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Numero do processo: 16327.001026/2008-98
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DCTF. COMPROVAÇÃO DE ENQUADRAMENTO NAS HIPÓTESES DE ENVIO SEMESTRAL E NÃO MENSAL. ALEGAÇÃO DE ERRO NO SISTEMA DA RECEITA FEDERAL. ÔNUS DA PROVA:
Cabe ao contribuinte, provar fato impeditivo, modificativo ou extintivo quanto ao crédito tributário constituído pela Administração Tributária. Inteligência do Art. 109, I do CTN, combinado com o Art. 333, II do CPC.
Numero da decisão: 1801-001.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Márcio Angelim Ovídio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 DCTF. COMPROVAÇÃO DE ENQUADRAMENTO NAS HIPÓTESES DE ENVIO SEMESTRAL E NÃO MENSAL. ALEGAÇÃO DE ERRO NO SISTEMA DA RECEITA FEDERAL. ÔNUS DA PROVA: Cabe ao contribuinte, provar fato impeditivo, modificativo ou extintivo quanto ao crédito tributário constituído pela Administração Tributária. Inteligência do Art. 109, I do CTN, combinado com o Art. 333, II do CPC.
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COMPROVAÇÃO DE ENQUADRAMENTO NAS HIPÓTESES DE ENVIO SEMESTRAL E NÃO MENSAL. ALEGAÇÃO DE ERRO NO SISTEMA DA RECEITA FEDERAL. ÔNUS DA PROVA: Cabe ao contribuinte, provar fato impeditivo, modificativo ou extintivo quanto ao crédito tributário constituído pela Administração Tributária. Inteligência do Art. 109, I do CTN, combinado com o Art. 333, II do CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Márcio Angelim Ovídio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 10 26 /2 00 8- 98 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 23/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) que manteve o lançamento de penalidade pecuniária em razão da entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao período de apuração 05/2008 foi entregue em 08/07/2008, após o prazo final de entrega (07/07/2008). Alega o contribuinte, em suas razões que: a) a Instrução Normativa SRF n.° 695, de 14 de dezembro de 2006, vigente na época, em especial o artigo 3o, não relaciona a recorrente dentre os obrigadas a apresentar a DCTF mensal; portanto, a poderia ter apresentado até o mês de julho do ano de 2008; b) Existência de erro do sistema, de “responsabilidade do Órgão Oficial, uma vez que colocam tal sistema à disposição do contribuinte”. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais, conheço do presente recurso. Não havendo nenhuma preliminar argüida, passo à análise do mérito recursal. Caberia à recorrente demonstrar a ausência de enquadramento nas situações que ensejam a entrega de DCTF mensal, e não semestral, consoante exigido no auto de infração. Nessa mesma linha, haveria o mesmo de comprovar por qualquer meio idôneo de prova (ex: mensagem de erro emitida pelo programa da Receita Federal) a existência de falha no sistema a impedir o cumprimento da obrigação. Cabe ao contribuinte, provar fato impeditivo, modificativo ou extintivo quanto ao crédito tributário constituído pela Administração Tributária. Tal conclusão é extraída, pela conjunção dos seguintes dispositivos legais: Código Tributário Nacional Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; [...] Código de Processo Civil Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 23/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ Processo nº 16327.001026/200898 Acórdão n.º 1801001.973 S1TE01 Fl. 3 3 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 58DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 23/0 6/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMI REZ
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003856/2006-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2005
PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE.
No direito constitucional vigente o princípio da não cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão somente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. O princípio da não cumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos adquiridos com suspensão.
CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de insumos não onerados pelo IPI não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, créditos também não há.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2005 PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. No direito constitucional vigente o princípio da não cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão somente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. O princípio da não cumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos adquiridos com suspensão. CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos não onerados pelo IPI não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, créditos também não há. Recurso Voluntário negado.
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No direito constitucional vigente o princípio da não cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão somente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. O princípio da não cumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos adquiridos com suspensão. CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos não onerados pelo IPI não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, créditos também não há. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 38 56 /2 00 6- 20 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos do IPI, apurados no período compreendido entre julho a dezembro de 2005, com fundamento no artigo 11 da Lei 9.779/99. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O interessado em epígrafe solicitou o ressarcimento do saldo credor apurado no período em destaque, corrigidos monetariamente. O pedido foi indeferido e as compensações não homologadas, considerando que os créditos em questão, além de parte já estar prescritos, não eram incentivados e em razão do artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999 somente se aplicar ao saldo credor decorrente das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento a partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização. Quanto ao restante, ou se constituiriam de aquisições não oneradas pelo IPI, e/ou que foram aplicadas em produtos NT. Tempestivamente, o interessado manifestou sua inconformidade, basicamente, alegando a inocorrência da prescrição, pois não se aplicaria o Decreto n° 20.910/32, pois, de acordo com a Constituição Federal, tal matéria requer Lei Complementar, no mérito, invoca princípios constitucionais para demonstrar que a Lei n° 9.779/99 deveria ser aplicada retroativamente, por seu caráter interpretativo, sem qualquer limitação ao constitucional direito creditório, o qual deveria ser corrigido monetariamente, conforme julgados que cita. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FOR n.º 089.209, de 29/09/2006 (fls. 178/216), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/1995 CRÉDITOS DO IPI. RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.003856/200620 Acórdão n.º 3202001.182 S3C2T2 Fl. 278 3 O prazo prescricional qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme disposição da legislação tributária sobre a matéria (Decreto n° 20.910/32). IPI. RESSARCIMENTO. O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento a partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. INCONSTITUCIONALI DADE. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar acerca de suscitada inconstitucionalidade das leis ou dos atos normativos regularmente editados. Solicitação Indeferida Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal (vide fl. 276), Recurso Voluntário de fls. 254/275, por meio do qual repisa os mesmos argumentos já encartados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O Despacho Decisório não reconheceu os créditos de IPI vindicados pela Recorrente, ao fundamento de que são oriundos de aquisições, com suspensão do IPI, de Fl. 279DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens empregados nos produtos por ela fabricados e tributados pelo imposto. Apesar de não haver destaque do valor do IPI nas notas fiscais de aquisição, a Recorrente solicitou fosse reconhecido o direito creditório com a mesma alíquota incidente sobre seus produtos (5%). Impugnada a decisão, a instância a quo negou provimento à manifestação de inconformidade, asseverando que uma parte do crédito já estaria prescrito e que não se poderia, por falta de previsão legal, admitir créditos de IPI que não tenham sido pagos na aquisição dos insumos. Pois bem. O primeiro tema constitui rematado equívoco perpetrado pela instância a quo. Isso porque, além de não ter sido ventilado no Despacho Decisório, o período de apuração objeto do pedido de ressarcimento vai de julho a dezembro de 2005 (e não 1995, tal como considerado pela DRJ). Como fora apresentado em 2006, obviamente o direito pretendido ainda não havia sido extinto pela prescrição. Prescrição, portanto, não houve. Todavia, o segundo tema – a impossibilidade de creditamento de IPI nas aquisições não oneradas pelo imposto – já foi apreciado por esta mesma Turma de Julgamento. Por comungar com o entendimento exposto no voto condutor do Acórdão n.º 3202000.717, de 24/04/2013, de relatoria do Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, adotoo como razão de decidir, motivo pelo qual passo a transcrevêlo na parte que enfrenta a matéria: Da impossibilidade do creditamento do IPI sobre insumos classificados como não tributáveis NT Pelo relato, vêse que a Recorrente está pleiteando o cancelamento do lançamento porque entende legítima a escrituração e o aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos não tributados. Portanto, a solução da presente lide cingese, basicamente, em determinar se os estabelecimentos contribuintes de IPI têm direito de creditarse desse tributo referente à matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem não tributados pelo IPI. A controvérsia tem como “pano de fundo” a correta interpretação do princípio constitucional da não cumulatividade do imposto. A sistemática da nãocumulatividade do IPI permite que o contribuinte compense o tributo destacado na nota fiscal de aquisição de insumos de fornecedores com aquele que for devido na operação seguinte, na saída do produto. Neste sentido dispõe a Carta Magna (art. 153, parágrafo 3º, inciso II) ao prescrever que o IPI “será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores” O CTN, da mesma forma, em seu artigo 49 e parágrafo único, trata da não cumulatividade do IPI: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.003856/200620 Acórdão n.º 3202001.182 S3C2T2 Fl. 279 5 “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/1998) e no art. 163 do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/2002), é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Essa é a regra trazida pelo art. 25 da Lei nº 4.502/64, reproduzida pelo art. 164, inciso I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I – do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;”. (grifo não constante do original). Como visto a Carta Magna, o CTN e os demais dispositivos da legislação foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado/pago nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados (N/T), não há o que se creditar, portanto, não há também que se falar em nãocumulatividade. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 A premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo lançado (na nota fiscal de aquisição de insumo) na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é imperativo ao garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança (nem lançamento na nota fiscal houve) do tributo na operação de entrada de insumo, não há que falarse em direito a crédito, tampouco em nãocumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a não cumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como “imposto contra imposto” (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada “base contra base” (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como parece pretender a Recorrente. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da nãocumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de suspensão do imposto, de alíquota neutra (zero), de isenção ou de não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido nas diversas fases do processo produtivo. O crédito do IPI utilizado pela Recorrente, portanto, tratase de um valor fictício, presumido, posto que ele não existe de fato, repitase, não foi pago pelo contribuinte e nem cobrado pelo Fisco na operação anterior. Não houve ônus ao contribuinte na aquisição dos insumos. Não há lei específica que autorize o contribuinte utilizar os créditos originários da aquisição de insumos não tributados, para a hipótese tratada no caso em discussão. E mais, a Constituição Federal veda expressamente a concessão de crédito presumido, sem lei que autorize, conforme dicção do § 6º do art. 150, verbis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (negritei) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.003856/200620 Acórdão n.º 3202001.182 S3C2T2 Fl. 280 7 Mais ainda, este Tribunal Administrativo já firmou entendimento de que a aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera crédito do IPI (o que, registrese, não é exatamente o mesmo que “não tributado”, mas prestase a corroborar a linha de entendimento), nos termos da Súmula nº 10, abaixo transcrita: SÚMULA nº 10: “A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. O entendimento proferido na decisão recorrida, mantida neste voto, está em perfeita harmonia com a decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), que, na sessão do dia 15/02/2007, negou provimento, por maioria, aos Recursos Extraordinários (REs) nºs 370.682 e 353.657, decidindo pela impossibilidade de compensação de créditos de IPI relativos à aquisição de matériaprima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero. Concluindo o julgamento dos Recursos Extraordinários acima, em sessão plenária do dia 25/06/2007, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por dez votos a um, que a União poderá reaver o IPI das empresas que compensaram tributos com créditos de matériasprimas isentas, não tributadas ou sujeitas à alíquota zero. Assim, sendo absolutamente impossível o creditamento de IPI nas aquisições não oneradas pelo imposto, não há direito ao ressarcimento. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 283DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10580.001048/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007
SUSPEIÇÃO DO AGENTE FISCAL - INDICAÇÃO DE INIMIZADE RESSENTIMENTO.
Não tendo o recorrente trazido aos autos qualquer fato concreto acerca da suposta inimizade ou ressentimento do agente fiscal, não há como declarar a suspeição do mesmo, nem tampouco determinar a nulidade da autuação.
MULTA - AUTO DE INFRAÇÃO - ATUALIZAÇÃO EM PORTARIA
O valor da multa aplicada está em consonância com o disposto nos arts. 92 e 102 da Lei n.° 8.212, de 1991, combinado com o art. 283, inciso II, "a" e art. 373 do Decreto n.° 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado.
Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado auto-de-infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes.
Numero da decisão: 2401-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de suspeição da autoridade lançadora; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Constitui infração deixar de prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. As informações solicitados, sejam elas: RELAÇÃO DE BENEFICIÁRIOS DE SALÁRIOS INDIRETOS, GFIPS E RETIFICADORAS pelo auditor possuem relação direta com o cumprimento da legislação referente aos valores que compõem a remuneração do segurado empregado, assim, pertinente a solicitação, estando dentro da competência da autoridade fiscal. O afastamento de uma falta que respaldou o lançamento, não cancela a multa aplicada quando o valor da mesma é único. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 10 48 /2 00 8- 71 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 SUSPEIÇÃO DO AGENTE FISCAL INDICAÇÃO DE INIMIZADE RESSENTIMENTO. Não tendo o recorrente trazido aos autos qualquer fato concreto acerca da suposta inimizade ou ressentimento do agente fiscal, não há como declarar a suspeição do mesmo, nem tampouco determinar a nulidade da autuação. MULTA AUTO DE INFRAÇÃO ATUALIZAÇÃO EM PORTARIA O valor da multa aplicada está em consonância com o disposto nos arts. 92 e 102 da Lei n.° 8.212, de 1991, combinado com o art. 283, inciso II, "a" e art. 373 do Decreto n.° 3.048/99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de suspeição da autoridade lançadora; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.001048/200871 Acórdão n.º 2401003.449 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob n. 37.053.8722, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, III e § 22 e art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, qual seja deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesmo, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Destacase que conforme descrito no relatório fiscal, fl. 34 e seguintes, Autuo a empresa, com fundamento no artigo 32, inciso III da Lei 8.212,de 1991, uma vez que a mesma deixou de apresentar os seguintes informações/esclarecimentos: 1. Relação mensal (em meio digital) de 0112004 a 01/2007 de todos os beneficiários de vale alimentação contendo: matrícula, nome, data e valor do benefício, solicitada no TIAF emitido em 15.10.2007, tais informações objetivavam a identificação dos beneficiários dos salários utilidades:alimentação, para fins de cálculo do desconto do segurado e a correta declaração em Guia do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP destes salários utilidades. A ausência destes esclarecimentos impossibilitou o cálculo dos descontos do segurado individualizado, sendo portanto efetuado pela alíquota mínima e impossibilitou, quando da aplicação da multa do AI código de fundamentação legal = 68, a individualização dos salários de contribuição, 2. Relação mensal (em meio digital) de 0112002 a 0612007 de todos os beneficiários de plano de saúde/odontológico, contendo: matrícula, nome, data e valor do benefício, solicitada no TIAF emitido em 15.10.2007, tais informações objetivavam a identificação dos beneficiários dos salários utilidades: saúde, para fins de cálculo do desconto do segurado e a correta declaração em Guia do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP destes salários utilidades. A ausência destes esclarecimentos impossibilitou o cálculo dos descontos do segurado individualizado, sendo portanto efetuado pela alíquota mínima e impossibilitou, quando da aplicação da multa do AI código de fundamentação legal = 68, a individualização dos salários de contribuição; 3. Informações contábeis, em meio digital, de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD (IN MPSISRP no 12, de 20.06.2006), (de 0612006 a 0612007),solicitada no TIAF emitido em 15.10.2007 4. GRP, GRFP e GRFC com comprovantes de entrega e eventuais retificações (arquivos SEFIPCR.SFP ou SERPCR.RE ), solicitados no TIAF emitido em 15.10.2007. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 17/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/12/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 102 a 108. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Foi apresentada nova manifestação já com a assinatura do representante legal, fls. 124 a 127. Desde tal época, em relação aos débitos previdenciários caucionados, a requerente encontrase sem nenhuma restrição a Certidão com efeito de negativa, vez que suspensos. Porém o relatório de pendências, que impediriam a certidão negativa a empresa, fornecida pelo INSS, constam estas dívidas caucionadas, com "FASE 000535 AJUIZAMENTO / DISTRIBUIÇÃO, 060302 AG. ANAL. P/ EXPED DESPACHO DECISORIO DE LDC, 090201 – AGUARDANDCO RECEBIMENTO PELA PROCURADORIA", fato inverídico, tendo em vista a decisão supracitada (anexo IV). Deve constar no relatório que tais débitos estão suspensos, conforme decisão judicial. 3 DA FISCALIZAÇÃO A requerente passou por fiscalização por agente fisco do INSS relativo ao período de abril de 2000 a junho de 2007 sendo que foram lavrados NFLD tombadas sob n° 37.053.864 1, 37.053.8684, 37.053.8692, . 37.053.8706, 37.053.8714 37.053.8722, 37.053.8730, 37.053.8749, 37.053.8757 37.142.0270 e 37.142.0288, contra a requerente. A suplicante apresentou, dentro do prazo, impugnação à referidas notificações, conforme processos anexos (V). Tais débitos encontramse no relatório de pendência com "FASE 010203 AGUARDANDO REGULARIZAÇÃO", fato não procedente tendo em vista as impugnações acostadas e já devidamente enviadas e recebidas bia AR pelo Egrégio Ministério da Fazenda DOS PARCELAMENTOS A requerente possui perante o INSS três parcelamentos tombados sob números 603806066, 603870031, 603954944. Os períodos concernentes a tais parcelamentos encontramse nos LCD Lançamento de Crédito Declarado, de n° 36012739 8, 360128777 e 360128787, incorrendo desta forma numa duplicidade no parcelamento de n° 603954944, em sua cobrança, sendo que tais LCD's encontramse caucionadas conforme visto acima. Os parcelamentos de n° 606806066 e 603870031 foram fiscalizados e gerados autos de infrações já citados e devidamente elaborada e enviada defesa respectiva e anexa. Observase, portanto mais uma ocorrência em duplicidades. Logo, vem através dó presente, após expor os motivos acima e os documentos acostados, requerer que o Ministério da Fazenda através do INSS Instituto Nacional de Seguridade Social, venha a retificar o seu relatório de pendências, constando as devidas suspensões dos débitos seja em detrimento de decisão judicial, seja em decorrência de impugnações, assim como retiradas as duplicidades apontadas, para com isso " a requerente possa ter a real posição dos seus débitos que inibem o fornecimento da Fl. 173DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.001048/200871 Acórdão n.º 2401003.449 S2C4T1 Fl. 4 5 certidão com efeito de negativa, . junto ao supracitado órgão, e efetuar as devidas quitações caso caiba. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 137 a 139. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO Constitui infração deixar a empresa de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto no inciso III, do art. 32, da Lei n.° 8.212/1991. MULTA. 0 valor da multa aplicada está em consonância com o disposto nos arts. 92 e 102 da Lei n.° 8.212, de 1991, combinado com o art. 283, inciso II, "a" e art. 373 do Decreto n.° 3.048/99. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 152 a 161, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: 5. Suspeição da Autoridade Lançadora por inimizade com um dos sócios da empresa; 6. Contudo, não procede essa acusação, devendo ser cancelada a indigitada multa. Todos os documentos exigidos por Lei, que contenham informações cadastrais, financeiras e contábeis,. foram devidamente entregues ao INSS. 7. Os documentos que a fiscalização cita como não entregues para aplicar a multa do presente auto de infração não podem fundamentar esse pena, visto que não existe LEI que obrigasse a empresa a possuílos. 8. Ora, se não existe Lei, não pode existir punição em razão de sua ausência, já que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer se não em virtude de Lei. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 168. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DA PRELIMINAR AO MÉRITO A preliminar argüida pelo recorrente diz respeito a suspeição do agente fiscal responsável pela fiscalização face a inimizade que o mesmo demonstra, ressaltando, ainda um certo ressentimento. Quanto a esse ponto, não tenho como acatar a preliminar de suspeição argüida. Embora tenha o recorrente entendido que o fato do agente fiscal ter em tese feito várias acusações gratuitas a empresa e seus sócios, destacando, informações sobre as mesmas no relatório fiscal, entendo que esse fato por si só não gera a nulidade do procedimento. A pesquisa acerca das empresas contidas em páginas da internet é acessível a qualquer cidadão, sendo que as informações ali colacionados podem, muitas vezes, prestar de auxílio a entender a estrutura e prática de negócios de empresas e seus sócios no Brasil. Contudo, não restou demonstrada a efetiva inimizade, não fez o auditor ilações pessoaIs acerca do recorrente além das obtidas na internet, fazendo referência inclusive a ações do Ministério Púbico. Se as informações colacionados pelo auditor forem inverídicas, ou mesmo tenha o mesmo as inventado, nada impede que o recorrente o represente ao órgão competente, ou mesmo em processo próprio no âmbito civil, caso entenda que o mesmo extrapolou seus limites funcionais. Porém, observamos, que o lançamento não está consubstanciado em teses ou ilações, mas em documentos entregues pelo próprio recorrente, sejam as GFIP entregues, ou os documentos digitais, devidamente validados. Assim, embora tenha colacionado informações sobre a empresa, não ocorreu aferição indireta de bases sobre referidas informações. Aliás já havia o julgador de primeira instância se manifestado nesse sentido: “Inicialmente, cabe refutar a alegação de suspeição aventada pelo sujeito passivo em sua impugnação, haja vista não haver qualquer prova de inimizade entre a autoridade lançadora e qualquer dos sócios do sujeito passivo. Ademais, as referências feitas a um dos sócios e ao sujeito passivo no Relatório Fiscal que não guardam pertinência com o lançamento não acrescentam nem subtraem a substância deste, razão pela qual não se configura vicio de nulidade.” Cabe ressaltar que não trouxe o recorrente qualquer fato novo acerca da preliminar em questão, em especial, demonstrar a citada inimizae e ressentimento. DO MÉRITO Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou vício no procedimento, conforme alegado pela recorrente. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.001048/200871 Acórdão n.º 2401003.449 S2C4T1 Fl. 5 7 Foram apresentados ao contribuinte, por meio do relatório fiscal da infração e da multa aplicada dos fatos geradores por meio de relatórios e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, III, nestas palavras: Art.32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Pelos documentos presentes nos autos e transcritos no relatório deste voto, a autoridade previdenciária requereu as informações no intuito de identificar quais eram os beneficiários de benefícios, cujo pagamento poderia consistir em base de cálculo de contribuição previdenciária, quais sejam: vale alimentação, plano de saúde/odontológico, GFIPs e retificadoras, para que se pudesse determinar o cálculo dos descontos respeitado o teto do salário de contribuição em relação a cada empregado (no caso dos benefícios) e identificar qualquer divergência em relação as GFIP entregues. Assim, a ação do auditor, encontrase fundamentada na medida que sendo constatados os pagamentos acima destacados, os quais entende o recorrente estarem excluídos do conceito de salário de contribuição, deve o auditor solicitálos para verificar o devido cumprimento da legislação. O art. 293 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes.(Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) Incabível a alegação de que a lei não exige que o empregador mantenha os documentos solicitados. Como imaginar que a empresa não seja obrigada a ter uma relação dos empregados para os quais fornece plano de saúde ou vale alimentação. Ademais, os demais documentos, tais como GFIP, E RELAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS, estão diretamente relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, assim, como as informações contábeis. Constatandose que os valores pagos à título de ASSISTÊNCIA e VALE ALIMENTAÇÃO , deveria o recorrente, manter lista individualizada dos segurados, já que o incremento de sua remuneração, por meio da inclusão do benefício, determinará o incremento da contribuição previdenciária e por conseqüência, poderá influenciar no valor do salário de benefício do segurado. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Da mesma forma, a apresentação das GFIP e suas retificadoras, são de suma inportância para justamente confrontar os valores apurados nos sistemas da Receita Federal do Brasil (e anteriormente da previdência social), evitando distorções, que poderiam ocorrer quando da transmissão ou recepção das mesmas pelos sistemas. Faço uma observação apenas em relação a falta “Informações contábeis, em meio digital, de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD (IN MPSISRP no 12, de 20.06.2006), (de 0612006 a 0612007),solicitada no TIAF emitido em 15.10.2007.” Até onde identifico , a exigência em questão possui tipificação própria, qual seja, art. 11, § 3 e 4 da lei 8218 c/c com o art. 12 da mesma lei. Dessa forma, afasta a falta, porém como a multa pelo descumprimento da obrigação é única, mesmo a exclusão da falta em questão não altera a procedência do presente AI. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista, bem como procedeu a autoridade julgadora a devida apreciação da multa aplicada, não tendo o recorrente apresentado qualquer novo argumento que pudesse alterar o julgamento então proferido. DA MULTA IMPOSTA Quanto a multa, também não merece qualquer reparo a autuação, pois a mesma foi aplicada com base no art. 283, inciso II, alínea "a" do RPS, consoante Decreto n.° 3.048/99, cujo valor pecuniário mínimo é a quantia de R$ 11.951,21. Notese, que já destacou Fl. 177DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.001048/200871 Acórdão n.º 2401003.449 S2C4T1 Fl. 6 9 o julgador que o valor da multa encontrase atualizado pela Portaria MPS/GM n.° 142/2007 e duplicado em face da reincidência capitulada no inciso V, do art. 290, do Decreto n.° 3.048/99, totalizando o valor de R$ 23.902,42 (vinte e três mil novecentos e dois reais e quarenta e dois centavos), conforme extrato anexado do sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de suspeição, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005828/2004-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/02/1004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Não se afasta a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, ainda que tenha sido feita o registro antes do início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionados com a infração, fundamentando-se na aplicação do instituto da denúncia espontânea (artigo 138 do Código Tributário Nacional), pela aplicação da Súmula CARF nº 49.
ALEGAÇÃO DE OFENSA NORMATIVA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OU APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF.
Ademais, os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre
outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplica-la obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 256, 2009)
MULTA PELA NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
É aplicável a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" c/c/ a alínea cdo DL n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003.
Entretanto, a IN 1.096, de 2010 majorou o prazo para tal registro para 7 (sete) dias, fazendo-se necessária a aplicação de prazo mais favorável ao contribuinte a teor do art. 106, II, alínea "c", do CTN - retroatividade benigna.
No entanto, no presente caso, foi apurado registro intempestivo dos dados de embarque, ou seja, informado após 7 dias da data de embarque.
É de se destacar que o prazo de 10 dias trazido pela Ordem de Serviço n° 05, de 17.12.2004, que ampliou para 10 dias o prazo para registro das operações de exportação no SISCOMEX apenas deve ser observado aos produtos que especifica.
Numero da decisão: 3202-001.150
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/02/1004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se afasta a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, ainda que tenha sido feita o registro antes do início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionados com a infração, fundamentando-se na aplicação do instituto da denúncia espontânea (artigo 138 do Código Tributário Nacional), pela aplicação da Súmula CARF nº 49. ALEGAÇÃO DE OFENSA NORMATIVA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OU APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF. Ademais, os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplica-la obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 256, 2009) MULTA PELA NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA. É aplicável a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" c/c/ a alínea cdo DL n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Entretanto, a IN 1.096, de 2010 majorou o prazo para tal registro para 7 (sete) dias, fazendo-se necessária a aplicação de prazo mais favorável ao contribuinte a teor do art. 106, II, alínea "c", do CTN - retroatividade benigna. No entanto, no presente caso, foi apurado registro intempestivo dos dados de embarque, ou seja, informado após 7 dias da data de embarque. É de se destacar que o prazo de 10 dias trazido pela Ordem de Serviço n° 05, de 17.12.2004, que ampliou para 10 dias o prazo para registro das operações de exportação no SISCOMEX apenas deve ser observado aos produtos que especifica.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2317; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 279 1 278 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.005828/200476 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.150 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2014 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente MERCOTRADE AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/02/2004 REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. REALIZAÇÃO INTEMPESTIVA. INFRAÇÃO. PENALIDADE. A apresentação de registro de dados de embarque de mercadorias feita fora do prazo definido na Instrução Normativa SRF nº 28/94 constitui, por si só, infração de caráter objetivo, independente da intenção do agente, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, sujeitando seu infrator à penalidade prevista no art. 107, IV, c, do Decretolei nº 37/66. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/02/1004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se afasta a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, ainda que tenha sido feita o registro antes do início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionados com a infração, fundamentandose na aplicação do instituto da denúncia espontânea (artigo 138 do Código Tributário Nacional), pela aplicação da Súmula CARF nº 49. ALEGAÇÃO DE OFENSA NORMATIVA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OU APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 58 28 /2 00 4- 76 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/05/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11128.005828/200476 Acórdão n.º 3202001.150 S3C2T2 Fl. 280 2 Ademais, os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicala obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 256, 2009) MULTA PELA NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA. É aplicável a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" c/c/ a alínea “c”do DL n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Entretanto, a IN 1.096, de 2010 majorou o prazo para tal registro para 7 (sete) dias, fazendose necessária a aplicação de prazo mais favorável ao contribuinte a teor do art. 106, II, alínea "c", do CTN retroatividade benigna. No entanto, no presente caso, foi apurado registro intempestivo dos dados de embarque, ou seja, informado após 7 dias da data de embarque. É de se destacar que o prazo de 10 dias trazido pela Ordem de Serviço n° 05, de 17.12.2004, que ampliou para 10 dias o prazo para registro das operações de exportação no SISCOMEX apenas deve ser observado aos produtos que especifica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MERCOTRADE AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA contra Acórdão nº 1726.191, de 3 de julho de 2008 (de fls. 144 a 156), Fl. 280DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/05/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11128.005828/200476 Acórdão n.º 3202001.150 S3C2T2 Fl. 281 3 proferido pela 1ª Turma da DRJ/SPOII, que julgou por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/10/2004, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da multa por embaraço à ação fiscalizadora do Fisco, preceituada no art. 15, 532 do Decreto 4.543/02, no art. 107, inciso IV, alínea "c" do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03 e art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27/04/1994 e Noticia Siscomex n° 0105, item 2, de 27/07/1994. Relata a autoridade fiscal que as mercadorias despachadas através da DDE no 2040134118/6 foram embarcadas ao amparo do Conhecimento Marítimo (BL) n° 53071, emitido em 24/02/2004, data do efetivo embarque; tendo sido registrados os dados desse embarque apenas em 03/03/2004, conforme extratos da Consulta Histórico do Despacho e da Consulta Dados de Embarque, de fls. 11. Assim, pelo fato de não ter registrado no Siscomex os dados de embarque daquelas mercadorias, na forma e prazo estabelecidos no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27/04/1994 e Noticia Siscomex n° 0105, item "2", de 27/07/94, o contribuinte foi intimado (fls. 13) a recolher a multa prevista no inciso IV, item "e" combinado com o item "c" do art. 107, do Decretolei n° 37/66, alterado pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03, exigência essa que não foi acatada pelo contribuinte. Diante do não atendimento a referida intimação, foi lavrado o presente auto de infração, formalizando a exigência da multa por embaraço à ação fiscalizadora, capitulada nos dispositivos legais já referidos, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Cientificado da lavratura da peça fiscal em 16/11/2004 (fl. 29v), o contribuinte, por intermédio de seu procurador (Instrumento de Mandato na fl. 44), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 14/12/2004, de fls. 30/43, alegando, resumidamente, que: 1 — Que não houve tipificação da penalidade, pois o requerente não causou embaraço ou impedimento A. fiscalização, não estando caracterizada a infração que lhe foi imputada., sendo que o prazo de 24 horas, fixado por norma inferior A Instrução Normativa, não é suficiente para que a requerente pudesse recolher as informações necessárias e registrálas no SISCOMEX. Alega também que documento apresentado a destempo não é a mesma coisa que documento não apresentado , que possa impedir ou dificultar a fiscalização. 2 — Alega que os dados do embarque foram inseridas no SISCOMEX antes da lavratura do Auto de Infração em comento, caracterizandose o instituto da denúncia espontânea, que exclui o pagamento de qualquer penalidade, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional. 3 — Entende que a multa cabível no caso concreto é a prevista no art. 647 do Decreto n° 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro), em seu inciso II, que determina a aplicação A empresa de transporte internacional que opere ern linha regular, por via aérea ou marítima, a multa de R$ 200,00 por informação omitida, limitada ao valor de R$ 5.000,00. É o relatório.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedente o lançamento em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/02/2004 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/05/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11128.005828/200476 Acórdão n.º 3202001.150 S3C2T2 Fl. 282 4 Ementa: MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Aplicase a multa por embaraço à fiscalização, se o registro no Siscomex dos dados pertinentes ao despacho de exportação ocorrer além do prazo de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, em face da nova redação do art. 37 da IN SRF n° 28/94, dada pela IN SRF nº 510/ 2005, ao amparo da retroatividade benigna prevista na alínea "h" do inciso II do art. 106 do CTN.” Cientificado do referido acórdão em 27 de agosto de 2008 (fl. 159), a interessada apresentou recurso voluntário em 26 de setembro de 2008 (fls. 164 a 196), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 27de agosto de 2008, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 26 de setembro de 2008. Depreendendose da análise do recurso voluntário apresentado pela recorrente, temse que o cerne das discussões envolve a penalidade de multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decretolei n° 37/66, com a atual redação do artigo 77, da Lei n° 10.833/2.003, no valor originário de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), tendo em vista que a ora Recorrente teria deixado de registrar dados relativos a operação de exportação realizada ao amparo da DDE n° 2040134118/6, na forma e prazo estabelecidos pela SRF, conforme disposto no art. 37, da IN/SRF. n° 28/94, e Notícia SISCOMEX n° 105. Traz a recorrente que o referido Auto de Infração foi impugnado sem êxito pela ora Recorrente em primeira instância administrativa, conforme Acórdão n° 17 26.191/2008, proferido pela l a Turma DRFJ/SP., cuja Ementa segue abaixo reproduzida: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ASSESSÓRIAS. DATA DO FATO GERADOR: 24/02/2.004 LANÇAMENTO PROCEDENTE. MULTA POR EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/05/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11128.005828/200476 Acórdão n.º 3202001.150 S3C2T2 Fl. 283 5 Aplicase a multa por embaraço à Fiscalização, se o registro no SISCOMEX dos dados pertinentes ao despacho de exportação, ocorrer além do prazo de sete dias após o embarque marítimo, em face da nova redação do artigo 37 &a IN/SRF. n° 28/94, dada pela IN/SRF. n° 510/2.005, ao amparo da retroatividade benigna prevista na alínea "b", do inciso II, do artigo 106 do CTN. Lançamento Procedente.” Entende, dessa forma, que o Acórdão da DRJ merece imediata reforma, invocando o instituto da denúncia espontânea. O que passo a discorrer a seguir. Da Denúncia Espontânea Vêse que requer a ora recorrente a declaração da nulidade do Auto de Infração lavrado pela Alfândega do Porto de Santos, pois entende que na questão posta há amparo do Instituto da denúncia espontânea de trata o artigo 138 do Código Tributário Nacional. Notase que a ora recorrente somente no dia 03.03.2.004, teria inserido no SISCOMEX os dados relativos ao embarque das mercadorias exportadas/desembaraçadas por meio da DDE n° DDE n° 2040134118/6 e embarcadas ao amparo do Conhecimento Marítimo n° 53.071, emitido em 24.02.2.004, portanto, após o prazo legal fixado no artigo 37, da IN/SRF n° 28/94, combinado com a Noticia SISCOMEX n° 105. O que, traz que nos autos do Processo Administrativo, verificase que o Auto de Infração n° 11128005.828/2.00476, exigindo o recolhimento da penalidade de multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "c", do Decretolei n° 37/66, com a atual redação do artigo 77, da Lei n° 10.833/2.003, no valor originário de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), somente foi lavrado em 16.11.2.004 (fls. 29 dos autos). Infere, assim que, na medida em que em 03.04.2.004, inseriu no SISCOMEX os dados relativos ao embarque das mercadorias exportadas/desembaraçadas por meio da n° DDE n° 2040134118/6 e embarcadas ao amparo do Conhecimento Marítimo n° 53.071, emitido em 24.02.2.004, ou seja, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal para apurar a suposta infração, encontrase a mesma, comprovadamente, amparada pela "Denúncia espontânea" prevista no artigo 138 do CTN. Também enfatiza que o Auto de Infração carece de total respaldo legal, na medida em que está a afrontar, comprovadamente, o princípio da estrita legalidade. Para melhor elucidar esta questão, importante descrever o art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966 – alterado pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988 – sendo o § 2º alterado pela redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010 (Grifos meus): "Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei n°2.472, de 01/09/1988) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/05/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11128.005828/200476 Acórdão n.º 3202001.150 S3C2T2 Fl. 284 6 § 1° Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei n°2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Vêse que o desejo da recorrente em ver afastada a presente exação tributária fundamentado na aplicação do instituto da denúncia espontânea (artigo 138 do Código Tributário Nacional) não merece prosperar, não obstante ao § 2º do art. 102 do Decretolei nº 37/66, pois, vale lembrar que, quanto à admissão da denúncia espontânea no caso de atraso na entrega da declaração, que se torna ostensivo com decursos do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma, se encontra consolidada em todas as esferas jurídicas o entendimento de que as obrigações tributárias autônomas ou acessórias deveres de caráter formal não guardam vínculo necessário com o fato gerador do tributo. Por conseguinte, o disposto no art. 138 do CTN não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas, não obstante o argumento do sujeito passivo de que tenha informado espontaneamente antes a qualquer procedimento fiscal. Tal entendimento já se encontra pacificado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através da Súmula de Enunciado n° 49 (numeração de enunciados consolidados): “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração.” Cabe também lembrar que o Julgado do STF, RE n° 195161/GO de 26/04/99, expõe que “a entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar com atraso a declaração de imposto de renda”. Desta forma, entendo que não procede tal linha de argumentação apresentada pela empresa recorrente, considerando, além das fundamentações tratadas anteriormente, pela aplicação por analogia (considerando o caso ser especificamente penalidade por inobservância de obrigações acessórias) da referida Súmula apesar desta tratar especificamente de atraso na declaração. Da ilegalidade da aplicação da Penalidade de Multa do art. 107, inciso IV, inciso “c”, do DecretoLei 37/66 – com a atual redação do art. 77 da Lei 10.833/01 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/05/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11128.005828/200476 Acórdão n.º 3202001.150 S3C2T2 Fl. 285 7 Especificamente a esse tema, insurge a recorrente que não há Lei que defina o "Embaraço a Fiscalização", que foi o embasamento legal utilizado para aplicação da penalidade de multa exigida no Auto de Infração de que se trata. Aduz que os próprios auditores fiscais, quando da exigência da penalidade de multa lançada no Auto de Infração, fazem expressa menção de que a mesma encontraria respaldo no artigo 37, da IN SRF 28/94, combinado com a Noticia SISCOMEX n° 105. O que, argumenta que em face do principio da hierarquia das normas, tratandose as Instruções Normativas 28/94, bem como, a Noticia SISCOMEX n° 105, de atos inferiores a Lei, lhe é defeso contrariar, restringir ou ampliar suas disposições, em face do seu nítido caráter acessório. Além disso, traz que na medida em que os dispositivos legais tidos como infringidos pela Recorrente foram editados posteriormente a operação de exportação de que trata a D.D.E. nº 2040134118/6 (embarcada em 27.02.04), e os dados de tal operação inseridos no SISCOMEX em 03.03.2.004, somente poderiam ser aplicados para fatos geradores futuros, não retroagindo para alcançar a operação de exportação já mencionada, conforme expressa previsão legal contida no artigo 105 do CTN. Ao invocar a recorrente que não se caracteriza embaraço a fiscalização tipificada no art. 107, inciso IV, inciso “c”, do DecretoLei 37/66 o caso em questão, entendo que não merece ser acolhida a tese sustentada pelo sujeito passivo. O tipo infracional é contemporâneo aos fatos. O Decretolei no 37/66 já prescrevia multa para aquele que deixasse de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. Por sua vez, o artigo 37 da Instrução Normativa SRF 28/94 prescrevia a necessidade de o registro dos dados das mercadorias se dar imediatamente depois do embarque. O fato de haver sido publicado esclarecimento acerca do alcance do referido termo na Notícia Siscomex n° 105/2004 não representa inovação de preceito legal imperativo, mas tãosomente esclarecimento visando aplicação mais equânime do mesmo. Aliás, no caso presente, resta claro que a questão não representa dúvida concernente a eventual exame subjetivo sobre a extrapolação ou não do prazo restrito, mas não exato, fixado na norma legal. O que, finalmente, a IN SRF no 510, de 2005, com efeito, deu nova redação ao art. 37 da IN SRF no 28/94, estabelecendo os prazos de dois dias (por via aérea) e de sete dias (por via marítima) para o registro dos dados de embarque no SISCOMEX. Ou seja, o prazo para a informação dos dados no referido sistema foi estendido. Para melhor elucidar esta questão – cumprimento das obrigações acessórias, no prazo estipulado em norma procedimental, importante mencionar que a obrigação do transportador encontrase estabelecida no art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: “Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas Fl. 285DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/05/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11128.005828/200476 Acórdão n.º 3202001.150 S3C2T2 Fl. 286 8 transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado.” Quanto à multa a ser aplicada ao caso em questão, para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003 cabe, para melhor elucidar a questão, transcrever os seguintes dispositivos legais: DecretoLei n° 37, de 1966 (Grifos e destaques meus) “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas. (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga.” Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 “Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts.37, 41 e ,¢ 3 0 do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei n°37/66 com a redação do art. 5° do Decretolei n° 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” Sendo assim, em vista dos termos expostos na norma em questão, bem como descrição dos fatos, entendo corretamente aplicada pela autoridade lançadora a penalidade pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, preceituada no inciso IV, item "e" combinado com o item "c" do art. 107, do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. Importante trazer que a folha nº 2, que consta a Intimação nº 71/04/GMAX – o que peço licença para transcrever parte (Grifos meus): “[...] Fica a empresa acima qualificada, na pessoa de seu representante legal, INTIMADA a APRESENTAR, neste Grupo, no prazo de 7 (sete) dias, a contar da ciência desta ou da data do aviso de recebimento (AR) de entrega pelo correio, DARF com o recolhimento da multa prevista no inciso IV, item "e" combinado com o item "c" do art. 107, do Decreto Lei n° 37/66, lterado pelo artigo 77 da Lei 10.833/03, para a Declaração de Despacho de Exportação, DDE, n° 2040134118/6. Dados de Embarque foram informados após o prazo. BASE LEGAL: Artigo 535 do Decreto 4.543/2002 (artigo 37 da IN 28/94 e Noticia SISCOMEX no 105, de 27/07/1994”. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/05/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11128.005828/200476 Acórdão n.º 3202001.150 S3C2T2 Fl. 287 9 Ora, resta claro que a própria Intimação já trazia a referência a alínea “e”, do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66 ao combinar com a alínea “c” do mesmo dispositivo; Ou seja, considerando que o cerne da autuação foi especificamente o descumprimento ou o cumprimento a destempo de obrigação acessória, se torna evidente que presente auto se refere à multa pelo descumprimento de forma e prazo estabelecidos em norma editada pela SRF, no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14/02/2005 – bem tipificada no documento também. Sendo assim, entendo que a contestação feita pela empresa não procede, considerando a citação feita na Intimação, no Auto de Infração ao art. 37 da Instrução Normativa da SRF 28/94, que já referenda a aplicação da multa por não assistir adequadamente o prazo para a prestação da referida informação, bem como assistindo a própria descrição feita também naquele documento que constou, entre outros, “o art. 107, inciso IV, alínea "c" do DecretoLei n° 37/66” – o que temos que interpretálo de forma a perceber a consequência causada pela inobservância do prazo estipulado e disciplinado pela Receita Federal perante aquela autoridade. O que, para a aplicação da penalidade, vêse que causou àquela autoridade fazendária embaraço à fiscalização. E, quanto ao prazo, o Decretolei no 37/66 já prescrevia multa para aquele que deixasse de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. O que foi estabelecido e clarificado em normas posteriores – o que também foi tratado beneficamente por outras normas procedimentais editadas posteriormente. Em síntese, estáse diante de infração que, uma vez praticada deixar de fazer no tempo aprazado não tem mais como ser remediada. E no tempo fixado que se exigia a informação, e não em outro. Assim, o fato de o registro dos dados de embarque haver sido efetuado fora do prazo fixado, mesmo que antes de qualquer procedimento de oficio, não é capaz de afastar a imposição da penalidade prevista para a hipótese, uma vez que, como antes abordado, não se tem possibilidade material de reparar o descumprimento praticado. Quanto à alegação de que a penalidade cabível é a prevista no art. 647 do Regulamento Aduaneiro (Decreto. N. 4.543/2002), a transcrição do mesmo clarifica a aplicação da infração: “Art.647. Aplica se à empresa de transporte internacional que opere em linha regular, por via aérea ou marítima, a multa de (Lei n2 10.637, de 2002, art. 28 e parágrafo único): (Redação dada pelo Decreto n° 4.765, de 24.6.2003) I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por veiculo cujas informações sobre tripulantes e passageiros não sejam prestadas na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; ou II – R$ 200,00 (duzentos reais) por informação omitida, limitada ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por veiculo.” Evidente que tal dispositivo trata de prestação de informações sobre tripulantes e passageiros de veiculo utilizado na operação de importação ou exportação, e não do registro dos dados de embarque contemplados no caso vertente. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/05/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11128.005828/200476 Acórdão n.º 3202001.150 S3C2T2 Fl. 288 10 Relativamente às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da finalidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF nº 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa interpretá la e aplicála, processo do qual não integra o juízo de valor acerca da justiça ou da injustiça dos efeitos que gerou. Falece, pois, à autoridade administrativa, competência para excluir crédito tributário com fundamento em alegada ofensa a princípio constitucional, que, por natureza, é dirigido ao legislador ordinário. Da Retroatividade Benigna – Ordem de Serviço nº 05/2004 Em relação à retroatividade benigna, aduz a recorrente que ainda que tivesse cometido a infração noticiada nos autos, a mesma estaria amparada pelo chamado principio da retroatividade benigna da Lei Tributária, na medida em que, o Ilmo. Sr. Inspetor da Alfândega do Porto de Santos, por meio da Ordem de Serviço n° 05, de 17.12.2004, ampliou para 10 dias o prazo para registro das operações de exportação no SISCOMEX. Não obstante à vinculação feita pela contribuinte para aplicação da norma em questão, vêse que a Ordem de Serviço nº 5/2004 apenas se aplica a despacho aduaneiro de exportação dos produtos que especifica, não se subsumindose ao caso vertente. Ante todo o exposto, por conseguinte, voto por negar provimento ao recurso voluntário Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/05/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11128.005828/200476 Acórdão n.º 3202001.150 S3C2T2 Fl. 289 11 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 26/05/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 10855.904847/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuite é autor do pedido de compensação tributária.
O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório (CPC, art. 333, I).
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os débitos e os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DO DÉBITO POR PERDA DE OBJETO DA DCOMP. ERRO DE FATO NÃO COMPROVADO. DÉBITO MANTIDO.
Pela falta de juntada de cópia do balanço ou balancete mensal de suspensão/redução e demais documentos e livros de suporte, o alegado erro de fato/entrega indevida da DCOMP não restou comprovado, pois o pretenso encontro de contas efetuado anteriormente e diretamente na escrituração, quanto aos débitos e crédito objetos da DCOMP, não restou evidenciado, nem confirmado nos autos.
Quanto aos débitos confessados na DCOMP, é ônus do sujeito passivo comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco, para evitar duplicidade de exigência (CPC, art. 333, II).
Não restando comprovado o crédito, nem a perda de objeto da DCOMP, ficam mantidos os débitos confessados na DCOMP.
Numero da decisão: 1802-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ÔNUS DA PROVA. Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuite é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório (CPC, art. 333, I). Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os débitos e os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DO DÉBITO POR PERDA DE OBJETO DA DCOMP. ERRO DE FATO NÃO COMPROVADO. DÉBITO MANTIDO. Pela falta de juntada de cópia do balanço ou balancete mensal de suspensão/redução e demais documentos e livros de suporte, o alegado erro de fato/entrega indevida da DCOMP não restou comprovado, pois o pretenso encontro de contas efetuado anteriormente e diretamente na escrituração, quanto aos débitos e crédito objetos da DCOMP, não restou evidenciado, nem confirmado nos autos. Quanto aos débitos confessados na DCOMP, é ônus do sujeito passivo comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco, para evitar duplicidade de exigência (CPC, art. 333, II). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 48 47 /2 00 9- 12 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 114 2 Não restando comprovado o crédito, nem a perda de objeto da DCOMP, ficam mantidos os débitos confessados na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 115 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de efls.66/67 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (efls. 42/49) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 27/09/2006, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 03334.22874.270906.1.3.044361 (efls. 03/05), informando compensação tributária: a) débitos informados: IRPJ, código de receita 5993 Demais PJ que apuram o IRPJ com base no Lucro Real anual (antecipação de pagamento por estimativa mensal), período de apuração Maio/2006, data de vencimento 29/06/2006, R$ 124,21; IRPJ, código de receita 5993 Demais PJ que apuram o IRPJ com base no Lucro Real anual (antecipação de pagamento por estimativa mensal), período de apuração Junho/2006, data de vencimento 31/07/2006, R$ 210,33. b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 334,54. que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração Fevereiro/2006, código de receita 5993, data de arrecadação 31/03/2006, valor do recolhimento R$ 2.498,19 (não consta dos autos a cópia do DARF, apenas demonstrativo – efl. 68). Obs: na DCOMP foi informado, de forma errônea, PA do direito creditório Março/2006. Em 20/04/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 06, pela DRF/Sorocaba, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 334,54. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar–se de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 116 4 final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 05/05/2009 (efls. 08), a Contribuinte, em 22/05/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (efl.19), juntando ainda documentos de fls. 20/28, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, relativo ao PA Fevereiro/2006 (competência), efetuou antecipação de pagamento do IRPJ por estimativa mensal, no valor de R$ 2.498,19, data da arrecadação 31/03/2006; que o débito do IRPJ do PA Fevereiro/2006 seria de apenas R$ 2.163,65 (demonstrativo – efl. 68); que, houve, então antecipação de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do PA Fevereiro/20006, no valor de R$ 334,54; que, relativo ao PA Maio/2006 (competência), apurou débito do IRPJ no valor de R$ 843,18, e efetuou o pagamento de R$ 718,97. A diferença de débito do imposto a pagar de R$ 124,21 é objeto da compensação dos presentes autos; que, atinente ao PA Junho/2006 (competência), apurou débito do IRPJ no valor de R$ 4.863,83, e efetuou o pagamento de R$ 4.653,50. A diferença de débito do imposto a pagar de R$ 210,33 é objeto da compensação dos presentes autos. que, nesse sentido, apresentou a DCTF relativo ao 1º semestre/2006 com os seguintes dados quanto ao PA Maio/2006 (efls. 30/33): · Débito apurado do IRPJ: R$ 843,18; · Pagamento: R$ 718,97. · Compensação pagamento indevido ou a maior: R$ 124,21 (PER/DCOMP objeto dos autos). que, nesse sentido, apresentou a DCTF relativo ao 1º semestre/2006 com os seguintes dados quanto ao PA Junho/2006 (efls. 34/36): · Débito a apurado do IRPJ: R$ 4.863,83; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 117 5 · Pagamento: R$ 4.653,50; · Compensação pagamento indevido ou a maior: R$ 210,33 (PER/DCOMP objeto dos autos). que, entretanto, houve equívoco nas citadas DCTF apresentadas: que em face do levantantamento do Lucro Real com base em balanço ou balancete mensal de suspensão/redução da competência maio/2006 e Junho/2006, apurou recolhimento antecipado a maior de período anterior no valor de R$ 334,54, suspendendo/reduzindo, automaticamente, o recolhimento do débito do imposto: a) da competência de Maio/2006 de R$ 843,18 para R$ 718,97, pelo aproveitamento de crédito sem necessidade de apresentação de PER/DCOMP; b) da competência de Junho/2006 de R$ 4.863,83 para R$ 4.653,50, pelo aproveitamento de crédito sem necessidade de apresentação de PER/DCOMP. que, então, apresentou a DCTF Retificadora atinente ao 1º semestre/2006, quanto ao: a) PA Maio/2006 (efl. 38 ), com as seguintes informações: · Débito do IRPJ: R$ 718,97; · Pagamento: R$ 718,97. b) PA Junho/2006 (efls. 38/39 ), com as seguintes informações: · Débito do IRPJ: R$ 4.653,50; · Pagamento: R$ 4.653,50. que, uma vez entregue a DCTF retificadora, restaram excluídos os valores dos débitos objeto das compensações informadas, indevidamente, na DCTF primitiva, ficando, por conseguinte, prejudicado o PER/DCOMP objeto dos autos que se refere às mesmas compensações que eram objeto da DCTF primtitiva (houve encontro de contas automático nos balancete de suspensão/redução). Por fim, a Contribuinte, de forma reiterada, pediu o cancelamento da cobrança dos débitos confessados, indevidamente, na DCOMP, pois já foram objeto do encontro de contas nos respectivos balancetes mensais de suspensão/redução. A 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, não acatou a DCTF retificadora que excluiu os débitos confessados na DCTF primitiva (os memsos da DCOMP), julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão, de 25/02/2011, cuja ementa transcrevo a seguir (efls. 31/32), in verbis: (...) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 118 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006 ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do ano calendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador da contribuição social sobre o lucro líquido da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de contribuição a pagar ou saldo negativo de CSLL, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de I o de janeiro subseqüente. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e, sem prova em contrário, instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito, cuja compensação não foi homologada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 25/03/2011 – sextafeira (efl. 52), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 66/67) em 25/04/2090, por via postal – postagem nos Correios (efl. 51), confirmado pelo despacho (efl. 91), juntando ainda os documentos de e fls.60/88, reiterando, em síntese, as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acrescentou: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 119 7 que, para apuração do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2006, procedeu conforme determina o art. 10 da IN SRF 093, de 24/12/1997, ou seja, que a pessoa jurídica poderá: a) suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; b) reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. que, conforme consignado já neste relatório, reduziu o valor do IRPJ a pagar dos períodos de competência de Maio/2006 e Junho/2006, conforme já exposto alhures neste relatório e conforeme demonstrativo da Contribuinte (efl. 68); que juntou documentos; que, por conseguinte, considera indevida a cobrança dos débitos do IRPJ confessados na DCOMP. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 120 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária. Nas razões do recurso, a Recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, alegando que o PER/DCOMP perdeu seu objeto, pois fora transmitido eletronicamente (entregue à RFB) por equívoco, pelas seguintes razões: que os débitos do IRPJ dos PA Maio/2006 e PA Junho/2006, código de receita 2484, nos valores originais, respectivamnte de R$ 124,21 e R$ 210,33 e o direito creditório – crédito pleiteado de IRPJ do PA Fevereiro/20006 no valor R$ 334,54, já foram objeto de encontro de contas automático nos Balancetes Mensais de Suspensão/Redução dos PA Maio/2006 e Junho/2006; que, inclusive, transmitiu eletronicamente DCTF Retificadora, excluindo esses débitos do IRPJ da DCTF primitiva, em face do encontro de contas automático nos Balancetes mensais de Suspensão/Redução. que, pela perda de objeto do processo perda de objeto do PER/DCOMP, pois o crédito pleiteado e os débitos informados já foram extintos pelo encontro de contas automático nos Balancetes mensais de Suspensão/Redução, pediu o cancelamento dos débitos que estão sendo exigidos indevidamente. A decisão recorrida, infensa a essas razões já agitadas na manifestação de inconformidade naquela instância de julgamento, não acatou a DCTF retificadora e não acatou o encontro de contas direto na escrituração, denegando o crédito pleiteado e mantendo os débitos confessados na DCOMP, forte na fundamentação de falta de produção de prova por parte da Contribuinte. A propósito, consta da fundamentação do voto condutor da decisão a quo (e fls. 44/49), in verbis: (...) A contribuinte, em sua peça de defesa, informa que a soma dos pagamentos efetuados até maio e junho/2006 foi maior que o tributo devido apurado com base nos balancetes. Ou seja, segundo a própria manifestação de inconformidade em análise, estaria descaracterizado o objeto da DCOMP formalizada às fls. 01/02, vez que a contribuinte assente que na realidade inexistem o indébito (o crédito) e os débitos nela discriminados, tendo sido um equívoco a transmissão, em 27/09/2006, da PER/Dcomp n° 03334.22874.270906.1.3.044361. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 121 9 Concluise, portanto, que a manifestação de inconformidade de fl. 15 objetiva o cancelamento da compensação dos débitos de IRPJ, períodos de apuração:maio e junho de 2006, nos valores de R$ 124,21 e R$ 210,33, respectivamente, para evitar sua cobrança. Contudo, em que pese às alegações da recorrente, não lhe assiste razão. Primeiro, porque, no que atine ao indébito, no valor de R$ 334,54, não há correção a ser feita no despacho decisório de fl. 03, tendo em conta a inobservância de requisito básico para sua formalização, qual seja, a existência de um crédito tributário junto à Fazenda Nacional, pois, como visto, a lei permite a compensação de valor pago de tributo, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente o saldo negativo apurado ao final do período Segundo, porque caso a declaração dos débitos de IRPJ, períodos de apuração maio e junho/2006, nos valores de R$ 124,21 e R$ 210,33, respectivamente, tenha sido um equívoco, tal afirmação somente pode ser edificada com prova das informações a ela referente, confrontando os registros contábeis e fiscais da recorrente, de modo a se conhecer qual seria efetivamente o montante devido a título de IRPJ no mês de maio e junho de 2006. Ressaltese que a Recorrente não se desincumbiu do ônus da prova constitutiva do direito que alega possuir, principalmente, provar a base de cálculo do imposto de renda (maio e junho/2006), com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, o imposto de renda devido e recolhido em meses anteriores (até abril/2006), de forma a apurar a inexistência ou não de imposto a pagar nos meses de maio e junho/2006, por isso os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do imposto de renda, são elementos indispensáveis para que se comprove a alegação aqui firmada pela contribuinte, dentre eles: os registros contábeis de conta no ativo do imposto de renda a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos livros "Diário" ou "Lalur", a demonstração do resultado do exercício, etc, além dos registros pertinentes ao livro "LALUR". Terceiro, não se pode olvidar que a contribuinte apresentou originariamente DCTF, no I o semestre de 2006, na qual informou débitos de IRPJ nos meses de maio e junho de 2006, nos valores de R$ 124,21 e R$ 210,33, vinculando compensação com pagamento indevido ou a maior, mediante PER/Dcomp, que é objeto do despacho decisório em questão (fls. 27/32). Nesse prisma, na DCTForiginal havia declaração da existência de débitos de IRPJ, código de receita: 5993, nos meses de maio e junho de 2006, nos valores de R$ 843,18 e R$ 4.863,83 que foram retificados para R$ 718,97 e R$ 4.653,50 mediante DCTF Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 122 10 retificadora, ND nº 09.64.76.77.4602, processada em 09/05/2009, após, portanto, ciência do despacho decisório (fls. 33/37). Ora, se havia contradição e desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele originariamente declarado incumbia lhe, nesta fase processual, apresentar provas, confrontando os registros contábeis e fiscais, que permitissem albergar sua tese de inexistência ou redução do débito declarado. Inclusive, ressaltese que a Per/Dcomp versada nos autos traduz confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do débito indevidamente compensado, atributo válido para as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a partir de 31 de outubro de 2003, data de início da vigência da Medida Provisória n° 135, in verbis: (...) Assim, levandose em conta que em nenhum momento preocupouse a Recorrente em trazer qualquer elemento contábilescritural que pudesse embasar seu entendimento de inexistência do débito, prevalecem os dados originariamente declarados, mesmo porque a Declaração de Compensação goza do efeito de confissão legal de dívida. (...) Nesta instância recursal, a pretensão da Recorrente também não merece prosperar, pois não produziu provas para sustentar a tese da perda de objeto da DCOMP, para extinção do processo por perda de objeto. Vale dizer: não há prova nos autos de que os débitos confessados na DCOMP já teriam sido extintos anteriormente, por encontro de contas automático nos balancetes mensais de suspensão/redução dos Maio/2006 e do PA Junho/2006, mediante aproveitando do mesmo crédito informado, utilizado na DCOMP. Frisese que, no processo de compensação tributária, a Contribuinte é autora de demanda contra o fisco, ou seja, pedido de aproveitamento de crédito e utilização em compensação informada, mediante apresentação de PER/DCOMP. A compensação tributária somente é autorizada entre débitos do próprio do contribuinte e crédito próprio, líquido e certo na data da compensação, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 123 11 Nesse sentido é também a Lei nº 9.430/96 (art. 74), in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) É cediço que, ao peticionar, cabe ao autor comprovar o fato constitutivo do direito de crédito que alega ter. Nesse sentido, dispõe o art. 333, I, do Código de processso Civil Brasileiro – CPC: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – (...) Quanto ao momento da produção das provas, dipõem os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – (....) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Além de não comprovar o crédito (e que teria sido utilizado/aproveitado no encontro de contas automático na escrituração), a Contribuinte, após ciência do despacho decisório da unidade de origem da RFB, passou a alegar: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 124 12 a) perda de objeto da DCOMP: que a declaração de compensação teria sido transmitida (entregue à RFB) de forma equivocada ou indevidamente, pois, – com base em levantamento balancete mensal de suspensão/redução dos PA Fevereiro/2006, apurou que recolhera por estimativa IRPJ a maior relativo ao PA Fevereiro/2006 no valor de R$ 334,54, efetuando, por conseguinte, o encontro de contas (aproveitamento de crédito) diretamente nos Balancetes mensais de Suspensão/Redução de Maio/2006 e Junho/2006, implicando redução dos débitos do IRPJ desses PA no mesmo valor do crédito de PA Fevereiro/2006 (valor pago por antecipação a maior); que o crédito e os débitos objeto da DCOMP, antes disso, haviam sido objeto de encontro de contas direto na escrituração, nos balancetes mensais de suspensão/redução dos PA Maio/2006 e Junho/2006. Ou seja: quanto ao crédito utilizado na DCOMP: que, relativo ao PA Fevereiro/2006 (competência), efetuou antecipação de pagamento do IRPJ por estimativa mensal, no valor de R$ 2.498,19, data da arrecadação 31/03/2006; que o débito do IRPJ do PA Fevereiro/2006 seria de apenas R$ 2.163,65 (demonstrativo – efl. 68); que, houve, então antecipação de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do PA Fevereiro/20006, no valor de R$ 334,54; quanto aos débitos confessados na DCOMP: que em relação aos débitos apurados do IRPJ de Maio e Junho/2006 de R$ 843,18 e R$ 4.863,83 respectivamente, efetuou pagamento (recolhimento) de R$ 718,97 e R$ 4.653,50, e as diferenças de R$ 124,21 e R$ 210,33, significam redução dos débitos a pagar, pelo proveitamento de crédito de IRPJ – pagamento antecipado a maior de Janeiro–Abril/2006: R$ 334,54, sem necessidade de apresentação da DCOMP (pois, houve encontro de contas direto, anteriormente à apresentação da DCOMP, nos Balancete de suspensão/redução). Por isso, da alegação de que a DCOMP perdeu seu objeto. b) erro quanto aos débitos de informação na DCTF primitiva: que na DCTF relativo a fatos geradores do 1º semestre/2006, informou, incorretamente, débitos e compensação quanto: PA Maio/2006 (efls. 30/33): · Débito apurado do IRPJ: R$ 843,18; · Pagamento: R$ 718,97. · Compensação pagamento indevido ou a maior: R$ 124,21 (PER/DCOMP objeto dos autos). PA Junho/2006 (efls. 34/36): · Débito a apurado do IRPJ: R$ 4.863,83; · Pagamento: R$ 4.653,50; · Compensação pagamento indevido ou a maior: R$ 210,33 (PER/DCOMP objeto dos autos). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 125 13 c) redução dos débitos a pagar dos PA Maio/2006 e Junho/2006: que, então, transmitiu DCTF Retificadora, reduzindo os débitos a pagar do IRPJ dos PA Maio/2006 e Junho/2006, excluindo da DCTF primitiva os valores dos débitos compensados diretamente na escrituração (encontro de contas) e eliminou inclusive a informação de que esses débitos, também, foram objeto de compensação na DCOMP objeto dos presentes autos. A DCTF retificadora dos PA do 1º semestre/2006 passou a conter as seguintes informações: PA Maio/2006 (efl. 38 ): · Débito do IRPJ: R$ 718,97; · Pagamento: R$ 718,97. PA Junho/2006 (efls. 38/39 ): · Débito do IRPJ: R$ 4.653,50; · Pagamento: R$ 4.653,50. Como já dito anteriormente, a Recorrente, nesta instância recursal, também não comprovou o encontro de contas na escrituração, pois não juntou cópia da sua escrituração contábil/fiscal e nem os balancetes mensais de suspensão/redução, quanto ao anocalendário 2006. A propósito da relevância dos balancetes mensais de suspensão/redução, transcrevo o disposto no art.35 da Lei nº 8.981/95, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...) Ora, sem comprovação do encontro de contas na escrituração (sem comprovação da liquidez e certeza do crédito utilizado e sem comprovação da extinção do débito) não há como acatar a DCTF retificadora (não comprovou o erro de fato que teria gerado apresentação indevida da DCOMP) e não há, por conseguinte, como acatar a pretensão da Recorrente de extinção do processo por perda de objeto da DCOMP. No caso, a Recorrente: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.904847/200912 Acórdão n.º 1802002.149 S1TE02 Fl. 126 14 a) não juntou copia dos Balancetes Mensais de Suspensão/Redução do ano calendário 2006, de apuração do IRPJ (Obs: juntou mera cópia de tabela planilha resumo contendo colunas preenchidas atinentes ao IRPJ do anocalendário 2006, ou seja, colunas: IRPJ devido, IRPJ pago, a compensar, a pagar, saldo a compensar e saldo a pagar – efls. 68/89). Planilha ou tabela resumo não é elemento de prova, não tem o condão de provar nada, sem os documentos de escrituração contábil/fiscal; b) não juntou cópia do livro Diário onde pudessem estar transcritos os Balancetes Mensais de Suspensão/Redução do anocalendário 2006; c) não juntou cópia do Lalur do anocalendário 2006, onde pudesse estar demonstrada a apuração do IRPJ mensal do referido anocalendário (Obs: juntou cópia do Lalur do anocaalendário 2005, onde consta a informação de Lucro Real, apuração mensal, quanto ao anocalendário 2005 e, apenas, cópia referente Janeiro/2006, contendo apenas a informação: apuração de Lucro Líquido antes do IR = Lucro Real (efls. 71/84). Juntou, ainda, cópia de Resultado do Exercício 2005 e Balanço Patrimonial anocalendário 2005 – e fls.85/94) (ano anocalendário diverso do anocalendário 2006). Quanto ao débito confessado na DCOMP, é ônus do sujeito passivo comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco, para evitar duplicidade de exigência (CPC, art. 333, II). Por conseguinte, não há como cancelar o débito objeto da DCOMP, pois não restou comprovado nos autos o alegado erro de fato apresentação indevida da DCOMP. Não restou comprovada a perda de objeto da DCOMP, prejudicada, destarte, a alegação de exigência em duplicidade dos débitos objeto da DCOMP. Ainda, apenas para argumentar, cabe à contribuinte comprovar o alegado erro de fato apresentação indevida da DCOMP (perda do objeto), mediante livros e documentos da escrituração contábil/fiscal junto à unidade de origem da RFB, ou seja, perante a DRF/Sorocaba, a qual tem competência para proceder revisão de ofício (CTN art. 147, §§). Diante do exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10325.721248/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente do julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente do julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .7 21 24 8/ 20 11 -6 0 Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10325.721248/201160 Resolução nº 2401000.376 S2C4T1 Fl. 1.833 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE ITINGA DO MARANHÃO, em face do acórdão de fls., por meio do qual foi mantida a integralidade dos seguintes Autos de Infração (i) AI 37.364.8510: lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAT, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais constante em notas de empenho e folhas de pagamento; (ii) AI 37.364.8529: lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte do segurado, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais constante em notas de empenho e folhas de pagamento; (iii) AI 37.364.8537: lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias descontadas da remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, não integralmente repassadas aos cofres públicos também constantes de folha de pagamento; (iv) AI 37.364.8545: lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias decorrentes de glosa de compensação efetuada relativamente à remuneração paga ou creditada a segurado em exercício de cargo eletivo, tendo em vista que mesmo intimada a recorrente deixou de apresentar documentação idônea sobre a existência do crédito pleiteado; (v) AI 37.318.1990: lavrado para a cobrança de multa por ter deixado de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições a seu cargo (AI 68); Consta do relatório fiscal que em todos os lançamentos efetuados Após análise da folha de pagamento, notas de empenho, recibos de pagamento foram encontrados, para todo o período fiscalizado, pagamentos a segurados (empregados e contribuintes individuais) que não constavam nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. O lançamento compreende as competências de 01/2006 a 12/2008, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 31/09/2007 (fls. 01). Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10325.721248/201160 Resolução nº 2401000.376 S2C4T1 Fl. 1.834 3 Em seu recurso sustenta a necessidade de intimação de todos os gestores do município à época dos fatos geradores das contribuições ora sob análise, de acordo com o disposto no art. 124, I do Código Tributário Nacional. Esclarece que os débitos objeto do presente Auto de Infração foram objeto de parcelamento da Lei 11.960/09, motivo pelo qual requer o cancelamento da autuação. Acrescenta que a aplicação da multa feriu a teoria dos motivos determinantes, em fundamentação confusa, mas que parece enveredar no sentido de que não havia previsão legal para sua aplicação. Defende a ilegalidade da SELIC. Alega ter sido incorreta a autuação, pois a contribuição lançada sobre pagamentos efetuados a avulsos, autônomos e titulares de mandato eletivo é inconstitucional, por ausência de previsão no art. 195, I, da Carta Magna, da mesma forma que a incidência das contribuições sobre subsídios de agentes políticos. Aduz que por se tratar de pessoa jurídica de direito público, não está submetida ao pagamento das contribuições ao RAT/SAT, por reputar inconstitucional sua cobrança em virtude da delegação de competência ao Poder Executivo para fixação de suas bases de cobrança. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10325.721248/201160 Resolução nº 2401000.376 S2C4T1 Fl. 1.835 4 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator Antes mesmo de adentrar ao julgamento do mérito do presente Recurso Voluntário, tenho que existe a necessidade de que seja esclarecida matéria atinente ao conhecimento do próprio recurso voluntário. É que na impugnação a recorrente alega ter incluído a totalidade do débito no regime de parcelamento da Lei 11.960/09, que concedeu aos Municípios parcelamento para o pagamento de suas dívidas em até 240 (duzentos e quarenta) meses. Vejamos o que dispôs a legislação: Art. 1o A Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 96. Os Municípios poderão parcelar seus débitos e os de responsabilidade de autarquias e fundações municipais relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas a e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, com vencimento até 31 de janeiro de 2009, após a aplicação do art. 103A, em: I – 120 (cento e vinte) até 240 (duzentas e quarenta) prestações mensais e consecutivas, se relativos às contribuições sociais de que trata a alínea a do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, com redução de 100% (cem por cento) das multas moratórias e as de ofício, e, também, com redução de 50% (cinquenta por cento) dos juros de mora; e/ou II – 60 (sessenta) prestações mensais e consecutivas, se relativos às contribuições sociais de que trata a alínea c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e às passíveis de retenção na fonte, de desconto de terceiros ou de subrogação, com redução de 100% (cem por cento) das multas moratórias e as de ofício, e, também, com redução de 50% (cinquenta por cento) dos juros de mora. § 1o Os débitos referidos no caput são aqueles originários de contribuições sociais e correspondentes obrigações acessórias, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa da União, ainda que em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, inclusive aqueles parcelados na forma da Lei no 9.639, de 25 de maio de 1998. Todavia, quando do julgamento de primeira instância, a DRJ ao analisar o pedido apontou que uma a norma CODAT 04/2010 não permitiria o ingresso no parcelamento, mas não conferiu a cabo se a recorrente de fato teria feito um pedido de ingresso no programa ou se nos sistemas informatizados havia qualquer informação sobre tal fato. Ao recorrer a este Conselho, mais uma vez o recorrente é enfático ao apontar que incluiu todo o débito objeto do Auto de Infração no parcelamento da lei supra mencionada. Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10325.721248/201160 Resolução nº 2401000.376 S2C4T1 Fl. 1.836 5 Apesar de não trazer tal comprovação acostada ao seu recurso, tenho que a questão merece um melhor esclarecimento, antes mesmo que seja iniciado o julgamento do recurso, até mesmo para que se possa auferir com certeza se este merece ou não conhecimento, já que existem outras matérias a serem analisas além do parcelamento em caso da resposta positiva. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que os autos baixem à DRJ de origem e o fiscal autuante se manifeste esclarecendo se a totalidade ou parcialidade do crédito objeto do presente lançamento fora ou não incluído no parcelamento da Lei 11.960/09 ou mesmo em qualquer outro. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/06/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721313/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2145; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 131 1 130 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721313/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.787 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2014 Matéria IRPF Recorrente PAULO CESAR BANDEIRA DE MELO JORGE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 13 13 /2 00 9- 11 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721313/200911 Acórdão n.º 2802002.787 S2TE02 Fl. 132 3 EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2 e ss.), relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareçase que tratase de rendimentos recebidos em razão da Lei estadua baiana de número 8730/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Registrese que serviram de fundamento à referida Lei Estadual as Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 37 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou a contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram; (vii) cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; (ix) que tratase de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xi) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xii) que o STF fez expedir a Resolução n.245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais. Em sessão realizada em 23 de fevereiro de 2011 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a turma julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo Contribuinte afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721313/200911 Acórdão n.º 2802002.787 S2TE02 Fl. 133 5 verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia.. O impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV12/2007. Entretanto, a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante. Da mesma forma, a Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, que subsidiou tal informação, não vincula o presente julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto à Nota AGU/AV12/2007 mencionada no Parecer PGFN/CAT/nº 179/2009, que conclui pela não incidência de multa no imposto devido pelos servidores do TRE SP, em razão de recebimento da verba referente a URV, cabe observar que se trata de um comando de abrangência restrita, e não uma norma de caráter abstrato que vincule a presente Turma de Julgamento. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Intimado da supramencionada decisão (fls.134), interpôs tempestivamente o recurso de fl.95, interpôs tempestivamente o recurso de fl.87, repisando argumentos esgrimidos na impugnação, reafirmando a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer que afirma vinculante, acima mencionado, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração do contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurarse adequadamente suposto imposto a pagar. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721313/200911 Acórdão n.º 2802002.787 S2TE02 Fl. 134 7 de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR. Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n. 256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721313/200911 Acórdão n.º 2802002.787 S2TE02 Fl. 135 9 fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 11968.000726/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 05/09/2006
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE ANTECEDE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação.
Não se fala em violação aos direitos A ampla defesa e ao contraditório na fase de investigação que antecede A lavratura do auto de infração.
PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES
Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar.
FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA.
A mercadoria "Farinha de trigo forti ficada com ácido fólico e ferro contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal)" classifica-se no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 05/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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NÃO CARACTERIZAÇÃO Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. Não se fala em violação aos direitos A ampla defesa e ao contraditório na fase de investigação que antecede A lavratura do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA. A mercadoria "Farinha de trigo forti ficada com ácido fólico e ferro contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal)" classificase no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 07 26 /2 00 7- 15 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 05/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Recife: Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da pessoa jurídica NPAP ALIMENTOS LTDA, onde é formalizada a exigência de Imposto de Importação, PIS e Cofins incidentes na importação, acrescidos de juros e multa proporcional a tais tributos, além das multas por violação ao controle administrativo das importações e pela classificação da mercadoria em desacordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Consigna a autoridade fiscal que o sujeito passivo promovera a importação de 180 toneladas do produto denominado "mistura para elaboração de macarrão, marca LETIZIA", classificandoo no item 1901.90.90 da NCM, próprio para outras preparações alimentícias de farinha, ao invés do item 1101.00.10, próprio para farinha de trigo. 0 suporte fático para tal reclassificação teria sido extraído do laudo técnico de análise n° 1954/20061, expedido pelo Centro Tecnológico de Controle da Qualidade L.A. Falcão Bauer, onde foi consignada a conclusão de que o produto importado tratarseia de farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo 0,26% de cloreto de sódio (sal). Informa ainda a autoridade fiscal que, após a ação fiscal, o importador passou a classificar produtos idênticos ao que é objeto do presente processo no código 1101.00.10. Regularmente cientificado em 05/07/2007, comparece o contribuinte ao processo em 20/07/2007, alegando,, em síntese: 1 Nulidade do auto de infração em razão de: 1.1 Violação ao principio da ampla defesa e do contraditório, em razão de não lhe ter sido concedido prazo para manifestação acerca do laudo técnico que deu respaldo as Fl. 394DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000726/200715 Acórdão n.º 3302002.288 S3C3T2 Fl. 394 3 conclusões da autoridade previamente a autuação. Alega que tal conduta teria impedido seu acesso as amostras colhidas e lacradas pelo Fisco para fins de produção de contraprova, sem todavia, apresentar qualquer documento que ateste a formulação de petição e seu indeferimento. Cita jurisprudência em que assenta suas conclusões a respeito da violação ao principio da ampla defesa e contraditório; 1.2 Violação ao principio da verdade material, em razão de que a autoridade fiscal se limitara a imputar valores com base em presunção, sem observar laudo anteriormente obtido a partir de solicitação de outra unidade administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), onde seriam apresentadas conclusões diversas das assentadas pelo laudo que respaldou a autuação. 2 Imprestabilidade do laudo técnico 2.1 — Sustenta que seria inadmissível que a impugnante não conhecesse seu processo produtivo e utilizasse produto sem saber da sua composição; 2.2 — Aduz que a importação alvo de exigência não seria a primeira realizada pela impugnante, que já teria adquirido o mesmo produto do mesmo fornecedor em outras oportunidades, reiterando que laudo anterior, elaborado por engenheiro vinculado a Universidade Federal de Pernambuco, demonstrara que, diferentemente do alegado, tratarseia de uma mistura, aditivada de outros componentes. Junta cópia4 . 3 Necessidade de nova perícia: 3.1 Na hipótese de não serem adotadas as conclusões do laudo técnico que entende contradizer aquele apresentado pela autoridade fiscal, pleiteia a realização de uma segunda perícia. Indica quesitos e assistente. Posteriormente, após o encerramento do prazo de impugnação, traz ao processo nova petição onde pleiteia a nulidade do auto de infração, nos termos do Acórdão 0811.266, onde a 2 Turma da DRJ Fortaleza decidiu anular de oficio auto de infração aparentemente idêntico ao que se debate no presente processo. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem julgar improcedente a defesa, em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/09/2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE ANTECEDE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Não se fala em violação aos direitos A ampla defesa e ao contraditório na fase de investigação que antecede A lavratura do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/09/2006 FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA. A mercadoria "Farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal)" classificase no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO E NA CLASSIFICAÇÃO. REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. CONSEQUÊNCIAS. Constatada diferença entre a classificação consignada no Certificado de Origem e a resultante da verificação aduaneira da mercadoria, resta afastada a preferencia tarifária própria do regime do Mercosul. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na Impugnação apresentada É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de auto de infração decorrente de equivocada classificação fiscal adotada pela Recorrente para produto importado por ela. Diante do Recurso Voluntário apresentado, são três os pontos a serem analisados: (i) nulidade do auto de infração diante do cerceamento do direito de defesa; (ii) Classificação Fiscal do produto importado; e (iii) ilegalidade da cumulação das multas. A respeito das preliminares levantadas, sem razão a Recorrente. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000726/200715 Acórdão n.º 3302002.288 S3C3T2 Fl. 395 5 A Recorrente alega o cerceamento do seu direito de defesa diante da ausência da garantia ao contraditório no momento da elaboração do laudo produzido pela Fiscalização em momento anterior a lavratura do auto de infração. Como bem pontuou a decisão recorrida, com a instauração do processo administrativo que se inicia com a apresentação da impugnação é que deve ser garantido ao contribuinte a oportunidade a ampla defesa e ao contraditório. Assim determina a Carta magna: "Art. 5° (...) LV — aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;" Por sua vez, assim prescreve o Decreto 70.235/72 a respeito do termo incial do processo administrativo fiscal: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Assim a ampla defesa e o contraditório somente passa a ser uma garantia após a instaruação do processo administrativo fiscal. No presente caso, o laudo produzido na fase de persecução fiscal, ou seja, em momento anteior ao lançamento, foi devidamente questionado pela Recorrente com a apresentação da Impugnação. Não há reparos a fazer a decisão recorrida neste ponto. Ainda em relação a necessidade de elaboração de prova precicial, mister transcrever o que dispõe o decreto que regula o processo administrativo: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” A necessidade de realização de diligencia pode ser aferida pela autoridade administrativa, que mediante decisão fundamentada pode afastala. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 No caso sob análise, a partir da leitura dos quesitos formulados pelo Recorrente, verifico inegável similaridade com os quesitos respondidos pelo Laudo que a contribuinte juntou ao processo, ficando patente a denecessidade de realização de nova perícia. Faço remissão aos fundamentos da decisão recorrida neste ponto, em complemento aos acima transcritos. Quanto ao mérito, melhor sorte não socorre a recorrente. A questão relacionada a correta classificação a ser aplicada ao produto importado pela Recorrente, já foi objeto de análise neste Conselho. Transcrevo como razão de decidir, os argumentos utilizados pelo eminente Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, que nos autos do processo nº 11968.000394/200779 assim decidiu: O laudo técnico requisitado pela fiscalização concluiu que a mercadoria em apreço seria “farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo 0,20% de cloreto de sódio (sal)”. Para a correta classificação fiscal de uma mercadoria, é necessário observar diversas regras, entre elas as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC). As primeiras regras interpretativas estão previstas no artigo 1º do RGC e do RGI, vejamos: RGC: Art. 1 As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. RGI: Art. 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes (...) (g.n.) A fiscalização entende que a classificação correta para as mercadorias seria o código NCM 1101.00.10, posição do produto farinha de trigo: “1001 – FARINHAS DE TRIGO OU MISTURA DE TRIGO E CENTEIO 1001.00.10 – Farinha de trigo” De seu turno, a Recorrente classificou as mercadorias importadas no código NCM 1901.90.90, posição correspondente ao produto mistura para macarrão: “19.01 Extratos de malte;; preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em Fl. 398DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000726/200715 Acórdão n.º 3302002.288 S3C3T2 Fl. 396 7 peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições;; preparações alimentícias de produtos das posições 04.01 a 04.04, que não contenham cacau ou que contenham menos de 5 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. 1901.10 Preparações para alimentação de crianças, acondicionadas para venda a retalho 1901.20 Misturas e pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos, da posição 19.05 1901.90 Outros 1901.90.10 Extrato de malte 1901.90.20 Doce de leite 1901.90.90 Outros” (g.n.) Diante do fato de a RGI determinar a interpretação a partir dos textos das posições e das notas de seção e capítulo, cumpre então examinálos à luz das NESH (anexo único da Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008): 11.01 Farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio (méteil). Esta posição compreende as farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio (méteil ou meslin) (isto é, os produtos pulverulentos resultantes da moagem dos cereais da posição 10.01) que, além do teor de amido e de cinzas previstos na alínea A) da Nota 2 deste Capítulo (ver as Considerações Gerais), satisfaçam o critério de passagem numa peneira padrão, nas condições definidas na alínea B) da mesma Nota. As farinhas desta posição podem ser melhoradas pela adição de ínfimas quantidades de fosfatos minerais, antioxidantes, emulsificantes, vitaminas ou de pós para levedar preparados (farinhas fermentantes). A farinha de trigo pode, além disso, ser enriquecida pela adição de uma quantidade de glúten que, em geral, não ultrapasse 10%. A presente posição compreende também as farinhas denominadas “expansíveis” (“prégelatinizadas”) que tenham sido submetidas a um tratamento térmico que provoque uma pré gelatinização do amido. Estas farinhas utilizamse na fabricação das preparações da posição 19.01, de beneficiadores de panificação, de alimentos para animais ou em algumas indústrias, tais como a indústria têxtil, a do papel ou a metalúrgica (preparação de núcleos de fundição). As farinhas que tenham sido submetidas a tratamentos complementares ou adicionadas de outros produtos a fim de serem utilizadas como preparações alimentícias classificamse geralmente na posição 19.01. Também se excluem as farinhas misturadas com cacau (posição 18.06 se o teor de cacau, em peso, for igual ou superior a 40%, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, e posição 19.01, em caso contrário). Fl. 399DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 Por outro lado, as misturas alimentícias são assim descritas: “19.01 Extratos de malte; preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições; preparações alimentícias de produtos das posições 04.01 a 04.04, que não contenham cacau ou que contenham menos de 5 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. (...) 1901.90 Outros (...) II. Preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, não contendo cacau ou contendoo numa proporção inferior a 40%, em peso, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas em outras posições. Esta posição compreende um conjunto de preparações alimentícias, à base de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, cuja característica essencial provenha destes constituintes, quer eles predominem ou não em peso ou em volume. A estes diversos componentes principais podem adicionarse outras substâncias, tais como leite, açúcar, ovos, caseína, albumina, gorduras, óleos, aromatizantes, glúten, corantes, vitaminas, frutas ou outras substâncias destinadas a aumentar lhes as propriedades dietéticas, ou cacau desde que neste último caso, o teor em peso de cacau seja inferior a 40% calculado sobre uma base totalmente desengordurada (ver as Considerações Gerais do presente Capítulo). Convém referir que estão, todavia, excluídas as preparações contendo mais de 20%, em peso, de enchidos, carne, miudezas, sangue, peixe ou crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos ou de uma combinação desses produtos (Capítulo 16). Na acepção desta posição: A) Os termos “farinhas” e “sêmolas” designam não só as farinhas e sêmolas dos cereais do Capítulo 11, mas também, as farinhas, sêmolas e pós alimentícios de origem vegetal, qualquer que seja o Capítulo em que se incluam, tal como a farinha de soja. Todavia, estes termos não abrangem as farinhas, sêmolas e pós, de produtos hortícolas secos (posição 07.12), de batata (posição 11.05) ou de legumes de vagem secos (posição 11.06). B) Os termos “amidos” e “féculas” compreendem os amidos e féculas não transformados e os pregelatinizados ou solubilizados, com exclusão dos produtos resultantes de uma decomposição mais profunda dos amidos ou féculas, tal como a dextrimaltose. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000726/200715 Acórdão n.º 3302002.288 S3C3T2 Fl. 397 9 As preparações da presente posição podem ser líquidas, em pó, em grânulos, em pasta ou apresentarse sob qualquer outra forma sólida, como fitas e discos. Muitas vezes, estes produtos destinamse quer à preparação rápida de bebidas, papas, alimentos para crianças, alimentos dietéticos, etc., por simples dissolução ou ligeira ebulição em água ou leite, quer à fabricação de bolos, cremes, pudins ou de preparações culinárias semelhantes. Podem também constituir preparações intermediárias destinadas à indústria alimentar. A título de exemplo, podem citarse como preparações incluídas na presente posição: 1) As farinhas lácteas, obtidas por evaporação de uma mistura de leite, açúcar e farinha. 2) As preparações constituídas por uma mistura de ovos e leite, em pó, de extrato de malte e de cacau em pó. 3) O racahout, preparação alimentícia composta de farinha de arroz, de diversas féculas, de farinha de bolota doce, de açúcar e de cacau em pó, aromatizada com baunilha. 4) As preparações constituídas por uma mistura de farinhas de cereais com farinha de frutas, a maior parte das vezes adicionadas de cacau em pó, ou por farinhas de frutas adicionadas de cacau em pó. 5) O leite maltado e as preparações semelhantes constituídas por uma mistura de leite em pó e de extrato de malte, com ou sem açúcar. 6) Os Knödel, Klösse e Nockerln, contendo ingredientes, tais como sêmolas, farinhas de cereais, farinha de pão, gorduras, açúcar, ovos, especiarias, levedura, geléia ou frutas. Todavia, os produtos desta natureza à base de farinha de batata, classificam se no Capítulo 20. 7) As massas preparadas, essencialmente constituídas por farinha de cereal adicionada de açúcar, gorduras, ovos ou de frutas (incluídas as que se apresentem enformadas ou modeladas na forma do produto final). 8) As pizzas não cozidas, constituídas por uma base de massa de pizza recoberta de diversos outros ingredientes, tais como queijo, tomate, azeite, carne, anchovas. As pizzas précozidas ou cozidas são, todavia, classificadas na posição 19.05. Independentemente das preparações excluídas deste Capítulo pelas Considerações Gerais, esta posição não compreende: a) As farinhas fermentantes e as farinhas denominadas “expansíveis” (“prégelatinizadas”), das posições 11.01 ou 11.02. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 b) As farinhas de cereais misturadas (posições 11.01 ou 11.02), as farinhas e sêmolas de produtos hortícolas secos misturadas, e as farinhas, sêmolas e pós de frutas misturados (posição 11.06), sem qualquer outro preparo. c) As massas alimentícias e o “couscous” da posição 19.02. d) A tapioca e seus sucedâneos (posição 19.03). e) Os produtos de padaria inteira ou parcialmente cozidos, necessitando estes últimos de um cozimento suplementar antes de serem consumidos (posição 19.05). f) As preparações para molhos e os molhos preparados (posição 21.03). g) As preparações para sopas e caldos, as sopas ou caldos preparados e as preparações alimentícias compostas homogeneizadas (posição 21.04). h) As proteínas vegetais texturizadas (posição 21.06). ij) As bebidas do Capítulo 22. Tenho entendido que a posição em apreço deixa claro que nela se compreendem preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte. O plural quer me fazer crer que o produto em questão comporta sempre o acréscimo de mais de um cereal ou outra substância, assim, a preponderância de farinha de trigo sem quaisquer acréscimos de outra farinha ou substância descrita na nota explicativa, denotaria que essa não seria a classificação correta para o produto em apreço. Isto porque, em nenhum momento a nota explicativa trata de farinha de modo isolado, ou no singular. O substantivo vem sempre no plural. Quando examinamos as notas explicativas da posição NCM 1101, de início, fazse a seguinte discriminação: “Esta posição compreende as farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio (méteil ou meslin)”. Embora aqui também haja o emprego do plural (farinhas), vêse que a nota explicativa logo trata do tipo de farinha que ela visa colher. Aqui temos também farinhas, mas sempre de trigo, haja vista a expressa qualificação da nota explicativa. Quando se lê as notas explicativas da posição NCM 1901, tal não ocorre. O substantivo farinhas ali inserido quer fazer crer que se trata de mais de uma farinha, não apenas farinha de trigo, ainda que enriquecida. Além disso, as notas explicativas da posição NCM 1101 indicam que o acréscimo de ínfimas quantidades de fosfatos minerais, antioxidantes, emulsificantes, vitaminas e, no caso do glúten, em quantidades iguais ou inferiores a 10%, não desnaturam o produto como farinha de trigo. Diversamente do que alega a Recorrente, a decisão recorrida não adotou retroativamente o entendimento contido no Ato Fl. 402DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000726/200715 Acórdão n.º 3302002.288 S3C3T2 Fl. 398 11 Declaratório Executivo nº 1, de 2008, que no ditame 2 define a posição NCM 1101.00.10 para farinha de trigo que contenha proporção de cloreto de sódio igual ou superior a 0,5%. Vêse que aquela decisão pautouse pelo confronto do texto da posição declarada e daquela imputada pelo Fisco, concluindo que não se tratava de mistura, por não haver nenhuma das substâncias previstas para a posição declarada. Além disso, levou em conta o fato de o laudo ter aferido que a farinha analisada atendia ao disposto na Nota 2 do Capítulo 11, que leva em conta o teor de amido e cinzas, bem assim a granulometria apresentada pela farinha, ou seja, a pesagem da substância quando submetida a peneira de certa densidade, sendo que os testes apontaram que o produto submetido à análise atendia aos teores e pesagens definidos na referida nota de capítulo. Assim, a classificação do produto em apreço na posição NCM 1101.00.01 decorre exclusivamente de sua subsunção aos critérios das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH). Tendo em conta que à mercadoria em apreço foram acrescentadas ínfimas quantidades de ácido fólico (vitamina B12) e ferro, acrescida de cloreto de sódio (sal), na proporção de 0,20%, sem a adição de quaisquer das substâncias previstas nas notas explicativas da posição 1901, e como bem observado na decisão recorrida, há determinação legal no sentido de que a farinha de trigo seja enriquecida com ácido fólico e ferro, tem se que as demais substâncias, acrescidas em quantidades ínfimas – o cloreto de sódio, à razão de 0,20%, inclusive – não desnaturam a composição do produto para fins de classificação fiscal, tratando se, assim, de farinha de trigo. Quanto as multas de oficio e pela classificação equivocada aplicadas cumulativamente, correta a decisão proferida pela DRJ de Recife. Ambas as multas encontramse previstas em Lei (Lei 9.430/96, art. 441e MP. 2.15835/01 art. 842, inciso I) vigente e aplicável ao caso em concreto. Destaco que ao Conselheiro é vedado afastar dispositivo de lei em pleno vigor por inscontitucionalidade ou ilegalidade (art. 26 A do Decreto 70.235/72 e 62 do Regimento Interno do CARF.). 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte 2 Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria;; ou Fl. 403DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 12 Merece destaque o fato que, a teor do que dispõe o art. 723 do RICARF, as súmulas editadas pelo CARF são de aplicação obrigatória pelos julgadores. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito em complemneto as razões exaradas na decisão recorrida a qual faço remissão nos termos do art. 50, § 1º da Lei 9.784/99. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator 3 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 17878.000245/2010-09
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AÇÃO JUDICIAL.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial
É requisito de admissibilidade do Per/DComp a comprovação de que houve trânsito em julgado da ação judicial, não prescinde do procedimento prévio de habilitação do crédito pela DRF com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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BIANCO ULTRASSONOGRAFIA E DIAGNÓSTICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AÇÃO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial É requisito de admissibilidade do Per/DComp a comprovação de que houve trânsito em julgado da ação judicial, não prescinde do procedimento prévio de habilitação do crédito pela DRF com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 02 45 /2 01 0- 09 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 309 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nºs 42650.79193.161006.1.3.048502, 27891.84149.120107.1.3.042950, 03603.80773.170308.1.7.043872, 20739.81476.170308.1.7.046372, 00209.90838.170308.1.7.046435, 18160.14096.170308.1.7.042369, 20569.06802.180308.1.3.043084; 02764.50516.180308.1.3.041896, 09365.99294.290408.1.3.045789; 30357.64987.210508.1.3.049789; 28822.99765.200608.1.3.047041; 02233.61431.250808.1.7.048593; 21786.50483.260808.1.7.040152; 38404.57466.190908.1.3.049929; 23040.72189.231008.1.3.041779; 28635.72958.231208.1.3.040356; 16508.50205.030209.1.3.041731; 12003.19634.170209.1.3.041301; 42076.21229.280409.1.3.042782; 28220.71042.280409.1.3.042823; 04900.01495.230609.1.3.047034; 35067.78353.240709.1.3.040810; 00742.25168.310709.1.3.043710; 06574.06305.250809.1.3.045026; 09666.64569.240909.1.7.041102 e 20555.79944.250909.1.3.046600, fls. 04133, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, no valor atualizado de R$36.597,98 constante no processo nº 10073.000548/200572 e apurado pelo regime do lucro real presumido, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 148151, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Relatório O interessado acima identificado pretende, mediante a entrega das declarações de compensação eletrônicas listadas no Anexo I do presente Despacho, que sejam homologadas as compensações dos débitos nelas indicados, vinculadas a crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior constante no processo administrativo de n.° 10073.000548/200572, informando como valor original do crédito inicial a importância de R$36.597,98 (trinta e seis mil, quinhentos e noventa e sete reais e noventa e oito centavos). Fundamentação Fl. 309DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 310 3 Preliminarmente, ha de se salientar que em verificação As Declarações elencadas no Anexo I, observase que o contribuinte nas dcomp's de n.° 42650.79193.161006.1.3.048502 e n.° 27891.84149.120107.1.3.042950, informa que o crédito consta do proc. n.° 10073.000548/200572, bem como que o mesmo tem por natureza "Pedido de Compensação". Entretanto, nas Dcomp's de n.° 03603.80773.170308.1.7.043872, n.° 20739.81476.170308.1.7.046372, n.° 00209.90838.170308.1.7.046435, n.° 18160.14096.170308.1.7.042369, n.° 20569.06802.180308.1.3.043084 e n.° 02764.50516.180308.1.3.041896, a empresa informa que o crédito consta da Dcomp inicial de n.° 42650.79193.161006.1.3.048502. Quanto As demais dcomp's, cada uma delas faz referência à respectiva declaração anterior. Ou seja, direta ou indiretamente a interessada vincula todas as Dcomp's ao processo administrativo n.° 10073.000548/200572. No entanto, ao consultar tal processo, constatase que o mesmo tem por objeto "Consulta sobre Interpretação da Legislação Tributária" (fls. 133 a 139), que deu origem A Solução de Consulta SRRF/7° RF/DISIT n.° 188, de 12/05/2005 (fls. 140 a 143), cuja ciência foi dada ao contribuinte por via postal em 24/06/2005, AR às fls. 145. Logo, o processo administrativo informado pelo contribuinte como origem dos pagamentos a maior/indevidos utilizados para compensação, na verdade não possui qualquer crédito vinculado. Conclusão Assim sendo, ante os fatos expostos e considerando a legislação vigente, proponho a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações objeto das Dcomp's eletrônicas anexadas As fls. 02 a 131 do presente processo, indicadas no Anexo I deste Despacho Decisório, bem como a cobrança dos débitos nelas informados. Ressaltese que, as declarações de compensação entregues a RFB a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP n.° 135/2003, constituemse confissão de divida e instrumento hábil e suficiente A exigência dos débitos indevidamente compensados. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 96101, com os argumentos a seguir discriminados. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: DA AUTORIZAÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL PARA COMPENSAR 0 IRPJ RECOLHIDO A MAIOR • 4. Inicialmente, cumpre esclarecer que a Recorrente protocolou, no ano de 2005, a Consulta Administrativa nº 10073.000548/200572 perante a Secretaria da Receita Federal questionando a possibilidade de compensar os valores supostamente recolhidos à maior a titulo de IRPJ, conforme se depreende da cópia em anexo. 5. A Recorrente sempre efetuou o recolhimento do IRPJ utilizando a base presumida de 32% descrita no artigo 15 da Lei no 9.249/95, embora suspeitasse que se enquadrava no teor da IN/SRF 306 (art. 23, II, alíneas "a", "h" e "c"), mantida Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 311 4 pela IN/SRF 408/04, segundo a qual as sociedades prestadoras de serviços médico hospitalares deverrl efetuar o recolhimento do IRPJ utilizando a base presumida de 8% (oito por cento). 6. Dai a necessidade de efetuar a referida consulta administrativa, a fim de assegurar o procedimento da compensação .1.6 nos recolhimentos seguintes, de maneira segura para a Recorrente caso autorizado pela Secretaria da Receita Federal. Pois bem, a Recorrente foi intimada sobre a Solução de Consulta SRRF/7a RF/DISIT, exarada pelo I. Chefe da Divisão de Tributação/SRRF 07ª Dr. Sérgio Martins Silva, que reconheceu o direito da autora como prestadora de serviços médicoshospitalares podendo assim efetuar o recolhimento do IRPJ utilizando a base presumida de 8% (oito por cento), bem como autorizou a compensação do IRPJ recolhido a maior, nos últimos 5 anos. 8. Notadamente, a suspeita da Recorrente se confirmou através da referida solução de consulta não reconheceu o direito da mesma de efetuar a compensação do IRP3 recolhido a maior, pelo prazo de cinco anos contados da data da extinção do credito tributário, ou seja, da data do pagamento. 9. Entretanto, apesar da autorização para o procedimento da compensação proferida pela própria Secretaria da Receita Federal em favor da consulente, ora Recorrente, ainda assim foi prolatado despacho decisório em 27.10.2010, pela Delegacia da Receita'Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, HOMOLOGANDO AS COMPENSAÇÕES REALIZADAS. 10. No entanto, o indeferimento das declarações de compensação formuladas pela Recorrente NÃO PODE PROSPERAR, eis que efetuadas de acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional e do art. 66 da Lei 8.383/1991, bem como com a Instrução Normativa 320/2003, que regula o mecanismo eletrônico do formulário de compensação (PER/DCOMP). DA SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF/7a RF/DISIT no 188 11. Antes de mais nada, vale ressaltar que a Recorrente não efetuou as compensações declaradas nas Dcomps em comento, a seu belprazer. Muito pelo contrário, existe decisão administrativa autorizando a referida compensação. 12. Conforme já mencionado no presente recurso, a Recorrente possui autorização expressa da Secretaria da Receita Federal para compensar o IRPJ recolhido a maior dos últimos cinco anos anteriores a 2005, data de ciência da referida decisão. 13. Dai surge ao questionamento: Como não existe nenhum direito creditório no processo administrativo no 10073.000548/200572 em favor do contribuinte, se neste mesmo processo foi proferida decisão autorizando a compensação do IRPJ recolhido a maior nos últimos cinco anos???? 14. O texto da Solução de Consulta é claro ao demonstrar o direito creditório da Recorrente, [...] Assim, ao analisar o teor da referida Solução de Consulta, não • restam dúvidas de que a decisão que negou a homologação das Dcomps da Recorrente é totalmente arbitrária e indevida, tendo em vista que a Recorrente possui sim o direito de compensar o IRPJ recolhido a maior. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 312 5 16. Demonstrado, portanto, que a Recorrente procedeu a compensação de forma totalmente adequada, nos termos do at. 66 da Lei 8383/91, tendo respeitado o prazo prescricional, razão pela qual as compensações declaradas pela mesma devem ser homologadas pela Secretaria da Receita Federal. 17. Deveras importante esclarecer, que a Consulta é um procedimento administrativo através do qual alguém objetiva obter interpretação a respeito dos dispositivos da legislação tributária que o Estado reputa aplicáveis a um fato determinado. Ao buscar uma declaração formal da Administração Pública acerca do direito aplicável ao caso que expõe, o interessado quer obter a segurança jurídica que lhe possibilite adequado planejamento da sua vida fiscal. 18. É como se, de antemão, o particular tomasse conhecimento do regime jurídico tributário aplicável aos fatos descritos na petição de consulta e, munido desses critérios, pudesse orientar sua atuação. O órgão da Administração Pública competente para conhecer do pedido de consulta, será aquele que está incumbido das providências de gestão do tributo a que se refere a questão de fato levantada pelo consulente. .1 19. Há que se entender passível de consulta, todas as questões jurídicas cuja interpretação pode suscitar dúvida ao contribuinte ou ao responsável, ainda que objetivamente a norma não aparente obscuridade. Até porque, levandose em conta a complexidade da legislação tributária e o fato do operador do direito não se tratar de simples aplicador automático da lei, que sempre requer interpretação, o conceito do que é ou não:obscuio,,é essencialmente relativo. 20. Igualmente a consulta pode versar sobre todos os elementos formais ou materiais necessários para o cumprimento das obrigações tributárias, quer principais, quer acessórias. É imperioso destacar, que a' resposta ofertada à consulta, contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica do consultante. [...] Outrossim, uma vez formulada a consulta, fica vedada ação fiscal contra o consulente, até que seja este intimado da resposta e se esgotou o prazo nela assinado para o cumprimento da obrigação cuja existência seja porventura nela afirmada. [...] Portanto, não pode agora a Administração Pública, desconhecer o direito creditório da Requerente, sob o argumento que a Consulta a Legislação Tributária, não tem autoridade para reconhecer este direito. Data Venia!! [...] Caso este entendimento seja mantido, será causada uma verdadeira inseguranca jurídica. DA ADEQUADA FORMA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ 27. Outrossim, em que pesem os argumentos acima elucidados, é indispensável ressaltar o direito da Recorrente, ora questionado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, que aduz em seu despacho decisório que não existe nenhum direito creditório de pagamento indevido ou a maior em favor do contribuinte originário do processo no 10073.000548/200572 28. Certamente, a afirmativa acima é totalmente equivocada, tal como se infere da Solução de Consulta proferida pela SRF nos autos do processo supracitado que comprova que a Recorrente faz jus à compensação dos valores recolhidos indevidamente à titulo de IRPJ com base ide cálculo superior a 8%. [...] Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 313 6 Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, g 1º , III, "a", da Lei no 9.274/95 explicitamente concede o beneficio fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a "prestação de serviços hospitalares". Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. [...] A Receita Federal tem reconhecido o direito à ba se de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes.[...] Em um primeiro momento, desde a edição da Lei 9.249/95 ate o ano de 2003, não foram baixados atos normativos para especificar o que a Administração entenderia por serviços hospitalares e, de fato, neste período, estava a Procuradoria da Fazenda Nacional autorizada a ter maior liberdade sobre qual o conteúdo da expressão "serviços hospitalares". Em 12 de março de 2003, foi editada a Instrução Normativa no 306/2003 [...]. Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano especifico instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do beneficio: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante aos argumentos firmados na presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, requer a ora Recorrente que após a devida análise da presente seja revogado o despacho decisório SAORT, para DEFERIR 0 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E HOMOLOGAR AS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO especificadas nas Dcomps, tendo em vista que a Recorrente respeitou o prazo prescricional de cinco anos (contados da data do último pagamento) para compensar os valores indevidamente recolhidos â titulo de IRPJ com base de cálculo superior aos 8 % sobre a receita bruta auferida pela Recorrente conforme autorizado pela Solução de Consulta nos autos do processo administrativo no 10073.000548/200572; 51. Seja emitida, todas as vezes que a recorrente solicitar, a Certidão Negativa de Débitos, até o término do julgamento nas instâncias administrativas do presente recurso, eis que está configurada uma das hipóteses legais de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com arrimo no art. 206 do CTN, bem como o art. 151, III do CTN, aliada a forte jurisprudência do STJ (REsp 850.332/SP, REsp Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 314 7 914.318/RJ, AgRg no REsp 1040655/MG, AgRg no REsp 1.086.036/RS, REsp 1.009.983/PR e REsp 781.990/RJ) citadas acima. Está registrado como resultado do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1244.526, de 15.03.2012, fls. 239245: “Manifestação de Inconformidade Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007,2008 DISCRIMINAÇÃO DO CRÉDITO. Não possuem liquidez e certeza os créditos que não tenham sido identificados. Notificada em 10.07.2012, fl. 251, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 01.08.2012, fls. 253306, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que o recurso voluntário é apresentado regularmente e suscita que: DO SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Convém ressaltar, que o crédito tributário encontrase com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, V do CTN, tendo em vista decisão judicial lavrada nos autos do processo n° 2005.01.00.0633074 pelo Desembargador Federal Leomar Amorim. Vale citar que mencionada decisão, serviu para "suspender a exigibilidade do crédito tributário referente ao IRPJ e à CSLL com base de cálculo superior a 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento)". [...] Desta forma, tendo em vista a suspensão da exigibilidade do IRPJ e CSLL, nos termos do art. 151, V do CTN, deverá o presente processo administrativo ficar SOBRESTADO ATÉ NOTÍCIA DO TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO JUDICIAL. [...] Assim, ad argumentandun tantun, caso a aludida decisão judicial seja revertida, o que desde já não acreditamos, haja vista os precedentes jurisprudenciais, deverá o presente feito seguir o seu trâmite normal, devendo ser analisadas as razões de fato e de direito que seguem. [...] DA AUTORIZAÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL PARA COMPENSAR O IRPJ RECOLHIDO A MAIOR 18.Como já afirmado, cumpre esclarecer que a Recorrente protocolou, no ano de 2005, a Consulta Administrativa n° 10073.000548/200572perante a Secretaria da Receita Federal questionando a possibilidade de compensaDos valores supostamente recolhidos à maior a título de IRPJ, conforme se depreende da cópia em anexo. 19.A Recorrente sempre efetuou o recolhimento do IRPJ utilizando a base presumida de 32% descrita no artigo 15 da Lei n° 9.249/95,embora suspeitasse que Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 315 8 se enquadrava no teor da IN/SRF 306 (art. 23, II, alíneas"a", "b" e "c"), mantida pela IN/SRF 408/04, segundo a qual as sociedades prestadoras de serviços médico hospitalares devem efetuar o recolhimento do IRPJ utilizando a base presumida de 8% (oito por cento). Daí a necessidade de efetuar a referida consulta administrativa, a fim de assegurar o procedimento da compensação já nos recolhimentos seguintes, de maneira segura para a Recorrente caso autorizado pela Secretaria da Receita Federal. Pois bem, o Recorrente foi intimado sobre a Solução de Consulta SRRF/73 exarada pelo I. Chefe da Divisão de Tributação/SRRF07, que reconheceu o seu direito como prestadora de serviços médicoshospitalares podendo assim efetuar o recolhimento do IRPJ utilizando a base presumida de 8% (oito por cento), bem como autorizou a compensação do IRPJ recolhido a maior, nos últimos 5 anos [...]. Entretanto, apesar da autorização para o procedimento da compensação proferida pela própria Secretaria da Receita Federal em favor da Recorrente, "em agora a Secretaria da Receita Federal considerar como não homologada as compensações realizadas. No entanto, o indeferimento das declarações de compensação declaradas pela Recorrente NÃO PODE PROSPERAR, eis que efetuadas de acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional e do art. 66 da Lei 8.383/1991, bem como com a Instrução Normativa 320/2003, que regula o mecanismo eletrônico do formulário de compensação (PER/DCOMP). PA SOLUÇÃO DE CONSULTA Antes de mais nada, vale ressaltar que a Recorrente não efetuou as compensações declaradas nas Dcomps em comento, a seu belprazer. Muito pelo contrário, existe decisão administrativa autorizando a referida compensação. Conforme já mencionado no presente recurso, a Recorrente possui autorização expressa da Secretaria da Receita Federal para compensar o IRPJ recolhido a maior dos últimos cinco anos anteriores a 2005, data de ciência da referida decisão. [...] Daí surge ao questionamento: Como não existe nenhum direito creditório no processo administrativo n° 10073.000548/200572 em favor do contribuinte, se neste mesmo processo foi proferida decisão autorizando a compensação do IRPJ recolhido a maior nos últimos cinco anos???? Assim, ao analisar o teor da referida Solução de Consulta, não restam dúvidas de que a decisão que NÃO HOMOLOGOU as Dcomps, referendada pelo acórdão n° 1244.5526, são totalmente arbitrárias e indevidas, tendo em vista que a mesma possui sim o direito de compensar o IRPJ recolhido a maior. Demonstrado, portanto, que a Recorrente procedeu a compensação de forma totalmente adequada, nos termos do at. 66 da Lei 8383/91, tendo respeitado o prazo prescricional, razão pela qual as compensações declaradas pela mesma devem ser homologadas pela Secretaria da Receita Federal. [...] Portanto, não pode agora a Administração Pública, desconhecer o direito creditório da Recorrente, sob o argumento que a Consulta a Legislação Tributária, não tem autoridade para reconhecer este direito. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 316 9 Data Venia!! Caso este entendimento seja mantido, será causada uma verdadeira insegurança jurídica. DA ADEQUADA FORMA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ Outrossim, em que pesem os argumentos acima elucidados, é indispensável ressaltar o direito da Recorrente, em recolher o IRPJ com base de cálculo reduzida. Em síntese, o Superior Tribunal de Justiça de forma uníssona, já de ou ue os serviços prestados por clínicas de Ortopedia, Traumatologia e de Radiologia seriam similares aos serviços hospitalares, logo, poderiam apurar e recolher o IRPJ e a CSLL, respectivamente, com base de cálculo presumida de 8% (oito por cento) ao invés da de 32% (trinta e dois por cento), e 12% ao invés de 32% do faturamento da empresa. [...] Desta forma, tendo em vista a jurisprudência mansa e pacífica acerca da base de cálculo de 8% para o recolhimento do IRPJ das sociedades prestadoras de serviços médicos, bem como a existência da Solução de Consulta autorizando a compensação dos valores recolhidos indevidamente nos últimos cinco anos, conclui se que NÃO HÁ MOTIVO ALGUM PARA NÃO HOMOLOGAR AS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DA RECORRENTE!!! DA EMISSÃO DAS CERTIDÕES NEGATIVAS DE DÉBITO DA RECORRENTE ATÉ O JULGAMENTO DEFINITIVO NA ESFERA ADMINISTRATIVA Diz o art. 151, III, do CTN que suspendem o crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das lei reguladoras do processo tributário administrativo. [...] Assim, claro está que a Recorrente tem direito a sempre que solicitar tem emitida a Certidão Negativa de Débitos, até o término do julgamento nas instâncias administrativas do presente recurso. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante aos argumentos firmados no presente RECURSO ADMINISTRATIVO requer a ora Recorrente: a) Em sede preliminar, o SOBRESTAMENTO do feito até o trânsito em julgado do Agravo de Instrumento 2005.01.00.0633074, uma vez que foi deferida decisão judicial suspendendo a exigibilidade do IRPJ com base de cálculo presumida superior a 8%; b) Após a devida análise do presente, seja reformado o acórdão n° 1244.526, da 6a Turma da DRJ/RJ I que manteve o indeferimento das compensações, para DEFERIR O PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E HOMOLOGAR AS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO especificadas nas Dcomps, tendo em vista que a Recorrente respeitou o prazo prescricional de cinco anos (contados da data do último pagamento) para compensar os valores indevidamente recolhidos à título de IRPJ com base de cálculo superior aos 8% sobre a receita bruta auferida pela Recorrente conforme autorizado pela Solução de Consulta de Interpretação a Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 317 10 Legislação Tributária nos autos do processo administrativo n° 10073.000548/2005 72. 64.Seja emitida, todas as vezes que a recorrente solicitar, a Certidão Negativa de Débitos, até o término do julgamento nas instâncias administrativas do presente recurso, eis que está configurada uma das hipóteses legais de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com arrimo no art. 206 do CTN, bem como o art. 151, III do CTN, aliada a forte jurisprudência do STJ (REsp 850.332/SP, REsp 914.318/RJ, AgRg no REsp 1040655/MG, AgRg no REsp 1.086.036/RS, REsp 1.009.983/PR e REsp 781.990/RJ) citadas acima. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Em relação à emissão de certidão negativa, compete à DRF que jurisdiciona a Recorrente analisar a questão, nos termo do Regimento Interno da RFB. No presente caso, o pressuposto é de que a fase litigiosa no procedimento está concluída de modo que não tem cabimento a análise de quaisquer circunstâncias sobre a questão nessa segunda instância de julgamento, por ser de competência exclusiva da autoridade preparadora. O requerimento suscitado pela defendente, destarte, não pode ser analisado nos presentes autos nessa segunda instância de julgamento. A Recorrente diz que não optou pela via judicial para discussão da matéria constantes nos presentes autos. Pertinente a essa matéria aplicamse as determinações do art. 170A do Código Tributário Nacional no sentido de que “ é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Temse a propositura pela Recorrente do Agravo de Instrumento n° 2005.01.00.0633074/DF Processo na Origem: 2005.34.00.0256743, cujos excertos estão transcritos a seguir: TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO ORDINÁRIA. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. SOCIEDADE CIVIL. SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI N. 9.249/95. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA REDUZIDA. POSSIBILIDADE. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 318 11 Nos termos da Lei n. 9.249/95, os prestadores de serviços em geral devem recolher imposto de renda pessoa jurídica e contribuição social sobre o lucro líquido sob a alíquota de 32%, enquanto os prestadores de serviços hospitalares o fazem sob as alíquotas de 8% e 12%, respectivamente, da receita bruta mensal. No caso dos autos, de acordo com o contrato social, como as atividades da agravante estão vinculadas à prestação de serviços médicos especializados na área de ultrassonografia, enquadrandose no conceito de serviços hospitalares, uma vez que realizadas com atenção e assistência à saúde humana, deve ser reconhecida a redução das alíquotas do IRPJ e da CSLL, nos termos da Lei nº 9.249/95. Merece reforma a decisão agravada que não reconheceu a natureza das atividades da agravante como prestadora de serviços hospitalares, a fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Agravo parcialmente provido. Nesse sentido, é requisito de admissibilidade do Per/DComp a comprovação de que houve trânsito em julgado da ação judicial e ainda que o procedimento prévio de habilitação do crédito pela DRF com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo tenha sido formalizado e com apreciação favorável, em conformidade como art. 82 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Os presentes autos não estão instruídos com a comprovação de que a Recorrente tenha se acautelado em relação a essa condição. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 319 12 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Nos presentes autos não há como aferir e corroborar o valor inequivocamente do direito creditório pleiteado. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade3. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 17878.000245/201009 Acórdão n.º 1803002.182 S1TE03 Fl. 320 13 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 12689.001234/2003-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/09/2003
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Situações fáticas diferentes, de per si, impossibilitam a caracterização do dissídio jurisprudencial, e, por conseguinte, retiram do recurso uma das condições de sua admissibilidade.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, José Luiz novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo Cardozo Possas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Situações fáticas diferentes, de per si, impossibilitam a caracterização do dissídio jurisprudencial, e, por conseguinte, retiram do recurso uma das condições de sua admissibilidade. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, José Luiz novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo Cardozo Possas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 12 34 /2 00 3- 12 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido. Cuidase de impugnação de DOW BRASIL NORDESTE LTDA, com CNPJ nº 15.255.680/000323, em que se postula a improcedência de Autos de Infrações, em que se anota a tributação de imposto de importação no montante de R$ 146.921,53 e de IPI R$ 25.724,72, respectivamente, conforme fls. 01/05 e 06/10. Para melhor abordagem da matéria, adotase o relatório apresentado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de FORTALEZA – CE, fls. 101/107: “Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectiva multa e do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora, perfazendo, na data dos lançamentos, créditos tributários nos valores de R$ 146.921,53 e R$ 25.724,72, respectivamente, objeto dos autos de infração de fls. 15 e 610; 2. De acordo com a descrição dos fatos constante dos Autos de Infrações, o contribuinte, por meio da Declaração de Importação nº 03/07628960, registrada em 08/09/2003, submeteu mercadoria a despacho aduaneiro, informando o valor FOB como sendo US$ 2.073.634,48. 3. Todavia, segundo afirma a fiscalização, a via original da fatura comercial nº DOWNORD001, assinada pelo exportador, a qual instrui o despacho de importação, informa o valor FOB de US$ 2.219.986,80. A fiscalização alude ao artigo 493, inciso II, combinado com o artigo 497, inciso IX, do Decreto nº 4543, de 26 de dezembro de 2002, ressaltando que o único documento de instrução do despacho que fornece o valor da transação é a fatura comercial. 4. Conclui, então, que houve uma divergência de US$ 146.352,32, entre o valor declarado e o constante na fatura comercial, o que acarretou um recolhimento a menor do Imposto de Importação e, por conseqüência do IPI vinculado, em cuja base de cálculo é computado o valor daquele imposto. 5. Assim, a fiscalização procedeu ao lançamento de ofício das diferenças do Imposto de Importação e do Imposto dobre produtos industrializados que deixaram de ser recolhidas por ocasião do despacho aduaneiro, a serem acrescidas de juro de mora, na forma da legislação aplicável. Foi lançada ainda a multa de ofício, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9430/1996. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12689.001234/200312 Acórdão n.º 9303001.095 CSRFT3 Fl. 322 3 6. Cientificado dos lançamentos em 06/10/2003, conforme fls. 36, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 37/46, em 14/10/2003, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: 6.1 não houve falta de recolhimento de imposto, mas apenas um lapso de ordem administrativa ao ser apresentada uma fatura comercial gerada por erro de conversão de iene para dólar, o que não tem o condão de alterar a base de cálculo do referido imposto; 6.2 o valor FOB da mercadoria é US$ 2.073.634,48, indicado na fatura comercial substantiva, o qual foi devidamente declarado na DI; 6.3 é descabida a aplicação da multa, tendo em vista que não ocorreu infração; 6.4 exigir imposto significa cobrar tributo sobre uma base de cálculo que não corresponde aquela prevista na legislação, para o fato gerador, violando o princípio da legalidade e da segurança jurídica; 6.5 a sanção encontrase devidamente tipificada na lei, impondo se ainda uma perfeita subsunção do fato a norma punitiva, de forma a garantir a segurança do contribuinte, no sentido de poder apreciar a conseqüência a que estará sujeito se praticar a conduta; 6.6 no caso não a uma perfeita subsunção do fato a norma legal; 6.7 a multa não se aplica porque a impugnante não agiu com dolo ou com intenção de lesar o erário federal; 6.8 não houve conduta ilícita do importador, uma vez que a operação foi amparada por fatura comercial em que constou valor incorreto, a qual posteriormente foi substituída por outra fatura que continha o valor correto; 6.9 ausente a máfé dolo ou fraude, não se justifica a penalidade, inexistindo os requisitos legais para sua aplicação; 6.10 a multa é excessivamente rigorosa, devendose circunscreverse a níveis razoáveis, não podendo extrapolar sua função sancionatória para atingir a capacidade contributiva, conforme entendimento dos tribunais; 6.11 a multa deverá ser revista para que não se caracterize o efeito confiscatório, reduzindose a penalidade aplicada, para uma natureza formal, prevista no artigo 646, inciso III, do Decreto nº 4543/2002; Fl. 334DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 6.12 a infração foi gerada por equivoco quando da apresentação da fatura comercial, com valor maior do que consta na DI, pois a operação entre as partes foi acertada em US$ 2.073.792,52, conforme consta na fatura retificada; 6.13 o contribuinte deve recolher o imposto sobre a base de cálculo estabelecida no artigo 75 do Decreto 4543/2002, que é o valor FOB, havendo necessidade de se determinar qual é o valor correto da operação; 6.14 o importador comprou um equipamento pelo valor de 244.896.233,00 ienes, e conforme pedido de compra, valor esse que foi convertido pela taxa do dólar na data do desembaraçamento aduaneiro, qual seja, 118.091, chegandose ao valor FOB de US$ 2.073.792,52 (sic); 6.15 se adota o valor FOB de US$ 2.219.986,00, considerando que o valor da transação comercial foi de 244.896.233,00 ienes, chegase a uma taxa de conversão de 110.31, que é inexistente; 6.16 a infração apontada é de natureza meramente acessória, nos termos do artigo 113 do CTN, que não implica em descumprimento da obrigação principal de recolhimento de imposto; 6.17 além do recolhimento do imposto (obrigação principal), o contribuinte deve cumprir as obrigações acessórias, tal como, apresentar a fatura comercial e a DI, porém, a norma não pode ser interpretada literalmente, sob pena de ferir os direitos e garantias do contribuinte; 6.18 a obrigação principal tem natureza patrimonial ao contrário da acessória em que se deve fazer ou não fazer, não havendo dúvida em que se considerar o equívoco caráter subordinativo das obrigações acessórias à obrigação principal, esta envolvendo a própria finalidade do tributo e aquela o objeto de controle pela fiscalização, no tocante ao cumprimento de formalidades; 6.19 não se pode interpretar a norma jurídica relativa à obrigação acessória, despendendo tal importância que desvirtue seu objetivo de apenas controlar, sobrepondo a forma ao conteúdo; 6.20 cumprida a obrigação principal, não há que se falar em falta de recolhimento de impostos por simples erros formais. Julgando o feito, a câmara a quo manteve o lançamento fiscal em acórdão assim ementado: VALOR ADUANEIRO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI. Mercadoria Importada. Divergência de valores entre a Fatura Comercial e Declaração de Importação. Considerase o valor da Fatura Comercial FC, tendo em vista que, não havendo prova esclarecedora do valor efetivo da transação, a presunção legal indica que deve ser tomado o valor da Fatura Comercial. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12689.001234/200312 Acórdão n.º 9303001.095 CSRFT3 Fl. 323 5 RECURSO NEGADO Este acórdão sofreu embargos de declaração, por parte do sujeito passivo, os quais foram assim julgados: Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÕES DE OBSCURIDADE E OMISSÃO PRESENTES EM RAZÕES DE VOTO. INEXISTÊNCIA. Notase de plano que o Recorrente busca tãosomente uma nova manobra que busque reavaliar o contexto probatório dos autos, para lançar mão no intuito de comprovar seu direito por outros meios. Notadamente, eventual revisão probatória é vedada em sede de Embargos de Declaração. Devese ressalvar, por óbvio, que os aludidos documentos inequívocos são os legalmente aceitos no direito. EMBARGOS REJEITADOS Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso especial, onde, em síntese, apresenta os mesmo argumentos expendidos da impugnação. Contrarrazões da procuradoria às fls.312 a 318. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo, mas não deve ser admitido por lhe faltar um dos requisitos de admissibilidade, qual seja, o da divergência jurisprudencial, conforme demonstrarseá linhas abaixo. Analisando as razões que levaram o Colegiado recorrido a manter o lançamento fiscal, vêse que os julgadores a quo entenderam que se poderia reconhecer o erro matéria do sujeito passivo na apuração do valor aduaneiro e corrigilo, se houvesse prova nos autos que isso, de fato aconteceu, o que não era o caso. Para melhor esclarecimento das razões adotadas pela Câmara recorrida, transcrevese excerto do voto condutor do acórdão vergastado: (...) não se retira por completo a possibilidade de, no curso dos autos, reconhecer eventual erro material e sobrepôlo ao valor formal adequadamente apurado, desde que o conjunto probatório fosse suficiente para mitigar a presunção de legitimidade presente neste último. Todavia, reafirmase que não foi o que se extraiu no caso em análise. Temse nos autos duas Faturas Comerciais, uma que informa US$ 2.219.986,80, fls. 1819, e outra, sua fatura substitutiva, que informa US$ 2.073.634,48. No entanto observase que esta não está assinada pelo exportador, violando o disposto no inciso II, do artigo 493, do Decreto 4543/2002. Assim, além de haver erro material, que em tese poderia ser retificado, há ainda erro Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 formal, por ausência de assinatura, fato que só vem a enfraquecer a tese do contribuinte. Ademais essa segunda fatura comercial juntada pela Recorrente, além de não constar a assinatura do exportador, foi emitida em data anterior à primeira fatura comercial apresentada. Considerese, ainda, que quando da apresentação dos memoriais a Recorrente juntou uma terceira fatura, dessa vez assinada por outro preposto do exportador, outra data e com outras informações divergentes da primeira e da segunda fatura. Resta assim que a Recorrente não produziu uma prova possível de ser considerada, quanto ao efetivo valor da mercadoria, não conseguindo, portanto, elidir a presunção legal. Alertase, por fim, que seria possível reconhecer o equívoco alegado, desde que demonstrasse de plano, e por meio de documentos inequívocos, tanto quanto formal e materialmente inquestionáveis, a boafé e a diligência do contribuinte, sem que fosse necessário, inclusive, à atuação do fisco, para que tais fatos fossem alegados. De outro lado, o paradigma trazido para comprovar a divergência não trata da mesma situação fática destes autos, posto que, segundo o acórdão juntado aos autos, o conjunto de dados documentais acostados aos autos permitiria identificar o fato acontecido e firmar convicção quanto ao erro na quantidade da mercadoria importada, de sorte a se poder afirmar a quantidade exata que fora importada e adentrada nos estoques da importadora. Ora, no caso sob exame, a câmara recorrida entendeu que não havia prova nos autos de que a divergência encontrada entre o valor aduaneiro declarado na DI e o constante na fatura comercial decorrera de mero erro material. No acórdão paradigma, asseverouse que as provas trazidas aos autos demonstrariam que a divergência encontrada decorreria de mero equívoco nos valores informados na declaração. Diante do exposto, entendo estar diante de situações fáticas distintas, o que, de per si, afasta a caracterização do dissídio jurisprudencial, e, por conseguinte, impede o conhecimento do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CAR LOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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