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Numero do processo: 13689.000049/92-69
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PROCESSO ADMINISTATIVO
FISCAL - PEREMPÇÃO
Não se conhece de recurso interposto
com inobservância dos prazos
determinados, conforme disposto no
artigo 33 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 102-30.292
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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RECORRIDA DRF em UBERLÂNDIA, MG PROCESSO ADMINIST H - TIVO FISCAL - PEREMPÇÃO Não se conhece de recurso interposto com inobservância dos prazos detei minados, conforme disposto no artigo 33 do Decreto 70.235/72. V4 os,, te,eatado3 e cUA cutído4 o4 pite ente au.to de tecauo íntetpo4to pot COMERCIAL MARTINS PATROCÍNIO LTDA. ACORDAM c.) Mernbto da Segunda Ca.mata do Piuirne-Lto Co n 4 elho de Co ntt-Lb uíntu , po t unanírrmidade de voo,, n -c-to conhecet do tecut4 o pot íntemputívo , no4 a/no3 do te.lat -cit-Lo e voto que pais 4(am a íntegtat o pite4ente j u-eg ado . Sala da4 Se5u em 19 de o utubto de 1995 d„.../ P-4- ANTONIO DE REITAS DUTRA - PRESIDENTE/4 I I 4 ' íSURS UL-- -4& EN - RELATORA __-- . VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA FA- SESSÃO DE : 2 1 100T 1995. . , ZENDA NACIONAL PcuLtícÁlpatam, ainda, do pte..4ente julgániento c .) 3 eguíviteis (CaY14e- lheíto4: Watde.van A/ve4 de Olíveíta, Matía ClElía de Andtade Fi g ueítedo , Jo4 -e-, CulõíA A/ve)s , Sue-U E,c1g2nía Mende4 de Btítto, J XÁ° CE3 cut. Gonie.. da Sílva e J c: -e: Catlo Paisuello . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO n. 13689/000m9192-69 RECURSO n. 88.056 ACORD.À0 n. 102- 3 0 . 2 9 2 RECORRENTE COMERCIAL MARTINS PATROCLNIO LTDA. RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 09 e anexos, lavrado contra Comercial Martins Patrocínio Ltda,, CGC . 17.327.17210001-77, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Uberlândia, MG, foirnalizando a exigência de FINSOCIAL Faturamento, relativa ao exercício de 1988, no valor de 56,66 UFIR e correspondentes gravames legais. O lançamento, com base no parágrafo primeiro do artigo primeiro do Decreto Lei 1.940/82, e Regulamento do FINSOCIAL aprovado pelo Decreto 92.698/86, decorreu de procedimento de fiscalização sendo apuradas irregularidades - omissão de receita operacional, ocasionando insuficiência na determinaçãn da. base de cálculo da Cnntribuição, e lane:alio Imposto do Renda Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo 13689/000.049/92-16. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou, em 30/07/92, sua impugnação de fls. 18, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância, de número 563/92, foi proferida à fls. 29/31, e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado parcialmente procedente. Ciente da decisão singular em 03/12/92 (fls. 34) e reintimada em 21/01/93, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/03/93, reiterando, sem suas Razões, acostadas aos autos à fls. 37, os argumentos foi-ululados na fase impugnaténia. É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO n. 13689/000.049/92-69 ACÓRDÃO a. 102- 30 . 29 2 VOTO Conselheira Ursula Hansen Relatora O Decreto 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, contém todos os prazos concernentes aos meios de defesa de que dispõe o contribuinte para se contrapor a exigências fiscais decorrentes de procedimento de oficio. No entanto, a contribuinte deixou de observar o prazo para interposição de recurso voluntário, que, nos termos do artigo 33 do citado Decreto, é de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão. Tendo esta ocorrido em 03/12/92, conforme comprova assinatura aposta às fls. 34, sendo, ainda, a intimação reiterada em 21/01/93, somente em 10103/93 a parte ingressou com o recurso junto a este Conselho de Contribuintes. Face ao exposto„ deixo de tomar conhecimento do recurso interposto a destempo. BRASÍLir)A.„ Dy, 19 de o utu (Dito de 199 5 / - L T MNSEN Relatora 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000824/92-51
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL/FATURAMENTO - Tratando-se de lançamento
reflexivo, a decisão proferida no processo matriz
se projeta no julgamento do processo decorrente
recomendando o mesmo tratamento, dada a íntima relação
de causa e efeito.
Numero da decisão: 102-30.243
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Maria Clelia de Andrade Figueiredo
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CIARROZ IMPORTAÇA0 E EXPORTAÇA0 LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o pre- sente julgado. Sala das Sessbes, em 17 de outubro de 1995 421^-4'-' ANTONIn DE FREIT?'--2 DUTRA - PRESIDFNTF MARTA CLELI .L; DE ANDRADE FISUEIREDO - RELATORA ISTO A-- 4. .Q • wr.1 OLnURFMBFRS RI MUNES ROCHA --PROCURADOR DA FAL-2? SFSA0 DF2 ZFNDA NAMONAL. O 8 DFZ Participaram, ainda, do presente Julgamento, os seguintes Conselhei- ros: Waidevan Alves de Oliveira, José Clóvis Alves, Ursula Hansen, Sueli Efigânia Mendes de Britto, Júlio César Somes da Silva e José Carlos Passuello. , 1.0 ai ri ai ri 1 I I ,, 1 1 1 111 1 1 1 Ul "O -1-1 73 ti il . ..I h.. C C7.2 ti O ti ri ri Ati w ro w o ili .r4 e Ci O 11• C::: E ai L. 1.h. 4.1 • 1:::: W O O "o I. ..i.-- ,--1 ai r..) .Z. O ...1 1:3 CP W C (..1 1.3 '(I c, tj 7:.1 +.1 i'•"4 E U r.1 4- rrj ....I •ri 1: Lit. rd rd CI I,J i Li., CU w w ao ti :::i 1.1 M ...1 M •11 ,:ro ai r.::1 4:p ai E ,i-i .0 ,..1 k. L al W. 1.4.. w, 4 .1 ,J1 L 4 , r.1 ri L ..-1 rj gi ai rri In (X. ri N C <C ", LI C Ln (Li L In .,„. 4- ri r:'' .,-1 'ri (j ,1 (.1) M M Zi (O , i-1 ih. al 1,J ai Li. w L. ',..1 Ui rri C) L. O *- O h- O "O (LI ... ..,J "Cl 4-1 UI _I . .-i ix: IA cn ..5- 1 al I. fl ~"""•-•., :I O r: "O R, IT,i ai LJ L.1,1 O (li C "CI CL I,J ri --"" (11 , r-1 ..--1 O M E ul C3 O "2: "O 4J ri 4-I in k. ri (,), C) •i-i I-- In cx. 1:: In ri ,.-I M 0... Ir, U o Ci Z (14 • ri ili "O O n•••^I li N " " W ti VI Li") C 1.11 'Cl 111 O ,, L 4- ai E CI, (C Cl) J N 411 ti E 4.1 r0 .,,. j jii C/. 'ti a iii (Ú rX E ri(), L (11 CO gl: C ^i-1 r•I 4-1 ri 'ri rd iini- I.-- ai L LI ri (I: (11 ::.1 i-4 1,,,„ CL LI ri MJ Cl -J I ir. (), gel" O Ci CA C.,,' 1- 1:„.1 ri ri .0 co a CU ,,, CCI Li L . sir, .i.1 „O C.3 G. iSi Li "/J ri C: Cl C:1 <I". "(3 7.: CI, ri ai e"..L. ili D4 (I) ai 40 .. i.J .1-1 C) E-- <1:: .,., ri Ci 1-1 "Cl i..-1 Eu w ri Z C h. I. S. e zi O „..1 (..11., (., "o , r1 Ui . e, 4- ;?.... (LI 4j i--1 ,Irri a o u rn en O <,t, 1-1 . r-I LJ W 4 In E ri L,iJ > • i-I LL Lil E, CL Ci In 0.1 .."". O I- C u . .-1 "Cl 0-1 1.1J U (LI 0W (II C al 1,11 01 Cr. :,:,.1 4- l'ii rr.1 .-1 "o Ljj 1-4 I,J O (1.1 ri C) L. C3 C3 ris.. ul "0 O O ia ai "o :„i ,ti 'o E Cl ri O C, é-il CL. ::::.1 -1 o O c ai ..-i .-1 O LI3 0 h. Crz. " M «aC .,..1 >IX al I , ii 0 ---1 Li L. O 0I0 O o ,,,, 4.1 ai t•-•! IX cel III 7.1 ".1 ".. .r. u Cl .i :,1 L1, I- 'ti -O... O o f- "0 O 1,11 o Cr 01 .. .-4 ut U) C .r-i O (CL) :I Ui 'ri 4J irJ ri èrfi O . O,. r..31 U.,1 E eri :: LI (II O .,..1 L LL "() (1.1 1„,1 C) Lii, 0 151 ") 1,11, "CI ai C L. L EP ris.' r:, L r-i > rd ai (1,1 'ri rri Iti LU H O ai L. L 1110 e: Ti o .0 4r.i -4. .- E L 03 C3 r'l LL, "I'^I ••••:.• 0 III > UI i--1 C.) Li... 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Numero do processo: 10680.012256/2005-24
Data da sessão: Tue Feb 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001, 01/04/2000 a 31/12/2001
CONTRIBUIÇÕES. PRAZO DECADENCIAL. PRAZO QUINQUENAL.
É de cinco anos, regido pelo Código Tributário Nacional, o prazo para a constituição de créditos tributários relativos a todos os tributos, inclusive contribuições. Orientação firmada pela Súmula n.º 8 do STF.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA.
Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3102-00.933
Decisão: Acordam os membros do colegiado, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores anteriores a 31/08/2000.
Nome do relator: Luciano Pontes de Maya Gomes
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PRAZO DECADENCIAL. PRAZO QUINQUENAL. É de cinco anos, regido pelo Código Tributário Nacional, o prazo para a constituição de créditos tributários relativos a todos os tributos, inclusive contribuições. Orientação firmada pela Súmula n.º 8 do STF. NORMAS PROCEDIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA. Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, deuse parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores anteriores a 31/08/2000. LUIS MARCELO CASTRO GUERRA Presidente. Fl. 540DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 2 LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator. EDITADO EM: 07/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Castro Guerra, Ricardo Rosas, Beatriz Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de recurso voluntário pelo qual o contribuinte se insurge em face do Acórdão n º 0217.178, da 1a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, que entendeu por rejeitar preliminar suscitada pelo contribuinte de decadência parcial dos créditos tributários, e, no mérito, negou conhecimento às razões de defesa do sujeito passivo sob o argumento de que teria esta optado pela via judicial. Em sua manifestação recursal, o contribuinte repisa sua insurgência em relação a dois autos de infrações, sendo o primeiro relativo à exigência da contribuição ao Programa de Integração Social – PIS (fls. 0414), referente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro/2000 a dezembro/2001; e já o segundo no tocante à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 330339), relativo aos fatos geradores verificados entre abril/2000 a dezembro/2001. Verificase, ainda, que ambos os lançamentos ocorreram após reforma de decisão judicial de primeira instância pelo TRF da 3a. Região, denegando a segurança outrora concedida em writ impetrado pelo sujeito passivo com o condão de assegurar os recolhimento de ambas as contribuições versadas pela sistemática da Lei n º 9.715/98, afastando o regime jurídico instituído pela Lei n º 9.718/98 e MP n º 1.8586/1999. São esses os fatos que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES: Verificado o preenchimento dos pressupostos formais de admissibilidade recursal, dela tomo conhecimento. Dada o seu caráter prejudicial em relação em relação ao mérito em sentido estrito, passo de logo a apreciar a suscitada decadência os créditos tributários. Pois bem. Neste particular observamos que os autos de infrações de que cuidam os autos foram regularmente notificados ao sujeito passivo em 01/09/2005 e se referem a fatos geradores da contribuição ao PIS e da Cofins verificados, respectivamente, entre janeiro/2000 a dezembro/2001 e de abril/2000 a dezembro/2001. Fl. 541DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10680.012256/200524 Acórdão n.º 310200.933 S3C1T2 Fl. 534 3 Sem nenhuma pretensão de trazer para os autos a polêmica à respeito da definição sobre a contagem do prazo decadencial pelo art. 150, parágrafo 4o., ou pelo art. 173, I, ambos do CTN, entendo que o que define a aplicação das regras acima é modalidade de lançamento a que cada tributo se sujeita. Salvo, naturalmente, em caso de fraude, dolo ou simulação, quando a regra invariavelmente seria a do art. 173, I. Portanto, tratandose o caso de tributos sujeitos aos lançamento por homologação, e não havendo dolo, fraude ou simulação (ora, o contribuinte discutia judicialmente a base de cálculo das exações), entendo que no caso há de ser aplicada a regra do parágrafo 4o, do art. 150, do CTN. Embora nossa visão mais liberal, o caso igualmente se amolda a atual posição di Superior Tribunal de Justiça, para quem em havendo recolhimento, o lançamento da diferença há de se sujeitar a regra do art. 150. Firmadas essas premissas, reconheço sem soçobro a decadência dos créditos tributários relacionados aos fatos geradores verificados em momento anteriores a 31/08/2000. Quanto aos demais questionamentos de índole meritória, filiome as conclusões já esposadas no acórdão recorrido, pois evidente a coincidência entre os temas aqui debatidos e aqueles levados ao Judiciário, in casu, a pretensão de que sejam ambas as contribuições versadas apuradas e recolhidas conforme a sistemática da Lei n º 9.715/98, afastando, por consequência, o regime jurídico instituído pela Lei n º 9.718/98 e MP n º 1.858 6/1999. Ou seja, deixo de tomar conhecimento quanto às aludidas matérias, em prestígio, inclusive, o enunciado sumular n º 01 do CARF, assim vazado: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário par darlhe parcial provimento, reconhecendo a decadência dos créditos relacionados aos fatos geradores anteriores a 31/08/2000. Deixo, outrossim, de tomar conhecimento das demais matérias em face da opção pela via judicial (concomitância). Sala de Sessões, em 1o de março de 2011. LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator Relatorf Relator Fl. 542DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 4 Fl. 543DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13808.000539/88-21
Data da sessão: Thu Oct 12 00:00:00 UTC 1989
Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS - Glosa de prejuízos compensados indevidamente, Improcedente
a diferença reclamada. Correto o lançamento
mantido pela Autoridade a quo.
- Negado provimento ao Recurso.
Numero da decisão: 103-09.643
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Braz Januário Pinto
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PROCESSO N9 13808/000.539/88-21 aís4.4k, 4";-4k WX.Ip"V› MINISTÉRIO DA FAZENDA ac as Sessão de 12 outubro _de 19 89 ACóRDM)N2 .103-02.J43 ~sone 95.219 - IRPJ - EX: DE 1986 Recorrente SPI - SOCIEDADE PAULISTA DE INCORPORAÇÃO E NEGÓCIOS S/A Rewrid DRF em SÃO PAULO - SP COMPENSAÇÃO DE PREJUrZOS - Glosa de prejuí zos compensados indevidamente, Improceden- te a diferença reclamada. Correto o lança- mento mantido pela Autoridade a quo. - Negado provimento ao Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SPI - SOCIEDADE PAULISTA DE INCORPORAÇÃO E NEGÓCIOS S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con..._ selho de Contri4iintes, por unanimidade de votos, em negar provimen- to ao recurso. Sal= das Sessões, em 2 de outubro de 1989 -wi • reg O DA SILVA C . BRAL PRESIDENTE tr ea: e IJA. •1 O (I NTO RELATOR VISTO EM ZAINITO HOLANbA BRAGA PROCURADOR DA FA- SESSÃO DE ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: AYRES DE OLIVEIRA, LORGIO RIBEIRO, ANTONIO PASSOS COSTA DE OL- V.V. VEIRA, DICLER DE ASSUNÇÃO, FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUIMARÃES, E LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. '.. SERVIÇO PÚBLICO FEDEM Processo n9 13808/000.539/88-21 Recurso n9 95.219 Acórdão n9 103-09.643 Recorrente: SPI - SOCIEDADE PAULISTA DE INCORPORAÇÃO E NEGÓCIOS S/A. RELATÓRIO O Contribuinte, SOCIEDADE PAULISTA DE INCORPORAÇÃO E NEGÓCIOS S/A, com domicilio fiscal em São Paulo (SP), interpôs tempestivo Recurso (fls. 36/37) a este Conselho, em 20.07.89, con tra a R. Decisão (fls. 29/30) do Sr. Chefe substituto da SECPPJ/ /DIVTRI, que, em 15.05.89, por delegação de competência do Sr. De legado da Receita Federal naquela Capital, julgara procedente em parte o lançamento constituído conforme Notificação de Lançamento Suplementar (f is. 02), de 05.03.88, tempestivamente impugnado em 13.04.88, às fls. 1. 2. A matéria litigiosa remanescente versa sobre a par te da glosa da compensação de prejuízo fiscal, considerada indevi da, com lucros do exercício de 1986, na quantia de Cr$ 4.451.390.079 (Cr$ 5.302.681.183 - Cr$ 851.291.104). 3. Na Impugnação, o Contribuinte informa inicialmente ter também recebido Notificação de Lançamento Suplementar do exer cicio de 1985, tê-la impugnado e, até hoje, não ter tido mais no- ticias a respeito. Contesta a procedência do que ora se lhe exige, argumentando: a) que a compensação de prejuízos anteriores aten de' aos requisitos legais vigentes, fazendo anexar xerox de todas as folhas do Lalur (f is. 5/14); b) que, assim requer diligência que se fizer neces sãria, para esclarecimento dos fatos na sua contabilidade, livros e documentos. 4. A Autoridade a auo, considerando que o Contribuin- - te pedira retificação de suas decla7 çóes de rendimentos dos exer • '.. sumo POIL/C0 nom Processo n9 13808/000.539/88-21 2 Acórdão n9 103-09.643 cicios de 1983 e 1984, remanescendo os prejuízos fiscais nos res- pectivos valores de Cr$ 6.843.162,00 e Cr$ 64.016.899,00, e que o saldo do prejuízo fiscal a compensar do exercício de 1983, já forà totalmente compensado no exercício de 1985, conforme Decisão no Processo de n9 13808.001.570/87-25, bem como, considerando o preceituado no art. 382, do RIR/80, que permite a compensação do prejuízo fiscal do exercício, com lucros dos quatro exercíciosEmb sequentes, julga o lançamento procedente em parte, determinando a exclusão da tributação, da quantia de Cr$ 851.291.104, como saldo do prejuízo do exercício de 1984. 5. Discordando da parte que lhe foi desfavorável na R. Decisão de 19 grau, o Contribuinte, perante o Conselho, argu- menta que: a) a ação fiscal relativa ao Processo de n9 13808.001.570/87-25, de 08.08.87, foi julgada improcedente e can- celado o respectivo lançamento suplementar; b) No Processo acima, o restante do prejuízo fis- cal do exercício de 1983 (AB-82), foi totalmente compensado no exercício de 1985; c) no Processo de n9 10880/053.930/85-14, o Sr. De legado da Receita Federal, também concluiu que restara um prejuí zo fiscal de Cr$ 64.016.899,00, no exercício de 1984; d), assim, esse prejuízo fiscal do exercício de 1984, ano-base de 1983, corrigido em 31.12.84 e 31.12.85, atingi- ria Cr$ 1.114.892.537,18, reduzindo o lucro do exercício de 1985, de Cr$ 5.302.681.183,00, para Cr$ 4.187.788.645,82, que, por sua vez, pelo diferimento do lucro inflacionário de Cr$ 5.993.297.298,00, se transformaria em prejuízo no montante de Cr$ 1.805.508.652,18,a ser compensado até o exercício de 1988; e) ã vista do exposto, requer a juntada do • Anexo 2 (cópia às fls. 38), do exercício de 1985, como integrante da De i claração de Rendimentos retificadas be como pede que seja efetua : SERVIÇO POBUCO PEDER/1 Processo n9 13808/000.539/88-21 3. Acórdão n9 103-09.643 da em seus livros e documentos, se necessária, e, por fim, o can- celamento do imposto suplementar. É o relatório. VOTO Conselheiro BRAZ JANUÁRIO PINTO, Relator: Tomo conhecimento do Recurso, pela sua tempestivi- dade e interposição na forma da lei. 2. A questão aqui posta, glosa e tributação de prejul zos compensados indevidamente com lucros do exercício de 1986, a pós a exclusão pela Autoridade da quantia de Cr$ 851.291.104, re- duzindo assim o valor tributado para Cr$ 4.451.390.079, pode ser decidida com as seguintes considerações do que consta do Processo: a) discute-se nos Autos apenas a compensação, inde vida ou não, de prejuízos com o total dos lucros do exercício de 1986, menos, obviamente, a quantia de Cr$ 851.291.104, de proce- dência reconhecida vela própria Decisão a quo; b) também não se discute aqui a compensação de pre juízos do exercício de 1983, já totalmente absorvidos noexercicio de 1985, conforme foi afirmado pelo Fisco e confirmado pela defe- sa; c) tanto o Fisco, como o Contribuinte também não discutem que o prejuízo remanescente do exercicio de 1984, reco- nhecido por Decisão em outro Processo, já identificado montara em Cr$ 64.016.899; d) doutro lado, não consta dos Autos que o Contri- buinte, nem por alegação, houvera outros prejuízos compensáveis e que não foram compensados; , 101,- , . .,. SERVIÇO PODUCO MORAL Processo n9 13808/000.539/88-21 4. Acórdão n9 103-09.643 e) a discussão também não abrange o lucro inflacio_ nário do exercício, cujo deferimento, o Contribuinte somente re_ quer no Recurso; f) assim, discute-se, em suma apenas a exatidão do montante do prejuízo aue deverá ser reconhecido pela R. Deci - /-Fsão a quo, isto é L_se Cr$ 851.291.104, como constou daquele Deci- sum, ou-se Cr$ 1.114.892.537,18, como foi calculado pelo Contri- buinte no Recurso. 3. Examinados os cálculos, verifica-se claramente, às fls. 36, do Recurso, que o Contribuinte, no seu demonstrativo de prejuízos acumulados a compensar, considerou erroneamente como variação da correção anual do prejuízo, o próprio valor do prejuí zo já corrigido, que foi indevidamente somado ao seu valor origi- nal. Portanto, a diferença apurada pelo Contribuinte não tem pro cedência e, por último, não se vê razão alguma para realização da diligência solicitada. Isto Posto e Considerando tudo o mais que dos Autos Consta, Nego provimento ao Recurso. Brasília-DF., em 12 de outubro de 1989 2„ - ságA O r/ BIN/4ÁRIO P....- RELATOR acas. . Page 1 _0043800.PDF Page 1 _0043900.PDF Page 1 _0044100.PDF Page 1 _0044300.PDF Page 1 _0044500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11060.001954/2007-26
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado o pagamento parcial, aplica-se o disposto no artigo 150, §4° do CTN.
DOS FATOS GERADORES. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS VALORES COBRADOS.
Considerando que não houve qualquer impugnação do contribuinte no tocante à cobrança das multas e das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07, a matéria não impugnada está preclusa o que impede esta Egrégia Corte de se manifestar a respeito.
APLICAÇÃO DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECER A INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA.
As contribuições destinadas à Seguridade Social possuem legislação específica para disciplinar a matéria. De acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, até o advento da Lei nº 11.941/09 - MP 449/08, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado e multa de mora, todos de caráter irrelevável.
PARCELAMENTO. PEDIDO DE INCLUSÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA DO CARF.
Escapa à competência do CARF, a atribuição de sindicar se o devedor e o débito reúnem todos os requisitos aptos à concessão do parcelamento pretendido.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS EXIGIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
O art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/75, dispõe que o pedido de perícia pretendida pelo contribuinte deve ser acompanhado dos motivos que justifiquem a realização, bem como, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e qualificação profissional do assistente que será nomeado. A inobservância dos pressupostos imputa ao julgador a considerar o pedido como não formulado.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Crédito Tributário Parcialmente Exonerado
Numero da decisão: 2302-002.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as competências até 04/2002, em função da decadência exposta no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, por entender aplicar-se, quanto à decadência, o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
Liege Lacroix Thomasi Presidente.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado o pagamento parcial, aplica-se o disposto no artigo 150, §4° do CTN. DOS FATOS GERADORES. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS VALORES COBRADOS. Considerando que não houve qualquer impugnação do contribuinte no tocante à cobrança das multas e das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07, a matéria não impugnada está preclusa o que impede esta Egrégia Corte de se manifestar a respeito. APLICAÇÃO DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECER A INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. As contribuições destinadas à Seguridade Social possuem legislação específica para disciplinar a matéria. De acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, até o advento da Lei nº 11.941/09 - MP 449/08, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado e multa de mora, todos de caráter irrelevável. PARCELAMENTO. PEDIDO DE INCLUSÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA DO CARF. Escapa à competência do CARF, a atribuição de sindicar se o devedor e o débito reúnem todos os requisitos aptos à concessão do parcelamento pretendido. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS EXIGIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. O art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/75, dispõe que o pedido de perícia pretendida pelo contribuinte deve ser acompanhado dos motivos que justifiquem a realização, bem como, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e qualificação profissional do assistente que será nomeado. A inobservância dos pressupostos imputa ao julgador a considerar o pedido como não formulado. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Crédito Tributário Parcialmente Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as competências até 04/2002, em função da decadência exposta no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, por entender aplicar-se, quanto à decadência, o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Liege Lacroix Thomasi Presidente. Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 214 1 213 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.001954/200726 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.543 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria Auto de Infração de Obrigações Principais Recorrente CASA DE SAÚDE DR. HOMERO LIMA DE MENEZES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado o pagamento parcial, aplica se o disposto no artigo 150, §4° do CTN. DOS FATOS GERADORES. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS VALORES COBRADOS. Considerando que não houve qualquer impugnação do contribuinte no tocante à cobrança das multas e das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 17 do decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07, a matéria não impugnada está preclusa o que impede esta Egrégia Corte de se manifestar a respeito. APLICAÇÃO DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECER A INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. As contribuições destinadas à Seguridade Social possuem legislação específica para disciplinar a matéria. De acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, até o advento da Lei nº 11.941/09 MP 449/08, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado e multa de mora, todos de caráter irrelevável. PARCELAMENTO. PEDIDO DE INCLUSÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA DO CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 19 54 /2 00 7- 26 Fl. 611DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 Escapa à competência do CARF, a atribuição de sindicar se o devedor e o débito reúnem todos os requisitos aptos à concessão do parcelamento pretendido. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS EXIGIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. O art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/75, dispõe que o pedido de perícia pretendida pelo contribuinte deve ser acompanhado dos motivos que justifiquem a realização, bem como, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e qualificação profissional do assistente que será nomeado. A inobservância dos pressupostos imputa ao julgador a considerar o pedido como não formulado. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Crédito Tributário Parcialmente Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as competências até 04/2002, em função da decadência exposta no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, por entender aplicarse, quanto à decadência, o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Liege Lacroix Thomasi – Presidente. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11060.001954/200726 Acórdão n.º 2302002.543 S2C3T2 Fl. 215 3 Relatório Adoto o relatório do acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/STM constante às fls. 491/499: "A empresa, acima identificada, foi notificada a recolher contribuições destinadas a Seguridade Social e a terceiros. decorrentes de pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais e segurados empregados como contraprestação dos serviços por eles prestados a Casa de Saúde. Conforme Relatório Fiscal (fls. 91/92), o crédito previdenciário compreende as contribuições da empresa de: 20% (vinte por cento) sobre o valor das remunerações pagas/devidas/creditadas aos segurados empregados; de 2% (dois por cento) sobre o valor das remunerações pagas/devidas/creditadas aos segurados empregados, para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n" 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa; de 20% (vinte por cento) sobre o valor das remunerações pagas/creditadas aos segurados contribuintes individuais; de 15% (quinze por cento) sobre e valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio cooperativas de trabalho e a contribuição destinada As outras entidades (salário educação, incra, senac, sesc, sebrae) no percentual de 5,V0 (cinco virgula oito por cento) incidente sobre o valor das remunerações dos segurados empregados da empresa. Na auditoria fiscal, foram verificadas as Folhas de Pagamento, as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e informações à Previdência Social e as guias de pagamento, GPS — Guias da Previdência Social e a Relação Anual de Informações Sociais — RA'S. Para apuração dos valores lançados, foram considerados os recolhimentos já efetuados pela empresa e os valores confessados rio LDC ri° 35.686.3883, conforme demonstrado nos relatórios RDA (Relatório de documentos apresentados) fls. 47/51 e RADA (Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados) fls. 52/74. Os valores originários das contribuições apuradas, bem como as alíquotas aplicadas, constam do Discriminativo Analítico de Débito — DAD, fls. 04/21. Os valores que serviram de base para apuração do débito são aqueles discriminados no Relatório de Lançamentos (RL), fls. 30/46. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 O crédito constituído é de R$ 85.445,42 (oitenta e cinco mil, quatrocentos e quarenta e cinco reais e quarenta e dois centavos), consolidado em 25/04/2007. O sujeito passivo foi devidamente cientificado da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD e seus anexos, em 09/05/2007, conforme Aviso de Recebimento — AR, fls. 93 deste processo. A notificada, tempestivamente, apresentou impugnação, conforme instrumento de fls. 94/108, alegando, em síntese: Inicialmente, destaca a importância da Casa de Saúde junto à comunidade, dada a dificuldade que tem o poder púb1ico de cumprir com as disposições constitucionais no que tange à área da saúde. A intenção da impugnante é ver considerados os destaques dados à instituição quando da imposição de penalidades. Denomina a cobrança dos juros e multa de agiotagem tributária, abusiva, inconstitucional e ilegal. Defende período decadencial de cinco anos conforme estabelecido no CTN, para ver extinta, as obrigações tributárias do período de 1999 a 25/04/2002, requerendo o parcelamento do período restante. Pleiteia a atenuação ou relevação da multa, conforme previsto no caput e § 10 do art. 656 da IN/MPS/SRP nº 03, de 14/07/2005. Requer a exclusão da taxa SELIC e que esta seja declarada inconstitucional, ilegal e substituída pelos juros previstos no art. 161, § 1º do CTN. requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, do principal, da multa e acessórios até o final do processo administrativo. Protesta pela juntada de informações necessárias à comprovação do seu direito bem como de uma perícia contábil para apuração dos valores devidos em face da demonstrada presença de anatocismo nos cálculos, no parcelamento e na imposição de multas e taxas SELIC acumuladas. Foram juntados os documentos de fls. 109 a 241 (procuração, alteração contratual, NFLD e anexos, comprovantes de pagamentos do parcelamento nº 60.240.2379)." No julgamento da impugnação pela DRJ/STM (fls. 491/499), foi mantido o crédito tributário na sua totalidade. Intimado do julgado (fls. 501), interpôs, em tempo hábil, recurso voluntário (fls. 507/537) ratificando os termos dispostos na impugnação. Na oportunidade, defendeu a ilegalidade da exigência do depósito recursal ante a orientação da Receita Federal (ADI RFB nº 16/07) razão pela qual pleiteava o conhecimento do recurso para julgamento. Ao final, pleiteou: Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11060.001954/200726 Acórdão n.º 2302002.543 S2C3T2 Fl. 216 5 1. Recebimento da Presente Defesa Fiscal, sob a denominação de recurso voluntário: demonstrando que a cobrança é indevida, em função da decadência dos valores cobrados no período até abril de 2002. 2. Anulação do NFLD DEBCAD n° 37.047.7855 e a Declaração da Decadência dos valores cobrados além do prazo de cinco anos previsto no CTN. Decretando desta forma a exclusão dos valores cobrados no período de 1999 a abril de 2002 3. Revisão de todos os cálculos (recálculo) com a nova base impositiva para juros e multa: foi demonstrado que esta cobrança é ilegal, inconstitucional e vedada pela jurisprudência, exigindose nova definição do valor da multa e juros, se' estes se demonstrarem ao final ainda devidos. 4. Parcelamento do saldo remanescente em 180 meses ou alternativamente em 60 meses. 5. Afastamento da Multa, tendo em vista ser o réu primário e possuir atenuantes, nos termos da IN MPS/SRP N° 3, de 14 de julho de 2005 DOU de 15/07/2005. 5. Declaração de inconstitucionalidade da taxa SELIC em matéria tributária e, com isso, a substituição pelos juros previstos no Código Tributário (artigo 161, parágrafo 1', do CTN). 6. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o final do processo administrativo. 7. Recebimento tempestivo do presente recurso voluntário, dado que o mesmo se encontra tempestivo e adequado ao cumprimento de seus objetivos. 8. Além das provas documentais que apresenta, pleiteou a possibilidade da juntada de todas as informações necessárias a fiel comprovação do seu direito, bem como de uma perícia contábil para apuração dos valores devidos, em face da demonstrada presença de anatocismo nos cálculos, no parcelamento e na imposição de multas acumuladas e taxa SELIC acumulada. É o relatório. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. O Recurso é tempestivo, logo, passo ao exame do mérito. I Da Preliminar: Aduz a Recorrente o implemento da decadência no período anterior a abril/2002 o que impede o Fisco de lançar o crédito. O prazo decadencial foi objeto de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008. Na ocasião, por unanimidade de votos, foram declarados inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 os quais autorizavam a Seguridade Social constituir seus créditos no lapso de 10 (dez). Deste julgamento resultou a publicação da Súmula Vinculante nº 08. De acordo com o art. 103A da Constituição Federal/88, regulamentado pela Lei n° 11.417/06, com a publicação da mencionada Súmula, em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar o conteúdo normativo ali inserido. Desse modo, o prazo para a Seguridade constituir o crédito tributário foi reduzido ao lapso temporal de cinco anos tal qual exposto no Código Tributário Nacional, vide: "Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11060.001954/200726 Acórdão n.º 2302002.543 S2C3T2 Fl. 217 7 que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. As contribuições previdenciárias, assim como toda e qualquer obrigação tributária, uma vez não recolhidas dentro de certo período de tempo (cinco anos), serão exigidas pelo órgão fazendário no prazo decadencial previsto no art. art. 173, inciso I, do CTN no caso de não haver o recolhimento antecipado: "Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" No entanto, havendo pagamento antecipado, a contagem do prazo quinquenal deverá ocorrer nos termos do art. 150, §4º do CTN, alterando, com isso, o dies a quo. Se antes, o início da contagem ocorria com o primeiro dia do exercício seguinte, com esta nova norma, a contagem é iniciada com a ocorrência do fato gerador: "Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Esta Egrégia Turma não discrepa do entendimento trazido à baila. Cito como paradigma o Acórdão nº 2302, proferido no PAF nº 19515.002389/200901, em Novembro/2012, de relatoria da Conselheira Liegi Lacroix Thomasi cuja ementa segue abaixo: "DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I." Analisando o discriminativo analítico de débito (fls. 11/45), temse que em vários períodos (a título de exemplo: 1999 a 04/2002) o contribuinte efetuou recolhimentos a menor. Neste ínterim, à hipótese deve ser aplicado o teor normativo estabelecido no art. 150, §4º do CTN. O marco inicial para a contagem do prazo é a data do fato gerador, ou seja, o período de 01/01/1999 a 31/10/2005. O termo final é a data da ciência do auto de infração (09/05/2007) fls. 189, Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 8 se esta ocorreu no lapso temporal qüinqüenal. Isto porque não basta que o lançamento seja formalizado, para que surta os efeitos pretendidos deve obedecer ao princípio da publicidade (art. 37 CF/88) e, como tal, a notificação do contribuinte é condição sine qua non para a sua validade. Assim determina a Constituição Federal: “Art. 37 A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...” (grifo nosso) A ampla defesa e o contraditório também são resguardados pela notificação do contribuinte (art. 5º, LV, da CF/88). É através da intimação que o sujeito passivo é informado sobre a existência do lançamento lavrado em seu desfavor. O processo administrativo, para ser válido, deve ensejar ao contribuinte a possibilidade de ver conhecidas e apreciadas as razões do lançamento e, a partir de então, produzir todas as provas necessárias à comprovação de suas alegações. Neste sentido, nos ensina o doutrinador James Marins, em seu livro Direito Processual Tributário Brasileiro (5ª edição, Ver. Dialética, pág. 171/172): “...Todo Processo Administrativo, para que se afigure constitucionalmente válido, deve ensejar ao particular a possibilidade de ver conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter formal e material e de produzir todas as provas necessárias à comprovação de suas alegações...” Dito isto, ciente que o lançamento está a exigir o pagamento das contribuições previdenciárias no período de 01/01/1999 a 31/10/2005, ocorrendo a ciência do sujeito passivo no dia 09/05/2007, temse que o direito do Fisco Previdenciário promover qualquer lançamento decaiu no período anterior a Abril/2002. 02) Da Ausência de Impugnação Consta no relatório que a ação fiscal tem origem na cobrança de contribuições previdenciárias não recolhidas pela empresa incidentes sobre as folhas de pagamento de salários dos empregados e contribuintes individuais e os valores declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência SocialGFIP. O recurso apresentado não trouxe aos autos fundamentos capazes de contestar os fatos geradores. Sendo assim, à luz do disposto nos arts. 16, inciso III e 17 do Decreto 70.235/72 c/c art. 8º da Portaria da RFB nº 10.875/07, considero como não impugnada a matéria: "Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. ... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11060.001954/200726 Acórdão n.º 2302002.543 S2C3T2 Fl. 218 9 "Portaria da RFB nº 10.875/07 Art. 8 º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada." Logo, mantido o crédito tributário. 3) DA POSSIBILIDADE DE COBRAR OS JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Alega a Recorrente que a cobrança da taxa SELIC estaria vedada, pois inconstitucional. Determina o art. 161, §1º do CTN que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora calculados à taxa de um por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Com efeito, as contribuições destinadas à Seguridade Social possuem legislação específica para disciplinar a matéria. De acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, até o advento da Lei nº 11.941/09 – MP 449/08, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Vide transcrição da norma: “Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97)” grifo nosso A matéria já foi amplamente discutida no Segundo Conselho de Contribuintes. Na ocasião foi sedimentado o entendimento segundo o qual é possível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, vide a Súmula nº 3 CARF: “SÚMULA CARF nº 3: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Isto posto, não vislumbro qualquer ilegalidade na cobrança da taxa SELIC. O que faz a Receita Federal, como órgão administrativo sujeito ao princípio da legalidade tal qual exposto no art. 37 Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 10 da Constituição Federal, é aplicar a norma insculpida no art. 161, §1º do CTN c/c art. 34 da Lei nº 8.212/91. A legislação em exame não foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle difuso ou concentrado, não sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF competente para assim reconhecer. Eis a Súmula nº 2 do CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 4) Do Pedido de Parcelamento O Recorrente pleiteia concessão de parcelamento do crédito tributário apurado. O Parcelamento Ordinário Administrativo constituise num acordo celebrado entre a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e o devedor, que tem por finalidade o pagamento parcelado das contribuições e demais importâncias devidas à Seguridade Social e não recolhidas em época própria, incluídas ou não em notificação. Tal pedido há que ser formulado diretamente pelo devedor ao órgão fazendário, eis que sua formulação implica confissão irretratável da dívida e configura confissão extrajudicial, nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil. De posse do requerimento, o pedido será analisado para a verificação do adimplemento integral dos requisitos legais para a sua concessão. Aditese que tal modalidade de parcelamento não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições, ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, a teor do art. 155 do CTN. O parcelamento ordinário, antes tratado no art. 38 da Lei nº 8.212/91, houvese por revogado por determinação expressa da Medida Provisória nº 449/2008, revogação essa referendada pela Lei nº 11.941/2009. O parcelamento ordinário é hoje regido pelos preceitos insculpidos na Lei nº 10.522/2002, cujo art. 11 condiciona sua formalização ao pagamento da 1ª prestação e ao oferecimento de garantia real ou fidejussória, não possuindo este Colegiado competência administrativa para autorizar sua concessão: “Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 11. O parcelamento terá sua formalização condicionada: (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) I Ao prévio pagamento da primeira prestação, conforme o montante do débito e o prazo solicitado, observado o disposto no §1o do art. 13; (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) II ao oferecimento, pelo devedor, de garantia real ou fidejussória, inclusive fiança bancária, idônea e suficiente para o pagamento do débito, observados os limites e as condições estabelecidos no ato de que trata o art. 14F. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) §1o O disposto no inciso II não se aplica aos pedidos de parcelamento de optantes do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Fl. 620DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11060.001954/200726 Acórdão n.º 2302002.543 S2C3T2 Fl. 219 11 Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006.(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) §2o Para efeito do disposto no inciso II, poderão também ser oferecidos como garantia o faturamento ou os rendimentos do devedor.(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) §3 Descumprido o parcelamento garantido por faturamento ou rendimentos do devedor, poderá a Fazenda Nacional realizar a penhora preferencial destes na execução fiscal, que consistirá em depósito mensal à ordem do Juízo, ficando o devedor obrigado a comprovar o valor do faturamento ou rendimentos no mês, mediante documentação hábil. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008)” A esta 2ª Seção houvese por outorgada, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao princípio constitucional da estrita legalidade. Foge à competência deste Colegiado, por óbvio, a atribuição de verificar se o devedor e o débito reúnem todos os requisitos aptos à concessão do parcelamento pretendido. De forma análoga, não dispõe esta Corte de poder legal para impingir à Secretaria da Receita Federal do Brasil a concessão de parcelamento não acatado pela lei. Nessa perspectiva, avulta que o pedido de parcelamento do débito deverá ser requerido diretamente à SRF de origem, de acordo com as orientações assentadas no IPC Instruções para o Contribuinte. 05) Perícia. Indeferimento No recurso interposto pelo contribuinte, afirmou que somente através de uma perícia seria necessária a fiel comprovação do seu direito. O art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/75, dispõe que o pedido de perícia pretendido pelo contribuinte deve ser acompanhado dos motivos que justifiquem a realização, bem como, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e qualificação profissional do assistente que será nomeado. Assim transcrevo: " Art. 16. A impugnação mencionará: ... IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito;..." grifo nosso Tais requisitos são condições de admissibilidade da perícia, sem os quais não será possível deferir o pleito. Neste contexto, estabelece o art. 16, §1º do Decreto nº 70.235/75: "Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 621DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 12 ... § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16." Analisando o requerimento do Recorrente, inferese que embora tenha, de forma genérica, alegado ser imperiosa a realização da perícia para o deslinde da controvérsia, seu pedido contém vício de tamanha formalidade que impede o deferimento. Isto porque, em sua petição deixou de apresentar os quesitos que pretendia esclarecer, bem como, indicar o assistente que acompanharia o procedimento. A inobservância dos pressupostos prescritos no art. 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/75 imputa ao julgador a considerar o pedido como não formulado. Dito isto, ciente que a perícia é meio de prova admitido neste Egrégio Conselho, em respeito ao art. 5º, inciso LV, CF/88, certo é que o pedido deve está pautado na formalidade prevista no ordenamento jurídico em vigor. Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, por tempestivo, para darlhe PARCIAL PROVIMENTO de modo a excluir do lançamento as competências até 04/2002, em conformidade com o art. 150, §4º do CTN, já que presente o recolhimento antecipado, mantendo o crédito tributário no período remanescente. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de Junho de 2013. Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatora. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
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Numero do processo: 10280.901508/2012-23
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte) e serviços de transporte de rejeitos industriais.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e serviços de transporte de rejeitos industriais.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte) e serviços de transporte de rejeitos industriais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 08 /2 01 2- 23 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e serviços de transporte de rejeitos industriais. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento/Restituição PER de no 23025.44042.190110.1.1.086007 (fls. 2 a 5)1, com transmissão em 19/01/2010, referente a créditos de Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa exportação/3o trimestre de 2008, em valor de R$ 9.815.770,25 (com base no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002), sendo o montante utilizado em compensações (DCOMP de fls. 6 a 12, nos valores de R$ 8.782.136,79 e de R$ 18.824,89). A análise efetuada pela fiscalização culmina no parecer de fls. 17 a 46 (emitido em 29/05/2012), no qual são informadas as glosas de créditos efetuadas pelo fisco (detalhadas em planilha anexa): (a) bens que não são empregados na produção de bens destinados a venda (v.g., bicicleta, toner, vassoura, bebedouro, lixeira, pilha, lentes, tapete, carimbo, DVR dual, alimentação, envelope e camisa masculina); (b) bens não adequadamente descritos (v.g., “frete”, “”, “materiais diversos 1”); (c) ferramentas e equipamentos de segurança e proteção individual (v.g., chave de fenda, marreta, protetor facial, bota de PVC); (d) itens não enquadrados como partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos (v.g., conversos de frequência, filtro secador, bomba centrífuga); (e) itens empregados indiretamente na produção (v.g., ácido sulfúrico, rede de proteção, tinta de acabamento, adesivo, oxigênio, graxa, inibidor de corrosão); (f) combustíveis e lubrificantes não enquadrados como insumos (v.g., óleo automotivo para aplicação em freio, gasolina); (g) produtos cuja descrição era incompatível com as notas fiscais (v.g., cal viva x AL200 Carbomil); (h) serviços não aplicados diretamente no processo produtivo (v.g., estudos de melhorias, palestras, recuperação de bóias de sinalização náutica, agenciamento e operações portuárias, transporte de rejeitos industriais); (h) materiais empregados em manutenção de bens ativados (v.g., recuperação da caldeira Foster, serviços de manutenção no forno calcinador); (i) serviços para os quais não foi apresentada nota fiscal (v.g., locação de toalhas industriais); (j) serviços para os quais não há previsão legal para desconto de créditos (v.g., contratados junto a pessoas físicas); (k) serviços de fretes (de produtos 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901508/201223 Acórdão n.º 3403003.625 S3C4T3 Fl. 310 3 acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e comerciais da mesma pessoa jurídica); (l) serviços não especificados adequadamente (v.g., serviços diversos na área vermelha); (m) bens do ativo imobilizado, considerando as glosas efetuadas no processo administrativo no 10280722272/200965 (com depreciação de 1/48 para as aquisições de maio/2004 a dezembro/2005, e de 1/12 para as aquisições de fevereiro a dezembro/2007) e nas fiscalizações dos dois primeiros trimestres de 2008; e (n) em relação a julho, agosto e setembro de 2008, as glosas de bens do ativo imobilizado foram referentes a: bens que não compõem o ativo imobilizado (v.g., serviços de hotelaria, apoio administrativo, locação de residência); bens do ativo imobilizado que não são utilizados na produção (v.g., cadeiras de escritório, armários); bens para os quais não se provou a ativação ou a utilização na produção (v.g., aquisição de materiais diversos, fornecimento de móveis, havendo ainda bens sem descrição); e edificações (com taxa de depreciação de 1/12, quando o correto seria em função da vida útil ou de 1/24). Com base no parecer é emitido Despacho Decisório de fl. 14, em 03/07/2012, com ciência em 18/07/2012, cf. AR de fl. 54), deferindose crédito no montante de R$ 6.968.419,77, homologandose parcialmente a primeira DCOMP, e exigindose o pagamento em relação aos débitos indevidamente compensados, com acréscimos legais. A empresa apresenta sua manifestação de inconformidade em 16/08/2012 (fls. 55 a 104), anexando material explicativo do processo produtivo de alumina (fls. 57 a 64, e 168 a 203, aclarando a função do ácido sulfúrico, do oxigênio e da cal, entre outros, além dos serviços de transporte de rejeitos industriais) e sustentando que: (a) na não cumulatividade (que não foi restrita pelo texto constitucional), geram créditos os custos, despesas e encargos relativos à receita de exportação, e consideramse insumos, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, todos os gastos gerais da pessoa jurídica necessários para a produção dos bens ou prestação de serviços; (b) não foi feita qualquer visita na empresa, dificultando a análise da efetiva aplicação dos bens no processo produtivo; (c) as glosas em relação ao ativo imobilizado sob o fundamento de que a empresa não teria observado as exigências constantes da Lei no 11.196/2005 (depreciação de 1/12 somente em relação às máquinas e equipamentos adquiridos sob o RECAP) não procedem, visto que a empresa, “por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas especificidades da impugnante, é evidente que a conduta apontada no parecer seria, como é, impraticável”, e não há por parte do fisco a indicação de quais seriam os prazos corretos; (d) não há uma clara indicação da razão as glosas do ativo imobilizado, nem quais seriam os itens específicos, ao menos referidos em planilha que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração; (e) o ativo imobilizado compreende todo o complexo de bens e direitos /ativo patrimonial imprescindível a que a sociedade empresária se mantenha em operação, abarcando edificações, equipamentos, maquinário, e também benfeitorias em locação ou arrendamento, e móveis, utensílios, entre outros, havendo previsão expressa para desconto de créditos em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, ainda que não enquadrados como insumos (incisos VI e VII da Lei no 10.637/2002); e (f) não há disposição normativa que restrinja o aproveitamento dos encargos de depreciação/amortização a partir da utilização do bem. Demanda, por fim, produção de prova pericial, via auditagem suplementar. Em 29/11/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 207 a 221), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade (e da demanda pericial), sob os argumentos de que: (a) o conceito de insumos para as contribuições Fl. 311DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 deriva do inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 e da IN SRF no 404/2004 (bens com ação direta sobre o produto em fabricação); (b) somente os serviços prestados por pessoa jurídica contribuinte geram créditos, desde que utilizados diretamente na linha de produção da empresa; (c) as glosas em relação ao ativo imobilizado alcançam, de forma geral, produtos não utilizados na produção de bens destinados a venda e bens considerados como edificações, perfeitamente individualizados; e (d) o encargo referente à depreciação somente é computável no resultado do exercício a partir da época em que o bem começa a ser utilizado, e às taxas previstas na legislação de regência. Cientificada do acórdão da DRJ em 03/01/2014 (AR de fl. 223), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 30/01/2014 (fls. 224 a 269), basicamente reiterando de forma geral as considerações expostas na manifestação de inconformidade, acrescentando que: (a) da análise do processo produtivo da empresa e de disposições normativas expressas temse que são considerados como insumos os bens aplicados diretamente na produção (como alumina e fluorita em pó), os combustíveis e lubrificantes (como óleo BPF e GLP) e as partes e peças (de reposição), e os serviços diretamente aplicados ou consumidos no processo produtivo, e de manutenção de máquinas e equipamentos; e (b) insumo é, assim, tudo aquilo que concorre na composição do processo produtivo. Em 29/01/2015 esta Terceira Turma efetua, por meio da Resolução no 3403 000.607, baixa em diligência, para que fosse juntada a planilha com o detalhamento das glosas (“Glosa_Créditos_PIS_3tri_2008”), de ciência da recorrente, mas indisponível ao julgador na versão digital do processo. Solucionado o problema técnico, o processo retorna a este CARF, com link para a planilha solicitada. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como relatado de início, o presente processo se refere exclusivamente à Contribuição para o PIS/PASEP relativa ao 3o trimestre de 2008. Os assuntos em discussão são basicamente os mesmos já analisados pela turma em diversos processos da mesma recorrente: (a) aspectos constitucionais da não cumulatividade; (b) delimitação do conceito de insumo para as contribuições; (c) glosas de bens considerados como insumos; (d) glosas de serviços considerados como insumos; e (e) glosas em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, inclusive no que se refere a bases diferenciadas (1/12). Preliminarmente a tais questões, no entanto, cabe efetuar considerações sobre o ônus probatório nos processos referentes a compensação, como o presente. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901508/201223 Acórdão n.º 3403003.625 S3C4T3 Fl. 311 5 1. Considerações iniciais O ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo esta turma de forma unânime: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da recorrente, no caso em análise. E o fisco não se furtou a assegurar à recorrente a possibilidade de exercer tal prova, durante o procedimento de fiscalização. Incumbe à empresa a apresentação de prova de vínculo dos bens e serviços ao seu processo produtivo, sendo a visita às instalações da empresa medida que se faz necessária somente no caso de haver dúvidas em relação ao conteúdo probatório apresentado. Da mesma forma, a diligência se prestaria a esclarecer dúvida do julgador, e não à complementação probatória. Feitos estes esclarecimentos, seguese na análise do contencioso, já se esclarecendo que as decisões administrativas e judiciais prestamse a auxiliar na formação de convicção do julgador administrativo, mas apenas em alguns casos excepcionais (v.g., as proferidas nas sistemáticas citadas no art. 62A do Regimento Interno deste CARF) efetivamente exercem efeito vinculante no julgamento por este colegiado. Assim, indubitavelmente se toma em conta a jurisprudência apresentada na presente análise, ainda que dela se possa discordar eventualmente. 2. Do caráter constitucional da não cumulatividade Fl. 313DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 Impendese destacar a impossibilidade de análise por parte deste CARF de eventual tese que sustente ser a nãocumulatividade expressa na Constituição Federal brasileira (art. 195, § 12) inatingível (ou não sujeita a restrições) pela legislação infraconstitucional, devendo eventual modulação ser feita tãosomente no próprio texto constitucional, o que culminaria no reconhecimento de inconstitucionalidade nas limitações estabelecidas essencialmente pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. O tema já é inclusive sumulado no âmbito deste tribunal: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Resta, assim, a análise da abrangência do conceito de insumos na legislação referente à contribuição, e a verificação da compatibilidade das glosas a tal conceito. 3. Da delimitação do conceito de insumos para as contribuições O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901508/201223 Acórdão n.º 3403003.625 S3C4T3 Fl. 312 7 Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma, inclusive em relação a nove processos da mesma empresa julgados por esta turma em janeiro de 2015, analisando o mesmo tributo: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...) (Acórdãos no 3403003.512 a 520, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 29.jan.2015) Isto posto, cabe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. As glosas discutidas ocorreram basicamente em três grupos: bens utilizados como insumo, serviços utilizados como insumo e bens do ativo imobilizado. 3.1. Bens utilizados como insumo Em relação a bens utilizados como insumos, percebese que o fisco efetua glosas (fls. 35/38) em relação a itens não relacionados à atividade produtiva (como bicicleta, toner, vassoura, bebedouro, lixeira, pilha, lentes, tapete, carimbo, DVR dual, alimentação, envelope e camisa masculina), itens não adequadamente descritos (v.g., “frete”, “”, “materiais diversos 1”), ferramentas e equipamentos de segurança e proteção individual (v.g., chave de fenda, marreta, protetor facial, bota de PVC), itens não enquadrados como partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos (v.g., conversos de frequência, filtro secador, bomba centrífuga), itens empregados indiretamente na produção (v.g., ácido sulfúrico, rede de proteção, tinta de acabamento, adesivo, oxigênio, graxa, inibidor de corrosão), combustíveis e lubrificantes não enquadrados como insumos Fl. 315DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 (v.g., óleo automotivo para aplicação em freio, gasolina), e produtos cuja descrição (ou valor) era incompatível com as notas fiscais (v.g., cal viva x AL200 Carbomil). O recurso voluntário se dedica mormente a questionar o conceito de insumos adotado de forma genérica, sem fazer menção individualizada às glosas, transcrevendo dispositivos normativos e jurisprudência sem necessariamente relacionálos ao caso concreto. Como aqui já se esclareceu, o desgaste físico não é uma propriedade relevante para caracterizar insumos na legislação que rege as contribuições, mas sim a relação com o processo produtivo. E peca a recorrente ao sustentar apenas genericamente a efetiva utilização dos bens glosados no processo produtivo, em sua peça recursal. É certo que há jurisprudência favorável à recorrente (inclusive nesta Terceira Turma), como colacionado na peça recursal, no sentido de reconhecer a tomada de créditos em relação a ácido sulfúrico (e respectivos fretes) e óleo BPF, mas a tabela de glosas em relação a bens inclui 8152 linhas, não havendo qualquer questionamento específico em relação aos demais itens glosados (por exemplo, bicicleta, bebedouro, tapete, marreta, adesivo, e outros itens cuja possibilidade de utilização no processo produtivo é de difícil compreensão). No presente processo, é de se destacar que o óleo BPF é entendido pelos fisco como dentro do conceito de insumo (fl. 23), não havendo controvérsia instaurada em relação à matéria. Assim, o único item questionado especificamente, ainda que com simples menção a jurisprudência desta Turma na peça recursal, é o ácido sulfúrico (e os fretes a ele correspondentes). E, sobre tal produto, em relação ao mesmo processo produtivo (de alumina) da mesma recorrente, já decidiu por diversas vezes este colegiado (Acórdãos no 3403002.764, e 3403003.512 a 520) ser possível a tomada de créditos como insumo em relação às contribuições (o mesmo entendimento se externando em relação aos fretes correspondentes). Assim, na linha que já vem adotando esta turma, entendese que são improcedentes as glosas em relação às aquisições de ácido sulfúrico (assim como dos correspondentes fretes, desde que identificados). E, ainda acompanhando a recorrente jurisprudência da turma, mantémse a glosa em relação aos demais itens, não questionados especificamente nas peças de defesa. 3.2. Serviços utilizados como insumo Em relação a serviços utilizados como insumos, percebese que o fisco efetua glosas (fls. 38/40) em relação a serviços não aplicados diretamente no processo produtivo (v.g., estudos de melhorias, palestras, recuperação de bóias de sinalização náutica, agenciamento e operações portuárias, transporte de rejeitos industriais), materiais empregados em manutenção de bens ativados (v.g., recuperação da caldeira Foster, serviços de manutenção no forno calcinador), serviços para os quais não foi apresentada nota fiscal (v.g., locação de toalhas industriais), serviços para os quais não há previsão legal para desconto de créditos (v.g., contratados junto a pessoas físicas), serviços de fretes (de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e comerciais da mesma pessoa jurídica) e serviços não especificados adequadamente (v.g., serviços diversos na área vermelha). Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901508/201223 Acórdão n.º 3403003.625 S3C4T3 Fl. 313 9 A recorrente, por seu turno, novamente argumenta de forma genérica, sendo a única menção em seu recurso voluntário a transporte de rejeitos industriais, e somente em citação a julgado anterior desta turma. Assim, não se desincumbe de seu ônus probatório a recorrente em relação às glosas operadas por sua própria deficiência (por falta de apresentação de documentos ou especificações). E o único item questionado novamente remete a matéria recorrentemente analisada por esta Terceira Turma, em relação à mesma recorrente e ao mesmo processo produtivo (Acórdãos no 3403003.512 a 518 e 3403003.520), com pronunciamento favorável à tomada de créditos em relação a transporte de rejeitos industriais. Assim, novamente alinhandose com entendimento já externado por este colegiado, entendese que pela improcedência das glosas referentes a serviços de transporte de rejeitos industriais, mantendose as demais glosas referentes a serviços. 3.3. Bens do ativo imobilizado Em relação ao ativo imobilizado, remetese parcialmente (fl. 40) a outro processo administrativo (no 10280722272/200965, que teve o recurso voluntário recentemente apreciado por esta turma), sendo as glosas (fl. 42) referentes a bens que não compõem o ativo imobilizado (v.g., serviços de hotelaria, apoio administrativo, locação de residência), bens do ativo imobilizado que não são utilizados na produção (v.g., cadeiras de escritório, armários), bens para os quais não se provou a ativação ou a utilização na produção (v.g., aquisição de materiais diversos, fornecimento de móveis, havendo ainda bens sem descrição) e edificações (com taxa de depreciação de 1/12, quando o correto seria em função da vida útil ou de 1/24). Na planilha de glosas, estas são codificadas da seguinte forma: NP (para bens do ativo imobilizado que não são utilizados diretamente na produção da Alumina); NA (para bens que não compõe o ativo imobilizado); NSD (para bens em relação aos quais não se provou a configuração de ativo imobilizado para utilização na produção da Alumina ou com descrição incompleta); e EDIF (para edificações). A recorrente não questiona a simples remissão ao outro processo, sem detalhamento da motivação da parcela correspondente das glosas nestes autos, e parece compreender bem a motivação quando se defende da mesma forma que naquele processo, discutindo os dois mecanismos de depreciação (1/48 e 1/12). Mas a defesa é novamente genérica, com reprodução de diversos dispositivos normativos e decisões, sem a eficaz vinculação à situação concreta narrada nos autos. E, reiterese, esta mesma Terceira Turma já apreciou aquele processo administrativo, exatamente em relação à matéria, concluindo que: “DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 3º, § 14 DA LEI Nº 10.833/04 Quanto à glosa dos créditos tomados sobre o valor de aquisição de bens para o ativo imobilizado, como opção à regra geral da tomada de crédito sobre a depreciação desses bens (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04), o exame das planilhas 1 a 7B revela que essas glosas foram motivadas pela fiscalização em dois fatos: a) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 os bens não se enquadram como máquinas e equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda; e b) os bens, embora pertençam ao imobilizado, são edificações não abrangidas pelo benefício legal. (...) Os bens relacionados nessa planilha não se enquadram na hipótese legal do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/03, ou seja, não constituem “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. O requisito legal que rende ensejo ao crédito é que as máquinas, os equipamentos ou os “outros bens” sejam passíveis de ativação e que sua destinação seja a locação a terceiros ou o emprego na produção, o que não é o caso dos produtos glosados pela fiscalização na planilha 1. Por seu turno, os valores dos produtos relacionados nas planilha 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos constituem edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mãodeobra, “diversos materiais para construção civil”, e etc. A opção prevista no art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04 só alcança os bens especificados no art. 3º, VI, da lei, que não inclui obras de construção civil e nem suas partes. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, (...). É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. Portanto, ficam mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 31 DA LEI Nº 11.196/2005. (...) O que a fiscalização fez foi glosar bens que não se enquadram na previsão contida no art. 31 da Lei nº 11.196/2005. Os requisitos estabelecidos nesse dispositivo legal são os seguintes: a) a pessoa jurídica deve ter projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários; b) localização nas áreas das extintas Sudene e Sudam; c) o crédito é gerado pela aquisição, a partir do ano de 2006, de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado; d) o desconto do crédito deve ser feito no prazo de 12 meses, contados da aquisição do bem; e e) o crédito é resultante da aplicação da alíquota de 7,6% sobre 1/12 do custo de aquisição do bem. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901508/201223 Acórdão n.º 3403003.625 S3C4T3 Fl. 314 11 O exame da planilha 7D revela que a fiscalização somente questionou o item “c” acima relacionado, pois os códigos das glosas foram os seguintes: DT05 – indica que o bem foi glosado em virtude da data de aquisição ser anterior à publicação da Lei nº 11.196/2005; EDIF06 E EDIF07 – indica que se tratam de edificações dos anos de 2006 e 2007, que não são contempladas pelo benefício; Nindica que os bens não são considerados bens do imobilizado ou não são empregados no processo produtivo do adquirente; NCDindica que os bens não estão relacionados no regulamento; NREBindica que o bem não possui aptidão para gerar crédito por ter sido adquirido em operação equiparada a exportação (que é desonerada das contribuições). A recorrente mais uma vez não se desincumbiu do ônus estabelecido no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, pois não contestou especificamente e nem trouxe documentação hábil a elidir nenhum dos motivos invocados para a glosa. Sendo assim, devem ser mantidos os cálculos elaborados pela fiscalização. A defesa invocou as soluções de consulta proferidas pela 8ª Região Fiscal, nas quais o órgão entendeu que materiais utilizados na manutenção dos bens de produção da empresa são passíveis de gerarem créditos das contribuições. Esse direito em momento algum foi contestado pela fiscalização ou pelo Acórdão de primeira instância. A questão é a mesma já constatada linhas acima, qual seja: o contribuinte não apresentou contestação específica elencando quais itens foram destinados à manutenção do ativo imobilizado, não demonstrou se os bens aplicados eram ou não passíveis de ativação obrigatória e também não demonstrou onde e como foram aplicados. Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto, os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda da produção ocorrer no mercado interno ou externo.” (Acórdão no 3403001.954, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403001.955 e 956, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânimes em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013, que tratavam, respectivamente, da COFINS do terceiro e do primeiro trimestres de 2007) Mantémse, assim, novamente o entendimento já firmado na turma, restando hígidas neste tópico as glosas decorrentes efetuadas pelo fisco. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 Nos itens referentes aos meses de julho a setembro de 2008, não assiste melhor sorte à recorrente. Pela simples leitura das listas de glosas (com as correspondentes codificações), percebese que os bens relacionados enquadramse objetivamente em cada uma das categorias descritas pelo fisco (NP, NA, NSD e EDIF). E, ao contrário da fiscalização, que detalha e individualiza as glosas, a recorrente não traz qualquer questionamento específico de item glosado. Quanto às taxas de depreciação para edificações (percebase que não discorda o fisco do direito a crédito, mas somente da taxa utilizada), devem ser aplicadas na forma do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (art. 1o, § 1o da IN SRF no 457/2004) ou do art. 6o da Lei no 11.488/2007 (art. 1o, § 2o da IN SRF no 457/2004). A menção recursal ao RECAP, por fim, é desacompanhada de qualquer prova de que a empresa seja habilitada a tal regime, ou cumpra os requisitos para sua fruição, cabendo reiterar as considerações aqui já expostas sobre ônus probatório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e serviços de transporte de rejeitos industriais. Rosaldo Trevisan Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 12466.722364/2013-89
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 27/02/2009 a 27/12/2012
OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO.
Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, contabilizados a título de antecipação, corroborado por outros documentos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para
sua prática ou dela se beneficie bem como o adquirente de mercadoria de
procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e
ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 27/02/2009 a 27/12/2012 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, contabilizados a título de antecipação, corroborado por outros documentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 27/02/2009 a 27/12/2012 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presumese a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, contabilizados a título de antecipação, corroborado por outros documentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 23 64 /2 01 3- 89 Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase o presente feito de exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias em substituição a pena de perdimento.. Acusação imputada se refere à interposição fraudulenta configurada pela falsidade ideológica pela infração da apresentação de documento falso para a nacionalização das mercadorias. Adoto o relatório da decisão recorrida por espelhar a realidade dos autos: “Trata o presente processo de impugnação contra a exigência da multa prevista no art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelas Leis nos 10.637/2002 e 12.350/2010, no valor de R$ 1.224.925,84, objeto do Auto de Infração de fls. 0256. O procedimento fiscal em questão foi iniciado em 14/08/2012, com diligência no estabelecimento da empresa AST Comércio Internacional Ltda. (CNPJ 32.393.589/0001 21), doravante identificada apenas por AST, quando foram retidos diversos documentos e a empresa intimada, para apresentar outros elementos e prestar esclarecimentos, o que foi atendido apenas parcialmente (fls. 7598). Em decorrência da verificação dos documentos retidos e apresentados, a empresa foi incluída em procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa (IN) SRF nº 228/2002 (fls. 99101). A intimação constante do Termo de Início de Ação Fiscal passou por diversas prorrogações e não chegou a ser atendida de forma completa. Da análise dos documentos apresentados restaram indícios de incapacidade financeira da citada empresa e, assim, o exame foi estendido a todas as importações registradas pela AST, no período compreendido entre 01/01/2009 a 30/09/2012. Segundo a autoridade fiscal, a empresa promoveu a importação de diversas mercadorias, simulando ser operação por conta e risco próprio e encomenda; entretanto restou provado que as importações foram por conta e ordem de terceiros, tendo a adquirente adiantado todos os valores para que a AST fizesse frente aos pagamentos dos impostos, câmbio e demais despesas. De acordo com a fiscalização, a empresa adquirente, CK COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA – CNPJ 62.751.102/000104, doravante identificada como CK COMÉRCIO, comprou, por sua conta e ordem, as mercadorias diretamente das exportadoras relacionadas. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722364/201389 Acórdão n.º 3302002.988 S3C3T2 Fl. 25 3 A CK COMÉRCIO (REAL IMPORTADORA), foi, segundo os autuantes, a que acertou as condições do contrato de compra e venda, já que ela é a própria representante nacional do exportador, e é quem define mercadorias, preços efetivos, formas de pagamento etc., que representa a operação real, aquela que os intervenientes intentam ocultar. Acertadas as condições, as mercadorias foram embarcadas consignadas à AST (revestida da qualidade de IMPORTADORA), que registrou as DI’s obedecendo aos valores constantes nas faturas internacionais apresentadas. Essa prática de simulação na operação de importação, com intuito de manter oculta a verdadeira importadora (que não constou na DI ou qualquer outro documento apresentado no despacho), é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além de ter ocorrido a utilização de documentos com falsidade ideológica. Conforme o relato, as mercadorias foram declaradas e internadas como sendo mercadorias compradas pela AST, que nacionalizou os bens e encaminhou à adquirente em território nacional. Na tabela de fls. 0708, estão relacionadas as Declarações de Importação. A fiscalização chama a atenção para as datas de desembaraço, das notas fiscais de entradas e das notas fiscais das saídas, que são praticamente iguais, indícios de que as mercadorias, quando internadas, já tinham endereço certo para entrega e que nunca foram compradas ou vendidas pela AST. O agente fiscal assevera que a atuação dessa empresa foi de prestação de serviços na internação, nacionalização e encaminhamento das mercadorias à verdadeira compradora (DIs e dos pagamentos ao exterior. Na sequência, os autuantes apresentam diversas comprovações de adiantamentos, feitos pela CK COMÉRCIO para a AST, que em muitos casos estão acompanhados por cópias das solicitações de adiantamentos feitas por esta empresa, juntando folhas do extrato do Razão Contábil da AST com Contrapartida, obtidos através do Sistema Público de Escrituração Digital – SPED. Na contabilidade da AST os valores estão identificados como pagamento das notas fiscais e antecipações referentes aos processos relacionados com cada importação; na relação das DI’s essa referência consta como processo AST. Na penúltima coluna do quadro de fls. 0910, demonstrando os adiantamentos em questão, os autuantes apresentam as diferenças existentes entre os valores adiantados pela CK COMÉRCIO e os valores das notas fiscais de vendas emitidas pela AST; as diferenças encontradas neste procedimento estão sendo atribuídas, segundo a fiscalização, a alguns pagamentos não identificados e não comprovados pela CK COMÉRCIO, diferenças de câmbio, autuações no despacho, entre outras despesas não previstas inicialmente pela AST. Verificando as demais importações da AST, envolvendo outros exportadores e outros adquirentes, da mesma forma, a Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 fiscalização afirma haver identificado diversos indícios que demonstraram a prática de interposição fraudulenta e uso de documentos material e ideologicamente falsos, o que revela que a empresa vem atuando de forma irregular, no comércio internacional, de maneira continuada, adotando a mesma sistemática na forma descrita. De acordo com a fiscalização, a falta de condição financeira da AST para atuar no comércio internacional é evidente, já que ela necessita de adiantamentos dos adquirentes para cumprir com os compromissos de nacionalização de importações que registra como sendo por conta e risco próprios. Essa incapacidade financeira é revelada pelo procedimento adotado no aumento do Capital Social, feito em 2006, quando passou de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00, que justificou como sendo com aquisição de imóvel rural, feito para demonstrar capacidade de pagamento (fls. 121). Acrescenta que o mencionado aumento de capital não altera a condição financeira da empresa, pois o imóvel foi comprado pela própria AST, em 24/05/2006, por R$ 87.360,00 (fls. 111 114). O pagamento desse valor naturalmente diminuiu o saldo das disponibilidades e, em seguida, o mesmo Imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 115117), emitido em 17/04/2006, que sequer foi registrado em cartório, e utilizado para aumentar o capital da empresa. Diante disso, a fiscalização sustenta que o aumento do capital, formalizado na 21ª Alteração do Contrato Social, foi feito de forma “gráfica” e simulada, sem afetar a situação financeira da empresa (fls. 122 a 124). Ainda acerca da situação financeira da AST, a auditoria fiscal apresenta a evolução patrimonial anotada com base nas principais rubricas contábeis. Os valores apresentados são aqueles que constaram nas DIPJs apresentadas e balancete de 01 a 07/2012, e quando comparados o saldo final de 2009 e o inicial de 2010, surgem as primeiras incongruências, visto que, em diversas linhas, os valores estão divergentes. Em conformidade com o relato fiscal, esse quadro é agravado quando se verifica que alguns saldos dos valores registrados em realizável em curto prazo (conta de clientes), que deveriam dar sustentabilidade às obrigações mais imediatas, registram valores expressivos a receber de empresas ligadas, demonstrando que efetivamente não estão servindo de lastro de direitos capazes de sustentar o passivo circulante (vide tabela de fls. 1214). A fiscalização realça também o valor registrado no Ativo Circulante, como sendo “ADIANTAMENTOS À NTN”, de R$ 3.856.269,65, valor que foi adiantado pelos adquirentes de rolamentos, os quais pagam antecipadamente as mercadorias, e segue compensado com adiantamentos de clientes, registrados no Passivo Circulante. Outro ponto importante, segundo o AuditorFiscal, é o valor registrado em “Impostos a Recuperar”, com grande crescimento em 2012, que trata de valores referentes ao IPI na Importação, cujo valor não vai ser recuperado (pode ser utilizado unicamente Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722364/201389 Acórdão n.º 3302002.988 S3C3T2 Fl. 26 5 como redutor na apuração do IPI a ser recolhido mensalmente), o que vai influenciar de forma significativa os resultados de 2012. No caso das obrigações tributárias, aparecem em início de 2012 com saldo de R$ 1.166.291,25, demonstrando que a empresa optou por atrasar os recolhimentos para poder fazer frente a outras responsabilidades, indício de falta de condição financeira. Na ótica da fiscalização, todas essas evidências demonstram que a AST não tem condição financeira para atuar no comércio internacional, necessitando dos adiantamentos dos adquirentes, não só nas suas operações por conta e ordem de terceiros, mas em todos os procedimentos, passando, assim, a simular as operações que precisava registrar como sendo por conta e risco próprios e para encomendante, para poder continuar recebendo os benefícios financeiros do FUNDAP. Os autuantes asseveram que, em todas as importações a AST necessitou do adiantamento da CK COMÉRCIO para dar continuidade aos procedimentos de nacionalização e pagamento aos fornecedores no exterior, e mesmo nos casos em que registrou importação por encomenda, conforme constatado neste em outros procedimentos, a AST precisou de adiantamentos da encomendante para poder fazer frente aos seus compromissos com o desembaraço aduaneiro. Nessa forma de agir, acrescentam os autuantes, os intervenientes falsificaram as faturas comerciais apresentadas à RFB para nacionalização das mercadorias e declararam operações de comércio exterior de forma simulada. Esses documentos e declarações não representam as operações comerciais, pois o importador e comprador dos produtos, nelas indicado, não o são de fato, eis que a AST foi interposta nas relações dos demais envolvidos com o fisco (reais importadores e compradores das mercadorias), permitindo que esses últimos permanecessem ocultos aos olhos da fiscalização. Os autuantes afirmam que os atos praticados pelo importador declarado tiveram como objetivo ocultar a verdadeira interessada nas mercadorias estrangeiras e as demais empresas envolvidas, nas operações de importação em questão, que permaneceram ocultas. Segundo a fiscalização, a declaração inexata é fruto de ações praticadas com dolo, pelos importadores e demais envolvidos, que intencionalmente promoveram modificações nas características essenciais da operação de importação, de modo a ocultar a participação do real 6 importador, estando presentes, nos atos praticados, a sonegação, conluio, simulação e a fraude, conforme disposto nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/64. Afirma ainda tratarse de falsidade dos documentos que instruíram os despachos aduaneiros de importação, quais sejam as faturas comerciais e documentos do transporte internacional, Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 pois quem comprou as mercadorias no exterior não foi declarado e a sua identificação e qualidade de real importador obrigatoriamente deveriam estar registradas em todos esses documentos. Nesse sentido, de acordo com o AuditorFiscal, a AST não é a compradora das mercadorias, como quis fazer crer, utilizando documentos ao menos ideologicamente falsos e fazendo declarações inverídicas na Declaração de Importação e quando da comercialização em território nacional. Com base no parágrafo único do art. 1º da IN SRF nº 225/2002, a fiscalização destaca que a importação por conta e ordem de terceiros pode variar na sua complexidade, em função da negociação entre as partes, mas tem por essência o interesse do adquirente em receber suas mercadorias negociadas no exterior, sem o que, a motivação do importador para promover a nacionalização das mercadorias, não existiria. Em decorrência, assevera que, caso a importação deixe de ser efetivamente negociada entre importador e exportador, havendo um terceiro responsável, vinculado à aquisição das mercadorias do exterior, sem que seja consignada sua identificação na DI e nos documentos de instrução, limitandose, a função do importador, a constar apenas nominalmente nos documentos necessários ao despacho aduaneiro, resta evidenciada a ocorrência enquadrada como ocultação do real responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta. Aduz que, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o promotor da operação é o real adquirente. Este é o mandante da importação, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Além disso, é o adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação, pois é deste que se originam os recursos financeiros. Em seguida, a autoridade fiscal passa a discorrer sobre as modalidades de importação, com base na legislação de regência, mencionando a importação por conta e risco próprios (importação direta), a importação por conta e ordem de terceiros (art. 80, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 e Instrução Normativa SRF nº 225, de 18/10/2002) e, por fim, a importação para revenda a encomendante predeterminado (art. 11 da Lei nº 11.281, de 20/02/2006 e IN SRF nº 634 de 24/03/2006). No tocante à habilitação para atuar no comércio exterior, por meio do Siscomex, esclarece que, além do importador, o adquirente e o encomendante predeterminado que atuam por intermédio de pessoa jurídica importadora também devem se submeter ao procedimento de habilitação, conforme legislação citada, devendo estar vinculados ao importador no Siscomex, mediante a apresentação dos correspondentes contratos. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722364/201389 Acórdão n.º 3302002.988 S3C3T2 Fl. 27 7 No tópico “DESVIRTUAMENTO DA AVALIAÇÃO DE RISCO”, a fiscalização argumenta que a utilização de interposta pessoa frente à ADUANA pode consistir em artifício utilizado pelo real adquirente da mercadoria, no intento de se beneficiar de fiscalização menos rigorosa. 7 Acerca das empresas envolvidas no procedimento fiscal, a fiscalização aponta a AST, cujas importações, nos seis meses que antecederam o procedimento chegaram a US$ 3.505.310,00 por conta e risco próprios e US$ 3.216.910,00 no que se refere a importações por conta e ordem e por encomenda, valor que extrapolou em muito o seu limite estabelecido, de US$ 55.636,00. AST foi credenciada como interveniente no comércio exterior na modalidade ordinária e sempre se aproveitou dos benefícios financeiros do FUNDAP (Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias, criado pelo estado do Espírito Santo), benefício fiscal concedido às empresas de comércio exterior que estabelecem seu domicílio fiscal no estado. A empresa CK COMÉRCIO, segundo a fiscalização, foi credenciada como interveniente no comércio exterior em 2006 e atualmente está registrada na modalidade SIMPLIFICADA ENCOMENDANTE. É também, segundo os autuantes, conhecida na internet como CKLeica Equipamentos Óticos, e representa comercialmente no Brasil a exportadora LEICA, conforme encontrado no próprio site na internet da exportadora LEICA (fl. 391); além disso, declarase como representante exclusivo, para o Brasil, das empresas estrangeiras FOSTER & FREEMAN LTD (fls. 386 e 387) e LEICA MIKROSYSTEME VERTRIEB GMBH, DAS (para os produtos INDUSTRIAIS; FORENSES e EDUCACIONAL) (fls. 388 e 389). Foi intimada, em 14/02/2013, a esclarecer e apresentar documentos, tendo apresentado diversos atendimentos parciais, sem comprovar a totalidade dos pagamentos feitos à AST. No tópico intitulado “Sujeição Passiva”, o relatório faz alusão aos artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional (CTN), ressaltando que contribuintes e/ou responsáveis podem ser coobrigados. Expõe que, na ocultação do sujeito passivo por interposição fraudulenta, ocorre simulação tributária por transferência subjetiva, isto é, estimase que da aplicação do critério subjetivo que permitiria levar a bom termo a sujeição passiva, surja outro que não aquele que deveria ser obrigado ou surja apenas um dos obrigados ao pagamento dos tributos, ocultandose justamente aquele que demonstra a capacidade contributiva. Procurase demonstrar que a empresa AST, que se declarou como importadora, não foi quem comprou as mercadorias no exterior, não pagou pelos impostos e câmbio, pois recebeu adiantamentos da empresa adquirente, para fazer frente aos pagamentos necessários ao desembaraço das mercadorias. Ainda nessa linha, sustenta que não houve qualquer negociação Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 entre as empresas AST e as exportadoras, sendo que estas receberam os pedidos feitos pela adquirente e, no ato da preparação dos documentos, incluíram a importadora AST a mando do real comprador e a AST deu continuidade aos procedimentos na forma de interposta pessoa. Em face desses elementos, a fiscalização atesta haver solidariedade entre as empresas. A AST, na qualidade de importadora, assumiu a responsabilidade pela declaração registrada no Siscomex. A CK COMÉRCIO, interessada nas mercadorias que comercializa, formulou pedidos de compra junto a diversos exportadores. Estes providenciaram os embarques emitindo todos os documentos necessários à internação em território nacional, em nome da interposta pessoa AST, que aceitou essa situação e providenciou o desembaraço das mercadorias para que o real interessado permanecesse oculto aos olhos da fiscalização. Ao tratar da responsabilidade e solidariedade, fazse alusão ao art. 95 do Decretolei nº 37/1966, que preceitua a responsabilidade conjunta tanto daqueles que de 8 alguma forma concorrem para a prática da infração ou dela se beneficiam quanto, especialmente, do importador e do adquirente de mercadoria estrangeira importada por sua conta e ordem, o que é regulamentado pelo art. 603, incisos I e V, do Regulamento Aduaneiro. Sob essa ótica, o agente fiscal defende que houve coordenação entre as empresas reais adquirentes das mercadorias estrangeiras e o importador, que embora tenha declarado operação própria, foi identificado como prestador de serviço em operação por conta e ordem, o que implica que respondam conjuntamente pelas infrações praticadas. Os autuantes explicam que a AST é uma empresa “fundapeana” e tem como principal interesse o aproveitamento de benefício financeiro oferecido pelo Estado do Espírito Santo, prestando serviços para empresas interessadas em nacionalizar mercadorias importadas. A CK COMÉRCIO é a empresa compradora das mercadorias no exterior, foi quem colocou pedidos de compra junto às exportadoras. As provas em que se baseia a autuação estão representadas pelos documentos entregues no registro das DIs, aqueles que foram apresentados em atendimento às intimações, documentos registrados no Sistema Público de Escrituração Digital, sites livres da internet e os obtidos dos sistemas administrados pela RFB, os quais, segundo a fiscalização, permitiram a formação de robusto quadro indiciário e probatório, demonstrando de forma cabal as infrações praticadas e a inexistência da necessária boa fé nas ações dos envolvidos. As constatações são no sentido de que as mercadorias não foram compradas pela AST, assim como de que os impostos e demais despesas foram suportados pela CK COMÉRCIO, que adiantou todos os valores para que a AST pudesse cumprir com as Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722364/201389 Acórdão n.º 3302002.988 S3C3T2 Fl. 28 9 obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento do câmbio. O relatório aponta outras constatações: a) as mercadorias, que têm itens muito específicos, necessitam de boa estrutura comercial e de distribuição, para a comercialização, incoerente com a atividade da empresa importadora, agindo por conta e risco próprio, pois em sua estrutura não tem departamento de compra e/ou venda, e por esse motivo não tem estrutura suficiente para atuar na forma simulada, indício de que a AST atua por conta e ordem de terceiros, o que foi comprovado com a identificação de quem comprou e quem arcou com os custos das importações em análise; b) considerando as especialidades das mercadorias envolvidas, tornase evidente que a compra no exterior não foi feita pela AST, que atua basicamente na prestação de serviços de nacionalização de mercadorias, não demonstrando estrutura suficiente para administrar essa negociação; c) as importações em questão foram registradas pela AST na sistemática de por conta e risco próprios e para encomendante prédeterminado e as notas fiscais de venda registraram como adquirente a empresa CK COMÉRCIO; d) as datas de registro, desembaraço, entrada das mercadorias na AST e de venda desta para a CK COMÉRCIO, são muito próximas, o que demonstra que as mercadorias simplesmente passaram pela importadora e imediatamente foram repassadas para a compradora; e) nos registros contábeis da empresa AST, constaram praticamente todos os adiantamentos feitos pela empresa CK COMÉRCIO, que também comprovou alguns pagamentos. Estes estão relacionados conforme quadro de fls. 0910; f) em todo o esquema montado, destacase a participação da empresa AST, que, por não ter condições de operar no comércio exterior por conta e risco próprio (fls. 11 a 15), optou pelo procedimento irregular para continuar se aproveitando do benefício financeiro do FUNDAP. Assim, a fiscalização entende estar demonstrada a prática de interposição fraudulenta, com a ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principal interessado nas operações de importação em questão, infração considerada dano ao Erário, cabendo a proposição da pena de perdimento das mercadorias, com base no art. 689, inciso XXII, do Decreto n° 6.759/2009. Aduz que, tendo os bens sido remetidos a consumo, foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme art. 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 Em decorrência, conforme o entendimento fiscal, ficou também caracterizada a falsidade ideológica nas faturas comerciais apresentadas para nacionalização das mercadorias, que não representam as verdadeiras operações comerciais, pois o importador nelas indicado não o é de fato, assim como a AST não atua na comercialização dessas mercadorias, simplesmente presta serviços na nacionalização dos bens. A irregularidade foi constatada nos documentos apresentados, acobertando as mercadorias em questão (BL, Packing List e fatura), indicando como importadora a AST, os quais omitem a real compradora das mercadorias (real importadora) e demonstram operações por conta e risco próprios e por encomenda, quando na realidade foi operação por conta e ordem de terceiros. Nesse caso, a penalidade cabível é igualmente o perdimento ou a multa equivalente ao valor aduaneiro, quando não localizada a mercadoria, consoante art. 105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/1966 (689, inciso VI, do Decreto n° 6.759/2009). Das impugnações Cientificada do lançamento em 04/10/2013 (fl. 1.027), a AST insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 16/10/2013, a impugnação de fls. 1.0321.039, em que, após discorrer sobre tempestividade e fatos, alega: mesmo com todo conjunto de documentos aduaneiros e fiscais entregues voluntariamente à fiscalização (com os tributos pagos conforme normatização), esta não obteve sucesso na comprovação de irregularidades, laborando em equívoco, ao presumir situações inexistentes, objetivando dar sustentabilidade à conclusão de que teria havido a infração de interposição fraudulenta; muito embora tenha havido grande esforço da fiscalização para tentar comprovar uma suposta incapacidade financeira da empresa, fato é que o conjunto probatório demonstra exatamente o oposto; pela documentação já juntada às fls. 66/70 e 115/117, observa se que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00 (setecentos e cinquenta e cinco mil reais) desde 25.10.2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 115/117 e a 21a. Alteração Contratual, sendo certo que tais informações eram de conhecimento da RFB desde 10.08.2007, conforme documento de fls. 122/125; observandose o histórico de importações apresentado no Relatório, verificase que a empresa anualmente possuía movimentação de importação baixa, em média inferior a dois eventos por mês; constatase que nenhuma dessas importações mensais, realizadas no período determinado pela fiscalização, sequer chegou a aproximarse da capacidade financeira da empresa, especialmente dos valores integralizados no capital social próprio; evidente, portanto, sua capacidade financeira para solver suas importações; Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722364/201389 Acórdão n.º 3302002.988 S3C3T2 Fl. 29 11 não há nos documentos constantes dos autos, relativos ao período fiscalizado, qualquer indício que desabone a capacidade financeira da empresa autuada, senão a simples presunção, admitida pelo fiscal responsável, de que o imóvel utilizado para aumento do capital social não teria o valor declarado; há decisão judicial que atribui ao imóvel utilizado para aumento de capital o valor de R$ 504.000,00; em nova presunção, ao afirmar que a empresa optou por atrasar os recolhimentos para poder fazer frente a outras responsabilidades, indício de falta de condição financeira, a fiscalização nada de concreto afirma, nada prova, e, portanto, nada de proveitoso conclui; no que se refere aos cálculos realizados entre os valores de importação, notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias, especialmente as planilhas colacionadas no relatório, constata se que os valores não se conjugam como afirmado pela fiscalização. Diante da falta de correlação ou semelhança entre os valores, o autuante presume, mais uma vez, que os valores somente se diferem em razão de existir uma suposta "comissão" na diferença apurada; novamente, evidente a utilização de presunções diversas objetivando atingir fim específico, qual seja, o de construir uma ficção para embasar o intuito de configurar uma suposta incapacidade financeira que, por corolário lógico, embasaria sua tese de interposição fraudulenta; contudo, as razões do auto de infração não subsistem, já que não há documentos ou provas concretas que revelem a dita incapacidade financeira da recorrente. Ao revés disso, evidente sua capacidade econômica desde antes do período fiscalizado, conforme a alteração contratual e dados contábeis anexados; logo, impossível sustentar a acusação da incapacidade financeira da recorrente, o que culmina na impossibilidade de atribuir a ela, a infração de interposição fraudulenta apontada pela fiscalização; em nenhuma hipótese houve, nas movimentações da empresa, a falsificação de documentos, tampouco adulteração. Não há nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido falsificado ou adulterado; 11 nesta toada, exsurge a violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, já que sem apontar especificadamente qual documentação foi alterada ou falsificada, impede a fiscalização que a requerida promova sua defesa de forma ampla; todas as operações de importação realizadas seguiram o trâmite legal, passaram pelo crivo da RFB, tiveram o recolhimento dos tributos e encargos de forma escorreita e antecipada, e inexiste qualquer irregularidade tendente a Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 configurar a tipificação de falsificação ou adulteração apontada pela fiscalização; não houve dolo nas operações da empresa, que tem histórico profissional escorreito ao longo de sua vida; posto isso, considerando que no presente caso as presunções adotadas pela fiscalização não foram hábeis a demonstrar a ocorrência das infrações impostas à contestante, especialmente pela existência de capacidade financeira, e ainda, pela lisura das diligências adotadas nos procedimentos de importação, que efetivamente fulminam a possibilidade de adulteração ou falsificação de documentos narrada, respeitosamente requerse a revisão do posicionamento adotado, para anular o auto de infração guerreado, bem como suas consequências; Isto posto, requer: desde já, seja atribuído à impugnação o efeito suspensivo, suspendendo os efeitos das consequências da lavratura do auto de n°. 0727600/00499/13 (tais como a exigibilidade da multa aplicada), até o trânsito em julgado da respectiva decisão final administrativa; o encaminhamento da impugnação ao competente órgão julgador, a fim de que sejam apreciados os fundamentos invocados, dandolhe total provimento, no sentido de: a) anular o auto de infração de n° 0727600/00499/13, em razão de que este se encontra baseado em presunções fáticas inexistentes, bem como em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações capituladas como “INFRAÇÕES I e II”; b) anular a pena aplicada no valor de R$ 1.224.925,84 pelo auto guerreado, com vencimento em 09/11/2013. ao final, com o provimento da defesa, requerse a consequente extinção do presente Processo Administrativo e a juntada dos documentos em anexo, que comprovam o quanto alegado. A CK COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, cientificada do lançamento em 30/09/2013 (fl. 1.029), insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 30/10/2013, a impugnação de fls. 1.0561.074, na qual, após discorrer sobre a tempestividade, alega: CERCEAMENTO DE DEFESA – A IMPUGNANTE NÃO TEVE ACESSO AO INTEIRO TEOR DOS AUTOS DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO os autos deste processo são digitais e a impugnante, apesar de ter aderido ao Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) em 15062012 e atualizado em 29102013, não obteve acesso ao Inteiro teor dos autos para a elaboração de defesa do auto de infração porque o processo não consta no "ECAC", conforme tela em anexo, apesar das tentativas dos subscritores desta defesa; por essa razão, mesmo tendo recebido procuração eletrônica, os advogados signatários tiveram NEGADO PROTOCOLO de Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722364/201389 Acórdão n.º 3302002.988 S3C3T2 Fl. 30 13 petição de cópia digital dos autos pela servidora Kaila do centro de atendimento ao contribuinte (CAC) da Alfândega do Porto de Vitória para obter cópia integral dos autos, já que o acesso à documentação colacionada é indispensável à defesa do que a fiscalização sustentou no procedimento administrativo; tratase de procedimento ABSURDO e INACEITÁVEL. Assim, resta claro que a impugnante teve seu direito de defesa prejudicado, já que não teve acesso a documentação sobre a qual se fundou o auto de infração questionado; diante disso, requer a devolução do prazo para apresentar defesa do e/ou o reconhecimento do direito de apresentar defesa completar, aduzindo os fatos e documentos constantes nos autos do processo; SEPARANDO O JOIO DO TRIGO é muito comum no âmbito do comércio exterior a insistência das tradings companies em captar novas empresas para operar no comércio exterior. Este perfil é comum principalmente nas importadoras que fazem operações de importações com uso de incentivos fiscais ou financeiros, como é caso do FUNDAP; dessa forma, o lucro das operações advém do volume de operações de Importações abarcadas com os incentivos financeiros e fiscais, além de utilizar de outros meios escusos para maximizar seus lucros, como o engodo dos clientes relativamente à licitude das operações; diferentemente do que ocorreu em relação à AST, a fiscalização não encontrou nenhuma irregularidade na estrutura empresarial ou contábil da impugnante. Na verdade, a única acusação contra da impugnante é o pagamento antecipado das mercadorias; todo o relato de fraude recai sobre condutas praticadas exclusivamente pela AST; além disso, a própria fiscalização reconhece em outro processo administrativo (processo n. 12466.722366/201378 fls. 32) que a CK possui habilitação para operar no comércio exterior desde 2006, o que evidencia a ausência de intenção de se ocultar da fiscalização aduaneira; a impugnante sempre esteve presente para a fiscalização aduaneira, jamais se ocultando ou negando apresentar qualquer Informação ou esclarecimento. A própria fiscalização reconhece em outro auto de infração, com acusação semelhante (processo n. 12466.722366/201378 fls. 40) que a "verdadeira idealizadora dos procedimentos irregulares" é a AST; diante desse contexto e como será demonstrado, a impugnante, como uma empresa com conduta sempre pautada na boafé, é apenas mais uma vítima dos odiosos "planejamentos aduaneiros" perpetrados por TRADING COMPANIES INIDÔNEAS; Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 assim, a impugnante não pode ser punida pelas condutas ilícitas perpetradas por terceiros e em relação às quais em nada contribuiu; A IMPUGNANTE TEM HABILITAÇÃO PARA OPERAR NO COMÉRCIO EXTERIOR INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A FISCALIZAÇÃO INEXISTÊNCIA DE MOTIVOS PARA A IMPUGNANTE SE OCULTAR DA ADUANA a fiscalização sustenta que a impugnante se ocultou da fiscalização ao utilizarse de pessoa interposta para realização de operações de comércio exterior; no entanto, reconhece em outro processo administrativo (processo n. 12466.722366/201378) que a impugnante já se apresentou para a fiscalização com o intuito de operar no comércio exterior; assim, ficou reconhecido pela fiscalização que a impugnante já havia sido fiscalizada pela autoridade aduaneira muito antes de comprar as mercadorias da ÁGUIA, já que foi credenciada como Interveniente no comércio exterior desde 2006; dessa forma, a impugnante não tem motivos para se ocultar da fiscalização aduaneira e contribuiu com tudo que pôde durante a fiscalização; logo, resta comprovado que a Impugnante jamais fugiu ou tentou se ocultar do controle da autoridade aduaneira; IMPUGNANTE É MAIS UMA VÍTIMA DESSE MODELO DE OPERAÇÃO CK FOI INDUZIDA EM ERRO PELA AST como o perdimento detém caráter de pena, deve ser observada, para a sua validade de sua imposição, a ilicitude e a culpabilidade sobre a conduta que lhe deu ensejo. Isto porque somente é punível a conduta contrária à lei e seja praticada de maneira consciente; não basta que a conduta ilícita seja praticada para haver tipicidade, é preciso que tenha sido praticada conscientemente, no intuito de se alcançar o ilícito, porque a ação ou omissão somente é punível quando produzida em situações nas quais o sujeito tem condições não só de conhecer o caráter proibido, mas também a possibilidade de escolher entre a violação ou não da norma; nesse sentido, para que houvesse penalização por suposta Interposição fraudulenta, seria necessário que houvesse (i) comprovada ocultação, (ii) dolo (consciência) de ocultarse da fiscalização quando da importação, (iii) consciência sobre a potencial ilicitude do fato; contudo, no caso concreto, nenhum dos requisitos acima destacados foi preenchido: a ocultação não foi comprovada, tampouco a intenção de praticar a conduta ou a consciência de sua ilicitude; em relação à ocultação, a impugnante jamais tentou esconder se da fiscalização sobre as importações realizadas, tanto que possuía (e possui) Radar para operar no comércio exterior, de modo que se apresenta como tal para o Fisco; Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722364/201389 Acórdão n.º 3302002.988 S3C3T2 Fl. 31 15 ademais, se houvesse qualquer intenção de ocultarse, não faria sentido sequer aparecer para a autoridade aduaneira para a habilitação para operar no comércio exterior; aliás, o que se percebe, na verdade, é que em nenhum momento agiu a impugnante com máfé, muito pelo contrário: é nítida a boafé da empresa quando das aquisições que ocasionaram a fiscalização; isto porque, aparentemente, a proposta apresentada pela AST era correta e lícita, já que se tratava de empresa eminentemente importadora de nome, que procurou a impugnante para oferecer os serviços aduaneiros, e possuía grande porte e também diversos clientes; ora, não é de se suspeitar que uma empresa do porte da AST, especialista na área de importações fosse enganar a impugnante apresentando forma ilícita de importação como se lícita fosse; inclusive, sequer era esperado e nem mesmo exigível que a impugnante tivesse consciência do possível ilícito, uma vez que, sendo empresa eminentemente prestadora de serviços, é absolutamente hipossuficiente tecnicamente sobre as operações aduaneiras de importação; dessa forma, em verdade, a impugnante foi levada a erro pela AST, porque todo o esquema ocorrido foi idealizado pela AST, que reiteradamente praticava operações como as ocorridas na fiscalização, que solicitou numerários diretamente para a CK e que impôs todo o regramento sobre o modo como as Importações seriam realizadas. Frisese que até mesmo a fiscalização reconheceu o domínio do fato pela AST no processo administrativo n. 12466.722366/201379 (fls. 40); assim, houve erro determinado por terceiro, erro este escusável, devido à presunção de regularidade das operações, já que não era de se esperar que a AST praticasse ilicitudes em nome da impugnante, considerando o até então histórico limpo da AST, e também em razão da hipossuficiência técnica da CK em relação às operações de importação; portanto, não é aceitável que a Impugnante, que agia em boafé e sequer poderia prever que a conduta perpetrada pela Importadora era ilícita, responda por fato para o qual não concorreu, nem deu causa; CADA EMPRESA DEVE RESPONDER POR SEUS PRÓPRIOS ATOS conforme ressaltado anteriormente, a impugnante é na verdade uma vítima desse modelo de operação de importação apresentados por tradings companies inidôneas; se nem mesmo a administração aduaneira, que tem acesso às declarações das empresas, conhecia a maneira como AST realizava suas operações de importações, que gerou a acusação Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 de simulação das operações de importações, certamente exigir esse conhecimento de um terceiro (sem prerrogativas de autoridade pública) é totalmente irrazoável, pois a impugnante não tem acesso a quaisquer informações contábeis ou das operações entre a importadora; a suposta antecipação de recursos construída pela fiscalização não corresponde à verdade dos fatos. Na verdade, a impugnante manteve relação comercial com a AST juntamente com a empresa ÁGUIA, que se apresentaram como empresas importadoras e distribuidoras de mercadorias. As informações constantes no Sintegra e no Comprovante de CNPJ ressaltam a apresentação da empresa como importadora e distribuidora de mercadorias importadas (em anexo); os pagamentos antecipados pela impugnante foram exigências da AST para aderir ao pedido de compra das mercadorias; de fato, esse adiantamento foi sempre entendido pela impugnante como um pagamento a título de sinal, instituto jurídico notório e reconhecido pelo direito pátrio e muito comum nas operações comerciais, sendo um pagamento antecipado indicando os propósitos sérios a respeito do contrato, demonstrando a verdadeira intenção de contratar e manter o negócio jurídico; de fato, a destinação que a AST dava aos valores pagos pela CK foge do controle e da gerência da impugnante. Inclusive, o próprio ordenamento jurídico reconhece que os comportamentos das partes são presumidamente de boafé, sendo necessário comprovar a máfé; assim, presumese a regularidade da operação entre a impugnante e AST em decorrência da aparência de legalidade das operações (teoria da aparência) e da boafé da CK; diante disso, para a correta aplicação de sanções aduaneiras, é importante fixar a premissa de que o comprador da mercadoria importada (terceiro alheio às operações de importações) não é necessariamente responsável por todas as infrações verificadas nas importações que promova; o inciso I do mesmo artigo 95 traz esse critério: responde pela infração aquele que pratica o ato ilícito e/ou se beneficia de seu resultado; um bom exemplo para entender a extensão da responsabilidade é a prática caracterizada como subfaturamento. Os intervenientes diretos das operações de importações são aqueles que têm acesso aos documentos aduaneiros, contato direto com o exportador e realizam o despacho de importação. Aplicar as penalidades de subfaturamento para o comprador das mercadorias (mesmo que o importador tenha revendido as mercadorias com preço de mercado) é uma situação absurda, pois em nenhum momento o comprador praticou o ato ilícito ou se beneficiou do seu resultado; para evitar essas situações absurdas e manter a segurança jurídica no âmbito das infrações aduaneiras, o comprador das mercadorias não pode ser responsabilizado por infrações Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722364/201389 Acórdão n.º 3302002.988 S3C3T2 Fl. 32 17 cometidas isoladamente pelos importadores, adquirentes ou encomendantes das mercadorias; dessa forma, concorrer para a prática de uma infração pressupõe uma participação ativa do sujeito no empreendimento infracional, associada ao conhecimento do ilícito; no presente caso, a impugnante não teve qualquer participação ativa para a prática do ilícito, principalmente a forma como foram realizadas as operações de importações (pautados na boa fé). obter benefício de uma infração, por sua vez, pressupõe o conhecimento e a conivência com o ilícito. No entanto, não é qualquer benefício auferido pelo sujeito que autoriza sua responsabilização, mas apenas o benefício decorrente do ilícito em si e não aqueles usuais nas operações de importações; o lucro auferido pela impugnante com a revenda das mercadorias, por exemplo, não pode ser considerado benefício para os fins de sua responsabilização pelas infrações imputadas às demais empresas. Esse lucro teria ocorrido com ou sem a existência das infrações imputadas, portanto não decorre do ilícito em si; CE FORTALEZA DRJ Fl. 1124 Impresso em 19/10/2015 por 16 nesse sentido, é importante registrar que as notas fiscais de venda da AST para a impugnante contêm uma margem de acréscimo em média de 10% a 50% se comparadas com as notas de entradas, o que indica a lucratividade da AST nessas operações, conforme tabela apresentada pela própria fiscalização (fls. 9). Além disso, a AST tinha lucro com a utilização do benefício financeiro FUNDAP; isso somente evidencia ainda mais a aparência de legalidade das operações que foram apresentadas pela AST para a impugnante. Assim, se se mantiver a interpretação dada pela fiscalização, todos os envolvidos na operação de importação deveriam ser responsabilizados; no sentido de que o terceiro comprador das mercadorias do adquirente ou encomendante não é necessariamente responsável por toda e qualquer infração ocorrida nas importações, o art. 100 do Decretolei 37/66 prevê expressamente que se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido; no presente caso, a impugnante não concorreu para a prática ou se beneficiou do ilícito, tendo em vista que sequer participou das operações de importações. Outra inverdade narrada nos autos (que não está lastreada em provas) é que a impugnante participou ativamente nas negociações com os exportadores; diante dessas colocações, a impugnante não pode ser responsabilizada pelas condutas da importadora; Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 18 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NÃO PRESUMIDA ART. 23, INCISO V. DO DL Nº 1.455/76 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA BOAFÉ DA IMPUGNANTE somente se verifica a infração do inciso V do art. 23 do DL 1.455/76 nas situações em que alguém (pessoa natural ou jurídica), que realize operação de importação ou exportação, adota um comportamento consciente e malicioso com o objetivo deliberado de impedir que a Aduana tome conhecimento, durante o despacho aduaneiro, de quem sejam os reais sujeito passivo, vendedor, comprador ou responsável pela operação; em outras palavras, a interposição fraudulenta somente ocorre nos casos em esteia comprovado que pessoa não declarada à aduana tenha praticado os atos da vida comercial em substituição da importadora que se apresentou como a responsável pelas operações; de fato, a AST se apresentava para a impugnante como importadora e distribuidora de mercadorias importadas (inclusive o Sintegra e o comprovante de CNPJ indicam a atividade de distribuição de mercadorias); nesse sentido, nas relações civis (e também com a Administração Pública, salvo estipulação em contrário) os comportamentos das partes são presumidamente de boafé, sendo necessário comprovar a máfé; de fato, somente foi possível constatar as irregularidades com as operações entre a AST e demais empresas do grupo (ÁGUIA e ARCA fl. 12) após minuciosa fiscalização. Se alguém praticou qualquer ilícito, certamente foi a AST; 17 conforme demonstrado, a impugnante não tinha condições de saber como são as operações de importação e distribuição da AST, tendo em vista que envolve questões contábeis e de logística na operação de importação; de fato, a responsabilidade solidária através da acusação de interposição fraudulenta deve comprovar o dolo da impugnante em se ocultar da fiscalização. Em nenhum momento a impugnante se ocultou da fiscalização aduaneira. Pelo contrário, sempre apresentou as informações e esteve disponível para esclarecer todos os fatos relativos às aquisições da AST; diante da realidade dos fatos apresentados, não existia (naquele momento) quaisquer indícios para a impugnante entender que as operações de aquisição com a AST eram ilegais. A boafé é presumida; a máfé deve ser provada; ora, a AST é uma empresa que emite notas fiscais normalmente, com o CNPJ ativo próprio, não existindo reais motivos para duvidar das operações de vendas realizadas por ela; por fim, a impugnante é uma empresa familiar atuando originariamente na área de representação comercial, que viu uma oportunidade para vender essas mercadorias sempre Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722364/201389 Acórdão n.º 3302002.988 S3C3T2 Fl. 33 19 observando a boafé, isto é, acreditando que a operação de aquisição das mercadorias era legal; assim, não pode a impugnante ser punida como responsável por uma infração praticada por terceiros; DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS FINALIDADE RESTRITA A COBRANÇA DE TRIBUTOS INFRAÇÃO ENVOLVE NORMAS DE DIREITO ADMINISTRATIVO “STRICTO SENSU” a fiscalização desconsidera o negócio jurídico entre a Impugnante e a AST para sustentar acusação de interposição fraudulenta nas operações de Importações; no entanto, o Código Tributário Nacional (parágrafo único do artigo 116) concede poderes para a fiscalização desconsiderar negócios jurídicos somente para fins de cobrança de tributos; nesse sentido, o auto de infração é somente aplicação de multa de natureza administrativa, porque ela decorre de conversão da pena administrativa de perdimento de mercadorias; assim, a fiscalização não pode desconsiderar negócios jurídicos para sustentar uma suposta interposição fraudulenta, exceto para exigir tributos; mesmo na hipótese de exigir tributos, o negócio jurídico permanece vigente e válido (a desconsideração equivale à desconsideração da personalidade jurídica das empresas: a personalidade jurídica permanece, mas somente são desconsiderados os limites patrimoniais), sendo que sua desconsideração é somente para exigência de créditos de natureza tributária, o que não é o caso do presente auto de infração; POR EVENTUALIDADE CONSEQUÊNCIA NÃO SANCIONATÓRIA DOS ATOS REENQUADRAMENTO DA MODALIDADE DE IMPORTAÇÃO 18 ainda que se considere que o pagamento feito pela CK à AST seja típico de adquirente ou encomendante de mercadoria importada, a consequência legal para tal prática não é sancionatória, ao menos não de forma direta; de fato, a Lei 10.637/02 prevê que a utilização de recursos de terceiros em operações de comércio exterior faz presumir que tais operações tenham sido promovidas por conta e ordem do provedor daqueles recursos; a consequência legal, portanto, dos atos narrados pela fiscalização, é exclusivamente o reenquadramento tributário das operações, de forma a autorizar a cobrança do IPI nas vendas feitas pela CK; Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 20 se existe uma consequência legal não sancionatória, não pode haver aplicação de pena, exceto a multa por lançamento de oficio dos tributos eventualmente não recolhidos; em outras palavras, a utilização de recursos de terceiro em importação autoriza a presumir a importação por conta e ordem desse terceiro, e exclui a possibilidade de presunção de interposição fraudulenta; ora, se se concluiu que quem suportou a importação foi a CK, e não a AST, em razão tão somente de supostos adiantamentos, isso significa tão somente que a modalidade adotada (encomenda) era equivocada; assim, os efeitos do erro na modalidade adotada para proceder à importação, em verdade, implicam somente na ineficácia do negócio jurídico para fins tributários, nos termos do artigo 116 do Código Tributário Nacional, e não no perdimento e na multa aplicadas; o razoável seria, em razão da desconsideração do negócio jurídico realizado, se cobrar o suposto benefício que a CK teria tido, ou seja, cobrar o IPI que seria devido a título das saídas das mercadorias importadas; portanto, a penalidade imposta configurase extremamente gravosa e claramente contrária aos preceitos de equidade e razoabilidade consagrados na Constituição Federal; PEDIDOS por todo o exposto, requer: a) seja o auto julgado totalmente insubsistente; por eventualidade: b) seja integralmente excluída a responsabilidade da impugnante; c) caso não seja excluída da responsabilidade da impugnante, que seja aplicado o reenquadramento da modalidade de importação e exigidos os tributos não recolhidos; protesta pelo direito de apresentar provas e defesa complementar, com objetivo de demonstrar e comprovar a verdade dos fatos envolvendo o presente caso e resguardar o direito do contraditório e a ampla defesa, tendo em vista que não teve acesso ao inteiro teor do processo administrativo, conforme aduzido na preliminar; 19 por fim, em virtude da urgência do ato, requerse prazo para apresentação dos documentos que comprovam a regularidade de representação, na forma do artigo 5º parágrafo 1º da Lei 8.906/1994; Conforme fls. 1.0991.101, a CK COMÉRCIO apresentou procuração comprovando a regularidade da representação, assim como cópia do contrato social. É o relatório." Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722364/201389 Acórdão n.º 3302002.988 S3C3T2 Fl. 34 21 Sobreveio decisão afastando os argumentos apresentados, mantendo o lançamento intacto. Intimadas em 25.09.2014 do Acórdão, a AST apresentou recurso em 13.10.2014 e a CK em 21.10.2014. Em razões recursais, as recorrentes mantiveram os mesmos argumentos sustentados na fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recursos Voluntários interpostos pelas empresas AST Comércio Internacional Ltda e CK COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, atendem os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, serem conhecidos. As Recorrentes repeliram as acusações, alegando que: o motivo do lançamento fundamentado em “incapacidade financeira”, em verdade tratase de presunção; Afirmam, também, que a desconsideração de aquisição legítima de bem imóvel utilizado no aumento do capital social, foi realizada sem respaldo legal; Assim como, acusação de que diferença apontada como comissão entre a Recorrente e a empresa NTN, tratase de ficção fiscal; Assim como, a fundamentação de caucionamento financeiro antecipado para subsidiar as importações, bem como, a suposta presunção de que o atraso no pagamento de tributos teria por objeto fortalecer o ativo circulante da empresa para suprir a incapacidade financeira, não procede. Compulsando os autos constatase juntada de extrato bancário das empresas envolvidas na trama, NTN, JNATIVA e MANAGUETTI & MARRA LTDA., e os razões contábeis da empresa AST, vislumbra da leitura daqueles documentos, que as transferências financeiras lançadas nos extratos bancários foram contabilizadas pela AST a título de antecipação, o que demonstra a incapacidade financeira, principalmente, caracterizado pelos valores substanciais. Em sendo assim, não merece prosperar os argumentos das Interessadas de que os documentos aduaneiros e fiscais entregues à fiscalização são capazes de comprovar a regularidades dos atos negociais, ao contrário da afirmação, tenho que houve interposição fraudulenta. A demonstração de incapacidade financeira trazida pelas Autoridades Aduaneiras como uma das causas categóricas na existência de interposição fraudulenta, vejo com reserva, impondo exame criterioso dos demais elementos dos autos. No caso presente, verificase da documentação colecionada, que as tratativas negociais davam sempre por intermédio da empresa NTN DO BRASIL LTDA., essa certeza é extraída dos emails trocados entre os hipotéticos clientes da AST com a senhora NATÁLIA Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 22 NAKAMURA, vinculada a empresa “NTN”, responsável pela tarefa de cobrar os pedidos e coordenar os embarques das mercadorias, assim como, cabia informar o nome do navio e a data da chegada no Brasil. Em alguns dos documentos a senhora Natália Nakamura, informa o tempo que os clientes dispunham para efetivar os pedidos em razão de “fechamento de carga por contêiner”, informando o país exportador, que no caso em grande parte a origem das mercadorias vinham do Panamá, e a data da chegada do navio ao Porto de VitóriaES. As importações davam em grande parte do Panamá, tendo como exportador a empresa NTN SUDAMERICANA S/A, que no Brasil ao tempo dos fatos era representada pela empresa NTN DO BRASIL LTDA. A convicção de que a empresa NTN é o verdadeiro importador extraise das comunicações entre a “NTN” e os Interessados nos produtos importados, dando conhecimento a AST por meio de cópias dos acordos comerciais. O artifício adotado pela NTN DO BRASIL LTDA. em suas importações acontecia por intermédio da AST, procedimento doloso que restou confirmado em diligência fiscal realizada perante JNATIVA IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE ROLAMENTOS LTDA – EPP, nome de fantasia SAKAROL, quando foi ouvido o senhor JOÃO SAKAMOTO, sócio controlador, que afirmou: “2.1 As suas compras são feitas através da empresa NTN DO BRASIL LTDA., é para quem dirige os pedidos, e segundo o que sabe, esta consolida os pedidos dos revendedores e importa as mercadorias, em nome dos interessados, através da AST COM. INT. LTDA. de quem recebe as mercadorias já nacionalizadas. 2.1.1 – Todos os pagamentos foram feitos através de TED /ou depósitos em cheque, diretamente em nome da AST; 2.1.2 Em alguns casos no inicio era cobrado também o frete que foram pagos junto com as notas fiscais de compra; 2.1.3 Nunca pagou qualquer valor para a NTN, seja a qualquer título. 2.2 – As mercadorias sempre foram garantidas pela NTN, quando existe falha a mercadoria é enviada para a NTN para que seja feito um laudo apurando as causas. Esse laudo depois de próton era encaminhado para o distribuidor das mercadorias. Desconhece a continuidade dos procedimentos, pois nunca ocorreu com a sua empresa.” Continua o depoente afirmando que: “2.3 Pelo que sabe a empresa NTN DO BRASIL é remunerada com comissões recebidas da NTN PANAMERICANA e NTN DO JAPÃO; 2.4. – Para efetuar os pedidos se baseava em máster list, dos produtos fabricados pela NTN e comprava os itens que tinha maior giro no mercado, baseado em sua experiência; 2.4.1 – Esse pedido era encaminhado para a NTN por email a Natalia@ntn.com.br; Concluiu o depoimento: Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.722364/201389 Acórdão n.º 3302002.988 S3C3T2 Fl. 35 23 2.5. – Os pagamentos poderiam ser feitos de duas formas a vista ou no prazo de 90 dias; 2.5.1 Para os pagamentos a vista, a NTN fazia os pedidos ao exterior e no embarque recebia cópia de diversos documentos e pelo que sabe encaminhava para a AST; 2.5.1.1 No embarque das mercadorias a AST recebia cópia do BL e da fatura internacional, com base nessas informações era cobrado pela AST e efetuava o pagamento do câmbio; 2.5.1.2 Na data do desembaraço, da mesma forma era cobrado e efetuava o pagamento dos impostos mais as despesas;” Dos documentos colecionados há email da NTN (fls.361/376) enviado pela senhora Natália Sakamura, esclarecendo o método de trabalho, veja: “Boa noite a todos, Visando esclarecer o método de trabalho e prazos adotados pela NTN do Brasil, quanto aos processos de importações, segue abaixo o cronograma com a definição de atividades e prazo as a serem cumpridos. Back order (Programação) – Resumo de todos os pedidos firmados com as respectivas datas prevista de disponibilidade no Panamá e preço FOB. Do envio da Back Order todos os distribuidores possuem 05 dias úteis para o envio da instrução de embarque completa. Após este período NÃO será aceito qualquer pedido de embarque para o mês corrente, visto que o Panamá necessita de tempo para dar continuidade ao processo (separação do Material, Embalagem, Contato com Agente, Reserva de Containeres/Navio, Agendamento de Retirada do Material do Armazém, Emissão dos Documentos (Proforma/Fatura/Packing list) para inicio da Exportação; ..." Tratase de email extenso onde os procedimentos a serem seguidos pelos clientes deviam ser cumpridos à risca. A própria remetente comenta tratarse de muitas informações a ser assimilada, razão pela qual deveria ser marcada reunião com todos, onde pudesse ser detalhado os procedimentos. A Recorrente foi incapaz de contraditar essa documentação colecionada pela fiscalização, deixou transcorrer em silêncio os momentos oportunos de impugnar, bem como, debater sobre o conteúdo dos depoimentos colhidos, essa omissão por si só revela ser verdadeiro acusação de que trata de interposição fraudulenta. No que tange a irresignação quanto ao imóvel adquirido e utilizado para o aumento de capital social, tenho que esse aumento do patrimônio líquido, neste caso, não configura ingresso de numerário, mas sim ingresso no ativo permanente, incapaz de afastar macula imputada de insuficiência financeira para operar no comércio exterior exigido pela Aduana. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 24 A empresa CK COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. , ao ajustar toda tratativa negocial com a empresa NTN DO BRASIL LTDA., cometeu o mesmo ilícito tributário configurado pela remessa de antecipações financeiras direto para empresa AST COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., esse fato revela ser ela sabedora da tramóia arquitetada para fraudar o pagamento do IPI. Convencido de que a AST, ora Recorrente, emprestou seu nome para a NTN do Brasil Ltda., efetivar importações contrariando todo arcabouço jurídico existente com intuito único de ludibriar as Autoridades Aduaneiras, se revela consistente acusação de ocultação do sujeito passivo o real importador, responsável pelas operações e distribuídos para vários parceiros comerciais, clientes, entre esses a empresas CK COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA., tudo isso corroborada pela prova concludente extraída das transferências de numerários verificadas nos extratos acostados e contabilizadas a título de antecipação de pagamento por futuras compras, o que leva concluir que a recorrente realmente não possuía capacidade financeira e se prestou a praticar a infração lhe imputada caracterizando interposição fraudulenta. Em sendo assim, conheço do recurso, nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13603.000993/2003-23
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
PAF — PRECLUSÃO CONSUMATIVA — Deixando a recorrente de impugnar matéria pré-existente, descabe fazê-lo cru âmbito recurso porque não foi objeto de pré questionamento.
PAF - PEDIDO DE ANÁLISE DE MATÉRIA ESTRANHA À LIDE — Descabe analisar matéria que não é objeto de litígio, no caso, pedido de cancelamento da multa isolada, item que não se inclui neste litígio.
PAF - COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA - A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o comando inserto no art, 170 do CIN. Créditos que não se apresentam líquidos, porquanto não confirmados pelo órgão que administra o tributo ou pelo Poder Judiciário, não podem ser objeto de autorização de compensação, porquanto para se proceder à compensação deve, previamente, existir a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado pelo contribuinte.
COMPENSAÇÃO — SALDO NEGATIVO DO IRPJ — ESTIMATIVAS — As estimativas do IRPJ são passíveis de compensação apenas ao termino do ano calendário e quando restar comprovada sua efetividade.
COMPENSAÇÃO — DUPLICIDADE DE PEDIDOS — IMPOSSIBILIDADE — O débito que tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a esta se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, não comporta nova PERDECOMP (INSRF 600/2005 art.26,§ 3º,IV)
Numero da decisão: 1102-000.274
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos de relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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LIQUIDEZ E CERTEZA - A certeza e a liquidez dos. créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o comando inserto no art, 170 do CIN. Créditos que não se apresentam líquidos, porquanto não confirmados pelo órgão que administra o tributo ou pelo Poder Judiciário, não podem ser objeto de autorização de compensação, porquanto para se proceder à compensação deve, previamente, existir a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado pelo contribuinte, COMPENSAÇÃO — SALDO NEGATIVO DO 1RPJ — ESTIMATIVAS — As estimativas do IRPJ são passíveis de compensação apenas ao termino do ano calendário e quando restar comprovada sua efetividade. COMPENSAÇÃO — DUPLICIDADE DE PEDIDOS — IMPOSSIBILIDADE — O débito que tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a esta se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, não comporta nova PERDECOMP (INSRF 600/2005 art,26,§ .3'..,IV) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos teryos de relatório e voto que integram o presente julgado, IVE M LAQ IAS P -§SOA MONTEIRO —Presidente e Relatora EDITADO EM: ti?1 SET 20/0 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros, José Sergio Gomes (Suplente convocado) Silvana Rescigno Barreto, Marcos Antonio Pires (suplente convocado) Frederico de Moura Theophilo e .João Carlos Lima junior(Vice-Presidente). 2 Processo n" 13603 000993/2003-23 Acórdào n 1102-00274 Fl 2 Relatório Trata-se de PERDCOMPS interpostas eletronicamente utilizando-se do saldo negativo do 1RPJ apurado no ano calendário de 2002.. Inicialmente houve pedido de restituição,fis. 01, no valor de R$ 26.132,85, referente ao saldo negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica do exercício de 2003, cumulado com declaração de compensação-DCOMP de débito de CSLL„ código de receita 6773, no valor de R$ 4,130.38, conforme documentos de fls. 02 / 03. Em 22.032004, é transmitido o pedido de restituição eletrônico PER n°32521.69234220304,12,02-2827, também de saldo negativo do IRPJ/200.3, no valor de R$ 133.615,00, fls. 16/19. As fichas 09A, 11, 12A e43, da DIPJ/2003, ND 1191962, foram juntadas às fis.,19/25; telas da última DCTF retificadora do primeiro trimestre/2002, transmitida em 22/08/2007, fis. 72/75; tela do extrato do processo ri' 13603.000968/2002-69, lis, 30/31; tela do SINAL06 com todos os pagamentos de 1RP:1/Estimativa, código de receita 2362, do período de 01/02/2002 a 15/08/2007, fl. 32; e telas da DIRF do ano-calendário de 2002, fis, 70/71. N° da DCOMP Observações 18021,35752.220304.1.3022479 Retificado por 10481.01307.180105.1.7,02-4018 e - cancelada por 42816,48454_270307.1.8.02-3061 Retificado por 25238.06484,290906.1.7.02-8610 e 24815.1 44882.20304,1.102-0464 cancelada por 06245,66618.270307.1.8.02 -5724 3670038278,020205 1.3.024508 Cancelada per 24360,99274.101106.1.8.02 -8081 14791.79232.240707.1.3.02-5204 Ativo A Contribuinte interpôs DCOMP eletrônica para compensar débitos de 1RP.I e CSLL de dezembro/2004, que não foi processada por problemas técnicos, conforme documentos de fis, 01 a 31 do processo n° 13603.000174/2005-48. Após solicitação de esclarecimentos (tis. 61/62 daquele processo), a Declaração de Compensação foi retificado de acordo com o documento de fi. 67 e a DCOMP de fis. 68 daquele mesmo processo. Por isto os processos foram juntados, conforme fis.. 88, A DCOMP é analisada na forma seguinte: Origem do Crédito Saldo negativo do IRPJ do exercício de 2003 Valor do crédito utilizado R$ 102.341,91. . . IRRI, código de receita 2362, PA 12/2004, vencimento em .31/01/2005, no valor de R$ 85.657,91. Débitos Compensados CSLL, código de receita 2484, P.A 12/2004, vencimento em 31/01/2005, no valor de RS 36.684,00.. Às tis,. 81/85 do processo 1.360.3.000174/2005-48, foram juntadas as telas da 3 DCTF do 40, trimestre/2004, com os débitos ali compensados. O despacho decisório de fis,90/95 reconhece parcialmente o direito creditório, com a seguinte ementa: Assunto . Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercicio 2003 Ementa • DCOMP — O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com ti-á/mito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão Base Legal . ait. 74 da Lei n°9,430/96. Rest Dei. em Parte - Comp Homolog em Parte Ciente em 12/11/2007, fis.103, a Contribuinte intemõe manifestação de inconformidade, fis.104/109, onde, em síntese, repete que o pedido de restituição diz respeito ao saldo negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica do exercício de 2003, cumulado com pedido de compensação de débitos, Os valores pleiteados foram retificados por meio de entrega de Declarações retificadoras, que não foram acolhidas em sua totalidade, porque o Delegado entendeu que parte dos créditos pleiteados, referentes às estimativas, não foram recolhidos durante o exercício, de forma que não poderiam compor o saldo negativo do imposto, ao final, Além do que, considerou cabível a multa isolada referente à falta de recolhimento das estimativas de janeiro e fevereiro, nos termos do inciso IV, § 1 0 , do art. 44 da Lei n° 9.430/96, Reclama dos valores referentes à estimativa relativa ao mês de março, que deixara de ser integralmente acolhido e decorrera de mais uma compensação realizada que não tivera a correta análise da autoridade jurisdicionante, o que deveria ser revisto, Aponta a falta de consideração, pela autoridade administrativa, dos balancetes de redução que efetuou no período, o que impediria a exigência da multa isolada. Refere-se, especificamente à "COMPENSAÇÃO DE VALORES COM COFINS NÃO-CUMULATIVA", aos "BALANCETES LEVANTADOS PELA EMPRESA E A IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA" , para, em vasto arrazoado concluir que restara demonstrado o seu correto proceder, o que obrigaria à administração a ratificá-lo Acórdão 02-17,419, de 05 de março de 2008, da DRJ/BH,fis„201/211 não homologa a compensação e indefere o pedido de restituição/ressarcimento e está assim ementado: ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURiDICA IRPJ Ano-calendário. 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovada/126'rue existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Rest/Ress. Indelet ido - Comp não homologada 4 Processo n" 13603 00093/2003-23 SI-C1 12 AcORI5o n " 1102-00,274 3 Ciente da decisão em 07/04[2008, a Contribuinte interpõe o recurso de fis,218/230, em 06/05/2008, onde alega, em síntese, que seguindo instruções incorretas da Delegacia da Receita Federal de Contagem realizou as retificações nas Declarações de Compensação, em razão da necessidade de retificação das suas declarações, o que causou enormes problemas em seus Pedidos de Compensação. As retificações realizadas nas DCTF dos trimestres 1° a 4 0 do exercício de 2001 e 1° e 2' do exercício de 2002, que retomaram à situação inicial das Declarações de Compensação feitas, obrigaria a revisão deste processo e dos demais, nos quais foram verificados o mesmo problema. Por isto pede o seu reenvio à Delegacia da Receita Federal de Contagem para reapreciação das compensações ali indicadas, pois constam débitos compensados que não existiam, como é o caso do débito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL (código 6773 ) no valor de R$ 4.130 38 referente a dezembro de 2002. Também informa que com estas retificações e no intuito de facilitar o encontro de contas, acabou por indicar para compensação, estimativa que foram consideradas corno crédito neste processo. (Valor equivocadamente declarado e já retificado). E o objetivo da compensação é o"encontro de contas", procedimento não realizado, posto que houve " FALTA DE VERIFICAçÃo DAS DECLARAÇÕES RETIFICADORAS APRESENTADAS" Alude que apurou, no ano de 2002, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL e Imposto de Renda Pessoa Jurídica somente nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março, conforme cópias de Balancetes e Diários anexados ao processo junto à Manifestação de Inconformidade protocolizaria em 10/12/07. Quando solicitou a compensação em .30/04/2003, ainda não havia feito as retificações nas DCTF e DIPJs. Mas, após as retificações, este valor não está declarado em nenhuma das Declarações nem tão pouco foi utilizado para dedução da Contribuição Social (estimativas) de 2002, cujo valores demonstra na ordem seguinte: Contribuição Social sobre o Lt1C1D l íquido - VALOR APURADO APOS RETIFICAÇAO CSIL 2002 JAN 15.775,88 FEV 6.684,60 MAR 49.259,$9 TOTAL 71.720,07 O valor total do saldo negativo de CSLL R$ 71.720,07 foi indicado na PERDCOMP 41.858.82046..220304..L2.0.3 -2188, e na DIPj retificada, o que demonstraria que o valor do debito de R$ 4.130,38 não poderia ser compensado, desde o primeiro momento, pois foi indicado por erro. Demonstrado seu erro contábil não há como se admitir que o Estado se aproprie de valores que não se refere a débito tributário. 5 Cita e transcreve Ives Gandra Martins em texto que trata de indébito tributário e sua natureza não tributária.(MARTINS, Ives Gandra. Teoria da imposição tributária São Paulo: Saraiva, 1983, p. 92/93). Reproduz o seguinte texto de Hugo de Brito Machado:"_svAdo indevido o tributo, a verdadeira natureza jurídica do pagamento sem causa," (MACHADO, Hugo de Brito A compensação no Direito Tributário. Grandes Temas da Atualidade - 5° Simpósio Nacional 10B de Direito Tributário São Paulo: 10B Informações Objetivas, 1996, p, 22), para dizer que a compensação de créditos com suposto débito que demonstrara não existir é indevida e sequer poderia ser considerada como receita do Estado, sob pena de afronta ao Princípio da Legalidade e da Moralidade Administrativa. Cita doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello que trata da necessidade de obediência ao principio da legalidade, que norteia a atividade administrativa (MELLO, Celso Antônio Bandeira de., Discricionariedade e controle jurisdicional. 2'ed., São Paulo: Malheiros, 1993, pp. 12/13) Como mero ingresso de caixa e não verdadeira receita, não pode o crédito apurado ser compensado para pagamento de débito inexistente, o que implica no dever do Estado de restituir o indébito tributário ao seu legitimo proprietário, linha na qual reproduz opinião de Brandão Machado, para quem "Se o Estado não pode exigir ou receber tributo, senão com base na lei, não pode logicamente reler consigo o que receber ilegalmente, porque a soltai° indébita e a soluhretentio são produtos da mesma violação de uni direito do contribuinte (MACHADO, Brandão.. Repetição de indébito DO Direito Tributário, In Estuda on Homenagem ao Prot,Ruy Barbosa Nogueira São Paulo: Saraiva, 1984, p. 68). E segue para afirmar que se soubesse do equivoco cometido, à época da Manifestação de Inconformidade, o teria demonstrado como o fez agora, não deixaria que o Fisco Federal mantivesse as compensações sem a devida verificação das retificações que realizou mas que não foram conhecidas na esfera administrativa. Contudo, ainda há a possibilidade de homologação de todas essas compensações, agora indicadas corretamente, sem que sejam causados mais transtornos ou processos. Afirma que esses fatos apontam para a necessidade de revisão de parte da homologação da compensação, excluindo-se o débito indicado e que na verdade não existe, e a devolução do crédito para homologação de outras compensações indicadas. Alude a "NECESSIDADE DE ANÁLISE DOS PROCESSOS EM CONJUNTO SOB PENA DE OFENSA AOS PRINCIPIOS DA EFICIÊNCIA, DA LEGALIDADE E DA MORALIDADE", embora concorde que contribuiu para os erros verificados, mas que a sua intenção foi de somente consertar os cálculos feitos equivocadamente sem que fossem prejudicadas as compensações que já tinham, inclusive, sido homologadas. Deste modo, após as retificações, foi obrigada a fazer outras compensações para pagamento de débitos anteriormente indicados como créditos em outras compensações, mas só o fez porque sabe que o objetivo das normas relativas à compensação de débitos é o encontro de contas. Assim, imperioso apreciar-se o processo de compensação onde está o debito R$ 36,221,40 para que seja aceito como pago neste processo de compensação, sob pena de serem causados enormes prejuízos à Recorrente, que terá que recolher o valor do debito, acrescido de juros e multa, e posteriormente, requerer a restituição do valor recolhido a maior, 6 g/11 Vg4P. à P[ °cesso n" [360.3 00099.312003-23 SI-C112 Acórdão n " 1102-00274 H 4 É do interesse de todos que os processos administrativos sejam finalizados com a homologação das compensações e o ajuste das contas e das declarações prestadas, de modo que é imprescindível que se use do Princípio da Verdade Material e da eficiência, para que sejam solucionados os presentes casos de maneira conjunta, sem maiores prejuízos. Refere-se ao artigo .37 da CF que trata dos princípios processuais aplicáveis, não só ao processo administrativo, corno também aos processos civil e penal, princípios que regem a atividade administrativa fiscalizatória, compreendida não só por sua fase processual, mas também por sua fase procedimental, alem de existirem princípios específicos do processo administrativo tributário. Cometa o Decreto 70,235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, para dizer que ele enumera e garante que determinados princípios do Direito sejam observados por sua administração e nos respectivos processos administrativos tributários.. Mesma linha da Lei n°9,784, de 29 de janeiro de 1999, da qual reproduz o artigo 2 0 para comentar que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, ressaltando, ainda, que nos processos administrativos serão observados, também , os critérios ali enumerados (reproduz item I a XIII). Continua para citar James Marins, e os princípios do processo administrativo tributário, os princípios gerais, da Administração Pública, dentre os quais enumera o da legalidade, finalidade, razoabilidade, proporcionalidade, motivação, impessoalidade, publicidade, moralidade, responsabilidade e eficiência. Diz que também se submete o processo administrativo tributário aos princípios comuns, ao procedimento e ao processo administrativo tributário, dentre eles o da legalidade objetiva da vinculação, da verdade material, da oficialidade, do dever de colaboração e do dever de investigação. Comenta que a Lei n°9.784, de 29 de janeiro de 1999, estabelece os parâmetros que a Administração deve seguir nos processo administrativos e destaca sempre, que o objetivo da Administração Pública é o atendimento ao interesse público! No caso dos autos não se pode falar que a Delegacia de Contagem ou a Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte agiram em consonância com estes princípios e nem que estavam agindo em busca do interesse público, pois o objetivo da norma que permite a compensação de débitos com créditos na esfera federal é facilitar o encontro de contas dos contribuintes com a Administração através da apresentação de documentos comprovadores dos débitos e créditos pleiteados, e não dificultar este encontro de contas. Do mesmo modo que as compensações são importantes para ambas as partes o processo deve ser agilizado. O interesse publico a ser perseguido pela norma é o pagamento de débitos com o aproveitamento dos créditos em um só .procedimento, A Delegacia da Receita Federa de Contagem tinha o dever funcional e o dever como órgão da administração de buscar a realização do interesse publico. As decisões recorridas ignoraram os documentos referentes aos créditos apresentados em afronta aos itens VI,VIII,IX,X,XII,XIII. Imb 7 Repisa seu erro e o dever da administração cru verificá-lo, por se tratar de simples erro e não, adotar como débito o valor indicado indevidamente, ou aproveitado a oportunidade para apreciar outras compensações que terão efeitos sobre esta, Faltou cumprir . a Administração seu dever de impulsionar o processo limitando-se a," ineficientemente", deixar de homologar parte das Compensações enquanto ainda, existiam créditos, da forma mais simples possível, e deixar de homologar quando os créditos instruidos de maneira satisfatória terminaram Reclama da posição adotada pela administração classificando-a de"inconseqüente e ineficiente" pois ao invés de buscar o esclarecimento sobre os documentos relativos aos créditos e homologar todas as compensações realizadas, acabou por criar para si, e para os órgãos hierarquicamente superiores vários outros processos administrativos que apenas servirão para emperrar ainda mais toda a máquina administrativa que já possui um volume enorme de processos administrativos a serem analisados, Demonstrara a necessidade de reanalise dos processos e confirmação dos seus argumentos, para homologar as compensações indicadas nos processos sem que reste qualquer pagamento a ser feito ou pedido de restituição a se realizar. Pede provimento ao seu recurso voluntário com a reforma do acórdão e reconhecimento do seu direito ao crédito ou seja determinado o retorno dos autos à Delegacia de Contagem para revisão dos Processos Administrativos que envolvem as compensações para o acerto seja feito e as compensações sejam definitivamente homologadas. Despacho de fis, 246 encaminha o processo ao CA.RF atestando a tempestividade em sua interposição, Recebo o processo para relato. Este é o relatório. 8 640' Processo n" 13603 000993/2003-23 Aeórao o "1102-00.274 H 5 Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relatara O recurso é tempestivo. E será parcialmente conhecido , conforme adiante se demonstrará. Trata-se de pedidos de compensação eletronicamente interpostos que se utilizaram do saldo negativo do IRPJ apurado no ano calendário de 2002, para compensar vários débitos. O valor inicialmente pleiteado pela contribuinte montava R$ 159,747,8500, dos quais foram reconhecidos R$ 97.957,47, Deste modo, o valor em litígio seria a diferença entre o pretendido e o concedido, ou seja, R$ 61.790,38, representado pelas estimativas dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2002 que não se confirmaram, de fato, nos valores abaixo apontados: Mês Valores declarados na DIP,1 JValores confirmados por pagamento ou compensação jan 28,798,87 J 14.228,58 Fev 10.997,84 0,00 Mar 93.8L832 57.596,89 Total 133,615,00 1 71./125,47 Na manifestação de inconformidade, a contribuinte se defende, no que toca a diferença referente aos créditos pretendidos, da forma seguinte: (—) Ocorre que deixou-se de verificar, com relação aos valores devidos como estimativa em março, mais uma compensação realizada, de forma que os créditos devem ser revistos e também a compensação realizada. Ignorou-se também o fato da Manifestante ler levantado balanceies de redução dos recolhimentos à época, razão pela qual a multa aplicada não seria exigível. Será demonstrado que os créditos devem ser revistos e também a compensação efetuada, bem como a aplicação da multa isolada, Primeiramente a Delegacia fez a apuração dos valwes devidos a titulo de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, com os valores recolhidos por meio das estimativas mensai,s e percebeu-se que no mês de março, o valor do imposto tinha sido somente parcialmente pago, destaca-se, 41) 9 a) Quanto á estimativa de março/2002, no valor de R$ 93 818,29, fbi declarada em DCTF (fl. 75) corno tendo sido quitada da seguinte forma- l?) R$ 8 582,20, através de pagamento com Darf, confirmado à /1 32, decorrente de pagamento no processo n° 13603 000968/2002-69 c) R$ 49 014,69, através de compensação no proces o n° 13603 00096812002-69, confirmado às fls 30, e c. R$ 36 221,40 conto saldo a pagar Em pesquisa no sistema SINAL06 não fbi encontrado o Darf correspondente, Parcela, portanto, não confirmada," Ocorre que o valos- de R$ 67.697,79 (sessenta e sete mil seiscentos e noventa e sete reais e setenta e nove centavos), devidos a título de estimativa de 1RPJ relativos a março de 2002, foi indicado para compensação no pedido encaminhado em 23 de julho de 2007, Declaração n" 2158497308.230707 13.11 - 4724 (cópia em aneà-9). Desse valor R$ 36.221,40 (trinta e seis mil duzentos e vinte e um reais e quarenta centavos) refere-se ao IRR1, que foi compensado juntamente com o acréscimo dos juros devidos, Dessa forma, vê-se que no que diz respeito aos créditos aceitos, deve ser o Despacho Decisório anulado, considerando o pedido de compensação feito para pagamento do IRPJ, estimativa Illatp/2002, e revista a compensação relativa ao processo n°13603 .000174/2005-48 ) E adentra na impossibilidade de prosperar a exigência da multa isolada, o que não é objeto deste litígio e por isto não será abordado. Também, em sede recurso voluntário, a Contribuinte pretende alargar a lide, onde acusa a DRF Contagem de lhe fornecer instruções incorretas que a levou a realizar as retificações nas Declarações de Compensação, em razão da necessidade de retificação das suas declarações, o que causou enormes problemas em seus Pedidos de Compensação. Acaba por pedir que se devolvam os autos a DRF jurisdicionante, para que seja reanalisado seu pedido mediante as retificações realizadas nas DCTF dos trimestres 1' a 4' do exercício de 2001 e 1° e 2° do exercício de 2002, que retornaram à situação inicial das Declarações de Compensação feitas, porque quando interpôs este processo, ainda não realizara tais alterações. Neste particular refere-se aos débitos Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL (código 6773) no valor de R$ 4A30,38 competência de dezembro de 2002, Afirma a Contribuinte que quando solicitou a compensação em 30/04/2003, ainda não havia feito as retificações nas DCTF e DIPJs. Mas, após as retificações, este valor não está declarado em nenhuma das Declarações nem tão pouco foi utilizado para dedução da Contribuição Social (estimativas) de 2002, cujo valores diz demonstrar, conforme antes relatado. Pretende que alterar o saldo negativo da CSLL,para R$ 71.720,07, indicado na PERDCOMP 41,858.82046.220304,1,2.03 -2188, e na DIPJ retificada, o que levaria A certeza da inexistência do debito de R$ 4..130,38, indicado por erro. lo el0 10" Processo n" 13603.000993/2003-2.3 SI-CIT2 Acórdão r" 1102-00,274 Fl 6 Contudo, neste momento processual a matéria está preclusa, pois não foi impugnada e, portanto, não será conhecida. Além do que a pretensão decorre de ato praticado pela Contribuinte após interposição do seu pedido original, análise do mesmo e decisão de 10. grau, em função das informações e provas juntadas pela própria Recorrente. O Decreto 70235/1972 (PAF), quanto à instrução processual, determina: Ari. 14. A impugnação da exigência instaura a .fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os .documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que fbr feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: 1- a autoridade julgadora a quem é dirigida; 11 - a qualificação do impugnante; 111 - os. motivos de fato e de direito em que se fimdamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuiu; .§ 4" A prova docwnental será apresentada na iMpligna00, prectuindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de . força maior; b) rdira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Assim, por ocasião da impugnação a Contribuinte já sabia (ou deveria saber) que o valor da CSLL que apontou como devido decorria de erro. Como deixou de fazê-lo, deverá submeter sua inconformação no processo específico que tratará das exigências da CSLL e objeto de representação fiscal. Quanto à matéria sob exame, a Contribuinte, além das DCOMP inicialmente protocoladas através deste processo, interpôs outras (21), através do processo 13,603,000174/2005-48, que ante as incongruências apresentadas, o agente administrativo buscou a instrução necessária ao cumprimento do devido processo legal (como se vê no Termo de Solicitação de Esclarecimentos d.362/1006, 115,61/62, desse processo 13.603 .000174/2005-48,na seguinte ordem): Do procedimento de análise preliminar das Declarações de compensação-DCOMP protocoladas nesta DRF, em 31/01/200.5, e que compõem o processo administrativo n° 13603.000174/2005-48, ,foi constatada a necessidade da esclarecimentos adicionais. 0.) I Os ,s';' 2° a 4°, do art 76, da Instrução Normativa SRF a' 460, de 18 de outubro de 2004, previam as hipóteses de apresentação da declaração em formulário papel aprovado no capa! daquele artigo. Entretanto, a empresa não utilizou o (1 fOrmulário aprovado pela IN 460/2004, mas 21 (vinte e unia) cópias em papel do que seriam às DCOMP que tentara transmitir eletronicamente Por outro lado, todas as cópias .forain impressas como sendo refirentes à "página .1" das DCOMP, mas levam a entender a compensação conforme segue • • iLs cópias que compõem as . fblhas 11, 12, 13, 15 e 16 do process•o administrativo referem-se à compensação do débito do, IRRI/estimatim do PA. 12/2004 com o crédito do saldo negativo do IRP,1 apurado no exercício de 2003, no valor de R$ 98 616,37; b) O valor do saldo negativo informado na ficha "Crédito Saldo Negativo do IRPJ" da DCOMP (R$ 71 825,47), não coincide com o declarado na .DIPJ/2003 (R$ 159 747,85); c) As cópias que compõem as folhas 14, 17, 18 e 20 do processo, administrativo referem-se à compensação do débito da CSLL/e.stimativa do P.A. 12/2004 com o crédito do saldo negativo da CAL apurada no e.xercício de 2005, no valor de R$ 79 799,08,• d) Na DIRI/2005 fbi apurada CSLL a pagar (R$ 96.480,38), e não saldo, negativo de R$ 80.069,00, confbrine infOrmado ficha "Crédito Saldo Negativo da CSL1," da DCOMP; e) As cópias que compõem as folhas 19, 21, 22 e 23 do processo administrativo referem-se à compensação do débito do • IRPJ/estimatim do P A. 12/2004 co;;; o crédito do saldo negativo. do IRPJ apurado no exercício de 2003, no valor de R$ 5 586,39,• f) As cópias que compõem as folhas 24, 2,5 e 26 do processo administrativo referem-se à compens•ação do débito do IRPJ/estimativa do P.A. 12/2004 com o crédito do saldo negativo do IRPJ apurado no exercício de 2003, no valor de R$ 46.924,91, g) O valor do saldo negativo informado na ficha "Crédito Saldo ( Negativo do IR.P,I" da DC011/IP (R$ 34 176 92) não coincide com o ( declarado na DIPJ/2003 (R$ 159 747,85); 11) As cópias que compõem as folhas 27, 28, 29, 30 e 31 do processo administrativo referem-se à compensação dos débitos do IRPJ/estimatim e da CSLL/Estiniativa, do P.A 12/2004, nos valores de R$ 63.690,09 e 16 681,30, respectivamente, co;;; o crédito do saldo negativo do IRPJ apurado no exercício de 2005; i) Na D1PJ/2005 fbi apurado IRPJ a pagar (R$ 85.657,91), e não saldo negativo de R$ 87 740,40, confirme infbrinado ficha "Crédito Sahlo Negativo de IRPJ" da DCOMP, 12 1101 ....... Processo n" 13603.000993/2003-23 S1-CIT2 Acórdão n " 1102-00.274 Fl 7 j) Na DCTF relativa ao 4' trimestre/2004, os créditos vinculados aos débitos dos tributos acima i eferidos não se refèrem a estas DCOMP Ante o exposto, solicita-se que se esclareçam as possíveis divergências apontadas, no prazo de .5 (cinco) dias úteis, nos termos dos arts. 904, 911, 927, ido Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 ( ) A resposta se dá às fis.67, do mesmo processol 3..603.000174/2005-48, nos termos seguintes: Termo de Esclarecimentos n," 36.2/2006 Prezados Senhores, Delp Engenharia Mecânica Ltda, inscrita no CNP.I. sob o n.." 17.161 936/0001-0.5, com sede _À Rua flaeckel Ben Hur Salvador, 1.333— Centro Industrial de Contagem — Cinco - Contagem — MG, vem atender ao seu Termo de Solicitação n.' .36.21.2006 de 31/10/2006, encaminhando • • Declaração de Compensação (Retificadora processo 13603.000174/2005-48) • 11 Alteração Contratual e,. • Cópia do Recebido de entrega da Declaração compensação processo 4 13603.000174/200.5-48 . Às fls,88 há o termo de juntada desse processo ao de ri". 13..603.000993/2003-23, o que gerou a unificação da análise dos pedidos. Ou seja, neste processo estão sendo tratadas todas as DCOMP da Contribuinte interpostas através deste processos e daquele de n. 1360.3.000174/2005-48. Portanto, não procede a crítica da Recorrente de que os processos foram analisados sem considerar todos'os seus pedidos. Óbvio que a impulsão dos autos , no caso da compensação, se dá a pedido da Contribuinte. Mas, percebendo o administrador a conexão entre processos, os junta como se comprova neste caso„ Voltando a instrução deste processo (analisando-se o pedido contido nos dois processos a este juntado), às fis,76, há o "TERMO DE SOLICITAÇÃO DE ESCLARECIMENTO N".557/2007, na seguinte ordem: "Do procedimento de analise do pedido de restituição do saldo negativo do 1RPJ do exercício de .2003, protocolizado segundo o processo n° 13603.000174/2005- 48, verificou-se que a DCTF referente ao primeiro ti-unes-Ire/200.2 foi retificado em .22/08/2007, com alterações nas créditos vinculados aos débitos das estimativas apuradas nos meses de janeiro e fèveieiro/2002, conforme abaixo, Ante o exposto, solicitamos-lhe que no.s Mfirrmem quais os cr éditos que foram utilizados para vinca/ação aos débitos declarados (somente nos casos sem processo, pois tal 13 modalidade de compensação foi permitida até 30/09/2002, de acordo com o art 66, da Lei n° 8 383/91), nos termos doe arts 904, 911, 927, do Decreto n° 3 000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imlyosto de Renda - .RIR/99) Além disso, em análise da Declaração de Compensação - DCOMP n° 18021 35752 220304 1.3.02-2479, verificou-se que fOi transmitida DCOMP retificadora (n° 10481 01307 180105 L7 02-40180) e, posteriormente, o pedido de cancelamento n° 428/6.48454.270307.1.802-30610 Quanto á DCOMP retificadora, não poderia ser aceita porque acrescentava novos débitos, o que não era permitido pela IN SRE n° 460/2004, em vigor à época de sua transmissão (matéria atualmente regulada pela IMRE 600/2005) Entretanto,ao analisar a admissibilidade cio pedido de cancelamento, à luz dos arts 56 e 58, da IN SRE n° 600/2005, verificou-se que o debito de Colins (código 2172), do PA de maio/2002, no valor de R$ 24.000,00, declarado na DCCMP original, encontra-se parcialmente vinculado a outro crédito na respectiva DCTF. Assim, solicitamos-lhes que justifiquem, contestem, modifiquem ou complementem esses . fatos, apresentando os documentos que julga! em pertinentes ( Aqui, mais uma vez, a administração buscando a verdade material a fim de bem decidir e suprindo as falhas produzidas pela Contribuinte na instrução processual A resposta se encontra às fls,77/82, onde a Contribuinte aponta os processos, os créditos que supõe hábeis à compensação e os correspondentes débitos que deveriam sei. quitados através classes créditos. Da análise desses dados é gerada a representação fiscal de t1s 83, nos termos seguintes: Da análise de Declarações de Compensação do contribuinte acima (processo n° 13603.000993/2003-23), „fbi constatado possivel erro der vinca/ação de créditos ao débito da Cqfins declarado em DCTF, relativo a março/2002 (código de receita 2172), cordbrine segue. Além disso, em resposta à intimação e 559/20007, a contribuinte infirma, subsidiariamente, a referida compensação. Entretanto, o débito da Coibis de março/2002 não consta da relação de débitos controlados no processo n° 13603.000512/2002-07„ sendo que este aguarda julgamento no 1° Conselho de Contribuintes Seguem, em anexo, telas da DCTF cia março/2002 e do Profisc relativa ao processo citado, e cópias do Termo de Intimação n'„ 557/2007 e do anexo à resposta enviada pelo contribuinte. ) 14 0:111 . 0.0 Processo n" 13603.000993/2003-23 Si-CIT2 Acórdão n " 1102-00,274 Fl 8 OBS. Esta transcrição é apenas ilustrativa dos fatos ocorridos neste processo. Mas não tem vinculação para efeito do aqui decidida. Também transcrevo o despacho de fls. 90/95, o resumo perfeito dos incidentes verificados na fase inquisitória, que mostram o esforço da autoridade jurisdicionante, na busca da verdade material: Trata-se de pedido de restituição, no valor de R$ 26.132,8.5, referente ao .soldo negativo do Imposto de Renda Pessoa ...ha !dica do exercício de 2003, cwindado com declaração de compensação-DCOMP de débito de. CSLL, código de receita 677.3, no valor de R$ 4.130,38, confOrme documentos de fls. 01 a 03. Posteriormente, em 22.03.2004, foi transmitido o pedido de restituição eletrônico-PER 11° 32.5 2 1 . 69 2 3 4 220.304 12,02-2827, também de saldo negativo do IRPJ/2003, 170 valor de R$ 133.61.5,00, fls. 16/19. As fichas 09A, 11, 12A e 43, da DIP1/2003, ND 1191962, foram juntadas às jl.s.19/2.5, telas da última DCTF retificadora do primeiro trimestre/2002, transmitida em 2.2/08/2007, fls. 72/75; tela do extrato do processo a' 13603.000968/200.2-69,11s. 30/31, tela do SINAL 06 com todos os pagamentos de IRRI/Estimativa, código de receita 2362, do período de 01/02/2002 a 1.5/08/2007, fl. 32,' e telas da DIRF do ano-calendário de 2002, .11,s, 70/71 Além da DCOMP de .fls. 01/03, foram transmitidas as seguintes DCOMP eletrônicas Uls. 33/68): Além disso, a interessada tentou transmitir DCOMP eletrônica para compensar' débitos de 1RPJ e CSLL de dezembro/2004, não logrando êxito devido a problemas técnicos, conforme documentos de .fls. 01 a 31 do processo n° 13603,000174/200.5- 48 Após solicitação de esclarecimentos (fls. 61/62 daquele processo), a Declaração de Compensação . foi retificado de acordo com o documento de /7. 67 e a DCOMP de fls, 68 daquele mesmo processo Dessa ..forma, esse processo será tratado conjuntamente neste Despacho Decisório. A DCOMP a ser analisada ficou conforme segue.' Às fls. 81/85 do processo 13603.000174/200.5-48, foram juntadas as telas da DCTF cio trime,stre/2004, com os débitos ali compensados. A restituição do saldo negativo do imposto, apurado ao final do exercício, está prevista nos arts. 6 0, 1°-11 e 7 0, § 3° da Lei n° 9.430/96 Inicialmente, cabe aferir o saldo negativo do 1RPJ apurado pela interessada na linha 18 da ficha 12-A da DIF." do exercício de 5 2003, ano-calendário de 2002, pelo valor de RS 159.747,85, conforme documento defi. 24. Não tendo sido apurado imposto sobre o lucro real, o saldo negativo foi composto pela soma do imposto de renda retido na fonte (RS 26.132,00, linha 13) e do imposto pago por estimativa (R$ 133 615,00, linha 16) O imposto de renda retido na fonte foi confirmado, conforme documentos de fls. 70/71 Já os pagamentos por estimativa foram parcialmente confirmados, conforme segue: - O contribuinte declarou em DCTF (fls. 73 e 77/82) que a estimativa de janeiro/2002, no valor de R$ 28 798,87, teria sido quitada por compensação, sendo R$ 14 228,58 no processo n° 13603.000968/2002-69, e R$ 14.570,29 sem processo. Quanto a isso, observa-se que. a) Em resposta ao termo de solicitação de esclarecimentos n°557/2007, a interessada informa que a parcela de R$ 14.570,29 teria sido compensada no processo n° 13603 000993/2003-23 Mas, isto não poderia ser . feito, pois, a estimativa, para compor o saldo negativo há que ser previamente paga para, posteriormente, ser deduzida do imposto apurado ao final do exercício (/ 1' , do art. 25, da Lei a' 8.541/92). O contrário não é permitido Além disso, a DCOMP em que constava este débito (10481 01307.180105.1 7 02-4018) era uma retificador(' com novo débito e que .foi cancelada, juntamente com a original, através do pedido de cancelamento 42816.48454,270307,1 8 02-3061, conforme documentos de fls. 33/42 . 6 Quanto á parcela de R$ 14 228,58, foi confirmada a compensação, confirme se vê pelo extrato do processo n° 13601000968/2002-69, 11 30 b) A estimativa de .fevereiro/2002, no valor de RS 10.997,84, também foi declarada na DCTF como quitada por compensação sem processo (fl 74) Mas na resposta ao referido termo de solicitação de esclarecimentos (lis. 77/82) a interessada informou que a compensação constaria do processo n° 13603 000993/2003-23 Da mesma forma, isto não é possível, pois para compor o saldo negativo ao .final do exercício ela há que ser quitada antes, ou com outro crédito Não tendo sido paga, não há corno compor o saldo do qual ela . fará parle ao final do período (§1'., do art. 25, da Lei n° 8.541/92) Não .foi confirmada, portanto, a estimativa de fevereiro/2002. Ademais, não há, neste processo, registro de declaração de compensação em que conste tal débito c) Considerando que a .falta ou o recolhimento a menor das estimativas de janeiro e fevereiro sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada, nos termos do inciso IV, 1°, do art.44, da Lei n° 9.430/96 (atualmente inciso 11-6 do mesmo art.44), está sendo encaminhada representação à Seção de Fiscalização desta DRF para as providências a seu cargo. (1) Quanto á estimativa de março/2002, no valor de R$ 93 818,29, foi declarada em DCTF (I7 75) corno tendo .sido quitada da seguinte fOrma. •16 Mo)tfdo, _ _ Processo o" 13603 00099312003-23 S1-CIT2 Acórdão ." 1102-00,274 Fl 9 a R$ 8 582,.20, através de pagamento com Darf confirmado à fl 32, decai rente de pagamento no processo n' 13603.000968/2002-69. b. R$ 49. 014,69, através de compensação no In ocas o n° 13603.00096812002-69, confirmado às . fls. .30, e c. R$ 36..221,40 como .saldo a pagar. Em pesquisa no sistema SINAL 06 não fbi enconti ado o Daif correspondente. Parcela, portanto, não confirmada. Assim, o valor confirmado da estimativa, no exercício de 2003 fbi de R$ 71.8.2.5,47, a saber: Isto posto, o direito crediário, a titulo de saldo negativo do IRRI do exercício de 2003, passa a ser de RS 97 9.57,47, nas termos do art. .5° da IN SRF n° 600, de 200.5, e não R$ 159.747,8.5, conforme pleiteado, de acordo com o demonstrativo a seguir Relativamente às' declarações de compensação apresentadas, encontram amparo no art. 26 da IN SRF n° 600/200.5. Entretanto, o crédito a que faz jus a interessada não foi suficiente face aos débitos que intentara compensar, confbrine Demonstrativo Sintético de Compensação, de 89. Saliente-se que na DCOlt/IP n' 14791.79.2.32.240707 1.3.02-5204 a interessada deixou de indicar a multa de mora de?vida na fbrma do art. 28 da IN SRF n° 600/200.5. Isto posto, proponho, nos termos dos arts 41 e 47 da IN SRE n0600/2005. a) Reconhecer o direito crediário a favor da interessada, a titulo de ,saldo negativo do IRR1 do evercício de 200.3, no valor de RS 97.9.57,47; • b) homologar a compensação protocolada em 30%04/200.3, nos autos do processo n° 13603.000993/2003-2.3 c) homologar a DCOMP retilicadom do processo 13603.0001741200.5-48, protocolada em 16/11/2006; e d) homologar parcialmente a DCOMP n' 14791 79232,240707.1..3 0.2-5204, pelo valor de RS 33.800,77, sendo R$ 16.019,33 referente ao principal, R$ .3.203,86 de multa de mora, e R$ 14.577,,58 de juros de mora Como se vê, da matéria remanescente do litígio, a Recorrente se restringiu a referir-se apenas a PER/DECOMP protocolada em 2.3/07/2007, 21584,97308,230707,1.3,11- 4724, fis.139, (protocolada 5 anos após o primeiro pedido e não justificada nos pedidos de esclarecimentos formulados ao longo de toda instrução processual como acima reproduzido) Desta feita a origem dos créditos não é mais o saldo negativo do IRPJ 2002 e sim supostos créditos de Cofins não cumulativos, o que mostra que o objeto de pedir é outro e não se contém no âmbito deste processo, Além do mais a INSRF 600/2005, não agasalha o procedimento pretendido pela Contribuinte, como se vê da leitura do artigo 26, § 3°„,IV, a seguir reproduzido: Art. 26. O sujeito passivo que apin ar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo -,7*h 17 /4 a tributo ou contribuição administrados pela SRF', passivel de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRP. ( ) ,;• 3" Não poderão ser oketo de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração rdbrida no § 1". ( ) IV - o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, Nesta ordem de juízos, NEGO provimento ao recurso. ril P , I/ve17-4 a agiu-d.-Posse Monteiro 18 --
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001850/2008-74
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário cuja totalidade das alegações nele aviadas inovam o Processo Administrativo Fiscal.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. O Conselheiro Relator, acompanhado dos Conselheiros André Luiz Mársico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi, não conheceram do recurso pela preclusão. Os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leo Meirelles do Amaral acompanharam pelas conclusões porque conheceram do recurso.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Ausência momentânea: Bianca Delgado Pinheiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 215 1 214 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.001850/200874 Recurso nº 002.528 Voluntário Acórdão nº 2302002.528 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP Recorrente ISOTRAFO COMERCIAL DE ISOLADORES E TRANSFORMADORES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário cuja totalidade das alegações nele aviadas inovam o Processo Administrativo Fiscal. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. O Conselheiro Relator, acompanhado dos Conselheiros André Luiz Mársico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi, não conheceram do recurso pela preclusão. Os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leo Meirelles do Amaral acompanharam pelas conclusões porque conheceram do recurso. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 18 50 /2 00 8- 74 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Bianca Delgado Pinheiro. Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2008 Data da lavratura do AIOP: 25/06/2008. Data da Ciência do AIOP: 25/06/2008 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Ribeirão Preto/SP que julgou improcedentes as impugnações oferecidas pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.129.2840, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados constantes nas folhas de pagamento e em GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 58/60. De acordo com Relatório Fiscal, os elementos examinados no decorrer da ação fiscal que forneceram os fatos geradores para a elaboração do presente levantamento de débito foram as folhas de pagamento de salários, livros de registro de empregados, rescisões contratuais, recibos de férias, livros caixa, GFIP, GPS, e demais elementos subsidiários fornecidos á fiscalização pela própria empresa. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 80/86. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada n o Acórdão a fls. 180/196, julgando procedente o lançamento em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Devidamente cientificado da decisão de 1ª Instância, conforme, conforme Aviso de Recebimento a fl. 204, o Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 206/210, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o empregador está obrigado a incluir no valor total das remunerações pagas a seus servidores importâncias referentes a situações em que não ocorrem a respectiva prestação de serviços, como as importâncias pagas nos 15 primeiros dias de afastamento do doente (auxíliodoença) ou acidentado (auxílioacidente), valores pagos a título de saláriomaternidade e importâncias pagas a título de férias e adicional de férias (1/3). Ao fim, requer a exclusão das rubricas referentes aos pagamentos de auxílio doença, auxílioacidente, férias e adicional de férias, e auxilio maternidade. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10865.001850/200874 Acórdão n.º 2302002.528 S2C3T2 Fl. 216 3 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo apresentou, dentro do prazo regulamentar, recurso ao Segundo Conselho de Contribuintes, sob protocolo auxiliar 956/08, em 14/11/2008, na Agência da Receita Federal do Brasil em MogiGuaçu, conforme atesta documento a fl. 214. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Afirma o Recorrente que o empregador está obrigado a incluir no valor total das remunerações pagas a seus servidores importâncias referentes a situações em que não ocorrem a respectiva prestação de serviços, como as importâncias pagas nos 15 primeiros dias de afastamento do doente (auxíliodoença) ou acidentado (auxílioacidente), valores pagos a título de saláriomaternidade e importâncias pagas a título de férias e adicional de férias (1/3). Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, Fl. 218DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10865.001850/200874 Acórdão n.º 2302002.528 S2C3T2 Fl. 217 5 a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas no primeiro parágrafo deste tópico, além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado, em virtude da preclusão. Inexistindo no Instrumento de Recurso Voluntário qualquer outro argumento de defesa que tenha sido ofertado à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário em razão da Preclusão, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso voluntário em razão da PRECLUSÃO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Relator Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10215.001039/90-30
Data da sessão: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL - FATURAMENTO - DECORRÊNCIA- Tratando-se de lançamento
reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se projeta no julgamento do processo decorrente recomendando o mesmo tratamento, dada a intima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 102-30.058
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Waldevan Alves de Oliveira
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F. CHAVES & CIA. LTDA RECORRIDA : DRF - SANTARÉM - PA FINS OCIAL FATURAMEN TO - DECORRÊNCIA- Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se projeta no julgamento do processo decorrente recomendando o mesmo tratamento, dada a intima relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por F. F. CHAVES & CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, emeenee. I de 1995 4101111") ARLOS EMANI .•.' - - PRESIDENTE W • DEVA, OLIVEIRA - RELATOR VISTO EM LOLTR 7_77.7. O NUNES ROCHA - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: NACIONAL 2 g,' ekhu Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Ursula Hansen, Maria Clélia de Andrade Figueiredo, Júlio César Gomes da Silva, José Clóvis Alves e José Carlos Passuello. MINISTÉRIO DA FAZENDA 02 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10215/001.039/90-30 RECURSO N°: 80.846 ACÓRDÃO N°: 102-30.058 RECORRENTE: F.F. CHAVES & CIA. LTDA RELATÓRIO F.F. CHAVES & CIA. LTDA., empresa sediada na cidade de Santarém, Estado do Pará, na guarda do prazo legal, recorre a este Conselho do ato do titular da DRF daquela cidade, que, indeferindo sua impugnação, manteve lançamento suplementar em sua declaração de rendimentos apresentada para Os exercício de 1.988, ensejando a cobrança do imposto no valor correspondente a :141,86 BTN, acrescido da multa de 50% e demais encargos legais. Iniciou-se o procedimento em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a Pessoa Jurídica, processo matriz,culminando com a lavratura do auto de infração de fls. 02, de onde se transcreve: "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL - Contribuição do Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL devida sobre a receita bruta, tal como definida no artigo 179 do RIR/80, aprovado pelo Decreto N° 85.450/80, recolhido com insuficiência no período fiscalizado. ANEXOS: Demonstrativos de cálculo do FINSOCIAL e dos acréscimos legais respectivos ; que são partes integrantes deste Auto de Infração." Notificado do lançamento, a empresa apresentou impugnação tempestiva às fls. 13/16 repeSentada por cópia das razões oferecidas no processo principal o que vincula o julgamento deste processo ao que vier a ser decidido no processso principal. A decisão da autoridade julgadora de primeira instância foi proferida às fls. 22/23, indeferindo a impugnação apresentada pelo contribuinte, cujos fundamentos se acham sintetizados na seguinte ementa: • MINISTÉRIO DA FAZENDA 03 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO RI' 10215/001.039/90-30 Acórdão N° 102-30.058 "FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL - FINSOCIAL - A decisão proferida no processo matriz, faz coisa julgada, no mesmo grau de jurisdição administrativa, nos processos decorrentes ou reflexos, em razão de terem causa comum." Não se conformando com a decisão retro, a empresa interpôs recurso a este Conselho às fls. 26/29, cujas razôes são lidas na íntegra em sessão. É o relatório '.\ MINISTÉRIO DA FAZENDA 04 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10215/001.039/90-30 Acórdão N° 102-30.058 VOTO Conselheiro Waldevan Alves de Oliveira, Relatar: A matéria submetida ao julgamento desta Câmara decorre de lançamento ex-officio levado a efeito contra a pessoa jurídica relativamente a imposto de renda., resultando daí o lançamento decorrente nos termos do auto de infração de fls. 02. Trata-se, portanto, de lançamento reflexivo, do conhecimento da. recorrente revelado na peça impugnatória e bem assim em seu recurso onde insiste na vinculação deste processo ao julgamento do processo matriz. Ocorre, todavia, que o recurso interposto pela pessoa jurídica foi objeto de julgamento por esta Câmara em sessão realizada em 26 de março de 1990, que, por unanimidade de votos negou-lhe provimento, consoante faz certo o acórdão 102-27.945. Destarte, em se tratando de lançamento decorrente, a decisão proferida nos autos do processo principal se projeta neste processo recomendando o mesmo tratamento dada a intima relação de causa e efeito. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Brasília - DF 07 \d 'ulho de 1995 WALDEVAN L DE OLIVEIRA - RELATOR -"""888188111.11 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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