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Numero do processo: 10680.932873/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo.
No caso, a simples utilização da data do pagamento indevido como data do fato gerador na ementa, e a indicação do crédito utilizado no lugar do pagamento indevido integral no início do relatório não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, pois o restante do relatório e voto indica a data e os valores corretos.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, a simples utilização da data do pagamento indevido como data do fato gerador na ementa, e a indicação do crédito utilizado no lugar do pagamento indevido integral no início do relatório não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, pois o restante do relatório e voto indica a data e os valores corretos. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 28 73 /2 00 9- 71 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932873/200971 Acórdão n.º 1102001.050 S1C1T2 Fl. 159 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarouse impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos de IRPJ de março e junho de 2008 e de CSLL de junho de 2008, acrescidos de juros e multa, com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de junho de 2005 no valor de R$ 7.709.507,54, por meio do PER/DCOMP de fls. 47 a 52, enviado em 4/8/2008. O despacho decisório eletrônico de fl. 32, emitido em 7/10/2009, não homologou a compensação alegando “improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A decisão se fundamentou nos arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ( CTN), no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932873/200971 Acórdão n.º 1102001.050 S1C1T2 Fl. 160 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 10), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 70 a 71): 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 Informa que apurou o IRPJEstimativa Mensal no mês de junho/2005 no montante de R$ 17.459.137,43, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do IRPJ (estimativa mensal) para o período, “apurando uma nova estimativa de IRPJ no valor R$9.749.629,89. (...) o que acabou por gerar o recolhimento indevido de parte do montante anteriormente recolhido no valor de R$ 7.709.507,54”.(grifo e negrito do original) 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei nº 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que “a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5 Em outra linha argumentativa, o manifestante “requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN”. Destaca ainda que “na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932873/200971 Acórdão n.º 1102001.050 S1C1T2 Fl. 161 4 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 68 a 82): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de nulidade do despacho decisório por não se verificar hipótese prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), pois a decisão foi prolatada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e o contribuinte tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente; b) as estimativas de IRPJ e de CSLL se constituem em meras antecipações de um tributo que somente será apurado no final do anocalendário. Assim sendo, qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do tributo e traduzse no saldo negativo de IRPJ ou CSLL; c) as estimativas são apuradas, regra geral, pela aplicação de determinado percentual (variável em função da origem da receita auferida) sobre a receita bruta, mas podem ser reduzidas ou suspensas com o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932873/200971 Acórdão n.º 1102001.050 S1C1T2 Fl. 162 5 Contudo, essa apuração deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da IN SRF nº 93, de 1997); d) no caso, na data do vencimento da estimativa mensal, o contribuinte em questão apurou uma quantia a pagar, sendo esse o valor devido. Se, ao alterar o Balanço/Balancete do mês, o sujeito passivo encontrou um valor menor que o já efetivamente recolhido, a diferença somente poderia ser deduzida do tributo apurado quando do levantamento de balanços/balancetes em períodos posteriores (como tributo já antecipado) ou quando da apuração definitiva do tributo devido, no final do período, compondo o saldo negativo (art. 10 da IN SRF nº 93, de 1997); e) nos termos do art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer se expressamente autorizada por lei, e mediante condições e garantias expressamente estipuladas, na hipótese inequívoca de créditos líquidos e certos. O dispositivo legal que autoriza a compensação tributária reportase à Lei nº 9.430, de 1996, que só permite a restituição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL; f) a compensação de estimativas era expressamente proibida pelo art. 10 da IN SRF nº 460, de 2004, e pelo art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. A alteração do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, ao excluir a expressão “efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal”, não revogou a proibição, que decorre da própria lei, mas apenas passou a cuidar da hipótese de retenção indevida ou a maior; g) a jurisprudência administrativa favorável à tese da defesa tem eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas; h) inexiste previsão legal para preservar o direito à restituição, caso o contribuinte não tenha sucesso na compensação pleiteada neste processo; i) o direito de contestação na esfera judicial é garantido pela Constituição Federal. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 29/3/2010 (fl. 83), o contribuinte apresentou, em 27/4/2010, o recurso voluntário de fls. 90 a 102, onde afirma que: a) a decisão recorrida é nula porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 29/07/2005, enquanto o próprio Fisco, no Despacho Decisório 848544502, reconhece que o período de apuração é 30/06/2005; e (ii) no Relatório do Acórdão, o Fisco fez constar que “tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso “Pagamento Indevido/a Maior” no valor de R$ 5.533.639,72”, ao invés de consignar o valor correto do pagamento indevido/a maior, no montante de R$ 7.709.507,54; b) descabida foi a rejeição de nulidade do acórdão recorrido, pois, na impugnação, não se pleiteou qualquer nulidade do despacho decisório; c) nos arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não há qualquer restrição à compensação de estimativas, que só existe no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Contudo, essa Fl. 162DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932873/200971 Acórdão n.º 1102001.050 S1C1T2 Fl. 163 6 indevida restrição foi revogada pela Instrução Normativa n° 900, de 2008, que demonstra a mudança de entendimento da própria RFB com relação ao tema; d) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução para apurar o IR deve ser efetuado até a data de vencimento do imposto, pois o contribuinte pode fazer os ajustes na sua apuração mesmo após o encerramento do exercício do IRPJ, desde que dentro do prazo legal. No caso, verificou, após a entrega da sua DIPJ, que tinha deixado de fazer exclusões. Assim, verificado o erro posteriormente refez a apuração de IRPJ/CSLL mensal de junho de 2005 e retificou a DIPJ 2006 (anobase 2005). Nesse caso, o direito à restituição surge após constatado o erro; e) caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação, alternativamente, requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e o presente recurso, tempestivamente apresentados, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN; f) caso seu direito não seja reconhecido, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do CTN. Ao final, requer a anulação da decisão recorrida ou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação da compensação. Em 27/1/2013, o contribuinte apresentou o documento de fls. 154 a 156, onde destaca a aprovação da Súmula CARF nº 84, alegando que ela pacificou o entendimento de que o recolhimento de tributo, pelo regime de estimativa, é passível de compensação ou restituição quando constatado o pagamento indevido ou a maior. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em novembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 157. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de junho de 2005, por não se admitir a restituição de estimativa, que só poderia compor o saldo negativo do final do anocalendário. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932873/200971 Acórdão n.º 1102001.050 S1C1T2 Fl. 164 7 Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 29/07/2005, enquanto o correto é 30/06/2005; e (ii) no início do seu relatório, consta que o pagamento indevido/a maior é de R$ 5.533.639,72, quando o valor correto é R$ 7.709.507,54. De fato, na ementa da decisão recorrida, consta, como data do fato gerador, a data em que foi efetuado o pagamento indevido (29/07/2005– DARF fl. 35), quando o correto seria 30/06/2005, por se tratar da estimativa de junho de 2005. Contudo, o restante da decisão descreve corretamente qual o crédito em discussão, tratandose de simples erro na confecção da ementa. Já a indicação, no início do relatório do acórdão de 1a instância, do valor de R$ 5.533.639,72 como pagamento indevido é facilmente compreendida com a simples observação do conteúdo da tabela constante do item 2 do relatório, que classifica esse valor como o crédito utilizado na compensação. Logo abaixo, nos itens 5.2 e 5.2.1, os valores do pagamento original e da parte recolhida a maior estão descritos. Assim, apesar das incorreções apontadas existirem, elas não trazem qualquer nulidade à decisão recorrida, tratandose de simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos que, se necessário, poderiam ser sanadas de ofício pela autoridade competente. Contudo, nem mesmo essa providência é necessária, pois o conjunto do julgado deixa claro qual é o período a qual se refere o direito creditório, bem como qual o seu valor, não existindo qualquer prejuízo para o sujeito passivo, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. No mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese da defesa, entendendo ser possível a restituição de estimativas pagas a maior, deixando vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência. Já a tese de que a vedação à restituição das estimativas decorria da própria Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não é nem mesmo admitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, entendeu que art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admitiu a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e era preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O item 10.3 da Solução de Consulta é taxativo ao afirmar que a Lei nº 9.430, de 1996, se refere apenas às estimativas recolhidas de acordo com a legislação. Transcrevo: 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932873/200971 Acórdão n.º 1102001.050 S1C1T2 Fl. 165 8 O mesmo ato normativo sepulta o argumento de que a constatação do erro no cálculo da estimativa somente poderia se dar até a data de vencimento do imposto, afirmando que isso pode ocorrer mesmo após o encerramento do ano calendário, como demonstra o trecho abaixo transcrito: 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, a simples alteração de interpretação da Administração Tributária já obrigaria o provimento do recurso, pois não é razoável entender que o sujeito passivo possa receber menos, em sede de recurso administrativo, do que aquilo que a própria autoridade fiscal já reconhece para os demais contribuintes, dado que as soluções de consulta da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) têm efeito vinculante no âmbito da RFB, sendo que o ordenamento veda esse comportamento contraditório (venire contra factum proprium). Contudo, desde a publicação da Súmula CARF nº 84, que fixou que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de junho de 2005, se o valor pago a maior não foi apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932873/200971 Acórdão n.º 1102001.050 S1C1T2 Fl. 166 9 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
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Numero do processo: 10380.915584/2009-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação de que indica como crédito o saldo credor de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no 4º trimestre de 2006 (fl. 2/47). A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE indeferiu a solicitação, por meio do Despacho Decisório Eletrônico (fl. 48), pelo seguinte fundamento: O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 15 58 4/ 20 09 -9 2 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.915584/200992 Resolução nº 3403000.559 S3C4T3 Fl. 176 2 Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 51/77) explicando que a suposta falta de saldo credor suficiente para a compensação teria decorrido do surgimento de débitos em decorrência de procedimento fiscal, no qual a Fiscalização entendera pela existência de erro na classificação fiscal em parte dos produtos fabricados pelo contribuinte. Alega o contribuinte que o Despacho Decisório seria conseqüência de informação fiscal que teria concluído o seguinte: "A empresa fabrica placas e fitas de mica, que são vendidas para outras indústrias e se destinam a promover o isolamento elétrico de geradores, motores e equipamentos elétricos em geral. O estabelecimento tem adotado a classificação fiscal 6814.10.00 para os produtos PAPEL DE MICA CALCINADO. PAPEL DE MICA NÃO CALCINADO FITA A BASE DE MICA SISAPOR. FITA A BASE DE MICA SISAFLEX E SISATERM, PLACA COLETORA A BASE DE MICA e PLACA DE CALEFAÇÃO A BASE DE MICA, em desacordo com a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM/SH). no entendimento da fiscalização desta DRF'/FORTALEZA, resultando em recolhimento de IPI menor que o efetivamente devido. Em função da adoção de classificação fiscal errada em parte de seus produtos, a empresa foi autuada no período compreendido entre janeiro de 2006 e dezembro de 2008, tendo sido apurados os débitos listados na planilha de recomposição da escrita fiscal em anexo, que é parte integrante do Auto de Infração protocolizado através do processo digital nº 10380.720904/201061." O contribuinte sustenta a correção da classificação fiscal que adotou e pede, ao final, o reconhecimento do seu direito de crédito pela integralidade do que pleiteou. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA (DRJ), por meio do Acórdão nº 0123.578, de 22 de novembro de 2011 (fls. 94/97), julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme o seguinte entendimento resumido na sua ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 176DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.915584/200992 Resolução nº 3403000.559 S3C4T3 Fl. 177 3 Direito Creditório Não Reconhecido O inteiro teor do voto condutor do acórdão da DRJ, em relação ao mérito, foi o seguinte: Primeiramente, esclareçase que o julgamento do presente processo depende da decisão do processo digital de nº 10380.720904/201061. Como se pode observar pela informação fiscal, não houve glosa de valores referentes ao crédito de insumos. Ora, constatouse que o valor de crédito reconhecido é inferior ao crédito solicitado, em razão de débitos apurados mediante auto de infração constante do processo acima mencionado, o qual foi contestado pela empresa com a apresentação de impugnação tempestiva. As razões aduzidas pela interessada, em sua defesa, foram devidamente analisadas e julgadas pela 3ª Turma da DRJ/Belém, que considerou improcedente a citada impugnação, mantendo o lançamento do Imposto, conforme Acórdão nº 0123.577, de 22.11.2011. Registrese que a controvérsia, dirimida pelo Acórdão acima, se estabeleceu em relação a classificação fiscal. Segundo o entendimento do Auditor responsável pela autuação, o estabelecimento adotou a posição 6814.10.00 para os produtos PAPEL DE MICA CALCINADO, PAPEL DE MICA NÃO CALCINADO, FITA A BASE DE MICA SISAPOR, FITA A BASE DE MICA SISAFLEX E SISATERM, PLACA COLETORA A BASE DE MICA e PLACA DE CALEFAÇÃO A BASE DE MICA, em desacordo com a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM/SH), resultando em recolhimento de IPI menor que o efetivamente devido. A contribuinte, em sua manifestação, não alude a outros argumentos ao presente processo, limitandose a defenderse dos débitos que lhe foram imputados em conseqüência de classificação de bens por ela produzidos. Assim, não há reparos a fazer no Despacho Decisório. Conclusão Dessa forma, considerando a relação de dependência existente entre os julgados, votase pela improcedência da manifestação de inconformidade. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 102/164) reiterando os mesmos fundamentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 8/5/2012 (fl. 102), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 13/4/2012 (fl. 98). Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma contra o acórdão da DRJ, conheço do recurso. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.915584/200992 Resolução nº 3403000.559 S3C4T3 Fl. 178 4 Verificase que a determinação do valor do saldo credor de IPI – da qual dependerá a conclusão quanto à suficiência de créditos para serem compensados com os débitos indicados pelo contribuinte na DCOMP discutida neste caso – dependerá do desfecho da discussão quanto à classificação fiscal, cujo procedimento de fiscalização se originou no Processo Administrativo nº 10380.720904/201061, no qual ocorreu o lançamento fiscal. Isto, pelo menos, é o que se extrai do consenso entre o contribuinte e o julgador da DRJ, visto que, concretamente, não verifico nos autos qualquer documento que vincule o Despacho Decisório ao referido fundamento específico de erro de classificação fiscal. Mais: não verifico nestes autos nem mesmo a cópia da “informação fiscal” cujo teor é citado pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, muito menos dos documentos e da fundamentação completa que levou a Fiscalização a concluir pelo erro na classificação. Diante deste contexto da instrução do presente processo, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem a) verifique se o PA nº 10380.720904/201061 de fato envolve a fiscalização e a discussão a respeito do erro de classificação fiscal e se de fato repercute em relação ao presente pedido de compensação, bem como, certifique se a integralidade dos valores glosados decorre exclusivamente desta glosa; e b) em caso afirmativo, que apenas depois do julgamento final do PA nº 10380.720904/201061 (quando já não houver recurso administrativo cabível), seja juntada cópia integral daqueles autos ao presente processo, devolvendose o presente processo para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 178DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 15586.000937/2008-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/11/2004
PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA
Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea a da Lei n. 8.212/91, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço.
É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2004 a 30/11/2004 PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea a da Lei n. 8.212/91, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n. 8.212/91, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 37 /2 00 8- 84 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000937/200884 Acórdão n.º 2403002.616 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD – DEBCAD 37.156.0616, cuja notificação ocorreu em 04/07/2008, fl. 03, lavrado em face de PRORIBEIRO ADMINISTRAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DE COMERCIO LTDA, no valor de R$ 51.963,52 (cinqüenta e um mil novecentos e sessenta e três reais e cinqüenta e dois centavos). Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 39/47, estáse lançado a contribuição parte Empresa, bem como aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho – RAT, não declaradas em GFIP. A base de cálculo é decorrente dos valores pagos a título de premiação (INCENTIVE HOUSE – FLEX CARD), durante o período de 05/2004 a 11/2004, conforme contrato e notas fiscais nas fls. 179/209. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 223/255. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, em análise à impugnação ofertada, prolatou o Acórdão de fls. 483/495, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/11/2004 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA JURÍDICA DAS PARCELAS. COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A competência da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previdenciárias, limitase às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo homologado, que integrem o saláriodecontribuição, não englobando os casos extrajudiciais, em que se afigura indiscutível a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FLEXCARD. Pagamento realizado a Segurados empregados e contribuintes individuais em contraprestação a serviços prestados, por Fl. 540DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 intermédio de cartão eletrônico, é fato gerador de contribuição previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 498/517, requerendo a reforma do acórdão e a nulidade do DEBCAD em discussão, afirmando para tanto que compete à Justiça do Trabalho definir como remuneratória ou não a premiação, reiterando em sede de mérito a natureza indenizatória da verba. É o relatório. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000937/200884 Acórdão n.º 2403002.616 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 497 e 498, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA COMPETÊNCIA DA RFB Primeiramente cumpre salientar que a competência da Justiça do Trabalho, definida no art. 114 da Constituição Federal é voltada para os dissídios decorrentes das relações de trabalho não sendo competente para realizar o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias extrajudicialmente, conforme se extrai da súmula n. 386 do TST. Os artigos 2º e 3º da Lei n. 11.457/2007 determinam a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a qual ampara o exercício da autoridade fiscal autuante do procedimento em questão nos presentes autos, não havendo que se falar em ato eivado de vício de competência. DO PRÊMIO DE INCENTIVO A base de cálculo das contribuições previdenciárias está contida no art. 28, da Lei n. 8.212/91, ou seja, o salário de contribuição, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa Observase que a definição de salário de contribuição tanto para o empregado quanto para o contribuinte individual é ampla, não importando, via de regra, a forma e a que título foi paga, devida ou creditada, se de maneira direta ou indireta, pelo empregador ou terceiro interessado no pagamento ou não, a titulo de premiação/bonificação ou não. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 No entanto há exceções contidas no §9, do mesmo artigo. Elas compreendem quatro grupos principais: a) pagamentos com caráter indenizatório; b) ressarcimentos de despesas; c) ferramentas de trabalho; e d) retribuições provenientes de terceiros. A parcela a título de prêmio, da forma pela qual foi paga in casu, não se encaixa em qualquer das modalidades de exceção elencadas na norma supracitada. Afora isso, a matéria já foi objeto de diversos julgamentos anteriores por este conselho, conforme se verifica dos acórdãos: 230101.625 — 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, 19 de agosto de 2010, 280300.163 — 3ª Turma Especial, 09 de julho de 2010, 230101.878 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 15 de março de 2011, 2401001.796 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 14 de abril de 2011 e 230102.065 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 12 de maio de 2011. Segue abaixo um dos arestos informados para ilustrar o entendimento do colegiado: REMUNERAÇÃO INDIRETA. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CARTÃO PRÊMIO. Valores pagos indiretamente a empregados e contribuintes individuais por intermédio de prêmio/plano de incentivo são considerados salários de contribuições para a Previdência Social, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei n " 8,212/91. O pagamento de prêmio/plano de incentivo ao empregado por empresas que não se revistam da qualidade de empregador, mas com o consentimento deste, aproveitando a relação de emprego e as oportunidades dai advindas, integra o salário de contribuição. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEGALMENTE CONSTITUÍDO. ART. 142 DO CTN. Crédito tributário deve estar revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts, 97 e 114, todos do CIN. A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. (Acórdão 280300.163 — 3ª Turma Especial, 09 de julho de 2010) Quanto à alegação de que a parcela não é destinada à contraprestação ao trabalho, também não merece guarida uma vez que se trata de remuneração indireta pois sabendo o funcionário de que caso alcance aquela meta que faz parte de suas atividades laborativas, será credor daquela parcela. O objeto já foi discutido inclusive pelo Superior Fl. 543DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000937/200884 Acórdão n.º 2403002.616 S2C4T3 Fl. 5 7 Tribunal de Justiça, conforme: PET 6243/SP, Eliana Calmon, REsp 863.244/SP, Min Luiz Fux e REsp 735.866/PE, Min. Teori Albino Zavascki. Por tal razão, improcedentes as alegações do contribuinte. DAS MULTAS APLICADAS No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, Fl. 544DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000937/200884 Acórdão n.º 2403002.616 S2C4T3 Fl. 6 9 CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720088/2010-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Nos termos da Súmula 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA
Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale-Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição.
ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF
O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho.
Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais.
RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS SÓCIOS.
Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ.
A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN.
Numero da decisão: 2302-002.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao vale-transporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União - AGU, de 08/12/2011 e pela aplicabilidade da Súmula n.º 88 do CARF. A relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa, sem permitir discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Andre Luis Marsico Lombardi, Fabio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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Nos termos da Súmula 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais. RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS SÓCIOS. Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 00 88 /2 01 0- 27 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2302002.663 S2C3T2 Fl. 3 2 A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União AGU, de 08/12/2011 e pela aplicabilidade da Súmula n.º 88 do CARF. A relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa, sem permitir discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Andre Luis Marsico Lombardi, Fabio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória nº 37.213.9949, lavrado em 08/01/2010, em face de Capital Administradora de Crédito e Cobrança S/S, no valor R$ 427,45 (quatrocentos e vinte sete reais e quarenta e cinco centavos), referente à multa por ter o contribuinte apresentado a GFIP relativa à competência de 08/2007 com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, assim, o art. 32, IV, da Lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, e parágrafo 4º, do Decreto 3.048/99 – RPS. Segundo o Relatório Fiscal, houve uma constatação de desvirtuamento do compromisso de estágio e a caracterização, como segurados empregados, de pessoas tidas como estagiários. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2302002.663 S2C3T2 Fl. 4 3 Ainda, a penalidade aplicada foi a prevista no art. 32, parágrafo 5º, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97, c/c arts. 284, II, e 373 do RPS. Ciente da autuação, o contribuinte e o sócio da empresa tido como responsável solidário apresentaram impugnações, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), entendido pela parcial procedência, apenas para retificar a multa aplicada, conforme ementa abaixo colacionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA. A multa foi lançada nos estritos limites previstos em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento examinar a solidariedade passiva pelos tributos exigidos do contribuinte CÁLCULO DA MULTA NA HIPÓTESE DE OMISSÃO DE FATOS GERADORES CUMULADA COM FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. RETIFICAÇÃO DO VALOR LANÇADO. Na hipótese de omissão de fatos geradores em GFIP cumulada com a falta de pagamento do tributo devido, o cálculo comparativo para apuração da multa mais benéfica ao contribuinte é ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, devendo o valor lançado a maior ser excluído dos autos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 240DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2302002.663 S2C3T2 Fl. 5 4 Irresignado o contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: a) O Auto de Infração é formalmente nulo, uma vez que não preenche os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, tendo sido lavrado na repartição tributária, sem que houvesse verificação in loco; b) Inexiste obrigação acessória exigível da Recorrente, uma vez que os fatos omissos não caracterizam fatos geradores de contribuições previdenciárias. c) A dosimetria da multa aplicada extrapola os parâmetros razoáveis admitidos pelo ordenamento jurídico brasileiro, adquirindo caráter de confisco; d) Inexiste responsabilidade do sócio da Recorrente, uma vez que não restou caracterizada qualquer das situações previstas no art. 135 do CTN, devendo ser excluído do pólo passivo do Auto de Infração, para em respeito a seus direitos e garantias fundamentais. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Da suposta nulidade formal do Auto de Infração Não se verifica, ainda, qualquer nulidade formal no Auto de Infração em exame, uma vez que, no que diz respeito ao local de sua lavratura, plenamente aplicável a Súmula nº 6 deste Conselho, que reza: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Preclusão sobre matérias não impugnadas O Auto de Infração em exame se refere à multa por ter o contribuinte apresentado a GFIP relativa à competência de 08/2007 com omissão de fatos geradores de Fl. 241DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2302002.663 S2C3T2 Fl. 6 5 contribuições previdenciárias, infringindo, assim, o art. 32, IV, da Lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, e parágrafo 4º, do Decreto 3.048/99 – RPS. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que se limita a afirmar que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da Remuneração em Forma de Vale Transporte Aqui, o cerne da questão consiste na legalidade ou não dos valores pagos a titulo de “vale transporte” integrarem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ressaltese, desde já, que restou comprovado pela fiscalização que as parcelas que receberam o nome de “vale transporte” eram pagas em dinheiro. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2302002.663 S2C3T2 Fl. 7 6 No meu sentir, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois, destinada ao ressarcimento das quantias pagas em razão do transporte dos empregados, pois foi assim que a norma que criou o benefício deixou consignado. A Lei n.º8.212/91 tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. É dizer, não se pode admitir que a simples forma de pagamento possa descaracterize ou alterar a natureza jurídica do vale transporte. Até porque, o fato de o empregador descontar parcela inferior ao exigido pelo Decreto regulamentador do benefício não agride o instituto, que continua mantendo a sua destinação específica, qual seja, a de ajudar no custeio do transporte dos empregados. De mais a mais, o fornecimento do transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do mesmo. Ora, tal ordem de raciocínio é mais do que suficiente para afastar a legitimidade do lançamento efetivado, pois quando o benefício é ofertado para a execução do trabalho, o mesmo não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido, até mesmo nos casos em que o benefício é pago em espécie, o entendimento asseverado pelo Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, ratifica o acima exposto quando reconheceu a validade da antecipação em dinheiro do valetransporte, acordado coletivamente, consoante se observa da ementa a seguir reproduzida: “ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PREVISÃO DE ANTECIPAÇÃO DO VALETRANSPORTE E REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO – VALIDADE. ‘Acordo coletivo – Validade – Antecipação do valetransporte em janeiro. Ao vedar a antecipação em dinheiro do valetransporte o decreto regulamentador extrapolou os limites da lei instituidora do benefício. Válido o ajuste coletivo que prevê a antecipação em dinheiro do vale transporte e a redução do percentual de participação do trabalhador.” (Ac da SDC do TST – Ação Anulatória 366.360/97. 4 – Rel. Min. Fernando Eizo Ono – j. 1º.06.98 – Autor: Ministério Público do Trabalho; Réus: Federação Nacional dos Bancos e outros – DJU 1 07.08.98, pp 314/6 – ementa oficial)” (in “Repertório IOB de Jurisprudência, Caderno 2, pág. 381) (negritamos e sublinhamos) Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2302002.663 S2C3T2 Fl. 8 7 Deixo registrado, também, que o pagamento ora questionado não gera nenhum prejuízo ao trabalhador e a empresa não agiu com o intuito de sonegar tributos. Também não há ganho salarial para o trabalhador, pois a verba é paga especificamente para que o trabalhador faça o percurso para o seu trabalho, ou seja tem caráter estritamente indenizatório. Cabe registrar por fim que o Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF enfrentou a matéria no exame do Recurso Extraordinário n.º 478.410/SP, julgado, em 10/03/2010, em que firmou convencimento no sentido de que o benefício em tela não constitui base de incidência de contribuição previdenciária. Nesse julgamento, ficou assente que o vale transporte mesmo quando pago em pecúnia, não perde o seu caráter indenizatório, sendo portanto, incabível a incidência de contribuição previdenciária sobre essa rubrica. Em conclusão, verificase que a exigência pretendida através do presente lançamento é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada. Da impossibilidade de análise de alegação do caráter confiscatório da multa A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Em outras palavras, reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do Fl. 244DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2302002.663 S2C3T2 Fl. 9 8 controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Assim, afasto a alegação de confisco da multa de mora aplicada ao presente caso. Da Exclusão dos Corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão do sócio gerente, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2302002.663 S2C3T2 Fl. 10 9 físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2302002.663 S2C3T2 Fl. 11 10 Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para excluir da autuação os valores pagos a título de vale transporte, bem como para que o rol de corresponsáveis contido no auto de infração tenha finalidade meramente informativa, sem o condão de atribuir responsabilidade às pessoas nele indicadas. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de agosto de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 247DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10980.720088/201027 Acórdão n.º 2302002.663 S2C3T2 Fl. 12 11 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 11516.002963/2005-77
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. RETORNO A CÂMARA DE ORIGEM PARA APRECIAR EXCLUSIVAMENTE MATÉRIA NÃO APRECIADA QUANDO DECIDIU-SE PELA DECADÊNCIA PARCIAL.
No caso em que o acórdão de recurso voluntário declarou decadência em parte do período da autuação e foi reformado por decisão da CSRF que afastou a decadência e determinou à Câmara de origem apreciar as demais matérias, a decadência como preliminar de mérito implicou não apreciação do mérito em relação às questões fáticas do período abrangido pelo reconhecimento da decadência na decisão reformada, o que requer a apreciação do recurso voluntário pela Turma Julgadora, em relação a essas matérias. Todavia, matérias de direito julgadas para fundamentar a decisão na parte não abrangida pela decadência tiveram o mérito apreciado, o que exauriu a competência do órgão julgador.
IRPF. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES. REQUISITOS. LIMITES.
A dedução de despesas do Livro-Caixa é restrita aos contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado. Somente são dedutíveis as despesas escrituradas no Livro Caixa necessárias à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora e que sejam devidamente comprovadas, mediante documentação idônea. São indedutíveis despesas de capital; remuneração paga a terceiros sem vínculo empregatício; despesas de locomoção e transporte se o contribuinte não é representante comercial autônomo.
IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM CELULAR.
Quando não é possível comprovar quais as despesas de telefonia celular são oriundas da atividade profissional, a dedução está limitada à quinta parte das despesas com telefonia celular.
IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO NECESSÁRIAS À GERAÇÃO DA RECEITA.
Dada as características da atividade profissional do contribuinte, houve despesas com alimentação, próprias e de terceiros, que foram necessárias à geração da receita, portanto são dedutíveis.
IRPF. LIVRO CAIXA. DEFICIÊNCIAS NA DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS PARA DEDUÇÃO.
A deficiente discriminação do adquirente ou do emitente do documento ou do produto ou serviço adquirido é razão para a glosa, mormente quando o contribuinte não desenvolve esforço probatório para sanar os vícios de forma objetiva e analítica, o que compromete a comprovação da necessidade da despesa ou sua natureza dedutível nos termos exigidos por lei.
IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM HOSPEDAGEM NA CIDADE DE DOMICÍLIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE PARA PERCEPÇÃO DA RECEITA.
Não comprovada a necessidade da despesa com hospedagem do recorrente para a geração da receita, tal gasto é indedutível, notadamente quando a hospedagem se dá no município do domicílio do recorrente.
IRPF. LIVRO CAIXA. VIAGENS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO VÍNCULO COM A ATIVIDADE GERADORA DA RECEITA.
Não comprovado o vínculo de viagens ao exterior com a atividade geradora da receita, o referido gasto é indedutível no Livro Caixa.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS.
Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SAQUES E DEPÓSITOS SUBSEQÜENTES. ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF nº 30.
Saques não servem para comprovar depósitos seguintes tal como inteligência da Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Devem ser rejeitadas as alegações de erro do lançamento que se amparam em dispositivos legais que não constituem enquadramento legal da autuação.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS.
Argumentos que não se coadunam com o caso dos autos devem ser rejeitados.
IRPF. GLOSA DE DEDUÇÕES. DOCUMENTOS FALSOS. COMPROVAÇÃO DA AUTORIDADE LANÇADORA NÃO CONTESTADA COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
A comprovação da utilização de documentos falso que não é elidida pelo recorrente com documentação hábil e idônea legitima a glosa da dedução e a qualificação da multa correspondente.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário restabelecer R$12.325,20 (doze mil, trezentos e vinte e cinco reais e vinte centavos) de dedução de Livro Caixa, referente ao período de janeiro a outubro de 2000, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Ronnie Soares Anderson que davam provimento parcial em maior extensão, pois afastavam a qualificação da multa de ofício. O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández informou que apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
Declaração de voto considerada não formulada, nos termos do §8º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009, com redação da Portaria MF nº 586/2010 e 545/2013.)
EDITADO EM: 05/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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RETORNO A CÂMARA DE ORIGEM PARA APRECIAR EXCLUSIVAMENTE MATÉRIA NÃO APRECIADA QUANDO DECIDIUSE PELA DECADÊNCIA PARCIAL. No caso em que o acórdão de recurso voluntário declarou decadência em parte do período da autuação e foi reformado por decisão da CSRF que afastou a decadência e determinou à Câmara de origem apreciar as demais matérias, a decadência como preliminar de mérito implicou não apreciação do mérito em relação às questões fáticas do período abrangido pelo reconhecimento da decadência na decisão reformada, o que requer a apreciação do recurso voluntário pela Turma Julgadora, em relação a essas matérias. Todavia, matérias de direito julgadas para fundamentar a decisão na parte não abrangida pela decadência tiveram o mérito apreciado, o que exauriu a competência do órgão julgador. IRPF. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES. REQUISITOS. LIMITES. A dedução de despesas do LivroCaixa é restrita aos contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado. Somente são dedutíveis as despesas escrituradas no Livro Caixa necessárias à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora e que sejam devidamente comprovadas, mediante documentação idônea. São indedutíveis despesas de capital; remuneração paga a terceiros sem vínculo empregatício; despesas de locomoção e transporte se o contribuinte não é representante comercial autônomo. IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM CELULAR. Quando não é possível comprovar quais as despesas de telefonia celular são oriundas da atividade profissional, a dedução está limitada à quinta parte das despesas com telefonia celular. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 29 63 /2 00 5- 77 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO NECESSÁRIAS À GERAÇÃO DA RECEITA. Dada as características da atividade profissional do contribuinte, houve despesas com alimentação, próprias e de terceiros, que foram necessárias à geração da receita, portanto são dedutíveis. IRPF. LIVRO CAIXA. DEFICIÊNCIAS NA DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS PARA DEDUÇÃO. A deficiente discriminação do adquirente ou do emitente do documento ou do produto ou serviço adquirido é razão para a glosa, mormente quando o contribuinte não desenvolve esforço probatório para sanar os vícios de forma objetiva e analítica, o que compromete a comprovação da necessidade da despesa ou sua natureza dedutível nos termos exigidos por lei. IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM HOSPEDAGEM NA CIDADE DE DOMICÍLIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE PARA PERCEPÇÃO DA RECEITA. Não comprovada a necessidade da despesa com hospedagem do recorrente para a geração da receita, tal gasto é indedutível, notadamente quando a hospedagem se dá no município do domicílio do recorrente. IRPF. LIVRO CAIXA. VIAGENS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO VÍNCULO COM A ATIVIDADE GERADORA DA RECEITA. Não comprovado o vínculo de viagens ao exterior com a atividade geradora da receita, o referido gasto é indedutível no Livro Caixa. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SAQUES E DEPÓSITOS SUBSEQÜENTES. ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF nº 30. Saques não servem para comprovar depósitos seguintes tal como inteligência da Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Devem ser rejeitadas as alegações de erro do lançamento que se amparam em dispositivos legais que não constituem enquadramento legal da autuação. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Argumentos que não se coadunam com o caso dos autos devem ser rejeitados. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002963/200577 Acórdão n.º 2802002.945 S2TE02 Fl. 799 3 IRPF. GLOSA DE DEDUÇÕES. DOCUMENTOS FALSOS. COMPROVAÇÃO DA AUTORIDADE LANÇADORA NÃO CONTESTADA COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. A comprovação da utilização de documentos falso que não é elidida pelo recorrente com documentação hábil e idônea legitima a glosa da dedução e a qualificação da multa correspondente. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário restabelecer R$12.325,20 (doze mil, trezentos e vinte e cinco reais e vinte centavos) de dedução de Livro Caixa, referente ao período de janeiro a outubro de 2000, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Ronnie Soares Anderson que davam provimento parcial em maior extensão, pois afastavam a qualificação da multa de ofício. O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández informou que apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. Declaração de voto considerada não formulada, nos termos do §8º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009, com redação da Portaria MF nº 586/2010 e 545/2013.) EDITADO EM: 05/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório O processo foi distribuído à 2ª Turma Especial para julgamento do recurso voluntário em relação à matéria não apreciada pela então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, por ocasião da expedição do Acórdão 10616.024, que houvera dado parcial provimento ao recurso voluntário quanto à decadência em relação ao meses de janeiro a outubro de 2000, uma vez que esse acórdão foi reformado pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, que por meio do Acórdão 9202002.846, de 08/08/2013, deu provimento ao recursos especial da Fazenda Nacional no sentido de afastar a decadência e determinar o retorno à Câmara de origem para análise das demais questões de mérito. O Delegado da Receita Federal em Florianópolis opôs embargos de declaração, alegando que todas as matérias foram apreciadas pela Câmara de Origem. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O recurso interativo foi rejeitado, sob fundamento de que ao declarar a decadência em relação aos meses de janeiro a outubro de 2000 e, sendo essa uma preliminar de mérito, não houve pronunciamento de mérito em relação às demais matérias desse período, por outro lado, em relação às preliminares e ao mérito alusivo às infrações do período de novembro a dezembro de 2000, a decisão conta com o atributo da definitividade. Para elucidar quais as matérias serão apreciadas , passase a resumir o quanto foi relatado no Acórdão nº 10616.024, com transcrição parcial. O processo trata de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício 2001, anocalendário 2000, constituído das seguintes infrações: 1. Dedução indevida de despesas de LivroCaixa (R$188.721,26), conforme demonstrativo de fls. 389/397, onde constam os motivos da não admissibilidade de cada despesa; em relação às glosas nos valores de R$7.000,00 e R$21.928,00, exclusivamente, foram aplicadas multas qualificadas, por ter sido considerado que os documentos encontramse eivados de falsidade ideológica (Chiesa & Chiesa e Farah Braga de Albuquerque LtdaME); 2. Depósitos bancários de origem não comprovada, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 409/431 e demonstrativo de fls. 402/408, no total de R$458.904,61. Do Termo de Verificação Fiscal de fls. 409431 extraise: a) foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), solicitando às instituições financeiras a apresentação dos extratos bancários do fiscalizado (fls. 228332); b) emitidas diversas intimações a terceiros para confirmação de despesas lançadas no Livro Caixa do contribuinte; c) efetuaramse as glosas de despesas lançadas no Livro Caixa, fls. 389397, por diversos motivos, tais como: obrigatoriedade de apresentação de nota fiscal; ausência/divergência na identificação do adquirente dos produtos; d) indedutibilidade das despesas com alimentação; e) falsidade ideológica dos documentos; de despesas lançadas em duplicidade, falta de apresentação de comprovantes das despesas, etc; f) produziuse o demonstrativo "Relação de créditos em contas corrente provenientes dos rendimentos líquidos recebidos da empresa Herbalife", fls.398399, os quais foram considerados de origem comprovada, sendo os demais valores de depósitos considerados como não justificados g) protocolizouse a Representação Fiscal para Fins Penais —processo n° 11516.0023964/200511. Da impugnação O autuado, irresignado com o lançamento, apresentou a impugnação de fls. 443492, onde se indispôs contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida a impugnação para tomar insubsistente o auto de infração, com base nos argumentos Fl. 801DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002963/200577 Acórdão n.º 2802002.945 S2TE02 Fl. 800 5 que foram devidamente relatados pelas autoridades julgadoras de Primeira Instância As fls. 499505. Após resumir os fatos constantes da autuação e as razões de defesa apresentadas pelo impugnante, os Membros da 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis — SC acordaram por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida e no mérito, em julgar procedente o lançamento, mantendo a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração, que está assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000 Ementa: DEPÓSITOS BANCAR/OS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas opera cães. LIVRO CAIXA. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE Apenas as despesas comprovadamente indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM LOCOMOÇÃO E TRANSPORTES. INDEDUTIBILIDADE São expressamente indedutíveis a titulo de livro caixa as despesas com locomoção e transporte, exceto para o representante comercial autônomo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000 Ementa: INTIMAÇÃO NO DOMICÍLIO FISCAL. DESNECESSIDADE DE RECEBIMENTO PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE É válida a intimação via postal remetida ao endereço da pessoa física que consta do Cadastro da Fazenda Nacional. A lei processual não exige que a ciência de recebimento do Auto de Infração seja dada ao próprio contribuinte, sendo válido o recebimento e ciência aposta por qualquer pessoa que receber o AR no endereço indicado. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O conhecimento de a firmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos Fl. 802DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. Lançamento Procedente O impugnante foi cientificado dessa decisão de Primeira Instância em 22/03/2006, ("AR" fl. 525) e, com ela não se conformando, interpôs dentro do tempo hábil (19/04/2006 — carimbo à fl. 526), o extenso Recurso Voluntário de fls. 526574, no qual demonstrou sua irresignação contra a decisão supra ementada, cujos argumentos de defesa são exatamente idênticos aos já apresentados em sua defesa inicial, os quais foram devidamente relatados. E peço vênia para transcrever, in verbis: (..) Inconformado com o lançamento, o contribuinte interpôs a impugnação de fls. 444 a 491, fazendo um breve relato da ação fiscal às fls. 444 e 445, apresentando, em seguida, alegações da mais variada ordem, a seguir sumarizadas. SUCINTA INTRODUÇÃO A GLOSA DE DESPESAS COM LIVRO CAIXA Às fls. 446 e 447, o impugnante faz os seguintes questionamentos com relação à glosa das despesas do livro caixa: 1) alega que a listagem fornecida pela empresa área é documentação idônea que supre a falta de apresentação dos bilhetes de passagens aéreas, acrescentando que "pagou a passagem a um de seus colaboradores"; 2) os motivos 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9 não se enquadram na decisão do auditor fiscal, posto que o item III do art. 6o da Lei no 8.134/1990 menciona: "As despesas de Custeio pagas necessárias à percepção da Receita e à manutenção da Fonte Produtora."; 3) as despesas de terceiros relacionadas com sua esposa devem ser aceitas, pois o contribuinte necessita de uma pessoa que o auxilie na sua atividade. Aduz que sua esposa é sua dependente nos termos do art. 35 da Lei no 9.250/1995; 4) demais despesas de terceiros, apontadas no item 11 das glosas, devem também ser consideradas porque foram de responsabilidade do contribuinte, em conformidade com o art. 6o, parágrafo 2o, da Lei no 8.134/1990; 5) as despesas com combustíveis devem ser acatadas, uma vez que, para a percepção de receita o contribuinte, tanto quanto sua equipe de eventos, precisa se descolar, sendo as despesas de locomoção e transportes dedutíveis, nos termos do item Ill, art. 6o da Lei no 8.134/1990; 6) diárias de hotel para implantação de eventos são despesas de custeio necessárias à percepção da atividade do contribuinte; Fl. 803DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002963/200577 Acórdão n.º 2802002.945 S2TE02 Fl. 801 7 7) viagens para o exterior (participação em cursos e palestras promovidos pela Herbalife) são essenciais ao sucesso profissional do contribuinte, ante a necessidade de reciclagem; 8) entende o interessado que ."no estágio em que o notificado encontrase na empresa, a maioria dos produtos adquiridos são utilizados em eventos e também ao consumo próprio de Pedro Cardoso e sua família". A ALEGADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS O contribuinte argumenta, às fis. 447 e 448, que o auditor fiscal se ateve aos recebimentos da Herbalife do anocalendário 2000, sem verificar a declaração de rendimentos do anocalendário anterior. Afirma que naquele período para atender à solicitação das gerências dos bancos para elevação do saldo médio efetuou uma seqüência de depósitos e saques que na verdade são movimentações de um mesmo valor de uma instituição financeira para outra, o que não caracteriza rendimentos. A titulo de exemplo, cita que: "No dia 03/02/2000 há um depósito de R$ 150,00 na relação de créditos em conta corrente proveniente da HERBAL/FE no Banco do Brasil, na conta 1609.3.8210. Segundo o Auditor Fiscal na relação de Créditos em Conta Corrente cuja origem não foi comprovada na mês conta do Banco do Brasil no 1609.3.8210 de 26/01/2000, teve também um depósito de R$ 150,00 que igualmente foi depositado na conta do Banco Real em 15/0212000 conta no 0345.9.730765, no valor de R$ 150,00. Verificase que foi devolvido um cheque na Conta do Banco do Brasil no 16909.3.8210 em 10/0212000, no valor de R$ 150,00.” Conclui, afirmando que a fiscalização não poderia considerar tais depósitos como de origem não comprovada. EQUIVOCO ARITMÉTICO NO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO Afirma o interessado à fl. 448 que houve equivoco aritmético, uma vez foram considerados como carnêleão. pago R$ 180.567,46, no exercício financeiro objeto de notificação, quando na verdade o valor correto seria R$ 249.172,98. DECADÊNCIA REFERENTE ÀS PARCELAS DO IMPOSTO VENCIDAS ATE 15/1212000 Às fl. 449, argúi o interessado a decadência dos créditos referentes aos fatos geradores anteriores a 15.12.2000. Sustenta que nos termos do art. 61, parágrafo 2° da Lei 8.981/1995, considerase vencido o imposto de renda tributado exclusivamente na fonte no dia do pagamento das referidas importâncias e, portanto, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é a data do vencimento ou pagamento, sendo o referido prazo de cinco anos nos termos doa art.173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 INOCORRÊNCIA DA ALEGADA SIMULAÇÃO DE TRANSAÇÕES Apresenta às fls. 449 a 456 um conjunto de argumentos que podem ser divididos em dois grandes grupos: o primeiro, relativo à glosa das despesas do livro caixa; e o segundo, relacionado com a omissão de rendimentos decorrente da não comprovação dos depósitos em suas contas bancários. Às fis. 450 a 455, o contribuinte faz algumas considerações a respeito da atividade por ele desenvolvida com fins de justificar a dedução das despesas pleiteadas no livro caixa. Afirma o interessado ser recrutador de distribuidores junto 5 empresa Herbalife, conforme contrato padrão da empresa que junta em anexo, sendo que seu rendimento é obtido pelas comissões que recebe, variando de acordo com a quantidade de distribuidores vinculados a seu grupo. Acrescenta que os eventos internacionais da Herbalife que participou visavam o treinamento dos distribuidores no que se refere às técnicas de motivação e recrutamento, os quais não são remunerados. Da mesma fornia, os eventos promovidos por ele e seu grupo de distribuidores segue os moldes dos demais eventos promovidos pela Herbalife. A participação dos distribuidores é gratuita, cabendo aos lideres arcar com os custos na proporção do número de participantes do evento vinculados a seu grupo especifico. Prossegue informando que existem gastos com hospedagem dos lideres para reuniões de preparação e organiza cão dos eventos, assim como é responsável pelos gastos com o transporte de sua equipe organizacional. Quanto aos gastos com passagens aéreas, alega que maioria dos bilhetes é emitida eletronicamente e, quando não o são, os passageiros os mantêm em seu poder, concluindo que "não correspondendo condição essencial ao provedor que os mantenha para fins de imposto de renda". No que tange às despesas com a Sra. Juliane Virtuoso Machado Cardoso, esposa do contribuinte, argumenta que "no sistema da Herbalife as esposas possuem papel especifico no acompanhamento das atividades sociais, tanto quanto a esposa do contribuinte faz parte de sua equipe de eventos, além de ser dependente do mesmo". Com relação às tarifas de hospedagem, esclarece que hotéis de luxo não mantêm a proporção de 50% para cada acompanhante ou casal, mas sim normalmente é de 70% do valor da diária. No que se refere à locação de veículos, alega que sempre foram realizadas em razão de necessidade momentânea da empresa. In forma, também, que "nunca existiu vincula ção laboral especifica e duradoura com as pessoas relacionédas, senão por remuneração na qualidade de terceiros eventuais na organização e efetivação de eventos". O escritório do contribuinte está localizado em sua residência, haja vista a atividade que exerce. 0 contrato firmado entre o contribuinte e a empresa Herbalife não possuem características de contrato de representação comercial, mas sim contrato de distribuição dos produtos daquela empresa, esclarecendo às fls. 453 e 454 o sistema de trabalho adotado pela empresa, concluindo que "o contrato com a Herbalife não prevê a remuneração pelos kits de distribuição, mas sim pela quantidade de produtos movimentados pela rede Multinivel". Fl. 805DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002963/200577 Acórdão n.º 2802002.945 S2TE02 Fl. 802 9 Quanto à contratação do Sr. Roberto Shin yashiki, questionada pela fiscalização, o contribuinte alega que se trata de especialista em atividade motiva cional, sendo pertinente sua participação nos eventos da empresa, posto que atividade desenvolvida pelo interessado é essencialmente recrutadora e motivacional. No que concerne às notas ficais emitidas pela Cheisa & Cheisa Ltda. e pela Farah Diba Braga de Albuquerque Ltda ME, argúi que (fls. 454e 455): Ora, se a empresa Cheisa & Cheisa Ltda. apresentou uma nota fiscal no valor de R$ 7,00 (sete reais) numa despesa para a qual percebeu pagamento de R$ 7.000,00 (sete mil reais), ele é quem está sinegando(sic), e não quem declarou o gasto real partindo se do pressuposto inverso para obter a verdade. Da mesma forma, a empresa Farah Diba Braga de Albuquerque Ltda. ME recebeu, efetivamente, o valor de R$ 23.128,00 (vinte e três mil e cento e vinte oito reais), para cobrir os custos do evento para o qual foi contratada, qual seja a festa do evento para Distribuidores Herbalife, realizada no segundo semestre de 2000, assim descritos: Banda Show de São Paulo — Valor R$ 11.000,00 Locação Boate Lupos — Valor R$ 10.000,00 (Aluguel do espaço) Decoração — Valor R$ 928,00 Alexandre Fontes — Valor R$ 1.200,00 (pagamento referente organização do evento). Salientamos que todos os valores acima foram pagos diretamente ao Sr. Alexandre Fontes em dinheiro, sendo que o mesmo realizou os pagamentos diretamente aos fornecedores, todos os quais contratados por ele próprio. Assim sendo e em razão disso, o Sr. Alexandre Fontes emitiu recibo no valor total de R$ 23.128,00 repassando diretamente a ele que, a bem da verdade, tanto quanto sua esposa Farah Diba, jamais falaram com o Sr.Pedro Gordalina de Oliveira Cardoso, mas sim com um dos participantes de sua equipe. Requer o impugnante que, se a fiscalização se baseou nos depoimentos dos representantes das empresas contratadas, também deve ser levado em conta o depoimento do Sr. Pedro Cardoso o qual, segundo o interessado, "não deixa dúvidas de que os valores representados pelas notas fiscais, efetivamente sairam do contribuinte, destinados aos pagamentos dos valores declarados pelos serviços prestados pelas mesmas". Insurgindose quanto à omissão de rendimentos decorrente da não comprovação dos depósitos em suas contas bancários, o contribuinte informa, inicialmente, que os extratos da conta poupança do Banco Real são os mesmos da conta corrente da mesma instituição, uma vez que se trata de conta remunerada (fl. 450). Às fls. 455 e 456, alega que a autuação é indevida, uma vez que "os lançamentos contábeis e fiscais estão perfeitos, embasados em documentos idôneos, e identificados individualmente". Aduz que os valores constantes dos extratos bancários representam os mesmos informados na declaração de Fl. 806DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 rendimentos decorrente da venda dos produtos da Herbalife, reclamando que "não tendo sido a contabilidade desclassificada pelo agente fiscal, a mesma faz prova em favor do contribuinte." INAPLICABILIDADE DA MORA E JUROS Às fl. 456 e 457, defende o interessado que não caberia o lançamento de oficio, mas sim, se fosse o caso, a retificação de um erro, sendo descabida à aplicação de encargos mora tórios, ou seja, multa e juros. Aduz que ao detectar o erro não pode ser penalizado com a mora e suportar o ônus dos juros decorrente da omissão do fisco a quem cabe a revisão. INEXISTÊNCIA DE INTIMAÇÃO VALIDA O interessado questiona, às fls. 457 a 464, a validade da "intimação genérica via AR na portaria do edifício, sem que contudo, o contribuinte tenha sido intimado pessoal e legalmente", pugnando pela anulação do presente Auto de Infração. Faz um longo discurso sobre a validade das citações, transcrevendo diversas ementas de julgados sobre o tema. O TRIBUTO O contribuinte se insurge às fls. 464 a 466 quanto ao regime de tributação adotado pela fiscalização, alegando a inocorrência da hipótese fática do art. 61, parágrafo lo da Lei n° 8.981/1995 e do art. 674 do Decreto n° 3.000/1999, não havendo que se falar em tributação exclusiva na fonte. Acrescenta, ainda, que "todos os pagamentos efetuados foram devidamente identificados, tanto nos cheques (nominais), quanto nas notas fiscais, como na contabilidade do contribuinte." Cita jurisprudência sobre o assunto. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGAL/DADO DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 Às fls. 466 a 468, apresenta um conjunto de alegações, visando demonstrar a inconstitucionalidade e ilegalidade do art. 61 da Lei no 8.981/1995. ILEGALIDADE DO ARBITRAMENTO E MAJORAÇÃO DA BASE DE CALCULO Às fls. 468 e 469, reclama, ainda, que a fiscalização haveria "majorado, indevida e ilegalmente a base de cálculo, sem apoio e fundamentação em qualquer norma" e que em nenhum momento ocorreu a desclassificação da contabilidade para justificar qualquer arbitramento. 1NCONSTITUICIONALIDADE DA TAXA SELIC Às fls. 469 a 473, discorre longamente sobre a aplicação da taxa SEL1C, alegando ter esta caráter remuneratório e não moratório, violando o limite constitucional previsto no art. 161 da Carta Magna que fixou as taxas de juros a 12%, ou seja,. 1% ao mês, transcrevendo vasta jurisprudência sobre o assunto. MULTA O contribuinte discute a natureza jurídica da multa, às fls. 473 a 477, argüindo a constitucionalidade da multa prevista no art. 44, inciso da Lei no 9.430/1996, pois apresentando argumentos da mais variada ordem. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002963/200577 Acórdão n.º 2802002.945 S2TE02 Fl. 803 11 A partir do meio da fl. 477 a 483, traz o contribuinte um conjunto de assertivas claramente estranhas à lide, que parecem pertencer impugnação de outrem (por exemplo: citação do nome do Sr. Mário Pires Pinheiro, como contribuinte; referência à compra de imóvel, que nada tem a haver com o objeto do presente lançamento; diversas referências à meterias relacionadas com a tributação da pessoa jurídica, enquanto que o presente processo trata da tributação de pessoa física; etc), razão pela qual não serão aqui minudentemente detalhados DESCONSIDERAÇÃO DAS DESPESAS EM CONTRAPARTIDAS COM AS RECEITAS TRIBUTAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCAR/OS, COMO RECEITAS Às fls. 483 a 484, prossegue com argumentos que se coadunam mais com uma impugnação que estaria a contestar um lançamento cujo sujeito passivo fosse uma pessoa jurídica, o que com certeza não é o caso dos autos, chegando mencionar o IRPJ, a COFINS, o PIS e a CSSL, como "tributos todos que aqui se contesta". IMPOSSIBILIDADE DE SE UTILIZAR A TAXA SELIC COMO JUROS MORA TÓRIOS O interessado volta, às fls. 485 a 489, a questionar aplicação da taxa Selic, repisando, em síntese, os argumentos anteriormente expostos. O Acórdão nº 10616.024 da extinta Sexta Câmara teve o voto vencido que rejeitou a alegação de decadência e apreciou integralmente o mérito , mantendo o lançamento, e o voto vencedor que tratou exclusivamente da decadência do período de janeiro a outubro de 2000. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Cuidase de definir as matérias do recurso voluntário que ainda não foram apreciadas. I A GLOSA DE DESPESAS COM LIVRO CAIXA Item que comporta análise de período de janeiro a outubro, em face da necessidade de separar os fundamentos da autuação, as alegações e provas, alusivos a esse período, cuja análise foi prejudicada pela declaração de decadência. As despesas desse período que foram glosadas consta da listagem de fls. 390/395, conforme os motivos identificados às fls. 389. Os comprovantes das despesas estão às fls. 27/213; o LivroCaixa, às fls. 15/26. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 As receitas a que se vinculam as despesas em foco foram recebidas da empresa Herbalife, em função da atividade de recrutador de distribuidores, que a autoridade fiscal descreveu como uma atividade relacionada à sistemática de venda e pagamento de comissões denominada “pirâmide”, na qual toda venda realizada por alguém que está em degrau abaixo resulta em comissão também para todos aqueles que estiverem mais no topo da pirâmide, desde que pertençam a um mesmo grupo de pessoas vinculadas entre si dentro da estrutura piramidal. A autoridade fiscal registrou que o recorrente não é um representante comercial autônomo, o trabalho do recorrente “é o de trazer o maior número de pessoas para dentro de seu grupo para assim, incrementar cada vez mais suas comissões pelas vendas realizadas por estas pessoas. Para alcançar este objetivo promove eventos para recrutamento de novas pessoas e também para motivação daquelas que já se encontram inseridas como distribuidores/vendedores na organização Herbalife” (fls. 416). Está claro que não existe vínculo empregatício entre o recorrente e a Herbalife, o que lhe autoriza deduzir como LivroCaixa as despesas de que trata o art. 6º da Lei 8.134/1990 com a redação dada pelo art. 34 da Lei 9.250/1995, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. O fato de não ser representante comercial impede a dedução de despesas de locomoção e transporte (alínea “a” do §1º do art. 6º da Lei 8.134/1990). I – Das passagens aéreas sem bilhetes O recorrente alega que a listagem fornecida pela empresa aérea é documentação idônea que supre a falta de apresentação dos bilhetes de passagens aéreas, acrescentando que "pagou a passagem a um de seus colaboradores". A autoridade lançadora descreveu no Termo de Verificação Fiscal que, mesmo nos casos em que os bilhetes de passagem foram apresentados, era necessário que o contribuinte demonstrasse o vínculo entre as passagens e o exercício de sua atividade profissional. Não obstante as alegações recursais, esse vínculo não foi comprovado, portanto, não foi atendido o requisito da comprovação de que a despesa era necessária à percepção dos rendimentos. II – Dos motivos dissonantes do parâmetro legal O recorrente alega que os motivos 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9 não legitimariam a glosa, posto que o item III do art. 6º da Lei no 8.134/1990 menciona: "As despesas de Custeio pagas necessárias à percepção da Receita e à manutenção da Fonte Produtora.". Cada um desses códigos tem um significado e precisa ser analisado. Motivo 3 Ausência/divergência na identificação do adquirente dos produtos/ serviços; Motivo 4 Ausência/insuficiência na identificação do emitente do documento; e Motivo 5 Ausência/insuficiência na descrição dos produtos/serviços A deficiente discriminação do adquirente ou do emitente do documento ou do produto ou sérviço adquirido é razão para a glosa, mormente quando o contribuinte não desenvolve esforço probatório para sanar os vícios de forma objetiva e analítica, o que Fl. 809DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002963/200577 Acórdão n.º 2802002.945 S2TE02 Fl. 804 13 compromete a comprovação da necessidade da despesa ou sua natureza dedutível nos termos exigidos por lei Motivo 6 Bem enquadrado como aplicação de capital (PN CST n° 60/78) Não há um esforço probatório do recorrente para demonstrar razão para dedução. As despesas dedutíveis são as de custeio e não as de capital. Motivo 7 Admitese como dedução somente 1/5 das despesas com telefone celular (PN CST n°60/78) O referido Parecer Normativo CST é admitido pela Jurisprudência do CARF como solução em razão da impossibilidade de segregar as despesas com telefonia entre as particulares e as vinculadas à atividade geradora dos rendimentos. Motivo 8 Alimentação Despesa pessoal do Sr. Pedro Gordalina, não passível de dedução no Livro Caixa No caso da atividade profissional do recorrente, as despesas de alimentação, representadas pelos documentos listados na tabela abaixo, demonstramse necessárias e usuais para fins de viabilizar a percepção dos rendimentos, motivo pelo qual atendem o preceito legal e devem ser deduzidas, tal como listadas abaixo. Valor glosado,ora restabelecido Fls. 2,00 35 10,00 48 33,00 49 11,10 50 53,00 77 19,00 95 42,22 101 779,38 104 e 105 70,50 107 33,50 108 1,50 152 Total: R$1.055,20 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 Motivo 9 Alimentação de terceiros Despesa não passível de dedução no Livro Caixa No período de janeiro a outubro de 2002 há duas despesas glosadas com esse código, porém ambas tem outro motivo para terem sido glosadas. A primeira é de R$11.270,00 (fls. 38/40), glosada também pelo motivo 3, que também foi contestado pelo recorrente, referese aos documentos de fls. 38/40. Notase que está comprovado que o recorrente pagou pelo evento da Herbalife ocorrido no Hotel GlóriaRJ nos dias 22 e 23/01/2000, e o valor glosado foi discriminado na nota fiscal de fls. 38. É uma despesa usual para o tipo de atividade desenvolvida pelo recorrente, sendo cabível sua dedução. A outra despesa é de R$8.470,00 (fls. 96), em relação à qual há outro óbice que é o motivo 1, que não foi contestado expressamente, sendo matéria preclusa e razão suficiente para manutenção da glosa. III – Das despesas relacionadas à esposa e demais despesas de terceiros O recorrente defende que as despesas de terceiros relacionadas com sua esposa devem ser aceitas, pois o contribuinte necessita de uma pessoa que o auxilie na sua atividade. Aduz que sua esposa é sua dependente nos termos do art. 35 da Lei no 9.250/1995. A remuneração de despesas com terceiros (inciso I do art. 6º da Lei 8.134/1990) não é vinculada à relação de dependência e sim à manutenção de um vínculo empregatício. De sorte que o pagamento de despesas de terceiros seria uma forma indireta de remuneração ou mesmo de remuneração lato senso, na espécie de reembolso de despesas, não subsumese ao conceito de despesa de custeio para o fim ora analisado (inciso III do art. 6º da Lei 8.134/1990). Como o recorrente não comprova existir vínculo empregatício, não há base legal para dedução. Pelas mesmas razões, as demais despesas de terceiros não podem ser deduzidas. IV – Das despesas com combustíveis Há vedação legal à dedução de despesas de locomoção e transporte para quem não é representante comercial autônomo, conceito no qual está incluído o gasto com combustíveis (alínea “b” do §1º do art. 6º da Lei 8.134/1990). V – Das diárias de hotel para implantação de eventos são despesas de custeio necessárias à percepção da atividade do contribuinte O recorrente tem o ônus de apontar objetivamente as razões de direito e de fato, todavia, não apontou objetivamente quais são esses itens de despesa no lançamento, o que leva a concluir que defendese das que foram glosadas com o Motivo 13, que no período de janeiro a outubro é apenas a de R$250,00 representada pelos documentos de fls. 59/60. A autuação não decorreu exclusivamente de ser uma despesa de hospedagem e sim de ser hospedagem na cidade de domicílio do recorrente, o qual não comprovou a necessidade desse fato para a atividade profissional. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002963/200577 Acórdão n.º 2802002.945 S2TE02 Fl. 805 15 VI – Das viagens para o exterior Embora o recorrente tenha alegado que as viagens para o exterior refiramse a participação em cursos e palestras promovidos pela Herbalife e que são essenciais ao seu sucesso profissional, não fez prova desse fato, portanto, não comprovou o vínculo das despesas com a percepção da receita ou manutenção da fonte produtora. VII – Dos produtos adquiridos para eventos ou consumo próprio. O relato da autoridade fiscal (fls. 421) é relevante para desqualificar a despesa como dedutível. Por intermédio do item 6 da Intimação n2 572/05 (fls. 216), solicitamos ao contribuinte que informasse a destinagão dos produtos adquiridos da empresa Herbalife International do Brasil Ltda. e que apresentasse os comprovantes de suas alegações. Em sua resposta de fls. 222 e 223, o contribuinte informa que os produtos são distribuídos na forma de brindes nos eventos que promove. Não apresentou mais nenhum documento. Solicitamos então os comprovantes da entrega dos produtos aos participantes dos eventos (item 4 da Intimação n2 726/05 fls. 333). Contrariando a informação prestada anteriormente, o contribuinte informa agora que os produtos eram destinados a ele mesmo (fls. 340) e que "... sua grande parte eram utilizados para demonstração nos eventos, para consumo dos participantes." (sic). Novamente não apresentou qualquer outro documento. O recorrente alega que "no estágio em que o notificado encontrase na empresa, a maioria dos produtos adquiridos são utilizados em eventos e também ao consumo próprio de Pedro Cardoso e sua família", porém não comprova a utilização em eventos de forma a demonstrar ser uma despesa necessária à geração da receita, de outro giro, o consumo pessoal e familiar não dá direito à dedução. II A ALEGADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Item que exige análise de alegação de que a declaração de rendimentos do anocalendário 1999, no tocante aos recebimentos da Herbalife, serviriam para justificar depósitos bancários, uma vez que, para atender à solicitação das gerências dos bancos para elevação do saldo médio, efetuou uma seqüência de depósitos e saques que na verdade são movimentações de um mesmo valor de uma instituição financeira para outra, o que não caracteriza rendimentos. Ademais, os exemplos citados pelo recorrente e abaixo transcritos são do período de janeiro a outubro. "No dia 03/02/2000 há um depósito de R$ 150,00 na relação de créditos em conta corrente proveniente da HERBAL/FE no Banco do Brasil, na conta 1609.3.8210. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 Segundo o Auditor Fiscal na relação de Créditos em Conta Corrente cuja origem não foi comprovada na mês conta do Banco do Brasil no 1609.3.8210 de 26/01/2000, teve também um depósito de R$ 150,00 que igualmente foi depositado na conta do Banco Real em 15/0212000 conta no 0345.9.730765, no valor de R$ 150,00. Verificase que foi devolvido um cheque na Conta do Banco do Brasil no 16909.3.8210 em 10/02/2000, no valor de R$ 150,00.” O recorrente não comprovou individualizadamente os depósitos arrolados pela autoridade lançadora, suas alegações são superficiais e genéricas, desacompanhadas de comprovação. Os exemplos que mencionou não são expressivos, ademais o cheque devolvido foi expurgado pela autoridade lançadora. Uma vez intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada, conforme assentado na jurisprudência desse conselho e disposto no §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Vejamos: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998 (...)IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A alegação de que as origens dos depósitos foram cheques omitidos por uma empresa deve ser comprovada com a demonstração de que os depósitos se referem aos referidos cheques, não bastando para tanto a mera existência de proximidade de datas entre as emissões dos cheques e os depósitos. Embargos acolhidos.Recurso parcialmente provido.(acórdão nº 10423276, de 2562008, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Pedro Paulo Pereira Barbosa) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 (...) Ementa: IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DE O Fl. 813DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002963/200577 Acórdão n.º 2802002.945 S2TE02 Fl. 806 17 DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte.(...)Recurso voluntário parcialmente provido.(acórdão nº 10616977, de 2662008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: (...)IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL CONSTRUÍDA PELO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 IMPOSSIBILIDADE DA DESCONSTRUÇÃO DA PRESUNÇÃO A PARTIR DA VARIAÇÃO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE COTITULARIDADE NO ANO AUTUADO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE CADA DEPÓSITO, INDIVIDUALIZADAMENTE Não se deve confundir a tributação prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 com a referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, na forma do art. 3º, § 1º (parte final), da Lei nº 7.713/88. Nesta, utilizamse os saldos das contas correntes e de aplicações financeiras, como origem e aplicação de recursos, apontandose, se for o caso, o acréscimo patrimonial a descoberto. No tocante à presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devese comprovar a origem dos depósitos bancários individualizadamente, não sendo possível efetuar a comprovação a partir da variação dos saldos de aplicações financeiras. Sendo comprovada a origem do depósito, este deve ser excluído da base de cálculo da omissão dos rendimentos. Ausente a comprovação de cotitularidade na conta de depósito, afastase as conseqüências dessa realidade. Recurso voluntário provido parcialmente.(acórdão nº 106 17092, de 8102008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Fl. 814DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 Ementa: (...) IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. Recurso negado (Acórdão 2802002.004, 2ª Turma Especial, de 20/11/2012.Relator Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso) Ademais, saques não servem para comprovar depósitos seguintes tal como inteligência da Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. III EQUIVOCO ARITMÉTICO NO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO O recorrente alegou que houve equivoco aritmético, uma vez foram considerados, no lançamento, como carnêleão pago R$ 180.567,46 e sustenta que o valor correto seria R$ 249.172,98. Esse tópico é independente da questão da decadência e já foi decido de forma definitiva. In verbis: 'Também, neste tópico, não cabe qualquer reparo na decisão de Primeira Instância, uma vez que a Relatora do voto condutor conclui que a fiscalização agiu corretamente em computar nos cálculos apenas o valor do imposto devido de R$ 180.567,46 (fl. 436), uma vez que o carnêleão pago a maior, no montante de R$ 68.605,52 já havia sido restituído ao contribuinte, conforme consta no Extratoconsulta de fl. 496. (fls. 597). IV DECADÊNCIA REFERENTE ÀS PARCELAS DO IMPOSTO VENCIDAS ATE 15/1212000 Matéria definitivamente julgada pelo Acórdão da CSRF. V INOCORRÊNCIA DA ALEGADA SIMULAÇÃO DE TRANSAÇÕES Este tópico requer analise de argumentos e provas do período de janeiro a outubro de 2000, cuja análise ficou prejudicada pela declaração de decadência. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002963/200577 Acórdão n.º 2802002.945 S2TE02 Fl. 807 19 Abaixo uma síntese das alegações do recorrente: Apresenta às fls. 449 a 456 um conjunto de argumentos que podem ser divididos em dois grandes grupos: o primeiro, relativo à glosa das despesas do livro caixa; e o segundo, relacionado com a omissão de rendimentos decorrente da não comprovação dos depósitos em suas contas bancários. Às fls. 450 a 455, o contribuinte faz algumas considerações a respeito da atividade por ele desenvolvida com fins de justificar a dedução das despesas pleiteadas no livro caixa. Afirma o interessado ser recrutador de distribuidores junto 5 empresa Herbalife, conforme contrato padrão da empresa que junta em anexo, sendo que seu rendimento é obtido pelas comissões que recebe, variando de acordo com a quantidade de distribuidores vinculados a seu grupo. Acrescenta que os eventos internacionais da Herbalife que participou visavam o treinamento dos distribuidores no que se refere às técnicas de motivação e recrutamento, os quais não são remunerados. Da mesma fornia, os eventos promovidos por ele e seu grupo de distribuidores segue os moldes dos demais eventos promovidos pela Herbalife. A participação dos distribuidores é gratuita, cabendo aos lideres arcar com os custos na proporção do número de participantes do evento vinculados a seu grupo especifico. Prossegue informando que existem gastos com hospedagem dos lideres para reuniões de preparação e organiza cão dos eventos, assim como é responsável pelos gastos com o transporte de sua equipe organizacional. Quanto aos gastos com passagens aéreas, alega que maioria dos bilhetes é emitida eletronicamente e, quando não o são, os passageiros os mantêm em seu poder, concluindo que "não correspondendo condição essencial ao provedor que os mantenha para fins de imposto de renda". No que tange às despesas com a Sra. Juliane Virtuoso Machado Cardoso, esposa do contribuinte, argumenta que "no sistema da Herbalife as esposas possuem papel especifico no acompanhamento das atividades sociais, tanto quanto a esposa do contribuinte faz parte de sua equipe de eventos, além de ser dependente do mesmo". Com relação às tarifas de hospedagem, esclarece que hotéis de luxo não mantêm a proporção de 50% para cada acompanhante ou casal, mas sim normalmente é de 70% do valor da diária. No que se refere à locação de veículos, alega que sempre foram realizadas em razão de necessidade momentânea da empresa. In forma, também, que "nunca existiu vinculação laboral especifica e duradoura com as pessoas relacionadas, senão por remuneração na qualidade de terceiros eventuais na organização e efetivação de eventos". O escritório do contribuinte está localizado em sua residência, haja vista a atividade que exerce. 0 contrato firmado entre o contribuinte e a empresa Herbalife não possuem características de contrato de representação comercial, mas sim contrato de distribuição dos produtos daquela empresa, esclarecendo às fls. 453 e 454 o sistema de trabalho adotado pela empresa, concluindo que "o contrato com a Herbalife não Fl. 816DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 20 prevê a remuneração pelos kits de distribuição, mas sim pela quantidade de produtos movimentados pela rede Multinivel". Quanto à contratação do Sr. Roberto Shin yashiki, questionada pela fiscalização, o contribuinte alega que se trata de especialista em atividade motivacional, sendo pertinente sua participação nos eventos da empresa, posto que atividade desenvolvida pelo interessado é essencialmente recrutadora e motivacional. No que concerne às notas ficais emitidas pela Cheisa & Cheisa Ltda. e pela Farah Diba Braga de Albuquerque Ltda ME, argúi que (fls. 454e 455): Ora, se a empresa Cheisa & Cheisa Ltda. apresentou uma nota fiscal no valor de R$ 7,00 (sete reais) numa despesa para a qual percebeu pagamento de R$ 7.000,00 (sete mil reais), ele é quem está sinegando(sic), e não quem declarou o gasto real partindo se do pressuposto inverso para obter a verdade. Da mesma forma, a empresa Farah Diba Braga de Albuquerque Ltda. ME recebeu, efetivamente, o valor de R$ 23.128,00 (vinte e três mil e cento e vinte oito reais), para cobrir os custos do evento para o qual foi contratada, qual seja a festa do evento para Distribuidores Herbalife, realizada no segundo semestre de 2000, assim descritos: Banda Show de São Paulo — Valor R$ 11.000,00 Locação Boate Lupos — Valor R$ 10.000,00 (Aluguel do espaço) Decoração — Valor R$ 928,00 Alexandre Fontes — Valor R$ 1.200,00 (pagamento referente organização do evento). Salientamos que todos os valores acima foram pagos diretamente ao Sr. Alexandre Fontes em dinheiro, sendo que o mesmo realizou os pagamentos diretamente aos fornecedores, todos os quais contratados por ele próprio. Assim sendo e em razão disso, o Sr. Alexandre Fontes emitiu recibo no valor total de R$ 23.128,00 repassando diretamente a ele que, a bem da verdade, tanto quanto sua esposa Farah Diba, jamais falaram com o Sr.Pedro Gordalina de Oliveira Cardoso, mas sim com um dos participantes de sua equipe. Requer o impugnante que, se a fiscalização se baseou nos depoimentos dos representantes das empresas contratadas, também deve ser levado em conta o depoimento do Sr. Pedro Cardoso o qual, segundo o interessado, "não deixa dúvidas de que os valores representados pelas notas fiscais, efetivamente saíram do contribuinte, destinados aos pagamentos dos valores declarados pelos serviços prestados pelas mesmas". Insurgindose quanto à omissão de rendimentos decorrente da não comprovação dos depósitos em suas contas bancários, o contribuinte informa, inicialmente, que os extratos da conta poupança do Banco Real são os mesmos da conta corrente da mesma instituição, uma vez que se trata de conta remunerada (fl. 450). Às fls. 455 e 456, alega que a autuação é indevida, uma vez que "os lançamentos contábeis e fiscais estão perfeitos, embasados em documentos idôneos, e identificados individualmente". Aduz que os valores constantes dos extratos bancários representam os mesmos informados na declaração de Fl. 817DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002963/200577 Acórdão n.º 2802002.945 S2TE02 Fl. 808 21 rendimentos decorrente da venda dos produtos da Herbalife, reclamando que "não tendo sido a contabilidade desclassificada pelo agente fiscal, a mesma faz prova em favor do contribuinte." A argumentação recursal não é corroborada por documentação hábil e idônea que permita darlhe força probante. Quanto às glosas de LivroCaixa, já foram apreciadas no item precedente que tratou desse tema. Quanto aos depósitos de origem não comprovada, permanece a falta de comprovação individualizada. O recorrente também não trouxe comprovação que afaste a conduta dolosa que lhe foi imputada em relação as despesas declaradas de R$7.000,00 e R$21.928,00, por ter sido considerado que os documentos encontramse eivados de falsidade ideológica (Chiesa & Chiesa e Farah Braga de Albuquerque LtdaME). Nesse ponto, a autoridade fiscal consignou às fls. 422/426 e o acórdão recorrido resumiu às fls. 517/519 a comprovação que autoriza não somente a glosa como a qualificação da multa. VI INAPLICABILIDADE DA MORA E JUROS Essa alegação não ficou prejudicada pela declaração de cadência. É uma questão jurídica comum a todo o anocalendário e foi refutada pelo Acórdão nº 10616.024 (fls. 603/606), cuja decisão é dotada de definitividade. VII INEXISTÊNCIA DE INTIMAÇÃO VALIDA Preliminar apreciada e rejeitadas pelo Acórdão nº 10616.024: Eis a ementa: NULIDADES INTIMAÇÕES E válida a intimação feita por via postal entregue no domicilio do contribuinte, não sendo necessário que o recebimento seja pessoal. (fls. 584) VIII O TRIBUTO O contribuinte se insurge às fls. 464 a 466 quanto ao regime de tributação adotado pela fiscalização, alegando a inocorrência da hipótese fática do art. 61, §1º da Lei n° 8.981/1995 e do art. 674 do Decreto n° 3.000/1999. Não há uma formal refutação desse tópico, em relação às duas infrações no período de janeiro a outubro, no Acórdão nº 10616.024. A questão é singela: esses dispositivos não constituíram o enquadramento legal do lançamento, não aproveitam o recorrente. IX INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGAL/DADO DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 Matéria analisada e já decidida pelo Acórdão nº 10616.024, pois é uma questão jurídica comum a todo o anocalendário. A aplicação do enunciado nº 02 do Primeiro Conselho de Contribuintes não foi prejudicada pela decretação de decadência. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 22 X ILEGALIDADE DO ARBITRAMENTO E MAJORAÇÃO DA BASE DE CALCULO O recorrente sustenta aplicação do art. 61, §1º da Lei 8.991/191. Não há uma formal refutação desse tópico, em relação às duas infrações no período de janeiro a outubro, no Acórdão nº 10616.024. Esses dispositivos não constituíram o enquadramento legal do lançamento, não aproveitam o recorrente. XI INCONSTITUICIONALIDADE DA TAXA SELIC Matéria analisada e já decidida pelo Acórdão nº 10616.024, pois é uma questão jurídica comum a todo o anocalendário. A aplicação do enunciado nº 02 do Primeiro Conselho de Contribuintes não foi prejudicada pela decretação de decadência. XII MULTA Quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa, reportase a matéria analisada e já decidida pelo Acórdão nº 10616.024, pois é uma questão jurídica comum a todo o anocalendário. A aplicação do enunciado nº 02 do Primeiro Conselho de Contribuintes não foi prejudicada pela decretação de decadência. O recurso não trata especificamente do período de janeiro a outubro, adotase em relação à multa incidente sobre as infrações cometidas nesse período, o quanto expresso no voto vencido. A partir do meio da fl. 477 a 483, traz o contribuinte um conjunto de assertivas claramente estranhas à lide, que parecem pertencer impugnação de outrem (por exemplo: citação do nome do Sr. Mário Pires Pinheiro, como contribuinte; referência à compra de imóvel, que nada tem a haver com o objeto do presente lançamento; diversas referências à meterias relacionadas com a tributação da pessoa jurídica, enquanto que o presente processo trata da tributação de pessoa física; etc), razão pela qual não serão aqui minudentemente detalhados XIII DESCONSIDERAÇÃO DAS DESPESAS EM CONTRAPARTIDAS COM AS RECEITAS TRIBUTAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCAR/OS, COMO RECEITAS O recurso não trata especificamente do período de janeiro a outubro, em relação às infrações desse período, adotase a conclusão do voto vencido que é suficiente para demonstrar a improcedência das alegações do recorrente. Às fls. 483 a 484, prossegue com argumentos que se coadunam mais com uma impugnação que estaria a contestar um lançamento cujo sujeito passivo fosse uma pessoa jurídica, o que com certeza não é o caso dos autos, chegando mencionar o IRPJ, a COFINS, o PIS e a CSSL, como "tributos todos que aqui se contesta". Fl. 819DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002963/200577 Acórdão n.º 2802002.945 S2TE02 Fl. 809 23 XIII IMPOSSIBILIDADE DE SE UTILIZAR A TAXA SELIC COMO JUROS MORA TÓRIOS Quanto ao cabimento da exigência de juros de mora com base na Selic, a decisão proferida no Acórdão nº 10616.024 é dotada de definitividade. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer R$ 12.325,20 (doze mil, trezentos e vinte e cinco reais e vinte centavos) de dedução de Livro Caixa, referente ao período de janeiro a outubro de 2000. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 820DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16151.000094/2006-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. EFEITOS.
Surte efeito a partir de 1º de janeiro de 2002 a exclusão do Simples por exercício de atividade vedada quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for realizada a partir de 2002.
Numero da decisão: 1103-001.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. EFEITOS. Surte efeito a partir de 1º de janeiro de 2002 a exclusão do Simples por exercício de atividade vedada quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for realizada a partir de 2002.
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ME Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. EFEITOS. Surte efeito a partir de 1º de janeiro de 2002 a exclusão do Simples por exercício de atividade vedada quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for realizada a partir de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 00 94 /2 00 6- 27 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000094/200627 Acórdão n.º 1103001.014 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1622.845/2009, da 1ª Turma da DRJ/São Paulo ISP (fls. 44)1. Para descrição dos fatos, adoto por transcrição o relatório da decisão recorrida, tendo em vista a sua clareza e objetividade: "Trata o presente processo, formalizado em 13/02/2006, de exclusão do Simples, em razão da emissão, em 07/08/2003, do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 486.162, tendo por situação excludente o exercício de atividade econômica vedada (evento 306 do CNPJ), relacionada ao CNAEFiscal 9211899 (Outras atividades relacionadas à produção de filmes e fitas de vídeos), com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002 e data de ocorrência em 10/09/1998 (a interessada optou pelo regime na data de sua constituição, em 10/09/1998 – fls. 2 e 24). 2. A fundamentação legal foi amparada nos artigos 9º, inciso XIII, 12, 14, inciso I, e 15, inciso II e § 3º, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996; art. 73 da Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001; artigos 20, inciso XII, 21, 23, inciso I, 24, inciso II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 250, de 26/11/2002. 3. Consignouse, ainda, no art. 2º do ADE em comento, que a exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.317/1996, e suas alterações posteriores. 4. Cientificada do ADE em 26/08/2003 (fl. 3), inicialmente a interessada apresentou, em 08/09/2003, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS – fl. 1), com a alegação de que presta serviços cinematográficos e videográficos em geral, atividade que, no seu entendimento, não encontra óbice no regime simplificado, nos termos do art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996. 5. A solicitação foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, em despacho exarado em 02/01/2006, nos seguintes e exatos termos (fl. 1 – verso): 'ADE Nº 486.162 (11) – EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado. Os documentos que instruíram esta solicitação demonstram que a principal atividade econômica exercida é fator de vedação à opção pelo Simples.' 6. Cientificada do indeferimento em 11/01/2006 (fl. 12 verso), a requerente apresentou manifestação de inconformidade em 08/02/2006 (razões às fls. 13 e 14 e anexos às fls. 15 a 21). Alega, em síntese, que: 6.1. Quando da apresentação da SRS, destacouse que a contribuinte não se enquadrava no óbice inserto no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996. 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 65DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000094/200627 Acórdão n.º 1103001.014 S1C1T3 Fl. 4 3 6.2. Para operar câmera de vídeo ou máquina fotográfica não é necessário habilitação profissional legalmente exigida. Tratase de profissão cuja habilidade se aprende na pratica. 6.3. A recorrente não realiza produções artísticas. 6.4. A exclusão apresenta o agravante do retroagir seus efeitos a partir de 01/01/2002, sendo que a legislação que rege a sistemática simplificada determina que os efeitos da exclusão ocorrem a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder a exclusão, ainda que de ofício. 6.5. Salvo melhor juízo, o objetivo da Lei nº 9.317/1996 é o de não permitir que serviços profissionais de alta remuneração beneficiemse de tributação favorecida, o que não é o caso da requerente; tampouco seus sócios estão obrigados à inscrição em órgão de classe." A turma de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 PRODUTOR DE FILMES. VEDAÇÃO Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que produzir filmes, por essa atividade estar equiparada à produção de espetáculos. EFEITOS DA EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. A pessoa jurídica que optou pelo SIMPLES até 27/07/2001, e foi excluída por atividade econômica vedada a partir de 2002, tem o efeito da exclusão retroagido para 01/01/2002, na hipótese de situação excludente ocorrida até 31/12/2001. SÓCIO. QUALIFICAÇÃO. É vedada a opção ao regime simplificado às pessoas jurídicas que prestam os serviços profissionais que a Lei nº 9.317/1996 elenca, independentemente da qualificação profissional dos sócios." Cientificada da decisão por via postal em 22/01/2010 (fls. 55), a contribuinte interpôs o recurso no dia 19 do mês seguinte (fls. 55). Alegou que a exclusão só deveria produzir efeitos a partir da sua efetivação, nunca retroativamente, pois caberia à Receita Federal rejeitar a sua inscrição no Simples mediante notificação, o que não teria ocorrido, sendo descabida a imposição de penalidades por parte de quem recebeu e deferiu o seu enquadramento no sistema. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000094/200627 Acórdão n.º 1103001.014 S1C1T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido e processado. Examinase a exclusão da contribuinte do Simples mediante o ADE – Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 486.162 (fls. 4) por exercício de atividade vedada, nos termos do art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996. Não há nestes autos exigência de tributos ou imposição de penalidades. No recurso, a contribuinte não contestou o motivo da exclusão, insurgindose apenas contra a sua efetivação a partir de 1º de janeiro de 2002. Vigia na época da exclusão o art. 15, II, da Lei 9.317/1996 com a redação dada pelo art. 73 da MP 2.15834, de 27/07/2001: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I – (...) II – a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; (...)" A situação da contribuinte, de exclusão com base no art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996, enquadrase na hipótese do art. 15, II, do mesmo ato legal acima transcrito, tendo em vista a ocorrência da situação excludente desde o dia da opção pelo sistema simplificado em 10/09/1998. Esclareceu o voto condutor do acórdão contestado: " ... o artigo 24 da Instrução Normativa nº 250/2002, repetido pelo artigo 24 da Instrução Normativa nº 608, de 9 de janeiro de 2006, dispôs que: A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000094/200627 Acórdão n.º 1103001.014 S1C1T3 Fl. 6 5 I do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; II de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. (grifos acrescidos) 22. Constatase, portanto, que as aludidas Instruções Normativas, ao fixarem em 1º de janeiro de 2002 a data de início dos efeitos da exclusão, bem conjugaram as disposições da MP nº 215834, de 27/07/2001, que passou a autorizar a exclusão com efeitos retroativos, com a previsão do art. 2º da Lei 9.784/1999, que determina à Administração a observância do princípio da segurança jurídica. 23. De fato, como a opção pela sistemática do Simples é válida para o ano todo, a exclusão com efeitos retroativos, inserida no ordenamento jurídico, para o presente caso, em julho de 2001, somente poderá surtir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2002, quando estribada em situações excludentes ocorridas anteriormente a esta data. 24. Portanto, resta devidamente esclarecido o fundamento legal que amparou a exclusão da interessada do Simples com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002." Vêse, assim, nos fundamentos do voto transcrito, o acerto da decisão recorrida, que deve ser prestigiada. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13603.000570/00-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
Ementa:
AÇÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO - O pedido de ressarcimento cujo objeto seja uma sentença judicial sem o trânsito em julgado, deverá ser indeferido, tendo em vista a carência do direito líquido e certo previsto na legislação.
Numero da decisão: 3402-002.398
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso. Vencidos conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o final da decisão judicial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Fenelon Moscoso de Almeida. Apresentará declaração de voto conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça, Pedro Sousa Bispo(Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negouse provimento ao recurso. Vencidos conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o final da decisão judicial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Fenelon Moscoso de Almeida. Apresentará declaração de voto conselheiro Fernando Luiz da Gama D’ Eça. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça, Pedro Sousa Bispo(Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 05 70 /0 0- 16 Fl. 775DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Saldo Credor do IPI acumulado ao final do trimestre 2º/1999, no valor de R$ 62.543,12, formalizado em 13/04/2000, com fulcro no art 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/1999, cf. fls. 4/5, posteriormente substituídas pelas fls. 77/78. A solicitação foi inicialmente indeferida [Despacho Decisório de fls. 101/102, de 23/01/2002] tomando por base o Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Seção de Fiscalização [fls. 97/99] que propôs o indeferimento em decorrência da ação fiscal da qual resultou a lavratura de Auto de Infração do IPI consubstanciado no processo administrativo 13603.001578/200125, para exigência do IPI não destacado e não recolhido em virtude da incorreta classificação fiscal na saída do produto "Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem", em razão da apuração de saldos devedores do IPI após a reconstituição da escrita fiscal [fls. 91/95]. Inconformada a pleiteante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 104/113, tendo sido ratificado o indeferimento do pleito em 01/07/2004, por intermédio do Acórdão DRJ/JFA nº 07.639 [fls. 120/131], em face da existência do auto de infração e da apuração de saldo devedor no período. Contra o referido acórdão foi interposto Recurso Voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes [fls. 136/147], com posterior juntada, em 29/09/2004, de cópia da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT N° 288, de 17/08/2004 [ fls. 153/161]. O Segundo Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência [fls. 170/176], em 09/11/2005, para juntada aos autos da decisão final que viesse a ser proferida no Processo Administrativo 13603.001578/200125 (Auto de Infração do IPI) dada a estreita vinculação entre os processos. Às fls. 180/192 foi anexada cópia do Acórdão n° 20216.818, por intermédio do qual a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes reconheceu, em atendimento a recurso apresentado pelo contribuinte, que a atividade exercida pela autuada consiste em prestação de serviços, nos termos da decisão judicial transitada em julgado, afastando, por conseguinte, a exigência de IPI. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 206 3 O mencionado Acórdão foi objeto de Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) [fls. 193/203], que em Acórdão de n° 0202.652 [fls. 227/234], negou provimento ao recurso especial. Assim, cumprida a exigência contida na Resolução de fls. 170/176 foram os autos remetidos em 21/11/2007 [fl. 235] ao Segundo Conselho de Contribuintes para apreciação do Recurso Voluntário de fls. 136/147. Resultou daí o Ac. Nº 20403.589 [fls. 309/312], de 06/11/2008, por intermédio do qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em uma nova análise do caso, considera o desfecho favorável do processo 13603.001578/200125 ao contribuinte, mas, entendendo que o procedimento fiscal instaurado para averiguar a legitimidade do crédito pleiteado não foi conclusivo quanto ao mérito do ressarcimento retorna os autos à unidade de origem para reexame e prolatação de uma nova decisão com enfrentamento do mérito, uma vez afastada a prejudicial de análise de mérito. O processo foi remetido à DRF/CON em 04/01/2010. Em cumprimento ao determinado pelo CARF foi elaborado em 25/10/2010 o Termo de Diligência/Verificação Fiscal de fls. 323/332 que, depois de circunstanciar todos os fatos atinentes à ação judicial [que declarou a inexistência de relação jurídico tributária entre a Editora Alterosa e a União] e à decisão do Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao auto de infração consubstanciado no processo nº 13603.001578/200125 [no sentido de que a atividade exercida pela autuada consiste em prestação de serviços, nos termos da decisão judicial transitada em julgado, afastando, por conseguinte, a exigência de IPI], em síntese, concluiu que “De tudo o que foi aqui relatado, fica claro para o servidor que esta subscreve, que como conseqüência do afastamento do campo de incidência decorre a impossibilidade de que a pessoa jurídica possa aproveitar os créditos de IPI decorrentes de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, uma vez que tais aquisições não foram e nem serão, por força do comando judicial, utilizadas em processo que possa ser considerado industrialização, em descompasso, portanto com o fixado pelos artigos 164, inciso I e 165 do Decreto n° 4.544/2002 e artigos 226, inciso I e 227 do Decreto n° 7.212/2010”. Assim, foram os autos encaminhados à Saort para prosseguimento. Em seguida foi proferido o Despacho Decisório SAORT/DRF/CON, de 24/02/2012, fls. 407/415, que tomando por base as informações e constatações consignadas no Termo de Diligência/Verificação Fiscal de fls. 323/332 concluiu pelo indeferimento do pedido de ressarcimento formulado, sob o argumento, em síntese, de que “uma vez declarada judicialmente a inexistência de relação jurídicotributária relativa ao IPI entre Fl. 777DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 207 4 a União Federal e o contribuinte, não há que se falar em direito de ressarcir crédito de tal natureza”. Cientificado do Despacho Decisório em 07/03/2012 [fls. 417 e 419] manifestou a contribuinte a sua inconformidade em 09/04/2012 por intermédio do arrazoado de fls. 429/437, no qual, em síntese: inicialmente historia os fatos atinentes à ação judicial [processo nº 32.1710] desde a petição inicial até decisão final favorável transitada em julgado, mencionando, ainda, os autos de infração lavrados, formalizados sob os números 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, cujo desfecho, no julgamento pelo Segundo Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais foi pela improcedência dos lançamentos em face da existência de coisa julgada afastando a incidência do IPI sobre os serviços de impressão prestados por ela e da caracterização da atividade da empresa como mera composição gráfica sujeita apenas ao ISS; menciona a formulação de consulta acerca da possibilidade de manutenção e utilização de créditos relativos a MP, PI e ME consumidos no processo produtivo, da qual resultou a Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT nº 288, de 17/08/2004, que lhe reconheceu o direito de creditamento, resultando tal fato, a partir daí, no deferimento dos pedidos de ressarcimento; relata a representação feita pela DRF/CON à SRRF/6ª RF com o objetivo de análise quanto à anulação da solução de consulta em comento, da qual resultou o Despacho Decisório SRRF/6ª RF nº 199, de 29/10/2010, através do qual foi declarada “nula a Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT nº 288, de 17 de agosto de 2004, com efeitos retroativos”; informa que, “como não havia meios de manifestar o seu inconformismo na via administrativa, a defendente impetrou mandado de segurança em face da SRRF da 6ª Região Fiscal objetivando ‘(i) cancelar o despacho decisório nº 199 e restabelecer a Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT nº 288, de 17/8/2004; (ii) reconhecer que a resposta à consulta vincula todos os órgãos da RFB; e, (iii) determinar que, por ser posterior (direito superveniente) o benefício contido no art. 11 da Lei nº 9.779/99 não sofre os efeitos da decisão judicial transitada em julgado obtida pela impetrante nos autos da ação declaratória nº 32.171 ajuizada em 24/3/1982” fls. 625/640; acrescenta que após os trâmites normais foi proferida sentença [fls. 641/646] que cancelou o despacho decisório nº 199 e restabeleceu a Solução de Consulta nº 288/2004, contra a qual foi interposta apelação pela União Federal, em 11/05/2011 [fls. 649/652], recebida apenas no efeito devolutivo [fl. 653], tendo sido o processo remetido ao TRF1 onde aguarda julgamento; questiona se poderia a DRF/CON, em 24/02/2012, desconsiderar a decisão judicial e indeferir o pedido de Fl. 778DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 208 5 ressarcimento, uma vez que a decisão judicial vincula a administração tributária; pondera que, diante (i) da sentença proferida no MS que restabeleceu a Solução de Consulta 288/2004 e reconheceu que ela tem força vinculativa aos órgãos regionais da RFB; (ii) do recebimento do recurso de apelação apenas no efeito devolutivo; (iii) da eficácia e validade da sentença que não pode ser ignorada; (iv) da Solução de Consulta nº 288/2004, que assegura o direito ao ressarcimento dos créditos do IPI destacados nas notas fiscais de compra de insumos utilizados na prestação de serviços gráficos; não há nenhuma dúvida de que deve ser deferido o direito creditório pretendido; pede, ao final, o acolhimento da manifestação de inconformidade para cancelar o despacho decisório SAORT/DRF/CON, de 24/02/2012 e deferir o pedido de ressarcimento. Nestes termos vieram os autos, em 04/05/2012, a esta Terceira Turma da DRJ/JUIZ DE FORA/MG para julgamento [fl. 663]. Este, em apertada síntese, o relato dos fatos que antecederam o presente julgamento. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 0940711, de 22 de junho de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 RESSARCIMENTO. PROCESSO JUDICIAL EM ANDAMENTO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido, ou, de crédito objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, repisa todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Termina sua petição recursal pedindo a reforma da decisão combatida para fins de desconsiderar o disposto no Despacho Decisório nº 199, da DISIT/DRRF06, por força de decisão judicial de efeitos imediatos e reconhecer o direito de crédito da recorrente. É o Relatório. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 209 6 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade, de sorte que fico autorizado a enfrentar o mérito da lide. Conforme já relatado, a questão posta nos autos diz respeito exclusivamente a nulidade do despacho decisório que cancelou a Solução de Consulta SRRF/6º RF/DISIT nº 288, de 17 de agosto de 2004. O recorrente alega que possui o direito ao ressarcimento pleiteado por força da sentença em sede de Mandado de Segurança que restabeleceu a Solução de Consulta SRRF/6º RF/DISIT nº 288/2004 e, por consequência, assegurou o direito ao ressarcimento dos créditos do IPI destacados nas notas fiscais de compra de insumos utilizados na prestação de serviços gráficos. A Turma da DRJ Juiz de Fora entendeu que sem o trânsito em julgado da sentença não há direito líquido e certo, inviabilizando o deferimento do ressarcimento requerido. Delimitado o litígio, passo à análise. O ponto fulcral a ser enfrentado é a possibilidade de uma decisão sem trânsito em julgado ser objeto de um pedido administrativo de ressarcimento. O recorrente possui uma sentença apelada com efeito apenas devolutivo e busca executar administrativamente a decisão. Assim sendo, estamos diante de uma pretensa execução provisória contra a Fazenda Pública. Entendo não ser possível execução provisória contra Fazenda Pública, em vista de que a fórmula da execução contra a Fazenda Pública não se coaduna com os princípios norteadores da execução provisória. Outro fato importante é que diante do caráter definitivo da expedição do precatóriorequisitório, verdadeiro pagamento da obrigação executada, não há de se falar em provisoriedade da execução. E, por derradeiro, não se pode sobrepujar o interesse público em face de um pretenso direito do particular, ainda sujeito a alterações. Noutro giro, importante ressaltar que a Lei nº 9.430/96 coíbe o ressarcimento de valores reconhecidos judicialmente antes do trânsito em julgado da ação. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 210 7 Essa regra se baseia na necessidade de liquidez e certeza do crédito para que possa ser ressarcido valores do cofre do Estado. A liquidez caracterizada pela quantificação em moeda corrente do País e a certeza identificada pela incontestável existência e natureza tributária deste mesmo crédito. A sentença sem o trânsito em julgado, ou seja, enquanto sujeita a recurso, não passa de uma situação jurídica. Os efeitos próprios da sentença só ocorrerão no momento em que não mais será mais suscetível de reforma por meio de recursos. Neste instante, fará coisa julgada material, tornandoa imutável e indiscutível. Diante desses fundamentos jurídicos e legais, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, 22 de julho de 2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Declaração de Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA A par das judiciosas razões expendidas pelo ínclito relator, impetro vênia para expor as razões que sustentam minhas conclusões pelo improvimento do recurso, face à pela inocorrência dos pressupostos legais ao direito de crédito pleiteado. Tratandose de questão afeta a direito de crédito, inicialmente impõese delimitar o campo de incidência do IPI e do conseqüente campo de aplicação do princípio da não cumulatividade (art.153, Inc. IV e § 3º, alínea "b"; art. 49 do CTN), que obviamente não se aplica quando as operações são praticadas no âmbito do campo de incidência de outros impostos não sujeitos ao referido princípio. Como é elementarmente sabido, coerente com os princípios que informam a estrutura do Estado Federal, a Constituição brasileira estabeleceu um sistema de discriminação de competências tributárias, presidido pelos princípios da “privatividade”, “rigidez”, “segregação” e “incomunicabilidade das diferentes áreas” em que estão distribuídas tais competências, através do qual se enumeram taxativamente quais os tributos cuja instituição é autorizada a cada ente federado, definindoos em função de campos de imposição delimitados pela referência aos fatos econômicos que os caracterizam, de tal forma que a competência tributária dos entes federados só pode ser exercida em relação aos tributos autorizados, nos estritos limites (materiais e territoriais) dos respectivos campos de imposição, na forma e nas condições autorizadas pela Constituição, vigorando a parêmia de que é proibido o que não é expressamente autorizado (“prohibita intelliguntur quo non permissum”). Fl. 781DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 211 8 Como também é curial e esclarece Amílcar de Araújo Falcão, da atribuição da competência tributária privativa, necessariamente provém uma “dúplice decorrência”. “Em primeiro lugar, a atribuição de competência privativa tem um sentido positivo ou afirmativo: importa em reconhecer a uma determinada unidade federada a competência para decretar certo e determinado imposto. Em segundo lugar, da atribuição de competência privativa decorre um efeito negativo ou inibitório, pois importa em recusar competência idêntica às unidades outras não indicadas no dispositivo constitucional de habilitação: tanto equivale a dizer, se pudermos usar tais expressões, que a competência privativa é oponível erga omnes, no sentido de que o é por seu titular ou por terceiros contra quaisquer outras unidades federadas não contempladas na outorga.” (cf. Amílcar de Araújo FALCÃO, in “Sistema Tributário Brasileiro Discriminação de Rendas”, Edições Financeiras S/A, 1ª Ed., 1965, pág. 38). Fixadas estas elementares premissas decorrentes do sistema tributário adotado, já de início verificase que ao interpretar a discriminação constitucional de competências tributárias, tanto a Suprema Corte como o Superior Tribunal de Justiça, há muito já assentaram unissonamente que a atividade de composição gráfica, fotocomposição, clicheria, zincografia, litografia e fotolitografia se insere na competência tributária privativa dos Municípios (CF/88, art. 156, inc. III) para tributar os serviços composição gráfica, expressamente previstos na lista de serviços definidos em Lei Complementar (cf. item 77 da lista anexa ao DL nº 406/68; item 77 da lista anexa à LC nº 56/87; item 13.05 da lista anexa à LC nº 116/03), que “é taxativa, ou limitativa, e não simplesmente exemplificativa, (...), embora comportem interpretação ampla os seus tópicos”. (cf. Ac. da 2ª Turma do STF no RE nº 361.829RJ, em sessão de 13/12/05, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, publ. in DJU de 24/02/06, pág. 51, EMENT VOL0222203 PP00593 e in LEXSTF v. 28, n. 327, 2006, p. 240257). Na mesma ordem de idéias, já na vigência da Constituição de 1988, a Súmula 156 do STJ sedimentou o entendimento no sentido de que “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS” (cf. Súmula 156 da 1ª SEÇÃO do STJ, em sessão de 22/03/96, DJU de 15/04/96 p. 11631, in RSTJ vol. 86/135 e in RT vol. 726/168). Corroborando esse entendimento, verificase que ao definir o campo de incidência do IPI, o próprio RIPI/02, no § único do art. 2º (art. 2º, § único do RIPI/98) explicita que: “Art. 2º(..) Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação “NT” (nãotributado) (Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, art. 6º).” Por seu turno, verificase que na aplicação destes preceitos de inegável juridicidade e sob invocação do mesmo fundamento (competência privativa Municipal para tributar os serviços composição gráfica), é torrencial e indiscrepante a Jurisprudência Judicial da Suprema Corte e do STJ, proclamando a não incidência ou exclusão da tributação do ICMS e do IPI sobre a referida atividade, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “ISS. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. Utilização em produtos vendidos a terceiros. a feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de Fl. 782DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 212 9 identificação de produtos mercadorias, sob encomenda e personalizadamente, e atividade de empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizálos o cliente e encomendante na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiro. Recurso extraordinário conhecido e provido.” (cf. AC da 1ª Turma do STF no RE 111566SP, em sessão de 25/11/86, Rel. Min. RAFAEL MAYER Publicação, publ. in DJU de 12/12/86, pág. 24667 EMENT VOL0144503, pág. 383) “TRABALHOS GRÁFICOS PERSONALIZADOS E REALIZADOS MEDIANTE ENCOMENDA. A circunstancia de serem utilizados, pelo cliente, na embalagem de produtos de sua fabricação, vendidos a terceiros, não desfigura a sujeição da atividade da empresa gráfica ao imposto sobre serviços. precedente do Supremo Tribunal: RE106.069, (RTJ115/1.419). Recurso Extraordinário provido para restaurar a sentença que acolheu os embargos a execução fiscal.” (cf. AC. da 1ª Turma do STF no RE nº 110.944SP, em sessão de 30/09/86, REl. Min. Octavio Gallotti, publ. in DJU de 24/10/86, pág 20326, EMENT VOL0143805, pág. 1001) RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA PRELIMINAR DE PERDA DE OBJETO DA IMPETRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA QUESTÃO CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA SUJEITO UNICAMENTE AO ISS VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO § 1º DO ARTIGO 8º DO DECRETOLEI N. 406/68 SÚMULA N. 156 DO STJ. (...) A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decretolei n. 406/68. Há, portanto, nítida violação ao disposto no § 1º do artigo 8º do DecretoLei n. 406/68, uma vez que a hipótese dos autos configura prestação de serviços de composição gráfica personalizados, sujeitos apenas à incidência do ISS (Súmulas ns. 156/STJ e 143 do extinto TFR). Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI. Tanto isso é exato que, se forem embaralhadas as entregas, com a troca de destinatários, um estabelecimento não poderá servir se da encomenda de outro, que veio ter a suas mãos por mero acaso ou acidente de percurso. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 213 10 Dissídio jurisprudencial configurado quanto ao mérito. Recurso especial provido. (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 437.324RS, REg. nº 2002/00548208, em sessão de 19/08/03, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, publ. in DJU de 22/09/03 p. 295RT vol. 821 p. 191) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARTIGO 544 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO E POR ENCOMENDA. INCIDÊNCIA DO ISS. SÚMULA 156/STJ. 1. O ICMS não incide sobre serviços de composição gráfica, a teor da Súmula 156 do Superior Tribunal de Justiça, que preceitua: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Outrossim, é cediço no STJ que a incidência do ISS ocorre ainda que os serviços de composição gráfica não sejam personalizados ou não sejam exclusivamente para uso de encomendas (REsp 788.235/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 15.12.2005, DJ 20.02.2006; AgRg no REsp 621.191/MG, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 04.11.2004, DJ 06.12.2004; e REsp 327.504/SP, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 06.11.2001, DJ 25.02.2002). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 1.092.206/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que não incide ICMS sobre os serviços de composição gráfica. Isto porque: "As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item 13.05). Conseqüentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção." 4. Agravo regimental desprovido. (cf.Ac. da 1ª Turma do STJ no AgRg no Ag nº 1071523SP Reg. nº 2008/01441541, em sessão de 18/08/09, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 14/09/09) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, Fl. 784DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 214 11 in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido.” (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no AgRg nº REsp 966184RJ, Reg. nº 2007/01571231, em sessão de 03/04/08, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, publ. in DJU de 19/12/08 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃO GRÁFICAS. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO INCIDÊNCIA EXCLUSIVA DO ISS. NÃOINCIDÊNCIA DO IPI. CONCEITO DE PRODUTO INDUSTRIALIZADO. MATÉRIA DE ÍNDOLE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL VIOLAÇÃO DOS ARTS. 96 E 100 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. O conceito de produto industrializado é pressuposto pela Constituição Federal que, como de sabença, utiliza os conceitos de direito no seu sentido próprio, pelo que implícita a norma do art. 110 do CTN, que interdita a alteração da categorização dos institutos. 2. Consectariamente, qualificar como produto industrializado aquele que não ostenta essa categoria jurídica implica em violação bifronte ao preceito constitucional, porquanto o texto maior a utiliza não só no sentido próprio, como também o faz para o fim de repartição tributáriaconstitucional. 3. Sob esse enfoque, é impositiva a regra do artigo 153, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, verbis: "Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I Importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; (...)." 4. Deveras, a conceituação de produto industrializado encarta se na mesma competência que restou exercida pela Corte Suprema na análise prejudicial dos conceitos de faturamento e administradores e autônomos para os fins de aferir hipóteses de incidência, mercê de a discussão travarse em torno da legislação infraconstitucional que contemplava essas categorizações, reproduzindo as que constavam do texto maior. 5. Sobressai, desta sorte, imprescindível a manifestação da Corte Suprema sobre o thema iudicandum, suscitado de forma explícita ou implícita em todas as causas que versam sobre a competência tributária da União, essência manifesta das decisões que tem acudido ao E. STJ. 6. Ademais, a circunstância de o fato gerador vir estabelecido em legislação tributária que não Lei Formal e concluirse pela Fl. 785DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 215 12 inaplicabilidade da mesma, não significa violar os arts. 96 e 110 do CTN, tanto mais que aos mesmos não se referiu o aresto recorrido e por isso ausente o prequestionamento. 7. Recurso especial não conhecido. (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 817182RJ, Reg. nº 2006/00252577, em sessão de 28/11/06, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 08/03/07 p. 170) Dos preceitos expostos resulta claro que por força de expressas disposições da discriminação de competências constitucionais (art. 156, inc. III, § 3º; art. 155, inc. II, § 2º, incs.VII, X, alínea “d” e XI; e art. 153, inc. IV, § 2º) e dos princípios dela decorrentes (princípios da “privatividade”, “rigidez”, “segregação” e “incomunicabilidade das diferentes áreas” em que estão distribuídas tais competências), estes últimos regularmente estabelecidos pela Lei Complementar (LC 116/03, item 13.05) nos expressos termos do art. 146 da CF/88, o produto industrializado pela da Recorrente ("Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem") está fora do campo de incidência do IPI e do ICMS, posto que expressa e privativamente inserido no campo de incidência do ISS, tal como já proclamado pela Jurisprudência cristalizada nas Súmulas nº143 do extinto TFR e nº 156 do E. STJ, esta última editada já na vigência da atual Constituição e portanto aplicável também ao IPI, conforme proclamado nos arestos retro citados. Encontrandose a saída do produto confeccionado pela Recorrente fora do campo de incidência do IPI, já de início não há como se cogitar da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI, cujo pressuposto é exatamente a efetiva incidência do tributo na saída do estabelecimento industrializador, vez que o RIPI/02 expressamente veda a escrituração de créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, dispondo em seu art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” (arts. 171 e 174 do RIPI/98) que: “Art. 190. Os créditos serão escriturados, pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal. (...) “Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I – relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos não tributados”. No mesmo sentido, a Instrução Normativa SRF nº 33/99, de 4/03/99, expressamente dispôs que : Fl. 786DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 216 13 “Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...). § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (...).” Assim, achandose expressamente excluída do campo de incidência do IPI, data vênia, verificase que ao realizar as operações com produto NT a Recorrente não só não detém qualquer direito a créditos de IPI relativos às aquisições de insumos (MP, PI e ME ainda que isentas ou tributadas à alíquota zero), nem só se acha legalmente impedida de escrituralos, como está legalmente obrigada a estornalos (art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” do atual RIPI/02 arts. 171 e 174 do RIPI/98). Pelas mesmas razões e, diante da impossibilidade legal e fática sequer de efetuar o suposto “crédito”, quanto mais de acumular “saldos credores” de IPI sobre o produto excogitado, verificase que os hipotéticos “saldos credores” vislumbrados pela ora Recorrente, não poderiam ser passíveis de restituição ou ressarcimento por absoluta ausência dos pressupostos legais à sua concessão (Lei n. 9.779/99, art. 11; Lei 9.430/96, art. 74, § 3º na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” do RIPI/02 e art. 2º § 3º da IN/SRF nº 33/99) e, muito menos poderseia cogitar de sua “utilização” para a compensação ou quitação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela SRF, tal como açodadamente supôs a ora Recorrente. Nesse sentido a Jurisprudência do antigo 2ª CC, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. O princípio da nãocumulatividade garante apenas o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. SAÍDA DO PRODUTO FINAL NÃO TRIBUTADO. ESTORNO DO IMPOSTO.Mesmo com o advento da Lei nº 9.779/99, o crédito do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização de produtos que não sejam tributados, deve ser anulado mediante estorno (IN SRF nº 33/99, art. 2º, § 3º). (...) .Recurso negado. (cf. ACÓRDÃO 20178890 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 129471, Proc. nº 13682.000026/0088, em sessão de 07/12/2005, Rel.Cons. Maurício Taveira e Silva, publ. in D.O.U. de 15/02/2007, Seção 1, pág. 54.) Releva, finalmente, notar que a atividade tratada nestes autos (serviços de confecção de “Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem” sob encomenda e para uso exclusivo do encomendante), não se confunde com a atividade gráfica em escala industrial de Fl. 787DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.000570/0016 Acórdão n.º 3402002.398 S3C4T2 Fl. 217 14 artefatos não personalizados (tais como blocos, cadernos, formulários, livros fiscais, baralhos etc.), cujas saídas do estabelecimento industrializador estão inseridas no campo de incidência do IPI. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao do presente Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida, que se conforma com a lei e com a jurisprudência judicial e desde E. Conselho. É o meu voto. Sala das Sessões, em 22 de julho de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 788DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 14120.000349/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/06/2007 a 31/12/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. LANÇAMENTO. VALIDADE.
O Mandado de Procedimento fiscal - MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente.
CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/06/2007 a 31/12/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. LANÇAMENTO. VALIDADE. O Mandado de Procedimento fiscal - MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente. CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
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COM. IMPORT. EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/2007 a 31/12/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. LANÇAMENTO. VALIDADE. O Mandado de Procedimento fiscal MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente. CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 03 49 /2 00 9- 36Fl. 468DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Relatório Cuida o processo de auto de infração de Cofins, período junho a dezembro de 2007, formalizado para prevenção da decadência e exigibilidade suspensa para constituir diferenças oriundas da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, consoante medida judicial exarada no MS 2007.60.03.0003859. Em impugnação o contribuinte tachou o lançamento de nulo, por vício no procedimento fiscal, decorrente de falhas na emissão e prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, citando jurisprudência administrativa, e, no mérito, pugnou pela improcedência do lançamento, aduzindo que o ICMS não se qualifica como faturamento da pessoa jurídica. A DRJ Campo Grande/MS rechaçou o vício de nulidade e declarou a renúncia às instâncias administrativas devido à concomitância entre o processo judicial e o administrativo tratando da mesma matéria. Em recurso voluntário o contribuinte refutou a renúncia à discussão administrativa e, na seqüência, reprisou, com alguma variação, os fundamentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Inicialmente peço licença para inverter a ordem de enfrentamento das questões, tais como postas na peça contestatória, para facilitar o entendimento e organizar a fundamentação do voto. Neste sentido, principio por examinar a propalada nulidade do lançamento por pretensos defeitos na emissão e prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e já acentuo que desde há muito foi superada a jurisprudência citada pelo decorrente, que vislumbrava em tal situação um vício insanável do ato administrativo de lançamento. Hodiernamente vige a exegese segundo a qual tal elemento é mero instrumento de controle administrativo que não possui o condão de viciar o lançamento, cujos requisitos mínimos de validade vêm arrolados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, dele não Fl. 469DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14120.000349/200936 Acórdão n.º 3401002.648 S3C4T1 Fl. 11 3 constando a prévia emissão do mandado em comento, como decidido pela autoridade julgadora de primeiro grau administrativo. O exercício legal da atividade de lançamento cometido às autoridades fiscais deflui e é atribuída diretamente dos textos legais, a saber, art. 142 do Código Tributário Nacional e Lei nº 10.593/2002, não podendo ser restringida por atos normativos de inferior hierarquia, como o caso das portarias, ainda que emanadas da Secretaria da Receita Federal. Para referendar o posicionamento, colaciono, de forma exemplificativa, acórdãos desta casa julgadora: “NORMAS PROCESSUAIS FALTA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO INEXISTÊNCIA A Portaria SRF nº 1.265, de 1999, que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, em virtude do princípio da legalidade (CF, art. 5º, inc. II) e da hierarquia das leis, não se sobrepõe às disposições do Código Tributário Nacional CTN, às do Decreto nº 70.235, de 1972, em especial às dos arts. 7º e 59, que versam, respectivamente, sobre o início do procedimento fiscal e sobre as hipóteses de nulidade do lançamento. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL Disposições das Leis nºs 2.354, de 1954, e 10.793 (sic), de 2002 e do DecretoLei nº 2.225, de 1985, se sobrepõem à Portaria SRF nº 1.265, de 1999. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta.” (Ac. 10246676, sessão de 16/03/2005). “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Não obstante o fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle administrativo, não há que se falar em sua ausência nos casos em que as apurações decorreram do confronto entre os valores declarados e os apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, procedimento que, de forma expressa, constava do mandado original. (...).” (Ac. 10517007, sessão de 28/05/2008). “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mãodeobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos arts 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. O MPF, Fl. 470DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 todavia, é essencial à validade do lançamento quando efetuado com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, nova redação dada pelo art. 1º da Lei 10.174, de 09.01.2001, e Decreto n º 3.724, de 10.01.2001, por se tratar de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização com aplicação imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. (...)” (Ac. 10708991, sessão de 25/04/2007) Outrossim, na precisa lição de Paulo de Barros Carvalho1, o lançamento é um ato administrativo e não um verdadeiro procedimento, assim entendido como uma série de atos concatenados que se conjugam para composição de um todo unitário visando um fim específico, como faz crer o art. 142 do CTN, verbis: “Caracterizar o lançamento como um procedimento, consoante a expressão do art. 142 do Código Tributário Nacional, é atuar com grande imprecisão. Se o procedimento se substancia numa série de atos, que se conjugam objetivamente, compondo um todo unitário para consecução de um fim determinado, tornase evidente que, ou escolhemos o ato final da série, resultado de um procedimento, para identificar a existência da entidade, ou haveremos de reconhecêlo, assim que instalado o procedimento, com a celebração dos primeiros atos. Parece óbvio que não basta haver procedimento para que exista lançamento. Ainda mais, pode haver lançamento sem qualquer procedimento que o anteceda, porque aquele nada mais é do que um ato jurídico administrativo (...)” Prossegue o autor apresentando o seu conceito de lançamento: “Lançamento é o ato jurídico administrativo, da categoria dos simples, modificativos ou assecuratórios e vinculados, mediante o qual se declara o acontecimento do fato jurídico tributário, se identifica o sujeito passivo da obrigação correspondente, se determina a base de cálculo e alíquota aplicável, formalizando o crédito e estipulando os termos de sua exigibilidade. Na mesma linha seguem as colocações de Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez López2: “Embora esse dispositivo (art. 142 do CTN) tenha se referido ao lançamento como ‘procedimento’, a doutrina majoritária, embasada nos parâmetros da Teoria Geral do Direito e do Direito Administrativo, tem sustentado tratarse apenas de um ato administrativo. Os que assim defendem partem da premissa de que o ato administrativo é aquele que cria, modifica e extingue direitos, e o ato de lançamento tem exatamente a função de constituir o direito pelo qual o Fisco pode exigir o crédito tributário. (...) Assim, podese afirmar que o lançamento é ato administrativo, que decorre de um procedimento fiscal, de caráter declaratório de um fato ocorrido, 1 Curso de Direito Tributário. 10ª edição, revista e aumentada. Ed. Saraiva. São Paulo: 1998. págs. 261, 264 e 265. 2 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 2ª Edição. Editora Dialética. São Paulo: 2004. pág. 115. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14120.000349/200936 Acórdão n.º 3401002.648 S3C4T1 Fl. 12 5 imponível e constitutivo de uma relação jurídicotributária entre o sujeito ativo, representado funcionalmente pelo agente fiscal do ato, e o sujeito passivo a quem fica acometido um dever jurídico, cujo objeto é o pagamento de uma obrigação pecuniária.” Portanto, considerando que o procedimento de fiscalização não é componente e sequer exigência para formalização do lançamento, haja vista que em determinadas situações é providência dispensável, não há como admitir que vícios porventura verificados nesta etapa tenham o condão de contaminar e eivar de nulidade o lançamento dele decorrente. Respeitante à altercação sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins é inconteste sua dedução perante o Poder Judiciário, esbarrando a pretensão de debater esta questão nesta seara na impossibilidade de concomitância de discussões sobre a mesma matéria na esfera judicial e administrativa, porquanto vige em nosso sistema jurídico positivo o princípio da unidade de jurisdição, o poder de dizer o direito, como palavra final, que é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, de modo que a opção do contribuinte pela via judicial importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso administrativo porventura apresentado, como se extrai do art. 1º, § 2º do DecretoLei nº 1.737/79, in verbis: “Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: I relacionados com feitos de competência da Justiça Federal; II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito; IV em garantia, na licitação perante órgão da administração pública federal direta ou autárquica ou em garantia da execução de contrato celebrado com tais órgãos. § 1º O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1º, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” (destacado) Não discrepa, quanto a substância, o teor do art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80: “Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” (destacado) Desta Casa Julgadora, cito o verbete da súmula CARF nº 1 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial) e o art. 78, § 2º, in fine do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que reproduzo: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (...)” (grifei) Da leitura dos excertos coligidos, inferese sem maiores dificuldades que a legislação de regência afasta qualquer possibilidade de discussão paralela de questão submetida tanto à esfera administrativa quanto a judicial, prevalecendo, sempre este último em vista do já aventado monopólio da jurisdição. Na lição de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart3, certas circunstâncias, quando presentes no processo, tomam caráter de verdadeiro “negócio processual”, alterando os direitos processuais conferidos aos sujeitos do processo, tal é o que ocorre na renúncia ao direito de recorrer e na desistência do recurso interposto, diferindo uma do outra na medida em que esta última se opera posteriormente ao oferecimento do recurso, enquanto aqueloutra antecede à sua apresentação. Assim, pouco importa que a opção pela via judicial seja anterior ao lançamento, como alega o recorrente, uma vez que a submissão da causa ao Poder Judiciário redunda sempre na renúncia ao direito de recorrer ou na desistência do recurso interposto. De outra banda, devese reconhecer que a nulidade do lançamento, como ponto controvertido não tratado no mandamus respectivo, é matéria distinta daquela constante do processo judicial e, como tal deve ser decidida, o que foi feito pela decisão recorrida e também na presente oportunidade, não havendo cabimento para qualquer reprimenda, devendo a decisão administrativa a quo ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl 3 Manual do Processo de Conhecimento. 4ª edição, revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005. pág. 516 e 518. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14120.000349/200936 Acórdão n.º 3401002.648 S3C4T1 Fl. 13 7 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10580.722960/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMPRESA CONTRATADA PARA DISTRIBUIR CARTÕES DE TELEFONIA CELULAR COMERCIALIZADOS POR OUTREM. VALORES QUE NÃO INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
Da análise dos contratos existentes nos autos e demais elementos de prova, dentre os quais a relação dos cheques indicando o repasse dos valores e a declaração da beneficiária de que tais montantes correspondiam ao repasse de valores que lhes pertenciam, forma-se a convicção de que ditas importâncias não são receitas da autuada, devendo ser excluído da base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base tributável o montante de R$ 8.384.264,44, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 EMPRESA CONTRATADA PARA DISTRIBUIR CARTÕES DE TELEFONIA CELULAR COMERCIALIZADOS POR OUTREM. VALORES QUE NÃO INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Da análise dos contratos existentes nos autos e demais elementos de prova, dentre os quais a relação dos cheques indicando o repasse dos valores e a declaração da beneficiária de que tais montantes correspondiam ao repasse de valores que lhes pertenciam, forma-se a convicção de que ditas importâncias não são receitas da autuada, devendo ser excluído da base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 EMPRESA CONTRATADA PARA DISTRIBUIR CARTÕES DE TELEFONIA CELULAR COMERCIALIZADOS POR OUTREM. VALORES QUE NÃO INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Da análise dos contratos existentes nos autos e demais elementos de prova, dentre os quais a relação dos cheques indicando o repasse dos valores e a declaração da beneficiária de que tais montantes correspondiam ao repasse de valores que lhes pertenciam, formase a convicção de que ditas importâncias não são receitas da autuada, devendo ser excluído da base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base tributável o montante de R$ 8.384.264,44, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 29 60 /2 01 0- 84 Fl. 3507DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.722960/201084 Acórdão n.º 1402001.724 S1C4T2 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório A autuação de que trata este processo, com fatos geradores em cada um dos trimestres do anocalendário de 2005, exigida com multa de 75% (setenta e cinco por cento), referese a depósitos realizados junto a instituições financeiras, em que a recorrente, nos dizeres da autoridade fiscal, foi regularmente intimada e não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A movimentação financeira da recorrente foi obtida mediante requisições de informações de fls. 257/263, expedida com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.734, de 2001. Os valores tributáveis em cada mês, cuja soma resulta na base de cálculo da exigência do tributo em cada um dos respectivos trimestres, consta do auto de infração (fl. 4), do TVF (fl. 44) e foram relacionados, de forma individualizada, na planilha de fls. 556 a 601, composta de 46 (quarenta e seis páginas), com centenas de valores, somando o quanto consta do quadro abaixo, extraído da fl. 44 dos autos: Além da infração relacionada aos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, a empresa foi autuada por infração relacionada à receitas da prestação de serviços escriturada e não declarada, com fatos geradores em cada um dos trimestres do anocalendário de 2005. Fl. 3508DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.722960/201084 Acórdão n.º 1402001.724 S1C4T2 Fl. 12 3 Quanto aos aspectos legais, em relação ao IRPJ, o lançamento encontrase fundamentado nos artigos 25 e 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e nos artigos 224, 518, 519, § 1º, incisos III, alínea a e §§ 4º a 7 º, e art. 528, todos do Regulamento do Imposto de Renda e, em relação à CSLL o auto de infração está fundamentado no artigo 22 da Lei nº 10.684, de 2003 e artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2002. No que se refere à multa e juros as regras de incidência apontadas foram, respectivamente, o artigo 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996 e artigo 61, § 3º, desta mesma lei. Sobre as receitas que formaram a base de cálculo das infrações retromencionadas houve exigência de Cofins e de PIS, com fatos geradores mensais, tendo como fundamento legal, respectivamente, os art. 2º, II, e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002 e, os artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 70, de 1970 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995 (fl. 17 e seguintes). O valor do crédito tributário, acrescido de multa e juros de mora até a data do lançamento é R$ 3.281.948,64 (fl. 2) e as infrações estão descritas, de forma detalhada, no termo de verificação fiscal de fls. 38/45, que é parte integrante do auto de infração. Na impugnação de fls. 1.301 a 1.313 a autuada reportase aos esclarecimentos fornecidos à fl. 1000 e aos contratos de fls. 611 e seguintes, datados de 02 de janeiro de 2004, que têm por objeto a distribuição de cartões "prépagos" da operadora de telefonia CLARO, dizendo que dos 100% recebidos na conta bancária somente 3%1 era receita da fiscalizada, sendo o restante repassado à empresa CDA LOGÍSTICA (fl. 1000). Segundo a fiscalizada, em 2005 ela atuava como prestadora de serviços de distribuição de cartões de recarga prépagos de telefones móveis, tendo sido contratada pela empresa CDA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO E SERVIÇOS DE MARKETING LTDA. Diz que a empresa CDA representava os interesses da empresa de telefonia celular CLARO. Sustenta a recorrente que no contrato entre ela e a CDA LOGÍSTICA esta demonstrado que esta, na condição de contratada da CLARO para distribuir cartões prépago de telefonia móvel, recontratou a autuada para distribuir ditos cartões. A autuada recebia os valores e repassava à CDA LOGÍSTICA a quem competia encaminhar os recursos à empresa CLARO. Visando demonstrar que os recursos creditados em suas contas bancárias não se correspondiam a receitas suas, mas sim da própria empresa de telefonia CLARO, sendo que a recorrente somente recebia comissão de 3% (três por cento) sobre o valores que arrecadava com a distribuição e repassava à CDA LOGÍSTICA para esta entregar à CLARO, conforme contrato, a fiscalizada juntou aos autos identificação de grande quantidade de cheques especificados às fls. 1.021 a 1.247, com os respectivos "canhotos", registrando tratarse de valores alcançados à empresa CDA. Observo, ainda, que não passou despercebido por este relator tratarse de inúmeros cheques no valor de R$ 4.900,00, emitidos num único dia, para compor um valor maior, conforme quadro exemplificativo que segue: 1 Cláusula 4.4 do contrato de fl. 1006. Fl. 3509DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.722960/201084 Acórdão n.º 1402001.724 S1C4T2 Fl. 13 4 Outras alegações do contribuinte, também destacadas antes do lançamento, é que outra parte dos valores creditados em sua conta referemse à venda de Planos de Saúde à empresa Medial Saúde Logística e parte a contrato de desconto de cheque prédatado, cuja cópia dos respectivos contratos juntou aos autos. No decorrer do procedimento fiscal o contribuinte demonstrou ter realizado diligências junto às instituições financeiras para obter a microfilmagem dos cheques correspondentes aos repasses feitos à CDA LOGÍSTICA, sem obter êxito, requerendo, inclusive, que a autoridade fiscal se valesse de suas prerrogativas para solicitar as referidas microfilmagens. A DRJ, por maioria de voto, manteve o lançamento com base no entendimento de que o sujeito passivo não apresentou provas capaz de comprovar a origem dos depósitos bancários. O voto vencido consta em declaração de fls. 3.433/3440, posicionouse na seguinte linha: Ante o exposto, voto para que o valor dos pagamentos efetuados pela Impugnante à CDA Logística, que estejam relacionados com a atividade de distribuição, seja excluído do valor da base tributável do IRPJ, visto que não se configuram receita bruta, mas sim, quitação de uma dívida com a CDA Logística. Intimado do acórdão, de forma tempestiva a parte interessada apresentou recurso repisando os argumentos articulados quando da impugnação, limitandose, porém, às questões relacionadas a distribuição de cartões de telefonia móvel "pré pagos", ou seja, que os recursos creditados em suas contas bancárias não correspondiam à receitas próprias, mas sim à receita de terceiros. Alegou, ainda, em preliminar, cerceamento do direito de defesa por não realização de perícia e expedição de ofício solicitando a microfilmagem aos Bancos, dos cheques depositados na conta da CDA. Diante da aparente verossimilhança das alegações da recorrente, em sessão anterior, quando relatei este processo, apresentei proposta de voto, acompanhada pelo colegiado, para converter o julgamento em diligência, devendo a autoridade fiscal intimar a empresa CDA Logística de Distribuição e Serviços de Marketing Ltda, com cópia, preferencialmente fornecidas Fl. 3510DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.722960/201084 Acórdão n.º 1402001.724 S1C4T2 Fl. 14 5 por meio digital, do contrato de fls. fls. 1005/1012; dos documentos de fls. 1.021 a 1.247, e da planilha de fls. 743/784, solicitando, no prazo de 20 (vinte dias) as seguintes respostas: a) Se efetivamente a empresa Gilmiranda Logística de Distribuição e Representação Comercial Ltda, CNPJ nº 03.381.921/000130, celebrou com a empresa CDA Logística de Distribuição e Serviços de Marketing Ltda, o contrato de prestação de serviços de fls. 1005/1012; b) Se a empresa Gilmiranda Logística de Distribuição e Representação Comercial Ltda, repassou a CDA Logística de Distribuição e Serviços de Marketing Ltda os valores especificados nos cheques indicados às fls. fls. 1.021 a 1.247, e na planilha de fls. 743 a784; c) Caso a empresa Gilmiranda Logística de Distribuição e Representação Comercial Ltda, tenha repassado os valores especificados nos canhotos dos cheques de fls. 1.021 a 1.247 e planilha de fls. 743 a 784, que a CDA Logística de Distribuição e Serviços de Marketing Ltda, informe a que se referiam os citados repasses. Por fim, registro que as diligências aqui determinadas não impedem que a autoridade preparadora, em constatando fato relevante no cumprimento da diligência, realize outros procedimentos e, se desejar, emita relatório conclusivo acerca do que constatar. Inicialmente, a autoridade preparadora certificou que deixou de cumprir a diligência em razão da empresa CDA Logística, desde 07/10/2011, encontrarse na situação de INAPTA, por inexistência de fato. Estando identificado nos autos quem eram os representantes legais (sócios) da empresa CDA Logísticas, lancei despacho propondo que os autos voltassem à origem para que a diligência fosse levada a efeito no endereço dos sócios, o que resultou cumprida de forma positiva, conforme documentos de fls. 3496 e seguintes. É o relatório. Fl. 3511DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.722960/201084 Acórdão n.º 1402001.724 S1C4T2 Fl. 15 6 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, relator O recurso é tempestivo, está devidamente fundamentado, foi interposto pela parte interessada que pretende ver reformada a decisão recorrida. Assim, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame do mérito. A cópia do contrato de fls. 1005/1012 e seguintes, datado de 2/1/2004, firmado entre a empresa CDA Logística de Distribuição e Serviços de Marketing Ltda e a GILMIRANDA Corretora de Seguros de Vida Ltda CNPJ 03.381.921/000130, com sede na Rua Conselheiro Saraiva, 149, 8º andar, na cidade de Salvador, tem por objeto a distribuição de cartões "prépagos" de telefonia celular. Do exame dos autos, também verifico a existência do contrato de fls. 620/625, com cópia às fls. 1013 e seguintes, datado de 24/10/2000, firmado entre a empresa MEDIAL SAÚDE S/A e GILMIRANDA Corretora de Seguros de Vida Ltda CNPJ 03.381.921/000130, tendo por objeto a mediação da contratada (GILMIRANDA) na intermediação de contrato de prestação de serviços de assistência médico hospitalar, nominados de planos de saúde. No contrato aqui referido está consignado que a remuneração da contratada seria devida após quitação pelo adquirente do Plano de Saúde, sendo dito pagamento realizado na sede da MEDIAL SAÚDE S/A. Pelo que se extrai do documento de fl. 639, datado de 17/3/2009, a empresa anteriormente denominada GILMIRANDA Corretora de Seguros de Vida Ltda, passou a chamarse GILMIRANDA LOGÍSTICA, mantendo o CNPJ nº 03.381.921/000130 Quando do relatório, de forma aleatória, relacionei os valores que teriam sido repassados no dia 13/1/2005. Ao elaborar o voto, diante das informações do ANEXO XIII, juntado aos autos pela fiscalizada, procurei identificar alguma correlação, localizando a seguinte planilha existente à fl. 744: Das planilhas que compõem o ANEXO XIII, depreendese que aparentemente existia uma espécie de "controle contacorrente" onde eram efeitos os ajustes. Como os valores alegadamente repassados no dia 13 de janeiro de 2005, conforme demonstra a Fl. 3512DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.722960/201084 Acórdão n.º 1402001.724 S1C4T2 Fl. 16 7 tabela da esquerda, superam em muito os valores recebidos entre o período de 7/1/2005 a 13/1/2005, apontados na tabela acima, necessário que se identifique o período de apuração dos valores repassados em 13/1/2005. Não identifiquei tal dado nos autos, até porque a referida planilha registra um saldo negativo em favor de uma das partes no valor de R$ 25.389,86. Em busca de maiores elementos, avancei para as operações do dia seguinte encontrei o seguinte quadro: Da análise dos autos, me chamou atenção que no dia 18/1/2005 houve um desbloqueio, na conta bancária da recorrente, no valor de R$ 26.077,38, conforme demonstrado na primeira linha da do quadro da direita e no extrato bancário, à fl. 282. Procurando identificar como eram feitos os depósitos nas contas bancárias da recorrente, utilizando como parâmetro a conta do Banco do Brasil, na primeira quinzena de 2005, cujo extrato consta das fls. 279, vi que os créditos eram efetuados em pequenos valores. Isto explica o porquê no dia 18/1/2005 aparece o desbloqueio do valor de R$ 26.077.38. Ao examinar o extrato de fls. 282 percebi que neste dia foi desbloqueado R$ 26.077,38 corresponde à soma de inúmeros depósitos de menor valor. A título de exemplo transcrevo as planilhas contendo os depósitos e desbloqueios ocorridos nos dias 07, 10 e 18 de janeiro de 2005 (fls. 279 e 282): Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.722960/201084 Acórdão n.º 1402001.724 S1C4T2 Fl. 17 8 ... Em outras palavras, o valor correspondente ao desbloqueio, em regra, corresponde a vários depósitos ou, ainda, a depósito com vários cheques e datas de compensação diferentes. O contrato de fls. 1005 e seguintes, faz prova de que a empresa CDA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO E SERVIÇOS DE MARKETING LTDA, contratou a fiscalizada para “redistribuição dos cartões de telefonia CLARO prépagos, no estado da Bahia.” A cláusula 2 que trata do objeto do contrato está assim descrita: “2.2.1. O presente contrato tem por objeto a redistribuição exclusiva, pela CONTRATADA, de CARTÕES emitidos pela CLARO e comercializados pela CONTRATANTE, em conformidade com as normas em vigor.” A primeira questão a ser analisada diz respeito a indagação de quem comercializa os cartões, isto é, se a CONTRATANTE (CDA LOGÍSTICA) ou pela CONTRATADA (GILMIRANDA). Neste sentido, a cláusula segunda é objetiva ao indicar que “a comercialização se dá pela CONTRATANTE”, pois fala em redistribuição de cartões emitidos pela CLARO e comercializados pela CONTRATANTE. O item 4.1. da cláusula quarta, sob o título “DA DISTRIBUIÇÃO” disciplina como a contratada GILMIRANDA devia formalizar os pedidos de cartões, cabendo à CONTRATANTE efetuar a emissão de nota fiscal de para distribuição ou documento fiscal ou comercial equivalente. Ora, se é nota fiscal de remessa, para distribuição, à toda evidência, a CONTRATANTE (CDA LOGÍSTICA) não está vendendo os cartões à GILMIRANDA e sim enviandoos para redistribuição, conforme previsto na cláusula segunda. Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.722960/201084 Acórdão n.º 1402001.724 S1C4T2 Fl. 18 9 O fato do item 5.1 dispor que a CONTRATADA pagará à contratante, de acordo com a prática comercial acordada entre as duas, o valor equivalente ao número de CARTÕES pedidos multiplicados pelos seus valores de face, já descontado o valor do percentual correspondente à política comercial em vigor, não descaracteriza o contrato. Tratase de cláusula que, na essência, estabelece a forma como a GILMIRANDA repassará os valores correspondentes a redistribuição. Na verdade, o termo mais adequado, em vez de pagamento, deveria ser repasse. Ratificando que o contrato tem por objeto a redistribuição dos cartões, além do indicado na cláusula segunda e nos itens anteriormente analisados, na cláusula sétima, mais precisamente nos itens 7.1.a e 7.1.d estão as obrigações da CONTRATADA GILMIRANDA obedecer as instruções da contratante para comercialização dos cartões e informar semanalmente os estoques. Assim, na linha do voto vencido proferido pelo auditor Bráulio Costa da Cruz, estou convencido de que parte dos valores creditados nas contas correntes da fiscalizada, mais precisamente os indicados na relação de fls. 1021 a 1247, quando verificados a respectiva compensação por meio dos extratos existentes nos autos, não correspondem à receita da GILMIRANDA e sim receita da empresa CDA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO E SERVIÇOS DE MARKETING LTDA, conforme afirmado à fl. 3499, pela representante legal da empresa CDA LOGÍSTICA, quando do cumprimento da diligência. Ainda, como razões de decidir, nos termos do artigo 50, § 3º, da Lei nº 9.784, de 19992, adoto os fundamentos contidos na declaração de voto do ilustre auditor Braulindo Costa da Cruz, contida às fls. 3433/3440, que votou “para que o valor dos pagamentos efetuados pela Impugnante à CDA Logística, que estejam relacionados com a atividade de distribuição, seja excluído do valor da base tributável do IRPJ, visto que não se configuram receita bruta, mas sim, quitação de uma dívida com a CDA Logística.” Fiel ao que se debateu quando da sessão de julgamento, observo que, junto com o Conselheiro Frederico, fiz exame para ver se existia ligação, no quadro societário, entre os sócios das empresas CDA LOGÍSTICA e GILMIRANDA. Da análise do contrato de fls. 3500 da CDA Logística e do contrato de fls. 154 e seguintes da GILMIRANDA, no que diz respeito ao quadro societário e endereço de funcionamento, não se identificou qualquer elemento que pudesse ser indicativo de ligação ou conluio entre estas empresas, objetivando realizar operações comercias para sonegar tributos. Concluindo que os valores repassados à CDA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO E SERVIÇOS DE MARKETING LTDA, identificados nos cheques cujos números e valores estão identificados nos documentos de fls. 1021 a 1247, em planilha do excel somei cada um deles chegando ao montante de R$ 8.384.264,44, que deve ser excluído da base de cálculo. Por fim, observo que no momento em que a recorrente alegava nulidade por não ter a fiscalização solicitado a microfilmagem dos cheques, conforme autorizado, em sendo acolhido o recurso para excluir da base de cálculo o valor correspondente a tais cheques, a preliminar de nulidade perdeu a razão de ser. 2 § 3º. A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.722960/201084 Acórdão n.º 1402001.724 S1C4T2 Fl. 19 10 Observo, por derradeiro, que o recurso somente trata das questões referentes às transferências à CDA LOGÍSTICA, não apontando quaisquer fundamentos relacionados à venda de planos de saúde. ISSO POSTO, voto por dar parcial provimento ao recurso para excluir da base tributável o montante de R$ 8.384.264,44. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10730.720214/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO. OCORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL APÓS A DATA PREVISTA PARA O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. RENDIMENTOS OFERECIDOS A TRIBUTAÇÃO NO PERÍODO BASE DE APURAÇÃO PELO BENEFICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE IRRF SOBRE ESTES MESMOS RENDIMENTOS APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVEVIDO. INAPLICABILIDADE DA IMPUTAÇÃO PARA EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA.
Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto a título de fonte extingue-se, no caso de pessoa jurídica, na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento deveria ser tributado, sendo irrelevante a existência de discussão judicial que suspende a exigibilidade do IRRF. Se, por ventura, a decisão judicial for desfavorável se faz necessário que o contribuinte providencie o recolhimento do imposto devido.
Por outro lado, se o beneficiário, pessoa jurídica, comprovadamente, houver incluído estes rendimentos na apuração de resultados e, portanto, computados no lucro líquido e na determinação do lucro real no exercício em que o fato gerador ocorreu torna-se inaplicável a exigência, em data posterior, de IRRF sobre estes mesmos rendimentos.
Assim, por via de conseqüência, o valor recolhido a título de IRRF sobre estes rendimentos já oferecidos a tributação na época oportuna, caracterizam pagamento indevido passível de compensação/restituição, sendo incabível a imputação de multa de mora sobre os valores recolhidos indevidamente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO. OCORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL APÓS A DATA PREVISTA PARA O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. RENDIMENTOS OFERECIDOS A TRIBUTAÇÃO NO PERÍODO BASE DE APURAÇÃO PELO BENEFICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE IRRF SOBRE ESTES MESMOS RENDIMENTOS APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVEVIDO. INAPLICABILIDADE DA IMPUTAÇÃO PARA EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA. Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto a título de fonte extingue-se, no caso de pessoa jurídica, na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento deveria ser tributado, sendo irrelevante a existência de discussão judicial que suspende a exigibilidade do IRRF. Se, por ventura, a decisão judicial for desfavorável se faz necessário que o contribuinte providencie o recolhimento do imposto devido. Por outro lado, se o beneficiário, pessoa jurídica, comprovadamente, houver incluído estes rendimentos na apuração de resultados e, portanto, computados no lucro líquido e na determinação do lucro real no exercício em que o fato gerador ocorreu torna-se inaplicável a exigência, em data posterior, de IRRF sobre estes mesmos rendimentos. Assim, por via de conseqüência, o valor recolhido a título de IRRF sobre estes rendimentos já oferecidos a tributação na época oportuna, caracterizam pagamento indevido passível de compensação/restituição, sendo incabível a imputação de multa de mora sobre os valores recolhidos indevidamente. Recurso Voluntário Provido.
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ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO. OCORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL APÓS A DATA PREVISTA PARA O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. RENDIMENTOS OFERECIDOS A TRIBUTAÇÃO NO PERÍODO BASE DE APURAÇÃO PELO BENEFICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE IRRF SOBRE ESTES MESMOS RENDIMENTOS APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVEVIDO. INAPLICABILIDADE DA IMPUTAÇÃO PARA EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA. Quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto a título de fonte extinguese, no caso de pessoa jurídica, na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento deveria ser tributado, sendo irrelevante a existência de discussão judicial que suspende a exigibilidade do IRRF. Se, por ventura, a decisão judicial for desfavorável se faz necessário que o contribuinte providencie o recolhimento do imposto devido. Por outro lado, se o beneficiário, pessoa jurídica, comprovadamente, houver incluído estes rendimentos na apuração de resultados e, portanto, computados no lucro líquido e na determinação do lucro real no exercício em que o fato gerador ocorreu tornase inaplicável a exigência, em data posterior, de IRRF sobre estes mesmos rendimentos. Assim, por via de conseqüência, o valor recolhido a título de IRRF sobre estes rendimentos já oferecidos a tributação na época oportuna, caracterizam pagamento indevido passível de compensação/restituição, sendo incabível a imputação de multa de mora sobre os valores recolhidos indevidamente. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 02 14 /2 01 0- 95 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720214/201095 Acórdão n.º 1402001.712 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório AMPLA ENERGIA E SERVIÇOS S.A., contribuinte inscrita no CNPJ/MF 33.050.071/000158, com domicílio fiscal na cidade do Niterói, Estado do Rio de Janeiro, na Rua Praça Leoni Ramos, n° 1, Bairro São Domingos, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói RJ, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls.510/513), prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJI recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 516/541. A requerente transmitiu, em 02/06/2006, a Declaração de Compensação nº 32108.53467.020606.1.3.040495, cujo crédito referese a pagamento a maior ou indevido, do anocalendário de 2003, no valor principal de R$ 9.738.185,75 e no valor consolidado de R$ 13.409.481,78. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em Niterói, através do Despacho Decisório (fls. 463/468), apreciou e concluiu, em 16/11/2010, que o presente pedido de compensação é parcialmente procedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que a contribuinte acima identificada apresentou, em 02/06/2006, a declaração de compensação eletrônica (DComp) de n° 32108.53467.020606.1.3.040495 (fls. 03/07), na qual promoveu a extinção por compensação, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, de débitos de Cofins (código 5856), relativos aos períodos de apuração de maio/2006, no valor de R$ 13.590.548,88, e março/2006, no valor de R$ 105.840,13; que, a Dcomp citada, baixada para tratamento manual no presente processo, utilizou suposto crédito advindo de um pagamento indevidamente efetuado a título de IR Fonte, código 5273, relativo a períodos de apuração compreendidos nos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio e novembro de 2003 (vide planilha à fl. 134), no valor originário de R$ 9.738.185,75, e consolidado de R$ 13.409.481,78; que de acordo com o relatado às fls. 128/138, a interessada impetrou, em 18/12/1999, o mandado de segurança n° 99.02006353 (inicial às fls. 47/64), objetivando não sofrer desconto de imposto de renda na fonte sobre os rendimentos auferidos nas operações de swap, afastando, assim, a incidência do art. 5° da Lei n° 9.779/1999; que, foi concedida a liminar requerida da peça exordial, conforme fl. 66, confirmada na sentença de primeira instância (fls. 68/76); que, contudo, o Tribunal Regional Federal da 2° Região, ao analisar as razões de apelação interpostas pela Procuradoria da Fazenda Nacional (processo n° 2000.02.01.0237170, às fls. 78/87), decidiu, nos termos do acórdão de fls. 90/102, reformar a sentença de 1° grau e denegar a segurança requerida; Fl. 584DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 que, em face do referido acórdão, publicado em 06/09/2005 (fl. 104), o interessado opôs embargos de declaração, em 14/09/2005 (fls. 106/120). Tal recurso foi julgado improcedente por meio de acórdão publicado em 06/03/2006, conforme fls. 124/127; que o Secat se manifestou (fls. 404/405), concluindo que os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte não tiveram o condão de suspender a execução do acórdão de fls. 90/102, o que equivalia a dizer que o crédito tributário em questão estava exigível a partir da publicação do mesmo, isto é, 06/09/2005, e, sendo assim, o pagamento, para usufruir do beneficio da exclusão da multa de mora, previsto no artigo 63, parágrafo 2º, da Lei n.° 9.430/1996, deveria ter sido efetuado no prazo de 30 dias após a sua publicação, ou seja, até o dia 07/10/2005; que, entretanto, em face da dúvida suscitada pela leitura do acórdão de fls. 124/126, publicado em 06/03/2006, quanto à concessão do efeito suspensivo para os embargos de declaração, o Secat encaminhou o processo à PSFN/NIT para manifestação sobre a matéria; que a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Niterói se manifestou (fl. 406) esclarecendo que os efeitos suspensivos e, atualmente, interruptivo dos embargos de declaração, dizem respeito ao prazo para interposição do recurso processual cabível e não ao momento do pagamento do tributo e encargos. Esclareceu, ainda, que o prazo estabelecido no artigo 63, § 2° da Lei n.° 9.430/1996 deve ser contado a partir do ato judicial que cassou a liminar ou antecipação de tutela favorável ao contribuinte, no caso concreto, o acórdão de fls. 90/102, que foi publicado em 06/09/2005 (fl. 104); que o ato contínuo, a DRF/Niterói emitiu o Parecer Seort/DRF/Niterói n° 2.324/2009 e o despacho decisório de fls. 407/414. A decisão administrativa, em sintonia com a manifestação da PSFN/Niterói, considerou que o pagamento supostamente indevido foi efetuado fora do prazo previsto no artigo 63, parágrafo 2°, da Lei n.° 9.430/1996, logo o IRRF incidente "sobre as operações de swap deveria ter sido acrescido de multa de mora até o momento do recolhimento. Ademais, considerando que o IRRF sobre rendimentos sujeitos à tributação antecipada deveria compor o saldo negativo do exercício, reconheceu um direito creditório equivalente ao valor original das antecipações efetivamente quitado, que deve ser acrescido de juros Selic a partir do mês subseqüente ao do pagamento; que o interessado apresentou manifestação de inconformidade, e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJI manteve a decisão proferida pela DRF/Niterói, nos termos do Acórdão n° 1227. 070, às fls. 415/417. O processo n° 10730.720006/200618 atualmente tramita na I a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com vistas à apreciação de recurso voluntário, conforme fl. 418; que o interessado, por meio dos documentos e esclarecimentos acostados às fls. 128/138 e 139/372, objetivou demonstrar a efetiva obtenção dos aludidos rendimentos decorrentes de operações de swap, e a devida inclusão dos mesmos na base de cálculo do IRPJ; que, de acordo com o disposto no artigo 74, caput, da Lei n.° 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 49 da Lei n.° 10.637/2004, o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão; Fl. 585DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720214/201095 Acórdão n.º 1402001.712 S1C4T2 Fl. 4 5 que de acordo com o disposto no parágrafo 2°, do mesmo artigo, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da sua ulterior homologação; que, no caso em questão, embora a empresa tenha informado que o seu crédito seja oriundo de pagamento indevidamente efetuado por intermédio do pagamento discriminado à fl. 05, tal entendimento não pode prosperar, haja vista que o referido pagamento foi efetuado em função da decisão judicial de fls. 90/102 publicada em 06/09/2005 , que deu provimento ao recurso da União denegando à liminar e reformando a sentença em primeira instância, que haviam sido favoráveis ao contribuinte; que, como bem assevera a 1ª Turma da DRJ da Rio de Janeiro I nos autos do processo n° 10730.720006/200618 (Acórdão n° 12.27070 fls. 415/417), a Procuradoria da Fazenda Nacional, na forma de seu Regimento Interno, tem por finalidade, entre outras, fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos, a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação (salvo seja houver orientação normativa do AdvogadoGeral da União); entre as suas áreas de atuação, encontrase o desempenho das atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e entidades a este vinculadas. Logo, é imperioso que seja acatado o entendimento expendido à fl. 406, no sentido de que o prazo de trinta dias previsto pela lei não foi observado e, por conseguinte, a multa de mora é devida; que, face ao exposto, em 04 de abril de 2006, data do recolhimento de fl. 419, para quitar o IRRF, código 5273, no valor originário de R$ 9.738.185,74, o contribuinte deveria ter recolhido um valor consolidado de R$ 15.357.118,90, incluída a multa de mora efetivamente devida no valor de R$ 1.947.637,14, e os juros de mora de R$ 3.671.296,02; que, não resta saldo a pagar em aberto relativo ao IRPJ apurado ao final do anocalendário de 2003, temse que o valor originário efetivamente recolhido (R$ 8.503.159,03), tratandose de IRRF sobre rendimentos sujeitos a tributação antecipada, deveria compor o saldo negativo do IRPJ apurado no exercício de 2004, anocalendário 2003, desde que comprovada à tributação dos respectivos rendimentos, não se afigurando como pagamento indevido o recolhimento efetuado por intermédio do DARF de fl. 419; que, também, devemos determinar a partir de quando o crédito estará disponível para restituição ou compensação. Como regra geral, o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ está disponível a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente, conforme esclarece o Ato Declaratório SRF n° 3/2000. Entretanto, uma vez que as antecipações somente foram pagas em 04/04/2006, após o encerramento do período, a regra geral não pode ser aplicada. Neste caso específico, o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ estará disponível para restituição ou compensação, no valor original, na medida do seu recolhimento, pois é a partir deste evento que seu direito se constitui, sendo devido o acréscimo de juros Selic a partir do mês subseqüente ao do pagamento, nos termos do que dispõem o art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/1995 e o art. 73 da Lei n° 9.532/1997; que, face ao exposto no parágrafo anterior, o crédito deferido, de R$ 8.503.159,03, deverá ser registrado no sistema SIEF como pagamento indevido, apenas para fins operacionais; Fl. 586DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que diante dos extratos de fls. 455/460, constatase que o crédito ora aludido é insuficiente para quitar o débito assinalado na DComp n° 32108.53467.020606.1.3.040495 (fls. 03/07), o que conduz à homologação parcial das compensações declaradas. O Parecer esta consubstanciado nas seguintes ementas: IMPOSTO DE RENDA. RETENÇÃO NÃO EFETUADA POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. Na hipótese de a decisão final confirmar como devido o imposto em litígio, este deverá ser recolhido retroagindose os efeitos da última decisão como se não tivesse ocorrido a concessão da medida liminar, sendo que, no caso de pessoa jurídica, caso se trate de rendimento sujeito a antecipação considerase vencido o imposto na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. O pagamento deverá ser acrescido de multa de mora, caso tenha sido efetuado fora do prazo de trinta dias previsto no parágrafo 2 o, do artigo 63 da Lei n.0 9.430/1996, cujo termo inicial é a publicação do ato judicial que cassou a liminar ou a de tutela favorável ao sujeito passivo. Proposta de reconhecimento parcial do direito creditório e de homologação parcial das compensações declaradas. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 25/11/2010, conforme Termo constante à fl. 469, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (23/12/2010), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 470/493, instruído pelos documentos de fls. 494/509, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que os fatos que antecederam a homologação parcial da compensação, para bem delinear os contornos da lide, a requerente entende adequado discorrer, ainda que brevemente, sobre as circunstâncias que originaram o crédito utilizado na compensação com débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) objeto deste feito; que inconformada, a União Federal interpôs recurso de apelação (fls. 78/87), que restou provido pela Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF da 2ª Região), nos termos do acórdão publicado em 06.09.2005 (fls. 90/104); que verificando, contudo, omissões naquele aresto, que, se supridas com efeitos infringentes poderiam modificar o julgado para manter a sentença que lhe havia sido favorável, a requerente opôs embargos de declaração (fls. 106/120) com arrimo nos artigos 535 e seguintes do Código de Processo Civil; que, posteriormente, aqueles embargos de declaração foram desprovidos, pelo acórdão publicado em 06.03.2006 (fls. 124/127), cuja ementa, contudo, ratificou o seu recebimento no duplo efeito. A partir daí, decidiu a requerente não dar prosseguimento à perlenga; que, em 04.04.2006, antes, portanto, de transcorrido o prazo de 30 dias contados da publicação do acórdão que negou provimento aos seus embargos de declaração, a REQUERENTE efetuou o pagamento do valor total de R$ 13.409.481,78 (principal de R$ 9.738.185,75 + juros de R$ 3.671.296,03), conforme atesta o comprovante de arrecadação Fl. 587DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720214/201095 Acórdão n.º 1402001.712 S1C4T2 Fl. 5 7 acostado às fls. 419, no qual se observa, inclusive, que o respectivo DARF foi preenchido com o código de arrecadação n° 5273, relativo ao IRRF incidente s o b r e rendimentos auferidos em operações d e "swap"; que o erro na indicação do código de arrecadação no DARF, no entanto, não aniquila o direito da requerente, mormente porque os rendimentos em questão, apesar de não terem sofrido desconto de IRRF por força de decisão judicial, foram, repitase, contabilizados a crédito de contas de resultado e, portanto, computados no lucro líquido e na determinação do lucro real do anocalendário de 2003, em que a requerente apurou prejuízo fiscal, conforme certificado pela fiscalização e declarado no próprio parecer que fundamentou o Despacho Decisório ora enfrentado; que quando a requerente percebeu que o aludido recolhimento foi indevido, apresentou a PER/DCOMP que originou o presente feito, compensando o correspondente crédito, no valor principal de R$ 9.738.185,75 (consolidado de R$ 13.409.481,78 na data do recolhimento), com débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consubstanciados na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) relativa ao períodos de apuração encerrados em 31.03.2006 e 31.05.2006; que, o despacho decisório, ao apreciar, porém, essa PER/DCOMP, o llmo. Delegado da DRF/NITERÓI/RJ, acolhendo o Parecer SEORT/DRF/NITERÓI n° 3.228/2010 (fls. 463/467), que, por sua vez, adotou as razões expendidas no Parecer SEORT/DRF/NITERÓI n° 2.324/2009 (fls.407/412), exarado no Processo Administrativo n° 10730.720006/2006186, proferiu despacho decisório reconhecendo parcialmente o direito creditório da REQUERENTE, somente até o limite de R$ 8.503.159,03 (do principal recolhido indevidamente no valor de R$ 9.738.185,75), homologando, por conseguinte, apenas parte da compensação por ela declarada (fls. 467v); que diante desse entendimento concessa máxima vênia incorreto, restou à requerente manifestar sua inconformidade perante essa Colenda Turma, na certeza de ver reformado o indigitado despacho decisório e homologada integralmente a compensação declarada, pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas; que as razões da manifestação de inconformidade, portanto, e Inquestionável Atribuição de Efeito Suspensivo aos Embargos de Declaração Opostos pela requerente e o Descabimento da Exigência de Multa de Mora pelo Fisco; que, por essas razões, também no particular não merece prosperar a v. decisão guerreada, revelandose patente a necessidade de sua reforma pelos eméritos integrantes desse D. Órgão Colegiado. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 24/03/2011, a 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJI autoridade julgadora revisora resolveu julgar procedente em parte à manifestação de inconformidade, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 510/513): que, como visto no Relatório, através do Despacho Decisório – Parecer Seort/DRF/Niterói n° 3.228/2010 (fls. 463/467), foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$ 8.503.159,03; Fl. 588DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 que o crédito alegado tem origem no DARF (fl. 419) recolhido em 04/04/2006, no valor total de R$ 13.409.481,78; que o recolhimento foi devido, uma vez que a decisão no mandado de segurança impetrado pelo interessado lhe foi desfavorável. Assim, não cabe restituição do valor total do DARF (IRRF, multa e juros) apenas o valor do principal (IRRF) pode vir a ser restituído, posto que pode compor o saldo negativo do IRPJ (ainda que o recolhimento tenha sido efetuado pelo próprio interessado, em decorrência de responsabilidade tributária em face de não retenção pela fonte pagadora por força de decisão judicial), desde que comprovada a tributação dos rendimentos (fato inconteste); que o Seort apontou que, para se beneficiar da exclusão da multa de mora (§ 2º, do art. 63, da Lei n° 9.430/1996), o pagamento deveria ter sido efetuado até 07/10/2005, conforme manifestação da Procuradoria Secional da Fazenda Nacional em Niterói. A Procuradoria da Fazenda Nacional, na forma de seu Regimento Interno, tem por finalidade, entre outras, fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos, a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação (salvo se já houver orientação normativa do AdvogadoGeral da União); entre as suas áreas de atuação, encontrase o desempenho das atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e entidades a este vinculadas. Assim, o entendimento da PSFN/NIT deve ser acatado, prevalecendo a imputação efetuada pelo Seort. A jurisprudência não tem força vinculante; que, no entanto, assiste razão ao interessado quando alega que, tratandose de pagamento devido, cujo valor deveria integrar o saldo negativo, o crédito passível de compensação corresponderia ao valor do principal do imposto recolhido, acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2004, nos termos do inciso IV, do § Iº, do art. 72, da IN RFB n° 900/2008; que o fato de o pagamento ter ocorrido somente em 04/04/2006 não faz com que não se aplique a regra relativa a crédito de saldo negativo de IRPJ. Não pode se entender que o pagamento é devido e se aplicar a regra de pagamento indevido, como pretende o Seort; que pelo fato de o pagamento somente ter ocorrido em 04/04/2006, houve o recolhimento de juros de mora no valor de R$ 3.671.296,03 (valor que coincide com o apontado pelo Seort como devido); que o Despacho Decisório Parecer Conclusivo deve, então, ser reformado, mantendose o direito creditório reconhecido pela DRF no valor de R$ 8.503.159,03, advindo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003, que, no entanto, deverá ser acrescido de juros Selic a partir de janeiro de 2004. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. O IRRF recolhido em função de decisão judicial desfavorável não constitui pagamento indevido, mas o valor do principal (considerada a imputação em face do não recolhimento de multa de mora) pode integrar o saldo negativo do IRPJ, passível de Fl. 589DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720214/201095 Acórdão n.º 1402001.712 S1C4T2 Fl. 6 9 restituição a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 11/04/2011, conforme Termo constante à fl. 515, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (09/05/2011), o recurso voluntário de fls. 516/541, instruído pelos documentos de fls. 542/577, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a Autoridade Administrativa entendeu que tratandose de imposto devido na fonte a título de antecipação, reconhecida a legitimidade da retenção pelo Poder Judiciário, descaberia falarse de pagamento realizado indevidamente, mas o valor do principal quitado pela recorrente (R$ 8.503.159,03) poderia compor o saldo negativo do IRPJ apurado no mencionado anocalendárío de 2003. Sendo que o crédito correspondente a esse saldo negativo estaria sujeito a acréscimo de juros SELIC exclusivamente a partir de maio do ano calendário de 2006; que irresignada, a ora recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada parcialmente procedente pela Colenda 1ª Turma da DRJ/RJ1, apenas para determinar que o valor do crédito reconhecido pela DRF/NITERÓI/RJ (R$ 8.503.159,03) seja acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2004; que os fatos que antecederam a homologação parcial da compensação declarada, para bem delinear os contornos da lide, a recorrente entende adequado discorrer, ainda que brevemente, sobre as circunstâncias que originaram o crédito utilizado na compensação de débito administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), objeto deste feito; que, quando a recorrente percebeu que o aludido recolhimento foi indevido, apresentou a PER/DCOMP que originou o presente feito, compensando o correspondente crédito, no valor principal de R$ 9.738.185,75 (consolidado de R$ 13.409.481,78 na data do recolhimento), com débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consubstanciados na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) relativa aos períodos de apuração encerrados em 31.03.2006 e 31.05.2006; que, o r. despacho decisório e o v. acórdão hostilizado, ao apreciar, porém, essa PER/DCOMP, o Delegado da DRF/NITERÓI/RJ, acolhendo o Parecer SEORT/DRF/NITERÓI n° 3.228/2010 (fls. 463/467), que, por sua vez, adotou as razões expendidas no Parecer SEORT/DRF/NITERÓI n° 2.324/2009 (fls. 407/412), exarado no Processo Administrativo n° 10730.720006/2006186, proferiu despacho decisório reconhecendo parcialmente o direito creditório da RECORRENTE, somente até o limite de R$ 8.503.159,03 (do principal recolhido indevidamente no valor de R$ 9.738.185,75), homologando, por conseguinte, apenas parte da compensação por ela declarada (fls. 467v); que diante desse entendimento concessa máxima vênia equivocado, restou à recorrente invocar o pronunciamento dessa Egrégia Corte Administrativa, na certeza de que seus eminentes Membros reformarão aquele veredicto; Fl. 590DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que, portanto, e Inquestionável Atribuição de Efeito Suspensivo aos Embargos de Declaração Opostos pela recorrente e o Descabimento da Exigência de Multa de Mora pelo Fisco; que resta demonstrado que (i) o pagamento em questão foi indevidamente efetuado e que (ii) por essa razão, o fato de ter sido realizado sem o acréscimo de multa de mora se torna irrelevante, a justificar, por conseguinte, a reforma do v. acórdão vergastado. É o relatório. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720214/201095 Acórdão n.º 1402001.712 S1C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Versa este processo sobre DCOMP. A requerente transmitiu, em 02/06/2006, a Declaração de Compensação nº 32108.53467.020606.1.3.040495, cujo crédito referese a pagamento a maior ou indevido, do anocalendário de 2003, no valor principal de R$ 9.738.185,75 e no valor consolidado de R$ 13.409.481,78 (com a inclusão dos juros de mora). Através do Despacho Decisório Parecer Seort/DRF/Niterói n° 3.228/2010 (fls. 463/467), foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$ 8.503.159,03, advindo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003, acrescido de juros Selic a partir de maio de 2004, e, em consequência, foi homologada parcialmente a compensação efetuada por meio da DCOMP 32108.53467.020606.1.3.040495 e determinada à imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados relacionados. Constatase que a PSFN/Niterói informou, também, que apesar de ter sido requerido pelo contribuinte o efeito suspensivo aos embargos de declaração, o mesmo não foi deferido pelo relator, conforme se constata no segundo acórdão de fls. 124/126, e que não tendo ocorrido o pagamento em até 30 (trinta) dias contados da publicação do acórdão que cassou a liminar ou substituiu a sentença, é cabível a cobrança da multa moratória de forma integral. Constatase, ainda, que a Autoridade Administrativa observou que em 04 de abril de 2006, data do recolhimento de fl. 419, para quitar o IRRF, código 5273, no valor originário de R$ 9.738.185,74, a contribuinte deveria ter recolhido um valor consolidado de R$ 15.357.118,90, incluída a multa de mora efetivamente devida no valor de R$ 1.947.637,14, e os juros de mora de R$ 3.671.296,02 (deixou de recolher a multa de mora). Efetuada a necessária imputação proporcional, verificase que o contribuinte, por intermédio do pagamento de fl. 419, amortizou apenas R$ 8.503.159,03 dos valores do IRRF, código 5273, devidos como antecipação do IRPJ relativo ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, conforme comprovam o demonstrativo de fls. 420/424. Por fim, a Autoridade Administrativa esclareceu, ainda, que somente configura antecipação do IRPJ devido ao final do anocalendário o valor originário (principal) efetivamente recolhido a título de IRRF (código 5273). Isto porque não cabe a repetição dos acréscimos legais (multa de mora e juros de mora) devidamente previstos no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, que permanecem exigíveis como reparação pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária. Inconformada com a decisão da Autoridade Administrativa jurisdicionada a contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ a qual decide em acolher, em parte, a Fl. 592DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 manifestação sob o argumento de que o IRRF recolhido em função de decisão judicial desfavorável não constitui pagamento indevido, mas o valor do principal (considerada a imputação em face do não recolhimento de multa de mora) pode integrar o saldo negativo do IRPJ, passível de restituição a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. A seu favor a recorrente alega, entre outras, que, em 04.04.2006, antes, portanto, de transcorrido o prazo de 30 dias contados da publicação do acórdão que negou provimento aos seus embargos de declaração efetuou o pagamento do imposto calculado à alíquota de 20%, acrescido dos juros de mora, mas sem o cômputo de multa moratória por força do § 2º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, indicando no respectivo DARF o código de arrecadação nº 5273, relativo ao IRRF incidente sobre rendimentos auferidos em operações de “swap”. A recorrente alega, ainda, que após efetuar o recolhimento se deu conta de que a indicação desse código foi incorreta (5273), uma vez que, ainda que algum imposto fosse devido, encerrado o anocalendário de 2003, materializado estava o fato gerador do IRPJ, donde, a partir de então, o imposto cobrado sobre rendimentos com relação aos quais ela recorrente figurava como contribuinte só poderia ser o IRPJ, nunca o IRRF, como se infere dos itens 11, 14 e 16 do PN COSIT n° 01/2002. Assim, que os rendimentos em questão, apesar de não terem sofrido desconto de IRRF por força de decisão judicial, foram contabilizados a crédito de contas de resultado e, portanto, computados no lucro líquido e na determinação do lucro real do anocalendário de 2003, conforme certificado pela fiscalização e reconhecido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro no v. acórdão hostilizado. Tem razão a recorrente quando afirma “Na realidade, não perceberam as autoridades administrativas das instâncias a quo que o caso em exame nestes autos constitui uma exceção e, por isso, não está contemplado em todas as suas características pelo PN COSIT em apreço, pois, diferentemente da hipótese nele analisada, a RECORRENTE jamais alegou que os rendimentos auferidos em operações de “swap”, mesmo quando realizadas com o fim de “hedge”, não deviam ser computados no lucro real.”. Ao contrário, a recorrente sempre defendeu essa incidência, tanto que submeteu os rendimentos das mencionadas operações à tributação pelo IRPJ no anocalendário de 2003, ao contabilizálos como receitas operacionais e não excluílos na determinação do lucro real, fato reconhecido como inconteste na decisão recorrida. Na verdade a controvérsia restringiase ao imposto de renda na fonte a título de antecipação do devido no períodobase, de modo que, caso a impetrante obtivesse êxito na ação, sua única vantagem consistiria em adiar o impacto financeiro do tributo da data em que liquidou cada operação de “swap” para o término do períodobase, já que para a recorrente era indiscutível a incidência do imposto nesse segundo momento (no período de apuração do IRPJ). Uma leitura atenta da peça recursal logo evidencia, entre outros argumentos importantes, que a suplicante entende que o imposto de renda na fonte em discussão é típico de imposto por antecipação do devido na declaração e cujo recolhimento (pagamento) foi efetuado após o encerramento do períodobase de incidência só poderia ser exigido do contribuinte a título de imposto de renda normal se fosse o caso do mesmo não ter sido incluído na apuração de resultados daquele exercício. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720214/201095 Acórdão n.º 1402001.712 S1C4T2 Fl. 8 13 A jurisprudência firmada neste Tribunal Administrativo, quanto à matéria, se desenvolveu no sentido da ilegalidade de tal exigência quando o fato ocorrer depois de encerrado o anocalendário questionado. Assim, após a análise das questões em julgamento, com a devida vênia, não posso acompanhar a decisão recorrida, já que o meu entendimento sobre o caso é divergente, pelas razões alinhadas na seqüência. Nestes casos, sem entrar no mérito da tributação em si, partindo do princípio que o fato gerador discutido no judiciário é realmente tributado, se faz necessário verificar se o imposto é exclusivo ou por antecipação do devido na declaração. Neste processo esta discussão é irrelevante já que o próprio contribuinte concorda que as operações realizadas estão sujeitas a tributação do IRRF por antecipação do devido na declaração. Da mesma forma, a Jurisprudência é pacífica no sentido de que se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se o fato for constatado após o anobase da ocorrência do fato gerador, incabível a exigência de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. A exigência, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. A este respeito à própria Secretaria da Receita Federal fez publicar o Parecer Normativo SRF nº 01, de 24 de setembro de 2002, onde se aborda o tema, na mesma linha de pensamento deste Tribunal Administrativo. Qual seja: em se tratando de imposto retido na fonte no regime de antecipação, a responsabilidade do contribuinte é supletiva à do substituto tributário, que passa a ser excluído do pólo da sujeição passiva a partir da data para a entrega da declaração de rendimentos do beneficiário pessoa física, ou, após a data prevista para encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, conforme se depreende dos excertos abaixo transcritos: Sujeição Passiva tributária em geral 2. Dispõe o art. 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: (...) 4. A fonte pagadora, por expressa determinação legal, lastreada no parágrafo único do art. 45 do CTN, substitui o contribuinte em relação ao recolhimento do tributo, cuja retenção está obrigada a fazer, caracterizandose como responsável tributário. 5. Nos termos do art. 128 do CTN, a lei, ao atribuir a responsabilidade pelo pagamento do tributo à terceira pessoa vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, tanto pode excluir a responsabilidade do contribuinte como atribuir a este a responsabilidade em caráter supletivo. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 6. A fonte pagadora é a terceira pessoa vinculada ao fato gerador do imposto de renda, a quem a lei atribui a responsabilidade de reter e recolher o tributo. Assim, o contribuinte não é o responsável exclusivo pelo imposto. Pode ter sua responsabilidade excluída (no regime de retenção exclusiva) ou ser chamado a responder supletivamente (no regime de retenção por antecipação). (...) Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Responsabilidade tributária na hipótese de nãoretenção do imposto 12. Como o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação surge tãosomente na declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, ao se atribuir à fonte pagadora a responsabilidade tributária por imposto não retido, é importante que se fixe o momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se antes ou após os prazos fixados, referidos acima. 13. Assim, se o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, pois não terá surgido ainda para o contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à tributação. (...). 14. Por outro lado, se somente após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das Fl. 595DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720214/201095 Acórdão n.º 1402001.712 S1C4T2 Fl. 9 15 datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. Penalidades aplicáveis pela nãoretenção ou não pagamento do imposto 15. Verificada, antes do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a nãoretenção ou recolhimento do imposto, ou recolhimento do imposto após o prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da multa de ofício estabelecida nos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (art. 957 do RIR/1999, conforme previsto no art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, verbis: (...) 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9ª da Lei nº 10.426, de 2002, constatando se que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora. Ora, resta claro nos autos que os rendimentos em questão, apesar de não terem sofrido desconto de IRRF por força de decisão judicial, foram contabilizados a crédito de contas de resultado e, portanto, computados no lucro líquido e na determinação do lucro real do anocalendário de 2003, conforme certificado pela fiscalização e reconhecido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro na decisão recorrida. Disto tudo, resta concluir que quando a incidência na fonte tiver natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto a título de fonte extinguese, no caso de pessoa jurídica, na data do encerramento do período de apuração em que o rendimento deveria ser tributado, sendo irrelevante a existência de discussão judicial que suspende a exigibilidade do IRRF. Se, por ventura, a decisão judicial for desfavorável se faz necessário que o contribuinte providencie o recolhimento do imposto devido. Por outro lado, se o beneficiário, pessoa jurídica, comprovadamente, houver incluído estes rendimentos na apuração de resultados e, portanto, computados no lucro líquido e na determinação do lucro real no exercício em que o fato gerador ocorreu tornase inaplicável a exigência, em data posterior, de IRRF sobre estes mesmos rendimentos. Assim, por via de conseqüência, o valor recolhido a título de IRRF sobre Fl. 596DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 estes rendimentos já oferecidos a tributação na época oportuna, caracterizam pagamento indevido passível de compensação/restituição, sendo incabível a imputação de multa de mora sobre os valores recolhidos indevidamente. Em razão de todo o exposto e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 597DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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