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Numero do processo: 15504.018032/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.295
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2006
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o Fisco informe se o crédito lançado foi objeto de Parcelamento.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: Não se aplica
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que o Fisco informe se o crédito lançado foi objeto de Parcelamento. Liege Lacroix Thomasi – Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 18 03 2/ 20 08 -2 3 Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo PROMOVE SEVRIÇOS EDUCACIONAIS LTDA E OUTROS em face da decisão da 7ª Turma da DRJ/BHE que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito exigido no Auto de Infração 37.052.8247. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 21/32, o crédito lançado referese à contribuição destinada à Seguridade Social a cargo dos segurados empregados, descontadas dos mesmos e não repassada aos cofres públicos, no período de 13/2003 a 01/2007. A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09421018, do Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF, fls. 86/87, do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, fls. 188 e 190/191, tendo sido encerrada em 23/10/2008, conforme Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, fls. 192/193. (as folhas citadas são do processo 15504.018030/200834 a que este está apensado). O crédito previdenciário foi constituído no montante de R$ 775.278,97 (setecentos e setenta e cinco mil duzentos e setenta e oito reais e noventa e sete centavos). De acordo com a fiscalização em, ficou constatado o interesse comum entre as seguintes empresas: Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda, CNPJ. 05.385.879/0000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, CNPJ. 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, CNPJ. 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, CNPJ.05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, CNPJ. 04.901.337/000120; Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda, CNPJ. 02.636.995/000107; Promove Participações Ltda, CNPJ. 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda, CNPJ. 05.376.559/000134; Promove Cursos Livres e Mercantil, CNPJ. 42.975.896/000174, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, CNPJ. 05.399.437/000163, Sociedade Educacional Sistema Ltda., CNPJ. 23.840.945/000117. Restando configurada a sujeição passiva entre elas, foram emitidos em nome das empresas os Termos de Sujeição Passiva cuja ciência ocorreu no PAF 15504.018030/200834 (fls. 213/222, 226 e 227). Ainda no relatório, informa o auditor que a Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, nos termos do art. 133 do CTN por ter adquirido do grupo PROMOVE o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca", continuando a explorar a antiga atividade econômica da autuada. Para o exercício das atividades então pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente (fls. 139 a 150 do PAF 15504.018030/200834). Em segundo ato, a SOEBRAS através do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial — TRESPASSE, adquiriu das empresas do grupo todo o Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 4 3 complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, incluindo todo o ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins (fls. 151 a 159 do PAF 15504.018030/200834). Com isso, a SOEBRAS fez constar em seu balanço patrimonial, em 31/12/2007, a referida aquisição, lançando em seu ativo diferido o montante de R$ 14.383.436,00 referente a incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES, incluindo a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, semoventes e afins. Todavia, informa ainda o auditor, a Autuada (Promove Serviços) não procedeu as devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último arquivamento nesse órgão o contrato de alienação mencionado conforme registro de n° 3818113 (fls. 108/109 do PAF 15504.018030/200834). Registra também que a autuada não cumpriu com as obrigações frente à administração tributária, permanecendo ativa no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica. A Autuada após ciência do auto de infração, em 12/11/2008, apresentou defesa juntamente com a empresa Promove Serviços Educacionais Ltda, Promove Participações Ltda, o sócio Luiz Magno da Silva Saramago, o sócio Hélio Soares Bazzoni, o sócio João Bosco Fontoura, o sócio Paulo Estevam da Silva Bastos, o sócio José Alyrio Bicalho Mourdo, Sociedade Educacional Sistema Ltda, Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda, Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi S/C Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda, Pampulha Ensino Fundamental Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda, Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda, Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda, Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda e o sócio Carlos Alberto Moreira, fls. 97/121, alegando em síntese: a) ILEGITIMIDADE DOS CORESPONSÁVEIS A inclusão dos representantes legais como coresponsáveis não merece prosperar, uma vez que não foram provados os incontestes motivos justificadores da coobrigação. As pessoas jurídicas e físicas discriminadas na Relação de Vínculo sequer foram notificadas acerca do mesmo, o que não é permitido pelo Ordenamento Jurídico. Não houve no caso, a comprovação de que os representantes legais agiram com excesso de mandato; b) DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS E COBRANÇAS RELATIVAS AO PAT De acordo com os impugnantes, a multiplicidade de cobrança e o ímpeto da fiscalização em multar o contribuinte geraram duplicidade de exigências, pois como comprovam os Relatórios de Lançamento foram também lançados no auto de infração 37.052.8220 (PAF 15504.018030/200834), valores a título de PAT — alimentação. Assim, devem ser excluídos do lançamento, as parcelas relativas a tal rubrica, sob pena de repetição de indébito e enriquecimento ilícito do fisco; c) PRESCRIÇÃO São indevidos os lançamentos, multas e juros relativos a supostas infrações apuradas em período anterior a 20/10/2003, por estarem prescritos; Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 5 4 d) NORMAS LEGAIS INFRINGIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA Comenta que o Poder Judiciário já reconheceu a inconstitucionalidade da cobrança de INSS sobre pagamento de alimentação, de multas e de impostos de forma arbitrária e ilegal. e) Que a manutenção do auto de infração configura cerceamento de defesa e ofensa ao artigo 5°, inciso LV, da Constituição da República. A autuação não atende aos princípios básicos inerentes à Administração Pública, previstos na Lei 9.789/99, pois, quando da auditoria realizada, o auditor poderia ter alertado acerca dos eventuais problemas, a exemplo da apresentação de documentos/dados faltantes, conferindo a defendente a oportunidade de regularizar a situação antes mesmo de ser autuada. Que o Relatório Fiscal da aplicação da multa é nulo por não observar as determinações contidas no artigo 243 do Regulamento da Previdência Social. O artigo 244 do mesmo Regulamento só teria eficácia se o próprio contribuinte tivesse apurado e confessado sua dívida. O Decreto 3048/1999, no artigo 245, confirma a tese de que não pode haver, simultaneamente, uma notificação de lançamento como são as LDC's e uma confissão de divida, prevalecendo a que foi realizada em momento anterior. f) MULTA EXCESSIVA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. AFRONTA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL ARTIGO 150 A multa aplicada é excessiva, absurda além de confiscatória; g) DEMAIS AUTOS DE INFRAÇÃO Informam os impugnantes que em relação aos demais autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, cuja matéria guarda identidade com a presente, especialmente no que se refere à amplitude e falta de especificação, serão objeto de defesas em apartado, com as devidas especificações; h) ERRÔNEA IMPOSIÇÃO DE MULTA E JUROS Face à impossibilidade de se aferir valores, a multa aplicada tem efeito de confisco, o que é vedado pela CF/88, razão pela qual fica, desde já, expressamente, impugnados os lançamentos de multas e juros, mesmo porque, em sua maioria já foram objeto de outros Autos de Infração; i) INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CRIMINAL Como já informado anteriormente, não houve, em momento algum por parte da autuada, omissão de fatos, dados e documentos, pelo que impugna a eventual configuração de crime nos moldes do art. 337A do Código Penal Brasileiro; j) FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT A Constituição Federal, no seu artigo 7°, inciso XXVI, reconhece legalmente as convenções e acordos coletivos de trabalho. É ilegítima, ilegal e inconstitucional a exigência de contribuição social sobre o fornecimento de alimentação a empregados, já que prevista em convenção coletiva como verba indenizatória e nos mesmos moldes do PAT. k) Que a inscrição no PAT é mera formalidade e por tal motivo não pode servir como fundamento para a aplicação de penalidade; Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 6 5 l) Ao final, pleiteou a improcedência da ação, a juntada posterior de outros documentos e que todas as notificações sejam emitidas em nome de Maria Fernanda Guimarães Castro, procuradora, no endereço Av. Raja Gabaglia — 1093, 90 andar, Cidade Jardim Belo Horizonte. A SOEBRAS Associação Educativa do Brasil, CNPJ 22.669.915/000127, na condição de subsidiária, impugnou o lançamento (fls. 468/474), arguindo: a) Que arrendou em 01/11/2006 a utilização da marca "Promove" em troca de pagamento em dinheiro para o Grupo "Promove"; b) Que o Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, tanto que possui as unidades Mangabeiras, Pampulha, Núcleo e Supletivo; c) Que a Promove e a SOEBRAS são empresas diversas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias e independentes, coexistem no mercado e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária; d) Que a impugnante goza de isenção/imunidade tributária, por ser entidade beneficente de assistência social; e) Que pelo simples fato de ter arrendado a marca não pode ser responsabilizada pelas obrigações da empresa cedente; f) Que o período do arrendamento ocorreu no final de 2007 e a autuação compreende as competências a partir de 2003; g) Que as diversas alterações ocorridas no sistema de entrega de dados, como envio das GFIPs, causaram certa confusão e desconhecimento técnico, o que não pode ser considerado má fé. Entende que não pode ser punida sem ter concorrido para a prática de ato ilícito; h) Que a SOEBRAS apresentou pedidos de parcelamento de débitos protocolados em 15/10/2007, pelo que roga seja transferido todo o passivo fiscal para o CNPJ 22.669.915/000127, permitindo a sua inclusão nos parcelamentos já solicitados, o que é justo e de direito; i) Requereu: a insubsistência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF; o não reconhecimento da sujeição passiva subsidiária; a anulação do procedimento e o reconhecimento da imunidade tributária da SOEBRAS. Na decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/BHE ACORDÃO 0228.203 (fls. 527/546), por unanimidade de votos, foi mantido o crédito previdenciário, pelas seguintes razões: a) Os dispositivos legais que embasaram o lançamento constam do Relatório de Fundamentos Legais do Débito, fls. 51/52; Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 7 6 b) A empresa deveria recolher a contribuição do segurado, bem como, a contribuição a seu cargo incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores a seu serviço no prazo legal; c) Não há que se falar em prescrição quando ainda não transcorrido o prazo legal para a Seguridade Social constituir seus créditos; d) No pólo passivo estão incluídas as pessoas jurídicas responsáveis pelo pagamento do crédito lançado, contribuinte e componentes do mesmo grupo econômico, por solidariedade; e) Sobre as contribuições sociais em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, aplicados sobre o valor atualizado, e multa de mora, de caráter irrelevável; f) A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual este julgador está vinculado; g) É obrigação legal do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício de suas funções, constatar a ocorrência, em tese, de crime contra a Seguridade Social; h) Integram o saláriodecontribuição as parcelas pagas a funcionários a título de AuxílioAlimentação cujo programa não tenha sido aprovado pelo Ministério do Trabalho; i) A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual; j) A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato; l) Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante; m) Tendo a autoridade fiscal observado o cumprimento dos requisitos legais indispensáveis a validade do lançamento do credito tributário, eventuais questionamentos acerca da emissão ou execução do MPF, por constituir essencialmente um instrumento de controle administrativo, não importam em nulidade do procedimento fiscal; n) A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática; o) Quanto aos percentuais de multa tanto do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, quanto do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, sofrem variação de acordo com o prazo Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 8 7 do pagamento do crédito. Logo, com base no CTN, artigo 106, inciso II, alínea 'c', e na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 4 de dezembro de 2009, publicada no Diário Oficial da União em 8/12/2009, artigo 2°, § 4°, a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento do crédito previdenciário, atentandose para as orientações contidas no artigo 3° da referida portaria. O sujeito passivo PROMOVE SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA e seus Responsáveis Solidários tiveram ciência do Acórdão 0228.203 (fls.548/596). Inconformados, apresentaram Recurso Voluntário único (fls. 597/618), em 23.02.2011, defendendo, em breve síntese: a) A decadência da cobrança efetuada no período anterior a 20/10/2003, dado que a Administração Pública tem o direito de constituir o crédito tributário no prazo 5 (cinco) anos, consoante Súmula Vinculante nº 08/2009 e art. 144 do CTN; b) A aplicação de penalidade menos severa aos Recorrentes, a teor do que dispõe o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, bem como, a anulação do Auto de Infração em decorrência da ausência de fundamentação legal para incidência da penalidade; c) A ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dívidas contraídas pelo grupo "Promove" pela mera utilização da marca em contrato de licença para uso de marca, por inexistir previsão legal de que o uso da marca acarreta responsabilidades tributárias; d) A exclusão do pólo passivo da obrigação os sócios das empresas Recorrentes; e) A redução das multas aplicadas, em aplicação ao disposto no art. 150, IV da CR/88 c/c art. 10 da Lei 9.784/99; f) A imunidade tributária da SOEBRÁS atinge os contratos de TRESPASSE realizados com todos os entes que foram objeto do aludido contrato. Eis o relatório. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 9 8 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Consta à fls. 1245 dos autos que a empresa teria optado por parcelar, nos termos da Lei nº 11.941/09, todos os débitos da PGFN e Receita Federal. Todavia, à fl. 1247, esclareceu o Fisco que em alguns extratos juntados aos autos foi verificado o pedido de parcelamento e em outros não tem qualquer registro Nos termos do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 22/07/2009, no prazo determinado pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 19/11/09, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deveria desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. Posteriormente, o art. 1º, §1º da Portaria Conjunta da PGFN/RFB nº 03, de 29.04.2010, estabeleceu que o sujeito passivo que teve deferido o pedido de parcelamento deveria entre os dias 1º a 30 de junho manifestarse sobre a inclusão dos débitos nas modalidades de parcelamento para as quais tenha feito opção na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 6, de 22 de julho de 2009, não sendo necessária a manifestação para os débitos que estivessem com exigibilidade suspensa nos termos dos incisos III, IV, V e VI do art. 151 do Código Tributário Nacional, para os quais não houve desistência da respectiva ação judicial ou administrativa ou do parcelamento anterior, vide: "Art. 1º O sujeito passivo que teve deferido o pedido de parcelamento previsto nos arts. 1º a 3º da Lei Nº 11.941, de 27 de maio de 2009 , deverá, no período de 1° a 30 de junho de 2010, manifestarse sobre a inclusão dos débitos nas modalidades de parcelamento para as quais tenha feito opção na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 6, de 22 de julho de 2009. § 1º A manifestação de que trata o caput: I não contempla débitos que estejam com exigibilidade suspensa na forma dos incisos III, IV, V e VI do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), para os quais não houve desistência da respectiva ação judicial ou administrativa ou do parcelamento anterior..." No caso em análise, no período de 1º a 30 de junho/2010 os débitos objeto deste lançamento estavam com a exigibilidade suspensa por força da interposição da Impugnação Administrativa (cujo julgamento pela DRJ só ocorreu em 17.08.2010) e, no contexto, por não haver pedido de desistência, não obstante conste na fl. 1245 a informação de que o contribuinte tenha optado em parcelar todo o crédito tributário, esta opção, a princípio, não abarcaria o valor exigido neste lançamento. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 15504.018032/200823 Resolução nº 2302000.295 S2C3T2 Fl. 10 9 Sendo assim, para o fim de dirimir quaisquer dúvidas quanto a inclusão ou não destes débitos no parcelamento, converto o julgamento em diligência. Por todo o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o Fisco informe se os débitos objeto deste lançamento foram objeto de parcelamento pelo contribuinte ou pelas demais empresas responsáveis (solidária ou subsidiariamente). Sala das Sessões, em 13 de Maio de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
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Numero do processo: 19311.000467/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. CABIMENTO. A não apresentação de livros e documentos devidamente requeridos pela fiscalização por meio de TIAD enseja violação ao disposto no art. 33, §§2o e 3o, da Lei 8.212/91.
SÓCIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INDICAÇÃO DOS MESMOS NO RELATÓRIO REPLEG. A mera indicação dos sócios da recorrente no anexo REPLEG não enseja qualquer atribuição de responsabilidade solidária ou subsidiária em relação ao lançamento, pois trata-se de documento meramente informativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. CABIMENTO. A não apresentação de livros e documentos devidamente requeridos pela fiscalização por meio de TIAD enseja violação ao disposto no art. 33, §§2o e 3o, da Lei 8.212/91. SÓCIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INDICAÇÃO DOS MESMOS NO RELATÓRIO REPLEG. A mera indicação dos sócios da recorrente no anexo REPLEG não enseja qualquer atribuição de responsabilidade solidária ou subsidiária em relação ao lançamento, pois tratase de documento meramente informativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 04 67 /2 01 0- 54 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19311.000467/201054 Acórdão n.º 2401002.991 S2C4T1 Fl. 231 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interposto por VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA, em face do acórdão que mantive o AI 37.266.3460 lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de apresentar os livros diário e razão dos exercícios de 2006 e 2007, as folhas de pagamento da filial inscrita no CNPJ sob n° 58.610.338/000579 do período de 01/2006 a 13/2007, assim como apresentou de forma deficiente a documentação relativa às reclamatórias trabalhistas, vez que não apresentou as sentenças de referidos processos, infringindo, desta forma, o artigo 33, §§ 2o e 3o , da Lei n° 8.212/91, O lançamento compreende as competências de 03/2006 a 13/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 14/09/2010. O contribuinte impugnou o lançamento, na oportunidade tendo reconhecido os erros apontados pela fiscalização, todavia, justificandoos como mero erro material humano, situação que não enseja dolo ao não pagamento das contribuições e, portanto, o seu lançamento. O acórdão de primeira instância manteve a integralidade do lançamento. Em seu recurso sustenta que toda a documentação requisitada pela auditora autuante foilhe entregue, não tendo, portanto, ocorrido infração alguma por parte da impugnante; Acresce que se falha houve sob tal aspecto, deve ela ser atribuída à própria auditora fiscal, que recebeu aludida documentação e não a analisou, em claro cerceamento do direito de defesa do contribuinte; Que para comprovar que a empresa exibiu a documentação em apreço, são foram juntadas à defesa cópias das aludidas reclamatórias, em especial das sentenças a que o fisco se refere. Defende que o fisco incorreu em equívoco que resulta na nulidade da autuação, ao indicar como coresponsáveis exsócios que não pertenciam aos quadros da empresa nos exercícios de 2006 e 2007. Por fim alega que o presente auto de infração é passível de nulidade, tendo em vista que no enquadramento legal da multa não consta, explicitamente, qual dos artigos e ou inciso(s) da Portaria Interministerial MPS/MF n° 333 teria fixado o valor da multa no valor apontado de R$ 14.317,78 Processado os recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. Sem preliminares. MÉRITO. Com relação a alegação recursal no sentido de que todos os documentos requeridos foram apresentados à fiscalização, as tenho por descabidas, pois, mesmo que o contribuinte tenha juntado uma série de documentos em sua impugnação não juntou as cópias de todas as sentenças trabalhistas proferidas nos processos em que versou como interessada. Ademais, em verdade em alguns casos, como do Segurado Cleyton Borges de Oliveira, a recorrente não juntou com a impugnação a cópia integral da sentença, mas somente a citação da mesma na execução fiscal impetrada na Justiça do Trabalho. Ou seja, de fato, os documentos requeridos não foram apresentados em sua integralidade, e a não apresentação de mesmo apenas um deles, por si só, já possui o condão de manter incólume a multa aplicada. Sobre o assunto, assim se manifestou o v. acórdão de primeira instância: Deveras, ao contrário do que supõe a impugnante, os documentos acostados às fls. 77 a 187 são inteiramente desprovidos de aptidão para realizar tal comprovação, seja porque a sua presença nos autos não significa que foram apresentados durante a ação fiscal, seja porque, somente foram trazidos pela defesa os termos de decisão relativos aos processos motivos por Airton Delion (fls. 83 e 84), Luiz Turtera Melges (fl. 157), Hélvio Panzarin (fls. 167 e 168) e Laureei Fieis Carvalho (fls. 177 a 187). Noutras palavras, permanecem não exibidos os termos de decisão correspondentes aos processos de autoria de Cleyton Borges de Oliveira, Ludgero G. Ventura, Sérgio Roberto Rodrigues Alves, José Rodrigues Meireles e Ademir José Gralha, o que facilmente se constata ante ao exame dos documentos de fls. 99 a 110, 112 a 123, 124 a 134, 135 a 143 e 144 a 148, respectivamente. Ademais, também não merece guarida o pedido de nulidade da autuação pela falta de indicação do dispositivo de aplicação da multa. Embora em seu relatório a auditora fiscal realmente não identifique o dispositivo da citada portaria em que é feita menção ao valor atualizado da multa, no caso de R$ 14.317,78, não se vislumbra nisto causa para a nulidade postulada pelo sujeito passivo,. É que, diversamente do quanto é afirmado pela defesa, tal normativo ministerial não "fixou" o valor da multa in casu aplicada, mas apenas veiculou a nova Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19311.000467/201054 Acórdão n.º 2401002.991 S2C4T1 Fl. 232 5 expressão monetária dos valores fixados na Lei n° 8.212/91 e no seu regulamento, em face da atualização imposta no art. 102 daquele diploma ordinário, in verbis: Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Tendo em vista que tal vício não lhe causa qualquer prejuízo, conforme inclusive já restou decidido pela Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais, uma vez que os dispositivos legais que fundamentam a cobrança e a sua forma de cálculo foram devidamente explicitados, permitindo o exercício do direito de defesa, em respeito ao princípio do contraditório e legalidade. Por fim, Quanto ao pedido de exclusão dos sócios do pólo passivo do presente processo, esclareço que a sua mera indicação no REPLEG (relatório de co responsáveis), serve para fins meramente indicativos, de forma que aos mesmos não é atribuída qualquer responsabilidade solidária ou subsidiária pelo lançamento ora em debate, se tratando de documento meramente informativo. Ante todo o exposto voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 13888.004463/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontram-se revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontra-se perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos preceitos legais, afastando-se a hipótese de cerceamento de defesa.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA.
Os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita, por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42.
ARBITRAMENTO.
Justifica-se o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa.
AUTOS REFLEXOS.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados.
MULTA QUALIFICADA
A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva.
Numero da decisão: 1401-001.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
Por unanimidade votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio;
Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apenas para desqualificar a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto.
Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor, referente à desqualificação da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
JORGE CELSO FREIRE DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontram-se revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontra-se perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos preceitos legais, afastando-se a hipótese de cerceamento de defesa. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita, por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42. ARBITRAMENTO. Justifica-se o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. MULTA QUALIFICADA A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontramse revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontrase perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos preceitos legais, afastandose a hipótese de cerceamento de defesa. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita, por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42. ARBITRAMENTO. Justificase o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. MULTA QUALIFICADA A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 44 63 /2 01 0- 34 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio; II) Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apenas para desqualificar a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto. Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor, referente à desqualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS – Relator (assinado digitalmente) ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA –Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta, Mauricio Pereira Faro e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 673680): Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 534.326,52 (fl. 140) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 163.779,82 (fl. 150), Contribuição para o PIS de R$ 35.534,55 (fl. 171) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 161.406,12 (fl. 185), acrescidos de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 2.040.163,52 (fl. 137) em virtude de omissão de receita operacional (prestação de serviços gerais) e omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário de 2006. O procedimento fiscal iniciouse em 21/05/2010 com a entrega pessoal do Termo Início de fls. 24/25 ao sócio da empresa, Leonil José Filetti, por meio do qual foi a empresa intimada a apresentar, entre outros documentos, os livros Diário e Razão ou o livro Caixa, livro Registro de Entradas e de Saídas, livro Registro de Prestação de Serviços, notas fiscais de entrada e de saída, extrato das contas bancárias, tudo em relação ao ano calendário de 2006. Em resposta, a contribuinte informou às fls. 27/29 que sendo optante pelo Simples estaria dispensada de escriturar os livros de Registro de Entradas, de Saídas, de Prestação de Serviços e Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência, e que em relação ao livro Caixa, embora obrigada a escriturálo, deixava de apresentálo porque faltavalhe a escrituração da movimentação financeira, e também deixava de apresentar os extratos bancários, mas que os mesmos já haviam sido solicitados às instituições financeiras conforme protocolos de fls. 44/50. Com relação às notas fiscais de entrada e de saída alegou não possuílas uma vez que se entravam extraviadas. Juntou cópia do contrato social e suas alterações (fls. 30/43). Posteriormente, em atendimento, a empresa apresentou os extratos das contas mantidas no Banco Unibanco (agência 7160 – c/c 110.1877), Bradesco (Agência 2431 – c/c 00132691) e Banco do Brasil (Agência 04590 – c/c 12.7418) e solicitou prorrogação de prazo para apresentar os extratos dos demais bancos. Em 16/06/2010 a empresa JCF Metalúrgica Ltda foi intimada a apresentar os extratos das contas mantidas no Banco Bradesco, uma vez que nem todos os extratos foram apresentados, e também dos demais bancos, além das notas fiscais de entrada e Fl. 747DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 de saída, as notas fiscais de prestação de serviços, e comprovação de ter observado o disposto no art. 264 do RIR/99 concernente ao alegado extravio dos documentos (fls. 58/60). Em atendimento, a empresa apresentou, em 02/07/2010, os extratos das contas mantidas no Banco Bradesco, Santander, Real e Nossa Caixa/Nosso Banco e reiterou a alegação de que deixava de entregar as notas fiscais de entrada, de saídas e de prestação de serviços por terem sido extraviadas e que não atendera ao disposto no art. 264, §1º, do RIR/99. A fim de subsidiar o procedimento fiscal junto a empresa JCF Metalúrigica Ltda, a fiscalização intimou a empresa “Indústria Romi S/A”, cliente da empresa fiscalizada, a apresentar as notas fiscais de entrada e de saída e de serviços tomados/prestados e ainda um demonstrativo dos pagamentos efetuados (fls. 51/53). A mesma solicitação foi feita à empresa “Máquinas Furlan Ltda” (fls. 54/56), também cliente da empresa fiscalizada. Segundo consta no Relatório de Fiscalização, a Indústria Romi S/A apresentou as notas fiscais de entrada e de saída e relatórios de pagamentos e a empresa Máquinas Furlan Ltda apresentou um relatório das notas fiscais de entrada, de saída e de prestação de serviços e demonstrativo de pagamentos. Em 25/06/2010 foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal nº 0003 de fls. 61/62 no qual a autoridade fiscal informou que tomando por base os documentos apresentados pelas empresas “Indústria Romi S/A” e “Máquinas Furlan Ltda” (notas fiscais e demonstrativos de pagamentos), apurou que essas empresas, clientes da fiscalizada, efetuaram pagamentos à JCF Metalúrigica Ltda por serviços prestados no montante de R$ 2.155.248,00, conforme notas fiscais, e, por outro lado, a JCF Metalúrigica Ltda declarou à Receita Federal do Brasil, mediante a DIPJ, receitas no montante de apenas R$ 945.497,14, evidenciando uma omissão de receita de R$ 1.209.750,86. Acrescentou que esta apuração foi baseada em 1.683 notas fiscais apresentadas pelos clientes circularizados e que a empresa fiscalizada emitiu, no mínimo, 3.551 notas fiscais, já que a primeira nota fiscal emitida em 2006 foi a de número 6954 e a última a de número 10504. Intimada a manifestarse a respeito dessas constatações, a empresa alegou à fl. 64 que iria manifestar sobre o trabalho fiscal após a conclusão do mesmo, bem como sobre eventual documentação fornecida por terceiros. Posteriormente, intimouse as empresas “Indústria Romi S/A” e “Máquinas Furlan Ltda” a apresentar uma via original da primeira e da última nota fiscal de entrada do ano de 2006 (fls. 80/83) emitidas pela empresa JCF Metalúrigica Ltda. Em 22/09/2010 foram lavrados os Termos de Retenção de fls. 114 e 115 nos quais constam as retenções das notas fiscais solicitadas. Em 08/07/2010 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 0004 (fls. 84/92), ciência em 13/07/2010 (fl. 93), por meio do qual foi a empresa fiscalizada intimada a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, a origem e a causa dos ingressos de recursos depositados/creditados em contas correntes, conforme Anexo I, II e III juntados às fls. 85/92, já excluídos os valores provenientes de pagamentos feitos pela empresa Indústria Romi S/A. Em resposta, a empresa informou à fl. 94 que, considerando Fl. 748DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 4 5 o extravio de vários documentos, inclusive os avisos bancários, seria impossível cumprir no prazo de vinte dias a tarefa solicitada na intimação e por isso deixava de atendêla. Em 06/08/2010, por meio do Termo de Reintimação Fiscal nº 0005 (fls. 95/96), foi a empresa cientificada de que a não apresentação dos documentos já solicitados e não atendidos em sua totalidade implicaria o arbitramento do lucro e a exclusão do Simples com efeito retroativo. Em resposta, a contribuinte reiterou a afirmação de que os livros e documentos exigidos somente não foram entregues em razão do extravio dos mesmos (fl. 101). Em 06/08/2010 a empresa fiscalizada foi informada (fls. 97/98) de que, ao examinar os documentos apresentados pela empresa “Máquinas Furlan Ltda”, relativos aos pagamentos feitos por serviços prestados pela fiscalizada, não foi possível identificar nos extratos bancários da interessada os correspondentes ingressos de recursos, razão pela qual foi a empresa intimada a informar e comprovar em que conta bancária foram feitos os pagamentos efetuados pela empresa “Máquinas Furlan Ltda” e apresentar os correspondentes extratos bancários caso esses não tenham sido apresentados. Em resposta, a contribuinte informou à fl. 102 que a falta de correspondência entre datas e valores podem ser em decorrência de recebimento de títulos com juros de mora e também pelo fato de inúmeros títulos terem sido descontados na época, o que significa dizer que os títulos não foram creditados em sua conta corrente, daí a razão de não tê los encontrado nos extratos. Também foram solicitados à empresa “Máquinas Furlan Ltda” (fls. 99/100) os comprovantes de pagamentos feitos à JCF Metalúrigica Ltda pelos serviços tomados e esclarecimentos a respeito do tipo de serviços (fls. 98/99). Em resposta, a empresa Máquinas Furlan Ltda informou que os serviços prestados pela empresa J.C.F. Metalúrgica Ltda no período de 2.006 eram de Rebarbação de peças fundidas que compõe nossos equipamentos (fl. 182 do Anexo II). A fiscalização relacionou às fls. 103/108 os depósitos/créditos bancários de origem não comprovada efetuados nas contas mantidas no Banco Bradesco (Agência 0520 – c/c 749494), Banco Santander (Agência 0041 – c/c 130055928) e no Banco Bradesco (Agência 2431 – c/c 132691), já excluídos os valores identificados como originários dos clientes da fiscalizada (Indústria Romi S/A” e “Máquinas Furlan Ltda), e formulou uma Representação para o fim de exclusão da empresa do Simples com efeitos a partir de 01/01/2006, nos termos do art. 24, VII, da IN SRF n.º 608/2006, citando como causa a prática reiterada de infração à legislação tributária (art. 23, V, da Lei n.º 9.317, de 1996) tendo em vista a omissão de receita apurada mediante o confronto entre os valores pagos pelas empresas “Indústria Romi S/A” e “Máquinas Furlan Ltda” e os informados à Receita Federal do Brasil mediante a DSPJ e ainda a omissão de receita caracterizada pelos depósitos Fl. 749DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 bancários de origem não comprovada. Acatando a representação fiscal, o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Piracicaba emitiu o competente Ato Declaratório Executivo DRF/PCA N.º 96, de 06 de setembro de 2010 (fl. 115) excluindo a empresa do Simples a partir de 01/01/2006, facultandolhe a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias. Com base nos documentos apresentados pela empresa Indústria Romi S/A a fiscalização constatou que a empresa JCF Metalúrigica Ltda auferiu receitas decorrentes de prestação de serviços a esse cliente no montante de R$ 1.640.516,05, conforme Relatório Contábil (Vide Anexo II – fls. 37/110) feito com base nos arquivos integrais de notas fiscais do SINTEGRA e o demonstrativo de totalizadores de fls. 111 do Anexo II. Para o mesmo período a Indústria Romi S/A pagou o montante de R$ 1.616.944,54 pelos serviços tomados, conforme demonstrativo de pagamentos de fls. 10 a 36 do Anexo II, cujo ingresso desses recursos se deu no Banco Bradesco, verificandose que, além de coincidirem em valores e datas próximas aos pagamentos feitos pela cliente, também houve identificação deste cliente como remetente. Assim, as receitas auferidas pelos serviços prestados a esse cliente, cujos valores foram consolidados mês a mês, à fl. 124, foram levadas à tributação como omissão de receita operacional (prestação de serviços gerais). De igual forma, com base nas informações e documentos apresentados pela empresa Máquinas Furlan Ltda (fls. 152/156 do Anexo II), a fiscalização constatou que a empresa JCF Metalúrigica Ltda auferiu receitas decorrentes de prestação de serviços a esse cliente no montante de R$ 514.731,95, recebendo R$ 493.016,13 conforme demonstrativo de fls. 166/170 do Anexo II. Assim, as receitas auferidas pelos serviços prestados a esse cliente, cujos valores foram consolidadas mês a mês, à fl. 124, foram levadas à tributação como omissão de receita operacional (prestação de serviços gerais). Quanto aos depósitos/créditos bancários de origem não comprovada, relacionados às fls. 103/108 e consolidados às 109 e 124, estes foram levados à tributação como receita omitida com fundamento no art. 42 das Lei n.º 9.430, de 1996. Em virtude da exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2006 a empresa teria ficado sujeita a partir daí às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ou seja, ficou sujeita a apuração do lucro real ou, por opção, ao lucro presumido ou arbitrado. Diante da não apresentação da escrituração necessária para apuração do lucro real, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro com fundamento no art. 530, II e III, do RIR/99, para o fim de apuração do IRPJ e da CSLL. A receita omitida foi considerada para o fim de apuração da CSLL, COFINS e PIS conforme art. 24, §2º, da Lei n.º 9.249, de 1995. Sobre os tributos e contribuições foi aplicada a multa qualificada de 150%, com fulcro no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, Fl. 750DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 5 7 de 1996, por entender a fiscalização que a conduta da contribuinte em informar à Receita Federal do Brasil receita em valor muito inferior àquela auferida, durante todos os meses do ano fiscalizado (2006), e não apresentar os livros contábeis e fiscais obrigatórios, sobretudo o livro Caixa e as notas fiscais emitidas, e ao deixar de escriturar sua movimentação financeira, não haveria dúvida que ela incorreu na prática dolosa prevista nos arts. 71 e 72 da Lei n.º 4.502, de 1964. Cientificada dos autos de infração em 30/09/2010, a contribuinte, por intermédio de seus procuradores, apresentou em 29/10/2010 a impugnação de fls. 215/228 aduzindo como razões de defesa o seguinte: Preliminarmente Alegou que a fundamentação legal constante dos autos de infração é incompleta e em alguns casos inexistente, citando em relação ao IRPJ que a fundamentação seria deficiente (arts 27, I e 42 da Lei n.º 9.430, de 1996; arts 532 e 537 do RIR/99) porque teria omitido a lei, artigos, parágrafos e alíneas, etc, utilizada para apurar o valor tributável (38,40%), bem como o imposto adicional e a alíquota (15%) e acrescentou que mesmo que se considere que o Regulamento possa suprir a lei, nem mesmo os dispositivos regulamentares se prestam a fundamentar a exigência fiscal. No tocante à CSLL o enquadramento legal (Lei n.º 10.684/03, art. 22 e Lei n.º 10.637/02, art. 37) também seria imprestável para apurar o valor tributável (32,00%), já que este se limita a fundamentar apenas e tão somente a alíquota de 9% aplicada (art. 22 da Lei n.º 10.637/02). Com relação ao PIS alegou que os arts. 1º e 3º da Lei Complementar n.º 7/70 não fundamentam que a impugnante seria o sujeito passivo dessa contribuição, nem a base de cálculo, nem o percentual aplicado ao caso concreto. No tocante à COFINS alegou que o art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, serviria apenas para fundamentar a omissão de receitas pertinentes ao depósitos bancários, mas não serveria para fundamentar os supostos serviços prestados às empresas Industrias Romi S/A e Máquinas Furlan e menos ainda para exigir a COFINS, já que não se reporta à sua base de cálculo e alíquota. Concluiu afirmando que o auto de infração, além de confrontar o princípio da legalidade, mais precisamente o da tipicidade cerrada, ofende a Lei n.º 9.784/99, art. 50, que determina que os atos administrativos devem ser motivados de modo explicito, claro e congruente e com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram. Do Direito Do Imposto de Renda Fl. 751DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Alegou que a fiscalização considerou que a sua atividade é a de prestação de serviços, mas de acordo com o comprovante de inscrição e de situação cadastral a sua atividade é a de “fabricação de outros produtos de metal não especificados anteriormente” e que, além dessa fabricação efetua operações de industrialização, como atestam as notas fiscais juntadas no Anexo II (CFOP’s 1124, 1902 e 5901) e, no mesmo sentido, teria a empresa Furlan assim expressado: “os serviços prestados (...) no período de 2006 eram de Rebarbação de peças fundidas que compõe (sic) nossos equipamentos” – fls. 183 do Anexo II, de forma que sua atividade não pode ser considerada de prestação de serviços e, por tais razões, o percentual de 38,40% aplicado pela fiscalização não tem qualquer amparo legal e ofende o princípio da legalidade e seu corolário, o da tipicidade cerrada, já que não é prestadora de serviços. Com relação à presunção legal de omissão de receita com base em depósitos bancários alegou que o Fisco tem o dever de investigar e provar a omissão de receita e não fazêlo com base em presunção e, por essa razão, a exigência só seria válida se estivesse acompanhada de demonstração de que os depósitos representam, de fato e de direito, rendimentos omitidos, o que não é visto nos autos. Segundo afirmou, a fiscalização teria relacionado depósitos efetuados em conta da impugnante que tem origem em cheques emitidos de outras contas bancárias de sua titularidade, conforme relação que apresenta (fl. 221) e que teria sido extraída do próprio auto de infração. Diante disso, solicitou a exclusão da base de cálculo de todos os valores depositados na conta 00132691 da Agência 2431 do Banco Bradesco, relacionados pela fiscalização à fl. 90, no montante de R$ 92.500,00, bem assim alguns depósitos feitos na conta corrente 130055928 da agência 0041 do Banco Santander, no montante de R$ 73.980,89. Tais depósitos teriam, segundo a relação apresentada (fl. 221), origem na conta 00749494 da Agência 0520 do Banco Bradesco. Ainda, segundo a impugnante, a forma com que foram tributados os depósitos bancários merece reparo porque os depósitos tributados em um mês se prestam para justificar depósitos efetuados nos meses posteriores. Alegou, sem apresentar provas, que inúmeros créditos decorreram de cobrança de títulos e descontos de duplicatas feitos em estabelecimentos que mantinha conta corrente, mas sem as cópias dos avisos de créditos, já solicitados aos bancos, não pode saber quais as duplicatas que compunham cada crédito bancário. Da contribuição social sobre o lucro (CSLL) Reiterou a alegação de que sua atividade não é prestadora de serviços e concluiu que, uma vez que aplicase à contribuição social sobre o lucro as mesmas normas de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas (Lei n.º 8.981/95, art. 57), o percentual para apuração da base de cálculo da contribuição social utilizada pelo fisco (32%) não tem amparo legal. Utilizou Fl. 752DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 6 9 se para contestar a CSLL os mesmos argumentos empregados para contestar a exigência do IRPJ concernentes aos depósitos bancários. Da contribuição ao PIS/PASEP Voltou a alegar que os arts. 1º e 3º da Lei Complementar n.º 7/70 não fundamentam a exigência dessa contribuição porque lhes faltam a indicação legal do sujeito passivo dessa contribuição, a base de cálculo e o percentual aplicado para valorizar o quantum exigido. Também, o art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, em tese, serviria apenas para fundamentar a omissão de receitas pertinentes ao depósitos bancários, mas não serve para fundamentar os supostos serviços prestados às empresas Industrias Romi S/A e Máquinas Furlan. Acrescentou que a exigência só com base no Decreto n.º 4.524, de 2002, esbarra no art. 5º, II, da Constituição Federal, segundo o qual só a lei pode exigir tributo. Da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Reiterou a alegação de que, segundo a fiscalização, o embasamento legal estaria no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, todavia esse artigo, em tese, serviria apenas para fundamentar a omissão de receitas pertinentes ao depósitos bancários, mas não serve para fundamentar os supostos serviços prestados às empresas Industrias Romi S/A e Máquinas Furlan e menos ainda para exigir a COFINS, já que não se reporta à sua base de cálculo e alíquota. Voltou a alegar que a exigência só com base no o Decreto n.º 4.524, de 2002, esbarra no art. 5º, II, da Constituição Federal, segundo o qual só a lei pode exigir tributo. Alegou que, caso seja a autuação fiscal julgada procedente, os depósitos bancários originários de conta corrente de titularidade da impugnante, no valor total de R$ 166.480,89 (R$ 92.500,00 + R$ 73.980,89), devem ser subtraídos da suposta omissão de receitas bancárias, já que apanhados em duplicidade para fins de exigência do PIS e da COFINS. Da multa aplicada Alegou que a multa de 150% é confiscatória e, portanto, inconstitucional por ofensa ao art. 150, IV, da Constituição Federal (CF). Por fim, requereu que seja reconhecida a improcedência do auto de infração; que seja realizada diligência com o fim de comprovar os fatos alegados; que as intimações oriundas do presente processo sejam encaminhadas para o endereço do procurador Dr. Luiz Carlos Miguel e que seja concedida a sustentação oral no julgamento do presente processo, devendo o procurador ser informado. Por meio da Resolução de nº 14001.495, de 25 de fevereiro de 2011 (fls. 255/261), o julgamento foi convertido em diligência Fl. 753DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 para a repartição de origem (DRF/Piracicaba) apurar qual de fato foi a atividade desenvolvida pela empresa no ano calendário de 2006. Em atendimento, a fiscalização assim se pronunciou no Termo de Constatação Fiscal de fls. 263/264: 1 – De acordo com as notas fiscais coletadas durante a ação fiscal com os clientes circularizados a Industrias Romi S/A e Máquinas Furlan Ltda , verificase que a empresa realizou durante o anocalendário de 2006 atividades de industrialização por encomenda. As mercadorias eram recebidas dos clientes circularizados acompanhadas de notas fiscais com CFOP 5.901 (Remessa para industrialização por encomenda) para que fossem realizados serviços de industrialização por encomenda e após a realização destes as mercadorias eram devolvidas e ingressavam nos estabelecimentos dos mesmos clientes com os CFOP 1.124 (Industrialização efetuada por outra empresa) e 1.902 (Retomo de mercadoria remetida para industrialização por encomenda), havendo cobrança de mão de obra e/ou dos materiais aplicados no processo, e com o CFOP 1.903 (Entrada de mercadoria remetida para industrialização e não aplicada no referido processo) na hipótese de tratar se de simples devolução de mercadoria. Os demonstrativos às fls. 111 do Anexo II do processo e demonstrativos Anexo I e II deste Termo de Constatação contêm os valores totalizados por tipo operação para o anocalendário de 2006. O demonstrativo do Anexo I deste Termo de Constatação mostra que os valores cobrados a titulo de mãodeobra são preponderantes em relação aos valores cobrados pelos materiais empregados no processo. Os montantes mensais de receitas auferidas pelos serviços prestados industrialização por encomenda estão discriminados às fls. 111 e 171 do Anexo do processo. 2 – Quanto as receitas das atividades realizadas com os demais clientes circularizados, a natureza destas não são passíveis de identificação, haja vista o alegado extravio pela fiscalizada da documentação fiscal e contábil. Concedido prazo para a empresa se manifestar, esta alegou às fls. 269/270 que não concorda com a revisão fiscal determinada por esta Turma de Julgamento porque não cabe ao julgador suprir falhas constantes no processo administrativo e cita ensinamentos de Heli Lopes Meirelles, Clarissa Sampaio Silva e Celso Antônio Bandeira de Mello. A 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por unanimidade, proferiu decisão assim ementada (fls. 672673): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 7 11 NULIDADE. LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do procedimento quando os atos administrativos encontramse revestidos de suas formalidades essenciais e a infração encontrase perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento constituído em estrita observância aos preceitos legais, afastandose a hipótese de cerceamento de defesa. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. ARBITRAMENTO. Justificase o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi submetido à apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, por força do disposto no art. 34, I do Decreto n° 70.235/72, c/c art. 1° da Portaria MF nº 3/08 (recurso de ofício). Cientificada do referido Acórdão em 18/11/2011 (fls. 704), a contribuinte apresentou em 13/12/2011 o recurso voluntário de fls. 705730, basicamente repetindo os argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os recursos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Recurso de ofício Exclusão de valores referentes a transferências entre contas correntes de titularidade da contribuinte O colegiado julgador a quo excluiu do montante dos depósitos de origem não comprovada os valores que comprovadamente correspondiam a transferências entre diferentes contas correntes da contribuinte. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 686: Na peça impugnatória, a contribuinte solicitou a exclusão da base de cálculo dos valores relacionados à fl. 221, no montante de R$ 92.500,00, ao argumento de que esses valores, depositados na conta 00132691 da Agência 2431 do Banco Bradesco e relacionados pela fiscalização à fl. 90, tiveram origem na conta 00749494 da Agência 0520 do Banco Bradesco de titularidade da empresa fiscalizada. De igual forma, alguns depósitos feitos na conta corrente 130055928 da agência 0041 do Banco Santander, no montante de R$ 73.980,89 tiveram origem na mesma conta 00749494 da Agência 0520 do Banco Bradesco. Examinando os autos verificase que de fato devem ser excluídos da relação de depósitos de origem não comprovada os valores abaixo relacionados por ter ficado comprovado, mediante os extratos bancários juntados aos autos, que tais valores vieram da conta corrente 00749494 da Agência 0520 do Banco Bradesco de titularidade da empresa fiscalizada. Estão discriminados no quadro abaixo os valores individuais dos depósitos/créditos que devem ser excluídos da base de cálculo, bem assim os totais mensais e trimestrais. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 8 13 Compulsando os autos, constato que todos os valores indicados na tabela acima efetivamente tiveram sua origem na conta 00749494 da Agência 0520 do Bradesco, da própria contribuinte. Importante destacar que a exclusão destes valores também repercutiu na apuração dos lançamentos reflexos, referentes à CSLL, PIS e COFINS. Diante do exposto, em relação a este tema considero que o recurso de ofício não merece provimento. Correção do percentual de arbitramento do lucro aplicável às receitas de industrialização por encomenda A decisão de piso considerou que a atividade de industrialização por encomenda deve ser considerada como simples industrialização e não genericamente como prestação de serviços. Por esta razão, o Acórdão em apreço considerou que deveria ser aplicado, para fins de arbitramento do lucro, o percentual de 9,60% incidente sobre a receita bruta. Sobre o tema, assim se manifestou o voto condutor da decisão de piso, fls. 691: [...] os manuais de preenchimento das DIPJs dos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006 contém a seguinte instrução: No anocalendário, são aplicados os seguintes percentuais na determinação do lucro presumido: Fl. 757DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 (...) b) 8% (oito por cento) sobre a receita bruta mensal proveniente: (...) b.3) da industrialização de produtos em que a matéria prima, ou o produto intermediário ou o material de embalagem tenham sido fornecidos por quem encomendou a industrialização. Portanto, não há como concluir que, na situação de que trata o presente processo administrativo, deva ser aplicado, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o percentual próprio da atividade de prestação de serviços. Isso vale para as receitas apuradas a partir das notas fiscais emitidas pelo contribuinte e também para as receitas apuradas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada. De fato, tendo em vista a qualificação da industrialização por encomenda como simples industrialização (e não como prestação de serviços), não remanesce dúvida quanto à natureza da atividade desenvolvida pelo contribuinte que originou as receitas apuradas a partir dos depósitos bancários. Por conseguinte, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para a determinação do lucro arbitrado é de 9,60%, resultante da aplicação do percentual de 8,0 % previsto no art. 518 do RIR/99, acrescido de 20%, conforme dispõe o art. 532 do RIR/99. Feitas as devidas alterações, conforme acima exposto, o IRPJ devido passa a ser o que consta no demonstrativo a seguir. Pela mesma razão, o acórdão de piso decidiu reduzir para 12% o percentual de apuração da base de cálculo da CSLL, conforme argumentação constante de fls. 692: Quanto ao coeficiente a ser aplicado sobre a receita para o fim de apurar a base de cálculo da CSLL, este deve ser de 12%, previsto no art. 22 da Lei nº 10.684, de 2003, citado no auto de infração, e não 32% como foi aplicado pela autoridade fiscal, uma vez que a atividade da empresa se caracteriza como “industrialização”. Sobre a base de cálculo deve ser aplicada a alíquota de 9% prevista no art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002, também citado no auto de infração. Considero inteiramente correto o entendimento adotado pelo colegiado julgador a quo. Para maior clareza, adoto e transcrevo o seguinte trecho do acórdão recorrido, fls. 690: Fl. 758DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 9 15 Conforme se infere dos atos acima transcritos, o entendimento da Receita Federal do Brasil no sentido de que a industrialização por encomenda qualificase como prestação de serviços, pra fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, foi assumido apenas a partir da edição do ADI RFB nº 20, de 13/09/2007, que foi revogado já em 25/04/2008, pelo ADI RFB nº 26. Notese que, nos termos dos arts. 4º, 5º e 7º do Decreto 4.544/2002, a industrialização por encomenda somente pode ser qualificada como prestação de serviços quando a encomenda for feita diretamente pelo consumidor ou usuário, e a preparação do produto se der na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional. Para esse fim, reputase oficina o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts. Além disso, haverá preponderância do trabalho somente quando este contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. Evidentemente, a industrialização por encomenda realizada pela F C F Metalúrgica Ltda não preenche esses requisitos. Em primeiro lugar, porque a encomenda não é feita diretamente pelo consumidor ou usuário, mas por outras empresas, conforme se infere das notas fiscais e demais documentos juntados aos autos. Além disso, as evidências indicam que o estabelecimento do contribuinte não pode ser qualificado como oficina, nos termos da previsão contida no art. 7º, II, “a”, do Decreto 4.544/2002. Essas razões são suficientes para concluir que a atividade desenvolvida pela contribuinte, qual seja, industrialização por encomenda, se enquadra como “industrialização”. Pelas razões expostas, também em relaçao a este tema considero que o recurso de ofício não merece provimento. Recurso voluntário Preliminar de nulidade Repetindo o que alegou na fase impugnatória, a contribuinte, ora recorrente, considerou incompleta a fundamentação legal dos presentes autos de infração. Não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir adotadas pelo acórdão de piso, fls. 680 Examinando os autos verificase que consta no auto de infração de IRPJ o arts. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, fundamento para o arbitramento, e os arts. 537 e 532 do mesmo Regulamento que mencionam o tratamento que deve ser dado à omissão de Fl. 759DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 receitas e os percentuais que devem ser aplicados sobre a receita para o fim de apurar o lucro arbitrado. [...] A omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada foi levada à tributação com fundamento no arts. 27, I, e 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcritos, além dos arts. 537 e 532 do RIR/99. [...] A omissão de receita operacional foi apurada de forma direta, mediante o confronto entre vários documentos apresentados pelas empresas “Indústria Romi S/A” e “Máquinas Furlan Ltda”, tais como Notas Fiscal emitidas pela empresa fiscalizada, comprovantes de pagamentos por serviços prestados, etc, e a Declaração Simplificada apresentada pela fiscalizada. Os valores das receitas omitidas foram considerados na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP, conforme determinação contida no art. 24, §2º, da Lei n.º 9.249, de 1995. Em obediência a determinação acima, foram lavrados os autos de infração relativos à CSLL, PIS e COFINS. No auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) constam os arts. 22 da Lei nº 10.684, de 2003, e 37 da Lei nº 10.637, de 2002, [...] Relativamente ao PIS e a COFINS constam dos respectivos autos de infração os arts. 2º, I, a, II e parágrafo único, 3º, 10, 32 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002, e art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, [...] Conforme se verifica, constam dos autos de infração e do Relatório de Fiscalização que faz parte integrante dos autos de infração a descrição das irregularidades verificadas e os respectivos enquadramentos legais, bem assim a penalidade aplicada, a descrição do fato gerador, a matéria tributável, o montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo, o termo de intimação para o seu cumprimento ou oferecimento de impugnação, conforme exigido por lei, a identificação da autoridade fiscal, incluindo sua matrícula funcional. Portanto, o auto de infração contém as condições necessárias para produzir o efeito que lhe compete, qual seja, formalizar o crédito tributário, individualizandoo e dandolhe a qualidade de exeqüível, conforme determina o Código Tributário Nacional (CTN), art. 142. [...] Se foram ou não corretamente apuradas as bases de cálculo dos impostos e contribuições, é assunto que veremos a seguir, inclusive verificando se foram ou não corretamente aplicados os coeficientes e alíquotas. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 10 17 Em síntese, constato que a formalização dos presentes autos de infração ocorreu após uma ação fiscal plenamente regular. Constato, outrossim, que os aludidos autos de infração observaram todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Não vislumbro nos autos qualquer indício de violação ao amplo exercício do direito de defesa por parte da contribuinte, razão pela qual voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade arguida pela recorrente. Mérito Omissão de receita decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada Repetindo o que fizera na fase impugnatória, a recorrente questionou a possibilidade de utilização da presunção de omissão de receitas a partir da constatação da ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não assiste razão à recorrente em relação a tal questionamento. A aludida presunção encontrase claramente prevista np art. 42 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 42 – Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma das principais consequências do estabelecimento de uma presunção legal é a inversão do ônus da prova. Em outras palavras: nas hipóteses em que há previsão para aplicação da presunção legal, apenas compete ao Fisco comprovar a existência do fato necessário e suficiente para o estabelecimento da presunção juris tantum, competindo ao contribuinte produzir prova em contrário. No caso concreto, o Fisco demonstrou claramente a existência de depósitos em contas bancárias de titularidade da contribuinte, em relação aos quais a contribuinte não logrou comprovar sua origem. Em outras palavras; o Fisco comprovou cabalmene aquilo que lhe competia provar, ou seja, a existência de movimentação bancárias incompatível com a receita declarada pela contribuinte. Vale dizer que, mesmo em sede impugnatória ou recursal, a contribuinte preserva o direito de produzir prova em contrário, ou seja, a contribuinte preserva para si a possibilidade de justificar a origem dos depósitos bancários até então tidos como não comprovados. No caso concreto, por meio de sua impugnação, a contribuinte logrou êxito em demonstrar que alguns dos depósitos listados pelo Fisco correspondiam a simples transferências de numerário entre diferentes contas correntes de sua titularidade. Por esta razão, os valores correspondentes a tais transferências foram excluídos da relação de depósitos de origem não comprovada. Tal fato demonstra, claramente, que no presente caso foi plenamente respeitado o amplo e irrestrito direito de defesa da contribuinte. Pelos motivos expostos, considero que em relação a este tema o recurso voluntário não merece provimento. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 Ainda no tocante a este tema, a recorrente alegou que inúmeros créditos em conta corrente decorreram de cobrança de títulos e descontos de duplicatas realizados em estabelecimentos bancários. No entanto, assim como ocorreu na fase impugnatória, a contribuinte (ora recorrente) abstevese de trazer aos autos qualquer elemento de prova capaz de corroborar suas alegações. A recorrente alegou, outrossim, que os valores dos depósitos bancários tributados em um determinado mês deveriam ser considerados para justificar depósitos ocorridos nos meses subsequentes. Abstevese, contudo, de indicar a base legal que pudesse amparar essa sua estranha pretensão. Considerando a ausência de prova e a ausência de fundamentação legal capaz de sustentar as alegações de mérito da recorrente, considero que em relação a este tema devese negar provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Importante frisar que a diligência solicitada pelo colegiado julgador a quo não resultou em agravamento da exigência, ao contrário do que foi afirmado pela recorrente. Sobre o tema, posicionouse com muita clareza o voto condutor do acórdão recorrido, fls. 691 692: Primeiramente cabe ressaltar que não houve a alegada revisão fiscal e este julgador não está suprindo qualquer falha no procedimento fiscal. O que houve foi uma informação fiscal decorrente de um pedido de diligência, o qual teve a finalidade de dirimir dúvidas quanto à real natureza da atividade exercida pela contribuinte e foi solicitado no intento de trazer ao julgador a convicção necessária para decidir. Aliás, a própria impugnante solicitou diligência com o fim de comprovar os fatos alegados. Da diligência não redundou em agravamento da exação, ao contrário, trouxe aos autos elementos suficientes para concluir pela procedência da alegação da impugnante no que diz respeito à sua atividade e com isso reduzir a exigência tributária. Do resultado da diligência foi dado ciência à interessada, em observância ao princípio do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal), de modo que não há qualquer irregularidade no procedimento aqui adotado. Multa qualificada Por fim, resta analisar a multa de ofício qualificada, que foi aplicada no presente caso. No meu entender, no caso concreto justificase a qualificação da multa de ofício, pelas razões expostas no voto condutor no acórdão de piso, fls. 695696: [...] a conduta lesiva da interessada revela a intenção de eximir se, deliberada e persistentemente, do pagamento dos tributos e contribuições devidos no regime unificado e simplificado dos anocalendário 2006, porquanto omitiu reiteradamente, em todos os meses, mais de 80% da receita bruta auferida, agindo por sua conta e risco. No caso a contribuinte não apenas omitiu grande parte de suas receitas mas também deixou de apresentar os livros contábeis e Fl. 762DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 11 19 fiscais obrigatórios, sobretudo o livro Caixa e as Notas Fiscais, utilizandose do argumento de extravio, alegação não comprovada, o que torna absolutamente implausível a idéia de que se estaria diante de uma conduta involuntária, de um fato isolado, de um mero erro material. Não é razoável imaginar que uma pessoa jurídica, que opere sem intuito de se furtar às suas obrigações tributárias, tenha se equivocado em não declarar receitas da atividade auferidas ao longo dos dois anos (sic). Apenas em razão do exposto acima, notase que a interessada teve a nítida intenção de se manter à margem das responsabilidades tributárias, não recolhendo os tributos devidos e prestando declarações inexatas. Enfim, as omissões, de forma sistemática e reiterada ao longo de todos os meses do período fiscalizado revelam a deliberada intenção de adiar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e, com isso, deixar de pagar tributo ou pagar em montantes inferiores aos devidos, restando assim demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase na hipótese tipificada no art. 71, I, da Lei n° 4.502/1964. o que justifica a imposição da multa qualificada e demais conseqüências legais. Assim sendo, considero que no presente caso deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Voto Vencedor O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Em que pese as razões apresentadas pelo nobre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora, por maioria, entendeu por desqualificar a multa de ofício, pelas razões a seguir detalhadas. Tenho, a princípio, entendimento de que a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que denotem o evidente intuito de fraude, deva ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. É que a multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, já tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à Fl. 763DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 20 tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. A sua postura, nesta situação, é meramente omissiva – e não próativa. Situação diversa, no meu entendimento, é a daquele contribuinte que, dolosamente, pratica atos com o objetivo de fraudar a incidência do tributo, ou seja, que porta se ativamente na ocultação da ocorrência do fato imponível. Nesta hipótese, quando o contribuinte agrega à sua omissão (pressuposto), uma ação dolosa para dissimular referida omissão, aí sim estaria o mesmo sujeito a qualificação da penalidade. Tal divergência fica clara na contraposição do disposto nos art. 44, inciso I, da lei nº 9.430/96, com o disposto nos arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, ambas com a redação dada pela lei nº 11.488/2007. Dispõe, o art. 44 da lei nº 9.430/96, o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (sem grifos no original). Já os arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, tomados como base da qualificação da multa pelo indigitado parágrafo primeiro, dispõe o seguinte: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13888.004463/201034 Acórdão n.º 1401001.045 S1C4T1 Fl. 12 21 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da contraposição da “falta de declaração ou declaração inexata” constante do inciso I do art. 44 da lei nº 9.430/96, com a “omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente”, o conhecimento do fato gerador, constante do art. 71 da lei nº 4.502/64, entendo que, para a segunda hipótese, a lei demanda a presença de dolo específico, mediante “ação ou omissão dolosa”, que deve ser especificamente provada na investigação administrativa, com fito à aplicação da multa majorada. Assim, a omissão desqualificada de uma ação tendente à dissimular referida omissão, deve ser enquadrada no disposto no art. 44, I, da lei n 9.430/96. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste 1º Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). No caso dos autos, a Turma entendeu que os fatos indicados representam a mera omissão de rendimentos, não passível de imputação do dolo específico necessário à qualificação da penalidade, razão pela qual houve a redução para o patamar de 75%. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 765DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 15540.000844/2008-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/12/2004
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL ELEVADO. VÍCIO DO LANÇAMENTO. INEXISTENTE. PREVISÃO LEGAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTENTE.
É válida a incidência da multa de ofício integrante do lançamento, no percentual de setenta e cinco por cento, em face de previsão legal, não maculando de nulidade o auto de infração.
Numero da decisão: 3803-005.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração. para reconhecer a tempestividade do recurso, e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração. para reconhecer a tempestividade do recurso, e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. Constatada a ocorrência de erro material no acórdão que declarou a intempestividade do recurso voluntário é de se acolher os embargos de declaração interpostos para dar ensejo ao julgamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL ELEVADO. VÍCIO DO LANÇAMENTO. INEXISTENTE. PREVISÃO LEGAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTENTE. É válida a incidência da multa de ofício integrante do lançamento, no percentual de setenta e cinco por cento, em face de previsão legal, não maculando de nulidade o auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração. para reconhecer a tempestividade do recurso, e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 08 44 /2 00 8- 86 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração interpostos pela repartição de origem, com vistas à retificação de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto ocorridas no acórdão nº 3803003.768, de 29 de novembro de 2012, com amparo no § 2º do artigo 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. O acórdão embargado foi ementado como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O descumprimento do prazo legal para interposição do recurso voluntário tornao intempestivo, condição impeditiva do seu conhecimento. O processo foi constituído a partir da lavratura de auto de infração em que são exigidas a Cofins e a contribuição para o PIS relativas aos períodos de apuração janeiro de 2004 e março a dezembro de 2004, decorrentes de diferenças entre os valores informados em DIPJ, DCTF e a escrituração contábil, em confronto com os recolhimentos efetuados. Em impugnação apresentada, a Autuada alegou possuir o direito de complementar suas correções em DCTF e DIPJ, por não ter sido intimada na data prevista em legislação, bem como de parcelar seus débitos tributários constantes do sistema Conta Corrente ou da Dívida Ativa da União, conforme determina a legislação tributária, com parcelamento normal, simplificado, REFIS, PAES, PAEX determinados pelo governo. Taxou de excessiva a multa de ofício de 75% a impor confisco ao seu patrimônio, suplantando sua capacidade de arcar com o crédito tributário constituído. Em julgamento da lide, a DRJ/Rio de Janeiro II não conseguiu identificar qual a matéria contestada em relação ao crédito tributário constituído, entendendo que a falta de impugnação específica dos fatos que lhe foram imputados e o caráter dos seus pedidos importaram em reconhecimento da procedência do lançamento, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Em relação à retificação dos valores declarados na DIPJ ou nas DCTFs, reconheceu ser direito do contribuinte, mas antes do início de procedimento fiscal, quando sob espontaneidade para fazêlo. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15540.000844/200886 Acórdão n.º 3803005.568 S3TE03 Fl. 220 3 Quanto ao pedido de parcelamento, consignou ser matéria estranha à essência do contencioso administrativo, que pressupõe uma contrariedade ao lançamento tributário. No tocante à capacidade financeira da Contribuinte para suportar o pagamento do crédito tributário, relevou a justeza da solicitação, porém considerou que não compete à autoridade administrativa efetuar juízo de valor a respeito, mas tão só efetuar objetiva e vinculadamente o lançamento, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/12/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. INÍCIO DE PROCEDIMENTO O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. DRJ/COMPETÊNCIA Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete tão somente conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais. Impugnação Improcedente Inconformada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 16 de janeiro de 2012, em que reclama da incidência da multa de ofício de 75%, sustentando o argumento com julgados do STF e do TRF da 5ª Região em matéria correlata, e aponta, com este argumento, para a nulidade parcial do auto de infração, que por sua unicidade, enquanto instrumento de exigência tributária, vêse integralmente contaminado pois “não pode um documento único manterse válido apenas quanto a uma parte de seu conteúdo e nulo quanto ao restante”. Alicerçado em erro de procedimento na verificação da data da apresentação do recurso voluntário foi proferido acórdão por esta Turma não conhecendo do recurso, por tê lo considerado intempestivo. Em apreciação de embargos ofertados pela Unidade de origem dando conta da efetiva dada da entrada do recurso voluntário, foi exarado despacho de admissibilidade, admitindoos, em razão do que retornam os autos a julgamento. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requsitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme relatado, a matéria objeto do auto de infração fora considerada não impugnada, sendo reconhecido por aquele juízo a inexistência de lide, ainda que o resultado da decisão tenha sido registrado como Impugnação improcedente. No entanto, devese ter que a impugnação apresentada pela Contribuinte contestando a incidência da multa de ofício no patamar aplicado representa o mérito da sua defesa. A Recorrente inicia sua contestação fazendo referência ao teor da decisão recorrida que afirmou a inexistência de discussão da matéria objeto do auto de infração na impugnação. Ela dá sequência à sua defesa afirmando que “Nada obstante, determinados vícios podem e devem ser reconhecidos de ofício pela Autoridade Administrativa....”, e prossegue indicando como um vício insanável do auto de infração a incidência da multa de ofício (75%), que deve culminar na sua nulidade. Remata, concluindo que, dada a unicidade desse ato administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, este vício parcial o contamina por inteiro. Gizese que a multa de ofício é consectário legal da imposição do principal em lançamento de ofício, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Sendo o lançamento dever de ofício da Autoridade Fiscal, em face de infrações à legislação tributária, é inafastável que à imputação acompanhe tal penalidade. Ao tempo dos fatos o art. 44 da Lei nº 9.430 tinha a seguinte dicção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...][grifei] Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15540.000844/200886 Acórdão n.º 3803005.568 S3TE03 Fl. 221 5 Visto que o lançamento está escorreito, efetuado com o claro amparo da disposição legal acima, não é possível cogitarse de sua nulidade. Pelo que, voto por acolher os embargos para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário, e, no mérito, por negar provimento. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13819.910055/2011-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/05/2001
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/05/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 55 /2 01 1- 18 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910055/201118 Acórdão n.º 3801003.421 S3TE01 Fl. 110 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910055/201118 Acórdão n.º 3801003.421 S3TE01 Fl. 111 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910055/201118 Acórdão n.º 3801003.421 S3TE01 Fl. 112 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910055/201118 Acórdão n.º 3801003.421 S3TE01 Fl. 113 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910055/201118 Acórdão n.º 3801003.421 S3TE01 Fl. 114 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910055/201118 Acórdão n.º 3801003.421 S3TE01 Fl. 115 7 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.005265/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/1992 a 30/10/2002
CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. DECRETO-LEI Nº 491/69. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÕES POSTERIORES A 05/10/1990. INEXISTÊNCIA DE DIREITO.
O crédito-prêmio de exportação, criado pelo art. 1º, do Decreto-Lei nº 491/69, foi extinto em 05 de outubro de 1990, não havendo falar em prescrição ou decadência do direito de pleitear créditos provenientes de exportações levadas a cabo pelo sujeito passivo posteriormente a essa data, pois já inexistia o incentivo. Precedente do STF, em sede de Repercussão Geral (RE 577.348RS, j. 26/02/2010). Aplicação do art. 62-A, do RI-CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/12/1992 a 30/10/2002 CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. DECRETO-LEI Nº 491/69. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÕES POSTERIORES A 05/10/1990. INEXISTÊNCIA DE DIREITO. O crédito-prêmio de exportação, criado pelo art. 1º, do Decreto-Lei nº 491/69, foi extinto em 05 de outubro de 1990, não havendo falar em prescrição ou decadência do direito de pleitear créditos provenientes de exportações levadas a cabo pelo sujeito passivo posteriormente a essa data, pois já inexistia o incentivo. Precedente do STF, em sede de Repercussão Geral (RE 577.348RS, j. 26/02/2010). Aplicação do art. 62-A, do RI-CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
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DECRETOLEI Nº 491/69. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÕES POSTERIORES A 05/10/1990. INEXISTÊNCIA DE DIREITO. O créditoprêmio de exportação, criado pelo art. 1º, do DecretoLei nº 491/69, foi extinto em 05 de outubro de 1990, não havendo falar em prescrição ou decadência do direito de pleitear créditos provenientes de exportações levadas a cabo pelo sujeito passivo posteriormente a essa data, pois já inexistia o incentivo. Precedente do STF, em sede de Repercussão Geral (RE 577.348RS, j. 26/02/2010). Aplicação do art. 62A, do RICARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 52 65 /2 00 9- 16 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10980.005265/200916 Acórdão n.º 3301002.171 S3C3T1 Fl. 249 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do crédito prêmio do IPI (art. 1° do DL 491/69), decorrente das exportações realizadas no período compreendido entre dezembro de 1992 a outubro de 2002, no valor total de R$ 40.478.583,04 (quarenta milhões, quatrocentos e setenta e oito mil, quinhentos e oitenta e três reais e quatro centavos), inclusive com atualização monetária calculada à taxa SELIC. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal competente indeferiu o pleito, demonstrando que o para o período em questão o créditoprêmio de IPI já havia sido revogado. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que não teria ocorrido qualquer decadência ou prescrição e que o beneficio ainda estaria em vigor, inclusive corrigido monetariamente, conforme legislação e julgados que cita. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, à unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferindo o Acórdão nº 1429.416, que foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1992 a 30/10/2002 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido beneficio fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do Acórdão supracitado em 19/07/2010, conforme AR de fls. 98, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/07/2010, alegando: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10980.005265/200916 Acórdão n.º 3301002.171 S3C3T1 Fl. 250 3 1) Preliminarmente, que não teria decorrido o prazo prescricional para a Recorrente pleitear seu direito de ressarcimento do crédito prêmio de IPI, uma vez que, não havendo a homologação expressa, a perda do direito de pleitear a restituição ocorre após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da gênese do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, a partir da data em que se deu a homologação tácita. 2) No mérito, que apesar das alterações ocorridas na legislação ao crédito prêmio do IPI, por se tratar de um benefício setorial, não se aplicaria o disposto no artigo 41 §1° do ADCT, permanecendo em vigor, razão pela qual a Recorrente se diz possuidora do direito creditório pleiteado, devendo este ser ressarcido com a correspondente atualização monetária (taxa Selic). Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatório acima pautase este processo de pretensão creditória do contribuinte sobre créditoprêmio de IPI para os períodos compreendidos entre dezembro de 1992 a outubro de 2002, em face, segundo seus argumentos, de que o benefício não teria sido extinto pelo Decreto 1.894/81. Analisando o teor do voto proferido na decisão recorrida, no qual se indefere o pedido sob análise, vêse que a contenda em tela cingese essencialmente em identificar o termo/vigência do benefício fiscal pleiteado pelo contribuinte, de forma a reconhecer ou não subsequentemente o direito perseguido, bem como o respeito ao prazo qüinqüenal para o ressarcimento almejado. A questão não merece maiores delongas, pois que o entendimento acerca do prazo de vigência do CréditoPrêmio de IPI, alvo do pedido formulado pelo contribuinte, é sedimentado pelos Tribunais Superiores deste país, no sentido de que referido benefício extinguiuse em 05/10/1990. As decisões proferidas pelos Tribunais Superiores orientam este Colegiado por força do que preconiza o artigo 62A do RICARF, e, neste sentido, estando pacífico o entendimento de que o CréditoPrêmio de IPI vigorou até 05/10/1990, não merece guarida o pedido ora questionado. Neste sentido, é reiterado entendimento do Supremo Tribunal Federal, cujo julgamento proferido na sistemática do artigo 543B do CPC assim resta consignado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10980.005265/200916 Acórdão n.º 3301002.171 S3C3T1 Fl. 251 4 CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV Recurso conhecido e desprovido. (RE 577348RS STF em 26/02/2010). Também é esse o entendimento deste Conselho: CRÉDITOPRÊMIO. EXTINÇÃO. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969. ADCT, ART. 41, §1°. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFICIO EM 1990. Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 13.8.2009, ao julgar os RE 561.485/RS e RE 577.348/RS, rel. Min. Ricardo Lewandowslci, com repercussão geral reconhecida, concluiu que o incentivo fiscal (créditoprêmio) deixou de vigorar dois anos após a promulgação da Constituição Federal de 1988, como determinou o art. 41 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, pois não foi confirmado por lei, extinguindose, desta forma, em 1990. Precedente do STF.” (ACÓRDÃO 340300.145. CARF 3a. Seção 3a. Turma da 4a. Câmara. Jul. 20.10.2009) Por fim, visto que, de fato, não há possibilidade de creditamento de crédito prêmio de IPI após 05/10/1990, inexiste o crédito objetivado pelo contribuinte. Como afirmado no relatório, apesar de não ter sido indeferido pela decadência/prescrição do direito de pedir, argumentou o contribuinte acerca do tema em suas razões de recurso, porém, considero superada esta questão pelo entendimento exposto acima, rejeitando, portanto, a preliminar suscitada. Deve, portanto, ficar consignado que estando extinto o benefício do crédito prêmio de exportação, criado pelo art. 1º, do DecretoLei nº 491/69, em 05 de outubro de 1990, não se deve falar em “prescrição” do direito de pleitear créditos provenientes de exportações levadas a cabo pelo sujeito passivo entre os anos de 1992 a 2002, quando inexistia o incentivo. Não é o caso, portanto, de se falar em prescrição ou de decadência do direito em si, mas pura e simplesmente em ausência do direito perseguido. Neste sentido, na esteira das considerações acima, voto por manter a decisão de primeira instância e negar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10980.005265/200916 Acórdão n.º 3301002.171 S3C3T1 Fl. 252 5 Bernardo Motta Moreira – Relator Fl. 253DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13971.720009/2008-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1)
DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.
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PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 09 /2 00 8- 61 Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA. transmitiu, em 26/02/2007, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 10392.57730.260207.1.1.091705, de créditos da apuração não cumulativa de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofinsexportação, no valor de R$ 216.223,61, referente ao quarto trimestre de 2006. A DRF BlumenauSC, por meio do Despacho Decisório Saort/DRF/BLU nº 103/2009, fls. 733 a 750, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 165.828,36. A glosa no valor de R$ 50.395,25 deveuse às seguintes irregularidades constatadas na tomada de créditos: 1 "Bens utilizados como insumos aquisições no mercado interno": inclusão indevida, na base de cálculo dos créditos, do valor dos insumos devolvidos; 2"Serviços Utilizados como Insumos": Do transporte rodoviário de cargas CTRC’s emitidos irregularmente: Dentre as principais irregularidades, destacamse: i) muitas das notas fiscais informadas nos CTRC não estavam registradas no Livro Registro de Entrada, ou seja, não figuravam nos registros fiscais e/ou contábeis da requerente; ii) a emissão de CTRC foi em data posterior à de prestação do serviço de transporte, o que é expressamente vedado pelo art. 65 do RICMS/SC e a nota fiscal informada no CTRC é de valor inferior ao nele informado; Consta ainda que os problemas de preenchimento ocorreram exclusivamente com os transportadores locais ou de cidades limítrofes à sede da requerente; que o registro de tais serviços muitas vezes superam o valor da própria mercadoria transportada, e que as distancias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios de frete praticados no mercado. Entendeu a fiscalização que, em razão das inconsistências encontradas, a aferição da idoneidade dos documentos restou prejudicada, razão pela qual efetuou a glosa da totalidade dos CTRC de CFOP 1.352. Das outras entradas de mercadoria ou prestação de serviço: houve discrepância entre o valor da base de cálculo para os créditos relativos aos "Serviços utilizados como insumos", adotada na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte, conforme o CFOP 1.949, e aquele apurado a partir do Livro Registro de Entradas (LRE), constatandose que a quase totalidade do valor solicitado não encontra respaldo na escrita fiscal; que os serviços indicados nos demais CFOP, a principio, não correspondem a serviços utilizados como insumos, o que gerou a glosa da totalidade desses valores. 3. Glosa de Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos, visto que os contratos de locação apresentados tinham por objeto caminhões e carrocerias, veículos, que não podem se caracterizar como máquinas utilizadas no processo produtivo da empresa, pelo que houve a glosa dos valores informados na ficha respectiva do Dacon. Em Manifestação de Inconformidade (fls. 790 a 800), o interessado controverte as seguintes glosas: Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720009/200861 Acórdão n.º 3403003.057 S3C4T3 Fl. 1.146 3 Dos Serviços Utilizados Como Insumos: quanto aos CTRCs glosados (CFOP 1.352), alega que os vícios formais referentes aos fretes nas aquisições não existem, quando muito se tratam de meras irregularidades; que a empresa contratava fretes de terceiros que faziam o transporte da madeira vinda das florestas até o seu estabelecimento; que o frete era efetuado por pessoas humildes que, por vezes, possuem apenas um caminhão, as quais emitiam uma nota fiscal conjunta onde mencionavam a totalidade dos serviços prestados em um determinado período; que a referida falha não prejudicou o Fisco, porquanto não houve omissão quanto aos valores dos fretes. No que tange à ausência de escrituração das notas fiscais, alega que, nos casos de importação, o transporte é feito com a Declaração de importação e para escriturála emitese nota fiscal da própria empresa; na compra de insumos de pessoas físicas, o transporte é feito com a nota de produtor rural, e, para escriturála, da mesma forma, é necessária a emissão da Nota Fiscal pela própria empresa. Das outras entradas de mercadoria ou prestação de serviço (CFOP 1.949): alega ter agido acertadamente ao lançar no CFOP 1.949 os valores despendidos com serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas. Esclarece que as notas foram lançadas apenas nos livros contábeis, que não podem ser lançadas nos livros fiscais pelo fato dos prestadores de serviço não possuírem apenas inscrição municipal e, assim, embora não estejam no LRE, foram devidamente contabilizadas. Sustenta que o fisco não poderia ter glosado sumariamente todos os valores e junta a relação dos serviços utilizados como insumos (CFOP 1.949) e as respectivas notas fiscais. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 07020.491, de 07020.491, fls. 1.058 a 1.065, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é anus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 1.072 a 1.098, após síntese dos fatos relacionados com a lide, discorre sobre o sistema de distribuição do ônus da prova no processo administrativo, articulandoo com o princípio da verdade material, para concluir que não se pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que este não logrou êxito na comprovação de seu direito. No mérito, rechaça a vinculação da tomada de crédito por fretes pagos no transporte de insumo com a natureza do bem transportado. Invoca a Lei de Regência. Explica que para a árvore chegar até a indústria, é necessário que haja um meio de transporte que a leve ao local e que esta condução normalmente é feita pela própria a empresa contratada para 0 corte da árvore. Refere soluções em processos de consulta. Aduz que o fato de os transportes se referirem, em parte, a produtos adquiridos de pessoas físicas, não tem o condão de limitar ou excluir a possibilidade da percepção de créditos. Insiste na regularidade dos conhecimentos que ampararam o creditamento. Alternativamente, pede que se retornem os autos à DRJ para análise do crédito. Quanto à glosa de serviços não especificados, registrados sob o CFOP 1949 e 2949, pugna pela adoção do conceito econômico de insumo e se admita a tomada de crédito sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e serviços de fumigação, haja vista que tais produtos são considerados como insumo, sendo, igualmente, integrado ou consumido no processo de produção de mercadorias industrializadas destinadas ao exterior. Destaca que seu processo industrial começa já no momento em que seus prestadores de serviços se dirigem até a localidade onde estão as árvores e realizam o corte da forma exigida pela recorrente. Da mesma forma, considerandose que as máquinas são empregadas na produção de bens da recorrente eis que indispensáveis à obtenção do resultado final a medida que se impõe é o deferimento do ressarcimento do crédito em relação às aquisições de peças e serviços empregados na manutenção das máquinas e veículos. Pede provimento. Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os processos conexos de nºs 13971.720733/200975, 13971.720734/200910, 13971.720775/200914, 13971.720776/200951,13971.720778/200940, 13971.720779/2009 94, 13971.720782/200916, 13971.720926/200764, 13971.903959/201124, 13971.903960/201159, 13971.904248/201177, 13975.000308/200501 e 13975.000309/200547, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em razão do sorteio ocorrido em 28/05/2014. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720009/200861 Acórdão n.º 3403003.057 S3C4T3 Fl. 1.147 5 Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.072 a 1.098 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07020.491, de 9 de julho de 2010. Devolvemse a esta Turma Recursal as discussões a respeito do ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte; do direito à tomada de crédito sobre as despesas de amortização do valor dos contratos de aquisição de florestas, sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e fumigação de contêineres. Tenho notícia de que ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA, ora recorrente, ajuizou, em 30/09/2013, a Ação Ordinária nº 500358476.2013.404.7213, distribuída à 1ª Vara da Justiça Federal em Rio do SulSC, almejando que se declare o seu direito ao creditamento do PIS e da COFINS calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c) serviços de armazenagem de mercadorias; d) depreciação de bens do ativo imobilizado – aquisição de florestas seja por nota fiscal, seja por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados na industrialização e transporte rodoviário de cargas. Requer, ainda, seja reconhecido o direito da autora aos créditos discutidos na presente peça exordial, os quais foram glosados pela autoridade fiscal nos processos administrativos nºs 13975.000461/200368, 13975.000462/200311, 13975.000495/200352, 13975.000019/2004 12, 13975.000197/200524, 13975.000196/200580, 13975.000189/2005 88, 13975.000187/200599, 13975.000185/2005 08, 13975.000183/200519, 13971.720004/200838, 13971.720005/200882, 13971.720006/200827, 13971.720007/2008 71, 13971.720729/200915, 13971.720730/200931, 13971.903970/201194, 13971.903957/201135, 13971.903961/2011 01, 13971.903963/201192, 13971.911478/2011 92, 13971.911479/201137, 13971.002001/200657, 13975.000190/2005 11, 13975.000188/200533, 13975.000186/200544, 13975.000184/200555, 13971.002002/2006 00, 13971.720008/2008 16, 13971.720009/200861, 13971.720010/200895, 13971.720011/200830, 13971.720012/200884, 13971.720726/2009 73, 13971.720727/2009 18, 13971.720728/200962, 13971.903971/201139, 13971.903958/201180, 13971.903962/2011 48, 13971.903964/201137, 13971.911480/201161, 13971.911481/2011 14, corrigidos monetariamente pela taxa referencial SELIC deste a data do protocolo dos pedidos administrativos. Como se vê, à exceção das primeira matéria, as demais foram submetidas à tutela do Poder Judiciário. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 1 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Em face da renúncia à discussão administrativa dessas matérias, só se conhecerá das alegações recursais atinentes ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte. Ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte Em que pese a dissertação da recorrente, comungo integralmente com as considerações sobre a distribuição do ônus probatório tecidas pela relatora da decisão recorrida, AFRFB Marisa Soares Mondadori. Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720009/200861 Acórdão n.º 3403003.057 S3C4T3 Fl. 1.148 7 Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Conclusão Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, quanto ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte, por negar provimento. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10510.003146/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para que sejam apreciados os fatos e fundamentos trazidos com a impugnação.
Numero da decisão: 2301-003.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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GFIP Recorrente USINA SÃO JOSÉ DO PINHEIRO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para que sejam apreciados os fatos e fundamentos trazidos com a impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 31 46 /2 00 8- 76 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração 37.016.1947, o qual exige multa pelo fato de o sujeito passivo não ter declarado em GFIP as seguintes contribuições previdenciárias, apuradas pela fiscalização: a) relativas à remuneração de serviços de segurados contribuintes individuais, inclusive decorrente de transporte de cargas e passageiros (37.016.1912 e 37.016.1920); b) Subrogação da responsabilidade pelo recolhimento das contribuições devidas pelo empregador rural pessoa física , em substituição à contribuição de que trata o inciso II do art . 22 da lei 8212/91, de 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho (37.016.1912, 37.016.1920 e 37.016.1939). O sujeito passivo apresentou sua impugnação requerendo relevação da multa aplicada com base nos levantamentos SU2 – Sub rogação comercialização da produção (2,1% ), referente às competências 02/2004 a 0412004 e 10/2004 a 1212004, constantes dos autos de infração 37.016.1912, 37.016.1920 e 37.016.1939, em face de ter havido a correção das faltas através das GFIP's em anexo. A DRJ de Salvador julgou improcedente a impugnação, o que motivou o sujeito passivo a interpor recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. O recurso voluntário interposto, além de repisar alguns fundamentos apresentados em sede impugnação, sustenta que a decisão proferida, tal como já havia alegado nos autos do PAF 10510.003145/200821, não se atentou para o fato de que o recolhimento do RAT à alíquota de 0,1% devida pelo produtor rural, já teria sido por esse recolhido no período autuado, razão pela qual não deveria ter inserido essa informação na sua GFIP. Vejase trecho do recurso: Contudo, tal posicionamento não merece prosperar, pois as GPS's anexadas aos autos demonstram inequivocamente que os antigos proprietários das citadas fazendas recolheram em seus nomes próprios, tempestivamente, aos cofres do INSS, as contribuições referentes aos levantamentos SU2 e SU3, razão pela qual os respectivos fatos geradores somente poderiam ter sido informados em nome dos mesmos, através das GFIP'S juntadas pois, se fossem informados em nome da Usina São José do Pinheiro Ltda, não seria possível vincular e aproveitar a esta os recolhimentos efetuados por aqueles através das GPS's mencionadas. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10510.003146/200876 Acórdão n.º 2301003.913 S2C3T1 Fl. 259 3 E, no Anexo III da impugnação foram juntadas planilhas, cópias de folhas de pagamento e GPS, as quais não foram confrontadas pela decisão recorrida, pois acerca do levantamento específico (SU 2), limitouse a afirmar o seguinte. Como no PAF 10510.003145/200821 não foi analisada a questão relativa ao recolhimento do RAT pelos próprios produtores rurais pessoas físicas, reflexamente, a r. decisão recorrida, limitouse a afirmar que as GFIPs apresentadas por esses não teriam o condão de extirpar a penalidade imposta ao autuado. Assim, a meu ver, o vício contido na decisão proferida no PAF acima destacado, contaminou a decisão proferida nesses autos, pois sem o exame do recolhimento da contribuição não dá para afirmar, com segurança, a obrigação da recorrente em ter de declarar essa informação na sua GFIP. A meu ver a decisão recorrida afronta o artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, bem como o artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/72. Ante o exposto, VOTO no sentido de ANULAR a decisão recorrida, determinandose que outra seja proferida, para que os fatos e fundamentos trazidos com a impugnação sejam devidamente apreciados, sendo que após deverá ser intimado o sujeito passivo, para que no trintídio legal exerça o direito a ampla defesa e ao contraditório nos exatos termos do artigo 5º, inciso LV da Constituição e Decreto nº 70.235/72. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 13804.006512/2003-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório
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(Sucedida por incorporação pela Editora Abril S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 06 51 2/ 20 03 -2 7 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 406 ___________ Tratase de recurso voluntário interposto por EDITORA NOVO CONTINENTE S.A. contra Acórdão nº 1639.678, de 6 de junho de 2012 (de fls. 282 a 288), proferido pela 9ª Turma da DRJ/POA, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação e mantido em parte o crédito tributário. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro de 1998 a dezembro de 1998, declarados na DCTF, pois foi constatado “Proc jud não comprovado”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 20 e 21, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 30/06/2003, perfazendo o total de R$ 417.968,97 (quatrocentos e dezessete mil e novecentos e sessenta e oito reais e noventa e sete centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 1º e 3º, alínea “b”, da Lei Complementar nº 07/70; art. 83 inc. III, L.8981/95; art 1º, L 9249/95; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1623/97 e reed; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1676/9834 e reed; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, L 9715/98. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 11/08/2003 (AR à fl. 92), a contribuinte protocolizou, em 09.09.2003, a impugnação de fls. 2 a 4 acompanhada dos documentos de fls. 591, na qual alega: 2.1. Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Impugnante, sob o argumento de que teriam sido constatadas irregularidades nos créditos vinculados informados nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF dos anos calendário 1998 e em decorrência deste fato, foi constatada falta de recolhimento do PIS, código de receita 8109. 2.2. Assim, teria a peticionária, no entender do órgão autuante, infringido a legislação que regula a matéria, sendolhe exigido o recolhimento da contribuição, acrescido de multa de oficio e juros de mora, tudo, no importe de R$ 417.968,97 (quatrocentos e dezessete mil novecentos e sessenta e oito reais e noventa e sete centavos). 2.3. Porem, conforme será demonstrado, o auto de infração em exame não deve prosperar, eis que a impugnante não incorreu nas infringências apontadas pelo órgão autuante. 2.4. Em 30 de abril de 1996, a ora peticionária, ajuizou, perante a 15' Vara Federal, da Justiça Federal da Seção Judiciária de São Paulo, a Ação Declaratória com pedido de tutela antecipada n.° 96.00116415, objetivando Fl. 411DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.006512/200327 Resolução nº 3202000.192 S3C2T2 Fl. 407 3 a declaração da inconstitucionalidade da exigência do PIS, nos termos da Medida Provisória 1212 de 29.11.95 e reedições, requerendo que fosse assegurado seu direito de continuar recolhendo a exação na modalidade Repique, com base no disposto na Lei Complementar 07/70. (doc.07) Em 21 de maio de 1996, foi publicada decisão na qual o MM. Juiz indeferiu a tutela antecipada, porem facultou o depósito judicial dos valores discutidos. (doc 8) 2.5. Desta forma, a ora peticionária efetuou mensalmente o depósito judicial do valor da contribuição discutida, na forma determinada pela MP 1212/95 e reedições (0,65% sobre o faturamento), inclusive dos valores objetos da presente autuação. (docs. 09 a 20) 2.6. Portanto a autuação ora impugnada, quando muito, poderá ser considerada mera constituição de credito, no que diz respeito ao valor principal da contribuição, ante o respectivo depósito efetuado na mencionada ação declaratória e quanto aos valores de multa e juros, devem ser considerados nulo de pleno direito tais lançamentos. 2.7. Isto posto, face ao depósito dos valores objeto da presente autuação, requer, com o máximo acatamento, seja anulado o lançamento do credito tributário, cancelando se , em decorrência, o Auto de Infração n.° 0069371. 2.8. Por fim, pede deferimento. 3. Quanto a Ação Judicial, a EQAMJ exarou o seguinte Despacho em 02/02/2011 (fl. 110): (...) A ação judicial em pauta é a Ação Ordinária n° 96.00116415, que se prestou a questionar a MP 1.212/95. Ocorreu o transito em julgado de maneira desfavorável ao contribuinte, sem apelação. Os depósitos compreendidos entre 01 e 10/1998 foram realizados no Banco do Brasil S/A (guias de depósito fls. 58/67) e não na Caixa Econômica Federal, o que impossibilita a verificação em relação existência do depósito e ao saldo atualizado da conta. O contribuinte ignorou a existência do DecretoLei 1.737/79 que há tempos trazia a obrigatoriedade de efetivação do depósito judicial na CEF, em seu art. 1º. Conforme fl. 99, em 2008, o juízo da causa determinou a conversão em renda dos depósitos realizados naqueles autos. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.006512/200327 Resolução nº 3202000.192 S3C2T2 Fl. 408 4 Os depósitos relativos a 11 e 12/1998 foram realizados em DJE e já sofreram a transformação total em pagamento definitivo (fls. 68/69 e 100/102). (...) 3.1. Em 16/02/2011, a EQAMJ complementou o Despacho acima (fl. 195): Como primeira medida remeto ao despacho anterior de fl. 107 que relata todos os fatos até aqui ocorridos. Posteriormente, informo que como resposta à intimação enviada o contribuinte apresentou a manifestação/documentação juntada às fls. 108/188. Não trouxe a autorização judicial especifica para a efetivação dos depósitos no Banco do Brasil3. Quanto a Ação Judicial, a EQAMJ exarou o seguinte Despacho em 02/02/2011 (fl. 110): (...) A ação judicial em pauta é a Ação Ordinária n° 96.00116415, que se prestou a questionar a MP 1.212/95. Ocorreu o transito em julgado de maneira desfavorável ao contribuinte, sem apelação. Os depósitos compreendidos entre 01 e 10/1998 foram realizados no Banco do Brasil S/A (guias de depósito fls. 58/67) e não na Caixa Econômica Federal, o que impossibilita a verificação em relação existência do depósito e ao saldo atualizado da conta. O contribuinte ignorou a existência do DecretoLei 1.737/79 que há tempos trazia a obrigatoriedade de efetivação do depósito judicial na CEF, em seu art. 1º. Conforme fl. 99, em 2008, o juízo da causa determinou a conversão em renda dos depósitos realizados naqueles autos. Os depósitos relativos a 11 e 12/1998 foram realizados em DJE e já sofreram a transformação total em pagamento definitivo (fls. 68/69 e 100/102). (...) 3.1. Em 16/02/2011, a EQAMJ complementou o Despacho acima (fl. 195): Como primeira medida remeto ao despacho anterior de fl. 107 que relata todos os fatos até aqui ocorridos. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.006512/200327 Resolução nº 3202000.192 S3C2T2 Fl. 409 5 Posteriormente, informo que como resposta à intimação enviada o contribuinte apresentou a manifestação/documentação juntada às fls. 108/188. Não trouxe a autorização judicial especifica para a efetivação dos depósitos no Banco do Brasil. Pretende ver demonstrado que realizou os depósitos e estes foram "resgatados" pela União em 29/12/2009, conforme extratos bancários de fls. 112/188. Destaque para as fls. 115 e 123; 124 e 128; 129/130 e 162; 163 e 167; 169 c 184; por fim, fls. 185 e 188, que demonstram datas de aplicação e resgate em 29/12/2009. Pelos extratos bancários apresentados não se pode afirmar que os "resgates" realmente foram feitos por conta de conversão em renda da União, apesar dos vários ofícios de conversão em renda expedidos pelo judiciário ao BB, consoante extrato processual de acompanhamento eletrônico (fls. 93/94). Não foi localizada nenhuma Conversão Pis 2849 ou DJE Pis 7498 posterior a 01/01/2009 no sinal 08, porem foi localizada conversão disponível de Pis de 13/09/2007 (fls. 189/191), sem contar com nenhuma referência a número da ação judicial. (...) 4. É o relatório” A DRJ acolheu em parte as alegações do contribuinte e manteve em parte o crédito tributário em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade do procedimento administrativo. DECISÃO JUDICIAL DESFAVORÁVEL ALOCAÇÃO DOS DEPÓSITOS JUDICIAIS CONVERTIDOS EM RENDA DA UNIÃO. A decisão judicial desfavorável ao Impugnante enseja a alocação dos depósitos judiciais convertidos em Renda da União aos débitos correspondentes mantidos. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da Fl. 414DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.006512/200327 Resolução nº 3202000.192 S3C2T2 Fl. 410 6 retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificado do referido acórdão em 17 de outubro de 2012 (fl. 290), a interessada apresentou recurso voluntário em 25 de outubro de 2012 (fls. 291 a 294), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 17 de outubro de 2012, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 25 de outubro de 2012. Pelo presente processo, vêse que o cerne da questão se resume aos valores de PIS, oriundos no período de 01/1998 a 12/998, tendo em vista que a decisão da DRJ excluiu os valores relativos a multa de ofício, uma vez aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, II, "c", do CTN e manteve os valores com relação ao PIS, período de 01/1998 a 12/1998, no valor total de R$ 156.099,04. Depreendendose da análise do Recurso Voluntário interposto pela recorrente, vêse que insurge o contribuinte que os débitos objeto do processo administrativo foram depositados na Ação Declaratória n.° 96.00116415, para fins de suspensão da exigibilidade dos valores relativos ao PIS, com relação ao período de 01/1998 a 12/1998. O que ressalta que parte dos depósitos foram realizados no Banco do Brasil e parte na Caixa Econômica Federal. Contextualiza a recorrente que: · Em 30 de abril de 1996, foi ajuizada a Ação Declaratória nº 96.0011641 5, com o objetivo de declarar a inconstitucionalidade da Medida Provisória 1.212/95 e posteriores reedições e conceder a tutela Fl. 415DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.006512/200327 Resolução nº 3202000.192 S3C2T2 Fl. 411 7 jurisdicional antecipada para suspender a exigibilidade do PIS conforme previsto pela Medida Provisória; · Em 17 de junho de 2005, sobreveio sentença que julgou improcedente à ação e, em 20 de julho de 2006, a empresa protocolou petição renunciando ao direito de recorrer, sendo requerido a conversão em renda dos valores depositados em favor da União Federal; · Em 30 de julho de 2007, foi proferido despacho para que fosse efetuada a conversão em renda dos valores depositados, a qual foi efetuada em 19 de setembro de 2007 pela Caixa Econômica Federal, código 2849; · Não obstante, por um lapso, não foi expedido Ofício para o Banco do Brasil para a conversão em renda dos valores depositados no referido banco; · Constatando o erro, a recorrente despachou petição requerendo a expedição do Ofício ao Banco do Brasil; · Tal pedido foi apreciado e em 18 de dezembro de 2008, o que fez com que o Banco do Brasil informasse a conversão em renda efetuada no dia 19 de novembro de 2008, código 2849, no valor total de R$629.706,11; · No entanto, a recorrente constatou que o Banco do Brasil providenciou a conversão em renda do montante de R$629.706,11, através de recolhimento de DARF no código de receita 2849; porém, não providenciou a segregação dos valores por empresa, uma vez a existência de litisconsórcio ativo nos autos da Ação Declaratória n° 96.00116415; · Diante disso, a ora Peticionária protocolou petição, em 16 de novembro de 2011, solicitando a conversão em renda de todos os valores depositados nos autos da referida ação, em favor da União Federal, de forma segregada, para que possa comprovar, nos autos do presente processo, a parte da quitação do débito que cabe a Editora Abril S.A (atual denominação social de Editora Novo Continente S.A); · Em resposta, o Banco do Brasil informou que parte dos valores depositados foram convertidos em renda da União, através do DARF no valor de R$629.706,11 e parte dos valores foram transferidos a Caixa Econômica Federal, em cumprimento à Lei Federal n° 12.099/2009; · Que os valores depositados foram transferidos, em 29 de dezembro de 2009, à Caixa Econômica Federal, disponibilizados na conta n° 56352674451, agência n° 0265 – CEF; · O que, por conseguinte, a Caixa Econômica Federal, em 10 de maio de 2012, solicitou o código de receita a ser utilizado para a conversão em renda dos valores remanescentes que, por sua vez, foi prontamente atendido pelo D. Procurador da Fazenda Nacional; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.006512/200327 Resolução nº 3202000.192 S3C2T2 Fl. 412 8 · Em 20/09/2012, o Exmo. Juiz oficiou a Caixa Econômica Federal a providenciar a conversão em renda dos valores remanescentes, contidos na conta n° 56352674451, agência n° 0265, valores esses que servirão para quitação dos débitos objeto do presente processo administrativo; · O que, portanto, a recorrente somente aguarda comprovação da conversão em renda da União, que será oferecida pela Caixa Econômica Federal, para que possa demonstrar nos autos do presente processo administrativo. Em vista de todo o exposto, considerando os documentos comprobatórios anexados ao processo e o Ofício do Juiz determinando a Caixa Econômica Federal providenciar a conversão em renda dos valores remanescentes contidos na r. conta, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Verifique se: (i) houve a efetiva conversão dos depósitos judiciais relativos à Ação Declaratória n° 96.00116415 correspondentes aos valores remanescentes contidos na conta n° 56352674451, agência n° 0265 vinculada a Caixa Econômica Federal; (ii) os valores foram suficientes para a quitação integral do débito objeto do presente processo administrativo; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 417DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 13884.900363/2009-37
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 63 /2 00 9- 37 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração janeiro de 2003, no valor original de R$ 7.951,53, com débitos de COFINS que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900363/200937 Acórdão n.º 3803005.711 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900363/200937 Acórdão n.º 3803005.711 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900363/200937 Acórdão n.º 3803005.711 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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