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Numero do processo: 10480.727109/2023-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2018
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, observa-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Aplicação da Súmula CARF nº 103
Numero da decisão: 2402-012.737
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por falta de atingimento do limite de alçada vigente. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2402-012.736, de 09 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 17227.720434/2021-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Francisco Ibiapino Luz – Presidente Redator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Marcus Gaudenzi de Faria (relator), Gregorio Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Joao Ricardo Fahrion Nuske e Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, observa-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Aplicação da Súmula CARF nº 103 ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por falta de atingimento do limite de alçada vigente. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2402-012.736, de 09 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 17227.720434/2021-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Francisco Ibiapino Luz – Presidente Redator Participaram do presente julgamento os conselheiros Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Marcus Gaudenzi de Faria (relator), Gregorio Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Joao Ricardo Fahrion Nuske e Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Fl. 1121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.737 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.727109/2023-91 2 Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso de Ofício interposto pelo Presidente de turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou procedente a impugnação, exonerando lançamento, relativo a Contribuições Sociais Previdenciárias. A exigência é referente a ajuste de declaração em GFIP realizado em virtude da Opção do Contribuinte pela substituição da cota patronal pela Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) – entendida ser intempestiva a opção pela não realização do pagamento relativo à competência inicial do ano calendário em época própria, entendimento este vinculado à Solução de Consulta Cosit 14/2018 que restringia o conceito de recolhimento tempestivo para a opção. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto, que se resume a: a) A opção pela Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) pode ser manifestada, antes da instauração de procedimento fiscal, de forma expressa e irretratável, por meio de1: (1) pagamento do tributo mediante código específico de documento de arrecadação de receitas federais; ou (2) apresentação de declaração por meio da qual se confessa o tributo Crédito Tributário Exonerado. Em virtude do valor exonerado, o presidente da Turma da Delegacia de Julgamento apresentou Recurso de Ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, e artigo 70, § 3o do Decreto nº 7.574/2011, em face do disposto no artigo 1º da Portaria MF nº 63, de 9/2/2017, tendo em vista que foi excluído crédito que excede o valor de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Cientificado do acórdão recorrido, o sujeito passivo não interpôs Recurso Voluntário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Aplicação da SCI 03/2022 Fl. 1122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.737 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.727109/2023-91 3 A partir da publicação da Portaria MF nº 2, em 17/01/2023, elevou-se o limite de alçada para conhecimento do Recurso de Ofício. O teto, que anteriormente era de R$2.500.000,00, passou para o importe de R$15.000.000,00 (quinze milhões de reais). É o que se depreende do seu conteúdo normativo, conforme transcrição abaixo: “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento- DRJ recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). (grifo nosso) § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo”. Ainda nessa linha, e como forma de instrumentalizar e outorgar segurança jurídica ao texto supramencionado, a Súmula CARF nº 103 veio ao encontro desse dispositivo para determinar o seguinte: “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. Firmada essa premissa, é de se verificar que o valor do crédito tributário ora combatido, via Recurso de Ofício, tem o importe total menor que aquele previsto na Portaria supramencionada, conforme se depreende do: (i) auto de infração; (ii) relatório fiscal; (iii) e documentos que a tais compõem. Neste contexto, em que pese, no momento da decisão pela Turma de Julgamento da DRJ, esta demandar à época tal ação de seu presidente, e que fora escorreitamente realizada, dado o lapso temporal entre esta e a análise do recurso de ofício por este colegiado, a elevação de limite de alçada implica no seu não conhecimento, A conclusão que se chega, portanto, da regra aplicável deste caso em concreto é, justamente, daquela prevista no artigo 1º e seu parágrafo 1º, da Portaria MF n°2/2023, combinada com a Súmula CARF nº 103. Ante o exposto, voto pelo não conhecimento do recurso de ofício interposto, em razão do crédito exonerado na decisão recorrida situar-se abaixo do limite de alçada ora vigente. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 1123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.737 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.727109/2023-91 4 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso de ofício, por falta de atingimento do limite de alçada vigente. Assinado Digitalmente Francisco Ibiapino Luz – Presidente Redator Fl. 1124DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721028/2018-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2013 a 31/12/2015
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.NÃO PRONUNCIAMENTO
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
CERCEAMENTO DE DEFESA.INOCORRÊNCIA
Inexiste cerceamento de defesa em lançamento que cumpre os requisitos legais e expõe exaustivamente os fatos e fundamentos jurídicos com ampla instrução probatória.
PRESTADOR DE SERVIÇO.AUSENTE VÍNCULO EMPREGATÍCIO
O prestador de serviço ou sócio da empresa não possui vínculo de emprego.
IMPUGNAÇÃO GENÉRICA.NEGATIVA GERAL
A defesa administrativa deve expor os motivos de fato e de direito em que se fundamenta os pontos de discordância e as razões e provas que possuir sendo inadmissível alegação genérica.
INACEITÁVEL A UTILIZAÇÃO DE INSTRUMENTOS LEGAIS PARA PRÁTICA DE ILÍCITOS
A utilização de instrumentos legais como a entrada de sócios na empresa e a distribuição de lucros não dá azo à prática de ilegalidade tal como a sonegação de tributos.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DE ADMINISTRADORES.POSSIBILIDADE
Há responsabilidade pessoal dos administradores pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei.
MULTA CONFISCATÓRIA.NÃO PRONUNCIAMENTO
O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que determine a aplicação de multa.
RETROATIVIDADE BENIGNA.POSSIBILIDADE
Tratando-se de lançamento não definitivamente julgado em instância administrativa a lei se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa.
Numero da decisão: 2402-012.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas nos recursos voluntários interpostos e, no mérito, dar-lhes parcial provimento, reduzindo a multa qualificada ao percentual de 100%, que como respectivo agravamento perfaz o percentual de 150%.
Assinado digitalmente
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
Assinado digitalmente
Rodrigo Duarte Firmino – Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Duarte Firmino, Gregório Rechmann Junior, Marcus Gaudenzi de Faria, João Ricardo Fahrion Nuske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DUARTE FIRMINO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2013 a 31/12/2015 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.NÃO PRONUNCIAMENTO O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). CERCEAMENTO DE DEFESA.INOCORRÊNCIA Inexiste cerceamento de defesa em lançamento que cumpre os requisitos legais e expõe exaustivamente os fatos e fundamentos jurídicos com ampla instrução probatória. PRESTADOR DE SERVIÇO.AUSENTE VÍNCULO EMPREGATÍCIO O prestador de serviço ou sócio da empresa não possui vínculo de emprego. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA.NEGATIVA GERAL A defesa administrativa deve expor os motivos de fato e de direito em que se fundamenta os pontos de discordância e as razões e provas que possuir sendo inadmissível alegação genérica. INACEITÁVEL A UTILIZAÇÃO DE INSTRUMENTOS LEGAIS PARA PRÁTICA DE ILÍCITOS A utilização de instrumentos legais como a entrada de sócios na empresa e a distribuição de lucros não dá azo à prática de ilegalidade tal como a sonegação de tributos. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE ADMINISTRADORES.POSSIBILIDADE Há responsabilidade pessoal dos administradores pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei. MULTA CONFISCATÓRIA.NÃO PRONUNCIAMENTO O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que determine a aplicação de multa. RETROATIVIDADE BENIGNA.POSSIBILIDADE Tratando-se de lançamento não definitivamente julgado em instância administrativa a lei se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa.
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(Súmula CARF nº 2). CERCEAMENTO DE DEFESA.INOCORRÊNCIA Inexiste cerceamento de defesa em lançamento que cumpre os requisitos legais e expõe exaustivamente os fatos e fundamentos jurídicos com ampla instrução probatória. PRESTADOR DE SERVIÇO.AUSENTE VÍNCULO EMPREGATÍCIO O prestador de serviço ou sócio da empresa não possui vínculo de emprego. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA.NEGATIVA GERAL A defesa administrativa deve expor os motivos de fato e de direito em que se fundamenta os pontos de discordância e as razões e provas que possuir sendo inadmissível alegação genérica. INACEITÁVEL A UTILIZAÇÃO DE INSTRUMENTOS LEGAIS PARA PRÁTICA DE ILÍCITOS A utilização de instrumentos legais como a entrada de sócios na empresa e a distribuição de lucros não dá azo à prática de ilegalidade tal como a sonegação de tributos. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE ADMINISTRADORES.POSSIBILIDADE Há responsabilidade pessoal dos administradores pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei. Fl. 3926DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 2 MULTA CONFISCATÓRIA.NÃO PRONUNCIAMENTO O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária que determine a aplicação de multa. RETROATIVIDADE BENIGNA.POSSIBILIDADE Tratando-se de lançamento não definitivamente julgado em instância administrativa a lei se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas nos recursos voluntários interpostos e, no mérito, dar-lhes parcial provimento, reduzindo a multa qualificada ao percentual de 100%, que como respectivo agravamento perfaz o percentual de 150%. Assinado digitalmente Francisco Ibiapino Luz - Presidente Assinado digitalmente Rodrigo Duarte Firmino – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Duarte Firmino, Gregório Rechmann Junior, Marcus Gaudenzi de Faria, João Ricardo Fahrion Nuske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Francisco Ibiapino Luz (Presidente). RELATÓRIO I. AUTO DE INFRAÇÃO Em 25/04/2018, 26/04/2018 e 08/06/2018, fls. 285/291, a GLOBO MED SERVICOS MEDICOS LTDA, em litisconsórcio passivo com os administradores por excesso de poderes (art. 135, III do CTN), foi regularmente notificada da constituição de crédito tributário em seu desfavor, cobrando contribuições sociais previdenciárias devidas em razão de valores pagos ou creditados a contribuintes individuais que lhe prestaram serviço(sócios médicos ou não) e não oferecidos à tributação, relativas às competências de 06/2013 a 12/2015, conforme Autos de Infração de fls. 02/09(cota patronal); fls. 10/17(cota dos segurados); fls. 18/25 (cota da empresa/empregador); fls. 26/33 (cota dos segurados), com aplicação de multa qualificada e majorada em 225% (art. 44, §§1º e 2º, I da Lei nº 9.430, de 1996, além de juros de mora, totalizando R$ 15.242.452,31. Fl. 3927DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 3 A exação está instruída com relatório fiscal e anexos, fls. 36/74 e fls. 75/199, circunstanciando os fatos e fundamentos de direito, sendo precedida por fiscalização tributária iniciada em 23/12/2016, fls. 200 e 252/253, amparada pelo Mandado de Procedimento de Fiscal nº 09.1.01.00-2016-01080-2, expedido para os períodos de 02/2013 a 12/2015, encerrada em 20/04/2018, fls. 283/284. Constam dos autos cópia contrato social da empresa, procurações, exigências realizadas ao amparo de intimação e respectivas respostas, cópia de contratos daqueles serviços prestados pela contribuinte, além de outros documentos conforme fls. 206/2.746. Conforme Refisc, a contribuinte (i) a uma pagou pró-labore aos sócios da empresa, médicos/enfermeiros ou não, dissimuladamente como distribuição de lucros, com omissão de recolhimento e retenção das contribuições devidas; (ii) a duas efetuou pagamentos por serviços prestados aos profissionais de saúde não sócios, sem contabilizar, tampouco declarar e recolher os tributos devidos, sendo as respectivas bases arbitradas por aferição indireta nestes casos: (Refisc) 3.1.1) Contribuição da empresa (cota patronal) e a contribuição dos segurados (não retida), apuradas com base nos pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais (sócios médicos) e não declarados nas GFIP'S da empresa - pagamentos de pró-labore a sócios da empresa dissimulados como distribuição de lucros; (grifo do autor) 3.1.2) Contribuição da empresa (cota patronal) e a contribuição dos segurados (não retida), apuradas com base nos pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais (sócios não médicos) e não declarados nas GFIP'S da empresa - pagamentos de pró-labore a sócios da empresa dissimulados como distribuição de lucros; (grifo do autor) 3.1.3) Contribuição da empresa (cota patronal) e a contribuição dos segurados (não retida), incidente sobre os pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais (médicos não sócios), não contabilizados e não declarados nas GFIP'S da empresa, arbitrados por aferição indireta; (grifo do autor) A autoridade tributária atribuiu responsabilidade solidária dos créditos constituídos aos administradores, por agir com excesso de poderes dissimulando pró-labore como se distribuição de lucros fosse. Verificou-se, entre outros, a admissão fraudulenta de médicos/enfermeiros na sociedade ao tempo de suas respectivas contratações, de modo reiterado à parcela de 0,01% do capital social (correspondente a 32 cotas no valor individual de R$ 1,00 – total R$ 32,00), sem qualquer ônus ou alteração do deste, com a cessão de cotas de Rosa Maria Rogoni (sócia majoritária da empresa): (Refisc) 4.11) Claro está que a administração da sociedade foi conduzida em benefício pessoal das pessoas físicas, todas sócias da pessoa jurídica. Sendo os administradores igualmente sócios, também a estes foram estendidos os Fl. 3928DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 4 benefícios financeiros (não pagamento de imposto de renda e contribuição previdenciária) originados pela dissimulação das remunerações como se distribuição de lucros fossem. Por outro lado, a dissimulação patrocinada pelos administradores beneficiou sobremaneira a pessoa jurídica, haja vista que esta deixou de pagar os tributos devidos sobre as remunerações dos sócios com base no ardil por eles engendrado; (grifo do autor) 4.12) Por norma social as pessoas jurídicas não atribuem aos seus administradores poderes para cometerem ilícitos. No caso em concreto, olhando pela ótica dos sócios administradores, há evidente prática dolosa de atos com excesso de poderes, uma ao fazerem constar nos lançamentos contábeis a situação dissimulada e, outra, ao autorizaram os pagamentos a si próprios e aos demais sócios com base nesta dissimulação e sem o pagamento/retenção dos tributos devidos. Mesmo que eventualmente, um ou outro, não tenha praticado diretamente estes atos abusivos e ilegais, o toleraram, haja vista que todos estavam em posição de influir para a sua não ocorrência; 4.13)Os administradores da empresa agiram com evidente infração de lei (societária, tributária e fiscal) e, também, do contrato social. No item 6.8 e subitens deste Relatório Fiscal, detalha-se a infração do contrato social pela ilegalidade dos procedimentos utilizados na dissimulada distribuição de lucros, em desacordo com as cláusulas nele contidas: a empresa não comprovou que efetuou reuniões de deliberações de distribuição de resultados; não registrou em atas as deliberações dos sócios e, ainda, não levantou demonstrações financeiras intermediárias que suportassem tal distribuição, ou seja, os sócios administradores nada lavraram em ata sobre a distribuição de resultados porque não se reuniram para deliberarem sobre esta matéria; (grifo do autor) 4.14) O Código Tributário Nacional, no artigo 135, atribui aos diretores, gerentes ou representantes (inciso III) a responsabilidade pessoal pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, conforme abaixo se transcreve: (grifo do autor) (...) (...) 4.15.1) Por tudo o que foi demonstrado acima, os sócios administradores, pelas suas condutas dolosas, enquadram-se na previsão do artigo 135, III do Código Tributário Nacional - CTN, sendo desta forma incluídos no polo passivo da obrigação tributária, na condição de contribuintes solidários com a empresa GLOBO MED; (grifo do autor) Segundo a exação, a distribuição dissimulada de lucros e/ou adiantamento se operava por uma conta contábil específica, normalmente com pagamentos mensais, não guardando qualquer relação com o percentual de participação dos sócios no capital social da empresa, além da contabilidade registrar lucros distribuídos a várias pessoas antes mesmo de sua entrada na sociedade. Fl. 3929DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 5 Instada a se manifestar sobre a distribuição desproporcional referida a empresa silenciou, também não sendo encontrada na junta comercial cópia de ATA com respectivo registro. Com efeito a fraude também se espraiou até no imposto de renda dos novos sócios, vez que as respectivas declarações (DIRPF) foram registradas com isenção dos valores recebidos pelos serviços prestados, travestidos de lucros distribuídos: (Refisc) 4.3) Conforme será amplamente demonstrado neste Relatório Fiscal, os pagamentos contabilizados na conta contábil n° 541 - DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, subconta 54101 - DISTRIBUIÇÃO, referem-se à contabilização de pagamentos relativos a suposta distribuição e/ou adiantamentos de lucros a sócios da empresa. Estes pagamentos, quando efetuados especificamente aos médicos sócios são, na realidade, decorrentes dos seus trabalhos pessoais, despendidos em favor da consecução dos objetivos sociais da empresa, em nada se assemelhando a distribuição de lucros, conforme consta nos históricos dos lançamentos contábeis. Os pagamentos efetuados aos demais sócios, não médicos, também em nada se assemelham a distribuição de lucros, conforme demonstra-se no item 6.11 e subitens deste Relatório Fiscal; 4.4) Consultadas, por amostragem, as declarações do "imposto de renda da pessoa física", de sócios (médicos e não médicos), constatou-se que aqueles que declararam os valores recebidos da empresa GLOBO MED o fizeram como sendo relativos à distribuição de lucros (isenta de IR e contribuição previdenciária). Para assim proceder, e também fugir da tributação sobre os rendimentos auferidos, é inegável que aqueles tinham o pleno conhecimento de que os valores recebidos foram integralmente contabilizados, pela empresa, supostamente como se lucros fossem. Desta forma, imaginavam, na condição de pessoas físicas, estarem fora do alcance da tributação, assim como a pessoa jurídica igualmente estaria; 6.3) Decorrente da análise dos documentos apresentados, mais especificamente dos arquivos digitais da contabilidade, constatou-se que no grupo de despesas, na conta contábil n° 541 - DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, subconta 54101 - DISTRIBUIÇÃO, estão contabilizados pagamentos relativos a distribuição e/ou adiantamentos de lucros a sócios da empresa; 6.3.1) Notou-se que estes pagamentos, quando confrontados com o percentual de participação dos sócios no capital social da empresa, não guardam qualquer relação entre si, sendo pagamentos, via de regra mensais e em valores diferentes a cada mês, conforme se demonstra no ANEXO 1 deste relatório fiscal. Neste anexo consta o nome do sócio, o percentual de participação no capital social, a qualificação pessoal, a data de ingresso na sociedade e o respectivo número da alteração do contrato social correspondente, o valor e a data do primeiro pagamento contabilizado a título de distribuição de lucros e o número da conta contábil. Na correlação destes dados fica evidente a desproporcionalidade entre os valores pagos e o percentual de participação no capital social (0,01%), conforme se exemplifica abaixo em relação a alguns sócios; (grifo do autor) Fl. 3930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 6 (...) 6.3.1.2) Constatou-se, também, a contabilização de pagamentos a título de lucros distribuídos para diversas pessoas em datas anteriores ao ingresso na sociedade (pagamentos de lucros distribuídos para não sócios), conforme se demonstra abaixo: (grifo do autor) (...) 6.8.3) Constatada a contabilização de pagamentos a título de distribuição de lucros, de forma evidentemente desproporcional entre os valores recebidos pelos sócios e o percentual de suas participações no capital social, conforme amplamente explicitado neste relatório fiscal, caberia a empresa demonstrar que efetuou esta distribuição segundo as regras previstas no seu contrato social e alterações (deliberação da distribuição dos resultados efetuada em reunião dos sócios, precedida da regular convocação, registrada em ata e apuração dos lucros a distribuir efetuada a partir de demonstrações financeiras intermediárias); 6.8.4) Para oportunizar a empresa a tal demonstração, mesmo intimada através do Termo de Intimação Fiscal - TIF n° 1, de 24/04/2017 e reintimada através do TIF n° 2, de 30/05/2017, esta deixou de APRESENTAR: 6.8.5) Relativamente à distribuição dos resultados que contabilizou nos anos de 2013 a 2015, a comprovação de convocação das assembleias dos sócios e, também, as respectivas cópias das atas autenticadas e registradas nas quais constou a distribuição dos resultados, apurados pela sociedade; 6.8.6) Relativamente à antecipação de distribuição de lucros nos anos de 2013 a 2015, as demonstrações financeiras intermediárias, levantadas à época, citadas na cláusula do contrato social; 6.8.7) Diante da negativa da empresa em atender ao contido nos Termos de Intimação, encaminhou-se ofício à Junta Comercial do Paraná, solicitando cópias de todas as atas registradas pela empresa GLOBO MED naquele órgão estadual. Em resposta ao ofício a JCP informou que nenhuma ata foi levada a registro, pela empresa, no período fiscalizado; 6.8.8) Constatado que a empresa não comprovou que efetuou reuniões de deliberações de distribuição de resultados, que não registrou em atas as deliberações dos sócios e, ainda, que não levantou demonstrações financeiras intermediárias que suportassem tal distribuição, verifica-se a total ilegalidade dos seus procedimentos e que desqualificam os históricos dos lançamentos contábeis efetuados na conta contábil n° 541 - DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, subconta 54101 - DISTRIBUIÇÃO, relativamente aos pagamentos que efetuou a todos os sócios; (grifo do autor) Segundo o relatório fiscal, a partir da análise da contabilidade da empresa (plano de contas) tornou-se evidente a simulação nas distribuições de lucros, pois as parcelas pagas a esse Fl. 3931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 7 título foram registradas como despesas ordinárias em contas contábeis individuais dos profissionais: (Refisc) 6.11) LUCROS DISTRIBUÍDOS - AUDITORIA NA CONTABILIDADE DA EMPRESA: 6.11.1) Da análise do plano de contas, constata-se que a empresa atribuiu uma conta específica para cada sócio, no grupo de despesas, sendo assim estruturado este grupo: (5) - despesas; (51) - despesas operacionais; (52) - resultado não operacional; (53) - provisões para impostos; (54) - participações; (541) - distribuição de lucros; (54101) - distribuição; (5410000) - conta do sócio, conforme abaixo: (...) 6.11.2) Da análise do plano de contas, fique evidente a simulação utilizada pela empresa para atribuir aos pagamentos que efetuou aos sócios, como se distribuição de lucros fossem. Os valores destinados aos sócios são lançados a débito das suas contas pessoais (conta de resultado), no reconhecimento da despesa, e a crédito da conta caixa, ou bancos, no pagamento. No final do exercício, o saldo existente é baixado integralmente a débito da conta de apuração do resultado ("resultado líquido final" conforme consta no plano de contas), ou seja, a empresa trata contabilmente os pagamentos que efetuou aos sócios como despesas ordinárias, em nada se assemelhando a distribuição ou antecipação de lucros conforme quer fazer crer pelo nome da conta e dos históricos dos lançamentos. Abaixo se exemplifica em relação ao sócio Adail Tenório Carmo; (grifo do autor) (...) 6.11.3) Considerando que os pagamentos efetuados aos sócios, mesmo que no nome da conta e no histórico dos lançamentos sejam tratados como “lucros distribuídos a sócios”, estes são reconhecidos como despesas ao final do exercício e levados a débito da conta de apuração do resultado. Lançadas todas as despesas do exercício a empresa apurou o “resultado líquido final” que foi credor, se houve lucros, ou devedor, se houve prejuízos. Feita esta apuração o resultado foi lançado a débito, ou crédito, na conta final de apuração do lucro (prejuízo) do exercício, conforme abaixo: O Refisc descreve o uso de médicos/enfermeiros na prestação pessoal dos serviços de saúde diretamente a prefeituras e a outras entidades, utilizando em parte o mesmo modus operandi (sócio da empresa), ocultando tratar, efetivamente, do trabalho destes profissionais, com conluio e dolo dos participantes. Destaca o relatório fiscal a sonegação de tributos, o que se verificou a partir da fiscalização dos tomadores de serviço da GLOBO MED SERVICOS MEDICOS LTDA, após a contribuinte se omitir em prestar esclarecimentos, que inclusive também permitiu detectar o pagamento de serviços a médicos sem qualquer registro por parte da contribuinte: Fl. 3932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 8 (Refisc) 4.5) Como se depreende dos fatos narrados, considerando que os principais tomadores de serviços da GLOBO MED são prefeituras municipais e, também, considerando que o serviço de saúde é uma atividade típica destes entes públicos, por obvio existiriam entraves legais para que médicos prestassem serviços diretamente e autonomamente a aqueles. Conveniente, então, para a empresa, através dos seus administradores e, também, para os médicos, inclui los na sociedade, na condição de sócios, assim lhes dando a roupagem jurídica que lhes permitiu prestar os serviços contratados, não em nome próprio, mas em nome da pessoa jurídica titular do contrato de prestação de serviços; 4.6) Desta forma, para cumprir os contratos de prestação de serviços firmados com os tomadores de serviços, em especial as prefeituras municipais, sem qualquer ônus para nenhuma das partes, houve um inegável conluio entre todos. Isso fica evidenciado no ingresso da pessoa física, na sociedade, sem nenhum ônus (cotas do capital cedidas pela sócia administradora Rosa Maria Rogoni) e, a partir da condição de sócio, a viabilidade legal para a prestação pessoal do serviço e para o recebimento das remunerações decorrentes destes serviços prestados, dissimulados como se lucros distribuídos fossem, isentos de tributação, tanto na pessoa jurídica como na pessoa física; 4.7) Desta forma evidencia-se o propósito deliberado por parte da empresa, através dos seus administradores, em conluio, modificar a característica essencial do fato gerador dos tributos (imposto de renda e contribuição previdenciária), pela modificação intencional das suas características, tratando e ocultando remunerações (pró-labore) como se lucros distribuídos fossem. Também há uma intenção clara de esconder a condição pessoal dos sócios, como contribuintes obrigatórios (segurados contribuintes individuais), ocultando as suas remunerações (o sócio cotista que não recebe remuneração não é segurado obrigatório da Previdência Social - artigo 12, inciso V, letra "f" da Lei 8.212/91). Ambas as condutas se configuram como sonegação conforme previsão do artigo 71 da Lei 4.502/1964, abaixo transcrito: (...) 4.8) Os administradores da empresa sob ação fiscal, agindo com dolo, utilizaram- se de meios ilícitos tentando impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, descaracterizando-o e, desta forma, tentando eximir a empresa do pagamento dos tributos devidos, o que configura a tentativa de evasão fiscal por meio simulado; 4.9) Uma vez presente a ocorrência de dolo, conluio e simulação, claro está a tentativa de fraude empregada pelos administradores, cuja intenção não era outra senão a de não recolher os tributos devidos pela empresa e, com isso, obterem vantagens indevidas. A lesão aos cofres públicos é evidente. As condutas se configuram como FRAUDE, conforme previsão do artigo 72 da Lei 4.502/1964, Fl. 3933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 9 e como CONLUIO, conforme previsão do artigo 73 da mesma Lei, abaixo transcritos: (...) 4.10) A empresa, por determinação dos seus administradores, ao contabilizar as remunerações dos sócios (pró-labore) dissimulando-as como se lucros distribuídos fossem, ocultou dolosamente a base de cálculo tributável e, em consequência, deixou de recolher os tributos sobre ela incidentes (contribuição previdenciária patronal, retenção da contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais e imposto de renda retido na fonte). Os sócios, por sua vez, convalidaram o ardil contábil ao declararem nas suas próprias declarações de imposto de renda PF, as remunerações que receberam como se lucros distribuídos fossem eximindo-se, assim como a empresa, do pagamento do imposto de renda e da contribuição previdenciária por ele devidos; 4.11) Claro está que a administração da sociedade foi conduzida em benefício pessoal das pessoas físicas, todas sócias da pessoa jurídica. Sendo os administradores igualmente sócios, também a estes foram estendidos os benefícios financeiros (não pagamento de imposto de renda e contribuição previdenciária) originados pela dissimulação das remunerações como se distribuição de lucros fossem. Por outro lado, a dissimulação patrocinada pelos administradores beneficiou sobremaneira a pessoa jurídica, haja vista que esta deixou de pagar os tributos devidos sobre as remunerações dos sócios com base no ardil por eles engendrado; (...) 6.4) Em decorrência do não atendimento dos Termos de Intimação - TIF n° 1 e n° 2, e na intenção de obter as informações necessárias para o desenvolvimento da auditoria fiscal, nos termos propostos pelo Sr. Delegado da RFB em Curitiba, foram abertas diligências fiscais junto aos tomadores de serviços, identificados a partir dos contratos de prestação de serviços apresentados pela empresa GLOBO MED em atendimento ao TIPF. São eles: Prefeitura Municipal de Araucária; Prefeitura Municipal de Campo Largo, Prefeitura Municipal de Contenda, FUNPAR e Rede D'Or São Luiz S/A; (grifo do autor) (...) 6.5.2) CONTRATO 22-2014 - SAMU: Contrato firmado em 11/03/2014, tendo por objeto a "contratação de empresa especializada para prestação de serviços de operacionalização pré-hospitalar móvel de urgência SAMU de Araucária, vinte e quatro horas por dia", totalizando R$ 2.335.999,92. Para atender a este contrato a GLOBO MED alocou médicos, sócios da empresa, e funcionários nas funções de condutor socorrista, enfermeiros e técnicos em enfermagem; (grifo do autor) 6.5.2.6) Decorrente da conciliação entre os valores pagos aos médicos-sócios, contabilizados a título de distribuição de lucros e as horas mensais trabalhadas, concluiu-se que a empresa pagou a cada médico, relativamente ao contrato 22 Fl. 3934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 10 2014 SAMU, o valor médio de R$ 62,50 por hora trabalhada, conforme se demonstra no ANEXO 4 deste relatório fiscal, e exemplificado abaixo em relação a médica Daniele Priscila Mauro: (grifo do autor) (...) 6.5.3) CONTRATO 213-2014 - GLOBO MED: Contrato firmado em 14/11/2014, tendo por objeto a "contratação emergencial de empresa para prestação de serviços médicos plantonistas nos serviços de urgência e emergência e de serviços médicos - horistas para atendimento de consultas eventuais nas unidades básicas de saúde do Município de Araucária", totalizando R$ 5.615.460,00. Para atender a este contrato a GLOBO MED alocou médicos, sócios da empresa, e médicos não sócios; (grifo do autor) (...) 6.5.3.5) Não foram identificados, nos lançamentos contábeis, pagamentos aos médicos não sócios (pagamentos não contabilizados); (grifo do autor) 6.5.3.6) A partir dos lançamentos contábeis, contidos na conta contábil n° 541 - DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, subconta 54101 - DISTRIBUIÇÃO, obteve-se os valores pagos mensalmente a cada um dos médicos-sócios, conforme se demonstra no ANEXO 7 deste relatório fiscal (por amostragem); 6.5.3.7) Decorrente da conciliação entre os valores pagos aos médicos-sócios, contabilizados a título de distribuição de lucros e as horas mensais trabalhadas, concluiu-se que a empresa pagou a cada médico, relativamente ao contrato 213 2014 GLOBO MED, o valor médio de R$ 75,00 por hora trabalhada, conforme se demonstra no ANEXO 8 deste relatório fiscal (por amostragem), e exemplificado abaixo em relação ao médico André Albino Borges: (grifo do autor) (...) 6.6.4) CONTRATO 186/2015: Contrato firmado em 02/07/2015, tendo por objeto "a contratação de serviços médicos em atenção à saúde básica complementar no Centro Médico Hospitalar do Município"; 6.6.4.1) Os contratos 219/2015 e 255/2015, firmados entre as partes, têm os mesmos objetos do contrato 186/2015. Para atender a estes contratos a GLOBO MED alocou médicos, sócios da empresa e médicos não sócios; (grifo do autor) (...) 6.6.5.3) Não foram identificados, nos lançamentos contábeis, pagamentos aos médicos não sócios (pagamentos não contabilizados); (grifo do autor) (...) 6.6.5.5) Decorrente da conciliação entre os valores pagos aos médicos-sócios, contabilizados a título de distribuição de lucros e as horas mensais trabalhadas, concluiu-se que a empresa pagou a cada médico, relativamente a todos os contratos firmados com a Prefeitura de Campo Largo, o valor médio de R$ 75,00 Fl. 3935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 11 por hora trabalhada, conforme se demonstra no ANEXO 12 deste relatório fiscal, e exemplificado abaixo em relação ao médico Albino Luis Quinelato: (grifo do autor) Quanto à dissimulação do pagamento de pró-labore por distribuição de lucros usada para outros sócios, não profissionais da saúde, a exação descreve igual utilização da conta contábil nº 541 – DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, subconta 54101, referindo-se a despesas cujo modus operandi é o mesmo dispensado aos médicos/enfermeiros: (Refisc) 6.12) CONCLUSÃO 3: CONTABILIZAÇÃO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A SÓCIOS NÃO MÉDICOS 6.12.1) Em itens deste relatório fiscal ficou demonstrado que os pagamentos efetuados aos médicos, sócios da empresa, são decorrentes dos seus trabalhos pessoais, despendidos em favor da consecução dos objetivos sociais da empresa, em nada se assemelhando a distribuição de lucros, conforme consta nos históricos dos lançamentos contábeis; 6.12.2) Da análise do contrato social e suas alterações, constata-se existirem outros sócios, via de regra não médicos, que não foram remunerados pelos serviços que prestaram diretamente e pessoalmente aos tomadores de serviços. São eles: Rosa Maria Rogoni (administradora), Willian Lacerda Correa (contador), Irma Cândido Matos Silveira (empresária), Sandro Cristiano Kowalski (contador) e Karoline Rogoni Marquesi (médica); 6.12.3) Para todos esses sócios, aqui tratados como "sócios não médicos", também foram contabilizados pagamentos a título de distribuição de lucros na conta contábil n° 541 - DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, subconta 54101 - DISTRIBUIÇÃO, e que estão demonstrados no ANEXO 17 deste relatório fiscal; 6.12.4) Conforme demonstrado pelas análises acima, na conta da contabilidade que efetivamente apura os lucros e/ou prejuízos nos exercícios de 2013 a 2015, não houve a distribuição de lucros ou a antecipação deles, conforme constou na conta (541) - distribuição de lucros; (54101) - distribuição. Confirmado, portanto, a simulação não apenas no nome da conta como nos históricos dos lançamentos. Os lançamentos contábeis, efetuados nesta conta, não tem qualquer vínculo com os lucros apurados e com a sua distribuição e, sim, referem-se tão somente a despesas, relativas aos pagamentos efetuados a todos os sócios da empresa, indistintamente; 6.12.5) Só existem duas formas dos sócios, ou acionistas, de uma empresa serem remunerados, ou pelo trabalho ou pelo capital investido. A primeira é a remuneração pelos serviços prestados à sociedade (pró-labore); a segunda é a remuneração pelo capital investido, podendo o sócio ser remunerado pela participação nos lucros ou dividendos e/ou pela distribuição de juros sobre o capital próprio. Fl. 3936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 12 6.12.6) Considerando que os valores contabilizados na conta "(541) - distribuição de lucros; (54101) - distribuição" não tem origem nos lucros e/ou prejuízos efetivamente apurados pela empresa e considerando, também, que não são pagamentos a título de juros sobre o capital próprio, configuram-se, portanto, como remuneração por serviços prestados à sociedade e, nesta condição, foram tributados como valores recebidos a título de pró-labore; (grifo do autor). II. DEFESA Irresignada com o lançamento a GLOBO MED SERVICOS MEDICOS LTDA e os demais sujeitos solidários apresentaram impugnação integral dos valores exigidos, conforme fls. 2.751/3.539, pontuando suas teses de defesa e pugnando ao fim pela insubsistência do crédito lançado. III. DECISÃO ADMINISTRATIVA DE PRIMEIRO GRAU A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) DRJ/RPO julgou a impugnação do solidário Sr. Willian Lacerda parcialmente procedente, de modo a excluí-lo do polo passivo antes de seu ingresso na sociedade, portanto naqueles créditos relativos às competências de 06/2013 a 06/2014, conforme Acórdão nº 14-89.626, de 20/12/2018, fls. 3.542/3.584, cuja ementa abaixo se transcreve: (Ementa) GUARDA DE ESCRITURAÇÃO E DOCUMENTOS. OBRIGATORIEDADE. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. DOCUMENTOS NOS TOMADORES DE SERVIÇO. PRESUNÇÃO. Documentos obtidos por diligenciamento nos tomadores do serviço são, por presunção, de conhecimento dos prestadores do determinado serviço. CRÉDITOSDEOBRIGAÇÕESTRIBUTÁRIAS.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DE ANÁLISE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Fl. 3937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 13 Ao incorrer nas infrações previstas dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964 (sonegação, fraude e conluio), enquadra-se o contribuinte na previsão do § 1° do artigo 44, da Lei n° 9.430/1996, o qual determina que o percentual da multa de lançamento de ofício de 75%, previsto no inciso I do artigo 44 da mesma Lei, seja duplicado. A contribuinte principal e os demais solidários foram regularmente notificados do decidido em 08/03/2019, 18/04/2019 e 23/04/2019, conforme fls. 3.924. IV. RECURSO VOLUNTÁRIO a. GLOBO MED Em 02/04/2019, fls. 3.643, a recorrente GLOBO MED interpôs recurso voluntário com vasta doutrina e jurisprudência, conforme peça juntada a fls. 3.644/3.683, representada por advogado, instrumento a fls. 3.587 e fls. 3.539, com as seguintes alegações e pedidos: i. PRELIMINARES 1. Ofensa ao art. 142 do CTN e cerceamento de defesa Aduz que o fato gerador se deu sobre base presumida, não podendo lei ordinária dispor de modo diverso do Código Tributário Nacional – CTN. Entende que a exação presumiu inclusive a ocorrência de sonegação, fraude e conluio e está amparada em fatos duvidosos, com olvido do art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN. Acrescenta que o enquadramento legal se deu em artigos e incisos diversos, sendo a autuação superficial, baseada em suposições e inconsistente, haja vista ainda a ausência de provas concretas inclusive mencionadas no lançamento, como no caso dos documentos fornecidos pelos tomadores de serviço (prefeituras), impossibilitando o exercício da ampla defesa: (Recurso Voluntário – GLOBO MED) Ora, ínclitos Julgadores, em atenção ao Princípio da Verdade Material, cabe à fiscalização apresentar os documentos recebidos pelas Prefeituras e pela Funpar, vez que, (i) durante as celebrações dos contratos, a Recorrente pode não ter ficado com nenhuma via; (ii) se ficou, certamente, os contratos estão em posse da empresa CONTCOM que era responsável também pelas licitações e fechamentos de contratos. Ademais, tendo a fiscalização recebidos os Contratos, em observação ao art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe ao quanto, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Ainda, cabe ressaltar que, tendo a fiscalização os documentos aduzidos, não teria problema nenhum em anexá-los e teria evitado qualquer nulidade decorrente do cerceamento de defesa, bem como, atuaria conforme os novos ditames do Código Fl. 3938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 14 de Processo Civil, de 2015, que iluminou o Principio da Cooperação, como se observa no parágrafo 3°, do artigo 357: (...) Com efeito, a recorrente reforça que não há nos autos efetiva comprovação da contratação de profissionais de saúde não sócios: (Recurso Voluntário – GLOBO MED) Assim sendo, não se verifica razoável que a empresa Recorrente houvesse contratado médicos para a realização de seus serviços. Ademais, como se verifica nos Anexos acostados aos Autos de Infração, a fiscalização apresenta listas e mais listas com nomes de supostos médicos que prestaram serviços à GLOBO MED, sem qualquer comprovação de que os médicos indicados foram contratados pela GLOBO MED. Destarte, verificando a ausência de qualquer comprovação de que os médicos não sócios foram contratados pela GLOBO MED, verificando que os valores utilizados na base de cálculo foram decorrentes de amostragem e presunções, não restam dúvidas acerca da nulidade dos valores imputados como remunerações a médicos não sócios. 2. Nulidade - amostragem e presunção não autorizadas em lei A GLOBO MED entende que o lançamento padece de nulidade ante à ausência de determinação do quantum debeatur, ferindo uma vez mais o art. 142 do CTN e prejudicando a defesa, já que a fiscalização se valeu de amostragem para calcular os valores recebidos pelos sócios e por presunção não autorizada em lei, não comprovando ainda que sócios ou não receberiam o mesmo. 3. Impossibilidade de acesso aos próprios documentos – cerceamento de defesa Alega que não deixou de apresentar documentos, todavia não está em posse destes que se encontram na CONTCOM, inclusive por este motivo teve a multa agravada em 50%, entendendo pela necessidade de suspensão do contencioso até que tenha acesso à documentação, ante ao cerceamento de defesa que sofre. Acrescenta que referida empresa possui único sócio, o Sr. Sandro Cristiano Kowalski, que também compõe a sociedade da recorrente e que ele juntamente com o responsável solidário Sr. Willian Lacerda Correa, ambos contadores, foram as pessoas que efetivamente geriram a GLOBO MED, trabalhando em conjunto com a CONTCOM: (Recurso Voluntário – GLOBO MED) Importante esclarecer que o único sócio da CONTCOM é o Sr. Sandro Cristiano Kowalski (sócio da Globo Med também). Ele e Willian Lacerda Correa (alocado como responsável solidário nestes autos), possuem formação em contabilidade e Fl. 3939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 15 foram os responsáveis pela administração da empresa Recorrente e trabalhavam em conjunto na empresa CONTCOM. Em outras palavras, a contabilidade, lançamentos e pagamentos de impostos, contratação de funcionários, processos e procedimentos de licitação, pagamento dos funcionários, distribuições de lucro aos sócios, tudo, era realizado na sede da empresa CONTCOM de propriedade dos sócios gestores Sandro Cristiano Kowalski e Willian Lacerda Correa. Diante desta situação, vários foram os pedidos de devolução dos documentos feitos ao Sr. Willian na condição de sócio informal da CONTCOM, como se verifica nas mensagens de whatsapp enviadas pelo Dr. Diego Mantovani, na qualidade de advogado da área cível da empresa GLOBO MED, cobrando a entrega de documentos e bens da empresa que foram indevidamente retidos pela CONTCOM, conforme documentos acostados na Impugnação apresentada por Laerte Justino de Oliveira Filho e Rosa Maria Rogoni. Em razão deste procedimento, no mínimo, ilegal da empresa CONTCOM, a GLOBO MED viu-se obrigada a contratar o escritório de contabilidade Positivo, que encaminhou mensagens de e-mail para a CONTCOM e recebeu respostas assinadas por Willian Lacerda Correa. Em que pese os dispêndios da empresa GLOBO MED, nada foi resolvido. Para tentar solucionar a questão, a empresa GLOBO MED protocolizou Denúncia perante o Conselho Regional de Contabilidade do Paraná - CRC/PR - por retenção indevida de documentos e cobranças abusivas de valores contra Sandro Cristiano Kowalski e Willian Lacerda Correa, como sócios (de direito e de fato) da CONTCOM. A GLOBO MED informa também que ingressou na justiça ante à recusa no fornecimento de citados documentos, porém ainda não obteve êxito no atendimento do pleito, acrescentando que a CONTCOM é concorrente em licitações, provável motivo da negativa injustificável. ii. MÉRITO 1. Capital intelectual sobrepõe ao econômico da sociedade A recorrente, como sociedade simples, desenvolve sua atividade fim a partir da atuação direta de seus sócios, sobrepondo o capital intelectual ao econômico, portanto, dependentes daqueles atributos pessoais dos profissionais componentes da sociedade. Desse modo entende que a distribuição de lucros decorre da intelectualidade de seus membros, sendo irrelevante o capital social: (Recurso Voluntário – GLOBO MED) Destarte, demonstrado que se trata de sociedade simples, conclui-se que a entrada ou saída de sócios não merece maiores atenções, vez que, como Fl. 3940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 16 comprovado, a percepção do lucro deixou de ser produto do capital investido e passou a ser produto da atividade intelectual - objeto social da empresa GLOBO MED. Conclui-se que a empresa GLOBO MED SERVIÇOS MÉDICOS LTDA. trata-se de sociedade simples cuja percepção do lucro é decorrente do capital intelectual investido, sendo irrelevante, assim, o capital social, comprovando que toda operação realizada pela Recorrente ocorreu conforme dispõe a legislação tributário. 2. Licitude na distribuição de lucros A GLOBO MED alega que a distribuição de lucros foi realizada dentro dos parâmetros de seu contrato social e da lei, destacando a possibilidade de distribuir de forma desproporcional (Cláusula 10º do contrato social), inclusive ressalta registro contábil de lucro para o exercício de 2014. A recorrente aduz que os sócios optaram por correr o risco da atividade, cujos valores distribuídos correspondem às respectivas parcelas de contribuição no desenvolvimento da empresa, tanto que a própria fiscalização registrou também a ausência destes pagamentos: (Recurso Voluntário – GLOBO MED) Em síntese, verificando que a empresa GLOBO MED se trata de sociedade simples, cuja atividade fim depende diretamente da atuação de seus sócios, que nos termos do contrato social optaram por correr o risco da atividade e receber, integralmente, como distribuição de lucros e, não tendo a fiscalização comprovado a inexistência de lucros da empresa, conclui-se que os valores distribuídos aos sócios correspondem às suas respectivas parcelas de contribuição no desenvolvimento da empresa. (...) Ou seja, a alegação da Fiscalização de que "os valores pagos pela empresa GLOBO MED, aos médicos sócios, são diretamente proporcionais as horas trabalhadas por cada um deles" e "sócios da empresa, que não prestaram serviços no período fiscalizado, nada receberam a título de distribuição de lucros ou a qualquer título" corrobora tanto a natureza da sociedade simples, quanto a opção dos sócios da GLOBO MED em correr o risco da atividade e receber, integralmente, valores a título de lucro. (grifo do autor) Acrescenta que a sociedade foi vítima de sua própria gestão, pelos Sócios contadores que também compõe a CONTCOM, com desvio milionário da GLOBO MED, cuja responsabilidade deve recair, a seu sentir, exclusivamente aos Srs. Sandro Cristiano Kowalski e Willian Lacerda Correa: (Recurso Voluntário – GLOBO MED) Acerca deste assunto, lembra a Recorrente que toda análise contábil, fiscal, financeira, RH da empresa era realizada integralmente pelo escritório CONTCOM, Fl. 3941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 17 o qual, mantem retido documentos de propriedade da GLOBO MED de forma indevida, abusiva e ilegal. Ou seja, a Recorrente confiou a gestão da empresa 100% (cem por cento) nas pessoas de Sandro Cristiano Kowalski e Willian Lacerda Correa, contadores e também sócios da empresa GLOBO MED e, no final, foi vítima de um esquema que desviou milhões de reais da conta da empresa que foi descoberto somente após a troca de escritório de contabilidade. Esta discussão, inclusive, pode ser acompanhada no processo n.° 0029540- 45.2018.8.16.0001 de Indenização por Danos Morais e Materiais que tramita junto à 3a Vara Cível de Curitiba/PR, ajuizada pela empresa GLOBO MED em face de CONTCOM, Sandro Cristiano Kowalski e Willian Lacerda Correa. Ressalta-se que no aludido processo, a GLOBO MED requereu que fosse concedida a tutela de urgência para que fosse penhorada a conta da empresa CONTCOM e de Sandro Cristiano Kowalski e Willian Lacerda Correa, sendo DEFRIDO O PEDIDO em em 10/12/2018 como se observa na Decisão em Anexo. Ou seja, conclui-se que a empresa GLOBO MED é vítima do escritório de contabilidade CONTCOM e dos contadores Sandro Cristiano Kowalski e Willian Lacerda Correa que são sócios da CONTCOM e também da GLOBO MED. Tudo isso para aduzir e comprovar que caso haja alguma irregularidade em relação às normas contábeis, fiscais ou qualquer outra relacionada à gestão da empresa, inclusive em relação à ausência de Atas de Reunião de sócios para deliberarem sobre a antecipação e/ou distribuição de lucros são de única e exclusiva responsabilidade da empresa CONTCOM e de Sandro Cristiano Kowalski e Willian Lacerda Correa. 3. Ausência de motivação para o agravamento da multa e multa confiscatória A GLOBO MED entende incorreta a aplicação da multa de ofício qualificada vez que realizou todos os procedimentos com base na legislação tributária, inexistindo ilegalidade ou conluio na conduta, portanto ausentes os pressupostos legais que justificam o agravamento de referida multa, reforçando que houve lucro em exercício, sendo as distribuições ocorridas conforme o contrato social e a lei. Entende também que a sanção imposta, aplicada em 150% e agravada em 50%, totalizando 225% do valor dos tributos é confiscatória, com olvido do art. 150, IV da Constituição Federal de 1988, devendo ser reduzida a limites razoáveis, adequados e proporcionais à infração. Enfatiza que somente deixou de cumprir com as intimações por não estar em posse dos documentos solicitados, sendo vítima do escritório de contabilidade, a CONTCOM, assim como dos Sócios Sandro Cristiano Kowalski e Willian Lacerda Correa que arquitetaram e Fl. 3942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 18 realizaram todas as operações da GLOBO MED e, no fim, transferiram para suas contas pessoais os valores dos impostos: (Recurso Voluntário – GLOBO MED) Ora, data máxima vênia ao acórdão recorrido, lembra a Recorrente que somente deixou de cumprir com as intimações da Fiscalização, pois, não está na posse dos documentos solicitados. Como se verifica nas razões apresentadas e nas decisões decorrentes dos processos ajuizados é possível constatar que a Recorrente foi vítima do escritório de contabilidade CONTCOM e dos sócios SANDRO CRISTIANO KOWALSKI e WILLIAN LACERDA CORREA, que arquitetaram e realizaram todas as operações da empresa GLOBO MED e, no fim, transferiram para suas contas pessoais os valores dos impostos. iii. PEDIDOS Ao fim requer: (i) o conhecimento da peça recursal; (ii) posterior juntada de provas; (iii) o acatamento das preliminares suscitadas; (iv) no mérito, o provimento do recurso voluntário interposto; (v) a suspensão do contencioso até o deslinde das ações judiciais promovidas pela recorrente contra a CONTCOM; (vi) a imputação da responsabilidade dos valores lançados somente contra si, com a retirada dos solidários. Juntou cópia de documentos a fls. 3.684. b. SOLIDÁRIA ROSA MARIA ROGONNI Em 09/04/2019, fls. 3.726, a responsável solidária Sra. Rosa Maria Rogonni interpôs recurso voluntário com vasta doutrina e jurisprudência, conforme peça juntada a fls. 3.759/3.789, representada por advogado, instrumento a fls. 3.589 e fls. 2.779, em que reapresenta os argumentos e pedidos da contribuinte principal, com os seguintes acréscimos: i. ESCLARECIMENTOS Informa primeiramente que não interferiu na gestão da GLOBO MED por não possuir qualificação técnica e em razão de seu estado debilitado de saúde, ficando a administração da empresa a cargo da CONTCOM e respectivos sócios em comum das duas sociedades. Aduz que os sócios Willian Larceda Correa e Sandro Cristiano Kowalski, aqueles responsáveis pelo planejamento tributário que levou a GLOBO MED ao contencioso, praticaram mesma conduta também em outras empresas, inclusive concorrentes e são, de fato, os reais autores das infrações indicadas no lançamento. Fl. 3943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 19 ii. ILEGITIMIDADE PASSIVA – AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE Conforme esclareceu, muito embora seja sócia majoritária da GLOBO MED, os verdadeiros mandatários são os Srs. Willian Larceda Correa e Sandro Cristiano Kowalski, e justamente por isso não materializou para si o disposto no art. 135, III do CTN, além também de se eximir de responsabilidade com fundamento no art. 158, I e II da Lei nº 6.404, de 1976, reforçando a ausência de qualquer interesse seu na prática de supostos ilícitos e que não obteve vantagem econômica. c. SOLIDÁRIO LAERTE JUSTINO DE OLIVEIRA FILHO Em 09/04/2019, fls. 3.726, o responsável solidário Sr. Laerte Justino de Oliveira Filho interpôs recurso voluntário com vasta doutrina e jurisprudência, conforme peça juntada a fls. 3.727/3.758, representado por advogado, instrumento a fls. 3.588 e fls. 2.780, em que reapresenta os argumentos e pedidos da contribuinte principal, com os seguintes acréscimos: i. ESCLARECIMENTOS Informa primeiramente que não interferiu na gestão da GLOBO MED por não possuir qualificação técnica, ficando a administração da empresa a cargo da CONTCOM e respectivos sócios em comum das duas sociedades. Acrescenta que somente representava a GLOBO MED junto ao Conselho Regional de Medicina, em cumprimento à Resolução CFM nº 2.147, de 2016. Aduz que os sócios Willian Larceda Correa e Sandro Cristiano Kowalski, aqueles responsáveis pelo planejamento tributário que levou a GLOBO MED ao contencioso, praticaram mesma conduta também em outras empresas, inclusive concorrentes e são, de fato, os reais autores das infrações indicadas no lançamento. ii. ILEGITIMIDADE PASSIVA – AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE Conforme esclareceu, os verdadeiros mandatários da GLOBO MED são os Srs. Willian Larceda Correa e Sandro Cristiano Kowalski, e justamente por isso não materializou para si o disposto no art. 135, III do CTN, além também de se eximir de responsabilidade com fundamento no art. 158, I e II da Lei nº 6.404, de 1976, reforçando a ausência de qualquer interesse seu na prática de supostos ilícitos e que não obteve vantagem econômica. d. SOLIDÁRIO WILLIAN LACERDA CORREA Em 21/05/2019, o responsável solidário Sr. Willian Lacerda Correa interpôs recurso voluntário com vasta doutrina e jurisprudência, conforme peça juntada a fls. 3.793/3.853, com as seguintes alegações: i. PRELIMINARES 1. Inexigibilidade das contribuições previdenciárias – ausência de relação de emprego Fl. 3944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 20 Aduz ausência dos requisitos para o vínculo empregatício dos médicos sócios da GLOBO MED, que receberam distribuição de lucros, conforme art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. 2. Erro de base de cálculo O recorrente aponta o descabimento da cobrança do tributo para verbas de natureza indenizatória, trazendo genericamente conceitos, jurisprudência e fundamento constitucional, entendendo pela necessária exclusão da base de referidas verbas. ii. MÉRITO 1. Ilegitimidade passiva – ausência de responsabilidade Aduz ausência de causa para sua sujeição no polo passivo por não possuir poderes de gestão, não sendo responsável pela estrutura da sociedade, tomada de decisão e sua participação como diretor financeiro era ficta, pois atuava como empregado com a função de pagar contas. Além disso entende que não restou comprovada sua conduta com excesso de poderes ou infração à lei: (Recurso Voluntário – Solidário Willian Lacerda) Ao contrário do que, a decisão administrativa sustenta não há causas para a responsabilização do Recorrente vez que este não possuía poderes de gestão da sociedade, não sendo responsável pela estrutura da sociedade e pela escolha de que processos licitatórios participaria, pela determinação de como se faria a contratação dos médicos, decisão de contratação ou desligamento de empregados ou qualquer outro ato de gestão. (...) Na sociedade, o Recorrente tinha de forma ficta o cargo de "diretor financeiro", contudo, na verdade se assemelhava mais a um empregado com a função de contas a pagar - o que deve ser reconhecido em homenagem ao princípio da supremacia da verdade sobre a forma - vez que estava subordinado a esses dois médicos não podendo deliberar quanto as contas que seriam pagas ou não, essa decisão sempre cabia aos médicos Karen Izabella Rogoni Marquezi e Laerte Justino de Oliveira Filho, conforme provam as mensagens enviadas por estes ao Recorrente nas quais dão ordens claras do trabalho que deveria ser executado (anexo VIII - atas notarias de mensagens com ordens). Acrescenta que a Sra. Rosa Maria Rogonni é a única sócia administradora da GLOBO MED, outorgando a outros sócios amplos poderes: (Recurso Voluntário – Solidário Willian Lacerda) Isso porque, a única sócia que tinha poderes de administração era a Sra. Rosa Maria Rogoni, conforme contrato social (anexo V - contrato social). Essa sócia por razões que são desconhecidas ao Recorrente outorgou poderes amplos para a efetiva administração da sociedade aos médicos Karen Izabella Rogoni Fl. 3945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 21 Marquezi (sua filha) e Laerte Justino de Oliveira Filho (seu genro), aos quais cabia a administração da sociedade, com poderes para a escolha de licitações das quais a sociedade participaria, deliberação sobre a estruturação societária, formas de contratação, demissão de empregados e tomada de financiamentos em nome da sociedade e demais atos de gestão (anexo VI - procurações). 2. Caráter confiscatório das multas aplicadas Entende que a aplicação da multa qualificada e agravada no percentual de 225% fere o princípio constitucional do não confisco, com sede no art. 150, IV da Constituição Federal de 1988 devendo ser reduzido para 50% das contribuições devidas. iii. PEDIDOS Ao fim requereu (i) a exclusão do polo passivo; (ii) acatamento das preliminares suscitadas; (iii) no mérito o provimento do recurso voluntário interposto. V. AUSÊNCIA DE CONTRARRAZÕES Não foram apresentadas contrarrazões, fls. 3.925, é o relatório! VOTO Conselheiro Rodrigo Duarte Firmino, Relator. I. ADMISSIBILIDADE Os recursos voluntários interpostos são tempestivos, fls. 3.924, bem como atendem aos requisitos legais, donde os conheço e passo a examinar em conjunto as teses de defesa apresentadas. II. PRELIMINARES a. Alegação de ofensa ao art. 142 do CTN e cerceamento de defesa Aduz a Recorrente GLOBO MED que o fato gerador se deu sobre base presumida, não podendo lei ordinária dispor de modo diverso do Código Tributário Nacional – CTN. Entende que a exação presumiu inclusive a ocorrência de sonegação, fraude e conluio e está amparada em fatos duvidosos, com olvido do art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN. Em exame aos fundamentos da autuação verifico que houve aferição indireta da base de cálculo, em cumprimento ao art. 33, §6º da Lei nº 8.212, de 1991, haja vista a constatação nas contratações dos tomadores de serviço da contribuinte principal de omissão na declaração, retenção e pagamento do tributo previdenciário descrito no art. 22, III de referido diploma legal, conforme se vê no Relatório Fiscal a fls. 66/68. Fl. 3946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 22 Entendo perfeitamente subsumido o fato à norma tributária citada, donde aplico precedente obrigatório que abaixo transcrevo: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ( Súmula CARF nº 2) Quanto ao argumento que o lançamento está amparado em fatos duvidosos, com olvido do art. 112 do Código Tributário Nacional - CTN, presumindo a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, há que se destacar que a exação se encontra amplamente amparada em provas, descreve exaustivamente os fatos e os fundamenta inexistindo, portanto, qualquer presunção alegada, tampouco qualquer ofensa também ao art. 112 do CTN. Sem razão. b. Alegação de amostragem e presunção sem previsão legal GLOBO MED entende que o lançamento padece de nulidade ante à ausência de determinação do quantum debeatur, ferindo uma vez mais o art. 142 do CTN e prejudicando a defesa, já que a fiscalização se valeu de amostragem para calcular os valores recebidos pelos sócios e por presunção não autorizada em lei, não comprovando ainda que sócios ou não receberiam o mesmo. Com efeito verifico justamente o contrário, pois o relatório fiscal e anexos evidenciam as bases de cálculo aferidas, há claro fundamento legal para todas as razões de lançamento e, por via de consequência, a plena possibilidade do exercício de defesa verificado à exaustão, donde os recorrentes demonstram conhecer os fatos imputados e os respectivos motivos, segundo as normas tributárias. Sem razão. c. Cerceamento de defesa por impossibilidade de acesso aos documentos A recorrente alega que não estava em posse da documentação exigida pelo fisco, tendo a multa agravada em 50%. Entende necessária a suspensão do contencioso até que tenha acesso aos documentos para que não haja cerceamento de defesa. Segundo a recorrente admite a própria GLOBO MED deu causa ao agravamento da multa, ante à omissão na apresentação da documentação exigida, inexistindo previsão legal ou mesmo motivo para suspender o julgamento. Sem razão. d. Inexigibilidade das contribuições previdenciárias – ausência de relação de emprego Aduz o Recorrente Sr. Willian Lacerda Correa a ausência dos requisitos para o vínculo empregatício dos médicos sócios da GLOBAL MED, que receberam distribuição de lucros, conforme art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Há que se destacar que a ratio essendi do lançamento é cobrar contribuições previdenciárias, acrescidas de juros e multa, devidas em razão da prestação de serviço por contribuintes individuais à GLOBAL MED, sócios ou não, sem qualquer vínculo de emprego. Sem razão. Fl. 3947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 23 e. Erro na base de cálculo O Solidário Willian Lacerda Correa entende descabida a cobrança do tributo para verbas de natureza indenizatória, trazendo genericamente conceitos, jurisprudência e fundamento constitucional, entendendo pela necessária exclusão da base de referidas verbas. Há que se destacar que, como já dito, a razão de ser do lançamento são aquelas contribuições devidas a contribuintes individuais pelos serviços prestados, inexiste nos autos qualquer menção a algum tipo de verba referida na defesa, donde trato o argumento como negativa geral, uma vez que a defesa não trouxe casuisticamente qual o valor da base corresponderia ao alegado, tampouco prova. Compartilho de mesmo entendimento do colegiado de origem, conforme se vê no voto condutor do acórdão recorrido, fls. 3.583, que não analisou essa parte específica da impugnação, conforme abaixo transcrevo: (Voto condutor do acórdão recorrido) Da mesma forma, não serão analisadas as longas alegações referentes à não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas indenizatórias, pois essa não incidência de contribuição previdenciária ocorre somente sobre remunerações pagas a segurados empregados. (grifo do autor) Sem razão. III. MÉRITO a. Capital intelectual sobrepõe ao econômico da sociedade e licitude na distribuição de lucros A GLOBO MED alega que por ser sociedade simples desenvolve sua atividade fim a partir da atuação direta de seus sócios, sobrepondo o capital intelectual ao econômico, portanto, dependentes daqueles atributos pessoais dos profissionais componentes da sociedade. Desse modo entende que a distribuição de lucros decorre da intelectualidade de seus membros, sendo irrelevante o capital social. Aduz que a distribuição de lucros foi realizada dentro dos parâmetros de seu contrato social e da lei, destacando a possibilidade de distribuir de forma desproporcional (Cláusula 10º do contrato social), inclusive ressalta registro contábil de lucro para o exercício de 2014. Alega ainda que os sócios optaram por correr o risco da atividade, cujos valores distribuídos correspondem às respectivas parcelas de contribuição no desenvolvimento da empresa, tanto que a própria fiscalização registrou também a ausência destes pagamentos. De outro lado a autoridade verificou a admissão de médicos/enfermeiros na sociedade ao tempo de suas respectivas contratações, de modo reiterado à parcela de 0,01% do capital social (correspondente a 32 cotas no valor individual de R$ 1,00 – total R$ 32,00). Há que se destacar que ao assumir uma participação de 0,01% na sociedade, sobre o módico valor de R$ 32,00, uma extensa lista com vários profissionais de saúde entra na sociedade sem alterar o capital, ao tempo respectivo de suas contratações, conforme se vê no Fl. 3948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 24 Relatório Fiscal a fls. 37/42 e anexo de fls. 75/77, para contribuir no desenvolvimento da empresa? É óbvio que não! Não se avalia neste contencioso a sociedade em si, mas sim o uso de instrumentos legais, como a entrada de novos sócios e distribuição de lucros, para praticar a ilegalidade de sonegar o custeio da previdência social, tanto que a própria GLOBO MED admite que o objetivo foi justamente pagar pelos serviços prestados ao realizar referida distribuição: (Recurso Voluntário – GLOBO MED) Em síntese, verificando que a empresa GLOBO MED se trata de sociedade simples, cuja atividade fim depende diretamente da atuação de seus sócios, que nos termos do contrato social optaram por correr o risco da atividade e receber, integralmente, como distribuição de lucros e, não tendo a fiscalização comprovado a inexistência de lucros da empresa, conclui-se que os valores distribuídos aos sócios correspondem às suas respectivas parcelas de contribuição no desenvolvimento da empresa. (grifo do autor) A exação destacou ainda, evidenciando a simulação nos lucros distribuídos (i) a uma a falta de reuniões e registro em atas deliberando sobre a distribuição desproporcional de resultados, assim como a ausência de demonstrações financeiras intermediárias que suportassem referida distribuição; (ii) a duas o registro das parcelas relativas aos lucros distribuídos como despesas ordinárias em contas contábeis individuais dos profissionais: (Relatório Fiscal) 6.8.8) Constatado que a empresa não comprovou que efetuou reuniões de deliberações de distribuição de resultados, que não registrou em atas as deliberações dos sócios e, ainda, que não levantou demonstrações financeiras intermediárias que suportassem tal distribuição, verifica-se a total ilegalidade dos seus procedimentos e que desqualificam os históricos dos lançamentos contábeis efetuados na conta contábil n° 541 - DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, subconta 54101 - DISTRIBUIÇÃO, relativamente aos pagamentos que efetuou a todos os sócios; (grifo do autor) (...) 6.11.2) Da análise do plano de contas, fique evidente a simulação utilizada pela empresa para atribuir aos pagamentos que efetuou aos sócios, como se distribuição de lucros fossem. Os valores destinados aos sócios são lançados a débito das suas contas pessoais (conta de resultado), no reconhecimento da despesa, e a crédito da conta caixa, ou bancos, no pagamento. No final do exercício, o saldo existente é baixado integralmente a débito da conta de apuração do resultado ("resultado líquido final" conforme consta no plano de contas), ou seja, a empresa trata contabilmente os pagamentos que efetuou aos sócios como despesas ordinárias, em nada se assemelhando a distribuição ou antecipação de lucros conforme quer fazer crer pelo nome da conta e dos históricos dos lançamentos. Abaixo se exemplifica em relação ao sócio Adail Tenório Carmo; (grifo do autor) Fl. 3949DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 25 Resta clara e cristalina a fraude na distribuição de lucros, donde entendo não haver razão para aqueles argumentos apresentados. b. Ilegitimidade passiva dos sócios administradores da GLOBO MED Há uma uníssona alegação, por parte de todos os sujeitos passivos solidários, de ausência de responsabilidade pessoal por não praticarem atos com excesso de poder ou ilegal. A Sra. Rosa Maria Rogonni afirma não participou na gestão da GLOBO MED, por falta de qualificação técnica e por motivos de saúde, atribuindo a outros sócios, Willian Larceda Correa e Sandro Cristiano Kowalski, com sociedade em um escritório de contabilidade chamado CONTCOM. O Sr. Laerte Justino de Oliveira Filho também declarou não gerir a contribuinte principal, atuando na empresa por conta da representação junto ao Conselho Regional de Medicina, além de atribuir a responsabilidade àqueles sócios também com sociedade na CONTCOM. Já o Sr. Willian Lacerda Correa alega que sua participação como diretor financeiro era ficta, pois atuava como empregado com a função de pagar contas. Por sua vez a autoridade tributária detalhou conduta típica e antijurídica, descrita no art. 71, caput e inc. I e II da Lei nº 4.502, de 1964, praticada pelos administradores da empresa com o fim de sonegar tributo ao modificar a característica essencial do fato gerador, ocultando intencionalmente pró-labore (remuneração dos sócios) como se lucros fossem para afastar a condição de segurado obrigatório das contribuições previdenciárias, conforme descreve o art. 12, V, “f” da Lei nº 8.212, de 1991: (Refisc) 4.11) Claro está que a administração da sociedade foi conduzida em benefício pessoal das pessoas físicas, todas sócias da pessoa jurídica. Sendo os administradores igualmente sócios, também a estes foram estendidos os benefícios financeiros (não pagamento de imposto de renda e contribuição previdenciária) originados pela dissimulação das remunerações como se distribuição de lucros fossem. Por outro lado, a dissimulação patrocinada pelos administradores beneficiou sobremaneira a pessoa jurídica, haja vista que esta deixou de pagar os tributos devidos sobre as remunerações dos sócios com base no ardil por eles engendrado; (grifo do autor) 4.12) Por norma social as pessoas jurídicas não atribuem aos seus administradores poderes para cometerem ilícitos. No caso em concreto, olhando pela ótica dos sócios administradores, há evidente prática dolosa de atos com excesso de poderes, uma ao fazerem constar nos lançamentos contábeis a situação dissimulada e, outra, ao autorizaram os pagamentos a si próprios e aos demais sócios com base nesta dissimulação e sem o pagamento/retenção dos tributos devidos. Mesmo que eventualmente, um ou outro, não tenha praticado diretamente estes atos abusivos e ilegais, o toleraram, haja vista que todos estavam em posição de influir para a sua não ocorrência; 4.13)Os administradores da empresa agiram com evidente infração de lei (societária, tributária e fiscal) e, também, do contrato social. No item 6.8 e Fl. 3950DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 26 subitens deste Relatório Fiscal, detalha-se a infração do contrato social pela ilegalidade dos procedimentos utilizados na dissimulada distribuição de lucros, em desacordo com as cláusulas nele contidas: a empresa não comprovou que efetuou reuniões de deliberações de distribuição de resultados; não registrou em atas as deliberações dos sócios e, ainda, não levantou demonstrações financeiras intermediárias que suportassem tal distribuição, ou seja, os sócios administradores nada lavraram em ata sobre a distribuição de resultados porque não se reuniram para deliberarem sobre esta matéria; (grifo do autor) 4.14) O Código Tributário Nacional, no artigo 135, atribui aos diretores, gerentes ou representantes (inciso III) a responsabilidade pessoal pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, conforme abaixo se transcreve: (grifo do autor) (...) (...) 4.15.1) Por tudo o que foi demonstrado acima, os sócios administradores, pelas suas condutas dolosas, enquadram-se na previsão do artigo 135, III do Código Tributário Nacional - CTN, sendo desta forma incluídos no polo passivo da obrigação tributária, na condição de contribuintes solidários com a empresa GLOBO MED; (grifo do autor) Consta do relatório fiscal, a partir do exame de contratos entre a GLOBO MED e prefeituras, o pagamento a médicos por serviços prestados sem declarar, reter e recolher as contribuições devidas, compondo também o lançamento de ofício realizado com fundamento no art. 22, III da Lei nº 8.212, de 1991. A mim resta evidente que os administradores foram muito além de suas funções, praticando ato ilícito e, portanto, sujeitos a compor o polo passivo deste contencioso com fundamento no art. 135, III do CTN: (CTN) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de podêres ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (grifo do autor) (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifo do autor) Sem razão. c. Multa confiscatória e agravamento sem motivação A GLOBAL MED combate a aplicação da multa de ofício qualificada por realizar todos os procedimentos com base na legislação tributária, inexistindo ilegalidade ou conluio na conduta de modo a justificá-la. Fl. 3951DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 27 Entende também que a sanção imposta, aplicada em 150% e agravada em 50%, totalizando 225% do valor dos tributos é confiscatória, com olvido do art. 150, IV da Constituição Federal de 1988, devendo ser reduzida a limites razoáveis, adequados e proporcionais à infração. Enfatiza que somente deixou de cumprir com as intimações por não estar em posse dos documentos solicitados, sendo vítima do escritório de contabilidade, a CONTCOM. O Solidário Willian Lacerda Correa alega igualmente que a aplicação da multa qualificada e agravada no percentual de 225% fere o princípio constitucional do não confisco, com sede no art. 150, IV da Constituição Federal de 1988 devendo ser reduzido para 50% das contribuições devidas. A autoridade justificou a aplicação da multa qualificada, conforme art. 44, I, c/c §§1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996, cuja redação foi dada pela Lei nº 11.488, de 2007, em razão da prática de sonegação já examinada, portanto o crime previsto no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, além do não atendimento às intimações realizadas para prestação de esclarecimentos, donde impôs a sanção em 225% sobre o tributo não declarado/recolhido: (Refisc) 5.1) Ao incorrer nas infrações previstas dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964 (sonegação, fraude e conluio) a empresa enquadrou-se na previsão do parágrafo 1° do artigo 44, da Lei 9.430/1996 que determina que o percentual da multa de lançamento de ofício de 75%, previsto no inciso I do artigo 44 da mesma Lei, seja duplicado. Nesta situação, a multa de ofício de 75% fica aumentada em 100% e, portanto, totaliza 150% sobre o tributo não declarado/recolhido. Abaixo transcreve-se o citado artigo da Lei 9.430: (...) 5.2) Intimada a empresa, através do Termo de Intimação Fiscal - TIF n° 1, de 24/04/2017, a apresentar diversos documentos e esclarecimentos, deixou de fazê-lo integralmente. Reintimada através do TIF n° 2, de 29/05/2017, nos exatos termos do TIF n° 1, também deixou de fazê-lo. Ao não apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados através dos Termos de Intimação a empresa enquadrou-se na previsão do inciso I do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96 (abaixo transcrito) que determina que o percentual da multa de lançamento de ofício de 75%, previsto no inciso I do artigo 44 da mesma Lei, seja aumentado de metade (aplicável a matéria previdenciária a partir da MP 449/08 convertida na Lei 11.941/09); (...) 5.3) Considerando que a empresa enquadrou-se simultaneamente na previsão contida do parágrafo 1°do artigo 44 da Lei 9.430/1 996 (percentual de multa duplicado) e na previsão do parágrafo 2° do mesmo artigo (percentual de multa aumentando de metade), nesta situação, a multa de ofício de 75%, já Fl. 3952DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 28 aumentada para 150% sofre novo aumento de metade e, portanto, totaliza 225% sobre o tributo não declarado/recolhido; (grifo do autor) Primeiramente, quanto à alegação de confisco, aplico precedente obrigatório que abaixo transcrevo: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) A multa em exame foi corretamente imposta segundo os ditames legais e fatos apontados na exação, contudo e em razão da nova redação dada ao art. 44, §1º caput e inc. VI da Lei nº 9.430, de 1.996, conforme a Lei nº 14.689, de 2.023, entendo aplicável, nos termos do art. 106, II, c do CTN, a legislação posterior menos severa, já que inexiste registro nos autos de reincidência: (Lei nº 9.430, de 1996) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023) (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) (grifo do autor) (CTN) Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifo do autor) Portanto a multa qualificada deve ser reduzida, in casu, ao patamar de 100%, aumentado de sua metade (50%), por não atendimento às intimações, totalizando o percentual Fl. 3953DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-012.834 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.721028/2018-89 29 de 150% sobre as contribuições lançadas, conforme o disposto no art. 44, I, c/c §1º, VI e §2º, I da Lei 9.430, de 1996, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007 e da Lei n º nº 14.689, de 2023, esta última por retroatividade benigna. Razão parcial. IV. ANÁLISE DOS PEDIDOS RECURSAIS A recorrente principal protestou por juntada posterior de provas, contudo segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, há momento específico para este ato de defesa, nos termos em que dispõe o art. 16, §4º caput, precluindo o direito de fazê-lo após a apresentação da impugnação, com raras exceções estabelecidas em numerus clausus conforme alíneas “a” a “c” de referido parágrafo, o que não foi apontado. Indefiro, portanto, o pedido. A GLOBO MED também requer a suspensão do contencioso até o deslinde das ações judiciais promovidas pela recorrente contra a CONTCOM, porém inexiste previsão legal para o pleito e, ainda, as desavenças entre as duas empresas, conforme alegado na peça recursal, não guardam relação com os créditos lançados nos autos, donde igualmente indefiro o pedido. V. CONCLUSÃO Voto por rejeitar as preliminares suscitadas nos recursos voluntários interpostos e, no mérito, dar-lhes parcial provimento, reduzindo a multa qualificada ao percentual de 100%, que com o respectivo agravamento perfaz o percentual de 150%. É como voto! Assinatura digital Rodrigo Duarte Firmino Fl. 3954DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10650.902237/2017-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO
Somente se acolhem os Embargos de Declaração quando demonstrada, de forma inequívoca, a ocorrência, no acórdão embargado, de omissão, contradição ou obscuridade.
NULIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA
Apresentação de defesa contemplando em sua extensão todos os fundamentos da glosa que embasou a análise do PER. Preliminar de nulidade rejeitada.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. PRECEDENTE JUDICIAL DE APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
No regime não-cumulativo das contribuições o conteúdo jurídico e semântico de insumo deve ser mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda. O REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, confirmou o conceito jurídico intermediário de insumo criado na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno, o conceito jurídico intermediário tem aplicação obrigatória.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
Havendo insumos dos insumos no processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permite-se a apuração de créditos das contribuições. A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) deve gerar crédito.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS CARÁTER INDUSTRIAL. CRÉDITO
Insumo de nítido caráter industrial - superado o óbice da fase agrícola – possibilidade de crédito de PIS/PASEP no regime não cumulativo.
CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. OPERAÇÕES DE COMPRA E DE VENDA. POSSIBILIDADE.
Há previsão legal para a apuração de créditos da não-cumulatividade das contribuições sociais em relação aos gastos com fretes entre estabelecimentos, assim como dos fretes realizados nas operações de transferências, de compras e de vendas. Essas despesas integram o conceito de insumo e geram direito à apuração de créditos. Fundamento: Art. 3.º, incisos II e IX, da Lei 10.833/03.
Numero da decisão: 3201-011.981
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos seguintes termos: (i) sem efeitos infringentes, para sanear o vício relativo à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, (ii) com efeitos infringentes, para reconhecer, com base no conceito jurídico adotado pela decisão embargada e observados os requisitos da lei, o direito ao desconto de créditos da contribuição em relação aos serviços relacionados no Anexo III, exceto em relação aos serviços de manutenção de equipamento de escritório, apoio administrativo, comunicação e marketing. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.973, de 25 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 10650.902230/2017-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Documento Assinado Digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale e Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO Somente se acolhem os Embargos de Declaração quando demonstrada, de forma inequívoca, a ocorrência, no acórdão embargado, de omissão, contradição ou obscuridade. NULIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA Apresentação de defesa contemplando em sua extensão todos os fundamentos da glosa que embasou a análise do PER. Preliminar de nulidade rejeitada. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. PRECEDENTE JUDICIAL DE APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. No regime não-cumulativo das contribuições o conteúdo jurídico e semântico de insumo deve ser mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda. O REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, confirmou o conceito jurídico intermediário de insumo criado na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno, o conceito jurídico intermediário tem aplicação obrigatória. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. Havendo insumos dos insumos no processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permite-se a apuração de créditos das contribuições. A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) deve gerar crédito. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS CARÁTER INDUSTRIAL. CRÉDITO Insumo de nítido caráter industrial - superado o óbice da fase agrícola – possibilidade de crédito de PIS/PASEP no regime não cumulativo. CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. OPERAÇÕES DE COMPRA E DE VENDA. POSSIBILIDADE. Há previsão legal para a apuração de créditos da não-cumulatividade das contribuições sociais em relação aos gastos com fretes entre estabelecimentos, assim como dos fretes realizados nas operações de transferências, de compras e de vendas. Essas despesas integram o conceito de insumo e geram direito à apuração de créditos. Fundamento: Art. 3.º, incisos II e IX, da Lei 10.833/03.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos seguintes termos: (i) sem efeitos infringentes, para sanear o vício relativo à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, (ii) com efeitos infringentes, para reconhecer, com base no conceito jurídico adotado pela decisão embargada e observados os requisitos da lei, o direito ao desconto de créditos da contribuição em relação aos serviços relacionados no Anexo III, exceto em relação aos serviços de manutenção de equipamento de escritório, apoio administrativo, comunicação e marketing. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.973, de 25 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 10650.902230/2017-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Documento Assinado Digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale e Hélcio Lafetá Reis.
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OBSCURIDADE. OMISSÃO Somente se acolhem os Embargos de Declaração quando demonstrada, de forma inequívoca, a ocorrência, no acórdão embargado, de omissão, contradição ou obscuridade. NULIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA Apresentação de defesa contemplando em sua extensão todos os fundamentos da glosa que embasou a análise do PER. Preliminar de nulidade rejeitada. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. PRECEDENTE JUDICIAL DE APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. No regime não-cumulativo das contribuições o conteúdo jurídico e semântico de insumo deve ser mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda. O REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, confirmou o conceito jurídico intermediário de insumo criado na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno, o conceito jurídico intermediário tem aplicação obrigatória. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. Havendo insumos dos insumos no processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permite-se a apuração de créditos das contribuições. A fase agrícola do processo produtivo de cana- de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) deve gerar crédito. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS CARÁTER INDUSTRIAL. CRÉDITO Fl. 2430DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 2 Insumo de nítido caráter industrial - superado o óbice da fase agrícola – possibilidade de crédito de PIS/PASEP no regime não cumulativo. CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. OPERAÇÕES DE COMPRA E DE VENDA. POSSIBILIDADE. Há previsão legal para a apuração de créditos da não-cumulatividade das contribuições sociais em relação aos gastos com fretes entre estabelecimentos, assim como dos fretes realizados nas operações de transferências, de compras e de vendas. Essas despesas integram o conceito de insumo e geram direito à apuração de créditos. Fundamento: Art. 3.º, incisos II e IX, da Lei 10.833/03. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos seguintes termos: (i) sem efeitos infringentes, para sanear o vício relativo à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, (ii) com efeitos infringentes, para reconhecer, com base no conceito jurídico adotado pela decisão embargada e observados os requisitos da lei, o direito ao desconto de créditos da contribuição em relação aos serviços relacionados no Anexo III, exceto em relação aos serviços de manutenção de equipamento de escritório, apoio administrativo, comunicação e marketing. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.973, de 25 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 10650.902230/2017-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Documento Assinado Digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale e Hélcio Lafetá Reis. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Aproveito-me do relatório elaborado pelo Presidente por ocasião do exame de admissibilidade: Fl. 2431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 3 “Trata-se de exame de admissibilidade de Embargos de Declaração formalizados pelo contribuinte ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Os Embargos foram opostos em desfavor do Acórdão no 3201-009.207, de 21/09/2020. Transcrevem-se a ementa e o dispositivo de decisão integralmente: ASSUNTO: PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2013 a 30/09/2013 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. PRECEDENTE JUDICIAL DE APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. No regime não-cumulativo das contribuições o conteúdo jurídico e semântico de insumo deve ser mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda. O REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, confirmou o conceito jurídico intermediário de insumo criado na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno, o conceito jurídico intermediário tem aplicação obrigatória. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. Havendo insumos dos insumos no processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permite-se a apuração de créditos das contribuições. A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) deve gerar crédito. BENS E SERVIÇOS. AQUISIÇÃO. NÃO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Como regra geral do regime não-cumulativo, é vedado o desconto de crédito calculado sobre bens e serviços não sujeito ao pagamento das contribuições, sob qualquer uma de suas formas: não incidência, alíquota 0 (zero), isenção, suspensão ou exclusão da base de cálculo. FRETES NA COMPRA DE INSUMOS COM ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. Nos moldes firmados no julgamento do REsp 1.221.170 / STJ, se o frete em si for relevante e essencial à atividade econômica do contribuinte, independentemente da alíquota do produto que o frete carregou, deve gerar o crédito. CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. OPERAÇÕES DE COMPRA E DE VENDA. POSSIBILIDADE. Fl. 2432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 4 Há previsão legal para a apuração de créditos da não-cumulatividade das contribuições sociais em relação aos gastos com fretes entre estabelecimentos, assim como dos fretes realizados nas operações de transferências, de compras e de vendas. Essas despesas integram o conceito de insumo e geram direito à apuração de créditos. Fundamento: Art. 3.º, incisos II e IX, da Lei 10.833/03. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. TRANSPORTE DE CARGA. FRETE NA REMESSA DA PRODUÇÃO PARA FORMAÇÃO DE LOTE DE EXPORTAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. Estão aptos a gerarem créditos das contribuições os bens e serviços aplicados na atividade de transporte de carga e remessa da produção, passíveis de serem enquadrados como custos de produção. Fundamento: Art. 3.º, IX, da Lei 10.833/03. FRETE. LOGÍSTICA. MOVIMENTAÇÃO CARGA. REMESSA PARA DEPÓSITO OU ARMAZENAGEM. Os serviços de movimentação de carga e remessas para depósito ou armazenagem, tanto na operação de venda quanto durante o processo produtivo da agroindústria, geram direito ao crédito. Fundamento: Art. 3.º, IX, da Lei 10.833/03. CRÉDITO. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. ÁREAS DE CULTIVO. POSSIBILIDADE. O transporte de funcionários até as áreas de cultivo são equiparados ao conceito jurídico intermediário de insumo e também configuram hipótese de aproveitamento de crédito da não-cumulatividade das contribuições sociais. Fundamento: Art. 3.º, inciso II da Lei 10.833/03. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DO PRODUTO. CRÉDITO. SACOLAS BIG BAGS. POSSIBILIDADE. Nos casos em que a embalagem de transporte, destinada a preservar as características do produto durante a sua realização, é descartada ao final da operação, vale dizer, para os casos em que não podem ser reutilizadas em operações posteriores, o aproveitamento de crédito é possível. Com fundamento no Art. 3.º, da Lei 10.637/02, por configurar insumo, as embalagens do produto final são igualmente relevantes e essenciais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos termos que segue. I. Por unanimidade de votos, Fl. 2433DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 5 reverter as glosas sobre (i) frete na compra ou transferência de material (“Peças para implementos agrícolas, peças de reposição de frota automotiva pesada (caminhões), peças para materiais de irrigação, rádios de comunicação e peças de agricultura de precisão, material elétrico industrial; materiais para empacotamento de açúcar, insumos industriais, peças e equipamentos em geral para manutenção industrial”); e (ii) frete na compra para industrialização ou produção rural. II. Por maioria de votos, reverter as glosas sobre (a) frete na remessa da produção para formação de lote de exportação; (b) frete na remessa para depósito ou armazenagem; (c) despesas com armazenagem na operação de venda; (d) frete na aquisição não sujeita ao pagamento das contribuições; (e) transporte de funcionários para as áreas de cultivo; e (f) sacolas big bags (embalagens). Vencidos, quanto aos itens (a), (b) e (c), os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles que lhes negavam provimento. Vencida no item (d) a conselheira Mara Cristina Sifuentes que lhe negava provimento. Vencido nos itens (e) e (f) o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles que lhes negava provimento. Houve apresentação de Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional, que foi admitido para as matérias: - Crédito de Pis e COFINS. Armazenamento. Despesas Portuárias; - Crédito de Pis e COFINS. Frete na remessa para formação de lote de exportação; - Crédito de Pis e COFINS. Fretes na aquisição de insumos com alíquota zero; - Crédito de Pis e COFINS. Transporte de funcionários para as áreas de cultivo; - Crédito de Pis e COFINS. Embalagens de transporte. 2. Análise dos requisitos formais O prazo para interposição de Embargos de Declaração é de 5 (cinco) dias da ciência do acórdão recorrido, conforme o § 1o do art. 65 do Anexo II do RICARF. O Acórdão de Recurso Voluntário foi cientificado à contribuinte em [...], conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem e os Embargos foram apresentados em [...], conforme Termo de Solicitação de Juntada. Portanto, são tempestivos. Não se encontram outros óbices formais. Fl. 2434DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 6 3. Exame dos vícios suscitados. Contornos teóricos Sobre os Embargos de Declaração, veja-se o que diz o art. 65 do Regimento Interno do CARF: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.” A eventual existência dos vícios de obscuridade, contradição ou omissão, pressupostos dos aclaratórios, deve ser cabalmente demonstrada pela parte, a fim de oportunizar ao próprio órgão julgador suprir eventual deficiência no julgamento da causa. Cabe ressaltar que não é função dos embargos rediscutir uma mesma matéria já discutida ou alterar o que foi decidido, salvo se há decorrência imediata em vista de omissão de matéria determinante ou contradição entre os fundamentos do acórdão e seu resultado. Confira-se nesse sentido: STJ – Embargos. Decl. no Recursos em MS Edcl no RMS 6510/MG 1995/0065405-9 (e muitos outras decisões iguais) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADES INFRINGENTES. OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO SE PRESTAM PARA MODIFICAR O JULGADO, SALVO SE ISSO DECORRE IMEDIATAMENTE DO SUPRIMENTO DE ALGUMA OMISSÃO OU DA ELIMINAÇÃO DE CONTRADIÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. A omissão de matéria determinante pode ser ainda configurada quando se demonstre premissa fática equivocada. Nesse sentido: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO INTERNO. ERRO MATERIAL. ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. I - O fundamento do acórdão erigido sobre uma premissa fática equivocada constitui erro material a ensejar o acolhimento dos embargos de declaração para a correção do julgado, atribuindo-lhe efeitos modificativos. [...] Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para negar provimento ao agravo interno. (EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 659.484/RS, Rel. Ministro CASTRO FILHO, TERCEIRA TURMA, julgado em 28/06/2007, DJe 05/08/2008)” Por outro lado, não há omissão quando o colegiado chegou à sua conclusão com motivos suficientes. Veja-se: Fl. 2435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 7 "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Passa-se ao exame das suscitações de vícios na decisão embargada. 3.1 Omissão quanto às razões de defesa na preliminar de nulidade da decisão de primeira instância A embargante entende que a decisão de primeira instância teria se baseado em fatos equivocados ao apontar que as glosas do presente processo e as glosas no processo de Auto de Infração 10650.720845/2019-32 seriam as mesmas. A embargante sustenta que as glosas não são as mesmas, e esse alegado equívoco da decisão de primeira instância não teria sido abordado pela decisão embargada. Copio excerto: ... Assim, conforme alertado no recurso voluntário, a conclusão exarada no acórdão do julgamento da manifestação de inconformidade é equivocada, pois parte de premissa equivocada (seriam os mesmos créditos). Confira-se a referida decisão: Em sede de preliminar, a manifestante alega cerceamento do direito de defesa, já que a autoridade fiscal não teria discriminado os bens e serviços objeto da glosa de créditos. Em primeiro lugar, o valor do crédito glosado nos Anexos I a VI corresponde exclusivamente ao valor glosado nos autos de infração, não existindo qualquer possibilidade de se entender que tais créditos também teriam motivado os despachos decisórios referentes aos PER/DCOMPs. Em segundo lugar, os Anexos VII e VIII do Termo de Verificação Fiscal, que respaldam os Autos de Infração (PA nº 10650.720845/2019-32) e o Despacho ora impugnado, tão somente trazem a relação entre os valores “homologados e glosados” nos PER/DCOMPs, todavia, a discriminação de cada bem ou serviço que teve o crédito glosado não foi apresentada. [...] Em verdade, a glosa dos créditos que redundaram o reconhecimento parcial do crédito pleiteado pela manifestante está igualmente contemplada nos Autos de Infração. Assim, por exemplo, a contribuinte Fl. 2436DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 8 pediu no PER R$ 6.000.000 de crédito de ressarcimento, não obstante apurara na EFD- Contribuições o crédito de R$ 15.000.000,00. Compondo o exemplo padrão, a autoridade fiscal, então, deferiu o crédito de R$ 5.000.000,00. Nos AIs, a glosa lavrada foi de R$ 10.000.000,00, enquanto a glosa no Despacho Decisório foi de R$ 1.000.000,00. Nesse quadro, vislumbra-se facilmente que a glosa deste valor está contida na glosa efetuada nos autos de infração, de modo que os Anexos I a VI, dos quais a contribuinte tivera ciência, valem como prova dos créditos glosados no Despacho Decisório, já que contêm a relação discriminadas dos bens e serviços objeto das glosas. 13. Embora assim não tenha entendido, a manifestante, por cautela, uma vez notado que o despacho decisório se utiliza dos fundamentos do Termo de Verificação Fiscal exarado no processo principal (AIs) (e anexado em cada processo de ressarcimento), apresentou “a defesa aos itens constantes no TVF como não geradores dos créditos das contribuições”. 14. Ora, essa defesa contempla em sua extensão todos os fundamentos da glosa que embasou a análise do PER, de modo que não se verifica o alegado cerceamento ao direito de defesa. [..]. Ao contrário do afirmado na referida decisão, a glosa que motivou a não homologação (e/ou homologação parcial) deste processo não está contida nas glosas apresentadas nas planilhas que instruíram os autos de infração (Processo nº 10650.720845/2019-32). [...]. Assim, ante a ausência de demonstração de quais bens e serviços tiverem os créditos glosados em relação aos despachos decisórios, a Embargante requereu o reconhecimento da nulidade de tais despachos, bem como do acórdão de primeiro grau recorrido, por nítido cerceamento de defesa. [...]. A despeito disso, a decisão de primeiro grau administrativa, ao apreciar a defesa apresentada, limitou-se a afirmar que os fundamentos fáticos e jurídicos dos autos são verídicos e procedentes, razão pela qual as alegações da Embargante deveriam ser afastadas. Confira-se: “ Nesse quadro, vislumbra-se facilmente que a glosa deste valor está contida na glosa efetuada nos autos de infração, de modo que os Anexos I a VI, dos quais a contribuinte tivera ciência, valem como prova dos créditos glosados no Despacho Decisório, já que contêm a relação discriminadas dos bens e serviços objeto das glosas.” [...]. Ante o erro de fato ao se utilizar de premissa falsa, pois o montante dos créditos glosados que se referem aos autos de infração não abarca os créditos glosados foram utilizados nas compensações objeto dos despachos decisórios, foi apresentada a preliminar de nulidade em questão Fl. 2437DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 9 Com efeito, o tema foi veiculado no Recurso Voluntário, mas não foi tratado no acórdão embargado. A decisão tratou de nulidade quanto ao tema relativo às impropriedades de rubricas, e não sob o tema em foco. Logo, os autos devem retornar ao colegiado para esclarecimento e/ou integração. 3.2 Da não apreciação das glosas relativas às fases agrícola e industrial mantidas pelo julgamento de primeiro grau. Fundamentação estranha ao presente processo Sob tal título a embargante reclama que diversas glosas deixaram de ser abordadas. Copiam-se excertos dos Embargos: [...]. No presente caso, a defesa foi realizada da análise de cada descrição de bem e serviço e centro de custo apresentados nos anexos que instruíram o processo principal. [...]. A numeração das rubricas apresentadas na decisão embargada ocorreu em outro processo (P. A. nº 15253.720018/2018-64) que não guarda qualquer relação com os presentes autos. [...]. Assim, a alegação constante nesses autos em relação a manutenção das glosas constantes no Anexo III não foi apreciada. [...]. Assim, é fato que parte do recurso voluntário foi completamente ignorado no acordão embargado, pois tratava de glosas ligadas às etapas rural e industrial que foram mantidas pela decisão de primeiro grau ao reverter de forma parcial as glosas exaradas no anexo III do TVF. [...]. Conforme apontado no recurso voluntário, as glosas decorrentes de serviços utilizados nas fases agrícolas e industrial constantes na planilha do Anexo III correspondem aproximadamente a 8.500 (oito mil e quinhentas) linhas, sendo que no acórdão de primeiro grau foram revertidas tão somente as glosas relacionadas a serviços de manutenção e revisão do maquinário de forma parcial. 36. Assim, as demais glosas foram mantidas em razão de supostamente não guardarem pertinência com o processo produtivo da Embargante, tendo o v. acórdão de primeiro grau se manifestado nos seguintes termos: 73. Por outro lado, verifica-se que alguns serviços objeto da glosa não guardam pertinência com o processo produtivo, já que ligados ao setor administrativo (auditoria, fiscal, financeiro, escritório) e de comercialização (mercado externo, logística), a exemplo dos “SERVIÇOS LOGISTICOS MOVIMENTACOES E ARMAZENAG”, “SERVIÇO LOG E MOVIMENTAÇÃO”, Fl. 2438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 10 ARMAZENAGEM “SERVIÇO MONTAG MANUT AR CONDICIONADO”. Ou, mesmo estando relacionados à produção, não geram crédito por expressa vedação, como é o caso, por exemplo, dos “SERVIÇOS MAO OBRA OPERADOR MÁQUINA AGRÍCOLA” (art. 3º, §2º, I, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003). 74. Assim, em relação aos serviços relacionados no Anexo III, deve-se estornar a glosa no valor de R$ 441.472,20, o que implica no creditamento em favor da contribuinte de R$ 33.551,89. (Destaques da Embargante) [...]. Ocorre que a reversão das glosas relativas à manutenção e revisão do maquinário tomando como base tão somente o nome de alguns centros de custo do anexo III está equivocada, sendo alertado tal equívoco no referido item IV.3.2 do recurso voluntário. [...]. Além disso, necessário destacar que a ausência de enfrentamento expresso das glosas constantes no Anexo III do TVF também importou na manutenção de outras glosas ligadas a fase rural e industrial, constituindo mais uma omissão do r. acórdão embargado. [...]. Conforme apontado no recurso voluntário, foram tidas como legítimas e, consequentemente, mantidas pelo acórdão de 1º grau as glosas de créditos vinculados a serviços que inequivocamente estão ligados a etapa rural ou industrial, tendo em vista a ausência de apreciação da descrição do serviço/centro de custos. [...]. Ante a magnitude de bens e serviços constantes no referido Anexo III, foram apresentados alguns serviços nele constantes e que, inequivocamente, estão ligados às atividades de produção rural ou industrial. Confira-se: “; ASSISTÊNCIA TECNICA INDUSTRIAL; BICO INJETOR 83600600 ZNAV; BICO INJETOR 905302009026 MWM ZNAV; BICO INJETOR COMPLETO 905302009020 ZNAV; BICO INJETOR LO66PBA DELPHI ZNAV; BIELA 922501500057 MWM ZNAV; BIELA BG5X6200AA ZNAV BIELA MOTOR CUMMINS 6 CILINDROS SERIE C RECUP BLOCO A123 ZNAV; CILINDRO HIDR 1287674 ZNAV DEFLETOR 1652622 VOLVO DESPESA ALIMENTACAOREFEICAO TERCEIROS;ESMERILHADEIRA 4.1/2" GWS 8-115 ZNAV; ESMERILHADEIRA 7" GWS 22-230 ZNAVESMERILHADEIRA ANG 7" DWE4557 ZNAV ESMERILHADEIRA BOSCH / DEWALT RECUPERADA INJETOR CONEC BG9X9K526BA FORD ZNAV, INTERCOOLER 87332523 CASE ZNAV MAQUINA SOLDA 70~400ª 220/380/440V ZNAV, MAQUINA SOLDA BAMBOZZI 430 AMPERES ZNAV, MARTELO DEWALT-D25501-B2 ZNAV, MEDIDOR OXIG DISS Fl. 2439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 11 0,01 PPM ZNAV, SERVICO ANALISE OLEO INDUSTRIA, SERVICO CARPINTARIA / SERRALHERIA, SERVICO DE CARREGAMENTO DE CANA, SERVICO FILTRAGEM OLEO INDUSTRIAL, SERVICO HIDROJATEAMENTO, SERVICO INSPECAO INDUSTRIAL, SERVICO INST/REV/MANUT TORRES, SERVICO INSTALACAO TORRES, SERVICO ISOLAMENTO TERMICO, SERVICO JATEAMENTO GERAL, SERVICO LIMPEZA INDUSTRIAL GERAL, SERVICO, RECUPERACAO CUICA AGRICOLA, SERVICO SOLDAGENS CALDEIRARIA INDUSTRIAL, SERVICO TRANSPORTE - S ICMS, SERVICO USINAGEM COMP/EQUIP INDUSTRIAIS, SERVICO VISTORIA DE VEICULOS EM GERA, SERVICOS MAO OBRA OPERADOR MAQUINA AGRICOLA, SERVICOS TRANSPORTE ACUCAR - FATURA COM NF/ S, TRADUTOR PRESSAO COMPRESSOR ATLAS COPCO, TUBO AI 38,1MMX500MM ZNAV,VEICULO GOL 1.0 FLEX VW ZNAV, ZNAV - BOMBA INJETORA MF 290, ZNAV - MAQUINA SOLDA BAMBOZZI 430 AMPERE, ZNAV - TERMOHIGROMETRO DIGITAL EXTECH 44, etc.”. [...]. Ora, o serviço de carregamento de cana é, por todos os ângulos, serviço diretamente relacionado à atividade principal da empresa que se dedica à atividade sucroenergética. [...]. Nesse escaninho estão, ainda, diversos serviços relativos à usinagem, caldeiraria e manutenção de peças, os quais, evidentemente, se vinculam ao maquinário agrícola, o que fica evidenciado pelo centro de custo relacionado no anexo III. [...]. Verifica-se, assim, que os centros de custos a que estão vinculados tais serviços são: controle de qualidade, manutenção elétrica, logística e transportes, comercialização mercado externo, controle agrícola, empacotamento, tratamento de caldo, fabricação de etanol, moendas, etc. Com efeito, extrai-se do Recurso Voluntário a referência a alguns equipamentos e serviços glosados, que, prima facie, não teriam perfil administrativo/gerencial/comercial. E não se viu, neste exame perfunctório de admissibilidade, os motivos para o afastamento de tais equipamentos do rol de equipamentos que poderiam ensejar o direito de crédito. Desse modo, o processo deve retornar para esclarecimento do alcance da decisão conceitual em relação a itens diversos que, em tese, poderiam ensejar o direito. Entende-se que o esclarecimento da abrangência da decisão embargada abranja também o pedido formulado da seguinte forma nos Embargos: Fl. 2440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 12 (iii) aclarar se as glosas relativas aos fretes e despesas de armazenagens revertidas no acórdão embargado abarcam os bens e serviços glosados no anexo III do TVF. A questão merece atenção do colegiado, para esclarecer ou integrar a decisão. 4. Conclusão Destaque-se que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos Embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Apenas não se rejeitam os Embargos de plano, posto que não restaram como manifestamente improcedentes (art. 65, §3º do RICARF). Diante do exposto, com base nas razões acima e com fundamento no art. 65 do Anexo II do RICARF, DOU SEGUIMENTO aos Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, para que o colegiado aprecie as matérias relativas a: - Omissão quanto às razões de defesa na preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; - Da não apreciação das glosas relativas às fases agrícola e industrial mantidas pelo julgamento de primeiro grau. Fundamentação estranha ao presente processo. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Os Embargos de Declaração do contribuinte atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. Art. 116 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21/12/2023, sendo admitidos para apreciação do mérito relativo à obscuridade nos termos do que constou no relatório sobre: - Omissão quanto às razões de defesa na preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; - Da não apreciação das glosas relativas às fases agrícola e industrial mantidas pelo julgamento de primeiro grau. Fundamentação estranha ao presente processo. Fl. 2441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 13 Omissão quanto às razões de defesa na preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; O primeiro ponto a ser enfrentado nos presentes embargos diz respeito suposta omissão quanto às razões de defesa na preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Sobre o tema, ao admitir os embargos, o Ilmo. Presidente destacou que: “Com efeito, o tema foi veiculado no Recurso Voluntário (fl. 1.645 e seguintes), mas não foi tratado no acórdão embargado. A decisão tratou de nulidade quanto ao tema relativo às impropriedades de rubricas, e não sob o tema em foco. Logo, os autos devem retornar ao colegiado para esclarecimento e/ou integração.” Para melhor análise passamos a apreciar as razões do embargante: “17. Assim, conforme alertado no recurso voluntário, a conclusão exarada no acórdão do julgamento da manifestação de inconformidade é equivocada, pois parte de premissa equivocada (seriam os mesmos créditos). Confira-se a referida decisão: Em sede de preliminar, a manifestante alega cerceamento do direito de defesa, já que a autoridade fiscal não teria discriminado os bens e serviços objeto da glosa de créditos. Em primeiro lugar, o valor do crédito glosado nos Anexos I a VI corresponde exclusivamente ao valor glosado nos autos de infração, não existindo qualquer possibilidade de se entender que tais créditos também teriam motivado os despachos decisórios referentes aos PER/DCOMPs. Em segundo lugar, os Anexos VII e VIII do Termo de Verificação Fiscal, que respaldam os Autos de Infração (PA nº 10650.720845/2019-32) e o Despacho ora impugnado, tão somente trazem a relação entre os valores “homologados e glosados” nos PER/DCOMPs, todavia, a discriminação de cada bem ou serviço que teve o crédito glosado não foi apresentada. 12. Em verdade, a glosa dos créditos que redundaram o reconhecimento parcial do crédito pleiteado pela manifestante está igualmente contemplada nos Autos de Infração. Assim, por exemplo, a contribuinte pediu no PER R$ 6.000.000 de crédito de ressarcimento, não obstante apurara na EFD- Contribuições o crédito de R$ 15.000.000,00. Compondo o exemplo padrão, a autoridade fiscal, então, deferiu o crédito de R$ 5.000.000,00. Nos AIs, a glosa lavrada foi de R$ 10.000.000,00, enquanto a glosa no Despacho Decisório foi de R$ 1.000.000,00. Nesse quadro, vislumbra-se facilmente que a glosa deste valor está contida na glosa efetuada nos autos de infração, de modo que os Anexos I a VI, dos quais a contribuinte tivera ciência, valem como prova dos créditos glosados no Despacho Decisório, já que contêm a relação discriminadas dos bens e serviços objeto das glosas. 13. Embora assim não tenha entendido, a manifestante, por cautela, uma vez notado que o despacho decisório se utiliza dos fundamentos do Termo de Verificação Fiscal exarado no processo principal (AIs) (e anexado em cada processo de ressarcimento), apresentou “a defesa aos itens constantes no TVF como não geradores dos créditos das contribuições”. 14. Ora, essa defesa contempla em sua extensão todos os fundamentos da glosa que embasou a análise do PER, de modo que não se verifica o alegado cerceamento ao direito de defesa. Fl. 2442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 14 18. Ao contrário do afirmado na referida decisão, a glosa que motivou a não homologação (e/ou homologação parcial) deste processo não está contida nas glosas apresentadas nas planilhas que instruíram os autos de infração (Processo nº 10650.720845/2019-32). Fl. 2.286: 23. Assim, ante a ausência de demonstração de quais bens e serviços tiverem os créditos glosados em relação aos despachos decisórios, a Embargante requereu o reconhecimento da nulidade de tais despachos, bem como do acórdão de primeiro grau recorrido, por nítido cerceamento de defesa. 24. A despeito disso, a decisão de primeiro grau administrativa, ao apreciar a defesa apresentada, limitou-se a afirmar que os fundamentos fáticos e jurídicos dos autos são verídicos e procedentes, razão pela qual as alegações da Embargante deveriam ser afastadas. Confira-se: “ Nesse quadro, vislumbra-se facilmente que a glosa deste valor está contida na glosa efetuada nos autos de infração, de modo que os Anexos I a VI, dos quais a contribuinte tivera ciência, valem como prova dos créditos glosados no Despacho Decisório, já que contêm a relação discriminadas dos bens e serviços objeto das glosas.” 25. Ante o erro de fato ao se utilizar de premissa falsa, pois o montante dos créditos glosados que se referem aos autos de infração não abarca os créditos glosados foram utilizados nas compensações objeto dos despachos decisórios, foi apresentada a preliminar de nulidade em questão” Vejamos exatamente o que constou no voto embargado sobre o assunto: “O contribuinte alegou que há nulidade tanto na decisão de primeira instância quanto no despacho decisório, em razão das rubricas utilizadas como referência pela autoridade fiscal. Que teria prejudicado Contudo, como bem explicado na decisão a quo, as rubricas utilizadas como referências nas glosas foram fornecidas pelo próprio contribuinte em sua escrita contábil e fiscal, razão pela qual verifica-se que o devido processo legal foi respeitado e que nenhuma das nulidades previstas no Art. 59 do Decreto 70.235/72 restou configurada. Deve ser negado provimento.” De fato, depreende-se da análise dos autos a omissão do voto embargada das razões de recorrer apresentadas pela Embargante em relação a arguição da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Nesse sentido, acolho os embargos apresentados para sanar a omissão apresentada e clarear quais foram as razões de decidir. Nesse sentido, integra-se ao voto: “Em sede de preliminar, alega recorrente que o acórdão recorrido, incorreu em erro de fato ao se utilizar de premissa falsa, pois (i) o montante dos créditos Fl. 2443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 15 glosados que se referem aos autos de infração não abarca os créditos glosados utilizados nas compensações objeto dos despachos decisórios. Dessa forma, padece de vício que se enquadra com justeza à hipótese de nulidade veiculada no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, implicando, assim, na imprestabilidade do ato decisório ora impugnado. Contudo razão não assiste a Recorrente, pois como bem destacado pela fiscalização, uma vez notado que o despacho decisório se utiliza dos fundamentos do Termo de Verificação Fiscal exarado no processo principal (AIs) (e anexado em cada processo de ressarcimento), apresentou “a defesa contemplando em sua extensão todos os fundamentos da glosa que embasou a análise do PER, de modo que não se verifica o alegado cerceamento ao direito de defesa e que nenhuma das nulidades previstas no Art. 59 do Decreto 70.235/72 restou configurada. Assim, deve ser negado provimento.” Da não apreciação das glosas relativas às fases agrícola e industrial mantidas pelo julgamento de primeiro grau. Fundamentação estranha ao presente processo. Passamos agora a enfrentar nos presentes embargos a suposta não apreciação das glosas relativas às fases agrícola e industrial mantidas pelo julgamento de primeiro grau. Fundamentação estranha ao presente processo. Sobre o tema, ao admitir os embargos, o Ilmo. Presidente destacou que: “Com efeito, extrai-se do Recurso Voluntário a referência a alguns equipamentos e serviços glosados, que, prima facie, não teriam perfil administrativo/gerencial/comercial. E não se viu, neste exame perfunctório de admissibilidade, os motivos para o afastamento de tais equipamentos do rol de equipamentos que poderiam ensejar o direito de crédito. Desse modo, o processo deve retornar para esclarecimento do alcance da decisão conceitual em relação a itens diversos que, em tese, poderiam ensejar o direito. Entende-se que o esclarecimento da abrangência da decisão embargada abranja também o pedido formulado da seguinte forma nos Embargos: (iii) aclarar se as glosas relativas aos fretes e despesas de armazenagens revertidas no acórdão embargado abarcam os bens e serviços glosados no anexo III do TVF.” Para melhor análise passamos a apreciar as razões do embargante: 31. No presente caso, a defesa foi realizada da análise de cada descrição de bem e serviço e centro de custo apresentados nos anexos que instruíram o processo principal. 32. A numeração das rubricas apresentadas na decisão embargada ocorreu em outro processo (P. A. nº 15253.720018/2018-64) que não guarda qualquer relação com os presentes autos. Fl. 2444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 16 33. Assim, a alegação constante nesses autos em relação a manutenção das glosas constantes no Anexo III não foi apreciada. 34. Assim, é fato que parte do recurso voluntário foi completamente ignorado no acordão embargado, pois tratava de glosas ligadas às etapas rural e industrial que foram mantidas pela decisão de primeiro grau ao reverter de forma parcial as glosas exaradas no anexo III do TVF. 35. Conforme apontado no recurso voluntário, as glosas decorrentes de serviços utilizados nas fases agrícolas e industrial constantes na planilha do Anexo III correspondem aproximadamente a 8.500 (oito mil e quinhentas) linhas, sendo que no acórdão de primeiro grau foram revertidas tão somente as glosas relacionadas a serviços de manutenção e revisão do maquinário de forma parcial. 36. Assim, as demais glosas foram mantidas em razão de supostamente não guardarem pertinência com o processo produtivo da Embargante, tendo o v. acórdão de primeiro grau se manifestado nos seguintes termos: 73. Por outro lado, verifica-se que alguns serviços objeto da glosa não guardam pertinência com o processo produtivo, já que ligados ao setor administrativo (auditoria, fiscal, financeiro, escritório) e de comercialização (mercado externo, logística), a exemplo dos “SERVICOS LOGISTICOS MOVIMENTACOES E ARMAZENAG”, “SERVICO LOG E MOVIMENTAÇÃO”, ARMAZENAGEM “SERVICO MONTAG MANUT AR CONDICIONADO”. Ou, mesmo estando relacionados à produção, não geram crédito por expressa vedação, como é o caso, por exemplo, dos “SERVICOS MAO OBRA OPERADOR MÁQUINA AGRÍCOLA” (art. 3º, §2º, I, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003). 74. Assim, em relação aos serviços relacionados no Anexo III, deve-se estornar a glosa no valor de R$ 441.472,20, o que implica no creditamento em favor da contribuinte de R$ 33.551,89. (Destaques da Embargante) 37. Ocorre que a reversão das glosas relativas à manutenção e revisão do maquinário tomando como base tão somente o nome de alguns centros de custo do anexo III está equivocada, sendo alertado tal equívoco no referido item IV.3.2 do recurso voluntário. (...) 42. Além disso, necessário destacar que a ausência de enfrentamento expresso das glosas constantes no Anexo III do TVF também importou na manutenção de outras glosas ligadas a fase rural e industrial, constituindo mais uma omissão do r. acórdão embargado. Vejamos exatamente o que constou no voto embargado sobre o assunto: - Dispêndios realizados nas atividades administrativas, comerciais e jurídicas; Os dispêndios realizados nas atividades administrativas e comerciais são comuns à toda e qualquer atividade econômica e, portanto, não possuem nenhuma singularidade com a atividade econômica da empresa. Conforme exposto no livro “Aproveitamento de crédito de Pis e COFINS não- cumulativos sobre os dispêndios realizados nas aquisições de insumos pandêmicos1”, ainda que o presente caso não trate de aquisições de “insumos pandêmicos”, ficou evidente que os dispêndios administrativos e comerciais não devem gerar o crédito de Pis e COFINS não-cumulativos: Fl. 2445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 17 “Tais dispêndios são comuns a toda e qualquer empresa e não são considerados insumos, justamente por não possuírem relação com a singularidade da atividade econômica da empresa. Esta diferenciação, sobre o que é realmente um insumo que possui relação com a singularidade da atividade econômica da empresa e o que é um dispêndio relacionado às atividades administrativas possui muitos precedentes no CARF e, de certa forma, é uma razão que é utilizada até hoje para separar os insumos que realmente possam ser enquadrados no conceito médio, daqueles dispêndios administrativos que são comuns a toda e qualquer empresa. Para exemplificar, podemos citar o mesmo Acórdão n.º 9303008.257 da CSRF da 3.ª Turma do CARF, nos seguintes trechos selecionados e reproduzidos a seguir: “PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE SEGUROS, VIGILÂNCIA E TELEFONIA. IMPOSSIBILIDADE. No que tange a manutenção de créditos referente as despesas com serviços de seguros, vigilância e telefonia, não estão relacionados de forma direta à atividade de prestação de serviços da Contribuinte, e não se incluem no conceito de insumos para direito ao desconto de créditos do PIS e da COFINS.” Nas Turmas ordinárias podemos citar o Acórdão n.º 3201-004.298, relatado pelo nobre colega e ex-conselheiro, Marcelo Giovani Vieira, que, ao votar por negar o "Aproveitamento de crédito de Pis e COFINS não-cumulativos sobre os dispêndios realizados nas aquisições de insumos pandêmicos". aproveitamento de crédito sobre os dispêndios com “call center”, fez os seguintes apontamentos: “Exemplificativamente, nenhum gasto com marketing, contabilidade, sistemas, pesquisa de viabilidade, qualificação, gastos ativáveis, nenhum desses é permitido para empresas comerciais, e portanto, não o será também para empresas industriais e de serviços, no que se refere ao inciso II do Art. 3.º da Lei, isto é, sob o conceito de insumos. Por outro lado, despesas com manutenção de equipamentos de produção, despesas ambientais e semelhantes, que são necessários, em ambiente de produção ou prestação de serviços, para o alcance do produto acabado em estoque, ou para conclusão do serviço, geram direito a crédito.” O conceito de essencialidade e relevância é um conceito complexo que pode ser aplicado por meio de um entendimento macro da decisão do STJ e dos precedentes do CARF. A decisão do STJ explica, por exemplo, que o dispêndio acidental não é o dispêndio essencial. Parece óbvio e realmente possui uma lógica simples, mas dada a complexidade da questão como um todo, o tema ganha relevância, na medida em que é preciso entender as nuances do aproveitamento de crédito das contribuições dentro desse conceito médio. Por dispêndio acidental, entende-se que é um dispêndio que não possui relação com a singularidade da atividade da empresa, pois é um dispêndio não essencial e oblíquo à atividade econômica da empresa. Os dispêndios administrativos que são comuns a toda e qualquer empresa, para exemplificar, em geral são aqueles dispêndios com publicidade, telefonia, internet, mão de obra, limpeza do escritório, despesas comerciais, comissões de vendas e taxas municipais. As empresas que apuram o IRPJ no lucro real, em sua maioria, são empresas de tamanho médio ou grande (conforme parâmetros das juntas comerciais, Sebrae e Receita Federal) e irão, muito provavelmente, possuir um ou mais escritórios, locais que abrigam os funcionários que colaboram para a administração e gestão geral da empresa.” No presente caso a decisão anterior descreveu quais seriam os itens que estariam dentro desse grupo de dispêndios administrativos e comerciais, conforme trechos selecionados e transcritos a seguir: “62. Quanto aos demais itens de glosa (1.25, 1.26, 1.27, 1.28, 2.5 e 2.7), referentes a gastos com lanches, refeições, produtos de higiene e limpeza, bem como despesas Fl. 2446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 18 com serviços ambientais e manutenção de equipamento de escritório, a despeito de relacionados à motivação “área ou atividade agrícola”, tais bens ou serviços não podem ser considerados insumos, por não integrarem o processo produtivo agrícola. (...) 65. Com efeito, na área administrativa como um todo, inclusive à relativa à industrial, deparamo-nos com gastos com combustíveis (óleo diesel, gasolina, GLP) empregados em veículos da diretoria e de serviços gerais; ventiladores usados em departamento administrativo; EPIs nos departamentos de serviços gerais e segurança patrimonial; alicates e enxadas utilizados no serviço geral; flores adquiridas pelos departamento de comunicação e marketing; água, refrigerante, suco, bolo e demais alimentos consumos pela diretoria e setores administrativos; medicamentos para serem aplicados pelo departamento administrativo; materiais elétricos como lâmpadas, reatores etc, para ser utilizados em setores administrativos etc. 66. Da mesma forma quanto aos serviços tomados pela área administrativa, tais como serviços de manutenção e revisão de equipamentos administrativos, de central etc. 67. Na área comercial como um todo, encontramos igualmente itens de despesas ligados à logística, tais como rolamento, ventilador, pá quadrada, combustíveis (óleo diesel, gasolina, GLP); lanches, refeições, material de higiene, consumidos pelo pessoal do departamento comercial; materiais de construção (brita, cimento etc) e de limpeza (veja multiuso, desinfetante, papel toalha), papel, lápis, tinta, carimbo, mouse, utilizados no setor comercial.” Em recurso o contribuinte se limitou a reforçar a manifestação de inconformidade e não juntou aos autos elementos que pudessem comprovar a singularidade, a relevância e a essencialidade da utilização de tais dispêndios nas atividades da empresa. Conforme determinação Art. 36 da Lei nº 9.784/1999, do Art. 16 do Decreto 70.235/72, Art 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar seu crédito. Portanto, tais glosas devem ser mantidas. Assim, depreende-se da análise dos autos que o voto embargado não enfrentou diretamente a alegação da recorrente relativa ao direito aos créditos correspondentes aos insumos relacionados no anexo III apresentada pela embargante em sede Recurso Voluntário. Contudo, considerando o nítido caráter industrial dos serviços tomados relacionados no Anexo III, e que, tendo-se superado o óbice da fase agrícola, considerando o conceito de insumo adotado no voto vencedor, qual seja, o entendimento firmado no REsp 1.221.170 / STJ, no Parecer Normativo Cosit n.º 5, nota CEI/PGFN 63/2018. Esclareço que exceto os serviços relativos à manutenção de equipamento de escritório, apoio administrativo, comunicação e marketing, os serviços relacionados no ANEXO III ensejam o direito de crédito de Pis e COFINS tendo em vista o conceito jurídico adotado pela decisão embargada. Seguem relação exemplificativa dos serviços ensejadores de crédito relacionados no ANEXO III: DESCRIÇÃO DO SERVIÇO CENTRO DE CUSTO Fl. 2447DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 19 SERVICO MANUT REVIS EQUIP IND GERAL GERAÇÃO DE VAPOR SERVICO MANUT REVIS MOTORES MECÂNICA GERAL SERVICO MANUT REVIS MOTORES MECÂNICA GERAL SERVICO MANUT REVIS COLHEDORAS MOENDAS SERVICO MANUT REVIS COLHEDORAS MOENDAS SERVICO MANUT REVIS EQUIP IND GERAL GERAÇÃO DE VAPOR SERVICO MANUT REVIS EQUIP IND GERAL FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR SERVICO MANUT REVIS MOLAS VOLVO MOENDAS SERVICO MANUT REVIS REBOQ/DOLLY/TRANSB MOENDAS SERVICO SOLDAGENS CALDEIRARIA INDUSTRIAL FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR SERVICO SOLDAGENS CALDEIRARIA SERVICO MANUT REVIS EQUIP IND GERAL FABRICAÇÃO DE ETANOL SERVICO MANUT REVIS EQUIP IND GERAL FABRICAÇÃO DE ETANOL SERVICO MANUT REVIS EQUIP IND GERAL MOENDAS SERVICO MANUT REVIS EQUIP IND GERAL MOENDAS SERVICO MANUT REVIS EQUIP IND GERAL CONTROLE DE QUALIDADE SERVICO MANUT REVIS EQUIP IND GERAL CONTROLE DE QUALIDADE SERVICO MANUT REVIS MAQ VALTRA VALMET CARREGADEIRA SERVICO MANUT REVIS MÁQUINAS CASE TRATOR PESADO SERVICO MANUT REVIS MÁQUINAS CASE TRATOR PESADO SERVICO SOLDAGENS CALDEIRARIA INDUSTRIAL GERAÇÃO DE VAPOR ASSISTÊNCIA TECNICA INDUSTRIAL CONTROLE DE QUALIDADE SERVICO MANUT REVIS EIXO/CARDANS AUTOMOT MECÂNICA GERAL SERVICO CARPINTARIA / SERRALHERIA DEPARTAMENTO DE SEGURANÇA PATRIMONIAL SERVICO CARPINTARIA / SERRALHERIA MECÂNICA COLHEDORA SERVICO CARPINTARIA / SERRALHERIA CALDEIRARIA SERVICO MANUT REVIS CAMIN FORD CARGO MECÂNICA VOLANTE SERVICO MANUT REVIS CAMIN FORD CARGO ABASTECIMENTO SERVICO MANUT REVIS CAMIN FORD CARGO ABASTECIMENTO SERVICO MANUT REVIS CAMIN SCANIA FERTIRRIGAÇÃO CANA SOCA SERVICO MANUT REVIS CAMIN SCANIA CAVALO MECÂNICO TANQUE VINHAÇA SERVICO MANUT REVIS CAMIN VOLVO TRANSPORTE MECANIZADO SERVICO MANUT REVIS CAMIN VOLVO TRANSPORTE MECANIZADO SERVICO MANUT REVIS MOLA REBOQUE CARRETA FERTIRRIGAÇÃO CANA SOCA Fl. 2448DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 20 SERVICO MANUT REVIS MOLAS FORD CARGO CAMINHÃO PIPA INDUSTRIAL FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR SERVICO MANUT REVIS EQUIP IND GERAL GERAÇÃO DE VAPOR SERVICO MANUT REVIS EQUIP IND GERAL GERAÇÃO DE VAPOR SERVICO MANUT REVIS COLHEDORAS MOENDAS SERVICO MANUT REVIS COLHEDORAS MOENDAS SERVICO MANUT REVIS COLHEDORAS MOENDAS SERVICO MANUT REVIS COLHEDORAS MOENDAS SERVICO MANUT REVIS ELÉTRICA IND GERAL FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR SERVICO MANUT REVIS MOTORES EMPACOTAMENTO SERVICO MANUT REVIS CAMIN SCANIA CAVALO MECÂNICO TANQUE VINHAÇA SERVICO MANUT REVIS CAMIN SCANIA MECÂNICA GERAL SERVICO MANUT REVIS ELÉTRICA IND GERAL PRESIDÊNCIA SERVICO MANUT REVIS MOLAS SCANIA FERTIRRIGAÇÃO CANA SOCA SERVICO MANUT REVIS MOLAS VOLVO CAVALO MECÂNICO CANAVIEIRO SERVICO MANUT REVIS MOTORES TRATAMENTO DE ÁGUA (ETA) SERVICO MANUT REVIS CAMIN VOLVO CAVALO MECÂNICO CANAVIEIRO SERVICO MANUT REVIS CAMIN VOLVO CAMINHÃO DISTRIBUIÇÃO DE TORTA/CALCÁRIO SERVICO MANUT REVIS CAMIN VOLVO CAMINHÃO MUNK Por fim, ainda da análise do ANEXO III dos autos, constata-se que os fretes relacionados dizem respeito as despesas relativas a conta contábil frete e carreto. Considerando que o ilustre relator, observou como razões de decidir a singularidade a essencialidade e pertinência dos fretes entre estabelecimentos e dos demais fretes, como o transporte dos funcionários até a área de cultivo, para a atividade e produção do contribuinte, é possível afirmar que os fretes relacionados no Anexo III que não correspondem departamento administrativo e comunicação e marketing, estão abrangidos pela decisão no que se refere a reversão das glosas efetuadas pela autoridade administrativa. Destaque-se ainda que restou consignado no referido Acordão a manutenção das glosas dos “fretes de outras saídas não especificadas”, em razão da ausência da especificação da finalidade e natureza do frete. Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração, nos seguintes termos: (i) sem efeitos infringentes, para sanear o vício relativo à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, (ii) com efeitos infringentes, para reconhecer, com base no conceito jurídico adotado pela decisão embargada e observados os requisitos da lei, o direito ao desconto de créditos da contribuição em relação aos Fl. 2449DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-011.981 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10650.902237/2017-82 21 serviços relacionados no Anexo III, exceto em relação aos serviços de manutenção de equipamento de escritório, apoio administrativo, comunicação e marketing. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher os Embargos de Declaração, nos seguintes termos: (i) sem efeitos infringentes, para sanear o vício relativo à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, (ii) com efeitos infringentes, para reconhecer, com base no conceito jurídico adotado pela decisão embargada e observados os requisitos da lei, o direito ao desconto de créditos da contribuição em relação aos serviços relacionados no Anexo III, exceto em relação aos serviços de manutenção de equipamento de escritório, apoio administrativo, comunicação e marketing. (Documento Assinado Digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 2450DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 11030.900056/2015-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA.
São indeferidos os pedidos de diligência ou perícia, quando tais providências forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada, quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador, ou quando os pedidos deixarem de conter os requisitos estabelecidos pela legislação.
COOPERATIVA. INCIDÊNCIA.
As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitam-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho.
TAXA SELIC. CORREÇÃO. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. NOTA CODAR 22/2021. POSSIBILIDADE
Deve-se aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos.
Numero da decisão: 3102-002.566
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das argumentações relativas a “materiais para limpeza industrial”, “materiais para manutenção de máquinas e equipamentos”, glosa de “produtos sujeitos à tributação monofásica”, bem como no item “correção de valores” e “itens dados em comodato”, “bens e serviços adquiridos como insumos”, “energia elétrica”, “locação de veículos”, “fretes”, “devoluções”, “documentos não apresentados”, “imobilizado”, assim como glosa sobre os créditos presumidos, e, na parte conhecida, para dar provimento parcial ao recurso voluntário a fim de reverter as glosas de créditos de vestimentas e EPIs, bem como aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de PIS e Cofins, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, nos termos da Nota CODAR 22/2021. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-002.542, de 18 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11030.900007/2015-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Documento Assinado Digitalmente)
Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Carlos de Barros Pereira, Karoline Marchiori de Assis e Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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São indeferidos os pedidos de diligência ou perícia, quando tais providências forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada, quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador, ou quando os pedidos deixarem de conter os requisitos estabelecidos pela legislação. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitam-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. TAXA SELIC. CORREÇÃO. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. NOTA CODAR 22/2021. POSSIBILIDADE Deve-se aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos. Fl. 220DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das argumentações relativas a “materiais para limpeza industrial”, “materiais para manutenção de máquinas e equipamentos”, glosa de “produtos sujeitos à tributação monofásica”, bem como no item “correção de valores” e “itens dados em comodato”, “bens e serviços adquiridos como insumos”, “energia elétrica”, “locação de veículos”, “fretes”, “devoluções”, “documentos não apresentados”, “imobilizado”, assim como glosa sobre os créditos presumidos, e, na parte conhecida, para dar provimento parcial ao recurso voluntário a fim de reverter as glosas de créditos de vestimentas e EPIs, bem como aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de PIS e Cofins, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, nos termos da Nota CODAR 22/2021. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-002.542, de 18 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11030.900007/2015-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Documento Assinado Digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Carlos de Barros Pereira, Karoline Marchiori de Assis e Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem. O pedido é referente ao crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A manifestação de inconformidade foi julgada procedente em parte pela DRJ, o que se deu nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 Fl. 221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 3 COOPERATIVAS. COMPRA DE BENS PARA REVENDA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA IDÊNTICA À DAS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A comercialização de bens aos consumidores, ainda que esses consumidores sejam seus cooperados, deve ser sujeita às regras de incidência tributária aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sob pena de, em caso de entendimento contrário, causar prejuízos à livre concorrência. PIS/PASEP - COFINS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Insumos são os bens e serviços que fazem parte do processo de produção de bem destinado à venda ou de serviço prestado a terceiros, tanto aqueles que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se depreende da leitura dos autos, a lide trata de pedido de ressarcimento de PIS não-cumulativo vinculado à receita no mercado interno de produtos tributados à alíquota zero, isentos ou à exportação do 4º trimestre de 2008, com pedidos de compensação atrelados, que foi indeferido parcialmente pela Unidade de Origem uma vez que se identificou a inclusão indevida no pedido de créditos sobre diversos custos/despesas e créditos apurados sobre a aquisição de bens para revenda, além disso pleiteia a correção do seu crédito pela taxa SELIC, desde o protocolo até a sua efetiva utilização. Fl. 222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 4 No acórdão recorrido, foi dado provimento com relação aos itens abaixo relacionados: i) Materiais para limpeza industrial; e ii) Materiais para manutenção de máquinas e equipamentos; Com efeito, após o julgamento da DRJ, restaram como controversas no processo os seguintes itens: i) Créditos apurados sobre a aquisição de bens para revenda; ii) Vestuário e EPI; iii) Materiais de operação; e iv) Correção pela taxa SELIC. Cumpre esclarecer que no recurso voluntário consta irresignação contra os itens “Materiais para limpeza industrial” e “Materiais para manutenção de máquinas e equipamentos”, mas as referidas matérias tiveram o seu provimento reconhecido pela DRJ, o que leva ao não conhecimento das alegações presente recurso a respeito das citadas matérias por perda do objeto. Da mesma forma, não devem ser conhecidas as alegações quantos itens a seguir listados, inexistência de objeto, uma vez que tais itens sequer fizeram parte das glosas operadas pela Autoridade Fiscal no período de apuração ora analisado, além de tais temáticas só virem a ser abordadas em sede de recurso voluntário, o que também levaria ao reconhecimento de preclusão: glosa de “produtos sujeitos à tributação monofásica”, bem como no item “correção de valores” e “itens dados em comodato”, “bens e serviços adquiridos como insumos”, energia elétrica”, locação de veículos”, “fretes”, “devoluções”, “documentos não apresentados”, “imobilizado”, assim como sobre os créditos presumidos. Antes de entrar na análise do mérito, cabe esclarecer que a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado na forma de cooperativa que tem como atividades precípuas o beneficiamento e industrialização de diversos produtos da agroindústria, tais como: arroz, milho, soja, trigo, aveia, farinha de trigo, rações (aves, bovinos, suínos, etc), carnes e miúdos (bovinos, suínos), etc. Feitas essas breves considerações para a contextualização do caso, passa-se à análise das matérias que permaneceram controversas Créditos apurados sobre a aquisição de bens para revenda Neste tópico, a Fiscalização afirma que o Contribuinte solicitou ressarcimento de créditos na aquisição de bens para revenda de produtos tributáveis na saída, o que não possui amparo legal. Irresignada, a Recorrente aduz, em sua defesa, que os atos cooperados configuram-se em hipótese de não incidência, assim, as mercadorias que entram com tributação e posteriormente são “comercializadas” com os cooperados NÃO SÃO TRIBUTADAS, posto que se referem a operações de ato cooperativo. Fl. 223DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 5 Assim, as operações realizadas entre os associados e a sociedade cooperativa, e entre esta e aqueles, não representam negócio mercantil, pois não há como fazer negócio mercantil consigo mesmo, não há como realizar operação de compra e venda com a mesma pessoa. Sem razão à Recorrente. Como se sabe, as cooperativas de consumo são organizações sem fins lucrativos que unem pessoas interessadas em comprar ou obter determinados produtos e serviços a um preço mais baixo. Ao atuar com a revenda de produtos a associados e terceiros, quais sejam, máquinas e implementos agrícolas, a Recorrente pratica atividades típicas de cooperativas de consumo. Tais atividades de revenda, inclusive, estão previstas no seu estatuto social, constante dos autos, no qual consta ser uma cooperativa de produção e de consumo que exerce no cumprimento dos seus objetivos sociais, as seguintes atividades ligadas a consumo: Art. 7° - Para a consecução de seus objetivos a Cotriel deverá: (...) III - Adquirir, na medida do possível, e em que o interesse social aconselhar, gêneros, artigos de uso doméstico e pessoal para fornecimento a seus associados, assim como implementos, máquinas, defensivos, fertilizantes, matéria prima, etc., nos mercados locais, nacionais ou internacionais; (...) V - Comercializar combustíveis, lubrificantes e produtos afins; VI - Comercializar gás liquefeito de petróleo - GLP; (...) (negrito nosso) Não restando dúvida que a cooperativa também se constitui como cooperativa mista de produção e de consumo, uma vez que pratica atividades típicas dessa última modalidade, deve-se apurar a sua forma de tributação quando atua como cooperativa de consumo. Há dispositivo legal expresso em vigor que estabelece que essas entidades devem ser tributadas de acordo com as mesmas regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Veja-se: Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 Art. 69. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitam-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 6 A lei ao estabelecer o termo “consumidores” não faz qualquer distinção entre vendas a associados ou não associados, o que leva a conclusão de que ambas têm o mesmo tratamento quanto à tributação. Nesse sentido, algumas normas expedidas pela Secretaria Receita Federal confirmam esse entendimento, como abaixo exemplificadas: ADN COSIT 04/99: O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF No 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista o disposto no art. 69 da Lei No 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: a) não se aplica às sociedades cooperativas mistas o disposto no art. 69 da Lei No 9.532/97, que estabelece tratamento tributário para as sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores; b) o termo "consumidores", referido no art. 69 da Lei No 9.532/97, abrange tanto os não-associados como também os associados das sociedades cooperativas de consumo. IN SRF N. 390/04: Art. 7º As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e o fornecimento de bens aos consumidores, sujeitam-se às mesmas normas de incidência da CSLL aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Parágrafo único. O termo " consumidores" , referido no caput, abrange tanto os não-cooperados, quanto os cooperados das sociedades cooperativas de consumo. (negritos nossos) Portanto, as receitas decorrentes de revenda de produtos realizadas pelas cooperativas de consumo a consumidores (associados e não associados) devem ser tributadas de acordo com as mesmas regras das demais pessoas jurídicas. As decisões recentes do CARF são uníssonas quanto a esse entendimento, como exemplificam as seguintes ementas: COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitam-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (Acórdão nº1302-006.824-Primeira Seção de Julgamento/ 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira, sessão de 18 de julho de 2023) SOCIEDADES COOPERATIVAS MISTAS. AGROPECUÁRIAS E DE CONSUMO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO Fl. 225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 7 As sociedades cooperativas mistas, agropecuárias e de consumo, quando agem como Cooperativa de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, mesmo que estes sejam seus associados, sujeitando-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas, conforme artigo 69 da Lei n. 9.537/97, não se lhes aplicando as disposições constantes no artigo 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. (Acórdão nº 3301-012.724, – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 28 de junho de 2023, relatoria da conselheira Jucélia de Souza Lima) Conclui-se, assim, que as revendas da cooperativa mista em comento são tributas no mercado interno, o que inviabiliza o ressarcimento dos créditos a elas ligadas nas aquisições por falta de amparo legal. Diante do exposto, mantém-se assim a decisão recorrida. Conceito de insumo No que concerne aos bens e serviços utilizados como insumos, a Recorrente sustenta que a glosa de créditos efetuadas pela Autoridade Fiscal e algumas ratificadas pelos julgadores da DRJ, em igual sentido, ancoraram-se em uma interpretação restritiva do conceito de “insumo” para PIS e COFINS, a qual não se coaduna com o princípio da não cumulatividade previsto no parágrafo 12 do artigo 195 da Constituição Federal, a exemplo da posição de expoentes da Doutrina e dos mais recentes julgados proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Para melhor compreensão da matérias envolvidas, por oportuno, deve-se apresentar preliminarmente a delimitação do conceito de insumo hodiernamente aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP) e em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, com o objetivo de se saber quais são os insumos que conferem ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Após intensos debates ocorridos nas turmas colegiadas do CARF, a maioria dos Conselheiros adotou uma posição intermediária quanto ao alcance do conceito de insumo, não tão restritivo quanto o presente na legislação de IPI e não excessivamente alargado como aquele presente na legislação de IRPJ. Nessa direção, a maioria dos Conselheiros têm aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que eles sejam empregados indiretamente. Transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos deste Colegiado que referendam o entendimento adotado quanto ao conceito de insumo: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Fl. 226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 8 No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. (Acórdão 3402-003.169, Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim, sessão de 20.jul.2016) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...). (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Essa questão também já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo que se amolda aquele que vinha sendo usado pelas turmas do CARF, tendo como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a ementa do julgado que expressa o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto Fl. 227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 9 compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Vale reproduzir o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, para se decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS não- cumulativo é necessário que cada item reivindicado como insumo seja analisado em consonância com o conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e/ou relevância definidos pelo STJ, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, para então se definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Embora o referido Acórdão do STJ não tenha transitado em julgado, de forma que, pelo Regimento Interno do CARF, ainda não vincularia os membros do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF1, com a aprovação da dispensa de contestação e 1 Portaria Conjunta PGFN /RFB nº1, de 12 de fevereiro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 17/02/2014, seção 1, página 20) Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543-B e 543-C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. Fl. 228DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 10 recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, 2 c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. § 5º Havendo pedido de modulação de efeitos da decisão, a PGFN comunicará à RFB o seu resultado, detalhando o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. (...) 2 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do Procurador- Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III -(VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 229DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 11 para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. No caso concreto, observa-se que o Auditor Fiscal aplicou integralmente o conceito mais restritivo aos insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB (Instruções Normativas da SRF ns.247/2002 e 404/2004), já declarados ilegais pela decisão do STJ sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015). A instância a quo, no entanto, em vista da decisão no REsp nº 1.221.170/PR, balizou o seu julgamento no conceito de insumo fundado nos critérios da essencialidade e relevância. Feitas essas breves considerações que facilitarão o entendimento das matérias em debate quanto aos insumos, passa-se à análise das glosas remanescentes de créditos de insumos. Vestuário e EPI A Fiscalização, utilizando-se do conceito restritivo de insumos, operou a glosa de créditos de aquisições de vestuário e EPI. O instância a quo admite que tais bens podem ser considerados insumo do processo produtivo de acordo com os critérios da essencialidade e relevância, mas negou provimento ao recurso porque supostamente não havia demonstração nos autos da utilização dos citados bens na área produtiva. Nesse ponto, entendo que a glosa deve ser revertida, haja vista que em nenhum momento no desenvolvimento do trabalho fiscal o Auditor põe em dúvida se tais bens não sejam aplicados no processo produtivo da empresa, apenas nega o crédito devido ao conceito restritivo de insumo, pelo fato de tais bens não serem aplicados diretamente no processo produtivo. Além disso, sabe-se que a indústria de produção de alimentos é altamente regulamenta pelos órgão sanitários que exigem extremo cuidado a fim de manter a higiene e evitar contaminação dos alimentos industrializados, com utilização de vestimentas especiais, até por determinação legal. Fl. 230DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 12 Da mesma forma, há exigência de normas trabalhistas para o uso de EPIs para a sua utilização nesse ramo de atividade. Conclui-se, assim, que pelos critérios da essencialidade ou relevância as aquisições de vestimentas e EPIs devem ser considerados insumos do processo produtivo. Portanto, deve ser revertida a glosa em comento. Materiais de operação Conforme informado pela Recorrente, tratam-se de materiais utilizados e consumidos na operacionalização das atividades da Impugnante. Como exemplo, cita os formulários, materiais para impressão, materiais para registros das operações, etc.. Como se percebe, os referidos materiais se caracterizam como de uso e consumo em atividade tipicamente administrativa, não se constituindo, por isso, em insumo utilizado no processo produtivo desenvolvido pela empresa de acordo com os critérios da essencialidade e relevância.. Mantém-se assim a glosa. Da correção monetária pela taxa SELIC aos créditos não reconhecidos pelo despacho decisório Essa correção, recentemente, foi admitida pela Secretária da Receita Federal, por meio da Nota Codar nº 22/2021, que trata da aplicação da Selic aos pedidos de ressarcimento e não compensação de ofício de débitos parcelados a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, conforme trecho abaixo transcrito: O SIEF Processos passa também a aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos. Desta feita, o Contribuinte faz jus à correção pela SELIC nos termos estabelecidos na Nota Codar nº 22/2021. Pedido de diligência e perícia Por fim, o pedido de diligência deve ser indeferido haja vista que já constam nos autos elementos suficientes a fim de se decidir a respeito da questão as matérias de mérito quanto a tributação de receitas de revendas de cooperativas de consumo e dedutibilidade de custos como insumos do processo produtivo. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das argumentações relativas a “materiais para limpeza industrial”, “materiais para manutenção de máquinas e equipamentos”, glosa de “produtos Fl. 231DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.566 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11030.900056/2015-10 13 sujeitos à tributação monofásica”, bem como no item “correção de valores” e “itens dados em comodato”, “bens e serviços adquiridos como insumos”, “energia elétrica”, “locação de veículos”, “fretes”, “devoluções”, “documentos não apresentados”, “imobilizado”, assim como glosa sobre os créditos presumidos. Na parte conhecida, para dar provimento parcial ao recurso voluntário a fim de reverter as glosas de créditos de vestimentas e EPIs, bem como aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de PIS e Cofins, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, nos termos da Nota CODAR 22/2021. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das argumentações relativas a “materiais para limpeza industrial”, “materiais para manutenção de máquinas e equipamentos”, glosa de “produtos sujeitos à tributação monofásica”, bem como no item “correção de valores” e “itens dados em comodato”, “bens e serviços adquiridos como insumos”, “energia elétrica”, “locação de veículos”, “fretes”, “devoluções”, “documentos não apresentados”, “imobilizado”, assim como glosa sobre os créditos presumidos, e, na parte conhecida, para dar provimento parcial ao recurso voluntário a fim de reverter as glosas de créditos de vestimentas e EPIs, bem como aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de PIS e Cofins, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, nos termos da Nota CODAR 22/2021. (Documento Assinado Digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 232DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.725749/2017-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2012 a 28/02/2017
CONHECIMENTO. CONCOMITÂNCIA.
Súmula CARF nº1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CONHECIMENTO. PRELIMINARES. CONCOMITÂNCIA.
Havendo alegações preliminares não atingidas pela concomitância, estas devem ser conhecidas.
CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento de defesa tendo o contribuinte exercido plenamente seu direito ao contraditório e ampla defesa em todas as fases processuais.
Numero da decisão: 2302-003.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de mérito, por concomitância. Na parte conhecida, afastar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso.
Sala de Sessões, em 3 de outubro de 2024.
Assinado Digitalmente
Alfredo Jorge Madeira Rosa – Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Freitas de Souza Costa, Honorio Albuquerque de Brito (substituto[a] integral), Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Mario Hermes Soares Campos (substituto[a]integral), Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Alfredo Jorge Madeira Rosa (Presidente). Ausente o conselheiro(a) Johnny Wilson Araujo Cavalcanti, substituído pelo conselheiro Mario Hermes Soares Campos.
Nome do relator: ALFREDO JORGE MADEIRA ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2012 a 28/02/2017 CONHECIMENTO. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONHECIMENTO. PRELIMINARES. CONCOMITÂNCIA. Havendo alegações preliminares não atingidas pela concomitância, estas devem ser conhecidas. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa tendo o contribuinte exercido plenamente seu direito ao contraditório e ampla defesa em todas as fases processuais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de mérito, por concomitância. Na parte conhecida, afastar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso. Sala de Sessões, em 3 de outubro de 2024. Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa – Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Freitas de Souza Costa, Honorio Albuquerque de Brito (substituto[a] integral), Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Mario Hermes Soares Campos (substituto[a]integral), Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Alfredo Jorge Madeira Rosa (Presidente). Ausente o conselheiro(a) Johnny Wilson Araujo Cavalcanti, substituído pelo conselheiro Mario Hermes Soares Campos.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2012 a 28/02/2017 CONHECIMENTO. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONHECIMENTO. PRELIMINARES. CONCOMITÂNCIA. Havendo alegações preliminares não atingidas pela concomitância, estas devem ser conhecidas. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa tendo o contribuinte exercido plenamente seu direito ao contraditório e ampla defesa em todas as fases processuais. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de mérito, por concomitância. Na parte conhecida, afastar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso. Fl. 1996DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 2 Sala de Sessões, em 3 de outubro de 2024. Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa – Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Freitas de Souza Costa, Honorio Albuquerque de Brito (substituto[a] integral), Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Mario Hermes Soares Campos (substituto[a]integral), Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Alfredo Jorge Madeira Rosa (Presidente). Ausente o conselheiro(a) Johnny Wilson Araujo Cavalcanti, substituído pelo conselheiro Mario Hermes Soares Campos. RELATÓRIO Trata-se de processo que iniciou com auditoria de conformidade de compensações de contribuições previdenciárias. Os encontros ou acertos de contas em exame foram realizados pelo sujeito passivo, ou pessoas jurídicas por ele incorporadas, nas GFIP dos meses de maio de 2012 a fevereiro de 2017. Os débitos compensados perfazem um montante de R$ 32.454.629,02 de principal. O Despacho Decisório nº 258/2017/Serviço de Orientação e Análise Tributária/DRF/PCA/SP não reconheceu o direito creditório invocado nas compensações efetuadas em GFIP nas competências de maio de 2012 a fevereiro de 2017 e, por conseguinte, não foram homologados os referidos encontros de contas. Segue abaixo relatório do acórdão recorrido. Trata-se de manifestação de inconformidade interposta contra o Despacho Decisório nº 258/2017/SEORT/DRF/PCA/SP, fls. 241/245, ementa abaixo transcrita, que não reconheceu o direito creditório apurado nas compensações de contribuições previdenciárias declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social/GFIP, no período compreendido de maio de 2012 a fevereiro de 2017, no importe de R$ 32.454.629,02 (valor principal) e determinou a cobrança dos valores correspondentes: AUDITORIA DE CONFORMIDADE SOBRE AS GFIP. REQUISIÇÃO DE DETALHES DA ORIGEM DO DIREITO DE CRÉDITO UTILIZADO NOS ENCONTROS OU ACERTOS DE CONTAS. RESPOSTA: AÇÕES JUDICIAIS E CONTRIBUIÇÕES SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. SOLICITAÇÃO DE MAIS DADOS. FALTA DE RESPOSTA.INADMISSIBILIDADE. DÉBITOS EXIGÍVEIS. Fl. 1997DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 3 As contribuições previdenciárias somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por força do artigo 89 da Lei nº 8.212/1991. Além disso, a autoridade competente para decidir sobre a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito de crédito à apresentação de comprovantes haja vista o artigo 107-A da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. A falta de resposta à demanda por provas implica a glosa dos créditos correspondentes para resguardar os interesses da Fazenda Nacional. A retirada dos haveres conduz à invalidade das compensações e conseqüente cobrança dos respectivos débitos. Direito de crédito não reconhecido. Compensações não homologadas. Segundo consta do Despacho Decisório, as compensações foram realizadas pelo sujeito passivo e/ou pessoas jurídicas por ele incorporadas, conforme demonstrativo de fls.04/53 (Compensações declaradas em GFIP). O contribuinte foi intimado a detalhar a origem dos créditos utilizados para extinguir seus débitos confessados em GFIP sob condição resolutória e, em resposta, afirmou que os direitos creditórios advêm em síntese de ações judiciais e contribuições previdenciárias incidentes sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho. Segundo a fiscalização, alguns números identificadores dos mandados de segurança não puderam ser confirmados nos sítios eletrônicos do Poder Judiciário, além disso, o contribuinte não especificou o período durante o qual houve recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre adimplemento de contratos com cooperativas de trabalho. Intimado a complementar sua resposta, o contribuinte nada apresentou. A fiscalização juntou extratos dos mandados de segurança nos quais o sujeito passivo fundamenta seu crédito, fls. 177/223, ressaltando que as ações ainda não transitaram em julgado, logo, não poderia ter se creditado das importâncias em debate judicial, conforme determina o artigo 170-A do Código Tributário Nacional. Descreve a fiscalização os normativos que disciplinam a compensação de contribuições previdenciárias, dentre estes o artigo 89 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, art. 56 a 59 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, os fundamentos legais para a auditoria (art. 2º da Lei nº 11.457/2007, o artigo 6º, inciso I e alínea b, da Lei nº 10.593/2002), a aplicação do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional no caso de crédito tributário confessado em GFIP. Passa a examinar o prazo de decadência para se homologar o encontro ou acerto de contas, afirmando que não se aplica o período previsto no artigo 74, § Fl. 1998DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 4 5º1, da Lei nº 9.430/1996 por força do parágrafo único do artigo 26 da Lei nº 11.457/2007. Em relação a contribuição previdenciária a cargo da empresa, à alíquota de 15%, incidente sobre o valor bruto de nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperativas de trabalho, prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991, o contribuinte poderia ter se compensado das importâncias recolhidas, pois declarada a inconstitucionalidade da referida exação, contudo, deveria comprovar o período e o montante de recolhimento para permitir a conferência da liquidez e certeza dos haveres, o que não ocorreu. Conseqüentemente, os valores compensados indevidamente foram glosados com fundamento no artigo 89, § 9º da Lei nº 8.212/91 e exigidos com os acréscimos legais, conforme discriminado na planilha de fls. 246/247. (...) Da Manifestação de Inconformidade Após ciência do Despacho Decisório nº 258/2017/SEORT/DRF/PCA/SP por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, em 28/04/2017, fls. 252, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 255/265, alegando em síntese o que segue. Esclarece que constituiu créditos tributários de contribuições pagas indevidamente referentes a retenção de 11% aos segurados autônomos, retenção de 15% sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho através de seus cooperados, contribuição incidente sobre o adicional de 1/3 pago a título de férias e também incidente sobre o auxílio doença. Sustenta que o crédito referente à contribuição incidente sobre o valor pago por serviços prestados por profissionais da área de saúde autônomos aos seus contratados tem origem no Mandado de Segurança com Liminar nº 0017701- 31.2013.4.03.6100 e entendimento consolidado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Em relação ao crédito decorrente da retenção de 15% sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho através de seus cooperados, o Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 595.838/SP declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei de custeio previdenciário. Quanto ao crédito referente à contribuição para o INSS incidente sobre o adicional de 1/3 pago a título de férias e também incidente sobre o auxílio doença, estas verbas não tem caráter salarial como já decidido pelo STJ no 1 Art.74 (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 1999DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 5 julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos. Argumenta que em relação a intimação fiscal para discriminação dos valores e competências em que recolhidas as contribuições a que alude o artigo 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, esta providência já havia sido tomada conforme consta no Anexo “A” da resposta ao Termo de Intimação SEORT 209/2017, que é um demonstrativo contábil mensal de todas as contribuições compensadas. Entende que houve ofensa ao princípio da verdade material pois a fiscalização ignorou a extensa planilha que demonstra, mês a mês, os créditos que se pretende compensar, além de não ter efetuado diligências e coletar provas suficientes para formar o seu convencimento, o que deve ser corrigido por esta Delegacia de Julgamento. Assevera que as provas do direito creditório já foram juntadas aos autos e, ainda que assim não fosse, deveria ser oportunizada a juntada de outras provas ou realização de diligências, o que não ocorreu, acrescentando que devido ao evidente cerceamento de defesa deve ser reformada a decisão arbitrária ou se determinar a conversão do julgamento em diligência, sanando o vício de nulidade do Despacho Decisório. Sustenta que diante da relevância da busca pela verdade material, o § 4º do inciso IV, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72 vem sendo flexibilizado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/CARF autorizando juntada de provas nas instâncias recursais, conforme decisões que colaciona, pleiteando a reforma de decisão recorrida. Em relação a inconstitucionalidade do artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, citando a Nota PGFN/CRJ nº 604/15, assevera que a ocorrência ou não do trânsito em julgado do mandado de segurança impetrado pela requerente não é motivo hábil a ensejar a glosa de tais créditos, por violar, por analogia, o disposto no art. 19, inciso IV, da Lei nº 10.522/02, sendo descabida a glosa da compensação diante da legitimidade do referido crédito. Transcreve a ementa de julgado do TRF da 3ª Região nos autos do Mandado de Segurança com Pedido Liminar nº 0017701-31.2013.4.03.6100, em que reconhecida a não incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago por serviços prestados por profissionais da área de saúde autônomos aos seus contratados, salientando que eventual recurso especial interposto pela União na referida ação judicial terá seguimento denegado em vista da jurisprudência pacífica quanto a referida não incidência, conforme transcreve dos julgados do STJ. Esclarece que a origem do crédito referente à contribuição para o INSS incidente sobre o terço constitucional de férias e também incidente sobre o auxílio doença, vem do entendimento do STJ pela não incidência sobre estas Fl. 2000DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 6 rubricas no julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957/RS pela sistemática dos recursos repetitivos. Ressalta que todas estas informações já constavam dos autos, juntando andamento dos processos judiciais (Doc. 2) concluindo pela legitimidade dos créditos, sendo a glosa de compensação arbitrária e ilegal. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial, pela juntada dos comprovantes que demonstram a origem dos créditos e, ainda, a produção de prova pericial ou a conversão do julgamento em diligência para apuração da verdade real dos que seja acolhida a Manifestação de Inconformidade para reformar o despacho decisório. Juntou documentos de fls. 266/351. Às fls. 384, Intimação nº 520/2017 de 20/06/2017, dando ciência da planilha consolidada dos débitos indevidamente compensados, discriminados de forma analítica e por CNPJ de matriz e filiais, reabrindo o prazo de 30 dias para eventual contestação da planilha apresentada de fls. 385/412. Em 19/07/2017, o contribuinte apresenta complemento à manifestação de inconformidade, fls. 525, requerendo a juntada de planilha (Doc. 01), com a discriminação dos valores pagos pela requerente e suas filiais a título da contribuição que se pretende compensar e a juntada das Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social/GFIP (Doc. 02), nas quais constam os valores discriminados no demonstrativo anexo como Doc. 01. Esclarece ainda que o demonstrativo e as GFIPs acostadas comprovam a origem parcial dos créditos que se pretende compensar, protestando pela produção e juntada posterior de provas referentes ao restante dos créditos discutidos em homenagem ao princípio da verdade material, reiterando o pleito formulado na manifestação inicial para que seja acolhido. Juntou Demonstrativo Cooperativas GNDI, fls. 526/608. Em petição de 11/10/2017, fls. 614/616, o contribuinte requer a juntada de documentação em complemento a apresentada e, ainda, devido ao princípio da verdade material e em face da lavratura do auto de infração processo 13888.723247/2017-68. Anexa documentação comprobatória referente a: 1) contribuição previdenciária sobre verbas indenizatórias – - Cópia Integral do Mandado de Segurança nº 0017601-18.2009.4.03.6100, por meio do qual fora obtida decisão em sede de Agravo de Instrumento, e, posteriormente, em análise exauriente, em julgamento definitivo do mandamus, afastando a incidência destes tributos, em consonância com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça/STJ, conforme acórdão também anexo; e – Fl. 2001DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 7 - Resumo mensal e planilha demonstrativa discriminando os créditos aproveitados conforme a decisão acima mencionada, em formato PDF e em planilha editável para Excel/Calc, caso não seja possível anexá-la ao processo em virtude de incompatibilidade técnica. 2) Contribuição referente a autônomos – - Cópia Integral do Mandado de Segurança nº 0016572-88.2013.403.6100 e outras ações, por meio dos quais foram obtidas decisões afastando a incidência destes tributos; - - Resumo mensal e planilha demonstrativa discriminando os créditos aproveitados conforme a decisão acima mencionada, em formato PDF e em planilha editável para Excel/Calc, caso não seja possível anexá-la ao processo em virtude de incompatibilidade técnica. Anexa ainda a defesa apresentada nos autos do Processo Administrativo nº 13888.723247/2017-68, formalizado em decorrência da lavratura de auto de infração de imposição de multa pela não homologação das compensações, cujas razões também são aplicáveis à presente demanda, dada a sua conexão, ressaltando que em relação aos créditos decorrentes da contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal de serviços de cooperativas de trabalho não houve interposição de ação judicial objetivando o reconhecimento a tal direito, sendo que já foram acostados demonstrativos analíticos e GFIP. Acrescenta que, não obstante os elementos probatórios já juntados aos autos, anexa planilha que organiza e sistematiza a origem e utilização dos valores individualmente pagos a título das contribuições previdenciárias aos autônomos e cooperados, reiterando o acolhimento da manifestação de inconformidade, colocando-se a disposição para esclarecimentos. Juntou documentos de fls. 617/1.188. Às fls. 1.189/1.190, Termo de Apensação dos processos nº 13888.723247/2017-68 (multa isolada) e nº 13888.723254/2017-60 (RFFP). Convertido o julgamento em diligência, mediante a Resolução nº 14-4.544, fls..1.191/1.198, a fiscalização se manifesta às fls. 1.664/1.669 e junta documentos de fls.1.199/1.663: (...) O contribuinte se manifesta sobre a diligência às fls. 1.676/1.688, reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade apresentada neste processo e no processo nº 13888.723247/2017-68, e acrescentando o que segue em síntese. Ponto 1 Decorrente da diligência fiscal foi instada a se manifestar sobre ações judiciais descritas no Termo de Intimação Fiscal 334/2018 (fls. 1.199/1.200), e, em Fl. 2002DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 8 resposta informou que as ações deveriam ser retificadas, sendo os números corretos os seguintes: Requer que os referidos processos sejam considerados, pois na diligência fiscal constou que a lista apresentada na intimação restou confirmada, quando na realidade foi retificada conforme acima. Em relação a manifestação da Procuradoria dando conta da inexistência de ações judiciais sobre contribuições a que aludem o artigo 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, em nome das empresas abaixo discriminadas, a impugnante confirma esta informação, ressaltando que os hospitais acima listados foram incorporados pela Notredame, conforme inclusive verificado pela fiscalização no quadro que segue após este: Informa que as datas da planilha acima conferem com exceção da data de incorporação da Seguradora Notredame que deve constar como sendo 31/03/2015. Discorre sobre o trâmite do RE 595.838 que declarou inconstitucional o inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/91, a Nota PGFN/CAST 174/2015, o Ato Declaratório Interpretativo nº 5 de 25/05/2015 que transcreve, argumentando que o direito de pleitear restituição ou compensação dos montantes recolhidos indevidamente está plenamente garantido, não fazendo sentido glosar referidos créditos sob a justificativa da verificação do trânsito em julgado dos mandados de segurança impetrados pela Notredame ou suas incorporadas. Neste sentido o entendimento expresso na Solução de Consulta COSIT 152 de 17/06/2015 que transcreve. Fl. 2003DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 9 Conclui que a glosa realizada com fundamento no artigo 170-A do CTN não pode subsistir, pois a ausência de trânsito em julgado não é motivo para impedir o direito de creditamento de recolhimento considerado inconstitucional, sendo nulo o Despacho Decisório e devendo as compensações ser consideradas homologadas. Ponto 2 Esclarece que apresentou demonstrativo indicando os valores pagos a título de contribuição previdenciária relativo aos serviços prestados pelas Cooperativas de Trabalho, acompanhado das GFIP e GPS que comprovam os valores retidos, em relação ao CNPJ/MF n°61.922.845/0001-29 e suas respectivas filiais, e ao CNPJ/MF n° 07.949.937/0001-57. Afirma que a fiscalização solicitou as notas fiscais emitidas em relação aos serviços prestados por todas as Cooperativas, para todas as empresas incorporadas pela manifestante, embora a DRJ não tivesse feito esta solicitação, ainda assim apresentou em 21/08/2018, por meio de petição protocolada via e- CAC, Notas Fiscais, por amostragem, relativas aos serviços prestados por Cooperativas de Trabalho ao CNPJ/MF n° 44.649.812/0001-38, o que pode ser comprovado por meio da petição acostada às fls. 1.426/1.446 do presente processo administrativo. Insurge-se contra as conclusões da fiscalização quanto às planilhas de fls. 526 e fls. 1.188 pois são mera opinião infundada, assim como a afirmação fiscal de que não teria apresentado diversas GFIP para fundamentar o direito creditório, pois sequer apontou de quais períodos tratariam essas supostas GFIP não entregues. Acrescenta que apresentou diversas GFIP e GPS, conforme comprovado às fls. 1.426/1.446 do presente processo, não merecendo ser considerada a informação fiscal neste ponto. Ainda a fiscalização não considerou os documentos entregues em mídia digital, mas reconheceu recolhimentos de contribuição previdenciária incidentes à alíquota de 15% sobre os serviços prestados por Cooperativa de Trabalho, fazendo jus a compensação do crédito sobre tal rubrica. Sustenta que a não homologação dos referidos créditos representa enriquecimento ilícito da União, tendo em vista que a incidência da contribuição previdenciária sobre serviços prestados por Cooperativa de Trabalho foi declarada inconstitucional. Ponto 3 Corrobora o entendimento da fiscalização de que estava em situação fiscal regular quando transmitiu as GFIP, em cumprimento ao artigo 44, § 1º da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época do Fl. 2004DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 10 início das compensações efetuadas e ainda artigo 56, § 1º, da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de novembro de 2012 que a sucedeu. Ponto 4 Em relação ao Processo Administrativo n° 13388.723247/2017-68 (multa isolada), apensado ao presente processo, a fiscalização informou que o processo judicial n° 0007619-04.2014.4.03.6100, cujo objeto é a discussão sobre a retenção na fonte de contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados aos profissionais autônomos, de acordo com o que determina o artigo 22, inciso III, da Lei n° 8.212/1991, encontra-se sobrestado. Esclarece que referido processo já foi julgado pelo STJ que deu provimento ao Recurso Especial em decisão monocrática, para declarar o direito de proceder com a compensação das contribuições previdenciárias para terceiros ou fundos com tributo de mesma espécie e destinação constitucional, conforme ementa que transcreve. Informa que apesar de ter obtido provimento jurisdicional favorável a ensejar a suspensão da exigibilidade dos tributos, e o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos nos 5 anos anteriores ao ajuizamento das respectivas ações mandamentais, não realizou qualquer tipo de compensação. Explana sobre o critério adotado para a adequação das folhas de pagamento e GFIP frente as decisões judiciais, declarando integralmente os valores de recolhimento na fonte relativo aos serviços prestados pelos autônomos, reconhecidos pela medida judicial na GFIP, conforme determina o manual e, na mesma GFIP em que declarados tais valores, realizar um lançamento a crédito correspondente, integralmente, aos valores suspensos por decisão judicial. Ou seja, não há efetivamente nenhuma compensação de crédito preexistente ao momento da apuração da GFIP, sequer a constituição de crédito tributário, tão pouco o recolhimento de tributo no momento em que ajustou, na mesma competência, os valores declarados em GFIP. Ressalta que a conclusão da fiscalização deve ser afastada, pois não há “encontro ou acerto de contas com eventuais créditos oriundos desse processo judicial”, visto que o artigo 170-A do CTN não se amolda à situação dos autos. Pleiteia o provimento das defesas, com a homologação das compensações declaradas em GFIP e o cancelamento do auto de infração referente a multa isolada. Juntou documentos, fls. 1.693/1.703. Vieram os autos conclusos a julgamento. É o Relatório. Fl. 2005DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 11 A 12ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, decidiu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a glosa de compensação efetivada. O acórdão apresentou a seguinte ementa. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. A compensação pressupõe a preexistência do direito líquido e certo ao crédito apto a extinguir a obrigação tributária. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PREVISTA NO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI 8.212/91. MATÉRIA VINCULANTE. AÇÃO JUDICIAL PRÓPRIA. TRÂNSITO EM JULGADO. REQUISITO. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontra-se vinculada aos entendimentos desfavoráveis à Fazenda Nacional firmados sob a sistemática de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou de recurso especial repetitivo, a partir da ciência da Nota Explicativa da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014. Em regra, a jurisprudência vinculante autoriza a restituição ou compensação administrativas de tributos recolhidos indevidamente, observados os prazos e procedimentos estabelecidos na legislação. Não obstante, na hipótese em que o direito é postulado mediante ação judicial própria, o contribuinte deve aguardar o trânsito em julgado da decisão judicial, a fim de proceder à execução judicial ou à compensação administrativa. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA AÇÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. As provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo demonstradas as hipóteses de exceções legais. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia deve ser motivado e acompanhado dos quesitos necessários para o exame da matéria, sob pena de seu indeferimento. Manifestação de Inconformidade Fl. 2006DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 12 Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário tempestivamente no qual se alega: - preliminarmente, a necessidade de Julgamento em Conjunto com o Processo Administrativo nº 13888.723247/2017-68 ; - violação ao Princípio da Verdade Material e preterição do direito de defesa; - legitimidade dos créditos; - homologação tácita das compensações realizadas até 28/04/2012, tendo em vista que o Despacho Decisório foi emitido em 28/04/2017. É o relatório. VOTO Conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa, Relator CONHECIMENTO O Recurso Voluntário é tempestivo, porém, dele conheço parcialmente. Não conheço das alegações de mérito em virtude do disposto na Súmula CARF nº1. Conheço das preliminares de nulidade, as quais serão tratadas no tópico seguinte. Súmula CARF nº 1 Aprovada pelo Pleno em 2006 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-93877, de 20/06/2002 Acórdão nº 103-21884, de 16/03/2005 Acórdão nº 105-14637, de 12/07/2004 Acórdão nº 107-06963, de 30/01/2003 Acórdão nº 108-07742, de 18/03/2004 Acórdão nº 201-77430, de 29/01/2004 Acórdão nº 201-77706, de 06/07/2004 Acórdão nº 202-15883, de 20/10/2004 Acórdão nº 201-78277, de 15/03/2005 Acórdão nº 201-78612, de 10/08/2005 Acórdão nº 303-30029, de 07/11/2001 Acórdão nº 301-31241, de 16/06/2004 Fl. 2007DF CARF MF Original https://carf.economia.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf https://carf.economia.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 13 Acórdão nº 302-36429, de 19/10/2004 Acórdão nº 303-31801, de 26/01/2005 Acórdão nº 301-31875, de 15/06/2005 Conforme consta dos autos, o sujeito passivo apresentou compensações de contribuições previdenciárias fundadas em ações judiciais que contemplavam o mesmo objeto, haja vista que, dentre os pedidos feitos à justiça, há também o pedido de compensação dos valores reconhecidos pela justiça como indevidamente recolhidos (e-fls. 177/223, ex.: e-fl.189). Segue quadro exemplificativo por temas: i) Contribuição referente a autônomos Ações: - 0017701-31.2013.4.03.6100; - 0016572-88.2013.403.6100; - 0007619-04.2014.4.03.6100. ii) Contribuição previdenciária sobre verbas indenizatórias Ação nº 0017601-18.2009.4.03.6100 iii) Cooperativas de Trabalho Ações: - 0015056-62.2015.4.03.6100; - 0015057-47.2015.4.03.6100; - 0015058-32.2015.4.03.6100 A referida concomitância foi constatada pela fiscalização em sua Informação Fiscal (e.fls.1664/1669), bem como reconhecida pelo contribuinte em sua Resposta à Intimação (e.fls.1676/1688), das quais, respectivamente, destaco os trechos abaixo. 7. (...) Porém, cumpre enfatizar que a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Afirma equivocadamente o contribuinte à e-fl.1681: Ou seja, independentemente da existência de ações judiciais que versam sobre a matérias, as quais, justifica-se, foram apresentadas apenas com intuito conservador, o direito de pleitear restituição ou realizar compensações com os montantes recolhidos indevidamente está plenamente garantido. O próprio acórdão de DRJ menciona ação a ação, e explicita a questão da compensação dentro de cada objeto. Fl. 2008DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 14 Pelo exposto, e tudo mais que consta dos autos, identifica-se a presença de concomitância, sendo de aplicação obrigatória a Súmula CARF nº1. PRELIMINARES A alegação trazida de nulidade por cerceamento de defesa não pode prosperar. Como bem salienta o acórdão recorrido: Durante o procedimento fiscal o contribuinte foi intimado em duas ocasiões para discriminar a origem do direito de crédito empregado em compensações efetuadas em GFIP, somente apresentando planilha com os mesmos valores apurados pela fiscalização, valores estes extraídos das compensações declaradas em GFIP, e distribuiu-os entre rubricas que, segundo informado inicialmente, decorreriam de duas ações judiciais impetradas e ainda devido a declaração de inconstitucionalidade pelo STF no Recurso Extraordinário nº 595.838/SP. Como visto no decorrer deste voto, foram dadas várias oportunidades para que o contribuinte demonstrasse a origem dos supostos créditos levados à compensação em GFIP: durante o procedimento fiscal, com a manifestação de inconformidade e defesas complementares e ainda quando da diligência fiscal. No Recurso Voluntário o contribuinte afirma que: a Autoridade Fiscal simplesmente ignorou documentos apresentados que comprovam a legitimidade do crédito objeto nesses autos (e.g. planilha de fls. 152 a 176 dos autos que demonstra, mês a mês, os créditos que se pertence compensar). Aqui o recorrente deixa claro que a planilha apresentada às e.fls. 152/176 apenas relaciona os valores dos créditos que se pretendia compensar. A planilha foi entregue em resposta ao Termo de Intimação SEORT nº 209/2017, de 08/03/2017, que deixava clara a finalidade da intimação ao afirmar em seu texto que: a presente intimação visa a certificar que a liquidez e certeza das importâncias reivindicadas implicitamente como direito creditório nos encontros ou acertos de contas efetuados em GFIP (...) Vossa Senhoria deverá ser manifestar por escrito e oferecer provas idôneas de suas alegações e justificativas Por certo que a mera junção de uma planilha gerencial, cujos valores apresentados apenas faziam pontuais desmembramentos aos valores já de conhecimento da fiscalização, não seria capaz de demonstrar a liquidez e certeza dos créditos por ela apenas relacionados. A planilha Fl. 2009DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.882 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.725749/2017-13 15 apresentada faz suposta abertura de valores, sem nada comprovar. Cabe ao contribuinte demonstrar, de forma inequívoca, a liquidez e certeza de seu direito à compensação. O recorrente não foi hábil a demonstrar seu direito em nenhuma das repetidas oportunidades que teve de fazê-lo, conforme minudentemente informou e esclareceu o acórdão recorrido. A defesa não foi cerceada. A despeito dos esforços da administração tributária, ao expedir repetidas intimações e realizar diligência, em busca da verdade material, não há como a administração suprir a deficiência probatória da defesa em um processo de compensação de contribuições previdenciárias. Se equivoca o recorrente ao afirmar que apresentou todos os documentos que comprovariam a existência do direito creditório, e que a DRJ que não os teria analisado. Tal afirmação não encontra respaldo nos autos. O contribuinte cita trecho da ementa do acórdão que trata da preclusão quanto à entrega de provas extemporaneamente. Trata-se de mera informação de dispositivo legal. Ademais, não houve documento algum não acatado pela DRJ sob fundamento de preclusão. Afasto a preliminar de cerceamento de defesa. CONCLUSÃO Voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de mérito, por concomitância. Na parte conhecida, afastar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa Fl. 2010DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923846/2012-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2008
NÃO-CUMULATIVIDADE - CREDITAMENTO - IMPOSSIBILIDADE.
A partir de 01 de maio de 2004, é vedado às empresas comerciais exportadoras aproveitar os créditos relativos aos insumos adquiridos para fins de exportação, conforme se verifica na disposição constante do art. 6º, § 4º, combinado com art. 15, III, todos da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-015.686
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que votou pelo provimento.
(documento assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2008 NÃO-CUMULATIVIDADE - CREDITAMENTO - IMPOSSIBILIDADE. A partir de 01 de maio de 2004, é vedado às empresas comerciais exportadoras aproveitar os créditos relativos aos insumos adquiridos para fins de exportação, conforme se verifica na disposição constante do art. 6º, § 4º, combinado com art. 15, III, todos da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que votou pelo provimento. (documento assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pelo sujeito passivo, em face do Acórdão nº 3402-009.832, de 15 de dezembro de 2021, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 38 46 /2 01 2- 57 Fl. 774DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-015.686 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.923846/2012-57 DESPESAS DE FRETES. MERCADORIA ADQUIRIDA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO. VEDAÇÃO LEGAL. É expressamente vedado pela legislação tributária o aproveitamento de crédito do PIS não cumulativo, calculado sobre os custos de aquisições de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por parte da comercial exportadora. O mesmo tratamento deve ser aplicado sobre os respectivos fretes e demais despesas, somente sendo admitido o creditamento em operações de exportação de produtos próprios.. O sujeito passivo alega, em brevíssima síntese, divergência de interpretação da legislação tributária referente ao direito à tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas de frete e armazenagem nas operações de venda de empresas comerciais exportadoras. O recurso especial foi admitido e a Fazenda Pública apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo, a matéria foi prequestionada e identifico a divergência jurisprudencial. Saliente-se que a Fazenda Nacional não apresentou, em contrarrazões, óbice ao conhecimento do recurso especial Mérito A lide posta nos autos se restringe a definir se a vedação prevista no § 4° do art. 6° da Lei nº 10.833, de 2003, abrange as despesas de frete e armazenagem nas operações de venda de empresas comerciais exportadoras. Para enfrentar essa celeuma, é de bom alvitre uma rápida passagem histórica sobre o nascimento da não-cumulatividade dessas exações. A não-cumulatividade do PIS e da COFINS, sem restrições ao direito de se apropriar créditos, foi elevada à categoria de princípio constitucional em 01/01/2004, com a inclusão do parágrafo 12 no art. 195 da CF/88, por meio da Emenda 42/03. Implementar efetivamente a não-cumulatividade para essas contribuições implica tributar apenas o valor que é agregado ao longo de uma cadeia produção-consumo. Dentre os diversos métodos de tributação do valor agregado existentes, o Poder Executivo elegeu o método indireto subtrativo na própria exposição de motivos que acompanhou a proposta que resultou na edição da MP 135/03, eleição essa avalizada mais tarde pelo Poder Legislativo ao convertê-la na Lei 10.833/03. Indireto subtrativo é o método segundo o qual o valor do tributo devido é resultado da diferença entre o valor apurado pela alíquota aplicada sobre as vendas e o valor apurado pela alíquota aplicada sobre as compras. Fl. 775DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-015.686 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.923846/2012-57 Em um primeiro momento, foi criada a Contribuição para o PIS/Pasep não- cumulativa, mediante a edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, a qual veio a ser convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Atendida a anterioridade mitigada (90 dias), a nova forma de incidência passou a ser aplicada para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/12/2002. Posteriormente, estendeu-se a não-cumulatividade para a Cofins, por meio da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, que veio a ser convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Considerando-se a anterioridade nonagesimal, a Cofins não- cumulativa passou a ser aplicada para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/02/2004. As Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 - instituidoras da cobrança não-cumulativa do PIS e da COFINS -, ambas no art. 3º, preveem a possibilidade de o contribuinte calcular créditos em relação ao valor da aquisição de insumos, valendo-se das mesmas alíquotas aplicáveis na determinação dos débitos sobre o valor do faturamento. Como dito alhures, a sistemática de apuração das contribuições no regime não- cumulativo consiste em permitir ao sujeito passivo descontar, da contribuição apurada, créditos referentes à aquisição de mercadorias e/ou insumos e outros encargos e despesas, previstos em lei, relacionados às atividades desenvolvidas pela Pessoa Jurídica. Ressalte-se que as operações praticadas pela pessoa jurídica que permitem a constituição de créditos da não-cumulatividade são apenas as que estão estritamente especificadas na legislação tributária, não sendo permitido o creditamento sobre aquisição de bens ou serviços que não tenha previsão legal, mesmo havendo incidência tributária de PIS e Cofins quando de sua aquisição. Até 31/07/04, era irrelevante saber se o valor dos insumos adquiridos estava ou não sujeito às incidências desses tributos, na hipótese de aquisição de pessoas jurídicas domiciliadas no País. Entretanto, a contar de 01/08/04, a Lei 10.865/04, alterando substancialmente o § 2º do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, vedou o aproveitamento de créditos em relação ao valor de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento de PIS e COFINS, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumos em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não-tributados. Com efeito, essa vedação atingiu, indistintamente, os insumos não tributados e os sujeitos à alíquota zero e, parcialmente, os isentos. Após essa breve digressão, retornando aos autos, o primeiro ponto a ser analisado diz respeito às atividades da recorrente. O fisco entende que são típicas de “empresas comerciais exportadoras”, no entanto, o contribuinte não se considera como tal. A meu sentir é se suma importância conhecermos o que vem a ser uma “empresa comercial exportadora”. As micro e pequenas empresas brasileiras nos últimos anos vem obtendo um aumento em suas exportações que, mesmo sendo em termos absolutos ainda pequeno, já demonstra uma maior vontade por parte de seus empresários a aumentar suas vendas com o mercado externo. Muito se deve às atitudes tomadas pelo governo com a criação de meios que facilitam e desburocratizam os processos necessários para tal feito. Não se pode olvidar que essas empresas possuem uma certa dificuldade em atuar no mercado internacional, muitas vezes por não possuírem estrutura logística, departamento Fl. 776DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-015.686 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.923846/2012-57 capacitado ou até mesmo pela dificuldade ao acesso dos programas de incentivo à exportação do governo e de iniciativas privadas, podendo, portanto, contar com o trabalho realizado pelas trading companies e comerciais exportadoras. Como isso funciona? Ao receber um pedido de exportação de mercadorias de sua produção, por muitas vezes a empresa fabricante não está preparada ou não tem condições de exportá-lo, por qualquer motivo. A empresa produtora poderá optar por não efetuar exportações diretamente, utilizando uma terceira empresa para processar suas vendas ao exterior. A modalidade de exportação através de uma terceira empresa se chama “Exportação Indireta”, ou “Exportação via Interveniente”, e tem um tratamento especial, que vamos aqui tratar. A empresa produtora efetua, então, a venda no mercado interno, com o fim específico de exportação, a uma empresa comercial, que se encarregará de exportá-la, atuando como interveniente na operação. Portanto, a operação de exportação indireta consiste na venda de produtos destinados à exportação, os quais saem do estabelecimento industrial ou comercial para empresas comerciais exportadoras, trading companies ou qualquer outra empresa habilitada a operar com o comércio exterior. A exportação indireta via empresas comerciais exportadoras, têm tratamento tributário diferenciado e as vendas realizadas para elas têm caráter de exportação direta. Dessa forma, o produtor/exportador conta com isenção de impostos e deixa de ter qualquer responsabilidade sobre a continuidade da operação. Além desse benefício, cito as seguintes vantagens: a) Gasto reduzido na comercialização do produto; b) Eliminação da pesquisa de mercado; c) Eliminação dos procedimentos burocráticos e seus custos, já que a documentação se resume à Nota Fiscal; d) Redução de riscos comerciais e de movimentação da mercadoria no exterior; e) Redução do custo financeiro decorrente das vendas a prazo, já que, via de regra, as comerciais exportadoras compram à vista; e f) Dedicação exclusiva à produção. Até pouco tempo, a empresa comercial exportadora e a trading companies se confundiam. Com o passar dos tempos, a União Federal permitiu que outras empresas tenham características típicas de comercial exportadora, proporcionando um registro equivalente quando seja realizada a primeira exportação ao exterior. Neste momento, as figuras de comercial exportadora e trading se dissociaram. Uma trading company deve ser constituída com base no Decreto-Lei nº 1.248/72, devendo obrigatoriamente ser S/A, ter capital social mínimo equivalente a 703.380 UFIR e obter registro especial para operar como trading na SECEX/MICT e SRF/MF. Por sua vez, uma empresa comercial exportadora tem sua constituição regida pela mesma legislação utilizada na abertura de qualquer empresa comercial ou industrial para operar no mercado interno, sem nenhuma exigência quanto a sua natureza, capital social ou registro especial. Fl. 777DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-015.686 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.923846/2012-57 As empresas comerciais exportadoras e as trading companies atuam como intermediárias na representação e comercialização de produtos entre Brasil e outros países. Têm como objetivo social a comercialização, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destiná-los à exportação, assim como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, atividades tipicamente de uma empresa comercial. Essas empresas proporcionam um grande fomento na área de comércio exterior, tanto no que se diz respeito aos trâmites legais de exportação, quanto no estudo de mercados, viabilidade econômica e a inserção de produtos de interesse para os mais variados mercados. Com essa pequena noção sobre “empresa comercial exportadora”, me atrevo a enfrentar o caso em epígrafe, e passo a analisar a aplicação das regras do PIS e COFINS não cumulativos no que concerne às empresas comerciais exportadoras. Não se pode olvidar que as receitas referentes às operações de exportação gozam de tratamento privilegiado, sobre as quais não incidem a contribuição para o PIS e a COFINS, em consonância com o disposto no art. 149 da Constituição Federal. A legislação que instituiu o regime de apuração não-cumulativo para o PIS e para a COFINS dispõe e relaciona as receitas não sujeitas à incidência das contribuições, quais sejam: receitas da exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas e vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Apesar das pessoas jurídicas que realizam operações de exportação não apurarem contribuições a recolher sobre as respectivas receitas auferidas, a legislação permite que sejam apurados créditos referentes às mercadorias, produtos e insumos adquiridos, bem como em relação às despesas e encargos incorridos para o auferimento da receita da exportação (desde que estas receitas, se auferidas no mercado interno, estivessem sujeitas ao regime não-cumulativo), nas mesmas regras, condições e limites aplicáveis aos créditos apurados sobre as receitas auferidas no mercado interno. Para a empresa comercial exportadora existe vedação legal expressa à apuração dos créditos relativos à Cofins, conforme se verifica na disposição constante do art. 6º, § 4º, extensiva à Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 15, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003, como segue: “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: ................................................................................................................... III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 778DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-015.686 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.923846/2012-57 § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. ................................................................................................................... Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: ................................................................................................................... III - nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; .................................................................................................................” Destarte, por força do disposto no § 4º do art. 6º e no inciso III do art. 15 da Lei nº 10.833, de 2003, conclui-se que não é permitida a utilização de créditos diretos e indiretos da Contribuição para o PIS e para a COFINS, vinculados às despesas efetuadas por pessoa jurídica comercial exportadora. Não obstante, devemos tomar cuidado com as datas de vigência das modificações trazidas pelas Leis nº 10.833/2003 e nº 10.856/2004, pois para a COFINS, a vedação acima retratada vale a partir de 01/02/2004, enquanto para o PIS, vale a partir de 01/05/2004. Os fatos geradores objeto da lide ora em análise ocorreram no ano-calendário de 2008, época que a vedação estava em vigência. No mesmo sentido, a título ilustrativo, esta E. Turma decidiu nos acórdãos 9303- 006.025, de 30/11/2017, 9303-008.444, de 16/04/2019, e 9303-008.553, de 14/05/2019. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso especial interposto pelo sujeito passivo e, no mérito, nego-lhe provimento. É como voto (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 779DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10850.000939/2001-14
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS E COFINS.
TRIBUTO RETIDO NA FONTE. A retenção de tributo na fonte corresponde a antecipação de pagamento podendo, tais valores, apenas ser compensados com débitos do mesmo tributo, relativo ao mesmo período de apuração. Não se trata de indébito tributário passível de restituição/compensação com quaisquer tributos administrados pela SRF, mas de antecipação de pagamento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-01.967
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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Segundo Conselho de Contribuintes ME-Segundo Conselho de Contribuintes Publicado no Diário Oficial da Uniria de (3 Processo n2 : 10850.000939/2001-14 Rubdca Recurso n : 135.081 Acórdão 112 : 204-01.967 Recorrente : INSTITUTO DE UROLOGIA E NEFROLOGIA S/C LTDA. Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP PIS E COFINS. TRIBUTO RETIDO NA FONTE. A reterção de tributo na fonte MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES corresponde a antecipação de pagamento podendo, tais valores, CONTE COM O ORIGINAL apenas ser compensados com débitos do mesmo tributo, relativoi Brasília O 3 O] ao mesmo período de apuração. Não se trata de indébito tributário passível de restituição/compensação com quaisquer • Necy =os Reis tributos administrados pela SRF, mas de antecipação de Mui Siaste 918(16 pagamento. Recurso negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de i ecurso interposto por INSTITUTO DE UROLOGIA E NEFROLOGIA S/C LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2006. —f H •—• • enfique Pinheiro Torre Presidente • Nav BastVRInanziL Relitora • Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, :Flávio de Sá Munhoz, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Leonardo Siade Manzan e Mauro Wasilewslci (Suplente). - „ . C'. i4SI:LHO DE CONTRIBUINTES 4' À a 22 CC-MF Ministério da Fazenda CAFENE COM O ORIGINAL Fl. .9,...710r, Segundo Conselho de Contribuintes . 2 I 0) Processo n2 : 10850.000939/2001-141 ire? Recurso n2 : 135.081 Neey Batista os Reis Mai Siápe 'URI* Acórdão n2 : 204-01.967 Recorrente : INSTITUTO DE UROLOGIA E NEFROLOGIA S/C LTDA. RELATÓRIO Trata o presente processo de solicitação de restituição de valores retidos por , órgãos públicos, nos valores de, respectivamente, R$ 52.681,99 e R$ 17.121,66, cumulado com pedido de compensação, uma vez que a empresa é optante pela tributação com base no lucro presumido. O pedido foi convertido em declaração de compensação. Instruiu o pedido planilha de cálculo e demonstrativos das faturas emitidas (fls. 03/75), comprovantes das importâncias recebidas e respectivas retenção do IRRF, Declaração de Rendimentos ano calendário de 1997, demonstrativo de retenção de tributos e contribuições por órgãos públicos (fls. 128/174). O despacho Decisório, fls. 175/178, reconheceu o direito creditório no valor de R$ 48.293,77, relativo à Cotins e R$ 4.001,75, relativo ao PIS. A glosa decorreu do fato de que os valores pleiteados foram superiores aos valores retidos a título do PIS e da Cofins, bem como pelo fato de a IN SRF 04/97, art. 5°, determinar que sejam compensados apenas tributos na mesma espécie, relativos a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que os valores pleiteados acham-se justificados pelo comprovante de retenção na fonte, bem como que as normas traçadas pela IN SRF 04/97 vão de encontro à legislação que regula a matéria. A referida IN SRF 04/97 teve vigência a partir de agosto de 1997, posterior, portanto às retenções em tela. A DRJ em Ribeirão Preto - SP manifestou-se no sentido de indeferir a solicitação. A contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo, alegando em sua defesa: 1. o direito creditório foi reconhecido no valor de R$ 48.293,77, relativo à Cofins, e R$ 4.001,75, relativo ao PIS, tcdavia foi-lhe negado o direito à• restituição/compensação sob a alegação de que não há nos autos comprovação do pagamento; 2. não há como se reconhecer direito creditório e denegar restituição/compensação destes mesmos valores, já que os documentos que comprovam o valor da retenção dos tributos encontram-se acostados aos autos; 3. a comprovação de pagamento na sistemática de retenção do tributo na fonte se dá com a nota fiscal na qual consta o valor do tributo devido e o valor retido, sendo este valor o pagamento; e 4. tendo a própria Administração Pública retido o tributo na fonte não pode ela própria denegar a restituição/compensa& deste tributo. É o relatório. • 4 Ministério da Fazenda • .S - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2E CC-MF Segundo Conselho de Conn-ibuint CONFERE COM () ORIGINAL FI. Brasilia. / O-1 I Processo n2 : 10850.00093912001-14 bzi Recurso n2 : 135.081 Necy Batista do(Reis Acórdão g : 204-01.967 Supt: I MO6 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANATTA O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. A teor do art. 64 da Lei n° 9430/96, é passível de compensação com tributo da mesma espécie o valor deste tributo retido na fonte por órgãos, autarquias e fundações da administração publica federal. Tal permissivo legal decorre do fato de que estas retenções são consideradas antecipações- de pagamento do tributo, conforme dispõe o § 3° do referido artigo 64. Art. 64: Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social • sobre o lucro liquido, da contribuição para seguridade social - COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1°A obrigação pela retenção ig do órgão ou entidade que efetuar apagamento. § 20 O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. § 3° -O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4° O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5° O imposto de renda a ser retido serei detenninado mediante a aplicação da aliquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6° O valor da contribuição social sobre o lucro liquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da aliquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7° O valor da contribuição para a seguridade social - COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da aliquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8' O valor da contribuição para o P1S/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da aliquota respectiva sobre o montante a ser pago. Da análise do referido dispositivo legal verifica-se que o que a lei fez foi permitir a compensação dos valores retidos na fonte com os valores devidos a título do mesmo tributo, no mesmo período de apuração, já que os valores retidos são considerados antecipações de pagamento. Claro está que se determinado contribuinte possui apenas faturamento, no caso do PIS e da Cofias em 1997, decorrente de venda de bens ou prestação de serviços a órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal os valores devidos a título destas -(1M ^ • • •-•OE CONTRIBUINTES Ministério da Fazenda COM thi: COiii O ORIGINAL 2° CC-MF n. Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia I O 3 0 : lfr91 Processo n2 : 10850.000939/2001-14 Necy Batista dos Reis Recurso n2 : 135.081 NLt Siupe 91886 Acórdão n2 : 204-01.967 contribuições, por períodos de apuração, corresponderão exatamente aos valores objeto da retenção. E, fazendo-se a compensação prevista na Lei n° 9430/96, art. 64, os valores devidos serão considerados extintos pela retenção na fonte. Na verdade a retenção na fonte constitui uma espécie de "pagamento" antecipado, entretanto como não é efetuado diretamente pelo sujeito passivo, mas sim pelo órgão público da administração federal, recebe o nome de antecipação. Daí o comando legal para que se efetue o que chamou de compensação, razão pelo qual os valores retidos na fonte só podem ser compensados entre tributos na mesma espécie. Todavia, numa segunda hipótese, na qual o contribuinte obtenha faturamento decorrente de venda de bens ou prestação de serviços a órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal e também faturamento de outras espécies resta claro que deverá apurar o total da contribuição devida por período de apuração considerando o total do seu faturamento, compensar o que foi retido na fonte e recolher o restante da contribuição devida. Caso ocorra pagamento a maior é passível de pedido de restituição/compensação. Ai sim, passível de ser compensado com qualquer tributo administrado pela SRF. Entretanto, não é este o caso dos autos. O que está sendo objeto de pedido de restituição/compensação são exatamente os valores retidos na fonte. Ora, nem todos os valores retidos na fonte são passiveis de restituição, apenas aqueles que excederem os valores efetivamente devidos a título do tributo, o que ocorrerá apenas se o órgão retentor equivocar-se no cálculo dos valores a recolher. No caso em análise não se comprovou tal equivoco, razão pela qual, efetivamente só há de ser compensado o valor retido na fonte com valores devidos a título do mesmo tributo. Caso tenha havido pagamento outro, que não os retidos na fonte, a contribuinte deveria ter comprovado por meio de documentação hábil, o que não ocorreu. Aqui não se trata de indébito tributário mas sim de retenção de tributo na fonte considerada como antecipação de pagamento e passível de compensação apenas com os valores devidos a título do mesmo tributo. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso interposto. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2006. fyi ünC1--"" A BASTOS MANATTA • Page 1 _0047300.PDF Page 1 _0047400.PDF Page 1 _0047500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11012.000524/2008-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída quando identificada no laudo pericial.
Não restando comprovado o atendimento às exigências legais cumulativas, impõe-se o não reconhecimento do direito à isenção do imposto sobre a renda no caso concreto.
Numero da decisão: 2001-007.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honorio Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Milton da Silva Risso, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilsom de Moraes Filho, Andressa Pegoraro Tomazela (substituta integral) e Wilderson Botto. Ausente a conselheira Lilian Claudia de Souza.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída quando identificada no laudo pericial. Não restando comprovado o atendimento às exigências legais cumulativas, impõe-se o não reconhecimento do direito à isenção do imposto sobre a renda no caso concreto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honorio Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Milton da Silva Risso, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilsom de Moraes Filho, Andressa Pegoraro Tomazela (substituta integral) e Wilderson Botto. Ausente a conselheira Lilian Claudia de Souza.
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída quando identificada no laudo pericial. Não restando comprovado o atendimento às exigências legais cumulativas, impõe-se o não reconhecimento do direito à isenção do imposto sobre a renda no caso concreto. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Fl. 55DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.376 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11012.000524/2008-43 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honorio Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Milton da Silva Risso, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilsom de Moraes Filho, Andressa Pegoraro Tomazela (substituta integral) e Wilderson Botto. Ausente a conselheira Lilian Claudia de Souza. RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 41/43): A contribuinte acima qualificada entregou declaração de ajuste anual do exercício de 2005, ano-calendário 2004, indicando saldo de imposto de renda a restituir de R$ 1.794,45, conforme DAA às fls. 30/32. Em virtude da constatação de irregularidades foi lavrada Notificação de Lançamento, às fls. 06/09, reduzindo a restituição para R$ 0,00, considerando que já fora devolvido à notificada o valor de R$ 302,82. A fiscalização informa que apurou omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura de Osório no valor de R$ 23.158,42. A notificada interpôs impugnação, às fls. 01, alegando que se tratam de rendimentos de pensão isentos por ela ser portadora de moléstia grave. Anexa documentos comprobatórios. É o relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE NÃO PREVISTA NA LEI. A síndrome vascular cerebral não se inclui entre as moléstias relacionadas na lei de isenção. Cientificada da decisão, em 14/08/2012 (fls. 45/46), a contribuinte, em 23/08/2012, interpôs recurso voluntário (fls. 47), insurgindo-se contra a manutenção da autuação, repisando as alegações da peça impugnatória, no sentido de que é portadora de moléstia grave consoante a legislação de regência, desde 16/12/1993, trazendo novo suporte probatório em complemento aos documentos já acostados aos autos, requerendo, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 49/50. Em 02/04/2024, considerando que a conselheira relatora, Fernanda Melo Leal, a partir de 03/01/2014, passou a integrar a 2ª Turma da CSRF, o processo foi enviado para novo sorteio (fls. 54), sendo-me distribuído em 02/05/2024, para prosseguimento do julgamento. Fl. 56DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.376 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11012.000524/2008-43 3 É o relatório. VOTO Conselheiro Wilderson Botto, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares As alegações trazidas em sede preliminar, a bem da verdade complementam e se confundem com as razões de mérito, e com ele serão apreciadas. Mérito Dos rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave - do não preenchimento dos requisitos legais: O litígio recai sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 23.158,42, constatada em sede de revisão da DAA/2005 retificadora apresentada, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do afastamento da omissão apurada, com especial destaque para o reconhecimento do cumprimento dos requisitos legais motivadores do pedido de isenção em face da moléstia grave que lhe acometera. Assim, passo ao cotejo dos documentos carreados, em relação aos fundamentos motivadores da manutenção da autuação traçados na decisão recorrida (fls. 42/43): Passo então ao exame da documentação acostada aos autos para verificação da comprovação destes requisitos cumulativos indispensáveis ao reconhecimento do direito à isenção. A Portaria nº 301/2011 da Prefeitura Municipal de Osório, com cópia às fls. 04, confirma que a impugnante recebe pensão em função do falecimento do marido Itaborá Martins Noronha desde 10 de janeiro de 2001. Portanto, cumprida a primeira condição. Por outro lado, verifico que o laudo médico emitido pela Secretaria Municipal da Saúde de Osório em 18.07.2008, às fls. 05, indica que a notificada sofre de Síndrome Vascular Cerebral (CID G46.3) desde junho de 1992, a qual não está incluída entre as moléstias relacionadas na lei de isenção. Observe-se que o inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713/1.988, ao relacionar as doenças cujos portadores teriam seus proventos de aposentadoria, pensão ou Fl. 57DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.376 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11012.000524/2008-43 4 reforma isentos de tributação, estabeleceu um rol taxativo de moléstias, e não meramente exemplificativo. (...) (...) Analisando o dispositivo transcrito verifica-se que a síndrome vascular cerebral não consta das hipóteses ali elencadas. Consoante o disposto no art. 111 do CTN, é sabido que a interpretação da lei que outorga a isenção tributária deve ser restritiva. De fato, justamente por ela ser restritiva que é defeso distinguir o que a lei não distingue. O laudo médico apresentado, embora indique a incapacidade da contribuinte para o trabalho, não esclarece se as sequelas daí provenientes deram origem a uma das doenças relacionadas na legislação. Assim, considero descumprida a segunda condição. Desta forma, entendo que estes rendimentos devem ser tributados. Como se pode perceber, a decisão recorrida indeferiu o pedido formulado, sob o fundamento de que não restou comprovado o cumprimento dos requisitos legais ao benefício fiscal, por ausência de comprovação da existência de moléstia grave prevista no rol taxativo elencado na legislação de regência a proporcionar a isenção pleiteada. Pois bem. Em que pese as alegações trazidas, do cotejo dos documentos carreados, aliado aos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 41/43) e atendo-se às informações lançadas no lançamento fiscal (fls. 6/9), não há como prosperar a pretensão recursal. Ancorado na legislação de regência e corroborando o acerto da decisão recorrida, de fato, há sim dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção ao caso concreto. Um reporta-se à natureza dos rendimentos recebidos que devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão – que foi atendido, por se referir a pensão concedida pelo falecimento de seu marido, ao teor da Portaria Municipal nº 301/2001 (fls. 4), situação inclusive aquiescida pela decisão recorrida – e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal, que não foi satisfeito – pois os atestados médicos emitidos pela Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Osório/RS (fls. 5 e 50), aliado à conclusão da perícia médica realizada pelo INSS e desacompanhada do laudo pericial que a instrui (fls. 49), não se mostram, por si só, suficientes para o fim que se destinam, porquanto não especificam a moléstia dentre aquelas constantes no rol taxativo previsto na legislação e nem aponta a data em que a doença teria sido contraída, o que, ao meu sentir, os desqualificam como hábeis para motivar o pedido de isenção formulado. Portanto, do ponto de vista fiscal, os documentos carreados não hábeis para atestar a doença incapacitante elencada no rol do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, bem com a data de sua eventual incidência, com especial destaque para sua comprovação no ano-calendário autuado. Fl. 58DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.376 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11012.000524/2008-43 5 Neste ponto, cabe transcrever a ementa da SCI COSIT nº 11, de 28/06/2012, que relaciona os dados mínimos a serem observados no laudo pericial a justificar o benefício fiscal: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial, assim entendido como documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, independentemente de ser emitido por médico investido ou não na função de perito, observadas a legislação e as normas internas especificas de cada ente. O laudo pericial deve conter, no mínimo, as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID-10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo; d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. Para efeito do reconhecimento das isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n2 7.713, de 22 de dezembro de 1988, sem prejuízo das demais exigências legais relativas à matéria, somente podem ser aceitos laudos periciais expedidos por instituições públicas, ou seja, instituídas e mantidas pelo Poder Público, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os laudos médicos expedidos por entidades privadas não atendem à exigência legal, não podendo ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. Dispositivos Legais: Art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; art. 30, caput, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Destarte, não restando demonstrado para fins fiscais ser a Recorrente portadora de moléstia grave no ano-calendário de 2004 – que imprescinde de laudo médico pericial oficial formalizado trazendo a indicação clara da doença incapacitante relacionada no rol taxativo do art. 6º, XIV da Lei nº 7.713/88, bem como a data de seu acometimento, e levando-se em conta que a norma isentiva deve ser interpretada literalmente, ao teor do art. 111, II do CTN – impõe-se o não reconhecimento à isenção no caso concreto, razão pela qual, mantenho subsistente o crédito tributário exigido. Ademais, ainda que assim não fosse, cabe salientar que tal matéria já se encontra pacificada neste CARF, inclusive culminando com a edição da Súmula nº 63: Súmula nº 63 Fl. 59DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.376 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11012.000524/2008-43 6 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por fim, cabe relembrar que o lançamento rege-se por expressa determinação legal, sendo a atividade fiscal vinculada e obrigatória, na exata dicção do art. 142 do CTN, competindo ao Fisco revisar a declaração de ajuste, calcular a exigência e constituir o crédito tributário ou ajustar o imposto a restituir declarado, sob pena de responsabilidade funcional. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o lançamento e as alterações decorrentes realizadas na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 60DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16366.003272/2007-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COFINS. CREDITAMENTO. INSUMOS. ALIMENTAÇÃO. CESTA BÁSICA. UNIFORMES E VESTUÁRIOS. ASSISTENCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA. IMPOSSIBILIDADE
Os dispêndios com alimentação de funcionários, cesta básica, uniformes e vestuários e assistência médica e odontológica, estão expressamente excluídos do conceito de insumos, conforme item VI, do § 2º, do artigo 175 da IN RFB nº 2121/2022, não sendo possível a tomada de crédito sobre esses itens.
COFINS. CREDITAMENTO. EPI. MATERIAIS DE LABORATÓRIO. MATERIAIS DE LIMPEZA. POSSIBILIDADE
Por tratar-se de uma empresa de produção alimentícia, os dispêndios com equipamentos de proteção individual (EPI); materiais químicos e de laboratório; e materiais de limpeza podem ser identificados como essenciais e relevantes ao seu processo produtivo e, portanto, passíveis de creditamento.
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. JUROS/ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. POSSIBILIDADE.
Conforme decidido no julgamento do REsp no 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco, inclusive, para o ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS e da COFINS sob o regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3001-002.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas referentes aos itens: equipamentos de proteção individual (EPI), materiais químicos e de laboratório e materiais de limpeza, bem como para alterar o entendimento quanto à atualização dos valores a ressarcir pela taxa Selic, nos termos da IN RFB nº 2055/2021.
Sala de Sessões, em 9 de outubro de 2024.
Assinado Digitalmente
Francisca Elizabeth Barreto – Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Bernardo Costa Prates Santos, Daniel Moreno Castillo, Fabio Kirzner Ejchel (substituto[a] integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Wilson Antonio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (Presidente). Ausente o conselheiro(a) Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, substituído(a) pelo(a)conselheiro(a) Fabio Kirzner Ejchel.
Nome do relator: FRANCISCA ELIZABETH BARRETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS. CREDITAMENTO. INSUMOS. ALIMENTAÇÃO. CESTA BÁSICA. UNIFORMES E VESTUÁRIOS. ASSISTENCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA. IMPOSSIBILIDADE Os dispêndios com alimentação de funcionários, cesta básica, uniformes e vestuários e assistência médica e odontológica, estão expressamente excluídos do conceito de insumos, conforme item VI, do § 2º, do artigo 175 da IN RFB nº 2121/2022, não sendo possível a tomada de crédito sobre esses itens. COFINS. CREDITAMENTO. EPI. MATERIAIS DE LABORATÓRIO. MATERIAIS DE LIMPEZA. POSSIBILIDADE Por tratar-se de uma empresa de produção alimentícia, os dispêndios com equipamentos de proteção individual (EPI); materiais químicos e de laboratório; e materiais de limpeza podem ser identificados como essenciais e relevantes ao seu processo produtivo e, portanto, passíveis de creditamento. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. JUROS/ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. POSSIBILIDADE. Conforme decidido no julgamento do REsp no 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco, inclusive, para o ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS e da COFINS sob o regime não cumulativo.
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CREDITAMENTO. INSUMOS. ALIMENTAÇÃO. CESTA BÁSICA. UNIFORMES E VESTUÁRIOS. ASSISTENCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA. IMPOSSIBILIDADE Os dispêndios com alimentação de funcionários, cesta básica, uniformes e vestuários e assistência médica e odontológica, estão expressamente excluídos do conceito de insumos, conforme item VI, do § 2º, do artigo 175 da IN RFB nº 2121/2022, não sendo possível a tomada de crédito sobre esses itens. COFINS. CREDITAMENTO. EPI. MATERIAIS DE LABORATÓRIO. MATERIAIS DE LIMPEZA. POSSIBILIDADE Por tratar-se de uma empresa de produção alimentícia, os dispêndios com equipamentos de proteção individual (EPI); materiais químicos e de laboratório; e materiais de limpeza podem ser identificados como essenciais e relevantes ao seu processo produtivo e, portanto, passíveis de creditamento. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. JUROS/ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. POSSIBILIDADE. Conforme decidido no julgamento do REsp no 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco, inclusive, para o ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS e da COFINS sob o regime não cumulativo. Fl. 566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-002.982 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.003272/2007-37 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas referentes aos itens: equipamentos de proteção individual (EPI), materiais químicos e de laboratório e materiais de limpeza, bem como para alterar o entendimento quanto à atualização dos valores a ressarcir pela taxa Selic, nos termos da IN RFB nº 2055/2021. Sala de Sessões, em 9 de outubro de 2024. Assinado Digitalmente Francisca Elizabeth Barreto – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Bernardo Costa Prates Santos, Daniel Moreno Castillo, Fabio Kirzner Ejchel (substituto[a] integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Wilson Antonio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (Presidente). Ausente o conselheiro(a) Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, substituído(a) pelo(a)conselheiro(a) Fabio Kirzner Ejchel. RELATÓRIO Trata-se de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos da Cofins – Exportação (PER/DCOMP nº 18651.32627.230207.1.1.09-8487), apurados no regime de incidência não- cumulativo – Mercado Externo, com base na Lei nº 10.833, de 2003, referente ao 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 2.630.510,18. Também foi apresentada declaração buscando compensar os débitos próprios com o crédito decorrente do pedido de ressarcimento. Após análise dos documentos trazidos aos autos, o crédito foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 2.351.933,96, valor suficiente para homologar a compensação, restando um saldo remanescente de R$ 1.552.933,06, em favor da contribuinte. O reconhecimento parcial decorreu de: a) aproveitamento indevido de gastos com alimentação; cesta básica; vale-transporte; assistência médica e odontológica; uniformes e vestuários; equipamentos de proteção individual; materiais químicos e laboratórios; materiais de limpeza; materiais de expediente; outros materiais de consumo; serviços de segurança e vigilância; serviços de conservação e limpeza; outros serviços de terceiros; e gastos gerais. Fl. 567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-002.982 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.003272/2007-37 3 Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que as glosas ocorreram por interpretação equivocada pelo fisco quanto ao conceito de insumos para fins de apuração dos créditos da contribuição para a Cofins; que o fisco havia alterado seu posicionamento sobre o tema em relação à processos anteriores de mesma natureza e da própria contribuinte; que o fisco reconheceu o crédito sobre os “serviços temporários”, mas não o incluiu na recomposição dos valores, diminuindo o seu direito creditório em R$ 5.059,78; e requer a aplicação da taxa Selic aos valores a serem ressarcidos. A DRJ julgou a manifestação procedente em parte, reconhecendo o direito creditório de R$ 4.291,25, referente aos “serviços temporários”, conforme se verifica da ementa abaixo transcrita: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da Cofins, o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. APURAÇÃO DE CRÉDITO. SISTEMA DE NÃO-CUMULATIVIDADE. Reconhecido pela autoridade fiscal de origem que os dispêndios registrados a título do “serviço temporário” foram aplicados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda (manuseio de matéria-prima - café), aos créditos relativos devem ser considerados nu apuração de crédito da Cofins não- cumulativa. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. E incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à Cofins, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada do resultado do julgamento em 18/11/2013, a ora recorrente apresentou Recurso Voluntário em 16/12/2013 alegando glosas indevidas de custos e insumos diretamente relacionados à produção de bens e a aplicação da Taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos. É o Relatório. Fl. 568DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-002.982 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.003272/2007-37 4 VOTO Conselheira Francisca Elizabeth Barreto, Relatora. 1. Da competência para julgamento do feito Com base no artigo 65, do Anexo da Portaria MF nº 1.634, de 2023, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos regimentais para a sua admissibilidade, pelo que o conheço. 3. Mérito 3.1 Glosas sobre os custos e insumos relacionados com a produção de bens A recorrente alega que demonstrou o efetivo dispêndio de recursos com custos e despesas incorridos na produção de bens destinados à venda de produtos, sobre os quais apurou créditos de Cofins, nos termos da legislação vigente, mas que a fiscalização glosou os valores relativos a: alimentação; cesta básica; vale-transporte; assistência médica e odontológica; uniformes e vestuários; equipamentos de proteção individual; materiais de manutenção e conservação; materiais químicos e laboratórios; materiais de limpeza; materiais de expediente; lubrificantes e combustíveis; outros materiais de consumo; serviço temporário; serviços de segurança e vigilância; serviços de conservação e limpeza; serviços de manutenção e reparos; outros serviços de terceiros; exportação; e gastos gerais. Apresenta um conceito de insumos, defendendo que para fins de apuração dos créditos de Cofins, este seria mais amplo que o do IPI, tendo a Lei 10.833/2003 ampliado o rol de bens e serviços considerados como insumos. Afirma que o CARF já possui entendimento de que o conceito de insumo do IRPJ se aplica para fins de apuração de créditos de Cofins, conforme Acórdão nº 3202-00.226 e que para os créditos relativos à alimentação, cesta básica, vale-transporte e assistência médica e odontológica deve ser aplicado o entendimento do referido acórdão. Transcreve trechos do acórdão 3401-001.713 e informa que os dispêndios de uniformes e vestuários; equipamentos de proteção individual; materiais de manutenção e conservação; materiais químicos e laboratórios estão intimamente ligados e são necessários ao desenvolvimento da empresa, podendo ser enquadrados no conceito de insumos e terem suas glosas revertidas. Por fim, sobre os gastos de materiais de limpeza; materiais de expediente; lubrificantes e combustíveis; outros materiais de consumo; serviço temporário; serviços de segurança e vigilância; serviços de conservação e limpeza; serviços de manutenção e reparos; Fl. 569DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-002.982 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.003272/2007-37 5 outros serviços de terceiros; e gastos gerais também devem ser afastados com base no que já se decidiu nos dois acórdãos anteriormente citados, bem como no Acórdão 3301-000.954. Assim, requer a reversão das glosas e o integral ressarcimento dos valores. Inicialmente cabe destacar que desde a interposição do Recurso Voluntário até a formalização deste voto, o entendimento quanto ao conceito de insumos para a fins de apuração de créditos referentes ao PIS e a Cofins evoluiu bastante, tendo o STJ (Recurso Especial 1.221.170/PR) se posicionado no sentido da aplicação dos requisitos da essencialidade e relevância dos gastos para sua classificação ou não como insumos geradores de crédito. Com base nesse entendimento, a própria RFB também já reviu seus atos normativos sobre o tema, tendo emitido, em 15 de dezembro de 2022, a Instrução Normativa RFB nº 2121, alinhando seu entendimento ao decidido pelo STJ. A decisão do STJ trouxe uma concepção intermediária quanto à abrangência do termo insumo, que fica entre a estabelecida pela legislação do Imposto sobre Produtos Industrializado (muito mais restritiva) e a prevista na legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (mais abrangente). Para fins de apuração das Contribuições para o PIS e COFINS, pela sistemática não cumulativa, insumo é todo item (bem ou serviço) cuja subtração obstaria a atividade empresarial ou implicaria em perda sensível da qualidade do produto ou serviço (critérios da essencialidade) ou, ainda, que por imposição legal ou pela particularidade de determinada cadeia produtiva não possa ser dissociado do processo produtivo (critério da relevância). Assim, somente podem ser considerados insumos geradores de crédito na apuração não cumulativa do PIS e COFINS, itens relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros, o que não abarca itens que não estejam sequer indiretamente relacionados com tais atividades, ou seja, deve estar comprovado que este item integra o processo de produção da pessoa jurídica. Na prática, significa que mesmo itens que não são diretamente empregados aos bens e serviços podem gerar créditos. É preciso frisar, contudo, que quanto mais distante for a relação do item com o produto ou serviço maior será a necessidade de traçar sua relação, ainda que indireta, com a produção. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente não realizou qualquer esforço em traçar essa relação, fazendo apenas remissões a acórdãos dos CARF e afirmando genericamente que os custos estão intimamente ligados e são necessários ao desenvolvimento da empresa. Por isso, os itens serão analisados apenas com base na evolução legislativa da matéria. Quanto aos itens alimentação, cesta básica, uniformes e vestuários, assistência médica e odontológica, estes estão expressamente excluídos do conceito de insumos, conforme item VI, do § 2º, do artigo 175 da IN RFB nº 2121/2022. Fl. 570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-002.982 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.003272/2007-37 6 No que concerne o vale-alimentação e o vale-transporte, é clara e irrefutável a vedação ao cálculo de créditos para pessoa jurídica diferente da expressa no art. 3º, X, das leis de regência das contribuições: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Já os itens equipamentos de proteção individual (EPI); materiais químicos e de laboratório; e materiais de limpeza são mais facilmente identificáveis como sendo essenciais e relevantes para o processo produtivo, pela própria natureza da atividade de produção de alimentos. O EPI, por imposição legal trabalhista; os materiais químicos e de laboratório por questões de qualidade do produto produzido; e os materiais de limpeza pela essencialidade da higiene no âmbito da produção alimentícia. A recorrente nada fala quanto aos créditos referentes à exportação em seu Recurso Voluntário. O item “serviços temporários” já havia sido reconhecido pela DRJ. Para os demais itens, entendo que haveria a necessidade da demonstração detalhada da sua pretensa essencialidade ou relevância para o processo produtivo. Nesse sentido, dou parcial razão à contribuinte e voto pela reversão das glosas referentes aos itens equipamentos de proteção individual (EPI); materiais químicos e de laboratório; e materiais de limpeza. 3.2 Aplicação dos Juros SELIC. A recorrente defende que o entendimento da DRF/Londrina deve ser reformado para reconhecer a aplicação da taxa Selic sobre os créditos a ressarcir. Afirma que já existem precedentes no CARF aplicando a Súmula 411 do STJ para aplicação da correção a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento e por isso pede provimento do seu pedido. Pois bem. No que se refere ao tema do presente tópico, o entendimento jurisprudencial também evoluiu desde a data da interposição do recurso até a formalização deste voto. O entendimento predominante na época, inclusive sumulado pelo CARF (Súmula nº 125), é de que não cabia a atualização monetária de créditos escriturais de PIS e COFINS. No entanto, tendo em vista o decidido no REsp 1.767.945/PR, a PGFN, se pronunciou por meio do Parecer SEI nº 3686/2021/ME, sobre os efeitos da tese fixada sobre questões de suspensão, Fl. 571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-002.982 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.003272/2007-37 7 interrupção e reinício da contagem de prazo da atualização monetária dos créditos escriturais, nos seguintes termos: 18. A formação da jurisprudência relativa à correção dos créditos escriturais, nas hipóteses de resistência injustificada do Fisco, tem como uma das suas premissas evitar o enriquecimento sem causa, mitigando a redução dos valores reais dos créditos a serem restituídos. Essa mitigação tem como parâmetro o art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, fixando prazo limite de 360 dias para decisão quanto ao pedido de ressarcimento, a partir do qual os valores passariam a ser corrigidos. . 19. A incapacidade material pode restringir a aplicação absoluta do preceito legal acima mencionado, porém, a consequência para o descumprimento do prazo de 360 dias foi estabelecida pela jurisprudência: a correção dos valores. Desse modo, os contribuintes que consigam utilizar os créditos dentro de 360 dias não terão correção do crédito, mas, nos casos em que o prazo for ultrapassado, a correção deve ocorrer a partir do 361º dia após o protocolo do pedido de ressarcimento, a fim de evitar desequilíbrio entre os que receberam no prazo e os que receberam fora do prazo.” Assim, levando em conta os esclarecimentos da PGFN no Parecer acima citado e da vinculação da Administração Pública aos Recursos Especiais 1.767.945/PR; 1.7680.60/RS e 1.768.415/SC, a Secretaria Especial da Receita Federal editou Instrução Normativa, em 06/12/2021, passando os arts. 151 e 152 da referida IN RFB 2.055/2021 a prever textualmente os acréscimos legais, a partir do 361º dia do protocolo do requerimento de ressarcimento, como segue: "Art. 151. Não haverá incidência dos juros compensatórios sobre o crédito do sujeito passivo: I - se a restituição for efetuada no mesmo mês da origem do direito creditório; II - no caso de compensação de ofício ou compensação declarada pelo sujeito passivo, se a data de valoração do crédito ocorrer no mesmo mês da origem do direito creditório; III - no ressarcimento ou na compensação de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e relativos ao Reintegra, ressalvado o disposto no art. 152; e IV - na compensação do crédito de IRRF relativo a juros sobre capital próprio e de IRRF incidente sobre pagamentos efetuados a cooperativas a que se referem o art. 81 e o caput do art. 82, respectivamente. Art. 152. Na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e relativos ao Reintegra, no prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias da data do protocolo do pedido de ressarcimento, aplica-se à parcela do crédito não ressarcida ou não compensada o acréscimo de que trata o caput do art. 148. Fl. 572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-002.982 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.003272/2007-37 8 § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, será observado como termo inicial o 361º (trecentésimo sexagésimo primeiro) dia contado da data do protocolo do pedido de ressarcimento original. § 2º O termo final da valoração do crédito objeto de pedido de ressarcimento deverá ser: I - na hipótese de ressarcimento, quando a quantia for disponibilizada ao contribuinte; II - na hipótese de compensação declarada, quando houver a entrega da declaração de compensação original; e III - na hipótese de compensação de ofício, quando ela for considerada efetuada." Pelo exposto, cabe parcial razão ao recorrente, sendo cabível a atualização monetária do ressarcimento a partir do 361º dia da data do protocolo do seu pedido de ressarcimento. Conclusão Voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas referentes aos itens equipamentos de proteção individual (EPI), materiais químicos e de laboratório e materiais de limpeza, bem como para alterar o entendimento quanto à atualização dos valores a ressarcir pela taxa Selic, nos termos da IN RFB nº 2055/2021. Assinado Digitalmente Francisca Elizabeth Barreto Fl. 573DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101154/2007-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA Nº 02. Nos termos de Súmula aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007, “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”.
NORMAS REGIMENTAIS. SÚMULA ADMINISTRATIVA.
OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO. Nos termos do § 4º do art. 72 do
Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa dos Conselhos de Contribuintes por ele substituídos.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. A apropriação de
créditos da COFINS apurada na forma da Lei 10.833/2002 está restrita às hipóteses expressamente elencadas em seu art. 3º.
COFINS. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS.
Nos termos do art. 13 da Lei 10.833, o ressarcimento administrativo do saldo credor trimestral da COFINS decorrente de exportações se faz sem a inclusão de qualquer parcela a título de juros ou correção monetária.
Numero da decisão: 3402-001.081
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1977; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.101154/200764 Recurso nº 507.492 Voluntário Acórdão nº 3402001.081 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de abril de 2011 Matéria Recorrente H KUNTZLER & CIA LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE NORMAS PROCESSUAIS. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA Nº 02. Nos termos de Súmula aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007, “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. NORMAS REGIMENTAIS. SÚMULA ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO. Nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa dos Conselhos de Contribuintes por ele substituídos. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. A apropriação de créditos da COFINS apurada na forma da Lei 10.833/2002 está restrita às hipóteses expressamente elencadas em seu art. 3º. COFINS. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. Nos termos do art. 13 da Lei 10.833, o ressarcimento administrativo do saldo credor trimestral da COFINS decorrente de exportações se faz sem a inclusão de qualquer parcela a título de juros ou correção monetária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente Fl. 184DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 01/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11065.101154/200764 Acórdão n.º 3402001.081 S3C4T2 Fl. 2 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça e Ângela Sartori. Relatório Discutese no presente processo glosa promovida pela fiscalização da DRF Novo Hamburgo de créditos da COFINS registrados pela empresa sobre itens que ela, fiscalização, entendeu indevidos, conforme assim descrito no Relatório Fiscal de fls. 72/73: III. DESCRIÇÃO DAS IRREGULARIDADES FISCAIS CONSTATADAS 3.1 Créditos Indevidos 3.1.1 — Despesas e/ou custos sem direito ao cálculo de crédito de PIS/Pasep O contribuinte incluiu indevidamente na apuração da base de cálculo do saldo credor da COFINS nãocumulativa valores não previstos na legislação, referentes a custos e/ou despesas efetuadas (constantes do DACON na linha 13 Outras operações com Direito a Crédito) não enquadrados no conceito legal de insumos vinculados à produção, lançadas em sua escrituração contábil nas contas e títulos: 453 — Auxilio Creche; 472 — Auxilio Creche; 483 — Serviços de Terceiros PJ — Manutenção; 485 — Manutenção e Reparos; 486 — Despesas cNeículos — Diversas; 491 Bens de Reduzido Valor; 492 — Custos c/Importação (serviço de Despachantes); 501 — Manutenção de Instalações; 505 — Assistência Médica e Odontológica; 506 — Assistência Farmacêutica; 742 — Tratamento de Resíduos Industriais; 507 Transporte de Pessoal; 508 — Formação Profissional; 509 — Lanches e Refeições; 510 — Roupas e Equipamentos de trabalho; 1257 — Programa Alimentação do Trabalho — PAT; 523 — Comissões s/Vendas; 2297 — Serviços de Despacho Aduaneiro; 532 — Propaganda e publicidade e anúncios; 534 — Assistência técnica e jurídica; 559 — Serviços de Terceiro PJ (despesas geral de administração. A glosa alcançou o valor de R$ 38.585,44 e implicou o reconhecimento de saldo credor no montante de R$ 1.085.409,07 que foi deferido ao contribuinte pelo despacho Fl. 185DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 01/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11065.101154/200764 Acórdão n.º 3402001.081 S3C4T2 Fl. 3 3 decisório de fl. 75. Ele reconheceu o saldo credor proposto pela fiscalização e foi objeto de manifestação de inconformidade analisada pela DRJ Porto Alegre. Mantido o entendimento da fiscalização, recorre a empresa, tempestivamente, alegando que todos os itens glosados podem ser enquadrados no conceito de insumos que deve ser considerado para efeito de aplicação do princípio da nãocumulatividade. Segundo suas palavras: 16. No caso da recorrente, dentro do conceito de bens que lhe dão direito a aproveitamento, podese incluir, as matérias primas, material de embalagem e produtos intermediários empregados diretamente no processo produtivo. 17. Além disso, se enquadra no conceito de "insumo" que irá, direta ou indiretamente, proporcionar o incremento do objeto social da empresa, todos os serviços intrinsecamente necessários à atividade • da empresa, tais como: os valores pagos a empresas pela representação comercial (comissões), as despesas de marketing para divulgação do produto, os serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), os serviços de limpeza, os serviços de vigilância, etc. Após citar doutrina e jurisprudência que defende serem coincidentes ao seu entendimento, afirma que o posicionamento contrário implica violação ao próprio texto constitucional, dado que o § 12 do art. 195 determina a aplicação do princípio da não cumulatividade aos setores que vierem a ser definidos em lei. Postula, por fim, que o direito creditório seja acrescido de juros calculados com base na taxa selic, que, argúi, se aplica à compensação e à restituição de tributos, consoante o art. 39 da Lei 9.250/95, citando acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, sob o fundamento de que ressarcimento é espécie do gênero restituição, deferiram aquele acréscimo em relação a postulações de ressarcimento de crédito presumido de IPI. Esse acréscimo deve se dar, pois, desde a apuração do direito. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator O recurso versa matéria de competência regimental desta Seção do CARF. Tendo sido apresentado tempestivamente, merece ser apreciado. Dele conheço. A matéria única a ser aqui discutida diz respeito à correta aplicação da tributação nãocumulativa à COFINS. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 01/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11065.101154/200764 Acórdão n.º 3402001.081 S3C4T2 Fl. 4 4 Mais especificamente, se cabe a apuração apuração de crédito sobre despesas não explicitamente mencionadas na Lei 10.833/2003. Defende o contribuinte que a aplicação do princípio da nãocumulatividade às contribuições sociais implicaria o reconhecimento de créditos sobre todos os itens de despesas incorridas junto a pessoas jurídicas que sejam delas também contribuintes de modo a compensar todo o valor que já tenha incidido “em operações anteriores” como estatui a Constituição em relação ao IPI e ao ICMS. Essa análise há de começar pelo reconhecimento de que os conceitos relacionados à tributação nãocumulativa não se encontram ainda pacificados pela doutrina, a começar pela própria definição de nãocumulatividade. Há, com efeito, autores que a identificam com o próprio texto constitucional, considerando que nãocumulatividade é a adoção de créditos fiscais para abatimento do tributo devido. Para esses, tratase simplesmente de um princípio constitucional cuja observância é obrigatória em relação ao IPI e ao ICMS e que pode ser estendido à COFINS e ao PIS consoante o § 12 do art. 195. Outros há, contudo, que vêem na nãocumulatividade uma sistemática de tributação, acolhida constitucionalmente, mas que não se identifica necessariamente com o sistema de créditos eleito pelo constituinte no que tange ao IPI e ao ICMS. Para os que assim pensam, há nãocumulatividade sempre que se buscar garantir a não ocorrência de sobreposição de incidências, aquilo que se costumou designar como tributação em cascata, quando o mesmo tributo incide mais de uma vez sobre a mesma base de cálculo. Filiome a este segundo grupo. Assim, a meu ver, a nãocumulatividade é um objetivo a ser perseguido. Consiste ele em evitar que a carga tributária efetiva – o montante em dinheiro efetivamente recolhido como tributo – sobre um bem ou serviço dependa do número de etapas que conformem o seu ciclo produtivo. Essa carga efetiva, como se sabe, não corresponde necessariamente ao montante que resulta da mera multiplicação da alíquota pela base de cálculo. Com efeito, na incidência cumulativa ela pode diferir, e essa diferença cresce com o número de etapas; de fato, eles somente coincidem se o bem for inteiramente produzido (desde a matéria prima) na mesma empresa ou, em outras palavras, se não houver comercialização dos insumos empregados. Mas para a consecução desse objetivo há várias técnicas disponíveis. Duas das mais comumente empregadas são o sistema de crédito fiscal e a tributação sobre o valor agregado. Perseguindo ambas o mesmo objetivo, deveriam obviamente coincidir em seus resultados e isso efetivamente ocorre quando não há diferenciação de tributação entre os insumos e o produto final (alíquotas diferentes, não incidências, isenções etc). É provavelmente esse o motivo pelo qual o constituinte preferiu adotar, para o IPI, o sistema de créditos, mais flexível e capaz, por isso mesmo, de enfrentar melhor tais diferenciações entre nós já asseguradas pela aplicação do princípio constitucional da seletividade. Podese, por isso, dizer que no fundo o que ambas as técnicas buscam é o mesmo: assegurar que o montante de tributo efetivamente devido corresponda, sempre, ao que resulta do produto da alíquota pela base de cálculo. Na técnica do valor agregado, isso é garantido (com a ressalva já feita) tributando apenas o valor adicionado em cada etapa. Na Fl. 187DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 01/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11065.101154/200764 Acórdão n.º 3402001.081 S3C4T2 Fl. 5 5 técnica dos créditos fiscais, descontandose aquele que já tenha incidido sobre as operações anteriores necessárias à obtenção do produto final. Portanto, ainda que adotada a técnica dos créditos fiscais, o conceito fundamental a ser examinado é o do valor adicionado. É de conhecimento geral que esse conceito provém da ciência econômica, correspondendo à diferença entre o preço do bem elaborado e o dos insumos nele empregados. Naquela ciência, insumo é simplesmente tudo o que a empresa precisa empregar em seu processo produtivo para obter o seu produto. Em outras palavras, tudo aquilo que é objeto de consumo intermediário, desaparecendo para dar lugar a um novo produto. Aí se incluem as matérias primas e os produtos intermediários – que se integram ao novo produto – a que se assemelham as partes e peças usadas nos processos de montagem. Além deles, todos os demais itens que, imprescindíveis ao processo produtivo, não se incorporam, porém, ao produto final (materiais auxiliares) e aqueles que o acondicionam (material de embalagem). O critério definidor de insumo, pois, é, ou deveria ser, o de imprescindibilidade ao processo produtivo, analisada, obviamente, de um ponto de vista tecnológico. Em suma, aqueles bens físicos cujo consumo propicia a obtenção do novo bem ou serviço, mesmo que nele não estejam fisicamente inseridos. Incluemse aí, pois, a energia necessária à execução do processo, os combustíveis a ele inerentes e todos os demais itens que o viabilizem de um ponto de vista técnico. Insumo é, pois, mais do que apenas matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem. Reiterese, de logo, que assim considerado, o objetivo comum acima mencionado consiste precisamente em que a tributação recaia apenas sobre o valor dos bens finais produzidos em uma dada economia, não gravando, em duplicidade, os insumos com ele elaborados. Obviamente, havendo mais de um bem final, a tributação deve alcançar o seu valor total. A ênfase no aspecto técnico implica, contudo, afastar a idéia de que tudo aquilo que seja adquirido pela empresa possa configurar insumo e deva, por conseguinte, ser abatido para que se possa chegar ao conceito de valor agregado. De fato, todos os demais itens que não são imprescindíveis, do ponto de vista técnico, à obtenção do produto, e mesmo que sejam de fato “consumidos” na empresa, insumos não são. Pois, valor agregado em um dado momento de uma cadeia produtiva é, repitase, apenas a diferença entre o valor do que já foi produzido até essa etapa e nela é consumido e o valor do produto que com eles está sendo elaborado. Ele serve para remunerar todos os fatores produtivos aí empregados, a começar pela mãodeobra (direta e indireta), mas também a terra e o capital em suas diversas formas. Todas essas remunerações constituem destinações do valor agregado. De fato, apenas parte dele permanece na empresa para remunerar os seus proprietários na forma de lucro. Com efeito, para se passar do valor agregado a este último precisase ainda abater todas as despesas necessárias à realização em dinheiro do produto elaborado – administrativas, financeiras ou com vendas. Tais despesas, por isso mesmo, integram o valor agregado, ainda que, por óbvio, não integrem o lucro. Fl. 188DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 01/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11065.101154/200764 Acórdão n.º 3402001.081 S3C4T2 Fl. 6 6 Nesse ponto, é necessário voltar ao início e relembrar que o objetivo buscado com a tributação nãocumulativa é, alcançando apenas o valor agregado em cada etapa, evitar que o tributo já recolhido sobre os bens consumidos em sua elaboração se some ao valor do imposto a incidir sobre o novo produto com eles elaborado. Ela não significa, em absoluto, que o tributo deva incidir apenas sobre o lucro, descontandose do valor agregado as despesas acima mencionadas. Podese alegar que tudo o que foi desenvolvido até aqui se aplicaria muito bem a um tributo que incidisse apenas sobre o preço do bem, isto é, aquele cuja base de cálculo se restringisse à receita bruta de vendas. Para eles, nenhuma dúvida se coloca quanto à dedutibilidade de créditos sobre as demais despesas que, reduzindo o valor agregado, levam à determinação de lucro. Mas não se aplicaria, ipsis literis, às contribuições PIS e COFINS, pelo fato de incidirem ambas sobre a totalidade das receitas e não apenas sobre as receitas de vendas. Entretanto, essa colocação, me parece, decorre de incorreta apreensão do motivo pelo qual não teria de haver créditos em relação ao IPI ou ao ICMS. Com efeito, isso não decorre de não haver incidência desses tributos sobre aquelas receitas. Decorre, isto sim, do fato de tais parcelas integrarem o valor agregado, cujo conceito não muda pelo fato de a contribuição incidir também sobre receitas outras. E elas o integram exatamente porque não decorrem de aquisição de nenhum bem intermediário. Para se ter certeza de que assim é, pensese na aquisição, por empresa industrial, de qualquer bem que se destine a ser aí utilizado como bem final, e que tenha sido gravado pelo IPI. Por exemplo, um veículo adquirido por empresa produtora de cigarros mas destinado, digamos, ao transporte de seus executivos. Parecenos indefensável avocar o princípio da nãocumulatividade para pretender abater do IPI devido sobre os cigarros aquele que foi pago pela aquisição do veículo: sua aquisição constitui mera destinação do valor agregado, por mais que se possa sempre argüir que tal aquisição era indispensável a atrair bons executivos, sem os quais, talvez, as vendas não tivessem sido o que foram. Do mesmo modo, não é porque as parcelas que integrarão a remuneração de algum fator produtivo seja paga pela empresa a outra pessoa jurídica contribuinte das exações em causa que essas despesas se tornam dedutíveis para que se chegue ao conceito de valor agregado. É preciso que ela constitua de fato um bem intermediário, únicos que importam na definição do valor agregado. E assim o é porque a arrecadação total do imposto, como já dito, deve alcançar a totalidade da receita decorrente da comercialização de bens finais. E no exemplo dado, ela corresponde à soma do valor dos cigarros e dos veículos, ainda que esses últimos tenham sido adquiridos por um fabricante dos primeiros. Mutatis mutandis, passase o mesmo com as contribuições: a tributação não cumulativa é aquela que alcança a receita proveniente da produção de bens (e no caso também de serviços) finais, descontandose apenas aquela que, por ser proveniente de bens intermediários já consumidos, esteja efetivamente incluída no preço dos bens ou serviços finais. Conclusivamente, não quebra esse princípio, a meu ver, o fato de uma empresa dedicar se à prestação de serviço de contabilidade (o mesmo vale para limpeza, administração e o que Fl. 189DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 01/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11065.101154/200764 Acórdão n.º 3402001.081 S3C4T2 Fl. 7 7 mais se pensar), serviços finais, pois, ainda que prestados a outra empresa que produza outro serviço (ou bem) final. A arrecadação, nãocumulativa, das contribuições deve alcançar a soma das duas receitas. Logo, não é o fato de se ter de somar às receitas de vendas outras receitas para compor a base de cálculo que faz dedutível alguma despesa. Até porque as despesas aqui referidas – especialmente as de vendas e administrativas – existirão mesmo que não haja nenhuma outra receita a acrescer. É claro que a obtenção de ambas requer pessoal especializado contratado. Tais remunerações, no entanto, ainda com mais razão do que as da mãodeobra direta, constituem destinações do valor agregado e ainda que sejam efetivamente pagas a pessoas jurídicas não devem ser abatidas das receitas para se chegar ao conceito de valor agregado. Em suma, e à guisa de conclusão: para a análise da nãocumulatividade, o conceito fundamental é o de valor agregado em dada operação, mesmo que se adote o método dos créditos fiscais. Ele não corresponde à diferença entre o total das receitas e o total das despesas. Ele é a diferença entre o valor do bem final e o valor dos bens intermediários, entendidos estes últimos como aqueles que desaparecem no processo produtivo para que possa passar a existir o bem ou serviço final. Todo o valor agregado se destina a cobrir as “remunerações devidas aos fatores de produção” com os quais se executa aquele processo, em nada importando que tais remunerações sejam pagas a pessoas físicas ou jurídicas. Com essas colocações preliminares, fica mais fácil entender e julgar o texto da Lei 10.833, que introduziu a tributação nãocumulativa – adotando a técnica do crédito fiscal – para a contribuição destinada ao financiamento da Seguridade Social. Deveras, o seu art. 3º dispôs: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; Fl. 190DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 01/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11065.101154/200764 Acórdão n.º 3402001.081 S3C4T2 Fl. 8 8 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2o sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoa física. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. ..... Assim, todos os bens (e até mesmo serviços) que se possam enquadrar como insumos, mais despesas que o legislador entendeu necessárias à obtenção das outras receitas tributadas: despesas financeiras e aluguéis dos bens produtores de renda. Não há, aí – a meu ver, sem qualquer sombra de dúvidas – espaço para que se pretenda deduzir créditos tomados sobre despesas administrativas ou com vendas nem mesmo Fl. 191DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 01/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11065.101154/200764 Acórdão n.º 3402001.081 S3C4T2 Fl. 9 9 itens contabilmente lançados como custos mas que não correspondam ao conceito de insumos acima empregado. Notese, quanto a este último, que o legislador foi mesmo além do conceito esposado acima, já em si mesmo extensivo quando comparado ao que lhe quer dar a Administração Tributária. De fato, incluiu no conceito de insumos os serviços consumidos no processo produtivo (serviços intermediários, pois) e admitiu crédito sobre a depreciação dos bens do ativo imobilizado diretamente empregados na produção, adotando, ao que parece, a controversa tese de que também eles são “consumidos” no processo produtivo só que em prazo mais longo do que as matérias primas. Tais definições são, a meu ver, extensivas, levando a que a tributação recaia sobre menos do que o efetivo valor agregado. Por isso mesmo, não vejo na lei instituidora da sistemática qualquer inconstitucionalidade, ainda que se assuma que a determinação do § 12 do art. 195 implique a adoção do mesmo método expressamente enunciado para o IPI e o ICMS, respectivamente no inciso II do § 3º do art. 153, e no inciso I do § 1º do art. 155 da Constituição. Ele apenas determina que se abata o “imposto cobrado nas operações anteriores”. Assim se fez à larga. Desnecessário dizer que, mesmo que a visse, não poderíamos os Conselheiros membros do CARF deixar de aplicála por esse motivo. Isso porque, é, mais do que jurisprudência consolidada, norma regimental e conteúdo de Súmula Administrativa, que os conselheiros membros do CARF não podem deixar de aplicar norma legal, nem mesmo sob alegação de inconstitucionalidade. Tratase da Súmula nº 02 do Segundo Conselho de Contribuintes cuja observância é obrigatória pelos membros do CARF por força do que dispõe o § 4º do art. 72 de seu regimento interno baixado pela Portaria MF 256/2009. Resta, assim, apenas verificar se algum dos itens pretendidos pela empresa poderia se enquadrar como insumo na definição dada pelo legislador e por ela defendido em seu recurso. Penso que não. Com efeito, apenas dois itens podem ser enquadrados como despesas (ou custos) com serviços de terceiros: o refeitório do pessoal produtivo e as assistências médica, farmacêutica e odontológica também a eles prestadas. Entendo, porém, que ambas integram a remuneração indireta dos trabalhadores e dado que, como já dito, toda remuneração integra o valor agregado, não há porque excluílas. Nego, por isso, provimento ao recurso quanto a isso. Por fim, e pelo mesmo motivo, também não se pode admitir a inclusão de juros calculados com base na taxa selic. É que há norma legal que expressamente o veda: o art. 13 do mesmo texto legal acima transcrito: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 01/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11065.101154/200764 Acórdão n.º 3402001.081 S3C4T2 Fl. 10 10 Como já afirmei, mais do que jurisprudência consolidada, é norma regimental e conteúdo de Súmula Administrativa, que os conselheiros membros do CARF não podem deixar de aplicar norma legal, nem mesmo sob alegação de inconstitucionalidade. Por isso mesmo, a jurisprudência também oriunda daquele órgão, citada pela recorrente, somente se aplicava a outros casos de ressarcimento, na ausência de norma legal expressa. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 07 de abril de 2011 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 193DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Assinado digitalmente em 01/06/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, 01/06/2011 por NAYRA BASTOS MANATTA
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