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Numero do processo: 11080.722778/2009-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS não cumulativa sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por Tubovia, e despesas de armazenagem e fretes na operação de venda.
COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
No presente caso, as glosas referentes a diárias e serviços prestados de carregamento no Porto de Rio Grande, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte, por via de conseqüência não geram direito a crédito de COFINS.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC SOBRE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS ESCRITURAIS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Em regra, não incide correção monetária sobre créditos escriturais. O artigo 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, veda atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.
Não é possível atualizar créditos escriturais pela Taxa Selic, vedada aplicação analógica de precedentes do STJ, que trata de IPI, REsp nº 1.035.847/RS, ou qualquer outro julgado que não verse especificamente sobre PIS/COFINS, por se tratar de espécies dispares de não cumulatividade.
Numero da decisão: 9303-005.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento parcial em maior extensão; Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deu provimento integral e as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em menor extensão
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS não cumulativa sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por Tubovia, e despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. No presente caso, as glosas referentes a diárias e serviços prestados de carregamento no Porto de Rio Grande, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte, por via de conseqüência não geram direito a crédito de COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC SOBRE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS ESCRITURAIS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 78 /2 00 9- 93 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11080.722778/200993 Acórdão n.º 9303005.939 CSRFT3 Fl. 309 2 Em regra, não incide correção monetária sobre créditos escriturais. O artigo 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, veda atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Não é possível atualizar créditos escriturais pela Taxa Selic, vedada aplicação analógica de precedentes do STJ, que trata de IPI, REsp nº 1.035.847/RS, ou qualquer outro julgado que não verse especificamente sobre PIS/COFINS, por se tratar de espécies dispares de não cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento parcial em maior extensão; Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deu provimento integral e as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em menor extensão (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3402002.439, proferido pela 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu dar parcial provimento a RecursoVoluntário, para reconhecer como insumos, geradores de creditamento na sistemática não cumulativa da COFINS: 1) despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a fábrica e; 2) despesas com fretes e armazenagem. O colegiado a quo também considerou cabível a aplicação da SELIC sobre os créditos ressarcidos a partir do despacho de indeferimento do pedido de ressarcimento. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de Pedido de Ressarcimento realizado em 28/02/2008, de COFINS não cumulativa vinculado ao mercado interno (alíquota zero) dos meses de Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11080.722778/200993 Acórdão n.º 9303005.939 CSRFT3 Fl. 310 3 julho a setembro de 2008, para posterior compensação, no valor de R$41.640,02. A DRF de origem analisou o pleito do contribuinte com base na Informação Fiscal de fls. 04 a 10 – numeração eletrônica, reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado (até o limite de R$40.984,46), constatando supostas irregularidades nos cálculos dos créditos quanto à: (i) créditos de fretes e armazenagem nas vendas – alegando que algumas das rubricas a seguir não são, efetivamente, frete ou armazenagem nas operações de venda (1.1.06.04.0002 Armazenagem Exterior e 3.1.04.46.4602 Gastos c/Exportação relativos a serviços de emissão de NF de armazenagem de importação, medição de equipamentos armazéns portuários, transporte de produtos granel de inflável, serviços prestados de carregamento no Porto de Rio Grande; (ii) crédito de bens ou serviços utilizados como insumos – (produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA, montagem de andaimes, instalação de cano condutor de água na granulação, recuperação e modificação de rampa de entrada de caminhões, separação e construção de rede de esgotos, andaime tubular para manutenção de ponte aérea. O Despacho Decisório,1.718/2009, em 12/11/2009, homologou parcialmente o direito creditório, intimando o contribuinte a se manifestar. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11080.722778/200993 Acórdão n.º 9303005.939 CSRFT3 Fl. 311 4 IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. COFINS. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. ÓBICE CRIADO PELA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA. O art. 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que incide a correção pela SELIC. Recurso parcialmente provido". Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, suscitando divergência jurisprudencial referente ao direito a crédito de PIS/COFINS não cumulativo "insumos", referente a (1) "serviços de transporte e armazenagem no processo de venda das mercadorias", (2) "descarregamento do produto importado e seu transporte até a fábrica", e (3) aplicação da Taxa SELIC aos créditos. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3302002.025 (descarga e transporte de produto importado) 20312.448, no qual se discute o conceito de "insumos" na legislação que rege as contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS). E traz ainda, o acórdão nº 3803006.328, como paradigma relacionado à discussão sobre aplicação da Taxa SELIC no ressarcimento das contribuições. Em seguida, o Presidente da 4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF, deu seguimento ao Recurso, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls.296/298. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11080.722778/200993 Acórdão n.º 9303005.939 CSRFT3 Fl. 312 5 Voto Demes Brito Conselheiro Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. As divergências suscitadas a esta E.Câmara Superior, dizem respeito as seguintes matérias: (i) interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, (ii) direito a crédito referente a despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a fábrica por TUBOVIA (montagem de andaimes, instalação de cano condutor de água na granulação, recuperação e modificação de rampa de entrada de caminhões, separação e construção de rede de esgotos, andaime tubular para manutenção de ponte aérea) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, e (iii) aplicação da Taxa SELIC sobre os créditos. Tratase de Pedido de Ressarcimento realizado em 28/02/2008, de COFINS não cumulativa vinculado ao mercado interno (alíquota zero) dos meses de julho a setembro de 2008, para posterior compensação. A DRF de origem analisou o pleito da Contribuinte com base na Informação Fiscal de fls. 04 a 10 – numeração eletrônica, reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado (até o limite de R$40.984,46), constatando supostas irregularidades nos cálculos dos créditos quanto à: (i) créditos de fretes e armazenagem nas vendas – alegando que algumas das rubricas a seguir não são, efetivamente, frete ou armazenagem nas operações de venda (1.1.06.04.0002 Armazenagem Exterior e 3.1.04.46.4602 Gastos c/Exportação relativos a serviços de emissão de NF de armazenagem de importação, medição de equipamentos armazéns portuários, transporte de produtos granel de inflável, serviços prestados de carregamento no Porto de Rio Grande; (ii) crédito de bens ou serviços utilizados como insumos – (produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA, montagem de andaimes, instalação de cano condutor de água na granulação, recuperação e modificação de rampa de entrada de caminhões, separação e construção de rede de esgotos, andaime tubular para manutenção de ponte aérea. Por outro lado, a decisão recorrida decidiu dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer como insumos, geradores de creditamento na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS: 1) despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a fábrica por TUBOVIA ( montagem de andaimes, instalação de cano condutor de água na granulação, recuperação e modificação de rampa de entrada de caminhões, separação e construção de rede de esgotos, andaime tubular para manutenção de ponte aérea) e; 2) despesas com fretes e armazenagem. O colegiado a quo também considerou cabível a aplicação da SELIC sobre os créditos ressarcidos a partir do despacho de indeferimento do pedido de ressarcimento. Feito este intróito inicial, passo ao julgamento. Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11080.722778/200993 Acórdão n.º 9303005.939 CSRFT3 Fl. 313 6 conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11080.722778/200993 Acórdão n.º 9303005.939 CSRFT3 Fl. 314 7 Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte é produtora, importadora, comercializadora e exportadora de adubos e fertilizantes, usufrui o benefício fiscal da alíquota zero do PIS e da COFINS, na importação, também sobre receita bruta decorrente da venda no mercado interno. Conforme se observa, a receita bruta decorrente da venda no mercado interno dos produtos agrícolas (adubos e fertilizantes) possui alíquota zero, podendo a Contribuinte manter em sua escrita fiscal os créditos vinculados a essas operações e, ao final do trimestre calendário, compensálos com outros tributos administrados pela Receita Federal ou restituílos nos termos da legislação vigente. Neste sentido, a Contribuinte optou em compensar os valores dos créditos acumulados, razão pela qual formalizou perante Secretaria da Receita Federal (SRF), por meio de PER/DCOMP, pedidos de ressarcimento de créditos acumulados de PIS/Pasep e COFINS não cumulativos vinculados às receitas de exportação. Em relação aos itens discutidos para constituição do crédito das referidas contribuições, entendo que assiste razão a Contribuinte em relação aos seguintes itens: Despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a fábrica por TUBOVIA (montagem de andaimes, instalação de cano condutor de água na granulação, recuperação e modificação de rampa de entrada de caminhões, separação e construção de rede de esgotos, andaime tubular para manutenção de ponte aérea) No caso em tela, entendo que os custos de produção da Contribuinte, referente aos dispêndios de produtos descarregados no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA, são essenciais ao seu processo produtivo, logo, deve ser mantido o direito a manutenção dos créditos, nos termos Inciso II, do artigo 3°, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003). Quanto as despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, também são essenciais ao processo de produção, portanto, deve ser mantido o direito ao crédito sobre Serviços de Medição de equipamentos Armazéns Portuários, Serviços de transporte (granel de inflável) nos termos do Inciso II, do artigo 3°, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003). Nos termos do artigo 3º, incisos IX, da Lei nº 10.833/2003, do valor a pagar, a pessoa jurídica poderá descontar créditos dos custos incorridos nos meses relativos à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos bens adquiridos para revenda e/ou utilizados como insumos, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Desse modo, é passível de creditamento, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o valor do frete sobre as compras e vendas, bem como as despesas relativas à armazenagem de mercadorias, pagos a pessoa jurídica, domiciliada no país. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11080.722778/200993 Acórdão n.º 9303005.939 CSRFT3 Fl. 315 8 Referente as diárias e serviços prestados de carregamento no Porto de Rio Grande, entendo não serem essenciais ao processo produtivo da Contribuinte, portanto, deve ser mantida a glosa. Sem embargo, o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11080.722778/200993 Acórdão n.º 9303005.939 CSRFT3 Fl. 316 9 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, o que se coaduna com o presente caso. No que tange atualização dos créditos pela Taxa Selic, em regra, não incide correção monetária sobre os créditos escriturais, o artigo 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável também ao PIS, a partir de 01/02/2004, pela norma de extensão do art. 15, veda a correção monetária. Vejamos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Por sua vez, o Acórdão recorrido, sustenta que o art. 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que incide a correção pela SELIC. Penso que houve um equivoco do colegiado a quo, compulsando aos autos verifico que a Contribuinte não solicitou a DRF de origem a aplicação da Taxa Selic (art.39,§4°, da lei 9.250/1995) do momento do pedido de ressarcimento até o momento do efetivo recebimento, como meio de correção monetária. A DRJ/POA, já tinha suscitado que não houve pedido expresso quanto atualização pela SELIC. Vejamos: "Por sua vez, não consta nos autos que a contribuinte tenha solicitado para a DRF de origem a aplicação da taxa SELIC (art.39,§4°, da lei 9.250/1995) do momento do pedido de ressarcimento até o momento do efetivo recebimento, como meio de correção monetária. Todavia, mesmo que tivesse pleiteado a incidência da taxa SELIC, não seria cabível". fls. 167. Com efeito, a tese do acórdão recorrido de que houve oposição estatal em razão do ato proibitivo emanado pela Fazenda Nacional, necessitando da interferência deste Conselho, para que se declarasse o direito, transmudandose a sua natureza de crédito escritural, passando a se constituir dívida do valor, e, dessa forma, sendo devido aplicação da SELIC, nos termos do §4º, do art. 39, da Lei n° 9.250/95, não se sustenta. O ressarcimento e restituição são institutos distintos, porquanto ressarcimento é uma modalidade de aproveitamento de créditos do IPI, PIS/PASEP e COFINS, ao passo que a restituição, prevista no art. 165 da Lei do CTN, é a devolução ao contribuinte de direito, referente a valores de tributos ou contribuições pagos indevidamente ou a maior pela Contribuinte, ou seja, receita que ingressou efetivamente para o Fisco e que não lhe pertencia de direito. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11080.722778/200993 Acórdão n.º 9303005.939 CSRFT3 Fl. 317 10 A legislação tributária, bem delimita as hipóteses de restituição, compensação e ressarcimento, sem considerar que esta última, trata de uma espécie da primeira, ao contrário do que consta nos autos. É o caso, dos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e do § 4 2 do art. 39 da Lei nº 9.250, de1995, que ampara atualização de juros pela SELIC, apenas nos casos de restituição e compensação. Nada Obstante, a decisão recorrida invoca o Recurso Especial nº 1.035.847/RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, embora tenha sido proferido em sede de IPI, não concordo com analogia emprestada. Vejamos: "a verdade é que o raciocínio se aplica aos créditos escriturais como um todo, no sentido de que, havendo permissão legal para tomada dos créditos e o contribuinte não os escriturou no devido tempo, por sua própria mora ou omissão, não fará jus aos juros e correção, pois que não pode imputar ao Poder Público uma penalização que decorre de sua própria inércia". "No entanto, o inverso também é verdadeiro, na medida em que, havendo oposição da Administração Tributária, no tocante ao direito de escriturar determinados créditos, ou pela sua diminuição por inserção indevida de “débitos” em sua base de cálculo, inibindo o contribuinte de lançálos no tempo oportuno ou obrigandoo a correr o risco de glosa ou mesmo de indeferimento de créditos acumulados, forçandoo, com isso, a buscar guarida num processo litigioso, administrativo ou judicial, será então debitada a mora ao Poder Público, que dessa forma, deverá permitir a incidência de SELIC sobre os créditos que até então tinham seu registro vedado, por norma expressa ou oposição na interpretação dada pela Administração Pública". Argumento forçado e contraditório. Para fixar de uma vez por todas que não é possível atualizar créditos escriturais pela Taxa Selic, e tão pouco aplicar por analogia o REsp nº 1.035.847/RS, ou qualquer outro julgado que não verse especificamente sobre PIS/COFINS, cabe trazer a fundamentação legal sobre a não cumulativade dos impostos e contribuições. Em que pese o IPI e PIS/COFINS, serem tributos sujeitos à sistemática não cumulativa, existem diferenças normativas entre as duas espécies de não cumulatividade. A não cumulatividade do IPI é obrigatória, tem como fundamento a Constituição Federal, a qual descreve os impostos não cumulativos, com sistemática de compensar o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. A não cumulatividade deste imposto ocorre com o creditamento na escrita fiscal do montante do imposto pago e destacado nas notas fiscais de entrada e que sofre nova incidência em etapa posterior da cadeia. Contudo, a não cumulatividade do PIS e da COFINS não é obrigatória, pois somente existirá ser for instituída por lei ordinária e pode coexistir com o sistema cumulativo. É tratada pela legislação ordinária, com regras próprias, que podem ser alteradas por meio de lei ordinária. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11080.722778/200993 Acórdão n.º 9303005.939 CSRFT3 Fl. 318 11 Diferentemente do IPI, que além de estar vinculado as regras do texto constitucional, incide sobre produtos relacionados a produção, diametralmente oposto do PIS/COFINS , que decorre do auferimento de receita e não há interferência de outros fatores, têm se que como critério a “receita” não se vincula a um bem especial, abrange ingressos de qualquer natureza. Ainda que a receita auferida venha a ser decorrente da venda de bens, não existe um produto sendo industrializado que estabeleça o fato gerador do PIS/COFINS, razão esta que as Contribuições incidem sobre a totalidade de receitas. Sem embargo, os créditos de IPI são lastreados por valores constantes em notas fiscais das operações anteriores. Por outro lado, os créditos de PIS/COFINS, não são vinculados a este procedimento, são apurados por meio de cálculo em relação a gastos com bens e serviços empregados na atividade empresária "receita auferida". Como se observa, existem diferenças entre os regimes do IPI e PIS/COFINS. Dessa forma, resta claro que o acórdão recorrido não empreendeu a melhor solução ao corrigir pela SELIC créditos escriturais, vedado pelo o artigo 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao PIS, a partir de 01/02/2004, pela norma de extensão do art. 15. Para os que defendem por analogia aplicação do REsp nº 1.035.847/RS, ou qualquer outro julgado que não verse especificamente sobre PIS/COFINS, para corrigir créditos escriturais pela Taxa Selic, por razão lógica, se os créditos de PIS/COFINS tem a mesma natureza dos créditos de IPI, então aplicase o conceito de IPI para manutenção dos créditos de PIS/COFINS ( insumos) não existe o melhor dos mundos. Para que não se alegue, contrariedade, obscuridade e omissão, utilizo subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, para que não reste, dúvida quanto aos fundamentos empregados no presente decisum. in verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, para manter a glosa referente a serviços prestados de carregamento no Porto de Rio Grande, por não serem essenciais ao processo produtivo, e pela impossibilidade de correção monetária dos créditos pela Taxa Selic. É como voto. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11080.722778/200993 Acórdão n.º 9303005.939 CSRFT3 Fl. 319 12 (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 319DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722481/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO
Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos previsto nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009
MANIFESTAÇÕES DO FISCO SOBRE LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS. LANÇAMENTO COM MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Não procede a alegação do contribuinte de que agiu em consonância com manifestações formais do Fisco, o que afastaria a cobrança de multa de ofício e juros de mora. As glosas de créditos, discutidas em sede de outro processo, decorreram de erros de interpretação ou falta de comprovação. Portanto, são lícitas as cobranças, em razão de falta de lançamento e pagamento das contribuições.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE PIS
Trata-se de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do PIS.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE COFINS
Trata-se de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade; por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de afastar a receita com crédito presumido de ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS, vencidos os Conselheiros Liziane, Antonio e Marcos Roberto; por unanimidade de votos, em negar provimento ao argumento em favor da inaplicabilidade da multa de ofício e dos juros de mora; e, por maioria de votos, em negar provimento ao argumento em favor da inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício, vencida a Conselheira Maria Eduarda.
Jose Henrique Mauri - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri, Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos previsto nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 MANIFESTAÇÕES DO FISCO SOBRE LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS. LANÇAMENTO COM MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Não procede a alegação do contribuinte de que agiu em consonância com manifestações formais do Fisco, o que afastaria a cobrança de multa de ofício e juros de mora. As glosas de créditos, discutidas em sede de outro processo, decorreram de erros de interpretação ou falta de comprovação. Portanto, são lícitas as cobranças, em razão de falta de lançamento e pagamento das contribuições. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE PIS Trata-se de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do PIS. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE COFINS Trata-se de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte
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FALTA DE MOTIVAÇÃO Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos previsto nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 MANIFESTAÇÕES DO FISCO SOBRE LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS. LANÇAMENTO COM MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Não procede a alegação do contribuinte de que agiu em consonância com manifestações formais do Fisco, o que afastaria a cobrança de multa de ofício e juros de mora. As glosas de créditos, discutidas em sede de outro processo, decorreram de erros de interpretação ou falta de comprovação. Portanto, são lícitas as cobranças, em razão de falta de lançamento e pagamento das contribuições. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE PIS Tratase de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do PIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 24 81 /2 01 4- 28 Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 343 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE COFINS Tratase de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade; por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de afastar a receita com crédito presumido de ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS, vencidos os Conselheiros Liziane, Antonio e Marcos Roberto; por unanimidade de votos, em negar provimento ao argumento em favor da inaplicabilidade da multa de ofício e dos juros de mora; e, por maioria de votos, em negar provimento ao argumento em favor da inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício, vencida a Conselheira Maria Eduarda. Jose Henrique Mauri Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri, Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva. Fl. 2771DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 344 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância, por bem relatar os fatos: Relatório Os Autos de Infração referemse ao lançamento de valores devidos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – (PIS/Pasep), não cumulativas, correspondentes a fatos geradores ocorridos no período de 10 a 12/2009. Foram lançados os valores de R$ 10.245.734,53 de Cofins e R$ 2.224.732,37 de Contribuição para o PIS/Pasep, acrescidos de multa 75% e juros de mora. Do procedimento fiscal Os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fazem parte da verificação de ofício da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como dos PER/Dcomp apresentados pela contribuinte, no período entre 2006 e 2010. Os procedimentos relativos aos anos de 2006, 2007 e 2008 e de 01/2009 a 09/2009 já foram encerrados anteriormente e o presente processo referese à apuração de outubro a dezembro de 2009 No decorrer das verificações foram detectados fatos que constituem infrações à legislação tributária, que acarretaram a glosa de créditos a descontar informados em Dacon e o lançamento de valores de PIS/Pasep e de Cofins não considerados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais e não declarados em DCTF. Os créditos apurados em Dacon foram glosados e reclassificados de ofício conforme os despachos decisórios dos processos números 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191, 10983.911360/201137, os quais foram apensados ao presente processo. Também foram apensados os processos números 11516.722503/201450, 11516.722502/201413, 11516.722510/201451, 11516.722509/2014 27 que tratam dos autos de infração lançados para aplicação da multa isolada pela não homologação das compensações tratada nos referidos processo. A autoridade fiscal relata que conforme os balancetes de folhas 655 e seguintes, extraídos do SPED Contábil, a contribuinte auferiu receita de créditos presumidos de ICMS, conforme escriturado nas contas contábeis informadas de acordo com o mês, e que tais receitas não foram somadas nas linhas 02.Demais Receitas Alíquota de 1,65% da Ficha 07A e 02.Demais Receitas Alíquota de 7,6% da Ficha 17A, conforme as memórias de cálculo apresentadas em atendimento ao item 14 da Intimação 002/00236, relativas à linha 2 da ficha 07A. Acrescenta que nos balancetes de outubro a dezembro (fls. 655 e seguintes), nenhuma das contas contábeis acima totaliza quaisquer informações sobre o crédito presumido do ICMS. Assim, uma vez que tais receitas não foram tributadas, foi realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário devido. Do quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração de Cofins consta: (i) a infração descrita como: 0001 INCIDÊNCIA Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 345 4 NÃO CUMULATIVA PADRÃO / OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS; (ii) a infração descrita como: 0002 GLOSA DE CRÉDITOS / CRÉDITO DE AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO CONSTITUÍDO INDEVIDAMENTE. Do quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração de Contribuição para o PIS/Pasep consta: (i) a infração descrita como: 0001 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO / OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP; (ii) a infração descrita como: 0002 GLOSA DE CRÉDITOS / CRÉDITO DE AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO CONSTITUÍDO INDEVIDAMENTE. Dos quadros DEMONSTRATIVO DE APROVEITAMENTO DE OFÍCIO DE CRÉDITOS DO REGIME NÃOCUMULATIVO, constam os valores dos créditos das contribuições, vinculados às receitas tributáveis e não tributáveis de aquisições no mercado interno, deduzidos dos valores apurados das infrações. Da manifestação de inconformidade Inicialmente, a recorrente requer a reunião do presente processo aos processos nºs 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191, 11516.722502/201413, 11516.722503/201450, 11516.722509/201427, 11516.722510/2014 51 e 11516.722481/201428. Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando, em síntese, cerceamento do direito de defesa e ofensa ao princípio da motivação ante a “fundamentação precária do despacho decisório”. Reclama que a fiscalização indicou o motivo das glosasatravés de siglas, “igualmente repetidas para cada item” e que não é “razoável” que esta se limite a justificar sua glosa alegando tão somente que os mesmos não se enquadram na definição de "insumos" trazida pela IN SRF nº 404/04, sem tecer quaisquer considerações sobre o processo produtivo da empresa. Nesse sentido, defende, em síntese, que cabia ao fisco “ter aprofundado a análise do emprego do insumo no processo produtivo da requerente” e dizer o motivo de cada glosa indicada na listagem de glosas. Dos Créditos Presumidos de ICMS A impugnante alega que os créditos presumidos de ICMS não compõem a base tributável dos tributos lançados por não consistirem de receita da empresa e que, para tanto, tais ingressos deveriam resultar no efetivo aumento do patrimônio líquido e decorrer de negócios jurídicos por ela praticados, o que não é o caso. Afirma que “os créditos presumidos de ICMS em questão são subvenções econômicas, visto enquadraremse no conceito de ‘transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das empresas beneficiadas’, nos exatos termos do art. 12, parágrafo 3º da Lei nº 4.320/64”, mas depois afirma que “se enquadram nas duas categorias acima (subvenções para custeio e para investimento)” pois, segundo alega, dentro dos valores que a fiscalização visa tributar estão créditos presumidos relacionados a investimentos ou propósitos específicos firmados entre a empresa e os Estados, bem como benefícios de caráter geral, relacionados a setores incentivados. Das glosas de créditos efetuadas pela Fiscalização Os argumentos expendidos pela interessada em sua impugnação não serão aqui relatados, pois são os mesmos das manifestações de inconformidade apresentadas nos autos dos processos que tratam das glosas de créditos das Fl. 2773DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 346 5 contribuições, os de números 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191, 10983.911360/2011 37, cujas cópias encontramse anexadas nos presentes autos. Da multa de ofício e multa e juros de mora A impugnante alega que em tendo agido em conformidade com o entendimento materializado em dezenas de soluções de consulta, emitidas de maneira reiterada e constante, não lhe podem ser exigidos juros e multas incidente sobre os débitos decorrentes do reajustamento da base de cálculo pretendida pela fiscalização, na remota hipótese de se entender que não há direito ao creditamento das contribuições em foco nas situações acima apontadas, o que se requer na forma do art. 100, inciso III, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, c/c o art. 76, inciso II, "a", da Lei n. 4502. Defende que ainda que, caso sejam mantidos os autos de infração, deve ser afastada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, alegando a cobrança desses acréscimos, feita a partir do mês seguinte ao prazo de 30 dias para pagamento do auto de infração ou apresentação de impugnação, é manifestamente indevida, pela ausência de previsão legal expressa autorizando a referida cobrança. Por fim, protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências e a juntada de outros documentos. A impugnação foi considerada integralmente improcedente e o Acórdão n° 07036.509, da 4° Turma da DRJ/FNS, foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A multa de ofício e os juros de mora lançados em auto de infração lavrados pelo não pagamento de tributos decorrem de lei, pelo que não podem ser afastados por autoridades administrativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela Administração Fazendária os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. MANUTENÇÃO DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS DESCONTADOS. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. Mantidas integralmente as glosas dos créditos descontados, não cabe qualquer alteração nos lançamentos dos valores das Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 347 6 contribuições que restaram inadimplidas pela diminuição do crédito passível de desconto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. A partir da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a subvenção para investimento passaram a não integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterize. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. A partir da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a subvenção para investimento passaram a não integrar a base de cálculo da Cofins não cumulativas, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterize. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos contidos na impugnação, exceto quanto aos relacionados às glosas de créditos de PIS e COFINS, em relação às quais tão somente remeteuse aos argumentos aduzidos nos respectivos processos, tal qual o efetuado pela DRJ, cujas cópias encontramse nos autos. É o relatório. Fl. 2775DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 348 7 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O Recurso Voluntário reúne os requisito de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de cobrança de PIS e COFINS, com multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão de glosas de créditos, as quais foram objetos de outros processos, e não inclusão nas bases de cálculo do crédito presumido de ICMS. Com efeito, as glosas de créditos de PIS e COFINS, que são relativos ao 4° Trimestre de 2009, são tratadas nos processos 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191 e 10983.911360/201137. E as correspondentes não homologações de compensação redundaram em cobranças de multas isoladas, que se encontram nos processos 11516.722503/201450, 11516.722502/201413, 11516.722510/201451 e 11516.722509/2014 27. Estes processos já foram julgados em primeira instância, com resultados integralmente desfavoráveis à recorrente. Todos foram distribuídos para este relator e incluídos nesta pauta de julgamento. Na impugnação, a Recorrente trouxe os argumentos que apresentou nos processos sobre as glosas dos créditos. A DRJ não os enfrentou, pois, como o fez em cada um dos processos acima listados, limitouse a ratificar as decisões que já haviam sido proferidas. Nesta linha, no recurso voluntário, a recorrente também não abordou as questões relacionadas aos créditos, limitandose aos seguintes tópicos: "Preliminar: a nulidade do trabalho fiscal decorrente de investigação insuficiente dos fatos que ensejaram as glosas realizadas" "O direito: a indevida inclusão na base de cálculo das contribuições em tela dos créditos presumidos de ICMS; a inaplicabilidade da multa de ofício, visto que a recorrente agiu em observância ao entendimento do próprio fisco; e a inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício." As discussões acerca da legitimidade dos créditos de PIS e COFINS serão travadas nos processos fiscais acima apontados e os seus resultados deverão ser considerados, para a execução do acórdão que resultar deste julgamento. Passo então ao enfrentamento dos argumentos apresentados no recurso voluntário relativo ao presente processo. Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 349 8 "PRELIMINAR: A NULIDADE DO TRABALHO FISCAL DECORRENTE DE INVESTIGAÇÃO INSUFICIENTE DOS FATOS QUE ENSEJARAM AS GLOSAS REALIZADAS" A recorrente alega que o auto de infração não foi devidamente motivado, pelo que deveria ser considerado nulo, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Em suma, a fiscalização não teria apresentado os motivos pelos quais teria glosado os créditos, limitandose a tecer alegações genéricas, o que, inclusive, teria impossibilitado o pleno exercício do direito de defesa. Transcrevo trechos da preliminar: Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 350 9 Ao compulsar os autos, ao contrário do que foi alegado pela recorrente, encontrei trabalho detalhado e adequadamente suportado. Com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte, a fiscalização revisou o processo produtivo. Listou uma séria de bens e serviços que, em seu entender, não davam direito a créditos e os motivos correspondentes, tais como: por não se incluírem no conceito de insumos; cuja compra conferia direito a crédito presumido e não integral; ou cuja compra fora beneficiada com alíquota zero. Todas as compras de bens e serviços foram pormenorizadamente identificadas (nota fiscal, lançamento no Livro Registro de Entradas, ficha e linha do DACON), para fins da realização do citado exame de legitimidade. E as inadmitidas nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS foram incluídas, individualmente, em planilhas, por meio das quais encontrase o total glosado. Não resta dúvida, portanto, que o contribuinte dispunha de todos os elementos necessários ao pleno exercício dos direitos à ampla defesa e contraditório. Uma vez verificado que o auto de infração foi devidamente motivado e que foram cumpridos os requisitos previstos nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, nego provimento à preliminar de nulidade. "O DIREITO" "A INDEVIDA INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES EM TELA DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS" A fiscalização identificou o registro de receitas de créditos presumidos de ICMS (fls. 1.318 a 1.320) não computadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS: "Verificase nos balancetes de outubro a dezembro (fls. 655 e seguintes) que nenhuma das contas contábeis acima totaliza quaisquer informações sobre o crédito presumido do ICMS. Uma vez que tais receitas não foram tributadas, necessário é o lançamento para a constituição do crédito tributário devido." Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 351 10 Efetuou os correspondentes lançamentos de ofício, fundamentada nos artigos 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que dispõem que as contribuições incidem sobre o total das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, destacando que a rubrica em questão não figura dentre as exclusões admitidas. Em suas peças de defesa, a recorrente apresentou as legislações estaduais que dispunham sobre os incentivos, cujos objetivos eram os de estimular o desenvolvimento econômico dos Estados, por meio da concessão de crédito presumido, enquadrandose no conceito de subvenção econômica previsto no § 3° do art. 12 da Lei n° 4.320/64 (normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal). Sobre a natureza jurídica dos ingressos de recursos, inicia pelo PN CST n° 112/78, que separa as subvenções em "para custeio", quando destinadas a cobrir despesas, e "para investimento", quando aplicadas na aquisição de bens ou direitos necessários à implantação ou expansão de um empreendimento econômico. Em razão de suas naturezas, dispõe que os benefícios a que fez jus classificamse em ambas as categorias de subvenção, o que, todavia, não comprometeria o procedimento fiscal que adotou, a saber: Menciona os Acórdãos CARF n° 3403000799, de 02/02/11, e o 9303 002618, de 12/11/13, relatados, respectivamente, pelos i. Conselheiro Winderley Morais Pereira e Conselheira Maria Teresa Martínez López. No primeiro acórdão, consta que o crédito presumido de ICMS é uma redução da despesa com ICMS e não de uma receita. No segundo, também se afirma não se tratar de receita, porém sob o argumento de que esta se configura apenas quando resultante da atividade empresarial, o que, naturalmente, não é o caso do ingresso de recurso por concessão de crédito presumido de ICMS. Lista decisões do STJ, onde a matéria já se encontraria pacificada (AgRg no REsp 136902/Rs, AgRg no AREsp 596212/PR, AgRg no REsp 1329781/RS, AgRg no REsp1165316/SC e REsp 1025833/RS). Fl. 2779DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 352 11 Por fim, transcreve trecho de manifestação da Ministra Rosa Weber, no julgamento do RE 606107/RS, em que, ao analisar a natureza do crédito de ICMS na compra de mercadoria vendida com imunidade, dispôs não se configurar como uma receita, porém "mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS". A DRJ não acatou os argumentos do contribuinte. Segundo o relator, o art. 392 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99) classifica as subvenções para custeio como receitas, do grupo "outros resultados operacionais", pois são recursos destinados a cobrir despesas correntes. Desta forma, à luz dos artigos 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, sofre incidência do PIS e da COFINS. Por outro, as subvenções para investimento são ingressos financeiros destinados exclusivamente `a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Estão previstas no art. 443 do RIR/99 e classificadas no grupo de "resultados não operacionais". Como tal, não são abrangidos pela regra de incidência das contribuições. Nesta linha, consigna que a fiscalização teria classificado as receitas como subvenção para custeio e que não haveria nos autos ou na peça impugnatória argumentos que pudessem levar á conclusão diversa, posto que: os registros contábeis das receitas não indicam a natureza da receita, isto é, se era subvenção para custeio ou para investimento; e na impugnação, o contribuinte ora afirmou tratarse de transferências destinadas para cobrir despesas de custeio ("subvenções para custeio), ora que as receitas poderiam ser enquadradas em qualquer uma das duas categorias de subvenção. Cita o PN CST n° 112/78, cuja manifestação está em linha com os referidos artigos do RIR/99. E, por fim, apesar de não incidirem sobre os fatos geradores em questão, menciona que seu entendimento ainda vigora e se encontra nas Lei n° 11.941/09 e 12.973/14, que, expressamente, excluem das tributações pelo PIS e COFINS tão somente as subvenções para custeio. De pronto, consigno que já julgamos esta matéria outras vezes e a decisão, por maioria de votos, foi sempre desfavorável aos contribuintes. E, além dos Acórdãos CARF citados pela recorrente e em favor dos contribuintes, há outros naquele mesmo sentido e também em contrário (ex: 1401001.837, de 23/03/17, e 9303003.432, de 22/02/17). É, portanto, matéria ainda controversa no âmbito desta esfera administrativa de julgamento. Este relator já consignou seu posicionamento por meio do Acórdão n° 3301 002.966, coincidentemente em processo que envolvia este mesmo contribuinte. E é favorável à tese por ele sustentada. Contudo, foi vencida, por maioria de votos. Não obstante, como mantenho aquele mesmo ponto de vista, peço vênia aos colegas conselheiros e transcrevo parte do voto que na ocasião proferi e do qual faço minha razão de decidir: "(. . .) Fl. 2780DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 353 12 Vamos então tratar de subvenções para custeio e da possível incidência do PIS e da COFINS, uma vez que o outro tipo de subvenção, para investimento, deve ser registrada como reserva de incentivos fiscais (art. 195A da Lei n° 6.404/76, com redação dada pela Lei n° 11.638/07) e não em conta contábil de resultado do exercício, como o fez a Recorrente. Não podermos considerar a questão como pacificada no âmbito do CARF. Contudo, vêse que a maioria das decisões mais recentes são favoráveis aos contribuintes, porque os respectivos colegiados avançaram na análise do tema e atingiram seu ponto central: não se trata de receita e, portanto, não deve ser computada nas bases de cálculo das contribuições. A Lei nº 4.320/64, que estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, em seus art. 12 e 18, trata de subvenções, a saber: "Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (. . .) § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindo se como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (. . .) II) Das Subvenções Econômicas Art. 18. A cobertura dos déficits de manutenção das emprêsas públicas, de natureza autárquica ou não, farseá mediante subvenções econômicas expressamente incluídas nas despesas correntes do orçamento da União, do Estado, do Município ou do Distrito Federal. Parágrafo único. Consideramse, igualmente, como subvenções econômicas: a) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda, pelo Governo, de gêneros alimentícios ou outros materiais; b) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais." A doutrina e a legislação do IRPJ (art. 392 do Decreto nº 3.000/99 RIR) referemse às subvenções econômicas como subvenções para custeio, em razão de terem como objetivo o custeio de despesas das atividades das beneficiadas. E, como a própria lei orçamentária dispõe, tais subvenções para custeio destinamse a cobrir despesas das beneficiadas no caso em tela, reduzir a despesa Fl. 2781DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 354 13 com ICMS. Portanto, não estamos falando de receitas, porém de redução de despesas. Em 2008 (período fiscalizado), o § 1º e o caput do art. 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 dispunham que as contribuições incidiam sobre "o faturamento total, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil" e que o total das receitas "compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pessoa jurídica." O § 3º exclui, expressamente, as receitas da venda de bens do ativo permanente, uma vez que não operacionais. Não há um dispositivo legal que apresente expressamente o conceito de receita. Todavia, no âmbito tributário, o conceito de receita deve ser extraído da legislação do IRPJ. No "Capítulo V Lucro operacional" do RIR, verificase que são tituladas como receitas operacionais o produto das vendas de bens e serviços e da aplicação capital. As doutrina e jurisprudência dominantes também vão neste sentido. No caso em tela, vemos um subsídio, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS, a fim de incentivar a atividade empresarial. Não se trata de receita. E se imaginarmos que, ao invés de conceder o incentivo, tivesse o respectivo fisco estadual simplesmente reduzido a alíquota do ICMS, de forma alguma teria nascido este debate. Neste sentido, há várias decisões do CARF, tais como as proferidas por meio dos Acórdãos nº 310200.787, de 27/10/2010, 3401001.976, de 26/9/2012, e 3201 002.060, de 26/2/2016. Adicionalmente, há o Acórdão nº 3201000.754, de 11/8/2011, de cuja ementa extraio o seguinte excerto: "COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. O “crédito presumido do ICMS”, mero incentivo fiscal, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, está fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor a sua base de cálculo. Não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídico tributária/ obrigação tributária)." E, também nesta linha, há várias decisões do STJ, dentre as quais as colacionadas pela Recorrente, às quais acresço o AgRg no Resp nº 1.329.781 RS, cuja ementa reproduzo: "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ART. 557 CPC. POSSIBILIDADE DE JULGAMENTO MONOCRÁTICO. EXCLUÍDA ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MEMORIAIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. AGRAVO NÃO PROVIDO (. . .) 3. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, Fl. 2782DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 355 14 com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. 4. Agravo regimental não provido." Isto posto, dou provimento às alegações da Recorrente." Com base no acima exposto, dou provimento às alegações da recorrente, no sentido de afastar a receita com crédito presumido de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. "A INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO, VISTO QUE A RECORRENTE AGIU EM OBSERVÂNCIA AO ENTENDIMENTO DO PRÓPRIO FISCO" A recorrente alega que não poderiam ser aplicados juros de mora e multa de ofício, pois teria registrado os créditos de PIS e COFINS objetos de glosa (processos 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191 e 10983.911360/201137) com base em entendimentos manifestados pelo próprio Fisco em processos de consulta. Apresenta como fundamento o inciso III do art. 100 do CTN e a alínea "a" do inciso II do art. 76 da Lei n° 4.502/64. A DRJ, por sua vez, ratificou os lançamentos. Aduziu que as glosas não contrariaram manifestações formais do Fisco e que, portanto, as cobranças de multa de ofício e juros de mora, por falta de lançamento e pagamento, decorrem de lei, consignada no auto de infração. Nada tenho a acrescentar à decisão de primeira instância, pelo que nego provimento aos argumentos incluídos no presente tópico. "A INAPLICABILIDADE DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO." Por falta de previsão legal, não pode ser cobrado juros Selic sobre multa de ofício. Robustece sua tese, indicando os seguintes Acórdãos CARF: 10195.802, de 19/10/2006, 10196008, de 01/03/2007, 0203133, de 06/05/2008 e 10323428, de 17/04/2008. A DRJ não tratou da matéria, por julgála estranha à lide, uma vez que a discussão referese a juros não computados no auto de infração, pois passarão a incidir a partir do momento em que o crédito tributário que tornarse exigível. Também já manifesteime sobre esta questão e em linha com o posicionamento da DRJ. Entendo que a matéria não deveria ser conhecida, por não integrar o lançamento em discussão. Contudo, esta não tem sido a conduta desta turma, que tem julgado a matéria e, por maioria de votos, negado provimento ao citado argumento do contribuinte. E nestes Fl. 2783DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 356 15 casos, tenho votado por negar provimento, pelos argumentos que apresento nos parágrafos seguintes. Tratase de matéria controversa, com decisões favoráveis (ex: Acórdãos n° 3402002.856 e 3402002.901 da 2° Turma da 4° Câmara da 3° Seção) e desfavoráveis (ex: Acórdãos n° 1402002.065 da 2° Turma da 4° Câmara da 1° Seção e 9303003.385 da 3° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) aos contribuintes, no âmbito do CARF. Dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" (grifo nosso) A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repudiam o fato de o conceito de obrigação principal tributária compreender tributo e penalidade. Contudo, não podemos nos furtar a aplicálo. Assim, no caso em tela, a obrigação tributária abrange PIS, COFINS e multa de ofício. Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" (grifo nosso) Portanto, é lícita a incidência de juros sobre a obrigação tributária, consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentouse o entendimento do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso) Fl. 2784DF CARF MF Processo nº 11516.722481/201428 Acórdão n.º 3301004.055 S3C3T1 Fl. 357 16 Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reportome à Súmula CARF n° 4, que vincula este colegiado: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Assim, nego provimento às alegações concernentes à ausência de base legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Conclusão Voto no sentido de negar provimento à preliminar de nulidade e aos argumentos em favor da inaplicabilidade dos juros de mora e da multa de ofício sobre as contribuições lançadas de ofício e dos juros de mora sobre a multa de ofício. Por outro lado, dou provimento aos argumentos relativos à não incidência de PIS e COFINS sobre o crédito presumido de ICMS. Saliento que, por meio presente processo, também cobrase PIS e COFINS não pagos, com multa de ofício e juros de mora, em razão de glosas de créditos registrados no 4° trimestre de 2009. Conforme acima mencionado, estas glosas são tratadas nos processos 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191 e 10983.911360/201137, cujos decisões deverão ser consideradas para fins da execução do acórdão resultante deste julgamento. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2785DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.010611/2001-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1999, 2000
Ementa:
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO.
Devidamente comprovado nos autos parcela do IRRF objeto da controvérsia, mediante documentação hábil, idônea e convergente, reconhece-se o direito creditório dele decorrente para fins da compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1401-000.613
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o IRRF no total de R$4.474.916,00, relativo aos anos-calendário 1999 (R$4.456.246,58) e 2000 (R$18.669,42), bem como o direito creditório e compensações dele decorrentes, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Cons. Maurício Pereira Faro.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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COMPENSAÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO. Devidamente comprovado nos autos parcela do IRRF objeto da controvérsia, mediante documentação hábil, idônea e convergente, reconhecese o direito creditório dele decorrente para fins da compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o IRRF no total de R$4.474.916,00, relativo aos anoscalendário 1999 (R$4.456.246,58) e 2000 (R$18.669,42), bem como o direito creditório e compensações dele decorrentes, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Cons. Maurício Pereira Faro. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 12/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10768.010611/200137 Acórdão n.º 140100.613 S1C4T1 Fl. 977 2 Relatório Tratase originariamente de Pedido de Restituição cumulado com Pedido de Compensação protocolizados em 31/08/2001 (fls.01/02). Os créditos apontados são relativos a saldos negativos de IRPJ (anoscalendário 1998, 1999 e 2000). Posteriormente, no decorrer dos anoscalendário 2001 e 2002, o contribuinte apresentou novos pedidos e declarações de compensação. Conforme despacho da Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT da DERAT – Rio de Janeiro (RJ) (fl.239) a este processo foi transferido o controle dos créditos tributários indicados nos seguintes processos: 10768.100238/200296, 10768.000724/200396, 10768.001605/200351, 10768.002452/200369, 10768.003606/200330, 10768.013523/200197, 10768.014832/200184, 10768.001346/200287, 10768.018127/200237, 10768.018129/200226, 10768.100041/200338, 10768.002881/200336, 10768.002027/200370, 10768.003167/200365, 10768.004347/200364, 10768.100240/200265, 10768.000755/200347, 10768.001663/200384, 10768.002636/200329 e 10768.003167/200365. No Despacho Decisório (fls.631/636), cientificado ao contribuinte em 29/03/07 (fl.682), reconheceuse parcialmente o direito creditório, no valor de R$1.905.483,01 (um milhão, novecentos e cinco mil, quatrocentos e oitenta e três reais e um centavo). As compensações objeto dos PER/DCOMP transmitidos nos anoscalendário 2003 e 2004 não foram homologadas pelos seguintes fundamentos, em síntese: quanto ao anocalendário 1999, o valor declarado de IRRF totalizou R$4.456.246,58, decorrente de remuneração de juros sobre capital próprio, enquanto o sistema DIRF indicou o montante de R$1.771.761,70, decorrente de aplicações financeiras, não tendo o requerente apresentado “comprovante de pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio nos termos do que dispõe o artigo 2º da Instrução Normativa SRF nº 41, de 1998”. A fonte pagadora (CNPJ nº 02.570.688/000170) é sociedade controlada pela Solpart Participações S.A; quanto ao anocalendário 2000, constatouse divergência entre os valores de IRRF informados na DIRF (R$613.375,27) e DIPJ (R$647.929,79); Em primeira instância mantevese a decisão da unidade de origem da Receita Federal, conforme acórdão nº 1215.470, de 16/08/07 (fls.859/866), que recebeu as seguintes ementas: POSTERIOR JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. A apresentação da manifestação de inconformidade é o momento de a interessada oferecer todos os elementos que possuir para a sua defesa, inclusive, de juntar as provas de que dispuser, precluindo o seu direito de fazêlo após o término do prazo legal, devendo ser indeferido o pedido que não observar tal determinação, a menos que se justifique por uma das exceções permitidas. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 12/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10768.010611/200137 Acórdão n.º 140100.613 S1C4T1 Fl. 978 3 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Não tendo a contribuinte logrado previamente comprovar a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, não pode a autoridade administrativa autorizar a pleiteada compensação. De acordo com a Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJO I, in verbis: “Anocalendário de 1999 Da parcela indicada pela interessada (R$5.627.929,20), a Derat/RJ reconheceu o crédito de R$1.171.682,62 e informou que a mesma apresentou declaração de rendimentos indicando o saldo negativo de RS 5.627.929,20, proveniente de IRRF, sendo R$ 4.456.246,58 relativos a juros sobre capital próprio (fl. 498). Aduz que o sistema DIRF (fls. 386/388) demonstra que o valor de IRRF decorrente de aplicações financeiras é de R$ 1.171.761,70. Logo, em razão de o valor de 1RRF incidente sobre o pagamento de juros sobre capital próprio não ter sido informado na DIRF, cuja fonte pagadora (CNPJ 02.570.688/000170) é controlada da interessada (fl. 501) e também pelo fato de a interessada não ter apresentado o comprovante de pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio nos termos do disposto no artigo 2° da IN SRF n° 41/1998, não considerou o IRRF incidente sobre o pagamento de juros sobre o capital próprio para o cálculo do saldo negativo de IRPJ (ver planilha à fl. 634). A interessada alega que o valor relativo dos rendimentos de juros sobre capital próprio encontrase expressamente declarado na linha 16 da ficha 10 A ("outras adições”) da DIPJ de 2000 (fl.778). Acrescenta que o fato de o IRRF incidente sobre os rendimentos de juros sobre o capital próprio do anocalendário de 1999 não ter sido informado pela Tele Centro Sul Participações S/A na respectiva DIRF em nada prejudica o seu direito em utilizar o referido IRRF para fins de compensação, já que está demonstrado que somente recebeu o valor líquido (deduzido do IRRF) e que tributou o valor integral dos rendimentos. Finaliza dizendo que não tem qualquer ingerência sobre os procedimentos fiscais e tributários adotados pela Tele Centro Sul Participações S/A e que se houve erro na apresentação da DIRF (anocalendário de 1999), cabe ao Fisco, no devido prazo legal, cobrar a multa que eventualmente entenda devida, e jamais prejudicála. Consulta realizada nos sistemas informatizados da SRFB, dos anoscalendário de 1999 a 2006 (fls.501 e 858), constatase que empresa Tele Centro Sul Participações S/A, CNPJ 02.570.688/000170, é controlada da interessada. Logo, revela se insustentável o argumento da interessada quanto a não ter qualquer ingerência sobre os procedimentos fiscais e tributários adotados pela Tele Centro Sul Participações S/A, principalmente quanto ao fornecimento de documentos de grande importância para a interessada e que sua controlada tinha o dever de fornecer, ate o dia 10 do mês subseqüente ao do crédito ou pagamento, conforme disposto na IN SRF n° 41/1998. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 12/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10768.010611/200137 Acórdão n.º 140100.613 S1C4T1 Fl. 979 4 Outrossim, o sistema DIRF, em 09/08/2007, demonstra que o valor de IRRF decorrente de aplicações financeiras continua sendo R$1.171.761,70 (fl. 853), ou seja, mesmo tomando conhecimento do indeferimento de seu pleito em 29/03/2007, a interessada não trouxe aos autos qualquer documentação que pudesse comprovar a parcela de R$ 4.456.246,58 relativa a juros sobre capital próprio que ela diz ter direito de utilizar para fins de compensação. Destaquese ainda, que no sistema informatizado da SRFB, ao se acessar as informações (não juntado aos autos devido ao sigilo fiscal) de sua controlada sobre os valores retidos na fonte, na extensa (acima de 100) lista de beneficiários não se constata o CNPJ da interessada. Com efeito, a interessada além de não ter juntado aos autos o comprovante de pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio relativo ao anocalendário de 1999, documento que deveria possuir desde aquela época conforme preceitua o artigo 2° da IN SRF nº 41/1998, também não demonstrou nos autos ter realizado qualquer procedimento visando obter tal documento ou, até mesmo, ter comunicado à SRFB quanto a possíveis dificuldades que estaria enfrentando para obter o comprovante em apreço. Portanto, as razões expostas no parecer da Derat/RJ deverão prevalecer, implicando, conseqüentemente, na desconsideração do 1RRF, no valor de R$4.456.246,58, incidente sobre o pagamento de juros sobre capital próprio para o cálculo do saldo negativo de IRPJ. AnoCalendário de 2000 Para o ano em análise, a autoridade da Derat/RJ diz que a interessada apresentou declaração de rendimentos informando valores de saldo negativo de IRPJ de R$ 647.929,79, provenientes de IRRF, conforme planilha consulta de fl.389 verso. Consulta ao sistema DIRF (fl. 392) demonstra que a retenção de imposto de renda seria decorrente de aplicações financeiras. Destaca que para o ano em análise foi verificada a divergência entre o valor informado na DIRF (R$613.375,27) e o informado na DIPJ (R$647.929,79), apurandose, portanto, o saldo negativo ajustado pelo valor declarado na DIRF (R$613.375,27, fl. 633). A interessada alega que em relação à diferença entre os valores declarados a titulo de IRRF na DIPJ/2001 e nas DIRF's, apresentou todos os documentos necessários à comprovação do montante relativo ao IRRF informado na DIPJ/2001 e, para que não restasse dúvidas quanto ao crédito pleiteado, juntou aos autos documentos já apresentados que comprovariam os valores declarados de IRRF na DIPJ/2001, no montante de R$647.929,79, quantia esta composta pelo IRRF incidente sobre os rendimentos de títulos de renda fixa e variável, no montante Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 12/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10768.010611/200137 Acórdão n.º 140100.613 S1C4T1 Fl. 980 5 de R$629.189,74 e sobre os rendimentos relativos ao recebimento de dividendos, no valor de R$18.740,05. Ao aditar razões de defesa à inicial (fls. 844/845) a interessada juntou cópia do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte de Pessoa Jurídica do anocalendário de 2000, da Brasil Telecom Participações S/A (fl. 849), onde consta o valor de IRRF (R$18.689,42) retido sobre os dividendos distribuídos naquele período. Destarte, as alegações que culminaram no indeferimento do pleito em relação ao anocalendário de 1999 (R$4.456.246,58), aproveitamse para o anocalendário de 2000, implicando, também, na desconsideração da quantia de IRRF no valor de R$ 18.689,42. Portanto, na falta de comprovação, da existência do crédito liquido e certo, e pelos demais argumentos acima expendidos, tenho a convicção de que, na espécie, não merece reforma a decisão recorrida.” No Recurso Voluntário (fls.870/880) alegase que, à vista dos assentamentos contábeis e fiscais, os saldos negativos apurados nas DIPJ 1999, 2000 e 2001 estariam corretos. Além do mais, documentos já acostados aos autos, inclusive no decorrer da fiscalização, e novamente anexados ao recurso, possibilitariam comprovar o direito creditório pleiteado. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. O recurso é tempestivo e dele se toma conhecimento. A solução da controvérsia depende essencialmente de análise probatória, mais precisamente dos documentos que comprovariam o IRRF relacionado a pagamentos de juros sobre capital próprio (R$4.456.246,58) e a rendimentos de aplicações financeiras (R$34.554,52). Anocalendário 1999 Quanto ao recebimento dos juros sobre capital próprio e respectiva retenção do imposto na fonte, nos termos do recurso voluntário, valeuse o recorrente dos seguintes documentos: “(i) Aviso aos Acionistas da Tele Centro Sul Participações S.A. comunicando a aprovação pelo seu Conselho de Administração do pagamento de juros sobre o capital próprio no valor de R$ 154.249.000,00 (folhas 448 a 449 do processo; DOC. 2 da manifestação de inconformidade DOC. 1); Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 12/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10768.010611/200137 Acórdão n.º 140100.613 S1C4T1 Fl. 981 6 (ii) carta da Brasil Telecom informando que a RECORRENTE detinha, no anocalendário de 1999, o total 64.405.151,125 ações da Tele Centro Sul Participações S.A. (atualmente Brasil Telecom Participações S.A.) e que, portanto, do valor integral de juros sobre o capital próprio aprovados, a RECORRENTE tinha direito a quantia de R$29.708.310,54, cujo IRF incidente é de R$4.456.246,58 (folha 453 do processo, DOC. 3 da manifestação de inconformidade DOC. 2); (iii) cópia do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Impostos de Renda na Fonte Pessoa Jurídica demonstrando o crédito bruto de R$ 29.708.310,54 a titulo de juros sobre o capital próprio do ano calendário de 1999, e IRF na quantia de R$4.456.246,58 (folha 452 do processo, DOC. 4 da manifestação de inconformidade DOC. 3); (iv) extrato da contacorrente da RECORRENTE no Banco Itaú S.A. comprovando o recebimento, em 28.06.2000, do valor de R$ 25.593.997,55, referente a dividendos e juros sobre o capital próprio do anocalendário de 1999 (folhas 468 e 469 do processo, DOC. 5 da manifestação de inconformidade DOC. 4); (v) cópias do Livro Diário e do Livro Razão demonstrando que o referido depósito de R$25.593.997,55 compreende o recebimento de juros sobre o capital próprio, no valor de R$25.252.063,96, equivalente à diferença entre o montante do rendimento bruto de R$29.708.310,54 e o IRF incidente de R$4.456.246,58 (folhas 471, 473, 474 e 475 do processo, DOC. 6 da manifestação de inconformidade DOC. 5); e (vi) cópia da DIPJ relativa ao anocalendário de 1999, (folhas 58 a 97, DOC. 7 da manifestação de inconformidade DOC. 6), comprovando que o valor relativo aos rendimentos de juros sobre o capital próprio foi por ela considerado na apuração do IRPJ daquele anocalendário. Tal valor encontrase expressamente declarado na linha 16 da ficha 10 A ("outras adições”) da DIPJ de 2000.” Reforça o contribuinte que o comprovante de “pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio” constaria do processo desde a entrega da manifestação de inconformidade (DOC.4). Sustenta, ainda, que o “fato de o IRF incidente sobre os rendimentos de JCP do anocalendário de 1999 não ter sido informado pela Tele Centro Sul Participações S.A. (atual Brasil Telecom Participações S.A.) na respectiva DIRF em nada prejudica o direito da RECORENTE em utilizar o referido IRF (convolado em saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999) para fins de compensação, já que está demonstrado que ela somente recebeu o valor liquido (deduzido do IRF) e tributou o valor integral (bruto) dos rendimentos”. Fazse necessário o seguinte registro inicial sobre os documentos anexados ao processo: a) Consta da DIPJ 2000 (Ficha 10 A Demonstração do Lucro Real), na linha 16, reservada a “Outras Adições” o valor de R$29.754.257,87 (fl.906); Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 12/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10768.010611/200137 Acórdão n.º 140100.613 S1C4T1 Fl. 982 7 b) No livro Diário há lançamentos, em 31/12/99, a débito nos valores de R$25.252.063,96 (conta 1.8.3.60.00.00028) e R$4.456.246,58 (conta 1.8.3.60.00.00028), e a crédito no valor de R$29.708.310,54 (conta 2.1.2.10.15.00642), tendo tais registros o seguinte histórico: “PROVISÃO DE J.C.P. A RECEBER DE TELE CENTRO SUL PARTICIPAÇÕES S/A” (fl.896). Há também, em 28/06/00, lançamentos a débito no valor de R$20.424.010,08 “CRÉD REF JCP E DIVIDENDOS (1999) – BRASIL TELECOM (DEP CHEQUE)” – e a crédito no valor de R$20.151.147,04 – “CRÉD REF JCP (1999) – BRASIL TELECOM (DEP CHEQUE)” (fl.897); c) No livro Razão há registros, em 28/06/00, com os seguintes históricos: “CRED REF DIVIDENDOS/JCP – BRASIL TELECOM (DOC BRASCAN)” e “CRED REF JCP E DIVIDENDOS (1999) – BRASIL TELECOM (DEP CHEQUE)” (fl.898); d) No “Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica”, relativo ao anocalendário 1999, emitido em 25/09/06 pelo Banco Real, tendo como fonte pagadora a Brasil Telecom Participações S/A, CNPJ nº 02.570.688/000170, e beneficiário Solpart Participações S.A, foi informado como rendimento bruto a título de “Juros” a importância de R$29.708.310,54, bem como a retenção (código 5706) de R$4.456.246,58 (fls.452 e 891); e) No extrato da conta mantida no banco Itaú verificase que foram realizados depósitos em 28/06/00 nos valores de R$20.424.010,08 e R$5.169.987,47 (fl.893); f) Na carta datada de 25/09/06, a Brasil Telecom comunicou à Solpart Participações S.A que, “...relativo ao crédito de JSCP – Juros Sobre Capital Próprio, efetuado em 31/12/1999, o qual foi aprovado em reunião do Conselho de Administração da Tele Centro Sul Participações S.A (TCS), realizada em 02/12/1999”, foi destinado o valor líquido de R$25.252.063,96, sendo o IRRF alcançado o montante de R$4.456.246,58 (fls.453 e 889). Na mesma correspondência foram ainda prestados os seguintes esclarecimentos: “Com relação à 2ª via do "Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte — Pessoa Jurídica (AnoCalendário 1999)” em nome da Solpart, bem como do demonstrativo de cálculo do JSCP de 31/12/1999, informamos que os mesmos foram solicitados ao Banco ABN Amro Real, nesta data, com previsão para serem entregues à Brasil Telecom até o dia 29/09/2006. Quanto ao comprovante do pagamento à Solpart, dos Juros em questão, a Gerência de Tesouraria da BrT solicitou cópia do mesmo ao Banco do Brasil, tendo referido Banco estimado em 30 (trinta) dias, contados a partir de 22/09/2006, o prazo necessário para atendimento desta solicitação.” g) Por meio do “Aviso aos Acionistas”, documento sem assinatura do emitente, a Tele Centro Sul Participações S.A, CNPJ nº 02.570.688/000170, informou, em 17/12/99, que o seu Conselho de Administração aprovou em 02/12/99 o pagamento de Juros sobre Capital Próprio, relativos ao ano 1999, no total de R$154.249.000,00 (fls.885/886). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 12/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10768.010611/200137 Acórdão n.º 140100.613 S1C4T1 Fl. 983 8 Dos autos é possível verificar que ainda durante o procedimento fiscal a Divisão de Fiscalização da DRF de Fiscalização no Rio de Janeiro (RJ), após diligência solicitada pela DERAT (RJ) em 28/11/06 (fls.496/499): (a) verificou que “os valores indicados nas Declarações de Rendimentos DIPJ dos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, correspondem aos lançamentos efetuados na escrituração contábil e o resultado fiscal apurado naqueles períodosbase, refletem a escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR”; (b) atestou a veracidade das informações prestadas nos livros Diário e LALUR; (c) constatou que no anocalendário 1999 foi contabilizado, a título de Juros sobre Capital Próprio, o total de R$29.708.310,54, com retenção de imposto no valor de R$4.456.246,58, tendo sido oferecido à tributação o montante de R$29.754.257,87 na ficha 10/16 da DIPJ. Em seguida concluiu, in verbis: “JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO – 1999: CONTABILIZAÇÃO: Os juros s/Capital Próprio, no total de R$ 29.708.310,54, foram provisionados pelo líquido a receber no valor de R$25.252.063,96 e Imposto a Recuperar no valor de R$4.456.246,58, em contas do ativo (183.60.00.00028 e 188.45.00.00079) em contrapartida com a conta de Passivo (212.10.15.00642) e efetivamente recebidos em junho de 2000, conforme informe de rendimentos às fls.280 e extrato bancário às fls.412; TRIBUTAÇÃO: O valor de R$29.708.310,54 foi oferecido à tributação do IRPJ, via adição ao lucro líquido do exercício para efeito de apuração do lucro real, conforme cópia do LALUR às fls.357, e indicado na ficha 10, linha 16, da DIPJ 2000, conforme documento de fls.64; IRRF: o IRRF, no valor de R$4.456.246,58, foi indicado na ficha 13/13, da DIPJ 2000, para efeito do cálculo do IRPJ, conforme documento de fls.71. ..... CONSTATAÇÃO: Os valores indicados nas DIPJ dos exercícios de 1999, 2000 e 2001, anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, correspondem aos lançamentos efetuados na escrituração contábil e, o resultado fiscal apurado naqueles períodosbase, refletem a escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Assim, à vista dos assentamentos contábeis e fiscais, o saldo do IRPJ apresentado nas DIPJ correspondentes está correto.” Mencionese, ainda, que a mesma autoridade fiscal já havia confirmado anteriormente, também em procedimento de diligência solicitada pela DERAT(RJ), a contabilização da retenção no valor de R$4.556.246,58 a título de “IR S/JUROS S/CAP. PRÓPRIO” (fls.374/377). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 12/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10768.010611/200137 Acórdão n.º 140100.613 S1C4T1 Fl. 984 9 Mesmo diante das informações prestadas pela fiscalização, a DERAT –RJ glosou o IRRF (R$4.456.246,58), relativo ao pagamento de Juros sobre Capital Próprio, em razão de os valores não terem sido informados em DIRF e de a interessada não ter apresentado “comprovante de pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio nos termos do que dispõe o artigo 2º da Instrução Normativa SRF nº 41, de 1998”. Não merece prosperar tal conclusão diante do caderno probatório convergente composto pelas provas acima mencionadas, que não apenas demonstram a retenção em questão, mas também o oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos. Destacase o relatório da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro (RJ), confirmado pelas informações da fonte pagadora, conforme correspondência enviada à recorrente, e pelo informe de rendimentos anexado aos autos. Por tudo isso, na composição do saldo negativo mostrouse indevida a glosa do IRRF no montante de R$4.456.246,58. Anocalendário 2000 Com relação ao anocalendário 2000, a controvérsia resumese igualmente à comprovação do IRRF (R$34.554,52), só que desta feita decorrente de rendimentos de aplicações financeiras. Nos termos do despacho decisório, a fundamentação para a glosa foi a constatação de “divergência entre o valor informado na DIRF (R$613.375,27) e o informado na DIPJ (R$647.929,79)”. Os valores considerados pela fiscalização foram os seguintes: Documento IRRF (R$) Folha (1) Informe de rendimentos financeiros – Opportunity DI FI Curto Prazo e DIRF 13.105,18 285 e 393 (2) Informe de rendimentos financeiros – Opportunity Plus FIF e DIRF 36.082,82 286 e 392 (3) Informe de rendimentos – Citibank Renda Fixa Open e DIRF 514.623,02 287 e 393 (4) DIRF Banco Opportunity 49.552,03 394 (5) DIRF – DIRF Banco Itaú 12,22 394 Total 613.375,27 Por sua vez, o recorrente sustenta que o valor de IRRF seria relativo a retenções sobre rendimentos de aplicações em renda fixa (R$629.189,74) e recebimento de dividendos (R$18.740,05), supostamente comprovados pelos seguintes documentos: “(i) Quanto ao crédito de IRF decorrente dos rendimentos de títulos de renda fixa e variável: (a) cópia do Livro Razão, na qual consta o valor de IRF no valor de R$ 629.189,74, equivalente h diferença do saldo inicial da conta contábil 1.8.8.45.00.00079, na quantia de R$1.292.107,74, e o final, no montante de R$1.921.297,48 (folha 413 do processo DOC. 8 da manifestação de inconformidade DOC. 7); e Fl. 9DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 12/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10768.010611/200137 Acórdão n.º 140100.613 S1C4T1 Fl. 985 10 (b) cópia de diversos documentos emitidos pelas instituições financeiras nas quais a RECORRENTE mantém seus investimentos e que comprovam os valores de IRF retidos e lançados na contábil 1.8.8.45.00.00079 do Livro Razão (folhas 414 a 433 do processo DOC.9 da manifestação de inconformidade DOC. 8); e (ii) Quanto ao crédito de IRF decorrente dos rendimentos relativos ao recebimento de dividendos: (a) Aviso aos acionistas da Brasil Telecom Participações S.A. (nova denominação de Tele Centro Sul Participações S.A.) comunicando a aprovação, em 28.04.2000, pelo seu conselho de Administração do pagamento de juros sobre o capital próprio e dividendos (DOC. 10 da manifestação de inconformidade DOC. 9); e (b) cópia do Livro Razão da RECORRENTE em que consta o lançamento, em 28.06.2000, do IRF incidente sobre os dividendos pagos (DOC. 11 da manifestação de inconformidade DOC. 10)” Acrescenta que já teria anexado à manifestação de inconformidade cópia do “Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte de Pessoa Jurídica”, emitido pela Brasil Telecom Participações S.A, para comprovar a retenção de R$18.740,05 relacionada ao recebimento de dividendos. Tal comprovante não teria sido aceito pela DRJ em razão da impossibilidade de juntada de provas após a manifestação de inconformidade. Novamente de acordo com a Divisão de Fiscalização da DRF de Fiscalização no Rio de Janeiro (RJ), atestouse a contabilização dos rendimentos a título de receitas financeiras e do respectivo IRRF no total de R$647.929,79, bem como o oferecimento à tributação (Ficha 06/24) (fl.498). O fato de o montante de IRRF não ter sido declarado em DIRF pela respectiva fonte pagadora não impede que a retenção possa ser comprovada por outros meios, como se verifica dos autos. Não se vislumbra razão para não se aceitar o informe de rendimentos emitido pela Brasil Telecom Participações S.A, relativo aos dividendos pagos e respectiva retenção (fls.284, 849 e 970) no total de R$18.669,42. Neste sentido, prevê a Lei nº 7.450/85 em seu artigo 55, que “O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”. Tal valor, portanto, deve compor a apuração do anocalendário 2000, uma vez que não foi considerado pela fiscalização. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 12/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10768.010611/200137 Acórdão n.º 140100.613 S1C4T1 Fl. 986 11 Quanto às demais retenções supostamente ocorridas no anocalendário 2000, relacionadas a rendimentos em aplicações de renda fixa, o recorrente buscou comproválas com os documentos de fls.943/964, que, contudo, não indicam valores superiores aos já considerados. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer o IRRF no total de R$4.474.916,00, relativo aos anos calendário 1999 (R$4.456.246,58) e 2000 (R$18.669,42), bem como o direito creditório e compensações dele decorrentes. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 11DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/07/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 12/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 10630.001271/96-44
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 15 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 201-04.568
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Valdemar Ludivig
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 15 de outubro de 1998 cUcf 1 • Processo Diligência Recurso Recorrente : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10630.001271196-44 201-04.568 102.446 ABOAIR ORIPP SILVA RELATÓRIO • • .; A contribuinte acima identificada impugna a eXlgencia consignada na Notificação de fls. 02, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR/95, de sua propriedade localizada no município de Conselheiro Pena - MO, com área de 267,6ha., no valor total de R$ 628,40, alegando, em suma, que o Valor da Terra Nua (VTN) tributado está muito acima da realidade e que o valor fixado pela IN SRF n.o 42/96, para o município onde está localizado o imóvel, é muito superior aos demais municípios da região. Para comprovar suas alegações, traz aos autos Declarações expedidas pela EMA TER - MO e pela Prefeitura Municipal de Conselheiro Pena. A autoridade julgadora singular indefere a impugnação apresentada, em decisão sintetizada na seguinte ementa: "IMPOSTO TERRITORIAL RURAL INSUFICIÊNCIAlINEXISTÊNCIA DE PROVAS LANÇAMENTO RATIFICADO O artigo 29 do Decreto 70.235/72 assegura à autoridade administrativa julgadora a formação de sua livre convicção. Julgadas insuficientes ou inexistentes as provas acostadas aos autos, ratificada estará a presunção de legitimidade de que goza o lançamento tributário, solucionando o litígio em primeira instãncia." Inconformada com a decisão de primeiro grau, a contribuinte apresenta recurso a este Colegiado, reiterando suas razões de defesa já apresentadas na fase impugnatória. Às fls. 29, encontram-se as Contra-Razões apresentadas pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, propugnando pela procedência da decisão recorrida. É o relatório. 2 • , Processo Diligência MINISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10630.001271/96-44 201-04.568 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR VALDEMAR LUDVlG • • i ~ I, Tomo conhecimento do recurso, por tempestivo e apresentado dentro das formalidades legais. A base de cálculo do ITR é o Valor da Terra Nua - VTN, apurado em 31 de dezembro do exercício anterior e informado na declaração anual apresentada pela contribuinte, retificado de ofício, caso não seja observado o valor mínimo fixado pela Secretaria da Receita Federal. A partir da publicação, em 28/01/94, da Lei n.o 8.847, passou a ser facultado ao contribuinte o direito de questionar o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) a partir do comando contido no artigo 3°, ~ 4° da citada lei, valendo a reprodução do texto legal: "Art. 3° - A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua (VTN), apurado em 31 de dezembro do exercício anterior . ........................................................................................................................... ~ 40 _A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte." Conforme jurisprudência já formada, a instância administrativa não é competente para avaliar ou mensurar o VTNm do município. Entretanto, logrando o impugnante comprovar que o VTN utilizado como base de cálculo do lançamento não reflete o real valor do imóvel, cabe ao julgador administrativo, a prudente critério, rever a base de cálculo questionada. Dispensável dizer que a impugnação deverá basear-se em documentos que comprovem o fato alegado, dado que cabe ao contribuinte descaracterizar a presunção de legitimidade de que goza o lançamento regularmente notificado. A contribuinte somente trouxe aos autos declarações de valores, firmadas pela EMATER _ MG e pela Prefeitura Municipal de Conselheiro Pena - MG, em que pese a reconhecida capacitação técnica destas entidades, as referidas declarações não suprem a exigência contida no ~ 4° do art. 3° da Lei n° 8.847/94, retrotranscrito. Em face do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para que a repartição local de domicílio da contribuinte intime-a a apresentar Laudo Técnico, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica, ou por profissional devidamente 3 • <-I Processo Diligência MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10630.001271/96-44 201-04.568 • • ~ i habilitado com registro no CREA, constando o Valor da Terra Nua - VTN e dados referentes à qualificação do imóvel, meios de acesso, condições do solo, plantações, criações, áreas isentas, inaproveitáveis, benfeitorias, serviços públicos que abastecem a propriedade, topografia, métodos de avaliação, fontes de pesquisa que ensejaram a convicção do valor atribuído à área e tudo o mais que existe no imóvel. Caso seja apresentado Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, deverá ser procedida a devida Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao CREA local. É como voto. S das Se ães, em 15 de outubro de 1998 4 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 16327.721345/2014-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE CONCORDÂNCIA.
Decisão que aprecia os aspectos essenciais da lide e veicula fundamentação condizente com suas conclusões, ainda que sucinta, não se confunde com julgado lacunoso, muito menos concordante com as alegações das partes quanto aos aspectos que considerou desnecessário abordar especificamente.
EFEITO DEVOLUTIVO DO RECURSO. NORMA PROCESSUAL.
Interposto recurso contra a decisão de primeira grau, são devolvidas ao conhecimento, apreciação e julgamento pela instância superior todas as questões suscitadas e discutidas no processo relativa à matéria impugnada, por força do efeito devolutivo do recurso.
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade.
PLR. AJUSTE PRÉVIO. PARTICIPAÇÃO SINDICAL.
Os programas de participação nos lucros ou resultados demandam ajuste prévio ao correspondente período de aferição, quando vinculados ao desempenho do empregado ou do setor da pessoa jurídica face a critérios e metas pré estabelecidas.
A simples referência em convenção ou acordo coletivo a outros planos, ainda que pretensamente incorporados ao instrumento daqueles resultante, não atesta a existência de negociação coletiva na elaboração desses planos, tampouco supre a exigência legal de efetiva participação da entidade sindical, ou de representante por ela indicado em comissão, na elaboração e fixação de suas regras, e respectivos critérios de avaliação, destinadas aos empregados.
PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS.
Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários.
PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga a esse título.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO OU SUBSTITUIÇÃO DA REMUNERAÇÃO. DESPROPORÇÃO.
Não havendo sido comprovado estarem determinados pagamentos efetuados a título de PLR associados aos instrumentos negociados, e restando evidenciado corresponderem esses valores a vários múltiplos dos salários base dos funcionários envolvidos, de modo deveras desproporcional, resta caracterizada sua natureza remuneratória.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Posicionando-se o STJ em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.230.957/RS, no sentido da não incidência de contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, e acolhendo a PGFN e a administração tributária essa orientação, mediante a edição dos competentes atos administrativos, não prospera lançamento em desacordo com tal entendimento.
Numero da decisão: 2402-006.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir dos lançamentos: 1. a) para cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos efetuados a título de PLR, vinculados às Convenções Coletivas e aos PPRS regrados em Acordos Coletivos, desde que o conjunto total de pagamentos realizados a esse título, independentemente do instrumento que os amparem, tenha sido efetuado com periodicidade de até duas vezes ao ano e superior a um semestre, nos termos prescritos no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/2000; b) não se incluem nos pagamentos excluídos conforme item '1.a)', os montantes associados aos beneficiários discriminados nos Demonstrativos - PLR x Ordenado; 2. as contribuições incidentes sobre os montantes pagos a título de aviso prévio indenizado. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Votou pelas conclusões o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrente AYMORE CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE CONCORDÂNCIA. Decisão que aprecia os aspectos essenciais da lide e veicula fundamentação condizente com suas conclusões, ainda que sucinta, não se confunde com julgado lacunoso, muito menos concordante com as alegações das partes quanto aos aspectos que considerou desnecessário abordar especificamente. EFEITO DEVOLUTIVO DO RECURSO. NORMA PROCESSUAL. Interposto recurso contra a decisão de primeira grau, são devolvidas ao conhecimento, apreciação e julgamento pela instância superior todas as questões suscitadas e discutidas no processo relativa à matéria impugnada, por força do efeito devolutivo do recurso. NULIDADE. LANÇAMENTO. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 45 /2 01 4- 61 Fl. 1883DF CARF MF 2 PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS. Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga a esse título. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO OU SUBSTITUIÇÃO DA REMUNERAÇÃO. DESPROPORÇÃO. Não havendo sido comprovado estarem determinados pagamentos efetuados a título de PLR associados aos instrumentos negociados, e restando evidenciado corresponderem esses valores a vários múltiplos dos salários base dos funcionários envolvidos, de modo deveras desproporcional, resta caracterizada sua natureza remuneratória. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Posicionandose o STJ em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.230.957/RS, no sentido da não incidência de contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, e acolhendo a PGFN e a administração tributária essa orientação, mediante a edição dos competentes atos administrativos, não prospera lançamento em desacordo com tal entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 16327.721345/201461 Acórdão n.º 2402006.026 S2C4T2 Fl. 108 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir dos lançamentos: 1. a) para cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos efetuados a título de PLR, vinculados às Convenções Coletivas e aos PPRS regrados em Acordos Coletivos, desde que o conjunto total de pagamentos realizados a esse título, independentemente do instrumento que os amparem, tenha sido efetuado com periodicidade de até duas vezes ao ano e superior a um semestre, nos termos prescritos no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/2000; b) não se incluem nos pagamentos excluídos conforme item '1.a)', os montantes associados aos beneficiários discriminados nos Demonstrativos PLR x Ordenado; 2. as contribuições incidentes sobre os montantes pagos a título de aviso prévio indenizado. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Votou pelas conclusões o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 1885DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE, que julgou procedente autos de infração referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR e aviso prévio indenizado, em desacordo com a legislação previdenciária. Em razão do procedimento fiscal, foram lavrados os DEBCAD 51.025.6392 (parte da empresa e RAT) e DEBCAD nº 51.025.6406 (salário educação e INCRA). Passo a transcrever, no essencial, as principais conclusões do Relatório Fiscal. Periodicidade equivocada de pagamentos 5.15 Analisando a periodicidade dos pagamentos efetuados como sendo PLR, constatouse o não atendimento ao disciplinado no § 2° do art. 30 da Lei n° 10.101/2000, anteriormente transcrito, que expressamente veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Como pode ser observado pelos Demonstrativos Periodicidade dos Pagamentos de PLR 2010, 2011 e 2012, houve casos em que para o mesmo beneficiário existiram até quatro pagamentos dentro do mesmo ano civil ou dois pagamentos no mesmo semestre. Nos Demonstrativos de 2010 e 2011 constam todos os pagamentos feitos aos empregados, já no de 2012 constam apenas os casos em que houve mais de dois pagamentos. Compensação entre os instrumentos de PLR 5.22 Em virtude da existência de mais de um instrumento de negociação tratando sobre PLR para o mesmo período, foi necessário verificar quais instrumentos foram utilizados pelo contribuinte no pagamento da PLR aos seus empregados, bem como averiguar se houve compensação dos valores pagos com base em tais instrumentos. 5.23 Iniciando nossa análise pelas Convenções Coletivas de Trabalho Aditivas PLR, e sendo que os textos destas, para os anosbase de 2009, 2010, 2011 e 2012, possuem a mesma estrutura, transcrevemos a seguir o estabelecido pela Convenção datada de 27/10/2009 , in verbis: CLÁUSULA III DA EXCEÇÃO DO PAGAMENTO DA P.L.R. As empresas representadas pelo SINDICATO DOS EMPREGADORES que têm programas próprios de P.L.R. nos termos da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro 2000, poderão compensar os valores pagos em decorrência deste instrumento, com os valores que forem apurados em função dos seus programas internos, referentes ao período compreendido entre janeiro e dezembro de 2009, exceto a quantia de R$ 1.300,00 (hum mil e trezentos reais) correspondente ao valor fixo previsto na Cláusula 1a desta Convenção Coletiva de Trabalho Aditiva. Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 16327.721345/201461 Acórdão n.º 2402006.026 S2C4T2 Fl. 109 5 524 Por sua vez, para esses mesmos anosbase, temos a vigência de Acordos Coletivos de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados Santander (PPRS), os quais apresentam redação bem similar em todos os anos quanto à questão da compensação, razão pela qual destacamos apenas o texto do Acordo Coletivo datado de 30/12/2009, ad litteram: CLÁUSULA QUINTA: Compensação Os valores decorrentes dos pagamentos do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) e dos Programas Específicos mantidos pelas EMPRESAS ACORDANTES, referidos no caput e parágrafo primeiro da cláusula sexta deste acordo coletivo, não serão compensados com a Participação nos Lucros ou Resultados estabelecidos pela Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. CLÁUSULA SEXTA: Programas Específicos mantidos pelos Acordantes Ficam ratificados, nos termos do artigo 20, II, da Lei 10.101/00, todos os Programas de Participação nos Lucros ou Resultados, específicos para segmento de negócios das EMPRESAS ACORDANTES, relacionados em anexo, com as metas, indicadores, formas de aquisição e prazo de vigência que constam dos respectivos instrumentos, nominados PROGRAMAS SIM e respectivos Super Ranking/RV Cartilha, e Programas Específicos relacionados no Anexo I, os quais integram o presente Acordo Coletivo de Trabalho. PARÁGRAFO PRIMEIRO Integra, também, o presente Acordo Coletivo de Trabalho, o PPG Programa Próprio Gestão, destinado às áreas institucionais que obedece às regras e valores fixados pela Diretoria com base no respectivo cargos ou função. PARÁGRAFO SEGUNDO O valor do PPRS previsto no presente acordo engloba os valores pagos nos respectivos programas específicos previstos nesta cláusula, compensandose as antecipações, eventualmente realizadas. 5.25 Da leitura dos dispositivos transcritos acima, resta evidente que os valores pagos com base nas Convenções Coletivas de PLR não são compensados com quaisquer outros instrumentos e, ainda que o fossem, só o seriam parcialmente, uma vez que há uma parcela de valor fixo nãocompensável prevista na própria CCT. 5.26 Mesmo assim, o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal de 25/06/2014) para esclarecer se, na prática, ocorreu a compensação entre a Participação nos Lucros ou Resultados relativa às Convenções Coletivas e àquelas decorrentes dos Planos/Programas e Acordos Coletivos, tendo respondido, por intermédio de Carta, datada de 15/07/2014, entregue em 16/07/2014, que: embora a regra da Convenção Coletiva da categoria permita a compensação de valores a distribuir de PLR, previstos na referida Convenção, com os valores a distribuir dos Programas Próprios, por decisão interna, não efetuamos esta compensação; no entanto, há compensação entre os valores previstos no Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) com os demais programas previstos neste Acordo, ou seja, com o Programa Próprio de Gestão (PPG) ou o Programa Próprio Específico (PPE), dependendo da elegibilidade de cada beneficiário; Fl. 1887DF CARF MF 6 o Programa Próprio (PPRS) garante um valor mínimo de pagamento de valores e haverá compensação somente caso o funcionário seja elegível ao PPG ou PPE, bem como se os valores pagos a título de PPG ou PPE sejam superiores aos valores pagos de PPRS. 5.27 Dessa forma, conforme esclarecimento prestado pela empresa, os valores de PLR pagos com base nas Convenções Coletivas não foram compensados com outros instrumentos; tendo havido apenas compensação entre os valores pagos com base nos Acordos Coletivos (PPRS) e os Programas Próprios Gestão e/ou Programas Específicos. 5.28 Claro está, portanto, que a empresa utiliza dois instrumentos contemplando os mesmos empregados, Convenção Coletiva e Programa Específico/Acordo Coletivo. Todavia, sabese que somente uma das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo. Ou se distribui lucros/resultados por intermédio de um Plano Próprio pactuado entre comissão de empregados e empresa ou através de Convenção Coletiva ou através de Acordo Coletivo. Havendo pagamentos de PLR com base em instrumentos distintos, referentes aos mesmo período, deve haver compensação entre eles. Intempestividade da negociação 5.32 Continuando a análise dos instrumentos de negociação, verificase que todas as Convenções Coletivas de Trabalho que tratam da PLR, arroladas nas alíneas "q" a "t" do item 5.14, possuem vigência retroativa e que, portanto, não foram elaboradas antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, como exige a lei. 533 Vêse claramente, por exemplo, que os empregados durante quase todo o ano de 2009, 2010, 2011 e 2012, desconheciam completamente os requisitos a que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba referente à PLR, uma vez que os critérios e condições para o recebimento da PLR só foram estabelecidos posteriormente, em 27/10/2009, 27/10/2010, 11/11/2011 e 29/10/2012, respectivamente, próximo do final do período a que se referiam, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais. 5.34 O mesmo raciocínio vale para os Acordos Coletivos de Trabalho dos Programas da Participação nos Resultados Santander (PPRS) celebrados em 30/12/2009, 28/02/2011 e 28/06/2012, cujo conhecimento das regras por parte dos empregados só ocorreu já transcorrido todo o ano de 2009, dois meses do ano de 2011 e quase a metade do ano de 2012. (...) 5.46 Com relação a todos os Programas Próprios Gestão, Programas Específicos e SRV, arrolados nas alíneas "d" a "p" do item 5.14, não houve comprovação de seu registro e arquivamento na competente entidade sindical, como estabelecido no art. 20, em seu § 2°, da Lei n° 10.101/2000. Tal comprovação foi solicitada à empresa por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (em seu item 16), lavrado em 07 de janeiro de 2014. 5.47 Tampouco houve a obrigatória participação do sindicato na elaboração de tais documentos, em afronta direta à exigência legal. Inexistência de programa de participação prévio 5.52 Sendo o teor dos Acordos Coletivos de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados Santander (PPRS) basicamente idênticos, trataremos Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 16327.721345/201461 Acórdão n.º 2402006.026 S2C4T2 Fl. 110 7 como exemplo daquele relativo aos anosbase 2009 e 2010, celebrado em 30/12/2009, que assim dispõe: [...] 5.53 Da leitura dos dispositivos transcritos acima, vêse que o único critério para elegibilidade dos beneficiários adotado pelos acordos coletivos é a admissão do empregado antes do início do anobase a que se refere o pagamento da PLR (ou no decorrer deste) e estar em efetivo exercício ao término desse mesmo ano. Dessa forma, é pertinente indagarse como tal critério poderá servir como incentivo à produtividade? Para tanto, seria necessário que o instrumento de negociação contivesse alguma determinação a ser cumprida pelos empregados e que fosse incentivadora da produtividade, que se atendida lhes daria o direito ao recebimento do numerário especificado. Entretanto, nos acordos coletivos em comento, não há qualquer determinação para os empregados, apenas ser necessário trabalhar na empresa e manter vínculo no último dia do respectivo ano, ainda que tenham se afastado durante todo o ano por doença ou acidente de trabalho, o que demonstra tratarse na verdade de pagamento de prêmio por tempo de serviço e não de PLR. 5.54 Além disso, independentemente do índice comparativo ROE obtido, ainda que ele seja zero, é assegurado o valor fixo mínimo, o que corrobora o fato de não existir qualquer nexo entre os valores ganhos pelos empregados a título de PLR e os lucros ou resultados da empresa. Ao contrário, a participação nos resultados já aparece como um fato consumado, independente de qualquer atitude tomada pelo empregado, ele receberia a PLR, o que afasta qualquer possibilidade de se vislumbrar na parcela paga a qualificação que lhe outorgou a autuada. 5.55 Se o empregado jamais deixa de receber valor referente à participação nos resultados, uma vez que existe um valor fixo mínimo, tratase tal verba na verdade de uma gratificação, bonificação ou outro nome que se queira, menos PLR. (...) 5.61 Igualmente desrespeitam a lei os Programas Próprios Gestão 2009/2010 e 2011, ambos sem data. (...) 5.63 Desses Programas Próprios Gestão são supostamente partes o contribuinte e seus empregados. Todavia, não consta qualquer assinatura ou qualificação no instrumento, nem a data de sua celebração, não sendo possível, portanto, comprovar sequer que foi celebrado de fato e quem foram as partes e seus representantes legais. Os programas em tela não comprovam que houve a participação dos empregados em sua elaboração, não comprovam quando ocorreu a sua ciência por parte dos empregados, não comprovam a participação de um representante sindical nas negociações, nem que o instrumento de negociação foi devidamente registrado e arquivado na competente entidade sindical. (...) 5.67 Temos ainda que o conteúdo dos programas próprios gestão resumese ao transcrito no item 5.62 acima, não apontando em momento algum as metas que deverão ser atingidas para que o empregado se torne beneficiário da participação. Falase em metas quantitativas e qualitativas e competências individuais, mas não se explica. Menciona a existência de avaliação de competências, mas não descreve os parâmetros nela utilizados nem apresenta modelo básico de tal Fl. 1889DF CARF MF 8 avaliação. Verificase, inclusive, que o plano estipula que as metas serão acordadas entre o gestor e o funcionário e que poderá ser revisto a qualquer momento levando se em conta fatores tais como momento econômico e planos de negócios da empresa. (...) 5.71 Além disso, como descrito no item 6 dos programas próprios gestão, independentemente do desempenho da empresa, é assegurado o valor estabelecido no acordo coletivo (o de 2011 assegura o valor estabelecido na convenção coletiva de trabalho), o que corrobora o fato de não existir qualquer nexo entre os valores ganhos pelos empregados a título de PLR e os lucros ou resultados da empresa. Ao contrário, a participação nos resultados já aparece como um fato consumado, independentemente de qualquer atitude tomada pelo empregado, ele receberia a PLR, o que afasta qualquer possibilidade de se vislumbrar na parcela paga a qualificação que lhe outorgou a autuada. 5.72 Repetindo observações anteriores, se o empregado jamais deixa de receber valor referente à PLR, uma vez que existe um valor fixo mínimo, tratase tal verba na verdade de uma gratificação, bonificação ou outro nome que se queira, menos PLR. [seguese, na continuidade, linha argumentativa similar, mas referindose aos Programas Próprios Específicos e SRV] Natureza de Comissão/Premiação 5.80 Por fim, vale mencionar que as regras contidas nesses Programas Próprios Específicos e SRV mais se assemelham às regras para pagamento de comissão/premiação. O próprio texto dos programas usa muitas vezes o termo "premiação" que basicamente depende de quatro indicadores: produção, resultado, medalha e multiplicador, discriminando regras para cada um deles. E corroborando tal entendimento, na Carta de 29/01/2015, entregue nessa mesma data, a própria empresa afirma que dos documentos SRV decorrem pagamentos mensais e semestrais; sendo os pagamentos mensais considerados como verbas de comissões (os quais são tributados e declarados em GFIP) e os semestrais são considerados como verbas de PLR (não tributados nem declarados em GFIP). 5.81 Em continuidade ao expendido, discorreremos acerca de um dos dispositivos legais mais importantes nesse tema que é aquele que determina que a participação nos lucros ou resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. Essa disposição legal, que se aplica a todos os instrumentos de negociação da PLR adotados pela empresa, quais sejam, as Convenções Coletivas de Trabalho e os Acordos/Programas Próprios, uma vez que a PLR é um instituto único, demonstra claramente a preocupação do legislador em não permitir que a PLR fosse utilizada em substituição de parcela salarial, o que não foi respeitado pela empresa ora autuada, como será explanado. (...) 5.83 Do exame das folhas de pagamento, observaramse diversos casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados, excedia em dezenas de vezes o valor do salário base (do ordenado) mensal do próprio empregado, como destacados por amostragem nos Demonstrativos PLR x Ordenado 2010, 2011 e 2012. Há casos em que o valor da PLR excede em mais de cem vezes o salário base do funcionário. Cabe ressaltar que da leitura dos planos e dos seus anexos, não foi verificada a possibilidade da verba paga a título de PLR alcançar valores tão vultosos. Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 16327.721345/201461 Acórdão n.º 2402006.026 S2C4T2 Fl. 111 9 5.84 Percebese claramente que, na realidade, as verbas pagas pela empresa a título de PLR, nada mais são do que instrumento de premiação/gratificação/bonificação ou qualquer que seja a sua nomenclatura, travestido de PLR, com nítido caráter retributivo e em substituição salarial. Além disso, vimos que muitos empregados receberam valor superior à sua remuneração anual, na forma de PLR, sem incidência de contribuição social alguma. É evidente que tais pessoas não estão prestando serviços à empresa por conta do salário "oficial" pelo qual foram contratadas. A verdadeira remuneração dessas pessoas não é o salário "oficial" que recebem e sim os valores exorbitantes travestidos de "participações nos resultados". Além disso, também foi constituído crédito tributário relativamente aos valores percebidos a título de aviso prévio indenizado, por entender a autoridade lançadora terem eles caráter remuneratório, à luz da legislação pertinente. A despeito da impugnação, a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 1636/1687), ensejando a interposição de recurso voluntário em 16/6/2016 (fls. 906/1010), no qual foi alegado, em apertada síntese, que: uma série de argumentos do recorrente foram reconhecidos expressa e tacitamente pela decisão de piso; todos os instrumentos de negociação coletiva, Convenções, Acordos e Programas que fundamentaram os programas de PLR são claros e objetivos, conforme detalhamento que apresenta, e que a presunção de falta de clareza das regras estabelecidas macularia a autuação de nulidade, tanto mais quanto se considera a complexidade da atividade de uma instituição financeira; é acertada a periodicidade dos pagamentos de PLR, consoante reconhecido pela DRJ/CGE, pois embora vinculados a diferentes instrumentos, são pagos em datas coincidentes, e, de todo modo, as regras atinentes ao tema devem ser aplicadas separadamente para cada instrumento, que podem coexistir e prescrever compensação; é necessário que a negociação anteceda o pagamento, e não que os instrumentos de negociação estejam concluídos antes de decorrido o período de aferição, como acatado pela DRJ, e, no caso do recorrente, tratase de repetição de instrumentos semelhantes acertados em anos pretéritos; que a conclusão pelo caráter substitutivo do PLR frente ao salário a que chegou a DRJ/CGE se atém ao exame da situação de poucos funcionários (0,16% do total), não havendo, aliás, limite prévio firmado em lei para pagamentos do gênero; que existem critérios para elegibilidade dos empregados, nexo entre o PLR e os lucros e resultados apurados; que os programas específicos de metas PPG, PPE e SRV constam do Anexo I dos Acordos Coletivos, sendo deles partes integrantes; quanto ao aviso prévio indenizado, impõese a aplicação de recurso repetitivo julgado pelo STJ sobre o assunto, sendo claro seu caráter indenizatório. É o relatório. Fl. 1891DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Esclareçase previamente que as nulidades aventadas confundemse com o mérito, e portanto, no enfrentamento deste serão tratadas. Da participação nos lucros ou resultados. Inicialmente, merece ser dito que a decisão de piso consignou expressamente que os aspectos da infração por ela denominados de "intempestividade da negociação", "periodicidade equivocada de pagamentos" e "compensação entre os instrumentos de PLR" não serviriam de amparo para a manutenção do lançamento. E, ainda que na análise desses pontos não tenha especificado cada um dos instrumentos de negociação coletiva envolvidos, não há como negar estar a decisão fundamentada, e, na ausência de ressalva, serem as considerações ali traçadas aplicáveis a esses instrumentos em seu conjunto. Por seu turno, o acórdão em comento entendeu inexistir efetivo PLR e convergiu com as alegações do Fisco de que os pagamentos de PLR seriam assemelhados a comissão/premiação. E, da mesma forma que fizera quanto aos tópicos que entendeu insubsistentes da autuação, também nos que considerou pertinentes não detalhou maiores considerações no que concerne a cada um dos instrumentos de negociação. Destarte, da eventual não abordagem de cada um dos questionamentos levantados pelo contribuinte não decorre a consequência insinuada na peça recursal, de que teria havido concordância com seus pontos de vista. A fundamentação, ainda que sucinta, revelase hábil a justificar a manutenção do auto de infração. À evidência, o acórdão recorrido cingiuse à discorrer sobre as razões que considerou suficientes tanto para amparar, como para afastar as diversas conclusões da autoridade fiscal. E, cabe reconhecer, os principais aspectos do lançamento foram efetivamente analisados, não sendo apropriado falar em lacunas na decisão. Nessa toada, vale lembrar que o fato de a decisão não ter analisado cada uma das alegações do recorrente não prejudica em nada sua validade, pois, como cediço, o julgador não está obrigado a refutar, um a um, todos os argumentos deduzidos pelo recorrente, bastando apreciar com clareza, ainda que de forma sucinta, as questões essenciais ao julgamento, conforme jurisprudência consolidada nas Cortes Superiores (EDcl no AgRg no REsp nº 1.338.133/MG, REsp nº 1.264.897/PE, AgRg no Ag 1.299.462/AL, EDcl no REsp nº 811.416/SP), a qual vem sendo respeitada mesmo após o advento do art. 489 do CPC, a teor do decidido no EDcl no MS 21.315, j. 8/6/2016. Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 16327.721345/201461 Acórdão n.º 2402006.026 S2C4T2 Fl. 112 11 No mesmo sentido, já lecionava o processualista Manoel Caetano Ferreira Filho1 que a instância recorrida não está obrigada a resolver todas as questões atinentes aos pedidos das partes, podendo apreciar todas elas, ou se omitir quanto a algumas delas "basta que decida aquelas suficientes à fundamentação da conclusão a que chega no dispositivo da sentença". Na verdade, o recorrente busca transformar o que é mera não manifestação do julgado com relação a alguns aspectos fundado tal proceder no entendimento, por parte daquele Colegiado, pela suficiência dos argumentos à ocasião expendidos em concordância com seus argumentos, pretensão a qual, observado o conjunto da fundamentação, não merece guarida. Noutro giro, importa explicar que os temas atinentes à "intempestividade da negociação", "periodicidade equivocada de pagamentos" e "compensação entre os instrumentos de PLR" não estão, como destacadamente alude o recorrente, 'resolvidos' pela DRJ em seu favor, como se pudesse falar em coisa julgada administrativa quanto a esses aspectos. Decerto se, por exemplo, houvesse no julgamento de primeira instância obtido o contribuinte êxito em sua impugnação exonerando à infração referente ao tema PLR, e perdido no tocante ao aviso prévio, eventual recurso voluntário interposto no que se refere a essa última matéria não poderia, em simultâneo, alterar o resultado do provimento favorável quanto à primeira, sob pena de violação ao princípio de proibição ao reformatio in pejus. Porém, não é disso que aqui se trata, o que fica evidente quando se considera que a pretensão do recorrente, o cancelamento da autuação, restou toda rechaçada no julgamento de piso, e encontra acolhimento, ainda que parcial, nessa instância de instância de segundo grau, conforme restará claro no encaminhamento do presente voto. Com efeito, estáse apenas a aplicar a legislação vigente no país. Isso porque, uma vez havendo recurso de uma decisão, é devolvida à apreciação da instância superior o conhecimento e apreciação das questões litigadas em grau inferior de jurisdição, conforme dispõe o art. 1.013, §§ 1º e 2º do CPC (aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal por força do art. 15 desse mesmo Código): Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1oSerão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. § 2oQuando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. (grifei) Tratase do bem conhecido efeito devolutivo em profundidade, em virtude do qual o órgão ad quem pode reapreciar as questões relativas à matéria impugnada. Como já 1 FERREIRA FILHO, Manoel Caetano. Comentários ao Código de Processo Caivil. São Paulo: RT, 2001, v. 7, p. 121. Fl. 1893DF CARF MF 12 ensinava Barbosa Moreira2: "a devolução se produz de qualquer maneira, ex vi legis". A respeito, também merecem ser colacionadas as lições de Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha3, dentre outros tantos autores trouxeram considerações no mesmo sentido4: E a questão é: o órgão ad quem poderá (re)apreciar todas essas questões, examinadas ou não pelo juízo a quo? Pode. Conforme resulta dos parágrafos do art. 515 [referência ao dispositivo correspondente do antigo CPC], é amplíssima, em profundidade, a devolução das questões. (...) Segue um exemplo. Se o autor invocar dois fundamentos para o pedido, se o juiz o julgou procedente apenas por um deles, silenciando sobre o outro, ou repelindoo, a apelação do réu, que pleiteia a declaração de improcedência, basta para devolver ao tribunal o conhecimento de ambos os fundamentos; caso, a seu ver, o pedido mereça acolhida justamente pelo segundo fundamento, e não pelo primeiro, o tribunal deve negar provimento ao recurso, "confirmando" a sentença na respectiva conclusão, mediante correção dos motivos. (grifei) E a matéria impugnada (a qual define o efeito devolutivo em extensão sentido horizontal), frisese, no caso é a autuação fiscal em sua integralidade, ou seja, a exigência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR e aviso prévio indenizado, conforme se depreende da leitura dos termos do recurso voluntário, idênticos ao da impugnação, em que se demanda "seja cancelado o auto de infração ora combatido". Obviamente, houvesse se insurgido o postulante somente contra a autuação atinente ao aviso prévio indenizado, estariase diante de impugnação parcial, limitandose desse modo a amplitude da matéria a ser devolvida à mais elevada instância recursal. Os tópicos relativos à periodicidade de pagamentos, regras claras e objetivas, etc., não se confundem, a despeito do esforço argumentativo apresentado pelo recorrente, com o objeto/matéria da impugnação, mas sim tratamse de causas de pedir, de razões de convencimento para que seja efetuada reforma da decisão vergastada, e são, como referido, devolvidas ao exame do colegiado revisor. Acrescentese que o processo administrativo fiscal tem por função precípua a formação sólida e eficaz do lançamento, em exercício do poder de autotutela da administração, sendo natural para o aperfeiçoamento daquele, que todos os aspectos relativos ao seu mérito e sua legalidade, estejam sujeitos à análise e eventual reforma em duplo grau de jurisdição, desde que tenham sido discutidos no curso do contencioso desde sua gênese. 2 MOREIRA. José Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2005, 12ª ed., p.447448. 3 DIDIER JR., Fredie e Leonardo Carneiro da Cunha. Curos de Direito Processual Civil, Volume 3. Editora Jus Podium, 13ª edição, 2014, p.82. 4 Ensina Alexandre Freitas Câmara , em 'Lições de Direito Processual Civil', 13ª edição, pp. 97/98: "Pensese, por exemplo, numa demanda de despejo por duplo fundamento (falta de pagamento e infração contratual). Proferida a sentença de procedêencia do pedido pelo primeiro fundamento, e tendo o juiz deixado de apreciar o segundo (ou o tendo rejeitado), e interposta apelação pelo demandado, poderá o tribunal, no julgamento do recurso, "confirmar" a sentença, julgando procedente o pedido do demandadnte pelo mesmo fundamento em que se baseou a sentença, ou pelo mesmo fundamento, que não havia sido ainda apreciado (ou que havia sido rejeitado)". Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 16327.721345/201461 Acórdão n.º 2402006.026 S2C4T2 Fl. 113 13 Entender diversamente, ou seja, que a instância revisora estaria jungida aos argumentos e razões da instância de piso é, com a devida vênia, inverter toda lógica do sistema recursal, em exegese desamparada; não por acaso, não trouxe o recorrente qualquer posicionamento doutrinário que embasasse, ao menos tangencialmente, suas insólitas pretensões, as quais, à toda vista, não merecem prosperar. Principiando a análise das questões de mérito propriamente dito pelo ponto relativo à intempestividade da negociação, notese que a Lei nº 10.101/00 referese à participação nos lucros ou resultados como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Forçoso reconhecer que, não sendo possível estabelecer uma correspondência direta entre a atividade do trabalhador e a percepção de lucros da pessoa jurídica, os valores pagos a título de PLR, quando não prescrevem uma individualização da conduta para os beneficiários, aproximamse do conceito de gratificações, definidas por Maurício Godinho Delgado5 como "parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador (gratificações convencionais) ou por norma jurídica (gratificações normativas)". Já os montantes pagos a título de participação nos resultados guardam proximidade com pagamentos efetuados como prêmios, definidos pelo precitado doutrinador como "as parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa" 6 (sublinhei). Sob esse prisma, vêse que os pagamentos de PLR apresentam importantes pontos de semelhança com as gratificações ou prêmios, a depender dos critérios acordados. A verdadeira peculiaridade de ambos é que estão abrigados sob a proteção da Lei nº 10.101/00, face ao cumprimento dos requisitos nela estipulados. Tendo em vista tais constatações, deve ser notado que o alcance de metas por parte do trabalhador, de modo a que perfaça real incentivo à produtividade dentro de um plano de resultados, tem como pressuposto a realização de uma conduta consciente e deliberada com vistas à consecução de resultados previamente avençados, independentemente do instrumento utilizado. Acerca do tema, tenho como muito bem postas, em linhas amplas, as considerações vertidas pelo Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, ao relatar o Acórdão nº 2402005.392 (j. 13/7/2016): Observese que, a depender do marco que se adote como obrigatório para a formalização dos acordos, podese apequenar ou dar um relevo desproporcional a cada um dos aspectos acima mencionados. Caso se adote o entendimento daqueles que defendem que o fechamento das negociações possa ser feito até momentos antes do pagamento da parcela, prejudicase a integração capital trabalho e se compromete o desejado aumento da produtividade, posto que durante o período aquisitivo os trabalhadores não seriam estimulados a incrementála por não terem conhecimento das metas a serem ultrapassadas ou requisitos a serem cumpridos para a obtenção do tão almejado prêmio. 5 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 5ª Ed. São Paulo: LTr, 2006, p. 738. 6 Idem, ibidem, p. 747. Fl. 1895DF CARF MF 14 Por outro lado, o patrão, muitas das vezes pressionado pelos trabalhadores para concessão de ganhos salariais, poderia ser tentado a instituir, durante o período aquisitivo da PLR, metas irreais de modo que o seu pagamento fosse efetuado como forma de atendimento às reivindicações salariais dos empregados e não como resultado de um processo negociado para melhorar o desempenho empresarial. Esse procedimento desnatura a essência do instituto e se revela danoso ao substituir salário por prêmio, prejudicando os trabalhadores no cômputo das suas verbas trabalhistas (férias, décimo terceiros, FGTS, etc), além de claramente desfalcar os cofres da Seguridade Social, com a exclusão das parcelas da base de cálculo das contribuições. É prática que abre margem para manobras que apenas beneficiariam o mau contribuinte. Certamente muitos se levantarão contra esse raciocínio, argumentando que não há na norma um prazo estipulado para formalização do acordo e que a adoção da exigência de que a assinatura do acordo seja prévia ao período aquisitivo decorreria de mero subjetivismo do intérprete, que acarretaria em prejuízo principalmente para os trabalhadores, que deixariam de receber essa benesse de cunho constitucional. Não vejo por essa lente, na verdade estamos diante de uma lacuna legal, a qual deve ser integrada, no meu entendimento, mediante a interpretação sistemática que leve ao menor prejuízo à relação capital trabalho, aos trabalhadores, ao empregador e à Fazenda Pública. Vejase que a inexistência de metas prévias equivale a ausência dos parâmetros que nortearão a aferição do direito ao benefício trabalhista, os quais são claramente exigidos no § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000. É curioso que, mesmo os que defendem que o acordo pode ser formalizado após o encerramento do período aquisitivo do direito, acabam por firmar como data limite o pagamento da verba, o que de certa forma coloca um requisito que não consta da norma, posto que, conforme ponderei acima, a norma é omissa quanto a esse aspecto. Assim, também nesse caso o intérprete acaba por fixar um marco que, no entender daqueles que defendem essa tese, vem a se configurar em um subjetivismo. Tal fato revela uma grande contradição para essa solução exegética. Muito mais problemática para mim, no entanto, é a fixação de um momento dentro do período aquisitivo que seria aceitável para delimitar a data limite para formalização do acordo. Nesse caso, aí se sim, com o perdão dos que defendem esse raciocínio, entrase no total subjetivismo, posto que o critério passa a ser unicamente a cabeça do aplicador da lei. Eu posso achar que três meses é um prazo razoável para fechar a negociação, outros ao revés, atendose as peculiaridades do caso concreto, tomarão seis meses como período razoável e alguns poderão entender que, para situações limite, um ano ainda é pouco. Temendo ser um pouco repetitivo, volto a enfatizar que a apreciação dessa questão não deve apenas se ater ao direito imediato do empregado de receber a PLR, mas também ao seu direito de não ter verbas salariais transmudadas em participação nos lucros, bem como o direito do fisco de evitar que as práticas nocivas ao erário e, por fim, o direito da sociedade brasileira de obter melhorias nas relações entre capital e trabalho, com consequente aumento geral da produtividade. Ouso ainda discordar daqueles que têm defendido a tese de que se já era do conhecimento dos trabalhadores os termos a serem apostos no acordo, deve ser dado um tratamento diferenciado a essa situação. Esse entendimento não se coaduna com a norma de regência, por um simples motivo: a lei privilegia a negociação coletiva, seja com ente sindical ou em comissão específica. Nestas negociações, acredito que deva ser assim, são colocadas as propostas das partes e estas buscam chegar a um acordo, que, via de regra, resulta em um meio termo entre as proposições colocadas Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 16327.721345/201461 Acórdão n.º 2402006.026 S2C4T2 Fl. 114 15 na mesa. Todavia, nada impede que até a formalização do ajuste uma das partes resolva retirar sua proposta e as negociações retroajam. Assim, pelo fato de não haver previsão legal para que as cláusulas costumeiramente acordadas em processos anteriores venham a ser incorporadas ao novo acordo, não há espaço interpretativo para que se flexibilize a necessidade de acordo prévio em razão do suposto conhecimento dos empregados acerca das regras a serem inseridas nos acordos para pagamento da PLR. Raciocínio similar vem sendo acolhido, registrese, nos recentes julgamentos da CSRF sobre o assunto, dentre os quais cito, ilustrativamente, o Acórdão nº 9202004.308 (j. 21/7/2016). Então, nos casos em que o cumprimento dos objetivos negociados envolvem a realização de determinada conduta por parte dos beneficiários, ainda que dimensionadas por setor/área da companhia, não vejo reparos a fazer nessas bem colocadas razões. Dissinto desse entendimento, contudo, no tocante aos planos de PLR nos quais os pagamentos acordados estão desvinculados de um comportamento volitivo comprometido com o alcance de determinados objetivos situação, anotese, compatível com o texto legal. Por exemplo, quando se estabelece que os empregados de uma empresa perceberão dado PLR se aquela atingir determinados índices de lucratividade. Vejase que não há como estabelecer um liame minimamente concreto entre a prestação de serviço realizada pelo trabalhador e a lucratividade alcançada pela pessoa jurídica, tanto mais quando se trata de uma instituição financeira com milhares de funcionários. Recordese, caso necessário, que o lucro, seja econômico ou contábil, é um conceito dimensionado com base em uma multiplicidade de variáveis, tais como receitas, despesas, custos, ativo, passivo, obrigações diversas, dependendo inclusive fortemente de fatores totalmente fora do controle da empresa, e às vezes até mesmo do mercado no qual ela opera (por exemplo, políticas governamentais macroeconômicas, etc.) Nessas situações, então, prepondera no PLR o aspecto de instrumento de integração capital e trabalho, visto que do empenho de ambos são colhidos os lucros auferidos no período, sendo apenas indiretamente contemplada a função de incentivo à produtividade. Já no PLR cujas metas estão atreladas ao desempenho individual de uma maneira mais direta e concreta, como o alcance de incremento no índice de vendas por setor, por exemplo, a faceta predominante é a de incentivo à produtividade, sendo a integração capital e trabalho naturalmente reflexa com o ulterior aumento nos lucros e/ou resultados a serem distribuídos, decorrente desses aumentos de produtividade tomados em seu conjunto. Planos com essas características requerem assim que suas regras e condições sejam claramente delineadas antes do período de aferição, para que atenda aos preceitos de incentivar a produtividade, e indiretamente, estimular a integração capitaltrabalho. Diversamente, nos planos em que o PLR é mensurado com base em critérios em grande medida independentes da uma prédeterminada atuação dos trabalhadores, ou seja, de feição mais propriamente corporativa, prescindese da exigência mais acima frisada. Fl. 1897DF CARF MF 16 Nesses casos, em geral, são conduzidas negociações ao nível de convenção ou acordo coletivo, muitas vezes adentrando no anocalendário de sua vigência, tendo em vista a amplitude dos agentes envolvidos e potenciais beneficiários. Em outras palavras, não assoma como requisito inafastável que os termos negociados sejam estabelecidos previamente ao período de aferição. Não por acaso, a própria Lei nº 10.101/00, quando se refere objetivamente à necessidade de ajuste prévio, o faz com referência aos programas de metas, resultados e prazos especificados no inciso II do artigo, de maneira apartada, assim, da menção aos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, referidos no seu inciso I, verbis: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) (grifei) Feita essa breve digressão, constatase que, relativamente aos planos próprios/específicos do contribuinte Programas SIM e respectivos Super Ranking/RV Cartilha, Programas Próprios Específicos relacionados no Anexo I dos Acordos Coletivos, e Programa Próprio Gestão não havendo sido comprovado haverem eles sido firmados antes do início do período a que se referem, desatendem os preceitos da Lei nº 10.101/00, motivo o qual, por si só, é suficiente para caracterizar os pagamentos neles baseados como sendo de caráter remuneratório. De sua parte, as Convenções Coletivas estabeleciam o pagamento de PLR aos funcionários com esteio nos lucros dos períodos, sendo que, na sua ausência, nada seria pago sob aquele título. Também os PPRS (Programa de Participação nos Resultados Santander) previstos nos Acordos Coletivos eram baseados no atingimento de fatores relacionados ao lucro, o chamado ROE (relação entre lucro líquido e patrimônio líquido). Tendo em vista as razões mais acima expendidas, tenho que os valores de PLR pagos com base nas Convenções Coletivas, e nos PPRS atrelados aos Acordos Coletivos, não podem ser tidos por remuneratórios somente com amparo no critério "ausência de acordo prévio", ou seja, por terem sido celebrados os correspondentes instrumentos no curso do ano calendário a que eles se referem. Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 16327.721345/201461 Acórdão n.º 2402006.026 S2C4T2 Fl. 115 17 Quanto à existência de regras claras e objetivas, impende antes fazer breves observações acerca das alusões do recorrente da existência de nulidade, correlatas ao tema. Na peça recursal, são vertidas diversas alegações no sentido de que a fiscalização baseouse em presunções, não apresentou questionamentos sobre as regras dos planos no decorrer do procedimento mas sim somente no seu relatório, que deveria ter ela, em caso de dúvida, comparecido aos estabelecimentos do contribuinte, etc. Ora, notese, de início, que ainda que se considerasse pertinentes os pontos levantados pelo recorrente no que toca à verificação da clareza das regras, sobressai que o auto de infração encontrase adequadamente suportado por diversos outros aspectos, como falta de observância à periodicidade de pagamentos, negociação prévia, problemas formais com os pagamentos, etc., o que já prejudica a tese da nulidade do lançamento. Não bastasse, as inconformidades manifestadas pelo recorrente são, na realidade, juízos seus acerca do que seria o levantamento adequado de provas na situação versada nos autos, ilações que em nada se confundem com motivos a dar azo à nulidade. A fiscalização coletou os elementos de prova que considerou aptos e suficientes a firmar suas conclusões, ainda que não apeteça ao recorrente a qualidade desses elementos. Cabe a ele então, com provas contrapostas e arguições de direito, rebater as conclusões ventiladas por aquela, e carrear os esclarecimentos que repute necessários. Tal feito não se confunde com nulidade, mas sim com o mérito da controvérsia, devendo ser registrado, por oportuno, que não se verifica no particular qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, o qual recorre de seus termos evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. Prosseguindo, após essas necessárias ressalvas, temse que há existência de regras claras e objetivas contidas nas Convenções Coletivas, posto que há metas estipuladas e pagamentos a estas vinculados, de acordo com condições préestabelecidas. Importa referir que no âmbito das negociações coletivas envolvendo instituições financeiras é corrente a utilização do lucro e índices a ele vinculados como parâmetro para fins de estabelecimento de metas, bem como da própria participação a ser paga. Se não é detalhada a atuação de cada beneficiário, é porque nesses planos a referência é o próprio lucro atingido ao final do período, não a mensuração do desempenho do trabalhador ou de certo setor frente a determinados critérios, conforme já mencionado. Havendo prejuízo, como mencionado, nada é pago, não se confundindo, portanto, os valores de PLR pagos sob a guarida das Convenções Coletivas em remuneração dissimulada, por existir chance real de não se concretizar qualquer pagamento, sendo que tal situação indica a existência de integração do trabalho ao risco do capital. A lógica subjacente, vale mencionar, é que o empregado, dado o vínculo laboral e a prestação de seus serviços, contribui para o auferimento dos lucros naqueles níveis. Concordese ou não com o singelo critério adotado, não se vislumbra, s.m.j., sua Fl. 1899DF CARF MF 18 incompatibilidade com os termos da lei de regência, pois a clareza e objetividade dessas regras são evidentes. Por sua vez, nos PPRS dos Acordos Coletivos, há metas institucionais claras e objetivas baseadas no mencionado ROE, as quais uma vez atingidas, proporcionam determinados benefícios aos trabalhadores da empresa. Em apertada síntese, maior seria o PLR quanto maior fosse o retorno sobre o patrimônio líquido, comparativamente com média representativa do setor. O mero fato de que haja comparação entre o ROE da instituição e o de outros bancos para fins de aferir as metas não parece, a princípio, tirar o valor desses planos, pois se trata efetivamente de objetivo claro a permitir, se alcançado, o pagamento dos valores avençados nos Acordos. Já no que diz respeito aos Programas SIM/Super Ranking/RV Cartilha, PPGs, e Programas próprios específicos relacionados no Anexo I do documento, a cláusula sexta dos Acordos (oitava do instrumento referente ao ano de 2012) possui, como alude o recorrente, disposição integrandoos a esses instrumentos coletivos, cabendo anotar que, no referido Anexo, são traçadas descrições extremamente sintéticas do que se tratariam tais Programas Específicos, aparentemente associáveis a diversas áreas de atuação da empresa. Não obstante, o fato é que as metas individuais concretas dessas áreas ficaram relegadas a serem estipuladas pelos funcionários e suas respectivas chefias/gestores, e que se tratam de programas apartados, não havendo prova alguma de que tenham sido discutidas no âmbito dos acordos, ou mesmo via reuniões, etc, o que abriria a possibilidade de sua minúcias serem relegadas a outros documentos. Ademais é de grande importância ressaltar este ponto para que fique bastante claro os documentos relativos a tais programas não estão anexados ao instrumento coletivo, mas tão somente nominados em determinadas cláusulas e referenciados em um dado anexo, como narrado, não havendo falar que eles façam parte, efetivamente do corpo daquele documento, sequer sob um ponto de vista estritamente formal, quanto mais fisicamante. Ainda que se admita que Acordos Coletivos não sejam instrumento sequer viável para o detalhamento dessas metas em instituições de grande porte, justamente para essas situações a Lei nº 10.101/00 prevê no inciso I do seu art. 2º que elas possam ser acordadas via comissão paritária, integrada por representante sindical, o que tornaria perfeitamente possível utilizar esse meio para resguardar os interesses dos trabalhadores em casos do gênero, proteção essa inafastável por expressa disposição do indigitado diploma legal. Notese que o fato de os Acordos "integrarem posteriormente", via cláusula genérica, os mencionados Programas de PLR não supre a necessária, posto que legalmente estipulada, participação do representante e/ou entidade sindical quando das negociações e formalização desses programas. A par disso, como frisado pela fiscalização e pela decisão de piso, não houve arquivamento dos documentos relativos a esses programas nas entidades sindicais, tampouco assinatura dos empregados e datas em que firmados os correspondentes instrumentos, evidenciando sua precariedade como prova das relações e condições a que se referem, e uma proximidade com instrumentos meramente formais utilizados pela instituição para estipular os critérios e regras unilateralmente. Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 16327.721345/201461 Acórdão n.º 2402006.026 S2C4T2 Fl. 116 19 Desse modo, a mera remissão nos Acordos Coletivos à ratificação e/ou integração dos programas em relevo não supre tais carências, tanto mais quanto se verifica que os próprios programas prevêem, como destaca a autoridade lançadora, que as políticas neles estipuladas podem ser revistas pelas partes, em função de momento econômico ou plano de negócios da empresa, tudo isso, mais uma vez, sem qualquer participação de representação sindical ("...se reserva o direito de alterar as regras, condições e valores alvos deste regulamento a qualquer tempo durante sua vigência"7). Reiterese que inexistem provas nos autos, salvo a breve referência a suas denominações nos acordos e em anexos genéricos, de que as regras substantivas e adjetivas desses planos tenham sido, em algum momento, concertadas entre as partes, mediante o necessário e debate e efetiva negociação, integrando o capital e o trabalho, como requer a Lei nº 10.101/00. Isso, sem dúvida, indica com vigor terem sido eles elaborados de forma unilateral pela administração da recorrente, tratandose, na realidade, de programas autônomos de premiação, com natureza remuneratória, os quais se procura abrigar, de maneira um tanto forçada, sob o manto de participação em lucros ou resultados nos termos da precitada lei, almejando as decorrentes benesses tributárias. Vide, a respeito do tema, recente decisão da CSRF, no Acórdão 9202 005.707 (j. 29/8/2017), cuja ementa se transcreve: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA FIXAÇÃO DO DIREITO À PERCEPÇÃO. Os instrumentos decorrentes da negociação deverão conter regras claras e objetivos quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros ou resultados. Para caracterização de regras claras, é necessária a existência de mecanismos de aferição do resultado do esforço inteiramente presentes no acordo já em sua celebração, para que possam ser conhecidos e escrutinados pelos envolvidos na negociação. Também sob esse ângulo, concluise, não há supedâneo para se considerar os valores de PLR pagos em razão de tais programas próprios/específicos como enquadrados na lei em apreço. No tocante aos pagamentos terem sido realizados com base em mais de um instrumento negocial, não comungo, entretanto, do entendimento do Fisco no sentido de que tal feito seria incompatível com os termos do caput do art. 2º da Lei 10.101/00, o qual enuncia que "a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo". Tal disposição, em que pese a compreensível divergência de entendimentos sobre sua exegese, não me parece veicular restrição ao número dos tipos de negociações a serem firmadas com vistas a pactuar o PLR, mas sim destinarse a estabelecer quais são esses 7 Exemplo extraído do Programa Específico da Santander FInanciamentos, item 14, no arquivo não paginável anexado ao processo. Fl. 1901DF CARF MF 20 tipos alternativos, sem entrar no juízo de serem necessariamente, reciprocamente excludentes, ou não. Vejase que é perfeitamente possível que certo plano, negociado em convenção coletiva, preveja o pagamento de PLR no primeiro semestre do anocalendário, enquanto em outro, plano acertado via acordo coletivo, prescrevase pagamento anual esse título ao final desse mesmo ano. Tal situação, por si só, não parece ser o bastante para desconsiderar a efetividade de qualquer das duas avenças, respeitadas as demais condições previstas na legislação. Ademais, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101/00, admite como mera possibilidade a compensação entre planos próprios de PLRs e os decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho, o que parece indicar, sem maiores devaneios argumentativos, que a lei contempla, a princípio, a possibilidade de convivência de dois tipos de instrumentos de negociação de PLR. Em outros termos, a interpretação que merece prevalecer é a de que a expressão "mediante um dos procedimentos a seguir descritos" tem o significado não de "mediante a utilização de somente um dos procedimentos a seguir descritos", mas sim de "mediante a utilização de qualquer um dos procedimentos a seguir descritos". Não obstante, com relação à periodicidade de pagamento, verificase do exame das planilhas demonstrativas juntadas pela fiscalização (fls. 750/1079), que vários dos beneficiários recebiam pagamentos a título de PLR mais de duas vezes ao ano, e/ou com periodicidade inferior a um semestre, não observando a prescrição legal do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00, que se transcreve: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. De sua parte, o recorrente afirma que não houve duplicidade de pagamentos, colacionando tabelas a fim de elucidar a situação, visando evidenciar que os valores dos Acordos Coletivos, PPE, PPG e SRV foram depositados nas mesmas datas dos montantes vinculados às Convenções, de maneira a não violar as regras acima reproduzidas (fls. 1729/1731). Não traz nenhuma adução específica, contudo, quanto aos casos expressamente discriminados pela fiscalização como tendo superado a periodicidade legal, de Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 16327.721345/201461 Acórdão n.º 2402006.026 S2C4T2 Fl. 117 21 modo a esclarecer porque foram realizados pagamentos a título de PLR em até quatro meses diferentes do anocalendário, consoante aquela demonstrou. Pois bem, de pronto, há que se ressaltar que, na aferição do cumprimentos das regras de periodicidade, devem ser examinados todos os pagamentos efetuados a título de PLR, como bem firmado no § 2º mais acima transcrito, ainda que se verifique não possuam efetivamente tal natureza, como dantes foi constatado com relação aos pagamentos vinculados aos programas próprios/específicos e similares do contribuinte. A partir dessa premissa, deve ser apurado se houve pagamentos com base nos instrumentos coletivos em descumprimento do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00. Diante de tais situações, e com a devida vênia dos entendimentos em sentido diverso, devese aplicar dito critério legal, claro e objetivo, segundo o qual, efetuados mais de dois pagamentos de PLR em dado ano civil, ou com espaçamento inferior a um trimestre, não há falar em aplicação da norma em tela, com relação ao empregado beneficiado. Como bem observado nos seguinte trecho de recente decisão da CSRF, Acórdão nº 9202004.342 (j. 24/8/2016): (...) não estamos tratando de limite de verba não tributada, mas sim de condição para fixação de sua natureza. Ora, o pagamento em menor periodicidade do que aquela definida em lei, tem o condão de dar natureza de complementação salarial à verba pretensamente paga a título de PLR. Em consonância com essa correta compreensão, deve ser excluída da autuação, para cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos vinculados às Convenções e Acordos Coletivos de trabalho (PPRS), efetuados a título de PLR, desde que o total de pagamentos a esse título, independentemente do instrumento que lhes embase, tenham sido efetuados com periodicidade de até duas vezes ao ano e superior a um semestre. A fiscalização explica ainda que (fl. 1245): ...do exame das folhas de pagamento, observaramse diversos casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados, excedia em dezenas de vezes o valor do salário base (do ordenado) mensal do próprio empregado, como destacados por amostragem nos Demonstrativos PLR x Ordenado 2010, 2011 e 2012. Há casos em que o valor da PLR excede em mais de cem vezes o salário base do funcionário. Cabe ressaltar que da leitura dos planos e dos seus anexos, não foi verificada a possibilidade da verba paga a título de PLR alcançar valores tão vultuosos. Ora, da mesma maneira que procedeu com relação aos pagamentos evidenciados pela fiscalização como tendo sido efetuados em periodicidade desconforme a lei, o contribuinte não traz nenhuma argumentação específica a confrontar cada um dos pagamentos discriminados pela autoridade lançadora nos Demonstrativos acima referidos, muito menos contesta a conclusão de que "da leitura dos planos e dos seus anexos, não foi verificada a possibilidade da verba paga a título de PLR alcançar valores tão vultuosos". Assim, primeiramente há dúvida concreta sobre se tais expressivos montantes, ainda que pagos a título de PLR, se compatibilizem com as previsões contidas nos planos em referência. Por outra via, na medida em que esses pagamentos alcançam significativos múltiplos do salário base dos funcionários analisados, tornase difícil discordar das considerações do Fisco de que, quando a suposta participação nos lucros ou resultados sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário base contratado com a empresa, Fl. 1903DF CARF MF 22 resta evidenciada a existência de substituição de remuneração. E não se trata aqui de defender que a fiscalização possa fazer "justiça social", como diz o recorrente, mas sim de que ela tem a prerrogativa de aplicar e dar a devida eficácia às disposições legais, no caso o caput do art. 3º da Lei nº 10.101/00, segundo o qual participação não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. À toda vista, o pagamento a título de PLR no valor de R$ 380.827,08, por exemplo, a funcionário cujo ordenado é de R$ 1.085,99 (fl. 1080), exsurge como conduta fortemente indicativa de abuso do direito regrado pela Lei nº 10.101/00. Para os empregados em tela, a desproporção verificada parece indicar que se está a procurar substituir os bônus periódicos pagos pelos instituições financeiras a dados funcionários, montantes remuneratórios, por valores abrigados sobre o manto da PLR. O fato é que a aferição da situação concreta foi realizada, e o critério jurídico utilizado, desproporção entre o valor pago a título de PLR e o salário base, é suficientemente hábil e adequado a denotar que as cifras em questão possuem caráter remuneratório, seja à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, que permeiam o ordenamento jurídico, seja face à ausência de provas de que tais pagamentos obedeçam aos termos dos planos de participação, conforme bem apontado no Relatório Fiscal. À guisa de fecho, cabe sintetizar as conclusões aqui vertidas, ou seja, que os planos próprios/específicos PPE, PPG e SRV têm caráter remuneratório, assim como os valores pagos apontados nos Demonstrativos PLR x Ordenado (fls. 1080/1082), cabendo manter os gravames a eles associados. E, ainda, que devem ser excluídos do lançamento as exigências, para cada empregado, baseadas nos pagamentos vinculados às Convenções Coletivas e aos PPRS dos Acordos Coletivos de trabalho, efetuados a título de PLR, desde que o total de pagamentos a esse título, independentemente do instrumento que os amparem, tenham sido efetuados com periodicidade de até duas vezes ao ano e superior a um semestre. Aviso prévio indenizado. A decisão recorrida manteve a autuação nesse ponto, frente ao fato que os montantes recebidos sob o título em epígrafe não integram o rol constante no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual discrimina as verbas que não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Contudo, é forçoso reconhecer que há muito é pacífico na jurisprudência trabalhista o posicionamento segundo o qual tais verbas possuem natureza efetivamente indenizatória. Por sua vez, o STJ também partilhou dessa visão, e, destacando no REsp nº 1.230.957/RS (j. 26/2/2014 sob o rito de recurso repetitivo) que o avisoprévio indenizado não corresponde a serviço prestado, nem a tempo à disposição do empregador, fixou a seguinte tese no Tema 478: "Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado". A despeito do respectivo processo estar suspenso com base na repercussão geral do Tema 163, em curso de julgamento pelo STF no RE nº 593.068, foi exarada a Nota PGFN/CRJ/Nº 485/16, a qual chegou à conclusão: 26. Feitas essas considerações, tendo em vista a mudança da orientação contida na Nota PGFN/CRJ 640/2014 quanto ao aviso prévio indenizado, concluise que, por força do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deverá observar o Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 16327.721345/201461 Acórdão n.º 2402006.026 S2C4T2 Fl. 118 23 entendimento do STJ contido no RESP nº 1.230.957/RS quanto à impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária quanto ao aviso prévio indenizado. Nesse contexto, sugerese, em caso de aprovação, que a presente Nota seja remetida à RFB para os fins da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014, tendo em vista o disposto no art. 3º, § 9º, bem como ampla divulgação à Carreira. (grifos meus e do original) Aprovada essa nota em 2/6/2016, e encaminhada à RFB, esse órgão acatou tal prescrição, publicando em 27/3/2017 a Solução de Consulta Cosit nº 99014/16, a qual em sua ementa destacou: EMENTA: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. Nos termos da Nota PGFN/CRJ/Nº 485/2016, de 30 de maio de 2016 (aprovada em 2 de junho de 2016), e com esteio no artigo 19, inciso V, parágrafos 4º, 5º e 7º da Lei nº 10.522, de 2002, e no artigo 3º, parágrafo 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº1, de 2014, o aviso prévio indenizado, exceto seu reflexo no 13º salário, não intera a base de cálculo para fins de incidência das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de salários. Assim, trilhando a jurisprudência trabalhista, do STJ, e as orientações da PGFN e da RFB o rumo em prol da não incidência das contribuições em tela sobre os valores percebidos como aviso prévio indenizado, não vislumbro motivos suficientes, sem que se conflite com os princípios da duração razoável do processo, da eficiência e da razoabilidade, para que sejam mantidas as exações quanto a esse ponto. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe parcial provimento, para que, afastando as nulidades suscitadas, sejam excluídos dos lançamentos: 1. a) para cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos efetuados a título de PLR, vinculados às Convenções Coletivas e aos PPRS regrados em Acordos Coletivos, desde que o conjunto total de pagamentos realizados a esse título, independentemente do instrumento que os amparem, tenham sido efetuados com periodicidade de até duas vezes ao ano e superior a um semestre, nos termos prescritos no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00; b) não se incluem nos pagamentos excluídos conforme item '1.a)', os montantes associados aos beneficiários discriminados nos Demonstrativos PLR x Ordenado; 2. as contribuições incidentes sobre os montantes pagos a título de aviso prévio indenizado. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1905DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679827/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 05/01/2006
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.119
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 05/01/2006 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 05/01/2006 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 27 /2 00 9- 82 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.679827/200982 Acórdão n.º 3401004.119 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.679827/200982 Acórdão n.º 3401004.119 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 1630.214, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PIS Data do fato gerador: 05/01/2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.679827/200982 Acórdão n.º 3401004.119 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.679827/200982 Acórdão n.º 3401004.119 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679827/200982 Acórdão n.º 3401004.119 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.679827/200982 Acórdão n.º 3401004.119 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.679827/200982 Acórdão n.º 3401004.119 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.903064/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., CNPJ 89.420.372/000126, para fins de formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de pagamento a maior com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, o direito creditório não foi reconhecido, sob a alegação de insuficiência de crédito. Mais precisamente, aduz a autoridade fiscal competente que o DARF vinculado ao pretenso pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, não restando saldo disponível. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito, na verdade, diz respeito a Saldo Negativo, e não pagamento a maior propriamente dito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 03 06 4/ 20 08 -9 1 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11065.903064/200891 Resolução nº 1201000.306 S1C2T1 Fl. 3 2 A DRJ não conheceu o pleito do contribuinte, sob duas premissas: (i) de que o processo administrativo fiscal não se prestaria a retificar DCTF; e (ii) de que a contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, que foi emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada. A empresa, então, apresentou recurso voluntário, por meio do qual esclarece que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP, e não da DCTF, sendo a negativa de análise do direito creditório fato que viola os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11065.903064/200891 Resolução nº 1201000.306 S1C2T1 Fl. 4 3 defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.721307/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ/CSLL. APURAÇÃO ANUAL. DESPESAS C/ ALIMENTAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. POSSIBILIDADE. DESNECESSIDADE PREVISÃO CONTRATUAL.
Os pressupostos fiscais de dedutibilidade de despesas operacionais, previstos no artigo 299 do RIR/99, da necessidade, normalidade e usualidade, devem ser verificados tendo em vista a natureza das atividades desenvolvidas pela empresa e a compatibilidade e correlação dos dispêndios ao tipo de negócio, atividades desenvolvidas e consecução dos objetivos sociais da empresa.
FALTA DE RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA - LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL - DESCABIMENTO - Não cabe lançamento após o encerramento do período de apuração anual para exigir estimativa declarada em DCTF e não recolhida.
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
EXIGÊNCIA REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL.
À exigência reflexa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL aplica-se a mesma decisão adotada em relação à exigência do IRPJ em virtude do suporte fático comum que as instruem.
Numero da decisão: 1302-002.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso quanto à glosa de despesas com alimentação de trabalhadores e em dar provimento quanto à exigência de saldo de IRPJ e CSLL, por maioria, em dar provimento quanto ao cancelamento da exigência da multa isolada sobre estimativas, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ/CSLL. APURAÇÃO ANUAL. DESPESAS C/ ALIMENTAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. POSSIBILIDADE. DESNECESSIDADE PREVISÃO CONTRATUAL. Os pressupostos fiscais de dedutibilidade de despesas operacionais, previstos no artigo 299 do RIR/99, da necessidade, normalidade e usualidade, devem ser verificados tendo em vista a natureza das atividades desenvolvidas pela empresa e a compatibilidade e correlação dos dispêndios ao tipo de negócio, atividades desenvolvidas e consecução dos objetivos sociais da empresa. FALTA DE RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL DESCABIMENTO Não cabe lançamento após o encerramento do período de apuração anual para exigir estimativa declarada em DCTF e não recolhida. COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). EXIGÊNCIA REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO — CSLL. À exigência reflexa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL aplicase a mesma decisão adotada em relação à exigência do IRPJ em virtude do suporte fático comum que as instruem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 13 07 /2 01 3- 11 Fl. 2640DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.641 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso quanto à glosa de despesas com alimentação de trabalhadores e em dar provimento quanto à exigência de saldo de IRPJ e CSLL, por maioria, em dar provimento quanto ao cancelamento da exigência da multa isolada sobre estimativas, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório O presente processo versa sobre autos de infração de exigência de crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, com os devidos acréscimos legais, multa e juros de mora, no valor consolidado de R$ 10.684.505,20, em decorrência da constatação, pela fiscalização, de ocorrência das seguintes infrações à legislação tributária (CSLL, apuração reflexa): 001 CUSTOS DOS BENS VENDIDOS E/OU SERVIÇOS PRESTADOS CUSTOS NÃO COMPROVADOS Custos e/ou despesas não comprovadas, conforme Relatório Fiscal anexo. Fato gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2008 R$ 5.406.632,88 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2008: Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 290, 292, 299, 300 e 369 do RIR/99. 002 DEDUÇÕES INDEVIDAS DE IMPOSTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES/ANTECIPAÇÕES DO IMPOSTO Não comprovação de antecipações do imposto, decorrentes das correspondentes não homologação de DCOMPs, conforme Relatório Fiscal em anexo. Valor Tributável ou Imposto Fl. 2641DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.642 3 R$ 1.307.480,36 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2008: Arts. 231, inciso III e IV, e 943, do RIR/99 Arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430/96. Art. 1º da Lei nº 9.065/95. 003 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em balanços de suspensão ou redução, decorrentes da não homologação de DCOMPs, conforme Relatório Fiscal em anexo. Fato gerador Multa (%) 31/05/2008 125.464,83 31/09/2008 89.444,32 31/10/2008 243.754,19 31/11/2008 37.765,73 31/12/2008 157.311,12 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/05/2008 e 01/02/2009: Art.74 da Lei nº 9.430/96. Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. Fl. 2642DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.643 4 Consta do Relatório Fiscal RF que, da análise das informações constantes na DIPJ apresentada, constatouse desproporção entre os custos com alimentação do trabalhador e o do pessoal aplicado na produção, fato que originou o início do procedimento fiscal – infração 001. Intimada, a contribuinte respondeu que os custos e despesas com alimentação abrangem um número de trabalhadores significativamente maior que o da folha direta da empresa, porquanto fornece alimentação para seus trabalhadores e para trabalhadores especializados, de forma indireta. Assim, após ser intimada e reintimada, dentre outras coisas, a apresentar os contratos que respaldaram os custos e despesas com a alimentação fornecida a trabalhadores sem vínculo empregatício com a mesma, foram considerados indedutíveis os custos/despesas realizados com alimentação dos empregados que não constam dos correspondentes contratos. No caso da infração 002, relativa a deduções indevidas de imposto por ausência de comprovação de antecipações do IRPJ/CSLL, foi constatado que os valores devidos a este título foram objeto de DCOMPs. Ocorre que tais DCOMPs não foram homologadas ou foram homologadas de forma parcial (com apresentação de manifestação de inconformidade, aguardando julgamento), conforme planilhas discriminadas no RF. Já a infração 003, multa ou juros isolados, decorre da infração 002, ou seja, da ausência de comprovação de retenções/antecipações do IRPJ/CSLL. Contra tal lançamento a interessada apresentou impugnação, na qual, consoante os argumentos ali aduzidos, se defendeu através dos seguintes tópicos: (i) Da Dedutibilidade das Despesas Incorridas com Alimentação – Necessidade de Tais Despesas em Razão da Localização da Impugnante – Aplicabilidade do Artigo 299, do RIR/99 (ii) Da Improcedência do Lançamento de Débitos de IRPJ e de CSLL Devidos a Título de Estimativa Mensal – Indevida Constituição de Débitos Já Confessados e Constituídos pela Impugnante (iii) Da Inaplicabilidade da Multa Isolada de 50% por Inexistência da Hipótese Legal e por Importar em Concomitância com a Multa d Ofício Aplicada. A DRJJFA julgou procedente em parte a impugnação (fls. 2352/2368), restando o Acórdão da r. Decisão ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ/CSLL. APURAÇÃO ANUAL. DESPESAS C/ ALIMENTAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE PREVISÃO CONTRATUAL. Para que despesas com alimentação sejam consideradas passíveis de dedução na apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL pela contratante, deve Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.644 5 haver expressa previsão contratual de que este encargo seja por ela suportado. Caso contrário, os valores declarados a este título devem ser glosados. IRPJ/CSLL. APURAÇÃO ANUAL. GLOSA. DÉBITOS DE ESTIMATIVA. DCOMP NÃO HOMOLOGADA. Para fins de apuração da IRPJ/CSLL no ajuste anual, somente são passíveis de dedução na apuração os valores de estimativa efetivamente extintos no ano calendário, incluídos os valores recolhidos mediante Darf e também os por compensação devidamente homologada. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ/CSLL. FALTA D RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. CABIMENTO. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A hipótese legal de aplicação da multa isolada não se confunde com a da multa de ofício, pois esta é cabível nos casos de falta de pagamento do valor devido de IRPJ e CSLL apurados ao término do exercício. Portanto, ambas podem ser aplicadas à contribuinte. Os principais argumentos aduzidos pela decisão recorrida são os seguintes, litteris: (i) Da Dedutibilidade das Despesas Incorridas com Alimentação – Necessidade de Tais Despesas em Razão da Localização da Impugnante – Aplicabilidade do Artigo 299, do RIR/99 Neste tópico, em síntese, a defesa aduziu que a fiscalização procedeu à glosa de despesas com alimentação dos empregados das empresas prestadoras de serviço à contribuinte, sob o argumento de que tais despesas não seriam necessárias ao pleno desenvolvimento das suas atividades. Também aduziu que o critério utilizado para considerar determinada despesa como dedutível ou indedutível foi o da existência ou não de cláusula contratual específica versando sobre o tema, de modo que, havendo previsão contratual que estabelecesse como obrigação da impugnante o fornecimento de alimentação aos trabalhadores da empresa contratada, a necessidade da despesa estaria comprovada, sendo, por conseguinte, dedutível da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos do art. 299, do RIR/99. Assim, em virtude da suposta ausência de previsão contratual específica, disse que a fiscalização considerou como indedutíveis as despesas com alimentação dos empregados de empresas contratadas pela Impugnante. Em relação às empresas para as quais não teria havido a apresentação do contrato de prestação de serviços celebrado, disse que a fiscalização considerou que o custo das refeições arcadas pela contribuinte com a alimentação de alguns prestadores de serviço seria uma mera liberalidade (efetuando também a glosa de tais despesas). No que toca às glosas efetuadas, alegou a defesa que, em momento algum, foi questionada a existência ou a efetiva realização dos gastos com alimentação realizados pela impugnante, de modo que a fiscalização limitou Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.645 6 se a fundamentar a autuação na não comprovação da necessidade de tais despesas para o desenvolvimento das atividades da Impugnante. Com base nisso, entendeu que não se discute a comprovação de tais despesas, mas tão somente a necessidade de tais despesas para fins de dedutibilidade, nos termos do art. 299 do RIR/99. De qualquer forma, para que não reste qualquer dúvida quanto à efetividade de tais despesas, apresentou as correspondentes notas fiscais (doc. 03). Aduziu ainda a defesa a efetiva dedutibilidade das despesas com alimentação dos empregados das empresas contratadas pela Impugnante, as quais, na maioria dos casos, estavam expressamente previstas nos contratos celebrados e nos demais casos também se mostravam necessárias em razão da localização remota do seu estabelecimento na cidade de Rio Grande/RS, que não tinha estrutura para receber todos os seus prestadores de serviços, havendo, assim, o pleno atendimento ao artigo 299, do RIR/99. Por conseguinte, a defesa passou a tecer comentários sobre a complexidade da construção de uma plataforma de petróleo, com destaque para a sua localização, no caso, o polo naval de Rio Grande/RS, argumentando que as despesas com alimentação fornecidas pela empresa seriam necessárias para o pleno desenvolvimento de suas atividades, sendo assim dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos do artigo 299 do RIR/99. Em anexo à peça de defesa apresentada, com o fito de comprovar a necessidade das despesas glosadas e afastar de uma vez por todas qualquer dúvida sobre a sua dedutibilidade, foram juntadas cópia de todos os contratos celebrados com as empresas Bruanc Montagem Industrial Ltda., CSE Mecânica e Instrumentação Ltda., Eletrotec Alagia Ltda., Freitas e Freitas Automação Ltda., GMS Soldas Ltda., Jostape Montagem Industrial Ltda., Paulo Augusto Wanzeller Ruiz ME., Tratherm Montagem Eletromecânica Industrial Ltda., Service Engenharia da Qualidade Ltda., Darcy Pacheco Soluções de Peso Ltda., Mammoet Irga do Brasil Guindastes Ltda., N.C. Braga & Cia Ltda., Petrobrás S.A. e Scantech do Brasil Soluções Tecnológicas Ltda, nos quais havia previsão expressa de que os custos com alimentação seriam arcados pelo contratante: Fl. 2645DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.646 7 A respeito dos contratos trazidos à colação, anteriormente relacionados, esclareçase que os referentes às empresas CSE MECÂNICA E INSTRUMENTAÇÃO LTDA., ELETROTEC ALAGIA, GMS SOLDAS LTDA., JOSTAPE MONTAGEM INDUSTRIAL LTDA., PAULO AUGUSTO WANZELLER RUIZ – ME, TRATHERM MONTAGEM ELETROMECÂNICA INDUSTRIAL LTDA., SERVICE ENGENHARIA DA QUALIDADE LTDA. e DARCY PACHECO SOLUÇÕES DE PESO LTDA., foram celebrados entre estes e o CONSÓRCIO MARLIM LESTE CML. Assim, não se trata de contratos celebrados pelo consórcio QUIP diretamente com as referidas empresas, mas sim destas com o CONSÓRCIO MARLIM LESTE – CML, o que foi inclusive admitido pela própria contribuinte em sua defesa: 17. A respeito dessas glosas, a Impugnante ressalta que, a partir de uma análise atenta de alguns contratos de prestação de serviços firmados com as empresas listadas no relatório fiscal, verificase a existência de cláusulas específicas estabelecendo como sendo de obrigação da Impugnante e do consórcio por ela contratado o fornecimento de alimentação aos trabalhadores das empresas subcontratadas. 18. Cabe esclarecer que, em razão da complexidade que é a construção de uma plataforma de petróleo, como era o caso da P53 (à época), para determinados serviços específicos, a Impugnante contratou o "Consórcio Marlim Leste CML", que, por sua vez, para determinados serviços, subcontratava outras empresas prestadoras de serviços, sendo certo que nos contratos celebrados pelo referido consórcio com tais empresas subcontratadas havia previsão de fornecimento de alimentação, a qual, em última análise, era fornecida pela Impugnante, visto que os serviços eram todos prestados em seu estabelecimento que, conforme será demonstrado a seguir, localizavase na remota cidade de Rio Grande. Fl. 2646DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.647 8 Diferentemente do alegado pela defesa, no contrato celebrado entre o consórcio QUIP e o consórcio MARLIN LESTE, não há cláusula específica alguma estabelecendo como sendo de obrigação da impugnante o fornecimento de alimentação aos trabalhadores das empresas subcontratadas. As cláusulas existentes nos contratos entre as empresas e o consórcio MARLIN LESTE vinculam apenas este às empresas por ele contratadas, ou seja, não havia obrigação alguma por parte do consórcio QUIP quanto ao fornecimento de alimentação aos trabalhadores das empresas subcontratadas. Assim, a alegação da defesa não é suficiente para considerar dedutíveis tais despesas com alimentação, porquanto, no contrato celebrado entre os consórcios, QUIP e MARLIM LESTE, não há previsão contratual para o fornecimento de alimentação, ainda mais para empresas subcontratadas. Outrossim, esclareçase à defesa, no tocante à afirmação de que a fiscalização considerou que o custo das refeições arcadas pela contribuinte com a alimentação de alguns prestadores de serviço como sendo uma mera liberalidade, que, na verdade, esta alegação partiu da própria contribuinte, em resposta a intimação efetuada no curso do procedimento fiscal, in verbis: Relatório Fiscal 1.6 Com o objetivo de complementar as informações necessárias para comprovar a dedutibilidade dos custos e/ou despesas de alimentação referentes aos trabalhadores com vínculo empregatício com as empresas contratadas, elaboramos o Termo de Intimação nº 3, de 19/06/2013: “2. Considerando que, na mesma resposta, a empresa informou que o custo de alimentação do trabalhador abrange os colaboradores indiretos, bem como apresentou cópia de 14 (quatorze) contratos em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 2, solicitamos: 2.1. seja informado, por contrato, a quantidade de refeições e o correspondente custo/despesa, o valor pago decorrente do contrato e em qual linha da DIPJ/2009 este valor foi informado, na forma do anexo a este Termo de Intimação; 2.2. seja apresentado o contrato de prestação de serviços com a empresa Airmarine Engenharia Ltda, a que se refere o Aditivo nº 1 constante da resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 2; 2.3. seja apresentada a documentação que respalda as deduções pela Quip S/A decorrentes de custos/despesas do contrato celebrado entre Marlim Leste (Consórcio) e CSE Mecânica e Instrumentação Ltda.” 1.7 Na resposta, o contribuinte apresentou os contratos solicitados e a planilha que foi enviada como anexo do Termo de Intimação, acrescentando a seguinte informação .” (vide item 2, fl. 2 do doc. Resposta à Intimação, fls. 850/960 do eprocesso): “2.3 – A empresa disponibiliza, por liberalidade, o mesmo refeitório e alimentação, a todos os colaboradores e subcontratados a fim de nivelar o padrão da alimentação fornecida.” (grifo e negrito nosso) Fl. 2647DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.648 9 Com efeito, quem, por liberalidade, e não por outras questões (contratuais), entendeu por bem disponibilizar o mesmo refeitório e alimentação, a todos os prevendo o fornecimento de alimentação pela Impugnante aos empregados de empresas contratadas para prestação de serviços, não resta qualquer dúvida de que, conforme amplamente demonstrado acima, tais despesas com alimentação são necessárias para o desenvolvimento das atividades da Impugnante (construção de plataforma de petróleo), em razão da remota localização do polo naval de Rio Grande, sendo dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos do artigo 299 do RIR/99. Em síntese, a defesa entende que as despesas com alimentação fornecidas pela empresa seriam necessárias para o pleno desenvolvimento de suas atividades, em razão da remota localização do polo naval de Rio Grande (construção de plataforma de petróleo), sendo assim dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos do artigo 299 do RIR/99. Sobre o assunto, consoante consta do RF, a fiscalização assim relatou: (...) 1.9 Retomando o art. 369 do RIR/1999, que admite como dedutíveis as despesas de alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados, resta clara a impossibilidade de constar na ficha 04A/07 o custo com a alimentação de trabalhadores de empresas contratadas, de forma que nesta ficha deveria constar unicamente o valor constante no item 22 supra, qual seja: R$ 966.124,04 (novecentos e sessenta e seis mil e cento e vinte e quatro reais e quatro centavos). 1.9.1 Não obstante, os custos/despesas necessários para a atividade da empresa podem ser deduzidos, ainda que sob outra rubrica, como exemplo: Custo de Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (ficha: 04A/14) e/ou Despesas com a Prestação de Serviço por Pessoa Jurídica (ficha: 05A/04). Para tanto, há que existir previsão contratual que defina tais custos, eis que não são dedutíveis despesas arcadas por mera liberalidade. 1.10 De pronto, verificouse que são indedutíveis os custos/despesas realizados com alimentação dos empregados das contratadas que não constam os correspondentes contratos, tendo em vista que o contribuinte não fez prova da necessidade desses custos/despesas, em que pese ter sido intimado para tanto. São estas: (...) 1.11 Constatouse, também, que o contrato apresentado entre a Quip e o Consórcio Marlim Leste CML (item 2.3 da resposta ao Termo de Intimação nº 3, de 19/06/2013), não prevê, nas obrigações do contratante estabelecidas na sua Cláusula Quarta, o fornecimento de alimentação aos trabalhadores da contratada. Na verdade, o contrato estabelece, de forma expressa, como obrigação da contratada: Fl. 2648DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.649 10 “3.12 Fornecer às suas expensas toda a mãodeobra e apoio requerido para transporte de seu pessoal e demais despesas relativas ao seu pessoal mobilizado nas atividades contratadas.” 1.11.1 Desta forma, também são indedutíveis os custos/despesas realizados com alimentação tanto dos trabalhadores do Consórcio, como de empresas contratadas pelo Consórcio, eis que realizadas por liberalidade. São estas: (...) 1.12 Por fim, não podem ser acatadas como dedutíveis as despesas/custos que não foram identificadas pelo contribuinte. Primeiro, por não ter como identificar o valor gasto por contrato, segundo por sequer termos acesso a todos estes contratos, de forma que não foi comprovada a necessidade desses custos/despesas. (...) 1.13 Consolidando os valores não aceitos, temos o seguinte quadro: (...) 1.14 Acatouse, por outro lado, os custos com alimentação dos trabalhadores do contribuinte, eis que atendidos os requisitos do art. 369 do RIR/1999, antes transcrito. Admitiuse, também, como dedutíveis os custos/despesas com os trabalhadores das prestadoras de serviço: ISI Engenharia e Comercial Ltda e Sória e Lucas Ltda, as quais tinham contratos vigentes no ano de 2008, diretamente com a Quip, estabelecendo como obrigação da contratante o fornecimento de alimentação aos trabalhadores da contratada. 1.14.1 Ainda que admitida a dedutibilidade dos custos/despesas com os trabalhadores das referidas contratadas, há que se registrar que tal possibilidade não decorre do art. 369 do RIR/1999, eis que o dispositivo legal exige que os empregados sejam seus, mas como Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica (Linha 04A/14 e 05A04), eis que tal obrigação decorre do contrato firmado, agregandose, para os efeitos tributários decorrentes, tais despesas com alimentação dos trabalhadores da contratada aos demais valores previstos no contrato. 1.14.2 A seguir, identificamos os valores admitidos como custo e/ou despesa. (...) 1.15 Portanto, por força do art. 249 do RIR/1999, parcialmente transcrito no início do tópico, o valor de R$ 5.406.632,88 (cinco milhões e quatrocentos e seis mil e seiscentos e trinta e dois reais e oitenta e oito centavos) deve ser adicionado ao lucro líquido, o que repercute no Imposto de Renda Pessoa Jurídica e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do período, referente ao período que teve início em 01/01/2008 e se encerrou em 31/12/2008, eis que o contribuinte optou pela apuração anual do imposto. Em suma, a fiscalização considerou indedutíveis os custos/despesas realizados com alimentação dos trabalhadores para os quais não havia cláusula contratual que estabelecesse a obrigação da contribuinte ao fornecimento de alimentação, nos termos do art. 299 do RIR/99. Assim, em Fl. 2649DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.650 11 virtude da ausência de previsão contratual específica, tais custos/despesas foram considerados indedutíveis. Esclareçase à contribuinte que, ainda que haja a necessidade de alimentação, o que é óbvio, para que tal seja considerada custo/despesa dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, deve haver expressa previsão contratual nesse sentido, motivo pelo qual somente foram admitidos pela fiscalização e por este julgador as despesas com alimentação expressamente previstas em contrato, com cláusula específica, obrigando as partes envoltas. Nesses termos, dos contratos trazidos à colação pela defesa, apenas são dedutíveis a título de alimentação os relativos às empresas BRUANC MONTAGEM INDUSTRIAL, MAMMOET IRGA DO BRASIL GUINDASTES LTDA., N.C. Braga & Cia Ltda., PETROBRÁS S.A. e SCANTECH DO BRASIL SOLUÇÕES TECONOLÓGICAS LTDA., conforme quadro a seguir elaborado: Assim, os valores consubstanciados como despesas com alimentação das referidas empresas devem ser deduzidos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com a devida correção dos autos de infração (conforme tabela anterior). Fl. 2650DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.651 12 (ii) Da Improcedência do Lançamento de Débitos de IRPJ e de CSLL Devidos a Título de Estimativa Mensal – Indevida Constituição de Débitos Já Confessados e Constituídos pela Impugnante Neste tópico, a defesa alega que os débitos de estimativa mensal de IRPJ/CSLL devidos pela contribuinte no anocalendário 2008, além de terem sido confessados nas Dcomps transmitidas (homologadas parcialmente/não homologadas), foram também declarados em DCTF, já estando, portanto, confessados e definitivamente constituídos quando da lavratura do auto de infração ora impugnado. Prossegue dizendo que, em casos como este, tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e estando o crédito tributário definitivamente constituído pelo próprio contribuinte (declaração em DCTF e em Dcomp), a jurisprudência é uníssona no sentido de ser improcedente o lançamento efetuado visando a cobrança de crédito já passível de execução na via judicial. Traz à colação posicionamentos do CARF e STJ nesse sentido. (...) Sobre o assunto, inicialmente, esclareçase que as decisões administrativas de não homologação das compensações dos débitos das estimativas mensais aqui discutidas permanecem ainda válidas e vigentes, haja vista não terem sido reformadas pela instância imediatamente superior (manifestações de inconformidade julgadas por esta 1ª Turma DRJ/JFA no transcurso do corrente ano, decisões mantidas), e a este órgão julgador falecer competência para reapreciar litígio em discussão em outro processo. Acaso seja reformada aquela decisão pelo CARF (instância superior), haverá a necessária repercussão nos presentes autos, mas até lá deve ser aplicada a decisão administrativa em vigor. Outrossim, esclareçase à impugnante que não podem compor o saldo negativo do período estimativas cujas compensações foram objeto de não homologação, porque o débito (ou sua parcela não compensada, no caso de débito parcialmente homologado) não se encontra mais extinto por compensação (art. 156, II, do CTN), ainda que com exigibilidade suspensa, em face de recurso administrativo interposto, nos termos do art. 151, III do CTN (recursos estes analisados por esta 1ª Turma). Ora, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em cobrança naqueles autos não justifica a adoção de decisão divergente sobre os mesmos fatos. Ademais, apesar do caráter de confissão de dívida da DCOMP, é bastante controvertida a exigibilidade das antecipações devidas a título de estimativas mensais, tanto que há preceitos específicos na Instrução Normativa SRF n.º 93, de 24 de Dezembro de 1997 DOU de 29/12/1997, a prescrever o lançamento de ofício apenas de multa isolada sobre os débitos das estimativas não extintas, afastando, a contrário senso, a possibilidade de lançamento de ofício para cobrança dos débitos de estimativas propriamente ditos. É o que se encontra definido nos arts. 15 e 16 abaixo transcritos: Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirseá à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. Fl. 2651DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.652 13 § 1º As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. (...) Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. (grifo nosso) Como a estimativa seria uma mera antecipação do tributo devido a ser apurado ao final do período, o valor mensalmente devido não assumiria a natureza de obrigação tributária e crédito tributário , não sendo passível, conseqüentemente, de lançamento, cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União, vez que não atendidos os pressupostos de certeza e liquidez. Apesar de serem instrumentos de confissão de dívida, nem a DCTF, nem a DCOMP, teriam o poder de transformar em crédito tributário, o que tem a natureza de mera antecipação do devido. Disto decorre que, mesmo declarada/confessada a antecipação (estimativa) do tributo como débito em DCTF ou DCOMP, em não sendo paga ou homologada a compensação, ela deve ser tida por inexistente, porque o débito não será passível de cobrança e de inscrição em dívida ativa. Concluise daí que não se deve admitir a inclusão ao saldo negativo do período da estimativa, cuja compensação fora não homologada, antes de regularmente extinta, pelo pagamento, ou pela reforma da decisão administrativa. Nesse sentido, o Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011 menciona que: “... embora para as Dcomp, como acontece também na DCTF, a regra geral seja que os débitos informados são dívida confessada, a própria Lei nº 9.430, de 1996, e o CTN estabelecem que a estimativa não é tributo devido, logo, não há que se falar em confissão de tributo, vez que não ocorrido o fato gerador. (...) O procedimento a ser adotado por conseqüência da não homologação será a glosa da estimativa não paga no ajuste, com lançamento de redução de saldo credor, concomitante, conforme o caso, com a exigência do saldo de IRPJ (CSLL) a pagar porventura apurado, acrescido de multa de ofício vinculada prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Cumulativamente deverá ser cobrada a multa isolada pela falta de pagamento da estimativa estabelecida na alínea ‘b’ do inciso II do art. 44 da mesma lei.” Fl. 2652DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.653 14 Assim, como o lançamento de ofício referese ao IRPJ/CSLL apurados no ajuste anual, e não às antecipações a título de estimativa, estando conforme a legislação supracitada, entendo por correto o feito fiscal, devendo este ser mantido. (iii) Da Inaplicabilidade da Multa Isolada de 50% por Inexistência da Hipótese Legal e por Importar em Concomitância com a Multa de Ofício Aplicada Neste tópico, aduz a defesa que, tendo em vista ter a impugnante apresentado declarações de compensação com vistas a quitar seus débitos de estimativa mensal de IRPJ e de CSLL, resta evidente que a hipótese legal de incidência da multa não se manifestou, não havendo que se falar em ausência de recolhimento. Conforme determina a legislação, ainda que sob condição resolutória, com a apresentação das Dcomps, houve a extinção dos referidos débitos, não havendo que se falar em ausência de recolhimento de tais estimativas mensais, a justificar a aplicação da multa isolada como indevidamente pretendido no auto de infração ora impugnado. Por essa razão, entende não restar dúvida de que deve ser reconhecida a improcedência dessa parcela do lançamento. Alega ainda a defesa que, na eventualidade do argumento anterior ser superado, o que se admite apenas para fins de argumentação, da mesma forma não há como prosperar a exigência da multa isolada conforme pretendida. A esse respeito, como se sabe, já se encontra sedimentado, tanto na jurisprudência quanto na doutrina, o entendimento de que a exigência de multa isolada com base no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, demonstrase incoerente e incompatível com o lançamento de ofício no qual há também a apuração do não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL e a sua exigência acrescida de multa de ofício correspondente a 75% do tributo devido, como ocorre na hipótese dos presentes autos. Ou seja, além da cobrança da multa de ofício de 75% em decorrência dos autos de infração de IRPJ e de CSLL, a fiscalização está pretendendo exigir multa isolada de 50% sobre os mesmos valores, unicamente em razão do suposto não recolhimento mensal por estimativa. Logo, é evidente que a exigência da multa isolada de 50% ora questionada importa em imposição de dupla penalidade, verificandose de forma cristalina o tão temido e repudiado bis in idem. Uma vez que a legislação tributária permite que o montante devido por estimativa seja calculado com base em balancete de suspensão ou redução, desde que o contribuinte exerça essa faculdade, numa única ocasião a base de cálculo da multa e a do encerramento do período de apuração serão idênticas, isto é, em dezembro de cada ano, quando deverá haver coincidência entre o resultado apurado no balancete e o das demonstrações financeiras do encerramento do anocalendário. Nos outros meses, não há coincidência de base de cálculo, pois somente no final do ano é que se poderá precisar se o contribuinte teve resultado positivo ou negativo e em que montante. De qualquer forma, o texto legal não condiciona a imposição da multa isolada a que não haja coincidência de base de cálculo, nem exclui esta na Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.654 15 hipótese de haver lançamento de ofício que exija tributo em virtude da recomposição pela fiscalização da base de cálculo anual. A multa isolada recebe essa denominação apenas por ser exigida separada e independentemente do tributo, tanto que se impõe ainda quando nenhum tributo ao final do período de apuração seja devido, mas o contribuinte tenha deixado de satisfazer o recolhimento por estimativa que lhe tocava efetuar. Tampouco a lei limita a imposição da multa aos casos em que o lançamento de ofício se faz antes do término do período de apuração. Tanto é assim que comina a multa até mesmo na hipótese de o contribuinte ter apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL no ajuste anual. Ora, se o resultado tributário definitivo do contribuinte foi negativo é circunstância que, por necessidade lógica, somente se verifica após o encerramento do período de apuração. Para a autoridade julgadora administrativa de primeira instância, essa conclusão não consiste em mera interpretação, mas tem o caráter de norma vinculante, em virtude do disposto no art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24.12.1997, transcrito anteriormente. Embora possa eventualmente ocorrer coincidência de base de cálculo, a hipótese de incidência de cada uma das multas é distinta. A da multa isolada é a falta ou insuficiência de recolhimento do tributo devido por estimativa, que deve ser recolhido como antecipação; a da multa proporcional é o lançamento de ofício do tributo efetivamente devido em face do resultado anual. Se não há coincidência de motivação, se as causas são díspares, não cabe falar em duplicidade de punição nem em bis in idem. É por isso também que, havendo simultaneamente falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações por estimativa e do saldo devedor apurado no ajuste anual, deverá haver incidência das duas multas. Em virtude do disposto no artigo 1º da Lei nº 9.430, de 1996, o período de apuração padrão do IRPJ e da CSLL tem a duração de um trimestre e o montante dos tributos apurados é recolhido em caráter definitivo. De modo facultativo e condicional, oferecese ao contribuinte a opção pela apuração anual, mas em troca se exige que faça antecipações mensais das duas exações, calculadas com bases estimadas. Se a lei não permitisse impor a multa isolada concomitantemente com a exigência do principal mais a multa proporcional, a exigência dos recolhimentos por estimativa estaria ameaçada ou não seria cumprida. legal que determina a antecipação mensal por estimativa tornarseia letra morta, pois seria sempre mais vantajoso aos contribuintes optantes pela apuração anual esperar até o encerramento do período para levantar o montante do tributo definitivamente devido e só então recolhêlo. Obviamente, a Fazenda Pública seria financeiramente lesada, e sofreriam concorrência desleal os contribuintes que cumprissem rigorosamente as prescrições legais. Pelo exposto, concluise pela manutenção da multa isolada aplicada O contribuinte foi cientificado do resultado do julgamento da impugnação no dia 05/12/2014, em virtude da abertura do correspondente link do Processo Digital, através do Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (vide fls. 2380). Fl. 2654DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.655 16 Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 2383/2421) em 05/01/2015, pedindo a total improcedência do Auto de Infração lastreando seus fundamentos no que já foi suscitado na impugnação, fazendo contrapontos a decisão recorrida afim de melhor elucidar as questões a serem apreciadas por esta Egrégio Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. (i) Da Dedutibilidade das Despesas Incorridas com Alimentação Considerando que a presente discussão se refere à dedutibilidade de despesas incorridas pela contribuinte, é de suma importância relembrarmos, logo de início, a regra principal e geral relacionada à dedução de despesas da pessoa jurídica, que é o art. 299 do RIR/99 que assim dispõe: Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, artigo 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, artigo 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, artigo 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Art. 300. Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros (Lei nº 4.506, de 1964, artigo 45, § 2º). É importante adotar o art. 299 do RIR/99 como ponto de partida da análise do presente caso, vez que a autuação fiscal decorre do entendimento da Fiscalização de que grande parte das despesas incorridas pela Recorrente não são necessárias e, portanto, não podem ser deduzidas, uma vez que a contribuinte não estava obrigada contratualmente a arcar com os referidos gastos. O Parecer Normativo CST nº 32/81 traz também importante contribuição para a análise do presente caso, ao definir que um gasto será necessário "quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras dos rendimentos". Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.656 17 No tocante à normalidade, o mencionado Parecer Normativo esclarece que despesa normal é "aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária". Ainda em relação à normalidade, temos os aspectos qualitativo e quantitativo a analisar. Do ponto de vista qualitativo, a despesa normal é aquela que tem incontestável relação com as atividades da empresa. Do ponto de vista quantitativo, a normalidade se refere à razoabilidade do valor da despesa em às condições de mercado em determinado local e período (época). Diante dessas definições, resta claro mais uma vez que não se encontra em discussão a normalidade da despesa (nem tampouco sua comprovação), mas sua necessidade. Este é o cerne da questão: a necessidade das despesas incorridas pela Recorrente em sua forma e essência, vez que a respectiva comprovação (notas fiscais, registros contábeis, efetiva prestação dos serviços) e normalidade em relação às atividades da Recorrente não foram contestadas na sua integralidade. Somente em relação a quantia de R$ 1.346.517,56 a fiscalização entendeu ser indedutível porque o contribuinte não identificou tais despesas por contrato, bem como pelo fato da fiscalização não tido acesso a tais contratos. Pois bem, fixadas tais premissas passaremos a análise do caso. A decisão recorrida assim se pronunciou sobre a questão: Em anexo à peça de defesa apresentada, com o fito de comprovar a necessidade das despesas glosadas e afastar de uma vez por todas qualquer dúvida sobre a sua dedutibilidade, foram juntadas cópia de todos os contratos celebrados com as empresas Bruanc Montagem Industrial Ltda., CSE Mecânica e Instrumentação Ltda., Eletrotec Alagia Ltda., Freitas e Freitas Automação Ltda., GMS Soldas Ltda., Jostape Montagem Industrial Ltda., Paulo Augusto Wanzeller Ruiz ME., Tratherm Montagem Eletromecânica Industrial Ltda., Service Engenharia da Qualidade Ltda., Darcy Pacheco Soluções de Peso Ltda., Mammoet Irga do Brasil Guindastes Ltda., N.C. Braga & Cia Ltda., Petrobrás S.A. e Scantech do Brasil Soluções Tecnológicas Ltda, nos quais havia previsão expressa de que os custos com alimentação seriam arcados pelo contratante: Fl. 2656DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.657 18 A respeito dos contratos trazidos à colação, anteriormente relacionados, esclareçase que os referentes às empresas CSE MECÂNICA E INSTRUMENTAÇÃO LTDA., ELETROTEC ALAGIA, GMS SOLDAS LTDA., JOSTAPE MONTAGEM INDUSTRIAL LTDA., PAULO AUGUSTO WANZELLER RUIZ – ME, TRATHERM MONTAGEM ELETROMECÂNICA INDUSTRIAL LTDA., SERVICE ENGENHARIA DA QUALIDADE LTDA. e DARCY PACHECO SOLUÇÕES DE PESO LTDA., foram celebrados entre estes e o CONSÓRCIO MARLIM LESTE CML. Assim, não se trata de contratos celebrados pelo consórcio QUIP diretamente com as referidas empresas, mas sim destas com o CONSÓRCIO MARLIM LESTE – CML, o que foi inclusive admitido pela própria contribuinte em sua defesa: 17. A respeito dessas glosas, a Impugnante ressalta que, a partir de uma análise atenta de alguns contratos de prestação de serviços firmados com as empresas listadas no relatório fiscal, verificase a existência de cláusulas específicas estabelecendo como sendo de obrigação da Impugnante e do consórcio por ela contratado o fornecimento de alimentação aos trabalhadores das empresas subcontratadas. 18. Cabe esclarecer que, em razão da complexidade que é a construção de uma plataforma de petróleo, como era o caso da P53 (à época), para determinados serviços específicos, a Impugnante contratou o "Consórcio Marlim Leste CML", que, por sua vez, para determinados serviços, subcontratava outras empresas prestadoras de serviços, sendo certo que nos contratos celebrados pelo referido consórcio com tais empresas subcontratadas havia previsão de fornecimento de alimentação, a qual, em Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.658 19 última análise, era fornecida pela Impugnante, visto que os serviços eram todos prestados em seu estabelecimento que, conforme será demonstrado a seguir, localizavase na remota cidade de Rio Grande. Diferentemente do alegado pela defesa, no contrato celebrado entre o consórcio QUIP e o consórcio MARLIN LESTE, não há cláusula específica alguma estabelecendo como sendo de obrigação da impugnante o fornecimento de alimentação aos trabalhadores das empresas subcontratadas. As cláusulas existentes nos contratos entre as empresas e o consórcio MARLIN LESTE vinculam apenas este às empresas por ele contratadas, ou seja, não havia obrigação alguma por parte do consórcio QUIP quanto ao fornecimento de alimentação aos trabalhadores das empresas subcontratadas. Assim, a alegação da defesa não é suficiente para considerar dedutíveis tais despesas com alimentação, porquanto, no contrato celebrado entre os consórcios, QUIP e MARLIM LESTE, não há previsão contratual para o fornecimento de alimentação, ainda mais para empresas subcontratadas. Outrossim, esclareçase à defesa, no tocante à afirmação de que a fiscalização considerou que o custo das refeições arcadas pela contribuinte com a alimentação de alguns prestadores de serviço como sendo uma mera liberalidade, que, na verdade, esta alegação partiu da própria contribuinte, em resposta a intimação efetuada no curso do procedimento fiscal, in verbis: Relatório Fiscal 1.6 Com o objetivo de complementar as informações necessárias para comprovar a dedutibilidade dos custos e/ou despesas de alimentação referentes aos trabalhadores com vínculo empregatício com as empresas contratadas, elaboramos o Termo de Intimação nº 3, de 19/06/2013: “2. Considerando que, na mesma resposta, a empresa informou que o custo de alimentação do trabalhador abrange os colaboradores indiretos, bem como apresentou cópia de 14 (quatorze) contratos em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 2, solicitamos: 2.1. seja informado, por contrato, a quantidade de refeições e o correspondente custo/despesa, o valor pago decorrente do contrato e em qual linha da DIPJ/2009 este valor foi informado, na forma do anexo a este Termo de Intimação; 2.2. seja apresentado o contrato de prestação de serviços com a empresa Airmarine Engenharia Ltda, a que se refere o Aditivo nº 1 constante da resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 2; 2.3. seja apresentada a documentação que respalda as deduções pela Quip S/A decorrentes de custos/despesas do contrato celebrado entre Marlim Leste (Consórcio) e CSE Mecânica e Instrumentação Ltda.” 1.7 Na resposta, o contribuinte apresentou os contratos solicitados e a planilha que foi enviada como anexo do Termo de Intimação, Fl. 2658DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.659 20 acrescentando a seguinte informação .” (vide item 2, fl. 2 do doc. Resposta à Intimação, fls. 850/960 do eprocesso): “2.3 – A empresa disponibiliza, por liberalidade, o mesmo refeitório e alimentação, a todos os colaboradores e subcontratados a fim de nivelar o padrão da alimentação fornecida.” (grifo e negrito nosso) Com efeito, quem, por liberalidade, e não por outras questões (contratuais), entendeu por bem disponibilizar o mesmo refeitório e alimentação, a todos os prevendo o fornecimento de alimentação pela Impugnante aos empregados de empresas contratadas para prestação de serviços, não resta qualquer dúvida de que, conforme amplamente demonstrado acima, tais despesas com alimentação são necessárias para o desenvolvimento das atividades da Impugnante (construção de plataforma de petróleo), em razão da remota localização do polo naval de Rio Grande, sendo dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos do artigo 299 do RIR/99. Em síntese, a defesa entende que as despesas com alimentação fornecidas pela empresa seriam necessárias para o pleno desenvolvimento de suas atividades, em razão da remota localização do polo naval de Rio Grande (construção de plataforma de petróleo), sendo assim dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos do artigo 299 do RIR/99. Sobre o assunto, consoante consta do RF, a fiscalização assim relatou: (...) 1.9 Retomando o art. 369 do RIR/1999, que admite como dedutíveis as despesas de alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados, resta clara a impossibilidade de constar na ficha 04A/07 o custo com a alimentação de trabalhadores de empresas contratadas, de forma que nesta ficha deveria constar unicamente o valor constante no item 22 supra, qual seja: R$ 966.124,04 (novecentos e sessenta e seis mil e cento e vinte e quatro reais e quatro centavos). 1.9.1 Não obstante, os custos/despesas necessários para a atividade da empresa podem ser deduzidos, ainda que sob outra rubrica, como exemplo: Custo de Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (ficha: 04A/14) e/ou Despesas com a Prestação de Serviço por Pessoa Jurídica (ficha: 05A/04). Para tanto, há que existir previsão contratual que defina tais custos, eis que não são dedutíveis despesas arcadas por mera liberalidade. 1.10 De pronto, verificouse que são indedutíveis os custos/despesas realizados com alimentação dos empregados das contratadas que não constam os correspondentes contratos, tendo em vista que o contribuinte não fez prova da necessidade desses custos/despesas, em que pese ter sido intimado para tanto. São estas: (...) 1.11 Constatouse, também, que o contrato apresentado entre a Quip e o Consórcio Marlim Leste CML (item 2.3 da resposta ao Termo de Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.660 21 Intimação nº 3, de 19/06/2013), não prevê, nas obrigações do contratante estabelecidas na sua Cláusula Quarta, o fornecimento de alimentação aos trabalhadores da contratada. Na verdade, o contrato estabelece, de forma expressa, como obrigação da contratada: “3.12 Fornecer às suas expensas toda a mãodeobra e apoio requerido para transporte de seu pessoal e demais despesas relativas ao seu pessoal mobilizado nas atividades contratadas.” 1.11.1 Desta forma, também são indedutíveis os custos/despesas realizados com alimentação tanto dos trabalhadores do Consórcio, como de empresas contratadas pelo Consórcio, eis que realizadas por liberalidade. São estas: (...) 1.12 Por fim, não podem ser acatadas como dedutíveis as despesas/custos que não foram identificadas pelo contribuinte. Primeiro, por não ter como identificar o valor gasto por contrato, segundo por sequer termos acesso a todos estes contratos, de forma que não foi comprovada a necessidade desses custos/despesas. (...) 1.13 Consolidando os valores não aceitos, temos o seguinte quadro: (...) 1.14 Acatouse, por outro lado, os custos com alimentação dos trabalhadores do contribuinte, eis que atendidos os requisitos do art. 369 do RIR/1999, antes transcrito. Admitiuse, também, como dedutíveis os custos/despesas com os trabalhadores das prestadoras de serviço: ISI Engenharia e Comercial Ltda e Sória e Lucas Ltda, as quais tinham contratos vigentes no ano de 2008, diretamente com a Quip, estabelecendo como obrigação da contratante o fornecimento de alimentação aos trabalhadores da contratada. 1.14.1 Ainda que admitida a dedutibilidade dos custos/despesas com os trabalhadores das referidas contratadas, há que se registrar que tal possibilidade não decorre do art. 369 do RIR/1999, eis que o dispositivo legal exige que os empregados sejam seus, mas como Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica (Linha 04A/14 e 05A04), eis que tal obrigação decorre do contrato firmado, agregandose, para os efeitos tributários decorrentes, tais despesas com alimentação dos trabalhadores da contratada aos demais valores previstos no contrato. 1.14.2 A seguir, identificamos os valores admitidos como custo e/ou despesa. (...) 1.15 Portanto, por força do art. 249 do RIR/1999, parcialmente transcrito no início do tópico, o valor de R$ 5.406.632,88 (cinco milhões e quatrocentos e seis mil e seiscentos e trinta e dois reais e oitenta e oito centavos) deve ser adicionado ao lucro líquido, o que repercute no Imposto de Renda Pessoa Jurídica e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do período, referente ao período que teve início em 01/01/2008 e Fl. 2660DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.661 22 se encerrou em 31/12/2008, eis que o contribuinte optou pela apuração anual do imposto. Em suma, a fiscalização considerou indedutíveis os custos/despesas realizados com alimentação dos trabalhadores para os quais não havia cláusula contratual que estabelecesse a obrigação da contribuinte ao fornecimento de alimentação, nos termos do art. 299 do RIR/99. Assim, em virtude da ausência de previsão contratual específica, tais custos/despesas foram considerados indedutíveis. Esclareçase à contribuinte que, ainda que haja a necessidade de alimentação, o que é óbvio, para que tal seja considerada custo/despesa dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, deve haver expressa previsão contratual nesse sentido, motivo pelo qual somente foram admitidos pela fiscalização e por este julgador as despesas com alimentação expressamente previstas em contrato, com cláusula específica, obrigando as partes envoltas. Nesses termos, dos contratos trazidos à colação pela defesa, apenas são dedutíveis a título de alimentação os relativos às empresas BRUANC MONTAGEM INDUSTRIAL, MAMMOET IRGA DO BRASIL GUINDASTES LTDA., N.C. Braga & Cia Ltda., PETROBRÁS S.A. e SCANTECH DO BRASIL SOLUÇÕES TECONOLÓGICAS LTDA., conforme quadro a seguir elaborado: (Grifei) Com a devida vênia a decisão recorrida, entendo que a falta de disposição contratual acerca do fornecimento de alimentação ao trabalhador terceirizado não é fato suficiente para enquadrar a despesa como indedutivel, pois conforme dito anteriormente, resta claro, mais uma vez, que não se encontra em discussão a normalidade da despesa (nem tampouco sua comprovação), mas sua necessidade. Este é o cerne da questão: a necessidade das despesas incorridas pela Recorrente em sua forma e essência, vez que a respectiva comprovação (notas fiscais, registros contábeis, efetiva prestação dos serviços) e normalidade em relação às atividades da Recorrente não foram contestadas na sua integralidade. Da leitura do art. 299 do RIR/99 dessumese que a análise da dedutibilidade das despesas operacionais há que se levar em consideração a atividade desenvolvida pela empresa, consistente na verificação da necessidade das despesas para o exercício de suas atividades e manutenção da fonte produtora, análise que em determinados casos revelase tarefa complexas por envolver aspectos subjetivos. Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.662 23 Assim, as despesas ora discutidas podem não satisfazer os requisitos de dedutibilidade para efeitos fiscais, da normalidade, da usualidade e da necessidade, para a maioria das empresas, meramente a título exemplificativo, siderúrgicas, mineradoras, hipermercados, hospitais, de transportes, serviços de saúde, impondose aquilatar, previamente as atividades desenvolvidas de modo a se identificar as despesas típicas e necessárias à consecução dos objetivos sociais de cada empresa. No caso dos autos, como afirmado pela recorrente no seu Recurso Voluntário (fls.2383/2421), ainda que não haja qualquer cláusula contratual prevendo que uma despesa seja arcada por determinada pessoa jurídica, mas seja comprovada a efetividade de tal despesa, assim como a sua usualidade, normalidade e necessidade para garantir o desenvolvimento da fonte produtora da pessoa jurídica, não resta dúvida de que se trata efetivamente de uma despesa dedutível. Por estas razões, dou PARCIAL provimento ao recurso voluntário, mantendo a glosa de despesa somente em relação a quantia de R$ 1.346.517,56. (ii) Da Cobrança de Estimativa em Virtude da Não Homologação/Homologação Parcial de PERDCOMP´S Segundo o Relatório Fiscal (fls. 146/149 dos autos) os valores compensados e não homologados a título de estimativa devem ser considerados como não antecipados ao final do período de apuração, em 31/12/2008 no presente caso, eis que o contribuinte optou pela apuração anual do imposto, gerando o lançamento de IRPJ no valor de R$ 1.307.480,36 (um milhão e trezentos e sete mil e quatrocentos e oitenta reais e trinta e seis centavos) e R$ 1.185.271,01 (um milhão, cento e oitenta e cinco mil e duzentos e setenta e um reais e um centavo), a título de CSLL. A decisão recorrida corrobora com esse entendimento, afirmando que: “não podem compor o saldo negativo do período estimativas cujas compensações foram objeto de não homologação, porque o débito (ou sua parcela não compensada, no caso de débito parcialmente homologado) não se encontra mais extinto por compensação (art. 156, II, do CTN), ainda que com exigibilidade suspensa, em face de recurso administrativo interposto, nos termos do art. 151, III do CTN (recursos estes analisados por esta 1ª Turma). Ora, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em cobrança naqueles autos não justifica a adoção de decisão divergente sobre os mesmos fatos.” Ademais, apesar do caráter de confissão de dívida da DCOMP, é bastante controvertida a exigibilidade das antecipações devidas a título de estimativas mensais, tanto que há preceitos específicos na Instrução Normativa SRF n.º 93, de 24 de Dezembro de 1997 DOU de 29/12/1997, a prescrever o lançamento de ofício apenas de multa isolada sobre os débitos das estimativas não extintas, afastando, a contrário senso, a possibilidade de lançamento de ofício para cobrança dos débitos de estimativas propriamente ditos. (...) Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.663 24 Como a estimativa seria uma mera antecipação do tributo devido a ser apurado ao final do período, o valor mensalmente devido não assumiria a natureza de obrigação tributária e crédito tributário, não sendo passível, conseqüentemente, de lançamento, cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União, vez que não atendidos os pressupostos de certeza e liquidez. Apesar de serem instrumentos de confissão de dívida, nem a DCTF, nem a DCOMP, teriam o poder de transformar em crédito tributário, o que tem a natureza de mera antecipação do devido. Disto decorre que, mesmo declarada/confessada a antecipação (estimativa) do tributo como débito em DCTF ou DCOMP, em não sendo paga ou homologada a compensação, ela deve ser tida por inexistente, porque o débito não será passível de cobrança e de inscrição em dívida ativa. Concluise daí que não se deve admitir a inclusão ao saldo negativo do período da estimativa, cuja compensação fora não homologada, antes de regularmente extinta, pelo pagamento, ou pela reforma da decisão administrativa. Nesse sentido, o Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011 menciona que: “... embora para as Dcomp, como acontece também na DCTF, a regra geral seja que os débitos informados são dívida confessada, a própria Lei nº 9.430, de 1996, e o CTN estabelecem que a estimativa não é tributo devido, logo, não há que se falar em confissão de tributo, vez que não ocorrido o fato gerador. (...) O procedimento a ser adotado por conseqüência da não homologação será a glosa da estimativa não paga no ajuste, com lançamento de redução de saldo credor, concomitante, conforme o caso, com a exigência do saldo de IRPJ (CSLL) a pagar porventura apurado, acrescido de multa de ofício vinculada prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Cumulativamente deverá ser cobrada a multa isolada pela falta de pagamento da estimativa estabelecida na alínea ‘b’ do inciso II do art. 44 da mesma lei.” Assim, como o lançamento de ofício referese ao IRPJ/CSLL apurados no ajuste anual, e não às antecipações a título de estimativa, estando conforme a legislação supracitada, entendo por correto o feito fiscal, devendo este ser mantido. Para uma melhor elucidação dos fatos, notadamente para sabermos se estamos falando de lançamento de ofício para a cobrança de valores apurados no ajuste anual ou para cobrança de antecipações a título de estimativa, colacionamos abaixo trecho do Relatório Fiscal (fls. 148): Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.664 25 Vêse claramente que os valores lançados pela fiscalização dizem respeito a estimativas que foram compensadas ao longo do ano de 2008 pela recorrente e que não foram homologadas ou homologadas parcialmente quando da análise das suas PERDCOMp´s. O entendimento da decisão recorrida vai no sentido de que somente as estimativas que tiveram seus PERDCOMP´s homologados é que podem ser utilizados para compor o saldo do IRPJ e CSLL do ajuste anual, pois caso esse não seja o entendimento adotado “mesmo declarada/confessada a antecipação (estimativa) do tributo como débito em DCTF ou DCOMP, em não sendo paga ou homologada a compensação, ela deve ser tida por inexistente, porque o débito não será passível de cobrança e de inscrição em dívida ativa.” Discordamos de tal entendimento. Isso porque, a eventual não homologação significaria uma cobrança em duplicidade contra o contribuinte, a primeira ocorreria em relação ao próprio processo que está discutindo o direito creditório de Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.665 26 determinado valor compor o saldo negativo do IRPJ e a segunda ao débito compensado através da DCOMP. Neste sentido, caso o contribuinte tenha o seu recurso administrativo julgado improcedente e se torne inadimplente a posteriori, certamente ficará sujeito à competente Execução Fiscal do débito confessado e não pago. Daí a conclusão que, caso o contribuinte esteja discutindo o seu direito creditório perante o fisco (da estimativa) e não possa, seja antes, durante ou depois dessa discussão, compensar tal valor como parte integrante do seu ajuste anual de outro período de apuração, restará prejudicado em seu direito. Por outro lado, caso deixe de pagar a estimativa e também seja impedido de compensar o valor confessado como estimativa, será chamado a pagar um débito de um tributo que, ao final, fora apurado como indevido. Vejamos o que diz a Solução de Consulta Interna (SCI) n. 18/2006: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Estimativas. Compensação. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. 12. No que se refere à compensação não homologada, inicialmente cabe ressaltar que o crédito tributário concernente à estimativa é extinto, sob condição resolutória, por ocasião da declaração da compensação, nos termos do disposto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e, nesse sentido, não cabe o lançamento da multa isolada pela falta do pagamento de estimativa. 12.1 Por conseguinte, aos valores relativos às compensações não homologadas importa aplicar os procedimentos cabíveis estabelecidos na Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, como abaixo exposto: 12.1.1 no prazo de 30 dias contados da ciência da não homologação da compensação, o contribuinte poderá recolher as estimativas acrescidas de juros equivalentes à taxa Selic para títulos federais ou apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão; 12.1.2 não havendo pagamento ou manifestação de inconformidade, o débito relativo às estimativas deve ser encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, com base na Dcomp (confissão de dívida); 12.1.3 nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, aplicasse a multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de janeiro de 2003; 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.666 27 na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada. 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada." (grifos aditados) Vejamos ainda, precedente do CARF neste mesmo sentido (acórdão 1801001.616 da 1ª Turma Especial da 1° Seção de Julgamento): "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS PARCELADAS. UTILIZAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DA CSLL AO FINAL DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Na declaração de compensação, com crédito de saldo negativo de CSLL, cabe computar estimativas de CSLL, confessadas e cobradas em processo de parcelamento, eis que a decisão de não homologação implicaria dupla cobrança da mesma dívida: a estimativa no processo de parcelamento e o débito no processo de Per/Dcomp." Diante do exposto, julgo procedente o Recurso Voluntário quanto a este ponto. (iii) Da Aplicação da Multa Isolada sobre Estimativas Em decorrência do que já foi defendido acima, entendo que não podem ser exigidas as multas isoladas aqui debatidas, pois as bases de incidências são as mesmas das estimativas exigidas pela fiscalização, conforme pode ser visualizado por meio da análise das tabelas constantes do Relatório de Fiscalização (fls. 150/151). Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.667 28 Ademais, ainda que as referidas DComp não tenham sido homologadas, os valores nelas confessados devem ser considerados na apuração do saldo do período de apuração, não cabendo a aplicação de multa isolada no caso em apreço. É este o entendimento da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Acórdão nº 9101002.493 (Relator Marco Aurélio Pereira Valadão, julgado em 23 de novembro de 2016): "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.668 29 Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ)." Tal entendimento é amparado pelo posicionamento da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) expresso no Parecer PGFN/CAT nº 88/2014: "Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança." Isto posto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte quanto a este ponto. Conclusão Por todo o exposto, voto pelo provimento PARCIAL do Recurso Voluntário, mantendose a presente exigência somente em relação a glosa de despesa realizada pela fiscalização na quantia de R$ 1.346.517,56, nos termos do quadro abaixo: É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 11040.721307/201311 Acórdão n.º 1302002.308 S1C3T2 Fl. 2.669 30 Fl. 2669DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.692652/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez.
Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado
Numero da decisão: 1301-002.707
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-11-08T15:55:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2017-11-08T15:55:30Z; Last-Modified: 2017-11-08T15:55:30Z; dcterms:modified: 2017-11-08T15:55:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-11-08T15:55:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-11-08T15:55:30Z; meta:save-date: 2017-11-08T15:55:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-11-08T15:55:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2017-11-08T15:55:30Z; created: 2017-11-08T15:55:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-11-08T15:55:30Z; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-11-08T15:55:30Z | Conteúdo => S1-C3T1 Fl. 2 1 1 S1-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.692652/2009-07 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301-002.707 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente L. W. KOGOS - PROCEDIMENTOS MEDICOS S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez. Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.692652/2009-07 Acórdão n.º 1301-002.707 S1-C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgá-la improcedente. O presente processo decorre de pedido de Declaração de Compensação, onde o contribuinte utilizou-se de crédito de pagamento a maior de IRPJ. Segundo o despacho decisório, a compensação não foi homologada porque o pagamento considerado indevido foi integralmente utilizado para extinguir débito de IRPJ, inexistindo, portanto, crédito a compensar. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, informando que retificou sua DCTF, apropriando-se integralmente do valor recolhido indevidamente. Pondera que a única justificativa da RFB, ao proferir tal despacho, foi ter-se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora, caso contrário não teria porque não homologar a compensação realizada. Estes argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu pela improcedente da defesa. Anote-se que, em seu decisium, a DRJ consignou que o contribuinte não comprovou a existência do crédito declarado. Após intimado, inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, pugnando por provimento, sustentando a certeza e liquidez do crédito apresentado, pois, em sua ótica, o crédito está devidamente demonstrado através da comparação das obrigações acessórias transmitidas e DARF recolhido. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1301-002.696, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.973679/2009-90. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301-002.696): O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Da análise do recurso Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.692652/2009-07 Acórdão n.º 1301-002.707 S1-C3T1 Fl. 4 3 Como bem apontado na decisão recorrida, a compensação prevista nos artigos 156 e 170 do CTN, e regulada pelo artigo 74, da Lei 9.430/96, constitui-se em um instrumento de extinção de crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. O contribuinte quem figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. No caso de pagamento indevido, que é o caso específico dos autos, o reconhecimento de seu direito creditório exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registro contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. O contribuinte trouxe aos autos apenas suas Declarações (DCTF, Dcomp e DIPJ), informando que retificou sua DCTF, e insiste na comparação das informações declaradas com o DARF recolhido, pois, a partir de tal confronto, em sua ótica, estaria comprovado o crédito que alega ser titular. Não penso assim, pois deveria ter trazido mais elementos de provas, com o escopo de demonstrar não só a origem do crédito, como sua liquidez e certeza. Além do mais, é bom que se diga que as Declarações são documentos produzidos pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe-se a obrigação da recorrente de comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocadamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66. Neste ponto, acresça-se o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifou-se) Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF, veja-se: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.692652/2009-07 Acórdão n.º 1301-002.707 S1-C3T1 Fl. 5 4 “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) COFINS. DCOMP. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o Per/DComp o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Portanto, a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ. Por fim, com relação ao argumento da recorrente, ao final, de que no Acórdão recorrido, foram acrescentados fatos e alegações novos e estranhos ao processo, desconhecidos da empresa recorrente, em especial por ter feito referência a Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.692652/2009-07 Acórdão n.º 1301-002.707 S1-C3T1 Fl. 6 5 julgamentos de outros processos de compensação, e por isso, por esta referência, sustentou que foi desrespeitado o devido processo legal, entre outros princípios; também não há que se dá razão ao contribuinte. O fato da decisão recorrida ter feito referência a outros processos que discutem a certeza e liquidez de crédito oriundo de pagamento indevido a título de IRPJ, não agride a estes princípios, e nem altera o resultado da decisão recorrida, pois não se reconhece o crédito pretendido por ausência de provas quanto ao fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte. Sendo assim, rejeitam-se suas alegações. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 113DF CARF MF Relatório Voto
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Numero do processo: 10435.721369/2014-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
Ementa
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS.
A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1001-000.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 Ementa MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
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A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 13 69 /2 01 4- 15 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre lançamento (fl. 27), no qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de julho de 2013. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/18) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de denúncia espontânea.. A decisão de primeira instância (efls. 33/35) manteve o crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/08/2014 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário em 04/09/2014 (efls. 41/60), em que aduz, em resumo (repetindo argumentos da impugnação): que a Recorrente entregou a DCTF em atraso, de forma espontânea, antes de qualquer procedimento da fiscalização em exigilas; que é inaplicável qualquer forma ou nominação de multa, quando da efetivação da denúncia espontânea e pagamento do tributo devido ou parcelamento deste, já que a expressão contida na lei se for o caso afasta a multa na hipótese de cumprimento espontâneo dá obrigação tributária, seja ela principal, acessória ou acessória que se tornou principal; apresenta acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam a tese de que o cumprimento a destempo, mas espontâneo e antes de qualquer exigência da administração fazendária, autorizaria a aplicação do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, a fim de caracterizar a inexigibilidade da multa pretendida; que no acórdão recorrido.já na descrição do voto condutor, observarseia o equívoco do ilustre julgador ao considerar a DCTF como uma obrigação acessória desvinculada de natureza tributária, pois seria certo que as informações prestadas na referida declaração (DCTF) são situações tributárias ocorridas na empresa. Se exige informações das situações tributárias ocorridas na empresa, como desvinculála da ocorrência do fato gerador dos tributos. que até mesmo nos casos de pedidos de parcelamento há que se considerar a denúncia espontânea para elidir exigência de qualquer multa; seria absurdamente incoerente admitirse aplicação de penalidade a este contribuinte de forma idêntica à qual lhe seria aplicada caso permanecesse inerte, aguardando eventual manifestação da autoridade fazendária. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. Definiu acertadamente a decisão de primeira instância que a entrega da DCTF constituise em obrigação acessória, desvinculada de natureza tributária, pois assim prevista nos §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10435.721369/201415 Acórdão n.º 1001000.111 S1C0T1 Fl. 65 3 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Mesmo nos casos de entrega espontânea da declaração, antes de qualquer procedimento por parte do Fisco, a aplicação de multa como a prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002 permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN) se refere à multa de ofício que acompanha a obrigação principal. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega após o prazo legalmente estabelecido, nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Este é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria, já tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Adiantese que o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê uma redução da multa aplicada, nos casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75% no caso da declaração ser apresentada no prazo fixado em intimação, respeitados os limites mínimos estabelecidos no parágrafo 3º do mesmo artigo. Desta forma, é evidente que, ao contrário do que alega a recorrente, a imposição da penalidade está legalmente prevista, mesmo neste caso de apresentação espontânea da declaração (com ou sem paramento ou parcelamento do tributo), com a devida redução da multa à metade. Adiciono, no que se refere às decisões administrativas e judiciais apontadas, relacionamse a litígio entre partes específicas em que o sujeito passivo não foi parte do processo e/ou tratam de decisão sem força vinculante por não se enquadrar no disposto no RICARF, em especial em seus artigos 62, 72 e 74 (Portaria MF nº 343, de 2015). Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 66DF CARF MF 4 Fl. 67DF CARF MF
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