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10068959 #
Numero do processo: 10510.720743/2020-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2020 RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE RAZÕES RECURSAIS. NÃO CONHECIMENTO. A completa ausência de apresentação tempestiva de razões recursais, acarreta a inépcia recursal que impede o conhecimento do Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1401-006.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros:  Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocado(a)), Cláudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Andre Severo Chaves e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: LUCAS ISSA HALAH

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INÉPCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE RAZÕES RECURSAIS. NÃO CONHECIMENTO. A completa ausência de apresentação tempestiva de razões recursais, acarreta a inépcia recursal que impede o conhecimento do Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocado(a)), Cláudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Daniel Ribeiro Silva, Andre Luis Ulrich Pinto, Andre Severo Chaves e Lucas Issa Halah. Relatório O Contribuinte fez sua opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional em 23/01/2020. A opção foi indeferida (Termo de Indeferimento de fl. 09) com fundamento no artigo 17, V da LC 123/06, em razão da existência do seguinte débito inscrito em Dívida Ativa da União (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não estava suspensa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 07 43 /2 02 0- 55 Fl. 75DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.708 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.720743/2020-55 Cientificado pelo Domicílio Tributário Eletrônico em 13/02/2020 (fl. 21), o contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade em 14/02/2020, alegando que o débito apontado já teria sido liquidado e anexando uma série de comprovantes. O Acórdão Recorrido negou provimento à manifestação de inconformidade alegando que os comprovantes de pagamento apresentados pela contribuinte não se referem ao débito Debcad nº 166287172, que teria permanecido em cobrança, tendo sido encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União em 07/03/2020, conforme extrato à fl. 34. Cientificado em 09/11/2020, o Contribuinte supostamente protocolizou Recurso Voluntário em 23/11/2020, anexando aos autos documentos. Faltaram, entretanto, as razões recursais. Em razão disso, com o sorteio do processo a este Relator, foi proferido o Despacho de fls. 56, por meio do qual determinou-se a devolução dos autos à origem para que se verificasse a eventual falha na digitalização que pudesse ter acarretado a ausência das razões recursais na versão digitalizada dos autos. A origem, por sua vez, intimou o contribuinte a prestar esclarecimentos e reapresentar as razões recursais, considerando que os meros documentos anexados não preencheriam as condições essenciais de Recurso Voluntário. Cientificado (fl. 63), o contribuinte apresentou as razões recursais de fl. 66, alegando que o processo estaria inapto para julgamento, pedindo o encerramento do processo. Voto Conselheiro Lucas Issa Halah, Relator. 1 - Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2º da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF). Fl. 76DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.708 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10510.720743/2020-55 O Despacho de fls. 56 determinou à origem que saneasse o processo, pois aos documentos acostados pelo contribuinte juntamente com o suposto Recurso Voluntário não constavam as razões recursais. A origem, por sua vez, determinou que o contribuinte prestasse esclarecimentos e reapresentasse as razões recursais. O contribuinte, por sua vez, protocolizou razões recursais sem qualquer esclarecimento sobre sua ausência inicial, não deixando margem para eventual entendimento de que teria ocorrido erro formal em sua protocolização. As razões recursais, assim, somente foram apresentadas com a intimação e sequer dialogam com o Acórdão Recorrido e com as próprias razões que ensejaram o desprovimento da Manifestação de Inconformidade, asseverando apenas que o processo estaria inapto para julgamento (inaptidão essa que justamente decorre da ausência de suas razões recursais). Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado em 23/11/2020 é inepto por não trazer qualquer razão recursal ou pedido, simplesmente anexando uma série de documentos. Por sua vez, as Razões Recursais apresentadas em 18/02/2022 são tanto intempestivas quanto ineptas, por sequer se conectarem em qualquer medida com os documentos acostados em 23/11/2020 ou com o Acórdão Recorrido. Pelo exposto, considero que o desatendimento das normas previstas nos artigos 16 a 33 do Decreto nº 70.235/72 ocorreu de maneira tal que não estabeleceu dialeticidade mínima com o Acórdão Recorrido, impedindo o conhecimento do Recurso Voluntário. 2 - Dispositivo Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah Fl. 77DF CARF MF Original

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10078228 #
Numero do processo: 10183.723696/2015-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2013 EMENTA DEDUÇÃO. DESPESA COM SAÚDE. REJEIÇÃO. GLOSA MOTIVADA PELA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PERTINENTES A OUTRO EXERCÍCIO. SUPERVENIENTE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PRÓPRIOS AO EXERCÍCIO VERSADO NO LANÇAMENTO. SUPERAÇÃO DO ÚNICO ÓBICE IDENTIFICADO. RESTABELECIMENTO DO DIREITO. Superado o obstáculo identificado pelo órgão julgador de origem, as deduções devem ser restabelecidas, à razão das quantias cujo pagamento foi efetivamente comprovado.
Numero da decisão: 2001-006.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2013 EMENTA DEDUÇÃO. DESPESA COM SAÚDE. REJEIÇÃO. GLOSA MOTIVADA PELA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PERTINENTES A OUTRO EXERCÍCIO. SUPERVENIENTE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PRÓPRIOS AO EXERCÍCIO VERSADO NO LANÇAMENTO. SUPERAÇÃO DO ÚNICO ÓBICE IDENTIFICADO. RESTABELECIMENTO DO DIREITO. Superado o obstáculo identificado pelo órgão julgador de origem, as deduções devem ser restabelecidas, à razão das quantias cujo pagamento foi efetivamente comprovado.

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DESPESA COM SAÚDE. REJEIÇÃO. GLOSA MOTIVADA PELA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PERTINENTES A OUTRO EXERCÍCIO. SUPERVENIENTE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PRÓPRIOS AO EXERCÍCIO VERSADO NO LANÇAMENTO. SUPERAÇÃO DO ÚNICO ÓBICE IDENTIFICADO. RESTABELECIMENTO DO DIREITO. Superado o obstáculo identificado pelo órgão julgador de origem, as deduções devem ser restabelecidas, à razão das quantias cujo pagamento foi efetivamente comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 36 96 /2 01 5- 93 Fl. 59DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 17/22, relativo ao ano-calendário de 2013, exercício de 2014, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário conforme abaixo: As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 18/20, foram Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi no valor de R$ 4.953,88 e Dedução Indevida com Despesas Médicas no valor de R$ 2.000,00, conforme abaixo: Fl. 60DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontram-se detalhados às fls. 18/22. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 24/06/2015, fl. 24, a contribuinte apresentou impugnação em 30/06/2015, fl. 03, conforme abaixo: A contribuinte anexou aos autos os documentos de fls. 04/06. É o relatório. Das preliminares Da tempestividade A impugnação apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações posteriores. Do procedimento fiscal Trata o presente processo de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ano-calendário 2013, exercício 2014, relativo às infrações de Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi no valor de R$ 4.953,88 e Dedução Indevida com Despesas Médicas no valor de R$ 2.000,00. delimitação de litígio Em sua impugnação, a defesa, contesta o lançamento argüindo, em síntese, que estaria questionando o valor de R$ 2.000,00, referente a infração de dedução indevida com despesas médicas. Nota-se que em momento algum a contribuinte contestou a parte do lançamento referente à infração de Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi no valor de R$ 4.953,88. Deve-se, portanto, observar o que estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, o qual determina que: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Logo, considera-se não impugnado o lançamento da infração de Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi no valor de R$ 4.953,88, já que não foi contestado pela contribuinte. Porém, cumpre esclarecer que de acordo com às fls. 25/28, foi feita uma representação para formalização de processo para acompanhar a parte do crédito tributário não impugnado pela contribuinte. Fl. 61DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 Assim, o crédito tributário passível de julgamento por esta Turma de Julgamento restringe-se apenas ao crédito tributário referente à infração de dedução indevida com despesas médicas no valor de R$ 2.000,00. Do Mérito. Despesas médica - dedução Nesse passo, deve-se observar os dispositivos da legislação tributária que regulam a matéria: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Fl. 62DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Não há dúvidas que a legislação de regência acima transcrita estabelece que na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos no ano-calendário a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, restringindo-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativo ao seu tratamento e ao de seus dependentes. Tal dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu (inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/1999), podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Com relação aos recibos médicos e notas fiscais emitidos por profissionais/clinicas, temos que esclarecer que a Lei nº 9.250, de 1995, no §2°, III, do mesmo artigo 8°, reforça, ainda, que a possibilidade de dedução prevista na alínea ‘a’ do inciso II limita- se a pagamentos comprovados e logo a seguir enumera os requisitos formais dos quais estes comprovantes devem ser revestidos, como nome do emitente, endereço, CPF ou CNPJ. É regra geral no Direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová-las ou justificá-las, deslocando para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante a obrigação de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, sofre as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Nesse sentido, como já mencionado anteriormente, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar com comprovantes as despesas e que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Em princípio, admite-se como prova hábil de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo, por parte do Fisco, dúvida quanto ao efetivo pagamento das quantias consignadas nos recibos de tratamento médico, outras provas podem ser solicitadas. Fl. 63DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 Para comprovar a efetividade das despesas médicas declaradas e posteriormente glosadas pela fiscalização, a contribuinte anexou o recibo, fl. 06, referente a sessões de psicoterapia efetuadas em 2013, contudo observa-se que o recibo é datado de 09/04/2014, ano diferente da presente lide, ou seja, ano de 2013. Dessa forma, não merece reparo o feito fiscal. Da conclusão Por todo exposto, VOTO por julgar IMPROCEDENTE a presente impugnação, mantendo o crédito tributário exigido remanescente no presente processo. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2013 Deduções. Despesas Médicas As despesas médicas, próprias ou com dependentes, somente podem ser dedutíveis para efeito de apuração da base cálculo do imposto de renda devido quando devidamente comprovadas. Delimitação de litígio. matéria não impugnada Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Tendo havido a separação do crédito tributário relacionado à matéria reconhecidamente aceita como infração cometida e não impugnada, ter-se-á o crédito tributário como definitivamente constituído. O litígio restringir-se-á à matéria impugnada, suspendendo a exigibilidade do correspondente crédito tributário. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/04/2017, o sujeito passivo interpôs, em 28/04/2017, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que as despesas médicas estão comprovadas nos autos e foram realizadas no ano-calendário da respectiva declaração. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão de fundo inicialmente devolvida ao conhecimento deste Colegiado consiste em decidir-se se a parte-recorrente comprovou o pagamento das despesas de saúde cuja dedução é pleiteada. 1. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO CONTRIBUINTE PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS ESPECÍFICOS, COMO CRITÉRIO DETERMINANTE PARA A VALIDADE DO LANÇAMENTO QUE REJEITA DEDUÇÕES BASEADAS EM RECIBOS, POR AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS BANCÁRIOS QUE CERTIFICASSEM AS OPERAÇÕES DE Fl. 64DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS FINANCEIROS OU DE FORNECIMENTO DE DINHEIRO EM ESPÉCIE. 2.1. A QUESTÃO DE FUNDO As questões de fundo devolvidas ao conhecimentos deste Colegiado consistem em decidir-se se eventual ausência de intimação para apresentação dos comprovantes de pagamento das despesas médicas, durante o procedimento de lançamento, torna o ato administrativo nulo, malgrada a oportunidade para impugnação. 1.2. INTIMAÇÃO PRÉVIA, ESPECÍFICA E INEQUÍVOCA COMO CONDIÇÃO DE VALIDADE DA GLOSA DA DEDUÇÃO PLEITEADA 1.2.1. VIOLAÇÃO DO CONTROLE DE VALIDADE CAUSADA PELA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA, ESPECÍFICA E INEQUÍVOCA (ARTS. 142, PA. ÚN., 145, III E 149 DO CTN) Conforme expõe o i. CONS. HONÓRIO ALBUQUERQUE DE BRITO: Retornando à sistemática do lançamento por homologação no IRPF, dentro do prazo até que se dê a homologação, e enquanto a Fazenda Pública não interfere e não se pronuncia a respeito, opera-se como que uma presunção de verdade em relação à apuração do contribuinte. Entretanto, uma vez estabelecida a ação da Fiscalização da Receita Federal para verificação de eventuais infrações, cabe ao fiscal promover as diligências necessárias. Assim sendo, não se mostra desarrazoada a exigência do Fisco da apresentação de elementos que comprovem, a juízo da autoridade tributária, a ocorrência da prestação do serviço, sua natureza e especialidade, a quem foi prestado, a transferência efetiva dos valores pagos de quem arcou com o ônus financeiro para o beneficiário. Ao contrário, é zelo da autoridade fiscal em cumprimento de suas obrigações funcionais, com amparo da lei. Ao solicitar, por exemplo, documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores, não está o fiscal necessariamente a atestar a inidoneidade do recibo apresentado ou tampouco do profissional que o emitiu. Está sim a solicitar elementos que se complementam na composição de um conjunto probatório com vista a formar sua convicção. É certo que as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Por oportuno, transcrevo os arts. 73 e 80 do Decreto 3.000/1999, aplicável aos fatos jurídicos em exame: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 65DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. Fl. 66DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). De fato, nos termos da Súmula CARF 180, “para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”. Assim, a autoridade fiscal tem legitimidade e permissão para exigir do sujeito passivo a apresentação de provas complementares para acolhimento das alegadas despesas médicas efetuadas, de modo a tornar a singela apresentação de recibos insuficiente, ainda que eles atendam aos requisitos formais previstos na legislação. Sem prejuízo da estrita observância à orientação sedimentada no enunciado da Súmula CARF 180, a permissão para a exigência de comprovação complementar é ato plenamente vinculado, isto é, cuja prática não pode ser discricionária. Como qualquer ato administrativo, a rejeição das alegadas despesas médicas deve ser fundamentada e motivada. A imprescindibilidade da motivação decorre do caráter plenamente vinculado do lançamento (art. 142, par. ún., 145, III e 149 do CTN, associados à Súmula 473/STF) e da circunstância de ele se tratar de ato administrativo (art. 50 da Lei 9.784/1999). Afinal, sabe-se que “a presunção de validade do lançamento tributário será tão forte quanto for a consistência de sua motivação, revelada pelo processo administrativo de constituição do crédito tributário” (AI 718.963-AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 26/10/2010, DJe-230 DIVULG 29-11-2010 PUBLIC 30-11-2010 EMENT VOL-02441-02 PP-00430), e, dessa forma, o processo administrativo de controle da validade do crédito tributário pauta-se pela busca da chamada “verdade material”. A propósito, “por respeito à regra da legalidade, à indisponibilidade do interesse público e da propriedade, a constituição do crédito tributário deve sempre ser atividade administrativa plenamente vinculada. É ônus da Administração não exceder a carga tributária efetivamente autorizada pelo exercício da vontade popular. Assim, a presunção de validade juris tantum do lançamento pressupõe que as autoridades fiscais tenham utilizado os meios de que legalmente dispõem para aferir a ocorrência do fato gerador e a correta dimensão dos demais critérios da norma individual e concreta, como a base calculada, a alíquota e a sujeição passiva” (RE 599194 AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 14/09/2010, DJe-190 DIVULG 07-10-2010 PUBLIC 08-10-2010 EMENT VOL-02418-08 PP- 01610 RTJ VOL-00216-01 PP-00551 RDDT n. 183, 2010, p. 151-153) Fl. 67DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 A aderência ao devido processo legal administrativo assume especial relevância, pois os destinatários das decisões promanadas das autoridades estatais não contam com as mesmas garantias ou acervo informacional de suas contrapartidas. Conforme observam SZENDA e LACHJMAYER: A observância da prolação de decisões administrativas aos requisitos tanto da lei quanto de direitos fundamentais é necessária para a aceitação dos atos administrativos um exercício legítimo do poder público (Szente, Zóltan, and Konrad Lachmayer. The Principle of Effective Legal Protection in Administrative Law. Nova Iorque, NY, Routledge, 2017, p. 14). Não é por outra razão que muitos órgãos jurisdicionais aproximam as garantias típicas do processo penal ao processo tributário. Assim, a declaração de insuficiência de recibos conjugada à faculdade de exigir documentação complementar, especialmente prova específica da transferência de valores monetários (cheques, PIX, DOCs, TEDs, transferências bancárias, cartão de crédito, extratos bancários) não são discricionárias e, nesse sentido, devem ser devidamente motivadas e fundamentadas. A questão de fundo se torna, assim, saber-se se exige-se a inexorável apresentação desse tipo de documento – prova da operação de transferência de recursos (se as condições de sua exigibilidade foram cumpridas), ou se sua ausência pode ser suprida por outros meios de prova admitidos em direito. De fato, são indícios consistentes a exigir aprofundamento do acervo probatório das despesas médicas, exemplificativamente: a) Insuficiência do patrimônio ou das receitas declaradas para fazer frente ao custo dos serviços, dada a necessidade de prover outras despesas essenciais à vida humana; b) Inidoneidade dos prestadores dos serviços médicos; c) Incompatibilidade dos valores pagos, quando comparados com a prática normalmente verificada na praça; d) Ausência de registro dos respectivos recebimentos nos deveres instrumentais dos prestadores de serviços (e.g., DAA, DMED); e) Inusualidade da prática de pagamento de tais quantias em espécie. f) Fl. 68DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 AGUSTÍN GORDILLO faz uma observação muito interessante e que julgo útil para o estudo das presunções e do “ônus processual probatório" a envolver atos administrativos em sentido amplo: “Claro está, se o ato não cumpre sequer com o requisito de explicitar os fatos que o sustentam, caberá presumir com boa certeza, à mingua de prova em contrário produzida pela Administração, que o ato não tem tampouco fatos e antecedentes que o sustentem adequadamente: se houvesse tido, os teria explicitado” (Tratado de derecho administrativo. Disponível em http://www.gordillo.com/tomos_pdf/1/capitulo10.pdf, pág. X-26). Resumidamente, diante de fundada dúvida, a autoridade fiscal pode exigir a apresentação complementar de documentos, como, por exemplo: 1- Recibos, documentos fiscais, declarações ou laudos que atendam aos requisitos formais previstos no art. 80 do Decreto 3.000/1999 (beneficiário/paciente, pagador, indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, registro profissional do prestador de serviços, descrição do serviço prestado); 2- Títulos de crédito ou extratos bancários que comprovem a efetiva transferência da quantia em dinheiro tida por despesa médica. Uma vez comprovadas as despesas médicas, por documentação idônea, é imprescindível assegurar ao sujeito passivo o direito à respectiva dedutibilidade, observada a legislação de regência. Vão ao encontro da observância do direito à dedutibilidade os seguintes precedentes: Numero do processo:13677.000205/2001-73 Data da sessão:Mon May 10 00:00:00 UTC 2010 Ementa:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Ano-calendário: 1999 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Declarações dos prestadores de serviços, sem que haja qualquer indicio de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial negado Numero da decisão:9202-000.814 Numero do processo:10850.000104/2008- Fl. 69DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 22 Turma:Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara:Segunda Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017 Data da publicação:Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido Numero da decisão:2202-004.319 Numero do processo:10980.720179/2009-29 Turma:Segunda Turma Especial da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu May 12 00:00:00 UTC 2011 Data da publicação:Fri May 13 00:00:00 UTC 2011 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em princípio, os recibos que, emitidos por profissionais habilitados, atendem os requisitos legais são hábeis e idôneos para fins de comprovar a dedução de despesas médicas, são eles que comprovam o pagamento. Não obstante, em havendo indícios que desabonem a presunção de idoneidade desses documentos, a autoridade fiscal tem o poderdever de exigir outras formas de comprovação a fim de comprovar por provas ou mesmo por conjunto de indícios veementes que afastem a regra geral de aptidão dos recibos para fins de dedução. Na falta dessas provas ou indícios veementes os recibos permanecem como documentos hábeis e idôneos. Todavia, não são hábeis a justificar a dedução documentos que não contenham os requisitos intrínsecos a qualquer recibo, entre os quais identificar quem pagou, quem recebeu, o quanto foi pago e em que data, e os requisitos legais. Recurso provido em parte. Numero da decisão:2802-00.824 Numero do processo:13603.000777/2007- 10 Turma:2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara:2ª SEÇÃO Seção:Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão:Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação:Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. A apresentação de recibos idôneos fornecidos por profissionais de saúde, contendo os elementos necessários à identificação de quem recebeu o pagamento, constituem documentos hábeis a comprovar a realização das despesas permitidas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Fl. 70DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 Numero do processo:13830.720850/2016-72 Turma:Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018 Data da publicação:Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Notas fiscais de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. PRÓTESE ORTOPÉDICA. LAUDO MÉDICO. Notas fiscais com identificação do paciente e médico. Laudo médico apresentado. Comprovação realizada. Numero da decisão:2001-000.204 Sobre a necessidade de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, na hipótese de adimplemento em espécie, em que pese meu entendimento pessoal, no sentido de que a rejeição dos recibos deve ser expressamente motivada e fundamentada, de modo a inexistir permissão legal para que a autoridade fiscal exija discricionariamente e logo de início prova legitimada por terceiros acerca da efetiva transferência de valores, reconheço que, no âmbito desta Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção do CARF, a compreensão sobre o tema é diversa (cf., e.g., os Processos 19647.001463/2008-87, 17437.720120/2012-41 e 15504.720043/2012-53). Em especial, assim manifestei-me por ocasião do julgamento do RV no Processo 15504.720043/2012-53 (Acórdão 2001-004.897): A efetiva transferência de disponibilidade financeira é um evento, que deve ser vertido em linguagem competente pelo sistema jurídico, de modo a tornar-se um fato jurídico. Em tese, há uma série de documentos capazes de registrar esses eventos em fatos, tais como recibos, notas fiscais, registros de transferências bancárias, registros de operação com cartões de débito ou crédito, títulos de crédito (e.g., cheque) e, mais recentemente, PIX. Quando as autoridades fiscais intimam o sujeito passivo a comprovar as despesas médicas, espera-se essa confirmação de um terceiro, desinteressado e normalmente inserido no fluxo de certificação de pagamentos. É nesse sentido que as intimações costumam exemplificar os documentos aguardados com o apelo a cheques e a extratos bancários, eis que tratam-se de documentos produzidos por instituições financeiras. Por outro lado, as autoridades fiscais tendem a minorar a força probatória de recibos ou declarações emitidas pelos prestadores de serviços, dado que os emissores de tais documentos são os prestadores de serviço, que, por hipótese, seriam sujeitos menos desinteressados no pleito do sujeito passivo, porquanto mais próximos dos contribuintes (i.e., susceptíveis à influência dos sujeitos passivos). Assim, a matéria resume-se na credibilidade relativa da fonte emissora do registro. Contudo, as instituições financeiras não intervêm nas operações de pagamento em espécie, que se resolvem pela entrega de papel moeda ou de moeda sonante pelo tomador ao prestador de serviço. Por padrão, o meio de comprovação dessas transações é o recibo ou, quando aplicável, a nota fiscal. Fl. 71DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 Uma outra forma de corroborar o evento descrito no recibo é pela comprovação de disponibilidade de numerário em espécie em poder do tomador do serviço. De fato, se houver a demonstração de ausência dessa disponibilidade, não seria racional implicar a possibilidade de pagamento. Feita essa descrição, a primeira ordem de obstáculos exsurgida refere-se à inexistência de motivação e de fundamentação específicas para a rejeição dos recibos, no lançamento. Os autos não contam com motivação, nem fundamentação, além da sucinta exposição constante na Notificação de Lançamento (fls. 09), verbatim: [...] Não é incomum encontrar a fundamentação do lançamento muito bem exposta nos autos dos processos administrativos, às vezes em documentos intitulados de Termos de Verificação (TVs) ou Termos Circunstanciados (TCs). Mas os autos também não contam com esses documentos, de modo a tornar impossível aferir uma eventual latitude maior da fiscalização. Por hipótese, se o sujeito passivo tinha acesso a tal numerário, é teoricamente possível que tenha efetuado os pagamentos de suas despesas médicas em espécie ao longo do ano calendário. Nesse sentido, a entrega de extrato bancário seria anódina, já que desnecessário comprovar saques para suprimento dos fundos a serem entregues aos prestadores de serviço. Por serem os extratos dispensáveis, o fundamento central do acórdão-recorrido perde sua validade. Nesse ponto, é importante notar que a ausência de apresentação dos extratos foi o critério determinante adotado no lançamento para a rejeição das despesas, conforme se lê à fls. 09. Nesse sentido, existente em tese numerário em espécie suficiente para pagamento das despesas, o lançamento deveria ter expressamente motivado e fundamentado a rejeição dos recibos sem apelo à apresentação de cheques ou de extratos. Não cabia ao julgador administrativo complementar a motivação nem a fundamentação do lançamento. Uma segunda ordem de obstáculos exsurge da falta de motivação, e de fundamentação específicas, para afastar a credibilidade da declaração de existência do numerário em espécie. Ainda que elipticamente, o acórdão-recorrido fundamenta a manutenção do lançamento na inviabilidade de ter-se como crível o numerário em espécie registrado na DAA, pois, se essa declaração de posse for aceita, seria necessário cogitar ao menos a possibilidade fática do pagamento das despesas com referidos recursos. Para ser válido, o lançamento deveria ter expressamente abordado a improbabilidade de esses recursos existirem ou de terem sido utilizados para saldar as alegadas despesas. Uma terceira ordem de obstáculos exsurge da potencial impossibilidade probatória, segundo o padrão estabelecido no lançamento e confirmado pelo acórdão-recorrido. Por outro lado, se a questão se trata de pagamento de despesas em espécie, a demonstração da posse do numerário físico (papel-moeda e moeda sonante) torna-se a única prova mais verossímil e factível, pois não há uma forma de documentação externa fidedigna (e.g., bancária) dessa transação. De fato, extratos bancários não indicam o destino nem a causa das retiradas de dinheiro. O documento por excelência que registra esse tipo de pagamento é o recibo ou, quando aplicável, a nota fiscal, que são emitidos por uma das partes do negócio, e não por um terceiro imbuído de dever fiduciário perante o Estado. Uma outra forma de verificação, dependente da legitimidade e dos instrumentos estatais, é a extensão da latitude e do aprofundamento da fiscalização, para confirmar se os valores foram registrados pelo recebedor (DAA, DMED etc) ou se são compatíveis com a evolução patrimonial do sujeito passivo. Evidentemente, tais provas não podem ser produzidas pelo próprio sujeito passivo, por falta de legitimidade. Em resumo, ignorar a declaração de posse de numerário físico suficiente para fazer frente aos pagamentos, posse essa não contestada explicitamente, e exigir a documentação da efetiva transferência do papel-moeda por uma autoridade autenticadora fiduciária externa torna a prova impossível de ser realizada, de modo a violar o art. 59, II do Decreto 70.235/1972. Em síntese, o lançamento deve ser revisto, pois: a) Ainda que em procedimento simplificado e sumário, a autoridade lançadora deve motivar, e fundamentar, a inidoneidade ou a insuficiência dos recibos como documentos Fl. 72DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 de registro do pagamento de despesas médicas (ainda que “inquisitório”, o lançamento é ato administrativo plenamente vinculado, e não discricionário), e tais critérios não podem ser supridos pelos órgãos de julgamento; b) Se houver alegação de que o pagamento foi realizado em espécie, compete ao sujeito passivo demonstrar a disponibilidade dos recursos no período em que o pagamento teria ocorrido; c) A autoridade lançadora tem o poder-dever de confirmar ou de infirmar a argumentação do sujeito passivo, em decisão motivada e fundamentada; d) A exigibilidade da apresentação de cheques e de extratos bancários é inoponível à alegação de posse de numerário em espécie por ocasião do início do exercício (registro na DAA anterior e na respectiva), por dissociação de objeto, na medida em que incapaz de afirmar, confirmar ou de infirmar o fato controvertido (existência ou não da disponibilidade); e) A exigibilidade da apresentação de cheques ou de extratos bancários é inoponível à alegação de pagamento em espécie de despesas médicas, por se tratar de prova impossível, porquanto as instituições financeiras (terceiros desinteressados) não participam da operação de transmissão de papel-moeda, nem de moeda sonante. Por observância do Princípio do Colegiado, registro minha posição pessoal, mas adiro à orientação firmada, no sentido de que a autoridade lançadora não precisa motivar com precisão o critério determinante da rejeição dos recibos, se houve intimação prévia (durante a fiscalização, isto é, antes da fase litigiosa), específica e inequívoca para a apresentação de documentos como extratos, cheques, comprovantes de transferência ou saque etc, e o contribuinte deixou de atender a tal intimação. Desse modo, se a autoridade lançadora exigiu prova do efetivo pagamento de despesa médica (por ocasião de intimação expressa no curso do lançamento), supostamente realizada em dinheiro, deve-se comprovar a disponibilidade do numerário em data coincidente ou próxima ao desembolso. Segundo entendimento desta c. Turma Extraordinária, essa comprovação deve ser feita com a apresentação de extratos (suporte) e com a correlação entre os respectivos saques e datas de pagamento (argumentação sintética). Porém, a necessidade de intimação prévia, específica e inequívoca ainda é necessária, para que não haja violação dos deveres de motivação do ato administrativo e de controle de validade do crédito tributário (arts. 142, par. ún., 145, III e 149 do CTN, aliados à Súmula 473/STF). 1.2.2. INTIMAÇÃO PRÉVIA, PRECISA E INEQUÍVOCA COMO CONDIÇÃO PARA A POSSIBILIDADE DE PLENA DEFESA DO SUJEITO PASSIVO (ART. 59, II DO DECRETO 70.235/1972) Singelamente, acrescemos que o sujeito passivo também deve saber exatamente o que a autoridade fiscal entende como necessário para confirmar ou para infirmar os fatos jurídicos relevantes à apuração do tributo. Fl. 73DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 Para assegurar ao sujeito passivo a possibilidade de conhecer e atender à exigência da autoridade fiscal, a especificação desses documentos deve ocorrer logo no início do processo de fiscalização e controle da atividade desempenhada pelo contribuinte, sob pena de violação do art. 59, II do Decreto 70.235/1972. O detalhamento da documentação necessária na primeira oportunidade de contato com o sujeito passivo é profilática, com o objetivo de evitar futura contaminação do crédito tributário pela inovação de critérios legais originariamente adotados para confirmar ou para infirmar as deduções pretendidas. Elucidativos desse risco são os seguintes precedentes: Numero do processo:10510.007814/2008-34 Turma:Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020 Data da publicação:Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2020 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PAF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de dedução indevida de IRRF é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão:2003-002.600 Numero do processo: 10680.005472/2008-66 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de despesa com livro caixa é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão: 2201-002.503 Numero do processo: 13162.000079/2009-12 Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019 Fl. 74DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É de se cancelar a autuação quando a decisão recorrida aponta fundamentos diversos daqueles da autuação para manter a exigência, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Numero do processo: 10510.004826/2007-26 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Restando comprovado o imposto de renda retido na fonte, cabe computa-lo no lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Numero do processo: 13748.001852/2008-98 Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção Câmara: Primeira Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO Devem ser restabelecidas as despesas devidamente comprovadas, através de documentação idônea, que faz prova da efetividade dos serviços contratados e dos respectivos beneficiários dos serviços contratados. Vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação. Recurso Provido 1.2.3. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO AO ÓRGÃO JULGADOR PARA EXAME DE FUNDAMENTO DE VALIDADE ACERCA DE OBJETO CONSTANTE DO ACÓRDÃO-RECORRIDO E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 75DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 Uma questão relevante consiste em saber-se se eventual violação do processo administrativo fiscal, especialmente quanto à garantia do sujeito passivo, está sujeita à preclusão. Dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/1972: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim como ocorre nos instrumentos e mecanismos de ação e de revisão jurisdicionais, o controle de validade administrativo ocorre a partir da projeção de dois elementos essenciais, que são o objeto, ou a norma jurídica em exame (individual e concreta, nesse caso), e os respectivos fundamentos de validade, cujo respeito ou violação determinam a validade do ato de constituição do crédito tributário. A rigor, tanto a impugnação como o recurso voluntário possuem causas de pedir abertas, isto é, o órgão de controle não está adstrito à argumentação legal (ou fundamentos de validade específicos) invocados pelo sujeito passivo. De fato, o sujeito passivo apresenta ao Estado a norma individual e concreta resultante do lançamento, para controle, e essa será o objeto da impugnação, e, eventualmente, do recurso voluntário. Se o sujeito passivo deixa de impugnar parte do objeto, ocorre a preclusão quanto a tal fração, como, e.g., num lançamento motivado pela glosa de duas deduções em que a impugnação volte-se exclusivamente a uma delas. Se o órgão de controle detecta uma violação legal, mas não a corrige sem indicar uma causa obstativa, haveria violação do dever de controle de validade do crédito tributário, nos termos dos arts. 142, p. un., 145, III e 149 do CTN, bem como da orientação constante na Súmula 473/STF. Em síntese, a preclusão é aplicável ao objeto, mas não à fundamentação, no controle de validade (arts. 142, p. un., 145, III e 149 do CTN e Súmula 473/STF). Ademais, falhas relativas ao procedimento, que afetem a capacidade do contribuinte entender o que o Estado espera dele, bem como de defesa, são matérias de ordem pública, não sujeitas à preclusão. 2. INAPLICABILIDADE DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NA SÚMULA CARF 46, POR AUSÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO Um outro ponto imprescindível consiste em examinar-se se a orientação constante na Súmula CARF 46 seria aplicável ao quadro fático. O verbete em questão está assim redigido: SÚMULA CARF Nº 46 Aprovada pelo Pleno em 29/11/2010 Fl. 76DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) - grifamos. Num debate pouco conhecido havido no Supremo Tribunal Federal – STF, durante o julgamento de um recurso extraordinário que não costuma ser encontrado na base de pesquisa aberta ao público, mantida pela Corte, o Ministro Victor Nunes Leal registrou um aviso cardeal àqueles que desejassem bem aplicar os enunciados sumulares, como instrumentos de estabilização de precedentes. Como se sabe, deve-se ao Ministro Victor Nunes Leal a adoção da “Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal” como técnica decisória, destinada a assegurar homogeneidade, segurança jurídica e celeridade à atuação jurisdicional do STF. Na assentada em que julgado o RE 54.190, os colegas do Ministro Victor Nunes Leal estenderam a aplicação da Súmula 303/STF para uma suposta elipse nela contida. Dado o enunciado afirmar que um dado tributo não seria devido antes de 21/11/1961, alguns ministros entenderam que o enunciado permitira a tributação após aquela data. Evidentemente, o texto sumular não comportava essa interpretação, pois havia outros fundamentos determinantes que poderiam invalidar a tributação após a data indicada, e que nela não constavam, simplesmente porque o Tribunal não os havia examinado. Diferentemente do recurso voluntário, apenas o recurso extraordinário baseado no art. 102, III, b da Constituição e aquele sujeito ao regime da repercussão geral têm a causa de pedir aberta. Os demais recursos extraordinários tem a causa de pedir fechada, de modo que a Corte não pode conhecer de novos fundamentos. Disse o Ministro Victor Nunes Leal, à época: “O Sr. Ministro Victor Nunes: Exatamente por isso, eminente Ministro Gonçalves de Oliveira, é que me parece não estar previsto. [...] O Sr. Ministro Victor Nunes: Retomando o fio de meu raciocínio, contraditado, antecipadamente, pelos eminentes Ministros Gonçalves de Oliveira e Pedro Chaves7, peço vênia para uma consideração preliminar. Se tivermos de interpretar a Súmula com todos os recursos de hermenêutica, como interpretamos as leis, parece-me que a Súmula perderá sua principal vantagem. Muitas vezes, será apenas uma nova complicação sobre as complicações já existentes. A Súmula deve ser entendida pelo que exprime claramente, e não a contrario sensu, com entrelinhas, ampliações ou restrições. Ela pretende pôr termo a dúvidas de interpretação e não gerar outras dúvidas. No ponto em debate, a Súmula declara que não é devido o selo nos contratos celebrados anteriormente à Emenda Constitucional 5. Mas não afirma que, celebrado o contrato posteriormente, o selo seja devido. (...) O Sr. Ministro Victor Nunes: A Súmula foi criada para pôr termo a dúvidas. Se ela própria puder ser objeto de interpretação laboriosa, de modo que tenhamos de interpretar, com novas dúvidas, o sentido da Súmula, então ela perderá a sua razão de ser. [...] Fl. 77DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 O Sr. Ministro Victor Nunes: Faço um apelo aos eminentes colegas, para não interpretarmos a Súmula de forma diferente do que nela se exprime, intencional e claramente. Do contrário, ela falhará, em grande parte, à sua finalidade. Quando a Súmula afirma que não é devido o selo se o contrato for celebrado anteriormente à vigência da Emenda Constitucional 5, sobre esta afirmação, e somente sobre ela, é que já está tranqüila a orientação do Tribunal. Quanto a ser devido o selo nos contratos posteriores, o Tribunal Pleno ainda não definiu a sua jurisprudência”. Acautelados pelo aviso do responsável pela introdução do sistema sumular em nosso ordenamento jurídico, devemos dar máxima efetividade ao que diz o verbete, em sua parte condicional: [...], nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No caso em exame, a apresentação de documentos complementares era essencial para confirmar ou para infirmar a pretensão de deduzir despesas, formulada pelo sujeito passivo em sua DAA/DIRPF. Sem a solicitação de provas relacionadas ao pagamento, a autoridade lançadora não poderia glosar as deduções. Se a autoridade lançadora não poderia constituir o crédito tributário em prejuízo das deduções, sem tais documentos, então não havia competência para constituir o crédito tributário, por dever de ofício, sem intimar o contribuinte a apresentar os elementos considerados essenciais pelo auditor. Por ser imprescindível a apresentação documental (seja pelo sujeito passivo, seja pela própria autoridade, a partir de seus poderes instrutórios), tornou-se juridicamente relevante o modo como essa obtenção de documentos ocorreria, e, assim, a questão de fundo passou a ser se havia ou não a necessidade de intimação prévia, específica e inequívoca acerca de quais documentos a autoridade entendia imprescindíveis à formação de seu juízo. Em conclusão, a orientação firmada pela Súmula CARF 46 é inaplicável ao quadro, porquanto a autoridade lançadora não poderia constituir o crédito tributário sem os documentos tidos por não apresentados a contento pelo sujeito passivo. 3. DEVER DE ESPECIFICAÇÃO DOS DOCUMENTOS CARDINAIS, NOS TERMOS DA SÚMULA CARF 180 Tema da maior relevância consiste em saber-se se a autoridade apenas tem a faculdade de identificar e precisar os documentos adicionais, ou se se trata de dever incontornável. O enunciado em questão verte-se assim: SÚMULA CARF Nº 180 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 Fl. 78DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: 9202-007.803, 9202-007.891, 9202-008.004, 9202-008.063, 9202-008.311, 2202-005.320, 2301-006.449, 2301-006.652, 2202-005.318, 2202- 005.838, 2401-007.368 e 2401-007.393. Não há dúvida de que a autoridade lançadora pode exigir a complementação do acervo probatório a cargo do sujeito passivo, para manutenção ou rejeição das deduções decorrentes do custeio de despesas de saúde. Mas a redação é inequívoca: esses documentos são exigíveis a despeito da apresentação de recibos. Dão-se duas constatações: a) Para rejeitar recibos formalmente válidos, a autoridade lançadora deve intimar o sujeito passivo para a apresentação de outros elementos comprobatórios. b) A exigibilidade de documentos adicionais pressupõe que o sujeito passivo tenha (a) apresentado recibos, que (b) tenham sido rejeitados ou tidos por insuficientes pela autoridade lançadora. A orientação desta c. Turma Extraordinária já definiu que essa rejeição não precisa ser motivada. Contudo, somente pode haver rejeição ou juízo de insuficiência se houve (a) intimação para apresentação de recibos, tidos por insuficientes ou inaptos, ou se houve (b) intimação para apresentação de outros documentos, que não apenas recibos. Portanto, a correta aplicação da Súmula CARF 180 não pode ocorrer apenas por ocasião do término do lançamento, com a lavratura da respectiva notificação. Ela deve ocorrer no curso da fiscalização, para que justifique-se a glosa decorrente da falta de apresentação de documento específico, como é o caso dos registros bancários referentes às operações de transferência de recursos ou do provimento de dinheiro em espécie. 4. IMPOSSIBILIDADE DE TRANSFERÊNCIA À FASE LITIGIOSA DE CONTROLE DE VALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CUJO DEVER É ORIGINARIAMENTE ATRIBUÍDO À AUTORIDADE LANÇADORA Outro ponto saliente consiste em decidir-se se uma eventual falta de intimação prévia, precisa e inequívoca acerca dos documentos necessários para a comprovação do pagamento das despesas cujo custeio deseja-se deduzir pode ser suprida ou convalidada na fase litigiosa. O Estado está obrigado a realizar o controle de validade de seus atos a todo, qualquer e cada uma das etapas da atuação de seus agentes, por observância à regra da legalidade e à supremacia do interesse público (Súmula 473/STF). Fl. 79DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 A legislação pátria busca estreitar as relações entre as autoridades fiscais e os sujeitos passivos, em eco à tendência mundial dos países civilizados. Nesse sentido, PAUL KIRCHHOF fala em um ethos da Legislação Tributária a orientar tanto o Estado como os contribuintes (Ethos der Steuergerechtigkeit. JuristenZeitung (JZ), Ano 70, V. 03, 2015, p. 105- 113). Um dos instrumentos para o estreitamento dessas relações é a reciprocidade (Larsen, Lotta Björklund. A fair share of tax. Cham: Palgrave Macmillan, 2018). A reciprocidade é inerente à missão da Receita Federal do Brasil, porquanto essencial ao exercício d ”a administração tributária e aduaneira com justiça fiscal e respeito ao cidadão, em benefício da sociedade”, e baseada na “integridade, lealdade, legalidade, profissionalismo, respeito ao cidadão e transparência” (Portaria RFB 214/2022). Como a impugnação instaura a fase litigiosa (art. 14 do Decreto 70.235/1972), qualquer correção necessária do lançamento passa a ter um caráter mais contido, quase que adversarial (embora assim não seja, a rigor), com as limitações próprias da impugnação e do recurso voluntário. Tanto a legislação quanto os valores da Receita pugnam por uma maior cooperação entre autoridades e contribuintes, e essa cooperação pressupõe que o Estado-fiscal (não o Estado-julgador) deixe claro o que espera do sujeito passivo. Por outro lado, a legislação não transmite à fase litigiosa a capacidade de realizar correções, nem de robustecer, as premissas do lançamento, de modo a convalidar a falta de solicitação de documento tido por imprescindível pela autoridade. Em conclusão, a falta de intimação prévia (ainda na fase de fiscalização- constituição do crédito), em termos precisos e específicos, não pode ser convalidada na posterior fase litigiosa, para manter a validade do lançamento. 5. INSUFICIÊNCIA DA FALTA DE INDICAÇÃO DO PACIENTE EM DOCUMENTO COMPROBATÓRIO DO PAGAMENTO DA DESPESA COM SAÚDE (RECIBO OU NOTA FISCAL) Ademais, a singela ausência de distinção entre fonte pagadora e beneficiário é insuficiente para manter a glosa. O modo menos ambíguo e vago para identificação dos elementos essenciais do pagamento consiste na aposição de rótulos às informações. Contudo, a prática empresário-comercial de emissão de documentos nem sempre é padronizada de modo otimizado, nem observa a máxima cautela. Afinal, a linguagem natural utilizada no cotidiano tende a ser fluida (cambiante), atécnica e subordinadas às particularidades regionais. Em alguns momentos, o Direito acaba por juridicizar a prática (e.g., art. 673, 3 da Lei 556/1850). Assim, ausentes outros obstáculos, pode-se inferir que a fonte pagadora é também o beneficiário, pois essa é a prática adotada na elaboração de documentos simplificados ou padronizados. De fato, a própria SRFB reconhece essa circunstância, como revela consulta ao art. 97, II da IN 1.500/2014, textualmente: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: Fl. 80DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 2001-006.241 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.723696/2015-93 [...] II - a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário CASO seja pessoa diversa daquela; (grifamos). 6. INSUFICIÊNCIA DA ISOLADA AUSÊNCIA DE REGISTRO DO ENDEREÇO PROFISSIONAL NO DOCUMENTO COMPROBATÓRIO DO PAGAMENTO DA DESPESA MÉDICA (RECIBO OU NOTA FISCAL) Em sentido semelhante, a simples e isolada ausência de indicação do endereço não justifica a glosa, ante a possibilidade de identificação desse dado de outro modo, inclusive com consulta aos bancos de dados disponíveis à autoridade fiscal: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: § 4º A ausência de endereço em recibo médico é razão para ensejar a não aceitação desse documento como meio de prova de despesa médica, porém não impede que outras provas sejam utilizadas, a exemplo da consulta aos sistemas informatizados da RFB. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1756, de 31 de outubro de 2017) (grifamos). 7. APLICAÇÃO AO QUADRO No caso em exame, o órgão julgador de origem manteve a rejeição, ao observar que a documentação apresentada se referia a exercício diverso daquele tomado pelo lançamento. Em resposta, a recorrente junta aos autos documentação pertinente ao ano de 2013 (fls. 49-55). Superado o obstáculo identificado pelo órgão julgador de origem, as deduções devem ser restabelecidas, à razão das quantias cujo pagamento foi efetivamente comprovado. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOU-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 81DF CARF MF Original

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Numero do processo: 19679.012754/2004-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 19 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1991, 1995 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. Conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621-RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570-MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte apresentar seu pleito é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. No caso, afastada a decisão sobre a decadência/prescrição do direito creditório pleiteado, devem os autos retornar à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe.
Numero da decisão: 1301-006.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar o óbice da ocorrência de prescrição (Súmula CARF nº 91), e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que analise o mérito dos pedidos relacionados aos direitos creditórios apurados no ano-calendário de 1995. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado(a)), Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar o óbice da ocorrência de prescrição (Súmula CARF nº 91), e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que analise o mérito dos pedidos relacionados aos direitos creditórios apurados no ano-calendário de 1995. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado(a)), Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente).

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1991, 1995 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. Conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621-RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570-MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte apresentar seu pleito é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. No caso, afastada a decisão sobre a decadência/prescrição do direito creditório pleiteado, devem os autos retornar à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar o óbice da ocorrência de prescrição (Súmula CARF nº 91), e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que analise o mérito dos pedidos relacionados aos direitos creditórios apurados no ano-calendário de 1995. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado(a)), Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 27 54 /2 00 4- 08 Fl. 364DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-006.447 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.012754/2004-08 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 16-15.764, proferido pela 1ª Turma da DRJ/SPO1, que, ao apreciar a manifestação apresentada, por unanimidade de votos, julgou-a improcedente, para reconhecer a decadência do direito, não homologando a compensação realizada. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, complementando-o ao final: Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face da não- homologação da Declaração de Compensação fls. 01 e 02 instruída com os documentos de fls. 03 a 78, no montante de R$l.8l1.928,72 originário, segundo o quadro 03 de fl. 2, de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados em 1991 e 1995 pela declarante e por - quatro outras pessoas jurídicas das quais a declarante seria sucessora por incorporação. 2. A autoridade administrativa em 27/10/2004, às fls. 86 a 88, indeferiu o pedido, protocolizado em 29/09/2004, sob o fundamento de que o direito de o contribuinte pleitear a restituição do indébito estaria decaído, conforme o disposto no Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal n° 96, de 26 de novembro de 1999. Além disto, segundo a autoridade recorrida, o saldo negativo de IRPJ apurado no ano- calendário 1991 não seria passível de compensação por ser suj eito à restituição automática, nem consta qualquer registro de direito creditório em nome da empresa incorporada no sistema IRPJREST (fi. 85) e o saldo negativo apurado em 1991 é idêntico a débito de antecipação de IRPJ gerado no processamento da DIRPJ/92 (fls. 83 e 84). 3. Cientificada em 15/04/2005 (fl. 90 verso) do despacho decisório de fls. 86 a 88, a contribuinte, irresignada, apresentou, representada por procurador (fls. 10 a 33, 100 e 101), em 20/04/2005 a manifestação de -inconformidade de fls. 92 a 100, na qual alega em síntese que: 3.1. inexiste a alegada decadência, pois a entrega das declarações de rendimentos nas quais foram apontados os valores dos saldos negativos a serem restituídos é suficiente, por ser ato inequívoco, para interromper o prazo qüinqüenal para restituição do indébito tributário, com base nos artigos 109 do CTN e 202, inciso VI, do Código Civil, ainda mais porque o direito à restituição independe de prévio protesto nos termos do artigo 867 do Código de Processo Civil, confonne determina o artigo 165 do CTN; 3.2. o protesto interrompe o prazo para a ação de cobrança do crédito tributário, nos termos do artigo 174, parágrafo único, inciso II, do CTN; 3.3. a própria decisão recorrida reconhece a existência de ato inequívoco formulado pela contribuinte e empresas incorporadas ao afirmar que os créditos reivindicados foram apurados nas respectivas DIRPJ/96; 3.4. também inexiste a citada decadência, pois nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como o caso das exações em discussão, nos quais os valores indevidamente recolhidos foram calculados pela própria recorrente, sem qualquer interferência da autoridade fiscal, o prazo decadencial de cinco anos somente começou a fluir após contados cinco anos da ocorrência do fato gerador que é a data na qual houve a homologação tácita e o crédito tributário foi definitivamente extinto nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça e no Conselho de Contribuintes como demonstram os julgados transcritos; 3.5. é possível compensar valores que aguardam restituição eletrônica, apurados na DIRPJ/1992, pois a Instrução Normativa do Diretor do Departamento da Receita Federal n° 67/1992, cujo artigo 9° vedava esta possibilidade, foi revogada pelo artigo 27 da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (IN/SRF) n° 21/1997, cujo artigo 13, §3°, letra “d”, com a redação dada pela IN/SRF n° 73/1997, prevê Fl. 365DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-006.447 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.012754/2004-08 expressamente a compensação de restituição de IRPJ e CSLL apuradas até o exercício 1992, permissivo que foi mantido pelas Instruções Normativas editadas posteriormente (IN/SRF n°s 210/2002 e 460/2004); 3.6. assim, tendo em vista que se encontram pendentes de restituição .os créditos apurados na DIRPJ/1992 da empresa incorporada, necessário se faz que seja homologada a compensação realizada. Na sequência, foi proferido o acórdão recorrido, que julgou improcedente a manifestação apresentada, com o seguinte ementário: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/1991,31/12/1995 COMPENSAÇAO. DECADENCIA. O direito de o contribuinte declarar a compensação de tributo e acessórios pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário ou, se for 0 caso, do encerramento do período-base em que se apurou o saldo negativo. Compensação não Homologada. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta seus argumentos. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Análise do Recurso Voluntário O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Tratam os autos de Declaração de Compensação, formalizada em 29/09/2004, onde se busca créditos de saldo negativo de imposto de renda, obtidos nos anos-calendários de 1991 e 1995, apurados conforme quadro a seguir: Conforme visto no relato, as decisões anteriores denegaram o pleito apresentado, tendo em vista o decurso do prazo prescricional/decadencial. Fl. 366DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-006.447 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.012754/2004-08 Inconformada com a decisão a quo, a recorrente apresenta recurso, alegando, sinteticamente, que pleiteou o direito creditório em questão antes de transcorrido o lapso temporal decadencial/prescricional, em conformidade com entendimento pacífico do plenário STF, que declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005 e jurisprudência consolidada do CARF, que aprovou a Súmula CARF nº 91. Relativamente a essa matéria, de fato, destaca-se que o pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621 Rio Grande do Sul, Relatora Exma. Ministra Ellen Gracie, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.269.570 Minas Gerais, Relator Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques, com efeito repetitivo. De acordo com estes julgamentos, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Tese dos 5 + 5. O referido acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) restou assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, Fl. 367DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-006.447 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.012754/2004-08 descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Segue a ementa do mencionado acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi prolatado após a decisão do STF: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543-C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levando-se em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinar-se esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543-A e 543-B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplica-se o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contando-se o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (Grifos no original) O entendimento acima foi inclusive sumulado por este Tribunal Administrativo conforme a seguir: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Dessa forma, considerando-se que a declaração de compensação refere-se ao IRPJ e CSLL apurados em 31/12/1991 e 31/12/1995 e foi formalizado em 29/09/2004, ou seja, antes Fl. 368DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-006.447 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19679.012754/2004-08 de 09/06/2005, a contribuinte se enquadrava na sistemática do prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear pedido de restituição do tributo na esfera administrativa, reconhecendo-se , assim, que os pleitos atinentes aos anos-calendários de 1995 não estão atingidos pela decadência/prescrição. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para superar o óbice da ocorrência de prescrição (Súmula CARF nº 91), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito dos pedidos relacionados aos direitos creditórios apurados no ano-calendário de 1995, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 369DF CARF MF Original

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10082154 #
Numero do processo: 10880.721023/2013-70
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Não caracteriza-se como inovação ou alteração de critério jurídico, a decisão "a quo" que limitou-se a esclarecer a razão pela qual a compensação não foi homologada, já que no despacho decisório a fundamentação é, por natureza, extremamente sucinta. O motivo do indeferimento permaneceu o mesmo, qual seja, o não oferecimento à tributação das receitas financeiras. TRIBUTAÇÃO. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO. SÚMULA CARF nº 80 Os rendimentos auferidos em aplicações em fundos de investimento financeiro devem ser acrescidos ao lucro presumido para fins de tributação do IRPJ, ainda que não tenha havido o resgate da aplicação financeira, na medida em que a pessoa jurídica tenha utilizado o IRRF sobre tais rendimentos para dedução do IRPJ. Ademais, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).
Numero da decisão: 1003-003.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Não caracteriza-se como inovação ou alteração de critério jurídico, a decisão "a quo" que limitou-se a esclarecer a razão pela qual a compensação não foi homologada, já que no despacho decisório a fundamentação é, por natureza, extremamente sucinta. O motivo do indeferimento permaneceu o mesmo, qual seja, o não oferecimento à tributação das receitas financeiras. TRIBUTAÇÃO. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO. SÚMULA CARF nº 80 Os rendimentos auferidos em aplicações em fundos de investimento financeiro devem ser acrescidos ao lucro presumido para fins de tributação do IRPJ, ainda que não tenha havido o resgate da aplicação financeira, na medida em que a pessoa jurídica tenha utilizado o IRRF sobre tais rendimentos para dedução do IRPJ. Ademais, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Não caracteriza-se como inovação ou alteração de critério jurídico, a decisão "a quo" que limitou-se a esclarecer a razão pela qual a compensação não foi homologada, já que no despacho decisório a fundamentação é, por natureza, extremamente sucinta. O motivo do indeferimento permaneceu o mesmo, qual seja, o não oferecimento à tributação das receitas financeiras. TRIBUTAÇÃO. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO. SÚMULA CARF nº 80 Os rendimentos auferidos em aplicações em fundos de investimento financeiro devem ser acrescidos ao lucro presumido para fins de tributação do IRPJ, ainda que não tenha havido o resgate da aplicação financeira, na medida em que a pessoa jurídica tenha utilizado o IRRF sobre tais rendimentos para dedução do IRPJ. Ademais, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 10 23 /2 01 3- 70 Fl. 352DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, interposto contra Acórdão de nº 106-825, proferido pela 11ª Turma da DRJ06, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado no valor original de R$ 198.637,77. Para melhor descrever a situação fática dos autos, transcrevo o relatório constante do acórdão de piso: Trata-se de Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada na DCOMP nº 31701.32297.210709.1.3.02-9110, que tem como crédito saldo negativo de IRPJ apurado pelo lucro presumido do 4º trim/2007, no valor original de R$ 297.717,03. O crédito declarado na DCOMP não foi reconhecido em razão da falta de comprovação de que os rendimentos correspondentes ao imposto retido foram oferecidos à tributação. Nesse sentido, em resumo, são os seguintes excertos: 2. O declarante Udaipur Admin. de Bens foi sucedido por incorporação pela GMR Participações S/A (fls.10/11). Anexei as Fichas 14A – Apuração do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido e 54 – Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL retidos na Fonte da DIPJ transmitida em 30/06/2008 (fls. 10/13), onde no 4° trimestre do ano de 2007 não consta nenhum valor na Ficha 14A, linha 06 – Rendimentos e Ganhos Líquidos de Aplicações de Renda Fixa/ Renda Variável (fls. 10/12). 3. Intimei o sucessor em 14/03/2013 (fls. 15/16), com ciência em 21/03/2013 (fl. 17), a apresentar documentação hábil e idônea para: 3.1 Comprovação, nos termos do inc.III, § 4º, do art.2º da lei nº 9.430/1996, de que levou à tributação os rendimentos de aplicações financeiras abaixo (valores em R$), tendo em vista que informou na DIPJ ano-cal. 2007, na Ficha 61B, linha 12, “Regime de Apuração das Receitas” – Caixa” e na Ficha 14A, linha 06 “Rendimentos e Ganhos Líquidos Aplicação Renda Fixa/ Renda Variável” - valor zerado: 4. Em resposta de 08/04/2013 (fls. 18/29), apenas afirma no item II- Direito, que o regime de tributação correto é o regime de competência e que houve erro no preenchimento da Ficha 14A, linha 06, onde deixaram de indicar o rendimento de R$ 1.984.784,35 da aplicação financeira efetuada na Lina Plus FIC de FI (fl. 21). Fl. 353DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 [...] 12. Mesmo intimado (§ 3°), o sucessor do declarante não comprovou ter levado à tributação as receitas financeiras, apenas alegando erro no preenchimento da Ficha 14A, linha 06 “Rendimentos e Ganhos Líquidos Aplicação Renda Fixa/ Renda Variável”, onde deveria constar o rendimento de R$ 1.984.784,35 da aplicação financeira efetuada na Lina Plus FIC de FI (§ 4°). 13. Ressalte-se que, ainda que a alegação fosse aceita, tal fato acarretaria na seguinte apuração do lucro presumido: 14. Logo, tendo em vista a falta de certeza e liquidez do crédito, proponho que não seja reconhecido o SN de IRPJ presumido do 4° trim/2007, no termos do art. 170, caput do CTN c/c art.2º, § 4º, inciso III da lei nº 9.430/1996. Cientificada em 08/05/2013, a sucessora GMR Participações S/A apresentou manifestação de inconformidade em 07/06/2013, na qual, em síntese, assim se pronunciou: 5. Veja-se, portanto, que em razão da incorporação da UDAIPUR pela GMR acima mencionada ocorrida no ano de 2008, houve equívoco por parte da sucessora ao informar ao I. Fiscal que o regime de apuração adotado na DIP7 no ano calendário de 2007 ( Doc. 06) na sucedida (UDAIPUR) era regime de competência e não o de caixa, de modo que teria ocorrido um erro de preenchimento na DIPJ. 6. Em razão do curto prazo para resposta ao questionamento do I. Fiscal a Requerente, sucessora da credora original do saldo negativo de imposto de renda da UDAIPUR, não teve o tempo hábil para analisar todos os documentos da empresa sucedida que tem em seus arquivos, de modo que apenas com o recebimento do despacho decisório e diante da necessidade da apresentação da presente Manifestação de Inconformidade a Requerente conseguiu verificar que da DIPJ do ano calendário de 2007 (Doc. 06), bem como dos extratos bancários (Doc. 07) e do razão contábil da UDAIPUR (Doc. 08) e das demonstrações financeiras em 31/12/2007 e de 2006 e parecer dos auditores independentes (Doc. 09) verifica-se que o regime de apuração das receitas desta empresa no ano de 2007 era efetivamente o de caixa. [...] Fl. 354DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 10. No Informe de Rendimentos Financeiros do ano de 2007 (Doc. 04) verifica- se que os rendimentos que ocasionaram a retenção na fonte foram os seguintes: [...] 13. Porém, nos meses de maio e novembro de 2007 a Requerente não resgatou cotas do fundo, tendo sofrido mera retenção semestral de Imposto de Renda (conforme IN SRF n° 575/2005) (conhecido como "come-cotas" ). 14. Deste modo, a despeito de a retenção na fonte do imposto de renda ter ocorrido nos meses de maio no valor de R$ 513.813,55 e novembro/2007 no valor de R$ 297.717,03, nesses períodos a empresa não auferiu qualquer receita financeira pra fins fiscais, já que não houve qualquer efetivo recebimento de valores (não tendo, consequentemente, qualquer efeito em seu caixa). 15. Em razão disso, a Requerente informou em sua DIPJ do ano calendário de 2007, na ficha Ficha 14A "Rendimentos e Ganhos Líquidos Aplicação Renda Fixa/Renda Variável" o valor de R$0,00 e ao mesmo tempo indicou na linha 24 da mesma Ficha "Imposto de Renda Retido na Fonte" o valor correspondente ao IR retido de R$ 297.717,03, sem que nisso houvesse qualquer irregularidade, já que, de fato, adotando-se a faculdade prevista na legislação, a Requerente reconheceu a respectiva receita correspondente ao rendimento no exercício do seu efetivo recebimento (regime de caixa). [...] 21. Com isso, pode ocorrer um "descasamento" entre o ano em que o IRRF foi efetivamente retido e recolhido e o ano em que a receita é reconhecida para fins de tributação pela pessoa jurídica. E este é exatamente o caso da Requerente. [...] 26. E não é só. Em dezembro de 2008 houve a incorporarão da UDAIPUR pela GMR e. uma vez aue a GMR se enquadra na apurarão do imposto de renda pelo lucro real , no momento da incorporarão a GMR reconheceu as receitas que foram auferidas pelo regime de competência mas que ainda não haviam sido oferecidas à tributação. 27. Em virtude disso, tanto as receitas de 2007, como as receitas de 2008 foram oferecidas à tributação no momento da incorporação da UDAIPUR pela GMR, conforme se depreende da planilha de apuração de IRPJ e CSLL diferido dos anos de 2007 e 2008 que a Requerente anexa à presente (Doc. 10). 28. Portanto, no ano de 2008 a Requerente, na condição de sucessora, levou à tributação a integralidade das receitas em comento, conforme se depreende da Ficha 14A da DIPJ do ano calendário de 2008 da empresa sucedida (Doc. 11). [...] Fl. 355DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 32. Além disso, na justificativa de seu raciocínio, o I. Fiscal acabou provocando a NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO de não homologação de compensação. 33. Isso pode ser afirmado na medida em que o objeto do despacho decisório é a homologação ou não dos elementos declarados no pedido de compensação (a rt. 44 da In SRF 1300/2012), quais sejam, o crédito e o débito que o contribuinte pretende compensar. Não obstante. em sua fundamentação o I Fiscal não atacou o valor do imposto de renda retido na fonte que deu origem ao crédito para indicar, por exemplo, a inexistência de saldo credor ou a utilização do saldo em pedido de compensação anterior. [...] 8. Portanto, uma vez que o I. Fiscal não questionou o valor de imposto de renda retido na fonte que originou o saldo negativo, deveria ele ter homologado a compensação (haja vista a existência incontestável do crédito) e lavrado o competente auto de infração' para lançamento de ofício do imposto de renda que a Requerente supostamente teria deixado de pagar. 39. E, uma vez que a Requerente transmitiu sua DIPJ de 2007 com a apuração de crédito em 30/06/2008, tem o I. Fiscal apenas até 30/06/2013 para lavrar o aludido auto de infração, sob pena de decair o direito de lançar o suposto débito (como houve retenção e recolhimento de IRRF, aplica-se o prazo do art. 150, § 40, do CTN). [...] 46. Por todo o exposto, haja vista terem sido esclarecidas todas as alegações do I. Fiscal que não homologou a presente compensação, requer a Requerente seja homologada a compensação objeto do PER/DCOMP n° 31701.32297.210709.1.3.02-9120”. Por sua vez, a 11ª Turma da DRJ06, ao analisar a manifestação de inconformidade, julgou-a procedente em parte para reconhecer o crédito no valor original de R$ 198.637,77 e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Está afastada a hipótese de nulidade quando o Despacho Decisório, realizado por autoridade competente, atende os requisitos formais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECEITA OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 356DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário visando à reforma da decisão recorrida, alegando, em síntese: “II - DAS PRELIMINARES II.1 - DA NULIDADE DO ACÓRDÃO POR INOVAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO 10. Conforme discorrido na síntese fática, o despacho decisório glosou a totalidade do crédito de R$ 297.717,03 reclamado a título de saldo negativo de IRPJ apurado em razão da retenção de IRRF, sob o fundamento de que as respectivas receitas financeiras no valor de R$ 1.984.780,35 deveriam ter sido levadas à tributação no exercício de 2007: 12. Mesmo intimado (§ 3°), o sucessor do declarante não comprovou ter levado à tributação as receitas financeiras, apenas alegando erro no preenchimento da Ficha 14A, linha 06 “Rendimentos e Ganhos Líquidos Aplicação Renda Fixa/ Renda Variável”, onde deveria constar o rendimento de R$ 1.984.784,35 da aplicação financeira efetuada na Lina Plus FIC de FI (§ 4°). (...) 17. Tendo em vista o apurado no item II, § 14, proponho o não reconhecimento do crédito de SN de IRPJ presumido do 4° trim/2007 e não homologada a compensação da DCOMP n° 31701.32297.210709.1.3.02‐9120. (g.n.) 11. Por sua vez, a C. DRJ acolheu a tese manejada em sede de manifestação de inconformidade, reconhecendo que as referidas receitas financeiras não deveriam ser levadas à tributação no exercício de 2007: Segundo o inciso II do § 3º do art. 770 do RIR/99, supracitado, “os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa).” Com efeito, de acordo com a legislação de regência, pode haver um descompasso entre os períodos de apuração em que houve a efetiva retenção e em que a receita financeira foi submetida à tributação. E ao que tudo indica, foi o que ocorreu no caso vertente, uma vez que, se de um lado a interessada também informou na DIPJ do AC 2007, Ficha 61B, linha 12, “Regime de Apuração das Receitas: Caixa” e juntou nesse sentido Razão e extratos bancários, de outro lado as retenções na fonte ao longo do ano de 2007 ocorreram basicamente em maio e novembro, meses do chamado come cotas", consoante determinado pela IN SRF n° 575/2005 e demonstrado pelo Informe de Rendimentos Financeiros reproduzido abaixo...) 12. Ocorre que, apesar de ter acolhido a tese da Recorrente, a C. DRJ reconheceu somente parte do direito creditório reclamado, sob o argumento de que não foi possível verificar se “toda receita financeira foi oferecida à tributação” no exercício de 2008: (...) 13. Em outras palavras, enquanto a Autoridade Fiscal de origem (i) sustentou que o procedimento adotado foi incorreto por não ter oferecido à tributação as receitas financeiras percebidas no exercício de 2007; a C. DRJ (ii) decidiu que o procedimento adotado foi correto, porém, sustentou que a Recorrente supostamente não logrou êxito na comprovação de que tais receitas financeiras foram integralmente levadas à tributação no exercício de 2008 quando da incorporação da Udaipur Administração de Bens S.A. (tributada sob o regime de caixa) pela GMR Participações S/A (tributada sob o regime de competência). Fl. 357DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 14. Neste sentido, consoante demonstrado, o acórdão recorrido – de forma inovadora – empreendeu enorme esforço para tentar sanar o despacho decisório deficiente, trazendo novas alegações para manter – ainda que parcialmente – a exação fiscal. Assim, trata‐se, sem dúvidas, de inovação nos fundamentos adotados pela Autoridade Fiscal de origem para tentar salvar débito tributário indevidamente exigido. 15. Entretanto, não cabe à C. DRJ, por ocasião do julgamento da manifestação de inconformidade, modificar os critérios jurídicos do despacho decisório, sob pena de indevida usurpação da competência outorgada à Fiscalização, o que resulta em nítido cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, o qual não teve a oportunidade de se defender contra os novos fundamentos eleitos. 16. Decerto, deveria a autoridade julgadora ter solucionado a lide com base nos argumentos que lhes foram submetidos pelas partes, isto é, pela Autoridade Fiscal e pela Recorrente. 17. Em outros dizeres, a inovação no critério jurídico para manutenção – ainda que parcial – da exação, configura supressão de instância e cerceamento do direito de defesa da Recorrente, motivo pelo qual a decisão recorrida deve ser anulada, nos termos do art. 59, inc. II, do Decreto nº 70.235/1972 cuja prescrição dispõe que é nula a decisão de primeira instância administrativa que cerceia o direito de defesa do contribuinte: (...) 18. Não é outro o entendimento deste E. CARF que, de forma unânime, já decidiu que o julgamento colegiado não pode trazer argumentos novos para manter a cobrança, sob pena de suprimir instância e, ao não oportunizar a defesa no momento adequado, cercear o pleno exercício do direito de defesa: (...) 19. Neste sentido, face à flagrante inovação do critério jurídico, posto que o acórdão recorrido inovou quanto aos fundamentos de fato e de direito que embasaram a decisão da Autoridade Fiscal de origem, a decisão a quo merece ser anulada, ao passo em que suprimiu instância recursal e, portanto, feriu flagrantemente o princípio do duplo grau de jurisdição e preteriu o pleno exercício da ampla defesa. II.2 – DA DECADÊNCIA DO DÉBITO EXIGIDO 20. Como será demonstrado no decorrer do presente recurso, após inovar os critérios jurídicos originalmente adotados pela Autoridade Fiscal de piso, a decisão da C. DRJ acabou por chancelar lançamento de ofício por via transversa. Isto porque, o acórdão recorrido não se limitou a analisar a existência e suficiência do direito creditório apurado pela Recorrente em 2007, ao revés, a referida decisão colegiada foi além para concluir que o cotejo entre a DIRF transmitida pela fonte pagadora referente à competência de 2007 e a DIPJ transmitida pela Recorrente referente à competência de 2008 “não permite dizer que toda receita financeira foi oferecida à tributação”. 21. Em casos como o presente, o Acórdão nº 1803‐00.673 proferido pela 3ª Turma Especial da 1ª Seção, mais bem tratado nos tópicos adiante, é enfático ao decidir que é “defeso à autoridade fiscal, em um exercício de verdadeiro malabarismo, negar o legítimo direito ao imposto de renda retido na fonte, com base em meras suposições e ausentes os pressupostos legais para o exercício do direito que a lei lhe faculta para realizar o lançamento de ofício”: (...) 22. Diante deste panorama, tendo em vista que é vedado à Administração Tributária promover o lançamento de ofício por via transversa, caso se pretendesse exigir da Recorrente débitos de IRPJ supostamente tributados a menor na competência de 2008, a Fiscalização deveria proceder com a formalização do lançamento de ofício (auto de infração). Fl. 358DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 23. Neste sentido, ponderando que até o presente momento (2021) a Autoridade Fiscal não promoveu a lavratura de auto de infração para cobrança de IRPJ supostamente tributado a menor na competência de 2008, seja qual for o termo a quo do prazo decadencial (art. 150, §4º; ou art. 173, inc. I; ambos do CTN), o prazo para constituir débito tributário eventualmente devido há muito já escoou. 24. Neste contexto, tendo em vista a impossibilidade de se operacionalizar o lançamento de ofício por via transversa (despacho decisório), o débito tributário exigido pela Fiscalização da Recorrente há muito já foi fulminado pela decadência, razão pela qual sua cobrança merece ser expurgada. III - DO MÉRITO III.1 - DA EXISTÊNCIA E SUFICIÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO RECLAMADO 25. Não bastasse as questões de ordem preliminar que, per se, já são suficientes para rechaçar a cobrança do débito de IRPJ supostamente tributado a menor na competência de 2008, as matérias meritórias corroborarão com a necessidade de integral homologação do direito creditório reclamado. 26. Como minunciosamente demonstrado em sede da manifestação de inconformidade, os contribuintes submetidos ao regime do lucro presumido que apuram o imposto devido sob o regime de caixa, somente oferecerão à tributação os valores efetivamente recebidos (realização financeira). 27. A doutrina especializada, nas palavras de Edmar Oliveira Andrade Filho1, bem explica as nuanças deste regime: (...) 28. Neste sentido, no caso concreto ora analisado, a Recorrente somente poderia oferecer à tributação pelo IRPJ as receitas financeiras quando do efetivo recebimento (realização financeira) e, por este motivo, considerando que as aplicações financeiras em questão não foram realizadas no exercício de 2007, tais valores jamais poderiam ser objeto de tributação naquela competência. 29. Esse entendimento, aliás, foi prescrito pelo art. 770, §3º, inc. II, do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999), à época vigente, em concomitância com o art. 70, caput, inc. II e §9º, inc. II, da Instrução Normativa RFB nº 1.585/2015: (...) 30. Ao seu turno, se de um lado os rendimentos auferidos com aplicações financeiras somente serão adicionados ao lucro presumido quando da realização financeira, de outro, o inc. I do caput do art. 70 da IN RFB nº 1.585/2015 acima transcrito é cristalino ao determinar que os contribuintes deverão deduzir o IRRF do IRPJ “devido no encerramento de cada período de apuração”. 31. Em outras palavras, a Recorrente agiu conforme a lei, isto é, (i) deduziu o IRRF efetivamente retido no final da apuração da competência de 2007 e, por outro lado, (ii) deixou de adicionar as receitas financeiras em razão de não ter realizado as respectivas aplicações financeiras. 32. A lógica dessa sistemática é muito simples, já que isto somente ocorre porque as instituições financeiras são obrigatoriamente submetidas ao regime de apuração pelo lucro real (art. 14, inc. II, Lei nº 9.718/1998) e, portanto, submetem‐se à apuração pelo regime de competência. Por este motivo, quando os investidores auferem rendimentos positivos (receitas financeiras), as instituições financeiras e os fundos de investimento se veem obrigados a reter o IRRF incidente sobre esta variação positiva, promovendo o devido recolhimento do tributo, declarando esta operação na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (“DIRF”) e informando tal retenção ao contribuinte‐substituído Fl. 359DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 através do “Comprovante Anual de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte”, comumente denominado de informe de rendimentos. 33. Esta sistemática, por vezes, resulta no “descasamento” entre a retenção do IRRF informada na DIRF das instituições financeiras/fundos de investimento e a tributação das receitas financeiras a serem tributadas pelos contribuintes submetidos ao regime de caixa (lucro presumido); já que tais receitas financeiras deverão ser tributadas na fonte (IRRF) pelas instituições financeiras/fundos de investimento no exercício em que incorrerem e, por outro lado, os contribuintes submetidos ao lucro presumido somente oferecerão tais receitas à tributação quando da realização das respectivas aplicações financeiras (realização financeira). 34. A possiblidade deste “descasamento”, inclusive, constou expressamente do acórdão recorrido: (...) 35. Diante desta peculiaridade que justifica o mencionado “descasamento”, ao contrário do que sustentou a C. DRJ, a Recorrente somente necessitaria comprovar a tributação das receitas financeiras caso tivesse realizado as aplicações financeiras (realização financeira) no ano‐calendário de 2007, o que não ocorreu. 36. Nesta senda, a análise do direito creditório reclamado por meio do procedimento de PER/DCOMP deveria ter se limitado ao exame da competência de 2007, isto é, deveria analisar apenas se a contribuinte apurou saldo negativo no ano‐calendário de 2007 em razão da retenção de R$ 297.717,03 a título de IRRF. 37. Em outras palavras, a C. DRJ não poderia vincular o reconhecimento do direito creditório reclamado à efetiva comprovação da tributação das receitas financeiras em outras competências (no caso concreto, 2008). E isto, aliás, foi expressamente reconhecido pela própria Receita Federal no bojo da fundamentação da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 356/2004 (...) 38. Conforme se depreende da SC SRRF/8ª RF/DISIT nº 356/2004, o crédito de saldo negativo deve ser apurado no encerramento de cada período de apuração – inclusive para fins de início de contagem do prazo para transmissão de PER/DCOMP –, razão pela qual os eventos ocorridos após o encerramento do período não podem repercutir na apuração e na quantificação deste saldo negativo. 39. Sendo assim, no caso concreto ora analisado, a quantificação do saldo negativo apurado no encerramento da competência de 2007 deve considerar somente os eventos fiscais ocorridos até o final do referido ano‐calendário (2007), deflagrando‐se como completamente irrelevante o fato da Recorrente ter levado à tributação (ou não) as receitas financeiras na competência de 2008 e seguintes, inclusive porque o resgate poderia ter ocorrido apenas em 2020, por exemplo, e nem por isso o contribuinte teria o direito a crédito do IR‐Fonte efetivamente recolhido em 2007 condicionado ao futuro resgate. 40. Em outros dizeres, a análise do crédito apurado advindo da retenção de IRRF deve se limitar ao exame da DIPJ referente ao ano‐calendário de 2007, não podendo ser glosado com fundamento na ausência de tributação das respectivas receitas financeiras quando da incorporação da contribuinte no ano‐calendário de 2008. 41. Por outro lado, caso a Autoridade Fiscal constatasse alguma irregularidade na tributação das receitas financeiras levadas à tributação em 2008, deveria autuar a Recorrente pelo suposto recolhimento a menor do IRPJ, porém, jamais poderia glosar o direito creditório reclamado, conforme será melhor demonstrado adiante. Fl. 360DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 III.2 - DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO POR VIA TRANSVERSA: INVIABILIDADE DE COBRANÇA ATRAVÉS DE DESPACHO DECISÓRIO 42. Conforme bem demonstrado no tópico anterior, a análise do direito creditório reclamado deveria se limitar aos lançamentos da DIPJ da competência de 2007 e, portanto, o despacho decisório não se presta à cobrança de suposto débito de IRPJ eventualmente tributado a menor em 2008. 43. Desta premissa, resta claro que a C. DRJ – ao inovar nos fundamentos jurídicos do despacho decisório – passou a utilizar deste instrumento para promover a cobrança de débito tributado a menor (não declarado) e, portanto, valeu‐se do despacho decisório para operar lançamento de ofício por via transversa. 44. Entretanto, conforme anexo IV da Portaria RFB nº 1.098/2013, o despacho decisório não é instrumento hábil à constituição de débito tributário, ao passo em que este ato constitutivo foi reservado à competência do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento: (...) 45. Por sua vez, esta conclusão não se trata de mero preciosismo, ao revés, tratase de questão sine qua non à exação do débito tributário, posto que admitir a utilização de despacho decisório para cobrança de débito não declarado (declarado a menor) resultaria em situação teratológica, já que se permitiria a cobrança de débito tributário carente de lançamento e, tecnicamente, inexistente. 46. Ora, como é de conhecimento deste E. CARF, nos termos do art. 142 do CTN2, o lançamento não é mera formalidade a ser cumprida, pelo contrário, traduz‐se como condição suficiente e necessária à constituição e quantificação do débito tributário, sem o qual, portanto, não há que se falar em existência e, tampouco, em cobrança deste débito. 47. Este CARF já foi chamado a se deter sobre o tema, oportunidade em que decidiu que os despachos decisórios não se confundem com o auto de infração ou com a notificação de lançamento, sendo reservados a estes últimos o papel para constituir débito tributário não declarado (lançamento): (...) 48. Neste sentido, considerando que os valores exigidos nestes autos foram reputados pela C. DRJ como valores declarados a menor, tais valores deflagram‐se como débitos não declarados pela Recorrente, razão pela qual arremata‐se que a RFB jamais poderia ter se valido de despacho decisório para cobrá‐los, sob pena de incorrer em erro na construção do lançamento, o que macula o ato administrativo de intransponível nulidade: (...) 49. Especificamente com relação ao reconhecimento de saldo negativo proveniente da retenção de IRRF, a 3ª Turma Especial da 1ª Seção já se debruçou sobre a matéria, oportunidade em que proferiu o Acórdão nº 1803‐00.673, quando do julgamento do Proc. nº 11610.001739/2003‐28, momento em que restou decidido que a “a glosa de imposto de renda retido na fonte regularmente comprovado, sob pretexto de não escrituração integral das receitas [...] equivale ao lançamento de ofício por vias transversas”: (...) 50. As razões de decidir do voto‐vencedor, abaixo enxertadas, deixam ainda mais claro que caso a Fiscalização tivesse constatado irregularidades nos valores relativos às receitas financeiras levadas a tributação no exercício de 2008, deveria ter lavrado auto de infração, porém, jamais poderia proceder com a glosa dos valores relativos ao IRRF cuja retenção foi efetivamente comprovada: (...) Fl. 361DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 51. Ora, em última análise poderia a Requerente ser no máximo autuada para pagamento de multa e juros pela postergação da receita do ano de 2007 para o ano de 2008. 52. Assim, ponderando que o direito creditório em questão foi apurado na competência de 2007, devidamente formalizado pela transmissão da competente DIPJ, eventuais irregularidades constatadas pela Fiscalização com relação à tributação das receitas financeiras na competência de 2008 NÃO podem repercutir na quantificação do saldo negativo apurado em 2007 e, consequentemente, não podem servir de fundamento à glosa e a não homologação da PER/DCOMP, pelo contrário, deveriam ensejar a lavratura de auto de infração. III.3 - DA TRIBUTAÇÃO DA INTEGRALIDADE DAS RECEITAS 53. Como exposto na manifestação de inconformidade, no Informe de Rendimentos Financeiros do ano de 2007, os rendimentos que ocasionaram a retenção na fonte foram os seguintes: (...) 54. Nos meses de maio e novembro de 2007 a Requerente não resgatou cotas do fundo, tendo sofrido mera retenção semestral de Imposto de Renda (conforme IN SRF n° 575/2005) (conhecido como "come‐cotas"). 55. Deste modo, a despeito de a retenção na fonte do imposto de renda ter ocorrido nos mês de maio/2007 no valor de R$ 513.813,55 e novembro/2007 no valor de R$ 297.717,03, nesses períodos a empresa não auferiu qualquer receita financeira pra fins fiscais, já que não houve qualquer efetivo recebimento de valores (não tendo, consequentemente, qualquer efeito em seu caixa). 56. Em razão disso, a Requerente informou em sua DIPJ do ano‐calendário de 2007 para o 4º trimestre, na ficha Ficha 14A "Rendimentos e Ganhos Líquidos Aplicação Renda Fixa/Renda Variável" o valor de R$ 0,00 e ao mesmo tempo indicou na linha 24 da mesma Ficha "Imposto de Renda Retido na Fonte" o valor correspondente ao IR retido de R$ 297.717,03, sem que nisso houvesse qualquer irregularidade, já que, de fato, adotando‐se a faculdade prevista na legislação, a Requerente reconheceu a respectiva receita correspondente ao rendimento no exercício do seu efetivo recebimento (regime de caixa). 57. Nesse sentido, em maio de 2007 foi retido o IRRF decorrente do investimento no Fundo Lina Plus no valor de R$ 297.717,03 em virtude do auferimento de rendimento no valor de R$ 3.425.423,74, retenção essa declarada pela fonte pagadora em Informe de Rendimentos Financeiros do ano de 2007, conforme art. 942 do RIR/99. Ou seja, os valores relativos ao imposto de renda na fonte foram regularmente retidos e recolhidos aos cofres públicos no ano‐calendário de 2007. 58. E não é só. Em dezembro de 2008 houve a incorporação da UDAIPUR pela GMR e, uma vez que a GMR se enquadra na apuração do imposto de renda pelo lucro real, no momento da incorporarão a UDAIPUR reconheceu as receitas que foram auferidas no regime de competência, mas que ainda não haviam sido oferecidas à tributação. 59. Em virtude disso, tanto as receitas de 2007, como as receitas de 2008 foram oferecidas à tributação no momento da incorporação da UDAIPUR pela GMR, conforme se depreende da planilha de apuração de IRPJ e CSLL diferido dos anos de 2007 e 2008 que a Requerente anexou à quando da Manifestação de Inconformidade (Doc. 10 da Manifestação de Inconformidade). 60. Portanto, no ano de 2008 a Requerente, na condição de sucessora, levou à tributação a integralidade das receitas em comento, conforme se depreende da Ficha 14A da DIPJ do ano calendário de 2008 da empresa sucedida também anexa à Manifestação de Inconformidade (Doc. 11 da Manifestação de Inconformidade). (...) Fl. 362DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 62. Ora, a decisão sequer cita qual seria a “documentação probante” esperada, afinal, trata‐se de exigência inteiramente nova. E continua: (...) 63. Em seguida cita jurisprudência que em nada se assemelha ao presente caso, uma vez que trata de contribuinte sujeito ao regime de competência. 64. Por fim, com base na suposta divergência entre as receitas tributadas, a DRJ decidiu por criar uma forma peculiar de cálculo do crédito homologado, de forma a considerar a proporção das receitas que presumiu como devidamente tributadas: (...) 65. Veja‐se que tal modo de proceder desconsidera eventuais variações nos resultados das aplicações financeiras, mistura créditos e receitas de outras competências, tudo para salvar parte da indevida glosa de créditos. 66. Tendo a DRJ considerado relevante o montante da receita financeira realizada nos períodos posteriores, deveria na pior hipótese converter o julgamento em diligência para esclarecer as diferenças entre DIPJ e DIRF, jamais criar um método novo de glosa com base em presunções. 67. O mencionado raciocínio não tem qualquer respaldo legal, afinal o IR‐Fonte foi integralmente recolhido. Desconsiderar este crédito de imposto pago representa locupletamento ilícita pela União. 68. Repise‐se que o objeto do despacho decisório é a homologação ou não dos elementos declarados no pedido de compensação (art. 44 da IN SRF 1300/2012), quais sejam, o crédito e o débito que o contribuinte pretende compensar. Ainda, em sua fundamentação o I. Fiscal não atacou o valor do imposto de renda retido na fonte que deu origem ao crédito para indicar, por exemplo, a inexistência de saldo credor ou a utilização do saldo em pedido de compensação anterior. 69. Ora, o Fisco possui o dever de visar, ao máximo, a observância do princípio da verdade material, procurando analisar os elementos de fato e de direito a fim de confirmar ou infirmar a realização de um fato jurídico tributário. 70. O que se observa, portanto, é que o I. Fiscal e a DRJ não se atentaram à verdade material para apurar o crédito tributário do contribuinte devido, descumprindo assim o dever de apurar a realização ou não do fato jurídico tributário, principalmente em casos como o presente em que argumentos de fato e provas foram apresentadas à análise. IV – DO PEDIDO 71. Diante de todo o exposto, a Recorrente requer seja dado total provimento a seu Recurso Voluntário, para o fim de, (i) preliminarmente, ser reconhecida a nulidade do acórdão recorrido em razão da nítida inovação dos critérios jurídicos, o que comina no irremediável tolhimento ao pleno exercício do direito de defesa; bem como, (ii) no mérito, seja reconhecido o direito creditório reclamado a título de saldo negativo de IRPJ apurado na competência de 2007 e, por via de consequência, homologada a compensação declarada por meio da PER/DCOMP nº 31701.32297.210709.1.3.02‐9120.” É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide O exame do mérito dos pedidos postulados delimitados em sede recursal ficam restritos a argumentos em face do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ referente ao 4º trimestre de 2007 (Per/DComp nº 31701.32297.210709.1.3.02-9120, e-fls. 2/6), no valor de R$ 99.079,26 (R$ 297.717,03 (Valor Pleiteado) - R$ 198.637,77 (Valor deferido pela DRJ) que, conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita (art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplicam subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Da matéria em discussão Conforme já relatado, trata-se de Declaração de Compensação eletrônica – DCOMP nº 31701.32297.210709.1.3.02-9120 (fls.2/6) de crédito de saldo negativo de IRPJ de lucro presumido do 4º trim/2007, no valor original de R$ 297.717,03, relativo a IRRF sobre aplicações financeiras, cód.6800 1 , de igual valor, da Credit Agricole Brasil S/A DTVM, CNPJ 01.638.542/0001-57, com retenção informada em DIRF (e-fls.14), para um rendimento correspondente de R$ 1.984.780,35. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada na DCOMP nº 31701.32297.210709.1.3.02-9110, sob o argumento de ausência de comprovação de que os rendimentos correspondentes ao imposto retido foram oferecidos à tributação. Nesse sentido, no acórdão de piso constou que o IRRF a ser deduzido na apuração do saldo negativo do AC 2007 deve ser proporcional à receita financeira oferecida à tributação na DIPJ. Assim, para o 4º trimestre foi confirmado o IRRF no valor de R$ 198.637,77 e reconhecido o saldo negativo de mesmo valor, consoante os seguintes cálculos, em reais: 1 O IRRF, código 6800, refere-se aos rendimentos produzidos por aplicações em fundos de investimento financeiro e em fundos de aplicação em quotas de fundos de investimento financeiro (art. 33 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). Sujeita-se ao regime de tributação em que o tributo retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual à alíquota incidente de 20% (vinte por cento). O beneficiário é a pessoa jurídica que obtém os rendimentos e o imposto é recolhido pela fonte pagadora até o terceiro dia útil da semana subsequente à de ocorrência do fato gerador. Fl. 364DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário alegando que a decisão de piso deve ser reformada por incorrido em inovação do critério jurídico adotado pelo despacho decisório, configurando supressão de instância e cerceamento do direito de defesa da Recorrente, motivo pelo qual o acórdão de piso deveria ser anulado. No mérito, de acordo, com a Recorrente, deveria ser reconhecido o direito creditório reclamado a título de saldo negativo de IRPJ apurado na competência de 2007 e, por via de consequência, homologada a compensação declarada por meio da PER/DCOMP nº 31701.32297.210709.1.3.02‐9120. Sendo esse o contexto, passa-se a analisar as alegações recursais. PRELIMINARMENTE Nulidade da Decisão de Primeira Instância. Em sede de preliminar, a Recorrente argumentou que a decisão recorrida teria inovado no critério jurídico adotado pela Autoridade Fiscal, prolatora do despacho decisório. para manter reconhecer parcialmente o direito creditório sob o argumento de que não teria restado comprovado a efetiva tributação da totalidade das aludidas receitas financeiras na competência de 2008, quando da incorporação da Udaipur pela Recorrente (submetida à apuração pelo lucro real (regime de competência). Assim, requereu a nulidade do acórdão de piso. Contudo, entendo que referida inovação não ocorreu, não havendo se falar em alteração de critério jurídico (art. 146 do CTN). O que verifica a partir de tais informações é que a decisão recorrida não inovou no fundamento utilizado para a não homologação da compensação, mas sim, houve o esclarecimento dos motivos de tal indeferimento. A DRJ tão somente cumpriu com seu dever legar de analisar com a maior profundidade a questão posta em debate. Ora, há se observar que nos processos que envolvem reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda, é necessário verificar de forma cuidadosa se o crédito efetivamente existe. Assim, o reconhecimento de direito creditório exige prudência, em nome da qual se admite que o procedimento de verificação do direito, que começa na unidade local, possa se estender para a DRJ, quando isso se faça necessário em vista da apresentação pelo contribuinte de fatos e informações. Desta forma, percebe-se que, nessa hipótese específica, a decisão da DRJ poderá, sem qualquer vício, adotar fundamentos e considerar circunstâncias fáticas não presentes no despacho decisório, a título de esclarecimento. Essa é a situação que se tem no presente caso. Assim, não há qualquer discordância entre o Despacho Decisório emitido pela autoridade administrativa e a decisão de primeira instância, ambos se fundamentam no mesmo ponto: a Recorrente não conseguiu comprovar a existência do direito creditório pleiteado. O que se verifica, de pronto, é que a autoridade julgadora atuou de acordo com a relação dialógica típica do processo administrativo fiscal, especialmente no caso de exame de direito creditório, em que há a possibilidade de o sujeito passivo comprovar seu direito no correr do processo. Fl. 365DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 Consequentemente, a suposta mudança de critério jurídico ou inovação processual no acórdão recorrido não ocorreu tendo a DRJ tão somente dado continuidade à analise da procedência ou não dos argumentos da Recorrente no tocante ao direito creditório em apreciação. Destarte, não há qualquer prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, como sustentado, o que atrairia o reconhecimento da nulidade da decisão, à luz do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Neste preciso sentido, este Tribunal assim tem se manifestado: NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO OCORRÊNCIA. Não há inovação ou alteração de critério jurídico na decisão recorrida, na medida em que o Colegiado a quo limitou-se a esclarecer qual era o débito a que se referia o despacho decisório. O motivo do indeferimento permaneceu o mesmo, qual seja, pagamento não disponível. (Acórdão nº 1301-004.724, Relatora: Giovana Pereira de Paiva Leite, Data da Sessão: 12/08/ 2020) DESPACHO DECISÓRIO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão de Delegacia de Julgamento que enfrenta todas as matérias suscitadas em impugnação, mormente, quando apresenta fundamentação adequada e suficiente para declarar a improcedência do pleito formulado pela contribuinte. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de DRJ quando as razões para o indeferimento do pedido encontram-se descritas e fundamentadas nos atos processuais. Não caracteriza alteração de critério jurídico a decisão de 1ª instância que não reconhece o direito creditório sob o fundamento de ausência de comprovação de pagamento indevido ou a maior, no tocante ao inconformismo do contribuinte em face de despacho decisório eletrônico que não localizou crédito disponível para extinguir debito por compensação. Ambos despachos assentam-se no mesmo fundamento: a não comprovação de existência de crédito. (Grifou-se) - (Acórdão nº 3201.004.690; Relator: Charles Mayer de Castro Souza; Data da Sessão: 29/01/2019 ) Repise-se: não houve inovação do critério jurídico, apenas esclarecimentos das razões da negativa do crédito, diante da dialeticidade do processo, especialmente, nessas hipóteses de despacho decisório eletrônico, em que a fundamentação é, por natureza, extremamente sucinta. Ademais, as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade de qualquer ato administrativo. Outrossim, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Em síntese, não vislumbro que haja qualquer nulidade da decisão recorrida visto que não se pode confirmar o argumento relativo à suposta inovação dos fundamentos de decidir e cerceamento do direito de defesa. Fl. 366DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 O que se constata nos autos é a busca pela verdade material em consonância com a legislação de regência limitando-se a dar continuidade à análise da existência e suficiência do direito creditório apurado pela Recorrente em 2007 e, considerando o descompasso entre regime e regime de competência, houve o cotejo entre a DIRF transmitida pela fonte pagadora referente à competência de 2007 e a DIPJ transmitida pela Recorrente referente à competência de 2008 para aferir o oferecimento à tributação de toda receita financeira. Assim, rejeita-se a preliminar de nulidade. Decadência Em seu recurso voluntário, a Recorrente argumentou, ainda, a ocorrência de decadência, já que, em suas palavras, até o presente momento (2021) a Autoridade Fiscal não promoveu a lavratura de auto de infração para cobrança de IRPJ supostamente tributado a menor na competência de 2008, seja qual for o termo a quo do prazo decadencial (art. 150, § 4º; ou art. 173, inc. I; ambos do CTN), o prazo para constituir débito tributário eventualmente devido há muito já escoou”. Sobre a decadência, o Código Tributário Nacional (CTN) determina: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Porém, razão não assiste à Recorrente, pois o procedimento de verificação do saldo negativo de IRPJ/CSLL utilizado em compensação não está limitado pelo prazo decadencial de que trata o § 4º do art. 150 do CTN ou pelo art. 173, I. Afinal, é certa a inexistência de restrição temporal a averiguação da sua liquidez e certeza, não há que se falar em homologação por decurso de prazo das parcelas que compõem o saldo negativo de IRPJ/CSLL. Isso porque quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anos-calendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Trata-se de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Como, ressaltou o conselheiro, Redator designado, André Mendes de Moura, no Acórdão nº 9101003.994, “trata-se de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento Fl. 367DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária”. Nesse sentido apontam as decisões do CARF: GLOSA DE PARCELAS QUE COMPÕEM O SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. O procedimento de verificação do saldo negativo de IRPJ utilizado em compensação não está limitado pelo prazo decadencial de que trata o § 4º do art. 150 do CTN. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DCTF. INAPLICABILIDADE. O instituto da homologação tácita não se aplica às compensações anteriores a outubro de 2003. Somente a partir da edição da MP n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a existir prazo para homologação das compensações declaradas, mediante a alteração do § 5º do art 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Não há que se falar em homologação tácita nos casos de quitação de estimativas mediante compensação via DCTF efetuada antes do surgimento da DCOMP. (Acórdão nº 1401003.324, Relator Cons. Luiz Augusto de Souza Gonçalves) COMPENSAÇÃO. REVISÃO DA APURAÇÃO EFETUADA PELA CONTRIBUINTE. DECADÊNCIA.Com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN, apenas o dever/poder de formalizar o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN). Todavia, não se pode inferir, a partir daí que, com o transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, estariam tacitamente homologados quaisquer outros fatos jurídicos tributários que pudessem repercutir em períodos de apuração futuros, inclusive a apuração de eventuais saldos negativos da CSLL e do IRPJ, indicado pela contribuinte nas declarações de rendimentos.(...) (Acórdão nº 1302003.306, Relator Cons. Gustavo Guimarães da Fonseca) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 POSSIBILIDADE DE VERIFICAÇÃO DA FORMAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A autoridade fiscal pode, dentro do prazo de cinco anos contados da data da apresentação da declaração de compensação (art. 74, § 5°, da Lei n. 9.430/96) verificar, para fins de homologação do crédito pleiteado, todos os elementos que contribuíram para a formação do saldo negativo que embasou o pedido de compensação. Não se aplica à hipótese o instituto da decadência previsto no CTN, visto não se tratar de constituição de crédito tributário. (Acórdão 9101-004.966, Relator Cons. Adrea Duek Simantob) – Grifou-se. Do voto condutor do citado acórdão, extrai-se: Não se pode confundir o fenômeno da decadência, que fulmina a possibilidade de o fisco constituir créditos tributários (conforme previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN), com a situação dos autos, em que a autoridade fiscal apenas analisou o direito creditório pleiteado, até porque a formação de saldo negativo não é fato gerador do IRPJ. No presente caso inexiste constituição de crédito tributário, mas somente a necessária verificação acerca da validade, liquidez e certeza dos créditos pleiteados pela interessada, o que configura hipótese obviamente distinta. O instituto da decadência, tal como pleiteado pela Recorrente, não se aplica ao caso, que é regido pelo disposto no artigo 74 da Lei n. 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo Fl. 368DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...)§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Note-se que, ao mesmo tempo em que a lei faculta ao sujeito passivo a possibilidade de compensar créditos, mediante entrega da correspondente declaração de compensação, também confere à administração tributária o direito de verificar a certeza e a liquidez desses créditos em até cinco anos, contados da declaração. E esse cenário não se confunde ou encontra obstáculo nas regras de decadência previstas no CTN, pois aqui não se trata, como já destacado, de constituição do crédito tributário. A interpretação das normas jurídicas deve ser promovida dentro de critérios mínimos de razoabilidade, visto que não faria sentido dar ao sujeito passivo a possibilidade de exercer seu legítimo direito creditório sem a mínima possibilidade de verificação pelo fisco, pois, do contrário, bastaria que o interessado apresentasse a declaração no último dia antes da suposta “decadência” para ter todo e qualquer crédito, pois mais indevido que fosse, automaticamente homologado, tese que por óbvio não se sustenta. Convém trazer à baila, ainda a Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 18 de julho de 2012, assim distingue: Conclusão 31. Por fim, e em nome dos princípios da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do crédito tributário, conclui-se a presente Solução de Consulta Interna no seguinte sentido: 31.1. Após transcorrido o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, assim como o prazo para homologação de compensação de que trata o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996 (homologação tácita), há apenas a impossibilidade de lançamento de diferenças do imposto devido. Tal vedação não se aplica à compensação de débitos próprios vincendos que tenha sido homologada tacitamente, quando ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. 31.2. Todavia, pode a Administração Tributária, dentro do lapso de que esta dispõe (art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996), não homologar a compensação declarada em momento posterior, em que se utilizem créditos de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, inclusive os oriundos de estimativas quitadas por meio de Dcomps homologadas tacitamente, se verificada a inexistência de liquidez e certeza desses créditos. Fl. 369DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 A homologação tácita da compensação dos débitos (§ 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), é o lapso de mais de 5 anos entre a data da entrega do Per/DComp retificador e a ciência do Despacho Decisório. Diferentemente é a impossibilidade da "homologação tácita" por decurso de prazo para análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e para a verificação das parcelas que compõem o saldo negativo CSLL/IRPJ, conforme explicitado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012. Por tais fundamentos, não há que se falar em impossibilidade, por decurso de prazo, do exame das parcelas que compõem o saldo negativo (Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012) e, por conseguinte, rejeita-se a preliminar de decadência/homologação tácita arguida pela Recorrente. NO MÉRITO De acordo com a decisão “a quo” o direito creditório, em discussão, não foi reconhecido em sua totalidade integralmente, por que a Recorrente, supostamente, não teria oferecido à tributação no exercício de 2008 quando da incorporação da Udaipur Administração de Bens S.A. (tributada sob o regime de caixa) pela GMR Participações S/A (tributada sob o regime de competência). Assim constou no referido acórdão: “A interessada Udaipur Administração de Bens S/A sujeitou-se à tributação com base no lucro presumido nos trimestres do ano de 2007. À época, sobre as retenções sob o código 6800 - IRRF - Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento de Renda Fixa, o Manual do Imposto de Renda Retido na Fonte – Mafon 20071, disponível na internet, assim dispunha: OBSERVAÇÕES: 1) A incidência do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, nas aplicações em fundos de investimento de que trata o art. 1º da Instrução Normativa nº 25, de 6 de março de 2001, classificados como de curto ou de longo prazo, ocorrerá: a) no último dia útil dos meses de maio e novembro de cada ano, ou no resgate, se ocorrido em data anterior, sem prejuízo do disposto no parágrafo único; b) na data em que se completar cada período de carência para resgate de quotas com rendimento ou no resgate de quotas, se ocorrido em outra data, no caso de fundos com prazo de carência de até 90 (noventa) dias, sem prejuízo, por ocasião do resgate das quotas será aplicada alíquota complementar, conforme alíquota decrescente aplicável. [...] (RIR/99, arts. 735 a 740; Lei nº 11.033, de 2004, art. 1º; MP nº 2.189-49, de 2001, art. 6º; IN SRF nº 25, de 2001, arts. 1º ao 7º; IN SRF nº 487, de 204, art. 1º, § 1º e 2º) [...] REGIME DE TRIBUTAÇÃO Pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado: os rendimentos integrarão o lucro real e serão adicionados ao lucro presumido ou ao lucro arbitrado. O imposto retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração, trimestral ou anual. Fl. 370DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 [...] (RIR/99, arts. 770, §§ 2º e 3º) [Grifei.] Segundo o inciso II do § 3º do art. 770 do RIR/99, supracitado, “os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa).” [Grifei.] Com efeito, de acordo com a legislação de regência, pode haver um descompasso entre os períodos de apuração em que houve a efetiva retenção e em que a receita financeira foi submetida à tributação. E ao que tudo indica, foi o que ocorreu no caso vertente, uma vez que, se de um lado a interessada também informou na DIPJ do AC 2007, Ficha 61B, linha 12, “Regime de Apuração das Receitas: Caixa” e juntou nesse sentido Razão e extratos bancários, de outro lado as retenções na fonte ao longo do ano de 2007 ocorreram basicamente em maio e novembro, meses do chamado "come cotas", consoante determinado pela IN SRF n° 575/2005 e demonstrado pelo Informe de Rendimentos Financeiros reproduzido abaixo: Não obstante, tal aspecto não desobriga o sujeito passivo de comprovar que a respectiva receita financeira foi oferecida à tributação. Essa obrigação ocorre tanto para o regime de apuração pelo lucro presumido (caso da interessada), conforme legislação acima, como para o regime de apuração pelo lucro real (caso da sucessora), conforme estabelecido nos arts. 34 e 37, § 3º, “c” da Lei nº 8.981/95. A legislação tributária é clara ao somente admitir, como redução do Imposto de Renda devido ao final do período de apuração, o IRRF incidente sobre receitas computadas na base de cálculo do imposto. Ao ensejo: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Nesse sentido, na manifestação de inconformidade foi alegado que em 2008 “a Requerente, na condição de sucessora, levou à tributação a integralidade das receitas em comento, conforme se depreende da Ficha 14A da DIPJ do ano calendário de 2008 da empresa sucedida (Doc. 11).” Todavia, além de a sujeição da receita financeira não estar evidenciada em escrituração contábil repaldada por documentos probantes, o cotejo entre os valores declarados pela interessada (sucedida) em DIPJ, para os AC 2007 e 2008, e aqueles declarados em DIRF, por sua única fonte pagadora, não permite dizer que toda receita financeira foi oferecida è tributação. Fl. 371DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 Para os referidos períodos de apuração, a Ficha 14A da DIPJ pode ser assim resumida (valores em R$): De outro lado, os valores declarados em DIRF para os AC 2008 e 2007, são os seguintes: Dessa forma, considerando que a receita financeira oferecida à tributação é aquela declarada em DIPJ, no valor total de R$ 7.727.944,16, portanto menor que a declarada em DIRF, no valor total de R$ 8.800.219,18, não pode ser acatado na composição do saldo negativo o valor integral de IRRF constante da DIRF e do Informe de Rendimentos, no montante de R$ 813.148,84. Na esteira desse raciocínio, o IRRF a ser deduzido na apuração do saldo negativo do AC 2007 deve ser proporcional à receita financeira oferecida à tributação na DIPJ. Ao ensejo, mutatis mutandis: RECEITAS FINANCEIRAS. APROPRIAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO DO IRPJ. IRRF PROPORCIONAL. De acordo com a tributação com base no lucro real, os rendimentos de aplicações financeiras auferidas devem ser oferecidos à tributação utilizando o regime de competência. Os valores dos rendimentos de aplicações financeiras informados em DIRF devem ser incluídos no lucro operacional da pessoa jurídica no ano em que forem auferidos. O valor do IRRF aproveitável na declaração DIPJ deve ser proporcional aos valores dos respectivos rendimentos oferecidos à tributação do IRPJ nessa declaração. [Acórdão CARF nº 1202-00.459, de 25/01/2011 - grifei.] Fl. 372DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 Dessarte, para o 4º trimestre deve ser confirmado o IRRF no valor de R$ 198.637,77 e reconhecido o saldo negativo de mesmo valor, consoante os seguintes cálculos, em reais: (...) 3. Conclusão Isto posto, voto por considerar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer o crédito no valor original de R$ 198.637,77 e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido” Em suma, a DRJ fez o cotejo dos anos-calendário de 2007 e 2008 conjuntamente de modo que o total da receita financeira nos quatro trimestres dos anos -calendário de 2007 e 2008 é de R$7.727.944,16; o total do IRRF correspondente nos anos-calendário de 2007 e 2008 é de R$ 1.159.732,37; a proporção da receita tributada nas DIPJ dos anos-calendário de 2007 e 2008 é de 0,878; como na DIRF há um valor de IRRF de R$297.717,03 foi reconhecido o valor de R$198.637,77 (7.727.944,16 x 0,878). Já a Recorrente, em suas razões recursais, alega que estava submetida ao regime de apuração do IRPJ pelo lucro presumido e, de acordo com a legislação de regência, os contribuintes que adotam ao regime do lucro presumido. apuram o imposto devido sob o regime de caixa e somente oferecerão à tributação os valores quando efetivamente recebidos (realização financeira). Desta forma, de acordo com seus entendimento, a DRJ não poderia vincular o reconhecimento do direito creditório reclamado à efetiva comprovação da tributação das receitas financeiras em outras competências (no caso concreto, 2008). A análise do crédito apurado advindo da retenção de IRRF dever-se-ia se limitar ao exame da DIPJ referente ao ano- calendário de 2007, não podendo ser glosado com fundamento na ausência de tributação das respectivas receitas financeiras quando da incorporação da contribuinte no ano-calendário de 2008. A despeito da justificativa da Recorrente, entendo não assistir-lhe razão. Explique-se. De fato, é de se observar que a tributação das aplicações financeiras era efetuada somente no momento da alienação ou do pagamento dos rendimentos, conforme artigo 65 da Lei nº 8.981/1995, verbis Art. 65. O rendimento produzido por aplicação financeira de renda f ixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, a partir de 1º de janeiro de 1995, sujeita - se à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento. § 1º A base de cálculo do imposto é constituída pela diferença positiva entre o valor da alienação, líquido do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF), de que trata a Lei nº 8.894, de 21 de junho de 1994, e o valor da aplicação financeira. § 2º Para fins de incidência do Imposto de Renda na fonte, a alienação compreende qualquer forma de transmissão da propriedade, bem como a liquidação, resgate, cessão ou repactuação do título ou aplicação. § 3º Os rendimentos periódicos produzidos por t ítulo ou aplicação, bem como qualquer remuneração adicional aos rendimentos prefixados, serão submetidos à incidência do Imposto de Renda na fonte por ocasião de sua percepção. [...] Fl. 373DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 § 7º O imposto de que trata este artigo será retido: a) por ocasião do recebimento dos recursos destinados ao pagamento de dívidas, no caso de que trata a alínea b do § 4º; b) por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação do título ou da aplicação, nos demais casos Por outro lado, a legislação vigente à época (art. 770, §3º, inc. II, do RIR/1999 (Decreto nº 3.000/1999), c/c com o art. 70, caput, inc. II e §9º, inc. II, da IN; RFB nº 1.585/2015:, assim também dispunha: RIR/1999 Art. 770. Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitam‐se à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º). (...) § 3º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado:(...) II ‐ os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa); RFB nº 1.585/2015 Das Disposições Comuns às Operações de Renda Fixa e de Renda Variável Art. 70. O imposto sobre a renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I ‐ deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; (...) § 9º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado: (...) II ‐ os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa); Por outro lado, tem-se que conforme determina a Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017, as pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Presumido podem adotar o critério de reconhecimento de suas receitas para fins tributários pelo regime de competência ou caixa. Contudo, em relação ao assunto cabem alguns pontos de atenção: a) a opção pelo regime de caixa ou competência é válida para todo o ano-calendário, ou seja, a pessoa jurídica não poderá mudar de opção, tal mudança somente será possível no ano seguinte; e, b) se o IRPJ e CSLL são apurados pelo regime de caixa, obrigatoriamente a apuração do PIS/Pasep e Cofins também o serão, não sendo possível, portanto, um tributo estar no regime de competência e os demais no regime de caixa. Fl. 374DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 Neste contexto, a Recorrente pretende se valer do regime de caixa (no qual o registro contábil é realizado com o ingresso efetivo dos recursos financeiros) para tributação das receitas financeiras e do regime de competência (no qual os efeitos das transações são reconhecidos contabilmente tão logo sejam produzidos) para aproveitamento do IRRF, o que, ao meu ver, e à luz da legislação, seria incabível. Afinal, os rendimentos auferidos em aplicações em fundos de investimento financeiro devem ser acrescidos ao lucro presumido para fins de tributação do IRPJ, ainda que não tenha havido o resgate da aplicação financeira, na medida em que a pessoa jurídica tenha utilizado o IRRF sobre tais rendimentos para dedução do IRPJ. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a comprovação do cômputo da receita financeira deve estar devidamente evidenciada na declaração de rendimentos. Cada trimestre deve ter sua apuração completa e conclusiva, com a inclusão das receitas auferidas no período na base de cálculo do tributo e, sendo o caso, a dedução das retenções de imposto de renda na fonte incidentes sobre as receitas computadas na determinação do lucro. O IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras somente é deduzido do IRPJ apurado no encerramento do período de apuração caso as receitas financeiras dos quais se originam tenham sido oferecidas à tributação. Vislumbra-se ser ilegítima por parte da Recorrente a pretensão de deduzir da apuração do IRPJ o IRRF (pelo regime de competência) sem oferecer à tributação as receitas correspondentes, sob a justificativa de que se daria pelo regime de caixa. De fato, a suposta opção pelo regime de caixa para apuração do lucro presumido no ano-calendário de 2007 não tem força normativa de afastar a necessidade de comprovação do oferecimento à tributação, conforme Súmula CARF nº 80, nos seguintes termos: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. E como bem decidido no acórdão de piso, não há qualquer receita financeira oferecida à tributação no ano-calendário de 2007 e a Recorrente não juntou aos autos documentos em sentido contrário. De sorte, que mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos, cujo trecho segue transcrito: “(...) "Com efeito, de acordo com a legislação de regência, pode haver um descompasso entre os períodos de apuração em que houve a efetiva retenção e em que a receita financeira foi submetida à tributação. E ao que tudo indica, foi o que ocorreu no caso vertente, uma vez que, se de um lado a interessada também informou na DIPJ do AC 2007, Ficha 61B, linha 12, “Regime de Apuração das Receitas: Caixa” e juntou nesse sentido Razão e extratos bancários, de outro lado as retenções na fonte ao longo do ano de 2007 ocorreram basicamente em maio e novembro, meses do chamado "come cotas", consoante determinado pela IN SRF n° 575/2005". A legislação não desobriga o sujeito passivo de comprovar que a respectiva receita financeira foi oferecida à tributação. Essa obrigação ocorre tanto para o regime de apuração pelo lucro presumido (caso da interessada), conforme legislação acima, como Fl. 375DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1003-003.902 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.721023/2013-70 para o regime de apuração pelo lucro real (caso da sucessora), conforme estabelecido nos arts. 34 e 37, § 3º, “c” da Lei nº 8.981 de 1995 e Súmula CARF nº 80. Dessa forma, considerando que a receita financeira oferecida à tributação é aquela declarada em DIPJ, no valor total de R$ 7.727.944,16 [para os anos-calendário de 2007 e 2008], portanto menor que a declarada em DIRF, no valor total de R$ 8.800.219,18, não pode ser acatado na composição do saldo negativo o valor integral de IRRF constante da DIRF e do Informe de Rendimentos, no montante de R$ 813.148,84. Na esteira desse raciocínio, o IRRF a ser deduzido na apuração do saldo negativo do AC2007 deve ser proporcional à receita financeira oferecida à tributação na DIPJ. [...] Isto posto, voto por considerar procedente em parte a manifestação de inconformidade ,para reconhecer o crédito no valor original de R$ 198.637,77 e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido”. Em relação às demais alegações da Recorrente, destaque-se que os presentes autos referem-se à análise de direito creditório pleiteado e não à discussão de débitos oriundos de compensação informada e não homologada integralmente. Assim, eventual saldo remanescente de débito poderá ser exigido, conforme legislação de regência. Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 376DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10980.722186/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 30/11/2009 LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. Confirmada a escrituração contábil em títulos impróprios, e a declaração de mão-de-obra não condizente com a realidade, está justificado o uso do método da aferição indireta para determinação das contribuições sociais na execução de obra de construção civil. ABATIMENTO DA MÃO-DE-OBRA AFERIDA. No procedimento de aferição com base em projeto padrão da NBR 12.721, considera-se, para fins de abatimento da mão-de-obra aferida, somente as remunerações relacionadas ao Custo Unitário Básico - CUB. DECLARAÇÕES EM DOCUMENTO GFIP. É de responsabilidade da empresa contratante exigir as cópias das GFIP’s emitidas pelas empresas contratadas, com informações específicas para a obra e identificação de todos os segurados que executaram serviços na obra e suas respectivas remunerações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2008 a 30/11/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Se a recorrente teve plena ciência de todos os atos administrativos praticados, não há como alegar o cerceamento do direito de defesa APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. O julgador apreciará livremente a validade das alegações do sujeito passivo a partir do exame da consistência do conjunto dos elementos probatórios trazido aos autos, de acordo com o princípio do livre convencimento motivado previsto no artigo 29 do Decreto nº 70.235.72.
Numero da decisão: 2301-010.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Flavia Lilian Selmer Dias - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Joao Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA LILIAN SELMER DIAS

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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 30/11/2009 LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. Confirmada a escrituração contábil em títulos impróprios, e a declaração de mão-de-obra não condizente com a realidade, está justificado o uso do método da aferição indireta para determinação das contribuições sociais na execução de obra de construção civil. ABATIMENTO DA MÃO-DE-OBRA AFERIDA. No procedimento de aferição com base em projeto padrão da NBR 12.721, considera-se, para fins de abatimento da mão-de-obra aferida, somente as remunerações relacionadas ao Custo Unitário Básico - CUB. DECLARAÇÕES EM DOCUMENTO GFIP. É de responsabilidade da empresa contratante exigir as cópias das GFIP’s emitidas pelas empresas contratadas, com informações específicas para a obra e identificação de todos os segurados que executaram serviços na obra e suas respectivas remunerações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2008 a 30/11/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Se a recorrente teve plena ciência de todos os atos administrativos praticados, não há como alegar o cerceamento do direito de defesa APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. O julgador apreciará livremente a validade das alegações do sujeito passivo a partir do exame da consistência do conjunto dos elementos probatórios trazido aos autos, de acordo com o princípio do livre convencimento motivado previsto no artigo 29 do Decreto nº 70.235.72.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Flavia Lilian Selmer Dias - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Joao Mauricio Vital (Presidente).

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POSSIBILIDADE. Confirmada a escrituração contábil em títulos impróprios, e a declaração de mão-de-obra não condizente com a realidade, está justificado o uso do método da aferição indireta para determinação das contribuições sociais na execução de obra de construção civil. ABATIMENTO DA MÃO-DE-OBRA AFERIDA. No procedimento de aferição com base em projeto padrão da NBR 12.721, considera-se, para fins de abatimento da mão-de-obra aferida, somente as remunerações relacionadas ao Custo Unitário Básico - CUB. DECLARAÇÕES EM DOCUMENTO GFIP. É de responsabilidade da empresa contratante exigir as cópias das GFIP’s emitidas pelas empresas contratadas, com informações específicas para a obra e identificação de todos os segurados que executaram serviços na obra e suas respectivas remunerações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2008 a 30/11/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Se a recorrente teve plena ciência de todos os atos administrativos praticados, não há como alegar o cerceamento do direito de defesa APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. O julgador apreciará livremente a validade das alegações do sujeito passivo a partir do exame da consistência do conjunto dos elementos probatórios trazido aos autos, de acordo com o princípio do livre convencimento motivado previsto no artigo 29 do Decreto nº 70.235.72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 21 86 /2 01 0- 07 Fl. 590DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722186/2010-07 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Flavia Lilian Selmer Dias - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Joao Mauricio Vital (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02-48.150 que julgou parcialmente procedente o AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - AIOP DEBCAD nº 37.287.121-6. O referido Acórdão está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 30/11/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA. AFERIÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES. ABATIMENTO DA MÃO-DE-OBRA AFERIDA. DECLARAÇÕES EM DOCUMENTO GFIP. Sendo apresentados ao contribuinte todos os elementos do processo, que, inclusive, permitiram apontar erros materiais no lançamento fiscal, não fica caracterizado o cerceamento de defesa. Confirmada a escrituração contábil em títulos impróprios, e a declaração de mão-de- obra não condizente com a realidade, procede a aferição das contribuições sociais na execução de obra de construção civil. No procedimento de aferição com base em projeto padrão da NBR 12.721, considera-se, para fins de abatimento da mão-de-obra aferida, somente as remunerações relacionadas ao Custo Unitário Básico - CUB. É de responsabilidade da empresa contratante exigir as cópias das GFIP’s emitidas pelas empresas contratadas, com informações específicas para a obra e identificação de todos os segurados que executaram serviços na obra e suas respectivas remunerações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O crédito tributário lançado, correspondente ao período de 05/2008 a 11/2009, refere-se a contribuição social devida à terceiros apurado pela mão-de-obra utilizada em área construída e pelo padrão da construção civil (Relatório Fiscal e-fls. 43 a 61). No curso da mesma ação fiscal foram feitos os seguintes lançamentos: Fl. 591DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722186/2010-07  37.287.116-0 – processo 10980.722184/2010-18 – Patronal – CEI nº 41.390.03575-74.  37.287.119-4 – processo 10980.722185/2010-54 – Segurados – CEI nº 41.390.03575-74.  37.287.121-6 – processo 10980.722186/2010-07 – Terceiros – CEI nº 41.390.03575-74.  37.287.120-8 – processo 10980.722187/2010-43 – Retenção 11% .º  37.287.117-8 – processo 10980.722188/2010-98 – Multa por infração à obrigação acessória – deixar de efetuar lançamentos em títulos próprios.  37.287.118-6 – processo 10980.722189/2010-32 – Multa por infração à obrigação acessória – apresentar Livros Fiscais sem formalidades – extinto por decisão da DRJ. A ciência do lançamento foi em 30/06/2010 (e-fl. 02). A impugnação foi apresentada em 02/08/2010 (e-fls. 198 a 216), alegando em resumo que: Em sede de impugnação a autuada procurou demonstrar: a) a título de preliminar, a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, pois embora tenha diligenciado por diversas vezes junto à fiscalização, não conseguiu cópia do inteiro teor deste processo administrativo; b) no mérito, a ausência de justificativa para o arbitramento realizado, na medida em que sua contabilidade está de acordo com a legislação que rege a matéria e a conclusão de que houve mão-de�obra não declarada decorre de premissas equivocadas adotadas pela autoridade lançadora, sendo que todos os custos relacionados à obra estão devidamente contabilizados; c) o próprio arbitramento contém diversas incorreções, o que macula o lançamento. Foi solicitada diligência sobre a documentação apresentada (e-fls. 540 a 541). Em resposta ao pedido, esclareceu-se que o relatório foi juntado ao processo nº 10980.722184/2010- 18 (e-fl 542). O contribuinte teve ciência do procedimento e apresentou suas razões às e-fls. 545 a 548. O Acórdão apreciou a impugnação (e-fls. 551 a 562) e decidiu por acolher parte dos argumentos reduzindo a base de cálculo do auto de infração. O contribuinte tomou ciência do Acordão do julgamento de primeira instância em 23/09/2013 (e-fl. 566). Em 22/10/2013, apresentou Recurso Voluntário anexado às e-fls. 568 a 588. Em preliminar alegou nulidade da exigência por cerceamento de defesa. No mérito, questiona o uso do aferimento indireto. Fl. 592DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722186/2010-07 É o relatório. Voto Conselheira Flavia Lilian Selmer Dias, Relatora. Admissão do Recurso O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade por cerceamento de defesa Alega a recorrente que teve dificuldades em conseguir copia do inteiro teor do processo, sendo disponibilizado somente um “pendrive” . Afirma que era difícil estabelecer a sequencia de paginas com os arquivos do dispositivo, o que teria comprometido o direito de defesa, razão pela qual pela a anulação do lançamento. A decisão recorrida deixa claro que os detalhes apresentados na defesa, com elaboração de planilhas, cálculos e o apontando erros no lançamento, dão conta que houve um completo entendimento do lançamento. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, que o impeça de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo, o que não foi o caso. Mérito Aferição indireta A recorrente afirma que a fiscalização não poderia ter utilizado o arbitramento para apurar as contribuições sociais supostamente devidas. Para dar suporte ao argumento afirma que  Há contabilização em títulos próprios de todos os custo referentes à obra de engenharia civil auditada.  Há o devido registro nos Livros Contábeis,  Não há evidencia de falta de escrituração das remunerações pagas.  Existia conta específica para computar as retenções de 11% relativos a cessão de mão-de-obra da construção  A mudança contábil gerou dificuldades operacionais mas não alteração de saldos de contas ou influência em custos das obras Fl. 593DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-010.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722186/2010-07  Inexistiu motivos para desclassificar a contabilidade, pois ela retrataria fielmente os custos relacionado à obra O art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, é o embasamento legal para aplicação do instituto do arbitramento: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. § 7o O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifou-se) O parágrafo 4º trata da execução de obra de construção civil, o que é o caso do presente processo. Fl. 594DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-010.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722186/2010-07 Uma consequência importante é a inversão do ônus da prova. Não está mais o fiscal obrigado a demonstrar de forma inconteste que o fato gerador ocorreu, ao contrário, conforme dispõem a lei “cabendo à empresa o ônus da prova em contrário”. De acordo com o relatório fiscal, o que motivou a utilização do arbitramento para o cálculo das contribuições previdenciárias foi a verificação que:  O Livro Razão e o Diário, dos anos de 2008 e 2009, não contabilizava em títulos próprios todos os custos relativos à obra.  Foi apresentado livros contábeis que não atendiam as formalidades legais.  Ficou demonstrado que as remunerações declaradas em GFIP especifica de obras era insuficientes para a realização de todos os serviços, levando a inferência que não houve recolhimento da totalidade das contribuições previdenciárias.  Não foi contabilizado em títulos próprios todos os custos relativos a obra. O relatório fiscal explicita a forma como foi feita a conferência para determinar se as remunerações declaradas em GFIP eram ao menos “compatível” com os documentos apresentados e com a metragem da obra de construção civil realizada. Os cálculos apontam uma expressiva diferença entre o que seria “razoável” obter e o que foi efetivamente declarado, obtendo, no melhor cálculo menos de um quarto do valor provável de remuneração de mão de obra. Intimada a empresa a comprovar a mão de obra utilizada (própria e terceirizada), não respondeu satisfatoriamente. Especificamente sobre esse ponto, a impugnação questiona que para o cálculo feito foi utilizado valores de empresas cujos atividades não estão incluídas na composição da CUB, logo os valores obtidos estão equivocados e afirma que a tecnologia utilizada na obra envolveu pouca mão de obra. O relatório da informação fiscal da diligência assim se pronuncia: 1.6) Ficou demonstrado que o baixo custo unitário de mão de obra apresentado, decorreu da não comprovação da mão-de-obra terceirizada utilizada na maioria dos serviços executados na obra (inexistência de declaração em GFIP) e, ainda, que não há nas GFIP´s, específicas da obra, mão-de-obra própria alocada nas competências e funções que seriam necessárias para a execução dos serviços contratados. A somatória das notas fiscais emitidas sem comprovação de alocação de mão-de-obra totalizou R$ 4.213.163,05 (quatro milhões, duzentos e treze mil, cento e sessenta e três reais e cinco centavos); 2) Diante destes indicativos, por mais que a empresa pretenda se justificar, é inegável a utilização de mão-de-obra não declarada. Não existe possibilidade prática de se executar uma obra com mais de 24.000 m2 de área construída com custos unitários de mão-de-obra tão baixos. Isso é irreal e fictício. Não existe gerenciamento eficaz, nem técnica construtiva, nem utilização de equipamentos com capacidade de gerar e justificar custos tão baixos de mão�de-obra. A única forma de se obter custos tão baixos é declarar apenas parte da remuneração dos trabalhadores utilizados na Fl. 595DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-010.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722186/2010-07 obra e, em conseqüência, não recolher integralmente as contribuições previdenciárias devidas, decorrentes da execução da obra de construção civil; (grifos não originais) A decisão de piso afirma que não há no trabalho a citada incoerência pois o fiscal realiza esse cálculo para “estimar” a capacidade de executar todos os serviços pela empresa, não importando para tal fim, ser ou não inserido na composição da CUB. Essa diferenciação só vai importar no momento de estimar, por arbitramento, a base de cálculo das contribuições. No recurso, a motivação apresentada foi idêntica a já apreciada pela instância inferior. Em conclusão, o objetivo único dos cálculos realizados era justamente para que o contribuinte “justificasse” como conseguiu obter um custo tão baixo de utilização de mão-de-obra. Na impugnação, o contribuinte tangencia o assunto, demonstrando “supostamente” alguma incongruência no cálculo, mas foge ao ponto central, demonstrar quais seriam as “modernas técnicas de construção”, capazes de tal redução nos custos. Isso não foi demonstrado quando intimado pelo fiscal, nem na impugnação apresentada. Esse motivo, por si só, já justifica a aplicação do disposto no §4º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, o arbitramento da base de cálculo da contribuição social devida. Mas o relatório fiscal apura também a contabilização de custos e afirma que: 6.8) Analisando o procedimento contábil adotado pela empresa, a partir da competência 11/2009, se verifica que não foi criado um centro de custo específico para a obra sob ação fiscal e, sim, criada uma nova conta contábil - 1.03.02.002.001 Edificações Hotel IBIS - onde foram juntados indevidamente lançamentos de obras diversas (Hotel Íbis e CD São Carlos), para em um segundo momento, através de um artifício contábil, extrair desta conta parcelas de custos da obra CD São Carlos; (...) 6.13) Da leitura do quadro acima, a par dos outros vícios já citados, se verifica que a empresa, mesmo tendo criado subcontas específicas para parcela dos lançamentos relativos aos custos da obra sob ação fiscal, reclassificou lançamentos de parte das notas de prestação de serviços em contas impróprias, (aquisição de material, despesas gerais e outros serviços). Também se constata não existir subconta específica da obra, relativa a retenção de 11% incidente sobre os valores brutos das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços (valores contabilizados genericamente na conta 2010302002001 – INSS Seguridade Social). Diante das irregularidades apontadas, configuradas como infração a obrigação legal de contabilizar em títulos próprios e por obra de construção civil, foi lavrado o Auto de Infração 37.287.117-8; (grifos não originais) O relatório fiscal da diligência, apreciando as informações da impugnação assim relata: Não há qualquer equívoco por parte do Auditor Fiscal. A empresa se limita a tentar justificar diferenças de saldos contábeis apontadas no relatório fiscal e não aborda o principal motivo que deu origem a lavratura do Auto de Infração, qual seja a não contabilização em títulos próprios, conforme demonstrado nos itens 6.11, 6.12 do Relatório Fiscal e no item 6.13 aqui reproduzido: “Da leitura do quadro acima, a par dos outros vícios já citados, se verifica que a empresa, mesmo tendo criado subcontas específicas para parcela dos lançamentos relativos aos custos da obra sob ação fiscal, reclassificou lançamentos de parte das notas de prestação de serviços em contas Fl. 596DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-010.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722186/2010-07 impróprias, (aquisição de material, despesas gerais e outros serviços)”. Os argumentos da empresa também não afastam a conclusão citada no item 6.8 do Relatório Fiscal, a seguir reproduzida “Analisando o procedimento contábil adotado pela empresa, a partir da competência 11/2009, se verifica que não foi criado um centro de custo específico para a obra sob ação fiscal e, sim, criada uma nova conta contábil - 1.03.02.002.001 Edificações Hotel IBIS - onde foram juntados indevidamente lançamentos de obras diversas (Hotel Íbis A decisão da DRJ reafirma que a contabilização se utilizou de títulos impróprios Não resta dúvida, ainda, a contabilização em títulos impróprios em relação aos lançamentos de serviço de plantio de grama, de construção de poço, de execução de caixa d’água, de locação de máquinas, e de serviço de terraplanagem na conta “Aquisição Materiais”, vez que esta conta em nada corresponde ao fato contábil de prestação de serviços por terceiros. Também, e analisando agora os Livros Contábeis, cópias em defesa, não existe conta específica para as retenções de 11% (onze por cento) relativamente aos serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, com correspondência com os valores brutos dos serviços prestados e com o valor líquido a pagar, mas somente a contabilização dos valores pagos de INSS, sem demonstrar, portanto, em títulos próprios, a origem dos fatos geradores, conforme o já citado inciso II do artigo 32 da Lei 8.212, de 1991. Ora, ainda que aspectos menores do assunto possam ser questionado, não há nas afirmações e documentos demonstrados pelo contribuinte prova que não houve contabilização em títulos impróprios. Assim restam configurados dois motivos que, isoladamente, já seriam suficientes à justificar a utilização do arbitramento na determinação das contribuições sociais previdenciárias devidas. Superada essa questão, o contribuinte ainda aponta outras “supostas” irregularidades na determinação da base de cálculo, no título “incorreções do arbitramento realizado pela fiscalização”. As citadas incorreções são apontadas na impugnação e devidamente apreciadas pela decisão de piso. O recurso limita-se a transcrever as mesmas alegações da impugnação, com pequenos ajustes na redação e poucas supressões, sem contudo debater os argumento apresentados pela decisão de modo a infirmá-los, motivo pelo qual, utilizando do disposto no §3º art. 57 do Regimento Interno do CARF, transcrevo as conclusões do Acórdão da DRJ, com as quais concordo: Passa-se às questões relacionadas a possíveis erros materiais na aferição da mão-de-obra empregada no CD São Carlos. O primeiro questionamento é de que a obra deveria ser enquadrada como pré-fabricada ou pré-moldada. Quanto a isso, não há erro, uma vez que a obra não atingiu o percentual de 40% (quarenta por cento), previsto no artigo 364 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, para ser enquadrada naquela categoria, mas sim como mista (Tipo 12), conforme os itens 4.4.7, 4.4.8 e 4.4.9 do Relatório Fiscal, e anexo de fls. 79/80. Não procede o questionamento de que deveriam ter sido consideradas as remunerações em GFIP’s da empresa Dagnese & Cia Ltda., porque apenas é considerado no cálculo da mão-de-obra, com base na área construída e no padrão da obra de construção civil, os serviços que estão incluídos no CUB. Fl. 597DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-010.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722186/2010-07 Não é o local de realização dos serviços de estrutura da cobertura metálica, se em ambiente industrial ou em canteiro de obra, a se considerar para a contribuição recolhida. O que interessa, para o aproveitamento da remuneração contida em GFIP, é se o projeto padrão galpão industrial da ABNT NBR 12.721/2006 contempla a mão-de-obra de montador, de soldador, de lixador, e outros relacionados à execução de estruturas metálicas. De acordo com aquele projeto padrão, está prevista a utilização de telhas de fibrocimento na composição do CUB, como material, apenas, mas não existe referência ao emprego daqueles trabalhadores e de perfis estruturais na construção do galpão industrial. Logo, se na composição do CUB de galpão industrial os trabalhadores são pedreiro e servente, e não os que realizam a fabricação e a montagem de estruturas metálicas, não se fala em aferir, do custo global, e que não considera a estrutura metálica, a mão-de- obra empregada pela Dagnese & Cia Ltda., e, por conseguinte, não se aproveitam as remunerações por esta declarada em GFIP’s. Diga-se, ainda, que o entendimento para o concreto usinado, conforme o inciso III do artigo 356 da IN RFB nº 971, de 2009, não é o mesmo para a estrutura metálica, uma vez que, no projeto padrão da ABNT NBR 12.721/2006, está prevista a utilização de betoneira de 320 L, que, em razão de compor o CUB, na execução dos serviços, implica em considerar a mão-de-obra empregada (não a argamassa adquirida) para o preparo do concreto, seja na obra, ou pela aplicação do percentual de 5% (cinco por cento) sobre as notas fiscais / faturas de aquisição de concreto usinado. Conclui-se que, por não se aferir a mão-de-obra da Dagnese & Cia Ltda., na execução da cobertura metálica do galpão industrial do CD São Carlos, não se considera, para efeito de abatimento da contribuição aferida, a remuneração contida em notas fiscais ou declaradas em GFIP’s por aquela empresa. Por outro lado, considerar-se-ia a remuneração declarada em GFIP relativa ao fechamento lateral da obra executado pela Dagnese & Cia Ltda., desde que em alvenaria, e em GFIP’s específicas, uma vez que, para serviços que compõem o CUB, que seria a hipótese aventada, não se dispensa a elaboração da GFIP de forma distinta, por obra de construção civil, de acordo com o art. 162, e parágrafo único, da IN MPS/SRP 03, de 14/07/2005, e o art. 135, parágrafo único, da IN RFB 971, de 13/11/2009. Não havendo, para essa situação, GFIP específica, cuja exigência de tê-las recai sobre a empresa contratante dos serviços, consoante o art. 425, parágrafo único, da IN 03, e o art. 334, parágrafo único, da IN 971, também não se pode falar em qualquer incoerência do trabalho fiscal quando das remunerações consideradas para abatimento da mão-de- obra aferida. Frisa-se, portanto, que as remunerações, para abatimento da mão-de-obra, são somente aquelas que se relacionam ao CUB, uma vez que, neste procedimento de aferição, as contribuições exigidas são de serviços incluídos no projeto padrão da NBR 12.721/2006. Outra questão de defesa é de que as áreas cobertas devem ser submetidas à redução de 50% (cinquenta por cento), de acordo com o artigo 449 da IN nº RFB 971, de 2009. Em relação a isso, o auditor fiscal, em diligência, procedeu à retificação do auto de infração para considerar a redução das áreas da caixa d’água e da casa de bombas. Fl. 598DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-010.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722186/2010-07 Quanto à questão de que somente as notas fiscais de venda de concreto da empresa CONTROESTE teriam sido consideradas, o auditor, também em diligência, procedeu à retificação do auto de infração, depois de verificar as notas fiscais apresentadas em defesa. A impugnante também questiona o não aproveitamento das remunerações de motorista de cargas em geral e/ou motorista de guincho, contidas nas GFIP’s da R. Zeni, argumentando que é um trabalhador não indicado no Anexo VIII da IN 971/2009 – Relação de profissionais não incluídos no CUB, conforme NBR 12.721/2006, e, assim, ao contrário senso, faria parte da composição do Custo Unitário Básico – CUB. Fala-se novamente que somente para os trabalhadores relacionados com o projeto padrão/NBR 12.721 aproveitam-se as remunerações para abater a mão-de-obra aferida. Assim sendo, e observando que o Anexo VIII da IN nº 971 não é taxativo em relação aos profissionais não incluídos no CUB, mesmo que segundo a NBR 12.721/2006, já que, nessa Norma Técnica, é certa a indicação dos profissionais / trabalhadores previstos no projeto padrão, o que não é, no Anexo VIII, os excluídos do projeto (a exemplo de técnico de edificação, que ainda que não listado no Anexo, não está incluído no CUB), conclui-se que a remuneração de motorista de cargas em geral e/ou de guincho não pode ser aproveitada – não faz parte do projeto padrão – não faz parte do CUB – não faz parte da aferição. Vale aqui ressaltar que a aferição, de acordo com a IN 971, de 2009, e com base no projeto padrão da NBR 12.721/2006, não alcança todos os trabalhadores utilizados em uma determinada / específica obra de construção civil, mas também, em contrapartida, não se exigem os correspondentes encargos e contribuições sociais previdenciárias. Por outro lado, “a escolha do indicador mais apropriado para a avaliação do custo da construção civil e a regulamentação da sua utilização para fins da apuração da remuneração da mão-de-obra, por aferição indireta, competem exclusivamente à RFB, por atribuição que lhe é dada pelos §§ 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991”. (Artigo 335 da IN 971, de 2009). Por fim, acompanha-se a fala do auditor em relação aos possíveis erros nas GFIP’s da empresa Erick Briquetes (erro na classificação código CBO 9922 – pedreiro de conservação de vias permanentes), e da empresa Construtora Benato (erro na classificação código CBO 3744 – Técnico de montagem, edição e finalização de filme e vídeo), porque, como já dito, e com amparo no artigo 425, parágrafo único, da IN 03, de 2005, e no artigo 334, parágrafo único, da IN 971, de 2009, é de responsabilidade da empresa contratante “exigir as cópias das GFIP emitidas pelas empresas contratadas, com informações específicas para a obra e identificação de todos os segurados que executaram serviços na obra e suas respectivas remunerações”. Portanto, não sendo a empresa diligente em relação aos trabalhadores que executaram serviços na obra, isso para efeito de regularização das contribuições a seu cargo, não se consideram as remunerações relacionadas a possíveis erros formais nas GFIP’s. Confirmada a correção do trabalho fiscal, retifica-se o lançamento para se observar todas as áreas sujeitas à redução, e para considerar todas as notas fiscais de venda de concreto usinado, de acordo com a Informação Fiscal em diligência. Para tanto, ainda é necessário acatar a alegação em complemento de defesa de erro de subtração quando, em diligência fiscal, aplicou-se a redução de 50% sobre as áreas da caixa d’água e da casa de bombas. Assim sendo, o Demonstrativo de Cálculo da Remuneração Arbitrada por Aferição Indireta – CUB, anexo à Informação Fiscal do processo nº 10980.722184/2010-18, conexo ao presente, é revisto: Fl. 599DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-010.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722186/2010-07 Área para cálculo: a) Comercial salas e lojas = 1.690,71 m2 – 74,50 m2 = 1.616,21 m2 ; b) Galpão industrial = 23.131,56 m2 ; Área total para cálculo: 1.616,21 m2 + 23.131,56 m2 = 24.747,77 m2 ; Aferição da Remuneração da M. Obra Total: Destinação Área Faixa Custo Global % M.O. Remuneração Comercial salas e lojas 100,00 85.642,00 2,00 1.712,84 Comercial salas e lojas 100,00 85.642,00 5,00 4.282,10 Comercial salas e lojas 100,00 85.642,00 11,00 9.420,62 Comercial salas e lojas 1.316,21 1.127.228,57 15,00 169.084,28 Galpão Industrial 23.131,56 11.266.226,30 15,00 1.689.933,94 Total 24.747,77 12.650.380,87 --- 1.874.433,7 Remuneração M. Obra Empreiteiras – Atualizada (GFIP) = 603.521,88; Remuneração M. Obra NFs Concreto – Atualizada = 98.364,28; Total M. Obra – Atualizada = 701.886,16; M. Obra Aferida = 1.874.433,78 – 701.886,16 = 1.172.547,62. Das demonstrações acima, o salário de contribuição – mão-de-obra aferida, na competência 05/2010, passa de R$ 1.212.214,92 para R$ 1.172.547,62. O Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos - FORCED, que retifica o crédito tributário no Sistema de Dados da Receita Federal, foi postado à fl. 550 O julgador apreciará livremente a validade das alegações do sujeito passivo a partir do exame da consistência do conjunto dos elementos probatórios trazido aos autos, de acordo com o princípio do livre convencimento motivado previsto no artigo 29 do Decreto nº 70.235.72. Em conclusão, a recorrente não conseguiu demonstrar a invalidade da utilização pela fiscalização do método de aferição indireta para estimar os custo de mão de obra, motivo pelo qual não há de se falar em cancelamento do auto de infração. As irregularidades apresentadas no cálculo pela impugnante foram devidamente apreciadas pela decisão de piso, e não houve contestação específica sobre esse cálculo, no recurso. Conclusão Fl. 600DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-010.626 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.722186/2010-07 Por todo o exposto, voto por CONHECER o recurso, rejeitar a preliminar, e no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Flavia Lilian Selmer Dias Fl. 601DF CARF MF Original

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10078941 #
Numero do processo: 11610.000231/2011-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2001-000.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 06 a 07, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do ano-calendário 2007, que apurou a seguinte infração: - omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 29.288,37. Fonte pagadora: Caixa Econômica Federal, CNPJ n.º 00.360.305/0001-04. Consta ainda, que na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto de renda retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 878,65. Cientificada do lançamento em 22/12/2010 (fl. 13), a filha do contribuinte, já falecido, apresentou, em 13/01/2011, a impugnação de fl. 02, alegando que os rendimentos de revisão de aposentadoria não são tributáveis. Solicita prioridade na análise de sua impugnação, com base no Estatuto do Idoso. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 00 23 1/ 20 11 -1 2 Fl. 60DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2001-000.138 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11610.000231/2011-12 A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte em decorrência de ação judicial para obtenção de benefício previdenciário não têm caráter indenizatório e estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO. ESPÓLIO. Quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrar-se-á do espólio o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e da multa de mora de 10%, sendo incabível, neste caso, a cobrança da multa de ofício de 75%. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/04/2019, o sujeito passivo interpôs, em 03/05/2019, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) juros de mora indevidos em razão da inobservância ao princípio da duração razoável do processo b) a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente em ação judicial deve ser feita sobre as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, mês a mês, e não sobre o montante global É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Para que este Colegiado possa compreender o quadro fático-jurídico, com a observância estrita de eventuais decisões judiciais, faz-se necessário ampliar a instrução dos autos, com a intimação do representante do espólio e de seus sucessores, para que apresentem: 1. Planilhas ou memórias de cálculo que registrem a composição analítica dos valores recebidos, por força de decisão judicial, de modo a correlacioná-los aos períodos geradores (momento em que deveriam ter sido pagos); 2. Cópias de peças dos autos do processo, que deem suporte aos valores indicados em tais planilhas. Conclusão Por todo o exposto, voto por CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com a devolução dos autos à Unidade de Origem da Receita Federal, para que a mesma proceda ao atendimento das solicitações de informações, conforme quesitos acima (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 61DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2001-000.138 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11610.000231/2011-12 Fl. 62DF CARF MF Original

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10080438 #
Numero do processo: 13882.720434/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 180. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais.
Numero da decisão: 2402-012.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, restabelecendo a dedução de despesa médica no valor de R$ 4.950,00. Vencidos os conselheiro Diogo Cristian Denny (relator), Rodrigo Duarte Firmino e Francisco Ibiapino Luz, que negaram-lhe provimento. Designado redator do voto vencedor o conselheiro Rodrigo Rigo Pinheiro. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Relator(a) (documento assinado digitalmente) Rodrigo Rigo Pinheiro – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Gregorio Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Rigo Pinheiro, Jose Marcio Bittes, Wilderson Botto (suplente convocado(a)), Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado(a) para eventuais participações), Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
Nome do relator: DIOGO CRISTIAN DENNY

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 180. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-09-06T19:49:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-09-06T19:49:01Z; Last-Modified: 2023-09-06T19:49:01Z; dcterms:modified: 2023-09-06T19:49:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-09-06T19:49:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-09-06T19:49:01Z; meta:save-date: 2023-09-06T19:49:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-09-06T19:49:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-09-06T19:49:01Z; created: 2023-09-06T19:49:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2023-09-06T19:49:01Z; pdf:charsPerPage: 1583; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-09-06T19:49:01Z | Conteúdo => S2-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13882.720434/2012-35 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-012.040 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2023 Recorrente ANTONIA CRISTINA PELUSO DE AZEVEDO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 180. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, restabelecendo a dedução de despesa médica no valor de R$ 4.950,00. Vencidos os conselheiro Diogo Cristian Denny (relator), Rodrigo Duarte Firmino e Francisco Ibiapino Luz, que negaram-lhe provimento. Designado redator do voto vencedor o conselheiro Rodrigo Rigo Pinheiro. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Relator(a) (documento assinado digitalmente) Rodrigo Rigo Pinheiro – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 72 04 34 /2 01 2- 35 Fl. 240DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-012.040 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13882.720434/2012-35 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Gregorio Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Rigo Pinheiro, Jose Marcio Bittes, Wilderson Botto (suplente convocado(a)), Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado(a) para eventuais participações), Francisco Ibiapino Luz (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, exercício 2008, ano-calendário 2007. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 2.669,03, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu da constatação das seguintes infrações: Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi. A glosa do valor de R$ 1.005,54, correspondente à dedução indevida a título de contribuição à previdência privada e Fapi, foi efetuada por falta de comprovação, conforme abaixo discriminado. De acordo com documento apresentado ficou comprovado a contribuição a previdência privada no exercício 2008 ano-calendário 2007 no valor de R$ 694,92. Dedução Indevida de Despesas Médicas. A glosa do valor de R$ 8.700,00, correspondente à dedução indevida a título de despesas médicas, foi efetuada por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. José Evandro Andrade Prudente (R$ 300,00) Liceu Coração de Jesus (R$ 3.450,00) Adriana Carvalho da Silva (R$ 4.950,00) (...) não ficou comprovado o efetivo pagamento dos serviços prestados e quem efetivamente utilizou os serviços profissionais. O enquadramento legal do lançamento encontra-se na referida Notificação. Cientificado da exigência o sujeito passivo apresentou impugnação acostada às fls. 02/03, alegando, em síntese, que: - quanto às despesas médicas, apresenta extratos bancários com a indicação de saques em valores suficientes para o pagamento das despesas declaradas. Por fim, requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃO COMPROVAÇÃO. Fl. 241DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-012.040 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13882.720434/2012-35 Mantém-se a glosa efetuada quando os valores deduzidos na Declaração de Ajuste Anual não são comprovados por documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. Tendo o contribuinte sido intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas e tendo sido essa a razão da glosa, não há justificativa para seu restabelecimento sem que haja tal comprovação. Cientificado da decisão de primeira instância em 20/11/2017, o sujeito passivo interpôs, em 19/12/2017, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que os documentos apresentados cumprem com os requisitos legais e são hábeis a comprovar as despesas médicas - prestação dos serviços e efetivo pagamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro(a) Diogo Cristian Denny - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre a glosa das despesas médicas. Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Dedução Indevida de Despesas Médicas Antes de se passar à análise dos documentos anexados pelo contribuinte referente às despesas médicas, veja-se o disposto no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, acerca das deduções permitidas dessas despesas: DEDUÇÕES Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).(Grifos Acrescidos) Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 242DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-012.040 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13882.720434/2012-35 II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifos acrescidos) Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. O primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal, é exatamente o pagamento das despesas médicas. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. No entanto, é licito à autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. Destaca-se que, em relação às deduções na declaração do imposto sobre a renda, o art. 11, § 3º do Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, regulamentado pelo art. 73 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová-las ou justificá-las, a juízo da autoridade lançadora, deslocando para ele o ônus probatório. Portanto, e conforme já mencionado anteriormente, cabe ao contribuinte provar que as despesas médicas declaradas existiram, tendo em vista que a inclusão de tais despesas na declaração de ajuste anual resulta em um benefício para o impugnante, já que essas deduções reduzem a base de cálculo do imposto devido. Fundamentado o lançamento na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas na declaração, para ter direito às respectivas deduções, não basta ao contribuinte apresentar simples recibos ou declarações dos profissionais, cabendo sim, quando questionado pela autoridade administrativa, comprovar, de forma objetiva, a vinculação da prestação do serviço médico com o pagamento (desembolso) efetivamente realizado. No presente caso, foi solicitado ao contribuinte que comprovasse o efetivo pagamento das despesas médicas. Diante da ausência de comprovação na forma solicitada, a dedução foi glosada. Durante a fase impugnatória, visando comprovar as deduções de despesas médicas glosadas, o contribuinte novamente não apresentou documentos que comprovem o repasse de valores, limitando-se a alegar que os extratos bancários comprovam as despesas médicas. Os documentos anexados na impugnação (extratos bancários e recibos) não são suficientes para demonstrar o efetivo pagamento, requisito solicitado pela Autoridade Fiscal. Não é possível concluir que os saques em conta apresentados nos extratos bancários referem-se às despesas declaradas, pois, da análise dos extratos bancários não é possível fazer o confronto entre os referidos saques com os recibos apresentados (datas e valores). Ademais, o contribuinte não apresentou nenhuma planilha relacionando quais saques teriam sido utilizados para os recibos apresentados, limitando-se a destacar nos extratos bancários os saques efetuados em sua conta bancária durante o ano- calendário. Ressalte-se que, ainda que o montante global dos saques seja superior ao valor das despesas declaradas, os pagamentos propriamente ditos não restaram comprovados. A disponibilidade financeira, por si só, não comprova o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. Tal comprovação requer a coincidência de datas e valores, e o Fl. 243DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-012.040 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13882.720434/2012-35 impugnante não logrou êxito em fazer a vinculação entre as despesas realizadas e os saques efetuados. Deve-se destacar ainda que inexiste obrigação legal de que o contribuinte efetue os pagamentos com cheque nominal, sendo possível que os pagamentos das despesas médicas declaradas sejam feitos em dinheiro, como alegado, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o interessado abriu mão da força probatória de outros documentos bancários, dificultando a comprovação dos dispêndios. Portanto, uma vez que não houve a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os saques efetuados, não restou comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas. É pertinente, aqui, transcrever o disposto no artigo 63 do Decreto nº 7.574/2011: Art. 63. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36. Na situação presente e conforme análise da documentação trazida aos autos, não houve o convencimento de que as despesas médicas ocorreram na forma e valores alegados pelo contribuinte. Assim, diante da falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, a glosa deve ser mantida. Assim, fica mantida a glosa das despesas médicas (R$ 8.700,00). Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Rigo Pinheiro, Redator Designado. Em que pesem as razões do voto proferido pelo Ilustríssimo Conselheiro Relator, peço máxima vênia para divergir do seu entendimento neste caso específico. Conforme mencionado no relatório, a controvérsia recursal limita-se à discussão de glosa de despesas médicas, em função da autoridade fiscal não ter reconhecido as provas carreadas aos autos pelo contribuinte. O Acórdão prolatado pela 3ª Turma da DRJ/BSB, em 13 de outubro de 2017, manteve este racional ao julgar improcedente a impugnação de primeira instância, por entender que a autoridade lançadora não agiu com arbitrariedade, mas em conformidade com a legislação de regência. Antes da análise das provas do caso em concreto, dar-se-á um passo para trás, a fim de avaliar, mesmo que rapidamente, as regras legais que se subsumem aos fatos Fl. 244DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-012.040 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13882.720434/2012-35 narrados neste processo administrativo fiscal. O primeiro ponto é rememorar que o artigo 8º, da Lei nº 9.250/95, prescreve que poderão ser deduzidos dos rendimentos percebidos no ano pelo contribuinte, os valores relativos às despesas com serviços de saúde. Tais estão expressos no inciso II, assim como seus requisitos comprobatórios estão descritos no parágrafo segundo: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Pela leitura da regra legal, a primeira premissa que se pode firmar é que a comprovação da realização das despesas dedutíveis poderá ser feita pela apresentação dos recibos emitidos pelo respectivos profissionais, com a identificação de elementos suficientes para sua efetiva validade (serviço prestado, nome e CRM do médico etc). O Regulamento do Imposto de Renda então vigente - Decreto nº 3.000/95-, contudo, dispunha em seus artigos 73 e 80 ser possível, à juízo da autoridade lançadora, a solicitação de novas provas para fins de viabilidade da dedução: “Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa. Fl. 245DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-012.040 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13882.720434/2012-35 §3ºNa hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. Art.80.Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. §1ºO disposto neste artigo: ... III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas-CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica-CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” A segunda premissa que se pode firmar, portanto, após a leitura da regra infralegal é que os recibos de despesas médicas não têm valor absoluto, sendo possível, sim, a solicitação de outros elementos de prova pela fiscalização. Bem por isso, perpassada essas duas premissas, há de se concluir que a análise que se deve percorrer nestes autos é probatória. Em outras linhas, há de se verificar a existência de elemento adicional capaz de ratificar os recibos apresentados pelo contribuinte. Ao analisar as provas juntadas, identifiquei os seguintes pontos como elementos de avaliação para o caso em concreto, especificamente, em relação à profissional Doutora Adriana Carvalho da Silva: recibo original da fonoaudióloga, atestando a prestação dos serviços médicos e o recebimento dos valores glosados do contribuinte, com indicação de CRF e de endereço profissional. Não obstante à regra infralegal - já mencionada e contida no artigo 73, caput e § 1° do Decreto nº 3.000/99 - outorgar à autoridade fiscal solicitar elementos adicionais para comprovação das despesas médicas deduzidas das receitas percebidas, no entendimento deste Conselheiro, as declarações emitidas pelos profissionais são exemplos claros e suficientes dessas provas adicionais. Tais foram emitidas, exatamente, para afastar a dúvida suscitada e, sobre tais, não há qualquer ressalva quanto veracidade ou imputação de fraude. Não fosse isso suficiente, é válido, ainda, recordar que que as normas que tratam da dedução não fazem restrições e/ou impõem um rigor maior nas situações em que os serviços são pagos em espécie ou em cheques de terceiro. Considerando, então, as provas carreadas aos autos – e sobretudo as declaração de própria lavra dos profissionais médicos, não é razoável exigir do contribuinte, em especial depois de anos, a apresentação de extratos bancários e/ou movimentações financeiras coincidentes em valores para comprovação do efetivo desembolso. Fl. 246DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-012.040 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13882.720434/2012-35 Diante do exposto, considerando os elementos presentes nos autos, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, a fim de restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$4.950,00, relativa à profissional Adriana Carvalho da Silva. É como voto. Rodrigo Rigo Pinheiro Fl. 247DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10935.002790/2010-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. REFLEXOS. 1. De acordo com a fiscalização, a razão que ensejou a exclusão da empresa do SIMPLES foi a obtenção de receita bruta superior ao limite legal no ano-calendário de 2005, conforme prevê o inciso II do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 2. O efeito imediato da exclusão do referido sistema é a exigibilidade de todas as contribuições previdenciárias previstas no ordenamento jurídico, ou seja, a empresa optante deixa de gozar dos benefícios destinados àqueles que cumprem o regramento de regência. 3. Consta dos autos que a fiscalização determinou ao contribuinte que ele apresentasse comprovação de pagamento das comissões previstas em CCT. As determinações da fiscalização não foram cumpridas, situação que motivou a apuração do crédito (lançamento de ofício) por meio de aferição indireta, nos moldes previstos no art. 33 da lei nº 8.212/91. 4. Em seu recurso, o contribuinte se limitou a afirmar que o critério adotado pela fiscalização para justificar o lançamento não tem amparo legal. Ao contrário das afirmações da recorrente, observa-se que os procedimentos levados a efeito pela autoridade administrativa incumbida da apuração do crédito tributário, bem como dos julgadores a quo, foram pautados em estrita observância da legislação tributária / previdenciária, não restando espaço para a promoção de qualquer alteração no lançamento. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.711
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 2          1 1  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.002790/2010­51  Recurso nº             Voluntário  Acórdão nº  2803­01.711  –  3ª Turma Especial   Sessão de  12 de julho de 2012  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  ELO`S TRANSPORTES RODOVIÁRIOS DE CARGAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007  PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. REFLEXOS.  1.  De acordo com a fiscalização, a razão que ensejou a exclusão da empresa  do SIMPLES foi a obtenção de receita bruta superior ao limite legal no ano­ calendário de 2005, conforme prevê o inciso II do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5  de dezembro de 1996.  2.  O  efeito  imediato  da  exclusão  do  referido  sistema  é  a  exigibilidade  de  todas as contribuições previdenciárias previstas no ordenamento jurídico, ou  seja, a empresa optante deixa de gozar dos benefícios destinados àqueles que  cumprem o regramento de regência.  3.  Consta dos autos que a  fiscalização determinou ao contribuinte que ele  apresentasse  comprovação  de  pagamento  das  comissões  previstas  em CCT.  As determinações da fiscalização não foram cumpridas, situação que motivou  a apuração do crédito  (lançamento de ofício) por meio de aferição  indireta,  nos moldes previstos no art. 33 da lei nº 8.212/91.  4.  Em seu recurso, o contribuinte se limitou a afirmar que o critério adotado  pela  fiscalização  para  justificar  o  lançamento  não  tem  amparo  legal.  Ao  contrário  das  afirmações  da  recorrente,  observa­se  que  os  procedimentos  levados  a  efeito  pela  autoridade  administrativa  incumbida  da  apuração  do  crédito tributário, bem como dos julgadores a quo, foram pautados em estrita  observância da legislação tributária / previdenciária, não restando espaço para  a promoção de qualquer alteração no lançamento.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.       Fl. 230DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002790/2010­51  Acórdão n.º 2803­01.711  S2­TE03  Fl. 3          2   Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).       (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima – Presidente       (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator      Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato,  Natanael Vieira dos Santos e Osmar Pereira Costa.  Fl. 231DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002790/2010­51  Acórdão n.º 2803­01.711  S2­TE03  Fl. 4          3   Relatório    Trata­se  de  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  (AIOP)  lavrado  em  desfavor  do  contribuinte  acima  identificado,  relativamente  a  crédito  previdenciário  (parte  patronal, inclusive para o custeio das prestações ao RAT), conforme estabelece o art. 22, I, II e  III,  da  Lei  8.212/91,  não  recolhido  e  incidente  sobre  as  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  que  prestaram  serviços  à  empresa  no  período  de  01/2006 a 06/2007.      O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva.      A impugnação foi julgada em 23 de agosto de 2011 e ementada nos seguintes  termos:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS    Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007    AI Nº 37.248.441­7    LANÇAMENTO. FORMALIDADES    O lançamento é um administrativo que, uma vez cumpridas  as  formalidades  essenciais  para  sua  lavratura,  estando  motivado  com  a  descrição  das  razões  de  fato  e  de  direito  em relatórios específicos, em especial com a discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos  geradores,  dos  documentos  que  lhe dão  suporte,  das  contribuições devidas  e do período a  que  se  refere,  bem  como  cientificado  o  sujeito  passivo  e  oferecida  oportunidade  para  pronunciar­se  e  produzir  provas, implica a inexistência de violação aos princípios da  ampla defesa, do contraditório ou do devido processo legal.    PRINCÍPIO  DA  LEGALIDADE  E  TIPICIDADE.  SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA    Constatado  que  os  fatos  descritos  se  amoldam  à  norma  legal  indicada  como  infringida,  resta  procedente  a  autuação fiscal.    EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. LANÇAMENTO DO  CRÉDITO    É  válido  o  lançamento  que  trata  das  contribuições  previdenciárias  patronais  exigíveis  em  decorrência  da  exclusão da empresa do sistema SIMPLES Federal.  Fl. 232DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002790/2010­51  Acórdão n.º 2803­01.711  S2­TE03  Fl. 5          4   JUROS E MULTA DE MORA. CABIMENTO    Deixar  de  efetuar  no  prazo  certo  o  recolhimento  da  contribuição  devida  implica  em  sua  posterior  exigência,  acrescido de multa  e de  juros de mora,  conforme previsto  na legislação tributária, devendo ser mantidos os juros e a  multa  de  mora  aplicada  de  acordo  com  os  parâmetros  estabelecidos em tal legislação.    MULTA MAIS BENIGNA. MOMENTO DA APURAÇÃO    Nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, o  cálculo  da  multa  mais  benéfica,  observada  a  regra  do  artigo 106,  II, c, do CTN, deve ser procedido no momento  do pagamento ou do parcelamento do débito.    Impugnação Improcedente    Crédito Tributário Mantido    Inconformado  com  resultado  do  julgamento  da  primeira  instância  administrativa,  o  Contribuinte  apresentou  recurso  tempestivo,  onde  alega,  em  síntese,  o  seguinte:      ­ Em preliminar, o contribuinte alega cerceamento de defesa.      ­ O fisco não pode para lavrar auto de competência da Justiça do Trabalho.      ­  Alega  o  fisco  que  há  irregularidades  no  tocante  às  contribuições  previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores que lhe prestara serviços.      ­  Sustenta  a  RFB  que  devido  ao  Acordo/Convenção  Coletiva  de  Trabalho  ajustada entre o Sindicato dos empregados – SINTRODOV (motoristas, condutores de veículos  urbanos e em geral,  trabalhadores de transportes rodoviários de Dois Vizinhos) e o Sindicato  das Empresas de Transportes de Cargas do Vale do Iguaçu – SINDIVALE, os trabalhadores da  categoria  terão  direito,  além  do  piso  salarial,  à  percepção  de  comissões  proporcionais  ao  faturamento bruto de cada caminhão em contrapartida pela dificuldade de controle das horas  extras realizadas. Tal dispositivo está previsto no item 4 da CCT.      ­ Afirma a Receita que não consta o pagamento de comissões em relação às  competências do período 01 a 13/2007. Segundo o Fisco, a empresa foi instada a apresentar os  comprovantes e esta não teria atendido a determinação. A partir de 01/07/2007 a empresa saiu  do  Simples  e  passou  a  recolher  seus  tributos  pelo  regime  do  lucro  presumido  e,  coincidentemente, as comissões desapareceram da folha de salários.      ­ Ante a ausência de informações foi determinado o montante das comissões  que teriam sido sonegadas no período de 07 a 13/2007 por meio de aferição indireta.    Fl. 233DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002790/2010­51  Acórdão n.º 2803­01.711  S2­TE03  Fl. 6          5   ­ No presente caso o que ocorre é que o Fisco quer fazer incidir multa sobre  um fato gerador sem constatar a sua ocorrência.      ­ Não é cabível a aferição indireta.      ­  É  importante  frisar  o  equívoco  do  Fisco.  Sustenta  que  a  defesa  administrativa se limitou a referir­se a outros autos de infração.      ­  Ocorre  que  é  inevitável  que  se  faça  menção  aos  autos  de  infração  cuja  essência é a discussão sobre a tese do fisco de que mesmo sem o pagamento das comissões aos  empregados,  ou  seja,  sem  o  fato  gerador  que  seria  este  pagamento,  seriam  devidas  todas  as  incidências  tributárias,  como  se  tivesse  havido  o  pagamento  das  comissões  em  relação  às  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  que  prestaram  serviços à empresa no período de 01/2006 a 06/2007.      ­ Sem a conclusão de que houve o  fato  gerador,  no  caso, o pagamento  das  comissões, não é cabível a hipótese legal de incidência tributária. Essa é a questão de fundo em  todos os procedimentos fiscais discutidos administrativamente.       ­  À  vista  de  todo  o  exposto  requer­se  seja  acolhido  o  presente  recurso  (CONHECIDO)  para  o  fim  de  assim  ser  decidido,  cancelando­se  o  débito  fiscal  reclamado,  dando­se  total  procedência  ao  recurso,  anulando­se  AUTO  DE  INFRAÇÃO  IRPF  Nº  37.248.441­7.     Não apresentadas as contrarrazões.    É o relatório.  Fl. 234DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002790/2010­51  Acórdão n.º 2803­01.711  S2­TE03  Fl. 7          6 Voto             Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator.    Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame.    Apesar das argumentações apresentadas na preliminar, não se vislumbra,  in  casu,  qualquer  hipótese  de  cerceamento  do  direito  de  defesa,  tendo  em  vista  que  a  documentação  entregue  ao  contribuinte  por  ocasião  da  notificação  do  auto  de  infração  é  suficiente para que ele exerça plenamente o seus direitos.    Restou  amplamente  evidenciado que o  lançamento  foi  realizado em virtude  de a empresa ter sido excluída do SIMPLES.    A exclusão se deu por intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 031, de  26 de abril de 2010, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel/PR, com efeitos a  partir de 01/01/2006, exatamente na data inicial alcançada pelo lançamento levado a efeito pela  autoridade administrativa competente.    De acordo com a fiscalização, a razão que ensejou a exclusão da empresa do  SIMPLES foi a obtenção de receita bruta superior ao limite legal no ano­calendário de 2005,  conforme prevê o inciso II do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.    O efeito imediato da exclusão do referido sistema é a exigibilidade de todas  as contribuições previdenciárias previstas no ordenamento jurídico, ou seja, a empresa optante  deixa de gozar dos benefícios destinados àqueles que cumprem o regramento de regência.    Consta  dos  autos  que  a  fiscalização  determinou  ao  contribuinte  que  ele  apresentasse comprovação de pagamento das comissões previstas em CCT. As determinações  da fiscalização não foram cumpridas, situação que motivou a apuração do crédito (lançamento  de ofício) por meio de aferição indireta, nos moldes previstos no art. 33 da Lei nº 8.212/91.    Em  seu  recurso,  o  contribuinte  se  limitou  a  afirmar  que  o  critério  adotado  pela  fiscalização  para  justificar  o  lançamento  não  tem  amparo  legal.  Ao  contrário  das  afirmações  da  recorrente,  observa­se  que  os  procedimentos  levados  a  efeito  pela  autoridade  administrativa  incumbida da apuração do crédito  tributário, bem como dos  julgadores a quo,  foram  pautados  em  estrita  observância da  legislação  tributária  /  previdenciária,  não  restando  espaço para a promoção de qualquer alteração no lançamento.    Destarte,  mantenho  o  lançamento  e  decisão  recorrida  pelos  seus  próprios  fundamentos e nego provimento ao recurso do contribuinte.      CONCLUSÃO.      Pelo  exposto,  voto  por CONHECER  do  recurso  para,  no mérito, NEGAR­ LHE PROVIMENTO.       Fl. 235DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002790/2010­51  Acórdão n.º 2803­01.711  S2­TE03  Fl. 8          7   É como voto.          (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator.                              Fl. 236DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR

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Numero do processo: 10715.724946/2013-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 MATÉRIA CONTESTADA APENAS NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. DECISÃO DEFINITIVA. Considera-se definitiva na esfera administrativa matéria contestada apenas na primeira instância, não mais aduzida em sede de Recurso Voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Em razão de inovação dos argumentos de defesa, não se conhece de matéria, não caracterizada como de ordem pública, aduzida apenas na segunda instância, dada a ocorrência de preclusão. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Súmula CARF nº 126) PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. JULGADOR ADMINISTRATIVO. VINCULAÇÃO À LEGALIDADE. Encontrando-se vinculado ao princípio da legalidade, o julgador administrativo deve observar as normas tributárias cogentes, válidas e vigentes, não podendo afastar sua aplicação com base em princípios constitucionais, cuja observância estrita cabe ao legislador, em conformidade com a súmula CARF nº 2. AGENTE MARÍTIMO. PENALIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. O agente de carga responde pela multa prevista no art. 107, IV, “e” do DL nº 37, de 1966, quando descumpre o prazo estabelecido pela Receita Federal para prestar informação sobre a desconsolidação da carga.(Súmula CARF nº 187) MULTA ADUANEIRA. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO POR CONHECIMENTO MASTER. INTEMPESTIVIDADE. CABIMENTO. Aplica-se, por conhecimento Master, a multa aduaneira decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a cargas desconsolidadas, sendo que, tendo havido atraso na prestação da informação pelo Recorrente em decorrência de atraso, por parte da companhia aérea, no registro da chegada da aeronave no aeroporto, ele não poderá ser penalizado por falta atribuída a terceiro, razão pela qual deve-se considerar, na apuração do prazo para fins de configuração do atraso na prestação da informação pelo Recorrente, de eventual atraso na prestação de informação acerca da chegada da aeronave pela companhia aérea, atraso este que deverá ser subtraído do atraso atribuído ao Recorrente para fins de aferição da intempestividade do registro da informação.
Numero da decisão: 3201-010.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, em razão de inovação dos argumentos de defesa (preclusão), e, na parte conhecida, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento, no sentido de restringir a aplicação da penalidade lançada a uma única multa por conhecimento Master e de considerar, na apuração do prazo para fins de configuração do atraso na prestação da informação pelo Recorrente, de eventual atraso na prestação de informação acerca da chegada da aeronave pela companhia aérea, atraso este que deverá ser subtraído do atraso atribuído ao Recorrente para fins de aferição da intempestividade do registro da informação, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Mateus Soares de Oliveira, que davam provimento integral ao recurso. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Tatiana Josefovicz Belisário, Mateus Soares de Oliveira e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 MATÉRIA CONTESTADA APENAS NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. DECISÃO DEFINITIVA. Considera-se definitiva na esfera administrativa matéria contestada apenas na primeira instância, não mais aduzida em sede de Recurso Voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Em razão de inovação dos argumentos de defesa, não se conhece de matéria, não caracterizada como de ordem pública, aduzida apenas na segunda instância, dada a ocorrência de preclusão. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Súmula CARF nº 126) PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. JULGADOR ADMINISTRATIVO. VINCULAÇÃO À LEGALIDADE. Encontrando-se vinculado ao princípio da legalidade, o julgador administrativo deve observar as normas tributárias cogentes, válidas e vigentes, não podendo afastar sua aplicação com base em princípios constitucionais, cuja observância estrita cabe ao legislador, em conformidade com a súmula CARF nº 2. AGENTE MARÍTIMO. PENALIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. O agente de carga responde pela multa prevista no art. 107, IV, “e” do DL nº 37, de 1966, quando descumpre o prazo estabelecido pela Receita Federal para prestar informação sobre a desconsolidação da carga.(Súmula CARF nº 187) MULTA ADUANEIRA. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO POR CONHECIMENTO MASTER. INTEMPESTIVIDADE. CABIMENTO. Aplica-se, por conhecimento Master, a multa aduaneira decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a cargas desconsolidadas, sendo que, tendo havido atraso na prestação da informação pelo Recorrente em decorrência de atraso, por parte da companhia aérea, no registro da chegada da aeronave no aeroporto, ele não poderá ser penalizado por falta atribuída a terceiro, razão pela qual deve-se considerar, na apuração do prazo para fins de configuração do atraso na prestação da informação pelo Recorrente, de eventual atraso na prestação de informação acerca da chegada da aeronave pela companhia aérea, atraso este que deverá ser subtraído do atraso atribuído ao Recorrente para fins de aferição da intempestividade do registro da informação.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, em razão de inovação dos argumentos de defesa (preclusão), e, na parte conhecida, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento, no sentido de restringir a aplicação da penalidade lançada a uma única multa por conhecimento Master e de considerar, na apuração do prazo para fins de configuração do atraso na prestação da informação pelo Recorrente, de eventual atraso na prestação de informação acerca da chegada da aeronave pela companhia aérea, atraso este que deverá ser subtraído do atraso atribuído ao Recorrente para fins de aferição da intempestividade do registro da informação, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Mateus Soares de Oliveira, que davam provimento integral ao recurso. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Tatiana Josefovicz Belisário, Mateus Soares de Oliveira e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 MATÉRIA CONTESTADA APENAS NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. DECISÃO DEFINITIVA. Considera-se definitiva na esfera administrativa matéria contestada apenas na primeira instância, não mais aduzida em sede de Recurso Voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Em razão de inovação dos argumentos de defesa, não se conhece de matéria, não caracterizada como de ordem pública, aduzida apenas na segunda instância, dada a ocorrência de preclusão. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Súmula CARF nº 126) PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. JULGADOR ADMINISTRATIVO. VINCULAÇÃO À LEGALIDADE. Encontrando-se vinculado ao princípio da legalidade, o julgador administrativo deve observar as normas tributárias cogentes, válidas e vigentes, não podendo afastar sua aplicação com base em princípios constitucionais, cuja observância estrita cabe ao legislador, em conformidade com a súmula CARF nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 49 46 /2 01 3- 95 Fl. 141DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-010.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724946/2013-95 AGENTE MARÍTIMO. PENALIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. O agente de carga responde pela multa prevista no art. 107, IV, “e” do DL nº 37, de 1966, quando descumpre o prazo estabelecido pela Receita Federal para prestar informação sobre a desconsolidação da carga.(Súmula CARF nº 187) MULTA ADUANEIRA. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO POR CONHECIMENTO MASTER. INTEMPESTIVIDADE. CABIMENTO. Aplica-se, por conhecimento Master, a multa aduaneira decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a cargas desconsolidadas, sendo que, tendo havido atraso na prestação da informação pelo Recorrente em decorrência de atraso, por parte da companhia aérea, no registro da chegada da aeronave no aeroporto, ele não poderá ser penalizado por falta atribuída a terceiro, razão pela qual deve-se considerar, na apuração do prazo para fins de configuração do atraso na prestação da informação pelo Recorrente, de eventual atraso na prestação de informação acerca da chegada da aeronave pela companhia aérea, atraso este que deverá ser subtraído do atraso atribuído ao Recorrente para fins de aferição da intempestividade do registro da informação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, em razão de inovação dos argumentos de defesa (preclusão), e, na parte conhecida, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento, no sentido de restringir a aplicação da penalidade lançada a uma única multa por conhecimento Master e de considerar, na apuração do prazo para fins de configuração do atraso na prestação da informação pelo Recorrente, de eventual atraso na prestação de informação acerca da chegada da aeronave pela companhia aérea, atraso este que deverá ser subtraído do atraso atribuído ao Recorrente para fins de aferição da intempestividade do registro da informação, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Mateus Soares de Oliveira, que davam provimento integral ao recurso. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Tatiana Josefovicz Belisário, Mateus Soares de Oliveira e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em contraposição ao acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte acima identificado, recurso esse decorrente da lavratura de auto de infração em que Fl. 142DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-010.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724946/2013-95 se exigiu multa regulamentar em razão da constatação de que a empresa, agente de carga, deixara de prestar informações sobre cargas que chegaram ao recinto alfandegado. Consta da descrição dos fatos do auto de infração que as quatro cargas objeto da ação fiscal chegaram ao aeroporto do Galeão em voo internacional ou via trânsito aduaneiro, tendo o agente de carga prestado informações no Siscomex Mantra após duas horas do registro da chegada do veículo transportador ao aeroporto, em desconformidade com o prazo previsto no art. 8º da IN SRF nº 102/1994, sendo exigida a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, regulamentado pelo art. 728, inciso IV, alínea " e", do Decreto nº 6.759/09. Na Impugnação, o contribuinte requereu a desconstituição do auto de infração, arguindo (i) não se tratar de empresa desconsolidadora, pois sua atividade é de agente de carga (consignatária da carga), atividade essa que não se confunde com a das empresas aéreas e dos transportadores, sendo, portanto, parte ilegítima no processo, (ii) o atraso na prestação de informações decorreu de fatos externos à vontade do desconsolidador (ausência do fiscal, dependência de trecho terrestre, atraso da Infraero etc.), havendo ofensa ao princípio da razoabilidade e (iii) a exigência de multa multiplicada por números HAWB (House Airway Bill) viola a legislação e à jurisprudência administrativa, devendo a norma impositiva ser interpretada de forma mais favorável ao acusado. A DRJ julgou improcedente a Impugnação, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 MULTA ADUANEIRA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. Infração capitulada no Decreto-Lei nº 37/1966, artigo 107, IV, “e”. O autuado deixou de prestar informação sobre carga no prazo estipulado pelo artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 102/1994. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu a anulação do despacho decisório, arguindo, em preliminar, prescrição intercorrente e vício formal no auto de infração, por infringir o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, dada a falta de clareza e de completude da descrição dos fatos, não tendo sido realizada a devida conexão entre os fatos e a norma legal supostamente violada. No mérito, o Recorrente aduz: (i) não caracterização do tipo legal pressuposto da aplicação da multa, dada a efetiva prestação das informações; (ii) não lhe era franqueado o acesso ao Siscomex Mantra, sendo todas as informações sobre o transporte prestadas diretamente pela companhia aérea responsável pelo transporte, conforme informações disponibilizadas pela Infraero, (iii) o registro de todas as informações cabe à companhia aérea, não tendo o autuado inserido, em nenhum momento, qualquer informação no sistema; (iv) o monitoramento das chegadas e partidas das aeronaves é feito pela companhia aérea, logo, a responsabilidade pela informação tardia, indicada no auto de infração, deverá ser atribuída a ela; (v) inobservância dos Fl. 143DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-010.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724946/2013-95 princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; (vi) inexistência de prejuízo ao Erário; (vii) multiplicidade de multas por um mesmo fato gerador; e (viii) caracterização da denúncia espontânea prevista no § 2º do art. 102 do Decreto-lei nº 37/66. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade, mas dele se toma conhecimento apenas em parte, em razão dos fatos a seguir abordados. Conforme acima relatado, trata-se de auto de infração em que se exigiu multa regulamentar em razão da constatação de que a empresa, agente de carga, deixara de prestar informações sobre cargas que chegaram ao recinto alfandegado. Na descrição dos fatos do auto de infração (e-fls. 4 a 6), encontram-se identificados os fatos ensejadores da autuação, abarcando as quatro infrações, com identificação, em cada uma delas, dos seguintes dados: (i) data e hora de chegada do veículo, (ii) quantidade de volumes, (iii) nº do filhote/House (HAWB) e do Master (MAWB), (iv) data e hora do registro no Siscomex, (v) identificação do consignatário e (vi) nº do termo de entrada (em alguns casos). Na primeira instância, o ora Recorrente se defendeu valendo-se dos seguintes argumentos: (i) ilegitimidade passiva, (ii) indisponibilidade de informações em razão de atrasos de terceiros e (iii) multiplicidade de multa sobre um mesmo fato gerador. Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente passa a se contrapor a um leque mais amplo de matérias, a saber: (i) prescrição intercorrente; (ii) vício formal no auto de infração, por infringir o art. 9º e o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, (iii) não caracterização do tipo legal pressuposto da aplicação da multa, dada a efetiva prestação das informações; (iv) inexistência de perfil de acesso ao Siscomex Mantra por parte do autuado, (v) todas as informações sobre o transporte são prestadas diretamente pela companhia aérea responsável pelo transporte, não tendo o autuado inserido, em nenhum momento, qualquer informação no sistema; (vi) o monitoramento das chegadas e partidas das aeronaves é feito pela companhia aérea, logo, a responsabilidade pela informação tardia, indicada no auto de infração, deverá ser atribuída a ela; (vii) inobservância dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; (viii) inexistência de prejuízo ao Erário; (ix) multiplicidade de multas por um mesmo fato gerador; e (x) caracterização da denúncia espontânea prevista no § 2º do art. 102 do Decreto-lei nº 37/66. Cotejando-se as matérias arguidas em ambas as instâncias, constata-se que, na segunda instância, o Recorrente não mais se contrapõe à alegada indisponibilidade de informações em razão de atrasos de terceiros, tratando-se, portanto, de matéria definitiva na esfera administrativa; por outro lado, tem-se por caracterizado inovação dos argumentos de defesa (preclusão) em relação às matérias aduzidas apenas na segunda instância, não Fl. 144DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-010.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724946/2013-95 consideradas como de ordem pública, abrangendo, portanto, os itens “iii” e “viii” do parágrafo anterior deste voto, nos termos art. 17 do Decreto nº 70.235/1972. 1 Quanto à preliminar, qual seja, vício do auto de infração por infringir o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, em razão da falta de clareza e de completude da descrição dos fatos, dada a alegada não realização da devida conexão entre os fatos e a norma legal supostamente violada, deve-se registrar que, inobstante tal pleito não ter sido objeto da Impugnação, seu enfrentamento, nesta instância, se justifica por ter o julgador de piso abordado tal questão, em decisão extra petita ou “de ofício”, no voto condutor do acórdão recorrido. Tais argumentos do Recorrente se mostram de todo infundados, pois, constam da descrição dos fatos do auto de infração, além da devida e completa individualização dos fatos geradores da multa, toda a fundamentação legal da autuação, bem como os documentos comprobatórios em que se baseou a Fiscalização, tendo o Recorrente se defendido de forma ampla e individualizada, demonstrando pleno conhecimento das matérias controvertidas, razão pela qual não se cogita de inobservância do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. 2 Por outro lado, o Recorrente se vale do art. 1º da Lei nº 9.873/1999, 3 para alegar a ocorrência de prescrição intercorrente no presente caso, em razão do transcurso de mais de sete anos entre a data da Impugnação e o julgamento de primeira instância. Contudo, referida lei rege os processos administrativos genericamente considerados, encontrando-se o Processo Administrativo Fiscal (PAF) disciplinado por normas próprias, inexistindo nesse âmbito previsão de prescrição intercorrente, conforme se verifica da súmula CARF nº 11, que assim estipula: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Como a controvérsia destes autos transita pelo PAF, afasta-se o pleito do Recorrente sobre essa questão. Afastam-se, portanto, as preliminares arguidas. No mérito, remanescem controvertidas nesta instância apenas as seguintes matérias: (i) prescrição intercorrente (matéria de ordem pública); (ii) denúncia espontânea (matéria de ordem pública); (iii) inobservância dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; (iii) ilegitimidade passiva; e (iv) multiplicidade de multas por um mesmo fato gerador. 1 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri- la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. 3 Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. Fl. 145DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-010.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724946/2013-95 I. Denúncia espontânea. Quanto ao pedido de aplicação da denúncia espontânea, trata-se de matéria sumulada neste CARF, em sentido inverso ao requerido pelo Recorrente, verbis: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Logo, nega-se provimento a essa parte do recurso. II. Inobservância dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. De pronto, deve-se registrar que, nos termos da súmula CARF nº 2, “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, razão pela qual aqui não se analisarão os argumentos atinentes à alegada violação dos princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade, pois os dispositivos normativos cogentes, válidos e vigentes são de observância obrigatória por parte do órgão administrativo julgador. III. Ilegitimidade passiva. Na descrição dos fatos do auto de infração, o Recorrente encontra-se identificado como agente de carga/consignatário, que efetuara o registro das informações requeridas, no sistema Siscomex/Mantra, após o prazo de duas horas a contar do registro da chegada da aeronave no aeroporto, em desconformidade com o art. 8º da IN SRF nº 102/1994, cuja redação vigente à época era a seguinte: Art. 8º As informações sobre carga consolidada procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até duas horas após o registro de chegada do veículo transportador. Parágrafo único. A partir da chegada efetiva de veículo transportador, os conhecimentos agregados (filhotes) informados no Sistema serão tratados como desmembrados do conhecimento genérico (master) e a carga correspondente tratada como desconsolidada. § 2° Enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador, a responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga no Mantra é do transportador. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014) (g.n.) Registre-se que todas as informações de chegada (HAWB) foram prestadas em atraso superior a três horas, não se podendo, por conseguinte, aplicar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN em razão da alteração do prazo, que passou de duas para três horas. Na Impugnação, o ora Recorrente alegou não se revestir da condição de empresa desconsolidadora, pois sua atividade, segundo ele, era de agente de carga (consignatária da carga), atividade essa que não se confundia com a das empresas aéreas e dos transportadores, Fl. 146DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-010.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724946/2013-95 sendo, portanto, parte ilegítima no processo; vindo ele a complementar sua defesa, no Recurso Voluntário, arguindo que, à época dos fatos, considerando sua posição no transporte, não lhe era franqueado o acesso ao Siscomex Mantra, sendo todas as informações sobre o transporte prestadas diretamente pela companhia aérea, conforme informações disponibilizadas pela Infraero, bem como que o registro de todas as informações (MAWB e HAWB) cabia à companhia aérea, não tendo o autuado inserido, em nenhum momento, qualquer informação no sistema. No entanto, na descrição dos fatos do auto de infração, consta, expressamente, que a empresa Ceva Freight Management do Brasil Ltda. figurava como consignatária da carga, objeto da autuação, constatação essa que se confirma em documentos acostados ao auto de infração (telas do Siscomex identificadas como “Situação da carga” e demais documentos de identificação da carga), em que se registra como consignatária da carga o Recorrente destes autos. O Recorrente apenas argui que, à época dos fatos, não detinha perfil de acesso ao Siscomex Mantra, não trazendo aos autos, contudo, nenhum elemento de prova que infirmasse as constatações da Fiscalização pautadas em documentação consistente. Sobre a alegada ilegitimidade passiva do agente de carga, no que se refere à imposição da multa prevista no inciso IV, alínea “e”, do art. 107 do Decreto-lei nº 37/1966, 4 trata-se, também, de matéria sumulada neste CARF, verbis: Súmula CARF nº 187 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O agente de carga responde pela multa prevista no art. 107, IV, “e” do DL nº 37, de 1966, quando descumpre o prazo estabelecido pela Receita Federal para prestar informação sobre a desconsolidação da carga. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Além disso, há previsão expressa no § 1º do art. 37 do Decreto-lei nº 37/1966 da obrigatoriedade do agente de carga de prestar informações sobre as operações que executa, verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (g.n.) 4 Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; Fl. 147DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-010.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724946/2013-95 Logo, afasta-se a arguição de ilegitimidade passiva. IV. Multiplicidade de multas sobre um mesmo fato gerador. No auto de infração, consta que as quatro cargas objeto da ação fiscal haviam sido objeto de desconsolidação, por meio do agente desconsolidador, que prestou informações no Siscomex/Mantra após duas horas do registro da chegada do veículo transportador no aeroporto internacional do Galeão, em desconformidade com o prazo previsto no art. 8º da IN SRF nº 102/1994 (acima transcrito), sendo exigida a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-lei nº 37/66 (acima referenciado). As quatro multas, de R$ 5.000,00 cada uma, foram aplicadas por conhecimento agregado (filhote/HAWB), todos eles registrados no Siscomex após o prazo legal, desmembrados de dois diferentes conhecimentos genéricos (Master/MAWB). O Recorrente se contrapõe à autuação, alegando que a exigência de multa multiplicada por números HAWB (House Airway Bill) viola a legislação e a jurisprudência administrativa, devendo a norma impositiva, segundo ele, ser interpretada de forma mais favorável ao acusado, ou seja, a penalidade deve ser aplicada em razão da intempestividade da informação relativa à desconsolidação da carga genérica (Master) e não de cada carga agregada (Houses), conforme solução de consulta da Cosit datada de 14/02/2008, em que se definiu que a multa aplicada ao transportador deve ser única, por navio, quando ocorre o descumprimento da obrigação acessória, independentemente da quantidade de dados não informados. O julgador de primeira instância, por seu turno, enfrentou tal questão nos seguintes termos: O impugnante alega o princípio da vedação ao bis in idem. Também defende que a multa dever ser única por fato. Cita a Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, de 14/2/2008, assim ementada: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF nº 510, de 2005. Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, é a que se refere à alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração.” Porém, o presente caso não trata do registro dos dados de embarque, no despacho de exportação. Não incide a Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, de 14/2/2008. Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-010.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724946/2013-95 É correta a cumulação de multas. Trata-se de infrações distintas, posto que decorrentes de fatos autônomos, conforme Decreto-Lei nº 37/1966, artigo 99: “Art. 99 - Apurando-se, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam-se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. § 1º - Quando se tratar de infração continuada em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações, serão eles reunidos em um só processo, para imposição da pena. § 2º - Não se considera infração continuada a repetição de falta já arrolada em processo fiscal de cuja instauração o infrator tenha sido intimado.” O caso não comporta aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que inexiste dúvida. (g.n.) Conforme se extrai do excerto supra, a DRJ afastou a aplicação, no presente caso, do entendimento externado na Solução de Consulta da Cosit nº 8/2008 por se referir a despacho de exportação, enquanto que aqui se controverte sobre desconsolidação de cargas importadas, e, por se tratar de infrações distintas, apuradas por conhecimento agregado, o julgador de piso considerou que elas deviam ser objeto de autuações específicas, nos termos do art. 99 do Decreto-lei nº 37/1966. Inobstante a percuciente abordagem da matéria na decisão recorrida, esta turma de julgamento tem decidido em casos da espécie em restringir a penalidade sob comento a uma única multa por conhecimento Master, uma vez que a tipificação da obrigação de prestar informações se refere à desconsolidação da carga, independentemente da quantidade de conhecimentos filhotes a ela vinculados, em conformidade com os seguintes acórdãos do CARF: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 (...) MULTA. DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÃO NO PRAZO ESTABELECIDO. DESCONSOLIDAÇÃO. MULTA POR INFORMAÇÃO NÃO PRESTADA. MULTIPLICIDADE DE MULTAS. A multa estabelecida no art. 107, IV, alínea “e”, do Decreto-Lei nº 37, de 1966, é aplicável para cada informação de desconsolidação exigida, independente da quantidade de Conhecimentos Agregados (HAWB) vinculados ao Conhecimento Genérico (MAWB). (Acórdão 3402-007.591, rel. Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, j. 30/07/2020) [...] ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 09/06/2008, 11/06/2008 APLICABILIDADE DA MULTA DEVE SER POR CONHECIMENTO GENÉRICO. A multa prevista no artigo 107, IV “e” do Dec. Lei nº 37/66 deve ser aplicada com base no conhecimento máster e não no house, sob pena de violação da legislação vigente e, Fl. 149DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-010.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724946/2013-95 por conseguinte, do cancelamento das sanções pecuniárias. (Acórdão 3002-002.737, rel. Mateus Soares de Oliveira, j. 22/06/2023) [...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/07/2014 (...) ATRASO NA INCLUSÃO DE MAIS DE UM CONHECIMENTO ELETRÔNICO AGREGADO. APLICAÇÃO DE APENAS UMA MULTA Na hipótese de atraso na inclusão no Siscomex de vários conhecimentos agregados relacionados a um mesmo conhecimento genérico, incidirá apenas uma multa de R$ 5.000,00 (alínea “e” do inciso IV do art.107 do DL nº 37/66), pois há que se penalizar a única conduta infracional identificada no processo, qual seja, o descumprimento do prazo legal para provimento dos dados relacionados a um determinado CE Master. (Acórdão 3001.002.183, rel. Marcelo Costa Marques d'Oliveira, j. 18/10/2022) [...] ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 (...) EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO INTEMPESTIVA. CARACTERIZAÇÃO. ART. 107, IV E DO DL 37/1966. Considera-se embaraço à fiscalização aduaneira a intempestividade na prestação de informações exigidas por norma aduaneira. É devida a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-Lei 37/1966 na hipótese de informações sobre desconsolidação prestadas a destempo por Conhecimento Genérico (Master), sendo incabível a multa por cada CE Agregado (filhote). (Acórdão 3003-001.732, rel. Müller Nonato Cavalcanti Silva, j. 14/04/2021) Nesse sentido, mantém-se a penalidade lançada mas restringindo-a a uma única multa por conhecimento Master. Por outro lado, tendo havido atraso na prestação da informação pelo Recorrente em decorrência de atraso, por parte da companhia aérea, no registro da chegada da aeronave no aeroporto, ele não poderá ser penalizado por falta atribuída a terceiro, razão pela qual deve-se considerar, na apuração do prazo para fins de configuração do atraso na prestação da informação pelo Recorrente, de eventual atraso na prestação de informação acerca da chegada da aeronave pela companhia aérea, atraso este que deverá ser subtraído do atraso atribuído ao Recorrente para fins de aferição da intempestividade do registro da informação, nos termos exigidos pela legislação aplicável, a saber: Instrução Normativa SRF nº 102/1994 (...) Fl. 150DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-010.919 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.724946/2013-95 Art. 8° As informações sobre desconsolidação de carga procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até três horas após o registro de chegada do veículo transportador. VI. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por não conhecer de parte do Recurso Voluntário, em razão de inovação dos argumentos de defesa (preclusão), e, na parte conhecida, por rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso, no sentido de restringir a aplicação da penalidade lançada a uma única multa por conhecimento Master e de considerar, na apuração do prazo para fins de configuração do atraso na prestação da informação pelo Recorrente, de eventual atraso na prestação de informação acerca da chegada da aeronave pela companhia aérea, atraso este que deverá ser subtraído do atraso atribuído ao Recorrente para fins de aferição da intempestividade do registro da informação. É o voto. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 151DF CARF MF Original

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10074963 #
Numero do processo: 18050.007667/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. NÃO INCIDÊNCIA. RE Nº 855.091/RS. RECEBIDO NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - TEMA 808. Nos termos da decisão do STF no RE nº 855.091/RS, “não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função” e tem sua aplicação ampla e irrestrita, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, é de observância obrigatória, ao teor do art. 62 do RICARF, devendo ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-010.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento parcela que se refira aos juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Christiano Rocha Pinheiro, Leonam Rocha de Medeiros, Gleison Pimenta Sousa, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Martin da Silva Gesto e Sonia de Queiroz Accioly.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO

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INCIDÊNCIA. IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. NÃO INCIDÊNCIA. RE Nº 855.091/RS. RECEBIDO NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - TEMA 808. Nos termos da decisão do STF no RE nº 855.091/RS, “não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função” e tem sua aplicação ampla e irrestrita, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, é de observância obrigatória, ao teor do art. 62 do RICARF, devendo ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento parcela que se refira aos juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 76 67 /2 00 9- 50 Fl. 288DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.188 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.007667/2009-50 Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Christiano Rocha Pinheiro, Leonam Rocha de Medeiros, Gleison Pimenta Sousa, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Martin da Silva Gesto e Sonia de Queiroz Accioly. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos autos do processo nº 18050.007667/2009-50, em face do acórdão nº 15-24.405 (fls. 168/174), julgado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), em sessão realizada em 28 de julho de 2010, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata-se de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 108.776,09, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de "Valores Indenizatórios de URV", em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ n° 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; Fl. 289DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.188 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.007667/2009-50 b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, a recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida A magistratura federal, é impositiva e legitima a equiparação do tema por analogia. As verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizat6rio destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da Unido e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia renunciou à arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 30 da Lei Estadual Complementar n° 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros morat6rios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; consequentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; Fl. 290DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.188 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.007667/2009-50 m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, deve-se observar o princípio da boa-fé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar n° 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante trata-se de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR11999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitá-las ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13° salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas a tributação exclusiva e isentas, consequentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam uma indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia;” Transcreve-se abaixo a ementa do referido julgado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 181/267, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-010.188 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.007667/2009-50 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, cabe observar que os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08 de 2003, que em seu art. 2° dispõe sobre "diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor — URV". A referida conversão era realizada mês a mês no período de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e visava a manutenção do valor real do salário. Verifica-se, portanto, que as diferenças reconhecidas através da citada lei tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público Estadual. Tanto é assim, que as parcelas recebidas no devido tempo foram espontaneamente oferecidas à tributação pelo contribuinte, que reconhecia a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN. Em razão das citadas diferenças terem sido recebidas acumuladamente, o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos, conforme dispõe o Parecer PGFN/CRJ n° 287/2009. A contribuinte alegou que foram aplicadas alíquotas incorretas relativas aos anos calendário 1994 e 1998, exercícios 1995 e 1999, respectivamente. Entretanto, não se constata tal erro no demonstrativo de cálculo elaborado pela fiscalização, pois as alíquotas que foram aplicadas nos exercícios em questão foram as que estavam em vigor, conforme previsto no art. 2° da Lei n° 8.848, de 28 de janeiro de 1994, e no art. 21 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, respectivamente. Alegou-se, também, que as diferenças foram tributadas isoladamente, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, o que resultou em um imposto lançado a maior. Entretanto, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Foi alegado, ainda, que parcelas dos valores recebidos a título de URV se referiam à correção incidente sobre férias indenizadas e 13° salário, e que tais parcelas foram indevidamente tributadas, pois seriam respectivamente isentas e sujeitas à tributação exclusiva. Entretanto, confrontando as planilhas de cálculo da diferença de URV emitida pelo Ministério Público, com o demonstrativo de apuração do imposto de renda elaborado pela fiscalização, verifica-se que tais parcelas não foram inclusas no lançamento fiscal. Quanto ao art. 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, deve-se observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas Fl. 292DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-010.188 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.007667/2009-50 tão somente as previstas em lei especifica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6°, da Constituição Federal. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF n° 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida as verbas pagas aos membros do Ministério Público Estadual, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN. A contribuinte reclama isonomia de tratamento frente aos membros da esfera federal, entretanto, trata-se de funcionários públicos sujeitos a leis especificas distintas, cada um com suas peculiaridades. Observe-se, ainda, que o reconhecimento da isenção na esfera federal decorreu de resolução no âmbito do poder judiciário federal, cujo alcance não pode ser ampliado mediante a aplicação da analogia. Quanto à alegação de que o responsável pela retenção do imposto era a fonte pagadora, cabe observar o Parecer Normativo SRF n° 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extingue-se no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de oficio e juros de mora, conforme abaixo transcrito: IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de oficio e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindo-se do contribuinte o imposto, a multa de oficio e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. ..." É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não Fl. 293DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-010.188 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.007667/2009-50 alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa-fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A contribuinte recorreu também ao disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN, que prevê exclusão da imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, quando o contribuinte agiu em conformidade com atos normativos expedidos por autoridade administrativa. Entretanto, os informes de rendimentos fornecidos pelo Ministério Público Estadual não têm caráter normativo, nem a autoridade administrativa emitente tem competência para tratar de matéria tributária federal. Quanto a alegação de não incidência de imposto de renda sobre os juros de mora, imperioso referir que quando do julgamento do RE 855.091 (Tema 808), em que o STF, sob a sistemática da repercussão geral, definiu que os juros de mora devidos em razão do atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função visam, precipuamente, a recompor efetivas perdas, fixando a seguinte tese: “Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função.”. Assim, nos termos da decisão do STF no RE nº 855.091/RS, não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função e tem sua aplicação ampla e irrestrita, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, é de observância obrigatória, ao teor do art. 62 do RICARF, devendo ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Sendo a hipótese dos autos, merece provimento o recurso do contribuinte neste tocante para reconhecer a não incidência de imposto de renda sobre os juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento parcela que se refira aos juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Fl. 294DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-010.188 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18050.007667/2009-50 Fl. 295DF CARF MF Original

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