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Numero do processo: 19515.003334/2004-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/02/2004 a 30/09/2004
BASE DE CÁLCULO. RATEIO DE DESPESAS. REEMBOLSO.
Não integram a base de cálculo da Cofins, os valores auferidos a título de reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, pelo pagamento de dispêndios comuns.
RETENÇÕES NA FONTE COMPROVADAS. DEDUTIBILIDADE.
Os valores das contribuições comprovadamente retidas pelas fontes pagadoras deverão reduzir, para o mesmo perído de apuração, os valores lançados.
Numero da decisão: 3201-003.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para (i) excluir os valores auferidos a título de reembolso de despesas das demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, pelo pagamento de dispêndios comuns; (ii) excluir dos valores lançados as contribuições retidas na fonte.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA Recorrente GAMA SAÚDE LTDA. Recorrida FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/02/2004 a 30/09/2004 BASE DE CÁLCULO. RATEIO DE DESPESAS. REEMBOLSO. Não integram a base de cálculo da Cofins, os valores auferidos a título de reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, pelo pagamento de dispêndios comuns. RETENÇÕES NA FONTE COMPROVADAS. DEDUTIBILIDADE. Os valores das contribuições comprovadamente retidas pelas fontes pagadoras deverão reduzir, para o mesmo perído de apuração, os valores lançados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para (i) excluir os valores auferidos a título de reembolso de despesas das demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, pelo pagamento de dispêndios comuns; (ii) excluir dos valores lançados as contribuições retidas na fonte. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 34 /2 00 4- 03 Fl. 780DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 1999 a 2004, no valor total de R$ 220.072,16, incluídos apenas os juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Em ação fiscal apurouse, conforme termos de verificação fiscal às fls. 98/99, diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago para o tributo/períodos acima (fls. 100/116) e os termos, demonstrativos e documentos a ele integrados. O crédito tributário lançado, composto pelas contribuições, multas proporcionais e juros de mora, calculados em 13/12/2004, perfazem o total de R$ 220.072,16. Enquadramento legal do PIS (fl. 115): o art. 2° da Lei Complementar n° 70/91; art. 77, III, do Decretolei n° 5.844/43; art. 149 da Lei n° 5.172/66; art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições; arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n°4.524/02. A ciência do auto ocorreu em 17/12/2004. Em 18/01/2005 a empresa impugna as exigências de PIS (fls. 118119), anexando documentos (fls. 120/176), e alega, em síntese: no período compreendido entre agosto e dezembro de 1999, a base de cálculo para a apuração considerou erroneamente como faturamento montantes recebidos a título de rateio de despesas; não se configura como ingresso de receita o recebimento do rateio de despesa, já que se trata de uma mera recuperação de um crédito referente a uma despesa já reconhecida e suportada pela sociedade; conseqüentemente, a simples contabilização do saldo credor no resultado não se configura como base tributável, pois que não há a entrada efetiva de receita, mas sim, tratase de mero ajuste contábil; os Princípios Fundamentais da Contabilidade determinam que toda e qualquer despesa, independentemente da empresa que a suporte, seja contabilizada na empresa geradora da mesma; assim, a melhor técnica contábil dispõe que as despesas suportadas por entidades diferentes daquelas que a geram sejam reembolsadas pelo valor contábil das mesmas, não se considerando tal reembolso como auferimento de novas receitas; legítima a prática do rateio de despesas administrativas não se considerando o ingresso destes montantes como receita ou faturamento ou receita. A empresa impugna expressamente os valores de: Fl. 781DF CARF MF Processo nº 19515.003334/200403 Acórdão n.º 3201003.749 S3C2T1 Fl. 781 3 R$ 16.665,60 (dezesseis mil, seiscentos sessenta e cinco reais e sessenta centavos) do Processo Fiscal e Auto de Infração em apreço, relativo ao principal, multa e juros referentes à não inclusão dos montantes recebidos a título de rateio de despesas no período de agosto a dezembro de 1999, posto que a base de cálculo de tal tributo foi indevidamente acrescida dos montantes recebidos a título de rateio de despesas de outras empresas do grupo; R$ 20.434,27 (vinte mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e vinte e sete centavos), referentes ao alegado não recolhimento do PIS (acrescido de multa e juros) dos meses de fevereiro e março de 2002, posto que requerida a sua compensação mediante Pedidos de Compensação protocolados perante a SRF nas datas de 15.03.2002 e 11.04.2002 (diz juntar cópias); R$ 71.765,66 (setenta e um mil, setecentos e sessenta e cinco reais e sessenta e seis centavos), referentes à alegada falta de pagamento o PIS (acrescido de multa e juros) do período compreendido entre março e setembro de 2004, dado que os valores do PIS do período foram integralmente recolhidos, através de retenção nas notas fiscais (artigo 30 da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Requer a desconsideração do valor total de R$ 108.865,54 (cento e oito mil, oitocentos e sessenta e cinco reais e cinqüenta e quatro centavos) cancelandose o crédito tributário constituído a favor da Receita Federal, abstendose da imposição de encargos moratórios relativos aos valores impugnados. Informa a Impugnante que a diferença entre os valores constantes do Processo Fiscal e do Auto de Infração em referência e o valor ora impugnado, no total de R$ R$ 91.462,99 (noventa e um mil, quatrocentos e sessenta e dois reais e noventa e nove centavos), valor este considerando o desconto do valor da multa aplicada e corrigido até o mês de dezembro de 2004, foi recolhida na data de 14 de janeiro de 2005, por Documentos de Arrecadação da Receita Federal — DARF's. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SPO I n.º 1620.796, de 19/03/2009 (fls. 297 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/10/2002 a 30/11/2002, 01/03/2003 a 31/07/2003, 01/11/2003 a 30/11/2003, 01/02/2004 a 30/09/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CANCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 782DF CARF MF 4 Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em cancelamento ou anulação do Auto de Infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/02/2004 a 30/09/2004 BASE DE CÁLCULO, RATEIO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. INCLUSÃO. (01/08/2001 a 31/12/2001). A base de cálculo da contribuição corresponde à totalidade da receita auferida, integrandoa o valor contabilizado como recuperação de despesa, pois: o recebimento de valores custeados por uma das empresas do grupo e depois rateadas com as demais, pela gestão administrativa operacional de contratos destas, representa receita de serviços; as exclusões legisladas não abarcam o recebimento ou recuperação de despesa mediante rateio. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA.(01/02/2002 a 31/03/2002). A existência, em nome da interessada, de processo administrativo relativo a pedido de restituição e de compensação, ainda que pendente de análise e decisão, não impede o lançamento de ofício pela autoridade fiscal, de débitos não declarados espontaneamente (art. 142 do CTN). RETENÇÕES. NÃO COMPROVAÇÃO. (01/02/2004 a 30/09/2004). As retenções se materializam, por excelência, nos recolhimentos em Darrs realizados pelas fontes pagadoras. A legislação também dispõe sobre emissão de comprovantes de retenção. Não comprovando as retenções não há como acatar seu argumento. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 353 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, suscita, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: Nos meses de agosto a dezembro de 2001, excluiu da apuração da base de cálculo do PIS os valores recebidos a título de rateio de despesas, oriundas da administração conjunta da carteira de clientes de sociedade pertencente ao mesmo Grupo Econômico da Recorrente, qual seja: a GAMA ODONTO S/A. Contudo, a exclusão de tais valores foi glosada porque não haveria dispositivo legal autorizando a supressão, da base de cálculo da contribuição, das quantias relativas ao reembolso das despesas realizadas em nome de pessoa jurídica distinta. Ocorre que, diversamente do que foi afirmado no acórdão recorrido, tais quantias não são simples recuperação de despesas, mas, sim, verdadeira recomposição do patrimônio da Recorrente, o qual foi momentaneamente reduzido em decorrência do adiantamento de despesas a GAMA ODONTO S/A. Não se faz necessária a expressa previsão legal de exclusão da base de cálculo do PIS na Lei n° 9.718/98 para que tal ingresso financeiro Fl. 783DF CARF MF Processo nº 19515.003334/200403 Acórdão n.º 3201003.749 S3C2T1 Fl. 782 5 não componha o faturamento da pessoa jurídica, mas sim e tãosomente que este ingresso não pertença à espécie de receitas utilizadas na formação do faturamento. Assim, os valores posteriormente recebidos pela Recorrente para a realização tal recomposição patrimonial não podem integrar a base de cálculo do PIS, conforme, inclusive, já reconhecido pelo antigo Conselho de Contribuintes. Ainda que se entenda que a recomposição do patrimônio em virtude do adiantamento de despesas de terceiro possa ser classificada como receita, fato é que esta suposta receita não poderia compor a base de cálculo da contribuição, eis que a regra que impõe a sua tributação (art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98) foi concebida em total dissonância com a ordem constitucional vigente à época de sua edição, como já reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo o acórdão recorrido, as alegações de compensação dos débitos da Cofins apurados em fevereiro e março de 2002 não podem ser apreciadas na presente defesa administrativa, pelo fato de as compensações terem sido registradas nos autos do processo administrativo n.° 11831.001800/200251, ainda pendente de decisão definitiva no âmbito administrativo (doc. 03). Além disso, referida decisão menciona que os montantes compensados a título da contribuição para fevereiro e março de 2002 seriam diversos daqueles apurados pela fiscalização, por meio do respectivo procedimento de oficio. A esse respeito, a Recorrente esclarece que os valores da contribuição apurados para as referidas competências foram de R$ 4.429,75 e R$ 4.792,27 (doc. 04), conforme se depreende da planilha de apuração do referido tributo acostada ao presente recurso. A homologação das mencionadas compensações terá o efeito de provocar a extinção da obrigação tributária, com base no inciso II, do artigo 156 do CTN. Assim, ainda que se admitisse que os débitos apontados no auto de infração, e mantidos pela decisão recorrida, pudessem ser efetivamente devidos, devese reconhecer que, até o presente momento, tais débitos são totalmente ilíquidos, incertos e inexigíveis, na medida em que as compensações efetuadas pela Recorrente estão pendentes de decisão administrativa definitiva. Diante disso, resta evidente a necessidade de se suspender a exigibilidade dos débitos do PIS levantados para fevereiro e março de 2002, em virtude da inexistência de decisão definitiva da Receita Federal do Brasil e, por conseguinte, de sua incerteza, iliquidez e inexigibilidade. A decisão ora recorrida menciona, ainda, que, durante os meses de fevereiro e setembro de 2004, a Recorrente deduziu de forma supostamente indevida os montantes retidos a título de PIS sobre as suas notas fiscais de prestação de serviços, nos termos do artigo 3º da Lei n.°. 10.833/2003. Isto porque, segundo a 9ª Turma da DRJ/SPO I, a Recorrente não teria comprovado o recolhimento dos valores utilizados para a dedução do montante devido da referida contribuição, tendo precluído o seu direito de produzir qualquer prova no sentido de demonstrar a referida antecipação, razão pela qual tais valores devem ser acrescidos aos montantes devidos de PIS para os referidos meses. Todavia, em nenhum momento a Recorrente foi cientificada a respeito da suposta deficiência ou intimada a prestar qualquer espécie de esclarecimento a esse respeito. Caso houvesse sido expedida qualquer intimação neste sentido, a Recorrente poderia ter fornecido elementos que comprovam o seu direito, tais como os informes de rendimentos e notas fiscais trazidas no bojo do presente recurso voluntário (doc. 05). É importante esclarecer, entretanto, que devido ao lapso temporal entre a data dos fatos e a apresentação do referido recurso, bem como o exíguo prazo que a Recorrente teve para reunir tamanho conjunto probatório, não se pode afirmar que os informes ora juntados representem a totalidade das retenções sofridas pela Recorrente durante os meses de fevereiro a setembro de 2004. Assim, caso se entenda que os elementos trazidos no recurso ainda não são suficientes para comprovar as retenções sofridas pela Recorrente, requer lhe seja Fl. 784DF CARF MF 6 concedido prazo para apresentação de documentos suplementares ou, ainda, a conversão do julgamento do presente recurso em diligência. Por meio da Resolução nº 3202000.034, de 01/06/2011 (fls. 591 e ss.), esta Turma baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade de origem procedesse à análise dos documentos acostados pela Recorrente relativos ao período de fevereiro a setembro de 2004, para que verificasse se retenções foram efetuadas e para que esta fosse intimada a apresentar documentos e alegações que julgasse cabíveis. A unidade de origem exarou despacho, informando que a contribuinte não apresentou documentos que lhe foram solicitados (fl. 729). Posteriormente, esta Turma resolveu baixar novamente os autos em diligência (Resolução nº 3201000.701, de 22/06/2016), a fim de que a unidade de origem: a) informe se os débitos compensados por meio do processo n° 11831.001800/200251 encontramse constituídos no auto de infração ora em julgamento, ou possuem alguma vinculação com este; b) esclareça se o processo n° 11831.001800/200251 já possui decisão administrativa definitiva, bem como qual a influência desta eventual decisão neste auto de infração; c) informe se os valores retidos na fonte, já confirmados em procedimento de diligência fiscal, foram observados no momento da lavratura do auto de infração e se a confirmação destes recolhimentos resulta na necessidade de retificação do crédito constituído; d) intime a Recorrente acerca de todos os documentos anexados ao presente processo posteriormente a apresentação do recurso voluntário, incluídos os relacionados ao procedimento de diligência anterior, bem como o resultado da presente diligência, ofertando o prazo de 30 dias para manifestarse. O Relatório Fiscal encontrase às fls. 766 e ss. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente teve contra si lavrado auto de infração, cobrando Cofins não recolhida a menor nos períodos de janeiro de 1999 a setembro de 2004. Segundo se afirma no auto de infração, foram constatadas divergências entre os valores escriturados e os declarados/pagos. À fl. 101 do Termo de Verificação Fiscal, consignou a autoridade autuante que os valores dos créditos efetuados nas contas de Receitas Participadas são tributados como prestação de serviços, considerando que é a Recorrente que realiza os trabalhos administrativos com seu quadro de pessoal, para depois cobrar de outra empresa, a GAMA ODONTO S/A, pelos serviços a ela prestados, posteriormente refaturados por esta última a seus clientes. Registrouse, também, que, em alguns períodos de apuração, a Recorrente solicitou e compensou parte das contribuições devidas com créditos de outros impostos que possuía, sem, contudo, declarar os valores originalmente devidos nas respectivas DCTFs. Pois bem. Em sua defesa, a Recorrente alega que excluiu da apuração da base de cálculo da contribuição os valores recebidos a título de rateio de despesas, oriundas da administração conjunta da carteira de clientes de sociedade pertencente ao mesmo Grupo Econômico a que pertence, a GAMA ODONTO S/A. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 19515.003334/200403 Acórdão n.º 3201003.749 S3C2T1 Fl. 783 7 Com efeito, temos entendido que os valores recebidos pela entidade integrante do mesmo grupo empresarial à qual foi atribuída a responsabilidade pelo gerenciamento e execução da despesa comum a todas entidades não configura receita, mas simples reembolso dos valores por ela, às demais, adiantados. É o que ocorre, por exemplo, no compartilhamento de despesas com contabilidade ou assessoria jurídica. Esse entendimento já foi, ademais, incorporado pela própria RFB na Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23/09/2013, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO É possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativos comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Para que os valores movimentados em razão do citado rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tão somente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e, finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, observadas as exigências estabelecidas no item anterior para regularidade do rateio de dispêndios em estudo: a) os valores auferidos pela pessoa jurídica centralizadora das atividades compartilhadas como reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico pelo pagamento dos dispêndios comuns não integram a base de cálculo das contribuições em lume apurada pela pessoa jurídica centralizadora; b) a apuração de eventuais créditos da não cumulatividade das mencionadas contribuições deve ser efetuada individualizadamente em cada pessoa jurídica integrante do grupo econômico, com base na parcela do rateio de dispêndios que lhe foi imputada; c) o rateio de dispêndios comuns deve discriminar os itens integrantes da parcela imputada a cada pessoa jurídica integrante do grupo econômico para permitir a identificação dos itens de dispêndio que geram para a pessoa jurídica que os suporta direito de creditamento, nos termos da legislação correlata. (g.n.) Dispositivos Legais: arts. 251 e 299, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; art. 123 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de Fl. 786DF CARF MF 8 1966 (CTN); arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 1o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e art. 1o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Adotou o mesmo entendimento a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 BASE DE CÁLCULO. RATEIO DE DESPESAS. REEMBOLSO. Não integram a base de cálculo da Cofins, os valores auferidos a título de reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, pelo pagamento de dispêndios comuns. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012 BASE DE CÁLCULO. RATEIO DE DESPESAS. REEMBOLSO. Não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, os valores auferidos a título de reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, pelo pagamento de dispêndios comuns. (Acórdão nº3401003.467, de 30/03/2017). Também se sustenta que, nos autos do processo administrativo n.° 11831.001800/200251, os débitos do PIS referentes aos meses de fevereiro e março de 2002 teriam sido declarados (compuseram pedidos de compensação), de modo que, não havendo decisão definitiva, haveria a necessidade de suspenderse, ao menos quanto a tais valores, a sua exigibilidade. O processo administrativo n.° 11831.001800/200251, sequer apreciado pela unidade preparadora, constitui pedido de restituição de crédito oriundo do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF cumulado com pedidos de compensação de débitos de PIS e Cofins (todos em papel), para os meses de fevereiro, março, abril, maio e junho de 2002. Os pedidos de compensação foram apresentados antes da ciência do auto de infração, daí a alegação apresentada pela Recorrente. Na diligência, contudo, a autoridade diligenciadora assim respondeu aos questionamentos formulados por esta Turma: Fl. 787DF CARF MF Processo nº 19515.003334/200403 Acórdão n.º 3201003.749 S3C2T1 Fl. 784 9 Portanto, além de registrar que os valores informados – e ainda não compensados! – nos pedidos de restituição/compensação não estarem vinculados ao presente auto de infração, a autoridade diligenciadora sustenta que a decisão neles proferida não terá efeitos com relação aos valores lançados, "uma vez que, de acordo com as planilhas que compõem o citado auto, foram consideradas as DCTFs apresentadas pelo contribuinte". Guardamos reservas com este entendimento. Entendemos que, dada a coincidência de períodos de alguns dos débitos compensados (ainda que os valores não sejam idênticos, como ressaltou a decisão recorrida), a decisão a ser neles proferida poderá refletir no auto de infração ora em exame. Concordamos, todavia, com o acórdão recorrido quando afirma que esse fato não obsta o julgamento deste processo. Somente seria de excluir do lançamento aqueles valores já definitivamente extintos (por pagamento, compensação homologada, por exemplo), o que não quer dizer que, quando da execução do julgado, não possa vir a fazêlo a unidade de preparadora de origem, após proferir decisão naqueloutro processo administrativo. E, por último, resta procedente a alegação de defesa de que os valores das contribuições retidas na fonte não foram consideradas, mas deveriam ter sido, no lançamento, de modo que os valores retidos e comprovados na diligência deverão ser, doravante, excluídos dos lançados. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: a) excluir os valores auferidos a título de reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, pelo pagamento de dispêndios comuns; b) excluir dos valores lançados as contribuições retidas na fonte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 788DF CARF MF 10 Fl. 789DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.724207/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
REMESSA DE CAFÉ "IN NATURA" PARA TERCEIROS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. IMPOSSIBILIDADE.
Até 31 de dezembro de 2011, enquanto aplicadas as disposições do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, aos produtos da posição 09.01 da NCM, a remessa de café in natura para terceiros, a fim de que estes realizassem as atividades previstas no seu § 6o, não dava direito à apuração do crédito presumido tratado no caput do mesmo artigo, haja vista descumprir o requisito de que a pessoa jurídica adquirente do insumo agrícola fosse a produtora da mercadoria destinada à venda.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
REMESSA DE CAFÉ "IN NATURA" PARA TERCEIROS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. IMPOSSIBILIDADE.
Até 31 de dezembro de 2011, enquanto aplicadas as disposições do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, aos produtos da posição 09.01 da NCM, a remessa de café in natura para terceiros, a fim de que estes realizassem as atividades previstas no seu § 6o, não dava direito à apuração do crédito presumido tratado no caput do mesmo artigo, haja vista descumprir o requisito de que a pessoa jurídica adquirente do insumo agrícola fosse a produtora da mercadoria destinada à venda.
Numero da decisão: 3201-003.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO. Recorrente AGROTORA REFLORESTAMENTO, PECUARIA E CAFE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 REMESSA DE CAFÉ "IN NATURA" PARA TERCEIROS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. IMPOSSIBILIDADE. Até 31 de dezembro de 2011, enquanto aplicadas as disposições do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, aos produtos da posição 09.01 da NCM, a remessa de café in natura para terceiros, a fim de que estes realizassem as atividades previstas no seu § 6o, não dava direito à apuração do crédito presumido tratado no caput do mesmo artigo, haja vista descumprir o requisito de que a pessoa jurídica adquirente do insumo agrícola fosse a produtora da mercadoria destinada à venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 REMESSA DE CAFÉ "IN NATURA" PARA TERCEIROS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. IMPOSSIBILIDADE. Até 31 de dezembro de 2011, enquanto aplicadas as disposições do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, aos produtos da posição 09.01 da NCM, a remessa de café in natura para terceiros, a fim de que estes realizassem as atividades previstas no seu § 6o, não dava direito à apuração do crédito presumido tratado no caput do mesmo artigo, haja vista descumprir o requisito de que a pessoa jurídica adquirente do insumo agrícola fosse a produtora da mercadoria destinada à venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 42 07 /2 01 1- 52 Fl. 420DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de crédito da Contribuição de Financiamento para a Seguridade Social Cofins, apurado no regime não cumulativo no 2º trimestre de 2011, no valor de R$ 822.559,28. A unidade de origem reconheceu em parte o crédito vindicado. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos relativos à contribuição nãocumulativa, apurados no 2º trimestre de 2011, PER nº 01576.31630.111111.1.1.097103 (fls. 0307), no valor de R$ 822.559,28. Feitas as análises e verificações necessárias foi deferido em parte o ressarcimento solicitado no valor de R$ 751.643,69. Os fundamentos para o indeferimento parcial dos créditos pode ser extraído dos trechos abaixo transcritos, retirado do Despacho Decisório atacado: "Pelo fato da Agrotora não ter executado diretamente a atividade de produção agroindustrial nos meses de jun/2010 a jun/2011, o café por ela adquirido não corresponde a insumo (matéria prima), mas a bem para revenda (sem previsão legal para ser base de cálculo de crédito presumido), assim, não lhe foi aplicável a possibilidade de utilização do crédito presumido (calculado sobre insumo). Desse modo, glosouse os créditos presumidos (PIS/COFINS) indevidamente aproveitados pela contribuinte, que, no caso, foram os calculados sobre as notas fiscais de aquisição de café de pessoas físicas. ... A empresa Armazéns Gerais Carapina Ltda prestou, no período fiscalizado, os ... serviços à empresa Agrotora. ... A aquisição deste conjunto de serviços, acima discriminados, não gera direito a crédito de contribuição do PIS e da Cofins para as empresas comerciais. ... Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10640.724207/201152 Acórdão n.º 3201003.683 S3C2T1 Fl. 421 3 Ressaltase que o inciso II desse artigo 3°, das citadas leis, somente prevê créditos sobre serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. Como a empresa fiscalizada, em relação ao café vendido, não executou diretamente a atividade de produção ou de prestação de serviços, não possuiu insumos de produção ou de prestação de serviço. ... Não há discriminação do valor correspondente ao café armazenado exclusivamente na operação de venda, único serviço de armazenagem com permissão legal de ter o seu valor como base de cálculo do crédito de contribuições, para o PIS e a COFINS, expressamente previsto na Lei n° 10.833/2003, artigo 3o, inciso IX, e artigo 15, inciso II. Em função da ausência desta discriminação (da atividade e do valor específico), os créditos correspondentes das contribuições não foram aceitos. ... Para o pagamento de PIS e Cofins sobre os serviços contratados de corretagem na intermediação de negócios não há previsão legal para o seu aproveitamento como crédito do PIS e da Cofins. Vale observar que, nem mesmo para empresas industriais e agroindustriais, o serviço de corretagem pode ser considerado como insumo, uma vez que não são aplicados ou consumidos na fabricação de produto. ... Em que pese o fato das embalagens e dos materiais para a forração serem necessários na atividade da empresa, não há previsão legal para utilização de créditos de PIS e Cofins pagos na aquisição desses produtos utilizados na operação comercial." Tais entendimentos redundaram nas diversas glosas realizadas pelo fisco. A seguir, traz a autoridade fiscal as suas considerações de como se deve proceder para fazer a correta proporcionalização dos créditos relativos às vendas para o exterior. Juntou anexos com especificação das glosas e dos cálculos utilizados na proporcionalização. A contribuinte foi cientificada da decisão e apresentou manifestação de inconformidade atacando cada um dos motivos de glosa/indeferimento, cujos fundamentos, resumidamente, podemos extrair dos trechos a seguir transcritos: "... inexiste previsão legal vedando o aproveitamento do crédito presumido no caso de "produção" por encomenda, principalmente, no caso específico das exportações dos produtos Fl. 422DF CARF MF 4 classificados no código 09.01 da NCM ("café, mesmo torrado ou descafeinado; cascas e películas de café; sucedâneos de café contendo café em qualquer proporção"), tampouco ato normativo editado pela Receita Federal do Brasil. O que importa para a incidência da norma, em questão, é a submissão do produto ao processo de produção a que se refere o §6° do artigo 8º da Lei n°. 10.925/04, e não a qualidade da Manifestante, se agroindústria ou não. Este, aliás, é o preceituado pela legislação colacionada e, digase grifada pelo próprio autor do procedimento fiscal (não se fala na qualidade do produtor, mas sim em atividade que se exerce sobre o produto 09.01 da NCM): ... Com vistas a corrigir as distorções desta cadeia produtiva em relação ao adquirente (pessoa jurídica) de produtos agropecuários, inclusive o café, de produtores rurais (pessoas físicas), o legislador editou o artigo 8º da Lei n° 10.925, de 2004, instituindo crédito presumido com a única finalidade: anular o acúmulo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas, pessoas físicas, evitandose, assim, que a dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e na comercialização de alimentos. Essa é a essência da não cumulatividade prestigiada pela CF/88, que deveria ter sido observada pelo aplicador da Lei. ... A Manifestante inserese nesse cenário. Quando esta remete o produto "café" para a empresa Armazéns Gerais Carapina Ltda., para seu aperfeiçoamento, nada mais é do que a produção, enquanto a atividade de prestação de serviços auxiliar, com agregação de valor ao produto, a fim de permitir que o produto melhor atenda às exigências da demanda do mercado internacional. ... Portanto, necessária a aplicação da analogia no caso concreto, permitindose o direito à apropriação do crédito presumido a que se refere o artigo 8º da Lei n°. 10.925, de 2004, pela Manifestante, eis que ausente disposição legal expressa, ou mesmo restritiva de Direito, suprimindo a lacuna apontada, considerando seu "peso" e a mesma razão/relevância (princípio da nãocumulatividade). ... O fato de a Manifestante "terceirizar" a produção do café para melhoria da sua qualidade e atendimento das exigências do mercado externo, não deve ser prejudicada em seu direito ao aproveitamento do crédito presumido do artigo 8º da Lei n° 10.9/5/04, e muito menos do crédito básico ou integral dos insumos e dos gastos com serviços especializados realizados, à luz dos artigos 3º da Lei n° 10.637/02 e Lei n° 10.833/03 ..., eis que finalidade do crédito fiscal é exatamente desonerar as contribuições sociais incidentes nas etapas anteriores da cadeia produtiva (=produtor rural pessoa física). Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10640.724207/201152 Acórdão n.º 3201003.683 S3C2T1 Fl. 422 5 ... Além de nulificar os efeitos da nãocumulatividade na cadeia produtiva pretendida pelo legislador, quando da elaboração da norma, o autor do procedimento fiscal ofende ainda os princípios da Desoneração das Exportações e da Isonomia. ... Em caso semelhante, referente ao direito ao crédito presumido do IPI, como forma de ressarcimento das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, instituído pelo artigo 1º da Lei n° 9.363/96, o STJ possui entendimento favorável aos contribuintes exportadores que produzem o bem por intermédio de terceiros (industrialização por encomenda), em razão da preponderância da finalidade da norma (= fomento das exportações = não exportação de tributos). ... Logo, o conceito de insumos para o fim de creditamento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS deve ser mais amplo do que o adotado para o IPI e ICMS, abrangendo todos os custos e despesas suportados pela empresa, em seu processo produtivo, nos termos da legislação do IRPJ, e não só os bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto... ... Ora, a ausência de discriminação de valores somente nas notas fiscais de cobrança não pode ser admitida como hipótese de afastamento do direito ao crédito pela Manifestante, principalmente ao se estar admitindo a desconsideração de todos os lançamentos contábeis em relação a tais fatos. ... Cabível, portanto, a incidência da Taxa SELIC. A Receita Federal do Brasil, depois de reformada a decisão, de acordo com a legislação de regência, deverá ressarcir todos os valores de créditos fiscais integrais da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, inclusive considerando a diferença em relação aos valores já reconhecidos [ainda pendentes de pagamento, na data de protocolo desta Manifestação], não só como forma de corrigir os danos ocasionados com a sua mora, mas também com o fim de evitar o enriquecimento sem causa. Finalizando sua peça de irresignação vem requerendo a reforma total da decisão combatida, aplicandose ao valor a ser deferido a correção pela taxa Selic. Requer, alternativamente, a realização de perícia. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF 6 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 14 57.587, de 14/04/2015 (fls. 314 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DEDUÇÃO. INSUMOS. PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O conceito jurídico de insumo criou uma delimitação estrita, ou seja, são aqueles insumos utilizados "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta no processo produtivo. Ou seja, estáse aqui diante de um conceito jurídico de insumo que, apesar de não necessariamente coincidir com o conceito econômico, está formalizado em atos legais que compõem a legislação tributária. PRODUTOS DA POSIÇÃO 09.01 da NCM. CRÉDITO PRESUMIDO O crédito presumido de que trata o caput do art. 8o da Lei no 10.925, de 2004, relativamente aos produtos classificados na posição 09.01 da NCM, somente se aplica nas aquisições feitas por pessoas jurídicas que exerçam atividade agroindustrial, assim entendidas aquelas que atendam aos requisitos previstos no § 6o do mesmo artigo, ou seja, exerçam, cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Não fazem jus ao crédito presumido as pessoas jurídicas que terceirizem as citadas operações. EMPRESA COMERCIAL. CRÉDITO. INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumos está intimamente ligado, no caso das contribuições para o PIS e a COFINS, às atividades de prestação de serviços e de produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, não se podendo falar em sua existência na atividade exclusivamente comercial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 APRECIAÇÃO DE MATÉRIA LEVADA AO CONHECIMENTO DO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Há que se observar o princípio da unicidade de jurisdição, de acordo com o qual não cabe à autoridade administrativa pronunciarse sobre o mérito de questão levada a apreciação do Poder Judiciário. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10640.724207/201152 Acórdão n.º 3201003.683 S3C2T1 Fl. 423 7 PROVA PERICIAL. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que não exponha os motivos que as justifiquem e a formulação de quesitos, assim como, no caso da perícia, o nome, endereço e qualificação profissional do perito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 378 e ss., por meio do qual suscita, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: Os julgadores defendem que “o crédito presumido de que trata o caput do artigo 8º da Lei nº. 10.925, de 2004, relativamente aos produtos classificados na posição 09.01 da NCM, somente se aplica nas aquisições feitas por pessoas jurídicas que exerçam atividade agroindustrial, assim entendidas aquelas que atendam aos requisitos previstos no §6º do mesmo artigo, ou seja, exerçam, cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de cafés para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade de grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Não fazem jus ao crédito presumido as pessoas jurídicas que terceirizem as citadas operações”. O fato da empresa encomendar a industrialização, na forma do §6° do artigo 8º da Lei nº 10.925/04, não impede o aproveitamento do crédito presumido da Contribuição para o PIS/PASEP e Cofins. Inexiste previsão legal para a vedação do aproveitamento do crédito presumido no caso de produção por encomenda. Os julgadores também defendem que o conceito de insumo está limitado às disposições da Instrução Normativa IN SRF nº 404/04. Além disso, afirmam que, como a Recorrente é empresa comercial e não se enquadra no conceito de agroindústria, e como tal atua na revenda de mercadoria, não se poderia falar em aquisição de insumos e, sim, de produtos/mercadorias para revenda. Tal entendimento não está de acordo com o entendimento de insumo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e do recente julgamento do Superior Tribunal de Justiça STJ. Os serviços de industrialização por encomenda, prestados pela Empresa Armazéns Gerais Carapina, são essenciais para que a Recorrente possa vender o produto café dentro das exigências do mercado externo. O fato de ela terceirizar a produção é irrelevante para fins de aproveitamento do crédito fiscal integral, nos termos do artigo 3º, inciso II, da Lei nº. 10.637/02. Dizse, com relação às despesas de corretagens, que, “Mesmo nas empresas industriais, não pode, de forma alguma, ser enquadrado no conceito de insumo, já que não existe a possibilidade de serem aplicados ou consumidos na fabricação de qualquer produto”. Isso não está de acordo com o conceito ampliado de insumos defendido pelo CARF e pelo STJ, inclusive sob o aspecto do critério da essencialidade. Sobre as despesas com a aquisição de material de embalagem e forração de contêineres, entendeuse que o creditamento relacionado à aquisição desses materiais só seria permitido para as empresas consideradas industriais, não sendo o caso da Recorrente. Todavia, mesmo que se lhe considere uma empresa comercial, o certo é que os custos com materiais de embalagem e para a forração dos containeres, para transporte do café, são essenciais para assegurar a qualidade do produto até seu destino final. Fl. 426DF CARF MF 8 Os julgadores não analisaram o pedido de atualização monetária pela Selic dos valores ressarcidos e a ressarcir de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins, por entender que a matéria está sendo discutida judicialmente. Somente está sendo discutido, na via judicial (Ação Ordinária nº. 000433361.2014.4.01.3808/MG), o reconhecimento do direito à atualização monetária sobre os créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins já deferidos (incontroversos) (doc. 02 e 03). Por sua vez, com relação aos créditos indeferidos – e objeto do recurso voluntário –, o direito à atualização pela taxa Selic deverá ser objeto de manifestação por este Conselho. Após apresentar tais alegações de defesa, passa a discorrer, com mais vagar, sobre cada qual. Ao final, requer, além de outros pedidos, o crédito pleiteado, corrigido pela taxa Selic. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio versa sobre o crédito presumido de que trata o caput do art. 8º da Lei nº. 10.925, de 2004. Na redação conferida pela Lei nº 11.051, de 2004, conversão da Medida Provisória nº 219, de 2004, o dispositivo em comento apresentava a seguinte redação: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1o ................................................................................................ III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. ............................................................................ § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10640.724207/201152 Acórdão n.º 3201003.683 S3C2T1 Fl. 424 9 definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas." (NR) "Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF." (NR) Portanto, o direito de apurar créditos presumidos com base no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, para as pessoas jurídicas que produzissem os produtos classificados no código 09.01 da NCM era inquestionável, desde que exercessem cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. A primeira questão que se coloca é se tais pessoas jurídicas fazem jus ao referido crédito presumido no caso em que as atividades elencadas no § 6º do art. 8º, supra, são realizadas, mediante encomenda, por uma outra pessoa jurídica. A resposta é não. As atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos devem ser realizadas pela pessoa jurídica à qual for atribuído o crédito presumido, não por terceira pessoa. Se nada disso foi feito pela Recorrente, para ela não há produção, nos termos em que definida no § 6º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Diversa é a disciplina instituída para o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, eis que, além dos estabelecimento industriais, a legislação expressamente inclui, entre os equiparados a industrial, os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização Fl. 428DF CARF MF 10 tenha sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Art. 9º, inciso IV, do Decreto nº 7.212, de 2010 Regulamento do IPI). Não há, contudo, no caso ora em julgamento, regra semelhante. Esse entendimento já foi, ademais, incorporado pela própria RFB na Solução de Consulta Cosit nº 330, de 21/06/2017,1 cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CAFÉ. Até 31 de dezembro de 2011, enquanto aplicadas as disposições do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, aos produtos da posição 09.01 da NCM, a remessa de café in natura para terceiros, a fim de que estes realizassem as atividades previstas no seu § 6o, não dava direito à apuração do crédito presumido tratado no caput do mesmo artigo, haja vista descumprir o requisito de que a pessoa jurídica adquirente do insumo agrícola fosse a produtora da mercadoria destinada à venda. Dispositivos Legais: CRFB/88, art. 149, § 2o, I; art. 150, II; Lei 5.172, de 1966 (CTN), art. 108, I; Lei nº 10.925, de 2004, art. 8o, caput, e § 6o; IN SRF nº 660, de 2006, art. 5o, I, “d”, e art. 6o, II. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CAFÉ. Até 31 de dezembro de 2011, enquanto aplicadas as disposições do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004, aos produtos da posição 09.01 da NCM, a remessa de café in natura para terceiros, a fim de que estes realizassem as atividades previstas no seu § 6o, não dava direito à apuração do crédito presumido tratado no caput do mesmo artigo, haja vista descumprir o requisito de que a pessoa jurídica adquirente do insumo agrícola fosse a produtora da mercadoria destinada à venda. Dispositivos Legais: CRFB/88, art. 149, § 2o, I; art. 150, II; Lei 5.172, de 1966 (CTN), art. 108, I; Lei nº 10.925, de 2004, art. 8o, caput, e § 6o; IN SRF nº 660, de 2006, art. 5o, I, “d”, e art. 6o, II. E não havendo, no caso em exame, "produção" ou "fabricação de bens ou produtos destinados à venda" – uma vez que a Recorrente exerce atividade tipicamente comercial –, não há que se falar em insumo, para o efeito de concessão do crédito de 1 Somente com a vigência do art. 7º da Lei nº 12.599, de 23 de março de 2012, conversão da MP nº 545, de 2011, é que o disposto nos arts. 8º e 9o da Lei nº 10.925, de 2004, deixou de ser aplicado às mercadorias ou aos produtos classificados nos códigos 09.01. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10640.724207/201152 Acórdão n.º 3201003.683 S3C2T1 Fl. 425 11 PIS/Cofins com fundamento no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003.2 Não sendo a Recorrente agroindustrial, não há que se falar do crédito pleiteado sobre as despesas com corretagens, material de embalagem e forração de contêineres. Por último, e em face do vimos de expor, resta prejudicada a matéria referente à aplicação da taxa Selic. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 2 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 430DF CARF MF 12 Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.002922/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil.
SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCIDÊNCIA
Sobre o crédito tributário constituído, incide juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-004.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE NA FALTA OU DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Constatada a hipótese de deficiência ou falta de contabilidade se impõe a possibilidade de aferição indireta para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias na construção civil. SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCIDÊNCIA Sobre o crédito tributário constituído, incide juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 29 22 /2 00 8- 57 Fl. 200DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 75 a 99) da decisão de fls. 60 a 71 que julgou procedente o lançamento decorrente de aferição indireta, através do Custo Unitário Básico CUB, no montante de R$ 3.705,53 (três mil, setecentos e cinco reais e cinquenta e três centavos). O lançamento objeto de discussão referese às contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor da mão de obra utilizada na prestação de serviços de obra de construção civil, Outras Entidades (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), consolidado em 25 de setembro de 2008. Conforme informação do Auditor Fiscal Autuante em Relatório Fiscal, As folhas 17/21 a empresa protocolizou junto ao INSS em 14/11/2005, Declaração e Informação sobre Obra — DISO, relativo a obra de sua responsabilidade, matricula CEI n ° 50.009.08001/75, sendo emitido Aviso para Regularização de Obra ARO em 30/05/2006, onde foi apurada uma diferença de salário de contribuição no valor de R$ 59.986,73. Após ciência do ARO, a empresa protocolizou processo n° 35118.000847/200655, solicitando revisão de enquadramento da obra do tipo alvenaria (tipo 11) para madeira ou misto (tipo 12). Esclarece o Auditor que durante auditoria especifica, em função da solicitação da revisão do enquadramento da .obra, foi realizada uma visita ao galpão construido pela empresa, sendo constatado que parte do fechamento lateral foi feito em metal e as estruturas são também metálicas, justificandose a correção de enquadramento para o tipo 12 (madeira ou misto). Após alteração do ARO, resultou um salário de contribuição a regularizar no valor de R$ 44.749,11 (quarenta e quatro mil e setecentos e quarenta e nove reais e onze centavos). Os procedimentos de aferição de mão de obra com base na Area construída e no padrão da obra estão previstos na Instrução Normativa SRP 03 de 14/07/2005, artigos 433 a 455, tendo sido observado pela empresa estas orientações, conforme DISO e ARO em anexo. Com a correção do enquadramento do tipo 11 para o tipo 12, foram alterados os percentuais aplicados, conforme artigo 443 da IN 03. Após correção do enquadramento, o ARO passa a ter os seguintes valores: Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10665.002922/200857 Acórdão n.º 2201004.393 S2C2T1 Fl. 103 3 Ressalta a Fiscalização que o valor do salário de contribuição a regularizar foi obtido por aferição indireta, considerandose a área do imóvel e o valor do Custo Unitário Básico — CUB utilizado na construção civil. A aferição indireta foi adotada, após exame dos documentos contábeis da empresa (Livros Diários e Razão de 2003 a 2005), onde foram constatadas as seguintes irregularidades: Conta 1.3.2.01.006 — Ordenados: nesta conta a empresa contabiliza a folha de pagamento pelo total, sendo que a mesma possui as verbas salariais relativas a salários contratuais, horas extras, adicional noturno, repouso remunerado. Estão em anexo as copias do resumo das folhas de pagamento e da página do Livro Diário, As fls. 35/43, do Auto de Infração de Obrigações Principais ATOP n o 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal, com a contabilização da folha pelo total nas competências 09/2003, 12/2003, 09/2004 e 11/2004. Conta 1.3.2.01.002 — Encargos do Trabalho: nesta conta a empresa contabiliza as rescisões de contrato de trabalho pelo total pago, sem também discriminar as verbas com incidência de contribuições previdenciárias, como saldo de salários e 13 0 salário proporcional das verbas indenizatórias. Está em anexo a rescisão de Eliton Vitor em 21/09/2004, e cópia da folha do Livro Diário com a contabilização pelo total da rescisão, As fls. 40/41, do Auto de Infração de Obrigações Principais ATOP n ° 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal. Conta 1.3.2.01.007 — Serviços Prestados Pessoa Jurídica e Pessoa Física: nesta conta a empresa não faz separação de pessoa física com pessoa jurídica, compatibilizando Fl. 202DF CARF MF 4 todos em uma única, como a contabilização em 07/2004 do recibo de pagamento a Adriana Silva Ferreira no valor de R$ 1.058,00. As notas fiscais número 9734 e 9735 emitidas em 23/09/2003 pelo prestador de serviços Central Beton Ltda., CNPJ 16.548.653/200735, somente foi contabilizada em 01/10/2003, deixando de ser observado o regime de competência. A empresa não contabilizou os valores gastos na aquisição de areia para a execução da obra, conforme declaração do contador da empresa, A fl. 34 do Auto de Infração de Obrigações Principais ATOP n ° 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal. Para a apuração do débito junto ao contribuinte foram analisadas as folhas de pagamento dos empregados da obra, as Guias de Recolhimento da Previdência Social — GPS, Recibos de Pagamentos a Autônomos — RPA, GFIP e Livros Diário e Razão de 2003 a 2005. Os fundamentos legais do débito apurado neste Auto de Infração, além dos já citados, estão relacionados em anexo, Fundamentos Legais do Débito — FLD, As fls. 07/08. Cientificada pessoalmente em 30/09/2008, conforme atestado pela assinatura do Sócio Gerente, Sr. Hirama Alves Garcia Ledo, na folha de rosto do presente Auto de Infração de Obrigações Principais ATOP, a Autuada apresentou impugnação em 30/10/2008, As fls. 26/44, com documentos anexados As fls. 45/53, através de seu bastante procurador, legalmente constituídos, às fls. 45/47. O contribuinte, ora Recorrente apresentou, em apertada síntese, os seguintes argumentos: o simples fato de contabilizar a folha de pagamento pelo valor real, de contabilizar a rescisão de contrato sem discriminação das verbas; de não separar em contas distintas os pagamentos efetuados a pessoa jurídica e física; de contabilizar as notas fiscais respeitando a data de emissão, o que não é correto, enfim, essas supostas falhas não são suficientes para desclassificação da escrita contábil e para justificar a utilização da aferição indireta. Junta aos autos algumas jurisprudências para corroborar tal afirmativa. é optante pelo regime de tributação através do lucro presumido e, como tal, apesar da obrigação acessória contida no inciso II do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, está desobrigada de apresentação de escrituração contábil, conforme artigo 225, § 16, inciso II do mesmo Regulamento. Ressalta que o fato de haver entendimento de que o registro contábil não está tecnicamente correto, não causou qualquer prejuízo aos cofres da Previdência Social e da mesma forma a empresa não obteve qualquer vantagem pecuniária em decorrência desses registros, eis que não restou demonstrado o dolo de não pagar por meios de estratagemas escusos. Destarte, redobrada vênia, temse que o Auto de Infração lavrado pelo Auditor Fiscal é nulo, caracterizandose como ato excessivo da fiscalização. o valor apurado do salário de contribuição por aferição indireta pela fiscalização não está correto. Apresenta o seu cálculo informando que o valor correto do débito a recolher deveria ser de R$ 11.728,41. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10665.002922/200857 Acórdão n.º 2201004.393 S2C2T1 Fl. 104 5 cotejando a Declaração e Informação sobre Obra — DISO, cuja cópia segue anexa, temse que o auditor Fiscal, sem qualquer fundamentação legal, de forma arbitrária, glosou notas fiscais exclusivamente de mão de obra, constantes da Relação de Notas Fiscais anexadas aos autos. a empresa protocolizou junto ao INSS em 14/11/2005 a DISO relativo a obra de sua responsabilidade e objeto do presente auto. Portanto passaramse trinta e seis meses para apuração da diferença devida pela impugnante, incluindose, nesse caso, multa e juros de mora desde aquela época. é ilegal e inconstitucional a cobrança da taxa SELIC. Isto posto requer seja dado provimento a presente defesa e julgado insubsistente o Auto de Infração DEBCAD n° 37.195.4169, pela inexistência de causas legais e legitimas que lhes dê embasamento, como amplamente demonstrado. Distribuídos os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte (MG), decidiram por julgar o Lançamento Procedente, com os seguintes fundamentos, de forma resumida: Da análise dos autos constatase que as argumentações da Notificada na sua impugnação não ilidem o procedimento fiscal pelos motivos a seguir explicitados: Os fundamentos legais específicos (IN SRP n° 03/2005, Art. 60 e Art. 473) e os motivos fáticos descritos a seguir da desconsideração da contabilidade e da opção pela aferição indireta são inteligíveis e apropriados: foram utilizadas contas gerais, englobando serviços prestados por pessoa jurídica e pessoa física; não houve separação entre as rubricas integrantes e não integrantes do salário de contribuição; não houve contabilização de notas fiscais obedecendo o regime de competência; não houve contabilização de valores gastos na aquisição de materiais para a execução da obra. Os fatos acima apontados impedem a perfeita identificação da mãodeobra utilizada na construção civil e enseja a desconsideração da contabilidade, não desclassificação com alega a impugnante, como fonte confiável para a Auditoria Fiscal: LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF Fl. 204DF CARF MF 6 compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9.7.2001) (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP nº 03, DE 14 DE JULHO DE 2005 Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3°, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; (...) III da quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico financeira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; (...) §1° Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente semi obtida: (...) Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10665.002922/200857 Acórdão n.º 2201004.393 S2C2T1 Fl. 105 7 II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; A empresa apresenta cálculo do valor do salário de contribuição efetuado de maneira aleatória, não de acordo com a norma legal, opondose ao efetuado pela Fiscalização. Está claro que o cálculo do valor do salário de contribuição foi efetuado corretamente pela Auditoria Fiscal visto estar de acordo com o que dispõe a legislação previdenciária, especificamente a Instrução Normativa SRP 03 de 14/07/2005, artigos 433 a 455 e explicitado devidamente à fl. 18 dos autos. Ressaltese que os dados da obra utilizados na aferição indireta foram informados pelo próprio contribuinte, por meio do formulário Declaração e Informação Sobre Obra — DISO, As fls. 26/29, do Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal. A Auditoria Fiscal glosou as notas fiscais de mão de obra, constantes de planilha da DISO A fl. 29 e relacionadas As fls. 85/91 do Auto de Infração de Obrigações Principais ATOP no 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal, já que os serviços ali elencados, não estão incluídos no CUB, conforme disciplinado nos artigos 453/454 da Instrução Normativa SRP 03 a seguir transcritos: Art. 453. Não se aplica o disposto nesta Seção a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados nãovinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que conste de GFIP referente à obra. Art. 454. A remuneração da mãodeobra relacionada aos serviços constantes do Anexo XIV, que não integram o CUB, ainda que tenha ocorrido a retenção, não poderá ser aproveitada no cálculo por aferição indireta da mãodeobra com base no CUB. ANEXO XIV ATIVIDADES / SERVIÇOS NÃOINCLUÍDOS NA COMPOSIÇÃO DO CUB, SUJEITOS À RETENÇÃO DE 11% 01 instalação de estruturas metálica; 02 instalação de estrutura de concreto armado prémoldada; 03 obras complementares na construção civil: ajardinamento; recreação; terraplenagem; urbanização; 04 lajes de fundação radiers; 05 instalação de aquecedor, bomba de recalque, incineração, playground, equipamento de garagem, equipamento de Fl. 206DF CARF MF 8 segurança, equipamento contraincêndio e de sistema de aquecimento a energia solar; 06 instalação de elevador quando houver emissão de nota fiscal/fatura de serviço NFFS; 07 instalação de esquadrias metálicas; 08 colocação de gradis; 09 montagem de torres; 10 locação de equipamentos com operador; 11 impermeabilização contratada com empresa especializada. ATIVIDADES OU SERVIÇOS NÃOINCLUÍDOS NA COMPOSIÇÃO DO CUB, NÃOSUJEITOS A RETENÇÃO DE 11% SERVIÇOS EXCLUSIVOS DE: 01 instalação de antena coletiva; 02 instalação de aparelhos de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de calefação ou de exaustão; 03 instalação de sistemas de ar condicionado, de refrigeração, de ventilação, de aquecimento, de calefação ou de exaustão, quando a venda for realizada coin emissão apenas da nota fiscal de venda mercantil; 04 instalação de estruturas e de esquadrias metálicas, de equipamento ou de material, quando a venda for realizada com emissão apenas da nota fiscal de venda mercantil; (NR) 05 jateamento ou hidrojateamento; 06 perfuração de poço artesiano; 07 sondagem de solo; 08 controle de qualidade de materiais; 9 locação de equipamentos sem operador; 10 serviços de topografia; 11 administração, fiscalização e gerenciamento de obras; 12 elaboração de projeto arquitetônico e estrutural; 13 assessorias ou consultorias técnicas; 14 locação de caçambas; 15 fundações especiais (exceto lajes de fundação radiers). Ao analisar as notas fiscais constatamos que elas foram emitidas anteriormente à vigência da IN 03. De qualquer forma a informação do auditor Fiscal no anexo do ARO de fl. 29 do Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP n ° 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal, não traz prejuízo à impugnante Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10665.002922/200857 Acórdão n.º 2201004.393 S2C2T1 Fl. 106 9 visto que a relação das atividades não incluídas no CUB, constante do Anexo XIV, não difere das demais Instruções Normativas 69 e 100, anteriores à IN 03 e vigorantes época da emissão das citadas notas fiscais. Ressalto que as notas fiscais 000047 e 000059, emitidas, respectivamente em 12/11/2003 e 28/112003, tratam de construção de muro, atividade diversa da presente que é construção de Galpão todo em estrutura metálica préfabricada. Assim, para as outras seis notas fiscais relacionadas à fl. 29 e questionadas pela impugnante, nas instruções normativas vigentes à época, IN INSS/DC no 69, de 10 de maio de 2002 e Instrução Normativa INSS/DC n° 100 de 18 /12/2003, os serviços ali elencados não estão incluídos no CUB, conforme disciplinado nos artigos 90, § 7° da IN 69 e 467/468 da Instrução Normativa INSS/DC n° 100, a seguir transcritos: Art. 90. (...) § 70 0 saláriodecontribuição decorrente da mãodeobra relacionada aos custos constantes do Anexo I não poderá ser aproveitado para abater o valor das contribuições aferidas com base no CUB. ANEXO I ATIVIDADES / SERVIÇOS NÃO INCLUÍDOS NA COMPOSIÇÃO DO CUB, SUJEITOS À RETENÇÃO DE 11%: 01 instalação de estrutura metálica;02 instalação de estrutura de concreto armado (prémoldada); 03 obras complementares na construção civil: ajardinamento; recreação; terraplanagem; urbanização;04 lajes de fundação radiers ;05 instalação de aquecedor, bomba de recalque, incineração, playground, equipamento de garagem, equipamento de segurança, equipamento contraincêndio e de sistema de aquecimento a energia solar;06 instalação de elevador, quando houver emissão de nota fiscal fatura de serviço NFFS07 instalação de esquadrias de aluminio;08 colocação de gradis;09 montagem de torres; 10 locação de equipamentos com operador; 11 impermeabilização contratada com empresa especializada ATIVIDADES OU SERVIÇOS NÃOINCLUÍDOS NA COMPOSIÇÃO DO CUB NÃOSUJEITOS A RETENÇÃO DE 11% SERVIÇOS EXCLUSIVOS DE: 01 instalação de antena coletiva, arcondicionado, calefação, fogão, telefone interno e de sistema de ventilação e exaustão. 02 jateamento de areia ; 03 perfuração de poço artesiano; 04 sondagem de solo; 05 controle de qualidade de materiais;06 locação de equipamentos sem operador; 07 serviços de Fl. 208DF CARF MF 10 topografia; 08 administração, fiscalização e gerenciamento de obras;09 elaboração de projeto arquitetônico e estrutural; 10 assessorias ou consultorias técnicas; 11 locação de caçambas; 12 fundações especiais (exceto lajes de fundação radiers); (...) Art. 467. Não se aplica o disposto nesta Seção à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados nãovinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que conste de GFIP especifica para a obra. Art. 468. A remuneração da mãodeobra relacionada aos serviços constantes do Anexo XV, ainda que tenha ocorrido retenção, não poderá ser aproveitada no cálculo por aferição indireta da mãodeobra, com base no CUB. ANEXO XV DISCRIMINAÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL NO GRUPO 45 DO CNAE 45— CONSTRUÇÃO (....) 45.2 CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS E OBRAS DE ENGENHARIA CIVIL 45.217 Edificações (residenciais, industriais, comerciais e de serviços) 45217/00 Edificações (residenciais, industriais, comerciais e de serviços) (OBRA) Esta subclasse compreende: a construção de edificações de todos os tipos ou de suas partes Esta subclasse compreende também: a montagem de edificações prémoldadas, quando não realizada pelo próprio fabricante Esta subclasse não compreende: a fabricação de casas de madeira préfabricadas (20.222/01); a construção de plantas hidrelétricas, nucleares e termoelétricas (45.322/01); a construção de estações telefônicas (45330/01); a construção de instalações desportivas tais como: piscinas, quadras esportivas (45.241/00); as obras de instalações elétricas, hidráulicas, sanitárias, etc. (grupo 45.4); os serviços de acabamentos da construção (grupo 45.5); Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10665.002922/200857 Acórdão n.º 2201004.393 S2C2T1 Fl. 107 11 as montagens de estruturas metálicas, de madeira etc. (45.25 0/01); os serviços de arquitetura e engenharia (74.209/01, 7420 9/02); o gerencianzento de projetos de construção (74.209/01, 7420 9/02). 45.225 Obras Viárias 45225/01 Obras Viárias (rodovias, vias férreas e aeroportos) (OBRA) Esta subclasse compreende: a construção de rodovias, inclusive pavimentação; a construção de vias férreas, inclusive para metropolitanos (preparação do leito, colocação dos trilhos); a construção de pistas de aeroportos. Esta subclasse não compreende: as grandes estruturas e obras de arte (45.233/00); as obras de urbanização e paisagismo (45.241/00); a construção de gasodutos, oleodutos e minerodutos (45.29 2/04); a sinalização com pintura de rodovias (45225/02). (...) 45292/99 Outras obras de engenharia civil Esta subclasse compreende: obras de concretagem de estruturas (OBRA); colocação de telhados, coberturas (SERVIÇO); construção de chaminés, lareiras, churrasqueiras (OBRA); obras de atirantamentos e cortinas de proteção de encostas (OBRA). Esta subclasse não compreende: drenagem (45.136/00); a montagem de estruturas metálicas (45.250/01). (...) Conforme artigo 473, inciso I da IN n° 3 já transcrito, inferese que a empresa autuada, mesmo sendo optante pelo lucro presumido, nesse caso dispensável da apresentação de Fl. 210DF CARF MF 12 escrituração contábil, desde que escriturem Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário, deverá, mesmo assim, ser arbitrada pela aferição indireta, caso esteja optando pela utilização de escrituração contábil de forma irregular. A empresa alega que protocolizou junto ao INSS em 14/11/2005 a DISO relativo a obra de sua responsabilidade e objeto do presente auto e que passaramse trinta e seis meses para apuração da diferença devida, incluindose, nesse caso multa e juros de mora desde aquela época. Entretanto, ao compulsar a impugnação apresentada, constatei que a empresa após ciência do ARO protocolizou em 18/12/2006, à fl. 76 do Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP n° 37.195.4169, lavrado na mesma ação fiscal, processo n° 35118.000847/2006 55, solicitando revisão de enquadramento da obra do tipo alvenaria (tipo 11) para madeira ou misto (tipo 12). Em função dessa solicitação foram gerados vários documentos por parte da empresa autuada para corroborar a mudança de enquadramento do tipo da obra, culminando com o Oficio SRP/UARPDIV 11.023.020.4/119/2007, de 10/04/2007, à fl. 102, também do Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP 37.195.4169, encaminhado à empresa autuada e informando sobre a possibilidade da reversão dos valores apurados anteriormente, desde que a empresa apresente documentação prevista no artigo 441, § 3° da IN 03/2005, no prazo de dez dias. É certo que, após o encaminhamento do Oficio acima citado foi programada ação fiscal na empresa, em função da sua não concordância em recolher as contribuições devidas, visando manter o correto valor do crédito pretendido constante do ARO e verificar a regularidade da escrita contábil da empresa já declarada pela mesma como regular. A empresa foi oficialmente notificada de que se encontrava sob ação fiscal, a partir de 01/09/2008, com a ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal, datado de 01/09/2008. No que se refere à alegação da impugnante quanto à legalidade e constitucionalidade da taxa SELIC, esclareço que a sua discussão não é apreciada na área administrativa estando restrita ao âmbito judicial. A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios está prevista no artigo 34 da Lei n° 8.212/91, assim textuado: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes a' taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n.° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Parágrafo Único. O percentual de juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE o lançamento, para Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10665.002922/200857 Acórdão n.º 2201004.393 S2C2T1 Fl. 108 13 declarar o contribuinte devedor do crédito previdenciário no valor de R$ 3.705,53 (três mil setecentos e cinco reais e cinqüenta e três centavos), com consolidação em 25 de setembro/de 2008. Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 75 a 99), praticamente repete os argumentos lançados em sede de impugnação,em apertada síntese alegou: o simples fato de contabilizar a folha de pagamento pelo valor real, de contabilizar a rescisão de contrato sem discriminação das verbas; de não separar em contas distintas os pagamentos efetuados a pessoa jurídica e física; de contabilizar as notas fiscais respeitando a data de emissão, o que não é correto, enfim, essas supostas falhas não são suficientes para desclassificação da escrita contábil e para justificar a utilização da aferição indireta. Junta aos autos algumas jurisprudências para corroborar tal afirmativa. é optante pelo regime de tributação através do lucro presumido e, como tal, apesar da obrigação acessória contida no inciso II do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, está desobrigada de apresentação de escrituração contábil, conforme artigo 225, § 16, inciso II do mesmo Regulamento. Ressalta que o fato de haver entendimento de que o registro contábil não está tecnicamente correto, não causou qualquer prejuízo aos cofres da Previdência Social e da mesma forma a empresa não obteve qualquer vantagem pecuniária em decorrência desses registros, eis que não restou demonstrado o dolo de não pagar por meios de estratagemas escusos. Destarte, redobrada vênia, temse que o Auto de Infração lavrado pelo Auditor Fiscal é nulo, caracterizandose como ato excessivo da fiscalização. o valor apurado do salário de contribuição por aferição indireta pela fiscalização não está correto. Apresenta o seu cálculo informando que o valor correto do débito a recolher deveria ser de R$ 11.728,41. cotejando a Declaração e Informação sobre Obra — DISO, cuja cópia segue anexa, temse que o auditor Fiscal, sem qualquer fundamentação legal, de forma arbitrária, glosou notas fiscais exclusivamente de mão de obra, constantes da Relação de Notas Fiscais anexadas aos autos. a empresa protocolizou junto ao INSS em 14/11/2005 a DISO relativo a obra de sua responsabilidade e objeto do presente auto. Portanto passaramse trinta e seis meses para apuração da diferença devida pela impugnante, incluindose, nesse caso, multa e juros de mora desde aquela época. é ilegal e inconstitucional a cobrança da taxa SELIC. Fl. 212DF CARF MF 14 Isto posto requer seja dado provimento a presente defesa e julgado insubsistente o Auto de Infração DEBCAD n° 37.195.4169, pela inexistência de causas legais e legitimas que lhes dê embasamento, como amplamente demonstrado. É o relatório do necessário, passo ao Voto Conselheiro Relator, Douglas Kakazu Kushiyama Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Conforme se verifica do relatório, o lançamento em análise foi realizado com base em aferição indireta, invocando como base os seguintes dispositivos: LEI N° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9.7.2001) (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10665.002922/200857 Acórdão n.º 2201004.393 S2C2T1 Fl. 109 15 dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP nº 03, DE 14 DE JULHO DE 2005 Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3°, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; (...) III da quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico financeira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; (...) §1° Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente semi obtida: (...) II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; Da análise dos autos, verificase que não é o caso de aferição indireta, conforme preceitua a IN SRP nº 3, de 2005, uma vez que só se aplica a casos extremos e que não se verifica nos presentes autos. A aferição indireta é uma forma presumida de apuração da base de cálculo dos tributos que só pode e deve ser adotada em casos excepcionais em que a contabilidade não registra o real movimento da remuneração dos segurados ou a receita ou o faturamento ou até mesmo o lucro; quando o contribuinte não apresenta ou se recusa a apresentar documentos, sonega informações ou mesmo apresenta documentação insuficiente, ou mesmo quando as informações prestadas não merecem fé. Somente com a constatação de uma das circunstâncias mencionadas acima é que autoriza o emprego desta medida extrema. Mesmo se identificada uma das hipóteses acima mencionada, a meu ver, deve haver uma correlação lógica que justifique a utilização deste método de aferição do tributo. Ao adotar esta atitude de forma legítima, o ato que aplica medidas dessa natureza deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada. Fl. 214DF CARF MF 16 Do relatório (fls. 18/19) consta a seguinte afirmação para justificar a medida extrema: (...) 6. Este valor de salário de contribuição (R$44.749,11), foi obtido por aferição indireta, considerando a área do imóvel e o valor do Custo Unitário Básico —CUB utilizado na construção civil. A aferição indireta foi adotada, após exame dos documentos contábeis da empresa (Livros Diários e Razão de 2003 a 2005), onde foram constatadas as seguintes irregularidades: 6.1 CONTA 1.3.2.01.006 ORDENADOS contabiliza a folha de pagamento pelo total, sendo que a mesma possui as verbas salariais discriminadas: salário contratual, horas extras, adicional noturno, repouso remunerado. Está em anexo as cópias do resumo das folhas de pagamento e da página do Livro Diário com a contabilização da folha pelo total nas competências 09/2003, 12/2003, 09/2004 e 11/2004. 6.2 CONTA 13201002ENCARGOS DO TRABALHO: nesta conta a empresa contabiliza as rescisões de contrato de trabalho pelo total pago, sem também discriminar as verbas com incidência de contribuições previdenciárias, como saldo de salários e 13° salário proporcional das verbas indenizatórias, como férias indenizadas, férias proporcionais, 13º salário indenizado. Está em anexo a rescisão de Eliton Vítor em 21/09/2004 e cópia da folha do Livro Diário com a contabilização pelo liquido da rescisão 6.3 CONTA 13201007SERVIÇOS PRESTADOS PESSOA JURÍDICA E PESSOA FiSICA: a empresa não faz separação de pessoa física para pessoa jurídica, contabilizando todos em uma única conta, como em 07/2004 foi contabilizado o recibo de pagamento a Adriana Silva Ferreira no valor de R$ 1.058,00. 6.4 As notas fiscais número 9734 e 9735 emitidas em 23/09/2003 pelo prestador de serviços Central Beton Ltda, CNPJ 16.548.653/000735, somente foi contabilizada em 01/10/2003, deixando de ser observado o regime de competência. 6.5 A empresa não contabilizou os valores gastos na aquisição de areia para a execução da obra, conforme declaração em anexo. 7. Para apuração do débito junto ao contribuinte foram analisados os seguintes documentos relacionados à obra: Folhas de pagamento dos empregados da obra; Guias de recolhimento da Previdência Social — GPS; Recibos de pagamentos a autônomos RPA; GFIP's Livros Diários e Razão de 2003 a 2005. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10665.002922/200857 Acórdão n.º 2201004.393 S2C2T1 Fl. 110 17 Por outro lado, não há no relatório fiscal, uma linha sequer sobre as notas glosadas pelo fiscal, o que gera dúvida quanto à possibilidade da utilização da aferição indireta como ocorreu nos presentes autos. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 240102.161, da lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua vez, extraise: Aferição indireta do saláriodecontribuição O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Fl. 216DF CARF MF 18 Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendêla imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãodeobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Os §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, é claro ao estabelecer as hipóteses que trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, ou seja, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Verificada a hipótese de aplicação da aferição indireta, deve ser negado provimento ao recursos. Com relação à incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10665.002922/200857 Acórdão n.º 2201004.393 S2C2T1 Fl. 111 19 Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Recurso negado nessa parte. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722304/2008-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.726609/2009-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
EDITADO EM: 05/05/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 05/05/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 23 04 /2 00 8- 67 Fl. 327DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O acórdão recorrido manifestou o entendimento de que referida verba tem natureza tributável. Consoante despacho de exame de admissibilidade proferido pelo Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo, em face do acórdão recorrido, obteve seguimento parcial para que a divergência relacionada à natureza indenizatória da URV fosse apreciada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Voto Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.334, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão (Acórdão 9202006.334): Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 178.526,73, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10580.722304/200867 Acórdão n.º 9202006.342 CSRFT2 Fl. 3 3 O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba URV. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode Fl. 329DF CARF MF 4 recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastála no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência (fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional, por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10580.722304/200867 Acórdão n.º 9202006.342 CSRFT2 Fl. 4 5 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Fl. 331DF CARF MF 6 Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10580.722304/200867 Acórdão n.º 9202006.342 CSRFT2 Fl. 5 7 tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário. (VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, ouso dela divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV). Argumenta o Recorrente, em síntese, a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando a natureza indenizatória de tais verbas. A primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Fl. 333DF CARF MF 8 Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 334DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.901013/2013-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem relatar o processo em comento, adoto o relatório da DRJ/SPO, a seguir transcrito: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 48912770 emitido eletronicamente em 04/04/13, referente ao PER/DCOMP nº 26071.12097.290409.1.3.042490. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, no valor de R$ 259.457,22, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/01/08, no valor de R$ 792.780,38. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 01 01 3/ 20 13 -3 5 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13896.901013/201335 Resolução nº 1302000.544 S1C3T2 Fl. 3 2 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que apurou saldo de IRPJ (lucro presumido) no valor de R$ 792.780,38, recolhido em Darf, em 31/01/2008. que equivocadamente informou a existência do crédito decorrente de IRPJ, no valor original de R$ 630.400,42 quando o valor correto era R$ 792.780,38. que transmitiu inicialmente dois PerDcomp, um homologado totalmente e o outro parcialmente, conforme extrato de sua impugnação, fl. 4. Em seguida, indaga: “se foi reconhecido por homologação o pagamento indevido/a maior da Requerente no montante de R$ 792.780,38, sendo utilizado desse crédito somente a quantia de R$ 396,63, sobrando um saldo remanescente de R$ 792.383,76, como esse não foi suficiente para o pagamento de um débito de R$ 227.624,30 disposto no Despacho Decisório aqui guerreado?”. Requer a reavaliação do Despacho Decisório”. A Manifestação de Inconformidade fora julgada improcedente por unanimidade de votos, como denota a ementa do Acórdão n º 02065.693 a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Os motivos invocados pela DRJ foram os seguintes, verbis: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13896.901013/201335 Resolução nº 1302000.544 S1C3T2 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão retro, a recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em síntese, o que segue: Pagamento de parte dos débitos discutidos, conforme tabela abaixo: Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13896.901013/201335 Resolução nº 1302000.544 S1C3T2 Fl. 5 4 No anocalendário de 2007, a Recorrente adotou a apuração do Imposto de Renda com base no lucro presumido trimestral, nos termos do artigo 1º da Lei nº 9.430/1996. Assim, ao final de cada período de apuração trimestral, a Recorrente apurou o recolheu o IRPJ devido, conforme estabelece a legislação em vigor. Assim, durante o anocalendário de 2007, a Recorrente sofreu diversas retenções de IRRF em todos os meses do ano, no valor total de R$ 627.962,35, tal como se infere da planilha juntada na r. decisão ora recorrida. Contudo, a Recorrente apurou e recolheu o IRPJ devido em cada trimestre do anocalendário de 2007 sem deduzir o imposto retido sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Ou seja, houve evidente recolhimento a maior de imposto em cada trimestre pela Recorrente pela falta de dedução do IRRF já retido. Por exemplo, no quarto trimestre de 2007, a Recorrente havia apurado e declarado na DCTF nº 100200720081830175278 o valor devido a título de IRPJ de R$ 792.780,38, sem a dedução do valor de IRRF de R$ 149.399,66 retido nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. Tal montante foi recolhido pela Recorrente em DARF no dia 31/01/2008. Posteriormente, a Recorrente apresentou a DIPJ nº 0831765 declarando o valor da IRPJ devida no mesmo valor de R$ 792.780,38. Contudo, apenas em 11/07/2008, a Recorrente identificou que havia deixado de deduzir, dos valores devidos a título de IRPJ em cada trimestre de 2007, o imposto retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Por conta disso, a Recorrente apresentou, em 11/07/2008, a DCTF retificadora nº 100200720081810394915 declarando o valor de IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 no montante de R$ 162.186,84 (e não mais de R$ 792.780,38). Logo em seguida, em 29/07/2008, a Recorrente também apresentou a DIPJ retificadora nº 1797536, também alterando o valor do IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 de R$ 792.780,38 para R$ 162.186,84. A diferença do montante originalmente declarado a título de IRPJ no quarto trimestre de 2007, no valor de R$ 792.780,38, e o valor efetivamente devido a título de IRPJ após a dedução do imposto de renda pago a maior durante todo o anocalendário, de R$ 162.186,84, é justamente o crédito que ora se discute, qual seja, R$ 630.593,54. De fato, considerando que a Recorrente já havia recolhido indevidamente o valor de R$ 792.780,38 em 31/01/2008, quando retificou sua DCTF e sua DIPJ em 11/07/2008 e 29/07/2008, respectivamente, para declarar o valor correto de IRPJ a pagar naquele Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13896.901013/201335 Resolução nº 1302000.544 S1C3T2 Fl. 6 5 período, após a dedução do imposto de renda pago a maior dos períodos de apuração anteriores, apurou um crédito de IRPJ no valor de R$ 630.593,54. Para não deixar dúvidas sobre os fatos, datas e valores acima descritos, cumpre transcrever o quadro elaborado pela própria decisão recorrida com todas as informações necessárias para o deslinde da questão: Tal crédito decorrente do recolhimento a maior de IRPJ no quarto trimestre do anocalendário de 2007, no montante de 630.593,54, foi utilizado para compensação de diversos débitos, originando, em razão disso, os 21 processos administrativos acima mencionados. Contudo, para surpresa da Recorrente, o V. Acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo anocalendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual reconheceu apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007. Para melhor compreensão de tal questão, foi elaborada a planilha abaixo demonstrando o IRRF retido no ano de 2007 por trimestre: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13896.901013/201335 Resolução nº 1302000.544 S1C3T2 Fl. 7 6 O fundamento utilizado pela r. decisão recorrida para não reconhecer o total do crédito de IRPJ apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2007 e compensado pela Recorrente com outros débitos foi de que: "Por óbvio, do imposto devido no 4º trimestre, cabe deduzir apenas o imposto retido na fonte sobre as receitas que integram a base de cálculo do imposto devido nesse mesmo período de apuração. É de se rejeitar, portanto, o valor do imposto de renda a pagar do 4º trimestre, retificado pela interessada, através da dedução de imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro presumido nos trimestre anteriores”. Desse modo, segundo o V. Acórdão recorrido, apenas foi possível reconhecer a dedução de IRRF referente ao 4º Trimestre de 2007 (R$ 149.399,66), uma vez que não haveria previsão legislativa para que a Recorrente abatesse do imposto a pagar no 4º Trimestre de 2007 os valores que não foram deduzidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo ano fiscal (R$ 478.562,68). É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.541, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13896.901005/201399. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.541): Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Compulsando os autos, verifico que o objeto de análise do presente recurso diz respeito ao aproveitamento do imposto de renda retido na fonte referente aos 1, 2 e 3 trimestres, que foram aproveitados para deduzir do imposto de renda devido no 4º trimestre, gerando, por conta disso, um pagamento indevido no 4 trimestre a titulo de IRPJ, o qual foi utilizado para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em períodos posteriores. O argumento utilizado pela decisão recorrida para reduzir o montante do direito creditório pleiteado pelo contribuinte foi o seguinte: “o contribuinte não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo anocalendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual deve ser reconhecido apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007." É de se concordar, em parte, com a decisão exarada, todavia, a recorrente na sua Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário faz contundente indício de prova que contabilizou e ofereceu a tributação as receitas que geraram a retenção na fonte do Imposto de Renda referente aos 1, 2 e 3 trimestres de 2007, na conformidade das planilhas abaixo: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13896.901013/201335 Resolução nº 1302000.544 S1C3T2 Fl. 8 7 EXTRATO DAS FONTES PAGADORES COM A RESPECTIVA RETENÇÃO INFORMAÇÕES CONSTANTES EM DCTF E DIPJ DEMONSTRATIVO DO IRFONTE POR PERÍODO DE APURAÇÃO Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13896.901013/201335 Resolução nº 1302000.544 S1C3T2 Fl. 9 8 Percebo que para aferir o direito de crédito pleiteado pela recorrente o processo carece de maiores esclarecimentos para a comprovação do saldo remanescente dos valores de Imposto de Renda retidos na Fonte. Assim, para dirimir o conflito, se faz necessário que o processo baixe em diligência para que a unidade preparadora realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; b) Juntar cópias das DCTF´s de todo o anocalendário de 2007; c) Confirmar o montante das retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário de 2007, bem como se as receitas que geraram a retenção na fonte a título do Imposto de Renda foram oferecidos a tributação; d) Ao final, deverá ser elaborado relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Esgotado o prazo, independentemente de resposta, retornem os autos ao Carf para prosseguimento do julgamento. e) O teor do relatório de diligência e manifestação do contribuinte, caso ocorra, deverá ser replicado nos processos administrativos abaixo numerados: PROCESSOS 13896.901009/201377 13896.901012/201391 13896.901013/201335 13896.901015/201324 13896.901018/201368 13896.901020/201337 13896.901021/201381 13896.901022/201326 13896.901025/201360 É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Barueri/SP), para que a unidade preparadora realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; b) Juntar cópias das DCTF´s de todo o anocalendário de 2007; c) Confirmar o montante das retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário de 2007, bem como se as receitas que geraram a retenção na fonte a título do Imposto de Renda foram oferecidos a tributação; d) Ao final, elaborar relatório de diligência, contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse nos autos. Esgotado o prazo, independentemente de resposta, retornem os autos ao Carf para prosseguimento do julgamento. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13896.901013/201335 Resolução nº 1302000.544 S1C3T2 Fl. 10 9 e) O teor do relatório de diligência e manifestação do contribuinte, caso ocorra, deverá ser replicado nos processos administrativos abaixo numerados: PROCESSOS 13896.901009/201377 13896.901012/201391 13896.901013/201335 13896.901015/201324 13896.901018/201368 13896.901020/201337 13896.901021/201381 13896.901022/201326 13896.901025/201360 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000057/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO.
Verificada contradição entre a ementa e a conclusão do acórdão, cabe a correspondente retificação via embargos, sem modificação quanto ao resultado do julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos modificativos, retificando a decisão para que se faça constar no Acórdão nº 2402-004.992 as alterações insertas no voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos modificativos, retificando a decisão para que se faça constar no Acórdão nº 2402-004.992 as alterações insertas no voto do Relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado FOREVER LIVING PRODUCTS BRASIL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. Verificada contradição entre a ementa e a conclusão do acórdão, cabe a correspondente retificação via embargos, sem modificação quanto ao resultado do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 00 57 /2 01 0- 36 Fl. 1829DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos modificativos, retificando a decisão para que se faça constar no Acórdão nº 2402004.992 as alterações insertas no voto do Relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 16832.000057/201036 Acórdão n.º 2402006.144 S2C4T2 Fl. 1.830 3 Relatório Tratase de alegação de contradição formulada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) face ao Acórdão nº 2402004.99 (fls. 1801/1813), exarado por esta Turma em 16/2/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Entendese por salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais a remuneração por eles auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de suas atividades por conta própria. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Assim como na relação trabalhista, também na relação previdenciária é aplicável o princípio da primazia da realidade, segundo o qual, a verdade dos fatos impera sobre qualquer contrato formal, ou seja, caso haja conflito entre o que está escrito e o que ocorre de fato, prevalece o que ocorre de fato, de sorte que sua realização no âmbito tributário ocorre com a aplicação do princípio da verdade material, o qual permite que no processo administrativo o julgador busque a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. Recurso Voluntário Provido. Os embargos de declaração foram interpostos em 7/4/2016 (fls. 1815/1818), com esteio no art. 65, § 1º, inciso III, do Anexo II do RICARF, sendo nele alegada contradição no julgado, nos seguintes termos: (...) a ementa do julgado expõe um entendimento, qual seja, a de que restou configurada a prestação de serviços dos contribuintes individuais à empresa recorrente e que, portanto, seriam devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, enquanto que a conclusão do voto condutor do aresto foi outra, no sentido de afirmar que não há prestação de serviço dos distribuidores à empresa autuada, mas desta àqueles. (grifo no original) Fl. 1831DF CARF MF 4 Mediante despacho de fls. 1821/1823, os embargos foram admitidos para apreciação pelo Colegiado. É o relatório. Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 16832.000057/201036 Acórdão n.º 2402006.144 S2C4T2 Fl. 1.831 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Havendo sido o despacho de encaminhamento dos autos do processo digital à PGFN datado de 21/3/2016 (fl. 1618), e interpostos os embargos em 7/4/2016, resta evidente sua tempestividade, ante o disposto nos arts. 65, § 1º e 79, § 2º, do Anexo II do RICARF, c/c o § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. O despacho de admissibilidade bem delineou o contexto da contradição: Compulsando o Voto condutor, em cotejo com as razões dos embargos, constatamos que, de fato, há uma contradição entre o que é dito na ementa e no Voto. Consta na ementa que a empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais a seu serviço, e que na relação previdenciária é aplicável o princípio da primazia da realidade, segundo o qual, a verdade dos fatos impera sobre qualquer contrato formal, o que leva a crer que no caso concreto teria ocorrido o fato gerador da contribuição previdenciária (pagamento de remuneração a contribuintes individuais) e a consequente obrigação da empresa pelo seu recolhimento. Contudo, segundo consta nos parágrafos 30 a 33 do Voto, aplicandose o princípio da primazia da realidade ao caso em análise, não há que se falar em exigibilidade da contribuição social previdenciária, nos seguintes termos: 30. Dessa feita, a configuração do fato gerador deve levar em consideração os elementos materiais que constituem o negócio realizado e não os registros contábeis, forma ou nomenclatura atribuída pelos particulares. 31. Com supedâneo nesse princípio significa dizer: mesmo que fosse considerada a existência de uma relação prestacional entre a empresa e os beneficiados (compradores e vendedores), mesmo assim, reiterese, o referido bônus daquela relação não decorreria, uma vez que os ditos pagamentos consubstanciamse ou decorrem de mera devolução de valores colocados sob a guarda e/ou administração da recorrente pelos distribuidores autorizados. 32. Do até aqui apontado, o que se constata dos autos é a inocorrência do fato gerador das contribuições ora exigidas, eis que em momento algum se verificou o pagamento por prestação de serviço remunerado pelos segurados, razão pela qual não deve subsistir o lançamento em análise, de sorte que não há caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária. 33. Assim, no presente caso, não há que se falar em exigibilidade da contribuição social previdenciária porque as bonificações, como já demonstrado, não têm como contrapartida prestação de serviços a Fl. 1833DF CARF MF 6 recorrente por Distribuidores/Vendedores de produtos FLP por ela fornecidos. Portanto, temse por demonstrada a contradição apontada, a qual deverá ser apreciada e sanada pela Turma. De fato, a primeira parte da ementa do julgado pareceu aterse a considerações genéricas acerca da obrigação que as empresas possuem de recolher as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais que lhe prestem serviço. No caso em apreço, entretanto, temse lançamento efetuado sobre os pagamentos efetuados pelo contribuinte sob a denominação de bônus, sendo considerado pela Turma que, face ao princípio da realidade e aos elementos colacionados aos autos, tais pagamentos não se configuravam remuneração a atrair a incidência das contribuições, como sintetizado no seguinte trecho da fundamentação do embargado, já reproduzido na referência ao despacho de admissibilidade, mas que, de qualquer sorte, merece ser revisitado: 32. Do até aqui apontado, o que se constata dos autos é a inocorrência do fato gerador das contribuições ora exigidas, eis que em momento algum se verificou o pagamento por prestação de serviço remunerado pelos segurados, razão pela qual não deve subsistir o lançamento em análise, de sorte que não há caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária. 33. Assim, no presente caso, não há que se falar em exigibilidade da contribuição social previdenciária porque as bonificações, como já demonstrado, não têm como contrapartida prestação de serviços a recorrente por Distribuidores/Vendedores de produtos FLP por ela fornecidos. Frente a esse panorama é necessário, para superar a contradição verificada, sejam efetuadas as devidas alterações, até mesmo para que a ementa reflita o entendimento do Colegiado quanto ao caso examinado. Sendo assim, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos para fins de que se procedam as seguintes modificações na ementa do Acórdão nº 2402004.992, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos: Seja excluído o seguinte trecho de ementa: SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Entendese por salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais a remuneração por eles auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de suas atividades por conta própria. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. E seja acrescido, ao final da ementa do acórdão, o seguinte trecho, naquela se incorporando: MARKETING MULTINÍVEL. BONIFICAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 16832.000057/201036 Acórdão n.º 2402006.144 S2C4T2 Fl. 1.832 7 Não restando comprovado terem os bônus pagos por empresa de marketing multinível a seus distribuidores caráter remuneratório, não incidem sobre os valores pagos a esse título contribuições previdenciárias. É o voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1835DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001008/96-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .0 01 00 8/ 96 -5 4 Fl. 559DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório O ora Recorrente foi autuado em fiscalização relacionado ao IPI, conforme processo n. 10280.001009/9617. Daí resultou a representação fiscal de fls. 12/14 que deu origem à fiscalização de IRPJ objeto do presente processo. Foram lavrados os Autos de Infração de fls. 167/177, 178/182; 183/187, 188/194 e 195/201 referentes ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF dos meses de 06/92 e 12/92 em decorrência de omissão de receita por diferença de estoque, omissão de compras e omissão de variações monetárias ativas. Em 03/04/96 a ora Recorrente apresentou Impugnação ao auto de infração relacionado ao IRPJ e outras Impugnações relacionadas às demais autuações vinculandoas à Impugnação do IRPJ em razão de decorrência. Ás fls. 245/247 a DRJ/BLM apresentou Despacho Interlocutório no qual foi proposto o encaminhamento do processo à DRF Belém para que fossem adotadas as providências de que trata o § 1° do art. 21 do Decreto n. 70.235/72 (PAF), relativamente à exigência constante do item 3 do AI, não impugnada pelo contribuinte. Tal despacho interlocutório determinou o seguinte: i) fosse confirmado junto ao IMAZON as informações constantes do documento de fls. 87/88; ii) fosse confirmada, junto ao órgão emitente, a procedência do laudo de fls. 73/86 na forma do artigo 30 do Decreto n. 70.235/72; iii) fosse informado se ocorrem em relação às empresas paradigmas, as diferenças apontadas pela autuada em sua Impugnação e reproduzidas nos incisos I a III acima, informando também sobre a equivalência quanto ao equipamento, inclusive conservação e obsolescência; quanto ao processo produtivo adotado; quanto à natureza do produto final e quanto ao mercado destinatário; iv) fossem apresentadas outras informações úteis ou necessárias ao processo, inclusive laudo na forma do art. 30 do PAF, se necessário e tendo em vista que o documento de fls. 73/86 não é conclusivo , reabrindose ao contribuinte prazo para sua manifestação, se fosse o caso. Na seqüência, o processo retornou à DRJ com as providência de que tratam o itens acima, conforme despacho de fls. 247/249 e fls. 150/287, esta última já cumprida nos autos do processo n. 10280001009/9617 conforme fls. 91/128 deste último. A resposta à diligência informa: i) que o IMAZON confirma a autenticidade do documento de fls. 232/233, conforme declaração de fls. 251 e 252; Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10280.001008/9654 Resolução nº 1201000.391 S1C2T1 Fl. 4 3 ii) que a Faculdade de Ciências Agrárias do Pará FCAP pelo documento de fls. 255, confirma que foi contratada pela autuada para prestar serviços de Levantamento de Perdas e Avaliações do Processo Produtivo Industrial de Laminados e Compensados e junta (fls. 257/274) tal relatório; iii) não existiram as perdas de que trata o documento do IMAZON (fls. 232/233) já que a autuada não apresenta laudo da autoridade fiscal certificando a destruição de bens invendáveis ou danificados (Lei. 4.506/64 art. 46), nem comprovação do estorno do ICMS correspondente (art.41 II do RICM); iv) o IMAZON afirma que o percentual de 40,4% de aproveitamento, relativo ao valor final do processamento (fls. 232/233) referese apenas à produção de lâminas, não tendo medido o rendimento até a fase de fabricação de compensado; v) não é possível identificar o produto acabado que saiu sem NF (se laminado ou compensado). Conforme fls. 279/280 foram vendidos 51,53% e 60,74% em Lâminas no 1°e no 2° semestre respectivamente. Se considerarmos saídas apenas de laminados, o índice de aproveitamento da autuada seria de 45,8%, maior que 40,4%; vi) o estudo da IMAZON na ora Recorrente alcançou a fase de fabricação de compesado; vii) o laudo da FICAP está comprometido porque não pode reconstruir as condições existentes à época dos fatos objeto da autuação, ocorridos em 1992, tendo em vista que foi preparado em 1996, ou seja, 04 anos após a ocorrência dos referidos fatos, já o estudo do IMAZON foi feito em fevereiro de 1993, próximo à época dos fatos; viii) as exportações da autuada foram quase que totalmente dirigidas à importador estrangeiro a ela vinculado (sua controladora em 1992). Já a empresa congênere, atende predominantemente o mercado externo, logicamente obedecendo às exigências daquele mercado, dirigindo seus produtos a importadores estrangeiros sem vínculo com a mesma, por isso atendendo a exigências mais rigorosas; Por fim, a Delegacia de origem afirma que não possui qualificação tpecnica necessária para avaliar a equivalência de equipamentos, ademais em 1996 já não é possível a qualquer verificação espelhar as condições do equipamento em 1992. Intimada do resultado da diligência, a ora Recorrente apresentou manifestações de fls. 288/290 e 293/294, tendo sido esta última intempestiva. Em suma, a ora Recorrente manifestase no sentido de que a autuante admite que não tem competência técnica para concluir que o índice defendido pela Recorrente está incorreto e por fim ratifica os termos da Impugnação que havia sido apresentada. Decisão DRJ/BLM Em 30/03/97 a DRJ julgou a Impugnação improcedente conforma ementa abaixo: Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10280.001008/9654 Resolução nº 1201000.391 S1C2T1 Fl. 5 4 ÍNDICE DE QUEBRAS Mantémse a exigência fundamentada na verificação de utilização do índice de quebra incompatível com a atividade, conforme constatação em empresa congênere, quando o índice em questão é defendido pela autuada com apoio em laudo inconclusivo que restou descaracterizado. OMISSÃO DE RECEITAS INDUSTRIALIZAÇÃO A PARTIR DA MATÉRIA PRIMA EM QUANTIDADE NEGATIVA Demonstrado que a autuada utilizou matéria prima "negativa", caracterizase a omissão de receita por falta de contabilização de aquisição do referido insumo. REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE MULTA A Lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao temppo de sua prática. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE IRRF SUBTRAÇÃO DE APLICAÇÃO DA LEI Conforme IN/SRF 63/97, está vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei 7.713 de 22/12/88, em relação às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do períodobase de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. PIS, COFINS e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Ao se decidir de forma exaustiva matéria tributável no lançamento principal contra pessoa jurídica, resta abrangido o lítigio quanto aos lançamentos decorrentes quando não argüida pelo contribuinte matéria nova relativamente aos reflexos. Recurso Voluntário Primeiramente, a Recorrente requer o sobrestamento do processo até o julgamento final do Processo Principal de n. 10280.001009/9617 vez que a autuação seria decorrente da suposta infração apontada no mencionado processo. Por fim, a Recorrente ratifica os termos de sua Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10280.001008/9654 Resolução nº 1201000.391 S1C2T1 Fl. 6 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os demais requisitos legais, portanto, deve ser apreciado. Introdução Após uma longa batalha jurídica na qual a ora Recorrente chegou a sofrer uma Execução Fiscal, face à inscrição do débito ora em questão em Dívida Ativa em razão da não apresentação de garantia de 30% para seguimento do Recurso Voluntário, a presente demanda finalmente chega para apresentação deste Conselho. Conforme descrito no relatório acima, a matéria em discussão nestes autos tem íntima e direta relação com o objeto do Processo Adm. n. 10280.001009/9617 que trata da autuação do IPI e que fora, de fato, o gatilho para a fiscalização e posterior autuação do IRPJ e reflexos que está sendo discutido nesses autos. Nos autos do processo administrativo n. 10280.001009/9617, o Segundo Conselho de Contribuintes através do acórdão n. 20213.345 de 17/10/01, por unanimidade de votos, deu provimento do Recurso do Contribuinte. Contudo, o relatório de mencionado acórdão traz poucas informações, conforme texto abaixo na íntegra: " O presente recurso foi apreciado em Sessão de 03 de fevereiro de 1999, ocasião em que apresentei o relatório que consta às fls. 1.754/1.756, que agora releio. O julgamento do recurso foi, naquela oportunidade, convertido em diligência, nos termos do voto então proferido às fls. 1.757/1.759, que igualmente releio. Em cumprimento à diligência determinada, vieram aos autos os Documentos de fls. 1.763/1.794, aí incluído o Relatório Técnico n° 029/2000 do Instituto Nacional de Tecnologia INT (fls. 1776/1787), cujas conclusões adiante se abordará. Às fls. 1.793/1.794, a empresa, através de sua representante nomeada, declara estar de acordo com as conclusões do referido laudo. É o relatório" Não foi possível fazer a leitura do mencionado Relatório Técnico n. 09/2000 do INT, mencionado acima, pois, tal documento não foi disponiblizado junto ao referido acórdão. Desta sorte e para fins de economia processual (evitar pedido de nova diligência à delegacia de origem para verificar fatos de um passado muito distante) , entendo que a juntada de tal relatório aos presentes autos irá colaborar de forma essencial para que esta Turma julgue a demanda posta com base nas mesmas informações que foram prestadas aos julgadores do Segundo Conselho de Contribuintes à época do julgamento do processo n. 10280.001009/9617. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10280.001008/9654 Resolução nº 1201000.391 S1C2T1 Fl. 7 6 Conclusão Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja juntada cópia integral dos processo administrativo n. 10280.001009/9617 aos presentes autos. Na seqüência, retornem os autos para julgamento. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 564DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.900433/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis/SC, que declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Versa este processo sobre Pedido de Ressarcimento (PER) nº 04843.16727.261213.1.1.105508, transmitido em 26/12/2013, de créditos da Contribuição ao PIS não cumulativa, apurados no 4º trimestre calendário de 2010, no valor de R$ 4.299.249,14. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 00 43 3/ 20 14 -1 6 Fl. 7179DF CARF MF Processo nº 10983.900433/201416 Resolução nº 3402001.366 S3C4T2 Fl. 7.180 2 Em julgamento datado de 31 de maio de 2016, a DRJ de Florianópolis/SC declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a perícia requerida pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. PIS/PASEP. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Contribuição ao PIS/Pasep e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/PASEP são somente as Fl. 7180DF CARF MF Processo nº 10983.900433/201416 Resolução nº 3402001.366 S3C4T2 Fl. 7.181 3 previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS/PASEP INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/PASEP somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. É vedado o direito a créditos da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; nos casos de isenção, quando os bens sejam revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, que são incorporadas ao produto destinado à venda durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação) dão direito a crédito na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS/Pasep. As agregadas ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PARTES E PEÇAS PARA REPOSIÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. As partes e peças de reposição aplicadas em máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, desde que as máquinas e equipamentos em que foram utilizadas sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à Fl. 7181DF CARF MF Processo nº 10983.900433/201416 Resolução nº 3402001.366 S3C4T2 Fl. 7.182 4 venda e desde que não repercutam em aumento, superior a um ano, de vida útil do bem. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No regime não cumulativo da Contribuição ao PIS/Pasep, as aquisições de combustíveis e lubrificantes geram crédito desde que tais produtos sejam diretamente utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da empresa. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS/Pasep, entretanto, desde que as máquinas e equipamentos em que são aplicados sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO COM SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, caput e § 1º, na redação dada pela Medida Provisória nº 497/2010, a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real fazia jus a créditos presumidos da Contribuição ao PIS/Pasep referentes às mercadorias adquiridas no mercado interno com a suspensão prevista no inciso II do art. 32, da mesma lei, e destinadas à revenda ou industrialização, desde que as receitas das vendas desses bens ou das vendas das mercadorias produzidas a partir deles não se sujeitassem a esta mesma suspensão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, alegando e requerendo: i) que seja reconhecida a sua inconformidade com a integralidade da não homologação pelo despacho decisório ou, subsidiariamente, seja decretada a nulidade do despacho decisório por insuficiência de fundamentação na "informação fiscal"; ii) nulidade do acórdão vergastado por ter indeferido o pedido de perícia; iii) no mérito, defende o conceito de insumo para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS com base na essencialidade do bem ou serviço ao processo produtivo; iv) com relação a cada glosa mantida pelo acórdão da DRJ, afirma que iv.1) teria direito ao crédito de bens sujeito à alíquota zero; iv.2) sobre a devolução de compras de insumo, afirma que a documentação trazida aos autos é suficiente para demonstrar seu direito; Fl. 7182DF CARF MF Processo nº 10983.900433/201416 Resolução nº 3402001.366 S3C4T2 Fl. 7.183 5 iv.3) sobre os bens e serviços não enquadrados no conceito de insumo, rebate cada uma das conclusões do acórdão recorrido (partes e peças necessárias à manutenção do parque industrial; óleos, aditivos, fluídos e graxas; pallets; suíno Fêmea Reprodução C22 Master), procurando demonstrar sua pertinência ao processo produtivo e a autorização legal para a tomada do crédito; v) quanto às notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito, alega que consistem de insumos utilizados na atividade produtiva, conforme descrição do seu processo produtivo, documentos e jurisprudência já citados; vi) no que tange ao aproveitamento de crédito extemporâneo, afirma que não promoveu o creditamento a destempo, mas apenas formalizou o reconhecimento de créditos no exato momento em que escrituradas as correspondentes notas fiscais; ademais, o óbice formal imposto pela Fiscalização ao aproveitamento não encontraria respaldo legal, podendo ocorrer o aproveitamento do crédito em meses subsequentes; vii) sobre os créditos presumidos de atividades agroindustriais, coloca que cumpriu todos os requisitos legais para sua tomada, não lhe sendo aplicável a restrição contida no artigo 34, §1º da Lei n. 12.058/2009. Depois da apresentação do recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a petição de fls 2449 a 2456, bem como a documentação que lhe sucede, com laudo por ela mesma confeccionado a respeito de seu processo produtivo e utilização dos insumos relativos aos créditos glosados, no intuito de corroborar todas as suas alegações e provas anteriormente defendidas. Assim, e tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015), propus via despacho (fls 1769) a abertura de vista dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifestasse acerca das razões e documentos apresentado pela Recorrente e assim submeter a documentação ao contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. Em sua resposta, a PFN requer o desentranhamento dos documentos juntados ao processo de modo intempestivo, com fulcro no artigo 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Outrossim, por requisição dessa relatora e deferimento da Presidência da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, foram a mim encaminhados os processos conexos ao presente, seja por se tratar da mesma matéria fática, divididos apenas por razões processuais em processos de ressarcimento de cada trimestre, e que, portanto, devem ser analisados em conjunto (PAFs 10983.900432/201463, 10983.900433/201416, 0983.900434/201452, 10983.900431/201419), seja porque versam sobre a multa isolada pela não homologação dos mesmo pedidos de ressarcimento (PAFs 11516.722404/201559; 11516.722405/201501; 11516.722402/201560 e 11516.722403/2015). É o relatório. VOTO Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. Fl. 7183DF CARF MF Processo nº 10983.900433/201416 Resolução nº 3402001.366 S3C4T2 Fl. 7.184 6 A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 21/06/2016, conforme informação de fls 2448, apresentando Recurso Voluntário em 15/07/2016. Assim, o recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. No presente processo discutese o conceito de insumo para direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS nãocumulativas. Como é consabido, nesse tipo de processo põese em pauta quais aquisições de bens e serviços são capazes de ser considerados como insumos para fins de creditamento das Contribuições sociais em questão, uma vez que a Fiscalização toma como base o conteúdo das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004. Também é de conhecimento geral que a jurisprudência desse Conselho consolidouse no sentido de que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ. Com isso, este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Tendo a Recorrente trazido aos autos vasto conjunto probatório sobre o direito que pleiteia, não cabe ao julgador desconsiderar o direito da parte, mas sim permitir que seja o processo seja devidamente trabalhado, já que as premissas utilizadas pela Fiscalização e pela DRJ são divergentes da aqui adotada. Daí sim será possível, com precisão, julgar ser ou não devida a não homologação dos créditos pleiteados no presente processo. É nesse sentido que tem entendido o CARF, como se constata, por exemplo, das Resoluções 3402000.478, 3202000.483, 3202000.480, 3101 000.371, todas referente a mesma empresa, ora Recorrente, que entenderam que as provas apresentadas pela Contribuinte mereciam aprofundamento em diligência à unidade fiscal de origem, haja vista a complexidade Fl. 7184DF CARF MF Processo nº 10983.900433/201416 Resolução nº 3402001.366 S3C4T2 Fl. 7.185 7 de seu processo produtivo e a enormidade de glosas perpetradas pela fiscalização. Todos os processos abarcados pelas referidas resoluções foram posteriormente julgados por este Colegiado, em decisões com embasamento fático incontestável, da lavra do Conselheiro Waldir Navarro. Também assim procedeu recentemente este Colegiado, ao converter em diligência o julgamento de caso análogo ao presente, por meio da Resolução n. 3402001.100, bem como na Resolução n. 3402001.258 (esta última de minha relatoria, referente à mesma empresa ora Recorrente, votada em fevereiro de 2018) Dessarte, havendo indícios contundentes sobre o direito da Recorrente, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim de que: i) elabore, com base nos elementos constantes nesses autos, um parecer conclusivo que possibilite identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou serviço no processo produtivo da Recorrente; ii) o referido parecer deverá ser elaborado acompanhado de uma planilha que segregue os bens e serviços considerados pela Recorrente sob os seguintes critérios: a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa, utilizando o conceito de custo de produção (artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99); b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano) e sua eventual incorporação ao ativo imobilizado; c) contato direto com o produto em fabricação; d) agregação ao produto final; e) utilização direta em máquinas ou equipamentos do processo industrial; iii) também no referido parecer devem constar as informações a respeito do crédito aproveitado extemporaneamente pela Recorrente (indicação de que houve escrituração de créditos extemporâneos e prova de que tais créditos existem e não foram utilizados em períodos anteriores), aferindo sua validade, independentemente de retificações do DACON; iv) ato contínuo, dê ciência desse parecer à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Recorrente, abrindolhes prazo regulamentar para manifestação, e; v) Finalmente, devolva o processo para esta 2ª TO/4ª C/3ª S/CARF, para prosseguimento do julgamento. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 7185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.005044/2002-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 24/08/2000 a 24/08/2001
LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO POR ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade julgadora administrativa o afastamento, por ilegalidade e/ou inconstitucionalidade, de normas da legislação tributária vigente.
APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA
Devido à sua estrita vinculação à legislação, quando ela (legislação) não dá margem a discricionariedade, a autoridade administrativa não pode aplicar os princípios da capacidade contributiva e da razoabilidade, nem analisar a possibilidade de afastála (legislação) por eventual infração desses princípios.
SUJEITO PASSIVO
O contribuinte e conseqüentemente sujeito passivo contra o qual devem ser exigidos as multas e os tributos relativos à importação é o importador, indicado e qualificado no campo próprio do SISCOMEX, ainda que proceda a importação por conta e ordem de terceiros.
RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. DESPACHANTE ORDENADOR. CO-PROPRIETÁRIO OCULTO DAS MERCADORIAS
O despachante aduaneiro e seu ajudante estão proibidos de efetuar, em nome próprio ou no de terceiro, importações com a finalidade de comercialização interna de mercadorias estrangeiras, mas se violarem essa proibição cabe a exigência contra eles dos tributos e multas das operações de importação, concomitantemente com as penalidades próprias que lhes são aplicáveis.
O despachante aduaneiro e seu ajudante são responsáveis solidários com o importador, a quem tenham ordenado que procedesse a importação, pelos tributos e multas exigidos dele (importador).
O co-proprietário oculto das mercadorias 6, também, responsável solidário com o importador.
FRAUDE E SUBFATURAMENTO
Constitui fraude a falsa indicação da origem dos vestuários importados.
Constitui subfaturamento a apresentação de valores vis nas faturas comerciais referentes à mercadoria importada.
Afastada a aplicação do art. 1 2 do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio - GATT 1994 determina-se o valor aduaneiro seguindo-se as disposições dos artigos subseqüentes (2 2 a 72) do referido Acordo.
VALOR ADUANEIRO - DISCUSSÃO
A discussão do valor aduaneiro é direito privativo do importador, assim a lei não obriga a administração a discutir aspectos da valoração com outros interessados, ainda que solidários passivos.
O valor aduaneiro, após o desembaraço, pode ser discutido tanto na fase em que a fiscalização está procedendo a revisão aduaneira (caso o agente fiscal julgue conveniente) quanto na impugnação do lançamento.
BASE DE CÁLCULO Alterada a base de cálculo do II, por mudança no valor aduaneiro torna-se exigível a diferença do II, resultante desse ato.
MULTA AGRAVADA DO II Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de oficio do II.
MULTA POR SUBFATURAMENTO Verificado que consta nas faturas comerciais valores irrisórios para as mercadorias é aplicável a multa por subfaturamento.
Numero da decisão: 3201-003.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Verificou-se que não consta nos autos recurso de ofício. Processo julgado em sessão do dia 19/04/2018, no período da tarde.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza; Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 24/08/2000 a 24/08/2001 LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO POR ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade julgadora administrativa o afastamento, por ilegalidade e/ou inconstitucionalidade, de normas da legislação tributária vigente. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Devido à sua estrita vinculação à legislação, quando ela (legislação) não dá margem a discricionariedade, a autoridade administrativa não pode aplicar os princípios da capacidade contributiva e da razoabilidade, nem analisar a possibilidade de afastála (legislação) por eventual infração desses princípios. SUJEITO PASSIVO O contribuinte e conseqüentemente sujeito passivo contra o qual devem ser exigidos as multas e os tributos relativos à importação é o importador, indicado e qualificado no campo próprio do SISCOMEX, ainda que proceda a importação por conta e ordem de terceiros. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. DESPACHANTE ORDENADOR. CO PROPRIETÁRIO OCULTO DAS MERCADORIAS O despachante aduaneiro e seu ajudante estão proibidos de efetuar, em nome próprio ou no de terceiro, importações com a finalidade de comercialização interna de mercadorias estrangeiras, mas se violarem essa proibição cabe a exigência contra eles dos tributos e multas das operações de importação, concomitantemente com as penalidades próprias que lhes são aplicáveis. O despachante aduaneiro e seu ajudante são responsáveis solidários com o importador, a quem tenham ordenado que procedesse a importação, pelos tributos e multas exigidos dele (importador). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 50 44 /2 00 2- 16 Fl. 3514DF CARF MF 2 O coproprietário oculto das mercadorias 6, também, responsável solidário com o importador. FRAUDE E SUBFATURAMENTO Constitui fraude a falsa indicação da origem dos vestuários importados. Constitui subfaturamento a apresentação de valores vis nas faturas comerciais referentes à mercadoria importada. Afastada a aplicação do art. 1 2 do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994 determinase o valor aduaneiro seguindose as disposições dos artigos subseqüentes (2 2 a 72) do referido Acordo. VALOR ADUANEIRO DISCUSSÃO A discussão do valor aduaneiro é direito privativo do importador, assim a lei não obriga a administração a discutir aspectos da valoração com outros interessados, ainda que solidários passivos. O valor aduaneiro, após o desembaraço, pode ser discutido tanto na fase em que a fiscalização está procedendo a revisão aduaneira (caso o agente fiscal julgue conveniente) quanto na impugnação do lançamento. BASE DE CÁLCULO Alterada a base de cálculo do II, por mudança no valor aduaneiro tornase exigível a diferença do II, resultante desse ato. MULTA AGRAVADA DO II Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de oficio do II. MULTA POR SUBFATURAMENTO Verificado que consta nas faturas comerciais valores irrisórios para as mercadorias é aplicável a multa por subfaturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Verificouse que não consta nos autos recurso de ofício. Processo julgado em sessão do dia 19/04/2018, no período da tarde. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza; Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício apresentado em face do acórdão nº 4.491, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que assim relatou o feito: Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.515 3 Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 04 a 112 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências, contra a contribuinte VIA SUL Comércio e Representações Ltda. e as responsáveis solidárias JA&A Serviços de Comércio Exterior Ltda. e Importa Assessoria em Comércio Exterior Ltda., devidamente qualificadas h fl. 04: a) Imposto de Importação (II) no valor de R$ 3.439.524,92 (três milhões quatrocentos e trinta e nove mil quinhentos e vinte e quatro reais e noventa e dois centavos); b) multa agravada do II, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) do imposto devido, nos termos do art. 44, H, da Lei n2 9.430 de 27/12/1996 DOU 30/12/1996 (fl. 73), no valor de R$ 5.159.287,38 (cinco milhões cento e cinqüenta e nove mil duzentos e oitenta e sete reais e trinta e oito centavos); c) multa por infração administrativa ao controle das importações subfaturar o preço ou valor da mercadoria, nos termos do art. 169, II do Decretolei n 2 37 de 18/11/1966 DOU 21/11/1966 (fl. 95), no valor de R$ 13.679.636,82 (treze milhões seiscentos e setenta e nove mil seiscentos e trinta e seis reais e oitenta e dois centavos), no percentual de 100% da diferença; d) juros de mora. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 05 a 31 em ato de revisão das Declarações de Importação (DI) listadas à fl. 05, referentes importações de confecções e tecidos, constatouse que os preços declarados eram baixíssimos e nelas (importações) sempre constava como empresas exportadoras MADILER S/A e NIVERWAY do Uruguai sendo que JA&A, empresa de despacho aduaneiro, atuava como verdadeira importadora. Consta, ainda, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal resumidamente, o seguinte: 1 houve diversos artificios utilizados nas importações, tais como, ausência de registro das importações na aduana uruguaia, falsidade quanto à origem das mercadorias, subvaloração dos itens importados, fechamento de câmbio sem contrato através da corretora SLW, ocultação do verdadeiro importador, etc. Em suma, JA&A mediante o emprego de interposta pessoa (VIA SUL), a quem determinava para quem seriam emitidas as notas fiscais de saída (fls. 153/154), procurou encobrir a negociação e comercialização interna dos produtos importados. Além do mais, os preços declarados eram muito abaixo dos de outras importações semelhantes; 2 o importador ludibriou os controles disponíveis no SISCOMEX, que objetivam, entre outros aspectos, identificar distorções nos valores declarados, valendose da artimanha de declarar no campo referente à "unidade estatística" o preço referente a "dúzia" da mercadoria, quando o sistema especifica Fl. 3516DF CARF MF 4 que para as NCM de confecções devese utilizar a "unidade". A alegação de falta de prática não foi acatada pela fiscalização tendo em vista que o despachante aduaneiro Nilson Gamper, responsável pelo registro das DI junto ao SISCOMEX possui larga experiência; 3 em termo de Declaração e Intimação n2 060/02 o sócio gerente da VIA SUL, até abril/02, Sérgio de Almeida Coelho, RG n2 4/R1203548 e CPF n2 559.231.19900 foi procurado pelo sr. Alencar da Cruz Natário Filho, sócio da comissária de despachos aduaneiros JA&A propondo que VIA SUL nacionalizasse artigos de confecção e tecidos. Para tanto, propôs pagarlhe um porcentual do valor declarado para as mercadorias, garantindo, entretanto, um valor mínimo de US$ 1,000.00 (fl. 153) por operação; 4 o sr. Alencar informou que as importações se dariam pelo Porto de São Francisco do Sul SC e que o despachante indicado pela JA&A seria o sr. Nilson Ricardo Gamper de CPF n2 451.738.18972. Os tributos aduaneiros seriam debitados em contas correntes indicadas nas declarações de importação pelo Sr. Gamper quando do registro das mesmas. As despesas acessórias referentes A liberação dos conhecimentos de carga, também eram assumidas pelo Sr. Gamper em nome da JA&A, não tendo a VIA SUL qualquer envolvimento no fluxo operacional e financeiro das importações, pois apenas alugava o nome da empresa para que o sr. Alencar realizasse as suas operações, inclusive as de liquidação de contrato de câmbio através da corretora SLW; 5 a VIA SUL foi intimada a apresentar vários documentos, conforme fls. 154/155, a fim de que a fiscalização pudesse fazer as verificações de praxe. Deixou de apresentar a maioria deles; 6 aprofundando as investigações a fiscalização chegou ao Sr. Arthur dos Santos Neto CPF n2 263.697.45804, sócio da empresa Importa Assessoria em Comercio Exterior, CNPJ n2 44.983.773/000100, também proibida de importar, que tinha estreita relação com o Sr. Alencar sendo, inclusive, proprietário de 62 (sessenta e dois) containeres, conforme documentos de fls. 261 a 267, apresentados pela Camisaria Colombo; 7 foram obtidos documentos, anexados As fls. 231 a 243, que comprovam que a Madiler do Uruguai, uma das exportadoras, é 100% (cem por cento) de propriedade do Sr. Alencar. A fl. 244 consta outro documento que 100% (cem por cento) da Niverway, também pertence ao Sr. Alencar; 8 relativamente As importações de confecções realizadas no ano 2000 pela VIA SUL existe falsidade quanto ao pais de origem, declarados como se fossem dos Estados Unidos. A Sara Lee Export. mencionada como sendo a fabricante das mercadorias, conforme documentos de fls. 750 a 759 declarou que não realizou qualquer negociação com a Madiler; 9 considerandose a falta de veracidade das declarações prestadas nas DI listadas A. fl. 05 ficou prejudicada a aplicação do primeiro método do art. 1 2 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT; Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.516 5 6 foi aplicado o artigo 72 do AVA na determinação do valor aduaneiro, diante da impossibilidade de se aplicar os artigos anteriores (procede A análise de fraude, subfaturamento, solidariedade e outras ocorrências que entendeu haver no presente caso). Lavrado o auto de infração em tela foram intimadas a contribuinte em 18/06/2003 (fl. 760) e as responsáveis solidárias, JA&A (fl. 761) e Importa Assessoria em Comércio Exterior Ltda (fl. 762) que ingressaram com as impugnações de fls. 766 a 824 (Importa Assessoria), 837 a 889 (JA&A) e 909 a 920 (Via Sul) que foram consideradas tempestivas pela chefe da SECAT da Alfandega do Porto de Vitória, conforme documento de fl. 985. Apresentase a seguir um resumo das impugnações: IMPUGNAÇÃO DA IMPORTA ACESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. (fls. 766 a 824) a impugnante foi considerada solidária, mas a autoridade fiscal não cita os dispositivos legais que embasariam essa consideração, o que já demonstra ilegalidade quanto capitulação, pois não ha prova nem base jurídica para a manutenção dessa pretensa solidariedade; a IMPORTA Acessoria em Comércio Exterior Ltda., ou seus sócios (sr. Artur Santos Neto) não estão citados direta, ou indiretamente nas 53 (cinqüenta e três) Declarações de Importações ou quaisquer outros documentos referentes a essas importações; os Auditores Fiscais às fls. 12 declaram, de forma estranhavel, que as mercadorias no exterior era de propriedade do sr. Artur Santos Neto. De se salientar que a prova formal de propriedade é feita mediante o Conhecimento de Carga, de acordo com o art. 575 e seguintes do Código Comercial, art. 46 do Decretolei n 2 37/1966 e arts. 494 a 496 do Regulamento Aduaneiro (RA), instituído pelo Decreto e 4.543/2002 (transcreve à fl. 771 referidos arts. do RA); ademais nos documentos constantes as fls. 249 a 252 não contém nenhuma afirmação peremptória de que a defendente é ou seria a proprietária das mercadorias cobertas pelas Declarações de Importação relacionadas no auto de infração. Ao final desse documento afirma que os bens são da Camisaria Colombo Ltda., não havendo citação de qualquer documento oficial ou legal probatória da suposta propriedade. 0 documento de fl. 261 é falso material e ideologicamente, pois o sr. Artur jamais outorgou procuração para que alguém assinasse tal tipo de documento; a requerente, por si ou por seus sócios não importou nem formalizou qualquer Declaração de Importação das litigadas, nem participou de qualquer operação de natureza fiscal, cambial, financeira, ou mesmo como despachante aduaneiro ou Fl. 3518DF CARF MF 6 empresa comissária de despachos aduaneiros. A autuada jamais manteve contato com a empresa VIA SUL Comércio e Representações Ltda., então como poderia ser considerada responsável solidária? Isso afronta qualquer principio de Direito Tributário e subverte a ordem e os valores do ordenamento jurídico existente (As fl. 787 a 791 procede a argumentação de que não consta o nome da defendente nos processos administrativos mencionados pela fiscalização as fls. 07 a 12 e outras análises que visam descaracterizar a sua responsabilidade solidaria, pretendida pela fiscalização); no que concerne ao subfaturamento existem numerosas decisões e acórdãos no sentido de que a fraude deve ser inequivocamente comprovada (cita Acórdão do CSRF, Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis e apresenta números de decisões de diversos acórdãos ás fls. 777/778. Cita, também Roosevelt Baldomir Sosa); ninguém pode ser punido por presunção, dedução ou interpretação extensiva ou analógica, mormente quando se está em face a um despojamento do patrimônio da empresa de modo absurdo, desproporcional, irrazoável, ilegal e de forma confiscatória, violando o art. 52, IV da Constituição Federal vigente (apresenta exposição do principio da razoabilidade As fls. 795 a 797 e A fls. 797 a 800 a tese de que ocorreu violação ao principio da capacidade contributiva, do contraditório e do devido processo legal); a fiscalização não demonstrou a metodologia utilizada relativamente aos aspectos merceológicos das mercadorias importadas, não foram juntadas cópias das DI comparadas e nem se teceu trabalho positivo que ensejasse A autuada uma contestação plena dos resultados do procedimento. Alguns delegados tem considerado nulos tais tipos de autuação (apresenta As fls. 782/783 trecho de Decisão, exarada pelo Delegado da DRJ/FNS e fl. 783 números de acórdãos do Egrégio Terceiro conselho de Contribuintes). No Direito Tributário o principio vigente é o da tipicidade fechada e os processos de exigência e determinação de créditos tributários deverão obedecer os ritos e formas prescritos em lei, como é o caso da valoração de preços de mercadorias importadas (GATT 94 introduzido na legislação brasileira pelo Decreto n2 1.355 de 30/12/1994); tentase, por absurdo, cobrar da autuada como solidária, multa por suposta falta de Licença de Importação, não se havendo comprovado que ela praticou a infração do art. 169 do Decretolei n2 37/1966. Ademais o art. 124, II do CTN expressamente explica que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei e as comissárias de despacho não estão expressamente designadas como solidárias no pagamento do II e do IPI (procede As fls. 802 a 807 um estudo sobre a solidariedade tributária com base nos arts. 123, 124, 135 e 136 do CTN. As fls. 808 a 819 procede o Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.517 7 combate individualizado dos vários documentos juntados aos autos). As fls. 819 a 823 procede a conclusão das argumentações colocadas em sua impugnação. Pede que se julgue improcedente e insubsistente a ação fiscal retirandoa do pólo passivo da exigência tributária, quer na qualidade de solidária, quer na de qualquer outra. IMPUGNAÇÃO DA JA&A (fls. 837 a 889) Produz argumentação semelhante A da IMPORTA Acessoria em Comércio Exterior Ltda.Procedendo As fls. 869 a 887 a análise individualizada dos documentos juntados pela fiscalização As fls. 887 a 889 procede a conclusão das argumentações colocadas em sua impugnação. Pede que se julgue improcedente e insubsistente a ação fiscal retirandoa do pólo passivo da exigência tributária, quer na qualidade de solidária, quer na de qualquer outra. IMPUGNAÇÃO DA VIA SUL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. (fls. 908 a 920) recebeu com surpresa a autuação, haja vista que sequer atuou como participante efetiva das negociações referentes As DI listadas pela fiscalização, somente intervindo por contratação da empresa JA&A Serviços de Comércio Exterior Ltda. e sob as ordens desta; no que se refere A imputação As autuadas de prática de subfaturamento nas importações, pela leitura dos textos apresentados pela fiscalização depreendese que são acusações vagas e imprecisas, dissociadas de qualquer substrato probatório conclusivo, tendo por única finalidade o interesse de punir; as multas aplicadas são inconstitucionais por terem cat Ater confiscatório (transcreve trecho de Leandro Paulsen à fl. 916 e ementa do STF A fl. 917); Pede A fl. 935 que as intimações sejam feitas ao seu advogado Roberto Antonio de Souza OAB/SC n2 11.629, A Avenida do Estado n2 3.550, 1 2 andar, centro, Balneário CamboriU/SC. Pede, finalmente, o provimento da impugnação e a extinção do presente processo. TVF fls. 11 Após exame das Impugnações (IMPORTA ACESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR, fls. 1536 a 1651; JA&A, fls. 1.678 a 1.782; e VIA SUL, fls. 1.821 a 1.845, todas do eprocesso) apresentadas pelos Contribuintes, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Fl. 3520DF CARF MF 8 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/08/2000 a 24/08/2001 Ementa: LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO POR ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade julgadora administrativa o afastamento, por ilegalidade e/ou inconstitucionalidade, de normas da legislação tributária vigente. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Devido à sua estrita vinculação à legislação, quando ela (legislação) não dá margem a discricionariedade, a autoridade administrativa não pode aplicar os princípios da capacidade contributiva e da razoabilidade, nem analisar a possibilidade de afastála (legislação) por eventual infração desses princípios. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 24/08/2000 a 24/08/2001 Ementa: SUJEITO PASSIVO 0 contribuinte e conseqüentemente sujeito passivo contra o qual devem ser exigidos as multas e os tributos relativos à importação é o importador, indicado e qualificado no campo próprio do SISCOMEX, ainda que proceda a importação por conta e ordem de terceiros. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. DESPACHANTE ORDENADOR. COPROPRIETÁRIO OCULTO DAS MERCADORIAS 0 despachante aduaneiro e seu ajudante estão proibidos de efetuar, em nome próprio ou no de terceiro, importações com a finalidade de comercialização interna de mercadorias estrangeiras, mas se violarem essa proibição cabe a exigência contra eles dos tributos e multas das operações de importação, concomitantemente com as penalidades próprias que lhes são aplicáveis. O despachante aduaneiro e seu ajudante são responsáveis solidários com o importador, a quem tenham ordenado que procedesse a importação, pelos tributos e multas exigidos dele (importador). O coproprietário oculto das mercadorias 6, também, responsável solidário com o importador. FRAUDE E SUBFATURAMENTO Constitui fraude a falsa indicação da origem dos vestuários importados. Constitui subfaturamento a apresentação de valores vis nas faturas comerciais referentes à mercadoria importada. Afastada a aplicação do art. 1 2 do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994 determinase o valor aduaneiro seguindose as disposições dos artigos subseqüentes (2 2 a 72) do referido Acordo. • VALOR ADUANEIRO DISCUSSÃO A discussão do valor aduaneiro é direito privativo do importador, assim a lei não Fl. 3521DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.518 9 obriga a administração a discutir aspectos da valoração com outros interessados, ainda que solidários passivos. O valor aduaneiro, após o desembaraço, pode ser discutido tanto na fase em que a fiscalização está procedendo a revisão aduaneira (caso o agente fiscal julgue conveniente) quanto na impugnação do lançamento. Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 24/08/2000 a 24/08/2001 Ementa: BASE DE CÁLCULO Alterada a base de cálculo do II, por mudança no valor aduaneiro tornase exigível a diferença do II, resultante desse ato. MULTA AGRAVADA DO II Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de oficio do II. MULTA POR SUBFATURAMENTO Verificado que consta nas faturas comerciais valores irrisórios para as mercadorias é aplicável a multa por subfaturamento. Lançamento Procedente Inconformados, os Contribuintes apresentaram Recursos Voluntários (VIA SUL, fls. 2.075 a 2.105; JA&A, fls. 2.109 a 2.171; IMPORTA ACESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR, fls. 2.179 a 2.265; e todas do eprocesso) reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. A Contribuinte IMPORTA ACESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR, por meio da petição de fls. 2.431 e seguintes (eprocesso), ainda apresentou "Razões adicionais de Recurso e Apresentação de Novas Provas". Quanto a tais documentos e alegações, a PGFN manifestouse por sua intempestividade, requerendo o seu não conhecimento (fls. 2.686 eprocesso) Em primeira análise do feito pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o feito foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 303 01.385, de 04 de dezembro de 2007 (fls. 2.738 e seguintes eprocesso), nos seguintes termos: O saneamento processual que aqui se propõe, requer a conversão do presente julgamento em diligência à repartição de origem para que: 1. A autoridade aduaneira promova a intimação de todas as empresas autuadas, postas no mesmo pólo passivo da relação jurídica tributária, para tomar ciência das irregularidades constatadas na investigação fiscal de modo a colocar o valor de transação declarado sob suspeita da autoridade aduaneira. Deve ser concedido prazo para que os interessados possam manifestar suas contrarazões, apresentar os documentos ou informações que a fiscalização julgar pertinentes, bem como aqueles outros que as partes, a seus critérios, considerem válidos a elucidar a validade do valor de transação praticado nas operações de compra e venda internacional que originaram as importações Fl. 3522DF CARF MF 10 sob exame, ou alternativamente, possam ser úteis à escolha do eventualmente necessário método de valoração substitutivo. 2. Também se deve requerer das autuadas, em face da possibilidade de não acatamento motivado das contrarazões que vierem a ser apresentadas, com eventual confirmação motivada do descarte do valor de transação declarado, que especifiquem detalhadamente as contestações que porventura tiverem quanto aos paradigmas de importação que foram descritos nos presentes autos com suporte em dados obtidos no SISCOMEX, ou forem eventualmente colhidos em novas DI's paradigmas, que vierem ainda a ser considerados, e necessariamente levados ao oportuno conhecimento das empresas autuadas, para que possam exercer seu direito de contraditório. 3. Depois de obtidas as respostas dos interessados ou, na ausência delas dentro do prazo legal a ser concedido, deve a autoridade fiscal aduaneira apresentar suas conclusões finais de modo a especificar se é o caso de insistir no abandono do primeiro método de avaliação, e neste caso, justificar o método substitutivo a ser adotado bem como o valor aduaneiro finalmente definido, expondo seus fundamentos Pelo exposto voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência à repartição de origem para as providências acima discriminadas. Por conseguinte, foi elaborado, pela Autoridade de Origem, Termo de Intimação, encaminhados aos Contribuintes e Responsáveis Solidários pelos correios, com Aviso de Recebimento. Após as respostas apresentadas, foi elaborado pela Autoridade Fiscal o Relatório de fls. 3.453 e seguintes (eprocesso), reforçando o lançamento fiscal e aduzindo que as partes não se manifestaram quanto ao objeto específico da diligência, qual seja, a valoração aduaneira. Após, os autos retornaram a este CARF e a mim redistribuídos por sorteio. Em primeira análise do feito, esta Turma deliberou pela realização de diligência saneadora para que a Autoridade Preparadora identificasse se foi realizada a devida intimação dos Sujeitos Passivos VIA SUL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. e SERGIO DE ALMEIDA COELHO, conforme Resolução nº 30301.385, de 04 de dezembro de 2007 (fls. 2.738 e seguintes eprocesso). E, caso não tenha ocorrido, que fosse feita nos exatos termos do art. 23 do DecretoLei nº 70.231/72. Os autos retornaram de diligência com a seguinte resposta: Promovemos a intimação dos sujeitos passivos neste processo, na pessoa de SÉRGIO DE ALMEIDA COELHO (fls. 3482) e para a empresa VIA SUL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA (fls. 3483), em virtude da ausência de informações que assegurassem a realização de cientificação (à época em que foram intimados), em conformidade com a Resolução nº 303 01.385, DE 04/12/2007. Fl. 3523DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.519 11 Destacamos que um dos contribuintes recusouse a receber a intimação, conforme assinalamento do agente responsável pela entrega dos correios, enquanto que o outro teve mudança de endereço sem a devida atualização na base da RFB, o que ensejou nos a publicação de Editais. Isto posto, como encaminhamento, ao CARF/DF para conhecimento e julgamento do recurso. Deste modo, saneadas as possíveis ausências de intimação, os autos foram remetidos para efetivo julgamento do feito. É o relatório. Voto ConselheiraTatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Na hipótese dos autos, notase que os Contribuintes Recorrentes limitaram se, em sede de Recurso Voluntário, a reescrever a impugnação apresentada. Ainda que o presente feito tenha sido baixado em diligência por este CARF, o Contribuinte nada acrescentou no sentido de reforçar a tese de defesa apresentada. Dispõe o § 3º do art 57 do RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a Fl. 3524DF CARF MF 12 segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Com efeito, entendo que a decisão proferida pela DRJ, em primeira instância, analisou adequadamente o feito, aplicandolhe o melhor direito à espécie, razão pela qual, com fulcro no dispositivo transcrito, confirmo a adoção da decisão recorrida. Transcrevo: Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade do processo e conhecimento da impugnação procedese a fundamentação e o voto. As impugnações tem vários pontos comuns no que concerne As teses das defesas. Em vários aspectos uma impugnação apenas procede a complementação da outra, assim, elas serão fundamentadas conjuntamente analisandose as defesas como um todo, embora, quando conveniente se aponte quem foi a impugnante. A IMPORTA Acessoria em Comércio Exterior Ltda. e JA&A Serviços de Comércio Exterior Ltda. alegam que foram consideradas solidárias, mas a autoridade fiscal não cita os dispositivos legais que embasariam essa consideração, o que já demonstra ilegalidade quanto A capitulação, pois não há prova nem base jurídica para a manutenção dessa pretensa solidariedade. Enganamse as peticionárias, os dispositivos legais referentes A solidariedade estão devidamente expostos As fls. 27 a 29, onde estão citados os arts. 121, 123, 124, 135 e 136 do CTN, além do art. 95 do Decretolei n2 37/1966 que constitui a base legal do art. 500 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n 2 91.030 de 05103/1985 DOU 11/03/1985 (antigo). A requerente alega, ainda, que a IMPORTA Acessmia em Comércio Exterior Ltda., ou seus sócios (sr. Artur Santos Neto) não estão citados direta, ou indiretamente nas 53 (cinqüenta e três) Declarações de Importações ou quaisquer outros documentos referentes a essas importações. Ora, o que a fiscalização procura demonstrar é que exatamente essa falta de citação constitui hábil manobra para ocultar os verdadeiros importadores, Importa Assessoria e JA&A que são comissárias de despachos, proibidas de importar mercadorias para comercialização, devido aos termos do art. 10, I do Decreto n 2 646 de 09/09/1992 DOU de 10/09/1992, in verbis: Art. 10. É vedado ao despachante aduaneiro e ao ajudante de despachante aduaneiro: I efetuar, em nome próprio ou no de terceiro, exportação ou importação de quaisquer mercadorias ou exercer comércio interno de mercadorias estrangeiras; II exercer cargo público, exceto nos casos previstos em lei. Fl. 3525DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.520 13 Parágrafo único. Excluemse da proibição do inciso I os bens que se destinem ao uso próprio do despachante ou do ajudante de despachante aduaneiro. Quanto as figuras de contribuinte e responsáveis solidários os arts. 77, 80, 81 e 82 do Regulamento Aduaneiro (RA) aprovado pelo Decreto n2 91.030 de 05/03/1985 DOU 11/03/1985, revogado pelo Decreto n 2 4.543, de 26/12/2002 — DOU 27/12/2002 que regulamenta a administração das atividades aduaneiras e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior, dispõe, in verbis: Art. 77. Sujeito passivo da obrigação tributária principal é a pessoa obrigada ao pagamento do imposto ou penalidade pecuniária, e dizse (Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 121): I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de expressa disposição de lei. Art. 80. É contribuinte do imposto: I de importação (DecretoLei n°37/66, art. 31): a) o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; b) (..) Art. 81. Sao responsáveis pelo imposto e multas cabíveis: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, como tal designado todo aquele incumbido da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro; outras pessoas expressamente indicadas na legislação vigente. Art. 82. Sao responsáveis solidários: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto (DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, art. 32. e DecretoLei n° 2.472, de 1° de setembro de 1988, art. 1°); Ii o expedidor, o Operador de Transporte Mull/modal ou qualquer subcontratada para a realização do transporte multimodal (Lei n° 9.611, de 1998, art. 28); III outros, que a legislação assim designar. (grifos acrescidos) Fl. 3526DF CARF MF 14 Notese que o RA antigo não fazia distinção entre a figura do importador que realizava o ato para si ou por conta e ordem de terceiros, ou seja, tanto um quanto outro sempre assumia as obrigações próprias dos contribuintes (importador). 0 atual Decreto n 2 4.543/2002 que revogou o antigo RA e Regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior, em seus arts. 103, 104 e 105 dispõe, in verbis: Art. 103. É contribuinte do imposto (Decretolei n° 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472, de 1988, art. 1°): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; II o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente; e III o adquirente de mercadoria entrepostada. Art. 104. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno (Decretolei n° 37, de 1966, art. 32, inciso I, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472, de 1988, art. 10); 11 o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custodia de mercadoria sob controle aduaneiro (Decretolei n° 37, de 1966, art. 32, inciso II, com a redação dada pelo Decretolei n0 2.472 de 1988, art. .1°); ou III qualquer outra pessoa que a lei assim designar. Art. 105. É responsável solidário: I o adquirente ou o cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto (Decretolei n° 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, inciso I, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 77); li o representante, no Pais, do transportador estrangeiro (Decretolei n° 37, de 1966, art. 32, parágrafo ú nico, inciso II, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 77); III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Decretolei n° 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, inciso III, com a redação dada pela Medida Provisória n0 2.15835, de 2001, art. 77); IV o expedidor, o operador de transporte multimodal ou qualquer subcontratado para a realização do transporte multimodal (Lei n0 9.611, de 19 de fevereiro de 1998, art. 28); e V qualquer outra pessoa que a lei assim designar. Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.521 15 § 1° A Secretaria da Receita Federal poderá (Medida Provisória 2.15835, de 2001, art. 80): 1 estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa j urídica importadora por conta e ordem de terceiro; e Ii exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio liquido do importador ou do adquirente. § 20 A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto no inciso III e no 11 12 deste artigo (Medida Provisória n° 66, de 2002, art. 29). (grifos acrescidos) Observase pelos artigos transcritos do Decreto ng 4.543/2002 que a legislação atual, igualmente, não exclui a figura do importador como contribuinte, ainda que ele proceda a importação por conta e ordem de terceiros, apenas indica esses terceiros como responsáveis solidários, embora essa solidariedade já pudesse ser depreendida a partir do art. 124 do Código Tributário Nacional. Relativamente A. solidariedade e responsabilidade pessoal dos praticantes de atos ilícitos os arts. 124, I e 135, do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe, in verbis: Art.124 Sao solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; iii os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifos acrescidos) Sobre a solidariedade, interessante transcrever trecho de comentário constante do livro "Direito Tributário", de Leandro Paulsen, 2 edição, pág. 124, in verbis: Presunção de solidariedade. "No direito tributário toda divida semi solidária, desde que alcance duas ou mais pessoas, como conseqüência do pressuposto de fato que dá origem ci respectiva obrigação. Isto resulta da própria natureza ex lege da obrigação tributária. Esta solidariedade se estabelece sem Fl. 3528DF CARF MF 16 necessidade de que a lei o dita expressamente. (..) Assim, no direito tributário não vige a regra de que a solidariedade não se presume. No direito tributário toda divida que alcança duas ou mais pessoas é solidária, salvo disposição de lei em contrário. A regra que predomina na obrigação tributária, em relação el solidariedade, é inversa: presumese a solidariedade, caso a lei silencie." (Bernardo Ribeiro de Moraes, Compêndio de Direito Tributário, segundo volume, 3a edição, 1995, pp. 303/304) (grifos acrescidos) Sobre responsabilidade pessoal Leandro Paulsen no mesmo livro já citado consigna à pág. 135: "Se, e somente se, os dirigentes, controladores ou representantes das empresas houverem agido de modo estritamente ilícito no trato da matéria em questão, afrontando a lei, o contrato social ou estatuto cometendo fraudes ou sonegação fiscal em termos claros e estritos serão eles igualmente responsáveis por tais débitos. Para isso, ao autuar a sociedade, o credor tributário deve necessariamente estender a autuação a seus dirigentes, se sinais houver desde key desses ilícitos de modo a que no ensejo do procedimento administrativo que afinal vai conceder poder de inscrição e titulo executivo ao credor fiscal essa responsabilização fique apurada." (João Luiz Coelho da Rocha, Responsabilidade de Diretores, Sócios Gerentes e Controladores por Débitos Tributários, RDDT n0 28, janeiro/98, pp. 37/48) (grifos acrescidos) Quanto à provas da solidariedade, fraude e subfaturamento a fiscalização apresenta as fls. 05, 08, 09, 10, 11, 13, 14, 15, 17, 18, 22 e 23, /n verhis: ...foram revisadas as Declarações de Importação indicadas no quadro abaixo, todas registradas em nome da empresa VIA SUL COMERCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., CNPJ n' 01.027.850/000146, com sede na Rua Blumenau 1.360, sala B, Bairro São João, Baja! (SC), entre AGOSTO/2000 e ABRIL/2002 e submetidas a despacho aduaneiro de importação na Inspetoria do Porto de São Francisco do Sul (SC), tendo atuado como despachante aduaneiro nas importações o Sr. Nilson Ricardo Gamper, CPF n 451.738.18972 (fls. 125 a 130). A VIA SUL promoveu a importação de diversas Dls de confecções e tecidos exportadas pelas empresas uruguaias MADILER E NIVER WAY. A empresa JÁ &Á é ligada aos exportadores declarados, as uruguaias MADILER e NIVERWAY, empresas com ações ao portador, sendo que inicialmente foi admitido pelo Sr. Alencar, que quem representava no Brasil as exportadoras MADILER e NIVERWAY era ele, Sr. Alencar da Cruz Natcirio Filho e a Sra. Fl. 3529DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.522 17 Edna Maria da Penha Ribeiro, respectivamente sócio e fitncionária da JA&A (fls. 186). Posteriormente, foram entregues, em 19/11/02, por representante da Camisaria Colombo Ltda., CNPJn2 60.643.079/000109, aos membros do Grupo Especial de Fiscalização, responsáveis pela lavratura do presente auto de infração, diversos documentos que corroboram com a constatação fiscal do procedimento fraudulento perpetrado nas operações de importação em questão. Alega a empresa Colombo ter sofrido sérios prejuízos causados pelas mesmas pessoas responsáveis pelas importações fraudulentas de mercadorias do Uruguai, pois parte dos artigos de vestuário que foram objeto de pena de perdimento seria destinado a ela, que inclusive Pi teria adiantado o pagamento de urna parcela do produto. A partir desses documentos, apurouse que a vinculação entre o Sr. Alencar e as empresas uruguaias que se apresentam como "exportadoras" nas operações em questão vai muito além de uma mera representação. Na verdade, consoante declarações por escrito do procurador legal de Madiler e Niverway, cidadão uruguaio de nome Julio Cardoso, o Sr. Alencar da Cruz Natzirio Filho é o detentor das ações dessas empresas, portanto, dono das mesmas (fls. 229 a 244). Portanto, o vinculo existente entre importador e exportador não foi declarado no registro das Dls, conforme dados extraídos do SISCOMEX (fls. 125 a 129). Ainda, documentos obtidos da aduana uruguaia indicam que não há registro de exportações para o Brasil, mas sim de diversas operações de "trânsito" (Jls. 190 a 228), tendo sido, portanto, forjadas tais operações e por conseguinte as faturas emitidas pelas empresas uruguaias MADILER E NIVERWAY são material e ideologicamente falsas. Foi identificado o indicio de subfaturamento a partir de pesquisas realizadas pela Autoridade Fiscal, que constatou que os valores declarados nas referidas DIs encontramse em patamares extremamente baixos se comparados com importações de artigos similares, realizadas na mesma época, mesma origem e nas mesmas condições comerciais das importações promovidas pela VIA SUL (fls. 121 a 124) Durante procedimento de fiscalização, foi detectado que a empresa de despacho aduaneiro JA&A, representava a MADILER no Brasil (fls. 186 a 189). Posto que a empresa VIA SUL não promoveu a operação comercial junto aos exportadores declarados, Fl. 3530DF CARF MF 18 conforme afirmativa de seu sóciogerente, em Termo de Declaração de ng 060/02 (fls. 153 a 157), restou, mais uma vez, caracterizada a utilização, pela JA&A, de interposta pessoa para a nacionalização das mercadorias. Sendo a JA&A uma empresa de despacho, e como tal impedida por lei de promover importação, evidenciase a fraude, que apresenta contornos mais graves com as evidências da montagem de operações fictícias de exportação do Uruguai para o Brasil, tentando o Sr. Alencar encobrir sua condição de proprietário das empresas uruguaias pelo fato das mesmas (MADILER E NIVERWAY) serem constituídas por ações ao portador. Em Termo de Declaração e Intimação n1 060/02, (fls. 153 a 157), o sóciogerente da VIA SUL até abril/02, Sérgio de Almeida Coelho, RG rf 4/R1203548, CPF if 559.231.19900, informou que em 1999 foi procurado pelo Sr. Alencar da Cruz Natário Filho, sócio da comissária de despachos aduaneiros JA&A, que procurava empresa que pudesse nacionalizar artigos de confecções e tecidos, e que para tanto remuneraria a empresa em nome da qual seriam registradas as declarações de importação, definindo um percentual do valor declarado das mercadorias, garantindo um mínimo de US$ 1,000.00 por operação 153)... No aprofiindamento das investigações, as autoridades fiscais chegaram ao nome de Arthur dos Santos Neto, CPF n 263.69Z45804, como elemento chave para viabilizar todo o esquema de importações fraudulentas aqui abordado. 0 Sr. Arthur é despachante aduaneiro, sócio da empresa IMPORTA ACESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR, CNPI n2 44.983.773/000100. Seu nome já havia aparecido na investigação que levou à lavratura do auto de infração consubstanciado no processo administrativo de n0 12466.003723/2002 42, que resultou em crédito tributário em razão do mesmo procedimento fraudulento perpetrado, tendo as DIs sido registradas em nome da empresa MTRADING COM IMP. E EXP. LTDA., beneficiária do FUNDAP. Naquela oportunidade, o representante da empresa MTRADING, ao explicar como foi contratado pela JA&A, informou que inicialmente era diretamente com o Sr. Arthur que fazia contato para os clientes para os quais a MTRADING alega que vinha importando as mercadorias (fls. 133 a 135), passando a partir de 2001 as trata uvas de negociação das condições das operações a serem conduzidas pelo Sr. Alencar da Cruz Natcirio Filho, CPF n 506.781.83872, despachante aduaneiro, sóciogerente da JA&A. Dentre os documentos obtidos nas diligências do caso MTRADING, chegouse a uma cópia do cartão de credenciamento para que a mesma utilizasse os serviços de despacho aduaneiro do Sr. Nilson Ricardo Gamper, CPF n 2 451.738.18972 junto et Inspetoria do Porto de São Francisco do Sul (SC). A referida representação foi feita por substabelecimento de Arthur dos Santos Neto, conforme pode ser verificado no documento de fls. 136. Fl. 3531DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.523 19 Corroborando coin a constatação da participação direta do Sr. Arthur nas operações em questão estão as provas obtidas por meio da documentação apresentada pelo representante da Camisaria Colombo, onde se verificou que o Sr. Arthur era proprietário das mercadorias que se encontravam em pelo menos 62 (sessenta e dois) conteineres no Porto de Montevideo (7ls. 261 e 262), fazendo parte do esquema de importações fraudulentas de tecidos e confecções (conforme descrito no item X "Das Provas, do presente auto). Inclusive há que se observar que todas as despesas relativas cis mercadorias foram pagas/devidas pelo Sr. Arthur, da comissária de despacho IMPORTA, conforme podemos verificar nos documentos apresentados pela Camisaria Colombo (fis. 266 e 267). Tornase evidente,portanto, a estreita relação do Sr. Arthur com o Sr. Alencar, inclusive no que diz respeito a que ambos, enquanto despachantes aduaneiros, são, por força do Decreto n2 646/92, impedidos de atuar como importadores. No caso da VIA SUL, as instruções de remessa de recursos paras as despesas relativas aos Despachos de Importação eram todas encaminhadas para a Sra. Edna (7ls. 158, 170 e 172). Dentre os documentos fornecidos pela Camisaria Colombo, consta procurações em favor da Sra. Edna, emitidas pela MADILER e BLUE STAR (empresa uruguaia de agenciamento marítimo), designando a mesma como representante comercial no Brasil (fls. 253 a 256), auferindo a mesma a quantia de US$ 500.00/mês por empresa. há declaração por escrito dos representantes da MAD1LER no Uruguai informando que todas as operações envolvendo a MADILER são de inteira responsabilidade do Sr. Alencar, sendo este o detentor de 100% das ações ordinárias da empresa (lis. 231 a 243). Cabe destacar também documento emitido pela Blue Star em 24.10.02, onde a empresa informa que foi o Sr. Alencar que apresentou o Sr. Arthur, da empresa IMPORTA, com o objetivo de que a Blue Star prestasse serviços para o Sr. Arthur, visando armazenagem e posterior embarque de contêineres que continham mercadorias de propriedade do Sr. Arthur. No mesmo documento, afirma o representante da Blue Star que o Sr. Alencar e o Sr. Arthur estavam com dificuldades por conta de mercadorias que se encontravam apreendidas pela fiscalização da Alfândega do Porto de Vitória/ES (7ls. 249 a 252). Não obstante, segundo depoimento do exsócio da VIA SUL, Sergio de Almeida Coelho, todas as despesas referentes ao processo de importação eram assumidas pela JA &A, que transferia os recurso para a VIA SUL e para o despachante aduaneiro, Sr. Nilson Ricardo Gamper, encarregado dos Fl. 3532DF CARF MF 20 despachos aduaneiros junto à IRF Selo Francisco do Sul (SC) (lis. 153 e 154). No caso da MADILER e da NIVERWAY (exportadoras) com a JA&A (importador), esta última em resposta a intimação (fl. 186), declarou ao fisco ser a representante da MADILER no Brasil. Em consonáncia com isto há o fato de constar no cartão de identificação do Sr. Alencar, da JA&A, o telefone de contato da MADILER no Uruguai (lls. 749). Os documentos recebidos pela autoridade fiscal, dando conta da declaração da pessoa que possui procuração para responder pelas citadas empresas uruguaias de que o Sr. Alencar seria o dono da MADILER e da NIVERWAY (fls. 229 a 260), apenas confirmam os elementos que o fisco dispunha até então da estreita vinculação entre as exportadoras declaradas com o importador de fato, a JA&A na pessoa do Sr. Alencar. No desenvolvimento das pesquisas causounos estranheza o fato de que, em várias importações de confecções realizadas no ano de 2000 pela VIA SUL, declararse como pais de origem os Estados Unidos, pois os valores dos artigos declarados não correspondem à realidade do mercado produtor norte americano, em função dos elevados custos de mão de obra e da alta qualidade dos produtos norteamericanos. No caso das mercadorias em questão, poucos são os registros no SICOMEX de importações cuja origem corresponda àquele pais, conforme verificado em fls. 121 e 122, mencionadas no parágrafo anterior. Tendo sido informado o nome do produtor em algumas poucas Dls, levantamento foi feito através da Internet com o objetivo de se conhecer melhor o fabricante: a SARA LEE EXPORT. As informações disponíveis na rede mostraram que se tratava de unidade de uma grande corporação, a SARA LEE CORP, que não dispunha dentre os produtos que negociava, daqueles exportados pela MADILER para as empresa de comércio exterior contratadas pela JA&A (dentre elas a VIA SUL). Constatadas tais incongruências, realizamos contato direto com a SARA LEE CORP, por meio de correspondência eletrônica (email). Em resposta as nossas indagações a respeito de suas vendas para a MADILER, a corporação SARA LEE informou que suas empresas não realizaram qualquer negociação com tal empresa uruguaia (lls. 750 a 759). A JA&A orquestrou não apenas a operação de importação junto ao exportador, Madiler, mas também definindo para quem a Via Sul deveria emitir as notas fiscais de saída (fls. 153 e 154). Documento que comprova que as ações ao portador da empresa exportadora, a uruguaia MADILER S/A, pertencia, à época das operações, ao Sr. Alencar da Cruz Natário Filho, sóciogerente da JÁ &A, que foi quem promoveu, de fato, toda a operação de importação (fls. 231 a 243); Documento nomeando como procuradores da 'WIDMER S/A os Srs. Fl. 3533DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.524 21 Julio Cesar Cardozo e Gerardo Lorenzo Parga, donos da empresa uruguaia Blue Star, empresa de agenciamento marítimo que embarcou a maior parte das mercadorias parao Brasil (fls. 245 a 248); Documento da Blue Star esclarecendo a relação entre os containeres embarcados pela mesma para o Brasil e os Srs. Alencar, da JA&A, e Artur dos Santos Neto, despachante aduaneiro, sócio da empresa IMPORTA COMISSÁRIA IMP. E EXP. LTDA., CNPJ n 9 44.983.773/000100 (fls. 249 a 252); Contrato entre a MADILER S/A e a Sra. EDNA MARIA DA PENHA RIBEIRO, CPF n2. 042.017.83847, despachante aduaneira, que trabalha com o Sr. Alencar, da JA&A, nomeando esta como representante da MADILER no Brasil (fls. 253 e 254); Contrato entre a BLUE STAR INTERNATIONAL FORWARDERS & BROKER AGENTS e a Sra. EDNA MARIA DA PENHA RIBEIRO, para que esta represente aquela no Brasil (fls. 258 e 259); Contrato entre a BLUE STAR e a IMPORTA COMISSÁRIA IMPORTADORAEXPORTADORA LTDA., CNPJ '7' 44.983.773/0001 00, no qual a IMPORTA, na pessoa de seu sóciogerente, Arthur dos Santos Neto, CPF n9 263.697.45804, despachante aduaneiro, atesta que o mesmo é dono dos containeres e que a BLUE STAR embarcará os containeres por ordem estrita do Sr. Arthur (fls. 261 e 262); Contrato entre a MADILER S/A e a LEGUS COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 11 2 03.633.363/0001 52, figurando esta como representante daquela no Brasil, para as exportações contratadas (fls. 263 a 264); Documento emitido pela BLUE STAR, endereçado a IMPORTA/ARTHUR, com cópia para a JA&A/EDNA + ALENCAR, referente a 62 containeres de propriedade do Sr. Arthur, devendo ser pagos os custos de demurrage e armazenagem (fls. 266 a 26; Documento emitido pela BLUE STAR, endereçado a IMPORTA/ARTHUR, com cópia para a JA&VEDNA + ALENCAR, referente a negociação sobre demurrage e armazenagem de containeres de propriedade do Sr. Arthur no Uruguai (fl. 268); Faturas emitidas pela Madder em nome da IMPORTA, da Blue Star em nome da Importa, faxes emitidos pela EDNA MARIA p/ embarque das mercadorias para o Brasil (fls. 269 a 280). (algumas panes negritadas jci faziam parte do texto transcrito) A IMPORTA Acessoria em Comércio Exterior Ltda. argumenta que os Auditores Fiscais as fls. 12 declaram, de forma estranhavel, que as mercadorias no exterior era de propriedade Fl. 3534DF CARF MF 22 do Sr. Artur Santos Neto. Salienta que a prova formal de propriedade é feita mediante o Conhecimento de Carga, de acordo com o art. 575 e seguintes do Código Comercial, art. 46 do Decretolei ri 9 37/1966 e arts. 494 a 496 do Regulamento Aduaneiro (RA), instituído pelo Decreto n2 4.543/2002 (transcreve à fl. 771 referidos arts. do RA). • Realmente, a prova formal de propriedade, nos casos de importações onde está presente a lisura, é feita da maneira como expõe a requerente. Esse tipo de prova, entretanto, não é a única, quando se trata de verificar a propriedade de mercadorias em que o verdadeiro dono procura ocultarse, com a finalidade de burlar a lei. De se observar que as provas fiscais e criminais, por seu caráter investigativo, não estão restritas aos documentos "oficiais", ou seja, nessas esferas do direito inexistem as chamadas provas tarifadas, quando se trata de verificar eventuais desvios de comportamento. Assim não fosse seria impossível se tributar ou penalizar infratores da lei. No Direito Tributário a única restrição existente é a proibição de que as provas sejam obtidas de forma ilícita (art. 59, LVI da Constituição Federal vigente). No Direito Penal a essa restrição se soma a do art. 155 do Código de Processo Penal, in verbis: Art. 155. No juizo penal, somente quanto ao estado das pessoas, serão observadas as restrições à prova estabelecidas na lei civil Se restrições probatórias, além da mencionada no art. 5 9, LVI da CF, existissem no Direito Tributário, conforme erroneamente supõe a peticionária, como a fiscalização poderia provar a existência de "caixa dois", por exemplo? Pela contabilidade oficial? Tornase • óbvio, portanto, porquê a legislação não prevê restrições probatórias adicionais à do art. 5 9, LVI para o caso de infrações tributárias. De se salientar que a peticionária em momento algum demonstrou que as provas apresentadas pela fiscalização são ilícitas, portanto, elas são hábeis para comprovar a propriedade das mercadorias, conforme se verá, mais adiante. IMPORTA Acessoria em Comércio Exterior Ltda. segue alegando que nos documentos constantes às fls. 249 a 252 não consta nenhuma afirmação peremptória de que a defendente é ou seria a proprietária das mercadorias cobertas pelas Declaração de Importação relacionadas no auto de infração, que ao final desse documento afirmase que os bens são da Camisaria Colombo Ltda., não havendo citação de qualquer documento oficial ou legal probatório da suposta propriedade. Aduz que o documento de fl. 261 é falso material e ideologicamente, pois o Sr. Artur jamais outorgou procuração para que alguém assinasse tal tipo de contrato. Os documentos mencionados pela impugnante devem ser analisados conjuntamente com os de fls. 266/267, 268 e 269 a 273, conforme consignado pela fiscalização as fls. 22/23 no item "DAS PROVAS". Fl. 3535DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.525 23 0 documento de fls. 249 a 252 mencionado pela impugnante, entre outras afirmativas da Blue Star International Forwarders & Broker Agentes, contém a de que no principio do ano de 1999 o Sr. Alencar da JA&A apresentou a essa firma o Sr. Arthur dos Santos Neto da Importa Comissária Imp. Exp. Ltda. como seu cliente, solicitando a armazenagem e reembarque de containeres de roupas procedentes da Asia, centralizando as operações em depósito fiscal no Porto de Montevideu. No documento de fl. 261 sobre o qual a peticionária alega haver falsidade ideológica pelo motivo de o Sr. Arthur jamais haver outorgado procuração para que alguém assinasse esse tipo de contrato, contém a declaração de que 58 containeres do armador NEDLLOYD que se encontram no porto são de propriedade do Sr. Arthur dos Santos Neto. 0 documento de fls. 266/267, correspondência assinada pelo Sr. Julio Cardozo da Blue Star, dirigido ao Sr. Arthur trata sobre o custo de demurrage (sobreestadia) e armazenagem de 62 containeres de propriedade do Sr. Arthur. 0 documento de fl. 268, igualmente, correspondência assinada pelo Sr. Julio Cardozo da Blue Star, dirigido ao Sr. Arthur trata do prazo de 10 dias em que não sera cobrada a demurrage (sobreestadia) e de desconto de 30% sobre a demurrage de containeres antigos. Os documentos de fls. 269 a 273 são faturas emitidas contra a IMPORTA Comissária Imp. e Exp. Ltda. pelo serviço de armazenagem de 52 containeres. 0 conjunto desses documentos leva à conclusão de que, independentemente do documento de fl. 261, havia de fato um contrato de prestação de serviços entre o Sr. Arthur dos Santos Neto (contratante) e IMPORTA Comissária Imp. Exp. Ltda. (contratada) e que o primeiro tinha interesse comum com o Sr. Alencar da JA&A nas importações de roupas e tecidos, provenientes da Asia, referentes ao presente auto de infração. A IMPORTA Comissária Imp. Exp. Ltda., alega, também, que por si ou por seus sócios não importou nem formalizou qualquer Declaração de Importação das litigadas, nem participou de qualquer operação de natureza fiscal, cambial, financeira, ou mesmo como despachante aduaneiro ou empresa comissária de despachos aduaneiros e que jamais manteve contato com a empresa VIA SUL Comércio e Representações Ltda. e que, por isso, jamais poderia ser considerada responsável solidária, pois tal imputação afronta qualquer principio de Direito Tributário e subverte a ordem e os valores do ordenamento jurídico existente. Na verdade, diante das provas constantes nos autos essa argumentação da peticionária apenas reforça a sua intenção de ocultarse e de tornarse uma Eminência parda nas operações de importações fraudulentas de roupas e tecidos da Asia. Fl. 3536DF CARF MF 24 Quanto à JA& Serviços de Comércio Exterior Ltda. os documentos de fls. 231 a 243 comprovam que o Sr. Alencar da Cruz Natário, sócio da JA&A era proprietário único da MADILER S/A. Os documentos de fls. 245 a 248 prova a nomeação, como procuradores da MADILER S/A, dos Srs. Julio Cesar Cardozo e Gerardo Lorenzo Parga, donos da empresa uruguaia Blue Star, empresa de agenciamento marítimo que embarcou a maior parte das mercadorias para o Brasil. Os documentos de fls. 249 a 252 já referidos por Importa Assessoria em Comércio Exterior Ltda. fazem prova da estreita relação comercial existente entre o Sr. Alencar da JA&A e o Sr. Arthur da Importa Assessoria, relativamente as mercadorias deste processo. 0 documento de fls. 253/254 tratase de contrato entre a MADILER S/A e a Sra. Edna Maria da Penha Ribeiro, CPF n2 042.017.83847, nomeando essa última como representante da primeira no Brasil. Assim, a solidariedade entre Via Sul Comércio e Representações Ltda. (importadora), JA&A Serviços de Comércio Exterior Ltda. e Importa Assessoria em Comércio Exterior Ltda. é inegável, nos moldes da disposição do art. 124, I do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: • Art. 124. Sao solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo finico. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. 0 art. 105, III do Decreto n2 4.543/2002, já transcrito, veio definitivamente esclarecer essa questão ao atribuir responsabilidade solidária incondicional aos ordenadores de importações. No que se refere ao valor aduaneiro de se esclarecer que trata se de um valor, verdadeiro ou adotado, sobre o qual deve incidir a aliquota do II, conforme disposição do art. 89, II do RA antigo e 75 do Decreto n2 4.543/2002, in verbis: RA (antigo) Art. 89. A base de cálculo do imposto é (DecretoLei n°37/66, art. 2°, e Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT, art. 7'): I quando a aliquota for especifica, a quantidade de mercadoria expressa na unidade de medida indicada na Tarifa Aduaneira do Brasil TAB; Fl. 3537DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.526 25 II quando a aliquot° for ad valorem, o valor aduaneiro definido no art. 70 do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT, no qual o Brasil é parte; 111 o prep do produto adquirido em licitação. (grifos acrescidos) Decreto n° 4.543/2002 Art. 75. A base de cálculo do imposto é (Decretolei n0 37, de 1966, art. 2', com a redaçtio dada pelo Decretolei n° 2.472, de 1988, art. 1°, e Acordo sobre a Implemen(açõo do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comercio GATT 1994 Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto pi° 1.355, de 30 de dezembro de 1994): I quando a aliquota for ad valorem, o valor aduaneiro apurado segundo as normas do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994; e II quando a aliquota for especifica, a quantidade de mercadoria expressa na unidade de medida estabelecida. (grifos acrescidos) Normalmente, o valor aduaneiro é o da transação (geralmente consignado na Declaração de Importação), constante nas faturas comerciais ou documento equivalente exceto quando por alguns motivos, tais como valor declarado inaceitável devido a vinculação entre importador e exportador (que cause comercialização a preços inferiores Aqueles oferecidos aos não vinculados), sub ou superfaturamento da mercadoria, tornarse necessária sua modificação, para fins de tributação. Nos casos de vinculação entre importador e exportador, por exemplo, se o valor da transação, ainda que real, for considerado inaceitável pela fiscalização, devido ao fato de conduzir à uma tributação muito baixa, caberá ao importador comprovar que a vinculação não influenciou o prego ou que ele apesar de tudo é aceitável para ser considerado como valor aduaneiro. Em suma, tratase, verdadeiramente, da aplicação e preservação do principio da igualdade tributária insculpida no art. 150, II da Constituição Federal de 1988, pois se h. pessoa vinculada ao exportador fosse permitido utilizar o valor da transação, ainda que muito baixo, como base de cálculo, é óbvio que ela se beneficiaria de uma tributação menor em relação a outro importador não vinculado que teria não só que pagar preços mais altos sobre a mercadoria, mas tributos mais elevados ao aplicar a aliquota ad valorem sobre base de cálculo maior o que causaria a instituição de tratamento desigual entre contribuintes que se encontram em situação equivalente (a de importador). A diferenciação de valores admitidas nas transações são apenas as decorrentes de oscilações normais de pregos segundo Fl. 3538DF CARF MF 26 comercializações e concorrências legitimas e não aquelas que decorram de vinculações comerciais e artimanhas de legitimidade duvidosa. De se lembrar, também, que quando ha rejeição do valor da transação (por vinculação entre importador e exportador, por exemplo) o Acordo prevê a discussão acerca da sua aceitabilidade imputando ao importador o ônus da prova de que esse valor é aceitável. Nos casos de fraude a OPINIA0 CONSULTIVA 10.1 da Instrução Normativa SRF n° 17/1998 remete o problema ao art. 17 do Acordo, conforme disposição, in verbis: OPINIÃO CONSULTIVA 10.1 TRATAMENTO APLICA VEL AOS DOCUMENTOS FRAUDULENTOS 1. 0 Acordo obriga que as administrações aduaneiras levem em conta documentos fraudulentos ? 2. 0 Comae Técnico de Valoravão Aduaneira emitiu a seguinte opinião: Segundo o Acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de fato reais. Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo. Cabe observar, a este respeito, que o Artigo 17 do Acordo e o parágrafo 7 do Protocolo enfatizam o direito das administrações aduaneiras de comprovar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. Conseqüentemente, não se pode exigir que uma administração leve em conta uma documentação fraudulenta. Ademais, quando uma documentação for comprovada fraudulenta, após a determinação do valor aduaneiro, a invalidação desse valor dependerá da legislação nacional. (grifos acrescidos) A fraude está comprovada pelo subfaturamente das mercadorias, pelo fato de a JA&A Serviços de Comércio Exterior e Importa Assessoria em Comércio Exterior Ltda. serem as verdadeiras importadoras, simulando essa condição (de importadoras) atribuindoa á. Via Sul Comércio e Representação Ltda. e, ainda, pela falsa declaração de origem (das mercadorias). No que concerne ao subfaturamento a fiscalização declara as fls. 06/07, in verbis: No preenchimento das Dls, relativamente ao ano de 2000. o importador ludibriou os controles disponíveis no sistema que objetivam, entre outros, identificar distorções nos valores declarados. Apesar de ter declarado no campo da unidade estatística "unidade" (IL 131 e 132) utilizouse da artimanha de declarar a quantidade na medida estatística proporcional a "dúzias". Assim levou o sistema, que calcula o valor unitário da mercadoria dividindo o valor da adição pela quantidade na Fl. 3539DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.527 27 medida estatística, a proceder à leitura de que o preço (absurdamente baixo) da dúzia declarada referiase à unidade da peça de confecção, fazendo com que o mesmo considerasse "aceitável" o valor aduaneiro declarado. O artificio de utilizar unidades de quantidades diversas das estabelecidas pelo SISCOMEX, realmente, faz com que os preços pareçam razoáveis para o sistema informatizado, ou mesmo diante de um exame perfiinctório, mas torna clara a intenção de fraudar o fisco quanto ao preço das mercadorias e conseqüentemente quanto ao pagamentos dos tributos devidos na importação. O procedimento de enganar o SICOMEX servia para acobertar o subfaturamento. Tomemos, por exemplo a fatura da Niverway S/A A. fl. 716. Ali consta 300 dúzias de jaquetas femininas a US$ 26.04 o que resulta em US$ 2.17 a unidade dessas peças. 0 dólar americano à época valia R$ 2,2924000, portanto, o preço faturado para cada jaqueta foi igual a R$ 4,98, inverossímil mesmo para quem acredita em Papai Noel. Ora, pregos mínimos de comercialização de vestuário são praticamente de conhecimento público. Não é de se acreditar que mesmo em grandes quantidades os valores possam ser infimos como os declarados, a não ser que a exportadora tenha se valido de mecanismos não autorizados no comércio internacional (por exemplo, roubo de cargas, calotes nos fornecedores de mercadorias, subfaturamento, etc.). De qualquer forma, no caso em tela, as provas conduzem para a conclusão de que houve o subfaturamento. De se observar que o Decreto n2 70.235 de 06/03/1972 DOU 07/03/1972 autoriza a formação da livre convicção pela autoridade julgadora em face as provas constantes nos autos. Transcrevese referido texto, verbis: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção podendo determinar as diligências que entender necessárias. Todas as provas levam à conclusão de que houve fraude e subfaturamento nas importações listadas à fl. 05, portanto, está descartada a utilização do art. 1 2 do Acordo sobre a Implementação do art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, promulgado pelo Decreto n2 1.355 de 30/12/1994 DOU 31/12/1994, sendo, dessa forma, necessária nova valoração aduaneira para as mercadorias em questão. Convém neste momento tecer considerações a respeito da Opinião Consultiva n2 2.1 da Instrução Normativa SRF n° 17, de 16 de fevereiro de 1998 DOU de 17/0/1998, pág. 25 que divulgou atos emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira. Transcrevese referido texto, in verbis: Fl. 3540DF CARF MF 28 OPINIÃO CONSULTIVA 2.1 ACEITABILIDADE DE UM PREÇO INFERIOR AOS PREÇOS CORRENTES DE MERCADO PARA MERCADORIAS IDÊNTICAS I. Foi formulada a questão acerca da aceitabilidade de um preço inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas quando da aplicação do Artigo I do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio. 2. 0 Comitê Técnico de Valoraçao Aduaneira examinou esta questão e concluiu que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não poderia ser motivo para sua rejeição para os fins do Artigo I, sem prejuízo, no entanto, do estabelecido no Artigo 17 do Acordo. (grifos acrescidos) 0 art. 17 do Acordo dispõe, verbis: Art. 17. Nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento dos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. (grifos acrescidos) Então, a fiscalização não pode simplesmente rejeitar o valor da transação pelo mero fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas. Na presente questão, entretanto, a rejeição deveuse a fraude e aviltamento de preços (subfaturamento), conforme se comprovou, assim, devese aplicar a ressalva posta no art. 17 do Acordo, acima transcrito. Conforme declaração da fiscalização de fls. 17/18, já transcrita anteriormente, a importadora declarou como sendo procedentes dos Estados Unidos da América as mercadorias que são de origem asiática. 0 art. 52 do Anexo lA do Decreto n2 1.355 de 30/12/1994 DOU 31/12/1994 que promulgou a Ata Final que Incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, aprovada pelo Decreto Legislativo n 2 30, de 15/12/1994 DOU de 19/12/1994 dispõe, verbis: Acordo sobre Têxteis e Vestuário (artigos T' a 99 TEXTO: Art. 5° I Os Membros acordam que a fraude ("circumvention') mediante reexpedi ção, desvio, declaração falsa sobre o pais ou lugar de origem e falsificacão de documentos oficiais frustra o cumprimento do presente Acordo para a integração do setor de têxteis e vestuário ao GATT 1994. Por conseguinte, os Membros deverão adotar as necessárias disposições legais e/ou procedimentos administrativos com vistas ao tratamento e combate da referida fraude. Os Membros acordam ademais que, consoante com as leis e procedimentos Fl. 3541DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.528 29 internos, colaborarão plenamente na resolução dos problemas resultantes da fraude. 2 Caso um Membro considere que o presente Acordo está sendo fraudado mediante reexpedictio, desvio, declaração falsa sobre o pais ou lugar de origem e falsificação de documentos oficiais, e que não esteio sendo aplicadas medidas para tratar ou combater a referida fraude, ou que as medidas aplicadas são inadequadas, cleverer realizar consultas com o Membro ou Membros interessados, afim de encontrar solução mutuamente satisfatória. Tais consultas deverão ocorrer prontamente, se possível dentro de 30 dias. Caso não se encontre solução mutuamente satisfatória, quaisquer dos Membros implicados poderá submeter a questão ao OST para que sejam feitas recomendações. 3 Os Membros acordam em tomar as providências necessárias, consoante com as respectivas legislações e procedimentos internos, para impedir, investigar e, se apropriado, recorrer a ações legais e/ou administrativas contra práticas fraudulentas dentro de seu território. Os Membros acordam em cooperar plenamente, consoante com as respectivas leis e procedimentos internos, nos casos de fraude ou alegações de fraude ao presente Acordo, a fim de apurar os fatos pertinentes nos locais de importação, exportação e, quando cabível, de reexpedição. Fica acordado que tal cooperação, consoante com as leis e regulamentos internos, incluirá: investigação de práticas fraudulentas que aumentem as exportações objeto de restrições para os Membros que mantêm tais restrições; intercâmbio de documentos, correspondência, relatórios e outras informações pertinentes, na medida da disponibilidade; e facilidades para visitas a instalações e estabelecimento de contatos, mediante a solicitação previa, caso a cam Os Membros procurarão esclarecer as circunstancias daf raude ou alegação de fraude, inclusive as respectivas funções dos exportadores e importadores implicados. 4 Os Membros acordam que, quando houver prova suficiente resultante de uma investigação, de que tenha ocorrido fraude (isto 6, quando houver prova sobre o pais ou lugar da origem verdadeira e sobre as circunstâncias da fraude), deverão ser tomadas disposições apropriadas, na medida necessária para resolver o problema. Tais disposições poderão incluir a denegação de ingresso das mercadorias ou, no caso de as mercadorias já terem ingressado, o reajuste das quantidades computadas dentro dos níveis de limitação, com o objetivo de que reflitam o verdadeiro lugar de origem, levandose na devida consideração as circunstancias reais e a intervenção do pais ou lugar de origem verdadeiro. Ademais, quando houver prova do envolvimento dos territórios dos Membros através dos quais as mercadorias tenham sido reexpedidas, tais disposições poderão incluir a introdução de restrições para esses Membros. As referidas disposições, assim como seu prazo de aplicação e Fl. 3542DF CARF MF 30 alcance, poderão ser tomadas após a celebração de consultas com o objetivo de encontrar solução mutuamente satisfatória entre os Membros interessados e deverão ser notificadas ao OST com justificacdo plena. Os Membros em questão poderão acordar outras soluções, mediante consultas. Tais acordos deverão ser igualmente notificados ao OST, que poderá fazer recomendações pertinentes aos Membros em questão. Caso não se encontre solução mutuamente satisfatória, qualquer dos Membros interessados poderá submeter a questão ao OST para que se proceda prontamente a exame e recomendações. 5 Os Membros tomam nota de que alguns casos de fraude podem envolver trânsito de embarques através de países ou lugares sem que nesses lugares de trânsito se introduzam alterações ou mudanças nas mercadorias contidas nos referidos embarques. Os Membros tomam nota de que nem sempre será possível exercer, nesses lugares de trânsito, um controle sobre tais embarques. 6 Os Membros acordam que as declarações falsas sobre o conteúdo de fibras, quantidades. descrição ou classificação de mercadorias também frustram o objetivo do presente Acordo. Os Membros acordam que, quando houver provas de que se tenha realizado uma declaração falsa para fins de fraude, deverão ser tomadas medidas apropriadas contra os exportadores e importadores envolvidos, de acordo com as leis e procedimentos internos. Caso qualquer Membro considere que o presente Acordo está sendo fraudado mediante a referida declaração falsa e que não estão sendo aplicadas as medidas necessárias para sanar essa fraude e/ou para combatêla, ou que tais medidas são inadequadas, o referido Membro deverá estabelecer prontamente consultas com o Membro interessado, com o objetivo de encontrar solução mutuamente satisfatória. Caso não se encontre solução mutuamente satisfatória, qualquer dos Membros interessados poderá submeter a questão ao OST para recomendações. O propósito da presente disposição não é o de impedir que os Membros realizem ajustes técnicos quando se cometerem, por inadvertência, erros técnicos nas declarações. (grifos acrescidos) Observase que o Acordo considera como fraude a declaração falsa sobre o • pais ou lugar de origem. Assim, comprovada a fraude pelo motivo de o importador de fato ser firma proibida a esse ato (importação) e pela falsa declaração da origem das mercadorias, adicionalmente ao subfaturamento por declaração aviltada de preços é licito que a autoridade fiscal descarte a aplicação do art. 1 9 do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994 e encontre um valor aduaneiro a ser empregado como base de cálculo, obedecendo as regras expressas nos artigos 22 a V do Acordo, ou mesmo aplicando a legislação nacional. A IMPORTA Comissária Imp. Exp. Ltda. e JA&A argumentam que fiscalização não demonstrou a metodologia utilizada relativamente aos aspectos merceológicos das mercadorias importadas, não foram juntadas cópias das DI comparadas e Fl. 3543DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.529 31 nem se teceu trabalho positivo que ensejasse à autuada uma contestação plena dos resultados do procedimento. Segue alegando que alguns delegados tem considerado nulos tais tipos de autuação (Importa apresenta as fls. 782/783 trecho de Decisão e à fl. 783 números de acórdãos do Egrégio Terceiro conselho de Contribuintes) e que no Direito Tributário o principio vigente é o da tipicidade fechada e os processos de exigência e determinação de créditos tributários deverão obedecer os ritos e formas prescritos em lei, como é o caso da valoração de preços de mercadorias importadas (GATT94 introduzido na legislação brasileira pelo Decreto n' 1.355 de 30/12/1994); De fato, quando se trata de importações sem fraude o Fisco deve dar ao importador a oportunidade de discutir o valor aduaneiro, conforme determinação posta em um dos anexos ao Decreto n' 1.355 de 30/12/1994, in verbis: 1 Os parágrafos 2°.a e 2°.b do art. 1° estabelecem diferentes maneiras de se determinar a aceitabilidade de um valor de transação. 2 O parágrafo 2°.a estabelece que, quando o comprador e o vendedor forem vinculados, as circunstâncias que envolvem a venda serão examinadas e o valor de transação será aceito como valor aduaneiro, desde que a vinculaçãO não tenha influenciado o preço. Com isso não se pretende que seja feito um exame de tais circunstâncias em todos os casos em que o comprador e o vendedor forem vinculados. Tal exame so será exigido quando houver dúvidas quanto a aceitabilidade do preço. Quando a administração aduaneira não tiver dúvidas quanto aceitabilidade do preço, ele devera ser aceito sem que outras informações sejam solicitadas ao importador. Por exemplo, a administração aduaneira pode ter examinado previamente a vincula ção, ou pode ter informações detalhadas a respeito do comprador e do vendedor, e pode, diante de tais exames e informações, estar convencida de que a vincula cão não influenciou o preço. 3 Se a administração aduaneira não puder aceitar o valor de transação sem investigações complementares, deverá dar ao importador uma oportunidade de fornecer informações mais detalhadas, necessárias para capacitála a examinar as circunstancias da venda. Nesse contexto, a administração aduaneira deverá estar preparada para examinar os aspectos relevantes da transação, inclusive a maneira pela qual o comprador e o vendedor organizam suas relações comerciais e a maneira pela qual o preço em questão for definido, com a finalidade de determinar se a vincula ção influenciou o preço. Quando ficar demonstrado que o comprador e o vendedor, embora vinculados conforme as disposições do art. 15, compram e vendem um do outro como se não fossem vinculados, isto comprovará que o preço não foi influenciado Fl. 3544DF CARF MF 32 pela vincula ção. Como exemplo, se o preço tivesse sido determinado de maneira compatível com as práticas normais de fixação de preços do setor industrial em questão, ou com a maneira pela qual o vendedor fixa seus preços para compradores não vinculados a ele, isto demonstrará que o preço não foi influenciado pela vincula ção. Como outro exemplo, quando ficar demonstrado que o preço é suficiente para cobrir todos os custos e assegurar um lucro representativo do lucro global, obtido pela firma durante um período de tempo também representativo (por exemplo, anual), em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie, estará comprovado que o preço não foi influenciado pela vinculavão. 4 O parágrafo 2°.b da ao importador uma oportunidade de demonstrar que o valor de transação aproximase muito de um valor "critério" previamente aceito pela administração aduaneira e que, portanto, é aceitável de acordo com o disposto no art. 1°. Caso seja satisfeito um dos critérios previstos no parágrafo 2°.b, não sera necessário examinar a questão da influência da vinculação com base no parágrafo 2°.a. Caso a administração aduaneira já tenha informações suficientes para estar convencida, sem outras investigações detalhadas, de que um dos critérios previstos no parágrafo 2°.b foi satisfeito, não haverá razão para exigir do importador que faça essa demonstração. No parágrafo 2b, entendese por "compradores não vinculados" aqueles que não possuem qualquer vinculo com o vendedor, em nenhum caso especifico. Parágrafo 2°.b Um certo número de fatores deve ser levado em conta ao se determinar se um valor se "aproxima muito" de outro. Incluemse entre esses fatores a natureza das mercadorias importadas, a natureza do setor industrial, a época do ano durante a qual as mercadorias são importadas e se a diferença nos valores é significativa sob o aspecto comercial. Como esses fatores podem variar de um caso para outro, seria impossível aplicar um critério uniforme, tal como uma percentagem fixa, em todos os casos. Por exemplo, ao se determinar se o valor de transação se aproxima muito dos valores "critérios" indicados no parágrafo 2°.b do art. 1°, uma pequena diferença de valor poderia ser inaceitável para um determinado tipo de mercadorias, enquanto uma diferença grande poderia ser aceitável para um outro tipo de mercadorias. (grifos acrescidos) No presente caso, a falta de discussão anterior entre fisco e a contribuinte a respeito dos valores aduaneiros não constituiu violação As regras do GATT1994 ou cerceamento ao direito de defesa, pois além do fato de a valoração decorrer da constatação de fraude e subfaturamento é óbvio que o importador (VIA SUL) não poderia proceder a discussão de qualquer valor, pois tanto no Termo de Declaração e Intimação ri2 060/02 (fls. 153 a 157), quanto na impugnação de fls. 909 a 920 diz que não atuou como participante efetiva das negociações referentes As importações deste presente auto de infração. Fl. 3545DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.530 33 A legislação dispõe no sentido de se dar oportunidade ao importador de fornecer informações mais detalhadas sobre o valor aduaneiro e não aos despachantes. Embora JA&A e Importa Assessoria sejam importadoras de fato, não são importadoras de direito, no sentido de gozar da proteção de defesa do valor aduaneiro nos termos do Acordo. O artificio de JA&A e Importa Assessoria no sentido de praticarem através de terceiro ato que lhes é defeso (importar para comercializar), nesse caso, militou contra elas, pois não sendo importadoras de direito não podem pretender valerse de defesa própria do importador, ou seja, discutir o valor aduaneiro. Na verdade, apenas a regularidade e lisura de procedimentos dos importadores geram efeitos para sua proteção. 0 cometimento de atos ilícitos não pode servir para que a empresa VIA SUL e seus conluiados se eximam de responsabilidades tributárias, ou se valham de direitos próprios de quem não praticou simulação. Tomemos, por exemplo, o registro de firmas. Já preconizava o art. 301 [Revogado pela Lei n° 10.406, de 10/01/2002, DOU de 11/01/2002, em vigor um ano após a publicação (Código Civil)] do vetusto Código Comercial Brasileiro, in verbis: Art. 301 0 teor do contrato deve ser lançado no Registro do Comércio do Tribunal do distrito em que se houver de estabelecer a casa comercial da sociedade (artigo n°. 10, n°2), e se esta tiver outras casas de comércio em diversos distritos, em todos eles terá lugar o registro. As sociedades estipuladas em países estrangeiros com estabelecimento no Brasil são obrigadas a fazer igual registro nos Tribunais do Comércio competentes do Império antes de começarem as suas operações. Enquanto o instrumento do contrato não for registrado, não terá validade entre os sócios nem contra terceiros, mas dará ação a estes contra todos os sócios solidariamente (artigo n°. 304). (grifos acrescidos) Sobre o assunto os arts. 986 e 987 do Código Civil atualmente vigente dispõe, in verbis: Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, regerseti a sociedade, exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capitulo, observadas, subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade simples. Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem provála de qualquer modo. Fl. 3546DF CARF MF 34 (grifos acrescidos) As normas transcritas dizem respeito tanto a firmas não registradas, como àquelas que embora registradas procurem exercer atividades que não lhe são permitidas, por meio de firmas interpostas. Assim sendo, embora seja licito à SRF comprovar a sociedade de fato, nas importações ora questionadas, entre Via Sul, JA&A e Importa Assessoria, da forma como procedeu, as responsáveis solidárias não podem pretender valerse de defesa própria do importador. Segundo os termos do item 3, acima transcrito: " Se a administração aduaneira não puder aceitar o valor de transação sem investigações complementares, deverá dar ao importador uma oportunidade de fornecer informações mais detalhadas, necessárias para capacitála a examinar as circunstâncias da venda". Ora, tal oportunidade só deve ser dada a firmas importadoras que tenham pleno conhecimento das operações e não as que se prestaram a proceder importações para despachantes aduaneiros, legalmente proibidos de proceder importações comerciais, conforme fez a VIA SUL. Assim, diante desses fatos é licito que a fiscalização determine um valor razoável, ou "valor critério", que se constituirá no valor aduaneiro, conforme menciona a legislação transcrita. Ademais, em atos de desconsideração do valor aduaneiro pela fiscalização, em procedimentos de revisão aduaneira, aplicase os termos do art. 11 e Nota ao Artigo 11 das Normas sobre Valoração Aduaneira, inserida no Anexo que trata do Acordo sobre a Implementação do art. 7 do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, do Decreto n2 1.355 de 30/12/1994 DOU 31/12/1994 que promulgou a Ata Final que Incorpora os Resultados da Rodada Uruguai de Negociações Comerciais Multilaterais do GATT, aprovada pelo Decreto Legislativo n° 30, de 15/12/1994 DOU de 19/12/1994, que dispõe, in verbis: ART. I 1 1 Com relação à determinação do valor aduaneiro, a legislação de cada Parte disporá quanto ao direito a recurso, sem sujeição a penalidades, por parte do importador ou por qualquer outra pessoa responsável pelo pagamento dos direitos aduaneiros. 2 0 direito a recurso, de primeira instância, sem imposição de penalidades, poderá ser exercido perante um órgão da administração aduaneira ou perante um argil° independente. Todavia, a legislação de cada Parte disporá quanto ao direito a recurso a instancia judiciária, sem imposição de penalidades. 3 0 recorrente será notificado sobre a decisão do recurso e as razões que a fundamentaram serlheão comunicadas por escrito. 0 recorrente deverá também ser informado sobre seu eventual direito de interpor novo recurso. • Nota ao art. 11 1 0 art. 11 confere ao importador o direito a recurso contra uma determinação de valor efetuada pela administração aduaneira, referente as mercadorias objeto de Fl. 3547DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.531 35 valoravão. 0 recurso inicial poderá ser dirigido a uma autoridade superior da administração aduaneira, mas o importador terá o direito de recorrer, em última instância, ao Judiciário. 2 "Sem sujeição a penalidades" significa que o importador não estará sujeito a uma multa ou ameaça de uma multa pela simples razão de ter optado por exercer seu direito de recorrer. 0 pagamento de custas judiciais normais e de honorários de advogados não será considerado multa. 3 No entanto, nenhuma das disposições do art. 11 impedirá uma Parte de exigir o paeamento integral dos direitos aduaneiros, antes de um recurso ser interposto. (grifos acrescidos) Depreendese dos termos da legislação acima transcrita, principalmente do número 3, que a administração poderá exigir o pagamento integral dos direitos aduaneiros, antes de um recurso ser interposto, ou seja, a fiscalização pode, perfeitamente, modificar o valor aduaneiro e proceder o lançamento com todas as exigências decorrentes mesmo porque a legislação aduaneira brasileira não previu e as autoridades fiscais não exigiram qualquer multa nem consignaram qualquer ameaca de multa para o caso de o autuado exercer seu direito de recorrer do valor aduaneiro estabelecido pelos agentes fiscais. Lembrar que as multas aplicadas no lançamento de oficio não se deve ao fato de o interessado recorrer do valor aduaneiro, mas em função da exigência da diferença do H haver sido feita de oficio. Por outro lado, a multa pelo subfaturamento não se confunde com a multa para se recorrer do valor aduaneiro, pois esse valor (aduaneiro), conforme visto, pode ser modificado pela autoridade administrativa, mesmo nos casos em que ele é real, ou seja, quando não há subfaturamento. O subfaturamento, embora ocasione a mudança do valor aduaneiro quando corrigido, 6, por si só, uma infração. No presente processo nenhuma multa se está exigindo pela simples razão de a importadora ter optado por exercer seu direito de recorrer. 0 Acordo sobre a Implementação do art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, promulgado pelo Decreto n 2 1.355 de 30/12/1994 DOU 31/12/1994 determina a aplicação sucessiva dos métodos de valoração postos nos arts. 1 2 a 72 desse Acordo, a seguir transcritos e comentados: Art. 1 2 I 0 valor aduaneiro de mercadorias importadas s erá o valor de transação, isto 6, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o pais de importação, ajustado de acordo com as disposições do art. 8°, desde que: a) não haja restrições à cessão ou ir utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: Fl. 3548DF CARF MF 36 i) sejam impostas ou exigidas por lei ou pela administração pública do pais de importação; ii) limitem a área geográfica na qual as mercadorias podem ser revendidas; ou iii) não afetem substancialmente o valor das mercadorias. b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contrapresta cão para a qual não se possa determinar um valor em relação as mercadorias objeto de valoração; c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do art. 8'; e d) não haja vinculaçiio entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2° deste Artigo. 2.a) Ao se determinar se o valor de transação é aceitável para os fins do parágrafo 1°, o fato de haver vinculação entre comprador e vendedor, nos termos do art. 15, não constituirá, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor de transação inaceitável. Neste caso, as circunstâncias da venda serão examinadas e o valor de transação set6 aceito, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Se a administração aduaneira, com base em informações prestadas pelo importador ou por outros meios, tiver motivos para considerar que a vinculação influenciou o preço, deverá comunicar tais motivos ao importador, a quem dará oportunidade razoável para contestar. Havendo solicitação do importador, os motivos lhe serão comunicados por escrito. b) No caso de venda entre pessoas vinculadas, o valor de transação serif aceito e as mercadorias serão valoradas segundo as disposições do parágrafo 1°, sempre que o importador demonstrar que tal valor se aproxima muito de um dos seguintes, vigentes ao mesmo tempo ou aproximadamente ao mesmo tempo: i) o valor de transação em vendas a compradores não vinculados, de mercadorias idênticas ou similares destinadas a exportação para o mesmo pais de importação; ii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do art. 5'; o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do art. 6°. Na aplicação dos critérios anteriores, deverão ser levadas na devida conta as diferenças comprovadas nos níveis comerciais e nas quantidades, os elementos enumerados no art. 8° e os custos suportados pelo vendedor, em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados. Fl. 3549DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.532 37 c) Os critérios estabelecidos no parágrafo 2°.b devem ser utilizados por iniciativa do importador e exclusivamente para fins de compara cão. Valores substitutivos não poderão ser estabelecidos com base nas disposições do parágrafo 2°.b. (grifos acrescidos) Consta das provas já analisadas que há vinculação entre as exportadoras MADILER E NIVERWAY e a importadora de fato JA&A. Em tese, caberia à JA&A, por sua iniciativa, provar que o valor consignado nas DI é aceitável para fins aduaneiros e proceder as provas exigidas no número 2b, itens i, ii, iii. Entretanto, o fato de ela estar impedida de proceder importações para fins comerciais próprios, não ser a importadora de direito e haver se ocultado inviabiliza a utilização do primeiro método. Art. 2° 1.a) Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado segundo as disposições do art. 1°, sere': ele o valor de transação de mercadorias idênticas vendidas para exportação para o mesmo pais de importação e exportadas ao mesmo tempo em que as mercadorias objeto de valoração, ou em tempo aproximado. b) Na aplicação deste Artigo será utilizado, para estabelecer o valor aduaneiro, o valor de transação de mercadorias idênticas, numa venda no mesmo nível comercial e substancialmente na mesma quantidade das mercadorias objeto de valoração. In existindo tal venda, sera utilizado o valor de transação de mercadorias idênticas vendidas em um nível comercial diferente e/ou em quantidade diferente, ajustado para se levar em conta diferenças atribuíveis aos níveis comerciais e/ou as quantidades diferentes, desde que tais ajustes possam ser efetuados com base em evidência comprovada que claramente demonstre que os ajustes são razoáveis e exatos, quer conduzam a um aumento quer a uma diminuição no valor. 2 Quando os custos e encargos referidos no parágrafo 2° do art. 8° estiverem incluídos no valor de transação, este valor deverá ser ajustado para se levar em conta diferenças significativas de tais custos e encargos entre as mercadorias importadas e as idênticas as importadas, resultantes de diferenças nas distâncias e nos meios de transporte. 3 Se, na aplicação deste Artigo, for encontrado mais de um valor de transação de mercadorias idênticas, o mais baixo deles sera o utilizado na determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas. (grifos acrescidos) A comprovada existência de fraude inviabiliza, também, a aplicação do segundo método, devido à determinação de que "Na aplicação deste Artigo será utilizado, para estabelecer o valor aduaneiro, o valor de transação de mercadorias idênticas, Fl. 3550DF CARF MF 38 numa venda no mesmo nível comercial e substancialmente na mesma quantidade das mercadorias objeto de valoração". Ora, devido a fraude (o importador oculto ser o dono da mercadoria etc., já demonstrada) não é possível se estabelecer um parâmetro para "venda no mesmo nível comercial", pois esse termo se refere a transações legitimas e honestas. Art. 3° I.a) Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado segundo as disposições dos Artigos I° e 2°, será ele o valor de transação de mercadorias similares vendidas para exportação para o mesmo pais de importação e exportadas ao mesmo tempo que as mercadorias objeto de valoravao, ou em tempo aproximado. b) Na aplicação deste Artigo, será utilizado, para estabelecer o valor aduaneiro, o valor de transação de mercadorias similares, numa venda no mesmo nível comercial e substancialmente na mesma quantidade que as mercadorias objeto de valoração. Inexistindo tal venda, será utilizado o valor de transação de mercadorias similares vendidas em um nível comercial diferente e/ou em quantidade diferente, ajustado para se levar em conta diferenças atribuíveis aos níveis comerciais e/ou as quantidades, desde que tais ajustes possam ser efetuados com base em evidência comprovada, que claramente demonstre que os ajustes são razoáveis e exatos, quer estes conduzam a um aumento quer a uma diminuição no valor. 2 Quando os custos e encargos referidos no parágrafo 2° do art. 8° estiverem incluidos no valor de transação, este valor cleverer ser ajustado para se levar em conta diferenças significativas de tais custos e encargos entre as mercadorias importadas e as similares as importadas, resultantes de diferenças nas disteincias e nos meios de transporte. 3 Se, na aplicação deste Artigo, for encontrado mais de um valor de transação de mercadorias similares, o mais baixo deles será utilizado na determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas. As fraudes perpetradas pela envolvidas, no presente caso, impossibilita a comparação com mercadorias similares. No art. 15 do Acordo consta a definição de mercadorias similares e de valor aduaneiro, in verbis: Art. 15. 1 Neste Acordo: a) "valor aduaneiro das mercadorias importadas" signca o valor das mercadorias para fins de incidência de direitos aduaneiros ad valorem sobre mercadorias importadas; b) "pais de importação" designa o pais ou território aduaneiro de importação; e c) "produzidas,;.z' inclui cultivadas, manufaturadas e extraídas. 2 Neste Acordo: Fl. 3551DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.533 39 a) entendese por mercadorias idênticas as mercadorias que são iguais ern tudo, inclusive nas características fisicas, qualidade e reputação comercial. Pequenas diferenças na aparência não impedirão que sejam consideradas idênticas mercadorias que em tudo o mais se enquadram na definição; b) neste Acordo, entendese por mercadorias similares as que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição material semelhantes, o que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente. Entre os fatores a serem considerados para determinar se as mercadorias são similares incluemse a sua qualidade, reputação comercial e a existência de uma marca comercial; c) as expressões "mercadorias idênticas" e "mercadorias similares" não abrangem aquelas mercadorias que incorporem ou comportem, conforme o caso, elementos de engenharia, desenvolvimento, trabalhos de arte e de "design", e planos e esboços, para os quais não tenham sido feitos ajustes segundo as disposições do parágrafo I°.b.iv, do art. 8°, pelo fato de terem sido tais elementos executados no pais de importação; d) somente poderão ser consideradas idênticas ou similares, as mercadorias produzidas no mesmo pals que as mercadorias objeto de valora cão; (grifos acrescidos) Sendo que se comprovou serem falsas as origens declaradas, descartase a aplicação do art. 3 2 do Acordo. Art. 4° Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser definido segundo o disposto nos Artigos 1°, 2° ou 3°, sera ele determinado de acordo com as prescrições do art. 5° ou, se isto não for possível, a determinação do valor sera _Pita de conformidade com o disposto no art. 6°, a menos que, a pedido do importador, a ordem de aplicação dos Artigos e 6° seja invertida. Art. 5° La) Se as mercadorias importadas, ou mercadorias idênticas ou similares importadas, forem vendidas no pais de importação no estado em que são importadas, o seu valor aduaneiro, segundo as disposições deste Artigo, basearseá no preço unitário pelo qual as mercadorias importadas ou as mercadorias idênticas ou similares importadas, são vendidas desta forma na maior quantidade total, ao tempo da importação ou aproximadamente ao tempo da importação das mercadorias objeto de valoravão, a pessoas não vinculadas aquelas de quem compram tais mercadorias, sujeito tal prep as seguintes deduções: i) as comissões usualmente pagas ou acordadas em serem pagas, ou os acréscimos usualmente efetuados a titulo de lucros e Fl. 3552DF CARF MF 40 despesas gerais relativos a vendas em tal pais de mercadorias importadas da mesma classe ou espécie; ii,) os custos usuais de transporte e seguro, bem como os custos associados, incorridos no pais de importação; iii) quando adequado, os custos e encargos referidos no parágrafo 2° do art. 8'; e iv) os direitos aduaneiros e outros tributos nacionais pagáveis no pais de importação em razão da importação ou venda das mercadorias. b) Se nem as mercadorias importadas nem as mercadorias idênticas ou similares importadas são vendidas ao tempo ou aproximadamente ao tempo da importação das mercadorias objeto de valoração, o valor aduaneiro que, em circunstancias diversas, estaria sujeito as disposições do parágrafo 1"a deste Artigo, sera baseado no preço unitário pelo qual as mercadorias importadas, ou as mercadorias idênticas ou similares importadas, são vendidas no pais de importação, no estado em que foram importadas, na data mais próxima posterior à importação das mercadorias objeto de valoraçao, mas antes de completados noventa dias após tal importação. 2 Se nem as mercadorias importadas nem mercadorias idênticas ou similares importadas são vendidas no pais de importação no estado em que foram importadas, e se assim solicitar o importador, o valor aduaneiro será baseado no preço unitário pelo qual as mercadorias importadas e posteriormente processadas são vendidas no pais de importação, na maior quantidade total, a pessoas não vinculadas àquelas de quem compram tais mercadorias, levandose devidamente em conta o valor adicionado em decorrência de tal processamento, e as deduções previstas no parágrafo 1°.a deste Artigo. (grifos acrescidos) As restrições para o emprego desse artigo são as mesmas para o emprego do art. 32, ou seja, não há como se encontrar mercadorias idênticas ou similares, nos termos definidos pelo AVA. Art. 6° 1 0 valor aduaneiro das mercadorias importadas, determinado segundo as disposições deste Artigo, basearseá num valor computado. 0 valor computado será igual à soma de: a) o custo ou o valor dos materiais e da fabricação ou processamento, empregados na produção das mercadorias importadas; b) um montante para lucros e despesas gerais, igual àquele usualmente encontrado em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie que as mercadorias objeto de valoração, vendas estas para exportação, efetuados por produtores no pais de exportação, para o pais de importação; c) o custo ou o valor de todas as demais despesas necessárias para aplicar a opção de valoração escolhida pela Parte, de acordo com o parágrafo 2° do art. 8°. Fl. 3553DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.534 41 2 Nenhum Membro poderá exigir ou obrigar qualquer pessoa não residente em seu próprio território a exibir para exame, ou a permitir o acesso a, qualquer conta ou registro contábil, para a determinação de um valor computado. Todavia, as informações fornecidas pelo produtor das mercadorias com o objetivo de determinar o valor aduaneiro de acordo com as disposições deste artigo, poderão ser verificadas em outro pais, pelas autoridades do pais de importação, com a anuência do produtor e desde que tais autoridades notifiquem com suficiente antecedência o governo do pais em questão e que este não se oponha à investigação. (grifos acrescidos) Há provas nos autos de que o produtor declarado (Sara Lee) não produz os tipos de produtos importados, assim diante do fato de o produtor ser desconhecido não e pode aplicar o art. 62, pois a computação de valor envolve a precisa identificação do verificação dos fatores que compõe o custo da mercadoria. Devido à documentação apresentada pela importadora não ser quanto à origem das mercadorias e quanto ao valor a autoridade fiscal viuse obrig o art. 72 do GATT/1994 , in verbis: produtor e a digna de fé, ada a utilizar I Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado com base no disposto nos Artigos I° a 6°, inclusive, tal valor será determinado usandose critérios razoáveis, condizentes com os princípios e disposições gerais deste Acordo e com o art. 7° do GATT 1994, e com base em dados disponíveis no pals de importação. 2 0 valor aduaneiro definido segundo as disposições deste Artigo, não será baseado: a) no preço da venda, no pais de importação, de mercadorias produzidas neste; b) num sistema que preveja a adoção para fins aduaneiros do mais alto entre dois valores alternativos; c) no preço das mercadorias no mercado interno do pais de exportação; d) no custo de produção diferente dos valores computados que tenham sido determinados para mercadorias idênticas ou similares, de acordo com as disposições do art. 6°; e) no preço das mercadorias vendidas para exportação para um pais diferente do pais de importação; j) em valores aduaneiros mínimos; ou g) em valores arbitrários ou fictícios. Fl. 3554DF CARF MF 42 3 Caso o solicite, o importador serer informado, por escrito, sobre o valor aduaneiro determinado segundo as disposições deste Artigo, e sobre o método utilizado para determinar tal valor. (grifos acrescidos) A fl. 25 a autoridade fiscal declara, in verbis: Em fiinção da impossibilidade de identificar os elementos necessários para definição do valor com base no 40 (quarto e 50 (quinto) métodos, apuramos o valor das mercadorias, utilizando nos de critérios de razoabilidade, consoante o estabelecido no 62 método do AVA. Assim, remetendonos ao estabelecido no art. 7 2 e suas Notas Interpretativas, foram selecionadas importações cuja descrição detalhada, quantidade comercializada e período guardam relação com as registradas pela VIA SUL, tendo sido selecionadas DIs onde verificouse mercadorias similares, porém não necessariamente da mesma origem declarada nas importações objeto do presente Auto de Infração... Assim, a autoridade fiscal seguiu fielmente os preceitos do item 1 do art. 72, ou seja, procedeu a valoração aduaneira usando critérios razoáveis com base em dados disponíveis no pais de importação e sem infringência As proibições do número 2 do art. 72• A objeção de que a fi scalização não apresentou as cópias das DI que serviram de parâmetro no estabelecimento dos valores aduaneiros não é de ser aceita, uma vez que a legislação não determina que na valoração por esse método se utilize preços de importações realizadas, mas dados disponíveis no pais de importação o que leva a admissão mesmo de preços coletados em catálogos, jornais e revistas, por exemplo. De qualquer forma, dificilmente seria possível juntarse cópias de DI, na parte que se refere ao preço unitário de mercadorias, sem que nelas apareçam dados protegidos por sigilo fiscal (ou seja, aqueles cuja apresentação é permitida apenas A importadora ou por sua expressa autorização, ou ainda por determinação judicial). Se a peticionária tiver qualquer dúvida a respeito dos dados apresentados poderá requerer ao Poder Judiciário que determine sua exibição, pois são dados disponíveis na SRF. Não restam dúvidas de que os valores encontrados pela fiscalização são criteriosos, justos, razoáveis e obedecem os mandamentos das legislações anteriormente transcritas. Atualmente, na ocorrência de fraude o valor base para efeito de tributação é encontrado na forma estabelecida no art. 84 do Decreto n2 4.543/2002, in verbis: Art. 84. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos ou contribuições e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um Fl. 3555DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.535 43 dos seguintes critérios, observada a ordem sequencial (Medida Provisória le 2.15835, de 2001, art. 88): I preço de exportação para o Pais, de mercadoria idêntica ou similar; ou II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) mediante método substitutivo ao do valor de transação, observado ainda o principio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. IMPORTA Acessoria em Comércio Exterior Ltda alega, ainda, que tentase, por absurdo, cobrar da autuada, como solidaria, multa por suposta falta de Licença de Importação, não se havendo comprovado que ela praticou a infração do art. 169 do Decretolei n2 37/1966. Nesse ponto enganase a impugnante, pois a multa que foi cobrada das envolvidas não foi a de falta de Licença de Importação, mas por subfaturamento, conforme consta A fl. 95. 0 art. 169, II do Decretolei ng 37 de 18/11/1966 DOU 21/11/1966 dispõe, in verhis: Art. 169. Constituem infrações administrativas ao controle das importações: II subfaturar ou supeifaturar o preço ou valor da mercadoria: Pena: multa de 100% (cem por cento) da diferença. O subfaturamente está comprovado, conforme se demonstrou anteriormente. A argumentação de que as penalidades são confiscatória, violando o art. 52, IV da Constituição Federal vigente, além de desproporcionais, irrazoáveis e ilegais violando, também, o principio da capacidade contributiva, do contraditório e do devido processo legal argumento que não se presta a ser apresentado nesta esfera administrativa. A apreciação de argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária foge A alçada das autoridades julgadoras administrativas que não dispõem de competência para afastar a aplicação de normas vigentes por inconstitucionalidade ou ilegalidade. A apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário. Tratase, na verdade, de entendimento lid tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, conforme ementas transcritas a seguir: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS — Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que 6, e tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Fl. 3556DF CARF MF 44 LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS—Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e tampouco ao juizo de primeira instância, o exame da legalidade das leis e normas administrativas (Ac. 1° CC 10607.303, de 05/06/95). A autoridade julgadora administrativa está adstrita a se submeter As normas vigentes e impedida de afastálas por razões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. Sua apreciação processual é feita estritamente dentro da ótica da existência de legislação que embase o feito fiscal e sua adequação A ela e não se tais normas são ilegais ou inconstitucionais. Por oportuno, assinalese que tal é o entendimento que se extrai do Parecer Normativo da Cosit/SRF de n2 329/70: Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do panto de vista constitucional. Da mesma forma, os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva não podem ser opostos, em julgamento administrativo fiscal, contra a legislação existente. De se lembrar que o parágrafo único do art. 142 do CTN e o art. 116, III da Lei n2 8.112 de 11/12/1990 DOU 12/12/1990 ret. 19/04/1991 rep. 18/03/1998 que dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da Unido, das Autarquias e das Fundações Públicas, prescrevem, in verbis: Art. 142. (..) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 116. São deveres do servidor: III observar as normas legais e regulamentares; (grifos acrescidos) 0 principio do devido processo legal está sendo plenamente obedecido, tanto é que as interessadas procederam as impugnações ora analisadas e se, porventura, forem perdedoras na esfera administrativa podem recorrer ao Judiciário. Assim, diante dos fatos apresentados no processo e tendo em vista a vigência dos arts. 169, II do Decretolei 11 2 37 de 18/11/1966 DOU 21/11/1966 e 44, II, da Lei n2 9.430 de 27/12/1996 DOU 30/12/1996 não hi como se descartar a exigência das multas em questão. VIA SUL Comércio e Representações Ltda. alega que recebeu com surpresa a autuação, haja vista que sequer atuou como participante efetiva das negociações referentes As DI listadas pela fiscalização, somente intervindo por contratação da empresa JA&A Serviços de Comércio Exterior Ltda. e sob as ordens desta. Fl. 3557DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Acórdão n.º 3201003.661 S3C2T1 Fl. 3.536 45 Na verdade, surpreendente é o fato de a empresa agir com tamanha incúria, se é que não houve participação dolosa. Ninguém empresta o nome de uma firma para que terceiros usem e abusem dela, sabendo que todas as consequências tributárias, civeis, comerciais e criminais, do mau uso, cairão sobre ela. VIA SUL é a contribuinte de direito de todas as importações, ora discutidas. Observese, por exemplo à fl. 331, que sua razão social e CNPJ estão colocados no campo próprio do importador na Declaração de Importação. Assim sendo, sua argumentação no sentido de que não é a importadora é pueril. No que se refere A objeção de que a imputação As autuadas de prática de subfaturamento nas importações são acusações vagas e imprecisas, dissociadas de qualquer substrato probatório conclusivo, tendo por única finalidade o interesse de punir é matéria que já foi sobejamente analisada com a demonstração da existência de robustas e mesmo obesas provas da ocorrência de fraude e subfaturamento. Quanto As ementas de acórdãos e de Decisão exarada pela Ilmo. Sr. Delegado da DRJ/FNS, hi que se observar que eles se referem a processos específicos, certamente sobre outras circunstâncias e como tal inaplicável ao presente processo, conforme se demonstrou. Por todo o exposto voto no sentido de considerar procedentes os lançamentos consubstanciados nos Autos de Infração de fls. 04 a 112. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, adotando integralmente os fundamentos da decisão recorrida. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 3558DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900015/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 15 /2 00 8- 64 Fl. 115DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 60/65, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 48/52, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 01167.92487.191103.1.3.044588, fls. 19/24, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 16.419,38, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 2º semana de novembro de 2003, no valor de R$ 16.852,85. Conforme Despacho Decisório de fl. 16, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Inconformada, a interessada apresentou, em 28/03/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 3/7, na qual alega, em síntese: 3.1) que faltou ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação, o que a impediu de exercer o direito constitucional de ampla defesa; 3.2) que o Fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que desse suporte ao fato motivador da nãohomologação da compensação, exceto a descrição dos valores apurados; 3.3) que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato constitutivo de seu direito; que o ato administrativo há de ser sempre motivado; 3.4) que o "auto de infração" é nulo de pleno direito por não haver a demonstração do alegado, não permitindo apreender o motivo e o fato da autuação; 3.5) que declarou, por erro, o valor que indica como pagamento indevido ou a maior como DARF vinculado ao débito do período; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15374.900015/200864 Acórdão n.º 2201004.411 S2C2T1 Fl. 103 3 3.6) que sua alegação é comprovada pelo PER/DCOMP (fls. 16/21), DARF (fl. 22) e quadro demonstrativo (fl. 23) trazidos aos auto; 3.7) que o valor do débito apresentado na DCTF (fls. 24/35) contém erro que deve ser observado, especificamente, no campo pagamento com DARF, pois o valor pleiteado foi recolhido indevidamente; e que pede a alteração de oficio das informações constantes da DCTF.” Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 48/52): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano, calendário: 2003.. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERALS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se homologa compensação baseada em direito creditório, o qual não foi devidamente demonstrado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 16 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 32). Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Do Recurso Voluntário Fl. 117DF CARF MF 4 O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 10/06/2010, conforme fazem prova o AR de fl. 59 e a tela de consulta dos Correios de fl. 81, apresentou o recurso voluntário de fls. 60/65 em 08/07/2010. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações de mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, o demonstrativo de cálculo realizado nos autos do processo judicial nº 2233/98, que tramitou na 24ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 90/94). Sobre esse tema, afirmou que, em decorrência de condenação resultante de ação trabalhista, deveria recolher o valor de R$ 15.904,04 a título de IRRF (conforme cálculos de fls. 90/92). No entanto, o RECORRENTE alega ter cometido erro na apuração do tributo (deixou de deduzir da base de cálculo do imposto a parcela da contribuição previdenciária), assim efetuou o recolhimento do IRRF no montante indevido de R$ 16.419,38 (fl. 82). Assim, afirmou que, para corrigir seu erro e não trazer prejuízos ao exfuncionário, efetuou novo recolhimento do IRRF no valor correto de R$ 15.904,04 (fl. 94). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 14, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 06/09/2003. Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTFs originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 15374.900015/200864 Acórdão n.º 2201004.411 S2C2T1 Fl. 104 5 Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 16 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Fl. 119DF CARF MF 6 Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 002233/98, que tramitou na 24ª Vara do Rio de Janeiro, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15374.900015/200864 Acórdão n.º 2201004.411 S2C2T1 Fl. 105 7 confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da verdade material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 121DF CARF MF 8 Fl. 122DF CARF MF
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