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Numero do processo: 19647.017125/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. EXISTÊNCIA DE AUTOS DE INFRAÇÃO DE IRPJ. PROCESSOS PENDENTES DE DECISÃO DEFINITIVA RELATIVO AO MESMO ANO-CALENDÁRIO. CONFIGURAÇÃO DE PREJUDICIAL AO JULGAMENTO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
Havendo lançamentos tributários, correspondentes ao mesmo ano-calendário do pedido de compensação, pendentes de julgamento quanto ao mérito, tal pedido se constitui em causa prejudicial ao julgamento do pedido de compensação com outro tributo.
Numero da decisão: 1402-001.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação do mérito do pedido, tendo em vista o restabelecimento do saldo negativo do ano-calendário de 2005, em função do cancelamento da exigência de que trata o processo nº 19647.010151/2007-83 retomando-se o rito processual a partir daí, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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EXISTÊNCIA DE AUTOS DE INFRAÇÃO DE IRPJ. PROCESSOS PENDENTES DE DECISÃO DEFINITIVA RELATIVO AO MESMO ANOCALENDÁRIO. CONFIGURAÇÃO DE PREJUDICIAL AO JULGAMENTO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Havendo lançamentos tributários, correspondentes ao mesmo anocalendário do pedido de compensação, pendentes de julgamento quanto ao mérito, tal pedido se constitui em causa prejudicial ao julgamento do pedido de compensação com outro tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação do mérito do pedido, tendo em vista o restabelecimento do saldo negativo do anocalendário de 2005, em função do cancelamento da exigência de que trata o processo nº 19647.010151/2007 83 retomandose o rito processual a partir daí, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 71 25 /2 00 8- 67 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.017125/200867 Acórdão n.º 1402001.633 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório COMPANHIA ENERGETICA DE PERNAMBUCO, contribuinte inscrita no CNPJ/MF 10.835.932/000108, com domicílio fiscal na cidade do Recife, Estado de Pernambuco, na Av. João Barros, nº 111, Bairro Boa Vista, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife PE, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 341/346), prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 349/364. A requerente transmitiu, em 01/10/2007, as Declarações de Compensações DCOMPs (fls. 01/54), cujo crédito referese a saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2005, no valor de R$ 8.623.481,79. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife PE, através do Despacho Decisório (fl. 160), apreciou e concluiu, em 04/11/2008, que o presente pedido de compensação é improcedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que a Representação Fiscal realizada pelo SEFIS/DRFRecife, na qual, após realizar diligências junto à empresa constatouse a ocorrência de diversas irregularidades na apuração do IRPJ e CSLL da empresa; que sugeriu, então, o SEFIS, conforme copia da representação anexada as fls.56/58, que fossem indeferidos os pedidos de créditos relativos ao IRPJ e CSLL dos anos calendário 2005 e 2006, em razão de terem sido glosados diversos valores relativos as informações de apuração do IRPJ e da CSLL, relativos a diversas operações de alterações societárias realizadas anteriormente; que, apos todas as glosas e autuações realizadas pelo SEFIS/DRFRecife, deixaram de existir os créditos de IRPJ e CSLL do anocalendário 2005 e 2006, que, por sua vez, haviam sido utilizados pela empresa na apresentação de diversas DCOMP enviadas a Receita Federal, fato que gerou a emissão da representação fiscal, para que se fossem analisadas de imediato as DCOMP relativas aos referidos créditos cuja existência já se havia comprovado não ser correta; que, assim, procedendose a analise das DCOMPs vinculadas ao Processo n° 19647.017125/200867, relativas ao saldo credor de IR P J do anocalendário 2005, há de se considerar nãohomologadas as compensações apresentadas em função de, com base na Representação Fiscal e Termo de Encerramento de Ação Fiscal já mencionados, ter sido comprovada a inexistência fática dos créditos utilizados nas D COMP deste processo. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 26/11/2008, conforme Termo constante à fl. 164, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (22/12/2008), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 173/191, instruído Fl. 396DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 pelos documentos de fls. 192/384, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que tratase de processo administrativo oriundo de Declarações de Compensação (DCOMP) transmitidas pela Requerente em 20/08/2008, 26/07/2006, 28/06/2007 e 10/11/2006, recepcionadas respectivamente sob os números (i) 17355.19968.200808.1.7.020390 (retificadora da 15251.18572.011007.1.7.02 5725, a qual, por sua vez, retificou a PER/DCOMP inicial n° 24821.94603.140206.1.3.02 5940); (ii) 00986.07933.260706.1.3.020500; (iii) 24534.92202.280607.1.3.029920; e (iv) 25570.62548.101106.1.3.02 7088, por meio das quais se pretende a compensação do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2005, no montante total de R$ 8.623.481,801; que ocorre que a DRF/Recife entendeu que: "os valores informados como saldos credores de IRPJ e CSLL nas DIPJ da empresa relativos aos anoscalendário de 2005 e 2006, tornaramse inexistentes após a realização das glosas já informadas, e pior ainda, foram lavrados autos de infração relativos ao IRPJ e CSLL a pagar apurados pela fiscalização."; que, preliminarmente, ainda que se pudesse desconsiderar o direito creditório utilizado pela Requerente nas DCOMP apresentadas, o que se demonstrará não ser possível, ressaltese que não pode prosperar a cobrança dos supostos débitos de IRPJ estimativa e de CSLL estimativa referentes, respectivamente, aos períodos de junho de 2006 e maio de 2007, uma vez que já encerrado o período de apuração a que se referem; que destaquese, desde já, que a DRF/Recife não poderia ter alegado a não homologação das DCOMP acima informadas, com base na inexistência de fato dos créditos relativos ao saldo credor de IRPJ referente ao anocalendário de 2005, e, com isso, determinar a cobrança dos supostos débitos de COFINS (jan/2006 e out/2006), e de estimativas mensais de IRPJ (jun/2006) e de CSLL (mai/2007) cuja compensação não foi homologada; que, isto porque, a suposta infração acima indicada constitui o objeto de um dos autos de infração que originou o processo administrativo n° 19647.010151/200783, contra o qual se apresentou impugnação em 23/10/07. Posteriormente, sobreveio a decisão da DRJ na qual o lançamento foi julgado parcialmente procedente. Contra essa decisão, foi apresentado recurso voluntario que se encontra atualmente pendente de julgamento perante o Conselho de Contribuintes; que o credito tributário não homologado no presente processo esta estritamente relacionado à decisão definitiva a ser proferida no processo administrativo n° 19647.010151/200783, motivo pelo qual não ha como se exigir qualquer montante nos autos em questão ate que seja julgado, definitivamente, o processo administrativo mencionado; que muito embora o Decreto n° 70.235/73, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito federal, não disponha expressamente acerca do sobrestamento do processo na hipótese de existir questão prejudicial a ser decidida em outros autos, entendemos que a regra do CPC mencionada deve ser aplicada subsidiariamente ao processo administrativo; que, nesse sentido, caso a aplicação do principio da oficialidade prejudique a observância da verdade material dos fatos, já que o impulso do processo tributário, antes da resolução de questão prejudicial (nos autos do processo administrativo n° 19647.010151/2007 83), implicaria em provável cobrança de tributo indevido, o principio da verdade material devera, necessariamente, ser sobreposto aquele outro principio, a fim de que não seja mantido um credito tributário indevido; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.017125/200867 Acórdão n.º 1402001.633 S1C4T2 Fl. 4 5 que, caso se entenda pela possibilidade de analise do mérito acerca da existência fática do saldo negativo de IRPJ referente ao anobase de 2005, no valor total de R$ 8.623.481,80 (valor objeto de discussão nos autos do Processo Administrativo n° 19647.010151/200783, conforme se pode verificar do auto de infração), o que se alega apenas a titulo argumentativo, ressaltese que, mesmo assim, não poderá prevalecer o despacho não homologatório das compensações; que o entendimento da fiscalização no sentido de que haveria um planejamento tributário inválido não merece prosperar, pois a Requerente agiu de forma plenamente legitima, cumprindo todos os requisitos necessários para que fizesse jus ao aproveitamento do beneficio fiscal de dedução do ágio, da forma jurídica e econômica mais razoável e coerente possível e, conseqüentemente, a utilização do saldo negativo de IRPJ gerado no ano de 2005; que o beneficio fiscal de dedutibilidade do ágio pago na aquisição de sociedades tem como objetivo incentivar a pratica de fusões e aquisições, especialmente quando se tratava de estatais em processos de privatização; que além dos argumentos expostos que deixam claros os equívocos cometidos pelo Fisco nos autos do processo administrativo n° 19647.010151/200783, que ensejou o despacho não homologatório das compensações em analise, também necessário deixar claro, a essa E. Turma Julgadora (caso seja analisado o mérito) que não houve por parte da Requerente abuso de direito, simulação ou fraude a lei. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 15/03/2010, a 4° Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife – PE autoridade julgadora revisora resolveu julgar improcedente a manifestação de inconformidade, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 341/346): que, inicialmente analisaremos a alegação de que os débitos decorrentes da não homologação não poderiam ser objeto de cobrança tendo em vista se tratarem de estimativas mensais; que de acordo com o disposto na Lei n° 9.430/96 e na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro dc 2002 a compensação e considerada declarada, tendo como principal efeito a extinção dos débitos sob condição resolutória de posterior homologação. Dessa forma, os débitos próprios, identificados pelo contribuinte nas DCOMP anexadas ao processo passam a extintos pela compensação, e assim permanecem até a invalidação do procedimento pela RFB; que em caso de não homologação da compensação declarada, a autoridade administrativa devera cientificar o sujeito passivo e intimálo a recolher os débitos indevidamente compensados. O não recolhimento, no prazo regulamentar previsto, enseja o encaminhamento do debito a Procuradoria da Fazenda Nacional, sendo facultado ao sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade; que, portanto, o que esta sendo cobrado são os débitos declarados pela contribuinte compensados indevidamente por forca da legislação vigente, não se tratando, pois de lançamento de oficio de contribuições e tributos apurados por estimativa, após a apuração do resultado do exercício, como alega a interessada; Fl. 398DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que em se tratando de compensação não homologada, como já mencionado anteriormente, o credito referente a estimativa e extinto, sob condição resolutória, por ocasião da declaração de compensação, nos termos do disposto no § 2º do art. 74 da Lei n2 9.430, de 1996, e, nesse sentido, não cabe o lançamento da multa isolada pela falta do pagamento de estimativa; que diante da analise procedida rejeito a preliminar argüida quanto a impossibilidade de cobrança de débitos de IRPJ e CSLL com base em estimativa, resultante de compensação não homologada e passo a analise das alegações contra do Despacho Decisório (fl. 160) em lide; que, conforme relatado, este processo se refere ao pedido de compensação de créditos decorrentes do saldo negativo do IRPJ apurado pela contribuinte no ano calendário de 2006; que, ocorre que, antes que fosse apreciada a pretendida compensação, a contribuinte foi alvo de fiscalização promovida peia Delegacia da Receita Federal cm Recife, no anocalendário cm questão, ensejando lançamento do auto de infração formalizado no Processo n° 19647.010151/200783 no qual foi verificado, entre outras, a falta de adição ao lucro liquido dc despesas indedutíveis de amortização de ágio ensejando a apuração do IRPJ a pagar no montante de RS 21.414.249.77 referente ao ano calendário dc 2006 (fl. 57) não existindo credito do IRPJ objeto dos pedidos de compensação em lide; que vale salientar que mesmo que o auto de infração ainda não houvesse sido julgado nesta instancia, haveria de ser mantida a decisão denegatória do credito suplicado. Isto porque, a época do despacho, já fora lavrado o auto de infração, tendose então a circunstancia de que naquele momento, como agora, inexistiam créditos líquidos e certos a amparar a compensação pleiteada, em face do que se tinham por não atendidos os pressupostos estabelecidos no art. 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional; que a argüição da impugnante no sentido de que a decisão proferida neste processo deveria aguardar o tramite do processo supracitado, de n° 19647.010151/200783, queda desamparada. Primeiro, porque não ha na legislação de regência, previsão para o rito pretendido. Segundo, porque, já a partir do despacho exarado peia Delegacia da Receita Federal em Receita temse a circunstancia de que os créditos lá postulados careciam dos atributos de liquidez e certeza, em face do que não poderiam, a luz do art. 170 do Código Tributário Nacional ser utilizados na compensação de débitos neste ou em qualquer processo. O rito processual cabível é o constante na Lei ir 9.430/96 (artigos 73 e 74), não cabendo a suspensão do processo nos termos do art. 265 do CPC citado pela interessada; que a arguição da impugnante no sentido de que a decisão proferida neste processo deveria aguardar o tramite do processo supracitado, de n° 19647.010151/200783, queda desamparada. Primeiro, porque não há na legislação de regência, previsão para o rito pretendido. Segundo, porque, já a partir do despacho exarado peia Delegacia da Receita Federa1 em Recife temse a circunstancia de que os créditos lá postulados careciam dos atributos de liquidez e certeza, em face do que não poderiam, a luz do art. 170 do Código Tributário Nacional a ser utilizados na compensação de débitos neste ou em qualquer processo; que vale ressaltar que de acordo com o disposto no inciso III do art. 151 do CTN se encontra suspensa a exigibilidade dos débitos objetos dc compensação no presente processo até a decisão definitiva desse julgado; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.017125/200867 Acórdão n.º 1402001.633 S1C4T2 Fl. 5 7 que, relativamente, as alegações trazidas contra a glosa de despesa a titulo de ágio não será apreciada no presente processo tendo em vista não fazer parte da lide. Ressaltese que tal matéria ia foi apreciada no processo n° 19647.010151/200783, conforme citado anteriormente. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário : 2005 COMPENSAÇÃO REQUESITO. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. COBRANÇA DE DÉBITOS RELATIVOS À IRPJ E CSLL COM BASE EM ESTIMATIVAS. Na hipótese de compensação não homologada os débitos referentes a estimativas mensais do IRPJ e CSLL serão cobrados com base na respectiva DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/04/2010, conforme Termo constante à fl. 378, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (27/04/2010), o recurso voluntário de fls. 349/364, instruído pelos documentos de fls. 360/384, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que conforme exposto na Manifestação de Inconformidade, ainda que se pudesse desconsiderar o direito creditório utilizado pela Recorrente nas DCOMP apresentadas, o que se alega a título argumentativo, não poderia prosperar a cobrança dos supostos débito de IRPJ/estimativa e da CSLL/estimativa referentes, respectivamente, aos períodos de junho de 2006 e maio de 2007, porquanto já estavam encerrados os períodos de apuração a que se referem quanto foi proferido o despacho decisório não homologatório das compensações efetuadas; que considerando a impossibilidade de se exigir as estimativas do IRPJ e da CSLL, que foram objeto de compensação, por já terem sido encerrados os anosbase de 2006 e 2007, a Recorrente aguarda que este. E Conselho acolha os argumentos aqui expostos para reformar a decisão ora recorrida e homologar, por conseqüência, todos os valores compensados; que do sobrestamento do Presente Processo Administrativo, ainda que não seja acolhida a preliminar exposta no item anterior, o que se alega a título meramente argumentativo, deveria a Turma Julgadora determinar o sobrestamento do presente processo até o despacho do processo administrativo n° 19647.010151 /20078 3, que está, atualmente, na Fl. 400DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 Primeira Secção desse E. Conselho (print anexo), para a aferição da certeza e liquidez do crédito apurado pela Recorrente; que, portanto, no caso, ora em análise, a compensação do saldo negativo do IRPJ com débitos de COFINS, IRPJ/ Estimativa e CSLL/Estimativa é absolutamente dependente do resultado final que se dará nos autos do processo administrativos n° 19647.010 151/200783, de modo que seria ilegal e afrontaria o Princípio da Verdade Material o prosseguimento da não homologação da compensação antes da apreciação final relativamente à existência, no anobase de 2005, do saldo negativo do IRPJ no montante de R$ 8.623.481,80; que caso prevaleça o entendimento de que a análise da liquidez e certeza do crédito apurado pela Recorrente (saldo negativo do IRPJ apurado no anobase de 2005) depende do julgamento definitivo dos autos do processo n° 1964 7.010151 /200783, fazse necessário que esse E. Conselho reforme a decisão ora recorrida e determine (i) a união dos respectivos processos para julgamento em conjunto ou (ii) a suspensão do julgamento do presente processo até que seja proferida a decisão definitiva naqueles autos, em razão da nítida relação de dependência existente entre eles; que ainda que esse E. Conselho (i) não reforme a decisão ora recorrida para determinar o cancelamento das cobranças decorrentes da não homologação das compensações de estimativas do IRPJ (junho de 2006) e da CSLL (maio de 2007), eis que não há possibilidade de cobrança de valores a titulo de estimativa mensal após o encerramento dos anosbase , conforme demonstrado alhures e (ii) não determine o julgamento em conjunto ou o sobrestamento do presente processo até o desfecho do processo administrativo n° 19647.010151/200783, o que se a lega a título meramente argumentativo , não poderá prosperar a não homologação das compensações efetuadas, que decorre, insistase, dos e feitos gerados com a glosa de despesas com a amortização do ágio; que, dessa forma, fazse necessário reiterar, de forma sintética, os principais argumentos expostos pela Recorrente no curso processo administrativo n° 19647.01 0151/200783, o qual demonstra o descabimento da referida glosa e, conseqüentemente, da recomposição de oficio que culminou na não homologação das compensações objeto do presente processo; que do aproveitamento de ágio na aquisição da Celpe, portanto, conforme se demonstrou na Manifestação de Inconformidade, quando da lavratura dos autos de infração objetos do Processo Administrativo n ° 19647.010151/ 2007 83, a Fiscalização alegou que a Recorrente teria reduzido indevidamente os resultados tributáveis do IRPJ e da CSLL, nos anos calendários de 2001 e seguintes, em razão da dedução de despesa de amortização de ágio transferido a Recorrente quando da incorporação de sua controladora, Leiceste Comercial Ltda.; que, portanto, o entendimento da fiscalização no sentido de que haveria um planejamento tributário invalido não merece prosperar, pois a Recorrente agiu de forma plenamente legitima, cumprindo todos os requisitos necessários para que fizesse jus ao aproveitamento do beneficio fiscal de dedução do ágio, da forma jurídica e econômica mais razoável e coerente possível; que o fundamento econômico para a fruição do beneficio fiscal, portanto, o benefício fiscal de dedutibilidade do ágio pago na aquisição de sociedades tem como objetivo incentivar a pratica de fusões e aquisições, especialmente quando se tratava de estatais em processos de privatização; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.017125/200867 Acórdão n.º 1402001.633 S1C4T2 Fl. 6 9 que, no entanto, mesmo que se considere a presente operação com o puro planejamento fiscal, faz se necessário destacar que todos os requisitos de validade exigidos por nosso ordenamento jurídico foram observados pela Recorrente; que a legitimidade da operação como planejamento tributário, portanto, antes de adentrar na analise dos vícios apontados pelo Sr. Agente Fiscal (constantes nos autos de infração, originários do processo administrativo n ° 19647.010151/200783) para desconsiderar as operações societárias praticadas pela Recorrente para o aproveitamento do ágio gerado no processo de privatização; que, dessa forma, ainda que esse E. Conselho não de termine o (i) cancelamento das cobranças de correntes da não homologação das compensações de estimativa de IRPJ de junho de 2006 e de estimativa de CSLL de maio de 2007 , eis que na o há possibilidade de cobrança de valores a titulo de estimativa mensal apos o encerramento dos anosbase e (ii) o julgamento em conjunto ou o sobrestamento do presente processo ate o desfecho do processo administrativo n ° 19647.010151/2007 83, o que se alega a título meramente argumentativo, aguarda a Recorrente que a decisão ora recorrida seja reformada, a fim de que sejam homologadas todas as compensações realizadas ora questionadas, uma vez demonstrada a legalidade da operação realiza da pela Recorrente e, conseqüentemente, da possibilidade de dedutibilidade do ágio. É o relatório. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Tratase de processo administrativo oriundo de Declarações de Compensação (DCOMP) transmitidas pela Requerente em 20/08/2008, 26/07/2006, 28/06/2007 e 10/11/2006, recepcionadas respectivamente sob os números (i) 17355.19968.200808.1.7.020390 (retificadora da 15251.18572.011007.1.7.02 5725, a qual, por sua vez, retificou a PER/DCOMP inicial n° 24821.94603.140206.1.3.02 5940); (ii) 00986.07933.260706.1.3.02 0500; (iii) 24534.92202.280607.1.3.029920; e (iv) 25570.62548.101106.1.3.02 7088, por meio das quais se pretende a compensação do saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2005, no montante total de R$ 8.623.481,80. Observase na análise dos autos que a interessada apresentou Declarações de Compensação Dcomp (fls.01/54). por meio das quais compensou credito do Imposto dc Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O credito informado seria decorrente de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2005 no valor de R$ 8.623.481,80. De acordo com o Termo de Informação Fiscal (fls.158/159). propôsse a não homologação das compensações, tendo em vista a inexistência de créditos relativos ao IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2005 e 2006 decorrentes de procedimento fiscal instaurado na empresa interessada resultando na lavratura de autos de infração, consoante "Termo de Encerramento de Ação Fiscal" (fls. 60/86) constantes do processo n° l9647.0l0151/200783. Aprovando o citado parecer, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife exarou o Despacho Decisório de fl. 160, através do qual resolveu não homologar as compensações declaradas. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 173/191), se insurgindo, preliminarmente, contra a cobrança de valores a titulo de IRPJ e CSLL devidos por estimativas após encerramento do respectivo anocalendário. Alega também que a suposta infração detectada pela fiscalização, a qual alterou o resultado do IRPJ, constitui o processo de n° 196476.010151/200783 que se encontra em litígio, desta feita, o presente processo devera aguardar a decisão definitiva do citado processo por estar estritamente relacionado com o mesmo. A decisão recorrida julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada sob argumento de que nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública e que na hipótese de compensação não homologada os débitos referentes a estimativas mensais do IRPJ e CSLL serão cobrados com base na respectiva DCOMP. Irresignada com a decisão de Primeira Instância a contribuinte apresenta a sua peça recursal para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais apresentando, em síntese, os mesmos argumentos expendidos na sua manifestação de inconformidade. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.017125/200867 Acórdão n.º 1402001.633 S1C4T2 Fl. 7 11 De fato, constatase que contra a contribuinte foi lavrado um auto de infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, conforme processo nºs 19647.010151/200783. É importante observar de que os autos de infrações ainda estão em discussão administrativa. Nesta linha de pensamento, cumpre registrar que o direito creditório só pode ser reconhecido quando presentes a certeza e liquidez, requisitos previstos no artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ora, se há dúvida quanto à apuração do prejuízo fiscal, melhor sorte não ocorre com o crédito ora pleiteado. A certeza e liquidez só ocorreriam se perfeitamente demonstrada à improcedência dos lançamentos. Enquanto assim não ocorrer, não há certeza e liquidez do crédito, não cabendo o seu reconhecimento. Observase que em sede de recurso de ofício e recurso voluntário, o lançamento do processo 19647.010151/200783 foi reformado, conforme Acórdão 1201 00.689, de 08 de maio de 2012, proferido pela 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, conforme ementa e decisão abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADES. INEXISTÊNCIA. Não se constata nos autos mudança de entendimento na decisão da DRJ, adotando os mesmos fundamentos do lançamento fiscal. Não há omissão quanto à análise da concomitância da multa isolada e da multa de ofício, conforme demonstrado nos autos. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO RECONHECIDA. AUSÊNCIA DE ABUSO DE DIREITO. A aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada, permite a dedução do ágio pago, no cálculo do lucro real, pela incorporadora, haja vista que se extinguiu o investimento anteriormente realizado com a incorporação às avessas, a teor do inciso II do § 6° do artigo 386 do RIR/99. A existência de documento (demonstrativo ou laudo) que contempla por metodologia o valor dos ativos em razão de rentabilidade futura permite que a contribuinte realize o aproveitamento do ágio apurado. Inexistência de ágio interno, visto que o valor do ágio apurado na aquisição da Celpe foi transmitido às demais empresas pelo mesmo valor, conforme laudos juntados nos autos. Empresa veículo utilizada sob fundamento econômico devidamente justificado nos autos. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO REDUÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL Fl. 404DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Considerando que a dedutibilidade da despesa do ágio foi correta, o saldo de prejuízo fiscal em 2006 se mantém conforme declarado pelo Recorrente. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do imposto, calculadas com base em estimativa. Sendo o ágio deduzido da base de cálculo reconhecido, não há que se falar em multa de oficio isolada prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O entendimento adotado para o lançamento matriz estenderseá ao lançamento reflexo, dada a íntima relação de causa e feito entre ambos. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. MULTA APLICADA PELA FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. A Lei n° 11.488/2007, alterou também a redação do artigo 9º da Lei 10.426/02, revogando a aplicação de multa de ofício isolada, limitando a aplicação da multa de ofício apenas nos casos de não recolhimento do tributo. Quando da lavratura do Auto de Infração a Lei n° 11.488/2007 já havia revogado parcialmente parte do dispositivo do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, de tal forma que aquela penalidade não poderia ser mais aplicada em razão da falta de recolhimento da multa de mora. Ainda mais quando a multa de mora já havia sido recolhida pelo contribuinte. Recurso voluntário conhecido e provido. DA RECEITA DE RECOMPOSIÇÃO TARIFÁRIA (RTE). RECURSO DE OFÍCIO. A diligência respondida pela DRF confirmou a falta de compensação dos créditos de IRPJ e CSLL declarados pela empresa em sua DIPJ quando da apuração do lançamento relativo ao período de janeiro a julho de 2001. A imputação fiscal foi reformada em decisão da DRJ, reconhecendo que a empresa registrou em sua contabilidade a receita para recomposição tarifária, permitindo, com isso, a exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real. Recurso conhecido e não provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso de ofício e em DAR provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Marcelo Cuba Netto, Claudemir Rodrigues Malaquias e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz não acompanharam o Relator quanto à preliminar de decadência. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.017125/200867 Acórdão n.º 1402001.633 S1C4T2 Fl. 8 13 Esta decisão é objeto de recurso especial do procurador interposto pela Fazenda Nacional, ainda não julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se constata no site do CARF. Ora, a lavratura de auto de infração, com a constituição de crédito tributário para cobrança do imposto de renda, em decorrência da reversão de prejuízo para lucro real, acarreta na utilização dos valores apurados a título de estimativa (artigo 837 do RIR/99), prejudicando a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assim, o exame do mérito no processo n° 19647.010151/200783 se constitui em prejudicial a este processo de n° 19647.017125/200867. Isto posto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação do mérito do pedido, tendo em vista o restabelecimento do saldo negativo do anocalendário de 2005, em função do cancelamento da exigência de que trata o processo nº 19647.010151/200783 retomandose o rito processual a partir daí. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 406DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 13851.720465/2012-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.
Não há ausência de motivação quando o agente fiscal descreve a conduta ilegal praticada, permitindo ao autuado defender-se das infrações que lhe são imputadas.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Inexiste nulidade por ausência de provas naquelas hipóteses em que o mérito do ato administrativo se vincula aos fatos apurados pelo agente fiscal no decorrer do procedimento fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DO RELATÓRIO FISCAL.
Constando no Auto de Infração que o Relatório Fiscal lhe é parte integrante e indissociável, a prova da ciência, pelo contribuinte, do Auto de Infração, faz presumir que o contribuinte conheceu do Relatório Fiscal.
UNIDADE HOSPITALAR. BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO.
A Portaria nº 256/09, que aprovou o Regimento Interno do CARF, Anexo II, art. 62-A, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, qualificadas pelo art. 543-C, do CPC, vinculam o julgamento deste Conselho. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RE nº 1.116.399-BA, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543-C, do CPC, decidiu que o art. 15, §1o, III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretado de forma objetiva, razão pela qual os atos emanados da Receita Federal, não têm o condão de vincular o contribuinte. Nesse passo, até o início da vigência da Lei nº 11.727/08 (que alterou o art. 15, §1o, III, a, da Lei nº 9.249/95), que se deu a partir de primeiro de janeiro de 2009 (art. 41, VI, Lei nº 11.727/08), as regras para a apuração da base de cálculo dos serviços hospitalares são aquelas estabelecidas pela Lei nº 9.249/95.
MULTA COM EFEITO DE CONFISCO.
Por força do art. 62, Anexo II, Portaria nº 256/09, Regimento Interno do CARF, este Conselho é incompetente para afastar a aplicação da norma fundado em inconstitucionalidade.
JUROS INCIDENTE SOBRE A MULTA.
A expressão débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos.
TAXA SELIC.
Consoante Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, é legal a aplicação da Taxa Selic para atualização dos créditos fiscais.
Numero da decisão: 1103-001.030
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para excluir da exigência o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2008. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro apresentará declaração de voto.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não há ausência de motivação quando o agente fiscal descreve a conduta ilegal praticada, permitindo ao autuado defender-se das infrações que lhe são imputadas. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Inexiste nulidade por ausência de provas naquelas hipóteses em que o mérito do ato administrativo se vincula aos fatos apurados pelo agente fiscal no decorrer do procedimento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DO RELATÓRIO FISCAL. Constando no Auto de Infração que o Relatório Fiscal lhe é parte integrante e indissociável, a prova da ciência, pelo contribuinte, do Auto de Infração, faz presumir que o contribuinte conheceu do Relatório Fiscal. UNIDADE HOSPITALAR. BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO. A Portaria nº 256/09, que aprovou o Regimento Interno do CARF, Anexo II, art. 62-A, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, qualificadas pelo art. 543-C, do CPC, vinculam o julgamento deste Conselho. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RE nº 1.116.399-BA, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543-C, do CPC, decidiu que o art. 15, §1o, III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretado de forma objetiva, razão pela qual os atos emanados da Receita Federal, não têm o condão de vincular o contribuinte. Nesse passo, até o início da vigência da Lei nº 11.727/08 (que alterou o art. 15, §1o, III, a, da Lei nº 9.249/95), que se deu a partir de primeiro de janeiro de 2009 (art. 41, VI, Lei nº 11.727/08), as regras para a apuração da base de cálculo dos serviços hospitalares são aquelas estabelecidas pela Lei nº 9.249/95. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. Por força do art. 62, Anexo II, Portaria nº 256/09, Regimento Interno do CARF, este Conselho é incompetente para afastar a aplicação da norma fundado em inconstitucionalidade. JUROS INCIDENTE SOBRE A MULTA. A expressão débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. TAXA SELIC. Consoante Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, é legal a aplicação da Taxa Selic para atualização dos créditos fiscais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para excluir da exigência o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2008. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro apresentará declaração de voto. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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Não há ausência de motivação quando o agente fiscal descreve a conduta ilegal praticada, permitindo ao autuado defenderse das infrações que lhe são imputadas. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Inexiste nulidade por ausência de provas naquelas hipóteses em que o mérito do ato administrativo se vincula aos fatos apurados pelo agente fiscal no decorrer do procedimento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DO RELATÓRIO FISCAL. Constando no Auto de Infração que o Relatório Fiscal lhe é parte integrante e indissociável, a prova da ciência, pelo contribuinte, do Auto de Infração, faz presumir que o contribuinte conheceu do Relatório Fiscal. UNIDADE HOSPITALAR. BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO. A Portaria nº 256/09, que aprovou o Regimento Interno do CARF, Anexo II, art. 62A, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, qualificadas pelo art. 543C, do CPC, vinculam o julgamento deste Conselho. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RE nº 1.116.399BA, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, decidiu que o art. 15, §1o, III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretado de forma objetiva, razão pela qual os atos emanados da Receita Federal, não têm o condão de vincular o contribuinte. Nesse passo, até o início da vigência da Lei nº 11.727/08 (que alterou o art. 15, §1o, III, “a”, da Lei nº 9.249/95), que se deu a partir de primeiro de janeiro de 2009 (art. 41, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 04 65 /2 01 2- 53 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 468 2 VI, Lei nº 11.727/08), as regras para a apuração da base de cálculo dos serviços hospitalares são aquelas estabelecidas pela Lei nº 9.249/95. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. Por força do art. 62, Anexo II, Portaria nº 256/09, Regimento Interno do CARF, este Conselho é incompetente para afastar a aplicação da norma fundado em inconstitucionalidade. JUROS INCIDENTE SOBRE A MULTA. A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. TAXA SELIC. Consoante Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, é legal a aplicação da Taxa Selic para atualização dos créditos fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para excluir da exigência o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2008. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro apresentará declaração de voto. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 469 3 Relatório Consta do Relatório de Fiscalização (fls. 361/363) que a recorrente optou pelo lucro presumido e aplicou indevidamente a alíquota de 8% sobre a receita bruta para determinação do lucro presumido e 12% para determinação da base de cálculo da CSLL, classificando sua receita como prestação de serviços hospitalares. Registra o Relatório Fiscal que a base de cálculo presumida do IRPJ e da CSLL deveria ser calculada à alíquota de 32%, visto que os percentuais de 8% e 12% são admissíveis às sociedades empresárias que preencham os seguintes requisitos: a) A partir de 27/4/2005 até 9/12/2007 consideramse serviços hospitalares unicamente os prestados por empresário ou sociedade empresária que exerçam uma ou mais atribuições elencadas pelo artigo 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possuam estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retrocitada Resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; b) No período de 10/12/2007, data em que foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB n° 19/2007, até 31/12/2007, aplicase o percentual de 8% sobre a receita bruta decorrente de serviços hospitalares prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que atendam aos requisitos estabelecidos no Ato; c) A partir de 1/1/2009, quando entraram em vigor as regras do art. 29 da Lei n° 11.727/2008, para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica na opção pelo lucro presumido, o percentual de 8% sobre a receita bruta aplicase à prestação de serviços hospitalares (nos termos já definidos pelo ADI RFB nº 19, de 2007) e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; e d) A prestadora dos serviços deve estar organizada sob a forma de sociedade empresária, o que pressupõe a existência de estrutura empresarial, em que se reúnem fatores de produção e circulação, de forma massificada, com profissionalismo, economicidade, valendo se de profissionais contratados para exercício da atividade de saúde à qual a pessoa jurídica se dedica. A autoridade fiscal autuante entendeu que a recorrente não preencheu os requisitos da lei, pelas seguintes razões: a) A natureza jurídica da recorrente é a de sociedade simples, prestadora de serviços, com seus atos constitutivos registrados em cartório, cujos funcionários, na maioria, são auxiliares e técnicos, sem médicos contratados para atendimento; Fl. 469DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 470 4 b) Em procedimento de diligência em seu estabelecimento constatouse que o horário de funcionamento é das 6 às 20h, o que caracteriza descumprimento da norma prevista no ADI antes referido; c) Intimada a comprovar que sua atividade se enquadrava no disposto no subitem 2.1 e que sua estrutura física atendia ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) n° 50, de 21/2/2002, com a alteração efetuada pela RDC n° 307 de 14/11/2002, e pela RDC n° 189, de 18/7/2003, mediante apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal, a contribuinte respondeu que “estava atendido conforme documentos acostados” sem juntar qualquer documento comprobatório; d) Após ter apurado as diferenças oriundas do cálculo utilizando o percentual de 32% para obtenção do lucro presumido e dos tributos correspondentes a autoridade fiscal elaborou planilhas nas quais especificou as diferenças verificadas, ao mesmo tempo em que intimou a contribuinte a se manifestar sobre o que havia sido obtido; e e) Na resposta apresentada a contribuinte não apresentou elementos que justificassem enquadrar suas atividades na modalidade de tributação reduzida, o que suscitou a constituição do crédito tributário em questão, após terem sido deduzidos os valores declarados pela contribuinte em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os que foram objeto de retenção na fonte. Intimada da imposição tributária, a recorrente ofertou Impugnação, a qual foi julgada improcedente. Em decorrência, a recorrente ofertou Recurso Voluntário, aduzindo: a) nulidade do lançamento fiscal por ausência de motivação, pois o agente autuante deveria relatar os fatos ocorridos, justificando, de forma explícita, as razões de fato e de direito da exigência do suposto tributo, além de provar o porquê desconsiderou a declaração de IRPJ da recorrente; b) nulidade do lançamento de ofício por cerceamento de defesa, pois não foi dado à recorrente a ciência do Termo de Verificação Fiscal; c) nulidade do lançamento de ofício por insuficiência de provas hábeis a demonstrar a afronta ao art. 15, da Lei nº 9.249/95. O lançamento fiscal teria se dado com base em mera presunção; d) a prestação de serviço hospitalar, pois a recorrente presta serviços de hemodiálise, fato provado, por meio de contrato social e relatórios de serviços médicos emitidos nos anos de 2007 e 2009; e) ilegalidade da Taxa Selic; f) multa com efeito de confisco; e g) ilegalidade da multa sobre os juros. É o relatório. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 471 5 Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira, Relator Preliminares Inicio por enfrentar a alegação de nulidade do lançamento fiscal, por ausência de motivação, pois o agente autuante deveria relatar os fatos ocorridos, justificando, de forma explícita, as razões de fato e de direito da exigência do suposto tributo, além de provar o porquê desconsiderou a declaração de IRPJ da recorrente. Conforme se verifica do “Relatório de Fiscalização” (fls. 361/363), a recorrente foi autuada pelos seguintes motivos: “1) A auditoria no contribuinte acima identificado restringiuse ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) do período de 04/2007 a 12/2009, conforme contido no mandado de procedimento fiscal acima mencionado. 2) No período em questão, o contribuinte optou pela tributação pelo lucro presumido e, indevidamente, utilizou a base de cálculo presumida de 8% e 12% respectivamente, sobre o IRPJ e CSLL – fls 78/128. 3) Segundo legislação vigente, a base de cálculo presumida do IRPJ e da CSLL deveria ser calculada à alíquota de 32%. Os percentuais de 8% e 12% são previstos para sociedades empresárias que atendam as normas da ANVISA e que prestam serviços hospitalares e/ou as atividades elencadas no artigo 29 da lei 11.727/2008. Houve mudanças na legislação conforme períodos abaixo descritos: 3.1) A partir de 27/04/2005 até 09/12/2007, são considerados serviços hospitalares unicamente os prestados por empresário ou sociedade empresária que exerçam uma ou mais das atribuições elencadas pelo artigo 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC n.º 50, de 2002, e que possuam estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retrocitada Resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 3.2) De 10 de dezembro de 2007 (data da publicação do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB nº 19/2007) até 31 de dezembro de 2008, para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de 8% sobre a receita bruta decorrente dos serviços hospitalares prestados por Fl. 471DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 472 6 estabelecimentos assistenciais de saúde que atendam aos requisitos nele estabelecidos. Transcrevo abaixo o citado ADI: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19, de 7 de dezembro de 2007 DOU de 10.12.2007 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 15, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e o que consta do processo nº 10168.004798/200794, declara: Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'',da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços pré hospitalares, prestados na área de urgência realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. 3.3) A partir de 1º de janeiro 2009, data em que entraram em vigor as alterações promovidas pelo artigo 29 da Lei nº 11.727, de 2008, para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica na opção pelo lucro presumido, o percentual de 8% sobre a receita bruta aplicase à prestação de serviços hospitalares (nos termos já definidos pelo ADI RFB nº 19, de 2007) e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 3.4) Devese ainda salientar que a prestadora destes serviços deve estar organizada sob a forma de sociedade empresária, o que pressupõe a existência de estrutura empresarial, em que se reúnem fatores de produção e circulação, de forma massificada, com profissionalismo, economicidade, valendose de profissionais contratados para exercício da atividade de saúde à qual a pessoa jurídica se dedica. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 473 7 4) Nos atos constitutivos apresentados pelo contribuinte (fls 12/18) notase que a sociedade é prestadora de serviços (sociedade simples) registrada em cartório. Afastase, assim, o conceito de sociedade empresária. Reforçase mais ainda esses argumentos quando se analisam os empregados que prestaram serviços a contribuinte no período. Em são maioria, sUA auxiliares e técnicos. Não há médicos contratados para atendimento. 5) Em procedimento de diligência no estabelecimento do contribuinte (fls 170), foi constatado que o horário de funcionamento é das 6 às 20h. Assim, já está descumprida a norma prevista no Ato Declaratório Interpretativo n° 7 já descrita no item 3.2. 6) No item 7 do termo de início de fiscalização, o contribuinte foi intimado a “Comprovar que se enquadra no que dispõe o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003”. Em resposta (fls 5/11), declarou “atendido – conforme documentos acostados”. No entanto, não foi juntada á resposta qualquer documento relativo a este item. 7) No item 8 do termo de início de ação fiscal (fls 2 e 3), o contribuinte foi intimado a “Comprovar que a estrutura física do estabelecimento atende ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, mediante a apresentação de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Em resposta (fls 5/11), declarou “atendido – conforme documentos acostados”, No entanto, não foi juntada á resposta qualquer documento relativo a este item. 8) De todo o exposto, concluese que não poderia o contribuinte ter calculado a base do IRPJ e CSLL presumida a 8% e a 12%. O calculo feito erroneamente fez com que surgissem diferenças nos valores declarados de IRPJ e CSLL. 9) Assim, foram elaboradas as planilhas com as citadas diferenças, que foram anexas ao termo de constatação 02 074 2012 de 19/03/2012 – fls 69/71, conforme abaixo descrito: 9.1) Anexo 1 – Diferença de IRPJ – fls 72/74 9.2) Anexo 2 – Diferença de CSLL – fls 75/77 10) Devidamente intimado a se manifestar sobre o citado termo de constatação, o contribuinte, em sua resposta (fls 157/169) não apresentou elementos que dessem suporte à sua interpretação, especificamente que se enquadrava na legislação descrita no item 3 desse relatório. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 474 8 11) Isso posto, estou tributando as diferenças de IRPJ e CSLL demonstradas na planilha as fls 72/77, conforme já descrito no item 8. 12) Para elaboração da planilha de IRPJ, foram considerados: 12.1) Faturamento Declarado: Extraído do livro razão (fls 19/27) e conferido com a DIPJ (fls 78/126). 12.2) Coluna B: Base IRPJ 32% = Faturamento x 0,32 12.3) Coluna C: IRPJ devido 15% + adicional de 10% sobre o que exceder R$ 60.000,00 12.4) Coluna D: IRPJ Declarado em DCTF 12.5) Coluna E: IR retido, conf. DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras (fls 127/155) 12.6) Coluna F: Diferença de IRPJ (C – D – E) 13) Para elaboração da planilha da CSLL, foram considerados: 13.1) Faturamento Declarado: Extraído do livro razão (fls 19/27) e conferido com a DIPJ (fls 78/126) 13.2) Coluna B: Base CSLL 32% = Faturamento x 0,32 13.3) Coluna C: CSLL devida 9% 13.4) Coluna D: CSLL declarada em DCTF 13.5) ColunaE: CSLL retida, conforme DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras (fls. 127/155) 13.6) Coluna F: Diferença de CSLL (C – D – E) 14) No auto de infração, foi aposto na planilha no item “coeficiente utilizado”: 0%. Porém, nas planilhas descritas nos itens 8 e 9 foram considerados os valores declarados pelo contribuinte em DCTF e também os retidos na fonte. Assim, o tributo cobrado neste auto de infração é a diferença entre a base de 32% (correta) e a de 8% (utilizada pelo contribuinte). 15) Ressalvase o direito da Fazenda Nacional de reexaminar a presente documentação, caso sejam verificados fatos novos, não verificados na presente auditoria, que abrangeu única e exclusivamente o período de 04/2007 a 12/2009, concernente ao IRPJ e CSLL. 16) Esse relatório é parte integrante de indissociável do Auto de Infração – processo administrativo digital (eprocesso) 13851.720.453/201229 (IRPJ) e 13851.720.465/201253 (CSLL).” Verificase, que ao contrário do que alega a recorrente, no “Relatório Fiscal”, consta de forma exaustiva as razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de ofício, não se verificando qualquer nulidade. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 475 9 Pelos mesmos motivos carece de razão a recorrente, quando aduz que teria havido nulidade do lançamento de ofício, por insuficiência de provas hábeis a demonstrar a afronta ao art. 15, da Lei nº 9.249/95. Isto porque, a autoridade fiscal descreve, minuciosamente os fatos que suportaram o seu convencimento e que fundamentaram o lançamento de ofício, como se pode verificar do trecho do Relatório Fiscal, abaixo transcrito: “4) Nos atos constitutivos apresentados pelo contribuinte (fls 12/18) notase que a sociedade é prestadora de serviços (sociedade simples) registrada em cartório. Afastase, assim, o conceito de sociedade empresária. Reforçase mais ainda esses argumentos quando se analisam os empregados que prestaram serviços a contribuinte no período. Em são maioria, são auxiliares e técnicos. Não há médicos contratados para atendimento. 5) Em procedimento de diligência no estabelecimento do contribuinte (fls 170), foi constatado que o horário de funcionamento é das 6 às 20h. Assim, já está descumprida a norma prevista no Ato Declaratório Interpretativo n° 7 já descrita no item 3.2. 6) No item 7 do termo de início de fiscalização, o contribuinte foi intimado a “Comprovar que se enquadra no que dispõe o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de18 de julho de 2003”. Em resposta (fls 5/11), declarou ‘atendido – conforme documentos acostados’. No entanto, não foi juntada á resposta qualquer documento relativo a este item. 7) No item 8 do termo de início de ação fiscal (fls 2 e 3), o contribuinte foi intimado a “Comprovar que a estrutura física do estabelecimento atende ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, mediante a apresentação de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Em resposta (fls 5/11), declarou ‘atendido – conforme documentos acostados’, No entanto, não foi juntada á resposta qualquer documento relativo a este item.” Também se há que afastar a pretensa nulidade por cerceamento do exercício ao direito de defesa, fundado na ausência de Termo de Verificação Fiscal, a instrumentar o lançamento de ofício. No “Relatório Fiscal”, que possui a função de Termo de Verificação Fiscal, apesar de possuir nome diverso do documento apontado pela requerente, há a descrição dos fatos apurados e dos motivos que conduziram o agente fiscal a proferir a autuação. Consta no Auto de Infração que o referido documento o integra, indissociavelmente, afirmação que permite deduzir que se a recorrente foi cientificada do lançamento de ofício, fato incontestável, também o foi do “Relatório Fiscal”. Por essas razões, fica afastada a alegação de nulidade do Processo Administrativo por cerceamento ao direito de defesa. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 476 10 Mérito Quanto ao mérito, a recorrente afirma que presta serviço hospitalar, de hemodiálise, fato provado por meio de contrato social e relatórios de serviços médicos emitidos nos anos de 2007 e 2009, os quais teriam instruído a Impugnação. A Lei nº 9.249/95, art. 15, §1o, III, “a”, dispunha, até junho de 2008, que às empresas, prestadoras de serviços hospitalares, tributadas pelo Lucro Presumido, se aplicaria a base de cálculo de 8%. Nesse período (de 27/04/2005 a 09/12/2007) ingressou no mundo jurídico a IN SRF nº 480/04, que, regulamentando a Lei nº 9.249/95, considerou serviços hospitalares unicamente os prestados por empresário ou sociedade empresária que exerçam uma ou mais das atribuições elencadas pelo artigo 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC n.º 50, de 2002, e que possuam estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retrocitada Resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. A contar de 10 de dezembro de 2007, data da publicação do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB nº 19/2007, até 31 de dezembro de 2008, para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apurado com base no lucro presumido, passou a ser considerado serviço hospitalar aquele que preenchesse os seguintes requisitos: “Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 19, de 7 de dezembro de 2007 DOU de 10.12.2007 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 15, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e o que consta do processo nº 10168.004798/200794, declara: Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'',da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 477 11 serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” Ocorre, que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RE nº 1.116.399BA, ao qual foi atribuído a qualidade de representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, decidiu que o art. 15, §1o, III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretado de forma objetiva, razão pela qual as condições à isenção inseridas no mundo jurídico por atos emanados da Receita Federal, não previstos em lei, não têm o condão de vincular o contribuinte, conforme se constata da ementa colacionada: “DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249∕95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO ‘SERVIÇOS HOSPITALARES’. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão ‘serviços hospitalares’ prevista na Lei 9.429∕95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de ‘serviços hospitalares’ apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2.Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249∕95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que ‘a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249∕95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares’. 3.Assim,devem ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 478 12 voltados diretamente à promoção da saúde’, de sorte que, ‘em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’. 4.Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727∕08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249∕95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249∕95. 5.Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6.Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ. 7.Recurso especial não provido.” A Portaria nº 256/09, que aprovou o Regimento Interno do CARF, Anexo II, art. 62A, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, qualificadas pelo art. 543C, do CPC, vinculam o julgamento deste Conselho. Nesse passo, até o início da vigência da Lei nº 11.727/08 (que alterou o art. 15, §1o, III, “a”, da Lei nº 9.249/95), que se deu a partir de primeiro de janeiro de 2009 (art. 41, VI, Lei nº 11.727/08), as regras para a apuração da base de cálculo dos serviços prestados pela recorrente são aquelas estabelecidas pela Lei nº 9.249/95. Seguindo nesta linha deve ser aplicado o texto original da alínea “a”, III, §1o, art. 15, da Lei nº 9.249/95, no período de sua vigência: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 479 13 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...)” Assim, a única condição a que a recorrente possam calcular o tributo sobre a base de cálculo correspondente ao faturamento, é que preste serviço hospitalar. O contrato social da recorrente denuncia que o seu objeto social é prestar serviço médicohospitalar dialítico. No REsp nº 200702694511, Rel. Min. Castro Meira, restou decidido, por unanimidade, que os serviços de diálise têm natureza médicohospitalar. “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS DE HEMODIÁLISE. INCLUSÃO NO CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. O conhecimento do recurso especial esbarra na Súmula 284/STF pela alegada violação do artigo 535 do CPC nos casos em que a arguição é genérica. 2. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 3. No caso, tratase de entidade que presta serviços de hemodiálise. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares", já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 4. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente, excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. 5. Recurso especial provido em parte.” Ao preencher os requisitos do art. 15, §1o, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, é direito da recorrente, até o final do exercício de 2008, apurar a base de cálculo do imposto, mediante a aplicação de oito por cento do seu faturamento. A partir da vigência da Lei nº 11.727/08, no entanto, passouse a exigir, para a caracterização de serviços hospitalares, que o contribuinte esteja organizado sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Em decorrência, a partir de primeiro de janeiro de 2009, era dever da recorrente demonstrar o preenchimento dos requisitos legais. Não o fez, devendo, portanto, ser confirmado o lançamento de ofício nesta parte. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 480 14 Deixo de apreciar a alegação de confisco, porque este Conselho não possui competência para afastar a aplicação da norma fundado em inconstitucionalidade (art. 62, Anexo II, Portaria nº 256/09, Regimento Interno do CARF). Sobre a ilegalidade dos juros.sobre a multa, colaciono as razões de decidir expostos pelo Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, na Declaração de Voto, prolatada no Processo nº 16627.000989/200793: “Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, questionados pelo Recorrente, o Código Tributário Nacional (CTN) autoriza tal exigência. Em seu artigo 161, dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (destaquei) Nesse contexto, não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139 do CTN), tendo por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113 do CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: “Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 481 15 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (destaquei) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, podem ser mencionados os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 482 16 INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Quanto ao percentual, não há mais discussão. O entendimento quanto à aplicação da taxa SELIC consolidouse administrativamente, sendo, inclusive, objeto do Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, de observância obrigatória por seus membros: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso ordinário, para excluir da exigência o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2008, mantendo o lançamento de ofício em relação aos fatos geradores ocorridos de 01/01/2009 a 31/12/2009. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 482DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 483 17 Declaração de Voto De início, vale destacar o detalhado e fundamentado voto do I. Relator, Cons. Fábio Nieves Barreira, a quem rendo as costumeiras homenagens. Considerando que já tive oportunidade de analisar a matéria, passo a tecer algumas considerações restritas ao percentual de presunção aplicável à espécie. Nos termos do Relatório de Fiscalização (fls.361/363), entendeu a fiscalização, quanto à apuração da base de cálculo pelo lucro presumindo, que “...Os percentuais de 8% e 12% são previstos para sociedades empresárias que atendam as normas da ANVISA e que prestam serviços hospitalares e/ou as atividades elencadas no artigo 29 da lei 11.727/2008”. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela autuação, restringiu cronologicamente (a partir de 27/4/05) o alcance da expressão “serviços hospitalares”, ao considerar diplomas normativos infralegais (IN SRF nº 480/04, nº 539/05, RDC nº 50/02 e ADI RFB nº 19/07). No seu entender não estariam preenchidos alguns requisitos que autorizariam o enquadramento dos serviços como hospitalares. Em resumo: a sociedade não seria empresária, mas prestadora de serviços (sociedade simples); não se garantiria atendimento básico de diagnóstico e tratamento durante 24 horas, dado o funcionamento do estabelecimento apenas das 6 às 20 horas; não comprovação do enquadramento no subitem 2.1 e do atendimento ao item 3 (estrutura física em conformidade com as normas sanitárias estatais), ambos da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 50/02 da Anvisa. Conforme Cláusula Terceira do Contrato Social (fls.12/18), o sujeito passivo dedicase à “Atividade médicohospitalar na área de tratamento dialítico e afins”, que não foi contestada pela fiscalização. Em razão da semelhança com a matéria já debatida pelo colegiado, valhome da fundamentação empregada no voto condutor do acórdão nº 1103000.988, de 11/2/14, sob minha relatoria. Verbis: “[...] Não obstante as inúmeras interpretações veiculadas por normas infralegais, com a menção a vários requisitos, devidamente adotadas pelo acórdão da DRJ, pois àquelas se vincula, no presente caso a particularidade de o STJ ter definido o alcance da expressão “serviços hospitalares”, para fins de aplicação do art.15, III, “a”, da Lei nº 9.249, de 26/12/95, não confere mais qualquer margem aos membros do CARF para rediscutir a matéria. Por força do art.62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que impõe a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas, por exemplo, pelo STJ na sistemática do art.543C do CPC (regime de recurso repetitivo), adotase o entendimento fixado no julgamento do REsp nº 1.116.399/BA, de 24/2/10, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e Fl. 483DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 484 18 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, §1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. 3. Daí a conclusão de que ‘a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares’. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde’, de sorte que, ‘em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a Fl. 484DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 485 19 receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do §2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do art.543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. No julgamento dos Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, em 29/9/10, reiterou a Primeira Seção do STJ que “são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas”. A respectiva ementa restou assim redigida: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art.535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam:(i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que Fl. 485DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 486 20 não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, ‘a’, da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: ‘Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico’. 6. Embargos de declaração rejeitados. Tal acórdão transitou em julgado em 3/11/10, conforme informação constante do sítio do STJ na internet. Não obstante o paradigma eleito por aquela Corte tratar de pessoa jurídica que prestava serviços laboratoriais, as premissas definidas aplicamse a outras hipóteses. Conforme o entendimento acima, a expressão “serviços hospitalares” deve ser interpretada de maneira objetiva, sob a perspectiva da atividade realizada, não se considerando, por ausência de previsão legal, a característica ou a estrutura do contribuinte em si. À exceção das consultas médicas, consideramse como tais os serviços que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. No respectivo voto condutor, de lavra do Min. Benedito Gonçalves, confirmouse a orientação fixada no REsp nº 951.251PR, quando se entendeu que: “...a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, §1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva Fl. 486DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 487 21 da atividade realizada pela contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou o contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), que é, inclusive, alçado à condição de direito fundamental. Ademais, consignouse que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que ‘a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares’. Dessa forma, ficou assentado que devem ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde’, de sorte que, ‘em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’. Ressaltouse ainda que as alterações preconizadas pela Lei 11.727/08 aos dispositivos legais em discussão apenas devem ser aplicadas a demandas ajuizadas após a sua vigência, não possuindo efeito retroativo.” Com isso, os requisitos previstos nas normas editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não prevalecem frente à lei, que contemplou, no entender do STJ, a natureza do serviço prestado, qual seja, assistência à saúde. Por conseguinte, não prevalecem os requisitos mencionados no acórdão recorrido, estabelecidos em atos infralegais, que impediram, no entender da DRJ, caracterizar os serviços prestados como hospitalares.” Demanda particular análise o requisito relacionado à prestação dos serviços hospitalares por estabelecimentos constituídos por empresários ou sociedades empresárias. A necessidade de a prestadora dos serviços ser organizada sob a forma de sociedade empresária passou a ter estatura legal com a Lei nº 11.727, de 23/6/08, que, por meio do artigo 29, conferiu a seguinte redação ao art.15, III, “a”, da Lei nº 9.249/95: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: Fl. 487DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 488 22 ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;” Conforme entendimento do STJ (Resp nº 1.116.399/BA), antes exposto, as alterações preconizadas pela Lei nº 11.727/08 não se aplicam retroativamente. Em que pese ter entrado em vigor na data de sua publicação, o seu art.29 passou a produzir efeitos, conforme art.41, VI, “...a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da publicação desta Lei”, ou seja, a partir de 1º/1/09. Logo, no caso concreto, o requisito da organização da prestadora dos serviços sob a forma de sociedade empresária também não consiste em fator impeditivo quanto aos fatos geradores ocorridos até 31/12/08. Considerando o objeto social do Recorrente, voltado a atividades médico hospitalares na área de tratamento dialítico e afins, inegavelmente relacionadas diretamente à promoção da saúde, não prevalecem, para fins de caracterização dos serviços como hospitalares e aplicação dos percentuais de presunção, os requisitos impostos pela legislação tributária infralegal e os decorrentes de particular interpretação da RFB. Acrescentese que, seguindo o entendimento estampado no Resp nº 1.116.399/BA, o STJ passou a decidir que estão compreendidos no conceito de “serviços hospitalares”, por exemplo, a realização de exames de diagnósticos por imagem, serviços oftalmológicos e exames cirúrgicos: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA. ARTIGO 15, PARÁGRAFO 1º, INCISO III, ALÍNEA "A", DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido. (Primeira Seção, REsp 837913/SC, julgado em 10/11/10, Dje 19/11/10, Rel. Min. Hamilton Carvalhido) TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, §1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO CONCEITO Fl. 488DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 489 23 DE SERVIÇO HOSPITALAR. 1. A agravante requer que "se deixe expresso que a redução da alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa genericamente considerada, mas sim àquela receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte nos exatos termos do § 2º, do artigo 15, da mencionada lei" (fls. 226227). 2. A decisão monocrática considerou que a "redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo" (fl.217), nos termos do EREsp 925.126/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 18/09/2009 e do REsp 1.116.399/BA, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 24/02/2010, que seguiu o procedimento previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil. 3. Agravo regimental não provido. (Segunda Turma, AgRg no REsp 1147620/RS, julgado em 14/9/10, Dje 24/9/10, Rel. Min. Castro Meira) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 458 E 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA N. 98/STJ NA HIPÓTESE. SUBSISTÊNCIA DA MULTA. SERVIÇO HOSPITALAR. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM. ENQUADRAMENTO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. DEPÓSITO JUDICIAL. LEVANTAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. PRECEDENTES. [...] 2. A Primeira Seção desta Corte, em sessão realizada no dia 28.10.2009, quando do julgamento do REsp n. 1.116.399/BA, pelo regime do art. 543C, do CPC, adotou, por maioria, entendimento no sentido de que as empresas que prestam serviços médicos laboratoriais desempenham atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, razão pela qual fazem jus ao benefício fiscal de redução das alíquotas do IRPJ e da CSLL, o qual não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício, nos termos do § 2º do art. 15 da Lei n. 9.249/95 [...] 4. Recurso especial parcialmente provido. (Segunda Turma, REsp 1200788/MG, julgado em 2/9/10, Dje 4/10/10, Rel. Min. Mauro Campbell Marques) TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. SERVIÇOS MÉDICOS OFTALMOLÓGICOS E EXAMES CIRÚRGICOS. ATIVIDADES ABRANGIDAS. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. "Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos Fl. 489DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.720465/201253 Acórdão n.º 1103001.030 S1C1T3 Fl. 490 24 hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 2. Precedente representativo da controvérsia: REsp 1.116.399/BA, DJe 24/02/2010. 3. Os serviços médicos oftalmológicos, bem como a realização de exames cirúrgicos, estão abarcados pelo conceito de "serviços hospitalares" para fins de recolhimento do IRPJ e CSSL sob a base de cálculo reduzida. 4. "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". Inteligência da Súmula 98/STJ. 5. Recurso especial provido. (Segunda Turma, Resp 1165921/MA, julgado em 5/8/10, Dje 1/9/10, Rel. Min. Mauro Campbell Marques) Portanto, até 31/12/08 aplicase o percentual de presunção de 12% na apuração da base de cálculo da CSLL, por se caracterizarem como serviços hospitalares as atividades desenvolvidas pelo Recorrente, conforme interpretação firmada pelo STJ em sede de recurso repetitivo, repitase, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Sobre tal matéria, registro meu entendimento e reitero a adesão às soluções adotadas pelo I. Relator quanto às demais questões. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 490DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 19679.003741/2003-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - NULIDADE - ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA - Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo administrativo em nome do contribuinte, limitando-se a indicar como dado concreto "PROC INEXIST NO PROFISC" e o contribuinte demonstra a existência do processo, bem como que figura no pólo ativo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes.
Numero da decisão: 3402-002.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 37 41 /2 00 3- 59 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro de 1998 a dezembro de 1998, declarados na DCTF, pois foi constatado “Proc jud não comprovado”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 43 e 44, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 30/06/2003, perfazendo o total de R$180.273,50 (cento e oitenta mil e duzentos e setenta e três reais e cinqüenta centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 1º e 3º, alínea “b”, da Lei Complementar nº 07/70; art. 83 inc. III, L.8981/95; art 1º, L 9249/95; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1623/97 e reed; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1676/9834 e reed; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, L 9715/98. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 11/08/2003 (AR à fl. 127), a contribuinte protocolizou, em 28.08.2003, a impugnação de fls. 1 a 10 acompanhada dos documentos de fls. 1198, na qual alega: II. PRELIMINARMENTE II. 1. A falta de motivação do auto de infração 2.1. Antes de tudo, cumpre dizer que o Auto de Infração ora impugnado comete flagrante violação ao direito de ampla defesa da autuada, uma vez que não expõe, com a clareza necessária, o motivo da suposta infração. 2.1.1. Isto, pois em nenhum momento é possível perceber qual a origem do débito, ou seja, se oriundo de falta de recolhimento, diferença de recolhimento ou ainda, de descumprimento de obrigação acessória referente ao preenchimento da DCTF. 2.1.2. Por outro lado, a douta autoridade fiscal limitouse a citar textos legais e apresentar planilhas com valores, sem discorrer sobre qual o motivo do arbitramento do débito, ou qualquer outro raciocínio utilizado para o seu cálculo. 2.1.3. Ora, o lançamento, a teor do artigo 142 do Código Tributário Nacional, definese como o "procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinarão montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível". 2.1.4. Assim, para que um determinado Auto de Infração tenha validade e produza efeitos no mundo jurídico, ele deve conter Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19679.003741/200359 Acórdão n.º 3402002.430 S3C4T2 Fl. 126 3 todos os elementos que lhe forem essenciais, dentre eles a descrição da infração supostamente cometida pelo notificado. 2.1.5. Com efeito, o princípio da motivação dos atos administrativos exige que a exposição dos fatos e da infração seja dotada de clareza, lógica, precisão, propiciando a perfeita compreensão de todos os pontos controvertidos, bem como da conclusão atingida. 2.1.6. Nessa ordem de idéias, a fim de que seja obedecido o princípio da motivação dos atos administrativos, há necessidade de que a autoridade fiscal estabeleça uma correlação lógica^entremos fundamentos de fato da infração e os fundamentos de direito, demonstrando ainda a veracidade dos cálculos apontados no Auto de Infração. 2.1.7. A mera citação do fundamento legal (dispositivos legais que embasaram a autuação) sem a devida descrição dos fatos, fixando valores de débito aleatoriamente não é suficiente. É forçoso, consoante magistério de Celso Antônio Bandeira de Mello, que a autoridade estabeleça uma correlação lógica entre "os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada, nos casos em que este último aclaramento seja necessário para aferirse a consonância da conduta com a lei que lhe serviu de arrimo". 2.1.8. Ora, apenas uma decisão bem motivada e devidamente fundamentada, que esclareça e justifique o seu conteúdo permite o exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório: conhecer as razões constituise garantia mínima para um adequado exercício do direito à defesa. 2.1.9. Deveras, o administrado para insurgirse ou para ter elementos de insurgência contra atos que o afetem pessoalmente necessita conhecer as razoes de tais atos na ocasião em que são expedidos. Todavia, como destacado acima, limitouse a fiscalização a fazer referência no referido Auto de Infração a valores pretensamente devidos, sem especificar o fundamento pelo qual chegou a tal conclusão.' 2.1.10. Nessa ordem de idéias, é forçoso concluir que a lavratura do presente Auto de Infração, ao não descrever com exaustão os motivos que levaram à fixação da penalidade em questão, padece de nulidade. III. O DIREITO III. 1. A decadência de parte dos valores lançados. 2.2. Primeiramente, cumpre ressaltar que se equivocou o AFRF Airton Aparecido Fabiano ao autuar a ora impugnante por supostos débitos das competências de janeiro a junho de 1998. 2.2.1. Isto, pois o PIS é tributo sujeito ao chamado lançamento por homologação e, assim, ao presente caso, deve ser aplicado o disposto no art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 segundo o qual operase a homologação tácita após 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador. 2.2.2. O Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou sobre o assunto: "TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, par. 4o, do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da,ocorrência do fato gerador (...)". 2.2.3. Assim, tendo em vista que a ora impugnante foi notificada do presente auto de infração em 30 de julho p.p., é claro que dela só poderiam constar eventuais débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de julho/1998. 2.2.4. Vale dizer, as competências de janeiro/98 a junho/98 (com fatos geradores nestes mesmos meses) tiveram seus lançamentos homologados tacitamente nos meses de janeiro/03 a junho/03, quando então o crédito tributário foi definitivamente extinto. 2.2.5. Esse é o entendimento dos órgãos julgadores administrativos, como se extrai da seguinte ementa da Ia Câmara do Conselho de Contribuintes: "Finsocial faturamento decadência: Não obstante, a Lei no 8.212/91 ter estabelecido prazo decadencial de 10 (dez) anos (art. 45, caput e inciso I), deve ser observado no lançamento o prazo quinquenal previsto no ... CTN, por força do disposto no art. 146, incisoIII, letra 'b' da Carta Constitucional de 1988, que prevê que somente à lei complementar cabe estabelecer normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre... prescrição e decadência de tributos". 2.2.6. Assim, é imperioso o reconhecimento da ocorrência da decadência destes valores. III.2. A compensação dos valores de PIS inexistência de infração. 2.3. A despeito da falta de motivação da autuação ora impugnada, acredita a impugnante que a autuação decorreu da suposta ausência de recolhimento ao PIS, referente aos meses de janeiro a dezembro de 1998. 2.3.1. Ocorre que a autuação é indevida. Isto, porque no período em questão a ora impugnante exerceu seu direito de compensar os créditos advindos de recolhimentos indevidos a título de PIS, com débitos vincendos da própria contribuição ao PIS, amparada por decisão judicial. 2.3.2. Com efeito, em agosto de 1997, a ora impugnante impetrou mandado de segurança para assegurar o seu direito de Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19679.003741/200359 Acórdão n.º 3402002.430 S3C4T2 Fl. 127 5 compensar o montante pago indevidamente a título de PIS, com parcelas vincendas da própria contribuição ao PIS (doc. 04). 2.3.3. Em setembro de 1997 foi proferida decisão liminar (doc. 05) autorizando Em a ora impugnante a proceder à compensação. E, o seu direito, foi confirmado por intermédio da sentença proferida nos mesmos autos (doc. 06) e do Venerando acórdão proferido pela Egrégia 3a. Turma do TRF da 3a. Região (doc. 07). 2.3.4. Portanto, conforme foi devidamente informado por intermédio da Declaração de Contribuintes e Tributos Federais (DCTF), não foi efetuado o recolhimento do PIS nos meses ora questionados devido à compensação autorizada judicialmente, que foi realizada com créditos de pagamentos a maior do próprio PIS. 2.3.5. Ora, inconcebível então, que a douta autoridade fiscal ignore a decisão judicial proferida e proceda à autuação em face da ora impugnante. E isto fica mais evidente quando constatamos que a douta autoridade fiscal não procedeu devidamente à fiscalização, pois se assim o fizesse, seria informada de que os valores de PIS constantes da autuação foram compensados com os créditos de PIS, mediante autorização judicial. 2.3.6. Vale dizer, a própria autoridade fiscal, conforme se pode verificar por intermédio do anexo I da autuação em questão, tinha conhecimento da existência de um processo judicial referente a esta contribuição, mas sequer se deu o trabalho de verificar a existência de decisão judicial ou de solicitar à empresa a cópia desta, optando, outrossim, pela autuação sem qualquer fundamentação. 2.3.7. Diante do exposto, não pode ser a ora impugnante compelida ao pagamento dos valores de PIS, pois referidos valores já foram quitados, mediante a compensação já mencionada, devendo o auto de infração ser julgado totalmente improcedente. IV. O PEDIDO 2.4. Por todo o exposto requer a ora impugnante: (i) seja declarado nulo o presente auto de infração, diante da falta de fundamentação necessária para .possibilitar o direito de ampla defesa da impugnante; 2.4.1. Caso não seja este o entendimento de V. Sa.: (i) seja declarada a decadência dos supostos débitos referentes às competências de janeiro a junho de 1998; ( ii ) seja anulado o auto de infração ora impugnado em face do fato de que os valores não recolhidos pela empresa se devem à compensação com créditos do próprio PIS, judicialmente autorizada. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 2.4.2. Protesta ainda a impugnante pela produção de provas por todos os meios em direito admitidos, bem como pela posterior juntada de documentos, inclusive daqueles que a autoridade julgadora entender necessários. 2.5. Por fim, requer que todas as intimações e avisos sejam efetuados no endereço dos procuradores da Impugnante, qual seja, na Rua Paraguai, 21, CEP 01408040, São Paulo/SP. 3. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita FederalDERAT/ EQAMJ em São PauloSP, exarou o Despacho em 01/03/2011 (fl. 125), onde consta: “Inicialmente esclareço que este AIDCTF cuida de débitos relativos ao Pis compreendida entre 01 e 12/1998 declarados como "compensação sem Darf com vinculação ao Mandado de Segurança n° 97.00295737. Quanto à medida judicial, cumpre dizer que se trata da "velha" compensação PIS DECRETOS com trânsito cm julgado no STJ em 07/05/2004. Da análise do acórdão do TRF 03ª Região em conjunto com o acórdão do STJ,podemos entender que o contribuinte teve fixado seu direito à compensação do PIS Decretos com o próprio PIS, correção monetária conforme fl. 115 e juros de mora de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado (fl. 114)” A 9ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo (SP) julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1634990, de 29 de novembro de 2011, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade do procedimento administrativo. PIS DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art.. 173, inc. I do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL RENÚNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não e admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19679.003741/200359 Acórdão n.º 3402002.430 S3C4T2 Fl. 128 7 direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade ofício lançada. INTIMAÇÃO VIA POSTAL ENDEREÇO CONSTANTE NO CADASTRO DA RFB. Para ser válida, a intimação, quando efetuada por via postal, deve ser encaminhada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim entendido aquele endereço fornecido para fins cadastrais. Tendo em vista que a autoridade administrativa atua de forma vinculada à lei, são estas as regras que devem ser observadas quanto à intimação. Impugnação Procedente em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) A Receita Federal do Brasil deve adaptar o débito tributário à decisão judicial proferida no mandado de Segurança nº 97.00295737; b) Houve inobservância do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, pois o agente fiscal não se atentou que os supostos débitos tributários do PIS foram quitados em razão de compensação autorizada por decisão transitada em julgado; c) Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins de cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A discussão em pauta diz respeito à possibilidade da DRJ mudar o fundamento jurídico do auto de infração. O auto de infração foi fundamentado na falta de comprovação do sujeito passivo ser parte na ação judicial informada em DCTF. A decisão da DRJ manteve o lançamento tendo como supedâneo a falta de crédito por parte do contribuinte Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 para realização de compensação. Ou seja, afastou o motivo determinante do auto de infração e analisou o meritum causae. O Acórdão nº 930301.060, da lavra do conselheiro Henrique Pinheiro Torres, proferido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão do dia 23 de agosto de 2010, o qual subscrevi, mutatis mutandis, retrata meu pensamento sobre esta lide, de sorte que peço vênia para reproduzilo: (...) Compulsando os autos, verificase que a fundamentação do lançamento de ofício foi ter o sujeito passivo informado compensação em DCTF arrimada em decisão judicial, mas que tal ação não fora comprovada. Daí a fiscalização haver utilizado como premissa para a glosa de crédito o suposto fato de que a ação judicial alegada pelo sujeito passivo não existira No julgamento da impugnação, a DRJ reconheceu a comprovação produzida pela empresa quanto à existência do processo judicial informado e a sua vinculação à matéria alegada, todavia, justificou o lançamento sob o argumento de que se o crédito tributário existisse, a compensação somente poderia ter sido efetuada, a partir do trânsito em julgado da decisão judicial que reconhecesse os créditos em favor do sujeito passivo, o que não era o caso dos autos. Razão tem a autoridade julgadora de primeira instância quando alega a necessidade do trânsito em julgado para que se possa proceder à compensação desses créditos com débitos de origem tributária do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional. De outro lado, não se pode esquecer que o Processo Administrativo Fiscal exige uma série de requisitos para a formalização do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, dentre os quais destacase o da correta fundamentação da acusação fiscal. Isso porque, no estado democrático de direito, a todos os administrados é assegurado, diante de uma acusação, seja administrativa ou judicial, saber os fatos que lhes foram imputados e os fundamentos que justificaram tal acusação. Isso em decorrência de princípios basilares assentados nas constituições democráticas modernas. No nosso ordenamento jurídico, os acusados defendemse dos fatos que lhes foram imputados, inconsistentes esses, inconsistente também será a acusação. No caso dos autos, a glosa deuse sob a premissa de que a ação judicial informada pelo sujeito passivo, como base para a compensação por ele efetuada, não existiria. Ora, se essa era a acusação: “proc jud não comprova”, se o sujeito passivo comprovou a existência da ação judicial informada na DCTF, a acusação fiscal tornouse insubsistente, não sendo lícito ao órgão de julgamento modificar a fundamentação do lançamento. Se a fiscalização entender que deve, pode fazer nova acusação, desta feita retratando, corretamente, os fatos imputados ao sujeito passivo, e, de preferência, os descrevendo em Português vernacular, sem abreviações ou frases inacabadas, como a constante do auto de infração em comento (proc jud não comprova). Essa descrição Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19679.003741/200359 Acórdão n.º 3402002.430 S3C4T2 Fl. 129 9 dos fatos, de per si, já representaria cerceamento de defesa, posto ser ininteligível para o homem de conhecimento médio que não seja afeito às questões fazendárias, o que, se alegado pela parte, culminaria na nulidade dos auto de infração, mas como não o foi, não se pode, de ofício, pronunciála, posto que só a parte prejudicada é que tem legitimidade para argüir o prejuízo advindo do cerceio de defesa. É um direito personalíssimo e subjetivo do ofendido. De outro lado, a mudança de critério jurídico realizada pela decisão de primeira instância, não tem o condão de macular o lançamento fiscal, mas sim, a própria decisão, pois quem a proferiu não detinha competência legal para agravar o lançamento fiscal, modificando os seus fundamentos. Desta feita, entendo que o órgão julgador de primeira instância, ao modificar os fundamentos do auto de infração, extrapolou de suas competências, o que torna nula a decisão proferida. Todavia, deixo de pronunciar tal nulidade, pois, no mérito, como dito linha acima, o lançamento é improcedente, já que as provas trazidas aos autos põem por terra a acusação fiscal, já que restou comprovado pelo sujeito passivo que a ação judicial por ele informada na DCTF existe e versa sobre o direito creditório controvertido nestes autos. Assim, a acusação fiscal do “proc. Jud. não comprova”, não encontra respaldo nos autos. Aliás, tal “fundamentação” desses malfadados autos de infração “eletrônicos”, a rigor, apenas indica que o processo judicial informado não existe. Isso é, por óbvio, o máximo que pode fazer um sistema informatizado, já que não tem capacidade de “interpretar” o conteúdo da decisão proferida para definir se dá cobertura à compensação pretendida. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de MARCOS VINÍCIUS NEDER e MARIA TERESA MARTINEZ LOPES (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p. 184), recomenda o seguinte. "Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração". No caso em pauta, sabemos todos que o auto de infração é lavrado mediante simples cruzamento de dados entre o que é informado pelo contribuinte e os demais registros contidos no sistema informatizado da Receita Federal. O procedimento in casu é totalmente eletrônico e não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, fundamentase Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 apenas no estreito limite desse cruzamento de informações. A descrição do fato, requisito de validade do auto de infração e elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, encontrase no âmbito de competência da autoridade lançadora, descabendo à autoridade julgadora supri lo, ao argumento de que a exigência seria válida sob o prisma da “falta de recolhimento". Ora, a falta de recolhimento é, em sentido amplo e via de regra, a razão de qualquer lançamento de oficio efetuado de modo a constituir o crédito tributário. Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no curso do processo, fazêlo acertar no que não viu, subtraindo ao impugnante o direito de opor contrarrazões, quaisquer que sejam, sem que isto, pelo menos a meu juízo, resulte na preterição do direito de defesa do contribuinte autuado. Em apertada síntese, estas são as razões pelas quais, não promovido o aludido saneamento processual e ante a insubsistência do fato que ensejou a lavratura do auto de infração em exame, visto que agora são outros os pressupostos que o ensejariam, divirjo, respeitosamente, da relatora e dos demais colegas julgadores que votaram pela procedência do feito, eis que, a meu juízo, sem que o processo seja saneado, impõese o cancelamento do auto de infração, cabendo ao Fisco efetuar o lançamento que achar devido, então já sob o pálio de novos pressupostos, e desde que dentro de prazo decadencial”. Retornando ao processo em análise, com dito alhures, o auto de infração eletrônico teve como fundamento a inexistência do processos judicial que amparava seu direito creditório. A recorrente provou que ajuizou o Mandado de Segurança nº 97.00295737 que tratavam do direito creditório e a possibilidade de compensação. A Delegacia de Julgamento manteve parte do lançamento sob outro fundamento, não mais pela falta de comprovação do processo judicial. Respeitosamente, considero que manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram, ou puderam ser cogitados pela autoridade autuante corresponde à verdadeira inovação no que diz respeito à valoração jurídica dos fatos, em época em que descabe à autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. Pelos fatos arrolados, resta evidente que o pressuposto fático que deu suporte ao auto de infração é falso. Logo, o auto de infração deve ser cancelado pela inexistência e falta de veracidade dos motivos apontados como fundamento. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso do sujeito passivo e cancelo o auto de infração. Sala das Sessões, em 23/07/2014 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19679.003741/200359 Acórdão n.º 3402002.430 S3C4T2 Fl. 130 11 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10814.021898/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/12/2005
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 DO CARF.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracteriza-se pela identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito-passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 3201-001.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Wilson Sampaio Sahade Filho.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 DO CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeitopassivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Wilson Sampaio Sahade Filho. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 02 18 98 /2 00 7- 13 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10814.021898/200713 Acórdão n.º 3201001.635 S3C2T1 Fl. 245 2 Os presentes Autos de Infração, fls. 01/35, foram lavrados contra a contribuinte em epígrafe, formalizando o crédito tributário no valor de R$ 158.724,32, com a exigência do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado, Pis/Pasep e CofinsImportação e Juros de Mora, calculados até 30/11/2007. A contribuinte processou as Declarações de Importação listadas, fl.06, ao amparo da isenção da Lei n° 8.032, de 1990; n° 8.010, de 1990 e n° 10.865, de 2004, para o Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado, Pis Importação e CofinsImportação, incidentes na importação das referidas mercadorias. A exigência fiscal decorre do não atendimento aos requisitos e condições previstos na legislação de regência, tendo a contribuinte deixado de apresentar a certidão negativa de débito expedida pelo INSS, a certidão negativa de tributos e contribuições federais administrados pela RFB e a certidão negativa da PGFN, quanto à dívida ativa junto a União. Entretanto, a contribuinte se socorreu do remédio jurídico do Mandado de Segurança (n° 2005.61.19.0073183) junto a 4a Vara Federal de Guarulhos/SP, e obteve liminar para promover o desembaraço das mercadorias sem o pagamento daqueles tributos, com o fundamento no art. 150, inciso VI, alínea ' c ' , da Constituição Federal/1988, obtendo a liminar, fls. 118/120. Em cumprimento a decisão judicial o desembaraço aduaneiro das mercadorias foi promovido pela fiscalização da Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo/SP. A fim de prevenir a decadência, foi determinada a lavratura dos presentes Autos de Infração, para exigência do Imposto, de Importação., Imposto sobre Produtos Industrializados Vinculado, Pis/Pasep e CofinsImportação, e juros de mora respectivos, por se entender que a imunidade do art. 150, inciso VI, alínea V da Constituição Federal de 1988, abrange apenas os impostos sobre o patrimônio, renda e serviços daquelas entidades, corroborado com o disposto no art. 146, inciso III, aliena 'a' da CF/88,que remete à lei complementar a definição das diversas espécies de tributos, tratada no CTN Lei n° 5.172, de 1966, com hierarquia de lei complementar,em seu Titulo III, não abrangendo os tributos incidentes na importação, bem como deixado de atender os requisitos e condições do art. 14 do CTN. Deixou de ser exigida a multa de ofício ao amparo do art. 63, § 1º da Lei n° 9.430, de 1996. Cientificada dos referidos autos, em 13/12/2007, fls.01/15 e 22 a contribuinte protocolizou sua Impugnação, fls. 126/134, em 11/01/2008, considerada tempestiva conforme despacho de fls. 116. Na peça impugnatória, a recorrente sustenta sua imunidade em relação aos tributos exigidos no presente Auto de Infração. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10814.021898/200713 Acórdão n.º 3201001.635 S3C2T1 Fl. 246 3 Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram se consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 07/12/2005 Ementa:CONCOMITÂNCIA Pelo Princípio da Jurisdição Una, considerase renúncia a discussão no processo administrativo fiscal, quando o contribuinte propôs ação judicial sobre a mesma matéria (Súmula CARF n° l),não se toma conhecimento da impugnação ao auto de infração cuja matéria é objeto de ação judicial, importando em renúncia às instâncias administrativas. JUROS DE MORA TAXA SELIC Não se toma conhecimento de matéria não impugnada. Entretanto, são devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito nó montante integral. (Súmula CARF n° 5). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela SRFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4). Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Afirma, ainda, que a decisão recorrida é nula por cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista não ter analisado seus argumentos referentes a imunidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o processo de auto de infração que formaliza a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado, Contribuição para o Pis/PasepImportação e CofinsImportação, incidentes sobre as mercadorias importadas informadas às fls. 6. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10814.021898/200713 Acórdão n.º 3201001.635 S3C2T1 Fl. 247 4 O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, tendo em vista a recorrente ter impetrado o Mandado de Segurança n° 2005.61.19.0073183 junto a 4ª Vara Federal de Guarulhos/SP. Esta ação judicial teve como objetivo o reconhecimento da imunidade da recorrente em relação aos tributos ora exigidos, devido a tratarse de entidade beneficente de assistência social. A lide se restringe a análise da regularidade da decisão recorrida, que não conheceu da peça impugnatória no tocante às arguições referentes à imunidade, devido a recorrente ter ingressado com processo junto ao Poder Judiciário com o mesmo objeto. Neste ponto, esclarecese que o objeto de uma ação judicial corresponde ao pedido constante da peça inicial, a matéria sobre a qual a sentença de mérito tem de atuar. Em outras palavras, é o que se pede em juízo. O ingresso com petições junto ao Poder Judiciário e à Administração Pública que apresentam o mesmo objeto, que gera a identidade entre as demandas administrativa e judicial, pode ensejar no proferimento de decisões divergentes sobre o mesmo objeto. O nosso sistema constitucional, contudo, adota um modelo de jurisdição no qual as decisões judiciais são soberanas, de forma que a coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário não pode ser modificada por decisão em processo administrativo. Visando a evitar que uma decisão administrativa se sobreponha a uma decisão judicial, a Lei nº 6.830/80, em seu artigo 38, parágrafo único, determinou que “A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto”. Desta forma, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária, o mesmo renuncia ao poder de recorrer na instância administrativa. Observase, todavia, que o impedimento de recorrer na via administrativa restringese à matéria em discussão na ação judicial, mantendo o contribuinte o direito de recorrer em relação à matéria diferenciada. Tal entendimento já se encontra sumulado neste Conselho: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, se a matéria trazida na impugnação ou no recurso administrativos for idêntica à levada à apreciação do Poder Judiciário, não será conhecida a impugnação ou o recurso administrativos, em face da renúncia ao contencioso administrativo. Por outro lado, se, no processo administrativo, a impugnação/recurso tratar de matéria diversa à submetida à ação judicial, o sujeito passivo terá direito ao contencioso administrativo fiscal, para apreciação da matéria diferenciada. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10814.021898/200713 Acórdão n.º 3201001.635 S3C2T1 Fl. 248 5 Retornando ao caso concreto, temos que a recorrente, em sua peça impugnatória, limitase a defender sua imunidade em relação aos tributos ora exigidos, devido a enquadrarse com entidade beneficente de assistência social. O Mandado de Segurança n° 2005.61.19.0073183, por sua vez, apresenta como pedido o reconhecimento da imunidade da recorrente em relação aos tributos ora exigidos, devido a tratarse de entidade beneficente de assistência social. Do exposto, constatase que os tributos exigidos neste auto de infração estão sendo discutidos no Mandado de Segurança n° 2005.61.19.0073183, tendo a recorrente apresentado a este órgão administrativo os mesmos argumentos apresentados ao Poder Judiciário. Posta assim a questão, entendo que esta correta a decisão proferida pela DRJ/São Paulo II, pois os órgãos administrativos de julgamento não podem apreciar matéria já submetida ao Poder Judiciário, na linha da Súmula Carf nº 01. Pelos mesmos motivos, não conheço da matéria trazida no recurso voluntário referente à imunidade da recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 13836.000742/2007-39
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.089
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o
julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2003 , anocalendário 2002, em virtude de a fiscalização ter reclassificado para rendimentos tributáveis rendimentos recebidos em virtude de ação trabalhista (323/97 da 2ª Vara do Trabalho de Diadema/SP, os quais foram declarados como rendimentos isentos, além de reclassificado o valor declarado como Imposto Complementar para Imposto Retido na Fonte e incluído valor de contribuição previdência oficial referente à ação trabalhista. A fiscalização considerou como omissão de rendimentos o valor de R$38.650,25, apurados da seguinte forma: R$25.469,59 líquidos recebidos conforme alvará 993/2002 somados a R$9.119,53 de Contribuição Previdenciária Oficial e R$5.360,78 de IRRF subtraído de R$1.300,00 referente aos honorários advocatícios. Na impugnação o contribuinte alegou que não houve omissão mas apenas erro em informar os valores como isentos, mas em razão da retenção na fonte não houve prejuízo ao Fisco, que o valor da contribuição previdenciária adicionado pelo fisco está errado por incluiu a parte da reclamada, o valor correto é R$836,07, e também está sendo prejudicado por ter informado o IRRF de R$5.360,78 em campo errado (imposto complementar). Fl. 62DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13836.000742/200739 Resolução n.º 2802000.089 S2TE02 Fl. 63 2 A DRJ indeferiu a impugnação sob o fundamento de que não houve prejuízo ao contribuinte, tanto no que toca à contribuição previdenciária oficial quanto ao Imposto Retido na Fonte, isto porque a Contribuição previdenciária que foi somada para compor o rendimento bruto foi deduzida e não afetou a base de cálculo, outrossim o valor de IRRF acrescido para compor o rendimento bruto, ainda que informado como imposto complementar pelo contribuinte, foi computado como IRRF, de maneira que não houve acréscimo indevido à base de cálculo. Ciência do acórdão em 17/05/2011 e interposição de recurso voluntário em 13/06/2011. A peça recursal possui como alegações: a) o fato de ter informado os rendimentos em local incorreto não pode ser considerado uma omissão de rendimentos a fundamentar a manutenção do lançamento no art. 149, IV do CTN b) do erro cometido não decorreu prejuízo ao fisco pois houve a correspondente retenção na fonte, conforme ilustra o DARF juntado; e c) o acórdão recorrido manteve o entendimento de dedução indevida de imposto complementar erroneamente informado, mas este erro não causou prejuízo à Receita pois o valor foi recolhido. Esta é a síntese dos fatos e dos argumentos a serem apreciados. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. As razões recursais são as mesmas da impugnação, o erro de preenchimento da declaração de ajuste não causou prejuízo ao Fisco, uma vez que houve a retenção na fonte. O acórdão recorrido demonstra adequadamente que os erros deram origem à reclassificação de ofício, mediante a qual houve reclassificação dos rendimentos para tributáveis, acrescendo ao valor líquidos os valores de contribuição previdenciária e IRRF, os quais foram também aproveitados como deduções, de maneira que a glosa de Imposto Complementar não prejudicou o contribuinte em razão de o valor ter sido incluído como dedução a seu favor, igualmente a autuação não tornou mais gravosa a situação do contribuinte ao apurar os rendimentos brutos com base no valor da contribuição previdenciária a cargo da empresa pois este valor foi também utilizado como dedução. A tese do recorrente ilustra uma confusão entre o imposto apurado no ajuste anual e a retenção na fonte de caráter antecipatório. O fato de terem ocorrido as retenções não implica em uma quitação definitiva perante a tributação anual, é no ajuste anual que será verificado se haverá imposto a pagar, ou mesmo a restituir. O acórdão recorrido satisfatoriamente registrou que mesmo acatando as alegações do contribuinte sobre a contribuição previdenciária e o erro na informação do IRRF como imposto complementar não há uma agravamento da base de cálculo. As inexatidões do lançamento corrigidas no contencioso não afetam o valor do imposto apurado de ofício. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13836.000742/200739 Resolução n.º 2802000.089 S2TE02 Fl. 64 3 A apuração de imposto a pagar feito pelo auto de infração decorre não dos erros de preenchimento do contribuinte mas da sistemática de apuração do IRPF no ajuste anual. Apreciadas as alegações do recorrente, não há razão para cancelar a exigência. Não obstante, este Colegiado não exaurirá o controle de legalidade do qual é encarregado se não examinar que os rendimentos que deram origem ao litígio decorrem de uma ação trabalhista movida em 1997, mais precisamente de uma condenação trabalhista, o que implica em concluir que se trata de tributação de rendimentos recebidos acumuladamente que ensejaram o cálculo do imposto anual com base no art. 12 da Lei 7.713/1988. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Fl. 64DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13836.000742/200739 Resolução n.º 2802000.089 S2TE02 Fl. 65 4 A depender da solução dada pelo STF, não se pode excluir a possibilidade de a forma de apuração do imposto, neste caso concreto, ter causado o prejuízo a que o contribuinte se refere desde a impugnação. Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 65DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 14367.000030/2010-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTE PATRONAL. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. § 4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária - não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005.
Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização.
Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento.
O contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazê-lo em outro momento processual. Nota-se, pois, que o Recurso Voluntário enquadra-se no referido outro momento processual. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.406
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTE PATRONAL. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. § 4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005. 2. Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização. 3. Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento. 4. O contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazêlo em outro momento processual. Notase, pois, que o Recurso Voluntário enquadrase no referido “outro momento processual”. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 00 30 /2 01 0- 51 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, em razão do descumprimento de obrigação principal referente ao não recolhimento, em época própria, de contribuições para a Seguridade Social dos segurados empregados, incidentes sobre a sua remuneração e descontadas dela, não declaradas em GFIP, nas competências de 01 a 12/2005. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 22 de fevereiro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PROVA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira se a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores trazidas aos autos. LIVROS CONTÁBEIS. RECOMPOSIÇÃO. Na ocorrência de extravio, deterioração ou destruição dos livros contábeis, é dever da empresa providenciar a recomposição de sua contabilidade mediante a escrituração de novos livros. DECISÕES JUDICIAIS As decisões judiciais produzem efeitos apenas em relação às partes que integraram o processo judicial e com estrita observância do conteúdo dos julgados. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. O pedido de realização de perícia ou diligência será rejeitado pela autoridade julgadora de primeira instância quando esta as considerar prescindíveis. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. CONSTITUCIONALIDADE. O julgador da esfera administrativa não é competente para julgar constitucionalidade de lei, cabendolhe apenas zelar pela observância de suas disposições e determinar o seu fiel cumprimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário mantido Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: As partes litigantes têm o direito de produzir provas das suas alegações. Tratase de prerrogativa de ordem constitucional, posto que envolvida a produção probatória com a ampla defesa assegurada na Carta. Outros princípios indispensáveis ao processo judicial e administrativo se constituem no contraditório e na bilateralidade. In casu, a Impugnante foi flagrantemente ofendida no seu direito de defesa, haja vista não ter tido a oportunidade de produzir as provas cabais que dirimirão, perempetoriamente, todas e quaisquer dúvidas existentes com relação à matéria. No afã de arrecadar impostos, o r. AFRF limitaramse a proceder à lavratura da notificação fiscal de maneira implacável, completamente ao arrepio dos princípios insertos na Carta Fundamental e dos princípios que regem o procedimento administrativo fiscal, cerceando, induvisosamente, o direito de defesa do Impugnante. As provas que o Impugnante pretende produzir, neste momento, são absolutamente necessárias à demonstração do alegado. Desse modo, o indeferimento das provas que se pretende carrear aos autos causará dano irreparável ao princípio da segurança jurídica, pois estas são imprescindíveis na busca da verdade real, escopo primordial do processo. Diante de tal argumentação, temse que a celeridade necessária do procedimento não pode desatender ao primado constitucional da ampla defesa, que, certamente, envolve a demonstração e realização probatória. Se este E. Conselho entender devidas as exações mencionadas, o que se admite pelo dever de argumentação, merece atenção a desproporção existente entre os valores que vêm sendo cobrados pelo Fisco e a infração supostamente cometida pelo Impetrante, valores que se demonstram exorbitantes e excessivos se considerados os fatos concretos. O ônus da prova, no dizer de ECHANDIA é o poder ou faculdade de executar livremente certos atos ou adotar certa conduta prevista na norma, para benefício e interesse próprios, sem sujeição nem coerção e sem que exista outro sujeito que tenha o direito de exigir seu cumprimento, mas cuja inobservância acarreta consequências desfavoráveis. Ora, com a devida Vênia, é fato que, em regra, o ônus da prova incumbe a quem alega (art. 333, inciso I, do CPC), haja vista a Constituição, assim com a Declaração Universal dos Direitos do Homem garantirem a presunção da inocência, tal regra ´e válida também em relação às questões de natureza tributária. É cediço que a hipótese em que existe a inversão do ônus da prova no direito tributário se opera quando, por transferência, compete ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente, onde urge ressaltar que sempre essa inversão se origina da existência em lei de uma presunção relativa (Juris Tantum), pois, com exceção da existência de uma presunção tipificada em lei, o ônus da prova caberá sempre a quem acusa. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 6 5 Embora o fisco esteja amparado na Lei Complementar 105 de 2001, não é legítimo o lançamento de tributo que venha a se basear exclusivamente nos valores dos extratos bancários, pois isso poderá gerar erros grosseiros de tributação. A jurisprudência é ampla no sentido de que não se pode lançar tributo baseado apenas em indícios ou presunções. Cumpre esclarecer, desde logo, que o Impugnante requer a realização de perícia, de acordo com o art. 16, § 1º, inciso IV, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1971, cuja finalidade precípua é de que se proceda a uma averiguação pormenorizada do contribuinte autuado, como forma de restabelecer a verdade. Conforme amplamente demonstrado nos itens acima, se esta Delegacia de Julgamento enteder devidas exações mencionadas, o que se admite pelo dever de argumentação, merece atenção a desproporção existente entre os valores que vêm sendo cobrados pelo fisco e a infração supostamente cometida pelo Impugnante, valores que se demonstram exorbitantes e excessivos se considerados os fatos concretos. Imprescindível mencionar, por oportuno, que está a se tratar de uma pessoa física aposentada, que sobrevive única e exclusivamente de seus proventos. Não possui, pois, outras rendas. Vêse, assim, que o valor exigido pelo Fisco é extremamente desproporcional em relação à situação econômicofinanceira do contribuinte, pelo que se pode vislumbrar, de maneira nítida, podendo levar o Impugnante à miséria, posto que pertence à classe média do País, que, digase de passagem, está empobrecida. Não se pode olvidar de que, no âmbito tributário, o caráter sancionador das multas e juros deve estar de acordo com os princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade. Frisese que se trata de contribuinte sem capacidade financeira para suportar com os encargos que vêm sendo cobrados a título de sanção tributária. As sanções tributárias constituem nada mais do que um instrumento de busca da concretização do princípio da capacidade contributiva. Diante de todo o exposto, e o mais do que dos autos consta e o todo que será suprido pelo bomsenso e ilibado conhecimento técnico de Vossas Senhorias, pede e espera o Impugnante sejam acolhidas as razões que constam da presente impugnação, em razão dos procedimentos fiscalizatórios que deram origem ao auto de infração ora impugnado encontrar se eivado de nulidades insanáveis, de modo que deve ser desconsiderado para constituição de qualquer crédito tributário. Seja, por consectário, anulado o auto de infração, cuja competência porquanto prenhe de fatos controvertidos, inverídicos, portanto, bem como seja declarada a nulidade dos demais atos praticados pela fiscalização, por ser medida da mais absoluta. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação principal referente ao não recolhimento, em época própria, de contribuições para a Seguridade Social dos segurados empregados, incidentes sobre a sua remuneração e descontadas dela, não declaradas em GFIP, nas competências de 01 a 12/2005. Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização. Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento. Em seu recurso, o contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazêlo em outro momento processual. Notase, pois, que o Recurso Voluntário enquadrase no referido “outro momento processual”. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa. No ponto, sem razão o contribuinte. De outra parte, restou também evidenciado que o contribuinte confundiuse em alguns pontos de sua defesa, como se pode observar dos trechos abaixo transcritos: Imprescindível mencionar, por oportuno, que está a se tratar de uma pessoa física aposentada, que sobrevive única e exclusivamente de seus proventos. Não possui, pois, outras rendas. Vêse, assim, que o valor exigido pelo Fisco é extremamente desproporcional em relação à situação econômicofinanceira do contribuinte, pelo que se pode vislumbrar, de maneira nítida, podendo levar o Impugnante à miséria, posto que pertence à classe média do País, que, digase de passagem, está empobrecida. Ora, a defesa diz respeito a uma pessoa jurídica ou a uma pessoa física? Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 8 7 No que concerne ao mérito não resta qualquer dúvida de que o contribuinte deixou de contestálo, situação que se enquadra na regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com efeito, não tendo contestado expressamente a matéria objeto do lançamento, o contribuinte perdeu a oportunidade de se defender, situação que não pode ser ignorada pelos membros do CARF. Destarte, não vislumbro qualquer possibilidade de alteração do lançamento bem como da decisão recorrida. Assim, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas negolhe provimento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10665.720290/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ.
A inovação, pela DRJ, na motivação e fundamentação do lançamento, ocasiona o cerceamento de defesa, o que torna nulo o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 3401-002.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Satori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. A inovação, pela DRJ, na motivação e fundamentação do lançamento, ocasiona o cerceamento de defesa, o que torna nulo o acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Satori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 02 90 /2 01 3- 74 Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração. No primeiro (fls. 04/07), foi lançado o PIS nãocumulativo e no segundo (fls.46/49) foi lançado valor da COFINS não cumulativa, referente a fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 2008 e dezembro de 2011. A Autuada tomou ciência dos lançamentos em 04/03/2013 (fl.759). Consta, no termo de verificação fiscal, que a Contribuinte não recolheu o PIS e a COFINS sobre a venda para o exterior de café cru em grão arábica por entender que a tributação era suspensa nos termos do 8º, §1º, e art. 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/04. Todavia, ela não fazia o trabalho de secagem, limpeza, padronização e armazenagem dos grãos, conforme exigido na lei, para ter direito à suspensão da tributação. Além disso, no termo, há a informação de que foram glosados créditos em razão de mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas consideradas inaptas ou baixadas por inexistência de fato, ou que emitiram notas fiscais consideradas falsas. A Contribuinte apresentou impugnação (fls.761/793). A DRJ em Belo Horizonte/MG cancelou parte do lançamento, por ter restabelecido os créditos em relação às aquisições de pessoas jurídicas inexistentes de fato ou não autorizadas a emitirem documentação fiscal. O Acórdão da DRJ (fls. 1562/1603) recebeu a seguinte ementa: NULIDADES. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade quando o exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e do alcance do lançamento. Se não houve prejuízo para a defesa e o ato cumpriu sua finalidade, não há que se falar em decretação de nulidade. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na ausência de pagamento antecipado contase o prazo para homologação do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITOS. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GLOSAS. Restabelecendose em parte os créditos glosados em procedimento fiscal, deve ser parcialmente procedente o lançamento que apurou débitos remanescentes após reconstituição dos créditos informados em Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon. CRÉDITOS PRESUMIDOS. GLOSAS. LEI Nº 10.925, DE 2004. Para fazer jus a créditos presumidos no período objeto da autuação, a contribuinte precisa atender às exigências determinadas pela legislação. CRÉDITOS BÁSICOS. GLOSAS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10665.720290/201374 Acórdão n.º 3401002.565 S3C4T1 Fl. 1.853 3 AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Havendo prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias ou serviços, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser restabelecidos. VENDAS A EMPRESA PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. REQUISITOS. A suspensão da incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nas vendas realizadas a empresas preponderantemente exportadoras somente será admitida uma vez cumpridos todos os requisitos legais para o gozo do benefício. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. SALDO INICIAL NO PERÍODO. Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, de forma que o procedimento fiscal realizado em períodos anteriores não pode ser desconsiderado na apuração de créditos em períodos subseqüentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 06/06/2013 (fl.1610) e interpôs recurso voluntário em 27/06/2013 (fls.1611/1630), com as alegações resumidas abaixo: 1 Decadência em relação aos lançamentos de janeiro a dezembro de 2007. Apesar de neste processo não haver lançamento de 2007, a autoridade fiscal glosou créditos desse período que causaram consequência no cálculo dos lançamentos ora em debate; 2 O auto de infração é nulo porque os fatos narrados não estão em consonância com a lei aplicada, ferindo o princípio da tipicidade cerrada; 3 A DRJ inovou na motivação do lançamento no tocante aos créditos de cerealista; 4 O processo de industrialização do café foi realizado em estabelecimento de terceiros somente nos meses de fevereiro de 2008 a maio de 2009. Mesmo assim, o terceiro era uma empresa interligada à Recorrente e o processo era feito em máquinas da própria Recorrente; Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 5 Quanto às mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas consideradas inaptas, a DRJ manteve algumas glosas em razão de falhas na documentação comprobatória apresentada pela Recorrente. Por essa razão, a Recorrente junta novamente os documentos, sanando as falhas apontadas pela DRJ; 6 A DRJ não se pronunciou sobre o enquadramento da saída com suspensão no art. 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/04; 7 As vendas realizadas pela Recorrente são isentas do PIS e da COFINS desde 1999, por força do art. 14, da Medida Provisória nº 2.15835/01. Ao fim, a Recorrente pediu o que fosse dado provimento ao recurso voluntário. É Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente foi autuada em razão de não ter recolhido PIS e COFINS sobre exportação de café cru. Segundo a fiscalização, a Recorrente não teria direito à suspensão do PIS e da COFINS prevista no 8º, §1º, e art. 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/04, por não praticar todas as atividades de cerealista. A fim de combater o auto de infração, a Recorrente devolveu para apreciação por este Conselho as seguintes matérias: Decadência em relação aos lançamentos de janeiro a dezembro de 2007; nulidade do auto de infração por falta de relação entre os fatos narrados e a lei aplicada; inovação de fundamentação pela DRJ; direito à suspensão do PIS e da COFINS; direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS; omissão da DRJ quanto à saída com suspensão, no art. 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/04; isenção do PIS e da COFINS prevista no art. 14, da Medida Provisória nº 2.15835/01. Antes de adentrar as matérias de mérito, é melhor que sejam analisadas primeiramente as questões de nulidade e omissões apontadas. 1. Inovação de fundamentação pela DRJ A Recorrente sustenta que a DRJ aponta o equívoco no lançamento, mas, em vez de anulálo, inova na motivação. O trecho do acórdão (fl.1.584), do qual a Recorrente se insurge, é o seguinte: Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10665.720290/201374 Acórdão n.º 3401002.565 S3C4T1 Fl. 1.854 5 “De tal modo, e tendo em vista o aduzido pela impugnante, observase a ocorrência de lapso, eis que a fiscalização motivou a exigência, neste particular, pelo fato de a contribuinte não se enquadrar como cerealista. Todavia, o cerealista, embora pudesse apurar e descontar créditos presumidos na vigência da legislação anterior, deixou de ser beneficiário do crédito presumido na redação da Lei nº 10.925, de 2004, vigente para o período em tela”. (grifos nossos) Para melhor analisar a questão da inovação, é necessária a transcrição do parágrafo seguinte ao parágrafo transcrito acima, presente também na fl. 1.584 dos autos, in vebis: Não obstante, a contribuinte defendeu o seu direito aos créditos presumidos, conforme se constata pelo exame de seus argumentos. E, compulsando os autos, ao fim e ao cabo, não se atesta que a interessada enquadrese para o benefício pleiteado, eis que, para os efeitos legais, ela não pode ser considerada agroindústria. E, na ausência de provas que levam a crer que a empresa realizava cumulativamente as atividades previstas no § 6°, do art. 8°, da Lei n° 10.925, de 2004, não deve ser reconhecido o direito ao crédito. (grifos nossos) Com os dois trechos transcritos, fica clara a inovação da DRJ, notandose que, enquanto a autoridade fiscal glosou os créditos e efetuou o lançamento por entender que a Recorrente não se enquadra no conceito de cerealista. A DRJ manteve o lançamento fundamentando que ela não se enquadra como agroindústria. É interessante frisar que aqui não se trata de mérito, mas sim uma questão processual, vez que essa inovação causa o cerceamento de defesa do contribuinte, o qual perdeu uma instância para discutir essa nova fundamentação. Nessa linha, o acórdão da DRJ é nulo, nos termos do art. 52, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Nesse sentido, têm decidido as esferas administrativas, conforme decisões colacionadas abaixo: Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade julgadora não pode inovar o lançamento, por faltarlhe competência, além de implicar em cerceamento ao dire ito de defesa.(CARF. 2ª SJ, 2ª Cam., 1ª TO. Proc. 10543.002752/200515, julgado em 17/09/2013. Rel. Eduardo Tadeu Farah) “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido.(CARF. 3a SJ, 1a TE. Proc. 10480.914180/200953, julgado em 30/01/2013. Rel.José Luiz Bordignon) “CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO COM ANÁLISE DE ARGUMENTO QUE NÃO CONSTA NO LANÇAMENTO. A decisão de primeira instância deve analisar e enfrentar argumentos presentes no lançamento e no recurso. A inovação de motivação confunde o sujeito passivo, cerceando sua defesa. Anulada a Decisão de Primeira Instância”. (Segundo Conselho de Contribuintes. Processo 14041.001182/200749, julgado em 03/12/2008) Assim sendo, não resta dúvida de que a inovação da DRJ ocasionou a nulidade de seu acórdão. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para declarar a nulidade do acórdão da DRJ, para que os autos retornem àquela instância de julgamento, a fim de que seja proferido um novo acórdão, dentro dos limites da fundamentação utilizada no lançamento de ofício. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10665.720290/201374 Acórdão n.º 3401002.565 S3C4T1 Fl. 1.855 7 Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 16561.000027/2007-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
TRIBUTAÇÃO DE VARIAÇÃO CAMBIAL APURADA EM RELAÇÃO A INVESTIMENTOS DETIDOS NO EXTERIOR. RESGATE DE AÇÕES.
A variação cambial apurada em resgate de ações de companhia estrangeira não se confunde com a mera flutuação cambial decorrente de ajuste de equivalência patrimonial, constituindo-se rendimentos tributáveis, devendo, por expressa disposição de lei, ser submetida à incidência do imposto de renda e das contribuições sociais lançadas por via reflexa.
Numero da decisão: 9101-001.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade foi negado provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Susy Gomes Hoffmann (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente
(assinado digitalmente)
SUSY GOMES HOFFMANN - Relatora
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 TRIBUTAÇÃO DE VARIAÇÃO CAMBIAL APURADA EM RELAÇÃO A INVESTIMENTOS DETIDOS NO EXTERIOR. RESGATE DE AÇÕES. A variação cambial apurada em resgate de ações de companhia estrangeira não se confunde com a mera flutuação cambial decorrente de ajuste de equivalência patrimonial, constituindose rendimentos tributáveis, devendo, por expressa disposição de lei, ser submetida à incidência do imposto de renda e das contribuições sociais lançadas por via reflexa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade foi negado provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Susy Gomes Hoffmann (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 27 /2 00 7- 61Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 SUSY GOMES HOFFMANN Relatora (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente) Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Contribuinte, em face do V. Acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que visa unificar entendimento quanto à tributação de variação cambial apurada em relação a investimentos detidos no exterior. O processo administrativo em que se julga o presente Recurso Especial trata de lançamento veiculado por meio de auto de infração e imposição de multa que tratou dos seguintes temas: lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 786/788), no valor de R$ 65.176.204, 46 (sessenta e cinco milhões, cento e setenta e seis mil, duzentos e quatro reais e quarenta e seis centavos), lavrado sob a alegação de que ocorreu: a) majoração indevida por subavaliação dos estoques, propiciando maior custo das mercadorias vendidas e menor lucro tributável; b) omissão de receita financeira, caracterizada pelo ganho de variação cambial na redução do capital de controlada no exterior e redução indevida do lucro sujeito a tributação; c) amortização indevida do ágio. Foram lavrados os lançamentos conexos: referente à Contribuição para o PIS/PASEP (fls.791/792), no valor de R$ 1.193.495,18 (um milhão, cento e noventa e três mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e dezoito centavos), por decorrência do item “b” acima; e, referente à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, (fls. 795/798), no valor de R$ 5.306.302,35 (cinco milhões trezentos e seis mil, trezentos e dois reais e trinta e cinco centavos), também por decorrência do item “b acima; referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (fls. 804/806) no valor de R$ 18.314.556,79, (dezoito milhões trezentos e quatorze mil, quinhentos e cinquenta e seis reais e setenta e nove centavos), por decorrência dos itens “a” a “c” acima. Desde logo, indico que o Recurso Especial do Contribuinte só foi admitido com relação aos temas do item “b”, ou seja, sobre o tema da tributação da variação cambial apurada em Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 3 3 relação a investimentos detidos no exterior, por este motivo, só trarei neste relatório os temas relativos a este tema. Sobre este tema, constou do lançamento fiscal: •02 OMISSÃO DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS VARIAÇÕES CAMBIAIS Omissão de receita financeira, caracterizada pela ganho de variação cambial na redução do capital de controlada no exterior , redução indevida do lucro sujeito A tributação, conforme relatório de verificação fiscal em anexo, que doravante faz parte integrante e inseparável deste auto de infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2003 R$ 1.866.149,00 75 31/12/2004 R$ 32.896.205,50 75 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 8 da Lei n° 9.249/95; Art. 9 ° da Lei n ° 9.718/98; Arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 277, 288, 375 e 378, do RIR/99; Art. 30 da Medida Provisória n ° 1.85810/99 e reedições Ainda, no Termo de Verificação Fiscal, constou que: GANHOS COM VARIAÇÕES CAMBIAIS APURADOS NO RESGATE DE AÇÕES EM CONTROLADAS NO EXTERIOR NÃO ADICIONADO 1.4 —DOS FATOS Verificamos que o contribuinte efetuou resgate das ações que detinha na controlada Ache Internacional, conforme lançamentos relacionados anteriormente (folhas 281 a 291, 292 a 303. 304 a 328 e de suas contabilizações (fls. 305,316, 327, 328)) provocando um ganho de variação cambial, porque até então, tais variações eram tratadas como equivalência patrimonial, sem tributação, pois eram excluídas no Lalur, exceções feitas a variação cambial do ano calendário de 2002, que ora tributamos com base na Instrução normativa 213/02. Para apurarmos o valor efetivo de ganho, elaboramos quadro, a seguir destacado, que contém, os valores originalmente capitalizados que são agregados As variações cambiais tomadas como equivalência patrimonial do ano calendário de 2002 (já tributada) e diminuído do valor efetivamente resgatado conforme lançamentos contábeis e documentação de liberação de cambio. ....(tabela) Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Os lançamentos de diário relativo ao investimento na Ache Internacional, encontrase às folhas de n° 334 a 437 deste processo e os correspondentes balanços da companhia do exterior estão demonstrados As folhas de n° 387 a 420. Os valores anotados como parcial 1 referese ao resgate ocorrido em 2003 e os valores mencionados como parcial 2 referese ás ações resgatadas durante o ano calendário de 2004. Tomando como principio básico que o CTN, lei 5.172, de 25/10/96, o seu artigo 43 diz que: "0 imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tern como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou juridica". 0 inciso I esclarece "de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação entre ambos e o inciso II, de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior" 0 art. 45 diz que "o contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei condição ao possuidor, a qualquer titulo, dos bens produtores da renda ou dos proventos tributáveis. 0 art. 114 diz que " fato gerador da obrigação principal é a situa do definida em lei como necessária e suficiente it sua ocorrência."" O art. 116 do CTN normatiza que "salvo disposição da Lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existente seus efeitos" tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstancias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprias, tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável Parágrafo único: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributaria, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária( acrescentado pela lei ordinária 104 de 10/01/2001) 0 art. 118 dá a "definição legal do fato gerador, que é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos., II dos efeitos dos fatos efetivamente concorridos. Portanto o fato gerador do imposto de renda identificase com a concreta disponibilidade econômica ou jurídica do rendimento. Concluindo, ao aplicar certa quantidade de moeda estrangeira a uma determinada contrapartida em reais e depois receber a mesma quantidade de moeda estrangeira que convertido em valores reais superiores ao original apurase efetivamente um ganho real. Isto posto, confrontandose a operação, salta aos olhos que houve um ganho real na transação. 0 que poderia ser discutido é que a norma manda contabilizar os lucros de equivalência patrimonial, e neste caso, determina que se exclua no livro de apuração do lucro real, entretanto sabemos que a Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 4 5 legislação tributaria alcança a variação cambial, e é nada mais do que se pretende neste auto de infração. 0 instituto da equivalência patrimonial nasceu para ajustar o valor de investimento na controladora ao patrimônio liquido da controlada, e não é tributada para evitar a dupla tributação do lucro da empresa controlada, partindose do principio que naquela (controlada) já houve a tributação, que não é o caso em analise, já que tratando de empresa situada em paraíso fiscal no exterior em nada contribuiu para o fisco nacional, entretanto, compôs o lucro contábil do contribuinte para fins de distribuição de dividendos. Colocando em termos práticos, o contribuinte, se tivesse comprado ações, ou mesmo adquirido dólares a uma determinada taxa e posteriormente houvesse resgatado estes dólares a uma taxa superior estaria ele auferindo riqueza perfeitamente sujeita a tributação por ganho em variação cambial. A renda, neste ato configurada foi o produto do capital acrescido ao seu patrimônio. A verdade nos conduz a seguinte constatação, foram aplicados USD 37 milhões que equivalia a R$ 39 milhões e pela mesma quantidade de dólares foram recebidos R$ 117 milhões, que por si só comprova aumento da riqueza, de que houve acréscimo patrimonial, (efetiva, pois foi recebida de forma pecuniária), logo está configurado o fato gerador do imposto de renda, que se consuma como necessária e suficiente a sua ocorrência, independente do nome que se atribui. Logo se cobra imposto de renda sobre a variação cambial que proporcionou o aumento de patrimônio. Na realidade a variação cambial opera nas duas direções, e isto é previsível na esfera do imposto de renda, todavia, não se pode aceitar que enquanto lucro, escondemos tal valor como equivalência. Diante do exposto, tributase R$ 34.762.354,50, como rendimento não oferecido à tributação. Não se pode alegar que a autuação se trata com base em presunção subjetiva ou impressão pessoal, nem tampouco, que pretenda afastar a exigência do ato legal de capitalização. A fiscalização limitouse, no exercício da atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a proceder a verificação da regularidade da apuração de montantes tributáveis, não há, pois ingerência sobre a atividade empresarial do contribuinte, mas constatada a renda, devidamente demonstrada, seja dado o nome que se queira dar ao' a e , devese formalizar a exigência, ou seja não proíbe o contribuinte a adotar qualquer conduta, desde que não esconda sob o manto de equivalência patrimonial a renda obtida, clara e definitiva. A fiscalização não contesta o ato jurídico praticado, mas a verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes. Visando a anulação dos autos de infração, a Contribuinte apresentou Impugnação às fls. (868/926). As suas principais alegações são as seguintes: Com relação aos investimentos detidos em sociedades domiciliadas no exterior, o ajuste de equivalência patrimonial é composto não só pelos diversos elementos que dão ensejo a variações patrimoniais da subsidiária tais como, lucros e ajuste de exercícios anteriores mas também pela Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 flutuação da taxa de conversão das moedas em que escrituradas as demonstrações financeiras da investidora e da investida, sendo certo que a parcela do ajuste relativo as variações cambiais também é registrada em conta de resultado da investidora. ... Destarte, não resta dúvida que o resultado de equivalência patrimonial abrange todas as variações patrimoniais registradas pela sociedade investida, bem como, no que tange a investimentos detidos no exterior, as variações registradas em função da taxa de cambio, como inclusive reconhecido pelo D. Agente Fiscal, nos termos acima discutidos. Sendo assim, como poderia a Impugnante ter auferido ganho decorrente de variação cambial no resgate das ações da Subsidiária se essa já estava reconhecida em seu patrimônio liquido mediante o ajuste de equivalência patrimonial?! Ao julgar os presentes autos, (fls. 1157/1187, volume 6), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloSP, julgou o lançamento procedente em parte, em acórdão que restou assim ementado(naquilo que atinge o tema deste Recurso): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAJURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa:VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS TRIBUTAÇÃO Resultados positivos de variações cambiais relativos a retorno de investimento em coligada no exterior são rendimentos tributáveis na forma da lei. Visando a reforma de parte do julgado, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, (fls. 1.194/1.231, volumes 5 e 6), praticamente repisando os seus argumentos. Ao apreciar os presentes autos, a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, proferiu acórdão (fls.1257/1281, volume 7), em que por unanimidade de votos deu parcial provimento ao recurso no que se refere à variação cambial, reduzindo a base tributável em R$ 46.250,00 (quarenta e seis mil duzentos e cinquenta reais) nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 Ementa: RESGATE DE AÇÕES. VARIAÇÃO CAMBIAL — A variação cambial apurada em resgate de ações não se confunde com a flutuação cambial decorrente de ajuste de equivalência patrimonial, devendo, por expressa disposição de lei, ser submetida à incidência do imposto de renda e das contribuições sociais lançadas por via reflexa. Não obstante, a identificação de erro na determinação da matéria tributável impõe a devida correção por parte da autoridade julgadora. O voto, sobre este tema, trouxe o seguinte texto: Resultados positivos da variação cambial 41 De plano, esclarecese a douta contribuinte que a razão lhe assiste quando argumenta que as variações cambiais estariam inseridas dentro da Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 5 7 equivalência patrimonial, calculada anualmente, ou por trimestre, pelas empresas que detém investimos no exterior. A variação do valor desses investimentos é computada diminuindose do valor do investimento em determinado período de apuração, o seu próprio valor apurado no período anterior. 0 resultado obtido passou a ser tributado pelo Fisco Federal a partir de 2002. No cálculo desse valor inseremse os valores positivos e negativos das variações cambiais. 42 No entanto, esse método é utilizável quando a situação é estática, ou seja, não há variação da situação do investimento na contabilidade da empresa: De um exercício para outro não há variação na quantidade de cotas ou ações que a empresa detém da investida no exterior. 43 Por conseguinte em 2002, foi tributado o resultado positivo da variação patrimonial que englobava as variações cambiais positivas. 44 Ocorre que, em 2003 e 2004 houve o retorno do capital investido, no valor total de U$ 37.645.534,71, sendo U$ 2.770.000,00 em 23/10/2003 e U$ 34.995.000,00 em 2004 (U$ 17.349.465,29 em 28/04/2004 e U$ 17.645.534,71 em 30/06/2004). 45 Esses valores registrados os lançamentos do livro Diário, encontramse às fls. 334 a 437. 46 Na tabela de fls. 817, o Auditor Fiscal detalha os investimentos feitos pela impugnante, em 1995, 1996 e 1997, na Aché International que totalizaram U$ 37.765.000,00. 47 Detalha também a composição do cálculo da Equivalência Patrimonial feito para 2002, ano em que começou a ser tributada. 48 Na terceira parte dessa tabela, há o demonstrativo dos resgates feitos pela empresa, ou seja, dos retornos parciais do investimento feito. 49 Nessa tabela podese observar também que, contrariamente ao que alega a empresa, o Auditor Fiscal deduziu os U$ 50.000,00 aplicados, em 1995, em ações da empresa Aché International, no cálculo das variações cambiais positivas que, também contradizendo o que alega a empresa, foi feito conforme determina a legislação. 50 0 art. 375 do RIR199, citado no Auto de Infração dispõe: Art.375.Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei n2 9.249, de 1995, art. 82). Parágrafo único.As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei n2 9.718, de 1998, art. 99). A Medida Provisória n° 1858 11/99, atual MP no 2.15835/2001, dispõe em seu Art.30.A partir de 1' de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. §19A opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. §2'A opção prevista no § l aplicarseá todo o anocalendário. §3º No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições,serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. 52 Desse modo, ainda que a impugnante tente de maneira canhestra desqualificar o trabalho fiscal, os fatos permanecem os mesmos: houve retorno do capital investido, com liquidação do investimento em dólares, que são convertidos em moeda nacional na data de cada retorno. A variação cambial positiva é considerada receita financeira para fins tributários e deve ser adicionada à base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS de cada período de apuração onde houve o resgate dos valores aplicados. 53 Assim, a Fiscalização calculou o valor da variação cambial diminuindo do valor em reais apurado nos resgates os valores aplicados em reais, tomando sempre a data da conversão da moeda como sendo a data da efetivação da aplicação ou do retorno do capital. 54 0 Auditor Fiscal diminuiu também desse total o valor relativo à variação cambial que estava embutido na equivalência patrimonial já tributado em 2002. 55 Dessa feita, esclarecese a. contribuinte que sim, houve diferenciação entre como foi tributado em 2002 , quando as variações cambiais estavam embutidas na tributação da equivalência patrimonial e, 2003 e 2004 quando foram tributadas as variações cambiais positivas auferidas pelo retomo do capital investido. 56 Cabe lembrar ainda que, não se esta tributando a variação cambial positiva de investimento ainda mantido no exterior em 2003 e 2004, como afirma a douta representante da empresa as fls. 892 pois, nesse caso, a variação cambial estaria inserida no cálculo da equivalência patrimonial. No caso presente, o investimento representado pelas ações da empresa Aché International, retornou integralmente à empresa Aché, gerando a variação cambial positiva que é tributada conforme determina a legislação. 57 Assim correta a tributação das variações cambiais positivas auferidas em 2003 e 2004 no retorno do investimento. 58 Embora a contribuinte esperneie, no caso presente as variações cambiais constituíram receita financeira, sendo o valor em dólar o próprio investimento de risco, pois, tanto poderia ter obtido resultado positivo como negativo. 0 valor total investido em reais foi R$ 34.539.627,23 que, ao invés de ser aplicado em cotas de participações ou debêntures, foram aplicados em ações cotadas em dólares de empresa no exterior, criada e controlada pela impetrante. Tanto isso é verdade que ao resgatar as ações, a exata Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 6 9 quantidade de dólares investido foi devolvido à Aché no Brasil, sem qualquer alteração no valor das ações em mais de seis anos, ganhando a empresa na conversão desses dólares na moeda nacional. 59 Desse modo, a empresa aplicou R$ 34.539.627,23 e recebeu, com todos os resgates, R$ 117.845.018,23, constituindo receita financeira a diferença entre esse último valor e os custos do investimento inicial, descontandose também o valor relativo, já tributado em 2002, quando do cálculo da equivalência patrimonial. 60 Por outro lado, esclarecese que não se está tributando PIS e COF1NS sobre o resultado positivo de equivalência patrimonial, como alega a impugnante, construindo toda uma tese a respeito da impropriedade dessa tributação. 61 0 que está sendo tributado é a variação cambial positiva, obtida de investimento em empresa controlada que foi resgatado, com a diminuição do capital social dessa última e com cancelamento de certificados de ações, conforme os documentos apresentados pela própria empresa à Fiscalização (fls. 215 a 328). 62 Certamente não quer alegar a empresa que variações cambiais positivas, que representam rendimentos financeiros, não fazem parte da base de cálculo das contribuições sociais, dado que essa inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS decorre de expressa disposição legal constante nos artigos 2°, 3° e 9°;da Lei n° 9.718/1998: Art.22 As contribuições para o PIS/PASEP e a COF1NS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória n° 215835, de 2001) Art.32 0 faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde areceita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória n°215835,de 2001) 18 §12 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Art. 92 As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso." (grifouse) 63 Quanto a CSLL, a própria contribuinte citou o dispositivo legal que autoriza a sua exigência, apenas, não atentou que variações cambiais positivas são consideradas receitas financeiras, integram o valor do resultado do exercício e são passiveis de tributação pela CSLL, conforme o art. 2° da Lei n°7689/1988 citado pela empresa as fls. 924. 64 E a suposta reavaliação de investimento pelo patrimônio liquido alegada pela empresa para justificar a exclusão, da tributação, das contribuições sociais claramente não se aplica ao caso , visto que o que ocorreu foi Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 simplesmente o retorno do capital investido anteriormente na empresa Aché International. 65 Ora, o que se tem no presente caso, é a variação cambial positiva do investimento feito, que são consideradas pela lei, receitas financeiras e, sobre essa receita incide IRPJ, PIS, COFINS e CSLL.ndo cabendo qualquer reclamação a respeito em âmbito administrativo pois o Fisco Federal, sendo órgão de execução da política fiscal do Governo Federal, tem sua autuação vinculada estritamente ao texto legal, dele não podendo se distanciar. À autoridade Fiscal cabe, tão somente, o cumprimento das normas tributárias vigentes, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. 66 Desse modo, a exigência do PIS , da COFINS e da CSLL sobre essa variação cambial positiva é correta, amparada pelo texto legal. Alegando a existência de omissões e obscuridades no acórdão, a Contribuinte nos termos do artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho, opôs Embargos de Declaração (fls.1305/1324, volume 7). Em julgamento realizado pela 1ª Turma Ordinária/3ª Câmara, da Primeira Seção deste Conselho, foi proferido Acórdão (fls.1397/1406, volume 7), que negou provimento aos Embargos de Declaração, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 112P3 Exercício: 2003, 2004, 2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INOCORRENCIA. Há que se manter a decisão embargada nos termos em que foi prolatada se o contribuinte, com fundamento na alegação de ocorrência de omissão e obscuridade, traz como suporte matérias não suscitadas no recurso voluntário ou que não concorreram para a solução da controvérsia. Inconformada com os acórdãos que foram proferidos em sede de Recurso Voluntário e de Embargos de Declaração, a Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1427/1491, volume 8) Em exame de admissibilidade, foi proferido despacho (fls.1861/1877, volume 9) negando seguimento ao Recurso Especial em relação as questões atinentes ao Embargos de Declaração e a glosa de amortização de despesa com ágio, por não estarem caracterizadas a divergência e por não preencherem os requisitos de admissibilidade. Assim, o Recurso Especial foi admitido somente em relação à divergência demonstrada quanto à tributação de variação cambial apurada em relação a investimentos detidos no exterior. Às fls. 1878/1880, foi proferido despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial, pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais que corroborou o entendimento exarado no despacho anterior. Devidamente intimada, a União (Fazenda Nacional), apresentou contrarrazões (fls. 1883/1885) ao Recurso Especial. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 7 11 A Recorrente apresentou acórdãos paradigmas quanto ao tema da variação cambial. Assim expôs a Recorrente: Inicialmente, citese o Acórdão 110100.131, da Conselheira Sandra Faroni, que afastou pretensão fiscal originalmente fundada no artigo 375, do RIR/99, regime aplicável aos créditos e obrigações. 0 referido acórdão paradigma acatou os fundamentos que vem sendo apresentados pela recorrente no sentido de que a variação cambial apurada na redução do capital social de investida domiciliada no exterior está sujeita ao mesmo regime aplicável à equivalência patrimonial dos investimentos no pais (artigo 25, par. 6°. da Lei 9.249/95), o que implica, nos termos do artigo 427, do RIR/99, excluir o valor da equivalência patrimonial na baixa de investimento relevante, in verbis: : "DISPONIBILIZAÇA0 DE LUCROS NO EXTERIOR.TRIBUTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. A redução de capital da controlada representa, para a controladora brasileira, realização do investimento, sujeito a apuração de resultado não operacional correspondente à diferença entre o valor restituído e o valor contábil do investimento. A baixa do investimento precedida da avaliação pelo valor do patrimônio liquido da controlada ou coligada. A variação cambial do investimento avaliado pela equivalência patrimonial não se sujeita. A tributação, tendo em vista o veto presidencial ao art. 46 da MP 135, de 2003, que buscava estabelecêla." 48. 0 paradigma acima colacionado trata de autuação idêntica aquela que deu origem A presente autuação. De fato, consta de trecho do relatório da decisão paradigma: "0 retorno de capital, recebido pela empresa em função da recompra de suas ações pela controlada no valor de R$ 26.499.750,00, traz em seu bojo uma significante variação cambial positiva,equivalente à diferença entre o valor da recompra e a soma das duas capitalizações anteriores ocorridas em agosto de 1994 e em março de 1998, calculada como abaixo (...)" 49. Por sua vez, o item 1.4 do Termo de Verificação Fiscal que deu origem à presente autuação refere que: "Verificamos que o contribuinte realizou resgate das ações que detinha na controlada Ache International, conforme lançamentos relacionados anteriormente (folhas 281 a 291, 292 a 303, 304 a 328 e de suas contabilizações (fls. 305, 316, 327, 328)) provocando um ganho de variação cambial, porque até então as variações cambiais eram tratadas como equivalência patrimonial, sem tributação, pois eram excluídas no LALUR,exceções feita a variação cambial de 2002, que ora tributamos com base na Instrução Normativa 213/20022 . Para apurarmos o valor efetivo do ganho, elaboramos quadro, a seguir destacado, que contém, os valores originalmente capitalizados que são agregados as variações cambiais tomadas como equivalência patrimonial do ano de 2002 (já tributadas) e diminuído do valor efetivamente resgatado conforme lançamentos contábeis e documento de liberação de câmbio." Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 50. Em ambos os casos, portanto, as autoridades fiscais pretenderam tributar a variação cambial relacionada aos investimentos detidos no exterior, incluída no da equivalência patrimonial, alegando que estariam sujeitas à tributação conforme a regra do artigo 375, do RIR/99, e não ao regime jurídico de investimentos permanentes, introduzido pelos artigos 25, da Lei 9.249/95, 426 e 427, do RIR/99. 51. Entretanto, diferentemente da r. decisão recorrida, o acórdão paradigma cancelou, POR UNANIMIDADE, o lançamento tributário, atestando que os investimentos permanentes detidos em controladas e coligadas no exterior estão sujeitos ao regime jurídico introduzido pelos artigos 25, da Lei 9.249/95, par 6°. (que obriga a observância dos arts. 426 e 427, do RIR/99) afastando a aplicação do artigo 375 do RIR, aplicável aos créditos e obrigações da pessoas jurídicas ..... 52. Corroborando a divergência acima apontada, no Acórdão 10196 .125, a l a Câmara do antigo 1 Conselho de Contribuintes igualmente afastou a tributação da variação cambial relacionada a investimentos permanentes detidos no exterior com base nos dispositivos legais que cuidam das variações monetárias em função da taxa de câmbio de direitos e obrigações. É o que se infere dos seguintes trechos daquela decisão Ao final, a Recorrente requer a alteração do Acórdão recorrido com o provimento do Recurso Especial. Por sua vez a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional trouxe as contrarrazões ao Recurso Especial e, alega, em síntese que: A hipótese dos autos, em verdade, referese à ganho de capital decorrente de resgate de ações, pois houve realização do investimento, uma vez que a operação conferiu ao contribuinte efetiva repercussão econômica, caracterizada como receita financeira para fins de tributação. Não há esteio para alegações no sentido de que o valor obtido é mera flutuação cambial derivada de ajustes de equivalência patrimonial, na medida em que não ocorreu apenas ajuste contábil com a avaliação dos investimentos realizados em empresa no exterior, mas a realização desse investimento. A contrapartida de tal resgate ensejou, no caso dos autos, acréscimo patrimonial, que deve ser incluído no lucro operacional Em síntese é o Relatório. Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann O Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte no que se refere ao tema da tributação da variação cambial atende os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 8 13 Os dois temas controvertidos em que há a divergência estão muito bem tratados nos acórdãos paradigmas. A questão da legalidade da incidência tributária sobre a variação cambial reconhecida na equivalência patrimonial em investimentos permanentes detidos no exterior está presente na análise do acórdão recorrido e no acórdão 10196.124. E o tema sobre a incidência tributária sobre a variação cambial apurada na redução de capital social de investida domiciliada no exterior está trabalhado com a divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma veiculado pelo Acórdão 110100.131. Com o objetivo de delimitar corretamente a matéria tratada neste Recurso Especial é fundamental entender o que está sendo discutido. No plano dos fatos, o evento tributado pelo lançamento em discussão neste processo administrativo, versa sobre investimentos permanentes que a Recorrente possuía em sua controlada no exterior e que foram resgatados – a empresa Ache International BVI. Pela ótica desta Conselheira, a questão central, em tese, é definir se estes investimentos podem ou não ser entendidos como direito de crédito. Se estes forem considerados efetivamente como investimentos permanentes, não há tributação da variação cambial, se forem créditos há a tributação da variação cambial, isto porque o fundamento legal da autuação fiscal está nos artigos 375 e 378 do RIR a seguir transcritos: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). Art. 378. Compreendemse nas disposições dos arts. 375 e 377 as variações monetárias apuradas mediante: I compra ou venda de moeda ou valores expressos em moeda estrangeira, desde que efetuada de acordo com a legislação sobre câmbio; II conversão do crédito ou da obrigação para moeda nacional, ou novação dessa obrigação, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil; III atualização dos créditos ou obrigações em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e determinada no encerrem amento do período de apuração em função da taxa vigente. Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 Primeiramente, é importante anotar que não há dúvidas de que o objeto do lançamento tributário ora em discussão foi a tributação da variação cambial pelo resgate de investimentos permanentes da Recorrente no exterior. Este fato fica claro pelo próprio termo de TVF, que citei no relatório e cito pequeno trecho: Verificamos que o contribuinte efetuou resgate das ações que detinha na controlada Ache Internacional, conforme lançamentos relacionados anteriormente (folhas 281 a 291, 292 a 303. 304 a 328 e de suas contabilizações (fls. 305,316, 327, 328)) provocando um ganho de variação cambial, porque até então, tais variações eram tratadas como equivalência patrimonial, sem tributação, pois eram excluídas no Lalur, exceções feitas a variação cambial do ano calendário de 2002, que ora tributamos com base na Instrução normativa 213/02. Para apurarmos o valor efetivo de ganho, elaboramos quadro, a seguir destacado, que contém, os valores originalmente capitalizados que são agregados As variações cambiais tomadas como equivalência patrimonial do ano calendário de 2002 (já tributada) e diminuído do valor efetivamente resgatado conforme lançamentos contábeis e documentação de liberação de cambio. Assim, o auditor fiscal, entendeu que como houve uma variação cambial positiva em favor do contribuinte, esta variação cambial deveria ser tributada, por se caracterizar como um crédito. A decisão da Turma Ordinária, ora recorrida, também deixa claro que o fato tributado é o fato de um resgate de um investimento da Recorrente, como se verifica pelo seguinte trecho: 57 Assim correta a tributação das variações cambiais positivas auferidas em 2003 e 2004 no retorno do investimento. 58 Embora a contribuinte esperneie, no caso presente as variações cambiais constituíram receita financeira, sendo o valor em dólar o próprio investimento de risco, pois, tanto poderia ter obtido resultado positivo como negativo. 0 valor total investido em reais foi R$ 34.539.627,23 que, ao invés de ser aplicado em cotas de participações ou debêntures, foram aplicados em ações cotadas em dólares de empresa no exterior, criada e controlada pela impetrante. Tanto isso é verdade que ao resgatar as ações, a exata quantidade de dólares investido foi devolvido à Aché no Brasil, sem qualquer alteração no valor das ações em mais de seis anos, ganhando a empresa na conversão desses dólares na moeda nacional. 59 Desse modo, a empresa aplicou R$ 34.539.627,23 e recebeu, com todos os resgates, R$ 117.845.018,23, constituindo receita financeira a diferença entre esse último valor e os custos do investimento inicial, descontandose também o valor relativo, já tributado em 2002, quando do cálculo da equivalência patrimonial. Para corroborar este entendimento, nos memoriais trazidos pela Recorrente, há um laudo da PWC que nada mais faz do que apresentar, de forma mais simples, um resumo Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 9 15 dos lançamentos contábeis da Recorrente, a demonstrar a apuração da equivalência patrimonial: A questão central está em discutir se no resgate destas ações há possibilidade de tributação do IRPJ sobre variação cambial que seria fato jurídico tributário de incidência do IRPJ. E esta tributação se daria pelo fato de considerar que este valor do resgate da ações equivaleria a um crédito. Entendo que devo iniciar este voto pela análise da possibilidade da tributação de variação cambial sobre investimento permanente detido pela PJ domiciliada no Brasil. Sobre este tema, o próprio Acórdão Recorrido, assume que não caberia a tributação. Anotese neste sentido o trecho do Acórdão: Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 Releva observar que as flutuações cambiais derivadas dos ajustes de equivalência patrimonial, por não configurarem realização efetiva do investimento, têm sido objeto de ampla discussão neste Colegiado, vez que, com fundamento nas disposições da Instrução Normativa SRF n° 213/2002, as autoridades fiscais as tem submetido â incidência do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). Neste particular, amparado em pronunciamento do Ministério da Fazenda no veto parcial ao Projeto de Lei de Conversão n° 30, de 2003 (art. 46 da Medida Provisória n° 135/03), tenho me manifestado pela exoneração dos créditos tributários constituídos (IRPJ e CSLL). Apesar deste tema não ter chegado à CSRF é certo que a partir do veto ao artigo 46 da MP 135/2003 ao ser convertida na Lei 10.833/2003 ficou claro que não pode haver tributação sobre a variação cambial sobre os investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial (redação do artigo 46 – a variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial é considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada anocalendário). Ademais, cabe registrar que novamente pela MP 232/2004 também houve referida disposição (art. 9º.) que além de não ser convertida em lei foi expressamente revogada pela MP 243/2005. Enfim, para este tema, entendo que a questão está tratada e foi amparada, no sentido da impossibilidade da tributação da variação cambial, pelo próprio acórdão recorrido. A questão foi que no Acórdão recorrido, ficou decidido que o caso não se trata de variação cambial sobre os investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Constou do Acórdão recorrido: No caso ora submetido a exame, entretanto, o lançamento tributário teve por base, entre outras, as disposições do art. 375 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR199) e do art. 30 da MP n° 1.85810/99 e reedições. 0 artigo 375 do RIR199, por sua vez,tem por fundamento o preconizado pelo art. 18 do DecretoLei n° 1.598/77, art. 8° da Lei n°9.249/95, art. 9° da Lei n° 9.718/98 e art. 30 da MP n° 1.85810/99 e reedições. Em conformidade com a citada legislação, as variações cambiais: a) devem ser incluídas no lucro operacional; b) quando negativas (perdas cambiais), podem ser deduzidas para efeito dedeterminar o lucro operacional; c) são consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso; e d) devem ser consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 10 17 lucro liquido, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, quando da liquidação da correspondente operação. Observo, assim, que a situação tratada na peça acusatória, qual seja, variação cambial apurada em resgate de ações, é absolutamente distinta das flutuações cambiais determinadas em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial que, por pronunciamento advindo do próprio Ministério da Fazenda, dependeria de expressa previsão legal. Apesar de entender que os diplomas legais antes citados, na hipótese da efetiva disponibilização de lucros auferidos no exterior e da ocorrência de variação cambial positiva, são aptos a servir de suporte para a incidência dos tributos e contribuições aqui tratados, sendo admissível a subtração do resultado negativo na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tenho me curvado ao pronunciamento do Ministério da Fazenda acerca da matéria, única e exclusivamente em razão da necessária observância dos ditames do poder hierárquico. Pois bem, resta claro que o Acórdão Recorrido entendeu que a situação do resgate das ações deve ter tratamento diferente do tratamento dos investimentos permanentes no exterior e que neste caso caberia a aplicação do artigo 375 do RIR. Com o devido respeito não concordo com a conclusão do Acórdão recorrido e pelo motivo de entender que o caso apresentado não está tipificado na norma legal – artigos 375 e seguintes do RIR. Para iniciar as minhas razões, colaciono, porque muito esclarecedores, os fundamentos de decidir da Eminente Conselheira Sandra Faroni, nos autos do Processo 16561.000156/200750, Acórdão n. 110100.131, nos seguintes termos: Quanto a essa matéria, a controvérsia pode assim ser figurada: Alega o contribuinte que a variação cambial do investimento no exterior avaliado pela equivalência patrimonial não sofre tributação em razão do veto do Presidente da República ao art. 46 da MP n° 135, de 2003, que a estabelecia. Por seu turno, a decisão recorrida assevera que a hipótese dos autos não trata de resultado da equivalência patrimonial, referida no artigo 46 da MP n° 135/2003, e que o lançamento se deve à apuração de variação cambial ativa, pela comparação da taxa de câmbio utilizada na conversão do crédito no dia'da redução de capital, com as taxas de câmbio referentes aos aportes de capital efetuados anteriormente. A exigência teria amparo legal nos artigos 375 a 378 do RIR/99, que tratam como receita as contrapartidas das variações monetárias em função da taxa de câmbio dos direitos de crédito do contribuinte. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 A Procuradoria da Fazenda Nacional analisa a legalidade da tributação do ganho de capital obtido na recompra das ações e, assim como a decisão recorrida, destaca que a hipótese não trata de resultado de equivalência patrimonial, referida no art. 46 da MP 135, amoldandose à fundamentação legal indicada no auto de infração. Reportase aos artigos 375 e 378 do RIR199, e ao art. 30 da MP 1.85810, como variações monetárias de direitos de créditos. A redução de capital da controlada representou, para a controladora, realização do investimento, sujeito a apuração de resultado não operacional (ganho ou perda de capital). O resultado na alienação de investimento é representado pela diferença entre o valor da alienação e o valor contábil do investimento. A baixa do investimento, necessariamente, é precedida da atualização do valor do investimento segundo a variação cambial, seguida da avaliação pelo valor do patrimônio líquido da controlada ou coligada, com base em balanço ou balancete levantado em até, no máximo, 30 dias antes da baixa. A jurisprudência é uníssona no sentido de que a variação cambial do investimento avaliado pela equivalência patrimonial não se sujeita à tributação, considerando o veto presidencial ao art. 46 da MP 135, que a estabelecia. Dessa forma, não prospera esse item da exigência. Ora, trazendo estas razões para o caso em comento, verificase que todas elas se encaixam perfeitamente, pois neste caso houve o resgate total do investimento, o que também representou para a controladora a realização do investimento sujeito à apuração de resultado não operacional. Neste caso o investimento é avaliado pela equivalência patrimonial e a variação cambial está inserida neste contexto e não pode ser tributada. Ademais a baixa do investimento foi precedido da equivalência patrimonial. O fato só poderia trazer a tributação se representasse um direito de crédito. Neste tema, trago ainda as razões trazidas pelo parecerista Ricardo Mariz de Oliveira, no seguinte sentido: Acontece que a conta de investimento não reflete uma relação jurídica de crédito da investidora contra a sua investida, quando mais apropriadamente se trataria de registro do respectivo valor em conta de ativo circulante ou do realizável a longo prazo. Realmente, a participação societária à qual a conta de investimento se refere é uma relação jurídica derivada do contrato de sociedade, que induz não a um direito de crédito da investidora contra a investida, mas sim, a um direito de participação na sociedade na condição de sócia. Somente quando os lucros da investida sejam objeto de deliberação, pela investida, para distribuição de dividendos, surge uma nova relação jurídica entre ela e sua investidora, cuja relação jurídica, esta, sim, passa a ser uma relação de crédito e débito. Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 11 19 Tanto é assim que, neste momento, a investidora baixa o valor correspondente aos dividendos, por crédito na conta de investimento, a débito de uma conta a receber, do mesmo modo que a investida debita sua conta de lucros a crédito de uma conta no passivo, de dividendos a pagar. Portanto, apenas nesta última hipótese haveria espaço para aplicação das normas legais segundo as quais a variação monetária de créditos e obrigações, inclusive de natureza cambial, deve integrar o lucro tributável (isto em tese, pois também interfere na questão a taxa de câmbio estabelecida pelo art. 25, parágrafo 4°, da Lei n. 9249). Não assim quanto à conta de investimento, que não traduz a existência de um crédito da investidora contra sua investida. Ademais, recentemente a douta 1ª. Turma Ordinária da 1ª. Câmara da 1ª. Seção votou caso similar, num Recurso de Ofício, e por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Ofício, constante do processo 16561000085.200745 Como o caso é semelhante, trago à colação os fundamentos da decisão da DRJ e da Turma Ordinária. A ementa da DRJ foi registrada da seguinte forma: Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 20 Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 12 21 E, no voto da DRJ a conclusão foi a seguinte: Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 22 Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 13 23 Por seu turno, a decisão da Turma Ordinária – Acórdão 1101000870, de relatoria da Conselheira Edeli Pereira Bessa, julgado por unanimidade de votos, foi no seguinte sentido: EMENTA: VARIAÇÃO CAMBIAL. INESTIMENTO NO EXTERIOR. LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE. RETORNO DE CAPITAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. REEXAME NECESSÁRIO. Correta a decisão que exonera crédito tributário em razão da incompatibilidade do lançamento com a legislação de regência e com os fatos apurados, mormente tendo em conta que não há previsão legal para tributação de variação cambial de investimentos no exterior. No corpo do voto, a relatora ao tratar da problemática da tributação da referida variação cambial assim se manifestou, nos principais trechos que transcrevo: Não há determinação legal expressa de atualização contábil de investimentos mantidos no exterior segundo a variação da taxa de câmbio. Há orientações da CVM neste sentido, bem como Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 24 orientações contábeis, como expresso no “ Manual de Contabilidade por Ações”. ... Ambos, o Ibracon e a CVM, inserem a variação cambial no acréscimo patrimonial ocorrido na empresa controladora decorrente da avaliação do investimento no exterior pelo método de equivalência patrimonial. Mas também orientam o seu registro em separado dos ganhos ou perdas decorrentes da participação da investidora no resultado do exercício da controlada e nos acréscimos ou diminuições realizados no patrim^onio desta, sendo que o o Ibracon classifica a variação cambial como resultado não operacional e a CVM como resultado operacional. Resta claro, portanto, que a variação cambial de investimentos no exterior não representa ganho tributável por ausência de previsão legal. De toda a sorte, para cogitar da tributação, em 2002, de variação cambial de investimento promovido no exterior em 1996, a autoridade lançadora deveria, minimamente, manifestarse acerca dos procedimentos contábeis adotados pela contribuinte, bem como justificar a adoção de regime de caixa para tributação daquele valor, na medida em que o artigo 375 do RIR/99, adotado com fundamento legal da exigência fixa expressamente o regime de competência para reconhecimento das variações cambiais e sua alteração somente se verificou a partir de 1999, com bem observado na decisão sob reexame. Ressaltese,a inda, a incompatibilidade entre a apuração da base tributável, que teve em conta a variação cambial verificada até 20/04/2001 e resultou em exigência tributária no anocalendário 2002, por adotar como fato gerador o momento da devolução do investimento em razão da dissolução da controlada antes ocorrida. Evidente, assim, que autoridade julgadora de 1ª. Instância agiu corretamente ao cancelar a exigência. Portanto, fica claro que a baixa de investimento, inclusive em razão da redução de capital, é precedida de equivalência patrimonial, de tal modo que a variação cambial relacionada ao investimento no exterior deverá ser apurada como equivalência patrimonial e excluída do resultado positivo da baixa do investimento. Enfim, por qualquer ângulo que se analise o fato objeto deste processo, resta evidente, ainda, que não houve a subsunção do fato à norma, pois, a norma indicada no lançamento não se aplica ao presente caso, como robustamente demonstrado no presente processo. Sendo assim, entendo que cabe razão à Recorrente e voto pelo PROVIMENTO do Recurso Especial interposto. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora. Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 14 25 Voto Vencedor Redator Designado C. Marcos Aurélio Pereira Valadão Ouso divergir da I. Relatora C. Susy Hoffmann, pelos motivos que passo a expor. Primeiramente destaco que há que se distinguir entre variação cambial do valor do investimento no estrangeiro na sua constância e variação cambial do valor do investimento no estrangeiro quando da sua realização/liquidação ou baixa (no caso por via do resgate de ações). São situações completamente distintas e que afetam a composição patrimonial, o fluxo de caixa, bem como tem impacto diferente na arrecadação, e, portanto na política tributária (motor das alterações legislativas na matéria tributária). Conforme consta do acórdão recorrido, sobre o tema: Com efeito, ainda que se possa fazer algum reparo às considerações feitas pela Recorrente acerca da tributação da variação cambial atrelada aos ajustes decorrentes de equivalência patrimonial, a situação retratada nos autos é absolutamente distinta. Em consonância com o Termo de Verificação de fls. 813/830, a infração imputada à contribuinte está representada pelo não oferecimento à tributação dos ganhos cambiais auferidos em resgates de ações. Tratandose, pois, de realização do investimento, em consonância com a legislação tributária, tornase necessário determinar o ganho ou a perda cambial correspondente, fazendose transitar pelo resultado fiscal a receita (ganho) ou a despesa (perda) apurada. Cumpre verificar a legislação que regula a matéria. Vejase que a Instrução Normativa SRF nº 213/2002, em seu art. 7º, não trata da situação que envolve o encerramento do investimento no exterior (seja ele avaliado pelo método da equivalência patrimonial, seja avaliado pelo custo de aquisição). E não dispõe sobre esta matéria, porque neste caso se aplica a regra geral, sendo a regra geral a da tributação da variação patrimonial positiva, medida na moeda nacional. Ou seja, não se trata aqui de aplicar o art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 213/2002. Conforme consta do lançamento de ofício, este teve por base, entre outras, as disposições do art. 375 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99) e do art. 30 da MP n° 1.85810/99 e reedições. O artigo 375 do RIR/99, por sua vez, tem por fundamento o preconizado pelo art. 18 do DecretoLei n° 1.598/77, art. 8° da Lei n° 9.249/95, art. 9° da Lei n°9.718/98, abaixo transcrito: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei n 9.249, de 1995, art. 8º). Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 26 Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei n 9.718, de 1998, art. 9º). Dão também supedâneo ao lançamento os arts. 247, 248, 251 e parágrafo único e parágrafo único, 277, 288, 375 e 378, do RIR/99 e o art. 30 da Provisória n ° 1.858 10/99 e reedições (em vigor sob o pálio da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), que tem o seguinte teor (com redação vigente à época dos fatos geradores): Art. 30. A partir de 1 o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1o À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2 o A opção prevista no § 1 o aplicarseá a todo o anocalendário. § 3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subsequentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Em relação aos argumentos expostos, vejase que o voto da C. Sandra Faroni no acórdão n. 110100.131, citado pela I. Relatora vai, de início, direção da Lei, mas depois, sob o argumento da ausência de disposição legal expressa afasta a tributação, que é o mesmo argumento o Acórdão 1101000870 da relatoria I. da C. Edeli Bessa, também citado e transcrito pela I. Relatora. Ou seja, o argumento é no sentido de não haver previsão expressa de tributação para o presente caso. Ora, é justamente o contrário. Ocorrido o fato gerador previsto na legislação tributária (CTN art. 43, e §§, que corresponde à variação patrimonial positiva decorrente do ganho com a variação cambial, conforme disciplinado no caso específico pela norma do art. 18 do DecretoLei n° 1.598/77), para haver a exclusão desta parcela da base de cálculo do IRPJ (e da CSLL) há que se ter uma norma específica excluindo tal parcela da tributação. Na lógica do IRPJ, toda receita que implique variação patrimonial positiva deve ser incluída no cômputo da base de cálculo, a não ser que haja uma previsão legal expressas excluindoa; e no caso de despesas/custos, devem ser deduzidas no cômputo da base de cálculo, conforme previsão legal, tendo como ponto de partida a contabilidade comercial. O caso dos autos é uma situação fática completamente diferente daquela em que a variação patrimonial na constância do investimento se dá por flutuação das cotações das moedas. É que neste último caso a realização do ganho ou perda ao final de cada período de apuração não representa disponibilidade econômica (embora haja disponibilidade jurídica, daí porque necessitaria de uma norma específica para fixar o momento da tributação, aspecto temporal do fato gerador). Ademais, representaria mais uma dificuldade para expansão de investimentos brasileiros no exterior. Vejase que as razões de veto do art. 46 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, diz respeito a motivações de ordem arrecadatória (nada tendo a Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 15 27 ver com inconstitucionalidade ou ausência de ocorrência do fato gerador)1 e a norma vetada se dirigia ao reconhecimento da receita ou despesa com variação cambial na constância do investimento no estrangeiro esta sim, como foi dito, carece de norma específica para que haja sua tributação (já que embora haja variação patrimonial ela não é definitiva). O Congresso Nacional quando da conversão da Medida Provisória nº 232/2004 na Lei nº 11.119, de 25 de Maio de 2005, também eliminou o art. 9o da referida MP que tinha teor idêntico ao do vetado art. 46 da Lei n. 10.833/2003. Isto posto, fica claro, que a não aceitação de tributação das variações cambiais na constância do investimento no exterior (objeto de veto e de rejeição congressual), nada tem a ver com a incidência na liquidação/realização/baixa do investimento caso dos presentes autos. É este também a razão pela qual não se aplica a Súmula CARF n. 94 que diz: “Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001.", pois esta Súmula se refere à tributação do investimento em sua constância (com base no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001). Apenas ad argumentandum, vejase que mesmo no ponto de vista contábil, há divergência sobre a natureza da variação cambial, conforme destacado no voto do Acórdão 1101000870 (transcrito pela I. Relatora), o Ibracon e a CVM inserem a variação cambial no acréscimo patrimonial da controladora, mas enquanto o Ibracon diz se tratar de resultado não operacional, a CVM entende que deve ser computado como resultado operacional. Vejase que é incontroverso contabilmente que se trata de acréscimo patrimonial (fato gerador do Imposto de Renda), sendo a controvérsia referente apenas ser o resultado classificável como operacional ou não operacional. Fica patente, portanto a inclusão da parcela da variação cambial na base de cálculo do IRPJ e da CSLL quando da liquidação/baixa do investimento no exterior, por se tratarem de receitas financeiras que afetam o patrimônio. No que diz respeito às Contribuições para PIS/COFINS a incidência decorre da caraterização dessas receitas como receitas financeiras, tratandose de lançamento reflexo, sendo irretocável as razões de decidir exaradas no acórdão recorrido, pela qual não merecem reparo (também com base na incidência expressa do art. 9° da Lei n. 9.718/98 e art. 30 da MP n° 1.85810/99). Em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO 1 Informação disponível em http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2003/lei1083329dezembro2003497045 veto13879pl.html Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 28 Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13362.000536/2004-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, substituídos pelos Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas que levaram às conseqüentes decisões são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, substituídos pelos Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 00 05 36 /2 00 4- 08 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13362.000536/200408 Acórdão n.º 9202003.111 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 079, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão que decidiu dar provimento a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 Ementa: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF Nº 41) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre preclusão de matéria não alegada na impugnação. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. A questão que fundamentou a decisão pelo provimento do recurso voluntário do sujeito passivo a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000 não foi objeto da impugnação da contribuinte, inclusive, tendo, a matéria sido reconhecida como preclusa pela decisão de primeira instância (fls. 042); 2. A decisão recorrida é divergente a expressa no acórdão paradigma, oriunda da Colenda lº Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2 Seção de Julgamento do CARF, que assentou o posicionamento de que a apresentação dos argumentos apenas na esfera recursal, acaba por importar preclusão do direito do contribuinte, sendo que tais argumentos não devem ser apreciados; 3. Diante do exposto, a PGFN requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial. Por despacho, fls. 098, deuse seguimento ao recurso especial. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O sujeito passivo – devidamente intimado – não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13362.000536/200408 Acórdão n.º 9202003.111 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto a admissibilidade, há questão a ser analisada. O acórdão recorrido adotou seu fundamento pela existência de Súmula do CARF. Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Ressaltese que o acórdão recorrido consigna, de forma literal, a utilização da Súmula para sua decisão: “Por se tratar de lançamento referente ao exercício de 2000, cujo fundamento é a não apresentação de ADA para poder se excluir da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente, devemos aplicar a Súmula nº 41, deste respeitável Conselho: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF Nº 41)” Desta forma, tendo em vista a Súmula nº 41 do CARF, entendo que assiste razão a recorrente. Portanto conheço do recurso e no mérito dou provimento.” Já o acórdão paradigma fundamentou sua decisão pela preclusão devido a vários pontos do recurso, não objeto de súmula, não terem sido alegados na impugnação: “Com relação às alegações de ilegitimidade da cobrança de contribuições Sociais devidas ao Seguro Acidente do Trabalho — SAT; de inconstitucionalidade da cobrança do INCRA; da ilegitimidade da cobrança do SEBRAE e de contribuições devidas aos chamados terceiros; da inconstitucionalidade da Taxa SEL1C e da multa consignada. É de se ver que tais matérias não foram suscitadas em sede de defesa/impugnação, não merecendo aqui qualquer apreciação uma vez que já atingidas pela preclusão, eis que não ofertadas em sede de impugnação, conforme se extrai do artigo V, § 6", da Portaria n° 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5 0, inciso "V", do Regimento interno do CRPS, vigentes época, c/c artigo 17, do Decreto n°70.235/72, como segue:” Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Em nosso entender, a matéria ter sido objeto de súmula – de observância obrigatória pelos membros do CARF (Art. 72 do Regimento Interno do CARF) – confere destaque expressivo à questão, que não há em matérias não sumuladas. Assim, para que existisse a divergência, a preclusão decidida no acórdão paradigma deveria ser sobre matéria objeto de súmula, pois aí sim teríamos caracterizada a divergência entre decisões. Portanto, como não há divergência clara entre as decisões, não conheço do recurso especial. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em NÃO CONHECER do recurso especial da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000611/2010-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006, 2007
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF. DEVER DE INFORMAÇÃO.
As informações de movimentação financeira obtidas administrativamente via RMF, com observância da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001, estão plenamente inseridas no ordenamento jurídico e respaldam o procedimento das autoridades fiscais, tornando inoponíveis as alegações de quebra irregular do sigilo bancário. As pessoas jurídicas devem escriturar todas as suas operações inclusive bancárias e apresentá-las às autoridades fiscais sempre que exigidas, sendo inoportunas alegações de sigilo bancário para este tipo de contribuinte.
MULTA QUALIFICADA.
A supressão integral de receitas nas declarações entregues à Administração Tributária, aliada a ausência de quaisquer recolhimentos ao longo dos diversos anos objeto do procedimento de ofício ensejam a aplicação da multa de ofício qualificada.
Numero da decisão: 1803-002.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006, 2007 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF. DEVER DE INFORMAÇÃO. As informações de movimentação financeira obtidas administrativamente via RMF, com observância da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001, estão plenamente inseridas no ordenamento jurídico e respaldam o procedimento das autoridades fiscais, tornando inoponíveis as alegações de quebra irregular do sigilo bancário. As pessoas jurídicas devem escriturar todas as suas operações inclusive bancárias e apresentá-las às autoridades fiscais sempre que exigidas, sendo inoportunas alegações de sigilo bancário para este tipo de contribuinte. MULTA QUALIFICADA. A supressão integral de receitas nas declarações entregues à Administração Tributária, aliada a ausência de quaisquer recolhimentos ao longo dos diversos anos objeto do procedimento de ofício ensejam a aplicação da multa de ofício qualificada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A teor do art. 42 da Lei nº 9.430/96 reputamse como receitas omitidas os depósitos/créditos bancários, cuja origem o contribuinte regularmente intimado não logra comprovar. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF. DEVER DE INFORMAÇÃO. As informações de movimentação financeira obtidas administrativamente via RMF, com observância da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001, estão plenamente inseridas no ordenamento jurídico e respaldam o procedimento das autoridades fiscais, tornando inoponíveis as alegações de quebra irregular do sigilo bancário. As pessoas jurídicas devem escriturar todas as suas operações inclusive bancárias e apresentálas às autoridades fiscais sempre que exigidas, sendo inoportunas alegações de sigilo bancário para este tipo de contribuinte. MULTA QUALIFICADA. A supressão integral de receitas nas declarações entregues à Administração Tributária, aliada a ausência de quaisquer recolhimentos ao longo dos diversos anos objeto do procedimento de ofício ensejam a aplicação da multa de ofício qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 06 11 /2 01 0- 95 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto. Relatório PHELIPPE CONSTRUÇÕES E COMERCIO DE COPIADORAS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foram feitas as seguintes apurações: 1) Omissão de receita, nos anos calendárioS de 2006 e 2007, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos utilizados em depósitos bancários; 2) Omissão de receitas operacionais, provenientes de revenda de mercadorias (AC 2006 e 1° trimestre de 2007) e da prestação de serviços (AC 2006); Foi arbitrado o lucro, com base no art. 530, III, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), tendo em vista que a contribuinte, intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, não o fez. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) fls. 686 a 701. Imposto R$ 155.657,07 Juros de mora: R$ 57.418,47 Multa Proporcional: R$ 118.411,17 Total: R$ 331.486,71 Enquadramento legal do imposto: RIR, de 1999, arts. 529, 530, combinado com arts, 251, 253, 258, § 1 0, 259, 260, I, II e III e §§ 1 0, 2° e 3°, 265, 266, 532 e 537; Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 16, 24, § 1 0; Lei n° 9.430, de 27 de Fl. 921DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15940.000611/201095 Acórdão n.º 1803002.158 S1TE03 Fl. 901 3 dezembro de 1996, arts. 27, I, e 42, Instrução Normativa (IN) n°93, de 1997, art. 41. Contribuição para o PIS fls. 702 a 717. Contribuição: R$ 14.063,76 Juros de mora: R$ 5.378,78 Multa Proporcional: R$ 11.211,46 Total: R$ 30.654,00 Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar (LC) n° 7, de 7 de setembro de 1970, arts. 1° e 3º; Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, § 2°; Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, arts. 2°, I, a e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91. 3 Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) fls. 718 a 732. Contribuição: R$ 64.910,24 Juros de mora: R$ 24.826,04 Multa Proporcional: R$ 51.746,17 Total: R$ 141.482,45 Enquadramento legal da contribuição: Decreto n° 4.524, de 2002, arts. 2°, II, parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91. 4Contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL) fls. 733 a 746: Contribuição: R$ 59.972,96 Juros de mora: R$ 22.034,94 Multa Proporcional: R$ 46.165,03 Total: R$ 128.172,93 Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2° e §§; Lei n° 9.249, de 1995, art. 20; Lei n° 9.430, de 1996, art. 29; Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 37; Lei n° 10.684, de 2003, art. 22. Consta no Termo de Verificação Fiscal (TVF) que a fiscalização, em 05/05/2009, tentou intimar a contribuinte no seu domicilio tributário e a intimação retornou com a informação de que a empresa havia se mudado. Encaminhouse, então, a intimação para o domicilio tributário do sócio responsável Rogério de Souza Phelippe, tendo a intimação retornado com a informação de que ele era desconhecido naquele endereço. Foi feita, em 01/06/2009, a intimação por edital e, como a contribuinte não atendeu As solicitações feitas, foram expedidas RMF (Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira), por meio das quais foram obtidos os extratos bancários da fiscalizada. Somente em 23/02/2010 é que o advogado da contribuinte compareceu A Seção de Fiscalização, alegando que a empresa estava desativada, tendo sido expedida outra intimação, na qual foi concedido mais 20 (vinte) dias de prazo par a. apresentar a documentação solicitada. A contribuinte solicitou nova prorrogação de prazo e alegou que grande parte da documentação comprobatória da movimentação financeira havia sido apreendida pela policia na operação mexilhão. Depois dessa prorrogação de prazo, foram encaminhados, em 25/03/2010, os livros de Apuração do ICMS, Registro de Entradas, Registro de Saídas e Apuração de ISS e a contribuinte Fl. 922DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 reiterou o pedido para que a fiscalização solicitasse A Policia Civil a devolução dos seus cinco computadores apreendidos. Em 04/05/2010, a empresa apresentou um demonstrativo tentando relacionar a origem dos recursos creditados nas suas contas correntes com débitos em contas da empresa Pressserv Terceirização de Mão de Obra e Construções Ltda, da qual Rogério também é cotista e anexou extratos bancários daquela pessoa jurídica. A fiscalização constatou que no livro Diário do ano de 2006 da Pressserv não há qualquer registro dessas supostas operações. Não tendo sido comprovada a origem dos recursos utilizados para a realização dos créditos bancários, efetuouse o lançamento de oficio com base na Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, e arbitrouse o lucro, uma vez que não foram apresentados os livros contábeis solicitados pela fiscalização. 0 lucro foi arbitrado a partir dos valores de vendas de mercadorias e serviços apurados por meio dos livros de Registro de Apuração do ICMS e de Serviços (fls. 528 a 651). Notificada do lançamento, a contribuinte, representada por Jackson Peargentile (fls. 120, 476 a 481), ingressou, em 27/08/2010, com a impugnação de fls. 756 a 783, alegando: • Nulidade do auto por cerceamento de defesa: Apesar de o procedimento fiscal ter se iniciado em 05/05/2009, somente tomou conhecimento dele em 23/02/2010, ocasião em que o Fisco já havia solicitado os extratos bancários por meio de RMF. No entanto, quando solicitou que o Fisco expedisse ofícios e requisições necessárias para fazer as comprovações necessárias, ele se omitiu, indeferindo as postulações e transferindo toda a responsabilidade de produção de provas por meio da apresentação de documentos que se encontravam em poder de terceiros; • 0 Fisco usou dois pesos e duas medidas e limitouse a efetuar somente as diligências tendentes a prejudicar a sua defesa, acabando por responsabilizála pela produção de provas que se encontravam em poder de terceiros (Bancos e Policia Civil — computadores, documentos e livros fiscais); • Toda a documentação da empresa foi apreendida na operação policial denominada "mexilhão dourado" e, diversas vezes, solicitou à Policia Civil a devolução de seus computadores, sem qualquer sucesso. Ajuizou ações para ter acesso aos documentos que pudessem facilitar a sua defesa, mas também não teve êxito; • 0 Fisco agiu no sentido premeditado de comprovar as supostas irregularidades de que tinha conhecimento por meio da mídia e não fiscalizou para apurar eventual fato, mas sim para demonstrar o que queria ver comprovado, agindo de forma deliberada para deturpar os fatos realmente ocorridos, para acomodar a prova à necessidade do referido procedimento; • Quanto ao argumento do fiscal de que nas cópias dos autos de apreensão não consta a menção aos livros contábeis nem ao Fl. 923DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15940.000611/201095 Acórdão n.º 1803002.158 S1TE03 Fl. 902 5 contrato de mútuo, bastaria que fosse enviado um oficio aos órgãos detentores de tais informações e documentos fiscais para se estabelecer a verdade. Para exemplificar, cabe registrar que os cinco microcomputadores não aparecem em nenhum documento apresentado ao Fisco, mas foram e estão apreendidos até a presente data; • Solicitou que se fizesse o cruzamento de dados bancários entre as outras empresas do grupo — cuja maioria do capital social pertencia a Rogério de Souza Phelippe e que também foram alvo de fiscalização da Receita Federal do Brasil (RFB), para demonstrar que grande parte dos depósitos bancários existentes, ou tiveram origem da empresa PRESSERV ou da troca de cheques de terceiros, como meio de levantamento de recursos para reforçar o caixa dessa mesma empresa; • Com relação ao argumento exposto no Termo de Verificação Fiscal (TVF), no sentido de que os valores mencionados não constam no livro da empresa Pressserv, não deve prevalecer, pois tais empréstimos foram efetuados no decorrer do ano, portanto, antes do final do exercício retornavam, uma vez que todas as empresas tinham como sócio majoritário e controlador a mesma pessoa física; • Se faz necessário rebater o argumento de que as trocas de cheques efetuadas constituíam antecipação de receita. Isto porque, não existia venda nem receita para motivar a emissão dos cheques que eram descontados previamente pelos bancos. 0 que ocorria era que se emprestavam cheques de uma determinada pessoa física ou jurídica, independentemente da realização de negócio, e trocava referidas cártulas em instituições bancárias, tudo com o único intuito de auferir empréstimos e trabalhar com o dinheiro do próprio banco. Por ocasião do vencimento dos citados cheques, emitiamse outros de outra pessoa física ou jurídica, que era utilizado para cobrir os anteriores, tudo isso sem que houvesse venda ou receita; • Para a comprovação dessas operações de crédito se fazia necessário buscar a microfilmagem de cada cheque descontado no decorrer do período fiscalizado, o que também não foi feito. No entanto, estamos, nessa oportunidade, apresentando o oficio endereçado ao banco, requisitando todas as microfilmagens e borderôs ou a relação com nomes de terceiros que emprestaram cheques para fazer o desconto, para cobertura da conta corrente da Pressserv e cheques emitidos pela fiscalizada para pagamentos de fornecedores da Pressserv. Assim, não deve prevalecer a alegação de falsa declaração, pois não foi emitida nenhuma nota fiscal durante os exercícios de 2006 e 2007, e os lançamentos em livros referemse a recebimentos de órgãos públicos inscritos em restos a pagar de exercícios anteriores, que já se encontravam devidamente declarados; • Da tributação por presunção. A presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador, pois ela deve sempre Fl. 924DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 estar apoiada na repetida e comprovada correlação, no caso, entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos. Ademais, a movimentação bancária na corporifica fato gerador do imposto de renda. Depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial. 0 Fisco não se esforçou para comprovar o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos, requisito essencial para configurar a tributação; • Na área judicial, consoante a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos — TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; • Conforme se verifica da movimentação financeira da Pressserv, apesar de os valores não serem idênticos, mas sim próximos, a grande maioria ou quase totalidade tiveram origem da conta da referida empresa, uma vez que ambas possuíam como sócio majoritário e controlador a mesma pessoa física. Por essa razão, seria correto "presumir" que a origem dos créditos deriva da transferência de dinheiro de uma empresa para outra; • Levese em conta, ainda, que foi realizado contrato de mútuo para documentar o empréstimo de dinheiro entre as referidas empresas (Phelippe e Pressserv), sendo certo que os respectivos instrumentos contratuais não foram localizados em virtude da bagunça e do alvoroço decorrente do cumprimento dos já citado Mandados de Busca e Apreensão, decorrentes da operação policial. Requer que seja considerado válido o empréstimo de mutuo entre as empresas do mesmo grupo; • Diante da total falta de documentos contábeis e de cinco microcomputadores, viuse obrigada a contratar pessoa com capacitação técnica para realizar laudo contábil (documento anexo), o qual concluiu que o valor de R$ 1.401.201,14 teve origem na transferência da conta bancária da Pressserv, o que já demonstra a ausência de fato gerador para a imputação de qualquer tributo; • Como se não bastasse toda a documentação já despendida, insta consignar que os documentos anexos — Extrato Demonstrativo de Dividas comprova que as empresas controladas por Rogério de Souza Phelippe devem perante o Bradesco S/A, o valor de R$ 3.325.028,79, provenientes de empréstimos e outras operações de crédito não quitadas. Assim, os valores constantes como divida perante o Bradesco não podem ser considerados pela fiscalização; • Da ilegalidade das multas. Todas as multas aplicadas deverão ser excluídas, seja porque nenhum imposto é devido ou porque o percentual aplicado é ilegal. A multa de 150% s6 é permitida quando houver dolo ou máfé, o que não ocorreu, pois atendeu todas as notificações e apresentou toda a documentação que se encontrava em seu poder e indicou onde e com quem se encontravam os documentos apreendidos, contribuindo e auxiliando a fiscalização. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1431.225, de 14 de outubro de 2010 (fls. 808/818), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Fl. 925DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15940.000611/201095 Acórdão n.º 1803002.158 S1TE03 Fl. 903 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Ciente da decisão em 04/11/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 825), apresentou o recurso voluntário em 29/11/2010 fls. 826/873, onde reitera os argumentos da inicial acrescendo as alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade da quebra de seu sigilo bancário. Por força da Resolução 1803000.070, de 14/10/2010 (fls. 890/898), desta Turma Julgadora o processo foi sobrestado em virtude das alegações acerca do sigilo bancário. Sobrevindo alteração regimental conforme despacho (fl. 899), o processo foi novamente distribuído para julgamento a esta Turma. É o relatório. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), lavrados em decorrência da constatação de omissão de receitas por depósitos bancários sem origem e falta de declaração de receitas constantes dos livros fiscais, com simultâneo arbitramento do lucro dos anos calendários 2006 e 2007. Alega a recorrente em síntese: a) A conversão do julgamento em diligência para que a Polícia Civil seja instada a devolver os HD de 05 (cinco) computadores apreendidos em operação de busca e apreensão, que possibilitarão a comprovação da origem dos depósitos bancários; b) Da ilegal quebra do sigilo bancário considerando que os extratos bancários foram obtidos mediante RMF (Requisição de Movimentação Financeira) foi realizada antes mesmo de citação válida e à revelia das disposições da LC 105/2001 e no Artigo 3.° do Decreto nº 3.724/2001. c) A inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001; d) A nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, sem que tenham sido oportunizadas as diligências requeridas, adotandose dois pesos e duas medidas que apenas favoreceram o Fisco; e) Da impossibilidade de tributação por presunção adotada com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois depósito bancário não é renda. f) Que os depósitos bancários tem origem em contrato de mútuo com a empresa PRESSERV conforme atesta o Laudo Contábil anexado, bem como deve ser considerado também o elevado débito das empresas do grupo controlado por Rogério de Souza Phelippe no Banco Bradesco e não quitadas. g) Da ilegalidade de todas as multas de ofício aplicadas pois não houve dolo ou má fé pois a empresa atendeu a todas as solicitações da fiscalização. Com efeito, desenvolve a recorrente extensa argumentação em torno da tese da inviolabilidade do sigilo bancário sem a competente autorização judicial. A tese defendida pela recorrente e da mais alta indagação, suscitou o sobrestamento do processo considerando a então disposição regimental do CARF, conforme Resolução 1803000.070, de 07/08/2012 (fls. 890/898), tendo em vista as discussões travadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal acerca da matéria do sigilo bancário. Considerando no entanto, a revogação do dispositivo regimental que determinava o sobrestamento dos processos com alegações acerca da inviolabilidade do sigilo bancário, retornou o processo para regular distribuição a esta Turma Julgadora. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15940.000611/201095 Acórdão n.º 1803002.158 S1TE03 Fl. 904 9 O tema do sigilo bancário embora suscitando acalorados debates na mais alta Corte Judicial do País, não tem ainda uma definição que submeta o presente processo aos seus ditames. Ao revés, em julgado submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543 C do CPC), o Superior Tribunal de Justiça, reafirmou a legalidade da requisição administrativa dos extratos bancários, assim se definindo em relação ao tema: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, Fl. 928DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 10 à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). (...) 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir Documento: 932315 Inteiro Teor do efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. (...) (Resp 1.134.665SP, 25/11/2009, Min. Luiz Fux) Assim é, que a requisição administrativa dos extratos bancários nos moldes preconizados pela Lei Complementar 105/2001 e sua regulamentação no âmbito tributário através do Decreto 3.724/2001 encontrase respaldada legalmente, somente podendo alegarse qualquer vício em caso de descumprimento da norma posta. A apreciação de incompatibilidade da norma perante a Constituição Federal é competência exclusiva do Poder Judiciário, nos termos da Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não vislumbro outrossim, considerando a obrigatoriedade da escrituração completa de suas operações por parte das pessoas jurídicas, supostas alegações de violação do sigilo bancário uma vez que tem o dever de apresentar a documentação e a escrituração às autoridades fiscais. Além do mais, não estando a empresa funcionando no endereço do domicílio informado à Receita Federal do Brasil, e tampouco localizado o sócio Rogério de Souza Phelippe, o termo de início se deu através de edital (fl. 11), ocasionando na seqüência a Requisição das Informações bancárias ante a expressiva movimentação em nome da empresa. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15940.000611/201095 Acórdão n.º 1803002.158 S1TE03 Fl. 905 11 Ao contrário do que afirma a recorrente, não foi a autoridade fiscal que requisitou as informações bancárias. A autoridade fiscal apenas solicita de forma fundamentada para o Delegado da Receita Federal do Brasil, as informações imprescindíveis para o prosseguimento da ação fiscal sendo este a autoridade competente para requisitar as informações às instituições financeiras. Neste sentido, vide as RMF constantes das folhas 12/13, 15/16 e 18/19 do presente processo, que foram assinadas pelo DelegadoAdjunto da DRFB de Presidente Prudente (SP). Portanto, rejeito as alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade na requisição das informações bancárias da empresa. Tendo sido intimada regularmente por duas vezes a comprovar a origem dos depósitos/créditos em suas contas bancárias limitouse a afirmar que a documentação da empresa teria sido apreendida pela polícia civil e que os créditos decorrem de empréstimos de pessoas físicas e jurídicas bem como de empréstimos tomados por empresas do sócio Rogério de Souza Phelippe. Ao longo do procedimento fiscal limitouse a contribuinte a solicitar que a fiscalização obtivesse as informações diretamente das instituições financeiras e que requisitasse junto à Polícia Civil 05 (cinco) computadores que foram apreendidos na operação “mexilhão dourado”. Constatase que as mesmas alegações vem sendo reiteradas na impugnação e agora no recurso voluntário quando na verdade deveria caso entendesse imprescindíveis para a sua defesa, solicitado ao Poder Judiciário caso não obtivesse êxito junto às instituições financeiras ou da Polícia Civil. Fato é que a empresa, não procurou se desencumbir do ônus imposto pela própria presunção legal esculpida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 que impõe o dever de comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas correntes bancárias pena de caracterização de omissão de receitas. A principal alegação produzida ao longo do procedimento fiscal de que a movimentação financeira teria como origem a empresa PRESSERV TERCERIZACAO DE MAO DE OBRA E CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 04.252.648/000106, foi fundamentadamente refutada pela autoridade fiscal conforme Termo de Verificação (fls. 654/685), não se constatando qualquer correspondência com a movimentação apresentada. Diante de tal fato, enveredou a recorrente por alegações de que empréstimos tomados junto às instituições financeiras por diversas empresas do grupo justificariam a movimentação bancária. Ora, sequer os débitos das empresas a recorrente comprova a contento, pois a planilha de débitos apresentada por ocasião da impugnação (fls. 795/796) foram produzidas unilateralmente pela própria empresa. Tampouco o suposto laudo técnico que apenas tenta conferir legitimidade às informações prestadas pela contribuinte à fiscalização em relação aos empréstimos da PRESSERV tem o condão de elidir os valores apurados. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 12 No tocante às multas de ofício aplicadas, constatase que a fiscalização somente aplicou a multa de ofício qualificada para as receitas conhecidas extraídas dos livros fiscais do ano calendário 2006 (únicos disponíveis) e se referem às vendas de mercadorias e prestação de serviços. Considerando que a contribuinte apresentou a sua DIPJ do ano calendário 2006 totalmente zerada e informou em DCTF apenas um único débito de R$ 33,93 no mesmo ano, afigurase perfeitamente aplicada a multa de 150% por restar evidente o intuito de omitir do conhecimento das autoridades fiscais, o fato gerador das receitas auferidas com a revenda de mercadorias e prestação de serviços. Assim, escorreita a decisão de primeira instância que refutou adequadamente todas as alegações da recorrente a qual mantenho pelas seus próprios fundamentos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 931DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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