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Numero do processo: 11080.001497/2008-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/01/2004
PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO. SÚMULA Nº 129 DO CARF. Constatada irregularidade na representação processual, o sujeito passivo deve ser intimado a sanar o defeito antes da decisão acerca do conhecimento do recurso administrativo.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA N. 11 DO CARF. Não se aplica a prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS. ERRO. Partes e peças das máquinas e aparelhos do código 8428.39.90 da TIPI classificam-se no código 8431.39.00 da mesma tabela, com alíquota de 5%, justificando o lançamento de ofício das diferenças apuradas, acrescidas de juros de mora e multa por falta ou insuficiência de lançamento do imposto.
PEDIDO DE PERÍCIA. Súmula CARF º 163, que assim reza: o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
MULTA DE OFÍCIO. É devida a multa de ofício, com fundamentos no inciso I do artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96, para os casos de falta de pagamento de tributo, ainda que inexistindo ato doloso ou praticado com má fé.
JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA N. 04 DO CARF: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 3002-004.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de conexão e prescrição e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Adriano Monte Pessoa – Relator
Assinado Digitalmente
Renato Câmara Ribeiro Ferro de Gusmão – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascarenas, Renato Câmara Ribeiro Ferro de Gusmão (Presidente).
Nome do relator: ADRIANO MONTE PESSOA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 15/01/2004 PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO. SÚMULA Nº 129 DO CARF. Constatada irregularidade na representação processual, o sujeito passivo deve ser intimado a sanar o defeito antes da decisão acerca do conhecimento do recurso administrativo. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA N. 11 DO CARF. Não se aplica a prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS. ERRO. Partes e peças das máquinas e aparelhos do código 8428.39.90 da TIPI classificam-se no código 8431.39.00 da mesma tabela, com alíquota de 5%, justificando o lançamento de ofício das diferenças apuradas, acrescidas de juros de mora e multa por falta ou insuficiência de lançamento do imposto. PEDIDO DE PERÍCIA. Súmula CARF º 163, que assim reza: o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. MULTA DE OFÍCIO. É devida a multa de ofício, com fundamentos no inciso I do artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96, para os casos de falta de pagamento de tributo, ainda que inexistindo ato doloso ou praticado com má fé. JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA N. 04 DO CARF: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO. SÚMULA Nº 129 DO CARF. Constatada irregularidade na representação processual, o sujeito passivo deve ser intimado a sanar o defeito antes da decisão acerca do conhecimento do recurso administrativo. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA N. 11 DO CARF. Não se aplica a prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS. ERRO. Partes e peças das máquinas e aparelhos do código 8428.39.90 da TIPI classificam-se no código 8431.39.00 da mesma tabela, com alíquota de 5%, justificando o lançamento de ofício das diferenças apuradas, acrescidas de juros de mora e multa por falta ou insuficiência de lançamento do imposto. PEDIDO DE PERÍCIA. Súmula CARF º 163, que assim reza: o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. MULTA DE OFÍCIO. É devida a multa de ofício, com fundamentos no inciso I do artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96, para os casos de falta de pagamento de tributo, ainda que inexistindo ato doloso ou praticado com má fé. JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA N. 04 DO CARF: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Fl. 912DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 108 DO CARF. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de conexão e prescrição e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Adriano Monte Pessoa – Relator Assinado Digitalmente Renato Câmara Ribeiro Ferro de Gusmão – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascarenas, Renato Câmara Ribeiro Ferro de Gusmão (Presidente). RELATÓRIO Em homenagem ao princípio da economia processual e por bem relatar os fatos, adoto o relatório da Delegacia de Julgamento da RFB em Porto Alegre/RS no acórdão recorrido, a seguir transcrito: “O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado pela fiscalização do IPI, para exigência desse imposto, acrescido de juros de mora e da multa de oficio de 75%, por erro de classificação fiscal que implicou falta ou insuficiência de lançamento do IPI, conforme Autos de Infração adiante discriminados, os quais foram lavrados em 14 de fevereiro de 2008, por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre (DRF/P0A), e somaram, na data referida, R$ 405.398,96: Fl. 913DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 3 a) Auto de Infração das fls. 331 a 333 (vol. II), e anexos, que formalizou a exigência do IPI, no valor de R$ 31.505,82, referente a períodos de apuração quinzenais, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75%, somando, na data da autuação, R$ 71.004,76; b) Auto de Infração das fls. 343 a 346 (vol. II), e anexos, que formalizou a exigência do IPI, no valor de R$ 154.760,66, referente a períodos de apuração mensais, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75%, inclusive nos casos em que houve cobertura de créditos, somando, na data da autuação, R$ 334.394,20; nesse Auto de Infração, o sujeito passivo também foi intimado a estornar créditos em sua escrita fiscal, no valor de R$14.088,57. Os motivos dos lançamentos de ofício se acham explicitados no Relatório da Ação Fiscal das fls. 347 a 354 (vol. II), a seguir resumido. O autor do procedimento fiscal relata que o estabelecimento interessado fabricou, no período de 2004 a 2005, partes e 'peças constituídas total ou parcialmente de plástico, para aparelhos transportadores ou elevadores da posição 8428.39.90 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), conforme exemplos nas cópias de notas fiscais das fls. 33 a 42 e 72 a 151 (vol. I), sendo que o estabelecimento deixou de lançar ou lançou a menor o IPI devido nas correspondentes saídas, por ter classificado indevidamente as referidas partes e peças no código 8428.39.90, referente ao equipamento completo, código ao qual se aplicavam, no período fiscalizado, alíquotas de 3,5%, 2% ou zero, tendo a fiscalização concluído pela classificação no código 8431.39.00, próprio para partes e peças, ao qual se aplicava alíquota superior, de 5%, no mesmo período. O entendimento da fiscalização foi embasado nas Notas 2, "h" e "c", da Seção XVI da TIPI e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), referentes à posição 8431. O exame das notas fiscais de saída e dos catálogos de produtos do estabelecimento, estes nas fls. 152 a 164 (vol. I), revelou que o estabelecimento vendeu esteiras e correntes transportadoras modulares, rígidas, de ação contínua, para transporte de mercadorias, além de componentes exclusivos, destinados a tais dispositivos, sendo que, no parque industrial do estabelecimento, não ocorre a produção do elemento propulsor dos referidos equipamentos. À vista do que foi apurado, o autor do procedimento fiscal concluiu que o estabelecimento fabricou e deu saída a partes e peças de aparelhos transportadores ou elevadores, de ação contínua, para mercadorias, da subposição 8428.3, e não aos aparelhos completos, como referido anteriormente. A fiscalização menciona que, na resposta da fl. 57 (vol. I) ao Termo de Intimação Fiscal e 2, das fls. 53 e 54 (vol. I), o interessado concordou com a conclusão de que as partes e peças Fl. 914DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 4 de máquinas e aparelhos da subposição 8428.39, por ele fabricadas, classificam-se no código 8431.39.00, que foi o adotado pela fiscalização. O "Demonstrativo de Cálculo do IPI a Lançar", das fls. 241 a 318 (vol. II), explicita, por nota fiscal de saída, a falta ou insuficiência de lançamento do IPI, no valor total de R$ 200.355,20. A infração antes mencionada foi enquadrada nos seguintes dispositivos: arts. 15, 16, 17, 24, II, 34,11, 122, 123, I, "b", e II, "c", 127, 130, 131,11 e § 1 2 , 200, IV, e 202, III do Decreto ri 24.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, em vigor na época; art. 1 da Lei ri °8.850, de 28 de janeiro de 1994; e art. 52, I, "c", da Lei n' 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Esse enquadramento sujeitou o interessado a multa de oficio, de 75%, por falta de lançamento do IPI, conforme art. 488, I, do RIPI de 2002 e art. 80, I, da Lei n 24.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pelo art. 45 da Lei n 29.430, de 27 de dezembro de 1996, e a juros de mora, conforme art. 471 do RIP! de 2002. Cientificado das autuações em 14 de fevereiro de 2008, segundo consta nas fls. 331 e 344 (vol. II), o contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, em 13 de março de 2008, por meio do arrazoado das fls. 357 a 380 (vol. 11), firmado por advogado, credenciado pela procuração e documentos societários das fls. 381 a 384 (vol. II), e instruído com os documentos das fls. 385 a 399 (vol. II) e 402 a 425 (vol. III), alegando, em síntese, o que vem relatado na sequência. A defesa principia, dizendo que a classificação no código 8428.39.90 está correta, com base na Nota 2, "a", da Seção XVI da TIPI, e não com base na Nota 2, "b", da mesma Seção, porque os produtos que fabrica não são exclusivos de determinada máquina, podendo ser utilizados para montagem de diversas máquinas e aparelhos. Além disso, o impugnante alega que a classificação por ele adotada se deu com base em orientação fornecida pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em exportações anteriormente promovidas pelo estabelecimento, conforme notas fiscais que diz ter anexado A defesa, ficando evidenciada a boa-fé. Ainda que se considere que a classificação se deu de forma equivocada, segue o interessado, não teria havido prejuízo ao fisco, pois, segundo a TIPI, aos dois códigos em litígio, corresponde a mesma alíquota de 5%. A defesa acrescenta que, nos casos em que o estabelecimento deixou de lançar o IPI nas notas fiscais, isso se deveu A imunidade de que gozam os produtos industrializados destinados ao exterior. Discorre também sobre as modalidades de lançamento previstas na Lei n' 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), além de tecer Fl. 915DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 5 comentários sobre dispositivos que regem o despacho aduaneiro de exportação, os quais vedariam a revisão de procedimentos concluídos, por preclusão. Segue transcrevendo extensos trechos doutrinários, sobre as diferenças entre erro de direito e erro de fato e sobre a imutabilidade do lançamento. Na sequência, transcreve jurisprudência, no sentido de que a mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento. Alega que a multa de 75% sobre o IPI não lançado é injusta e ilegal, por ter sido revogada pela Lei ri 211.488, de 15 de junho de 2007, e que a multa de 1% sobre o valor aduaneiro é indevida e caracteriza um bis in idem. Além disso, o interessado argumenta que teria havido erro de cálculo, porque não foi observado o princípio da não-cumulatividade do IPI, segundo o qual o tributo incide exclusivamente sobre o valor agregado, não tendo a autoridade procedido ao abatimento relativo às saídas. Diz que os juros de mora pela Taxa Selic são indevidos, porque a referida taxa é um composto de correção e juros, o que não é admitido pelos tribunais. Encerra pedindo a improcedência dos Autos de Infração.” Em sede de julgamento, em 29/04/2011, os membros da 3ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, no acórdão n. 10-31.180, julgaram improcedente a impugnação para manter integralmente as exigências formalizadas nos autos de infração de fls. 331/333 e de fls. 343/346. O contribuinte foi cientificado do acórdão n. 10-31.180 em 20/05/2011 e, irresignado com o julgamento, interpôs o recurso voluntário de fls. 872/878. VOTO Conselheiro Adriano Monte Pessoa - Relator Preliminarmente. Pressuposto de Admissibilidade. Representação Processual. Antes de adentrar o mérito da controvérsia devolvida a esta instância revisora, passo a análise do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário. O recurso voluntário foi protocolado em 20/06/2011, razão pela qual é tempestivo, uma vez que o contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 20/05/2011. Porém, é preciso verificar se o recurso atende ao pressuposto de admissibilidade no aspecto da regularidade da representação processual. Pois bem. Fl. 916DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 6 Em sua impugnação de fls. 716/762, a recorrente foi representada pelo advogado Elvio Henriqson, que juntou regularmente o instrumento de mandato à fl. 383, numeração de página nos autos físicos digitalizados, correspondente à fl. 768 nos autos eletrônicos. No entanto, o recurso voluntário interposto em 20/06/2011 foi subscrito por outro procurador, o advogado Gilson da Costa, que não juntou procuração nos autos na data de interposição do recurso de fls. 435/439, numeração de páginas dos autos físicos, correspondente às fls. 872/878 nos autos eletrônicos. Verifica-se que o próprio advogado subscritor do recurso voluntário, mais de 10 anos após a interposição do recurso destituído de mandato, protocolou 02 (duas) novas peças processuais, às fls. 892/897 e às fls. 901/908, nas quais formulou dois novos pedidos: (i) o apensamento por conexão deste PAF com o processo de n. 1010100.2014.00088, (ii) a aplicação da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. É ponto pacífico que as referidas petições avulsas, desta vez, vieram acompanhadas dos respectivos instrumentos de mandato, constantes das fls. 909 e 910, com poderes especiais, inclusive, para representar a outorgante no presente processo. Embora as referidas procurações tenham sido assinadas, respectivamente, em 07/08/2014 e 30/01/2018, isto é, vários anos após a interposição do recurso, recebo as petições como ratificação tácita dos atos praticados anteriormente pelo outorgado. Não há dúvida de que a regularidade da representação processual deve ser comprovada no ato de interposição do recurso, todavia, caso não o seja, deve a autoridade instrutora intimar a parte para satisfazer esse requisito, uma vez que se adotam no processo administrativo fiscal os princípios do formalismo mitigado e da verdade real. Nesse sentido, o art. 76 do Código de Processo Civil de 2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, determina que: “verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício”. No entendimento jurisprudencial, a regra do art. 76 do CPC/15, que corresponde ao art. 13 do CPC/73, “não cuida apenas da representação legal e da verificação da incapacidade processual, mas também da possibilidade de suprir omissões relativas à capacidade postulatória” (RESP n. 102.423/MG). No tocante à intimação, a jurisprudência do STJ também é pacífica no sentido de que “a intimação para sanar vício de representação deve ser feita em nome da parte, pessoalmente, e não em nome do advogado, que não se sabe, até então, se realmente a representa” (RESP 1.119.836/PR). Por outro lado, os pressupostos de admissibilidade processuais se trata de questões de ordem pública, razão pela qual podem ser analisadas a qualquer momento e, inclusive, de Fl. 917DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 7 ofício pelo órgão julgador, independente de pedido expresso das partes (art. 485, inciso IV, e §3º, do CPC/2015). No caso em exame, apesar de a interessada não ter sido intimada, pelo instância preparadora, para regularizar a sua representação processual, o que não só poderia como deveria ter ocorrido, ao protocolar novas petições após a interposição do recurso voluntário, com a juntada de procurações, inclusive, conferindo poderes especiais para representar os interesses da parte neste processo, o vício de representação foi satisfatoriamente sanado e os atos anteriormente praticados, em meu sentir, foram tacitamente ratificados. Encontram-se na jurisprudência deste Conselho diversos julgados em que se admite a intimação da parte para regularização da representação processual pela instância preparadora na origem, o que demonstra se tratar de vício perfeitamente sanável. Senão, vejamos: Processo n. 10384.001966/2002-21 Acórdão n. 1102-001.436 - 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 SUDENE. PEDIDO DE REDUÇÃO DE IRPJ. VÍCIO EM REPRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PARA SANEAMENTO DO VÍCIO. JUNTADA DE POSTERIOR PROCURAÇÃO QUE RATIFICA OS ATOS JÁ CONSUMADOS. FORMALISMO MODERADO. AUSÊNCIA DE PEDIDO EM FORMULÁRIO. EXIGÊNCIA EM INSTRUÇÃO NORMATIVA QUE NÃO RETROAGE. O processo administrativo é regido pelo princípio do formalismo moderado e cabe à autoridade competente intimar o sujeito passivo para sanar vícios de representação. Existência de posterior juntada de instrumento de mandato que ratifica os atos já praticados. O Anexo Único da IN SRF 67/2002 apenas tem vigência a partir de outubro de 2002 e não pode ser aplicada retroativamente. Processo n. 10640.909944/2016-38 Acórdão n. 1101-001.328 - 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 JUNTADA DE PROCURAÇÃO VÁLIDA. SANEAMENTO DO PROCESSO. RETORNO DOS AUTOS À PRIMEIRA INSTÂNCIA. Demonstrado nos autos o saneamento da representação processual, antes da decisão de primeira instância, por meio de procuração válida, deve ser considerada nula a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade. No mesmo sentido, a Súmula CARF nº 129 determina que: Fl. 918DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 8 “Constatada irregularidade na representação processual, o sujeito passivo deve ser intimado a sanar o defeito antes da decisão acerca do conhecimento do recurso administrativo.” Uma vez que a recorrente juntou procurações em atos processuais posteriores à interposição do recurso, entendo que a necessária representação processual foi espontaneamente suprida e devidamente regularizada pelo sujeito passivo. Em homenagem ao princípio da economia processual, reputo como tacitamente ratificados os atos anteriormente praticados pela parte, não havendo necessidade de baixar o feito em diligência à unidade instrutora para tanto. Diante do exposto, considero preenchidos os pressupostos de admissibilidade da tempestividade e da representação processual e, portanto, conheço do recurso voluntário. Da Conexão A recorrente postula a conexão entre os processos nº11080.001497/2008-12 e nº 1010100.2014.00088 por identidade de causa de pedir e pedido, razão pela qual requer a distribuição dos feitos por prevenção, com fundamento no art. 55 c/c o art. 103 do Código de Processo Civil de 1973. O Regimento Interno do CARF, disciplina em seu art. 6º que os processos podem ser vinculados: a) por conexão, constatada entre processos que tratam da exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentado em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; b) por decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e c) por reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. No entanto, a recorrente não logrou êxito em demonstrar que o indigitado processo nº 1010100.2014.00088 se trate do mesmo fato objeto do presente processo administrativo fiscal. Limitou-se a dizer que foi autuada, em distintos períodos de autuações, por erro de classificação de mercadorias dos produtos que industrializa, os quais se enquadrariam no código 8431.3900 da TIPI, e a fazer citações de textos legais e colacionar jurisprudência dos tribunais pátrios em reforço para fundamentar o pleito de conexão. Ou seja, além de não ter juntado nestes autos cópias de peças e documentos do processo com o qual requer a conexão, não informou a recorrente quais seriam os fatos idênticos Fl. 919DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 9 ou quais os elementos de prova coincidentes entre os dois processos, os quais não podem ser deduzidos logicamente pelo julgador ante a ausência de elementos de prova. De uma análise perfunctória das meras alegações que fez pode-se depreender que se trata de períodos distintos de autuações – a destes autos remonta aos anos-calendários de 2004 e de 2005 – enquanto a do citado processo n. 1010100.2014.00088, cujas cópias não carreou aos autos, permite-se apenas inferir que se refere ao ano-calendário de 2009. Diante disso, não se encontram elementos de prova nos autos bastantes e suficientes para se formar um juízo de necessidade a respeito da conexão e do apensamento destes autos com os autos do citado processo n. 1010100.2014.00088. Portanto, rejeito o pedido de apensamento por conexão, haja vista não ter sido cabalmente demonstrada pela parte a necessidade de julgamento conjunto dos processos. Da Prescrição Com relação à alegação de prescrição, apesar não ter sido suscitada nas razões recursais, conheço desta matéria por entender que se trata de questão de ordem pública. A recorrente afirma que o presente processo administrativo fiscal permaneceu paralisado por mais de 3 anos e, nesse sentido, entende que deveria ser aplicado ao caso o art. 1º, §1º, da Lei n. 9.876/99, com a consequente extinção do crédito tributário. Não assiste razão à recorrente. Nos termos da Súmula n. 11 do CARF, “não se aplica a prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais.” Do exposto, nego provimento ao recurso neste ponto. Mérito Quanto ao mérito recursal, afirma a recorrente que: (i) está correta a classificação dos referidos produtos no código 8428.39.90 porque não seriam produtos exclusivos de determinada máquina e podem ser utilizados para montagem em diversas máquinas e aparelhos; (ii) a empresa sempre agiu de boa fé e não pode ser prejudicada pela própria orientação da Receita Federal; (iii) a multa de 75% lançada sobre o imposto é injusta e ilegal e a multa de 1% sobre o valor aduaneiro configura bis in idem; (iv) o cálculo está elaborado de forma equivocada, o que exige perícia técnica para a correta aplicação do princípio da não-cumulatividade do IPI. Da classificação fiscal. Em relação ao argumento de que estaria correta a classificação fiscal do produto feita pela recorrente na posição 8428 da TIPI (outras máquinas e aparelhos de elevação, de carga, de descarga ou de movimentação), a controvérsia gira em torno do fato de a recorrente não produzir o equipamento completo (esteiras transportadoras modulares, rígidas, de ação contínua, para transporte de mercadorias), mas apenas partes componentes dessas máquinas. Fl. 920DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 10 Veja-se o que dispõe a Nota 2 da Seção XVI da TIPI: ''2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificam-se de acordo com as regras seguintes: a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31 84.48, 84.66, 84.73, 84.85, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluem-se nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; e b) quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificam-se na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificam-se na posição 85.17; c) as outras partes classificam-se nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38, conforme o caso, ou, não sendo possível tal classificação, nas posições 84.85 ou 85.48." (sem destaques no original) É de elementar verificação o fato de que as partes e peças produzidas pela recorrente se destinam precisamente a uma determinada máquina, qual seja, esteiras transportadoras modulares, rígidas, de ação contínua, para transporte de mercadorias. Constatou-se no curso da fiscalização que a recorrente não apenas concordou com a posição indicada pela autoridade fiscal, como também apresentou catálogo de seus produtos, que se prestaram para informar, em detalhes, as determinadas máquinas em que são utilizadas as partes e peças por ela produzidas. Não subsiste dúvida quanto ao item 2, alínea “b”, da Nota 2 da Seção XVI da NESH estabelecer que as partes das máquinas ou aparelhos da posição 84.28 (outras máquinas e aparelhos de elevação, de carga, de descarga ou de movimentação) classificam-se na posição 84.31 (partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas e aparelhos das posições 84.25 a 84.30). Logo, os produtos produzidos pela empresa foram corretamente classificados pela fiscalização no código 8431.39.00 da TIPI aprovada pelos Decreto no 4.542/2002. Cumpre salientar, ainda, que, em relação aos códigos em litígio, com destacado no acórdão recorrido, no período objeto da autuação, ao código 8428.39.90, utilizado pelo interessado, houve variação de alíquotas nos períodos dos fatos gerados fiscalizados: Fl. 921DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 11 a) alíquota de 5% até 15 de janeiro de 2004, segundo o Decreto n. 4.542, de 26 de dezembro de 2002; b) alíquota de 3,5%, de 16 de janeiro de 2004 até 15 de agosto de 2004, segundo o Decreto n. 24.955, de 15 de janeiro de 2004; c) alíquota de 2%, no período de 16 de agosto de 2004 a 15 de junho de 2005, segundo o Decreto n. 25.173, de 6 de agosto de 2004; d) e, por fim, alíquota zero, a partir de 16 de junho de 2005, segundo o Decreto n. 25.468, de 15 de junho de 2005. Ou seja, as alíquotas do IPI para os produtos do código nos períodos da autuação fiscal foram sendo paulatinamente reduzidas até chegarem a zero a partir de junho de 2005, representando significativa vantagem financeira para a recorrente, enquanto a alíquota do código 8431.39.00 manteve-se em 5% ao longo de todo o período. Embora a empresa até possa conjecturar que os produtos fabricados não são exclusivos e possam ser utilizados para montagem de diversas outras máquinas e aparelhos, o fato é que a fiscalização constatou que se destinavam a ser componentes das esteiras transportadoras modulares, rígidas, de ação contínua, para transporte de mercadorias. Assim sendo, não há como se admitir a classificação no código 8428.39.90 (outros) e, por isso, não merece reforma a decisão de primeiro grau neste ponto. Do exposto, nego provimento ao recurso quanto à classificação do produto. Erro de Cálculo e Pedido de Perícia Também não assiste razão à recorrente ao alegar, genericamente, erro de cálculo fiscalização, por inobservância do princípio da não-cumulatividade do IPI. Ao se examinar o "Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal", constata-se que a fiscalização considerou detalhadamente os créditos escriturados pela autuada, sem que tenham sido especificados pelo recurso da recorrente quaisquer outros créditos, porventura não computados no cálculo. De rigor, a realização da prova pericial destina-se à formação da convicção do julgador e deve ter por seu objeto elementos específicos da prova produzida pela parte que já se encontrem precisamente indicados nos autos com a restrita delimitação dos pontos controvertidos, não podendo ser utilizada como subterfúgio da falta do cumprimento do ônus da prova pela parte recorrente. É ônus do sujeito passivo comprovar a alegação de existência de fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do Fisco de constituir e exigir o crédito tributário mantido pela decisão recorrida. Fl. 922DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 12 De acordo com o artigo 373, II, da Lei nº 13.105, de 16 de março 2015 – Código de Processo Civil, o qual deve ser aqui aplicado de forma subsidiária por força do artigo 15 do próprio Diploma1 , o ônus da prova incumbe àquele que alega. Veja-se: Lei nº 13.105/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: [...] II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No mesmo sentido, o artigo 36 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, preceitua que caberá ao interessado a comprovação dos fatos que tenha alegado. Confira-se: “Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei”. A atuação de ofício por parte da autoridade julgadora ao determinar a realização de diligências que entender necessárias tem por escopo a complementação ou obtenção de esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos pelo próprio sujeito passivo, de modo que, mesmo em observância ao princípio da verdade material, a autoridade julgadora não pode substituir os sujeitos da relação e invocar para si a responsabilidade no que diz com a produção probatória em favor do sujeito passivo, quanto ao direito creditório que alega possuir. A realização de perícia ou diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Ou seja, a perícia ou diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Em outras palavras, por se tratar de prova especial subordinada a requisitos específicos, a diligência só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento, de modo que o pedido de diligência, quando se resume ou versa apenas acerca de argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do Julgador, mostra-se desnecessário à solução da controvérsia. Além disso, registre-se, ainda, que a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, fundamentada, podendo deferir diligências quando entendelas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Fl. 923DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 13 Ou seja, a realização de perícias e diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, não podendo ser utilizada como sucedâneo para a produção de provas que a interessada deveria carrear aos autos por ocasião de sua impugnação. Nesse sentido, seguem os precedentes deste E. Conselho: Acórdão n. 2202-009.070 - ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DIFERENÇAS NÃO DECLARADAS EM GFIP - APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Verificando-se que a Fiscalização adotou os critérios corretos para a lavratura dos Autos de Infração, discriminando, de forma clara, os fatos geradores, as bases de cálculo, as Contribuições Previdenciárias devidas, o período de apuração a que elas se referem, e os fundamentos legais dos lançamentos, há que se ratificar os Autos de Infração, sobretudo, porque a Recorrente não logrou comprovar, de modo peremptório, a existência das diferenças alegadas, referentes à apuração da base de cálculo, para que este Colegiado pudesse decidir pelo cancelamento dos Autos de Infração. REQUERIMENTO DE PERÍCIA CONTÁBIL - SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. MULTA DE OFÍCIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre (in)constitucionalidade de lei tributária. Acórdão n. 2201- 009.408 14 - ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2004 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Incide Contribuição Previdenciária sobre a remuneração paga a título de Férias. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A diligência e/ou perícia destinam-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, exceto as hipóteses legalmente previstas. No mais de acordo com a Súmula CARF º 163, que assim reza: “o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.” Fl. 924DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.018 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.001497/2008-12 14 Do exposto, rejeito o pedido de prova pericial, e nego provimento ao recurso quanto à alegação genérica de violação ao princípio da não-cumulatividade do IPI e erro de cálculo. Da multa de ofício. Ao contrário do que alegado no recurso voluntário, não se identifica em nenhum ponto da autuação a aplicação de multa de 1% sobre valor aduaneiro, mas apenas a aplicação da multa de ofício de 75%, que decorre de texto expresso de lei, e dos juros de mora calculados com base na SELIC, dois pontos absolutamente pacíficos na jurisprudência deste E. Conselho. Senão, vejamos, o disposto na Súmula n. 4 do CARF: “A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais.” Por sua vez, o art. 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96 determina que, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento e nos de declaração inexata. Portanto, restou correta a aplicação da multa de ofício sobre a diferença de IPI que deixou de ser recolhida em virtude da reclassificação fiscal da mercadoria. Vale lembrar que também incidem juros moratórios sobre a multa de ofício, conforme remansosa jurisprudência do CARF e Súmula CARF n. 108, que assim preceitua: “incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.” Conclusão. Diante do exposto, conheço do recurso para rejeitar as preliminares de conexão e prescrição e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente ADRIANO MONTE PESSOA Fl. 925DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10783.900006/2013-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3001-000.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Daniel Moreno Castillo, Joana Maria de Oliveira Guimaraes (substituto[a] integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
Assinado Digitalmente
Daniel Moreno Castillo – Relator
Assinado Digitalmente
Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Daniel Moreno Castillo (relator), Larissa Cassia Favaro Boldrin e Rachel Freixo Chaves, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira.
Nome do relator: DANIEL MORENO CASTILLO
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Daniel Moreno Castillo, Joana Maria de Oliveira Guimaraes (substituto[a] integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente). Assinado Digitalmente Daniel Moreno Castillo – Relator Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Daniel Moreno Castillo (relator), Larissa Cassia Favaro Boldrin e Rachel Freixo Chaves, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira. RELATÓRIO Recurso voluntário contra o acórdão da DRJ, que julgou a manifestação procedente em parte, reconhecendo direito creditório de R$ 1.143,52 (glosa não contestada de R$ 922,23 mantida) e determinando a exclusão dos débitos relativos ao AI nº 15586.720490/2013-21 (valores de jan/2011, fev/2011 e mar/2011) por força do cancelamento desse lançamento pelo CARF (Acórdão nº 3301-004.587). Fl. 159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3001-000.715 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10783.900006/2013-03 2 O PER/DCOMP 4.5 (nº 04229.88812.160611.1.1.01-0399) aponta Saldo Credor RAIPI Ajustado de R$ 327.635,14 no período e créditos no trimestre relativamente modestos (mar/2011: R$ 2.067,25), com quadros do RAIPI – Entradas/Saídas de jan-mar/2011 e após o período (abr/2011–mai/2011), além do detalhamento por NF. É o relatório. VOTO Conselheiro Daniel Moreno Castillo, Relator. As normas exigem que o ressarcimento recaia sobre créditos escriturados no trimestre-calendário, ainda que a escrituração seja extemporânea, hipótese em que o pedido deve ser apresentado no trimestre da escrituração (não se admite escrituração retroativa para fazer o crédito “pertencer” a trimestre anterior). Diante da divergência documental entre PER/DCOMP e a conclusão da DRJ quanto à escrituração, impõe-se privilegiar a verdade material (sem afastar as restrições normativas aplicáveis), convertendo-se o julgamento em diligência com quesitos vinculantes, nos termos abaixo dispositivo. Converto o julgamento em diligência, a ser cumprida pela Unidade de Origem, com a intimação da contribuinte para colaboração ativa (ônus probatório do contribuinte), nos seguintes termos: 1. Requisite ao contribuinte e junte aos autos, em cópias autenticadas administrativamente, os livros fiscais do estabelecimento referentes a 01/2011 a 03/2011 (Livro Registro de Entradas e RAIPI) — ou os arquivos/relatórios da EFD-ICMS/IPI (SPED Fiscal) — com destaque dos lançamentos de créditos (inclusive, se houver, extemporâneos) no trimestre e, quando cabível, dos lançamentos imediatamente posteriores (abril/2011 e maio/2011), conforme quadro “Livro RAIPI após o período” do PER/DCOMP, a fim de conciliar as posições de saldo. 2. Apresente relatório técnico e conclusivo explicitando onde (livro/registro) e quando foram efetivamente escriturados os créditos vinculados ao pedido, com referência cruzada às NF listadas nas Fichas de Notas Fiscais de Entrada/Aquisição do PER/DCOMP (fls. 94–96). 3. Na reconstituição, não sejam reincluídos os débitos do AI nº 15586.720490/2013-21, cancelado pelo CARF, conforme já reconhecido pela DRJ (Acórdão nº 14-108.558). Após a diligência, voltem os autos para conclusão do mérito, observadas as mesmas balizas normativas aplicáveis ao ressarcimento. Fl. 160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3001-000.715 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10783.900006/2013-03 3 É como voto. Assinado Digitalmente Daniel Moreno Castillo Fl. 161DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
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Numero do processo: 10920.002080/2006-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 28/11/2003
IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio.
MULTA MORATÓRIA NA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a incidência de multa moratória nos termos da legislação vigente, quando o PER/DCOMP é transmitido posteriormente à data de vencimento do débito indicado no PER/DCOMP para ser compensado.
Numero da decisão: 3002-004.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Adriano Monte Pessoa – Relator
Assinado Digitalmente
Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascarenhas, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente).
Nome do relator: ADRIANO MONTE PESSOA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 28/11/2003 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. MULTA MORATÓRIA NA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a incidência de multa moratória nos termos da legislação vigente, quando o PER/DCOMP é transmitido posteriormente à data de vencimento do débito indicado no PER/DCOMP para ser compensado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Adriano Monte Pessoa – Relator Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascarenhas, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente).
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CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. MULTA MORATÓRIA NA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a incidência de multa moratória nos termos da legislação vigente, quando o PER/DCOMP é transmitido posteriormente à data de vencimento do débito indicado no PER/DCOMP para ser compensado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Adriano Monte Pessoa – Relator Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Fl. 876DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.021 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.002080/2006-11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascarenhas, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra acórdão da 3ª Turma da DRJ de Joinville/SC que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para manter o despacho decisório que reduziu o valor do saldo credor de IPI originalmente utilizado no PER/DCOMP devido à exclusão de valores relativos a períodos anteriores ao período de referência das compensações. Verifica-se do despacho decisório de fl. 394/398, proferido pela DRF-Joinville, que a interessada apresentou PER/DCOMPs no valor total de R$488.161,48, referente a ressarcimento de créditos de IPI apurado em seu estabelecimento matriz, com fundamento no art. 11 da Lei n. 9.779/99, relativamente ao 3º trimestre do ano-calendário de 2003, através do qual efetuou as compensações de débitos de COFINS e CSL. Observa, ainda, o despacho decisório, que na composição do crédito detalhado encontram-se também créditos presumidos de IPI referente aos meses de junho, julho e agosto de 2003, com fundamento na Lei n. 9.363/96, escriturados no 3º trimestre-calendário de 2003. Destaca que, em relação a tais créditos, não houve glosas. Porém, em relação ao saldo credor do IPI, registrado no RAIPI, o despacho decisório apontou as seguintes divergências: a) Na composição do saldo credor inicial do período no RAIPI em 30/06/2003 que totalizou R$517.273,44, “encontram-se o somatório dos valores atinentes a ressarcimento de créditos do IPI de períodos anteriores, quais sejam: R$264.838,08, do saldo credor do 4º trimestre de 2002, e R$247.713,68, do saldo credor do 2º trimestre de 2003”. Acrescenta, ainda, a glosa de crédito presumido no valor de R$2.099,40 realizada em fevereiro de 2003. Feitos esses ajustes, o saldo credor inicial ficou reduzido a R$2.622,28. b) Na composição do saldo credor final do período, ajustado em 30/09/2003, de R$616.789,17, “encontram-se os valores atinentes ao ressarcimento de créditos de IPI de períodos anteriores”. Destacou, por fim, o despacho decisório: “Assim temos: R$264.838,08 do saldo credor do 4º trimestre de 2002, R$247.713,68 do Fl. 877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.021 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.002080/2006-11 3 saldo credor do 2º trimestre de 2003, já ajustado com os estornos de R$145.200,00 e de R$36.517,83 efetuados em setembro de 2003; e os R$2.099,40, relativos à glosa de crédito presumido do IPI em fevereiro de 2003. Com isso, os créditos de IPI passíveis de ressarcimento, após o saldo credor final ajustado, perfazem o montante de R$283.855,84, conforme descrito na planilha de fl. 370. Em conclusão, o despacho decisório registrou que o contribuinte só fazia jus ao ressarcimento de R$283.855,84, o que resultou na diferença de R$204.305,64, haja vista que o contribuinte informou na DCOMP nº 29420.08485.261103.1.3.01-5703 o valor de R$488.161,48,, para compensação de outros débitos, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Por fim, em atendimento ao despacho decisório a SAORT/DRF-Joinville efetuou a compensação dos débitos constantes às fls. 01 a 06, 09 a 012, e com o processo apensado 10920.000445/2008-27 de CNPJ 86.046.612/2015-36 (FILIAL), utilizando o valor original de R$283.855,84, conforme demonstrativo SIEF de fls. 378/382. Ao final, o despacho decisório não homologou os respectivos débitos informados nas PER/DCOMP de n. 25074.98744.151203.1.3.01-6002 e n. 29420.08485.261103.1.3.01-5703, correspondentes, respectivamente, aos valores de R$121.180,33 (COFINS – período de apuração 11/2002) e de R$83.125,26 (CSLL – período de apuração 10/2003). Cientificada do despacho decisório pela via postal em 12/02/2008 (fl. 386), a contribuinte interessada manifestou em 12/03/2008 a sua inconformidade de fls. 387/391, alegando o que segue: (i) considera indevido o estorno de créditos no valor de R$204.305,64, por se tratar de parcelas relativas ao 3º decêndio de novembro de 2003 e ao 2º decêndio de dezembro de 2003, as quais se encontram devidamente demonstradas na documentação acostada à sua manifestação; (ii) destaca que a própria SAORT reconhece que o estorno a maior efetuado, no valor de R$204.305,64, deverá receber o devido tratamento quando da análise dos períodos subsequentes; (iii) ao final, postula seja relevada a penalidade aplicada ou reduzida a mera multa por inobservância de obrigação acessória. Em sede de julgamento, em 19/12/2014, os membros da 3ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, no acórdão n. 09-56.137, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho decisório, sustentando, em síntese, que: preliminarmente, o acórdão registra ser despiciendo o pleito da impugnante sobre a utilização de todos os meios de prova, por haver elementos suficientes nos autos para a formação do juízo e porque não seria possível a apresentação de provas posteriormente à impugnação; e, no mérito, fundamenta-se na constatação de que a redução do saldo credor ocorreu em razão da utilização Fl. 878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.021 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.002080/2006-11 4 em ressarcimentos/compensações de trimestres calendários anteriores ao ora analisado, objetos de outros PER/DCOMP, conforme didaticamente detalhado nas planilhas anexas ao despacho decisório; e, por fim, com relação à penalidade aplicada, destacou que esta decorreria de disposição expressa de lei, considerando corretamente aplicada a multa de mora sobre os débitos resultantes da não homologação parcial das compensações vinculadas. Intimada do acórdão de fls. 829/838, em 06/02/2015, a recorrente protocolou recurso voluntário em 09/03/2015, no qual alega, basicamente, o seguinte: reitera os argumentos já lançados em sua manifestação de inconformidade, acima vistos, acrescentando que a matéria restringe-se a descumprimento de obrigação acessória; também insere algumas considerações doutrinárias e, ao final, aduz que “no 3º trimestre de 2003, quando foi apresentada a PER/DCOMP, houve inclusão de valores de outubro e novembro de 2003, cuja apropriação somente seria de direito no quarto trimestre de 2003”, e, ainda, que deste procedimento resultaria a apropriação de um crédito antecipado de R$206.927,92, o que no seu entendimento, justificaria a aplicação da multa apenas pela diferença dos juros relativos aos dias da antecipação do referido crédito. É o relatório. VOTO Conselheiro Adriano Monte Pessoa – Relator Nos termos do relatório, verifica-se a tempestividade do Recurso Voluntário, bem como o preenchimento dos requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. O despacho decisório de fls. 373/377 informou que a interessada apresentou PER/DECOMP no valor total de R$488.16,48, conforme especificadas na tabela abaixo: Ao analisar os documentos apresentados pela interessada, a RFB reconheceu o direito ao ressarcimento no valor de R$283.855,84, promoveu ajustes ao saldo inicial referentes aos ressarcimentos do 4º trimestre de 2002 e do 2º trimestre de 2003, que ficou reduzido de R$517.273,44 para R$2.622,28, conforme planilha abaixo (fl. 370): Fl. 879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.021 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.002080/2006-11 5 Observa-se que o saldo credor final ajustado em 30/09/2003 resultou em um valor de R$283.855,84, perfazendo, em relação ao crédito de R$488.161,48, pleiteado pela interessada, uma diferença da ordem de R$204.305,64, os quais foram utilizados para homologação ou não das PER/DCOM da seguinte forma: Com efeito, o Despacho Decisório de Compensação não reconheceu o crédito demonstrado no Pedido de Restituição e Declaração de Compensação em virtude da constatação da utilização no saldo inicial de ressarcimento de créditos de IPI de períodos anteriores ao trimestre de referência, conforme decorre da motivação descrita no despacho decisório. A partir daí pode-se inferir que a questão se circunscreve à possibilidade de saldos credores do IPI apurados em trimestres anteriores comporem o saldo credor ressarcível apurado em um trimestre posterior para compensação dos tributos devidos pelo sujeito passivo. A recorrente sustenta que as parcelas não homologadas, as quais resultaram no estorno de créditos no valor de R$204.305,64, seriam relativas ao 3º decêndio de novembro de 2003 e ao 2º decêndio de dezembro de 2003, o que não lhe traz melhor sorte. Pois, se assim fosse, estaria pleiteando não apenas a utilização de saldos de períodos anteriores ao trimestre em Fl. 880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.021 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.002080/2006-11 6 referência, tal como procedeu em seu pedido de compensação, mas também de períodos posteriores por antecipação, conforme alegado em sua defesa. Declara a recorrente, ainda, que no 3º trimestre de 2003, quando foi apresentada a PER/DCOMP, teria incluído valores referentes aos meses de outubro e novembro de 2003, a cuja apropriação somente teria direito no 4º trimestre de 2003 e que, deste procedimento, resultaria um saldo de crédito antecipado no valor de R$206.927,92. Ora, a própria recorrente, após utilizar-se, no seu livro Registro de Apuração do IPI e no seu pedido de compensação, de créditos de períodos anteriores ao trimestre em referência, para composição do saldo credor de IPI, traz em sua defesa a antecipação de créditos de IPI de períodos posteriores ao trimestre em referência, o que destoa ainda mais da legislação que disciplina a matéria. Em relação à penalidade, a recorrente alega que por fazer jus a saldo credor de IPI no período subsequente ao período em referência da compensação, estaria incorrendo em mero descumprimento de obrigação acessória, o que não poderia acarretar a penalidade própria para as obrigações principais. Todavia, não assiste razão à recorrente. Conforme bem decidido pela 3ª Turma da DRJ/JFA, à fl. 833: “(...) Sendo assim, a parcela daquele saldo credor do IPI que foi solicitada/utilizada nos moldes acima em períodos anteriores não poderá ser computada no trimestre de referência. E quanto à parcela remanescente desse saldo credor (ou seja, a parcela que não foi solicitada/utilizada nos aludidos moldes), será transferida para o trimestre calendário seguinte como crédito não passível de ressarcimento, já que foi apurada não nesse trimestre seguinte, mas no anterior. Tal parcela corresponderá, então, ao valor de abertura desse trimestre seguinte e, por não ser passível de ressarcimento, somente poderá ser utilizada para abatimento de débitos escriturais do IPI, consoante a sistemática constitucional da não cumulatividade que rege tal tributo.” (...) Ou seja, o ajuste assinalado acima destina-se a apurar de modo escorreito o exato valor do saldo credor do IPI passível de ressarcimento em espécie ou como lastro de compensação(ões) declarada(s) pertencente ao 4º trimestre/2003 - que, repita-se, não se trata do trimestre calendário em análise no presente processo (3º trimestre/2003. Simples assim. (...) Fl. 881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.021 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.002080/2006-11 7 De plano, cumpre esclarecer que a sanção exigida sobre os débitos em questão não se trata de penalidade pela prática de infração fiscal, mas sim de multa de mora sobre os débitos que emergiram em aberto em razão das parcelas das compensações declaradas que não foram homologadas. Tal multa de mora conta com previsão legal expressa, possuindo a autoridade administrativa o dever de cumpri-la: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento." Portanto, a exigência de multa de mora sobre os débitos resultantes da não homologação parcial das compensações está corretamente fundamentada, não podendo deixar de ser exigida por expressa disposição legal.” Restou claro, portanto, o entendimento da decisão recorrida de que a requerente não fazia jus ao saldo credor de ressarcimento do crédito de IPI, utilizados para compensação de outros débitos nas respectivas PER/DCOMP, por deixar de cumprir uma determinação legal no sentido de que somente são passíveis de ressarcimento/compensação os créditos escriturados no trimestre-calendário. Em suma, a DRJ negou o crédito pleiteado ao fundamento que tais valores deveriam ter sido escriturados nos trimestres próprios e não de forma extemporânea. Tal vedação encontra sua fundamentação em diversos instrumentos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal, em cumprimento do comando previsto pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, in verbis: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Fl. 882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.021 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.002080/2006-11 8 Observada a norma prescrita acima, a Secretaria da Receita Federal editou, inicialmente, a Instrução Normativa SRF nº 210/2002, cujo enunciado é fundamental à presente análise, oportuna a transcrição: “Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I - créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; II - créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1º da Portaria MF nº 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III - créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF nº 87/89, de 21 de agosto de 1989. § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestre-calendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizá-los na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. § 3º São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do § 1º, apurados no trimestre-calendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz, e os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre-calendário.” Da leitura do art. 14, IN SRF nº 210/2002, observa-se, em seu §1º, a permissão para a manutenção na escrita fiscal de créditos remanescentes de IPI para posterior dedução de débitos de IPI, relativos a períodos subsequentes. Por sua vez, o §2º do mesmo art. 14 disciplina a possibilidade de ressarcimento de créditos de IPI passíveis de ressarcimento, remanescentes ao final de cada trimestre-calendário. E Fl. 883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.021 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.002080/2006-11 9 o §3º, do referido artigo, esclarece que os "créditos de IPI passíveis de ressarcimento", são apenas os créditos presumidos do §1º, inciso I, apurados no trimestre-calendário, e os créditos provenientes de entradas de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre-calendário. Posteriormente, a IN SRF nº 210/2002 foi revogada pela IN SRF no 460, de 2004, que manteve, em seu art. 16 e parágrafos, as mesmas regras anteriores. Sucedendo a IN SRF nº 460, sobrevieram as instruções normativas nº 600, de 2005, e 900, de 2008, todas elas dispondo que, dos créditos relativos a entradas de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, somente são passíveis de ressarcimento aqueles escriturados no trimestre-calendário referente à solicitação. A partir de 2002, várias Instruções Normativas que estabeleceram as normas quanto a restituição/ressarcimento, até o advento da atual IN n. 2.055, de 06.12.2021, que em seu art. 43 também dispõe que: Art. 43. Na hipótese de remanescerem, ao final do trimestre-calendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento depois de efetuadas as deduções e transferências admitidas na legislação, a pessoa jurídica poderá requerer à RFB o ressarcimento do saldo credor ou utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB. §1º . São passíveis de ressarcimento ou de compensação somente os créditos do IPI escriturados no trimestre calendário de referência do pedido de ressarcimento, observado o disposto no §2º.” (original sem destaques). Portanto, após a entrada em vigor da IN nº 210/2002, somente é passível de ressarcimento ou compensação o saldo credor composto pelos créditos escriturados no trimestre em referência. Ou seja, o saldo credor acumulado do trimestre anterior não pode ser objeto de pedido relativo a outro trimestre posterior. Assim, cada PER/DCOMP deve ter como saldo credor passível de ressarcimento ou compensação apenas aquele do trimestre indicado como trimestre de referência, isto é, do trimestre de apuração. Além disso, o saldo credor de um trimestre-calendário se não integralmente aproveitado na forma de ressarcimento/compensação (arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pode e deve ser transportado para o período subsequente, mas apenas para compensação com débitos do imposto na conta gráfica do IPI, e não para compor o saldo credor ressarcível do trimestre-calendário seguinte, vale dizer, o saldo credor apurado em um trimestre não é ressarcível em relação aos trimestres subsequentes. Tal exigência não se trata de mero formalismo burocrático, mas decorre do binômio necessidade/possibilidade de controle fiscal de créditos sobre os saldos credores acumulados de IPI relativamente aos períodos anteriores ao longo dos anos-calendários. E por essa razão o legislador ordinário delegou competência à RFB para editar normas regulamentares a respeito da forma de aproveitamento de tais créditos. Fl. 884DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.021 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.002080/2006-11 10 Na esteira de tal entendimento tem se posicionado a jurisprudência do CARF ao longo dos anos, cujas ementas seguem transcritas: Acórdão n. 9303-014.239 Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Ano-calendário: 2007 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. (Processo 10830.903137/2010-89 - 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais da 3ª Seção, Relator Vinicius Guimaraes). Acórdão n. 9303-016.689 Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrentes de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. (Processo 10980.930071/2009-42 - 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais da 3ª Seção, Relatora TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO) Acórdão n. 3201-007.031 Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE IPI. PERÍODO DE APURAÇÃO. Cada pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI deve referir-se a um único trimestre calendário. (Processo 11065.902671/2010-59 – 1ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da 3ª Seção, Relator Leonardo Correia Lima Macedo). Nas ementas dos arestos acima transcritas, reforça-se o entendimento de que o saldo anterior acumulado na escrituração não pode ser ressarcido e/ou compensado como se fosse valor relativo ao trimestre do pedido de ressarcimento. Teria que ser objeto, especificamente, de pedido relativo ao trimestre em que foi escriturado. O que significa dizer que a compensação só se aplica aos créditos decorrentes das aquisições realizadas e escrituradas no trimestre a que se refere, devendo ser excluído o saldo credor de trimestres anteriores. Fl. 885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.021 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.002080/2006-11 11 É de se concluir, pois, que a interessada se equivocou ao incluir no seu RAIPI e no seu pedido de compensação um saldo credor composto por valores oriundos de períodos de apuração anteriores ao período de referência (3º trimestre de 2003) para compensação de débitos de COFINS e CSLL em outubro e novembro de 2003. Todavia, tal equívoco, ao contrário do que supõe a recorrente, não se trata de mero descumprimento de obrigação acessória. Ademais, a compensação de débitos, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, é efetuada pelo contribuinte mediante apresentação de PER/DCOMP, no qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, cabendo à autoridade administrativa e aos órgãos julgadores a apreciação da regularidade da compensação nos exatos termos determinados pela declaração prestada pelo contribuinte. Como visto acima, a pretensão da recorrente está em desconformidade com a legislação que regula a matéria, pois como já foi explicitado, o ressarcimento do IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições deve se referir apenas aos créditos ressarcíveis escriturados no trimestre a que se refere. Dessa forma, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, se houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias devem ser excluídas do pedido/declaração e solicitadas opportuno tempore em pedido próprio ou utilizadas escrituração fiscal para abater débitos de períodos posteriores, conforme restou bem demonstrado no acórdão recorrido, não havendo que se falar em bis in idem. Quanto à penalidade aplicável, esta se opera de pleno direito por força de lei, por se tratar de multa de mora por atraso no pagamento dos débitos não quitados nos prazos específicos de suas respectivas legislações, conforme preceitua o art. 61 da Lei n. 9.430/96. Cumpre, por fim, dizer que o fato de o contribuinte possuir saldo credor de IPI no trimestre em períodos subsequentes ao do pedido de compensação não retira o caráter de obrigação principal dos débitos a serem compensados, de modo que, sendo extemporânea a sua quitação, resta configurado o crédito tributário, sendo, em razão disso, plenamente devidos os encargos moratórios. O que pretende a recorrente, ao sustentar a excessividade da penalidade aplicada, é a exclusão da multa moratória e a obtenção de efeitos equivalentes ao do instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, o qual exige, todavia, o pagamento integral do débito, o que obviamente não ocorreu quando da não homologação das compensações realizadas. Portanto, não se pode afastar a exigência da multa moratória quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação, mormente no caso em que esta não foi homologada. Por outro lado, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débitos indevidamente compensados e não homologados, de forma que a multa de mora e os juros de mora são aplicáveis a todos os casos em que o pagamento ou a compensação se dá de forma insuficiente e/ou a destempo. Fl. 886DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.021 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.002080/2006-11 12 Assim sendo, resta evidenciado que o acórdão recorrido encontra forte respaldo na legislação atinente à matéria, assim como na jurisprudência administrativa deste E. Conselho. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente ADRIANO MONTE PESSOA Fl. 887DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10850.002286/2003-61
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 203-00.693
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Cesar Piantavigna e Mauro Wasilewski (Suplente) que votavam pela apreciação imediata do recurso.
Matéria: IPI- ação fiscal - omissão receitas (apurada no IRPJ)
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DRJ em Ribeirão Preto - SP RESOLUÇÃO N° 203-00.693 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: TRON INDUSTRIAL REFRIGERAÇÃO E ELETRÔNICA LTDA RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Cesar Piantavigna e Mauro Wasilewski (Suplente) que votavam pela apreciação imediata do recurso. Sala das Sessões, em 20 de fevereiro de 2006. ;f~_~,.,~ ~o~zerra i'léto Presidente #....--Maria esa Martínez LópezRelat a Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente) e Valdemar Ludvig. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. Eaal/Inp 1 . " • Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10850.002286/2003-61 126.599 2QCC-MF FI. ~ Recorrente TRON INDUSTRIAL REFRIGERAÇÃO E ELETRÔNICA LTDA. RELATÓRIO '. • Contra a empresa nos autos qualificada foi lavrado auto de infração exigindo-lhe o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, no Ano-calendário de 1998. Em prosseguimento, adoto e transcrevo, a seguir, o relatório que compõe a Decisão Recorrida: RELATÓRIO Trata-se de auto de infração lavrado em 11/09/2003 para exigir o crédito tributário de R$ 713.981,90, relativo ao IPI, juros de mora e multa de ofício em decorrência da apuração de omissão de receitas. Segundo a descrição dos fatos (fls. 2287/2292) e o termo de constatação (fls. 2278/2285), o presente auto de infração de IPI originou-se de umajiscalização relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, durante a qual foram detectadas as seguintes irregularidades: a) o contribuinte apresentou movimentação bancária incompatível com as receitas declaradas e, embora intimado, não conseguiu comprovar a origem dos recursos; b) falta de contabilização de pagamentos efetuados a fornecedores. Os valores apurados foram consolidados decendialmente pelo fisco em respeito ao critério temporal de apuração do IPI. Diante da constatação da existência de saldos credores, foi feita a reconstituição dos saldos da escrita fiscaL. Em face da diversidade de produtos industrializados pelo estabelecimento, a fiscalização efetuou um rateio com base na participação de cada produto no total das receitas omitidas, a fim de cobrar o imposto correspondente. Regularmente notificado, apresentou o sujeito passivo às fls. 2318/2348 cópia reprográfica da mesma impugnação apresentada no processo relativo ao IRPJ. Alegou em preliminar a nulidade do auto de infração e a decadência. Insurgiu-se contra o agravamento da multa de ofício, aplicada pela suposta ocorrência de fraude ou dolo (pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade), dado que tal infração, capitulada no art. 40 da Lei n° 9.430/96, enquadra-se no rol das chamadas "presunções legais" (tal como a proveniente de depósitos bancários sem a comprovação dos recursos utilizados), não se podendo admitir a prática de fraude; aponta, ainda, a falta de critério do autuante ao aplicar multas diferentes para duas infrações fundadas em "presunções legais", acrescentando que fraude não se presume, mas deve ser provada, além de ser minuciosamente descrita, situação que não se verifica nos autos (transcreve, também, jurisprudência do Conselho de Contribuintes); assim, afastada a penalidade agravada, a regra de decadência é a d09 40 do art. 150 do CTN, como já mencionado. No mérito, alegou que a exigência de tributos incidentes sobre omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários não contabilizados e por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade caracteriza bitributação, dado que a maior omissão de receita apurada fatalmente estaria dando cobertura às menores, tal 2 Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10850.002286/2003-61 126.599 MIN (lA FA?fr~ t - 2 <' CC -"~-'~-'''''~'''''~.'I<I''''''-~--,-- CONFEHE COr,'; c CRIG1NAL BRASíLIA ..Q.?!_Q5L.JQ6__ ---.,(\~~:(£~0ff-:;: 2QCC-MF FI. J}. {/t>j; • • como ocorre comumente no saldo credor de caixa. Disse que houve utilização indevida da presunção instituída pelo art. 42 da Lei nO9.430/96, visto que não há depósitos não contabilizados e todos os ingressos de numerário, obrigatoriamente, têm sua origem dentro da própria movimentação financeira da empresa. Alegou que os livros contábeis fazem a prova a favor do contribuinte, cabendo à autoridade fiscal a prova de sua inveracidade, a teor do Código Comercial Brasileiro, art. 23, II e do art. 9~ ** ]O e 20, do DL. 1.598/77. Contestou a possibilidade de exigência de crédito tributário fundado em presunções, ficções e indícios, os quais se incompatibilizam com os princípios da legalidade e da tipicidade da tributação, ferindo, ainda, dispositivos do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto, requereu a nulidade do auto de infração ou, no mérito, que fosse decretada a improcedência da autuação. Por meio do Acórdão DRJ/POR nO5.181, de 10 de março de 2004, os membros da 2 a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, qão conheceram a preliminar de nulidade e, no mérito, julgaram procedente o auto de infraçao para manter o crédito tributário nos termos em que foi constituído. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1998 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE . Tratando-se de questão impertinente ao processo de IPI, não se toma conhecimento da preliminar. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nO9.430, de 1996, no seu artigo 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receita, também por força de presunção legal. MULTAS. INFRAÇÃO QUALIFICADA. Comprovada a presença do dolo em razão da freqüência da conduta e da magnitude dos valores envolvidos, é lícita a inflição da multa de ofício majorada. DECADÊNCIA. Estando presente o dolo, a contagem do prazo decadencial desloca-se do art. 150, 9 40 para o art. 173, I, do CTN. Lançamento Procedente. Inconformada com a decisão prolatada, a contribuinte apresenta recurso onde em sfutese e fundamentalmente repisa os argumentos apresentados em sua impugnação . 3 Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10850.002286/2003-61 126.599 2QCC-MF FI. '1.-1~14 Consta dos autos Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, para seguimento do recurso ao Conselho de Contribuintes, conforme preceitua o artigo 33, parágrafo 2°, da Lei nO 10.522, de 19/0712002 e Instrução Normativa SRF n° 264, de 20/12/2002: É o relatório. • f 4 • Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10850.002286/2003-61 126.599 2QCC-MF FI. '-1112J • VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Penso, ijaver um fato impeditivo a garantir o julgamento deste processo. Conforme relatado, o auto de infração de exigência de crédito de IPI é decorrente daquela constituída na formalização do crédito tributário referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, constante no Processo n° 10850.00228412003-72. No mérito, e por se tratar em parte de lançamento reflexo, a manifestação deste Colegiado deve-se orientar pelo que já foi decidido relativamente ao processo principal. Compulsando o endereço eletrônico dos Conselhos de Contribuintes, verifico que recentemente, em outubro de 2005, foi julgado o processo principal de IRPJ, conforme dados a seguir transcritos: Número do Recurso: 140087 Câmara: SÉTIMA CÂMARA Número do Processo: 108S0.00228412003-72 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: TRON INDUSTRIAL REFRIGERAÇÃO E ELETRÔNICA LTDA. Recorrida/Interessado: sa TURMNDRJ-RIBElRÃO PRETO/SP Data da Sessão: 19/1012005 - 01:00:00 Relator: Luiz Martins Valero Decisão: Acórdão 107-08282 Resultado: DPPM - DAR PROVIMENTO PARCIAL POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir as exigências, do IRPJ, CSLL e decorrentes, relativas a depósitos bancários não comprovados, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima que a mantinha. No entanto, até 06/0212006, data da presente pesquisa, o processo ainda não se encontrava devidamente formalizado, bem como, não há como prever a definitividade do mencionado julgamento - quer pela apresentação de embargos ou de recursos pelas partes envolvidas. Pelo princípio da verdade material, o julgador tem o direito e dever de carrear para o processo todos os dados, informações que contribuam para a solução da lide. No caso dos autos, imprescindível se faz, para o alcance de seu fim preestabelecido, a conclusão final do Processo nO 10850.00228412003-72, para somente após adentrar na análise do presente feito. Esse atributo particular do processo administrativo decorre do próprio fim visado com o controle administrativo da legalidade, onde possível será o cancelamento da multa agravada, se excluído também do processo de IRPJ. Portanto, pelos fatos expostos, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, a fim de que a mesma, aguarde ao julgamento final do discriminado processo administrativo de IRPJ (retomo, em sendo o caso, do julgamento proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes) para somente após subirem os autos a este 5 " Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10850.002286/2003-61 126.599 2Q-eC-MF FI. 0.Jl.1st • '. Colegiado devidamente instruído para o devido julgamento, juntamente com a fotocópia da decisão final naquele processo. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de fevereiro de 2006. -' ?f~- MARIATERESrARTÍNEZ LÓPEZ 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000621/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
CONHECIMENTO. MATÉRIAS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei.
ADMISSIBILIDADE. ARROLAMENTO DE BENS. SÚMULA CARF Nº 109.
O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens.
PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO OBSERVAÇÃO DO PRAZO DE 360 DIAS DISPOSTO NO ART. 24 DA LEI 11.457, DE 2007. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não caracteriza nulidade do lançamento a extrapolação do prazo de 360 dias disposto no artigo 24 da Lei 11.457, de 2007, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento.
DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
DECADENCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 223.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), exigido a partir da omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, é complexivo, operando-se em 31 de dezembro do correspondente ano-calendário, ainda que apurado em bases mensais ou objeto de antecipações no decorrer do período.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL.
Submete-se à tributação pelo imposto de renda o ganho de capital obtido na alienação de bem imóvel, nos termos da legislação específica. A simples alegação de que os imóveis já haviam sido transferidos para terceiros não é suficiente para contestar a apuração de ganho de capital, sendo necessária a comprovação do fato.
ESCRITURA PÚBLICA. EFEITOS.
A escritura pública é dotada de fé pública e seu conteúdo só pode ser infirmado por prova inequívoca produzida por quem o contesta.
Numero da decisão: 2101-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo dos argumentos de proporcionalidade e confiscatoriedade da multa, de inconstitucionalidade da obtenção de informações bancárias sem prévia autorização judicial, e referentes ao arrolamento de bens, e na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar-lhe provimento
Sala de Sessões, em 8 de dezembro de 2025.
Assinado Digitalmente
Roberto Junqueira de Alvarenga Neto – Relator
Assinado Digitalmente
Mário Hermes Soares Campos – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Carolina da Silva Barbosa, Debora Fofano dos Santos, Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO JUNQUEIRA DE ALVARENGA NETO
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MATÉRIAS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. ADMISSIBILIDADE. ARROLAMENTO DE BENS. SÚMULA CARF Nº 109. O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens. PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO OBSERVAÇÃO DO PRAZO DE 360 DIAS DISPOSTO NO ART. 24 DA LEI 11.457, DE 2007. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza nulidade do lançamento a extrapolação do prazo de 360 dias disposto no artigo 24 da Lei 11.457, de 2007, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. DECADENCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 223. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), exigido a partir da omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, é complexivo, operando-se em 31 de dezembro do correspondente ano-calendário, ainda Fl. 609DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.000621/2010-88 2 que apurado em bases mensais ou objeto de antecipações no decorrer do período. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Submete-se à tributação pelo imposto de renda o ganho de capital obtido na alienação de bem imóvel, nos termos da legislação específica. A simples alegação de que os imóveis já haviam sido transferidos para terceiros não é suficiente para contestar a apuração de ganho de capital, sendo necessária a comprovação do fato. ESCRITURA PÚBLICA. EFEITOS. A escritura pública é dotada de fé pública e seu conteúdo só pode ser infirmado por prova inequívoca produzida por quem o contesta. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo dos argumentos de proporcionalidade e confiscatoriedade da multa, de inconstitucionalidade da obtenção de informações bancárias sem prévia autorização judicial, e referentes ao arrolamento de bens, e na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar-lhe provimento Sala de Sessões, em 8 de dezembro de 2025. Assinado Digitalmente Fl. 610DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.000621/2010-88 3 Roberto Junqueira de Alvarenga Neto – Relator Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Carolina da Silva Barbosa, Debora Fofano dos Santos, Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por Cleide Pedrosa Cortez em face do Acórdão nº 02-63.668, proferido pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, ano-calendário 2005. O auto de infração foi lavrado em 06/04/2010, formalizando exigência de imposto suplementar no valor de R$ 1.202.233,06, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, decorrente de: a) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (Instituto Nacional do Seguro Social - INSS), que a contribuinte reconheceu e recolheu; b) omissão de ganho de capital na alienação de bens imóveis no montante total de R$ 6.470.486,22, proveniente da alienação por dação em pagamento à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para quitação de dívida superior a R$ 30.000.000,00 da empresa Kofar Produtos Metalúrgicos Ltda. (CNPJ 53.869.921/0001-51), tendo como dadores a recorrente e seu cônjuge Antonio Carlos Settani Cortez, envolvendo os seguintes imóveis: Fazenda Jibóia (MT), adquirida em 19/06/2001 por R$ 17.000,00 - ganho de capital de R$ 1.577.780,98; Fazenda Piaba (MT), adquirida em 19/06/2001 por R$ 15.000,00 - ganho de capital de R$ 365.159,56; Fazenda Cocal (MT), adquirida em 19/06/2001 por R$ 13.000,00 - ganho de capital de R$ 1.139.874,70; Dois terrenos urbanos em Barueri/SP, adquiridos em 1994/1998 - ganhos de capital de R$ 1.572.003,69 e R$ 1.765.621,62; Fl. 611DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.000621/2010-88 4 Casa nº 5, Condomínio Principado de Mônaco, Butantã/SP - ganho de capital de R$ 50.045,67; c) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$ 808.521,41, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Na impugnação apresentada em 07/05/2010, a contribuinte arguiu: (i) nulidade do lançamento por verificação por amostragem e falta de liquidez; (ii) quanto ao ganho de capital, alegou que os imóveis teriam sido transferidos para a pessoa jurídica Kofar Produtos Metalúrgicos Ltda. em 2002, mediante registro contábil, embora sem formalização no Cartório de Registro de Imóveis, e que a dívida quitada pela dação era da empresa, não da pessoa física; (iii) quanto aos depósitos bancários, sustentou que a conta era conjunta com o cônjuge e utilizada para operações da empresa Kofar, apresentando justificativas como empréstimos e devoluções; (iv) inconstitucionalidade da multa de ofício e dos juros calculados pela taxa SELIC. A DRJ/BHE julgou improcedente a impugnação, por unanimidade, em sessão realizada em 30/01/2015, sob os seguintes fundamentos: (i) inexistência de nulidade, estando o auto de infração regular e atendendo ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72; (ii) quanto ao ganho de capital, prevalência da escritura pública de dação em pagamento datada de 28/04/2005, dotada de fé pública, não podendo ser elidida por meros lançamentos contábeis sem o devido registro imobiliário, conforme exige o Princípio da Entidade e o art. 1.245 do Código Civil; (iii) quanto aos depósitos bancários, aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não elidida por documentação hábil e idônea, considerando insuficientes as cópias simples de autorizações de TED e planilhas sem contratos ou comprovações efetivas; (iv) legitimidade da multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, sem caráter confiscatório; (v) impossibilidade de apreciação de matéria constitucional pela autoridade julgadora administrativa. Destaca-se a ementa do acórdão: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Submete-se à tributação pelo imposto de renda o ganho de capital obtido na alienação de bem imóvel, nos termos da legislação específica. A simples alegação de que os imóveis já haviam sido transferidos para terceiros não é suficiente para contestar a apuração de ganho de capital, sendo necessária a comprovação do fato. ESCRITURA PÚBLICA. EFEITOS. A escritura pública é dotada de fé pública e seu conteúdo só pode ser infirmado por prova inequívoca produzida por quem o contesta. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 612DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.000621/2010-88 5 As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. A aplicação de multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável, sempre, nos lançamentos de ofício, excetuada a hipótese de 150%, aplicável nos casos de evidente intuito de fraude. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, formulando as seguintes razões recursais: preliminarmente, violação ao prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/07 e decadência dos créditos tributários. Em relação ao ganho de capital, a recorrente argumenta que (i) os imóveis foram efetivamente transferidos para a pessoa jurídica Kofar Produtos Metalúrgicos Ltda. em 2002, conforme registros contábeis nos Livros Diário e Razão da empresa; (ii) a fiscalização da própria empresa Kofar reconheceu que os bens pertenciam à pessoa jurídica; (iii) a dívida quitada pela dação em pagamento era da empresa Kofar, e não da recorrente pessoa física; (iv) a recorrente perdeu a propriedade dos imóveis sem auferir qualquer acréscimo patrimonial; (v) está sendo tributada por um prejuízo, não por ganho; (vi) se houve ganho de capital, este ocorreu na pessoa jurídica, quando da transferência dos imóveis à CSN, e não na pessoa física; (vii) a exigência de registro formal no Cartório de Imóveis para duas transferências (2002 e 2005) representaria custos excessivos, daí a opção pelo registro contábil da primeira operação. Relativamente aos depósitos bancários, a recorrente limitou a alegar a inconstitucionalidade da obtenção de informações bancárias (sigilosas) sem prévia autorização judicial. Requer, ao final, a reforma integral da decisão recorrida, com o cancelamento total do crédito tributário. É o relatório. VOTO Conselheiro Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Relator 1. Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo, mas não atende integralmente aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos relativos à inconstitucionalidade e violação de princípios constitucionais relativos à multa qualificada não podem ser conhecidos por força da Súmula CARF Fl. 613DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.000621/2010-88 6 nº 2, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Da mesma forma, o tópico de “inconstitucionalidade da obtenção de informações bancárias (sigilosas) sem prévia autorização judicial” não merece ser conhecido, sob pena de violação da Súmula CARF nº 2. Registra-se que no Tema nº 225 da Repercussão Geral, o STF declarou que “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Quanto aos argumentos referentes ao arrolamento de bens, aplica-se a Súmula CARF nº 109: “O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens.” Cumpre ressaltar que apesar de ter sido lavrado termo de perempção, a Receita Federal reconheceu a falha no processamento do recurso voluntário, conforme Despacho de fls. 590/591: O contribuinte foi devidamente notificado do Acordão de Impugnação (Acórdão 02-63.668 - 5ª Turma da DRJ/BHE) no dia 08/06/2015 conforme demonstrado no AR sito à folha 545. Esgotado o prazo da cobrança amigável, conforme Termo de Perempção á folha 546, sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo foi encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional em Osasco para cobrança executiva conforme Despacho de Encaminhamento à folha 552. Todavia, o contribuinte protocolizou via Correios (Objeto SB162274651BR), datado em 15/12/2016, um pedido de Recurso Voluntário devidamente juntado a este processo às folhas 560 a 589 alegando ausência de processamento de Recurso Voluntário. Após análise da alegação do contribuinte, conforme documentação ás folhas 555 a 559, ficou constatado que, através do AR (objeto DJ590846930BR), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário encaminhado via Correios, o qual foi recebido na Delegacia da Receita Federal de Barueri em 07/07/2015. Entretanto, após verificação no processo em questão, o referido Recurso Voluntário não foi juntado ao mesmo. Em decorrência dessa falha, o contribuinte, embora tenha apresentado Recurso Voluntário TEMPESTIVO, teve o seu direito de Recurso ao CARF cerceado e o crédito objeto do presente PAF foi indevidamente inscrito em dívida ativa e exigido em executivo fiscal ajuizado em desfavor do contribuinte. Assim, o recurso voluntário merece conhecimento parcial, não conhecendo dos argumentos de proporcionalidade e confiscatoriedade da multa, de inconstitucionalidade da obtenção de informações bancárias sem prévia autorização judicial, e referentes ao arrolamento de bens. 2. Preliminar Fl. 614DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.000621/2010-88 7 2.1. “Preclusão do direito de julgar a lide” O recorrente alega que houve “preclusão do direito de julgar a lide”, tendo sido violado o art. 24 da Lei nº 11.457/07. O art. 24 da Lei nº 11.457/07 dispõe: “É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recurso administrativos do contribuinte”. Em primeiro lugar, o dispositivo legal não trouxe qualquer sanção em face do descumprimento do prazo lá citado que, diga-se de passagem, é impróprio. Em segundo lugar, por ser mais específica, prevalece sobre a Lei nº 11.457/07, o Decreto nº 70.235/72, que trata especificamente sobre o processo e procedimento administrativos federais. Tal diploma não prevê a nulidade quando o auto de infração preenche todos os requisitos lá dispostos e cujo processo não tenha incorrida em nenhuma das nulidades lá apontadas. Ademais, vale lembra que não há prescrição intercorrente no processo administrativo, conforme prevê a Súmula CARF nº 11: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Rejeita-se a preliminar. 2.2. Decadência A recorrente sustenta que o crédito tributário foi atingido pela “caducidade quinquenal”. Segundo a recorrente, o lançamento tributário ocorreu em 12/04/2010, portanto, só poderia abranger fatos ocorrido a partir de 12/04/2005. Entretanto, nenhum dos fatos geradores objeto da autuação ocorreram antes de 12/04/2005. Cumpre lembrar que, em relação a infração por omissão de ganho de capital obtidos na alienação de bens e direitos, os fatos geradores foram verificados em 30/04/2005 e 31/12/2005. Em relação às infrações de omissão de rendimentos, o fato gerador ocorreu em 31/12/2006, nos termos das Súmulas CARF nº 38 e 223. Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Súmula CARF nº 223 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), exigido a partir da omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, é complexivo, operando-se em 31 de dezembro do correspondente ano-calendário, ainda que apurado em bases mensais ou objeto de antecipações no decorrer do período. Rejeita-se a preliminar. Fl. 615DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.000621/2010-88 8 3. Mérito – Ganho de capital na alienação de imóveis A questão central do recurso reside na tributação de ganho de capital decorrente da alienação de imóveis por dação em pagamento à Companhia Siderúrgica Nacional, para quitação de dívida superior a R$ 30.000.000,00 da empresa Kofar Produtos Metalúrgicos Ltda. A recorrente sustenta que não houve ganho de capital tributável porque: (i) os imóveis teriam sido transferidos à pessoa jurídica Kofar em 2002, mediante registro contábil; (ii) a dívida quitada era da empresa, não da recorrente; (iii) perdeu a propriedade dos imóveis sem auferir qualquer acréscimo patrimonial. As escrituras públicas de dação em pagamento datadas de 28/04/2005 (fls. 244 a 269) demonstram inequivocamente que os imóveis estavam registrados em nome de Cleide Pedrosa Cortez e Antonio Carlos Settani Cortez, como dadores, alienando-os à CSN. Nos termos do art. 215 do Código Civil, a escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. Seu conteúdo só pode ser infirmado por prova inequívoca produzida por quem o contesta. A recorrente alega que os bens teriam sido transferidos à Kofar Produtos Metalúrgicos Ltda. em 2002, por meio de lançamentos contábeis, evitando custos de duplo registro cartorário. Contudo, não apresentou escritura pública ou qualquer registro no Cartório de Registro de Imóveis comprovando tal transferência. O art. 1.245 do Código Civil é expresso ao estabelecer que "transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis". Trata-se de exigência legal para a eficácia da transmissão da propriedade imobiliária perante terceiros e para fins tributários. Meros lançamentos contábeis, ainda que existentes nos livros da empresa, não possuem o condão de transferir a propriedade de bens imóveis. O Princípio da Entidade, consagrado na Resolução CFC nº 750/93 e reiterada pelos pronunciamentos posteriores, estabelece a autonomia patrimonial entre pessoa física e pessoa jurídica. Não se admite, para fins tributários, a alegação de transferência informal de bens imóveis da pessoa física para a pessoa jurídica sem o devido registro público. A ausência de instrumento público que comprove a transferência dos imóveis em 2002 impede o acolhimento da tese defensiva. Prevalece, portanto, a situação jurídica documentada nas escrituras públicas de 2005, que atestam que os imóveis pertenciam às pessoas físicas no momento da dação em pagamento. A dação em pagamento constitui modalidade de alienação de bens para fins de apuração de ganho de capital. O art. 3º, §3º, da Lei nº 7.713/88 estabelece que o ganho de capital decorre da alienação “a qualquer título” de bens ou direitos, conceito que abrange expressamente a dação em pagamento. O fato de a dívida ser da empresa Kofar, e não dos sócios pessoas físicas, não afasta a incidência do imposto sobre o ganho de capital. Nesta hipótese, houve efetiva alienação dos Fl. 616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.000621/2010-88 9 imóveis dos sócios para a CSN, com transferência de propriedade registrada em cartório. A circunstância de os sócios terem utilizado seus bens pessoais para quitar obrigação da sociedade configura, em substância econômica, integralização de capital ou assunção de dívida da pessoa jurídica pelos sócios, mas não descaracteriza a alienação dos bens da pessoa física para terceiro. Ao alienarem os imóveis à CSN para quitar dívida da Kofar, os sócios realizaram operação equivalente a duas etapas sucessivas: (i) alienação dos imóveis à CSN, gerando ganho de capital; e (ii) emprego do produto dessa alienação no pagamento de dívida da empresa, o que corresponde economicamente a um aporte ou subsídio aos sócios. A operação não pode ser desmembrada para fins de afastar a tributação da primeira etapa. A recorrente argumenta que perdeu seus imóveis sem nada receber, questionando a existência de ganho de capital. Este argumento confunde o conceito tributário de ganho de capital com a percepção subjetiva de benefício econômico. O ganho de capital, nos termos do art. 3º da Lei nº 7.713/88, é a diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição do bem. Trata-se de conceito objetivo que não se vincula ao destino dado aos recursos ou à satisfação subjetiva do contribuinte com a operação. No caso concreto, os imóveis foram adquiridos pelos valores históricos de R$ 17.000,00, R$ 15.000,00, R$ 13.000,00, entre outros, conforme registros cartorários de 2001. Esses mesmos imóveis foram alienados em 2005 por valores de mercado substancialmente superiores, conforme avaliação constante das escrituras de dação em pagamento. A diferença positiva constitui ganho de capital tributável, independentemente do destino conferido aos recursos. Ademais, a recorrente e seu cônjuge eram sócios da Kofar Produtos Metalúrgicos Ltda. Ao alienarem seus imóveis pessoais para quitar dívida da empresa, os sócios evitaram a execução do patrimônio social e, consequentemente, preservaram suas participações societárias e o valor econômico da empresa. Houve, portanto, acréscimo patrimonial indireto, na medida em que as quotas sociais mantiveram ou aumentaram seu valor pela eliminação do passivo. Assim, a decisão recorrida acertadamente aplicou a legislação tributária, devendo prevalecer as escrituras públicas de 2005, dotadas de fé pública, sobre alegações de transferência informal anterior desprovidas de suporte documental adequado. Restou caracterizado o fato gerador do imposto de renda pela alienação de imóveis com ganho de capital, nos termos dos arts. 43 do CTN e 3º da Lei nº 7.713/88. Mantenho, neste ponto, a exigência do ganho de capital apurado. 4. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo dos argumentos de proporcionalidade e confiscatoriedade da multa, de inconstitucionalidade da obtenção de informações bancárias sem prévia autorização judicial, e Fl. 617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.462 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.000621/2010-88 10 referentes ao arrolamento de bens, e na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Roberto Junqueira de Alvarenga Neto Fl. 618DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15746.720491/2021-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2017 a 31/12/2017
PROCESSO TRIBUTÁRIO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PRECLUSÃO.
A não apresentação de impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o recurso voluntário não pode ser conhecido.
SÚMULA CARF nº 172
A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado.
Súmula CARF nº 173
A intimação por edital realizada a partir da vigência da Lei nº 11.196, de 2005, é válida quando houver demonstração de que foi improfícua a intimação por qualquer um dos meios ordinários (pessoal, postal ou eletrônico) ou quando, após a vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal.
CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE.
A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se consumam pela inércia do sujeito passivo.
SÚMULA CARF nº 33:
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2101-003.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário apresentado pelo coobrigado Espólio de João Gonçalves Gonçalves e rejeitar e preliminar de nulidade da decisão recorrida constante do recurso da contribuinte. Vencido o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (relator), que votou por conhecer parcialmente do recurso voluntário do coobrigado Espólio de João Gonçalves Gonçalves, somente quanto à arguição de nulidade por falta de intimação do auto de infração, e na parte conhecida, acolher preliminar de nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à Unidade de origem, para que fosse regularmente intimado o referido responsável solidário a apresentar, caso tivesse interesse, manifestação de inconformidade ao Despacho Decisório, seguido de novo julgamento em primeira instância; b) por maioria de votos, reconhecer de ofício a decadência com relação ao responsável solidário Espólio de João Gonçalves Gonçalves, para exclui-lo do polo passivo da obrigação tributária Vencido o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (relator); c) por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário da contribuinte Viação Cidade Dutra Ltda., não conhecendo as alegações relativas à exclusão da responsabilidade solidária dos coobrigados; de inconstitucionalidade da multa; de falsidade de declarações e agravamento da multa que não aquelas relacionadas à ocorrência de erro material em GFIP; e na parte conhecida, negar-lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Carolina Silva Barbosa.
Assinado Digitalmente
Heitor de Souza Lima Junior – Relator
Assinado Digitalmente
Ana Carolina Silva Barbosa – Redatora Designada
Assinado Digitalmente
Mário Hermes Soares Campos – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Carolina Silva Barbosa, Débora Fófano dos Santos, Heitor de Souza Lima Junior, Mário Hermes Soares Campos (Presidente), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto e Silvio Lúcio de Oliveira Junior.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2017 a 31/12/2017 PROCESSO TRIBUTÁRIO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PRECLUSÃO. A não apresentação de impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o recurso voluntário não pode ser conhecido. SÚMULA CARF nº 172 A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. Súmula CARF nº 173 A intimação por edital realizada a partir da vigência da Lei nº 11.196, de 2005, é válida quando houver demonstração de que foi improfícua a intimação por qualquer um dos meios ordinários (pessoal, postal ou eletrônico) ou quando, após a vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE. A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se consumam pela inércia do sujeito passivo. Fl. 296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 2 SÚMULA CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário apresentado pelo coobrigado Espólio de João Gonçalves Gonçalves e rejeitar e preliminar de nulidade da decisão recorrida constante do recurso da contribuinte. Vencido o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (relator), que votou por conhecer parcialmente do recurso voluntário do coobrigado Espólio de João Gonçalves Gonçalves, somente quanto à arguição de nulidade por falta de intimação do auto de infração, e na parte conhecida, acolher preliminar de nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à Unidade de origem, para que fosse regularmente intimado o referido responsável solidário a apresentar, caso tivesse interesse, manifestação de inconformidade ao Despacho Decisório, seguido de novo julgamento em primeira instância; b) por maioria de votos, reconhecer de ofício a decadência com relação ao responsável solidário Espólio de João Gonçalves Gonçalves, para exclui-lo do polo passivo da obrigação tributária Vencido o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (relator); c) por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário da contribuinte Viação Cidade Dutra Ltda., não conhecendo as alegações relativas à exclusão da responsabilidade solidária dos coobrigados; de inconstitucionalidade da multa; de falsidade de declarações e agravamento da multa que não aquelas relacionadas à ocorrência de erro material em GFIP; e na parte conhecida, negar-lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Carolina Silva Barbosa. Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior – Relator Assinado Digitalmente Ana Carolina Silva Barbosa – Redatora Designada Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Fl. 297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Carolina Silva Barbosa, Débora Fófano dos Santos, Heitor de Souza Lima Junior, Mário Hermes Soares Campos (Presidente), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto e Silvio Lúcio de Oliveira Junior. RELATÓRIO Trata-se de exigência fiscal formalizada em auto-de-infração (e-fls. 64 a 70), relativa à imposição de multa isolada por compensação de contribuições previdenciárias com falsidade da declaração, para os períodos de apuração de 04 a 12/2017, totalizando um valor de R$ 11.809.552,07. 2. No âmbito do mesmo procedimento fiscal que originou o referido Auto, houve glosa de compensação indevida de contribuições previdenciárias realizada em GFIP, para os períodos de apuração de 04 a 12/2017, através de Despacho Decisório formalizado e controlado no âmbito do Processo Administrativo Fiscal no. 15746.720703/2021-44, também apreciado no âmbito da presente sessão de julgamento. 3. A síntese do feito até a fase recursal já foi competentemente formalizada quando de sua apreciação anterior por este Colegiado, da qual resultou a edição da Resolução Carf no. 2101-000220, de 04.09.2024 (e-fls. 266 a 274), convertendo-se, ali, o julgamento em diligência. Transcreve-se a seguir tal relatório, já ali contidos, no entender deste Relator, todos os elementos relevantes até o julgamento que resultou na edição da citada Resolução, verbis: “(...) 2. A decisão de piso relatou os aspectos fáticos considerados na análise da compensação e as alegações deduzidas na manifestação de inconformidade interposta. Faço a transcrição do relatório: Início da transcrição do Relatório inserto no Acórdão 108-031.998 Trata-se de Auto de Infração relativo ao lançamento de penalidade pecuniária a título de multa isolada pela compensação com falsidade na Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, nos moldes do artigo 89, § 10 da Lei nº 8.212/91, no período compreendido pelas competências 05/2017 a 01/2018, no valor de R$ 11.809.552,07. O lançamento encontra-se motivado pelo Relatório Fiscal de fls. 54/63. A fiscalizada tomou ciência do início do procedimento fiscal em 19/11/2019, por via postal, conforme Aviso de Recebimento dos Correios. Visando apurar a regularidade das referidas compensações, intimamos a fiscalizada, em mais de uma oportunidade, a apresentar os demonstrativos mensais das compensações efetuadas nas GFIP do período fiscalizado, contemplando todo o detalhamento dos valores informados (ajustes de contribuição previdenciária sobre a receita Fl. 298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 4 bruta, créditos considerados), além de esclarecimentos sobre a origem das parcelas compensadas, sob pena de serem consideradas indevidas. A fiscalizada não esclareceu os questionamentos formulados pela fiscalização ao longo de todo o procedimento fiscal. Em face do silêncio da fiscalizada, não foi possível comprovar a regularidade das compensações de contribuições previdenciárias declaradas nas GFIP do período da auditoria fiscal, motivo pelo qual restou lavrado o Auto de Infração para aplicação da multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre os valores indevidamente compensado. A fiscalizada é optante pela sistemática de recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta, conforme DARF recolhido em 20/02/2017, nos termos do artigo 7º da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011. A empresa atua no setor de transporte rodoviário coletivo de passageiros, enquadrada na classe 4921-3 do Código Nacional de Atividades Econômicas – CNAE 2.0, sujeitando-se ao recolhimento de 2% (dois por cento) sobre a receita bruta ajustada, em substituição à contribuição previdenciária patronal (CPP), incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos. Nos termos da Lei, deve efetuar os ajustes da referida contribuição previdenciária patronal – CPP no campo “compensação” da GFIP. Entretanto, a fiscalização detectou a compensação de valores excedentes ao ajuste da CPP, o que ensejou a aplicação da multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre os valores compensados indevidamente. Detalha as GFIP consideradas:1 (Imagem) A entrega de GFIP com informações de compensações indevidas impediu a cobrança tempestiva do crédito previdenciário devido, o que possibilitou à fiscalizada fruir vantagem econômica indevida do valor da contribuição previdenciária sonegada. O procedimento adotado pelo contribuinte, qual seja, indicar na GFIP compensações sabidamente indevidas, constitui declaração apresentada com falsidade. Assim, considerando os termos já alinhavados, resta evidenciado o animus do sujeito passivo, por meio de seus administradores, em alcançar o resultado, mediante fraude. Os fatos descritos apontam para a subsunção do caso concreto às disposições contidas no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/1991 (incluído pela Lei nº 11.941/2009), que prevê a aplicação em dobro da multa indicada no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. DA RESPONSABILIDADE DOS MANDATÁRIOS – ART. 135, III, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. 1 1 Tabela inserta às e-fls. 191 do Acórdão recorrido, que guarda correspondência com a Tabela apresentada às e-fls. 57, no item “IV – DAS COMPENSAÇÕES CONSIDERADAS INDEVIDAS” do Relatório Fiscal (e-fls. 54/63) – nota do relator no CARF. Fl. 299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 5 Compete aos administradores das empresas, por força de lei, regular a condução dos negócios da pessoa jurídica, prevalecendo-se dos seus poderes de gerência, vigilância e fiscalização. No caso concreto, houve infração à lei, cuja estrita observância os administradores da fiscalizada deveriam observar. Em consequência, alçados estão à condição de responsáveis solidários com o sujeito passivo em relação ao crédito previdenciário lançado no presente auto de infração. O artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, prescreve que são pessoalmente responsáveis por infração à lei, os representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Por força do texto legal, a responsabilidade dos sócios administradores decorre de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, pois, como se sabe, existem atos ou negócios alheios ao objeto social que são gravosos para a sociedade, posto que oneram o patrimônio social, em flagrante prejuízo aos demais sócios, bem como a terceiros, caso do Fisco. Pelo exposto, caraterizada a responsabilidade solidária dos sócios administradores a seguir qualificados: Francisco Pinto - Sócio e administrador - CPF 033.680.098-34 - Rua Carlos Tiago Pereira, nº 554 – Jardim da Saúde - São Paulo – SP - CEP 04150- 080; Armelin Ruas Figueiredo - Sócio e administrador - CPF 402.303.848-20 - Alameda dos Maracatins, nº 780 – sala 306 – Indianópolis - São Paulo – SP - CEP 04089-001; Espólio de João Gonçalves Gonçalves (ex-sócio administrador) - CPF 006.910.038-15 - Rua Dardenelos, 411 – apto.112 – Alto de Pinheiros - São Paulo - SP - CEP 05468-010; Vicente dos Anjos Diniz Ferraz - Sócio e administrador - CPF 006.215.538-59 - Rua Conde de Porto Alegre, nº 1033 – apto. 142 – Torre A – Campo Belo - São Paulo - SP - CEP 04608-002; Espólio de Joaquim de Almeida Saraiva (ex-sócio administrador) - CPF 219.225.788-00 - Inventariante: Carlos Alberto Saraiva - CPF 055.672.608-14 - Rua Luiz Correia de Melo, nº 148 – apto. 202 – Bloco 3 – Vila Cruzeiro - São Paulo - SP - CEP 04726-220; e, Espólio de Marcelino Antônio da Silva (ex-sócio administrador) - CPF: 006.202.388-87 - Inventariante: Adriana Vaz Ruas da Silva - CPF 230.034.668-01 - Rua Marcos Fernandes, nº 147 – apto.31 – Jardim da Saúde -- São Paulo - SP - EP 04149-120. Houve a elaboração de Representação Fiscal Para Fins Penais -RFFP. Houve o seguinte contexto de intimação: Viação Cidade Dutra Ltda – CNPJ 02.320.010/0001-30 – ciência em 29/06/2021, conforme Edital Eletrônico nº 011217724, fl. 109; Espólio de Vicente dos Anjos Dinis Ferraz – CPF 006.215.538-59 – ciência em 29/06/2021, conforme Edital Eletrônico nº 011217822, fl. 106; Espólio de Marcelino Antonio da Silva – CPF 006.202.388-87 – ciência em 07/06/2021, conforme Edital Eletrônico nº 011177814, fl. 95; Espólio de Joaquim de Almeida Saraiva – CPF 219.225.788-00 – ciência em 29/06/2021, conforme Edital Eletrônico nº 011217846, fl. 103; Espólio de João Gonçalves Gonçalves – CPF 006.910.038-15 – ciência em 29/06/2021, Fl. 300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 6 conforme Edital Eletrônico nº 011217843, fl. 100; Francisco Pinto – CPF 033.680.098-34 – ciência postal em 13/05/2021, conforme Aviso de Recebimento QB009668905BR, fl. 96; e, Armelim Ruas Figueiredo – CPF 402.303.848-20 - ciência postal em 14/05/2021, conforme Aviso de Recebimento QB009668888BR, fl. 97. Em 29/07/2021 o contribuinte principal apresentou o instrumento de impugnação de fl. 124, com o seguinte teor: (Imagem) Os demais sujeitos intimados não apresentaram qualquer instrumento de inconformismo. Final da transcrição do Relatório inserto no Acórdão 108-031.998 3. Ao julgar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário exigido, o acórdão recorrido tem a ementa redigida como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2017 a 31/01/2018 GUIA DE RECOLHIMENTO AO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL - GFIP. COMPENSAÇÃO COM FALSIDADE. MULTA ISOLADA DE 150%. CABIMENTO. É cabível a lavratura de Auto de Infração para fins de imposição de multa isolada de 150% pelo exercício da compensação com falsidade, quando o contribuinte não demonstra a existência do seu crédito tampouco atende às intimações fiscais para fins de esclarecimento. 4. Cientificado da decisão de primeira instância em 14/04/2023 (e-fls. 206)2 e interposto o recurso voluntário (e-fls. 214/237), protocolado em 05/05/2023 (e- fls. 212)3, nas razões recursais, o Recorrente manifesta inconformismo com o lançamento e deduz argumentação que se subdivide nos tópicos enumerados a seguir: (...) 5. Faz-se a transcrição dos pedidos (e-fls. 236/237): 6. DOS PEDIDOS Ante o exposto, requer seja recebido o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, conhecido e provido, determinando: 6.1 preliminarmente, seja declarada a nulidade do presente Processo Administrativo Fiscal nº 15.746-720.491/2021-03, por não restar comprovada nos 2 Conforme data de entrega disposta no Aviso de Recebimento relativo ao objeto YA175710474BR (e-fls. 206). 3 Termo de Solicitação de Juntada anexado aos autos em 05/05/2023 17:56:25 (e-fls. 212). Fl. 301DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 7 autos a intimação pessoal do autuado solidário, Edson Gonçalves, invalidando o Edital Eletrônico e acarretando cerceamento de defesa 6.2 seja deferido o julgamento simultâneo do presente Recurso Voluntário com o Recurso interposto nos autos nº 15746.720703/2021-44, nos termos do § 2º, do art. 140 da Instrução Normativa nº 2055 de 16/04/2021; 6.3 no mérito, seja extinta a multa isolada, em virtude da ausência de fato gerador e da comprovação do ânimo doloso atribuído ao sujeito passivo, posto que os recorrentes comprovaram o erro no preenchimento da GFIP, podendo a autoridade fiscal retificar, não necessitando lançamento de ofício, como também pela inconstitucionalidade da multa isolada, nos termos proferido pelo STF e no Acórdão nº 1401-006.483, do CARF; 6.4 subsidiariamente, caso não seja extinta a penalidade isolada, seja excluída a sua forma qualificada, reduzindo-se para 75% (setenta e cinco por cento), diante da ausência de comprovação de dolo, fraude e sonegação; 6.5 seja extinta a responsabilidade solidária dos sócios recorrentes, diante da falta de comprovação de dolo ou culpa dos mesmos e do nexo causal entre suas funções na empresa com o ato praticado, configurando – no máximo - a responsabilidade subsidiária. 6. Superados incidentes processuais concernentes às procurações outorgadas no processo4 e à necessidade de apresentação de termo de compromisso de inventariante5 . 7. É o relatório. (...)” 4. A partir do relatório supra, exauriu-se o julgamento anterior deste Colegiado na apreciação da preliminar de nulidade levantada pela recorrente, a partir da alegação de indevida intimação por Edital do responsável solidário ESPÓLIO DE JOÃO GONÇALVES GONÇALVES (na pessoa do representante deste espólio, Édson Gonçalves), sem prévia intimação por AR ou qualquer tentativa de intimação pessoal ou por meio eletrônico. 5. Mais especificamente, assim decidiu este Colegiado, consoante elementos de e-fls. 272 a 274 da Resolução Carf no. 2101-000.220 (excerto transcrito): “(...) 10. Ao examinar os autos do presente processo administrativo fiscal, verificam-se as seguintes constatações: 10.1. Foi lavrado termo de sujeição passiva solidária em relação ao ESPÓLIO DE JOAO GONCALVES GONÇALVES (e-fls. 79/81); 4 Intimação (e-fls. 239) e Comunicado (e-fls. 249) expedidos pela Equipe Regional de Execução do Direito Creditório da 8ª Região Fiscal. 5 Providência adotada por meio da petição (e-fls. 253/259) e da anexação do documento (e-fls. 260/262). Fl. 302DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 8 10.2. Está anexado aos autos documento (fls. 98/99) extraído da página eletrônica dos Correios na Internet, relativo à consulta do rastreamento do objeto QB 009 668 931 BR, identificador suspostamente associado à suposta correspondência encaminhada, por via postal, ao endereço do responsável solidário. Note-se que nesta tela de consulta, embora conste informação de suposta data de entrega (13/05/2021) não há identificação precisa sobre o destinatário da correspondência. 10.3. Constato ainda a falta de anexação de Aviso de Recebimento que guarde correspondência com o identificador do objeto QB 009 668 931 BR, documento com aptidão de comprovar a tentativa de entrega postal em momento antecedente à expedição do Edital nº 011217843 (e-fls. 100). 11. Diante de tais constatações, parece-nos que há um ponto controvertido nesse processo. Não há prova de que o ESPÓLIO DE JOAO GONÇALVES GONÇALVES tenha sido intimado acerca do lançamento e/ou de sua condição de responsável tributário. 12. Detendo-nos nas alegações recursais, ao fazer referência à norma estatuída no § 1º do artigo 23 do Decreto 70.235/1972, o Recorrente sustenta que o dispositivo permite a intimação por Edital, desde que ocorra a tentativa prévia de intimação pessoal, postal ou por meio eletrônico, e que o insucesso dessas seja devidamente comprovado (e-fls. 217). 13. A matéria sobre a intimação por edital está pacificada no enunciado da Súmula CARF nº 173. Súmula CARF nº 173 A intimação por edital realizada a partir da vigência da Lei nº 11.196, de 2005, é válida quando houver demonstração de que foi improfícua a intimação por qualquer um dos meios ordinários (pessoal, postal ou eletrônico) ou quando, após a vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal. 14. Constatada a ausência de documento comprobatório da ciência da lavratura do auto-de-infração em relação ao ESPÓLIO DE JOAO GONÇALVES GONÇALVES, há risco de estar caracterizadas ofensas aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, tornando inválidos os atos processuais praticados após o ato viciado, atingindo, por decorrência, o acórdão recorrido e atos posteriores, eis que o Decreto nº 70.235/1972 confere nulidade às decisões proferidas com preterição do direito de defesa. 15. Desta forma, antes deste colegiado se pronunciar pela decretação de nulidade, entendo importante conceder a oportunidade para unidade preparadora elucidar a circunstância verificada no item 11 supra, pertinente à inexistência nos autos de elemento comprobatório da ciência do lançamento e/ou Fl. 303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 9 da condição de responsável tributário do ESPÓLIO DE JOAO GONÇALVES GONÇALVES. CONCLUSÃO 16. Com base no exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para a unidade preparadora informar se houve tentativa de entrega por via postal dos documentos de lavratura do auto-de-infração, com prova do recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo especificado no item 15 supra. 16.1. Preparada a informação e/ou feita a juntada de documentação comprobatória, o Recorrente deve ser cientificado para, querendo, manifestar-se no prazo de trinta dias. 16.2. Após, os autos devem retornar a este Conselho para prosseguir o julgamento do recurso. (...)” 6. Cumprida a diligência na forma de Informação Fiscal de e-fls. 277 e 278, cientificada aos interessados na forma de elementos de e-fls. 283 a 291 e onde, conclusivamente, se informa que: “(...) 2. Em cumprimento à diligência, nos termos das fls. 266 a 274 do processo 15746.720491/2021-03, quanto à ciência do lançamento do “ESPÓLIO DE JOÃO GONÇALVES GONÇALVES”, na condição de responsável solidário, informamos que: - De fato, não consta no processo fiscal o Aviso de Recebimento - AR em nome de Espólio de João Gonçalves Gonçalves - documento que poderia comprovar a tentativa de ciência do lançamento fiscal via postal. - Não obstante não ter sido localizado no processo o referido comprovante, foi realizada a busca por meio de consulta interna junto ao setor responsável pelo controle de correspondências, para eventual localização de AR devolvido ou de qualquer outro fato que pudesse justificar o ocorrido. Entretanto, o resultado da busca interna foi infrutífero, o AR não foi localizado e, portanto, não há a comprovação da tentativa de ciência postal para o citado responsável tributário. (grifo nosso) (...)” 7. Retornam, assim, os autos à apreciação desta Turma. 8. É o relatório. VOTO VENCIDO Fl. 304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 10 Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Do conhecimento (admissibilidade) do Recurso Voluntário 9. Cientificada da decisão de 1ª. instância em 14/04/2023 (cf. e-fl. 206), a contribuinte apresentou, em 05/05/2023 (cf. e-fl. 213), conjuntamente com o Espólio de João Gonçalves Gonçalves, Recurso Voluntário de e-fls. 214 a 237 e anexos. Assim, ambos os pleitos são tempestivos. 10. Quanto ao conhecimento, de se ressaltar, ainda, que: 10.1) Embora não tenha o solidário Espólio de João Gonçalves Gonçalves apresentado impugnação, constata-se que se trata de situação processual correlacionada com alegação do contribuinte de não intimação válida do lançamento discutido. Nestes casos, entendo que é de se conhecer do recurso do sujeito passivo alegadamente não intimado, mesmo, reitere-se, na ausência de sua impugnação, sob pena de se perpetuar eventual invalidade de intimação do lançamento e consequente cerceamento de defesa, sem qualquer apreciação pela autoridade julgadora administrativa. Todavia, note-se, ressalto que é de se limitar o conhecimento somente à referida nulidade por falta de intimação arguida, sob pena de, em agindo de forma diversa este Colegiado (agora conhecendo de outras alegações), restar caracterizada supressão de instância quanto às matérias de mérito. Assim, a partir do exposto, voto por conhecer parcialmente do contribuinte Espólio de João Gonçalves Gonçalves, somente quanto à arguição de nulidade por falta de intimação do auto de infração. 10.2) Ainda, firme na Súmula Carf no. 172 abaixo, de se rejeitar a possibilidade de apreciação das alegações da autuada deduzidas às e-fls. 157 e ss., no que diz respeito à necessidade de afastamento do polo passivo dos sócios recorrentes na qualidade de responsáveis solidários, não se conhecendo também do pedido correlacionado, deduzido por aquela recorrente. Súmula CARF nº 172 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Dessarte, também voto por conhecer parcialmente do recurso da contribuinte Viação Cidade Dutra Ltda., não conhecidas as alegações e pedido relativos à exclusão da responsabilidade solidária dos coobrigados. Fl. 305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 11 10.3) Adicionalmente, entendo que andou bem o Acórdão recorrido ao caracterizar a preclusão das argumentações da recorrente relativas à falsidade de declarações e agravamento da multa que não aquelas relacionadas à ocorrência de erro material em GFIP. Adoto aqui as competentes razões de decidir da decisão de piso, para votar pelo não conhecimento de tais alegações também em sede de Recurso Voluntário. “(...) FALSIDADE DA COMPENSAÇÃO E IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO INSTAURAÇÃO DA LIDE ADMINISTRATIVA. O contribuinte e demais responsáveis solidários não deduziram sequer uma linha argumentativa no sentido de se impugnar expressamente a falsidade da declaração prestada em Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP tampouco a imputação de responsabilidade solidária, de forma que, a teor dos artigos 15, 16, inciso III, e 17 do Decreto nº 70.235/72, tenho tais matérias como não sujeitas ao contencioso administrativo, sobre elas se operando a preclusão. (...)”. 10.4) Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da multa objeto de lançamento levantados pela recorrente, também de se rejeitar a possibilidade de sua apreciação, não os conhecendo, com base no teor da Súmula Carf no. 02, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 11. Registre-se, ainda, atendido o pleito do contribuinte de apreciação conjunta com o Processo no. 15746.720703/2021-44, onde se discute a glosa de compensação que deu origem à multa ora em análise. Da preliminar de nulidade 12. Assim, preliminarmente, antes de se adentrar o mérito recursal, de se enfrentar a alegação deduzida de nulidade, por força de vício na citação, por Edital de e-fl. 100, do solidário ESPÓLIO DE JOÃO GONÇALVES GONÇALVES, matéria que originou a diligência realizada cujas conclusões retornam a este Colegiado. 13. Acerca do tema, no entender deste Relator, nenhum reparo a fazer ao concluído pelo Relator da Resolução Carf no. 2101-000.220, no sentido de necessidade de comprovação de prévia intimação improfícua por um dos meios estabelecidos nos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972, a fim de que se possa cogitar de utilização da intimação por Edital prevista no §1º. e incisos daquele mesmo artigo, consoante literalidade do dispositivo, devidamente respaldada, ainda, pelo teor da Súmula CARF 173, verbis: Decreto 70.235/72 Art. 23. Far-se-á a intimação: Fl. 306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 12 I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (grifo nosso) I - no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...)” Súmula CARF nº 173 A intimação por edital realizada a partir da vigência da Lei nº 11.196, de 2005, é válida quando houver demonstração de que foi improfícua a intimação por qualquer um dos meios ordinários (pessoal, postal ou eletrônico) ou quando, após a vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal. 14. A partir do acima exposto e novamente em linha com a motivação adotada pelo Relator da Resolução deste Colegiado de e-fls. 266 a 274, também entendo como caracterizadora de nulidade, a constatação de: a) ausência de qualquer evidência, nos autos, de intimação pessoal ao ESPÓLIO DE JOÃO GONÇALVES GONÇALVES (responsável solidário), quando acompanhada, ainda, b) impossibilidade de vinculação do extrato postal de rastreamento de e-fls. 98/99 a qualquer objeto que tenha promovido a ciência do citado solidário, constatação agora acrescida Fl. 307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 13 da não obtenção, via diligência, de quaisquer elementos que comprovassem a referida vinculação ou, ainda, outra forma de intimação válida por via postal ou por meio eletrônico, conforme expressamente admitido pela Informação Fiscal de e-fls. 277/278. 15. Mais especificamente, já me manifestei acerca do tema de nulidade diversas vezes no âmbito deste Conselho, sempre no sentido de que, em linha com todo o arcabouço normativo-doutrinário aplicável às nulidades no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, que é de se admitir a ocorrência de nulidade sempre que: a) esteja caracterizado efetivo prejuízo ao contribuinte (pas de nullité sans grief), com prejuízo aqui entendido como violação ao sistema de garantias processuais e/ou materiais legalmente disponibilizadas ao contribuinte e/ou b) se encontre caracterizada qualquer das hipóteses de nulidade estabelecidas pelos arts. 59, I e II do Decreto no. 70.235, de 1972 (PAF), verbis: Decreto 70.235/72 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 16. Em síntese conclusiva, a partir da situação fática e elementos carreados aos autos, no sentido de não comprovação de prévia intimação improfícua por um dos meios estabelecidos nos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972, deflui a invalidade da citação por Edital de e-fl. 100, com consequente preterição do direito de defesa e prejuízo ao contribuinte solidário ESPÓLIO DE JOÃO GONÇALVES GONÇALVES, bem como violação aos princípios do contraditório e ampla defesa, restando, dessarte, no entender deste relator, caracterizada a nulidade processual alegada em sede preliminar pela Recorrente. Do alcance da nulidade 17. Uma vez reconhecida a existência de nulidade processual (reitere-se, oriunda de vício na citação por Edital de e-fl. 100 do responsável solidário ESPÓLIO DE JOÃO GONÇALVES GONÇALVES), necessário, ainda, que se estabeleça os efeitos/alcance de tal nulidade (ou seja, quais os atos atingidos por tal declaração), em especial: a) quanto ao pedido deduzido, a partir da preliminar alegada pela Recorrente, de declaração de nulidade do Processo Administrativo Fiscal nº 15746.720491/2021-03, e, também, b) em plena obediência aos §§ 1º. e 2º. do art. 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, regrador do Processo Administrativo Fiscal, que estabelecem, expressis verbis: Decreto 70.235/72 Art. 59. (...) (...) Fl. 308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 14 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (grifo nosso) 18. A propósito, entende este Relator que o melhor posicionamento, novamente em linha com o já ventilado pela Resolução Carf no. 2101-000.220, consiste na declaração de nulidade alcançando somente o Acórdão recorrido e demais atos posteriores dependentes, com necessidade de saneamento processual através da devida intimação do Auto de Infração de e-fls. 64 a 70 ao solidário ESPÓLIO DE JOÂO GONÇALVES GONÇALVES, seguida de posterior prolação de novo Acórdão. 19. Motiva-se tal conclusão por ser esta a solução jurídica que: a) Recompõe integralmente o prejuízo causado à parte não regularmente intimada (com violação aos princípios do contraditório e ampla defesa), bem assim, note-se, o eventual prejuízo causado aos demais sujeitos passivos validamente cientificados da autuação, a partir da legitimidade do solidário não intimado para impugnar e recorrer, inclusive, acerca da exigência do crédito tributário ora em litígio, consoante estabelecido pela Súmula CARF no. 71, de 2012, in verbis: Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. b) Também, confina os efeitos da nulidade à defeituosa intimação por Edital, reiterando-se aqui inexistir qualquer vício de mesma natureza caracterizado, seja na constituição do crédito tributário junto ao contribuinte autuado, seja na notificação de responsabilidade solidária junto aos demais responsáveis regularmente intimados, todos atos independentes e válidos e cuja higidez deve, assim, ser mantida. Ou seja, entendo que é de se preservar o lançamento válido junto ao contribuinte autuado bem assim a notificação de solidariedade dos demais responsáveis, visto que também válidas, sem que se possa cogitar de qualquer nulidade capaz de atingir tais atos. 20. Ou seja, entendo que é de se preservar a ciência do auto junto ao contribuinte bem assim a notificação de solidariedade dos demais responsáveis, visto que também válidas, sem que se possa cogitar de qualquer nulidade capaz de atingir tais atos. 21. Assim, o voto inicial deste Relator é por: a) Conhecer parcialmente do recurso do contribuinte Espólio de João Gonçalves Gonçalves, somente quanto à arguição de nulidade por falta de intimação do auto de infração; Fl. 309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 15 b) Conhecer parcialmente do recurso da contribuinte Viação Cidade Dutra Ltda., não conhecidas as alegações relativas: a) à exclusão da responsabilidade solidária dos coobrigados; b) relativas à falsidade de declarações e agravamento da multa que não aquelas relacionadas à ocorrência de erro material em GFIP e c) à inconstitucionalidade da multa aplicada. c) Quanto à matéria conhecida, acolher a preliminar de nulidade da intimação, determinando a nulidade da decisão recorrida (Acórdão DRJ08 no. 108-031.998) e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem para que intime o ESPÓLIO DE JOÃO GONÇALVES a apresentar, se assim o quiser, impugnação ao auto de infração de e-fls. 64 a 70, na qualidade de responsável solidário. 22. Todavia, vencido quanto ao acolhimento da preliminar de nulidade da decisão recorrida e levantada preliminar de decadência por Conselheira deste Colegiado, prossigon na apreciação do feito. 23. A propósito, acresço aqui inicialmente que a solução originalmente proposta por este Conselheiro (reprise-se, a declaração de nulidade, porém, atingindo somente o Acórdão recorrido e demais atos posteriores, com saneamento através da devida intimação ao solidário ESPÓLIO DE JOÃO GONÇALVES GONÇALVES e posterior prolação de novo Acórdão) não acarretaria, sob qualquer forma, no entender deste relator, qualquer violação ao prazo decadencial para a constituição de crédito pela Administração Tributária junto ao sujeito passivo, cuja intimação se saneará. Ou seja, entendo inexistir qualquer possibilidade de caracterização de decadência favorável ao solidário em questão no âmbito do presente feito. 24. Assim concluo por me filiar à tese de que a ciência regular pelo contribuinte (no caso, pela pessoa jurídica Viação Cidade Dutra Ltda) é suficiente para afastar a possibilidade de aplicação do instituto da decadência para os responsáveis solidários incluídos no polo passivo. 25. A propósito, reproduzo excertos de Declaração de Voto do Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros no âmbito do Acórdão CSRF no. 9202-011.721, onde, ao se defender a linha de entendimento ora adotada por relator, estabelece-se a nítida distinção entre as regras- matrizes de incidência tributária (aqui aplicável ao contribuinte) e de responsabilidade tributária (aplicável aos solidários), bem como as nuances de sua correta interrelação. 26. Note-se que tal fundamentação fornece, subsidiariamente, suporte adicional à necessidade de preservação (não contaminação) do lançamento ora em análise (conforme já defendido no item “b” supra), de forma a se rechaçar assim o pleito da recorrente de nulidade do Processo Administrativo Fiscal como um todo. Veja-se a mencionada Declaração de Voto: “(...) A meu ver, a problemática se resolve pela compreensão de que temos no sistema jurídico duas regras-matrizes de incidência normativa. É importante distinguir a regra-matriz de incidência tributária (de natureza contributiva típica de cunho obrigacional) da regra-matriz de incidência da Fl. 310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 16 responsabilidade (de natureza sancionatória com viés de garantia de cunho obrigacional). A primeira (regra-matriz de incidência tributária), é sobremaneira difundida na doutrina e na jurisprudência, inclusive deste Egrégio Conselho. A segunda (regra-matriz de incidência da responsabilidade), encontra alento doutrinário e jurisprudencial, porém nem sempre muito bem explorado. As regras matrizes são distintas, portanto. A que trata da responsabilidade é autonomia e inconfundível no que tange ao seu específico objeto, sujeitos próprios e pressupostos de fato singulares. Em meu entender, a aplicação da regra-matriz de incidência tributária (de natureza contributiva típica de cunho obrigacional) por meio de linguagem normativa faz nascer, a partir da declaração com força constitutiva ou por meio do lançamento da autoridade administrativa, a obrigação tributária e o crédito tributário. Este (o crédito) é uno, marcado pela unicidade, tanto que o pagamento efetuado por um dos obrigados (ou coobrigados) aproveita aos demais, na forma do inciso I do art. 125 do CTN. A questão é que, para nascer a obrigação tributária e o crédito tributário, tem-se que observar a aplicação da regra-matriz de incidência tributária, a qual será observada sempre que se verificar uma relação pessoal e direta por parte do contribuinte com a situação que constitua o respectivo fato gerador, na forma do inciso I do parágrafo único do art. 121 do CTN. Sobremais, o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador, consoante o art. 144 do CTN, sendo constituído em procedimento administrativo tendente a sua verificação, conforme art. 142 do CTN. É exclusivamente o contribuinte que terá a relação pessoal e direta, ainda quando se tem a figura do substituto. A regra-matriz de incidência tributária terá sempre por sujeito passivo o contribuinte, este é o ponto, isto é, àquele que tem “relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador”, na redação do inciso I do parágrafo único do art. 121 do CTN. Vale dizer, a constituição da obrigação tributária e do crédito tributário, o seu nascimento (de natureza contributiva típica de cunho obrigacional) decorre da prática do fato gerador em relação pessoal e direta pelo contribuinte. Por isso, é a partir dele que se deve aferir a ocorrência ou não de decadência do lançamento. Observe-se que o instituto da decadência, seja pelo art. 173, I, seja pelo art. 150, §4º, do CTN, guarda relação com a ocorrência do fato gerador. Logo, se afere a decadência do lançamento a partir da notificação do contribuinte, daquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Fl. 311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 17 O responsável solidário, que pode ser chamado de “terceiro”, jamais vai se revestir da condição de contribuinte, como bem destaca o inciso II do parágrafo único do art. 121 do CTN. Dessarte, a data de sua ciência não terá importância para fins de contagem de prazo decadencial de lançamento. A sua ciência terá outra finalidade e importância, o que comentarei alhures. O lançamento, ao fim e ao cabo, é constitutivo do crédito tributário, de natureza una (um só crédito; sem possibilidade de vários créditos sendo constituídos), sendo formalizado contra o contribuinte6, que tem a relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador, que vai justificar a aplicação da regra-matriz de incidência tributária. O lançamento é constitutivo do crédito em razão da ocorrência do fato gerador que decorre da relação pessoal e direta do contribuinte. Noutro vértice, é importante entender que o responsável que vem a ser notificado para se obrigar ao pagamento do crédito tributário em solidariedade com o contribuinte não tem contra si um “crédito tributário constituído”; o que o responsável tem contra si constituído é uma obrigação pecuniária de garantia para executabilidade do crédito em favorecimento da praticabilidade da tributação em prol da Sociedade, quando há um crédito legítimo. É aí que se observará a regra-matriz da responsabilidade (a outra regra de incidência normativa). Dito de outra forma, a notificação do solidário perfectibiliza a aplicação prática da regra-matriz de incidência da responsabilidade (de natureza sancionatória com viés de garantia de cunho obrigacional). Trata-se de uma notificação de imputação da responsabilidade solidária e não de constituição de crédito tributário, mas sim de ciência da constituição dele contra o contribuinte. O crédito tributário tem e deve ser constituído contra o contribuinte. Se não houver crédito constituído contra o contribuinte, não haverá a validação da imputação da responsabilidade solidária, pois ela dependerá daquela. (...) Se o crédito tributário não tivesse sido constituído contra o contribuinte para determinados fatos geradores, então não haveria crédito tributário. Logo, não haveria o que ser garantido pelo responsável solidário e, no final, lembre-se, o responsável é um mero garantidor. Por isso, para ele (responsável) há uma regra- matriz díspar, diferente da de incidência tributária, uma norma que gera uma obrigação de garantia sobre algo – o crédito tributário, que já está constituído –, cuida-se da regra-matriz de incidência da responsabilidade, de natureza sancionatória, porque imposta por lei como uma espécie de ônus a ser suportado pelo terceiro, com viés de garantia de cunho obrigacional, porque poderá gerar 6 Ou contra o substituto (e não contra o responsável). Fl. 312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 18 um pagamento em favor do contribuinte, se este não liquidar o crédito, favorecendo a praticabilidade da tributação em prol do ente Fazendário. Isto é, a notificação do responsável solidário é uma notificação de imputação de responsabilidade e de comunicação de que há o lançamento contra o contribuinte do qual ele (solidário) é garantidor por lei. Não se trata de notificação de lançamento pura e simples, a qual se destina exclusivamente ao contribuinte. Aliás, do ponto de vista do instrumento (processo), vê-se que a notificação ao responsável solidário é instrumentalmente diferente da destinada ao contribuinte e reforça o aqui ponderado. A notificação de imputação de responsabilidade constitui uma obrigação para o responsável ser o garantidor solidário do pagamento do crédito tributário e lhe concede o direito de ampla defesa para se irresignar, se desejar, contra a imputação da responsabilidade dirigida a si e, também, contra o próprio crédito tributário, neste último caso se ainda houver tempo para se manifestar sobre os seus elementos constitutivos (caso o crédito ainda não tenha sido plenamente constituído contra o contribuinte, na hipótese de estar, por exemplo, em fase de contencioso administrativo fiscal, sem decisão terminativa final de mérito). (...) Portanto, a meu ver, em ótica normativa, o lançamento de ofício do crédito tributário, na forma do art. 142 do CTN, é exclusivamente contra o contribuinte e só em relação a este haverá regra de decadência, seja pelo art. 173, I, seja pelo art. 150, §4º, do CTN. No caso concreto, o lançamento regularmente cientificado ao contribuinte resta perfectibilizado por força do art. 145 do CTN, daí tendo exsurgido, de forma hígida e tempestiva, a relação jurídica obrigacional entre o contribuinte e a Fazenda Pública, consequentemente nascendo o crédito, que é único, não se falando em decadência. Doutro lado, a imputação de responsabilidade tributária, que constitui a obrigação de responsabilidade, é exclusivamente contra o terceiro (responsável) e não se confunde com o lançamento de ofício do crédito tributário. Ela não se sujeita a prazo decadencial, por não haver essa previsão. O responsável, inclusive, não realiza o fato gerador. Somente quem realiza o fato gerador é o contribuinte. No mais, a responsabilidade é condicionada a validade do crédito tributário constituído tempestiva e regularmente contra o contribuinte. (grifo nosso) (...) A decadência aplica-se ao direito de constituir o crédito tributário, e não às garantias que a lei estabelece para esse crédito. Por outras palavras, a decadência não é para os solidários. (...) Por todas essas razões, tem-se que a data de ciência do responsável solidário não repercute na eventual decadência da relação obrigacional típica que se estabelece em plenitude quando da cientificação do contribuinte, que possui a relação pessoal e direta com o fato gerador. Sendo assim, com razão o Fl. 313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 19 recorrente (Fazenda Nacional), de modo que se reconstitui a imputação da responsabilidade solidária para responsável solidário em relação aos fatos geradores, não havendo que se falar em decadência do lançamento de ofício no período, reformando-se o acórdão recorrido no particular (...)” (grifo nosso) 27. Derradeiramente, colaciono jurisprudência recente oriunda da 1ª. Seção de Julgamento deste Carf, que se alinha com a conclusão do Voto ora proposto (Acórdão Carf no. 1401-005.380, de 13.04.2021): Acórdão Carf no. 1401-005.380, de 13.04.2021 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA(IRPJ) Exercício: 2014 LANÇAMENTO. FALTA DE INTIMAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS. A falta de intimação do responsável solidário acerca do lançamento é claro cerceamento do seu direito de defesa, tanto assim que o lançamento não foi por ele impugnado. Constatado tal vício, os atos processuais devem ser anulados retornando os autos para saneamento com a efetiva intimação da parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem para que intime o Sr. José Roberto Monte a apresentar, se assim o quiser, impugnação ao Auto de Infração na qualidade de responsável solidário e promova o saneamento do processo quanto à representação processual da Contribuinte, nos termos do voto do Relator. (grifo nosso) 28. Assim, a partir do acima exposto, também rejeito a preliminar de decadência levantada em sede de julgamento. Mérito - Demais alegações 29. Analisadas por este Colegiado as preliminares alegadas e seus efeitos, passo a me manifestar acerca das demais alegações deduzidas em sede Recursal pela contribuinte autuada. 30. Conforme já mencionado, o pedido de julgamento simultâneo com o Processo Administrativo Fiscal no. 15746.720703/2021-44 foi atendido, com apreciação simultânea dos feitos nesta mesma sessão de julgamento. 31. Quanto às razões de mérito para reforma do recorrido, verifico que abrangem: a) a alegação de erro de digitação perceptível no preenchimento de declaração, constatado antes do lançamento ter sido lavrado, pugnando-se pela necessidade de acatamento da retificação da declaração, ou revisão de ofício (e-fls. 225/226); Fl. 314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 20 b) Pugna, ainda, pela não-ocorrência do fato gerador que teria gerado a penalidade objeto de lançamento. c) Rejeita a falsidade das declarações, novamente alegando equívoco no preenchimento das GFIPs, tendo tentado realizar as retificações prontamente. Rejeita a ocorrência de dolo, colacionando citações doutrinárias e jurisprudenciais, para defender que é insuficiente a reunião de indícios que autorizem a suspeita. Entende necessário que a ação ou omissão, com vistas a alcançar determinado resultado, seja de prova irrefutável. Portanto, comprovando a contribuinte principal que procedeu em erro escusável no preenchimento da GFIP, que acarretou o acréscimo de valores no campo “compensação”, não se justifica a imposição da multa isolada em 150% (cento e cinquenta por cento), descaracterizando o dolo na sua conduta 32. Analiso. Descartadas as objeções à falsidade e agravamento da multa por conduta dolosa que não a alegação de erro material, visto que não conhecidas em sede de admissibilidade, verifico que a alegação de erro deduzida pela recorrente está desacompanhada de qualquer elemento probatório, sequer indiciário, de forma a sustentar minimamente a alegação genérica deduzida de ocorrência de erro de fato, ressaltando-se, ainda, que, na forma de itens 5 a 7 do Despacho Decisório de e-fl. 58 do Processo 15746.720703/2021-44 (não atacados, seja em sede de impugnação ou em sede recursal), o que se tem são indícios, plurais, robustos, correlacionados e consistentes, no sentido de não se tratar de erro de fato, mas sim de conduta dolosa. Veja-se tais itens: “(...) 5. A fiscalizada não esclareceu a natureza dos valores compensados a maior em suas GFIP do período, mesmo intimada, em mais de uma oportunidade, a comprová-la. (grifo nosso) 6. Não obstante, deveria informar o código 3139 no campo destinado ao cálculo das contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos – Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SEST E SENAT em suas GFIP do período, ensejando o cálculo automático do percentual devido a tal título, de 5,8%. Entretanto, a fiscalizada consignou nas suas GFIP o código “0000”, visando impedir a cobrança automática dos valores efetivamente devidos. Não é demais mencionar que tal mecanismo constitui fraude tributária mediante sonegação fiscal, o que será observado adiante. (grifo nosso) 7. Embora a fiscalizada tenha declarado em GFIP os salários de contribuição do período 04 a 13/2017, bem como a parcela retida dos segurados, verificamos que não foram feitos recolhimentos de contribuições previdenciárias e de contribuições destinadas a outras entidades e fundos incidentes sobre as folhas de pagamento da fiscalizada. No que tange à parcela retida dos segurados empregados e contribuintes individuais, constatamos a ocorrência, em tese, do Crime de Apropriação Indébita Previdenciária, nos termos do art. 168 do Código Penal, o que ensejou a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais – PAF nº 15.746-720.702/2021-08. (grifo nosso). Fl. 315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 21 33. Ressalto ainda, acerca do tema, que rejeito a tese defendida pelo contribuinte, no sentido de que um conjunto de indícios, reitere-se, plurais, robustos correlacionados e consistentes não seja suficiente para caracterização de eventual dolo em conduta perpetrada. A partir de tal conjunto, deixa-se a seara da presunção para se estar diante de prova indireta, expressamente admitida na legislação pátria em seara penal (art. 239, CPP), de onde, no meu entender, se devem extrair os melhores ensinamentos acerca do instituto do dolo. 34. Como fundamentação adicional, aplicável ao caso. a Súmula CARF no. 33, de forma a se afastar a alegação da autuada de efeitos de retificação de declarações após o início do procedimento fiscal: SÚMULA CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. 35. Finalmente quanto à necessidade de obediência ao decidido no âmbito do STF para o tema 736 (pleito, em meu entendimento de pleito de aplicação normativa, não se tratando do argumento de inconstitucionalidade da norma, este último também ora não conhecido), faço notar que: a) A análise, pela Egrégia Corte, do Recurso Extraordinário 796.939/RS (com repercussão no tema 736) não envolveu o dispositivo em questão na presente autuação (art. 89, §10, da Lei no. 8.212, de 1991), mas, sim, os §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei no. 9.430, de 1996, não havendo, no caso sob análise, qualquer vinculação necessária aplicável a este Colegiado. b) A tese fixada no âmbito referido julgamento é expressa em: b.1) cingir a inconstitucionalidade da aplicação da multa ali em análise somente ao caso de mera homologação de compensação e, assim, b.2) manter a possibilidade de a Administração Tributária aplicar a multa e, assim, que seja essa mantida, sempre que a conduta do contribuinte possa ser aferida no sentido de inobservância de boa-fé objetiva, como se pode, em meu entendimento, concluir no presente caso. Veja-se os itens 1 e 8 do Acórdão prolatado no âmbito do citado RE 796.939, de relatoria do Ministro Édson Fachin: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em Fl. 316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 22 ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. (grifo nosso)(...) (...) 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. (grifo nosso) (...) 36. Assim, também sem razão a autuada quanto a esta derradeira alegação. Conclusão 37. A partir do acima exposto, em sede de mérito, quanto à parte conhecida do recurso da autuada, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior VOTO VENCEDOR Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa Inicialmente, parabenizo o Eminente Relator por seu voto, conquanto, com a devida vênia, preciso consignar que minha motivação segue linhas diferentes. Dito isto, divirjo do conhecimento do recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário e do encaminhamento pela nulidade da decisão recorrida, que concluiu pela determinação de retorno dos autos à primeira instância, pelos motivos a seguir expostos. 1. Conhecimento O Recurso Voluntário foi interposto numa petição conjunta, em nome da VIAÇÃO CIDADE DUTRA LTDA e Espólio de João Gonçalves Gonçalves, representado pelo inventariante Edson Gonçalves, sujeito passivo e um dos responsáveis solidários, respectivamente. Contudo, o responsável solidário Espólio de João Gonçalves Gonçalves não apresentou Impugnação, e conforme artigos 16 e 17 do Decreto nº. 70.235/72, é com a apresentação da Impugnação que fica instaurado o processo administrativo e inaugurada a lide Fl. 317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 23 entre os sujeitos. Sem a apresentação da defesa em primeira instância, a lide contra este corresponsável não se instaurou, de modo que o recurso voluntário interposto em seu nome não pode ser conhecido, em razão da preclusão. Diante do exposto, conheço apenas do Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, deixando de conhecer do Recurso Voluntário interposto pelo corresponsável. 2. Preliminar de Nulidade O Relator acolheu a preliminar de nulidade arguida pelos recorrentes. Entendeu que seria nula a decisão de piso, e que os autos deveriam retornar para prolação de novo acórdão, em razão da nulidade da intimação do Espólio de João Gonçalves Gonçalves, promovida pelo Edital nº 011217843 (e-fls. 100). Fundamenta sua decisão no Decreto nº. 70.235/72 e na Súmula CARF nº. 1737, que determinam que, para que fosse válida a intimação via Edital, a intimação pela via postal deveria ter se comprovado improfícua. Apesar de constar nos autos documento (e-fls. 98/99) extraído da página eletrônica dos Correios na Internet, relativo à consulta do rastreamento do objeto QB 009 668 931 BR, identificador suspostamente associado à suposta correspondência encaminhada, por via postal, ao endereço do responsável solidário, não há identificação precisa sobre o destinatário da correspondência. A ausência da comprovação de que a intimação teria sido improfícua teria ficado confirmada pela Informação Fiscal resultado da Diligência (e-fls. 193/194), que ressaltou: - De fato, não consta no processo fiscal o Aviso de Recebimento - AR em nome de Espólio de João Gonçalves Gonçalves - documento que poderia comprovar a tentativa de ciência do lançamento fiscal via postal. - Não obstante não ter sido localizado no processo o referido comprovante, foi realizada a busca por meio de consulta interna junto ao setor responsável pelo controle de correspondências, para eventual localização de AR devolvido ou de qualquer outro fato que pudesse justificar o ocorrido. Entretanto, o resultado da busca interna foi infrutífero, o AR não foi localizado e, portanto, não há a comprovação da tentativa de ciência postal para o citado responsável tributário. Portanto, não há discordância com relação à nulidade da intimação por Edital do responsável solidário Espólio de João Gonçalves Gonçalves. A divergência reside no alcance da nulidade processual decorrente do vício de citação. O Relator entendeu, nos termos do §2º do art. 59 do Decreto nº. 70.235/72, que a nulidade alcançaria somente o Acórdão recorrido e demais atos posteriores dependentes, com necessidade de saneamento processual através da devida intimação do Auto de Infração de e-fls. 7 Súmula CARF nº 173 A intimação por edital realizada a partir da vigência da Lei nº 11.196, de 2005, é válida quando houver demonstração de que foi improfícua a intimação por qualquer um dos meios ordinários (pessoal, postal ou eletrônico) ou quando, após a vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal. Fl. 318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 24 64 a 70 ao solidário Espólio de João Gonçalves Gonçalves, seguida de posterior prolação de novo Acórdão. Contudo, verifico que a referida nulidade pode ser resolvida em favor do responsável solidário em razão do transcurso do prazo decadencial, como determina o §3º do art. 59: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos acrescidos) No meu entendimento, o prazo decadencial para constituição do crédito conta-se em apartado para cada um dos responsáveis, e o retorno dos autos para a origem para a promoção da intimação do responsável solidário não seria mais proveitoso para garantir-lhe a ampla defesa e o contraditório, pois a Administração sequer teria o direito de constituição do crédito tributário em desfavor do responsável solidário. Dessa forma, não faz qualquer sentido prático para o referido processo, a declaração de nulidade e de retorno dos autos para regularização da intimação. De fato, a preliminar de decadência não foi arguida pelos recorrentes. Contudo, a decadência é matéria decorrente na arguição de nulidade e matéria de ordem pública, não estando sujeita à preclusão, sendo cognoscível, inclusive, ex officio na seara tributária. Isto porque a decadência está umbilicalmente atrelada à questão de viabilidade do próprio executivo fiscal, dentre as quais estão a liquidez e exigibilidade do título, bem como o preenchimento de condições da ação e pressupostos processuais. Trata-se de comando estabelecido pelo art. 487 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (novo Código de Processo Civil – CPC), de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, nestes termos: Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: [...] Fl. 319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 25 II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição. Ademais, é reiterada a jurisprudência pátria no que diz respeito ao reconhecimento da decadência como matéria de ordem pública8. O multa por compensação realizada com falsidade refere-se ao período de apuração entre 01/04/2017 e 31/12/2017, de modo que, de acordo com o art. 173, inciso I do CTN, a Fazenda teria o prazo de 5 anos para promover o lançamento: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Como a intimação por Edital não foi válida, verificou-se o prazo decadencial para constituição do crédito em relação ao responsável solidário Espólio de João Gonçalves Gonçalves, nos termos da Súmula CARF nº. 101: Súmula CARF nº 101 Aprovada pelo Pleno em 08/12/2014 Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 8 Decisões do STJ: AgInt no AREsp 786.109/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 06/03/2017: AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. SÚMULA 83/STJ. OFENSA AO ART. 32 DO CTN. SÚMULA 7/STJ. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão. [...] REsp 1.239.257/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 31.3.2011: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DECADÊNCIA ARGUIDA NAS RAZÕES DA APELAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PRECLUSÃO. JUNTADA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL APENAS COM A INTERPOSIÇÃO DA APELAÇÃO. PRODUÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL DE MODO EXTEMPORÂNEO. INADMISSIBILIDADE. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, nas instâncias ordinárias, podem ser reconhecidas a qualquer tempo, não estando sujeitas à preclusão. [...] Decisões do CARF: Acórdão nº. 2402-010.958 - 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 6 de dezembro de 2022. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/2003 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. PRECLUSÃO. AUSENTE. A prejudicial de decadência constitui-se matéria de ordem pública, à conta disso, tanto insuscetível de disponibilidade pelas partes como pronunciável a qualquer tempo e instância administrativa. Logo, pode e deve ser apreciada de ofício, pois não se sujeita às preclusões temporal e consumativa, que normalmente se consumam pela inércia do sujeito passivo. Acórdão nº 9202-009.552 - CSRF / 2ª Turma – Sessão de 26 de maio de 2021: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO EM SEDE DE JULGAMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE. A decadência constitui matéria de ordem pública, não atingida pela preclusão, de modo que sua arguição em embargos de declaração deve ser acolhida como omissão no julgamento do recurso voluntário e submetida à apreciação do Colegiado embargado. Fl. 320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 26 Diante do exposto, entendo que, no presente caso, operou-se a decadência para o responsável solidário. Não desconheço, contudo, que existe corrente no CARF que entende que o termo a quo para contagem do prazo decadencial se dá na data de cientificação do lançamento pelo sujeito passivo, independentemente do momento de notificação dos solidários. A Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira ressaltou a existência das duas correntes de pensamento no voto vencedor do Acórdão nº. 9202-011.6839 e se reposicionou no julgamento: Cinge-se a controvérsia em delimitar como aferir o transcurso do prazo decadencial quinquenal no tocante aos responsáveis solidários. Duas são as vertentes formadas no âmbito deste: a primeira, exibida nos acórdãos paradigmáticos, em que considerado ser o termo a quo a data de cientificação do lançamento pelo sujeito passivo, independentemente do momento de notificação dos solidários; e, a segunda, encampada pela decisão recorrida, que impõe a aferição da decadência em apartado para cada um dos responsáveis. Os filiados à primeira corrente sustentam que, por implicar a solidariedade em unidade de objeto com pluralidade de sujeitos, o débito seria uno. Assim, “o lançamento regularmente cientificado ao contribuinte resta perfectibilizado por força do art. 145 do CTN, daí surgindo a relação jurídica obrigacional entre o particular e a Fazenda Pública.”10 Com arrimo no inc. III do art. 125 do CTN, conclui-se que a data de ciência do responsável solidário não repercute na eventual decadência da relação obrigacional já estabelecida em sua plenitude quando da cientificação do contribuinte, mas sim no prazo conferido para que o solidário exerça seu direito à ampla defesa, que naquela data tem seu termo inicial.11 De bom alvitre pontuar que o inc. III do art. 125 do CTN, ao tratar dos efeitos da solidariedade, assevera que “a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais.” Decadência e prescrição são institutos díspares; 12 entretanto, para os defensores da corrente, mesmo que o inciso III não mencione expressamente o instituto da decadência, é certo que também o abrange, considerando a similitude dos efeitos dos institutos da decadência e da prescrição e também o fato de o artigo 156 do CTN prever a decadência como uma das causas de extinção 9 CARF. Acórdão nº 9202-011.683. Cons.ª Redatora Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. Vencido Com. Rel. Leonam Rocha de Medeiros, sessão de 12/02/2025 (maioria). 10 CARF. Acórdão nº 2202-008.510. Cons. Rel. RONNIE SOARES ANDERSON, sessão de 11 ago. 2021 (unanimidade). 11 Idem. 12 Prazo decadencial é o que precisa observar a Fazenda Pública para a constituição do crédito tributário pelo lançamento, ao passo que o prazo prescricional está atrelado à cobrança do crédito tributário definitivamente constituído. Fl. 321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 27 do crédito tributário, juntamente com o pagamento, a remissão e a prescrição, todos abarcados pelo artigo 125 do CTN.”13 A doutrina, corroboraria a argumentação esposada, porquanto cuida o art. 125 dos efeitos da interrupção da prescrição nas obrigações solidárias (item III), estabelecendo que esses efeitos atingem todos os obrigados, ainda que o evento causador da interrupção tenha ocorrido em relação a um deles apenas (v. CC/2002, art. 204, §1º). Isso significa que o ato de reconhecimento da dívida (art. 174, parágrafo único, IV), feito por um dos devedores solidários, implica a interrupção da prescrição também em relação aos demais devedores solidários. Embora se fale em ‘prescrição’, o princípio informador da norma deve aplicar-se aos prazos extintivos em geral; por exemplo, no que respeita às normas sobre decadência, se o sujeito ativo notifica um dos codevedores, nos termos do art 173, parágrafo único, e, com isso, dá início ao curso da decadência do direito de lançar, esse prazo deve entender-se aplicável também em relação aos demais devedores solidários.14 Já para os que aderem à segunda corrente, estampada na decisão recorrida, em se tratando de responsáveis solidários, a decadência deve ser aferida relativamente a cada um deles em separado, sem que a ciência do devedor principal ou de qualquer outro configure causa interruptiva do prazo dos demais, por ausência de disposição legal expressa.15 Argumenta-se que “a relação jurídica no caso é individual, para cada sujeito passivo; se o crédito tributário somente é constituído a partir da ciência do lançamento.” 16 Caso o responsável solidário somente tenha tomado ciência do lançamento quanto fulminado o prazo para tanto, extinta a exigência quanto a ele. Frisado, pelos que aderem à vertente, que a não notificação de algum dos responsáveis por qualquer razão, por exemplo, porque não foi localizado, ou a notificação a destempo (decadência) de um deles também não interfere na higidez do lançamento em relação àqueles que foram notificados a tempo. E se é assim, o efeito da decadência em relação a algum dos responsáveis alcança apenas este, 13 CARF. Acórdão nº 9303-010.944. Cons. Rel. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS, sessão de 10 nov. 2020 (maioria). 14 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2015 [e-book]. 15 É importante ressaltar que, neste caso, a Câmara Baixa tinha declarado a decadência com relação a todos os coobrigados, exclusivamente porque a cientificação do último coobrigado ocorrera passado o prazo decadencial quinquenal. Cf. CARF. Acórdão nº 9202-010.093. Cons.ª Rel.ª MARIA HELENA COTTA CARDOZO, sessão de 22 nov. 2021 (unanimidade). 16 CARF. Acórdão nº 2202-009.570. Cons.ª Rel.ª SARA MARIA DE ALMEIDA CARNEIRO SILVA, sessão de 1º fev. 2023 (voto de qualidade). Fl. 322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 28 livrando-o da ação do Fisco. De outro modo, o próprio conceito de solidariedade e seus efeitos estariam sendo violados. 17 A solidariedade passiva, por encerrar uma pluralidade de sujeitos, faz com que cada um dos codevedores solidários mantêm vínculo autônomo com o credor público, estando unidos entre si exclusivamente pelo nexo do adimplemento: o pagamento realizado por um libera os demais. (...) É justamente por conta dessas razões jurídicas que entendemos indefensável a teoria que atribui eficácia erga omnes aos atos constitutivos do crédito tributário nas hipóteses de solidariedade. O codevedor não pode sofrer os efeitos indiretos de um lançamento do qual não foi notificado. Desta forma, não está obrigado ao lançamento e tampouco a administração está investida de um direito subjetivo de cobrança no seu confronto.18 Refutando a aplicação da analogia e da interpretação extensiva, sustentam que o inc. III do art. 125 do CTN é hialino ao dispor que somente a prescrição – e não a decadência – é interrompida quando diante de situações em que configurada solidariedade. Por carência de previsão legal, portanto, estaria vedada atribuição de tal efeito quando sequer definitivamente constituída a exigência. Na qualidade de vogal, na Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara desta eg. Seção, já me filiei à primeira corrente, que pretende ver vencedora a Fazenda Nacional. Entretanto, em novo escrutínio, entendo estar correta a decisão recorrida, uma vez que, nos termos do art. 207 do Código Civil, “salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição.” Ao reposicionar-me, acabo por encampar o entendimento unânime desta eg. Cãmara, firmado em 2021 e reafirmando no ano passado, quando ainda não integrava este colegiado. Esclareceu o Cons. MAURÍCIO RIGHETTI, no acórdão nº 9202-010.942, que [o] tema não é novo nesta 2ª Turma, que na sessão plenária de 20/9/21 reafirmou, à unanimidade de votos, o entendimento de que o prazo decadencial deve ser aferido individualmente, ou seja, em relação a cada um dos coobrigados, interrompendo-se apenas com a sua respectiva ciência acerca da constituição do crédito tributário em seu desfavor. Confira-se a ementa do acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 DEVEDOR SOLIDÁRIO. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento cientificado ao devedor solidário por determinação do 17 CARF. Acórdão nº 9202-008.814. Cons.ª Rel.ª RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Redator Designado PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, sessão de 27 jul. 2020 (maioria). 18 DARZÉ, Andréa Medrado. Responsabilidade Tributária: Solidariedade e Subsidiariedade. São Paulo: Noeses, 2010, p. 332. Fl. 323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 29 órgão de julgamento de primeira instância, uma vez que não se observou prejuízo ao seu direito defesa, em face da abertura de prazo para impugnação. EMPRESAS INTERPOSTAS. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO. DESNECESSIDADE. Cabe ao Fisco avaliar a inclusão, no polo passivo, de empresas cujos trabalhadores a elas formalmente vinculados foram caracterizados como vinculados ao sujeito passivo autuado, sendo desnecessária a intimação das empresas interpostas, quando não arroladas como devedoras solidárias. DECADÊNCIA. DEVEDOR PRINCIPAL. DEVEDOR SOLIDÁRIO. AFERIÇÃO EM SEPARADO. Caracterizado o grupo econômico, com a inclusão no polo passivo de devedor solidário, a decadência deve ser aferida relativamente a cada um dos devedores, sem que a eventual ciência tardia do solidário configure decadência para o devedor principal. Acórdão 9202-009.875 Finalmente, quanto à terceira matéria suscitada – decadência – o Colegiado recorrido entendeu que a ciência do primeiro devedor, em 21/08/2015, constituiria o crédito tributário, afastando assim a decadência. A Contribuinte, por sua vez, pede a reforma do acórdão recorrido, no sentido de que a decadência seja aferida com base na intimação do sujeito passivo solidário Poli & Detini, em 07/04/2016. (...) Contudo, diferente tratamento deve ser atribuído ao prestador de serviços. Entendo que o instituto da responsabilidade solidária permite ao fisco efetivar o lançamento em relação a qualquer dos corresponsáveis. Entretanto, ao escolher efetivar o lançamento apenas em relação ao tomador do serviços inicialmente (NFLD n. 35.007.3546, anulada pelo CRPS), não ocorre interrupção da contagem do prazo decadencial em relação aos demais corresponsáveis, como no caso em relação a prestadora de serviços FIBRACOL. (...) Destarte, o prazo decadencial deve ser aferido individualmente, ou seja, em relação a cada um dos coobrigados, interrompendo-se apenas com a sua respectiva ciência acerca da constituição do crédito tributário em seu desfavor. Ademais, no presente caso, não mais cabe discussão sobre a norma a ser aplicada na aferição da decadência, já que que no acórdão recorrido aplicou-se a regra do art. 173, I, do CTN, sem questionamento por parte da Contribuinte. (...) Ainda em reforço, cumpre destacar que o artigo 34 da Portaria MPS nº 520/2004, citado pelo recorrente, notadamente seu § 4º, não está a tratar de prazo decadencial, mas sim do início da contagem do prazo para interposição de impugnação ou recurso. É o que se infere do artigo a ele seguinte, que trata dos prazos para impugnação ou recurso. Ora, considerar que o início da contagem do prazo para interposição de Fl. 324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 30 impugnação/recurso levará em conta a ciência do último coobrigado não significa dizer que o lançamento, em relação àqueles que tomaram ciência em data anterior, não se aperfeiçoou em relação aos demais. Rogando vênia ao em. Relator e seu judicioso voto, nego provimento ao recurso especial fazendário. (grifos acrescidos) Alinho-me à segunda corrente e atual posição dominante da 2ª Turma da CSRF no sentido de que a decadência deve ser aferida relativamente a cada um dos responsáveis em separado, sem que a ciência do devedor principal ou de qualquer outro, configure causa interruptiva do prazo dos demais, por ausência de disposição legal expressa. O posicionamento também é adotado por outras Turmas do CARF, conforme se verifica dos julgados abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2001 DECADÊNCIA - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR INFRAÇÃO À LEI - RECONHECIMENTO PARA PARTE DOS SUJEITOS PASSIVOS A infração à lei a que se refere o art. 135 do CTN pode ser dirigida a propósitos distintos: (i) impedir ou dificultar a constituição do crédito tributário, inclusive identificar o real contribuinte; ou (ii) impedir ou dificultar a exigência do crédito tributário. Só a do primeiro tipo exige a atribuição de responsabilidade por meio do lançamento tributário e, assim, submete-se ao prazo decadencial. Esse prazo, contudo, não deve ser considerado de forma objetiva a invalidar toda a atividade constitutiva. O reconhecimento da decadência para parte dos sujeitos passivos não macula a constituição do crédito tributário quanto aos demais.19 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A impugnação tempestiva do lançamento inaugura a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal. Não se configurando a instauração do contencioso em vista da preclusão temporal já em primeira instância, tampouco cabe recurso ao CARF no tocante ao mérito. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. 19 CARF. Acórdão nº 9101-006.714. Cons. Rel. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, sessão de 14/09/2023 (unanimidade). Fl. 325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 31 O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Constatada a existência de grupo econômico de fato, não há como ser afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. APLICAÇÃO DO CTN. Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, motivo pelo qual o prazo de decadência a ser aplicado às contribuições previdenciárias e às destinadas aos terceiros deve estar de conformidade com o disposto nº CTN. Com o entendimento do Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social utiliza-se o seguinte critério: (i) a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra geral do art. 173 do CTN, e, (ii) O pagamento antecipado da contribuição, ainda que parcial, suscita a aplicação da regra prevista no §4° do art. 150 do CTN. DECADÊNCIA. SOLIDARIEDADE. AFERIÇÃO POR DEVEDOR. Caracterizada a existência de solidariedade passiva, a decadência deve ser aferida relativamente a cada sujeito passivo, em separado. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. DESCUMPRIMENTO DE INTIMAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. USO DE INFORMAÇÕES DA DIPJ. O descumprimento da ordem fiscal para apresentação de documentos necessários ao lançamento dá razão ao arbitramento. É razoável a utilização de informações de salários provenientes da DIPJ para arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Cabe prova em contrário, na fase litigiosa, dos valores arbitrados. Descabe, durante o contencioso, o refazimento do lançamento diante de provas contestatórias, sendo possível apenas sua anulação, manutenção ou correção. Fl. 326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 32 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por causídico é realizada nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, observado o disposto no art. 55 desse regimento.20 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/03/2006 DECADÊNCIA. SOLIDARIEDADE. AFERIÇÃO POR DEVEDOR. Caracterizada a existência de solidariedade passiva, a decadência deve ser aferida relativamente a cada sujeito passivo, em separado. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. EMPRESA COM TRABALHADORES EXPOSTOS A CONDIÇÕES ESPECIAIS DE TRABALHO. EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. As empresas que mantêm trabalhadores expostos a condições especiais de trabalho devem se sujeitar ao pagamento da contribuição para financiamento da aposentadoria especial, sobretudo quando a documentação apresentada pela própria contribuinte indica a execução de atividade insalubre para as quais a presença do agente nocivo não pode ser atenuada mediante a utilização de EPI. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. INDEFERIMENTO. Não é papel da perícia produzir provas que caberia ao contribuinte apresentar. Uma vez que já foi extraída a base de cálculo de diversas fontes, cabe ao contribuinte produzir todas as provas possíveis para justificar suas alegações, servindo a perícia como um instrumento para atestar a veracidade destas provas ou para a obtenção de esclarecimentos, e não como um instrumento de produção de prova em si. 21 Dessa forma, voto por não conhecer do Recurso apresentado pelo responsável solidário Espólio de João Gonçalves Gonçalves, e conhecer parcialmente do Recurso Voluntário interposto pela recorrente, para rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão e reconhecer a 20 CARF. Acórdão nº 2401-010.805. Cons. Rel. Matheus Soares Leite, sessão de 02/02/2023 (unanimidade). 21 CARF. Acórdão nº 2201-010-278. Cons. Rel. Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, sessão de 07/03/2023 (unanimidade). Fl. 327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.446 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720491/2021-03 33 decadência do crédito com relação ao responsável solidário Espólio de João Gonçalves Gonçalves, para exclui-lo da lide. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 328DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
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Numero do processo: 12448.730063/2015-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE HIPÓTESE DE INDISPENSABILIDADE (DECRETO Nº 3.724/2001). PRELIMINAR REJEITADA.Inexiste violação à LC nº 105/2001 ou ao Decreto nº 3.724/2001 quando os extratos e documentos bancários utilizados no procedimento fiscal foram apresentados pelo próprio contribuinte em resposta às intimações regularmente expedidas. Não configurada hipótese de acesso direto pela autoridade fiscal às instituições financeiras, afasta-se a alegação de irregularidade na obtenção das informações. Preliminar rejeitada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. IDENTIFICAÇÃO DO DEPOSITANTE INSUFICIENTE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA CAUSA JURÍDICA DO CRÉDITO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em contas bancárias cujo titular, regularmente intimado, não comprova documentalmente a origem e a natureza das operações. A mera identificação do depositante não afasta a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, impondo-se a comprovação da motivação jurídica dos créditos. Não demonstrada a origem de depósitos atribuídos a movimentações empresariais, empréstimos ou supostos aluguéis, mantém-se o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2102-003.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
YENDIS RODRIGUES COSTA – Relator
Assinado Digitalmente
CLEBERSON ALEX FRIESS – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jose Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Yendis Rodrigues Costa, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Cleberson Alex Friess (Presidente)
Nome do relator: YENDIS RODRIGUES COSTA
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ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE HIPÓTESE DE INDISPENSABILIDADE (DECRETO Nº 3.724/2001). PRELIMINAR REJEITADA. Inexiste violação à LC nº 105/2001 ou ao Decreto nº 3.724/2001 quando os extratos e documentos bancários utilizados no procedimento fiscal foram apresentados pelo próprio contribuinte em resposta às intimações regularmente expedidas. Não configurada hipótese de acesso direto pela autoridade fiscal às instituições financeiras, afasta-se a alegação de irregularidade na obtenção das informações. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. IDENTIFICAÇÃO DO DEPOSITANTE INSUFICIENTE. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA CAUSA JURÍDICA DO CRÉDITO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em contas bancárias cujo titular, regularmente intimado, não comprova documentalmente a origem e a natureza das operações. A mera identificação do depositante não afasta a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, impondo-se a comprovação da motivação jurídica dos créditos. Não demonstrada a origem de depósitos atribuídos a movimentações empresariais, empréstimos ou supostos aluguéis, mantém- se o lançamento de ofício. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1052DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.994 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730063/2015-17 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente YENDIS RODRIGUES COSTA – Relator Assinado Digitalmente CLEBERSON ALEX FRIESS – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jose Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Yendis Rodrigues Costa, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Cleberson Alex Friess (Presidente) RELATÓRIO 1. Cuida-se, na espécie, de Recurso Voluntário (e-fls. 1035/1039), manejado pelo contribuinte, com fundamento art. 33 do Decreto n.º 70.235/1972, que lhe atribuiu efeitos suspensivo e devolutivo, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (e-fls. 1007/1025), proferida em sessão de 07/04/2018, consubstanciada no Acórdão n.º 16-81.653 - 11ª Turma da DRJ/SPO (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo), que, por unanimidade de votos, procedente em parte à impugnação (e-fls. 891/968), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO. Deve ser indeferido o pedido de diligência quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. ÔNUS DA PROVA. Fl. 1053DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.994 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730063/2015-17 3 É do contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO LANÇAMENTO FISCAL TRIBUTÁRIO. 2. O presente Processo Administrativo Fiscal trata de Auto de Infração relativo a Imposto de Renda da Pessoa Física de fls. 872/882, referente à omissão de rendimentos por meio de depósitos bancários de origem não comprovada, apurado no ano-calendário 2011, no valor total de R$ 2.929.183,30, sendo R$ 1.388.706,08 quanto ao imposto, R$ 495.819,56 no tocante a juros de mora), R$ 1.041.529,56 a título de multa proporcional e , R$ 3.128,10 a título de multa isolada, merecendo destaque os seguintes trechos do Termo de Verificação Fiscal - TVF, de 16/12/2015 (fls. 1304/1338), vejamos os pontos TVF: “O contribuinte Antônio José Loureiro Oliveira foi intimado diversas vezes (Termos nº 01, 03, 04 e 09 a 017) para apresentar extratos bancários e comprovar a origem dos valores creditados em suas contas no ano-calendário de 2011, mantidas junto ao Banco Bradesco (agências 0846 e 447) e ao Banco Itaú (agência 6136). Embora tenha atendido parcialmente às intimações, apresentando extratos e documentos em diferentes ocasiões, não comprovou a origem de todos os créditos, tampouco identificou adequadamente os transmitentes dos recursos (emitentes de cheques, TEDs ou depósitos em espécie). Nas respostas encaminhadas entre março e outubro de 2015, o contribuinte alegou genericamente que os valores creditados seriam provenientes de vendas realizadas pela empresa Biany Automóveis Ltda., da qual era sócio majoritário, mas não apresentou documentação hábil e idônea que vinculasse os depósitos às operações comerciais da pessoa jurídica. Diversos documentos não coincidiam em valor ou data com os lançamentos bancários, e grande parte dos créditos permaneceu sem qualquer justificativa ou prova material de origem. A fiscalização apurou que as contas do contribuinte receberam créditos no montante total de R$ 6.213.263,87, dos quais R$ 5.047.712,01 tiveram origem não comprovada, discriminados da seguinte forma: R$ 2.512.059,53 – sem qualquer esclarecimento ou prova; R$ 2.043.988,83 – alegadamente provenientes de vendas da Biany Automóveis Ltda., sem comprovação; R$ 248.000,00 – depositados pela própria Biany, sem respaldo documental; R$ 154.811,55 – depositados por Manuel Assis Pereira Neto, sem comprovação; R$ 76.447,78 – supostos aluguéis não comprovados; R$ 12.405,32 – demais valores residuais. Diante da ausência de comprovação idônea da origem dos recursos, a fiscalização caracterizou omissão de rendimentos com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, combinado com o art. 849 do RIR/1999 e a IN SRF nº 246/2002, procedendo ao lançamento de ofício do imposto de renda correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A conduta se enquadra na infração “Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada – Omissão de Rendimentos” DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. Fl. 1054DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.994 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730063/2015-17 4 3. Houve interposição de impugnação (fls. 891/910) por parte do contribuinte, ocasião em que, relativamente ao mérito, apresentou a seguinte estrutura de subtópicos e seus respectivos argumentos: Mérito: 1) A Falta De Caracterização Da Hipótese De Indispensabilidade Do Exame Das Informações Bancárias O contribuinte sustenta que o exame das informações bancárias realizado pela fiscalização não observou os requisitos legais de indispensabilidade previstos na Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/2001, que regulamenta a quebra de sigilo bancário. O contribuinte argumenta que o Termo de Verificação Fiscal (TVF) lavrado não enquadrou a situação fática em nenhuma das hipóteses legais de indispensabilidade e tampouco demonstrou motivo concreto para o afastamento do sigilo. Conclui que a análise das movimentações financeiras foi feita “ao arrepio da lei”, devendo ser desconsiderada integralmente como base de prova para a autuação e para a caracterização da suposta omissão de rendimentos. 2) A Titularidade De Terceiro Relativa Às Contas Bancárias Mantidas No Bradesco (C/C 67220-3) E Banco Itaú Argumenta que as movimentações bancárias examinadas pela fiscalização — ocorridas nas contas mantidas no Banco Itaú (agência 6136, conta 13.125-4) e no Banco Bradesco (agência 0846, conta 67.220-3) — não pertencem à sua pessoa física, mas sim à empresa Biany Automóveis Ltda. (CNPJ 32.352.023/0001-51), da qual é sócio. destaca que a própria autoridade fiscal reconheceu esse fato no item IV.a do Termo de Verificação Fiscal, ao registrar que os valores creditados nas referidas contas decorrem de vendas de automóveis realizadas pela empresa e, portanto, não deveriam ser tributados como rendimentos pessoais. Reforça que essa constatação exige tratamento tributário diverso, já que a receita pertence à pessoa jurídica e não pode ser considerada acréscimo patrimonial do sócio. Assim, requer o afastamento da tributação sobre tais valores, uma vez que são movimentações empresariais realizadas por meio das contas do contribuinte em nome da Biany Automóveis Ltda. Fl. 1055DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.994 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730063/2015-17 5 3) Da Falta De Caracterização Da Omissão De Receita O contribuinte sustenta que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 — que trata dos depósitos bancários de origem não comprovada — não pode conduzir a conclusões absurdas nem extrapolar o conceito constitucional e legal de renda previsto nos arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional. Alega que a simples existência de depósitos bancários não comprova omissão de rendimentos, pois esses valores podem corresponder a rendas isentas, não tributáveis ou já tributadas. Assim, para configurar o fato gerador do IR, é necessário que a fiscalização demonstre a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica da renda. defende que a aplicação da presunção do art. 42 só é válida quando não houver nenhum indício ou prova de origem dos depósitos. 4) Dos Valores Depositados Por Manuel Assis Pereira Neto O contribuinte explica que apresentou declaração do próprio depositante, informando que tais valores correspondiam a empréstimos concedidos ao contribuinte. No entanto, a Fiscalização só reconheceu como comprovado o valor de R$ 171.200,00, por constar nas declarações de ajuste anual tanto do impugnante quanto do depositante. Desse montante, apenas R$ 155.166,88, depositados em março de 2011, foram aceitos como legítimos. 5) Dos Valores Creditados A Título De Tarifa Bancária O contribuinte contesta a inclusão, pela Fiscalização, de quatro créditos bancários que foram indevidamente tratados como depósitos de origem não comprovada. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, esses lançamentos teriam natureza indefinida, pois o Fisco não conseguiu localizar as correspondentes “cobranças” que justificariam tratá-los como estornos de tarifas. Alega que os créditos questionados devem ser excluídos da base de cálculo da autuação, por representarem estornos legítimos de tarifas bancárias, e não receitas sujeitas à tributação. 6) Do valor de crédito/depósito identificado como "vic distr tit valor mobil" O Contribuinte contesta a inclusão, pela Fiscalização, de um crédito bancário no valor de R$ 11.500,00, datado de 29 de março de 2011, que foi tratado como depósito de origem não comprovada no item X do Termo de Verificação Fiscal. Afirma que o valor corresponde Fl. 1056DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.994 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730063/2015-17 6 a transferência entre contas de sua própria titularidade, realizada da conta mantida na VIC DTVM S.A. para a conta Bradesco nº 87.612. 7) Dos Valores Identificados Como Aluguel O contribuinte impugna a tributação de depósitos bancários que, segundo ele, correspondem a rendimentos de aluguel já declarados e tributados. Sustenta que todos esses valores foram oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual do mesmo exercício e, portanto, não podem ser novamente incluídos como depósitos de origem não comprovada. 4. A tese de defesa foi acolhida parcialmente pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário. Na decisão a quo foram acatadas e refutadas cada uma das insurgências do contribuinte por meio de razões baseadas nos seguintes tópicos: Foram reconhecidos e excluídos da base de cálculo alguns depósitos devidamente comprovados, totalizando R$ 231.350,45, relativos a: 1) Venda de veículos pela empresa Biany Automóveis Ltda; 2) Estornos de tarifas bancárias (R$ 1.017,33); 3) Transferência entre contas de mesma titularidade (R$ 11.500,00); 4) Parte de empréstimo com Manuel Assis Pereira Neto (R$ 16.033,12) 5) Foi mantido o imposto de renda devido sobre esses valores, no montante de R$ 1.325.084,70, acrescido de multa de ofício e juros legais. 6) Também foi mantida a multa isolada de R$ 3.128,10 relativa ao carnê-leão DO RECURSO VOLUNTÁRIO. 5. No recurso voluntário o sujeito passivo, reiterando termos da impugnação, postula a reforma da decisão de primeira instância, a fim de anular ou cancelar o lançamento, nos seguintes pontos: Mérito: 1) A Falta De Caracterização Da Hipótese De Indispensabilidade Do Exame Das Informações Bancárias Sustenta que o exame de dados bancários realizado pelo Fisco violou a LC 105/2001 e o Decreto nº 3.724/2001, pois não houve enquadramento em nenhuma hipótese de indispensabilidade prevista no art. 3º do Decreto. Afirma que, embora o STF tenha reconhecido a legitimidade do acesso direto a dados bancários, tal medida exige fundamentação específica e respeito às garantias legais. No caso, o Termo de Fl. 1057DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.994 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730063/2015-17 7 Verificação Fiscal TTVF não apontou qualquer justificativa concreta. 2) A Titularidade De Terceiro Relativa Às Contas Bancárias Mantidas No Bradesco (C/C 67220-3) E Banco Itaú O recorrente alega que as contas Bradesco Tag. 0846, c/c 67.220-3 e Itaú Tag. 6136, c/c 13.125-4 pertencem, de fato, à empresa Biany Automóveis Ltda. TCNPJ 32.352.023/0001-51 , da qual é sócio. Tanto o TVF quanto a DRJ reconheceram que as movimentações nessas contas se referem à venda de veículos da empresa. Apesar disso, a Receita as tributou em nome da pessoa física. 3) Da Falta De Caracterização Da Omissão De Receita Argumenta que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 não foi corretamente aplicado, pois a presunção de omissão só se aperfeiçoa na ausência de documentação hábil. Sustenta que basta identificar quem realizou o depósito para elidir a presunção de omissão, e que o Fisco inverteu o ônus da prova ao exigir demonstração da “causa” dos créditos. 4) Dos Valores Identificados Como Aluguel Contesta a inclusão, pela Fiscalização, de depósitos bancários classificados como “de origem não comprovada”, os quais, segundo ele, correspondem a rendimentos de aluguel devidamente declarados e tributados. informa que apresentou Declaração de Aluguéis, datada de 22 de julho de 2015, comprovando que os créditos somam R$ 20.515,00 e referem-se à locação do imóvel situado na Rua Antônio Pereira, nº 94, apartamento 101. 6. Não foram juntados novos documentos, e nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator. 7. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisanda, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. 8. É o relatório. VOTO Conselheiro YENDIS RODRIGUES COSTA, Relator JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Fl. 1058DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.994 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730063/2015-17 8 9. O Recurso Voluntário é tempestivo, na medida em que interposto no prazo previsto no art. 33, do Decreto Federal nº 70.235/1972, considerando-se a sua interposição em 15/06/2018 (fl. 2.084) em face da ciência do acórdão recorrido em 17/05/2018 (fl. 1031). 10. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. PRELIMINAR DA ALEGADA FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA HIPÓTESE DE INDISPENSABILIDADE DO EXAME DAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS 11. Para o presente tópico, sustenta o Recorrente que a autuação fiscal decorrente da omissão de rendimentos foi baseada nos extratos bancários emitidos por diferentes instituições financeiras, cujo procedimento, ainda na origem, não foi acompanhado da demonstração de qualquer hipótese de indispensabilidade exigida no art. 3º do Decreto nº 3.724/2001. Por isso, manifesta seu entendimento no sentido de ser necessária a desconsideração dos documentos obtidos pela fiscalização e que acompanharam a autuação fiscal. 12. No entanto, entendo que o Recurso Voluntário não merece o provimento pretendido. Isso porque, ao contrário do que alega, os procedimentos fiscalizatórios adotados pela autoridade autuadora foram destinados exclusivamente ao Contribuinte para que este apresentasse os documentos bancários necessários à apreciação do cumprimento integral das obrigações fiscais. Esse foi o múnus fiscalizatório atendido frente aos permissivos consolidados nas previsões regulamentares dos artigos 904, 911 e 927 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999). 13. Daí porque não subsistiu a adoção, pela fiscalização, dos procedimentos necessários à exigência de documentos bancários em face das próprias instituições financeiras, tal como permitiria o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e o seu regulamento no Decreto nº 3.724/2001. Logo, inexiste motivação hábil a admitir a desconsideração dos documentos financeiros (extratos bancários, comprovantes de transferências etc.) apresentados pelo próprio Contribuinte. 14. Ainda assim, observo que a solicitação de documentos direcionada pela Autoridade Fiscal ao Contribuinte e por ele atendida, ainda que parcialmente, demonstra a adequação frente às premissas de fiscalização que resguardam sua atuação na forma do art. 195, caput, do CTN, sendo modo pelo qual legítima foi o cotejo das movimentações bancárias realizadas pelo Contribuinte e a submissão, ou não, de suas receitas à tributação como forma de melhor verificar o cumprimento das obrigações fiscais. 15. Rejeito a preliminar. MÉRITO 16. A controvérsia objeto destes autos limita-se à verificação da correção do pronunciamento proferido pela DRJ, que confirmou o Auto de Infração lavrado contra o Recorrente. Na decisão, reconheceu-se a validade do procedimento de exame dos registros bancários e acolheu-se Fl. 1059DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.994 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730063/2015-17 9 parcialmente a justificativa apresentada quanto à origem e à tributação das receitas identificadas nas movimentações bancárias, as quais motivaram a autuação por omissão de receitas, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. 17. Considerando as temáticas submetidas ao presente julgamento, passo à análise individualizada das razões recursais. DA TITULARIDADE DE TERCEIRO PARA AS CONTAS BANCÁRIAS MANTIDAS NO BRADESCO E NO ITAÚ 18. Outro ponto objeto de irresignação do Recorrente reside na manutenção da autuação fiscal em razão da parcial ausência de comprovação dos recursos que ingressaram nas contas nºs 13.125-4 e 67.220-3, mantidas junto ao Banco Itaú e Bradesco, respectivamente. Para tanto, sustenta o Recorrente que todos os recursos vinculados às referidas contas não deveriam ser tributados, uma vez que teriam origem em operações de compra e venda realizadas por sociedade empresária que seria a efetiva titular dos direitos que ensejaram as movimentações bancárias nas contas em questão , não podendo, portanto, ser considerados rendimentos omitidos próprios de seu sócio, ora Recorrente. Subsidiariamente, o Recorrente requereu a realização de diligências com o intuito de comprovar a origem dos valores. 19. No entanto, entendo que também não devem prosperar as referidas motivações levantadas pelo Recorrente. 20. Tal fato se dá ao considerar que o lastro argumentativo exposto no Recurso Voluntário se volta tão somente a afastar a constatação de omissão de rendimentos tributáveis com base na presunção de que todos os ingressos nas citadas contas bancárias seriam decorrentes de operações vinculadas à sociedade empresária Biano Automóveis Ltda. Não há, pois, o atendimento do ônus probatório que recai ao Contribuinte na demonstração cristalina da origem e da motivação da integralidade das movimentações bancárias que foram tomadas a termo pela fiscalização como sendo materializadoras da omissão de receitas na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. 21. Nesse caso, deve permanecer inalterada a conclusão adotada pela DRJ, na medida em que inexistente qualquer documento hábil a demonstrar a origem regular e respectiva submissão à tributação da parcela das movimentações financeiras realizadas pelo Recorrente e que ensejaram a autuação o que também afasta a própria aplicação da previsão do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/1996. 22. Ainda assim, convém destacar que, em relação ao pedido de realização de diligências complementares destinadas à produção de prova da regularidade da origem das movimentações bancárias ora tratadas, formulado pelo Recorrente, verifica-se que este possui caráter genérico. Assim, em razão da formulação de pedido genérico o que já ensejaria sua consideração como não formulado (art. 16, inciso IV, e § 1º, do Decreto nº 70.235/1972), resta obstada a admissão de Fl. 1060DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.994 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730063/2015-17 10 prova suplementar em sede recursal, quando não demonstradas as hipóteses previstas nas alíneas “a” a “c” do § 4º do mesmo dispositivo legal. DA FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITA 23. O Recorrente também busca a reforma do Acórdão da DRJ ao considerar que a previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que permite a tributação de movimentações bancárias de origem não comprovada, somente se destina à hipótese de ausência de comprovação da origem das quantias, não sendo necessária a identificação da motivação a que se deu o registro bancário. 24. Ocorre que não merece guarida a argumentação do Recorrente no particular, na medida em que a necessária prova da origem dos créditos realizados em conta bancária pressupõe a identificação do sujeito que realizou a operação que resultou em crédito em favor do Contribuinte e, também, a sua própria motivação, sob pena de, do contrário, admitir por esvaziada a própria razão de ser da previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 por via oblíqua. 25. Explico. A motivação quanto à existência da permissão de tributação de movimentações financeiras de origem não justificada pressupõe a salvaguarda dos interesses fazendários em identificar a existência de rendimentos que deveriam ser levados à tributação. Analisa-se, pois, a efetiva existência dos rendimentos que devem servir para a incidência do Imposto de Renda, sendo prescindível a verificação tão somente da titularidade daquele em que os recursos foram originados, ou seja, aquele que realizou o depósito na conta do Contribuinte submetido à tributação na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. 26. Assim, não basta a verificação pessoal do depositante, mas, sim, do efetivo título a que se deu a realização da movimentação bancária, de modo que seja verificada, por exemplo, a existência de recursos isentos ou não tributáveis ou, ainda, que pertençam a terceiros e apenas circulam pelas contas bancárias do Contribuinte. 27. Do contrário e na forma que pretende fazer crer o Recorrente, tomar como suficiente a demonstração nominal do depositante dos recursos em favor do Contribuinte e desconsiderar a que título os recursos foram transferidos seria o mesmo que afastar a necessidade de verificação da existência de rendimentos tributáveis a que se destina a incidência do Imposto de Renda. Seria, também, a admissão da referida concepção como forma de extirpar a o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 do ordenamento jurídico, na medida em que as movimentações bancárias são sempre registradas a partir da individualização nominal da origem e do destino dos valores. 28. Veja-se que, em sentido semelhante ao exposto nesta oportunidade, a análise realizada por este CARF em casos análogos está restrita à verificação da razão de realização dos depósitos identificados, sendo despicienda a simples verificação nominal do depositante, conforme se verifica a seguir: Fl. 1061DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.994 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730063/2015-17 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF nº 26 . A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS . DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam- se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte . Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE . Para que a comprovação de existência de contrato de mútuo dê ensejo ao afastamento da presunção de omissão de receita de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é necessário que o referido instrumento seja válido, as transferências financeiras sejam comprovadas, haja correspondência entre as transferências financeiras previstas e as efetuadas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS . COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Uma vez transposta a fase do lançamento fiscal, sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis ou que já foram submetidos à tributação do imposto de renda . DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DA E NATUREZA DA OPERAÇÃO. NECESSIDADE. Para que seja afastada a presunção legal de omissão de receita ou rendimento, não basta a identificação subjetiva da origem do depósito, sendo necessário também comprovar a natureza jurídica da relação que lhe deu suporte . (CARF 12448728740201103 2401-009.828, Relator.: MATHEUS SOARES LEITE, Data de Julgamento: 02/09/2021, Data de Publicação: 29/09/2021) 29. Por isso, o afastamento da autuação realizada com amparo no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 deve ser precedida da demonstração da origem causal dos depósitos, posto que somente assim é que será possível a verificação da efetiva existência, ou não, de rendimentos tributáveis. Não sendo a atendida a exigência da prova de causalidade dos recursos, entende-se por legítima a autuação fiscal – tal como operado nesta hipótese. 30. Dadas as referidas exposições, nego provimento ao Recurso Voluntário. DOS VALORES IDENTIFICADOS COMO ALUGUEL 31. Para o particular, o Recorrente sustenta a invalidade dos valores tributados na forma identificada como Aluguel ou Temporada, na medida em que o instrumento nomeado como “Declaração de Aluguéis” Tfl. 967 serviria para justificar a origem nominal e causal das Fl. 1062DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.994 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730063/2015-17 12 movimentações bancárias realizadas sob o referido título e vinculada a dois imóveis, modo pelo qual, ao seu ver, também deveria ser afastada a tributação no particular. 32. No entanto, também entendo ser o caso de rejeitar a pretensão recursal no particular. 33. É que, tal como acertadamente exposto no Termo de Verificação Fiscal – do qual foi chancelado pela DRJ –, a referida Declaração não se justificou como hábil e idônea à comprovação da regularidade da origem dos recursos que ensejaram a autuação. Essa foi a concepção adotada na origem com o lastro complementado em razão de (i) um dos imóveis não estar acompanhado da demonstração do locatário e em razão de inexistir qualquer contrato de locação para os dois imóveis tratados na autuação; e (ii) parte substancial dos comprovantes de depósito não haver a demonstração de quem é o depositante, outra parte ser o próprio Contribuinte mencionado como depositante e outra parte mencionar terceiro sujeito sem demonstração de vinculação direta com os alugueis. 34. Todos os referidos elementos demonstraram, pois, a inexistência de motivação cristalina quanto à origem dos depósitos rubricados como “aluguéis” e “temporada”, pelo que inservível seria a “Declaração de Aluguéis”, considerada de forma isolada ou conjunta, como lastro de eventual justificativa pelo Contribuinte destinada a afastar a autuação referente à omissão de receitas verificadas em movimentações bancárias com origem não identificada. 35. Rejeito, pois, o provimento pretendido no Recurso Voluntário para a temática em particular. CONCLUSÃO 35. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, rejeito a preliminar e NEGAR- LHE PROVIMENTO. Assinado Digitalmente YENDIS RODRIGUES COSTA Fl. 1063DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.731069/2016-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 1102-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à unidade de origem, nos termos do voto do Relator.
Sala de Sessões, em 19 de novembro de 2025.
Assinado Digitalmente
Gustavo Schneider Fossati – Relator
Assinado Digitalmente
Fernando Beltcher da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO SCHNEIDER FOSSATI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à unidade de origem, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 19 de novembro de 2025. Assinado Digitalmente Gustavo Schneider Fossati – Relator Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). RELATÓRIO Transcrevo o relatório da DRJ, cujas informações são relevantes para a solução do caso: Fl. 69DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1102-000.375 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.731069/2016-40 2 A contribuinte CITRO VITA AGRO INDUSTRIAL LTDA – CNPJ 57.074.106/0001-57, apresentou os PER/DCOMP relacionados às folhas 02 a 06 deste despacho com os quais pretende quitar débitos próprios. O credito informado é o Saldo Negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2002. Em 08/11/2008, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 178/188) homologando em parte as compensações informadas em DCOMP no montante de R$ 52.775.124,40. A homologação parcial das compensações deu-se pelos motivos expostos a seguir: • O IRRF, dedutível na DIPJ, confirmado nos Sistemas da RFB totalizou R$ 44.987.084,34 (informado R$ 48.597.687,00 na DIPJ); • Uma vez que a contribuinte não ofereceu à tributação qualquer receita de rendimento auferido em operações day-trade (linha 22 da ficha 06A está zerada — fl. 36), os IRRF de código 8468 e 0924 não foram considerados. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 26/12/2008 (fl. 190) e dela recorreu a esta DRJ em 27/01/2009 (fls. 544/). As alegações da interessada são resumidas a seguir. • A Impugnante não obteve ganhos com operações de DayTrade, de modo que a linha 20 da ficha 06A da DIPJ encontrase corretamente zerada; • Os valores recolhidos sob o código 0924 dizem respeito, em verdade, a juros sobre contratos de mútuo firmados entre a Votorantim Participações S/A e a ora Impugnante (docs.04 a 07), e não a operações de DayTrade; • Os aludidos valores encontramse presentes na linha 30 (outras receitas operacionais) da Ficha 06A, da DIPJ (doc. 04), na Conta n° 4.2.03.87.10 --- "S/A Industrias Votorantim", conforme fl. 30 do Balancete consolidado parcial — doc. 05) no montante de R$ 33.913.559,64; • Os anexos Razão Parcial IRRF (doc. 06) e Razão Parcial Receita de Mútuo (doc. 07) demonstram, de forma discriminada, os valores em questão; • Ainda que se considerasse equivocado o recolhimento do tributo sob o código 0924, ao invés de 3426, a glosa em questão não deveria prevalecer, porquanto tratar-se-ia de mero equivoco formal, o que seria insuficiente para ensejar a glosa dos valores; Fl. 70DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1102-000.375 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.731069/2016-40 3 • Ainda que algum valor a titulo de juros de mora pudesse prevalecer o que se admite apenas para argumentar, não poderiam os mesmos ser calculados com base na taxa SELIC — Sistema Especial de Liquidação e de Custódia; • Protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial pela juntada de novos documentos que porventura se façam necessários. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório veda-se ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando que o IRRF de código 0924 diz respeito a ganhos que foram efetivamente oferecidos à tributação, relativos a juros sobre contratos de mútuos, devidamente contabilizados e comprovados com os documentos juntados na manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheiro Gustavo Schneider Fossati, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão, pela qual, dele conheço. Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte CITRO VITA AGROINDUSTRIAL LTDA em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa de parte do crédito de Saldo Negativo de IRPJ apurado no ano- calendário de 2002. A glosa original decorreu da não homologação das compensações sob o argumento de que a Recorrente não teria oferecido à tributação receitas de rendimento auferidas Fl. 71DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1102-000.375 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.731069/2016-40 4 em operações de day-trade (linha 22 da Ficha 06A zerada), implicando na não consideração dos valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) recolhidos sob os códigos 8468 e 0924. A Recorrente alega, com acerto, que não obteve ganhos com operações de Day- Trade, estando a linha 20 da Ficha 06A da DIPJ corretamente zerada. Os valores recolhidos sob o código 0924 dizem respeito, em verdade, a juros sobre contratos de mútuo firmados com a Votorantim Participações S/A. A documentação acostada aos autos é adequada e comprova a natureza e a tributação dessas receitas. A Recorrente trouxe documentos essenciais (docs. 04 a 07), notadamente o Razão do IRRF (doc. 06) e o Razão Parcial Receita de Mútuo (doc. 07), que demonstram, de forma discriminada, os valores em questão. O Doc 04 (fl. 594) traz o detalhamento da Ficha 06-A da DIPJ, discriminando outras receitas operacionais, na linha 30, incluindo a receita de juros (Votorantrade – Juros), no valor de R$ 25.243.650,07, conforme segue abaixo: Fl. 72DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1102-000.375 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.731069/2016-40 5 Com efeito, é imperioso ressaltar que, no âmbito de grupos econômicos, como é o caso entre a Recorrente e a Votorantim Participações S/A (sua sócia), a formalização de contratos Fl. 73DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1102-000.375 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.731069/2016-40 6 de mútuo muitas vezes é dispensada, sendo os negócios jurídicos comprovados pela escrituração mercantil. A despeito da eventual ausência de contrato formal, a Recorrente manteve e contabilizou as receitas de juros sobre os mútuos. Conforme demonstrado no doc. 07 ("Razão Receita de Mútuo", fls. 609s do processo n.º 16306.000084/2008-420), a empresa registrou as respectivas receitas de juros: Fl. 74DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1102-000.375 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.731069/2016-40 7 Fl. 75DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1102-000.375 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.731069/2016-40 8 Além disso, o doc. 04 (fl. 594 do processo n.º 16306.000084/2008-420) comprova que a Recorrente detalhou as linhas da Ficha 06-A da DIPJ. A linha 30 ("outras receitas operacionais") discriminou o valor de R$ 33.913.559,64, que decorre do mútuo firmado com a S/A Indústrias Votorantim (antiga denominação da Votorantim Participações S/A). Este valor também consta no balancete consolidado parcial (doc. 05, conta n° 4.2.03.87.10): O uso do código 0924 (Demais Rendimentos do Capital) em vez do código 3426 (Aplicações Financeiras de Renda Fixa/mútuo) constitui mero equívoco formal, que não pode, por si só, descaracterizar a natureza dos rendimentos auferidos, tampouco afastar o crédito, uma vez que o tributo foi efetivamente adimplido e o rendimento oferecido à tributação. Conforme a jurisprudência administrativa invocada (e aceita neste Colegiado), quando comprovado o erro no preenchimento do DARF, deve ser cancelada a exigência, prevalecendo a verdade material. O Recorrente demonstrou cabalmente que a receita correspondente ao IRRF glosado foi computada na determinação do lucro real, cumprindo o requisito legal previsto no art. 231, inciso III, do RIR/99 (e art. 2°, §4º, III, da Lei 9.430/96). Os demais argumentos trazidos pela Recorrente em seu Recurso Voluntário também merecem acolhimento. A própria autoridade fiscal, no Despacho Decisório, desconsiderou uma suposta irregularidade formal referente a rendimentos de operações de SWAP (lançamento na Linha 20 em vez da Linha 21 da Ficha 06A), aceitando as retenções (código 5273) por verificar que o rendimento foi efetivamente oferecido à tributação: Fl. 76DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1102-000.375 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.731069/2016-40 9 Mutatis mutandis, se um erro formal foi aceito para um tipo de operação, deve ser aceito para os mútuos, reforçando a prevalência da comprovação contábil e da verdade material. No entanto, os documentos juntados pela contribuinte e mencionados no seu recurso não dão conta de esclarecer todos os pontos necessários ao julgamento da lide, notadamente a prova quanto ao oferecimento à tributação das receitas de juros dos contratos de mútuo. Entendo, nestes casos, considerando a verossimilhança das alegações da Recorrente e as provas que menciona no seu recurso, que o processo deve ser convertido em diligência, visando a sanar as dúvidas relativas às questões ora controvertidas. Na oportunidade, a contribuinte deverá ser intimada para comprovar o oferecimento à tributação das mencionadas receitas de juros dos contratos de mútuo, trazendo elementos adicionais aos que já se encontram nos autos. DISPOSITIVO Isso posto, voto por converter o processo em diligência, intimando a Recorrente a comprovar o oferecimento à tributação das receitas de juros dos contratos de mútuo. Assinado Digitalmente Gustavo Schneider Fossati Fl. 77DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11000.722235/2021-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2016 a 31/12/2017
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar em nulidade de lançamento ou decisão administrativa: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentando clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa; (iv) quando a decisão aprecia todos os pontos essenciais da contestação.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2016 a 31/12/2017
BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS.
Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.
DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL.
Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo.
RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO.
Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais.
DESCONTOS COMERCIAIS PRÉACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS.
Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, préacordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado.
ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PÃO COMUM.
A classificação do pão como do tipo comum, na específica posição no Ex 01 da TIPI, referente ao código NCM 1905.90.90, exige que o produto alimentício seja obtido pela coação de preparo contendo, como elementos principais, apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar, não lhe retirando tal classificação a existência de ingrediente como melhorador de farinha ou conservante, desde que em quantidades insignificantes. Corresponde ao comumente denominado “pão francês” em suas características.
ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. QUEIJOS.
O “queijo fresco não maturado”, a que se refere o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, é o “queijo (não curado)” classificado no código NCM 0406.10.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB.
No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL.
Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito.
REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUTOS PRONTOS. FRETES.
Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas (Súmula Carf 217).
NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2016 a 31/12/2017
BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS.
Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.
DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL.
Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo.
RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO.
Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais.
DESCONTOS COMERCIAIS PRÉACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS.
Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, préacordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado.
ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PÃO COMUM.
A classificação do pão como do tipo comum, na específica posição no Ex 01 da TIPI, referente ao código NCM 1905.90.90, exige que o produto alimentício seja obtido pela coação de preparo contendo, como elementos principais, apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar, não lhe retirando tal classificação a existência de ingrediente como melhorador de farinha ou conservante, desde que em quantidades insignificantes. Corresponde ao comumente denominado “pão francês” em suas características.
ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. QUEIJOS.
O “queijo fresco não maturado”, a que se refere o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, é o “queijo (não curado)” classificado no código NCM 0406.10.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB.
No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL.
Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito.
REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUTOS PRONTOS. FRETES.
Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas (Súmula Carf 217).
NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3201-012.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para manter a glosa de créditos extemporâneos, vencidas as conselheiras Flávia Sales Campos Vale e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam parcialmente tal glosa, (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos a pão comum, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam tal glosa, e (iii) por unanimidade de votos, para manter as demais glosas de créditos identificadas no recurso.
Assinado Digitalmente
MARCELO ENK DE AGUIAR – Relator
Assinado Digitalmente
HÉLCIO LAFETÁ REIS – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk Aguiar, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: MARCELO ENK DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2016 a 31/12/2017 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade de lançamento ou decisão administrativa: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentando clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa; (iv) quando a decisão aprecia todos os pontos essenciais da contestação. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2016 a 31/12/2017 BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, préacordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PÃO COMUM. A classificação do pão como do tipo comum, na específica posição no Ex 01 da TIPI, referente ao código NCM 1905.90.90, exige que o produto alimentício seja obtido pela coação de preparo contendo, como elementos principais, apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar, não lhe retirando tal classificação a existência de ingrediente como melhorador de farinha ou conservante, desde que em quantidades insignificantes. Corresponde ao comumente denominado “pão francês” em suas características. ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. QUEIJOS. O “queijo fresco não maturado”, a que se refere o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, é o “queijo (não curado)” classificado no código NCM 0406.10. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUTOS PRONTOS. FRETES. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas (Súmula Carf 217). NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2016 a 31/12/2017 BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, préacordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PÃO COMUM. A classificação do pão como do tipo comum, na específica posição no Ex 01 da TIPI, referente ao código NCM 1905.90.90, exige que o produto alimentício seja obtido pela coação de preparo contendo, como elementos principais, apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar, não lhe retirando tal classificação a existência de ingrediente como melhorador de farinha ou conservante, desde que em quantidades insignificantes. Corresponde ao comumente denominado “pão francês” em suas características. ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. QUEIJOS. O “queijo fresco não maturado”, a que se refere o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, é o “queijo (não curado)” classificado no código NCM 0406.10. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUTOS PRONTOS. FRETES. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas (Súmula Carf 217). NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
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INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade de lançamento ou decisão administrativa: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentando clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa; (iv) quando a decisão aprecia todos os pontos essenciais da contestação. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2016 a 31/12/2017 BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de Fl. 12696DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 2 evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PÃO COMUM. A classificação do pão como do tipo comum, na específica posição no Ex 01 da TIPI, referente ao código NCM 1905.90.90, exige que o produto alimentício seja obtido pela coação de preparo contendo, como elementos principais, apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar, não lhe retirando tal classificação a existência de ingrediente como melhorador de farinha ou conservante, desde que em quantidades insignificantes. Corresponde ao comumente denominado “pão francês” em suas características. ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. QUEIJOS. O “queijo fresco não maturado”, a que se refere o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, é o “queijo (não curado)” classificado no código NCM 0406.10. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução Fl. 12697DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 3 do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUTOS PRONTOS. FRETES. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas (Súmula Carf 217). NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2016 a 31/12/2017 BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as Fl. 12698DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 4 demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PÃO COMUM. A classificação do pão como do tipo comum, na específica posição no Ex 01 da TIPI, referente ao código NCM 1905.90.90, exige que o produto alimentício seja obtido pela coação de preparo contendo, como elementos principais, apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar, não lhe retirando tal classificação a existência de ingrediente como melhorador de farinha ou conservante, desde que em quantidades insignificantes. Corresponde ao comumente denominado “pão francês” em suas características. ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. QUEIJOS. O “queijo fresco não maturado”, a que se refere o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, é o “queijo (não curado)” classificado no código NCM 0406.10. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. Fl. 12699DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 5 No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUTOS PRONTOS. FRETES. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas (Súmula Carf 217). NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Fl. 12700DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 6 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para manter a glosa de créditos extemporâneos, vencidas as conselheiras Flávia Sales Campos Vale e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam parcialmente tal glosa, (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos a pão comum, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam tal glosa, e (iii) por unanimidade de votos, para manter as demais glosas de créditos identificadas no recurso. Assinado Digitalmente MARCELO ENK DE AGUIAR – Relator Assinado Digitalmente HÉLCIO LAFETÁ REIS – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk Aguiar, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra decisão da DRJ03 que julgou procedente em parte a impugnação. Aproveita-se o relatório da decisão em questão: Trata-se de impugnação (fls. 11696 a 11809) apresentada pela interessada acima qualificada, empresa dedicada ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância para produtos alimentícios (supermercado), contra Autos de Infração de Cofins (fls. 11593 a 11602) e de PIS (fls. 11603 a 116012), relativos ao período de apuração de julho de 2016 a dezembro de 2017, no valor total de R$ 56.356.171,20, na data da autuação, conforme demonstrado no quadro seguinte: (...) DA FISCALIZAÇÃO Segundo consta no Relatório Fiscal (RF) de fls. 11613/11685, em síntese, a autuação decorreu das seguintes irregularidades apontadas pela autoridade fiscal: i) Vendas indevidamente não tributadas, sobre: Fl. 12701DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 7 a. Aves temperadas; b. Pães; c. Produtos de padaria; d. Queijos; e. Preparações adicionadas de café; ii) Receitas relativas a acordos comerciais não oferecidas à tributação; iii) Créditos sem previsão legal, ou calculados indevidamente, sobre: a. Taxas de administração de cartões; b. Estorno de débitos vinculados a acordos comerciais; c. Depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado, não utilizados na produção; d. Créditos extemporâneos, sem comprovação adequada; e. Frete sobre transferência; f. Pagamentos de IPTU; g. Vendas de pães. A especificação dos itens e dos valores de receitas e despesas sobre as quais a fiscalização apontou as irregularidades acima referidas consta em planilha juntada aos autos (Termo de Anexação de Arquivo Não-paginável de fl. 11686). DA IMPUGNAÇÃO Preliminarmente, após aduzir a tempestividade de sua peça de defesa, pleiteia a nulidade do procedimento fiscalizatório diante de: i) Ausência de fundamentação legal quanto ao fato gerador dos tributos nos Autos de Infração (AI), pois os dispositivos legais destacados nas seções dos AI concernentes ao enquadramento legal tratariam apenas quanto à forma de apuração e de pagamento das contribuições para o PIS e a Cofins, não tratando dos demais elementos da regra-matriz de incidência tributária. Segundo alega a impugnante, a fundamentação do AI não disporia sobre o fato gerador do tributo lançado, nem especificaria as alíquotas e bases de cálculo das contribuições. Aventa que tais omissões prejudicaram seu direito a ampla defesa e ao contraditório. ii) Incompetência da autoridade fazendária, pois conduziu o procedimento sendo lotada na DRF Novo Hamburgo/RS, enquanto a empresa tem sede em Maringá/PR. No mérito, a impugnante contraditou as razões do auto de infração em lume com base nos argumentos a seguir sintetizados. i) Dos valores relativos a acordos comerciais não oferecidos à tributação: Fl. 12702DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 8 a) Dos descontos concedidos em contratos de fornecimento Alega que se referem a descontos incondicionais obtidos dos fornecedores, conforme cláusula contratual que cita, a qual demonstraria a ausência de condição para o recebimento dos valores a título de redução de custos. Aduz que o desconto incondicional sobre o valor das compras realizadas teria o objetivo de reduzir o custo de aquisição das mercadorias objeto da negociação realizada no momento da compra, cujo desconto não se encontraria destacado na nota fiscal por questão de sigilo comercial. Para a hipótese dos julgadores entenderem pela tributação de referidos valores, pugna pela consideração deles como receitas financeiras, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, de forma que se sujeitem às alíquotas reduzidas para o PIS e a Cofins, conforme definido pelo Decreto nº 8.426/2015. b) Dos descontos recebidos em razão do aniversário da loja Do mesmo modo que em relação ao item anterior, citando os termos de cláusula de contrato com fornecedor, aventa que os descontos recebidos em razão do aniversário da loja se tratam de descontos incondicionais. Para a hipótese dos julgadores entenderem pela tributação de referidos valores, pugna pela consideração deles como receita financeira, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, de forma que se sujeitem às alíquotas reduzidas para o PIS e a Cofins, conforme definido pelo Decreto nº 8.426/2015. c) Dos descontos recebidos em razão de eventos de inauguração e reinauguração de loja Quanto aos descontos sob tais títulos, com base em cláusula contratual citada, também defende não se sujeitarem a qualquer condição, motivo pelo qual entende que, sendo descontos incondicionais, não se sujeitam à tributação do PIS e da Cofins. Para a hipótese dos julgadores entenderem pela tributação de referidos valores, pugna pela consideração deles como receita financeira, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, de forma que se sujeitem às alíquotas reduzidas para o PIS e a Cofins, conforme definido pelo Decreto nº 8.426/2015. d) Dos descontos recebidos por rebaixe de custos repressivos e preventivos. A impugnante explica que o desconto do tipo repressivo se refere a valores recebidos do fornecedor para enfrentamento da redução de preço de produto por rede de supermercado concorrente, enquanto que o desconto do tipo preventivo se destinaria à aceleração da venda de produtos de demanda sazonal ou de rápida perecibilidade, a exemplo de ovos, aves natalinas, panetone, etc. Quanto ao desconto do tipo repressivo, o supermercado solicitaria junto ao fornecedor uma redução do custo de aquisição das mercadorias para fazer frente à redução do preço da mesma mercadoria pelo supermercado concorrente. Que seria faculdade do fornecedor a concessão de tal desconto, mas que não seria condicionado a um evento futuro, tratando-se, portanto, de um desconto Fl. 12703DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 9 incondicional, pois poderia ser concedido ou não e teria seu valor livremente estipulado pelo fornecedor. Já a redução de custo do tipo preventiva teria como diferença em relação ao repressivo o fato da negociação ocorrer anteriormente à efetiva venda. Alega que, nada obstante entender que ambos os descontos (repressivo e preventivo), classificariam-se como claros descontos incondicionais, a impugnante teria tributado os valores recebidos a título de Rebaixe de Custo Preventivo como receitas financeiras, às alíquotas definidas pelo Decreto nº 8.426/2015. e) Dos descontos relativos ao Marketing Para a recorrente, os valores recebidos a título de Marketing seriam reembolsos de despesas; não receitas, não sendo, portanto, tributáveis pelo PIS e a Cofins. Considerando a hipótese dos julgadores entenderem por classificar referidos valores como receitas, alega que teria direito ao crédito sobre as despesas de marketing realizadas, configurando-se como insumos, pois seriam despesas essenciais para a atividade da empresa. Ressalta que não teria utilizado créditos das despesas com marketing porque os valores utilizados para tanto decorreram dos descontos firmados em acordos comerciais, sob os quais não fez incidir as contribuições. Para a contribuinte, o lançamento seria indevido pois a autoridade fiscal, considerando os valores recebidos a título de reembolso de despesas com marketing como receitas, não oportunizou ao contribuinte o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins sobre as despesas com marketing, as quais representariam valores significativos, conforme extrato da conta contábil de despesa com marketing colacionada. Entretanto, para a situação dos julgadores não declararem a nulidade da autuação no pertinente à matéria em questão, pleiteia pela realização de diligência para que seja oportunizado à contribuinte a comprovação das despesas com marketing com vistas ao aproveitamento de créditos sobre tais despesas como insumos. Nesse sentido, cita decisões do CARF favoráveis ao creditamento do PIS e da Cofins sobre despesas com marketing, quando essenciais e relevantes à atividade do contribuinte. f) Dos estornos de débitos vinculados a acordos comerciais A contribuinte ainda pugna pela incorreção das glosas sobre os estornos de débitos vinculados a acordos comerciais, realizados pela impugnante sobre débitos de PIS e Cofins indevidamente considerados como receitas, uma vez que se tratariam de descontos incondicionais obtidos, conforme defendido em relação aos itens anteriores. ii) Dos descontos incondicionais Quanto a todos os itens mencionados no item anterior, sobre os quais a autoridade fiscal considerou que se tratariam de descontos condicionais obtidos, que deveriam ter sido oferecidos à tributação do PIS e da Cofins, a impugnante Fl. 12704DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 10 apresenta tese sobre a conformação dos descontos recebidos em razão de acordos comerciais como descontos incondicionais, sobre os quais não incidiriam as contribuições para o PIS e a Cofins, nos termos do art. 1º, § 3º, V, a, das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A recorrente reforça a natureza incondicional dos descontos relativos aos acordos comerciais informando que seriam registrados em sua contabilidade já no momento da compra a que estariam vinculados, conforme excerto de lançamento contábil no livro Diário, colacionado à impugnação. Faz ainda correlação entre a redação do art. 121 do Código Civil de 2002 e as cláusulas dos contratos colacionadas em sua peça de defesa, aduzindo que os descontos não estariam sujeitos a qualquer condição, pois se refeririam a eventos certos. Cita ainda decisões de DRJ e do CARF no sentido de que a natureza incondicional do desconto não necessariamente deveria vir registrada em nota fiscal, como teria aduzido a fiscalização para o fim de considerar os valores recebidos como descontos condicionais. iii) Da tributação indevida Com o objetivo de demonstrar o desacerto da cobrança do PIS e da Cofins sobre os defendidos descontos incondicionais obtidos, exemplifica 3 formas de cálculo das contribuições. A primeira com o desconto fornecido na nota fiscal do fornecedor, a segunda com o desconto fornecido posteriormente, em razão de acordo comercial firmado, sem tributação (forma adotada pela impugnante), e a terceira referente a desconto fornecido posteriormente, em razão de acordo comercial, com tributação (forma adotada pela fiscalização). Com base nos valores dos exemplos citados em sua peça defensiva, defende que não haveria diferença de tributação entre a primeira (desconto na nota fiscal) e segunda (desconto fora da nota, embasado em acordo comercial) formas, sem prejuízo para o fisco. Aduz, entretanto, que o método adotado pela fiscalização importaria em tributação sobre superior ao da riqueza gerada, portanto, indevida. iv) Da ausência de receita Em reforço à tese de que os descontos recebidos não se enquadrariam como receita, alega que em decorrência deles não houve qualquer aumento patrimonial para a impugnante, inexistindo qualquer acréscimo de receita que justificasse o argumento da fiscalização para a incidência do PIS e da Cofins sobre a alegada redução de custo concedida pelos fornecedores à contribuinte. Critica alegado erro da fiscalização, que teria confundido os conceitos de receita e de lucro, desconsiderando que as reduções de custo obtidas com os descontos incondicionais obtidos poderiam causar aumento no lucro sem que isso correspondesse a acréscimo patrimonial classificável como receita – base das contribuições para o PIS e a Cofins. Fl. 12705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 11 Citando excertos de decisões judiciais, defende que os valores recebidos como descontos incondicionais corresponderiam a redução de custos, sem qualquer acréscimo patrimonial ou aumento de riqueza, motivo pelo qual não se encaixariam no conceito de receita. iv) Das alíquotas aplicáveis às receitas financeiras Para a eventualidade de julgamento pela improcedência dos argumentos anteriormente apresentados, defende a natureza de receita financeira para os descontos recebidos em razão de acordos comerciais. Aduz que se considerados como descontos condicionais, os valores recebidos devem ser enquadrados como variações monetárias decorrentes de disposição contratual, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, que dispõe: Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. Cita ementa da Solução de Consulta COSIT nº 531/2017, que no seu entender definiria a natureza de receita financeira para os valores decorrentes de descontos condicionais obtidos. Desse modo, alegando erro no enquadramento das receitas financeiras como se decorrentes de operações comerciais, pleiteia a nulidade do auto de infração, por erro material não sanável, que afronta ao art. 142 do Código Tributário Nacional. v) Das vendas indevidamente não tributadas a) Da alíquota zero para o pão comum Defende que os pães comercializados pela empresa, os quais seriam pães básicos, predominantemente de trigo, alimentos essenciais, merecem enquadramento como pães comuns sob classificação no código 1905.90.90. Ex 01 da TIPI, com o direito de serem comercializados sob alíquota zero do PIS e da Cofins, nos termos do inciso XVI, art. 1º da Lei 10.925/2004. Citando ementas de Soluções de Consulta da RFB sobre classificação fiscal de alguns tipos de pães no código 1905.90.90. Ex 01 da TIPI, aduz que os pães tipo baguete, hamburguer, sandubinha, hot dog, de leite, tradicional, dentre outros comercializados pela impugnante, devem ter a mesma classificação fiscal para fins de aplicação da alíquota zero do PIS e da Cofins sobre a receita de tais produtos. Para o caso dos julgadores não entenderem pelo imediato cancelamento da autuação em relação a tais itens, requer a conversão do feito em diligência, para apuração da composição dos pães comercializados pela impugnante, necessária à adequada classificação dos produtos na TIPI. Fl. 12706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 12 b) Da alíquota zero sobre queijos Após transcrição do texto do inc. XII do art. 1º da Lei 10.925/2004, lista vários tipos de queijos que, embora estivessem previstos na redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins de que trata a norma em questão, teriam sido listados pela fiscalização como não passíveis enquadrados na norma em comento. Além desses queijos que seriam facilmente identificados pela própria nomenclatura do produto, questiona ainda a cobrança do PIS e da Cofins sobre QUEIJOS FRESCOS NÃO MATURADOS, que se refeririam, conforme definição de Portaria nº 146, de 07 de março de 1996, do então Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, de queijo fresco, pronto para consumo logo após sua fabricação. Segundo a impugnante, a classificação do queijo como fresco ou maturado não retiraria dele o benefício fiscal quando o tipo do queijo estivesse compreendido dentre aquele objeto da alíquota zero para o PIS e a Cofins. Nessa linha, relaciona queijos cujas receitas de comercialização foram tributadas pela fiscalização, mas que no seu entender também seriam objeto de alíquota zero das contribuições. c) Da alíquota zero sobre café A impugnante também questiona o entendimento adotado pela fiscalização para a tributação de preparações com café em sua composição. Para a defendente, os produtos por ela comercializados, conforme lista apresentada, se classificariam sim nas posições 09.01 ou 21.01.1 da TIPI, sendo, portando, todos objeto de alíquota zero das contribuições para o PIS e a Cofins, consoante estabelece o inc. XXI do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Invocando as regras de interpretação da Nesh, argumenta que a posição 09.01 da TIPI compreende textualmente o CAFÉ EXPRESSO, objeto da autuação, e que a classificação na posição 21.01.1 abrangeria misturas que têm o café como base, independentemente da proporção física desse elemento na composição da preparação. vi) Dos créditos extemporâneos sem comprovação adequada Em relação à glosa de créditos extemporâneos realizada pela fiscalização sob o argumento de que não teriam sido adequadamente comprovados, a recorrente alega que referidos créditos se referem ao período de janeiro a dezembro de 2015 e que, tratando-se de períodos decaídos, os documentos a eles relacionados seriam de difícil localização. Argumenta que a glosa de referidos créditos decorreu de mera suposição da autoridade fiscal quanto à possível utilização dos créditos extemporâneos em período anterior, procedimento que seria arbitrário e ilegal, impondo a declaração de nulidade das glosas. Fl. 12707DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 13 Aduz ainda que eventual compensação anterior de referidos créditos deveria ser provada e não presumida pela fiscalização. Ademais, que não haveria obrigação de demonstração de não utilização dos créditos extemporâneos em anos anteriores. Nada obstante, pleiteia concessão do prazo de 180 dias para juntada de documentos e provas com vistas à comprovação da regularidade do aproveitamento dos créditos extemporâneos. vii) Das glosas de créditos Citando precedentes do STJ e do CARF, a recorrente defende uma acepção mais ampla ao conceito de insumo, a ser aferido à luz dos critérios da essencialidade e da relevância. Assim, alega que as despesas sob as quais calculou créditos para as contribuições do PIS e da Cofins não foram analisadas pela fiscalização com a mesma sensibilidade apresentada na jurisprudência citada e nas orientações da RFB (Parecer Normativo COSIT nº 05/2018) e da PGFN (Nota Técnica nº 63/2018), pois as glosas efetivadas pela autoridade fiscal não teriam considerado a imprescindibilidade ou relevância de determinadas despesas para a realização do objeto social da empresa, conforme sintetizado nos itens seguintes: DAS GLOSAS DE CRÉDITOS a) calculados sobre depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado não utilizados no processo produtivo Alega que os supermercados, sendo empresas varejistas de mercadorias em geral, em que pese atuem majoritariamente realizando a venda de objetos adquiridos de terceiros ao consumidor final, por vezes realizam a fabricação de diversos produtos, como os relacionados à panificação, a açougue e a restaurante. Assim, defende que as máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo desses itens, como assadeiras, esteiras, bancadas, pias, armários, etc, listadas nos anexos XXI a XXXVIII do Relatório Fiscal, como ativos imobilizados utilizados nas atividades produtivas da empresa, possibilitam o aproveitamento de créditos sobre as despesas com depreciação de referidos bens. b) Das glosas de créditos calculados sobre despesas com taxas de administração de cartão A impugnante aduz a essencialidade das despesas com taxa de administração de cartão de crédito e de débito para a realização de seu objeto social, pois seriam imprescindíveis para a viabilização das vendas de produtos, uma vez que sem a disponibilização dessas formas de pagamento a seus clientes, suas vendas ficariam estagnadas. c) Das glosas de créditos calculados sobre frete de transferência Argumenta que os gastos com fretes para transferência de mercadorias entre estabelecimentos da pessoa jurídica seriam fundamentais para o desenvolvimento do objeto social da impugnante. Fl. 12708DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 14 Salienta que a Impugnante se trata de empresa que conta atualmente com 57 lojas no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, distribuídas por 28 cidades diferentes e que, invariavelmente, necessita dos fretes para transferir as mercadorias adquiridas do Centro de Distribuição para filiais e até mesmo entre as próprias filiais em suas operações de logística. Em reforço ao argumento sobre a possibilidade de creditamento sobre fretes na transferência de mercadorias entre suas unidades, cita ementa de decisão do CARF no sentido de sua pretensão. d) Das glosas de créditos calculados sobre pagamento de IPTU Alega que os créditos os créditos glosados se referiram a IPTU de imóveis locados, conforme relação de proprietários dos imóveis que informa. A impugnante argumenta que o pagamento de IPTU estaria englobado nas despesas com aluguéis de prédios, sobre as quais a legislação permite o cálculo de crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade (inc. IV, art. 3º das Leis nº. 10.637/2002 e 10.833/2003. No sentido de sua pretensão, cita ementa de recentes julgados do CARF, que reconheceram que despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, com IPTU e taxas condominiais integram o custo de locação para fins de créditos da sistemática da não-cumulatividade das contribuições para o PIS e a Cofins. e) Das glosas de créditos decorrentes de pagamentos das contribuições sobre venda de pães A defendente faz remissão aos argumentos apresentados anteriormente em sua defesa (sintetizado no item V, a, deste Relatório), requerendo a reversão da glosa sobre os créditos extemporâneos (dezembro de 2016 a abril de 2017), referentes ao pagamento das contribuições sobre a venda de pães, uma vez que tais itens estariam sujeitos à alíquota zero, conforme inciso XVI, do art. 1º, da Lei nº 10.925/2004. DA DILIGÊNCIA Após cotejo entre os termos do Relatório Fiscal e os da Impugnação, identificou- se a necessidade de diligência para confirmação, pela unidade de origem, da alegação do contribuinte quanto a erro na definição da base de cálculo do lançamento, assim como em relação à efetiva realização das atividades industriais ou de prestação de serviços alegadas. Assim, por meio da Resolução nº 103-000.198 – 4ª Turma da DRJ03, de 27 de julho de 2022, converteu-se o feito em diligência, com retorno dos autos à unidade de origem, para que: - A unidade preparadora providencie a cobrança imediata, em autos apartados, da parte não litigiosa do crédito tributário, conforme ressaltado na seção desta Resolução denominada DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO; Fl. 12709DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 15 - A autoridade lançadora aprecie a alegação da impugnante sobre erro na definição da base de cálculo do lançamento, em virtude de eventual desconsideração de lançamentos de estorno referentes recebimentos decorrentes de acordos comerciais; e - A autoridade fiscal intime a impugnante para comprovar a efetiva realização das atividades industriais ou de prestação de serviços alegadas, assim como a associação dos itens do imobilizado, relacionados nos anexos XXI a XXXVIII do Relatório Fiscal, associados às atividades produtivas eventualmente comprovadas. A autoridade deve elaborar relatório circunstanciado quanto aos trabalhos e conclusões decorrentes da diligência, o qual deverá especificar e totalizar, por anexo do Relatório Fiscal e período de apuração, os valores atrelados aos estornos eventualmente comprovados e não considerados, assim como os valores dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado vinculados a atividades industriais e de prestação de serviços efetivamente exercidas pelo contribuinte. O resultado da diligência deve ser cientificado ao contribuinte, facultando-lhe apresentar contrarrazões no prazo de 30 (trinta) dias, com posterior retorno a esta DRJ, para julgamento. DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL Em atendimento à Resolução supracitada, após intimações e respostas da impugnante, foi elaborado o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 12.102/12.236, por meio do qual, em suma, a autoridade administrativa informa o seguinte em relação aos tópicos solicitados: Da cobrança da parte não litigiosa do crédito tributário Relativamente à solicitação de cobrança da parte não controversa do crédito tributário em autos apartados, a equipe responsável encaminhou o presente processo para esta Equipe “para elaboração de minuta de cálculos dos valores que deverão permanecer em cobrança, bem como retorno a esta ECOADEVAT10 para atualização dos sistemas (antes da análise do restante demandado na Resolução).” (fls. 11.931). Em resposta, elaboramos a Informação Fiscal (fls. 11.934 a 11.935) com o detalhamento dos valores mensais não impugnados, de acordo com o apontado pela DRJ (vendas indevidamente não tributadas sobre os itens aves temperadas (item 3.1.1.1) e produtos de padaria (item 3.1.1.3 do Relatório Fiscal)). O Termo de Transferência de Crédito Tributário de fls. fls. 11.937 e 11.938 demonstra que a parte considerada não controversa do crédito tributário foi transferida para o processo nº 10950-728.997/2022-02. Posteriormente, o contribuinte se manifestou contrariamente à cobrança dos créditos tributários em referência. Do erro na definição da base de cálculo do lançamento Fl. 12710DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 16 [...] Ante o exposto, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 001 – Diligência (fls. 12.004 a 12.006) intimamos o interessado que nos indicasse quais seriam as operações consideradas por esta fiscalização, mas que haviam sido estornadas ou canceladas, não representando receita sujeita a incidência das contribuições em análise. Em resposta, o contribuinte não apontou nenhuma operação que alegadamente havia sido lançada na contabilidade mas posteriormente cancelada, tão somente apontou quatro das contas contábeis que compuseram o lançamento nas quais, segundo ele, haveria erro na apuração da base de cálculo. Para defender tal alegação, usou como critério os saldos finais de cada conta, com a arguição de que todos os lançamentos a débito representariam estornos, de modo que a diferença entre os saldos finais demonstraria erro na base de cálculo do lançamento. Entretanto, o critério utilizado para definição da base de cálculo do lançamento foi a ocorrência de recebimentos de receitas de bonificação, os quais foram localizados por intermédio dos lançamentos a crédito nas contas contábeis respectivas, com a devida exclusão dos lançamentos estornados. A simples existência de contrapartidas a débito nos lançamentos contábeis considerados não indica estorno da operação, motivo pelo qual solicitamos no Termo de Intimação mencionado que fossem apontados os lançamentos que representassem estornos e que indevidamente compuseram a base de cálculo das contribuições lançadas. Intimamos ainda que que os respectivos estornos fossem comprovados com documentação pertinente, já que a análise do histórico do lançamento não teria sido suficiente para a inferência de que não houve o recebimento sujeito à cobrança das contribuições. Contudo, o contribuinte sequer apontou algum lançamento contábil em especial que supostamente não representasse recebimentos. Assim, NÃO localizamos valores a serem excluídos do lançamento aqui tratado. Da comprovação da efetiva realização de atividades industriais Na Resolução em análise, a autoridade julgadora solicitou que a impugnante fosse intimada a “comprovar a efetiva realização das atividades industriais ou de prestação de serviços alegadas”. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 001 – Diligência, o contribuinte apresentou documento com o detalhamento das atividades da empresa as quais pretende ver reconhecidas como industriais, dividindo-as entre açougue, confeitaria e padaria, industrialização de hortifruti, industrialização de frios, centro de distribuição e rotisseria (fls. 12.074 a 12.101). Das atividades listadas acima, verifica-se a efetiva industrialização somente naquelas relacionadas à padaria e à confeitaria, sobre as quais já se manifestou a Coordenação Geral de Tributação – Cosit nas Soluções de Consulta cujas ementas Fl. 12711DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 17 reproduziremos a seguir. As Soluções de Consulta em referência também tratam das atividades de açougue e rotisseria em supermercados, a respeito das quais esclarece sobre a impossibilidade de cálculo de créditos de Pis e Cofins sobre às aquisições de bens incorporados ao ativo imobilizado aplicados nessas atividades: [...] Ante todo o exposto, verifica-se que, dentre as atividades alegadas, pode ser considerada como atividade industrial aquelas relacionadas à padaria e à confeitaria. Da associação das glosas de encargos de depreciação sobre itens do ativo imobilizado utilizados nas atividades produtivas comprovadas A Resolução nº 103-000.198 - 4ª TURMA DA DRJ03 também requer que a empresa identifique os “itens do imobilizado, relacionados nos anexos XXI a XXXVIII do Relatório Fiscal, associados às atividades produtivas eventualmente comprovadas.”. Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 001 – Diligência, intimamos o interessado a identificar os itens do imobilizado sobre os quais recaíram as glosas sobre encargos de depreciação, que seriam utilizados nas alegadas atividades produtivas do contribuinte. Em resposta, o contribuinte apresentou planilha “com a reunião de todos os itens dos anexos XXI a XXXVIII do Relatório Fiscal, com a devida identificação do setor em que foram utilizados” (fls. 12.013 a 12.016). Da análise da planilha apresentada, e considerando as informações relativas às atividades produtivas da empresa (padaria e confeitaria), infere-se que os valores relativos à depreciação dos bens constantes dos Anexos I a XVIII a esse Relatório de Diligência (correspondentes aos Anexos XXI a XXXVIII Relatório de Ação Fiscal, respectivamente) deverão ser retirados do lançamento original, conforme consolidado na tabela abaixo (R$): (...) Da conclusão da diligência Ante todo o exposto, respondemos às solicitações da 4ª Turma da DRJ03, conforme explicitado nos subitens acima, da leitura dos quais infere-se que deverão ser descontados do lançamento os valores consolidados na tabela abaixo: Fl. 12712DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 18 DAS CONTRARRAZÕES AO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL Em consideração ao Relatório de Diligência Fiscal, a impugnante apresentou os argumentos abaixo sintetizados: Da indevida cobrança da parte não litigiosa do crédito tributário A contribuinte alega que diante de sua insurgência quanto à legalidade do procedimento administrativo fiscal que deu origem à autuação, apresentou contestação em face da integralidade dos créditos tributários objeto da autuação. Assim, critica a cobrança, em autos apartados (Processo nº 10950.728997/2022- 02), da parte do crédito tributário apontada como não contestada na Resolução de Diligência nº 103-000.198. Refere que situação idêntica ocorrera no caso dos autos 14187.720028/2020-29 (envolvendo a empresa sujeito passivo), onde também se entendeu que a empresa não teria apresentado impugnação em prejuízo da integralidade dos créditos tributários objetos da autuação, motivo pelo qual a parte supostamente não impugnada tornou-se objeto de cobrança no PAF n.º 17830.729.139/2021-00. Todavia, aduz que o decidido nos autos do processo de cobrança 10950.728997/2022-02 foi completamente diferente do decidido no processo de cobrança 17830.729.139/2021-00, pois enquanto nestes autos se decidiu pela suspensão da cobrança de todo o crédito tributário, naqueles se decidiu pela manutenção da cobrança da parte do crédito tributário erroneamente considerada como não contestada. Assim, requer a suspensão da exigibilidade da totalidade do crédito tributário objeto das autuações de PIS e Cofins controladas neste processo, com espeque no art. 151, III, do CTN. Da indevida apuração da base de cálculo de lançamento Segundo a recorrente, o Razão contábil de cada conta analisada, acostado aos autos, demonstraria que a base de cálculo apurada pela fiscalização não se Fl. 12713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 19 coadunaria com os registros de sua contabilidade referente aos estornos realizados, conforme imagem seguinte: (...) A fim de comprovar o erro da fiscalização, solicitou juntada aos autos do razão de cada conta contábil indicada na tabela acima colacionada, argumentando que por meio da análise de tais documentos (arquivos não pagináveis) seria possível verificar a procedência de sua alegação. Da efetiva realização de atividades industriais. Da inaplicabilidade das Soluções de Consulta ao caso concreto. Critica o entendimento da fiscalização que, invocando posicionamentos da RFB exarados em Soluções de Consulta, limitou a análise de créditos das contribuições para o PIS e a Cofins sobre as atividades industriais de padaria e confeitaria. Sustenta que as Soluções de Consulta indicadas pela autoridade fiscal não se aplicariam integralmente à situação do contribuinte, pois trataria de casos distintos e específicos. Transcreve ementas das Soluções de Consulta utilizadas pela fiscalização, argumentando a distinção entre seu caso e os que foram objeto de referidas decisões. Ademais, cita jurisprudência em reforço a seu pleito. Por fim, ratifica todos os argumentos de defesa apresentados em sede de Impugnação. A DRJ03 considerou parcialmente procedente a impugnação. A ementa foi assim redigida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/07/2016 a 31/12/2017 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, nos termos da decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda (inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). Fl. 12714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 20 REGIME NÃO CUMULATIVO. DESCONTOS INCONDICIONAIS OBTIDOS. Os descontos incondicionais são aqueles que constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo. DESCONTOS CONDICIONAIS. NATUREZA DA RECEITA RESULTANTE. Para fins de determinação da alíquota da contribuição incidente sobre o desconto condicional, deve-se determinar a natureza da receita resultante desse desconto, a qual depende da caracterização do negócio jurídico firmado entre as partes, nos termos das condições contratuais pactuadas. Os descontos comerciais não destacados em notas fiscais, e que dependam de evento posterior à emissão destas, devem ser considerados descontos condicionais, cuja receita deles resultante não tem natureza financeira, aplicando-se as alíquotas regularmente incidentes sobre as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PÃO COMUM. A classificação do pão como do tipo comum, na específica posição no Ex 01 da TIPI, referente ao código NCM 1905.90.90, exige que o produto alimentício seja obtido pela coação de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar, não lhe retirando tal classificação a existência de ingrediente como melhorador de farinha ou conservante, desde que em quantidades insignificantes, pois referidos ingredientes adicionais, em proporção inexpressiva, repise-se, a despeito do melhoramento da qualidade que podem produzir no pão comum, não representam beneficiamento do produto a ponto de lhe transformar em pão de tipo diverso, não atingido pelo benefício fiscal em testilha. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CREAM CHEESE E COTTAGE. Os queijos tipo cream cheese e cottage se enquadram como queijos frescos não maturados, de modo que a essas espécies de queijo também se aplicam a alíquota zero das contribuições para o PIS e a Cofins prevista no inc. XII do art. 1º da Lei 10.925/2004. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CAPPUCCINO E CAFÉ COM LEITE. O critério de interpretação adotado pela empresa para a classificação das mercadorias cappuccino e café com leite na subposição 2101.1 da TIPI/NCM se alinha às regras de interpretação específicas das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado - Nesh. De acordo com a Nesh (Regra 3b, VIII), especificamente sobre os produtos misturados, o fator que determina a característica essencial varia conforme o tipo de mercadorias, podendo ser determinado pela natureza da matéria constitutiva Fl. 12715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 21 ou dos componentes, pelo volume, quantidade, peso ou valor, pela importância de uma das matérias constitutivas tendo em vista a utilização das mercadorias. O ingrediente café tem propriedades marcantes que fazem com que, mesmo em proporção físico-química inferior a de outros ingredientes componentes das preparações cappuccino e café com leite, seu sabor prepondere sobre o dos demais, definindo a característica essencial desses produtos perante os consumidores. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO OU DÉBITO. DESPESAS OPERACIONAIS COM VENDAS. O pagamento de taxas de administração para pessoas jurídicas administradoras de cartões de crédito ou débito não gera direito à apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ausência de previsão legal. REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. DESPESAS DE FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. O frete decorrente de transferência de produtos acabados entre matriz e filiais, ou entre estas, bem como de centros de distribuição para as lojas, não gera direito a crédito, seja por não ser considerado como insumo ou não se caracterizar como frete em operação de venda nos termos da legislação. REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE PAGAMENTO DE IPTU ASSUMIDO PELO LOCATÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente dos processos de contabilização adotados pelo locatário, o IPTU pago por ele em virtude de disposição contratual não gera direito à apropriação de créditos das Contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2016 a 31/12/2017 MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento da Cofins, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo ao PIS, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias objeto de lançamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2016 a 31/12/2017 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão e o Fl. 12716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 22 exercício do contraditório e da ampla defesa, inexiste nulidade dos lançamentos efetuados. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS AOS AUTOS. REQUISITOS. A prova documental será apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. A DRJ considerou procedente em parte a impugnação, acatando os argumentos que seguem: (i) quanto ao erro da autoridade fiscal em submeter à tributação do PIS e da Cofins os queijos do tipo mozarela, reino, minas, ricota e parmesão, relacionados em sua impugnação, assim como em relação aos queijos do tipo cream cheese e cottage, especificamente relacionados em sua peça de defesa; (ii) com relação à alíquota para café expresso, café com leite e capputino; (iii) quanto à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado relacionados às atividades de padaria e confeitaria, devidamente comprovados pela impugnante, conforme destacado no Relatório de Diligência Fiscal. A empresa foi cientificada em 18/01/2023. Em 17/02/2023, apresentou recurso voluntário. Apresenta seu relato dos fatos. Requer, em preliminar: Nulidade do acórdão da DRJ por fundamentos não analisados em sua integralidade e fundamentação genérica: Bom exemplo que comprova que o Acórdão 103-010.842 não fora produzido com a minúcia necessária se confirma da leitura inicial do trecho que trata acerca das questões preliminares, leia-se: (...) Repare que o Acórdão trata que houvera o questionamento em sede preliminar acerca da “ausência de cientificação quanto à prorrogação do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF)”, todavia, na impugnação manejada por esta Recorrente, em ponto algum foi tratado sobre tal tópico, como visa fazer crer os julgadores a quo. Preliminar contendo a mencionada tese fora manejada na impugnação do PAF 14187.720028/2020-29 que trata de caso análogo da mesma empresa, mas compreendendo o período de janeiro a junho de 2016. Aduz que a DRJ reproduz os mesmos argumentos do outro PAF e reproduz entendimento fiscal. Também não tratou das seguintes matérias contestadas: “DOS VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO – (subitem “b” Aniversário); DOS VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO – (subitem “c” Inauguração e Reinauguração); DOS VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS Fl. 12717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 23 NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO – (subitem “d” Rebaixe de Custo Repressivo e Rebaixe de Custo Preventivo); DOS VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO – (subitem “f” Ajustes de acréscimo de créditos relativos a estorno de débitos vinculados a acordos comerciais); DA ALÍQUOTA APLICÁVEL ÀS RECEITAS FINANCEIRAS (DESCONTOS CONDICIONAIS). DA INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO (pleito alternativo). Cerceou, portanto, a defesa. Nulidade em razão da alteração do critério de julgamento – Quanto aos estornos e erro na base de cálculo, usou de dois critérios, a saber: Percebam que para efetuar o lançamento, a Fiscalização não solicitou comprovante de cada item objeto de lançamento no Razão pela Contribuinte, muito pelo contrário, somente a Contabilidade da Recorrente foi mais que suficiente para apuração das supostas receitas decorrentes dos acordos comerciais lançados nas respectivas contas contábeis. Contudo, não adota o mesmo critério de análise quando se trata das deduções indicadas, pois aí sim, exige-se o comprovante da dedução realizada, a pergunta que se faz é, qual o critério é o válido para o convencimento do Fisco? Pois ao que parece, o Agente Fiscal para operar o inoportuno lançamento presume situações sem que solicite qualquer documentação suplementar na busca da verdade real. Persistente nulidade do auto de infração – afronta ao critério material da regra matriz de incidência tributária. Mantém o questionado na impugnação. Nulidade por incompetência da autoridade fazendária. O fiscal responsável é lotado em Novo Hamburgo (RS) e a empresa é de Maringá (PR). A DRJ não se posicionou sobre as disposições do art. 11 da Lei 9.784/1999. No mérito, mantém os questionamentos da impugnação, sob os títulos seguintes (resumo): IV.I. DO VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO o A) Dos Descontos Concedidos em Contratos de Fornecimento Insistimos no fundamento que o desconto concedido, perante a espécie de Fornecimento, possui a natureza de redução de custo, sendo previsto expressamente no acordo comercial firmado junto ao fornecedor, que não depende de evento posterior à venda, concretizado conforme previsto nos contratos acostados pela Contribuinte na Resposta à Intimação n° 05 (Fls. 6.445 e ss), ou seja, consolidada na operação de compra e venda e não em momento futuro. É certo então, que estamos a tratar de um desconto incondicional sobre o valor das compras realizadas, com o objetivo de reduzir o custo de aquisição das mercadorias objeto da negociação realizada no momento da compra, cujo desconto não se encontra destacado na nota fiscal por sigilo comercial, não existindo qualquer obrigação ou condição de fazer por parte da Companhia, Fl. 12718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 24 constituindo, como já aduzido, um desconto absolutamente incondicionado. Por sua vez, por não estar revestido da natureza de receita (ao contrário da posição assumida pelo Agente Lançador e mantida pelo órgão Julgador) não se sujeita a incidência das contribuições ao PIS e a COFINS. Cita o acórdão 9303-013.338 da CSRF. o B) Aniversário o C) Inauguração e Reinauguração o D) Rebaixe de Custo Repressivo e Preventivo o E) Marketing Alega que tais recursos fazem frente às despesas com Marketing (seu único insumo), com fim de alavancar vendas, fortalecer ponto de venda, bem como as marcas da FORNECEDORA. E, seguindo, estes recursos são utilizados para pagamento de fornecedores (Pessoa Jurídica) de mídias, a exemplo de TV, rádio, etc..., bem como para compra de materiais de mídia, como tabloide, panfletos entre outros. Assim tais verbas são um reembolso das despesas de Marketing que os fornecedores fazem para as grandes redes, sendo assim uma recuperação de despesas e não receita. Se os descontos concedidos pelos Fornecedores forem considerados receitas (e assim tributados), não há como se afastar o direito da Recorrente de se creditar dos insumos utilizados (despesas com Marketing) para originar tais receitas. Cita acórdãos como o do processo 10540.721182/2016-78. o F) Ajustes de acréscimo de créditos relativos a estorno de débitos vinculados a acordos comerciais IV.I.I. DESCONTOS INCONDICIONAIS IV.I.II. DA TRIBUTAÇÃO INDEVIDA IV.I.III. DA AUSÊNCIA DE RECEITA IV.I.IV. DA ALÍQUOTA APLICÁVEL ÀS RECEITAS FINANCEIRAS. DA INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO IV.I.V DO ERRO NA BASE DE CÁLCULO IV.II. DAS SUPOSTAS VENDAS INDEVIDAMENTE NÃO TRIBUTADAS IV.II.I. DAS VENDAS NÃO TRIBUTADAS DE PÃES IV.II.I.I PIS E COFINS – ALÍQUOTA ZERO PARA O PÃO COMUM IV.II.I.II. DA EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS PARA CRIAÇÃO DA ALÍQUOTA ZERO IV.II.I.III. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PÃO COMUM IV.II.II DAS VENDAS NÃO TRIBUTADAS DE QUEIJOS - ALÍQUOTA ZERO (ITENS REMANESCENTES) Fl. 12719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 25 IV.II.III. DAS VENDAS NÃO TRIBUTADAS DE CAFÉ - ALÍQUOTA ZERO (ITENS REMANESCENTES) IV.III. DOS ALEGADOS AJUSTES DE ACRÉSCIMO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO SEM COMPROVAÇÃO ADEQUADA (a – da presunção de boa-fé; b – da submissão para análise de períodos decaídos) IV.IV. DAS GLOSAS DE CRÉDITOS IV.IV.I ASPECTOS INERENTES À CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA E SUA TRIBUTAÇÃO (a – objeto social e atividades desempenhadas; b – regime de tributação; c – apuração e utilização de créditos de PIS e Cofins) IV.IV.II. DA CONTESTAÇÃO DAS GLOSAS (i) DAS GLOSAS DE CRÉDITOS RELATIVOS À DEPRECIAÇÃO DE BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E SUPOSTAMENTE NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO – ATIVIDADES DE AÇOUGUE DO PROCESSO PRODUTIVOS – ATIVIDADES DE HORTIFRUTTI DO PROCESSO PRODUTIVOS – ATIVIDADES DE ROTISSERIA DA ESSENCIALIDADE DO CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO EM RELAÇÃO A ATIVIDADE DESEMPENHADA PELA RECORRENTE (ii) Dos créditos relativos a despesas com taxas de cartão de crédito (iii) DAS GLOSAS RELATIVAS AO AJUSTES DE ACRÉSCIMO DE CRÉDITOS RELATIVOS A FRETE SOBRE TRANSFERÊNCIA (iv) DAS GLOSAS DE CRÉDITOS RELATIVOS AO AJUSTE DE ACRÉSCIMO DE CRÉDITOS RELATIVOS PAGAMENTO DE IPTU (v) DAS GLOSAS RELATIVAS AO AJUSTE DE ACRÉSCIMO DE CRÉDITOS DECORRENTE DE PAGAMENTOS DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE VENDAS DE PÃES Destaca-se, ainda, trechos: Repisa-se, de um modo ou de outro, as contribuições já foram recolhidas e deverão ser consideradas pelo Fisco, à medida que inexiste receita a ser oferecida para tributação neste momento da cadeia de vendas, sob pena de se incorrer em enriquecimento ilícito do ente estatal. (...) INSISTIMOS, não houve em decorrência dos descontos concedidos, qualquer acréscimo patrimonial da Contribuinte! Houve mera redução de custo das mercadorias em razão da concessão dos descontos, o que poderá significar no máximo aumento de LUCRO, mas jamais de acréscimo de receita (tampouco receita tributável). (...) Fl. 12720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 26 Nestes vértices, não pode existir dois pesos e duas medidas com o fito de privilegiar o Agente Fiscal, de modo que, se o Fisco utilizou como suporte probatório apenas a contabilidade da empresa, no mesmo sentido (ou seja, com o mesmo parâmetro), a contribuinte demonstrou de forma pormenorizada que o método utilizado pelo fiscal estava eivado de vício, e isso precisa ser considerado, e não afastado como fez a DRJ julgadora ponderando que a empresa produzisse uma prova diabólica para que só assim, seus argumentos fossem considerados. Deste modo, em atenção ao princípio da verdade material e considerando que a autoridade fiscal se utilizou tão somente da contabilidade da empresa pra apuração da base de cálculo do lançamento, com a finalidade de demonstrar que os Saldos das contas contábeis não foram devidamente apurados pela Fiscalização, reiteramos o posicionamento, postulando pela reforma do acordão atacado, reduzindo-se assim a base de cálculo à guisa da demonstração dos estornos efetivados. Disserta sobre o conceito de insumos. Cita legislação respectiva a cada tópico, como na impugnação, e o acórdão 9303-013.338 CSRF (sobre desconto incondicional) e decisões do Carf, como as proferidas nos processos 19515.721360/2017-23 e 10540.721182/2016-78 (marketing). Requer: PRELIMINARMENTE a) Conhecer o manejado Recurso, provendo-o para anular o Acórdão em debate, posto que deixa de analisar a completude dos fundamentos esposados na Recorrente do contribuinte., nos termos do item, III.I e III.II; b) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de declarar a nulidade do lançamento em debate em razão da ausência de intimação quanto à prorrogação do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal, nos termos do item III.III; c) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de declarar a nulidade do lançamento em razão da incompetência territorial da autoridade fiscal, haja vista que a sede da Recorrente se localiza em Maringá/PR, nos termos do item III.IV; NO MÉRITO d) Reformar o Acordão vergastado com o fito de determinar a exclusão das verbas referentes à Acordos Comerciais realizados pela Recorrente da base de cálculo do PIS/Cofins, em razão da sua natureza de Desconto Incondicional – Redutor de Custo, conforme exposto no item IV.I.I; e) Subsidiariamente ao pedido “d)”, caso então se entenda que os acordo comerciais não possuem natureza de descontos incondicionais, que seja reformado o acórdão em debate, adequando-se o valor da alíquota a ser aplicada, pois estes deverão ser considerados receitas financeiras, com fulcro no artigo 9°, da Lei nº 9.718/98, nos termos expostos no item IV.I.IV, deste Recurso. f) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de declarar a nulidade do auto de infração, em razão da ausência de prejuízo do Fisco, haja vista que, ao contrário Fl. 12721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 27 do que alega a auditora-fiscal, houve a devida tributação dos produtos adquiridos pela Recorrente, nos termos do item IV.I.II; g) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de declarar a insubsistência do lançamento de PIS e COFINS sobre os valores Acordo Comercial firmado com fornecedores, haja vista que não se caracterizam como receita, conforme exposto no item IV.I.III; h) Subsidiariamente ao pedido supra, reformar o Acórdão vergastado com o fito de declarar a nulidade parcial do lançamento por erro na base de Cálculo, nos termos do item IV.I.V i) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de cancelar as glosas sobre os ajustes de acréscimo de créditos relativos a estorno de débitos vinculados a acordos comerciais, vez que estes, de fato, não integram a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme item IV.I; j) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de declarar a insubsistência do lançamento de PIS e COFINS sobre os pães vendidos pela Recorrente com a incidência de alíquota 0 (zero), conforme exposto no item IV.II.I.; k) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de declarar a insubsistência do lançamento de PIS e COFINS sobre o remanescente dos queijos tributados em prejuízo da Recorrente com a incidência de alíquota 0 (zero), conforme exposto no item IV.II.II; l) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de declarar a insubsistência do lançamento de PIS e COFINS sobre o remanescente dos cafés tributados em prejuízo da Recorrente com a incidência de alíquota 0 (zero), conforme exposto no item IV.II.III m) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de cancelar a glosa sobre os créditos extemporâneos fiscalizados, em atenção ao princípio da verdade material, nos termos do item IV.III; n) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de cancelar a glosa sobre créditos relativos a bens do ativo imobilizado utilizados no processo produtivo, nos termos do item IV.IV.“b”; o) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de cancelar a glosa sobre créditos relativos à despesa referente ao pagamento de taxa de administração de cartão de crédito, nos termos do item IV.IV. (II). p) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de cancelar a glosa sobre créditos relativos à despesa referente ao pagamento de fretes transferência, nos termos do item IV.IV. (III).; q) Reformar o Acórdão com o fito de cancelar a glosa sobre créditos relativos à despesa referente ao de IPTU dos imóveis que a Recorrente é locatária, nos termos do item IV.IV. (IV).; Fl. 12722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 28 r) Reformar o Acórdão com o fito de cancelar, cancelar a glosa sobre créditos relativos aos créditos decorrentes da venda tributada de pães sujeitos à alíquota 0 (zero), nos termos do item IV.IV.(V). Posteriormente, apresenta petição (fls. 12605 em diante). Indica que, de acordo com a previsão, aderiu ao Programa de Redução de Litigiosidade Fiscal da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2023 e desistiu parcialmente do presente litígio. Informa a desistência do recurso quanto ao seguinte: PRODUTOS DE PADARIA (Anexo I e III) AVES OU CARNES SUÍNAS TEMPERADAS (Anexos I eIII) ATIVO IMOBILIZADO (Anexos XXI a XXXVIII) Mantém o recurso quanto ao demais. A unidade de jurisdição providenciou a transferência do crédito tributário respectivo. É o relatório. VOTO Conselheiro MARCELO ENK DE AGUIAR, Relator Segue a análise, começando pelas preliminares. 1 PRELIMINARES DE NULIDADE 1.1 Nulidade do Lançamento. A empresa alega diversos vícios no trabalho fiscal, como ausência de fundamentação legal quanto ao fato gerador dos tributos nos Autos de Infração (AI), uma vez não especificar o fato gerador objeto de lançamento, ou alíquotas e base de cálculo. Os dispositivos legais destacados no enquadramento legal tratariam apenas quanto à forma de apuração e de pagamento das contribuições para o PIS e a Cofins, não tratando dos demais elementos da regra- matriz de incidência tributária. Pois bem, assim dispõe o processo administrativo fiscal em seu artigo 59 (Decreto nº 70.235/1972): Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Fl. 12723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 29 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso concreto, necessário ressaltar de antemão, o auto de infração foi lavrado por Auditor(a)-Fiscal da RFB. O procedimento de verificação teve transcurso com a utilização da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita (EFD-Contribuições), assim como dos elementos apresentados pelo contribuinte. O relatório fiscal descreve os passos do trabalho fiscal e entendimento adotado, assim como transcreve textos legais em itens específicos. O auto de infração aponta a fundamentação legal: COFINS ENQUADRAMENTO LEGAL Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2016 e 31/12/2017: Art. 1º da Lei Complementar nº 70/1991; art. 5º da Lei nº 10.833/2003 Art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925/2004, com redação dada pela Lei nº 12.655/2012 Art. 1º, inciso XVI, da Lei nº 10.925/2004, incluído pela MP nº 433/2008 Art. 3º da Lei nº 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04, pelo art. 5º da Lei nº 10.925/04, pelo art. 21 da Lei nº 11.051/04, pelo art. 43 da Lei nº 11.196/05, pelo art. 4º da Lei nº 11.307/06, pelo art. 18 da Lei nº 11.488/07, pelo art. 5º da Lei nº 11.787/08, pelos arts. 15 e 36 da Lei nº 11.727/08, pelo art. 25 da Lei nº 11.898/09 e pelo art. 17 da Lei nº 11.945/09 Art. 1º da Lei nº 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04 e pelo art. 17da Lei nº 11.945/09 e redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 Art. 1º, inciso XVIII, da Lei nº 10.925/2004, incluído pela MP nº 552/2011 Art. 1º, inciso XIX, alínea b e inciso XXI da Lei nº 10.925/2004, incluído pela MP nº 609/2013. O mesmo consta no lançamento para o PIS, com as diferenças de legislação entre as contribuições. Ao que parece, o recorrente entende por demais genérico o fundamento legal. Ora, por certo não existiria previsão na lei para o registro de descontos de fornecedores de supermercados que não constaram em nota fiscal, mas foram operacionalizados, por exemplo, por redução do passivo, cujos valores constaram da nota fiscal de compra. A lei certamente não viria a trazer tal detalhamento para atividades específicas. As contribuições sociais para a seguridade, entre as quais as ora estudadas encontram-se assim previstas na CF: Fl. 12724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 30 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (gn). Cumpre ainda referir, sobre o acima, que é determinado que o custeio da seguridade social deverá ser financiado por toda a sociedade. Assim, a universalidade do custeio, por todos os ramos e setores, é intenção expressa do legislador constitucional, não podendo ser mitigada. Isso, por certo, não significa que poderá a União instituir contribuição sobre quaisquer fatos, diferentes das hipóteses previstas. As Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 criaram a sistemática não-cumulativa para as contribuições em questão. Ao contrário do IPI e do ICMS, “... a não-cumulatividade das contribuições sociais é norma de eficácia limitada de princípio institutivo facultativo ...” (Moreira, 2012, p. 428)1. Os valores de PIS e Cofins são apurados em relação à receita ou ao faturamento (nos termos das Leis), depois deduzidos os créditos permitidos. Estes não são obtidos diretamente do PIS e Cofins devidos nas compras, uma vez que as contribuições não são apuradas em cada operação ou destacados em nota fiscal. São obtidos com a aplicação da alíquota básica das contribuições (7,6% para Cofins e 1,65% para o PIS, mesma devida sobre a receita da empresa), sobre as aquisições de bens e serviços passíveis de creditamento. É, assim, similar à sistemática usualmente chamada “imposto contra imposto”, utilizada no ICMS e IPI, mas com contornos próprios2. 1 MOREIRA, André Mendes. A não-cumulatividade dos tributos. 2ª ed. São Paulo: Noeses, 2012. 2 Assim colocou Marco Aurélio Greco (Não-Cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord). Não- cumulatividade do PIS e da COFINS. São Paulo: IOB Thompson; Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004, p. 110): “... em parte, se assemelha ao “base sobre base” – na medida em que relevante é o valor dos itens enumerados e não o valor das contribuições incidentes – e ao “imposto sobre imposto”, pois o montante não é excluído da base sobre a qual incidirá a alíquota, mas sim do próprio valor das contribuições, apurado pela aplicação da alíquota sobre a base de cálculo (= “receita”)”. Fl. 12725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 31 Assim, determinado o núcleo de incidência constitucional, é a empresa ou entidade que obtiver faturamento ou auferir receita que estará sujeita a tributação pelo PIS e pela Cofins, na medida das suas expressões econômicas definidas em lei. Na Lei 10.833/2003, assim constou: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 2º A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1º. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (gn). Caso comprovado que a autuação se afastou da hipótese, o lançamento poderia ser revertido. A recorrente impugnou a exação demonstrando pleno conhecimento do entendimento que a fundou. Discutiu o conceito de receita e a inexistência, no seu entender, de prejuízo à Fazenda Nacional a partir da prática adotada. Além do que, a divergência de entendimento pela recorrente e outros do ramo de supermercados não é nada nova, sendo anterior à própria sistemática não cumulativa de apuração, como se verá melhor. Entende-se inexistir mácula no lançamento, que atendeu às formalidades legais. A empresa alega também a incompetência da autoridade fazendária, uma vez que o fiscal responsável é lotado em Novo Hamburgo (RS) e a empresa é de Maringá (PR). Fica claro nos autos que a empresa foi cientificada do início do procedimento fiscal, sendo que existia TDPF emitido (Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal). Havia, portanto, a formalidade e autorização da RFB para o trabalho realizado. Não há qualquer comando normativo que obrigue a indicar auditores da unidade de jurisdição. As equipes de trabalho regional e nacional são, inclusive, a realidade atual, por fatores cuja discussão descabe aqui. Tal disposição já era expressa no PAF (Decreto 70.235/1972, com força de lei) há longa data: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 12726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 32 (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (gn). De todo o modo, existe Súmula vigente do Carf tratando desse aspecto: Súmula CARF nº 27 Aprovada pelo Pleno em 08/12/2009 É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Embora trate de questionamento sobre a decisão da DRJ, cumpre desde já comentar que, conforme o acima, torna-se sem sentido questionar a DRJ por não ter se posicionado sobre as disposições do art. 11 da Lei 9.784/1999. Tal disposição foi assim redigida: Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. No caso, não só a fiscalização foi realizada por auditor(a)-fiscal da RFB, como havia a designação pelo órgão competente. 1.2 Nulidade da Decisão da DRJ. A recorrente também postula a declaração de nulidade da decisão recorrida por fundamentos não analisados em sua integralidade e fundamentação genérica. Um ponto já foi tratado no item anterior. Outro é que a empresa cita como um bom exemplo da falta de minúcia da DRJ na análise da impugnação o seguinte: Repare que o Acórdão trata que houvera o questionamento em sede preliminar acerca da “ausência de cientificação quanto à prorrogação do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF)”, todavia, na impugnação manejada por esta Recorrente, em ponto algum foi tratado sobre tal tópico, como visa fazer crer os julgadores a quo. Preliminar contendo a mencionada tese fora manejada na impugnação do PAF 14187.720028/2020-29 que trata de caso análogo da mesma empresa, mas compreendendo o período de janeiro a junho de 2016. A DRJ tratou em conjunto das questões envolvendo o TDPF, da ausência de cientificação de sua prorrogação e da incompetência da autoridade. Foi feita a análise, pela DRJ, da impugnação deste processo e de processo de período anterior, cujos fundamentos eram basicamente os mesmos. Fl. 12727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 33 O contribuinte pode, por certo, utilizar tal exemplo como falta de “minúcia” na análise, porém, tal fato seria, no máximo, um reforço de argumento para uma nulidade. Veja-se ainda que no pedido final referente ao processo mencionado, de nº 14187.720028/2020-29, também apreciado pela DRJ e que está sendo apreciado nessa mesma sessão de julgamento, constou o seguinte requerimento: a) Declarar a nulidade do lançamento em debate em razão da ausência de intimação quanto à prorrogação do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal, nos termos do item III.I Pois bem, agora veja-se o que constou do requerimento final do recurso voluntário que está sendo apreciado aqui (processo nº 11000.722235/2021-13): PRELIMINARMENTE a) Conhecer o manejado Recurso, provendo-o para anular o Acórdão em debate, posto que deixa de analisar a completude dos fundamentos esposados na Recorrente do contribuinte., nos termos do item, III.I e III.II; b) Reformar o Acórdão vergastado com o fito de declarar a nulidade do lançamento em debate em razão da ausência de intimação quanto à prorrogação do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal, nos termos do item III.III; Ou seja, constou a questão da ausência de intimação da prorrogação do TDPF no requerimento do recurso do presente, embora a matéria efetivamente não tenha sido tratada no texto. Seria falta de “minúcia” na elaboração do recurso? Na verdade, considera-se que tal “excesso” não prejudica em nada o restante do recurso. A recorrente também se insurge contra a decisão com relação à reprodução do entendimento fiscal e falta de apreciação de argumentos. A decisão da DRJ, porém, foi expressa em apresentar o seu entendimento, não sendo vedado reproduzir trechos do relatório fiscal cujo entendimento é adotado. Com relação à matéria, a decisão contestada apreciou os acordos comerciais sob o título: DO MÉRITO DOS VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS. DA AUSÊNCIA DE RECEITA. DAS RECEITAS FINANCEIRAS. Foram citadas soluções de consulta e a fundamentação foi apresentada. O texto da decisão deixa claro a prática adotada e mantém a tributação, seja qual for o item ou motivo contratual adotado para a redução dos valores a pagar aos fornecedores. Se há item discrepante da sistemática objeto de julgamento, a litigante poderia apresentar suas razões no recurso. Fl. 12728DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 34 Com relação às alíquotas aplicáveis às receitas financeiras, não havia sentido a DRJ tratar do tema, uma vez que não foram verificadas receitas financeiras. Na impugnação, as receitas financeiras são itens subsidiários do argumento: Assim, caso mantido o entendimento fiscal de que os descontos descritos nos contrato comerciais acostado ao PAF não são incondicionais, restará manifesta a inaplicabilidade da alíquota lançada na autuação fiscal, pois estaremos então a tratar de receitas financeiras, às quais possuem alíquota reduzida, pelo que estaremos diante, também por esta razão, de integral nulidade do auto de infração por erro material incorrigível que afronta o art. 142, do CTN, o qual trata sobre a obrigação da autoridade administrativa de calcular o montante devido de imposto. Porém, não foi o entendimento da DRJ por afastar a incidência sobre as receitas autuadas, considerando-as como descontos condicionais com natureza financeira. Importa acrescentar que não se verificou temas do recurso não tratados. Com relação aos argumentos, o julgador não está obrigado a rebater todos os pontos do recurso quando já houver elementos suficientes para formação da sua decisão. Nesse sentido é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CONCLUSÃO NO SENTIDO DA VIABILIDADE DA INCLUSÃO DOS INSURGENTES NO POLO PASSIVO DA LIDE. SÚMULA 7/STJ. CONTEXTO FÁTICO QUE EVIDENCIA ATUAÇÃO ABUSIVA DOS SÓCIOS E OCORRÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. SÚMULA 7/STJ. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não há nenhuma omissão, carência de fundamentação ou mesmo nulidade a ser sanada no julgamento ora recorrido. A decisão desta relatoria dirimiu a controvérsia com base em fundamentação sólida, sem tais vícios, tendo apenas resolvido a celeuma em sentido contrário ao postulado pela parte insurgente. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a responder a questionamentos das partes, mas tão só a declinar as razões de seu convencimento motivado, como de fato ocorreu nos autos. (...) (AgInt no REsp 1920967/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/05/2021, DJe 05/05/2021) Dessa forma, não se caracteriza omissão do julgado da DRJ, tampouco motivo de nulidade. Por último, com relação aos estornos na base de cálculo, a empresa sustenta a adoção de dois critérios de julgamento, em prejuízo ao contribuinte: Fl. 12729DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 35 Percebam que para efetuar o lançamento, a Fiscalização não solicitou comprovante de cada item objeto de lançamento no Razão pela Contribuinte, muito pelo contrário, somente a Contabilidade da Recorrente foi mais que suficiente para apuração das supostas receitas decorrentes dos acordos comerciais lançados nas respectivas contas contábeis. Contudo, não adota o mesmo critério de análise quando se trata das deduções indicadas, pois aí sim, exige-se o comprovante da dedução realizada, a pergunta que se faz é, qual o critério é o válido para o convencimento do Fisco? Não se verifica discrepância. A matéria foi, inclusive, objeto de diligência. A fiscalização utilizou para apurar a base de cálculo autuada os lançamentos a crédito nas contas verificadas que correspondiam a recebimentos de bonificações de fornecedores. Já para os lançamentos a débito que não haviam sido excluídos como estorno direto, foi solicitada a comprovação. Entendeu a DRJ que a impugnante deveria ter feito prova do fato alegado. De todo o modo, pode-se apreciar o alegado quando da análise de mérito. Cabe citar algumas ementas de julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) referentes à nulidade, na direção do entendimento adotado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. AFRONTA AOS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS DA RAZOABILIDADE E EFETIVIDADE INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório por afronta aos princípios administrativos da razoabilidade e efetividade, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pois a interessada teve acesso a todos os elementos constantes do despacho decisório e demonstrou ter pleno conhecimento de todos os fatos relativos à não homologação das compensações, além de ter apresentado sua defesa de forma ampla e pormenorizada, com as provas que entendeu necessárias. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. (...) (Acórdão 3801-01.015; Processo: 10580.720665/2007-98; Sessão: 14/02/2012; 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento). ..................................... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Fl. 12730DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 36 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não tendo ocorrido quaisquer das causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto 70.235/1972 e presentes os requisitos elencados no art. 10 do mesmo diploma legal, não há que falar em cerceamento de defesa e nulidade do auto de infração. FIXAÇÃO DA MULTA. VÍCIOS DE CONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. RAZOABILIDADE. CONSERVAÇÃO DA EMPRESA. SUPOSTO PARÂMETRO STJ. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Carece de interesse recursal o pedido de redução de multa aplicada conforme dispositivo legal e em valor abaixo do valor aduzido pela recorrente como imposto por suposto parâmetro jurisprudencial. (Acórdão: 2202-006.758; Processo 19515.005005/2008-12; Sessão: 03/06/2020; 2a. Turma da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Carf). ..................................... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade por cerceamento de defesa se a parte pôde conhecer a acusação, contraditá-la e teve seus argumentos devidamente considerados por um novo despacho decisório, após atendido o pleito da própria recorrente, que teve sua petição apreciada. (...) (Acórdão: 3201-011.854; processo 10930.720946/2016-14; sessão: 17/04/2024; 1a Turma da 2a Câmara da 3a Seção de Julgamento do Carf). Por fim, como visto no art. 60 do PAF, supratranscrito, podem ser sanadas eventuais irregularidades, se caso. O detalhamento na impugnação/recurso demonstra o pleno conhecimento dos fatos e o direito à defesa foi devidamente exercido. 2 O REGIME NÃO-CUMULATIVO: BASE DE CÁLCULO E CRÉDITOS. Necessário tratar brevemente do PIS e Cofins não cumulativos antes de adentrar na questão da omissão de receitas dos acordos comerciais. Com as alterações determinadas pelos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, cujos efeitos produziram-se a partir de 1º de fevereiro de 1999, passou-se a adotar uma base universal para efeito de incidência do PIS e da Cofins, abrangendo, em princípio, todas as receitas da empresa, independentemente da classificação contábil adotada. Diz-se em princípio porque a legislação pode, desde que o faça expressamente, excluir dessa incidência algumas receitas. A Fl. 12731DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 37 situação foi alterada bastante com a introdução da sistemática não-cumulativa, que permitiu o abatimento dos créditos apurados. Entretanto, as Leis nº 10.637/2002 (PIS não-cumulativo) e Lei no 10.833/2003 (Cofins não-cumulativa), já com a previsão da incidência sobre a receita introduzida na CF, mantiveram como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sendo que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Constata-se que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência das contribuições em tela. Veja-se o texto da Lei 10.833/2003 (sem alterações relevantes em relação a Lei 10.637/2002 no que é pertinente ao presente processo): Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014). § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput e no § 1º. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I - isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II - de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) III - auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV - de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V - referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (...) (grifou-se). Fl. 12732DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 38 Decreto-Lei no 1.598 Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) II - o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) IV - as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1º - A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1º A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) I - devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) II - descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) III - tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) IV - valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Portanto, na modalidade não-cumulativa das contribuições, a base de cálculo é a receita em sentido amplo, independentemente da classificação contábil adotada. A partir da adoção de uma base universal para as referidas contribuições, as próprias leis trataram das hipóteses de exclusão da base de cálculo. Na sistemática não-cumulativa a empresa deduzirá como créditos os valores dos bens adquiridos para revenda, insumos, entre outros listados na legislação de regência (arts. 3os das já citadas Leis 10.637/02 e 10.833/03). As aquisições efetuadas, pelo valor atestado nas notas fiscais, servirão de base de cálculo para a apuração do crédito, a ser descontado do valor da contribuição apurado com base na receita bruta. Volta-se ao conceito de receita bruta no título a seguir. Fl. 12733DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 39 3 MÉRITO: RECEITAS DE ACORDOS COMERCIAIS Em apertada síntese, foram lançados valores cobrados de fornecedores e não incluídos na base de cálculo das contribuições. Os valores referem-se a percentuais estabelecidos em contratos e implementados por meio de redução dos valores efetivamente pagos aos fornecedores. Para ficar claro, é de se recuperar rapidamente algumas informações do relatório fiscal. Foram investigadas uma série de contas contábeis com o prisma do entendimento do parágrafo anterior. A empresa, a partir de intimação, informou sobre a natureza das contas, o que foi agrupado no quadro: Fl. 12734DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 40 As receitas de determinadas contas, incluídas no último quadro, já foram objeto de tributação das contribuições pela empresa. O trabalho fiscal identificou as seguintes contas que deveriam ter sido tributadas por se referirem a receitas e não o foram: O trabalho fiscal verificou ainda que algumas contas foram tributadas como receitas financeiras. Em tais casos foram aplicadas as alíquotas correspondentes a diferença 1,65% - 0,65% = 1% para a Contribuição para o PIS/Pasep e 7,6% - 4% = 3,6% para a Cofins. É o caso: Fl. 12735DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 41 Como visto no relatório, a empresa se insurgiu contra referida tributação in totum. Apenas para repisar, em síntese, considera que o desconto concedido, perante a espécie de Fornecimento, possui a natureza de redução de custo, sendo previsto expressamente no acordo comercial firmado junto ao fornecedor, que não depende de evento posterior à venda. Diz ser um desconto “absolutamente incondicionado”, uma vez que com o objetivo de reduzir o custo de aquisição das mercadorias objeto da negociação realizada no momento da compra, cujo desconto não se encontra destacado na nota fiscal por sigilo comercial, não existindo qualquer obrigação ou condição de fazer por parte da Companhia. Cita e apresenta detalhe das situações, como no caso dos contratos de fornecimento e aniversário: Ambos (fornecimento e aniversário) são incondicionais, líquidos e certos, já no momento da emissão da nota fiscal. A única diferença entre os dois é que o fornecimento é calculado nota a nota e cobrado mensalmente, ao passo que o aniversário é calculado nota a nota e cobrado anualmente, todavia, tal detalhamento sequer fora abordado no acordão guerreado (conforme salienta tópico preliminar). Este desconto adicional (aniversário) é utilizado para as promoções de mercadorias e produtos no mês de festejo de aniversário, porém não é condicionado a nenhum fato ou contraprestação, apenas tem seu lapso de tempo para cobrança anual Não é possível a análise sem um breve histórico. Tal tipo de situação, efetivamente, nem é exclusiva nem nova no mercado, especialmente no ramo de supermercado/hipermercado. Tais práticas foram usualmente denominadas genericamente de “RAPEL/PEDÁGIO” (imposição pelas grandes redes de supermercados de diversas exigências aos fornecedores, retribuída em dinheiro ou em mercadorias, sobre as compras que aqueles fazem dos seus produtos; melhor disposição da mercadoria dentro da loja – prateleira, publicidade etc). A tributação desses valores tem sido questionada pelos integrantes do ramo. Era bastante comum, inclusive, anteriormente, a utilização de contas contábeis com os nomes “rapel”, “pedágio”, “receitas de pedágio” etc. Ressalte-se que, de acordo com o relatório fiscal, grande parte das contas identificadas relacionadas à situação não foram submetidos à tributação, sendo que pequena parcela foram tributadas ou tributadas parcialmente. A empresa registra que a prática é comum no ramo, uma vez altamente concorrencial. Visa redução de preço. A negociação é comercial e exige sigilo, não sendo registrada na nota fiscal. A relação é estabelecida de antemão entre comprador e fornecedor, não dependendo de evento futuro. De fato, não caberia aqui adentrar nos méritos ou propósitos das relações da empresa com seus fornecedores. Não caberia questionar o teor sinalagmático das relações Fl. 12736DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 42 celebradas. Interessa aqui a natureza dos valores envolvidos em relação às repercussões fiscais. Os termos utilizados não são fundamentais, sejam chamadas trade marketing, pedágio, bonificações em descontos, reduções de passivo, recuperação de custos, receita de promoção publicidade ou o que for. Interessa aqui a natureza dos valores em questão e a forma de contabilização adotada, no sentido de verificar a ocorrência de hipótese de incidência tributária. Embora os fornecedores e contratos/acordos sejam inúmeros, assim como as operações realizadas, a prática comum é estabelecer percentuais sobre compras a serem cobrados dos fornecedores. Assim, a compra da mercadoria é feita e há um passivo com o fornecedor. Esse passivo não será integralmente pago. Os motivos, percentuais e momento da ocorrência são variados e já descritos, envolvendo aumento de vendas com redução de custo, evento de aniversário da loja, inauguração/reinauguração, variação de preços das concorrentes, aumentar volume de compras, marketing, ponto extra, entre outros. Os valores reduzem o passivo e não transitam, ou são excluídos, das contas submetidas à tributação do PIS e Cofins. No título anterior já se abordou a tributação das contribuições em apreço na sistemática não-cumulativa, bem como a hipótese de incidência. Para acrescentar, interessa citar a definição de receita de Solon Sehn, com base na tradição de Baleeiro acerca da receita pública, e de Hugo de Britto Machado: (...) receita constitui um ingresso de soma em dinheiro ou qualquer outro bem ou direito susceptível de apreciação pecuniária decorrente de ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo3. O STF também adotou tal conceito no RE 606.107/RS, nos seguintes termos: “Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas e condições” (gn – STF, RE 606.107, ementa, relatora Min. Rosa Weber). No caso presente, na forma como opera a empresa, é difícil interpretar que não ocorra acréscimo em seu patrimônio. Há diferença óbvia na situação patrimonial entre uma empresa que recebe a remuneração dos fornecedores e outra que não recebe. A receita corresponde ao fato modificativo aumentativo, na contabilidade. Difere do resultado, que contrapõe o fato modificativo diminutivo. Conceitualmente, a receita difere do lucro, de fato. Mas aqui, o ganho ocorre na implementação do desconto. É de se pontuar que existe o benefício para os fornecedores, que não darão "desconto de graça". Isso por certo não significa dizer que os acordos que resultam redução de preço não são salutares ou necessários em um mercado competitivo. Ocorre que, em decorrência dos acordos comerciais, por certo foi auferida receita, independentemente de denominada de serviços, comissionamento de vendas, ou o que for. Resta evidente que a empresa compradora 3 Sehn, Solon. Não-incidência do PIS/Pasep e da Cofins sobre reembolso e indenizações. Revista Dialética de Direito Tributário. SP, nº 162, 2009, p. 63. Fl. 12737DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 43 tem efeito patrimonial positivo, o que pode ser percebido facilmente se fosse feita a comparação tanto com quem não teve o desconto, e pagou integralmente o fornecedor, quanto com quem forneceu desconto incondicional ou, de qualquer forma, registrou a compra por valor menor. A empresa apresentou contratos como amostragem em resposta à intimação (fls. 6480-6502). Efetivamente, constam previsões de pagamento a cada nota fiscal e explicação de motivos de desconto onde consta a observação “... não existindo qualquer obrigação ou condição de fazer por parte da Compradora”. Mas também constam descrições como a de “Ponto Extra – Concessão de desconto para exposição privilegiada de mercadorias do Fornecedor”, onde a contrapartida é evidente. Também há descontos que o próprio quadro de periodicidade indica que se darão “no evento”, e não a cada nota. Observa-se, também, contratos com opção de operacionalizar o desconto por pagamento do fornecedor, e não apenas compensação com o valor a pagar das notas. Por exemplo, no Contrato com Oxford Porcelanas S/A, o Quadro V indica a forma de pagamento como Depósito em Conta Corrente. Consta das observações as opções, a saber: Quadro V O Quadro V determina a compensação como forma padrão de pagamento do desconto, sendo ainda possível, mediante critério da COMPRADORA, ocorrer o pagamento do desconto por meio de depósito bancário, mercadoria em bonificação, desconto em duplicata ou boleto bancário. De toda a forma, a existência de previsão contratual, mesmo que de modo alternativo, para o recebimento de boletos, em caso de não ser possível operacionalizar por descontos nas duplicatas, pode ser mencionada como elemento indicativo da reciprocidade e da relação estabelecida. A forma e o momento da tributação decorrem da própria sistemática de relacionamento com os fornecedores adotada pela empresa, seja por questões de mercado ou outras, e que dissociou o retorno acordado com os fornecedores do momento de emissão da nota fiscal e do ingresso das mercadorias adquiridas. Como sabe-se, as aquisições efetuadas, pelo valor atestado nas notas fiscais, servirão de base de cálculo para a apuração do crédito, a ser descontado do valor da contribuição apurado com base na receita bruta. Assim, na argumentação de simples redução de custo, o curioso é que a mercadoria adquirida é registrada pelo valor da nota fiscal, para fins de verificar a base de cálculo do crédito aproveitado da não-cumulatividade, mas que o valor de aquisição é outro, quando da operação contábil que reduz o respectivo passivo. Neste momento, não há mais vinculação com o custo na entrada, assim há repercussão sobre as receitas. Fl. 12738DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 44 No entendimento da empresa, os descontos não dependem de evento posterior e são incondicionais. Os descontos incondicionais são redutores de custo (não contabilizada receita) e os condicionais são tratados como receitas financeiras. O desconto incondicional, por sua vez, não precisaria obrigatoriamente constar da nota fiscal. Tal argumento não pode ser aceito. Como visto, o contribuinte obteve resultado patrimonial com a redução do passivo, ou não pagamento aos fornecedores. A forma de atuação da empresa é que fez com que o momento desse ganho fosse dissociado da compra. Os ganhos obtidos dos fornecedores estão relacionados intrinsecamente às atividades da empresa, sendo elemento novo e positivo sobre o patrimônio, vinculado às atividades operacionais. A previsão da legislação é para a exclusão dos descontos incondicionais, conforme art. 1º, § 3º, inciso V.a. das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Apenas estes são admitidos. O desconto para ser incondicional deve estar consignado nota a nota, não se admitindo seu cálculo a partir de percentuais ou estimativas sobre um conjunto de compras ou operações. Entende a empresa que, como existe a previsão contratual prévia, já se sabe de antemão o valor que será objeto de desconto e, desse modo, teria natureza de incondicional. Os valores já seriam de conhecimento. Ora, se assim fosse, por que não aplicar o desconto no documento fiscal? Não pode ser usado contra o Fisco o argumento de que o desconto não possa ser aplicado por questões de sigilo comercial. O conceito de descontos incondicionais e a necessidade de eles constarem na nota fiscal de venda vem de longa data, desde a Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, no seu item 4.2: 4.2 – Descontos incondicionais são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. (grifou-se). Tal orientação vem se repetindo para as empresas, o que pode ser obtido no Perguntas e Respostas para o preenchimento da DIPJ4. No mesmo sentido diversos Manuais orientadores de sociedades ou institutos tributários ou contábeis, em especial com orientações para os contribuintes. Em especial, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS PREVISTOS NA INSTRUÇÃO NORMATIVA 51/78. APELAÇÃO DESPROVIDA. – Trata-se de discussão a respeito da exclusão da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e da Contribuição ao 4 Capítulo VIII, pergunta 06 para a DIPJ 2012: O que são descontos incondicionais? Somente são consideradas, como descontos incondicionais, as parcelas redutoras do preço de venda quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem, para sua concessão, de evento posterior à emissão desses documentos. Fl. 12739DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 45 Programa de Integração – PIS dos descontos incondicionais não destacados nas notas fiscais, afastando-se as disposições previstas na Instrução Normativa nº 51, de 1978. – É indiscutível que a Contribuição ao PIS e a COFINS submetem-se ao princípio da legalidade tributária, o qual, para ter máxima efetividade, deve ser interpretado de modo a dar conteúdo ao valor da segurança jurídica e, assim, nortear toda e qualquer relação jurídica tributária, posto que dele depende a garantia da certeza do direito à qual todos devem ter acesso. – A exclusão dos descontos incondicionais da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS encontra previsão no artigo 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718, de 1998; havendo igual previsão no regime de incidência não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, consoante artigo 1º, § 3º, inciso V, "a", das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. – De outra parte, de acordo com o item 4.2 da Instrução Normativa nº 51, de 1978, para serem considerados descontos incondicionais, estes devem, obrigatoriamente e cumulativamente, atender a três requisitos: (i) serem parcelas redutoras do preço de venda; (ii) constarem da nota fiscal de venda de bens ou da fatura de serviços e (iii) não dependerem de evento posterior à emissão de tais documentos. – Os atos normativos infralegais, tais como as Instruções Normativas, são normas complementares, não podendo inovar no mundo jurídico, cabendo-lhes unicamente explicitar os comandos legais, visando facilitar a execução da lei. – A Instrução Normativa nº 51/1978 somente explicitou quais são os descontos que podem ser considerados como incondicionais, os quais, portanto, gozam da possibilidade de serem deduzidos da base de cálculo do PIS e da COFINS. Ademais, o destaque dos descontos incondicionais em nota fiscal ou fatura não se mostra como mero formalismo, tal como sustenta a impetrante, porquanto são os documentos que norteiam a contabilidade da pessoa jurídica. – Apelação improvida (REsp 1.711.603 – SP, rel. Min. Og Fernandes, j. 14/05/2018 – g.n.) O contrato estabeleceu obrigações mútuas, cabendo aos fornecedores pagar valores ao comprador varejista, apartados na própria escrituração. A utilização de uma espécie de sistema de conta corrente de controle de valores com relação aos fornecedores não afeta a questão colocada no presente processo. Se os documentos fiscais escriturados não forem confiáveis para aferir a operação cairíamos em situação de forte insegurança. Por isso mesmo, a escrituração faz prova em favor da empresa. Na redação do Regulamento do Imposto de Renda (RIR - Decreto 3.000/99): Art.800. Os bens serão declarados discriminadamente pelos valores de aquisição em Reais, constantes dos respectivos instrumentos de transferência de Fl. 12740DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 46 propriedade ou da nota fiscal, observado o disposto nos arts. 119, § 3º, e 125 a 136 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 25, §2º e Lei nº 9.532, de 1997, arts. 23, §3º, e 24). (...) Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Não é possível aceitar que o documento contábil/fiscal possa servir ou não para aferir os valores da operação de acordo com a conveniência. Ora, argumenta-se que reduzem o custo daquele bem adquirido, mas o crédito já foi apropriado na escrita devidamente a partir da nota fiscal. Agora seria outro o custo anterior? Há, isto sim, dissociação da implementação do desconto no tempo em relação ao documento fiscal, sendo agora ingresso de elemento novo, receita, resultado da própria forma adotada pela empresa. A questão dos descontos dos fornecedores, repita-se, já foi discutida em outras esferas. Não interessa aqui se reflete poder das grandes redes de varejo em relação aos fornecedores, ou se, no fim, a ganhos para o consumidor. O fato é que o varejista que implementa esse modelo, claramente pagará menos imposto relativo em relação a outro comerciante que não o faça, ou que não tenha uma rede contínua de fornecedores que permita usar da prática. Não há como desviar a questão para a imposição da cadeia como um todo, pois faltariam elementos. Há clara vantagem para o contribuinte em questão em não registrar os descontos no documento fiscal. O exemplo abaixo procura mostrar o efeito do não registro da receita quando da efetivação e escrituração da receita obtida com o desconto dos fornecedores. Parte-se da origem, a compra das mercadorias para revenda. Não é o caso de discutir o crédito da não cumulatividade, uma vez que já foi registrado antes dos descontos, mas sim de clarear o ganho patrimonial, e, assim, a receita obtida. Caso não tributada, restaria prejudicada a aplicação do princípio da não cumulatividade e a isonomia de tratamento entre casos análogos. Digamos, como ilustração, e por melhor visualização, que as alíquotas do PIS e Cofins somassem 10%. Veja-se o caso em que o custo de aquisição total, ao fim da operação, foi de R$ 900,00 (valor efetivamente pago aos fornecedores). Em três hipóteses equivalentes em termos financeiros: (a) uma hipótese, foi registrada a aquisição por 1.000,00, com desconto incondicional na nota fiscal de 100; (b) na segunda hipótese, o valor de aquisição foi 900; (c) na terceira, foi registrado 1.000,00 na aquisição e, posteriormente, foi registrado um desconto, reduzindo a dívida com o fornecedor para 900. Considerando vendas dos bens no valor de 1.200,00, em um modelo simples, a situação do PIS e Cofins não cumulativo poderia ser registrada como a do quadro abaixo: Fl. 12741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 47 Hipótese 1 – desconto incondicional Hipótese 2 – Nota com valor pago Hipótese 3- desconto dos fornecedores Valor de Aquisição 1.000,00 900,00 1.000,00 Desconto Incondicional NF 100,00 Crédito 90,00 90,00 100,00 Valor das Vendas 1.200,00 1.200,00 1.200,00 PIS/Cofins sobre Vendas 120,00 120,00 120,00 PIS/Cofins a pagar 30,00 30,00 20,00 Digamos as operações de compra, desconto e venda fossem no mesmo mês. A empresa, na hipótese 3, ao operacionalizar o desconto de R$ 100,00, poderia registrar um estorno ou ajuste para reduzir o crédito em R$ 10,00 (10%), tendo em vista que havia registrado crédito sobre R$ 1.000,00, e estaria resolvida a diferença. Caso contrário, deve-se registrar como acréscimo de receita o valor de R$ 100,00 (com acréscimo de R$ 10,00 no valor a pagar), correspondente ao ganho patrimonial incorporado de forma definitiva em função de ter operado desconto com o fornecedor, seja por exposição privilegiada, divulgação do produto em propaganda, não recolhimento de produtos vencidos ou qualquer das condições estabelecidas no contrato. O conceito de receita do Decreto-Lei 1.598/1977, atualizado, já foi transcrito no item 2 deste voto. Cumpre repisar através da transcrição do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 9.580/2018): TÍTULO V DA RECEITA BRUTA Art. 208. A receita bruta compreende (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, caput): I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II - o preço da prestação de serviços em geral; III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV - as receitas da atividade ou do objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas no inciso I ao inciso III do caput. Deve-se, ainda, guardar a ideia de que a receita equivale a um aumento da situação líquida da empresa, permanente, decorrente do seu esforço produtivo, da sua atividade empresarial. Como visto, tal é o conceito amplo validado pelo STF para as leis que implementaram a sistemática não cumulativa das contribuições. Fl. 12742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 48 Em qualquer dos casos objeto de autuação, seja contrato check stand, aniversário, fornecimento, inauguração/reinauguração, ponto extra, crescimento/atingimento de compras, deve ser mantida a autuação. Não se vislumbra diferença possível no caso das contas de “rebaixa custo”, seja repressivo ou preventivo. Seja para viabilizar ou acelerar a venda, foi implementado um benefício advindo do fornecedor, desvinculado da nota fiscal em função da prática adotada. Se fosse por desconto incondicional, o custo e crédito seria menor. Para o contribuinte, o desconto, seja implementado por um depósito em conta corrente ou por redução do passivo, deverá ser registrado como receita. Estas contas, em conjunto com a de Marketing e Contrato de Fornecimento, foram classificadas pela empresa como receitas financeiras. Pelo já referido acima, tal classificação não poderia ser aceita (as receitas de marketing e o pleito para dedução das despesas serão apreciados logo mais abaixo). Veja-se que mesmo o desconto puramente comercial de vendas não é receita financeira. Receita financeira é aquela decorrente de algum investimento financeiro. Pode ser uma aplicação em um fundo de investimentos, um empréstimo (mútuo) ou um pagamento antecipado. Tudo é decorrente da disponibilidade financeira e da decisão de utilizá-la em uma aplicação (lato sensu) financeira. Tratando-se de receita de vendas aos clientes, ou decorrentes, elas deverão fazer parte da base de cálculo do regime não cumulativo, normalmente. Tais receitas, não se enquadram entre as receitas financeiras, abaixo delimitadas: Decreto nº 9.580/2018 (Novo RIR) Dos outros resultados operacionais Subseção I Das receitas e das despesas financeiras Receitas Art. 397. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos ou os lucros de aplicações financeiras de renda fixa ou variável, que tenham sido ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos de renda fixa com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem ( Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 17, caput ; Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º ; e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º ). Por fim, é relevante a decisão do STJ no REsp 1.498.326, que não conheceu do Recurso Especial, assim como reproduzir a seguinte ementa de decisão do STJ, citada em outros julgados também: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS (JUROS, CORREÇÃO MONETÁRIA, MULTA E ENCARGOS POR ATRASO) PROVENIENTES DE CONTRATOS DE VENDA E SERVIÇOS. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES Fl. 12743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 49 EMPRESARIAIS PORQUE INERENTES AOS CONTRATOS. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. A jurisprudência entende que a correção monetária e os juros, bem como multas e encargos recebidos por atraso em pagamento, decorrentes diretamente das operações realizadas pelas empresas constantes de seus objetos sociais, configuram rendimentos e devem ser considerados como um produto da venda de bens e/ou serviços. Logo, por constituírem faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, são receitas inerentes e acessórias aos referidos contratos e devem seguir a sorte do principal. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1.461.557/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/9/2014, DJe 23/9/2014.) [gn]. Não submeter tais valores à incidência das contribuições fere a não cumulatividade e implica tratamento diferenciado em relação a outros revendedores com idêntico resultado financeiro ou econômico. Dessa forma, há resultado patrimonial sem contrapartidas, observado no curso das atividades ordinárias da entidade, inexistindo hipótese para exclusão de tais valores da base de cálculo das contribuições. É possível citar decisões do Carf na direção dos fundamentos adotados. Veja-se ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 COBRANÇA DE “PEDÁGIO” VIA BONIFICAÇÃO NA FORMA DE DESCONTO. COMISSÃO DE VENDAS. RECEITA TRIBUTÁVEL. A conhecida prática da cobrança de “pedágio” pelas grandes redes varejistas para que passem a fazer pedidos a determinado fornecedor, acertada previamente em contrato, via bonificação na forma de desconto não constante da Notas Fiscais, tem natureza, lato sensu, de comissionamento de vendas, sendo, portanto, receita tributável. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. (CSRF; Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte; Acórdão 9303-008.247 – 3ª Turma; sessão de 19/03/2019). ------------------------ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. (...) DESCONTOS INCONDICIONAIS. NATUREZA. PROVA. Fl. 12744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 50 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. A prova de que se trata de fato de descontos incondicionais, conforme apurado pela Fiscalização com base na escrituração, deve ser apresentada pelo contribuinte na impugnação. (...). (Acórdão 3302-001.160; sessão de 10/08/2011; 2a Turma, 3a Câmara, 3a Seção do Carf, proc. 10909.001469/2005-17). ------------------------ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. COBRANÇA DE “PEDÁGIO” VIA BONIFICAÇÃO NA FORMA DE DESCONTO. COMISSÃO DE VENDAS. RECEITA TRIBUTÁVEL. A conhecida prática da cobrança de “pedágio” pelas grandes redes varejistas para que simplesmente passem a fazer pedidos (em qualquer quantidade, à sua revelia) a determinado fornecedor, acertada previamente em contrato, via bonificação na forma de desconto não constante da Notas Fiscais, tem natureza, lato sensu, de comissionamento de vendas, sendo, portanto, receita tributável. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto (em explícita opção, prevista em contrato, ao direto, em dinheiro) da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a necessária correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. ACORDO DE NÃO-DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS IMPRESTÁVEIS PARA A VENDA. CONTRATO DE SEGURO. PRÊMIO. RECEITA TRIBUTÁVEL. Os descontos concedidos em troca do compromisso do comprador de não exigir do fornecedor, até certo limite, indenização pelas mercadorias em estoque defeituosas/danificadas, são tributáveis, pois têm natureza de prêmio de seguro. (Acórdão 9903-005.849; sessão de 17/10/2017; 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proc. 11080.736093/2012-94). (grifou-se). ------------------------ Fl. 12745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 51 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria as decorrentes da atividade empresarial definida no objeto social da contribuinte, tais como os descontos e bonificações relativos ao comércio das mercadorias. RECEITA. CONCEITO. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade, decorrentes do seu objeto social, e que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. Neste conceito enquadram-se os descontos obtidos juntos a fornecedores, decorrentes das práticas de pedágio ou "rappel", devidas aos descontos obtidos, às mercadorias bonificadas e às recuperações com propaganda e marketing. (Acórdão 9903-010.101; sessão de 11/02/2020; 3a Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proc. 16682.720467/2013-19). ------------------------ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITA. CONCEITO. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade, decorrentes do seu objeto social, e que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. Neste conceito enquadram-se os descontos obtidos juntos a fornecedores, decorrentes das práticas de pedágio ou "rappel", devidas aos descontos obtidos e às mercadorias bonificadas. (CSRF; Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte; Acórdão 9303-013.807 – 3ª Turma; sessão de 15/03/2023) Fl. 12746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 52 (grifou-se). A empresa argumenta também que, caso mantida a tributação dos descontos da conta de Marketing como receitas, os dispêndios devem ser deduzidos como créditos. O que foi descontado seria reembolso das despesas. Apresenta o extrato da conta contábil de despesa com marketing. Alternativamente pleiteia pela realização de diligência para que seja oportunizada a comprovação das despesas em questão. Há jurisprudência do Carf em desfavor do pleiteado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 (...) DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MARKETING As despesas de marketing não geram direito a crédito da Cofins, em razão de não configurarem insumos nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. (...) (Acórdão 3402-012.371; sessão de 28/11/2024; 2a Turma, 4a Câmara, 3a Seção do Carf; processo 11000.727904/2021-35). ------------------------ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Fl. 12747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 53 VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. DESCONTO INCONDICIONAL. Os descontos incondicionais concedidos posteriormente e que não constavam discriminados nas Notas Fiscais não podem ser excluídos das receitas auferidas. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO INCONDICIONAL. As bonificações, sejam concedidas mediante abatimento de preço, em mercadorias, ou ainda em moeda enquanto "rebaixe de preço", somente terão o valor correspondente excluído, na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, quando revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente. (...) (Acórdão 3401-006.208; sessão de 22/05/2019; 1a Turma, 4a Câmara, 3a Seção do Carf; processo 10480.726349/2015-68). ------------------------ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 (...) DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. (CSRF; Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte; Acórdão 9303-008.247 – 3ª Turma; sessão de 19/03/2019). (grifos nossos) O último acórdão já havia sido citado antes, em maior extensão. A empresa ressalta que os serviços de marketing e propaganda estão previstos no objeto social da Contribuinte, conforme consta no item “n”, do art. 2º, parágrafo 1º, do estatuto social, acostado ao Anexo I, da Impugnação manejada. Com efeito, além da atividade de comércio varejista, do ramo de supermercado, em que atua, incluem-se um grande rol de atividades entre as quais a publicidade em geral. Assim, por um lado, o contribuinte estaria apenas se reembolsando das despesas para os fornecedores, por outro, teria créditos caso consideradas as receitas de propaganda e marketing. Existe, de fato, dispositivo que prevê a primeira situação, porém direcionado às agências de publicidade e propaganda, o que não é o caso, a saber: Fl. 12748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 54 Lei 10.925/2004 Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplica-se na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Lei 7.450/1985 Art 53 - Sujeitam-se ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: (Vide Lei nº 9.064 de 1995) I - a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; Il - por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único - No caso do inciso Il deste artigo, excluem-se da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. (gn). A empresa cita julgado do Carf em seu favor, para creditamento das despesas de marketing e propaganda: Igualmente, há de se dar o devido destaque ao caso do processo da empresa Ricardo Eletro (PAF 10540.721182/2016-78), julgado em 29/01/2020, pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção do Carf, que foi amplamente noticiada1 2 decidiu manter a decisão favorável ao contribuinte da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Juiz de Fora, de modo a confirmar que a verba utilizada para fomentar ações de marketing e propaganda, por serem essenciais à atividade da empresa devem gerar direito à créditos tributários de PIS/COFINS. Há decisões também em contrário, como visto. No julgado citado, o Carf manteve a decisão da DRJ que concedeu os créditos. Ressalte-se que, no caso, os créditos haviam sido glosados. Também que, na decisão citada, se seguiu o mesmo entendimento aqui adotado quanto aos descontos dos fornecedores. É possível considerar que existe fundamento ao pleito, de modo geral. Entretando, uma vez que o contribuinte não submeteu as receitas à sistemática não cumulativa e não escriturou os créditos, deveria ter oferecido comprovação minudente da relação entre os descontos dos fornecedores e os gastos. Não se estaria falando, aqui, de todos os gastos da rede em propaganda e marketing, mas sim de uma atividade acessória da comerciante. Fl. 12749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 55 A empresa apresentou no Anexo III da impugnação o Demonstrativo de Resultados do Exercício de 2017, em que consta a conta e as despesas para o ano. Porém, deveria existir uma escrituração em separado ou, pelo menos, demonstrativos indicando quais despesas se vinculam aqueles valores descontados ou cobrados dos fornecedores. Não se está tratando de todas as despesas de publicidade e marketing, mas sim das alegadas despesas relacionadas às receitas dos serviços em questão. O apresentado não permite aferir créditos ou justifica uma diligência. Com relação aos ajustes de acréscimo de crédito em relação aos acordos comerciais, segue-se a mesma linha. O recorrente informa que realizou ajustes em função das receitas em questão não serem tributadas, tidas por desconto incondicional. A situação já foi apreciada acima. Como a receita deve ser tributada, tais ajustes são indevidos. É de se citar também Acórdãos do Carf na mesma direção: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. ...................................... DESCONTOS INCONDICIONAIS. NATUREZA. PROVA. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. A prova de que se trata de fato de descontos incondicionais, conforme apurado pela Fiscalização com base na escrituração, deve ser apresentada pelo contribuinte na impugnação. (...). (Acórdão 3302-001.160; sessão de 10/08/2011; 2a Turma, 3a Câmara, 3a Seção do Carf, proc. 10909.001469/2005-17). (grifou-se). ---------------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. Fl. 12750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 56 COBRANÇA DE “PEDÁGIO” VIA BONIFICAÇÃO NA FORMA DE DESCONTO. COMISSÃO DE VENDAS. RECEITA TRIBUTÁVEL. A conhecida prática da cobrança de “pedágio” pelas grandes redes varejistas para que simplesmente passem a fazer pedidos (em qualquer quantidade, à sua revelia) a determinado fornecedor, acertada previamente em contrato, via bonificação na forma de desconto não constante da Notas Fiscais, tem natureza, lato sensu, de comissionamento de vendas, sendo, portanto, receita tributável. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto (em explícita opção, prevista em contrato, ao direto, em dinheiro) da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a necessária correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. ACORDO DE NÃO-DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS IMPRESTÁVEIS PARA A VENDA. CONTRATO DE SEGURO. PRÊMIO. RECEITA TRIBUTÁVEL. Os descontos concedidos em troca do compromisso do comprador de não exigir do fornecedor, até certo limite, indenização pelas mercadorias em estoque defeituosas/danificadas, são tributáveis, pois têm natureza de prêmio de seguro. (Acórdão 9903-005.849; sessão de 17/10/2017; 3a Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proc. 11080.736093/2012-94). (grifou-se). Vê-se, assim, que tais abatimentos não se confundem com descontos incondicionais, pois estes são concedidos no momento da venda e constam dos documentos fiscais. Repise-se, mais uma vez, que, na sistemática não-cumulativa, as compras, notas fiscais, servem de base para a apuração de créditos. Tais valores, em todos os casos/acordos contemplados na autuação são tributáveis pelo PIS e Cofins, como receitas da atividade operacional. 4 DOS ERROS NAS BASES DE CÁLCULO DOS ACORDOS COMERCIAIS A empresa alega erro em 4 (quatro) contas tributadas pela fiscalização, como visto no item anterior. Apresenta quadro com as diferenças: Fl. 12751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 57 A alegação foi objeto da diligência realizada pela DRJ, tendo constado em um dos itens do solicitado: - A autoridade lançadora aprecie a alegação da impugnante sobre erro na definição da base de cálculo do lançamento, em virtude de eventual desconsideração de lançamentos de estorno referentes recebimentos decorrentes de acordos comerciais; e A autoridade fiscal assim expôs no relatório de diligência: Assim, revisamos os lançamentos contábeis que compuseram a base de cálculo das contribuições lançadas a título de receitas de acordos comerciais. Entretanto, não localizamos qualquer operação considerada a qual tenha sofrido estorno ou cancelamento, o que representaria um lançamento indevido. Ante o exposto, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 001 – Diligência (fls. 12.004 a 12.006) intimamos o interessado que nos indicasse quais seriam as operações consideradas por esta fiscalização, mas que haviam sido estornadas ou canceladas, não representando receita sujeita a incidência das contribuições em análise. Em resposta, o contribuinte não apontou nenhuma operação que alegadamente havia sido lançada na contabilidade mas posteriormente cancelada, tão somente apontou quatro das contas contábeis que compuseram o lançamento nas quais, segundo ele, haveria erro na apuração da base de cálculo. Para defender tal alegação, usou como critério os saldos finais de cada conta, com a arguição de que todos os lançamentos a débito representariam estornos, de modo que a diferença entre os saldos finais demonstraria erro na base de cálculo do lançamento. Entretanto, o critério utilizado para definição da base de cálculo do lançamento foi a ocorrência de recebimentos de receitas de bonificação, os quais foram localizados por intermédio dos lançamentos a crédito nas contas contábeis respectivas, com a devida exclusão dos lançamentos estornados. A simples existência de contrapartidas a débito nos lançamentos contábeis considerados não indica estorno da operação, motivo pelo qual solicitamos no Termo de Intimação mencionado que fossem apontados os lançamentos que Fl. 12752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 58 representassem estornos e que indevidamente compuseram a base de cálculo das contribuições lançadas. Intimamos ainda que que os respectivos estornos fossem comprovados com documentação pertinente, já que a análise do histórico do lançamento não teria sido suficiente para a inferência de que não houve o recebimento sujeito à cobrança das contribuições. Contudo, o contribuinte sequer apontou algum lançamento contábil em especial que supostamente não representasse recebimentos. Assim, NÃO localizamos valores a serem excluídos do lançamento aqui tratado Vê-se que na intimação referida constou: 1) Informar se há algum lançamento que represente estornos de operações nos valores tributados relativos a acordos comerciais dentre aqueles que compuseram os Autos de Infração (Anexos V ao Anexo XIX do Relatório de Ação Fiscal). Caso haja algum lançamento que represente estornos dentre aqueles que compuseram os Autos de Infração questionados, o contribuinte deverá identificá-lo, além de apresentar a respectiva documentação que comprove que o lançamento em questão representa um cancelamento de operação; A empresa em sua resposta informou o resumo das diferenças e argumentos apresentados na impugnação. Também traz aos autos em arquivo não paginável o Razão de cada conta contábil, com o fim de demonstrar o saldo acumulado do período. Ainda frisa: Ademais, mister ressaltar que o Razão das contas contábeis se mostra mais que suficiente para comprovar a insubsistência da base de cálculo do lançamento realizado pela fiscalização, ao passo que, para fins de apuração do suposto crédito tributário devido, a autoridade fiscal utilizou tão somente da contabilidade da empresa. No recurso, a empresa segue a mesma linha, se insurgindo contra a adoção do que seriam “dois pesos e duas medidas”. Assim expressa no recurso: Ora, está evidente que os estornos ocorreram, e nesta perspectiva, repisamos o fundamento já encartado alhures, para efetuar o lançamento, a Fiscalização não solicitou comprovante de cada item objeto de lançamento no Razão pela Contribuinte, muito pelo contrário, a Contabilidade da Recorrente foi mais que suficiente para apuração das supostas receitas decorrentes dos acordos comerciais lançados nas respectivas contas contábeis. Neste critério adotado pelo própria Agente Lançador, a mesma contabilidade utilizada, deveria ser reputada como suficiente para comprovar os estornos informados, todavia, não é o que se observa. Como indica o relatório de diligência fiscal, adotado pela DRJ, o lançamento a crédito corresponde aos descontos dos fornecedores. As contrapartidas a débito poderiam ser estornos, ao inverso, por exemplo, de erros nos lançamentos, ou outras transferências entre contas. Uma vez identificado que os valores Fl. 12753DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 59 lançados a crédito nas contas não foram reconhecidos como receitas, caberia à recorrente comprovar o fato modificativo alegado, demonstrando do que se tratava. 5 DAS VENDAS INDEVIDAMENTE NÃO TRIBUTADAS A DRJ já excluiu alguns itens da autuação, queijos do tipo mozzarela, reino, minas, ricota e parmesão, queijos do tipo cream cheese e cottage, além do café expresso, café com leite e capputino. No recurso, a empresa apresenta quadro com o remanescente: Desistiu do litígio, como visto, no caso de aves ou carnes suínas temperadas e produtos de padaria. Vendas não tributadas de pães A Lei 10.925/2004 determinou: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: [...] XVI - pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da Tipi. (gn). A TIPI traz: 19.05 Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes. 1905.10.00 - Pão crocante denominado knäckebrot 1905.2 - Pão de especiarias 1905.20.10 Panetone 1905.20.90 Outros Fl. 12754DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 60 1905.3 - Bolachas e biscoitos, adicionados de edulcorantes; waffles e wafers: 1905.31.00 -- Bolachas e biscoitos, adicionados de edulcorantes 1905.32.00 -- Waffles e wafers 1905.40.00 - Torradas (tostas), pão torrado e produtos semelhantes torrados 1905.9 - Outros 1905.90.10 Pão de forma 1905.90.20 Bolachas e biscoitos 1905.90.90 Outros 1905.90.90 01 Pão do tipo comum Para compreensão do que seja definido como pão comum da Ex. 01, a fiscalização utiliza a Exposição de Motivos EMI Nº 00074/2008 – MF/MT, de 16 de maio de 2008, que acompanhou a Medida Provisória nº 433, de 27 de maio de 2008, que reduziu a zero as alíquotas das contribuições. O pão comum foi definido como aquele obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar. A recorrente entende que a lei foi expressamente criada para permitir acesso das famílias de baixa renda ao produto, com preços acessíveis. Assim, entende que os pães básicos e predominantemente de trigo devem ser declarados e reconhecidos como Pães Comuns, Classificados no Código 1905.90.90 Ex 01 da Tipi, com o direito de serem comercializados pela alíquota zero do PIS e da COFINS. Menciona as soluções de consulta nºs 98.386/2017 e 98.387/2017. A DRJ, igualmente, cita soluções de consulta, no caso as nºs 98.171/2019 e 98.172 /2019. Transcreve-se a ementa de uma de cada dupla de decisões. SC Cosit/RFB 98.386/2017 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código NCM: 1905.90.90 Ex Tipi 01 Mercadoria: Pão tipo ciabatta, assado e congelado, composto de farinha de trigo, água, fermento, sal, melhorador de farinha e conservador de propionato de cálcio, em formato alongado e retangular, pesando de 85g a 110g, embalado em filme plástico e acondicionado em caixa de papelão com capacidade de 3,1 kg. SC Cosit 98.171/2019 Assunto: Classificação de Mercadorias Código NCM: 1905.90.90, sem enquadramento no Ex 01 da TIPI Mercadoria: Pão tipo hambúrguer, constituído de farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, gordura vegetal, fermento biológico, glúten, sal, emulsificantes, melhorador de farinha e conservante, acondicionado em embalagens de plástico com peso líquido total de 200 g. Fl. 12755DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 61 Dispositivos Legais: RGI/SH 1, RGI/SH 6 e RGC 1 da NCM, constante da TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 125, de 2016, e da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 8.950, de 2016, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992 e atualizadas pela IN RFB nº 1.788, de 2018. É de se citar, também, o mais recente ADI RFB nº 05/2024: Art. 1º Este Ato Declaratório Interpretativo dispõe sobre a expressão “Pão do tipo comum”, constante dos “Ex 01” dos códigos 1901.20.10, 1901.20.90 e 1905.90.90 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - Tipi, aprovada pelo Decreto nº 11.158, de 29 de julho de 2022, e “Pão comum”, constante do art. 1º, caput, inciso XVI, da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 2º Para fins de enquadramento de produtos de panificação nos “Ex 01” da Tipi e no art. 1º, caput, inciso XVI, da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, entende-se por “pão comum” ou “pão do tipo comum” o pão de formato cilíndrico e alongado, com miolo branco creme e macio, e casca dourada e crocante, normalmente elaborado a partir da mistura ou pré-mistura de farinha de trigo, fermento biológico, água, sal, açúcar, aditivos alimentares e produtos de fortificação de farinhas, comumente denominado pão francês. De fato, no entender adotado nas soluções de consulta, se admitiu que, para a classificação em questão, os pães contivessem no preparo além dos ingredientes farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar, ingredientes como melhorador de farinha e conservante, desde que em quantidade insignificante. Por outro lado, não poderiam existir outros ingredientes importantes, como gordura vegetal. Tal abordagem também foi adotada no Carf: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2011 a 31/08/2011 PÃO COMUM. DEFINIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. LEI 10.925/2004. POSIÇÃO 1905.9090 Ex 01. “Pão comum” é o produto alimentício obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar. (....) (Acórdão 3402-007.319; processo 10314.720011/2016-03; sessão de 18/02/2020; 2a Turma, 4a Câmara, 3a Seção do Carf). Segue-se na mesma linha. Como observou o julgamento recorrido, a lista de ingredientes nos demais tipos de pães glosados indica a utilização de gordura vegetal, composto lácteo, entre outros, o que lhes retira a classificação de “pão comum”, além das questões do formato trazidas pelo ADI RFB nº 05/2024. Queijos – alíquota zero Fl. 12756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 62 Mesmo que parte das glosas tenha sido revertida pela DRJ, a recorrente questiona a manutenção das glosas para os itens remanescentes. A controvérsia gira em torno do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, que atualmente vigora com a seguinte redação dada pelo art. 2º da Lei nº 12.655, de 30 de maio de 2012: Art. 1º. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social -COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (...) XII - queijos tipo mozarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota, requeijão, queijo provolone, queijo parmesão, queijo fresco não maturado e queijo do reino; (gn). Considera-se importante registrar, de início, como era redação anterior do inciso, na Lei 11.196/2005: Art. 51. O caput do art. 1º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar acrescido dos seguintes incisos: (Vigência) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Produção de efeitos "Art. 1º ........................................................................................ ........................................................................................ XI - leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, e leite em pó, integral ou desnatado, destinados ao consumo humano; XII - queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão. Ou seja, o legislador acrescentou ao dispositivo algumas qualificações de queijo, bem como a expressão “queijo fresco não maturado”. No mais, considera-se correta e importante a explicação na decisão da DRJ: O Decreto nº 9.013, de 29 de março de 2017, aprovou o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal. Seu art. 373 traz a definição de queijo, sua classificação, bem como algumas especificações no que tange à sua composição e a seu processo produtivo: “Art. 373. Para os fins deste Decreto, queijo é o produto lácteo fresco ou maturado que se obtém por meio da separação parcial do soro em relação ao leite ou ao leite reconstituído - integral, parcial ou totalmente desnatado - ou de soros lácteos, coagulados pela ação do coalho, de enzimas específicas, produzidas por microrganismos específicos, de ácidos orgânicos, isolados ou combinados, todos de qualidade apta para uso alimentar, com ou sem adição de substâncias alimentícias, de especiarias, de condimentos ou de aditivos. Fl. 12757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 63 § 1º Nos queijos produzidos a partir de leite ou de leite reconstituído, a relação proteínas do soro/caseína não deve exceder a do leite. § 2º Para os fins deste Decreto, queijo fresco é o que está pronto para o consumo logo após a sua fabricação. § 3º Para os fins deste Decreto, queijo maturado é o que sofreu as trocas bioquímicas e físicas necessárias e características da sua variedade. § 4º A denominação queijo está reservada aos produtos em que a base láctea não contenha gordura ou proteína de origem não láctea. § 5º O leite utilizado na fabricação de queijos deve ser filtrado por meios mecânicos e submetido à pasteurização ou ao tratamento térmico equivalente para assegurar a fosfatase residual negativa, combinado ou não com outros processos físicos ou biológicos que garantam a inocuidade do produto. § 6º Fica excluído da obrigação de pasteurização ou de outro tratamento térmico o leite que se destine à elaboração dos queijos submetidos a um processo de maturação a uma temperatura superior a 5°C (cinco graus Celsius), durante um período não inferior a sessenta dias. § 7º O período mínimo de maturação de queijos de que trata o § 6º poderá ser alterado, após a realização de estudos científicos conclusivos sobre a inocuidade do produto ou em casos previstos em RTIQ. Da leitura do art. 373 do Decreto nº 9.013, de 2017, extrai-se que queijo é o produto lácteo fresco ou maturado que se obtém por meio da separação parcial do soro em relação ao leite ou ao leite reconstituído - integral, parcial ou totalmente desnatado - ou de soros lácteos, coagulados pela ação do coalho, de enzimas específicas, produzidas por microrganismos específicos, de ácidos orgânicos, isolados ou combinados, todos de qualidade apta para uso alimentar, com ou sem adição de substâncias alimentícias, de especiarias, de condimentos ou de aditivos; Os queijos se classificam em: i) frescos: os que estão prontos para o consumo logo após a sua fabricação; ii) maturados: os que sofreram as trocas bioquímicas e físicas necessárias e características da sua variedade. Pela conceituação citada acima, e pelos resultados de buscas em sites na internet especializados no assunto (como por exemplo, o constante no endereço https://www.queijosnobrasil.com.br/portal/tudo-sobre-queijo/147-etapas- dafabricacao-de-queijos), temos que o leite, após passar por diversas etapas de processamento como a coagulação, a acidificação, o dessoramento do grão, a enformagem e a salga, é que resultam no queijo. Esses queijos podem ser consumidos após essa fase de sua fabricação, sem passarem pelo processo da cura ou da maturação, e assim o seriam “frescos”; ou Fl. 12758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 64 passarem pelo processo de maturação (fase que após vários processos físicos, bioquímicos e microbiológicos, é alterada a composição química do queijo, haja vista o desenvolvimento de sabor, aroma, aspecto e textura que lhe é típico), e somente após essa fase, serem disponibilizados para o consumo. São os queijos denominados “maturados”. Portanto, o queijo classificado como “fresco” assim o é pelo fato de ser destinado ao consumo humano antes que passe por qualquer processo de maturação, e desta forma seria considerado como não maturado ou não curado. Na Tabela de Incidência do IPI (Tipi) aprovada pelo Decreto nº 8.950, de 29 de dezembro de 2016, os queijos são assim classificados em seu Capítulo 4: “04.06 Queijos e requeijão. 0406.10 - Queijos frescos (não curados), incluindo o queijo de soro de leite, e o requeijão 0406.10.10 Mussarela 0406.10.90 Outros 0406.20.00 - Queijos ralados ou em pó, de qualquer tipo 0406.30.00 - Queijos fundidos, exceto ralados ou em pó 0406.40.00 - Queijos de pasta mofada (azul*) e outros queijos que apresentem veios obtidos utilizando Penicillium roqueforti 0406.90 - Outros queijos” Pelo exposto, não há dúvidas de que o “queijo fresco não maturado” a que se refere o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, é o “queijo (não curado)” classificado no código 0406.10 da TIPI. Diz a Regra Geral n.º 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI(SH)1), que “para os efeitos legais a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas outras regras gerais”. Determina a Regra Geral nº 6 para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI(SH)6) que “a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível para os fins da presente regra, as notas de seção e de capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário”. A posição 04.06 descreve em seu texto “Queijos e Requeijões” e as NESH desta posição afirmam que: Esta posição compreende todos os tipos de queijos, a saber: 1) O queijo fresco (incluído o queijo fabricado a partir do soro de leite ou do leitelho) e o requeijão. O queijo fresco é um queijo que não foi submetido a nenhuma cura (refinação) e que pode ser consumido pouco tempo após a sua Fl. 12759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 65 fabricação (Ricota, Broccio, cottage cheese, queijo cremoso, Mussarela, por exemplo). 2) Os queijos ralados ou em pó. 3) Os queijos fundidos. Trata-se de produtos obtidos por corte, trituração e fusão por meio de calor e de agentes emulsificantes ou acidificantes (incluídos os sais de fusão), de uma ou mais espécies de queijos e de um ou mais dos produtos seguintes: creme de leite (nata*) e outros laticínios, sal, especiarias, aromatizantes, corantes e água. 4) Os queijos de pasta mofada (azul*) (Roquefort, Gorgonzola, etc.). 5) Os queijos de pasta mole (Camembert, Brie, etc.). 6) Os queijos de pasta semidura ou de pasta dura (Cheddar, Gouda, Gruyère, Parmesão, etc.). Os queijos de soro de leite obtêm-se por concentração do soro de leite com adição de leite ou de matérias gordas do leite. Classificam-se na presente posição desde que possuam as três características seguintes: a) Terem um teor de matérias gordas do leite, calculado em peso, sobre o extrato seco, igual ou superior a 5 %; b) Terem um teor de extrato seco, calculado em peso, igual ou superior a 70 %, mas não superior a 85 %; c) Apresentarem-se moldados ou serem suscetíveis de moldação. A presença, nos queijos, de carne, peixes, crustáceos, ervas aromáticas, especiarias, produtos hortícolas, fruta, vitaminas, leite desnatado em pó, etc., não lhes altera a classificação, desde que o produto conserve a sua característica de queijo. Os queijos envolvidos de pasta ou de pão ralado (empanados), mesmo pré- cozidos, permanecem classificados na presente posição, desde que conservem a sua característica de queijo. (gn). Os queijos frescos são, em geral, do tipo mole, e estão prontos para consumo logo após a fabricação. Os queijos de pasta dura ou semidura classificam-se, como regra, nas posições do 04.06.90: 0406.90- Outros queijos 0406.90.10 Com um teor de umidade inferior a 36,0 %, em peso (massa dura) 0406.90.20 Com um teor de umidade igual ou superior a 36,0 % e inferior a 46,0 %, em peso (massa semidura) 0406.90.30 Com um teor de umidade igual ou superior a 46,0 % e inferior a 55,0 %, em peso (massa macia) 0406.90.90Outros Fl. 12760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 66 É o caso dos queijos emmental, gouda, cheddar e o parmesão. Embora a determinação legal da Lei 10.925/2004 sobre a alíquota zero não ofereça a posição na classificação, indicando “queijo fresco não maturado”, parece lógica a conclusão da DRJ, de que corresponda ao “queijo fresco” da posição 04.06.10. A empresa apresenta a composição do queijo tipo gouda, indicando como é feito: “Para preparar o queijo gouda, utiliza-se leite integral de vaca, pasteurização entre 63ºC e 65ºC, por 30 min. Depois, resfria-se até atingir 38ºC, adiciona-se cultura láctea e pré-fermentação. Ao término da fase de pré-fermentação, o gouda recebe também corante e coalho para coagulação”. Apresenta uma lista de queijos desse objeto da autuação, indicando ser a composição lacta exatamente a mesma, a saber: Embora a empresa alegue que a composição é basicamente a mesma e que tais queijos poderiam ser qualificados como “fresco”, entende-se que os produtos alíquota zero são apenas os listados na Lei e os classificados na posição 04.06.10. Não há elementos para alterar o decidido. Veja-se que o Carf já seguiu essa mesma linha. No processo em questão, porém, o litígio era inverso, sobre o crédito de queijos, e não sobre a tributação nas saídas. A fiscalização glosou créditos de queijos em geral, por serem produtos alíquota zero, ao caso que o recorrente argumentava pelos créditos por não estarem subsumidos à alíquota zero. A glosa de crédito de queijo gouda já havia sido afastada no âmbito da DRJ, sendo que o Carf estendeu ao queijo cheddar, justamente por não estarem submetidos à alíquota zero. Embora a matéria em si não tenha sido objeto de ementa, veja-se o decidido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU AO REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Fl. 12761DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 67 Não há previsão legal autorizadora de tomada de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero ou monofásicos (art. 2° e 3° das Leis n°10.637/2003 e 10.833/2003). (...) Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) pelo voto de qualidade, com fulcro no art. 3º, II, ‘a’ da Portaria n.º 260/2020, para rejeitar a preliminar de nulidade do item ‘g’ da autuação por vício de motivação. (...) (iii) por unanimidade de votos para: (iii.1) reverter as glosas sobre a aquisição dos seguintes produtos: (iii.1.1) queijo cheddar; (iii.1.2) açúcares (glace, cristal, demerara, refinado, sachet) da classificação 17.01.99.00 adquiridos anteriormente a 09/07/2013; (iii.1.3) cappuccino; (iii.1.4) arruda, gengibre e milho verde em conserva (NCM 2005.80.60); e (iii.1.5) pizza e pastel enquadrados na posição 1905; (...) (...) Voto Vencido5 (...) Como informa a Recorrente em seu recurso, no julgamento da impugnação apresentada a DRJ procedeu ao cancelamento das glosas relativas às aquisições de “queijo do reino” e dos queijos dos tipos “3 queijos, “gouda”, “gruyere”, “brie”, “fondue” e “gorgonzola”. (...) Por outro lado, com relação ao queijo cheddar, a glosa deve ser revertida, pois esse tipo de queijo não está relacionado no rol constante do art.1º, inciso XII, da Lei nº10.925/04. (Acórdão 3402-008.772; sessão de 27/07/2021; 2ª Turma, 4ª Câmara, 3ª Seção do Carf, proc. 19311.720307/2015-30). Assim, é de ser mantida a tributação. Café – alíquota zero A controvérsia se refere ao seguinte inciso da Lei 10.925/2004: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: [...] XXI - café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da Tipi; (gn). 5 Observa-se que o voto não foi vencido sobre o item comentado no texto. Fl. 12762DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 68 A DRJ reverteu parcela do lançamento nesse item: Desta feita, julgamos procedente também a parte da impugnação referente à autuação para cobrança do PIS e da Cofins sobre os itens café expresso, café com leite e cappuccino, nos termos e valores especificamente relacionados na peça de defesa da contribuinte. Compulsando o apresentado na impugnação, verifica-se que a reversão da DRJ abrange a maior parte dos itens dos quadros da peça contestatória. A MP nº 609/13, convertida na Lei nº 12.839/13, determinou alíquota zero para o café solúvel NCM 2101.1. Já a fiscalização aduz a Solução de Consulta SRRF/9ª RF DIANA nº 60/2003, que classificou preparações com café no NCM 1901.90.90. Veja-se as posições respectivamente: 21.01 Extratos, essências e concentrados de café, chá ou mate e preparações à base destes produtos ou à base de café, chá ou mate; chicória torrada e outros sucedâneos torrados do café e respectivos extratos, essências e concentrados. 2101.1 - Extratos, essências e concentrados de café e preparações à base destes extratos, essências ou concentrados ou à base de café: 2101.11 -- Extratos, essências e concentrados 2101.11.10 – Café solúvel, mesmo descafeinado 2101.11.90 – Outros 2101.12.00 -- Preparações à base de extratos, essências ou concentrados ou à base de café Esta posição compreende: 1) Os extratos, essências e concentrados de café. Podem preparar-se a partir do café propriamente dito, mesmo descafeinado, ou a partir de misturas, em quaisquer proporções, de café com sucedâneos do café. Podem apresentar-se líquidos ou em pó, geralmente muito concentrados. Inclui-se, particularmente, neste grupo, o café instantâneo, obtido por infusão seguida de desidratação ou, ainda, por infusão seguida de congelamento e, depois, secagem a vácuo. 2) Os extratos, essências e concentrados de chá ou mate. Correspondem, mutatis mutandis, aos produtos descritos no parágrafo precedente. 3) As preparações à base de extratos, essências e concentrados referidos nos números 1 e 2, acima. Trata-se de preparações à base de extratos, essências ou de concentrados de café, chá ou mate (e não daquelas que se obtêm por adição de café, chá ou mate a outras substâncias). Esta posição inclui os extratos etc., a que se tenha adicionado, durante a fabricação, amidos ou outros hidratos de carbono. 4) As preparações à base de café, chá ou mate. Estas preparações abrangem, entre outras: Fl. 12763DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 69 a) as pastas de café, compostas de café torrado e moído, gorduras vegetais etc., e, por vezes, ainda, outros ingredientes; e b) as preparações à base de chá, que consistam numa mistura de chá, leite em pó e açúcar. 5) A chicória torrada e outros sucedâneos torrados do café e respectivos extratos, essências e concentrados. Trata-se de quaisquer produtos torrados destinados a substituir ou imitar o café, por infusão em água quente, bem como os que se destinem a serem adicionados ao café. Estes produtos são por vezes designados pelo termo “café”, seguido do nome da matéria de base (café de cevada, café de malte, café de bolota etc.). A chicória incluída na presente posição provém da torrefação da raiz de chicória (Cichorium intybus var. sativum), da posição 12.12, e tem cor castanho-escura e sabor amargo. Na preparação dos outros sucedâneos torrados do café, empregam-se correntemente beterraba sacarina, cenouras, figos, cereais (principalmente cevada, trigo e centeio), tremoços, soja, grão-de-bico, bolotas comestíveis, caroços de tâmaras ou de amêndoas, raiz de dente-de-leão (taráxaco) e castanhas. O malte torrado, que, pelo seu modo de acondicionamento, manifestamente se destine a servir como sucedâneo do café, também se inclui nesta posição. Os referidos produtos podem apresentar-se em pedaços, em grãos ou em pó, ou, ainda, sob a forma de extratos líquidos ou sólidos; podem apresentar-se puros, misturados entre si ou adicionados de outras substâncias (sal, carbonatos alcalinos, etc.). Muitas vezes são comercializados em embalagens para venda a retalho. Excluem-se desta posição: a) Os sucedâneos torrados do café que contenham café em qualquer proporção (posição 09.01). b) O chá aromatizado (posição 09.02). c) Os açúcares e os melaços caramelizados (posição 17.02). d) Os produtos do Capítulo 22. E o capítulo 1901: 19.01 Extratos de malte; preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições; preparações alimentícias de produtos das posições 04.01 a 04.04, que não contenham cacau ou que contenham menos de 5 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. Fl. 12764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 70 1901.10 Preparações para alimentação de lactentes e crianças de tenra idade, acondicionadas para venda a retalho 1901.20 - Misturas e pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos, da posição 19.05 1901.90 - Outros A DRJ parece correta ao não exigir que o café corresponda a 50% ou mais da composição, uma vez que não consta na NESH do subcapítulo 2101 tal proporção. A abordagem foi pela característica essencial desses produtos perante os consumidores: Como bem explanado pela recorrente, o ingrediente café tem propriedades marcantes que fazem com que, mesmo em proporção físico-química inferior a de outros ingredientes componentes das preparações cappuccino e café com leite, seu sabor prepondere sobre o dos demais, definindo a característica essencial desses produtos perante os consumidores. Ademais, com base na demonstração da impugnante sobre as propriedades do café, entendo como razoável o argumento de que não é acertada a exigência de que a bebida tenha mais de 50% de café em sua composição para sua classificação como à base de café. Tal exigência, considerando, por exemplo, a propriedade de acidez, de fato poderia representar em inviabilidade mercadológica dos produtos cappuccino e café com leite, implicando na inaceitabilidade deles perante seus consumidores, que, independentemente da composição química dos produtos, reconhecem-lhes como produtos que têm o café como ingrediente principal da bebida. Assim, a DRJ julgou procedente a impugnação quanto ao café expresso, café com leite e cappuccino. Para elucidar tal questão, faz-se necessário saber o significado da expressão “à base de” da posição 2101.1 que consta da Nota 3, acima. Admitido que é o que lhe confere a sua natureza e essencialidade, como aceito pela DRJ, ainda assim não é possível dispensar o aspecto quantitativo. É fundamental conhecer a sua proporção, de modo a aferir o aspecto quantitativo em combinação com o qualitativo. No capítulo em questão, o café deve ser a base, não apenas produto que se adiciona. Isso se torna mais evidente com a leitura do final da Nota 3 em questão: a posição 21.01 trata de “Preparações à base de extratos, essências ou de concentrados de café, chá ou mate (e não daquelas que se obtêm por adição de café, chá ou mate a outras substâncias). Esta posição inclui os extratos, etc., a que se tenha adicionado, durante a fabricação, amidos ou outros hidratos de carbono”. Nesse caso, a fim de que o café seja a base de tais preparações, ele mantém sua preponderância, mesmo que qualitativa, ainda que a elas sejam adicionados ingredientes algo secundários, como amidos e outros hidratos de carbono. No caso da adição de outros tipos de ingredientes menos secundários, como leite, açúcar e chocolate, a mistura resultante pode não Fl. 12765DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 71 mais permanecer nessa posição 21.01, conforme sua Nota 3, que exclui dessa posição as preparações que se obtêm por adição de café a outras substâncias. Nesse caso, esses ingredientes adicionados são por demais importantes em termos de sabor e essencialidade, com a consequência de que resultam em nova classificação à mistura resultante, não sendo possível sustentar a do Capítulo pleiteado apenas pela adição de café. A empresa, em seu recurso, mesmo após a decisão da DRJ que aceitou em parte o pleiteado na impugnação, nada acrescenta. Não mostra a composição qualitativa e quantitativa dos produtos. Cita apenas um exemplo, a capsula “Latte Macchiato”, apresentando a composição: Cita descrição da internet e aduz não ter oposição com relação a eventual diligência: Ademais, caso esse Eminente Órgão Julgador entenda por bem remeter o julgamento em diligência com o fito de se apurar a integralidades da classificação/composiçãos dos muitos produtos listados, a ora Recorrente desde já salienta que em nada, se opõe. Dessa forma, considero não existir elementos a comprovar o entendimento adotado. Deveria ter, a empresa, apresentado provas do que alega. Portanto, nesse item, é de se manter o decidido pelo julgamento de origem. 6 AJUSTES DE ACRÉSCIMO DE CRÉDITOS: Créditos extemporâneos A empresa se creditou de ajustes de acréscimos de crédito nos Blocos M100 e M500 da EFD-Contribuições, dentre eles muitos nos quais a descrição constava apenas “Tese Despesas e Insumos”. Os créditos apresentados se referiam a aquisições ocorridas em período pretérito de janeiro de 2012 ao final de 2014. A empresa assim se justifica no recurso voluntário: Importante fazermos o caminho traçado na impugnação, a fim de bem relembrarmos que a Contribuinte, após intimação pelo Fisco, apresentou planilha com a composição de créditos, com a identificação de rubricas sob o termo “SIMPLES”, em julho de 2016 a dezembro de 2017 relativos às compras de produto alíquota zero, realizadas nas aquisições ocorridas junho e agosto de 2011, efetuadas de fornecedores optantes pelo Simples Nacional. Fl. 12766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 72 (...) Portanto, o primeiro ponto a ser elucidado de forma insistente é que a Contribuinte comprovou a existência do direito creditório. (...) Ora, a glosa dos referidos créditos deu-se de maneira completamente indevida, uma vez que, restou demonstrado durante a fiscalização, pela própria Receita Federal que apurou através dos comprovantes de transferências para os fornecedores optantes do SIMPLES, a existência dos créditos tomados e compensados pelo contribuinte. (...) Em que pese o lapso temporal, inexiste qualquer previsão ou vedação para a compensação em momento posterior ao da aquisição. Inclusive, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), tem-se posicionado quanto à inexistência de necessidade de retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e/ou da Escrituração Fiscal Digital Contribuições (EFD Contribuições) de períodos anteriores. (...) Contudo, persistimos no argumento já delineado, por se tratar de períodos decaídos, por certo que a Contribuinte sequer teria a obrigação de mantê-los arquivados e organizados, contudo, na busca pelo melhor atendimento à fiscalização solicitou acréscimo de prazo para apresentação de documentos, já que necessitaria revolver seu acervo físico de registros contábeis de 5 (cinco anos). Por variados motivos não cabe prover o pleito da empresa. Primeiro, como a apuração dos créditos para ressarcimento ou dedução depende, no mais dos casos, da prévia confrontação entre créditos e débitos dentro do período de apuração, inevitável é que o reconhecimento do direito creditório deva se dar por períodos de apuração. Importa destacar que o trimestre de apuração tem influência no rateio dos dispêndios passíveis de consideração na base de cálculo dos créditos. Tais disposições são encontradas, de forma clara, nas instruções normativas que regularam a matéria (IN SRF 600/2005, IN RFB 900/2008, IN RFB 1.300/2012, IN RFB 1.717/2017 e seguintes). A legislação se reporta, para fins de determinação do crédito, ao mês de aquisição do bem ou serviço ou mês em que a despesa for incorrida, e, caso o crédito não seja aproveitado no próprio mês de sua apuração, poderá sê-lo nos seguintes. O cerne da questão não é o momento em que o crédito é utilizado, mas sim para qual período ele é apurado. A utilização do saldo de créditos de meses anteriores é uma faculdade da contribuinte, não podendo a autoridade fiscal incluir tais créditos, de ofício, em um Perdcomp que versou unicamente a respeito dos créditos de um período de apuração específico. Ou seja, os arts. 3º, § 4º, das Leis nº 10.637/2002, e 10.833/2003, permitem que um crédito já Fl. 12767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 73 apurado em um determinado mês, e não utilizado, possa ser aproveitado em meses posteriores. Porém, não permite que se aproveite um crédito não apurado no mês incorrido, para escrituração direta em outro período de apuração. No caso, a escrituração foi realizada como ajuste, dispensando a alimentação das correspondentes notas fiscais. Importa observar o comando presente no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/1996, a saber: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. É de se pontuar, também, a questão relativa à obrigatoriedade dos contribuintes de apresentação de obrigações acessórias definidas pelo órgão fazendário, nos termos consignados nos artigos 113 e 115 do Código Tributário Nacional (CTN)6. Antes, deveria o controle ser feito pelo interessado através do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004. O Dacon retificador seria obrigatório para a situação, atendendo ao art. 11 da IN SRF 590/2005. Após, o controle passou para a EFD-Contribuições que, conforme disciplina a IN RFB nº 1.252/2012 (que revogou a IN RFB 1.015/2010), em relação às pessoas jurídicas sujeitas à tributação do Imposto sobre a Renda com base no Lucro Real, restando obrigatória em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2012. Na EFD-Contribuições, os esclarecimentos e ajuda já firmavam a necessidade de retificação da escrituração a cujo período se refere o crédito. Com a extinção do DACON pela Instrução Normativa RFB nº 1.441, de 20/01/2014, a partir de 01/01/2014 o controle dos créditos permaneceu na EFD-Contribuições, a qual também previu a retificação da referida escrituração fiscal digital para alteração dos créditos: 6 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Fl. 12768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 74 Art. 11. A EFD-Contribuições, entregue na forma desta Instrução Normativa, poderá ser substituída, mediante transmissão de novo arquivo digital validado e assinado, para inclusão, alteração ou exclusão de documentos ou operações da escrituração fiscal, ou para efetivação de alteração nos registros representativos de créditos e contribuições e outros valores apurados. § 1º O arquivo retificador da EFD-Contribuições poderá ser transmitido até o último dia útil do ano-calendário seguinte a que se refere a escrituração substituída. § 1º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da EFD-Contribuições extingue-se em 5 (cinco) anos contados do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele a que se refere a escrituração substituída. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1387, de 21 de agosto de 2013) § 2º O arquivo retificador da EFD-Contribuições não produzirá efeitos quanto aos elementos da escrituração, quando tiver por objeto: I - reduzir débitos de Contribuição: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na escrituração retificada, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) cujos valores já tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; II - alterar débitos de Contribuição em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal; e III - alterar créditos de Contribuição objeto de exame em procedimento de fiscalização ou de reconhecimento de direito creditório de valores objeto de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação. § 3º A pessoa jurídica poderá apresentar arquivo retificador da escrituração, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1387, de 21 de agosto de 2013) I - na hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao escriturado no arquivo original, desde que o débito tenha sido também declarado em DCTF; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1387, de 21 de agosto de 2013) II - na hipótese prevista no inciso III do § 2º, decorrente da não escrituração de operações com direito a crédito, ou da escrituração de operações geradoras de crédito em desconformidade com o leiaute e regras da EFD-Contribuições. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1387, de 21 de agosto de 2013) Fl. 12769DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 75 § 4º A pessoa jurídica que transmitir arquivo retificador da EFD-Contribuições, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora, observadas as disposições normativas quanto à retificação desta.” (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1387, de 21 de agosto de 2013) (Destaques acrescidos) (gn). Os dispositivos não extrapolam ou ferem nenhum dispositivo legal, estando em consonância com o art. 74 da Lei 9.430/1996, já citado. Desta forma, cabe ao contribuinte manter controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições e dos respectivos créditos a serem descontados, informando seus débitos e créditos de forma a permitir que os valores respectivos sejam objeto de verificação e comprovação, se caso. O “Perguntas e Respostas” da EFD-Contribuições também registra (consulta feita em 20/05/2024, http://sped.rfb.gov.br/arquivo/show/3024): 90) Como informar um crédito extemporâneo na EFD-CONTRIBUIÇÕES? O crédito extemporâneo deverá ser informado mediante a retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. As empresas devem observar os seguintes procedimentos: 1. Retificar a EFD-Contribuições do correspondente período de apuração, para constituir os créditos decorrentes de documentos não considerados na apuração inicial. Os saldos de créditos das EFDs-Contribuições dos meses posteriores à constituição do crédito devem ser retificados para evidenciar o novo crédito, nos registros 1100 (PIS/Pasep) e 1500 (Cofins); 2. Retificar a DIPJ/ECF, para ajustar o custo/despesa considerado na apuração do lucro líquido, caso os documentos fiscais não considerados na apuração de crédito na EFD-Contribuições original tenham sido computados pelo seu valor bruto; 3. Retificar a DCTF, caso seja apurado valor suplementar de PIS, Cofins, IRPJ e de CSLL a recolher, decorrente do ajuste referido nos itens acima. Procedimento semelhante deverá ser adotado com relação aos períodos anteriores à obrigatoriedade da EFD-Contribuições, qual seja, retificação do DACON, DIPJ e DCTF, quando for o caso. Atentar para o fato que a retificação de DACON pode também ensejar ainda a retificação da EFD-Contribuições de períodos posteriores. Em decisões recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do Carf dispôs: EMENTA: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Fl. 12770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 76 ................................... ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras. (CSRF 3a. Turma; Processo: 10925.905144/2010-66; Sessão 16/10/2019). (gn). ----------------------------------- EMENTA: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas Declarações de Débitos e Créditos (DCTF) retificadoras. (gn). (CSRF 3a. Turma; Processo: 11080.725590/2010-31; Sessão 13/04/2022). ----------------------------------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais. (gn). (CSRF 3a. Turma; Processo: 10783.720619/2011-99; Sessão 14/03/2024). Não obstante a empresa cite decisão da CSRF pela possibilidade de apropriação dos créditos, a jurisprudência mais recente se consolidou em sentido contrário. Segundo, cabe ao contribuinte guardar a devida comprovação. Nesse ponto, a decisão da DRJ parece suficiente: Fl. 12771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 77 Conforme dispõe o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, é na impugnação/manifestação de inconformidade que o sujeito passivo expõe suas razões de fato e de direito, instruindo-a com os documentos que comprovem suas alegações. A produção posterior de provas somente é admissível em casos específicos e devidamente comprovados, de acordo com o que determina a legislação processual administrativa, nos §§ 4º e 5º do art. 16 do mesmo Decreto. Não consta nos §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 a possibilidade de produção posterior de provas motivada pela extensa quantidade de documentos ou diante do lapso de tempo entre a data dos documentos e o momento de apresentação deles como prova de um direito alegado. Tratando-se de direito creditório (aproveitamento de saldo creditório não utilizado em período anterior), cabe ao contribuinte a guarda dos documentos que embasaram o crédito, assim como a comprovação de não utilização da totalidade do crédito em períodos subsequentes aos da apuração, ainda que transcorrido o prazo decadencial concernente ao período em que apurado o crédito. Ademais, ainda que se admitisse a juntada posterior de demonstrativos e documentos tendentes à comprovação da regularidade dos créditos extemporâneos aproveitados pelo contribuinte, compulsando os autos, não se identificou a juntada desses documentos. Assim, improcedente o pleito do contribuinte quanto à glosa de créditos extemporâneos. A empresa cita a Solução de Consulta Cosit/RFB nº 58/2016 como explicação de seu crédito. A ementa da referida SC é a seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins EMENTA: SUSPENSÃO DO PAGAMENTO. ALÍQUOTA ZERO. SIMPLES NACIONAL. INAPLICABILIDADE. A suspensão do pagamento da Cofins prevista no art. 32, I, da Lei nº 12.058, de 2009, e no art. 54, III, da Lei nº 12.350, de 2010, bem como a alíquota zero da referida contribuição prevista no art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925, de 2004, são inaplicáveis a pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional. AQUISIÇÕES DE BENS DE PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, observadas as vedações previstas e demais disposições da legislação aplicável, podem apurar créditos referentes às aquisições de bens de pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 24; Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º, XIX; Lei nº 12.058, de 2009, arts. 32 e 34; Lei nº 12.350, de 2010, arts. 54 e 56; Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 15, de 26 de setembro de 2007. Igual é o texto para o PIS. Nos fundamentos, assim consta: Fl. 12772DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 78 Assim, ao tempo da consulta, de fato havia o direito ao crédito presumido quando, por exemplo, os produtos classificados nos códigos 02.01, 02.02, 02.03 e 02.07 da Tipi (carne bovina fresca ou refrigerada; carne bovina congelada; carne suína fresca, refrigerada ou congelada; e carnes e miudezas comestíveis das aves da posição 01.05, frescas, refrigeradas ou congeladas, respectivamente) eram adquiridos com suspensão do pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, já que a revenda dessas carnes era tributada normalmente. Desde 8 de março de 2013, porém, o supermercado revende esses produtos com alíquota 0 (zero), não mais havendo se falar em direito a crédito presumido. (...) As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, observadas as vedações previstas e demais disposições da legislação aplicável, podem apurar créditos referentes às aquisições de bens de pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional Instado a comprovar, contribuinte apresentou uma parte de notas fiscais, uma parte de pagamentos aos fornecedores e outra parte não logrou êxito na comprovação. No caso, foi constatado aproveitamento de créditos nessas condições também em períodos anteriores, o que reforça a necessidade da devida apuração por período, refazendo o declarado. Por fim, recentemente, foi publicada a súmula Carf na mesma direção: SÚMULA CARF Nº 231 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 05/09/2025 – vigência em 16/09/2025 O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. Assim, deve ser negado provimento ao recurso voluntário com relação aos créditos extemporâneos. 7 CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES: Glosas A empresa desistiu do litígio com relação aos créditos com base na depreciação de bens do ativo imobilizado (Anexos XXI a XXXVII do relatório fiscal). Assim como constou na peça recursal, cabem algumas observações sobre o conceito de insumos das contribuições, o que será feito de modo bem objetivo. 7.1 CONCEITO DE INSUMOS Cumpre uma digressão inicial sobre o conceito de insumo a ser utilizado, uma vez que abordado tanto na decisão de primeiro grau quanto no recurso. É de se delimitar, então, o Fl. 12773DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 79 que se entende por insumo, nos termos da legislação de regência. Em sua origem, a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins estava basicamente regrada no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que tratam sobre quais créditos poderão ser descontados, inclusive dos bens e serviços utilizados como insumos. As previsões legais foram disciplinadas, no âmbito da RFB, inicialmente, pelas Instruções Normativas, nºs 247/2002, 358/2003 e 404/2004. Mais recentemente, o julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial (REsp) nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1.036 e seguintes do NCPC, fixou entendimento aplicável à matéria. Em tal julgado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) assentou as seguintes teses “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. O entendimento fixado pelo STJ foi intermediário entre o adotado pela RFB em suas instruções normativas e o pleiteado por muitas empresas. Assim, não se poderia limitar os créditos aos gastos com o aplicado diretamente na fabricação, bem como ao que sofre desgaste na produção. Tampouco, por outro lado, abrangeria gastos necessários à manutenção da atividade empresarial, mas sim os dispêndios vinculados ao processo produtivo apenas, em suas fases, afastando outras despesas. Ou seja, não é o conceito adotado para o IPI. Tampouco para o IRPJ. Após, foram publicados a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e o Parecer Normativo (PN) Cosit/RFB nº 05, de 17/12/2018. Este esclareceu aspectos do julgado para fins de sua adoção administrativa. Observe-se, ainda, que a mudança de entendimento acima abordada não afasta a necessidade de comprovação de que os dispêndios, para efeitos de classificação como insumos, estejam relacionados intrinsecamente ao exercício das atividades-fim da empresa e não correspondam a meros gastos operacionais. A referida mudança também não implica que o novo entendimento sobre o conceito de insumos se sobreponha às vedações e limitações de creditamento previstas em lei. E mais, mantém-se, inclusive em decorrência de critério lógico, a necessidade de delimitação e escrituração apartada, para o aproveitamento como crédito, no caso de gastos em bens e serviços aproveitados tanto em áreas de produção como em outras atividades da empresa. 7.2 GLOSAS DE FRETES DE TRANSFERÊNCIA A empresa informou ajustes de acréscimos de crédito relativos aos fretes de transferência, o que foi glosado pela fiscalização. Em seu recurso, o contribuinte disserta sobre a importância dos centros de distribuição. Trata das embalagens, conservação e formas de Fl. 12774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 80 armazenamento das mercadorias. Especificamente sobre os fretes, que é a matéria glosada, se insurge contra o entendimento adotado na apreciação de 1º grau: No entendimento assumido pela DRJ ficou negligenciada a informação que a empresa Recorrente conta atualmente com 74 lojas em funcionamento espalhadas entre os estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, distribuídas em 36 cidades diferentes e que, invariavelmente, necessita dos fretes para transferir as mercadorias adquiridas do Centro de Distribuição para filiais e até mesmo entre as próprias filiais em suas operações de logística. Deste modo, por intermédio dos fretes entre o Centro de Distribuição e filiais e também entre as filiais, internamente e por meio dos processos logísticos adequados, organiza-se a distribuição das mercadorias a serem vendidas de forma fracionada, em quantidades menores, o que se mostra essencial para as atividades da Recorrente, à medida que seria impossível que as mercadorias que, num geral, são adquiridas para o abastecimento de diversas lojas, fossem entregues pelo fabricante em pequenos lotes em 28 cidades distintas. Está se tratando aqui de atividade comercial, do ramo supermercadista. Os fretes são internos. Assim, não se está tratando do frete na venda para o consumidor (previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003 – “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Tampouco de fretes nas compras. Para estes, não consta ter existido glosas. Ocorre que a decisão do STJ, referida no subtítulo anterior, definiu a abrangência dos insumos ao processo produtivo ou prestação de serviços. A necessidade, conforme julgado pelo STJ, está relacionada ao processo de produção, e não à atividade empresarial. Os contornos para adoção administrativa pela RFB foram definidos no Parecer Normativo Cosit 05/2018. No que interessa aqui: Conclusão 166. Com base no exposto, conclui-se que, conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. (...) a) somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros, excluindo-se do conceito itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil, etc., bem como itens relacionados à atividade de revenda de bens; Fl. 12775DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 81 (...) c) o processo de produção de bens encerra-se, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindo-se do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos do contribuinte são serviços utilizados na distribuição/reorganização das mercadorias, e não na produção delas, sobretudo quando se trata de produto acabado. Por isso os referidos fretes não podem ser considerados insumos e gerar créditos com base no inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. A jurisprudência nesse sentido predominou recentemente. Cita-se como exemplo apenas o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 (...) CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ. Conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003), não há amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. O raciocínio se estende a fretes entre estabelecimentos para formação de lotes, destinados a posterior exportação. (CSRF 3a Turma; Processo: 13971.722179/2018-51; Acórdão: 9303-015.666; Sessão 15/08/2024). Por fim, tem-se a súmula recente do Carf sobre a matéria: Súmula CARF nº 217 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Fl. 12776DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 82 Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. 7.3 GLOSAS DE TAXAS DE CARTÃO DE CRÉDITO As despesas com as taxas de administração de cartões de crédito foram glosadas. A empresa apresenta dados de compras e entende ser fácil de verificar a essencialidade de tais despesas. É de se reconhecer a importância da despesa em questão para o comércio varejista e atividade de supermercado, pelo menos no Brasil. Porém, na direção do já visto acima, despesas com taxa de administração de cartões de crédito não guardam relação com o conceito de insumo, tendo, sim, a natureza de despesa operacional, que com aquele não se confunde. Tendo em vista que a Impugnante exerce a atividade de comércio varejista e atacadista, não há que se falar em utilização de bens ou serviços como insumos, visto que, neste caso, não há produção de bens ou prestação de serviços. Seguem julgados do Carf na direção do entendimento adotado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2011 (...) INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. TAXAS PAGAS A ADMINISTRADORAS DE CARTÕES. IMPOSSIBILIDADE. As despesas relativas a serviços prestados por administradoras ou operadoras de cartões de crédito e/ou débito, incorridas por pessoa jurídica no exercício de atividade comercial, não geram direito a crédito, no regime não-cumulativo do PIS e da Cofins, por falta de previsão legal. (...) (Processo 10540.721182/2016-78; Acórdão: 3302-008.120; Sessão: 29/01/2020; 2ª Turma, 3ª Câmara, 3ª Seção do Carf). ------------------------------ Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. Fl. 12777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 83 A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. (...) (Acórdão 3402-012.371; sessão de 28/11/2024; 2a Turma, 4a Câmara, 3a Seção do Carf; processo 11000.727904/2021-35). Devem ser mantidas as glosas. 7.4 AJUSTES DE ACRÉSCIMOS DE CRÉDITO DE PAGAMENTOS DE IPTU A empresa contesta a glosa. Apresenta quadro com os imóveis que aluga e alega que o IPTU faz parte do encargo contratual do locatário. Tudo faz parte do contrato de aluguel. A recorrente apresenta jurisprudência do Carf em seu favor. Registre-se, desde logo, que, não obstante existir jurisprudência em favor do entendimento da recorrente, a CSRF e a jurisprudência recente têm adotado posição diversa. Veja- se, como exemplo, os seguintes julgados: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 IPTU. CONDOMÍNIO. DIFERENÇAS. CREDITAMENTO. PIS/COFINS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas de condomínio não se equiparam ao pago a título de reembolso de IPTU e, consequentemente, não é passível de creditamento nos termos do artigo 3° inciso IV das Leis das contribuições não cumulativas (aluguéis de prédios). (...) (Processo: 19311.720253/2017-74; Acórdão: 3301-014.169; Sessão: 19/09/2024; 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção). ---------------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Fl. 12778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 84 (CSRF; Processo: 19515.720828/2018-43; Acórdão: 9303-015.489; Sessão: 17/07/2024). Adota-se o entendimento da CSRF proferido na decisão acima, por unanimidade, pelo que se transcreve o seguinte trecho do voto: O art. 3º, IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, autorizam a dedução de crédito dos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. O termo “aluguel” contempla tão somente a remuneração pela locação não fungível, no sentido definido pela legislação civil (art. 565 da Lei no 10.406/02), quando uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante o pagamento de retribuição: Lei n° 10.406/02 “Art. 565. Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição”. Por outro lado, dispõem os art. 23 e 25 da Lei no 8.245/1991, que: Art. 23. O locatário é obrigado a: I - pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação, legal ou contratualmente exigíveis, no prazo estipulado ou, em sua falta, até o sexto dia útil do mês seguinte ao vencido, no imóvel locado, quando outro local não tiver sido indicado no contrato; (...) XII - pagar as despesas ordinárias de condomínio. §1° Por despesas ordinárias de condomínio se entendem as necessárias à administração respectiva, especialmente: (...) b) consumo de água e esgoto, gás, luz e força das áreas de uso comum; c) limpeza, conservação e pintura das instalações e dependências de uso comum; d) manutenção e conservação das instalações e equipamentos hidráulicos, elétricos, mecânicos e de segurança, de uso comum; (...) §2° O locatário fica obrigado ao pagamento das despesas referidas no parágrafo anterior, desde que comprovadas a previsão orçamentária e o rateio mensal, podendo exigir a qualquer tempo a comprovação das mesmas. (...) Art. 25. Atribuída ao locatário a responsabilidade pelo pagamento dos tributos, encargos e despesas ordinárias de condomínio, o locador poderá cobrar tais verbas juntamente com o aluguel do mês a que se refiram. Fl. 12779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 85 Assim, não é possível se ampliar o conceito de aluguel para abarcar as despesas com o condomínio e IPTU. Primeiro, porque não há relação de acessoriedade entre esses dispêndios e o aluguel, pois ausente o vínculo de casualidade entre eles. O condomínio é uma contraprestação às utilidades compartilhadas pelos proprietários ou usuários dos prédios, servindo também de custeio dos gastos compartilhados, como, por exemplo, os salários de empregados, materiais de consumo, equipamentos, serviços prestados ao condomínio, etc. Já o aluguel é conceituado pelo Código Civil como um negócio jurídico, no qual uma das partes cede à outra o uso de um bem de sua propriedade em troca de um pagamento. Outrossim, o fato de o art. 23, XII, da Lei nº 8.245, de 1991, estabelecer a obrigação do locatário de pagar as despesas ordinárias de condomínio também não significa que tais despesas componham o valor do aluguel em si. Tanto que o inciso I do mesmo dispositivo prevê a obrigação do locatário de pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação, legal ou contratualmente exigíveis. (...) Por fim, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, conforme dispõe o art. 123, do CTN. Logo, não há amparo legal para o creditamento de IPTU e condomínio. Assim, é de se negar provimento. 7.5 DEMAIS AJUSTES: Venda de pães, descontos. Para os ajustes efetuados de acréscimo de crédito, vale, por óbvio, o mesmo entendimento adotado quanto ao mérito do crédito ou tributação da receita. Em se tratando de matéria não passível de crédito ou passível de tributação como receita, os ajustes efetuados para agregar créditos não agregados ou compensar receitas tidas como tributadas indevidamente também não podem ser validados. 8 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por julgar improcedente o recurso. Assinado Digitalmente MARCELO ENK DE AGUIAR Fl. 12780DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.763 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722235/2021-13 86 Fl. 12781DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 preliminares de nulidade 1.1 Nulidade do Lançamento. 1.2 Nulidade da Decisão da DRJ. 2 O Regime Não-Cumulativo: base de cálculo e créditos. 3 mérito: receitas de acordos comerciais 4 dos erros nas bases de cálculo dos acordos comerciais 5 Das vendas indevidamente não tributadas 6 ajustes de acréscimo de créditos: Créditos extemporâneos 7 créditos das contribuições: glosas 7.1 Conceito de insumos 7.2 glosas de fretes de transferência 7.3 glosas de taxas de cartão de crédito 7.4 ajustes de acréscimos de crédito de pagamentos de iptu 7.5 Demais ajustes: Venda de pães, descontos. 8 Conclusão
score : 1.0
Numero do processo: 10320.720170/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
COFINS. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO.
Nos pedidos de compensação ou ressarcimento o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento.
Numero da decisão: 3201-012.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Flávia Sales Campos Vale – Relatora
Assinado Digitalmente
Hélcio Lafetá Reis – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA SALES CAMPOS VALE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO. Nos pedidos de compensação ou ressarcimento o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento.
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CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO. Nos pedidos de compensação ou ressarcimento o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 553DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e reconheceu em parte o direito creditório. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que deferiu em parte o pedido de ressarcimento formulado no PER nº 06824.42642.090407.1.1.09-6080, relativo a crédito da Cofins Não-Cumulativa, oriundo da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, referente ao 3º trimestre de 2005 (art. 6º, caput, I, e §§1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003). Do crédito pleiteado de R$ 1.106.519,47, foram reconhecidos R$ 641.758,59. Por conseguinte, homologaram-se as compensações até o limite do crédito reconhecido (item 2 do decisório). 2. Conforme Relatório Fiscal (fls 285/288), no qual se baseou o Despacho Decisório (fls 293/304), o reconhecimento parcial do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entradas, saídas, apuração de IPI, inventário, entre outros) não informadas pelo contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 554DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 3 3.Cientificado do decisório em 08.05.2012 (fl 305), o contribuinte manifestou inconformidade em 06.06.2012 (fls 307/350), instruída com cópia do balancete de Fl. 555DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 4 verificação e de uma decisão judicial em Ação Civil Pública (fls 351/377), na qual solicita o reconhecimento integral do direito creditório. Para tanto, sustenta, em síntese, a legalidade dos créditos demonstrados no Dacon e no PER, na forma do quadro: 4. Por fim, o manifestante protesta pela juntada posterior de novos documentos e requer a realização de perícia, indicando o seu assistente técnico e formulando os quesitos a serem respondidos. A decisão recorrida reconheceu em parte o direito creditório e conforme ementa do Acórdão nº 08-30.755 apresenta o seguinte resultado: Acórdão 08-30.755 - 4ª Turma da DRJ/FOR Sessão de 20 de agosto de 2014 Processo 10320.720170/2010-25 Interessado COSIMA - SIDERURGICA DO MARANHAO LTDA CNPJ/CPF 10.431.245/0001-27 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 556DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 5 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência não-cumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja Fl. 557DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 6 subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não-Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Foi interposto de forma tempestiva Recurso Voluntário reproduzindo em síntese os mesmos os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Requer: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre aquisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Fl. 558DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 7 Vieram os autos para julgamento desta Turma, que em outra composição, por meio de Resolução decidiu pela conversão do feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime a Recorrente para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii)apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abra se novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Em resposta a diligência a Autoridade lançadora emitiu Relatório de Diligência: II – HISTÓRICO 1. O “Termo de Ciência e Intimação Fiscal” (TDPF 0320100-2019-00125), de 02.09.2019 (Doc.01), formalizando a solicitação do estipulado nas Resoluções do CARF, não foi recebido pela Diligenciada (Doc.02). Como se infere dos referidos Documentos Anexos, a ciência intentada o foi por via postal, ao Domicílio Tributário de Eleição consignado no respectivo CNPJ. É que a Diligenciada, em 14.02.2019, solicitou o cancelamento do “Termo de Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico”, ao qual havia aderido em 22.10.2014 (Doc.03). 2. Em 02.10.2019, a Diligenciada seguia sem Domicílio Tributário Eletrônico [DTE] (Doc.04). 3. Alternativamente, em momentos variados, foram feitas tentativas de contato aos telefones (98) 3067-8200, (98) 3678-2001, (81) 3421-3535, (98) 3678-2011, entre outros, todos atribuídos à Diligenciada, à vista de consultas a sítios de cadastros empresarias na internet. Do mesmo modo se deu quanto às Procuradoras da Diligenciada que, no passado, compareciam à DRF de São Luís- MA para tratar dos assuntos de sua Outorgante, as Senhoras Ivanilza Gomes Lins e Flaviane Amorim (Doc.05). O canal de internet mantido por “Queiroz Galvão”, grupo empresarial da Diligenciada, também foi instado (Doc.06). Em todos os casos, e noutros, cujos registros ainda não foram localizados ou não mais existem, não houve sucesso. 4. Mantendo-se (03.02.2020) a Diligenciada sem DTE (Doc.07), o “Termo de Ciência e Intimação Fiscal” (de 06.02.2020), análogo ao seu precedente Fl. 559DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 8 (02.09.2019), também foi devolvido, por inacolhimento, na esteira de sua postagem ao Domicílio Tributário de Eleição da Fiscalizada (Doc.08). 5. Em 26.08.2020, a Diligenciada permanecia sem readesão ao DTE (Doc.09). 6. Após quase 2,5 anos, em 30.03.2023 (Doc.10), a Diligenciada continuava sem DTE, e, postado, com Aviso de Recebimento ao seu Domicílio Tributário de Eleição, outro “Termo de Ciência e Intimação Fiscal” (30.03.2023) (Doc.11) retornou não recebido (Doc.12). 7. Em 16.11.2023, chegou ao Signatário mensagem de correio eletrônico da Ouvidoria da 3ª Região Fiscal (circunscrição competente para tratar dos Processos em causa). Em seu teor está a transcrição do que manifestou, em nome de COSIMA - SIDERÚRGICA DO MARANHÃO, CNPJ 10.431.245/0004-70, a Senhora Taciana Stanislau Afonso Bradley Alves, CPF 865.883.114-00, como segue (Doc.13): “Prezados Senhores, bom dia, a empresa COSIMA - SIDERURGICA DO MARANHAO LTDA. (CNPJ 10.431.245/0004-70) possui um conjunto de 36 processos conexos que discutem Per/Dcomps de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime não cumulativo nos anos calendário de 2003 a 2008. O CARF, em 25/09/2018, ao julgar esse conjunto de 36 processos, baixou todos em diligência, ocorre que, passados 5 (cinco) anos, os processos estão parados sem que as Resoluções tenham sido cumpridas, sequer a intimação da empresa para juntar documentos foi realizada. Em que pese ter que obedecer a ordem cronológica dos processos, 5 (cinco) anos para cumprir uma diligência não é um prazo razoável, Dessa forma, requer seja dado prosseguimento a esses feitos, pois estão parados há mais de 5 (cinco) anos aguardando o cumprimento de diligência determinada pelo CARF. A lista dos processos segue em anexo.” Em atenção ao asseverado na retro Manifestação, pouco tempo depois, foram prestadas as seguintes informações: “O Domicílio Tributário de Eleição do Contribuinte, reiteradamente instado por via postal, resultou em todas as vezes improfícuo. Com efeito, em todas as ocasiões, a correspondência postada, contendo a íntegra da Resolução e Termo de Informação correlato, retornou sem ter sido procurada pelo Contribuinte. O Contribuinte não é optante do Domicílio Tributário Eletrônico. Os elementos da escrituração do Contribuinte são essencialmente necessários aos exames definidos pela Resolução, não sendo exequíveis de outra forma. As tentativas de contato telefônico com o Contribuinte (em seu domicílio tributário de eleição e Escritório no Recife-PE) foram sem êxito (ligações não atendidas). Igualmente, com resultado equivalente, buscou-se contato telefônico com Procuradores que, no passado, acompanhavam as ações fiscais do Contribuinte (Senhoras Ivanilza e Flaviane).” Fl. 560DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 9 8. A consulta ao CNPJ da Diligenciada, em 16.11.2023 (Doc.14), data da Manifestação à Ouvidoria tratada acima, não mostra solução de continuidade na ausência de DTE. 9. Face à Manifestação à Ouvidoria, a Diligenciada assenhorou-se da ineficácia do seu Domicílio Tributário de Eleição e da impossibilidade de contorná-la com o DTE, do qual está desligada. Não obstante, após 16.11.2023 (quando se expediu a Resposta àquela Manifestação), não se modificou o status do DTE da Diligenciada, tampouco, tornou-se efetivo seu Domicílio Tributário de Eleição. De fato, a consulta ao CNPJ, em 05.12.2023 (Doc.15) mostra que segue mantida a falta de DTE. Por outro lado, antes do envio doutro “Termo de Ciência Fiscal” (23.02.2024), a verificação de DTE (Doc.16) também não mostrou alteração. E, postado, tal Termo voltou sem acolhimento do Domicílio Tributário de Eleição da Fiscalizada (Doc.17). 10. Nesta data, 30.08.2024, mais de seis meses após a anterior consulta ao CNPJ da Diligenciada, esta segue sem DTE (Doc.18). Quase um lustro desde a expedição (02.09.2019) do primeiro “Termo de Ciência e Intimação Fiscal”, subsiste ineficaz o Domicílio Tributário de Eleição da Diligenciada e ausente o seu DTE. 11. O atendimento ao demandado no Acórdão sobredito imprescinde do pronunciamento satisfatório e bastante da Diligenciada e, bem assim, da apreciação de seus itens escriturais (Diário/Razão, Registro de Apuração do IPI, Registro de Entradas e Registro de Saídas, se outros não se derem por necessários, conforme o caso concreto). Na matéria, eis que o período de apuração incidente é muito anterior ao Sistema Público de Escrituração Digital. III – CONCLUSÃO E ENCAMINHAMENTO Do quanto expendido, evidenciando-se a impossibilidade de concluir as medidas dispostas no precitado Acórdão, à sua emanante Repartição, se encaminha este Processo. Por meio de Edital Eletrônico foi a Recorrente intimada a tomar ciência do Relatório de Diligência Fiscal. A ciência do Relatório de Diligência Fiscal foi dada pelo decurso de prazo de 15 dias a contar da publicação do edital no sítio da RFB na internet. Devidamente intimada por meio do Edital Eletrônico a Recorrente não se manifestou. Posteriormente, retornaram os autos para julgamento desta Turma. É o relatório. VOTO Fl. 561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 10 Conselheira Flávia Sales Campos Vale, Relatora. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e reconheceu em parte o direito creditório. 1. Da conversão do julgamento em diligência No caso em exame, verifica-se que, em observância ao princípio da verdade material e como requerido pela Recorrente, este Colegiado, em outra composição, determinou a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de oportunizá-la apresentação de documentação complementar que pudesse comprovar a efetiva existência, a liquidez e a certeza dos valores pleiteados a título de crédito. Regularmente intimada, contudo, a Recorrente quedou-se inerte, não apresentando qualquer manifestação nos autos, tampouco os elementos probatórios requisitados, o que dificulta e até inviabiliza a verificação da origem e da legitimidade dos créditos objeto das compensações realizadas. Ressalte-se que, nos termos do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, e em conformidade com o art. 170 do Código Tributário Nacional, o ônus da prova quanto à existência do crédito tributário apto a ensejar compensação recai sobre o contribuinte. No mesmo sentido, a jurisprudência consolidada deste Conselho e dos Tribunais Superiores é firme ao reconhecer que a homologação de créditos e compensações demanda prova robusta e inequívoca da liquidez e certeza do crédito alegado, não sendo possível presumir sua existência ou validade. 2. Da base legal e definição de insumo para fins de creditamento das contribuições Em relação a possível reversão das glosas mantidas pela DRJ e contestadas pela Recorrente necessário se faz analisar a legislação relativa apuração e desconto desses créditos. Pois bem, estabelecem respectivamente a Lei nº 10.833/2003 e Lei nº 10.637/2002: Lei nº 10.833/2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos)b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Fl. 562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 11 II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito)I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: Fl. 563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 12 I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023)§ 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Lei nº 10.637/2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos)b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 13 VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito)I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023)§ 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (destaques não constam do original) Também deve ser observado o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, a saber: “Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecida pela Fl. 565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 14 Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Em suma, depreende-se da leitura do Parecer Normativo Cosit 05-2018 dever o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. 3. Glosas mantidas pela DRJ Dito isto, nos termos da legislação e do Parecer Normativo Cosit 05-2018 supracitados, e considerando exercer a Recorrente atividades de industrialização, importação, comercialização e exportação de produtos siderúrgicos em geral, notadamente ferro-gusa, bem como florestamento, reflorestamento e transporte de produtos perigosos, passo a analisar as glosas mantidas pela DRJ. 3.1 Dos bens adquiridos de pessoas físicas Fl. 566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 15 No que se refere à pretensão da Recorrente de reconhecer o direito ao desconto de créditos das contribuições ao PIS e à COFINS em razão da aquisição de carvão e demais insumos provenientes de pessoas físicas, observa-se que tal pedido não encontra amparo na legislação de regência. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 são expressas ao condicionarem o direito ao crédito à aquisição de bens e serviços de pessoa jurídica e sujeita à apuração das referidas contribuições. A norma tem por objetivo permitir o aproveitamento de créditos apenas quando o fornecedor tenha, de fato, suportado o ônus da contribuição, hipótese que não se verifica nas operações com pessoas físicas, as quais não são contribuintes do PIS e da COFINS na sistemática não cumulativa. Desse modo, diante da ausência de previsão legal e da impossibilidade de interpretação extensiva em matéria de crédito tributário, deve ser negado o direito ao desconto dos créditos relativos às aquisições de carvão e demais insumos provenientes de pessoas físicas. Cumpre esclarecer, ademais, que não se aplicam ao caso as disposições do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, porquanto a Recorrente não se enquadra entre os contribuintes beneficiados pelo referido dispositivo legal. O benefício ali previsto restringe-se aos produtores e fabricantes de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, hipótese diversa da verificada nos autos. Assim, não sendo a Recorrente produtora de bens inseridos nesse contexto, não faz jus à aplicação do crédito presumido ou diferenciado previsto na referida norma, permanecendo sujeita exclusivamente ao regime geral de apuração do PIS e da COFINS disciplinado pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Assim, as glosas devem ser mantidas. 3.2 Dos serviços prestados por pessoa jurídica Acerca das glosas relativas aos serviços prestados por pessoa jurídica, a DRJ as manteve pelos seguintes fundamentos: 63. A quinta glosa tem por objeto despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (fls 219/223) (art. 3º, caput, II, da Lei nº 10.833, de 2003). 64. De outra parte, o manifestante alude, sem maior esforço argumentativo ou referência probatória, que os serviços geradores do crédito glosado foram aplicados ou consumidos como insumo. Cumpre observar, todavia, que, no mesmo tópico de sua inconformidade, o requerente focou discursivamente a despesa com frete e teceu apontamentos jurisprudenciais sobre os aspectos conceituais de insumo, sustentando que o conceito de insumo aplicável às contribuições deve ser o mesmo utilizado no imposto de renda (conceito econômico). Entretanto, a argumentação não aproveita ao exame da glosa em questão, já que o contribuinte não procurou demonstrar concretamente que os serviços tomados se enquadrariam no conceito funcional de insumo. Fl. 567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 16 65. Dessa forma, deve ser mantida a glosa relativa a serviços. Em defesa a Recorrente sustenta: Segundo o despacho decisório, as despesas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas no DACON como utilizadas como insumo, não foram verificadas em sua escrituração contábil. Justifica a glosa sob o argumento de que não haveria registro de despesas com servicos no Livro Razão e no Livro de Registro de Entrada da Recorrente, existindo no DACON,contas pretensamente integrantes da despesa que não constariam do balancete de verificacão. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente demonstrou através da planilha discriminatória dos serviços tomados, que as informações contidas no Livro Razão e no Balancete de Verificação estavam em perfeita consonância com o DACON. Restou devidamente demonstrado que as inconsistências apontadas na decisão recorrida não passam de mero erro material, insuscetível de justificar a manutenção das glosas, posto que, em consonância com o princípio da verdade material, pode ser facilmente constatada a realização das despesas justificadoras do crédito pleiteado,diante dos documentos apresentados. Os eventuais erros e omissões no preenchimento do DACON ou dos documentos de escrituração contábil, são, portanto, insuscetíveis de justificar a manutencão das referidas glosas. Ressalte-se, ainda, para agravar a situação, que a decisão recorrida incorreu na nulidade de indeferir o protesto por produção de novas provas e de realização de perícia,cuja flagrante necessidade é incontestável. Inobstante, a decisão atacada ainda pretende justificar a manutenção da glosa sob o pretexto de que "[...] o contribuinte não procurou demonstrar que os servicos tomados se inserem no conceito funcional de insumo”. Ora, o que se verifica é a imperativa necessidade de se reiterar o pedido de decretacão de nulidade do vergastado acórdão, posto que proferido com nítida pretericão do direito de defesa da Recorrente, contrariando o principal escopo do processo administrativo fiscal, qual seja, a busca da verdade real. Por outro lado, é de conhecimento notório que o procedimento de auditoria érealizado mediante a confrontação, por amostragem, entre as informações registradas na contabilidade e no DACON, com aquelas contidas nos arquivos de memória de cálculo e nas notas fiscais de entradas, fornecidos pela empresa. Ocorre que, para fins de caracterização de um servico como insumo e o consequente creditamento, à luz da jurisprudência do CARF, faz-se necessário ultrapassar a formalidade dos documentos apresentados e adentrar-se ao efetivo Fl. 568DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 17 conhecimento do processo produtivo da empresa, posto que, conforme aduzido,é a realidade fática que vai demonstrar a sua necessidade e essencialidade. É justamente em observância ao princípio da verdade material que à autoridade fiscal é conferida a faculdade de solicitar informações e provas acerca do crédito pleiteado, na hipótese de verificar qualquer insuficiência ou inconsistência nos elementos oferecidos pelo contribuinte. Na verdade, a autoridade fiscal deveria ser a primeira interessada em verificar o que de fato estaria relacionado com a produção da empresa,o que, infelizmente, não acontece, sendo indevidamente negado aos contribuintes o creditamento a que fazem jus. De fato, caso se dispusesse a verificar in loco o estabelecimento empresarial da Recorrente, ou, ainda, deferido o pleito de perícia, teria a Autoridade facilmente verificado a essencialidade dos bens e servicos declarados como insumos no processo produtivo da contribuinte. Assim é que, à luz do entendimento jurisprudencial do CARF acerca da definicão do conceito de insumo, tem-se evidente a necessidade e essencialidade dos serviços objeto da glosa, restando imperativa a reforma da decisão Nesse sentido, como já dito linhas acima, em observância a jurisprudência do STJ, deve o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Nesse sentido e na busca pela verdade material, como requerido pela Recorrente, este Colegiado, em outra composição, determinou a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de oportunizá-la apresentação de documentação complementar que pudesse comprovar a efetiva existência, a liquidez e a certeza dos valores pleiteados a título de crédito. Regularmente intimada, contudo, a Recorrente quedou-se inerte, não apresentando qualquer manifestação nos autos, tampouco os elementos probatórios requisitados, inviabilizando a verificação da origem e da legitimidade dos créditos em análise. Sendo assim, como ônus da prova é da Recorrente, nenhuma modificação a ser feita na decisão de primeira instancia sobre esta matéria. 3.3 Despesas com armazenagem e frete A Recorrente alega: Novamente, em relação às despesas com armazenagem e frete, o reconhecimento do crédito encontra óbice apenas no excesso de formalismo Fl. 569DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 18 adotado na decisão recorrida, em nítido confronto com os princípios regentes do processo administrativo fiscal. Ocorre que, como já esclarecido, a divergência entre os valores é devido tão somente à não consideração da despesa com embarques. Defende, ainda, que as despesas contidas na conta 3.1.3.01.09.00015correspondem a despesas com frete na operação de compra dos insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos e por não se enquadrarem na restrita hipótese de creditamento prevista no art. 3°, caput, inciso IX, , c/c art. 15, caput, II, da Lei 10.833/2003, não gerariam o direito ao crédito pleiteado, ora por não serem suportados pela Recorrente, ora por não constituírem despesas de frete na operação de venda. Ocorre que, conforme demonstrado na Manifestacão de Inconformidade apresentada, à luz da jurisprudência deste Ilustre Conselho, balizada no princípio da verdade material, regente do Processo Administrativo Fiscal, carece de total reforma tal decisão, tendo em vista a essencialidade de tais despesas na atividade produtiva, integrando o valor dos custos, o frete pago na aquisição das mercadorias. De fato, as despesas com frete nas operações de venda, o frete na aquisição de insumos e os custos com armazenagem podem, em tese, gerar direito ao crédito das contribuições ao PIS e à COFINS, desde que devidamente comprovadas, nos termos da legislação de regência e da jurisprudência consolidada do CARF. No entanto, no caso concreto, as informações e documentos apresentados pela Recorrente não se mostram suficientes para demonstrar a liquidez e a certeza dos créditos pretendidos. Ressalte-se que o ônus de comprovar a efetiva realização das despesas e sua correlação com a atividade geradora de receitas é da Recorrente, que, embora regularmente instada a se manifestar e a apresentar elementos probatórios, quedou-se silente, razão pela qual não há como reconhecer o direito creditório pleiteado. 3.5 Aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo Sobre a glosa relativa aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo, destaque-se trecho da decisão da DRJ: 73. A glosa também recaiu sobre o crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 12 do Dacon (fls 230/268). A esse respeito, a autoridade fiscal observa que: (i) a escrita do contribuinte evidencia apenas as devoluções de venda no mercador interno (CFOP 1.201 e 2.201) e do externo (CFOP nº 3.201); (ii) na exportação, o razão demonstra o débito da devolução no mesmo mês de saída que lhe deu origem, de modo que não chega efetivamente a integrar a receita dos meses examinados; (iii)os valores apurados Fl. 570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 19 nas devoluções do mercado interno são significativamente inferiores aos declarados no Dacon (art. 3º, caput, VIII, da Lei nº 10.833, de 2003). 74. Diferentemente, aduz o manifestante que os créditos se referem a despesas com outros serviços contratados de pessoa jurídica e a despesas com combustíveis e lubrificantes utilizados nas máquinas, equipamentos e caminhões usados no processo produtivo. Quanto aos serviços, devem ser examinados sob a ótica do conceito de insumo aplicado pelo Carf. No tocante aos combustíveis e lubrificantes, informa que são utilizados diretamente no processo produtivo (Solução de Consulta nº 81, de fevereiro de 2011). 75. A Lei nº 10.637, de 2002, autoriza a dedução de gastos com combustíveis e lubrificantes, desde que “utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (art. 3º, II). Dessa forma, podem ser deduzidos os créditos sobre gastos com “combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos do processo produtivo, na condição de insumos à fabricação de produtos destinados à venda”, tal como concluiu a Solução de Consulta. 76. Consoante se depreende, a proibição de descontar crédito sobre combustíveis, enquanto submetidos à tributação monofásica e diferenciada na origem produtora ou importadora, alcança apenas o empresário comercial distribuidor ou varejista desses produtos. Por outro giro, o empresário industrial que os utilizar como insumo para a fabricação de produtos destinados à venda pode se creditar da contribuição sobre a aquisição desses insumos, mediante a aplicação da alíquota padrão (1,65% para o PIS/Pasep e 7,6% para a Cofins). Por se tratar de empresário industrial, a princípio é cabível o creditamento sobre a aquisição de combustível, desde que utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. 77. Antes de examinar a prova e os argumentos apresentados, convém lembrar que o item do crédito glosado (linha 13 da ficha 12 do Dacon) não comporta informação relativa a crédito de serviços e combustíveis e lubrificantes, porquanto possuírem campo próprio para serem informados (linhas 2 e 3 do Dacon). 78. Se o contribuinte se equivocou ao prestar a informação, cumprir-lhe-ia especificar, por tipo e quantidade, os insumos que compuseram o crédito glosado, respondendo aos seguintes questionamentos: qual serviço, combustível e lubrificante? quanto de serviço, combustível e lubrificante? para que o serviço, combustível e lubrificante? No entanto, o manifestante não elaborou um demonstrativo sequer, de modo que inviável se apresenta qualquer incursão com o escopo de certificar a veracidade dos argumentos. 79. Dessa forma, é procedente a glosa do crédito incidente sobre “outros valores com direito a crédito”. Fl. 571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.716 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720170/2010-25 20 Assim como nos itens anteriores, verifica-se que a Recorrente permaneceu inerte, deixando de apresentar manifestação nos autos e de atender à diligência regularmente determinada para a comprovação dos fatos alegados. A ausência de documentação hábil inviabiliza a verificação da origem, da natureza e da legitimidade dos créditos pleiteados, impossibilitando a aferição de seu enquadramento legal. Considerando que o ônus da prova quanto à existência e validade dos créditos é da Recorrente, não há elementos que autorizem a revisão da decisão recorrida, razão pela qual deve ser mantida integralmente a glosa efetuada em primeira instância. Por fim, ante a manutenção das glosas e por conseguinte o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, desnecessária análise da possibilidade de correção monetária. Conclusão Diante todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale Fl. 572DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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