todos os materiais, o que se tornou impossível no prazo de impugnação, em razão do grande número de itens glosados. 15. Requer a Impugnante, desde já, realização de perícia técnica, haja vista que somente técnico com conhecimentos específicos de engenharia e mediante visita técnica ao seu estabelecimento industrial poderá esclarecer sobre seu processo de industrialização e utilização dos produtos, cujos créditos foram glosados, no processo siderúrgico. E, para que não haja dúvidas sobre o cabimento e necessidade da prova pericial, reiterese, como adiantado na preliminar de nulidade do Auto de Infração, que o Superior Tribunal de Justiça possui consagrado entendimento sobre o assunto, deixando absolutamente claro que, em se tratando de processo que envolva a verificação da "utilização de material no processo produtivo, diante da complexidade da atividade empresarial e por imposição da efetividade da jurisdição, demanda produção de prova pericial. Assim, ex vi do art. 16, IV do Decreto n° 70.235/72, a Impugnante indica como seu assistente técnico o Sr. OSVANDIR RICARDO SILVA GASPAR, brasileiro, casado, contador, CPF n° 278.393.38020, Cl n° 2010458715, residente e domiciliado na Rua Victor Silva, 135, Bairro Camaquã, na cidade de Porto Alegre/RS, CEP 91.910170, cujos telefones para contato são (51) 34507556 e (51) 34507528. 167. E ainda, apresenta, desde logo, os quesitos que entende necessários a elucidação da controvérsia, a saber: (...) Fl. 8937DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.039 8 16. Em atenção ao princípio processual da eventualidade, cumpre argumentar que, caso, por remota hipótese, seja mantido o lançamento, deverá ser objeto de revisão a multa de ofício aplicada, eis que, dada a sua natureza punitiva, aplicada em percentual de 75% (setenta e cinco por cento), extrapola o limite do razoável e viola o princípio do não confisco, previsto no inciso IV, do art. 150, da Constituição. O Supremo Tribunal Federal tem sido palco de grandes discussões acerca da aplicação de tal princípio às multas sancionatórias ou punitivas (sejam as moratórias/de ofício ou as decorrentes de obrigações acessórias) definidas em dispositivos legais e aplicadas pela Administração Tributária, sempre com vistas à consagração dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade como balizadores da atuação do Estado, no exercício do seu Poder de Tributar. Neste sentido, há muito se pode verificar, pelas decisões proferidas por aquela Suprema Corte, a real tendência de se consagrar o entendimento de que o exercício do Poder de Tributar do Estado não pode e não deve chegar à "desmedida de poder de destruir". 17. Ainda em atenção ao princípio da eventualidade processual, adiantese que, a multa eventualmente mantida não poderá se submeter, à frente (até que se promova a quitação do crédito tributário efetivamente devido), à incidência de juros de mora. Os juros de mora, típica sanção de natureza civil, têm apenas a função de indenizar (ressarcir, compensar, reparar) o dano emergente de um ilícito (inadimplemento). e[sic] no direito tributário tornamse exigíveis. sobre[sic] o montante de tributo devido, a partir do primeiro dia subsequente ao prazo legal de vencimento. Tais juros são calculados sobre o tributo não pago e, por sua indiscutível natureza ressarcitória. Visam [sic] simplesmente indenizar o Estado pelo prejuízo sofrido com a privação e indisponibilidade do dinheiro durante certo prazo, em face do não pagamento do tributo na data fixada em lei e em razão do princípio da natural fecundidade e produtividade do dinheiro. É dizer, configuramse, pois, uma forma particular de ressarcimento estimatório dos prejuízos emergentes do evento danoso (pagamento fora do prazo). Dessa inteligência é possível afirmar, sem outros desdobramentos, a ILEGITIMIDADE da cobrança conjunta de multa isolada e juros de mora, na medida em que a multa isolada não deflui do descumprimento de uma norma impositiva de pagar tributo, mas sim do descumprimento de uma norma impositiva de fazer ou não fazer determinada conduta fiscal (obrigação acessória), destituída de valor patrimonial. Sendo a obrigação acessória uma relação jurídica não patrimonial, inexiste o suporte fático (dano patrimonial) à imposição dos juros de mora, que são cobrados como indenização por ter o devedor ficado com o dinheiro em seu poder, ao invés de entregálo ao Estado, recompondo o patrimônio estatal lesado pelo tributo não recebido a tempo. Só se pode falar em dano patrimonial e na aplicação dos juros de mora como indenização quando está presente a falta de pagamento de tributo. Na imposição da multa isolada o fato ilícito que está em jogo é o interesse público de fiscalizar o funcionamento do aparato administrativo para a apuração e cobrança dos tributos, identificando um "perigo de dano patrimonial" para o erário, não um dano efetivo e mensurável em dinheiro de um tributo que deixou de ser pago ou sonegado. Ademais, é importante terse a consciência de que, na indenização, a causa não é o ilícito em si, mas o efetivo dano causado ao patrimônio alheio. Via de regra de um fato ilícito decorre Fl. 8938DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.040 9 um dano, sendo por isso uma outra realidade jurídica e que exige uma medida de proporção entre o dano efetivo, sua quantificação e o ressarcimento que faz voltar à mesma situação patrimonial anterior. Por afinidade de razões, à luz da técnica pura do direito, tornase também ilegítima a incidência dos juros de mora sobre as multas fiscais em quaisquer de suas modalidades, mormente sobre as multas de mora e de ofício/proporcional, conforme prática adotada pelas autoridades fiscais da Receita Federal do Brasil. Afinal, no caso das multas de mora ou multa de ofício/proporcional, tanto a multa fiscal, de índole exclusivamente punitiva, quanto os juros de mora, de caráter indenizatório, constituemse sanções pecuniárias derivantes do não pagamento do tributo. São normas sancionadoras que incidem pelo descumprimento de uma norma impositiva de pagar o tributo. Diante da Teoria Geral do Direito, é de causar espécie a tese fiscalista da incidência dos juros de mora sobre as multas fiscais. (...) Por fim, requereu o recebimento da presente Impugnação, mantendose a exigibilidade do crédito tributário suspensa até decisão final do processo. a. em preliminar, o reconhecimento e declaração de nulidade do Auto de Infração, pelos motivos acima informados; b. no mérito, que seja julgado improcedente, tendo em vista a conformação de todos os bens e serviços envolvidos na glosa ao conceito de materiais intermediários/insumo; c. em atenção ao princípio da eventualidade processual, caso seja mantido, no todo ou em parte o lançamento, o abatimentos dos valores já recolhidos, conforme comprovante anexo, e a redução do percentual da multa aplicada, bem como a não incidência juros sobre ela, nos termos acima mencionados; d. por derradeiro, protesta por outros meios de prova em direito admitidos, como a documental e a prestação de esclarecimentos e formulação de quesitos suplementares de perícia que se fizerem necessários. Sobreveio então o Acórdão 1452.430, da 8ª Turma da DRJ/RPO, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de perícia quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato Fl. 8939DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.041 10 normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. INSUMOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. DIREITO AO CRÉDITO. Existe vedação legal ao crédito do imposto pela entrada no estabelecimento de bens do o ativo permanente. INSUMOS. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com gastos gerais de fabricação, ou seja, os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos ou necessários ao seu acionamento, material de uso e consumo e de limpeza. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. Não basta o "contato físico" com o produto em fabricação, ou com a matéria prima, para garantir o direito ao crédito do IPI. É preciso que ocorra o contato físico e, cumulativamente, que o consumo ou desgaste do insumo decorra de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, consumo ou desgaste esses indispensáveis ao processo produtivo (e não como circunstância acidental, ou, mais apropriadamente, incidental). Ademais, na decisão a quo, diante da informação da Contribuinte acerca de recolhimento parte do valor da glosa de créditos relativa a materiais que não se enquadram no conceito de produto intermediário, foi determinado que a Unidade de Origem fizesse a apuração exata do reflexo ocasionado pelo acatamento das glosas mencionadas (fls 8478 e 8479). Por tal razão, o auditor fiscal responsável, por Despacho de fls 8498, propôs o envio do processo ao SEFIS/DRF/POA, para a análise quanto ao pagamento em questão, com posterior retorno dos autos a este SECAT/COBRANÇA para intimação do contribuinte. Contudo, não foi possível o cumprimento da determinação da DRJ, pelas razões expostas no Despacho de encaminhamento de fls 8499, cujo teor segue transcrito: Analisando o presente processo, constatamos que o contribuinte não identificou os materiais que reconheceu não se enquadrarem no conceito de produto intermediário, em relação aos quais acatou as glosas realizadas. Assim, não é possível identificar a matéria não impugnada que deu origem ao recolhimento parcial efetuado. Observe se que no item 160 de sua Impugnação (Parte VI, págs. 66 a 78) o contribuinte afirmou que “serão especificados todos os materiais que fizeram parte deste acatamento parcial da glosas, de forma a orientar Vossas Excelências na apreciação e julgamento do processo”. Isto, porém, não aconteceu. Desta maneira, proponho que o Secat envie Intimação ao contribuinte, solicitando a apresentação de planilha em que sejam especificados todos os materiais que fizeram parte do acatamento parcial da glosas no processo em análise. Encaminhese o presente processo para o SECAT/DRF/POA/RS. Fl. 8940DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.042 11 Então foi expedida a intimação de fls 8500 (INTIMAÇÃO 1.317/2014/SECAT/COB), referente à diligência requerida nos termos do despacho acima. O cumprimento do quanto requerido foi apresentado pela Contribuinte em petição e documento de fls 8502 a 8555. Veio então aos autos informação fiscal de fls 8558 e 8559, acatando parcialmente os pagamentos apresentados pela Contribuinte. Enfim, irresignada com o restante do teor do Acórdão 1452.430, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls. 8.562/8.637, repisando os argumentos expostos em sua impugnação ao lançamento tributário. O caso veio para julgamento deste Conselho em 29 de setembro de 2016, gerando o pedido de diligência por meio da Resolução n. 340200.831, para que fosse verificada a tempestividade da peça recursal. Assim, foi trazida aos autos a resposta da Fiscalização de fls 8746 a 8749, afirmando que a Contribuinte ainda não havia sido intimada da decisão da DRJ, o que foi feito em ato subsequente, gerando então a apresentação de novo recurso voluntário (fls. 8755 a 8846), reiterando todos os seus termos, as razões de direito aventadas em sua anterior petição dirigida a este Conselho. Posteriormente, nova diligência foi requerida, uma vez que este Processo de n. 11080.732116/201316 (auto de infração de IPI, aos anoscalendário 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012), possui relação de conexão com nove processos decorrentes de pedidos de ressarcimento do mesmo imposto, nos trimestres dos mesmos anos. Assim, os demais processos (11080.903083/201397, 11080.903084/201331, 11080.903085/201386, 11080.903086/201321, 11080.903087/201375, 11080.903088/201310, 11080.903089/2013 64, 11080.903090/201399 e 11080.903091/201333) foram todos apensados ao presente. É o relatório. RESOLUÇÃO Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. Com relação ao cerne do presente processo, cumpre destacar qual foi o pressuposto em que se embasou o trabalho da Autoridade lançadora, mediante o seguinte trecho do relatório de fiscalização (fls 8.118 e 8.119): Fl. 8941DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.043 12 Ou seja, foi o fato de determinados produtos serem qualificados como "componentes maquinários e instalações do estabelecimento" que motivou a glosa dos créditos de IPI; e não a questão do contato físico desses elementos com o produtos siderúrgicos em industrialização (fio máquina e barras laminadas). Ademais, como visto no relato acima, as glosas, foram reunidas pela Fiscalização nos seguintes grupos, "para melhor embasamento legal" (fls 8119): 1 Aquisições de mercadorias não enquadradas no conceito MP, PI ou ME conforme art. 164, I e art. 226, I do RIPI/2002 e art. 226, I do RIPI/2010; 2 Aquisição de ferramentas (pareceres CST 181/74, 260/71); 3 Aquisição de Partes e Peças (pareceres CST 181/74, 260/71); 4 Aquisição de Refratários; Lembremos a legislação a respeito do assunto. O artigo 82, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n°87.981, de 1982 (RIPI/82), determinava que: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n°4,502, de 1964, art, 25); I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de ai/quota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Fl. 8942DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.044 13 Com relação ao direito ao crédito básico de IPI, regulado pelo citado artigo 82 do RIPI/82 (e suas reedições), foi bem observado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no Acórdão 3102.001.8671: (...) Verificase que, além do material de embalagem, há duas modalidades distintas de matériaprima e o produto intermediário que geram direito ao crédito básico do IPI, a saber: a) a matériaprima e o produto intermediário que integram o novo produto fabricado; e b) a matériaprima e o produto intermediário que, embora não compondo o produto industrializado, sejam consumidos no processo de produção. Na primeira modalidade, a matériaprima e o produto intermediário são considerados insumos industriais stricto sensu, enquanto na segunda são insumos industriais em sentido lato, neste caso, compreendendo quaisquer bens que, embora não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo produtivo, salvo os contabilizados no ativo permanente. Nesse sentido restando ressalvado o entendimento posterior a ser proferido por este Colegiado no julgamento do processo não seria possível o creditamento pelas aquisições de produtos intermediários que só indiretamente façam parte da industrialização (e.g. lubrificantes para máquinas; parafusos de máquinas, etc). De outro lado, dariam direito ao crédito as aquisições de produtos intermediários que diretamente exerçam ação sobre o produto industrializado, ou diretamente sofram ação do produto, desgastandose ou consumindose. Pois bem. Recorrente apresenta em sua defesa elementos que possibilitam justamente essa análise, uma vez que explana suas atividades (fls 8787 e seguintes), descrevendo suas quatro áreas produtivas, quais sejam: aciaria; laminações; forjaria e transformação mecânica. Igualmente apresenta laudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT (Pareceres 6358 e 6161) a respeito do consumo dos bens nessas respectivas áreas. Finalmente, apresenta planilha (arquivo não paginável), na qual relaciona todas as informações sobre cada item que foi objeto de glosa (nº Nota Fiscal; Data de Entrada; Mês; Ano; Descrição Produto; Motivo da glosa apontada pelo Fisco; Valor do Imposto; CFOP; CNPJ Fornecedor; Código do Produto; Descrição Resumida; Aplicação/Função no processo Industrial; Contato direto com o produto; Altas temperaturas e processo agressivo; Área Industrial; Tempo de vida útil médio; Prazo de consumo; Pago/Defesa; Laudo IPT). Saliento que, conforme a Tabela comparativa apresentada pela Recorrente (de 34.877 linhas, ou seja, 34.877 itens com todas as informações citadas acima), uma enormidade das glosas aqui discutidas não estão mais compondo a lide, porque a Recorrente concordou com a autuação e efetuou os respectivos recolhimentos de IPI. 1Ementa(s) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITO BÁSICO. MATERIAL CONSUMIDO NO PROCESSO PRODUTIVO. FERRAMENTAS INTERMUTÁVEIS. INSUMO EM SENTIDO AMPLO. DIREITO DE CRÉDITO. CABIMENTO. 1. É considerado insumo industrial, para fins de apuração de crédito básico do IPI, o material não contabilizado do ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, for consumido, desgastado ou alterado no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. 2. As “brocas, lixas, pastilhas e demais ferramentas intercambiáveis”, utilizadas no processo de produção, para efeito da legislação do IPI, enquadramse no conceito de insumos (matériasprimas e produtos intermediários em sentido amplo) e asseguram o crédito do Imposto pago na aquisição. Recurso Voluntário Provido. Fl. 8943DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.045 14 De outro lado, existem na Tabela comparativa ferramentas que, embora sejam consideradas como "SIM" em relação à coluna "contato direto com o produto", a descrição desse contato ("aplicação/função no processo industrial") nada diz respeito com os produtos industrializados em questão, além de tais itens não constarem do Parecer do IPT. Como exemplo cito a TALHADEIRA REF GEDORE 352HS22 C/EMPUNH, cuja descrição é "Material intermediário utilizado para romper elementos de alvenaria e sofre desgaste no desempenho desta função." Ainda, a Recorrente coloca em diversos itens que realmente não existe o contato direto da ferramenta com o produto industrializado, como vemos no exemplo abaixo: Entretanto, com relação a outros itens, a Recorrente coloca que a relação entre as ferramentas e o produto final é imediata, ou seja, as ferramentas são consumidas pelo contato direto com o produto em fabricação, como se depreende do exemplo abaixo extraído da tabela: Tendo a Recorrente trazido aos autos vasto conjunto probatório sobre o direito que pleiteia, porém ainda não suficientemente lapidado para o deslinde da questão, não cabe ao julgador desconsiderar o direito da parte, mas sim permitir que o processo seja devidamente trabalhado, já que as premissas utilizadas pela Fiscalização e pela DRJ são divergentes das aqui adotadas. Daí sim será possível, com precisão, julgar ser ou não devida a exação cobrada por meio do presente auto de infração. Dessarte, havendo indícios contundentes sobre o direito da Recorrente, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim de que: Fl. 8944DF CARF MF Processo nº 11080.732116/201316 Resolução nº 3402001.345 S3C4T2 Fl. 8.046 15 i) intime a Recorrente para apresentar, com base nos elementos constantes nesses autos, bem como de eventuais novas informações, um laudo técnico conclusivo que possibilite identificar cada parte, peça ou ferramenta que se consome em contato direto com o produto industrializado (e não com o ambiente agressivo da indústria), para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto ao respectivo crédito básico do IPI; ii) o referido laudo (tópico i) deverá ser elaborado acompanhado de uma planilha que segregue todos os produtos intermediários em sentido lato, ou seja que, embora não integrando o novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele; iii) a referida planilha (tópico ii) deverá ser elaborada de acordo com os quatro grupos de glosas perpetrados pela fiscalização (1 Aquisições de mercadorias não enquadradas no conceito MP, PI ou ME; 2 Aquisição de ferramentas; 3 Aquisição de Partes e Peças;4 Aquisição de Refratários); iv) apresentado o laudo com a respectiva planilha, conforme os termos acima (tópicos i a iii), a própria Fiscalização elabore parecer conclusivo acerca do seu conteúdo à luz das considerações trazidas nessa Resolução sobre os produtos intermediários em sentido lato, bem trazendo eventuais outras informações que entender relevantes para o deslinde do julgamento; v) ato contínuo, dê ciência desse parecer à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Recorrente, abrindolhes o prazo regulamentar para manifestação, e; vi) finalmente, devolva o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 8945DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904821/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10280.904821/2012-13
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897258
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.568
nome_arquivo_s : Decisao_10280904821201213.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10280904821201213_5897258.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7409224
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610563917545472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.904821/201213 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.568 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de fevereiro de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Tratase de processo em que a contribuinte transmitiu Pedido de Restituição em que o direito creditório pleiteado tem como origem o pagamento a maior, ou indevido, de IRPJ Lucro Presumido; Entretanto, a unidade de origem da RFB indeferiu o pedido de restituição, pois referido valor reclamado fora consumido, utilizado integralmente pela contribuinte para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 82 1/ 20 12 -1 3 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10280.904821/201213 Resolução nº 1301000.568 S1C3T1 Fl. 3 2 Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que requer: a) restituição de valores do IRPJ e da CSLL pagos indevidamente com coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% (atividade em geral); que, entretanto, sua atividade envolveria prestação de serviço de natureza hospitalar e, assim, os percentuais dos coeficientes de presunção do lucro seriam inferiores aos que utilizara na apuração e pagamento desses tributos; b) o pedido de repetição do indébito tributário, para verificação do alegado erro de fato atinente à aplicação dos coeficientes de presunção na apuração e pagamentos dos tributos; a existência do erro de fato na apuração dos débitos desses tributos e recolhimentos, cujos coeficientes corretos de presunção do IRPJ e da CSLL seriam, respectivamente, de 8% e 12% e não 32%; Por fim, a contribuinte reiterou o pedido de reconhecimento do direito creditório pleiteado. Obs: O procedimento de fiscalização realizado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Belém de que trata o processo nº 10280.002739/200795 se restringiu apenas ao anocalendário 2006. A 3ª Turma da DRJ/Recife, por inexistir conexão processual/probatória, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente pela falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, conforme Acórdão, cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, bem como, no que pertinente, o seu voto condutor, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a restituição ou compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. Mantémse o despacho decisório que indeferiu pedido de restituição quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Inconformada com a decisão da DRJ/Recife a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, argumentando, in verbis: (...) A causa do indeferimento, por outro lado, foi essencialmente o fato, relatado pela autoridade fazendária, de que tal pagamento, [...], seria relacionado a tributo (IRPJ) declarado pelo contribuinte, em DCTF por ele apresentada [...] Ocorre que, embora seja inegável que a recorrente apresentou a referida DCTF, é preciso observar que aquela declaração se deu quando ela erroneamente apurava o imposto de renda (IRPJ) e a CSLL, pela sistemática do lucro presumido, mediante aplicação do percentual de 32% para apuração da base de cálculo sobre a qual incidiriam referidos tributos, quando na realidade, por exercer Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10280.904821/201213 Resolução nº 1301000.568 S1C3T1 Fl. 4 3 atividades hospitalares, deveria aplicar o percentual de apenas 8% para o IRPJ, e 12% para a CSLL, em tal determinação, tendo sido exatamente esta, a causa para os recolhimentos indevidos. (...) É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1301 000.538, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/201245. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1301000.538): O Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente e atende às demais condições de admissibilidade. Por isso, tomo conhecimento do recurso. A lide objeto dos autos trata do pedido de repetição do indébito tributário de pagamento indevido ou a maior de tributo (s) apurado (s) pelo regime do lucro presumido, no (s) período (s) especificado (s) no PER. Argumenta a recorrente que, nesse (s) períodos (s), exerceu atividade de prestação de serviços hospitalares, fazendo jus à utilização dos coeficientes reduzidos de presunção do lucro, ou seja, 8% (oito por cento) para o IRPJ e 12% (doze por cento) para a CSLL quanto a receitas (faturamento) dessa atividade; que, entretanto, apurara e pagara os tributos com coeficiente de presunção de 32% (atividade em geral), gerando o crédito reclamado nestes autos. As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10280.904821/201213 Resolução nº 1301000.568 S1C3T1 Fl. 5 4 nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: Serviços hospitalares: O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos "relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade" (RESP nº 951.251PR). Serviços hospitalares são "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que,"em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Custos diferenciados: A jurisprudência do STJ consolidouse no sentido de que a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não inclui as consultas médicas, visto que somente os serviços especializados de saúde, com custos diferenciados, inseremse no conceito de serviços hospitalares. Sociedade empresária: Entende o STJ que a partir da data da vidência da Lei 11.727 , de 2008, apenas as sociedades empresarias fazem jus ao benefício previsto na Lei 9.249 /95 para atividade de serviços de natureza hospitalar. Nesse sentido, transcrevo a ementa do Acórdão do REsp nº 951.251PR da 1ª Seção do STJ, Relator Ministro Castro Meira, Sessão de Julgamento de 22/04/2009, publicado no DJe 03/06/2009, in verbis: EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇAO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, 1º, III, A, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. O art. 15, 1º, III, a, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa . Observação de que o Acórdão recorrido é anterior ao advento da Lei nº11.727/2008. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10280.904821/201213 Resolução nº 1301000.568 S1C3T1 Fl. 6 5 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (STJ REsp: 951251 PR 2007/01102360, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 22/04/2009, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: 20090603 > DJe 03/06/2009 Ainda, transcrevo a ementa do Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, que se reporta ao citado REsp nº 951.251PR in verbis: (...) DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1 . Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares"prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10280.904821/201213 Resolução nº 1301000.568 S1C3T1 Fl. 7 6 restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR , da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que,"em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso Especial não provido. (...) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10280.904821/201213 Resolução nº 1301000.568 S1C3T1 Fl. 8 7 Por fim, ainda por ser esclarecedor e sintetizar o entendimento do STJ, quanto às condições para apuração do IRPJ e da CSLL mediante coeficientes reduzidos de presunção do lucro, transcrevo a ementa do Acórdão do TRF/4ª Região, Primeira Turma, Sessão de Julgamento de 22/04/2015, Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, in verbis: Ementa TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. LEI Nº 9.249/95. LEI 11.727/98. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. 1. Os artigos 15, § 1º, III, a e 20, da Lei nº 9.249/1995, prevêem a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSSL para as prestadoras de serviços hospitalares. 2. O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos 'relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade' (RESP nº 951.251). 3. A jurisprudência do STJ consolidouse no sentido de que a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não inclui as consultas médicas, visto que somente os serviços especializados de saúde, com custos diferenciados, inseremse no conceito de serviços hospitalares. 4. A partir da data da vidência da Lei 11.727, de 2008, apenas as sociedades empresarias fazem jus ao benefício previsto na Lei 9.249/95. (TRF4 APELREEX: 50285396820124047000 PR 5028539 68.2012.404.7000, Relator: MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE, Data de Julgamento: 26/11/2014, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: D.E. 27/11/2014) Como visto, pelo entendimento do STJ o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos "relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade" (RESP nº 951.251). Compulsando os autos, constato que: 1) Quanto à natureza da atividade prestação de serviço hospitalar: No seu objeto social, a contribuinte possui diversas atividades, além da prestação de serviço hospitalar. Ou seja, juntou aos autos cópias dos Atos Constitutivos e Alterações, com objeto social diversificado, senão vejamos: a) consta do Instrumento Particular de Constituição de Sociedade Civil de Quotas de Responsabilidade Ltda, com denominação de PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LIMITA, de novembro/1989, registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, em 18/01/1990 (efls. 18/30), como objeto social, conforme CLÁUSULA, in verbis: SEGUNDA O Objeto da sociedade será o de prestação de serviços, na área de saúde, através de assistência médica, odontológica, farmacêutica e outras atividades afins. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10280.904821/201213 Resolução nº 1301000.568 S1C3T1 Fl. 9 8 b) consta do Instrumento Particular de Alteração Contratual da Firma PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA, de 14/12/2001, registrado no 1º Ofício de Belém do Pará Registro Civil das Pessoas Jurídica, em 20/12/2001 (efls. 18/30), como objeto social, na Cláusula Quinta, in verbis: CLÁUSULA QUINTA O objetivo da sociedade passa a ser o seguinte: 1 Prestação de Serviço na Área de Saúde, através de Assistência Médica, Odontológica e Farmacêutica; inclusive, Laboratoriais e de Diagnóstico, Plano de Saúde, Consultoria, Planejamento, Assessoria, Auditoria, Perícia Médica, Medicina do Trabalho, Administração de Sistemas e Serviço de Saúde, Locação de Mão de Obra, Limpeza, Agenciamento, Conservação, Higienização, Assepsia e Aluguel de Imóveis, Utensílios e Equipamentos. c) consta da cópia da Décima Alteração do Contrato Social da Sociedade PRE SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA, de 14/06/2007, registrado 03/07/2007 na Junta Comercial do Estado do Pará, como objeto social consignado na Cláusula Segunda (efls. 18/30): Cláusula Segunda DO OBJETIVO SOCIAL O objetivo social é a prestação de serviços nas Atividades de Atenção à Saúde Humana, através de: Serviços Móveis de Atendimento a Urgências e de Remoção de Pacientes; Atividades de Atenção Ambulatorial executada por Médicos e Odontólogos; Atividades de Serviços de Complementação Diagnóstica e Terapêutica; Atividades de Profissionais da Área de Saúde; Atividades de Apoio à Gestão da Saúde; Atividades de Atenção à Saúde Humana Integrada com Assistência Social, Prestada em Residências Coletivas e Particulares. Planos de Saúde; Fornecimento e Gestão de Recursos Humanos Para Terceiros; Limpeza em Prédios e em Domicílios e Aluguel de Bens Móveis, Imóveis, Utensílios e Equipamentos; Atividade Odontológica com Recursos para Realização de Procedimentos Cirúrgicos; Laboratórios Clínicos; Serviços de Diagnósticos por Registro Grágico ECG, EEG e Outros Exames Análogos. Como demonstrado, a contribuinte tem por objeto social atividades diversificadas, e algumas atividades não configuram serviço hospitalar quanto ao (s) PA (s) objeto dos autos, conforme se observa dos seus atos constitutivos. Mesmo em relação à atividade que se considera, em tese, serviço hospitalar, a contribuinte não juntou provas aos autos de que só exercera atividade de serviço hospitalar, que sua receitas decorreram exclusivamente da prestação de serviços hospitalares, quanto ao (s) PA objeto (s) do pedido de restituição de pretenso pagamento indevido ou maior. A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10280.904821/201213 Resolução nº 1301000.568 S1C3T1 Fl. 10 9 Por outro lado, a contribuinte juntou cópia do resultado do procedimento de fiscalização realizado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Belém de que trata o processo nº 10280.002739/200795, mas, diversamente do alegado pela contribuinte, referese apenas ao ano calendário 2006, conforme Termo de Encerramento de Fiscalização, de 23/03/2011. Portanto, período de apuração diverso do objeto destes autos. A propósito quanto à falta de provas da existência do direito creditório pleiteado, transcrevo, nessa parte, a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) 19. Não há, nos autos, prova alguma de que a interessada atendeu, no período de apuração de que se cuida, aos pressupostos estabelecidos para que fosse enquadrada como prestadora de serviços hospitalares. 20. O procedimento fiscal invocado pela inconformada, cujo termo se acha às fls.31/32, dá conta de que o Serviço de Fiscalização da DRF/Belém, à vista da escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, bem como das notas fiscais, contratos de serviços e atestado da Secretaria Municipal de Saúde, concluiu que, no anocalendário 2006, 71% das receitas da empresa tiveram origem em serviços hospitalares, razão pela qual poderia utilizarse dos percentuais de presunção de 8% e de 12% respectivamente para o IRPJ e para a CSLL. (...) Assim, em relação à natureza da atividade exercida pela contribuinte, quanto ao (s) P.A (s) objeto do pedido de restituição do direito creditório, tornase necessário instrução processual complementar para apuração da receita especificamente da atividade de prestação de serviço hospitalar, seu percentual em relação à receita bruta total do (s) do (s) respectivo (s) período (s) considerado (s) objeto (s) dos autos. 2) Custos diferenciados: Em observância do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na interpretação da Lei nº 9.249/1995 ao julgar Recurso Especial representativo de controvérsia, na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), consolidou o entendimento de que há necessidade do contribuinte comprovar a existência de custos diferenciados, adicionais, em relação a mera sociedade civil de profissão regulamentada (atividade intelectual, de prestação de serviço de consulta médica, serviço prestado em consultório médico). Portanto, a contribuinte terá que comprovar custos diferenciados da sua atividade de prestação de serviços hospitalares em relação ao mero exercício intelectual e pessoal de profissão regulamentada, atividade exercida nos consultórios médicos (consultas médicas). 3) Forma da exploração da atividade hospitalar: Diz respeito à organização da atividade de prestação de serviço hospitalar em caráter empresarial, existência de custos diferenciados, adicionais, em relação a mera sociedade civil de profissão regulamentada (atividade intelectual de prestação de serviço de consulta médica, serviço prestado em consultório médico). Segundo o STJ, a partir da vigência da Lei 11.727/2008 (art.29), ou seja, a partir de 01/01/2009, ainda é condição sine qua non a Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10280.904821/201213 Resolução nº 1301000.568 S1C3T1 Fl. 11 10 exploração da atividade de serviços hospitalares na forma de sociedade empresária para fazer jus ao benefício fiscal da redução dos coeficientes de presunção do lucro. Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.952545/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem sobrestar o julgamento até o cumprimento da Resolução 1202-000.244 prolatada nos autos do processo 10880.923906/2010-70, que deverá então ser distribuído ao relator deste para julgamento em conjunto.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente o Conselheiro Marco Rogério Borges.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.952545/2012-31
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5798069
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-000.470
nome_arquivo_s : Decisao_10880952545201231.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CAIO CESAR NADER QUINTELLA
nome_arquivo_pdf_s : 10880952545201231_5798069.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem sobrestar o julgamento até o cumprimento da Resolução 1202-000.244 prolatada nos autos do processo 10880.923906/2010-70, que deverá então ser distribuído ao relator deste para julgamento em conjunto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente o Conselheiro Marco Rogério Borges.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7008264
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610563940614144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1201; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 280 1 279 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.952545/201231 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.470 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de outubro de 2017 Assunto PER/DCOMP Recorrente COMPANHIA BRASILIANA DE ENERGIA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem sobrestar o julgamento até o cumprimento da Resolução 1202000.244 prolatada nos autos do processo 10880.923906/201070, que deverá então ser distribuído ao relator deste para julgamento em conjunto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente o Conselheiro Marco Rogério Borges. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 52 54 5/ 20 12 -3 1 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1402000.470 S1C4T2 Fl. 281 2 Relatório Trata se de redistribuição do feito, após a prolatação de r. Resolução (fls. 271 a 276), prolatada pela C. 1ª Turma Especial da 3ª Câmara dessa 1ª Seção, na qual decidiuse por declinar do julgamento do litígio e remeter o presente processo para a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste CARF, para ser julgado em conjunto com o processo nº 10880.923906/201070. Em breve resumo, os presentes autos tratam de compensações pretendidas pela DCOMP nº 18405.69275.240409.1.3.023540 (fls. 143), na qual fora utilizado crédito oriundo de saldo negativo percebido no anocalendário 2006, estimativas quitadas. A compensação foi apenas homologada parcialmente, entendendo a DRF de origem ser insuficiente o crédito apurado. Nas razões de seus Apelos, a ora Recorrente esclarece que a suposta insuficiência do crédito apurado se fundamenta em (i) cobrança indevida de multa de mora na monta de 20% aplicada pela liquidação tardia dos débitos com compensações, bem como (ii) que o valor glosa das estimativas quitadas no anocalendário de 2006, através outras compensações anteriores, comporia validamente seu crédito, vez que objeto de contencioso administrativo, ainda pendente de julgamento (Processo Administrativo nº 10880.923906/201070), não havendo em se falar de sua inexistência. Tendo em vista que houve v. Resolução anterior, adoto, a seguir, o seu completo e preciso relatório, evitandose repetições: COMPANHIA BRASILIANA DE ENERGIA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1445.190, da DRJ Ribeirão Preto, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação nº 18405.69275.240409.1.3.023540 (fl. 143), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 139, com a seguinte fundamentação: Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1402000.470 S1C4T2 Fl. 282 3 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: ... O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, cujos argumentos são assim resumidos no relatório do acórdão recorrido (fl. 125): Defende a manifestante que a insuficiência do crédito constatada pelo despacho decisório em litígio não se confirma, posto que indevida a multa de mora de 20% aplicada sobre o débito excedente, cuja compensação restou não homologada. Isso porque, em 30/01/2006, teria protocolado consulta formal junto à Receita Federal do Brasil buscando esclarecer dúvidas relativas à exigência de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram em 31/12/2005 (vencimento 31/01/2006), dando ensejo ao processo administrativo n° 19679.001131/200663. Relata que em 30/09/2006, antes que a consulta fosse solucionada, a empresa teria sido incorporada pela sociedade Transgás Empreendimentos S/A. Esta, por sua vez, fora posteriormente incorporada pela manifestante. Não havendo resposta no processo citado, a contribuinte teria iniciado novo processo de consulta, em 21/12/2006, sob o n° 11610.012639/200670, fazendo referência ao anteriormente protocolado. Afirma que somente em 03/04/2009 fora notificada do resultado da solução de consulta n° 64/2009, tendo procedido à transmissão da DCOMP em análise dentro do prazo de 30 dias previsto na legislação, razão pela qual considera indevida a cobrança de multa sobre o débito em litígio, nos termos do artigo 14 da IN RFB n° 740/07. Além disso, parte do saldo negativo em análise seria formado por estimativas compensadas através de DCOMPs que, apesar de ainda não homologadas, encontramse pendentes de julgamento, pelo que legítima sua utilização na composição do crédito Dessa forma, entende a contribuinte que o crédito de saldo negativo em litígio deve ser integralmente reconhecido, homologandose integralmente a DCOMP em análise. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fl. 234), com a fundamentação assim sintetizada: (i) mesmo estando confessada a estimativa do tributo, em não sendo homologada a compensação, ela deve ser tida por inexistente, não podendo compor o saldo negativo ; (ii) a multa de mora combatida é devida em razão de o Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1402000.470 S1C4T2 Fl. 283 4 contribuinte não ter realizado o pagamento do tributo devido dentro do prazo legal, considerando que a compensação realizada não tem o mesmo efeito de um pagamento, para fins de verificação da espontaneidade. A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA –IRPJ Anocalendário: 2006 ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Segundo orientações da PGFN, não integram o saldo negativo as estimativas, cuja compensação não foi homologada administrativamente, por se tratarem de meras antecipações de tributos, cuja exigibilidade não tem o caráter de certeza e liquidez necessário à cobrança e inscrição em dívida ativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 CONSULTA. EFICÁCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DCOMP. Conforme entendimento enunciado na Nota Técnica Cosit n. 19 de 2012, não considerase ocorrida a denúncia espontânea com a simples apresentação de DCOMP. Apenas o pagamento do débito efetuado até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, é suficiente para evitar a aplicação de multa de mora, relativamente à matéria consultada. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 245, trazendo os argumentos a seguir sintetizados (140): i) A glosa das estimativas utilizadas para composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2006, em razão das DCOMPs apresentadas pela liquidação dessas estimativas não terem sido homologadas, é manifestamente ilegal, uma vez que a Recorrente interpôs recursos contra as decisões que não homologaram as referidas DCOMPs, os quais ainda encontramse pendentes de julgamento perante esse Egrégio Conselho. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1402000.470 S1C4T2 Fl. 284 5 ii) O fato de o débito ter sido liquidado por "compensação" ao invés de "pagamento" em nada prejudica o direito do consulente de não se sujeitar ao pagamento da multa de mora. O relevante é que a liquidação do débito ocorra dentro do prazo de 30 dias da ciência da solução de consulta. iii) em razão de uma parcela do crédito utilizado na DCOMP não ter sido confirmada, a multa de mora foi aplicada sobre a totalidade do débito, como se nenhuma parcela desse débito tivesse sido liquidada dentro do mencionado prazo de 30 dias; iv) o procedimento de imputação proporcional é manifestamente ilegal, seja por ausência de fundamento legal, seja por afronta ao artigo 43 da Lei 9.430/96, conforme jurisprudência deste Egrégio Conselho.. É o relatório. E estes foram os termos da r. Resolução proferida: O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. A presente lide contém duas questões que demandam uma solução: a primeira relativa ao crédito parcialmente reconhecido e a segunda relativa à exigência de multa de mora no âmbito do crédito tributário que se pretende extinguir por compensação. O contribuinte declarou, em sua DCOMP, possuir crédito oriundo do saldo negativo de IRPJ do ano 2006 no valor de R$ 524.981,86, sendo R$ 148.081,96 em razão de IRRF sobre aplicações financeiras e restante em razão de estimativas mensais que foram quitadas por compensação. A primeira parcela supracitada foi totalmente reconhecida em despacho decisório, mas a segunda parcela foi apenas parcialmente reconhecida, tendo sido glosadas as estimativas de janeiro a maio, restando R$ R$ 237.594,01 sem reconhecimento (fl. 141). As cinco compensação que quitariam as estimativas glosadas foram apreciadas no processo nº 10880.923906/201070. O fundamento da glosa dessas compensações é o fato de elas terem sido não homologadas. Todavia, o recorrente contraargumenta apontando o fato de que não há decisão administrativa definitiva sobre tais compensações, uma vez que há recurso pendente de decisão. Argumenta, ainda, que o fato de as compensações não terem sido homologadas não impede a utilização das respectivas estimativas no saldo negativo do correspondente ano, uma vez que essas estimativas foram confessadas e serão cobradas de qualquer forma. É pacífico o entendimento, no âmbito do processo administrativo fiscal, que não cabe lançamento tributário para exigir estimativa mensal Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1402000.470 S1C4T2 Fl. 285 6 quando já houve a apuração do tributo anual, conforme o enunciado da Súmula Carf nº 82: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Por outro lado, a execução fiscal de estimativa confessada somente ocorrerá caso essa estimativa tenha sido utilizada na composição do respectivo saldo negativo, uma vez que, nesse caso, a execução terá como objeto a correspondente parcela do tributo anual. Esse entendimento é extraído do Parecer PGFN/CAT/Nº 88/2014, cuja conclusão está abaixo transcrita: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Portanto, em sendo glosadas as estimativas em tela, da composição do saldo negativo do IRPJ de 2006, não haverá a respectiva execução fiscal, mesmo que essas estimativas tenham sido confessadas. Ademais, conforme inteligência do artigo 2º da Lei nº 9.430, de 1996, o que se aproveita no saldo negativo não é a dívida, mas sim a sua quitação, ou seja, a riqueza antecipadamente entregue ao erário para a quitação do imposto devido no final do ano. No caso, não há essa entrega de riqueza, uma vez que a compensação foi não homologada. Ainda que a Fazenda pudesse intentar um processo de execução, não se sabe se o crédito tributário seria satisfeito, o que dependeria da subsistência da empresa após o lapso temporal transcorrido ou ainda da sua saúde econômica. Mesmo que o crédito tributário fosse quitado ao final de hipotética execução fiscal, isso certamente ocorreria após um longo período de discussão na esfera judicial. Tal fato, em si, já configura um enriquecimento sem causa do contribuinte, uma vez que este teria, já no final de 2006, um saldo negativo passível de compensação, correspondente ao valor que somente pagaria no futuro, em data incerta e valor não sabido. Todavia, na espécie, a não homologação das referidas compensações não está lastreada em decisão administrativa definitiva, o que significa dizer que a Administração Tributária ainda pode rever seu posicionamento e considerar quitadas, por compensação, as estimativas ora glosadas. De fato, consulta no sistema eProcesso aponta que o processo supracitado possui recurso voluntário ainda não apreciado, com julgamento convertido em diligência. Encerrar a Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1402000.470 S1C4T2 Fl. 286 7 questão sobre o saldo negativo quando ainda está em discussão questão sobre parcela que o compõe não é medida de justiça. Portanto, no presente momento, não há como decidir sobre o saldo negativo, uma vez que o processo nº 10880.923906/201070 faz litispendência. Ademais, verificase que há identidade de partes nos referidos processos e há interseção na causa de pedir, o que autoriza o reconhecimento da continência entre eles, nos termos do artigo 104 do Código de Processo Civil pátrio: Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Ainda conforme o referido códice em seu artigo 105 (acima transcrito), a medida a ser tomada é o julgamento simultâneo dos processos interrelacionados. Diante do exposto, voto por declinar do julgamento do litígio e remeter o presente processo para a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste CARF, para ser julgado em conjunto com o processo nº 10880.923906/201070. Após a prolatação de tal r. decisório, declinando a competência para a C. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara dessa 1ª Seção, para que o julgamento do presente feito fosse procedido em conjunto com o processo nº 10880.923906/201070, os autos foram devidamente encaminhados àquela Câmara. Contudo, antes da sua redistribuição, ocorreu a extinção daquele Órgão de Julgamento, considerado competente, motivando o seguinte despacho processual (fls. 278): Encaminhemse os autos para nova distribuição tendo em vista tratar se de resolução que declinou competência para turma atualmente extinta, para julgamento em conjunto com processo de conselheiro que já não faz mais parte do colegiado. Na sequência, os autos foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1402000.470 S1C4T2 Fl. 287 8 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como anteriormente já verificado, reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Consta do relatório supra e da própria v. Resolução que precedeu o presente, que o crédito sob análise tem origem em quitação de estimativas do anocalendário de 2006 com outras compensações, que, por sua vez, também foram objeto de r. despacho decisório denegatório, ensejando a formação de contencioso fiscal, consubstanciado no Processo Administrativo nº 10880.923906/201070. Assim, entendeu a C. Turma a quo, extinta, que ambos os processos deveriam ser julgados conjuntamente, chegando até a declinar sua competência em favor da C. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara (que, igualmente, foi extinta). É incontroverso nos autos que a procedência do pleito de compensação do presente feito depende do desfecho daquela outra contenda, nessa mesma instância, motivo pelo qual este Conselheiro endossa o entendimento de se aguardar o seu julgamento (independentemente de questões de competência processual, já superadas e irrelevantes agora, em face da extinção de ambas as Turmas de julgamento). Contudo, verificando as fases e andamentos do Processo Administrativo conexo ao presente1, constatase que, antes da ser dissolvido, aquele N. Colegiado determinou a realização de diligência remetendo os autos à Unidade Local de fiscalização para providências: DECISÃO PUBLICADA: Resolução Número: 1202000.244 Texto da Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo (relator) e Plínio Rodrigues Lima, que entendiam por julgar o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado o Conselheiro Geraldo Valentim Neto para redigir o voto vencedor. 1 Em 09/10/2017 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/exibirProcesso.jsf;jsessionid=A1 695925201DC68B13D082F082FAF612 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1402000.470 S1C4T2 Fl. 288 9 Confirase seu dispositivo: De acordo com a consulta de andamento processual, tal feito ainda encontrase no curso da diligência solicitada, não sendo ainda concluída e nem retornando os autos a este E. CARF. Desse modo, fica claro que o processo não foi distribuído a este Relator em razão da conclusão da diligência ou mesmo para o julgamento conjunto dos processos, mas seu redirecionamento, como mencionado no r. Despacho de Encaminhamento, deuse por tratarse de resolução que declinou competência para turma atualmente extinta. Diante de todo o exposto, resolvese por determinar o sobrestamento do presente processo, até que nos autos do Processo Administrativo nº 10880.923906/201070 seja concluído o Relatório de Diligência e dada ciência ao Contribuinte para se manifestar no prazo de 30 dias, como determinado na r. Resolução nº 1202.000.244, devendo, após isso, ser tal processo igualmente encaminhado para a Relatoria deste Conselheiro (em face da extinção da Turma de julgamento anteriormente competente), oportunidade na qual seu julgamento será promovido conjuntamente com o do presente feito. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.952545/201231 Resolução nº 1402000.470 S1C4T2 Fl. 289 10 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726750/2018-49
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 20 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2014
DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE
Não se aplicam aos atos de exclusão de empresas optantes pelo Simples Nacional, as regras de decadência para constituição de créditos tributários previstas nos artigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional.
ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. INTERPOSTA PESSOA. CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO
A exclusão do Simples Nacional dá-se de ofício mediante ato declaratório quando a pessoa jurídica optante ocorrer na sua constituição por interpostas pessoas, caracterizando a existência de Grupo Econômico de Fato.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I, DO CTN. GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR.
Exatamente pelo fato de constituírem um grupamento de contribuintes, sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, há o interesse comum, na medida que o resultado de um deles interessa aos demais.
DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS
A autoridade administrativa pode desconsiderar atos e negócios jurídicos praticados com o objetivo de dissimular a ocorrência do fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, não estando restrita à regulamentação do parágrafo único do artigo 116, do CTN, embora ele tenha eficácia por si só. Ademais a regulamentação de tal faculdade encontra-se amparada nos princípios tributários do citado código.
Numero da decisão: 1003-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Benatti Marcon - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva(Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carlos Alberto Benatti Marcon.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO BENATTI MARCON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202109
ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2014 DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE Não se aplicam aos atos de exclusão de empresas optantes pelo Simples Nacional, as regras de decadência para constituição de créditos tributários previstas nos artigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. INTERPOSTA PESSOA. CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO A exclusão do Simples Nacional dá-se de ofício mediante ato declaratório quando a pessoa jurídica optante ocorrer na sua constituição por interpostas pessoas, caracterizando a existência de Grupo Econômico de Fato. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I, DO CTN. GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. Exatamente pelo fato de constituírem um grupamento de contribuintes, sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, há o interesse comum, na medida que o resultado de um deles interessa aos demais. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS A autoridade administrativa pode desconsiderar atos e negócios jurídicos praticados com o objetivo de dissimular a ocorrência do fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, não estando restrita à regulamentação do parágrafo único do artigo 116, do CTN, embora ele tenha eficácia por si só. Ademais a regulamentação de tal faculdade encontra-se amparada nos princípios tributários do citado código.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 20 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 15504.726750/2018-49
anomes_publicacao_s : 202109
conteudo_id_s : 6477549
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 20 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1003-002.612
nome_arquivo_s : Decisao_15504726750201849.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO BENATTI MARCON
nome_arquivo_pdf_s : 15504726750201849_6477549.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Benatti Marcon - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva(Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carlos Alberto Benatti Marcon.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
id : 8979731
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:40:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610563980460032
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-18T12:30:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-18T12:29:51Z; Last-Modified: 2021-09-18T12:30:10Z; dcterms:modified: 2021-09-18T12:30:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:13d87d10-dd1f-41a9-bd10-f34b2445a593; Last-Save-Date: 2021-09-18T12:30:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-18T12:30:10Z; meta:save-date: 2021-09-18T12:30:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-18T12:30:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-18T12:29:51Z; created: 2021-09-18T12:29:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 44; Creation-Date: 2021-09-18T12:29:51Z; pdf:charsPerPage: 2184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-18T12:29:51Z | Conteúdo => S1-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15504.726750/2018-49 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-002.612 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 02 de setembro de 2021 Recorrente LEGALIZAR SOLUÇÕES EMPRESARIAIS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2014 DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE Não se aplicam aos atos de exclusão de empresas optantes pelo Simples Nacional, as regras de decadência para constituição de créditos tributários previstas nos artigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO. INTERPOSTA PESSOA. CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO A exclusão do Simples Nacional dá-se de ofício mediante ato declaratório quando a pessoa jurídica optante ocorrer na sua constituição por interpostas pessoas, caracterizando a existência de Grupo Econômico de Fato. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I, DO CTN. GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR. Exatamente pelo fato de constituírem um grupamento de contribuintes, sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, há o interesse comum, na medida que o resultado de um deles interessa aos demais. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS A autoridade administrativa pode desconsiderar atos e negócios jurídicos praticados com o objetivo de dissimular a ocorrência do fato gerador de tributos ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, não estando restrita à regulamentação do parágrafo único do artigo 116, do CTN, embora ele tenha eficácia por si só. Ademais a regulamentação de tal faculdade encontra-se amparada nos princípios tributários do citado código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 67 50 /2 01 8- 49 Fl. 634DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Carlos Alberto Benatti Marcon - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva(Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carlos Alberto Benatti Marcon. Relatório Ato Declaratório Executivo A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BHE/ nº 02, de 07.01.2019 com efeitos a partir de 1° de Janeiro de 2014, motivado nos fundamentos de fato e de direito indicados, e-fl. 229: Art. 1º - Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de incorrer na seguinte situação de vedação: - Formação de grupo econômico, DE FATO, com as empresas: PREVISA CONTABILIDADE — EPP (CNPJ 20.492.641/0001-18); CONTABIT TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA (CNPJ 05.750.194/0001-66); CONTAVISA SERVIÇOS CONTÁBEIS (CNPJ 09.143.395/0001-56), e ALFA FISCAL LTDA — ME (CNPJ 10.379.716/0001-03); consequentemente incidindo na restrição prevista no inciso I, do artigo 29 e no inciso IV, do artigo 30, todos da Complementar 123, de 14/12/2006. Nome: LEGALIZAR SOLUÇÕES EMPRESARIAIS LTDA — ME CNPJ: 97.551.617/0001-37 Processo: 15504-726750/2018-49 Art. 2º Os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir do dia 1° de Janeiro de 2014, de acordo com inciso V- a, do artigo 31, da Lei Complementar 123, de 14/12/2006. Art. 3º A pessoa jurídica poderá apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência deste Ato Declaratório Executivo, manifestação de inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF). Art. 4º Não havendo manifestação no prazo previsto no artigo anterior, a exclusão do Simples Nacional tornar-se-á definitiva. Impugnação e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade, a qual teve o seguinte Acórdão da 7ª Turma DRJ/REC nº 11-62.137, de 21.03.2019, e-fls. 495-509: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2017 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE As regras que fixam prazo de decadência para constituição do crédito tributário previstas no Código Tributário Nacional não se aplicam aos atos de exclusão de empresa optante do regime tributário próprio das microempresas e empresas de pequeno porte - SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. Fl. 635DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 A manifestação de inconformidade interposta em âmbito federal contra exclusão do Simples Nacional se enquadra no conceito de recurso administrativo admissível pelas leis reguladoras do processo tributário, possuindo efeito suspensivo até a prolação de decisão administrativa definitiva. GRUPO ECONÔMICO. APURAÇÃO RECEITA BRUTA GLOBAL. ADMISSIBILIDADE. Constatada a existência de grupo econômico de fato, caracterizado pela administração coordenada de diversas empresas de ramos de atividade correlatos, é cabível a apuração da receita bruta global, para fins de análise quanto à exclusão do Simples Nacional das empresas integrantes do grupo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2017 DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS JURÍDICOS. REGULAMENTAÇÃO. DESNECESSIDADE Despicienda a regulamentação de tal faculdade uma vez que esta encontra guarida nos princípios tributários do mesmo Codex. Manifestação de Inconformidade Improcedente Recurso Voluntário A Recorrente apresentou o Recurso Voluntário, e-fls. 512-606, em 11.07.2019, discorrendo sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, importando mencionar que o recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Após reproduzir o acórdão 11-62.137, proferido pela 7ª Turma da DRJ/REC, a Recorrente, relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que(excertos): [...] A RECORRENTE refuta os fundamentos do acórdão recorrido, uma vez que efetivamente não há como prosperar a tese defendida pela fiscalização porque na prática inexistem os elementos caracterizadores de grupo econômico de fato. O Código Tributário Nacional, Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966, por sua vez, não traz nenhum comando específico aos Grupos Econômicos, deixando, entretanto, constatada, em seu artigo 124, I, a responsabilidade tributária solidária a todos aqueles que tenham interesse comum no fato gerador. A jurisprudência, por sua vez, trata o interesse como interesse jurídico, ou seja, não basta à empresa ter interesse econômico no fato gerador, faz-se necessária a existência de uma norma que indique interesse jurídico da Sociedade no fato imponível, assim sendo, a responsabilidade será solidária. [...] Verifica-se que a DRJ ao julgar a Manifestação de Inconformidade, apenas e tão somente chancelou o trabalho desenvolvido pelo Auditor Fiscal, nada acrescentando sobre a formação da convicção e ainda se abstendo da análise e valoração das provas carreadas aos autos pela ora RECORRENTE. Antes de apresentar os fundamentos, a Recorrente reproduz o teor do ADE que a excluiu do Simples Nacional, solicitando que sejam apreciados os fundamentos elencados e provas acostadas aos autos. [...] O motivo ensejador do despacho, segundo a autoridade monocrática que o proferiu foi o descumprimento do Inciso I do Art. 29, e no inciso IV do artigo 30, todos da Lei Fl. 636DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Complementar 123/2006, ou seja, auferir receita bruta anual superior ao limite máximo permitido, sendo que o despacho tem efeitos retroativos a 01/01/2014. Não pode prosperar o despacho acima mencionado, uma vez que conforme restará provado pela análise da presente manifestação de inconformidade, a Recorrente não excedeu o limite de receita bruta anual previsto na legislação para manter-se enquadrada no regime de recolhimento do “Simples Nacional”. Conforme se verá pela contestação dos termos da representação interna para a exclusão do regime de tributação “Simples Nacional”, é certo que a fiscalização chegou aos números de ensejam a conclusão de que a Recorrente excedeu o limite de receita bruta anual para manter-se no regime, através da acusação de que mesma constituiu “Grupo Econômico de Fato” com as empresas Previsa Contabilidade, Legalizar Soluções Empresariais Ltda., Contavisa Serviços Contábeis e Alfa Fiscal Ltda. A Recorrente discorda inteiramente das conclusões a que chegou a fiscalização, uma vez que não subsistem razões para a caracterização da existência de Grupo Econômico de Fato constituído com as empresas acima mencionadas. Reproduz a Representação Interna que serviu de base para a emissão do ADE que a excluiu do Simples Nacional, e passa a discorrer sobre as razões do Recurso Voluntário. 4 a 11. DAS RAZÕES DO RECURSO VOLUNTÁRIO [...] A RECORRENTE refuta veementemente os argumentos utilizados pela DRJ para o julgamento da Manifestação de Inconformidade, eis que a mesma se alheou aos fundamentos e provas trazidos aos autos, pautando-se exclusivamente por chancelar o trabalho desenvolvido pelo Ilustre Auditor Fiscal para fundamentar a representação. A RECORRENTE tem a convicção de que não descumpriu as normas legais, estando apta a continuar sendo tributada pela sistemática do “Simples Nacional” conforme se verá pelos fundamentos a seguir aduzidos, bem como pela prova juntada aos autos. Informa que irá separar os fundamentos de conformidade com a numeração atribuída pela fiscalização na representação. 4.1. Da situação de optante pelo Simples Nacional A Recorrente argumenta que vem cumprindo rigorosamente as condições previstas no Art. 3º, II da Lei Complementar nº 123/2006, § 4º, incisos III, IV e V, afirmando que o excesso dos limites somente se deu em decorrência da caracterização de grupo econômico de fato proposta pela Fiscalização, como consequência do somatório da receita bruta de todas as empresas. Insiste na arguição de decadência do Ato Declaratório, uma vez que o mesmo é datado de 2019, e a decisão a exclui do Simples Nacional a partir de 01.01.2014, ou seja, há mais de cinco anos. 4.3. Quanto aos efeitos da norma antielisiva, a Recorrente pede sejam considerados os fundamentos constantes do item próprio na sequencia do presente Recurso Voluntário. 4.4. Quanto à configuração Grupo Econômico de Fato, a Recorrente pede sejam considerados os fundamentos dos itens próprios, sendo que no julgamento promovido pela DRJ os ilustres julgadores apenas fizeram constar que a autoridade tributária aduz que o contribuinte integra grupo econômico de fato, sem contudo apresentar provas quanto a esta integração. No Julgamento acabou-se por aceitar a conceituação dada no âmbito no Direito do Trabalho para finalmente decidir pela caracterização do “grupo econômico de fato”, ou seja aqueles grupos formados simplesmente pela participação dos mesmos sócios. É evidente as várias empresas que foram excluídos não têm os mesmos sócios, sendo certo que no decorrer do tempo ocorreram alterações nas respectivas participações societárias, e considerando-se as situações individuais de cada Fl. 637DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 um deles é fácil perceber que sempre que participavam de mais de uma empresa os respectivos faturamentos foram somados para fins de enquadramento no limite do “Simples Nacional”. Contudo, as empresas que não tinham sócios comuns obviamente que tiveram os seus respectivos faturamentos somados para as mesmas finalidades. Não pode prosperar a decisão no sentido que se fez constar no acórdão ora hostilizado, a saber: “Por conta de as empresas relacionadas possuírem os mesmos sócios ou titulares, em revezamento, no formalismo dos contratos sociais, não se configura verossímil que elas sejam independentes em termos de gestão. As empresas estão sob controle de Sr. Carlos Ferreira da Silva , pai dos Srs Carlos Vitor Faria da Silva e Thiago Vitor de Faria Silva e respectivas esposas. Existem diversos indícios que se somam (não há como analisá-los isoladamente sem perder de vista o quadro geral) ao fato de que sua direção é composta pelos mesmos integrantes, em endereços vizinhos. A marca única de todas as empresas é a atividade correlata e integrada, sendo desnecessário que sejam idênticos os objetos sociais de cada uma, fato esse não afirmado pela auditoria fiscal.” A fiscalização não comprovou em nenhum momento que as empresas estão sob controle do Sr. Carlos Vitor Ferreira da Silva, sendo certo que não indicou sequer um ato de gestão do mesmo. Ao contrário, cada uma das empresas foi ou é controlada pelos seus respectivos dirigentes conforme consta nos atos constitutivos. A questão colocada na resp. decisão em relação ao quadro 9 do Relatório Fiscal - Incompatibilidade entre a massa salarial x receita bruta” diz respeito exclusivamente à empresa Previsa Contabilidade, sendo que apesar de estar de posse do “livro caixa” e dos livros de “escrituração contábil da referida empresa” e também dos mesmos livros das demais, inclusive da ora Recorrente, a fiscalização não identificou e não apontou nenhum aporte de recursos de nenhuma das empresas e em especial da ora Recorrente para socorrer o caixa da Previsa Contabilidade. A Contabit, ora recorrente, possui um empregado que dado à natureza de sua atividade é o suficiente para o seu desenvolvimento. Para a recorrente é irrelevante o montante de faturamento ou a composição de custos da empresa Previsa Contabilidade. 4.5. Quanto à questão ligada aos endereços das várias empresas, é de se salientar mais uma vez que a RECORRENTE não tem portaria comum com a Previsa Contabilidade, funciona em outro edifício e tem estrutura própria de funcionamento como restou provado nos autos. 4.6. Quanto à confirmação na decisão hostilizada quanto à existência de empregados em comum entre a Recorrente e a Previsa Contabilidade, a mesma reafirma que consoante a documentação que já consta dos autos, aliada aos documentos que ora são juntados, depreende-se que tal fato nunca ocorreu. O empregado Ewerton Ferreira da Cruz que conforme o acórdão recorrido se encontra declarado na GFIB da ora recorrente e da empresa Legalizar na competência 01/2017, na verdade nunca foi seu empregado. Isto demonstra que a manifestação inconformidade sequer foi lida pelos ilustres julgadores. Na verdade o referido Ewerton Ferreira da Cruz foi empregado da Previsa Contabilidade, demitido em 01/01/2017 e admitido na Legalizar no dia 02/01/2017 conforme consta dos documentos que ora são juntados aos autos. 4.7. A recorrente insiste na afirmativa da inexistência de sócios em comum com as demais empresas elencadas pelo Fisco e reafirma que nos períodos em que porventura possa ter havido a concomitância de participações, os faturamentos das empresas foram somados para fins de averiguação dos limites do Simples Nacional e mesmo assim tais limites não foram excedidos. O sócio Carlos Vitor de Faria Silva passou a não mais fazer parte da sociedade ora recorrente em 2014. O fisco pretende apenas e tão somente em decorrência da alegação da formação de “grupo econômico de fato”, somar os faturamentos de todas as empresas para então se constatar que tal somatório excede o limite. Isto não pode prosperar... Fl. 638DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Em continuidade aos fundamentos de contestação do acórdão recorrido, a ora Recorrente pede sejam apreciados os itens a seguir, bem como valoradas as provas já acostadas aos autos e também aquelas que ora são juntadas. [...] 6. Impugnação das alegações de existência de grupo econômico de fato - fundamentos legais. Basta que se analise o teor do relatório para concluir que frente à falta de definição legal do instituto do grupo econômico na seara tributária, a fiscalização tenta de modo forçoso, utilizar definições e conceitos de outros campos do Direito, mais especificamente das áreas de Direito de Consumidor e Direito do Trabalho para com isto acusar a Recorrente de participar de “grupo econômico de fato” com as empresas Previsa Contabilidade, Alfa Fiscal Ltda. - ME, Contavisa Serviços Contábeis e Legalizar Soluções Empresariais Ltda. - ME. Com a caracterização do “grupo econômico de fato” a fiscalização propõe a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, uma vez que nesta circunstância ela utiliza-se do somatório da Receita Bruta Anual das respectivas empresas fins da observância do limite previsto no art. 3º da Lei Complementar 123/2006. A fiscalização começa por definir o grupo econômico o grupo econômico como “um conjunto de sociedades empresariais ou de empresários que, sob o controle gerencial e administrativo de um indivíduo ou grupo familiar, atuam em sincronia para lograr maior eficiência em suas atividades.” Noticia a fiscalização que evidenciou a existência de um grupo econômico da aspecto familiar, em que os objetivos das empresas componentes são interligados e em sintonia com o ramo da CONTABIT , indicando os respectivos CNAEs de cada uma delas. Ao contrário do que sustenta a fiscalização, as empresas têm propósito negocial próprio e individualizado e atendem serviços específicos em suas especialidades, sendo que na sua maioria não se vinculam à serviços contábeis, eis que estes são privativos de profissionais devidamente habilitados perante os Conselhos Regionais de Contabilidade. De forma afoita a fiscalização busca a caracterização do que denomina de Grupo Econômico de Fato, alheando-se ao que determina a legislação tributária para buscar guarida na legislação do trabalho e/ou legislação de defesa do consumidor. Diz que a jurisprudência administrativa vem se firmando no sentido de” não admitir que empresas ligadas por vínculos familiares, e interdependentes entre si em suas atividades, possam ser consideradas de forma individual e autônoma para fins de enquadramento no regime tributário favorecido. Tal jurisprudência, para se firmar, lança mão de outras figuras de direito além daquelas expressamente previstas no Estatuto da Empresa de Pequeno Porte. Neste mister o instrumento jurídico a disposição das autoridades fiscalizadoras é a figura da fraude à Lei.” Na prática a jurisprudência indicada pela fiscalização diz respeito à área de Direito do Trabalho, com o que a Recorrente não pode concordar, eis que não cometeu fraude à lei. Efetivamente as empresas foram criadas, estão fisicamente estabelecidas em locais próprios, exercem atividades próprias, sendo de se ressaltar que não há um comando único, ou seja, cada uma delas é administrada de conformidade com o que consta em seus respectivos atos constitutivos, existindo propósito negocial. Não há que se falar em fraude à lei, uma vez que todas as empresas foram regularmente constituídas, devidamente registradas na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais conforme se comprova pelos seus atos constitutivos, à Receita Federal do Brasil foram prestados todas as informações exigidas por lei, de forma eletrônica ou documental, não havendo simulação de negócios jurídicos. 6.1. Inicialmente deve-se levar em conta que a Consolidação das Leis do Trabalho são diplomas protecionistas, e assim, visam regular as relações entre as empresas e os cidadãos, os quais (consumidor e empregado) se apresentam como a parte hipossuficiente da relação jurídica, merecendo proteção estatal, no intuito de se evitar abusos por parte das empresas. Fl. 639DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Sendo assim, fica clara a impossibilidade de CLT para construção do conceito, pois, nestas relações, os institutos são utilizados para defender os direitos da parte hipossuficiente, empregado, enquanto na relação jurídico-tributária este instituto é utilizado, justamente, contra a parte hipossuficiente, o contribuinte. É notório que o Estado é o lado forte da relação jurídica tributária e o contribuinte a parte hipossuficiente. Quando se coloca o interesse público acima do privado, por muitas vezes cometem-se injustiças flagrantes, haja vista ferir, em determinadas situações, o princípio magno da isonomia e da igualdade processual entre as partes, e é exatamente isto que está ocorrendo no caso objeto da presente Manifestação de Inconformidade. Diante desse cenário, essencial se buscar critérios na lei empresarial, muito mais próxima da realidade do campo do Direito Tributário, na doutrina e na jurisprudência, tanto judicial quanto administrativa. No Direito do Trabalho, a CLT contemplou uma definição para o que ela denominou como “grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade” no seu art. 1º, parágrafo 2º, que possui a seguinte redação: “(...) sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas”. Note-se que, nesse caso, a definição abrange empresas que estejam sob administração ou direção comum, o que efetivamente é mais amplo que as definições de sociedades controladas, coligadas e grupo de sociedades acima tratadas. Tal abrangência está em sintonia com o espírito de toda a legislação trabalhista, que busca proteger os interesses dos empregados, tidos como em condição de hipossuficiência em relação a seus empregadores. Com uma definição mais ampla de grupo, pretendesse assegurar com maior efetividade e segurança ao trabalhador o adimplemento de eventuais dívidas trabalhistas. Também é interessantíssimo esclarecer que mesmo no âmbito do Direito do Trabalho temos que a CLT foi recentemente alterada para incluir o § 3º no artigo 2º, que desmantela a pretensão fiscal manifestada nestes autos, a saber: “art. 2º, §3º. “Não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes”. (GRIFO NOSSO). Como se vê da redação acima, mesmo no âmbito do Direito do Trabalho a mera identidade de sócios não é suficiente para caracterizar a existência de grupo econômico sendo absolutamente necessário a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes, o que definitivamente não se manifesta no caso dos presentes autos. Seja como for, não se pode perder de vista que nenhuma dessas disposições de leis extravagantes pode estabelecer a responsabilidade tributária, primeiramente porque nenhuma delas se propõe a assim estabelecer, e, em segundo lugar, porque a responsabilidade tributária é matéria reservada constitucionalmente à lei complementar, não havendo conexão de objetos entre os dessas leis e o da responsabilidade tributária segundo o CTN. É bem verdade que o art. 124, inciso II, do CTN, autoriza que a lei ordinária venha a estabelecer hipóteses específicas de solidariedade, assim como o art. 128 permite que a lei estabeleça a responsabilidade de terceiros relacionados ao fato gerador, mas o parágrafo 2º do art. 2º da CLT não pode ser compreendido como uma disposição nesse sentido. Fl. 640DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Isso pela singela razão de que esse dispositivo não trata de matéria tributária e, como dito, a atribuição de responsabilidade pelo CTN deve decorrer de disposição legal expressa. É evidente que uma disposição própria para fins trabalhistas não pode ser tida como norma expressa para fins tributários. Ademais, a necessidade de lei expressa impede o emprego de analogia, inexistindo qualquer fundamento para a adoção do conceito de grupo econômico daCLT para fins tributários. Vale destacar que o emprego de analogia é um dos recursos de integração admitidos pelo próprio CTN para fins de interpretação e aplicação da legislação tributária, nos termos do art. 108, inciso I “in-verbis”: “Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I – a analogia; (...)”. Contudo, é sabido que, além dos demais métodos de hermenêutica consagrados pela doutrina e jurisprudência, a busca do verdadeiro conteúdo de uma norma jurídica impõe a sua consideração no sistema, sendo necessário que a interpretação leve em conta não apenas cada comando isoladamente mas o conjunto formado por todos os dispositivos de uma determinada lei, além de outros em vigor. Seja como for, não se pode perder de vista que nenhuma dessas disposições de leis extravagantes pode estabelecer a responsabilidade tributária, primeiramente porque nenhuma delas se propõe a assim estabelecer, e, em segundo lugar, porque a responsabilidade tributária é matéria reservada constitucionalmente à lei complementar, não havendo conexão de objetos entre os dessas leis e o da responsabilidade tributária segundo o CTN. Logo, a norma do art. 108 deve ser interpretada em conjunto com as demais do CTN e nesse caso, considerando que em matéria de responsabilidade tributária, é necessário haver disposição legal expressa, sendo totalmente descabida a pretensão de aplicar por analogia o conceito de grupo definido na CLT. É preciso registrar aqui que, na legislação tributária, a par de qualquer comentário a respeito de sua validade jurídica, questão essa que será analisada na resposta à pergunta nº 3, a seguir, encontramos o art. 30, inciso IX, da Lei n. 8212, de 24.7.1991, possivelmente inspirado na CLT, estabelecendo que: “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...)”. Repare-se que a norma prevê a solidariedade, mas não define grupo econômico. E ao regulamentar a responsabilidade prevista no referido art. 30, inciso IX, o Decreto n. 3048, de 6.5.1999, em seu art. 222, é abrangente, fazendo referência a “grupo econômico de qualquer natureza”. Já a Instrução Normativa RFB n. 971, de 13.11.2009, ainda em relação às contribuições da Lei n. 8212, cumpriu a tarefa de definir o conceito de grupo econômico, estabelecendo que “Caracteriza-se grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”. A definição da Instrução Normativa RFB 971, à toda evidência, toma como base o conceito da CLT, extrapolando os limites previstos no Código Tributário Nacional e na legislação ordinária. A referência a todas essas disposições da legislação revela que o conceito de grupo econômico não é preciso ou uniforme no ordenamento jurídico, mormente no que concerne à área tributária. Por outro lado, como visto, o CTN não contemplou qualquer disposição tratando de grupo econômico. Portanto, a única conclusão a que se chega é que, apenas com base nas disposições do CTN, não há qualquer possibilidade de se atribuir a condição de sujeito passivo, por qualquer modalidade, a empresas integrantes de um grupo econômico e nem tampouco de Fl. 641DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 caracterizar a existência de grupo econômico de fato com base em critérios definidos em legislação fora do âmbito tributário. [...] Percebe-se que o resultado a que pretendeu chegar a fiscalização e que finalmente culminou com o Despacho Decisório que excluiu a RECORRENTE do “Simples Nacional” teve por fundamento apenas e tão somente a presunção e a utilização de conceitos do Direito do Trabalho, não aplicáveis na seara da tributação. 6.2.1 - Por sua vez a legislação comercial define o conceito de grupo econômico no art. 265 da Lei 6404/76, “in-verbis”: “Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 266. As relações entre as sociedades, a estrutura administrativa do grupo e a coordenação ou subordinação dos administradores das sociedades filiadas serão estabelecidas na convenção do grupo, mas cada sociedade conservará personalidade e patrimônios distintos. Designação Art. 267. O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo único. Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade". Existem ainda os “grupos econômicos de fato”, contudo, nas duas configurações, o objeto social deixa de ser um empreendimento individual e isolado da sociedade filiada, passando a ser um empreendimento comum, de todo o grupo, revertendo no interesse da sociedade filiada a sinergia criada pelo grupo. [...] A partir de uma análise do Art. 265 e seguintes da Lei 6404/76, pode-se dizer que o grupo seria uma união entre as sociedades participantes, cujo objetivo econômico específico estará em se obrigarem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns, situação em que uma empresa exerce, direta ou indiretamente, o controle sobre as demais. 6.3 - Para a configuração do grupo econômico, deve-se avaliar a existência de uma unidade diretiva comum, bem como prova consistente desta existência, essencial para a formação de grupo de empresas, o que definitivamente não ocorreu no caso presente, eis que a fiscalização não se desincumbiu do ônus da prova. Assim, a direção unitária é um elemento essencial do grupo porque se inexistente as empresas estariam liberadas para cada uma seguir o seu caminho de acordo com as suas determinações, ou seja, retiraria a integração empresarial necessária para atingir o objetivo econômico comum. Definitivamente a fiscalização não comprovou a existência de direção unitária. Sequer indicou quaisquer atos praticados por um dos sócios capaz de identificar sequer um rastro desta direção. 6.4. Da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF Fl. 642DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Estas primeiras lições, porém, não são suficientes para a melhor caracterização. Então, valemo-nos, de uma jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que demonstra de forma didática quais os critérios relevantes para configuração de um grupo econômico de fato: “GRUPO ECONÔMICO. COMUNHÃO SOCIETÁRIA. CRITÉRIO INSUFICIENTE PARA CARACTERIZAÇÃO. A simples comunhão societária não é suficiente para configurar o grupo de fato, a presença de sócios em comum em entidades distintas não é suficiente para caracterizar grupo econômico, pois o que caracteriza é que uma das empresas controle a outra; fato que não restou evidenciado nos autos, a demonstração da existência de grupo econômico depende de prova contábil, como empréstimos de uma sociedade a outra, assunção de despesas por uma das empresas, investimos na coligada ou controlada (Acórdão nº 230200512 do Processo 10920002446200725. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. 05/07/2010.) Na decisão acima, restou assente que a simples comunhão societária ou a presença de sócios em comum em entidades distintas não são suficientes para configurar grupo econômico ou de fato. Na convicção dos Conselheiros, “a demonstração da existência de grupo econômico depende de prova contábil”, pois assim, pode-se observar se houveram operações como empréstimos de uma sociedade a outra, assunção de despesas por uma das empresas, investimentos na coligada ou controlada, características essenciais para configuração de um grupo econômico de fato. Diante disso, a Turma Julgadora deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando os créditos tributários oriundos da consideração das empresas como se estas fossem um grupo econômico. Percebe-se com meridiana clareza que no caso presente a fiscalização apenas detectou a existência de comunhão societária, ou seja, a presença de sócios em comum nas empresas distintas, sendo que a Recorrente pede sejam observados os percentuais de participação de cada um nas respectivas empresas, bem como as datas de ingresso e de saída das mesmas ao longo do tempo. Com a rigorosa observação dessas condições comprovadas pelos atos constitutivos das sociedades, constata-se a ausência de quaisquer pressupostos capazes de caracterizar a existência de “grupo econômico de fato”. Seria necessário que a fiscalização comprovasse “quanto satis” que uma das empresas, ou seja, a Recorrente, é controladora das outras. A comprovação requer prova contábil, o que não foi sequer aventado pela fiscalização, inexistindo a ocorrência de empréstimo de umas às outras, assim como a assunção de despesas das empresas mencionadas pela Recorrente. Inexiste também a prova da ocorrência de investimentos da Recorrente nas referidas empresas. Por todas estas razões e por outras a seguir aduzidas, não há como prosperar a acusação de formação de grupo econômico de fato por parte da Recorrente com o fito de redução da carga tributária. Cita uma decisão na qual a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, no julgamento do acórdão n. 1101-001117, de 3.6.2014, que envolve a imposição de responsabilidade solidária à pessoa jurídica integrante de grupo econômico, rechaçou a caracterização de interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, na hipótese em que os sujeitos passivos não praticam em conjunto o fato gerador da obrigação tributária. [...] 6.5. Da jurisprudência do Tribunal Regional Federal da Terceira Região Cita jurisprudência do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, argumentando: [...] 6.6 - É absolutamente imprópria e inaplicável à espécie, a imputação feita pela fiscalização à Recorrente no sentido de que a mesma tenha deliberadamente utilizado dos expedientes de constituição das demais empresas indicadas no relatório fiscal com a Fl. 643DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 finalidade exclusiva de beneficiar-se com tributação reduzida, caracterizando-se assim a existência de “grupo econômico de fato”. A teoria da desconsideração da pessoa jurídica, cuja aplicação encontra terreno no direito brasileiro, em princípio, tem lugar quando há um desvirtuamento da função econômico-social da pessoa jurídica, o que não ocorreu no caso objeto da presente Manifestação de Inconformidade. Admite-se a desconsideração nas hipóteses em que configurado o mau uso da sociedade pelos sócios, os quais, desviando-a de suas finalidades, fazem dela instrumento para fraudar a lei. [...] Finaliza o tópico, argumentando: Por fim, o compartilhamento de funcionários deve ser visto como uma característica, principalmente, quando a análise é feita em relação à apuração de créditos previdenciários devidos, tendo em vista o disposto no art. art. 124 do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91. Complementando as características acima, importante ressaltar que não são suficientes para a configuração de um grupo econômico, portanto irrelevantes: a) - Comunhão societária ou a presença de sócios em comum; b) - A similitude do objeto social; c) - A administração por membros de uma mesma família. 6.8 - Da inexistência de um grupo econômico de fato Consoante premissa fixada a partir da análise minuciosa da doutrina, legislação e jurisprudência, para a identificação da configuração (ou não) de um grupo econômico de fato, necessário se faz verificar se algumas características essenciais estão presentes na relação sob análise, o que no caso presente não se manifesta: a) Comando unificado: As empresas devem estar coordenadas entre si, sob um comando unificado, em uma relação de subordinação das demais. Ressalte-se que a fiscalização não comprovou a existência desse comando unificado, sendo certo que cada uma empresa tem a sua diretoria e o seu comando em separado, funcionando de forma autônoma e independente, sem relação de comando ou controle com qualquer outra empresa. O ônus da prova da existência desse comando unificado é da fiscalização, sendo que a mesma deveria demonstrar e comprovar nos autos, o que definitivamente não ocorreu. Conforme salientado acima, não são suficientes para a configuração de um grupo econômico de fato, sendo irrelevantes, (a) comunhão societária ou a presença de sócios em comum; (b) a similitude do objeto social, bem como, (c) a administração por membros da mesma família. [...] Impossível, também, se impor a configuração de um grupo econômico através da verificação da similitude do objeto social, pois, se assim procedêssemos, enquadraríamos todas as empresas com objeto social semelhante do país, o que, por certo, seria um absurdo. Objetivo econômico em comum – as empresas de um grupo econômico, necessariamente, buscam um interesse econômico específico, o que por certo, deve ficar demonstrado com toda clareza, o que definitivamente não é o caso dos autos pois a fiscalização apenas alega a existência de objetivos sociais semelhantes ou complementares. Na prática, não há lei que proíba que membros da mesma família possam utilizar-se da sinergia para explorar nichos de mercado identificados dentre as atividades de uma determinada empresa, como é o caso presente. Apuração contábil – é necessária que seja apurada, mediante prova contábil, operações que caracterizem a existência de grupo econômico através da verificação de Fl. 644DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 empréstimos entre as sociedades, assunção de despesas por uma delas, investimentos na coligada ou controlada, etc. Ressalte-se que a fiscalização não indicou a ocorrência de nenhuma ocorrência desta natureza na representação interna feita ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte. Compartilhamento de funcionários – Não houve a indicação precisa e inconteste do compartilhamento de funcionários entre as empresas, sendo certo que cada uma delas tem o seu quadro de funcionários suficientes para a prestação dos serviços que realizam. Conforme bem demonstrado até o presente momento, não há que se falar em caracterização de grupo econômico entre as empresas ainda que no passado algum de seus sócios tenha integrado o quadro societário de alguma delas. Evidencia-se ainda que é completamente desarrazoada qualquer tentativa de caracterização de “grupo econômico de fato”, posto que não existe qualquer relação jurídica entre as empresas, sendo certo que as mesmas funcionam de forma autônoma e independente. É dizer que no caso não há qualquer laço econômico ou patrimonial que dê respaldo à responsabilidade, seja de qualquer ordem, de uma empresa em relação a quaisquer das outras. 6.9. No relatório que deu sustentação à representação interna para a exclusão da Recorrente da sistemática do Simples Nacional a fiscalização se fundamentou no Art. 124, II, do CTN, dizendo ainda que com base nesta autorização da Lei Complementar a Lei Previdenciária (Lei 8212/91 determinou a solidariedade passiva dos grupos econômicos em seu art. 30, (com a redação dada pela Lei n. 8.620 de 05/01/1993. Sustentou ainda a fiscalização no art. 222 do Decreto 3048 (regulamento da previdência social) e na Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº 171 de 13/11/2009. 6.10 - Consoante os fundamentos já elencados e aqueles que a seguir a Recorrente acrescenta, não pode prevalecer a interpretação dada pela autoridade administrativa para o caso concreto, resultando na caracterização de grupo econômico quando efetivamente ele não existe. É evidente que a fiscalização pretendeu alargar as hipóteses de responsabilidade tributária previstas no CTN, adotando o conceito de “grupo econômico”, tal como delineado na legislação trabalhista (art. 2º, parágrafo 2º da CLT.) O CTN regulou a responsabilidade tributária especificamente nos arts. 121 a 125 e 128 a 135. O art. 121, ao tratar do sujeito passivo da obrigação tributária, apresenta duas definições, quais sejam: o contribuinte e o responsável, sendo contribuinte aquele que possua relação pessoal e direta com o fato gerador e responsável aquele que, embora não possua a mesma relação com o fato gerador, é sujeito passivo por expressa determinação legal. Ao definir o sujeito passivo da obrigação tributária o art. 121 do CTN autoriza que terceiros que não sejam contribuintes integrem a relação jurídica, mas desde que por expressa disposição legal. Diante disso, embora seja possível que outras pessoas, além daquelas que efetivamente pratiquem o fato gerador, sejam chamadas para integrar o polo passivo da obrigação tributária, na condição de responsável, isto somente é possível se houver disposição legal expressa nesse sentido. Assim, nos termos do art. 121 do CTN e também de outros dispositivos que serão mencionados nesta petição, não se presume a condição de responsável, nem ela pode ser extraída de construções interpretativas, devendo sempre decorrer de disposição legal expressa. Não há norma no referido Código que tenha atribuído, a priori, responsabilidade de pessoas integrantes de um grupo econômico. Não há sequer uma definição do que se deva entender por grupo econômico, como será visto adiante. Isto já seria suficiente para responder à questão apresentada. Contudo, cabem algumas considerações adicionais. Já o art. 124, inciso I, impõe a solidariedade nos casos de “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Não se trata de qualquer espécie de Fl. 645DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 interesse comum, mas sim aquele que esteja relacionado com a situação que constitui o fato gerador. [...] 7. DA CONTESTAÇÃO QUANTO À SITUAÇÃO FÁTICA ENCONTRADA NA LEGALIZAR DA CONSTATAÇÃO DAS SITUAÇÕES DE EXCLUSÕES DA EMPRESA DO SIMPLES. A Recorrente impugna os fundamentos trazidos pela fiscalização quanto às situações fáticas constatadas e principalmente quanto às situações que ao seu talante se classificam como justificadoras da exclusão ao Simples Nacional proposta por representação interna. 7.1. Inicialmente a fiscalização faz a análise da composição do quadro societário das empresas listadas e afirma que a administração das empresas passa pelas pessoas a seguir listadas, às vezes integrantes de uma mesma família. Impropriamente e em descompasso com a jurisprudência emanada pelo Conselho de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda - CARF e também pelo Poder Judiciário, a fiscalização termina a frase acima com a expressão “constituindo-se num grupo econômico de fato”. A Recorrente pede sejam considerados os fundamentos elencados no item 6 e seus subitens, uma vez que os conceitos e formas utilizados pela fiscalização para a tentativa de caracterização da existência de grupo econômico familiar, no caso presente não podem prevalecer. Em seguida a fiscalização lista as pessoas em relação às quais fará a análise, afirmando que as mesmas, de certa forma, em algum momento administraram as empresas objeto da análise. Enumerou as pessoas de Carlos Vitor Ferreira da Silva, Thiago Vitor de Faria Silva, Carlos Vitor de Faria Silva, Thais Suelen Ferreira da Silva, Lafayette Vilella de Moraes Neto e Valquíria Barbosa de Carvalho, como enquadrados nesta condição. 7.2. Em seguida demonstrou os históricos dos quadros societários da PREVISA CONTABILIDADE com a apresentação de planilha através da qual identificou a participação dos sócios Carlos Vitor de Faria Silva, Carlos Vitor Ferreira da Silva, Lafayette Vilella de Moraes Neto como administradores e Thiago Vitor de Faria Silva como sócio quotista. Tal planilha encontra-se no item 7.4 do relatório fiscal e também indica as datas de inclusão e de exclusão de cada um deles. Quanto a essa constatação é de se ressaltar que a fiscalização utilizou-se das informações constantes nos atos constitutivos e portanto a mesma coaduna com a realidade. 7.3. Também é verdadeira a informação de que o sócio - administrador CARLOS VITOR FERREIRA DA SILVA é pai dos sócios CARLOS VITOR DE FARIA SILVA E THIAGO VITOR DE FARIA SILVA. 7.4.1. O que se depreende da análise das situações fáticas constatadas é que o sócio – administrador da PREVISA CONTABIIDADE, Carlos Vitor Ferreira da Silva é fundador da empresa no ano de 1978 e com o passar do tempo os seus filhos foram assimilando as condições de mercado e passando a exercer atividades profissionais, cada um dentro de sua respectiva especialidade. Como forma natural de organização passaram a explorar atividades específicas e explorar os nichos de mercado que se lhe foram surgindo. Esse ingresso no mundo profissional acabou sendo retratado pela criação das empresas enumeradas pela fiscalização e que efetivamente foram criadas para prestar serviços , utilizando-se muitas das vezes da sinergia e das oportunidades surgidas em decorrência da proximidade com uma clientela que puderam alcançar, sendo de se ressaltar que tais empresas e em especial a Recorrente nunca estiveram sob a coordenação, comando e administração de Carlos Vitor Ferreira da Silva ou da Previsa Contabilidade, eis que sempre agiram com liberdade, autonomia e iniciativa própria, de forma a angariar serviços, produzir e gerar resultados. Fl. 646DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Embora sejam empresas em que os seus titulares são de alguma forma parentes, eis que pertencentes aos núcleos familiares de dois ramos, FERREIRA da SILVA e VILELLA DE MORAES, conforme a farta prova já acostada aos autos, não se organizaram através da participação nas respectivas empresas com a finalidade exclusiva de “redução de carga tributária” para manterem-se no regime de tributação “Simples Nacional”. Visaram e continuam visando a exploração dos nichos de mercado que as oportunidades afloram naturalmente com a consolidação ao final de participações societárias sólidas e que corroborem com a exploração produtiva das atividades de cada uma das empresas, não se confundindo com a busca de interesse comum. Assim, é certo que inexiste um comando central. 7.4.2. (item 7.4.2) A fiscalização demonstra o histórico de participação do sócio CARLOS VITOR DE FARIA SILVA nas várias empresas, inclusive em duas delas que não fazem parte daquelas que a fiscalização enumerou como componente do grupo econômico familiar, no caso a Previsa Processamento de dados Ltda. e a RNC Digital Ltda. A constatação final é que o referido sócio atualmente figura como sócio - administrador exclusivamente da Previsa Contabilidade, uma vez que foi excluído das sociedades Alfa Fiscal (em 02/12/2014), Contabit em 25/11/2016 e Legalizar (em 29/11/2016. Também neste particular a Recorrente confirma as informações, ressaltando que as mesmas encontram-se com clareza e objetividade nos atos constitutivos das respectivas sociedades e que também já compõem os autos. 7.4.3. (item com a mesma numeração no Relatório Fiscal). A fiscalização demonstra o histórico de participação do sócio THIAGO VITOR DE FARIA SILVA nas várias empresas, inclusive em uma delas que não faz parte daquelas que a fiscalização enumerou como componente do grupo econômico familiar, no caso a W3 em três delas que não fazem parte daquelas que a fiscalização enumerou como componentes do grupo econômico familiar, no caso a W3 Camisetas. A constatação final é que o referido sócio atualmente figura como sócio-administrador exclusivamente da Previsa Contabilidade, uma vez que foi excluído das sociedades Alfa Fiscal (em 02/12/2014), Contabit em 25/11/2016 e Legalizar (em 29/11/2016.). Também neste particular a Recorrente confirma as informações, ressaltando que as mesmas encontram-se com clareza e objetividade nos atos constitutivos das respectivas sociedades e que também já compõem os autos. (Contrato social - Previsa - DOC. ANEXADO Nº 05) 7.4.4. (item com a mesma numeração do Relatório Fiscal). A fiscalização demonstra o histórico de participação do sócio LAFAYETTE VILELLA DE MORAES NETO nas várias empresas, inclusive em três delas que não fazem parte daquelas que a fiscalização enumerou como componente do grupo econômico familiar e que também já foi afastado das mesmas em data anterior ao ano de 2003. A constatação final é que o referido sócio atualmente figura como sócio-administrador exclusivamente da Previsa Contabilidade e da Contavisa Serviços Contábeis, incluído nesta última em 14/02/2017. Também neste particular a Recorrente confirma as informações, ressaltando que as mesmas encontram-se com clareza e objetividade nos atos constitutivos das respectivas sociedades e que também já compõem os autos (Contrato social - Contavisa - DOC. ANEXADO Nº 06) 7.4.5. Neste item do relatório a fiscalização faz o histórico do quadro societário da Alfa Fiscal Ltda., e evidencia que a mesma foi criada pelos sócios Carlos Vitor de Faria Silva e Thiago Vitor de Faria Silva em 01/10/2008, sendo que os sócios permaneceram na referida empresa até 02/12/2014 quando transferiram suas quotas para as novas sócias Thais Suelen Ferreira da Silva, que por sua vez participa da empresa Legalizar Soluções Empresariais Ltda. desde 29/11/2016 e Valquíria Barbosa de Carvalho participa da empresa Contabit Tecnologia de Informação Ltda., como sócia administradora desde 01/02/2010 e ambas nunca foram sócios da Previsa Contabilidade Ltda. (Contrato social - Contabit - DOC. ANEXADO Nº07 ) Fl. 647DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 7.4.11 Neste item do relatório a fiscalização faz o histórico do quadro societário da Contavisa e constata que o sócio Carlos Vitor de Faria Silva participou da mesma no período de 19/10/2007 até 20/11/2014, o sócio Jeziel Crayson Silva de Souza também participou no período de 30/11/2016 até 14/02/2017 e desde 14/02/2017 a mesma é composta pelos sócios Carlos Vitor Ferreira da Silva e Lafayette Vilella de Moraes Neto. Também neste particular a Recorrente confirma as informações, ressaltando que as mesmas encontram-se com clareza e objetividade nos atos constitutivos das respectivas sociedades e que também já compõem os autos (Contrato social - Alfa - DOC. ANEXADO Nº 08) 7.4.13. Alega a fiscalização que o ex sócio Jeziel Crayson Silva de Souza foi segurado empregado das empresas Previsa Processamento de dados Ltda. extinta em 12/12/2006 e da Previsa Contabilidade de 01/06/2007 a 30/05/208 e 16/01/2010 a 12/06/2017. A Recorrente alega ser irrelevante o fato do mesmo constar como empregado das referidas empresas nos períodos respectivos, além de ter participado das sociedades até 14/02/2017. Registre-se que os atos constitutivos foram levados a efeito e registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, além do fato de que a Recorrente informou o fato a todos os órgãos competentes, inclusive a Receita Federal do Brasil, sendo que as transações foram absolutamente normais e possíveis juridicamente, não remanescendo absolutamente nenhuma mácula capaz de viciar as operações realizadas. Também neste particular a Recorrente confirma as informações, ressaltando que as mesmas encontram-se com clareza e objetividade nos atos constitutivos das respectivas sociedades e que também já compõem os autos (Contrato social - Previsa - DOC. ANEXADO Nº 05) 7.4.15. Alega a fiscalização que a empresa Legalizar Soluções Empresariais Ltda., teve como sócios desde a sua fundação os sócios Carlor Vitor de Faria Silva e Thiago Vitor de Faria Silva, que entretanto saíram da sociedade em 29/11/2016 e a empresa passou a ter como única sócia a Thais Suelen Ferreira da Silva, que é a sua administradora até a data atual. A Recorrente confirma as informações, ressaltando que as mesmas encontram-se com clareza e objetividade nos atos constitutivos das respectivas sociedade e que também já compõem os autos (Contrato social – Legalizar - DOC. ANEXADO Nº 09) 7.4.18. Inexplicavelmente a fiscalização termina o seu relato concluindo que da análise da composição do quadro societário das empresas listadas constata-se que, de fato, a administração das empresas passa pelos familiares das famílias Faria Silva e Moraes Neto, especificamente nas pessoas dos sócios CARLOS VITOR FERREIRA DA SILVA, CARLOS VITOR DE FARIA SILVA, THIAGO VITOR DE FARIA SILVA e LAFAYETTE VILELA DE MORAES NETO e em decorrência das respectivas participações e dos revezamentos na gestão das empresas, comprovando a administração de mais de uma empresa pelos mesmos sócios. De forma abrupta e sem mais explicações conclui que no caso se trata da tentativa de se dividir o faturamento total da empresa como um todo, em subfaturamento segmentado por unidades de um único empreendimento e, consequentemente driblar a Lei que estipula o limite pelo faturamento para enquadramento no Simples Nacional. A Recorrente refuta veementemente as alegações da fiscalização, pois não houve tentativa alguma de driblar a Lei que estipula o limite pelo faturamento para o enquadramento no Simples Nacional. 7.5. Da matéria fática e de sua adequação à jurisprudência e posicionamento do CARF Ressalte-se ainda que consoante a documentação que já faz parte dos autos, restou constatado que as empresas Legalizar Soluções Empresariais Ltda., Contabit Tecnologia de Informação Ltda., Contavisa Serviços Contábeis e Alfa Fiscal Ltda., efetivamente desenvolvem atividades em suas respectivas áreas de atuação, têm sedes físicas com estrutura, funcionários, etc., e produzem receitas próprias. A fiscalização não comprovou a existência de simulação ou dissimulação e consequentemente não há como Fl. 648DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 prevalecer a tese de anulação dos efeitos correspondentes ao desenvolvimento normal das atividades de tais empresas apenas e tão somente em vista da alegação fiscal de que as mesmas são constituídas por pessoas integrantes dos núcleos familiares de Carlos Vitor Ferreira da Silva e Lafayette Vilela de Moraes Neto, que, de resto são os sócios mais antigos da ora Recorrente. Ademais, é de se ressaltar a existência do propósito negocial, uma vez que a criação de tais empresas não pode ser considerada exclusivamente para levar vantagem em termos tributários, até mesmo porque todas estão enquadradas no Simples Nacional. Sendo certo que tais empresas desenvolvem suas atividades regularmente, são estabelecidas em locais diversos da ora Recorrente, e assim é inadmissível a sustentação fiscal de que a divisão das sociedades é apenas aparente e como resultado propor a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, bem como a indicação das demais sociedades como coobrigadas, emitindo como consequência o Auto de Infração para tributar como se fosse apenas uma sociedade. Definitivamente não é o caso de simulação absoluta e consequentemente não é o caso de desclassificação das operações realizadas e nem tampouco de exigência de multa qualificada no percentual de 150%. [...] 7.5.1 - Matéria fática. Consoante a jurisprudência emanada do CARF, caberia à fiscalização aprofundar o trabalho no sentido de analisar o conteúdo das operações realizadas pelas empresas e comprovar que as mesmas efetivamente não desenvolveram atividades, não tinham sede, móveis , maquinário, funcionários, enfim, trazer aos autos não apenas algum fato isolado, mas acima de tudo um conjunto probatório capaz de descaracterizar as reais e efetivas operações realizadas pelas empresas concernentes à prestação dos serviços de suas respectivas especialidades. Nada disto ocorreu, prevalecendo portanto a presunção da mais absoluta regularidade das operações realizadas pelas empresas. É dizer que: a) - A fiscalização não alegou e nem tampouco comprovou a existência de confusão patrimonial entre as empresas citadas e entre elas e a ora Recorrente; b) - A fiscalização não comprovou a existência de simulação de operações por parte das empresas citadas e nem tampouco da Recorrente; c) - A fiscalização não comprovou que a LEGALIZAR (ora recorrente) ou quaisquer das empresas (CONTABIT, CONTAVISA e ALFA FISCAL), tenham aportado recursos para fazer face à despesas e custos da PREVISA CONTABILIDADE Por outro lado, a documentação já constante dos autos, juntada pela fiscalização comprova: a) - A inexistência de simulação na constituição das empresas Legalizar Soluções Empresariais Ltda. - ME , Contabit Tecnologia de Informação Ltda., Contavisa Serviços Contábeis e Alfa Fiscal Ltda. Ressalte-se que os atos constitutivos já constantes dos autos comprovam a absoluta legalidade e regularidade dos respectivos registros das empresas nos órgãos competentes, seja a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, a Prefeitura de Belo Horizonte e a própria Receita Federal do Brasil. b) - As receitas produzidas pela Recorrente e nos casos em que a legislação determina sejam elas somadas para fins de observação do limite para tributação pela sistemática do “Simples Nacional”, não houve excesso em relação aos limites anuais. c) - Ainda que seja legítimo, porque a legislação não proíbe que duas ou mais empresas de prestação de serviços se estabeleçam no mesmo endereço, a Recorrente comprova que cada uma das empresas acima mencionadas tem sua sede em endereços distintos, com estrutura de mobiliário, equipamentos de informática, móveis, etc. Fl. 649DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Para comprovar o alegado em sua defesa, apresenta fotos dos locais onde as empresas participantes do grupo se localizam, sob o argumento de que elas têm endereços próprios. [...] Em relação à Previsa Contabilidade Ltda., afirma que conforme o contrato social, todos os sócios da empresa são habilitados ao exercício da profissão contábil com registro no Conselho Regional de Contabilidade do Estado de Minas Gerais, sendo que a atividade exercida é privativa desses profissionais e consoante a legislação que rege a profissão tal empresa não pode compartilhar atividades e/ou admitir sócios não habilitados perante o CRC. Em relação à Legalizar - Soluções Empresariais Ltda., com base no objeto social descrito no contrato, ela ressalta que os serviços prestados pela Legalizar Soluções Empresariais Ltda. não são privativos da profissão de contador e jamais eles poderiam ser desenvolvidos pela Previsa Contabilidade Ltda., destacando-se ainda que as sócias Valquíria Barbosa de Carvalho e Thais Suelen Ferreira da Silva, não são profissionais de contabilidade, havendo impedimento legal para que as mesmas viessem a participar da Previsa. Em relação às empresas Contabit Tecnologia de Informação Ltda. e Alfa Fiscal Ltda. é utilizado o mesmo argumento de que as sócias Valquíria Barbosa de Carvalho e Thais Suelen Ferreira da Silva, não são profissionais de contabilidade, havendo impedimento legal para que as mesmas viessem a participar da Previsa. Quanto à Contavisa Serviços Contábeis Ltda. nada argumenta, apresentando apenas a cláusula do contrato social que define o objeto social da mesma, qual seja a prestação de serviços contábeis em todas as suas modalidades. Em defesa do alegado no que se refere ao relacionamento das empresas citadas com a Previsa, cita o determinado no artigo 2º, § 4º e no artigo 3º, §§ 1º e 2º, I, da Resolução CFC nº 1390 de 30/03/2012 (D.O.U. de 24/04/2012) editada pelo Conselho Federal de Contabilidade. E segue discorrendo sobre os serviços prestados por cada uma delas, afirmando que os serviços por elas prestados mantêm características próprias e não são comparáveis uns com os outros. i) - Por outro lado, a fiscalização analisou o livro caixa da ora Recorrente e não detectou nenhuma irregularidade, estando o mesmo apto a comprovar a efetividade das operações realizadas, sendo de se ressaltar que a fiscalização não apontou sequer um pagamento de obrigações de quaisquer das empresas citadas feito pela ora Recorrente, restando pois comprovado de forma inequívoca a inexistência de confusão patrimonial e a legitimidade, contemporaneidade e efetividade das movimentações lançadas no respectivo livro caixa da Recorrente, nos livros caixas das empresas (que agora a fiscalização propõe a descaracterização através de suas respectivas desconsiderações das pessoas jurídicas. j) - Nesta situação fática, o fisco entendeu ocorrente a simulação (sem nenhuma prova) e desqualificou as empresas acima mencionadas , que por sua vez seriam o “negócio simulado, celerado com o único objetivo de dividir as receitas escrituradas e com isto não extrapolar os limites de faturamento previsto na legislação de regência, elegendo como base de cálculo das exigências o somatório do montante da folha de pagamento dos empregados e outros segurados. [...] Fl. 650DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Para prevalecer a tese jurídica sustentada pela fiscalização seria necessário que a mesma tivesse comprovado que as empresas mencionadas não mantinham registros e inscrições fiscais próprias, que tivessem funcionamento apenas virtual, que não celebravam negócios, que não emitiam documentação fiscal e que não mantinham escrituração fiscal relativa aos seus negócios, e nada disto ocorreu. A falta de aprofundamento da ação fiscal é suficiente para determinar que os fatos apontados como indícios de simulação, não possam ser tidos como desdobramento da atividade sem propósito negocial e com características que “em tese” poderiam permitir a desconsideração das operações ou negócios jurídicos fundamentados no art. 116 - parágrafo único do Código Tributário Nacional. [...] É certo que o argumento de que a Recorrente promoveu a segregação de suas atividades com o único escopo obter economia tributária (falta de propósito negocial) não é suficiente, por si só, para a desconsideração dos atos e negócios jurídicos realizadas com amparo legal pelas empresas. 8. Grupo Econômico - Receita Bruta Excessiva ao Regime. Na sequencia a fiscalização conclui que pela exposição detalhada ficam demonstrados os revezamentos na gestão das empresas que compõem o GRUPO ECONÔMICO, comprovando a administração de mais de uma empresa pelos mesmos sócios. Como consequência, e sem nenhuma outra prova, a fiscalização sustenta a existência de configuração da tentativa de se dividir o faturamento total da empresa como um todo, em subfaturamento segmentado por unidades de um único empreendimento e consequentemente driblar a lei que estipula o limite pelo faturamento para enquadramento no Simples Nacional. Como resultado desta conclusão a fiscalização elaborou planilha demonstrativa da Receita Bruta Anual dos anos de 2013 a 2017, nela incluindo as empresas Previsa Contabilidade, Legalizar Soluções Empresariais Ltda., Contabit Tecnologia de Informação Ltda., Contavisa Serviços Contábeis e Alfa Fiscal Ltda. A consequência foi que o somatório das receitas brutas de todas resultou em valores que excederam ao limite do Simples em todos os anos. A Recorrente discorda totalmente do posicionamento sustentado pela fiscalização, uma vez que não houve tentativa de divisão do faturamento para se beneficiar de tributação mais benéfica por parte da PREVISA CONTABILIDADE, sendo certo que a criação das empresas seguiu aos parâmetros de absoluta normalidade, como foi o caso da ora RECORRENTE, eis que restou materializado o propósito negocial ou a motivação empresarial para tanto. A fiscalização não comprovou a existência de dependência entre as empresas, sendo absolutamente imprópria a afirmação de que as mesmas atuam como empreendimento único. [...] Ressalte-se que a fiscalização não comprovou que as empresas expressamente listadas encontram-se ou encontraram-se sob a direção da PREVISA CONTABILIDADE, o controle ou a administração de uma delas (QUAISQUER). O que ficou evidenciado foi exatamente o contrário, onde cada uma das empresas era e é administrada por seus sócios-administradores com plena autonomia e sem vinculação umas com as outras. 9 - INCOMPATIBILIDADE ENTRE MASSA SALARIAL x RECEITA BRUTA A Recorrente contesta os argumentos trazidos pela fiscalização na representação interna para justificar a sua exclusão do Simples Nacional, quando a mesma sustenta a incompatibilidade entre a massa salarial e a receita bruta. A afirmativa de que a operação acoberta a contratação e remuneração dos funcionários de outras empresas do grupo econômico tem por base exclusivamente o emprego da presunção. Não se pode perder de vistas que a fiscalização teve acesso ao caixa da Fl. 651DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Recorrente e das demais empresas, sendo que não apontou absolutamente nenhuma irregularidade em sua escrituração e como tal ele faz prova a favor do contribuinte dos fatos nele registrados. Saliente-se a inexistência de saldo credor de caixa durante todos os períodos objeto da análise, o que significa dizer que o montante dos recebimentos foi suficiente para a cobertura de todos os pagamentos realizados nos respectivos períodos, afastando assim a presunção de insuficiência de recebimentos para fazer face aos pagamentos da folha de pagamentos e de outras despesas lançadas em anexo próprio pela fiscalização. A fiscalização alega ainda que as demais empresas possuem um reduzido número de empregados em suas atividades. É evidente que basta analisar o montante do faturamento de cada uma delas para se constatar que também este é muito reduzido em relação ao faturamento da Previsa Contabilidade, sendo evidente que o número de empregados dessas empresas é absolutamente compatível com volume dos serviços que elas prestam, estes espelhados no montante dos respectivos faturamentos. Tentando sustentar a absurda tese de que os funcionários dessas empresas fora contratados pela Previsa Contabilidade, que por sua vez, financia e/ou sustenta o custo das respectivas folhas de pagamento, a fiscalização listou os funcionários em planilhas nos itens 9.5 do relatório, constatando um empregado para a Contabit, (Contabit), seis empregados para a Legalizar e doze funcionários para a Alfa Fiscal. Basta que se faça a comparação do volume de faturamento de cada uma delas com o número de empregados para se constatar que os mesmos são compatíveis com as atividades desenvolvidas, que pela sua natureza são completamente diferentes dos serviços prestados pela Previsa Contabilidade. Disse ainda que a quase totalidade dos empregados são contratados e remunerados pela PREVISA CONTABILIDADE de acordo com o “Anexo7” nas diversas funções inerentes às atividades das empresas. A Recorrente refuta esta afirmativa da fiscalização, eis que desprovida de quaisquer provas de que funcionários da PREVISA CONTABILIDADE desenvolvam serviços para as demais empresas e em especial para a CONTABIT, ora RECORRENTE. Conforme já dito anteriormente, basta que se faça a comparação entre o faturamento e atividade de prestação de serviços contábeis da PREVISA com os seus funcionários e o faturamento e atividades da CONTABIT (ora recorrente) e das demais empresas com os funcionários de cada uma delas para perceber a absoluta coerência. Pela natureza dos serviços prestados pela CONTABIT percebe-se com meridiana clareza que os mesmos são compatíveis com a mão de obra contratada. No item 9.7 a fiscalização descreve as atividades de cada uma das empresas para ao final dizer que as mesmas são interligadas e em sintonia com o ramo da PREVISA CONTABILIDADE definido em seu contrato social. Aqui também a fiscalização comete outro absurdo pois consoante ela mesmo descreve e consta nos contratos sociais das respectivas empresas, as atividades não são interligadas, tanto é que há impedimento legal para que os sócios da CONTABIT, LEGALIZAR e ALFA FISCAL participem do quadro societário da PREVISA CONTABILIDADE, que por sua vez desenvolve atividade privativa de profissionais contábeis com o devido registro nos Conselhos Regionais de Contabilidade. Outro absurdo é cometido pela fiscalização na descrição do item 9.8 quando afirma que a totalidade dos empregados da Legalizar igualmente é contratada pela PREVISA nas mesmas funções. A Recorrente afirma categoricamente que não existem empregados ocupando dupla função, ou seja, com contratação dupla na PREVISA CONTABILIDADE e na LEGALIZAR. Cada empresa tem os seus próprios empregados, trabalhando em endereços distintos e desenvolvendo tarefas também distintas. A PREVISA CONTABILIDADE funciona na Rua Conselheiro Lafayete, 2015 e a LEGALIZAR na Rua Conselheiro Lafayete 2003, Loja 04, sendo que tais endereços são distintos e não são contíguos, estando em prédios diferentes da mesma rua. Também não funcionam com uma única recepção. Basta ver as fotos ora impressas na presente petição se constatar que os mesmos são separados Fl. 652DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Também os empregados da Legalizar não são contratados simultaneamente pela Recorrente (PREVISA CONTABILIDADE), sendo que a afirmativa da fiscalização é desprovida de quaisquer provas. Não existe duplo registro. A fiscalização diz que trata-se de ato simulado em que as empresas exercem as mesmas atividades ou atividades complementares, não havendo como distinguir os funcionários, setores, maquinários e matéria-prima de cada uma; os funcionários respondem a uma única administração e como tal, ao seu talante, diz que isto demonstra a formação do grupo econômico com a finalidade de redução de forma ilegal dos encargos sociais e previdenciários. A demonstração da realidade feita no item 7.5.1 da presente desmantela a pretensão fiscal de imputação à Recorrente e às demais empresas da pecha de terem praticado ato simulado. A demonstração da existência física das empresas e da exploração das respectivas atividades, bem como a evidenciação de que em sua maioria absoluta as atividades não são privativas de contabilidade, ou seja, de pessoas que detenham o título de contador ou técnico em contabilidade devidamente registrados no Conselho Regional de Contabilidade e ainda que os respectivos sócios que não são profissionais contábeis não poderiam ser incluídos nas atividades da PREVISA , demonstram exatamente o contrário, ou seja, a existência do propósito negocial, a impossibilidade legal dos sócios leigos participarem do quadro societário da Previsa. A Recorrente também refuta as informações da fiscalização contidas na planilha do Anexo 12 - Empregados com Duplo Vínculo nas Empresas do Grupo, quando a mesma identifica os trabalhadores na condição mencionada, com os respectivos detalhes inerentes extraídos das GFIP, eis que consoante as próprias GFIPS e demais documentos já constantes dos Autos o que fica evidenciado é que todos os empregados constantes do Anexo 12, anteriormente mantiveram vínculo com a PREVISA e posteriormente romperam o respectivo vínculo e foram registrados na LEGALIZAR. Em nenhum momento houve dupla filiação. É dizer que tais funcionários somente foram admitidos na LEGALIZAR depois que foram demitidos da PREVISA CONTABILIDADE. Para comprovar a afirmativa de que os empregados listados nunca tiveram dupla filiação (duplo registro) na Previsa Contabilidade e na Legalizar ou Alfa Fiscal, a Recorrente junta as fichas de registro, fichas financeiras e/ou CAGED, por amostragem, evidenciando que os mesmos foram transferidos da Previsa para as mencionadas empresas, ou demitidos da Previsa e admitidos nas mesmas. (DOCS. ANEXADOS Nº 48 a 56 ). A fiscalização se contradiz que afirma que todas as empresas funcionam em endereços contíguos, no mesmo prédio e com uma única recepção. Ocorre que a documentação já juntada aos autos (DOCS. ANEXOS Nº 48 A 56) comprova de forma inequívoca as alegações da ora RECORRENTE, e que agora junta ainda os documentos comprobatórios de que em janeiro de 2017 ocorreu a demissão do referido funcionário (01/01/2017) pela PREVISA e a sua admissão em 02/01/2017 pela LEGALIZAR, justificando assim a existência do mesmo nas duas GFIPS. (DOCS. ORA JUNTADO AOS AUTOS - nº 57) O próprio Auditor Fiscal lista as empresas e coloca os seus respectivos endereços, sendo claro que a Previsa Contabilidade está na Rua Conselheiro Lafayete, 2015 (Um prédio), ocupando o andar térreo e o primeiro andar, e as demais empresas estão no prédio da Rua Conselheiro Lafayete, 2003, nas Lojas 03 e 04 e Salas 03 e 04. A recepção da Previsa fica no prédio da Rua Conselheiro Lafayete, 2015, enquanto que as demais empresas estão na galeria comercial do prédio específico na mesma rua. Fato importantíssimo a ser ressaltado é que no que diz respeito à pretensa incompatibilidade entre a massa salarial e a receita bruta da PREVISA CONTABILIDADE, é que a fiscalização embora estivesse de posse da escrituração da referida empresa e também da escrituração da RECORRENTE NÃO APONTOU E NEM TAMPOUCO COMPROVOU que quaisquer das empresas listadas (Contabit, Contavisa, Alfa Fiscal e Legalizar) tenham aportado recursos ao Caixa da PREVISA Fl. 653DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 para fazer face a quaisquer de seus compromissos. O ônus da prova, neste caso é do FISCO. 10- DA EXCLUSÃO DO SIMPLES E INÍCIO DA PRODUÇÃO DE EFEITOS No item 10 do Relatório a fiscalização sintetiza as propostas constantes nos itens anteriores, dizendo o seguinte: 10.1 - Com base no que foi afirmado no item 8 - GRUPO ECONÔMICO – Receita Bruta excessiva ao Regime, afirma que o valor total anual do faturamento do Grupo Econômico já no ano-calendário de 2013 ultrapassou o limite de R$3.600.000,00 previsto no inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, dizendo ainda que tal situação persistiu nos anos de 2014, 2015, 2016 e 2017. No curso da presente petição a Recorrente já demonstrou que o seu faturamento não ultrapassou o limite em nenhum dos exercícios, sendo evidente que a constatação de excesso somente se dá em razão da metodologia sustentada pela fiscalização, quando a mesma caracteriza todas as empresas como integrantes de um grupo econômico familiar e como consequência considera o somatório dos faturamentos de todas para a averiguação do limite previsto no inciso II do art. 3º da Lei Complementar 123/2006. [...] Desta forma não há como prosperar a pretensão fiscal de exclusão da Recorrente do regime de tributação Simples Nacional tendo como fundamento a existência de grupo econômico familiar de fato e como consequência o somatório do faturamento de todas as empresas que pretensamente participariam de tal grupo para fins de enquadramento nos limites do inciso II do art. 3º da Lei Complementar 123/2006. É de se esperar, portanto, o julgamento pela improcedência da representação interna e consequentemente pela revogação do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE/Nº1, mantendo-se a Recorrente no regime de tributação do Simples Nacional enquanto a mesma continuar preenchendo as condições previstas na legislação específica, e em especial com a receita bruta dentro dos limites previstos na legislação de regência, obedecidos os demais preceitos da Lei Complementar nº 123/2006. [...] Quanto à questão da massa salarial incompatível tratada nos itens 10.3 e 10.4, a Recorrente esclarece que já contestou a pretensão fiscal nos itens anteriores quando argumentou efetivamente que a fiscalização deu pela absoluta regularidade da escrituração feita no livro caixa e a constatação de que os ingressos foram suficientes para a cobertura dos investimentos, despesas e custos, tanto é que não houve saldo credor de caixa. Por outro lado, a alegação de incompatibilidade de massa salarial diz respeito exclusivamente à empresa PREVISA Contabilidade, não se aplicando ao caso da ora Recorrente. Basta verificar que na representação interna para exclusão do SIMPLES NACIONAL a fiscalização não faz menção à empresa ora RECORRENTE. Assim, é certo que segundo a própria documentação devidamente analisada pela fiscalização, as disponibilidades de caixa foram suficientes para a cobertura dos pagamentos realizados e que ainda não houve absolutamente nenhum registro de empréstimo feito junto a quaisquer das empresas enumeradas no presente processo. Com isto não prospera a afirmativa que tomou por base apenas a amostragem de determinada situação mas não conclui de forma consoante com a devida escrituração. Finalmente a RECORRENTE refuta as alegações da fiscalização, eis que a mesma elencou na mesma representação interna para exclusão do Simples Nacional, os fatos e fundamentos que utilizou no ADE - DEF/BHE/Nº 082, de 10/10/2018 através do qual promoveu a exclusão da empresa PREVISA CONTABILIDADE do Simples Nacional. É de se ver que os fundamentos ligados à tal empresa e também aqueles ligados às empresas LEGALIZAR SOLUÇÕES EMPRESARIAIS, ALFA FISCAL e CONTAVISA constantes dos ADEs datados de 07/01/2019 cuja intimação foi em 04/02/2019, em sua grande parte nada tem de relacionamento com as atividades desenvolvidas pela ora RECORRENTE, sendo certo que as situações fáticas são completamente diferentes, principalmente Fl. 654DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 considerando-se que as atividades desenvolvidas pela RECORRENTE são incompatíveis com aquelas desenvolvidas pelas demais, principalmente em relação à PREVISA pois existe impedimento legal para que os sócios da CONTABIT participem da PREVISA. Como prevalecer então a decisão de exclusão do Simples Nacional ao fundamento da existência de grupo econômico de fato? Se as atividades desenvolvidas pela ora RECORRENTE são incompatíveis com as atividades da PREVISA, se os sócios da RECORRENTE não participam da PREVISA e nem tampouco das demais empresas mencionadas pela fiscalização, se a mesma é estabelecida em endereço distinto, resta evidente que o seu faturamento não pode ser somado ao faturamento das demais para se concluir que tenha ocorrido excesso em relação ao limite do Simples Nacional. Resultado óbvio é que o seu faturamento conteve-se dentro dos parâmetros do Simples Nacional, não podendo prevalecer a sua exclusão do referido sistema. 11. DO PEDIDO Em vista das provas dos autos e não consideradas pela acórdão recorrido, além daquelas juntadas ao presente recurso, e ainda dos fundamentos jurídicos constantes do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, a Recorrente pugna pelo conhecimento do presente e pelo seu provimento para reformar o acórdão recorrido e determinar a improcedência e inadequação do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE/Nº 2, DE 07/01/2019, restabelecendo a condição de optante pelo Simples Nacional da Recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Benatti Marcon, Relator. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Do Teor do Recurso Voluntário A Recorrente basicamente repete os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade em sua defesa. Da Decadência Alegada pela Recorrente Como frisado anteriormente, a Recorrente insiste na arguição de decadência do Ato Declaratório, uma vez que o mesmo é datado de 2019, e a decisão a exclui do Simples Nacional a partir de 01.01.2014, ou seja, há mais de cinco anos. É importante salientar que a decadência é tratada no Código Tributário Nacional nos artigos 150, § 4º e 173, os quais referem-se à extinção do direito de lançar o crédito tributário. No entanto, não há impedimento para que a Administração verifique a regularidade do contribuinte enquadrado no Simples Nacional, e o exclua caso detecte fato impeditivo de sua permanência, fazendo retroagir os efeitos da exclusão, conforme previsto na legislação regente. O caso presente cuida de exclusão do Simples Nacional por formação de grupo econômico de fato, incidindo na restrição prevista no inciso I, do artigo nº 29 e no inciso IV, do Fl. 655DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 artigo nº 30, ambos da Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006, e não de exigência de crédito tributário, não concernindo, portanto, cogitar de decadência. Isto posto, rejeita-se a preliminar de decadência. Da Alegação da Multa Qualificada de 150% A Recorrente ao discorrer em sua defesa sobre a ausência de propósito negocial, e-fls. 574-575, argumenta, como já argumentado tinha na Manifestação de Inconformidade, o seguinte: Definitivamente não é o caso de simulação absoluta e consequentemente não é o caso de desclassificação das operações realizadas e nem tampouco de exigência de multa qualificada no percentual de 150%. Trata-se de matéria estranha aos autos, uma vez que o presente processo não se refere a lançamento de crédito tributário, razão pela qual essa alegação não será objeto de apreciação. Exclusão do Simples Nacional - Interposição de Pessoas O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória é aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte. Elevado à condição de princípio constitucional da atividade econômica orienta os entes federados visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações tributárias (art. 170 e art. 179 da Constituição Federal). A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional, que é gerido pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A pessoa jurídica que preenche as condições legais realiza a opção irretratável para todo o ano-calendário por meio eletrônico no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia. Na hipótese do início de atividade a opção é exercida nos termos legais. A optante deve efetivar o pagamento do valor devido determinado mediante aplicação das alíquotas efetivas sobre a base de cálculo, ou seja, receita bruta auferida no mês, bem como apresentar a RFB anualmente declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais com natureza de confissão de dívida. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a auto executoriedade. Para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente (art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965 e Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). A exclusão é feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória no caso de incorrer em qualquer das situações de vedação ou em condutas incompatíveis o procedimento é efetivado de ofício mediante emissão de ato próprio pela autoridade competente. A pessoa jurídica excluída do Fl. 656DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Simples Nacional sujeita-se, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 29 e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, prevê: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: [...] IV - a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; Conforme o Vocabulário Jurídico Tesauro do Supremo Tribunal Federal (STF) tem-se que: Interposta Pessoa [...] 1. Pessoa que age em nome de outra, utilizando nome próprio. Também conhecida como testa-de-ferro ou presta-nome. A Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil, determina: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. A Lei nº 4.502, de 30 de dezembro de 1964, prescreve: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Infere-se que o instituto da interposição de pessoas trata-se de simulação de natureza subjetiva relativa. Sobre a caracterização de grupo econômico irregular, o Parecer Normativo Cosit/RFB, nº 04, de 10 de dezembro de 2018, esclarece: Grupo econômico irregular 22. Desta feita, não é a caracterização em si do grupo econômico que enseja a responsabilização solidária, mas sim o abuso da personalidade jurídica de pessoa jurídica, a qual existe apenas formalmente, uma vez que inexiste autonomia patrimonial e operacional. Nesta hipótese, a divisão de uma empresa em diversas pessoas jurídicas é fictícia. A direção e/ou operacionalização de todas as pessoas jurídicas é única. O que se Fl. 657DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 verifica nesta hipótese é a existência de um grupo econômico irregular, terminologia a ser utilizada no presente Parecer Normativo. [...] Está registrado na Representação Fiscal para Exclusão Simples, e-fls. 207-225, cujos fundamentos de fato e direito amparados no conjunto probatório de e-fls. 38-203, são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): 1 - INTRODUÇÃO 1.1- Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência nº 06.101.00.2018.00842-9, e, preliminarmente ao início da ação fiscal na empresa Legalizar Soluções Empresariais Ltda. - ME – CNPJ: 97.551.617/0001-37, esta auditoria procedeu à análise de informações (extraídas dos sistemas da Receita Federal do Brasil) da empresa auditada e respectivos sócios, bem como, de outras empresas e seus sócios. 1.2- Por meio de cruzamento e confronto das informações, foram encontrados indicativos de constituição de GRUPO ECONÔMICO formado entre a Legalizar Soluções Empresariais Ltda. - ME e as empresas: 1.3- Da análise dos documentos, bem como das informações constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, esta auditoria fiscal formou convicção segura da existência do GRUPO ECONÔMICO de fato constituído pelas empresas mencionadas no item 1.2 e, sucessivamente que, para enquadramento no Regime Especial Unificado de Arrecadação dos Tributos e Contribuições o somatório do faturamento dessas empresas, tomadas em seu conjunto, ultrapassou os limites anuais estabelecidos de R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais) desde o ano calendário de 2013, conforme será demonstrado nesta representação. 1.4- Desta forma, com fundamento no que preconiza a Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, relata-se e representa-se: 2- DA QUALIFICAÇÃO DA EMPRESA: Empresa: Legalizar Soluções Empresariais Ltda. – ME CNPJ: 97.551.617/0001-37 Endereço: Rua Conselheiro Lafaiete, 2.003- Loja 4 – Sagrada Família Belo Horizonte – CEP: 31.035-560 Início de atividades em 13/07/2011 e optante pelo SIMPLES Nacional desde 13/07/2011, conforme arquivo SIMPLES NACIONAL. Objetivo Social: Conforme definido no Contrato Social e respectivas alterações a sociedade tem por objeto social a prestação de serviços de constituição, alteração, baixa, legalização de empresas e controle de documentos e certidões em geral. 3- DA IDENTIFICAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DOS SÓCIOS DA LEGALIZAR SOLUÇÕES EMPRESARIAIS LTDA. – ME Nome: Carlos Vitor de Faria Silva CPF: 012.172.106-01 Endereço: Rua Vicentina de Souza, 499 – Apto. 501 – Sagrada Família CEP: 31.030-240 – Belo Horizonte – MG Fl. 658DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Vínculo com a empresa de18/06/2012 a 29/11/2016 Nome: Thais Suelen Ferreira da Silva CPF: 058.209.126-83 Endereço: Rua Centralina, 179 – Santa Inês CEP: 31.080-140 – Belo Horizonte Vínculo com a empresa desde 29/11/2016 Nome: Thiago Vitor de Faria Silva CPF: 052.560.676-99 Endereço: Rua Centralina, 179 – Santa Inês CEP: 31.080-140 – Belo Horizonte Vínculo com a empresa de18/06/2012 a 29/11/2016 Nome: Valquiria Barbosa de Carvalho CPF: 463.975.746-87 Endereço: Rua Santa Marta, 638 – Sagrada Família CEP: 31.030-090 – Belo Horizonte Vínculo com a empresa desde 19/05/2017 4– DA OPÇÃO DA EMPRESA PELO REGIME ESPECIAL UNIFICADO DE ARRECADAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDOS PELAS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES NACIONAL 4.1- Conforme informações extraídas dos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, a empresa Legalizar Soluções Empresariais Ltda. - ME, encontra-se em situação de optante pelo Simples Nacional desde 13/07/2011. 5- CONDIÇÕES GERAIS PARA ENQUADRAMENTO COMO EMPRESA DE PEQUENO PORTE – EPP). 5.1- A Lei Complementar nº 123/2006 no art. 3º, inciso II, § 4º, incisos, III, IV e V, estabelece: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006. (Redação vigente no período até 2017). CAPÍTULO II DA DEFINIÇÃO DE MICROEMPRESA E DE EMPRESA DE PEQUENO PORTE Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) III - de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; Fl. 659DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 IV - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; V - cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; (...) 6- DA DEFINIÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO – FUNDAMENTOS LEGAIS 6.1- Define-se grupo econômico como um conjunto de sociedades empresariais ou de empresários que, sob o controle gerencial e administrativo de um indivíduo ou grupo familiar, atuam em sincronia para lograr maior eficiência em suas atividades. 6.2- Conforme será demonstrado no teor desta Representação Fiscal evidenciou-se a existência de um GRUPO ECONÔMICO de aspecto familiar, em que os objetivos das empresas componentes são interligados e em sintonia com o ramo da Legalizar Soluções Empresariais Ltda. - ME. Estão voltados para as atividades econômicas classificadas como: Atividades de Contabilidade (CNAE 6920-6-01), Preparação de Documentos e Serviços Especializados de Apoio Administrativo (CNAE 8219-9-99) e Reparação e Manutenção de Computadores e de Equipamentos Periféricos (CNAE 9511-8-00). 6.3- Há de se dar destaque especial à figura do Grupo Econômico de Fato. Nota-se que a jurisprudência administrativa vem se firmando no sentido de não admitir que empresas ligadas por vínculos familiares, e interdependentes entre si em suas atividades, possam ser consideradas de forma individual e autônoma para fins de enquadramento no regime tributário favorecido. Tal jurisprudência, para se firmar, lança mão de outras figuras de direito além daquelas expressamente previstas no Estatuto da Empresa de Pequeno Porte. Neste mister o instrumento jurídico a disposição das autoridades fiscalizadoras é a figura da fraude à Lei. 6.4- A constituição de uma pessoa jurídica, com o único objetivo de alcançar benefício ou economia tributária, será considerada ato sem propósito negocial e, como tal, um ato jurídico viciado. Consuma-se também a fraude à Lei quando certa norma jurídica considerada cogente deixa de ser cumprida porque os particulares adotam passos e formas instrumentais diversas das típicas, para driblar a Lei. Na fraude à Lei todos os atos são válidos de per si, mas o conjunto considerado é inválido. 6.5- Na esteira destas figuras é que a Receita Federal do Brasil vem quebrando os chamados planejamentos tributários, principalmente quando a interpretação dos fatos concretos revela que a família e/ou outros interessados montaram estrategicamente suas atividades econômicas fracionadas em mais de uma empresa para se beneficiar em parte do tratamento tributário favorecido. O caso mais frequente é a tentativa de se dividir o faturamento total da empresa como um todo, em subfaturamento segmentado por setores de um único empreendimento, driblar a Lei cogente que estipula o limite pelo faturamento para enquadramento no Regime Especial Unificado de Arrecadação dos Tributos e Contribuições. 6.6- Os Acórdãos 07-33105 da 5ª Turma da DRJ/FNS e 04-31727 da 2ª Turma da DRJ/CGE estabelecem: EXCESSO DE RECEITA BRUTA – Exclusão de ofício. Será excluída de ofício do Simples Nacional a Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP), a partir do primeiro dia do ano calendário subsequente, a empresa cujos sócios participam da administração de outras empresas, nessa modalidade, que compõem grupo econômico, e cuja receita bruta total excede o limite legal. 6.7- Assim, o fundamento para a exclusão não é a caracterização do grupo econômico de fato, mas sim a realidade subjacente que advém dessa caracterização, qual seja, a dependência entre as empresas, que atuam como empreendimento único. Nessa hipótese, o faturamento para fins de apuração do limite legal não pode ser considerado Fl. 660DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 individualmente (por empresa integrante do grupo), mas na sua totalidade, a fim de que o grupo econômico não se beneficie indevidamente do Simples Nacional através de uma das empresas dele integrante. 6.8- Ao tratar da solidariedade passiva, o Código Tributário Nacional - CTN (Lei 5.172, de 25/10/1966) estabeleceu, em seu artigo 124, que: CTN – Lei 5.172, de 25 de outubro de 1996. "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. (...)." 6.9- Seguindo a autorização do CTN, expressa no inciso II do artigo 124 acima transcrito, a Lei Previdenciária (Lei 8.212/91) determinou a solidariedade passiva de grupos econômicos, nos seguintes termos: LEI 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº. 8.620, de 05/01/1993). (...) IX - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;(destaquei) (...)." 6.10- O Regulamento da Previdência Social- RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, seguindo exatamente a mesma orientação da lei previdenciária, estabeleceu que: Regulamento da Previdência Social "Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200-A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº. 4.032, de 26/11/2001)."(destaquei). 6.11- A Instrução Normativa Receita Federal do Brasil no 971, de 13/11/2009, DOU de 17/11/2009, repetiu a previsão da Lei 8.212/1991 e do Regulamento da Previdência Social- RPS: Instrução Normativa RFB 971 "Art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si; 6.12- A conceituação de grupo econômico pode ser extraída do artigo 494 da mencionada Instrução Normativa RFB 971/09: Instrução Normativa RFB 971 Art. 494. Caracteriza-se grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. 6.13- Da leitura dos dispositivos acima transcritos, depreende-se que, quando duas ou mais empresa estiverem sob o controle ou administração de uma delas, está caracterizado o grupo econômico, e disso resulta a solidariedade passiva em relação ao Fl. 661DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 cumprimento da obrigação previdenciária prevista na Lei previdenciária, conforme autorização dada pelo Código Tributário Nacional (CTN). 6.14- A interpretação dos dispositivos citados não reserva dúvidas. Existe um grupo econômico quando uma ou mais empresas, estiverem sobre a direção de outra, de modo a constituir um grupo comercial, industrial ou de qualquer outra atividade. GRUPO ECONÔMICO - CARACTERIZAÇÃO - Para configuração do grupo econômico, não mister que uma empresa seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico, basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência admitem hoje o grupo econômico independente do controle e fiscalização de uma empresa-líder. Basta uma relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2º, parágrafo 2º da CLT. (TRT 3ª R. - 4T - RO/8486/01 - Rel. Juiz Márcio Flávio Salem Vidigal DJMG 18/08/2001 P.14). GRUPO ECONÔMICO - CARACTERIZAÇÃO. Tendo em vista que no Direito do Trabalho a fixação do grupo econômico não se reveste daquelas características e exigências comuns da legislação comercial, bastando que haja o elo empresarial, a integração entre as empresas, a concentração da atividade empresarial num mesmo empreendimento, independentemente de diversidade da personalidade jurídica e, ainda, se as empresas têm o seu controle e a sua administração dividido entre vários sócios, pessoas físicas, os quais respondem para com a sociedade e para com terceiros, solidária e ilimitadamente, pelo excesso de mandato e pelos atos que praticarem com violação da Lei e do estatuto, e também considerando que possuem sócios em comum, configurada está a existência de grupo econômico e, em consequência, aplicável, o disposto parágrafo 2º do art. 2º da CLT. Esta, a propósito, é uma hipótese em que a solidariedade resulta não só da lei, mas também da própria vontade dos contratantes. E além do mais, é suficiente para a caracterização de grupo econômico uma relação de coordenação entre as diversas empresas, sendo irrelevante a prova de dominação de uma sobre as outras, bastando que haja indícios da existência de uma coordenação interempresarial com objetivos comuns, valendo frisar, por fim, que a presunção também se constitui meio de prova para configuração do grupo econômico, tal como preceitua o art. 212, IV, do Código Civil c/c art. 335 do Código de Processo Civil. (TRT 3ª R. - 2T - RO/00637/04 - Rel. Juiz Rodrigo Ribeiro Bueno DJMG 04/11/2004 P.10). 6.15- Os entendimentos doutrinários seguem no mesmo sentido, das manifestações jurisprudenciais colacionadas, e corroboram para o esclarecimento do que deve ser entendido como grupo econômico. Nas palavras do professor Octavio Bueno Magano, “o grupo de empresas deve ser inicialmente caracterizado como fenômeno de concentração, incompatível com o individualismo, mas perfeitamente consentâneo com a sociedade pluralista a que corresponde o capitalismo moderno. Ao contrário da fusão e da incorporação que constituem a concentração na unidade, o grupo exterioriza a concentração na pluralidade. Particulariza-se, entre os demais de sua espécie, por ser composto de entidades autônomas, submetido o conjunto à unidade de direção”. (In Magano, Otávio Bueno, “Os Grupos de Empresas no Direito do Trabalho”, São Paulo, ed. Revista dos Tribunais, 1979, pg. 305). José Antunes conceitua esta forma de concentração de empresas como "todo conjunto mais ou menos vasto de sociedades comerciais que, conservando embora as respectivas personalidades jurídicas próprias e distintas, encontram-se subordinadas a uma direção econômica unitária e comum". (em Direito dos Grupos de Sociedades. Jorge Lobo. Revista de Direito Mercantil, Brasil, v. 107, p. 102). Fl. 662DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 No mesmo sentido, vale transcrever as palavras do professor e magistrado Sérgio Pinto Martins: “Não é necessário que entre empresas haja controle acionário, nem que exista a empresa-mãe, a holding. O importante é que existam obrigações entre as empresas, determinadas por lei. É possível, também, a configuração do grupo de empresas quando o citado grupo seja dirigido por pessoas físicas com controle acionário majoritário de diversas empresas, havendo um controle comum, pois há unidade de comando, unidade de controle. A Lei nº 6.404/76 estabelece que o grupo deve ser necessariamente de sociedades, mas no Direito do Trabalho o grupo é mais amplo, pois é o grupo de empresas, dando margem à existência do grupo de fato ou do grupo formado por pessoas físicas. Assim, as pessoas físicas de uma mesma família que controlam e administram várias empresas formarão o grupo econômico, pois comandam e dirigem o empreendimento, não importando que tipo de pessoa detenha a titularidade do controle, se pessoa física ou jurídica”. (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 21. ed. São Paulo: Atlas, 2005. p.126). 7- DA SITUAÇÃO FÁTICA ENCONTRADA NA LEGALIZAR SOLUÇÕES EMPRESARIAIS LTDA. - ME E DA CONSTATAÇÃO DAS SITUAÇÕES DE EXCLUSÃO DA EMPRESA DO REGIME ESPECIAL UNIFICADO DE ARRECADAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDOS PELAS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 7.1- Da análise da composição do quadro societário das empresas listadas no item 1.2 constata-se que, de fato, a administração das empresas passa pelas pessoas abaixo, às vezes integrantes de uma mesma família, como será demonstrado adiante, constituindo- se num grupo econômico de fato. 7.2- Sinteticamente temos o que se ilustra: 7.3- Como se expõe a seguir, com as minúcias necessárias, na composição societária e na administração das empresas do GRUPO ECONÔMICO verifica-se a presença predominante dos sócios citados. Neste aspecto a relação parental dos sócios, as datas de inclusão e datas de exclusão demonstram o aspecto familiar e o revezamento de sócios nos quadros sociais e na própria administração das empresas: 7.4- O histórico do quadro societário da empresa Previsa Contabilidade é assim composto: Fl. 663DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 31 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 7.4.1- O sócio-administrador CARLOS VITOR FERREIRA DA SILVA é pai dos sócios-administradores CARLOS VITOR DE FARIA SILVA e THIAGO VITOR DE FARIA SILVA e sócio-administrador da empresa CONTAVISA SERVICOS CONTABEIS – 09.143.395/0001-56, que funciona na RUA CONSELHEIRO LAFAIETE, 2003, LOJA 03, mas que sempre declarou GFIP sem movimento e possuindo faturamento conforme pesquisa nos sistemas da RFB. 7.4.2- O sócio-administrador CARLOS VITOR DE FARIA SILVA, além dos vínculos familiares citados, tem o histórico de participação societária nas seguintes empresas: 7.4.3- O sócio-administrador THIAGO VITOR DE FARIA SILVA, além dos vínculos familiares tem histórico de participação societária nas seguintes empresas: Fl. 664DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 32 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 7.4.4- O sócio-administrador LAFAYETTE VILELLA DE MORAES NETO foi segurado empregado da Previsa Contabilidade de 03/01/1994 a 30/12/2000 e é sócio- administrador da empresa CONTAVISA SERVICOS CONTABEIS – 09.143.395/0001- 56, desde 14/02/2017, além de outras que, em princípio, não pertencem ao grupo econômico, conforme quadro abaixo: 7.4.5- O histórico do quadro societário da empresa ALFA FISCAL LTDA – ME assim composto: 7.4.6- As informações relativas dos sócios-administradores CARLOS VITOR DE FARIA SILVA e THIAGO VITOR DE FARIA SILVA estão nos subitens 7.4.1 e 7.4.3. 7.4.7- A sócia-administradora THAIS SUELEN FERREIRA DA SILVA reside no mesmo domicílio civil do sócio-administrador THIAGO VITOR DE FARIA SILVA e tem histórico de participação societária nas seguintes empresas: Fl. 665DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 33 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 7.4.8- A sócia-administradora VALQUIRIA BARBOSA DE CARVALHO é cônjuge do sócio-administrador LAFAYETTE VILELLA DE MORAES NETO da PREVISA CONTABILIDADE - EPP, e é sócia-administradora da CONTABIT TECNOLOGIA DE INFORMACAO LTDA – ME desde 01/02/2010. 7.4.9- O histórico do quadro societário da empresa CONTABIT TECNOLOGIA DE INFORMACAO LTDA – ME é assim composto: 7.4.10- As informações relativas ao sócio THIAGO VITOR DE FARIA SILVA e sócios-administradores CARLOS VITOR DE FARIA SILVA, e VALQUIRIA BARBOSA DE CARVALHO estão nos subitens 7.4.3, 7.4.2 e 7.4.7. 7.4.11- O histórico do quadro societário da empresa CONTAVISA SERVICOS CONTABEIS é assim composto: Repete-se aqui o que já foi informado no item 7.4.1: A CONTAVISA Serviços Contábeis sempre declarou GFIP “Sem Movimento” e possui faturamento conforme pesquisa nos sistemas da RFB. 7.4.12- As informações relativas dos sócios-administradores CARLOS VITOR DE FARIA SILVA e CARLOS VITOR FERREIRA DA SILVA estão nos subitens 7.4.2 e 7.4.1. 7.4.13- O ex-sócio-administrador JEZIEL CRAYSON SILVA DE SOUZA foi segurado empregado das empresas PREVISA PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA. – CNPJ: 03.658.175/0001-89 (extinta em 12/12/2006) de 01/09/2003 a 16/12/2005 e da PREVISA CONTABILIDADE – EPP de 01/06/2007 a 30/05/2008 e de 16/0/2010 a 12/06/2017. Observe-se que no período de 30/11/2016 a 14/02/2017 ele foi ao mesmo sócio e empregado das empresas do grupo econômico. 7.4.14- Cópia de Telas com dados da RAIS extraídas do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS são anexadas a este Processo Fiscal para comprovar os vínculos empregatícios do Sr. Jeziel Crayson Silva de Souza. Fl. 666DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 34 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 As informações relativas ao sócio-administrador LAFAYETTE VILELLA DE MORAES NETO está no subitem 7.4.4. 7.4.15- O histórico do quadro societário da empresa LEGALIZAR SOLUCOES EMPRESARIAIS LTDA – ME é assim composto: 7.4.16- As informações relativas dos sócios-administradores CARLOS VITOR DE FARIA SILVA, THAIS SUELEN FERREIRA DA SILVA e THIAGO VITOR DE FARIA SILVA estão nos subitens 7.4.2, 7.4.7 e 7.4.3. 7.4.17- Da análise da composição do quadro societário das empresas listadas constata-se que, de fato, a administração das empresas passa pelos integrantes das famílias FARIA SILVA e MORAES NETO, especificamente nas pessoas dos sócios CARLOS VITOR FERREIRA DA SILVA, CARLOS VITOR DE FARIA SILVA, THIAGO VITOR DE FARIA SILVA e LAFAYETTE VILELLA DE MORAES NETO. 8- GRUPO ECONÔMICO – Receita Bruta Excessiva ao Regime 8.1- Pela exposição detalhada acima ficam demonstrados os revezamentos na gestão das empresas que compõem o GRUPO ECONÔMICO, comprovando a administração de mais de uma empresa pelos mesmos sócios. 8.2- Neste contexto, acrescente-se ainda que, o que se configura é a tentativa de se dividir o faturamento total da empresa como um todo, em subfaturamento segmentado por unidades de um único empreendimento e, consequentemente driblar a Lei que estipula o limite pelo faturamento para enquadramento no Regime Especial Unificado de Arrecadação dos Tributos e Contribuições. 8.3- O quadro a seguir, obtido de Extratos e Declarações do Simples Nacional (PGDAS) extraídos dos sistemas da Receita Federal do Brasil, apresenta a Receita Bruta de cada uma das empresas no período de 2013 a 2017 e o valor total anual do GRUPO ECONÔMICO, demonstrando que já no ano calendário de 2013 o somatório do faturamento dessas empresas, tomadas em seu conjunto, é ultrapassado o limite legal previsto no inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, com as respectivas alterações sancionadas. Tal situação persiste nos anos de 2014, 2015, 2016 e 2017, quando o somatório do faturamento das empresas do GRUPO ECONÔMICO também ultrapassa aquele limite. Fl. 667DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 35 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 8.4- Planilhas com as citadas informações dos sistemas da RFB detalham o cálculo acima: o Anexo 1 – PREVISA – Demonstrativo da Receita Bruta; o Anexo 2 – LEGALIZAR – Demonstrativo da Receita Bruta; o Anexo 3 – CONTABIT – Demonstrativo da Receita Bruta; o Anexo 4 – CONTAVISA – Demonstrativo da Receita Bruta; o Anexo 5 – ALFA FISCAL – Demonstrativo da Receita Bruta; o Anexo 6 – Demonstrativo da Receita Bruta Mensal. 8.5- Reiterando, não se resume aqui como fundamento para a exclusão a caracterização do grupo econômico de fato, mas também a realidade subjacente que advém dessa caracterização, qual seja, a dependência entre as empresas, que atuam como empreendimento único. Nessa hipótese, o faturamento para fins de apuração do limite legal não pode ser considerado individualmente (por empresa integrante do grupo), mas na sua totalidade, a fim de que o grupo econômico não se beneficie indevidamente do Simples Nacional através de uma das empresas dele integrante. 9 – INCOMPATIBILIDADE ENTRE MASSA SALARIAL x RECEITA BRUTA 9.1- Em se tratando da Previsa Contabilidade esta, em regra, possui massa salarial incoerente com sua receita bruta. Assim, a operação acoberta a contratação e remuneração dos funcionários de outras empresas do grupo econômico, confundindo-se a gestão das mesmas. Vejamos então: 9.2- Em consulta às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e o seu faturamento (extraído dos sistemas da Receita Federal do Brasil) verifica-se que a Previsa Contabilidade apresenta massa salarial incompatível com a receita bruta, nos anos de 2013 a 2017. A massa salarial é muito próxima ou superior ao valor da receita bruta declarada pelo contribuinte e, por vezes, próximo do limite da receita bruta anual estabelecido na legislação pertinente conforme quadro abaixo: Fl. 668DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 36 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 9.3- A situação verificada se explica na medida em que as empresas vinculadas, formando o grupo econômico, possuem um reduzido número de empregados em suas atividades fim. Esses trabalhadores, ou sua grande maioria, são contratados pela Previsa Contabilidade. 9.4- Analisando dados contidos em suas Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP), dentro do período diligenciado, identificou-se um reduzido número de empregados. Os quadros a seguir ilustram a situação. 9.5- Quanto à CONTAVISA Serviços Contábeis, destaque-se que esta sempre declarou GFIP “Sem Movimento” apesar de possuir faturamento no período fiscalizado, como informado no item 8.3 deste Relatório Fiscal e na planilha “Anexo 4 - CONTAVISA - DEMONSTRATIVO DA RECEITA BRUTA”. 9.6- A quase totalidade dos empregados exercendo as atividades fins são contratados e remunerados pela Previsa Contabilidade, de acordo com o “Anexo 7 – Quadro de Empregados – PREVISA”, extraído das GFIP e totalizam 274 ocorrências nas diversas funções inerentes às atividades das empresas do grupo econômico. Fl. 669DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 37 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 9.7- Junte-se a isto o fato de que, conforme os seus respectivos Contratos Sociais: - a PREVISA tem por objeto social a prestação de serviços de contabilidade e áreas afins; - a CONTABIT Tecnologia de Informação possui como atividade serviços de processamento eletrônico de dados; - a LEGALIZAR Soluções Empresariais presta serviços de constituição, alteração, baixa, legalização de empresas e controle de documentos e certidões em geral; - a CONTAVISA Serviços Contábeis exerce a prestação de serviços contábeis; - a ALFA FISCAL tem como objeto a consultoria fiscal, enquadramento tributário e gestão empresarial. Como se nota, as atividades são interligadas e em sintonia com os respectivos ramos: a prestação de serviços de contabilidade e áreas afins. 9.8- O vínculo entre as empresas é também identificado, sobretudo entre a Legalizar Soluções Empresariais quando, a totalidade de seus empregados igualmente é contratada pela Previsa Contabilidade nas mesmas funções. De forma semelhante a Alfa Fiscal também possui em seus quadros empregados prestando serviços, simultaneamente para a Previsa Contabilidade. 9.8.1- A planilha “Anexo 8 – Empregados com Duplo Vínculo nas Empresas do Grupo” identifica os trabalhadores na condição mencionada, com os respectivos detalhes inerentes extraídos das GFIP. 9.9- Neste contexto, um fato que não pode ser desprezado: todas as empresas integrantes do grupo funcionam em endereços contíguos, no mesmo prédio e com uma única recepção: - Previsa Contabilidade: Número 2.015 da Rua Conselheiro Lafaiete; - Legalizar Soluções Empresariais: Número 2.003 – Loja 4 da mesma rua; - Contabit Tecnologia de Informação: Número 2.003 – Sala 4 da mesma rua; - Contavisa Serviços Contábeis: Número 2.003 – Loja 3 da mesma rua; - Alfa Fiscal - Número 2.003 – Loja 4 da mesma rua. 9.10- O que aqui se focaliza é ato simulado em que ocorrem as situações relatadas: as empresas exercem as mesmas atividades ou atividades complementares, não havendo como distinguir os funcionários, setores, maquinários e matéria-prima de cada uma; os funcionários respondem a uma única administração. A contratação de segurados através desta forma demonstra a formação do grupo econômico que, em última análise, visa à redução de forma ilegal dos encargos sociais e previdenciários. 10- DA EXCLUSÃO DO SIMPLES E INÍCIO DA PRODUÇÃO DE EFEITOS 10.1- Como exposto no item “8- GRUPO ECONÔMICO – Receita Bruta Excessiva ao Regime” o valor total anual do faturamento do GRUPO ECONÔMICO, já no ano calendário de 2013 ultrapassou o limite de R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais) previsto no inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006. Tal situação persistiu nos anos de 2014, 2015, 2016 e 2017. 10.2- Assim, de acordo com a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, a propositura de exclusão do SIMPLES obedece ao art. 29, inciso I, art. 30 inciso IV e art. 31, inciso V, letra “a”: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006. “Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se- á quando: I - verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; ... Fl. 670DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 38 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 “Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar-se-á: ... IV - obrigatoriamente, quando ultrapassado, no ano-calendário, o limite de receita bruta previsto no inciso II do caput do art. 3o, quando não estiver no ano-calendário de início de atividade. ... “Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: ... II – na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva;”. ... V - na hipótese do inciso IV do caput do art. 30: a) a partir do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20% (vinte por cento) do limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 3o; 10.3- No caso da representada a planilha “Anexo 6 – Demonstrativo da Receita Bruta Mensal - 2013” indica que em dezembro de 2013 ocorre a ultrapassagem de 20% (vinte por cento) da Receita Bruta. Portanto, a exclusão deve se dar a partir de 01/01/2014. 11- CONCLUSÃO E REPRESENTAÇÃO: 11.1- Conforme comprovado por meio dos elementos comprobatórios relativos ao ano calendário de 2013, assim como em 2014, 2015, 2016 e 2017, a auditoria fiscal representa e solicita seja expedido de ofício o Ato Declaratório de exclusão da empresa do Regime Especial Unificado de Arrecadação dos Tributos e Contribuições, por auferir Receita Bruta Anual superior ao limite máximo permitido para empresas optantes, com efeitos a partir de 01/01/2014 nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006. Declaração de Concordância Acolhe-se de plano os fundamentos de fato e de direito nessa segunda instância de julgamento, mencionados na decisão que resultou no Acórdão da 7ª Turma DRJ/REC nº 11- 62.137, de 21.03.2019, e-fls. 495-509(art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Dos efeitos da norma jurídica A norma antielisiva não está restrita a regulamentação do parágrafo único do artigo 116 do CTN, pois é princípio tributário (art. 118) a abstração da validade jurídica dos atos e da natureza de seu objeto ou de seus efeitos, e dá suporte ao lançamento conjuntamente com o art. 149, inciso VII do mesmo código. Da configuração de Grupo Econômico de Fato A lide abrange os motivos pelos quais a empresa foi penalizada com a exclusão do Simples Nacional. A autoridade tributária aduz que o contribuinte está enquadrado no conceito de grupo econômico e que a receita bruta global do conjunto das empresas envolvidas ultrapassa o limite permitido ao Simples Nacional. Quanto à conceituação de grupo econômico e de sua responsabilização, ao contrário da tese de defesa vertida, estas se encontram consolidadas na doutrina e na legislação trazidas pelo Fisco, em seu já citado relato: “Não é necessário que entre empresas haja controle acionário, nem que exista a empresa-mãe, a holding. O importante é que existam obrigações entre as Fl. 671DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 39 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 empresas, determinadas por lei. É possível, também, a configuração do grupo de empresas quando o citado grupo seja dirigido por pessoas físicas com controle acionário majoritário de diversas empresas, havendo um controle comum, pois há unidade de comando, unidade de controle. A Lei nº 6.404/76 estabelece que o grupo deve ser necessariamente de sociedades, mas no Direito do Trabalho o grupo é mais amplo, pois é o grupo de empresas, dando margem à existência do grupo de fato ou do grupo formado por pessoas físicas. Assim, as pessoas físicas de uma mesma família que controlam e administram várias empresas formarão o grupo econômico, pois comandam e dirigem o empreendimento, não importando que tipo de pessoa detenha a titularidade do controle, se pessoa física ou jurídica”. (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 21. ed. São Paulo: Atlas, 2005. p.126). GRUPO ECONÔMICO - CARACTERIZAÇÃO. Tendo em vista que no Direito do Trabalho a fixação do grupo econômico não se reveste daquelas características e exigências comuns da legislação comercial, bastando que haja o elo empresarial, a integração entre as empresas, a concentração da atividade empresarial num mesmo empreendimento, independentemente de diversidade da personalidade jurídica e, ainda, se as empresas têm o seu controle e a sua administração dividido entre vários sócios, pessoas físicas, os quais respondem para com a sociedade e para com terceiros, solidária e ilimitadamente, pelo excesso de mandato e pelos atos que praticarem com violação da Lei e do estatuto, e também considerando que possuem sócios em comum, configurada está a existência de grupo econômico e, em consequência, aplicável, o disposto parágrafo 2º do art. 2º da CLT. Esta, a propósito, é uma hipótese em que a solidariedade resulta não só da lei, mas também da própria vontade dos contratantes. E além do mais, é suficiente para a caracterização de grupo econômico uma relação de coordenação entre as diversas empresas, sendo irrelevante a prova de dominação de uma sobre as outras, bastando que haja indícios da existência de uma coordenação interempresarial com objetivos comuns, valendo frisar, por fim, que a presunção também se constitui meio de prova para configuração do grupo econômico, tal como preceitua o art. 212, IV, do Código Civil c/c art. 335 do Código de Processo Civil. (TRT 3ª R. - 2T - RO/00637/04 - Rel. Juiz Rodrigo Ribeiro Bueno DJMG 04/11/2004 P.10). Assim a legislação cabível: CTN – Lei 5.172, de 25 de outubro de 1996. "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. (...)." LEI 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº. 8.620, de 05/01/1993). (...) Fl. 672DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 40 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 IX - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;(destaquei) (...)." Decreto 3048/99 "Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200-A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº. 4.032, de 26/11/2001)."(destaquei). Instrução Normativa RFB 971/2009 Art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si; Os comandos acima abrangem quer os grupos de direito, quer de fato, ou seja, aqueles grupos formados simplesmente, pela participação dos mesmos sócios em diversas empresas. É assente, todavia, que tanto os grupos econômicos de direito quanto os de fato podem se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (modalidade de coordenação) ou sob a forma vertical (controle x subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, a direção ou a administração. A constatação da existência de um grupo de sociedades coordenadas, articuladas, já basta para a aplicação das consequências jurídicas, independentemente de convenção, contrato ou subordinação. Tal medida visa coibir possíveis abusos e proteger credores e terceiros que se relacionem com tais agrupamentos. As relações jurídicas destes grupos para com terceiros não podem ser examinadas e resolvidas sob o prisma simplista do interesse isolado de cada uma das pessoas jurídicas que o compõem. Elas agem economicamente como um todo, como um grupo, e assim devem ser consideradas. E, por se tratar de grupo econômico de fato, por óbvio que não se encontrará todas as formalidades das quais se revestem os grupos econômicos legalmente constituídos. Pois se assim fosse, desnecessário seria empreender todos os esforços para trazer todos os elementos de prova, capazes de demonstrar a existência de um grupo econômico de fato. Para a configuração de grupo econômico, portanto, é dispensável a existência de uma empresa que exerça algum tipo de controle sobre as outras e, tampouco, que as empresas formalizem juridicamente essa união ou que mantenham relação de subordinação. A coordenação é suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, hipótese em que pode não haver prevalência de uma empresa sobre a outra, mas a conjugação de interesses com vistas à ampliação da credibilidade, dos negócios, dos interesses comuns, atuando de forma inequívoca na condição de grupo econômico, ainda que de fato, no qual, obviamente, não serão encontradas todas as formalidades de que se revestem os grupos econômicos de direito. Assim, presente a conceituação do instituto em pauta, resta-nos apreciar a apuração da situação na prática, por meio dos registros da auditoria fiscal. Quanto à caracterização de grupo econômico atacada pela manifestante, essa se encontra robustamente demonstrada nos autos, vejamos. Por conta de as empresas relacionadas possuírem os mesmos sócios ou titulares, em revezamento, no formalismo dos contratos sociais, não se configura verossímil que elas sejam independentes em termos de gestão. As empresas estão sob controle de Sr, Carlos Ferreira da Silva , pai dos Srs Carlos Vitor Faria da Silva e Thiago Vitor de Faria Silva e respectivas esposas. Fl. 673DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 41 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Existem diversos indícios que se somam (não há como analisá-los isoladamente sem perder de vista o quadro geral) ao fato de que sua direção é composta pelos mesmos integrantes, em endereços vizinhos. A marca única de todas as empresas é a atividade correlata e integrada, sendo desnecessário que sejam idênticos os objetos sociais de cada uma, fato esse não afirmado pela auditoria fiscal. Ainda neste ponto, a alegação de que as atividades da impugnante eram privativas de Contadores com registro no CRC, diferentemente das exercidas nas demais, não procede porque inexiste, como já discorrido, exigência de identidade de funções em um grupo econômico. Ao contrário, se costuma, neste, integrar diversas atividades/especialidades com o fito de obter mais eficiência e menos custos. Como traz a defesa, em suas alegações (f. 295), essa atuação conjunta é fato: Tampouco merece guarida a informação de que as demais empresas do grupo apontado pelo Fisco, por serem optantes pelo sistema SIMPLES, não teriam interesse em burlar a fiscalização tributária. Ora, a situação se revela exatamente inversa, todas as empresas do grupo estariam, por este modelo empresarial de independência, a se beneficiar do sistema de arrecadação mais favorável, não considerando, todavia, que seu faturamento global, como grupo econômico, veda esta situação. Do quadro “9 –INCOMPATIBILIDADE ENTRE MASSA SALARIAL x RECEITA BRUTA” extrai-se objetivamente a situação fictícia de funcionamento da empresa Previsa Contabilidade. Sua Receita Bruta, por exercícios consecutivos, revela-se insuficiente para sua própria manutenção (massa salarial e despesas de funcionamento), trazendo convencimento de que esta não existe por si só, realçando a interdependência das empresas indicadas. Neste ponto, ratifica-se que esta constatação na empresa Previsa, traz implicações para as demais, inclusive para a manifestante, uma vez que a apontada incompatibilidade reforça enormemente os laços empresariais entre as integrantes do grupo de fato. Tais registros contábeis, ratificando a discrepância entre faturamento e despesas de manutenção, reforçam a situação apontada pelo Fisco. De salientar-se que a existência de faturamento, contabilmente registrado, sem o auxilio de empregados (Contavisa), com apenas um empregado (Contabit) e com reduzido quadro funcional (Legalizar) também traz força a apuração da realidade empresarial do grupo. No tema, afasta-se a alegação de haver proporcionalidade entre o faturamento e o número de empregados de cada empresa, havendo casos de empresas com faturamento relevante e nenhum ou de apenas 1 empregado. Neste giro, em que pese os endereços das empresas do grupo não serem idênticos, como detalha o próprio Fisco, a proximidade/vizinhança dos mesmos milita em favor do desenvolvimento conjunto de atividades e do partilhamento de recursos, uma vez que do quadro do item 7 acima, conclui-se pela necessidade de atuação coordenada em virtude da exigência de que haja faturamento adicional (considerando o total do grupo) hábil a honrar as despesas efetuadas em montantes superiores aos do faturamento individual da maior integrante, a Previsa. De notar-se que a localização de várias salas no mesmo empresarial, nº 2.003 da Rua Conselheiro Lafaiete, levaram o Fisco a afirmar a existência de uma portaria comum, o que não restou afastado por elementos probantes na defesa. Gize-se, ainda, que o registro formal da pessoa jurídica não se prestar a atestar de forma absoluta, a sua regularidade. De dizer-se que em um grupo econômico, tem-se a existência de várias empresas individualmente constituídas, que serão reconhecidas como uma só, a despeito do formalismo divergente. No que tange a assertiva fiscal de existência de empregados em comum, esta se encontra identificada no quadro Anexo 08 – Empregados com Duplo Vínculo nas Fl. 674DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 42 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Empresas do Grupo” (f. 203) e comprovados nas respectivas GFIP. Por exemplo, quanto ao segurado Ewerton Ferreira da Cruz este se encontra declarado nas GFIP da impugnante e da empresa Legalizar na competência 01/2017. Assim queixume improcedente. Em face da alegação de defesa acerca da inexistência de sócios em comum com as demais empresas elencadas pelo Fisco, cumpre trazer os seguintes dados (fls. 215 a 218 do relato fiscal): Assim afasta-se a alegação em mesa, por estar comprovada a administração comum, na pessoa do Sr. Carlos Vitor de Faria Silva. Por tudo acima, do conjunto global de elementos probantes, se extrai com clareza a forma de atuação da inconformada, restando caracterizada a existência de grupo econômico de fato. Importa, também, mencionar e rebater a questão apresentada pela Recorrente em relação à impossibilidade de existência de sócios não contadores no contrato social de pessoas jurídicas profissionais de contabilidade, não abordada na Decisão de 1ª Instância. Fl. 675DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 43 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Afirmou a Recorrente no Recurso Voluntário, e-fl. 602: A demonstração da realidade feita no item 7.5.1 da presente desmantela a pretensão fiscal de imputação à Recorrente e às demais empresas da pecha de terem praticado ato simulado. A demonstração da existência física das empresas e da exploração das respectivas atividades, bem como a evidenciação de que em sua maioria absoluta as atividades não são privativas de contabilidade, ou seja, de pessoas que detenham o título de contador ou técnico em contabilidade devidamente registrados no Conselho Regional de Contabilidade e ainda que os respectivos sócios que não são profissionais contábeis não poderiam ser incluídos nas atividades da PREVISA , demonstram exatamente o contrário, ou seja, a existência do propósito negocial, a impossibilidade legal dos sócios leigos participarem do quadro societário da Previsa. Essa alegação da Recorrente para provar a existência de propósito negocial é inadequada, uma vez que uma determinada pessoa jurídica profissional da área de contabilidade pode ter sim sócios que não sejam contadores. O Acórdão do TRF – 1 a seguir corrobora tal assertiva: ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE. REGISTRO DE CONTRATO SOCIAL. INCLUSÃO DE SÓCIO LEIGO. POSSIBILIDADE. 1. O art. 15 do Decreto 9.295/1946 admite que as pessoas jurídicas profissionais da área de contabilidade possam ter sócios que não sejam profissionais habilitados para essa atividade, desde que não encarregados da parte técnica. 2. O recente entendimento do Superior Tribunal de Justiça consignou que, nos termos do artigo 15 do Decreto-lei 9.295/46, a sociedade empresária deverá comprovar, perante o Conselho de Contabilidade, que os encarregados da parte técnica são exclusivamente profissionais habilitados registrados na forma da lei, mas não há nenhuma determinação no dispositivo legal de que isso se aplique aos sócios (STJ, REsp 1796713, Ministra Regina Helena Costa, DJ de 03/04/2019). 3.A vedação à inclusão de sócio leigo em sociedade profissional, prevista pela Resolução CFC nº 1.390/12 é ilegal, pois tal exigência extrapola os limites da mera regulamentação. 4. Apelação não provida. (TRF-1 - AC: 10132122520184013800, Relator: DESEMBARGADORA FEDERAL GILDA SIGMARINGA SEIXAS, Data de Julgamento: 02/03/2021, SÉTIMA TURMA, Data de Publicação: PJe 06/03/2021 PAG PJe 06/03/2021 PAG) Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Conclusão Diante do exposto, voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Benatti Marcon Fl. 676DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 44 do Acórdão n.º 1003-002.612 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.726750/2018-49 Fl. 677DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720127/2007-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. LIMITES.
A única matéria veiculada em impugnação intempestiva passível de apreciação no contencioso administrativo é a tempestividade, desde que suscitada em preliminar.
Numero da decisão: 9202-009.811
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9202-009.804, de 26 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10530.720107/2007-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202108
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. LIMITES. A única matéria veiculada em impugnação intempestiva passível de apreciação no contencioso administrativo é a tempestividade, desde que suscitada em preliminar.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 10530.720127/2007-99
anomes_publicacao_s : 202110
conteudo_id_s : 6489990
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9202-009.811
nome_arquivo_s : Decisao_10530720127200799.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 10530720127200799_6489990.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9202-009.804, de 26 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10530.720107/2007-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
id : 9001155
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:40:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610563997237248
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-10-04T13:23:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-10-04T13:23:01Z; Last-Modified: 2021-10-04T13:23:01Z; dcterms:modified: 2021-10-04T13:23:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-10-04T13:23:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-10-04T13:23:01Z; meta:save-date: 2021-10-04T13:23:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-10-04T13:23:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-10-04T13:23:01Z; created: 2021-10-04T13:23:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2021-10-04T13:23:01Z; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-10-04T13:23:01Z | Conteúdo => CSRF-T2 Ministério da Economia CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10530.720127/2007-99 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202-009.811 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 26 de agosto de 2021 Recorrente MECOMINAS MECANIZACAO E EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. LIMITES. A única matéria veiculada em impugnação intempestiva passível de apreciação no contencioso administrativo é a tempestividade, desde que suscitada em preliminar. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9202-009.804, de 26 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10530.720107/2007-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 01 27 /2 00 7- 99 Fl. 316DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.811 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.720127/2007-99 Trata-se de recurso especial, interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão de recurso voluntário, que foi totalmente admitido pela Presidência da 1ª Câmara da 2ª Seção, para que seja rediscutida a seguinte matéria: efeitos da impugnação intempestiva. Segue a ementa da decisão, nos pontos que interessam ao presente julgamento: Ementa do acórdão de Recurso Voluntário ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OAB/MG nº 52.583, patrono do recorrente. Neste tocante, em seu recurso especial, o contribuinte basicamente alega que: - conforme paradigma decorrente do acórdão 102-43.215, a impugnação, ainda que desprovida de preliminar formal de tempestividade, deve ser apreciada e julgada pela DRJ. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nas quais afirma que o recurso deve ser desprovido. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conhecimento O recurso especial do sujeito passivo é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de quinze dias (art. 68, caput, do Regimento Interno do CARF), e foi demonstrada a existência de legislação tributária interpretada de forma divergente (art. 67, § 1º, do Regimento), de forma que deve ser conhecido. Intempestividade da impugnação Fl. 317DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.811 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.720127/2007-99 Discute-se nos autos se a impugnação intempestiva, ainda que desprovida de preliminar formal de tempestividade, deve ser apreciada e julgada pela DRJ. É importante deixar claro que esse é o único ponto a ser dirimido neste Colegiado, tanto porque é o único objeto do recurso especial, quanto porque o exame de admissibilidade prévia delimitou a matéria nesse sentido. Pois bem. A impugnação apresentada após o prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento e, nesta hipótese, a autoridade preparadora declarará a revelia, conforme determinam os arts. 14, 15 e 21 do Decreto 70235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Conforme Ato Declaratório Normativo COSIT 15/96 (vide abaixo), a única matéria cognoscível na impugnação intempestiva é a eventual preliminar de tempestividade da defesa, preliminar que, no caso concreto, não foi apresentada, como se vê na decisão recorrida e como é implicitamente admitido pela recorrente em seu recurso especial. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSITNº15,DE12 DE JULHO DE 1996 Processo administrativo fiscal. Impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem é objeto de decisão. O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional - Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. A disposições do Decreto 70235/72 e do Ato Declaratório acima reproduzido foram consolidadas no Decreto 7574/11, que determina o seguinte acerca da impugnação intempestiva: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento ( Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15 ). Fl. 318DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.811 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.720127/2007-99 § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Logo, a decisão recorrida está de acordo com a lei e não merece qualquer reforma. E a jurisprudência deste Conselho é pacífica nesse mesmo sentido, como se pode ver, por exemplo, no seguinte julgado da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Número do Processo 10880.721504/2010-32 Contribuinte FORTE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES LTDA. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão 06/02/2020 Relator(a) EDELI PEREIRA BESSA Nº Acórdão 9101-004.789 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano, que lhe deu provimento Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Lívia De Carli Germano, Edeli Pereira Bessa, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Viviane Vidal Wagner, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Andrea Duek Simantob, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente a conselheira Cristiane Silva Costa. Ementa(s) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 IMPUGNAÇÃO OU MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. LIMITES. A única matéria veiculada em impugnação ou manifestação de inconformidade intempestiva passível de apreciação no contencioso administrativo especializado é a tempestividade suscitada em preliminar. Diante do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Fl. 319DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-009.811 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10530.720127/2007-99 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Fl. 320DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720738/2011-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Relatório:
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10073.720738/2011-58
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912276
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.682
nome_arquivo_s : Decisao_10073720738201158.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10073720738201158_5912276.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone- Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório:
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7441323
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610564000382976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 998; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 111 1 110 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720738/201158 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.682 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de julho de 2018 Assunto IMPOSTO DE RENDA SOCIEDADE COOPERATIVA Recorrente UNIMED RESENDE RJ COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 20 73 8/ 20 11 -5 8 Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10073.720738/201158 Resolução nº 1402000.682 S1C4T2 Fl. 112 2 Relatório: Em breve síntese ratase de Recurso Voluntário interposto pela sociedade cooperativa de trabalho médico que sofreu autuação (IRPJ/CSL) decorrente da glosa de exclusões efetuadas a título de "Resultados não tributáveis de Sociedade Cooperativa dado que computadas tanto receitas auferidas em contraprestação de "atos cooperativos", quanto receitas decorrentes de atos não cooperativos ante a comercialização de planos de saúde para terceiros não cooperados. Tomando em conta a cobrança na forma de plano de saúde que estaria a descaracterizar por completo todas suas atividades de acordo com a fiscalização procedeuse a glosa integral dada suposta impossibilidade de discrímen de receitas decorrentes de atos cooperativos daquelas decorrentes de atos não cooperativos. Ao julgar a impugnação da contribuinte a DRJ entendeu por desnecessária a a prova pericial pretendida pela contribuinte e, no mérito, julgou por improcedentes os argumentos expendidos restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. Revelase desnecessária a realização de perícia contábil quando o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Sujeitamse à incidência tributária os resultados obtidos por sociedades cooperativas em operações diversas de ato cooperativo. Se, conjuntamente com os serviços dos associados, a cooperativa contrata com a clientela não associada, a preço global não discriminando, o fornecimento de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura com diárias e serviços hospitalares, serviços de laboratórios e outros serviços, especializados ou não, prestados por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, estas operações se caracterizam como atos não cooperativos e estão sujeitas à incidência tributária. DEDUÇÕES E EXCLUSÕES. ÔNUS DA PROVA. O dever de provar as deduções e exclusões ao lucro real e à base de cálculo da CSLL incumbe ao contribuinte. Irresignada com a decisão a contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10073.720738/201158 Resolução nº 1402000.682 S1C4T2 Fl. 113 3 Voto: Em sede preliminar suscitase eventual nulidade do lançamento ante a postura empreendida pela fiscalização em desconsiderar os atos cooperativos praticados pela recorrente; o que confundese com o próprio mérito. O lançamento tributário constitui procedimento exclusivo da Administração Tributário que tem por finalidade justamente identificar a matéria tributável, isto é, a base econômica sujeita a tributação. É incontroverso que o ato cooperativo encontra tratamento tributário específico em sede do IRPJ/CSLL nos termos em que antes visto e reconhecido pela própria autoridade fiscalizadora que eximiuse de apurar o correspondente a atos supostamente nãocooperativos sob a pálida justificativa da impossibilidade de distinção procedendo inadvertidamente a glosa integral das exclusões empreendidas pela recorrente a título de "Resultados nãotributáveis de Sociedades Cooperativas." Em sede de impugnação a recorrente, subsidiariamente, pede a realização de perícia; o que negado pela instância a quo que conclui ao final tratarse de ônus de prova da contribuinte. A postura assumida pela DRJ é data venia equivocada na medida em que assume tributar matéria não sujeita a tributação sob a justificativa insubsistente e flagrantemente ilegal de suposta impossibilidade de distinção de atos cooperativos daqueles praticados com terceiros associados e, ao final, ainda imputa ônus desmesurado ao contribuinte que já trouxe aos autos documentos bastantes para afastar a exação. A recorrente, subsidiariamente, pleiteia a necessidade de revisão, em parte, da segregação dos resultados de atos cooperativos e não cooperativos, preservandose as receitas/despesas diretas de cada ato, na lógica do Parecer Normativo n.° 73/75, indevidamente rateadas pela fiscalização, destacandose que somente devem ser submetidas a rateio as receitas/despesas indiretas; Ainda em sede de impugnação, a recorrente alega que: i) a fiscalização inadmitiu os percentuais de atos não cooperativos apresentados durante a fiscalização deixando de promover a segregação do resultado generalizando a proporcionalização de todas as demais receitas e despesas, sem atentarse para o fato de que tal rateio somente se aplica a receitas/despesas indiretas. O contribuinte juntou documentação pretendendo demonstrar que, da mesma forma que a fiscalização entendeu que receitas e despesas diretas de atos não cooperativos (financeiras/patrimoniais) e atos cooperativos (perdas de intercâmbio) não seriam rateáveis entre atos, por coerência de interpretação, deveriam ter sido preservadas as receitas diretas/despesas de atos cooperativos indevidamente rateadas. A recorrente em sede de Recurso Voluntário requer não sem razão a realização de diligência; o que fundamental tal providência para esclarecer os seguintes pontos: Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10073.720738/201158 Resolução nº 1402000.682 S1C4T2 Fl. 114 4 i) analisar a documentação acostada pela contribuinte e pronunciarse quanto à segregação dos resultados de atos cooperativos e não cooperativos, preservandose as receitas/despesas diretas de cada ato, na lógica do Parecer Normativo n.° 73/75. ii) caso não concorde com a Planilha apresentada pela recorrente, fundamentar e apresentar nova planilha de apuração de resultados de atos cooperativos e não cooperativos. iii) proceder à correção das bases de cálculo, se for o caso. iv) dar vista a recorrente do Relatório Fiscal a fim de manifestarse no prazo legal de 30 dias. 3. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência. É como voto. (Assinado Digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.721066/2016-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. METODOLOGIA. VÍCIO MATERIAL ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO.
Considerando o ônus da prova da fiscalização, a ausência de base legal ao lançamento e sua metodologia e cálculos estranhos à lei, implicam na sua conseqüente nulidade material, para não haver conflito com o disposto nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142, 145 e 146 do Código Tributário Nacional, art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no Art. 31 do Decreto n. 70.235/72 e art. 2º da lei 9.784/99.
Numero da decisão: 3302-007.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud (relator) e Denise Madalena Green. Designado o conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O recurso de ofício ficou prejudicado em virtude do provimento do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
(assinado digitalmente)
Walker Araujo Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. METODOLOGIA. VÍCIO MATERIAL ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. Considerando o ônus da prova da fiscalização, a ausência de base legal ao lançamento e sua metodologia e cálculos estranhos à lei, implicam na sua conseqüente nulidade material, para não haver conflito com o disposto nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142, 145 e 146 do Código Tributário Nacional, art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no Art. 31 do Decreto n. 70.235/72 e art. 2º da lei 9.784/99.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10314.721066/2016-22
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6040009
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-007.267
nome_arquivo_s : Decisao_10314721066201622.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE LIMA ABUD
nome_arquivo_pdf_s : 10314721066201622_6040009.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud (relator) e Denise Madalena Green. Designado o conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O recurso de ofício ficou prejudicado em virtude do provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
id : 7838785
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610564002480128
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-04T19:44:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-04T19:44:40Z; Last-Modified: 2019-07-04T19:44:40Z; dcterms:modified: 2019-07-04T19:44:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-04T19:44:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-04T19:44:40Z; meta:save-date: 2019-07-04T19:44:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-04T19:44:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-04T19:44:40Z; created: 2019-07-04T19:44:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; Creation-Date: 2019-07-04T19:44:40Z; pdf:charsPerPage: 1831; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-04T19:44:40Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10314.721066/2016-22 Recurso De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3302-007.267 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2019 Recorrentes AMBEV S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. METODOLOGIA. VÍCIO MATERIAL ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. Considerando o ônus da prova da fiscalização, a ausência de base legal ao lançamento e sua metodologia e cálculos estranhos à lei, implicam na sua conseqüente nulidade material, para não haver conflito com o disposto nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142, 145 e 146 do Código Tributário Nacional, art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no Art. 31 do Decreto n. 70.235/72 e art. 2º da lei 9.784/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud (relator) e Denise Madalena Green. Designado o conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O recurso de ofício ficou prejudicado em virtude do provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud – Relator (assinado digitalmente) Walker Araujo – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 10 66 /2 01 6- 22 Fl. 2985DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Trata-se de autos de infração com exigências de PIS e COFINS, alegadamente recolhidos a menor por sociedades incorporadas pela Recorrente (Londrina Bebidas Ltda., Ambev Brasil Bebidas Ltda. e Companhia de Bebidas das Américas - AMBEV), de julho a setembro de 2011. Segundo o Termo de Constatação elaborado pela Fiscalização, as bonificações em mercadorias equivaleriam a descontos incondicionais, acarretando redução no valor do preço de venda dos produtos comercializados. Nessa medida, as bonificações só poderiam ser excluídas do cálculo do PIS e da COFINS quando as contribuições fossem determinadas mediante a aplicação de percentuais sobre a receita bruta (sistema advalorem), nos termos do art. 1° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Aproveita-se o Relatório apresentado no Acórdão de Impugnação: Em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, foram lavrados os autos de infração de fls. 177/186, por meio dos quais se exige o recolhimento de R$ 104.850.528,94 de Cofins não cumulativa e de R$ 22.020.623,27 de contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo, além de multa de ofício (112,50%) e juros de mora. Segundo os Termos de Constatação - PIS - REFRI e COFINS- REFRI, de fls. 109/142 e 143/176, a autuação, cientificada em 17/06/2016 (fl. 189), ocorreu devido à constatação de que bonificações feitas em bebidas, consideradas pela contribuinte como descontos incondicionais, foram excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins (incidência não-cumulativa), apuradas de acordo com o Regime de Tributação de Bebidas Frias (“REFRI”), relativamente aos períodos de apuração 07/2011 a 09/2011. Consta do Termo de Constatação, também, que devido ao não atendimento de intimações para a apresentação de demonstrativos de bases de cálculo relativamente aos valores não recolhidos sobre as ditas bonificações, o lançamento foi efetuado com apoio nas planilhas “Demonstrativo do PIS devido sobre bonificações através do Regime de Apuração - REFRI” e “Demonstrativo da COFINS devida sobre bonificações através do Regime de Apuração - REFRI”. Consta, ainda, que a multa de ofício de 75% foi aumentada de 50%, nos termos do art. 44, § 2°, I da Lei n° 9.430, de 1996, e suas alterações e que a relação das notas fiscais de bonificação, CFOP 5910 e 6910, das empresas incorporadas foram extraídas do sistema Receitanetbx - notas fiscais eletrônicas. Em 18/07/2016, a interessada, por meio de procuradores, ingressou com a impugnação de fls. 193/215, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, após breve relato dos fatos, aduz que as autuações fiscais não podem subsistir, pois: O fato gerador do PIS e da COFINS só se verifica quando há o auferimento de receita, independentemente do regime de apuração a que se sujeita o contribuinte. As mercadorias concedidas em bonificação têm valor igual a ZERO, portanto, não implicam auferimento de receitas que justifique a cobrança das contribuições. Não se trata de desconto no valor de mercadorias comercializadas (redução da receita tributável), mas sim de mercadorias transmitidas a terceiros a título gratuito (inexistência de receita tributável) e que, dessa maneira, não geram a obrigação de recolhimento das contribuições; Fl. 2986DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 As autuações são nulas por iliquidez, na medida em que: (b.l) os valores de PIS/COFINS adotados pela Fiscalização se basearam em legislação já revogada; (b.2) houve erro no enquadramento de mercadorias nos grupos da tabela adotada pela Fiscalização; (b.3) foram consideradas quantidades de mercadorias incompatíveis com os produtos comercializados; e (b.4.) não poderiam ter sido autuadas as saídas promovidas por estabelecimentos comerciais (“CDDs”), na medida em que, se o PIS e a COFINS incidissem sobre essas operações, a alíquota aplicável seria de 0%, cf. art. 58- B, caput, da Lei n. 10.833/03; e Em qualquer caso, é indevida a imputação de multa majorada, na medida em que a Impugnante não deixou de prestar as informações que lhe foram solicitadas (única hipótese em que teria aplicação). Ela apenas deixou de fazer o cálculo do PES/COFINS alegadamente devido sobre as bonificações por discordar do entendimento de que seriam tributáveis e por se tratar de tarefa privativa da autoridade lançadora, nos termos do art. 142 do CTN. Essa conduta, evidentemente, não equivale ao desatendimento de intimações para a prestação de esclarecimentos. Dissertando sobre a ilegitimidade das exigência de PIS e Cofins sobre produtos saídos em bonificação (item II.1 da impugnação), a interessada diz que a legislação impõe o pagamento de PIS/Cofins sobre os volumes de bebidas vendidos ou revendidos e que, da mesma forma, o preço de referência que define o valor-base de PIS/Cofins aplicável a cada produto também só leva em consideração o respectivo preço médio de venda praticado no varejo ou pelo sujeito passivo. Salienta o disposto no art. 27, § 2° do Regulamento do REFRI (Decreto n° 6.707/2008). Reforça que excluiu da apuração das contribuições as bebidas transferidas gratuitamente a terceiros, a título de bonificação e que assim procedeu porque não há, nesse caso, comercialização que gere receita tributável, mas uma espécie de doação. Afirma que a fiscalização entendeu que as bonificações seriam o mesmo que descontos incondicionais, “cuja exclusão só é prevista para a base de cálculo do Regime Geral (art. 1°, da Lei n° 10.833/2003), o qual não pode ser usado para justificar a não inclusão das bonificações ou outros descontos incondicionais na base de cálculo do Regime Especial de Tributação, que é a quantidade vendida.” Salienta, contudo, que a autuação é ilegal, primeiro porque não se confundem juridicamente as bonificações e os descontos incondicionais, embora os seus efeitos econômicos possam, em alguns casos, ser equivalentes, sendo certo que as mercadorias cedidas graciosamente não geram receita alguma (acréscimo patrimonial) para o vendedor (mas apenas para o adquirente), e, dessa forma, estão fora do campo de incidência das contribuições, quer no regime geral, quer no especial, depois porque, segundo afirma, o regime especial de apuração não pode ensejar o pagamento de tributo fora das hipóteses que configuram o respectivo fato gerador. Conclui, dizendo que só há obrigação de recolher PIS/Cofins em relação às quantidades de bebidas vendidas e não às bonificadas. A seguir, no item II.2 (Nulidade. Iliquidez dos lançamentos. Adoção de valores tributáveis sabidamente dissonantes das quantias previstas na legislação. Desconsideração de saldo credor detido pelo contribuinte.) a contribuinte diz que a autoridade fiscal adotou tabelas revogadas, sendo ilegais as alíquotas aplicadas. Entende que a ilegalidade é incontornável e que “deve ser cancelada a exigência compreensiva de todos os itens em relação aos quais a fiscalização aplicou alíquotas previstas em normas revogadas.” Diz, ainda, que houve o “incorreto enquadramento das mercadorias dentro dos grupos constantes das tabelas aplicadas” o que, segundo alega, é confirmado pela fiscalização no próprio Termo de Verificação. Elenca alguns enquadramentos equivocados e diz que a fiscalização não identificou a tabela aplicável ao tipo de tributo para, em seguida, proceder ao enquadramento da tributação da litragem dada em bonificação por marca comercializada, tendo simplesmente verificado o tipo de bebida e utilizado os maiores valores de PIS e Cofins da categoria, abstendo-se de avaliar quais as quantidades, por Fl. 2987DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 marcas, conferidas em concreto a título de bonificação, tudo em um desacordo consciente com a legislação. Acrescenta, também, que houve incorreta quantificação dos volumes saídos em bonificação. A título ilustrativo diz que “os refrigerantes comercializados pelas empresas envolvidas saíam ‘packs' contendo 6 unidades, e não as 12 unidades que a fiscalização erroneamente considerou como tendo saído dos estabelecimentos fiscalizado.” Adicionalmente, diz que houve a autuação de produtos comercializados por centros de distribuição. Afirma que a fiscalização ignorou o fato de que, na vigência do REFRI, a incidência do PIS/Cofins era concentrada nos estabelecimentos fabricantes de bebidas e que, assim, a autuação deveria ter se limitado às saídas promovidas pelas indústrias da impugnante. Aduz que, em decorrência, “parte substancial da exigência corresponde a saídas que sequer seriam tributáveis caso fosse correta - o que se admite apenas a título argumentativo - a tese de que as bonificações in natura são tributadas no âmbito do REFRI, como pretende a Fiscalização.” Esclarece que como o lançamento foi feito em nome da matriz da empresa não é possível, mediante cálculos simples, segregar as saídas de estabelecimentos industriais daquelas efetuadas por “CDDs”, impondo-se o “refazimento de todo o trabalho fiscal, o que só evidencia e agrava a nulidade (por iliquidez) da exigência.” Aduz, a seguir, que teria havido a “inclusão de produtos que jamais saíram em bonificação das empresas autuadas.” Apresenta listagem (documento 7) e diz que tais operações devem ser excluídas do lançamento. Insiste na necessidade de refazimento de todo o trabalho fiscal. Reclama, ainda, da ocorrência de erros na totalização do PIS e da Cofins exigidos. Apresenta tabelas com a indicação de erros que, segundo alega, teria, apenas em relação ao mês de setembro de 2011, implicado a exigência adicional de R$ 1.552.357,68. Chama a atenção para a precariedade do trabalho fiscal e para a necessidade de torná-lo nulo. Defende, em consequência, a nulidade de toda a autuação por vício material. Aludido vício, salienta, é insanável, já que: “a pretexto de exigir o PIS/Cofins sobre bonificações, cobram-se valores diversos dos que seriam devidos a tal título, o que não se pode admitir, nem mesmo pela via das mais oblíqua das interpretações.” No item seguinte, (II.3. Improcedência da majoração da multa em 50%. Ausência de embaraço à fiscalização. O contribuinte não está obrigado a proceder aos cálculos daquilo que o agente fiscal considera ser a matéria tributável.) diz que a existência de resposta, satisfatória ou não, é suficiente para afastar a imposição de penalidade. Salienta que atendeu tempestivamente a todas as solicitações que foram feitas e que a “eventual discordância ou desapontamento da fiscalização com os termos da resposta dada não dá ensejo a se falar em omissão na colaboração com os agentes fiscais.” Aduz, ainda, que a pretensão fiscal foi a de “delegar à impugnante a tarefa de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido” mas que tal competência é privativa, vinculada, obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, da própria autoridade administrativa. Entende, em decorrência, não ser aplicável a penalidade majorada. Ao final, requer o cancelamento dos autos de infração lavrados. Em 15 março de 2017, através do Acórdão n° 06-57.808, a 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba/PR, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, acolher em parte as razões de impugnação e julgar procedentes em parte os lançamentos, mantendo-se as exigências de R$ 8.287.928,74 de PIS não cumulativo e de R$ 39.471.896,33 de Cofins não cumulativa, além da multa de ofício de 75% e dos juros de mora correspondentes, afastando o agravamento da multa de ofício. Fl. 2988DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 Desse Acórdão, recorre-se de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Entendeu a Turma que: Como já se disse, em relação às ditas contribuições a contribuinte optou pelo regime especial de tributação. Nesse regime, ao contrário do regime geral em que as contribuições mencionadas são calculadas em função da receita obtida com a venda das mercadorias (faturamento), o PIS e a Cofins “serão apurados em função do valor-base, que será expresso em reais ou em reais por litro, discriminado por tipo de produto e por marca comercial e definido a partir do preço de referência.” Assim, analisando-se todos os dispositivos mencionados, resta claro que a exclusão das mencionadas bonificações concedidas da base de cálculo do PIS e da Cofins é incabível, mesmo na hipótese de elas serem equiparadas aos descontos incondicionais concedidos; A propósito, mesmo que a contribuinte não houvesse optado pelo regime especial, tal exclusão não seria acatada de plano, já que dependeria da comprovação da adoção de determinados procedimentos; De fato, analisando-se a lista de exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins contida nas Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 - que, por tratar de exclusões deve ser literalmente interpretada (art. 111, do CTN) -, vê-se que nela realmente constam os descontos incondicionais concedidos (art. 1°, § 3°, V, ‘a') mas não constam as bonificações concedidas; Por sua vez, a Coordenação do Sistema de Tributação, ao enfrentar, por meio do Parecer CST/SIPR n° 1.386, de 15/06/1982, questionamento sobre a dedutibilidade das bonificações concedidas em mercadorias para fins de determinação do lucro real, firmou o entendimento de que seu aproveitamento com este fim se daria apenas quando essas se revestissem da forma de desconto incondicional, e que, para tal, seria necessário que a operação (entrega de quantidade maior do que a estipulada) se transformasse em parcela redutora do preço de venda, o que poderia ser feito computando-se, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja ofertar a titulo de bonificação, transformando-se, em cruzeiros (moeda então vigente), o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a titulo de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros (moeda então vigente), que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a titulo de bonificação, chegando-se, assim, ao valor líquido das mercadorias. Por fim, esclarece que se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias não será dedutível na determinação do lucro real; As estipulações do Parecer CST/SIPR n.° 1.386, de 15/06/1982, acima transcritas, conquanto formuladas para o imposto de renda da pessoa jurídica, têm sido também adotadas para fins de caracterização das Fl. 2989DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 bonificações em mercadorias enquanto parcelas redutoras da receita bruta, sob a forma de desconto incondicional, a ser considerada como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins; Como se vê, portanto, a possibilidade de se excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins (quando estas forem calculadas com base no faturamento) as bonificações concedidas passa pela necessidade de se computar, na nota fiscal de venda, a quantidade de mercadoria a ser bonificada, como se tal mercadoria fosse vendida (mediante, inclusive, a fixação de preço) e, concomitantemente, subtrair, na mesma nota fiscal, idêntico valor a título de desconto incondicional. Somente agindo dessa forma é que a pretendida exclusão teria base legal (art. 1°, § 3°, V, ‘a' das Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003), podendo assim ser efetuada. No caso concreto, todavia, a contribuinte afirma que simplesmente cedeu as mercadorias em bonificação. Dessa feita, sendo as contribuições calculadas em função das unidades de produto e não do faturamento, entende-se como correto o procedimento de considerar tais mercadorias, saídas do estabelecimento, na apuração das respectivas bases de cálculo. Em suma, não se acolhe a argumentação; A contribuinte reclama da desconsideração de saldo credor por ela detido, mas em sua impugnação não foram trazidos argumentos específicos a respeito; No presente caso, vê-se que o auto de infração foi lavrado por Auditora- Fiscal da Receita Federal do Brasil (fl. 177 e 182) e que não constam dos autos quaisquer sinais de preterição do direito de defesa (afinal, com a ciência do auto de infração abriu-se para a contribuinte o prazo de 30 dias para a apresentação de impugnação). Nesse contexto, evidente que a arguição de nulidade deve ser, de plano, rechaçada. Não obstante, devem ser analisadas as alegações que apontam para a existência de erros os quais, uma vez comprovados, devem ser corrigidos; Consultando-se os Termos de Constatação PIS e Cofins vê-se que a fiscalização utilizou para o cálculo das contribuições as maiores alíquotas por produto informadas pela contribuinte nas fichas 10A e 20A dos Dacon de julho a setembro de 2011 (fls. 109/176). Dessa afirmação é possível constatar que, ao contrário do alegado, não houve a adoção de tabelas revogadas ou de alíquotas ilegais ou mesmo o incorreto enquadramento das mercadorias “dentro” dos grupos constantes das tabelas aplicadas. O que houve, na verdade, foi a simples adoção dos maiores valores indicados, pela contribuinte, nos Dacon transmitidos e, por conseqüência, a não adoção das tabelas previstas na legislação, além do não enquadramento das mercadorias conforme as aludidas tabelas; Analisando-se o critério utilizado pela fiscalização, soa claro que não se trata de caso de nulidade do lançamento mas de simples correção para que esse lançamento passe a se conformar com a legislação; Fl. 2990DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 De fato, uma vez que, como no presente caso, foram identificados os produtos, inclusive as marcas e as quantidades envolvidas, fls. 113/142 e 147/176, não parece razoável nem conforme a legislação adotar-se valores outros que não os fixados no Decreto n° 6.707, de 23 de dezembro de 2008, mais especificamente nas tabelas contidas no seu Anexo III (na redação dada pelo Decreto n° 7.455, de 2011 - em vigor ao tempo dos fatos geradores analisados). Nesse contexto, e diante da necessidade de se efetuar novos cálculos, procedeu-se à elaboração das tabelas de fls. 288/352 (Ajustes Julgamento DRJ - anexo integrante do Acórdão de Impugnação); Analisando-se os documentos apresentados a titulo ilustrativo pela contribuinte, fls. 256/270, percebe-se que, de fato, alguns dos produtos mencionados foram indicados como tendo saído em caixas com seis unidades. Diante desse fato, e da alegação de que alguns erros teriam sido cometidos quando da apuração do crédito, as planilhas elaboradas pela fiscalização foram todas revisadas e, relativamente aos refrigerantes, foram apurados erros apenas em relação ao Guaraná Antarctica Ice Pet 2L (a fiscalização considerou que as caixas continham 12 unidades quando a própria descrição indicava que as caixas continham 6 unidades). Quanto aos demais refrigerantes, ou a fiscalização seguiu a descrição contida nas notas fiscais, ou seja, 1, 4, 6, 8 ou 12 unidades, conforme indicado ou, nos casos de ausência de indicação de quantidade na descrição, considerou (acertadamente, porque não houve comprovação contrária) que a saída teria ocorrido em caixas com 12 unidades. Nesse contexto, em relação aos refrigerantes, tem-se que apenas o item mencionado será objeto de ajuste em face do presente acórdão; Apesar de a contribuinte referir-se apenas aos refrigerantes, ao revisar as aludidas planilhas constatou-se que alguns equívocos também foram cometidos pela fiscalização quando da quantificação de parte das saídas de chope em barril. Em decorrência, à vista do contido na legislação, entende-se que também esses equívocos merecem ser corrigidos; Em decorrência dos equívocos constatados, no demonstrativo “Ajustes Julgamento DRJ”, anexo integrante do presente voto (fls. 288/352), as quantidades totais a serem consideradas (nos termos do art. 60 do Decreto n° 70.235, de 1972) serão as constantes das planilhas de notas fiscais emitidas (limitadas aos itens efetivamente lançados e aos CNPJ envolvidos). Quanto aos itens que, eventualmente, não tenham sido objeto de lançamento, fica a pertinente ressalva, observados os prazos legais; Apesar do CNAE de alguns dos estabelecimentos da pessoa jurídica não indicarem a atividade de industrialização, uma vez que os produtos por elas comercializados são fabricados pelo estabelecimento matriz ou mesmo importados, há que se manter o lançamento tal como efetuado; Objetivando afastar possíveis equívocos, mediante consulta ao sistema eletrônico de controle de notas fiscais eletrônicas do governo federal Fl. 2991DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 que se encontra disponível na rede mundial de computadores no endereço eletrônico <http://www.nfe.fazenda.gov.br/portal/principal.aspx> condicionado ao fornecimento de chave de acesso (que se encontra disponível em todas as planilhas elaboradas pela fiscalização que constam dos autos, e que contêm a indicação dos produtos bonificados), verificou-se as notas fiscais correspondentes aos produtos mencionados e, em todas, pode-se constatar, com facilidade, que todos os produtos saíram do dito estabelecimento com a utilização dos CFOP 5.910 ou 6.910, ou seja, “remessa em bonificação, doação ou brinde. Ou seja, venda de produção do estabelecimento quando o produto esteja sujeito à ST - Substituição Tributária). Nesses casos, no entanto, somente os itens indicados como sendo bonificados (com os códigos pertinentes já mencionados) é que foram considerados para fins de lançamento; Atentando-se para os valores relevantes mencionados pela contribuinte, vê-se que, de fato houve equívocos no lançamento do PIS e da Cofins em relação à empresa Londrina Bebidas Ltda. Possivelmente por desatenção, os valores contidos na última linha das planilhas elaboradas pela fiscalização e que acompanham os Termos de Constatação (fls. 109/176), não foram considerados na exigência (num evidente benefício à contribuinte). As diferenças apontadas de PIS e de Cofins (em relação à Londrina Bebidas) correspondem a 2906, 4433 e 3148 caixas com seis unidades de Sukita Pet 2L, nos meses de julho, agosto e setembro de 2011, respectivamente. Como se tratam de produtos cujas exigências não foram efetuadas, cabe apenas a pertinente ressalva para eventual lançamento, observados os prazos legais; Quanto à alegação de que estaria havendo exigência indevida de R$ 1.552.357,68 a título de Cofins em relação ao mês de setembro/2011, analisando-se as planilhas constantes dos autos, especialmente as que acompanham o Termo de Constatação Cofins de fls. 143/176, vê-se que tal afirmação carece de pertinência. A totalização da Cofins contida nas planilhas em relação à empresa Ambev Brasil Bebidas, ou seja R$ 9.381.065,37, encontra-se correta, de acordo com o que foi objeto de lançamento; Nesse contexto, rejeitam-se as alegações da contribuinte; Esclareça-se, por oportuno, que o demonstrativo de fls. 288/352 (“Ajustes Julgamento DRJ”), que integra o presente voto, contempla todos os ajustes que serão feitos em decorrência do presente julgamento, com a indicação, inclusive, das novas totalizações por período e contribuição; Ao responder às intimações, a contribuinte deixou claro que as bonificações em questão não deveriam integrar as bases de cálculo do PIS e da Cofins e que, por esse motivo, no seu entendimento, não existiriam valores devidos e não recolhidos a mesmo título, razão julgada suficiente (pela contribuinte) para a não apresentação das planilhas e dos demonstrativos solicitados; Fl. 2992DF CARF MF http://www.nfe.fazenda.gov.br/portal/principal.aspx Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 Analisando-se o fundamento legal que serviu de base para o agravamento da multa e cotejando esse fundamento com a argumentação que a contribuinte apresentou na sua resposta de 28/09/2015 (e em todas as demais que constam dos autos), soa claro que, apesar de as planilhas e os demonstrativos não terem sido apresentados, os esclarecimentos prestados se mostram compatíveis com tal procedimento. Acresça-se, a isso, o fato de que, consoante informação contida nos Termos de Constatação, as planilhas foram preenchidas pela própria fiscalização com base nas informações obtidas no sistema “Receitanetbx - notas fiscais eletrônicas” (fls. 111) e, com base nessas planilhas, os demonstrativos relativos ao PIS e à Cofins, também acabaram sendo elaborados de ofício. À vista do ocorrido, entende-se que, apesar de as intimações não terem sido atendidas “nos seus exatos termos”, os esclarecimentos foram prestados e devem ser considerados suficientes, dentro do contexto apresentado. Em assim sendo, entende-se descabido o agravamento efetuado. A empresa AMBEV foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 20/03/2017 (folhas 384). A Empresa AMBEV ingressou com Recurso Voluntário em 19/04/2017, de folhas 387 a 413. Foi alegado que: Sucede que não é dado às autoridades julgadoras administrativas alterar a motivação legal e fática exposta no lançamento de ofício. Sua função, pelo contrário, restringe-se ao exame da procedência ou não das acusações nos estritos termos em que formuladas por ocasião da constituição do crédito tributário. Logo, se os motivos fáticos e jurídicos do lançamento diferem da motivação da decisão que o julga procedente, há alteração do critério jurídico, em violação aos arts. 142, 145 e 146 do CTN, como, aliás, prevê o art. 18, §3°, do Decreto 70.235/1972; O procedimento adotado pela DRJ afronta a legalidade que deve orientar a realização de autuações fiscais e sua revisão administrativa, além da segurança jurídica que deve nortear as relações Fisco- contribuinte (dimensão da relação Estado-cidadão); No caso, a Recorrente viu-se, num primeiro momento, obrigada a demonstrar apenas que as normas relativas ao regime de tributação ad rem admitem a exclusão das bonificações do cálculo do PIS e da COFINS, bem como a impossibilidade de aplicar simplesmente as maiores alíquotas do regime especial para os produtos bonificados; Entretanto, a prevalecer a decisão da DRJ, a Recorrente estaria obrigada a: (a) se defender de acusação até então não formulada, qual seja, a suposta inobservância de requisitos formais no preenchimento das notas fiscais; e (b) analisar a exatidão das alíquotas e valores lançados de ofício pela DRJ; Fl. 2993DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 Nesse caso, estar-se-ia admitindo que a instância julgadora usurpasse a competência autoridade lançadora e, ao mesmo tempo, deixasse de exercer a função jurisdicional que lhe é inerente. Como consequência, o CARF teria de apreciar, em primeira mão, o inconformismo do contribuinte, caracterizando-se evidente supressão de instância. O direito de defesa seria frontalmente violado; Por isso, ante os vícios materiais cometidos pela Fiscalização, ao invés de “refazer” o trabalho fiscal, deveria a DRJ ter cancelado integralmente os Autos de Infração por iliquidez e incerteza, na esteira de jurisprudência pacífica desse E. CARF; Portanto, ante ao reconhecimento expresso pela DRJ da iliquidez e incerteza dos autos de infração (vício material decorrente da aplicação de alíquotas incorretas sobre os produtos autuados e de inúmeros erros na apuração da base de cálculo dos tributos) e também em razão da indevida inclusão de “novos” motivos justificantes do lançamento de ofício, deve ser integralmente cancelada a exigência, já que esta não pode ser refeita pelos julgadores administrativos; Caso assim não se entenda, o que se admite para argumentar, de duas alternativas possíveis, uma deverá ser adotada: (1) deve ser reaberto o prazo para impugnação dos cálculos e novos argumentos apresentados pela DRJ, já que isso equivale a um novo lançamento fiscal; OU (2) deve o feito ser baixado em diligência, a fim de que se apurem os valores e quantidades corretos das mercadorias bonificadas no período; A par do que já se expôs no tópico anterior, cumpre salientar a manifesta improcedência da assertiva utilizada pela DRJ para manter os AIIMs, no sentido de que: “não houve a adoção de tabelas revogadas ou de alíquotas ilegais ou mesmo o incorreto enquadramento das mercadorias “dentro” dos grupos constantes das tabelas aplicadas. O que houve, na verdade, foi a simples adoção dos maiores valores indicados, pela contribuinte, nos Dacon transmitidos e, por conseqüência, a não adoção das tabelas previstas na legislação, além do não enquadramento das mercadorias conforme as aludidas tabelas” (fl. 367); A alegação é descabida, pois a própria DRJ reconheceu que a Fiscalização enquadrou incorretamente as mercadorias autuadas “dentro” dos grupos das tabelas constantes do Decreto n. 6.904/2009 (que vigorou até 03/04/2011), que já havia sido revogado pelo Decreto n. 7.455/2011 (cf. quadro comparativo anexo à impugnação); Como a própria decisão recorrida atesta que houve a adoção de tabelas revogadas e a utilização de alíquotas inaplicáveis aos produtos autuados, fica clara a iliquidez e incerteza do crédito tributário e a tentativa - ilegal - de revisar os critérios jurídicos adotados pela autoridade lançadora para dimensionar o crédito tributário; Mesmo porque, a pretensa correção levada a efeito pela DRJ (1) implicou agravamento da exigência com relação a alguns produtos, por Fl. 2994DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 se utilizar de alíquotas maiores do que as constantes do lançamento (cf. quadro exemplificativo 1) e (2) não extirpou do lançamento todos os erros cometidos, havendo a manutenção de enquadramento equivocado de algumas mercadorias (cf. quadro exemplificativo 2); Além dos diversos erros cometidos no enquadramento das mercadorias pela Fiscalização e, também, pela DRJ, no refazimento do trabalho fiscal, persistiram diversos equívocos na quantificação dos produtos saídos em bonificação; A DRJ procedeu a ajustes na listagem do “Guaraná Antarctica Ice Pet 2l” e nos chopes, ignorando os demais erros existentes no trabalho fiscal efetuado sob a alegação de que haveria “ausência de indicação de quantidade na descrição” dos produtos, o que teria levado a Fiscalização a agir “acertadamente”; Contudo, a despeito do quanto aduzido no v. decisum, há diversos erros evidentes na autuação que foram mantidos pela DRJ. É o caso, por exemplo, da “Sukita Mix Bag in Box 18L”, em que a unidade de medida é litro, mas a Fiscalização, no que foi corroborada pela DRJ, considerou sua unidade. É o que se vê na nota fiscal do produto (doc. j.); A imprestabilidade do trabalho fiscal se percebe ainda mais evidente quando se vê que a própria DRJ não logrou êxito em refazê-lo - o que, à toda evidência, lhe era vedado. Portanto, não há dúvidas quanto à iliquidez do lançamento e a imprestabilidade do trabalho fiscal levado a efeito tanto pela Fiscalização quanto pela DRJ, sendo de rigor o cancelamento da autuação; Se não fosse suficiente ainda a demonstração de iliquidez e incerteza do lançamento fiscal, a impor o cancelamento do auto de infração, seria forçosa a exclusão, em qualquer caso, das operações efetuadas por centros de distribuição, sujeitas à alíquota zero de PIS/COFINS; Com efeito, a DRJ manteve as receitas auferidas pelos estabelecimentos atacadistas, alegando que “a opção pelo regime especial... alcança todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante”, de modo que “apesar do CNAE de alguns estabelecimentos da pessoa jurídica não indicarem a atividade de industrialização, uma vez que os produtos por elas comercializados são fabricados pelo estabelecimento matriz ou mesmo importados, há que se manter o lançamento fiscal”; A afirmação da DRJ não se sustenta, na exata medida em que a admitir implica que uma mesma mercadoria possa ser tributada duas vezes pelo PIS e pela COFINS monofásicos, o que viola frontalmente a legislação de regência; Consequentemente, parte substancial da exigência corresponde a saídas sujeitas à alíquota zero de PIS/COFINS, o que reforça a iliquidez e incerteza da autuação (já apontada no item anterior), tendo em vista a impossibilidade de refazimento de todo o trabalho fiscal, devendo ser cancelada a autuação; Fl. 2995DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 Mesmo que se considere não configurada a alteração nos fundamentos dos lançamentos pela DRJ, o que assume para argumentar, ainda assim é mandatória a conclusão pela improcedência do crédito tributário, face aos inúmeros vícios materiais das autuações, descritos em impugnação e parcialmente acatados no julgamento de 1° grau, bem como daqueles que ainda persistem, conforme descritos nos subitens antecedentes do presente tópico. Tais elementos demonstram a iliquidez e incerteza dos valores exigidos em frontal oposição ao que estabelece a legislação; Mesmo tendo acesso às notas fiscais nas quais constam as informações relativas às mercadorias cedidas em bonificação, a autoridade lançadora pretendeu transferir à Recorrente o ônus (que é da Administração) de apurar o crédito tributário e, como esta não fez o “Demonstrativo de Cálculo” solicitado, aquela optou, comodamente, por aplicar a todos os produtos cedidos em bonificação aquilo que lhe pareceu serem as “maiores alíquotas” que encontrou nas demonstrações fiscais do período, sem proceder ao enquadramento específico de cada tipo de produto nas tabelas divulgadas pela Receita Federal do Brasil, com os valores de PIS/COFINS; Em outras palavras, a Fiscalização fez um arbitramento baseado na presunção de que todos os produtos seriam do tipo sujeito às maiores alíquotas de PIS/COFINS, criando verdadeira “pauta fiscal”, sem o atendimento dos requisitos do art. 148 do Código Tributário Nacional, contrariando a orientação firmada pelos Tribunais Superiores; No caso de bebidas frias, o art. 58-J da Lei n. 10.833/2003 facultava aos fabricantes a opção por regime especial de apuração e pagamento do PIS e da COFINS (denominado “REFRI”), consistente na aplicação de alíquotas específicas fixadas pelo Executivo (valor-base), levando em conta o tipo de produto e marca comercial, a partir de preço- médio (preço de referência); Como o regime especial se aplica para efeito de “apuração” e “pagamento” dos tributos, é forçoso concluir que as normas que o disciplinam dizem respeito apenas ao aspecto quantitativo da obrigação tributária. Não interferem com o elemento material da obrigação, que supõe a obtenção de receita, como prevê a norma de incidência tributária; Portanto, o arcabouço normativo aplicável para efeito de apuração dos valores de PIS/COFINS devidos pelos optantes do REFRI (regime especial ad rem), como era o caso da Recorrente, restringia o recolhimento das contribuições aos volumes de bebidas alienadas onerosamente a terceiros, cabendo ao contribuinte realizar os ajustes necessários para viabilizar a correta tributação de suas mercadorias; Nessa conformidade, a Recorrente excluiu da apuração das contribuições as bebidas transferidas gratuitamente a terceiros, a título de bonificação. Assim procedeu porque não há, nesse caso, comercialização que gere receita tributável, mas sim uma espécie de “doação, no interesse comercial do vendedor”, conforme definido, há Fl. 2996DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 muito, pelo Supremo Tribunal Federal (2a Turma - RE 89.692/RJ - Rel. Min. Cordeiro Guerra - DJ: 04/05/1979); Em primeiro lugar, basta a leitura da impugnação para ver que a Recorrente não defende seja conferido o mesmo tratamento fiscal aos descontos incondicionais e às bonificações. A alegação da DRJ de que, na fase de Fiscalização, teria sido sustentada a equiparação das figuras é manifestamente contrária à literalidade do texto transcrito no acórdão (fl. 358), no qual a autuada esclarece que ela “concede bonificações a seus clientes em detrimento dos descontos incondicionais”. Na medida em que a empresa disse que concede bonificação, e não desconto incondicional, é evidente que ela não entende que as figuras são a mesma coisa. E mesmo que tivesse dito isso - o que não fez - evidentemente, compete ao Fisco enquadrar juridicamente os fatos, como de praxe. E cabe ao contribuinte defender-se de eventual acusação, em impugnação; Deveria a DRJ, portanto, ter analisado os fundamentos da impugnação, o que, todavia, não fez. Se tivesse cumprido seu dever, ela não teria afirmado que “no entender da impugnante, as bonificações concedidas devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS da mesma forma, e com base no mesmo dispositivo legal, que os descontos incondicionais concedidos”. Afinal, não foi isso o que a Recorrente sustentou na impugnação; Na realidade, as razões declinadas pela Recorrente para o cancelamento dos Autos de Infração fundam-se justamente na ilegalidade da equiparação pretendida pelo Fisco entre descontos e bonificações e na ausência do fato gerador do PIS e da COFINS na saída gratuita de mercadorias bonificadas; Isso porque o desconto é o abatimento do preço da mercadoria, enquanto a bonificação, como visto, é uma espécie de doação vinculada ao contrato de compra e venda. A distinção é relevante, pois há situações em que é possível conceder desconto, mas inviável conceder bonificação; Assim, se está correta a afirmação da Fiscalização de que o desconto incondicional no preço da mercadoria não tem qualquer relevância para o regime especial de apuração do PIS/COFINS (ad rem), já que o valor da operação só é levado em conta para medir a receita tributável no regime geral tributação (ad valorem), está equivocada a aplicação pura e simples de tal entendimento às bonificações, pois as mercadorias cedidas graciosamente não geram receita alguma (acréscimo patrimonial) para o vendedor (mas apenas para o adquirente) e, dessa maneira, estão fora campo de incidência das contribuições, quer no regime geral, quer no especial; Na realidade, as bonificações configuram CUSTOS de prática comercial (comum no segmento de bebidas) com a finalidade de impulsionar o volume de vendas. É que, por meio da sua concessão, pressiona-se o revendedor a comercializar mais produtos, já que a Fl. 2997DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 maior quantidade disponível permite a redução da margem unitária. Com isso, aumenta-se o consumo dos produtos fabricados pelas indústrias de bebidas, ampliando o seu mercado e gerando receitas novas, estas sim tributáveis; Assim, a única forma de compatibilizar o regime ad rem com o critério material do PIS/COFINS, é considerar viável a adoção de alíquotas específicas em moeda e de base de cálculo em quantidades de bebida na medida em que, unidas, tais grandezas captem a realidade econômica gravada e mensuram adequadamente, qual seja, a RECEITA do respectivo vendedor. Não é porque que se usa critério quantitativo alternativo que a hipótese de incidência deixa de supor efetivo (e não ficto) acréscimo patrimonial. Só há PIS e COFINS em relação aos produtos cujas saídas tiverem como contrapartida receita. O regime especial não torna tributáveis mercadorias saídas a título gratuito, das quais não decorre fluxo patrimonial para o alienante; Vale dizer, o REFRI não pode ser aplicado de forma a incluir no campo de incidência do PIS/COFINS mercadorias que não sejam vendidas e, por isso, não geram receita para o vendedor. Também no regime ad rem, a saída da bebida é necessária, mas não suficiente, para a caracterização do fato gerador das contribuições. É preciso que a saída seja onerosa. Do contrário, não haverá tributação (atipicidade), por insatisfeito o critério material do PIS e da COFINS (repita-se: auferir receitas); Acrescente-se que o sistema CFOP possui códigos distintos para as mercadorias comercializadas e bonificadas (códigos ns. 5910 e 6910), o que realça os diferentes tratamentos aplicáveis a umas e outras; Sucede, todavia, que a Fiscalização jamais questionou a lisura dos procedimentos adotados ou o preenchimento dos requisitos para a caracterização da bonificação; Além disso, a DRJ baseia suas conclusões em normas aplicáveis em matéria de IRPJ (IN SRF 51/78 e Parecer SCT/SIPR 1.386/82), as quais não podem ser estendidas ao presente caso, por analogia, para exigir tributos (PIS/COFINS) indevidos, tendo em vista a vedação contida no art. 108, §1°, do CTN. Mesmo porque, o tratamento nelas previsto seria aplicável às bonificações que “revestissem a forma de desconto incondicional”, o que não está em discussão neste caso, já que não se trata de reduzir a base de cálculo de PIS/COFINS no regime ad valorem de tributação, mas sim de reconhecer a inocorrência do seu fato gerador no regime especial ad rem; Daí a necessidade de reforma do acórdão recorrido, a fim de que seja integralmente cancelada a exigência de PIS/COFINS sobre mercadorias bonificadas ora discutida. - Conclusão e pedido. Por todo o exposto e ratificando o que consta da impugnação, como se aqui estivesse transcrito (e se deixa de fazer para fins de economia processual), pede e espera a Fl. 2998DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 Recorrente seja conhecido e provido o presente apelo, sem prejuízo de ser negado provimento ao Recurso de Ofício, a fim de que sejam integralmente cancelados os autos de infração lavrados, por sua manifesta ilegalidade. Em 23 de outubro de 2018, através da Resolução n° 3302-000.898, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para que: 1. A autoridade preparadora apure os valores e quantidades das mercadorias bonificadas no período; e 2. A autoridade preparadora identifique as notas fiscais que saíram em bonificação, doação ou brinde para que a empresa AMBEV possa se pronunciar quais delas foram canceladas. Em cumprimento a Resolução n° 3302-000.898, proferida pela 3a Câmara/ 2a Turma Ordinária, da Terceira Seção foram juntados ao presente processo os arquivos não- pagináveis, contendo planilhas com a relação de notas fiscais que saíram do estabelecimento do contribuinte através do CFOP 5910 e 6910, relativas aos meses de julho/2011, agosto/2011 e setembro/2011. Regularmente intimada da resposta da autoridade preparadora, a empresa se manifestou a partir das e-folhas 2.912. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 20 de março de 2017, via Aviso de Recebimento, às folhas 384 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 19 de abril de 2017, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da impossibilidade de alteração dos lançamentos pela Delegacia Regional de Julgamento. Iliquidez e incerteza; Da adoção de tabelas revogadas e incorreto enquadramento das mercadorias autuadas nos grupos nelas previstos – reconhecimento pela DRJ; Do erro na quantificação das mercadorias saídas em bonificação; Fl. 2999DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 Da exclusão de produtos comercializados por centros de distribuição; Da exclusão de produtos aos quais não se deu saída em bonificação; Do dever de reconhecimento da iliquidez e incerteza das autuações independentemente da conclusão pela configuração de alteração dos fundamentos dos lançamentos; Da ilegitimidade das exigências de PIS e COFINS sobre produtos saídos em bonificação. Do Recurso de Ofício: O fundamento legal que serviu de base para o agravamento da multa não se mostra compatível com os esclarecimentos prestados. Em assim sendo, entende-se descabido o agravamento efetuado. - Recurso de Ofício. Multa de ofício. Previsão legal e percentual (150%). MULTA PROPORCIONAL R$ 24.773.201,17 O dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351 - DE 22 DE JANEIRO DE 2007 - DOU DE 22/1/2007 - Edição extra) Alterada pela LEI Nº 11.488 - DE 15 DE JUNHO DE 2007 - DOU DE 15/5/2007 - Edição extra I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifou-se.) o Lei nº 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Pinçam-se os itens 05 à 09 do Termo de Verificação Fiscal, e-folhas 144 e 145: Fl. 3000DF CARF MF http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/45/2007/351.htm http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/45/2007/351.htm http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/2007/11488.htm http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/2007/11488.htm Fl. 17 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 Intimamos o contribuinte através da Intimação datada de 15/09/2015 a apresentar esclarecimentos, por escrito, quanto ao critério utilizado na apuração do PIS e da COFINS no ano-calendário de 2011. No caso de ser optante da tributação ad rem, ou seja, pela quantidade produzida de bebidas, de acordo com o Regime Especial de Tributação das Bebidas Frias, também conhecido como “REFRI”, amparado pelo Decreto 6.707/2008, apresentar planilha identificando as bonificações na venda de bebidas, cujas quantidades não foram objeto do cálculo do PIS e da COFINS, uma vez que segundo o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil a exclusão dos descontos incondicionais é prevista para a base de cálculo do Regime Geral fart. l°t da Lei 10.833/2003). Os parágrafos 2° e 3° deixam claro que a exclusão dos descontos incondicionais é permitida exclusivamente para a base de cálculo do artigo 1°, que é o valor do faturamento. Este artigo, ou outro semelhante em alguma legislação pertinente, não pode ser usado para justificar a não inclusão das bonificações ou outros descontos incondicionais na base de cálculo do Regime Especial de Tributação, que é a quantidade vendida. A mencionada planilha deve conter a data da emissão da nota fiscal de bonificação; o CFOP; o número da nota fiscal; a descrição da mercadoria contida na nota fiscal; NCM; quantidade (litros). Com base nos dados informados na planilha acima mencionada, elaborar demonstrativo de cálculo informando, més a mês o valor do PIS e da COFINS devido e não recolhido relativo as bonificações do ano- calendário de 2011, de acordo com o Decreto 6.707/2008; Em resposta à intimação supra, o contribuinte esclarece que no ano- calendário de 2011 apurou as Contribuições do PIS e da COFINS de acordo com o Regime de Tributação de Bebidas Frias “REFRI”, amparado pelo Decreto n° 6.707/2008. O contribuinte não apresentou o demonstrativo de cálculo solicitado por esta fiscalização, logo, através da Reintimação datada de 10/11/2015, o contribuinte foi reintimado a apresentar o demonstrativo de cálculo informando, mês a mês o valor do PIS e da COFINS devido e não recolhido relativo as bonificações do ano-calendário de 2011, de acordo com o Decreto 6.707/2008; O contribuinte não apresentou o Demonstrativo de cálculo solicitado na Reintimação acima mencionada; Diante do exposto, elaboramos o competente Auto de Infração - COFINS - REFRI, referente aos meses de julho/2011; agosto/2011 e setembro/2011; conforme planilha “Demonstrativo da COFINS devida sobre bonificações através do Regime de Apuração - REFRI” anexa ao presente Termo; (Grifo e negrito próprios do original) Em relação a multa de ofício de 75%, esta foi aumentada em 50%, passando a ser de 112,50%, calculada sobre o crédito tributário decorrente do não recolhimento da COFINS e do PIS sobre as notas fiscais de bonificação, de acordo com o Art. 44, parágrafo 2°, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 e alterações posteriores; (destaquei). Inicialmente, a ação fiscal alicerçou os fatos relatados na conduta tipificada no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, sonegação. Em resposta à intimação supra, o contribuinte esclarece que no ano- calendário de 2011 apurou as Contribuições do PIS e da COFINS de acordo com o Regime de Tributação de Bebidas Frias “REFRI”, amparado pelo Decreto n° 6.707/2008. O contribuinte não apresentou o demonstrativo de cálculo solicitado por esta fiscalização, logo, através da Reintimação datada de 10/11/2015, o contribuinte foi reintimado a apresentar o demonstrativo de cálculo informando, mês a mês o valor do PIS e da COFINS devido e não recolhido relativo as bonificações do ano-calendário de 2011, de acordo com o Decreto 6.707/2008; O contribuinte não apresentou o Demonstrativo de cálculo solicitado na Reintimação acima mencionada; Fl. 3001DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 Por outro lado, o Acórdão de Impugnação assim se manifestou para afastar a multa de ofício qualificada, às folhas 23 e 24 daquele documento: Ao responder às intimações, a contribuinte deixou claro que as bonificações em questão não deveriam integrar as bases de cálculo do PIS e da Cofins e que, por esse motivo, no seu entendimento, não existiriam valores devidos e não recolhidos a mesmo título, razão julgada suficiente (pela contribuinte) para a não apresentação das planilhas e dos demonstrativos solicitados. Analisando-se o fundamento legal que serviu de base para o agravamento da multa e cotejando esse fundamento com a argumentação que a contribuinte apresentou na sua resposta de 28/09/2015 (e em todas as demais que constam dos autos), soa claro que, apesar de as planilhas e os demonstrativos não terem sido apresentados, os esclarecimentos prestados se mostram compatíveis com tal procedimento. Acresça-se, a isso, o fato de que, consoante informação contida nos Termos de Constatação, as planilhas foram preenchidas pela própria fiscalização com base nas informações obtidas no sistema “Receitanetbx - notas fiscais eletrônicas” (fls. 111) e, com base nessas planilhas, os demonstrativos relativos ao PIS e à Cofins, também acabaram sendo elaborados de ofício. À vista do ocorrido, entende-se que, apesar de as intimações não terem sido atendidas “nos seus exatos termos”, os esclarecimentos foram prestados e devem ser considerados suficientes, dentro do contexto apresentado. Em assim sendo, entende-se descabido o agravamento efetuado. Discorda-se do entendimento esposado no Acórdão de Impugnação. Na medida em que a empresa não atendeu a intimações, houve omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que autoriza a tipificação da multa de ofício qualificada. Pinça-se o seguinte fragmento, às folhas 18 do Recurso Voluntário: Mesmo tendo acesso às notas fiscais nas quais constam as informações relativas às mercadorias cedidas em bonificação, a autoridade lançadora pretendeu transferir à Recorrente o ônus (que é da Administ ração) de apurar o crédito tributário e, como esta não fez o “Demonstrativo de Cálculo” solicitado, aquela optou, comodamente, por aplicar a todos os produtos cedidos em bonificação aquilo que lhe pareceu serem as “maiores alíquotas” que encontrou nas demonstrações fiscais do período, sem proceder ao enquadramento específico de cada tipo de produto nas tabelas divulgadas pela Receita Federal do Brasil, com os valores de PIS/COFINS. (Grifo nosso) É o próprio Recorrente admitindo que não apresentou o “Demonstrativo de Cálculo” e essa omissão voluntária fez a fiscalização incorrer em erro, a ponto de prejudicar a própria lavratrura do Auto de Infração. Como será analisado alhures, antes da preclusão administrativa, ou do trânsito em julgado, não há de fato modificação do lançamento, e quando do procedimento do lançamento ambas as partes devem agir de boa-fé, sobretudo no fornecimento de informação. Em não agindo assim, não fornecendo informações, a empresa induziu a erro. Fato que não pode ser ignorado e tampouco permitir que a empresa se locuplete dessa situação com a nulidade do Auto de Infração. Portanto, dou provimento ao Recurso de Ofício. Passa-se à análise. Fl. 3002DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 A autuação ocorreu devido à constatação de que bonificações feitas em bebidas, consideradas pela contribuinte como descontos incondicionais, foram excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins (incidência não-cumulativa). É alegado às folhas 20/21 do Recurso Voluntário: No regular exercício da competência constitucional, a legislação do PIS/COFINS não cumulativos vigente na época dos fatos elegia como fato gerador desses tributos o '“faturamento mensal ” e, como base de cálculo, O “total das receitas auferidas no pela pessoa jurídica” (art. 1°, caput c/c §§1° e 2° das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03), admitindo a exclusão de entradas que não representam verdadeiros acréscimos ao patrimônio. É o caso, por exemplo, das vendas canceladas, descontos incondicionais e, por coerência, das mercadorias concedidas em bonificação (art. 1°, §3° V, das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03), como expressamente reconhecem os AIIMs impugnados (cf. fl. 2 do Termo de Constatação). No caso de bebidas frias, o art. 58-J da Lei n. 10.833/2003 facultava aos fabricantes a opção por regime especial de apuração e pagamento do PIS e da COFINS (denominado “REFRI”), consistente na aplicação de alíquotas específicas fixadas pelo Executivo (valor-base), levando em conta o tipo de produto e marca comercial, a partir de preço- médio (preço de referência). Como o regime especial se aplica para efeito de “apuração” e “pagamento” dos tributos, é forçoso concluir que as normas que o disciplinam dizem respeito apenas ao aspecto quantitativo da obrigação tributária. Não interferem com o elemento material da obrigação, que supõe a obtenção de receita, como prevê a norma de incidência tributária. Por essa razão, a legislação só impunha o pagamento de PIS/COFINS sobre os volumes de bebidas vendidos ou revendidos pelos optantes (art. 58-J, §§ 2° e 11, II; e art. 58-M, § 1°)14. Da mesma forma, o preço de referência que definia o valor-base de PIS/COFINS aplicável a cada produto também só levava em consideração o respectivo preço médio de venda praticado no varejo ou pelo sujeito passivo (art. 58-J, § 4°; art./ 58-L). Coerentemente, o art. 27, §2°, do Regulamento do REFRI (Decreto 6.707/08) dispunha que somente as quantidades de bebidas efetivamente comercializadas (objeto de negócios jurídicos a título oneroso) deveriam ser computadas no cálculo das contribuições devidas pela sistemática ad rem: (...) Nessa conformidade, a Recorrente excluiu da apuração das contribuições as bebidas transferidas gratuitamente a terceiros, a título de bonificação. Assim procedeu porque não há, nesse caso, comercialização que gere receita tributável, mas sim uma espécie de “doação, no interesse comercial do vendedor”, conforme definido, há muito, pelo Supremo Tribunal Federal (2a Turma - RE 89.692/RJ - Rel. Min. Cordeiro Guerra - DJ: 04/05/1979). A Recorrente optou pelo regime especial previsto nos artigos 52, 58-J e seguintes da Lei 10.833/2003, segundo o qual as contribuições eram expressas em valores fixos por tipo de produto e marca comercial (sistema ad rem). - Lei 10.833/2003: Art. 52. A pessoa jurídica industrial dos produtos referidos no art. 49 poderá optar por regime especial de apuração e pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto, respectivamente, em: (Produção de efeito) (Vide Decreto n° 5.062, de 2004) (Vide Lei n° 11.727, de 2008) (Vigência) Fl. 3003DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm%23art93 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm%23art93 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/D5062.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/D5062.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art42 Fl. 20 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 I. - água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, R$ 0,0212 (duzentos e doze décimos de milésimo do real) e R$ 0,0980 (noventa e oito milésimos do real); (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) (Vide Decreto n° 5.162, de 2004) II. - bebidas classificadas no código 2203 da TIPI, R$ 0,0368 (trezentos e sessenta e oito décimos de milésimos do real) e R$ 0,1700 (dezessete centésimos do real); III. - preparações compostas classificadas no código 2106.90.10, ex 02, da TIPI, para elaboração de bebida refrigerante do capítulo 22, R$ 0,1144 (um mil, cento e quarenta e quatro décimos de milésimo do real) e R$ 0,5280 (quinhentos e vinte e oito milésimos do real). § 1- A pessoa jurídica industrial que optar pelo regime de apuração previsto neste artigo poderá creditar-se dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51, referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. (Redação dada pela Lei n° 10.925, de 2004) (Vide Lei n° 10.925, de 2004) §-2o Fica vedada qualquer outra utilização de crédito, além daquele de que trata o § 1o. (Revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) § 3o A opção prevista neste artigo será exercida, segundo normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do mês de novembro de cada ano-calendário, produzindo efeito, de forma irretratável, durante todo o ano-calendário subseqüente ao da opção. § 4o Excepcionalmente para o ano-calendário de 2004, a opção poderá ser exercida até o último dia útil do mês subseqüente ao da publicação desta Lei, produzindo efeito, de forma irretratável, a partir do mês subseqüente ao da opção, até 31 de dezembro de 2004. § 5o No caso da opção efetuada nos termos dos §§ 3o e 4o, a Secretaria da Receita Federal divulgará o nome da pessoa jurídica optante e a data de início da opção. § 6o Até o último dia do 3o (terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei: I. - os comerciantes atacadistas e varejistas referidos no inciso I do art. 50 somente poderão excluir da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS o valor das notas fiscais de aquisição dos produtos de que trata o art. 49 emitidas por pessoa jurídica optante; II. - o disposto no inciso II do art. 50 se aplica apenas em relação a receitas decorrentes de operações com pessoa jurídica optante. § 7o A opção a que se refere este artigo será automaticamente prorrogada para o ano- calendário seguinte, salvo se a pessoa jurídica dela desistir, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do mês de outubro do ano-calendário, hipótese em que a produção de efeito se dará a partir do dia 1o de janeiro do ano-calendário subseqüente. (...) Art. 58-J. A pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos de que trata o art. 58-A desta Lei poderá optar por regime especial de tributação, no qual a Contribuição para o PIS/Pasep, a Cofins e o IPI serão apurados em função do valor-base, que será expresso em reais ou em reais por litro, discriminado por tipo de produto e por marca comercial e definido a partir do preço de referência. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (Regulamento) (Revogado pela Lei n° 13.097, de 2015) (Vigência) § 1o A opção pelo regime especial de que trata este artigo aplica-se conjuntamente às contribuições e ao imposto referidos no caput deste artigo, alcançando todos os Fl. 3004DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm%23tabela http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm%23tabela http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm%23art21art52i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm%23art21art52i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/D5162.htm%23art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/D5162.htm%23art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm%23tabela http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm%23tabela http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm%23art5art52%c3%82%c2%a71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm%23art5art52%c3%82%c2%a71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm%23art5art52%c3%82%c2%a71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm%23art17iic http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm%23art16 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.925.htm%23art16 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6707.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6707.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm%23art169iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm%23art169iii Fl. 21 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 estabelecimentos da pessoa jurídica optante e abrangendo todos os produtos por ela fabricados ou importados. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 2o O disposto neste artigo alcança a venda a consumidor final pelo estabelecimento industrial de produtos por ele produzidos. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 3o Quando a industrialização se der por encomenda, o direito à opção de que trata o caput deste artigo será exercido pelo encomendante. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 4o O preço de referência de que trata o caput deste artigo será apurado com base no preço médio de venda: (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I. - a varejo, obtido em pesquisa de preços realizada por instituição de notória especialização; (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) II. - a varejo, divulgado pelas administrações tributárias dos Estados e do Distrito Federal, para efeito de cobrança do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS; ou (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) III - praticado pelo importador ou pela pessoa jurídica industrial ou, quando a industrialização se der por encomenda, pelo encomendante. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 5o A pesquisa de preços referida no inciso I do § 4~ deste artigo, quando encomendada por pessoa jurídica optante pelo regime especial de tributação ou por entidade que a represente, poderá ser utilizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil mediante termo de compromisso firmado pelo encomendante com a anuência da contratada. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 6o Para fins do inciso II do § 4o deste artigo, sempre que possível, o preço de referência será apurado tomando-se por base, no mínimo, uma unidade federada por região geográfica do País. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 7o Para .fins do disposto no inciso III do § 4o deste artigo, os preços praticados devem ser informados à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma a ser definida em ato específico, pela própria pessoa jurídica industrial ou importadora ou, quando a industrialização se der por encomenda, pelo encomendante. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 8o O disposto neste artigo não exclui a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil de requerer à pessoa jurídica optante, a qualquer tempo, outras informações, inclusive para a apuração do valor-base. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 9o Para efeito da distinção entre tipos de produtos, poderão ser considerados a capacidade, o tipo de recipiente, as características e a classificação fiscal do produto. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 10. A opção de que trata este artigo não prejudica o disposto no caput do art 58-B desta Lei. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 11. No caso de omissão de receitas, sem prejuízo do disposto no art. 58-S desta Lei quando não for possível identificar: (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I - a saída do produto, o IPI incidirá na forma dos arts. 58-D a 58-H desta Lei, aplicando-se, sobre a base omitida, a maior alíquota prevista para os produtos abrangidos por esta Lei; (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) Fl. 3005DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 Fl. 22 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 I - a saída do produto, o IPI incidirá na forma dos arts. 58-D a 58-H, aplicando- se, sobre a base omitida, a maior alíquota prevista para os produtos de que trata o art.58-A; (Redação dada pela medida Provisória n° 436, de 2008) (Produção de efeito) I - a saída do produto, o IPI incidirá na forma dos arts. 58-D a 58-H desta Lei, aplicando-se sobre a base omitida a maior alíquota prevista para os produtos de que trata o art. 58-A desta Lei; (Redação dada pela Lei n° 11.827, de 2008) II - o produto vendido, a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidirão sobre as receitas omitidas na forma do art. 58-I desta Lei. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 12. (VETADO) (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 13. A propositura pela pessoa jurídica optante de ação judicial questionando os termos deste regime especial implica desistência da opção. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 14. O Poder Executivo poderá estabelecer alíquota específica mínima por produto, marca e tipo de embalagem.” (Incluído pela medida Provisória n° 436, de 2008) (Produção de efeito) § 14. O Poder Executivo poderá estabelecer alíquota específica mínima por produto, marca e tipo de embalagem. (Incluído pela Lei n° 11.827, de 2008) § 15. A pessoa jurídica industrial que optar pelo regime de apuração previsto neste artigo poderá creditar-se dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51, referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. (Incluído pela Medida Provisória n° 451, de 2008). § 16. O disposto no § 15 aplica-se, inclusive, na hipótese da industrialização por encomenda, desde que o encomendante tenha feito a opção de que trata este artigo. (Incluído pela Medida Provisória n° 451, de 2008). § 15. A pessoa jurídica industrial que optar pelo regime de apuração previsto neste artigo poderá creditar-se dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51 desta Lei, referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. (Incluído pela Lei n° 11.945, de 2009). (Produção de efeito). Concluiu a Fiscalização que não haveria direito à exclusão das bonificações do PIS e da COFINS. As Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, ao definirem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, dispõem, in verbis: Lei n.° 10.637, de 2002 Art. 1.° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1.° Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2.° A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3.°Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I. - decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II. - (VETADO) Fl. 3006DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/436.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/436.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/436.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/436.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11827.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Msg/VEP-430-08.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Msg/VEP-430-08.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/436.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/436.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/436.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11727.htm%23art41 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11827.htm%23art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/451.htm%23art9 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/451.htm%23art9 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/451.htm%23art9 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/451.htm%23art9 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Mpv/451.htm%23art9 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11945.htm%23art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11945.htm%23art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm%23art33 Fl. 23 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 III. - auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV. - de venda dos produtos de que tratam as Leis n.o 9.990, de 21 de julho de 2000, n.o 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e n.o 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV - de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei n.° 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória n.° 413, de 2008) V- referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. I. VI - não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei n.° 10.684, de 30.5.2003) Lei n.° 10.833, de 2003 Art. 1.° A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1.° Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2.° A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3.°Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I. - isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II. - não-operacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III. - auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV - de venda dos produtos de que tratam as Leis n.os 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV - de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei n.° 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória n. ° 413, de 2008) V- referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação Fl. 3007DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 c) de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Em decorrência da opção ao regime especial, portanto, referidas contribuições deixam de ser calculadas com base na receita bruta da venda de bens e serviços, conforme definido pelos artigos 1.° das Leis n.°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e passam a ser calculadas com base na quantidade de litros e do valor-base por unidade de produto. Assim a base de cálculo das contribuições é a quantidade de litros do produto (unidade física de mercadoria - ad rem) e o valor-base por unidade definido a partir de um preço de referência (fixado a partir do preço médio de venda do produto no mercado). As contribuições mencionadas são calculadas em função da receita obtida com a venda das mercadorias (faturamento), o PIS e a Cofins “serão apurados em função do valor-base, que será expresso em reais ou em reais por litro, discriminado por tipo de produto e por marca comercial e definido a partir do preço de referência.” Segundo o Termo de Constatação elaborado pela Fiscalização, as bonificações em mercadorias equivaleriam a descontos incondicionais, acarretando redução no valor do preço de venda dos produtos comercializados. Nessa medida, as bonificações só poderiam ser excluídas do cálculo do PIS e da COFINS quando as contribuições fossem determinadas mediante a aplicação de percentuais sobre a receita bruta (sistema advalorem), nos termos do art. 1° das Leis 10.637/20 02 e 10.833/2003. No entender da impugnante, as bonificações concedidas devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins da mesma forma, e com base no mesmo dispositivo legal, que os descontos incondicionais concedidos. Ocorre que a legislação atinente ao REFRI não traz previsão em relação às mencionadas bonificações concedidas da base de cálculo do PIS e da Cofins, mesmo na hipótese de elas serem equiparadas aos descontos incondicionais concedidos. Como bem asseverado pelo Acórdão de Impugnação, a lista de exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins contida nas Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 - que, por tratar de exclusões deve ser literalmente interpretada (art. 111, do CTN) -, vê-se que nela realmente constam os descontos incondicionais concedidos (art. 1°, § 3°, V, ‘a') mas não constam as bonificações concedidas. Também é citado pelo Acórdão de Impugnação o Parecer CST/SIPR n° 1.386, de 15/06/1982, que se pronunciou a respeito da dedutibilidade das bonificações concedidas em mercadorias para fins de determinação do lucro real e firmou o entendimento de que seu aproveitamento com este fim se daria apenas quando essas se revestissem da forma de desconto incondicional, e que, para tal, seria necessário que a operação (entrega de quantidade maior do que a estipulada) se transformasse em parcela redutora do preço de venda, o que poderia ser feito computando-se, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja ofertar a titulo de bonificação, transformando-se, em cruzeiros (moeda então vigente), o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a titulo de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros (moeda então vigente), que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a titulo de bonificação, chegando-se, assim, ao valor líquido das mercadorias. Por fim, esclarece que se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer Fl. 3008DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias não será dedutível na determinação do lucro real. As estipulações do Parecer CST/SIPR n.° 1.386, de 15/06/1982, acima transcritas, conquanto formuladas para o imposto de renda da pessoa jurídica, têm sido também adotadas para fins de caracterização das bonificações em mercadorias enquanto parcelas redutoras da receita bruta, sob a forma de desconto incondicional, a ser considerada como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem se posicionando, reiteradamente, que “bonificações” devem receber o tratamento de receita tributável: - Acórdão n° 9303-008.247: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 COBRANÇA DE “PEDÁGIO” VIA BONIFICAÇÃO NA FORMA DE DESCONTO. COMISSÃO DE VENDAS. RECEITA TRIBUTÁVEL. A conhecida prática da cobrança de “pedágio” pelas grandes redes varejistas para que passem a fazer pedidos a determinado fornecedor, acertada previamente em contrato, via bonificação na forma de desconto não constante da Notas Fiscais, tem natureza, lato sensu, de comissionamento de vendas, sendo, portanto, receita tributável. - Acórdão n° 3401-005.092. COFINS NÃO-CUMULATIVA. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições não-cumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. - Acórdão n° 3002-363. REGIME CUMULATIVO. BONIFICAÇÃO EM DINHEIRO. RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA. Os valores em dinheiro recebidos pela concessionária a título de bonificação, que não reduzem o valor da nota fiscal de venda e que se efetivam em momento posterior à sua emissão, não constituem descontos incondicionais, mas receita do adquirente e, como tal, estão sujeitos à tributação pela Cofins. - Acórdão n° 9303-006.689 COFINS NÃO-CUMULATIVA. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. Fl. 3009DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 A base de cálculo das contribuições não-cumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. - Da impossibilidade de alteração dos lançamentos pela Delegacia Regional de Julgamento. Iliquidez e incerteza. Para efeitos didáticos, dividiu-se a alegação do Recorrente nos seguintes tópicos: A contribuinte diz que a autoridade fiscal adotou tabelas revogadas, sendo ilegais as alíquotas aplicadas. O Acórdão de Impugnação assim se pronunciou, às folhas 15: Dessa afirmação é possível constatar que, ao contrário do alegado, não houve a adoção de tabelas revogadas ou de alíquotas ilegais ou mesmo o incorreto enquadramento das mercadorias “dentro” dos grupos constantes das tabelas aplicadas. O que houve, na verdade, foi a simples adoção dos maiores valores indicados, pela contribuinte, nos Dacon transmitidos e, por conseqüência, a não adoção das tabelas previstas na legislação, além do não enquadramento das mercadorias conforme as aludidas tabelas. Analisando-se o critério utilizado pela fiscalização, soa claro que não se trata de caso de nulidade do lançamento mas de simples correção para que esse lançamento passe a se conformar com a legislação. Sobre o assunto é alegado no item 05 do Recurso Voluntário: Sobreveio, contudo, o v. acórdão da DRJ que, no que tange à matéria principal, chancelou as razões da Fiscalização e incluiu novo fundamento para a exigência, qual seja, a “necessidade de se computar, na nota fiscal de venda, a quantidade de mercadoria a ser bonificada, como se tal mercadoria fosse vendida (mediante, inclusive, a fixação de preço) e, concomitantemente, subtrair, na mesma nota fiscal, idêntico valor a título de desconto incondicional”. Somente agindo dessa forma é que a pretendida exclusão teria base legal (...)” (fl. 365). No tocante à iliquidez do lançamento, apesar de reconhecer o erro na identificação das normas (alíquotas) aplicáveis ao caso concreto e a “necessidade de se efetuar novos cálculos ” (fl. 367), reputou possível promover “ajustes” no lançamento (rectius, “REFAZÊ-LO”), mediante a aplicação das alíquotas corretas, previstas na legislação. Ainda no que tange à iliquidez do lançamento, apesar de reconhecer inúmeros erros na quantificação das mercadorias, pela adoção de unidades aritméticas incompatíveis com as efetivamente praticadas, a DRJ houve por bem excluir do crédito tributário apenas os erros “expressamente indicados” (embora o houvessem sido apenas exemplificativamente), em vez de decretar a nulidade do lançamento, por iliquidez e incerteza, como seria de rigor. (Grifo e negrito próprios do original) No quadro de folhas 06 do Recurso Voluntário, é apresentado o seguinte motivo adicional, que na visão do Recorrente seria suficiente para eivar o Auto de Infração com nulidade: Motivo novo (adicionado): “(...) mesmo que a contribuinte não houvesse optado pelo regime especial, tal exclusão não seria acatada de plano, já que dependeria da comprovação da adoção de determinados procedimentos. a possibilidade de se excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins (quando estas forem calculadas com base no faturamento) as bonificações concedidas passa pela necessidade de se computar, na nota fiscal de venda, a quantidade de mercadoria a ser bonificada, como se tal mercadoria fosse vendida (mediante, Fl. 3010DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 inclusive, a fixação de preço) e, concomitantemente, subtrair, na mesma nota fiscal, idêntico valor a título de desconto incondicional. Somente agindo dessa forma é que a pretendida exclusão teria base legal (art. 1°, § 3°, V, ‘a' das Leis n°s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003), podendo assim ser efetuada. No caso concreto, todavia, a contribuinte afirma que simplesmente cedeu as mercadorias em bonificação” (fls. 364 e 365) Ainda é alegado às folhas 17 do Recurso Voluntário: No caso concreto, a autoridade lançadora não cumpriu a sua missão de “determinar a matéria tributável” e “calcular o tributo” mediante subsunção dos fatos concretos às normas gerais e abstratas, violando, dessa feita, a norma atributiva de competência. A Fiscalização não efetuou o cálculo do valor tributável do modo prescrito pela legislação do REFRI (a despeito de estar obrigada a fazê-lo), sequer tendo observado os critérios quantitativos da exigência (R$ por litro) vigentes ao tempo dos fatos autuados. Apenas assumiu que as bonificações deveriam ser tributadas e intimou a Recorrente para que fizesse o cálculo que competia à autoridade administrativa. Indubitavelmente o Acórdão de Impugnação procedeu ajustes ao lançamento. E nesse procedimento, entram em confronto dois institutos: A busca pela verdade material, que no presente caso veio favorecer o autuado - através da mitigação do gravame – e a nulidade pelo cerceamento do direito de defesa, já que o autuado teria sido surpreendido por fato (motivo) novo. O crédito tributário é um Direito indisponível tendo em vista que ele pertence a toda a sociedade, assim sendo somente os titulares do Poder Político (que representam a sociedade, pois foram eleitos para isso) tem legitimidade para dispensá-lo. Funcionários do Estado, como os Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não dispõem da necessária legitimidade para dispensar qualquer crédito tributário, pelo contrário, estão expressamente obrigados a exigi-lo, conforme se depreende dos arts. 141 e parágrafo único do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifos acrescidos) Uma questão a se analisar é se mesmo diante da indisponibilidade desse crédito tributário a lei engessa a administração, ou seja, exige que fiscalização seja infalível na exigência de um crédito existente no momento do lançamento. Alguns doutrinadores entendem que sim, devido aos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional que dispõe, in verbis: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 3011DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 Pedindo a devida vênia, entendo que se os textos dos art. 146 do CTN quisesse tornar engessados e imutáveis os critérios jurídicos adotados nos lançamentos e as provas apresentadas pela fiscalização eles diriam mais ou menos o seguinte: art. 146. Não cabe modificação de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. De se lembrar, ainda, que a exegese deve ser procedida de forma a não conduzir ao absurdo. Pelo uso da boa lógica, se depreende que é admissível a modificação do critério jurídico no curso do Processo Administrativo Fiscal porque o termo constante no art. 146 do CTN “modificação introduzida em conseqüência de decisão administrativa ou judicial” leva a concluir irrefragavelmente pela existência da preclusão administrativa. Antes da preclusão administrativa, ou do trânsito em julgado, não há de fato modificação por decisão administrativa ou judicial, pois na relação jurídica qualquer modificação para ser efetiva requer a definitividade da decisão administrativa ou judicial. Assim, quando se trata do crédito tributário a exigência fiscal não pode ser olhada através das lentes próprias para relações entre particulares, ou seja, o art. 146 do CTN não pode ser colocado no mesmo frasco, mesmo porque o art. 145, I do CTN, ampliando as hipóteses do art. 149 do mesmo diploma legal, expressamente abre a possibilidade de a autoridade julgadora determinar a alteração do lançamento ao dispor, in verbis: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício; III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149. O artigo 149 do Código Tributário Nacional assim determina: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; Fl. 3012DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Conclui-se, assim, que diante da indisponibilidade do crédito tributário o contribuinte não estará sujeito apenas à análise do lançamento da forma que lhe seja benéfica, mas também que possa lhe ser prejudicial, pois a autoridade lançadora, na busca da verdade material poderá apurar a exatidão dos fatos. Portanto, é perfeitamente cabível o procedimento do Acórdão de Impugnação em querer ajustar o lançamento em questão à realidade dos fatos, conforme as alíquotas vigentes conforme a legislação aplicável. Questão distinta, mas igualmente imponível é saber se o alegado fato (motivo) novo veiculado no Acórdão de Impugnação macula o lançamento com a nulidade. Entende-se que não, pois o tal fato - Motivo novo (adicionado), na ótica do Recorrente - ... mesmo que a contribuinte não houvesse optado pelo regime especial, tal exclusão não seria acatada de plano, já que dependeria da comprovação da adoção de determinados procedimentos – se traduz em justificativa, que embasa a motivação adotada pelo Acórdão de Impugnação, e não em fato / motivo novo. Para tanto, às folhas 09 do Recurso Voluntário, é alegado: Entretanto, a prevalecer a decisão da DRJ, a Recorrente estaria obrigada a: (a) se defender de acusação até então não formulada, qual seja, a suposta inobservância de requisitos formais no preenchimento das notas fiscais; e (b) analisar a exatidão das alíquotas e valores lançados de ofício pela DRJ. Ocorre que ambos os itens – (a) e (b) – decorrem de exigências legais, por sinal, fatos impeditivos em relação à demanda do Recorrente. Todos devem conhecer da Lei, Iuri et de Iuri, princípio basilar do Direito (LICC). O julgador de 1a instância, no exercício de sua convicção racional, nada mais fez que trazer aos autos (demonstrar) a existência desses impedimentos legais, de conhecimento público, em nada inovando o fulcro da ação fiscal. Isso não pode ser assumido como preterição a direito de defesa e tampouco como mácula de nulidade ao presente lançamento. Argui que a fiscalização não identificou a tabela aplicável ao tipo de tributo; O Acórdão de Impugnação assim se pronunciou, às folhas 15: De fato, uma vez que, como no presente caso, foram identificados os produtos, inclusive as marcas e as quantidades envolvidas, fls. 113/142 e 147/176, não parece razoável nem conforme a legislação adotar-se valores outros que não os fixados no Decreto n° 6.707, de 23 de dezembro de 2008, mais especificamente nas tabelas contidas no seu Anexo III (na redação dada pelo Decreto n° 7.455, de 2011 - em vigor ao tempo dos fatos geradores analisados). Nesse contexto, e diante da necessidade de se efetuar novos cálculos, procedeu-se à elaboração das tabelas de fls. 288/352 (Ajustes Julgamento DRJ - anexo integrante do presente voto). No quadro de folhas 07 do Recurso Voluntário, é apresentado o seguinte motivo adicional, que na visão do Recorrente seria suficiente para eivar o Auto de Infração com nulidade: Fl. 3013DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 Motivo novo (adicionado): “Nesse contexto, e diante da necessidade de se efetuar NOVOS CÁLCULOS, procedeu-se à elaboração das tabelas de fls. 288/352 (Ajustes Julgamento DRJ - anexo integrante do presente voto)” (fl. 367) Como abordado no tópico anterior, diante da indisponibilidade do crédito tributário, é perfeitamente cabível o procedimento do Acórdão de Impugnação em querer ajustar o lançamento em questão à realidade dos fatos, conforme as alíquotas vigentes conforme a legislação aplicável. Ao proceder ao enquadramento da tributação da litragem dada em bonificação por marca comercializada, a fiscalização simplesmente verificou o tipo de bebida e utilizado os maiores valores de PIS e Cofins da categoria, abstendo-se de avaliar quais as quantidades, por marcas, conferidas em concreto a título de bonificação. O Acórdão de Impugnação assim se pronunciou, às folhas 15/16: Apesar de a contribuinte referir-se apenas aos refrigerantes, ao revisar as aludidas planilhas constatou-se que alguns equívocos também foram cometidos pela fiscalização quando da quantificação de parte das saídas de chope em barril. Em decorrência, à vista do contido na legislação, entende-se que também esses equívocos merecem ser corrigidos. O quadro abaixo demonstra as quantidades totais apuradas e lançadas relativamente às saídas de chope em barril das empresas Cia de Bebidas das Américas (CNPJ 02.808.708/0001-07) e Ambev Brasil Bebidas (CNPJ 73.082.158/0001-21): Em decorrência dos equívocos constatados, no demonstrativo “Ajustes Julgamento DRJ”, anexo integrante do presente voto (fls. 288/352), as quantidades totais a serem consideradas (nos termos do art. 60 do Decreto n° 70.235, de 1972) serão as constantes das planilhas de notas fiscais emitidas (limitadas aos itens efetivamente lançados e aos Fl. 3014DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 CNPJ envolvidos). Quanto aos itens que, eventualmente, não tenham sido objeto de lançamento, fica a pertinente ressalva, observados os prazos legais. Considerando a não indicação expressa de outros erros, relativamente às quantidades bonificadas, adotam-se as demais quantidades mencionadas nos demonstrativos fiscais como corretas. Tal qual como reiteradamente abordado, diante da indisponibilidade do crédito tributário, é perfeitamente cabível o procedimento. Houve a incorreta autuação, por parte da fiscalização. de produtos comercializados por centros de distribuição, pois a fiscalização ignorou o fato de que, na vigência do REFRI, a incidência do PIS/Cofins era concentrada nos estabelecimentos fabricantes de bebidas; O Acórdão de Impugnação assim se pronunciou, às folhas 17/18: Conforme relatado, a contribuinte alega que a fiscalização teria incluído indevidamente no lançamento as saídas de mercadorias promovidas por estabelecimentos que seriam estritamente comerciais e “que à época dos fatos gozavam de alíquota zero das contribuições em causa” (fl. 205). Para comprovar, a contribuinte junta cópias de notas fiscais (fls. 272/276) e de extrato (fl. 277) obtido junto à Secretaria de Estado da Receita do Governo do Estado do Rio de Janeiro, relativos a filiais da empresa Cia de Bebidas das Américas - Ambev, CNPJ 02.808.708/0001-07. No referido extrato, que se refere ao CNPJ 02.808.708/0047-81, consta a informação de que tal filial, já baixada, seria um centro de distribuição (CDD Centro). Consultando-se o sistema de controle de DIPJ da RFB verifica-se, na DIPJ 2012 (ano- calendário 2011) que se encontra ativa e que foi entregue em 10/12/2013, que a atividade econômica do estabelecimento matriz da pessoa jurídica (CNPJ 02.808.708/0001-07) é a fabricação de cervejas e chopes. Aludida atividade econômica, aliás, é a mesma que consta do cadastro nacional de pessoas jurídicas quando se consulta o CNPJ n° 02.808.708/0001-07, ou seja: CNAE: 1113-5-02 Fabricação de cervejas e chopes. Por outro lado, consultando-se os CNPJ das filiais (vinculadas ao CNPJ 02.808.708) envolvidas no lançamento constata-se que algumas, de fato, possuem o CNAE 4635-4- 02 - Comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerante. A questão, no entanto, é que, de acordo com o Decreto n° 6.707, de 2008: Art. 28. A opção pelo regime especial no art. 22 poderá ser exercida a qualquer tempo e produzirá efeitos a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao da opção (Lei n° 10.833, de 2003, art. 58- O, com a redação dada pela Lei n° 11.945, de 2009, art. 17). §1°A opção pelo regime especial (Lei n° 10.833, de 2003, art. 58-J, §§1° e 3°) - na industrialização por encomenda, será exercida pelo encomendante; Fl. 3015DF CARF MF Fl. 32 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 - alcança todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante, abrangendo todos os produtos de que trata o art. 1°, por ela fabricados ou importados. (Grifou-se) Aludida regra também consta da IN RFB n° 950, de 2009: Art. 2o Podem optar pelo Refri as pessoas jurídicas que industrializam ou importam: - águas classificadas na posição 22.01 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Pr7odutos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 6.006, de 28 de dezembro de 2006; - refrigerantes, refrescos, cerveja sem álcool, repositores hidroeletrolíticos e compostos líquidos prontos para o consumo que contenham como ingrediente principal inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína classificados na posição 22.02 da Tipi; e - cervejas classificadas na posição 22.03 da Tipi. § 1° A opção de que trata o caput: I - deverá ser exercida pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica optante, abrangendo todos os seus estabelecimentos, em quaisquer operações que venham a realizar com os , produtos referidos nos incisos I a III do caput; (Grifou-se) Sendo assim, apesar do CNAE de alguns dos estabelecimentos da pessoa jurídica não indicarem a atividade de industrialização, uma vez que os produtos por elas comercializados são fabricados pelo estabelecimento matriz ou mesmo importados, há que se manter o lançamento tal como efetuado. No quadro de folhas 08 do Recurso Voluntário, é apresentado o seguinte motivo adicional, que na visão do Recorrente seria suficiente para eivar o Auto de Infração com nulidade: Motivo novo (adicionado): “A questão, no entanto, é que... a opção pelo regime especial... alcança todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante (...) Sendo assim, apesar do CNAE de alguns estabelecimentos da pessoa jurídica não indicarem a atividade de industrialização, uma vez que os produtos por elas comercializados são fabricados pelo estabelecimento matriz ou mesmo importados, há que se manter o lançamento fiscal” (fls. 369 e 370) Tal qual já abordado, o julgador de 1a instância, no exercício de sua convicção racional, demonstrou impedimentos legais para atender a demanda do Recorrente. Isso não pode ser assumido como preterição a direito de defesa e tampouco como mácula de nulidade ao presente lançamento. Argui que a fiscalização incluiu no cálculo do PIS e da Cofins “produtos que jamais saíram em bonificação das empresas autuadas”. É alegado às folhas 16 do Recurso Voluntário: 1.4. Exclusão de produtos aos quais não se deu saída em bonificação. A DRJ houve, ainda, por manter a autuação no que respeita aos produtos que nunca saíram em bonificação, sob a alegação de que “verificou-se as notas fiscais correspondentes aos produtos mencionados e, em todas, pode-se constatar, com facilidade, que todos os produtos saíram do dito estabelecimento com a utilização dos CFOP 5.910 ou 6.910, ou seja, “remessa em bonificação, doação ou brinde” (fl. 370). Ocorre, contudo, que a DRJ, assim como a Fiscalização, não identificou as notas fiscais objeto da auditoria, sendo certo que a Recorrente não tem meios de comprovar a correição de sua conclusão. É provável que os produtos contestados pela Recorrente Fl. 3016DF CARF MF Fl. 33 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 (listados no doc. 7 da impugnação) tenham sido objeto de notas fiscais canceladas, sendo, por isso, mandatória sua exclusão da autuação. Para tanto, foi realizada a Resolução n° 3302-000.898, proferida pela 3a Câmara/ 2a Turma Ordinária, da Terceira Seção, e em resposta foram juntados ao presente processo os arquivos não-pagináveis, contendo planilhas com a relação de notas fiscais que saíram do estabelecimento do contribuinte através do CFOP 5910 e 6910, relativas aos meses de julho/2011, agosto/2011 e setembro/2011, onde foram apontadas as Notas Fiscais canceladas. - Dos erros remanescentes. É alegado às folhas 13 do Recurso Voluntário: Como a própria decisão recorrida atesta que houve a adoção de tabelas revogadas e a utilização de alíquotas inaplicáveis aos produtos autuados, fica clara a iliquidez e incerteza do crédito tributário e a tentativa - ilegal - de revisar os critérios jurídicos adotados pela autoridade lançadora para dimensionar o crédito tributário. Mesmo porque, a pretensa correção levada a efeito pela DRJ (1) implicou agravamento da exigência com relação a alguns produtos, por se utilizar de alíquotas maiores do que as constantes do lançamento (cf. quadro exemplificativo 1) e (2) não extirpou do lançamento todos os erros cometidos, havendo a manutenção de enquadramento equivocado de algumas mercadorias (cf. quadro exemplificativo 2): É alegado às folhas 14 do Recurso Voluntário: 1.2. Erro na quantificação das mercadorias saídas em bonificação. Além dos diversos erros cometidos no enquadramento das mercadorias pela Fiscalização e, também, pela DRJ, no refazimento do trabalho fiscal, persistiram diversos equívocos na quantificação dos produtos saídos em bonificação. Fl. 3017DF CARF MF Fl. 34 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 A DRJ procedeu a ajustes na litragem do “Guaraná Antarctica Ice Pet 2l” e nos chopes, ignorando os demais erros existentes no trabalho fiscal efetuado sob a alegação de que haveria “ausência de indicação de quantidade na descrição” dos produtos, o que teria levado a Fiscalização a agir “acertadamente”. Contudo, a despeito do quanto aduzido no v. decisum, há diversos erros evidentes na autuação que foram mantidos pela DRJ. É o caso, por exemplo, da “Sukita Mix Bag in Box 18L”, em que a unidade de medida é litro, mas a Fiscalização, no que foi corroborada pela DRJ, considerou sua unidade. É o que se vê na nota fiscal do produto (doc. j.): É alegado às folhas 15 do Recurso Voluntário: 1.3. Exclusão de produtos comercializados por centros de distribuição. Se não fosse suficiente ainda a demonstração de iliquidez e incerteza do lançamento fiscal, a impor o cancelamento do auto de infração, seria forçosa a exclusão, em qualquer caso, das operações efetuadas por centros de distribuição, sujeitas à alíquota zero de PIS/COFINS. Com efeito, a DRJ manteve as receitas auferidas pelos estabelecimentos atacadistas, alegando que “a opção pelo regime especial... alcança todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante”, de modo que “apesar do CNAE de alguns estabelecimentos da pessoa jurídica não indicarem a atividade de industrialização, uma vez que os produtos por elas comercializados são fabricados pelo estabelecimento matriz ou mesmo importados, há que se manter o lançamento fiscal”. A afirmação da DRJ não se sustenta, na exata medida em que a admitir implica que uma mesma mercadoria possa ser tributada duas vezes pelo PIS e pela COFINS monofásicos, o que viola frontalmente a legislação de regência (!) De fato, apesar de a opção pelo REFRI alcançar todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, a incidência do PIS/COFINS era concentrada nos estabelecimentos fabricantes de bebidas (art. 58-J da Lei n. 10.833/03). Os estabelecimentos comerciais estavam sujeitos à alíquota zero das contribuições (art. 58-B) justamente porque as contribuições já haviam incidido na anterior saída da fábrica. Assim, o fato de estes estabelecimentos comercializarem os produtos fabricados por outros da mesma pessoa jurídica não torna devidos novamente o PIS/COFINS, como pretende a DRJ. Pois isso descaracterizaria o sistema monofásico. É alegado às folhas 16 do Recurso Voluntário: 1.4. Exclusão de produtos aos quais não se deu saída em bonificação. A DRJ houve, ainda, por manter a autuação no que respeita aos produtos que nunca saíram em bonificação, sob a alegação de que “verificou-se as notas fiscais correspondentes aos produtos mencionados e, em todas, pode-se constatar, com facilidade, que todos os produtos saíram do dito estabelecimento com a utilização dos CFOP 5.910 ou 6.910, ou seja, “remessa em bonificação, doação ou brinde” (fl. 370). Ocorre, contudo, que a DRJ, assim como a Fiscalização, não identificou as notas fiscais objeto da auditoria, sendo certo que a Recorrente não tem meios de comprovar a correição de sua conclusão. É provável que os produtos contestados pela Recorrente (listados no doc. 7 da impugnação) tenham sido objeto de notas fiscais canceladas, sendo, por isso, mandatória sua exclusão da autuação. Para sanar esses erros remanescentes do Acórdão de Impugnação foi promovida a Resolução n° 3302-000.898, que repisamos os itens: 1. A autoridade preparadora apure os valores e quantidades das mercadorias bonificadas no período; e Fl. 3018DF CARF MF Fl. 35 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 2. A autoridade preparadora identifique as notas fiscais que saíram em bonificação, doação ou brinde para que a empresa AMBEV possa se pronunciar quais delas foram canceladas. O item (2) foi abordado no tópico “produtos que jamais saíram em bonificação das empresas autuadas”, onde foram apontadas as Notas Fiscais canceladas. Quanto à questão que reside no item (1), a autoridade preparadora em resposta à Resolução n° 3302-000.898, formatou a seguinte planilha: Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e dou PROVIMENTO PARCIAL ao recurso do contribuinte, para que o crédito tributário em análise contemple os resultados fornecidos pela planilha elaborada em resposta à Resolução n° 3302-000.898. É como voto. Jorge Lima Abud - Relator. (assinado digitalmente) Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo, redator designado. Com todo respeito ao i. Conselheiro Relator, discordo do seu entendimento acerca da inexistência nulidade do lançamento fiscal, haja vista entender presente o vício material que fulmina o lançamento. Como se vê, o nobre relator destacou em voto, pontos que no meu entendimento acarretam nulidades no lançamento, a saber: “Indubitavelmente o Acórdão de Impugnação procedeu ajustes ao lançamento.” (...) “Portanto, é perfeitamente cabível o procedimento do Acórdão de Impugnação em querer ajustar o lançamento em questão à realidade dos fatos, conforme as alíquotas vigentes conforme a legislação aplicável.” (...) “Como abordado no tópico anterior, diante da indisponibilidade do crédito tributário, é perfeitamente cabível o procedimento do Acórdão de Impugnação em querer ajustar o lançamento em questão à realidade dos fatos, conforme as alíquotas vigentes conforme a legislação aplicável.” Com efeito, a modificação de critério jurídico adotado pela autoridade fiscal no exercício do lançamento, pela autoridade julgadora não é possível, ainda mais no caso de resultar em majoração dos valores inicialmente lançados, acarretando, assim, na nulidade do lançamento fiscal, ante a constatação do erro na apuração original. Neste sentido destaca-se o entendimento emanado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 3019DF CARF MF Fl. 36 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. SEGURANÇA JURÍDICA. PROTEÇÃO DA CONFIANÇA. A modificação de critério jurídico adotado pela autoridade tributária no exercício do lançamento, pela autoridade julgadora de primeira instância não é possível, ainda que se resulte em valores inferiores àquele originalmente lançado. A utilização de outro critério, diferente daquele originalmente utilizado, para a apuração do valor tributável mínimo do IPI, efetuado após diligência solicitada pela autoridade julgadora, configura-se como mudança de critério jurídico, que somente produzirá efeitos para fatos futuros, conforme disposto no artigo 146 do CTN. (Acórdão 9303- 004.627) *** LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO NA FASE LITIGIOSA. O lançamento pode ser corrigido, com cancelamento total ou parcial da exigência indevida, em decorrência das impugnações e recursos regularmente interpostos pelo sujeito passivo. LANÇAMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO. FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A revisão do lançamento, nos termos em que delineada no art. 149 do CTN, não pode ser realizada enquanto o litígio estiver submetido aos órgãos que integram o Contencioso Administrativo. (Acórdão 9303-004.605) A respeito da nulidade aqui tratada, insta tecer que essa questão foi devidamente analisada nos autos do PA nº 10314.720458/2016-74 (acórdão 3201-004.883), instaurado contra a ora contribuinte, cujas razões para decretar a nulidade no lançamento serão por mim adotadas, a saber: Por razões que estão diretamente ligadas às preliminares argüidas pelo contribuinte, o Recurso de Ofício ficará prejudicado, conforme será registrado neste voto. É possível verificar que a decisão de primeira instância reapurou toda a base de cálculo do lançamento para sanar o grave vício na apuração original, decorrente do lançamento. A autoridade de origem concluiu pela insuficiência de recolhimentos do Pis e Cofins no regime de recolhimento não cumulativo, por entender que as bonificações devem ser consideradas na base de cálculo do Pis e da Cofins. Contudo, ao calcular o lançamento, a fiscalização deixou de observar o disposto no Decreto 6.707/08, Anexo III, onde estão determinados os valores e formas de cálculos a serem adotados na apuração da base de cálculo. De forma satisfatória, foi contestado pelo contribuinte este equívoco na apuração do lançamento, ao ter considerado, de forma abstrata e não realista, as maiores alíquotas dos produtos comercializados pelo contribuinte. Não há previsão legal para tal procedimento e, inclusive, há previsão que determina um procedimento diferente do utilizado no lançamento para a apuração, conforme disposto nos Artigos 49 e 52 da Lei 10.833/03 e 10637: "Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de Fl. 3020DF CARF MF Fl. 37 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) § 1o O disposto neste artigo, relativamente aos produtos classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água, refrigerante e cerveja sem álcool. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2o A pessoa jurídica produtora por encomenda dos produtos mencionados neste artigo será responsável solidária com a encomendante no pagamento das contribuições devidas conforme o estabelecido neste artigo. (...) Art. 52. A pessoa jurídica industrial dos produtos referidos no art. 49 poderá optar por regime especial de apuração e pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto, respectivamente, em: (Vide Decreto nº 5.062, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I – água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, R$ 0,0212 (duzentos e doze décimos de milésimo do real) e R$ 0,0980 (noventa e oito milésimos do real); (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Decreto nº 5.162, de 2004) II bebidas classificadas no código 2203 da TIPI, R$ 0,0368 (trezentos e sessenta e oito décimos de milésimos do real) e R$ 0,1700 (dezessete centésimos do real); III preparações compostas classificadas no código 2106.90.10, ex 02, da TIPI, para elaboração de bebida refrigerante do capítulo 22, R$ 0,1144 (um mil, cento e quarenta e quatro décimos de milésimo do real) e R$ 0,5280 (quinhentos e vinte e oito milésimos do real). § 1o A pessoa jurídica industrial que optar pelo regime de apuração previsto neste artigo poderá creditar-se dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51, referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 2o (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 3o A opção prevista neste artigo será exercida, segundo normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do mês de novembro de cada ano-calendário, produzindo efeitos, de forma irretratável, durante todo o ano-calendário subseqüente ao da opção. § 4o Excepcionalmente para o ano-calendário de 2004, a opção poderá ser exercida até o último dia útil do mês subseqüente ao da publicação desta Lei, produzindo efeitos, de forma irretratável, a partir do mês subseqüente ao da opção, até 31 de dezembro de 2004. § 5o No caso da opção efetuada nos termos dos §§ 3o e 4o, a Secretaria da Receita Federal divulgará o nome da pessoa jurídica optante e a data de início da opção. § 6o Até o último dia do 3o (terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei: Fl. 3021DF CARF MF Fl. 38 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 I os comerciantes atacadistas e varejistas referidos no inciso I do art. 50 somente poderão excluir da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS o valor das notas fiscais de aquisição dos produtos de que trata o art. 49 emitidas por pessoa jurídica optante; II o disposto no inciso II do art. 50 se aplica apenas em relação a receitas decorrentes de operações com pessoa jurídica optante. § 7o A opção a que se refere este artigo será automaticamente prorrogada para o ano-calendário seguinte, salvo se a pessoa jurídica dela desistir, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do mês de outubro do ano-calendário, hipótese em que a produção de efeitos se dará a partir do dia 1o de janeiro do ano-calendário subseqüente. (...) Este erro não é um pequeno erro de fato que pode ser corrigido, é um erro qualitativo que causa a nulidade do lançamento. Ou seja, o lançamento possui uma apuração contra legem. Constatado isto pela própria DRJ, além de reapurar o lançamento, a DRJ incluiu novo fundamento para a sua manutenção, uma vez que distinguiu bonificações de descontos incondicionais, quando a fiscalização considerou equivalente a natureza jurídica dos descontos incondicionais com as bonificações. Em adição ao já registrado, também é possível verificar que a fiscalização não apurou créditos e não considerou os pagamentos antecipados do SICOBE. Ou seja, outro lançamento se configurou ao longo do processo, situação que não é permitida nos moldes expostos na legislação própria do processo administrativo federal, conforme Art. 10 do Decreto 70.235/72 e no CTN, conforme disposto no Art. 142 e 146. Considerando o ônus da prova da fiscalização, a ausência de base legal ao lançamento e sua metodologia e cálculos estranhos à lei, implicam na sua conseqüente nulidade material, para não haver conflito com o disposto nos Art. 10, 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142, 145 e 146 do Código Tributário Nacional, art. 93, inciso IX da Constituição Federal,bem como ao prescrito no Art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte em razão do reconhecimento do mérito a seu favor, de forma integral. Igualmente, resta prejudicado Recurso de Ofício, pelo mesmo motivo. Neste cenário, deveria a DRJ, ao contrário do que fez, determinar a lavratura de novo Auto de Infração e, não reapurar o lançamento com inclusão de novo fundamento para sua manutenção, conforme determina o §3º, do artigo 18, do Decreto nº 70.235.72, a saber: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê- las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 3022DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 39 do Acórdão n.º 3302-007.267 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.721066/2016-22 § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Diante de todo o exposto e sobre todos os fundamentos legais, fatos e motivos apresentados, vota-se para que seja reconhecido PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para anular o lançamento. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 3023DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1
score : 1.0
