Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13411.000781/2005-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, condiciona-se a que os produtos exportados estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio aqueles não tributados (NT).
Numero da decisão: 3801-000.744
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em
negar provimento ao recurso voluntário.]
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 30 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, condiciona-se a que os produtos exportados estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio aqueles não tributados (NT).
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13411.000781/2005-65
conteudo_id_s : 6941114
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3801-000.744
nome_arquivo_s : Decisao_13411000781200565.pdf
nome_relator_s : MAGDA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 13411000781200565_6941114.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.]
dt_sessao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
id : 10105539
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 07 09:08:08 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1779087135339446272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1404; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 189 1 188 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13411.000781/200565 Recurso nº 504.824 Voluntário Acórdão nº 3801000.744 – 1ª Turma Especial Sessão de 05 de maio de 2011 Matéria IPI PRODUTOS NT Recorrente AGRODAN AGROPECUÁRIA RORIZ DANTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, condicionase a que os produtos exportados estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio aqueles não tributados (NT). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.] (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Magda Cotta Cardozo, Sidney Eduardo Stahl, Daniela Ribeiro de Gusmão, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Flávio de Castro Pontes e José Luiz Bordignon. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.000781/200565 Acórdão n.º 3801000.744 S3TE01 Fl. 190 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJRecife/PE, abaixo transcrito: “1. Tratase de Pedido de Ressarcimento de IPI transmitido eletronicamente em 20/07/2004, via PER/DCOMP (fls. 001 a 007), relativo ao Crédito Presumido (Lei nº 9.363/96) apurado no 2º trimestre de 2003, no valor de R$ 17.337,87, utilizado para compensação com débitos do IRPJ e da CSLL, em Declarações de Compensação transmitidas posteriormente. 2. O pedido foi indeferido e, conseqüentemente, as compensações não foram homologadas pela autoridade competente, conforme Despacho Decisório às fls. 020. 3. O titular da DRF Petrolina tomou por base o Parecer SORAT nº 297/2005 (fls. 015 a 019) que, por sua vez, traz elementos do Termo de Informação Fiscal às fls. 012 a 014. 4. Em síntese, o AuditorFiscal incumbido da verificação da legitimidade do crédito constatou que a empresa somente exporta produtos aos quais corresponde a notação “NT” (não tributado) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Como a legislação diz que “não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos não tributados” (§ 1º do art. 17 da IN/SRF nº 313/2003, reproduzido na IN/SRF nº 419/2004), resulta nulo o valor do crédito, pois é nula a relação percentual “Receita de Exportação/Receita Bruta”, que, aplicada sobre o valor dos insumos utilizados na produção, nos dá a base de cálculo, conforme prescrito na Lei nº 9.363/96: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. 5. O contribuinte foi devidamente cientificado do Despacho Decisório em 24/10/2005 (fls. 024), tendo apresentado, em 04/11/2005 (tempestivamente, portanto), manifestação de inconformidade (fls. 025 a 037). 6. Em suas alegações, defende que o benefício da Lei nº 9.363/96 atinge a universalidade dos produtores/exportadores e não somente aqueles que destinam ao exterior produtos industrializados. 7. Assim, na sua ótica, a IN/SRF nº 313/2003, norma infralegal, ao estabelecer uma restrição não contemplada na lei, estaria Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.000781/200565 Acórdão n.º 3801000.744 S3TE01 Fl. 191 3 criando direito novo, o que não é admissível em nosso ordenamento jurídico. 8. Traz à colação dois acórdãos da 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e um aresto da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais são admitidas as exportações de produtos “NT” no cálculo do Crédito Presumido. 9. Propugna também pela ofensa ao princípio da isonomia, já que são aceitas as exportações de produtos tributados à alíquota zero e os fabricantes daqueles produtos, no seu entender, estariam em situação equivalente à dos que exportam produtos “NT”, não podendo, portanto, receber tratamento desigual. 10. Fala ainda em desrespeito ao princípio da razoabilidade e conclui pela inconstitucionalidade da norma, pois o parâmetro de valoração dos atos do Poder Público seria a justiça e “a aferição da justiça da norma dissecada passa que o seu conteúdo é (a) pertinente, (b) necessário e (c) proporcional .... Sem que esteja a medida legislativa revestida destas características, urge seja a mesma declarada inconstitucional, posto que a inconstitucionalidade ocorre enfim quando a medida é ‘excessiva’, ‘injustificável’, ou seja, não cabe na moldura da proporcionalidade.” Analisando o litígio, a DRJRecife/PE indeferiu a solicitação (fls. 156 a 162), conforme ementa abaixo transcrita: CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÕES DE PRODUTOS “NT”. EXCLUSÃO. No cálculo do Crédito Presumido somente podem ser consideradas as receitas decorrentes das exportações de produtos tributados pelo IPI, pois a Lei nº 9.363/96, ao remeter à legislação daquele imposto para o estabelecimento do conceito de produção, exclui do benefício os exportadores de produtos “NT”. Às fls. 165 a 182 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: • Os benefícios da Lei nº 9.363/96 se estendem a todos os produtores/exportadores, e não só àqueles que destinam ao exterior produtos industrializados; • A expressão normativa “empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais” não estabelece restrição, razão pela qual valeuse a DRJ de preceito insculpido em norma infralegal (IN nº 313/2003), que não tem legitimidade para inovar no mundo jurídico; • A utilização da referida IN caracteriza ofensa ao princípio da estrita legalidade; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.000781/200565 Acórdão n.º 3801000.744 S3TE01 Fl. 192 4 • Nesse sentido, citamse decisões do STF, do Conselho de Contribuintes e da CSRF; • Adotar a tese trazida na decisão atacada ofende o princípio da isonomia, pois, excluídos os produtos NT, remanesceriam como geradores do crédito presumido aqueles aos quais é atribuída alíquota zero. É o relatório. Voto Conselheiro Magda Cotta Cardozo, Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O objeto da presente lide diz respeito ao não reconhecimento do direito ao crédito presumido de IPI, relativo ao 2º trimestre de 2003. O fundamento para o indeferimento foi a inexistência de respaldo na legislação de regência para o aproveitamento de crédito de IPI, incluindose o presumido, nas operações que envolvem produtos não tributados. Em relação à matéria, transcrevo abaixo o voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 125.689, Acórdão nº 202 16.069, por bem fundamentado: "A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI , já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados — TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.000781/200565 Acórdão n.º 3801000.744 S3TE01 Fl. 193 5 Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI." Em seu recurso, invocou a recorrente a aplicação direta dos princípios da isonomia e da legalidade estrita com vistas a afastar a legislação infraconstitucional, que, sob a sua ótica, estaria restringindo o direito ao ressarcimento de crédito presumido de IPI. No sistema tributário brasileiro, o constituinte, ao delimitar as competências tributárias das entidades federadas, consignou no artigo 153 da CF/1988 que: Compete à União instituir impostos sobre: (...) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.000781/200565 Acórdão n.º 3801000.744 S3TE01 Fl. 194 6 1Vprodutos industrializados; (...) § 3° O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Conforme se pode verificar, o IPI não é imposto incidente sobre o valor agregado, pois a Constituição claramente optou pela técnica da dedução do imposto, onde a única garantia assegurada ao contribuinte é que o imposto devido a cada operação seja deduzido do que foi pago na operação anterior. A Lei nº 5.172/66 Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 49, assim dispõe sobre a nãocumulatividade do imposto: O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. No direito constitucional vigente o princípio da nãocumulatividade só garante aos contribuintes dois direitos, a saber: 1) que o legislador ordinário elabore a lei do imposto de modo a garantir o direito de crédito em relação ao IPI que foi pago nas entradas de insumos; e 2) que esta lei garanta o direito de deduzir do IPI devido pelas saídas o imposto que foi pago nas entradas. Portanto, são improcedentes as alegações no sentido de que a legislação infraconstitucional restringiu o direito do contribuinte, pois, simplesmente, não existe direito de crédito em relação à entrada no estabelecimento de produtos NT, pois produtos NT são insuscetíveis de gerar débito ou crédito, por estarem fora do campo de incidência do imposto. No presente caso, a verificação fiscal que fundamentou a negativa do pedido constatou que a empresa somente exporta produtos aos quais corresponde a notação “NT” (não tributados) na tabela de incidência do IPI. Assim, bem decidiram a DRF/Petrolina, bem como a instância a quo, pois, conforme se demonstrará, os produtos não tributados pelo IPI, que constam na TIPI como "NT", não dão direto ao crédito presumido. Assim dispõe a Lei nº 9.363/96, em seu artigo 42: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.000781/200565 Acórdão n.º 3801000.744 S3TE01 Fl. 195 7 Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido pelo produtor exportador nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Cabe transcrever também o artigo 42 da Portaria MF nº 38/97, que dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido, e estabelece que: O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mês a que se referir o crédito. Acerca do tema, assim dispõem os artigos 1º e 2º, § 1º, da IN/SRF nº 23/97: Art. 1°. O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será apurado e utilizado de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Direito ao Crédito Presumido Art. 2°. Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º. O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I quando o produto fabricado goze do beneficio da alíquota zero; (...) Portanto, conforme se depreende pelos textos normativos acima, a empresa produtora tem que ser contribuinte do IPI. De forma clara, a IN supracitada faz menção ao direito ao crédito presumido, inclusive quando o produto fabricado goze do beneficio da alíquota zero. Acaso houvesse interesse de estender o beneficio aos produtos NT, obrigatoriamente deveria têlos mencionado a norma, pois, em se tratando de beneficio fiscal, sua interpretação deverá ser restritiva e, portanto, a determinação precisa do seu significado enseja uma interpretação literal. A despeito da existência de alguns procedimentos ensejadores de industrialização, como beneficiamento ou acondicionamento, para os efeitos fiscaistributários, não ocorre industrialização quando os elementos produzidos são indicados na Tabela de Incidência do IPI/TIPI como produtos NT. Sobre o tema, assim leciona o mestre Raymundo Clovis do Valle Cabral Mascarenhas, (in Tudo sobre IPI, 5ª edição, 2003, p. 25/27), tecendo os comentários abaixo: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.000781/200565 Acórdão n.º 3801000.744 S3TE01 Fl. 196 8 "O IPI não incide sobre os produtos constantes de códigos da Tipi seguidos da expressão ‘NT’, que significa 'nãotributado’: (...) A Tabela de incidência do 1PI Tipi, que tem por base a Nomenclatura Comum do Mercosul, é uma relação ordenada e codificada de todas as coisas existentes, objeto de comercialização (mercadorias), seguidas das correspondentes alíquotas de incidência ou da expressão ‘NT’. Devese observar que na Tipi estão incluídas todas as coisas existentes, sejam produtos naturais (animais, vegetais e minerais) ou elaborados, ainda que não expressamente discriminados. (...) c) NT que significa não tributado. Os produtos discriminados em códigos da Tipi aos quais corresponda a sigla NT não estão incluídos no campo de incidência do IPI, nada importando que tais produtos possam ser considerados, para outros efeitos não relacionados com o IN, como produtos industrializados." Da mesma obra merecem ser transcritos os dois trechos abaixo: "Não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido do IPI, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos não tributados e produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica exportadora, integrando, entretanto, a receita operacional bruta (IN nºs 313/2003 e 315/2003)." (p. 233) "Empresa fabricante de produtos classificados como 'NT' na Tipi não é estabelecimento industrial nos termos do art. 8°, não sendo caracterizado como contribuinte do citado imposto. Nestas condições, fazem jus ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei n s 9.363/1996 somente as empresas que derem saída a produtos tributados, ainda que sob alíquota zero, incluindose, entre estes, carnes de bovinos e de suínos (Decisão n° 362/98 da 8° RF)." (p. 233/234) No mesmo sentido a Administração Tributária se manifestou por meio do Parecer MF/SRF/Cosit/Ditip nº 139, de 22 de abril de 1996, no item 4.11, conforme abaixo: "O contribuinte produtorexportador de produtos com alíquota zero ou isentos tem direito ao crédito, ainda que não tenha débito de IPI. Não tem direito ao crédito presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI (produtos NT), e, produtos que não são industrializados, pois neste caso ele não é contribuinte do IPI." Por todo o acima exposto, concluise que não há reparos a fazer na decisão recorrida que indeferiu a solicitação, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13411.000781/200565 Acórdão n.º 3801000.744 S3TE01 Fl. 197 9 (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Fl. 9DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720133/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2010
EXCLUSÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA.
É causa de exclusão de ofício do regime de tributação simplificado a não escrituração do livro caixa nem dos livros contábeis capazes de revelar a integralidade da movimentação financeira, inclusive a bancária.
LIVRO CAIXA. RECONSTITUIÇÃO.
Rejeita-se o livro caixa reconstituído antes mesmo do ato de exclusão, se a sua escrituração não reflete a totalidade da movimentação financeira do contribuinte, inclusive a bancária.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2010
PROCEDIMENTO FISCAL. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO.
EFEITOS.
A retificação da declaração feita após o início do procedimento fiscal, ainda que seja para aumentar o valor dos débitos, não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
AÇÃO FISCAL. CONFISSÃO DE DÍVIDA. PARCELAMENTO.
EFEITOS.
É materialmente ineficaz o parcelamento de débitos efetuado no curso do procedimento de fiscalização.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2010
AÇÃO FISCAL. PARCELAMENTO. EFEITOS.
O pedido de parcelamento efetuado no curso do procedimento fiscal importa reconhecimento da dívida em relação aos valores confessados, sendo passíveis de cobrança imediata com base no lançamento de ofício.
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17.
Numero da decisão: 1401-006.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Severo Chaves, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Lucas Issa Halah, André Luis Ulrich Pinto, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: ITAMAR ARTUR MAGALHAES ALVES RUGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 30 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202308
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2010 EXCLUSÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA. É causa de exclusão de ofício do regime de tributação simplificado a não escrituração do livro caixa nem dos livros contábeis capazes de revelar a integralidade da movimentação financeira, inclusive a bancária. LIVRO CAIXA. RECONSTITUIÇÃO. Rejeita-se o livro caixa reconstituído antes mesmo do ato de exclusão, se a sua escrituração não reflete a totalidade da movimentação financeira do contribuinte, inclusive a bancária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2010 PROCEDIMENTO FISCAL. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. EFEITOS. A retificação da declaração feita após o início do procedimento fiscal, ainda que seja para aumentar o valor dos débitos, não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. AÇÃO FISCAL. CONFISSÃO DE DÍVIDA. PARCELAMENTO. EFEITOS. É materialmente ineficaz o parcelamento de débitos efetuado no curso do procedimento de fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 AÇÃO FISCAL. PARCELAMENTO. EFEITOS. O pedido de parcelamento efetuado no curso do procedimento fiscal importa reconhecimento da dívida em relação aos valores confessados, sendo passíveis de cobrança imediata com base no lançamento de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 15983.720133/2014-61
anomes_publicacao_s : 202309
conteudo_id_s : 6942721
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1401-006.707
nome_arquivo_s : Decisao_15983720133201461.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : ITAMAR ARTUR MAGALHAES ALVES RUGA
nome_arquivo_pdf_s : 15983720133201461_6942721.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Severo Chaves, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Lucas Issa Halah, André Luis Ulrich Pinto, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2023
id : 10107177
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 07 09:08:11 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1779087135341543424
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-09-23T19:55:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-09-23T19:55:11Z; Last-Modified: 2023-09-23T19:55:11Z; dcterms:modified: 2023-09-23T19:55:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-09-23T19:55:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-09-23T19:55:11Z; meta:save-date: 2023-09-23T19:55:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-09-23T19:55:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-09-23T19:55:11Z; created: 2023-09-23T19:55:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2023-09-23T19:55:11Z; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-09-23T19:55:11Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15983.720133/2014-61 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-006.707 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2023 Recorrente SIMONE YAMAMURA MENDES SANCHES - ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2010 EXCLUSÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA. É causa de exclusão de ofício do regime de tributação simplificado a não escrituração do livro caixa nem dos livros contábeis capazes de revelar a integralidade da movimentação financeira, inclusive a bancária. LIVRO CAIXA. RECONSTITUIÇÃO. Rejeita-se o livro caixa reconstituído antes mesmo do ato de exclusão, se a sua escrituração não reflete a totalidade da movimentação financeira do contribuinte, inclusive a bancária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2010 PROCEDIMENTO FISCAL. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. EFEITOS. A retificação da declaração feita após o início do procedimento fiscal, ainda que seja para aumentar o valor dos débitos, não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. AÇÃO FISCAL. CONFISSÃO DE DÍVIDA. PARCELAMENTO. EFEITOS. É materialmente ineficaz o parcelamento de débitos efetuado no curso do procedimento de fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 AÇÃO FISCAL. PARCELAMENTO. EFEITOS. O pedido de parcelamento efetuado no curso do procedimento fiscal importa reconhecimento da dívida em relação aos valores confessados, sendo passíveis de cobrança imediata com base no lançamento de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 01 33 /2 01 4- 61 Fl. 806DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Severo Chaves, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Lucas Issa Halah, André Luis Ulrich Pinto, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a Decisão da 5ª Turma da DRJ/FO (Acórdão 08-39.842, fls. 723 e ss.) que julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora recorrente. 1.1 DO PROCEDIMENTO FISCAL Trata-se de Ação Fiscal, motivada por "SELEÇÃO INTERNA", a fim de se verificar, conforme análise preliminar constante do dossiê, incompatibilidade dos Dispêndios/repasses recebidos com cartão de crédito declarados em DECRED por Instituições Financeiras, com a Receita Bruta declarada na DASN/2011, ano-calendário de 2010. O contribuinte, em atendimento aos termos recebidos, encaminha parte dos documentos através de Ofício datado em 01/10/2013 e solicita, neste e em outro Ofício datado em 28/11/2013, "prorrogação de prazo para entrega da documentação faltante exigida...", sendo que não houve, após esta data, a entrega de nenhum outro documento, além dos seguintes: - Ficha Cadastral da Junta Comercial do Estado de São Paulo Fl. 807DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 - Livro de Registro de Entradas - Livro de Registro de Saídas - Notas Fiscais de Saída Da análise dos documentos enviados pelo contribuinte, verificou-se que os Livros de Entradas e Saídas e as Notas Fiscais de Saída constam com os seguintes valores: A Receita Bruta declarada na DASN foi de R$ 514.797,72. Relata a Autoridade que a contribuinte tentou retificar em 29/01/2014, mas não foi recepcionada devido à ação fiscal em curso. Assim, considerou-se a DASN original: Após emitir RMFs, as Instituições Financeiras informam os valores referentes às "Operações com Cartão de Crédito ocorridas em 2010": Fl. 808DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 Constatou-se então a ocorrência de Receitas Auferidas que não foram contabilizados nos Livros Contábeis/Fiscais nem declaradas na respectiva DASN/2011. Realça a Autoridade Fiscal que “as Notas Fiscais Emitidas apresentadas pelo contribuinte, quando do atendimento aos Termos de Início e de Reintimação Fiscal, somam apenas o valor total de R$ 94.745,25” no AC 2010. Fl. 809DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 Verifica-se grande incompatibilidade entre o valor total das notas fiscais emitidas (R$ 94.745,25) com o valor da Receita Bruta Apurada por esta fiscalização, de R$ 2.283.235,69, valor que foi lançado pelo contribuinte no Livro Caixa refeito a partir das informações obtidas pelo mesmo junto a esta fiscalização. Salienta a Autoridade que nenhuma das Notas Fiscais Emitidas e apresentadas para a fiscalização foi lançada no Livro Caixa refeito. Em 13/11/2014, solicitou-se ao contribuinte a Escrituração Contábil/fiscal dos lançamentos efetuados em 2010 para apuração de Lucro com base no Lucro Real (ou Presumido). Diante de todo o exposto, considerando o não reconhecimento do Livro Caixa apresentado, por ter sido o mesmo elaborado extemporaneamente e por não retratar fielmente todos os lançamentos ocorridos no AC 2010, tendo em vista que o contribuinte não apresentou novos elementos para elaboração do Auto de Infração com base no Lucro Real ou Presumido, a Autoridade Fiscal lavrou o auto com base no Lucro Arbitrado. Apurou as receitas omitidas com base no Lucro Arbitrado, deduzindo os valores recolhidos dos tributos federais: 1.2 DO RELATÓRIO DA DECISÃO RECORRIDA (E-FLS. 724 E SS.) Trata-se de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls 3/16) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls 17/27), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social-Cofins (fls 28/33) e da Contribuição para o PIS/Pasep (fls 34/39), com fatos geradores ocorridos no ano de 2010, perfazendo o crédito tributário no montante de R$ 285.684,57, já computados os juros moratórios e a multa de ofício (75%). Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/STS nº 42, de 2014, que tramita no processo administrativo nº 15983.720132/2014-16, excluiu o contribuinte do Simples Nacional com efeito a partir de 1º de janeiro de 2010, a se estender pelos três anos-calendário subsequentes, haja vista não haver escriturado o livro caixa que permitisse a identificação de sua movimentação financeira, inclusive a bancária (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, inc. VIII). Fl. 810DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 A ação fiscal, deflagrada em face do contribuinte em 31.05.2013, foi motivada pela incompatibilidade entre os repasses recebidos das operadoras de cartão de crédito, conforme Decred apresentadas, e a receita bruta declarada na DASN/2011. De acordo com a descrição dos fatos contida nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls 40/50), o contribuinte incorreu na infração de omissão de receita da atividade de revenda de mercadorias, apurada a partir da movimentação das vendas informadas por operadoras de cartão de crédito (Cielo, Redecard e Bankpar). As informações foram prestadas mediante a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), ante a falta de colaboração do contribuinte e a presença de indícios de utilização de interposta pessoa. De posse dos dados, a autoridade fiscal constatou a ocorrência de receitas auferidas, discriminadas por nota fiscal (fls 47/50), que não foram contabilizados nos livros contábeis/fiscais nem declaradas na respectiva DASN/2011, conforme demonstrado no quadro abaixo: A apuração do IRPJ e da CSLL observou o regime do lucro arbitrado, considerando o não reconhecimento do livro caixa apresentado, que não refletia a integral movimentação financeira do contribuinte, inclusive a bancária (art. 530, II, do RIR/99). A autoridade fiscal assinala que todos os valores espontaneamente recolhidos dos tributos foram descontados do crédito tributário apurado, lançando-se de ofício apenas a diferença sem pagamento. Cientificado pessoalmente da pretensão fiscal em 28.11.2014 (fl 659), o contribuinte apresentou impugnatória em 29.12.2014 (fls 669/675), na qual requer a proclamação da improcedência dos lançamentos tributários, com base nos seguintes argumentos: (i) Antes mesmo da exclusão, no dia 20.10.2014, o contribuinte entregou à autoridade fiscal o livro caixa recuperado, com a sua integral movimentação financeira, já que o original, em papel, extraviara-se e não foi possível sua pronta reconstituição a partir dos dados mantidos em computador, devido à corrupção no seu disco rígido (fls 509/648); (ii) Em 29.01.2014, retificou a DASN e os débitos nela declarados não foram levados em conta pela fiscalização (fls 685/700); em 14.08.2014, parcelou os débitos então declarados, que passaram a constar do sistema de conta corrente da RFB, os quais igualmente não foram considerados pela fiscalização na dedução dos débitos a serem lançados (fls 701/703); os débitos assim declarados e parcelados devem ser aceitos como espontaneamente informados, por razões de equidade; com efeito, tais providências foram adotadas antes do Comunicado 1/2013 do Sistema Alerta, que, em casos semelhantes, facultou aos contribuintes a autorregularização mediante a retificação da DASN e o parcelamento dos débitos declarados (fl 680), Fl. 811DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 para que se pudesse evitar o procedimento de fiscalização; alude que essa espontaneidade foi caracterizada para uma empresa da mãe do contribuinte, em que a RFB encaminhou aviso de cobrança e ato declaratório executivo com o propósito de que efetuasse o pagamento ou o parcelamento dos débitos oriundos das retificações feitas de maneira espontânea (fls 681/683). É o relatório. 1.3 DO RECURSO VOLUNTÁRIO (E-FLS. 754 E SS.) 1.3.1 PRELIMINAR 1.) O Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional DRF/STS n° 42 de 6/11/2014, nos termos das normas legais, foi de natureza provisória, pois encontra-se pendente de decisão por força de Recurso interposto junto ao CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do processo n° 15983.720132/2014-16. 2.) A decisão sobre os Autos de Infrações que agasalham o processo mencionado acima, deverão aguardar a decisão final administrativa do processo de exclusão, impedindo quaisquer cobranças ou mesmo a exigibilidade de eventuais créditos tributários. 3.) As vendas de mercadorias foram devidamente escrituradas no Livro Caixa, e para comprovar essa assertiva, elaborou Demonstrativo Extraído do Livro Caixa, onde constam diariamente as VENDAS DE MERCADORIA efetuadas pela Matriz e Filial, comprovando de maneira implícita que jamais poderia obter informalmente da fiscalização as vendas tão bem detalhadas diariamente, até porque não existe no presente processo, por parte da Receita Federal esse detalhamento diário. 4.) Data vênia é totalmente inadmissível o desmembramento dos créditos tributários em autos apartados concretizado no processo n° 10845.725.244/2017-77, pelas seguintes razões:- a) Por ser a Exclusão de Natureza provisória nos termos das normas que regem a matéria, posto estar pendente de decisão do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em virtude de Recurso interposto no processo n° 15983.720132/2014-16. [julgado nesta sessão de julgamento] b) Os créditos tributários oriundos dos Autos de Infrações que se encontram agasalhados neste processo (15983-720133/2014-61), que parcialmente foram desmembrados, referem-se ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, como fez constar o ilustre relator do Acórdão ora questionado, no primeiro parágrafo de seu relatório (fls. 724). A seguir as folhas 725, afirma que "A apuração do IRPJ e da CSLL observou o regime do lucro arbitrado...". c) Foi omisso em seu relatório quanto à COFINS e o PIS, pois se refere à tributação reflexa. d) Jamais em sua impugnação questionou a validade da lavratura dos Autos de Infrações, por ter feito impugnação ao ato de Exclusão do Simples Nacional, ao contrário do que relator fez constar no primeiro parágrafo do seu voto (fls 726). É de seu conhecimento e respeita os termos da Súmula CARF n° 77. e) O que ficou demonstrado em sua preliminar é que o mesmo tem o caráter de Decisão provisória, ao que parece data vênia o ilustre relator assim não entendeu. f) Verifica-se na planilha existente nesse Acórdão, especificamente na coluna 3 com o título IRPJ PAGO, ou CSLL PAGA, ou COFINS PAGA e ainda PIS/PASEP PAGO as folhas 727 a 728 [QUADROS DO VOTO CONDUTOR], ter havido pagamento Fl. 812DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 desses tributos, uma vez que pesquisados em todos os pagamentos através do sítio da Receita Federal, nada foi encontrado que desse suporte a essa afirmação. g) Finalmente é insuportável sustentar esse desmembramento posto que os tributos desmembrados e ainda os não desmembrados são oriundos do regime de lucro arbitrado. h) Assim dever-se-á afastar parcialmente desse respeitável Acórdão o item 4 do Relatório (fls 729), o texto "Pelo exposto, voto por considerar não impugnados os tributos discriminados na coluna "4" das tabelas acima, que devem ser objeto de cobrança imediata em autos apartados..." i) Finalmente não consta das ementas do r. Acórdão essa decisão de apartamento e exigibilidade do crédito tributário que constou nesse item 4 do r. Relatório. 5.) Por fim todo o crédito tributário a que se refere o presente processo, deve aguardar a decisão final do Recurso interposto contra a Exclusão da contribuinte do Simples Nacional formulado no processo n° 15983.720132/2014-16. 1.3.2 NO MÉRITO 6.) Colhe-se de todo esse procedimento fiscal que o impugnante não possuía Livro Caixa, culminando segundo consta com o enquadramento que ensejaria a sua exclusão do Simples Nacional a partir de 01/01/2010. 7.) O Livro Caixa em papel por ocasião do início da fiscalização encontrava-se extraviado, porém procurou recuperar os seus dados no computador, quando teve a ingrata surpresa de saber que o HD havia sido corrompido e os dados existentes não poderiam ser recuperados. 8.) Com a ajuda de técnico especialmente contratado, conseguiu recuperar todos os dados do Livro Caixa, culminando com a feitura e impressão na totalidade do Livro Caixa, que abriga e espelha toda a movimentação financeira e as bancárias e de cartões de crédito, que foi juntado pelo Senhor Fiscal às fls.509 a 648. 9.) A esses fatos a fiscalização tem conhecimento de que o verdadeiro Livro Caixa foi extraviado e que estava sendo feito todos os esforços no sentido de restaurar na integra com a escrituração da movimentação financeira e bancária da empresa. 10.) Não é verdade que a contribuinte tenha informado "o impugnante não possuía Livro Caixa...”, como afirmou o Sr. Fiscal no Item 12 fls.43. 11.) O Livro Caixa não foi refeito mais sim recuperado do que já existia, contrariamente do que diz o ilustre Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no final do item 14 do Termo de Verificação Fiscal fls. 44. 12.) Esse livro Caixa retrata fielmente toda a movimentação da empresa, tanto que os valores lançados coincidem a título de Receita de Venda de Mercadorias, com os valores apurados pela fiscalização, mais uma vez contrariamente ao que afirmou no item 18 fls. 44. 13.) A contribuinte acredita fielmente que a Exclusão do Simples Nacional deverá ser declarada nula pelo CARF, processo 15983.720132/2014-16. 14.) Com a apresentação da DASN retificadora em data de 29/01/2014, os valores devidos a título do simples nacional, passaram a constar da Conta Corrente no sitio da Receita Federal. Os saldos devedores que constam dessa conta corrente foram objeto de parcelamento através de pedido formulado em 24/04/2014 e consolidado em data de 23/10/2014 e suas parcelas até a presente data encontram-se devidamente quitadas. Em resumo nada é devido a título de Simples Nacional referente ao ano de 2010 e seguintes. Fl. 813DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 1.3.3 DO PEDIDO Diante de tudo que foi exposto e provado REQUER:- a) Inicialmente, apreciação e julgamento da preliminar arguida. b) No exame do mérito e da robustez das provas trazidas e juntadas a presente impugnação, requer dos ínclitos julgadores o acolhimento da presente impugnação, DECRETANDO a total IMPROCEDÊNCIA DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS ora questionados. É o relatório. Voto Conselheiro Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. A recorrente alega que “todo o crédito tributário a que se refere o presente processo, deve aguardar a decisão final do Recurso interposto contra a Exclusão da contribuinte do Simples Nacional formulado no processo n° 15983.720132/2014-16”. O processo supracitado foi objeto de julgamento anterior nesta mesma sessão de julgamento. O recorrente não apresentou razões que possam infirmar o que foi decidido em primeira instância. Desse modo, transcrevo abaixo o voto condutor da decisão recorrida, a qual deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 1.4 DO VOTO DA DECISÃO RECORRIDA (E-FLS. 726 E SS.) Cumpre inicialmente observar, ante questão preliminar suscitada, que a inconformidade manifestada contra o processo de exclusão do Simples Nacional não obsta a lavratura dos autos de infração relativos aos tributos exigidos na forma especificada, conforme Súmula CARF nº 77, verbis: “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão”. No mérito, a impugnação é improcedente. O interessado aduz duas prejudiciais contra os lançamentos, que, acolhida uma delas, poderão conduzir o julgamento no sentido da invalidação dos atos. A primeira observa que a recuperação do livro caixa que havia sido extraviado se deu antes mesmo do ato de exclusão, tendo sido entregue à autoridade fiscal no dia 20 de outubro de 2014. Com Fl. 814DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 isso, carente de motivação se revelaria o ato de exclusão e, por conseguinte, inválidos seriam os lançamentos dos tributos na forma específica. Essa matéria foi adequadamente examinada na decisão desta DRJ no processo de exclusão que tramita no processo administrativo nº 15983.720132/2014-16, tendo sido assim solucionada: Entretanto, a autoridade fiscal, que formulou a representação de exclusão, desqualificou o livro entregue, por não refletir a movimentação financeira e bancária do contribuinte por completo. Nesses termos, assevera que os valores lançados no livro caixa representam aqueles recebidos por meio de cartão de crédito ou de débito, estando, portanto, excluídos os valores recebidos em dinheiro ou cheque. (Acórdão DRJ/FOR nº 08-36.908, de 18 de agosto de 2016) A segunda objeção invoca a espontaneidade do contribuinte para declarar e parcelar os débitos após iniciada a fiscalização, havendo, pois, de serem descontados dos débitos objeto de lançamento de ofício. A espontaneidade estaria caracterizada na medida que, em casos semelhantes, a RFB facultou a diversos contribuintes declarar e parcelar débitos fiscais, ante inconsistências detectadas entre a receita declarada pelo contribuinte e a movimentação das vendas informadas pelas operadoras de cartão de crédito e débito (Decred). Em primeiro lugar, a comunicação feita a contribuintes outros visando a regularização das inconsistências apontadas não o beneficia. Se ela o contemplasse, deveria ter demonstrado que providências foram adotadas no sentido de solucioná-las. Em segundo lugar, o contribuinte já se encontrava sob fiscalização quando intentou declarar um pouco mais de sua receita omitida, que, vale observar, não compreendeu integralmente aquela apurada pela fiscalização. Nessa circunstância, a pretensão do defendente encontra obstáculo legal intransponível (art. 138 do CTN; art. 7º, §1º, do Decreto nº 70.235, de 1972), o qual mereceu, inclusive, sumulação pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Súmula CARF n° 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Com efeito, o procedimento fiscal em face do contribuinte teve início com a lavratura do termo correspondente em 28.05.2013, cientificado ao fiscalizado em 31.05.2013 (fls 80/82), enquanto que a retificação da declaração, para aumentar os valores dos débitos, foi feita em 29.01.2014, ou seja, em pleno curso da ação fiscal. O mesmo se pode dizer acerca do parcelamento dos débitos intentado em 24.04.2014. Nesse caso, a resposta da lei é a de inadmitir a retificação e, por conseguinte, o parcelamento. Afinal de contas, uma vez iniciada a fiscalização, a constituição do crédito tributário se dá no âmbito do procedimento de ofício, a consumar-se mediante a lavratura do auto de infração, já que materialmente ineficaz a formalização da exigência por parte do contribuinte, seja mediante declaração, seja mediante confissão de dívida pelo parcelamento. Nesse sentido, a autoridade fiscal já havia se pronunciado no TVF: Observou-se, ainda, que o contribuinte retificou a DASN/2011, tendo sido a mesma transmitida em 29/01/2014, mas ainda com valores incorretos e insuficientes da Renda Bruta, sendo que esta Declaração não foi recepcionada sistemas da Receita Federal do Brasil, relativamente ao SIMPLES NACIONAL, por estar o contribuinte sob Ação Fiscal e. também por esta razão, não será a mesma considerada na presente Auditoria. Sendo assim, os valores de Receita Bruta declarados na DASN/2011 (original), ano-calendário 2010 (...) 3. Entretanto, a declaração e a confissão não estão integralmente privadas de efeitos (no caso, processuais). Os débitos declarados e confessados importam reconhecimento em parte da pretensão fiscal veiculada no auto de infração, já que correspondem à matéria Fl. 815DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 não impugnada, conforme previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em vista disso, os débitos dos tributos correspondentes aos declarados e confessados encontram- se em cobrança final e devem ser exigidos imediatamente com base no lançamento de ofício, conforme demonstrativos abaixo: IRPJ CSLL Fl. 816DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 COFINS PIS 4. Pelo exposto, voto por considerar não impugnados os tributos discriminados na coluna “4” das tabelas acima, que devem ser objeto de cobrança imediata em autos apartados, e por considerar improcedente a impugnação, mantendo nestes autos os tributos relacionados na coluna “5” das tabelas, a serem acrescidos da multa de ofício e dos juros Selic. 1.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A interessada aduz em sua defesa exordial: 17.) No item 19 do Termo de Verificação Fiscal às fls. 45 e 46, que apura os valores pagos ou devidos nas rubricas IRPJ, CSLL,COFINS, PIS, INSS e ICMS, o Senhor Auditor Fiscal da Receita Federal, deixou de imputar os valores constantes da DASN apresentada através de Declaração Retificadora do período de 1/1/2010 a 31/12/2010, Fl. 817DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 apresentada em 29/01/2014 fls. 65 a 79, para fins de compensação com os valores apurados a esses títulos nos Autos de Infrações, que apresente os seguintes resultados. [...] 18.) Com a apresentação da DASN retificadora em data de 29/01/2014, os valores devidos a título do simples nacional descrito na planilha anterior, passaram a constar da Conta Corrente conforme comprova através da pesquisa efetuada em 14/08/2014 no sitio da Receita Federal (doc 07) [e-fl. 701/702]. Os saldos devedores que constam do documento 7 em anexo, foram objeto de parcelamento através de pedido formulado em 24/04/2014 e consolidado em data de 23/10/2014 conforme comprovante (ãob.33), e suas parcelas até a presente data encontram-se devidamente quitadas. 19.) Por tais razões, como o parcelamento tem o caráter de confissão espontânea, os valores originais do ano de 2010 resultantes da DASN retificadora, e que se acham descritos na pesquisa a que se refere o documento n. 7, deverão ser objeto de compensação com os valores apurados pela fiscalização a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Foi exatamente isso o que fez a Autoridade Julgadora, considerou os valores confessados e pagos conforme as tabelas apresentadas. Por óbvio, o que não foi pago, mas foi confessado, não se trata de matéria litigiosa. O objeto deste PAF é a constituição do crédito tributário no regime do Lucro Arbitrado, o qual foi regularmente lançado e deve ser mantido. A imprecisão em relação aos sistemas e à cobrança de eventual débito indevido deve ser pleiteada na Unidade Local. 1.6 CONCLUSÃO Desta forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator Fl. 818DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-006.707 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15983.720133/2014-61 Fl. 819DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 18186.720778/2018-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGO 373, INCISO I DO CPC.
Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3402-010.512
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.507, de 27 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 18186.720751/2018-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Luis Cabral, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos, Alexandre Freitas Costa e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 23 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202306
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGO 373, INCISO I DO CPC. Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 18186.720778/2018-19
anomes_publicacao_s : 202309
conteudo_id_s : 6936854
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3402-010.512
nome_arquivo_s : Decisao_18186720778201819.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : PEDRO SOUSA BISPO
nome_arquivo_pdf_s : 18186720778201819_6936854.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.507, de 27 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 18186.720751/2018-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Luis Cabral, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos, Alexandre Freitas Costa e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
id : 10097849
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 07 09:07:55 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1779087135344689152
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-09-21T14:27:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-09-21T14:27:02Z; Last-Modified: 2023-09-21T14:27:02Z; dcterms:modified: 2023-09-21T14:27:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-09-21T14:27:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-09-21T14:27:02Z; meta:save-date: 2023-09-21T14:27:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-09-21T14:27:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-09-21T14:27:02Z; created: 2023-09-21T14:27:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2023-09-21T14:27:02Z; pdf:charsPerPage: 2145; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-09-21T14:27:02Z | Conteúdo => S3-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 18186.720778/2018-19 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-010.512 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2023 Recorrente LATICINIOS BOM GOSTO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGO 373, INCISO I DO CPC. Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.507, de 27 de junho de 2023, prolatado no julgamento do processo 18186.720751/2018-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Luis Cabral, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos, Alexandre Freitas Costa e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 07 78 /2 01 8- 19 Fl. 553DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.512 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18186.720778/2018-19 Trata-se de Recurso Voluntário, interposto contra o acórdão nº 110-005.711 de primeira instância que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido de ressarcimento foi formalizado pela contribuinte através de formulário nos moldes do Anexo I da IN RFB nº 1717/2017 (fl. 7), com base em créditos de PIS Não Cumulativo - Mercado Interno do 3º Trimestre de 2013, informando crédito solicitado no montante de R$ 487.162,17. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A DRJ considerou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, constando em sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações e prestar Liquidez e Certeza ao direito alegado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância pela via eletrônica e apresentou o Recurso Voluntário, pelo qual, com os mesmos fundamentos da peça de manifestação de inconformidade, pediu para que seja reconhecida a legitimidade dos créditos presumidos da contribuição ao PIS e da COFINS, objeto de Pedido de Ressarcimento. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Mérito Conforme relatório, versa o presente litígio sobre Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS Não Cumulativo - Mercado Interno do 1º Trimestre de 2013, Fl. 554DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.512 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18186.720778/2018-19 referente a crédito presumido apurado com base no artigo 4º da Lei n° 13.137 de 2015, originado de aquisições de leite in natura para utilização como insumo na produção de produtos destinados a alimentação humana. A DRF de origem reconheceu parcialmente o direito creditório em razão de constatações de notas sem informação de chave eletrônica, bem como de apresentação de documentos e notas fiscais de emissão própria e sem a devida comprovação, as quais foram excluídas (glosadas) da base de cálculo apurada pela contribuinte, uma vez que não oferecem a devida clareza e segurança para reconhecimento do direito creditório pleiteado. Em julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ inicialmente procedeu à diligência, o que fez através da Resolução de e-fls. 579 a 584, proferida nos seguintes termos: Assim, e para que a DRJ possa apreciar plenamente o litígio, faz-se necessário converter o processo em diligência à unidade de jurisdição para: a) avaliar a pertinência e possibilidade de aproveitamento das novas chaves eletrônicas e notas fiscais emitidas por terceiros, que a manifestante juntou aos autos, para fins de comprovação do direito creditório objeto deste processo; b) caso necessário, em função das constatações da diligência relacionadas às provas juntadas quando da impugnação, recalcular os valores do despacho decisório objeto deste processo administrativo fiscal; c) prestar outras informações, caso entenda úteis à solução do contencioso, fazendo constar nos autos; d) produzir relatório de diligência, informando as providências e conclusões adotadas, e apontando os novos valores apurados, se for o caso; e) dar ciência à contribuinte da presente resolução de diligência e do seu resultado, facultando-lhe a oportunidade de manifestação, tão somente quanto às questões aqui tratadas, no prazo de 30 (trinta) dias, se assim o desejar. Após, o processo deverá retornar a esta Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 10, para prosseguimento do julgamento. Observe-se a necessidade de prioridade no atendimento desta Resolução de Diligência, em função da Decisão proferida no âmbito do MANDADO DE SEGURANÇA Nº 5012869-63.2021.4.04.7100/RS (fls. 575 a 577). A Unidade Preparadora analisou os novos elementos e informações apresentados e reavaliou as glosas efetuadas, recalculando os créditos presumidos passíveis de ressarcimento, de acordo com o artigo 4° da Lei n° 13.137/2015. Com isso, foram mantidas as glosas de créditos presumidos relativos às notas fiscais que não continham o número da respectiva chave eletrônica, bem como daqueles não comprovados através de notas fiscais emitidas pelos respectivos produtores rurais. Sustenta a Recorrente que os créditos podem ser confirmados através de simples verificação da planilha que serviu de base para a apuração, além de notas fiscais por amostragem que comprovam a existência do mesmo. Fl. 555DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.512 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18186.720778/2018-19 Entendo que não assiste razão à defesa, uma vez que, após criterioso trabalho refeito pela Unidade Preparadora ainda em sede de primeira instância, somente foram mantidas as glosas cujos créditos não foram efetivamente comprovados pela contribuinte. Por sua vez, após intimada a apresentar manifestação sobre o resultado da diligência, a Recorrente cingiu-se a reiterar os argumentos da peça de Manifestação de Inconformidade, sem trazer qualquer elemento de prova consistente, passível de afastar a conclusão da DRJ. Vejamos a síntese da peça de e-fls. 603-604: Em vista disto, concluiu a DRJ10 pela necessidade de conversão em diligência, para confronto das informações e documentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e em atendimento aos Termos de Intimação Fiscal, concluindo pela revisão da apuração dos créditos passíveis de ressarcimento e pelo deferimento adicional parcial do que fora postulado. Assim, considerando a abertura do prazo para manifestação sobre a diligência, é a presente para ratificar todos os argumentos lançados na Manifestação de Inconformidade apresentada em 28/05/2019 e complementada em 04/08/2020, na qual restou inequívoca a regularidade dos créditos pleiteados, dada a ampla comprovação das operações e dos esclarecimentos quanto ao processo produtivo da Manifestante. Dessa forma, com base em todas as elucidações e documentos trazidos aos autos, é certo que a DRJ possui plenas condições de averiguar as operações, uma vez que o excesso de formalismo não deve sobrepor a busca pela verdade material dos fatos, sendo de rigor o cancelamento das glosas, com o consequente reconhecimento integral dos créditos da contribuição ao PIS e da COFINS. Diante da ausência de novos elementos ou comprovação para afastar a conclusão da Unidade Preparadora, entendo que está correta a conclusão do ilustre Julgador de primeira instância, ao observar pela carência documental probatória, sendo que, “em entendendo a autoridade fiscal que os documentos/informações produzidos pelos contribuintes durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para demonstrar, de forma inequívoca, o crédito pretendido, ou entendendo inexistente o crédito, em razão de que as operações demonstradas pela interessada não são enquadráveis nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, cabe-lhe negar o direito, total ou parcialmente, explicitando claramente sua motivação.” Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Todavia, ainda que aplicada a verdade material para exaurir toda e qualquer dúvida sobre a realidade fática, não há como socorrer a parte que permaneceu inerte quanto ao seu ônus da prova. Como já mencionado neste voto, aplica-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, colaciono as decisões abaixo ementadas: Fl. 556DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.512 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18186.720778/2018-19 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. (Acórdão nº 9303-007.218 – PAF nº 10840.909854/2011-86 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. (Acórdão nº 9303-002.562 – PAF nº 10120.904658/2009-26 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) Destaco a fundamentação que embasou o voto condutor do v. Acórdão nº 9303- 002.562, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, abaixo reproduzida: Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se“convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. É interesse de ambas as parte em fazê-lo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as consequências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desincumbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da Fl. 557DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.512 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18186.720778/2018-19 apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito, não tendo que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e suficientes para embasar a operação, tem-se relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observe-se que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Fl. 558DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.512 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18186.720778/2018-19 Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. (sem destaques no texto original) Portanto, deve ser mantida a decisão de primeira instância. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 559DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10410.722742/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2009
MALHA FISCAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINÁRIA CANCELADA POR DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO OU DE DIREITO ADQUIRIDO A OBSTAR NOVO LANÇAMENTO DE OFÍCIO SUPLEMENTAR. NOVA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO EXARADA E DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL QUINQUENAL CONTADO DO FATO GERADOR. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora efetivou o lançamento de ofício suplementar dentro do prazo decadencial observando as normas legais, tendo sido indicado expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e proposta a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável.
A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. NECESSIDADE.
As deduções devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Não restando demonstradas, mantém-se o lançamento.
Numero da decisão: 2202-010.216
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-010.214, de 9 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 10410.724423/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Christiano Rocha Pinheiro, Leonam Rocha de Medeiros, Gleison Pimenta Sousa, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Martin da Silva Gesto e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: SONIA DE QUEIROZ ACCIOLY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 30 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202308
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 MALHA FISCAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINÁRIA CANCELADA POR DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO OU DE DIREITO ADQUIRIDO A OBSTAR NOVO LANÇAMENTO DE OFÍCIO SUPLEMENTAR. NOVA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO EXARADA E DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL QUINQUENAL CONTADO DO FATO GERADOR. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora efetivou o lançamento de ofício suplementar dentro do prazo decadencial observando as normas legais, tendo sido indicado expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e proposta a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. NECESSIDADE. As deduções devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Não restando demonstradas, mantém-se o lançamento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10410.722742/2012-63
anomes_publicacao_s : 202309
conteudo_id_s : 6942689
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2202-010.216
nome_arquivo_s : Decisao_10410722742201263.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : SONIA DE QUEIROZ ACCIOLY
nome_arquivo_pdf_s : 10410722742201263_6942689.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-010.214, de 9 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 10410.724423/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Christiano Rocha Pinheiro, Leonam Rocha de Medeiros, Gleison Pimenta Sousa, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Martin da Silva Gesto e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2023
id : 10106745
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 07 09:08:10 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1779087135361466368
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-09-27T18:44:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-09-27T18:44:42Z; Last-Modified: 2023-09-27T18:44:42Z; dcterms:modified: 2023-09-27T18:44:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-09-27T18:44:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-09-27T18:44:42Z; meta:save-date: 2023-09-27T18:44:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-09-27T18:44:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-09-27T18:44:42Z; created: 2023-09-27T18:44:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2023-09-27T18:44:42Z; pdf:charsPerPage: 1985; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-09-27T18:44:42Z | Conteúdo => S2-C 2T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10410.722742/2012-63 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-010.216 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de agosto de 2023 Recorrente FERNANDO JACKSON DOS REIS PINTO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 MALHA FISCAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINÁRIA CANCELADA POR DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO OU DE DIREITO ADQUIRIDO A OBSTAR NOVO LANÇAMENTO DE OFÍCIO SUPLEMENTAR. NOVA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO EXARADA E DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL QUINQUENAL CONTADO DO FATO GERADOR. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora efetivou o lançamento de ofício suplementar dentro do prazo decadencial observando as normas legais, tendo sido indicado expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e proposta a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. NECESSIDADE. As deduções devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Não restando demonstradas, mantém-se o lançamento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-010.214, de 9 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 10410.724423/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly – Presidente Redatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 27 42 /2 01 2- 63 Fl. 157DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.216 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10410.722742/2012-63 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Christiano Rocha Pinheiro, Leonam Rocha de Medeiros, Gleison Pimenta Sousa, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Martin da Silva Gesto e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário, com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente o pedido deduzido na impugnação, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. As deduções devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, para o período de apuração em referência, com auto de infração/notificação de lançamento juntamente com as peças integrativas juntado aos autos, foi bem delineado e sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação. O interessado impugnou o lançamento no ano-calendário onde foram glosadas, por falta de comprovação, deduções de dependentes, previdência oficial, previdência privada, despesas de instrução, livro Caixa, pensão alimentícia e despesas médicas, resultando em imposto a partir do lançamento de ofício suplementar. Da Impugnação ao lançamento A impugnação, que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo recorrente. Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que peço vênia para reproduzir: Argumenta, em síntese, que poderia deduzir despesa do livro Caixa pois recebe rendimentos do trabalho autônomo, como advogado. Afirma que não declarou as despesas médicas glosadas. Apresenta certidões de nascimento dos seus filhos. Em obediência ao disposto na Instrução Normativa RFB nº 1061/2010, o lançamento foi inicialmente submetido à revisão da autoridade lançadora, que restabeleceu a dedução Fl. 158DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.216 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10410.722742/2012-63 dos filhos Fernando Lucas Silva Pinto e Rayssa Silva Pinto (R$ 3.460,80). Foi mantida a glosa das filhas Lais e Taina Suica Pinto porque já haviam sido deduzidas na declaração da mãe. As demais glosas foram mantidas por falta de comprovação. Como resultado, o imposto suplementar foi reduzido para R$ 102.332,96. Notificado desta decisão, o interessado não apresenta novas provas ou argumentos. Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário. Na decisão a quo foram refutadas cada uma das insurgências do contribuinte, conforme bem sintetizado na ementa alhures transcrita que fixou as teses decididas. Do Recurso Voluntário e encaminhamento ao CARF No recurso voluntário o sujeito passivo, reiterando termos da impugnação, postula a reforma da decisão de primeira instância, a fim de cancelar o lançamento. É o que importa relatar. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito - Preliminar de prescrição Observo que o recorrente requereu seja reconhecida a prescrição. Sustenta no referido contexto que o lançamento é nulo porque a notificação anterior havia sido cancelada pelo delegado do órgão jurisdicionante local, em atendimento a solicitação de retificação do lançamento realizada pelo Fl. 159DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.216 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10410.722742/2012-63 contribuinte, de modo que o auditor autuante não poderia ter efetuado um novo lançamento com expedição de nova notificação. Pois bem. Entendo que não assiste razão ao recorrente, uma vez que que cumpre esclarecer que a Notificação de Lançamento originária foi lavrada eletronicamente, pelo sistema de Malha IRPF, sem Intimação prévia ao contribuinte, razão pela qual ensejou a apresentação de Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL). Após isso, tem-se o resultado da análise por parte da autoridade fiscal, a qual resultou no alegado cancelamento da referida notificação, sem prejuízo de se efetivar o novo lançamento, respeitado o prazo decadencial, que foi observado. O novo lançamento se efetivou de modo regular e dentro do prazo decadencial contemplando também outras infrações apuradas, o que ocorreu, no presente caso, por meio da Notificação de Lançamento objeto da irresignação em curso. Além disso, a despeito dos argumentos, inexiste a alegada ocorrência de prescrição, especialmente quando ainda se está em transcurso os procedimentos de lançamento ou há um processo administrativo fiscal em trâmite. A prescrição, que ocorrerá para a execução fiscal, só se inicia após a constituição definitiva do crédito tributário, seja por ter sido realizado o lançamento e, uma vez notificado o contribuinte, não tenha sobrevindo impugnação; seja porque uma vez impugnado o lançamento o contribuinte tenha vindo posteriormente a ser notificado da decisão final terminativa do processo administrativo fiscal sem sucesso em sua irresignação. De mais a mais, poder-se-ia investigar eventual decadência do lançamento, mas, no contexto dos prazos dos autos, como já afirmado não é a hipótese observada, estando os procedimentos dentro dos prazos legais estabelecidos no Código Tributário Nacional. Também, não há que se falar em eventual preclusão do direito de lançar, tendo a autoridade fiscal o dever de efetuar o novo lançamento de ofício quando observe situação que se adeque a tal necessidade como ocorreu no caso em espécie que se originou com trabalho de malha fiscal. Outrossim, não há que se falar em direito adquirido, ato jurídico perfeito ou coisa julgada a obstar o novo lançamento, o qual realizado dentro do limite decadencial. Ademais, como registra o julgamento de primeira instância, ao contrário do que argumenta o recorrente, o fato de a notificação original ter sido cancelada não é impedimento, mas sim a justificativa para o novo lançamento notificado. Por fim, não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora efetivou o lançamento de ofício suplementar dentro do prazo decadencial observando as normas legais, tendo sido indicado expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e proposta a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. Sendo assim, rejeito a alegada preliminar de prescrição. Mérito Fl. 160DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-010.216 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10410.722742/2012-63 Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. O recorrente não se conforma com a decisão de primeira instância, pois estaria equivocada, uma vez que com o cancelamento da primeira notificação a declaração de imposto de renda já estaria processada e não poderia ser revista. Em suma, alega que: “no mérito a mesma já operou a preclusão pelo lapso temporal Decisão da Lavra do Delegado da Receita Federal em Alagoas e que por ter operado o Trânsito em Julgado (...) não podia ser revista (...)”. Pois bem. Não há que se falar em eventual preclusão do direito de lançar, tendo a autoridade fiscal o dever de efetuar o novo lançamento de ofício quando observe situação que se adeque a tal necessidade como ocorreu no caso em espécie que se originou com trabalho de malha fiscal. Outrossim, não há que se falar em direito adquirido, ato jurídico perfeito ou coisa julgada, ou trânsito em julgado da decisão do Delegado da Receita Federal, a obstar o novo lançamento, o qual realizado dentro do limite decadencial. Como consigna o julgamento de primeira instância, ao contrário do que argumenta o recorrente, o fato de a notificação original ter sido cancelada não é impedimento, mas sim a justificativa para o novo lançamento notificado e mesmo o segundo lançamento ocorreu dentro do quinquênio legal, inexiste decadência do lançamento. De mais a mais, quanto ao mérito propriamente dito das glosas, todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a critério da autoridade lançadora, como dispõe o art. 73, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda, RIR (Decreto nº 3.000/1999), vigente à época. Apesar de intimado a comprovar as deduções declaradas, inclusive comprovantes de despesas registradas no livro Caixa, o recorrente não apresentou as provas requisitadas. Logo, sem a comprovação, é dever manter a glosa das deduções não comprovadas. Sendo assim, sem razão o recorrente. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly – Presidente Redatora Fl. 161DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-010.216 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10410.722742/2012-63 Fl. 162DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005635/2003-86
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA.
RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo
administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa.
PER/DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL.
TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos decorrentes de ação judicial somente é viável após o trânsito em julgado da decisão judicial que a autorizou.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação é contado a partir da apresentação da declaração retificadora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-000.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Sat Sep 23 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201102
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. PER/DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos decorrentes de ação judicial somente é viável após o trânsito em julgado da decisão judicial que a autorizou. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação é contado a partir da apresentação da declaração retificadora. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10410.005635/2003-86
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 6937304
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3801-000.660
nome_arquivo_s : 380100660_10410005635200386_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10410005635200386_6937304.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
id : 4815946
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 07 09:08:21 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1779087135365660672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 107 1 106 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.005635/200386 Recurso nº 514.531 Voluntário Acórdão nº 3801000.660 – 1ª Turma Especial Sessão de 03 de fevereiro de 2011 Matéria IPI RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente S/A LEÃO IRMÃOS AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. PER/DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos decorrentes de ação judicial somente é viável após o trânsito em julgado da decisão judicial que a autorizou. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação é contado a partir da apresentação da declaração retificadora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.005635/200386 Acórdão n.º 3801000.660 S3TE01 Fl. 108 2 EDITADO EM: 04/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Arno Jerke Junior, Andréa Medrado Darzé e José Luiz Bordignon. Ausente a Conselheira Andreia Dantas Lacerda Moneta. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.005635/200386 Acórdão n.º 3801000.660 S3TE01 Fl. 109 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de pleito compensatório relativo a débitos diversos formulado, em 21/11/2003, por meio das Declarações de Compensação – DCOMP de fls. 01/04, no qual a interessada informa ser o crédito a considerar originário de ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI relativo ao processo nº 10410.001102/00 57. Às fls. 15, consta requerimento da interessada, recepcionado no dia 26/07/2005, no sentido de retificar as declarações originalmente apresentadas com os dados informados nas DCOMP acostadas às fls. 16 e 17. Posteriormente, em face do Parecer de fls. 30/31, ratificado pelo Despacho Decisório de fl. 32, a DRF em Maceió/AL indeferiu o pleito apresentado, justificando que a interessada possuía ação judicial impetrada com o mesmo objeto requerido no processo nº 10410.001102/0057, relativo ao ressarcimento dos créditos a serem considerados na compensação pretendida. Tendo sido cientificada em 12/12/2008 (ciência pessoal às fls. 32), a interessada apresentou tempestivamente, em 15/12/2008, manifestação de inconformidade (fls. 42/51) aduzindo em sua defesa, em síntese, as seguintes razões: Argúi que o fato de haver, em relação ao processo referente ao crédito pleiteado (nº 10410.001102/0057), decisão administrativa pendente implica na adoção de efeito suspensivo quanto a não homologação das compensações requeridas, até que haja pronunciamento definitivo da administração. Alega que em vista da demora na apreciação do seu pleito administrativo ingressou com ação ordinária (nº 2000.80.00.0076897), com pedido de antecipação de tutela, a fim de assegurar o seu direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos, com base no que dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779/99. A propósito, assevera que perícia judicial contábil teria confirmado a existência dos créditos pleiteados. Passa a defender a possibilidade de concomitância entre o pleito relativo à ação judicial e o requerimento administrativo formulado. Para tanto, além de alegar que o pedido administrativo é anterior à ação ajuizada, assevera que não existiria vedação legal à mencionada concomitância dos aludidos pleitos. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.005635/200386 Acórdão n.º 3801000.660 S3TE01 Fl. 110 4 Afirma que inexiste dispositivo no Decreto nº 70.235/72 que proíba a coexistência dos processos administrativo e judicial e que a sua pretensão seria pautada no art. 62 do referido Decreto, o qual dispõe sobre a não suspensão do processo fiscal mesmo quando da existência de medida judicial suspendendo a cobrança de tributo. Quanto ao tema, alega ainda que, no sentido de atribuir à propositura de ação judicial o caráter de renúncia às instâncias administrativas, houve tentativa do Poder Executivo de revogar o citado dispositivo (art. 62 do Decreto 70.235), a qual fracassou com a rejeição pelo Congresso Nacional da MP nº 75/2002. Argumenta que a não homologação da declaração de compensação apresentada se deu a destempo, ou seja, ocorreu quando não mais dispunha a administração de prazo hábil a fazêlo. Assim, segundo seu entendimento, em face da incidência ao caso do instituto da homologação tácita, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, teria ocorrido a extinção dos débitos. Para defender a sua tese, apresenta ementa do Conselho de Contribuintes. Por fim, requer a reforma da decisão hostilizada no sentido de homologar a Declaração de Compensação apresentada, assim como, a suspensão da exigência dos créditos tributários objeto da referida declaração. A DRJ em Recife (PE) indeferiu a solicitação, fls. 71 a 76, nos termos da ementa abaixo transcrita: OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do pedido administrativo implica renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. Consoante a legislação tributária vigente, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. CRÉDITOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. Somente poderão ser objeto de compensação os créditos do contribuinte reconhecidos por decisão judicial com trânsito em julgado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 77 a 91, instruído com os documentos de fls. 92 a 104. Em síntese, apresentou Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.005635/200386 Acórdão n.º 3801000.660 S3TE01 Fl. 111 5 as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o ato declaratório COSIT n.° 03/96 não exerce qualquer vinculação para os contribuintes em geral; a IN nº 460/2004 objetiva disciplinar os procedimentos administrativos inerentes a restituição, ressarcimento e compensação dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujo regime jurídico foi criteriosamente disciplinado pelo art. 74 da Lei 9.430/96; o referido preceptivo legal mesmo diante das inúmeras alterações legais que sofreu, em momento algum, estabeleceu que o prazo decadencial previsto no seu §5º 'seria interrompido por eventual pedido de compensação retificador; para que a regra inserta no art. 59 da IN 460/2004 tivesse fundamento de validade imprescindível que o art. 74 da Lei assim estabelecesse; por ser o prazo previsto no §5°, do art. 74, da Lei 9.430/96 prazo decadencial, não há como se estabelecer qualquer forma de interrupção em sua contagem; É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.005635/200386 Acórdão n.º 3801000.660 S3TE01 Fl. 112 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio tem como principal controvérsia o fato do sujeito passivo poder litigar sobre a mesma matéria nas esferas administrativa e judicial concomitantemente. A requerente sustenta que não há vedação legal à concomitância do pleito referente ao pedido de ressarcimento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) nos âmbitos administrativo e judicial. Não assiste razão à interessada. É incontroverso que a recorrente ajuizou uma ação ordinária, autos nº 2000.80.00.0076897, junto à 1ª Vara Cível Federal de Alagoas objetivando o direito de se creditar do IPI relativo à aquisição de insumos de acordo com a Lei 9.779/99. Assim sendo, é indubitável que o direito creditório objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo, ressarcimento e posterior compensação dos valores relativos aos créditos de IPI oriundos das operações de aquisição de insumos. Destarte, ao contrário do alegado de falta de previsão legal, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.005635/200386 Acórdão n.º 3801000.660 S3TE01 Fl. 113 7 propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.005635/200386 Acórdão n.º 3801000.660 S3TE01 Fl. 114 8 recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Além do mais, quando as compensações foram declaradas, a ação judicial não havia transitado em julgado. Como relatado, a recorrente, por meio da apresentação de Declarações de Compensação, pleiteou a compensação de suposto crédito do IPI com débitos de diversos tributos com base no processo judicial nº 2000.80.00.0076897. Em consulta ao site do Tribunal Regional Federal da 5ª região constatase que essa ação judicial encontrase com o recurso de apelação da Fazenda Nacional pendente de apreciação. De tal sorte que é incontestável que no momento da apresentação das declarações de compensação, a ação judicial não havia transitado em julgado. Deste modo, aplicase a Lei Complementar nº 104, de 1012001, publicada no Diário Oficial da União de 11/01/2001, que acrescentou o art. 170A ao Código Tributário Nacional, que passou a vedar a compensação realizada antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.005635/200386 Acórdão n.º 3801000.660 S3TE01 Fl. 115 9 “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.”(grifouse) O dispositivo legal acima, por se tratar de autêntico comando processual, é dotado de aplicabilidade imediata a partir de sua publicação. Destarte, as compensações somente seriam possíveis após o trânsito em julgado da decisão judicial que a autorizou, conforme bem assentou a decisão recorrida. Não se pode perder de vista que a compensação é uma das modalidades de extinção do Crédito Tributário, cujo procedimento se dá entre créditos líquidos e certos com débitos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, segundo o art. 170 do CTN, que por sua vez remete à lei ordinária a disciplina da matéria: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” (grifouse). Desta forma, a Lei nº 9.430/96 estipulou as condições da compensação tributária, tendo estabelecido, em consonância com o art. 170A do CTN, como requisito para a compensação de crédito oriundo de ação judicial o trânsito em julgado, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”. (Redação dada pela Lei nº 10.637/2002) (grifouse) Ademais, em que pese a sentença favorável à interessada, as compensações não poderiam ter sido efetivadas antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial nos termos do art. 170A do CTN e do art. 74 Lei nº 9.430/96. Por outro lado, a recorrente insiste na tese de que ocorreu a homologação tácita das compensações objeto dessa lide administrativa com fundamento no art. 74 da Lei nº 9.430/96. A tese da interessada não pode prosperar. Tenhase presente que este processo administrativo tem por objeto a compensação de tributos federais. Como mencionado, a compensação é um dos meios de extinção do crédito tributário e se concretiza pelo encontro de contas entre a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Deste modo, o art. 74 da Lei nº 9.430/96 (e alterações) disciplina o regime de compensação no âmbito federal. Por seu turno, o § 5º deste dispositivo legal estabelece o prazo para a homologação da compensação: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.005635/200386 Acórdão n.º 3801000.660 S3TE01 Fl. 116 10 entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)(grifouse) Destarte, o prazo de cinco anos contase da data da entrega das declarações de compensação. No caso presente, constatase que as declarações de compensação foram entregues em 21/11/2003 e posteriormente retificadas em 01/09/2005, fls. 15 a 19. Anotese que a interessada foi cientificada do indeferimento das compensações em dezembro de 2008, fl. 31 e 32. Deste modo, resta examinar se o prazo para homologação da compensação é contado a partir da apresentação das declarações originais (21/11/2003) ou das retificadoras (01/09/2005). A Administração Fazendária já havia regulamentado esse prazo, conforme o disposto nos art. 29 e 59 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, que estava em vigor quando da apresentação das declarações de compensação retificadoras: Art. 29.(...) § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 59. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com os princípios que regem a Administração Pública. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolado os limites traçados na respectiva lei. A adoção de prazo diverso do previsto no art. 59 da IN SRF nº 460/2004 poderia acarretar enormes prejuízos ao erário, pois os sujeitos passivos poderiam compensar grandes débitos sem proporcionar à Fazenda Federal prazo razoável para o exame do encontro de contas. No caso em discussão, as declarações retificadoras foram entregues em 01/09/2005 e a interessada tomou ciência do despacho decisório que não homologou as compensações em dezembro de 2008, fl. 31 e 32, portanto dentro prazo assinalado na aludida Instrução Normativa. Em suma, não ficou configurada a homologação tácita das compensações. Registrese, ainda, que o fato da Administração não se ter pronunciado de forma definitiva em relação ao pedido de ressarcimento nº 10410.001102/0057 não influi no indeferimento das compensações nos termos das razões deste voto. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, na parte em que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria objeto desse Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.005635/200386 Acórdão n.º 3801000.660 S3TE01 Fl. 117 11 processo. Na parte conhecida, nego provimento ao recurso voluntário, não homologando as compensações. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2 011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002982/2008-42
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2007
Ementa. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. REFLEXOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
1. O lançamento em questão ocorreu em razão de exclusão do Sistema SIMPLES. A exclusão, segundo o Relatório Fiscal, se deu em virtude de a empresa ter optado indevidamente pelo sistema simplificado. A exclusão foi retroativa a partir do exercício de 2004, nos termos de Ato Declaratório próprio.
2. O efeito imediato da exclusão do SIMPLES é a exigibilidade de todas as contribuições previdenciárias previstas no ordenamento jurídico, ou seja, a empresa optante deixa de gozar dos benefícios destinados àqueles que cumprem o regramento de regência.
3. Na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa observou fielmente as disposições do art. 142 do CTN, que é a via própria para respaldar o trabalho da fiscalização. Não há, portanto, que se falar em via eleita imprópria para a constituição do crédito tributário, como afirma a recorrente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.776
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 23 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2007 Ementa. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. REFLEXOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. 1. O lançamento em questão ocorreu em razão de exclusão do Sistema SIMPLES. A exclusão, segundo o Relatório Fiscal, se deu em virtude de a empresa ter optado indevidamente pelo sistema simplificado. A exclusão foi retroativa a partir do exercício de 2004, nos termos de Ato Declaratório próprio. 2. O efeito imediato da exclusão do SIMPLES é a exigibilidade de todas as contribuições previdenciárias previstas no ordenamento jurídico, ou seja, a empresa optante deixa de gozar dos benefícios destinados àqueles que cumprem o regramento de regência. 3. Na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa observou fielmente as disposições do art. 142 do CTN, que é a via própria para respaldar o trabalho da fiscalização. Não há, portanto, que se falar em via eleita imprópria para a constituição do crédito tributário, como afirma a recorrente. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10935.002982/2008-42
conteudo_id_s : 6936212
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2803-001.776
nome_arquivo_s : 280301776_10935002982200842_201208.pdf
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10935002982200842_6936212.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4573732
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 07 09:08:20 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1779087135367757824
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-27T14:34:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-08-27T14:34:38Z; Last-Modified: 2019-08-27T14:34:38Z; dcterms:modified: 2019-08-27T14:34:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:b438b3e2-c245-4962-9655-8981d05e8a0d; Last-Save-Date: 2019-08-27T14:34:38Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-27T14:34:38Z; meta:save-date: 2019-08-27T14:34:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-27T14:34:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-08-27T14:34:38Z; created: 2019-08-27T14:34:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-08-27T14:34:38Z; pdf:charsPerPage: 2082; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2019-08-27T14:34:38Z | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.002982/200842 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 280301.776 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de agosto de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PEGASUS INDÚSTRIA DE PEÇAS PARA MOTOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2007 Ementa. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. REFLEXOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. 1. O lançamento em questão ocorreu em razão de exclusão do Sistema SIMPLES. A exclusão, segundo o Relatório Fiscal, se deu em virtude de a empresa ter optado indevidamente pelo sistema simplificado. A exclusão foi retroativa a partir do exercício de 2004, nos termos de Ato Declaratório próprio. 2. O efeito imediato da exclusão do SIMPLES é a exigibilidade de todas as contribuições previdenciárias previstas no ordenamento jurídico, ou seja, a empresa optante deixa de gozar dos benefícios destinados àqueles que cumprem o regramento de regência. 3. Na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa observou fielmente as disposições do art. 142 do CTN, que é a via própria para respaldar o trabalho da fiscalização. Não há, portanto, que se falar em via eleita imprópria para a constituição do crédito tributário, como afirma a recorrente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002982/200842 Acórdão n.º 280301.776 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, André Luís Marsico Lombardi e Paulo Roberto Lara Santos. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002982/200842 Acórdão n.º 280301.776 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas para as entidades e fundos denominadas Terceiros (FNDE – Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), não recolhidas aos cofres públicos no período de 01/2004 a 07/2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 07 de julho de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2007 AI nº 37.143.7318 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as pelas indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da incidência contributiva à Previdência Social e não se vislumbra nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. AUTO DE INFRAÇÃO. Os documentos de constituição do crédito previdenciário emitidos pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil passam a denominarse “Auto de Infração”, conforme artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, para descumprimento de obrigação principal e acessória. LAVRATURA DO AI. LEGITIMIDADE. É legítima a lavratura de auto de infração no local em foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. JUROS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Possui previsão legal a incidência de juros com base na taxa SELIC para fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995, sendo de caráter irrelevável. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002982/200842 Acórdão n.º 280301.776 S2TE03 Fl. 5 4 MULTA. APLICABILIDADE. A constatação da existência de crédito tributário devido e não recolhido pelo sujeito passivo configura ilícito que sujeira o infrator à aplicação de multa pecuniária nos termos da legislação de regência. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO PAGAMENTO. A apuração da aplicabilidade da regra do artigo 106, II, c do CTN às multas de que trata a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, só pede ser feita no momento do efetivo pagamento dos tributos exigidos. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A recorrente é empresa regularmente constituída e contribuinte cordata que sempre se submeteu às legislações tributárias editadas. E nem poderia ser diferente em face da presunção de legalidade e constitucionalidade de todas as normas até sua eventual invalidação. Verificouse que a empresa estava enquadrada no indevidamente Sistema Integrado de pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, motivo pelo qual foi excluída deste sistema, tendo tomado ciência desta data de exclusão em 11.07.2007, com efeitos retroativos a partir de 01/2004, exclusão inclusive, que se encontra em discussão junto ao Poder Judiciário, autuado na AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) sob nº 2009.70.04.0001173 (PR) da Justiça Federal de Umuarama – PR, no momento, aguardando julgamento junto ao Superior Tribunal de Justiça. Na lavratura do auto de infração o Agente fiscal, no momento da aplicação da multa e da atualização dos supostos créditos não observou a legislação pertinente quando aplicou a multa de 30% sobre o valor dos débitos, razão que deveria ter aplicado o previsto no § 1º do art. 61, da Lei 9.430/91. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002982/200842 Acórdão n.º 280301.776 S2TE03 Fl. 6 5 De qualquer forma, caso não seja este o entendimento, demonstrarseá, que a multa deve ser reduzida em 50% do valor aplicado, já que a Recorrente, apresentou as GFIP com as devidas informações dos débitos objeto deste auto de infração. Da mesma forma, não concorda a Recorrente com a aplicação da taxa Selic para a atualização dos débitos, e isto, diante da nova interpretação dada pelo STJ quanto a este tema. Data vênia, não concorda a Recorrente com a autuação, razão que postula pela insubsistência do mesmo, pela reforma da decisão da 7ª TURMA da DRJ/CTA. A via eleita é imprópria para a constituição do crédito tributário. Para constituição do crédito tributário – a legislação prevê um determinado procedimento para cada situação, assim, um para a obrigação principal e outro para obrigação acessória. No caso em tela, em se tratando de obrigação principal deveria ter o agente fiscal lavrada NFLD e não auto de infração. Caso semelhante a este já foi enfrentado pelo patrono da Recorrente, quando postulou a anulação da NFLD em outro processo em razão de ter sido a mesma lavrada fora do estabelecimento da empresa. Como demonstrado, desde já, postulase, se a tanto chegar ao afastamento da multa de ofício e a aplicação da multa calculada nos termos do art. 61, § 2º, da Lei 9.430/96, por se tratar de simples inadimplência tributária desprovida de dolo ou fraude. É indevida a incidência da SELIC. É ilegal a imposição e cobrança de multa de ofício. Face ao todo exposto, requerse digne esse r. Conselho: a) seja recebido e processado o presente Recurso Voluntário, para: b) diante dos fundamentos de ordem legal apresentados, os quais comprovam, já em análise de pronto, que auto de infração ora combatido, manifesta nulidades, inconstitucionalidades e ilegalidades, requerendo seja o mesmo cancelado, por ser totalmente insubsistente, e ainda, pela impropriedade da via eleita de constituição do crédito (auto de infração); c) seja afastada a aplicação da taxa Selic como forma de atualização dos débitos, aplicandose 1% a.m nos termos do art. 161, § 1º do CTN; d) seja afastada a multa de oficio, ainda mais porque as diferenças advieram devido a migração do SIMPLES NACIONAL, aplicandose somente a correção e atualização nos termos exigidos para as contribuições sociais, em razão da ausência de fraude do Recorrente e inexistência de descumprimento de obrigação acessória, nos termos do § 1º do art. 61, da Lei n. 9.430/96; e) protestase pela juntada de novos documentos, caso se faça necessário. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002982/200842 Acórdão n.º 280301.776 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em questão ocorreu em razão de exclusão do Sistema SIMPLES. A exclusão, segundo o Relatório Fiscal, se deu em virtude de a empresa ter optado indevidamente pelo sistema simplificado. A exclusão foi retroativa a partir do exercício de 2004, nos termos de Ato Declaratório próprio. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, a empresa tomou conhecimento da exclusão em 11/07/2007 e, por não concordar com a exclusão, manejou ação judicial visando sua manutenção no SIMPLES. Conforme informa a empresa em seu recurso o processo sob o nº 2009.70.04.0001173 (PR) da Justiça Federal de Umuarama – PR, no momento, aguarda julgamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ. Apesar das providências judicias tomadas pelo contribuinte, nada obsta a continuidade do processo administrativo fiscal, tendo em vista não constar nos autos qualquer determinação para sobrestamento do feito. Assim sendo, não vislumbro qualquer possibilidade de alterar o julgamento de primeira instância administrativa, porquanto realizado com absoluta coerência e bem fundamentado na legislação que rege a matéria. Como é do conhecimento geral, o efeito imediato da exclusão do SIMPLES é a exigibilidade de todas as contribuições previdenciárias previstas no ordenamento jurídico, ou seja, a empresa optante deixa de gozar dos benefícios destinados àqueles que cumprem o regramento de regência. As alegações trazidas pelo contribuinte são desprovidas de fundamentos legais passíveis de alterar os fatos. A multa aplicada, bem como os demais consectários legais, ao contrário das alegações da Recorrente, está em perfeita consonância com legislação tributária em vigor. Na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa observou fielmente as disposições do art. 142 do CTN, que é a via própria para respaldar o trabalho da fiscalização. Não há, portanto, que se falar em via eleita imprópria para a constituição do crédito tributário, como afirma a recorrente. No que se refere ao argumento do contribuinte de que o lançamento deveria ter ocorrido mediante lavratura de NFLD e não de Auto de Infração, concordo plenamente com o julgador ao quo, notadamente no seguinte ponto: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002982/200842 Acórdão n.º 280301.776 S2TE03 Fl. 8 7 Argui o impugnante, em preliminar, que a constituição do crédito tributário foi efetuada por meio de Auto de Infração, quando o correto deveria ser por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD. A este respeito, convém, esclarecer que com a publicação da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, DOU de 19/03/2007, nos termos do artigo 25, inciso I, a partir de 1º de abril de 2008, aplicouse os procedimentos fiscais de determinação e exigência dos créditos previdenciários o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972 0 PAF. Em virtude desse novo ordenamento jurídico, não foram mais permitidas as lavraturas de NFLD em procedimento fiscal. Os documentos de constituição do crédito previdenciário emitidos pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil passam a denominarse “Auto de Infração”, conforme artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1872, para descumprimento de obrigação principal e acessória. O lançamento, como já referido, se deu em perfeita consonância com a legislação tributária em vigor, nomeadamente o art. 142 do CTN. Portanto, as alegações de cerceamento de defesa e da existência de verdadeira miscelânea de leis que não individualizam as faltas de recolhimento da recorrente, não merecem prosperar. Com efeito, a infração ao ordenamento jurídico, logicamente se deu em virtude da exclusão da empresa do Sistema SIMPLES. A partir da publicação do Ato Declaratório de exclusão (que tem efeitos retroativos), a empresa perde as vantagens tributárias e passa a ter as mesmas responsabilidades das empresas não optantes. De outra parte, não há que se falar em indevida incidência da SELIC. No ponto, os membros do CARF são obrigados a observar a Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. De mais a mais, o contribuinte se limitou a afirmar que o critério adotado pela fiscalização para justificar o lançamento não tem amparo legal. Ao contrário das afirmações da recorrente, observase que os procedimentos levados a efeito pela autoridade administrativa incumbida da apuração do crédito tributário, bem como dos julgadores a quo, foram pautados em estrita observância da legislação tributária / previdenciária, não restando espaço para a promoção de qualquer alteração no lançamento. Destarte, mantenho o lançamento e decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos e nego provimento ao recurso do contribuinte. CONCLUSÃO. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10935.002982/200842 Acórdão n.º 280301.776 S2TE03 Fl. 9 8 Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 3/09/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10380.722261/2017-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 1002-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para que a Unidade de Origem: junte cópia das DIRFs retificadoras ativas referentes às retenções de IRRF de código 3280, ano-calendário de 2012, relativas a créditos não reconhecidos pelo Despacho Decisório e Acórdão recorrido; faculte ao recorrente a apresentação dos registros contábeis para comprovação dos créditos remanescentes relativos às retenções de IRRF, código 3280, ano-calendário de 2012, não eventualmente declaradas nas referidas DIRFs retificadoras ativas; elabore relatório circunstanciado conclusivo a respeito da procedência ou não do crédito remanescente vindicado.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 23 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202308
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10380.722261/2017-67
anomes_publicacao_s : 202309
conteudo_id_s : 6936029
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1002-000.462
nome_arquivo_s : Decisao_10380722261201767.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10380722261201767_6936029.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para que a Unidade de Origem: junte cópia das DIRFs retificadoras ativas referentes às retenções de IRRF de código 3280, ano-calendário de 2012, relativas a créditos não reconhecidos pelo Despacho Decisório e Acórdão recorrido; faculte ao recorrente a apresentação dos registros contábeis para comprovação dos créditos remanescentes relativos às retenções de IRRF, código 3280, ano-calendário de 2012, não eventualmente declaradas nas referidas DIRFs retificadoras ativas; elabore relatório circunstanciado conclusivo a respeito da procedência ou não do crédito remanescente vindicado. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2023
id : 10091871
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 07 09:07:53 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1779087135369854976
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-20T13:53:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-20T13:53:25Z; Last-Modified: 2023-08-20T13:53:25Z; dcterms:modified: 2023-08-20T13:53:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-20T13:53:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-20T13:53:25Z; meta:save-date: 2023-08-20T13:53:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-20T13:53:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-20T13:53:25Z; created: 2023-08-20T13:53:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2023-08-20T13:53:25Z; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-20T13:53:25Z | Conteúdo => 0 S1-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10380.722261/2017-67 Recurso Voluntário Resolução nº 1002-000.462 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 9 de agosto de 2023 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente COOPERATIVA DOS MEDICOS ANESTESIOLOGISTAS DO CEARA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para que a Unidade de Origem: junte cópia das DIRFs retificadoras ativas referentes às retenções de IRRF de código 3280, ano-calendário de 2012, relativas a créditos não reconhecidos pelo Despacho Decisório e Acórdão recorrido; faculte ao recorrente a apresentação dos registros contábeis para comprovação dos créditos remanescentes relativos às retenções de IRRF, código 3280, ano-calendário de 2012, não eventualmente declaradas nas referidas DIRFs retificadoras ativas; elabore relatório circunstanciado conclusivo a respeito da procedência ou não do crédito remanescente vindicado. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/01. 1) Despacho Decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório manual, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza – DRF/Fortaleza, fls. 230 a 195, referente às DCOMPs abaixo relacionados: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 22 26 1/ 20 17 -6 7 Fl. 426DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 1002-000.462 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.722261/2017-67 Consta no Despacho Decisório, emitido pelo SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA – SEORT da DRF/Fortaleza, em resumo que: · a norma jurídica restringe a compensação ao imposto incidente sobre as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à sua disposição (código 3280), não se referindo, entretanto, ao imposto incidente sobre a remuneração de serviços prestados a pessoas jurídicas pelas cooperativas (p. ex. código 1708). · a matéria relativa a imposto retido na fonte por cooperativa de trabalho foi objeto de processo de consulta junto a Secretaria da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, ensejando a Decisão nº 288, de 02 de outubro de 1997, de cujo relatório é possível constatar que se trata de questão análoga à versada nos autos: ...Transcreve. · Depreende-se da decisão supra que: 1. o imposto de renda na fonte decorrente das importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho poderá ser compensado com o imposto de renda retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados; 2. os valores que a cooperativa não tiver logrado compensar nessas condições poderá ser objeto de pedido de restituição, o qual deve observar o que estabelece a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, vigente à época dos fatos; 3. os valores excedentes, dentro de um determinado mês, podem ser compensados nas retenções relativas a meses subseqüentes, até dezembro, dentro de um mesmo ano- calendário. · o imposto de renda retido na fonte descontado pelas fontes pagadoras, sob o código 3280, era passível de compensação com o imposto a ser retido pela cooperativa nos pagamentos aos seus cooperados; · somente seria passível de restituição desde que a cooperativa comprovasse, a cada ano calendário, a impossibilidade de sua compensação, observando-se às disposições da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos; · resta analisar a pertinência do IRRF da Cooperativa de Trabalho, objeto das DCOMP's apresentadas pela COOPANEST CE; · sob o código 3280, constam DIRF's de fontes pagadoras relacionadas na planilha acostada às fls. 187/189; · do confronto entre PER/DCOMP's e DIRF's, observa-se que em parte dos meses do ano-calendário em foco, o interessado pleiteou valor superior ao IRRF decorrente do trabalho de cooperativa (cod. 3280), nos termos demonstrados na tabela de fls. 233 a 242. Todavia, tais valores devem ser deferidos até o montante efetivamente retido; Fl. 427DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 1002-000.462 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.722261/2017-67 Ao final, do valor de R$ 810.275,89 pleiteado, reconhece o valor de R$ 727.868,18, deixando de reconhecer uma diferença de R$ 82.407,71, nos termos da tabela de fl. nas DCOMPs analisadas, nos termos da tabela de fl. 242, a seguir reproduzida: 2) Manifestação de Inconformidade. Cientificada do Despacho Decisório em 11/04/2017 (AR de fl. 163), irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade tempestiva em 09/05/2017. Após analisar o conteúdo dos indeferimentos, aponta ter constatado "que sua origem está tanto nos códigos de tributo utilizados, quanto na falta de informação dos tomadores dos serviço", prosseguindo: (...) A Requerente ao analisar o conteúdo dos indeferimentos, constatou que sua origem está tanto nos códigos de tributo utilizados, quanto na falta de informação dos tomadores dos serviços, onde não foi observado que o IRRF retido de Cooperativa deve ser recolhido com o código 3280, Em demonstrativo elaborado com base nas informações constantes no relatório das fontes pagadoras e as Perdcomps ora indeferidas, fica evidente que não há débito de IRRF, há apenas a necessidade de informação e retificação das DIRFs das fontes pagadoras, colocando tanto o código 3280, quanto enviando a obrigação acessória com a devida informação, visto que imposto foi retido pelo tomador de serviços. Urge, portanto, a reanálise das retenções de IRRF realizadas pelos tomadores de serviços dos cooperados da COOPANEST-CE, onde, certamente, será verificado que as retificações já estão sendo procedidas. O RIR/1999 criou uma obrigação (de reter o IR) para o tomador de serviço/fonte pagadora e, diante dessa obrigação, garantir o direito de compensação (dessa retenção de IR) ao prestador do serviço. Em relação ao código 3280, o MAFON vem orientar o tomador do serviço e lhe atribuir a responsabilidade de reter e recolher o IR no código 3280. Ou seja, essa responsabilidade é do tomador do serviço; de modo que não se pode atribuir responsabilidade ao prestador do serviço sobre uma obrigação que de fato não é dele e que está absolutamente fora de seu controle. A responsabilidade, como já dissemos, é dos tomadores de serviços não comportando à Cooperativa responsabilidades sobre a devida informação. O fato é que houve sim repasse de montante pecuniário da COOPANEST-CE para os cofres da União Federal, nos exatos mesmos valores do IRRF declarado pela Cooperativa, o que, por si só, já assegura a lisura e boa-fé do contribuinte. Os contribuintes já foram notificados a prestar a informação omitida na obrigação acessória da Receita Dirf, estamos no aguardo da devida regularização, visto que houve de fato a retenção. Por fim, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: Fl. 428DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 1002-000.462 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.722261/2017-67 a) que seja revisto o Despacho Decisório para considerar em seu conteúdo as informações atualizadas depois das retificações das DIRFs, efetuadas pelos tomadores dos serviços da Cooperativa; b) que a responsabilidade de retenção na fonte dos valores referentes ao IRRF, inclusive as obrigações acessórias, é dos tomadores de serviços da Cooperativa. c) que sejam anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: - Relatório das Fontes Pagadoras atualizado; - Cópias das Notas Fiscais comprovando a retenção pelo tomador que não repassou a informação na obrigação acessória DIRF. (...) Ao final, requer “que sejam acolhidos os argumentos e provas ora acostadas, com a decisão pela inteira procedência da presente Manifestação de Inconformidade e reconhecido o direito creditório requerido, objeto do presente processo administrativo". A Manifestação de Inconformidade foi julgada procedente em parte pela DRJ/01, conforme acórdão n. 101-014.726, de 03 de dezembro de 2021 (e-fl. 267), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 Ementa COMPENSAÇÃO. REQUISITOS PARA A DEDUÇÃO DO IR RETIDO NA FONTE. O Imposto de Renda retido na fonte só pode ser deduzido na declaração de pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Tal documento deve conter todas as informações específicas na IN SRF 119/2000. As DIRFs emitidas pelas fontes pagadoras são consideradas provas equivalentes. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário de e-fls. 274. É o relatório do necessário à análise que se pretende empreender neste momento processual. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, relator. Trata-se de processo formalizado para tratamento manual das declarações de compensação relacionadas a seguir, por meio das quais o interessado utilizou créditos indicados a título de 1RRF incidente sobre pagamentos efetuados por PJ à cooperativa de trabalho - código de receita 3280 — do ano-calendário 2012, para compensar débitos próprios do mesmo ano a título de IRRF incidente sobre pagamentos de rendimentos aos cooperados ou associados: Fl. 429DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 1002-000.462 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.722261/2017-67 O interessado indica como créditos nas referidas declarações valores que teriam sido retidos por diversas fontes pagadoras durante o ano-calendário de 2012, a título de IRRF incidente sobre pagamentos efetuados por PJ à cooperativa de trabalho (código de receita 3280). Ocorre que foram constatadas divergências nos sistemas informatizados da Receita Federal entre os valores de IRRF, código de receita 3280, ano-calendário 2012, informados nas referidas declarações, e os valores declarados nas D1RF apresentadas pelas fontes pagadoras. Disso resultou, primeiramente, a emissão de Despacho Decisório deferindo parcialmente o crédito vindicado e, num segundo momento, o reconhecimento de nova parcela suplementar de crédito pelo acórdão recorrido. Nas suas razões de defesa, o Recorrente alega ocorrência de inconsistências e omissões de informações prestadas pelas Fontes Pagadoras, afirmando, contudo, que as retenções efetivamente ocorreram, juntando tabelas analíticas e dezenas de notas ficais que supostamente comprovariam a existência dos créditos vindicados, requerendo, ainda, o que segue (destaques deste relator): Diante do exposto, requer a recorrente: a) a manutenção do fundamento da r. decisão administrativa, com a pertinente alteração do dispositivo, de modo a, após a devida verificação no “sistema DIRF” e notas fiscais anexadas, referente aos valores mencionados e devidamente identificados nas PERDCOMP’s com final 3666, 4039, 6059, 0028, 6104, 4194 9041, 7056, 9384 e 1886 já anexados aos autos, com o reconhecimento de um novo montante para compensação, no total de R$ 80.873,27. Do exame dos autos, entende-se que o processo não se encontra em condições de julgamento, pelas razões expostas a seguir. Em primeiro lugar, convém trazer à baila os fundamentos principais do não reconhecimento integral do pleito do interessado, expressos no acórdão de Manifestação de Inconformidade (destaques deste relator): (...) E no caso em tela, os documentos apresentados pelo interessado não comprovam o direito creditório pretendido, pois não há nos autos os informes de rendimentos para constatação dos valores auferidos e retidos em cada mês, conforme previsto no art. 943, § 2º, do RIR/99 (revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018). Contudo, a despeito da incompleta comprovação e da forma não demonstrativa que declarou as retenções na Perdcomp, entende-se que as aquelas retenções na fonte, declaradas nos “Demonstrativos da Constituição do Crédito - IRRF Cooperativas", de cada uma das PerDcomps, podem ser confirmadas, quando possível, pelos registros constantes nos bancos de dados da Receita Federal, com base nas informações prestadas pelas fontes pagadoras na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). Extraiu-se, então, o relatório de fl. 266, que traz a listagem atualizada de todas as retenções declaradas em DIRF tendo a interessada como beneficiária, nos códigos 3280 e 1708. Cotejando estes valores atualizados, com as retenções que subsidiariam os créditos pleiteados, que constam dos “Demonstrativos da Constituição do Crédito - IRRF Cooperativas", de cada uma das PerDcomps, localizou-se, de fato, alguns valores retidos na fonte, não reconhecidos originalmente, que devem ser ora reconhecidos, conforme listados a seguir: Fl. 430DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 1002-000.462 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.722261/2017-67 DEMONSTRATIVO DAS RETENÇÕES LOCALIZADAS/RECONHECIDAS No caso, considerando os novos valores retidos na fonte ora localizados, deve ser reconhecido o valor de R$ 1.534,44, adicionalmente ao valor de R$ 727.868,18 que já havia reconhecido originalmente no Despacho Decisório pela Autoridade Fiscal. Como se observa dos trechos destacados, o acórdão recorrido reconheceu créditos adicionais em favor do então manifestante por meio da verificação de listagem atualizada das retenções. O ato de reconhecimento de crédito suplementar pelo acórdão recorrido por meio de “listagem atualizada das retenções” (ao que tudo indica, DIRFs retificadoras Ativas) parece confirmar as alegações do então manifestante, no sentido de que os tomadores de serviços foram notificados para efetuar as devidas retificações das informações prestadas com erro nas DIRF por eles apresentadas. Confira-se: Cabe registrar que, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, smj, não se encontra juntado às folhas 266 deste processo o relatório contendo a listagem atualizada de todas as retenções declaradas em DIRF, a partir do qual foram reconhecidos créditos adicionais em favor do interessado. Em razão disso, não fica claro se o acórdão recorrido reconheceu créditos adicionais a título de retenções de IRRF a partir de revisão das DIRFs já constantes do presente processo ou se tal reconhecimento foi decorrente da análise de DIRFs retificadoras. À vista de tais circunstâncias, é necessário que o processo seja baixado em diligência a fim de fim de que sejam verificadas possíveis retificações de DIRF das fontes pagadoras relativas aos valores não comprovados, constantes dos PER/DCOMPs apresentados, que possam dar amparo ao reconhecimento do crédito remanescente pretendido, objetivando a preservação do direito de defesa do Recorrente e em prestígio ao princípio da verdade material. Assim, propõe-se a realização de diligência para que a Unidade de Origem: Fl. 431DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 1002-000.462 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.722261/2017-67 a) junte cópia das DIRFs retificadoras ativas referentes às retenções de IRRF de código 3280, ano-calendário de 2012, relativas a créditos não reconhecidos pelo Despacho Decisório e Acórdão recorrido; b) faculte ao recorrente a apresentação dos registros contábeis relativos às retenções de IRRF de código 3280 do ano-calendário de 2012 não eventualmente declaradas nas referidas DIRFs retificadoras ativas; c) exija do interessado outros documentos que entenda pertinentes à comprovação do crédito em discussão; d) elabore relatório circunstanciado conclusivo a respeito da procedência ou não do crédito remanescente vindicado; e) dê ciência ao Recorrente a respeito das conclusões da diligência, abrindo-lhe prazo de 30 dias para fazer as considerações que julgar pertinentes. É como voto. Aílton Neves da Silva Fl. 432DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11070.721104/2011-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - RRA. CÁLCULO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA.
No cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo corresponder ao valor recebido mês a mês.
Numero da decisão: 2001-006.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para executar o recálculo do IRPF, relativo ao rendimento recebido acumuladamente, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 07 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202308
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - RRA. CÁLCULO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. No cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo corresponder ao valor recebido mês a mês.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 11070.721104/2011-13
anomes_publicacao_s : 202310
conteudo_id_s : 6944610
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2001-006.463
nome_arquivo_s : Decisao_11070721104201113.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : MARCELO ROCHA PAURA
nome_arquivo_pdf_s : 11070721104201113_6944610.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para executar o recálculo do IRPF, relativo ao rendimento recebido acumuladamente, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
id : 10110449
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 07 09:08:12 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1779087135383486464
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-09-14T15:00:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-09-14T15:00:48Z; Last-Modified: 2023-09-14T15:00:48Z; dcterms:modified: 2023-09-14T15:00:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-09-14T15:00:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-09-14T15:00:48Z; meta:save-date: 2023-09-14T15:00:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-09-14T15:00:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-09-14T15:00:48Z; created: 2023-09-14T15:00:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2023-09-14T15:00:48Z; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-09-14T15:00:48Z | Conteúdo => S2-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11070.721104/2011-13 Recurso Voluntário Acórdão nº 2001-006.463 – 2ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 22 de agosto de 2023 Recorrente ERNESTO SILVESTRI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - RRA. CÁLCULO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. No cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo corresponder ao valor recebido mês a mês. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para executar o recálculo do IRPF, relativo ao rendimento recebido acumuladamente, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 11 04 /2 01 1- 13 Fl. 53DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.463 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.721104/2011-13 O contribuinte recebeu Notificação de Lançamento (fls. 12/15), exigindo-lhe imposto de renda pessoa física suplementar no valor de R$ 6.681,91, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao ano-calendário 2007, resultando no crédito tributário de R$ 13.636,43, calculado até 28/02/2011, devido à omissão de rendimentos decorrentes de ação na Justiça Federal contra o INSS, no valor de R$ 68.249,31. Na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto de renda retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 2.575,15. O interessado, por seu procurador, apresentou impugnação tempestiva (fl. 03) alegando que os valores não declarados no IRPF ano-base 2007 são rendimentos recebidos acumuladamente através de Ação Judicial contra o INSS, na CEF, que se tivessem sido recebidos nas épocas próprias (31/07/1999 a 30/04/2005), não geraria imposto a pagar como comprovam as planilhas em anexo. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos pagos acumuladamente em data anterior a 28/07/2010, devem ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual relativa ao ano-calendário do efetivo recebimento dos valores, somando-os aos demais rendimentos auferidos no período. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/07/2013, o sujeito passivo interpôs, em 31/07/2013, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente em ação judicial deve ser feita sobre as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, mês a mês, e não sobre o montante global É o relatório. Voto Conselheiro(a) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Da Admissibilidade A impugnação apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações posteriores. Da Matéria em Julgamento A matéria constante na presente autuação devolvida a este Conselho para reanálise por meio de Recurso Voluntário é a omissão de rendimentos recebidos do INSS, CNPJ nº 29.979.036/0001-40, no valor de R$ 68.249,31. Do Mérito Dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente Fl. 54DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.463 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.721104/2011-13 O recorrente solicita que o presente seja recalculado e cobrado de acordo com os entendimentos recentes do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, ou seja, que o imposto de renda seja calculado mês a mês com base nas tabelas e alíquotas vigentes nas épocas próprias. De fato, verifica-se, pelos documentos (e-fls. 7/9 e 42/43), que o contribuinte recebeu rendimentos de forma cumulada, referentes ao período de Julho/1999 a Abril/2005, decorrentes de revisão da renda mensal de seu benefício previdenciário e sobre o seu montante houve a incidência de imposto de renda pessoa física pela sistemática do regime de caixa. Pois bem! É de notório conhecimento que tal assunto já foi pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigos 1.036 a 1.041 do Novo Código de Processo Civil, que assentou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que determinava, para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, a aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido. A tese do citado Recurso Extraordinário é transcrita abaixo: O Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez. Isto posto e considerando que trata-se de rendimentos recebidos de forma acumulada e, tendo por principio o atendimento do disposto no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, bem como das disposições contidas no §2º do artigo 62, do RICARF, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 55DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.463 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11070.721104/2011-13 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Neste ponto, assiste razão ao interessado. Conclusão Dessa forma, como foi devidamente comprovado a percepção cumulada de rendimentos, entendo que o imposto sobre a renda, incidente sobre estes, deve ser recalculado sendo apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global, pago extemporaneamente. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito DOU-LHE PROVIMENTO PARCIAL para executar o recálculo do IRPF, relativo ao rendimento recebido acumuladamente, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 56DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16692.720259/2019-88
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-002.145
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo no CARF até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendolhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.132, de 16 de dezembro de 2021, prolatada no julgamento do processo 16692.720250/2019-77, paradigma ao qual o presente processo foi
vinculado.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARÃES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 07 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202112
numero_processo_s : 16692.720259/2019-88
conteudo_id_s : 6943996
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3302-002.145
nome_arquivo_s : Decisao_16692720259201988.pdf
nome_relator_s : VINICIUS GUIMARÃES
nome_arquivo_pdf_s : 16692720259201988_6943996.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo no CARF até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendolhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.132, de 16 de dezembro de 2021, prolatada no julgamento do processo 16692.720250/2019-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2021
id : 10110268
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 07 09:08:12 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1779087135390826496
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-03-26T18:49:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: OmniPage CSDK 19; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; pdfa:PDFVersion: A-1b; language: pt; dcterms:created: 2022-03-26T18:49:17Z; Last-Modified: 2022-03-26T18:49:17Z; dcterms:modified: 2022-03-26T18:49:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2022-03-26T18:49:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: OmniPage CSDK 19; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-03-26T18:49:17Z; meta:save-date: 2022-03-26T18:49:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-03-26T18:49:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; pdfaid:conformance: B; dc:language: pt; meta:creation-date: 2022-03-26T18:49:17Z; created: 2022-03-26T18:49:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2022-03-26T18:49:17Z; pdf:charsPerPage: 2728; access_permission:extract_content: true; pdfaid:part: 1; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-03-26T18:49:17Z | Conteúdo => 0 S3-C3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16692.720259/2019-88 Recurso Voluntário Resolução nº 3302-002.145 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de dezembro de 2021 Assunto SOBRESTAMENTO Recorrente AMBEV S.A Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo no CARF até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.132, de 16 de dezembro de 2021, prolatada no julgamento do processo 16692.720250/2019-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Vinicius Guimaraes - Presidente em Exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Vinicius Guimaraes (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Larissa Nunes Girard, o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Vinicius Guimaraes. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. O presente processo tem por objeto o Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para aplicação de multa, decorrente da realização de compensação considerada não homologada. A DRJ, ao analisar a impugnação apresentada pela Recorrente, julgou-a improcedente, por entender que a multa, por expressa previsão legal, deve ser mantida. Cientificada da decisão piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário, reproduzindo, em síntese, as alegações de defesa que, pleiteia o afastamento da multa em razão (i) da existência de bis in idem; (ii) ausência de má-fé; e (iii) da inconstitucionalidade da multa. Fl. 379DF CARF MF Original Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1023.10269.J1CF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1023.10269.J1CF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 da Resolução n.º 3302-002.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.720259/2019-88 É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O Auto de Infração objetiva exigência de multa isolada correspondente a 50% (cinquenta por cento) do valor do crédito não compensado, nos termos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. As declarações de compensações vinculadas ao pedido de ressarcimento não homologadas e/ou homologada parcialmente, que ensejaram a aplicação da multa isolada aqui discutida, são objeto do processo administrativo nº 10880.934774/2018-69, ainda não julgado definitivamente. Neste caso, entendo que os processos são decorrentes, nos termos que dispõe o inciso II, do §1º, do artigo 6º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pelo anexo II, da Portaria MF nº 343/2015, abaixo transcrito: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando- se a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em Fl. 380DF CARF MF Original Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1023.10269.J1CF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1023.10269.J1CF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 da Resolução n.º 3302-002.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16692.720259/2019-88 diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. No mesmo sentido, é a previsão contida no parágrafo único do artigo 12 da Portaria CARF nº 34/2015, a saber: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. Neste contexto, entendo que a decisão proferida no processo nº 10880.934774/2018-69, que trata da não homologação dos pedidos de compensação e/ou homologação parcial, deve ser refletida neste processo. Diante do exposto, voto no sentido de sobrestar o julgamento do processo no CARF, para que seja juntada a decisão definitiva do processo nº 10880.934774/2018-69, retornando, em seguida, para julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de sobrestar o processo no CARF até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado. (documento assinado digitalmente) Vinicius Guimaraes - Presidente em Exercício e Redator Fl. 381DF CARF MF Original Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1023.10269.J1CF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP02.1023.10269.J1CF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 04/03/2022 14:37:00 por VILMA SANTOS DA GRACA. Documento assinado digitalmente em 18/03/2022 16:32:43 por VINICIUS GUIMARAES. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 02/10/2023. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP02.1023.10269.J1CF Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 271BF38C0E1D5C117A7AE40445753E838AD6810783EF8628FCFAF985034AEFAD Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16692.720259/2019-88. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo. Page 1 Page 2 Page 3
score : 1.0
Numero do processo: 19649.000011/2007-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
A fase litigiosa somente se instaura se apresentada, tempestivamente, a manifestação de inconformidade, contendo as matérias expressamente contestadas, consoante disposto no art. 14, c/c o art. 17, ambos do Decreto n° 70.235/72, respeitando-se
o princípio processual da dupla jurisdição.
Os limites do litígio são determinados pelos argumentos submetidos à primeira instância.
Numero da decisão: 3801-000.751
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso apresentado.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 30 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201105
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada, tempestivamente, a manifestação de inconformidade, contendo as matérias expressamente contestadas, consoante disposto no art. 14, c/c o art. 17, ambos do Decreto n° 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição. Os limites do litígio são determinados pelos argumentos submetidos à primeira instância.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 19649.000011/2007-87
conteudo_id_s : 6941476
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3801-000.751
nome_arquivo_s : Decisao_19649000011200787.pdf
nome_relator_s : JOSE LUIZ BORDIGNON
nome_arquivo_pdf_s : 19649000011200787_6941476.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso apresentado.
dt_sessao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
id : 10105550
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 07 09:08:08 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1779087135391875072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1401; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 94 1 93 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19649.000011/200787 Recurso nº 867.417 Voluntário Acórdão nº 380100.751 – 1ª Turma Especial Sessão de 5 de maio de 2011 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente OXIQUÍMICA AGROCIÊNCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada, tempestivamente, a manifestação de inconformidade, contendo as matérias expressamente contestadas, consoante disposto no art. 14, c/c o art. 17, ambos do Decreto n° 70.235/72, respeitandose o princípio processual da dupla jurisdição. Os limites do litígio são determinados pelos argumentos submetidos à primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso apresentado. assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 12/05/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), Flávio de Castro Pontes, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Sidney Eduardo Stahl, Daniela Ribeiro de Gusmão e José Luiz Bordignon. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 19649.000011/200787 Acórdão n.º 380100.751 S3TE01 Fl. 95 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em destaque. O pleito foi indeferido porque, no processo n° 13856.000019/200215, a interessada já havia solicitado o mesmo ressarcimento o qual já tinha sido definitivamente negado. A manifestação de inconformidade apresentada nada menciona sobre o presente despacho denegatório, insurgindose contra as razões do indeferimento anterior”. A Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DO CRÉDITO. PEDIDO EM DUPLICIDADE. Não se conhece da manifestação contra o indeferimento do pedido de ressarcimento que está em duplicidade com igual pleito já definitivamente negado em processo anterior do requerente. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente contestada na manifestação de inconformidade é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme reclamação de fls. 71 a 77, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 4 • Que a recorrente pretende ter o seu direito resguardado referente ao pedido de ressarcimento de IPI, conforme dispõe art. 11 da lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que foi objeto do pedido administrativo n°13856.000019/200215 — que fora indeferido pela 2ª turma da DRJ/RPO. • Que o agente tributante informa a existência do direito do crédito, porém indeferiu o pedido do contribuinte por supor que este não assumiu o ônus do IPI pago na aquisição do insumo, afrontando o princípio da ampla defesa do processo administrativo. • Que no processo administrativo deve prevalecer o princípio da verdade material, devendo os agentes fiscais e órgãos julgadores respeitar o princípio da verdade material para constituir o direito creditório do contribuinte sob pena de afronta ao direito do contraditório do contribuinte. Requer: Em fase do exposto requer a Vossa Senhoria que acolha o presente recurso, e ao final que seja reformada a decisão ora atacada e ao final julgada procedente para declarar o direito creditório da Impugnante e homologar o pedido de ressarcimento formulado perante esta ilustre delegacia da receita federal de Ribeirão Preto. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 19649.000011/200787 Acórdão n.º 380100.751 S3TE01 Fl. 96 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator Como visto anteriormente, a contribuinte solicitou, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 033, de 1999, o ressarcimento do crédito de IPI referente ao 4º trimestre de 2001. No entanto, compulsandose as peças que compõem o presente processo, verificase que a interessada já havia requerido, em 01 de fevereiro de 2002, o ressarcimento dos créditos excedentes do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente ao período outubrodezembro de 2002, de que trata o artigo 11 da Lei n o 9.779, de 19 de janeiro de 1999, regulamentado pela Instrução Normativa n° 033, de 04 de março de 1999 (fls. 31/32). O Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, por ocasião da análise do pleito da interessada, assim se manifestou (fls. 46 e 47): “ (...) o exame dos documentos juntados às fls. 28/39, demonstra, de antemão, tratarse de pedido de ressarcimento em duplicidade — o contribuinte já havia formulado pedido de ressarcimento relativamente ao mesmo tributo e período de apuração, através de processo administrativo anterior (nº. 13856.000019/200215), protocolado em 01/02/2002. Em razão da solicitação então efetuada, o referido período de apuração (4° trimestre/2001) foi objeto de ação fiscal conforme se vê às fls. 28/29, tendo a fiscalização concluído, à época, que o contribuinte não fazia jus ao ressarcimento solicitado no período mencionado. Em face do que, o pedido de ressarcimento foi indeferido conforme despacho decisório de fls. 30. À vista do exposto, descabem maiores considerações — tratandose de solicitação em duplicidade, relativamente a período de apuração que já tenha sido objeto de pedido de ressarcimento indeferido em processo administrativo anterior, não há qualquer direito creditório passível de reconhecimento ao contribuinte, decorrente do presente processo. (...) Conforme informação acima e legislação pertinente à espécie, INDEFIRO o Pedido de Ressarcimento de fls. 01/27, transmitido eletronicamente em 15/07/2004, referente ao período acima mencionado”.(grifos acrescidos) Por seu turno, a autoridade julgadora de primeira instância não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, uma vez que a defendente tratou Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 6 tão somente das razões do indeferimento do despacho decisório referente ao processo nº 13856.000019/200215, não se manifestando sobre as razões do despacho denegatório referente ao presente processo, qual seja, um pedido em duplicidade daquilo que já tinha sido definitivamente negado na via administrativa. Com efeito, analisada a impugnação apresentada pela interessada, não há menção dessa matéria em seu texto. Na sua peça recursal, fls. 63/69, a recorrente segue a mesma linha de defesa, contestando o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento de que trata o processo nº 13856.000019/200215, ignorando completamente as razões do indeferimento exaradas no parecer de fls. 42/43. Desse modo, consoante disposto nos artigos abaixo transcritos, a matéria objeto do presente processo reputase incontroversa. Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. (...) § 10 Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002: Art. 35. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do ato que não homologou a compensação de débito lançado de ofício ou confessado, apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. § 1o Da decisão que julgar a manifestação de inconformidade do sujeito passivo caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de trinta dias, contado da data de sua ciência. § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso a que se referem o caput e o § 1o regerseão pelo disposto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada, tempestivamente, a manifestação de inconformidade, contendo as matérias expressamente contestadas, ou seja, são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 19649.000011/200787 Acórdão n.º 380100.751 S3TE01 Fl. 97 7 Assim, por força da norma processual tributária e os princípios que regem o processo administrativo fiscal, precipuamente o principio do duplo grau de jurisdição, a matéria objeto do presente processo (pedido de ressarcimento do crédito de IPI art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 033, de 1999), cuja decisão da autoridade fiscal foi no sentido de indeferir a respectiva demanda, não homologando a compensação requerida, em razão do contribuinte já ter formulado o mesmo pedido, através do processo administrativo nº 13856.000019/200215, temse precluso o direito da interessada em contestála nessa esfera administrativa, sendo defeso a esse órgão colegiado apreciar matéria que não constou da lide quando do julgamento em instância inferior. Por fim, quanto ao principio da verdade material trazido a debate pela recorrente, por entender que os princípios gerais do Direito, dentre os quais está o princípio da verdade material, é um orientador, um caminho a seguir, todavia ele não pode e nem tem o objetivo de afastar texto expresso de lei. Isto porque os princípios servem para interpretar as leis ou suprir eventual lacuna, mas jamais podem ser utilizados como norma de hierarquia superior. Assim, diante de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de não conhecer do recurso apresentado, por ausência de litígio, mantendose a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 12/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
score : 1.0
