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Numero do processo: 10865.001587/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1802-000.031
Decisão: Por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o advogado Marco Fantini, OAB/SP 253.373.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.001587/200571 Recurso nº Resolução nº 1802000.031 – Turma Especial / 2ª Turma Especial Data 31 de março de 2011. Assunto Solicitação de Diligência Recorrente Marlene Aparecida Padovez Aeronaves Recorrida 1ª Turma/DRJ Ribeirão Preto/SP. Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP. Trata o presente processo de exclusão do Simples, ante a constatação de que a recorrente exerceria atividade vedada. Depreendese do Ato Declaratório DRF/LIM n° 567.674, de 02 de agosto de 2004 (fl. 05), que a recorrente exerce atividade de construção e montagem de aeronaves, serviços vedados ao ingresso no referido sistema simplificado de pagamento de tributos, conforme estabelecido inciso XIII, art. 9, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Devidamente cientificada da exclusão, a recorrente apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, a qual foi apreciada e indeferida pela Delegacia da Receita Federal em Limeira, mediante despacho decisório de folhas 15 a 17, sob o argumento de que não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que preste serviços profissionais cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que, diferentemente do entendimento da Receita Federal, a atividade exercida pela empresa, de construção e montagem de ultraleves, independe de profissionais especializados, uma vez que se dedica a fornecer mãodeobra para a montagem das aeronaves experimentais destinadas ao amadorismo. Argumentou ainda, que os conceitos retirados dos Regulamentos Brasileiros de Homologação Aeronáutica — RBHA 37, RBHA 38 e RBHA 103 deixam claro que a construção e montagem de ultraleves destinados a pessoas amadoras independe de qualificação técnica e que apenas as empresas que projetam ou fabricam os “kits” destinados à montagem de ultraleves é que dependem de qualificação técnica, mas que esse não é o seu caso, porquanto se dedica apenas ao fornecimento de mãodeobra para montagem das aeronaves ultraleves experimentais destinadas a amadores. Fl. 963DF CARF MF Emitido em 03/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 01/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10865.001587/200571 Resolução n.º 1802000.031 S1TE02 Fl. 2 2 Alega que as notas fiscais referentes aos períodos de 2002 a 2006 demonstram que os serviços prestados restringemse ao fornecimento de pessoal para a construção ou montagem de aeronaves (ultraleves) e ao conserto e à manutenção (revisão) destas, e não à venda de equipamentos ligados ao kit/conjunto ou do próprio kit para montagem da aeronave. No mais, argumentou que a lei n° 11.051, de 2004, em seu art. 15, assegurou às empresas com atividade de oficina mecânica, instalação, manutenção ou reparação, a\permanência e/ou retorno ao Simples e que, por serem equânimes com as atividades prestadas pela empresa, não há falar em exclusão do Simples, pelo que requereu fosse reformado o despacho decisório para os fins de sua permanência como optante pela sistemática tributária instituída pelo Simples. A 1ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 752 – 757, indeferiu a solicitação concluindo que a atividade desenvolvida pela recorrente é privativa de profissional de engenharia, circunstância que impediria sua permanência no Simples. Devidamente cientificada (fl. 759), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. Fls. 761 – 772), reiterando que não exerce atividade privativa de profissional de engenharia e requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Apresentase para julgamento situação em que o contribuinte optante pelo SIMPLES é excluído do dito sistema por meio de Ato Declaratório no qual se constata a prática de atividade vedada ainda na vigência da Lei nº 9.317/96. O contribuinte desde os primitivos arrazoados que apresentou, tem sustentado que não exercia atividade típica de engenheiro, eis que suas atividades consistiriam na montagem de aeronaves experimentais, denominadas “ultraleves”, sendo que não as fabrica, ocupandose somente da montagem do “kit” adquirido do fabricante. Da análise dos autos e em cotejo da legislação vigente à época, reproduzida em termos coincidentes na superveniente Lei Complementar, observase que o Recurso Voluntário merece ser provido, porquanto sabidamente o rol do inciso XIII do artigo 9º da revogada Lei 9.317/96, dizia respeito a profissões regulamentadas, em que a sociedade estivesse voltada à prestação de serviços para contratação em razão da qualificação técnica do profissional ou do seu especial talento. Indiscutivelmente esse é o desiderato da impossibilidade de opção pelo regime em comento, reprisada no artigo 17 da Lei Complementar nº 123/06. Assim o fez o legislador, por entender que os profissionais liberais possuem qualificação especial, não estando sujeitos ao impacto do domínio de mercado das grandes empresas, nem constituiriam, em satisfatória escala, uma grande fonte de geração de empregos, enfim, suas atividades não se equiparam com as de uma microempresa, ainda que muito se assemelhem. Fl. 964DF CARF MF Emitido em 03/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 01/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10865.001587/200571 Resolução n.º 1802000.031 S1TE02 Fl. 3 3 Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.643/DF, antes da revogação pela lei complementar, reconheceu a constitucionalidade do artigo 9º da Lei nº 9.317/96, dandolhe interpretação conforme a Constituição, compatibilizandoo com o princípio da isonomia tributária. Transcrevo, por oportuno, trecho do voto proferido pelo eminente Ministro Maurício Correa, que esclarece o critério de adotado pelo referido dispositivo legal para discriminar entre os prestadores de serviços e os profissionais liberais, para efeito de enquadramento no SIMPLES, litteris: (...) Com efeito, especificamente quanto ao inciso XIII do citado art. 9º, não resta dúvida que sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentada não sofrem impacto do domínio de mercado pelas grandes empresas; não se encontram, de modo substancial, inseridas no contexto da economia informal; em razão do preparo científico, técnico e profissional dos seus sócios, estão em condições de disputar o mercado de trabalho, sem assistência do Estado; não constituiriam, em satisfatória escala, fonte de geração de empregos se lhes fosse permitido optar pelo 'Sistema Simples'. Conseqüentemente, a exclusão do "Simples", da abrangência dessas sociedades civis, não caracteriza discriminação arbitrária, porque obedece critérios razoáveis adotados com o propósito de compatibilizálos com o enunciado constitucional. Não há falarse, pois, em ofensa ao princípio da isonomia tributária,visto que a lei tributária – e esse é o caráter da Lei nº 9.317/96 – pode discriminar por motivo extrafiscal entre ramos de atividade econômica, desde que a distinção seja razoável, como na hipótese vertente, derivada de uma finalidade objetiva e se aplique a todas as pessoas da mesma classe ou categoria. A razoabilidade da Lei nº 9.317/96 consiste em beneficiaras pessoas que não possuem habilitação profissional exigida por lei, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e aos profissionais liberais. Essa desigualdade factual justifica tratamento desigual no âmbito tributário, em favor do mais fraco, de modo a atender também à norma contida no § 1º do art. 145 da Constituição Federal, tendose em vista que esse favor fiscal decorre do implemento da política fiscal e econômica, visando o interesse social. Portanto é ato discricionário que foge ao controle do Poder Judiciário, envolvendo juízo de mera conveniência e oportunidade do Poder Executivo. (...) (meus os grifos e as supressões) Assim, a razoabilidade da lei, consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de Fl. 965DF CARF MF Emitido em 03/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 01/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10865.001587/200571 Resolução n.º 1802000.031 S1TE02 Fl. 4 4 maior porte e aos profissionais liberais, tudo visando favorecer a empregabilidade e extirpar a informalidade das micro e pequenas empresas. Necessário, portanto, deixar assentado que o fato de a lei não incluir no regime de tributação nominado SIMPLES os profissionais elencados no inciso XIII, do artigo 9º é por entender que estes, dado a sua especialidade técnica e atividade genuinamente própria, não contribuiriam para aumentar os empregos formais, tampouco, necessitariam de estímulo do estado. Divergências ideológicas a parte, essa a sistemática da lei em trato. Feitas essas considerações genéricas, é conveniente registrar que na espécie cuidase de contribuinte que se dedica a montagem de ultraleves para vôos amadores, não havendo qualquer indicação, por parte da Fiscalização, que demonstre que os serviços prestados sejam daqueles típicos de profissional de engenharia. Por outro turno, a recorrente trouxe aos autos, além dos substanciosos argumentos, comprovação que sua atividade é de mera montagem dos kits para aviação amadora, de sorte que se torna incontestável que o serviço de engenheiro habilitado não é exigido, tratandose de atividade de nível técnico. Pelo exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário, para os fins de considerar a atividade desenvolvida pela recorrente passível de enquadramento no regime do SIMPLES. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Relator (assinado digitalmente) ÉSTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente Fl. 966DF CARF MF Emitido em 03/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 01/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000122/2008-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO REMUNERAÇÕES PAGAS, DEVIDAS OU CREDITADAS AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA
RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO DE OBRA
A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra
que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.715
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO REMUNERAÇÕES PAGAS, DEVIDAS OU CREDITADAS AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO DE OBRA A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Negado
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PRIVADOS DO DF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO REMUNERAÇÕES PAGAS, DEVIDAS OU CREDITADAS AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃODEOBRA A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (substituto). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000122/200890 Acórdão n.º 240300.715 S2C4T3 Fl. 103 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 91 a 95, com Aditamento às fls. 99 a 100, interposto pela Recorrente – Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal – AMHPDF contra Acórdão nº 0327.262 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 195 a 201, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.129.9632, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 2.390,26 (dois mil, trezentos e noventa reais e vinte e seis centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, o Auto de Infração nº. 37.129.9632, Código de Fundamentação Legal – CFL 30, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB., em outras palavras, ter remunerado contribuintes individuais a seu serviço e não fazer constar das respectivas folhas de pagamento tais verbas nas competências 01/2002 a 12/2003. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. A Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, estabeleceu o valor referido no Art. 283, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, em R$ 1.195,13. Segundo o Relatório Fiscal da Multa, às fls. 07 a 08, ficou caracterizada a circunstância agravante de reincidência genérica, o que multiplica por 2 o valor da multa mínima. Não restaram caracterizadas circunstância atenuantes. Dentre os procedimentos adotados pela AuditoriaFiscal, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, temse: 5. A análise da documentação apresentada levou esta auditoria a aprofundar as investigações quanto à relação existente entre a Associação e seus associados pessoas físicas. Isto porque nas declarações realizadas pela Associação através da DIRF em todas as competências dos exercícios 2002 e 2003 constavam Fl. 113DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 valores referentes a remunerações pagas a, em média, 350 pessoas físicas sem vínculo empregatício, valores e pessoas essas não declaradas nas respectivas GFIP. 6. Do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, apresentados em meio digital conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 21, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. 7. A tese ora defendida é que a atuação da Associação como intermediadora dos serviços de seus associados pessoas físicas a caracteriza como empresa cedente de mão de obra, nos termos da legislação previdenciária. 8. A tal condição de intermediadora de prestação de serviços consta explicitamente tanto do Estatuto da Associação, fls. 134 , quanto dos contratos por ela firmados com as empresas de segurosaúde conveniadas, fls. 129 . Estatuto Artigo 3 Para consecução de seus objetivos, poderá a Associação: (...) b) colaborar na solução de casos de credenciamento, celebrando e operacionalizando os contratos de prestação de serviços a serem executados por seus associado; c) a administração, na qualidade de mandatária, dos interesses de seus associados no que se refere à contratação de convênios para a prestação de serviços, inclusive com a cobrança, recebimento e repasse dos valores recebidos aos associados; (..)” Ainda de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “9. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 10. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Fl. 114DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000122/200890 Acórdão n.º 240300.715 S2C4T3 Fl. 104 5 Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde. Observase, nos autos do processo referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.107.5440, correlata a este presente AI, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, Relatório Fiscal, fls. 50 a 55: “29. Cabe ressaltar que a omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária nas folhas de pagamento ou nas GFIP correspondentes caracteriza, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2.000, razão da qual foi emitida representação fiscal para fins penais a ser encaminhada à autoridade competente.” O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09422956F00, foi de 01/2002 a 12/2003, às fls. 09. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, é de 01/2002 a 12/2003. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 21.12.2007, conforme Aviso de recebimento – AR nº 427352293 BR às fls. 41. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 44 a 49, com Anexos às fls. 50 a 79. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0327.262 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 82 a 88, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/12/2007 Ementa: FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA SEGURIDADE SOCIAL. Determina a lavratura de autodeinfração a elaboração de folhas de pagamento dos segurados a serviço da empresa em Fl. 115DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 91 a 95, onde alega em apertada síntese que: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n. ° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: Fl. 116DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000122/200890 Acórdão n.º 240300.715 S2C4T3 Fl. 105 7 TST Enunciado nº 331 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) (vii) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (viii) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; (ix) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi Fl. 117DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que também é a relação base do presente caso tributário previdenciário A Recorrente em aditamento ao Recurso Voluntário, às fls. 99 a 100, alega, em síntese: (x) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; (xi) requer a aplicação da Súmula Vinculante nº 8, STF em conjunto com o art. 150, § 4º, CTN, declarandose a decadência dos lançamentos efetuados no ano 2002. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 98. É o Relatório. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000122/200890 Acórdão n.º 240300.715 S2C4T3 Fl. 106 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fl. 98. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA REPERCUSSÃO GERAL JULGADA NO STF O Supremo Tribunal Federal STF reafirmou no dia 01.08.2011 que é constitucional a retenção, por parte do tomador de serviço, de 11% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço para fins de contribuição previdenciária. A decisão foi tomada em julgamento de Recurso Extraordinário RE 603.191 que recebeu status de Repercussão Geral. O Plenário aplicou jurisprudência da Corte que confirma a constitucionalidade do artigo 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei 9.711/98, que prevê a retenção da contribuição previdenciária e seu posterior recolhimento em nome da empresa cedente de mãodeobra: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra o voto do Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Falou pela União a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 01.08.2011 Fl. 119DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 DA DECADÊNCIA Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. A recorrente alega a decadência da parte da obrigação acessória compreendida até a competência 12/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Cumpre resgatar que a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 21.12.2007, conforme Aviso de recebimento – AR nº 427352293 BR às fls. 41, e que o Auto de Infração se refere ao período de 01/2002 a 12/2003, conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls. 05 a 07. Ainda assim, a autuação foi lavrada devido a Recorrente ter remunerado contribuintes individuais a seu serviço e não fazer constar das respectivas folhas de pagamento tais verbas, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 3o, o valor da multa é único, com base no art. 9º, inciso VI, da Portaria MPS N° 142, de 11 de abril de 2007, aos valores da época, R$ 11.951,21, mas, segundo o Relatório Fiscal da Multa, às fls. 07 a 08, ficou caracterizada a circunstância agravante de reincidência genérica, o que multiplica por 2 o valor da multa mínima. Não restaram caracterizadas circunstância atenuantes. Desta forma, não há mitigação da multa por ocorrências. Ou seja, basta apenas uma única ocorrência da infração em uma competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional. Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 21.12.2007, e o Auto de Infração se refere ao período de 01/2002 a 12/2003, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo, 12/2003, não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional, ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de que houve a decadência parcial da obrigação acessória em questão. Passemos à análise do Mérito com as argumentações da Recorrente. DO MÉRITO. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000122/200890 Acórdão n.º 240300.715 S2C4T3 Fl. 107 11 (A) Da cessão de mãodeobra e da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais A Recorrente argumenta: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: TST Enunciado nº 331 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou Fl. 121DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) Analisemos. (A.1) da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais Discutese no presente Recurso Voluntários a incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a qualquer título pela Recorrente aos médicos associados em função do atendimento a pacientes de empresas conveniadas à Recorrente(por exemplo, operadoras de planos de saúde). Sobre o tema, a LC 84/96, antes da reforma previdenciária da Emenda Constitucional 20/98, dispunha: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Após a Emenda Constitucional 20/98, a Lei 9.876/99 revogou a LC 84/96 e trouxe modificações à Lei 8.212/1991, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: Fl. 122DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000122/200890 Acórdão n.º 240300.715 S2C4T3 Fl. 108 13 (...) V como contribuinte individual: (...) (g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (...) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...)III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Pela leitura dos artigos acima transcritos, verificase que o legislador estabeleceu o conceito de segurado obrigatório, na condição de contribuinte individual (após a edição da Lei 9.876/99), como aquele que "presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego". Ainda assim, ressaltase que, tal como disposto no art. 3º, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor, serviço deve ser entendido de forma ampla, ou seja: "§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista ". A legislação impõe a incidência de contribuição previdenciária calculada sobre o total de remunerações ou retribuições pagas ou creditadas pela empresa a contribuintes individuais. Além disso, nem mesmo se exige vínculo contratual entre as partes como requisito para a incidência da exação, mas a simples prestação de serviços. Como um primeiro aspecto, coloquemos o posicionamento da jurisprudência em relação à responsabilidade tributária entre o tomador e o prestador do serviço: STJ REsp 1162066 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00952143 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 22/06/2010 TRIBUTÁRIO. CONTRATO DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. FOLHA DE SALÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INAPLICÁVEL. 1. Quanto à alegativa de não ser possível a aferição indireta do tributo devido, o apelo não deve ser conhecido em razão da ausência de prequestionamento. Incidência do óbice contido na Súmula 211/STJ. 2. Nos contratos de cessão de mãodeobra, a responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é Fl. 123DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei n. 8.212/91. Precedentes. 3. De acordo com o disposto no art. 124 do Código Tributário Nacional, a solidariedade tributária não comporta benefício de ordem. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ AgRg no REsp 1120910 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2009/00180096 Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES (1142) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 17/11/2009 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. ARTIGO 31 DA LEI N. 8.212/91 EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO DOS EMPREGADOS DA EMPRESA DE VIGILÂNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A pretensão do presente recurso especial cingese a afastar a aplicação do artigo 31 da Lei n. 8.212/91 para que o referido contrato seja considerado como uma mera prestação de serviço; todavia, tal pretensão requer, inequivocadamente, o reexame de suporte probatório para alterar a premissa fática assentada pelo Tribunal de origem, o qual concluiu no sentido de que o referido contrato se enquadrava como cessão de mãodeobra, por ausência de comprovação da autora em sentido contrário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que no contrato de cessão de mãodeobra a responsabilidade solidária entre o contratante e a empresa contratada somente poderá ser ilidida se aquele comprovar que a empresa prestadora de serviços recolheu os valores devidos. Nesse sentido: (AgRg no Resp 769.952/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 4/5/2006, DJ 25/5/2006; REsp 410.104/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 6/5/2004, DJ 24/5/2004). 3. Agravo regimental não provido. STJ REsp 939189 / RS RECURSO ESPECIAL 2007/00748110 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA (1126) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 20/10/2009 TRIBUTÁRIO. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE DE SERVIÇOS EXECUTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000122/200890 Acórdão n.º 240300.715 S2C4T3 Fl. 109 15 1. A responsabilidade solidária do contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, na forma estabelecida pelo art. 31 da Lei 8.212/91, antes da alteração legislativa promovida pela Lei 9.711/98, produziu efeitos até 1º de fevereiro de 1999, quando passou a vigorar a atual sistemática de arrecadação, na qual as contribuições destinadas à Seguridade Social são retidas e recolhidas pelo próprio contratante dos serviços executados mediante cessão de mãode obra. 2. Nos presentes autos, ao decidir a causa, o Tribunal de origem entendeu que "a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). " 3. Como visto, no caso em apreço o acórdão recorrido não afastou a responsabilidade solidária. Logo, o Tribunal de origem não contrariou os arts. 124, II, do Código Tributário Nacional, e 31, caput e § 3º, e 33, § 3º, da Lei 8.212/91, e também não divergiu da orientação jurisprudencial predominante no Superior Tribunal de Justiça. Precedentes citados: REsp 800.054/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 3.8.2007, p. 333; AgRg no AgRg no Resp 1.039.843/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 26.6.2008; REsp 776.433/RJ, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 22.9.2008. 4. Recurso especial desprovido. STJ REsp 913422 / SP RECURSO ESPECIAL 2006/02774177 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 24/04/2007 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. LEGITIMIDADE. LITISCONSÓRCIO. DESNECESSIDADE. ART. 31 DA LEI N.º 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98. 1. A empresa prestadora de serviço é parte legítima para discutir a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de cessão de mãodeobra, porquanto efetiva contribuinte da exação. 2. É desnecessária a formação de litisconsórcio ativo entre a prestadora e a tomadora de serviço ante a ausência de determinação legal nesse sentido. 3. A alteração que a Lei nº 8.212/91 sofreu com a Lei nº 9.711/1998 não criou nova contribuição sobre o faturamento, nem modificou a alíquota, menos ainda a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, sendo, Fl. 125DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 por conseguinte, devida a retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. 4. A Lei nº 9.711/98 instituiu nova sistemática na forma de arrecadação da contribuição em debate, em que, por substituição, as empresas passam a figurar como responsáveis tributárias. 5. Recurso especial do INSS provido em parte. Recurso especial da Abeprest prejudicado. Da jurisprudência, observase que,, em termos de legislação tributário previdenciária, não há benefício de ordem entre o tomador e o prestador do serviço, sendo que a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). (A.2) da cessão de mãodeobra Em que pese os argumentos bem elaborados pela Recorrente acerca da não existência de cessão de mãodeobra, a NFLD em questão restou materializada a cessão de mãodeobra. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, a Recorrente enquadrase no conceito de empresa cedente de mãodeobra, por atuar como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde, com ela conveniadas. Neste ponto, em que pese a Recorrente reconhecer que exerce atividades de intermediação de serviços entre os associados e as empresas conveniadas, rejeita o enquadramento dado pela AuditoriaFiscal como empresa cedente de mãodeobra com fundamento na não configuração da hipótese prevista no art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991. “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da Fl. 126DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000122/200890 Acórdão n.º 240300.715 S2C4T3 Fl. 110 17 empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” (gn) Eis, portanto, a questão de fundo: saber se os médicos associados à Recorrente prestam algum tipo de serviço às empresas conveniadas, configurandose a cessão de mãodeobra, sendo então caracterizada a condição de contribuintes individuais dos médicos associados em relação à Recorrente. Neste aspecto, para o deslinde da questão, importa observar o aspecto da relação jurídica entre a Recorrente e o associado de modo a se estabelecer, ou não, se é devido o lançamento acerca das contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, de responsabilidade da empresa, incidentes sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 18 Desta forma, a consideração, a da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho serve apenas de indicativo da direção da jurisprudência, o que em hipótese alguma prejudica a linha de argumentação da Recorrida. Ademais, o art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991 em absoluto exige que os serviços sejam relacionados com a atividade fim da empresa: § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. É evidente que os serviços médicos prestados pelos profissionais de saúde são dirigidos aos pacientes, pois a pessoa jurídica, tanto a Recorrente quanto as empresas conveniadas, obviamente, não se submete a procedimentos dessa natureza. Não obstante, analisandose o Relatório da Infração, às fls. 05 a 07, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “8. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 9. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ainda o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde. Diante do exposto, restou configurada faticamente a cessão de mãodeobra, conforme o exposto no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07: “9. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os Fl. 128DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000122/200890 Acórdão n.º 240300.715 S2C4T3 Fl. 111 19 trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ademais, observase dos autos que há uma relação jurídica entre o médico associado e a Recorrente, sujeitando as verbas pagas à incidência da contribuição previdenciária em questão, também em função da existência de um contrato formal entre as partes, pelo qual o profissional de saúde se vê impedido de ser remunerado pelo serviço prestado diretamente pela empresa de segurosaúde. Essa, na verdade, é uma questão incontroversa, pois a Recorrente, na Impugnação, às fls. 71, reconhece que há um vínculo contratual entre ela e os médicos associados: “4 A AMHPDF apenas atua como representante estatutária e intermediária de seus associados para aproximálos dos seguros e planos de saúde na prestação de serviços médicos aos beneficiários destes últimos. Por isso, são os planos de saúde que efetuam os pagamentos pelos serviços, após sua conferência, limitandose a Impugnante a repassar os honorários médicos;” Assim, a própria Recorrente reconhece a existência de uma relação jurídica contratual entre ela e o médico associado, pela qual este se compromete a atender aos segurados das empresas conveniadas e, em contrapartida, a Recorrente se compromete a pagar pelos serviços prestados aos segurados das empresas conveniadas. Desta forma, como negar aqui a inexistência de prestação de serviços à Recorrente? Qual seria então o objetivo do contrato firmado com o associado médico? É claro que, ao atender aos segurados das empresas conveniadas, o médico está prestando um serviço à Recorrente. Não de natureza médica, evidentemente, mas de atendimento, de disponibilização de seu tempo e serviços de saúde para o segurado das empresas conveniadas. Anotase em relação ao mercado das Seguradoras de Saúde, que os Planos de Saúde, como é o caso das empresas conveniadas à Recorrente, pagam um valor já previamente acertado entre eles e os médicos credenciados, de acordo com uma tabela de procedimentos, sem qualquer participação dos segurados. Esse valor é diferente do que é pago em uma consulta particular justamente porque ele não remunera o serviço médico prestado ao paciente, mas sim o serviço prestado ao plano de saúde, consistente no atendimento a um segurado seu. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 05 a 07, do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 20 Ainda, se depreende do Relatório Fiscal da Infração, nas declarações de Imposto de Renda os profissionais de saúde associados à Recorrente informam que receberam da Recorrente, que inclusive retém na fonte o tributo devido. Devese destacar também que essa prestação de serviços do associado médico para a Recorrente constitui a premissa de funcionamento deste. De fato, ainda que o associado profissional de saúde preste serviços médicos diretamente ao segurado da empresa conveniada, há, concomitantemente, a prestação de serviços à Recorrente, sem os quais esta não pode exercer as atividades para as quais foi constituída. Logo, não há como deixar de reconhecer que a Recorrente utiliza a prestação de serviço (atendimento a segurados de empresas conveniadas) dos médicos associados e dela diretamente se beneficiam para que consigam atingir seus objetivos sociais. Assumese que qualquer interpretação da legislação infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República, neste sentido a Seguridade Social é informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda a sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da eqüidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Nos dizeres de Leandro Paulsen1: “as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" Ou seja, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos associados da Recorrente, em razão do atendimento a segurados de empresas conveniadas, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da eqüidade na forma de participação no custeio de forma a se criar uma categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Portanto, considero que há sim uma relação jurídica de cessão de mão deobra entre a Recorrente e as empresas conveniadas e também uma relação jurídica existente entre a Recorrente e os médicos associados que, no desenvolvimento de suas atividades profissionais, atendem a pacientes segurados de empresas conveniadas e, por isso, são remunerados pela Recorrente. Assim, incide a contribuição prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91 sobre as verbas pagas pela Recorrente aos profissionais de saúde associados, no caso, contribuintes individuais. (B) Da vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 à tributação fiscalprevidenciária, além da aplicação da Solução de Consulta da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal. A Recorrente argumenta: 1 PAULSEN, Leandro. Contribuições Custeio da Seguridade Social. Porto Alegre: ESMAFE e Livraria do Advogado, 2007. p. 22. Fl. 130DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000122/200890 Acórdão n.º 240300.715 S2C4T3 Fl. 112 21 (vii) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (viii) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; (ix) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que também é a relação base do presente caso tributário previdenciário Analisemos. (B.1) Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal Em relação à aplicação, para o presente caso, da Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, cumpre informar que tal argumento não encontra qualquer fundamento na legislação que rege a tributação fiscalprevidenciária. Desta forma, superado este ponto, passemos para o seguinte. (B.2) Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 Em relação à vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, de plano, colacionemos o posicionamento da Recorrida, às fls. 200 e 201: “Com relação à solução da Consulta COSIT nº 5/2004, por ser inespecífica ao caso em tela, esta não representa óbice para a aplicação e interpretação da legislação previdenciária, que não foi sequer citada na consulta indicada. No caso, deveria ter sido formulado consulta, que atendesse os requisitos estipulados no artigo 3º da Instrução Normativa RFB Fl. 131DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 22 nº 740, de 02/05/2007, dentre eles, a exigência de que a consulta se circunscrevesse a fato determinado, contendo descrição detalhada de seu objeto e indicação necessária à elucidação da matéria (inciso III) e que indicasse os dispositivos que ensejaram a sua apresentação, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada (inciso IV).” O art. 3º, da IN RFB 740/2007, a que a Recorrida se refere: “Art. 3º A consulta deverá ser formulada por escrito, dirigida à autoridade mencionada no inciso I, II ou III do art. 10, e apresentada na unidade da RFB do domicílio tributário do consulente. § 1º A consulta será feita mediante petição e deverá atender aos seguintes requisitos: I identificação do consulente: a) no caso de pessoa jurídica ou equiparada: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro Específico do INSS (CEI) e ramo de atividade; b) no caso de pessoa física: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), atividade profissional e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); e c) identificação do representante legal ou procurador, mediante cópia de documento, que contenha foto e assinatura, autenticada em cartório ou por servidor da RFB à vista da via original, acompanhada da respectiva procuração; II na consulta apresentada pelo sujeito passivo, declaração de que: a) não se encontra sob procedimento fiscal iniciado ou já instaurado para apurar fatos que se relacionem com a matéria objeto da consulta; b) não está intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta; e c) o fato nela exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que foi parte o interessado; III circunscreverse a fato determinado, conter descrição detalhada de seu objeto e indicação das informações necessárias à elucidação da matéria; IV indicação dos dispositivos que ensejaram a apresentação da consulta, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada. § 2º No caso de pessoa jurídica que possua mais de um estabelecimento, as declarações a que se refere o inciso II Fl. 132DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000122/200890 Acórdão n.º 240300.715 S2C4T3 Fl. 113 23 deverão ser prestadas pelo estabelecimento matriz e abranger todos os estabelecimentos. § 3º A declaração prevista no inciso II do § 1º não se aplica à consulta formulada em nome dos associados ou filiados por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, salvo se formulada pela consulente na condição de sujeito passivo. § 4º Na hipótese de consulta que verse sobre situação determinada ainda não ocorrida, o consulente deverá demonstrar a sua vinculação com o fato, bem como a efetiva possibilidade da sua ocorrência. § 5º A associação que formular consulta em nome de seus associados deverá apresentar autorização expressa dos associados para representálos administrativamente, em estatuto ou documento individual ou coletivo” (gn) Resta então verificar se o argumento da Recorrente de que a Solução de Consulta de Consulta COSIT nº 5/2004 é vinculante e se aplica ao presente caso. Não obstante a força dos argumentos e a certeza demonstrada pela Recorrente na defesa da aplicação da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 para o presente caso, temos que lembrar que em 2007 houve a fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, vide Lei 11.457/2007. Neste sentido, quando da elaboração da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, ou seja, no ano de 2004, a Secretaria da Receita Previdenciária, órgão do Ministério da Previdência Social era a responsável pela administração tributárioprevidenciária. Ainda assim, à título de esclarecimento, à época, 2004, a COSIT – Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal, sendo a Receita Federal órgão do Ministério da Fazenda, não possuía quaisquer atribuições normativas em matéria tributário previdenciária. Desta forma, verificase, naturalmente, que a Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, não possui qualquer alcance em matéria tributárioprevidenciária posto que à época a COSIT não detinha quaisquer competências normativas em matéria tributárioprevidenciária. Em relação ao posicionamento da Recorrida de que a Solução de Consulta para ser aplicada deve atender aos requisitos insculpidos no artigo 3º da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02/05/2007, não há o que contestar visto advir de uma fundamentação normativa. Desta forma, pelo acima exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (C) Do julgamento conjunto dos processos. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 24 A Recorrente argumenta: (x) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; Analisemos. Em virtude de diversas restrições estruturais e operacionais no procedimento administrativo fiscalprevidenciário, nem sempre se faz possível o julgamento de todos os processos oriundos da mesma AuditoriaFiscal. Desta forma, não há como atender tal requisição. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a PRELIMINAR suscitada, e, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 134DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000520/2004-86
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO.
Comprovado o erro no preenchimento da declaração com base na escrituração contábil e fiscal, deve ser cancelado o lançamento.
Numero da decisão: 1803-000.985
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Comprovado o erro no preenchimento da declaração com base na escrituração contábil e fiscal, deve ser cancelado o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10925.000520/200486 Acórdão n.º 180300.985 S1TE03 Fl. 273 2 Relatório Tratase de auto de infração de ajuste de base de cálculo do IRPJ, relativo ao ano de 1999, em que foi adicionado ao lucro real o montante total de R$ 274.084,28. Em procedimento de revisão da DIPJ/2000, foi constatado que a autuada teria deixado de adicionar ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o lucro inflacionário realizado. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que o lucro inflacionário apurado foi totalmente adicionado na apuração do lucro real do ano calendário anterior, ou seja em 1998, conforme cópia da DIPJ e fls. 1, 12 e 13 do LALUR. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) O Demonstrativo de Lucro Inflacionário – SAPLI, é extraído de sistema eletrônico mantido pela Secretaria da Receita Federal, alimentado com informações oriundas das declarações de rendimentos apresentadas pelos contribuintes. b) De acordo com o SAPLI, no ano de 1998, a contribuinte adicionou ao lucro líquido, a título de lucro inflacionário realizado, o valor de R$ 343.062,52. Contudo este valor não corresponde à totalidade do lucro inflacionário que foi diferido pela contribuinte em anos anteriores, que, acumulado até 31/12/1998, atingiu o montante de R$ 2.466.758,69. c) Do exame da documentação apresentada junto com a peça de defesa, verificase que o único lançamento que integra o LALUR referese tão somente à indicação do alegado valor de R$ 343.062,52, sem nenhuma consistência lógica e/ou histórica de sua formação. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) A recorrente verificou ao examinar o SAPLI, que a Secretaria da Receita Federal não alocou no referido demonstrativo as parcelas do lucro inflacionário oferecidos à tributação, resultando na apuração do saldo errado apontado no demonstrativo que originou o auto de infração. b) A recorrente anexa fls. do LALUR – do lucro inflacionário a realizar compreendendo o período de 31/12/1994 até 30/06/1997 e também as fls. do LALUR por trimestre do ano de 1997, que juntamente com as declarações de informações econômicofiscais são as fontes para elaboração do SAPLI. Em 7 de outubro de 2010, o julgamento do recurso foi convertido em diligência pela Terceira Turma Especial da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 273DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10925.000520/200486 Acórdão n.º 180300.985 S1TE03 Fl. 274 3 Os autos retornaram com manifestação da recorrente nos seguintes termos: a) A empresa tomou conhecimento do referido relatório de diligência, e concorda com o teor expresso no segundo parágrafo, fls. 259, no qual afirma o Senhor AuditorFiscal do Tesouro Nacional: “Considerandose que o demonstrativo SAPLI, apresenta um "estoque" de lucro inflacionário a realizar de R$ 2.245.474,03 no inicio do anocalendário de 1997, os valores adicionados pela empresa, conforme discriminados acima, "são mais que suficientes para totalmente liquidar o saldo do lucro inflacionário a realizar.” b) as demais observações constantes do termo de diligência, que não são objeto do presente auto de infração, estão sendo corrigidos e sanados. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O relatório de fls. 258/259 esclareceu adequadamente as questões levantadas por este colegiado, cabendo reproduzir integralmente suas conclusões: “Constatei que na declaração ND 7.994.303, referente ao período 01/01/1997 a 30/09/1997, o contribuinte informou na FICHA 02 —DADOS DE APURAÇÃO, na linha PJ COM DIFERIMENTO / REALIZAÇÃO DE LUCRO INFLACIONÁRIO: Não (ERRO DE PREENCHIMENTO) e, nas fichas 07 DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL, na linha 09.Lucro Inflacionário Realizado os valores de R$ 2.100.000,00 e R$ 1.394.910,00 como ADICOES ao Lucro Liquido das fichas dos meses Março e Junho, respectivamente. 0 erro de preenchimento acima mencionado provavelmente explica a não captação destas realizações do lucro inflacionário pelo sistema SAPLI ( doc. Fls.234) Considerandose que o demonstrativo SAPLI apresenta um "estoque " de lucro inflacionário a realizar de R$ 2.245.474,03 no início do anocalendário de 1997, os valores adicionados pela empresa, conforme discriminados acima, são mais que suficientes para totalmente liquidar o saldo de lucro Fl. 274DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10925.000520/200486 Acórdão n.º 180300.985 S1TE03 Fl. 275 4 inflacionário a realizar, no entanto, os saldos de Prejuízos Fiscais Acumulados a Compensar nas folhas do LALUR do contribuinte apresentam divergências com o sistema SAPLI da Receita Federal em todos os anosbase por mim comparados desde 1993, mas especificamente quanto aos saldos de prejuízos fiscais havidos nos 4 trimestres do anocalendário de 1997 e acrescidos ao SAPLI, os valores estão corretos, conforme mencionei acima, a folha de controle do Prejuízo Fiscal do ano calendário de 1997 no LALUR do contribuinte NÃO FOI LOCALIZADA. Em face do exposto , opino pelo acatamento aos argumentos do contribuinte quanto à realização integral do lucro inflacionário no anocalendário de 1997, desde que se mantenham inalterados os saldos por ora verificados no controle de Prejuízos Acumulados do sistema SAPLI da Receita Federal em face das divergências ainda não esclarecidas e proponho que o presente processo seja remetido à ARFCaçadorSC, para que seja dada ao contribuinte a ciência do resultado desta diligência, informandoo de que, em assim o querendo, poderá manifestar se em 30 dias quanto aos novos elementos e informações carreados aos autos.” A presente autuação foi motivada pela falta de adição, na determinação do lucro real dos 4 trimestres de 1999, do lucro inflacionário realizado com base no percentual mínimo previsto na legislação. Ao realizar a diligência solicitada por este colegiado a fiscalização constatou que o saldo de lucro inflacionário acumulado foi integralmente realizado e adicionado ao lucro real nos meses de março e junho de 1997. Foi apresentada documentação comprobatória do erro no preenchimento da declaração. Assim, a própria fiscalização atestou a existência de erro no preenchimento da declaração, não restando estoque de lucro inflacionário a ser realizado. Ante todo o exposto, conheço do recurso para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 275DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 19515.006073/2008-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Não há cerceamento de defesa para o indeferimento de requerimentos genéricos de produção de prova.
Constitui infração deixar de apresentar documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, nos termos do arts 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único do Decreto n. 3.048/99.
Legalidade da Taxa SELIC nos termos da Súmula n. 3 do CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.653
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. Não há cerceamento de defesa para o indeferimento de requerimentos genéricos de produção de prova. Constitui infração deixar de apresentar documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, nos termos do arts 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único do Decreto n. 3.048/99. Legalidade da Taxa SELIC nos termos da Súmula n. 3 do CARF. Recurso Voluntário Negado
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DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. Não há cerceamento de defesa para o indeferimento de requerimentos genéricos de produção de prova. Constitui infração deixar de apresentar documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, nos termos do arts 33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único do Decreto n. 3.048/99. Legalidade da Taxa SELIC nos termos da Súmula n. 3 do CARF. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Ivacir Julio de Souza – Presidente Substituto Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 132DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.006073/200807 Acórdão n.º 240300.653 S2C4T3 Fl. 129 3 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração AI n° 37.176.3606, lavrado em 25/09/2008 e notificado em 04/10/2008, em face da empresa acima identificada, por infração ao art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, uma vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 15 a 17, a empresa deixou de apresentar o Livro Diário do exercício de 2003, solicitado através dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos de 15/08/2008 e 28/08/2008, constante às fls. 9 a 12. 2. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 17, aplicouse a multa prevista nos artigos 92 e 102, da Lei n° 8.212/91, combinados com os artigos 283, II, "j", e 373, do Decreto n° 3.048/99, Código de Fundamentação Legal — CFL 38, correspondendo ao valor atualizado de R$ 112.938,93 (cento e doze mil, novecentos e trinta e oito reais e noventa e três centavos), observada a Portaria MPS/GM n° 77 de 11 de março de 2008, publicada no DOU de 12.03.2008, com aplicação da agravante de reincidência, não sendo constatada a ocorrência de outras circunstâncias agravantes ou atenuantes da infração. 3. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa informa, ainda, que foram aplicados os fatores de multiplicação no valor de 3 x 3 = 9 (nove) vezes o valor R$ 12.548,77, devido à dupla reincidência específica, conforme itens 1° e 5° do Termo de Antecedentes (fls. 18 e 19), totalizando a multa em R$ 112.938,93. 4. Da presente Autuação extraise, ainda, que: 4.1. O Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, o Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF de 22/07/2008, os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD de 15/08/2008 e 28/08/2008 e o Termo de Encerramento da Procedimento Fiscal — TEPF de 30/09/2008 encontramse às fls. 6 a 14. 4.2. A qualificação das pessoas físicas representantes legais da empresa contribuinte, período de atuação e tipo de vínculo existente constam do Relatório de Representantes Legais REPLEG e da Relação de Vínculos VÍNCULOS (fls. 4 e 5). DA IMPUGNAÇÃO 5. A empresa apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 25 a 38, acompanhada dos documentos de fls. 58 (Procuração Ad Judicia et Extra) e anexos (fls. 59 e 60), com as seguintes alegações, em síntese: 5.1. A Impugnante alegaa tempestividade de sua impugnação 5.2. Alega, também, que não houve relevante razão para que o Auditor Fiscal lançasse mão do arbitramento e aferição indireta, pois a Impugnante não deixou de apresentar os documentos solicitados com a finalidade de embaraçar a fiscalização; e que ajuizou, em face do INSS, Ação Declaratória de Inexigibilidade da contribuição social incidente sobre a remuneração feita aos empresários, administradores e trabalhadores autônomos (processo 96.229783 — 19a Vara da Justiça Federal em São Paulo — SP), requerendo tutela antecipada, Fl. 134DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 com base no artigo 273 do Código de Processo Civil, enfim concedida, independentemente de qualquer garantia. Por tal razão, a Impugnante estava desobrigada do recolhimento por força de provimento judicial e, portanto, também o estava para prestar quaisquer informações quanto àquelas contribuições. Assim, injustificável o arbitramento e necessária a declaração de nulidade do presente Auto de Infração. 5.3. A Impugnante alega também a extinção de crédito em razão da decadência tributária, com base na inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal e conseqüente aplicação do artigo 174 do Código Tributário Nacional, estando decadente/prescrito todo o período lançado: janeiro de 2003 a dezembro de 2003. 6. Assim, a Impugnante requer: 6.1. Que seja julgado improcedente o Auto de Infração dada ajusta recusa para exibição de documentos relativos a Contribuições cujo recolhimento estava desobrigada. 6.2. Alternativamente, que seja reconhecida a extinção do crédito tributário por estar fulminado pela prescrição/decadência. 6.3. Na hipótese de rejeição dos pedidos antecedentes, a determinação de perícia para o fim de apurar o exato "quantum debeatur", pois os valores lançados não obedeceram qualquer critério e, portanto, ficam expressamente impugnados, sob pena de cerceamento ao devido processo legal, notadamente ao direito da ampla defesa e do contraditório. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da impugnante, a 13a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I – SP DRJ/SPOI, emitiu o Acórdão n° 1621.234, mantendo procedente em parte o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 81/105), sobre os mesmos argumentos de sua defesa, além do argumento de violação ao art. 17 do Decreto n. 70.235/72, cerceamento à ampla defesa, em face do indeferimento da prova pericial e nulidade por ausência de exposição clara dos fatos do Auto de Infração. É o Relatório. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.006073/200807 Acórdão n.º 240300.653 S2C4T3 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 79 e 81, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO A recorrente fez requerimentos genéricos pela produção de provas, inclusive pericial, sem, ao menos fundamentálos, bem como, sem atender aos requisitos constantes no art. 16 do Decreto n. 70.235/72, com destaque ao inciso IV, §§ 1o, 4o e 5o, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Para que seja deferida a produção de prova pericial, mister se faz que realmente haja necessidade da sua produção, que nos autos haja algum ponto controverdido Fl. 136DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 que precise ser esclarecido. Nesse sentido, lecionam Marcos Vinícios Neder e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3a edição, Dialética, 2010, pág. 295), verbis: “De fato, a perícia tem sido muito utilizada para esclarecer dúvidas técnicas, como, por exemplo, a composição química de determinado produto, para dirimir dúvidas quanto à melhor classificação fiscal para fins de cobrança do IPI. No caso de documentos fiscais, em que pairam dúvidas sobre a ocorrência de falsificação, a perícia é igualmente necessária quando somente um técnico especializado puder se manifestar sobre a matéria, indicando os elementos que o levaram a sua conclusão.” E complementa na página 296, verbis: “Caso a autoridade julgadora entanda ser desnecessária a perícia, tem o dever de, expressamente, motivar sua recusa sob pena de ser declarada a nulidade da decisão de primeira instância.” Logo, da análise da fundamentação do acórdão da DRJ, constante nas fls. 76/77 dos autos, verificase que o indeferimento da perícia foi devidamente fundamentado, não tendo ocorrido, somente, pelo requerimento inadequado, razão pela qual, não há que se falar em nulidade da decisão pelo cerceamento de defesa. Nesse sentido segue a jurisprudência, verbis: Acórdão n. 10421.032, sessão de 13/9/05. Ementa: PAF – Pedido de Realização de Diligência e Perícia – Indeferimento – A diligência e a perícia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes ou colher juízo de terceiros sobre a matéria em litígio, mas a trazer aos autos elementos que possam contribuir para o deslinde do processo. Devem ser indeferidos os pedidos prescindíveis para o desfecho da lide. Publicado no DOU em 18/4/06. A recorrente também requer a anulação do acórdão sob o argumento de que os fatos que intruíram o Auto de Infração em tela são contraditórios e não são claros. Ocorre que, como bem destacou a DRJ no acórdão na fl. 72, o AI está cristalino, verbis: 9.1. O Auto de Infração (fls. 01), o Relatório Fiscal da Infração (fls.15 e 16) e o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 17) observam cabalmente o disposto no art. 142 CTN, descrevendo a infração e o dispositivo legal infringido (art. 33, parágrafos 2° e 3° da Lei 8.212/914 c/c art. 232 e 233 do Decreto 3.048/99) bem como discriminam o dispositivo legal da multa aplicada e o dispositivo legal da gradação da multa (arts. 92 e 102 da Lei 8.212/914 c/c art. 283, II, "j" e art. 292, I ambos do Decreto 3.048/99). Logo, não há fundamento para a anulação do acórdão pelos motivos requeridos, por cerceamento de defesa, ou falta de claresa no AI objeto da lide. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Fl. 137DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.006073/200807 Acórdão n.º 240300.653 S2C4T3 Fl. 131 7 O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de multa isolada, vinculada a contribuições sociais previdenciárias, que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, e partindo do pressuposto de que o acessório segue o principal, contase o prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. O período de apuração compreendeu a competência 01/2003 a 12/2003. A notificação ocorreu em 04/10/2008. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 Logo, o fiscal poderia exigir o exercício de 2003 até o dia 31/12/2008. Razão pela qual, não há que se falar em decadência. DO MÉRITO O auto de infração lançado contra a empresa teve por base a obrigação de apresentar para o fisco o Livro Diário referente ao exercício 2003, documento esse relacionado com as contribuições previdenciárias. Infringindo, por conseguinte, o disposto no artigo 33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91 (vigente há época), c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, Decreto n. 3.048/99, verbis: Lei n. 8.212/91: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Decreto n. 3.048/99: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.006073/200807 Acórdão n.º 240300.653 S2C4T3 Fl. 132 9 Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Pela não apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, com base nos arts. 92 e 102 da Lei n. 8.212/91, foi instaurada a multa prevista nos artigos 283, inciso II, “j” e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, no valor base de R$ 12.548,77, verbis: Lei n. 8.212/91: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Decreto n. 3.048/99: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices Fl. 140DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração, fl. 15, a empresa foi intimada nos dias 28/08/2008 e 03/09/2008, através de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, para disponibilizar o Livro Diário, correspondente ao exercício de 2003, porém não apresentou. A não apresentação do Livro Diário é fato incontroverso, conforme se pode extrair das fls. 100/101 do Recurso Voluntário, verbis: 13o.) A semelhança do que já sustentou por ocasião da apresentação de sua Impugnação, a ora Recorrente não deixou de apresentar os documentos solicitados por rebeldia tributária ou com o propósito de embaraçar a fiscalização. Não apresentou e tinha razões para assim proceder. (grifo nosso) Ao contrário do que tenta fazer crer a recorrente, ela não estava desobrigada de cumprir com as obrigações assessórias que originaram este Auto de Infração, até porque, mesmo na hipótese de estar amparada pela liminar do Proc. n. 96.00229783, o mesmo foi julgado improcedente e transitou em julgado no dia 23/02/2000. Logo, é evidente que o período de 2003 não estava amparado por eventual liminar. Ademais, mister registrar que, mesmo que a recorrente estivesse amparada pela liminar, cessados os seus efeitos, deve a parte adimplir com todas as obrigações principais e acessórias daquele período. Até porque, a análise para a concessão da liminar não é meritória e sim precária, bastando a fumaça do bom direito e o receio de um dano irreparável, devendo o pleiteante ter em mente que indeferido o pleito final, todos os efeitos da liminar serão revogados. Tendo sido reincidente, em face dos AIs nos 35.591.9494 e 35.516.7050, instaurados em 23/09/2003 e 16/12/2002, por infrações fundamentadas dos códigos legais 38 e 67, que tiveram decisões administrativas em 15/06/2004 e 03/10/2003, respectivamente, a multa foi elevada em seis vezes (2 x 3), conforme disposto no artigo 292, inciso IV do RPS, que corresponde a R$ 75.292,62, verbis: Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; Fica evidenciado que a empresa cometeu uma falha ao não apresentar o Livro Diário referente ao exercício de 2003, conforme solicitado. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A recorrente entende como ilegal a incidência da Taxa SELIC. Ocorre que, essa matéria já se encontra prevista na Súmula n. 3 do CARF, assim como, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os julgamentos dos conselheiros estão vinculados aos acórdãos do STF e STJ, quando prolatados nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: Fl. 141DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.006073/200807 Acórdão n.º 240300.653 S2C4T3 Fl. 133 11 Súmula n. 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nos termos do art. 543C do CPC, já se manifestou o C. STJ, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) (grifo nosso) Não obstante, essa matéria consta na Súmula n. 3 do CARF, verbis: Fl. 142DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. CONCLUSÃO Ante o exposto, nego provimento ao recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 143DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.009908/2004-47
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1803-000.013
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para a 3ª Seção do CARF, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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score : 1.0
Numero do processo: 12466.000372/94-92
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFÍCIO.
Confirmado que o veiculo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.532
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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score : 1.0
Numero do processo: 18108.000683/2007-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO DO RECURSO.
Sendo constatada uma das hipóteses (contradição, omissão, obscuridade) para o acolhimento dos embargos de declaração, esses serão acolhidos para sanar o vício anteriormente apontado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2403-000.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para dar-lhe provimento a fim de sanar a contradição apontada.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO DO RECURSO. Sendo constatada uma das hipóteses (contradição, omissão, obscuridade) para o acolhimento dos embargos de declaração, esses serão acolhidos para sanar o vício anteriormente apontado. Embargos Acolhidos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 237 1 236 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18108.000683/200747 Recurso nº 271.998 Embargos Acórdão nº 2403000.647 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado TEC JOB SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.CONTRADIÇÃO.ACOLHIMENTO DO RECURSO. Sendo constatada uma das hipóteses (contradição, omissão, obscuridade) para o acolhimento dos embargos de declaração, esses serão acolhidos para sanar o vício anteriormente apontado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração para darlhe provimento a fim de sanar a contradição apontada. Ivacir Júlio de Souza – Presidente Substituto. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 233 e 234), opostos pela Fazenda Nacional, com esteio no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF no 256/2009, contra o Acórdão nº 2403 00.367 que conheceu do recurso voluntário apresentado no processo em epígrafe e deulhe parcial provimento no sentido de reconhecer, preliminarmente, a decadência até as competências 11/2001 e 13/2001, inclusive, com base no Art. 173, I do CTN e, no mérito, ter determinado o recálculo da multa de mora de acordo com o Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. A parte embargante sustenta que houve contradição entre a parte dispositiva do acórdão e a parte da conclusão do acórdão, que faz parte do voto, tendo em vista que a fundamentação utilizada divergiu, vejamos: Na parte dispositiva consta que o colegiado decidiu pela manutenção da cobrança, que não foi acobertada pela decadência, desde que acrescida do recálculo da multa prevista no art.35, caput, da Lei n 8.212/91.Já na conclusão do voto, o relator haveria decidido pelo art.35A do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 18108.000683/200747 Acórdão n.º 2403000.647 S2C4T3 Fl. 238 3 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. Quanto aos requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração opostos, entendo que foram preenchidos os itens de tempestividade; da regularidade de representação (embargos opostos pela Fazenda Nacional); dos requisitos de cabimento (contradição). Analisando o pleito dos embargos aclaratórios, esclareço que na conclusão do voto houve realmente um erro, que é sanável, qual seja, à manutenção da cobrança foi aplicada a multa do art.35 – A do Código Tributário Nacional com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, quando, na verdade, o dispositivo correto a ser aplicado é o art.35, caput, da Lei n 8.212/91 com a redação desta lei de 2009, tanto é que na parte dispositiva do acórdão, a qual expressa a decisão final do colegiado, que posteriormente é publicada no Diário Oficial, consta que a cobrança da NFLD n 37.027.0738 será mantida com o recálculo da multa do caput do art.35 da Lei n 8.212/91. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto pelo conhecimento dos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para darlhe provimento, acolhendoos, para que seja sanada a contradição apontada, devendo a nova decisão do acórdão 2403.00.367 ficar redigida da seguinte forma: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO confirmando a decadência dos valores relativos às competências de 05/2000 a 11/2001, inclusive 13/2001 com base no art.173, I, do Código Tributário Nacional e em razão da Súmula Vinculante n 8. No mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que venha a contribuição social previdenciária incidir sobre a competência 12/2001, devendose proceder ao recálculo da multa moratória, na forma do art.35, caput, da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 4 Fl. 240DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA
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Numero do processo: 11128.003693/2002-42
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 18/02/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto não faz sentido o argumento de indicação de duas posições tarifárias. Além disso, a descrição dos fatos está perfeitamente delineada, bem como os fundamentos legais em que se escorou a imputação fiscal, não havendo chance para cerceamento do direito de defesa; ao revés, a recorrente defendeu-se muito
bem das imputações.
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto.
LUPRANATE M 20 S.
Consoante informações do laudo do LABANA, da Folha de dados de
segurança do material e do Boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto em tela é uma mistura à base de compostos orgânicos que não é especificado nem compreendido em posição especifica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco - 3824.90.89.
MULTA ADMINISTRATIVA.
Infração administrativa ao controle de importações. Guia de importação.
Licenciamento de importação. Penalidade.
Guia e licenciamento de importação, documentos não-contemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo
169, I, "b", do Decreto-lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 1978.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Aplica-se a súmula n° 4 do Terceiro Conselho de Contribuintes, no sentido de ser legitima a taxa SELIC a partir de 1° de abril de 1995.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3101-000.260
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, no mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa de oficio por ausência de Licença de importação. Vencidos o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e Corintho Oliveira Machado (Relator). Designado o Conselheiro Tarásio Campeio Borges para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto não faz sentido o argumento de indicação de duas posições tarifárias. Além disso, a descrição dos fatos está perfeitamente delineada, bem como os fundamentos legais em que se escorou a imputação fiscal, não havendo chance para cerceamento do direito de defesa; ao revés, a recorrente defendeu-se muito bem das imputações. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto. LUPRANATE M 20 S. Consoante informações do laudo do LABANA, da Folha de dados de segurança do material e do Boletim técnico, produzido pela exportadora, o produto Lin tela é uma mistura à base de compostos orgânicos que não é especificado nem compreendido em posição especifica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco - 3824.90.89. MULTA ADMINISTRATIVA. Infração administrativa ao controle de importações. Guia de importação. Licenciamento de importação. Penalidade. Guia e licenciamento de importação, documentos não-contemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, "b", do Decreto-lei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2° da Lei 6.562- , de 1978. 11 \ * Str- ' 1 4/ JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Aplica-se a súmula n° 4 do Terceiro Conselho de Contribuintes, no sentido de ser legitima a taxa SELIC a partir de 1° de abril de 1995. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, no mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa de oficio por ausência de Licença de importação. Vencidos o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e Corintho Oliveira Machado (Relator). Designado o Conselheiro Tarásio Campeio Borges para redigir o voto vencedor. .., /4_fe. "--7•---4"i'',-- ik":27...z.J.- Henrique Pinhei Topes r resenteil . 110S i5 m 1 4áCorintho Oliven chado - Relator i Licc\--6 Tarásio Campeio lici ges I Redator Designado EDITADO EM: 05/11/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo e Valdete Aparecida Marinheiro. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas adições: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 24/07/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação, Imposto de Produtos Industrializados acrescidos de multa proporcional e multa de controle administrativo, no valor de RS 77.597,70, cru face dos fatos a seguir descritos. À empresa acima qualificada submeteu a despacho acluaneiro,através da Declaração de Importação No. 02/0137663-0, de 18/02/2002, o produto LUPRANATE M 20 S, com classificação fiscal na posição NCA1 2929.10.90, sofrendo a incidência das aliquotas de Imposto de Importação 3,5% e Imposto de Produtos Industrializados 0% A mercadoria foi submetida à conferência física com solicitação de Laudo Ar 2 Processo n° 11128.003693/2002-42 53-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.260 Fl. 193 Técnico do LABANA, através do pedido de exame LAR 0431/GRAUFE; Com o resultado do laudo de assistência técnica No. 0572 foi constatado que a mercadoria efetivamente importada se tratava de MISTURA DE REAÇÃO À BASE DE 1SOCIANATOS AROMÁTICOS, contendo 4,4' — DHSOCIANATO DE DIFENILMETANO, na forma líquida; A fiscalização elegeu a classificação fiscal adequada para o produto LUPRANATE M 20 S a posição NCM 3824.90.89, com as &igualas para o Imposto de Importação de 15,5% e para o Imposto de Produtos Industrializados de 10%; Aplicação da multa administrativa tipificada no artigo 526,11 do Regulamento Aduaneiro - Decreto 91.030/85; Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 31/07/2002 «Bi-frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, por intermédio de seus advogados (procuração fls. 55 protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 30/04/2002, de fis. 42 à 54, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: O produto trata-se de uma mistura de isõmeros; O Parecer Técnico No. 7071 do Instituto de Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT atesta que o produto LUPRANAT M20 S nome comercial LUPRANOL tem classificação tarifária na posição NCM 2929.10.90, correspondente a "outros isocianatos"; Invoca a Regra Geral do Sistema Harmonizado No. 3 para evidenciar que a posição mais especifica deve prevalecer sobre a mais genérica; Ante o disposto no Ato Declaratório COSIT 10/97, a multa do Imposto de Importação é incabível; A multa de controle administrativo também é inoportuna pois a impug,nante não importou produto diverso do declarado; A aplicação da multa do Imposto de Produtos Industrializados não encontra respaldo legal no art. 80 da Lei 4.502/64; Enquanto discutivel a questão através de Processo Administrativo Fiscal, incabível a exigência de juros moratórios; Estando a mercadoria em classificação fiscal correta, incabível a imposição da multa aplicada; A aplicação da Taxa Selic é inconstitucional; Pugna a insubsistência do Auto de Infração. 3 A DRS em SÃO PAULO 1I/SP julgou procedente o lançamento, vazando a ementa nos termos que seguem: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 24/07/2001 O produto LCIPRANATE 3/1 20 .8, foi importado e classificado na posição NCNI 2929.10.90, tida como incorreta pela fiscalização. O código utilizado pela Fiscalização, ou seja, o 3824.9a89 encontra respaldo nos elementos de prova constantes dos autos Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 152 e seguintes, onde basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação, aduz que houve cerceamento do direito de defesa (em virtude de a DRJ não acatar o pedido de perícia) e requer provimento do apelo. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação de Colegiado do Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fl. 190. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Preambulannente, a recorrente declina seu novo endereço, fl. 154, que deve ser observado para fins de intimação dos atos desse processo. Há duas preliminares ao mérito - nulidade do auto de infração (por suposta indicação de duas posições tarifárias, o que haveria dificultado a boa defesa da recorrente) e nulidade da decisão a quo (em virtude de a DRJ não acatar o pedido de pelicia) - e vários argumentos contrários à classificação fiscal levada a efeito pelo Fisco e em face da aplicação das multas. DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeiro plano, cumpre afastar a preliminar de nulidade do auto de infração, porquanto o lançamento não faz qualquer menção à posição tarifária 3824.90.32, sempre apontando para o código 3824.90.89 como o correto, portanto, não faz sentido, neste expediente, a preliminar invocada de indicação de duas posições tarifárias. Releva dizer também que a descrição dos fatos está perfeitamente delineada, bem como os fundamentos legais em que se escorou a imputação fiscal, não havendo chance para cerceamento do direito de defesa; ao revés, a recorrente defendeu-se muito bem das imputações, o que prova haver compreendido perfeitamente do que está sendo acusada. O que de fato ocorreu foi um erro i material na decisão de primeiro gau, que menciona duas posições no auto de infração, porém, isso derivou, provavelmente, de confusão com outro processo da mesma recorrente. 4 Processo n° 11128.003693/2002-42 S3-C1T1 Acórdão n.°3161-00.260 Fl. 194 DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU O indeferimento da prova pericial requerida foi devidamente fundamentado, fl. 100, razão por que não há como decretar nulidade da decisão recorrida sob este aspecto. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Quanto ao mérito, reputo da maior importância dizer que o laudo do LABANA merece toda a credibilidade neste contencioso, porquanto a amostra colhida foi, incontroversamente, do produto efetivamente importado, suas conclusões cingem-se a dizer o que é c para que serve a mercadoria periciada, abstendo-se de classificar o produto, atribuição que não é própria do perito designado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e sim da recorrente e da auditoria-fiscal. Demais disso, o documento traduzido como Folha de dados de segurança do material, fls. 35/36, nos dá informações importantes acerca da mercadoria importada, tais como os ingredientes do produto, fl. 36. E o Boletim técnico, fl. 34, apesar de não ter sido vertido para o português, é de um inglês de boa compreensão (notadamente no que tange à aplicação da mercadoria) complementa essas informações, fazendo com que tenha-se um conjunto razoável de provas da constituição e aplicação do produto químico, sendo despicienda, portanto, a perícia solicitada previamente. A defesa da recorrente, quanto à classificação fiscal, em síntese, diz que o produto importado trata-se de uma mistura de isómeros, e para comprovar isso traz laudo do Instituto Nacional de Tecnologia fls 75 a 77, produzido unilateralmente, que além de concluir que o produto LUPRANAT M20S, é provavelmente uma mistura de isgmeros de diisocianatos de difenilmetano, e ainda afirma que o produto deve ser classificado na posição 2929.10.90 da TEC. Num segundo momento, caso a classificação fiscal adotada pela recorrente não se sustente, aponta a IN SRF n° 509/2005, editada três anos após o fato gerador sub analisis, que aprovou alterações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, no que tange ao capítulo 39, introduzindo e poli(isocianato de fenil metilene) no rol das resinas aminicas: • CAPITULO 39. Página 731. Posição 39.09. Primeiro parágrafo. Item 1). Provo terceiro parágrafo. Inserir o novo terceiro parágrafo seguinte : "O polifisocianato de fenil mediano) (que é freqüentemente denominado "MDI em bruto" ou "MDI polimérico'7 apresenta-se na forma liquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho claro e sintetiza-se por reação de anilina e de formaideido para constituir o poli(netileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e de formaldeído (uma resina atnínica modificada quimicamente). O polímero daí resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante pré- polímero utilizado na fabricação de poliuretanos." Página 732, Posição 39.09. Primeiro parágrafo. Item 3). / 1 f• 5 li' rimeiro parágrafo. Nova última frase. Inserir a nova última frase seguinte : "Estes produtos são geralmente vendidos como um elemento de um sistema ou de sortido com vários componentes." 2.Novo segundo parágrafo. Inserir o novo segundo parágrafo seguinte : "Este grupo compreende também as misturas de poliuretano com diisocianato polifuncionais não reagido (por exemplo, o cliisocianato de tolueno)." Página 733. Posição 39.11. Primeiro paragrafb. Novo item 4). Inserir o novo item 4) seguinte : "440s polímeros com grupos isocianatos não especificados nem compreendidos em outras posições, tais como : a).As policarbamiclas à base de diisocianato de hexametileno (Hal), sintetizadas por reação do IIDI com água, para produzir prépolimeros apresentando uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 3 e 4. Estes produtos entram na fabricação de tintas e de vernizes, b)Os poliisocianuratos à base de diisocianato de hexametileno (IIDI), sintetizados por reação do HDI para produzir pré- polimeros apresentando ligações isocianuratos entre as unidades monoméricas. Os pré-polímeros tém uma quantidade média de unidades monomericas compreendida entre 3 e 5. Estes produtos entram na fabricação de tintas e de vernizes." O item 4) atual torna-se 5). (Grifou-se). Com efeito, nota-se que a classificação fiscal do produto importado não é operação fácil de ser efetivada. A própria recorrente demonstra na sua peça recursiva que não está assim tão convicta da classificação ofertado, originariamente, no capítulo 29 - PRODUTOS QUÍMICOS ORGÂNICOS - e pelo princípio da eventualidade já acena com uma classificação fiscal no capitulo 39 - PLÁSTICOS E SUAS OBRAS - para elidir a classificação fiscal dada pelo Fisco, no capítulo 38 - PRODUTOS DIVERSOS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS. De todo modo, como já assinalado no início deste item (DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL) louvo-me nas informações trazidos no laudo do LABANA, na Folha de dados de segurança do material e no Boletim técnico produzido pela BASF para chegar ao meu convencimento, no sentido de que, de fato, aqui se está diante de um produto à base de compostos orgânicos, que não é especificado nem compreendido em posição = especifica, merecendo, portanto, a classificação fiscal residual a ele atribuída pelo Fisco - 3824.90.89. A decisão recorrida traz subsídios valiosos a respeito do tema: Embora a Nota 1 "b" do capitulo 29 permite que nele se classifique uma mistura de isómeros de um mesmo produto, tanto a literatura técnica quanto as informações técnicas exaradas pelo Labana analisam o produto como sendo composto de 42% de 4, 2E-MD1 (o produto puro), 3% de isãmeros de 4,4 IAÍDI e 6 Processo n 11128.003693/2002-42 S3-C1T1 Acórdão n.^ 3101-00.260 Fl. 195 51,5% de produtos oligoméricos ou oligómeros. Segundo a Grande Enciclopédia Larousse Cultural, 1995, um oligamero é urna "molécula de um polímero que apresenta poucas unidades monoméricas (de peso molecular intermediário entre os monômeros e os polimeros)". Portanto, os oligómeros nada mais são que polímeros de poucos monómeros, não se confundindo, pois, com isómeros, que são substâncias que têm a mesma fórmula molecular, ou seja, os mesmos átomos nas mesmas quantidades, mas estruturas diferentes (os átomos, embora sejam os mesmos em cada isárnero, se estruturam de maneira diferente em cada um deleá). Em suma, o produto é uma mistura de reação constituída 42% produto puro(4,4 êXIDI ou 4,4 iDiisocianato de Difenilmetano), isõmeros deste produto, na proporção 3% do composto, e 51,5% de oligõrrieros. Aliás, questionado sobre se o produto era de constituição química definida ou urna mistura de isómeros de um mesmo composto orgânico, em caso idêntico Acórdão DRJ 17-780 de 2002, o INT simplesmente respondeu afirmando que o produto tinha a composição acima referida, omitindo-se de entrar no mérito da questão formulada. Considerando que a presença de isómeros do 4,4 eVIDI é de apenas 3%, conforme esclareceu a Relatório do INT, é inconcebível aceitar a tese do impugnante de que o produto é uma simples mistura de isómeros. Ainda que fosse alegado que a mercadoria seria urna mistura de isameros do mesmo produto, contendo impurezas, tal tese também impossível de se sustentar, pois, a admiti-la como verdadeira, o produto se comporia em sua maior parte de impurezas, posto que o produto principal (4,41 MDI) e seus isómeros somam apenas 45% do composto. Além do mais, ficou claro tanto no Relatório do LVT quanto na Informação Técnica do Labana que o produto identificado pela análise como PMDI (o Diisocianato de Difenilmetano polimérico) e o MDI (o produto puro, monomérico) têm propriedades fisieo-químicas e registro no C.A.S. diferentes, o que prova serem duas substâncias de natureza diversas. Em outras palavras, os oligtimeros identificados pela análise laboratorial, mudam a natureza físico-química do produto principal, razão por que não podem ser consideradas meras impurezas. Acresça-se a tudo isto, o fato de que o Labana juntou laudo técnico de análise do produto puro, o 4,4 1 Diisocianato de Difenilmetano, confbrme fls. 37, de nome comercial LUPRANAT MS, classificável no capitulo 29, fabricado pela própria BASE, do que se depreende que o LUPRANAT MS e o LUPRANAT M2OS são substâncias distintas, o primeiro, de constituição química definida e isolado e o segundo, uma mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro. Em face das considerações acima, não encontra respaldo a tese defendida pelo impugnante de que a mercadoria importada de / 7 nome comercial LUPRANAT M2OS se classifica no capítulo 29, devendo, portanto, dele ser excluído. O fato de se tratar de uma mistura de reação, ou seja, urna mistura não intencional de vários elementos resultantes da mesma operação de síntese não assegura o seu enquadramento tarifário no capitulo 29. Este admite algumas misturas que, no geral, estão definidas na sua nota n° 1, o que não é o caso da mercadoria em discussão. DA MULTA ADMINISTRATIVA Quanto à multa administrativa por falta de licença de importação, nota-se que a recorrente não descreveu a mercadoria com todos os elementos que permitissem a perfeita identificação do produto, não sendo portanto o caso de aplicação do AD(N) COSIT n° 12/96. A recorrente apôs a seguinte descrição do produto: LUPRANAT M 20 S4,4 DIFENIL-METIL-DIISOMNATO; QUALIDADE: INDUSTRIAL; ESTADO FÍSICO: LÍQUIDO; FINALIDADE: UTILIZADO NA INDUSTRIA AUTOMOTIVA, CONSTRUÇÃO CIVIL, ETC. O laudo do LABANA assim caracterizou o produto: Mistura de reação à base de isocianatos aromáticos, contendo 4,4' — diisocianato de difenilmetano, na forma líquida. Ainda diz que a mercadoria é utilizada principalmente na fabricação de espumas de poliuretano. Nessa moldura, ao meu sentir, a indigitada multa é exigível. DOS JUROS MORATORIOS — TAXA SELIC Quanto aos juros de mora calculados pela taxa SELIC, estes correspondem àqueles previstos na legislação de regência. O artigo 161 do Código Tributário Nacional prevê: Art. 161 - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° - Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. No caso em questão, os juros foram lançados com base no disposto no artigo 61, parágrafo 3' da Lei n°9.430/96. conforme demonstrativo anexo ao auto de infração. Assim, não houve desobediência ao CTN, pois este estabelece que os juros de mora serão cobrados à taxa de 1% ao mês no caso de a lei não estabelecer forma diferente, o . que veio a ocorrer a partir de janeiro de 1995, quando a legislação que trata da matéria determinou a cobrança com base na taxa SELIC. E o Código Tributário Nacional só prevê a dispensa dos juros de mora na hipótese de pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito tributário, art. 161, § 2°: Art 161(...) § 2' - O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito Processe n° 11128.003693/2002-42 S3-C/T1 Acórdão n.° 3101-00.260 Fl, 196 Por outro lado, o artigo 5° do Decreto-lei n° 1.736/79, é taxativo quando determina que: Art. 5° - A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Quanto à taxa SELIC, entendo aplicável a súmula n° 4 do Terceiro Conselho de Contribuintes: A partir de I° de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Posto isso, REJEITO AS PRELIMINARES, e no mérito, NEGO pPROVIMENTO ao recurso von 1 . tá ' , prejudicados os demais argumentos. i i I (i . • Corintho 0:ir rá Machado L/ Voto Vencedor Conselheiro Tara o Campelo Borges, Redator Designado Conheço do recurso voluntário porque tempestivo e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Peço vênia ao eminente relator para discordar de suas conclusões no que respeita à exigência da multa do controle administrativo das importações, fundamentada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 [ 1], cuja base legal é o Decreto-lei 37, de 1966, artigo 169, I, "b", alterado pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 1978. A aplicação dessa penalidade está ancorada em dois motivos:• a) mercadoria considerada importada sem licenciamento, em face de sua incorreta classificação, motivou a cominação de pena cujo fato típico é falta de guia de importação ou documento equivalente; b) entende o autuante que guia e licenciamento de importação são documentos equivalentes. Logo, faz-se necessário, em primeiro lugar, identificar a natureza da guia e a do licenciamento de importação. 1 RA, artigo 526: Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decreto-lei 37, de 1966, artigo 169, alterado pela Lei 6.562, de 1978, artigo 2°): [...] (II) importar mercadoria do exterior sem Ciiia],C16](MPOitaçãn1fitr doaliblitreq1414(alefitet , que tido implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria; Ex.]. . P '' 9 ' Reportando-nos à segunda metade da década de 50 do século XX, é fácil constatar que a guia de importação foi instituída "para fins de levantamento da estatística de importação do comércio exterior `, nos termos do § 3° do artigo 38 da Lei 3.244, de 14 de agosto de 1957, regulamentado pelo Decreto 42.914, de 27 de dezembro de 1957, posteriormente revogado por Decreto de 5 de setembro de 1991. Quase quatro décadas depois da instituição daquele documento de controle estatístico, no Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, parte integrante da já citada ata final que incorpora os resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, aprovada pelo Decreto Legislativo 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgada pelo Decreto 1.355, de 30 de dezembro de 1994, o licenciamento de importação é definido como procedimentos administrativos [...] que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador.' [Grifei] Portanto, tem naturezas diversas a guia e o licenciamento de importação. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. Assim, entendo equivocado, no caso concreto, infligir a multa do artigo 169, I, "b", do Decreto-lei 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo artigo 2° da Lei 6.562, de 18 de setembro de 1978, em razão de não ser fato típico dela a importação de mercadorias ao desamparo de licenciamento de importação. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário para excluir da exigência a multa do controle administrativo de importações equivalente a 30% do valor das mercadorias importadas ao desamparo de licenciamento de importação. Tarasio Campeio Borges 2 Decreto 42.914, de 27 de dezembro de 1957, artigo 1°. 3 Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações, artigo 1, parágrafo 1. •0
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Numero do processo: 10935.004119/2006-68
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1803-000.065
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Victor Humberto Da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.004119/200668 Resolução n.º 1803000.065 S1TE03 Fl. 188 2 RELATÓRIO. OVETRIL AGROPECUÁRIA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CURITIBA (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, relativo ao ano calendário 2002. 2. 0 auto de infração de IRPJ (Hs. 32/37) exige o recolhimento de R$ 88.091,12 de imposto c RS 66.068,33 de multa de lançamento de oficio, além dos encargos legais. 3. 0 lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 38/39: Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente — Inobservância do Limite de 30%; no período de 12/2002. Enquadramento legal nos arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único e 510 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999— RIR199. Multa de 75%; 4. Cientificada em 15/09/2006, conforme AR de fl. 40, tempestivamente, em 16/10/2006, foi interposta impugnação aos lançamentos, às fls. 44/71, acompanhada dos documentos de fls. 72/98, que se resume a seguir: Preliminar. Nulidade. Princípio da verdade material e reserva legal. Inexistência de prova do fato gerador. a. Alega que a empresa é do ramo agropecuário e não se submete a limitação de 30% dos lucros para a compensação de prejuízos, de acordo com o art. 512 do RIR/99, e que já havia respondido que se tratava de mero erro de preenchimento da declaração, o que não foi aceito pelo auditor; b. Explica que o erro consistiu em ter informado o valor dos prejuízos acumulados numa linha da declaração, quando deveria ser em outra, não havendo dúvida de que os prejuízos decorrem da atividade rural; c. Contesta o procedimento da autoridade fiscal, que deveria ter tomado outras providências, no sentido de confirmar suas suspeitas, ou ao menos, intimar novamente a empresa para que comprovasse que foi efetivamente um erro, ao invés de lavrar o auto de infração; d. Assevera que os procedimentos de fiscalização devem apresentar com clareza os elementos necessários à constituição do crédito, sustentados em provas, documentadas nos autos, com o objetivo de proporcionar ao lançamento o requisito essencial da certeza, elemento que não está presente no procedimento; Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.004119/200668 Resolução n.º 1803000.065 S1TE03 Fl. 189 3 e. Reclama que o auditor indevidamente presumiu que o prejuízo acumulado seria decorrente de atividade cm geral, que a empresa definitivamente não realiza, sendo que a existência de indícios ou presunções não podem caracterizar o crédito tributário, devendo ser necessariamente provado, pois é somente um ponto de partida, equivalentes a urn começo de prova insuficiente para a instituição de qualquer exação; f. Cita decisão do Conselho de Contribuintes; g. Aponta que sequer foi dado a oportunidade à empresa de comprovar o contrário, tendo que fazêlo no presente procedimento; h. Conclui que não pode prosperar a medida, por ausente um dos pilares da tributação: o fato gerador da obrigação tributária; Mérito. Prejuízos acumulados na atividade rural i. Explica que o prejuízo fiscal existente em 31/12/2001 referese à atividade agropecuária, sendo que na DIPJ/2002, à página 6, consta a existência de R$ 629.491.87, referente a prejuízos acumulados, que se originou nos anos anteriores; e que a segregação dos valores de receitas, custos e despesas de atividade rural somente foi implementada a partir do ano base de 1996, pela IN n°39/1996; j. Observa que a exigência da segregação aplicase apenas as empresas agropecuárias que desempenhem outras atividades, o que não é o presente caso, já que a empresa explora exclusivamente a atividade agropastoril, e não há necessidade da mencionada segregação; k. Prossegue afirmando que, em relação aos períodos anteriores a 1996, não há que se exigir a referida demonstração, devendo ser os prejuízos compensados sem a limitação dos 30%; 1. Declara que acumulou os seguintes prejuízos, de acordo com o Lalur: RS 306.417,55 (1992), RS 267.884,99 (1993), R$ 291.128,38 (1994) e R$ 53.362,93 (1995). totalizando RS 918.793,85; e que, a partir de 1996, mesmo sem estar obrigada, passou a demonstrar na DIPJ as informações na coluna relativas às atividades rurais, em valores que ate o ano de 1998, totalizam RS 2.042.104,67 de prejuízos acumulados; m. Justifica que, no ano calendário de 1999, apurou R$ 22.032,35 de lucro operacional e RS 307.373,10 de perdas não operacionais, tendo compensado parte de suas perdas não operacionais com o lucro das atividades operacionais, acumulando mais RS 285.340,75 aos prejuízos a compensar, totalizando em 31/12/1999 a importância de R$ 2.327.445,42 de prejuízos; n. Complementa que, no ano de 2000, novamente apurou lucro operacional no valor de RS 1.030.891,42, reduzindo o saldo de prejuízos acumulados para R$ 1.296.554,00; e que em 2001, apurou lucro que, após ajustes ficou em R$ 629.491,87, reduzindo o prejuízo acumulado para RS 667.062,13, sendo este o valor a compensar com os lucros, e ainda que se considere a cisão parcial realizada (89,56%), Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.004119/200668 Resolução n.º 1803000.065 S1TE03 Fl. 190 4 a empresa ainda terá prejuízo a compensar maior do que o lucro apurado, não havendo base positiva para cálculo do IRPJ; o. Cita decisões administrativas; Indevida limitação inserida pela Lei 9.065/95 no RIR p. Sustenta que a Lei n° 9.065/95, que acrescentou a limitação em 30% para compensação de prejuízos fiscais cm relação ao lucro real tributável, veio a distorcer a expressão "renda e proventos de qualquer natureza", contida no art. 153, III da Constituição Federal, e art. 43 do CTN; q. Entende que o lucro que é mencionado como tributável pela Constituição é o "lucro real", ou seja, o efetivo aumento patrimonial da pessoa jurídica, conforme prevê a legislação comercial; e assim, o ajuste limitativo de 30% não tem amparo nem na Carta Magna nem na legislação comercial; r. Postula a inconstitucionalidade da alteração trazida pela Lei n° 9.065/99, já que a mesma, ao impor restrições para o abatimento dos prejuízos anteriores da base de cálculo do tributo, faz com que a base fique superior ao verdadeiro "lucro real", cujos conceitos constitucional, comercial e contábil permitem sua apuração considerandose o abatimento da integralidade dos prejuízos acumulados; s. Aduz que a limitação fulmina a definição, o conteúdo e o alcance jurídico do instituto "lucro" utilizado pela Constituição para definir a competência impositiva da União, que não poderiam ser desfigurados pela legislação tributária, conforme dispõe o art. 110 do CTN; t. Alega que a finalidade da lei é evitar a queda da arrecadação; e que a realidade econômicafinanceira de uma empresa é muito mais abrangente do que o período de tempo considerado no balanço fiscal, pois este destaca seu desempenho entre dois marcos temporais, enquanto que a sua existência se prolonga no tempo, gerando vertentes que não podem ser desconsiderados pela lei tributária; Multa u. Contesta a exigência da multa de 75%, uma vez que a mesma é gravada de inconstitucionalidade, sendo inegável que a penalidade tem sentido reparador e visa proteger o crédito tributário e com ele mantém liame lógico e inafastável, desestimulando os contribuintes de omitir ou mesmo sonegálo; v. Observa que a multa fiscal tem por objetivo reparar o sujeito ativo da obrigação tributária, pelo atraso ou até mesmo pela sonegação, e não de proteger a sociedade, pois este interesse é tutelado pelo direito penal, o que torna injustificável que os erários de todos os níveis possam impor percentuais de multas pecuniárias em patamares elevados e destoantes do próprio texto constitucional; w. Cita o art. 150. IV da Constituição Federal, que veda que o tributo seja utilizado com efeito de confisco; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.004119/200668 Resolução n.º 1803000.065 S1TE03 Fl. 191 5 x. Cita decisões do STF, que reduziu os percentuais de multas aplicadas administrativamente na área fiscal e firmou jurisprudência que o máximo admitido seria de 30% sobre o valor do tributo devido; Taxa Selic. Inconstitucionalidade y. Insurgese contra a exigência de atualização monetária concomitantemente com juros cobrados com base na taxa Selic por já estar inclusa correção monetária, conforme decidiu o STJ; z. Entende que a taxa Selic é inconstitucional; aa. Sustenta que as taxas de juros são taxas de remuneração de capital, compatíveis com rendimentos obtidos em outras atividades de especulação financeira, c suficientes para compensar os riscos corridos pelo investidos nessas operações; bb. Reclama que a taxa Selic contempla o execrável anatocismo, na medida em que acumula os índices mensalmente, sendo condenado pelos tribunais, de modo uníssono; cc. Conclui que não se pode lançar mão da referida taxa a título de juros de mora que, como se sabe, não deve ir além da remuneração, do montante devido a titulo de tributo eventualmente não recolhido no prazo legal, pela mora, sendo que qualquer medida que ultrapasse a singela reparação da mora tem efeito confiscatório, vedado pela Constituição Federal, pois não se pode confundir juros de mora com multa de mora; Requerimento dd. Em pedidos finais, requer a juntada de tantas provas quantas julgue necessárias para o perfeito deslinde, a qualquer tempo. 5. A fl. 100 consta despacho proferido por esta DRJ/Curitiba, em 06/08/2008, suscitando dúvida relacionada à atividade rural, em face do cotejo de informações contidas na impugnação e no termo de verificação fiscal. Foi observado que a autoridade fiscal efetuou o lançamento com base na informação constante da base de dados do Sapli, que indicava existência de prejuízo fiscal, ao final de 2001, somente a titulo de "Atividades em Geral", com zero de saldo de prejuízo de "Atividade Rural" (fls. 21/26), enquanto que, na impugnação, o contribuinte demonstrou que todo o prejuízo que acumulou decorreu de atividade rural, desde o ano calendário 1992 até 2001. 6. Assim, solicitouse a DRF/Cascavel que: a) verificasse se todo o prejuízo acumulado desde 1992 de fato decorreu de atividade rural; b) obtivesse os valores corretos de prejuízos fiscais, com separação de atividade geral e atividade rural, desde o ano calendário de 1992; c) desse ciência das conclusões da diligência ao contribuinte, com abertura de prazo para impugnação quanto a essa matéria. 7. A diligência foi cumprida, conforme fls. 102/128. Foi dado ciência ao contribuinte, com abertura de prazo para impugnação. Não consta manifestação. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.004119/200668 Resolução n.º 1803000.065 S1TE03 Fl. 192 6 A DRJ CURITIBA (PR), através do acórdão nº 0620.131, de 27 de novembro de 2008 (fls. 132/145), julgou procedente em parte o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 NULIDADE. FALTA DE PROVA DO FATO GERADOR. FALTA DE OPORTUNIDADE PARA DEMONSTRAR PREJUÍZOS DE ATIVIDADE RURAL. E infundada a argüição de nulidade dos lançamentos, por falta de prova do fato gerador, que é matéria de mérito, ou por falta de oportunidade para demonstrar prejuízos da atividade rural, quando consta intimação da empresa para tanto. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de oficio, exigíveis em lançamento de oficio, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucional idade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CUMULATIVIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Na aplicação da taxa Selic não ocorre a cumulação, ou seja, incidência de juros sobre juros, uma vez que se aplicam somente sobre o principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 PEDIDO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO. Indeferese pedido de apresentação de novos documentos, tendentes a produzir prova das alegações da impugnante, por ter precluído de seu direito de apresentação de prova documental, não juntada na impugnação, e não sendo caso das exceções legalmente previstas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. ATIVIDADE RURAL. NÃO APLICAÇÃO DO LIMITE DE 30%. É improcedente o lançamento fundado em excesso de compensação, quando se trata de prejuízos de atividade rural, que não se sujeitam a Fl. 194DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.004119/200668 Resolução n.º 1803000.065 S1TE03 Fl. 193 7 trava de 30% prevista na compensação de prejuízos de atividades em geral. Ciente da decisão em 15/12/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 149), apresentou o recurso voluntário em 14/01/2009 fls. 150/178, onde reitera parcialmente os argumentos da inicial aduzindo haver erro de fato na compensação dos prejuízos e que não procede a segregação de prejuízos não operacionais pois todos decorrem da atividade rural. É o relatório. VOTO. Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração IRPJ, relativo ao ano calendário 2002, lavrado em virtude de excesso de compensação de prejuízos fiscais. Oportunizada diligência fiscal pela DRJ CURITIBA (PR), acolheuse em parte a impugnação da recorrente, reconhecendo que tratandose de empresa que exerce a atividade rural, não se lhes aplicam as restrições para compensação de prejuízos fiscais no limite de 30%. Não obstante, persiste a recorrente não concordando com a matéria tributável remanescente reiterando os argumentos da inicial e afirmando adicionalmente de que não procede a segregação de resultados não operacionais realizada pela autoridade fiscal por ocasião da diligência havendo erro de fato na apuração dos prejuízos compensáveis de 1994 e 1995. Embora não tenha a recorrente apresentado elementos adicionais em seu recurso voluntário, constatase haver evidências de que pode haver inconsistências nos montantes dos prejuízos fiscais apurados e considerados pela autoridade fiscal por ocasião da diligência fiscal oportunizada pela Delegacia de Julgamento de Curitiba (PR). Com efeito, compulsando o Termo de Diligência Fiscal (fls. 125/128), com a impugnação (fls. 44/71) e LALUR dos anos calendários 1994 (fl. 84) e 1995 (fl. 85), constata se haver divergências nos valores apurados pela autoridade fiscal. Não há nos autos elementos que possam sustentar os valores apurados para os anos calendários 1994 e 1995, bem como de que forma foram apurados os valores dos prejuízos relativos a atividade geral no montante de R$ 126.141,01. Considerando que nos anos calendários de 1999 (fl. 120), 2000 (fl. 121) e 2001 (fl. 122), houve apuração de resultados não operacionais que podem ter influenciado na apuração de resultados da atividade geral por parte da autoridade fiscal, é necessário identificar a origem dos mesmos considerando o disposto nos artigos 11 e 18 da Instrução Normativa SRF 257/2002: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.004119/200668 Resolução n.º 1803000.065 S1TE03 Fl. 194 8 Resultado da atividade rural Art. 11. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas auferidas e das despesas incorridas no período de apuração, correspondentes a todas as unidades rurais exploradas pela pessoa jurídica rural. § 1º O resultado na alienação de bens utilizados exclusivamente na produção, com exceção da terra nua e observado o disposto no § 5º do art. 14 e nos arts. 20 e 22, compõe o resultado da atividade rural. § 2º Integra também o resultado da atividade rural a realização da contrapartida da reavaliação dos bens utilizados exclusivamente na atividade rural. § 3º O resultado da atividade rural, apurado na forma desta Instrução Normativa, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas rurais. Prejuízos não operacionais Art. 18. Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas que exploram atividade rural, somente poderão ser compensados, nos períodos subseqüentes ao de sua apuração, com lucros de mesma natureza, observado o limite de redução do lucro de, no máximo, trinta por cento previsto no art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995. Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, consideramse não operacionais os resultados decorrentes da alienação de bens e direitos do ativo permanente não utilizados exclusivamente na produção rural, incluída a terra nua, exceto as perdas decorrentes de baixa de bens ou direitos do ativo permanente, em virtude de teremse tornado imprestáveis, obsoletos ou caído em desuso, ainda que posteriormente venham a ser alienados como sucata. Conforme se depreende dos dispositivos transcritos, o resultado da venda de bens utilizados exclusivamente na atividade rural, exceto a terra nua, compõe o resultado da atividade rural, não se sujeitando ao controle segregado como “atividade geral”. Ante o exposto, considerando os indícios de equívocos na apuração dos prejuízos fiscais da atividade rural dos anos calendários 1994 e 1995, bem como a possibilidade de inclusão nos resultados não operacionais de bens destinados exclusivamente a atividade rural, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição (CASCAVEL/PR), apure: a) Os efetivos prejuízos fiscais decorrentes da atividade rural nos anos calendários 1994 e 1995; b) Com base no artigo 11 da Instrução Normativa SRF nº 257/2002, se os resultados não operacionais dos anos calendários 1999, 2000 e 2001, integram ou não os resultados da atividade rural; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10935.004119/200668 Resolução n.º 1803000.065 S1TE03 Fl. 195 9 c) Com base nos quesitos “a” e “b” apure os prejuízos efetivamente existentes da atividade rural e geral para compensação no ano calendário 2002, demonstrando a existência ou não de resultado tributável remanescente neste ano calendário. O resultado da diligência deve ser cientificado ao contribuinte para que caso queira, apresente no prazo de 30 (trinta) dias nova manifestação acerca da matéria apurada. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 07/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10580.720291/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1803.000.069
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência para a Terceira Seção do CARF, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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