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Numero do processo: 13851.900215/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel..
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 21 5/ 20 08 -1 9 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo seu direito creditório. Por meio do Pedido Eletrônico de Restituição PER nº 25578.80646.280604.1.3.045130, transmitido em 28/06/2004, a ora Recorrente pretende compensar débitos de IRPJ (cód: 2362 PA: janeiro e fevereiro de 2003) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362; PA 28/02/2001) (fls. 33/38). Em 24/04/2008, por intermédio do despacho decisório de efl. 07, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado pois “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débito declarado, com as seguintes características: “Db: cód 2362 PA 28/02/2001”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade (fls.10/16), alegando, em síntese, que: a) informou indevidamente “pagamento indevido ou a maior” na PER/DCOMP, os quais não foram localizadas pela Receita Federal; b) de fato o crédito não é oriundo de pagamento indevido ou a maior, mas sim de “saldo negativo de IRPJ”, o que se prova pelo exame da DIPJ/2002, retificadora entregue em 10/06/2003; c) apresenta um quadro de compensações que teriam sido efetuadas com o pretenso saldo negativo (fl. 12); d) que a luz do disposto no art. 156 II, do CTN, e art. 26, § 1º, da IN nº 600/2005, a compensação efetuada pelo sujeito passivo extinguiu devida e tempestivamente o crédito tributário tendo a informação do procedimento ao órgão natureza de obrigação acessória. Ao final requereu a reforma da decisão para que seja homologada a Compensação. A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/06/2004 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 4 3 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar parcelas da contribuição devidas nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/06/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 06/09/2012, a Contribuinte solicitou a juntada de seu recurso voluntário em 02/10/2012 que foi analisado pela DRF de Araraquara. No Recurso alega em apertada síntese: 1 – que apurou saldo negativo de IRPJ a utilizar em períodos subsequentes no montante de R$ 183.717,03, valor este que utilizou parcialmente para extinguir o IRPJ apurada nos períodos de janeiro e fevereiro de 2003; 2 – que apresentou tal ocorrência dna DIPJ de 2002 retificadora e no recurso voluntário através da apresentação dos razões contábeis e de DARF’s; 3 – que o inciso II do art. 156 do CTN dispõe sobre a liquidação de créditos através da compensação; 4 – Ao fim pede provimento. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Por meio do Pedido Eletrônico de Restituição PER nº 25578.80646.280604.1.3.045130, transmitido em 28/06/2004, a ora Recorrente pretende compensar débitos de IRPJ (cód: 2362 PA: janeiro e fevereiro de 2003) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362; PA 28/02/2001). A DRF em Araraquara não homologou o pedido da ora Recorrente alegando que: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 114.778,78 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP” De forma sintética a DRJ manteve a decisão de 1º instância por considerar que as provas trazidas pela Recorrente não foram suficientes para a comprovação do direito creditório do contribuinte, sendo que seria dele a responsabilidade pelo ônus da prova. Ciente do que seria suficiente para a comprovação de seu direito creditório, eis que até o momento do acórdão da DRJ não havia sido feita qualquer intimação a contribuinte, com a apresentação do Recirso Voluntário foram acostados: o plano de contas; os DARF’s recolhidos que montam o saldo negativo apresentado na DIPJ; os razões contábeis. Me permito discordar desse entendimento da DRJ. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. É necessário que ela seja cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., para que se busque a verdade material da Recorrente. Isto porque o que interessa é saber se no presente caso houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 6 5 O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados, sem qualquer análise do crédito, afronta aos princípios basilares de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica. Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações. Ocorre que essa opção na presente sistemática de compensação não é facultada ao Contribuinte. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP, que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 7 6 Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que a Contribuinte não apresentou as provas necessárias a comprovação do seu direito creditório. Não atentou portanto, nem tampouco diligenciou a DRF para que intimasse ao contribuinte que apresentasse os documentos comprobatórios de seu direito. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Assim, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração e isto não pode resultar apenas da admissibilidade de um crédito na leitura da DCTF. Pode e deve o contribuinte fundamentar através de outros elementos, como livros Diário e Razão, balancetes do período e outros documentos que achar necessários de forma a dar suporte àquilo que consta declarado na DIPJ, a fim de comprovar seu direito creditório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 8 7 Entendo que as informações foram prestadas com forte aparência de que comprovam as alegações efetuadas. A DIPJ/2002, anocalendário 2001, retificada foi entregue em 10/06/2003 e nela consta, na ficha 12A. na linha 18 (imposto de renda pagar), o valor de R$ 183.717,03, como saldo negativo de IRPJ, conforme demonstrado abaixo: Ficha 12 – Cálculo do Imposto de Renda Sobre o Lucro Real Item Descrição Valor 1 Alíquota de 15% 2.996,13 efl. 29 13 () Imposto de renda retido na fonte 3,534,83 efl. 29 16 () Imposto de renda mensal pago por estimativa 183.178,33 efl. 31 18 () Imposto de renda a pagar 183.717,03 A atualização se deu pela SELIC, como abaixo demonstrado: Saldo Negativo Original 31.12.2001 183.717,03 eFl. 32 Selic até fevereiro/02 2,78% eFl. 32 Saldo Atualizado 188.824,36 eFl. 32 Compensação fevereiro/02 12.592,20 eFl. 32 Saldo Negativo Original 171.435,55 eFl. 32 Selic até junho/04 45,96% eFl. 32 Saldo Atualizado 250.227,33 eFl. 32 Compensação junho/04 70.151,47 eFl.32 Saldo Negativo Original 123.373,43 eFl. 32 Do mesmo modo foi apresentada a escrita fiscal que aparentemente comprovam os lançamentos contábeis efetuados, conforme podese observar as efls. 75 a 117. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a DRF de origem esclareça: a) se os rendimentos obtidos pela Recorrente integraram a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, nos termos da legislação vigente a época, como consta da DIPJ/2002. ano calendário 2001; b) se houve saldo negativo apurado pela Recorrente, passível de restituição / compensação e em qual valor; c) se o crédito arguido pela Recorrente não foi utilizado para a quitação de outro(s) débito(s). Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados e intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13851.900215/200819 Resolução nº 1802000.462 S1TE02 Fl. 9 8 (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10380.913373/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO.
Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de levá-lo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO.
Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido.
Numero da decisão: 1802-002.040
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO. Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 33 73 /2 00 9- 15 Fl. 825DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 826 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 827 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 09/06/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 25992.15855.090608.1.3.046657 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débitos informados: IRRF, código de receita 056107 Rendimento do Trabalho Assalariado no País/Ausente no Exterior a Serviço do País, período de apuração Maio/2008, data de vencimento 10/06/2008, R$ 12.618,90; IRRF, código de receita 170806 Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica/Serviços de Limpeza, Conservação, Seguranças e Locacão de MaodeObra Prestados por Pessoa Jurídica, período de apuração Mai/2008, data de vencimento 10/06/2008, R$ 963,64; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 9.951,31; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/07/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 747.540,19. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Fl. 827DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 828 4 Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 42); b) que, entretanto, nesse PA não houve base imponível do IRPJ mensal por estimativa com base em balanço ou balancete de suspensão/redução (base negativa); c) que ao findar o anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); d) que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); e) que, inexistindo resultado positivo do PA julho/2005 e também do ano calendário, não se configurou, de fato, a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência do IRPJ; f) que não há que se cogitar em incidência do IRPJ, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto; g) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente ao PA julho de 2005, foi de fato indevido, conforme fechamento do período de apuração anual de 2005, DIPJ 2006 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido o recolhimento, a Contribuinte utilizou esse crédito para compensar valores (débitos de tributos a pagar) do ano de 2008; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito; h) que referido prejuízo, também, foi devidamente informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório). Por fim, com base nessas razões, conclui a contribuinte que dúvida não resta de que o crédito existe, decorrente da inexistência de base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora (anobase de 2005). Assim, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 829 5 A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento de estimativa como crédito, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.39/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acresceentou: que, embora tendo efetuado o pagamento do IRPJ Estimativa Mensal no montante de R$ 1.876.090,74 do período de apuração julho 2005, constatou, posteriormente, que não havia imposto de renda a pagar nesse período, pois, na Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, mediante Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução , apurou resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que no encerramento do anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, sequer havia valor a ser apurado/recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56); que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal, desde que demonstre, através de Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução, que a soma do imposto pago por estimativa dos meses anteriores é igual ou superior ao valor do imposto apurado com base em Balanço ou Balancete mensal; Fl. 829DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 830 6 que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, utilizando parte do referido crédito do IRPJ apurado por estimativa e indevidamente recolhido, para quitação de valores a pagar do ano de 2008 (débitos de tributos) e nesse ano, sendo que, no presente PER/DCOMP, como já dito, utilizou apenas parte desse crédito original, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de débitos tributários com créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB (despacho decisório), sob a alegação de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos tributários da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que a DRJ/Fortaleza, decisão ora recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como IRPJ Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior, mas somente como saldo negativo. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo do IRPJ do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a Recorrente formule no novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao princípio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou incontroverso nos autos que houve pagamento indevido do IRPJ do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados também comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 1.876.090,74; que a decisão a quo negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto para análise, que merece reparo, referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa'SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; Fl. 830DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 831 7 que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. Em face das alegações da Recorrente, está 2ª Turma Especial de Julgamento, na sessão de 04 de dezembro de 2012 (Resolução nº 1802000132) – fls. 64/72, resolveu converter o julgamento em diligência para instrução complementar, baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Fortaleza, para as seguintes providências conforme consta do voto condutor (fls. 71/72), in verbis: (...) Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. (...) Realizada a diligência solicitada, houve a juntada dos documentos (fls. 77/821). Fl. 831DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 832 8 Resultado da diligência, conforme Relatório (fls. 818/820). Intimada a Contribuinte do resultado da diligência em 30/07/2013 (fl. 821), não se manifestou, deixou transcorrer o lapso temporal in albis, conforme despacho de encaminhamento/devolução dos autos a este CARF pela DRF/Fortaleza, de 12/11/2013 (fl.822). É o relatório. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 833 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária; porém a decisão recorrida da DRJ/Fortaleza, assim como já havia ocorrido com o despacho decisório da DRF/Fortaleza, denegou o crédito pleiteado, não homologando a compensação informada nos autos. A Recorrente pleiteou crédito de R$ 9.951,31 (valor original), relativo a suposto pagamento indevido de R$ 1.876.090,74 (valor original) de IRPJ estimativa mensal do PA 31/07/2005, código de receita 5993, data de arrecadação 31/08/2005, conforme cópia do DARF (fl. 42). O crédito pleiteado foi denegado até então, em suma, por dois fundamentos: a) inexistência de crédito disponível, pois o valor recolhido do IRPJ estimativa mensal do PA julho/2005 teria sido totalmente consumido pelo débito do imposto, de igual valor, desse PA, confessado na respectiva DCTF e que a DCTF retificadora (anulando esse débito) não poderia ser aceita, pois foi transmitida, eletronicamente, após ciência do despacho decisório, quando a Contribuinte já havia perdido a espontaneidade e, além disso, a Contribuinte não teria comprovado nos autos, de forma cabal, com cópia de livros e documentos de escrituração contábil/fiscal que teria ocorrido erro quanto ao valor do imposto informado/confessado na DCTF primitiva; b) inviabilidade do pleito de restituição/aproveitamento de crédito de determinado pagamento a maior ou indevido de IRPJ estimativa mensal; que as estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, somente seria passível de restituição o saldo negativo apurado no encerramento do anocalendário e informado na Declaração de Ajuste Anual. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio deduzido. A decisão recorrida deve ser reformada. Os dois fundamentos que, até então, foram utilizados para indeferimento do crédito pleiteado deixaram de ser óbice nesta instância de julgamento, pelo seguinte:. 1) – COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO/UTILIZADO NA DCOMP: Primeiro, na Sessão de Julgamento de 04/12/2012, foi constada a necessidade de instrução processual complementar, para formação da convicção do julgador quanto mérito Fl. 833DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 834 10 do litígio deduzido nos autos, ou seja, quanto à certeza e liquidez do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP. Nesse sentido, está 2ª Turma Especial converteu o julgamento em diligência para a complementação de provas, conforme Resolução nº 1802000.132, de 04/12/2012, baixando os autos para a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Fortaleza, para as providências determinadas (fls. 66/74). Os autos retornaram para este CARF, após a realização da diligência. O Relatório de Diligência da Fiscalização da DRF/Fortaleza consigna conclusão pela certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP pela Contribuinte, nos seguintes termos (fls. 820/822), in verbis: (...) 3. No tocante à matéria de análise do presente Relatório Fiscal, apresentamos nossas conclusões nos moldes como se verá adiante. 4. No presente processo, o contribuinte reivindica o direito creditório de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal do período de apuração julho de 2005, que teria pago indevidamente em 31/08/2005, e, portanto, teria o direito de vê lo compensado com o débito de R$ 13.592,54, DCOMP nº 25992.15855.090608.1.3.046657. Segundo o contribuinte, para o referido período, ocorreu prejuízo fiscal do IRPJ, não sendo devido, portanto, o imposto a título de estimativa mensal. O pagamento de R$ 1.876.090,74 seria fruto de equívoco. 5. Em 13/06/2006, o contribuinte transmitiu sua DIPJ original, anocalendário 2005, a qual encontrase ativa até a presente data, sem quaisquer retificações. Nessa DIPJ, o contribuinte apurou o prejuízo fiscal do IRPJ de R$ 73.103.028,52 e, a título de estimativa mensal, os seguintes valores: PA Base de Cálculo do IRPJ Valor devido (estimativa IRPJ) Jan/2005 3.343.907,66 0,00 Fev/2005 6.645.519,07 0,00 Mar/2005 20.346.492,32 0,00 Abr/2005 17.722.420,69 0,00 Mai/2005 13.191.204,02 0,00 Jun/2005 11.986.991,25 0,00 Jul/2005 22.238.973,21 0,00 Ago/2005 36.844.078,00 0,00 Set/2005 43.249.497,34 0,00 Out/2005 53.546.298,28 0,00 Nov/2005 64.061.290,22 0,00 Dez/2005 73.173.069,26 0,00 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 835 11 6. Na Ficha 12A da DIPJ do contribuinte consta o seguinte resultado: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL VALOR À alíquota de 15% + 6% + Adicional 0,00 DEDUÇÃO () Campos 04 a 16 0,00 () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa 0,00 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 0,00 7. Resta evidente, mediante essa referida Ficha 12A, a não utilização do valor ora requerido de R$ 1.876.090,74 na composição de saldo negativo do IRPJ. Portanto, afastada está a hipótese de aproveitamento em duplicidade do crédito ora pleiteado. 8. Por outro lado, em sua DCTF original, enviada em 08/09/2005, o contribuinte declarou o débito de R$ 1.876.090,74 (IRPJ N OBR L REAL ESTIMATIVA IRPJ, cód. 5993). Há dissonância, portanto, entre referida declaração e àquela informada em DIPJ, onde inexistiu valor apurado, o que ensejaria uma retificação. 9. Em 27/10/2009, o contribuinte retificou sua DCTF original, de modo a se adequar a sua DIPJ original do período correlato. Nessa retificação foi excluído o débito de R$ 1.876.090,74. Em consequência, restou disponibilizado o correspondente recolhimento desse débito que fora excluído, passandoo a figurar como um pagamento indevido. 10. Atendendo à Intimação Fiscal de 15/05/2013, o contribuinte trouxe à colação os Demonstrativos de Apuração do Lucro Real, fls.81/87. Em tais documentos, há registros de que, em todos os meses do anocalendário de 2005, exceto junho e julho, houve prejuízo fiscal. O acumulado desse prejuízo fiscal, meses jan/2005 a mai/2005, se computado na apuração do resultado de exercício nos meses junho/2005 e julho/2005, culminaria na inexistência de IRPJ a pagar a título de estimativa mensal. 11. Em suma, considerandose a DIPJ original e a DCTF retificadora do contribuinte, bem como os respectivos registros contábeis ora demonstrados, relativamente ao IRPJ, ano calendário 2005, como a expressão da verdade, restou disponibilizado o valor creditório de R$ 1.876.090,74. 12. Consoante tela, fls. 814/817, reservouse parte desse valor, R$ 9.951,31, para a compensação de que trata o presente processo, caso essa douta Turma de Julgamento entenda procedente a reivindicação do contribuinte. (...) Como visto, o crédito pleiteado/utilizado na DCOMP objeto dos autos deve ser recohecido, pois: Fl. 835DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 836 12 a) quanto ao PA julho/2005, conforme Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, elaborado e registrado na forma do art. 35 da Lei nº 8.981/95, que a Recorrente teve resultado negativo de R$ (22.238.973,21) e, no final desse anocalendário 2005 (dezembro), teve prejuízo fiscal acumulado no ano de R$ (73.103.028,52) – DIPJ 2006/Ficha 11; b) que as cópias dos livros e documentos de sua escrituração contábil/fiscal comprovam esses prejuízos apurados, nos referidos períodos de apuração (fls. 79/822); c) que o valor pago/recolhido do IRPJ estimativa do PA julho/2005, por conseguinte, foi indevido, pois não tem relação com a escituração contábil/fiscal, configurando erro material a informação de apuração e confissão de débito do IRPJ estimtiva mensal do PA julho/2005 na DCTF primitiva. Logo, deve ser acolhida ou aceita a DCTF retificadora que corrigiu esse erro material, pois restou comprovada nos autos a inexistência de base imponível para apuração do imposto para esse PA; d) que, na Ficha 12A DIPJ 2006 (anocalendário 2005), restou consignado que a Contribuinte não levou o valor recolhido indevidamente para o ajuste anual, pois não preencheu a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real. (Ficha apresentada com os valores zerados); e) que o crédito pleiteado/utilizado pela Recorrente na DCOMP objeto destes autos existe, está disponível e foi reservado para saldar os respectivos débitos confessados nessa declaração, conforme Relatório de Diligência. 2) PAGAMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO ESTIMATIVA MENSAL. MATÉRIA SUMULADA: No caso, o pagamento do IRPJ mensal por estimativa do PA julho/2005 decorreu de erro de fato, sem relação com a escrituração contábil/fiscal, pois nesse PA mensal sequer houve base imponível para apuração do imposto, em face da apuração de prejuízo já demonstrado anteriormente, ou seja, conforme transcrição das conclusões do Relatório de Diligência. Pela Súmula CARF nº 84, não é necessário levar para o saldo negativo, o imposto estimativa mensal pago indevidamente, quando o recolhimento do imposto ocorreu por equívoco ou erro de fato, ou seja, quando o pagamento do imposto não tem relação alguma com a escrituração contábil/fiscal, considerandose, ainda, o recolhimento indevido na data de arrecadação. A propósito, transcrevo o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, reconheço o crédito pleiteado pela Recorrente de R$ 9.951,31 (valor original) utilizado na DCOMP, e homologo a compensação tributária objeto dos autos até o limite do crédito reconhecido. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913373/200915 Acórdão n.º 1802002.040 S1TE02 Fl. 837 13 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 837DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10783.902127/2006-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE RECONHECIDA, SEM EFEITOS MODIFICATIVOS.
Verificada a existência de obscuridade, impõe-se acolher os embargos para que seja sanada, sem efeitos modificativos no acórdão embargado.
COMPENSAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. ALEGAÇÃO DE NÃO RECEBIMENTO DE INTIMAÇÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO.
O estatuto que rege o processo administrativo fiscal adotou a teoria da eventualidade, pela qual toda matéria de defesa deve ser suscitada desde logo. As questões de fato ou de direito que não forem expressamente impugnadas não serão consideradas para fins de decisão. Se a recorrente entende ter sofrido cerceamento no seu direito de defesa em face do despacho decisório da autoridade administrativa, o que seria causa de nulidade, deveria tê-lo argüido na primeira oportunidade, no caso, na sua manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão, nos termos do art. 245 do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 1302-001.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer e acolher parcialmente os embargos interpostos, para sanar a obscuridade verificada, sem efeitos modificativos no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Hélio Eduardo de Paiva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE RECONHECIDA, SEM EFEITOS MODIFICATIVOS. Verificada a existência de obscuridade, impõe-se acolher os embargos para que seja sanada, sem efeitos modificativos no acórdão embargado. COMPENSAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. ALEGAÇÃO DE NÃO RECEBIMENTO DE INTIMAÇÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. O estatuto que rege o processo administrativo fiscal adotou a teoria da eventualidade, pela qual toda matéria de defesa deve ser suscitada desde logo. As questões de fato ou de direito que não forem expressamente impugnadas não serão consideradas para fins de decisão. Se a recorrente entende ter sofrido cerceamento no seu direito de defesa em face do despacho decisório da autoridade administrativa, o que seria causa de nulidade, deveria tê-lo argüido na primeira oportunidade, no caso, na sua manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão, nos termos do art. 245 do Código de Processo Civil.
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OBSCURIDADE RECONHECIDA, SEM EFEITOS MODIFICATIVOS. Verificada a existência de obscuridade, impõese acolher os embargos para que seja sanada, sem efeitos modificativos no acórdão embargado. COMPENSAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. ALEGAÇÃO DE NÃO RECEBIMENTO DE INTIMAÇÃO. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. O estatuto que rege o processo administrativo fiscal adotou a teoria da eventualidade, pela qual toda matéria de defesa deve ser suscitada desde logo. As questões de fato ou de direito que não forem expressamente impugnadas não serão consideradas para fins de decisão. Se a recorrente entende ter sofrido cerceamento no seu direito de defesa em face do despacho decisório da autoridade administrativa, o que seria causa de nulidade, deveria têlo argüido na primeira oportunidade, no caso, na sua manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão, nos termos do art. 245 do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer e acolher parcialmente os embargos interpostos, para sanar a obscuridade verificada, sem efeitos modificativos no acórdão embargado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 21 27 /2 00 6- 52 Fl. 3973DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10783.902127/200652 Acórdão n.º 1302001.326 S1C3T2 Fl. 3.974 2 ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Hélio Eduardo de Paiva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 3974DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10783.902127/200652 Acórdão n.º 1302001.326 S1C3T2 Fl. 3.975 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por EISA EMPRESA INTERAGRICOLA S/A, em face do Acórdão nº 1302001.054 proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 07/03/2013, com a seguinte ementa: PER/DCOMP. Não deve ser conhecido direito creditório novo que não consta de PER/COMP questionado nos autos. O colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Cientificada por via eletrônica, por decurso de prazo, em 04/07/2013, a interessada, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 03/07/2013, sustentando que ao negar provimento ao recurso voluntário, este colegiado deixou de apreciar as duas alegações preliminares constantes do recurso voluntário apresentado: a) a primeira diz respeito ao pedido de desentranhamento dos volumes 02 a 20 dos autos, que não fazem parte do processo sob análise, mas sim ao processo nº 11543.003416/200310 e anexados ao processo correto. b) A segunda omissão referese à não apreciação da alegação de que ocorreu cerceamento do direito de defesa tendo em vista que a embargante jamais teria recebeu as intimações de fls. 25 a 29 e 48 dos autos, que seriam para a interessada apresentar pedido de cancelamento do PER/DCOMP ou, sendo o caso, retificálo, para indicar crédito demonstrado em um PER/DCOMP ativo ou para apresentar detalhamento. Na esteira dessa alegação pediu a anulação das decisões proferidas às fls. 64/68, com base no PARECER SEORT e às fls. 3831/3833, acórdão proferido pela DRJRio de Janeiro. Ao final, a embargante requer que seja dado provimento dos embargos com vistas a suprir as omissões apontadas na peça, reformandose o acórdão. É o relatório. Fl. 3975DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10783.902127/200652 Acórdão n.º 1302001.326 S1C3T2 Fl. 3.976 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos, pelo que passo a examinar se preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. Alega a interessada, ora embargante, que a decisão recorrida ao dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo incorreu em omissões quanto às duas preliminares por ela suscitadas. A primeira diz respeito a pedido de desentranhamento dos volumes 02 a 20 dos autos, que não fazem parte do processo sob análise, mas sim ao processo nº 11543.003416/200310 e anexados ao processo correto. Examinando o relatório do acórdão embargado, não consta qualquer menção a tal pedido. A embargante também não demonstrou ou indicou em que ponto do seu recurso a matéria foi suscitada. De qualquer sorte, tratase de matéria estranha ao litígio, cujas medidas devem ser pleiteadas à unidade preparadora. Assim, não conheço do recurso neste ponto. A embargante alega como segundo ponto dos embargos que a decisão foi omissa em face da não apreciação da alegação de que ocorreu cerceamento do direito de defesa tendo em vista que a embargante jamais teria recebeu as intimações de fls. 25 a 29 e 48 dos autos, que seriam para a interessada apresentar pedido de cancelamento do PER/DCOMP ou, sendo o caso, retificálo, para indicar crédito demonstrado em um PER/DCOMP ativo ou para apresentar detalhamento. Na esteira dessa alegação pediu a anulação das decisões proferidas às fls. 64/68, com base no PARECER SEORT e às fls. 3831/3833, acórdão proferido pela DRJ Rio de Janeiro. Examinando o relatório do acórdão recorrido, verifico que, de fato, a matéria foi suscitada no recurso. Entendo que, ainda que de forma não muito clara, o relator afastou a alegação no seu voto quando dispôs que a embargante teria trazido matéria nova aos autos, por ocasião do recurso, conforme se extrai do seguinte trecho do voto condutor: Entendo que a recorrente pretende incluir matéria nova nos autos, cujo mérito deixou de ser apreciado por ocasião dos exames realizados pela DRJ de Vitória, bem como pela falta de atendimento às intimações. Com efeito, a recorrente, ora embargante não suscitou tal alegação por ocasião da manifestação de inconformidade, precluindo seu direito de fazêlo por ocasião do recurso. Fl. 3976DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10783.902127/200652 Acórdão n.º 1302001.326 S1C3T2 Fl. 3.977 5 Notese que a acusação de nulidade é tanto da decisão de 1º grau, quanto do despacho decisório da autoridade administrativa que examinou as compensações. Observese ainda que as intimações solicitando providências do contribuinte acerca do detalhamento do direito creditório utilizado nas compensações e da ausência de manifestação da interessada, ora embargante, consta expressamente do parecer que embasou o despacho decisório, fls. 103/104, do qual a interessada tomou ciência antes de apresentar sua manifestação de inconformidade. O Decreto nº 70.235/1972 estabelece no seu art. 16, inc. II que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O art. 17 do mesmo diploma, estabelece que considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O dispositivo processual adotou “a teoria da eventualidade no processo, em que toda matéria de defesa deverá ser suscitada. Vale ressaltar que a questão de fato ou de direito que não for expressamente impugnada não será considerada para fins de decisão” 1. Ora, se a recorrente entende que sofreu cerceamento no seu direito de defesa em face do despacho decisório da autoridade administrativa, o que seria causa de nulidade, deveria têlo argüido desde logo na sua manifestação de inconformidade. Nesse sentido, dispõe o Código de Processo Civil: Art. 245. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Por outro lado, não há qualquer vício na decisão de primeiro grau quanto a esta matéria na medida em que sequer foi suscitada na manifestação de inconformidade. Assim, conheço dos embargos quanto a matéria, com vistas a sanear a obscuridade existe para, no mérito, rejeitar as alegações da recorrente, ora embargante. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer e acolher parcialmente os embargos interpostos, para sanar a obscuridade verificada, sem efeitos modificativos no acórdão embargado, nos termos acima expostos, Sala de Sessões, em 12 de março de 2014. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator 1 NUNES, Cleucio Santos. Curso de Direito Processual Tributário. Dialética. 2010, p. 295, (in PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann e SLIWKA, Ingrid Schroder. 7 ed. Porto Alegre. Livraria do Advogado, 2012, p.79) Fl. 3977DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10783.902127/200652 Acórdão n.º 1302001.326 S1C3T2 Fl. 3.978 6 Fl. 3978DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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Numero do processo: 11686.000041/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se falar em ressarcimento/compensação de Saldo Credor PIS e Cofins, vinculado a receita oriunda de venda de produtos sujeita a referida contribuição.
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO.
Segue a regra geral prevista no art. 3º da Lei n. 10.637/02, cuja alíquota é de 1,65%, quando a empresa apura créditos de PIS no regime da não-cumulatividade, mesmo aquelas empresas fabricantes de produtos farmacêuticos com tributação monofásica.
Numero da decisão: 3401-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade , negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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DE PRODUTOS FARMACEUTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em ressarcimento/compensação de Saldo Credor PIS e Cofins, vinculado a receita oriunda de venda de produtos sujeita a referida contribuição. PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. Segue a regra geral prevista no art. 3º da Lei n. 10.637/02, cuja alíquota é de 1,65%, quando a empresa apura créditos de PIS no regime da não cumulatividade, mesmo aquelas empresas fabricantes de produtos farmacêuticos com tributação monofásica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade , negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 41 /2 00 9- 05 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de RECURSO VOLUNTÁRIO contra o acórdão da 2ª Turma da DRJ/POA que indeferiu a manifestação de inconformidade da Recorrente. Constatou a Fiscalização a existência de diversas irregularidades no pedido da empresa. De acordo com o relatório de Informação Fiscal, a empresa: a) Requisitou ressarcimento, tendo em vista o benefício de crédito presumido oriundo do art. 3º da Lei nº 10.147/2000, para o qual, todavia, inexiste previsão legal; b) a partir de outubro de 2004, passou a creditarse, em 24 parcelas, do valor de todos os bens adquiridos, mesmo aqueles que não faziam parte do processo produtivo da empresa; c) utilizou alíquotas diferenciadas no cálculo de créditos pela sistemática da não cumulatividade. A interessada insurgese tempestivamente contra o indeferimento do seu pedido. Relata a concessão, por meio da Lei nº 10.147/2000, de crédito fiscal presumido equivalente ao montante de débito apurado, com o intuito de neutralizar o efeito financeiro decorrente da incidência da contribuição em apreço. Entende possuir direito ao ressarcimento do crédito fiscal acumulado. Preliminarmente, alega nulidade do despacho decisório, uma vez que as razões para o não reconhecimento do direito creditório em apreço já estariam sendo discutidas nos autos do processo administrativo nº 11080.004256/200919, que contém autos de infração relativos ao PIS ( períodos maio a agosto de 2005, abril de 2006 e maio de 2006) e à Cofins (períodos maio a agosto de 2005, dezembro de 2005 e março a maio de 2006). No mérito, inicia sua argumentação relatando ser o objeto social da empresa a industrialização de produtos farmacêuticos, estando sujeita ao regime de tributação concentrada, monofásica, instituído pela Lei nº 10.147/2000, com aplicação do percentual de 9,9% para a Cofins e 1,65% (sic) para o PIS. Comenta que inicialmente foi excluída da sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins quando do advento das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Só a partir da edição da Lei nº 10.865/2004 é que as pessoas jurídicas sujeitas ao regime estabelecido pela Lei nº 10.147/2000 passaram a ser tributadas pela sistemática da não cumulatividade. Passa então a abordar as questões de sua inconformidade por tópicos. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11686.000041/200905 Acórdão n.º 3401002.485 S3C4T1 Fl. 6 3 Acredita possuir o direito ao ressarcimento do crédito fiscal presumido, citando o disposto no art. 17 da lei nº 11.033/2004, combinado com o art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Alega ser a concessão de crédito presumido uma espécie do gênero desoneração tributária, tal como a isenção, a redução de base de cálculo ou qualquer outro subsídio, entre as quais estariam aquelas elencadas pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Cita o disposto no §6º do art. 150 da Constituição Federal de 1988 como exemplo de sua argumentação. Defende a necessária concessão do mesmo tratamento conferido às operações com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para as situações de crédito presumido, sob pena de violação ao Princípio da Igualdade. Com relação às alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos pela sistemática não cumulatividade, invoca a possibilidade de aplicar os percentuais de 9,9 % ou 10,3% para a Cofins e 2,1% e 2,2 % para o PIS no cálculo dos créditos da não cumulatividade. Rebate a afirmação da fiscalização de que não haveria amparo legal para a utilização de alíquotas diferenciadas, citando a Solução de Consulta nº 232/2008, a qual tratou da alíquota a ser aplicada no cálculo de créditos pela sistemática da não cumulatividade de autopeças importadas. Novamente reforça ser necessária a simetria/identidade entre a alíquota incidente sobre a receita auferida na comercialização e aquela adotada para fins de cálculo dos créditos de PIS e Cofins a serem descontados, para que seja plenamente aplicada a não cumulatividade. A 2ª Turma da DRJ/POA por meio do acórdão n.º 1027.825 decidiu (ementa): “CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO IMPOSSIBILIDADE. Não constando expressamente o crédito presumido como uma das hipóteses estabelecidas pelo art. 17 da Lei nº 11.0033/2004, inexiste previsão legal para o ressarcimento dos créditos vinculados às operações de venda, nos termos do previsto pelo art. 16 da Lei nº 11.116/2005. PIS SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITOS. ALÍQUOTA Na apuração de créditos passíveis de dedução dos débitos de PIS não cumulativo deve ser utilizada a alíquota de 1,65%, mesmo Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 quando se tratar de empresa fabricante de produtos farmacêuticos com tributação concentrada (monofásica). MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa.” Nos autos consta despacho de encaminhamento onde a 3ª Seção encaminha o processo para a 1a. Seção, pois entende que a matéria é de competência da 1a. Seção. A 1ª Seção por sua vez devolveu o processo para 3ª Seção, entendendo que o processo é da competência desta. Segue ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: DECLINAR COMPETÊNCIA. Declinase competência quando a matéria tratada nos autos não é de competência da Turma. A recorrente traz basicamente as mesmas razões dispostas acima. É o relatório. Voto Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11686.000041/200905 Acórdão n.º 3401002.485 S3C4T1 Fl. 7 5 Conselheiro Angela Sartori O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratandose a matéria do presente processo de Pis/ Pasep, entendo ser de competência da Terceira Seção nos termos do Regimento Interno do CARF , portanto passo a proferir o Voto. Na sessão de 24 de outubro de 2012, foi julgado o processo nº. 11686.000038/200983, resultando no Acórdão nº. 3401002.030, de minha relatoria, em que a ora Recorrente também ocupou o pólo passivo para discutir matéria idêntica ao presente caso, diferenciando tão somente quanto ao PER/DCOMP, eis que se trata de suposto crédito de COFINS para o período de 07/2006 a 09/2006 (diferentemente do presente caso por versar sobre crédito de PIS referente ao período de 04/2006 a 06/2006), razão pela qual, em virtude da salvaguarda do princípio da segurança jurídica, reproduzo as mesmas razões ali consignadas. DA COMPENSAÇÃO A Lei n. 10.147/00, em seu art. 3º, institui um regime especial de utilização de crédito presumido do PIS e da COFINS. Portanto, para ser beneficiária do citado crédito, mister se faz que atendam às exigências contidas no dispositivo acima citado. Para a compensação e restituição, há critérios específicos, in verbis: Art. 3º Será concedido regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins às pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados na posição 30.03, exceto no código 3003.90.56, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3001.20.90, 3001.90.10, 3001.90.90, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10 e 3006.60.00, todos da TIPI, tributados na forma do inciso I do art. 1º, e na posição 30.04, exceto no código 3004.90.46, da TIPI, e que, visando assegurar a repercussão nos preços da redução da carga tributária em virtude do disposto neste artigo: ( Redação dada pela Lei nº 10.548, de 13.11.2002 ) I tenham firmado, com a União, compromisso de ajustamento de conduta, nos termos do § 6º do art. 5º da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985; ou (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 13.11.2002 ) II cumpram a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos para utilização do crédito presumido, na forma determinada pela Lei nº 10.213, de 27 de março de 2001. ( Redação dada pela Lei nº 10.548, de 13.11.2002 ) § 1º O crédito presumido a que se refere este artigo será: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 I determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea a do inciso I do art. 1o desta Lei sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) II – deduzido do montante devido a título de contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial. § 2º O crédito presumido somente será concedido na hipótese em que o compromisso de ajustamento de conduta ou a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos, de que tratam, respectivamente, os incisos I e II deste artigo, inclua todos os produtos constantes da relação referida no inciso I do § 1º , industrializados ou importados pela pessoa jurídica. ( Redação dada pela Lei nº 10.548, de 13.11.2002 ) § 3º É vedada qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido de que trata este artigo, bem como sua restituição. Conforme transcrito, a legislação veda “qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido (...), bem como sua restituição”. A Recorrente pleiteia, para a compensação, a aplicação do art. 17 da Lei n. 11.033/04 e as regras do art. 16 da Lei n. 11.116/05, abaixo transcritos, verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (...) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11686.000041/200905 Acórdão n.º 3401002.485 S3C4T1 Fl. 8 7 O saldo credor acumulado de PIS e COFINS vinculados às receitas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência e ainda receitas de exportação poderão ser compensados com saldo a pagar de PIS e COFINS e com qualquer tributo administrado pela Receita Federal do Brasil, conforme disposto no citado art. 16 da Lei n. 11.116/05, regulamentada pela IN n. 900, art. 34. Nesse diapasão, segue a hodierna doutrina, nas lições do Professor Leonardo Lima Cordeiro (BERGAMINI, Adolpho; PEIXOTO, Marcelo Magalhães, coordenadores. PIS e COFINS na teoria e prática: uma abordagem completa dos regimes cumulativo e não cumulativo. 3ª Ed. São Paulo: MP Editora, 2012. p. 550): “Os saldos credores acumulados de PIS e COFINS poderão, também, ser objeto de compensação com outros tributos administrados pela RFB, desde que se refiram: · Custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas e venda a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação; ou · Custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. · Aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei n. 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. O artigo 42 e seguintes da IN RFB n. 900/08 estabelecem os critérios para que o contribuinte possa realizar a compensação de saldos credores de PIS e COFINS. Nem todo crédito de PIS e COFINS não utilizado pelo contribuinte na compensação com os valores devidos das próprias contribuições poderá ser utilizado na compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal. Para tanto, deverá o crédito decorrer das situações acima discriminadas. Basicamente, os créditos de PIS e COFINS poderão ser compensados com outros tributos administrados pela RFB quando decorrentes de situações em que há a desoneração das contribuições sobre a receita decorrente da venda de mercadorias ou serviços”. (sem grifo no original) Com efeito, a Recorrente é Indústria Farmacêutica e está sujeita à Lei n. 10.147/00. Dessa forma, a sua receita de venda dos medicamentos prevista na legislação tributária (art. 1º da Lei n. 10.147/00), por meio do crédito presumido, gera crédito de 100% dessa receita. Dessa feita, o débito do PIS e COFINS termina sendo zerado. Contudo, além do Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 crédito presumido a empresa possui também direito aos demais créditos descritos no art. 3º das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, abaixo transcrito, verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11686.000041/200905 Acórdão n.º 3401002.485 S3C4T1 Fl. 9 9 jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Dessa forma, a Recorrente redundou em saldo credor de PIS e COFINS. Porém, como esse saldo não está vinculado à receita de exportação, tampouco à receita de alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência, só poderá utilizar o referido crédito com o próprio PIS e COFINS devidos nos meses posteriores, ou seja, não tem base legal para permitir a compensação desses valores (créditos acumulados), com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. DO CÁLCULO INCORRETO DE CRÉDITOS REFERENTES A ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS A Lei n. 10.147/00 determina as alíquotas diferenciadas “concentrado/monofásico” de PIS (2,1% e 2,2%) e COFINS (9,9% e 10,3%), em relação aos produtores e importadores dos produtos relacionados, como o caso da Recorrente. Nesses casos, em que a empresa está sujeita a tributação concentrada (monofásica), que tem como característica a tributação de produtos específicos, a tributação incide unicamente na pessoa jurídica do produtor, fabricante ou importador, a alíquotas maiores que usualmente aplicadas na tributação das demais receitas, com a conseqüente desoneração de tributação das etapas posteriores de comercialização no atacado e no varejo dos referidos produtos. Ocorre que a Recorrente, sem amparo legal, passou a tomar crédito de acordo com a base de cálculo das receitas auferidas. Em relação à tomada de crédito, temse como regra geral a aplicação das alíquotas previstas nos arts. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, que são de 1,65% e 7,60% para o PIS e COFINS, respectivamente. Logo, não havendo previsão em contrário, aplicase a regra geral. Sendo, portanto, improcedente a alegação de simetria/identidade de alíquotas, vez que não há lei nesse sentido. A Recorrente trouxe uma solução de consulta para fundamentar a sua tese. Ocorre que ela não se aplica ao caso em tela, tendo em vista que ela não se trata de tributação monofásica sobre medicamentos e sim sobre autopeças; assim como se refere a um importador de autopeças. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Angela Sartori Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13603.901702/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração servem ao questionamento de contradição ou omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada a contradição ou a omissão, incabíveis os embargos.
Numero da decisão: 3403-002.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração servem ao questionamento de contradição ou omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada a contradição ou a omissão, incabíveis os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional ao Acórdão nº 3403001.908, de 27/02/2013, sob o fundamento de “contradição” e “omissão”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 17 02 /2 00 8- 21 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Afirma a Fazenda que a decisão foi de encontro ao teor da Súmula CARF nº 20 e que a matéria (reconhecimento de créditos de insumos NT ou isentos) está sujeita a sobrestamento (cf. art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator A ciência, pela PGFN, seguiu as disposições da Portaria MF no 527/2010 (art. 7o). O documento de remessa atestou a entrega (em 12/04/2013), sendo considerada presumida a ciência um mês depois, iniciandose a contagem para interposição de recurso/embargo. Assim, tempestivos os embargos apresentados em 02/05/2013. Dispõe o art. 65 do Regimento Interno do CARF: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” A contradição e a omissão apontadas não se referem a elementos intrínsecos à decisão, mas a sua desconformidade com comandos a ela externos (Súmula CARF nº 20 e art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF). Assim, não é possível analisálas em sede de embargos de declaração. Assim, por mais que guardem relevância as discussões, não seria este o recurso competente para seu questionamento. Entendendose, alternativamente, que a PGFN quis, em verdade, fazer menção ao final do art. 65, que trata de “ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma”, e que deveria a turma pronunciarse sobre a Súmula CARF no 20 e o art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF, passase a analisar as referidas matérias. A Súmula CARF no 20 dispõe: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” (grifo nosso) A súmula não está a tratar de crédito presumido de IPI (com fundamento nas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001), mas de crédito básico, relativo a insumos (fundados na Lei no 9.779/1999). E isso se extrai literalmente dos paradigmas apontados pela própria embargante: Acórdãos no 20215266, no 20215366, no 20215455, no 20216141 e no 204 00488. A súmula que trata de crédito presumido de IPI é a de no 19, que versa sob tópico sem conexão com o presente processo: “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos Fl. 397DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13603.901702/200821 Acórdão n.º 3403002.900 S3C4T3 Fl. 397 3 conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” (grifo nosso) Assim, não há nenhuma afronta à Súmula CARF no 20, que trata de crédito básico de IPI, tema diverso. Aliás, o próprio voto vencedor (tendo sido este relator vencido em relação à matéria, não por interpretar que era aplicável ao caso a Súmula no 20, mas pelas razões expressas no voto vencido) explicita que está a tratar de crédito presumido de IPI, e ancorase no texto das Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001, e em precedente relatado pelo Cons. Júlio César Alves Ramos (processo no 13909.000124/200283), distinguindo duas categorias de produtos indistintamente assinalados na TIPI como “NT”: os não industrializados e os industrializados, mas imunes. Não era, assim, dever da turma manifestarse sobre a Súmula CARF no 20, no julgamento do processo. Em relação à necessidade de sobrestamento, é de se destacar inicialmente que os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF foram revogados pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, não existindo mais a figura do sobrestamento nos processos administrativos apreciados por este tribunal. Mas, mesmo antes da revogação, não era qualquer menção a existência de repercussão geral que ensejava o sobrestamento, mas apenas as que atendiam aos pressupostos da Portaria CARF nº 1/2013. E o precedente indicado pela PGFN (RE nº 590.8097/RG) também trata de créditos básicos de IPI, e não da matéria a que se referem os presentes autos administrativos: crédito presumido. Inexistente, também , então, o dever de a turma se manifestar sobre a (des)necessidade de sobrestamento. Pelo exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 398DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722725/2011-85
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
IRPF. JUROS DE MORA. AÇÃO JUDICIAL. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL SOMENTE QUANDO SE TRATAR DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
Não se tratando de ação judicial em que houve rescisão de contrato de trabalho, incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária IRPF. JUROS DE MORA. AÇÃO JUDICIAL. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL SOMENTE QUANDO SE TRATAR DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. Não se tratando de ação judicial em que houve rescisão de contrato de trabalho, incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido.
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INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária IRPF. JUROS DE MORA. AÇÃO JUDICIAL. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL SOMENTE QUANDO SE TRATAR DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. Não se tratando de ação judicial em que houve rescisão de contrato de trabalho, incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 27 25 /2 01 1- 85 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento parcial. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007, decorrente da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processos trabalhista, no valor de R$106.877,20, já deduzidos os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte. Em resumo, o contribuinte impugnou o lançamento, alegando que se tratava de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, sendo aplicável a tributação da forma preconizada no RESP 1.118.429SP, de reprodução obrigatória no CARF, o que implica reconhecer que os rendimentos estariam isentos por situaremse na primeira faixa da tabela progressiva das épocas próprias de cada benefício mensal, alegou também a não incidência sobre parcela de juros de mora e não aplicação da multa de ofício, bem como o direito de deduzir o Imposto Retido na Fonte. A impugnação foi deferida somente na parte em que foi admitida a compensação do IRRF de $ 4.340,92, cuja retenção foi comprovada às fls. 47, nos demais pontos foi indeferida tendo como fundamento, em síntese: a) suspensão da eficácia do Ato Declaratório PGFB nº 1/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, de adoção obrigatória pelas DRJ, cujo procedimento não está submetido ao Regimento Interno do CARF; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722725/201185 Acórdão n.º 2802002.826 S2TE02 Fl. 161 3 b) aplicação cogente do art. 12 da Lei 7.713/1988; a inaplicação de legislação superveniente por ausente qualquer hipótese prevista no art. 106 do CTN; c) tributação dos juros de mora conforme §3º do art. 43 do CTN, inciso XIV do art. 55 do RIR1999 e §4º do art. 3º da Lei 7.713/1988; d) vedação ao julgador administrativo de apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei; e) previsão expressa da multa de ofício e inexistência de hipótese prevista no art. 112 do CTN; e f) previsão expressa no art. 161 do CTN e no art. 61 da Lei 9.430/1996 para exigência dos juros de mora. Ciente da decisão de primeira instância em 25/01/2012, o recorrente apresentou recurso voluntário em 23/12/2012, no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. os rendimentos referemse a benefícios pagos pelo INSS em atraso, uma renda mensal de R$419,00, relativo aos meses de maio de 1995 a outubro de 2003, sobre os quais incidiram juros de mora de 0,5% ao mês; 2. o valor total apurado na liquidação da sentença foi de R$132.369,08, constituído de benefício previdenciário (R$62.167,23 ), atualização monetária (R$46.008,98), juros de mora (R$12.159,32) e Honorários de sucumbência (R$12.033,55); 3. Se recebidos na época própria, os rendimentos estariam na faixa de isenção do imposto; 4. a tributação deve se dar na forma do entendimento consolidado no STJ (RESP 1.118.429/SP), julgado na sistemática do art. 543C do CPC e de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 61A (sic) do Regimento Interno desse Conselho, bem como dessa forma seria respeitado o Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, a Lei 12.350/2010 e a Instrução Normativa RFB nº 1127/2011; 5. a retenção do imposto na fonte, prevista no art. 27 da Lei 10.833/2003 viola os princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva; 6. não incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros de mora (R$24.487,73), sendo R$12.159,32 da liquidação da sentença mais R$12.328,41 dos juros sobre o depósito judicial, tal como entendimento do STJ contido no RESP 1.227.133/RS que julgado na sistemática do art. 543C do CPC é de reprodução obrigatória pelo CARF, como já se pronunciou o STF (AI 482398/SP); 7. é ilegal o §3º do art. 43 do RIR1999, que tem como matriz legal o art. 16 da Lei 4.506/1964, e deve ser interpretado à luz do art. 43 do CTN, pois os juros de mora constituem uma indenização pelas perdas sofridas, notadamente com a edição do Código Civil de 2002 (art. 404); Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 8. os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetivados da forma menos onerosa para o trabalhador (Provimentos nº 03/84 e 02/93 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho); e 9. não aplicação da multa de ofício porque não agiu de máfé, não recebeu qualquer informe da fonte pagadora indicando a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, justificandose a aplicação do art. 112 do CTN. Foi requerida prioridade na tramitação do processo com base na Lei 9.784/1999 (art. 69A) e no Estatuto do Idoso. Por meio da Resolução 2802000.148, de 15/05/2013, o julgamento foi sobrestado com base no §1º do art. 62A do Regimento Interno, por estar em discussão a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente. Com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Como o recurso já foi conhecido por este Colegiado, passo ao exame do mérito. Quanto à alegação sobre a retenção do imposto na fonte, prevista no art. 27 da Lei 10.833/2003, ser uma forma de violação aos princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva, devese anotar que não compete ao CARF apreciar alegação de inconstitucionalidade das leis, conforme prescreve a súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O recorrente sustenta a não incidência do imposto de renda sobre a parcela dos juros de mora (R$24.487,73), sendo R$12.159,32 da liquidação da sentença mais R$12.328,41 dos juros sobre o depósito judicial, tal como entendimento do STJ contido no RESP 1.227.133/RS que julgado na sistemática do art. 543C do CPC. Entretanto, esse julgado teve significativa modificação com o julgamento dos Embargos de Declaração. Vejamos: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722725/201185 Acórdão n.º 2802002.826 S2TE02 Fl. 162 5 específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente.(EDcl no REsp 1227133/RS, julgado em 23/11/2011). Contudo, o caso do recorrente não se trata de rescisão de contrato de trabalho, de maneira que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ , tal como retratado no julgado acima e nos seguintes: REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Todavia, a manutenção do lançamento carece de análise de outros pontos. As alegações em torno de a retenção na fonte ser feita de forma menos onerosa não influencia a decisão deste litígio, posto que se está julgando o imposto devido no ajuste anual e a retenção na fonte foi mera antecipação. Quando das deliberações que levaram á aprovação da Resolução 2802 000.148, de 15/05/2013, esta Turma já concluíra que a fundamentação adotada no lançamento e no acórdão de primeira instância consisti na tributação de rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2007e que a documentação de fls. 40 em diante comprova que os rendimentos referemse a benefícios mensais do período de maio de 1995 a outubro de 2003 pagos pelo INSS em atraso. Esta é a questão principal deste processo. Já tive oportunidade de manifestar meu entendimento sobre o tema em outros julgados, como o foram os acórdãos nº 280200.476 e 280200.477, de 22 de setembro de 2010 e 280200.548, de 20 de outubro de 2010, dessa Turma, todos unânimes. Em um primeiro momento fundamentei meus votos a partir das seguintes premissas: a) consolidação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) do entendimento acerca dos rendimentos recebidos acumuladamente; b) decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou repercussão geral ao tema; e c) publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, do Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e do Parecer PGFN /CAT 815/2010, editados com fulcro na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 O referido Ato Declaratório autorizava a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global", mencionando os seguintes julgados do STJ: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). Ocorreu que o STF decidiu por reconhecer repercussão geral ao tema e com isso a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) suspendeu a eficácia do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, e conseqüentemente tornou insubsistentes o Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e o Parecer PGFN /CAT 815/2010. A mudança da posição do STF ocorreu no AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, (RE614232 e RE 614406) em que se enfrentou questão provocada pelo fato de o TRF da 4ª Região ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do art. 12 da Lei 7.713/88, o qual determina a incidência do Imposto de Renda no mês do recebimento de valores acumulados sobre o total dos rendimentos. Com a admissão da repercussão geral e determinação de sobrestamento dos processes no STF, estes processos passaram a ser sobrestados no CARF com fundamento no §1º do art.62A do Regimento Interno do CARF. Todavia, essa norma regimental foi revogada e os julgamentos devem prosseguir seu curso novamente. Até o momento não há uma decisão final do STF nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que sãos os paradigmas para esse tema. O desafio, portanto, é aplicar a correta interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988, o que demanda uma análise contextualizada da questão. Vejamos. A tese consolidada no STJ foi proferida no REsp 1118429/SP, julgado em 24/03/2010, em acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC, portanto de aplicação obrigatória no CARF. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.( REsp 1118429 / SP) Sabese que, neste Conselho, há entendimentos de que o referido julgado está restrito ao recebimento acumulado de benefícios previdenciários ou que sua adoção implicaria deixar de aplicar o art. 12 da lei 7.713/1988. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722725/201185 Acórdão n.º 2802002.826 S2TE02 Fl. 163 7 Com devido respeito a essa linha argumentativa, à qual não se adere, passase a analisar, de forma contextualizada, a jurisprudência em questão. Os casos que deram origem à jurisprudência do STJ referiamse à revisão de benefícios previdenciários mensais, benefícios previdenciários mensais reconhecidos e pagos com atraso, reajustes mensais de servidores públicos pagos em atraso e pagamentos mensais em atraso devido a retorno ao serviço ativo. Em todos eles os valores foram reconhecidos por competência, possibilitando aplicar a norma tributária a cada caso, implicando em reconhecer que os valores estavam isentos ou definir a alíquota correspondente a cada mês. A título ilustrativo, é possível cotejar alguns do principais julgados que levaram à consolidação da jurisprudência no STJ: a) aposentadoria por tempo de serviço concedida e paga pelo INSS com anos de atraso RESP 758.779/SC; b) revisão de benefícios mensais do INSS – RESP 492.247/RS (Relator Ministro Luiz Fux); RESP 719.774/SC Ministro Teori Zavascki; RESP 901.945 – Relator Ministro Teori Zavascki; RESP 1.088.739/SP– decisão monocrática Ministro Francisco Falcão; c) diferenças salariais mensais da URP – RESP 424.225/SC (Relator Ministro Teori Zavascki); RESP 383.309/SC (Relator Ministro João Otávio Noronha); d) valores mensais de Benefícios previdenciários e assistenciais pagos por precatório – RESP 505.081/RS (Relator Ministro Luiz Fux); e) valores mensais de benefícios previdenciários RESP 1.075.700/RS (Relatora Ministra Eliana Calmon); RESP 723.196/RS – Relator Ministro Franciulli Netto; RESP 667.238/RJ; RESP 667.238/RJ (Relato Ministro José Delgado); RESP 613.996/RS Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima; RESP 783.724/RS Relator Ministro Castro Meira; e f) Valores mensais de rendimentos de servidor público – AgReg. AI 766.896/SC, Relator Ministro José Delgado. É fato que as ações de benefícios previdenciários são muito freqüentes, porém se constata que não eram apenas esses casos. Entre inúmeros julgados do Tribunal Superior, elenco alguns para deles extrair os respectivos fundamentos adotados: a) RESP 758.779/SC; tratamento justo ao caso (equidade); b) RESP 492.247/RS; princípios da legalidade e da isonomia.; c) RESP 719.774/SC; princípios da legalidade e da isonomia e vedação ao enriquecimento sem causa da Administração; d) RESP 901.945 – resolução de aparente antinomia entre o art. 521 do RIR1980 (Decreto 85.450/80) e o art. 12 da Lei 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 (Precedentes citados: REsp 617081/PR, 1ª T, Min. Luiz Fux, DJ 29.05.2006 e Resp 719.774/SC, 1ª T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ 04.04.2005.); e) RESP 424.225/SC ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do Imposto de Renda, porém nada diz a respeito da alíquota aplicável a tais rendimentos, adotou a jurisprudência dominante e assentou que não havia declaração de inconstitucionalidade da lei d) RESP 505.081/RS – se o rendimento mensalmente era isento, ao ser recebido de uma só vez não perde essa natureza; e e) RESP 1.075.700/RS não há violação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 e art. 56, do Decreto n.º 3.000∕99, pois o acórdão recorrido está alinhado com a jurisprudência. Afastar a aplicação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 está fora da órbita de competência dos membros desse Conselho, portanto fica vedado adotar como razão precedentes judiciais que tenham esse fundamento, ainda que pautados por ofensa à legalidade, à isonomia e mesmo sob o fundamento de buscar o tributo justo. Outrossim, seria inadequado adotar precedentes que se socorreram da equidade, pois há vedação legal expressa quanto ao emprego da equidade para dispensar a exigência de tributo (§2º do art. 108 do CTN). De outro giro, outras premissas devem ser levadas em conta: a) está implícito na função do CARF contribuir para a segurança jurídica em matéria tributária; b) essa Turma já se posicionou diversas vezes sobre esse tema, enquanto não vigorava a norma regimental que impôs o sobrestamento; c) é competência constitucional do STJ atuar como guardião e intérprete da lei federal; d) há jurisprudência consolidada da jurisprudência do STJ sobre o tema e julgada na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, cuja reprodução é obrigatória pelos membros do CARF (caput art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Destarte, no CARF, a questão deve ser solucionada com a adoção do entendimento proferido nos acórdãos do STJ que se fundamentaram na interpretação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 424.225/SC e RESP 901.945, tese consolidada no RESP 1.118.429/SP). Frisese: é interpretação do art. 12 e não declaração de sua inconstitucionalidade. Diversas vezes, o STF reconheceu que, com esse fundamento, o STJ não está declarando a inconstitucionalidade da norma legal, mas apenas interpretando a legislação infraconstitucional aplicável ao caso: RE 572580/RS, julgado em 03/06/2008; RE 563.347/SC; AI 660.020/SC, e AI 636303/SC, julgado em 01/07/2008. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722725/201185 Acórdão n.º 2802002.826 S2TE02 Fl. 164 9 Teria a admissão de repercussão geral, sem decisão definitiva de mérito, o condão de afastar a aplicação do entendimento adotado no STJ e inviabilizar sua aplicação pelo CARF? O Recurso Extraordinário em questão enfrentou um acórdão de Tribunal Regional que declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988. Por essa razão, as razões do deferimento da repercussão geral foram: a declaração de inconstitucionalidade superveniente e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, a necessidade de garantir a unidade do ordenamento jurídico, a uniformidade da tributação federal (art. 151, I da Constituição) e a isonomia (art. 150, II da Constituição) (RE 614232 AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, RE 614232). Com a aplicação do entendimento consignado no RESP 1.118.429/SP não está sendo afastada aplicação da lei, mas tão somente dando ao dispositivo legal vigente na época de ocorrência dos fatos geradores (art. 144 do CTN) a interpretação pacificada no âmbito de seu intérprete mais abalizado. Em suma: ausente decisão de mérito do STF na sistemática do art. 543B do CPC, nos Recursos Extraordinários paradigmas, o art. 12 está em vigor e sua interpretação se dá nos moldes do julgado do STJ que adotou o rito do art. 543C do CPC, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 1.118.429/SP). Após a análise dos precedentes que levaram à tese firmada no Recurso Especial repetitivo, proferido em sede do art. 543C do CPC, concluise que esse julgado merece uma interpretação sistemática e não apenas literal restrita a sua ementa. Destarte, o referido entendimento deve ser implementado nos casos de condenações trabalhistas que sejam compatíveis com o mesmo entendimento, e não apenas ao casos de benefícios previdenciários. Essa exegese vem sendo adotada pelo próprio STJ. Vejamos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO DE RENDA. VERBAS TRABALHISTAS DECORRENTES DE RESCISÃO. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. JUROS DE MORA. ISENÇÃO. 1. "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ" (REsp 1.118.429/SP, processado sob o rito do art. 543C do CPC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. A Primeira Seção desta Corte, apreciando o REsp 1.089.720/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Marques, DJe 28/11/12, consolidou entendimento no sentido de que: (I) a regra geral é a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora (art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/1964), inclusive quando fixados em reclamatórias trabalhistas; (II) há isenção de IR: a) quando o pagamento for realizado no contexto de rescisão do contrato de trabalho e b) quando a verba principal for igualmente isenta ou fora do âmbito do imposto, aplicandose o princípio do accessorium sequitur suum principale. 3. Hipótese em que o recorrido, por força de decisão judicial, recebeu, acumuladamente, verbas trabalhistas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1238127/RS, Data do julgamento 20/02/2014. No mesmo sentido: REsp 1410118/PE, data do julgado25/02/2014) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. DIFERENÇAS SALARIAIS RESULTANTES DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 269, IV, DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. DISPOSITIVOS APONTADOS COMO VIOLADOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. SÚMULA 85/STJ. VERBAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. CÁLCULO MÊS A MÊS. IMPOSTO DE RENDA. MONTANTE GLOBAL. ILEGITIMIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C, DO CPC. RESP 1.118.429/SP. (...) 3. Na espécie, não se discute nem o direito ao reenquadramento, nem as normas em que se fundou tal ato, mas questionase apenas os valores correspondentes ao reenquadramento salarial do servidor, isso conforme a opção pelo Plano de Cargos e Salários e de acordo com a pontuação obtida pelo Plano de Avaliação de Desempenho, pelo que não há falar em prescrição do fundo de direito, mas tão somente das parcelas anteriores ao quinquênio que precedeu à propositura da ação. Inteligência da Súmula 85/STJ. Precedentes: AgRg no AREsp. 4.355/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 1/7/2011; AgRg no Ag. 1.213.131/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 1/6/2011; e AgRg no Ag 1.076.183/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 9/3/2009. 4. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.118.429/SP, sob o regime do art. 543C do CPC, assentou o entendimento no sentido de que "o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado", não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.722725/201185 Acórdão n.º 2802002.826 S2TE02 Fl. 165 11 5. Agravo regimental não provido.(AgRg no AREsp 434044/SP, Data do Julgamento 20/02/2014) Este caso concreto referese a benefícios previdenciários pagos pelo INSS em atraso, portanto devese aplicar a interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988 firmada no RESP 1.118.429/SP. Contudo, ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) Com aplicação desse entendimento, não há qualquer necessidade de apreciar as alegações acerca da multa. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11831.006031/2002-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/09/2002
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. RESSARCIMENTO. EQUÍVOCO NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. VERDADE MATERIAL.
Reconhecido de forma inequívoca o direito creditório afirmado, deve haver a sua homologação, deve ser a sua homologação considerando a data dos pedidos originais, ainda que o pleito do contribuinte contenha erros procedimentais, posteriormente devidamente saneados pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3201-001.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Camara Junior, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/09/2002 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. RESSARCIMENTO. EQUÍVOCO NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. VERDADE MATERIAL. Reconhecido de forma inequívoca o direito creditório afirmado, deve haver a sua homologação, deve ser a sua homologação considerando a data dos pedidos originais, ainda que o pleito do contribuinte contenha erros procedimentais, posteriormente devidamente saneados pelo contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/09/2002 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. RESSARCIMENTO. EQUÍVOCO NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. VERDADE MATERIAL. Reconhecido de forma inequívoca o direito creditório afirmado, deve haver a sua homologação, deve ser a sua homologação considerando a data dos pedidos originais, ainda que o pleito do contribuinte contenha erros procedimentais, posteriormente devidamente saneados pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 60 31 /2 00 2- 88 Fl. 741DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Amauri Amora Camara Junior, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño. Relatório Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de IPI relativo a insumos aplicados na industrialização de bens de informática e automação, nos termos Lei nº 8.248/91, 7.674,66, relativo ao período de 21/04/2002 a 31/08/2002. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: A interessada requereu (fl. 04), em 16/09/2002, o ressarcimento de R$ 344.896,75 de créditos de IPI decorrentes de insumos aplicados na industrialização de bens de informática e automação de que trata a Lei nº 8.248/91, 7.674,66, relativo ao período de 21/04/2002 a 31/08/2002. Cumulativamente, apresentou declarações de compensação. Posteriormente, em 05/03/2007, foi intimada a alterar o pedido de ressarcimento, porque o pedido original não atendia a legislação vigente que exigia que os pedidos de ressarcimento englobassem períodos trimestrais. Em 09/03/2007, a contribuinte apresentou os pedidos de ressarcimento de fls. 111 e 113, relativos ao 2º e 3º trimestres de 2002, nos valores respectivos de R$ 295.371,04 e R$ 135.731,97, perfazendo um total de R$ 431.103,01. Após diligência fiscal, a DEFIS/SPO elaborou a informação fiscal de fls. 585/588, na qual reconhece a legitimidade do direito creditório de R$ 431.103,01 para os dois trimestres. Em 05/07/2007 a DERAT/SP proferiu o despacho decisório de fls.591/596 em que reconhece o direito creditório e homologa as compensação declaradas até o limite do valor deferido, considerando que o crédito estava disponível somente a partir de 09/03/2007, data da apresentação dos pedidos de ressarcimento trimestrais, e que os débitos vinculados às declarações de compensação estavam vencidos, pois eram anteriores ao pedido de ressarcimento. Regularmente cientificada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade de fls. 624/633, alegando, em síntese, que: 1. A decisão equivocase quanto à data de disponibilidade do crédito, PIS ao invés de considerar as declarações de compensação apresentadas em 13/09/2002, leva em conta a data da retificação que somente foi efetuada por determinação e em atendimento ao termo de intimação fiscal de 05/03/2007, que visou adaptar o pedido à norma vigente no presente; Fl. 742DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11831.006031/200288 Acórdão n.º 3201001.542 S3C2T1 Fl. 94 3 2. Não pode ser penalizado pela demora na apreciação de seu pedido, que se encontrava estribado na lei vigente à época; 3. O Termo de Encerramento de Diligência Fiscal verificou a autenticidade das informações prestadas pela empresa quando do pedido de ressarcimento de 16/09/2002; 4. É inconteste o direito de crédito da contribuinte; 5. O pedido de restituição elaborado em 16/09/2002 é legítimo, tanto que foi expressamente reconhecido e declarado pela Receita, e os débitos vinculados já foram regularmente compensados pela contribuinte na data de seus respectivos vencimentos, e devem ser extintos; 6. Houve o reconhecimento do direito creditório de R$ 431.103,01; 7. O disposto no art. 31 da IN SRF nº 600/2005 não se aplica aos pedidos anteriores à 29/09/2003; 8. É injusto corrigir os débitos desde 16/09/2002; 9. Caso o Fisco venha desconsiderar as declarações de compensação apresentadas, que seja então exonerada a multa incidente sobre os valores daqueles tributos e que seja computada a correção monetária também nos créditos e saldos credores do IPI. Por fim, requer a homologação das compensações. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO. PERÍODO DE APURAÇÃO TRIMESTRAL. Para fins de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados, deve ser apurado saldo credor ao final do trimestre calendário. Somente os pedidos de ressarcimento apurados por trimestre têm o condão de disponibilizar o direito creditório para a compensação de débitos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 743DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que em 16/09/2002, data do pedido de ressarcimento do IPI a forma e apuração do crédito tributário deveria ser conforme a Instrução Normativa SRF nº33/99, que estabelecia a forma de utilização do saldo credor do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Assim, cada pedido de ressarcimento deveria referirse a um único trimestre calendário e ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal, não sendo possível para fins de ressarcimento, período de apuração superior ou diferente ao trimestre de apuração. No caso, consta do pedido como “Período de Apuração”, o intervalo compreendido entre 21/04/2002 a 31/08/2002, isto é, abrangendo dois trimestres. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente alegou que: i. o princípio da nãocumulatividade assegura o direito aos créditos relativos matériasprimas e aos insumos isentos, tributos à alíquota zero; ii. o Superior Tribunal de Justiça com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal, reconheceu que, em razão do princípio da nãocumulatividade, que o contribuinte tem direito de creditarse do IPI na hipótese de aquisição de matériasprimas e insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero;. iii. embora a Recorrente tenha apresentado o requerimento formulado conforme legislação então vigente em 16/09/2002, somente em 2007 esse pedido foi apreciado pela Receita; iv. todas as solicitações constantes no Termo de Início de Diligência Fiscal foram prontamente atendidas, apresentandose documentos, livros fiscais e demais informações requeridas e, contudo efetuou a retificação dos Pedidos de Ressarcimento de Crédito do IPI todas as providências foram tomadas dentro do prazo estabelecido pelo Fisco, ou seja, em 09/03/2007; v. o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal verificou a autenticidade das informações prestadas quando do Pedido de Ressarcimento de 16/09/2002; vi. a providência ora declarada pela Receita que se estendeu por mais de quatro anos na apreciação do pedido de ressarcimento e compensação não pode prejudicar o contribuinte que agiu conforme previsto e autorizado pela legislação tributária, conforme Instrução Normativa SRF n. 210, de 30 de setembro de 2002; vii. na forma da decisão recorrida, os débitos compensados pelo contribuinte deveriam sofrer acréscimos desde a data em que foram compensados através das Declarações de Compensação apresentadas pelo contribuinte, ou seja, desde 16/09/2002, no entanto, o montante do crédito apurado permanece fixo isso obviamente penaliza o contribuinte injustamente; viii. caso o Fisco venha a desconsiderar as Declarações de Compensação apresentadas requer que seja então (i) exonerada a multa incidente sobre os valores daqueles tributos (ii) computada a correção monetária também nos créditos e saldos credores do IPI nos mesmos índices aplicados pela União Federal aos seus créditos fiscais. É o relatório. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11831.006031/200288 Acórdão n.º 3201001.542 S3C2T1 Fl. 95 5 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de recurso de voluntário de decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade de decisão que, mantendo o teor do despacho decisório, reconheceu o direito creditório total pleiteado pela Recorrente, relativos ao 2º e 3º trimestres de 2002, embora tenha desconsiderado o procedimento administrativo utilizado originalmente, o que redundou em desconsideração das compensações efetuadas, gerando encargos moratórios dos débitos compensados, pelo período de cerca de cinco anos. Destarte, o pedido de ressarcimento foi apresentado em 16/09/2002 (fl. 04), desconsiderando os procedimentos previstos pela Instrução Normativa SRF nº33/99, que estabelecia a forma de utilização do saldo credor do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Após apreciação da autoridade preparadora, considerandose o equívoco procedimental, intimou a Recorrente a fazer as retificações, que foram efetivadas em 09/03/2007. Portanto, a autoridade administrativa apenas considerou efetuadas as compensações em 09/03/2007, considerando, em aberto todo o período compreendido entre 16/09/2002 a 09/03/2007. Importante se observar que não há quaisquer questionamentos no que tange à efetiva existência do crédito, que foi reconhecido tanto no Termo de Informação Fiscal da DIFIS (fls.585586), quanto no próprio despacho decisório (fls.591). Assim, descortinase na hipótese um embate entre forma e conteúdo, instrumento e substância. O Direito não prescinde de forma, pois esta baliza o seu conteúdo é possibilita a realização do princípio fundamental da Segurança Jurídica. Por outro lado, a forma como um fim em si mesmo, esbarra em outro princípio de fundamental importância, da Justiça. Conforme a melhor doutrina, os vetores axiológicos do ordenamento jurídico não devem se excluir, porém se acomodar mutuamente, à luz do caso concreto, e, em muitas hipóteses, sob a égide de outros princípios. No caso em apreço, é certo que a Recorrente deveria ter realizado o seu direito de acordo com o procedimento predeterminado pela lei, pois este é canal disponibilizado pelo ordenamento jurídico. Por outro lado, a desconsideração ampla do conteúdo de seu direito subjetivo, por desobediência à forma, não se afigura razoável ou proporcional. É de se observar que o grande lapso temporal verificado entre o advento do pedido de ressarcimento original e a retificação, decorreu da atuação administrativa que, muito embora tenha apreciado o pedido dentro dos prazos estabelecidos na legislação, o fez no limite Fl. 745DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 e, ao desconsiderar integralmente o procedimento realizado pelo Recorrente, repassou todo o ônus decorrente ao contribuinte. Este último, instado a se manifestar sobre o equívoco no seu procedimento, prontamente retificouo, transparecendo nos autos, a postura de sempre atender prontamente a fiscalização. Por outro lado, em sede de processo administrativo fiscal vige o Princípio da Verdade Material, consagrado na jurisprudência desta Corte Administrativa, que permite a relativização do rigor procedimental, para privilegiar o conteúdo do direito subjetivo, na medida em que se entende que se deve privilegiar o regime jurídico de estrita legalidade para a apuração e exigência do crédito tributário. Mutatis mutandis, o mesmo raciocínio deve ser aplicado quando o que está em jogo é o direito creditório do contribuinte. Observese, ainda, que às fls.109, há termo de intimação da Receita Federal, determinando a retificação dos pedidos, sem questionar os créditos, o que permite depreender que a própria autoridade administrativa reconhece, por via transversa, a natureza de erro formal dos pedidos originais. Nesse contexto, aqui a opção exegética é no sentido de privilegiar o inequívoco direito creditório da Recorrente, que desde sempre foi reconhecido pela Administração. Em face do exposto, dou provimento ao recurso de voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 746DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 06/03/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 19647.007776/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/07/2002 a 31/05/2005
NORMAS COMPLEMENTARES.
As práticas reiteradas das autoridades administrativas somente podem, eventualmente, serem consideradas normas complementares das leis, dos tratados, das convenções internacionais e dos decretos quando forem práticas discricionárias e reiteradamente observadas, isto 6, minuciosa, exaustiva e conscientemente tomadas. Práticas, ainda que reiteradas, fora do campo da discricionariedade, jamais podem ser tomadas como normas complementares.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1°) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais.
Recurso voluntário negado.
Não será deferida a perícia quando os autos reuniram os elementos necessários à formação da convicção do julgador.
Numero da decisão: 3401-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade afastar a preliminar de nulidade suscitadas pelo relator. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter, Fernando Cleto e Ângela Sartori. Designado o Conselheiro Robson Beyerl. Quanto ao mérito negou-se provimento por unanimidade.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Angela Sartori - Relator.
Robson José Bayerl - Redator Desginado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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QUÍMICA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/2002 a 31/05/2005 LANÇAMENTO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. FALTA DE JUNTADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A ausência da declaração de importação no processo que alberga a constituição do crédito tributário relativo a tributos sobre o comércio exterior, por si só, não gera a nulidade do lançamento, mormente quando não se questiona a veracidade de quaisquer das informações prestadas naquele documento, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. LAUDO EMPRESTADO. E eficaz o laudo ou parecer técnico sobre produto importado no caso de se tratar de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação, inclusive se exarado em outro processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não será deferida a perícia quando os autos reuniram os elementos necessários à formação da convicção do julgador. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/07/2002 a 31/05/2005 HEXANO COMERCIAL. NCM 2710.11.10. As mercadorias denominadas "Hexano S" são "hexanos comerciais" que, de acordo com as Regras Gerais de Interpretação 1, 6 e Regra Geral complementar 1 do Sistema Harmonizado se classificam na NCM 2710.11.10. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 77 76 /2 00 7- 68 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 A partir de 27/08/2001 aplicase a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria nos casos de classificação fiscal incorreta da mercadoria, cuja previsão encontrase no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de agosto de 2001. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/07/2002 a 31/05/2005 IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Constatado o não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados incidente sobre as mercadorias importadas, classificadas incorretamente na NBM/TIPI vigentes, cabe o lançamento da diferença desse imposto acrescida da multa de ofício prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/2002 a 31/05/2005 NORMAS COMPLEMENTARES. As práticas reiteradas das autoridades administrativas somente podem, eventualmente, serem consideradas normas complementares das leis, dos tratados, das convenções internacionais e dos decretos quando forem práticas discricionárias e reiteradamente observadas, isto 6, minuciosa, exaustiva e conscientemente tomadas. Práticas, ainda que reiteradas, fora do campo da discricionariedade, jamais podem ser tomadas como normas complementares. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1°) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade afastar a preliminar de nulidade suscitadas pelo relator. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter, Fernando Cleto e Ângela Sartori. Designado o Conselheiro Robson Beyerl. Quanto ao mérito negouse provimento por unanimidade. Júlio César Alves Ramos Presidente. Angela Sartori Relator. Robson José Bayerl Redator Desginado. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19647.007776/200768 Acórdão n.º 3401002.563 S3C4T1 Fl. 6 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. Relatório Tratase de processo onde é formalizado exigência de crédito tributário no valor de R$ 3.748.849,77, referente a Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, juros de mora, além das multas de oficio (75%) e multa por erro de classificação (1%). Segundo consta do Relatório de Ação Fiscal, fls. 23 a 25, o contribuinte teria importado e classificado de forma equivocada na NCM 2901.10.00 — Hidrocarbonetos Aciclicos Saturados, mercadoria descrita como NHexano S, a qual prevê aliquota de 2% do II e 0% do ]PI, no entanto, a correta classificação seria no código 2710.11.10 — Hexano Comercial, que está sujeito à aliquota de 0% do II e 8% do IPI. A autoridade fiscal informa que a presente autuação teve por base 3 (três) laudos técnicos de avaliação de amostras, descritos abaixo, que identificaram o produto como Hexano Comercial. A autoridade lançadora acrescenta que foi considerado, também, o julgado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, Acórdão DRJ/FNS no 7249, de 20 de janeiro de 2006, fls. 111 a 137, o qual apresenta como interessada a contribuinte em tela e tem como objeto do litígio Auto de Infração lavrado por classificação errônea do mesmo produto. Assim, em conseqüência da inobservância por parte da contribuinte da correta classificação fiscal da mercadoria importada, a fiscalização lavrou dois Autos de Infração: um correspondente a multa proporcional de 1% um por cento do valor aduaneiro e outro referente à diferença de imposto a pagar. Regularmente cientificada, comparece a contribuinte ao processo para, em sede de impugnação, pleitear a nulidade dos autos de infração e, no mérito, a decretação da sua improcedência e insubsistência, essencialmente, com base nos argumentos a seguir resumidos: Preliminar No que tange à suposta nulidade, alega: a) As 14 (catorze) Declarações de Importações (DI) objeto do ato revisional realizado pela IRF/Recife/PE, bem como os respectivos documentos que devem instruir o Despacho Aduaneiro de Importação, não foram anexados aos autos, apenas foram anexadas cópias das "Faturas Comerciais" alusivas as 14 (catorze) Declarações de Importações, bem como os respectivos extratos das referidas DI; Fl. 352DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 b) Dessa forma, argumenta que não pode exercer, regularmente, em toda a sua amplitude, o direito ao contraditório e ampla defesa, nos termos do "Devido Processo Legal" (artigo 5°, LV, da CF vigente), transcreve trechos de ementas de acórdãos do então Conselho de Contribuintes. c) Entende que os dois Autos de Infração lavrados pela IRF/Recife/PE, e que resultaram na reclassificação tarifária do produto de nome comercial "Hexano S", importado pela interessada, e desembaraçado por meio das Declarações de Importações processadas no período de 31/07/2002 a 31/05/2005, carecem de total respaldo legal, na medida em que embasados em Laudos Técnicos alheios as Declarações de Importação objeto do ato revisional, exceto com referência A DI n° 05/01208083 (fls. 056/069), reproduz excertos de ementas de acórdãos do então Conselho de Contribuintes; d) Ressalta que não há qualquer menção na fundamentação legal dos autos de infração, quanto à utilização da "chamada prova emprestada" para fins de reclassificação tarifária das mercadorias importadas; e) Sustenta que a chamada "Prova Emprestada", instituída pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97, é de legalidade e constitucionalidade duvidosa, na medida que viola o direito ao contraditório e o devido processo legal, vez que instaurado o litígio, a ampla defesa da contribuinte resta prejudicada, já que inexiste amostra para uma contraprova, ou seja uma nova análise laboratorial no curso do processo administrativo em tela por parte de um outro laboratório oficial. 0 próprio laudo emitido pela FuncampLabana/8a RF contém a afirmação que "os resultados das análises contidos neste documento tem significação restrita e se refere somente a amostra recebida por este laboratório." (sic); A análise laboratorial do produto importado pela requerente não foi realizada de acordo com as normas previstas na legislação vigente, no caso, as Instruções Normativas n`'s 157/98 e 492/05 do Sr. Secretário da Receita Federal; g) Mantido o embasamento legal das autuações nos referidos Laudos Técnicos (fls. 053/069), restará malferido o principio da segurança jurídica, além de prejudicado de forma irremediável, um dos objetivos principais perseguidos no Processo Administrativo Fiscal, ou seja, a busca da verdade material; h) Os laudos técnicos que embasaram a reclassificação fiscal das mercadorias importadas, além de não revestidos das formalidades legais, encontramse eivados de vícios formais insanáveis, entre eles, pelo fato de terem sido produzidos sem que houvesse sido assegurado A contribuinte o direito de formular quesitos ou formalizar questionamentos a respeito do produto importado, fato que caracteriza o cerceamento de seu direito de defesa. Esse procedimento também contraria disposições contidas no Regulamento do Processo Administrativo Fiscal da União, aprovado pelo Decreto n° 70.235/72, com as alterações das Leis n° 8.748/93 e n° 9.532/97, no que diz respeito a produção de provas no curso do processo administrativo fiscal, que iniciou com o começo do despacho aduaneiro da mercadoria importada, quando do registro da Declaração de importação. Transcreve doutrinas que julga pertinentes; i) Não tendo sido assegurado à ora requerente, o mesmo tratamento dispensado aos Agentes do Fisco na produção de provas no curso do procedimento fiscal (inclusive no curso do despacho aduaneiro, repete, em face da orientação contida no art. 70, inciso VI, do Decreto no 70.235/72, com as alterações das Leis n° 8.748/93 e no 9.532/97) Fl. 353DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19647.007776/200768 Acórdão n.º 3401002.563 S3C4T1 Fl. 7 5 restou malferido o principio da isonomia previsto no art. 5°, Caput, combinado com o art. 50 da CF vigente; j) Não foram observados os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, previstos no artigo 2° da Lei n° 9.784/99, quando da produção de provas (Laudos Técnicos FuncampLabana/8a RF — assistente técnico oficial Jorge Campelo Cabral/ Universidade Federal de Pernambuco — fls. 53/69); k) 0 parecer técnico emitido pela Universidade Federal de Pernambuco (fls. 56/69), que embasou a emissão do Laudo Técnico emitido pelo engenheiro Jorge Campelo Cabral/Assistente técnico oficial — 4RF (fls. 61/69), não pode ser utilizado como meio de prova para reclassificação tarifária do produto importado pela requerente, vez que, os órgãos técnicos oficiais a que alude o artigo 30, do Decreto n° 70.235/72, são, respectivamente, os Laboratórios Nacionais de Análise credenciados pela SRF, e o Instituto Nacional de Tecnologia — INT/RJ; 1) 0 Acórdão n° 7.249, de 20/01/2006, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisSC, nos autos do processo administrativo n° 11050.000979/200560 (fls. 111/137), e utilizado como embasamento legal das autuações, envolve Auto de Infração lavrado contra empresa de CNPJ distinto da requerente, tratandose, no caso, de pessoas jurídicas distintas; m) Ao se promover a lavratura dos autos de infração para exigência do IPI e multas, no montante de R$ 3.748.849,77, não foi deduzido o valor referente ao Imposto de Importação recolhido por ocasião do registro das Declarações de Importação, que atinge o montante de R$ 503.852,02, a ser corrigido monetariamente pela Taxa Selic, para fins de compensação do valor ora exigido, e que ficou indevido em razão da nova classificação fiscal pretendida pela fiscalização. Enquanto na NCM 2901.10.00 adotada pela importadora, a aliquota do II era de 3,5% e do IPI 0% até 31/12/2004 e II= 2%, 1PI=0% após 31/12/2004, na NCM 2710.11.10 a aliquota do II é de 0% e do WI 8%; n) Para situações da espécie ha expressa previsão legal para se promover a compensação de tributos federais, no caso, os artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/1996 com as alterações das Leis n° 10.833/2003 (artigo 17), bem como, do artigo 4 0 da Lei n° 11.051/2004, combinado com as IN/SRF 600/2005 e 728/2007. Portanto, a preliminar deve ser acolhida, de forma a se retificar o valor do crédito tributário exigido no Auto de Infração, sob pena de nulidade processual, pois a exigência de valor maior que o supostamente devido caracteriza "enriquecimento sem causa"; ' o) Um dos lançamentos de que trata os Autos de Infração, ora impugnados, referese a fato gerador ocorrido em 31/07/2002, data do registro da DI n° 02/06797650 junto ao Siscomex, em decorrência, nos termos do disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), eventual exigência de crédito tributário alusiva referida DI, somente poderia ocorrer até 31/07/2007, data em que se expirou o prazo decadencial, entretanto os dois autos de infração somente foram lavrados em 03/08/2007, sendo cientificada a requerente em 07/08/2007. Cita julgados de Tribunais Judiciais e dos extintos Conselhos de Contribuintes e da Camara Superior de Recursos Fiscais; Do Mérito Fl. 354DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Superadas as preliminares, no mérito o auto de infração não deve prosperar, com base nas seguintes alegações: a) Existem flagrantes contradições entre as conclusões contidas no Laudo Técnico n° 1.119.01, emitido pelo Labana/8° RF em 26/05/2000 (fls. 53/55), em confronto com as conclusões contidas nos Laudos Técnicos emitidos pelo engenheiro Jorge Campelo Cabral/Assistente técnico oficial — 4 RF, bem como, do parecer técnico elaborado pela Universidade Federal de Pernambuco (fls. 56/69), o que fragiliza a reclassificação tarifária II/ proposta pelo fisco, na medida em que embasada em tais Laudos Técnicos; b) Nos termos das disposições contidas na Resolução n° 171/99 da Agência Nacional do Petróleo, a importação do produto "HEXANO S" está sujeita a emissão de Licença de Importação não automática, previamente ao embarque no exterior, mediante a anuência do referido órgão; c) Quando da emissão dos Laudos Técnicos em referência não foram realizados todos os ensaios determinados na Resolução n° 10/1970 do Conselho Nacional do Petróleo, que trata do produto "HEXANO COMERCIAL", visando à correta classificação desse produto, razão pela qual entende que os referidos Laudos não podem ser utilizados como embasamento legal para reclassificação tarifária do produto "HEXANO S", desembaraçados através das DI processadas no período de 31/07/2002 a 31/05/2005, conforme exigido nos Autos de Infração; d) Mesmo considerandose como corretas as conclusões contidas no Laudo Técnico Labana/8" RF n° 1.119.01, emitido em 26/05/2000, ainda que o enquadramento tarifário adotado pela requerente estivesse incorreto (TECNCM 2901.10.00), o produto importado teria que ser reclassificado para o código TECNCM 27.10.00.91 (outros), e não para o código TECNCM 2710.11.10, que somente passou a existir na NCM, após a edição da Resolução CAMEX n° 042/2001; e) Assim, não ha embasamento legal para a reclassificação tarifária do produto "HEXANO S" no Laudo Técnico n° 1.119.01, emitido pelo Labana/8" RF em 26/05/2000 (fls. 53/55), em face das alterações promovidas na NCM a partir de janeiro/2002, quando passou a vigorar a Resolução CA/vIEX n°42/2001; f) Defende que considerando as conclusões contidas no laudo técnico emitido pelo Assistente Técnico Oficial/ Alfândega —Suape4' RF, em 17/03/2005, acompanhado pelo parecer técnico emitido pelo Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de Pernambuco em 16/03/2005 em atendimento à solicitação da Alfândega do Porto de SuapePE, (fls. 56/69), não restam dúvidas de que o produto de nome comercial "HexanoS", importado pela requerente, tratase, efetivamente, de "Hidrocarbonetos Aciclicos Saturados", ou seja, um composto orgânico de constituição química definida, contendo impurezas decorrente do processo de fabricação, cuja classificação tarifária é na NCM 2901.10.00, como declarado a época das referidas importações, pelos motivos seguintes (transcreve a regra 2.a e b, e a regra 3, a das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado e a Nota 1, "a", do Capitulo 29 da TABSH/TECNCM): • Não se trata de um óleo de petróleo ou de minerais betuminosos; • Tratase de um Hidrocarboneto Aciclico Saturado; • Eventuais impurezas constantes da composição química do "HexanoS", decorrem do processo de síntese; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19647.007776/200768 Acórdão n.º 3401002.563 S3C4T1 Fl. 8 7 • Tratase de produto comercialmente puro; • 0 produto "HexanoS" não possui constituintes básicos 70% ou 41, mais, em peso, de óleos de petróleo. g) A Literatura Técnica do Fabricante do produto "Hexano S" demonstra, de forma clara e precisa, sua correta constituição química, que está, em plena consonância com as características do produto importado e despachado pelas Declarações de Importação processadas no período de 31/07/2002 a 31/05/2005 cuja correta classificação tarifária disse no Código TECNCM 2901.10.00, como declarado quando submetido a despacho aduaneiro; h) No Acórdão DRJ/FNS n° 7249, de 20 de janeiro de 2006, fls. 111 a 137, foi afirmado que o laudo técnico emitido pelo Assistente Técnico Oficial/ Alfândega — Suape 4a RE, em 17/03/2005, acompanhado pelo parecer técnico emitido pelo Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de Pernambuco em 16/03/2005, não poderia ser levado em consideração, por não se tratar de um laudo técnico oficial, na forma prevista no art. 30 do Decreto n° 70.235/72, ora se este Laudo não se constitui em prova técnica oficial para defesa dos interesses do contribuinte, pela mesma razão, não pode ser utilizado como embasamento legal para fundamentar a reclassificação tarifária do produto "Hexano S" formalizada nos Autos de Infração lavrados pela IRF/RECIFE/PE, sob pena de restar violado oprincipio da isonomia previsto no art. 150, inciso II, da CF vigente; i) Até dezembro/2001, o produto "Hexano S", estava expressamente mencionado na TECNCM vigente com indicação de enquadramento tarifário no código TEC – NCM 2901.10.00, assim sendo está amparada pela orientação contida no art. 100, inciso III, do CTN. Transcreve julgados do STJ; j) A requerente, por ocasião da importação do produto "Hexano S", sempre deixou claro que o aludido produto seria utilizado para polimerização, conforme pode ser constatado pela observação inserida em campo próprio da Licença de Importação n° 05/01560057, vinculada a DI no 05/01208083, registrada no SISCOMEX em 03/02/05; 1) Portanto, o "Hexano S" importado pela requerente tratase de "Hexano S Grau Polimero", e não de "Hexano Comercial", conforme sustentado pela fiscalização fazendária. Em decorrência, tal produto, quando muito, seria passível de uma terceira classificação tarifária, ou seja, no código TECNCM 2710.11.90 (diversa da adotada pelo importador TECNCM 2901.10.00, bem como, da eleita pelo fisco nos autos de infração TEC NCM 2710.11.00). Neste caso, quando ambas as classificações tarifárias estejam incorretas, deve prevalecer o enquadramento tarifário adotado pelo importador, em face da orientação contida no artigo 112 do Código Tributário Nacional. Copia julgados administrativos e de Tribunais Judiciais; m) Incabível a exigência da multa incidente sobre a diferença do IPI, prevista no art. 45 da Lei n° 9.430/96, "multa de mora" (sic), face a não ocorrência de qualquer fato que possa ser tipificado como declaração inexata, uma vez que, conforme doutrina e jurisprudência predominante em nossos Tribunais, estando o produto importado corretamente descrito, quando submetido a despacho aduaneiro, não ha que se falar na imputação de tal penalidade de multa. E, se for o caso, tal multa somente será devida após o julgamento do feito, conforme art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, a aplicação da penalidade proposta no lançamento é da autoridade julgadora, em decisão final administrativa; Fl. 356DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 8 n) Essa questão encontrase solucionada no próprio âmbito da Receita Federal, conforme Parecer CST n° 477/88 e Ato Declaratório Interpretativo n° 13/2002 da SRF (transcreve fragmentos desses dispositivos). Como a discussão dos autos envolve apenas o correto enquadramento da mercadoria importada na TECNCM e os produtos importados encontramse descritos pelo nome comercial, nome cientifico, tipo de embalagem, etc, não há infração que justifique a aplicação da penalidade da multa do IPI. Volta a transcrever julgados administrativos que julga pertinente; o) Incabível, também, na hipótese dos autos, a exigência da penalidade de multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158/2001, art. 69 e 81, da Lei n° 10.833/2001, regulamentado pelo artigo 636, inciso I, do Decreto n° 4.543/2.002, sob a alegação de ter ocorrido erro de classificação fiscal das mercadorias submetidas a despacho aduaneiro por meio das Declarações de Importação citadas no Auto de Infração; p) Com efeito, muito pacificouse o entendimento sobre tal questão, conforme pode ser constatado pelo teor do Ato Declaratório Normativo (ADN) n° 29/80, da Coordenação do Sistema de Tributação/Secretaria da Receita Federal (copia este ato). Da mesma forma a jurisprudência administrativa do Ministério da Fazenda é pacifica no sentido da inaplicabilidade de multas por erro de classificação tarifária nas situações da espécie, como se vê dos julgados que reproduz; q) O auto de infração encontrase eivado de vicio formal insanável, pois foi lavrado com a incidência de juros de mora, contrariamente o que predomina nas decisões em nossos Tribunais, que entendearn que tal encargo somente' é devido depois de decisão final no processo administrativo, quando então a contribuinte pode ser considerada em mora. 0 uso da taxa Selic é ilegal e inconstitucional, como já reconhecido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, copia decisão judicial. Assim, deve ser decretada a nulidade do auto de infração, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972; r) Caso persista qualquer dúvida, requer a produção oportuna de todos os meios de prova, especialmente a juntada de novos documentos, e a conversão do julgamento em diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia no Rio de Janeiro — INT, a fim de que o referido órgão manifestese sobre as conclusões contidas nos Laudos Técnicos, fls. 53/69, e que embasaram a lavratura do auto de infração ora impugnado; s) Para tanto, requer sejam disponibilizadas as amostras do produto importado de que tratam os Laudos Técnicos, fls. 53/69, para que sejam realizadas novas analises laboratoriais. Formula quesitos no item 8.3 da impugnação (fls. 201/203), e indica o seu perito e respectivo endereço no item 8.4, fl. 203. Protesta pela formalização de quesitos suplementares. 0 indeferimento da produção de tais provas/diligências cerceia o seu direito de defesa pela não observância do devido processo legal, o que ensejaria a decretação de nulidade do processo administrativo. Cita julgados de tribunais judiciais. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/07/2002 a 31/05/2005 HEXANO COMERCIAL. NCM 2710.11.10. As mercadorias denominadas "Hexano S" são "hexanos comerciais" que, de acordo com as Regras Gerais de Fl. 357DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19647.007776/200768 Acórdão n.º 3401002.563 S3C4T1 Fl. 9 9 Interpretação 1, 6 e Regra Geral complementar 1 do Sistema Harmonizado, classificamse na NCM 2710.11.10. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. A partir de 27/08/2001 aplicase a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria nos casos de classificação fiscal incorreta da mercadoria, cuja previsão encontrase no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de agosto de 2001. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/07/2002 a 31/05/2005 Falta de recolhimento. Declaração Inexata. Constatado o não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados incidente sobre as mercadorias importadas, classificadas incorretamente na NBM/TIPI vigentes, cabe o lançamento da diferença desse imposto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/2002 a 31/05/2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTORIDADE INCOMPETENTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Só se admite a nulidade do auto de infração lavrado por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LAUDO EMPRESTADO. E eficaz o laudo ou parecer técnico sobre produto importado no caso de se tratar de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação,marca e especificação, inclusive se exarado em outro processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não sera deferida a perícia quando os autos reuniram os elementos necessários à formação da convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/2002 a 31/05/2005 NORMAS COMPLEMENTARES. As práticas reiteradas das autoridades administrativas somente podem, eventualmente, serem consideradas normas complementares das leis, dos tratados, das convenções internacionais e dos decretos quando forem práticas Fl. 358DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 10 discricionárias e reiteradamente observadas, isto , minuciosa, exaustiva e conscientemente tomadas. Práticas, ainda que reiteradas, fora do campo da discricionariedade, jamais podem ser tomadas como normas complementares. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1°) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O Recorrente apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos acima, da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Angela Sartori O Recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. PRELIMINAR NULIDADE Inicialmente, assiste razão a ora Recorrente quando sustenta que os dois Autos de Infração lavrados pela IRF/RECIFEPE., devem ser declarados NULOS, vez que, lavrados em total desacordo com as normas que disciplinam o fato gerador do imposto de Importação NA MEDIDA EM QUE AS 14 (CATORZES DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO OBJETO DO ATO REVISIONAL REALIZADO PELA IRF/RECIFEPE., BEM COMO OS RESPECTIVOS DOCUMENTOS QUE DEVEM INSTRUIR O DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO fL.I./BL/C.I.. NÃO FORAM ANEXADOS AOS AUTOS. Com efeito, conforme consta do Relatório Fiscal de Ação Fiscal que antecedeu a lavratura dos Autos de Infração de que trata o Processo em tela, os Agentes Fazendários vinculados a IRF/RecifePE., limitaramse a anexar aos autos apenas cópias das Fl. 359DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19647.007776/200768 Acórdão n.º 3401002.563 S3C4T1 Fl. 10 11 "FATURAS COMERCIAIS" alusivas as 14 (catorze) DIs. Confirase, a propósito, a reprodução parcial do referido Relatório de Ação Fiscal: " RELATÓRIO DE AÇÃO FISCAL. “O procedimento fiscal teve início com a ciência do respectivo Termo, a fls. 094 e 095, que intimava o contribuinte a apresentar as faturas comerciais correspondentes as D.I.'s acima mencionadas, através seu representante legal, conforme procuração as fls. 138 e 139, o escritório de Contabilidade Correcta Ltda., em 07.03.2.007, já que a Ipiranga Química S/A. não tem corpo funcional no endereço informado, constante do banco de dados da RFB, mantendo, apenas, uma parte do local para suas operações de armazenamento de mercadorias. A partir da análise das faturas comerciais fornecidas as fls. 096 a 110. constatamos que a descrição da mercadoria corresponde ao histórico das D.I.'s as fls. 080 a 093. em contraste com a classificação erroneamente adotada.” No entanto, quando da lavratura dos 2 (dois) Autos de Infração de que trata o Processo Administrativo em tela, deveriam os Agentes Fazendários, obrigatoriamente, basear se e juntar aos autos, cópias de todas as 14 (catorze) Declarações de Importação. Tal ato além de ferir toda a legislação aduaneira que regulamenta a matéria também não possibilita o julgador e o próprio fiscal autuante de possuir todos os subsídios para emitir correto juízo de valor acerca da questão discutida nos autos, que envolve matéria de extrema complexidade, no caso, a classificação tarifária de produto químico importado do exterior. Portanto, a juntada de cópias das 14 (catorze) Declarações de Importação aos autos, tornavase medida de fundamental importância para solução do litígio, além de encontrar expressa previsão legal na legislação vigente. Vejamos o que dispõe o artigo 73, inciso I do RA: “ para efeito de cálculo do imposto considerase ocorrido o fato gerador NA DATA DO REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO...” Assim sendo , não havendo DI NÃO há fato gerador do Imposto de Importação. Também dispõe o artigo 551 do atual Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2.009): "ARTIGO 551 A DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO É O DOCUMENTO BASE DO DESPACHO DE IMPORTAÇÃO (DECRETO LEI N° 37, DE 1.966. ARTIGO 44, COM A REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI N° 2.472. DE 1.988." Parágrafo 1° A DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DEVERÁ CONTER: I A IDENTIFICAÇÃO DO IMPORTADOR; E Fl. 360DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 12 II A IDENTIFICAÇÃO, A CLASSIFICAÇÃO, O VALOR ADUANEIRO E A ORIGEM DA MERCADORIA. Por seu turno, o artigo 638 do mesmo Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2.009), esclarece: “ARTIGO 638 REVISÃO ADUANEIRA É O ATO PELO QUAL É APURADA, APÓS O DESEMBARAÇO ADUANEIRO, A REGULARIDADE DO PAGAMENTO DOS IMPOSTOS E DOS DEMAIS GRAVAMES DEVIDOS À FAZENDA NACIONAL, DA APLICAÇÃO DE BENEFÍCIO FISCAL E DA EXATIDÃO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO IMPORTADOR NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. OU PELO EXPORTADOR NA DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO.” Assim sendo, na medida que os 2 (dois) Autos de Infração lavrados não estão revestidos das formalidades legais aplicáveis aos casos, tendo em vista que não foram juntados aos autos as 14 (catorze) Declarações de Importação objeto do ato revisional, PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, restou eivado de vício formal insanável razão pela qual, É DE SE DECLARAR A NULIDADE DOS RESPECTIVOS LANÇAMENTOS REPRESENTADOS PELOS DOIS AUTOS DE INFRAÇÃO. Dessa forma, a Recorrente argumenta que não pode exercer, regularmente, em toda a sua amplitude, o direito ao contraditório e ampla defesa, nos termos do "Devido Processo Legal" (artigo 5°, LV, da CF vigente). Diante do exposto voto no sentido de declarar o presente lançamento nulo. MÉRITO – CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO HEXANO No mérito, a Recorrente contesta a classificação fiscal atribuída pela fiscalização, defendendo que não se trata de "Hexano Comercial". Alega que a mercadoria é um composto orgânico de composição química definida classificada na NCM 2901.10.00. Por vezes defende que se trata de "um outro Hexano S", ou no máximo um "Hexano Grau Polímero" e aponta, no seu entender, flagrantes contradições entre as conclusões contidas no Laudo Técnico n° 1.119.01, emitido pelo Labana/8° RF em 26/05/2000 (fls. 53/55), em confronto com as conclusões contidas no Laudo Técnico emitidos pelo engenheiro Jorge Campelo Cabral/Assistente técnico oficial — 4' RF, bem como, do parecer técnico elaborado pela Universidade Federal de Pernambuco (fls. 56/69) Fl. 361DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19647.007776/200768 Acórdão n.º 3401002.563 S3C4T1 Fl. 11 13 Não é o que se extrai dos laudos das análises realizadas. Ambos os laudos são explícitos ao informarem que o produto importado se trata de "Hexano Comercial". O Laudo Técnico emitido pelo engenheiro Jorge Campelo Cabral esclarece ainda que "N Hexano tratase de um hidrocarboneto com seis carbonos que apresenta seu diagrama estrutural, em um plano sem ramificações, podendo ser purificado a mais de 99,5%". Já o "Hexano Comercial é uma mistura do N Hexano e seus isomeros". A literatura técnica anexada aos autos pela Recorrente (nas fls. 223/224) traz informações que complementam e/ou confirmam aquelas apresentadas nos laudos técnicos. São elas: natureza química do produto: mistura de hidrocarbonetos alifáticos (fls. 223); • o sinônimo do HexanoS 6: destilados de petróleo, normal hexano, destilado leve hidrotratado (fls. 224). Improcedente a alegação de que os laudos de análises não são válidos porque não foram realizados todos os ensaios determinados pela Resolução n° 10/1970 do Conselho Nacional do Petróleo — CNP que trata do produto "Hexano Comercial". 0 que se extrai da cópia de dita resolução, acostada aos autos pela Recorrente (fls.219/220), é que referida resolução estabelece, para o Hexano Comercial, norma de observância obrigatória pelas refinarias e entidades distribuidoras, aplicável no âmbito do controle exercido pela ANP. A partir de 01/01/1995, a classificação fiscal de mercadorias está fundada na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), baseada no próprio Sistema Harmonizado, conforme previsto no Tratado de Assunção no âmbito do Mercosul (Mercado Comum do Sul), ratificado pelo Congresso por meio do Decreto Legislativo n.° 197, de 25/09/91 e promulgado pelo Decreto n.° 350, de 21/11/91. Cumpre ainda observar que, para composição da NCM, os países do Mercosul consolidaram a classificação em oito dígitos, ao acrescentar mais dois dígitos de identificação de mercadorias aos 6 dígitos empregados no âmbito do SH. Assim, dos oito dígitos que compõem a NCM, os seis primeiros são formados pelo Sistema Harmonizado, enquanto o sétimo e oitavo dígitos correspondem a desdobramentos específicos atribuídos no âmbito do Mercosul. Por sua vez, para se obter o código NCM aplicamse as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e a Regra Geral Complementar (RGC 1), frente as características da mercadoria a ser classificada. Subsidiariamente são utilizadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435, de 27/01/1992. Resta claro, portanto, que disposições relativas à classificação do produto, seja no âmbito do SH, seja no âmbito da NCM, seguem as regras de interpretação próprias desses sistemas, não recebendo qualquer influência de resoluções unilaterais ou internas dos países signatários, como seria no caso da referida Resolução emanada pela ANP no Brasil. Estabelecido este marco regulatório, passase à análise da classificação das mercadorias objeto de importação. As mercadorias em análise são descritas nas Declarações de Importação como "Hexano S" e os laudos de análises informam que se tratam de "Hexano Comercial". Fl. 362DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 14 Assim, com base nessas informações e pela aplicação da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado 1 (RGI 1), que determina que "os títulos das seções, capítulos e subcapitulos tem apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes", verificase que as mercadorias em tela são classificadas na Posição 2710 — OLEOS DE PETRÓLEO OU DE MINERAIS BETUMINOSOS, EXCETO ÓLEOS BRUTOS; PREPARAÇÕES NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES, CONTENDO, COMO CONSTITUINTES BÁSICOS, 70% OU MAIS, EM PESO, DE ÓLEOS DE PETRÓLEO OU DE MINERAIS BETUMINOSOS; DESPERDÍCIOS DE ÓLEOS. A Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 6) e a Regra Geral Complementar 1 (RGC 1) determinam o que segue, in verbis: RGI 6 "A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente regra, as notas de seção e de capitulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário." RGC 1 — "As regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último , o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo. A Posição 2710 está assim subdividida: 2710. ÓLEOS de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios . Desperdícios de Óleos 6 As mercadorias em questão não se tratam de "desperdícios de óleos", portanto são classificados na Subposição de primeiro nível 2710.1. A Subposição 2710.1, por sua vez é subdividida nas seguintes Subposições de 2° nível: 2710.11.6l e os leves e preparações Outros A Nota 4 da Subposição 2710.11, assim define: 4 . Na acepção da subposição 2710.11, óleos leves e preparações são aqueles que destilam, incluidas as perdas, uma fração superior ou igual a 90%, em volume, a 210°C, segundo o método ASTM D 86. Na sequência, a Subposição 2710.11 se divide em: 2710.11.10 Hexano comercial 2710.11.2Misturas de alquilidenos Fl. 363DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19647.007776/200768 Acórdão n.º 3401002.563 S3C4T1 Fl. 12 15 2710.11.30Aguarrás mineral ('white spirit') 2710.11.4Nafias 2710.11.5Gasolinas 2710.11.60 Mistura de hidrocarbonetos aciclicos e cíclicos, saturados, derivados de frações de petróleo, contendo em peso, menos de 2%, de hidrocarbonetos aromáticos, cuja curva de destilação, segundo o método ASTM D 86, apresenta um porno inicial mínimo de 70°C e uma fração de destilado superior ou igual a 90%, em volume, a 210°C 2710.11.900 Outros Ex 01 Oleos parcialmente refinados Ex 02 Oleos para lamparina de mecha ("signaloil") (destacouse) Como anteriormente visto, os laudos de análises e o parecer técnico emitido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fls. 56/69, são conclusivos no sentido de declarar que as mercadorias descritas como "Hexano S" são "Hexanos Comerciais". Portanto, da aplicação da RGI 1, da RGI 6 e da RGC 1, concluise que as mercadorias importadas, ora em discussão, são classificadas na NCM 2710.11.10. Cumpre observar que, diferentemente do que quer faz crer a Recorrente a mercadoria em questão não pode ser classificada na NCM 2901.10.00, pois assim dispõe a Nota 1 do Capitulo 29, in verbis: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capitulo apenas compreendem: Os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capitulo (.) Como expresso no Laudo Técnico emitido pelo Labana/8' RF em 26/05/2000 o produto "não se trata de Hexano de constituição química definida e isolado", e como expresso no Laudo Técnico emitido pelo Assistente técnico oficial — 4' RF "tratase de um hidrocarboneto aciclico saturado". Portanto, de acordo com a Nota 1, "a" e "b" do Capitulo 29 supratranscrita, as mercadorias denominadas "Hexano S" não são classificadas no Capitulo 29 da NCM/SH. Corroboram nesse sentido, as Considerações Gerais das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) da posição 2901 dispondo que os hidrocarbonetos acíclicos saturados (e o normal hexano ou nhexano é um deles) para se incluirem nesta posição, devem apresentarse isolados e de constituição química definida, quer tenham sido obtidos por tratamento e purificacão do petróleo e gás natural, quer por síntese, exceto o metano e o propano, que mesmo puros, são incluídos na posição 2711. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 16 Orientam ainda as NESH que o etano para ser incluído na posição 2710 deve ter um grau de pureza mínimo de 95%, em volume, caso contrário, está compreendido na posição 2711. Portanto, se nenhuma referência é feita ao nhexano, concluise que para ser classificado neste capitulo deve o nhexano apresentarse isolado, o que não é o caso do produto sob análise. Esclarecem ainda as NESH relativas à posição 2901 que os hidrocarbonetos aciclicos saturados constituem uma série homóloga que tem a fórmula geral (CnH2n+2), que são muito abundantes na natureza e formam os principais componentes do petróleo. Um óleo de petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos e não o hexano puro como considera a Recorrente. 0 produto importado contém, dentre outros compostos orgânicos, o nhexano ou o hexano normal em uma concentração superior a 60%, segundo a literatura técnica da Recorrente , fls. 224, ou, 65,3%, de acordo com o laudo técnico oficial, fls. 67. Por sua vez, as Considerações Gerais das NESH do Capitulo 27 orientam que neste capitulo estão compreendidos os carvões e outros combustíveis minerais naturais, os óleos de petróleo e de minerais betuminosos e ainda os produtos resultantes da destilação dessas matérias e os produtos semelhantes obtidos por qualquer outro processo. Pelas características apresentadas pelo Hexano sob análise (S ou Comercial) deve tal produto ser enquadrado neste capitulo. A Recorrente argumenta que mesmo se equivocada a classificação fiscal, como até dezembro/2001 o produto "HEXANO S", estava expressamente mencionado na TEC NCM vigente com indicação de enquadramento tarifário no código TECNCM 2901.10.00, há que se aplicar os termos do art. 100 do CTN, que dispõe sobre práticas reiteradas da administração. No entanto, somente os atos que permitem certa discricionariedade podem se enquadrar nos termos do art. 100, III do CTN, pois não se admite que atos vinculados sejam procedidos de outra forma que não a disposta na legislação. Para os atos vinculados não ha, portanto, possibilidade alguma de se inserilos nas chamadas "práticas reiteradamente observadas" do art. 100, III do CTN, pois eles se constituem em "práticas obrigatoriamente observadas". Para o caso em tela, a fiscalização não possuía qualquer discricionariedade (ela não pode aceitar uma classificação fi scal equivocada, a não ser que oriunda de legislação vigente ou de processo de consulta), assim, não é possível sequer se imaginar a possibilidade de se aplicar o art. 100, I do CTN, devido a total ausência dos requisitos mínimos necessários ao surgimento de uma norma complementar por motivo de práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. Portanto, a Recorrente classificou as mercadorias importadas na NCM 2901.10.00, porém a correta classificação dessas mercadorias é na NCM 2710.11.10. Dessa forma, configurada a hipótese prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, deve ser aplicada a multa determinada no caput: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: 1classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para identificação da mercadoria; Fl. 365DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19647.007776/200768 Acórdão n.º 3401002.563 S3C4T1 Fl. 13 17 DA MULTA DO IPI No caso de lançamento de oficio do IPI exigível em razão de reclassificação fiscal de mercadorias importadas já desembaraçadas, em procedimento de revisão aduaneira, é aplicável a multa prevista no artigo 80 da Lei n° 4.502/1964, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei n° 9.430/1996. (Registrese o fato de que o artigo 45 da Lei n° 9.430/1996 foi revogado pela Lei n° 11.488/2007, que também deu nova redação ao artigo. TAXA SELIC Quanto a alegação da Recorrente relativamente à aplicação da taxa Selic de juros, a instância administrativa está adstrita a verificar se o lançamento aplicase ao caso, analisar os argumentos e provas apresentados pelo sujeito passivo, verificar se houve realmente o fato gerador que gerou a obrigação tributária e se a lei foi corretamente aplicada ao caso. Não compete à autoridade administrativa declarar, reconhecer ou apreciar a argüição de inconstitucionalidade, pois essa competência foi atribuida em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição Federal de 1988, art. 102, I, a, e III, b. Por outro lado, não hi inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal contra a aplicação da tam de juros Selic na cobrança dos juros de mora. As normas que amparam sua cobrança continuam válidas, não sendo licito à autoridade administrativa abster se de cumpri Ias. Verificase que a Lei n° 5.172/1966, Código Tributário Nacional CTN, em seu art. 161. Portanto, improcedente a alegação de impossibilidade de aplicação da taxa Selic de juros. No que diz respeito aos pedidos de produção oportuna de todos os meios de prova, especialmente a juntada de novos documentos e a conversão do julgamento em diligencia ao INT entendo desnecessário tendo em vista a juntada de vários laudos técnicos além do disposto no art. 16 do Decreto ng 70.235 de 06/03/1972 DOU 07/03/1972, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou pendas que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 18 § 1° Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Ademais, o art. 29 do Decreto n2 70.235 de 06/03/1972 – DOU 07/03/1972 e 131 do Código de Processo Civil dispõem, in verbis: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção podendo determinar as diligências que entender necessárias. Estando o processo instruido com elementos para que se possa proferir um voto fundamentado a respeito do mérito, indeferese a diligência solicitada. Diante do exposto, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. Angela Sartori – Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator Designado. Com o devido respeito aos argumentos expendidos pela eminente relatora, peço licença para deles divergir, porquanto não vislumbro qualquer nulidade que prejudique a validade da autuação, em função da ausência das declarações de importação no presente processo. Com efeito, o lançamento, como espécie de ato administrativo, ostenta todos os elementos necessários à sua constituição, ou requisitos de validade, como entendem alguns doutrinadores, a saber, competência, objeto, forma, motivo e finalidade, não havendo, sob este aspecto, qualquer vício que macule sua higidez. Vale registrar que o auto de infração atende às exigências do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, não existindo ademais qualquer dispositivo legal que imponha a juntada de aludidos documentos (declarações de importação) como elemento de prova em processos que versem sobre lançamento de tributos sobre o comércio exterior. Respeitante ao cerceamento do direito de defesa, defeito que acarreta a nulidade do processo, nos termos do art. 59 do mesmo diploma, não verifico sua ocorrência, porquanto a questão em debate diz respeito exclusivamente à incorreção da classificação fiscal adotada pelo contribuinte e suas conseqüências tributárias, não havendo altercação alguma acerca de informações prestadas na declaração de importação a exigir a sua juntada como elemento de prova. A preterição desta faculdade direito de defesa , de fato, inquina de nulidade o ato administrativo praticado nestas condições, contudo, a par de inexistente neste processo, ainda que se admitisse sua ocorrência, o que se faz apenas por apego ao debate, o defeito deveria ser de tal ordem que impediria por completo o exercício da ampla defesa e do contraditório, o que definitivamente não é o caso, pois, pelo que se extrai do recurso voluntário interposto, a falta de tais declarações em nada afetou a defesa do recorrente, que pode exercêla Fl. 367DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19647.007776/200768 Acórdão n.º 3401002.563 S3C4T1 Fl. 14 19 em sua plenitude, atacando específica e minuciosamente todos os pontos componentes da autuação, tanto em primeira quanto em segunda instância. Não sem razão dispõe o art. 60 do ato legal em comento que “as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Como não bastasse, o sistema processual pátrio acolheu do direito francês o princípio pás de nullité sans grief, consoante o qual não há nulidade sem prejuízo às partes ou ao processo, devidamente insculpido nos arts. 244; 249, § 1º e 250, parágrafo único, do Código de Processo Civil; arts. 563 e 566 do Código de Processo Penal; o próprio art. 60 do Decreto nº 70.235/72, reproduzido linhas atrás, dentre outros dispositivos. Nesta linha de raciocínio, o recorrente, nada obstante pugnar pela nulidade do lançamento, em momento algum demonstrou o pretenso prejuízo sofrido na defesa de sua causa pela falta de juntada das declarações de importação ao processo, o que revela o caráter retórico deste argumento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso quanto à nulidade do lançamento. Robson José Bayerl Fl. 368DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 11516.007839/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 07 83 9/ 20 08 -4 1 Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007839/200841 Resolução nº 2402000.422 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2005 a 10/2008. O Relatório Fiscal (fls. 13/28) informa que a contribuição previdenciária foi apurada por aferição indireta com base na mão de obra contida no Custo Unitário Básico (CUB), aplicado nas seguintes obras: 1. Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76), período 07/2004 a 01/2007; 2. Residencial Pedro Coelho (CEI 36.550.01504/76), período 01/2006 a 05/2008; 3. Residencial Bernardo Koerich (CEI 36.560.00589/73), período 05/2004 a 05/2007; 4. Residencial Alaíde (CEI 40.580.00648/79), período 08/2003 a 05/2005. Em síntese, as razões e motivações do lançamento das contribuições previdenciárias apuradas por aferição indireta da mão de obra utilizada nas edificações supracitadas foram: 1. Cita a fiscalização que por meio do exame dos livros Diário e Razão e da documentação de Caixa referente aos lançamentos contábeis, que a empresa não observa os princípios contábeis em sua escrituração. Discorre sobre os princípios contábeis geralmente aceitos; 2. Informa que do exame nos livros contábeis e folha de pagamento constatou que a empresa não registrou todas as despesas efetuadas com as obras que realizou. Na obra denominada Residencial Guimarães, consta folha de pagamento relativo as competências 07/2004 a 11/2004, e não consta registro contábeis nos centros de custos 1.1.3.5, relativos a este período. Relata que a citada obra iniciou em 07/2004, conforme consta de folha de pagamento apresentada pela empresa, com admissão de 04 empregados nesta competência. Não consta registros contábeis relativos às despesas iniciais da obra, tais como preparação do terreno, despesas de projeto e plantas, despesas com água e luz, impostos sobre a folha de pagamento. O centro de custo relativo a esta obra contem registros de lançamentos contábeis apenas a partir do ano de 2005. Informa que a empresa deixou de lançar em títulos próprio despesas com remuneração e que este fato fere os princípios da oportunidade, continuidade e competência. O balanço patrimonial apresentado no ano Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007839/200841 Resolução nº 2402000.422 S2C4T2 Fl. 4 3 de 2004, não apresenta registro com a obra Residencial Guimarães, de forma que este não espelha a realidade; 3. Da análise da folha de pagamento da empresa, informa que a empresa não possui em seu quadro de empregados engenheiros, e não consta dos registros contábeis pagamentos a estes profissionais, exceto para a obra Residencial Alaíde. Não existem registros de despesas, na execução das demais obras com relação aos mesmos; 4. Cita que não consta diversos registros de despesas correntes e essenciais nas obras verificadas. Como exemplo, relata que a obra Residencial Bernardo Koerich, centro de custo 1.1.14, não consta despesas relativas a confecção de plantas e projetos, serviços de sondagens, serviços de terraplanagem e estaqueamento. Não consta lançamentos relativos a pagamento de profissionais habilitados. Este fato também foi constatado na obra Residencial Alaíde, centro de custo 1.1.3.2. Cita que constam registro de despesas com terreno, ferragens, concretagem, argamassa, salários e encargos, previdência social, FGTS, materiais, fretes, impostos, água, luz e esgoto. Cita que não consta registro de despesas com alimentação dos empregados; 5. Não consta registro contábil das despesas com a contratação do engenheiro civil João Batista Simon Flausino, cujos serviços constam de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), em anexo. Os serviços foram relativos a projeto arquitetônico e complementares do Residencial Bernardo Vicente Koerich. Relata que a contratação do respectivo profissional foi por meio da empresa Solidez Engenharia e Informática Ltda e não constam registros contábeis referentes a pagamentos para a citada empresa. Que este fato ratifica a constatação de que a empresa não registra despesas com profissionais em diversas obras realizadas. O mesmo fato foi apurado com relação a engenheira civil Rosangela Cechella Philippi, contratada para efetuar projeto e execução do Residencial Pedro Coelho, com honorário de R$ 1.200,00, conforme consta de ART em anexo, sendo que não consta registro contábil relativo a mencionada despesa; 6. Relata que a escrituração contábil utilizase de históricos que não fornecem informações claras e precisas sobre os lançamentos, e cita as contas Caixa e Bancos, nas quais rotineiramente constam termos que não traduzem a natureza das operações realizadas, posto que se apresentam apenas com descrições como “deposito bancário” e “retirada bancária”, sendo que estes lançamentos envolvem em contrapartida débitos ou créditos na conta caixa. A contabilização da forma como é praticada viola resolução do Conselho Federal de Contabilidade no que se refere a qualidade ou atributo da informação contábil; 7. Cita que, considerando os fatos apurados, os salários de contribuição das obras foram apurados por aferição indireta com base na área construída, tendo como parâmetro para a apuração da mão de obra empregada o Custo Unitário Básico aplicável para a construção. Apresenta quadro Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007839/200841 Resolução nº 2402000.422 S2C4T2 Fl. 5 4 descritivo das obras, Residencial Guimarães, Residencial Pedro Coelho, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde , fls. 23/24 dos autos; 8. Foram considerados nos cálculos todos os salários de contribuição declarados em GFIP inequivocamente vinculados às obras, bem como 5% das despesas com fornecimento de concreto usinado, conforme demonstrativo em anexo. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 21/11/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 41/61) – acompanha de anexos de fls. 62/569, alegando, em síntese, que: 1. informa que as obras Residencial Dona Martha, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde foram objeto de ações judiciais movidas pela empresa autuada, antes da ação fiscal desenvolvida na empresa. As ações foram motivadas pela recusa do órgão fiscalizador à época, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em conceder a Certidão Negativa de Débito (CND) relativa. as obras mencionadas, quando da solicitação desta, ao término das obras. As ações ordinárias foram de n° 2004.72.00.0076820 (Residencial Dona Martha), 2007.72.00.0115527, (Residencial Bernardo Koerich) e 2005.72.00.0105124 (Residencial Alaíde). Alega que os processos judiciais foram favoráveis à empresa e estes apresentam perícia contábil e que estas indicam que a empresa tem contabilidade formal e regular, e que em momento algum feriu os princípios contábeis geralmente aceitos, conforme afirma a fiscalização. Apresenta documentação relativa às citadas ações judiciais ordinárias em anexo; 2. com relação ao Residencial Bernardo Koerich, ação judicial relativa ao processo 2007.72.00.0115527, informa que foi efetuado depósito judicial no valor de R$208.400,59, conforme extrato juntado aos autos; 3. com relação ao Residencial Guimarães, alega que os empregados relacionados no anexo II dos autos não pertencem a esta obra e tão somente ao Residencial Bernardo Koerich, conforme documentos anexados, sendo que este se encontra com ação em juízo e com perícia judicial deferida; 4. com relação aos contribuintes individuais (engenheiros) citados pela fiscalização, informa que juntou cópias de documentos contábeis, bem como de recolhimentos e GFIPs; 5. alega que o Residencial Guimarães foi adquirido em 09/11/2004 da empresa H.SELL Empreendimentos Ltda, por contrato de permuta, sendo que o terreno foi adquirido com os projetos aprovados e obras de estaqueamento já realizadas no imóvel. Que a obra somente teve registro na contabilidade a partir de abril de 2005, conforme Livro Razão e que antes desta data não poderia ter registro de folha de pagamento; Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007839/200841 Resolução nº 2402000.422 S2C4T2 Fl. 6 5 6. cita que as ART's de n° 26274260 e 26277252, referentes a projeto estrutural e responsabilidade técnica de acompanhamento da obra são relativas à obra Residencial São José, que se encontra em andamento. Aduz que as obras, com exceção do Residencial Guimarães não necessitam de despesas com preparação de terreno, e que as obras se iniciam com o estaqueamento, posto que os terrenos são planos; 7. discorre sobre o critério de aferição indireta e alega que esta deve ser aplicada apenas nos casos de exceção, ou seja, quando foi impossível a apuração das contribuições previdenciárias devidas através da contabilidade da empresa ou deixar esta exibir documentos pertinentes. Argumenta que a perícia judicial deferida para as obras demonstrou que a contabilidade da empresa é regular e formalizada. Argumenta que se ocorresse alguma deficiência na contabilidade, esta não afetaria os cálculos da previdência social a recolher, posto que este é feito de forma extra contábil. Aduz que, no caso de ser considerado a aferição, deve ser aplicado a atual norma vigente, a Instrução Normativa 24, de 30/04/2007, que alterou o Título V Normas e Procedimentos Aplicáveis à atividade de Construção Civil, da IN MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005; requer que seja tratada como CIDE a contribuição para o INCRA, e que a contribuição desta natureza não poderia ser exigida da impugnante, desde 11/12/2001, data em que entrou em vigor a EC 33, porque detém bases de calculo não prevista na Constituição Federal. Alega que a contribuição é inconstitucional; 8. alega que não houve a intenção de sonegar qualquer tributo e que a simples inadimplência não representa crime de sonegação fiscal. Aduz que somente após o julgamento da defesa administrativa do contribuinte é que se pode falar em sonegação fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0717.602 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 572/579) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a empresa possui contabilidade regular. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Florianópolis/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007839/200841 Resolução nº 2402000.422 S2C4T2 Fl. 7 6 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à matéria fática relacionada com o início da obra do Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76) e com o fato gerador das contribuições devidas que foram apuradas por meio de aferição indireta, acompanhada de cópias de documentos juntados aos autos. No que tange à matéria submetida à controvérsia instaurada, o Fisco informa que o início da obra do Residencial Guimarães deuse em meados de 2004, já que foram emitidas as folhas de pagamento para período 07/2004 a 11/2004, bem como foram emitidas as GFIP's da obra para o mesmo período e com os mesmos segurados, referentes à matrícula CEI 36.550.013671/76, correspondente ao Residencial Guimarães. Em sentido contrário, a Recorrente afirma na peça recursal (fl. 605 Volume IV) que só deu início à obra, na realidade em abril 2005, conforme registro no Livro Razão n° 13 (fls. 114), antes desta data não poderia ter registro de folha de pagamento, nos seguintes termos: “[...] Logo ratifica e ficou devidamente confessado pela Autora, que houve um engano por parte dos funcionários da empresa "Arquivo Contabilidade" com referencia às obras Residencial Guimarães matr. 36.550.0136776, que os empregados, cuja as cópias constam do ANEXO II do AI n° 37.194.0486, não pertencem à obra Residencial Guimarães, mas, tão somente, ao Residencial Bernardo Koerich, matr. 36560.005893, conforme se verifica dos doc. ( ver documentos acostados a Impugnação). Foi devidamente declarado o engano a fiscala e solicitado uma retificação e anulação daqueles documentos, uma vez que somente observado o engano, no momento da auditoria fiscal, inclusive como se observa do Relatório Fiscal estes documentos nem mesmo haviam sido registrados na contabilidade da referida obra (custo). E restituir as competências recolhidas, igualmente por o engano, referente a essa mesma obra. Contudo negouse a fazêlo, afirmando que iria levantar no ato fiscal e somente os julgadores do processo é que poderiam modificar esse posicionamento. Assim devido este ato não consegue tirar a CND , ficando a mercê desse julgamento, com relação a retificação e anulação daquele procedimento efetuado por engano. [...]” Por fim, a Recorrente concluiu que: “[...] Entende, igualmente a Autora, respeitáveis Julgadores que a Senhora auditora fiscal por este motivo, não poderia ter desconsiderada toda a contabilidade da mesma, e se utilizar do método Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007839/200841 Resolução nº 2402000.422 S2C4T2 Fl. 8 7 da aferição indireta, quando poderia ter sido efetuado uma fiscalização pelo método normal. E mais, ratifica, que as ART's de n °s 26274260 e 26277252, referente a Projeto Estrutural e Responsabilidade Técnica pelo Acompanhamento de Construção, reportase a Obra de Construção Civil do Residencial São José, ainda em obra com prazo estimado para encerramento em maio/09. Logicamente que houve engano da senhora Auditora Fiscal em mencionar estas ART's no seu Relatório Fiscal, contudo, todos nós somos passíveis de engano. Mas aqui não vem ao caso. Somandose a isso informa igualmente que nas obras fiscalizadas e autuadas, a exceção do Residencial Guimarães, pelas razões já acima expostas, nas demais, não se verificaram despesas com a preparação do terreno, iniciando as obras com os serviços de estaqueamento, uma vez, que os terrenos, onde se localizam são planos, não necessitando os mesmos de serviços de terraplanagem e ou serviços a fins. [...]” Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007839/200841 Resolução nº 2402000.422 S2C4T2 Fl. 9 8 Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório (documentos de fls. 62/569 e fls. 625/1001) – inclusive deverá verificar se efetivamente o início da obra do Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76) deuse em meados de 2004, e se tal fato foi registrado na escrituração contábil da Recorrente (Livros Diário e Razão) –, submetidos à controvérsia instaurada no presente processo. Segundo a Recorrente, esses documentos foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Além disso, o Fisco deverá manifestase a respeito da contabilidade da Recorrente, especificamente se as obras submetidas à apuração da base de cálculo por aferição indireta possuem centro de custo por obra e se os fatos contábeis foram escriturados, de forma individualizada, em cada construção de forma escorreita, ou não. Caso haja irregularidade na escrituração contábil das obras Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76), Residencial Pedro Coelho (CEI 36.550.01504/76), Residencial Bernardo Koerich (CEI 36.560.00589/73) e Residencial Alaíde (CEI 40.580.00648/79), isso deverá ser evidenciado de forma pormenorizada e por período para cada obra. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19740.000074/2008-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2004, 2005
PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENTIDADE ABERTA SEM FINS LUCRATIVOS. INCIDÊNCIA.
É devida a CSLL sobre as operações das entidades de previdência privada aberta.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
Numero da decisão: 1202-001.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Mozart Barreto Vianna que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor. Os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno davam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Carlos Alberto Donassolo foi substituído pelo conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner Presidente substituta e relatora
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000074/200876 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.017 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de setembro de 2013 Matéria CSLL. Recorrente PECÚLIO ABRAHAM LINCOLN AMAL. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004, 2005 PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENTIDADE ABERTA SEM FINS LUCRATIVOS. INCIDÊNCIA. É devida a CSLL sobre as operações das entidades de previdência privada aberta. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Mozart Barreto Vianna que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor. Os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno davam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Carlos Alberto Donassolo foi substituído pelo conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente substituta e relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 74 /2 00 8- 76 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de auto de infração (fls.33/40) de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, no valor de R$1.375.680,54, acrescida de multa de ofício de 75%, e juros de mora calculados até 31.01.2008. Consoante o termo de verificação (fls.12/32), a autoridade fiscal apurou que o contribuinte é uma entidade aberta de previdência complementar, conforme seus estatutos, sem fins lucrativos, organizada na forma da Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001, cujo objetivo é instituir e operar quaisquer planos de benefícios oficialmente admitidos como de previdência complementar, concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único conforme disposto nos arts. 1o e 2o do seu Estatuto Social. Através dos balancetes contábeis (fls.43/222) e das demonstrações contábeis publicadas (fls.41/42), apresentados pelo contribuinte, foram apuradas as bases de cálculo da CSLL, em períodos trimestrais (fls.25/32), procedendose às adições de despesas e provisões não dedutíveis. Na impugnação, a interessada argumentou, em síntese, que: houve decadência parcial do lançamento, com base no artigo 150, do CTN; não deve incidir juros de mora e taxa Selic, pois, inexiste qualquer regra definidora do período de apuração e do vencimento, devendo ser aplicado o § 3o, do art. 61 da Lei n° 9.430/96, e o parágrafo único do art. 100 do CTN, que excluem a imposição da multa para quem observa os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, bem como a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo e que a aplicação da taxa Selic considerando o período trimestral agravou o lançamento; o auto de infração foi lavrado em desconformidade com a Lei, doutrina e jurisprudência, uma vez que pretendese cobrar CSLL de quem não tem lucro e sim superávit, pois lucro não se confunde com superávit; não se trata de entidade aberta de previdência privada com fins lucrativos; houve afronta ao artigo 17 da IN SRF n° 588, de 2005, que determina que as entidades de previdência complementar sem fins lucrativos estão isentas da CSLL; a interpretação da norma administrativa deve ser feita da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação, nos termos da Lei 9.784/99 e CF; a base de cálculo não pode ser apurada de acordo com legislação comercial, pois tratase de sociedade civil sem fins lucrativos; a diferença entre a receita e despesa (superávit) não se confunde com o resultado apurado com observância da legislação comercial a que se refere o artigo 2º. da Lei 7.689/88; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 5 4 com fulcro no inciso IV, do art. 16 c/c arts. 17 e 18 do Decreto n° 70.235/72 requer diligência e prova pericial para demonstrar o equívoco da apuração feita levandose em conta a legislação comercial, conforme quesito de fls.333, e doc.06, bem como, requer prova documental superveniente e apresentação de assistente técnico. A decisão de primeira instância considerou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003, 2004 PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA. CSLL. A isenção do artigo 5o da Lei n°. 10.426, de 2002, alcança somente as entidades de previdência fechada. É devida a CSLL sobre as operações das entidades de previdência privada aberta. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 20/12/2011 (cfe AR, fl.420), apresentou recurso voluntário ao CARF, em 18/01/2012 (fls.422 e ss.), em que aponta equívocos na decisão recorrida. Sustenta decadência quanto ao mês de janeiro de 2003, porque a intimação do auto de infração se deu em fevereiro de 2008, fora dos 5 (cinco) anos previstos no art. 150 do CTN., já que o "lucro" ocorreu mês a mês, sendo obrigatória a retirada da base de cálculo a ser utilizada para eventual cobrança do tributo a receita do mês de janeiro de 2003. Sustenta a não incidência da CSLL, considerando que: (i) "entidades sem fins lucrativos" não são apenas as entidades fechadas, e corresponde a quem não distribui lucros e que aplica o resultado (superávit e não lucros) integralmente na consecução dos objetivos estatutários; (ii) é entidade aberta de previdência privada, sem fins lucrativos que, ipso factu, não aufere "lucro", uma vez que, quando muito, o resultado positivo que obtiver será tido por "superavit"; (iii) a remuneração de administradores não altera o caráter de entidade sem fins lucrativos, aplicandose subsidiariamente a legislação de seguros (art. 10 da Lei n° 6.435/77, c/c art. 9º do Decreto n° 81.402 e art. 73 da Lc n° 109/01) às entidades de previdência privada, entre as quais se inclui também a lei de sociedades anônimas, e a Resolução CNSP n° 53/01, ao permitir a remuneração percentual dos administradores em caso de superávit não se afastou do que já instituído como regra para a direção das seguradoras (normalmente constituídas sob a forma de sociedades anônimas); (iv) a remuneração variável (sobre superávit) não seria óbice à "ausência de finalidade lucrativa" ou "gozo de isenção", citando o IRPJ (RIR/99, arts. 174 (regra geral de isenção) e 175 (regra específica de isenção pertinente às entidades de previdência privada); (v) Resultados ou Superávits, quando ocorrem, têm destinação certa, ou seja, são aplicados em planos de assistência aos participantes ou revertidos ao patrimônio para Fl. 551DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 6 5 garantia das coberturas já contratadas e para manutenção das atividades beneficentes (art. 31 do do Decreto nº 81.402/78, c/c art. 77 da Lei Complementar nº. 109/01, c/c art. 202 da CF); (vi) o inciso I do art. 13 referese apenas às entidades abertas com fins lucrativos e não as entidades sem fins lucrativos, vez que somente aquelas podem buscar e obter lucros; (vii) ainda que fosse devida a referida contribuição, ad argumentandum, as entidades abertas de previdência complementar sem fins lucrativos estariam isentas, de acordo com o art. 15 da Lei n° 9.532/97 e §1º, do art.69 da LC n° 109/01; (viii) o termo de verificação fiscal e a decisão recorrida afrontam o disposto no art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 588, de 21 de dezembro de 2005, ou seja, que "as entidades de previdência complementar sem fins lucrativos estão isentas da contribuição social sobre o lucro líquido"; (ix) nova interpretação de lei que prejudique o contribuinte é vedada pelo inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei n° 9.784/90, razão pela qual é invocado o disposto no Ato Declaratório Normativo CST n° 17/90 e na Instrução Normativa SRF n° 588/2005, alegando que interpretação contrária em prejuízo da Recorrente seria ofensivo do princípio da "segurança jurídica", da "legalidade" e da "moralidade", que devem nortear a prática dos atos administrativos; (x) deve ser afastada a cobrança de juros de mora e taxa Selic, por ausência de prazo legal de vencimento ante a controvérsia sobre se é ou não devida a CSLL de entidades sem fins lucrativos. Caso se decida em desfavor da entidade, há que se aplicar o § 3º, do art. 61 da Lei n° 9.430/96, e o parágrafo único do art. 100 do CTN. É o relatório. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e conforme a legislação, devendo ser conhecido. Sobre a decadência do mês de janeiro de 2003, arguida em preliminar, cumpre rechaçar de plano, visto que a CSLL obedece a regra de apuração trimestral, ou seja, o fato gerador completa seu ciclo ao final de cada trimestre dentro do ano calendário. Assim, inexiste fato gerador mensal de CSLL, ao contrário do que entende a recorrente. A regra decadencial considera a data do fato gerador, a partir do final do período de apuração, quando o resultado tributável é considerado realizado. Como o primeiro fato gerador autuado corresponde a 31 de março de 2003, abarcando os meses de janeiro, fevereiro e março, e a ciência do auto de infração se deu em fevereiro de 2008, a contagem pela regra do art. 150 do CTN não compromete o lançamento. No mérito, a recorrente destaca que é entidade aberta de previdência complementar sem fins lucrativos, estando isenta da CSLL nos anoscalendário objeto de autuação (2003 e 2004). Sustenta, ainda, que é associação sui generis, porquanto não aufere lucro e sim resultado positivo (superávit), e que o art. 15 da Lei n° 9.532/97 dispõe expressamente que as “Associações” são isentas do pagamento do IRPJ e da CSLL. Atualmente, as entidades de previdência complementar são regidas pela Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, que revogou a Lei no 6.435, de 15 de julho de 1977, dispondo sobre o Regime de Previdência Complementar. São classificadas em fechadas ou abertas, nos seguintes termos: Art. 31. As entidades fechadas são aquelas acessíveis, na forma regulamentada pelo órgão regulador e fiscalizador, exclusivamente: I aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas e aos servidores da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, entes denominados patrocinadores; e II aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, denominadas instituidores. § 1oAs entidades fechadas organizarseão sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos. ............................................. Art. 36. As entidades abertas são constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas. [...] Fl. 553DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 8 7 .............................................. Art. 77. As entidades abertas sem fins lucrativos e as sociedades seguradoras autorizadas a funcionar em conformidade com a Lei no6.435, de 15 de julho de 1977, terão o prazo de dois anos para se adaptar ao disposto nesta Lei Complementar. § 1oNo caso das entidades abertas sem fins lucrativos já autorizadas a funcionar, é permitida a manutenção de sua organização jurídica como sociedade civil, sendolhes vedado participar, direta ou indiretamente, de pessoas jurídicas, exceto quando tiverem participação acionária: I minoritária, em sociedades anônimas de capital aberto, na forma regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional, para aplicação de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões; II em sociedade seguradora e/ou de capitalização. § 2oÉ vedado à sociedade seguradora e/ou de capitalização referida no inciso II do parágrafo anterior participar majoritariamente de pessoas jurídicas, ressalvadas as empresas de suporte ao seu funcionamento e as sociedades anônimas de capital aberto, nas condições previstas no inciso I do parágrafo anterior. § 3oA entidade aberta sem fins lucrativos e a sociedade seguradora e/ou de capitalização por ela controlada devem adaptarse às condições estabelecidas nos §§ 1oe 2o, no mesmo prazo previsto no caput deste artigo. § 4oAs reservas técnicas de planos já operados por entidades abertas de previdência privada sem fins lucrativos, anteriormente à data de publicação da Lei no6.435, de 15 de julho de 1977, poderão permanecer garantidas por ativos de propriedade da entidade, existentes à época, dentro de programa gradual de ajuste às normas estabelecidas pelo órgão regulador sobre a matéria, a ser submetido pela entidade ao órgão fiscalizador no prazo máximo de doze meses a contar da data de publicação desta Lei Complementar. § 5oO prazo máximo para o término para o programa gradual de ajuste a que se refere o parágrafo anterior não poderá superar cento e vinte meses, contados da data de aprovação do respectivo programa pelo órgão fiscalizador. § 6oAs entidades abertas sem fins lucrativos que, na data de publicação desta Lei Complementar, já vinham mantendo programas de assistência filantrópica, prévia e expressamente autorizados, poderão, para efeito de cobrança, adicionar às contribuições de seus planos de benefícios valor destinado àqueles programas, observadas as normas estabelecidas pelo órgão regulador. § 7oA aplicabilidade do disposto no parágrafo anterior fica sujeita, sob pena de cancelamento da autorização previamente Fl. 554DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 9 8 concedida, à prestação anual de contas dos programas filantrópicos e à aprovação pelo órgão competente. § 8oO descumprimento de qualquer das obrigações contidas neste artigo sujeita os administradores das entidades abertas sem fins lucrativos e das sociedades seguradora e/ou de capitalização por elas controladas ao Regime Disciplinar previsto nesta Lei Complementar, sem prejuízo da responsabilidade civil por danos ou prejuízos causados, por ação ou omissão, à entidade. (destacouse) Enquanto as entidades fechadas são necessariamente sem fins lucrativos, e funcionam sob a tutela da PREVIC exSecretaria da Previdência Complementar (do Ministério da Previdência e Assistência Social), as entidades abertas de previdência privada são acessíveis a qualquer pessoa e, por se assemelharem a seguradoras, são regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). As entidades abertas podiam ser constituídas com ou sem fins lucrativos, até o advento da Lei Complementar nº109. A Constituição Federal prevê, em seu art. 195, que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e, dentre outras contribuições sociais, da CSLL. Assim, o caráter amplo do alcance da CSLL se justifica em prol do bem comum, enquanto as hipóteses de imunidade e isenção são restritas, consoante o sistema tributário nacional. Sobre o tema, cabe referir a posição do Supremo Tribunal Federal, consubstanciada no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário 612686/SC, julgado em 05/03/2013. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PEDIDO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E CSLL. ALEGAÇÃO DE NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR LUCRO. IMPOSSIBILIDADE. A EXISTÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO DOS SEUS BENEFICIÁRIOS AFASTA A IMUNIDADE DO ARTIGO 150, VI, “C”. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO DA SÚMULA N.º 730/STF. PRECEDENTE: RE N.º 202.700/DF, PLENO, RELATOR O MINISTRO MAURÍCIO CORRÊA, DJ 1º.3.02. EXISTÊNCIA OU NÃO DO FATO GERADOR DO IRPJ E CSLL. MATÉRIA FÁTICA. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO DA SÚMULA Nº 279/STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmouse no sentido de que a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, "c", da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Incidência do Enunciado da Súmula n.º 730/STF. 2. Para divergir do acórdão recorrido acerca da existência do fato gerador do IRPJ e CSLL seria necessário o reexame de provas e cláusulas contratuais (estatuto social e plano de Fl. 555DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 10 9 benefícios), o que encontra óbice nas súmulas 279 e 454 desta Corte. 3. A Súmula 279/STF dispõe verbis: “Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário”. É que o recurso extraordinário não se presta ao exame de questões que demandam revolvimento do contexto fático probatório dos autos, adstringindose à análise da violação direta da ordem constitucional. 4. In casu, o acórdão recorrido assentou: “AC. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMUNIDADE. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. BITRIBUTAÇÃO. PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA PROGRESSIVIDADE. 1. O patrimônio das entidades fechadas de previdência privada compõese de valores provenientes das contribuições de seus participantes, de dotações da própria entidade e de aporte do patrocinador, enfim, mesmo que não possuam fins lucrativos, é cabível a incidência do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro, pois na sua atividade captam e administram os recursos destinados ao pagamento de benefícios de seus associados. Também, não gozam da imunidade prevista no art. 150, VI, "c" da CRFB, já que não se confundem com as entidades de assistência social, destinadas a auxiliar pessoas carentes, independentemente de estarem ou não no mercado de trabalho e da contribuição correspondente. 2. Quanto à bitributação, não há demostração clara sobre quais valores estaria ocorrendo a dupla incidência do mesmo tributo. A incidência do imposto de renda, quando da concessão dos benefícios, se dá na fonte e não há vedação para a sua incidência no momento em que há a acumulação de reservas e provisões destinadas ao pagamento de benefícios futuros, ou seja, um fato gerador é a acumulação, outro é a distribuição. 3. Em relação aos princípios da isonomia e da progressividade entendo que não há a alegada quebra. O princípio da isonomia prevê a vedação ao tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. O que a apelante está pretendendo é o reconhecimento de imunidade, ou seja, um benefício concedido pelo legislador constituinte. A esse respeito o STF já decidiu (RE 259.756, DJ 29/08/2003) quais as entidades estariam abrangidas pela imunidade, quais sejam, as entidades de previdência complementar custeadas, exclusivamente, pelo ente patrocinador. Tampouco há ofensa ao princípio da progressividade, pois é baseado na capacidade contributiva”. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. Considerando o entendimento acima esposado, de que a imunidade tributária somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários, é possível concluir que as entidades de previdência privada aberta, que necessariamente possuem contribuição dos beneficiários, como é o caso da recorrente, também não estão imunes. Diante disso, cabe perquirir se seria caso de isenção tributária ou não incidência, à luz das normas infraconstitucionais, considerando o disposto no inciso VI do art. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 11 10 97 do CTN, que restringe as hipóteses de exclusão do crédito tributário, incluindo isenção, à criação por lei em sentido estrito. Por ter sido fundada em outubro de 1964, conforme seu estatuto consolidado (fl.282), a recorrente enquadrase no art. 77 da LC nº 109/2001, o qual prevê que aquelas já autorizadas a funcionar podem se manter como sociedade civil (§1º). Nesse caso, sendo considerada sociedade simples, passa a ser regulada pelos arts. 997 a 1038 do novo Código Civil. De toda a sorte, nunca se confundiu com associação. Assim, de pronto, já se afasta a hipótese do art. 15 da Lei n° 9.532/97, que dispõe expressamente que as “instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis” sem fins lucrativos são isentas do pagamento do IRPJ e da CSLL. É entendimento pacificado no âmbito do STF que a contribuição instituída pela Lei nº 7.689, de 15.12.1988, é uma contribuição social instituída com base no art. 195, inciso I, da CF, inserindose no rol das que financiam a seguridade social (RE 138.284/2002, RE 146.733/92 e RE 224.885/98). Considerando a prevalência hierárquiconormativa, interpretase a lei conforme a Constituição Federal. Assim, nos termos do art. 4º da Lei n° 7.689/88, considerase que são contribuintes da CSLL as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária, o que alcança todas as pessoas que não forem consideradas imunes, haja vista os princípios da equidade (art. 194, inciso V) e da universalidade (art. 195, caput) na forma de participação no custeio da Previdência Social. A tese de não incidência para o caso em tela é afastada pela previsão específica contida na Lei n° 8.212/91, que determina que, dentre outras pessoa jurídicas, as entidades de previdência privada abertas e fechadas são tributadas pela CSLL, como se vê abaixo: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] § 1oNo caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). ..................... Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 12 11 I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. (destacouse) Notese que, ao determinar, no art. 23, §1º, a alíquota de 15% para as instituições citadas no artigo anterior, incluindo as entidades de previdência, fechadas ou abertas, o legislador não previu qualquer ressalva em relação àquelas com ou sem finalidade lucrativa, ou seja, todas sofreriam a incidência da CSLL. Ademais, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, ao admitir a dedução das provisões técnicas cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável, reafirma, de forma expressa, a incidência da CSLL sobre os resultados positivos das entidades de previdência privada: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) [...] (destacouse) Cabe ressaltar, ainda, que o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) também sustenta a incidência da CSLL sobre os resultados das entidades de previdência privada: Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994)(Vide Emenda Constitucional nº 17, de 1997) [...] III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos Fl. 558DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 13 12 contribuintes a que se refere o § 1º do Art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de 1º de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária, mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 10, de 1996) Entendese que a discussão sobre superávit ou lucro como base de cálculo da CSLL, no âmbito doutrinário e jurisprudencial, não tem o condão de afastar a clareza da lei e justificar a alegada não incidência. Destaquese que o texto legal que instituiu a CSLL (art. 2º da Lei nº 7.689/88) prevê que “a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda”. Sendo “resultado do exercício” o gênero que abrange lucro e superávit, tornase irrelevante, para fins de incidência da contribuição, a caracterização de “entidade sem fins lucrativos”. O entendimento aqui defendido encontra respaldo no acórdão nº 103.22558, julgado pela antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 25 de janeiro de 2007, que teve a seguinte ementa: ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR –CSLL – ART. 72, III, DOS ADCT. LEI Nº 7.689/88. A máxima efetividade da norma constitucional em lume torna irrelevante a finalidade lucrativa, para a tributação da CSSL nas entidades fechadas de previdência complementar, a não ser que se pretendesse esvaziar, por completo, o conteúdo da Carta Magna, recusando força normativa aos preceitos da Lei Maior. A linha de defesa que reclama a incidência sobre o lucro, sustentado a necessidade de adequar o texto constitucional à Lei nº 7.689/88, denota a inversão do princípio da interpretação conforme, postulando, ao contrário, a compreensão da Constituição em consonância com o sentido predefinido para a norma de escalão inferior. Ademais, a base de cálculo da CSSL, nos termos da Lei nº 7.689/88, é o resultado do exercício. Assim, a obrigatória harmonia entre a norma constitucional e a indigitada lei impõe que se vislumbre o resultado do exercício como gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit. Naquele aresto, a questão da incidência da CSLL sobre os resultados positivos das entidades de previdência privada foi brilhantemente enfrentada, pelo que cabe transcrever trechos do voto paradigmático do ilustre Conselheiro Flávio Franco Corrêa: “[...] Afora o que deixei registrado nas linhas precedentes, não hesito na asseveração de que o voto vencido e seu aresto modelo valeramse do nomem júris do tributo para a suposição de sua base de incidência. Paulo Barros de Carvalho explica, em comentários ao art. 4º, I, do CTN que o legislador agiu com extrema lucidez, “ao declarar que suas palavras não devem ser levadas ao pé da letra”, afinal os nomes que designam as “prestações pecuniárias que se quadrem na definição do art. 3º do Código hão de ser recebidas pelo intérprete sem aquele tom de seriedade e de certeza que seria de esperar. Porque, no fundo, Fl. 559DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 14 13 certamente pressentiu que, utilizando uma linguagem natural, penetrada das comunicações cotidianas, muitas vezes iria enganarse, perpetuando equívocos e acarretando confusões. E é justamente o que acontece. As leis não são feitas por cientistas do Direito e sim por políticos, pessoas de formação cultural essencialmente diversificada, representantes que são dos múltiplos setores que compõem a sociedade. O produto de seu trabalho, por conseguinte, não trará a marca do rigor técnico e científico que muitos almejam encontrar. Seria como se tivesse dito: Não levem às últimas conseqüências as palavras que enuncio, porque não sou especialista. Compreendamme em função da unidade sistemática da ordem jurídica.” As palavras de Paulo de Barros de Carvalho, ora recolhidas, cabem com exatidão no caso em estudo. Vejase, a propósito, o art. 2º da Lei nº 7.689/88, que, ao definir a base de cálculo da CSSL, partiu do “resultado do exercício”, ajustandoo, todavia, mediante as adições e as exclusões que estão inscritas no artigo 2º, § 1º, alínea c, da lei em referência, posteriormente modificado pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90. Ou seja, referidos ajustes ao resultado do exercício conflitam com o que se cristalizou na concepção de tantos, que se deixaram iludir pelo nomem juris do tributo, assim imaginando que sua incidência recai sobre o lucro líquido. Acrescentese que a doutrina e a jurisprudência administrativa facilitaram o trabalho de interpretação sob a incumbência deste relator, tal a iterativa asserção de que a base de cálculo do tributo objeto do lançamento de ofício em exame tem a singela denominação de “base de cálculo da CSSL”, verbis; IRPJ – BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – LIMITE DE COMPENSAÇÃO –IRPJ – CSLL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – LIMITES – LEI N° 8.981/95, ARTS. 42 E 58. Para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social.” (acórdão nº 10195002, Rel. Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 20.05.2005) (os grifos não estão no original) CSSL – COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS – LIMITAÇÃO DE 30% APLICAÇÃO DO DISPOSTO NAS LEIS nº 8.981 e 9.065 de 1995 – A limitação da compensação de prejuízos fiscais e da base negativa da CSSL, determinada pelas Leis nºs 8981 e 9.065 de 1995, não violou o direito adquirido, vez que o fato gerador do imposto de renda só ocorre após transcurso do período de apuração que coincide com o término do exercício financeiro. A partir do ano calendário de 1995 o lucro líquido ajustado e a base de cálculo positiva da CSSL, poderão ser reduzidos por compensação do prejuízo e base negativa, apurados em períodos bases anteriores em, no Fl. 560DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 15 14 máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anoscalendário subseqüentes (arts. 42 e § único e 58, da Lei 8.981/95.” “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – As bases de cálculo negativas apuradas integralmente antes da vigência da Lei 8383/91 são excluíveis da apuração da base de cálculo da contribuição social, até porque esta exação, como apêndice do IRPJ, se subsume aos mesmos princípios do lançamento conexo.” (acórdão nº 10320243, Rel. Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, sessão de 14.03.2000) (os grifos não estão no original) A despeito do entendimento que apresento neste voto, defendendo a diferenciação entre “base de cálculo da CSSL” e lucro líquido, retorno à expressão “resultado do exercício”, gravada no corpo do artigo 2º da Lei nº 7.689/99, com o intuito de adequálo às entidades sem fins lucrativos que se conformam, por adequação típica, às pessoas jurídicas do artigo 72, III, dos ADCT, visando à máxima efetividade que a norma constitucional reclama. Socorrome, para fins hermenêuticos, do julgamento do AI 382298AgR (DJ 28.05.2004), ressaltando breve trecho da lavra do Ministro Gilmar Mendes, relativamente ao princípio supracitado: “(...) a propósito, transcrevo, aqui, trecho da doutrina de Konrad Hesse, in A Força Normativa da Constituição, Porto Alegre, Sergio Antonio Fabris Editor, 1991, p.34, por mim traduzido, referente à interpretação constitucional: (...) O Direito Constitucional deve explicitar as condições sob as quais as normas constitucionais podem adquirir maior eficácia possível, possibilitando, assim, o desenvolvimento da dogmática e da interpretação constitucional. Portanto, compete ao Direito Constitucional realçar, despertar e preservar a vontade de Constituição (Wille zur Verfassung), que, indubitavelmente, constitui a maior garantia de sua força normativa. Essa observação torna imperiosa a assunção de uma visão crítica pelo Direito Constitucional, pois nada seria mais perigoso do que permitir o surgimento de ilusões sobre questões fundamentais para a vida do Estado.” (...)” (os grifos não estão no original) [...] De tudo o que salientei, depreendo que a harmonização entre a Lei nº 7.689/88 e o art. 72, III, dos ADCT exige a compreensão de que “resultado do exercício” é gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit. Por conseguinte, pouco importa, para a tributação da CSSL em consonância com o artigo 72, III, dos ADCT, se a entidade de previdência tem finalidade lucrativa ou não. Contudo, a justiça que se exige do órgão julgador requer a segregação das entidades que distribuem benefícios previdenciários decorrentes, exclusivamente, de contribuições da Fl. 561DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 16 15 própria mantenedora. Isto porque a jurisprudência da Corte Suprema acolheuas no seleto grupo das instituições de assistência social, albergadas, em conseqüência, pelo manto da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição da República, a teor das informações que emanam das seguintes ementas: “IMUNIDADE ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Na dicção da ilustrada maioria, entendimento em relação ao qual guardo reservas, o fato de mostrarse onerosa a participação dos beneficiários do plano de previdência privada afasta a imunidade prevista na alínea "c" do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal. Incide o dispositivo constitucional, quando os beneficiários não contribuem e a mantenedora arca com todos os ônus. Consenso unânime do Plenário, sem o voto do ministro Nelson Jobim, sobre a impossibilidade, no caso, da incidência de impostos, ante a configuração da assistência social.” (RE 259.756, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 29.08.2003) (os grifos não estão no original) “CONSTITUCIONAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. 1. Entidade fechada de previdência privada. Concessão de benefícios aos filiados mediante recolhimento das contribuições pactuadas. Imunidade tributária. Inexistência, dada a ausência das características de universalidade e generalidade da prestação, próprias dos órgãos de assistência social. 2. As instituições de assistência social, que trazem ínsito em suas finalidades a observância ao princípio da universalidade, da generalidade e concede benefícios a toda coletividade, independentemente de contraprestação, não se confundem e não podem ser comparadas com as entidades fechadas de previdência privada que, em decorrência da relação contratual firmada, apenas contempla uma categoria específica, ficando o gozo dos benefícios previstos em seu estatuto social dependente do recolhimento das contribuições avençadas, conditio sine qua non para a respectiva integração no sistema. Recurso extraordinário conhecido e provido.” (RE, 202.700, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 01.03.2002).” Reforçando o entendimento retro esposado, vale lembrar que as entidades de previdência fechada são constituídas sem fins lucrativos (art. 31, §1º, da LC nº 109/2001) e estavam sujeitas à incidência da CSLL, a teor do art.23 da Lei nº 8.212/91, assim como as entidades de previdência aberta. A lei não possui palavras inúteis, tampouco um artigo inteiro inútil, pelo que seria totalmente desnecessária e descabida a previsão de norma de isenção se fosse o caso de não incidência, como defende a recorrente. Em relação às entidades de previdência fechada, a isenção se deu a partir da edição do art. 5º Lei n° 10.426, de 2002: Art. 5º. As entidades fechadas de previdência complementar ficam isentas da Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativamente aos fatos geradores a partir de 1º de janeiro de 2002. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 17 16 Considerandose que isenção somente pode ser concedida por lei (art. 97 do CTN) e que a lei que a prevê deve ser interpretada literalmente (art. 111 do CTN), resta claro que a Lei n° 10.426, de 2002, em seu art. 5º, apenas concedeu a isenção da CSLL para as entidades fechadas de previdência complementar, e essa norma deve ser balizadora da interpretação da isenção da CSLL no ordenamento jurídico. A instrução normativa da Receita Federal mencionada pela recorrente veio exatamente esclarecer que a isenção da CSLL não alcança as entidades abertas sem fins lucrativos, como é o caso dos autos. O art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 588, de 2005, teve parágrafo único incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.315, de 3 de janeiro de 2013, deixando evidenciado que a isenção referese apenas ao IRPJ. Vejase: Isenção e não incidência Art. 17. As entidades fechadas de previdência complementar estão isentas do imposto sobre a renda devido pela pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.315, de 3 de janeiro de 2013) Parágrafo único. O disposto no caput aplicase às entidades abertas sem fins lucrativos em relação ao imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.315, de 3 de janeiro de 2013) Além da isenção prevista no art. 5º da Lei nº 10.426, de 2002, em relação à CSLL, referida IN destacou o tratamento diferenciado dado ao IRPJ, consoante disposto no RIR/99: Art.175. Estão isentas do imposto as entidades de previdência privada fechadas e as sem fins lucrativos, referidas, respectivamente, na letra "a" do item I e na letra "b" do item II do art. 4º da Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1977 (DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 6º). Muito embora o art. 100 do CTN preveja que a observância dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas “exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo”, há que se ponderar a relevância da norma dentro do sistema normativo. O caráter interpretativo da norma infralegal referida é evidenciado pela impossibilidade de criar nova forma de tributação, tampouco norma excepcional de isenção, em vista do óbice contido no art. 176 do CTN. O que se normatizou foi apenas o reflexo da isenção prevista na lei. Assim, não há que se falar em atração do art. 100 do CTN. Tampouco se presta a essa finalidade o Ato Declaratório Normativo CST nº 17/90, referenciado pela recorrente, visto que editado anteriormente à data de publicação da Lei nº 8.212/91. Por sua vez, a IN SRF nº 588, de 2005, em sua versão original, foi publicada posteriormente aos fatos geradores. Ademais, dado o caráter excepcional da norma de isenção, inexiste a possibilidade de estender a isenção concedida em relação ao IRPJ para a CSLL no caso de entidade de previdência privada aberta sem fins lucrativos, haja vista o disposto no art. 111, inciso II, do CTN. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 18 17 Diante disso, verificase que, em caso semelhante, não foi adotado o melhor entendimento ao acompanhar o voto condutor do acórdão nº 1202.000904, julgado na sessão de 7 de novembro de 2012. Examinando detidamente a questão, como se demonstrou retro, concluise que, de fato, nem a imunidade nem, tampouco, a isenção ou a não incidência, alcança a CSLL no caso de entidade aberta de previdência complementar sem fins lucrativos, como é a recorrente, razão pela qual, no mérito, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. A recorrente ainda questiona a incidência de juros de mora e taxa Selic sobre o débito, por ausência de prazo legal de vencimento ante a controvérsia sobre se é ou não devida a CSLL de entidades sem fins lucrativos, atraindo a incidência do § 3º do art. 61 da Lei n° 9.430/96 combinado com o parágrafo único do art. 100 do CTN. Sem razão. Vejase que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 dispõe: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Como já se referiu, descabe atrair o art. 100 do CTN ao caso em tela. Ademais, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário pelo recurso em que se discute a validade do auto de infração abarca regras próprias sobre o recolhimento do tributo ou contribuição lançado com redução da multa devida, desde que pago dentro de determinado prazo, a depender da fase processual em que ocorre o recolhimento. Assim, no caso em tela, é devida a incidência de juros de mora sobre o débito questionado, incluindo principal e multa de ofício, a teor do disposto no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, sendo correta, ainda, a adoção da taxa Selic, consoante a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 19 18 DISPOSITIVO Em razão do exposto, rejeitase a decadência e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 565DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 20 19 Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues de Lima, Redator designado Trata o presente voto apenas do julgamento de juros sobre a multa de ofício, objeto de impugnação específica. Entendo necessária para o deslinde da controvérsia sobre a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício uma breve abordagem sobre a natureza jurídica destes institutos no direito tributário. Sobre a multa de ofício, valhome da seguinte lição do Professor Luciano Amaro (in Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 19ª ed., p. 458): Aí é que se põe a noção de infração, traduzida numa conduta (omissiva ou comissiva) contrária ao direito. (...) No direito tributário, a infração pode acarretar diferentes conseqüências. Se ela implica falta de pagamento de tributo, o sujeito ativo (credor) geralmente tem, a par do direito de exigir coercitivamente o pagamento do valor devido, o direito de impor uma sanção (que há de ser prevista em lei, por força do princípio da legalidade), geralmente traduzida num valor monetário proporcional ao montante do tributo que deixou de ser recolhido. Se se trata de mero descumprimento de obrigação formal (“obrigação acessória”, na linguagem do CTN), a conseqüência é, em geral, a aplicação de uma sanção ao infrator (também em regra configurada por uma prestação em pecúnia). Tratase das multas ou penalidades pecuniárias, encontradiças não apenas no direito tributário, mas também no direito administrativo em geral, bem como no direito privado. Portanto, a multa de ofício representa a sanção pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo. Por sua vez, os juros moratórios decorrem da demora por parte do devedor em adimplir a obrigação. Sobre o tema, leciona o Dr. Glauber Moreno Talavera (in Aspectos jurídicos controversos dos juros e da comissão de permanência, São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 128): Em síntese apertada, os juros moratórios consistem no montante previamente fixado ou apurado mediante aplicação de um percentual sobre o valor do principal, estipulado contratualmente ou decorrente da lei, devido pelo contraente que não adimpliu as obrigações assumidas no ato da celebração da avença. (...) Fl. 566DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 21 20 Por conseguinte, na hipótese de incidirem juros moratórios sobre a multa de ofício, estes necessitam de expressa previsão legal, uma vez que fazem aumentar o valor da multa e esse aumento há de possuir amparo legal em obediência ao inciso XXXIX, do art. 5°, da Constituição de 1988. O STJ tem o seguinte entendimento sobre esse tema: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR (2012/01537730) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.(g.n.o) 2. Agravo regimental não provido. Na mesma linha de raciocínio, esta Turma já se pronunciou sobre a controvérsia, por meio do Acórdão n° 1202000.972, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.(g.n.o) Pela clareza dos fundamentos deste Acórdão, peço vênia para transcrevêlos: Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator (...) Por fim, acerca da incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício, merece ser acolhida a alegação da Recorrente, consoante entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 22 21 valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 910100.722, data: 08.11.2010)(g.n.o) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011)(g.n.o) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.(1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008)(g.n.o) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011)(g.n.o) Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada A discordância do voto do ilustre relator limitase à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa do ofício, na qual Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 23 22 restou vencido, em que pese os argumentos expendidos e a clareza do seu raciocínio. Ocorre que a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado neste e em outros colegiados, em sentido oposto, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, Fl. 569DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 24 23 direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; Fl. 570DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 25 24 (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 5 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 26 25 nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora.(...) Destarte, entendem o STJ e o voto vencedor da decisão administrativa que a multa de ofício faz parte do termo “crédito” constante do art. 161, caput, do CTN, e do termo “débito” no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, e que, por isso, sofre incidência dos juros moratórios. Em que pesem os fundamentos dessa interpretação, ouso destes discordar. Nesse ponto, cabe, mais uma vez, transcrever os artigos naquilo que interessa à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: CTN TÍTULO III Crédito Tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO II Pagamento Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(g.n.o) (...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 27 26 Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Capítulo V DISPOSIÇÕES GERAIS Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Observase, da leitura do art. 161, caput, do CTN, que, ao termo “crédito” deve ser qualificado o adjetivo “tributário”, uma vez que este artigo encontrase inserto no Título III do CTN CRÉDITO TRIBUTÁRIO, vedandose, por conseguinte, a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, a qual não faz parte do crédito tributário antes do Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 28 27 vencimento. Este pensamento consta das lições do Professor Luciano Amaro, transcritas a seguir: (...) sem prejuízo da imposição de penalidades e da aplicação de medidas de garantia. Embora o dispositivo se reporte a “crédito tributário”, ele é aplicável também às situações em que não tenha havido lançamento (...) (op. cit p.418) O Código Tributário Nacional dedicou três artigos à responsabilidade por infrações tributárias (...), reportandose, ainda, à matéria, de modo fragmentário, noutras disposições: (...)m) art. 161 (cabimento de penalidades pelo inadimplemento do dever de recolher tributo)(g.n.o)(op. cit. p. 467). A partir desta determinação da Lei de Normas Gerais Tributárias, Lei Complementar, a expressão Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, Lei de rito ordinário, não inclui a multa de ofício para fins de incidência dos juros moratórios,o que guarda coerência com a hierarquia das Leis e com a interpretação dos referidos artigos à Luz dos Direitos e Garantias Fundamentais e do Sistema Tributário Nacional referidos na Constituição de 1988. Por fim, esclarecenos o Professor Mauro Luis Rocha Lopes (in Direito Tributário, 4. ed. Rio de Janeiro: Impetus, p. 266): O cálculo dos juros em cima da multa, à evidência, agrava indevidamente a penalidade no tempo e a descaracteriza, transformandoa em instrumento de arrecadação estatal. Mutatis mutandis, é como se o condenado em processo criminal tivesse de se sujeitar ao agravamento de sua pena apenas em função da demora em se recolher ao cárcere, o que não faz o menor sentido. Estabelece a norma geral tributária do art. 161, caput, do CTN que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, como a evidenciar que o crédito original, representado exclusivamente pelo montante do tributo não pago, figura, isoladamente, tanto como base para a contagem dos juros como para o cálculo da multa (...) Por conseguinte, pelas razões expostas, DOU provimento parcial ao presente recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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