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Numero do processo: 11030.904223/2009-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSOS. TEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso interposto após o trintídio estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por intempestivo.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSOS. TEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após o trintídio estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário não conhecido.
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RECURSOS. TEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após o trintídio estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por intempestivo. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 42 23 /2 00 9- 53 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti Relatório Tratase de despacho de nãohomologação de compensação pela autoridade administrativa, em razão da não confirmação da existência do crédito informado, pois o pagamento consubstanciado no DARF discriminado pelo contribuinte no PER/DCOMP, foi utilizado integralmente para quitar débito anterior. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou, em síntese, que os valores que pretende compensar se originaram de recolhimentos indevidos sobre valores repassados a terceiros (art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98). Disse que não havia necessidade de norma regulamentadora para que o dispositivo em questão tivesse eficácia. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11030.904223/200953 Acórdão n.º 3403003.498 S3C4T3 Fl. 3 3 A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a manifestação de inconformidade, sob o argumento de que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, foi revogado sem nunca ter sido regulamentado, sendo descabido o reconhecimento do direito de crédito com base nesse dispositivo porque ele nunca teve eficácia. Regularmente notificado da decisão de primeira instância, o contribuinte recorreu a este Conselho, alegando, em síntese, que: 1) a exigibilidade do crédito tributário está suspensa, em face dos recursos interpostos; 2) inexigibilidade do arrolamento de bens; 3) não concorda com a necessidade de habilitação prévia do crédito, nos termos da IN 517/2005, pois tal exigência não consta da Lei nº 9.430/96; 4) discorreu sobre o histórico das normas que regularam a compensação e afirmou seu direito à compensação do PIS recolhido com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator Conforme se verifica nos autos, o contribuinte foi notificado da decisão de primeira instância em 28/09/2011. O art. 33 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que o prazo para recurso voluntário é de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Considerando que o recurso foi postado nos Correios apenas em 03/11/2011, ele é manifestamente intempestivo. Com esses fundamentos, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001757/2004-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA.
Os valores referentes à aquisição de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, integram o cálculo do crédito presumido. Matériai fixada no julgamento do REsp 993.164/MG, sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
O produto sebo bovino com notação NTna Tabela do IPI faz jus ao crédito presumido de IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
De acordo com o REsp 993.164/MG, julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, se houver oposição da Administração para o reconhecimento dos créditos presumidos, deve ser a aplicação do índice.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES E DESPESAS DE CARGA.
A legislação de PIS e Cofins autoriza a tomada de crédito, desde que seja utilizado em seu processo produtivo , bem como quando o ônus for suportado pelo vendedor, o que não se evidenciou nos autos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS IMPORTADOS.
Os valores de aquisições de insumos importados devem ser excluídos da apuração do beneficio porque a legislação admite o cômputo das aquisições efetuadas no mercado interno, com incidência das contribuições.
Numero da decisão: 3201-001.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para admitir a inclusão da receita de exportação de sebo bovino no cálculo do coeficiente de cálculo do crédito presumido, para conceder os créditos oriundos de aquisição de PF e para admitir a aplicação da taxa SELIC sobre os créditos glosados pelo despacho decisório da DRF, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mara Cristina Sifuentes. Ausentes justificadamente os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. Os valores referentes à aquisição de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, integram o cálculo do crédito presumido. Matériai fixada no julgamento do REsp 993.164/MG, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O produto sebo bovino com notação “NT”na Tabela do IPI faz jus ao crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. De acordo com o REsp 993.164/MG, julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, se houver oposição da Administração para o reconhecimento dos créditos presumidos, deve ser a aplicação do índice. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES E DESPESAS DE CARGA. A legislação de PIS e Cofins autoriza a tomada de crédito, desde que seja utilizado em seu processo produtivo , bem como quando o ônus for suportado pelo vendedor, o que não se evidenciou nos autos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS IMPORTADOS. Os valores de aquisições de insumos importados devem ser excluídos da apuração do beneficio porque a legislação admite o cômputo das aquisições efetuadas no mercado interno, com incidência das contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 57 /2 00 4- 81 Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para admitir a inclusão da receita de exportação de sebo bovino no cálculo do coeficiente de cálculo do crédito presumido, para conceder os créditos oriundos de aquisição de PF e para admitir a aplicação da taxa SELIC sobre os créditos glosados pelo despacho decisório da DRF, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mara Cristina Sifuentes. Ausentes justificadamente os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudino. Relatório Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, da Lei n° 9.363 de 1996, pelo sistema alternativo previsto na Lei n° 10.276/2001. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (992/996), que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPI. A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363 de 1996, pelo sistema alternativo previsto na Lei n° 10.276/2001, no valor de R$ 44.878.320,93, relativamente ao 2° trimestre do ano de 2003. 0 pedido foi deferido parcialmente, tendo sido aprovado o crédito de R$ 40.408.180,93, e glosado o valor de R$ 4.470.140,00, com base na informação fiscal de fls. 973/979, em virtude das seguintes retificações efetuadas no cálculo do incentivo fiscal: 1. Ao proceder os ajustes no pedido retificador do 1° trimestre de 2003, a empresa considerou os saldos totais de produtos em elaboração e acabados existentes no inicio do ano calendário, o que obrigou a fiscalização a corrigir o cálculo, considerandose apenas a participação dos insumos nos estoques de produtos acabados e em elaboração; também foi retificado o estoque de 30/06/2003; Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 3201001.646 S3C2T1 Fl. 94 3 2. Exclusão de valores de compras de insumos não contemplados pela legislação regente do crédito presumido, tais como, aquisições de não contribuintes, insumos importados e fretes; 3. Exclusão do total de receita de exportação, das exportações de produtos NT. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 1036/1051, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Tem direito à aplicação da atualização monetária dos seus créditos presumidos do IPI, objeto do ressarcimento, pela taxa SELIC; 2. Questiona a exclusão das compras de insumos de não contribuintes da COFINS e do PIS, especialmente aquelas realizadas de pessoas físicas, por considerar que o art. 10 e seguintes da Lei n° 9.363/96 não faz qualquer restrição neste sentido; 3. As matériasprimas e insumos nãotributados pelo IPI compõem a base de cálculo do crédito presumido, pois não há restrição na Lei n° 9.363/96; 4. Os fretes e despesas de carga por se constituírem em produtos intermediários devem ser incluídos na apuração do crédito presumido; 5. Os insumos importados também devem ser incluídos, pois têm natureza de insumos e não existe restrição na Lei n° 9.363/96; 6. Defende o direito de inclusão na receita de exportação, das mercadorias exportadas nãotributadas pelo IPI. Por fim, requer o deferimento total do pleito, desconsiderando as retificações efetuadas anteriormente. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Os valores referentes à aquisição de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os valores de aquisições de insumos importados devem ser excluídos da apuração do beneficio porque a legislação somente admite o cômputo das aquisições efetuadas no mercado interno. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com fretes. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto não tributável, não é considerada operação industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Solicitação Indeferida Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que: i. restou preclusa a matéria atinente às correções efetuadas pela fiscalização na apuração dos estoques, pois não questionada na manifestação de inconformidade, conforme preconiza o Decreto n° 70.235/72, art. 17; ii. quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas, para gozo do beneficio, seria necessário que tivessem incidido tais contribuições sobre as aquisições e o recolhimento das contribuições pelos fornecedores e que, não ocorrendo tal fato, não haveria o que ressarcir; iii. em relação às aquisições de insumos importados, considerandose que nessas operações não houve incidência do PIS e da Cofins, estas aquisições devem ser excluídas do cálculo do crédito presumido; iv. não consta na informação fiscal de fls. 973/979, nem no despacho decisório de fls. 992/996, qualquer exclusão de valores de insumos NT; v. sobre a prestação de serviços de transporte, o art. 3° da Lei n° 9.363/96, parágrafo único, o art. 147, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), repetido no art. 164, inciso I, do Decreto n°4.544/2002 (RIPI/2002), a Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997, determinam que geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários "strictosensu" e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente, que se consumam por decorrência de um contato físico ou que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, alterações tais Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 3201001.646 S3C2T1 Fl. 95 5 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização; vi. o valor das exportações de produtos NT não comporiam o valor da receita de exportação para efeito de apuração do crédito presumido de IPI, pois não estão incluídos no campo de incidência do IPI; vii. não há direito à atualização monetária do crédito porque não existe previsão legal nesse sentido e no âmbito do direito público Administração e administrado estão submetidos ao principio da legalidade estrita. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da impugnação, argumentando que: i. há direito de atualização dos créditos pela taxa SELIC, pois o montante a ser ressarcido deve ser equivalente ao poder econômico do crédito presumido na data de sua geração, pois como se depreende do texto legal, não existe previsão de diminuições ou reduções passíveis de serem aplicadas sobre o valor do beneficio fiscal; ii. texto da lei demonstra de maneira inequívoca, que os contribuintes têm o direito de compensar o crédito presumido, somente sendo realizado o ressarcimento em moeda na impossibilidade de sua realização, devendo ser aplicada a correção monetária como estabelece o §3°, do artigo 66 da Lei n° 8.383/91; iii.como a correção monetária não se constitui em acréscimo de valor, mas somente na manutenção do poder econômico da moeda, independe de expressa previsão legal por ser implícita a toda a legislação que trate de um direito de ordem econômica dos contribuintes; iv.como a taxa SELIC prevista no §4°, do artigo 39 da Lei no 9.250/95 se aplica à compensação tributária, os créditos a serem ressarcidos; v. o direito à utilização da taxa SELIC é garantido pelo Principio da Isonomia Tributária previsto no artigo 150, inciso II da CF/88, pois se o contribuinte deve recolher os tributos em atraso com a aplicação desta taxa, terá o mesmo direito de receber o quem tem direito na mesma proporção; vi. considerando que na recuperação de valores por compensação se aplicam a Taxa SELIC, por analogia também deve ser admitido o mesmo efeito sobre o crédito presumido do IPI; vii. a atualização monetária passou a ser garantida pela aplicação da taxa SELIC como determina o §4°, do artigo 39 da Lei n° 9.250/95; viii. a aplicação dos índices permitem a recomposição da perda do poder econômico da moeda, funcionando, na verdade, como meio de corrigir monetariamente os valores a serem compensados; ix. os artigos 1° e seguintes da Lei n° 9.363/96 garantiriam o direito da Recorrente em considerar para a apuração do crédito presumido a ser ressarcido o valor de Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 todas as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados na produção dos produtos exportados, independentemente de seus fornecedores terem suportado ou não as duas contribuições acima citadas; x. os artigos 10 da Lei n. 9.363/96 e 1° da Lei n.10.276/2001 garantem a inclusão no custo total do valor das matérias primas e insumos não tributados pelo IPI, pois não limitou as aquisições a serem consideradas apenas as de produtos tributados, algo que deveria ter sido realizado de forma expressa pela legislação para que fosse legítima a glosa realizada pela fiscalização; xi. no que diz respeito aos fretes e despesas de carga pelas mesmas razões, também não podem ser admitidas as glosas efetuadas pela fiscalização, pois são produtos intermediários na produção, devendo ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido; xii. não existem motivos para não serem considerada as aquisições de insumos importados, porque além de possuírem a natureza de insumos não existe nos artigos 1° e seguintes da Lei n. 9.363/96 e 1° e seguintes da Lei n. 10.276/2001 a restrição; xiii. tem o direito de considerar na apuração das receitas de exportação os valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributada (NT) pelo IPI, pois o artigo 10 da Lei n° 10.276/2001 garante a inclusão nas receitas de exportação de todas as receitas da venda de mercadorias nacionais para o exterior promovida pela empresa produtora e exportadora para fins de apuração do coeficiente Rex/ROB. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tal como relatado, versa os autos sobre pedido de ressarcimento de IPI, com fundamento na Lei n° 10.276/2001, no valor de R$ 44.878.320,93, relativamente ao 2° trimestre do ano de 2003. Embora grande parte do direito creditório tenha sido reconhecido, parcela remanescente foi negada, por não se entendêla respaldada juridicamente. Sendo assim, o presente voto apreciará cada um dos itens. Aplicação da taxa Selic e aquisições de insumos de pessoas físicas Com relação à aplicação da SELIC, conforme entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, se a hipótese não se tratar de créditos escriturais, e se restar caracterizada a oposição do Fisco ao ressarcimento, deve ser aplicado o índice. Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 3201001.646 S3C2T1 Fl. 96 7 Da mesma forma, entende o Superior Tribunal de Justiça que a vedação de creditamento referente a aquisições de insumos de pessoas físicas, não possui fundamento na legislação de regência. Nesse sentido, a matéria foi fixada no julgamento do REsp 993.164/MG, sob o rito do art. 543C do CPC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 3201001.646 S3C2T1 Fl. 97 9 presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: Resp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; Resp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; Resp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: Resp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, Dje 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O entendimento, inclusive , é tem sido adotado na Câmara Superior de Recursos Fiscais, por força do art. 62A do RICARF, como se depreende, do Acórdão nº 9303002.185 – 3ª Turma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Ementa: CREDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS TAXA SELIC ART.62 A DO RICARF. A Lei nº 9.363/96 não exclui aquisições e insumos adquiridos de não contribuintes. De ser admitida a aplicação da Taxa SELIC, no ressarcimento, a partir da Protocolização do pedido. Recurso provido. Portanto, quanto a esses itens deve ser dado provimento ao recurso voluntário. Valor das matérias primas e insumos não tributados pelo IPI e inclusão nas receitas de exportação de produtos NT Estabelece o art. 1o da Lei n. 10276/2001: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 3201001.646 S3C2T1 Fl. 98 11 para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. O crédito presumido do IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, instituído pela Lei n. 9363/1996, em verdade, visa a desonerar a cadeia produtiva do PIS e da COFINS, quando os produtos são destinados à exportação, restrita, após a edição da Lei n.10.833/2003, que em seu art.14, a contribuinte sujeito ao recolhimento cumulativo das referidas contribuições. O crédito presumido, a despeito do nomen iuris não se relaciona com os créditos básicos de IPI e do regime que lhe é inerente, possuindo sistemática de determinação peculiar, em que o quantum do crédito não guarda estrita relação de identidade com o encargo tributário das operações realizadas. Corrobora a alegação a regra do art.3o da Lei n. 9363/1996, que estabelece que o cálculo do crédito presumido, deverá ser sistematicamente interpretada com a legislação do PIS e da COFINS, e apenas subsidiariamente a do imposto sobre a renda e a do IPI: Destarte, entendo que a exegese do dispositivo não pode se prestar ao amesquinhamento do direito subjetivo do contribuinte ao seu reconhecimento, com fulcro em interpretação que leva em conta a literalidade da legislação do IPI, em detrimento da natureza de incentivo fiscal à exportação que veicula a Lei n.9363/1996. É certo que, ao prevalecer o entendimento aqui contestado, e obstado o aproveitamento do crédito pelo exportador, este passa a suportar o respectivo encargo financeiro, inviabilizando a finalidade de desoneração das exportações nacionais. Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 12 E não se trata de interpretação econômica, como se poderia argumentar, pois inegável a natureza de incentivo à exportação, cujo vetor sempre aponta para o interesse público subjacente de possibilitar ao País tornarse competitivo no mercado internacional, o que ao fim, revertese em benefícios econômicos e aumento de postos de trabalho. Em outras palavras, quando o legislador institui incentivos fiscais à exportação, dentre o quadro de interpretações possíveis da norma jurídica, deve prevalecer precisamente aquela que viabilize a desoneração da exportação, pois esta é a teleologia própria da Lei n. 9363/1996, conforme já se manifestou o Supremo Tribunal Federal, quando da análise da repercussão geral no RE 593544, que discute a possibilidade, ou não, de o crédito presumido do IPI, decorrente de exportações, integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, Nesse passo, relevante se faz a análise da hipótese de incidência da norma jurídica veiculada pelo art.1o da Lei n. 9363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Da leitura do dispositivo supra e, orientados pelas características do produto, objeto de exportação, constatase que o dispositivo normativo nem mesmo se utiliza do conceito de “produto”, porém, de “mercadoria nacional”, o que revela o intento de conferir amplitude à desoneração, que não se compatibiliza com a restrição aos produtos não tributados. Outrossim, esse dispositivo deve ser visto conjuntamente como o já transcrito art.3o da Lei n. 9363/1996, determina que se aplica a legislação própria do PIS e da COFINS para a apuração do montante da receita de exportação, e é certo que essas normas jurídicas não fazem quaisquer distinções quanto à condição do produto ser “NT”. Deve ser a interpretação regida pelos dispositivos veiculados pela própria Lei n. 9393/1996, cuja teleologia impõe que se realize o desígnio de promover a exportação do produto nacional, não fazendo essa legislação qualquer restrição ao produto nacional não industrializado. Ao contrário, considerandose que a pauta de exportação dos produtos brasileiros ainda é composta em grande parte por produtos não industrializados ou commodities, o intento do legislador restaria frustrado caso se excluíssem esses produtos da possibilidade de desoneração, na exportação. Ainda, é certo que a notação “NT” na Tabela do IPI não guarda exata correspondência com a condição objetiva do bem a que se refere, isto é, verificase ordinariamente, que bens que sofreram processo de industrialização, nos moldes das definições veiculadas pela legislação do IPI, constam como produto “NT” na tabela. É a situação do sebo bovino bruto, que deu origem aos créditos de produto”NT”. Nesse contexto, não há vedação na legislação do PIS e da COFINS que restrinjam os créditos e receitas relativos à exportação, de produtos não tributados pelo IPI. Finalmente, em relação aos fretes e despesas de carga, a legislação de PIS e Cofins autoriza a tomada de crédito, desde que seja utilizado em seu processo produtivo , bem Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.001757/200481 Acórdão n.º 3201001.646 S3C2T1 Fl. 99 13 como quando o ônus for suportado pelo vendedor, o que não se evidenciou nos autos, sendo ônus do contribuinte fazer tal demonstração, em se tratando de pedido de ressarcimento. Finalmente, quanto aos insumos importados, da mesma forma não pode ser reconhecido o direito creditório, pois a legislação admite o cômputo das aquisições efetuadas no mercado interno, com incidência das contribuições. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 35301.004062/2007-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO
ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO
GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art, 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.323
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por não declarar a decadência. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entendem ser irrelevante a antecipação de pagamento.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art, 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por não declarar a decadência. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entendem ser irrelevante a antecipação de pagamento, ELIAS SAMPAIO FREIRE - PrWdente KLEBE FE EIRA DE ARA JO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza, 2 Processo n° 35301 004062/2007-65 S2-C4T1 Acórdão n& 2401-01323 Fl 179 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada contra a contribuinte acima identificada, a qual foi cadastrada com número de processo constante no cabeçalho. O valor consolidado em 29/07/200.3 assumiu o montante de RS 82,919,80 (oitenta e dois mil, novecentos e dezenove reais e oitenta centavos). De acordo com o relatório fiscal, fls. 19/24, os fatos geradores integrantes da NFLD foram as remunerações pagas do sócio- administrador na qualidade de contribuinte individual, destinadas à Seguridade Social. Informa-se ainda que, além da presente NFLD foram lavradas na mesma ação fiscal outras duas notificações, que correspondem às contribuições sobre o salário utilidade alimentação e sobre a remuneração dos autônomos. A notificada apresentou impugnação, fls, .37/59, cujas razões não foram acatadas pela MU, que declarou, por unanimidade, procedente o lançamento. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls, 160/168, no qual alega que as contribuições lançadas foram alcançadas pela decadência e que o valor tributado não é suscetível de incidência de contribuições previdenciárias, haja vista se tratar de dividendos distribuídos. É. o relatório. 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Vamos à alegação relativa à decadência do direito de lançar as contribuições em questão. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.° 08, de 12/06/2008 (RI 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do decreto- lei n" 1 569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n°8212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas oferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei, Então, urna vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.° 8.212/1991, aplica-se às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art, 150, § 4.°, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art, 173, 1, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL n2 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS, ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS) OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA,. REDISCUSSÃO DO MÉRITO CARÁTER PROTELATÓRIO MULTA 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do Processo n° .35301 004062/2007-65 S2-C4T1 Acórdão n 2401-01323 Fl 180 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento .foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, ,sç 4 0, do CTN)". .2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida, 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado, No caso vertente, a ciência do lançamento deu-se em 30/03/2007 e a única competência presente no crédito é 12/2001. O relato fiscal afirma que na fiscalização foram apuradas as contribuições sobre a remuneração dos segurados empregados pagas a titulo de alimentação, sobre a remuneração dos administradores (pró-labore) e sobre a remuneração dos autônomos, levando-me a concluir que houve recolhimento sobre a remuneração direta dos empregados, posto que sobre esses pagamentos não houve lançamento. Entendo, por isso, que o prazo decadencial deva ser aferido pela regra do art, 150, § 4.°, do CTN. Diante desse cenário, devem ser excluídas do crédito em razão da decadência a totalidade das contribuições lançadas. Acolhida a preliminar, deixo de me pronunciar sobre o argumento de mérito. Voto, assim, pelo provimento do recurso, ao reconhecer a decadência de todas as contribuições integrantes da NFLD. Sala das Sessões, em 18 de agosto de 2010 \\/kki -13\Ç KLEBER FERREIRA DE A ,( Relator 5 T:0 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n': 35301004062200765 Recurso n0: 165.468 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão tf 2401-01.323 Brasília, 22 dnetembro de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ J Apenas com Ciência [] Com Recurso Especial [ J Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004683/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/07/2003
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. TRÂNSITO ADUANEIRO. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR.
Ocorrendo o extravio de mercadoria em procedimento regular de vistoria aduaneira, conforme prescreve o regulamento, cabe ao responsável, transportador ou seu representante no território nacional, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que deixou de ser recolhido.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.384
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 08/07/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. TRÂNSITO ADUANEIRO. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. Ocorrendo o extravio de mercadoria em procedimento regular de vistoria aduaneira, conforme prescreve o regulamento, cabe ao responsável, transportador ou seu representante no território nacional, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que deixou de ser recolhido. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 306 1 305 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.004683/200313 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.384 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria II. TRÂNSITO ADUANEIRO Recorrente HAPAGLLOYD BRASIL AGENCIAMENTO MARITIMO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/07/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. TRÂNSITO ADUANEIRO. EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. Ocorrendo o extravio de mercadoria em procedimento regular de vistoria aduaneira, conforme prescreve o regulamento, cabe ao responsável, transportador ou seu representante no território nacional, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que deixou de ser recolhido. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente Substituto Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Paulo Roberto Stocco Portes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 46 83 /2 00 3- 13 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.004683/200313 Acórdão n.º 3202001.384 S3C2T2 Fl. 307 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório de julgamento da autoridade julgadora de primeira instância (DRJ de São Paulo II), abaixo transcrito. “Tratam estes autos de Vistoria Aduaneira de ofício, realizada em container proveniente do exterior e destinado ao Paraguai. Motivou esse procedimento fiscal à existência de TERMO DE ABERTURA E VERIFICAÇÃO DE TRÂNSITO ADUANEIRO, fls. 12, emitido por ocasião da interrupção do Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA 03/01555044) para o Paraguai. Constituída Comissão de Vistoria Aduaneira, apurouse que as dobradiças da porta do container apareceram com pinturas recentes, com suspeita de abertura da porta, sem danificar o lacre de origem, portanto foi constatado a falta de mercadorias que foram discriminadas no DAAF – Demonstrativo de Apuração de Avaria e/ou falta da Mercadoria – Anexo V. Ao final da vistoria, apurouse a responsabilidade do Transportador Emissor do B/L pela falta, com base no artigo 32, inciso I, § único, alínea “b”, do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88,. Emitiuse, então, a Notificação de Lançamento de fls.01/04. Como enquadramentos legais foram citados os arts. 1º, 77, inciso I a III, 69, 72, parágrafo único, 75, Incisos I e II, 90, 94, 97, parágrafo único, 580, Incisos I a III, 581, parágrafo 1º, 596, parágrafos 1º a 3º e Incisos I e II, 702 e 703, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 27.12.2002. O crédito tributário constituído corresponde a R$ 106.460,40 de Imposto sobre a Importação, e a R$ 53.230,20 de multa (artº 628, III, “d” do RA), fls. 01. Regularmente notificada da exigência fiscal em 28/07/2003 (fls. 38v), em 04/08/2003, apresenta a interessada impugnação de fls. 39 a 65, e anexos, nela argumentando, basicamente: o agente marítimo quando no exercício das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para os efeitos do DecretoLei nº 37/66; que a mercadoria em falta não é destinada para o consumo interno, sendo objeto de trânsito aduaneiro internacional; que não há, dessa forma, fato gerador do Imposto de Importação; e que o container foi descarregado sem indícios de violação e com o seu lacre intacto.” A autuação fiscal foi mantida pela instância de piso (fls. 102 e seguintes). Esta Turma, através da Resolução 3202000.020, converteu o julgamento em diligência à unidade de origem para que informe: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.004683/200313 Acórdão n.º 3202001.384 S3C2T2 Fl. 308 3 1. O percentual de mercadorias não encontradas; 2. Acerca do documento de fls. 17, dando conta do peso líquido das mercadorias em 10.060 Kg, e peso bruto do container em 13.940 Kg, se esses dados são condizentes com o percentual de falta apurado, em cotejo com as informações que constam do conhecimento de carga quanto ao peso bruto e líquido do container; 3. Se há ressalva feita pelo fiel depositário, uma vez que a mercadoria foi recebida e armazenada; 4. Quais as pendências que determinaram a verificação da carga e abertura dos volumes já em processo de admissão no regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro; 5. Por fim, intimemse os partícipes do processo de vistoria aduaneira desta decisão para, querendo, trazer aos autos novas informações, desde que estribadas em provas, reabrindose o prazo de recurso à recorrente se assim entender este colegiado. O processo retornou com o devido relatório de diligência fiscal (fl. 272) para reanálise deste Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Ressalto, por primeiro, trecho da Resolução 3202000.020 contendo as dúvidas do relator original do processo que ensejaram a diligência: Algumas questões exsurgem do simples exame dos autos e devem ser aclaradas mediante diligência, pois entendo que não estão reunidos elementos de convicção suficientes para prolação do decisum. Ressaltese, de início, que a descarga e pesagem do container contendo as mercadorias importadas deuse em 26 de junho de 2003, sem ressalvas, conforme documento de fls. 17. Por outro lado, o Departamento de Marinha Mercante, na mesma data, aponta que não houve vinculação do NIC (código identificador do Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.004683/200313 Acórdão n.º 3202001.384 S3C2T2 Fl. 309 4 conhecimento de transporte) ao CEMERCANTE, conforme documento de fls. 15. A carga foi recebida e armazenada pelo depositário e somente no dia 03 de julho de 2003, quando da abertura do container, já em procedimento de trânsito aduaneiro, foi constatada a falta (doc. de fls. Consta, ainda, às fls. 13, que a mercadoria foi armazenada na origem no Recinto Alfandegado 950201 Libra Terminal 35. Quanto à carga, não há informação de divergência no MICDTA. Inobstante, consta às fls. 28 do mesmo documento a ressalva quanto à existência de pendências, as quais não foram mencionadas nestes autos. As questões presentes na referida Resolução e transcritas no relatório acima tiveram as seguintes respostas da unidade de origem (fl. 157): Em resposta ao acima enunciado, com relação ao item 1, não houve um percentual determinado, pois no ato da conferência do lacre de origem, houve suspeita da falta de mercadorias, conforme "Termo de Abertura e Verificação de ,Transito Aduaneiro", fls.12, que fora acompanhado, pelo representante legal do importador e pelo fiel do armazém'. No item 2, não há nada a considerar, pois os pesos indicados no registro na MICDTA 03/01555044, fls.13, e o conhecimento de embarque, fls.14/15, porque foram iguais. No item 3, não houve ressalva, conforme peso da balança eletrônica, fls.17. Item 4, a verificação foi determinado pelo AFRB no ato do desembaraço para transito, por haver suspeita da falta de mercadorias, indicadas, no Termo de Abertura, fls.12. Assim posto, não há o que contraargumentar, com relação ao resultado da Vistoria Aduaneira, tendo em vista o que determina o art.656, Decreto 6759/09, que exara: "Assistirão vistoria, a ser realizada em dia e hora fixados pela autoridade aduaneira, o depositário, o importador e o transportador", os quais comparecerão, conforme Presenças na Vistoria (fls.31), Realização de Vistoria Aduaneira (fls.32) e Termo de Vistoria com Crédito (fls.33), os quais confirmaram e tomaram ciência preliminar do resultado da vistoria, e o container foi relacrado como os n°s 462505 (SRF) e 163729 (Depositario). O Termo de Vistoria (fl. 33) destacou o que segue: Aos 08.07.2003, compareci ao Terminal da LIBRA, para proceder Vistoria Aduaneira de Oficio, a fim de apurar a imputação da responsabilidade tributária das mercadorias contidas no container n° EASU 9691437, conhecimento marítimo n° MIAIL008890, em virtude da suspeita de falta constatado no TERMO DE ABERTURA E VERIFICAÇÃO DE TRÂNSITO ADUANEIRO, emitido pelo AFRF Pedro Aurélio de Souza, por ocasião da interrupção do Trânsito Aduaneiro do M1C/ DTA n° 03/00692790, de 03.07.2003, foi constatado, também que as dobradiças da porta do container apareceram com pinturas recentes, com suspeita de abertura da porta, sem Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.004683/200313 Acórdão n.º 3202001.384 S3C2T2 Fl. 310 5 danificar o lacre de origem, portanto foi constatado a falta de mercadorias que foram discriminadas no DAAF — DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE AVARIA E/OU FALTA DA MERCADORIA ANEXO V, tendo sido imputado a responsabilidade ao TRANSPORTADOR — Emissor do B/L (CP SHIPS LTDA) , que deverá recolher o crédito tributário apurado pela notificação n° 030/03, emitida contra o referido Transportador, sem prejuízos das indenizações decorrentes desta responsabilização. O primeiro ponto que me chama a atenção é que o lacre de origem do container não foi rompido e que haveria suspeita de abertura de porta, tendo sido constatada a falta de mercadorias. Realizada a diligência, a unidade de origem disse que não houve um percentual determinado de extravio de mercadorias, além de não ter feito a relação de pesos líquido e bruto com o percentual de extravio. Além disso, não houve qualquer ressalva feita pelo fiel depositário no momento do depósito das mercadorias, bem como não foram esclarecidas as pendências que determinaram a verificação da carga e abertura dos volumes já em processo de admissão no regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro. Mas o fato é que foi comprovado o extravio de mercadorias, conforme o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE AVARIA E/OU FALTA DA MERCADORIA ANEXO V, sendo que a Recorrente não trouxe aos autos provas para contradizer a situação fática, conforme aventado na decisão recorrida, mas apenas requereu o afastamento da responsabilidade em razão do regime de trânsito aduaneiro: Concluise, portanto, que no caso de mercadoria em trânsito para o Paraguai, cuja falta venha a ser constatada em Vistoria Aduaneira, sujeita o responsável pelo extravio ao pagamento dos tributos devidos por ocorrência do fato gerado presumido, nos termos do parágrafo único do art. 1° do Decretolei n° 37/1966. Acrescentese, também, que o Regulamento Aduaneiro, em seu art. 73, II, "c", prevê a incidência do imposto de importação no caso de mercadoria estrangeira extraviada no Pais, não excetuando aquela destinada ao exterior. Conforme previsto na legislação vigente, considerase ocorrido o fato gerador do Imposto de Importação quando se tratar de mercadoria que conste como tendo sido importada e cujo extravio venha a ser apurado pela autoridade aduaneira (art. 73, inc. II, alínea "c" do Regulamento Aduaneiro, ( Decreto n° 4.543/2002). No que tange a responsabilidade do transportador, estabelece o art. 478, parág. 1°, inc. VI, do Regulamento Aduaneiro, abaixo transcrito: Art. 478 — A responsabilidade pelos tributos apurados em relação a avaria ou extravio de mercadoria será de quem lhe deu causa (DecretoLei n° 37/66, artigo 60, Parágrafo único). § 1° Para efeitos fiscais, responsável o transportador quando houver (DecretoLei n°37/66, artigo 39, sf 1°, e artigo 41, I a III): (...) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.004683/200313 Acórdão n.º 3202001.384 S3C2T2 Fl. 311 6 II — falta de mercadoria em volume descarregado com o indicio de violação; (...) VI — falta, na descarga, de volume ou mercadoria a granel, manifestados. No caso em apreço, a comissão de Vistoria Aduaneira atribuiu à interessada a responsabilidade pelo falta/avaria da mercadoria. Em sua defesa, alega que o transportador não pode se responsabilizado por tributo, em caso de avaria ou falta de mercadoria, se temporariamente no Pais e alcançada pelo regime especial de trânsito aduaneiro. Relativamente à citada alegação, devese ter presente que convenção dessa natureza não pode ser oposta à Fazenda Nacional, para fins de exclusão da responsabilidade claramente definida, conforme norma acima transcrita, sob pena de desobediência ao art. 123 da Lei ng. 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Nesse contexto, também é irrelevante que o lacre do contêiner tenha chegado intacto no destino. Conseqüentemente, a responsabilidade do transportador e de seu representante no Pais não podem ser afastadas por esse motivo. Ficou constatado na ocasião da vistoria que apesar do lacre manifestado estar intacto, houve indícios que a porta do container foi aberta, pois as dobradiças da porta apareceram com pinturas recentes. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10855.901982/2008-17
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-002.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 19 82 /2 00 8- 17 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.61) que a seguir transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2372). Por intermédio do despacho decisório de fls. 03/04, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcomp de n° 25633.48936.210906.1.7.045922, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.06/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/55, na qual alega erro de cálculo na DCTF, relativa ao 3° trimestre de 2003. A contribuinte apresentou quadros demonstrativos para comprovar o seu direito ao crédito, atinente ao pagamento da CSLL (cód: 2372), período de apuração: 3° trimestre de 2003, efetuado em 30/12/2003, bem como retificou a informação constante de sua DCTF, de forma a demonstrar os pontos de discordância apontados na impugnação. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1431.722, de 26 de novembro de 2010 (fls.60/63). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.60): Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10855.901982/200817 Acórdão n.º 1802002.395 S1TE02 Fl. 3 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/12/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 07/01/2011, fl.66, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 24/01/2011, fls.67/68, no qual argúi, em síntese, que: Quando na apuração da CSLL, a partir de 01/09/2003, por força do art. 22 da Lei 10.684/2003, a base de cálculo, devida pela pessoa jurídica optante pelo lucro presumido foi interpretada de maneira errônea: 0 correto para receita bruta nas atividades comerciais, industriais e industrialização por encomenda é de 12%; Sendo que para receita bruta na atividade de industrialização por encomenda foi de 32%. Para demonstrar o erro no cálculo de apuração da CSLL do 3º trimestre de 2003, apresenta planilhas de cálculo, DARFs e Registros de Saída (fls.70/98). Finalmente, requer seja homologada a compensação em lide. Este colegiado, com o intuito de esclarecer os fatos, decidiu pela conversão do julgamento em diligência mediante a Resolução nº 1802000.243, de 09 de julho de 2013. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba/SP, após cientificar a pessoa jurídica do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal de 22/08/2013(anexo) mais 03 (três) Intimações lavrou o Termo de Intimação Fiscal nº 004, em 12/08/2014, com o seguinte teor: No exercício das funções de Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil e com base nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), fica o sujeito passivo acima identificado INTIMADO a apresentar, no endereço constante no cabeçalho do termo, no prazo de 20 dias, o que se discrimina abaixo. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 4 1) Após ciência do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, a empresa fiscalizada, acima citada, protocolou, em 03/07/2014, no SEFIS/DRF/Sorocaba, pedido de prorrogação de prazo para entrega da documentação exigida. Não houve delimitação do prazo para entrega, por parte da solicitante,devendo ser lembrado que tais documentos estão sendo solicitados desde a abertura desta diligência, em agosto de 2013. Assim, fica o sujeito passivo intimado a entregar a documentação exaustivamente citada nos termos de intimação 01, 02, 03 e no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, NO PRAZO DE 10 (DEZ) DIAS A CONTAR DA CIÊNCIA DESTE TERMO DE INTIMAÇÃO. A não apresentação implicará na devolução, ao CARF, dos processos PER/DCOMP, no estado em que se encontram. O contribuinte teve ciência eletrônica do mencionado Termo de Intimação Fiscal nº 004 em 27/08/2014. Transcorrido o prazo acima sem a manifestação do interessado, os autos retornaram ao CARF para prosseguir o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 25633.48936.210906.1.7.045922 (fls.1/2), retificador, transmitido em 21/09/2006, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 1.712,07, código 2372, relativa ao 2º trimestre de 2004, com a utilização de crédito no valor de R$ 1.695,56 , decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372; Período de Apuração: 30/09/2003; Data de Arrecadação: 30/12/2003, Valor: R$ 8.042,52). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.03, emitido em 18/07/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito (R$ 8.042,52) foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Consta da decisão recorrida o seguinte esclarecimento sobre o crédito pleiteado (fls.61/62): 0 valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10855.901982/200817 Acórdão n.º 1802002.395 S1TE02 Fl. 4 5 pagamento indevido ou a maior de contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), código de receita: 2372, no valor de R$ 1.695,56, relativo ao terceiro trimestre de 2003. Com efeito, no que diz respeito à CSLL, atinente ao terceiro trimestre do anocalendário de 2003, observo que a contribuinte retificou a DCTF do período, para alterar, para menos, o montante da divida originariamente declarada, de R$ 22.711,83 para R$ 17.625,19, de modo a delinear o crédito pretendido (fls. 57/59 dos autos). Para melhor elucidação, cabe esclarecer que originariamente a contribuinte apurou, a titulo de CSLL, 3° trimestre de 2003, o montante de R$ 22.717,87, que foram pagos mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 7.858,63, em 31/10/2003; b) R$ 7.937,21 (principal de R$ 7.858,43), em 28/11/2003; e c) R$ 8.042,52 (principal de R$ 7.858,63), em 30/12/2003 (fls. 33/35). Posteriormente, a contribuinte apresentou DCTFretificadora informando que a CSLL devida no 3° trimestre de 2003 seria no montante de R$ 17.625,19, que em três quotas resultaria na cifra de R$ 5.875,06, o que demonstraria, em tese, o valor do crédito utilizado na presente PER/Dcomp, 3ª quota. no valor de R$ 1.695.56 (R$ 7.858,63 menos R$ 5.875,06). Depreendese da sucinta alegação da pessoa jurídica expressa no recurso voluntário e demonstrativo (fl.70) que, no 3º trimestre de 2003, sobre parte da receita bruta total no valor de R$ 787.749,65 a reclamante calculou a base de cálculo de sua CSLL equivocadamente com o percentual de 32% (R$ 282.593,68 x 32% x 9% industrialização por encomenda) quando o correto seria o coeficiente de 12% (R$ 282.593,68 x 12% x 9%) como calculado sobre a receita bruta nas atividades comerciais e industriais de acordo com o artigo 22 da Lei nº10.684, de 30/05/2003 que alterou a redação do artigo 20 da Lei nº 9.430/96, a partir de 01/09/2003 (artigo 29, inciso III Lei nº10.684/2003). Ou seja, sobre a mencionada parte da receita bruta R$ 282.593,68, apurou CSLL no valor de R$ 8.138,70 (282.593,68 x 32% x 9%) quando o correto seria R$ 3.052,01 (282.593,68 x 12% x 9%), resultando em pagamento a maior na ordem de R$ 5.086,69 (8.138,70 3.052,01) em três quotas de R$ 1.695,56, partindo da premissa que a CSLL total relativa ao 3º trimestre fora paga mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 7.858,63, em 31/10/2003; b) R$ 7.937,21 (principal de R$ 7.858,63), em 28/11/2003; e c) R$ 8.042,52 (principal de R$ 7.858,63), em 30/12/2003. Este colegiado, no sentido de elucidar os fatos decidiu pela conversão do julgamento em diligência mediante a Resolução nº 1802000.243, de 09 de julho de 2013, da qual transcrevo a seguinte parte do voto condutor da mencionada Resolução, verbis: ... Contraditando os fundamentos da decisão recorrida e no intuito de comprovar o crédito alegado, a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário, Planilha de Calculo da CSLL 3° trimestre/2003; DARFs relativos ao 3° trimestre/2003; Registro de Saídas (Vendas com o código 5101 e 5102 Industrialização por encomenda com código 5124). Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 6 Apesar da documentação apresentada, não se tem objetivamente conhecido o faturamento do terceiro trimestre de 2003, pois, não foram juntadas as notas fiscais tampouco a DIPJ/2004. Portanto, não se sabe ao certo qual a receita bruta e o coeficiente aplicado para a presunção da base de cálculo da CSLL do mencionado trimestre declarado na DIPJ/2004. Desse modo, fazse mister que sejam encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2004, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2003. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. ... Apesar das reiteradas intimações feitas, o contribuinte não atendeu ao solicitado pela autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP, conforme explicitado no Despacho de Encaminhamento (anexo) que a seguir transcrevo: (...) Conforme a Resolução nr. 1802000.243 do CARF, lavramos, em 29/05/2014, a Informação Fiscal, anexa ao presente processo. Demos ciência a interessada para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de trinta dias. Em 03/07/2014, a interessada, através de seu procurador, apresentou pedido de prorrogação de prazo, sem estabelecer qual seria este prazo e quais livros, documentos ou arquivos seriam entregues. Lavramos o termo de intimação nº 004, cuja ciência ocorreu em 27/08/2014. Neste termo foi estabelecido o prazo de dez dias para a entrega da documentação exaustivamente citada nos termos de intimação 01, 02 e 03, bem como na citada Informação Fiscal. Foi destacado que a não apresentação implicaria na devolução, ao CARF, do presente processo, no estado em que se encontrava. Mais uma vez a interessada não apresentou qualquer livro, documento ou arquivo. Assim, PROPONHO o retorno do presente processo ao CARF. ... Como se vê, a Recorrente apresentou PER/DCOMP no qual sustenta crédito a título de CSLL paga a maior mas não comprova tal crédito, ainda que oportunizada pela diligência realizada. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10855.901982/200817 Acórdão n.º 1802002.395 S1TE02 Fl. 5 7 Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a existência e o exato valor do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A conversão do julgamento em diligência foi no sentido de verificar a existência do pagamento indevido pleiteado. A autoridade fiscal tentou junto ao contribuinte que lhe fosse apresentado livros e documentos para saber da existência do pagamento a maior da CSLL no ano calendário de 2003. No entanto, a pessoa jurídica em nada colaborou para tal desiderato. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 8 Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 21/09/2006, tomou ciência do despacho decisório expedido em 18/07/2008, (fl.03), e apresentou a manifestação de inconformidade em 11/08/2008 (fls.06/10). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 10283.908010/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS- Redatora ad hoc.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiatti (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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Recorrida DRJ BELEM Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiatti (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Pela clareza das informações, adoto o relatório componente da decisão recorrida, às fls. 56/58 dos autos, o qual transcrevo a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 08 01 0/ 20 09 -6 6 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10283.908010/200966 Resolução nº 3101000.344 S3C1T1 Fl. 227 2 "Tratase de declaração de compensação transmitida em 28/03/2007 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 295.603,43, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 8109, do período de apuração de 30/09/2004, no valor originário de R$914.264,91. A Delegacia de origem, em análise datada de 07/10/2009 (fl. 05), constatou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 21/10/2009, a interessada apresentou, em 19.11.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/16): “(...) a ora recorrente no dia 15/10/2004 efetuou o pagamento indevido (a maior) no valor de 914.264,91 (...) referente à apuração de PIS (...) relativamente ao terceiro trimestre de 2004 quando o correto é R$ 350.447,14. O pagamento do tributo a maior do que o devido, assegura a recorrente o direito da restituição, o qual se pretende satisfeito através do instituto da compensação(...). Analisando os documentos fiscais do período de 2004, constatou a empresa que por um lapso na sua DCTF do terceiro trimestre de 2004, fora informado indevidamente o débito de R$914.264,91(...), contudo, o equívoco cometido pela contribuinte fora sanado em 23/04/2009 com a retificação da referida DCTF. (...) Tendo em vista a retificação da DCTF em 23/04/2009, não existe inconsistência a prejudicar a homologação da presente PERDCOMP. (...), resta patente que o não reconhecimento do crédito de R$ 563.814,48, e por conseguinte a não homologação da declaração de homologação está fundada em erro do Sr. Auditor Fiscal. (...) O pagamento indevido e erroneamente informado na DCTF(...), por sua vez foi vinculado, também de forma imprópria, com o pagamento a maior (...) representado pelo Comprovante de Arrecadação(...). Para sanar a divergência de dados entre a DIPJ (que apresentou informações corretas) e a DCTF, a recorrente, no dia 23/04 (...) apresentou a DCTF (...) retificadora, referente ao terceiro trimestre de 2004, documento apenso (...). Assim sendo, a informação equivocada de débito de contribuição para o PIS constante da mencionada DCTF foi RETIFICADA, onde se verifica o valor correto do débito (...). Desta forma, a retificadora deve substituir integralmente a declaração originalmente apresentada, para que não mais se vincule o pagamento espontâneo e indevido (...) com o débito inexistente e por equívoco também declarado. Ressaltese, ainda, que a DCTF retificadora não tem só o condão de declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já Fl. 227DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10283.908010/200966 Resolução nº 3101000.344 S3C1T1 Fl. 228 3 informados como também para efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. (...) Na DIPJ (...) constatase que a contribuição para o PIS/PASEP(...) foi declarada corretamente (...), o que comprova que o pagamento efetuado (...) foi a maior que o devido. O equívoco cometido pelo contribuinte (...) poderia levar a fiscalização a erro, caso (...) não tivesse retificado suas informações, entretanto, não é o que se verifica, na medida em que as informações foram corrigidas/retificadas em 23/04/2009. Diversamente das alegações do Sr. AuditorFiscal está comprovado nos presentes autos o pagamento a maior e indevido (...), em contraponto ao débito tributário efetivo (...), o que gerou crédito passível de ser compensado. (...) A informação equivocada no que se refere ao valor do débito, apresentada na DCTF originalmente encaminhada, caracteriza erro material, o qual foi sanado através da DCTF retificadora em 23/04/2009. Além do que, os demais documentos fiscais apresentados são idôneos e hábeis a comprovar a realização da compensação efetivada pela contribuinte, nos limites da legislação vigente. Considerando que o erro material identificável e inquestionável pode ser corrigido a qualquer tempo, e inclusive referido erro fora corrigido pela contribuinte antes mesmo da análise/decisão de V.Sas. com relação a PERDCOMP objeto da não homologação e da presente manifestação de inconformidade, requerse a V.Sas a homologação da compensação efetivada, pois além da DCTFRETIFICADORA, os demais documentos apresentados comprovam o direito da contribuinte, e pelo princípio da verdade real que rege o processo administrativo, todo o erro ou equívoco deve ser reparado da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Posto isto, a contribuinte requer seja julgada TOTALMENTE procedente a presente manifestação de inconformidade, com a HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO comprovado(...).” A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém(PA), ao apreciar as razões aduzidas na manifestação de inconformidade, indeferiu o pleito da Contribuinte, conforme Decisão DRJ/BEL nº 0118.765, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS PROVA. „ Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10283.908010/200966 Resolução nº 3101000.344 S3C1T1 Fl. 229 4 Regularmente cientificada do acórdão de 1ª instância, a Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário perante este Eg. Conselho, arguindo, em síntese: I. Preliminarmente: (i) a nulidade do Acórdão ora recorrido, uma vez que o mesmo deixou de apreciar questão essencial relativa à exatidão das compensações efetuadas – o recolhimento do PIS e COFINS no período de 31/12/2002 a 30/11/2004 pelo ‘regime da não cumulatividade’ quando o correto seria o da ‘cumulatividade’ (referente à receita de fabricação e comercialização de motocicletas classificadas na posição 87.11 da TIPI), gerando assim recolhimentos indevidos e a maior das Contribuições para o PIS e COFINS; (ii) a conversão do julgamento deste recurso voluntário em diligência, a fim de que os autos retornem a primeira instância para a devida análise dos documentos apresentados pela Contribuinte e outros que porventura o Fisco entenda necessário, os quais comprovam o direito ao crédito e a legitimidade das compensações efetuadas. II. No Mérito: (i) que, ao ajustar a apuração e recolhimentos do PIS e COFINS para a sistemática cumulativa – anteriormente feita pelo regime nãocumulativo, conforme autorizado pela própria Secretaria da Receita Federal, constatou que, para todo o período envolvido(dez/02 à Nov/04) fora recolhido indevidamente o montante de R$ 14.705.599,58 (catorze milhões, setecentos e cinco mil, quinhentos e noventa e nove reais e cinquenta e oito centavos), conforme cópia autenticada das guias DARF’s anexas (Anexo V), sendo R$ 3.661.736,33 a título de PIS e R$ 11.043.863,25 a título de COFINS; (ii) a documentação suporte da contabilidade e as memórias de cálculo fiscal, evidenciam que a escrita contábil e fiscal mantém a mesma base, ou seja, tanto na apuração das contribuições para PIS e COFINS sob a incidência nãocumulativa como sob a incidência cumulativa, conforme os documentos apensos; (iii) que, apesar da Contribuinte ter efetuado a retificação do DARF, por total equívoco deixou de retificar a DCTF para corrigir o valor do débito declarado e o código de receita correspondente, antes da apresentação da Perdcomp, vindo a fazêlo somente em abril de 2009, conforme consta dos autos; (iv) a informação equivocada relativamente ao valor do débito apresentada na DCTF originalmente encaminhada, caracteriza erro material, o qual foi sanado através da DCTF retificadora; (v) a própria Instrução Normativa RFB nº903, de 30 de dezembro de 2008, ao disciplinar as regras a que se sujeita a Declaração de Débitos e Créditos tributários Federais (DCTF), previu a possibilidade das informações prestadas serem retificadas por meio de DCTF retificadora; (vi) que os ajustes necessários na contabilidade e nos documentos fiscais referentes aos recolhimentos do período de dezembro de 2002 a novembro/2004 foram autorizados pela própria Secretaria da Receita Federal, conforme a Solução de Consulta nº 102, de 17 de dezembro de 2004; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10283.908010/200966 Resolução nº 3101000.344 S3C1T1 Fl. 230 5 (vii) conforme entendimento pacífico dos órgãos julgadores administrativos e da doutrina especializada, o erro material, identificável e inquestionável, pode ser corrigido a qualquer tempo, razão pela qual a recorrente sustenta que a DCTF retificadora pertinente ao terceiro trimestre de 2004, apontando a compensação feita, deve ser aceita, principalmente em função do conjunto probatório constante dos autos, devendo todo o erro ou equívoco ser reparado da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte; (viii) reiterase o pedido de conversão do julgamento em diligência, para análise de todos os documentos que comprovam o crédito da recorrente, protestando pela produção de provas em direito admitidas, principalmente pela juntada de novos documentos, caso necessário, sem deixar de considerar a retificação promovida pela contribuinte. Por fim, requer, a Recorrente, a reforma do acórdão impugnado para que reconheça o direito creditório apontado e, por conseguinte, a homologação do Perdcomp objeto do presente recurso. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa. O processo foi distribuído a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 225, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar a Resolução 3101000.344, cuja formalização não foi concluída pela relatora, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. A minuta do voto foi entregue à Secretaria da Câmara pela relatora original, a qual foi adotada no relatório e será reproduzida neste voto. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10283.908010/200966 Resolução nº 3101000.344 S3C1T1 Fl. 231 6 Voto da Conselheira Vanessa Albuquerque Valente (minuta encaminhada à Secretaria) O Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Conforme relatado, tratase de declaração de compensação (PER/DCOMP), por meio da qual pleiteia a Recorrente a compensação em razão de pagamento indevido e a maior da contribuição para o programa de integração social PIS. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém(PA), indeferiu o pleito da Contribuinte, sob o entendimento de que “ No caso concreto, deixou a contribuinte de trazer aos autos a prova do direito que invoca, resultando notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão”. Em seu Recurso Voluntário, alega a Recorrente, que “o ponto crucial do presente recurso se refere à forma de apuração e recolhimento do PIS e COFINS na sistemática nãocumulativa adotada pela Recorrente, relativamente ao período de dezembro/2002 a novembro/2004, uma vez que – ao analisarem as compensações realizadas pela Contribuinte – as autoridades de primeira instância – entenderam que não havia crédito disponível para compensação dos débitos informados nos Perd/Dcomp”. Argui que, “a administração tributária ignorou as informações e documentos apresentados”; (...) que “o referencial para análise da compensação foi única e exclusivamente a DCTF inicialmente encaminhada; (...)que a informação equivocada relativamente ao valor do débito apresentada na DCTF originalmente encaminhada, caracteriza erro material, o qual foi sanado através da DCTF retificadora”; (...) que “os ajustes necessários na contabilidade e nos documentos fiscais referentes aos recolhimentos do período de dezembro de 2002 a novembro/2004 foram autorizados pela própria Secretaria da Receita Federal, conforme a Solução de Consulta nº 102, de 17 de dezembro de 2004”; (...)que a DCTF retificadora pertinente ao terceiro trimestre de 2004, apontando a compensação feita, deve ser aceita, principalmente em função do conjunto probatório constante dos autos, devendo todo o erro ou equívoco ser reparado da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte”. No caso sub examen, face as alegações acima expostas pela Recorrente, assim como, em observância ao conjunto probatório apresentado, sobretudo, ao princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento deste processo em DILIGÊNCIA à DRF de origem, no sentido de que se verifique se a DCTF retificadora está conforme a Solução de Consulta (Disit02), de 17 de dezembro de 2004 (fls. 121 à 124). Posteriormente, após facultar à Recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos ao CARF, para prosseguimento. Com base nos fundamentos expostos o colegiado, por unanimidade, votou pela conversão do julgamento em diligência. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 231DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
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Numero do processo: 13555.000232/2006-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPF RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL — 0 lançamento
relativo a omissão decorrentes de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita relativa a tal atividade.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS SEM ORIGEM
COMPROVADA - CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE
RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA
RECEITA - Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a principio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo
que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-000.564
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para considerar os depósitos bancários não justificados como sendo receita da atividade rural, reduzindo a base de cálculo ao percentual de 20%, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calornino Astorga, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
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ementa_s : IRPF RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL — 0 lançamento relativo a omissão decorrentes de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita relativa a tal atividade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA - CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA - Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a principio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Recurso parcialmente provido.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA - CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA - Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a principio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Recurso parcialmente provido. .2# Vistas, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiada, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para considerar os depósitos bancários não justificados como sendo receita da atividade rural, reduzindo a base de cálculo ao percentual de 20%, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calornino Astorga, que negava provimento ao recurso. Erro! Nome de propriedade do documento desconhecido, 1 EDITADO EM: 1 FEV 2011 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Processo n° 13555.000232/2006-37 S2-C2T2 Acórdão ri 220240,564 F1 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 18/10/2006, o Auto de Infração de fls. 04/09, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001 a 2004, ano-calendário 2000 a 2003, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$3.536,504,69, dos quais R$1.498.529,98 correspondem a imposto, R$1.123,897,47 a multa de oficio, e R$914.077,24, a juros de mora calculados ate 29/09/2006, Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 05/09), a autoridade fiscal apurou as seguintes infrações: "001 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessa operações, conforme "RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL" que é parte integrante do presente Auto de Infração. 002 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS Omissão de rendimentos apurado conforme Consolidação das Notas Fiscais, mês a mês (anexo III), não constantes do Livro Caixa do Sujeito Passivo, portanto, deliberadamente, o interessado, não ofereceu à tributação as receitas decorrentes das vendas de bovinos . As notas fiscais (omitidas) de vendas foram obtidas mediante circularização nas empresas FRISA — Frisa Nordeste Alimentos Ltda, CNPJ 01M66.650/0001-00 e NUTRI Indústra e Comércio de Carne Ltda, CNPJ n° 04A94332/0002-96." Cientificado pessoalmente do Auto de Infração em 19/10/2006 (fls. 04 e 15), o contribuinte apresentou, em 20/11/2006, a impugnação de fls. 788/796 e documentos de fls. 797/1438, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instancia: "Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes (fls. 788/795): 1) Houve quebra irregular e imotivada do sigilo bancário, pois não foram observados os procedimentos previstos no Decreto .3.7724/2001. 2 )Diversos depósitos foram incluidos indevidamente, totalizando no período fiscalizado R$ 234.108,23, confonne demonstrativo que anexa As fls, 797/798, onde relaciona depósitos que alega não estar nos extratos bancários,, 5,141 Errol Nome de propriedade do documento desconhecido. 3 3) No caso de falta de escrituração do livro-caixa, a base de cálculo dos rendimentos da atividade rural será arbitrada pelo Fisco à razão de 20% da receita bruta anual, o que não foi observado no lançamento, 4) Nos registros contáveis dos frigoríficos diligenciados, os valores que lhe foram pagos superam ern muito a sua movimentação financeira, demonstrando que a sua única fonte de rendas '6 a atividade pecuária . Por este motivo, caberia ao fisco demonstrar que os depósitos em sua conta bancária tiveram outra origem que não está. 5) Muitos dos depósitos no Banco 'tail são provenientes das vendas atestadas pelas notas fiscais obtidas pela fiscalização junto aos frigoríficos (fls. 974). Para comprovar, anexa notas promissórias rurais, comprovantes de depósitos ordens de pagamento correspondentes." A 3' Turma da DIU em Salvador, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a renda de pessoa fisica — IRPF Ano-Calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS, RENDIMENTOS. Presumem-se rendimentos tributáveis os depósitos bancários de origem não comprovada, DEPÓSITOS BANCÁRIOS, EXCLUSÕES, Cabe excluir do lançamento realizado com base em depósitos de origem não comprovada aqueles depósitos que se referem a rendimentos que se comprovem já tributados." A r. decisão proferida pela DRif excluiu do lançamento parte dos depósitos bancários que já haviam sido objeto de lançamento por omissão de rendimentos da atividade rural (item 002 do Auto de Infração). Cientificado da decisão de primeira instância em 06/05/2008, conforme Termo de fls, 1447, e com ela não se conformando, o Recorrente interpôs, em 04/06/2008, o recurso voluntário de fis, 1450/1458, por meio do qual pleiteia o cancelamento do lançamento tendo em vista a existência de irregularidades formais ou, subsidiariamente, a redução da base de cálculo do imposto de renda apurado para 20% da receita bruta, nos termos art. 5 0 da Lei n° 8,023/90. o relatório,. 4 7"/' Errol Nome de propriedade do documento desconhecido 5 I — simplificada, mediante prova documental, dispensada a escrituração, quando a receita bruta total auferida no ano-base não ultrapassar 70.000 (setenta mil) BTN; Processo n° 13555.0002.32/2006-37 S2-C2T2 Acôrdiio n.° 220240 564 Fl 3 Voto Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço, Preliminarmente o Recorrente pleiteia a declaração da nulidade do procedimento fiscal por ausência de motivação quando da emissão do RMF para a instituição financeira. Entendo que não assiste razão ao Recorrente. De fato, como se verifica do próprio RMF (lis. 508 e 532) a autoridade fiscal identificou a motivação que a levou à solicitação das informações As instituições financeiras, nos termos do artigo 3° do Decreto n° 3.724/2001. Rejeito, assim, a preliminar argüida pelo Recorrente. No mérito o Recorrente pleiteia a redução da base de cálculo do imposto de renda apurado para 20% da receita bruta, nos termos art. 5' da Lei IV 8.023/90. Omissão de rendimentos da atividade rural Inicialmente a questão a ser enfrentada cinge-se ao pleito formulado pelo Recorrente para que o resultado da atividade rural seja limitado a 20% da respectiva receita bruta auferida. Como se verifica dos autos a fiscalização apurou a omissão pelo Recorrente de rendimentos decorrentes de vendas para as empresas FRISA-Frisa Nordeste Alimentos Ltda e NUTRI — Indústria e Comércio de Carne Ltda, tendo tributado integralmente o valor das vendas omitidas. Assiste razão ao Recorrente. De fato, entendo que nos casos de autuação envolvendo a tributação de resultado da atividade rural a autoridade fiscal deve considerar a base de cálculo presumida de 20% como limite para a determinação dos rendimentos omitidos. Estabelece a legislação aplicável: Lei IV 8,023, de 1990 "Art. 3" 0 resultado da exploração da atividade rural será obtido por uma das formas seguintes: II — escritura!, mediante escrituração rudimental-, quando a receita bruta total do ano-base for superior a 70.000 (setenta mil) BTN e igual ou inferior a 700.000 (setecento BTN, - III — contábil, mediante escrituração regular em livros devidamente registrados, até o encerramento do ano-base, em árgii o da Secretaria da Receita Federal, quando a receita bruta total no ano-calendário for superior a 700.000 (setecentos .BTN, Parágrafo único. Os livros ou fichas de escrituração e os documentos que servirem de base it declaração deverão ser conservados pelo contribuinte disposição da autoridade fiscal, enquanto não ocorrer a prescrição qièinqüenal Art. 5" A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitar-se-á a 20% (vinte por cento) da receita bruta no ano-base. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3" implicará o arbitramento do resultado c`? razão de 20% (vinte por cento) da receita bruta no ano-base." Lei if 9,250, de 1995 "Art. 18. 0 resultado da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do ano-calendário de 1996, set-6 apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade, ) ,s.ç' 2°A falta de escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de 20% (vinte por cento) da receita bruta no ano- calendário," Considero que embora a literalidade do dispositivo indique tratar-se de "opção" do contribuinte pela utilização do arbitramento de 20%, a sistemática decorrente da legislação e dos mecanismos utilizados pela autoridade fazenddria para implementação da opção resultam, na essência, em limitador da base de cálculo do imposto de renda relativo atividade rural auferida por pessoas fisicas. Admitir que diante do montante inferior de despesas por conta da glosa o contribuinte optaria por regime de tributação mais gravoso ofende a lógica e o bom senso. Trata-se de discussão parecida com aquela travada nas antigas câmaras do Conselho de Contribuintes que julgam matéria relativa a IRPJ, nos casos em que a fiscalização, ao efetuar a glosa de despesas, majora a base de cálculo mas não compensa prejuízos fiscais de que era titular o contribuinte sob o argumento de que o contribuinte não teria feito a "opção" pela compensação dos prejuizos . Tal postura da fiscalização não tem sido aceita pela posição majoritária deste E. Conselho Administrativo, O próprio programa gerador da Declaração de Ajuste Anual, ao efetuar o cálculo dos rendimentos tributáveis decorrentes da atividade rural, limita a base de cálculo em ç'w 6 Process() n" 13555.000232/2006-37 S2-C2T2 Acórdiio n ° 2202-00.564 Fl , 4 20% da receita bruta auferida, eis o sistema automaticamente considera como base de cálculo o valor da "opção pelo arbitramento sobre a receita bruta", se esta resultar em valor inferior ao resultado do confronto entre receitas e despesas. Em outras palavras, se na declaração de rendimentos o Recorrente tivesse considerado o montante de despesas correto o próprio sistema teria feito a opção pelo regime de tributação pelo percentual de 20%. Ressalte-se, ainda, que examinando as declarações de ajuste anual apresentadas pelo Recorrente (fls. 23/47) verifica-se que a totalidade dos rendimentos declarados, com exceção dos rendimentos de aplicação financeira, são decorrentes da exploração de atividade rural. Em conseqüência, deve-se aplicar ao lançamento a limitação de 20% da receita bruta auferida, Depósitos bancários O Recorrente pleiteia, ainda, que a base de cálculo do lançamento relativo A omissão de rendimentos apurada pela fiscalização por meio da movimentação bancária cuja origem não foi identificada seja limitada a 20%. Ressalvado meu entendimento em sentido contrario, este E. Colegiado tem se manifestado em oportunidades anteriores no sentido de que a limitação em questão aplica-se inclusive ao lançamento relativo à omissão de rendimentos corn base na movimentação bancária não comprovada, nas hipóteses em que se trata de contribuinte dedicado exclusivamente A atividade rural. Transcrevo abaixo julgados que demonstram a posição em questão: "DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos quando o titular de conta bancária, regularmente intimado, não prova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados (art., 42 da Lei n", 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei le 10.637, de 2002). CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA - Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais lávorecida, devendo, a principio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Preliminares rejeitadas Recurso parcialmente provido. A- L) Errol Nome de propriedade do documento desconhecido. 7 Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo Recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a base de cálculo a 20%." (Acórdão 104-22,880, Rel, Nelson MalImam, DOU de 28/01/2009) Destaco, ainda, a esse respeito, as razões de decidir adotadas no julgamento de 13 de dezembro de 2006, conforme Acórdão n° CSRF/04-00..487, tendo como redator do voto vencedor o Ilustre Conselheiro Remis Almeida Estol, verbis: "Minha convicção reside no fato de que a Lei n." 9.430/96, mais precisamente seu art. 42 que criou a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, simplesmente não trata de regime de tributação, ou seja, não pode ser confundida, coma por exemplo, com as Leis n." 9.249/95, n." 7,713/88 e, também, a própria Lei n." 8.023/90, que é especifica para a atividade rural e com outra natureza, esta sim, estabelecendo regime de tributação via determinação do ,fato gerador., da base de calculo, das alíquotas etc. Para demonstrar minha posição, vou me socorrer, inicialmente, de dispositivos dirigidos as Pessoas Juridicas e contidos nos artigos n." 288 e 11. ° 537 do RIR/99, que passo a transcrever: Art 288 Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no periodo de apuração a que corresponder a omissão. Art 537 Verificada a omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado a disposto no art. 532. Parágrafo Único No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado. A conjugação desses dispositivos esta indicando claramente que, existindo apenas uma atividade, a imposição tributciria sabre a omissão de receita não pode se distanciar do "regime de tributação" a que estiver submetido o contribuinte, Foi nessa mesma linha o posicionamento da Primeira câmara deste conselho quando da apreciação do recurso n." 114. 881, envolvendo empresa que se dedicava exclusivamente à atividade rural e também acusada de omissão de receitas, via presunção, por saldo credor de caixa e depósitos bancários Nesse julgamento, colhido à unanimidade de votos, decidiu o colegiada validar a presunção de omissão de rendimentos previstas nos artigos 281 a 287 (este último sobre depósitos s" 8 Processo n° 13555.000232/2006-37 S2-C2T2 Acórdiio n 2202-00.564 FL 5 bancários) e, ao mesmo tempo, se valer para a tributação da omissão dos dispositivos da Lei n." 8.023/90, como faz certo o Acórdão a" 101-92.858, de 21.10,1999, de relatoria do ilustre Conselheiro Kazuki Shiobara, na parte que interessa, assim ementado: Acórdão n " 101-92,8.58 IRPJ - ALIQUOTA EMPRESAS RURAIS - AV1CULTURA - As pessoas jurídicas que se dedicam exclusivamente a atividade rural (criação de frangos) devem ser tributadas com a aliquota majorada pelo art. 12 da Lei n." 8,023/90, conforme entendimento sedimentado no Acórdão CSRF/01-0.464/84. Tenho, portanto, que fazer incidir o tributo da omissão presumida nos termos da Lei n," 7.713/88, que é o caso dos autos, ao invés da Lei n." 8,023/90, tendo o contribuinte exercido unicamente a atividade rural, além de criar reprovável distinção entre contribuintes em grave afronta ao principio constitucional de isonomia, se estaria, em analise finalistica, admitindo uma segunda presunção na Lei n." 9,430/96 que, além de presumir a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, também presumiria sua origem ao talante da autoridade lançadora. Quanta ao argumento de que a atividade rural, por ser detentora de regime tributário diferenciado e benéfico, dependeria da prova de que as receitas omitidas tivessem vindo dessa atividade, não tern aplicação nos casos em que a omissão de receita decorre de presunção legal, e mais, tornaria inócua a própria presunção do art. 42 da Lei n." 9.430/96, além de desvirtuar todo o sistema de tributação contrariando norms expressas sabre o tema, a exempla dos artigos n." 288 e 537 do RIR/99. por essas razões, ,fundamentalmente, que identifico no Acórdão paradigma não só o melhor direito, mas também a perfeita aplicação do principio da razoabilidade, numa elogicivel e criteriosa elaboração no sentido de harmonizar dispositivos legais aparentemente contraditórios. De resto, essa mesma matéria já foi objeto de inúmeras manifestações da Egrégia Quarta Camara deste Conselho além do paradigma trazido aos autos, er exempla do Acórdão n." 104- 21726, de 2607,2006, de relatoria do renomado Conselheiro Nelson Malhnann, cujos fundamentos adoto integralmente, me permitindo reproduzir parte "0 nosso ordenamento jurídico prevê para o produtor rural que não possuir escrituração regular; a tributação via arbitramento de sua receita bruta, declarada ou não, identificada ou não, ao limite máximo de 20%. Não ha dúvidas, que muitos entendem que somente é passível de tributação pelo regime especial (atividade rural) os valores omitidos que, comprovadamente, através da apresentação de documentação hábil e idónea, decorressem da atividade rural. Errol Nome de propriedade do documento desconhecido, Como já se disse anteriormente, no âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado . fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do "emus da prova. Não se pode esquecer que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, ei materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como a iterativa jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão se vê que o processo fiscal tem porfinalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do . fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o . julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. No caso vertente, o levantamento fiscal demonstra que o suplicante inquestionavelmente exerce a atividade rural, e que basicamente as receitas/rendimentos declaradas decorrem desta.. Da análise dos autos, principalmente da Declaração de Ajuste Anual do exercício questionado (fls. 09/17), se constata que as origens de recursos do contribuinte são originários da atividade rural e que todos os negócios desenvolvidos pelo suplicante tem relação direta com a atividade rural.. Ern assim sendo, não me parece correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, por mera presunção, quando o contribuinte, como é o caso em questão, tem rendimentos tributáveis originados exclusivamente da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Neste contexto, quando se tratar de contribuintes cuja atividade exercida é exclusivamente a rural, qualquer omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n," 8,023, 1990, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n." 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação especifica, Nunca é demais ressaltar; que quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade rural. Esta forma de apuração constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos . fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Trata-se, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária. 10 Processo rf 13555 000232/2006-37 S2-C2T2 AeOrdfio n,' 2202-00.564 Fl. 6 Outrossim, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legisla cão de regência do tributo. Dessa forma, a vincula ção é uma das características essenciais do lançamento tributário, que só é eficaz se realizado nos estritos termos que a lei o admite, presidido pelo principio da legalidade e pela situação de fato preexistente. Na esteira destas considerações a exigência de crédito tributário, mediante lançamento regularmente constituído por servidor competente da administração tributária, deve estar subordinada ao principio da legalidade. A obediéncia a esse principio é expresso nos arts 37, caput e 150, I, da Constituição Federal, Neste contexto, a omissão de receita/rendimentos verificada através de depósitos não comprovados em contribuintes que se dedicam exclusiva e comprovadamente, a exploração de atividade rural, o levantamento do valor tributável deve ser realizado de forma anual e tributado como se atividade rural . fosse, em obediência ao disposto nas normas legais que regem o assunto, quais sejam: Lei n," 7.713, de 1988, art. 49; e Lei n," 8,023, de 1990, com as devidas alterações posteriores". O mesmo entendimento tern sido adotado em julgamentos recentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do quais são exemplos aqueles materializados nos Acórdãos CSRF/04,00,801 e CSRF/04,00,802. Diante do exposto, conheço do recurso para rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para reduzir: (i) reduzir a base de calculo da omissão de rendimentos da atividade rural a 20% da receita bruta auferida; e (ii) considerar os depósitos bancários não justificados como sendo receita da atividade rural, reduzindo a base de cálculo ao percentual de 20%. Sala das Sessões, em 16 de junho de 2010, GUSTAVO L A HALLD Errol Nome de propriedade do documento desconhecido. 11 Brasilia/DF, 11 de fe er de 2011.. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2" CAMARA/2" SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo if: 13555.000232/2006-37 Recurso no: 167.582 TERMO DE INTIMAÇÃO Ern cumprimento ao disposto no § 3' do art, 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto A Segunda Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.564. EVELINE COÊLHO DE ELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10850.907648/2011-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
Numero da decisão: 3803-006.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
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APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 76 48 /2 01 1- 12 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907648/201112 Acórdão n.º 3803006.767 S3TE03 Fl. 427 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de retorno dos autos da repartição de origem com os resultados da diligência determinada por esta 3ª Turma Especial quando da apreciação do Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do não reconhecimento do direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a plena restituição, alegando tratarse de indébito decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, considerando a inexistência de saldo credor, a inocorrência de retificação da DCTF, a ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF e a falta de prova do alegado recolhimento a maior. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, argüindo que a retificação de declaração não podia se sobrepor ao direito substantivo, direito esse devidamente comprovado por meio de documentação idônea, e que as decisões de inconstitucionalidade proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal deviam ser observadas pelo Fisco. Ao apreciar o Recurso Voluntário, esta 3ª Turma Especial decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa auditasse a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição. Cumprida a diligência, concluiu a repartição de origem que as receitas escrituradas pelo Recorrente não eram decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, tratandose, em sua totalidade, de receitas de origem financeira, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica. Ressaltou a autoridade administrativa que caso o crédito objeto do presente Pedido de Restituição (PER) viesse a ser deferido, deverseia considerar que ele já havia sido parcialmente utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP) nº 16022.70965.281108.1.3.044908, conforme demonstrava o cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional (SAPO). Foi apensado ao presente o processo nº 10850.906258/201125, que cuida da Declaração de Compensação do respectivo crédito, processo esse apensado ao presente e Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907648/201112 Acórdão n.º 3803006.767 S3TE03 Fl. 428 3 também apreciado pela Turma na mesma data, cujo deslinde ficou na dependência dos resultados da diligência então determinada. Cientificado dos resultados da diligência, o Recorrente destacou o reconhecimento do crédito pela própria Fiscalização, o que, segundo ele, viabilizava a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição e de declaração de compensação relativos à contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A referida inconstitucionalidade foi proferida pelo STF1 em julgamento definitivo submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907648/201112 Acórdão n.º 3803006.767 S3TE03 Fl. 429 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento. Tendo a repartição de origem confirmado, em sede de diligência, que a totalidade do valor do crédito pleiteado neste processo decorria da apuração da contribuição sobre receitas financeiras, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica, temse por comprovado o direito creditório pleiteado. Destaquese que referido crédito já foi parcialmente utilizado na Declaração de Compensação identificada na planilha de cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional (fls. 398 a 400), declaração essa controvertida no âmbito do processo administrativo nº 10850.906258/201125, processo esse apensado ao presente e também apreciado pela Turma na mesma data, cujo deslinde ficou na dependência dos resultados da diligência então determinada. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito creditório decorrente da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907648/201112 Acórdão n.º 3803006.767 S3TE03 Fl. 430 5 Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 430DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 19706.000080/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DEVOLUTIVIDADE RESTRITA. POSSIBILIDADE DE EFEITOS INFRINGENTES.
O recurso de embargos de declaração tem função estreita, servindo apenas para esclarecer ou integrar a decisão embargada. Todavia, para o cumprimento de sua função integrativa ou aclaratória, por vezes, os embargos de declaração implicam em mudança do julgado, o que é decorrência natural do suprimento da contradição, omissão ou obscuridade.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação.
Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2302-003.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos para fazer constar o resultado correto quanto ao recurso voluntário julgado, através do acórdão embargado: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que sejam excluídas deste lançamento as competências até 03/2001, em observância à regra contida no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DEVOLUTIVIDADE RESTRITA. POSSIBILIDADE DE EFEITOS INFRINGENTES. O recurso de embargos de declaração tem função estreita, servindo apenas para esclarecer ou integrar a decisão embargada. Todavia, para o cumprimento de sua função integrativa ou aclaratória, por vezes, os embargos de declaração implicam em mudança do julgado, o que é decorrência natural do suprimento da contradição, omissão ou obscuridade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 6. 00 00 80 /2 00 7- 69 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos para fazer constar o resultado correto quanto ao recurso voluntário julgado, através do acórdão embargado: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que sejam excluídas deste lançamento as competências até 03/2001, em observância à regra contida no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19706.000080/200769 Acórdão n.º 2302003.446 S2C3T2 Fl. 860 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, a fls. 824 e seguintes, opostos pela TELEVISÃO MORENA LTDA., em face do acórdão nº 230200.493, a fls. 773 e seguintes, proferido em 9 de fevereiro de 2011 pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por meio do qual, decidiuse, conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Thiago Davila Melo Fernandes divergiram, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso. Segundo a Embargante, há a comprovação de recolhimentos, de maneira que, tendo o lançamento sido cientificado ao sujeito passivo em 3 de abril de 2006, deveriam ter sido consideradas decadentes as competências anteriores a março de 2001, inclusive; e não as anteriores a novembro de 2000, inclusive. Baseia seu entendimento na existência de recolhimentos para as competências em discussão (12/2000 a 03/2001), conforme documentos que anexa aos embargos. Podese concluir, portanto, que os embargos restringemse à mera repetição dos argumentos trazidos no recurso voluntário e apreciados no acórdão vergastado. Com efeito, a argumentação da recorrente não aponta nenhuma omissão, contradição ou obscuridade do decisório, de sorte que, numa apreciação estrita do recurso, não haveria que se falar em seu acolhimento. Ocorre que, nesse ínterim, houve a edição da Súmula CARF n° 99: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. Como se vê, o conteúdo da Súmula é divergente daquele constante no acórdão atacado, que acabou por concluir que seria aplicável o art. 173, I, do CTN, mesmo havendo recolhimentos na competência; e convergente com a compreensão trazida pela recorrente em embargos de declaração. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 A despeito de sua estreita função, os embargos de declaração podem trazer consigo o denominado efeito translativo, que, como ensina Nelson Nery Junior, “autoriza o órgão ad quem a julgar fora do que consta das razões ou contrarazões do recurso”, ocorrendo “normalmente com as questões de ordem pública” (Nery Junior, Nelson. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos, 5ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000, 257). Parecenos que é o caso dos autos. Tal compreensão tem ainda por base a inteligência que se extrai do Regimento Interno do CARF, que estabelece em seu artigo 72 que as súmulas são de “observância obrigatória pelos membros do CARF”. Ora, como não há qualquer restrição temporal quanto à obrigatoriedade de aplicação das Súmulas, podemos concluir que se aplica a todos os recursos pendentes de julgamento, como no caso em apreço. Por tais razões, pugnamos, no despacho de fls. 958 e seguintes, pelo acolhimento dos Embargos, para que a Turma Julgadora delibere sobre a aplicabilidade da Súmula CARF n° 99 ao caso em destaque. É o relatório. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19706.000080/200769 Acórdão n.º 2302003.446 S2C3T2 Fl. 861 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Embargos. Decadência. O recurso de embargos de declaração tem função estreita, servindo apenas para esclarecer ou integrar a decisão embargada. Para o cumprimento de sua função integrativa ou aclaratória, por vezes, os embargos de declaração implicam em mudança do julgado. Estes efeitos infringentes acabam sendo uma decorrência natural do suprimento da contradição, omissão ou obscuridade (Nery Junior, Nelson. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos, 5ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000, 257). No caso em comento, como ressaltado pela Embargante, efetivamente há a comprovação de recolhimentos, de maneira que, tendo o lançamento sido cientificado ao sujeito passivo em 3 de abril de 2006, deveriam ter sido consideradas decadentes as competências anteriores a março de 2001, inclusive; e não as anteriores a novembro de 2000, inclusive. Com razão a recorrente. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Tal compreensão encontrase hoje estampada na Súmula CARF nº 99. Analisandose os autos, constatase que a recorrente foi cientificada da NFLD em abril de 2006 (fls. 4), de sorte que, como há recolhimentos em todas as competências entre dezembro de 2000 e março de 2001, por força da aplicação do art. 150, § 4°, do CTN, devese reconhecer como decadentes todas as competências anteriores a março de 2001, inclusive Pelos motivos expendidos, voto por acolher os embargos de declaração para fazer constar o resultado correto quanto ao recurso voluntário julgado, que passa a integrar o acórdão anterior: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que sejam excluída deste lançamento as competências até 03/2001, em observância à regra contida no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 871DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10660.900391/2006-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/06/1999
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 03 91 /2 00 6- 48 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900391/200648 Acórdão n.º 3801004.599 S3TE01 Fl. 12 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900391/200648 Acórdão n.º 3801004.599 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo contra o acórdão julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 27 de fevereiro de 2014, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. “Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (Per) que visou à restituição de crédito de Cofins (código de arrecadação 2172) oriundo de pagamento indevido/a maior. Referido Per foi indeferido à razão de que, dadas as características do Darf ali discriminado, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição postulada. Na manifestação de inconformidade foi defendido em síntese que: a Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 determinou que a partir de 1º/02/1999, as fundações de direito privado estão isentas da Cofins sobre as receitas provenientes de suas atividades próprias; “Por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, surgindo, incontinenti, o direito de ser restituída dos valores que recolheu aos cofres públicos à título de COFINS”; “providenciou o requerimento através do PER/DCOMP número15693.47903.150703.1.2.047803) sendo surpreendida com o indeferimento do Pedido de Restituição”; “os rendimentos indevidamente tributados não se referem a ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável ou à receitas estranhas às suas atividades próprias”; Ao final, requer: alternativamente “lhe seja reconhecido e autorizado o direito de compensar o seu crédito com outros débitos de competência da Receita Federal do Brasil”; “produção de prova técnica pericial, com a finalidade de demonstrar que se trata de tributo calculado e recolhido tendo em conta as receitas provenientes de suas atividades próprias” Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900391/200648 Acórdão n.º 3801004.599 S3TE01 Fl. 14 4 Em razão de Resolução dessa 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência, em síntese, no sentido de que fossem determinadas quais as receitas isentas da contribuinte, nos termos do § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 247/2002. Na Informação Processual da DRFVAR/SAORT/GEDOC, em resumo, foram contextualizados os procedimentos fiscais visando ao cumprimento daquela Resolução, dentre os quais: a solicitação de esclarecimento endereçada à contribuinte a apresentar documentos/informações, bem como a insuficiência dos documentos apresentados em decorrência. Aberta a oportunidade para tanto, em face daquela Informação Processual, a contribuinte apresentou suas razões adicionais de defesa. É o relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO/A MAIOR. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não comprovado documentalmente o direito creditório postulado, malgrado as oportunidades conferidas à contribuinte para esse mister, há que se manter o indeferimento operado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância, sendo injusto o indeferimento da restituição por não haver juntado as notas fiscais que embasaram o lançamento. É o sucinto relatório. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900391/200648 Acórdão n.º 3801004.599 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado, determina a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. O contribuinte foi intimado, via solicitação de Esclarecimento, a fornecer nova documentação em que contasse descritivamente: 1 – Planilhas e/ou demonstrativos de apuração das receitas próprias (isentas da COFINS com base no artigo 14, inciso X, c/c o artigo 13, inciso VIII da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001) e das demais receitas, referentes aos períodos de apuração dos supostos créditos objetos das Manifestações de Inconformidades, constantes dos processos acima citados. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900391/200648 Acórdão n.º 3801004.599 S3TE01 Fl. 16 6 2 – Cópias dos Livros Contábeis / Fiscais onde constem os lançamentos das receitas mencionadas no item “1”, acompanhados dos documentos que embasaram os lançamentos e que comprovem a natureza das referidas receitas; 3 – Maiores esclarecimentos, que entenderem necessários, para subsidiar as análises e os julgamentos. Em resposta ao solicitado, o contribuinte limitouse a colacionar os mesmos documentos e informa que não possui mais as notas fiscais pertinentes ao fato gerador objeto do pedido de restituição, por entender ser desobrigado de manter esta documentação tão logo tenha decorrido 5 anos. Em divergência do alegado a Nota Cosit nº 338/2007 estabelece que a obrigatoriedade da guarda de documentos fazse necessária até o término da decisão, conforme abaixo, parcialmente transcrito: “A Nota COSIT nº 338, de 2 de outubro de 2007, ratifica a SCI COSIT nº 11 de, 24 de julho de 2006 (...) 2.10 Quanto ao prazo estabelecido que o contribuinte tem obrigação de guardar os documentos relativos a DIRPF apresentada, não se pode olvidar a necessidade do exame dos saldos de Imposto a Restituir apurados pelo contribuinte mesmo após o prazo decadencial para o lançamento, considerando que toda restituição envolve saída de valores dos Cofres Públicos e deve, portanto, ser respaldada em procedimentos capazes de verificar a procedência ou não da respectiva restituição, e, portanto, a restituição pleiteada mediante a DIRPF deve ser pautada nos mesmos procedimentos a que estão sujeitos os demais pedidos de restituição, no sentido de que o interessado deve manter todos os documentos relativos à restituição solicitada enquanto o pedido não tiver sido analisado e decidido.”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando a documentação idônea, completa e capaz de comprovar o direito creditório alegado, devendo ser ressaltado que a delegacia de julgamento propiciou ao contribuinte oportunidade para fazêlo e o recorrente se limitou a apresentar os mesmos documentos outrora colacionados no processo. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900391/200648 Acórdão n.º 3801004.599 S3TE01 Fl. 17 7 Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto à necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável à apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147”. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900391/200648 Acórdão n.º 3801004.599 S3TE01 Fl. 18 8 Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficientes para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333 O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. II – ao réu, quanto à existência de fato impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Quanto ao argumento do contribuinte de que por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, entendo que esse fato não afasta o seu dever de cumprimento de obrigações acessórias. Determina o art. 14, inc. III do CTN que as entidades protegidas pela imunidade e mais ainda aquelas abrangidas pela isenção possuem o dever de: “III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Este dever implica não somente a escrituração e guarda dos livros, mas também dos documentos correspondentes que confirmem as informações contábeis registradas. Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900391/200648 Acórdão n.º 3801004.599 S3TE01 Fl. 19 9 Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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